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Lista de Redação – Gramática – Linguagem, Texto e
Discruso – 39 Questões [Difícil]
Questão 01)
Texto
Sempre existem novas formas de chegar a um mesmo resultado. Muitas
vezes, melhor. A comunicação eficaz consistem sempre numa forma original
de dizer mais ou menos as mesmas coisas.
Porque no fundo, vamos ser honestos, o que tem de ser dito varia pouco.
Qual é a pasta de dentes que não deixa os dentes mais brancos?
A margarina que não é mais gostosa?
O seguro que não protege sua família?
O perfume que não provoca romances?
Giuseppe Glacosa, que escreveu o libreto da ópera La Bohême para
Puccini, afirmou certa vez que em toda a literatura produzida pela
humanidade desde os gregos só existiam 148 situações dramáticas
possíveis. Em "marketing" é igual. As situações que um produto enfrenta num
mercado não são infinitas. Elas se repetem.
O que varia é a forma como se abordam essas situações.
As pessoas em geral não estão interessadas nos produtos em si. Estão
interessadas no benefício que podem tirar desses produtos.
Um Rolex torna a pessoa distinta.
Um carro esporte torna o dono mais jovem.
Um creme de beleza engana a morte.
Quais as chances de você ser percebido? Tem de usar talento. Mais um
tipo específico de talento: o talento de comunicar.
Júlio Ribeiro In Revista Exame, 14/09/94), pp. 110-111 (adaptação)
As funções da linguagem predominantes no primeiro e no último parágrafos
do texto são, respectivamente:
a) emotiva e fática.
b) conativa e metalinguística.
c) emotiva e referencial.
d) referencial e conativa.
e) fática e metalinguística.
Questão 02)
Assinale a opção que não apresenta impropriedades em relação às regras
da escrita formal:
a) Desde o início do século, tem sido realizados estudos visando à
erradicação do analfabetismo em países pobres.
b) O candidato ao governo do Estado interviu na apresentação de um dos
seus expositores.
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c) Aquele analista econômico, cujo livro foi um sucesso, previu a crise
econômica pela qual passamos.
d) Este medicamento vem sendo testado em animais a um ano
aproximadamente.
e) É salutar que o diretor devirja de nossa proposta.
Questão 03)
O trecho publicitário a seguir apresenta uma transgressão gramatical
bastante comum:
Esta empresa se preocupa com economia de energia muito antes que você
se preocupasse com isso.
Leia as frases abaixo e assinale a opção adequada ao padrão formal da
língua:
I) Esta empresa se preocupava com energia muito antes que você se
preocupasse com isso.
II) Esta empresa se preocuparia com economia de energia muito antes que
você se preocupasse com isso.
III) Esta empresa se preocupou com economia de energia muito antes que
você se preocupe com isso.
IV) Esta empresa se preocupara com economia de energia muito antes que
você se preocupasse com isso.
V) Esta empresa se preocupa com economia de energia muito antes que
você tivesse se preocupado com isso.
a) Apenas I.
b) I, ll e lll.
c) I e lll.
d) II, lll e V.
e) II e IV.
Questão 04)
A norma gramatical não é seguida com rigor em:
Água Pura. Valorizando a vida.
Assinale a opção indicativa da transgressão:
a) As frases incompletas não fazem sentido.
b) Na segunda frase não há oração principal.
c) As frases estão fora de ordem.
d) O tempo verbal está inadequado.
e) Não há sujeito na segunda frase.
Questão 05)
O texto abaixo, de divulgação científica, apresenta termos coloquiais que,
apesar de muito expressivos, não são comuns em textos científicos.
Reescreva o primeiro período, utilizando a linguagem no nível formal.
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A ciência vive atrás de truques para dar uma rasteira genética no câncer, mas
desta vez parece que pesquisadores americanos deram de cara com um ovo
de Colombo. Desligando um só gene, eles pararam o crescimento do tumor.
Melhor ainda: quando a substância que suprimia o gene parava de agir, ele
se ativava, outra vez – mas a favor do organismo, ordenando a morte do
câncer.
(JOSÉ REINALDO LOPES. Gene “vira-casaca” derruba tumor. Folha de
S.Paulo, 5/07/2002, A-16)
Questão 06)
Assinale a única opção gramaticalmente correta.
a) Os caminhos porque passamos eram sombrios.
b) Assististe ao espetáculo? Assisti-lhe.
c) Volte, que os país está - lhe ordenando.
d) Refiro-me à opinião dele e não a dela.
e) Eis os países à que fizemos restrições.
Questão 07)
"STF dá vitória ao governo no julgamento do artigo 20"
"Pela diferença de um voto, o governo saiu vitorioso ontem no julgamento do
pedido de liminar contra o artigo 20 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Uma
retificação no voto do ministro Marco Aurélio de Mello garantiu a decisão do
STF, que confirmou a constitucionalidade do artigo que estabelece os limites
de gastos com pessoal para os três poderes. A revisão promovida pelo
ministro Marco Aurélio favoreceu o governo, que corria o risco de ficar
impedido de aplicar cortes de despesas com folha de pagamento previstas
na lei, especialmente em relação aos Poderes Legislativo e Judiciário no
âmbito dos Estados e Municípios. Existem ainda no STF outras cinco ações
propostas pela oposição contra dispositivos da Lei de Responsabilidade
Fiscal."
(O Estado de S. Paulo, 12/10/2000.)
(nota: o título de "ministro" é dado aos juízes do Supremo Tribunal Federal)
a) No texto acima, ocorrem vários termos de jargão técnico que remetem a
diversas fases do andamento de um processo no judiciário. Transcreva
pelo menos três.
b) O que os termos "retificação" e "revisão" informam sobre a participação
do juiz Marco Aurélio de Mello no julgamento da questão?
c) Do que trata o artigo 20 da lei de Responsabilidade Fiscal? Responda,
com base no texto.
Questão 08)
No dia 10/11 passado, os jornais divulgaram a carta mediante a qual o médico
Adib Jatene solicitava ao Presidente da República sua demissão do cargo de
Ministro da Saúde, e a carta do Presidente da República, aceitando a
demissão. Dessas cartas foram extraídos, respectivamente, os dois trechos
abaixo:
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A sua Excelência, o Senhor Doutor Fernando Henrique Cardoso,
Presidente da República Federativa do Brasil.
Repito a frase aprendida de Vossa Excelência: “A política não é a arte do
possível. É a arte de tornar o possível necessário.”
Estou tranquilo porque dei minha contribuição com lealdade e no limite de
minha capacidade, sem trair os ideais dos que lutam no setor saúde pela
equidade e pela garantia de acesso às camadas mais sofridas da população.
Outros complementarão o trabalho, sob a liderança de Vossa Excelência,
para que seja possível atender ao necessário que detectamos.
Aproveito para manifestar-lhe o meu melhor apreço.
Cordialmente,
Adib Jatene, Ministro da Saúde
Meu Caro Jatene
Exatamente porque acredito que é preciso tornar possível o necessário,
apoiei a CPMF e fiz, junto consigo, os esforços para aumentar a dotação do
Ministério da Saúde. Só assim foi possível quase dobrar, em dois anos, os
recursos do SUS. Ainda sim, eles são insuficientes. O que fazer? Continuar
lutando, como continuarei: pena que sem você, embora com sua
inspiração.
.........................................................................................................................
.....................
Resta agradecer, muito sinceramente, sua colaboração, sua coragem
para diagnosticar os problemas do ministério e enfrentar as soluções, e o
ânimo que você infundiu em todos nós.
Tenho a certeza de que suas declarações mostrando a disposição decontinuar a luta pela saúde não ficarão nas palavras. O Brasil precisa de
gente como você.
Com afetuoso abraço.
Fernando Henrique Cardoso
a) Os autores das duas cartas utilizam registros lingüísticos diferentes, no
interior da variedade culta do português escrito. Aponte nos textos
essas diferenças de registros e explique o efeito que cada um deles
produz.
b) O uso culto de consigo é o que as gramáticas exemplificam por meio de
frases como: O vento traz consigo a tempestade. Compare esse uso
com o que foi feito pelo presidente no primeiro parágrafo de sua carta e
explique as diferenças.
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c) Pelo que se lê no primeiro parágrafo das duas cartas, Jatene teria
aprendido com Fernando Henrique o conceito de política que procurou
aplicar enquanto ministro, mas uma leitura atenta desses parágrafos
aponta uma grande diferença. Explique essa diferença.
Questão 09)
Terra em chamas
Com seu privilégio territorial, o Brasil jamais deveria ter o campo
conflagrado. Existem 371 milhões de hectares prontos para a agricultura no
país, uma área enorme, que equivale aos territórios de Argentina, França,
Alemanha e Uruguai somados. Mas apenas 14% dessa terra, igual à
Alemanha, tem algum tipo de plantação. Outros 48%, área quase igual à do
México, destinam-se à criação de gado. O que sobra, uma África do Sul
inteira, é o que os especialistas chamam de terra ociosa. Nela não se produz
1 litro de leite, uma saca de soja, 1 quilo de batata ou um cacho de uva. Por
trás de tanta terra à-toa esconde-se outro problema agrário brasileiro. Quase
metade da terra cultivável está nas mãos de 1 % dos fazendeiros, enquanto
uma parcela ínfima, menos de 3%, pertence a 3,1 milhões de produtores
rurais. É como se a população da cidade de Resende, no interior do Estado
do Rio de Janeiro, fosse dona de três Franças, enquanto a população da
Nova Zelândia tivesse apenas um Estado de Santa Catarina.
(...)
Juntando tanta terra na mão de poucos e vastas extensões improdutivas,
o Brasil montou o cenário próprio para atear fogo ao campo. É aí que nascem
os conflitos, que nos últimos quinze anos, só em chacinas, fizeram 11 5
mortos. Daí surge a massa de sem-terra, formada tanto por quem perdeu
seu pedaço para plantar como pela multidão de excluídos, desempregados
ou biscateiros da periferia das grandes cidades, que são, de uma forma ou
de outra, gente também ligada à questão da terra - porque perdeu a
propriedade, porque não choveu, porque o pai vendeu a fazenda, porque ela
foi inundada por uma represa.
(VEJA. "Sangue em Eldorado". SP Editora Abril, Edição 1441/Ano29/N
17.24/04/96. p.40.)
Atenção - vocabulário:
conflagrado (1° período) - em agitação, em convulsão
Um dos aspectos do problema tematizado em "Terra em chamas" está
discutido no seguinte trecho:
"O que sobra, uma África do Sul inteira, é o que os especialistas chamam de
TERRA OCIOSA. Nela não se produz 1 litro de leite, uma saca de soja, 1
quilo de batata ou um cacho de uva. Por trás de tanta TERRA À-TOA
esconde-se outro problema agrário brasileiro."
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a) Aponte a diferença de sentido entre "terra OCIOSA" e "terra À-TOA", no
trecho destacado.
b) O emprego da expressão "terra À-TOA", em confronto com a expressão
"terra ociosa", manifesta a função emotiva (ou expressiva) da linguagem.
Explique por quê.
Questão 10)
Assinale a alternativa em que se evidencia a presença de metalinguagem.
a) Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos
os dias,
entre o fogo e o amor.
b) Gastei uma hora pensando num verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
c) Este pintor
sabe o corpo feminino e seus possíveis
de linha e de volume reinventados.
Sabe a melodia do corpo em variações entrecruzadas.
Lê o código do corpo, de A ao infinito
dos signos e das curvas que dão vontade de morrer
de santo orgasmo e de beleza.
d) E não gostavas de festa...
Ó velho, que festa grande
hoje te faria a gente.
