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F o to s : F a b io C o lo m b in i/ A ce rv o d o fo tó gra fo Em alguns casos, podese chegar a uma comu nidade relativamente estável, em equilíbrio com o ambiente físico, que é chamada comunidade clímax. Muitos ecologistas, porém, preferem usar a expres são comunidade madura (falando em comunidades jovens para referirse às etapas anteriores da suces são), pois tal estabilidade é relativa e poderá mesmo nunca ser alcançada se ocorrerem alterações fre quentes no ambiente (como queimadas, furacões ou outros fatores). Em geral, ao longo da sucessão ecológica, ocorre um aumento da biomassa total (quantidade de ma téria orgânica na comunidade; figura 17.2). Também se observa inicialmente um aumento progressivo da biodiversidade, pois novas espécies chegam, novos nichos ecológicos são explorados e as teias alimen tares tornamse mais complexas. Mas esse aumento da diversidade é apenas uma tendência, e não ocor re em todos os tipos de sucessão. A comunidade formada depende do clima e de outros fatores físicos da região. Por exemplo, na Amazônia pode se formar uma floresta tropical; no Canadá, uma floresta temperada ou de pinheiros; no Nordeste do Brasil, uma caatinga. Às vezes, há uma região de transição entre duas comunidades (floresta e campo, por exemplo), em que ocorre uma mescla da flora e da fauna de ambas. Nessa região, há maior diversidade de plantas e de animais e maior competição por espaço e recursos, criando uma “tensão ecológica” entre as comunidades. Por isso, ela é chamada ecótone ou ecótono (do grego oíkos = ambiente; tonus = tensão). Finalmente, devese compreender que os acon tecimentos descritos até aqui são somente um mo delo – na natureza nem sempre a sucessão ocorre da forma descrita. Além disso, embora frequente mente sejam usados apenas o aspecto da vegetação e dos liquens para descrever a sucessão, animais, fungos e microrganismos diversos também fazem parte do processo e interferem nele. Ainda se discute se a estabilidade da comuni dade clímax – isto é, a capacidade de uma comu nidade retornar ao estado anterior quando modi ficada por algum fator ambiental – cresce com o aumento da diversidade de espécies e da comple xidade das teias. Alguns estudos indicam que comunidades com plexas são mais resistentes à invasão de outras es pécies e a alterações provocadas por fatores ambien tais. Por exemplo, estudos mostram que áreas de pradaria que abrigavam maior número de espécies perderam menos variedades vegetais e se recupera ram mais rapidamente após uma seca do que pra darias com menor número de espécies. Inicialmente, instalam-se liquens sobre a rocha. Com o tempo, são criadas condições para o desenvolvimento de musgos. Finalmente, instalam-se bromélias, cactáceas e pequenos arbustos. Figura 17.2 Exemplo de sucessão ecológica em uma rocha nua. Fotografias tiradas em Ubatuba, SP. 2 3 216 1 214_219_U04_C17_Bio_Hoje_vol_3_PNLD2018.indd 216 19/05/16 16:41 P a lê Z u p p a n i/ P u ls a r Im a g e n s recupere o nível de nitrogênio do solo (a baixa taxa de nitrogênio no solo é um fator limitante para o crescimento da floresta). Mesmo assim, a vegetação formada é menos diversificada que a original e ape nas cerca de 70% da biomassa original é recuperada, de acordo com o estudo. Figura 17.3 Após uma queimada ocasional, o cerrado se recupera, passando pelo processo de sucessão ecológica secundária. Parque Nacional do Araguaia, TO. Foto de 2010. Biologia e ambiente Culturas agrícolas As plantações que fornecem alimento ao ser humano são ecossistemas simplificados, fora do estágio de clímax. As espécies de plantas foram selecionadas para proporcionar produtividade elevada de alimento (grande número de semen- tes, como no caso dos cereais e das leguminosas). Mas esses sistemas são mais sensíveis ao ataque de pragas que uma floresta ou outra comunidade clímax. Os insetos nocivos à pro- dução são beneficiados não apenas pela ausên- cia de predadores e competidores, mas também pela farta quantidade de alimento disponível. Além disso, eles e os outros organismos para- sitas, como os fungos, propagam-se com mais facilidade por causa da proximidade entre as plantas e porque não há vegetais resistentes, que poderiam funcionar como barreira. Outro problema está nas culturas de propa- gação assexuada, como a cana-de-açúcar, for- madas por organismos geneticamente idênticos. Como há menor variação genética, a população é mais suscetível ao ataque de pragas (quando há diversas variedades gené ticas, há maior chan- ce de que alguns indivíduos sejam resistentes e sobrevivam). Nesses casos, passa a ser necessário o uso de agrotóxicos ou de outras formas de combate às pragas. 