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www.projetoredacao.com.br Lista de Redação – Gramática – Linguagem, Texto e Discurso – 99 Questões [Fácil] Questão 01) Leia atentamente o texto abaixo, redigido no tratamento vós: “Pudestes colher o que foi semeado: hoje a mocidade goza o fruto do trabalho da geração passada. Daí levarmos-vos um conselho: agi com lealdade, valorizando as suas realizações. “Tivesseis certeza de que estáveis no bom caminho, não temeríeis pela sorte de vossa reputação. Comunicai isso à geração futura, a fim de que também nós não sejamos vítimas de julgamentos apressados e, muitas vezes, injustos.” Como se vê, o texto está no tratamento vós. Agora o transcrevemos e pedimos-lhe completar as lacunas, passando para o tratamento você: _____________________ colher o que foi semeado: hoje a mocidade goza o fruto do trabalho da geração passada. Daí levarmos-______ um conselho: _______ com lealdade, valorizando as realizações dela. Tivesse certeza de que ___________________ no bom caminho, não temeria pela sorte da reputação dela. _____________ isso à geração futura, a fim de que também nós não sejamos vítimas de julgamentos apressados e, muitas vezes, injustos. Questão 02) Leia atentamente os dois textos abaixo: “Assistir – na língua moderna o verbo assistir é transitivo direto no sentido de ver e de prestar assistência.” (FOLHA DE S. PAULO. Manual geral da redação. 2 ed. São Paulo: Folha de S. Paulo, 1987. p. 132) “Assistir – no sentido de estar presente, comparecer, ver pode ser transitivo direto (uso coloquial) ou indireto (norma culta)...” (FOLHA DE S. PAULO. Novo manual da redação. São Paulo: Folha de S. Paulo, 1992. p. 56) a) Qual a diferença de orientação entre os dois manuais? b) Qual a importância de se distinguir o “uso coloquial” da “norma culta”? Questão 03) Assinale a alternativa cujo texto NÃO obedece à norma culta padrão. a) Perguntaram-me o que achava. O tratamento que me davam, devo dizer, era extremamente respeitoso – afinal, eu era uma esposa do rei. b) – Muito bem – disse a encarregada do harém. – Se está tudo a teu gosto, peço-te que me acompanhes a sala do trono. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br c) Satisfeito com o êxito de sua espirituosa tirada, Salomão, ainda sentado no trono, entregou o pergaminho ao escriba e, sorrindo sempre, voltou– se para a esposa que acabava de receber – voltou-se para mim. d) Conteve-se, porém. Afinal, ninguém chega a ser monarca poderoso sem um mínimo de habilidade política. e) Um cortesão adiantou-se e anunciou que a audiência estava terminada. Todos se curvaram. O rei Salomão levantou-se e, com uma saudação quase imperceptível, saiu pela porta lateral, que levava diretamente a seus aposentos. Questão 04) Conta Rubem Braga o conselho que um amigo lhe deu certa vez: “Olhe, Rubem, faça como eu, não tope parada com a gramática.” Tratando Rubem por tu e respeitando o padrão culto, o amigo deveria dizer: a) Olhai, Rubem, faz como eu, não enfrente a gramática. b) Olhai, Rubem, faze como eu, não te vás atemorizar com a gramática. c) Olha, Rubem, faças como eu, cuide de seguir a gramática. d) Olhe, Rubem, faças como eu, evita fugir à gramática. e) Olha, Rubem, faze como eu, não desafies a gramática. Questão 05) As aspas marcam o uso de uma palavra ou expressão de variedade lingüística diversa da que foi usada no restante da frase em: a) Essa visão desemboca na busca ilimitada do lucro, na apologia do empresário privado como o “grande herói” contemporâneo. b) Pude ver a obra de Machado de Assis de vários ângulos, sem participar de nenhuma visão “oficialesca”. c) Nas recentes discussões sobre os “fundamentos” da economia brasileira, o governo deu ênfase ao equilíbrio fiscal. d) O prêmio Darwin, que “homenageia” mortes estúpidas, foi instituído em 1993. e) Em fazendas de Minas e Santa Catarina, quem aprecia o campo pode curtir o frio, ouvindo "causos" à beira da fogueira. Questão 06) A frase que está de acordo com a norma escrita culta é: a) O colégio onde estudei foi essencial na construção de grande parte dos valores que acredito. b) Acho que esta acusação é uma das tantas coisas ridículas que sou obrigado a me defender. c) Há uma sensação que tudo, ou quase tudo, vai ser diferente. d) A boa escola seria a que submetesse seus alunos à maior quantidade de experimentações e pesquisas. e) Nós já estamos próximos de um consenso que o atual modelo está falido. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 07) “APELO Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, pra dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho. Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite e eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, com a última luz na varanda. E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada – o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade. Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.” DALTON TREVISAN, “Apelo”, em “O Conto Brasileiro Contemporâneo” (seleção de textos, introdução e notas bibliográficas por Alfredo Bosi) 2ª ed., São Paulo, Cultrix, 1977, p.190. A eclosão do apelo, no terceiro parágrafo, vai-se construindo por meio de uma função da linguagem nele predominante e que se denomina função: a) poética. b) fática. c) apelativa. d) emotiva. e) referencial. Questão 08) Adquirir a capacidade de usar bem a língua requer como toda atividade artística uma rigorosa disciplina: só se pode manejar o meio, fazê-lo obedecer à nossa intenção expressiva, quando por nossa vez obedecemos sem discutir à sua estrutura própria, que nos precede e nos ultrapassa. No caso da escrita, é preciso seguir escrupulosamente a ossatura do idioma, mesmo quando se quer trincá-lo de leve: conhecer e respeitar a pontuação, a regência, a concordância, as normas de colocação das palavras na frase, as regras de coordenação e subordinação das orações ... A arte de escrever consiste em servir a língua para dela poder servir-se; a vassalagem é aqui condição do domínio do meio e portanto da possibilidade de exercitar a liberdade criativa. Renato Mezan De acordo com o texto, http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br a) a variante lingüística popular, em especial a sua realização oral, é condenável, pois se afasta do padrão culto. b) deve-se evitar ao máximo trincar o idioma, mesmo que seja de leve; por isso, é fundamental obedecer às regras gramaticais. c) a prática da liberdade criativa na expressão escrita independe do sistema lingüístico. d) o escritor deixará de ser criativo quando ousar trincar de leve as regras gramaticais consideradas imutáveis. e) somente o domínio das regras básicas do idioma dá ao escritor a oportunidade de comunicar-se criativa e expressivamente. Questão 09) Sobre o texto I, afirma-se que o poeta imita um violeiro do Nordeste por meio do uso: a) do padrão formal da língua. b) das rimas ricas. c) dos versos brancos. d) de recursos da oralidade. e) do ritmo irregular.Questão 10) I Como são belos os dias Do despontar da existência! — Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mundo – um sonho dourado, A vida – um hino d’amor! Casimiro de Abreu II Lembramo-nos (...), com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de muito longe a enfiada de decepções que nos ultrajam. Eufemismo, os felizes tempos, eufemismo apenas, igual aos outros que nos alimentam a saudade dos dias que correram como melhores. Bem considerando, a atualidade é a mesma em todas as datas. Raul Pompéia Com relação ao texto I, é correto afirmar que: a) a métrica regular, as rimas alternadas e a temática bucólica são traços típicos do lirismo setecentista do autor. b) o tom exclamativo, associado ao tema do mito do primeiro amor, comprova seu estilo parnasiano. c) o predomínio de orações subordinadas na recriação da infância perdida revela que o texto é renascentista. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br d) o tom irreverente dos dois primeiros versos e a linguagem formal comprovam seu estilo modernista. e) a idealização do passado e a linguagem emotiva são índices do estilo romântico. Questão 11) Você quer um som de cinema e uma imagem de alta resolução na sala da sua casa, mas não tem idéia com quem falar, onde procurar ou quanto vai gastar? Muitos já viram esse filme, mas poucos sabem como ele termina. O desfecho dessa misteriosa trama é muito mais simples do que parece. Você vai acompanhar a partir dessa semana, na revista Época, uma série que vai mostrar tudo que você sempre quis saber sobre Home Theater® mas não tinha pra quem perguntar. Sem mistério, sem drama. E com muita ação, fantasia, romance... Enfim, um final feliz para as suas dúvidas mais clássicas. Revista Época Sobre a linguagem utilizada no texto, é correto afirmar que: a) é informal em excesso, considerada a sofisticação atribuída no texto aos produtos anunciados. b) recorre a gírias para tratar do Home Theater e à linguagem padrão para tratar da série – usos que explicitam, respectivamente, o caráter lúdico e informativo dos produtos. c) é caracterizada pelo recurso a termos científicos, que traçam um perfil de alta qualidade para o Home Theater. d) explora a ambigüidade de alguns termos para vincular os produtos anunciados a emoções cinematográficas e à comodidade do telespectador. e) está plenamente adequada às regras gramaticais, o que comprova a estrutura dissertativa do texto. Questão 12) Na memorável regência da princesa Isabel, sua caneta de ouro assinalou fatos marcantes na história do país, como é do conhecimento geral. Um episódio, porém, viria a criar um certo embaraço ao uso de tão celebrado instrumento: é que a Câmara Municipal resolvera criar uns novos “mijadouros públicos”, palavras consideradas impróprias para figurar em documento a ser levado ao conhecimento público subscrito por sua alteza imperial. Seria, porém, um contra-senso privar a população dessa comodidade e a cidade desse valioso equipamento por um problema de lexicografia. Criou- se, então, um novo vocábulo, como vai registrado no Dicionário etimológico da língua portuguesa, de Antenor Nascentes: “Mictório. Neologismo criado quando a princesa imperial regente, D. Isabel, teve de sancionar uma postura da Ilustríssima Câmara Municipal acerca de mijadouros públicos. Figueiredo tira do lat. mictoriu, que aliás é um adjetivo com o sentido de diurético”. Benedito Lima de Toledo, O Estado de São Paulo http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br O texto permite afirmar, corretamente, que: a) os neologismos sempre conquistam, na disputa com os termos antigos, maior prestígio lingüístico. b) a princesa Isabel circunscreveu sua atuação a decisões menos relevantes para a vida social do país, como a inauguração de mictórios. c) a inauguração dos sanitários, apesar de ter sido um evento político menor, permitiu excluir mictório do vocabulário português. d) o vocabulário molda-se ao universo social e aos diferentes contextos de uso da língua. e) a escolha de neologismos é problema permanente quando se trata de registros oficiais. Questão 13) Todas as afirmações, sobre o enredo do romance Jorge, um brasileiro, estão corretas, EXCETO: a) As idas de Jorge à casa de D. Olga ocorrem quando da construção da estrada Brasília-Acre. b) O conserto dos caminhões concreteiros, trabalho realizado a duras penas por Jorge, ocorre depois que seu patrão, o Sr. Mário, se desfaz da oficina de Volkswagen. c) O encontro com dona Helena ocorre depois que Jorge volta da viagem a Caratinga. d) Logo no início da viagem de retorno para Belo Horizonte, Jorge enfrenta um contratempo: a carreta que era dirigida por ele atropela um homem. e) Na viagem de ida para Caratinga, o ônibus em que Jorge estava choca- se com um caminhão-tanque, e Jorge dá testemunho favorável ao caminhoneiro na delegacia local. Questão 14) INTERROGAÇÕES 1 "Certa vez estranhei a ausência de espelhos nos sonhos. 2 Talvez porque neles não nos podemos ver, como no velho conto do homem que perdeu a sombra. 3 Pelo contrário, seremos tão nós mesmos a ponto de dispensar o testemunho dos reflexos? 4 Ou será tão outra a nossa verdadeira imagem - e aqui começa um arrepio de medo - que seríamos incapazes de a reconhecer naquilo que de repente nos olhasse do fundo de um espelho? 5 Em todo caso, lá deve ter suas razões o misterioso cenarista dos sonhos..." (Mario Quintana) "... seremos tão nós mesmos a ponto de dispensar o testemunho dos reflexos?" (par.3) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br A passagem anterior apresenta, predominantemente, as funções: a) conativa e emotiva. b) emotiva e poética. c) referencial e apelativa. d) fática e metalingüística. e) metalingüística e conativa. Questão 15) Assinale a alternativa em que a alteração processada na frase: “Eu vos dei uma consciência e um braço forte para que pudésseis ser livres” é inaceitável em relação à norma culta da língua, por não haver uniformidade de tratamento na frase que resultou da alteração: a) Eu lhes dei uma consciência e um braço forte para que pudessem ser livres. b) Eu vos dei uma consciência e um braço forte a fim de poderdes ser livres. c) Eu vos dei uma consciência e um braço forte para poderes ser livres. d) Eu lhes dei uma consciência e um braço forte para poderem ser livres. e) Eu lhes dei uma consciência e um braço forte a fim de que pudessem ser livres. Questão 16) Leia atentamente o poema a seguir. XIII Estou atravessando um período de árvore. O chão tem gula de meu olho por motivo que [meu olho tem escórias de árvore. (...) O chão deseja meu olho por motivo que meu olho [possui um coisário de nadeiras O chão tem gula de meu olho pelo mesmo motivo [que ele tem gula por pregos por latas por folhas A gula do chão vai comer meu olho. No meu morrer tem uma dor de árvore. Sobre ele, é INCORRETO afirmar que: a) privilegia as coisa ínfimas, os restos, o lixo como imagens recorrentes. b) utiliza a repetição como recurso construtivo. c) faz uso de metalinguagem e intertextualidade. d) afirma a identificação do sujeito poético com as coisas. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 17) Assinale o item que encerra linguagem exclusivamente padrão: a) “No Brasil já existe uma alface que pode servir de vacina contra a leishmaniose, doença que contamina 12 milhões de pessoas por ano em todo o planeta.” (Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05) b) XiiiiiiiAcabei de enviar o e-mail pra todo mundo. E agora? ESSA ERA JÁ ERA. (Publicidade - Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05) c) A sua é escalar o Himalaia? A sua é dropar Fernando de Noronha? A sua é o Terra. (Publicidade - Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05) d) “Equador, do jornalista, romancista e tevê-man português Miguel Sousa Tavares, já vendeu mis exemplares.” (Millôr - Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05) e) “Quando eu disse que era para cortar os pulsos, eu tava falando da conta telefônica.” (Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05) Questão 18) “No Brasil já existe uma alface que pode servir de vacina contra a leishmaniose, doença que contamina 12 milhões de pessoas por ano em todo o planeta.” (Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05) Xiiiiiii Acabei de enviar o e-mail pra todo mundo. E agora? ESSA ERA JÁ ERA. (Publicidade - Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05) A sua é escalar o Himalaia? A sua é dropar Fernando de Noronha? A sua é o Terra. (Publicidade - Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05) “Equador, do jornalista, romancista e tevê-man português Miguel Sousa Tavares, já vendeu mis exemplares.” (Millôr - Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05) “Quando eu disse que era para cortar os pulsos, eu tava falando da conta telefônica.” (Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05) Com base nos textos da questão anterior, seria apropriado, portanto, afirmar: a) Expressões como JÁ ERA, A SUA, MIS e TAVA são inadmissíveis em textos de divulgação. b) Os meios de comunicação estão cada vez mais desprezando a linguagem correta, usando gírias e outros vícios de linguagem. c) O uso de gírias pela mídia contribui para as deformações constantes que se observam na língua portuguesa. d) Os usos da língua estão estreitamente ligados a sua função social. e) Expressões como JÁ ERA, A SUA, MIS e TAVA provam o analfabetismo de nossa população. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 19) Clube de Criação de São Paulo. A publicidade, valendo-se de elementos verbais e não-verbais, encaminha uma produção de sentido cuja leitura propõe uma temática de: a) alienação frente às questões ecológicas e suas conseqüências sociais b) crítica ao progressivo desenvolvimento urbano c) relação harmônica entre o homem e as conquistas tecnológicas d) valorização da relação responsável entre o homem e a natureza e) reflexão sobre as desvantagens econômicas do uso racional do meio ambiente Questão 20) Leia o texto abaixo: Uma mensagem comum em fotologs... “Oiieee... td bemmm galera!?! espero q sim... essa fotin eh um pokito antigs, mas como eu xonei nelaaa to postandu... pra qm naum conhece, esse eh meu cafofo, moh lindu, fla seriu!! Ahuahuaha. Essa semana foi xuper cansativa, altas provas e talz... nd + a declarar... huhu... Lunch entre amigonasss, tarde sussa... =) dps preciso de ajuda nakele post special das p.i.’s* dessa semana gnt!! Hauhauha... Aguardem!! grd bjooo...” * p.i.’s: piadas internas FOLHA DE S. PAULO, São Paulo, 24 abr. 2005, p. C6. Pode-se dizer a respeito da constituição textual em “Uma mensagem comum em fotologs” que se trata de a) um vocabulário restrito aos jovens, cuja composição remete a um único campo semântico, como em “galera”, “amigonasss” e “gnt”. b) seqüências de orações sem valor referencial, como se pode observar em expressões do tipo “xonei nelaaa to postandu...”. c) um tipo discursivo cuja estruturação recruta elementos de textos mais formais, como se vê na afirmação “nd + a declarar”. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br d) formas lingüísticas que atestam a velocidade das mudanças sofridas pela língua escrita padrão, como no caso do diminutivo “fotin”. e) um padrão de organização segundo normas da língua falada e recursos da escrita, como a segmentação das palavras em “moh lindu, fla seriu!!”. Questão 21) Dentre as proposições abaixo, algumas ferem a norma padrão. Assinale aquelas que não apresentam desvio gramatical. 01. Se todos houvessem seguido as normas, não haveria tantas reclamações. 02. O desrespeito à natureza é tanto que, naquele lugar, já não existem animais daquela espécie. 04. Havia apenas uma saída para o problema, mas outras poderiam haver caso analisássemos o problema com mais calma. 08. O desafio que me refiro implica em fazer escolhas. 16. Restabelecer-se-iam, de imediato, as ligações, se houvessem técnicos de plantão. 32. Hão de trazer o que me prometeram! Ora, se hão! Questão 22) Assinale a opção cuja função de linguagem não está corretamente analisada. a) "O poema que segue é o mais popular de Alphonsus de Guimarães. O texto situa-se na parte de sua obra que se inclina a buscar algumas sugestões de forma e conteúdo na tradição poética medieval." (poética) b) "Anda em mim, soturnamente, Uma tristeza ociosa, Sem objetivo, latente, Vaga, indecisa, medrosa" (emotiva) c) "Não ande com o celular pendurado na calça. Fica feio, guarde-o na mochila. Dá pra escutá-lo do mesmo jeito." (conativa) d) "Ah! Jamais ter necessidade de pronunciar essa interjeição…" (metalingüística) e) "Neandertais comiam neandertais." As referências são fortes. Os nossos primos neandertais extintos há uns 30.000 anos, comiam seus semelhantes. (referencial) Questão 23) “A americana não entendia. 'Pois sim' queria dizer não e 'Pois não' queria dizer sim? Tentaram lhe explicar. 'Pois sim' tinha o sentido de 'imagine se alguém diria sim para isso', e 'pois não' o sentido contrário. Então o que queria dizer a palavra 'pois'? Era complicado. E a americana ficou ainda mais impaciente quando, em vez de lhe darem uma resposta, disseram 'Pois é... ' Até que também perderam a paciência com a americana e alguém sugeriu: 'Perguntem a ela sobre a guerra no Iraque.' Luís Fernando Veríssimo. O Estado de S.Paulo. 14/08/2005, p. D14. Nos trechos em que se tenta explicar para a americana os sentidos de construções típicas da língua portuguesa, predomina a função http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br a) referencial da linguagem. b) conativa da linguagem. c) fática da linguagem. d) metalingüística da linguagem. e) emotiva da linguagem. Questão 24) O “internetês”, como popularmente é conhecida essa linguagem, vem sendo uma variante da língua escrita cada vez mais utilizada pelos internautas. Esse novo modo de escrever, trazido no bojo das novas tecnologias, utiliza-se de determinados recursos de modo a assegurar uma comunicação mais rápida nos “chats”. O seguinte diálogo, extraído de uma sessão de bate-papo via IRC – software desenvolvido para comunicação virtual – , ilustra esse uso: 1<IrcLittleGirl> oie. c tae? 2<NLO_matrix> aham. 3<IrcLitteGirl> ☺ mas eh um virciado msm... 4 hehehehe. iaih como c vai? 5<NLO_matrix> bah, se eu so virciado, tu eh nerd... 6 hiahuahauaahua. td blz. tu? 7<IrcLittleGirl> + ou :’( 8<NLO_matrix> tche, conta ae 9<IrcLittleGirl> melhor naum 10<NLO_matrix>:/ 11<IrcLittleGirl>afff... tah bom. bombei de novu em 12 fisik. Pod issu? Fala seriu... 