E teus filhos que não bebem
e o que gosta de beber,
em torno da mesa larga,
largavam as tristes dietas,
esqueciam seus fricotes,
e tudo era farra honesta
acabando em confidência.
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e) Um grito pula no ar como foguete.
Vem da paisagem de barro úmido, caliça e andaime hirtos.
O sol cai sobre as coisas em placa fervendo.
O sorveteiro corta a rua.
E o vento brinca nos bigodes do construtor
Questão 11)
Leia a nota abaixo:
Curso Madame Natasha de piano e português
Madame Natasha tem horror a música. Ela zela pela luminosidade do
idioma e deu mais uma de suas bolsas de estudo ao secretário de Energia
do Rio de Janeiro, Wagner Granja Victer, pelo convite que fez circular no
andar de cima, chamando as pessoas para a “assinatura do convênio de
eficientização da iluminação pública do município de Petrópolis”.
Victer informa que já foram “eficientizados” 19.100 pontos de luz na
cidade.
A senhora está na acreditação de que se o secretariante tiver respeitamento
pelo português, deve eficientizar as palavras que usa em suas
comunicâncias.
GASPARI, Elio. Folha de S. Paulo. São Paulo, 16 nov. 2003, p. A10.
Madame Natasha é uma personagem criada por Elio Gaspari com a
finalidade de ridicularizar a linguagem usada por autoridades da vida pública
brasileira, que, segundo o jornalista, atropelam a comunicação.
a) Analisando o trecho citado, explique por que o emprego dos termos
“eficientização” e “eficientizados” está sendo criticado.
b) O jornalista encerra o seu texto com uma redação sarcástica, apropriada
ao contexto de sua crítica.
Reescreva o último parágrafo de acordo com a norma padrão,
substituindo as palavras inadequadas a esse nível de linguagem por
outras de mesmo sentido, com as adaptações necessárias.
Questão 12)
Considere os trechos:
I. “– Rapaziada – disse um dos mancebos –, vamos nós aqui a uma partida
de lansquenê, enquanto esses basbaques ali estão a arrastar os pés e a
fazer mesuras.” (Escrava Isaura, p. 104)
II. “Era bom sentir no côncavo da mão e nos dedos o calor da cuia de
chimarrão e mais saboroso ainda chupar a velha bomba que herdara do
velho Xisto, reter na boca, meio queimando a língua, o mate escaldante e
depois deixar o amargo descer devagarinho, faringe e esôfago abaixo, e
ir aquecer-lhe o peito, como um poncho para uso interno.” (Incidente em
Antares, p. 94)
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III. “– A mode que ainda não lhe botei os olhos em riba, credo!” (Homens e
algas, p. 125)
Assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).
01. O trecho I apresenta a linguagem urbana, culta, característica do século
XIX, em contraste com o trecho III, que apresenta a linguagem de
pescadores catarinenses de meados do século XX.
02. No trecho I, o convite expresso na fala de um personagem focaliza o jogo
e a dança, hábitos sociais típicos de saraus da época. Já no trecho II, o
narrador revela traços regionalistas ao descrever um hábito cultural do
gaúcho.
04. O trecho III pode ser reescrito, com o mesmo sentido, da seguinte forma:
“A moda era não olhar para cima, e acreditar!”.
08. O pronome lhe apresenta valor possessivo em “aquecer-lhe o peito”
(trecho II) e faz referência a “velho Xisto”.
16. No trecho II, a palavra amargo pode ser classificada como adjetivo da
mesma forma que em “Gosto de mate amargo”.
32. A locução “estão a arrastar” (trecho I) corresponde, na norma cultaatual
do português brasileiro, a “estão arrastando”.
Questão 13)
Calvin é personagem de uma conhecida tirinha americana traduzida para
várias línguas.
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a) A primeira tira é uma tradução portuguesa e a segunda, uma tradução
brasileira. Dê um exemplo de uma diferença sintática entre a tradução do
português europeu e a do português brasileiro. Descreva essa diferença.
b) Explique a diferença de sentido entre os verbos ter e haver em “Tem que
haver um jeito melhor de fazer ele comer!”, na segunda tirinha.
Questão 14)
Vidas Secas, apesar da objetividade de linguagem e secura de estilo,
reveste-se, com frequência, de fina poesia e revela sensível lirismo. Assim,
indique, dos trechos abaixo, o que apresenta a função dominantemente
poética, como resultado do processo de seleção e de combinação das
palavras e gerador de efeito estético.
a) Fabiano, meu filho, tem coragem. Tem vergonha, Fabiano. Mata o
soldado amarelo. Os soldados amarelos são uns desgraçados que
precisam morrer. Mata o soldado amarelo e os que mandam nele.
b) As contas do patrão eram diferentes, arranjadas a tinta e contra o
vaqueiro, mas Fabiano sabia que elas estavam erradas e o patrão queria
enganá-lo. Enganava. Que remédio?
c) Como era que sinhá Vitória tinha dito? A frase dela tornou ao espírito de
Fabiano e logo a significação apareceu. As arribações bebiam a água.
Bem. O gado curtia sede e morria. Muito bem. As arribações matavam o
gado. Estava certo. Matutando, a gente via que era assim, mas sinhá
Vitória largava tiradas embaraçosas. Agora Fabiano percebia o que ela
queria dizer.
d) De repente, um risco no céu, outros riscos, milhares de riscos juntos,
nuvens, o medonho rumor de asas a anunciar destruição. Ele já andava
meio desconfiado vendo as fontes minguarem. E olhava com desgosto
a brancura das manhãs e a vermelhidão sinistra das tardes.
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e) Os três pares de alpercatas batiam na lama rachada, seca e branca por
cima, preta e mole por baixo. A lama da beira do rio, calçada pelas
alpercatas, balançava.
Questão 15)
Leia a tirinha abaixo.
Assinale a frase correta para preencher o último quadrinho, de acordo com
a norma culta e com o contexto.
a) De fato, claro, que essa poderia ser a única maneira de manter-lo vivo.
b) Desde que fique claro que esta seja a única maneira de lhe manter vivo.
c) Por mais que fique claro que essa seja a única maneira de manter-lhe
vivo.
d) É claro que esta possa ser a única maneira de lhe manter vivo.
e) A menos, claro, que esta seja a única maneira de mantê‑lo vivo.
Questão 16)
Nas opções a seguir, são apresentados trechos adaptados do texto “As
outras sepulturas”, de Luis Fernando Veríssimo, publicado no Estadão, em
4/4/2013.
(Disponível em: http://www.estadao.com.br/ noticias/impresso,as-
outras-sepulturas,1016829,0. htm. Acesso em 12/10/2013).
Assinale a opção em que o trecho foi transcrito de forma gramaticalmente
correta.
a) Sempre é bom começar citando Hegel. Porque dar uma certa classe ao
texto e por que, apartir de Hegel, você pode ir para qualquer lado, para
a esquerda e ou para direita. Marx, afiou suas teses, criticando e às
vezes assimilando Hegel, e Hegel, era o exemplo mais acabado do que
Marx abominava o filósofo que explicava o mundo em vez de tentar
mudar ele.
b) Mas minha citação de Hegel não tem nada haver com esta divisão,
mesmo por que é uma que todo o mundo — a partir da redescoberta da
peça no século 18 — endoçaria. Hegel disse que a “Antígona” de
Sófocles era o mais sublime produto da mente humana e sua heroína a
mais admirável personagem da História.
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c) Escrita a 400 anos antes de Cristo, a peça conta a história da filha de
Édipo. Rei de Tebas, com a sua mulher (e mãe, lembra?) Jocasta.
Antígona quer enterrar, seu irmão, morto num ataque a Tebas,
contrariando às ordens do rei Creonte, para quem o corpo do traidor, que
permanecerá insepulto, pertence ao Estado, e não à sua família.
d) Antígona rouba o corpo do irmão para que sua alma, sem os ritos
fúnebres, não se perca no mundo dos mortos, e o sepulta no meio da
noite. Para punir sua desobediência, Creonte a condena a ser enterrada
viva. Muitos conflitos são desnudados na peça, mas o principal deles é
entre o estado e o indivíduo, entre a lei fria e os costumes antigos, entre
o direito do soberano e o direito do sangue comum.
e) A história de Antígona se adapta ao momento no Brasil, quando se tenta
investigar o que permanece simutaneamente enterrado e insepulto no
nosso passado, tantos anos depois do fim da ditadura. Os corpos, ainda
não foram devolvidos às suas familias, os direitos do sangue ainda não
se impuseram aos direitos do Estado algoz.
Questão 17)
Observe atentamente o trecho retirado de uma obra literária:
(…) La Grange, pincel na mão, mirou-o num assombro de ofensa:
– Se você pensa que a fotografia é uma arte, está equivocado quanto ao que
seja arte.
(ASSIS BRASIL, Luiz Antonio de. O pintor de retratos.
Porto Alegre: L & PM, 2002. p. 26.)
Obedecendo à norma culta e adaptando o trecho para o discurso indireto,
assinale a alternativa que contém a transposição correta.
a) La Grange, pincel na mão, mirou-o num assombro de ofensa e afirmou
que, se ele pensava que a fotografia fosse uma arte, estava equivocado
quanto ao que é arte.
b) La Grange, pincel na mão, mirou-o num ar de ofensa e afirmou que, se
ele pensa que a fotografia é uma arte, estava equivocado quanto ao que
é arte.
c) La Grange, pincel na mão, mirou-o num ímpeto de ofensa e observou
que, se ele pensava que a fotografia é uma arte, estava equivocado
quanto ao que seja arte.
d) La Grange, pincel na mão, mirou-o num assombro de ofensa e
perguntou: se ele pensava que a fotografia é uma arte, estava
equivocado quanto ao que é arte.
e) La Grange, pincel na mão, mirou-o num ar de ofensa e afirmou que, se
ele pensara que a fotografia fosse uma arte, estaria equivocado quanto
ao que é arte.
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Questão 18)
Considerando a análise de aspectos linguísticos dos trechos abaixo,
extraídos da obra “Você Verá”, marque (V) para os comentários verdadeiros
e (F) para os falsos. Em seguida, assinale a alternativa que apresenta a
sequência CORRETA.
( ) Em “Acho a astrologia a ciência dos tolos, e, até prova em contrário, não
me considero um deles.” Houve um desvio da norma padrão, que
prescreve como certa a expressão “até provem o contrário”, em
substituição à expressão sublinhada.
( ) Em “Foi um morticínio, uma coisa que ninguém na região nunca vira(...)”,
a palavra morticínio significa assassinato em série.
( ) O que aconteceu com o nome do narrador do conto Bem - Stanislaw >
Lauro > Lau > Stan-é um fenômeno linguístico semelhante ao ocorrido
com o pronome de tratamento Vossa Mercê - Vosmecê > você > cê.
( ) Em “(...) que direito tinha o Bem de se tornar milionário?”, o pronome
sublinhado aparece anteposto ao verbo (próclise), uma vez que a
preposição o atrai, segundo a norma padrão.
( ) Em “(...) quando a mãe a levava à matinê.” e “(...) pois ainda escutava
em mim as risadas”, os pronomes sublinhados são classificados,
respectivamente, como oblíquo átono e oblíquo tônico.
( ) Em “Minha mãe sempre dizia: 'Deus protege quem trabalha’”, a regência
do verbo proteger não está de acordo com a norma padrão, uma vez que
ele é transitivo indireto e, por isso, rege preposição, como em: 'Deus
protege a quem trabalha’”.