2 Sucessão primária e secundária A sucessão que ocorre em uma região totalmen te desabitada (sem vida) é chamada primária. Ela ocorre, por exemplo, em terrenos cobertos por lava, rochas expostas por recuo de geleiras, ilhas vulcâni cas ou dunas de areia em formação. Mas a sucessão pode ocorrer também em plan tações abandonadas, matas destruídas por incên dios, lagos que secaram ou à beira de estradas. Nes ses locais, a vegetação foi parcialmente ou mesmo completamente removida, mas o solo não foi des truído e ainda persistem sementes ou esporos. No ambiente do cerrado, por exemplo, as regiões des truídas por incêndios ocasionais são logo recompos tas pela sucessão ecológica (figura 17.3). A sucessão que ocorre em locais já habitados, cujo equilíbrio foi rompido por alguma mudança ambiental, causada ou não pelo ser humano, é cha mada secundária. O processo de sucessão secundária pode demo rar muito tempo. Em 2007 (revista Nature, n. 447, p. 995998, 21 jun.), um grupo de cientistas brasilei ros mostrou que leva pelo menos setenta anos pa ra que uma floresta desmatada para uso agrícola Sucessão ecológica 217 214_219_U04_C17_Bio_Hoje_vol_3_PNLD2018.indd 217 19/05/16 16:41 1. A ilustração a seguir representa os estágios de uma área inicialmente desabitada onde se instala, ao cabo de muitos anos, uma floresta. 1 2 3 4 50 100 150 Tempo (em anos) a) No estágio indicado pelo número 1 são encon trados apenas liquens e só depois de muito tem po são encontradas pequenas plantas rasteiras. Por que os liquens aparecem primeiro e só de pois aparecem as primeiras plantas? b) Um estudante disse que, ao estudar cadeias ali mentares, ele aprendeu que a biomassa diminui ao longo da cadeia. Por isso, ele afirmou que a bio massa também diminui na sequência indicada na figura. Você concorda com o estudante? Por quê? c) Suponha que essa área agora ocupada pela flores ta seja desmatada e transformada em pastagem e, depois de algum tempo, seja abandonada. Com o passar dos anos, o que deve ocorrer no lugar? 2. O tubo digestório de um recémnascido é estéril. Após algum tempo, depois de passar a comer ali mentos sólidos, é possível encontrar nele várias espécies de microrganismos, como bactérias e fun gos. Fazendo uma analogia com o conteúdo deste capítulo, que tipo de fenômeno ecológico teria ocorrido nessa mudança? 3. (Uerj) Uma pequena e isolada ilha tropical foi de vastada por uma grande queimada, que destruiu todos os seres vivos ali existentes. Quatro anos depois, o solo da ilha apresentava uma cobertura de cianobactérias, briófitas, pteridófitas, além de algumas fanerógamas. Após dez anos, já existiam diferentes representantes de artrópodes e, após sessenta anos, a ilha estava novamente coberta por uma mata densa, abrigando um grande núme ro de espécies animais, incluindo répteis, aves e mamíferos. Nomeie o fenômeno ecológico ocorrido na ilha ao longo desse período e explique a atuação dos primeiros organismos surgidos, após a queima da, na recuperação da biodiversidade local. 4. (UFRJ) Dois agricultores possuem, cada um, 10 hec tares de mata virgem, que abriga um grande número de insetos predadores. O primeiro agricultor derruba a mata e planta seus 10 hectares com soja. O segundo derruba 60% de sua mata, deixando 40% preservada na forma de várias ilhas de vege tação nativa e planta, na parte derrubada, milho, soja e feijão, em áreas iguais. Nenhum dos dois usa defensivos agrícolas (inseticidas). Qual dos dois agricultores corre maior risco de ter sua lavoura destruída por pragas? Justifique sua resposta. 5. (UFRGSRS) Na Floresta Atlântica, várias áreas uti lizadas no passado para extração madeireira ou para cultivo foram abandonadas e hoje se encon tram em processo de sucessão secundária. Assinale com V (verdadeiro) ou com F (falso) as afir mações que seguem sobre esse processo. ( ) Ele se caracteriza, em seu início, pela coloni zação de espécies pioneiras, tais como gra míneas e vassouras. ( ) As espécies dos estágios iniciais e interme diários mantêmse em locais de estágio avançado da sucessão florestal. ( ) As redes alimentares e as interações entre espécies tornamse mais complexas com o avanço do processo. ( ) A biodiversidade e a biomassa tendem a um aumento progressivo, mesmo quando a co munidade atingiu o estágio clímax. A sequência correta de preenchimento dos parên teses, de cima para baixo, é a) V – F – V – F. b) F – V – V – F. c) V – V – F – F. d) F – F – V – V. e) V – F – F – V. 6. (UFJFMG) As queimadas, comuns na estação seca em diversas regiões brasileiras, podem provocar a destruição da vegetação natural. Após a ocor rência de queimadas em uma floresta, é correto afirmar que: a) com o passar do tempo, ocorrerá sucessão pri mária. b) após o estabelecimento dos liquens, ocorrerá a instalação de novas espécies. c) a comunidade de clímax será a primeira a se restabelecer. d) somente após o retorno dos animais é que as plantas voltarão a se instalar na área queimada. e) a colonização por espécies pioneiras facilitará o estabelecimento de outras espécies. 7. (Enem) Uma pesquisadora deseja reflorestar uma área de mata ciliar quase que totalmente desma tada. Essa formação vegetal é um tipo de flores ta muito comum nas margens de rios dos cerra dos no Brasil central e, em seu clímax, possui X X Atividades ATENÇÃO! Não escreva no seu livro! C a s a d e T ip o s /A rq u iv o d a e d it o ra Capítulo 17218 214_219_U04_C17_Bio_Hoje_vol_3_PNLD2018.indd 218 19/05/16 16:41