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Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
CADERNO – DIREITO PROCESSUAL CIVIL II/ ANDRÉ BONELLI – FBDG 
 
AULA 01 – INTRODUÇÃO À TEORIA DA PROVA 
 
1. Noções gerais da disciplina: 
 
 8 pontos da prova individual e 2,0 pontos de um trabalho em grupo; 
 As provas individuais serão pautadas em problemas e as respostas devem respeitar o 
número de linhas, caso contrário não serão consideradas; 
 O conteúdo passará por Teoria da Prova, provas em espécie, audiências, jurisdição, 
decisões judiciais; 
 A primeira avaliação acontecerá 21/09; 
 As provas não apresentam perguntas específicas, mas pedem a resolução de 
problemas (como advogado, como juiz, como promotor...); 
 
 
2. Teoria da Prova – introdução: 
Advogar significa dar voz a alguém (à sociedade, ao acusado, ao Direito...), sendo as provas 
um dos instrumentos disponíveis para a defesa dos interesses do representado. 
Provas são meios de confirmação de uma narrativa. A narrativa pode ser inconscientemente 
ou conscientemente diversa da realidade, uma vez que os sujeitos têm perspectivas e 
interesses distintos. 
A verdade real é uma utopia: o que se busca é elucidar os fatos da forma mais perto possível 
de se revelar a verdade. A própria verdade é volátil. Verdade é composta por ver (enxergar) 
e dade (modo), logo, é um modo de ver. A prova, nesse cenário, é uma tentativa de 
descobrimento da verdade, é um mecanismo de trazer para os olhos do ignorante (aquele 
que não a conhece) uma verdade possível dentro do que foi dito. A verdade possível, a 
verdade a luz do Direito é revelada através das provas. 
É, também, utilizando as provas que se busca fazer justiça no caso concreto. As provas 
conseguem transportar um local e uma data para o presente, reposicionando cenários. 
A prova tem destinatário, finalidade e objeto. 
 Destinatário: Há quem diga que é o processo, mas essa visão é impessoal e 
minoritária. A doutrina majoritária entende que os destinatários das provas são os 
sujeitos do processo – partes e juiz, sendo este o destinatário principal, já que o seu 
convencimento gera um efeito impositivo. Em última análise, quem decide é o juiz; 
 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Finalidade: Convencimento das partes, mas principalmente do juiz, o qual firma um 
convencimento impositivo. O juiz é o único que impõe o seu entendimento, 
vinculando as partes. As partes podem se convencer, mas o convencimento delas não 
produzirá, necessariamente, uma alteração na conduta do outro (não há o caráter 
impositivo/o efeito vinculante que o juiz tem). Em suma, não importa se uma parte 
acredita que ganhará a demanda com uma prova se o juiz não a entende como 
suficiente; 
 
 Objeto: Transportar o fato no tempo e no espaço para o processo. Traz-se meios para 
constatar que o fato aconteceu, naquele tempo e que há nexo de causalidade entre 
autoria e o fato. Em resumo, o objeto é o fato. Vale lembrar que o fato e os 
fundamentos jurídicos do pedido são elementos obrigatórios da petição inicial. O 
fato é a narrativa coincidente com a norma (ex: o casamento + impossibilidade de se 
manter a relação conjugal) e o fundamento jurídico, a anomalia (ex: o direito 
potestativo ao divórcio). O Direito deriva presumidamente do conhecimento do juiz, 
não sendo, como regra, o objeto de prova, admitindo-se ser plausível o direito 
consuetudinário (que deriva dos costumes) excepcionalmente. O juiz não pode se 
isolar dos costumes locais, podendo pedir a prova de que o costume existe, já que é 
uma fonte do direito (ex: um contrato oral de compra de gado, independentemente 
do valor, é costume em algumas cidades do interior baiano). Em resumo, o objeto da 
prova é o fato e, como exceção, o costume; 
 
Art. 376 – NCPC: A parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou 
consuetudinário provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o juiz determinar. 
Nesse sentido, a parte precisa provar que o costume existe e que este não se encontra em 
desuso. 
 
Art. 375 – NCPC: O juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela 
observação do que ordinariamente acontece e, ainda, as regras de experiência técnica, 
ressalvado, quanto a estas, o exame pericial. 
Há regras que, para serem aplicadas no processo como prova, precisam vir reveladas na 
perícia. A título exemplificativo pode-se citar os relatórios periciais acerca de determinados 
riscos ambientais, que serão utilizados no cálculo da indenização para as vítimas. 
O juiz pode, além disso, aplicar regras que são observadas comumente por pessoas do povo. 
Há elementos que convencem diferentes da prova pericial, testemunhal ou outra espécie. 
Essas regras podem ter origem nas mais diversas áreas do saber – Biologia, Psicologia, 
Física... – e estão ao alcance de qualquer cidadão. A título exemplificativo pode-se citar 
regras de pluviometria – as águas saem da terra em direção ao mar – ou as regras biológicas 
de que a mulher menstrua e de que o período normal de gravidez é nove meses. 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Quando é exigida uma análise detalhada ou um conhecimento específico, não há 
escapatória: o perito é crucial. 
 
AULA 02 – FATOS QUE NÃO DEPENDEM DE PROVA, MÁXIMAS DE 
EXPERIÊNCIA E PRESUNÇÕES/INDÍCIOS 
 
1. Fatos que não dependem de prova: 
Art. 374 – NCPC: Não dependem de prova os fatos: 
I - notórios; 
II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; 
III - admitidos no processo como incontroversos; 
IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. 
Trata-se de um artigo mal elaborado, o que é evidenciado no inciso II. Ora, a confissão é um 
meio de prova, logo, depende de prova, existindo uma contradição para com o caput. 
Acontecimento notório é aquele que é de conhecimento da coletividade, não 
necessariamente do próprio juiz. A título exemplificativo pode-se citar que 25 de dezembro, 
no Ocidente, é Natal (é notório, também, para o juiz). Há alguns costumes locais, sobretudo 
em cidades do interior dos estados, que o juiz pode não ter conhecimento. Destarte, cabe às 
partes provar a notoriedade do fato – por vídeo, por testemunha ou por qualquer outro 
meio. Às vezes, no entanto, as partes visam a usufruir da notoriedade para se eximir da 
prova, o que não deve acontecer. 
Também não dependem de prova os fatos afirmados por uma parte e confessados pela 
parte contrária. Não se precisa de outras provas quando já se tem a confissão. Ex: José fala 
que Maria deve dez mil reais e Maria admite que está devendo dez mil reais – 
desnecessidade de outras provas. Se a confissão não foi voluntária, tem-se um vício de 
consentimento (como coação) e aquele que confessou terá que provar a causa de 
anulabilidade. Comprovado o vício de vontade, não incidirá o art. 374, II, CPC e, portanto, a 
confissão deve ser seguida de outros meios de prova. Logo, não dependem de prova os fatos 
afirmados por uma parte e confessados voluntariamente pela parte contrária. 
Art. 389 – NCPC: Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de 
fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário. 
 
O fato incontroverso é aquele não contestado pela outra parte. Não houve, nesse cenário, 
impugnação específica. Ex: A diz que B fez X, Y e Z. B diz que não fez X e Y, nada afirmando ou 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
negando sobre Z. Compreende-se Z como um fato incontroverso. Se o inciso II trata de um 
posicionamento comissivo, o inciso III retrata uma omissão. 
Por último, há fatos que a lei presume ter ocorrido de determinada maneira. Ex: A prestação 
de alimentos gravídicos do ex-cônjuge ao outro – caráter de urgência (presume-se a iminente 
necessidade). Vale lembrar que os alimentos gravídicos são aqueles devidos à mulher 
durante a gestação, a fim de garantir o saudável desenvolvimento do nascituro. 
 
2. Máximas ou regras de experiência: 
 
Art. 375 – NCPC: O juiz aplicará as regrasde experiência comum subministradas pela 
observação do que ordinariamente acontece e, ainda, as regras de experiência técnica, 
ressalvado, quanto a estas, o exame pericial. 
São regras que a pessoa comum, o senso comum, tem em seu conhecimento próprio e que 
ela, no caso de ser uma juíza ou juiz, pode utilizar para melhor compreensão de um fato. As 
regras de experiência são uma espécie de prova indireta, já que ajudam o magistrado a 
compreender outros fatos. 
Não são regras técnicas, as quais serão ditas por peritos: são extraídas do senso comum, do 
juízo de valor do homem médio. 
 
Ex: Pessoas entre si ligadas por laços de parentesco ou amizade tendem a favorecer-se 
mutuamente, o que levará o juiz a preferir, entre testemunhos conflitantes, o do estranho ao 
do amigo ou parente. 
Ex: O machismo na sociedade brasileira é presente, não somente por agressões físicas ou 
verbais, como também em danos patrimoniais. A ideia da inferioridade/possessividade da 
mulher ainda é, infelizmente, um pano de fundo para diversas ações nos dias de hoje. 
 
3. Presunção/indícios: 
A manobra de fatos periféricos para fatos principais gera indícios. 
Prova indiciária é a prova de um fato periférico que leva a crer que o fato central ocorreu. 
A prova indiciária tem uma virtude e um efeito. Muitas coisas se provam por indício (virtude 
do indício e este não pode ser ignorado), mas esse tem um risco (efeito), já que não é 
garantia de representação fidedigna da realidade (o indício pode levar o juiz ao erro). 
Entretanto, os juristas, a sociedade e o ordenamento jurídico consideram que vale a pena 
correr esse risco, sendo melhor à insuficiência probatória. 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Ex: Arethusa sofreu uma queda em uma loja e teve uma fratura. Houve uma gravação na loja 
que registrou a queda. Arethusa resolveu processar a loja pela fratura. Um vídeo é uma 
prova indiciária, já que, por si só, não pode cravar que a queda apresenta nexo de 
causalidade para com a fratura (esta pode ter sido preexistente ou superveniente à queda 
de Arethusa na loja). A prova concreta é a fratura e a prova indiciária, a queda. 
Indício vem de indir e, portanto, indica que houve um determinado fato. 
A prova indiciária não apresenta previsão no CPC, mas no Código Civil. 
Houve um tempo em que a prova indiciária servia para investigação de paternidade 
(comentários de vizinhos acerca da habitualidade da relação sexual do casal, por exemplo). 
O exame de DNA, hoje, é uma prova concreta. 
 
 
4. Apreciar prova enquanto dever do magistrado: 
A simples manifestação não é prova. A manifestação com a prova é necessária para o 
convencimento do magistrado. Destarte, a prova é um instrumento essencial para o 
exercício do contraditório – é um meio para participar e influenciar significativamente o 
magistrado. A apresentação do termo de confissão de dívida, uma prova documental, 
influencia mais em comparação à mera declaração de que há uma dívida. Assim, todos têm o 
direito de pedir a produção da prova, de participar do seu fazimento, de inclui-la nos autos e 
de que ela seja objeto de análise e observação do magistrado. 
 
É um dever do juiz se explicar, tendo em vista o princípio da fundamentação das decisões e 
de apreciar o que foi trazido pelas partes (princípios do contraditório e ampla defesa). 
 
Art. 489, § 1º - NCPC: Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela 
interlocutória, sentença ou acórdão, que: 
IV – não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, 
infirmar a conclusão adotada pelo julgador; 
É nula a decisão em que o juiz não aprecia todos os argumentos deduzidos pelas partes. Por 
trás de um argumento se tem uma prova (não é uma fala vazia). Nesse sentido, não se pode 
negligenciar provas postas no processo que são capazes de influenciar o juiz de forma 
distinta da posição que ele adotou. 
O juiz tem que analisar o fato e, por conseguinte, as provas dos fatos (art. 489, II, CPC). Em 
síntese, apreciar prova é um dever do juiz (vinculante). 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Nesse cenário, o juiz deve apresentar tudo e somente tudo (nem mais e nem menos) que 
estiver no processo. 
Art. 489 – NCPC: São elementos essenciais da sentença:; 
II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; 
 
5. Poderes instrutórios do juiz: 
O juiz pode determinar, de ofício ou caso provocado pela parte, as provas que julgar 
necessárias. O juiz pode determinar a produção de uma prova com ou sem requerimento 
das partes. O juiz tem essa plasticidade, entretanto, a determinação de modo próprio é uma 
atividade suplementar/secundária/subsidiária. Caberá, como regra, à própria parte requerer 
a produção de provas. 
Há três hipóteses em que o juiz pode, de ofício, deferir ou determinar o fazimento de uma 
prova, ou seja, em que o juiz tem o poder de decidir: 
 Disser respeito a direito indisponível; 
 Em favor do hipossuficiente (hipossuficiência não necessariamente econômica); 
 Diante do seu estado de perplexidade (dúvida/incerteza do que fazer); 
 
Art. 370 – NCPC: Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas 
necessárias ao julgamento do mérito. 
Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou 
meramente protelatórias. 
Art. 371 – NCPC: O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do 
sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu 
convencimento. 
Art. 372 – NCPC: O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, 
atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. 
Uma diligência protelatória é aquela que tem o intuito de atrasar indevidamente o caso, sem 
buscar a resolução da disputa. Tais medidas são desencorajadas e podem ser combatidas 
pelo juiz para manter a eficiência do processo (princípios da celeridade e da duração 
razoável do processo). 
 
AULA 03 – AS PROVAS ILÍCITAS E O ÔNUS PROBATÓRIO 
 
1. Poderes instrutórios do juiz (continuação): 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
O comum é que as partes são responsáveis pela produção de provas, mas em algumas 
situações, caso entenda necessário ao julgamento, independentemente de requerimento 
das partes, o juiz poderá requerer a produção de prova judicial. Trata-se de uma atuação 
subsidiária/secundária/complementar. 
Art. 370 – NCPC: Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas 
necessárias ao julgamento do mérito. 
Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou 
meramente protelatórias. 
Art. 371 – NCPC: O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do 
sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu 
convencimento. 
Art. 372 – NCPC: O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, 
atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. 
 
