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Thiago Coelho (@taj_studies) CADERNO – DIREITO PROCESSUAL CIVIL II/ ANDRÉ BONELLI – FBDG AULA 01 – INTRODUÇÃO À TEORIA DA PROVA 1. Noções gerais da disciplina: 8 pontos da prova individual e 2,0 pontos de um trabalho em grupo; As provas individuais serão pautadas em problemas e as respostas devem respeitar o número de linhas, caso contrário não serão consideradas; O conteúdo passará por Teoria da Prova, provas em espécie, audiências, jurisdição, decisões judiciais; A primeira avaliação acontecerá 21/09; As provas não apresentam perguntas específicas, mas pedem a resolução de problemas (como advogado, como juiz, como promotor...); 2. Teoria da Prova – introdução: Advogar significa dar voz a alguém (à sociedade, ao acusado, ao Direito...), sendo as provas um dos instrumentos disponíveis para a defesa dos interesses do representado. Provas são meios de confirmação de uma narrativa. A narrativa pode ser inconscientemente ou conscientemente diversa da realidade, uma vez que os sujeitos têm perspectivas e interesses distintos. A verdade real é uma utopia: o que se busca é elucidar os fatos da forma mais perto possível de se revelar a verdade. A própria verdade é volátil. Verdade é composta por ver (enxergar) e dade (modo), logo, é um modo de ver. A prova, nesse cenário, é uma tentativa de descobrimento da verdade, é um mecanismo de trazer para os olhos do ignorante (aquele que não a conhece) uma verdade possível dentro do que foi dito. A verdade possível, a verdade a luz do Direito é revelada através das provas. É, também, utilizando as provas que se busca fazer justiça no caso concreto. As provas conseguem transportar um local e uma data para o presente, reposicionando cenários. A prova tem destinatário, finalidade e objeto. Destinatário: Há quem diga que é o processo, mas essa visão é impessoal e minoritária. A doutrina majoritária entende que os destinatários das provas são os sujeitos do processo – partes e juiz, sendo este o destinatário principal, já que o seu convencimento gera um efeito impositivo. Em última análise, quem decide é o juiz; Thiago Coelho (@taj_studies) Finalidade: Convencimento das partes, mas principalmente do juiz, o qual firma um convencimento impositivo. O juiz é o único que impõe o seu entendimento, vinculando as partes. As partes podem se convencer, mas o convencimento delas não produzirá, necessariamente, uma alteração na conduta do outro (não há o caráter impositivo/o efeito vinculante que o juiz tem). Em suma, não importa se uma parte acredita que ganhará a demanda com uma prova se o juiz não a entende como suficiente; Objeto: Transportar o fato no tempo e no espaço para o processo. Traz-se meios para constatar que o fato aconteceu, naquele tempo e que há nexo de causalidade entre autoria e o fato. Em resumo, o objeto é o fato. Vale lembrar que o fato e os fundamentos jurídicos do pedido são elementos obrigatórios da petição inicial. O fato é a narrativa coincidente com a norma (ex: o casamento + impossibilidade de se manter a relação conjugal) e o fundamento jurídico, a anomalia (ex: o direito potestativo ao divórcio). O Direito deriva presumidamente do conhecimento do juiz, não sendo, como regra, o objeto de prova, admitindo-se ser plausível o direito consuetudinário (que deriva dos costumes) excepcionalmente. O juiz não pode se isolar dos costumes locais, podendo pedir a prova de que o costume existe, já que é uma fonte do direito (ex: um contrato oral de compra de gado, independentemente do valor, é costume em algumas cidades do interior baiano). Em resumo, o objeto da prova é o fato e, como exceção, o costume; Art. 376 – NCPC: A parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o juiz determinar. Nesse sentido, a parte precisa provar que o costume existe e que este não se encontra em desuso. Art. 375 – NCPC: O juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e, ainda, as regras de experiência técnica, ressalvado, quanto a estas, o exame pericial. Há regras que, para serem aplicadas no processo como prova, precisam vir reveladas na perícia. A título exemplificativo pode-se citar os relatórios periciais acerca de determinados riscos ambientais, que serão utilizados no cálculo da indenização para as vítimas. O juiz pode, além disso, aplicar regras que são observadas comumente por pessoas do povo. Há elementos que convencem diferentes da prova pericial, testemunhal ou outra espécie. Essas regras podem ter origem nas mais diversas áreas do saber – Biologia, Psicologia, Física... – e estão ao alcance de qualquer cidadão. A título exemplificativo pode-se citar regras de pluviometria – as águas saem da terra em direção ao mar – ou as regras biológicas de que a mulher menstrua e de que o período normal de gravidez é nove meses. Thiago Coelho (@taj_studies) Quando é exigida uma análise detalhada ou um conhecimento específico, não há escapatória: o perito é crucial. AULA 02 – FATOS QUE NÃO DEPENDEM DE PROVA, MÁXIMAS DE EXPERIÊNCIA E PRESUNÇÕES/INDÍCIOS 1. Fatos que não dependem de prova: Art. 374 – NCPC: Não dependem de prova os fatos: I - notórios; II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III - admitidos no processo como incontroversos; IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Trata-se de um artigo mal elaborado, o que é evidenciado no inciso II. Ora, a confissão é um meio de prova, logo, depende de prova, existindo uma contradição para com o caput. Acontecimento notório é aquele que é de conhecimento da coletividade, não necessariamente do próprio juiz. A título exemplificativo pode-se citar que 25 de dezembro, no Ocidente, é Natal (é notório, também, para o juiz). Há alguns costumes locais, sobretudo em cidades do interior dos estados, que o juiz pode não ter conhecimento. Destarte, cabe às partes provar a notoriedade do fato – por vídeo, por testemunha ou por qualquer outro meio. Às vezes, no entanto, as partes visam a usufruir da notoriedade para se eximir da prova, o que não deve acontecer. Também não dependem de prova os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária. Não se precisa de outras provas quando já se tem a confissão. Ex: José fala que Maria deve dez mil reais e Maria admite que está devendo dez mil reais – desnecessidade de outras provas. Se a confissão não foi voluntária, tem-se um vício de consentimento (como coação) e aquele que confessou terá que provar a causa de anulabilidade. Comprovado o vício de vontade, não incidirá o art. 374, II, CPC e, portanto, a confissão deve ser seguida de outros meios de prova. Logo, não dependem de prova os fatos afirmados por uma parte e confessados voluntariamente pela parte contrária. Art. 389 – NCPC: Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário. O fato incontroverso é aquele não contestado pela outra parte. Não houve, nesse cenário, impugnação específica. Ex: A diz que B fez X, Y e Z. B diz que não fez X e Y, nada afirmando ou Thiago Coelho (@taj_studies) negando sobre Z. Compreende-se Z como um fato incontroverso. Se o inciso II trata de um posicionamento comissivo, o inciso III retrata uma omissão. Por último, há fatos que a lei presume ter ocorrido de determinada maneira. Ex: A prestação de alimentos gravídicos do ex-cônjuge ao outro – caráter de urgência (presume-se a iminente necessidade). Vale lembrar que os alimentos gravídicos são aqueles devidos à mulher durante a gestação, a fim de garantir o saudável desenvolvimento do nascituro. 2. Máximas ou regras de experiência: Art. 375 – NCPC: O juiz aplicará as regrasde experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e, ainda, as regras de experiência técnica, ressalvado, quanto a estas, o exame pericial. São regras que a pessoa comum, o senso comum, tem em seu conhecimento próprio e que ela, no caso de ser uma juíza ou juiz, pode utilizar para melhor compreensão de um fato. As regras de experiência são uma espécie de prova indireta, já que ajudam o magistrado a compreender outros fatos. Não são regras técnicas, as quais serão ditas por peritos: são extraídas do senso comum, do juízo de valor do homem médio. Ex: Pessoas entre si ligadas por laços de parentesco ou amizade tendem a favorecer-se mutuamente, o que levará o juiz a preferir, entre testemunhos conflitantes, o do estranho ao do amigo ou parente. Ex: O machismo na sociedade brasileira é presente, não somente por agressões físicas ou verbais, como também em danos patrimoniais. A ideia da inferioridade/possessividade da mulher ainda é, infelizmente, um pano de fundo para diversas ações nos dias de hoje. 3. Presunção/indícios: A manobra de fatos periféricos para fatos principais gera indícios. Prova indiciária é a prova de um fato periférico que leva a crer que o fato central ocorreu. A prova indiciária tem uma virtude e um efeito. Muitas coisas se provam por indício (virtude do indício e este não pode ser ignorado), mas esse tem um risco (efeito), já que não é garantia de representação fidedigna da realidade (o indício pode levar o juiz ao erro). Entretanto, os juristas, a sociedade e o ordenamento jurídico consideram que vale a pena correr esse risco, sendo melhor à insuficiência probatória. Thiago Coelho (@taj_studies) Ex: Arethusa sofreu uma queda em uma loja e teve uma fratura. Houve uma gravação na loja que registrou a queda. Arethusa resolveu processar a loja pela fratura. Um vídeo é uma prova indiciária, já que, por si só, não pode cravar que a queda apresenta nexo de causalidade para com a fratura (esta pode ter sido preexistente ou superveniente à queda de Arethusa na loja). A prova concreta é a fratura e a prova indiciária, a queda. Indício vem de indir e, portanto, indica que houve um determinado fato. A prova indiciária não apresenta previsão no CPC, mas no Código Civil. Houve um tempo em que a prova indiciária servia para investigação de paternidade (comentários de vizinhos acerca da habitualidade da relação sexual do casal, por exemplo). O exame de DNA, hoje, é uma prova concreta. 4. Apreciar prova enquanto dever do magistrado: A simples manifestação não é prova. A manifestação com a prova é necessária para o convencimento do magistrado. Destarte, a prova é um instrumento essencial para o exercício do contraditório – é um meio para participar e influenciar significativamente o magistrado. A apresentação do termo de confissão de dívida, uma prova documental, influencia mais em comparação à mera declaração de que há uma dívida. Assim, todos têm o direito de pedir a produção da prova, de participar do seu fazimento, de inclui-la nos autos e de que ela seja objeto de análise e observação do magistrado. É um dever do juiz se explicar, tendo em vista o princípio da fundamentação das decisões e de apreciar o que foi trazido pelas partes (princípios do contraditório e ampla defesa). Art. 489, § 1º - NCPC: Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: IV – não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; É nula a decisão em que o juiz não aprecia todos os argumentos deduzidos pelas partes. Por trás de um argumento se tem uma prova (não é uma fala vazia). Nesse sentido, não se pode negligenciar provas postas no processo que são capazes de influenciar o juiz de forma distinta da posição que ele adotou. O juiz tem que analisar o fato e, por conseguinte, as provas dos fatos (art. 489, II, CPC). Em síntese, apreciar prova é um dever do juiz (vinculante). Thiago Coelho (@taj_studies) Nesse cenário, o juiz deve apresentar tudo e somente tudo (nem mais e nem menos) que estiver no processo. Art. 489 – NCPC: São elementos essenciais da sentença:; II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; 5. Poderes instrutórios do juiz: O juiz pode determinar, de ofício ou caso provocado pela parte, as provas que julgar necessárias. O juiz pode determinar a produção de uma prova com ou sem requerimento das partes. O juiz tem essa plasticidade, entretanto, a determinação de modo próprio é uma atividade suplementar/secundária/subsidiária. Caberá, como regra, à própria parte requerer a produção de provas. Há três hipóteses em que o juiz pode, de ofício, deferir ou determinar o fazimento de uma prova, ou seja, em que o juiz tem o poder de decidir: Disser respeito a direito indisponível; Em favor do hipossuficiente (hipossuficiência não necessariamente econômica); Diante do seu estado de perplexidade (dúvida/incerteza do que fazer); Art. 370 – NCPC: Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias. Art. 371 – NCPC: O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento. Art. 372 – NCPC: O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. Uma diligência protelatória é aquela que tem o intuito de atrasar indevidamente o caso, sem buscar a resolução da disputa. Tais medidas são desencorajadas e podem ser combatidas pelo juiz para manter a eficiência do processo (princípios da celeridade e da duração razoável do processo). AULA 03 – AS PROVAS ILÍCITAS E O ÔNUS PROBATÓRIO 1. Poderes instrutórios do juiz (continuação): Thiago Coelho (@taj_studies) O comum é que as partes são responsáveis pela produção de provas, mas em algumas situações, caso entenda necessário ao julgamento, independentemente de requerimento das partes, o juiz poderá requerer a produção de prova judicial. Trata-se de uma atuação subsidiária/secundária/complementar. Art. 370 – NCPC: Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias. Art. 371 – NCPC: O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento. Art. 372 – NCPC: O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. 