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Contexto e Ação Trabalho e sociedade (103)

Orientações pedagógicas sobre organização do trabalho e ação sindical: discute intensificação do trabalho (taylorismo, toyotismo, Indústria 4.0, alienação), propõe exercício comparativo e aborda formas de organização política, greves, gênero e impactos da Reforma de 2017.

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Navio Paz

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ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS | 203
 � Seções do Tema 3
Explorando (p. 55) 
Nesta seção é importante atentar para os processos de 
intensificação do trabalho, seja do ponto de vista da intro-
dução de novas tecnologias, seja do ponto de vista do aper-
feiçoamento da gerência do trabalho. Selecione previamen-
te alguns tipos de trabalho e faça um quadro comparativo, 
que mostre como há diferentes formas de intensificar o tra-
balho que é mobilizado por empresas contemporâneas.
 1. De acordo com o texto, as formas variadas de organi-
zação do trabalho, advindas dos processos industriais, 
incorrem na perda progressiva do trabalhador sobre a 
totalidade do processo e a perda do controle sobre 
seu próprio trabalho, que, de outro modo, pode ser 
identificada à chamada alienação do trabalho, quando 
o trabalhador já não se reconhece nem no produto 
de seu trabalho, nem no processo de produção. A 
indústria 4.0 intensifica esse fenômeno, pois implica 
uma setorização automatizada ainda maior do processo 
produtivo, além de prescindir da tomada de decisão 
humana na produção, por exemplo.
 2. A ideia desse exercício é demonstrar/descrever, com 
base nos círculos, o que está presente em todas essas 
formas de organização do trabalho e aquelas que esta-
riam presentes apenas em uma ou duas delas. Como 
se trata de formas de exploração do trabalho que vão 
se aprofundando, é possível notar a presença de várias 
características do taylorismo no toyotismo, por exemplo, 
mesmo que o toyotismo reclame uma participação 
engajada do trabalho como um parceiro. Isso pode ser 
entendido como uma forma de autogerenciamento. 
Além disso, essas formas de organização do trabalho 
não se desenvolvem de maneira uniforme, estando pre-
sentes em várias sociedades de maneira combinada. No 
Brasil, por exemplo, há empresas que ainda produzem 
sob a lógica taylor-fordista, outras sob a lógica toyotista.
Tema 4
Formas de organização 
política no trabalho (p. 56)
Este Tema pode ser desenvolvido pelos professores 
de História e de Sociologia. Neste momento, será desen-
volvido o debate sobre Política e Trabalho (EM13CHS401).
Nele, discutimos diferentes maneiras pelas quais os tra-
balhadores lutaram e resistiram à exploração do trabalho 
no período moderno. Se, por um lado, com o avanço das 
transformações produtivas há a progressiva perda do con-
trole do trabalho pelos trabalhadores e a intensificação da 
exploração, por outro, há o florescimento e fortalecimento 
da luta política.
O professor de História poderá contextualizar essas lu-
tas, especialmente a história sobre o direito à greve e à or-
ganização sindical. As greves históricas brasileiras do século 
XX também poderão ser abordadas para ilustrar a discus-
são. Já o professor de Sociologia poderá trabalhar a questão 
das relações sociais envolvidas nesse processo, como as re-
lações de classe social e até mesmo as relações de gênero. 
A socióloga francesa Danièle Kergoat (1942-), por exem-
plo, estudou a organização política das enfermeiras, na Fran-
ça, e compreendeu que a luta pelo trabalho é marcada pe-
las relações de gênero e pela divisão sexual do trabalho
Mais conteúdo
Implicações da Reforma Trabalhista
O trecho a seguir relata os efeitos da Reforma Traba-
lhista de 2017 sobre a classe trabalhadora. Além disso, ob-
serva um processo de longa data que remonta à introdu-
ção das políticas neoliberais no Brasil no início dos anos 
1990, defendendo a tese de que, desde então, há um ques-
tionamento por parte de governantes e grandes empresá-
rios que os direitos trabalhistas presentes na Constituição 
seriam a causa da instabilidade econômica.
As implicações da Reforma Trabalhista se somam e 
se coadunam aos efeitos da crise econômica para com-
por um cenário desolador para os direitos laborais, acen-
tuando desigualdades históricas experimentadas pelos 
trabalhadores brasileiros e, com mais contundência, os 
nordestinos. Desde os anos 1990, contudo, na esteira das 
políticas neoliberais, paira no ar a chantagem de empre-
sários e governantes sobre o “fim da Era Vargas”, quan-
do se mira, igualmente, os direitos previstos na nova 
Constituição, responsabilizando os gastos públicos com 
políticas sociais pela instabilidade econômica do país. A 
aprovação da Reforma Trabalhista faz parte, portanto, 
de uma ofensiva política que visa a desconstruir o sis-
tema de proteção social que, com limites, se estabeleceu 
no país, e a introduzir outro padrão de regulação das re-
lações de trabalho do qual se subtrai o que nele há de 
público e democrático. Novas modalidades de contrato 
e de demissão, de teor claramente precarizante, são le-
galizadas, aproximando o formal do informal. Novas 
condições de negociação são previstas, com a primazia 
