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RESUMO - P3
DA REPRESENTAÇÃO:
Representação significa a atuação jurídica em nome de outrem.
Constitui a verdadeira legitimação que nasce da lei ou do contrato,para agir
por conta de outrem - Art 115 do CC
Espécies de representação: Art 115 - 120
A Representação Legal deferida pela lei aos pais,tutores,curadores,síndicos
,administradores e etc. Sendo uma atividade obrigatória(munus público),
instituída em razão de cuidar dos interesses de pessoas incapazes,suprindo a
falta de capacidade,tendo caráter personalíssimo e indelegável. Também pode
ocorrer a representação legal de pessoas capazes em diversas situações.
Alguns documentos que oferecem prova de representação são certidão de
nascimento,termo de tutela,ata de condomínio,contrato social, procuração
etc.
A Convencional ou voluntária se dá quando decorre de negócio jurídico
específico onde o representado concede poderes a uma pessoa de sua
confiança para agir em seu nome, geralmente através de um contrato de
mandato ou uma procuração, onde é concedido ao mandatário poderes para
administrar os interesses do representado,sendo caracterizada pelo propósito
de cooperação jurídica. A representação voluntária é semelhante à
convencional, porém acontece de forma menos formal. Em geral, ocorre
quando alguém age em nome de outra pessoa sem que haja um documento
formal como uma procuração. Embora tenha elementos de autonomia, ainda
pode ser formalizada.
Podem ser revogadas a qualquer tempo pelo representado ao contrário da
representação legal, sendo um acordo de vontade escrita ou verbal com
poderes gerais específicos.
Espécies de representantes:
Representante Legal é o que decorre da lei,a quem se confere os poderes de
administração, como pais em relação aos filhos ,tutores e tutelados e
curadores e curatelados.
O representante Judicial é nomeado pelo Juíz para exercer representação no
processo,como o inventariante, administrador da empresa penhorada e
massa falida. Neste caso, a representação decorre de uma imposição da
legislação, e o representado não pode escolher quem será o seu
representante.
O representante convencional é aquele que recebe poderes de uma outra
pessoa (o representado) para agir em seu nome por meio de um contrato ou
procuração. A representação é baseada em um acordo de vontades, ou seja, o
representado escolhe livremente seu representante.
EFEITOS DA REPRESENTAÇÃO
Artigo 116 - CC
A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes,
produz efeitos em relação ao representado.
-> os atos que o representante pratica em nome do representado, dentro dos
limites dos poderes que lhe foram conferidos, vinculam diretamente o
representado. Isso significa que o ato jurídico é válido e eficaz em relação ao
representado, gerando direitos e obrigações como se ele mesmo tivesse
praticado o ato.
Artigo 117 - CC
"Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico
que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar
consigo mesmo.
-> O Código Civil também estabelece que, caso o representante exceda os
limites dos poderes conferidos ou desvie a finalidade da representação, o ato
praticado não vincula o representado, a menos que este o ratifique. A
ratificação, nesse caso, consiste em uma manifestação de vontade posterior
do representado, aceitando o ato praticado em excesso ou desvio.
O art 117 dispõe que são anuláveis os negócios em que o representante age
em interesse próprio, A SALVO SE permitir a lei ou o representado. Este artigo
trata da hipótese do contrato com si mesmo “(AUTOCONTRATAÇÃO POR
CAUSA SUBJETIVA) quando o próprio representante atua sozinho declarando
duas vontades, mas por meio de terceira pessoa, sub estabelecendo-a com ou
sem reserva de poderes (ato pelo qual o representante transfere a outrem os
poderes concedidos pelo representado a terceira pessoa)
- Ocorre dupla representação quando ambas as partes são representadas
com o mesmo representante. Pode ocorrer desde que não haja violação do
código de ética(não pode ser fofoqueiro e privilegiar uma das partes)
- Quando o Representante é a outra parte do negócio,exercendo dois papéis
distintos, sendo chamado de mandato de causa própria. Nesta situação, o
representante entra na função de vendedor e comprador através de um
mandato de dupla qualidade. Porém, não pode ocorrer quando o
representante passa a lesar os interesses do representado,sendo anulável o
negócio jurídico, culpando apenas o representante.
Artigo 118 - CC
O representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar em nome
do representado, a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena
de, não o fazendo, responder pelos atos que a estes excederem.
-> Assim, o seu cliente OUTORGA UM MANDATO para você
(advogado/representante), agir em seu nome. Este que prevê os poderes
específicos e gerais, como por exemplo o poder de comprar e vender
imóveis,que deve estar expresso na procuração,como garantia da proteção
dos interesses do representado.
Artigo 119 - CC
É anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de
interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser do
conhecimento de quem com aquele tratou.
-> O art 119 trata da anulação do negócio em caso de conflito de interesses de
causa subjetiva, onde se torna requisito o conhecimento do terceiro
beneficiado do conflito de interesses entre representado e representante.
PARAGRAFO UNICO: o prazo para interpor a ação é de 180 dias,contado a
partir do momento em que o negócio jurídico foi concluído ou cessação da
capacidade, lembrando que o DIREITO NÃO SOCORRE QUEM DORME
Em geral o conflito de interesses se dá sobre abuso de direito(Atuação de um
falso procurador) e excesso de poder(quando o representante ultrapassa os
limites de seu poder)
EXEMPLO:
Imagine que Carlos outorga uma procuração a João para vender um imóvel
de sua propriedade. João, no entanto, faz o contrato de compra e venda do
imóvel em seu próprio nome, sem mencionar diretamente que estava agindo
em nome de Carlos.