2. Meios de prova ilícitos: 
Art. 5º, LVI – CF: São inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. 
Há uma forma lícita e uma forma ilícita de se obter uma prova. Se uma prova é obtida de 
forma ilícita, esta é retirada do processo e imediatamente expurgada. 
Até certo tempo no processo civil, antes da Revolução Francesa, o que importava era 
descobrir e revelar a verdade, pouco importando o meio. Destarte, diversas provas foram 
obtidas através de tortura, açoites e agressões físicas. Após a Revolução Francesa, os 
sistemas judiciais passaram a compreender a existência de limites à produção de provas. 
Não se pode, desse modo, invadir a casa ou violar a correspondência de outrem a qualquer 
hora do dia ou sem ordem judicial. 
Devem ser desentranhadas do processo as provas ilícitas e as ilícitas por derivação (teoria 
dos frutos da árvore envenenada). Uma interceptaçãotelefônica, por exemplo, necessita de 
autorização judicial e, inexistindo tal, a prova é obtida por meio ilícito. 
Durante as grandes guerras, diversos massacres e extermínios contra grupos minoritários 
foram presenciados, sobretudo na Europa. A autorização judicial, em muitos casos, era 
emitida posteriormente ao contato com o objeto da prova (crânios humanos, por exemplo), 
uma tentativa de driblar a vedação à obtenção de provas ilícitas. 
Nos anos 50, o tráfico de drogas incentivou à quebra do sigilo de correspondências, já que 
era um meio de circulação das mercadorias. Há uma flexibilização na interpretação 
constitucional: prova ilícita pode ser utilizada, desde que respeitadas algumas circunstâncias: 
(I) Ser o único meio para a sua obtenção; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
(II) O resultante do valor contido na quebra do lícito ser maior ao valor protegido 
pelo ilícito; 
Trata-se de um “mal necessário”, já que dar um tempo nos conflitos compensaria as 
possíveis injustiças. Ninguém poderá discutir novamente o que transitou em julgado. 
O juiz precisa se explicar na fundamentação de suas decisões. Deve-se realizar uma 
ponderação, atentando-se aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, e 
submeter a parte à punição do cometimento do ilícito da obtenção da prova. Portanto, ainda 
que a prova ilícita seja admitida, a parte não será eximida de eventual sanção. 
 
3. Ônus da prova: 
Ônus corresponde a uma atribuição. 
No momento de julgar, o juiz analisa o art. 373 do CPC, segundo o qual o ônus da prova 
incube 
I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 
II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do 
autor. 
 
A petição inicial é obrigada a indicar o fato e os fundamentos jurídicos do pedido (teoria da 
substanciação). O fundamento fático é o que aconteceu, já o fundamento jurídico, a 
anormalidade. 
Se o ônus da prova é, como regra, do autor, já que cabe a ele provar o fato constitutivo do 
seu direito, desvia-se a atenção para a petição inicial. O autor conta a narrativa sobre a qual 
pretende deduzir uma pretensão. A narrativa, em si, é reveladora da relação jurídica base 
em exame. 
O fundamento jurídico é um fundamento ilícito (alguém que requer um divórcio por sofrer 
agressões constantes do cônjuge). 
Uma defesa meramente negativa mantém-se no autor o encargo probatório (“não fiz isso”). 
Se o réu alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito de autor, livra o autor do 
ônus e traz para si o peso do ônus da prova. 
 Fato impeditivo: É aquele cuja existência obsta que o fato constituído produza os 
seus efeitos. Se relaciona com os pressupostos de validade do negócio jurídico 
(objeto lícito, possível, determinado ou determinável, forma prescrita ou não defesa 
em lei). Ex: Vícios de vontade que maculam o negócio jurídico (erro, dolo, coação, 
estado de perigo, lesão); 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Fato modificativo: Altera a relação jurídica qualitativa ou quantitativamente, sem 
extingui-la. Ex: Alegar que a quantia requerida pelo autor é mais elevada em 
comparação ao pactuado; 
 Fato extintivo: Encerra/extingue por completo o direito que o autor está requerendo. 
Ex: Adimplemento, prescrição, decadência, morte...; 
 
Defesa direta se dá quando o réu nega a pretensão do autor; defesa indireta é aquela 
pautada na existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 
O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) inseriu a inversão do ônus da prova como 
um dos direitos do consumidor. Tal inversão do ônus probatório pode ser apreciada em 
concreto pelo Judiciário (quando há verossimilhança da alegação ou hipossuficiência – ope 
judicis) ou decorrer de determinação legal (o ônus relacionado à veracidade e correção da 
propaganda incumbe a quem a patrocina – ope legis). 
 
Emerge a compatibilidade entre o CDC e parágrafo 1º do art. 373 do CPC. 
Art. 373, § 1º - NCPC: Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa 
relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos 
do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir 
o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que 
deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. 
Diante de situações específicas da causa, existindo uma onerosidade excessiva da produção 
de prova, o juiz pode inverter o ônus da prova, desde que de forma fundamentada, ou seja, 
desde que se explique e admita o contraditório à parte prejudicada pela decisão (aquela que 
não tinha o ônus a priori e passou a ter). Buscou o legislador permitir ao juiz atuar com 
discricionariedade na interpretação de conceitos jurídicos indeterminados, reconhecendo a 
ineficiência do caput em determinados contextos. 
Hipossuficiente é aquele que possui dificuldade em apresentar provas em juízo. Quando o 
juiz verificar a hipossuficiência no caso concreto, aplica o parágrafo acima e avisa à parte 
prejudicada pela decisão. Impugnada a decisão, o juiz julga a impugnação, podendo manter 
a decisão ou reformá-la. Caso reforme, retorna-se o disposto no caput. 
 
Art. 373 – NCPC: 
§ 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a 
desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. 
§ 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das 
partes, salvo quando: 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
I - recair sobre direito indisponível da parte; 
II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. 
§ 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. 
As partes podem convencionar, antes ou durante o processo, por meio de negócio jurídico 
da prova, a quem incumbe o ônus da prova, desde que o objeto seja direitos disponíveis e 
não se crie uma prova impossível de ser feita (“prova diabólica” = nula). 
 
4. O dever de prova: 
É possível fazer prova contra si mesmo. Provar é um dever, uma norma imperativa de ordem 
legal, uma vez que todos devem contribuir para esclarecer a verdade. Entretanto, o dever de 
provar encontra limites: o direito de não produzir prova contra si mesmo. Ser possível não 
implica em um dever ser. 
Art. 378 – NCPC: Ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder Judiciário para o 
descobrimento da verdade. 
Art. 379 – NCPC: Preservado o direito de não produzir prova contra si própria, incumbe à 
parte: 
I - comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for interrogado; 
II - colaborar com o juízo na realização de inspeção judicial que for considerada necessária; 
III - praticar o ato que lhe for determinado. 
Nas relações jurídicas de consequência criminal vige o princípio da vedação à 
autoincriminação. 
Mentir em juízo pode caracterizar crime de obstrução à justiça (crime contra a 
administração da justiça), uma vez que todos têm o dever de colaborar com a justiça, 
admitida a excepcionalidade de não produzir provas contra si mesmo. 
Litiga de má-fé aquele que sabe, de antemão, que a sua pretensão não condiz com a 
realidade. 
 
Art. 77 – NCPC: Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus 
procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo: 
I - expor os fatos em juízo conforme a verdade; 
II - não formular pretensão ou de apresentar defesa quando cientes de que são destituídas 
de fundamento; 
III - não produzir provas e não praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou à 
defesa do direito; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
IV - cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não 
criar embaraços à sua efetivação; 
V - declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos autos, o endereço residencial 
ou profissionalonde receberão intimações, atualizando essa informação sempre que ocorrer 
qualquer modificação temporária ou definitiva; 
VI - não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito litigioso. 
VII - informar e manter atualizados seus dados cadastrais perante os órgãos do Poder 
Judiciário e, no caso do § 6º do art. 246 deste Código, da Administração Tributária, para 
recebimento de citações e intimações. (Incluído pela Lei nº 14.195, de 2021) 
O art. 77 contém um rol exemplificativo dos deveres das partes. 
 
AULA 04 – LINGUAGEM JURÍDICA ABRINDO MULTIPORTAS, PROVAS 
EMPRESTADAS E PROVAS ANTECIPADAS 
 
1. Linguagem jurídica abrindo multiportas (conteúdo extra – guia para as respostas da 
avaliação e para a atividade profissional): 
 
Muitas vezes, os termos técnicos dificultam a compreensão do conteúdo jurídico e a melhor 
aplicação do Direito. O excesso de formalidades é, constantemente, um desafio. 
Vejamos alguns conceitos importantes, de plena aplicação prática. 
Estilo é a forma como alguém expressa um pensamento. A forma inadequada prejudica o 
pensamento que há na mensagem. Estilo é como escrevemos; é a roupa do texto. Voltaire: 
“Quando sempre o que se diz é menos impactante do que como se diz”. Como se diz é 
impactante, sendo essencial pensar nisso. Porém, o estilo deve ser um condutor 
transparente do pensamento de quem escreve para quem lê – a forma desaparece e o 
conteúdo é colocado no segundo plano (evitar efeitos, explicitando o conteúdo e não o 
camuflando). A forma de escrever a mensagem não pode ser um obstáculo à compreensão 
do pensamento. 
 
Concisão é a escrita de forma eficiente, expressando apenas palavras necessárias para a 
comunicação da mensagem – excluindo palavras, adjetivos e advérbios inúteis (não 
necessariamente precisa ser uma escrita curta). 
Devemos ser afirmativos (“nunca se esqueça disso: cigarro mata” é mais assertivo em 
comparação à “como dito alhures, cigarro é um risco para a saúde”). 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14195.htm#art44
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Contrarrazões são as razões apresentadas contrárias ao recurso, com a finalidade de 
concordar com a decisão proferida pela instância anterior (“puxar o saco da sentença”). 
Escrita sucinta é resumir o texto, sem que isso implique em obscurecer de informações. É ser 
breve, conciso e objetivo, ao mesmo tempo em que se diz tudo o que deve ser dito. 
 
A lacônia trata-se da escrita de conotação negativa, uma vez incompleta, onde lhe faltam 
informações essenciais. Conciso não é ser lacônico. Lacônico é não dizer o que deveria ser 
dito. Deve-se dizer tudo o que precisa ser dito, mas só o que precisa ser dito. 
Precisão e clareza são características que se complementam no texto. Precisão é se 
comunicar de forma exata; clareza, de modo que o texto seja compreendido com facilidade 
e sem ambiguidades. 
A não ser que seja um tema pouco conhecido/recente (como as SAF’s) e para um juiz 
generalista, como regra, não é cabível apresentar conceitos jurídicos ao magistrado. Não é 
necessário, por exemplo, conceituar alimentos para um juiz de família e danos para um juiz 
cível. 
Vigor no texto é escrever de forma vigorosa, fazer o texto persuasivo para chamar a atenção 
do leitor, mas apenas no tópico que for essencial a ênfase (é assertividade para argumentar 
e defender a tese). Escrever de forma vigorosa é escolher o tema que é importante para ser 
falado. Vigor não pode se confundir com arrogância na escrita. A ênfase não se obtém com 
um “é imperioso ressaltar que cigarro mata” – menos enfático em comparação a “cigarro 
mata” (mais certeza e incisividade no que está sendo contemplado). 
 
Estrutura: Devemos procurar construir frases preferencialmente curtas com mensagens 
diretas, evitando a anástrofe/hipérbato, que é a inversão da ordem natural das palavras ou 
de uma oração ou período que resulta em dificuldade para o entendimento da mensagem: 
“nas margens tranquilas do rio Ipiranga, se ouviu o grito de um povo heroico”. A linguagem 
poética não se confunde, portanto, com o dizer jurídico. 
Coesão e voz: Devemos escrever para nossos leitores como gostaríamos que eles 
escrevessem para nós – ter empatia na escrita é fundamental. Percebe-se, pois, o papel de 
se trazer coesão para o texto a partir de uma compreensão de que as letras se conectam 
para formar uma palavra; as palavras para formar uma frase; as frases para compor um 
parágrafo; os parágrafos para compor o texto; e o texto para compor a mensagem. 
Revisão: Escrever é reescrever. A escrita fácil leva à leitura difícil. Ler e reler o que 
escrevemos, se possível em momentos distintos, é crucial. Caso alguém possa ler, um olhar 
externo é sempre bem vindo. 
“Um pedreiro, um cirurgião ou um vaqueiro precisa apenas saber 
realizar a sua tarefa; ele não precisa explicar a ninguém o que está 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
fazendo nem convencer de que está certo. Para o jurista, porém, não 
é suficiente saber a resposta certa, pois seu conhecimento só tem 
utilidade se ele puder fundamentá-lo e explicá-lo a outros” – Antonio 
Gidi. Isso se constata uma vez que a ferramenta dos operadores do 
Direito é a linguagem, ou seja, a palavra e o exercício da advocacia 
repercutem significativamente na vida das pessoas. 
 
A escrita fácil é a escrita descompromissada, a qual tende a implicar em uma leitura difícil. 
Encaremos, portanto, a escrita com seriedade. 
 
2. Provas emprestadas (continuação do conteúdo): 
As provas emprestadas eram atípicas no CPC/73. O Novo Código de Processo Civil trouxe 
expressamente a permissão para a utilização de provas produzidas em outro processo. 
Provas atípicas são aquelas que não estão expressamente previstas na legislação processual, 
mas podem, caso pertinentes, ser apreciadas pelo juiz. Os indícios são um exemplo de 
provas atípicas, assim como as declarações de terceiros, perícias extrajudiciais, 
comportamento das partes e notícias da mídia. 
 
Art. 372 – NCPC: O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, 
atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. 
A percepção de um juiz acerca de uma determinada prova não vincula o outro magistrado, o 
qual pode ratificar ou divergir da interpretação inicialmente dada, desde que fundamente a 
sua decisão. 
 
A prova documental se faz no mesmo momento em que a inicial é ajuizada ou se protocoliza 
a contestação pelo réu. 
Art. 320 – NCPC: A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à 
propositura da ação. 
Art. 435 – NCPC: É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, 
quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-
los aos que foram produzidos nos autos. 
Parágrafo único. Admite-se também a juntada posterior de documentos formados após a 
petição inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou 
disponíveis após esses atos, cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a 
impediu de juntá-los anteriormente e incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a 
conduta da parte de acordo com o art. 5º . 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art5
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Não se pode pegar um documento tardiamente com o intuito de prejudicar a duração 
razoável do processo. As partes podem juntar a qualquer tempo documentos novos aos 
autos, desde que atuem com boa-fé e demonstrem o motivo que impediu de juntar 
anteriormente. Caso possível a juntada anterior ou caso a parte aja de má-fé, o juiz 
indeferirá a juntada de documentos novos aos autos do processo. 
 
3. A produção antecipada de prova: 
É possível produzir uma prova antes do processo, nas circunstâncias expressas no art. 381 do 
CPC: 
Art. 381 – NCPC: A produção antecipada da prova será admitida nos casosem que: 
I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de 
certos fatos na pendência da ação; 
II - a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro meio 
adequado de solução de conflito; 
III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de ação. 
 
