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RESUMO - P3 DA REPRESENTAÇÃO: Representação significa a atuação jurídica em nome de outrem. Constitui a verdadeira legitimação que nasce da lei ou do contrato,para agir por conta de outrem - Art 115 do CC Espécies de representação: Art 115 - 120 A Representação Legal deferida pela lei aos pais,tutores,curadores,síndicos ,administradores e etc. Sendo uma atividade obrigatória(munus público), instituída em razão de cuidar dos interesses de pessoas incapazes,suprindo a falta de capacidade,tendo caráter personalíssimo e indelegável. Também pode ocorrer a representação legal de pessoas capazes em diversas situações. Alguns documentos que oferecem prova de representação são certidão de nascimento,termo de tutela,ata de condomínio,contrato social, procuração etc. A Convencional ou voluntária se dá quando decorre de negócio jurídico específico onde o representado concede poderes a uma pessoa de sua confiança para agir em seu nome, geralmente através de um contrato de mandato ou uma procuração, onde é concedido ao mandatário poderes para administrar os interesses do representado,sendo caracterizada pelo propósito de cooperação jurídica. A representação voluntária é semelhante à convencional, porém acontece de forma menos formal. Em geral, ocorre quando alguém age em nome de outra pessoa sem que haja um documento formal como uma procuração. Embora tenha elementos de autonomia, ainda pode ser formalizada. Podem ser revogadas a qualquer tempo pelo representado ao contrário da representação legal, sendo um acordo de vontade escrita ou verbal com poderes gerais específicos. Espécies de representantes: Representante Legal é o que decorre da lei,a quem se confere os poderes de administração, como pais em relação aos filhos ,tutores e tutelados e curadores e curatelados. O representante Judicial é nomeado pelo Juíz para exercer representação no processo,como o inventariante, administrador da empresa penhorada e massa falida. Neste caso, a representação decorre de uma imposição da legislação, e o representado não pode escolher quem será o seu representante. O representante convencional é aquele que recebe poderes de uma outra pessoa (o representado) para agir em seu nome por meio de um contrato ou procuração. A representação é baseada em um acordo de vontades, ou seja, o representado escolhe livremente seu representante. EFEITOS DA REPRESENTAÇÃO Artigo 116 - CC A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes, produz efeitos em relação ao representado. -> os atos que o representante pratica em nome do representado, dentro dos limites dos poderes que lhe foram conferidos, vinculam diretamente o representado. Isso significa que o ato jurídico é válido e eficaz em relação ao representado, gerando direitos e obrigações como se ele mesmo tivesse praticado o ato. Artigo 117 - CC "Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. -> O Código Civil também estabelece que, caso o representante exceda os limites dos poderes conferidos ou desvie a finalidade da representação, o ato praticado não vincula o representado, a menos que este o ratifique. A ratificação, nesse caso, consiste em uma manifestação de vontade posterior do representado, aceitando o ato praticado em excesso ou desvio. O art 117 dispõe que são anuláveis os negócios em que o representante age em interesse próprio, A SALVO SE permitir a lei ou o representado. Este artigo trata da hipótese do contrato com si mesmo “(AUTOCONTRATAÇÃO POR CAUSA SUBJETIVA) quando o próprio representante atua sozinho declarando duas vontades, mas por meio de terceira pessoa, sub estabelecendo-a com ou sem reserva de poderes (ato pelo qual o representante transfere a outrem os poderes concedidos pelo representado a terceira pessoa) - Ocorre dupla representação quando ambas as partes são representadas com o mesmo representante. Pode ocorrer desde que não haja violação do código de ética(não pode ser fofoqueiro e privilegiar uma das partes) - Quando o Representante é a outra parte do negócio,exercendo dois papéis distintos, sendo chamado de mandato de causa própria. Nesta situação, o representante entra na função de vendedor e comprador através de um mandato de dupla qualidade. Porém, não pode ocorrer quando o representante passa a lesar os interesses do representado,sendo anulável o negócio jurídico, culpando apenas o representante. Artigo 118 - CC O representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar em nome do representado, a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o fazendo, responder pelos atos que a estes excederem. -> Assim, o seu cliente OUTORGA UM MANDATO para você (advogado/representante), agir em seu nome. Este que prevê os poderes específicos e gerais, como por exemplo o poder de comprar e vender imóveis,que deve estar expresso na procuração,como garantia da proteção dos interesses do representado. Artigo 119 - CC É anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou. -> O