● João vende o imóvel a Ana, celebrando o contrato em seu próprio nome,
mas dentro dos poderes que Carlos lhe concedeu (vender o imóvel por
determinado preço).
Mesmo João não tendo explicitado no contrato que estava representando
Carlos, o negócio é válido e vinculante para Carlos (o representado), desde que
João tenha agido dentro dos limites dos poderes conferidos pela procuração.
EFICÁCIA DO NEGÓCIO JURÍDICO: DA CONDIÇÃO,DO TERMO E DO ENCARGO
art 121 - 137
No Direito Civil brasileiro, a eficácia dos negócios jurídicos pode estar
condicionada à ocorrência de certos eventos futuros ou à imposição de
determinados requisitos. Esses elementos são chamados de condição, termo e
encargo, e influenciam quando e como os efeitos de um negócio jurídico irão
se concretizar. Em regra todo negócio jurídico existente e válido
Condição 121-130
A condição é um evento futuro e incerto que decorre da vontade das partes,
cuja ocorrência ou não determina o início ou a extinção dos efeitos do
negócio jurídico. Em outras palavras, a eficácia do negócio depende da
realização ou não desse evento.Toda condição deve ser LÍCITA.
Tipos de Condição:
Condição suspensiva: Os efeitos do negócio jurídico só começam a existir SE a
condição for cumprida. Até que a condição ocorra, o negócio é considerado
como "pendente" ou ineficaz.
Exemplo: Um pai promete doar uma casa ao filho, se ele se formar na
universidade. A formação é o evento futuro incerto, e só com sua realização a
doação terá eficácia.
.->>No art 126.Os negócios celebrados durante o estado de pendência da
condição suspensiva são VÁLIDOS.Se a condição suspensiva do primeiro
negócio se concretizar, as novas disposições feitas sobre o bem durante o
período de pendência (ou seja, antes da realização da condição) serão
anuladas, caso sejam incompatíveis com o que foi pactuado inicialmente.
.->>No art 129. Se uma parte maliciosamente impedir a ocorrência de uma
condição(seja ela suspensiva ou resolutiva) que lhe seria desfavorável, a
condiçãoserá considerada cumprida.Em outra situação, se uma parte
maliciosamente provocar a realização de uma condição que lhe seria
favorável, a condição será considerada não cumprida.
Condição resolutiva (art 127): Os efeitos do negócio jurídico cessam QUANDO
a condição ocorre. O negócio é válido desde o início, mas seus efeitos são
extintos quando a condição se concretiza.
Exemplo: Um proprietário aluga um imóvel, com a condição de que o contrato
será encerrado se o proprietário decidir vender o imóvel. Caso o proprietário
venda, o contrato de locação se extinguirá
.->>No art 124. Se a condição resolutiva for impossível,não se realizará,logo o
negócio jurídico é inexistente ou chamado de não-condição.
.->>No art 130. garante ao titular de um direito eventual — aquele que ainda
depende da ocorrência de uma condição suspensiva ou resolutiva — a
possibilidade de praticar atos destinados a conservar esse direito, mesmo
que a condição ainda não tenha se verificado.
>> no caso de uma condição SUSPENSIVA (futuro incerto): Maria promete doar
um imóvel a João, se ele concluir um curso universitário. Durante esse
período, João pode tomar medidas para proteger o imóvel (como impedir que
ele seja deteriorado ou ocupado por terceiros), mesmo que a doação ainda
não tenha sido efetivada, pois a condição (conclusão do curso) ainda não
ocorreu. O titular do direito eventual pode tomar medidas para proteger seu
direito futuro.
>> no caso de uma condição RESOLUTIVA (ao acontecer extingue o direito):
Carlos vende um terreno a Pedro, mas a venda será resolvida (cancelada) se
Pedro não pagar a última parcela do preço. Enquanto isso, Carlos, como
titular do direito eventual, pode tomar medidas para conservar seu direito de
reaver o terreno, caso Pedro não cumpra a condição (pagamento). O titular
pode tomar medidas para conservar seu direito até que a condição ocorra ou
não.
Fundamento legal:
● Art. 121, CC: "Subordinam-se os efeitos do negócio jurídico ao evento
futuro e incerto, a que se chama condição, quando dele fizer depender
a eficácia ou a resolução do negócio."
Condição Perplexa: É uma condição contraditória ou confusa, que torna o
negócio jurídico impossível de ser cumprido. A condição é inválida porque é
impossível de ser cumprida.
Exemplo: "Você pode vender o imóvel, mas também não pode vendê-lo."
Condição Puramente Potestativa: Depende exclusivamente da vontade de uma
das partes, geralmente o devedor.Se depender apenas da vontade do devedor,
a condição é nula porque gera insegurança jurídica. Pode ser válida se
depender da vontade do credor.
Exemplo: "Te dou o carro se eu quiser."
Ambas afetam a validade do negócio jurídico, sendo a condição perplexa
sempre inválida, e a puramente potestativa nula quando depender apenas da
vontade de uma parte.