Art. 382 – NCPC: Na petição, o requerente apresentará as razões que justificam a 
necessidade de antecipação da prova e mencionará com precisão os fatos sobre os quais a 
prova há de recair. 
§ 1º O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados na 
produção da prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso. 
§ 2º O juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as 
respectivas consequências jurídicas. 
§ 3º Os interessados poderão requerer a produção de qualquer prova no mesmo 
procedimento, desde que relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção conjunta 
acarretar excessiva demora. 
§ 4º Neste procedimento, não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que 
indeferir totalmente a produção da prova pleiteada pelo requerente originário. 
O requerente deve apresentar as razões que justificam a necessidade de antecipação de 
prova, mencionando, de forma precisa, os fatos relacionados à prova. 
Não se pode requerer fatos diversos em uma mesma prova. Uma prova = um fato. Todavia, 
caso haja um eventual comprometimento à duração razoável do processo, é possível a 
produção de prova para fatos distintos. 
Ademais, como regra, não se admitirá defesa ou recurso neste procedimento, sem que isso 
implique em uma violação à ampla defesa e ao contraditório, já que ainda não há processo. 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 
Para a próxima aula: Meios de prova e provas em espécie. 
 
AULA 05 – INTRODUÇÃO A PROVAS EM ESPÉCIE 
 
1. Provas em espécie: 
 
 Depoimentos: 
André Bonelli critica essa nomenclatura, uma vez que a prova testemunhal também é um 
depoimento. O mais correto seria depoimento da parte. 
Depoimento pessoal é o meio de prova que todos sonham: o adversário é a prova do que se 
alega contra ele. Trata-se do depoimento que a parte produz em seu desfavor e em favor do 
oponente. Ademais, é um caminho para a obtenção da confissão. 
Art. 385 – NCPC: Cabe à parte requerer o depoimento pessoal da outra parte, a fim de que 
esta seja interrogada na audiência de instrução e julgamento, sem prejuízo do poder do juiz 
de ordená-lo de ofício. 
§ 1º Se a parte, pessoalmente intimada para prestar depoimento pessoal e advertida da 
pena de confesso, não comparecer ou, comparecendo, se recusar a depor, o juiz aplicar-lhe-
á a pena. 
§ 2º É vedado a quem ainda não depôs assistir ao interrogatório da outra parte. 
§ 3º O depoimento pessoal da parte que residir em comarca, seção ou subseção judiciária 
diversa daquela onde tramita o processo poderá ser colhido por meio de videoconferência 
ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, o que 
poderá ocorrer, inclusive, durante a realização da audiência de instrução e julgamento. 
O mandado de intimação para comparecer a audiência de instrução e julgamento deve 
conter expressamente o dever de depor, sob pena de confissão no caso do não 
comparecimento. A parte não pode deixar de ir, uma vez que isso seria catastrófico. 
Vejamos as espécies de confissão decorrentes do depoimento pessoal: 
 Confissão real: O mandado de intimação deve conter expressamente a consequência 
grave da confissão. Intima-se a parte e ela, expressamente, confirma a tese da outra 
parte; 
 Confissão ficta: A pessoa é intimada, mas não concorda expressamente a tese do 
oponente, seja pelo não comparecimento, seja pelo silêncio, seja pelo emprego de 
evasivas (argumentos vagos dados a uma pergunta que não se pretende responder); 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Art. 386 – NCPC: Quando a parte, sem motivo justificado, deixar de responder ao que lhe for 
perguntado ou empregar evasivas, o juiz, apreciando as demais circunstâncias e os 
elementos de prova, declarará, na sentença, se houve recusa de depor. 
 
O art. 139, no seu inciso VIII, afirma que é dever do magistrado determinar o 
comparecimento pessoal das partes à audiência de inquirição, sem que isso implique em 
confissão. A finalidade da audiência de inquirição é interrogar sobre os fatos relacionados ao 
caso, obtendo o juiz, desse modo, informações diretamente das partes. Nesta audiência, o 
não comparecimento, o silêncio ou o uso de evasivas não implica em confissão. Pode-se 
produzir confissão, desde que a parte faça isso expressamente (a confissão deve ser 
expressa). 
Art. 139, VIII – NCPC: O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, 
incumbindo-lhe: 
determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, para inquiri-las sobre 
os fatos da causa, hipótese em que não incidirá a pena de confesso; 
 
Art. 387 – NCPC: A parte responderá pessoalmente sobre os fatos articulados, não podendo 
servir-se de escritos anteriormente preparados, permitindo-lhe o juiz, todavia, a consulta a 
notas breves, desde que objetivem completar esclarecimentos. 
Art. 388 – NCPC: A parte não é obrigada a depor sobre fatos: 
I - criminosos ou torpes que lhe forem imputados; 
II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo; 
III - acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de seu 
companheiro ou de parente em grau sucessível; 
IV - que coloquem em perigo a vida do depoente ou das pessoas referidas no inciso III. 
Parágrafo único. Esta disposição não se aplica às ações de estado e de família. 
 
 Confissão: 
A confissão pode ser própria ou delegada, judicial ou extrajudicial, real ou ficta. 
A confissão não vale para direitos indisponíveis, já que não se tem a autoridade de dispor 
sobre determinadas faculdades. 
Art. 389 – NCPC: Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de 
fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário. 
Art. 390 – NCPC: A confissão judicial pode ser espontânea ou provocada. 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
§ 1º A confissão espontânea pode ser feita pela própria parte ou por representante com 
poder especial. 
§ 2º A confissão provocada constará do termo de depoimento pessoal. 
Art. 391 – NCPC: A confissão judicial faz prova contra o confitente, não prejudicando, 
todavia, os litisconsortes. 
Parágrafo único. Nas ações que versarem sobre bens imóveis ou direitos reais sobre imóveis 
alheios, a confissão de um cônjuge ou companheiro não valerá sem a do outro, salvo se o 
regime de casamento for o de separação absoluta de bens. 
Art. 392 – NCPC: Não vale como confissão a admissão, em juízo, de fatos relativos a direitos 
indisponíveis. 
§ 1º A confissão será ineficaz se feita por quem não for capaz de dispor do direito a que se 
referem os fatos confessados. 
§ 2º A confissão feita por um representante somente é eficaz nos limites em que este pode 
vincular o representado. 
O art. 392 apresenta as hipóteses em que a confissão é inválida. No caput, há menção aos 
direitos indisponíveis (como o direito de alimentos, os quais são irrenunciáveis e incedíveis). 
 
 Prova testemunhal: 
É admissível, desde que a lei não discipline de modo diverso. 
O exercício do direito do divórcio só pode ocorrer caso unido à prova documental 
Art. 442 – NCPC: A prova testemunhal é sempre admissível, não dispondo a lei de modo 
diverso. 
Art. 443 – NCPC: O juiz indeferirá a inquirição de testemunhas sobre fatos: 
I - já provados por documento ou confissão da parte; 
II - que só por documento ou por exame pericial puderem ser provados. 
Há testemunhas suspeitas, há testemunhas impedidas e há testemunhas incapazes de 
depor. 
Não podem depor as pessoas elencadas no art. 447. 
Art. 447 – NCPC: Podem deporcomo testemunhas todas as pessoas, exceto as incapazes, 
impedidas ou suspeitas. 
§ 1º São incapazes: 
I - o interdito por enfermidade ou deficiência mental; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
II - o que, acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que 
ocorreram os fatos, não podia discerni-los, ou, ao tempo em que deve depor, não está 
habilitado a transmitir as percepções; 
III - o que tiver menos de 16 (dezesseis) anos; 
IV - o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhes faltam. 
Uma pessoa com hanseníase (lepra) não pode alegar que sentiu por meio do tato se, no 
atual momento, perdeu tal função de forma permanente. 
O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15) contradiz o CPC no art. 80. 
Art. 80 – EPD: Devem ser oferecidos todos os recursos de tecnologia assistiva disponíveis 
para que a pessoa com deficiência tenha garantido o acesso à justiça, sempre que figure em 
um dos polos da ação ou atue como testemunha, partícipe da lide posta em juízo, advogado, 
defensor público, magistrado ou membro do Ministério Público. 
Destarte, a pessoa com deficiência, a princípio, é absolutamente capaz, tendo o direito de 
usufruir de meios que atendam às suas demandas. Há, desse modo, formas de assistir o PCD, 
não podendo-o eliminar de imediato com base em uma incapacidade abstrata (ex: pessoa 
com esquizofrenia). Há pessoas que apresentam a capacidade de falar por estímulos e 
também por meio das mais diversas tecnologias. Em suma, o art. 447 do CPC deve ser 
interpretado a luz do art. 80 do EPD. 
Nesse sentido, os requisitos presentes no art. 447 são relativos/relativizáveis, ou seja, não 
podem ser tidos como absolutos. 
§ 2º São impedidos: 
I - o cônjuge, o companheiro, o ascendente e o descendente em qualquer grau e o colateral, 
até o terceiro grau, de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo se o 
exigir o interesse público ou, tratando-se de causa relativa ao estado da pessoa, não se 
puder obter de outro modo a prova que o juiz repute necessária ao julgamento do mérito; 
II - o que é parte na causa; 
III - o que intervém em nome de uma parte, como o tutor, o representante legal da pessoa 
jurídica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes. 
§ 3º São suspeitos: 
I - o inimigo da parte ou o seu amigo íntimo; 
II - o que tiver interesse no litígio. 
§ 4º Sendo necessário, pode o juiz admitir o depoimento das testemunhas menores, 
impedidas ou suspeitas. 
§ 5º Os depoimentos referidos no § 4º serão prestados independentemente de 
compromisso, e o juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer. 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Se, por exemplo, um menor foi o único a presenciar uma violência doméstica, ele pode ser 
ouvido, desde que assistido/representado e que as perguntas sejam feitas de forma de fácil 
compreensão (art. 447, § 2º, I c/c § 4º, CPC). 
As hipóteses de suspeição apresentam cunho subjetivo e são mais difíceis de serem 
provadas em comparação aos impedimentos (objetivos). 
 
 
AULA 06 – PROVAS EM ESPÉCIE (CONTINUAÇÃO) 
 
1. A prova pericial: 
Art. 464 – NCPC: A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. 
§ 1º O juiz indeferirá a perícia quando: 
I - a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; 
II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas; 
III - a verificação for impraticável. 
O oponente da perícia é o tempo. É uma prova parcialmente praticável e parcialmente 
impraticável. 
Como o submarino da Titan implodiu, a perícia seria impraticável e, portanto, indeferida. 
Nas ações civis públicas e ações coletivas, há uma co-legitimidade, sendo o MP mais um 
fiscal da ordem jurídica. 
 
Art. 465 – NCPC: O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de 
imediato o prazo para a entrega do laudo. 
§ 1º Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação do despacho de 
nomeação do perito: 
I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; 
II - indicar assistente técnico; 
III - apresentar quesitos. 
Feita a indicação do especialista, as partes tem 15 dias para arguir impedimento ou 
suspeição do perito, uma vez que é um sujeito imparcial. Como um sujeito imparcial, está 
sujeito às regras de suspeição e impedimento do juízo. 
O assistente técnico é um assistente da parte e, portanto, parcial. Não é, desse modo, 
atingido pela declaração de suspeição ou impedimento do perito. 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
O prazo acima mencionado é impróprio. Caso se perca o prazo, o descumprimento não irá 
gerar tanto impacto ao processo, podendo ser flexibilizado/ampliado. 
As partes envolvidas em um processo judicial podem apresentar quesitos, ou seja, solicitar 
ao juiz para que este faça perguntas específicas ao perito, a fim de se tomar uma decisão 
mais especializada. O perito pode respondê-las no próprio laudo ou em uma audiência de 
instrução e julgamento marcada pelo juiz. 
Os quesitos podem ser: 
 Explicativos: Visa a esclarecer determinadas respostas; 
 Elucidativos: Solicita mais fundamentos para a conclusão; 
 Técnicos: Perguntas especificas sobre questões técnicas ou científicas; 
 
Art. 464 – NCPC: 
§ 3º Se ainda houver necessidade de esclarecimentos, a parte requererá ao juiz que mande 
intimar o perito ou o assistente técnico a comparecer à audiência de instrução e julgamento, 
formulando, desde logo, as perguntas, sob forma de quesitos. 
§ 4º O perito ou o assistente técnico será intimado por meio eletrônico, com pelo menos 10 
(dez) dias de antecedência da audiência. 
 
Art. 468 – NCPC: O perito pode ser substituído quando: 
I - faltar-lhe conhecimento técnico ou científico; 
II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado. 
§ 1º No caso previsto no inciso II, o juiz comunicará a ocorrência à corporação profissional 
respectiva, podendo, ainda, impor multa ao perito, fixada tendo em vista o valor da causa e 
o possível prejuízo decorrente do atraso no processo. 
§ 2º O perito substituído restituirá, no prazo de 15 (quinze) dias, os valores recebidos pelo 
trabalho não realizado, sob pena de ficar impedido de atuar como perito judicial pelo prazo 
de 5 (cinco) anos. 
§ 3º Não ocorrendo a restituição voluntária de que trata o § 2º, a parte que tiver realizado o 
adiantamento dos honorários poderá promover execução contra o perito, na forma dos arts. 
513 e seguintes deste Código , com fundamento na decisão que determinar a devolução do 
numerário. 
A perícia pode ser repetida com o mesmo perito ou com outro, desde que haja fundamento. 
Às vezes o sujeito até tem conhecimento, mas fez um laudo muito raso, o qual pouco auxilia 
no processo. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art513
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art513
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Caso o perito não arque com o seu dever, poderá sofrer sanções, como ser substituído do 
processo. Ademais, o parágrafo 2º visa a coibir o enriquecimento ilícito. 
 
Art. 473 – NCPC: O laudo pericial deverá conter: 
I - a exposição do objeto da perícia; 
II - a análise técnica ou científica realizada pelo perito; 
III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser 
predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou; 
IV - resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão 
do Ministério Público. 
§ 1º No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem simples e com 
coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões. 
§ 2º É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como emitir opiniões 
pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia. 
Um laudo pode englobar mais de uma área do conhecimento, tendo, portanto, conteúdointerdisciplinar. Um lado sobre acidente de trabalho traz informações da engenharia do 
trabalho (proteção do ambiente – constatação de EPI’s, por exemplo) e da medicina do 
trabalho (proteções biológicas). Um laudo sobre estupro e trauma tende a conter o ponto de 
vista da ginecologista (se houve o estupro) e psicólogo (o impacto, a dor). 
O parágrafo 2º do art. 473 preza pela imparcialidade do perito. 
São poderes do perito os expressos no parágrafo 3º do art. 473 do NCPC. 
§ 3º Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos podem valer-se de 
todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando 
documentos que estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas, bem 
como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros 
elementos necessários ao esclarecimento do objeto da perícia. 
 
