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Em alguns casos, pode­se chegar a uma comu­
nidade relativamente estável, em equilíbrio com o 
ambiente físico, que é chamada comunidade clímax. 
Muitos ecologistas, porém, preferem usar a expres­
são comunidade madura (falando em comunidades 
jovens para referir­se às etapas anteriores da suces­
são), pois tal estabilidade é relativa e poderá mesmo 
nunca ser alcançada se ocorrerem alterações fre­
quentes no ambiente (como queimadas, furacões ou 
outros fatores).
Em geral, ao longo da sucessão ecológica, ocorre 
um aumento da biomassa total (quantidade de ma­
téria orgânica na comunidade; figura 17.2). Também 
se observa inicialmente um aumento progressivo da 
biodiversidade, pois novas espécies chegam, novos 
nichos ecológicos são explorados e as teias alimen­
tares tornam­se mais complexas. Mas esse aumento 
da diversidade é apenas uma tendência, e não ocor­
re em todos os tipos de sucessão.
A comunidade formada depende do clima e de 
outros fatores físicos da região. Por exemplo, na 
Amazônia pode se formar uma floresta tropical; no 
Canadá, uma floresta temperada ou de pinheiros; 
no Nordeste do Brasil, uma caatinga. Às vezes, há 
uma região de transição entre duas comunidades 
(floresta e campo, por exemplo), em que ocorre uma 
mescla da flora e da fauna de ambas. Nessa região, 
há maior diversidade de plantas e de animais e 
maior competição por espaço e recursos, criando 
uma “tensão ecológica” entre as comunidades. Por 
isso, ela é chamada ecótone ou ecótono (do grego 
oíkos = ambiente; tonus = tensão).
Finalmente, deve­se compreender que os acon­
tecimentos descritos até aqui são somente um mo­
delo – na natureza nem sempre a sucessão ocorre 
da forma descrita. Além disso, embora frequente­
mente sejam usados apenas o aspecto da vegetação 
e dos liquens para descrever a sucessão, animais, 
fungos e microrganismos diversos também fazem 
parte do processo e interferem nele.
Ainda se discute se a estabilidade da comuni­
dade clímax – isto é, a capacidade de uma comu­
nidade retornar ao estado anterior quando modi­
ficada por algum fator ambiental – cresce com o 
aumento da diversidade de espécies e da comple­
xidade das teias.
Alguns estudos indicam que comunidades com­
plexas são mais resistentes à invasão de outras es­
pécies e a alterações provocadas por fatores ambien­
tais. Por exemplo, estudos mostram que áreas de 
pradaria que abrigavam maior número de espécies 
perderam menos variedades vegetais e se recupera­
ram mais rapidamente após uma seca do que pra­
darias com menor número de espécies.
Inicialmente, instalam-se 
liquens sobre a rocha.
Com o tempo, são 
criadas condições para 
o desenvolvimento 
de musgos.
Finalmente, instalam-se 
bromélias, cactáceas e 
pequenos arbustos.
Figura 17.2 Exemplo de sucessão ecológica em
uma rocha nua. Fotografias tiradas em Ubatuba, SP.
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recupere o nível de nitrogênio do solo (a baixa taxa 
de nitrogênio no solo é um fator limitante para o 
crescimento da floresta). Mesmo assim, a vegetação 
formada é menos diversificada que a original e ape­
nas cerca de 70% da biomassa original é recuperada, 
de acordo com o estudo.
Figura 17.3 Após uma queimada ocasional, o cerrado se recupera, 
passando pelo processo de sucessão ecológica secundária. Parque 
Nacional do Araguaia, TO. Foto de 2010.
Biologia e ambiente
Culturas agrícolas
As plantações que fornecem alimento ao ser 
humano são ecossistemas simplificados, fora do 
estágio de clímax. As espécies de plantas foram 
selecionadas para proporcionar produtividade 
elevada de alimento (grande número de semen-
tes, como no caso dos cereais e das leguminosas).
Mas esses sistemas são mais sensíveis ao 
ataque de pragas que uma floresta ou outra 
comunidade clímax. Os insetos nocivos à pro-
dução são beneficiados não apenas pela ausên-
cia de predadores e competidores, mas também 
pela farta quantidade de alimento disponível. 
Além disso, eles e os outros organismos para-
sitas, como os fungos, propagam-se com mais 
facilidade por causa da proximidade entre as 
plantas e porque não há vegetais resistentes, 
que poderiam funcionar como barreira.
Outro problema está nas culturas de propa-
gação assexuada, como a cana-de-açúcar, for-
madas por organismos geneticamente idênticos. 
Como há menor variação genética, a população 
é mais suscetível ao ataque de pragas (quando 
há diversas variedades gené ticas, há maior chan-
ce de que alguns indivíduos sejam resistentes e 
sobrevivam).
Nesses casos, passa a ser necessário o uso 
de agrotóxicos ou de outras formas de combate 
às pragas.
2 Sucessão primária 
e secundária
A sucessão que ocorre em uma região totalmen­
te desabitada (sem vida) é chamada primária. Ela 
ocorre, por exemplo, em terrenos cobertos por lava, 
rochas expostas por recuo de geleiras, ilhas vulcâni­
cas ou dunas de areia em formação.
Mas a sucessão pode ocorrer também em plan­
tações abandonadas, matas destruídas por incên­
dios, lagos que secaram ou à beira de estradas. Nes­
ses locais, a vegetação foi parcialmente ou mesmo 
completamente removida, mas o solo não foi des­
truído e ainda persistem sementes ou esporos. No 
ambiente do cerrado, por exemplo, as regiões des­
truídas por incêndios ocasionais são logo recompos­
tas pela sucessão ecológica (figura 17.3).