Fundamento Legal:
● Art. 122, CC: "São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à
lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as que se têm por
inexistentes, incluem-se as que privarem de todo efeito o negócio
jurídico, ou sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes a sua eficácia
ou resolução."
● Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados:
I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando
suspensivas;
II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita;
III - as condições incompreensíveis(CONGRUÊNCIA DO CONTEÚDO) ou
contraditórias(PRIVAM O NEGÓCIO JURÍDICO DE TODO EFEITO.)
Termo (Artigos 131 a 135 do Código Civil)
O termo é um evento futuro e certo(vai acontecer), que marca o início ou o fim
dos efeitos de um negócio jurídico. A diferença entre a condição e o termo é
que, no caso do termo, o evento é certo de acontecer, restando apenas saber
quando ocorrerá.
Tipos de Termo:
Termo inicial(suspensivo ou dilatório): O termo indica o momento a partir do
qual o negócio jurídico começa a produzir efeitos(Dies a quo - partir). O
negócio é válido, mas seus efeitos só se darão a partir da data ou do evento
especificado.
Exemplo: Um contrato de trabalho que prevê o início das atividades no dia 1º
de janeiro de 2025. Até essa data, o contrato existe, mas seus efeitos só
começarão a valer a partir do dia 1º de janeiro de 2025.
Termo final(resolutivo ou peremptório): O termo indica o momento em que
cessam os efeitos do negócio jurídico(Dies ad quem). Até esse momento, o
negócio é válido, mas após a ocorrência do evento ou data, seus efeitos
terminam.
Exemplo: Um empréstimo concedido por um ano, com data final de 31 de
dezembro. Após essa data, os efeitos do contrato de empréstimo cessam.
Fundamento legal:
● Art. 131, CC: "O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição
do direito. O termo final extingue o direito, salvo quando ajustado pelas
partes ou pela natureza do negócio."
.->>No art 132. Trata de regras para o cômputo de prazos,ele especifica:
exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento do prazo;
prorrogação do prazo em caso do último dia ser feriado; o décimo quinto dia
do mês é considerado o meado; prazos de meses e anos expiram no dia
correspondente ao início; prazos fixados em horas serão contados de minuto
a minuto.
->>No art 133. Os prazos se presumem de maneira favorável ao devedor, salvo
se for estabelecido em favor do credor
->>No art 134. Caso o negócio não tenha estabelecido prazo de vencimento o
benefício é do credor,poderá ele cobrar quando quiser.
3. Encargo (Artigos 136 a 137 do Código Civil)
O encargo, também conhecido como modo, é uma obrigação imposta a uma
das partes como condição(ÔNUS) acessória para a validade ou continuidade
do negócio jurídico. Ele normalmente aparece em doações ou liberalidades,
nas quais o beneficiário deve cumprir alguma condição.
Diferente da condição e do termo, o encargo não é um evento futuro e
incerto, mas sim uma obrigação adicional imposta ao beneficiário de um ato
de liberalidade. O descumprimento do encargo pode extinguir o direito ou
afetar a eficácia do negócio jurídico. Se caso houver condição suspensiva, o
encargo só começará a valer a partir da realização. Se não for cumprido o
encargo, ele terá sua liberalidade revogada.
Exemplo:
● Doação com encargo: Um empresário doa uma quantia em dinheiro a
uma ONG, com a condição de que a organização utilize o valor
exclusivamente para a construção de uma escola. O encargo (a
construção da escola) é uma condição adicional para que o negócio
jurídico seja plenamente eficaz.
-> No art 137. Se o encargo for ilícito ou impossível não afeta a eficiência
do negócio jurídico, mas se revoga o próprio encargo. Se o encargo for
o motivo determinante invalida-se todo negócio jurídico
‘’SE, ENQUANTO’’
‘’QUANDO’’
‘’COM FIM DE, E PARA QUE’’
Resumo da parte 2- P3
Defeitos do negócio jurídico
São vícios na declaração de vontade, que resultam na invalidade
(anulabilidade) do negócio jurídico. Quando essa manifestação de vontade
tiver divergência, ou seja, um defeito.
Invalidade:
-Anulabilidade: permite que os negócios jurídicos sejam reaproveitados,
convalidados pelas partes, ou seja, um efeito que permite que as partes
concertem e reaproveitem o negócio jurídico, por exemplo, uma manifestação
de vontade feita de maneira inadequada.
-Nulidade: Não permite o aproveitamento do negócio.
Dentre os defeitos é possível citar os dois tipos de vícios: o de consentimento
e o social.
O vício do consentimento ocorre quando há uma divergência entre a
manifestação de vontade da parte e sua real intenção.
Ex.: “Eu não queria ter manifestado minha vontade dessa forma.” Mas é
possível consertar pela anulabilidade.
O vício social ocorre quando a vontade é manifestada por uma parte com
intenção de prejudicar a outra. Ele é mais grave que o vício de consentimento.
Eles causam muitas consequências para a sociedade.
Ex.: pessoas que compram muitas coisas, mas não possuem bens em seus
nomes, pois transferiram para outras com a intenção de contrair dívidas e não
ter patrimônio para pagá-las. Ou seja, essa pessoa tem a intenção de
prejudicar seus credores. Este é o caso da fraude contracredores.