2. Meios de prova ilícitos: Art. 5º, LVI – CF: São inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. Há uma forma lícita e uma forma ilícita de se obter uma prova. Se uma prova é obtida de forma ilícita, esta é retirada do processo e imediatamente expurgada. Até certo tempo no processo civil, antes da Revolução Francesa, o que importava era descobrir e revelar a verdade, pouco importando o meio. Destarte, diversas provas foram obtidas através de tortura, açoites e agressões físicas. Após a Revolução Francesa, os sistemas judiciais passaram a compreender a existência de limites à produção de provas. Não se pode, desse modo, invadir a casa ou violar a correspondência de outrem a qualquer hora do dia ou sem ordem judicial. Devem ser desentranhadas do processo as provas ilícitas e as ilícitas por derivação (teoria dos frutos da árvore envenenada). Uma interceptaçãotelefônica, por exemplo, necessita de autorização judicial e, inexistindo tal, a prova é obtida por meio ilícito. Durante as grandes guerras, diversos massacres e extermínios contra grupos minoritários foram presenciados, sobretudo na Europa. A autorização judicial, em muitos casos, era emitida posteriormente ao contato com o objeto da prova (crânios humanos, por exemplo), uma tentativa de driblar a vedação à obtenção de provas ilícitas. Nos anos 50, o tráfico de drogas incentivou à quebra do sigilo de correspondências, já que era um meio de circulação das mercadorias. Há uma flexibilização na interpretação constitucional: prova ilícita pode ser utilizada, desde que respeitadas algumas circunstâncias: (I) Ser o único meio para a sua obtenção; Thiago Coelho (@taj_studies) (II) O resultante do valor contido na quebra do lícito ser maior ao valor protegido pelo ilícito; Trata-se de um “mal necessário”, já que dar um tempo nos conflitos compensaria as possíveis injustiças. Ninguém poderá discutir novamente o que transitou em julgado. O juiz precisa se explicar na fundamentação de suas decisões. Deve-se realizar uma ponderação, atentando-se aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, e submeter a parte à punição do cometimento do ilícito da obtenção da prova. Portanto, ainda que a prova ilícita seja admitida, a parte não será eximida de eventual sanção. 3. Ônus da prova: Ônus corresponde a uma atribuição. No momento de julgar, o juiz analisa o art. 373 do CPC, segundo o qual o ônus da prova incube I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A petição inicial é obrigada a indicar o fato e os fundamentos jurídicos do pedido (teoria da substanciação). O fundamento fático é o que aconteceu, já o fundamento jurídico, a anormalidade. Se o ônus da prova é, como regra, do autor, já que cabe a ele provar o fato constitutivo do seu direito, desvia-se a atenção para a petição inicial. O autor conta a narrativa sobre a qual pretende deduzir uma pretensão. A narrativa, em si, é reveladora da relação jurídica base em exame. O fundamento jurídico é um fundamento ilícito (alguém que requer um divórcio por sofrer agressões constantes do cônjuge). Uma defesa meramente negativa mantém-se no autor o encargo probatório (“não fiz isso”). Se o réu alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito de autor, livra o autor do ônus e traz para si o peso do ônus da prova. Fato impeditivo: É aquele cuja existência obsta que o fato constituído produza os seus efeitos. Se relaciona com os pressupostos de validade do negócio jurídico (objeto lícito, possível, determinado ou determinável, forma prescrita ou não defesa em lei). Ex: Vícios de vontade que maculam o negócio jurídico (erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão); Thiago Coelho (@taj_studies) Fato modificativo: Altera a relação jurídica qualitativa ou quantitativamente, sem extingui-la. Ex: Alegar que a quantia requerida pelo autor é mais elevada em comparação ao pactuado; Fato extintivo: Encerra/extingue por completo o direito que o autor está requerendo. Ex: Adimplemento, prescrição, decadência, morte...; Defesa direta se dá quando o réu nega a pretensão do autor; defesa indireta é aquela pautada na existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) inseriu a inversão do ônus da prova como um dos direitos do consumidor. Tal inversão do ônus probatório pode ser apreciada em concreto pelo Judiciário (quando há verossimilhança da alegação ou hipossuficiência – ope judicis) ou decorrer de determinação legal (o ônus relacionado à veracidade e correção da propaganda incumbe a quem a patrocina – ope legis). Emerge a compatibilidade entre o CDC e parágrafo 1º do art. 373 do CPC. Art. 373, § 1º - NCPC: Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Diante de situações específicas da causa, existindo uma onerosidade excessiva da produção de prova, o juiz pode inverter o ônus da prova, desde que de forma fundamentada, ou seja, desde que se explique e admita o contraditório à parte prejudicada pela decisão (aquela que não tinha o ônus a priori e passou a ter). Buscou o legislador permitir ao juiz atuar com discricionariedade na interpretação de conceitos jurídicos indeterminados, reconhecendo a ineficiência do caput em determinados contextos. Hipossuficiente é aquele que possui dificuldade em apresentar provas em juízo. Quando o juiz verificar a hipossuficiência no caso concreto, aplica o parágrafo acima e avisa à parte prejudicada pela decisão. Impugnada a decisão, o juiz julga a impugnação, podendo manter a decisão ou reformá-la. Caso reforme, retorna-se o disposto no caput. Art. 373 – NCPC: § 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: Thiago Coelho (@taj_studies) I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. As partes podem convencionar, antes ou durante o processo, por meio de negócio jurídico da prova, a quem incumbe o ônus da prova, desde que o objeto seja direitos disponíveis e não se crie uma prova impossível de ser feita (“prova diabólica” = nula). 4. O dever de prova: É possível fazer prova contra si mesmo. Provar é um dever, uma norma imperativa de ordem legal, uma vez que todos devem contribuir para esclarecer a verdade. Entretanto, o dever de provar encontra limites: o direito de não produzir prova contra si mesmo. Ser possível não implica em um dever ser. Art. 378 – NCPC: Ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder Judiciário para o descobrimento da verdade. Art. 379 – NCPC: Preservado o direito de não produzir prova contra si própria, incumbe à parte: I - comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for interrogado; II - colaborar com o juízo na realização de inspeção judicial que for considerada necessária; III - praticar o ato que lhe for determinado. Nas relações jurídicas de consequência criminal vige o princípio da vedação à autoincriminação. Mentir em juízo pode caracterizar crime de obstrução à justiça (crime contra a administração da justiça), uma vez que todos têm o dever de colaborar com a justiça, admitida a excepcionalidade de não produzir provas contra si mesmo. Litiga de má-fé aquele que sabe, de antemão, que a sua pretensão não condiz com a realidade. Art. 77 – NCPC: Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo: I - expor os fatos em juízo conforme a verdade; II - não formular pretensão ou de apresentar defesa quando cientes de que são destituídas de fundamento; III - não produzir provas e não praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou à defesa do direito; Thiago Coelho (@taj_studies) IV - cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não criar embaraços à sua efetivação; V - declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos autos, o endereço residencial ou profissionalonde receberão intimações, atualizando essa informação sempre que ocorrer qualquer modificação temporária ou definitiva; VI - não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito litigioso. VII - informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante os órgãos do Poder Judiciário e, no caso do § 6º do art. 246 deste Código, da Administração Tributária, para recebimento de citações e intimações. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) O art. 77 contém um rol exemplificativo dos deveres das partes. AULA 04 – LINGUAGEM JURÍDICA ABRINDO MULTIPORTAS, PROVAS EMPRESTADAS E PROVAS ANTECIPADAS 1. Linguagem jurídica abrindo multiportas (conteúdo extra – guia para as respostas da avaliação e para a atividade profissional): Muitas vezes, os termos técnicos dificultam a compreensão do conteúdo jurídico e a melhor aplicação do Direito. O excesso de formalidades é, constantemente, um desafio. Vejamos alguns conceitos importantes, de plena aplicação prática. Estilo é a forma como alguém expressa um pensamento. A forma inadequada prejudica o pensamento que há na mensagem. Estilo é como escrevemos; é a roupa do texto. Voltaire: “Quando sempre o que se diz é menos impactante do que como se diz”. Como se diz é impactante, sendo essencial pensar nisso. Porém, o estilo deve ser um condutor transparente do pensamento de quem escreve para quem lê – a forma desaparece e o conteúdo é colocado no segundo plano (evitar efeitos, explicitando o conteúdo e não o camuflando). A forma de escrever a mensagem não pode ser um obstáculo à compreensão do pensamento. Concisão é a escrita de forma eficiente, expressando apenas palavras necessárias para a comunicação da mensagem – excluindo palavras, adjetivos e advérbios inúteis (não necessariamente precisa ser uma escrita curta). Devemos ser afirmativos (“nunca se esqueça disso: cigarro mata” é mais assertivo em comparação à “como dito alhures, cigarro é um risco para a saúde”). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14195.htm#art44 Thiago Coelho (@taj_studies) Contrarrazões são as razões apresentadas contrárias ao recurso, com a finalidade de concordar com a decisão proferida pela instância anterior (“puxar o saco da sentença”). Escrita sucinta é resumir o texto, sem que isso implique em obscurecer de informações. É ser breve, conciso e objetivo, ao mesmo tempo em que se diz tudo o que deve ser dito. A lacônia trata-se da escrita de conotação negativa, uma vez incompleta, onde lhe faltam informações essenciais. Conciso não é ser lacônico. Lacônico é não dizer o que deveria ser dito. Deve-se dizer tudo o que precisa ser dito, mas só o que precisa ser dito. Precisão e clareza são características que se complementam no texto. Precisão é se comunicar de forma exata; clareza, de modo que o texto seja compreendido com facilidade e sem ambiguidades. A não ser que seja um tema pouco conhecido/recente (como as SAF’s) e para um juiz generalista, como regra, não é cabível apresentar conceitos jurídicos ao magistrado. Não é necessário, por exemplo, conceituar alimentos para um juiz de família e danos para um juiz cível. Vigor no texto é escrever de forma vigorosa, fazer o texto persuasivo para chamar a atenção do leitor, mas apenas no tópico que for essencial a ênfase (é assertividade para argumentar e defender a tese). Escrever de forma vigorosa é escolher o tema que é importante para ser falado. Vigor não pode se confundir com arrogância na escrita. A ênfase não se obtém com um “é imperioso ressaltar que cigarro mata” – menos enfático em comparação a “cigarro mata” (mais certeza e incisividade no que está sendo contemplado). Estrutura: Devemos procurar construir frases preferencialmente curtas com mensagens diretas, evitando a anástrofe/hipérbato, que é a inversão da ordem natural das palavras ou de uma oração ou período que resulta em dificuldade para o entendimento da mensagem: “nas margens tranquilas do rio Ipiranga, se ouviu o grito de um povo heroico”. A linguagem poética não se confunde, portanto, com o dizer jurídico. Coesão e voz: Devemos escrever para nossos leitores como gostaríamos que eles escrevessem para nós – ter empatia na escrita é fundamental. Percebe-se, pois, o papel de se trazer coesão para o texto a partir de uma compreensão de que as letras se conectam para formar uma palavra; as palavras para formar uma frase; as frases para compor um parágrafo; os parágrafos para compor o texto; e o texto para compor a mensagem. Revisão: Escrever é reescrever. A escrita fácil leva à leitura difícil. Ler e reler o que escrevemos, se possível em momentos distintos, é crucial. Caso alguém possa ler, um olhar externo é sempre bem vindo. “Um pedreiro, um cirurgião ou um vaqueiro precisa apenas saber realizar a sua tarefa; ele não precisa explicar a ninguém o que está Thiago Coelho (@taj_studies) fazendo nem convencer de que está certo. Para o jurista, porém, não é suficiente saber a resposta certa, pois seu conhecimento só tem utilidade se ele puder fundamentá-lo e explicá-lo a outros” – Antonio Gidi. Isso se constata uma vez que a ferramenta dos operadores do Direito é a linguagem, ou seja, a palavra e o exercício da advocacia repercutem significativamente na vida das pessoas. A escrita fácil é a escrita descompromissada, a qual tende a implicar em uma leitura difícil. Encaremos, portanto, a escrita com seriedade. 2. Provas emprestadas (continuação do conteúdo): As provas emprestadas eram atípicas no CPC/73. O Novo Código de Processo Civil trouxe expressamente a permissão para a utilização de provas produzidas em outro processo. Provas atípicas são aquelas que não estão expressamente previstas na legislação processual, mas podem, caso pertinentes, ser apreciadas pelo juiz. Os indícios são um exemplo de provas atípicas, assim como as declarações de terceiros, perícias extrajudiciais, comportamento das partes e notícias da mídia. Art. 372 – NCPC: O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. A percepção de um juiz acerca de uma determinada prova não vincula o outro magistrado, o qual pode ratificar ou divergir da interpretação inicialmente dada, desde que fundamente a sua decisão. A prova documental se faz no mesmo momento em que a inicial é ajuizada ou se protocoliza a contestação pelo réu. Art. 320 – NCPC: A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação. Art. 435 – NCPC: É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô- los aos que foram produzidos nos autos. Parágrafo único. Admite-se também a juntada posterior de documentos formados após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu de juntá-los anteriormente e incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de acordo com o art. 5º . https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art5 Thiago Coelho (@taj_studies) Não se pode pegar um documento tardiamente com o intuito de prejudicar a duração razoável do processo. As partes podem juntar a qualquer tempo documentos novos aos autos, desde que atuem com boa-fé e demonstrem o motivo que impediu de juntar anteriormente. Caso possível a juntada anterior ou caso a parte aja de má-fé, o juiz indeferirá a juntada de documentos novos aos autos do processo. 