A sequência correta é
a) F- F- V- V- V- F
b) V- F- F- V- F- V
c) F- F- F- V- V- F
d) V- V- V- F- F- V
TEXTO: 1 - Comum àquestão: 19
Meu amigo Marcos
O generoso e divertido companheiro de crônicas
Conheci Marcos Rey há mais de vinte anos, quando sonhava tornar-me
escritor. Certa vez confessei esse desejo à atriz Célia Helena, que deixou sua
marca no teatro paulista. Tempos depois, ela me convidou para tentar
adaptar um livro para teatro. Era O RAPTO DO GAROTO DE OURO, de
Marcos. Passei noites me torturando sobre as teclas. Célia marcou um
encontro entre mim e ele, pois a montagem dependia da aprovação do autor.
Quando adolescente, eu ficara fascinado com MEMÓRIAS DE UM GIGOLÔ,
seu livro mais conhecido. Nunca tinha visto um escritor de perto. Imaginava
uma figura pomposa, em cima de um pedestal. Meu coração quase saiu pela
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boca quando apertei a campainha. Fui recebido por Palma, sua mulher. Um
homem gordinho e simpático entrou na sala. Na época, já sofria de uma
doença que lhe dificultava o movimento das mãos e dos pés. Cumprimentou-
me. Sorriu. Estava tão nervoso que nem consegui dizer "boa-tarde".
Gaguejei. Mas ele me tratou com o respeito que se dedica a um colega.
Propôs mudanças no texto. Orientou-me. Principalmente, acreditou em mim.
A peça permaneceu em cartaz dois anos. Muito do que sou hoje devo ao
carinho com que me recebeu naquele dia.
(WALCYR CARRASCO, PÁG. 98 - VEJA SP, 14 DE ABRIL, 1999.)
...tentar adaptar um livro para teatro. Era O RAPTO DO GAROTO DE OURO,
de Marcos.
Questão 19)
...tentar adaptar um livro para teatro. Era O RAPTO DO GAROTO DE OURO,
de Marcos.
Ao tipo de letra maiúscula, utilizada em O RAPTO DO GAROTO DE OURO,
dá-se o nome de destaque.
Justifique seu uso, nesse caso.
TEXTO: 2 - Comum à questão: 20
Para responder às questões adiante, leia os textos a seguir.
"Psicografia", de Ana Cristina Cesar.
Também eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras
cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração: não soube e digo
da palavra: não digo (não posso ainda acreditar
na vida) e demito o verso como quem acena
e vivo como quem despede a raiva de ter visto
"Autopsicografia", de Fernando Pessoa.
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só as que eles não têm.
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E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Vocabulário:
comboio: trem de ferro.
calhas de roda: trilhos sobre os quais corre o trem de ferro.
Questão 20)
Compare os poemas de Fernando Pessoa e de Ana Cristina Cesar e
responda:
a) Por que se pode dizer que em ambos os poemas está presente a função
metalingüística?
b) Explique a ambigüidade presente no poema de Fernando Pessoa,
revelada pelo título e pelo adjetivo "fingidor", em contraste com o poema
de Ana Cristina Cesar.
TEXTO: 3 - Comum à questão: 21
I) Aproveite o Dia Mundial da Aids e faça um cheque ao portador. Bradesco,
Ag. 093-0, C/C 076095-1. (Agência Norton)
lI) Bi Bi - General Motors: duas vezes bicampeã do carro do ano. (Agência
Colucci e Associados)
Questão 21)
Os anúncios apresentam semelhanças porque seus criadores:
a) exploram, na construção do texto, o potencial de significação das
palavras, com criatividade.
b) exploram expressões consagradas, negando, no entanto, o sentido
popular de cada uma delas.
c) utilizam processos de abreviação vocabular, representados,
respectivamente, por uma sigla e uma onomatopéia.
d) apostam nas sugestões sonoras produzidas pelos textos e no
conhecimento vocabular dos leitores.
e) elaboram textos que, apesar de criativos, apresentam a redundância
como um problema de redação.
TEXTO: 4 - Comum à questão: 22
Apelo
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias,
para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na
conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no
lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
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Com os dias, Senhora, o leite pela primeira vez coalhou. A notícia de sua
perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou
debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário
ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os
amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua
presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.
E comecei a sentir falta das primeiras brigas por causa do tempero na
salada – o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas
violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão
na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de
nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas
mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
Dalton Trevisan
In BOSI, A. (org.) O conto brasileiro
contemporâneo. São Paulo, Cultrix, 1997, p. 190.
Questão 22)
A linguagem do texto denota que a personagem:
a) comete erros em função de seu estado emocional, embora domine a
norma culta e a modalidade escrita da língua.
b) tem consciência de que comete falhas gramaticais, já que associa seu
quase analfabetismo à caligrafia.
c) tem domínio da modalidade escrita da língua, haja vista o uso do
pronome tu , mais adequado ao conteúdo emotivo da carta.
d) utiliza, conscientemente, registros que se opõem à norma culta, com o
propósito de se fazer entender pelo namorado.
e) usa expressões que sugerem a percepção de que a modalidade escrita
difere da modalidade falada, apesar de não dominar a norma culta.
TEXTO: 5 - Comum à questão: 23
L. F. Veríssimo
Importados
1 - Nunca entendi por que, com a abertura da nossa economia, não
aproveitaram para importar outro povo.
2 - Outro povo, Mirtes?
3 - Para substituir o nacional. O estrangeiro é muito mais bem-feito do que
o que se encontra por aqui.
4 - Ouvi dizer que há um problema para conseguir peças...
5 - Bobagem. Hoje, pela Internet, se compra de tudo.
6 - Sabe que você pode ter razão, Mirtes? O material do povo que se vê no
estrangeiro é muito melhor, o acabamento é superior...
7 - E o desempenho nem se fala. Vai ver se nos Estados Unidos tem gente
parada.
8 - Eles são mais higiênicos, têm mais e melhores dentes...
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9 - E quase não precisam de manutenção. Ao contrário do brasileiro, que
está sempre na fila do SUS para consertos e por qualquer coisinha
empaca.
10 - Além do mais, os estrangeiros têm como equipamento standard o que
aqui é opcional, ou inexistente. Calorias, boa educação primária...
11 - E duram muito mais.
12 - Haveria, claro, um problema de adaptação...
13 - Mínimo! Língua, corrente elétrica, nada que não se pudesse resolver
em pouco tempo. E trazer povo de fora ajudaria a produção nacional,
pois seria um incentivo para melhorar a qualidade de gente feita aqui.
Nada como a competição, querida.
14 - E os preços não assustam?
15 - Nada. Vi um catálogo na Amazon com uns dinamarqueses bem
acessíveis.
Questão 23)
Se o diálogo do texto simulasse a fala informal, algumas palavras teriam sua
grafia alterada para reproduzir, o mais fielmente possível, a pronúncia dos
falantes:
"opcional" (par. 10) é opicionau
"pouco" (par. 13) é poco
"melhorar" (par. 13) é melhorá
A única alteração que NÃO se encontra nas transformações é
a) queda de fonema consonantal no final do vocábulo.
b) acréscimo de vogal para separar um encontro consonantal.c) acréscimo de vogal provocando a formação de um ditongo crescente.
d) substituição de consoante final por semivogal, provocando a formação
de um ditongo decrescente.
e) simplificação de ditongo decrescente em vogal simples.
TEXTO: 6 - Comum à questão: 24
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Viajar virou sinônimo de relaxar. Principalmente quando você tem à sua
disposição uma poltrona de design ergonômico com maior capacidade para
reclinar e 132 cm de espaço entre a sua poltrona e a da frente. Além disso,
você conta com mais de 300 salas VIP em aeroportos no mundo todo e pode
acumular e utilizar pontos no seu programa de milhagens voando com
qualquer linha aérea da aliança oneworld. Business Intercontinental da
Iberia. Sorria.
Questão 24)
No mesmo anúncio, a relação entre o texto verbal e a imagem fotográfica
caracteriza-se principalmente:
a) pelo sarcasmo.
b) pelo sentimentalismo.
c) pela incoerência.
d) pelo humor.
e) pelo sensacionalismo.
TEXTO: 7 - Comum à questão: 25
O marinheiro sueco, um loiro de quase dois metros, entrou no bar, soltou um
bafo pesado de álcool na cara de Nacib e apontou com o dedo as garrafas
de "Cana de Ilhéus". Um olhar suplicante, umas palavras em língua
impossível. Já cumprira Nacib, na véspera, seu dever de cidadão, servira
cachaça de graça aos marinheiros. Passou o dedo indicador no polegar, a
perguntar pelo dinheiro. Vasculhou os bolsos o loiro sueco, nem sinal de
dinheiro. Mas descobriu um broche engraçado, uma sereia dourada. No
balcão colocou a nórdica mãe-d'água, Yemanjá de Estocolmo. Os olhos do
árabe fitavam Gabriela a dobrar a esquina por detrás da Igreja. Mirou a
sereia, seu rabo de peixe. Assim era a anca de Gabriela. Mulher tão de fogo
no mundo não havia, com aquele calor, aquela ternura, aqueles suspiros,
aquele langor. Quanto mais dormia com ela, mais tinha vontade. Parecia feita
de canto e dança, de sol e luar, era de cravo e canela. Nunca mais lhe dera
um presente, uma tolice de feira. Tomou da garrafa de cachaça, encheu um
copo grosso de vidro, o marinheiro suspendeu o braço, saudou em sueco,
emborcou em dois tragos, cuspiu. Nacib guardou no bolso a sereia dourada,
sorrindo. Gabriela riria contente, diria a gemer: "precisava não, moço bonito
..." E aqui termina a história de Nacib e Gabriela, quando renasce a chama
do amor de uma brasa dormida nas cinzas do peito.
Questão 25)
Assinale a alternativa que contém um trecho em que o autor apresenta as
informações numa linguagem altamente conotativa.
a) ... soltou um bafo pesado de álcool na cara de Nacib...
b) Os olhos do árabe fitavam Gabriela a dobrar a esquina...
c) Já cumprira Nacib, na véspera, seu dever de cidadão...
d) Mas descobriu um broche engraçado, uma sereia dourada.
e) Parecia feita de canto e dança, de sol e luar, era de cravo e canela.
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TEXTO: 8 - Comum à questão: 26
Considere a ilustração de uma campanha publicitária e a tela “Auto-retrato
em manteau rouge”.
Conforme a propaganda do perfume, “Tarsila tem sua embalagem inspirada
na obra Manteau Rouge, alusiva a um casaco, ou manto, vermelho usado
pela artista num jantar oferecido a Santos Dumont, em Paris. O look vibrante
de Tarsila impressionou tanto os convidados, a ponto de a musa do
movimento modernista se transformar no centro de atenções da festa. Ao sair
do evento, pintou o auto-retrato e deu-lhe título em francês”. “Auto-retrato em
manteau rouge” foi pintado em 1923.
Disponível em: <http://porta-voz.com/releases/ler/
tarsilarougehomenageiaopoderdamulherbrasileira>.
Acesso em: 15 set. 2008.
Questão 26)
No campo da publicidade, é comum a utilização de obras de arte em anúncios
para a divulgação de diferentes produtos. Explique por que obras de arte são
utilizadas como recurso para persuadir o consumidor a usar um determinado
produto.
TEXTO: 9 - Comum à questão: 27
TEXTO A
HAMLET (1948)
Direção: Laurence Olivier
Roteiro: Laurence Olivier
Produção: Laurence Olivier, Reginald Beck, Anthony Bushell
Música original: William Walton
Fotografia: Desmond Dickinson
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Edição: Helga Cranston
Design de produção: Roger K. Furse
Direção de arte: Carmen Dillon
Figurino: Roger K. Furse, Elizabeth Hennings
Efeitos especiais: Henry Harris, Paul Sheriff, Jack Whitehead
País: UK
Gênero: Drama, Romance, Crime
Sinopse
O príncipe Hamlet, filho do rei da Dinamarca, sente-se deprimido quando
perde o pai. Seu tio, Claudius, casa-se logo a seguir com sua mãe, a rainha
Gertrude, e se torna o novo rei.