.
Neste caso, os credores entram com uma ação chamada Ação Pauliana. Ela é
uma ação revocatória que busca anular os negócios jurídicos feitos pelos
devedores. Só pode ser proposta pelos credores que já o eram na época da
fraude contra o devedor insolvente e contra as pessoas que celebraram os
negócios jurídicos com o fraudador.
Há também, casos de devedores que perdoam as dívidas de terceiros em
busca de não receber o que lhes era devido para não ter condições de pagar
o que deve. Este é o caso da remissão, ou seja, perdão das dívidas.
A Ação Pauliana tem como objetivo recompor o patrimônio do devedor antes
da fraude ou vício visando o pagamento das dívidas contraídas aos credores
e, portanto, anulando os negócios fraudulentos. Esta ação tem um prazo de 4
anos para ser proposta a partir da celebração do negócio fraudulento.
Da mesma maneira, é possível os bens estarem em nomes de terceiros (os
laranjas ou testa de ferro), e ele passa a ser considerado o proprietário de
determinado bem, com a intenção de prejudicar credores. Esta é a chamada
simulação. Isso ocorre muito em casos de divórcio litigioso, onde um dos
cônjuges tira tudo do nome dele para a outra parte não receber nada. Dentro
dela também há a possibilidade de pessoas que falsificam documentos,
pré-datam ou pós-datam eles.
Classificação dos Vícios:
● Vícios de Consentimento: Erro, dolo, coação, estado de perigo, e lesão.
● Vícios Sociais: Fraude contra credores e simulação.
Afastamento da fraude (art. 160)
Não invalida o negócio jurídico. Isso ocorre quando um terceiro adquire um
bem de um devedor sem saber que aquele bem seria usado para quitar uma
dívida e para evitar ser responsabilizado judicialmente, esse comprador,
quando toma conhecimento do ocorrido, paga o valor diretamente para o
credor, se assim for aceito e se afasta de ser réu.
Erro ou ignorância (art. 138/ 139/ 140/ 141/ 142)
Quando uma pessoa se engana ao manifestar sua vontade, seja por erro
substancial ou acidental. O erro substancial pode anular o negócio jurídico,
enquanto o erro acidental não gera anulabilidade.
Ex.: pessoas que depositam sem querer dinheiro na conta de outras pessoas.
Neste caso, é possível alegar a anulabilidade do negócio jurídico e pedir para
que a pessoa que recebeu esse dinheiro equivocado devolva-o pois ocorreu
um erro ou ignorância.
Existem dois tipos de erro:
o ERRO SUBSTANCIAL que incide no objeto, na pessoa ou a qualidade da
pessoa e do objeto; e os erros acidentais, que podem ser erros de cálculo,
quando se escreve o nome de uma pessoa, mas era de outra.
Os ERROS ACIDENTAIS não geram a anulabilidade do negócio jurídico,
somente os erros substanciais geram a anulabilidade, não precisa fazer prova
no processo de que outras pessoas não teriam cometido esse erro. Somente
precisa reconhecer que a outra parte poderia ter reconhecido esse erro e não
o fez.
Erro substancial de FATO: natureza do negócio e objeto principal (art. 139 §1).
Erros em que queria praticar um ato e se pratica outro. Ex.: um senhor que vai
no caixa eletrônico e quer fazer um saque e na verdade faz um empréstimo;
Ex.: assinar um contrato achando que era compra e venda, mas na verdade
era uma doação; Ex.: Contrato de compra por meio de parcelas, mas na
verdade era um contrato de aluguel. Quanto ao objeto: Ex.: compra de um lote
D, mas na verdade comprou o lote B.
Erro substancial de DIREITO: Falsa interpretação da norma aplicáve
(anulação). Ninguém pode alegar desconhecimento da lei (art. 3º da LINDB). Ex.:
ignorância em relação à importação de mercadoria proibida.
Erro sobre motivo não anula o negócio, ou seja, se você só comprou aquilo por
um motivo especifico (é um aniversário, mas não é o dia), não há anulação,
salvo quando for expresso como razão determinante.
Dolo:
Erro qualificado. É quando uma outra pessoa faz com que outrem erre. A
outra parte faz com que eu tenha um prejuízo em decorrência do que ela está
me induzindo a fazer. É manifestado pela outra pessoa para que eu realize
certo negócio jurídico.
Ex.: esquema de pirâmides financeiras.
Coação (art. 151):
Ameaçar contra si mesmo ou outrem que é caro (parente ou amigo próximo).
Ex.: uma pessoa vê outra traindo a esposa e a ameaça contar se não receber
mil reais em troca;
-Quando um filho quer muito algo, os pais dizem não e ele ameaça se matar se
não ganhar;
-Igrejas: se a pessoa não doar todos os seus bens, ela vai para o inferno.
>>Para uma coação ser anulável, ela precisa ser psíquica. Ainda pode ser
aproveitado, convalidados.
>>Para coação física, o negócio é inexistente ou nulo. Nada pode ser
aproveitado desse negócio.
Coação Moral:ameaça (violência psicológica) de dano mediante a qual se
constrange alguém a celebrar o negócio jurídico. Essa coação pode ser feita
contra a própria pessoa ou família e amigos próximos. Ele é anulável,
portanto, pode ser desfeito ou consertado (convalescido).