Feito tudo isso, o juiz tem a liberdade para a apreciação do laudo, fundamentando a sua 
decisão pela adoção ou não de determinada prova (neste caso, a prova pericial). 
Art. 479 – NCPC: O juiz apreciará a prova pericial de acordo com o disposto no art. 371 , 
indicando na sentença os motivos que o levaram a considerar ou a deixar de considerar as 
conclusões do laudo, levando em conta o método utilizado pelo perito. 
Art. 371 – NCPC: O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do 
sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu 
convencimento. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art371
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 
2. A inspeção: 
Art. 481 – NCPC: O juiz, de ofício ou a requerimento da parte, pode, em qualquer fase do 
processo, inspecionar pessoas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre fato que interesse à 
decisão da causa. 
Art. 482 – NCPC: Ao realizar a inspeção, o juiz poderá ser assistido por um ou mais peritos. 
Art. 483 – NCPC: O juiz irá ao local onde se encontre a pessoa ou a coisa quando: 
I - julgar necessário para a melhor verificação ou interpretação dos fatos que deva observar; 
II - a coisa não puder ser apresentada em juízo sem consideráveis despesas ou graves 
dificuldades; 
III - determinar a reconstituição dos fatos. 
Parágrafo único. As partes têm sempre direito a assistir à inspeção, prestando 
esclarecimentos e fazendo observações que considerem de interesse para a causa. 
Art. 484 – NCPC: Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto circunstanciado, 
mencionando nele tudo quanto for útil ao julgamento da causa. 
Parágrafo único. O auto poderá ser instruído com desenho, gráfico ou fotografia. 
A inspeção judicial se dá quando o juiz visita um local relevante para o caso em prol de obter 
informações adicionais ou esclarecer questões em disputa no processo. 
A inspeção é absolutamente publicizada, sob pena de configurar parcialidade caso sigilosa. 
Pode-se fazer uma inspeção, por exemplo, para deferir uma liminar. 
A inspeção deve ser comunicada aos interessados e pode ser realizada juntamente com a 
presença de um assistente ou perito. 
O juiz – e só ele – pode fazer a inspeção. Trata-se, portanto, de uma prova personalíssima. 
 
OBS: Na próxima aula será aplicada a AV1. Preza-se por respostas objetivas e não será 
permitida consulta. 
 
 
 
 
 
 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
EXTRA: SÍNTESE – CONTEÚDO AV1 (PROCESSO CIVIL II)/ ANDRÉ BONELLI 
PROVA – IDEIAS INICIAIS  Conceito: Prova é um meio para que se possa obter a 
verdade possível dentro do que foi apresentado; 
 Destinatário: Processo (minoritário) + partes e juiz 
(majoritário), principalmente o juiz, uma vez que este 
é que decidirá de forma imperativa, impondo a sua 
interpretação e vinculando às partes; 
 Finalidade: Convencimento das partes e do juiz, 
principalmente deste, já que decidirá de forma 
imperativa e vinculante; 
 Objeto: Como regra, o fato e, excepcionalmente, o 
costume; 
FATOS QUE NÃO 
DEPENDEM DE PROVA 
 Notórios: De conhecimento de todos; 
 Afirmados por uma parte e confessados pela parte 
contrária (ação); 
 Incontroversos: Não impugnados pela parte 
(omissão); 
 Aqueles presumidos por lei, como, por exemplo, a 
necessidade iminente da prestação de alimentos 
gravídicos; 
MÁXIMAS DE EXPERIÊNCIA  Experiência comum: possível de aplicação pelo juiz 
(biológica, geológica, física, cultural); 
 Experiência técnica: necessidade de perito; 
 A parte que alegar costume local deve provar a 
existência e a vigência – que o costume existe e que 
não está em desuso; 
PRESUNÇÕES E INDÍCIOS  A prova indiciária é a prova de um fato periférico que 
leva a crer que o fato central ocorreu; 
 Não tem previsão no CPC, mas no CC; 
PODERES INSTRUTÓRIOS 
DO JUIZ 
 O juiz deve apreciar tudo e somente tudo o que 
estiver no processo, respeitados o livre 
convencimento motivado, a fundamentação das 
decisões judiciais, a ampla defesa e o contraditório; 
 É nula a decisão em que o juiz não aprecia todos os 
argumentos trazidos pelas partes; 
 Apreciar a prova é um dever do juiz; 
 O juiz pode determinar a produção de provas, de 
ofício (exceção/ atuação subsidiária/secundária/ 
complementar) ou provocado pela parte (regra); 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 O juiz pode, de ofício, deferir ou determinar o 
fazimento de uma prova em três hipóteses: 
 Disser respeito a direito indisponível; 
 Em favor do hipossuficiente; 
 Diante do seu estado de perplexidade 
(dúvida/incerteza do que fazer); 
 O juiz indeferirá as diligências inúteis ou meramente 
protelatórias (estas são as que visam atrasar o 
processo), desde que fundamente a sua decisão 
(princípios da celeridade e duração razoável do 
processo); 
AS PROVAS ILÍCITAS  Como regra, as provas ilícitas e as ilícitas por 
derivação são inadmissíveis no processo (teoria dos 
frutos da árvore envenenada); 
 Sem eximir a parte da responsabilidade pela 
produção, admite-se a produção de provas ilícitas 
quando: 
 For o único meio de prova possível; 
 O resultante do valor contido na quebra do 
lícito ser maior ao valor protegido pelo ilícito 
(“mal necessário”); 
ÔNUS DA PROVA  Como regra, compete ao autor; 
 Ao réu, quanto à existência de fato impeditivo (vícios 
de vontade, por exemplo), modificativo (diferentes 
circunstâncias, por ex.) ou extintivo (prescrição, por 
ex.) do direito do autor; 
 A alegação de falsidade, compete a quem arguir; 
 A impugnação da autenticidade, à parte que produziu 
o documento; 
 Permitida a inversão do ônus da prova, desde que: 
 Demonstrada a hipossuficiência em concreto 
(a dificuldade de se produzir provas em juízo); 
 Respeitado o contraditório da parte 
prejudicada; 
 Fundamentada a decisão judicial; 
 As partes podem convencionar antes ou durante o 
processo, por meio de negócio jurídico processual, 
sobre o ônus da prova, desde que: 
 O objeto da prova seja direitos disponíveis; 
 Não se crie uma prova impossível de ser feita 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
(“prova diabólica” = nula); 
 Defesa direta (o réu nega a pretensão do autor) x 
defesa indireta (alega a existência de fato impeditivo, 
modificativo ou extintivo do direito do autor); 
O DEVER DE PROVA  A parte pode produzir prova contra si mesma, mas 
não é obrigada; 
 A parte deve: 
 Comparecer em juízo; 
 Colaborar com o juízo na realização de 
inspeção judicial; 
 Praticar ato que lhe for determinado; 
PROVAS EMPRESTADAS  São admitidas no processo civil, mas não vinculam o 
magistrado, o qual deverá fundamentar a decisão de 
acatar ou não aquela prova; 
 O juiz atribuirá o valor que julgar adequado; 
 As partes podem juntar documentos novos a qualquer 
tempo, caso: 
 Atuem com boa-fé; 
 Demonstrem o motivo que impediu de juntar 
anteriormente; 
PRODUÇÃO ANTECIPADA 
DA PROVA 
 Não precisa respeitar o contraditório, já que antecede 
o processo; 
 Não se admitirá recurso, pelamesma razão; 
 Possível quando: 
 Haja fundado receio de que seja 
extremamente difícil ou impossível produzi-la 
no curso do processo; 
 Possa viabilizar a autocomposição ou outro 
meio adequado de solução de conflito; 
 Possa justificar ou evitar o ajuizamento da 
ação; 
 Como regra a prova antecipada só será dedicada a um 
fato específico. 
Exceção: Caso haja o comprometimento à duração 
razoável do processo, pode-se produzir uma prova 
para fatos distintos; 
DEPOIMENTOS  Depoimento pessoal é o meio de prova que todos 
sonham. É o depoimento que a parte produz em seu 
desfavor em favor do oponente; 
 O mandado de intimação para comparecer a 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
audiência de instrução e julgamento deve conter 
expressamente o dever de depor, sob pena de 
confissão no caso do não comparecimento (confissão 
ficta); 
 Não se admite a confissão ficta na audiência de 
inquirição; 
CONFISSÃO  Confissão real: expressa; 
 Confissão ficta: decorrente do não comparecimento a 
prestar depoimento, silêncio ou evasivas (respostas 
que fogem da pergunta); 
 Pode ser própria ou delegada (feita por 
representante/assistente); 
 Pode ser judicial ou extrajudicial; 
 Não vale para direitos indisponíveis; 
 Precisa ser voluntária (sem vício de vontade); 
 Não se permite a confissão: 
 A feita sobre direitos indisponíveis (inválida); 
 A feita por quem não tenha legitimidade 
(ineficaz); 
 Caso o representante extrapole os limites da 
sua competência (ineficaz); 
TESTEMUNHAS  Admissível, desde que a lei não discipline de modo 
diverso; 
 Não será deferida a prova testemunhal sobre fatos: 
 Já provados por documento ou confissão de 
parte; 
 Que só por documento ou por exame pericial 
puderem ser provados; 
 Impedidos: Parentes próximos, quem é parte na 
causa, quem intervém em nome de uma parte; 
 Suspeitos: Inimigo ou amigo íntimo + quem tem 
interesse no litígio; 
 Consoante o Estatuto da Pessoa com Deficiência, as 
pessoas com deficiência são plenamente capazes e 
podem testemunhar, necessitando de recursos 
compatíveis com as suas condições (um surdo não 
pode dizer que ouviu, mas pode dizer o que viu; assim 
como um cego, o que ouviu, etc); 
 O menor pode ser ouvido, desde que representado ou 
assistido (caso tenha sido, por exemplo, o único a 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
presenciar uma violência doméstica); 
PERÍCIA  Será admitida quando depender de conhecimento 
específico, for necessária e for praticável; 
 As partes têm 15 dias, contados da intimação do 
despacho de nomeação do perito, para: 
 Arguir impedimento ou suspeição do perito, o qual 
é um sujeito imparcial; 
 Indicar assistente técnico; 
 Apresentar quesitos (questionamentos 
explicativos, elucidativos ou técnicos); 
 
 O perito pode ser substituído quando faltar-lhe 
conhecimento técnico ou científico ou deixar de 
cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado; 
 A perícia pode ser repetida com o mesmo perito ou 
com outro, desde que haja fundamento; 
 Caso não tenha cumprido com o encargo assumido, 
deverá devolver os valores recebidos pelo trabalho 
não realizado, sob pena de ficar impedido de atuar 
como perito judicial por 5 anos; 
 O laudo pericial deverá conter: 
 A exposição do objeto da perícia; 
 A análise técnica ou científica realizada pelo 
perito; 
 A indicação de método utilizado; 
 A resposta conclusiva a todos os quesitos 
apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo MP; 
INSPEÇÃO  Se dá quando o juiz visita um local relevante para o 
caso em prol de obter informações adicionais ou 
esclarecer questões em disputa no processo; 
 É publicizada e personalíssima; 
 
 
Thiago Coelho – T6A 2023.2 
@taj_studies 
 
 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 
AULA 07 – AUDIÊNCIAS 
 
1. Audiência de inquirição 
É uma audiência de pouca aplicação prática, tendo em vista a duração razoável do processo. 
Dificilmente o juiz opta por ouvir as partes dizerem o que escreveram nos documentos, por 
exemplo. Entretanto, é possível, a qualquer tempo, o juiz inquirir as partes a fim de que 
esclareçam determinados aspectos. 
Art. 139 – NCPC: O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, 
incumbindo-lhe: 
VIII - determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, para inquiri-las 
sobre os fatos da causa, hipótese em que não incidirá a pena de confesso; 
 
2. Audiência de justificação prévia: 
Art. 300 – NCPC: A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que 
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do 
processo. 
§ 1 o Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir caução real 
ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer, podendo 
a caução ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não puder oferecê-la. 
§ 2º A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia. 
§ 3º A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver perigo 
de irreversibilidade dos efeitos da decisão. 
A decisão liminar é aquela que não se ouve as partes, apenas analisando o que foi pedido. 
A audiência de justificação prévia é uma audiência cuja finalidade é esclarecer determinado 
fato para que seja ou não deferida uma medida liminar. Não se confunde com o 
convencimento para julgar o mérito, mas examina um fato para compreender a eficácia da 
liminar. 
 
3. Audiência de saneamento: 
Art. 357, § 3º - NCPC: Se a causa apresentar complexidade em matéria de fato ou de direito, 
deverá o juiz designar audiência para que o saneamento seja feito em cooperação com as 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
partes, oportunidade em que o juiz, se for o caso, convidará as partes a integrar ou 
esclarecer suas alegações. 
(Grifos nossos) 
A audiência de saneamento é voltada para esclarecer matérias complexas de fato ou de 
direito. A título exemplificativo pode-se citar a audiência de saneamento a fim de se 
constatar odores característicos de determinadas substâncias (óleo diesel em uma pista, por 
exemplo). 
É na audiência de saneamento, por exemplo, que o juiz pode inverter o ônus da prova (art. 
373, § 1º, CPC), em favor do hipossuficiente e desde que de forma fundamentada e em 
respeito ao contraditório da parte prejudicada, sob pena de nulidade. 
 