art 119 trata da anulação do negócio em caso de conflito de interesses de causa subjetiva, onde se torna requisito o conhecimento do terceiro beneficiado do conflito de interesses entre representado e representante. PARAGRAFO UNICO: o prazo para interpor a ação é de 180 dias,contado a partir do momento em que o negócio jurídico foi concluído ou cessação da capacidade, lembrando que o DIREITO NÃO SOCORRE QUEM DORME Em geral o conflito de interesses se dá sobre abuso de direito(Atuação de um falso procurador) e excesso de poder(quando o representante ultrapassa os limites de seu poder) EXEMPLO: Imagine que Carlos outorga uma procuração a João para vender um imóvel de sua propriedade. João, no entanto, faz o contrato de compra e venda do imóvel em seu próprio nome, sem mencionar diretamente que estava agindo em nome de Carlos. ● João vende o imóvel a Ana, celebrando o contrato em seu próprio nome, mas dentro dos poderes que Carlos lhe concedeu (vender o imóvel por determinado preço). Mesmo João não tendo explicitado no contrato que estava representando Carlos, o negócio é válido e vinculante para Carlos (o representado), desde que João tenha agido dentro dos limites dos poderes conferidos pela procuração. EFICÁCIA DO NEGÓCIO JURÍDICO: DA CONDIÇÃO,DO TERMO E DO ENCARGO art 121 - 137 No Direito Civil brasileiro, a eficácia dos negócios jurídicos pode estar condicionada à ocorrência de certos eventos futuros ou à imposição de determinados requisitos. Esses elementos são chamados de condição, termo e encargo, e influenciam quando e como os efeitos de um negócio jurídico irão se concretizar. Em regra todo negócio jurídico existente e válido Condição 121-130 A condição é um evento futuro e incerto que decorre da vontade das partes, cuja ocorrência ou não determina o início ou a extinção dos efeitos do negócio jurídico. Em outras palavras, a eficácia do negócio depende da realização ou não desse evento.Toda condição deve ser LÍCITA. Tipos de Condição: Condição suspensiva: Os efeitos do negócio jurídico só começam a existir SE a condição for cumprida. Até que a condição ocorra, o negócio é considerado como "pendente" ou ineficaz. Exemplo: Um pai promete doar uma casa ao filho, se ele se formar na universidade. A formação é o evento futuro incerto, e só com sua realização a doação terá eficácia. .->>No art 126.Os negócios celebrados durante o estado de pendência da condição suspensiva são VÁLIDOS.Se a condição suspensiva do primeiro negócio se concretizar, as novas disposições feitas sobre o bem durante o período de pendência (ou seja, antes da realização da condição) serão anuladas, caso sejam incompatíveis com o que foi pactuado inicialmente. .->>No art 129. Se uma parte maliciosamente impedir a ocorrência de uma condição(seja ela suspensiva ou resolutiva) que lhe seria desfavorável, a condiçãoserá considerada cumprida.Em outra situação, se uma parte maliciosamente provocar a realização de uma condição que lhe seria favorável, a condição será considerada não cumprida. Condição resolutiva (art 127): Os efeitos do negócio jurídico cessam QUANDO a condição ocorre. O negócio é válido desde o início, mas seus efeitos são extintos quando a condição se concretiza. Exemplo: Um proprietário aluga um imóvel, com a condição de que o contrato será encerrado se o proprietário decidir vender o imóvel. Caso o proprietário venda, o contrato de locação se extinguirá .->>No art 124. Se a condição resolutiva for impossível,não se realizará,logo o negócio jurídico é inexistente ou chamado de não-condição. .->>No art 130. garante ao titular de um direito eventual — aquele que ainda depende da ocorrência de uma condição suspensiva ou resolutiva — a possibilidade de praticar atos destinados a conservar esse direito, mesmo que a condição ainda não tenha se verificado. >> no caso de uma condição SUSPENSIVA (futuro incerto): Maria promete doar um imóvel a João, se ele concluir um curso universitário. Durante esse período, João pode tomar medidas para proteger o imóvel (como impedir que ele seja deteriorado ou ocupado por terceiros), mesmo que a doação ainda não tenha sido efetivada, pois a condição (conclusão do curso) ainda não ocorreu. O titular do direito eventual pode tomar medidas para proteger seu direito futuro. >> no caso de uma condição RESOLUTIVA (ao acontecer extingue o direito): Carlos vende um terreno a Pedro, mas a venda será resolvida (cancelada) se Pedro não pagar a última parcela do preço. Enquanto isso, Carlos, como titular do direito eventual, pode tomar medidas para conservar seu direito de reaver o terreno, caso Pedro não cumpra a condição (pagamento). O titular pode tomar medidas para conservar seu direito até que a condição ocorra ou não. Fundamento legal: ● Art. 121, CC: "Subordinam-se os efeitos do negócio jurídico ao evento futuro e incerto, a que se chama condição, quando dele fizer depender a eficácia ou a resolução do negócio." Condição Perplexa: É uma condição contraditória ou confusa, que torna