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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nathalia Santos da Silva 
 
 
 
 
 
 
 
Analisando o modelo das relações inter-raciais femininas no período pós 
colonial e contemporâneo 
 
 
 
 
 
 
 
ILHÉUS/BA 
2023
Nathalia Santos da Silva 
 
 
 
 
 
 
 
Analisando o modelo das relações inter-raciais femininas no 
período pós colonial e contemporâneo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Resenha apresentada como avaliação do 
componente LTA563 - LEITURA E 
PRODUÇÃO DE TEXTOS CIENTÍFICOS. 
 
 
Professora responsável: Maria Dolores 
Sosin Rodriguez. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ILHÉUS/BA 
2023 
 
 
Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade 
 
Cap.7 ‘’De mãos dadas com a minha irmã’’, de Bell Hooks (São Paulo-SP, Ed: 
WMFMartins Fontes, 2013, p.127- 149) 
 
Com a eminencia da abolição legal da escravatura, as relações interpessoais 
entre homens negros e mulheres brancas se tornaram mais frequentes. À 
medida que essa frequência aumentava, houve uma crescente relação de 
rivalidade entre mulheres negras e brancas. Tal comportamento se dava 
principalmente pela necessidade de as mulheres brancas afirmarem sua 
superioridade para com as mulheres de cor, devido ao medo de perderem seu 
status de ‘’madame’’. 
Tal necessidade de manter status, levava as mulheres brancas a adotar um 
comportamento de insensibilidade diante das mulheres negras, em relação as 
ligações entre mulheres de cor e homens brancos. A autora afirma que: ‘‘Na 
mente da maioria das mulheres brancas, pouco importava que a maioria 
esmagadora dessas ligações se forjasse mediante coerção agressiva, estupro 
e outras formas de agressão sexual’’. Já que as mulheres negras eram vistas 
como rivais sexuais e também para manter a postura de superioridade diante 
das mulheres de cor, as relações inter-raciais só eram socialmente aceitas 
quando não ocorriam de forma legal (através de estupros e todo tipo de 
violência física e/ou psicológica). 
Com a crescente do movimento feminista, houve um fato interessante: a 
exclusão das mulheres de cor durante esse processo. O feminismo nasceu 
com o objetivo de impor a igualdade da mulher dentro de uma sociedade 
machista, mas as mulheres negras não eram integradas nesse processo, por 
conta do medo das mulheres brancas de perder sua supremacia racial. Por 
outro lado, a visão que as mulheres negras tinham das mulheres brancas, era 
de que elas eram ineficientes e incapazes de realizar as atividades que 
supervisionavam. O ódio e a desconfiança por parte das mulheres de cor 
também geraram um entrave para a aproximação das feministas mais 
engajadas em tornar o movimento mais inclusivo. ‘’Houve tantas ocasiões 
feministas em que afloraram as diferenças e, com elas, expressões de dor, 
fúria e hostilidade!’’ 
A falta de compreensão das questões raciais enraizadas na sociedade pós 
colonial e contemporânea resulta em um entrave para o desenvolvimento do 
feminismo, portanto, é necessário compreender essas diferenças para que 
ambas as partes entrem em um consenso e o feminismo possa se desenvolver 
como um movimento abrangente para todas as mulheres, sendo elas de cor ou 
não. É necessário também que haja um reconhecimento da propriedade que as 
mulheres negras tem para discorrer sobre as desigualdades sexuais e sociais 
ao longo dos tempos. 
Podemos concluir, que o esforço para implementação do feminismo 
abrangente na contemporaneidade precisa partir de ambos os lados, tanto de 
uma compreensão branca sobre os próprios pressupostos racistas que 
resultam de uma apropriação de lugar de fala, quanto das mulheres pretas que 
tem como tarefa, abrir mão do ódio e hostilidade enraizados após anos de 
segregação. Bell Hooks conclui que: “Quando criarmos esse espaço feminino 
onde pudermos valorizar a diferença e a complexidade, a irmandade feminina 
baseada na solidariedade política vai passar a existir’’.

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