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Obtenção de substâncias simples
A eletrólise ígnea é o método utilizado industrialmente para a ob
tenção de metais alca linos (família 1), de metais alcalinoterrosos (famí
lia 2), de alumínio (família 13) e de halogênios (família 17) na forma de
substâncias simples.
Por exemplo, a eletról ise ígnea do cloreto de sódio, Nace(s), que na
temperatura de 800,4 ºC passa para a fase líquida:
Nace(s) -
6
- Nace(e)
Na fase líquida, não existe a organ ização que havia no crista l de
Nace(s). o cloreto de sódio líquido dissocia-se em íons Na1+(e) e ce1-(e),
que adquirem certa mobilidade.
Nace(e) -- Na1+(e) + ce1-(e)
Ao ligar o gerador de corrente contínua, ocorrem os seguintes
fenômenos:
• Os cátions Na1+(e) migram para o cátodo, polo negativo, onde cada
cátion recebe um elétron, sofrendo descarga e se transformando em
sód io metá lico, Na{s).
O metal fica depositado na superfície do cátodo e pode ser recolhido
em um reservatório adaptado ao sistema.
1 Na1+(e) + 1 e- -- 1 Na{s) (redução)
• Os ân ions ce1-(e) migram para o ânodo, polo positivo, onde cada ânion
doa um elétron, sofrendo descarga e se transformando em átomos
de cloro, que imediatamente se combinam dois a dois para formar
moléculas de ce2(g).
2 ce1-(e) -- 2 e- + 1 ce2(g) (oxidação)
O cloro é um gás e borbu lha no ânodo, e deve ser recolh ido por meio
de um tubo de vidro adaptado ao sistema, conforme mostra a ilus
tração a seguir.
• -·
cloreto de sódio
fundido
/
·--
~ ódio m etálico apresenta 7
densidade igual a 0,9712 g/cm3
a 20 ºC, enquanto o cloreto de
sódio apresent a densidade igual
a 2,163 g/ cm3 a 20 ºC. Como a
den sidade do sódio metálico é
bem m enor, à medida que ele vai
sendo formado, passa a ocupar a
parte de cima do eletrodo,
encaminhando-se ao J
servatório. ______ __,
tubo para coleta
de gás cloro
reservatório de
sódio fundido
polo e ou
cátodo (ferro)
polo e ou
cátodo (fe rro)
polo®ou ânodo
(grafita)
Eletrólise ígnea do cloreto de sódio, Nace(e).
Eletrólise com eletrodos inertes 183
Í As pilhas só se formam a partir
de reações espontâneas, nas
quais o sentido do fluxo de
elétrons é do elet rodo mais
reativo para o menos reativo, por
isso a força elet romot riz de uma
pilha será sempre um número
positivo.
A equação global da eletrólise é fornecida pela soma de todas as
~ equaçoes parc1a1s:
Dissociação iônica: 2 NaCe(e) --• ~+
Redução catódica: ~ + ....2---e"""
Oxidação anód ica: .1--G3itr --• ~ +
~ttt
2 Na(s)
c e2(g)
Já um processo de eletrólise é
não espontâneo, e o sentido do
fluxo de elét rons é do ânion para
o cátion. Esse processo só ocorre
com fornecimento de energia
externa. Por isso, a força
eletromotriz em um processo
Reação global: 2 NaCe(e) ---• 2 Na(s) +
Pelos potenciais-padrão de redução, observamos que essa reação
não é espontânea:
2 Na1+(e) + 2 e- :.==== 2 Na(s) E,edução = -2,71 V
l de eletrólise será sempre um
úmero negativo.
2 c e1· (e) :.=====:?:: 2 e- + c e2(g) E ,edução = + 1,36 V
ti.E= E,eduçãodocátodo - E ,eduçãodoânodo • ti.E= - 2,71- (+1,36) •
• ti.E = - 4,07 volts
Por isso, o sinal da fo rça eletromotriz é negativo.
Teoricamente, a diferença de potencial que o gerador de corrente
contín ua deve aplicar entre os eletrodos para obter a descarga dos
íons - que significa ganho de elétrons pelos cát ions e perda de elétrons
pelos ân ions - é ca lcu lada pela força eletromot riz em módulo somada
às resistências elétricas existentes no circuito.
No caso da eletrólise ígnea do cloreto de sódio, o valor da ddp é igual
a 4,07 (desconsiderando qua lquer resistência elétrica no circuito).
Sódio metálico e gás cloro
O sódio metálico é um sólido brando (que
cede facilmente à pressão) e pode ser cortado
com uma faca comum, mas é preciso usar lu
vas de borracha para manuseá-lo e tomar mui
to cu idado.
À temperatura ambiente, possui consis
tência de cera; e se torna quebradiço à baixa
temperatura.
É prateado, oxida rapidamente no ar e
reage violentamente com a água.
Por causa de suas propriedades, tanto a
obtenção como a armazenagem do sódio me
tálico deve ocorrer na ausência de ar.
Em geral, o sódio metálico é armazenado
imerso em óleo mineral ou querosene.
Apresenta risco elevado de incêndio em
contato com a água em qualquer forma. Quei
ma espontaneamente no ar seco quando é
aquecido (nesse caso, para extinguir o fogo,
utiliza-se sal ou cal).
184 Capítulo 6
O cloro é um gás verde-amarelado, de chei
ro sufocante e extremamente tóxico. Apresenta
tolerância máxima igual a 1 ppm/m3 de ar. Foi
usado como arma química pela primeira vez
em 1915, na Primeira Guerra Mundial.
É ut ilizado no tratamento de águas (possui
forte ação bactericida), na fabricação de plásti
cos (como o PVC ou policloreto de vinila - res
ponsável pelo consumo de 40% de todo o cloro
produzido), de solventes (como o tetracloreto
de carbono, cce4), de inseticidas (como o BHC
ou benzeno hexaclorado, C6C€ 6) e de branquea
dores (como o hipoclorito de sódio, Naceo, usa
do no branqueamento da celulose para a fabri
cação de papel).
A indústria alimentícia também utiliza
substâncias cloradas para obter o branquea
mento da farinha de t rigo.
No mundo, a cada ano, são produzidos cer
ca de 36 milhões de toneladas de cloro.
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