o negócio jurídico impossível de ser cumprido. A condição é inválida porque é impossível de ser cumprida. Exemplo: "Você pode vender o imóvel, mas também não pode vendê-lo." Condição Puramente Potestativa: Depende exclusivamente da vontade de uma das partes, geralmente o devedor.Se depender apenas da vontade do devedor, a condição é nula porque gera insegurança jurídica. Pode ser válida se depender da vontade do credor. Exemplo: "Te dou o carro se eu quiser." Ambas afetam a validade do negócio jurídico, sendo a condição perplexa sempre inválida, e a puramente potestativa nula quando depender apenas da vontade de uma parte. Fundamento Legal: ● Art. 122, CC: "São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as que se têm por inexistentes, incluem-se as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes a sua eficácia ou resolução." ● Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; III - as condições incompreensíveis(CONGRUÊNCIA DO CONTEÚDO) ou contraditórias(PRIVAM O NEGÓCIO JURÍDICO DE TODO EFEITO.) Termo (Artigos 131 a 135 do Código Civil) O termo é um evento futuro e certo(vai acontecer), que marca o início ou o fim dos efeitos de um negócio jurídico. A diferença entre a condição e o termo é que, no caso do termo, o evento é certo de acontecer, restando apenas saber quando ocorrerá. Tipos de Termo: Termo inicial(suspensivo ou dilatório): O termo indica o momento a partir do qual o negócio jurídico começa a produzir efeitos(Dies a quo - partir). O negócio é válido, mas seus efeitos só se darão a partir da data ou do evento especificado. Exemplo: Um contrato de trabalho que prevê o início das atividades no dia 1º de janeiro de 2025. Até essa data, o contrato existe, mas seus efeitos só começarão a valer a partir do dia 1º de janeiro de 2025. Termo final(resolutivo ou peremptório): O termo indica o momento em que cessam os efeitos do negócio jurídico(Dies ad quem). Até esse momento, o negócio é válido, mas após a ocorrência do evento ou data, seus efeitos terminam. Exemplo: Um empréstimo concedido por um ano, com data final de 31 de dezembro. Após essa data, os efeitos do contrato de empréstimo cessam. Fundamento legal: ● Art. 131, CC: "O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. O termo final extingue o direito, salvo quando ajustado pelas partes ou pela natureza do negócio." .->>No art 132. Trata de regras para o cômputo de prazos,ele especifica: exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento do prazo; prorrogação do prazo em caso do último dia ser feriado; o décimo quinto dia do mês é considerado o meado; prazos de meses e anos expiram no dia correspondente ao início; prazos fixados em horas serão contados de minuto a minuto. ->>No art 133. Os prazos se presumem de maneira favorável ao devedor, salvo se for estabelecido em favor do credor ->>No art 134. Caso o negócio não tenha estabelecido prazo de vencimento o benefício é do credor,poderá ele cobrar quando quiser. 3. Encargo (Artigos 136 a 137 do Código Civil) O encargo, também conhecido como modo, é uma obrigação imposta a uma das partes como condição(ÔNUS) acessória para a validade ou continuidade do negócio jurídico. Ele normalmente aparece em doações ou liberalidades, nas quais o beneficiário deve cumprir alguma condição. Diferente da condição e do termo, o encargo não é um evento futuro e incerto, mas sim uma obrigação adicional imposta ao beneficiário de um ato de liberalidade. O descumprimento do encargo pode extinguir o direito ou afetar a eficácia do negócio jurídico. Se caso houver condição suspensiva, o encargo só começará a valer a partir da realização. Se não for cumprido o encargo, ele terá sua liberalidade revogada. Exemplo: ● Doação com encargo: Um empresário doa uma quantia em dinheiro a uma ONG, com a condição de que a organização utilize o valor exclusivamente para a construção de uma escola. O encargo (a construção da escola) é uma condição adicional para que o negócio jurídico seja plenamente eficaz. -> No art 137. Se o encargo for ilícito ou impossível não afeta a eficiência do negócio jurídico, mas se revoga o próprio encargo. Se o encargo for o motivo determinante invalida-se todo negócio jurídico ‘’SE, ENQUANTO’’ ‘’QUANDO’’ ‘’COM FIM DE, E PARA QUE’’ Resumo da parte 2- P3 Defeitos do negócio jurídico São vícios na declaração de vontade, que resultam na invalidade (anulabilidade) do negócio jurídico. Quando essa manifestação de vontade tiver divergência, ou seja, um defeito. Invalidade: -Anulabilidade: permite que os negócios jurídicos sejam reaproveitados, convalidados pelas partes, ou seja, um efeito que permite que as partes concertem e reaproveitem o negócio jurídico, por exemplo, uma manifestação de vontade feita de maneira inadequada. -Nulidade: Não permite o aproveitamento do negócio. Dentre os defeitos é possível citar os dois tipos de vícios: o de consentimento e o social. O vício do consentimento ocorre quando há uma divergência entre a manifestação de vontade