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CELULITE E ERISIPELA 
DEFINIÇÃO 
Celulite: Infecção aguda da pele que envolve principalmente a derme e o 
subcutâneo. É caracterizada por: 
• Eritema vermelho (menos intenso que o da erisipela) 
• Bordas mal definidas 
• Progressão rápida 
• Associada a edema, dor, ardor e sensibilidade 
Erisipela: Infecção aguda da derme, mais superficial que a celulite. É 
caracterizada por 
• Eritema vermelho vivo 
• Bordas bem definidas 
• Progressão rápida 
• Edema importante 
• Linfangite e linfadenopatia regional aguda 
 
 
EPIDEMIOLOGIA 
As celulites são afecções comuns. Sua incidência aumenta com a idade, 
assim como a gravidade dos quadros. Também são observados mais casos 
nos meses de verão. 
ETIOLOGIA 
• Erisipelas: Majoritariamente Streptococcus pyogenes 
• Celulites: são causadas principalmente por: 
o Streptococcus pyogenes 
o Staphylococcus aureus 
o Mas podem ser causadas por diversos outros patógenos. 
A erisipela é considerada um tipo de celulite superficial 
GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198
 
 
Em caso de dúvida entre os quadros, considerar como 
celulite 
O mecanismo da infecção usualmente se dá por um rompimento da 
barreira cutânea, principalmente em pacientes portadores de fatores de 
risco. 
FATORES DE RISCO 
Fatores de risco incluem: 
• Tinea pedis 
• Insuficiência venosa 
• Diabetes 
• Tromboflebite 
• Trauma 
• Desnutrição 
• Abuso de álcool ou drogas ilícitas 
• Infecções respiratórias (nos casos de erisipela na face) 
• Obesidade 
• Linfedema 
• Episódios de celulite prévios 
APRESENTAÇÃO 
As principais características das celulites e erisipelas são: 
 
 
GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198
 
 
 
 
Erisipela 
Dermathology atlas; https://www.atlasdermatologico.com.br/disease.jsf?diseaseId=132. 
 
Eritema intenso, com bordas bem delimitadas 
Erisipela 
Dermathology atlas; https://www.atlasdermatologico.com.br/disease.jsf?diseaseId=132. 
 
Eritema (diferenciação mais difícil em fototipos mais escuros) e bolhas 
GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198
 
 
 
 
Majoritariamente, são quadros com síndromes clínicas de fácil 
reconhecimento e não exigem outros exames para o seu diagnóstico. 
Durante a abordagem do quadro, é importante que se avaliem: 
• A presença de fatores de risco 
• Presença de fatores de complicação ou agentes etiológicos 
diferentes (mecanismo incomum, como traumas ou mordidas ou 
presença de imunocomprometimento) 
A lesão da celulite, além das características já descritas, pode se apresentar 
com o aspecto de casca de laranja ou ter vesículas e bolhas. 
 
 
Uma apresentação anômala, com presença de vesículas, bolhas, petéquias, 
equimoses ou necrose dérmica deve levantar a suspeita de infecção por 
estafilococo. 
Celulite infecciosa 
Dermathology atlas; https://www.atlasdermatologico.com.br/disease.jsf?diseaseId=132. 
 
Eritema menos intenso, com bordas mais difusas 
GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198
 
 
LOCALIZAÇÃO 
As celulites ocorrem com mais frequência na perna e a erisipela na perna e 
na face. 
• Perna: Secundária a intertrigo como porta de entrada 
• Face: Secundária a dermatite seborreica 
CELULITE ORBITÁRIA E PERIORBITÁRIA: 
A celulite orbitária é um acometimento grave da região orbital da face, que 
precisa de manejo parenteral e internação. 
Toda celulite facial extensa deve ser avaliada para descartar o risco de 
celulite orbitária. 
 
 
 
 
Celulite periorbitária: infecção palpebral na região anterior ao septo 
orbitário. 
Celulite orbitária: ultrapassa os limites desse septo. 
• Pode ser suspeitada através da presença de diplopia e redução da 
motilidade ocular 
• Extremamente grave, pelo risco de trombose séptica do seio 
cavernoso. 
o Trauma na região orbitária, sinusite, infecção dentária, 
infecção de pele, amigdalite, conjuntivite, estado gripal, 
varicela e disseminação 
hematogênica 
 
Celulite orbitária 
Eye wiki; https://eyewiki.aao.org/Orbital_Cellulitis 
 
Eritema, edema e secreção purulenta em lactente de 
8 meses com história de infecção de trato respiratório 
recente. 
Marcação em azul é utilizada para acompanhar 
progressão do eritema 
GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198
 
 
 
EM CASO DE SUSPEITA DE ACOMETIMENTO ORBITÁRIO OU CELULITE FACIAL 
EXTENSA, É IMPORTANTE ENCAMINHAR O PACIENTE PARA AVALIAÇÃO EM 
PRONTO ATENDIMENTO. 
COMPLICAÇÕES LOCAIS 
• Múltiplos episódios de erisipela podem levar à destruição dos vasos 
linfáticos, com o surgimento de um edema não compressível crônico 
– linfedema crônico 
 