3. A produção antecipada de prova: É possível produzir uma prova antes do processo, nas circunstâncias expressas no art. 381 do CPC: Art. 381 – NCPC: A produção antecipada da prova será admitida nos casosem que: I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação; II - a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro meio adequado de solução de conflito; III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de ação. Art. 382 – NCPC: Na petição, o requerente apresentará as razões que justificam a necessidade de antecipação da prova e mencionará com precisão os fatos sobre os quais a prova há de recair. § 1º O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados na produção da prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso. § 2º O juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as respectivas consequências jurídicas. § 3º Os interessados poderão requerer a produção de qualquer prova no mesmo procedimento, desde que relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção conjunta acarretar excessiva demora. § 4º Neste procedimento, não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que indeferir totalmente a produção da prova pleiteada pelo requerente originário. O requerente deve apresentar as razões que justificam a necessidade de antecipação de prova, mencionando, de forma precisa, os fatos relacionados à prova. Não se pode requerer fatos diversos em uma mesma prova. Uma prova = um fato. Todavia, caso haja um eventual comprometimento à duração razoável do processo, é possível a produção de prova para fatos distintos. Ademais, como regra, não se admitirá defesa ou recurso neste procedimento, sem que isso implique em uma violação à ampla defesa e ao contraditório, já que ainda não há processo. Thiago Coelho (@taj_studies) Para a próxima aula: Meios de prova e provas em espécie. AULA 05 – INTRODUÇÃO A PROVAS EM ESPÉCIE 1. Provas em espécie: Depoimentos: André Bonelli critica essa nomenclatura, uma vez que a prova testemunhal também é um depoimento. O mais correto seria depoimento da parte. Depoimento pessoal é o meio de prova que todos sonham: o adversário é a prova do que se alega contra ele. Trata-se do depoimento que a parte produz em seu desfavor e em favor do oponente. Ademais, é um caminho para a obtenção da confissão. Art. 385 – NCPC: Cabe à parte requerer o depoimento pessoal da outra parte, a fim de que esta seja interrogada na audiência de instrução e julgamento, sem prejuízo do poder do juiz de ordená-lo de ofício. § 1º Se a parte, pessoalmente intimada para prestar depoimento pessoal e advertida da pena de confesso, não comparecer ou, comparecendo, se recusar a depor, o juiz aplicar-lhe- á a pena. § 2º É vedado a quem ainda não depôs assistir ao interrogatório da outra parte. § 3º O depoimento pessoal da parte que residir em comarca, seção ou subseção judiciária diversa daquela onde tramita o processo poderá ser colhido por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, o que poderá ocorrer, inclusive, durante a realização da audiência de instrução e julgamento. O mandado de intimação para comparecer a audiência de instrução e julgamento deve conter expressamente o dever de depor, sob pena de confissão no caso do não comparecimento. A parte não pode deixar de ir, uma vez que isso seria catastrófico. Vejamos as espécies de confissão decorrentes do depoimento pessoal: Confissão real: O mandado de intimação deve conter expressamente a consequência grave da confissão. Intima-se a parte e ela, expressamente, confirma a tese da outra parte; Confissão ficta: A pessoa é intimada, mas não concorda expressamente a tese do oponente, seja pelo não comparecimento, seja pelo silêncio, seja pelo emprego de evasivas (argumentos vagos dados a uma pergunta que não se pretende responder); Thiago Coelho (@taj_studies) Art. 386 – NCPC: Quando a parte, sem motivo justificado, deixar de responder ao que lhe for perguntado ou empregar evasivas, o juiz, apreciando as demais circunstâncias e os elementos de prova, declarará, na sentença, se houve recusa de depor. O art. 139, no seu inciso VIII, afirma que é dever do magistrado determinar o comparecimento pessoal das partes à audiência de inquirição, sem que isso implique em confissão. A finalidade da audiência de inquirição é interrogar sobre os fatos relacionados ao caso, obtendo o juiz, desse modo, informações diretamente das partes. Nesta audiência, o não comparecimento, o silêncio ou o uso de evasivas não implica em confissão. Pode-se produzir confissão, desde que a parte faça isso expressamente (a confissão deve ser expressa). Art. 139, VIII – NCPC: O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, para inquiri-las sobre os fatos da causa, hipótese em que não incidirá a pena de confesso; Art. 387 – NCPC: A parte responderá pessoalmente sobre os fatos articulados, não podendo servir-se de escritos anteriormente preparados, permitindo-lhe o juiz, todavia, a consulta a notas breves, desde que objetivem completar esclarecimentos. Art. 388 – NCPC: A parte não é obrigada a depor sobre fatos: I - criminosos ou torpes que lhe forem imputados; II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo; III - acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de seu companheiro ou de parente em grau sucessível; IV - que coloquem em perigo a vida do depoente ou das pessoas referidas no inciso III. Parágrafo único. Esta disposição não se aplica às ações de estado e de família. Confissão: A confissão pode ser própria ou delegada, judicial ou extrajudicial, real ou ficta. A confissão não vale para direitos indisponíveis, já que não se tem a autoridade de dispor sobre determinadas faculdades. Art. 389 – NCPC: Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário. Art. 390 – NCPC: A confissão judicial pode ser espontânea ou provocada. Thiago Coelho (@taj_studies) § 1º A confissão espontânea pode ser feita pela própria parte ou por representante com poder especial. § 2º A confissão provocada constará do termo de depoimento pessoal. Art. 391 – NCPC: A confissão judicial faz prova contra o confitente, não prejudicando, todavia, os litisconsortes. Parágrafo único. Nas ações que versarem sobre bens imóveis ou direitos reais sobre imóveis alheios, a confissão de um cônjuge ou companheiro não valerá sem a do outro, salvo se o regime de casamento for o de separação absoluta de bens. Art. 392 – NCPC: Não vale como confissão a admissão, em juízo, de fatos relativos a direitos indisponíveis. § 1º A confissão será ineficaz se feita por quem não for capaz de dispor do direito a que se referem os fatos confessados. § 2º A confissão feita por um representante somente é eficaz nos limites em que este pode vincular o representado. O art. 392 apresenta as hipóteses em que a confissão é inválida. No caput, há menção aos direitos indisponíveis (como o direito de alimentos, os quais são irrenunciáveis e incedíveis). Prova testemunhal: É admissível, desde que a lei não discipline de modo diverso. O exercício do direito do divórcio só pode ocorrer caso unido à prova documental Art. 442 – NCPC: A prova testemunhal é sempre admissível, não dispondo a lei de modo diverso. Art. 443 – NCPC: O juiz indeferirá a inquirição de testemunhas sobre fatos: I - já provados por documento ou confissão da parte; II - que só por documento ou por exame pericial puderem ser provados. Há testemunhas suspeitas, há testemunhas impedidas e há testemunhas incapazes de depor. Não podem depor as pessoas elencadas no art. 447. Art. 447 – NCPC: Podem deporcomo testemunhas todas as pessoas, exceto as incapazes, impedidas ou suspeitas. § 1º São incapazes: I - o interdito por enfermidade ou deficiência mental; Thiago Coelho (@taj_studies) II - o que, acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que ocorreram os fatos, não podia discerni-los, ou, ao tempo em que deve depor, não está habilitado a transmitir as percepções; III - o que tiver menos de 16 (dezesseis) anos; IV - o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhes faltam. Uma pessoa com hanseníase (lepra) não pode alegar que sentiu por meio do tato se, no atual momento, perdeu tal função de forma permanente. O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15) contradiz o CPC no art. 80. Art. 80 – EPD: Devem ser oferecidos todos os recursos de tecnologia assistiva disponíveis para que a pessoa com deficiência tenha garantido o acesso à justiça, sempre que figure em um dos polos da ação ou atue como testemunha, partícipe da lide posta em juízo, advogado, defensor público, magistrado ou membro do Ministério Público. Destarte, a pessoa com deficiência, a princípio, é absolutamente capaz, tendo o direito de usufruir de meios que atendam às suas demandas. Há, desse modo, formas de assistir o PCD, não podendo-o eliminar de imediato com base em uma incapacidade abstrata (ex: pessoa com esquizofrenia). Há pessoas que apresentam a capacidade de falar por estímulos e também por meio das mais diversas tecnologias. Em suma, o art. 447 do CPC deve ser interpretado a luz do art. 80 do EPD. Nesse sentido, os requisitos presentes no art. 447 são relativos/relativizáveis, ou seja, não podem ser tidos como absolutos. § 2º São impedidos: I - o cônjuge, o companheiro, o ascendente e o descendente em qualquer grau e o colateral, até o terceiro grau, de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o interesse público ou, tratando-se de causa relativa ao estado da pessoa, não se puder obter de outro modo a prova que o juiz repute necessária ao julgamento do mérito; II - o que é parte na causa; III - o que intervém em nome de uma parte, como o tutor, o representante legal da pessoa jurídica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes. § 3º São suspeitos: I - o inimigo da parte ou o seu amigo íntimo; II - o que tiver interesse no litígio. § 4º Sendo necessário, pode o juiz admitir o depoimento das testemunhas menores, impedidas ou suspeitas. § 5º Os depoimentos referidos no § 4º serão prestados independentemente de compromisso, e o juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer. Thiago Coelho (@taj_studies) Se, por exemplo, um menor foi o único a presenciar uma violência doméstica, ele pode ser ouvido, desde que assistido/representado e que as perguntas sejam feitas de forma de fácil compreensão (art. 447, § 2º, I c/c § 4º, CPC). As hipóteses de suspeição apresentam cunho subjetivo e são mais difíceis de serem provadas em comparação aos impedimentos (objetivos). AULA 06 – PROVAS EM ESPÉCIE (CONTINUAÇÃO) 1. A prova pericial: Art. 464 – NCPC: A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. § 1º O juiz indeferirá a perícia quando: I - a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III - a verificação for impraticável. O oponente da perícia é o tempo. É uma prova parcialmente praticável e parcialmente impraticável. Como o submarino da Titan implodiu, a perícia seria impraticável e, portanto, indeferida. Nas ações civis públicas e ações coletivas, há uma co-legitimidade, sendo o MP mais um fiscal da ordem jurídica. Art. 465 – NCPC: O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo. § 1º Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação do despacho de nomeação do perito: I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; II - indicar assistente técnico; III - apresentar quesitos. Feita a indicação do especialista, as partes tem 15 dias para arguir impedimento ou suspeição do perito, uma vez que é um sujeito imparcial. Como um sujeito imparcial, está sujeito às regras de suspeição e impedimento do juízo. O assistente técnico é um assistente da parte e, portanto, parcial. Não é, desse modo, atingido pela declaração de suspeição ou impedimento do perito. Thiago Coelho (@taj_studies) O prazo acima mencionado é impróprio. Caso se perca o prazo, o descumprimento não irá gerar tanto impacto ao processo, podendo ser flexibilizado/ampliado. As partes envolvidas em um processo judicial podem apresentar quesitos, ou seja, solicitar ao juiz para que este faça perguntas específicas ao perito, a fim de se tomar uma decisão mais especializada. O perito pode respondê-las no próprio laudo ou em uma audiência de instrução e julgamento marcada pelo juiz. Os quesitos podem ser: Explicativos: Visa a esclarecer determinadas respostas; Elucidativos: Solicita mais fundamentos para a conclusão; Técnicos: Perguntas especificas sobre questões técnicas ou científicas; Art. 464 – NCPC: § 3º Se ainda houver necessidade de esclarecimentos, a parte requererá ao juiz que mande intimar o perito ou o assistente técnico a comparecer à audiência de instrução e julgamento, formulando, desde logo, as perguntas, sob forma de quesitos. § 4º O perito ou o assistente técnico será intimado por meio eletrônico, com pelo menos 10 (dez) dias de antecedência da audiência. Art. 468 – NCPC: O perito pode ser substituído quando: I - faltar-lhe conhecimento técnico ou científico; II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado. § 1º No caso previsto no inciso II, o juiz comunicará a ocorrência à corporação profissional respectiva, podendo, ainda, impor multa ao perito, fixada tendo em vista o valor da causa e o possível prejuízo decorrente do atraso no processo. § 2º O perito substituído restituirá, no prazo de 15 (quinze) dias, os valores recebidos pelo trabalho não realizado, sob pena de ficar impedido de atuar como perito judicial pelo prazo de 5 (cinco) anos. § 3º Não ocorrendo a restituição voluntária de que trata o § 2º, a parte que tiver realizado o adiantamento dos honorários poderá promover execução contra o perito, na forma dos arts. 513 e seguintes deste Código , com fundamento na decisão que determinar a devolução do numerário. A perícia pode ser repetida com o mesmo perito ou com outro, desde que haja fundamento. Às vezes o sujeito até tem conhecimento, mas fez um laudo muito raso, o qual pouco auxilia no processo. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art513 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art513 Thiago Coelho (@taj_studies) Caso o perito não arque com o seu dever, poderá sofrer sanções, como ser substituído do processo. Ademais, o parágrafo 2º visa a coibir o enriquecimento ilícito. Art. 473 – NCPC: O laudo pericial deverá conter: I - a exposição do objeto da perícia; II - a análise técnica ou científica realizada pelo perito; III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou; IV - resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Público. § 1º No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem simples e com coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões. § 2º É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia. Um laudo pode englobar mais de uma área do conhecimento, tendo, portanto, conteúdointerdisciplinar. Um lado sobre acidente de trabalho traz informações da engenharia do trabalho (proteção do ambiente – constatação de EPI’s, por exemplo) e da medicina do trabalho (proteções biológicas). Um laudo sobre estupro e trauma tende a conter o ponto de vista da ginecologista (se houve o estupro) e psicólogo (o impacto, a dor). O parágrafo 2º do art. 473 preza pela imparcialidade do perito. São poderes do perito os expressos no parágrafo 3º do art. 473 do NCPC. § 3º Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos podem valer-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao esclarecimento do objeto da perícia. Feito tudo isso, o juiz tem a liberdade para a apreciação do laudo, fundamentando a sua decisão pela adoção ou não de determinada prova (neste caso, a prova pericial). Art. 479 – NCPC: O juiz apreciará a prova pericial de acordo com o disposto no art. 371 , indicando na sentença os motivos que o levaram a considerar ou a deixar de considerar as conclusões do laudo, levando em conta o método utilizado pelo perito. Art. 371 – NCPC: O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art371 Thiago Coelho (@taj_studies) 2. A inspeção: Art. 481 – NCPC: O juiz, de ofício ou a requerimento da parte, pode, em qualquer fase do processo, inspecionar pessoas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre fato que interesse à decisão da causa. Art. 482 – NCPC: Ao realizar a inspeção, o juiz poderá ser assistido por um ou mais peritos. Art. 483 – NCPC: O juiz irá ao local onde se encontre a pessoa ou a coisa quando: I - julgar necessário para a melhor verificação ou interpretação dos fatos que deva observar; II - a coisa não puder ser apresentada em juízo sem consideráveis despesas ou graves dificuldades; III - determinar a reconstituição dos fatos. Parágrafo único. As partes têm sempre direito a assistir à inspeção, prestando esclarecimentos e fazendo observações que considerem de interesse para a causa. Art. 484 – NCPC: Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for útil ao julgamento da causa. Parágrafo único. O auto poderá ser instruído com desenho, gráfico ou fotografia. A inspeção judicial se dá quando o juiz visita um local relevante para o caso em prol de obter informações adicionais ou esclarecer questões em disputa no processo. A inspeção é absolutamente publicizada, sob pena de configurar parcialidade caso sigilosa. Pode-se fazer uma inspeção, por exemplo, para deferir uma liminar. A inspeção deve ser comunicada aos interessados e pode ser realizada juntamente com a presença de um assistente ou perito. O juiz – e só ele – pode fazer a inspeção. Trata-se, portanto, de uma prova personalíssima. OBS: Na próxima aula será aplicada a AV1. Preza-se por respostas objetivas e não será permitida consulta. Thiago Coelho (@taj_studies) EXTRA: SÍNTESE – CONTEÚDO AV1 (PROCESSO CIVIL II)/ ANDRÉ BONELLI PROVA – IDEIAS INICIAIS Conceito: Prova é um meio para que se possa obter a verdade possível dentro do que foi apresentado; Destinatário: Processo (minoritário) + partes e juiz (majoritário), principalmente o juiz, uma vez que este é que decidirá de forma imperativa, impondo a sua interpretação e vinculando às partes; Finalidade: Convencimento das partes e do juiz, principalmente deste, já que decidirá de forma imperativa e vinculante; Objeto: Como regra, o fato e, excepcionalmente, o costume; FATOS QUE NÃO DEPENDEM DE PROVA Notórios: De conhecimento de todos; Afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária (ação); Incontroversos: Não impugnados pela parte (omissão); Aqueles presumidos por lei, como, por exemplo, a necessidade iminente da prestação de alimentos gravídicos; MÁXIMAS DE EXPERIÊNCIA Experiência comum: possível de aplicação pelo juiz (biológica, geológica, física, cultural); Experiência técnica: necessidade de perito; A parte que alegar costume local deve provar a existência e a vigência – que o costume existe e que não está em desuso; PRESUNÇÕES E INDÍCIOS A prova indiciária é a prova de um fato periférico que leva a crer que o fato central ocorreu; Não tem previsão no CPC, mas no CC; PODERES INSTRUTÓRIOS DO JUIZ O juiz deve apreciar tudo e somente tudo o que estiver no processo, respeitados o livre convencimento motivado, a fundamentação das decisões judiciais, a ampla defesa e o contraditório; É nula a decisão em que o juiz não aprecia todos os argumentos trazidos pelas partes; Apreciar a prova é um dever do juiz; O juiz pode determinar a produção de provas, de ofício (exceção/ atuação subsidiária/secundária/ complementar) ou provocado pela parte (regra); Thiago Coelho (@taj_studies) O juiz pode, de ofício, deferir ou determinar o fazimento de uma prova em três hipóteses: Disser respeito a direito indisponível; Em favor do hipossuficiente; Diante do seu estado de perplexidade (dúvida/incerteza do que fazer); O juiz indeferirá as diligências inúteis ou meramente protelatórias (estas são as que visam atrasar o processo), desde que fundamente a sua decisão (princípios da celeridade e duração razoável do processo); AS PROVAS ILÍCITAS Como regra, as provas ilícitas e as ilícitas por derivação são inadmissíveis no processo (teoria dos frutos da árvore envenenada); Sem eximir a parte da responsabilidade pela produção, admite-se a produção de provas ilícitas quando: For o único meio de prova possível; O resultante do valor contido na quebra do lícito ser maior ao valor protegido pelo ilícito (“mal necessário”); ÔNUS DA PROVA Como regra, compete ao autor; Ao réu, quanto à existência de fato impeditivo (vícios de vontade, por exemplo), modificativo (diferentes circunstâncias, por ex.) ou extintivo (prescrição, por ex.) do direito do autor; A alegação de falsidade, compete a quem arguir; A impugnação da autenticidade, à parte que produziu o documento; Permitida a inversão do ônus da prova, desde que: Demonstrada a hipossuficiência em concreto (a dificuldade de se produzir provas em juízo); Respeitado o contraditório da parte prejudicada; Fundamentada a decisão judicial; As partes podem convencionar antes ou durante o processo, por meio de negócio jurídico processual, sobre o ônus da prova, desde que: O objeto da prova seja direitos disponíveis; Não se crie uma prova impossível de ser feita Thiago Coelho (@taj_studies) (“prova diabólica” = nula); Defesa direta (o réu nega a pretensão do autor) x defesa indireta (alega a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor); O DEVER DE PROVA A parte pode produzir prova contra si mesma, mas não é obrigada; A parte deve: Comparecer em juízo; Colaborar com o juízo na realização de inspeção judicial; Praticar ato que lhe for determinado; PROVAS EMPRESTADAS São admitidas no processo civil, mas não vinculam o magistrado, o qual deverá fundamentar a decisão de acatar ou não aquela prova; O juiz atribuirá o valor que julgar adequado; As partes podem juntar documentos novos a qualquer tempo, caso: Atuem com boa-fé; Demonstrem o motivo que impediu de juntar anteriormente; PRODUÇÃO ANTECIPADA DA PROVA Não precisa respeitar o contraditório, já que antecede o processo; Não se admitirá recurso, pelamesma razão; Possível quando: Haja fundado receio de que seja extremamente difícil ou impossível produzi-la no curso do processo; Possa viabilizar a autocomposição ou outro meio adequado de solução de conflito; Possa justificar ou evitar o ajuizamento da ação; Como regra a prova antecipada só será dedicada a um fato específico. Exceção: Caso haja o comprometimento à duração razoável do processo, pode-se produzir uma prova para fatos distintos; DEPOIMENTOS Depoimento pessoal é o meio de prova que todos sonham. É o depoimento que a parte produz em seu desfavor em favor do oponente; O mandado de intimação para comparecer a Thiago Coelho (@taj_studies) audiência de instrução e julgamento deve conter expressamente o dever de depor, sob pena de confissão no caso do não comparecimento (confissão ficta); Não se admite a confissão ficta na audiência de inquirição; CONFISSÃO Confissão real: expressa; Confissão ficta: decorrente do não comparecimento a prestar depoimento, silêncio ou evasivas (respostas que fogem da pergunta); Pode ser própria ou delegada (feita por representante/assistente); Pode ser judicial ou extrajudicial; Não vale para direitos indisponíveis; Precisa ser voluntária (sem vício de vontade); Não se permite a confissão: A feita sobre direitos indisponíveis (inválida); A feita por quem não tenha legitimidade (ineficaz); Caso o representante extrapole os limites da sua competência (ineficaz); TESTEMUNHAS Admissível, desde que a lei não discipline de modo diverso; Não será deferida a prova testemunhal sobre fatos: Já provados por documento ou confissão de parte; Que só por documento ou por exame pericial puderem ser provados; Impedidos: Parentes próximos, quem é parte na causa, quem intervém em nome de uma parte; Suspeitos: Inimigo ou amigo íntimo + quem tem interesse no litígio; Consoante o Estatuto da Pessoa com Deficiência, as pessoas com deficiência são plenamente capazes e podem testemunhar, necessitando de recursos compatíveis com as suas condições (um surdo não pode dizer que ouviu, mas pode dizer o que viu; assim como um cego, o que ouviu, etc); O menor pode ser ouvido, desde que representado ou assistido (caso tenha sido, por exemplo, o único a Thiago Coelho (@taj_studies) presenciar uma violência doméstica); PERÍCIA Será admitida quando depender de conhecimento específico, for necessária e for praticável; As partes têm 15 dias, contados da intimação do despacho de nomeação do perito, para: Arguir impedimento ou suspeição do perito, o qual é um sujeito imparcial; Indicar assistente técnico; Apresentar quesitos (questionamentos explicativos, elucidativos ou técnicos); O perito pode ser substituído quando faltar-lhe conhecimento técnico ou científico ou deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado; A perícia pode ser repetida com o mesmo perito ou com outro, desde que haja fundamento; Caso não tenha cumprido com o encargo assumido, deverá devolver os valores recebidos pelo trabalho não realizado, sob pena de ficar impedido de atuar como perito judicial por 5 anos; O laudo pericial deverá conter: A exposição do objeto da perícia; A análise técnica ou científica realizada pelo perito; A indicação de método utilizado; A resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo MP; INSPEÇÃO Se dá quando o juiz visita um local relevante para o caso em prol de obter informações adicionais ou esclarecer questões em disputa no processo; É publicizada e personalíssima; Thiago Coelho – T6A 2023.2 @taj_studies Thiago Coelho (@taj_studies) AULA 07 – AUDIÊNCIAS 1. Audiência de inquirição É uma audiência de pouca aplicação prática, tendo em vista a duração razoável do processo. Dificilmente o juiz opta por ouvir as partes dizerem o que escreveram nos documentos, por exemplo. Entretanto, é possível, a qualquer tempo, o juiz inquirir as partes a fim de que esclareçam determinados aspectos. Art. 139 – NCPC: O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: VIII - determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, para inquiri-las sobre os fatos da causa, hipótese em que não incidirá a pena de confesso; 2. Audiência de justificação prévia: Art. 300 – NCPC: A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. § 1 o Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não puder oferecê-la. § 2º A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia. § 3º A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão. A decisão liminar é aquela que não se ouve as partes, apenas analisando o que foi pedido. A audiência de justificação prévia é uma audiência cuja finalidade é esclarecer determinado fato para que seja ou não deferida uma medida liminar. Não se confunde com o convencimento para julgar o mérito, mas examina um fato para compreender a eficácia da liminar. 3. Audiência de saneamento: Art. 357, § 3º - NCPC: Se a causa apresentar complexidade em matéria de fato ou de direito, deverá o juiz designar audiência para que o saneamento seja feito em cooperação com as Thiago Coelho (@taj_studies) partes, oportunidade em que o juiz, se for o caso, convidará as partes a integrar ou esclarecer suas alegações. (Grifos nossos) A audiência de saneamento é voltada para esclarecer matérias complexas de fato ou de direito. A título exemplificativo pode-se citar a audiência de saneamento a fim de se constatar odores característicos de determinadas substâncias (óleo diesel em uma pista, por exemplo). É na audiência de saneamento, por exemplo, que o juiz pode inverter o ônus da prova (art. 373, § 1º, CPC), em favor do hipossuficiente e desde que de forma fundamentada e em respeito ao contraditório da parte prejudicada, sob pena de nulidade. 