da parte e sua real intenção. Ex.: “Eu não queria ter manifestado minha vontade dessa forma.” Mas é possível consertar pela anulabilidade. O vício social ocorre quando a vontade é manifestada por uma parte com intenção de prejudicar a outra. Ele é mais grave que o vício de consentimento. Eles causam muitas consequências para a sociedade. Ex.: pessoas que compram muitas coisas, mas não possuem bens em seus nomes, pois transferiram para outras com a intenção de contrair dívidas e não ter patrimônio para pagá-las. Ou seja, essa pessoa tem a intenção de prejudicar seus credores. Este é o caso da fraude contracredores. . Neste caso, os credores entram com uma ação chamada Ação Pauliana. Ela é uma ação revocatória que busca anular os negócios jurídicos feitos pelos devedores. Só pode ser proposta pelos credores que já o eram na época da fraude contra o devedor insolvente e contra as pessoas que celebraram os negócios jurídicos com o fraudador. Há também, casos de devedores que perdoam as dívidas de terceiros em busca de não receber o que lhes era devido para não ter condições de pagar o que deve. Este é o caso da remissão, ou seja, perdão das dívidas. A Ação Pauliana tem como objetivo recompor o patrimônio do devedor antes da fraude ou vício visando o pagamento das dívidas contraídas aos credores e, portanto, anulando os negócios fraudulentos. Esta ação tem um prazo de 4 anos para ser proposta a partir da celebração do negócio fraudulento. Da mesma maneira, é possível os bens estarem em nomes de terceiros (os laranjas ou testa de ferro), e ele passa a ser considerado o proprietário de determinado bem, com a intenção de prejudicar credores. Esta é a chamada simulação. Isso ocorre muito em casos de divórcio litigioso, onde um dos cônjuges tira tudo do nome dele para a outra parte não receber nada. Dentro dela também há a possibilidade de pessoas que falsificam documentos, pré-datam ou pós-datam eles. Classificação dos Vícios: ● Vícios de Consentimento: Erro, dolo, coação, estado de perigo, e lesão. ● Vícios Sociais: Fraude contra credores e simulação. Afastamento da fraude (art. 160) Não invalida o negócio jurídico. Isso ocorre quando um terceiro adquire um bem de um devedor sem saber que aquele bem seria usado para quitar uma dívida e para evitar ser responsabilizado judicialmente, esse comprador, quando toma conhecimento do ocorrido, paga o valor diretamente para o credor, se assim for aceito e se afasta de ser réu. Erro ou ignorância (art. 138/ 139/ 140/ 141/ 142) Quando uma pessoa se engana ao manifestar sua vontade, seja por erro substancial ou acidental. O erro substancial pode anular o negócio jurídico, enquanto o erro acidental não gera anulabilidade. Ex.: pessoas que depositam sem querer dinheiro na conta de outras pessoas. Neste caso, é possível alegar a anulabilidade do negócio jurídico e pedir para que a pessoa que recebeu esse dinheiro equivocado devolva-o pois ocorreu um erro ou ignorância. Existem dois tipos de erro: o ERRO SUBSTANCIAL que incide no objeto, na pessoa ou a qualidade da pessoa e do objeto; e os erros acidentais, que podem ser erros de cálculo, quando se escreve o nome de uma pessoa, mas era de outra. Os ERROS ACIDENTAIS não geram a anulabilidade do negócio jurídico, somente os erros substanciais geram a anulabilidade, não precisa fazer prova no processo de que outras pessoas não teriam cometido esse erro. Somente precisa reconhecer que a outra parte poderia ter reconhecido esse erro e não o fez. Erro substancial de FATO: natureza do negócio e objeto principal (art. 139 §1). Erros em que queria praticar um ato e se pratica outro. Ex.: um senhor que vai no caixa eletrônico e quer fazer um saque e na verdade faz um empréstimo; Ex.: assinar um contrato achando que era compra e venda, mas na verdade era uma doação; Ex.: Contrato de compra por meio de parcelas, mas na verdade era um contrato de aluguel. Quanto ao objeto: Ex.: compra de um lote D, mas na verdade comprou o lote B. Erro substancial de DIREITO: Falsa interpretação da norma aplicáve (anulação). Ninguém pode alegar desconhecimento da lei (art. 3º da LINDB). Ex.: ignorância em relação à importação de mercadoria proibida. Erro sobre motivo não anula o negócio, ou seja, se você só comprou aquilo por um motivo especifico (é um aniversário, mas não é o dia), não há anulação, salvo quando for expresso como razão determinante. Dolo: Erro qualificado. É quando uma outra pessoa faz com que outrem erre. A outra parte faz com que eu tenha um prejuízo em decorrência do que ela está me induzindo a fazer. É manifestado pela outra pessoa para que eu realize certo negócio jurídico. Ex.: esquema de pirâmides financeiras. Coação (art. 151): Ameaçar contra si mesmo ou outrem que é caro (parente ou amigo próximo). Ex.: uma pessoa vê outra traindo a esposa e a ameaça contar se não receber mil reais em troca; -Quando um filho quer muito algo, os pais dizem não e ele ameaça se matar se não ganhar; -Igrejas: se a pessoa não doar todos os