4. Audiência de conciliação ou de mediação: 
Respeito é olhar integralmente, considerar o sujeito como o todo. 
Art. 334 – NCPC: Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de 
improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação 
com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado o réu com pelo menos 20 
(vinte) dias de antecedência. 
§ 1º O conciliador ou mediador, onde houver, atuará necessariamente na audiência de 
conciliação ou de mediação, observando o disposto neste Código, bem como as disposições 
da lei de organização judiciária. 
§ 2º Poderá haver mais de uma sessão destinada à conciliação e à mediação, não podendo 
exceder a 2 (dois) meses da data de realização da primeira sessão, desde que necessárias à 
composição das partes. 
§ 3º A intimação do autor para a audiência será feita na pessoa de seu advogado. 
§ 4º A audiência não será realizada: 
I - se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na composição 
consensual; 
II - quando não se admitir a autocomposição. 
§ 5º O autor deverá indicar, na petição inicial, seu desinteresse na autocomposição, e o réu 
deverá fazê-lo, por petição, apresentada com 10 (dez) dias de antecedência, contados da 
data da audiência. 
§ 6º Havendo litisconsórcio, o desinteresse na realização da audiência deve ser manifestado 
por todos os litisconsortes. 
§ 7º A audiência de conciliação ou de mediação pode realizar-se por meio eletrônico, nos 
termos da lei.Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
§ 8º O não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência de conciliação é 
considerado ato atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com multa de até dois 
por cento da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da 
União ou do Estado. 
§ 9º As partes devem estar acompanhadas por seus advogados ou defensores públicos. 
§ 10. A parte poderá constituir representante, por meio de procuração específica, com 
poderes para negociar e transigir. 
§ 11. A autocomposição obtida será reduzida a termo e homologada por sentença. 
§ 12. A pauta das audiências de conciliação ou de mediação será organizada de modo a 
respeitar o intervalo mínimo de 20 (vinte) minutos entre o início de uma e o início da 
seguinte. 
Art. 3º - NCPC: Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. 
§ 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. 
§ 2º O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos. 
§ 3º A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão 
ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério 
Público, inclusive no curso do processo judicial. 
Com exceção da arbitragem, não se pode excluir da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão 
a direito, sob pena de comprometer o acesso à justiça. 
Não sendo o caso de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do 
pedido, o juiz determinará a citação do réu e designará audiência de conciliação ou 
mediação. 
O réu deve ser citado com no mínimo 20 dias de antecedência em relação à data da 
audiência. Na carta, será intimado para comparecer acompanhado do seu advogado ou 
defensor público, com menção do dia, da hora e do lugar do comparecimento. 
O lugar não necessariamente precisa estar associado ao órgão jurisdicional (flexibilidade), 
podendo ser realizada por meio eletrônico ou presencialmente. 
A intimação do autor para a audiência será feita na pessoa de seu advogado. 
A mediação se distingue da conciliação por se materializar "nos casos em que houver vínculo 
anterior entre as partes". 
Prazo de conclusão para a obtenção de um consenso: 60 dias, salvo prorrogação por acordo 
das partes (revogação dos 2 meses expressos no CPC – prazo em dia só leva em 
consideração dia útil). Desse modo, o prazo é de 60 + 60 dias*. 
*Prorrogação. 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
A audiência deve ser conduzida por conciliador ou mediador e em caráter excepcional 
poderá ser conduzida pelo juiz. 
Não será designada a audiência: 
 Caso as partes manifestem, expressamente, o desinteresse na composição 
consensual (o autor na petição inicial; o réu por petição apresentada com dez dias de 
antecedência em relação à data da audiência); 
 No processo em que não se admita a autocomposição (exceção legal), tais como os 
processos de ação rescisória e de reclamação; 
O silêncio implica no consentimento para participar da audiência de conciliação ou 
mediação. A recusa deve ser expressa. 
Fazer acordo não é uma obrigação, mas comparecer à audiência é um dever. O não 
comparecimento injustificado implica em ato atentatório à dignidade da justiça e será 
sancionado com multa de até 2% da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa, 
revertida em favor da União ou do Estado (princípio da cooperação). 
A parte poderá constituir representante (qualquer pessoa capaz) para que este atue na 
audiência (mitigação do dever das partes de comparecer à audiência) A sua atuação 
restringe-se à negociação e à assinatura do acordo, se for o caso. Não há necessidade de 
vínculo empregatício para o representante de pessoa jurídica. 
A autocomposição será homologada pelo juiz e o processo será extinto com resolução de 
mérito. Caso não se chegue a um acordo (autocomposição), o prazo para resposta do réu 
começa a correr da data da audiência. 
A conciliação e a mediação são alternativas eficazes para resolver conflitos para além do 
Judiciário e da arbitragem, ainda mais levando-se em consideração a morosidade existente 
no nosso país. É importante a distinção entre mediador e conciliador. 
 
MEDIADOR CONCILIADOR ÁRBITRO 
Intervém em casos mais 
complexos, nos quais as 
partes, geralmente, já 
apresentam um histórico de 
disputas (vínculo pretérito). 
Mediador é, portanto, para 
conflitos velhos. 
Atua visando a fomentar a 
empatia entre as partes. 
Intervém em conflitos jovens e 
instantâneos. 
Participação mais efetiva e 
pode sugerir soluções. 
Nada obsta que, ainda que seja 
um conflito recente, o juiz 
considere mais plausível a 
mediação. 
Terceiro imparcial que vai 
dizer o direito no caso 
concreto, sem a 
necessidade de 
apreciação da matéria 
pelo Poder Judiciário. 
A sentença arbitral 
produz os mesmos 
efeitos dos órgãos do 
Poder Judiciário; sendo 
condenatória, constitui 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
título executivo. 
 
 
AULA 08 – AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO 
 
1. Audiência de instrução e julgamento: 
Sucede a audiência de conciliação ou mediação. 
Exceto a prova documental, todas as provas são produzidas, descartadas ou concluídas na 
audiência de instrução e julgamento. 
Trata-se de uma audiência voltada para colher todas as provas das partes e todos os 
depoimentos das testemunhas, juntamente com as provas orais, a fim de tentar convencer o 
julgador. Ela é feita através de uma sessão pública e é comandada por um juiz. 
Art. 358 – NCPC: No dia e na hora designados, o juiz declarará aberta a audiência de 
instrução e julgamento e mandará apregoar as partes e os respectivos advogados, bem 
como outras pessoas que dela devam participar. 
Art. 359 – NCPC: Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente 
do emprego anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a 
mediação e a arbitragem. 
Na audiência em exame, o juiz tentará conduzir a uma solução consensual do conflito, ainda 
que fracassada tentativa prévia. 
Art. 360 – NCPC: O juiz exerce o poder de polícia, incumbindo-lhe: 
I - manter a ordem e o decoro na audiência; 
II - ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem 
inconvenientemente; 
III - requisitar, quando necessário, força policial; 
IV - tratar com urbanidade as partes, os advogados, os membros do Ministério Público e da 
Defensoria Pública e qualquer pessoa que participe do processo; 
V - registrar em ata, com exatidão, todos os requerimentos apresentados em audiência. 
Tratar as partes com urbanidade é um dever do magistrado, todavia, na prática, algumas 
atitudes desagradáveis destoam dessa obrigação. 
 
A audiência de instrução e julgamento está pautada em dois princípios: 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Oralidade/imediatidade: As partes se manifestam oralmente; 
 Unicidade/continuidade: Como um ato voltado para a oralidade e imediatidade, bem 
como para a extração da prova oral (seja pelo depoimento, seja pela testemunha), tal 
ato é condensado em um só momento, a fim de valorizar a espontaneidade; 
Art. 365 – NCPC: A audiência é una e contínua, podendo ser excepcional e justificadamente 
cindida na ausência de perito ou de testemunha, desde que haja concordância das partes. 
Parágrafo único. Diante da impossibilidade de realização da instrução, do debate e do 
julgamento no mesmo dia, o juiz marcará seu prosseguimento para a data mais próxima 
possível, em pauta preferencial. 
Quando a audiência é designada, ela precisa ter seus pressupostos atendidos. Ela precisa ser 
a única sessão. O CPC diz que as testemunhas devem ser arroladas, mas, na audiência, o art. 
361 afirma que a oitiva dos peritos e assistentes técnicos é a primeira a ser feita. 
Art. 361 – NCPC: As provas orais serão produzidas em audiência, ouvindo-se nesta ordem, 
preferencialmente: 
I - o perito e os assistentes técnicos, que responderão aos quesitos de esclarecimentosrequeridos no prazo e na forma do art. 477 , caso não respondidos anteriormente por 
escrito; 
O perito e os assistentes técnicos responderão a eventuais quesitos (questionamentos 
explicativos, elucidativos ou técnicos). 
II - o autor e, em seguida, o réu, que prestarão depoimentos pessoais; 
Depoimento pessoal é um caminho para a confissão (logo, o sujeito irá depor sobre fatos 
contrários aos seus interesses – não se pode realizar o depoimento pessoal para defender 
interesse próprio). Se o sujeito não comparecer à audiência de instrução e julgamento, usar 
evasivas ou ficar em silêncio sobre questões que deveria se manifestar haverá confissão 
ficta. Presume-se, desse modo, a veracidade dos fatos alegados pela parte contrária. 
Diferencia-se da audiência de inquirição, já que nesta a confissão deve vir expressa. 
III - as testemunhas arroladas pelo autor e pelo réu, que serão inquiridas. 
Parágrafo único. Enquanto depuserem o perito, os assistentes técnicos, as partes e as 
testemunhas, não poderão os advogados e o Ministério Público intervir ou apartear, sem 
licença do juiz. 
 
O avanço das tecnologias mitigou a máxima de que uma testemunha não pode ouvir o que a 
outra disse caso ainda não tenha sido ouvida, embora haja disciplina no CPC a esse respeito. 
O art. 361, portanto, demonstra a ordem de preferência das provas produzidas em 
audiência. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art477
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
A audiência poderá ser adiada nas hipóteses elencadas no art. 362: 
Art. 362 – NCPC: A audiência poderá ser adiada: 
I - por convenção das partes; 
II - se não puder comparecer, por motivo justificado, qualquer pessoa que dela deva 
necessariamente participar; 
III - por atraso injustificado de seu início em tempo superior a 30 (trinta) minutos do horário 
marcado. 
§ 1º O impedimento deverá ser comprovado até a abertura da audiência, e, não o sendo, o 
juiz procederá à instrução. 
§ 2º O juiz poderá dispensar a produção das provas requeridas pela parte cujo advogado ou 
defensor público não tenha comparecido à audiência, aplicando-se a mesma regra ao 
Ministério Público. 
§ 3º Quem der causa ao adiamento responderá pelas despesas acrescidas. 
“Por motivo justificado” abre margem de discricionariedade para o magistrado valorar o que 
seria ou não causa plausível de adiamento. O exame é casuístico (parto, por exemplo, é um 
motivo justificado). 
Se o advogado não compareceu à audiência, o juiz poderá dispensar a produção de provas 
pela parte. 
Quem der causa ao adiamento responderá pelas despesas acrescidas. 
A contradita é a impugnação da oitiva da testemunha por parcialidade (impedimento ou 
suspeição) ou incapacidade. Antes de a testemunha depor, ela é qualificada. Se a 
testemunha nega o que foi alegado – incapacidade, suspeição ou impedimento –, a parte 
poderá produzir prova para sustentar o que alegou. 
Diferentemente do informante, a testemunha poderá ser responsabilizada criminalmente. 
Se uma testemunha afirma que não possui relação de parentesco com o réu e, ao realizar o 
exame da carteira de identidade, constata que ambos são filhos do mesmo pai e da mesma 
mãe, há flagrante de crime (ocultou o fato de que eram irmãos). Em um caso concreto, a 
autoridade policial foi chamada e o indivíduo preso. Não se sabe o que aconteceu 
posteriormente, mas é provável que um Habeas Corpus tenha sido impetrado. 
 
Art. 364 – NCPC: Finda a instrução, o juiz dará a palavra ao advogado do autor e do réu, bem 
como ao membro do Ministério Público, se for o caso de sua intervenção, sucessivamente, 
pelo prazo de 20 (vinte) minutos para cada um, prorrogável por 10 (dez) minutos, a critério 
do juiz. 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
§ 1º Havendo litisconsorte ou terceiro interveniente, o prazo, que formará com o da 
prorrogação um só todo, dividir-se-á entre os do mesmo grupo, se não convencionarem de 
modo diverso. 
§ 2º Quando a causa apresentar questões complexas de fato ou de direito, o debate oral 
poderá ser substituído por razões finais escritas, que serão apresentadas pelo autor e pelo 
réu, bem como pelo Ministério Público, se for o caso de sua intervenção, em prazos 
sucessivos de 15 (quinze) dias, assegurada vista dos autos. 
O prazo para os advogados das partes e o MP se manifestarem após a instrução, ou seja, 
para as alegações finais, é de 20 minutos + 10 minutos, a critério do juiz. 
A audiência de instrução e julgamento privilegia a fala (vide as características da oralidade e 
imediatidade). O art. 364 do CPC abre a palavra para os advogados se manifestem nas razões 
finais. 
A regra, consoante o CPC, é que, concluída a audiência, as partes possam falar um pouco 
conclusivamente (cada advogado apresenta o ponto de vista). Na prática, o que é regra se 
transforma em exceção: não se faz debates orais depois da audiência, sendo feitas as razões 
finais de forma escrita (art. 364, § 2º, CPC). Os prazos serão sucessivos de 15 dias entre 
autor, réu e MP. 
 
2. Pronunciamento do juiz: 
 
Art. 203 – NCPC: Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões 
interlocutórias e despachos. 
§ 1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o 
pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487 , põe fim à 
fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução. 
§ 2º Decisão interlocutória é todo pronunciamento judicial de natureza decisória que não se 
enquadre no § 1º. 
§ 3º São despachos todos os demais pronunciamentos do juiz praticados no processo, de 
ofício ou a requerimento da parte. 
§ 4º Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória, independem de 
despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando 
necessário. 
Art. 204 – NCPC: Acórdão é o julgamento colegiado proferido pelos tribunais. 
Acórdão é uma sentença do 2º grau. 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art485
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art487
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Art. 205 – NCPC: Os despachos, as decisões, as sentenças e os acórdãos serão redigidos, 
datados e assinados pelos juízes. 
§ 1º Quando os pronunciamentos previstos no caput forem proferidos oralmente, o servidor 
os documentará, submetendo-os aos juízes para revisão e assinatura. 
§ 2º A assinatura dos juízes, em todos os graus de jurisdição, pode ser feita eletronicamente, 
na forma da lei. 
§ 3º Os despachos, as decisões interlocutórias, o dispositivo das sentenças e a ementa dos 
acórdãos serão publicados no Diário de Justiça Eletrônico. 
 
 Despachos: 
 Atos não decisórios do juiz; 
 Como não é decisão, não cabe recurso; 
 Não exige uma construção elaborada de uma solução que busca modificar, 
extinguir ou construir relações jurídicas; 
 Visa apenas ao andar do processo – fazer movimentar o processo; 
 
 Decisão interlocutória: 
 Pode ser tanto o interlocus do primeiro grau quanto do segundo grau; 
 Todo ato decisório que não se confunde com sentença; 
 Ex: Deferimento ou indeferimento do pedido de justiça gratuita ou de penhora 
de bens; 
 Como regra, não encerra a atividade cognitiva, mas resolve Direito Material; 
 Provisória e no curso do processo, não pondo fim a este; 
 Trata-se de uma decisão parcial do mérito do processo. Todavia, julga em 
definitivo um determinado bloco do processo e para este é definitivo, 
encerrando, para este, a atividade cognitiva; 
 
SENTENÇA DECISÃO INTERLOCUTÓRIA 
Encerra a atividade cognitiva do magistrado. 
Ex: Condena ou absolve o réu. 
Análise total de mérito. 
Não encerra a atividade cognitiva do 
magistrado. 
Ex: Concessão da gratuidade da justiça. 
Análise parcial de mérito. 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Aptidão para formar coisa julgada. 
Põe fim ao processo. 
Aptidãopara formar coisa julgada apenas 
para determinado bloco do processo. 
Não põe fim ao processo. 
 