Pouco tempo depois, Hamlet se depara com o fantasma do pai, que lhe revela
ter sido assassinado por Claudius e lhe pede vingança. Atormentado com
tanta tristeza, é ainda alvo de membros da família que tentam convencê-lo
de que está ficando louco.
Paralelamente, ele se sente apaixonado pela jovem Ophelia, filha de
Polonius, conselheiro de Claudius e Gertrude, e irmã mais nova de seu
grande amigo, Laertes. Ao tomar conhecimento do romance, Polonius tenta
intrigá-lo com o fim de fazer com que o príncipe deixe de fazer a corte à sua
filha.
Quando Hamlet procura a mãe para falar de suas suspeitas, segundo as
quais Claudius teria assassinado seu pai, ele termina matando
acidentalmente Polonius, que a tudo escutava às escondidas. A infeliz morte
do conselheiro de Claudius dá a este o pretexto para afastá-lo do reino.
Hamlet é, então, enviado para a Inglaterra. Ao mesmo tempo, Laertes
regressa do exterior, onde estudava, quando toma conhecimento da morte
do pai e da doença da irmã que, não suportando o fato de seu pai ter sido
morto pelo seu grande amor, vive mergulhada numa profunda tristeza e
sofrendo de desmaios.
Ao retornar à Dinamarca, Hamlet se depara com o funeral de Ophelia.
Aproveitando-se da situação, o rei Claudius convence Laertes a convidar
Hamlet para uma exibição, onde os dois lutariam com espadas. Por
orientação do rei, Laertes prepara sua espada com veneno em sua
extremidade.
No dia combinado, com a Corte reunida, inicia-se a luta. Após alguns passos,
Laertes fere Hamlet no ombro com sua espada envenenada. Enraivecido,
este consegue igualmente ferir seu oponente com a mesma espada. Nesse
instante, a rainha Gertrude grita que fora envenenada. Ela tinha
inadvertidamente bebido um vinho com veneno, preparado por Claudius para
Hamlet, caso este saísse com vida da luta.
Embora ferido, Hamlet, suspeitando de traição, ordena que todas as portas
sejam fechadas. Laertes, então, diz ser ele o traidor e que Hamlet não tem
mais que meia hora de vida, já que não há nenhum tipo de medicamento que
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possa curá-lo. Em seguida, pedindo perdão a Hamlet, morre com suas
últimas palavras acusando o rei Claudius de ser o responsável por toda essa
tragédia. Hamlet, então, vira-se para o tio e crava a espada envenenada no
coração do rei, cumprindo, assim, a promessa de vingança feita ao pai. A
seguir, chama seu amigo Horatio, que assistira a tudo, e lhe pede que conte
sua história para todo o mundo.
Disponível em: <www.65anosdecinema.pro.br/Hamlet.htm>. Acesso em: 5
mai. 2009.
TEXTO B
Hamlet
(Uma sala do palácio do Itamarati. Hamleto entra vagarosamente e para no
meio da sala. Apóia o queixo na palma da mão esquerda, metida na
abotoadura da sobrecasaca, e balança uma perna meditabundamente.)
Hamleto (monologando)
Ser ou não ser... Minh'alma eis o fatal problema. Que
deves tu fazer nesta angústia suprema. Alma forte?
Cair, degringolar no abismo?
Ou bramir, ou lutar contra o federalismo?
Morrer, dormir... dormir... ser deposto... mais nada.
Oh, a deposição é o patamar da escada...
Ser deposto:Rolar por este abismo, às tontas...
(depois de longa meditação)
E o câmbio? E o Vitorino? E o Tribunal de Contas
(outra meditação)
Morrer, dormir... dormir? Sonhar talvez, que sonho?
Que sonho? A reeleição?
[...]
(cai numa reflexão profunda)
Mas, enfim, para que ser novamente eleito?
Se não fosse o terror... Se não fosse o respeito
Que a morte inspira, e o horror desse sono profundo...
Ah! quem suportaria os flagelos do mundo!
[...]
O comércio que morre; a indústria que adormece; A míngua da lavoura; o
déficit que cresce Horrivelmente, como a estéril tiririca;
[...]
– Oh, quem resistiria a tanto, da alma forte, Se não fosse o terror do
ostracismo e da morte?
(Pausa)
O ostracismo... região triste e desconhecida Donde nenhum viajor voltou
jamais à vida...
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Ah! eis o que perturba... Ah! eis o que entibia Coragem maior e maior energia!
(entra Ofélia)
(voltando-se para ela)
[...]
Hamleto
Não te dei nada!
Ofélia
Deu! Deu-me elasticidade, Com que me transformei numa lei de borracha!
Que estica à proporção que o câmbio escarrapacha!
Meu Senhor! A que mais devo este prodígio, Senão ao seu amor, senão ao
meu prestígio?
Hamleto
Dize, Constituição, és tu Republicana?
Ofélia
Meu Senhor.
Hamleto
Dize mais! És norte-americana?
Ofélia
Príncipe...
[...]
Hamleto
Sou Vice-Presidente?
Sou Presidente? Sou Ditador? Sou cacique?
Oh! que paralisada a minha língua fique
Se te minto! Não sou mais do que um homem!
Parte!
Que é de teu pai?
Ofélia
Não sei.
Hamleto
Devia acompanhar-te.
A lei neste país, não pode andar sozinha...
Parte para Chicago! A tua dor é a minha:
É a dor que anda a chiar em toda a vida humana
Parte para a imortal nação americana!
Parte para Chicago!
[...]
BILAC, Olavo. Hamlet. In: M. Melhores poemas. Seleção de Marisa Lajolo. 4.
ed. São Paulo: Global, 2003. p. 126-131.
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TEXTO C
Disponível em: <www.faccar.com.br/desletras/hist/2005>. Acesso em: 5 mai.
2009.
Questão 27)
Com base no quadrinho (texto C) e na história de Hamlet (texto A), responda:
a) No quadrinho, que recursos linguísticos constroem a intertextualidade
entre a fala de Magali e o dilema de Hamlet?
b) Mesmo se apropriando do dilema de Hamlet, a personagem Magali
mantém traços de sua identidade, o que produz humor. Quais são esses
traços e por que o humor é produzido?
TEXTO: 10 - Comum à questão: 28
Leia o fragmento da crônica indicada para leitura.
01/..../ - Ah! Meu nobre amigo! Eu e os meus pedimos essa diferença, por
maior que seja. Condenem a um mês ou a um ano 02os que tirarem ovos ou
dormirem na rua; mas condenem a cinqüenta ou cem mil-réis aqueles que
nos maltratam por qualquer modo, 03ou não nos dando comida suficiente, ou,
ao contrário, dando-nos excessiva pancada. Estamos prontos a apanhar, é o
nosso 04destino, e eu já estou velho para aprender outro costume; mas seja
com moderação, sem esse furor de cocheiros e carroceiros. O 05que o tal
inglês acha pouco para punir os que são cruéis conosco, eu acho que é
bastante. Quem é pobre não tem vícios. Não exijo 06cadeia para nossos
opressores, mas uma pequena multa e custas, creio que serão eficazes. O
burro ama só a pele; o homem ama a 07pele e a bolsa. Dê-se-lhe na bolsa;
talvez a nossa pele padeça menos.
08- Farei o que puder; mas ...
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09- Mas o quê? O senhor afinal é da espécie humana, há de defender os
seus. Eia, fale aos amigos da imprensa; ponha-se à 10frente de um grande
movimento popular. O conselho municipal vai levantar um empréstimo, não?
Diga-lhe que, se lançar uma pena 11pecuniária sobre os que maltratam
burros, cobrirá cinco ou seis vezes o empréstimo, sem pagar juro, e ainda lhe
sobrará dinheiro 12para o Teatro Municipal, e para teatros paroquiais, se
quiser. Ainda uma vez, respeitável senhor, cuide um pouco de nós. Foram os
13homens que descobriram que nós éramos seus tios, senão diretos, por
afinidade. Pois, meu caro sobrinho, é tempo de reconstituir a 14família. Não
nos abandone, como no tempo em que os burros eram parceiros dos
escravos. Faça o nosso Treze de Maio. Lincoln 15dos teus maiores, segundo
o evangelho de Darwin, expede a proclamação da nossa liberdade!
(Assis, Machado de. Direitos dos burros.
Fuga do hospício e outras crônicas. Para gostar de
ler v.26. São Paulo: Ática, 1998.p.72-73)
Questão 28)
Assinale a alternativa em que o termo destacado evidencia uma variedade
de registro formal e uma ambigüidade de sentido.
a) “Dê-se-lhe na bolsa; talvez a nossa pele padeça menos” (ref. 07)
b) “O senhor afinal é da espécie humana, há de defender os seus.” (ref. 09)
c) “Eia, fale aos amigos da imprensa; ponha-se à frente de um grande
movimento popular.” (ref. 09)
d) “Faça o nosso Treze de Maio.” (ref. 14)
e) “Lincoln dos teus maiores, segundo o evangelho de Darwin...” (ref. 15)
TEXTO: 11 - Comum à questão: 29
TEXTO I
Trinta anos na estrada
Uma Viagem pelas referências econômicas de “Bye Bye Brasil”, o Filme e a
canção
________________
• No dia em que completa três anos, “Negócios&Cia” pede licença e
reverencia os mestres Cacá Diegues, Roberto Menescal e Chico Buarque.
De carona na Caravana Rolidei, passeia pelas transformações
socioeconômicas expressas em “Bye Bye Brasil”, o filme e a canção que
estão fazendo 30 anos neste 2009. Chico não lembra; Cacá, sim. Viu o filme
duas vezes antes de pôr a letra na música de Menescal. Recheou o texto
com referências á economia. Estão lá o embrião da globalização e a opção
nacional pelo transporte rodoviário; o emprego fácil de baixa qualificação e a
telecomunicação restrita; a industrialização do Brasil grande e a massificação
da TV. Um detalhe: a usina no mar, como muita gente pensa, não era o
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complexo nuclear de Angra, mas Jari, no Pará, Chico garante. “Foi um Filme
muito premonitório, que nasceu em 1972, numa viagem a Alagoas”, diz Cacá.
Ele voltara de filmagens em união dos Palmares e avistou uma luz azulada.
Parecia um disco voador, mas era uma TV instalada pelo prefeito em plena
praça. “Ali, tive o insight de que algo importante estava acontecendo no
Brasil. Minha motivação foi antropológica, mas hoje percebo que aquilo era o
início da globalização. O Brasil passou por uma modernização intensa. Para
o bem e para o mal”, completo o cineasta. É prova de que cinema e música
dão economia. Ou música e economia é que dão cinema?
Flávia Oliveira. O Globo, Caderno Economia, 22 de agosto de 2009.
Adaptação.
A articulista Flávia Oliveira associa, no Texto Trinta anos na estrada, a
canção Bye Bye Brasil de Chico Buarque e Roberto Menescal às injunções
socioeconômicas vividas pelo Brasil e pelo mundo nas últimas três décadas.