seus bens, ela vai para o inferno. >>Para uma coação ser anulável, ela precisa ser psíquica. Ainda pode ser aproveitado, convalidados. >>Para coação física, o negócio é inexistente ou nulo. Nada pode ser aproveitado desse negócio. Coação Moral:ameaça (violência psicológica) de dano mediante a qual se constrange alguém a celebrar o negócio jurídico. Essa coação pode ser feita contra a própria pessoa ou família e amigos próximos. Ele é anulável, portanto, pode ser desfeito ou consertado (convalescido). Coação Física: retira do agente qualquer capacidade de escolha. Portanto ele é nulo, não existe, pois há a ausência de manifestação de vontade. Não pode ser consertado ou convalidado. >>Artigo 152. Existe critérios para apreciar a gravidade da coação, dentre eles: o gênero, a idade, a condição, a saúde, o temperamento e as circunstâncias. Estado de perigo Quando a pessoa em estado de perigo assume uma obrigação excessivamente onerosa em busca de se salvar ou salvar alguém próximo. Ex.: Quando precisa internar alguém importante em lugares privados pois não conseguiu de maneira pública, então é preciso deixar algum tipo de caução para garantir o pagamento. Portanto, uma obrigação excessivamente onerosa. Ex.: Tem uma pessoa que está sendo engolida pela areia movediça e outra pessoa está passando e eles pedem ajuda, nessa situação o passante pede pelo seu carro e a pessoa te ajuda, depois disso ela cobra o carro pela ajuda. >>Artigo 153 Não configuram coação: -Ameaça de exercício normal de direito (desde que não haja abuso); -Não promete mal injusto (ação de despejo/ de alimentos); -Temor reverencial (desde que não haja abuso): medo de desagradar figuras de autoridade às quais possui admiração ou respeito (pais, professores, medico, religioso, chefes, coronel); -Pedido de abertura de inquérito policial. Coação por 3º no negócio jurídico (art. 154 e 155): A coação por terceiro no contexto de um negócio jurídico está prevista nos artigos 154 e 155 do Código Civil Brasileiro e trata da situação em que uma das partes de um negócio jurídico é coagida por um terceiro, ou seja, alguém que não faz parte diretamente do acordo, mas exerce uma pressão sobre uma das partes para que ela atue de forma contrária à sua vontade. Caso 1: Parte que se beneficia da coação não sabia da coação: Se a parte beneficiada pelo negócio não tinha conhecimento da coação praticada por terceiro, o negócio não é anulado. Nesse caso, o negócio jurídico permanece válido, mas o coator (a pessoa que fez a coação) pode ser responsabilizado por perdas e danos. Ou seja, o coator terá que compensar o prejuízo causado à parte coagida, mas o contrato firmado entre as partes pode continuar em vigor. Caso 2: Parte que se beneficia sabia ou deveria saber da coação: Se a parte beneficiada sabia ou deveria saber da coação, ou seja, estava ciente de que o negócio foi realizado sob pressão, o negócio será anulado. Além disso, tanto a parte que se beneficiou quanto o coator (o terceiro que causou a coação) serão responsabilizados. Isso significa que o negócio jurídico é desfeito, e todos os envolvidos na coação (o coator e o beneficiado) podem ser responsabilizados por danos. Lesão Quando se paga um preço desproporcional por algo em uma determinada circunstância. Pede ao juiz para equipar excessivamente o valor pago, mas se aproveita o negócio jurídico. Ex.: uma pessoa que não é do MS quer comprar um apartamento e vendem a ela por 300 mil e depois convivendo no ambiente você descobre que aquele imóvel valia 100 mil. Defeitos do negócio do jurídico São vicios na declaração de vontade, resultam na invalidade (anuabilidade) donegócio jurídico. (Anuabilidade, significa que as partes vão entrar em acordo) O defeito do negócio jurídico, ele vai incidir na manifestação de vontade. Os defeitos do negócio jurídico possui duas espécias: O Vicios do consetimento, e o Vicio social. Vicios do consetimento: Há divergências entre a manifestação de vontade e real da intenção da pessoa, ocorrem quando há uma falha na manifestação da vontade das partes, comprometendo a validade do negócio. No direito brasileiro, conforme o C.C, os principais vicios de consentimento são: • Erro ou Ignorância • Dolo • Coação • Estado de Perigo • Lesão • Fraude Contra Credores Abordaremos as principais regras de cada instituto. Do Erro ou Ignorância Primeiro ponto a destacar é que o Código Civil equipa os efeitos do erro e da ignorância, ainda que exista diferença entre os termos. Erro X Ignorância • Ignorância: Total desconhecimento • Erro: Agente se engana sozinho sobre um elemento que influencia à vontade. Assim, vejamos: Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. Podemos perceber que apenas o erro substancial, aquele que poderia ser cometido por pessoa “comum”, é anulável, em outras palavras, o erro acidental/secundário não é anulável. Logo se considera erro substância quando (Art. 139) • I – interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais; • II – concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante; • III – sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico. Perceba que precisa ser “principal”, “essencial”, “único” e etc. Nesse sentido, o CC nos diz que: Art. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante. Concluindo, o Código afirma que erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. Do Dolo Podemos classificar o dolo da seguinte forma: –Dolus Bonus (dolo bom): é aceitável. Ex. exaltar um produto para vender –Dolus Malus (dolo mau): ação para enganar alguém. Esse se subdivide em: • Dolo principal/substancial (Ex. art. 145): gera anualidade, o dolo é a causa do negócio. • Dolo Acidental (art. 146): O negócio seria realizado, embora por outro modo, assim não gera anualidade, porém obriga à satisfação das perdas e danos. Vejamos alguns dolos elencados pelo Código Civil: • Dolo negativo (Art. 147): O silêncio intencional sobre fato ou qualidade que a outra parte desconhece constitui omissão dolosa. • Dolo de terceiro (Art. 148): Beneficiado sabia ou devia saber do dolo -> Negócio Jurídico anulável Beneficiado não sabia -> Negócio Jurídico válido, porém o terceiro responde por perdas e danos • Dolo de representante (Art. 149): Do representante legal (ex. pais) -> responsabilidade do representado é limitada ao que aproveitou do dolo. Do representante convencional (ex. procuração) -> responsabilidade solidária com o procurador por perdas e danos. • Dolo reciproco: Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar indenização (Art. 150). Não confunda – Dolo X Erro Dolo: Há má-fé, busca-se enganar alguém Erro: Engana-se sozinho Da Coação A doutrina costuma classificar a coação da seguinte forma: • Coação Física: ausência total de consentimento -> Ato inexiste • Coação Moral: há manifestação de vontade, entretanto sob pressão -> Anulável Assim, o Código Civil na realidade está tratando da Coação Moral, vejamos os requisitos (Art. 151): • Causa determinante do negócio jurídico; • Temor justificado; • Dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família*, ou aos seus bens *Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação. Coação Exercita por terceiro: • Houve conluio com o beneficiário (art. 154) -> beneficiário é responsável solidário por perdas e danos e o negócio pode ser anulado. • Terceiro de boa-fé (art. 155) -> apenas o autor da coação responde por perdas e danos, porém o negócio é válido. Nesse sentido, não se considera coação (Art. 153): Ameaça do exercício normal de um direito. Ex. A ameaça de cobrança na justiça de um direito devido. Simples temor reverencial. Ex. Temor em desagradar os pais Do Estado de Perigo Estado de perigo (art. 156): necessidade de salvar-se ou a pessoa de sua família*. Tendo os seguintes requisitos: • Dano pessoal • Urgência e gravidade do dano/risco • Relação de causa e efeito entre o perigo e o negócio • Dolo da contraparte/de aproveitação • Excessiva onerosidade: *Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias. Da Lesão Lesão (Art. 157): ocorre quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. Assim, não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito (Art. 157, §2) Não confunda – Estado de Perigo X Lesão: • Estado de perigo: risco pessoal (pessoa ou família) • Lesão: Risco patrimonial Exemplo de Vicio de consentimento Uma pessoa, ao comprar uma joia, acredita estar adquirindo um diamante legítimo, mas, na verdade, o objeto é feito de um material de muito menor valor, como vidro. Nesse caso, houve “erro” quanto à natureza do objeto, o que configura um vício de consentimento. A pessoa foi induzida a realizar o negócio acreditandAo em uma condição falsa sobre o produto, o que pode levar à anulação da compra. Aqui, o consentimento da parte foi viciado, pois ela não teria celebrado o contrato se soubesse a verdade. Vício social: No negócio jurídico ocorre quando o ato, embora tenha sido celebrado com consentimento válido, possui um desvio em relação à função social ou à boa-fé, prejudicando terceiros ou o interesse coletivo. No direito brasileiro, os principais vícios sociais são: 1. Simulação: As partes aparentam realizar um negócio jurídico, mas, na realidade, estão ocultando sua verdadeira intenção, prejudicando terceiros. Por exemplo, fingir uma venda para esconder o patrimônio. 2. Fraude contra credores: Quando o devedor pratica atos com o intuito de diminuir seu patrimônio, prejudicando seus credores, tornando-os incapazes de cobrar suas dívidas. Da Fraude Contra Credores Fraude Contra Credores: Basicamente ocorre quando o devedor desfalca maliciosa seu patrimônio com o objetivo de não mais garantir o pagamento de suas dívidas/credores*. *Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação (Art. 159, §2o) Temos os seguintes requisitos: • Prejuízo ao credor (elemento objetivo) • Má-fé (elemento subjetivo) Tipos de fraude contra credor: • Transmissão gratuita ou remissão da dívida (art. 158) -> Já podem ser anulados (má-fé presumida) • Contrato oneroso (art. 159) -> Necessária notória insolvência No caso de contratos onerosos: • Se o insolvente vender no preço corrente (Art. 160, caput) -> Será depositado em juízo, com citação de todos interessados • Se vender em preço inferior (Art. 160, §u) -> Poderá o adquirente depositar o restante em juízo para conservar os bens. Assim, os credores poderão entrar com ação (chamada de ação paulina) contra (Art. 161): • devedor insolvente, • a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta -> independe de má-fé • terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé. Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores (Art. 165) Esses vícios têm a função de protegero interesse social e de terceiros, podendo invalidar o negócio jurídico. (À pessoa tem a intenção de agir com má fé) Exemplo de Vicio Social Um devedor, prestes a ser cobrado judicialmente por um credor, transfere a propriedade de um imóvel de grande valor para um parente, simulando uma venda, mas sem receber qualquer pagamento em troca. O objetivo dessa ação é reduzir seu patrimônio para evitar que o credor possa penhorar o imóvel e garantir o pagamento da dívida. Nesse caso, houve “fraude contra credores”, um vício social, pois a transação foi feita com o propósito de prejudicar terceiros (os credores), mesmo que aparentemente tenha sido um negócio jurídico válido. Ação Pauliana (Revocatória) A ação pauliana, também chamada de ação revocatória, é um instrumento jurídico utilizado para anular atos praticados por um devedor que visam fraudar credores. O objetivo dessa ação é desfazer negócios jurídicos que diminuem o patrimônio do devedor de forma intencional, prejudicando a capacidade dos credores de receberem o que lhes é devido. A ação pauliana pode ser movida quando: 1. O devedor realiza um negócio que reduz seu patrimônio e prejudica os credores (por exemplo, doações ou vendas simuladas). 2. Existe consilium fraudis, ou seja, o credor consegue provar que o devedor tinha a intenção de prejudicar os credores ao realizar o ato. 3. O terceiro envolvido no negócio tinha ciência da fraude ou era conivente com o devedor (quando se trata de uma venda, por exemplo). O resultado da ação, se favorável ao credor, é a anulação do negócio fraudulento, de modo a recompor o patrimônio do devedor e possibilitar que os credores sejam pagos. Invalidade do negócio jurídico art 166 a 184 A *invalidade do negócio jurídico* refere-se à ineficácia de um negócio jurídico por não cumprir requisitos legais essenciais. No direito, a invalidade pode ser dividida em duas categorias principais: nulidade e anulabilidade. Além dessas, existe a noção de negócio jurídico inexistente, que é mais grave. Vamos focar no conceito de inexistência: Negócio Jurídico Inexistente O negócio jurídico inexistente ocorre quando falta algum elemento essencial à própria constituição do negócio, ou seja, ele não chega a se formar como tal. Nesse caso, o ato não produz qualquer efeito jurídico, como se nunca tivesse existido. Diferentemente da nulidade ou anulabilidade, o negócio inexistente não pode ser convalidado, porque simplesmente não chegou a existir no plano jurídico. Exemplo: - Falta de manifestação de vontade: Uma pessoa assina um contrato em nome de outra sem ter qualquer autorização ou procuração. Esse contrato será considerado inexistente, pois falta o consentimento válido da parte supostamente representada. - Casamento sem celebração: Se um casal realiza uma cerimônia sem a presença de um juiz ou outra autoridade legalmente competente, o ato é inexistente, pois falta um elemento essencial para a validade do casamento. Portanto, no caso de inexistência, o ato sequer chega a gerar efeitos, e sua invalidação não precisa ser declarada judicialmente, pois nunca foi válido desde o início. Nulidade (Inválido) A nulidade é uma forma de invalidade do negócio jurídico, caracterizada por um ato que não cumpre os requisitos legais e, portanto, é considerado inválido desde seu nascimento. Principais características: 1. Efeitos Imediatos: O ato nulo não produz efeitos jurídicos, como se nunca tivesse existido. 2. Irreparabilidade: A nulidade não pode ser convalidada ou sanada. 3. Nulidade Absoluta vs. Relativa: - Absoluta: (prevista pela lei) Pode ser invocada por qualquer pessoa ou pelo Ministério Público (ex.: contratos ilegais). - Relativa: (Interesse privado das partes) Pode ser alegada apenas pela parte prejudicada e pode ser convalidada (ex.: contratos feitos por incapazes). Exemplos: - Contrato sem objeto definido. - Casamento entre pessoas que já são casadas. - Acordo para realizar atividade criminosa. Em suma, a nulidade implica que o ato jurídico não tem validade e não produz efeitos legais. Hipóteses do negócio nulo art 166 do C.C As hipóteses de nulidade do negócio jurídico referem-se a situações que tornam um ato jurídico inválido desde sua origem. Aqui estão as principais: 1. Falta de Capacidade: Uma das partes é incapaz (ex.: menores de idade). 