Coação Física: retira do agente qualquer capacidade de escolha. Portanto ele
é nulo, não existe, pois há a ausência de manifestação de vontade. Não pode
ser consertado ou convalidado.
>>Artigo 152.
Existe critérios para apreciar a gravidade da coação, dentre eles: o gênero, a
idade, a condição, a saúde, o temperamento e as circunstâncias.
Estado de perigo
Quando a pessoa em estado de perigo assume uma obrigação
excessivamente onerosa em busca de se salvar ou salvar alguém próximo.
Ex.: Quando precisa internar alguém importante em lugares privados pois não
conseguiu de maneira pública, então é preciso deixar algum tipo de caução
para garantir o pagamento. Portanto, uma obrigação excessivamente onerosa.
Ex.: Tem uma pessoa que está sendo engolida pela areia movediça e outra
pessoa está passando e eles pedem ajuda, nessa situação o passante pede
pelo seu carro e a pessoa te ajuda, depois disso ela cobra o carro pela ajuda.
>>Artigo 153
Não configuram coação:
-Ameaça de exercício normal de direito (desde que não haja abuso);
-Não promete mal injusto (ação de despejo/ de alimentos);
-Temor reverencial (desde que não haja abuso): medo de desagradar figuras
de autoridade às quais possui admiração ou respeito (pais, professores,
medico, religioso, chefes, coronel);
-Pedido de abertura de inquérito policial.
Coação por 3º no negócio jurídico (art. 154 e 155):
A coação por terceiro no contexto de um negócio jurídico está prevista nos
artigos 154 e 155 do Código Civil Brasileiro e trata da situação em que uma
das partes de um negócio jurídico é coagida por um terceiro, ou seja, alguém
que não faz parte diretamente do acordo, mas exerce uma pressão sobre uma
das partes para que ela atue de forma contrária à sua vontade.
Caso 1: Parte que se beneficia da coação não sabia da coação:
Se a parte beneficiada pelo negócio não tinha conhecimento da coação
praticada por terceiro, o negócio não é anulado. Nesse caso, o negócio
jurídico permanece válido, mas o coator (a pessoa que fez a coação) pode ser
responsabilizado por perdas e danos. Ou seja, o coator terá que compensar o
prejuízo causado à parte coagida, mas o contrato firmado entre as partes
pode continuar em vigor.
Caso 2: Parte que se beneficia sabia ou deveria saber da coação:
Se a parte beneficiada sabia ou deveria saber da coação, ou seja, estava
ciente de que o negócio foi realizado sob pressão, o negócio será anulado.
Além disso, tanto a parte que se beneficiou quanto o coator (o terceiro que
causou a coação) serão responsabilizados. Isso significa que o negócio
jurídico é desfeito, e todos os envolvidos na coação (o coator e o beneficiado)
podem ser responsabilizados por danos.
Lesão
Quando se paga um preço desproporcional por algo em uma determinada
circunstância. Pede ao juiz para equipar excessivamente o valor pago, mas se
aproveita o negócio jurídico.
Ex.: uma pessoa que não é do MS quer comprar um apartamento e vendem a
ela por 300 mil e depois convivendo no ambiente você descobre que aquele
imóvel valia 100 mil.
Defeitos do negócio do jurídico
São vicios na declaração de vontade, resultam na invalidade (anuabilidade) donegócio jurídico.
(Anuabilidade, significa que as partes vão entrar em acordo)
O defeito do negócio jurídico, ele vai incidir na manifestação de vontade.
Os defeitos do negócio jurídico possui duas espécias: O Vicios do
consetimento, e o Vicio social.
Vicios do consetimento: Há divergências entre a manifestação de vontade e
real da intenção da pessoa, ocorrem quando há uma falha na manifestação
da vontade das partes, comprometendo a validade do negócio. No direito
brasileiro, conforme o C.C, os principais vicios de consentimento são:
• Erro ou Ignorância
• Dolo
• Coação
• Estado de Perigo
• Lesão
• Fraude Contra Credores
Abordaremos as principais regras de cada instituto.
Do Erro ou Ignorância
Primeiro ponto a destacar é que o Código Civil equipa os efeitos do erro e da
ignorância, ainda que exista diferença entre os termos.
Erro X Ignorância
• Ignorância: Total desconhecimento
• Erro: Agente se engana sozinho sobre um elemento que influencia à
vontade.
Assim, vejamos:
Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de
vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa
de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.
Podemos perceber que apenas o erro substancial, aquele que poderia ser
cometido por pessoa “comum”, é anulável, em outras palavras, o erro
acidental/secundário não é anulável.
Logo se considera erro substância quando (Art. 139)
• I – interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração,
ou a alguma das qualidades a ele essenciais;
• II – concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem
se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de
modo relevante;
• III – sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o
motivo único ou principal do negócio jurídico.
Perceba que precisa ser “principal”, “essencial”, “único” e etc.
Nesse sentido, o CC nos diz que:
Art. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso
como razão determinante.
Concluindo, o Código afirma que erro não prejudica a validade do negócio
jurídico quando a pessoa se oferecer para executá-la na conformidade da
vontade real do manifestante.