TEXTO II
Bye, Bye Brasil
1 Oi,coração
Não dá pra falar muito não
Espera passar o avião
Assim que o inverno passar
5 Eu acho que vou te buscar
Aqui tá fazendo calor
Deu pane no ventilador
Já tem fliperama em Macau
Tomei a costeira em Belém do Pará
10 Puseram uma usina no mar
Talvez fique ruim pra pescar
Meu amor
No Tocantins
O chefe dos parintintins
15 Vidrou na minha calça Lee
Eu vi uns patins pra você
Eu vi um Brasil na tevê
Capaz de cair um toró
Estou me sentindo tão só
20 Oh, tenha dó de mim
Pintou uma chance legal
Um lance na capital
Nem tem que ter ginasial
Meu amor
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25 Baby, bye bye
Abraços na mãe e no pai
Eu acho que vou desligar
As fichas já vão terminar
Eu vou me mandar de trenó
30 Pra Rua do Sol , Maceió
Pegueiuma doença em Ilhéus
Mas já tô quase bom
Em março vou pro Ceará
Com a bênção do meu orixá
35 Eu acho bauxita por lá
Meu amor
Bye bye, Brasil
A última ficha caiu
Eu penso em vocês night and day
40 Explica que tá tudo okay
Eu só ando dentro da lei
Eu quero voltar, podes crer
Eu vi um Brasil na tevê
Peguei uma doença em Belém
45 Agora já tá tudo bem
Mas a ligação tá no fim
Tem um japonês trás de mim
Aquela aquarela mudou
No Tabariz
50 O som é que nem os Bee Gees
Dancei com uma dona infeliz
Que tem um tufão nos quadris
Tem um japonês trás de mim
Eu vou dar um pulo em Manaus
55 Aqui tá quarenta e dois graus
O sol nunca mais vai se pôr
Eu tenho saudades da nossa canção
Saudades de roça e sertão
Bom mesmo é ter um caminhão
60 Meu amor
Na estrada peguei uma cor
Capaz de cair um toró
Estou me sentindo um jiló
Eu tesão é no mar
65 Assim que o inverno passar
Bateu uma saudade de ti
Tô afim de encarar um siri
Com a bênção de Nosso Senhor
O sol nunca mais vai se pôr.
Roberto Menescal e Chico Buarque
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Questão 29)
Oi, coração
Não dá pra falar muito não
Espera passar o avião
Assim que o inverno passar
Eu acho que vou te buscar
Aqui tá fazendo calor
Deu pane no ventilador
a) Transcreva o pronome que recupera o vocativo presente nos versos
acima.
b) Comente o recurso linguístico utilizado pelo compositor, Chico Buarque,
ao atribuir um determinado fato a alguém fora do texto, no seguinte verso:
Puseram uma usina no mar (Texto II, verso 10)
c) A canção Bye Bye Brasil (Texto II) apresenta, em relação à construção
linguística, uma série de exemplos de registro familiar. Transcreva dois
(2) exemplos e reescreva-os em registro padrão.
TEXTO: 12 - Comum à questão: 30
Leia a peleja de Pinto do Monteiro e Louro do Pajeú sobre “Esse negócio de
errar”
Lourival Batista, falando sobre plantas, usou o termo “carola” em vez de
“corola”. Pinto bateu forte.
1Um rapaz que teve escola
2E ainda canta errado
3Fala em flor e diz “carola”
4Muito tem se confessado
5Parte de flor é “corola”
6Precisa tomar “coidado”
O cochilo de linguagem de Pinto, falando “coidado”, em vez de “cuidado”,
deu a Lourival a oportunidade de poder “vingar-se” do colega. E fulminou.
7Pra não ter um só errado
8Errei eu, erraste tu,
9Errou Pinto do Monteiro
10E Louro do Pajeú
11Nesta palavra “coidado”
12Tire o “o” e bote o “u”
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Questão 30)
Do texto, pode-se considerar:
I. Ambiguidade, tendo em vista o uso de duplo sentido das palavras
“carola” e “corola”.
II. Que no verso cinco as palavras “corola” e “flor” são consideradas
cognatas.
III. Paralelismo sintático, no verso oito, em razão da reiteração das
estruturas lexicais em ritmo cadenciado.
IV. Que nos versos onze e doze, não se leva em conta o fenômeno da
variação linguística e suas implicações no uso da língua.
Analise as proposições e marque a alternativa que apresenta a(s) correta(s).
a) II, III e IV apenas
b) I, II e III
c) III e IV apenas
d) III apenas
e) IV apenas
TEXTO: 13 - Comum à questão: 31
Leia os textos abaixo.
TEXTO 1
Disponível em: <http://somnuscars.com/category/classicos/page/2/>.
Acesso em: 26 maio 2011. Anúncio de 1969. [Adaptado].
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TEXTO 2
CINISMO E FELICIDADE
Zeca Baleiro
Quando menino, gostava de ver comerciais de tevê. Depois passava a
repeti-los como um papagaio ensinado, copiando as inflexões de atores e
locutores. Eu era menino, o mundo era outro, o mundo da propaganda
também. Embora a serviço das vendas de um produto, os comerciais de
antanho eram algo lúdicos, mesmo ingênuos, não eram tão “agressivos”
como são os de hoje. Muitos eram até bem toscos em sua produção ou
criação, e isso acabava por torná-los hilários aos olhos (e ouvidos) de uma
criança. Desde então acompanho comerciais de tevê com o mesmo
entusiasmo com que acompanho o Campeonato Islandês de Futebol, ou
seja, nenhum.
Mas propaganda na tevê é um troço que, queira ou não, você vê. Ainda
mais porque os comerciais televisivos ganharam vida própria e migraram
para cinemas, aeroportos e até aviões. Propaganda existe para impulsionar
o consumo. O consumo – e a produção e a venda decorrentes do desejo de
consumir – não é algo que aspire à ética e à correção, temos que concordar.
Há hoje uma falta de escrúpulos declarada, uma tendência desbragada ao
cinismo e, em muitos casos, um discurso indisfarçavelmente arrivista – “só
existe quem está no topo”, parecem dizer todos.
De uns tempos para cá, voltei a reparar nos comercias “em cartaz”. Não
com o olhar lúdico e encantado de antes. Mas perplexo. Comerciais de
carros parecem ser os mais hiperbólicos. Alguns têm tom épico, apoteótico.
O homem moderno tem tara por carros, o brasileiro em especial, e é como
se essa tara legitimasse tantos absurdos. Como este: uma mulher chega em
casa, o homem cuida das crianças enquanto cozinha. Ela tem um
presentinho para ele. Leva-o até a garagem, lá o espera um carro zero. O
homem, de avental, fica emocionado, diz não ser merecedor... Um casal de
vizinhos os espia, se entreolha. Ao fim da cena, o vizinho se retira, pede um
tempo, pois “precisa ficar sozinho”... Rimos. Um riso amarelo, de
constrangimento, não de graça.
A inversão de papéis soaria interessante e transgressora, isso se fosse
um quadro de programa humorístico, em tom de sátira. Sendo o que é, um
mero comercial – algo que existe para promover um produto, para estimular
vendas e só –, o que seria crítico soa como um patético mosaico de clichês
a serviço do preconceito sexista (não é novidade para ninguém que a
propaganda se vale basicamente de clichês, alguns bem reciclados, outros
nem tanto. A arte também tem seu repertório de clichês, a diferença é que
não serve – ou pelo menos não deveria servir – a empresas ou produtos,
mas unicamente ao pensamento de quem a cria – isso quando o artista tem
um pensamento).
Outro comercial, veiculado à exaustão tempos atrás, fazia o elogio da
diferença, dizendo assim: “Enquanto todo mundo vai a tal lugar, nós vamos
a este”; “enquanto todo mundo faz isso, nós fazemos aquilo” – para, no final,
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convocar todos a comprarem o mesmo carro, o que, caso viesse a se
concretizar, inevitavelmente os tornaria todos... iguais.
A respeito de comerciais, não questiono o talento de quem os faz ou a
qualidade com que são feitos. A publicidade brasileira é reconhecidamente
inventiva e premiada e há bons profissionais aos montes em ação. Mas se
há uma nova ordem no mundo hoje, muito se deve à publicidade, ao fascínio
que ela exerce nos jovens (não à toa, publicidade e propaganda é hoje o
segundo curso mais procurado pelos vestibulandos no Brasil, atrás apenas
de medicina), ao glamour que ela propaga aos quatro cantos de um país rico
e miserável como o nosso, ao ideal de felicidade associado à riqueza, ao
poder, à posse e à ascensão sobre os outros que ela promove. O conto de
fadas da hipermodernidade é um comercial. De banco, carro, cartão de
crédito, tênis... Não é preciso ser feliz para sempre, basta ser feliz agora. E
já.
ISTOÉ. São Paulo: Três, ed. 2131, set. 2010, p. 146.
Questão 31)
Numa propaganda, a linguagem verbal se articula à não verbal para
convencer o público alvo a comprar o produto anunciado.
a) Circula na mídia uma propaganda de veículo cujo slogan é bem-vindo à
vida, reforçando o discurso de que a relação com o meio ambiente
contribui para o bem-estar físico e emocional do Homem. Explique por
que esse slogan, aplicado a um veículo automotivo,contradiz esse
discurso.
b) As formas geométricas da composição não verbal do texto 1 são próprias
de determinada época da indústria automobilística. Que formas são
essas?
TEXTO: 14 - Comum à questão: 32
OS CAVALINHOS CORRENDO...
1- Eu não queria que terminasse assim.
2Ouvi muitas vezes a frequentadores de cinema esse comentário ao filme
a que acabavam de 3assistir. A fita lhes agradara até certo trecho, ia tudo
muito bem... mas findava de um jeito que 4desiludira o espectador. E, mais
poderosa que tudo, erguia-se, dura e inflexível, a sua inconformação:
5- Eu não queria que terminasse assim.
6Isto me ocorre a propósito de um poema - o “Rondó dos Cavalinhos”, de
Manuel Bandeira. 7Também na poesia, que é vida, e vida funda, há da parte
do leitor o direito de querer torcer a direção 8das coisas, para ajeitá-las ao
mundo particular da sua sensibilidade. O leitor de poesia pode muito 9bem
não querer que o poema tenha acabado assim... E pode até não querer que
o poeta haja sentido 10ou pensado assim como pensou ou sentiu.
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11Este último caso é o meu em relação àquele poema de Bandeira. Uns
versos batizados “Rondó 12dos Cavalinhos” e que principiam desta maneira:
13“Os cavalinhos correndo”...
14- que lembrança viriam suscitar em mim? A de uma corrida de pequenos
cavalos, ou mesmo de 15cavalos grandes liricamente reduzidos a
cavalinhos? Não. O que esses versos num momento me 16trouxeram aos
olhos foram os cavalinhos do carrossel, aqueles cavalinhos de pau,
firmemente presos, 17e em que, no entanto, a gente realizava as mais
prodigiosas viagens, imensas viagens circulares 18obrigadas a música de
harmônica, e com paisagens humanas – pessoas que em redor nos fitavam,
19encantadas, talvez invejosas.
20Ora, a imaginação, escanchada nesses cavalinhos da meninice não quis
mais apear-se, não ouviu 21o apito que anunciava o fim da corrida. A corrida
era longa, muito longa, sem fim: “Os cavalinhos 22correndo”... E, ao passo
que o mundo se enchia desse lirismo infantil, a gente grande, os homens
23feitos e práticos, alheios a cavalinhos, comiam, grosseiros como cavalões:
“E nós, cavalões, comendo”...
14Ora, Manuel Bandeira, o suposto dono do poema, disse-me que este
nada tem que ver com os 25cavalinhos de carrossel; refere-se aos cavalos
do Jóquei Clube. Os versos foram escritos após um 26almoço de despedida
a Alfonso Reyes no restaurante do hipódromo da Gávea. Enquanto se
27banqueteavam, os cavalões assistiam à corrida dos cavalos de carne e
osso, a alguma distância. 28Naturalmente a distância, aliada à ternura pelos
bichos que se matavam para gozo ou proveito dos 29homens, apequenava-
os poeticamente em cavalinhos. E, vendo aquilo, Bandeira teria começado a
30ver também o mundo correr, girar, como giravam os animais na pista.