do negociado sobre o legislado, sindicatos enfraquecidos 
e mais espaço para a negociação individual. Os ataques 
às bases de financiamento dos sindicatos se somam ao 
esvaziamento da Justiça do Trabalho e à inviabilização 
do acesso dos trabalhadores aos tribunais.
OLIVEIRA, Roberto Véras de; LADOSKY, Mário Henrique 
e ROMBALDI, Maurício. A reforma trabalhista e suas 
implicações para o Nordeste: primeiras reflexões. Caderno. 
CRH, v. 32, n. 86, 2019. Disponível em: www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0103-49792019000200271 
&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 6 set. 2020. 
MPE_vol4_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 203MPE_vol4_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 203 29/09/2020 17:3829/09/2020 17:38
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Fontes de pesquisa para o professor
• Diversos textos da socióloga Danièle Kergoat, que 
estuda a divisão sexual do trabalho e o modo como 
afeta as mulheres, podem ser encontrados no livro 
intitulado Lutar, dizem elas..., que pode ser acessado 
on-line. 
KERGOAT, Danièle. Lutar, dizem elas... Recife: SOS 
Corpo, 2018. Disponível em: https://soscorpo.org/wp-
content/uploads/Lutar_DizemElas_Ed_SOS_Corpo.pdf. 
Acesso em: 6 set. 2020.
• No dossiê Para onde foram os sindicatos?, organizado 
por Marco Aurélio Santana, podemos encontrar um 
conjunto de artigos que buscam debater o futuro do 
sindicato e do sindicalismo diante das transformações 
que vieram no bojo do processo de globalização e que 
modificaram a dinâmica de organização política das 
classes trabalhadoras. 
SANTANA, Marco Aurélio. Para onde foram os 
sindicatos? Caderno CRH, v. 28, n. 75, p. 453-456, 2015. 
Disponível em: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0103-49792015000300453&lng=en&nrm=iso
&tlng=pt. Acesso em: 6 set. 2020.
 � Seções do Tema 4
Nesta seção o professor pode explorar a participação 
ativa do estudante em procurar conceber ideias para que 
situações de opressão e exploração da classe trabalhado-
ra possam ser remediadas ou sanadas. Seria oportuno que 
o professor incentivasse os estudantes a criar projetos de 
lei de proteção do trabalhador que pudessem ser discu-
tidos em sala. 
Reflexões (p. 58) 
 1. a) Resposta pessoal.
 Espera-se que os estudantes considerem que o 
avanço tecnológico usado para reduzir o tempo 
de trabalho intensifica o trabalho e reduz o valor 
pago ao trabalhador.
b) Porque a tecnologia não é neutra. Os avanços tecno-
lógicos na maioria das vezes têm por objetivo reduzir 
os custos de produção e intensificar o ritmo de tra-
balho. Como a sociedade capitalista não está empe-
nhada em desenvolver tecnologias que rompam com 
essa dinâmica de valorização do capital não se abre 
a possibilidade de fundamentar uma boa vida para 
todos. Além disso, uma boa vida para todas seria uma 
decisão de caráter político mesmo que fosse ao criar 
tecnologias que pudessem colaborar para isso.
c) Resposta pessoal.
 Expanda a discussão acerca deste tema propondo 
uma atividade complementar aos estudantes. Per-
gunte a eles: 
 Como vocês avaliam a inseguranças e as incerte-
zas na vida de um entregador por aplicativo?
 Espera-se que eles respondam que o fato de o tra-
balhador poraplicativo não ter direitos trabalhistas 
o coloca em um contexto de vulnerabilidade social 
no qual ele tem que prover todos os custos de seu 
trabalho e de vida. A plataforma digital não se res-
ponsabiliza por nada em relação isso, já que a legis-
lação atual entende que ela não é a empregadora. 
A autonomia prometida pelo trabalho sem hierar-
quia, ou com horário flexível, do aplicativo é apenas 
um lado da moeda, mas as desvantagens do traba-
lho informal continuam as mesmas, a incerteza so-
bre a remuneração que se receberá, independente-
mente do tempo e dispêndio, a falta de garantias 
em relação a direitos, como aposentadoria, demis-
são justa, etc., a falta de clareza sobre como se é 
avaliado profissionalmente são alguns dos pontos 
que devem ser levados em conta.
Explorando (p. 59) 
 1. Resposta pessoal.
O texto pode relacionar as várias situações de mi-
gração presentes na história do Brasil no sentido 
de observar como o trabalho, ou a busca por ele, 
transforma a vida das pessoas. A análise da obra e 
o conteúdo dessa atividade mobilizam a habilidade 
EM13LGG603 e a CG 3.
 2. As condições adversas para a classe trabalhadora 
se dão mesmo que dentro de uma sociedade na 
qual juridicamente os indivíduos são livres. Isso 
ocorre porque há uma desigualdade de classe que 
estabelece uma desigualdade econômica de fato. 
 3. Há muitas medidas, sobretudo, aquelas que am-
pliam os direitos dos trabalhadores e diminuem 
os lucros dos capitalistas. No entanto, esse tipo 
de política trabalhista é cada vez mais combatida 
pelas políticas neoliberais. 
 4. A elaboração dessa resposta depende das experiên-
cias que serão relatadas. De todo modo, é impor-
tante salientar como tais condições degradantes de 
trabalho são a regra e não a exceção nas sociedades 
capitalistas desde seu início.
Aprimorando o 
conhecimento (p. 60) 
 1. B
Trata-se de uma forma contemporânea de trabalho 
escravo ou de trabalho análogo à escravidão.
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