A sucessão que ocorre em locais já habitados, 
cujo equilíbrio foi rompido por alguma mudança 
ambiental, causada ou não pelo ser humano, é cha­
mada secundária.
O processo de sucessão secundária pode demo­
rar muito tempo. Em 2007 (revista Nature, n. 447, 
p. 995­998, 21 jun.), um grupo de cientistas brasilei­
ros mostrou que leva pelo menos setenta anos pa­
ra que uma floresta desmatada para uso agrícola 
Sucessão ecológica 217
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1. A ilustração a seguir representa os estágios de uma 
área inicialmente desabitada onde se instala, ao 
cabo de muitos anos, uma floresta.
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3
4
50 100 150
Tempo
(em anos)
a) No estágio indicado pelo número 1 são encon­
trados apenas liquens e só depois de muito tem­
po são encontradas pequenas plantas rasteiras. 
Por que os liquens aparecem primeiro e só de­
pois aparecem as primeiras plantas?
b) Um estudante disse que, ao estudar cadeias ali­
mentares, ele aprendeu que a biomassa diminui 
ao longo da cadeia. Por isso, ele afirmou que a bio­
massa também diminui na sequência indicada na 
figura. Você concorda com o estudante? Por quê?
c) Suponha que essa área agora ocupada pela flores­
ta seja desmatada e transformada em pastagem 
e, depois de algum tempo, seja abandonada. Com 
o passar dos anos, o que deve ocorrer no lugar?
2. O tubo digestório de um recém­nascido é estéril. 
Após algum tempo, depois de passar a comer ali­
mentos sólidos, é possível encontrar nele várias 
espécies de microrganismos, como bactérias e fun­
gos. Fazendo uma analogia com o conteúdo deste 
capítulo, que tipo de fenômeno ecológico teria 
ocorrido nessa mudança?
3. (Uerj) Uma pequena e isolada ilha tropical foi de­
vastada por uma grande queimada, que destruiu 
todos os seres vivos ali existentes. Quatro anos 
depois, o solo da ilha apresentava uma cobertura 
de cianobactérias, briófitas, pteridófitas, além de 
algumas fanerógamas. Após dez anos, já existiam 
diferentes representantes de artrópodes e, após 
sessenta anos, a ilha estava novamente coberta 
por uma mata densa, abrigando um grande núme­
ro de espécies animais, incluindo répteis, aves e 
mamíferos. Nomeie o fenômeno ecológico ocorrido 
na ilha ao longo desse período e explique a atuação 
dos primeiros organismos surgidos, após a queima­
da, na recuperação da biodiversidade local.
4. (UFRJ) Dois agricultores possuem, cada um, 10 hec­
tares de mata virgem, que abriga um grande nú­mero de insetos predadores. O primeiro agricultor 
derruba a mata e planta seus 10 hectares com soja. 
O segundo derruba 60% de sua mata, deixando 
40% preservada na forma de várias ilhas de vege­
tação nativa e planta, na parte derrubada, milho, 
soja e feijão, em áreas iguais. Nenhum dos dois usa 
defensivos agrícolas (inseticidas). Qual dos dois 
agricultores corre maior risco de ter sua lavoura 
destruída por pragas? Justifique sua resposta.
5. (UFRGS­RS) Na Floresta Atlântica, várias áreas uti­
lizadas no passado para extração madeireira ou 
para cultivo foram abandonadas e hoje se encon­
tram em processo de sucessão secundária.
Assinale com V (verdadeiro) ou com F (falso) as afir­
mações que seguem sobre esse processo.
( ) Ele se caracteriza, em seu início, pela coloni­
zação de espécies pioneiras, tais como gra­
míneas e vassouras.
( ) As espécies dos estágios iniciais e interme­
diários mantêm­se em locais de estágio 
avançado da sucessão florestal.
( ) As redes alimentares e as interações entre 
espécies tornam­se mais complexas com o 
avanço do processo.
( ) A biodiversidade e a biomassa tendem a um 
aumento progressivo, mesmo quando a co­
munidade atingiu o estágio clímax.
A sequência correta de preenchimento dos parên­
teses, de cima para baixo, é 
a) V – F – V – F. 
b) F – V – V – F.
c) V – V – F – F.
d) F – F – V – V.
e) V – F – F – V.
6. (UFJF­MG) As queimadas, comuns na estação seca 
em diversas regiões brasileiras, podem provocar 
a destruição da vegetação natural. Após a ocor­
rência de queimadas em uma floresta, é correto 
afirmar que:
a) com o passar do tempo, ocorrerá sucessão pri­
mária.
b) após o estabelecimento dos liquens, ocorrerá a 
instalação de novas espécies.
c) a comunidade de clímax será a primeira a se 
restabelecer.
d) somente após o retorno dos animais é que as 
plantas voltarão a se instalar na área queimada.
e) a colonização por espécies pioneiras facilitará o 
estabelecimento de outras espécies. 
7. (Enem) Uma pesquisadora deseja reflorestar uma 
área de mata ciliar quase que totalmente desma­
tada. Essa formação vegetal é um tipo de flores­
ta muito comum nas margens de rios dos cerra­
dos no Brasil central e, em seu clímax, possui 
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X
Atividades
ATENÇÃO!
Não escreva 
no seu livro!
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Capítulo 17218
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