 
 
Erisipela bilateral, Azulay; Dermatologia 
Erisipela bilateral, já com algum grau de linfedema 
Celulite periorbitária 
Pubmed; https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27056016/ 
 
Eritema e edema palpebral à direita 
GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198
 
 
• Elefantíase nostra: estágio final das erisipelas de repetição, 
surgimento de lesões exofíticas e vegetativas nos membros, 
associadas ao linfedema 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS 
Alguns diagnósticos diferenciais importantes a se considerar são: 
• Trombose venosa profunda 
• Tromboflebite 
• Fasciite necrosante 
• Picadas e ferroadas de inseto 
• Farmacodermias 
• Linfedema primário 
 
 
 
 
 
 
 
Elefantíase nostra, Azulay; Dermatologia 
 
GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198
 
 
TRATAMENTO 
• O tratamento é quase sempre ambulatorial, exceto se: 
o Sintomas sistêmicos (febre, hipotensão, taquicardia, 
taquipneia) 
o Progressão rápida do eritema (duplicação da área de 
extensão do eritema em 24h ou menos) 
o Eritema muito extenso 
o Imunocomprometimento (neutropenia, uso de 
quimioterápicos) 
• A terapia é empírica e deve cobrir estreptococos e estafilococos 
o Realizado com penicilinas ou cefalosporinas de primeira 
geração 
▪ Clindamicina, 300 a 450mg, via oral, de 6/6h 
▪ Cefalexina, 250 a 500 mg, via oral, de 6/6h 
▪ Amoxicilina + clavulanato, 500+125 mg, via oral, de 
8/8h 
▪ Sulfametoxazol+trimetoprima, 400+ 80mg, 2 
comprimidos por via oral de 12/12h 
o Duração entre 5-14 dias, conforme melhora clínica 
• Medidas gerais: 
o Repouso com membros elevados 
o Compressas frias 
o Desbridamento, caso necessário 
o Tratar fissuras, descamação ou maceração reduz a 
incidência de infecções recorrentes 
AVALIAÇÃO DA RESPOSTA AO TRATAMENTO 
• Melhora sintomática entre 24h e 48h 
• Melhora visível das lesões de pele a partir de 72h 
o Pode existir um discreto aumento da lesão ou eritema mais 
intenso no início do tratamento – não deve ser considerado 
falha terapêutica 
 
 
 
 
GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198
 
 
RECORRÊNCIAS 
A recorrência de celulites e erisipelas não é incomum. Durante um episódio 
agudo, devem ser manejadas com antibioticoterapia e após sua resolução, 
avaliar fatores de risco e intervir no que for necessário 
 
Recorrências frequentes - 3 a 4 episódios anuais mesmo com tratamento de 
fatores predisponentes - podem ser tratadas com terapia supressiva: 
• Penicilina benzatina, 1.200.000 U a 2.400.000 IM a cada 4 semanas 
o Se suspeita de estreptococo 
• Cefalexina 500mg via oral, 4x ao dia 
• Sulfametoxazol+trimetoprima 400+80mg 2 comprimidos VO 2x ao dia 
A RECORRÊNCIA APÓS O FINAL DA TERAPIA SUPRESSIVA É SIGNIFICATIVA, ENTÃO O 
IDEAL É UTILIZAR O PERÍODO DE USO DA MEDICAÇÃO (QUE PODE SE ESTENDER POR 
MESES, SE NECESSÁRIO) PARA O TRATAMENTO DAS CONDIÇÕES PREDISPONENTES À 
INFECÇÃO 
 
 
 
 
 
Para pacientes com episódios recorrentes de celulite no contexto de 
insuficiência venosa crônica dos membros inferiores ou linfedema, a terapia 
de compressão é um componente essencial do tratamento que se mostrou 
eficaz na redução de episódios de celulite recorrente 
GABRIELA BERTOLETTIOLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198
 
 
REFERÊNCIAS 
AZULAY, R. D. Dermatologia, 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 
FIGUEIREDO, I. B. 
BMJ Best Practice. Disponível em: <https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-
br/63/diagnosis-approach>. Acesso em: 6 mar. 2023. 
Erysipelas - Pictures. Disponível em: 
<https://www.atlasdermatologico.com.br/disease.jsf?diseaseId=132>. Acesso em: 9 
mar. 2023. 
UpToDate. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/acute-cellulitis-
and-erysipelas-in-adults-
treatment?search=erisipela&source=search_result&selectedTitle=1~32&usage_type=
default&display_rank=1>. Acesso em: 9 mar. 2023. 
 
GABRIELA BERTOLETTI OLMI - gbolmi@ucs.br - IP: 177.75.149.198

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