31Assim, ou mais ou menos assim, se formou o poema na fantasia de
Bandeira. São estes os seus 32cavalinhos.
33Assim como assim, se há um poema carregado de sugestões líricas
bastantes para lhe 34assegurarem grande colaboração leitores, será esse
“Rondó dos Cavalinhos”.
Aurélio Buarque de Holanda. http://www. Academia.org.br/abl . Adaptado.
Questão 32)
Para que esse texto fosse redigido em linguagem totalmente formal, seria
preciso fazer algumas alterações, como, por exemplo,
a) dispensar o uso da preposição “a” em “a que acabavam de assistir”.
b) usar “os” e não “lhes” no trecho “lhes agradara até certo trecho”.
c) trocar “a gente realizava” por “nós realizávamos”.
d) substituir “nada tem que ver com” por “nada tem haver com”.
e) empregar o singular e não o plural na palavra sublinhada em “sugestões
líricas bastantes”.
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TEXTO: 15 - Comum à questão: 33
Texto 1
A MOEDA QUE SUBIU 200 000%
Essa foi a valorização da bitcoin, uma moeda virtual que pode ser emitida
por qualquer pessoa que tenha um computador ligado à internet. A questão
é: dá para confiar num sistema desses?
Alguém que queira se hospedar no Villa Sart, um pequeno hotel na cidade
de Danzig, às margens do mar Báltico, na Polônia, pode fazer a reserva de
um quarto duplo por 95 euros por noite. Se preferir, o visitante pode se
instalar no mesmo cômodo pagando com seis unidades de outra moeda, a
bitcoin. Outros 700 estabelecimentos, como restaurantes, livrarias e lojas de
roupas, em diferentes países (nenhum deles no Brasil, ao menos por
enquanto), começaram a trabalhar da mesma forma recentemente: aceitam
moedas locais e bitcoins.
Bitcoins não existem no mundo real: são moedas virtuais que permitem
que pagamentos sejam feitos sem a intermediação de instituições
financeiras. A diferença para outros sistemas semelhantes, como o PayPal,
é que as bitcoins podem ser geradas na internet. Qualquer um que instalar
um programa de computador chamado de minerador consegue emiti-las. Ou
seja, cria-se dinheiro a partir do nada. Como a emissão é muito lenta – pode
levar mais de três meses para criar uma única unidade – e até pouco tempo
atrás quase nenhum estabelecimento aceitava esse tipo de pagamento, a
moeda era vista como mais um daqueles passatempos esquisitos dos nerds.
A questão é que, agora, as bitcoins se tornaram uma febre na internet.
Por razões inexplicáveis, mais consumidores e lojas passaram a usá-las, e
a moeda valorizou de forma impressionante. No começo de 2010, uma
unidade de bitcoin valia menos de 1 centavo de dólar. Hoje, na média do
mês de agosto, é negociada por cerca de 10 dólares – uma alta de 200
000%.
Existem 7 milhões de bitcoins em circulação, que movimentam quase 70
milhões de dólares. É muito pouco perto dos trilhões de dólares que circulam
pelo sistema financeiro mundial, mas o que chama a atenção é a euforia em
torno da moeda virtual. Na esperança de que a valorização continue,
milhares de investidores têm comprado bitcoins para tentar revendê-las no
futuro com lucro. Parte dessas compras é feita em casas de câmbio virtuais,
que vêm sendo criadas para trocar dólares, euros e até reais por bitcoins.
“Há espaço para esse mercado crescer muito mais. Essas moedas podem
valorizar mais de mil vezes”, disse à EXAME Adam Stradling, consultor
americano que trabalhou cinco anos em Wall Street antes de fundar a Trade
Hill, uma dessas casas de câmbio.
O problema óbvio desse sistema é que ele não é regulado. As bitcoins
não estão atreladas ao sistema financeiro de nenhum país nem são
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fiscalizadas por bancos centrais. Elas começaram a ser criadas em 2009,
depois que um programador japonês chamado Satoshi Nakamoto publicou
uma tese em que apresentava a ideia de um sistema monetário virtual global.
Saíram desse trabalho as coordenadas para que fosse criado o programa
que emite bitcoins pela internet. Senadores americanos chamaram a moeda
de “uma forma on-line de lavar dinheiro”.
O maior risco é o de as pessoas simplesmente pararem de usar bitcoins
e voltarem a pagar com dólares, euros ou reais. O valor de qualquer moeda
depende da confiança de consumidores, empresários e investidores. “Nada
garante que os usuários de hoje manterão o interesse pela moeda no futuro”,
diz John Robb, ex-analista da consultoria especializada em internet Forrester
Research, que estuda o sistema das bitcoins desde sua criação. Uma
mudança de comportamento poderia fazer com que as bitcoins virassem pó
em pouco tempo. Além disso, começam a pipocar denúncias de crimes
associados ao uso desse sistema de pagamento. Em junho, um usuário veio
a público denunciar o roubo de bitcoins de sua carteira virtual, um sistema
de armazenamento da moeda virtual que funciona de maneira parecida com
a dos bancos na internet. Também há casos de cambistas que simplesmente
sumiram com as bitcoinsde seus clientes.
Por enquanto, as fraudes são isoladas e, por isso, o clima geral em
relação às bitcoins é de boa vontade. “A bitcoin é mais uma forma de
pagamento, e também tem sido um ótimo investimento”, diz Artur Szumski,
dono do hotel Villa Sart, na Polônia. Os entusiastas dizem que a maior
vantagem da moeda virtual é o fato de ela ser imune à inflação. Como não
pertence a países, não sofre com as decisões de governos que podem
desvalorizá-la, como vem ocorrendo com o dólar. Fora isso, o algoritmo de
Nakamoto controla a quantidade e o ritmo com que a moeda pode ser gerada
na internet – sabe-se que a oferta total de bitcoins nunca poderá ultrapassar
21 milhões de unidades. A questão é saber até quando o otimismo vai durar.
FAUST, André. Exame. São Paulo: Abril, set. 2011. p. 174-176. [Adaptado].
Texto 2
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Disponível em: <www.googleimagens.kranik.com>. Acesso em: 4 out. 2011.
Texto 3
Sinopse
O filme O homem que copiava narra a história de André (Lázaro Ramos), um
jovem, que trabalha na fotocopiadora da Papelaria Gomide, em Porto Alegre,
mora com a mãe e tem uma vida comum, vivendo praticamente de casa para
o trabalho e fazendo sempre as mesmas coisas. Um dia, André se apaixona
por Sílvia (Leandra Leal), uma vizinha, e, decidido a conhecê-la melhor,
André descobre que ela trabalha em uma loja de roupas. Para conseguir se
aproximar dela, tenta de todas as formas conseguir 38 reais para comprar
um suposto presente para a mãe dele. Conta, então, com a ajuda de Cardoso
(Pedro Cardoso), empregado de uma oficina, que faz qualquer coisa por
dinheiro, e conta também com Marinês (Luana Piovani), uma jovem esperta.
Cardoso tem a ideia de copiar notas de 50 reais com a nova máquina de
fazer cópias coloridas que chega na papelaria. André passa a fazer cópias
de dinheiro e consegue os 38 reais. Cardoso quer mais. Insiste. André não
resiste e copia mais e mais, sem conseguir parar.
Disponível em: <http://www.adorocinema.com/filmes/
homem-que-copiava>. Acesso em: 4 out. 2011. [Adaptado].
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Questão 33)
O enredo do filme O homem que copiava explora de maneira inusitada a
produção da moeda brasileira.
a) Que aspectos da constituição formal do cartaz remetem aos eventos
apresentados na sinopse?
b) A nomeação de uma moeda não é aleatória e, geralmente, remete a um
aspecto importante de sua circulação ou de seu valor. Por isso, tendo
em vista os eventos históricos que levaram à instituição da moeda
brasileira atual, a que remete o nome real atribuído a essa moeda?
TEXTO: 16 - Comum à questão: 34
VERÍSSIMO, Luís Fernando. As cobras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.
Questão 34)
No segundo quadro da tira, a minhoca se esconde para não ser notada pelas
cobras.
Essa tentativa de desaparecimento da personagem é enfatizada pelo uso do
seguinte recurso:
a) caráter exclamativo de uma fala
b) movimento conjunto das cobras
c) ausência da moldura do quadro
d) presença de personagens distintos
TEXTO: 17 - Comum à questão: 35
Considere os Textos I e II, transcritos abaixo.
I. você
pronome de tratamento
1 aquele a quem se fala ou se escreve
Exs.: você almoçou?
ei, você: venha cá
pronome indefinido
2 pessoa não especificada; alguém
Ex.: se v. não paga a conta, eles cortam o fornecimento
(Dicionário Houaiss eletrônico)
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II. O texto abaixo constitui adaptação de mensagem acerca de nova unidade
de um Hospital, aqui denominado Hx.
Você está fazendo planos para começar uma atividade física. Às vezes, até
ensaia uma caminhada, uma pedalada ou uma corrida no parque. Mas, em
seguida, volta para outra correria, a do dia a dia. Ou não. Você até engrena
na nova atividade, mas se torna um esportista de fim de semana que se
dedica ao esporte, mas esquece da saúde.
O Hx dá esse empurrãozinho que está faltando. Na nova unidade Hx
Diagnóstico, sua saúde merece atenção em cada detalhe. Você vai contar
com a tecnologia e a confiabilidade de nossa medicina diagnóstica e
preventiva, incluindo saúde da mulher e check-up, além de um ambiente
acolhedor e atendimento humanizado. Tudo com muita agilidade. Agora,
falta de pique não é mais desculpa.
Hx. Compromisso com a vida. Compromisso com a evolução.
Questão 35)
Análise cuidadosa da composição II permite o seguinte comentário:
a) Em Você está fazendo planos de começar uma atividade física, o
segmento de começar é componente de locução verbal.
b) As 3 imagens que ilustram o texto constituem demonstração iconográfica
de cada uma das noções expressas na frase Você vai contar...
atendimento humanizado.
c) A construção Hx. Compromisso com a vida. Compromisso com a
evolução − com elipse de verbo e a pontuação adotada − promove tal
adesão entre o nome do hospital e suas qualificações que fica sugerida
a ideia de que os três itens são expressões sinônimas.
d) As letras miúdas, ao lado direito da ilustração, indicam o responsável
técnico pela elaboração da mensagem visual.
e) Em Você [...] se torna um esportista de fim de semana que se dedica ao
esporte, mas esquece da saúde, o que está em destaque deve ser
entendido como pleonasmo vicioso, pois nenhuma ideia se acrescenta
ao segmento sublinhado que possa justificar a presença concomitante
de "um esportista" e de "que se dedica ao esporte".
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TEXTO: 18 - Comum às questões: 36, 37
O Verbo For
João Ubaldo Ribeiro
1 Vestibular de verdade era no meu tempo. Já 2 estou chegando, ou já
cheguei, à altura da vida em 3 que tudo de bom era no meu tempo; meu e
dos 4 outros coroas. (...) O vestibular, é claro, jamais 5 voltará ao que era
outrora e talvez até desapareça, 6 mas julgo necessário falar do antigo às
novas 7 gerações e lembrá-lo às minhas coevas (ao 8 dicionário outra vez;
domingo, dia de exercício).
9 O vestibular de Direito a que me submeti, na 10 velha Faculdade de Direito
da Bahia, tinha só 11 quatro matérias: português, latim, francês ou 12 inglês e
sociologia, sendo que esta não constava 13 dos currículos do curso
secundário e a gente tinha 14 que se virar por fora. Nada de cruzinhas,
múltipla 15 escolha ou matérias que não interessassem 16 diretamente à
carreira. Tudo escrito tão 17 ruybarbosianamente quanto possível (...).