Do Dolo
Podemos classificar o dolo da seguinte forma:
–Dolus Bonus (dolo bom): é aceitável. Ex. exaltar um produto para vender
–Dolus Malus (dolo mau): ação para enganar alguém. Esse se subdivide em:
• Dolo principal/substancial (Ex. art. 145): gera anualidade, o dolo é a
causa do negócio.
• Dolo Acidental (art. 146): O negócio seria realizado, embora por outro
modo, assim não gera anualidade, porém obriga à satisfação das
perdas e danos.
Vejamos alguns dolos elencados pelo Código Civil:
• Dolo negativo (Art. 147): O silêncio intencional sobre fato ou qualidade
que a outra parte desconhece constitui omissão dolosa.
• Dolo de terceiro (Art. 148):
Beneficiado sabia ou devia saber do dolo -> Negócio Jurídico anulável
Beneficiado não sabia -> Negócio Jurídico válido, porém o terceiro responde
por perdas e danos
• Dolo de representante (Art. 149):
Do representante legal (ex. pais) -> responsabilidade do representado é
limitada ao que aproveitou do dolo.
Do representante convencional (ex. procuração) -> responsabilidade solidária
com o procurador por perdas e danos.
• Dolo reciproco: Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma
pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar indenização (Art. 150).
Não confunda – Dolo X Erro
Dolo: Há má-fé, busca-se enganar alguém
Erro: Engana-se sozinho
Da Coação
A doutrina costuma classificar a coação da seguinte forma:
• Coação Física: ausência total de consentimento -> Ato inexiste
• Coação Moral: há manifestação de vontade, entretanto sob pressão ->
Anulável
Assim, o Código Civil na realidade está tratando da Coação Moral, vejamos os
requisitos (Art. 151):
• Causa determinante do negócio jurídico;
• Temor justificado;
• Dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família*, ou aos seus
bens
*Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente, o juiz, com
base nas circunstâncias, decidirá se houve coação.
Coação Exercita por terceiro:
• Houve conluio com o beneficiário (art. 154) -> beneficiário é responsável
solidário por perdas e danos e o negócio pode ser anulado.
• Terceiro de boa-fé (art. 155) -> apenas o autor da coação responde por
perdas e danos, porém o negócio é válido.
Nesse sentido, não se considera coação (Art. 153):
Ameaça do exercício normal de um direito. Ex. A ameaça de cobrança na
justiça de um direito devido.
Simples temor reverencial. Ex. Temor em desagradar os pais
Do Estado de Perigo
Estado de perigo (art. 156): necessidade de salvar-se ou a pessoa de sua
família*.
Tendo os seguintes requisitos:
• Dano pessoal
• Urgência e gravidade do dano/risco
• Relação de causa e efeito entre o perigo e o negócio
• Dolo da contraparte/de aproveitação 
• Excessiva onerosidade:
*Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz
decidirá segundo as circunstâncias.
Da Lesão
Lesão (Art. 157): ocorre quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou
por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao
valor da prestação oposta.
Assim, não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento
suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito (Art.
157, §2)
Não confunda – Estado de Perigo X Lesão:
• Estado de perigo: risco pessoal (pessoa ou família)
• Lesão: Risco patrimonial
Exemplo de Vicio de consentimento
Uma pessoa, ao comprar uma joia, acredita estar adquirindo um diamante
legítimo, mas, na verdade, o objeto é feito de um material de muito menor
valor, como vidro. Nesse caso, houve “erro” quanto à natureza do objeto, o que
configura um vício de consentimento. A pessoa foi induzida a realizar o
negócio acreditandAo em uma condição falsa sobre o produto, o que pode
levar à anulação da compra.
Aqui, o consentimento da parte foi viciado, pois ela não teria celebrado o
contrato se soubesse a verdade.
Vício social: No negócio jurídico ocorre quando o ato, embora tenha sido
celebrado com consentimento válido, possui um desvio em relação à função
social ou à boa-fé, prejudicando terceiros ou o interesse coletivo. No direito
brasileiro, os principais vícios sociais são:
1. Simulação: As partes aparentam realizar um negócio jurídico, mas, na
realidade, estão ocultando sua verdadeira intenção, prejudicando terceiros.
Por exemplo, fingir uma venda para esconder o patrimônio.
2. Fraude contra credores: Quando o devedor pratica atos com o intuito de
diminuir seu patrimônio, prejudicando seus credores, tornando-os incapazes
de cobrar suas dívidas.
Da Fraude Contra Credores
Fraude Contra Credores: Basicamente ocorre quando o devedor desfalca
maliciosa seu patrimônio com o objetivo de não mais garantir o pagamento
de suas dívidas/credores*.
*Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a
anulação (Art. 159, §2o)
Temos os seguintes requisitos:
• Prejuízo ao credor (elemento objetivo)
• Má-fé (elemento subjetivo)
Tipos de fraude contra credor:
• Transmissão gratuita ou remissão da dívida  (art. 158) -> Já podem ser
anulados (má-fé presumida)
• Contrato oneroso (art. 159) -> Necessária notória insolvência
No caso de contratos onerosos:
• Se o insolvente vender no preço corrente (Art. 160, caput) -> Será
depositado em juízo, com citação de todos interessados
• Se vender em preço inferior (Art. 160, §u) -> Poderá o adquirente
depositar o restante em juízo para conservar os bens.
