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ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS | 203 � Seções do Tema 3 Explorando (p. 55) Nesta seção é importante atentar para os processos de intensificação do trabalho, seja do ponto de vista da intro- dução de novas tecnologias, seja do ponto de vista do aper- feiçoamento da gerência do trabalho. Selecione previamen- te alguns tipos de trabalho e faça um quadro comparativo, que mostre como há diferentes formas de intensificar o tra- balho que é mobilizado por empresas contemporâneas. 1. De acordo com o texto, as formas variadas de organi- zação do trabalho, advindas dos processos industriais, incorrem na perda progressiva do trabalhador sobre a totalidade do processo e a perda do controle sobre seu próprio trabalho, que, de outro modo, pode ser identificada à chamada alienação do trabalho, quando o trabalhador já não se reconhece nem no produto de seu trabalho, nem no processo de produção. A indústria 4.0 intensifica esse fenômeno, pois implica uma setorização automatizada ainda maior do processo produtivo, além de prescindir da tomada de decisão humana na produção, por exemplo. 2. A ideia desse exercício é demonstrar/descrever, com base nos círculos, o que está presente em todas essas formas de organização do trabalho e aquelas que esta- riam presentes apenas em uma ou duas delas. Como se trata de formas de exploração do trabalho que vão se aprofundando, é possível notar a presença de várias características do taylorismo no toyotismo, por exemplo, mesmo que o toyotismo reclame uma participação engajada do trabalho como um parceiro. Isso pode ser entendido como uma forma de autogerenciamento. Além disso, essas formas de organização do trabalho não se desenvolvem de maneira uniforme, estando pre- sentes em várias sociedades de maneira combinada. No Brasil, por exemplo, há empresas que ainda produzem sob a lógica taylor-fordista, outras sob a lógica toyotista. Tema 4 Formas de organização política no trabalho (p. 56) Este Tema pode ser desenvolvido pelos professores de História e de Sociologia. Neste momento, será desen- volvido o debate sobre Política e Trabalho (EM13CHS401). Nele, discutimos diferentes maneiras pelas quais os tra- balhadores lutaram e resistiram à exploração do trabalho no período moderno. Se, por um lado, com o avanço das transformações produtivas há a progressiva perda do con- trole do trabalho pelos trabalhadores e a intensificação da exploração, por outro, há o florescimento e fortalecimento da luta política. O professor de História poderá contextualizar essas lu- tas, especialmente a história sobre o direito à greve e à or- ganização sindical. As greves históricas brasileiras do século XX também poderão ser abordadas para ilustrar a discus- são. Já o professor de Sociologia poderá trabalhar a questão das relações sociais envolvidas nesse processo, como as re- lações de classe social e até mesmo as relações de gênero. A socióloga francesa Danièle Kergoat (1942-), por exem- plo, estudou a organização política das enfermeiras, na Fran- ça, e compreendeu que a luta pelo trabalho é marcada pe- las relações de gênero e pela divisão sexual do trabalho Mais conteúdo Implicações da Reforma Trabalhista O trecho a seguir relata os efeitos da Reforma Traba- lhista de 2017 sobre a classe trabalhadora. Além disso, ob- serva um processo de longa data que remonta à introdu- ção das políticas neoliberais no Brasil no início dos anos 1990, defendendo a tese de que, desde então, há um ques- tionamento por parte de governantes e grandes empresá- rios que os direitos trabalhistas presentes na Constituição seriam a causa da instabilidade econômica. As implicações da Reforma Trabalhista se somam e se coadunam aos efeitos da crise econômica para com- por um cenário desolador para os direitos laborais, acen- tuando desigualdades históricas experimentadas pelos trabalhadores brasileiros e, com mais contundência, os nordestinos. Desde os anos 1990, contudo, na esteira das políticas neoliberais, paira no ar a chantagem de empre- sários e governantes sobre o “fim da Era Vargas”, quan- do se mira, igualmente, os direitos previstos na nova Constituição, responsabilizando os gastos públicos com políticas sociais pela instabilidade econômica do país. A aprovação da Reforma Trabalhista faz parte, portanto, de uma ofensiva política que visa a desconstruir o sis- tema de proteção social que, com limites, se estabeleceu no país, e a introduzir outro padrão de regulação das re- lações de trabalho do qual se subtrai o que nele há de público e democrático. Novas modalidades de contrato e de demissão, de teor claramente precarizante, são le- galizadas, aproximando o formal do informal. Novas condições de negociação são previstas, com a primazia do negociado sobre o legislado, sindicatos enfraquecidos e mais espaço para a negociação individual. Os ataques às bases de financiamento dos sindicatos se somam ao esvaziamento da Justiça do Trabalho e à inviabilização do acesso