18 Havia provas escritas e orais. (...) Tirava-se o 19 ponto (sorteava-se o
assunto) e partia-se para o 20 martírio, insuperável por qualquer esporte
radical 21 desta juventude de hoje. A oral de latim era 22 particularmente
espetacular, porque se juntava 23 uma multidão, para assistir à performance
do 24 saudoso mestre de Direito Romano Evandro 25 Baltazar da Silveira.
Franzino, sempre de colete e 26 olhar vulpino (dicionário, dicionário), o mestre
27 não perdoava.
28 (...)
29 − Ai, minha barriga! − exclamava ele. − 30 Deus, oh Deus, que fiz eu para
ouvir tamanha 31 asnice? Que pecados cometi, que ofensas Vos 32 dirigi?
Salvai essa alma de alimária. Senhor meu 33 Pai!
34 Pode-se imaginar o resto do exame. (...) 35 Comigo, a coisa foi um pouco
melhor, eu 36 falava um latinzinho e ele me deu seis, nota do 37 mais alto
coturno em seu elenco. (...)
38 Eu dei show de português e inglês. O de 39 português até que foi moleza,
em certo sentido. O 40 professor José Lima, de pé e tomando um 41 cafezinho,
me dirigiu as seguintes palavras aladas:
42 − Dou-lhe dez, se o senhor me disser qual é o 43 sujeito da primeira oração
do Hino Nacional!
44 − As margens plácidas − respondi 45 instantaneamente e o mestre quase
deixa cair a 46 xícara.
47 − Por que não é indeterminado, “ouviram,
48 etc.”?
49 − Porque o “as” de “as margensplácidas” não 50 é craseado. Quem ouviu
foram as margens 51 plácidas. É uma anástrofe, entre as muitas que 52
existem no hino. “Nem teme quem te adora a 53 própria morte”: sujeito: “quem
te adora”. Se 54 pusermos na ordem direta...
55 − Chega! − berrou ele. − Dez! Vá para a 56 glória! A Bahia será sempre a
Bahia!
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57 Quis o irônico destino, uns anos mais tarde, 58 que eu fosse professor da
Escola de 59 Administração da Universidade Federal da Bahia 60 e me
designassem para a banca de português, 61 com prova oral e tudo. (...) Uma
bela vez, chegou 62 um sem o menor sinal de nervosismo, muito 63 elegante,
paletó, gravata e abotoaduras vistosas.
64 (...) Esse mal sabia ler, mas não perdia a pose. 65 Não acertou a responder
nada. Então, eu, carrasco 66 fictício, peguei no texto uma frase em que a 67
palavra “for” tanto podia ser do verbo “ser” 68 quanto do verbo “ir”. Pronto,
pensei. Se ele 69 distinguir qual é o verbo, considero-o um gênio, 70 dou
quatro, ele passa e seja o que Deus quiser.
71 − Esse “for” aí, que verbo é esse?
72 (...)
73 − Verbo for.
74 − Verbo o quê?
75 − Verbo for.
76 − Conjugue aí o presente do indicativo desse 77 verbo.
78 − Eu fonho, tu fões, ele fõe − recitou ele 79 impávido. − Nós fomos, vós
fondes, eles fõem.
80 Não, dessa vez ele não passou. Mas, se 81 perseverou, deve ter acabado
passando (...), 82 devidamente diplomado, ele deve estar fondo para 83
quebrar. Fões tu? Com quase toda a certeza, não. 84 Eu tampouco fonho.
Mas ele fõe.
(Esta crônica, ora adaptada, integra o livro O conselheiro Come. Rio de
Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 2000, disponível em
<http://releituras.com/joaoubaldo_overbofor.asp>.)
Vocabulário:
Coevas (coevo): tempo passado, passagens retrógradas.
Coturno: elenco dos melhores dentre um grupo.
Vulpino: relativo à raposa; ardiloso; astuto.
Questão 36)
Assinale a(s) alternativa(s) correta(s), de acordo com os usos da língua no
texto O Verbo For.
01. O autor, quando traz para o seu texto referências ao Hino Nacional (Refs.
42-54), dialoga com aquele texto. A essa estratégia textual dá-se o nome
de intertextualidade.
02. Para organizar sintaticamente o seu texto, o autor, além de outras
estratégias de ligação, estabelece elos entre as palavras, as orações e
os períodos, por meio de preposições (como “de”, em “Faculdade de
Direito da Bahia”, Ref. 10) e de conjunções (como “porque”, em “era
particularmente espetacular, porque se juntava uma multidão”, Refs. 21-
23, e “então”, em “Então, eu, carrasco fictício”, Refs. 65- 66).
04. João Ubaldo Ribeiro usou o pronome “esta” (Ref. 12), para retomar
“sociologia” (Ref. 12), que o antecede, considerando a sua proximidade
com a palavra, especificando-a dentre as outras matérias.
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08. Na referência 80, o “mas” marca a oposição entre duas unidades
sintáticas.
16. Ao usar a palavra “coturno”, em “nota do mais alto coturno em seu
elenco” (Refs. 36-37), João Ubaldo Ribeiro faz uso da variedade
coloquial da língua portuguesa escrita.
Questão 37)
Assinale o que for correto, segundo o texto O Verbo For.
01. Há um aposto em “saudoso mestre de Direito Romano Evandro Baltazar
da Silveira” (Refs. 24- 25), expresso no substantivo próprio que está
sublinhado.
02. A palavra sublinhada em “até que foi moleza” (Ref. 39) é,
morfologicamente, um adjetivo porque, na oração em que se insere,
exerce, sintaticamente, a função de objeto indireto.
04. Em “que ofensas Vos dirigi?” (Refs. 31-32), “Vos” é, morfologicamente,
um pronome pessoal do caso reto, pois, nessa oração, exerce a função
de sujeito, uma vez que se refere a Deus.
08. “Quis o irônico destino, uns anos mais tarde, que eu fosse professor da
Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia” (Refs. 57-
59) é um período composto por subordinação, com duas orações, das
quais a principal é “Quis o irônico destino, uns anos mais tarde”.
16. Em “chegou um sem o menor sinal de nervosismo” (Refs. 61-62),
sintaticamente “um” é o sujeito, função que atribui a essa palavra, nesse
contexto, a classificação de substantivo.
TEXTO: 19 - Comum às questões: 38, 39
O milagre das folhas
1 Não, nunca me acontecem milagres. Ouço 2 falar, e às vezes isso me
basta como 3 esperança. Mas também me revolta: por que 4 não a mim? Por
que só de ouvir falar? Pois já 5 cheguei a ouvir conversas assim, sobre 6
milagres: “Avisou-me que, ao ser dita 7 determinada palavra, um objeto de
estimação 8 se quebraria”. Meus objetos se quebram 9 banalmente e pelas
mãos das empregadas.
10 Até que fui obrigada a chegar à conclusão 11 de que sou daqueles que
rolam pedras durante 12 séculos, e não daqueles para os quais os seixos 13
já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que 14 tenho visões fugitivas antes
de adormecer – 15 seria milagre? Mas já me foi tranquilamente 16 explicado
que isso até nome tem: cidetismo 17 (sic), capacidade de projetar no
alucinatório as 18 imagens inconscientes. LISPECTOR, Clarice. In:
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SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Organização e introdução. As cem
melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 186-187.
19 Milagre, não. Mas as coincidências. Vivo de 20 coincidências, vivo de
linhas que incidem uma 21 na outra e se cruzam e no cruzamento formam 22
um leve e instantâneo ponto, tão leve e 23 instantâneo que mais é feito de
pudor e 24 segredo: mal eu falasse nele, já estaria falando 25 em nada.
26 Mas tenho um milagre, sim. O milagre das 27 folhas. Estou andando pela
rua e do vento me 28 cai uma folha exatamente nos cabelos. A 29 incidência
da linha de milhões de folhas 30 transformadas em uma única, e de milhões
de 31 pessoas a incidência de reduzi-las a mim. Isso 32 me acontece tantas
vezes que passei a me 33 considerar modestamente a escolhida das 34
folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos 35 cabelos e guardo-a na bolsa,
como o mais 36 diminuto diamante.
37 Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro 38 entre os objetos a folha
seca, engelhada, 39 morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche 40 morto
como lembrança. E também porque sei 41 que novas folhas coincidirão
comigo.
42 Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei 43 Deus de uma grande
delicadeza.
LISPECTOR, Clarice. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Organização e
introdução. As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro:
Objetiva, 2007. p. 186-187.
Questão 38)
O primeiro enunciado do texto “Não, nunca me acontecem milagres” (Ref. 1)
tem algumas peculiaridades. Assinale a alternativa correta em relação a esse
enunciado.
a) O emprego do advérbio “não” no início do enunciado é textualmente
irrelevante. Ele poderia ocupar qualquer lugar no enunciado sem que
houvesse alteração em nenhum nível do texto.
b) Há nele uma dupla negativa, muito característica da língua popular, mas
só na modalidade escrita.
c) Reescrito, o enunciado poderia ficar assim: Não me acontecem milagres
nunca. Dessa maneira, efetua-se a separação dos dois elementos
negativos. Essa nova estrutura prejudica a compreensão das ideias do
texto.
d) Na reescritura — Não, milagres nunca me acontecem —, o sujeito do
enunciado ocupa a posição canônica, isto é, a mais usada. Essa
mudança altera a expressividade e a impressividade da frase.
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Questão 39)
Atente ao que se diz sobre o texto.
I. Pode-se dividir o texto em duas partes: a primeira, da linha 1 à referência
25; a segunda, da referência 26 à referência 44. Essa delimitação, no
nível do texto, corresponde a uma divisão no nível das ideias.
II. O conectivo “mas” (Ref. 26) pressupõe um embate entreduas vozes:
uma que afirma algo, e outra que se opõe a esse algo ou o restringe. Na
crônica de Lispector, essas vozes derivam de personagens diferentes.
III. O conectivo “mas” (Ref. 26) evidencia a oposição básica do texto, que
nomeamos aqui de milagre 1 e milagre 2.
Está correto o que se diz apenas em
a) I.
b) II e III.
c) I e III.
d) I e II.
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GABARITO:
1) Gab: D
2) Gab: C
3) Gab: Sem resposta
Em I, a correlação de tempos (imperfeito do indicativo na principal, imperfeito
do subjuntivo na subordinada adverbial temporal) atende ao "padrão formal
da língua", como pede o Examinador. Ocorre, porém, que há uma
discrepância entre a frase de que se partiu ("Esta empresa se preocupa com
economia de energia muito antes que você se preocupasse com isso") e a
transformação proposta em I, em que faltam as palavras "economia de"
("Esta empresa se preocupava com energia muito antes que você se
preocupasse com isso"), o que poderia indicar que essa versão da frase
estivesse desclassificada para servir de resposta. Contudo, se a Banca
Examinadora se valeu desse expediente para considerar I como opção
errada, praticou uma deslealdade para com os candidatos, armando-lhes
uma "pegada", uma armadilha, que em nada favorece a seleção dos
melhores estudantes. Por outro lado, se a frase I foi considerada correta pela
Banca, o erro de revisão a que se deveu a omissão daquelas palavras pode
ter prejudicado muitos candidatos, que terão julgado tal omissão proposital e,
portanto, errada a opção I. Mas o problema com este teste é ainda mais
grave, pois não há resposta, entre as propostas, que de fato enumere todas
as frases corretas. Com efeito, só são inaceitáveis, de acordo com o "padrão
formal da língua", as frases III e V, embora a redação de II e IV não fosse,
segundo tudo indica, adequada aos propósitos da mensagem publicitária de
que se partiu. Esse último ponto, porém, não é levado em conta na
formulação do teste, que só considera a adequação ao "padrão formal da
língua"; mas, se o fosse, a única resposta correta seria a alternativa a, pois a
frase I, restituídas as palavras faltantes, seria a única adequada a transmitir
o sentido da mensagem publicitária. Trata-se, portanto, de um teste que deve
ser anulado.