4. Audiência de conciliação ou de mediação: Respeito é olhar integralmente, considerar o sujeito como o todo. Art. 334 – NCPC: Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado o réu com pelo menos 20 (vinte) dias de antecedência. § 1º O conciliador ou mediador, onde houver, atuará necessariamente na audiência de conciliação ou de mediação, observando o disposto neste Código, bem como as disposições da lei de organização judiciária. § 2º Poderá haver mais de uma sessão destinada à conciliação e à mediação, não podendo exceder a 2 (dois) meses da data de realização da primeira sessão, desde que necessárias à composição das partes. § 3º A intimação do autor para a audiência será feita na pessoa de seu advogado. § 4º A audiência não será realizada: I - se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na composição consensual; II - quando não se admitir a autocomposição. § 5º O autor deverá indicar, na petição inicial, seu desinteresse na autocomposição, e o réu deverá fazê-lo, por petição, apresentada com 10 (dez) dias de antecedência, contados da data da audiência. § 6º Havendo litisconsórcio, o desinteresse na realização da audiência deve ser manifestado por todos os litisconsortes. § 7º A audiência de conciliação ou de mediação pode realizar-se por meio eletrônico, nos termos da lei.Thiago Coelho (@taj_studies) § 8º O não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência de conciliação é considerado ato atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com multa de até dois por cento da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado. § 9º As partes devem estar acompanhadas por seus advogados ou defensores públicos. § 10. A parte poderá constituir representante, por meio de procuração específica, com poderes para negociar e transigir. § 11. A autocomposição obtida será reduzida a termo e homologada por sentença. § 12. A pauta das audiências de conciliação ou de mediação será organizada de modo a respeitar o intervalo mínimo de 20 (vinte) minutos entre o início de uma e o início da seguinte. Art. 3º - NCPC: Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. § 2º O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos. § 3º A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial. Com exceção da arbitragem, não se pode excluir da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito, sob pena de comprometer o acesso à justiça. Não sendo o caso de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido, o juiz determinará a citação do réu e designará audiência de conciliação ou mediação. O réu deve ser citado com no mínimo 20 dias de antecedência em relação à data da audiência. Na carta, será intimado para comparecer acompanhado do seu advogado ou defensor público, com menção do dia, da hora e do lugar do comparecimento. O lugar não necessariamente precisa estar associado ao órgão jurisdicional (flexibilidade), podendo ser realizada por meio eletrônico ou presencialmente. A intimação do autor para a audiência será feita na pessoa de seu advogado. A mediação se distingue da conciliação por se materializar "nos casos em que houver vínculo anterior entre as partes". Prazo de conclusão para a obtenção de um consenso: 60 dias, salvo prorrogação por acordo das partes (revogação dos 2 meses expressos no CPC – prazo em dia só leva em consideração dia útil). Desse modo, o prazo é de 60 + 60 dias*. *Prorrogação. Thiago Coelho (@taj_studies) A audiência deve ser conduzida por conciliador ou mediador e em caráter excepcional poderá ser conduzida pelo juiz. Não será designada a audiência: Caso as partes manifestem, expressamente, o desinteresse na composição consensual (o autor na petição inicial; o réu por petição apresentada com dez dias de antecedência em relação à data da audiência); No processo em que não se admita a autocomposição (exceção legal), tais como os processos de ação rescisória e de reclamação; O silêncio implica no consentimento para participar da audiência de conciliação ou mediação. A recusa deve ser expressa. Fazer acordo não é uma obrigação, mas comparecer à audiência é um dever. O não comparecimento injustificado implica em ato atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com multa de até 2% da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado (princípio da cooperação). A parte poderá constituir representante (qualquer pessoa capaz) para que este atue na audiência (mitigação do dever das partes de comparecer à audiência) A sua atuação restringe-se à negociação e à assinatura do acordo, se for o caso. Não há necessidade de vínculo empregatício para o representante de pessoa jurídica. A autocomposição será homologada pelo juiz e o processo será extinto com resolução de mérito. Caso não se chegue a um acordo (autocomposição), o prazo para resposta do réu começa a correr da data da audiência. A conciliação e a mediação são alternativas eficazes para resolver conflitos para além do Judiciário e da arbitragem, ainda mais levando-se em consideração a morosidade existente no nosso país. É importante a distinção entre mediador e conciliador. MEDIADOR CONCILIADOR ÁRBITRO Intervém em casos mais complexos, nos quais as partes, geralmente, já apresentam um histórico de disputas (vínculo pretérito). Mediador é, portanto, para conflitos velhos. Atua visando a fomentar a empatia entre as partes. Intervém em conflitos jovens e instantâneos. Participação mais efetiva e pode sugerir soluções. Nada obsta que, ainda que seja um conflito recente, o juiz considere mais plausível a mediação. Terceiro imparcial que vai dizer o direito no caso concreto, sem a necessidade de apreciação da matéria pelo Poder Judiciário. A sentença arbitral produz os mesmos efeitos dos órgãos do Poder Judiciário; sendo condenatória, constitui Thiago Coelho (@taj_studies) título executivo. AULA 08 – AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO 1. Audiência de instrução e julgamento: Sucede a audiência de conciliação ou mediação. Exceto a prova documental, todas as provas são produzidas, descartadas ou concluídas na audiência de instrução e julgamento. Trata-se de uma audiência voltada para colher todas as provas das partes e todos os depoimentos das testemunhas, juntamente com as provas orais, a fim de tentar convencer o julgador. Ela é feita através de uma sessão pública e é comandada por um juiz. Art. 358 – NCPC: No dia e na hora designados, o juiz declarará aberta a audiência de instrução e julgamento e mandará apregoar as partes e os respectivos advogados, bem como outras pessoas que dela devam participar. Art. 359 – NCPC: Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem. Na audiência em exame, o juiz tentará conduzir a uma solução consensual do conflito, ainda que fracassada tentativa prévia. Art. 360 – NCPC: O juiz exerce o poder de polícia, incumbindo-lhe: I - manter a ordem e o decoro na audiência; II - ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem inconvenientemente; III - requisitar, quando necessário, força policial; IV - tratar com urbanidade as partes, os advogados, os membros do Ministério Público e da Defensoria Pública e qualquer pessoa que participe do processo; V - registrar em ata, com exatidão, todos os requerimentos apresentados em audiência. Tratar as partes com urbanidade é um dever do magistrado, todavia, na prática, algumas atitudes desagradáveis destoam dessa obrigação. A audiência de instrução e julgamento está pautada em dois princípios: Thiago Coelho (@taj_studies) Oralidade/imediatidade: As partes se manifestam oralmente; Unicidade/continuidade: Como um ato voltado para a oralidade e imediatidade, bem como para a extração da prova oral (seja pelo depoimento, seja pela testemunha), tal ato é condensado em um só momento, a fim de valorizar a espontaneidade; Art. 365 – NCPC: A audiência é una e contínua, podendo ser excepcional e justificadamente cindida na ausência de perito ou de testemunha, desde que haja concordância das partes. Parágrafo único. Diante da impossibilidade de realização da instrução, do debate e do julgamento no mesmo dia, o juiz marcará seu prosseguimento para a data mais próxima possível, em pauta preferencial. Quando a audiência é designada, ela precisa ter seus pressupostos atendidos. Ela precisa ser a única sessão. O CPC diz que as testemunhas devem ser arroladas, mas, na audiência, o art. 361 afirma que a oitiva dos peritos e assistentes técnicos é a primeira a ser feita. Art. 361 – NCPC: As provas orais serão produzidas em audiência, ouvindo-se nesta ordem, preferencialmente: I - o perito e os assistentes técnicos, que responderão aos quesitos de esclarecimentosrequeridos no prazo e na forma do art. 477 , caso não respondidos anteriormente por escrito; O perito e os assistentes técnicos responderão a eventuais quesitos (questionamentos explicativos, elucidativos ou técnicos). II - o autor e, em seguida, o réu, que prestarão depoimentos pessoais; Depoimento pessoal é um caminho para a confissão (logo, o sujeito irá depor sobre fatos contrários aos seus interesses – não se pode realizar o depoimento pessoal para defender interesse próprio). Se o sujeito não comparecer à audiência de instrução e julgamento, usar evasivas ou ficar em silêncio sobre questões que deveria se manifestar haverá confissão ficta. Presume-se, desse modo, a veracidade dos fatos alegados pela parte contrária. Diferencia-se da audiência de inquirição, já que nesta a confissão deve vir expressa. III - as testemunhas arroladas pelo autor e pelo réu, que serão inquiridas. Parágrafo único. Enquanto depuserem o perito, os assistentes técnicos, as partes e as testemunhas, não poderão os advogados e o Ministério Público intervir ou apartear, sem licença do juiz. O avanço das tecnologias mitigou a máxima de que uma testemunha não pode ouvir o que a outra disse caso ainda não tenha sido ouvida, embora haja disciplina no CPC a esse respeito. O art. 361, portanto, demonstra a ordem de preferência das provas produzidas em audiência. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art477 Thiago Coelho (@taj_studies) A audiência poderá ser adiada nas hipóteses elencadas no art. 362: Art. 362 – NCPC: A audiência poderá ser adiada: I - por convenção das partes; II - se não puder comparecer, por motivo justificado, qualquer pessoa que dela deva necessariamente participar; III - por atraso injustificado de seu início em tempo superior a 30 (trinta) minutos do horário marcado. § 1º O impedimento deverá ser comprovado até a abertura da audiência, e, não o sendo, o juiz procederá à instrução. § 2º O juiz poderá dispensar a produção das provas requeridas pela parte cujo advogado ou defensor público não tenha comparecido à audiência, aplicando-se a mesma regra ao Ministério Público. § 3º Quem der causa ao adiamento responderá pelas despesas acrescidas. “Por motivo justificado” abre margem de discricionariedade para o magistrado valorar o que seria ou não causa plausível de adiamento. O exame é casuístico (parto, por exemplo, é um motivo justificado). Se o advogado não compareceu à audiência, o juiz poderá dispensar a produção de provas pela parte. Quem der causa ao adiamento responderá pelas despesas acrescidas. A contradita é a impugnação da oitiva da testemunha por parcialidade (impedimento ou suspeição) ou incapacidade. Antes de a testemunha depor, ela é qualificada. Se a testemunha nega o que foi alegado – incapacidade, suspeição ou impedimento –, a parte poderá produzir prova para sustentar o que alegou. Diferentemente do informante, a testemunha poderá ser responsabilizada criminalmente. Se uma testemunha afirma que não possui relação de parentesco com o réu e, ao realizar o exame da carteira de identidade, constata que ambos são filhos do mesmo pai e da mesma mãe, há flagrante de crime (ocultou o fato de que eram irmãos). Em um caso concreto, a autoridade policial foi chamada e o indivíduo preso. Não se sabe o que aconteceu posteriormente, mas é provável que um Habeas Corpus tenha sido impetrado. Art. 364 – NCPC: Finda a instrução, o juiz dará a palavra ao advogado do autor e do réu, bem como ao membro do Ministério Público, se for o caso de sua intervenção, sucessivamente, pelo prazo de 20 (vinte) minutos para cada um, prorrogável por 10 (dez) minutos, a critério do juiz. Thiago Coelho (@taj_studies) § 1º Havendo litisconsorte ou terceiro interveniente, o prazo, que formará com o da prorrogação um só todo, dividir-se-á entre os do mesmo grupo, se não convencionarem de modo diverso. § 2º Quando a causa apresentar questões complexas de fato ou de direito, o debate oral poderá ser substituído por razões finais escritas, que serão apresentadas pelo autor e pelo réu, bem como pelo Ministério Público, se for o caso de sua intervenção, em prazos sucessivos de 15 (quinze) dias, assegurada vista dos autos. O prazo para os advogados das partes e o MP se manifestarem após a instrução, ou seja, para as alegações finais, é de 20 minutos + 10 minutos, a critério do juiz. A audiência de instrução e julgamento privilegia a fala (vide as características da oralidade e imediatidade). O art. 364 do CPC abre a palavra para os advogados se manifestem nas razões finais. A regra, consoante o CPC, é que, concluída a audiência, as partes possam falar um pouco conclusivamente (cada advogado apresenta o ponto de vista). Na prática, o que é regra se transforma em exceção: não se faz debates orais depois da audiência, sendo feitas as razões finais de forma escrita (art. 364, § 2º, CPC). Os prazos serão sucessivos de 15 dias entre autor, réu e MP. 2. Pronunciamento do juiz: Art. 203 – NCPC: Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos. § 1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487 , põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução. § 2º Decisão interlocutória é todo pronunciamento judicial de natureza decisória que não se enquadre no § 1º. § 3º São despachos todos os demais pronunciamentos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte. § 4º Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória, independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando necessário. Art. 204 – NCPC: Acórdão é o julgamento colegiado proferido pelos tribunais. Acórdão é uma sentença do 2º grau. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art485 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art487 Thiago Coelho (@taj_studies) Art. 205 – NCPC: Os despachos, as decisões, as sentenças e os acórdãos serão redigidos, datados e assinados pelos juízes. § 1º Quando os pronunciamentos previstos no caput forem proferidos oralmente, o servidor os documentará, submetendo-os aos juízes para revisão e assinatura. § 2º A assinatura dos juízes, em todos os graus de jurisdição, pode ser feita eletronicamente, na forma da lei. § 3º Os despachos, as decisões interlocutórias, o dispositivo das sentenças e a ementa dos acórdãos serão publicados no Diário de Justiça Eletrônico. Despachos: Atos não decisórios do juiz; Como não é decisão, não cabe recurso; Não exige uma construção elaborada de uma solução que busca modificar, extinguir ou construir relações jurídicas; Visa apenas ao andar do processo – fazer movimentar o processo; Decisão interlocutória: Pode ser tanto o interlocus do primeiro grau quanto do segundo grau; Todo ato decisório que não se confunde com sentença; Ex: Deferimento ou indeferimento do pedido de justiça gratuita ou de penhora de bens; Como regra, não encerra a atividade cognitiva, mas resolve Direito Material; Provisória e no curso do processo, não pondo fim a este; Trata-se de uma decisão parcial do mérito do processo. Todavia, julga em definitivo um determinado bloco do processo e para este é definitivo, encerrando, para este, a atividade cognitiva; SENTENÇA DECISÃO INTERLOCUTÓRIA Encerra a atividade cognitiva do magistrado. Ex: Condena ou absolve o réu. Análise total de mérito. Não encerra a atividade cognitiva do magistrado. Ex: Concessão da gratuidade da justiça. Análise parcial de mérito. Thiago Coelho (@taj_studies) Aptidão para formar coisa julgada. Põe fim ao processo. Aptidãopara formar coisa julgada apenas para determinado bloco do processo. Não põe fim ao processo. AULA 09 – TUTELAS 1. As decisões interlocutórias: As decisões interlocutórias são consideradas decisões interlocutórias simples e decisões interlocutórias concessivas de tutelas provisórias. No que tange às decisões interlocutórias concessivas de tutelas provisórias, essas podem ser de urgência e de evidência. As tutelas de urgência podem ser antecipatórias ou acautelatórias. Sendo antecipatórias ou acautelatórias, podem ser antecedentes ou incidentais. DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS CONCESSIVAS DE TUTELAS PROVISÓRIAS SIMPLES DE URGÊNCIA DE EVIDÊNCIA ANTECIPATÓRIAS ACAUTELATÓRIAS ANTECEDENTES/INCIDENTAIS A decisão interlocutória simples não é propriamente uma tutela de evidência ou de urgência, mas resolve uma questão no curso do processo sem encerrá-lo. As decisões interlocutórias simples são objetos de agravo de instrumento. Art. 1.015 – CC: Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: I - tutelas provisórias; II - mérito do processo; III - rejeição da alegação de convenção de arbitragem; IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica; V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação; VI - exibição ou posse de documento ou coisa; Thiago Coelho (@taj_studies) VII - exclusão de litisconsorte; VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio; IX - admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros; X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução; XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1º ; XII - (VETADO); XIII - outros casos expressamente referidos em lei. Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. 2. A tutela de urgência: Art. 294 – NCPC: A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência. Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida em caráter antecedente ou incidental. Fumus boni juris (fumaça do bom direito) é o que a lei chama de probabilidade do direito. Com a redemocratização do Direito, explode-se a quantidade de demandas no Judiciário a fim da salvaguarda de direitos. A tutela provisória de urgência pode ter caráter acautelatório ou antecipatório, bem como ser antecedente ou incidental. Vejamos, inicialmente, os elementos da tutela de urgência, independentemente da sua natureza. Art. 300 – NCPC: A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. Pode-se dar uma decisão considerando uma situação urgente. O passar do tempo (a demora) pode ser um elemento destruidor de direitos. Basta, portanto, que haja receio de dano, de difícil reparação ou até irreparável. PRESSUPOSTOS DA TUTELA DE URGÊNCIA = FUMUS BONI JURIS + PERICULUM IN MORA Ou, em uma linguagem mais simples, PRESSUPOSTOS DA TUTELA DE URGÊNCIA = PROBABILIDADE DO DIREITO + PERIGO DE DANO https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art373%C2%A71 Thiago Coelho (@taj_studies) Compõem a probabilidade do direito: Verossimilhança do fato alegado: Meios indicativos de aproximação com a realidade; Acolhimento pelo sistema jurídico protetivo daquele fato verossímil: É como um fato verossímil é desenhado em abstrato na norma jurídica. o Ex: A ajuíza uma ação de alimentos em face de B. Há indicativos de que A é hipossuficiente economicamente (trabalhadora doméstica) e B é muito rico, recentemente flagrado viajando para a Europa; além disso ambos possuem o mesmo sobrenome (verossimilhança dos pressupostos da ação de alimentos). Necessidade, capacidade e a relação de filiação (afetiva ou consanguínea) são os pressupostos da prestação de alimentos (acolhimento pelo sistema jurídico protetivo do fato). Conceder-se-á a tutela. Pode ser que um fato seja verossímil, mas que não seja protegido pelo Direito. o Ex: A ganhou uma aposta, devendo B pagar-lhe R$ 12M. Todavia, B não paga. A não tem como cobrar dívida de jogo de B, ainda que verossímil o fato; o Ex: A engravidou B, mas logo depois se separou. B passou a viver com C, o qual disse que assumiria o filho. Pouco tempos depois B e C se separaram, de modo que o pai não teve nenhuma convivência com a criança. Logo, C não possui nenhum vínculo biológico ou socioafetivo para com a criança, não devendo prestar alimentos; É necessário, analisando o artigo supratranscrito, que se demonstre que o fato é verossímil, acolhido pelo direito e que o tempo corrói tal direito – esta (ação do tempo) ilustra o perigo de dano. O perigo pode gerar um ilícito (violação da norma), um dano ou um ilícito com dano. Essa distinção é importante, uma vez que, conforme já visto na graduação, o ilícito não é pressuposto da responsabilidade civil (pode ocorrer responsabilidade civil em atos lícitos). Há um risco, portanto, que é a mitigação ou a perda do direito. O tempo é, pois, um elemento nocivo, podendo resultar na perda do direito. 3. Tutela de urgência antecipatória x Tutela de urgência acautelatória: Quando se pede na inicial ou no curso do processo uma tutela de urgência fala-se em tutela antecipatória, a qual incide na própria ação de alimentos. Deve-se demonstrar a probabilidade do direito e o risco de demora. Antecipa-se a sentença, ou seja, o objeto do direito material pretendido para o presente. Thiago Coelho (@taj_studies) Com uma ação de alimentos, por exemplo, pede-se alimentos. A sentença de alimentos deve trazer para o presente, antecipando-se o bem material que ter-se-ia no futuro. A criança pode falecer ou ter um comprometimento significativo à saúde, de modo que é imperiosa o quanto antes a prestação de alimentos. Quando o processo chegar ao fim, o processo deverá ser útil. O risco ao resultado útil do processo pode ser compreendido por meio do seguinte exemplo: o Ex: Paula assume que tem uma dívida de R$ 10.000,00 com André, mas deseja pagar quando bem entender. Mesmo após a sentença favorável a André, Paula não deseja pagar. Além disso, Paula dilapida o patrimônio por meio da venda de bens. O processo foi inútil. André pode pedir a indisponibilidade de determinados bens de Paula, como um veículo que ela havia posto em venda. Daí se tem uma tutela acautelatória. Colocado o carro em leilão, André poderá usufruir da sua parte. Deve-se salvaguardar, portanto, a utilidade do processo. A tutela acautelatória tem como finalidade conservar, assegurar o direito, prevenindo dano ou garantindo o resultado útil do processo. A tutela antecipada, por outro lado, visa a realizar o direito, antecipando parcial ou totalmente o próprio pedido principal ou os seus efeitos. TUTELA ACAUTELATÓRIA TUTELA ANTECIPATÓRIA Visa a assegurar o direito, prevenindo dano ou garantindo o resultado útil do processo. Visa a realizar o direito, antecipando parcial ou totalmente o pedido principal ou os seus efeitos. 4. Reversibilidade e contraditório: Pode-se pedir uma tutela de urgência antes do processo, na inicial ou ao longo do processo. Art. 932 – NCPC: Incumbe ao relator: II - apreciar o pedido de tutela provisória nos recursos e nos processos de competência originária do tribunal; Se ocorrer um novo fato que constitua, modifique ou venha a extinguir direitos, proceder-se- á também a análise desta. o Ex: No curso de uma ação de alimentos, o pai começa a realizar violência psicológica contra a mãe. Propor-se-á uma ação de bullying e que a sentença Thiago Coelho (@taj_studies) confirme a antecipaçãopara que jamais o pai envie mensagens de cunho semelhante. Art. 300, § 3º - NCPC: A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão. A tutela antecipada só poderá ser concedida caso seja provisória. Marinoni aponta que há determinadas tutelas que são tão urgentes que, embora irreversíveis, o dano é que será irreversível (irreversibilidade reversa). Nesta hipótese, deve-se conceder a tutela antecipada. o Ex: Transfusão de sangue de um menor quando há discordância entre os pais por questões religiosas. Um dos cônjuges alega perigo de vida, de modo que o descendente não sobrevirá sem a transfusão (tanto o dano à saúde quanto a transfusão são irreversíveis, devendo-se realizar uma ponderação em concreto – neste caso, é plausível a concessão da tutela antecipada). Art. 300, § 2º - NCPC: A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia. A tutela de urgência pode ser concedida em uma relação linear, ou seja, liminarmente. Há um debate polêmico – como se decide contra uma parte sem ouvi-la? Isso é permitido quando se torna difícil a concessão com a prévia oitiva. O que justifica a dispensa momentânea do contraditório é caso o contraditório dificulte ou impossibilite a tutela concedida. o Ex: Transfusão de sangue de um menor quando há discordância entre os pais por questões religiosas. Um dos cônjuges alega perigo de vida, de modo que o descendente não sobrevirá sem a transfusão. Há o risco de que o cônjuge que é testemunha de jeová fuja com a criança, daí a possibilidade de uma liminar (decisão interlocutória sem ouvir a outra parte). O exercício do contraditório pode ser: Diferido: Geralmente em situações de urgência, como na produção da prova de exame de corpo de delito ainda na fase investigativa. Fala-se em contraditório diferido quando há urgência/necessidade; Postergado: Pode não ter uma justificativa clara (razões estratégicas ou de conveniência). Muitas vezes não há a urgência/necessidade; 5. Demais observações: Art. 303 – NCPC: Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da ação, a petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido Thiago Coelho (@taj_studies) de tutela final, com a exposição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao resultado útil do processo. o Ex: Direito Médico – se não internar, o paciente morre. Quando a urgência for presente (do agora), pode-se limitar à internação e a validade do contrato, com a exposição do conflito. Concedida a tutela, a criança é internada. O plano de saúde não só negou a intubação. Nesse sentido, deve-se complementar a inicial com os outros serviços negados (sessões de fisioterapia, por exemplo). Se a parte não recorrer, há a estabilização da demanda (“coisa julgada”). No exemplo anterior, seria o silêncio do plano de saúde. § 1º Concedida a tutela antecipada a que se refere o caput deste artigo: I - o autor deverá aditar a petição inicial, com a complementação de sua argumentação, a juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de tutela final, em 15 (quinze) dias ou em outro prazo maior que o juiz fixar; II - o réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de mediação na forma do art. 334 ; III - não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na forma do art. 335 . § 2º Não realizado o aditamento a que se refere o inciso I do § 1º deste artigo, o processo será extinto sem resolução do mérito. § 3º O aditamento a que se refere o inciso I do § 1º deste artigo dar-se-á nos mesmos autos, sem incidência de novas custas processuais. § 4º Na petição inicial a que se refere o caput deste artigo, o autor terá de indicar o valor da causa, que deve levar em consideração o pedido de tutela final. § 5º O autor indicará na petição inicial, ainda, que pretende valer-se do benefício previsto no caput deste artigo. § 6º Caso entenda que não há elementos para a concessão de tutela antecipada, o órgão jurisdicional determinará a emenda da petição inicial em até 5 (cinco) dias, sob pena de ser indeferida e de o processo ser extinto sem resolução de mérito. (Grifos nossos) Art. 305 – NCPC: A petição inicial da ação que visa à prestação de tutela cautelar em caráter antecedente indicará a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito que se objetiva assegurar e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art334 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art335 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art335 Thiago Coelho (@taj_studies) Deve-se indicar, portanto, o conflito de interesses, bem como fundamentar a sua argumentação, demonstrando a existência do direito e o perigo de dano/resultado útil ao processo. A título exemplificativo, pode-se propor uma ação acautelatória de arrolamento (estabelecer um rol dos bens) para posteriormente pedir o divórcio e a partilha. AULA 10 – TUTELA DE EVIDÊNCIA E FUNDAMENTAÇÃO DAS DECISÕES 1. A tutela de evidência: A tutela de evidência pode ser concedida liminarmente ou ouvindo-se a parte contrária. Depois de o réu estar nos autos, não pode ser concedida liminarmente. A tutela de evidência busca assegurar a duração razoável do processo, não se relacionando com urgência ou necessidade. Dispensa, por conseguinte, a demonstração do risco de dano irreparável/de difícil reparação ou ao resultado útil do processo. Art. 311 – NCPC: A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando: I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte; O propósito protelatório é aquele que apresenta o fim exclusivo de atrasar o processo. As hipóteses trazidas no inciso I visam a coibir o agir de má-fé. o Exemplo de abuso de direito: Alegação manifestamente infundada, com base em tese absurda é uma das formas de exercício anormal do direito de defesa no qual o réu utiliza seu direito de contraditório e ampla defesa de forma desvirtuada; o Exemplo de manifesto propósito protelatório: Intimar testemunhas desnecessárias em outras localidades ou no exterior, insistir em diligências desnecessárias ou interpor embargos protelatórios; II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; Há dois elementos associados: alegações comprovadas apenas por documentos e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos/súmula vinculante. Assim, juiz poderá decidir liminarmente, quão logo tomar conhecimento do pedido de tutela. Nesse contexto, o direito já está suficientemente evidenciado pelas alegações iniciais do autor em seu pedido tutelar. III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa; Thiago Coelho (@taj_studies) Pedido reipersecutório é aquele que reivindica/persegue algum bem. Depositário infiel é aquele que não é fiel, ou seja, aquele que age de má-fé – o que era motivo de prisão consoante previsão originária na CF/88, derrubada pela Súmula Vinculante 25. Em 1992, o Brasil fez a ratificação de vários tratados sobre direitos humanos, entre eles o Pacto de San Jose da Costa Rica (o qual afirmava o direito do depositário infiel de não ser preso). No Brasil, tal prisão é matéria do Código Civil (prisão meramente coercitiva – quitada a dívida, a pessoa é solta). Em 2003, entra em vigor o CC/02 e, com isso, passa-se a prever a prisãodo depositário infiel. Daí, a súmula vinculante 25 emerge: “é ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito”. Atualmente, só há prisão civil no caso do descumprimento de prestação de alimentos, ante a urgência da obrigação. IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir liminarmente. Na hipótese do inciso IV, o réu, ao contestar, não consegue gerar dúvida razoável de que a prova documental é insuficiente (inválida/não autenticada...), de tal sorte que acaba se presumindo a veracidade da prova juntada pelo autor. O parágrafo único reafirma o que já foi dito (exceções aos princípios do contraditório e da ampla defesa). 