Assim, os credores poderão entrar com ação (chamada de ação paulina)
contra (Art. 161):
• devedor insolvente,
• a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta
 -> independe de má-fé
• terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé.
Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em
proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores (Art.
165)
Esses vícios têm a função de protegero interesse social e de terceiros,
podendo invalidar o negócio jurídico. (À pessoa tem a intenção de agir com
má fé)
Exemplo de Vicio Social
Um devedor, prestes a ser cobrado judicialmente por um credor, transfere a
propriedade de um imóvel de grande valor para um parente, simulando uma
venda, mas sem receber qualquer pagamento em troca. O objetivo dessa ação
é reduzir seu patrimônio para evitar que o credor possa penhorar o imóvel e
garantir o pagamento da dívida.
Nesse caso, houve “fraude contra credores”, um vício social, pois a transação
foi feita com o propósito de prejudicar terceiros (os credores), mesmo que
aparentemente tenha sido um negócio jurídico válido.
Ação Pauliana (Revocatória)
A ação pauliana, também chamada de ação revocatória, é um instrumento
jurídico utilizado para anular atos praticados por um devedor que visam
fraudar credores. O objetivo dessa ação é desfazer negócios jurídicos que
diminuem o patrimônio do devedor de forma intencional, prejudicando a
capacidade dos credores de receberem o que lhes é devido. A ação pauliana
pode ser movida quando:
1. O devedor realiza um negócio que reduz seu patrimônio e prejudica os
credores (por exemplo, doações ou vendas simuladas).
2. Existe consilium fraudis, ou seja, o credor consegue provar que o devedor
tinha a intenção de prejudicar os credores ao realizar o ato.
3. O terceiro envolvido no negócio tinha ciência da fraude ou era conivente
com o devedor (quando se trata de uma venda, por exemplo).
O resultado da ação, se favorável ao credor, é a anulação do negócio
fraudulento, de modo a recompor o patrimônio do devedor e possibilitar que
os credores sejam pagos.
Invalidade do negócio jurídico art 166 a 184
A *invalidade do negócio jurídico* refere-se à ineficácia de um negócio jurídico
por não cumprir requisitos legais essenciais. No direito, a invalidade pode ser
dividida em duas categorias principais: nulidade e anulabilidade. Além dessas,
existe a noção de negócio jurídico inexistente, que é mais grave. Vamos focar
no conceito de inexistência:
Negócio Jurídico Inexistente
O negócio jurídico inexistente ocorre quando falta algum elemento essencial à
própria constituição do negócio, ou seja, ele não chega a se formar como tal.
Nesse caso, o ato não produz qualquer efeito jurídico, como se nunca tivesse
existido. Diferentemente da nulidade ou anulabilidade, o negócio inexistente
não pode ser convalidado, porque simplesmente não chegou a existir no
plano jurídico.
Exemplo:
- Falta de manifestação de vontade: Uma pessoa assina um contrato em nome
de outra sem ter qualquer autorização ou procuração. Esse contrato será
considerado inexistente, pois falta o consentimento válido da parte
supostamente representada.
- Casamento sem celebração: Se um casal realiza uma cerimônia sem a
presença de um juiz ou outra autoridade legalmente competente, o ato é
inexistente, pois falta um elemento essencial para a validade do casamento.
Portanto, no caso de inexistência, o ato sequer chega a gerar efeitos, e sua
invalidação não precisa ser declarada judicialmente, pois nunca foi válido
desde o início.
Nulidade (Inválido)
A nulidade é uma forma de invalidade do negócio jurídico, caracterizada por
um ato que não cumpre os requisitos legais e, portanto, é considerado
inválido desde seu nascimento.
Principais características:
1. Efeitos Imediatos: O ato nulo não produz efeitos jurídicos, como se nunca
tivesse existido.
2. Irreparabilidade: A nulidade não pode ser convalidada ou sanada.
3. Nulidade Absoluta vs. Relativa:
- Absoluta: (prevista pela lei) Pode ser invocada por qualquer pessoa ou pelo
Ministério Público (ex.: contratos ilegais).
- Relativa: (Interesse privado das partes) Pode ser alegada apenas pela parte
prejudicada e pode ser convalidada (ex.: contratos feitos por incapazes).
Exemplos:
- Contrato sem objeto definido.
- Casamento entre pessoas que já são casadas.
- Acordo para realizar atividade criminosa.
Em suma, a nulidade implica que o ato jurídico não tem validade e não produz
efeitos legais.
Hipóteses do negócio nulo art 166 do C.C
As hipóteses de nulidade do negócio jurídico referem-se a situações que
tornam um ato jurídico inválido desde sua origem. Aqui estão as principais:
1. Falta de Capacidade: Uma das partes é incapaz (ex.: menores de idade).
2. Objeto Ilícito ou Impossível: O objeto do contrato é ilegal ou impossível de
realizar.
3. Forma Não Prescrita ou Proibida: Não atende à forma exigida por lei (ex.:
contrato de imóvel sem escritura pública).
4. Simulação: As partes simulam um negócio que não corresponde à realidade.
5. Consentimento Viciado: O consentimento é afetado por erro, dolo ou
coação.
6. Contratos em Contrariedade à Ordem Pública: Negócios que violam normas
de interesse público.
