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1 Sistema digest—rio O sistema digestório se inicia na boca e segue pela faringe, pelo esôfago, estômago, intestinos del- gado e grosso, terminando no ânus. O processo da digestão começa já na boca, onde há dentes, língua e glândulas salivares anexas. O intestino delgado recebe as substâncias secretadas pelo fígado e pelo pâncreas (figura 17.1). No fim da digestão, o material fecal é eliminado pelo ânus. No adulto, a dentição é formada por 32 dentes: oito incisivos (cortam pedaços de frutas e legumes); quatro caninos (furam e rasgam carnes); oito pré- -molares e doze molares (trituram cereais, folhas e a comida em geral). Veja na figura 17.2 a estrutura básica de um dente. A língua – órgão de grande mobilidade e com corpúsculos sensoriais que captam o sabor – mani- pula o alimento e o mistura à saliva. Os dentes (com a língua) realizam a digestão mecânica, ou seja, a transformação do alimento em pedaços menores. As enzimas digestivas realizam a digestão química, isto é, a transformação das molé- culas do alimento em outras menores, capazes de serem absorvidas pelo intestino delgado, passarem para o sangue e entrarem nas células. ◆ O que acontece com os alimentos depois que nós os ingerimos? ◆ Quais são as partes do corpo envolvidas no processo de digestão dos alimentos? ◆ Que doenças podem estar associadas aos principais órgãos envolvidos nesse processo? ◆ O que pode acontecer com as pessoas que não se alimentam de forma adequada? Figura 17.1 Representação do sistema digestório (os elementos da ilustração não estão na mesma escala; cores fantasia). Figura 17.2 Dentição humana de um adulto e estrutura de um dente (os elementos da ilustração não estão na mesma escala; cores fantasia). Da boca ao estômago Com os dentes, nós cortamos e trituramos o alimento. Esse processo aumenta a superfície de contato dos nutrientes com as enzimas digestivas, acelerando a velocidade da digestão. esôfago glândulas salivares boca língua fígado estômago vesícula biliar apêndice vermiforme pâncreas intestino grosso intestino delgado Reto (abre-se no ânus). L e o n e ll o C a lv e tt i/ S h u tt e rs to ck /G lo w I m a g e s dentes faringe (atrás das glândulas salivares) baço Dentes permanentes no ser humano inci si vos inci si vos pré-molares pré-molares cani no cani no molares molares gen gi va lín gua Maxila (osso que sustenta o dente). Dentição humana de um adulto e estrutura de um esmalte Il u s tr a ç õ e s : L u is M o u ra /A rq u iv o d a e d it o ra Dentina (tecido semelhante ao osso). gengiva Polpa (contém nervos e vasos que nutrem o dente). Fique de olho! O piercing (joia perfurante colocada no corpo) na língua ou nos lábios aumenta o risco de infl amações, infecções e lesões nessas regiões. Capítulo 17222 220_229_U05_C17_Bio_Hoje_vol_2_PNLD2018.indd 222 05/05/16 08:33 Além de proteger a boca contra as bactérias e umedecer sua mucosa, a saliva lubrifica e dilui o ali- mento, o que facilita a mastigação, a gustação e a deglutição. A saliva contém a enzima amilase salivar (do grego amylon = farinha; ase = designa enzima) ou ptialina (do grego ptyal = saliva; ina = natureza de), que inicia a digestão do amido e do glicogênio em maltose. A ptialina age no pH neutro da boca, mas é inibida ao chegar ao estômago por causa da acidez do suco gástrico. Algumas enzimas são mais ativas em certos índices de pH do que em outros. Há um pH chamado ótimo, no qual a distribuição de cargas elétricas na enzima é a ideal para sua ativida- de. A atividade enzimática foi estudada no Volume 1 desta coleção e também é estudada pela Química. O cheiro e o sabor dos alimentos, captados pelas terminações nervosas do nariz e da língua, estimulam a maior produção de saliva. Não é à toa, portanto, que usamos a expressão “fiquei com água na boca”. Uma pessoa produz cerca de 1 L de saliva por dia pelos três pares de glândulas salivares: as parótidas (do grego para = ao lado; otós = ouvido), as submaxilares (do latim sub = abaixo de) e as sublinguais. Após a mastigação, o alimento é engolido e passa para a faringe e, depois, para o esôfago. Nesse mo- mento, a epiglote (do grego epi = sobre; glottis = lin- gueta) fecha automaticamente a entrada da laringe (glote) e impede que o alimento siga pelo sistema respiratório (figura 17.3). Logo depois da deglutição, a epiglote eleva-se, permitindo que o ar possa entrar pela laringe. Quando há algum descontrole dos refle- xos que fecham a laringe, nós engasgamos, mas um novo reflexo provoca tosse e ajuda a desobstruir o sistema respiratório. Do esôfago (cerca de 25 cm de comprimento) até o estômago, o alimento é ativamente transportado por contrações musculares – as contrações ou mo- vimentos peristálticos ou a peristalse (figura 17.4), que também fazem parte da digestão mecânica. O estômago é uma região dilatada e musculosa do canal alimentar, com capacidade de cerca de um litro. Na sua entrada e na sua saída há dois esfíncteres com a função de controlar o volume de alimento que entra ou sai do órgão: a cárdia e o piloro, respectiva- mente. O alimento armazenado no estômago sofre a ação do suco gástrico, que contém ácido clorídrico, responsável pela extrema acidez nessa cavidade (pH em torno de 2). Esse ácido facilita a ação das enzimas do suco gástrico; desnatura proteínas, facilitando sua digestão e destrói várias bactérias. Um muco secreta- do pelo estômago protege suas paredes da ação do suco gástrico. esô fa go alimento estô ma go Figura 17.3 Observe como a epiglote protege a abertura do sistema respiratório quando o alimento é engolido. A faringe tem cerca de 15 cm de comprimento (os elementos da ilustração não estão na mesma escala; cores fantasia). língua alimento faringe laringe traqueia (sistema respiratório) esôfago (sistema digestório) epiglote A epiglote abaixa e fecha a entrada para a laringe. Il u s tr a ç õ e s : L u is M o u ra / A rq u iv o d a e d it o ra Figura 17.4 Contrações peristálticas empurram o alimento ao longo do tubo digestório (os elementos da ilustração não estão na mesma escala; cores fantasia). Nutrição 223 220_229_U05_C17_Bio_Hoje_vol_2_PNLD2018.indd 223 05/05/16 08:33 A imagem de um alimento ou a percepção de seu odor podem estimular a secreção gástrica. Além de um estímulo nervoso, há também um controle hormonal: o contato do alimento com a parte final do estômago ativa a produção de gastrina (do grego gaster = estô- mago; ina = natureza de), que é lançada no sangue e passa a estimular a secreção de suco gástrico. A principal enzima do suco gástrico é a pepsina (do grego pepsis = digestão; ina = natureza de), uma protease (digere proteínas) produzida na forma inati- va de pepsinogênio (do grego genaîo = gerar). Pela ação do ácido clorídrico, o pepsinogênio transforma-se em pepsina e começa a quebrar as ligações químicas entre certos aminoácidos. Com isso, a proteína é frag- mentada em polipeptídios de tamanhos variados. O alimento permanece no estômago de 2 a 4 ho- ras, e forma-se uma massa ácida branca e pastosa: o quimo (do grego chymos = papa, mingau). Parte da água e dos sais, o álcool e alguns medicamentos, como a aspirina, são absorvidos no estômago. O restante do bolo alimentar passa para o intestino delgado, no qual ocorre a maior parte da absorção do alimento. Entre o estômago e o início do intestino delgado há um músculo que funciona como uma válvula, o piloro. Essa válvula controla a passagem do alimen- to para o intestino. Modificações do alimento no intestino delgado A maior parte da digestão e da absorção do ali- mento ocorre no intestino delgado, um tubo com cerca de 2,5 centímetros de diâmetro e 6,5 metros de comprimento, que pode ser dividido em três par- tes: o duodeno (em latim significa ‘doze dedos’; uma referência ao comprimento do duodeno,aproxima- damente igual à largura de doze dedos), com cerca de 25 cm de comprimento, o jejuno (do latim jejunu = que está em jejum) e o íleo (do latim ileum = enrolado). No seu interior realiza-se a principal parte da diges- tão e da absorção do alimento pelo organismo. No duodeno são lançadas as secreções do fígado e do pâncreas (figura 17.5), também controladas por mensagens nervosas e hormônios. Quando entra em contato com a parede intestinal, o quimo estimula a produção de secretina. Esse hormônio estimula o pân- creas a secretar bicarbonato de sódio, substância bá- sica que neutraliza a acidez do quimo. Outro hormônio é a colecistocinina, que estimula a secreção da bile, pela vesícula biliar, e das enzimas do suco pancreático. fígado vesícula biliar pâncreas (atrás do estômago) intestino delgado estômago Ducto que leva a bile ao intestino. H ir o e S a s a k i/ A rq u iv o d a e d it o ra Figura 17.5 O duodeno recebe as secreções produzidas pelo pâncreas (cerca de 15 cm de comprimento) e pelo fígado (cerca de 20 cm de largura, 17 cm de altura e 11 cm de espessura). (Os elementos da ilustração não estão na mesma escala; cores fantasia.) O suco pancreático é alcalino (pH entre 7,5 e 8,8), pois contém água e bicarbonato de sódio. Nele há também as enzimas tripsina (do grego thrípsis = des- manchar) e quimiotripsina, que quebram os frag- mentos de proteína produzidos pela pepsina. O pâncreas produz ainda: a amilase pancreática, que completa a ação da amilase salivar; as nucleases (desoxirribonucleases e ribonucleases), que fragmen- tam ácidos nucleicos em nucleotídeos; a carboxipep- tidase (produzida em forma inativa), que quebra mais algumas ligações dos peptídios; uma lipase, que digere as gorduras (triglicerídios) em ácidos graxos, glicerol e monoglicerídios. A bile, produzida no fígado, é armazenada na vesícula biliar e lançada no intestino; ela contém sais biliares que atuam como detergentes, transfor- mando as gorduras em minúsculas gotículas que se misturam com a água e formam uma emulsão. Isso facilita a ação da lipase, pois a ação detergente au- menta a superfície de contato dos lipídios com es- sa enzima. Detergentes possuem uma extremidade apolar, formada por moléculas apolares; e outra polar, for- mada por moléculas polares. Enquanto a parte apo- lar tem afinidade pela gordura, a parte polar tem afinidade pela água, promovendo assim uma “ponte” entre as moléculas de gordura e a água. Fique de olho! A ação dos detergentes e as características das moléculas polares e apolares são estudadas com mais detalhes em Química. Capítulo 17224 220_229_U05_C17_Bio_Hoje_vol_2_PNLD2018.indd 224 05/05/16 08:33