13<NLO_matrix> <o> psss mas me caiu os butiah 14 do bolso agora. Deu pra ti entaum? 15<IrcLittleGirl> nem tantu... tm mais um semestre 16 pela frent, ops bimestre mas tipow se eu rodar jag 17 era...Panico rulezzz... 18<NLO_matrix> ah meo tens q t enkrna, faze os 19 troçu em ksa, pegah aula particular 20<IrcLittleGirl> kra eu jah fiz td issu mas tipow na hr 21 da prova dah um tilt ta ligadu? 22<NLO_matrix> sei, sei... t deu um ctrl alt del no 23 cérebro. fico tri d kra qdo me dah uma dessa... 24<IrcLittleGirl> kkkkkk... peor. No stress. 25<NLO_matrix> flw. m xama no pvt.:***** 26<IrcLittleGirl> nem adoro tu entaum...; ) 27 bjinhuxxxx 28<NLO_matrix> vlw. eu tb. Ah, manda um [ ] p saulo. t+ 30<IrcLittleGirl> pod cre. xauzinhu http://www.projetoredacao.com.br/www.projetoredacao.com.br I. Os erros presentes no texto possuem diferentes motivos, dentre eles a redução de palavras (namo – namorado), a supressão de vogais (qr – quer) ou até mesmo o empréstimo de palavras do inglês (pvt – private – privado). II. O termo ops (linha 16) está para uma expressão de retificação, assim como aham (linha 2) está para uma de confirmação, ao passo que tipow (linha 16) (variação internética da gíria “tipo”) é uma partícula expletiva, ou seja, pode ser retirada sem prejuízo de sentido. III. Pelo texto, é correto depreender que o interlocutor masculino possui mais marcas gaúchas em sua linguagem, utilizando um nível entre o regionalista e o coloquial. IV. O símbolo :/ (linha 10), pelo contexto, poderia ser corretamente substituído por: “Eu não acredito nisso que me contaste... Que coisa desagradável!” Estão corretas apenas as afirmativas a) I e IV. b) I e II. c) II e III. d) II e IV. e) I, II e IV. Questão 25) Na conhecida canção de Caetano Veloso, ouvimos: “Eu marquei demais, tô sabendo, Aprontei demais, só vendo”. No primeiro verso, “tô sabendo” tem seu melhor equivalente, em linguagem formal, na expressão: a) estou informado b) reconheço c) estou convencido d) estou convicto e) tenho certeza Questão 26) Constantemente, em jornais, revistas ou mesmo livros didáticos ou paradidáticos, deparam-se-nos construções em total desacordo com a norma gramatical. As falhas são de natureza diversa, envolvendo problemas de regência, concordância, colocação, uso de vocabulário, flexões indevidas, e numerosas outras. Atento ao que se disse acima, assinale a alternativa cuja frase está de acordo com a norma culta. a) F. está quites com suas obrigações fiscais. b) Nada lhes confunde, são pessoas alertas. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br c) Durante toda à noite, os soldados permaneceram alertas. d) Direi-te apenas isto: o mundo é dos espertos. e) Urge a necessidade de deixar clara uma coisa: não se aceitarão atrasos. Questão 27) Assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01. A predominância de verbos no presente do indicativo mostra um locutor engajado, que se compromete com aquilo que enuncia. 02. O uso de “você” para se dirigir ao cliente é uma estratégia utilizada pelo banco para indicar proximidade, intimidade. 04. Apesar de se tratar de um diálogo, o Sudameris aparece como 3a pessoa (ele) e não como 1a (eu), como seria de esperar. 08. O “nós”, que aparece no final do anúncio, refere-se tanto ao locutor (equipe de profissionais do banco) quanto ao interlocutor (cliente). 16. O uso do imperativo (“sinta-se”, “ligue”) confere ao texto um “tom” de obrigatoriedade que destoa da linguagem sedutora, própria de anúncios publicitários. Questão 28) Leia O poema, de Mário Quintana Um poema como um gole d’água bebido no escuro. Como um pobre animal palpitando ferido. Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na floresta noturna. Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição de poema. Triste. Solitário. Único. Ferido de mortal beleza. (QUINTANA, Mário. 80 anos de poesia. São Paulo: Globo, 2003, p. 84.) Em relação ao poema transcrito, é correto afirmar que a) o sujeito poético descreve sua angústia diante da impossibilidade de escrever um poema. b) foi construído a partir de imagens as quais, gradativamente, indicam um processo de autoconsciência do eu-lírico. c) se evidencia o conflito do eu-lírico, através do emprego de imagens caricaturais. d) o eu-lírico define poema, pela comparação e pelo uso de uma linguagem simbólica. e) tem um tom irônico, o qual resulta numa crítica a determinado modo de escrever. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 29) a) Explique os recursos persuasivos da mensagem publicitária acima, identificando a função predominante da linguagem. b) Ocorre no cartaz um caso de desrespeito à norma culta da língua. I. Identifique-o. II. Reescreva o texto, de acordo com essa norma. Questão 30) Tonho: Vou, pai. Quero voltar não. Justino: Não tá convencido ainda que isso aqui é uma desgraça? Tem lugar pra nós aqui não, Tonho! Tonho: Quero tentar, pai. Justino: Tá bem. O dia que você cansar de bater cabeça, tamos lá à sua espera. Tonho: Brigado, pai. Justino: Podemos ir? Santa: Rita... Justino: Que tem? Santa: Saiu dizendo que ia ali na esquina, voltava logo; tem uma hora. Justino: Ela não tá sabendo que nós temos de sair cedo? Santa: Tá. (Dias Gomes. A invasão. 5. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998. p. 149-150) O trecho acima é exemplo de linguagem coloquial. Reescreva-o de acordo com a norma culta. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 31) Graciliano Ramos, em São Bernardo, fala várias vezes, por meio da personagem Paulo Honório, sobre a arte de escrever romance _ o que se pode observar na seguinte passagem: _ Vá para o inferno, Gondim. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fala dessa forma. (...) Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, Seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios, naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia. Identifique a função predominante da linguagem exemplificada no texto. Justifique sua resposta. Questão 32) Em 1º de janeiro de 1502, uma expedição portuguesa chegou, pela primeira vez, à região do que hoje é a costa carioca. Quando entraram na Baía de Guanabara e navegaram em suas águas, os portugueses acharam que era a foz de um grande rio, prontamente chamado por eles de Rio de Janeiro. Posteriormente, descobriram que, na verdade, se tratava de uma baía, que foi renomeada. 5A grandiosidade da Baía de Guanabara, hoje, limita-se a seu tamanho e à sua história. Embora seja berço da cidade do Rio, testemunha e protagonista de muitos dos mais importantes acontecimentos relacionados à cidade e ao país, a enorme baía parece chorar. Em seus mais de 500 anos, ela agoniza enquanto o descaso impera e propostas efetivas para sua preservação e recuperação não saem do papel. http://www.educacaopublica.rj.gov.br/cultura/especiais/guanabara/intro.htm O texto apresenta fatos, dados e datas, caracterizando-se como um exemplo de linguagem informativa. No entanto, como recurso de estilo para ênfase de determinados aspectos, destacam-se palavras com sentido figurado. Identifique a passagem que apresenta exemplo de palavra usada em linguagem figurada. a) Em 1º de janeiro de 1502, uma expedição portuguesa chegou, pela primeira vez, à região do que hoje é a costa carioca. (linhas 1-2) b) Quando entraram na Baía de Guanabara e navegaram em suas águas, os portugueses acharam que era a foz de um grande rio, (linhas 2-3) c) Posteriormente, descobriram que, na verdade, se tratava de uma baía, que foi renomeada.(linhas 3-4) d) A grandiosidade da Baía de Guanabara, hoje, limita-se a seu tamanho e à sua história.(linha 5) e) Em seus mais de 500 anos, ela agoniza enquanto o descaso impera e propostas efetivas para sua preservação e recuperação não saem do papel. (linhas 7-8) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 33) A temática sobre a diversidade da Baía de Guanabara tem motivado a criação de textos em linguagem verbal e linguagem não-verbal, produzindo sentidos crítico, humorístico, poético, informativo etc. Assinale, na seqüência de textos verbais e não-verbais, apenas aquele que é predominantemente informativo. a) Noite da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro Tão gostosa que os estadistas europeus lamentam ter conhecido tão tarde. Casais grudados nos portõesde jasmineiros... A baía de Guanabara, diferente das outras baías, é camarada, Recebe na sala de visita todos os navios do mundo e não fecha a cara. Murilo Mendes b) Nani, Vereda tropical c) A plataforma indiana, a Jagson Pioneer, está parada perto de Niterói há quatro anos. Ela chegou em águas brasileiras fora dos parâmetros de segurança de navegação. O Globo, 14/julho/2006 d) Minha alma canta. Vejo o Rio de Janeiro, Estou com saudade Rio, teu mar, praias sem fim, Rio, você foi feito pra mim Cristo Redentor, Braços abertos sobre a Guanabara Tom Jobim http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br e) Questão 34) 60 NUM BAR. 70 SAIR 100 PAGAR; A polícia diz: 20 BUSCAR Esta é uma mensagem que se lê, com freqüência, em vidros de párabrisa de automóveis. Assinale a alternativa correta. a) Ela não se constitui como texto, pois nada significa: há números ao lado de expressões da língua portuguesa sem qualquer relação. b) Trata-se de um texto verbal, escrito, com sentido, porém agramatical, pois não usa veiculadores de ligação para estabelecer coesão e coerência. c) Constitui-se como um texto não-verbal, escrito, com signos lexicais e numéricos, mas sem qualquer aceitação, devido à ambigüidade de sentido. d) Não se constitui como texto, pois o jogo arbitrário de números e palavras a transforma num código sem acesso interpretativo. e) Trata-se de um texto verbal coerente, que se manifesta através de números e palavras, os quais, na escrita, provocam estranheza, mas, lidos, cumprem sua função comunicativa. Questão 35) Assinale a opção em que a inicial maiúscula não foi empregada de acordo com a norma oficial: a) Conhecida canção diz que esse caubói nasceu no velho Oeste e entre bravos se criou. b) O rio Amazonas, o maior do mundo em volume d´água, nasce nos Andes. c) No Teatro Municipal assistimos a uma peça em que a Morte promove a conciliação entre o Amor e o Ódio. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br d) Políticos em campanha percorrem o país de Norte a Sul, de Leste a Oeste. e) Mãe e mestra, a Igreja já se manifestou sobre a clonagem de seres humanos e outros temas de flagrante atualidade. Questão 36) Assinale a opção constante de frase que está mal redigida, segundo o padrão culto, por causa do emprego de de quem em lugar do pronome relativo cujo, como seria devido: a) Conhecemos em nossos anos de escola o Professor Carlos, de quem guardamos gratas recordações. b) Na infância tivemos muitos amiguinhos de quem não mais nos lembramos do nome. c) Lembro-me carinhosamente de meu avô, de quem recebi inestimável orientação para a vida. d) Não me esqueço das pessoas de quem recebi benefício. e) O colete abandonado deve pertencer ao seu primo, de quem ontem tanto falamos. Questão 37) O senhor deve de ficar prevenido: esse povo se diverte por demais com a baboseira, dum traque de jumento formam o tufão da ventania. Por gosto de rebuliço. Querem-por-que-querem inventar maravilhas glorionhas, depois eles mesmos acabam temendo e crendo. Parece que todo o mundo carece disso. Eu acho que. (Guimarães Rosa) Com relação ao fragmento de texto acima, é INCORRETO afirmar que: a) O autor se dirige ao seu interlocutor, chamando-o de senhor e lhe dando um conselho. b) O povo dá atenção demasiada a coisas que não têm a importância que lhes é dada. c) As pessoas inventam coisas e, por fim, elas mesmas acreditam e passam a temer as suas invenções, não percebendo que elas são apenas invenções. d) O povo tem necessidade de falar, de fantasiar, de aumentar, de criar coisas grandiosas, que, depois, acabam determinando a sua vida. e) O texto está escrito na variante da linguagem formal padrão, o que pode ser comprovado por glorionhas, pela pontuação e pelo término do fragmento com Eu acho que. Questão 38) Devemos misturar e alternar a solidão e a comunicação. Aquela nos incutirá o desejo do convívio social, esta, o desejo de nós mesmos; e uma será o remédio da outra: a solidão curará nossa aversão à multidão, a multidão, nosso tédio à solidão. Sêneca, Sobre a tranqüilidade da alma. Trad. de J.R. Seabra Filho. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br a) Segundo Sêneca, a solidão e a comunicação devem ser vistas como complementares porque ambas satisfazem um mesmo desejo nosso. É correta essa interpretação do texto acima? Justifique sua resposta. b) “(...) a solidão curará nossa aversão à multidão, a multidão, nosso tédio à solidão.” Sem prejuízo para o sentido original, reescreva o trecho acima, iniciando-o com “Nossa aversão à multidão...” Questão 39) O autoclismo da retrete RIO DE JANEIRO – Em 1973, fui trabalhar numa revista brasileira editada em Lisboa. Logo no primeiro dia, tive uma amostra das deliciosas diferenças que nos separavam, a nós e aos portugueses, em matéria de língua. Houve um problema no banheiro da redação e eu disse à secretária: “Isabel, por favor, chame o bombeiro para consertar a descarga da privada.” Isabel franziu a testa e só entendeu as quatro primeiras palavras. Pelo visto, eu estava lhe pedindo que chamasse a Banda do Corpo de Bombeiros para dar um concerto particular de marchas e dobrados na redação. Por sorte, um colega brasileiro, em Lisboa havia algum tempo e já escolado nos meandros da língua, traduziu o recado: “Isabel, chame o canalizador para reparar o autoclismo da retrete.” E só então o belo rosto de Isabel se iluminou. Ruy Castro, Folha de S. Paulo. a) Em São Paulo, entende-se por “encanador” o que no Rio de Janeiro se entende por “bombeiro” e, em Lisboa, por “canalizador”. Isto permitiria afirmar que, em algum desses lugares, ocorre um uso equivocado da língua portuguesa? Justifique sua resposta. b) Uma reforma que viesse a uniformizar a ortografia da língua portuguesa em todos os países que a utilizam evitaria o problema de comunicação ocorrido entre o jornalista e a secretária. Você concorda com essa afirmação? Justifique. Questão 40) AS PALAVRAS As palavras engendram suas próprias aventuras no espaço. Sendo neutras, circulam como sombras devolutas surpresas nos seus altos ministérios. De vez em quando saltam novas ordens desses seres volúveis que se alinham noutro nível TELES, Gilberto Mendonça. Melhores poemas. Seleção de Luiz Busatto. São Paulo: Global: 1993. p. 58. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br A segunda estrofe deste poema metalingüístico traz uma noção de linguagem que compreende os processos abaixo, EXCETO: a) Conotação b) Variação c) Derivação d) Decodificação TEXTO: 1 - Comum à questão: 41 UM SONHO DE SIMPLICIDADE Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou os amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas? Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço. A vida bem poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida simples, mulher, quê mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava a água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça. Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo doAcre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barraca, no meio do mato e, chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei, numa grande rede branca - foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos. Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas para quê, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas? Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas... Seria http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa. Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número... Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver - sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão. (BRAGA, Rubem. In: 200 crônicas escolhidas, 3 ed. Rio de Janeiro: Record, 1979. p.262-3.) Questão 41) De acordo com a norma culta, a substituição do termo sublinhado por um pronome pessoal só está CORRETA em: a) “Por que fumar tantos cigarros?”... Por que fumá-los? b) “Outro dia vi uma linda mulher.”... Outro dia as vi. c) “... a gente vai jogando um baralho meio marcado.”... ...a gente vai jogando-lo d) “... que me fatigasse o corpo.”... ...que me os fatigasse e) “Tiramos um lápis do bolso”... Tiramos-no do bolso TEXTO: 2 - Comum às questões: 42, 43 [...] Em diversos países, sair de casa jovem é um rito de passagem natural para a vida adulta. Uma espécie de serviço militar obrigatório para deixar de lado a dependência doméstica e provar que é possível se virar sozinho. Nos Estados Unidos, alguns estudantes preferem morar em alojamentos universitários mesmo quando a casa dos pais está localizada na mesma cidade. Além de [isto] ser encarado como uma forma de aproveitar ainda mais os anos de universidade, há uma certa pressão familiar para que os filhos cortem logo o cordão umbilical com os pais. Nos países de cultura latina, a situação é outra. Uma pesquisa publicada em 1996 na Espanha revelou que, apesar da taxa de desemprego ser o dobro da taxa alemã, boa parte dos jovens desempregados espanhóis viviam melhor do que os sem trabalho da Alemanha porque viviam com os pais. No Brasil, as condições econômicas tornam o ato de sair de casa um privilégio. Mas é claro que essa não é a única razão para ver tantos jovens de classe média – muitos deles com mais de 30 anos – protegidos no ninho dos pais. Além das diferenças culturais, há uma certa mentalidade que não estimula a autonomia dos jovens no país. Talvez o traço mais visível dessa mentalidade seja a resistência que os jovens brasileiros têm para aceitar http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br trabalhos considerados “menos nobres”. É incrível como, por aqui, tarefas como trabalhar em fast-foods, servir mesas em restaurantes e carregar malas em hotéis são vistas com menosprezo. Os pais também são culpados disso. Preferem ver os filhos fazendo nada sob suas asas a tê-los exercendo uma atividade “não tão nobre” como primeiro emprego. Em vez de se orgulharem de vê-los batalhando seu espaço no mercado de trabalho, ficam preocupados com o que as outras famílias vão pensar – como se eles não fossem capazes de sustentar sua prole. É bem provável que esse comportamento típico da classe média brasileira seja uma herança da velha mentalidade da casa grande nas antigas fazendas, quando as famílias abastadas preparavam os seus filhos para se tornarem bacharéis e deixavam para os escravos todas as outras tarefas. Sem a disposição para ganhar dinheiro antes de receber um diploma, perde- se a oportunidade de desenvolver o espírito empreendedor e de ganhar auto- suficiência para realizar tarefas domésticas. Ironicamente, boa parte dos jovens brasileiros somente ganham essa autonomia quando podem estudar em outro país. Lá fora, trabalhar como baby-sitter e regar plantas para complementar a renda é algo absolutamente normal. É normal no Brasil ver jovens entediados clamando por autonomia sentados no sofá em frente à televisão. Mas como alguém pode ser independente sem ralar um pouco pela própria grana e pelo próprio futuro? (Fernanda C. Massaroto. Revista Superinteressante, agosto de 2001, p.106.) Questão 42) A substituição do complemento verbal pelo pronome pessoal átono constitui ERRO em relação ao padrão culto da língua em: a) para deixar de lado a dependência doméstica / para deixá-la de lado b) para que os filhos cortem logo o cordão umbilical / para que os filhos o cortem logo c) que não estimula a autonomia dos jovens no país / que não lhes estimula no país d) deixavam para os escravos todas as outras tarefas / deixavam-nas para os escravos e) é normal no Brasil ver jovens entediados / É normal no Brasil vê-los entediados Questão 43) São expressões próprias do registro coloquial da língua empregadas no texto: a) se virar sozinho / ralar um pouco pela própria grana b) sair de casa jovem / morar em alojamentos universitários c) trabalhar em fast-foods / complementar a renda d) servir mesas em restaurantes / carregar malas em hotéis e) sustentar sua prole / trabalhar como baby-sitter http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 3 - Comum à questão: 44 Não é raro ouvirmos que alguém “subiu lá em cima” ou “saiu lá fora”. Certamente, reconhecemos tais formas como viciosas, e, muitas vezes, elas se transformam em motivo de riso. No nível culto da língua, são inadmissíveis. Que pensar de alguém que tenha sofrido uma “hemorragia de sangue” ou participado de um “plebiscito popular”? A esse tipo de construção chamamos pleonasmo, palavra grega que significa superabundância. (Folha de S. Paulo. Pleonasmo: “vício” ou estilo?. Thaís Nicoleti de Camargo). Questão 44) A leitura do texto permite afirmar que as formas entre aspas: a) representam neologismos. b) são considerados vícios de linguagem. c) sempre provocam risos. d) às vezes, em nível culto são admissíveis. e) são pleonasmos e originam-se do grego significando superabundância. TEXTO: 4 - Comum à questão: 45 Texto I O Coronel e o Lobisomem 1 – Que faniquito é esse? Respeite a patente 2 e deixe de ficar sestrosa. 