7. Contratos Proibidos por Lei: Acordos que a lei proíbe explicitamente.
8. Impedimentos Legais: Partes impedidas de realizar o negócio (ex.: casamento
de pessoas já casadas).
Essas hipóteses caracterizam situações em que o negócio jurídico é
considerado nulo, não gerando quaisquer efeitos legais desde sua origem.
Simulação do negócio jurídico (enganar o 3º e causar dano) art 167.
A simulação do negócio jurídico ocorre quando as partes envolvidas fingem
realizar um negócio que, na verdade, não corresponde à sua real intenção.
Essa prática é feita para enganar terceiros ou burlar a lei, e o negócio
simulado não produz efeitos jurídicos. A simulação pode ser considerada um
vício social, pois prejudica a boa-fé e a ordem pública.
Tipos de Simulação
1. Simulação absoluta (nula): As partes não pretendem efetivamente realizar o
negócio. Por exemplo, duas pessoas fazem um contrato de compra e venda de
um imóvel, mas na verdade não há intenção de transferir a propriedade.
2. Simulação Relativa( se o negócio dissimular, subsiste): As partes realizam um
negócio, mas com termos diferentes do que realmente pretendem. Por
exemplo, um contrato de venda é feito por um valor muito inferior ao de
mercado, com o intuito de disfarçar a verdadeira intenção das partes.
Consequências da Simulação
- Inexistência do Negócio: O negócio simulado não produz efeitos jurídicos,
pois não há uma verdadeira manifestação de vontade.
- Possibilidade de Ação Pauliana: Credores podem usar a ação pauliana para
anular negócios simulados que prejudicam seus direitos, visando proteger a
integridade do patrimônio do devedor.
- Sanções Legais: Dependendo da intenção e do impacto da simulação, as
partes podem enfrentar sanções por fraude.
Exemplo
Um exemplo prático de simulação seria:
- Venda Simulada de Imóvel: Uma pessoa realiza um contrato de venda de um
imóvel por um preço muito abaixo do valor de mercado para ocultar o
patrimônio de credores. Na verdade, as partes concordam que o imóvel
permanecerá com o vendedor, e a transação não refletirá a realidade.
Em resumo, a simulação é um ato fraudulento que visa enganar e prejudicar
terceiros, não gerando efeitos legais e podendo resultar em sanções para as
partes envolvidas.
Hipóteses de anulabilidade do negócio jurídico, art 177.
As hipóteses de anulabilidade do negócio jurídico são situações em que um
ato, embora realizado, pode ser anulado devido a vícios. Aqui estão as
principais:
1. Incapacidade: A parte não tem capacidade para celebrar o ato (ex.: menores
de idade).
2. Erro: Cometido sobre um elemento essencial do negócio (ex.: comprar algo
acreditando ser original).
3. Dolo: Engano intencional que induz a outra parte a erro (ex.: ocultação de
informações).
4. Coação: Força ou ameaça que obriga a parte a realizar o negócio (ex.:
assinatura sob ameaça).
5. Estado de Perigo: A parte assume obrigações excessivas para evitar um
dano grave.
6. Lesão: Aproveitamento da inexperiência ou necessidade de outra parte para
obter vantagem desproporcional.
7. Fraude contra Credores: Realização de atos com o intuito de prejudicar
credores.
Em resumo, a anulabilidade permite que a parte prejudicada busque a
anulação do negócio jurídico devido a vícios que afetam sua vontade.
Ação anulatória: Decadencial(4 anos-prazo especial ou 2 anos), termo inicial
da contagem do prazo, artigos 178 e 179.
Negócio jurídico é anulável se firmado por menor dentre 16 e 18 anos. Proibição
de alegação de menoridade para se eximir da obrigação contraída por má-fé.
(art 180).
Após anulado o negócio jurídico com incapaz para reaver o que ele recebeu,
deve-se provar que a importância paga foi utilizada em proveito dele (art 181) –
presunção em favor do incapaz.
Nulidade do negócio jurídico: visa devolver as pessoas ao estado em que elas
se achavam antes do negócio jurídico (ex tunc). Se não for possível, elas devem
ser restituidas com equivalente (art 182).
Ex tunc, significa desde o início.
A forma do negócio jurídico, se não observada, pode ser convalidada.
Logo, a invalidade do instrumento não induz do negócio jurídico (art 183).
TABELAS EXPLICATIVAS:
1. Vícios de Consentimento
São falhas que comprometem a manifestação da vontade de uma das partes,
tornando o consentimento viciado e, por conseguinte, o negócio jurídico
passível de anulação. Esses vícios envolvem problemas relacionados à
liberdade de escolha ou à informação nas decisões.
2. Vícios Sociais
São vícios que envolvem fraudes ou manipulações em um negócio jurídico
com o intuito de prejudicar terceiros ou enganar a sociedade. Esses vícios não
afetam diretamente a liberdade de consentimento, mas geram lesões à ordem
pública ou a interesses de terceiros.
Resumo das Consequências:
● Vícios de Consentimento: Os negócios jurídicos afetados por erros, dolo,
coação, estado de perigo ou lesão podem ser anulados pela parte
prejudicada.
● Vícios Sociais: A fraude contra credores e a simulação resultam em
nulidade do negócio jurídico, pois não refletem a verdadeira vontade
das partes ou lesam interesses de terceiros.

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