 
AULA 09 – TUTELAS 
 
1. As decisões interlocutórias: 
As decisões interlocutórias são consideradas decisões interlocutórias simples e decisões 
interlocutórias concessivas de tutelas provisórias. 
No que tange às decisões interlocutórias concessivas de tutelas provisórias, essas podem ser 
de urgência e de evidência. As tutelas de urgência podem ser antecipatórias ou 
acautelatórias. Sendo antecipatórias ou acautelatórias, podem ser antecedentes ou 
incidentais. 
DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS 
CONCESSIVAS DE TUTELAS PROVISÓRIAS SIMPLES 
DE URGÊNCIA DE EVIDÊNCIA 
ANTECIPATÓRIAS ACAUTELATÓRIAS 
ANTECEDENTES/INCIDENTAIS 
 
A decisão interlocutória simples não é propriamente uma tutela de evidência ou de urgência, 
mas resolve uma questão no curso do processo sem encerrá-lo. As decisões interlocutórias 
simples são objetos de agravo de instrumento. 
Art. 1.015 – CC: Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que 
versarem sobre: 
I - tutelas provisórias; 
II - mérito do processo; 
III - rejeição da alegação de convenção de arbitragem; 
IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica; 
V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação; 
VI - exibição ou posse de documento ou coisa; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
VII - exclusão de litisconsorte; 
VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio; 
IX - admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros; 
X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução; 
XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1º ; 
XII - (VETADO); 
XIII - outros casos expressamente referidos em lei. 
Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias 
proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo 
de execução e no processo de inventário. 
 
2. A tutela de urgência: 
Art. 294 – NCPC: A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência. 
Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida 
em caráter antecedente ou incidental. 
Fumus boni juris (fumaça do bom direito) é o que a lei chama de probabilidade do direito. 
Com a redemocratização do Direito, explode-se a quantidade de demandas no Judiciário a 
fim da salvaguarda de direitos. 
A tutela provisória de urgência pode ter caráter acautelatório ou antecipatório, bem como 
ser antecedente ou incidental. 
 
Vejamos, inicialmente, os elementos da tutela de urgência, independentemente da sua 
natureza. 
Art. 300 – NCPC: A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que 
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do 
processo. 
Pode-se dar uma decisão considerando uma situação urgente. O passar do tempo (a 
demora) pode ser um elemento destruidor de direitos. Basta, portanto, que haja receio de 
dano, de difícil reparação ou até irreparável. 
 
PRESSUPOSTOS DA TUTELA DE URGÊNCIA = FUMUS BONI JURIS + PERICULUM IN MORA 
Ou, em uma linguagem mais simples, 
PRESSUPOSTOS DA TUTELA DE URGÊNCIA = PROBABILIDADE DO DIREITO + PERIGO DE DANO 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art373%C2%A71
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 
Compõem a probabilidade do direito: 
 Verossimilhança do fato alegado: Meios indicativos de aproximação com a realidade; 
 
 Acolhimento pelo sistema jurídico protetivo daquele fato verossímil: É como um fato 
verossímil é desenhado em abstrato na norma jurídica. 
 
o Ex: A ajuíza uma ação de alimentos em face de B. Há indicativos de que A é 
hipossuficiente economicamente (trabalhadora doméstica) e B é muito rico, 
recentemente flagrado viajando para a Europa; além disso ambos possuem o 
mesmo sobrenome (verossimilhança dos pressupostos da ação de alimentos). 
Necessidade, capacidade e a relação de filiação (afetiva ou consanguínea) são os 
pressupostos da prestação de alimentos (acolhimento pelo sistema jurídico 
protetivo do fato). Conceder-se-á a tutela. 
Pode ser que um fato seja verossímil, mas que não seja protegido pelo Direito. 
o Ex: A ganhou uma aposta, devendo B pagar-lhe R$ 12M. Todavia, B não paga. A 
não tem como cobrar dívida de jogo de B, ainda que verossímil o fato; 
 
o Ex: A engravidou B, mas logo depois se separou. B passou a viver com C, o qual 
disse que assumiria o filho. Pouco tempos depois B e C se separaram, de modo 
que o pai não teve nenhuma convivência com a criança. Logo, C não possui 
nenhum vínculo biológico ou socioafetivo para com a criança, não devendo 
prestar alimentos; 
É necessário, analisando o artigo supratranscrito, que se demonstre que o fato é verossímil, 
acolhido pelo direito e que o tempo corrói tal direito – esta (ação do tempo) ilustra o perigo 
de dano. 
O perigo pode gerar um ilícito (violação da norma), um dano ou um ilícito com dano. Essa 
distinção é importante, uma vez que, conforme já visto na graduação, o ilícito não é 
pressuposto da responsabilidade civil (pode ocorrer responsabilidade civil em atos lícitos). 
Há um risco, portanto, que é a mitigação ou a perda do direito. O tempo é, pois, um 
elemento nocivo, podendo resultar na perda do direito. 
 
3. Tutela de urgência antecipatória x Tutela de urgência acautelatória: 
Quando se pede na inicial ou no curso do processo uma tutela de urgência fala-se em tutela 
antecipatória, a qual incide na própria ação de alimentos. Deve-se demonstrar a 
probabilidade do direito e o risco de demora. Antecipa-se a sentença, ou seja, o objeto do 
direito material pretendido para o presente. 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Com uma ação de alimentos, por exemplo, pede-se alimentos. A sentença de alimentos deve 
trazer para o presente, antecipando-se o bem material que ter-se-ia no futuro. A criança 
pode falecer ou ter um comprometimento significativo à saúde, de modo que é imperiosa o 
quanto antes a prestação de alimentos. 
Quando o processo chegar ao fim, o processo deverá ser útil. O risco ao resultado útil do 
processo pode ser compreendido por meio do seguinte exemplo: 
o Ex: Paula assume que tem uma dívida de R$ 10.000,00 com André, mas deseja 
pagar quando bem entender. Mesmo após a sentença favorável a André, Paula 
não deseja pagar. Além disso, Paula dilapida o patrimônio por meio da venda de 
bens. O processo foi inútil. André pode pedir a indisponibilidade de determinados 
bens de Paula, como um veículo que ela havia posto em venda. Daí se tem uma 
tutela acautelatória. Colocado o carro em leilão, André poderá usufruir da sua 
parte. Deve-se salvaguardar, portanto, a utilidade do processo. 
 
A tutela acautelatória tem como finalidade conservar, assegurar o direito, prevenindo dano 
ou garantindo o resultado útil do processo. A tutela antecipada, por outro lado, visa a 
realizar o direito, antecipando parcial ou totalmente o próprio pedido principal ou os seus 
efeitos. 
TUTELA ACAUTELATÓRIA TUTELA ANTECIPATÓRIA 
Visa a assegurar o direito, prevenindo dano 
ou garantindo o resultado útil do processo. 
Visa a realizar o direito, antecipando parcial 
ou totalmente o pedido principal ou os seus 
efeitos. 
 
 
4. Reversibilidade e contraditório: 
Pode-se pedir uma tutela de urgência antes do processo, na inicial ou ao longo do processo. 
Art. 932 – NCPC: Incumbe ao relator: 
II - apreciar o pedido de tutela provisória nos recursos e nos processos de competência 
originária do tribunal; 
 
Se ocorrer um novo fato que constitua, modifique ou venha a extinguir direitos, proceder-se-
á também a análise desta. 
o Ex: No curso de uma ação de alimentos, o pai começa a realizar violência 
psicológica contra a mãe. Propor-se-á uma ação de bullying e que a sentença 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
confirme a antecipaçãopara que jamais o pai envie mensagens de cunho 
semelhante. 
Art. 300, § 3º - NCPC: A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida 
quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão. 
A tutela antecipada só poderá ser concedida caso seja provisória. Marinoni aponta que há 
determinadas tutelas que são tão urgentes que, embora irreversíveis, o dano é que será 
irreversível (irreversibilidade reversa). Nesta hipótese, deve-se conceder a tutela antecipada. 
o Ex: Transfusão de sangue de um menor quando há discordância entre os pais por 
questões religiosas. Um dos cônjuges alega perigo de vida, de modo que o 
descendente não sobrevirá sem a transfusão (tanto o dano à saúde quanto a 
transfusão são irreversíveis, devendo-se realizar uma ponderação em concreto – 
neste caso, é plausível a concessão da tutela antecipada). 
 
Art. 300, § 2º - NCPC: A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após 
justificação prévia. 
A tutela de urgência pode ser concedida em uma relação linear, ou seja, liminarmente. Há 
um debate polêmico – como se decide contra uma parte sem ouvi-la? Isso é permitido 
quando se torna difícil a concessão com a prévia oitiva. 
O que justifica a dispensa momentânea do contraditório é caso o contraditório dificulte ou 
impossibilite a tutela concedida. 
o Ex: Transfusão de sangue de um menor quando há discordância entre os pais por 
questões religiosas. Um dos cônjuges alega perigo de vida, de modo que o 
descendente não sobrevirá sem a transfusão. Há o risco de que o cônjuge que é 
testemunha de jeová fuja com a criança, daí a possibilidade de uma liminar 
(decisão interlocutória sem ouvir a outra parte). 
O exercício do contraditório pode ser: 
 Diferido: Geralmente em situações de urgência, como na produção da prova de 
exame de corpo de delito ainda na fase investigativa. Fala-se em contraditório 
diferido quando há urgência/necessidade; 
 Postergado: Pode não ter uma justificativa clara (razões estratégicas ou de 
conveniência). Muitas vezes não há a urgência/necessidade; 
 
5. Demais observações: 
Art. 303 – NCPC: Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da ação, a 
petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
de tutela final, com a exposição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano 
ou do risco ao resultado útil do processo. 
 
o Ex: Direito Médico – se não internar, o paciente morre. Quando a urgência for 
presente (do agora), pode-se limitar à internação e a validade do contrato, com a 
exposição do conflito. Concedida a tutela, a criança é internada. O plano de saúde 
não só negou a intubação. Nesse sentido, deve-se complementar a inicial com os 
outros serviços negados (sessões de fisioterapia, por exemplo). 
Se a parte não recorrer, há a estabilização da demanda (“coisa julgada”). No exemplo 
anterior, seria o silêncio do plano de saúde. 
 
§ 1º Concedida a tutela antecipada a que se refere o caput deste artigo: 
I - o autor deverá aditar a petição inicial, com a complementação de sua argumentação, a 
juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de tutela final, em 15 (quinze) dias 
ou em outro prazo maior que o juiz fixar; 
II - o réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de mediação na forma 
do art. 334 ; 
III - não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na forma do art. 
335 . 
§ 2º Não realizado o aditamento a que se refere o inciso I do § 1º deste artigo, o processo 
será extinto sem resolução do mérito. 
§ 3º O aditamento a que se refere o inciso I do § 1º deste artigo dar-se-á nos mesmos autos, 
sem incidência de novas custas processuais. 
§ 4º Na petição inicial a que se refere o caput deste artigo, o autor terá de indicar o valor da 
causa, que deve levar em consideração o pedido de tutela final. 
§ 5º O autor indicará na petição inicial, ainda, que pretende valer-se do benefício previsto 
no caput deste artigo. 
§ 6º Caso entenda que não há elementos para a concessão de tutela antecipada, o órgão 
jurisdicional determinará a emenda da petição inicial em até 5 (cinco) dias, sob pena de ser 
indeferida e de o processo ser extinto sem resolução de mérito. 
(Grifos nossos) 
Art. 305 – NCPC: A petição inicial da ação que visa à prestação de tutela cautelar em caráter 
antecedente indicará a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito que se 
objetiva assegurar e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art334
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art335
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art335
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Deve-se indicar, portanto, o conflito de interesses, bem como fundamentar a sua 
argumentação, demonstrando a existência do direito e o perigo de dano/resultado útil ao 
processo. A título exemplificativo, pode-se propor uma ação acautelatória de arrolamento 
(estabelecer um rol dos bens) para posteriormente pedir o divórcio e a partilha. 
 
AULA 10 – TUTELA DE EVIDÊNCIA E FUNDAMENTAÇÃO DAS DECISÕES 
 
1. A tutela de evidência: 
A tutela de evidência pode ser concedida liminarmente ou ouvindo-se a parte contrária. 
Depois de o réu estar nos autos, não pode ser concedida liminarmente. 
A tutela de evidência busca assegurar a duração razoável do processo, não se relacionando 
com urgência ou necessidade. Dispensa, por conseguinte, a demonstração do risco de dano 
irreparável/de difícil reparação ou ao resultado útil do processo. 
Art. 311 – NCPC: A tutela da evidência será concedida, independentemente da 
demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando: 
I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da 
parte; 
O propósito protelatório é aquele que apresenta o fim exclusivo de atrasar o processo. As 
hipóteses trazidas no inciso I visam a coibir o agir de má-fé. 
o Exemplo de abuso de direito: Alegação manifestamente infundada, com base em 
tese absurda é uma das formas de exercício anormal do direito de defesa no qual o 
réu utiliza seu direito de contraditório e ampla defesa de forma desvirtuada; 
o Exemplo de manifesto propósito protelatório: Intimar testemunhas desnecessárias 
em outras localidades ou no exterior, insistir em diligências desnecessárias ou 
interpor embargos protelatórios; 
II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese 
firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; 
Há dois elementos associados: alegações comprovadas apenas por documentos e houver 
tese firmada em julgamento de casos repetitivos/súmula vinculante. 
Assim, juiz poderá decidir liminarmente, quão logo tomar conhecimento do pedido de 
tutela. Nesse contexto, o direito já está suficientemente evidenciado pelas alegações iniciais 
do autor em seu pedido tutelar. 
III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do 
contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, 
sob cominação de multa; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Pedido reipersecutório é aquele que reivindica/persegue algum bem. Depositário infiel é 
aquele que não é fiel, ou seja, aquele que age de má-fé – o que era motivo de prisão 
consoante previsão originária na CF/88, derrubada pela Súmula Vinculante 25. Em 1992, o 
Brasil fez a ratificação de vários tratados sobre direitos humanos, entre eles o Pacto de San 
Jose da Costa Rica (o qual afirmava o direito do depositário infiel de não ser preso). No 
Brasil, tal prisão é matéria do Código Civil (prisão meramente coercitiva – quitada a dívida, a 
pessoa é solta). Em 2003, entra em vigor o CC/02 e, com isso, passa-se a prever a prisãodo 
depositário infiel. Daí, a súmula vinculante 25 emerge: “é ilícita a prisão civil de depositário 
infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito”. Atualmente, só há prisão civil no caso 
do descumprimento de prestação de alimentos, ante a urgência da obrigação. 
IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do 
direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. 
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir liminarmente. 
Na hipótese do inciso IV, o réu, ao contestar, não consegue gerar dúvida razoável de que a 
prova documental é insuficiente (inválida/não autenticada...), de tal sorte que acaba se 
presumindo a veracidade da prova juntada pelo autor. 
O parágrafo único reafirma o que já foi dito (exceções aos princípios do contraditório e da 
ampla defesa). 
 