3 Foi quando, sem mais nem menos, deu 4 entrada no meu ouvido aquele assobio fi 5 ninho, vindo não atinei de onde. Podia ser 6 cobra em vadiagem de luar. Se tal fosse, a 7 mula andava recoberta de razão. Por isso 8 dei prazo de espera para que a peçonha 9 da cobra saísse no claro.Nisso, outro as 10 sobio passou rentoso de minha barba, com 11 tanta maldade que a mula estremeceu da 12 anca ao casco, ao tempo em que sobrevi 13 nha do mato um barulho de folha pisada. 14 Inquiri dentro do regulamento militar: 15 – Quem vem lá? 16 De resposta tive novo assobio. Num re 17 pente, relembrei estar em noite de lobiso 18 mem – era sexta-feira. Tanto caçoei do 19 povo de Juca Azeredo que o assombrado 20 tomou a peito tirar vingança de mim, http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 21 como avisou Sinhozinho. Pois muito pesar 22 levava eu em não poder, em tal estado, 23 dar provimento ao caso dele. Sujeito de 24 patente, militar em serviço de água be 25 nta, carecia de consentimento para travar 26 demanda com o lobisomem ou outra qual 27 quer penitência dos pastos, mesmo que 28 fosse uma visagenzinha de menino pagão. 29 Sempre fui cioso da lei e não ia em noite 30 de batizado manchar, na briga de estrada, 31 galão e patente: 32– Nunca! 33 A mulinha, a par de tamanha responsabi 34 lidade, que mula sempre foi bicho de 35 grande entendimento, largou o casco na 36 poeira. Para a frente a montaria não an 37 dava, mas na direção do Sobradinho cor 38 ria de vento em popa. Já um estirão era 39 andado quando, numa roça de mandioca, 40 adveio aquele figurão de cachorro, uma 41 peça de vinte palmos de pêlo e raiva. Na 42 frente de ostentação tão provida de ódio, a 43 mulinha de Ponciano debandou sem mi 44 nha licença por terra de dormideira e 45 cipó, onde imperava toda raça de espinho, 46 caruru-de-sapo e roseta-de-frade. O luar 47 era tão limpo que não existia matinho de 48 simportante para suas claridades – tudo 49 vinha à tona, de quase aparecer a raiz. 50 Aprovei a manobra da mula na certeza de 51 que lobisomem algum arriscava a sua 52 pessoa em tamanho carrascal. Enganado 53 estava eu. Atrás, abrindo caminho e des 54 torcendo mato, vinha o vingancista do lo 55 bisomem. Roncava como porco cevado. 56 Assim acuada, a mulinha avivou carreira, 57 mas tão desinfeliz que embaralhou a pata 58 do coice numas embiras-de-corda. Não 59 tive mais governo de sela e rédea. Caí 60 como sei cair, em posição militar, pronto a 61 repelir qualquer ofendimento. Digo, sem 62 alarde, que o lobisomem bem podia ter 63 saído da demanda sem avaria ou agravo, 64 caso não fosse um saco de malquerença. 65 Estando eu em retirada, pelo motivo já 66 sabido de ser portador de galão e patente, http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 67 não cabia a mim entrar em arruaça des 68 guarnecido de licença superior. Disso não 69 dei conta ao enfeitiçado, do que resultou a 70 perdição dele. Como disse, rolava eu no 71 capim, pronto a dar ao caso solução brio 72 sa, na hora em que o querelante apresen 73 tou aquela risada de pouco caso e debo 74 che: 75– Quá-quá-quá... 76 Não precisou de mais nada para que o gê 77 nio dos Azeredos e demais Furtados vies 78 se de vela solta. Dei um pulo de cabrito e 79 preparado estava para a guerra do lobiso 80 mem. Por descargo de consciência, do que 81 nem carecia, chamei os santos de que sou 82 devocioneiro: 83 – São Jorge, Santo Onofre, São José! CARVALHO, José Cândido de. O coronel e o lobisomen. 46. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2000, pp.177-179 Questão 45) Sendo Ponciano um coronel, sua linguagem reflete, muitas vezes, essa condição. Assinale a alternativa que não corresponde a tal afirmação. a) Estando eu em retirada... (L. 65) b) Respeite a patente... (L. 1) c) Inquiri dentro do regulamento militar... (L. 14) d) ...aproveitei a manobra da mula... (L. 50) e) Que faniquito é esse? (L. 1) TEXTO: 5 - Comum à questão: 46 A Daslu e o shopping-bunker A nova Daslu é o assunto preferido das conversas em São Paulo. Os ricos se entusiasmam com a criação de um local tão exclusivo e cheio de roupas e objetos 5 sofisticados e internacionais. Os pequeno- burgueses praguejam contra a iniciativa, indignados com tanta ostentação. Antes instalada num conjunto de casas na Vila Nova Conceição, região de http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 10 classe alta, a loja que vende as grifes mais famosas e caras do mundo passará agora a funcionar num prédio monumental construído no bairro “nouveau riche” da Vila Olímpia e ao lado do infelizmente pú 15 trido e mal cheiroso rio Pinheiros. A imprensa aproveita a mudança da Daslu para discorrer sobre as vantagens de uma vida luxuosa e exibir fotos exclusivas do interior da megaloja de quatro 20 andares e seus salões labirínticos, onde praticamente não há corredores, pois, como diz a dona da loja, a idéia é que o consumidor se sinta em sua casa. Estranha casa, deve-se dizer. Para em 25 trar nela é preciso fazer uma carteira de sócio, depois de deixar o carro num esta cionamento que custa R$ 30,00 (a primei ra hora). Obviamente, tudo isso tem por objetivo selecionar os consumidores e inti 30 midar os pouco afortunados – os mesmos que, ao se aventurar na antiga loja, recla mavam da indiferença das vendedoras, as dasluzetes, muito mais solícitas com aqueles que elas já conheciam ou que de 31 monstravam de cara seu poder de compra. As complicações na portaria visam também, embora não se diga com clareza, a proteger o local e dar segurança aos mi lionários de todo o país que certamente fa 40 rão da nova Daslu um de seus “points” durante a estada em São Paulo, como já ocorria com a antiga casa. A segurança é um item cada vez mais prioritário nos ne gócios hoje em dia – antes mesmo da inau 45 guração, a loja teve um de seus caminhões de mudança roubado. As formalidades na entrada levam ainda em conta a privacidade do local de quase 20 mil metros quadrados, não mui 50 to longe da favela Coliseu (sic). A reporta gem de um site calculou, por falar nisso, que a soma da renda mensal de todas as famílias da favela (R$ 10.725, segundo o IBGE) daria para comprar apenas duas http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 55 calças Dolce & Gabbana na loja. Tais fatores, digamos assim, sinistros da realidade brasileira é que impulsionam o pioneirismo da nova Daslu. Sim, a loja é uma empreitada verdadeiramente inédi 60 ta. A Daslu, que desenvolveu no Brasil um certo tipo de atendimento exclusivo e personalizado para ricos, agora introduz, pela primeira vez no mundo, o modelo do shopping-bunker. 65 Todos sabem como os shopping centers floresceram em São Paulo e nas capitais brasileiras, tanto pelas facilidades que propiciam para a gente que vive nos cen tros urbanos congestionados e tumultua 70 dos, quanto pela segurança. Ao longo dos anos, eles foram surgindo aqui e ali, alte rando a sociabilidade e a paisagem das ci dades. Acabaram se transformando em uma espécie de praça (fechada), onde as 75 classes alta e média podiam circular com tranqüilidade, sem serem importunadas pela visão e a presença dos numerosos po bres e miseráveis, que, por sua vez, ocu param as praças públicas (abertas), como 80 a da República e a da Sé, em São Paulo. Dentro dos shoppings, os brasileiros so nhamos um mundo de riqueza, organiza ção, limpeza, segurança, facilidades e so bretudo de distinção que lá fora, nas ruas, 85 está agora longe de existir. Mas talvez os shoppings, mesmo os mais sofisticados, como o Iguatemi, te nham se tornado democráticosdemais para o gosto da classe alta paulista. A 90 cada pequeno entusiasmo econômico, logo a alvoroçada classe média da cidade resol vê se intrometer aos bandos nas searas exclusivas dos muito ricos. [...] (http://wwwl.folha.uol.com.br, por Alcino Leite Neto. Consulta em 08/07/2005.) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 46) No texto, predomina a linguagem formal. No entanto, podem-se perceber nele algumas marcas de linguagem coloquial, como em: a) as grifes (linha 10). b) deve-se dizer (linha 24). c) de cara (linha 35). d) sinistros (linha 56). e) a gente (linha 68). TEXTO: 6 - Comum à questão: 47 Observe a tira da personagem Mafalda, publicada por Quino em 1965. Questão 47) No primeiro quadrinho, a forma verbal Sabe a) tem a oração A semana que vem vou viajar de férias como complemento do tipo objeto direto. b) é ocorrência típica do português culto e formal, verificado, por exemplo, no início de documentos oficiais escritos. c) é empregada para estabelecer o contato inicial com o interlocutor, como “alô” em uma conversa telefônica. d) destaca que o interlocutor possui conhecimento prévio do assunto. e) introduz conselho dirigido ao interlocutor. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 7 - Comum à questão: 48 01Olá. Espero que esteja gostando da revista. Neste artigo, eu 02gostaria de apresentar algo que pode ser de extrema importância 03para você. Você já foi induzido a dizer “sim”? Já se sentiu forçado a 04comprar o que não queria ou a contribuir com alguma causa 05suspeita? Alguma vez já desejou entender por que agiu desse jeito, 06para que no futuro pudesse resistir a esses ardis? Sim? Então este 07artigo é perfeito para você. Ele contém informações de grande valor 08sobre as mais poderosas pressões psicológicas que fazem você 09responder “sim” a pedidos. E é repleto de pesquisas NOVAS e 10APRIMORADAS que mostram exatamente como e por que essas 11técnicas funcionam. Então não perca tempo, apenas relaxe e acesse 12as informações – que, no fundo, você já está desejando ter. Adaptado de Robert Cialdini Questão 48) Assinale a afirmativa correta. a) Em pudesse resistir (ref. 06), o verbo auxiliar introduz o sentido de permissão, autorização. b) Em gostaria de apresentar (ref. 02), a forma destacada é um índice de polidez. c) foi induzido (ref. 03) denota a participação efetiva do desejo do leitor no processo de consentimento. d) O uso do presente do indicativo (é, contém, fazem, mostram) indica a transitoriedade das verdades propostas no texto. e) relaxe e acesse (ref. 11) são formas do presente do subjuntivo, que traduzem a incerteza do autor em relação às ações sugeridas. TEXTO: 8 - Comum à questão: 49 Estava pensando na paulistinização do Brasil que veio vindo, veio vindo e, quando a gente se deu conta, tudo virou paulissssta, assim mesmo, com vários ss. Nós, cariocas, temos sofrido muitas humilhações. Como nos vermos obrigados a viajar de avião para São Paulo quando se quer ir para Bahia (!). Ou observar o mercado, no Rio se transformar em paulista tendo-se que ligar pro Disk Cook, em SP, para pedir uma comida de um restaurante carioca, aqui do lado. Ou assistirmos às lojas cariocas fecharem, transformando o Rio numa cidade latinha (“lá tinha” uma padaria, “lá tinha” um açougue, “lá tinha” aquele tal restaurante, “lá tinha” os estertores das Casas Sendas, comprada por outro paulista, o Pão de Açúcar, e por aí vai). Isso fora os “vende-se” e “aluga-se” em todos os bairros do Rio. Sabe Deus para onde irão ... Mas o mais grave de tudo, o mais grave, gente, é a paulistinização do sotaque! O sotaque de São Paulo é o sotaque oficial do Brasil, sotaque nacional do país! Nada contra, só é esquisito que agora, no Rio de Janeiro, se fale paulista. Seria o mesmo que, assim, do nada, todo mundo começasse a falar nordestino, cearense. Nada contra também, mas estranho ... http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Descobri isso quando vi meu neto, carioca, nascido em Los Angeles e criado no Rio desde o primeiro ano de vida, falar coisas do tipo: “ageeennnnda” “veeennnda” e “fazeennda” com muitos enes. E só não pede “um chopes e dois pastel” porque ele tem 4 anos e ainda não toma chope. Então fiquei pensando: mas por que cargas d’água o meu neto fala paulista? Maria Lúcia Dahl. Jornal do Brasil, Caderno B, 9/07/04 Questão 49) Assinale a opção em que um dos fragmentos de textos de autores renomados de lingüística e antropologia explica, de forma adequada, a influência de uma dada variedade lingüística regional como a apresentada pela cronista Maria Lúcia Dahl. a) Uma variedade lingüística “vale” o que “valem” na sociedade os seus falantes, isto é, vale como reflexo do poder e da autoridade que eles têm nas relações econômicas e sociais. Esta afirmação é válida, evidentemente, em termos “internos”, quando confrontamos variedades de uma mesma língua, e em termos “externos” pelo prestígio das línguas no plano internacional. (Maurizio Gnerre, 2001). b) Conhecemos bons professores, provenientes da região Nordeste e dos estados de Goiás e Mato Grosso, que tiveram problemas para trabalhar em escolas particulares em Brasília com a alegação, por parte dos dirigentes das escolas, de que sua fala seria “um mau exemplo” para os alunos. (Bortoni-Ricardo 2004). c) De fato é dentro da, e pela língua que indivíduo e sociedade se determinam mutuamente. O homem sentiu sempre – e os poetas freqüentemente cantaram – o poder fundador da linguagem, que instaura uma realidade imaginária, anima as coisas inertes, faz ver o que ainda não existe, traz de volta o que desapareceu. (Benveniste, 1976) d) O brasilíndio como o afro-brasileiro existiam numa terra de ninguém, etnicamente falando, e é a partir dessa carência essencial, para livrar-se da ninguendade de não-índios, não-europeus e não-negros, que eles se vêem forçados a criar a sua própria identidade étnica: a brasileira. (Darcy Ribeiro, ) e) Podemos dizer, portanto, que o preconceito lingüístico no Brasil se exerce em duas direções: de dentro da elite para fora dela, contra os que não pertencem às camadas sociais privilegiadas; e de dentro da elite ao redor de si mesma, contra seus próprios membros. (Bagno, 2003) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 9 - Comum às questões: 50, 51 CARTA A UM JOVEM QUE FOI ASSALTADO “Foste assaltado. Bem, a primeira coisa a dizer é que isso não chega a ser um fato excepcional. Excepcional é ganhar um bom salário, acertar a loto: mas ser 3assaltado é uma experiência que faz parte do cotidiano de qualquer cidadão brasileiro. Os assaltantes são democráticos: não discriminam idade, nem sexo, nem cor, nem mesmo classe social - grande parte das vítimas é das vilas 6populares. É claro que na hora não pensaste nisso. Ficaste chocado com a fria brutalidade com que o delinqüente te ordenou que lhe entregasse a bicicleta (podia ser o 9tênis, a mochila, qualquer coisa). Entregaste e fizeste bem: outros pagaram com a vida a impaciência, a coragem ou até mesmo o medo - não poucos foram baleados pelas costas. 12Indignação foi o sentimento que te assaltou depois. Afinal, era o fruto do trabalho que o homem estava levando. Não fruto do teu trabalho - até poderia ser - mas o fruto do trabalho do teu pai, o que talvez te doeu mais. 15Ficaste imaginando o homem passando a bicicleta para o receptador, os dois satisfeitos com o bom negócio realizado. É possível que o assaltante tenha dito, nunca ganhei dinheiro tão fácil. E, pensando nisso, a amargura te invade o 18coração. Onde está o exército? Por que não prendem essa gente? Deixa-me dizer-te,antes de mais nada, que a tua indignação é absolutamente justa. Não há nada que justifique o crime, nem mesmo a pobreza. 21Há muito pobre que trabalha, que luta por salários maiores, que faz o que pode para melhorar a sua vida e a vida de sua família - sem recorrer ao roubo ou ao assalto. Mas tudo que eles levam, os ladrões e assaltantes, são coisas materiais. 24E enquanto estiverem levando coisas materiais, o prejuízo, ainda que grande, será só material. Mas não deves deixar que te levem o mais importante. E o mais importante é a 27tua capacidade de pensar, de entender, de raciocinar. Sim, é preciso se proteger contra os criminosos, mas não é preciso viver sob a égide do medo. Deve-se botar trancas e alarmes nas portas, não em nossa mente. Deve- se 30repudiar o que fazem os bandidos, mas deve-se evitar o banditismo. Eles te roubaram. É muito ruim, isso. Mas que te roubem só aquilo que podes substituir. Que não te roubem o coração." SCLIAR, Moacyr. Moacyr Scliar (seleção e prefácio de Luís Augusto Fischer). São Paulo: Global, 2004. p. 267-268. (Coleção Melhores Crônicas) Glossário: égide: escudo. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 50) Predominam, na crônica, as seguintes funções da linguagem: a) emotiva e referencial, uma vez que o remetente da carta, além de externar um ponto de vista particular sobre o assunto tratado, sustenta esse ponto de vista em dados consistentes sobre a realidade. b) emotiva e metalingüística, uma vez que o remetente da carta, além de externar um ponto de vista particular sobre o assunto tratado, estabelece diferenciações semânticas entre os tipos de roubo. c) conativa e referencial, uma vez que o remetente da carta, além de centralizar o alvo da comunicação no destinatário, expõe, de forma imparcial, informações verdadeiras sobre a realidade. d) conativa e emotiva, uma vez que o remetente da carta, além de centralizar o alvo da comunicação no destinatário, externa um ponto de vista particular sobre o assunto tratado. Questão 51) Considere o trecho: “E enquanto estiverem levando coisas materiais, o prejuízo, ainda que grande, será só material”. (ref. 24 e 25) Se for inserido o verbo ser após a locução conjuntiva em destaque, o período, de acordo com o registro culto da língua escrita, deverá ser reformulado do seguinte modo: a) E enquanto estiverem levando coisas materiais, o prejuízo, ainda que sendo grande, seria só material. b) E enquanto estiverem levando coisas materiais, o prejuízo, ainda que seja grande, será só material. c) E enquanto estiverem levando coisas materiais, o prejuízo, ainda que for grande, seria só material. d) E enquanto estiverem levando coisas materiais, o prejuízo, ainda que fosse grande, será só material. TEXTO: 10 - Comum à questão: 52 Este inferno de amar Este inferno de amar – como eu amo! Quem mo pôs aqui n’alma... quem foi? Esta chama que alenta e consome, Que é a vida – e que a vida destrói – Como é que se veio a atear, Quando – ai quando se há-de ela apagar? Almeida Garrett http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 52) Nos versos de Garrett, predomina a função a) metalingüística da linguagem, com extrema valorização da subjetividade no jogo entre o espiritual e o profano. b) apelativa da linguagem, num jogo de sentido pelo qual o poeta transmite uma forma idealizada de amor. c) referencial da linguagem, privilegiando-se a expressão de forma racional. d) emotiva da linguagem, marcada pela não contenção dos sentimentos, dando vazão ao subjetivismo. e) fática da linguagem, utilizada para expressar as idéias de forma evasiva, como sugestões. TEXTO: 11 - Comum à questão: 53 TEXTO 2 Fragmento A MAJOR CHICO MANGA (Discursando). Foi um herói, minha gente. Um herói de verdade. Graças a ele, as tropas brasileiras na Itália conquistaram seu triunfo. Graças a seu gesto magnífico, lançando-se de peito aberto contra a metralha, aquele batalhão, encorajado pelo seu exemplo, levou de roldão as terríveis hordas nazistas. Esta glória, que há de ficar para sempre gravada nas páginas da História, é também nossa, porque foi este o solo que lhe serviu de berço. PREFEITO Isso mesmo. MAJOR Mas foi preciso que se derramasse o sangue de um herói — e esse sangue era quase meu, como todos sabem, casado que sou com a tia dele — para que as autoridades federais tomassem conhecimento deste lugar, até então esquecido de Deus e dos homens. O feito heróico de Cabo Jorge atraiu para esta cidade jornalistas, cinegrafistas e turista de toda parte. No entanto, é preciso que se saiba também, meus patrícios, meu povo, que nada disso teria acontecido se este amigo de vocês não tivesse, na Câmara Federal, lutado como lutou para trazer até aqui o progresso, as conquistas da civilização cristã. PREFEITO Muito bem. Aplausos. Dois populares levantam uma faixa: PELO PROGRESSO DE CABO JORGE, VOTE NO MAJOR CHICO MANGA. (p.22-23) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Fragmento B CORO Sai do meio do placo, avança até o proscênio e canta. Não são os heróis que fazem a História, É a História Quem faz os heróis, Porém no caso do nosso cabo Jorge, Foi a História Ou fomos nós? Este ponto ficará esclarecido No decorrer de nossa história; o que importa no momento esclarecer é que sem ele, sem sua glória, este lugar não teria conhecido as maravilhas e as conquistas da civilização cristã e ocidental e ocidental e ocidental. (p. 25) Fragmento C CABO JORGE Sabem o que eu acho? Que o tempo dos heróis já passou. Hoje o mundo é outro. Tudo está suspenso por um botão. O botão que vai disparar o primeiro foguete atômico. Este é que é o verdadeiro herói. O verdadeiro Deus. O deus-botão. Pensem bem: o fim do mundo depende do fígado de um homem. (Ri) E vocês ficam aqui cultuando a memória de um herói absurdo. Absurdo sim, porque imaginam com qualidades que não pode ter. Coragem, caráter, dignidade humana... não vêem que tudo isso é absurdo? Quando o mundo pode acabar neste minuto. E isso não depende de mim, nem dos senhores, nem de nenhum herói. (Pausa. Sonda os rostos impassíveis do General e do Prefeito.) A glória da cidade precisa ser mantida. A honra do Exército precisa ser mantida. A honra do Exército precisa ser mantida. Entra Major, seguido de Matilde. GOMES, Dias. O berço do herói. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. p. 153 http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 53) Tomando por base a teoria das funções da linguagem e relacionando-as com os fragmentos de O berço do herói, podemos esquematizá-las, efetuando a correspondência: . Função fática: Foi um herói, minha gente. Um herói de verdade. Graças a ele, as tropas brasileiras na Itália conquistaram seu triunfo. . Função poética: Não são os heróis que fazem a história, é a história quem faz os heróis. . Função conativa: Pelo progresso de cabo Jorge, vote no major Chico Manga. ... é preciso que se saiba também, meus patrícios, meu povo, que nada disso teria acontecido. ... TEXTO: 12 - Comum à questão: 54 Questão 54) Assinale a alternativa que NÃO condiz com o cartum acima. a) Os HQs - textos seqüenciais em quadrinhos - geralmente estão associados à narração, pois apresentam um percurso narrativo. b) Na história em quadrinhos, o recurso visual substitui o narrador. c) A linguagem da seqüência dos quadrinhos é narrativa, pois a fala das personagens é apresentada ora em discurso direto, ora em discurso indireto livre. d) Nessa história em quadrinhos (cartum), as personagens vivem uma situação do cotidiano. A linguagem, coerentemente, é coloquial. e) Passando para o discursoindireto, a fala do primeiro balão do segundo quadrinho fica: A Suzanita disse que era uma droga fazer aquilo (queimar as revistas emprestadas pelo amigo) justamente com o Felipe, que era tão bonzinho. TEXTO: 13 - Comum à questão: 55 Jesus Cristo resolve voltar à terra. E decide vir vestido de médico! Procurando um lugar para descer, vê em São Paulo um posto de saúde com um médico trabalhando há muitas horas e morrendo de cansaço. Considerando esse o melhor lugar para sua volta, Jesus Cristo entra de http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br jaleco, passa pela fila de pacientes no corredor e chega ao consultório médico. Um dos pacientes nota e comenta: Olha, vai trocar o plantão. Jesus entra na sala e diz para o “colega” que ele pode ir; que ele vai continuar com o atendimento dali em diante. O médico sai e Jesus grita: O próximo! Entra no consultório um homem paraplégico, com sua cadeira de rodas. Jesus levanta-se, olha bem para o aleijado, e com a palma da mão direita sobre sua cabeça diz: Levanta-te e anda! O homem se levanta e sai andando do consultório, empurrando a cadeira de rodas. Quando chega ao corredor, o próximo da fila pergunta: E aí, como é esse doutor novo? O paraplégico, curado, responde: Igualzinho aos outros... nem examina a gente. SARRUMOR, Laert. As melhores mil (e cem) piadas do Brasil. São Paulo: Nova Alexandrina, 2003. (Texto adaptado) Questão 55) Os dois segmentos do texto claramente distintos quanto ao nível de linguagem são: a) “Jesus Cristo resolve voltar à terra.” / “E decide vir vestido de médico”. b) [Jesus] “chega ao consultório médico.” / “Um dos pacientes nota e comenta:”. c) “Olha, vai trocar o plantão.” / “E aí, como é esse doutor novo?”. d) “Jesus levanta-se, olha bem para o aleijado...” / “Quando chega ao corredor...”. e) “Levanta-te e anda!” / “Igualzinho aos outros... nem examina a gente.”. TEXTO: 14 - Comum à questão: 56 TEXTO V Máquina-de-escrever1 B D G Z, Remintom. Pra todas as cartas da gente. Eco mecânico. De sentimentos rápidos batidos. Pressa, muita pressa. Duma feita surrupiaram a máquina de escrever do meu mano. Isso também entra na poesia Porque ele não tinha dinheiro para comprar outra. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br (...) 1 Manteve-se a grafia do autor, embora esteja em desacordo com as atuais normas oficiais. (ANDRADE, Mário. Poesias completas. 4.ed. São Paulo: Martins, 1974,p.70-71. In: Maia, João Domingues. Literatura: textos & técnicas. São Paulo: Ática, 1995, p.170.) Questão 56) Destaque o verso que possui palavras pertencentes ao registro coloquial e reescreva-o, substituindo essas palavras por outras pertencentes ao padrão culto da língua. TEXTO: 15 - Comum à questão: 57 (Folha de São Paulo [sinapse], p.24, 26/04/2005.) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 57) Assinale o trecho do texto que exemplifica o registro formal escrito. a) Isso só pode ser influência do professor, né? b) Foi aí que comecei a ver as coisas de outro jeito. c) Passei a estudar pra valer e a tirar notas boas. d) Se sou capaz de ensinar, também sou capaz de aprender. e) Fica lá sentado olhando o professor falar sem parar. TEXTO: 16 - Comum à questão: 58 Texto D Coração bate de novo no compasso da serenata As cenas são centenárias, mas não há quem não sonhe ser a mocinha ou o mocinho que cruzam olhares no embalo de uma serenata, que tenham nos olhos o reflexo da chama amarelada das velas sobre a mesa de jantar e que, emocionados, molhem o sorriso com lágrimas na entrega da rosa. O comportamento parece ridículo, mas também não há quem não sonhe em ficar sentado horas esperando o telefone tocar para, depois, relembrar palavra por palavra dada do outro lado da linha; escrever frases bregas no cartãozinho mais brega ainda (e achar um exemplo de bom gosto e originalidade); ficar sem fome (ou comer demais); ouvir música (melosa) sem descanso e perder o maior tempo imaginando os passos do outro. Não há quem não queira ser o motivo da “loucura” e da inspiração (mesmo desastrada) para o versinho que vem assinado pelo Chuchu, pelo Fofo ou pela Gatinha – apelidos que fazem o resto do mundo cair na gargalhada e ele(a) se sentir realmente fofo, um chuchu ou uma gatinha. Os últimos românticos ganharam milhões de companheiros. O romantismo sobreviveu a todas as formas de revoluções de comportamento. Ele pode ter emprestado as vestes da modernidade, mas, despido, ainda tem as velhas formas que emocionam todas as gerações. Não há como negar. Não há quem não queira ser o te do Eu te amo. (Márcia Guerreiro, O Estado de São Paulo, 12 jun. 1994.) Questão 58) A partir de noções ligadas à questão da ‘variação lingüística’, avalie os comentários que são feitos a seguir. I. O fato de um texto ser escrito para tornar-se uma comunicação pública – como aconteceu com o texto D – justifica a opção pela norma padrão da língua, a norma socialmente prestigiada. II. O tema desenvolvido no texto D bem como os contextos mais prováveis de sua circulação motivaram o uso de uma linguagem mais informal. A opção por certos diminutivos e a escolha de certas palavras atestam esse teor mais coloquial do texto. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br III. Sob a perspectiva da variação lingüística, não existe ‘língua intrinsecamente melhor ou pior’. Existe língua mais adequada ou menos adequada às condições da situação em que ocorre. O texto D poderia ser inadequado, se dirigido a crianças menores. IV. Um trecho como “o reflexo da chama amarelada das velas sobre a mesa de jantar” desvirtua a dimensão jornalística do texto. A metáfora é um recurso reservado à linguagem poética e artística. V. A declaração “Eu te amo” poderia, aqui no Brasil e em um contexto menos formal, assumir a formulação “Te amo”. O pronome no início do período, nesse caso, confirmaria o uso corrente do português brasileiro. Os comentários corretos estão presentes nos itens: a) I, II, III e V, apenas. b) II, III e IV, apenas. c) I e II, apenas. d) I, II, III e IV, apenas. e) I, III, IV e V, apenas. TEXTO: 17 - Comum às questões: 59, 60 Texto 2 CARTILHA DO HIPERTENSO O que É ? O que é pressão alta? §1 A hipertensão, ou pressão alta, existe quando a pressão, medida várias vezes em consultório médico, é igual a 14 por 9 ou maior. Isso acontece porque os vasos nos quais o sangue circula se contraem e fazem com que a pressão do sangue se eleve. Para entendermos melhor, podemos comparar o coração e os vasos a uma torneira aberta ligada a vários esguichos. Ao fecharmos a ponta dos esguichos, a pressão irá subir. Da mesma maneira, quando o coração bombeia o sangue e os vasos estão estreitados, a pressão dentro dos vasos aumenta. Quais são as conseqüências da pressão alta? §2 A pressão alta ataca os vasos. Todos eles são recobertos internamente por uma camada muito fina e delicada, que é machucada quando o sangue está circulando com pressão muito alta. Com isso, os vasos se tornam endurecidos e estreitados e podem, com o passar dos anos, entupir ou romper-se. Quando isso acontece no coração, o entupimento de um vaso leva à angina e pode ocasionar infarto. No cérebro, o entupimento ou rompimento de um vaso leva ao "derrame cerebral" ou AVC. Nos rins também pode ocorrer entupimento, levando à paralisação dos rins. Todas essas situações são muito graves e podem ser evitadas com o controle da pressão alta. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Quem tem pressão alta? §3 A pressão alta, ou hipertensão, é uma doença muito comum, que acomete uma em cada cinco pessoas. Entreos idosos, ela chega a atacar uma em cada duas pessoas. Também as crianças podem ter pressão alta. Costumamos dizer que a pressão alta é uma doença "democrática", porque ataca homens e mulheres, brancos e negros, ricos e pobres, idosos e crianças, gordos e magros, pessoas calmas e nervosas. Que cuidados devo ter com meus filhos se tenho pressão alta? §4 Quem tem pressão alta deve orientar seus filhos a medir a pressão a cada seis meses ou no máximo a cada ano, para que o diagnóstico da doença seja feito pouco tempo depois do seu aparecimento. Por que as pessoas têm pressão alta? §5 Na maioria das pessoas que têm pressão alta, esta aparece porque é herdada dos pais. Sabese que os que têm o pai, a mãe ou ambos com pressão alta têm maior chance de adquirir a doença. Hábitos de vida inadequados também são importantes: a obesidade, a ingestão excessiva de sal ou de bebida alcoólica e a inatividade física podem contribuir para o aparecimento da pressão alta. Pressão alta tem cura? §6 A pressão alta é uma doença crônica e dura a vida toda. Ela pode ser controlada, mas não curada. Na maioria das vezes, não se conhece o que causa a pressão alta nem como curá-la, mas é possível controlar a doença, evitando que a pessoa tenha a vida encurtada. O tratamento para pressão alta também evita o infarto do coração, o derrame cerebral e a paralisação dos rins. Como tratar a pressão alta? §7 O tratamento para pressão alta dura a vida toda. Deve ser feito com remédios que ajudam a controlar a pressão e com hábitos de vida saudáveis, como diminuir a ingestão de sal e bebidas alcoólicas, controlar o peso, fazer exercícios físicos, evitar o fumo e controlar o estresse. Importância do exercício físico Como o exercício físico ajuda no controle da pressão alta? §8 O exercício físico ajuda a baixar a pressão. Muitas vezes, quem tem pressão alta e começa a fazer exercícios pode diminuir a dose dos medicamentos, ou mesmo ter a pressão arterial controlada sem o uso de remédios. O exercício físico adequado não apresenta efeitos colaterais e traz vários benefícios para a saúde, tais como ajudar a controlar o peso e a pressão arterial, diminuir as taxas de gordura e açúcar no sangue, elevar o “bom colesterol”, diminuir a tensão emocional e aumentar a auto-estima. Para realizar exercícios físicos adequadamente, siga as seguintes dicas. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Dicas para realizar atividades físicas §9 Não obrigue o corpo a grandes e insuportáveis esforços. Quem não está acostumado a fazer exercícios e resolve “ficar em forma” de uma hora para outra prejudica a saúde. Vá com calma. §10 Pergunte ao médico se sua pressão está controlada e se você pode começar a se exercitar. §11 Faça um teste ergométrico (caminhar na esteira ou pedalar bicicleta, medindo a pressão arterial e a freqüência cardíaca). O médico ou um professor de educação física pode orientar sobre a melhor forma de fazer exercício. §12 Os exercícios dinâmicos, como andar, pedalar, nadar e dançar, são os mais indicados para quem tem pressão alta. Devem ser feitos de forma constante, sob supervisão periódica e com aumento gradual das atividades. §13 A intensidade dos exercícios deve ser de leve a moderada, pelo menos 30 minutos por dia, três vezes por semana. Se puder, caminhe diariamente. Se não puder cumprir todo o tempo do exercício em um só turno, faça-o em dois turnos. §14 Os exercícios estáticos, como levantamento de peso ou musculação, devem ser evitados, porque provocam aumento muito grande e repentino da pressão. §15 Ao realizar exercícios, contente-se com um progresso físico lento, sem precipitações e com acompanhamento médico. Procure realizá-los com prazer. (Disponível em: <http://www.sbh.org.br/publico/informacoes/cartilhas/>. Acesso em: 20 jun. 2006. Adaptado.) Questão 59) Assinale a alternativa que NÃO apresenta características do gênero do texto em questão: a) Prescrições ao público. b) Descrição das características da doença. c) Depoimentos de pacientes narrando sobre a situação da doença. d) Instruções sobre a importância do exercício físico no controle da pressão alta. e) Informações sobre as causas e conseqüências da doença. Questão 60) Assinale a alternativa que NÃO apresenta características do gênero do texto em questão: a) Utilização principalmente de verbos no imperativo, contendo ordens, conselhos e instruções. b) Incitação do leitor a agir diante do que está sendo informado. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br c) Emprego com freqüência dos verbos auxiliares “poder” e “dever”, conferindo aos verbos principais idéias de possibilidade e ordem. d) Uso muitas vezes de verbos no presente para dar um sentido afirmativo e categórico às instruções. e) Emprego com freqüência de expressões circunstanciais de tempo e espaço para descrever os relatos dos pacientes. TEXTO: 18 - Comum à questão: 61 O mundo já dispõe de informação e tecnologia para resolver a maioria dos problemas enfrentados pelos países pobres, mas falta implementar esse conhecimento na escala necessária. Foi a partir desse pressuposto que a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou no Brasil o Projeto do Milênio das Nações Unidas. A novidade propõe um conjunto de ações práticas para que o mundo alcance os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – uma série de metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015, abrangendo áreas como renda, educação, saúde, meio ambiente. “Uma grande mudança nas políticas globais é necessária em 2005, para que os países mais pobres do mundo avancem para alcançar os Objetivos”, alerta o projeto. Se forem alcançados, mais de 500 milhões de pessoas sairão da pobreza e 250 milhões não passarão mais fome. O relatório do Projeto recomenda que cada país mapeie as principais dimensões da extrema pobreza e faça um plano de ação, incluindo os investimentos públicos necessários. Recomenda também que os governos trabalhem ativamente com todos os segmentos, particularmente com a sociedade civil organizada e o setor privado. “Este triunfo do espírito humano nos dá a esperança e a confiança de que a extrema pobreza pode ser reduzida pela metade até o ano de 2015, e até mesmo eliminada totalmente nos próximos anos. A comunidade mundial dispõe de tecnologias, políticas, recursos financeiros e, o mais importante, coragem e compaixão humana para fazer isso acontecer”, diz o coordenador no prefácio do relatório. (Texto adaptado da revista Fórum número 24, de 2005) Questão 61) Assinale a alternativa em que a passagem do texto, em sua nova versão, apresenta-se redigida de acordo com a norma culta. a) Não fora este triunfo do espírito humano, não haveria esperança de que a extrema pobreza pudesse ser eliminada, tampouco reduzida. b) Recomendou-se, no relatório do Projeto que cada país mapeiasse as principais dimensões da extrema pobreza e fizesse um plano de ação. c) “Necessitam-se de grandes mudanças nas políticas globais em 2005, afim de que os países mais pobres do mundo avancem para alcançar os Objetivos”, alerta o projeto. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br d) É possível se ter esperança e confiar, de que a pobreza poderá ser reduzida e, inclusive eliminada. e) Diz o coordenador no prefácio do relatório, que: para fazer com que isso acontecesse, era preciso que a comunidade mundial disponha de coragem e compaixão humana. TEXTO: 19 - Comum à questão: 62 Amor de Salvação 1Escutava o filho de Eulália o discurso de 2D. José, lardeado de facécias, e, por vezes, 3atendível por umas razões que se lhe 4cravavam fundas no espírito. As réplicas 5saíam-lhe frouxas e mesmo timoratas. Já 6ele se temiade responder coisa de fazer 7rir o amigo. Violentava sua condição para 8o igualar na licença da idéia, e, por vezes, 9no desbragado da frase. Sentia-se por 10dentro reabrir em nova primavera de alegrias 11para muitos amores, que se haviam 12de destruir uns aos outros, a bem do coração 13desprendido salutarmente de todos. 14A sua casa de Buenos Aires aborreceu-a 15por afastada do mundo, boa tão-somente 16para tolos infelizes que fiam do anjo da 17soledade o despenarem-se, chorando. Mudou 18residência para o centro de Lisboa, 19entre os salões e os teatros, entre o rebuliço 20dos botequins e concurso dos passeios. 21Entrou em tudo. As primeiras impressões 22enjoaram-no; mas, à beira dele, estava 23D. José de Noronha, rodeado dos 24próceres da bizarriz (sic), todos porfiados 25em tosquiarem um dromedário provinciano, 26que se escondera em Buenos Aires a delir 27em prantos uma paixão calosa, trazida lá 28das serranias minhotas. Ora, Afonso de 29Teive antes queria renegar da virtude, 30que já muito a medo lhe segredava os 31seus antigos ditames, que expor-se à irrisão 32de pessoas daquele quilate. É verdade 33que às vezes duas imagens lagrimosas 34se lhe antepunham: a mãe, e Mafalda. 35Afonso desconstrangia-se das visões importunas, 36e a si se acusava de pueril visionário, 37não emancipado ainda das crendices 38do poeta inesperto da prosa necessária 39à vida. 40Escrever, porém, a Teodora, não vingaram 41as sugestões de D. José. Porventura, 42outras mulheres superiormente belas, e 43agradecidas às suas contemplações, o traziam 44preocupado e algum tanto esquecido 45da morgada da Fervença. 46Mas, um dia, Afonso, numa roda de mancebos 47a quem dava de almoçar, recebeu 48esta carta de Teodora: 49“Compadeceu-se o Senhor. Passou o furacão. 50Tenho a cabeça fria da beira da sepultura, 51de onde me ergui. Aqui estou em 52pé diante do mundo. Sinto o peso do coração 53morto no seio; mas vivo eu, Afonso. 54Meus lábios já não amaldiçoam, minhas 55mãos estão postas, meus olhos não choram. 56O meu cadáver ergueu-se na imobilidade 57da estátua do sepulcro. Agora não 58me temas, não me fujas. Pára aí onde estás, 59que as tuas alegrias devem ser muito 60falsas, se a voz duma pobre mulher pode 61perturbá-las. Olha... se eu hoje te visse, 62qual foste, ao pé de mim, anjo da minha 63infância, abraçava-te. Se me dissesses 64que a tua inocência se baqueara à 65voragem das paixões, repelia-te. Eu http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 66amo a criança de há cinco anos, e detesto 67o homem de hoje. 68Serena-te, pois. Esta carta que mal pode 69fazer-te, Afonso? Não me respondas; mas 70lê. À mulher perdida relanceou o Cristo 71um olhar de comiseração e ouviu- a. E eu, 72se visse passar o Cristo, rodeado de infelizes, 73havia de ajoelhar e dizer-lhe: Senhor! 74Senhor! É uma desgraçada que vos 75ajoelha e não uma perdida. Infâmias, 76uma só não tenho que a justiça da terra 77me condene. Estou acorrentada a um dever 78imoral, tenho querido espadaçá-lo, 79mas estou pura. Dever imoral... por que, 80não, Senhor! Vós vistes que eu era inocente; 81minha mãe e meu pai estavam 82convosco.” Camilo Castelo Branco. Amor de Salvação. São Paulo: Martin Claret. 