4) Gab: B
5) Gab:
A questão oferece inúmeras possibilidades, dado que o examinador não
impôs outros requisitos que não a utilização do “nível formal”. Assim, poder-
se-ia reescrever o período como se segue:
“A ciência procura meios para superar, através da genética, o câncer.
Pesquisadores americanos podem ter encontrado uma nova solução.”
6) Gab: C
7) Gab:
a) Julgamento, pedido de liminar, voto, decisão, revisão.
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b) Que o juiz votou antes de uma forma e depois de outra, contrária à
anterior.
c) Autoriza o governo federal (o Executivo) a cortar despesas com folha de
pagamento nos três poderes, inclusive no âmbito dos Estados e
Municípios.
8) Gab:
a) Dentro da variante culta do português escrito, Adib Jatene optou pelo
registro mais formal, enquanto FHC fez opção por um registro menos
formal, próximo do coloquial. O registro pelo qual optou Jatene
transparece: no tom formal do cabeçalho e do fecho, em que os nomes
completos são seguidos da expressão do cargo ocupado por um e por
outro; no tratamento de “Excelência”dado ao presidente, referido como
“Senhor Doutor”. O efeito produzido por esse registro é marcar a
postura de reverência e certo ressentimento do ministro em relação ao
presidente. O registro pelo qual optou FHC tranparece: no uso do nome
sem o prenome, precedido da fórmula carinhosa e familiar “meu caro”; o
tratamento por “você”; a ausência da menção ao cargo de cada um. O
efeito produzido por esse registro é sugerir a permanência dos laços de
amizade e o desejo de cooptar o ministro para manter sua colaboração
com o presidente, embora fora do ministério.
b) No uso culto, que se verifica na frase “O vento traz consigo a
tempestade”, o pronome consigo é essencialmente reflexivo, ou seja,
sempre deve referir-se ao sujeito da oração. Condena-se, portanto, seu
uso para se referir ao interlocutor, como em “eu quero falar consigo”. Ao
tratar o ministro por você, FHC faz uso de consigo numa oração em que
o sujeito é eu (“apoiei”). O uso culto exigiria aí “com você”.
c) “Tornar possível o necessário” (Fernando Henrique) significa que se
deve empreender todo o esforço capaz de tornar realidade aquilo que é
necessário, isto é, aquilo cuja existência faz falta. “Tornar o possível
necessário” (Jatene) significa simular como obrigatória uma ocorrência
puramente possível.
9) Gab:
a) A expressão "terra ociosa" significa terra desocupada ou improdutiva. Em
"terra à-toa" tem-se ainda o sentido de terra abandonada, desprezada ou
largada.
ou
A expressão "terra à -toa" tem o sentido de terra abandonada,
desprezada ou largada.
b) A expressão "terra à-toa" manifesta a função emotiva da linguagem
porque revela a opinião (ou avaliação) do emissor do texto acerca do
objeto de que fala.
10) Gab: B
11) Gab:
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a) O emprego dos termos “eficientização” e “eficientizados” é criticado por
ser uma impropriedade vocabular. Podem ser considerados neologismos
técnicos, usados em lugar de termos disponíveis e recorrentes, tais como
“qualificação” e “melhoria”. Além de serem questionáveis diante da norma
padrão, esses termos manifestam um exagero do estilo técnico e
burocrático que não contribui para a clareza da mensagem e que não é,
portanto, adequado a textos oficiais nem a autoridades governamentais.
OU
A crítica decorre do fato de um secretário de Estado, Wagner G. Victer,
derivar indevidamente os termos “eficientização” e “eficientizados” da
palavra “eficiente”, pois já existem palavras equivalentes em português, e
esses neologismos não contribuem para a clareza do que está sendo
comunicado.
b) Reescritura do parágrafo:
A senhora acredita que se o secretário tiver respeito pelo português,
deve tornar eficientes as palavras que usa em seus comunicados.
OU
A senhora tem a crença de que se o secretário tiver respeito pelo
português, deve adequar as palavras que usa em suas comunicações.
OU
A senhora crê que se o secretário tivesse respeito pelo português,
deveria utilizar com mais clareza as palavras em seus
pronunciamentos.
12) Gab: 35
13) Gab:
a) Normalmente, considera-se que as diferenças entre o português falado
na Europa e o falado no Brasil são meramente lexicais ou, quando muito,
fonológicas. A questão pretende que o candidato seja capaz de detectar
diferenças sintáticas entre as duas línguas que, de forma alguma, devem
ser caracterizadas, respectivamente, como norma culta (a tradução
lusitana) e forma coloquial ou não normativa (a tradução brasileira). São
vários os exemplos de diferenças sintáticas encontradas na comparação
entre as duas tiras. Não se espera que o candidato utilize de
metalinguagem, mas que, antes de tudo, seja capaz de apontar e
descrever as diferenças.
Agruparemos alguns exemplos das possíveis diferenças a serem
apontadas e as descreveremos em seguida.
Grupo 1
Não vou comer vs. eu não vou comer;
é um prato de lixo tóxico vs. isso é uma pasta tóxica;
se o comeres vs. se você comer;
já sinto os efeitos vs. eu sinto.
Nos casos acima, no português brasileiro o sujeito é sempre expresso
lexicalmente na sentença, diferentemente do que ocorre no português
europeu.
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Grupo 2
se o comeres vs. se você comer.
Nesse caso, o português europeu retomao antecedente mistela verde
pelo pronome o, enquanto o português brasileiro deixa o complemento do
verbo comer sem nenhuma retomada lexical para coisa verde. Ainda no
exemplo acima, há a diferença entre o uso da segunda pessoa do
discurso marcada morfologicamente no verbo em português europeu (se
[tu] comeres), enquanto no português brasileiro o mais usual é o você,
com o verbo na terceira pessoa (se você comer).
Grupo 3
que te transformará vs. que irá te transformar
Nesse exemplo, é importante perceber que o português brasileiro,
diferentemente do europeu, marca o futuro com o uso de dois verbos
(forma analítica). Ainda no exemplo acima, há a diferença de posição do
te em português europeu, como proclítico ao verbo em função do que, e
como proclítico ao infinitivo no português brasileiro.
Grupo 4
de o pôr a comer vs. de fazer ele comer
Aqui a oposição se dá no uso do pronome que retoma Calvin. Na fala,
geralmente não se encontram, no português brasileiro, as formas oblíquas
(o), mas as retas (ele).
Nesse caso específico é importante salientar que há uma diferença de
estrutura resultante da opção de tradução pelos verbos pôr e fazer. No
caso do português europeu, o pronome é o complemento direto do verbo
[pôr X [a comer]]. No caso do português brasileiro, temos os chamados
“sujeitos acusativos”, ou seja, o pronome é sujeito da sentença
subordinada, mas igualmente objeto do verbo da sentença principal [fazer
[ X comer]].
b) Espera-se que o candidato perceba que o verbo ter, nesse caso
específico, é parte da expressão tem que, cujo sentido é o de ‘ter
obrigação de’, ‘ser preciso’, ‘ser necessário’, ‘dever’. Por outro lado, o
verbo haver tem o sentido de ‘existir’.
14) Gab: D
15) Gab: E
16) Gab: D
17) Gab: A
18) Gab: A
19) Gab:
Usa-se a letra maiúscula - ou em itálico - para designar os títulos de obras e
livros.
20) Gab:
a) No primeiro texto, pelas alusões: "digo da palavra", "demito o verso". No
segundo texto, nas quadras antológicas de Fernando Pessoa: "O poeta
é um fingidor", "E os que lêem o que ele escreve", "dor lida", referências
ao fazer poético e à recepção da poesia.
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b) Os dois textos apresentam propostas divergentes: o primeiro sugere a
escritura, a grafia que se faz, ou que alguém faz, da alma ("psico",
"psiquê"), do eu-lírico; o segundo identifica, pelo prefixo "auto", a
concepção do "eu" poemático sobre o fazer poético e sobre a recepção
da poesia pelo leitor. "Fingidor" é um articulado jogo verbal
(paronomásia): "fingidor" (adjetivo) e "finge" (verbo) e "dor" (substantivo).
21) Gab: A
22) Gab: E
23) Gab: C
24) Gab: D
25) Gab:E
26) Gab:
A obra de arte sugere uma associação ao “bom gosto” e à estética e, por isso,
é utilizada como recurso de persuasão para a venda de produtos. A imagem
de bom gosto, beleza, sofisticação e requinte é vinculada tanto ao produto
comercializado quanto ao seu consumidor, como estratégia de persuasão.
27) Gab:
a) A intertextualidade é construída com base na fala de Magali, “Comer ou
não comer”, que retoma a célebre frase de Hamlet “Ser ou não ser”. Os
recursos linguísticos que constroem essa intertextualidade são o uso da
conjunção alternativa “ou”, que instaura a dúvida entre fazer e não fazer
algo ou entre ser e não ser algo, e a repetição do infinitivo dos verbos
ser e comer.
b) Os traços que caracterizam a personagem Magali e que mantêm sua
identidade são a gula e a aceitação desse traço. O humor ocorre pelo
deslocamento do dilema trágico de Hamlet para o dilema cômico de
Magali que se coloca frente à dúvida de comer ou não comer uma maçã.
28) Gab: A
29) Gab:
a) Eu acho que vou te buscar / te
b) Construção do sujeito em terceira pessoa do plural (sujeito
indeterminado), sem antecedente claro, apagando um possível referente
textual.
c)
siri umencarar de afim Tô
legal chance umaPintou
Lee calça minha naVidrou
calor fazendo táAqui
não muitofalar pra dá Não :Exemplos
Familiar Re gistros
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siri umcomer de vontadecomEstou
capital na abalhoemprego/tr de adepossibilid Uma
deoportunida boa umaApareceu
Lee calça(-s) minha(-s) pela(-s) se-Interessou
calor zfazendo/fa está Aqui
muitofalar posso Não
Padrão Registro
30) Gab: C
31) Gab:
a) Considerando-se que carros são grandes poluidores, o slogan bem-
vindo à vida contradiz a ideia de uma relação equilibrada entre o Homem
e o meio ambiente, uma vez que a poluição gerada pelos automóveis
causa malefícios ao meio ambiente e, consequentemente, ao Homem.
b) Predominância de formas retilíneas, faróis com formas arredondadas
etc.
32) Gab: C
33) Gab:
a) No cartaz, a cédula de real está em primeiro plano e as personagens do
filme circundam essa cédula, numa clara alusão ao fato de o dinheiro ser
o centro da trama, envolvendo a emissão ilícita de moedas. O casal
enamorado, sentado no dinheiro, sugere que o romance é o evento
motivador da trama.
b) A moeda atual brasileira marca o fim de um longo período inflacionário e
representa a esperança de estabilidade econômica, advinda do Plano
Real, um conjunto de medidas econômicas que visava ao fim da
recessão e ao combate da inflação. O batismo da moeda com o nome
real remete à ideia de que essa moeda teria o mesmo valor de compra
que o valor impresso nela, ou seja, o poder de compra da moeda
brasileira passa a ser real, verdadeiro.
34) Gab: C
35) Gab: C
36) Gab: 15
37) Gab: 25
38) Gab: D
39) Gab: C
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