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07/05/20224 Professor André Dafico Direito Civil 1. Negócio Jurídico: (ESTÁ DENTRO DO LIVRO III – DOS FATOS JURÍDICOS DO CC) -> os efeitos são escolhidos pelas partes, artigo 104 Pontes de Miranda apontou três planos de caracterização do Negócio Jurídico para que o mesmo seja compreendido pelo ordenamento jurídico: existência, validade e eficácia. Atenção para a DIFERENÇA entre ato x fato jurídico x negócio jurídico!! · Fato jurídico Strictu Sensu: qualquer acontecimento DA NATUREZA que tenha relevância no mundo jurídico, PODERÁ ser: · ORDINÁRIO: comum, provável de ocorrer (Ex.: uma senhora de 101 anos vir a óbito); · EXTRAORDINÁRIO: improvável (Ex.: enchentes no Rio Grande do Sul ). · Ato Jurídico Latu Sensu: conduta HUMANA . Poderá ser · ATO JURÍDICO STRICTU SENSU: os efeitos são PREDETERMINADOS EM LEI (Ex.: os efeitos de uma ADOÇÃO são para a toda a vida, e não podem ser escolhidos pelas partes – será filho para sempre) · ATO-FATO (Teoria desenvolvida por Pontes de Miranda – é uma conduta humana desprovida de VOLUNTARIEDADE E CONSCIÊNCIA) – Ex.: mandar uma criança de 10 anos ir comprar uma bala na padaria. É absolutamente incapaz, o negócio jurídico será NULO quando celebrado menor absolutamente incapaz. art 166, I CC. Ex.2: União estável – Casal namora há mais de 10 anos, e acha que apenas namora, mas se configura UNIÃO ESTÁVEL, mesmo sem a consciência do casal. · NEGÓCIO JURÍDICO: ART. 104 CC -> Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I - agente capaz (de fato/exercício) -> maior de 18 anos, ou relativamente incapaz emancipado (maior de 16 anos); -> OBS: Além da capacidade, deverá haver LEGITIMIDADE. II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei. Contrato inválido: será NULO ou ANULÁVEL: - NULO: art. 166 CC -> "Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz (menor de 16 anos); II - for ilícito, impossível ou indeterminável seu objeto; -> Ex.: venda de imóvel de 3° (Ex.: pai no hospital quase falecendo, tento vender o imóvel dele ANTES de sua morte); Não pode ser objeto de contrato herança de pessoa viva. ART. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV - não revestir a forma prescrita em lei; -> princípio da LIBERDADE DAS FORMAS, salvo quando a lei expressamente o exigir -> art. 107 do CC: A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. ***Exemplo que dependerá de forma específica para a validade, prevista em LEI: art. 108 CC -> vou receber uma doação de um imóvel R$ 500.000,00, deverá haver uma ESCRITURA PÚBLICA para que esse negócio seja VALIDO. Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a ESCRITURA PÚBLICA é essencial à VALIDADE dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de DIREITOS REAIS sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. (posse - EX.: ALUGUEL - NÃO é direito real Direitos Reais ART. 1225 CC: I - a propriedade; II - a superfície; III - as servidões; IV - o usufruto; V - o uso; VI - a habitação; VII - o direito do promitente comprador do imóvel; VIII - o penhor; IX - a hipoteca; X - a anticrese. -> Haverá a transferência da propriedade, configurando direito REAL e se dará mediante ESCRITURA PÚBLICA. V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção." OBS: art. 169 CC -> o negócio jurídico NULO nunca vai ser um negócio válido/convalidado. Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado. · Se negócio nulo, deve-se ingressar com ação DECLARATÓRIA de NULIDADE, sem prazo para ser interposta. - ANULÁVEL: art. 171 CC MNEMÔNICO: ARI 6 - agente relativamente incapaz Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: I - por incapacidade relativa do agente; II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. Obs: PODERÁ ser convalidado/CONVALESCER. · Caso queira anular um negócio jurídico, deverá ser interposta uma AÇÃO CONSTITUTIVA, e o prazo será DECADENCIAL. Prazo para anulação será de 4 ANOS -> Art. 178. “É de quatro anos o prazo de DECADÊNCIA para pleitear-se a ANULAÇÃO do negócio jurídico, contado: I - no caso de coação, do dia em que ela cessar; II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.” - Caso a lei não estabeleça prazo -> será de 02 ANOS a contar da data da conclusão do ato. ***Principais DIFERENÇAS: · Nulo : não convalesce; DEVE ser reconhecida a nulidade de ofício pelo juiz (art. 168, § único). · Anulável: convalesce, DEPENDE de provocação/REQUERIMENTO da parte, o juiz não poderá reconhecer de ofício, ART. 177 CC -> A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia de ofício; SÓ OS INTERESSADOS A PODEM ALEGAR, e aproveita exclusivamente aos que a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade. ***Semelhanças: ambos irão RETROAGIR para voltar ao estado anterior. ART. 182 CC -> Art. 182. Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam, e, não sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente. 2. Defeitos: I. ERRO: o agente quer uma coisa e pratica outra, e comete o equívoco SOZINHO/ FALSA percepção da realidade. Ex1.: Tadeu foi comprar um quadro da Monalisa em leilão, mas acaba comprando uma réplica sem saber. Ex2.: Mulher bem vestida chega em uma feira beneficente, e vê um faqueiro, e julga ser de prata, e estar saindo no lucro. Então, ofereceu 8 mil reais. O vendedor achou que ela estava sendo benevolente, e o vendeu. Porém, se tratava de um faqueiro de metal comum. O negócio é anulável? “Art. 138 - É anulável o negócio jurídico quando a declaração de vontade emanar de erro substancial que, EM FACE DAS CIRCUNSTÂNCIAS DO NEGÓCIO, POSSA SER PERCEBIDO, PELA OUTRA PARTE, USANDO DE DILIGÊNCIA NORMAL.” * Na sistemática do art. 138, é irrelevante ser ou não escusável o erro, porque o dispositivo adota o princípio da confiança. · RESPOSTA: O negócio FOI VÁLIDO, mesmo que o erro seja substancial PELO ALTO VALOR, O VENDEDOR não tinha qualquer motivo para suspeitar do engano de mulher, e qualquer outra pessoa no lugar dele não suspeitaria do erro. Para que o negócio pudesse ser anulável, O VENDEDOR deveria ter conhecimento do engano da MULHER, o que não ocorreu. II. DOLO: Art. 145 CC - São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, QUANDO ESTE FOR A SUA CAUSA -> ESSENCIAL. Tipos de DOLO: · poderá ser ACIDENTAL (art. 146 CC -> O dolo acidental só obriga à satisfação das PERDAS E DANOS ( não irá ANULAR), e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo. Ex.: só comprou um carro porque o vendedor MENTIU sobre a qualidade do carro. · Poderá ser por OMISSÃO ( Art. 147 CC -> Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado. -> Ex.: vou comprar um relógio pra minha mãe, alérgica a bijouteria, so pode usar de ouro. Falei para a vendedora sobre a alergia. Depois, vejo um relógio bonito, mas que não é de ouro E COMPRO. A vendedora sabia da alergia, mas não se opôs à venda. Houve dolo por omissão. · Poderá ser dolo de TERCEIRO: art. 148 CC -> Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro, se a parte a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento;em caso contrário, ainda que subsista o negócio jurídico, o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou. Ex.: Carlos está vendendo um lote para o cliente. Carlos vai ao banheiro, e o colega de trabalho João fala super bem do lote para o cliente de Carlos, e o convence a comprá-lo. Quando Carlos volta do banheiro, o cliente compra o lote de Carlos, acreditando ser bom, mas na verdade, João mentiu e o lote era péssimo. Hipóteses: · Se CARLOS SABIA da mentira do colega -> ele agiu com dolo, o negócio será anulado. · Se CARLOS NÃO SABIA DA MENTIRA -> o negócio NÃO SERÁ ANULADO, e João responderá por PERDAS E DANOS. · Poderá ser por COAÇÃO MORAL DE TERCEIRO: O TERCEIRO responderá por PERDAS E DANOS SOLIDARIAMENTE e o negócio será ANULADO, SE O TERCEIRO SABIA – Art. 154. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos. ***ANULAÇÃO + PERDAS E DANOS*** Aqui, a coação deverá ser moral, nos termos do art. 151 CC -> A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente FUNDADO TEMOR DE DANO IMINENTE E CONSIDERÁVEL À SUA PESSOA, À SUA FAMÍLIA, OU AOS SEUS BENS. · Poderá ser por ESTADO DE PERIGO: art. 156 CC - Configura-se o estado de perigo quando alguém, PREMIDO DA NECESSIDADE DE SALVAR-SE, OU A PESSOA DE SUA FAMÍLIA, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação EXCESSIVAMENTE onerosa. Ex.: preciso comprar um apto para minha filha, que foi despejada. O VENDEDOR SABE DO DESPEJO, e subiu o valor do imóvel, que era de 300 mil, para 800 mil, e eu comprei. **NÃO SERÁ anulado o negócio se for oferecido o SUPLEMENTO SUFICIENTE ou parte favorecida CONCORDAR COM A REDUÇÃO DO PROVEITO. Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o JUIZ DECIDIRÁ SEGUNDO AS CIRCUNSTÂNCIAS. -> Ex.: juiz pode considerar estado de perigo se eu vender um imóvel com valor muito abaixo do valor de mercado para pagar o sequestro da Dona Rosa, minha diarista, e minha 3 pessoa favorita, tendo apenas 2 familiares à frente – FORTE VÍNCULO. · Poderá ser por LESÃO: art. 157 CC -> Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta”. – A outra parte NÃO sabe da necessidade/lesão. **NÃO SERÁ anulado o negócio se for oferecido o SUPLEMENTO SUFICIENTE ou parte favorecida CONCORDAR COM A REDUÇÃO DO PROVEITO. Prazo decadencial de 4 ANOS -> ação declaratória Não se decreta a anulação do negócio -> § 2º Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. · Poderá ser por FRAUDE CONTRA CREDORES: art. 158 CC -> Os negócios de TRANSMISSÃO GRATUITA DE BENS OU REMISSÃO DE DÍVIDA, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão SER ANULADOS PELOS CREDORES QUIROGRAFÁRIOS (que ficaram na MÃO/SEM GARATIA), como lesivos dos seus direitos. Ex.: Uma pessoa solicita empréstimo a uma empresa com a intenção de não pagar as parcelas da sua dívida. Uma vez que o crédito é concedido, ela transfere a titularidade dos seus bens para um terceiro, ciente dos objetivos e prejudicando, assim, a empresa credora. AÇÃO PAULIANA -> AÇÃO ANULATÓRIA POR RAUDE CONTRA CREDORES. CASOS DE COMPRA E VENDA/ contratos ONEROSOS: Art.159. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, QUANDO A INSOLVÊNCIA FOR NOTÓRIA, OU HOUVER MOTIVO PARA SER CONHECIDA DO OUTRO CONTRATANTE. -> OBS: João VAI COMPRAR UM IMÓVEL PARA A AMANTE. Se a escritura de compra e venda PARA A AMANTE for falsa, será um negócio jurídico SIMULADO/ mentiroso, e será NULO – não há PRAZO e não convalesce com o tempo (não será anulável), se fizesse uma DOAÇÃO falsa para a amante, continua valendo a verdade do que se simulou (SUBSISTIRÁ O QUE SE DISSIMULOU – A VERDADE, PODERÁ SER ANULADO). Art. 550 CC - A doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice pode ser anulada pelo outro cônjuge, ou por seus herdeiros necessários, até dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal. · Exceção: SANATÓRIA Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade. ( QUANDO HOUVER VÍCIO DE FORMA). Não há para negócios ilícitos. image1.png image2.jpeg