2003, pp. 94-95 Questão 62) “Ora, Afonso de Teive antes queria renegar da virtude, (...) que expor-se à irrisão de pessoas daquele quilate.” (L. 28-32) Assinale a alternativa que corresponde ao sentido dessa frase e, ao mesmo tempo, respeita a norma culta da língua portuguesa. a) Ora, Afonso de Teive preferia renegar da virtude, (...) do que expor-se à irrisão de pessoas daquele quilate. b) Ora, Afonso de Teive antes queria renegar da virtude, (...) ao invés de expor-se à irrisão de pessoas daquele quilate. c) Ora, Afonso de Teive preferia renegar da virtude, (...) a expor-se à irrisão de pessoas daquele quilate. d) Ora, Afonso de Teive antes queria renegar da virtude, (...) sem expor-se à irrisão de pessoas daquele quilate. e) Ora, Afonso de Teive queria antes renegar da virtude, (...) por expor-se à irrisão de pessoas daquele quilate. TEXTO: 20 - Comum à questão: 63 01Parabéns. Estou encantado com seu sucesso. Chegar aqui não foi 02fácil, eu sei. Na verdade, suspeito que foi um pouco mais difícil do 03que você imagina. Para início de conversa, para você estar aqui 04agora, trilhões de átomos agitados tiveram de se reunir de uma 05maneira intrincada e intrigantemente providencial a fim de criá-lo. 06Essa é uma organização tão especializada e particular que nunca 07antes foi tentada e só existirá desta vez. Nos próximos anos, essas 08partículas minúsculas se dedicarão totalmente aos bilhões de esforços 09jeitosos e cooperativos necessários para mantê-lo intacto e deixá-lo 10experimentar o estado agradabilíssimo, mas ao qual não damos o 11devido valor, conhecido como existência. Adaptado de Bill Bryson http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 63) Considere as afirmações seguintes. I. O emprego de Parabéns é estratégia do autor para, já no primeiro contato, requisitar a adesão do leitor. II. Expressões como não foi fácil e estado agradabilíssimo constituem marcas de subjetividade do autor. III. Expressões como Parabéns e para início de conversa imprimem ao texto um tom informal, ainda que o assunto implique referências de natureza científica. Assinale: a) se todas estiverem corretas. b) se apenas I e II estiverem corretas. c) se apenas II e III estiverem corretas. d) se apenas I e III estiverem corretas. e) se apenas II estiver correta. TEXTO: 21 - Comum à questão: 64 A Morte do Livro, de Ferreira Gullar, publicado na seção Ilustrada da Folha de São Paulo, em março de 2006*1. 1A morte do livro como veículo da literatura já foi profetizada várias vezes na chamada 2época moderna. E não por inimigos da literatura, mas pelos próprios escritores. Até onde me 3lembro, o primeiro a fazer essa profecia foi nada menos que o poeta Guillaume Apollinaire, no 4começo do século 20. 5Entusiasmado com a invenção do gramofone (ou vitrola), acreditou que os poetas em 6breve deixariam de imprimir seus poemas em livros para gravá-los em discos, com a vantagem 7– segundo ele, indiscutível – de o antigo leitor, tornado ouvinte, ouvi-los na voz do próprio 8poeta. A profecia estava equivocada, mas o erro do poeta é compreensível, já que, com o 9gramofone, os poetas modernos estariam mais próximos dos antigos aedos2. De qualquer 10modo, Apollinaire, que foi um bom poeta, revelara-se um mau profeta, já que os poetas 11continuaram a se valer do livro para difundir seus poemas, enquanto o disco veio servir mesmo 12foi aos cantores e compositores de canções populares, que são de fato os aedos*2 modernos. E 13a tal ponto que houve quem afirmasse a substituição do poema pela canção popular: a poesia 14teria, assim, por morte do poema, se transferido do livro para o disco. 15Mas ainda desta vez os propagadores de maus presságios pisaram na bola, uma vez 16que, décadas depois dessa profecia, os livros de poemas continuaram a ser editados, com a 17ajuda, hoje – vejam vocês! – da revolucionária tecnologia da informática. (Mas já há quem 18garanta que o livro – e não só o de literatura – vai morrer agora, substituído pelo http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br computador. 19Mal sabe essa gente que há 40 anos inventei o livro-poema, que o computador não pode 20substituir.) 21O mais recente profeta do fim do livro é o romancista norte-americano Philip Roth, que 22numa entrevista fez o prenúncio. Na verdade, ele anunciou o fim da própria literatura, e não por 23falta de escritores, mas de leitores. Certamente referia-se a certo tipo de literatura, pois obras 24de ficção como “O Código Da Vinci” e “Harry Potter” atingem tiragens de milhões de 25exemplaresem todos os idiomas. 26Outro fenômeno que contradiz a tese de que as pessoas lêem cada vez menos é o 27crescente tamanho dos best-sellers: ultimamente, os volumes ultrapassam as 400 ou 500 28páginas, havendo os que atingem mais de 800. Tais dados invalidam, mais uma vez, as 29previsões da morte do livro e da literatura. 30Não concordo com elas, quando mais não seja porque me parece que essa visão 31simplificadora não leva em conta alguns fatores que estão ocultos, mas atuantes na sociedade 32de massa: fatores qualitativos que a avaliação meramente quantitativa ignora. 33É indiscutível que as obras literárias de qualidade – não as que constituem mero 34passatempo –, que influem na construção do universo imaginário de uma época, atingem 35inicialmente um número reduzido de leitores, mas é verdade também que através deles, com o 36passar do tempo, influem sobre um número cada vez maior de indivíduos – e especialmente 37sobre aqueles que constituem o núcleo social irradiador das idéias. 38Costumo, a propósito dessa discussão, citar o exemplo de um livro de poemas que 39nasceu maldito: “As Flores do Mal”, de Charles Baudelaire, cuja primeira edição, em reduzida 40tiragem, data de 1857. Naquela mesma época, havia autores cujos livros alcançavam tiragens 41consideráveis, que às vezes chegavam a mais de 30 mil exemplares. Esses livros cumpriram 42sua missão, divertiram os leitores e foram esquecidos, como muitos best- sellers de nossa 43época. Enquanto isso, o livro de poemas de Baudelaire – cuja venda quase foi proibida pela 44Justiça –, que vem sendo reeditado e traduzido em todas as línguas, já deve ter atingido, no 45total das tiragens, muitos milhões de exemplares. O verdadeiro best-seller é ele ou não é? *1 Texto adaptado. *2 Na Grécia antiga, cantor que apresentava suas composições religiosas ou épicas, acompanhando-se ao som da cítara. Questão 64) O autor se vale da expressão Até onde me lembro (linhas 02 e 03) para a) referir-se a um local impreciso. b) fazer uma ressalva. c) indicar uma certeza. d) impor um ponto de vista. e) vangloriar-se de sua memória. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 22 - Comum à questão: 65 Ribeirão Preto, SP – Uma quadrilha assaltou o Banco Nossa Caixa de São Simão, na região de Ribeirão Preto, 314 quilômetros ao norte de São Paulo, na manhã desta quinta-feira. [...] Funcionários e seguranças foram rendidos e trancados, e dois assaltantes pegaram o dinheiro do cofre, valor não divulgado. A PM foi avisada às 10h30. Não há pistas do bando. (O Estado de S. Paulo, 23 jan. 2003.) Questão 65) Identifique a função da linguagem que predomina no seguinte texto: a) emotiva b) poética c) conativa d) referencial e) metalingüística TEXTO: 23 - Comum às questões: 67, 66, 68 NO RASTRO DA FALA Se fizéssemos uma lista dos dez maiores mistérios da humanidade, certamente o surgimento da linguagem se destacaria. A linguagem verbal é marca forte, constitutiva, distintiva da nossa espécie. Por isso, a discussão de suas origens está intrinsecamente ligada às discussões da origem da própria espécie humana. Dispomos hoje de boa quantidade de fósseis, fornecedores de evidência material interessante para hipóteses sobre os longos e complexos caminhos da evolução até 05o surgimento do Homo sapiens. Temos, por exemplo, indícios convincentes de que nossa espécie se originou nas savanas do leste da África e se espalhou pelo planeta seguindo rotas que levaram à Europa e à Ásia e desta à América e à Oceania. Essas rotas têm sido estabelecidas em parte pelo estudo do DNA das populações. 10Com base nestes dados, os paleontólogos têm sugerido que o Homo sapiens surgiu na terra há aproximadamente 100 mil anos, embora se calcule que o ramo hominídeo dos primatas tenha se separado há 6 milhões de anos ou mais. Igualmente, dispomos hoje de precioso acervo de objetos criados pelos humanos (ferramentas e utensílios domésticos, por exemplo) e de registros pictóricos que nos 15permitem sustentar hipóteses plausíveis sobre os caminhos percorridos pela humanidade na construção de sua cultura material e simbólica. Seguindo essas pistas, os antropólogos costumam registrar um florescimento cultural bastante significativo por volta de 50 mil anos atrás. Para alguns, este florescimento cultural, inimaginável sem a linguagem, é indício de que ela já estava plenamente estruturada 20naquela época. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Ao confrontar a data do surgimento da espécie com a do florescimento da cultura, há lingüistas que defendem a hipótese de que a linguagem teve desenvolvimento vagaroso, crescendo em complexidade ao longo dos milênios. Outros, porém, consideram intrínseca a relação entre a espécie e a linguagem e 25prodigioso o processo pelo qual um bebê se torna um falante. Afinal, uma criança não começa a falar por simples imitação ou por puro aprendizado a partir de um estágio zero, como se o cérebro fosse uma caixa vazia. Por isso, defendem que a linguagem como a conhecemos surgiu junto com a espécie e está relacionada a uma mutação radical no conglomerado de genes dos hominídeos mais antigos. 30No momento, a Lingüística não tem nenhuma base para optar entre essas hipóteses. A linguagem falada é um bem imaterial. Assim, de seu passado nada sobrou. Não temos, por exemplo, o menor indício de como teria sido o estágio semiótico imediatamente anterior à linguagem propriamente humana, isto é, aquela anterior à nossa linguagem. (...) [FARACO, Carlos Alberto. No rastro da fala. Revista Discutindo Língua Portuguesa, ano 1, n. 3, p. 18-21. (fragmento adaptado)] Questão 66) Assinale a alternativa em que, de acordo com a língua padrão, o primeiro elemento preenche adequadamente o espaço em branco: a) O veículo apresentou pane elétrica em uma estrada deserta e precisei ir ___________ em busca de auxílio (a pé/a pés); b) A empresa __________ a lei ao sonegar impostos (infligiu/infringiu); c) Poderão renovar o crédito, neste estabelecimento comercial, apenas os clientes que estão __________ com os compromissos assumidos junto a esta empresa (em dias/em dia); d) Enfrentamos __________ problemas até concluirmos o trabalho com êxito (Ns/N); e) O presidente da empresa, consoante já afirmara o assessor de imprensa da mesma, __________ a intenção de dar exemplo de responsabilidade social: anunciou a parte dos lucros destinada a doação (retificou/ratificou). Questão 67) Assinale a alternativa CORRETA, segundo a norma culta da língua portuguesa: a) Comunicamos os nossos clientes só recebermos cheques de contas abertas a mais de um ano; b) Sexta-feira à tarde, a gerência vai estar se reunindo para definir a nova estratégia de marketing da empresa; c) O fiscal, em cuja auditoria foram descobertas irregularidades naquela empresa, denunciou-as à imprensa; d) Com o falecimento do pai, os filhos tomaram de conta dos negócios da família; e) Seleciona-se estagiários para atuar nas áreas de Recursos Humanos, Psicologia Empresarial e Contabilidade. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 68) Entende-se por “linguagem verbal” (linha 01): a) código no qual a expressão se verifica exclusivamente por meio de verbos; b) comunicação redundante, excessiva e supérflua, caracterizada pela verborragia; c) código caracterizado pelo uso de signos lingüísticos ou palavras; d) linguagem que prescinde totalmente da utilização de outros recursos expressivos, como a gesticulação e a expressão facial; e) comunicação pautada na substantivação de verbos, com fins estilísticos. TEXTO: 24 - Comum à questão: 69 Depois do almoço as crianças foram na matinê do Royal. Estou falando brasileiro.Fräulein acompanhou-as. Carlos acompanhou. Acompanhou quem? – É! Você nunca vinha na matinê e agora vem só pra amolar os outros! Vá pro seu futebol que é melhor! Ninguém carece da sua companhia... – Que tem, Maria, eu ir também! – Olhe o automóvel como está! Machuca todo o vestido da gente! Com efeito, o automóvel alugado é pequeno pra cinco pessoas, se apertaram um pouco. E como são juntinhas as cadeiras do Royal! Carlos não repara que tem entreatos nos quais os rapazes saem queimar o cigarro, engolir o refresco. Se ele não fuma... Mas não tem rapazote que não goste de passar em revista as meninotas. Carlos não fuma. Se deixa ficar bem sentadinho, pouco mexe. Olha sempre pra diante fixo. Vermelho. Distraído. Isso: quebrado pelos calores de dezembro, nada mais razoável. O espantoso é perceber que ela derrubou o programa, ergue-o com servilidade possante. – Está gostando, Fräulein? Ao gesto de calor que ela apenas esboça, faz questão de guardar sobre os joelhos o jérsei verde. Tudo com masculina proteção. Isso a derreia. [...] Ajuda as meninas a descer do automóvel na volta, e tão depressa que ainda paga o motorista antes de Fräulein, eu que pago! Subindo a escada, por que arroubos de ternura não sei, abraça de repente Maria Luísa, lhe afunda uns lábios sem beijo nos cabelos. (Mário de Andrade, Amar, verbo intransitivo.) Questão 69) A frase – Estou falando brasileiro – está exemplificada em soluções próprias da língua popular presentes nas passagens transcritas, excetuando-se: a) As crianças foram na matinê do Royal. b) Se deixa ficar bem sentadinho. c) O espantoso é perceber que ela derrubou o programa. d) Carlos não repara que tem entreatos nos quais os rapazes saem. e) Ainda paga o motorista antes de Fräulein. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 25 - Comum à questão: 70 De Fernando Pessoa tem-se lembrado pouco, como se a imagem dele se fosse desvanecendo com a memória que dele tem, ou melhor, é como um retrato exposto à luz que lhe vai apagando as feições, ou uma coroa mortuária com as suas flores de pano cada vez mais pálidas, ele o disse. Nove meses, falta saber se chegarão a ser tantos. Fernando Pessoa não tem aparecido, será capricho seu, mau humor, despeito sentimental, ou porque, morto, não possa escapar a obrigações do seu estado, é uma hipótese, afinal nada sabemos da vida no além, e Ricardo Reis, que bem lho podia ter perguntado, não se lembrou, nós, os vivos, somos egoístas e duros de coração. (José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis) Questão 70) O texto de Saramago mostra pontuação não convencional, que é marca estilística do autor. Assinale a alternativa em que a nova pontuação dada aos trechos preserva o sentido do original e apresenta-se de acordo com a convenção da língua culta escrita. a) Fernando Pessoa não tem aparecido: será capricho seu? Mau humor? Despeito sentimental? Ou, porque morto não possa escapar a obrigações do seu estado. b) Fernando Pessoa não tem aparecido, será capricho seu, mau humor, despeito sentimental, ou porque, morto, não possa escapar, a obrigações do seu estado. c) Fernando Pessoa, não tem aparecido; será capricho seu mau humor? Despeito sentimental? Ou porque, morto, não possa escapar a obrigações, do seu estado? d) É uma hipótese; afinal nada sabemos da vida no além, e Ricardo Reis, que bem lho podia ter perguntado, não se lembrou. Nós, os vivos, somos egoístas e duros de coração. e) É uma hipótese, afinal; nada sabemos da vida, no além. E, Ricardo Reis que bem lho podia ter perguntado, não se lembrou, nós, os vivos, somos egoístas e duros de coração. TEXTO: 26 - Comum à questão: 71 REI DOS HUNOS, SALVO ENGANO Não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe quem foi o gaiato que bolou um dia no calendário para homenagear as tias solteironas. Garanto que foi algum sobrinho sem ter o que fazer. Tudo bem, havia uma época em que ser tia parecia condenação. Toda mulher casava por instinto, ou ia casar ou estava a fim de. Com exceção de quem tinha vocação para o claustro, para o convento, convolar núpcias – como escrevia com elegância o falado Machado de Assis – era a bem dizer o destino de toda menina-moça. Hoje puberdade parece palavrão. Não impede de jogar tênis, vôlei, fazer alongamento. Ouvi falar de ninfetas púberes que jogam até buraco. Enfim, é assunto do ginecologista. Porém lembro bem da Marinice, garota que brincava descalça na enxurrada. De repente, saiu do pedaço. Deu o pira, como se dizia. Até que http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br um fulano bocudo, que tinha panca de saber mais do que todo mundo, espalhou a história cabeluda de que a companheira de pega-pega, cacholeta, pula-porteira, tudo de saia ainda sem combinação, estivera naqueles dias. Como o tal fulano vivia mesmo por dentro de tudo, ninguém tirou a limpo que eram aqueles dias. O que se soube à boca miúda é que Marinice foi levada pela mãe e uma tia a um especialista em naqueles dias. Quando reapareceu estava pálida. E de trancinhas. Sempre então que uma vez por mês sua face se fazia ebúrnea (na época dizia-se sem cor), Marinice ruborizava a face com papel crepom umedecido com água. Nunca mais pulou porteiras, nem com saia nem calça comprida, que na época era só coisa de homem. Contando essas coisas hoje para fazer passar o tempo, tudo pode parecer de uma ingenuidade atroz. Acontece que a vida flui rápida. As moças de hoje que escolhem ser freiras sabem o que estão fazendo. Umas se tornam irmãs de caridade. Outras, psicólogas. Outras, enfermeiras. Sem falar nas que são eleitas abadessas de mosteiros. E muitas viram anjos. Marinice cresceu, engordou e casou de branco mais robusta do que quando era solteira. Seis meses depois deu à luz um filho com nove meses de gestação saudável. E ponto final. Acontece que nada disso vem exatamente ao caso. O caso mesmo, no duro, diz respeito à mencionada tia da Marinice. Seu único e desagradável defeito era o sádico mau humor com que se comprazia em executar nossa bola de borracha quando fugia de controle, batia na janela e quebrava a vidraça. A tia não ia com a cara do esporte bretão. Fora isso, um doce de pessoa. Vezes várias, no recesso da disputa de peladas, convidava a turma para saborear goiabada cascão com queijo. Chamava-se Maria de Lourdes. Professora primária, de temperamento rígido. Nunca soube o que era namoro. Em breve período chegou a permitir o assédio moderado de um rapaz loiro, olhos azuis, queixo proeminente, que, se estou sendo fiel à memória, untava os cabelos com brilhantina Glostora. Mas não chegou a namoro tipo bem intencionado. O que circulou para o público externo, não apenas na versão do tal cara boquirroto, também de figuras respeitáveis da vizinhança, é que numa noite quente com relâmpagos o pretendente cismou de oscular de leve o rosto da mulher. No que se ferrou. Levou o maior plaf de mão aberta que repercutiu nos dois tímpanos auriculares. Nunca mais fizeram questão de encontrar-se. Maria de Lourdes ficou sendo cada vez mais chamada de Dona Lourdes, prosseguiu tia e professora. Passou a evitar doces quando escobriu a taxa de diabetes. Alberico, o que recebera o tabefe, desapareceu. Segundo o bocudo, foi ser pára-quedista. Sabia o que estava dizendo. Maria de Lourdes era irmã dele. Ciumento, apreciou o desenlace. “Já pensaram?”, comentou, “agüentar cunhado chamado Alberico?”