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Costuma-se chamar de caracóis aos gastrópodes de ambiente terrestre e de água doce, cujas conchas são, em geral, leves e delicadas (paredes mais finas), enquanto o nome caramujo é usado para gastrópo- des marinhos, com conchas maiores e mais pesadas do que as dos caracóis. Bivalves No grupo dos bivalves estão as ostras e os me- xilhões ou mariscos. A concha está dividida em duas valvas (daí o nome bivalves) unidas por um ligamen- to e fechadas por músculos. Os mexilhões se fixam ao substrato por meio de filamentos com substâncias adesivas, secretados pelo pé, o bisso. Na maioria dos bivalves o pé tem a forma de ma- chado (daí o nome antes usado para essa classe: pe- lecípodes; do grego pélekys = machado; podos = pé), e é frequentemente usado para cavar (figura 11.8). In g e b o rg A s b a ch /A rq u iv o d a e d it o ra ânus con cha tubo digestório brân quias boca saí da de água entra da de água cavi da de do man to F a b io C o lo m b in i/ A c e rv o d o f o tó g ra fo In g e b o rg A s b a ch /A rq u iv o d a e d it o ra Bivalves utilizam seus pés musculosos para cavar na areia. Figura 11.8 Anatomia de um bivalve e a utilização do pé para cavar na areia (os elementos da ilustração não estão na mesma escala; cores fantasia.). Na foto, mexilhão Perna perna (cerca de 7 cm). Cefalópodes Os cefalópodes são assim chamados pelo fato de seus pés modificados em braços saírem da cabe- ça (do grego kephalé = cabeça). Representados pelo polvo, pela lula, pelo náutilo e pelo choco ou siba (gênero Sepia), entre outros (figura 11.9), esses ani- mais marinhos estão entre os maiores invertebrados conhecidos. A concha é interna e reduzida nas lulas e ausente nos polvos. No náutilo ela é externa. Possuem um sistema nervoso bem desenvolvi- do, que controla os deslocamentos rápidos; e olhos semelhantes aos dos vertebrados, que formam ima- gens detalhadas dos objetos e ajudam na fuga e na captura de presas. O sistema circulatório é fechado. O sistema fechado dá maior velocidade ao sangue, o que é uma adaptação do grupo dos cefalópodes, com animais predadores, que têm movimento mais rápido que a maioria dos outros moluscos e, por- tanto, apresentam um consumo maior de energia. O pé está transformado em braços ou tentáculos com ventosas, que são usados na locomoção, para manipular pedras e outros objetos e na captura de presas (figura 11.9). Além de rastejarem, utilizando as ventosas dos braços, os cefalópodes deslocam-se por propulsão de jatos de água emitidos por um sifão, formado pela cavidade do manto. Possuem também uma bol- sa que pode soltar um jato de tinta (secreção escura) quando o animal é atacado, tornando a água turva e facilitando sua fuga. Figura 11.9 Alguns representantes dos cefalópodes. fios do bisso pé 144 Capítulo 11 Bill Kennedy/Shutterstock/ Glow Images Polvo (cerca de 40 cm de comprimento). Lula (cerca de 35 cm de comprimento). olho Choco ou siba (gênero Sepia; cerca de 30 cm de comprimento). N o rb e rt W u /M in d e n P ic tu re s /L a ti n s to ck concha Náutilo (cerca de 15 cm de diâmetro). tentáculos B lu e h a n d /S h u tt e rs to ck /G lo w I m a g e s Com stock/Getty Im ages 140_151_U04_C11_Bio_Hoje_vol_2_PNLD2018.indd 144 05/05/16 08:29 2 Anel’deos As espécies do filo Annelida (anelídeos) são en- contradas no solo (minhocas; figura 11.10), no mar (poliquetos ou vermes marinhos) ou como ectopa- rasitas de vertebrados aquáticos, principalmente de água doce (sanguessugas). F á b io C o lo m b in i/ A c e rv o d o f o tó g ra fo Figura 11.10 As minhocas (cerca de 7 cm de comprimento) são anelídeos que vivem no solo. O termo anelídeo (do latim annelus = anel) indi- ca uma das principais características desses animais: a segmentação do corpo (cilíndrico), com repetições desses segmentos (em forma de anel; figura 11.11). Esse fenômeno é chamado de metameria (do grego meta = além de; meros = parte). Esses animais são triblásticos, celomados e apre- sentam simetria bilateral. O celoma – que está divi- dido por septos em anéis, segmentos ou metâmeros (figura 11.11) – é preenchido por um líquido e contém os órgãos de reprodução e os de excreção. A superfície do corpo dos anelídeos é revestida por uma epiderme, com uma cutícula externa, e po- de apresentar pequenas estruturas semelhantes a “pelos” duros, chamadas cerdas (figura 11.11). Essas estruturas são compostas de quitina (um glicídio) e funcionam como âncoras, dando apoio ao animal em sua locomoção. Nos poliquetos (do grego polys = muito; chaîté = cerdas), essas cerdas, numerosas e desenvolvidas, estão implantadas em expansões laterais chamadas parapódios (do grego para = ao lado de; podos = pé) e funcionam como pernas rudimentares (figura 11.12). Claus Lunau/SPL/Latinstock G re g o ry S . P a u ls o n /C o rb is /L a ti n s to ck Figura 11.12 Poliqueto (Alitta virens). Essa espécie pode chegar a medir 120 cm de comprimento. Repare que em cada segmento há um par de parapódios. A le x a n d e r S e m e n o v /S P L /L a ti n s to ck Sob a epiderme aparece a musculatura, que au- xilia na locomoção do animal. As cerdas servem de pontos de apoio na terra, prendendo uma parte do corpo ao solo, enquanto a outra se estica ou encolhe. A sustentação é dada pelo líquido do celoma, que funciona como um esqueleto hidrostático. Figura 11.11 Estrutura dos anelídeos (os elementos da ilustração não estão na mesma escala; cores fantasia). L u is M o u ra /A rq u iv o d a e d it o ra arquêntero endoderme celoma mesoderme ectoderme boca clitelo cerdas metâmeros ânus Folhetos embrionários e celoma nos anelídeos triblástico celomado cabeça parapódios Moluscos e anelídeos 145 140_151_U04_C11_Bio_Hoje_vol_2_PNLD2018.indd 145 05/05/16 08:30 Certos anelídeos alimentam-se de detritos vege- tais; outros são carnívoros; alguns são parasitas (ali- mentam-se de sangue e líquidos de outros animais). A digestão é extracelular e o tubo digestório é com- pleto. Nas minhocas, há um papo, que armazena alimento, e uma região muscular (moela), que tritu- ra o alimento (figura 11.13). Em animais maiores e mais complexos, com o corpo formado por muitas camadas de células, a di- fusão é lenta demais para levar alimento e oxigênio para todas as células em uma velocidade compatível com as necessidades energéticas do corpo. A aquisi- ção de um sistema circulatório com a função de levar alimento e oxigênio para as células permitiu aos ane- lídeos o desenvolvimento de um tamanho corpóreo maior se comparados aos platelmintos e nemató- deos, que não possuem sistema circulatório. boca ânus intestino moelapapoesôfagofaringe Figura 11.13 Tubo digestório da minhoca (os elementos da ilustração não estão na mesma escala; cores fantasia). Nas minhocas, esse sistema é fechado: o sangue não sai dos vasos. Há dois vasos principais em posição longitudinal: um dorsal, contrátil, que impulsiona o sangue, e um ventral. Ambos estão ligados entre si por pares de vasos, chamados corações laterais, que se contraem ritmicamente e que auxiliam na propulsão do sangue (figura 11.14). Outros vasos laterais ligam os vasos longitudinais na parte posterior do corpo. Nos órgãos há vasos muito finos e ramificados (capilares), que permitem a passagem de alimento e oxigênio para as células e recebem delas gás car- bônico e excretas. Alguns anelídeos possuem pigmentos respira- tórios no sangue: são proteínas ligadas a metais que, por terem afinidade com o oxigênio, aumentam a capacidade de transporte desse gás pelo sangue. O mais comum é a hemoglobina, de cor vermelha, en- contrada nas minhocas. Nesses animais a respiração é cutânea (através da pele) e indireta (os gases são levados pelo sangue). H ir o e S a s a k i/ A rq u iv o d a e dit o ra Figura 11.14 Sistema circulatório dos anelídeos (na figura aparece também parte do tubo digestório e do sistema nervoso). (Os elementos da ilustração não estão na mesma escala; cores fantasia.) A respiração cutânea (figura 11.15) só é possível se a pele do animal estiver úmida. Assim, a pele das minhocas é praticamente nua, sem coberturas im- permeabilizantes, e possui células produtoras de muco, que ajuda a manter a umidade da pele. Visão esquemática de parte do corpo da minhoca capilar sanguíneo cutícula CO 2 O 2 músculos circulares epiderme músculos longitudinais Figura 11.15 Respiração cutânea e indireta na minhoca. (Os elementos da ilustração não estão na mesma escala; cores fantasia.) L u is M o u ra /A rq u iv o d a e d it o ra corações boca vaso sanguíneo ventral cordão nervoso L u is M o u ra /A rq u iv o d a e d it o ra 146 Capítulo 11 140_151_U04_C11_Bio_Hoje_vol_2_PNLD2018.indd 146 05/05/16 08:30