2. Elementos da sentença: 
Art. 489 – NCPC: São elementos essenciais da sentença: 
I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do 
pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do 
processo; 
II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; 
III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe 
submeterem. 
Faz-se o relatório e constrói-se os fundamentos do convencimento. Posteriormente, há o 
dispositivo, através do qual o juiz conclui o raciocínio acerca das questões principais do 
processo – condenação ou absolvição. 
Se o juiz não se explicar de forma fundamentada, a sua decisão é nula. 
Analisar questão de fato é demonstrar que se entendeu a narrativa tanto do autor quanto 
do réu. Nessa perspectiva, obter-se-á uma decisão mais justa, em respeito à ampla defesa e 
ao contraditório. 
§ 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, 
sentença ou acórdão, que: 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua 
relação com a causa ou a questão decidida; 
Não basta transcrever ou fazer paráfrase de norma. 
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua 
incidência no caso; 
Ao se empregar conceitos jurídicos indeterminados, é imperioso levar em conta as 
consequências práticas da decisão e explicar o que se quer dizer. 
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; 
O legislador buscou acabar com as decisões-padrão, aquelas que, por serem pré-concebidas, 
não são produto de uma análise particularizada do caso. O juiz fundamenta de modo que tal 
fundamentação caberia a qualquer caso (“inexistindo os pressupostos processuais, extingo o 
feito sem resolução de mérito”), sendo tal decisão nula. 
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar 
a conclusão adotada pelo julgador; 
Infirmar é contrariar. O juiz deve considerar tudo e somente tudo o que pode influenciar no 
seu convencimento. Destarte, não deve o magistrado ser negligente com um argumento que 
poderia conduzir a uma conclusão diferente, ou seja, através do qual a decisão possa ser 
modificada. Daí fala-se na interposição de embargos. 
V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus 
fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles 
fundamentos; 
Não pode o magistrado apenas citar um precedente ou súmula. Deve ele apontar a relação 
entre o procedente/a súmula e as peculiaridades do caso concreto. Não basta dizer que a 
matéria é a mesma, mas adentrar nos detalhes do presente litígio. 
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela 
parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do 
entendimento. 
Da mesma forma que deve fundamentar quando invoca um precedente ou enunciado de 
súmula, deve o juiz fundamentar o porquê não adotou súmula/jurisprudência/precedente 
invocado pela parte. Deve, portanto, apontar as distinções entre o caso concreto e a decisão 
invocada. 
Os juízes, quando o parágrafo 1º foi redigido, apontaram para a sua inconstitucionalidade 
por suposta violação à duração razoável do processo. Entretanto, como se está em um 
Estado Democrático de Direito, há outros princípios correlatos, tais como a cooperação – 
que não se restringe às partes, mas também ao juiz, o qual deve colaborar com as partes, ao 
mesmo tempo em que se mantém delas equidistante (juiz natural). 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
§ 2º No caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar o objeto e os critérios gerais da 
ponderação efetuada, enunciando as razões que autorizam a interferência na norma 
afastada e as premissas fáticas que fundamentam a conclusão. 
Quando há normas colidentes, sobretudo principiológicas, far-se-á uma ponderação in 
concreto, de tal sorte que, no caso concreto, uma se sobreporá em relação à outra. Não há 
uma hierarquia in abstrato, mas uma prevalência naquele caso específico. Destarte, uma 
norma que sucumbiu em um caso poderá tranquilamente prevalecer em um caso futuro. 
§ 3º A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os seus 
elementos e em conformidade com o princípio da boa-fé. 
 
Referências: https://trilhante.com.br/curso/tutelas-provisorias-na-pratica/aula/tutela-de-
evidencia-4 
Para a próxima aula: Precedentes e coisa julgada. 
 
AULA 11 – PRECEDENTES E COISA JULGADA 
 
1. Precedentes: 
Outrora, a discricionariedade do juiz era mais ampla, de modo que, em matérias 
semelhantes, poder-se-iam ter decisões completamente diferentes, alimentando um 
sentimento social de insegurança jurídica. Posteriormente, evidenciou-se uma evolução, de 
tal sorte que o STJ foi responsável por estabilizar demandas a partir do julgamento de 
recursos repetitivos. No CPC/15, a evolução é ainda mais notória, tendo em vista a 
expressão do instituto dos precedentes. Preza-se, nesse cenário, pela maior segurança 
jurídica. De antemão, o indivíduo tem noção acerca das suas possibilidades de sair triunfante 
ou não em determinado litígio. 
Art. 926 – NCPC: Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, 
íntegra e coerente. 
§ 1º Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os 
tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante. 
§ 2º Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem ater-se às circunstâncias fáticas 
dos precedentes que motivaram sua criação. 
Os tribunais não têm mais uma autonomia plena na capacidade decisória, de forma que não 
podem decidir da forma como bem entenderem, em prol da segurança jurídica aos cidadãos. 
Por segurança jurídica entende-se “previsibilidade do resultado”. 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
Os tribunais, ao uniformizarem as suas jurisprudências, deverão ser estáveis, íntegros e 
coerentes. Normas serão editadas com o resumo do entendimento dominante: as chamadas 
súmulas. Súmula vem do latim “sumu” e significa coisa prescrita. Súmula é, pois, a 
materialização de um entendimento dominante acerca de determinada matéria. 
Entendimento dominante não significa entendimento unânime, de modo que o juiz, desde 
que fundamente a sua decisão e se atentando às particularidades do presente litígio, poderá 
entender contrário a uma súmula. 
“Manter estável, íntegro e coerente” significa que os julgados devem ter certo sentido de 
permanência. A estabilidade dá um sentido de segurança. Os tribunais, portanto, proferem 
decisões com perenidade, integridade para com a ordem constitucional e autorreferência, 
gerando previsibilidade e segurança jurídica. 
Precedentes vinculantes restringem ainda mais a liberdade interpretativa e decisória do 
magistrado. O cidadão já sabe de antemão,nesse contexto, se irá vencer ou perder. As 
hipóteses de precedentes vinculantes estão expressas nos incisos do art. 927 do CPC. Caso o 
indivíduo tenha uma pretensão abrangida por tais incisos, as chances de vencer a disputa se 
elevam consideravelmente; o oposto é evidenciado quando contraria algumas das 
disposições. 
Art. 927 – NCPC: Os juízes e os tribunais observarão: 
I - as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de 
constitucionalidade; 
II - os enunciados de súmula vinculante; 
III - os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas 
repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; 
IV - os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do 
Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; 
V - a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. 
Há, assim, entendimentos pretéritos consolidados que devem ser seguidos 
(obrigatoriedade). É imperioso ler o inteiro teor para além da ementa. A ementa é apenas 
um resumo, de modo que a leitura desacompanhada das peculiaridades do caso concreto 
poderá resultar em uma decisão injusta. 
Em síntese, as hipóteses são as seguintes: 
 Controle concentrado de constitucionalidade (STF); 
 Súmulas vinculantes (STF); 
 Incidente de assunção de competência ou resolução de demandas repetitivas; 
 Julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos (“2 RE”); 
 Súmulas do STF (matéria constitucional) e do STJ (matéria infraconstitucional); 
 Orientação do plenário ou do órgão especial; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
O precedente para obrigatoriamente ser cumprido, deve-se voltar ao parágrafo 1º do art. 
489. 
 
Art. 489, § 1º - NCPC: Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela 
interlocutória, sentença ou acórdão, que: 
V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus 
fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles 
fundamentos; 
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela 
parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do 
entendimento. 
Precedente vinculante é súmula. Aos fundamentos determinantes dá-se o nome de ratio 
decidendi. Deve o juiz demonstrar que as razões do precedente são as mesmas razões de 
decidir do caso concreto (especificidade). Daí o papel do inteiro teor: mostrar que as razões 
de fato e de direito se assemelham para que o precedente incida no caso concreto, 
produzindo estabilidade. 
Antes da aplicação do precedente judicial é imprescindível a técnica do distinguishing, isto é, 
confrontar as razões de fato e de direito do precedente com o caso em exame. Isso também 
é mais bem feito quando considerado o inteiro teor dos precedentes. 
Obiter dictum são as considerações que aparecem em uma decisão e que representam ideias 
complementares/paralelas/periféricas, as quais servem apenas para elucidar os fatos 
(função meramente retórica). Não são observações necessárias/determinantes à análise do 
mérito e, consequentemente, não vinculantes. 
À mudança de entendimento acerca de determinado tema jurídico, anteriormente 
pacificado, dá-se o nome de Overruling. A preparação para o Overruling recebe o nome de 
signaling (sinalização) – necessidade de comunicar e orientar jurisdicionados a respeito de 
que o precedente poderá ser revogado a qualquer momento, salvaguardando interesses das 
partes e de terceiros. 
 
2. Improcedência liminar do pedido: 
Quando o pedido é julgado procedente, já um julgamento favorável ao autor e contra o réu. 
Na improcedência liminar do pedido, há um julgamento definitivo e favorável ao réu. 
Dispensa-se o contraditório e a citação do réu, uma vez que o juiz o substitui, dizendo o que 
o réu diria. 
A improcedência liminar do pedido é a decisão jurisdicional que, antes da citação do 
demandado, julga improcedente o pedido formulado pelo demandante. Trata-se de uma 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
decisão antecipada de mérito, definitiva, apta à coisa julgada e possível objeto de ação 
rescisória. 
É, também, técnica de aceleração do processo, autorizando que se profira um julgamento 
favorável ao demandado sem a sua citação. Isso não implica violação ao contraditório e à 
ampla defesa, já que o demandado não precisa ser ouvido para sair vitorioso. 
São dois os pressupostos para que se possa julgar liminarmente o pedido: (I) a causa deve 
dispensar a fase instrutória e (II) o pedido deve encaixar-se em uma das hipóteses 
previstas nos incisos I a IV do art. 332 ou no § 1º do mesmo artigo. 
É possível a improcedência liminar do pedido parcial. 
Transitada em julgado a decisão que julgou liminarmente improcedente o pedido, o escrivão 
ou chefe de secretaria comunicará ao réu o resultado. 
São as seguintes hipóteses expressas de improcedência liminar do pedido: 
 Pedido contrário a precedente obrigatório (consagrado ou não em súmula): O juiz, 
caso deseje superar ou distinguir a situação a ser julgada, deve fundamentar a sua 
decisão. Admite-se a improcedência liminar do pedido que contrariar (arts. 332 e 
927, CPC): 
 Súmula do STF (em matéria constitucional, o que inclui as súmulas 
vinculantes) ou STJ (matéria infraconstitucional); 
 Acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos 
repetitivos; 
 Entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas; 
 Enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local; 
 A causa dispensa a produção de provas em audiência; 
 Reconhecimento de prescrição ou decadência (legal) – o juiz pode examiná-las de 
ofício (incompatibilidade com o Código Civil – direito material). Evidente conflito 
ainda não solucionado: 
 Arts. 191 e 882, CC: Permitem a renúncia da prescrição, inclusive tácita; 
 Art. 332, CPC: Permite o reconhecimento ex officio da prescrição; 
Fredie Didier Jr. considera que a regra do CPC só deve ser aplicada para o 
reconhecimento de prescrição envolvendo direitos indisponíveis e de nenhuma 
forma prejudicial aos sujeitos protegidos constitucionalmente (consumidor, índio, 
idoso e trabalhador). Logo, se mostra defensor da autonomia privada. 
Em situações de manifesta improcedência (hipótese atípica), que envolvam demandas 
absurdas, é possível a improcedência liminar do pedido. Ex: Demanda para reconhecimento 
de usucapião de bem público, pedir autorização para matar alguém ou determinar 
declaração de guerra a país vizinho. É possível a aplicação em analogia do art. 332 por meio 
dos princípios da eficiência, boa-fé e duração razoável do processo. A possibilidade jurídica 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
do pedido, não mais entendida como condição da ação, passa a ser uma hipótese de 
improcedência liminar do pedido. 
Do relator que indeferir a petição inicial caberá agravo em cinco dias para o órgão colegiado 
competente (Lei 13.300/16). 
 
3. Coisa julgada: 
Art. 502 – NCPC: Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e 
indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. 
Art. 503 – NCPC: A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos 
limites da questão principal expressamente decidida. 
Em face de um pedido de divórcio, nada poderá ser feito, uma vez que se trata de um direito 
potestativo, ou seja, que se realiza independentemente da manifestação do outro. Não há 
que se falar em improcedência liminar do pedido, em contraditório ou coisa julgada. 
A coisa julgada busca evitar a eternidade dos conflitos. Não se muda e nem discute. Para não 
se mudar, não se permite que se discuta. 
A coisa julgada pode ser: 
 Formal: Geralmente evidenciada quanto preclusos os prazos recursais; 
 Material: Torna imutável uma sentença de mérito; 
 
A coisa julgada possui limites objetivose subjetivos: 
 Limites subjetivos (art. 506, CPC): A coisa julgada pode beneficiar terceiros, mas não 
pode prejudicar. O fato de que André reconheceu a paternidade de Renan não 
significa que reconheceu, também, a de Arethusa. Só se pode ter gravidade no que 
tange às partes do processo; 
Art. 506 – NCPC: A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não 
prejudicando terceiros. 
 
 Limites objetivos (arts. 503 e 504, CPC): O que faz coisa julgada é o dispositivo. Uma 
sentença que diz que A não deve alimentos a B, ainda que faça menção a não 
paternidade (motivo), não coloca fim na questão de que B não é filha de A, mas 
apenas que A não deve prestar alimentos a B (coisa julgada). 
Art. 504 – NCPC: Não fazem coisa julgada: 
I - os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da 
sentença; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
II - a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença. 
 
Se a parte requerer uma questão prejudicial (a qual invalida a relação jurídica, impedindo a 
produção de efeitos), analisar-se-á primeiro essa questão prejudicial, já que esta pode gerar 
coisa julgada para a questão principal caso reconhecida. 
o Ex: A ajuíza uma ação pedindo a divisão dos lucros da empresa de B, 
argumentando que ele é o seu sócio. B prova que jamais teve um sócio com nome 
de A, de modo que nunca existira relação jurídica societária entre eles. Logo, 
provado que A nunca foi sócio de B (questão prejudicial), forma-se coisa julgada 
para o pedido de divisão dos lucros da empresa (questão principal); 
A questão principal precisa de uma prejudicial. Deve-se assegurar, também, o contraditório 
prévio e efetivo para que a coisa prejudicial forme coisa julgada. 
Art. 503 – NCPC: 
§ 1º O disposto no caput aplica-se à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e 
incidentemente no processo, se: 
I - dessa resolução depender o julgamento do mérito; 
II - a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de 
revelia; 
III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão 
principal. 
§ 2º A hipótese do § 1º não se aplica se no processo houver restrições probatórias ou 
limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial. 
 