dos trabalhadores aos tribunais. OLIVEIRA, Roberto Véras de; LADOSKY, Mário Henrique e ROMBALDI, Maurício. A reforma trabalhista e suas implicações para o Nordeste: primeiras reflexões. Caderno. CRH, v. 32, n. 86, 2019. Disponível em: www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S0103-49792019000200271 &lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 6 set. 2020. MPE_vol4_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 203MPE_vol4_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 203 29/09/2020 17:3829/09/2020 17:38 204 Fontes de pesquisa para o professor • Diversos textos da socióloga Danièle Kergoat, que estuda a divisão sexual do trabalho e o modo como afeta as mulheres, podem ser encontrados no livro intitulado Lutar, dizem elas..., que pode ser acessado on-line. KERGOAT, Danièle. Lutar, dizem elas... Recife: SOS Corpo, 2018. Disponível em: https://soscorpo.org/wp- content/uploads/Lutar_DizemElas_Ed_SOS_Corpo.pdf. Acesso em: 6 set. 2020. • No dossiê Para onde foram os sindicatos?, organizado por Marco Aurélio Santana, podemos encontrar um conjunto de artigos que buscam debater o futuro do sindicato e do sindicalismo diante das transformações que vieram no bojo do processo de globalização e que modificaram a dinâmica de organização política das classes trabalhadoras. SANTANA, Marco Aurélio. Para onde foram os sindicatos? Caderno CRH, v. 28, n. 75, p. 453-456, 2015. Disponível em: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0103-49792015000300453&lng=en&nrm=iso &tlng=pt. Acesso em: 6 set. 2020. � Seções do Tema 4 Nesta seção o professor pode explorar a participação ativa do estudante em procurar conceber ideias para que situações de opressão e exploração da classe trabalhado- ra possam ser remediadas ou sanadas. Seria oportuno que o professor incentivasse os estudantes a criar projetos de lei de proteção do trabalhador que pudessem ser discu- tidos em sala. Reflexões (p. 58) 1. a) Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes considerem que o avanço tecnológico usado para reduzir o tempo de trabalho intensifica o trabalho e reduz o valor pago ao trabalhador. b) Porque a tecnologia não é neutra. Os avanços tecno- lógicos na maioria das vezes têm por objetivo reduzir os custos de produção e intensificar o ritmo de tra- balho. Como a sociedade capitalista não está empe- nhada em desenvolver tecnologias que rompam com essa dinâmica de valorização do capital não se abre a possibilidade de fundamentar uma boa vida para todos. Além disso, uma boa vida para todas seria uma decisão de caráter político mesmo que fosse ao criar tecnologias que pudessem colaborar para isso. c) Resposta pessoal. Expanda a discussão acerca deste tema propondo uma atividade complementar aos estudantes. Per- gunte a eles: Como vocês avaliam a inseguranças e as incerte- zas na vida de um entregador por aplicativo? Espera-se que eles respondam que o fato de o tra- balhador poraplicativo não ter direitos trabalhistas o coloca em um contexto de vulnerabilidade social no qual ele tem que prover todos os custos de seu trabalho e de vida. A plataforma digital não se res- ponsabiliza por nada em relação isso, já que a legis- lação atual entende que ela não é a empregadora. A autonomia prometida pelo trabalho sem hierar- quia, ou com horário flexível, do aplicativo é apenas um lado da moeda, mas as desvantagens do traba- lho informal continuam as mesmas, a incerteza so- bre a remuneração que se receberá, independente- mente do tempo e dispêndio, a falta de garantias em relação a direitos, como aposentadoria, demis- são justa, etc., a falta de clareza sobre como se é avaliado profissionalmente são alguns dos pontos que devem ser levados em conta. Explorando (p. 59) 1. Resposta pessoal. O texto pode relacionar as várias situações de mi- gração presentes na história do Brasil no sentido de observar como o trabalho, ou a busca por ele, transforma a vida das pessoas. A análise da obra e o conteúdo dessa atividade mobilizam a habilidade EM13LGG603 e a CG 3. 2. As condições adversas para a classe trabalhadora se dão mesmo que dentro de uma sociedade na qual juridicamente os indivíduos são livres. Isso ocorre porque há uma desigualdade de classe que estabelece uma desigualdade econômica de fato. 3. Há muitas medidas, sobretudo, aquelas que am- pliam os direitos dos trabalhadores e diminuem os lucros dos capitalistas. No entanto, esse tipo de política trabalhista é cada vez mais combatida pelas políticas neoliberais. 4. A elaboração dessa resposta depende das experiên- cias que serão relatadas. De todo modo, é impor- tante salientar como tais condições degradantes de trabalho são a regra e não a exceção nas sociedades capitalistas desde seu início. Aprimorando o conhecimento (p. 60) 1. B Trata-se de uma forma contemporânea de trabalho escravo ou de trabalho análogo à escravidão. MPE_vol4_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 204MPE_vol4_Cie_HUM_Igor_g21Sc_184a256.indd 204 29/09/2020 17:3829/09/2020 17:38