. Por mim, fosse com minha mana, não seria nada de mais. Alberico é nome nobre. Se não estou equivocado, foi rei dos hunos. Ou estarei fazendo confusão com Átila? Lourenço Diaféria http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 71) No texto Rei dos Hunos, salvo engano há a alternância de diferentes registros da linguagem. Sobre esta questão, indique qualdas alternativas abaixo apresenta trechos dos registros informal e formal, respectivamente. a) “Não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe quem foi o gaiato que bolou um dia no calendário para homenagear as tias solteironas.” (1º parágrafo)/ ”Por mim, fosse com minha mana, não seria nada demais.” (10º parágrafo) b) “No que se ferrou. Levou o maior plaf de mão aberta que repercutiu nos dois tímpanos auriculares.” (8º parágrafo)/ “Seis meses depois deu à luz um filho com nove meses de gestação saudável.” (6º parágrafo) c) “De repente, saiu do pedaço.” (3º parágrafo)/ “Deu o pira, como se dizia.” (3º parágrafo) d) “Contando essas coisas hoje para fazer passar o tempo, tudo pode parecer de uma ingenuidade atroz.” (5º parágrafo)/ “As moças de hoje que escolhem ser freiras sabem o que estão fazendo.” (5º parágrafo) e) “Sempre então que uma vez por mês sua face se fazia ebúrnea (na época dizia-se sem cor), Marinice ruborizava a face com papel crepom umedecido com água.” (4º parágrafo)/ “Acontece que a vida flui rápida.” (5º parágrafo) TEXTO: 27 - Comum à questão: 72 Mapas Minha amnésia durou pouco. De repente eu perdi a noção de espaço. Desconheci caminhos. Ia para a direita quando deveria ir para a esquerda. (...) Já fazia algum tempo que eu estava a pensar num aprendizado extremamente complicado que acontece, sem que disso nos apercebamos: somos desenhadores de mapas. A cabeça é um arquivo de mapas. Para ir do quarto à cozinha a criança consulta o mapa de sua casa, que ela desenhou na cabeça. Ela caminha sem cometer erros. Também os adultos: gavetas, armários, caixas, álbuns. Por causa do mapa da casa que temos na cabeça, ao necessitar de uma agulha, de um lápis, de um martelo, de um remédio, não saímos a procurar a esmo. Vamos diretamente ao lugar indicado pelo mapa. Vêm depois os mapas das redondezas, da cidade, ruas, praças, bares, restaurantes, farmácias, hospitais – tudo organizado. É dizer o nome de um lugar para que o computador espacial cerebral trace imediatamente o caminho para se chegar até lá. Cidades, estradas, país. O universo. Nos céus, as constelações. Norte, sul, leste, oeste. Direções. Os navegadores de antigamente viam as rotas na terra refletidas nas estrelas do céu. Até a Lua, até Marte. Sem os mapas mentais, somos crianças perdidas numa cidade grande desconhecida. (Rubem Alves. http://rubemalves.uol.com.br/quartodebadulaquesXLII.htm) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 72) Empregou-se em sentido denotativo a seguinte frase ou expressão: a) Minha amnésia durou pouco. b) ... somos desenhadores de mapas. c) ... computador espacial cerebral... d) ... rotas na terra refletidas nas estrelas do céu. e) ... somos crianças perdidas numa cidade grande desconhecida. TEXTO: 28 - Comum à questão: 73 Feira livre de Arapiraca 1. Desaparecimento das abelhas de ferrão? Estiagem longa. Aumento de olhos d’água: boa invernada. O juazeiro florescendo cedo, a oiticica, a carnaúba? Inverno! Se há uma coisa que a sabedoria popular sabe mesmo é vigiar a chuva, experiência lograda pelo sofrimento da terra e da gente sertaneja com a falta de água. 2. No agreste de Alagoas, transição da zona da mata para a caatinga, sendo inverno ou verão, chuva ou seca no sertão, chove gente em Arapiraca, dia de segunda-feira. Parece domingo. Os que vêm da área rural capricham no estampado da camisa, óculos escuros e chapéus de todo tipo, de couro, de palha, de pano, proteção indispensável, porque o sol do Nordeste é tórrido, de rachar o chão e rebrilhar nas paredes coloridas da cidade. 3. A tradicional feira livre de Arapiraca, localizada no centro geográfico de Alagoas, com seus cento e vinte anos de existência, atrai gente de diversas regiões, desde o rio São Francisco (verdadeiro personagem de Guimarães Rosa), na divisa com Sergipe, Penedo e Palmeira dos Índios (terra de Graciliano Ramos), cidade de onde se desmembrou, até Serinhaém, na fronteira com Pernambuco. 4. Cerca de 1.800 feirantes, só entre os cadastrados, trabalham em barracas de lona que até poucos anos estendiam-se por vinte e sete ruas do centro da cidade, depois transferidas para o bairro do Baixão e hoje montadas em área próxima ao Mercado Público Municipal. A maioria das pessoas circula a pé, mas também transitam motocicletas, carroças e bicicletas. Pelas beiradas, automóveis e caminhões estacionam, transformados em bancas de venda. É feira de tudo (terão sido assim as feiras medievais? serão assim as feiras orientais de hoje?): carne, verdura, frutas, peixes. Vestuários, utensílios domésticos, ferragens, ferramentas e materiais para trabalho no campo, além da venda de animais. O artesanato é pouco, rústico e utilitário: colheres de pau, raladores, amarrados de palha para vassoura. E tem raizeiros, claro, que não podem faltar em feira brasileira, com suas promessas, pomadas, esperanças e alívios. 5. O ponto forte da feira é o fumo. Sendo essa região produtora de fumo de corda, aí vêm se encontrar produtores e compradores do país inteiro e também estrangeiros, para experimentar e negociar tabaco. Esses rolos de fumo atingem alguns metros de altura. Tem fumo enrolado, de corda, picado, metido na lata. Tudo isso provoca o toque das mãos, a percepção da textura http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br e da umidade, da prova do aroma e do gosto. Fumo mais claro, por exemplo, pode ter gosto adocicado por adição de cacau e mel. E o fumo tem que ser bom de acender. Algumas bancas mantêm uma mecha constantemente acesa para a prova de cigarros preparados na hora. O toque das mãos e a prova do sabor são igualmente importantes para avaliar os tipos e as qualidades das farinhas de mandioca, base da alimentação regional. 6. Sendo uma das maiores feiras do Nordeste, em Arapiraca apresentam-se pelas ruas artistas de várias regiões, sanfoneiros, emboladores, repentistas, livreiros e poetas de cordel. Esses poetas, como se sabe, cantam de tudo: dos cavaleiros da Távola Redonda a Lampião, da vida cortesã à tal da inflação, de eleição à queda das torres gêmeas. Pois veja-se a cantoria de um cego, batendo pé e pandeiro, a voz aguda e numa nota só: “mandei fazê um liforme,/ bem feito, com perfeição,/ mode botá na cidade / em dia de enleição./ O chapéu de arroz doce,/ forrado de tapioca / as fitas de alfenim / e as fivelas de paçoca./ A camisa de nata / e os botões de pipoca, / a ceroula de soro,/ a calça de coalhada, / o cinturão de manteiga / e o broche de carne assada. / As meias de mingau,/ os véus de gergelim,/ o sapato de pirão / e o anelão de bulim”... E por aí vai, em terras de carestia, o traje de alimentação. Bulim? Bolinho. Alfenim? Coisa mais linda: massa de açúcar muito alva que se puxa ainda bem quente, modelando figurinhas de flor, de bichos, peixes, sapatos, cachimbos e pombinhas para a festa do Divino. Herança de Portugal aprendida de árabes, hoje em dia poucas mulheres ainda sabem fazer. E que mais? Cordão azul, cordão encarnado, cristão guerreando, rei coroado. (Adaptado de Ciça Fittipaldi. Feiras e mercados brasileiros. Fotografias de Roberto de Guglielmo. São Paulo: Fólio, 2005) Questão 73) Emprega-se conotação na frase: a) Os que vêm da área rural capricham no estampado da camisa ... b) A maioria das pessoas circula a pé ... c) O artesanato é pouco, rústico e utilitário ... d) Esses poetas, como se sabe, cantam de tudo ... e) Herança de Portugal aprendida de árabes ... TEXTO: 29 - Comum à questão: 74 Olho as minhas mãos Olho as minhas mãos: elas só não são estranhas Porque são minhas. Mas é tão esquisito distendê-las Assim, lentamente, como essas anêmonas do fundo do mar... Fechá-las, de repente, 5Os dedos como pétalas carnívoras!Só apanho, porém, com elas, esse alimento impalpável do tempo, Que me sustenta, e mata, e que vai secretando o pensamento http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Como tecem as teias as aranhas. A que mundo 10Pertenço? No mundo há pedras, baobás1 , panteras, Águas cantarolantes, o vento ventando E no alto as nuvens improvisando sem cessar. Mas nada, disso tudo, diz: “existo”. 15Porque apenas existem... Enquanto isto, O tempo engendra a morte, e a morte gera os deuses E, cheios de esperança e medo, Oficiamos rituais, inventamos 20Palavras mágicas, Fazemos Poemas, pobres poemas Que o vento Mistura, confunde e dispersa no ar... 25Nem na estrela do céu nem na estrela do mar Foi este o fim da Criação! Mas, então, Quem urde eternamente a trama de tão velhos sonhos? Quem faz – em mim – esta interrogação? (QUINTANA, Mário. Apontamentos de história sobrenatural. Porto Alegre: Globo, 1984.) Questão 74) A metalinguagem pode ser percebida quando, em uma mensagem, a linguagem passa a ser o próprio objeto do discurso. A metalinguagem não está presente na seguinte alternativa: a) “A que mundo / Pertenço?” (v. 9 - 10) b) “Fazemos / Poemas, pobres poemas” (v. 21 - 22) c) “Foi este o fim da Criação!” (v. 26) d) “Quem faz – em mim – esta interrogação?” (v. 29) TEXTO: 30 - Comum à questão: 75 O ‘pobrema’ é nosso Segundo Eliana Marquez Fonseca Fernandes, professora de Língua Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás, em se tratando de linguagem, não se pode falar em erro ou acerto, mas desvios à norma padrão. “O importante é estabelecer a comunicação. Para isso, usamos a língua em vários níveis, desde o supercuidado ou formal até o não- cuidado ou não-formal.” “A gramática tradicional diz que, quando se fala ‘nóis vai, nóis foi’, isso não é português. Mas é sim. Em outro nível. Estudos mais recentes na área http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br dizem que tais formas de expressão são corretas. Censurar ou debochar de quem faz uso delas é discriminação lingüística.” Para a professora, o domínio da norma culta não deve ser exigido da população de modo geral, principalmente de pessoas que têm baixo grau de escolaridade. “Quem tem obrigação de saber o português formal, falar e escrever de acordo com as regras são os professores, os jornalistas, os acadêmicos”, diz. (Diário da Manhã, Goiânia, 05.05.04. Adaptado.) Questão 75) O texto discute a questão da língua em sua função comunicativa, contrapondo usos mais informais a usos formais. a) A gente sabe que tem gente que escorrega no português. Indique em que nível de linguagem está a frase acima e justifique a sua resposta. b) Reescreva a frase em duas versões: uma informal e outra formal. TEXTO: 31 - Comum à questão: 76 TEXTO 2 BALADA DAS TRÊS MULHERES DO SABONETE ARAXÁ Manuel Bandeira As três mulheres do sabonete Araxá me invocam, me bouleversam, me hipnotizam. Oh, as três mulheres do sabonete Araxá às 4 horas da tarde! O meu reino pelas três mulheres do sabonete Araxá. Que outros, não eu, a pedra cortem Para brutais vos adorarem, Ó brancaranas azedas, Mulatas cor da lua vêm saindo cor de prata Ou celestes africanas: Que eu vivo, padeço e morro só pelas três mulheres do sabonete Araxá! São amigas, são irmãs, são amantes as três mulheres do sabonete Araxá? São prostitutas, são declamadoras, são acrobatas? São as três Marias? Meu Deus, serão as três Marias? A mais nua é doirada borboleta. Se a segunda casasse, eu ficava safado da vida, dava pra beber e nunca mais telefonava. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Mas se a terceira morresse... Oh, então, nunca mais a minha vida outrora teria sido um festim! Se me perguntassem: Queres ser estrela? Queres ser rei? Queres uma ilha no Pacífico? um bangalô em Copacabana? Eu responderia: Não quero nada disso tetrarca. Eu só quero as três mulheres do sabonete Araxá: O meu reino pelas três mulheres do sabonete Araxá! Questão 76) A função de linguagem, além da função poética, que predomina no poema é: a) emotiva; b) fática; c) metalingüística; d) conativa; e) referencial. TEXTO: 32 - Comum à questão: 77 01A bem dizer, sou Ponciano de Azeredo Furtado, coronel de patente, 02do que tenho honra e faço alarde. Herdei do meu avô Simeão terras 03de muitas medidas, gado do mais gordo, pasto do mais fino. Leio no 04corrente da vista e até uns latins arranhei em tempos verdes da 05infância, com uns padres- mestres a dez tostões por mês. Digo, 06modéstia de lado, que já discuti e joguei no assoalho do Foro mais 07de um doutor formado. Mas disso não faço glória, pois sou sujeito 08lavado de vaidade, mimoso no trato, de palavra educada. Já morreu 09o antigamente em que Ponciano mandava saber nos ermos se havia 10um caso de lobisomem a sanar ou pronta justiça a ministrar. Só de 11uma regalia não abri mão nesses anos todos de pasto e vento: a de 12falar alto, sem freio nos dentes, sem medir consideração, seja em 13compartimento do governo, seja em sala de desembargador. Trato as 14partes no macio, em jeito de moça. Se não recebo cortesia de igual 15porte, abro o peito: 16— Seu filho de égua, que pensa que é? José Cândido de Carvalho – O coronel e o lobisomem: deixados do Oficial Superior da Guarda Nacional, Ponciano de Azeredo Furtado, natural da praça de Campos de Goitacazes Obs: compartimento do governo - repartição pública http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 77) Assinale a alternativa correta. a) São exemplos de linguagem denotativa o emprego de verdes (linha 04) e da expressão freio nos dentes (linha 12). b) A conjunção pois (linha 07) foi empregada com o mesmo sentido observado em “Está em repouso absoluto, não podendo, pois, deslocar- se até aqui”. c) O contexto exige que a frase introduzida pelo advérbio Já (linha 08) seja entendida como expressão de um fato lamentado pelo narrador. d) A conjunção se (linha 09) introduz orações adverbiais condicionais. e) As expressões a sanar e a ministrar (linha 10) admitem ser entendidas em sentido passivo. TEXTO: 33 - Comum à questão: 78 ANGELI. Disponível em: http://www2.uol.com.br/angeli. Acesso em: 13 set. 2006. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 78) No contexto da primeira charge, qual o sentido da expressão “Se liga, mano!”? TEXTO: 34 - Comum às questões: 79, 80 Cuitelinho Cheguei na beira do porto onde as ondas se espaia. As garça dá meia volta, senta na beira da praia. E o cuitelinho não gosta que o botão de rosa caia. Ai quando eu vim de minha terra, despedi da parentaia. Eu entrei no Mato Grosso, dei em terras paraguaia. Lá tinha revolução, enfrentei fortes bataia. A tua saudade corta como aço de navaia. O coração fica aflito, bate uma a outra faia. E os óio se enche d’água que até a vista se atrapaia. Fonte: Tema folclórico. Adaptação Musical: Wagner Tiso e Milton Nascimento. Texto poético: Paulo Vanzolini e Antônio Xandó. In: NASCIMENTO, M. Milton Nascimento ao Vivo. São Paulo: Polygram, 1983. Questão 79) Considerando que a linguagem da música “Cuitelinho” é diferente da norma culta, é correto afirmar que se trata de linguagem: a) Adequada para situações formais de interlocução e registrada no interior paulista e baiano. b) Característica de pessoas que moram em regiões centrais do Brasil, especificamente na zona urbana. c) Específica de uma variedade lingüísticafalada em comunidades rurais, principalmente por pessoas pouco letradas. d) Confusa, incompreensível e desprezível que deve ser evitada em qualquer situação. e) Adequada para o texto oral, em situações formais, comum a todas as regiões do país. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 80) Caso o autor optasse por redigi-la de acordo com a norma culta, como ficaria a última frase “E os óio se enche d’água que até a vista se atrapaia.”? a) E os olhos se enchem d’água que até as vistas se atrapalham. b) E os olhos se enchem d’água que até as vistas nos atrapalham. c) E os olhos nos enchem d’água que até as vistas nos atrapalham. d) E os olhos se enchem d’água que até as vistas se nos atrapalham. e) E os olhos nos enchem d’água que até as vistas atrapalham. TEXTO: 35 - Comum à questão: 81 “Se não comparecerdes... Considerações sobre a relação entre o pronome “vós” e as diabruras do Estado brasileiro” Roberto Pompeu de Toledo Uma pessoa humilde, ora pleiteando sua aposentadoria junto ao INSS, em São Paulo, recebeu a seguinte "carta de exigências" da instituição. Os nomes, tanto da pessoa que pleiteia a aposentadoria quanto de 05quem assina a carta, serão omitidos. O texto vai em sua conturbada e sofrida literalidade: "Para dar andamento ao processo do Benefício em referência, solicito-vos comparecer, no endereço: Av. Santa Marina 1217, no horário de 07:00 às 15:00, 10para que as seguintes exigências sejam cumpridas: - retirar a carteira profissional que se encontra em seu processo para que empregador atualiza as alterações de salarios em vista da ultima anotação foi 1990 e o salario de contribuição está divergente da 15ultima alteração - recolher o 13 referente ao período de 1995 a 2004 que não foram recolhidos e 1 de férias conforme consta os meses a serem recolhidos na carteira profissional Comunico-vos que vosso pedido de Benefício será 20indeferido por desinteresse, se não comparecerdes dentro de 10 dias a contar desta data. Deveis apresentar esta carta no ato do comparecimento". Impressiona o ucasse desferido na penúltima 25linha contra o contribuinte: "...o Benefício será indeferido se não comparecerdes..." Mais impressionante ainda se torna quando se tem em conta que, antes de corridos os dez dias, o INSS entrou em greve, parou tudo e que se danem os solicitantes, os pleiteantes e os queixosos. 30Caso se queira mais uma dose de estupefação, acrescente-se que a carta foi emitida em maio, as exigências foram cumpridas, uma vez terminada a greve, e até agora nada. O benefício ainda não foi concedido. Mas releve-se. Não é esse o nosso ponto. 35Nem bem seriam as aflições infligidas à língua portuguesa, ao longo daquelas poucas linhas em que o idioma de Camões caminha aos trancos e barrancos, como um veículo desgovernado que despenca ladeira abaixo e bate um pára-lama aqui e outro ali, cai num 40buraco, sofre bruscos solavancos, corcoveia, raspa http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br a porta no barranco, capota, desliza – para enfim se estatelar sem remédio contra um último e insuperável obstáculo. É este último obstáculo que nos interessa: o 45pronome "vós". É verdade que a opção pelo vós, como tudo o mais, vai no vai-da-valsa, e sofre um retrocesso quando se fala em "seu processo", a alturas tantas, mas sem dúvida é a da preferência do autor da carta, tanto assim que se afirma, triunfal, nas duas últimas linhas. 50Que razão teria conduzido a tal preferência? Arrisquemos algumas hipóteses. A primeira é a busca da elegância. O "vós" faz bonito em textos como o célebre soneto de Bilac: "Ora (direis) ouvir estrelas! Certo/ Perdeste o senso! E eu vos 55direi no entanto/ Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto/ E abro as janelas, pálido de espanto". A segunda seria a intenção de mostrar-se educado, num comunicado que afinal representa a palavra do próprio Estado brasileiro. Seria aconselhável, dada essa alta 60responsabilidade, o recurso a um pronome que assinala respeito e deferência. Mas... será? Elegância? Educação? São hipóteses que de saída sabemos pouco críveis. Tampouco se pode acreditar que o redator tenha empregado o "vós" porque lhe sai natural. Para isso, 65precisaríamos supô-lo alguém que tem a segunda pessoa do plural como ferramenta tão banal que é com ela que se comunica com a mulher em casa, os colegas no trabalho, os vendedores na feira. Não, não é possível. 70Examinemos de novo o documento. Pensemos nele no contexto da relação do Estado com os cidadãos, no Brasil. Essa relação, segundo expôs recentemente a cientista política Lucia Hippolito, é de desconfiança. "Para a burocracia", escreveu ela, "o cidadão tem 75sempre culpa, está sempre devendo, está sempre na obrigação de provar sua inocência com mais um documento, mais uma firma reconhecida, mais uma certidão autenticada em cartório." Uma suspeita começa a se firmar. A crase não foi feita para humilhar ninguém, 80mas o "vós" foi. O desejo de acuar o cidadão, de encostar-lhe no peito a ponta da espada, de fazê-lo sentir-se pequeno, diante da majestade do Estado, foi esse, sim, só pode ter sido esse, o motivo pelo qual o redator da carta escolheu o "vós". 85O "vós", tal qual se apresenta no texto, ressoa amedrontador como um castigo. Humilhar? Não, ainda é pouco. A intenção é aterrorizar. Volte-se ao texto: "Se não comparecerdes..." Isso é muito mais assustador do que "se você não 90comparecer", ou "se o senhor não comparecer". Soa como decreto vindo das alturas inatingíveis, dos príncipes incontrastáveis, do céu. Faz tremer como um trovão. E esse "vós" é tristemente significativo do Brasil. Simboliza o massacre cotidiano a que o Estado submete os cidadãos, os mais humildes 95em primeiro lugar. Entra governo e sai governo, entra década e sai década, essa é uma situação que permanece, inelutável como fenômeno da natureza. O presidente, os ministros, as CPIs, estes estão sempre 99preocupados com outras coisas. Cá em baixo, a relação entre o Estado e o cidadão comum sempre foi, e continua sendo, feita de pequenas atrocidades. Extraído da Revista Veja. Edição de 2 de novembro de 2005. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 81) Uma carta de exigências, tal como a que o autor cita no texto, apresenta certas características peculiares a outros documentos oficiais. Assinale a alternativa em que todos os itens sejam pertinentes à elaboração desses documentos: a) uso de linguagem coloquial; emprego de termos técnicos, tais como deferimento/indeferimento; inversões sintáticas. b) uso de linguagem informal; uso de fórmulas de cortesia; frases em ordem direta. c) uso de linguagem informal; inversões sintáticas; predomínio dos verbos no pretérito imperfeito. d) uso de linguagem formal; uso de fórmulas de cortesia; emprego de termos técnicos, tais como deferimento/indeferimento. e) uso de linguagem formal; uso de fórmulas de cortesia; agrupamentos de versos em estrofes. TEXTO: 36 - Comum à questão: 82 Os textos abaixo fazem parte da campanha publicitária de uma empresa fabricante de produtos eletrônicos. TEXTO I Noel querido, No próximo dia 24 vou oferecer uma ceia para alguns amigos em minha casa, em petit comitê. Eu adoraria poder contar com a sua presença. E, se você quiser trazer um presente para a anfitriã, não vou me importar, pelo contrário, até dou uma sugestão: você já viu a nova linha de monitores de plasma da Gradiente? É um must! Design clean, tecnologia de última geração. Ficaria o máximo ao lado de minhas obras modernistas. Apenas um pedido, querido. Por favor, não entre pela chaminé para não assustar os convidados. Um beijo. ____________________ Seu nome TEXTO II E aí, Papai Noel, Belê? A parada é a seguinte: eu, ___________________,tô muito a fim, a finzaço mesmo, de ter um Mini System Titanium da Gradiente no meu quarto, aquele que reproduz MP3 com 5.000 Watts de potência, tá ligado? Sabe como é: eu queimo uns CDs MP3, convido a mina para ouvir um som da hora, a gente troca umas idéias e aí, meu velho, você tá ligado, né? E então? Quebra essa pra mim, mano. O senhor, que já tá velhinho, não sabe como é difícil hoje em dia agradar a mulherada. (VEJA, dezembro de 2003.) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 82) Sobre a linguagem utilizada nos textos I e II, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( )A coloquialidade no texto I é marcada, por exemplo, pela busca de proximidade com o destinatário e por algumas escolhas lexicais; a norma padrão é predominante, como exemplifica o trecho Por favor, não entre pela chaminé para não assustar os convidados. ( )A oralidade permeia o texto II de forma marcante, como mostram os trechos E aí, Papai Noel? Belê?, e aí, meu velho, você já ta ligado, né?, tô muito a fim, tô a finzaço mesmo. ( )No texto II, o jovem não se dirige a Papai Noel de forma polida, respeitosa, pois utiliza gírias, como tá ligado,quebra essa e refere-se a ele como mano e meu velho. ( )O uso, no texto I, de estrangeirismos – em petit comité, must – revela a imagem que a senhora pretende passar ao Papai Noel. Assinale a seqüência correta. a) FVVF b) VVFV c) VFVF d) FFVV e) VVFF TEXTO: 37 - Comum à questão: 83 Exercício de Ironia Beto Vianna* 01Votar não é coisa fácil. Ainda mais depois que inventaram essas maquininhas em que não é preciso nem escrever o nome do candidato. Ou o número. Até hoje não vi ninguém denunciar essa eleição informatizada no Brasil como o maior golpe que já se deu em quem não sabe escrever (ao lado do 05celular, do MSN e do orkut). Hoje, não é preciso saber escrever pra votar. Hoje, não é preciso saber escrever. Que histórica ironia: depois de 5.000 anos de evolução da escrevinhação humana, não precisamos mais escrever o voto, e o voto virou-se contra a escrita. Elitista, eu? Vou viajar mais um pouco, que a responsabilidade da pena é 10minha: qualquer bactéria inquilina deste planeta (a maioria, as que eu conheço, pelo menos) sabe viver em paz e harmonia com a próxima. Já o humano (a maioria, os que eu conheço, pelo menos) sofre de democracismo, desde os gregos. É preferível pra esse organismo civilizadíssimo a justiça, a liberdade e a igualdade, ou seja, mais vale o respeito dos outros ao eu do que a 15responsabilidade individual. Esse é o fundamento da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos. Ah! Como se meu vizinho fosse lavagem pra dar pros porcos, e eu – sempre eu – fosse o supercidadão, pleno de direitos. A minha liberdade começa onde... putz, começa onde eu http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br conseguir que ela comece, e dane-se o resto. Não esqueço nunca esta música do Premê (cito de 20memória, talvez com liberdade poética): “compre já o seu abrigo nuclear e deixe o resto do mundo queimar à vontade lá fora”. Você luta por seus direitos? Parabéns, mas engula comigo o fato que quem inventou isso foram os gregos em um atentado fundacional no Ocidente à coletividade, colocando o Estado a serviço do eu. O Procon, a Lei do Ventre 25Livre, o PSDB e o PT, o PSOL, a carteirinha de estudante, o banheiro público, tudo isso são invenções gregas, milenares. A idéia é a mesma: eu tenho os meus direitos e ninguém tasca, mas o direito do vizinho é problema dele. Cada um com seus problemas, e os meus problemas devem ser resolvidos pelo Estado. 30Falando em particular do Brasil, enquanto nós, intelectuaizinhos da classe mediana, ficamos reclamando nossos direitos, enquanto nós, operários sindicalizados, conquistamos 44 horas semanais, enquanto todos curtimos o livre-arbítrio, a livre imprensa, o livre comércio, o livre-pensar e a luta livre, um monte de outros humanopatas é gerado no sistema educacional brasileiro, esse 35lugarzinho onde a grana – a verba, pra usar o termo de quem faz direito – não vai pra quem é de direito. País capitalista que se preza, como outros existem por aí há 400 anos, o Brasil paga bem o universitário e rouba da criança. Capitalista, num sentido lato da coisa, come criancinha mais rápido e mais deglutido que qualquer comunista stricto sensu. *In: Jornal O tempo, 23/09/2006, p. A9. Questão 83) Assinale a alternativa em que aparecem apenas termos próprios da norma popular: a) Pra, maquininha, escrivinhação, putz. b) Supercidadão, pra, coletividade, inquilino. c) Stricto sensu, tasca, inquilino, putz. d) Escrivinhação, fundacional, bactéria, pra. TEXTO: 38 - Comum à questão: 84 Michael C. Corballis, professor de psicologia e ciências cognitivas da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, afirma que o ser humano começou a falar com as mãos. Se sua hipótese estiver correta, nossos antepassados se faziam entender por meio de um misto de gestos e grunhidos e só muito gradualmente desenvolveram uma fala articulada. “Evidências que apontam para a idéia de que a linguagem se originou nos gestos estão se acumulando recentemente”, afirma ele. Tais evidências vêm das mais diversas áreas, como a lingüística, a biologia molecular, a primatologia e a neurociência. Em cada um desses campos de estudo há um vespeiro teórico armado para o pesquisador cutucar. A polêmica começa pela própria natureza da linguagem. Para muitos lingüistas, como Chomsky, a linguagem é uma propriedade exclusiva e inata do ser humano, e será inútil tentar qualquer analogia com as formas de comunicação de outras espécies animais. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Acredita-se que a grande expansão do gênero humano da África para o resto do mundo começou há 50 mil anos. Há evidências fósseis de migrações anteriores, porém esses primeiros aventureiros parecem ter sumido sem deixar descendentes. Há 40 mil anos teria acontecido uma espécie de explosão evolutiva. O homem teria começado a fabricar utensílios sofisticados. Surgem também mostras de pensamento simbólico – pinturas nas cavernas, por exemplo. Corballis crê que esse progresso foi propiciado pela fala. Uma vez que estavam livres das funções de comunicação, as mãos puderam caprichar na manufatura de objetos. A fala permitiu, ainda, que os conhecimentos acumulados fossem transmitidos a seus descendentes, oferecendo ao homo sapiens vantagens tecnológicas sobre outros hominídeos. A linguagem não seria o passo final de uma tendência evolutiva, mas sim uma invenção que o homem foi aprimorando ao longo de sucessivas gerações, tal como ocorreria mais tarde com a escrita. Segundo ele, a linguagem em si é muito complexa para ter emergido somente nos últimos cem mil anos. Portanto, devem ter existido formas de linguagem que não dependiam puramente da vocalização, e é difícil pensar em outras modalidades, além dos gestos manuais e faciais. Não seria exato dizer que a linguagem falada substituiu a gestual; ela apenas se tornou predominante. Além disso, os gestos não desapareceram por completo. Continuamos a gesticular enquanto falamos – e o engraçado é que o fazemos até ao telefone, apesar de nosso interlocutor não nos enxergar. (Adaptado de Jerônimo Teixeira e Rodrigo Maroja. Superinteressante, novembro 2002, p. 75-77) Questão 84) Continuamos a gesticular enquanto falamos e o engraçado é que o fazemos até ao telefone, apesar de nosso interlocutor não nos enxergar. A afirmativa INCORRETA a respeito da última frase do texto é: a) A função da linguagem é conativa, porque se volta diretamente à pessoa do interlocutor. b) Há exemplo de uso coloquial da linguagem, no segmento o engraçado. c) A última oração do período é introduzida por uma ressalva.d) O travessão pode ser corretamente substituído por uma vírgula, sem prejuízo do sentido original. e) O conjunto pronome mais verbo em o fazemos está substituindo, considerando-se o contexto, continuamos a gesticular. TEXTO: 39 - Comum à questão: 85 Leia abaixo um trecho de Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e responda às questões. Vidinha era uma rapariga que tinha tanto de bonita como de movediça e leve; um soprozinho, por brando que fosse, a fazia voar, outro de igual natureza a fazia revoar, e voava e revoava na direção de quantos sopros por ela passassem; isto quer dizer, em linguagem chã e despida dos trejeitos da http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br retórica, que ela era uma formidável namoradeira, como hoje se diz, para não dizer lambeta, como se dizia naquele tempo. Portanto não foram de modo algum mal recebidas as primeiras finezas do Leonardo, que desta vez se tornou muito mais desembaraçado, quer porque já o negócio com Luisinha o tivesse desasnado, quer porque agora fosse a paixão mais forte, embora esta última hipótese vá de encontro à opinião dos ultra-românticos, que põem todos os bofes pela boca pelo tal primeiro amor: no exemplo que nos dá o Leonardo, aprendam o quanto ele tem de duradouro. Questão 85) Assinale a alternativa INCORRETA a respeito dos termos grifados, no contexto do excerto. a) Leve tem sentido conotativo. b) A expressão linguagem chã pode ser entendida como linguagem simples. c) A expressão em linguagem (...) despida dos trejeitos da retórica equivale a em linguagem denotativa. d) O termo movediça pode ser entendido, retoricamente, como inconstante. e) O termo rapariga designa uma moça intencionalmente sensual, voltada para as artes do amor. TEXTO: 40 - Comum às questões: 86, 87 Estamos crescendo demais? O nosso “complexo de vira-lata” tem múltiplas facetas. Uma delas é o medo de crescer. Sempre que a economia brasileira mostra um pouco mais de vigor, ergue-se, sinistro, um coro de vozes falando em “excesso de demanda” “retorno da inflação” e pedindo medidas de contenção. O IBGE divulgou as Contas Nacionais do segundo trimestre de 2007. Não há dúvidas de que a economia está pegando ritmo. O crescimento foi significativo, embora tenha ficado um pouco abaixo do esperado. O PIB cresceu 5,4% em relação ao segundo trimestre do ano passado. A expansão do primeiro semestre foi de 4,9% em comparação com igual período de 2006.(...) A turma da bufunfa não pode se queixar. Entre os subsetores do setor serviços, o segmento que está “bombando” é o de intermediação financeira e seguros – crescimento de 9,6%. O Brasil continua sendo o paraíso dos bancos e das instituições financeiras. Não obstante, os porta-vozes da bufunfa financeira, pelo menos alguns deles, parecem razoavelmente inquietos. Há razões para esse medo? É muito duvidoso. Ressalva trivial: é claro que o governo e o Banco Central nunca podem descuidar da inflação. Se eu fosse cunhar uma frase digna de um porta-voz da bufunfa, eu diria (parafraseando uma outra máxima trivializada pela repetição): “O preço da estabilidade é a eterna vigilância”. Entretanto, a estabilidade não deve se converter em estagnação. Ou seja, o que queremos é a estabilidade da moeda nacional, mas não a estabilidade dos níveis de produção e de emprego. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br A aceleração do crescimento não parece trazer grande risco para o controle da inflação. Ela não tem nada de excepcional. O Brasil está se recuperando de um longo período de crescimento econômico quase sempre medíocre, inferior à média mundial e bastante inferior ao de quase todos os principais emergentes. O Brasil apenas começou a tomar um certo impulso. Não vamos abortá- lo por medo da inflação. (Folha de S.Paulo, 13.09.2007. Adaptado) Questão 86) Atente para as afirmações: I. Na frase – Há razões para esse medo? – substituindo-se o verbo há no mesmo tempo verbal, tem-se: Existirá razões para esse medo? II. Está correta, de acordo com a norma culta, a colocação pronominal da frase: O setor mais dinâmico foi a indústria, que se superou em 2007. III. Dos substantivos economia, estabilidade e intermediação, formam-se, respectivamente, os verbos: economizar, estabilizar e intermedear. Está correto apenas o que se afirma em: a) I b) II c) III d) I e II e) II e III Questão 87) Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, de acordo com a norma culta, as frases: Entretanto a estabilidade não deve levar __________. A expansão do segundo trimestre foi de 4,9%, maior que __________. A economia brasileira conseguiu crescer a uma taxa próxima __________. Na verdade, aspiramos __________. a) a uma estagnação / à do mesmo período de 2006 / à da economia mundial / a estabilidade da moeda b) à uma estagnação / a do mesmo período de 2006 / a da economia mundial / pela estabilidade da moeda c) a uma estagnação / a do mesmo período de 2006 / à da economia mundial / à estabilidade da moeda d) a uma estagnação / à do mesmo período de 2006 / a da economia mundial / estabilidade da moeda e) a uma estagnação / a do mesmo período de 2006 / a da economia mundial / na estabilidade da moeda. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 41 - Comum à questão: 88 TEXTO II O NAVIO NEGREIRO Castro Alves (fragmento) Negras mulheres, suspendendo às tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs! E ri-se a orquestra irônica, estridente... E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais ... Se o velho arqueja, se no chão resvala, Ouvem-se gritos... o chicote estala. E voam mais e mais... Presa nos elos de uma só cadeia, A multidão faminta cambaleia, E chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, Outro, que martírios embrutece, Cantando, geme e ri! No entanto o capitão manda a manobra, E após fitando o céu que se desdobra, Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros: "Vibrai rijo o chicote, marinheiros! Fazei-os mais dançar!..." Questão 88) Além da função poética, qual outra função da linguagem prevalece no poema de Castro Alves? a) metalingüística b) referencial c) apelativa d) fática e) emotiva http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 42 - Comum à questão: 89 Texto I Empresa produz biodiesel com sobra de óleo de dendê Depois de mais de duas décadas produzindo óleo de dendê, conhecido como azeite-de-dendê, há dois anos, foi descoberto que se poderia obter economia, gerar negócio e diminuir a poluição atmosférica, simplesmente utilizando-se as sementes do dendê não 5apropriadas para o consumo humano, que antes eram descartadas. Esta sobra da produção do óleo, em vez de ir para o lixo, agora é transformada em biodiesel. O combustível renovável foi batizado de palmdiesel e, para obtê-lo, cerca de 95% dos ácidos graxos do óleo de dendê são 10aproveitados. O biodiesel é isento de glicerina e custa muito menos que o combustível fóssil, além de ter o mesmo rendimento. Hoje, entre todas as matérias-primas cotadas para a produção de biodiesel no Brasil, o dendê é a que mais produz óleo por área plantada. Para se ter uma idéia, um hectare de dendê pode 15produzir de 20 até 30 toneladas de cachos. O dendezeiro é a oleaginosa de maior produtividade conhecida, além de fornecer o óleo mais consumido no mundo. Por este e outros motivos, o cultivo do dendê constitui uma alternativa viável e rentável para a recuperação de áreas alteradas, além de ser uma cultura 20extremamente versátil,sendo dela aproveitados os óleos da semente (óleo de dendê) e do mesocarpo (óleo de palmiste), os cachos e os resíduos do processo de extração de óleo (glicerina). Atualmente, está entre as principais oleaginosas para produção de biodiesel. No Pará, a matéria-prima não falta. O estado 25é o maior produtor de dendê do Brasil, além de possuir cinco milhões de hectares aptos à cultura. Neste estado, a totalidade de áreas ou zonas classificadas como de alta e média potencialidades correspondem aproximadamente a 23,7% do território paraense. Essas áreas têm condições de produzir dendê para absorver grandes 30demandas internas e externas, o que tornaria o Estado do Pará (e o Brasil), no ranking mundial, o maior produtor e exportador de óleo de dendê do mundo. PEDROZO, Soraia Abreu. Empresa produz biodiesel com sobra de óleo de dendê. Disponível em <http//www.biodiesel com. Acesso em 11 ago 2007. (com adaptações) Questão 89) Em relação às estruturas lingüísticas do Texto I, marque a opção coerente segundo as normas gramaticais. I. Na linha 1, se houver substituição da frase “Depois de mais de duas décadas” por “A mais de duas décadas”, mantém-se a correção gramatical do período. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br II. A expressão “em vez de” (linha 6) pode ser substituída por “no lugar de”, sem que haja prejuízo gramatical. III. Subentende-se que após a palavra “Atualmente” (linha 23) o termo que deveria ser explicitado é “o dendezeiro”. IV. O recurso dos parênteses (linhas 21 e 22) é usado para indicar quais os produtos finais oriundos de elementos aproveitados do dendezeiro. a) Todas as afirmativas estão corretas. b) As afirmativas II e III estão incorretas. c) Somente a afirmativa I está incorreta. d) Somente a afirmativa III está correta. e) As afirmativas I, II e III estão corretas. TEXTO: 43 - Comum à questão: 90 1Com um pouco de exagero, costumo dizer que todo jogo é de azar. Falo assim referindo-me ao futebol que, ao contrário da roleta ou da loteria, implica tática e estratégia, sem falar no principal, que é o talento e a habilidade dos jogadores. Apesar disso, não consegue eliminar o azar, isto é, o acaso. 5E já que falamos em acaso, vale lembrar que, em francês, “acaso” escreve-se “hasard”, como no célebre verso de Mallarmé, que diz: “um lance de dados jamais eliminará o acaso”. Ele está, no fundo, referindo-se ao fazer do poema que, em que pese a mestria e lucidez do poeta, está ainda assim sujeito ao azar, ou seja, ao acaso. Se no poema é assim, imagina numa partida de futebol, que envolve 22 jogadores se 10movendo num campo de amplas dimensões. Se é verdade que eles jogam conforme esquemas de marcação e ataque, seguindo a orientação do técnico, deve-se no entanto levar em conta que cada jogador tem sua percepção da jogada e decide deslocar-se nesta ou naquela direção, ou manter-se parado, certo de que a bola chegará a seus pés. Nada disso se pode prever, daí resultando um alto índice de probabilidades, ou seja, de ocorrências 15imprevisíveis e que, portanto, escapam ao controle. Tomemos, como exemplo, um lance que quase sempre implica perigo de gol: o tiro de canto. Não é à toa que, quando se cria essa situação, os jogadores da defesa se afligem em anular as possibilidades que têm os adversários de fazerem o gol. Sentem-se ao sabor do acaso, da imprevisibilidade. O time adversário desloca para a área do que sofre 20o tiro de canto seus jogadores mais altos e, por isso mesmo, treinados para cabecear para dentro do gol. Isto reduz o grau de imprevisibilidade por aumentar as possibilidades do time atacante de aproveitar em seu favor o tiro de canto e fazer o gol. Nessa mesma medida, crescem, para a defesa, as dificuldades de evitar o pior. Mas nada disso consegue eliminar o acaso, uma vez que o batedor do escanteio, por mais exímio que 25seja, não pode com precisão absoluta lançar a bola na cabeça de determinado jogador. Além do mais, a inquietação ali na área é grande, todos os jogadores se movimentam, uns tentando escapar à marcação, outros procurando marcá-los. Essa movimentação, multiplicada pelo número de jogadores que se movem, http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br aumenta fantasticamente o grau de imprevisibilidade do que ocorrerá quando a bola for lançada. A que altura chegará 30ali? Qual jogador estará, naquele instante, em posição propícia para cabeceá-la, seja para dentro do gol, seja para longe dele? Não existe treinamento tático, posição privilegiada, nada que torne previsível o desfecho do tiro de canto. A bola pode cair ao alcance deste ou daquele jogador e, dependendo da sorte, será gol ou não. Não quero dizer com isso que o resultado das partidas de futebol seja apenas fruto 35do acaso, mas a verdade é que, sem um pouco de sorte, neste campo, como em outros, não se vai muito longe; jogadores, técnicos e torcedores sabem disso, tanto que todos querem se livrar do chamado “pé frio”. Como não pretendo passar por supersticioso, evito aderir abertamente a essa tese, mas quando vejo, durante uma partida, meu time perder “gols feitos”, nasce-me o desagradável temor de que aquele não é um bom dia 40para nós e de que a derrota é certa. Que eu, mero torcedor, pense assim, é compreensível, mas que dizer de técnicos de futebol que vivem de terço na mão e medalhas de santos sob a camisa e que, em face de cada lance decisivo, as puxam para fora, as beijam e murmuram orações? Isso para não falar nos que consultam pais-de-santo e pagam promessas a Iemanjá. É como se dissessem: 45treino os jogadores, traço o esquema de jogo, armo jogadas, mas, independentemente disso, existem forças imponderáveis que só obedecem aos santos e pais-de-santo; são as forças do acaso. Mas não se pode descartar o fator psicológico que, como se sabe, atua sobre os jogadores de qualquer esporte; tanto isso é certo que, hoje, entre os preparadores 50das equipes há sempre um psicólogo. De fato, se o jogador não estiver psicologicamente preparado para vencer, não dará o melhor de si. Exemplifico essa crença na psicologia com a história de um técnico inglês que, num jogo decisivo da Copa da Europa, teve um de seus jogadores machucado. Não era um craque, mas sua perda desfalcaria o time. O médico da equipe, depois de atender o 55jogador, disse ao técnico: “Ele já voltou a si do desmaio, mas não sabe quem é”. E o técnico: “Ótimo!Diga que ele é o Pelé e que volte para o campo imediatamente”. (Ferreira Gullar. Jogos de azar. Em: Folha de S. Paulo, 24/06/2007.) Questão 90) Considere as seguintes afirmações sobre a expressão “perigo de gol” (linha 16): I. É exemplo de uso de linguagem denotativa, já que foi usada em sentido dicionarizado. II. É exemplo de uso de linguagem técnica, uma vez que configura uma terminologia específica do futebol. III. É exemplo de uso de linguagem popular, visto que é utilizada por leigos em relação a lances, dos quais desconhecem os nomes. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Está(ão) correta(s): a) apenas I. b) apenas II. c) apenas III. d) apenas I e II. e) todas. TEXTO: 44 - Comum à questão: 91 Questão 91) Assinale a alternativa incorreta quanto ao emprego dos elementos lingüísticos utilizados nas duas tirinhas. a) A expressão “parabéns” denota ironia. b) A forma verbal “ensine” se encontra no modo imperativo. c) A expressão “agora” é empregada como delimitadora de tempo anterior e posterior. d) A expressão “de duas uma” introduz um ultimato. e) O conectivo “ou”, empregado duas vezes, expressa condição. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 45 - Comum à questão: 92 Eu tinha o medo imediato. E tanta claridade do dia. O arrojo do rio e só aqueleestrape∗, e o risco extenso d’água, de parte a parte. Alto rio, fechei os olhos. Mas eu tinha até ali agarrado uma esperança. Tinha ouvido dizer que, quando canoa vira, fica boiando, e é bastante a gente se apoiar nela, encostar um dedo que seja, para se ter tenência, a constância de não afundar, e aí ir seguindo, até sobre se sair no seco. Eu disse isso. E o canoeiro me contradisse: – “Esta é das que afundam inteiras. É canoa de peroba. Canoa de peroba e de pau-d’óleo não sobrenadam...” Me deu uma tontura. O ódio que eu quis: ah, tantas canoas no porto, boas canoas boiantes, de faveira ou tamboril, de imburana, vinhático ou cedro, e a gente tinha escolhido aquela... Até fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra! (Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, p. 88-89.) (∗)instrumento de tortura Questão 92) Levando-se em conta a norma padrão do português do Brasil, a) como você caracteriza a variação lingüística que aparece em Me deu uma tontura? b) Como você redigiria essa frase de acordo com a norma padrão? TEXTO: 46 - Comum à questão: 93 TEXTO I Os filhos do futuro Como serão os seres humanos do século XXI? Nas maternidades globalizadas de hoje, não há ultra-som ou pesquisa que nos ofereça resposta exata. Apesar disso, podemos concluir que os filhos do futuro terão traços de 5desencanto e pragmatismo. Recusarão, sem dúvida, o leite das ideologias, serão amamentados pelas mães, nunca pelos Estados. Exigirão comida saudável — de preferência, natural. Ainda assim, não serão capazes de resistir a uma Coca-Cola ou a um Big Mac. 10Os habitantes do século XXI terão um discurso mais próximo da televisão do que do livro. Substituirão algumas formas de raciocínio e alguns sistemas de associação de idéias. Receberão da tecnologia presentes irrecusáveis. Não serão saudosistas nem preconceituosos, 15porque já não pensarão como as gerações atuais. Isso não será bom, nem mau. Será inevitável. Os filhos do amanhã abandonarão de vez o maniqueísmo da finada Guerra Fria, a divisão do mundo entre anjos e demônios. Saberão que as ditaduras têm 20sua própria história e sua própria geografia. Não serão pessoas inocentes, porque a miséria e a informação instantânea terão acabado com a inocência. Mas talvez não percam a sensibilidade e a vontade de reagir diante da banalização da violência e da morte. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 25Na relação entre as nações, os habitantes do século que se inicia compreenderão que a destruição do meio ambiente não é fruto da riqueza, nem é resultado da pobreza. Ela nasce essencialmente da ignorância e da desinformação. Os filhos do futuro saberão, portanto, 30que o único caminho para a sobrevivência será substituir a retórica da confrontação pela busca da parceria, da cooperação e do entendimento entre os povos. KONDER, Rodolfo. Disponível em: http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literaturacronicaskonder02.htm. Acesso em: 11 nov. 2006. Questão 93) Com base nos conceitos de denotação e conotação, a palavra que está empregada no sentido diferente do das demais opções é: a) “maternidades” (l. 2 ). b) “leite” (l. 6). c) “comida” (l. 7). d) “Coca-Cola” (l. 9). e) “Big Mac” (l. 9). TEXTO: 47 - Comum à questão: 94 TEXTO II Os sonhos também envelhecem Os sonhos! Esses companheiros que movem a vida, que vêm de mãos dadas à existência! Sonhos que se realizam, sonhos possíveis, impossíveis sonhos, fáceis e difíceis, alavanca de cada dia. 5Sonhos dormidos, sonhos bem acordados. Li em algum lugar que os “sonhos são os primeiros passos para as realizações”. Verdade, porque se realiza o que se pensa, se pensa o que se sonha. Engatinhamos em pensamento, damos os primeiros passos, andamos 10rumo à vitória, pelo menos deveria ser assim. Estava pensando que os sonhos, assim como tudo, ficam velhos. Feio isso, não é? Sonhos velhos, velhos sonhos, que se cansaram de sonhar, que enrugaram a cara, a esperança, a vontade. 15Pergunto-me se os sonhos ficam velhos ou se erramos nas projeções de realização. Seguimos com tantos sonhos e vejo que alguns passam do sonho ao desafio a si mesmo. Muitas vezes, quando se chega ao pé do sonho, 20quando o temos nas mãos, não é mais importante, apenas vencemos um desafio, não alcançamos o sonho bonito, digladiamos com a força de fazer, quer se queira ainda ou não. A dialética da vida, essa pressa de mudar tudo, faz 25as óticas mudarem também. Muitas vezes não percebemos e continuamos a trilhar na mesma estrada, como se as árvores que a enfeitam não fossem outras, à medida http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br que se evolui... Como se o tempo não passasse pela metamorfose de dia e noite, de chuva e sol. 30Continuamos as mesmas velhas pessoas, com os mesmos sonhos. Os sonhos também envelhecem, mas podem passar pela plástica da visão ampla e serem novos, novos sonhos, com cara de menino, com cara de vida, na nossa 35cara de vencedor... Importante se faz tirar o véu que cobre a jovialidade do sonho, identificar sua velhice, vê-lo deitado e cansado de ser sonhado, interromper o desafio, fazer renascer, melhor, moderno e possível... LAGARES, Jane (adaptado). Disponível em: http://prosaepoesia.com.br/cronicas/ sonhos_envelhecem.asp. Acesso em: 12 nov. 2006. Questão 94) Em “Feio isso, não é?” (l. 12), a função da linguagem existente no segmento destacado é: a) emotiva. b) conativa. c) metalingüística. d) poética. e) fática. TEXTO: 48 - Comum à questão: 95 TEXTO I Terra Molhada Incomparável. Nada existe como o cheiro da terra molhada pelos pingos da chuva num dia de verão. Nesses momentos, o sentido olfativo é uma bênção. Animais humanos, somos nesses instantes absolutamente telúricos, 5gostosamente imersos no cheiro que nos penetra. Se andando na chuva, é possível sentir o toque sutil das pérolas cristalinas que tocam nosso corpo; se abrigados, sobrevém uma vontade irresistível de ver a chuva, que nos chama tamborilando na vidraça. 10É gostoso contemplar a terra cálida, ainda nostálgica do sol, receber em seu seio e absorver as gotas frias de água que tombam do céu - canteiro molhado por um deus–jardineiro caprichoso. Olhando com atenção a terra, é possível ver que, no 15contato com o solo, o líquido, sofrendo milagrosa metamorfose, transforma-se em nuvenzinhas brancas muito sutis, que escapam em direção ao céu, no eterno círculo onde nada se perde. CARINO, Jonaedson. Disponível em: http://www.almacarioca.com.br. Acesso em: 15 maio 2007. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 95) As expressões estão empregadas no sentido denotativo (real, literal) em: a) “pingos da chuva” (l. 2) – “deus-jardineiro” (l.12-13). b) “pérolas cristalinas” (l. 7) – “nuvenzinhas brancas” (l. 16). c) “terra cálida” (l. 10) – “gotas frias de água” (l. 11-12). d) “nuvenzinhas brancas” (l. 16) – “milagrosa metamorfose” (l. 15-16). e) “eterno círculo” (l. 17) – “tamborilando na vidraça” (l. 9). TEXTO: 49 - Comum à questão: 96 TEXTO II O que é motivação? Estar equilibrado é estar no meio, nem tanto para lá, nem tanto para cá. Só encontramos o equilíbrio quando conseguimos manter-nos no meio da situação. Um equilibrista sabe que seu ponto de equilíbrio é o 5meio do pé. Todos nós somos equilibristas, sabemos conduzir a vida pelo meio. A responsabilidade é algo que nos é cobrado, e mesmo a responsabilidade pode ser tratada com equilíbrio. Nada na vida encontramos pronto. Tudo temos de construir. Se queremos viajar, mesmo que seja 10só na imaginação, devemos construir nossa viagem. É necessário transformar as coisas que vivemos em algo que seja bom para nós e é incrível quanta coisa se pode fazer a partir de nosso pensamento. Parater amigos, temos de buscar equilibristas como nós. Para termos 15um emprego, precisamos nos equilibrar como um equilibrista. Muitas vezes as pessoas não podem ouvir-nos, pensam que viver em equilíbrio é algo distante da realidade, por isso somos diferentes e às vezes nos sentimos sozinhos. 20O segredo é: “Equilibrar-se dentro do possível...” CHICARELI, Márcia. Disponível em: http://www.sitedoescritor.com.br. Acesso em: 15 maio 2007. (adaptado) Questão 96) Na passagem “Só encontramos o equilíbrio quando conseguimos manter-nos no meio da situação.”(l.2-3), o vocábulo destacado é invariável. Em qual das frases abaixo há uma TRANSGRESSÃO à norma culta quanto à flexão dos vocábulos nelas destacados? a) Ando meio desanimada com a situação. b) Há menos coisa a transformar. c) Muitas vezes, os equilibristas sentem-se sós. d) Essas atitudes vão custar-lhe caro. e) Os equilibristas estão sempre alertas. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 50 - Comum à questão: 97 Por que filhos de incestos nascem com problemas genéticos? Porque entre pessoas da mesma família o risco de dois genes recessivos ligados a uma doença grave se encontrarem é grande. Explica-se: sabiamente, a natureza criou um recurso que faz com que genes problemáticos fiquem guardadinhos em seu cromossomo esperando para, quem sabe um dia, serem extintos. São os genes recessivos, que para virem à tona precisam juntar suas forças a outro idêntico a eles. Digamos que você tenha um recessivo ligado à fenilcetonúria, uma doença rara que causa retardo mental. Para que um filho seu nasça com problemas, você teria que encontrar um parceiro que também tivesse esse gene (menos de 2% de risco). E, mesmo assim, a chance de os dois recessivos se encontrarem seria de apenas 25% (lembra das aulas de genética?). Fazendo as contas, o risco não passa de 0,5%. Entre parentes, o jogo muda. Considerando o cruzamento genético e o papel do ambiente no desencadeamento de problemas, as chances de um recessivo se manifestar é de 50%. No caso da fenilcetonúria, portanto, o risco é 100 vezes maior que entre desconhecidos. É claro que, à medida que o grau de parentesco diminui, o sangue vai se misturando e os riscos de surgirem complicações também se diluem. (BALOUSSIER, Anna V. Superinteressante, julho/2008, p.52) Questão 97) Julgue certas (C) ou erradas (E) as afirmações. I. O texto está escrito de maneira informal, alterando a explicação científica vinda da genética. II. Embora esteja escrito com características de estilo informal, o texto é científico e circula entre pesquisadores. III. A interação do autor com o leitor está apresentada explicitamente no texto. IV. As modalidades falada e escrita da língua não são pólos opostos. A seqüência correta é: a) CCEE. b) ECEC. c) EECE. d) CECE. e) EECC. TEXTO: 51 - Comum à questão: 98 A temática da fome está presente em um dos mais expressivos romances de Graciliano Ramos, Vidas Secas. Leia um trecho dessa obra. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Entrava dia e saía dia. As noites cobriam a terra de chofre. A tampa anilada baixava, escurecia, quebrada apenas pelas vermelhidões do poente. Miudinhos, perdidos no deserto queimado, os fugitivos agarraram-se, somaram as suas desgraças e os seus pavores. O coração de Fabiano bateu junto do coração de Sinhá Vitória, um abraço cansado aproximou os farrapos que os cobriam. Resistiram à fraqueza, afastaram-se envergonhados, sem ânimo de afrontar de novo a luz dura, receosos de perder a esperança que os alentava. Iam-se amodorrando e foram despertados por Baleia, que trazia nos dentes um preá. Levantaram-se todos gritando. O menino mais velho esfregou as pálpebras, afastando pedaços de sonho. Sinhá Vitória beijava o focinho de Baleia, e como o focinho estava ensangüentado, lambia o sangue e tirava proveito do beijo. Aquilo era caça bem mesquinha, mas adiaria a morte do grupo. E Fabiano queria viver. Olhou o céu com resolução. A nuvem tinha crescido, agora cobria o morro inteiro. Fabiano pisou com segurança, esquecendo as rachaduras que lhe estragavam os dedos e os calcanhares. (Ilustração de Aldemir Martins, para a 27.ª edição de Vidas Secas, São Paulo, Martins Fontes, 1970) Questão 98) Assinale a alternativa em que é empregada linguagem figurada. a) Iam-se amodorrando e foram despertados por Baleia, que trazia nos dentes um preá. b) Sinhá Vitória beijava o focinho de Baleia, e como o focinho estava ensangüentado, lambia o sangue e tirava proveito do beijo. c) A tampa anilada baixava, escurecia, quebrada apenas pelas vermelhidões do poente. d) Aquilo era caça bem mesquinha, mas adiaria a morte do grupo. e) Fabiano pisou com segurança, esquecendo as rachaduras que lhe estragavam os dedos e os calcanhares. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 52 - Comum à questão: 99 Os bondes elétricos começaram a chegar em 1892, também pelo Rio de Janeiro, e mudaram radicalmente o cotidiano urbano. Poucas foram as capitais que não tiveram sua linha. Eram o passaporte para o mundo, mesmo que este se restringisse aos limites do município. Foram vistos com medo e admiração. Em “O Bonde e a Cidade”, o paulistano Oswald de Andrade narra: “Eu tinha notícia pelo pretinho Lázaro, filho da cozinheira de minha tia, vinda do Rio, que era muito perigoso esse negócio de eletricidade. Quem pusesse os pés nos trilhos ficava ali grudado e seria esmagado facilmente pelo bonde. Precisava pular.” Machado de Assis também não deixou passar em branco. Em 16 de outubro daquele ano, registrou nas páginas de “A Semana”: “O que me impressionou, antes da eletricidade, foi o gesto do cocheiro. Os olhos do homem passavam por cima da gente que ia no meu bonde, com um grande ar de superioridade. Sentia-se nele a convicção de que inventara, não só o bonde elétrico, mas a própria eletricidade.” (...) O tal do bonde era meio de transporte democrático. Em uma época em que poucos tinham carro, e outros preferiam deslizar sobre trilhos a sacolejar em ruas esburacadas, diversas classes sociais o compartilhavam. No Rio de Janeiro do início do século passado, propalava-se que a cidade não tinha uma rua sequer sem trilhos. O lema era: “Onde chega o bonde, chega o progresso”. Mas havia também os efeitos colaterais: as mulheres puderam, enfim, conhecer outras paragens – ainda que acompanhadas. Reações conservadoras não poderiam deixar de vir. A opinião é do jornalista França Júnior, no fim do século 19: “Se o impulso dado pelo bonde à nossa sociedade for em escala sempre ascendente, havemos de ver em breve as nossas patrícias discutirem política, irem à praça do comércio, ler os jornais do dia, ocuparem-se de tudo enfim, menos do arranjo da casa.” (Mariana Albanese: Para não perder o bonde da História) Questão 99) A correlação de tempo e modo dos verbos é compatível com a variante coloquial oral na alternativa: a) Os bondes elétricos começaram a chegar em 1892, também pelo Rio de Janeiro, e mudaram radicalmente o cotidiano urbano. b) Poucas foram as capitais que não tiveram sua linha. Eram o passaporte para o mundo, mesmo que este se restringisse aos limites do município. c) Eu tinha notícia pelo pretinho Lázaro, filho da cozinheira de minha tia, vinda do Rio, que era muito perigoso esse negócio de eletricidade. d) Quem pusesse os pés nos trilhos ficava ali grudado e seria esmagado facilmente pelo bonde. Precisava pular. e) Sentia-se nele a convicção de que inventara, não só o bonde elétrico, mas a própria eletricidade. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br GABARITO: 1) Gab: Puderam / lhes / Ajam / estavam / comuniquem 2) Gab: a) O 1o manual, datadode 1987, considera o verbo assistir, no sentido de ajudar, como transitivo direto; já o 2o , datado de1992, considera – o, tanto no sentido de ajudar como no de “ver”, transitivo direto, sendo este último apenas na língua coloquial. b) A importância de se distinguir o “uso coloquial” da “norma culta” dá – se pela necessidade do jornalista, ao redigir a matéria, usar os termos corretos. Ao redigir uma matéria imprtante usa – se a norma culta e ao escrever uma crônica ou outro tipo de artigo, se necessário, utilizar “linguagem coloquial”. 3) Gab: B 4) Gab: E 5) Gab: E 6) Gab: D 7) Gab: D 8) Gab: E 9) Gab: D 10) Gab: E 11) Gab: D 12) Gab: D 13) Gab: D 14) Gab: B 15) Gab: C 16) Gab: C 17) Gab: A 18) Gab: D 19) Gab: D 20) Gab: E 21) Gab: 35 22) Gab: A 23) Gab: D 24) Gab: C 25) Gab: B 26) Gab: E 27) Gab: 03 28) Gab: D 29) Gab: a) figura do alvo relaciona-se com a frase "Seu carro está na mira", como algo desejável e fácil e ser obtido (persuasão). A linguagem tem função predominantemente conativa. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br b) I. Há deslize no emprego do pronome de 2a pessoa - "te acertou" - com o verbo na 3a, como também em você queria. II. ... Esta montadora o acertou/acertou-o em cheio. 30) Gab: Tonho:Vou, pai. Não quero voltar. Justino: Não está convencido ainda de que isso aqui é uma desgraça? Não há lugar para nós aqui não, Tonho! Tonho: Quero tentar, pai. Justino: Está bem. O dia em que você cansar de bater cabeça, estaremos lá à sua espera. Tonho: Obrigado, pai. Justino: Podemos ir? Santa: Rita... Justino: Que houve? Santa: Saiu dizendo que ia até a esquina, voltaria logo; faz uma hora. Justino: Ela não está sabendo que nós temos de sair cedo? Santa: Está. 31) Gab: Função metalinguística. Centrada no código, apresenta a linguagem falando sobre a própria Linguagem. Tem a finalidade de definir, explicar e ensinar. 32) Gab: E 33) Gab: C 34) Gab: B 35) Gab: D 36) Gab: B 37) Gab: E 38) Gab: a) Não, pois são desejos diferentes: um é o de convívio social; outro, o de convívio do eu consigo mesmo. b) Nossa aversão à multidão será curada pela solidão, (;) nosso tédio à solidão, pela multidão. 39) Gab: a) Não, pois cada região tem usos próprios da língua. b) Não, pois a principal diferença entre o português do Brasil e o de Portugal é semântico-lexical, e não ortográfica. 40) Gab: D 41) Gab: A 42) Gab: C 43) Gab: A 44) Gab: B 45) Gab: E http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 46) Gab: C 47) Gab: C 48) Gab: B 49) Gab: A 50) Gab: D 51) Gab: B 52) Gab: D 53) Gab: F 54) Gab: C 55) Gab: E 56) Gab: Duma feita surrupiaram a máquina –de escrever do meu mano. Em uma ocasião, roubaram a máquina de escrever de meu irmão. 57) Gab: D 58) Gab: A 59) Gab: C 60) Gab: E 61) Gab: A 62) Gab: C 63) Gab: A 64) Gab: B 65) Gab: D 66) Gab: A 67) Gab: C 68) Gab: C 69) Gab: C 70) Gab: D 71) Gab: B 72) Gab: A 73) Gab: E 74) Gab: A 75) Gab: a) A frase foi redigida sem preocupações formais, utilizando “a gente” e “escorrega no português”. Observase o emprego de coloquialismo, gírias, repetições, etc. b) A frase já está redigida de modo informal. porém uma outra opção seria: “A gente sabemos que tem gente que escorrega no português”. Em linguagem formal: “Nós sabemos que há (ou existem) pessoas que cometem erros de português”. (Há outras possibilidades.) 76) Gab: A 77) Gab: E 78) Gab: http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 79) Gab: C 80) Gab: A 81) Gab: D 82) Gab: B 83) Gab: A 84) Gab: A 85) Gab: E 86) Gab: B 87) Gab: C 88) Gab: B 89) Gab: C 90) Gab: A 91) Gab: E 92) Gab: a) Trata-se de uma variação lingüística própria da linguagem oral brasileira, deslocando o pronome oblíquo átono para o início da frase. Trata-se de uma colocação pronominal conhecida como próclise. b) Deu-me uma tontura. 93) Gab: B 94) Gab: E 95) Gab: C 96) Gab: E 97) Gab: E 98) Gab: C 99) Gab: D http://www.projetoredacao.com.br/