Art. 505 – NCPC: Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à 
mesma lide, salvo: 
I - se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado 
de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na 
sentença; 
II - nos demais casos prescritos em lei. 
Quando a relação jurídica é de trato continuado ou quando há modificação de estado de 
fato ou de direito, pode-se pedir a revisão do que foi estabelecido na sentença. 
o Ex de relação de trato sucessivo com mudança no estado de fato ou de direito: A 
e B discutem judicialmente o valor de um aluguel. Depois, é gerada a possibilidade 
de aumento do valor do aluguel em razão da valorização da região. Destarte, 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
poder-se-á revisar o primeiro valor pactuado. Outros exemplos são: relação de 
família, relação de emprego, relação de vizinhança, etc. 
o Ex de relação de trato sucessivo com mudança no estado de fato ou de direito: A 
foi condenado a pagar alimentos a B. B, posteriormente, se tornou rico, de modo 
que foi cessada a necessidade que tinha anteriormente. Dessa forma, a sentença 
poderá ser revisada, inclusive libertando A da referida obrigação. 
o Ex de caso previsto em lei: A atropelou B. Não é possível em primeiro momento se 
estipular com precisão os danos emergentes que B terá (tratamento médico, 
sessões de fisioterapia, equipamentos de acessibilidade...). Primeiramente, fixar-
se-á uma indenização mínima, a qual poderá ser revisada depois (após B concluir 
as sessões de fisioterapia, por exemplo). A primeira sentença, portanto, não faz 
coisa julgada. O art. 949 do Código Civil trata da pensão indenizatória em virtude 
de lesão ou ofensa à saúde. 
Art. 949 – CC: No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das 
despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum 
outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido. 
 
Art. 507 – NCPC: É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a 
cujo respeito se operou a preclusão. 
Vale lembrar que a preclusão pode ser lógica (prática de ato incompatível com nova 
discussão), temporal (decurso de tempo para manifestação) ou consumativa (a questão já 
foi discutida anteriormente). A preclusão, portanto, é um pré-requisito da coisa julgada. 
 
Art. 508 – NCPC: Transitada em julgado a decisão de mérito, considerar-se-ão deduzidas e 
repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento 
quanto à rejeição do pedido. 
 
 
 
 
 
SÍNTESE – CONTEÚDO AV2 – PROCESSO CIVIL II/ ANDRÉ BONELLI 
 
 
 
 
 
 
 Pouca aplicação prática; 
 O juiz, a qualquer tempo, pode 
inquirir as partes para esclarecer 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
AUDIÊNCIAS INQUIRIÇÃO fatos da causa; 
 Só admite a confissão expressa (e 
não a ficta); 
 
 
DE JUSTIFICAÇÃO 
PRÉVIA 
 Busca esclarecer determinado fato 
a fim de se deferir ou não uma 
medida liminar; 
 Não se confunde com o 
convencimento para julgar o 
mérito; 
 
 
 
DE SANEAMENTO 
 Voltada para esclarecer matérias 
complexas de fato ou de direito; 
 É nesta fase, por exemplo, que o 
juiz, aplicando a teoria da carga 
dinâmica, poderá inverter o ônus 
da prova, desde que em favor do 
hipossuficiente, de forma 
fundamentada e em respeito ao 
contraditório da parte prejudicada 
pela decisão (art. 373, § 1º, CPC); 
 
 
 
DE TENTATIVA DE 
CONCILIAÇÃO OU 
MEDIAÇÃO 
 É dever do magistrado fomentar a 
solução consensual dos conflitos; 
 A recusa da audiência de tentativa 
de conciliação ou mediação deve 
ser expressa por ambas as partes; 
 Autor: citado na pessoa do seu 
advogado; 
 Réu: citado com no mínimo de 20 
dias de antecedência; 
 Prazo para marcar: No mínimo 30 
dias antes da audiência; 
 Prazo para obtenção de um 
consenso: 60 + 60 dias; 
 Não será designada a audiência 
quando: 
 As partes expressamente 
manifestarem o 
desinteresse na composição 
consensual – o autor na 
inicial e o réu, por petição 
com 10 dias de 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
antecedência da audiência; 
 A causa não admita a 
composição legal (vide os 
processos de ação rescisória 
e de reclamação); 
 Não comparecimento injustificado: 
ato atentatório à dignidade da 
justiça – multa de até 2% da 
vantagem econômica pretendida 
ou valor da causa em benefício da 
União ou do Estado (princípio da 
cooperação); 
 O prazo para resposta do réu 
começa a correr da data da 
audiência; 
 O mediador geralmente atua em 
casos mais complexos, onde já há 
um vínculo pretérito entre as 
partes; o conciliador intervém de 
forma mais efetiva e pode propor 
soluções; 
 Arbitragem: O árbitro (terceiro 
imparcial) diz o direito no caso 
concreto e a sentença produz os 
mesmos efeitos caso fosse 
proferida pelo Poder Judiciário, 
exceto o caráter executório; 
 
 
 
DE INSTRUÇÃO E 
JULGAMENTO 
 Exceto a prova documental, todas 
as provas são produzidas, 
descartadas ou concluídas na 
audiência de instrução e 
julgamento; 
 Voltada para colher todas as provas 
das partes e realizar a oitiva de 
testemunhas; 
 Finalidade: Tentar convencer o 
magistrado; 
 Princípios da 
oralidade/imediatidade e 
unicidade/continuidade; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Não comparecimento do 
advogado: o juiz pode dispensar a 
produção de provas pela parte; 
 Ordem de preferência da produção 
de provas orais (art. 361, CPC): 
peritos e assistentes técnicos, autore réu, testemunhas arroladas pelo 
autor e réu; 
 Contradita: Impugnação da oitiva 
da testemunha por parcialidade. A 
testemunha, antes de depor, é 
qualificada. Diferentemente do 
informante, pode ser 
responsabilizada criminalmente o 
caso de falso testemunho; 
 Prazo para alegações finais: 20 + 10 
minutos para cada parte e para o 
MP (quando intervir); 
 Exceção na prática se transforma 
em regra: Não há debates orais – 
as alegações finais são feitas por 
escrito; 
 
 
 
PRONUNCIAMENTO 
DO JUIZ 
 
 
SENTENÇA 
 Encerra a atividade cognitiva do 
magistrado; 
 Ex: Condena ou absolve o réu; 
 Análise total de mérito; 
 Aptidão para formar coisa julgada; 
 Põe fim ao processo; 
 
 
 
DECISÃO 
INTERLOCUTÓRIA 
 Não encerra a atividade cognitiva 
do magistrado; 
 Ex: Concessão da gratuidade da 
justiça; 
 Análise parcial de mérito; 
 Aptidão para formar coisa julgada 
apenas para determinado bloco do 
processo; 
 Não põe fim ao processo. 
 
DESPACHO 
 Atos não decisórios do juiz; 
 Não geram a possibilidade de 
recurso; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Intuito único de celeridade 
processual – fazer o processo 
andar; 
DECISÕES 
INTERLOCUTÓRIAS 
DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS 
CONCESSIVAS DE TUTELAS PROVISÓRIAS SIMPLES 
DE URGÊNCIA DE EVIDÊNCIA 
ANTECIPATÓRIAS ACAUTELATÓRIAS 
ANTECEDENTES/INCIDENTAIS 
 
 
 
 
TUTELA DE 
URGÊNCIA 
 Simples: Não é uma tutela de evidência ou de urgência, mas 
resolve uma questão no curso do processo sem encerrá-lo; 
 Tutela de urgência: Probabilidade do direito 
(verossimilhança do fato alegado + acolhimento pelo 
Direito) + Perigo de dano (tempo corrói o direito); 
 Tutela de urgência antecipatória: Visa a realizar o direito, 
antecipando parcial ou totalmente o pedido principal ou os 
seus efeitos (ex: urgência de se prestar alimentos); 
 Tutela de urgência acautelatória: Visa a assegurar o direito, 
prevenindo dano ou garantindo o resultado útil do processo 
(ex: indisponibilidade de bens para o cumprimento de 
sentença indenizatória); 
 Prazo para aditamento caso deferida a tutela: 15 dias 
(antecipatória) e 30 dias (acautelatória); 
 Prazo para emenda caso haja indeferimento: 5 dias; 
 Prazo para o réu contestar o deferimento da tutela: 5 dias, 
sob pena de revelia; 
 
Vejamos algumas observações: 
 A tutela antecipada só pode ser concedida caso seja 
provisória. Marinoni aponta que há determinadas tutelas 
que são tão urgentes que, embora irreversíveis, o dano é 
que será irreversível (irreversibilidade reversa). Nesta 
hipótese, deve-se conceder a tutela antecipada. Ex: 
Transfusão de sangue de um menor quando há discordância 
entre os pais por questões religiosas (tanto a transfusão 
quanto o dano a saúde são irreversíveis, devendo-se realizar 
uma ponderação); 
 A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou 
após justificação prévia; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Tutela de urgência liminar: O contraditório é diferido. O que 
justifica a dispensa momentânea do contraditório é caso o 
contraditório dificulte ou impossibilite a tutela concedida. 
 A petição da ação que visa à prestação de tutela cautelar 
em caráter antecedente deve: 
 Indicar o conflito de interesses; 
 Demonstrar a existência do direito; 
 Demonstrar o perigo de dano/risco ao resultado útil 
do processo; 
 
 
 
TUTELA DE 
EVIDÊNCIA 
 Busca assegurar a duração razoável do processo, não se 
relacionando com urgência ou necessidade; 
 Hipóteses: 
Art. 311 – NCPC: A tutela da evidência será concedida, 
independentemente da demonstração de perigo de dano ou de 
risco ao resultado útil do processo, quando: 
I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto 
propósito protelatório da parte; 
II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas 
documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos 
repetitivos ou em súmula vinculante; 
III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova 
documental adequada do contrato de depósito, caso em que será 
decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob 
cominação de multa; 
IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente 
dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha 
prova capaz de gerar dúvida razoável. 
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá 
decidir liminarmente. 
 
ELEMENTOS DA 
SENTENÇA 
 Relatório: Resumo do caso e das partes; 
 Fundamentos do convencimento: Análise das questões de 
fato e de direito; 
 Dispositivo: Conclusão do raciocínio (condenação ou 
absolvição, por exemplo); 
 
 
 
FUNDAMENTAÇÃO 
DAS DECISÕES 
JUDICIAIS 
 Dever do magistrado + princípio da cooperação; 
 Não fundamentação = sentença nula; 
 Não será considerada fundamentada a decisão nas 
hipóteses elencadas no parágrafo 1º do art. 489, CPC: 
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato 
normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
decidida; 
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o 
motivo concreto de sua incidência no caso; 
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra 
decisão; 
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo 
capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; 
V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem 
identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que 
o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; 
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou 
precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de 
distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. 
 
 
 
 
PRECEDENTES 
 Mitigam a autonomia dos tribunais para proferir decisões; 
 Garantem segurança jurídica – a previsibilidade do 
resultado; 
 Os tribunais, uniformizando as suas jurisprudências, 
deverão ser estáveis, íntegros e coerentes: as decisões 
proferidas possuem perenidade, integridade para com a 
ordem constitucional e autorreferência; 
 Efeitos: Previsibilidade e segurança jurídica; 
 Súmula: Materialização de um entendimento dominante 
acerca de determinada matéria (não significa entendimento 
unânime); 
 Precedentes vinculantes restringem ainda mais a liberdade 
interpretativa e decisória do magistrado (art. 927, CPC): 
 
 Controle concentrado de constitucionalidade (STF); 
 Súmulas vinculantes (STF); 
 Incidente de assunção de competência ou resolução de 
demandas repetitivas; 
 Julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos 
(“2 RE”); 
 Súmulas do STF (matéria constitucional) e do STJ (matéria 
infraconstitucional); 
 Orientação do plenário ou do órgão especial; 
 
 
 
 Ratio decidendi: Razão de decidir – razões de fato e de 
direito que relacionam o caso concreto ao precedente; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 
CONCEITOS LIGADOS 
AOS PRECEDENTES 
 Distinguishing: Confronto das razões de fato e de direito do 
precedente com o caso em exame; 
 Obiter dictum: Observações desnecessárias e não 
determinantes à análise do mérito – não vinculantes 
(função meramente retórica = elucida os fatos); 
 Overruling: Mudança de entendimento acerca de um tema 
até então pacificado; 
 Signaling: Preparação para o Overruling – necessidade de se 
comunicar e orientar os jurisdicionados a respeito de que o 
precedente poderá ser revogado a qualquer momento 
(busca salvaguardar os interesses das partes e de terceiros); 
 
 
 
IMPROCEDÊNCIA 
LIMINAR DO PEDIDO 
 A improcedência liminar do pedido é a decisão jurisdicional 
que, antes da citação do demandado, julga improcedente o 
pedido formulado pelo demandante; 
 Trata-se, portanto, de uma análise de mérito; 
 São dois os pressupostos para que se possa julgar 
liminarmente o pedido: (I) a causa deve dispensara fase 
instrutória e (II) o pedido deve encaixar-se em uma das 
hipóteses previstas nos incisos I a IV do art. 332 ou no § 1º 
do mesmo artigo. 
 Desnecessária a citação do réu e não há violação do 
contraditório/ampla defesa, já que o demandado não 
precisa ser ouvido para sair vitorioso; 
 Decisão favorável ao réu e contra o autor; 
 Há situações de manifesta improcedência = pedidos 
absurdos (acréscimo doutrinário às hipóteses legais); 
 Da decisão cabe agravo em 5 dias para o órgão colegiado 
competente; 
Art. 332 – NCPC: Nas causas que dispensem a fase instrutória, o 
juiz, independentemente da citação do réu, julgará liminarmente 
improcedente o pedido que contrariar: 
I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do 
Superior Tribunal de Justiça; 
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo 
Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; 
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas 
repetitivas ou de assunção de competência; 
IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local. 
 
  Busca evitar a eternidade dos conflitos; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 
 
COISA JULGADA 
 Pode ser formal (preclusão recursal) ou material (esta torna 
imutável uma sentença de mérito); 
 Limites subjetivos: Se restringe às partes do processo, só 
podendo atingir terceiros quando beneficiá-los (só pode ter 
gravidade quem for parte do processo); 
 Limites objetivos: Só o dispositivo faz coisa julgada. Não 
fazem coisa julgada os motivos e a verdade dos fatos; 
 Questão prejudicial: Realizado o contraditório prévio e 
efeito, forma coisa julgada, podendo inclusive formar coisa 
julgada para a demanda principal; 
 Exceções à rediscussão de questões da mesma lide: 
 Relação jurídica de trato continuado + modificação 
no estado de fato ou de direito; 
 Casos previstos em lei; 
 Preclusão: Pré-requisito da coisa julgada, de modo que não 
se pode discutir o que já prescreveu (preclusão lógica, 
temporal ou consumativa); 
 
Thiago Coelho – T6A 2023.2 
@taj_studies

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