2. Elementos da sentença: Art. 489 – NCPC: São elementos essenciais da sentença: I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. Faz-se o relatório e constrói-se os fundamentos do convencimento. Posteriormente, há o dispositivo, através do qual o juiz conclui o raciocínio acerca das questões principais do processo – condenação ou absolvição. Se o juiz não se explicar de forma fundamentada, a sua decisão é nula. Analisar questão de fato é demonstrar que se entendeu a narrativa tanto do autor quanto do réu. Nessa perspectiva, obter-se-á uma decisão mais justa, em respeito à ampla defesa e ao contraditório. § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: Thiago Coelho (@taj_studies) I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; Não basta transcrever ou fazer paráfrase de norma. II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; Ao se empregar conceitos jurídicos indeterminados, é imperioso levar em conta as consequências práticas da decisão e explicar o que se quer dizer. III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; O legislador buscou acabar com as decisões-padrão, aquelas que, por serem pré-concebidas, não são produto de uma análise particularizada do caso. O juiz fundamenta de modo que tal fundamentação caberia a qualquer caso (“inexistindo os pressupostos processuais, extingo o feito sem resolução de mérito”), sendo tal decisão nula. IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; Infirmar é contrariar. O juiz deve considerar tudo e somente tudo o que pode influenciar no seu convencimento. Destarte, não deve o magistrado ser negligente com um argumento que poderia conduzir a uma conclusão diferente, ou seja, através do qual a decisão possa ser modificada. Daí fala-se na interposição de embargos. V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; Não pode o magistrado apenas citar um precedente ou súmula. Deve ele apontar a relação entre o procedente/a súmula e as peculiaridades do caso concreto. Não basta dizer que a matéria é a mesma, mas adentrar nos detalhes do presente litígio. VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Da mesma forma que deve fundamentar quando invoca um precedente ou enunciado de súmula, deve o juiz fundamentar o porquê não adotou súmula/jurisprudência/precedente invocado pela parte. Deve, portanto, apontar as distinções entre o caso concreto e a decisão invocada. Os juízes, quando o parágrafo 1º foi redigido, apontaram para a sua inconstitucionalidade por suposta violação à duração razoável do processo. Entretanto, como se está em um Estado Democrático de Direito, há outros princípios correlatos, tais como a cooperação – que não se restringe às partes, mas também ao juiz, o qual deve colaborar com as partes, ao mesmo tempo em que se mantém delas equidistante (juiz natural). Thiago Coelho (@taj_studies) § 2º No caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar o objeto e os critérios gerais da ponderação efetuada, enunciando as razões que autorizam a interferência na norma afastada e as premissas fáticas que fundamentam a conclusão. Quando há normas colidentes, sobretudo principiológicas, far-se-á uma ponderação in concreto, de tal sorte que, no caso concreto, uma se sobreporá em relação à outra. Não há uma hierarquia in abstrato, mas uma prevalência naquele caso específico. Destarte, uma norma que sucumbiu em um caso poderá tranquilamente prevalecer em um caso futuro. § 3º A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os seus elementos e em conformidade com o princípio da boa-fé. Referências: https://trilhante.com.br/curso/tutelas-provisorias-na-pratica/aula/tutela-de- evidencia-4 Para a próxima aula: Precedentes e coisa julgada. AULA 11 – PRECEDENTES E COISA JULGADA 1. Precedentes: Outrora, a discricionariedade do juiz era mais ampla, de modo que, em matérias semelhantes, poder-se-iam ter decisões completamente diferentes, alimentando um sentimento social de insegurança jurídica. Posteriormente, evidenciou-se uma evolução, de tal sorte que o STJ foi responsável por estabilizar demandas a partir do julgamento de recursos repetitivos. No CPC/15, a evolução é ainda mais notória, tendo em vista a expressão do instituto dos precedentes. Preza-se, nesse cenário, pela maior segurança jurídica. De antemão, o indivíduo tem noção acerca das suas possibilidades de sair triunfante ou não em determinado litígio. Art. 926 – NCPC: Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente. § 1º Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante. § 2º Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem ater-se às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação. Os tribunais não têm mais uma autonomia plena na capacidade decisória, de forma que não podem decidir da forma como bem entenderem, em prol da segurança jurídica aos cidadãos. Por segurança jurídica entende-se “previsibilidade do resultado”. Thiago Coelho (@taj_studies) Os tribunais, ao uniformizarem as suas jurisprudências, deverão ser estáveis, íntegros e coerentes. Normas serão editadas com o resumo do entendimento dominante: as chamadas súmulas. Súmula vem do latim “sumu” e significa coisa prescrita. Súmula é, pois, a materialização de um entendimento dominante acerca de determinada matéria. Entendimento dominante não significa entendimento unânime, de modo que o juiz, desde que fundamente a sua decisão e se atentando às particularidades do presente litígio, poderá entender contrário a uma súmula. “Manter estável, íntegro e coerente” significa que os julgados devem ter certo sentido de permanência. A estabilidade dá um sentido de segurança. Os tribunais, portanto, proferem decisões com perenidade, integridade para com a ordem constitucional e autorreferência, gerando previsibilidade e segurança jurídica. Precedentes vinculantes restringem ainda mais a liberdade interpretativa e decisória do magistrado. O cidadão já sabe de antemão,nesse contexto, se irá vencer ou perder. As hipóteses de precedentes vinculantes estão expressas nos incisos do art. 927 do CPC. Caso o indivíduo tenha uma pretensão abrangida por tais incisos, as chances de vencer a disputa se elevam consideravelmente; o oposto é evidenciado quando contraria algumas das disposições. Art. 927 – NCPC: Os juízes e os tribunais observarão: I - as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II - os enunciados de súmula vinculante; III - os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV - os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V - a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. Há, assim, entendimentos pretéritos consolidados que devem ser seguidos (obrigatoriedade). É imperioso ler o inteiro teor para além da ementa. A ementa é apenas um resumo, de modo que a leitura desacompanhada das peculiaridades do caso concreto poderá resultar em uma decisão injusta. Em síntese, as hipóteses são as seguintes: Controle concentrado de constitucionalidade (STF); Súmulas vinculantes (STF); Incidente de assunção de competência ou resolução de demandas repetitivas; Julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos (“2 RE”); Súmulas do STF (matéria constitucional) e do STJ (matéria infraconstitucional); Orientação do plenário ou do órgão especial; Thiago Coelho (@taj_studies) O precedente para obrigatoriamente ser cumprido, deve-se voltar ao parágrafo 1º do art. 489. Art. 489, § 1º - NCPC: Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Precedente vinculante é súmula. Aos fundamentos determinantes dá-se o nome de ratio decidendi. Deve o juiz demonstrar que as razões do precedente são as mesmas razões de decidir do caso concreto (especificidade). Daí o papel do inteiro teor: mostrar que as razões de fato e de direito se assemelham para que o precedente incida no caso concreto, produzindo estabilidade. Antes da aplicação do precedente judicial é imprescindível a técnica do distinguishing, isto é, confrontar as razões de fato e de direito do precedente com o caso em exame. Isso também é mais bem feito quando considerado o inteiro teor dos precedentes. Obiter dictum são as considerações que aparecem em uma decisão e que representam ideias complementares/paralelas/periféricas, as quais servem apenas para elucidar os fatos (função meramente retórica). Não são observações necessárias/determinantes à análise do mérito e, consequentemente, não vinculantes. À mudança de entendimento acerca de determinado tema jurídico, anteriormente pacificado, dá-se o nome de Overruling. A preparação para o Overruling recebe o nome de signaling (sinalização) – necessidade de comunicar e orientar jurisdicionados a respeito de que o precedente poderá ser revogado a qualquer momento, salvaguardando interesses das partes e de terceiros. 2. Improcedência liminar do pedido: Quando o pedido é julgado procedente, já um julgamento favorável ao autor e contra o réu. Na improcedência liminar do pedido, há um julgamento definitivo e favorável ao réu. Dispensa-se o contraditório e a citação do réu, uma vez que o juiz o substitui, dizendo o que o réu diria. A improcedência liminar do pedido é a decisão jurisdicional que, antes da citação do demandado, julga improcedente o pedido formulado pelo demandante. Trata-se de uma Thiago Coelho (@taj_studies) decisão antecipada de mérito, definitiva, apta à coisa julgada e possível objeto de ação rescisória. É, também, técnica de aceleração do processo, autorizando que se profira um julgamento favorável ao demandado sem a sua citação. Isso não implica violação ao contraditório e à ampla defesa, já que o demandado não precisa ser ouvido para sair vitorioso. São dois os pressupostos para que se possa julgar liminarmente o pedido: (I) a causa deve dispensar a fase instrutória e (II) o pedido deve encaixar-se em uma das hipóteses previstas nos incisos I a IV do art. 332 ou no § 1º do mesmo artigo. É possível a improcedência liminar do pedido parcial. Transitada em julgado a decisão que julgou liminarmente improcedente o pedido, o escrivão ou chefe de secretaria comunicará ao réu o resultado. São as seguintes hipóteses expressas de improcedência liminar do pedido: Pedido contrário a precedente obrigatório (consagrado ou não em súmula): O juiz, caso deseje superar ou distinguir a situação a ser julgada, deve fundamentar a sua decisão. Admite-se a improcedência liminar do pedido que contrariar (arts. 332 e 927, CPC): Súmula do STF (em matéria constitucional, o que inclui as súmulas vinculantes) ou STJ (matéria infraconstitucional); Acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos; Entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas; Enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local; A causa dispensa a produção de provas em audiência; Reconhecimento de prescrição ou decadência (legal) – o juiz pode examiná-las de ofício (incompatibilidade com o Código Civil – direito material). Evidente conflito ainda não solucionado: Arts. 191 e 882, CC: Permitem a renúncia da prescrição, inclusive tácita; Art. 332, CPC: Permite o reconhecimento ex officio da prescrição; Fredie Didier Jr. considera que a regra do CPC só deve ser aplicada para o reconhecimento de prescrição envolvendo direitos indisponíveis e de nenhuma forma prejudicial aos sujeitos protegidos constitucionalmente (consumidor, índio, idoso e trabalhador). Logo, se mostra defensor da autonomia privada. Em situações de manifesta improcedência (hipótese atípica), que envolvam demandas absurdas, é possível a improcedência liminar do pedido. Ex: Demanda para reconhecimento de usucapião de bem público, pedir autorização para matar alguém ou determinar declaração de guerra a país vizinho. É possível a aplicação em analogia do art. 332 por meio dos princípios da eficiência, boa-fé e duração razoável do processo. A possibilidade jurídica Thiago Coelho (@taj_studies) do pedido, não mais entendida como condição da ação, passa a ser uma hipótese de improcedência liminar do pedido. Do relator que indeferir a petição inicial caberá agravo em cinco dias para o órgão colegiado competente (Lei 13.300/16). 3. Coisa julgada: Art. 502 – NCPC: Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Art. 503 – NCPC: A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. Em face de um pedido de divórcio, nada poderá ser feito, uma vez que se trata de um direito potestativo, ou seja, que se realiza independentemente da manifestação do outro. Não há que se falar em improcedência liminar do pedido, em contraditório ou coisa julgada. A coisa julgada busca evitar a eternidade dos conflitos. Não se muda e nem discute. Para não se mudar, não se permite que se discuta. A coisa julgada pode ser: Formal: Geralmente evidenciada quanto preclusos os prazos recursais; Material: Torna imutável uma sentença de mérito; A coisa julgada possui limites objetivose subjetivos: Limites subjetivos (art. 506, CPC): A coisa julgada pode beneficiar terceiros, mas não pode prejudicar. O fato de que André reconheceu a paternidade de Renan não significa que reconheceu, também, a de Arethusa. Só se pode ter gravidade no que tange às partes do processo; Art. 506 – NCPC: A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Limites objetivos (arts. 503 e 504, CPC): O que faz coisa julgada é o dispositivo. Uma sentença que diz que A não deve alimentos a B, ainda que faça menção a não paternidade (motivo), não coloca fim na questão de que B não é filha de A, mas apenas que A não deve prestar alimentos a B (coisa julgada). Art. 504 – NCPC: Não fazem coisa julgada: I - os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; Thiago Coelho (@taj_studies) II - a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença. Se a parte requerer uma questão prejudicial (a qual invalida a relação jurídica, impedindo a produção de efeitos), analisar-se-á primeiro essa questão prejudicial, já que esta pode gerar coisa julgada para a questão principal caso reconhecida. o Ex: A ajuíza uma ação pedindo a divisão dos lucros da empresa de B, argumentando que ele é o seu sócio. B prova que jamais teve um sócio com nome de A, de modo que nunca existira relação jurídica societária entre eles. Logo, provado que A nunca foi sócio de B (questão prejudicial), forma-se coisa julgada para o pedido de divisão dos lucros da empresa (questão principal); A questão principal precisa de uma prejudicial. Deve-se assegurar, também, o contraditório prévio e efetivo para que a coisa prejudicial forme coisa julgada. Art. 503 – NCPC: § 1º O disposto no caput aplica-se à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se: I - dessa resolução depender o julgamento do mérito; II - a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia; III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal. § 2º A hipótese do § 1º não se aplica se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial. Art. 505 – NCPC: Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo: I - se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II - nos demais casos prescritos em lei. Quando a relação jurídica é de trato continuado ou quando há modificação de estado de fato ou de direito, pode-se pedir a revisão do que foi estabelecido na sentença. o Ex de relação de trato sucessivo com mudança no estado de fato ou de direito: A e B discutem judicialmente o valor de um aluguel. Depois, é gerada a possibilidade de aumento do valor do aluguel em razão da valorização da região. Destarte, Thiago Coelho (@taj_studies) poder-se-á revisar o primeiro valor pactuado. Outros exemplos são: relação de família, relação de emprego, relação de vizinhança, etc. o Ex de relação de trato sucessivo com mudança no estado de fato ou de direito: A foi condenado a pagar alimentos a B. B, posteriormente, se tornou rico, de modo que foi cessada a necessidade que tinha anteriormente. Dessa forma, a sentença poderá ser revisada, inclusive libertando A da referida obrigação. o Ex de caso previsto em lei: A atropelou B. Não é possível em primeiro momento se estipular com precisão os danos emergentes que B terá (tratamento médico, sessões de fisioterapia, equipamentos de acessibilidade...). Primeiramente, fixar- se-á uma indenização mínima, a qual poderá ser revisada depois (após B concluir as sessões de fisioterapia, por exemplo). A primeira sentença, portanto, não faz coisa julgada. O art. 949 do Código Civil trata da pensão indenizatória em virtude de lesão ou ofensa à saúde. Art. 949 – CC: No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido. Art. 507 – NCPC: É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo respeito se operou a preclusão. Vale lembrar que a preclusão pode ser lógica (prática de ato incompatível com nova discussão), temporal (decurso de tempo para manifestação) ou consumativa (a questão já foi discutida anteriormente). A preclusão, portanto, é um pré-requisito da coisa julgada. Art. 508 – NCPC: Transitada em julgado a decisão de mérito, considerar-se-ão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. SÍNTESE – CONTEÚDO AV2 – PROCESSO CIVIL II/ ANDRÉ BONELLI Pouca aplicação prática; O juiz, a qualquer tempo, pode inquirir as partes para esclarecer Thiago Coelho (@taj_studies) AUDIÊNCIAS INQUIRIÇÃO fatos da causa; Só admite a confissão expressa (e não a ficta); DE JUSTIFICAÇÃO PRÉVIA Busca esclarecer determinado fato a fim de se deferir ou não uma medida liminar; Não se confunde com o convencimento para julgar o mérito; DE SANEAMENTO Voltada para esclarecer matérias complexas de fato ou de direito; É nesta fase, por exemplo, que o juiz, aplicando a teoria da carga dinâmica, poderá inverter o ônus da prova, desde que em favor do hipossuficiente, de forma fundamentada e em respeito ao contraditório da parte prejudicada pela decisão (art. 373, § 1º, CPC); DE TENTATIVA DE CONCILIAÇÃO OU MEDIAÇÃO É dever do magistrado fomentar a solução consensual dos conflitos; A recusa da audiência de tentativa de conciliação ou mediação deve ser expressa por ambas as partes; Autor: citado na pessoa do seu advogado; Réu: citado com no mínimo de 20 dias de antecedência; Prazo para marcar: No mínimo 30 dias antes da audiência; Prazo para obtenção de um consenso: 60 + 60 dias; Não será designada a audiência quando: As partes expressamente manifestarem o desinteresse na composição consensual – o autor na inicial e o réu, por petição com 10 dias de Thiago Coelho (@taj_studies) antecedência da audiência; A causa não admita a composição legal (vide os processos de ação rescisória e de reclamação); Não comparecimento injustificado: ato atentatório à dignidade da justiça – multa de até 2% da vantagem econômica pretendida ou valor da causa em benefício da União ou do Estado (princípio da cooperação); O prazo para resposta do réu começa a correr da data da audiência; O mediador geralmente atua em casos mais complexos, onde já há um vínculo pretérito entre as partes; o conciliador intervém de forma mais efetiva e pode propor soluções; Arbitragem: O árbitro (terceiro imparcial) diz o direito no caso concreto e a sentença produz os mesmos efeitos caso fosse proferida pelo Poder Judiciário, exceto o caráter executório; DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO Exceto a prova documental, todas as provas são produzidas, descartadas ou concluídas na audiência de instrução e julgamento; Voltada para colher todas as provas das partes e realizar a oitiva de testemunhas; Finalidade: Tentar convencer o magistrado; Princípios da oralidade/imediatidade e unicidade/continuidade; Thiago Coelho (@taj_studies) Não comparecimento do advogado: o juiz pode dispensar a produção de provas pela parte; Ordem de preferência da produção de provas orais (art. 361, CPC): peritos e assistentes técnicos, autore réu, testemunhas arroladas pelo autor e réu; Contradita: Impugnação da oitiva da testemunha por parcialidade. A testemunha, antes de depor, é qualificada. Diferentemente do informante, pode ser responsabilizada criminalmente o caso de falso testemunho; Prazo para alegações finais: 20 + 10 minutos para cada parte e para o MP (quando intervir); Exceção na prática se transforma em regra: Não há debates orais – as alegações finais são feitas por escrito; PRONUNCIAMENTO DO JUIZ SENTENÇA Encerra a atividade cognitiva do magistrado; Ex: Condena ou absolve o réu; Análise total de mérito; Aptidão para formar coisa julgada; Põe fim ao processo; DECISÃO INTERLOCUTÓRIA Não encerra a atividade cognitiva do magistrado; Ex: Concessão da gratuidade da justiça; Análise parcial de mérito; Aptidão para formar coisa julgada apenas para determinado bloco do processo; Não põe fim ao processo. DESPACHO Atos não decisórios do juiz; Não geram a possibilidade de recurso; Thiago Coelho (@taj_studies) Intuito único de celeridade processual – fazer o processo andar; DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS CONCESSIVAS DE TUTELAS PROVISÓRIAS SIMPLES DE URGÊNCIA DE EVIDÊNCIA ANTECIPATÓRIAS ACAUTELATÓRIAS ANTECEDENTES/INCIDENTAIS TUTELA DE URGÊNCIA Simples: Não é uma tutela de evidência ou de urgência, mas resolve uma questão no curso do processo sem encerrá-lo; Tutela de urgência: Probabilidade do direito (verossimilhança do fato alegado + acolhimento pelo Direito) + Perigo de dano (tempo corrói o direito); Tutela de urgência antecipatória: Visa a realizar o direito, antecipando parcial ou totalmente o pedido principal ou os seus efeitos (ex: urgência de se prestar alimentos); Tutela de urgência acautelatória: Visa a assegurar o direito, prevenindo dano ou garantindo o resultado útil do processo (ex: indisponibilidade de bens para o cumprimento de sentença indenizatória); Prazo para aditamento caso deferida a tutela: 15 dias (antecipatória) e 30 dias (acautelatória); Prazo para emenda caso haja indeferimento: 5 dias; Prazo para o réu contestar o deferimento da tutela: 5 dias, sob pena de revelia; Vejamos algumas observações: A tutela antecipada só pode ser concedida caso seja provisória. Marinoni aponta que há determinadas tutelas que são tão urgentes que, embora irreversíveis, o dano é que será irreversível (irreversibilidade reversa). Nesta hipótese, deve-se conceder a tutela antecipada. Ex: Transfusão de sangue de um menor quando há discordância entre os pais por questões religiosas (tanto a transfusão quanto o dano a saúde são irreversíveis, devendo-se realizar uma ponderação); A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia; Thiago Coelho (@taj_studies) Tutela de urgência liminar: O contraditório é diferido. O que justifica a dispensa momentânea do contraditório é caso o contraditório dificulte ou impossibilite a tutela concedida. A petição da ação que visa à prestação de tutela cautelar em caráter antecedente deve: Indicar o conflito de interesses; Demonstrar a existência do direito; Demonstrar o perigo de dano/risco ao resultado útil do processo; TUTELA DE EVIDÊNCIA Busca assegurar a duração razoável do processo, não se relacionando com urgência ou necessidade; Hipóteses: Art. 311 – NCPC: A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando: I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte; II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa; IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir liminarmente. ELEMENTOS DA SENTENÇA Relatório: Resumo do caso e das partes; Fundamentos do convencimento: Análise das questões de fato e de direito; Dispositivo: Conclusão do raciocínio (condenação ou absolvição, por exemplo); FUNDAMENTAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS Dever do magistrado + princípio da cooperação; Não fundamentação = sentença nula; Não será considerada fundamentada a decisão nas hipóteses elencadas no parágrafo 1º do art. 489, CPC: I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão Thiago Coelho (@taj_studies) decidida; II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. PRECEDENTES Mitigam a autonomia dos tribunais para proferir decisões; Garantem segurança jurídica – a previsibilidade do resultado; Os tribunais, uniformizando as suas jurisprudências, deverão ser estáveis, íntegros e coerentes: as decisões proferidas possuem perenidade, integridade para com a ordem constitucional e autorreferência; Efeitos: Previsibilidade e segurança jurídica; Súmula: Materialização de um entendimento dominante acerca de determinada matéria (não significa entendimento unânime); Precedentes vinculantes restringem ainda mais a liberdade interpretativa e decisória do magistrado (art. 927, CPC): Controle concentrado de constitucionalidade (STF); Súmulas vinculantes (STF); Incidente de assunção de competência ou resolução de demandas repetitivas; Julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos (“2 RE”); Súmulas do STF (matéria constitucional) e do STJ (matéria infraconstitucional); Orientação do plenário ou do órgão especial; Ratio decidendi: Razão de decidir – razões de fato e de direito que relacionam o caso concreto ao precedente; Thiago Coelho (@taj_studies) CONCEITOS LIGADOS AOS PRECEDENTES Distinguishing: Confronto das razões de fato e de direito do precedente com o caso em exame; Obiter dictum: Observações desnecessárias e não determinantes à análise do mérito – não vinculantes (função meramente retórica = elucida os fatos); Overruling: Mudança de entendimento acerca de um tema até então pacificado; Signaling: Preparação para o Overruling – necessidade de se comunicar e orientar os jurisdicionados a respeito de que o precedente poderá ser revogado a qualquer momento (busca salvaguardar os interesses das partes e de terceiros); IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO PEDIDO A improcedência liminar do pedido é a decisão jurisdicional que, antes da citação do demandado, julga improcedente o pedido formulado pelo demandante; Trata-se, portanto, de uma análise de mérito; São dois os pressupostos para que se possa julgar liminarmente o pedido: (I) a causa deve dispensara fase instrutória e (II) o pedido deve encaixar-se em uma das hipóteses previstas nos incisos I a IV do art. 332 ou no § 1º do mesmo artigo. Desnecessária a citação do réu e não há violação do contraditório/ampla defesa, já que o demandado não precisa ser ouvido para sair vitorioso; Decisão favorável ao réu e contra o autor; Há situações de manifesta improcedência = pedidos absurdos (acréscimo doutrinário às hipóteses legais); Da decisão cabe agravo em 5 dias para o órgão colegiado competente; Art. 332 – NCPC: Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar: I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça; II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local. Busca evitar a eternidade dos conflitos; Thiago Coelho (@taj_studies) COISA JULGADA Pode ser formal (preclusão recursal) ou material (esta torna imutável uma sentença de mérito); Limites subjetivos: Se restringe às partes do processo, só podendo atingir terceiros quando beneficiá-los (só pode ter gravidade quem for parte do processo); Limites objetivos: Só o dispositivo faz coisa julgada. Não fazem coisa julgada os motivos e a verdade dos fatos; Questão prejudicial: Realizado o contraditório prévio e efeito, forma coisa julgada, podendo inclusive formar coisa julgada para a demanda principal; Exceções à rediscussão de questões da mesma lide: Relação jurídica de trato continuado + modificação no estado de fato ou de direito; Casos previstos em lei; Preclusão: Pré-requisito da coisa julgada, de modo que não se pode discutir o que já prescreveu (preclusão lógica, temporal ou consumativa); Thiago Coelho – T6A 2023.2 @taj_studies