2. Objeto Ilícito ou Impossível: O objeto do contrato é ilegal ou impossível de realizar. 3. Forma Não Prescrita ou Proibida: Não atende à forma exigida por lei (ex.: contrato de imóvel sem escritura pública). 4. Simulação: As partes simulam um negócio que não corresponde à realidade. 5. Consentimento Viciado: O consentimento é afetado por erro, dolo ou coação. 6. Contratos em Contrariedade à Ordem Pública: Negócios que violam normas de interesse público. 7. Contratos Proibidos por Lei: Acordos que a lei proíbe explicitamente. 8. Impedimentos Legais: Partes impedidas de realizar o negócio (ex.: casamento de pessoas já casadas). Essas hipóteses caracterizam situações em que o negócio jurídico é considerado nulo, não gerando quaisquer efeitos legais desde sua origem. Simulação do negócio jurídico (enganar o 3º e causar dano) art 167. A simulação do negócio jurídico ocorre quando as partes envolvidas fingem realizar um negócio que, na verdade, não corresponde à sua real intenção. Essa prática é feita para enganar terceiros ou burlar a lei, e o negócio simulado não produz efeitos jurídicos. A simulação pode ser considerada um vício social, pois prejudica a boa-fé e a ordem pública. Tipos de Simulação 1. Simulação absoluta (nula): As partes não pretendem efetivamente realizar o negócio. Por exemplo, duas pessoas fazem um contrato de compra e venda de um imóvel, mas na verdade não há intenção de transferir a propriedade. 2. Simulação Relativa( se o negócio dissimular, subsiste): As partes realizam um negócio, mas com termos diferentes do que realmente pretendem. Por exemplo, um contrato de venda é feito por um valor muito inferior ao de mercado, com o intuito de disfarçar a verdadeira intenção das partes. Consequências da Simulação - Inexistência do Negócio: O negócio simulado não produz efeitos jurídicos, pois não há uma verdadeira manifestação de vontade. - Possibilidade de Ação Pauliana: Credores podem usar a ação pauliana para anular negócios simulados que prejudicam seus direitos, visando proteger a integridade do patrimônio do devedor. - Sanções Legais: Dependendo da intenção e do impacto da simulação, as partes podem enfrentar sanções por fraude. Exemplo Um exemplo prático de simulação seria: - Venda Simulada de Imóvel: Uma pessoa realiza um contrato de venda de um imóvel por um preço muito abaixo do valor de mercado para ocultar o patrimônio de credores. Na verdade, as partes concordam que o imóvel permanecerá com o vendedor, e a transação não refletirá a realidade. Em resumo, a simulação é um ato fraudulento que visa enganar e prejudicar terceiros, não gerando efeitos legais e podendo resultar em sanções para as partes envolvidas. Hipóteses de anulabilidade do negócio jurídico, art 177. As hipóteses de anulabilidade do negócio jurídico são situações em que um ato, embora realizado, pode ser anulado devido a vícios. Aqui estão as principais: 1. Incapacidade: A parte não tem capacidade para celebrar o ato (ex.: menores de idade). 2. Erro: Cometido sobre um elemento essencial do negócio (ex.: comprar algo acreditando ser original). 3. Dolo: Engano intencional que induz a outra parte a erro (ex.: ocultação de informações). 4. Coação: Força ou ameaça que obriga a parte a realizar o negócio (ex.: assinatura sob ameaça). 5. Estado de Perigo: A parte assume obrigações excessivas para evitar um dano grave. 6. Lesão: Aproveitamento da inexperiência ou necessidade de outra parte para obter vantagem desproporcional. 7. Fraude contra Credores: Realização de atos com o intuito de prejudicar credores. Em resumo, a anulabilidade permite que a parte prejudicada busque a anulação do negócio jurídico devido a vícios que afetam sua vontade. Ação anulatória: Decadencial(4 anos-prazo especial ou 2 anos), termo inicial da contagem do prazo, artigos 178 e 179. Negócio jurídico é anulável se firmado por menor dentre 16 e 18 anos. Proibição de alegação de menoridade para se eximir da obrigação contraída por má-fé. (art 180). Após anulado o negócio jurídico com incapaz para reaver o que ele recebeu, deve-se provar que a importância paga foi utilizada em proveito dele (art 181) – presunção em favor do incapaz. Nulidade do negócio jurídico: visa devolver as pessoas ao estado em que elas se achavam antes do negócio jurídico (ex tunc). Se não for possível, elas devem ser restituidas com equivalente (art 182). Ex tunc, significa desde o início. A forma do negócio jurídico, se não observada, pode ser convalidada. Logo, a invalidade do instrumento não induz do negócio jurídico (art 183). TABELAS EXPLICATIVAS: 1. Vícios de Consentimento São falhas que comprometem a manifestação da vontade de uma das partes, tornando o consentimento viciado e, por conseguinte, o negócio jurídico passível de anulação. Esses vícios envolvem problemas relacionados à liberdade de escolha ou à informação nas decisões. 2. Vícios Sociais São vícios que envolvem fraudes ou manipulações em um negócio jurídico com o intuito de prejudicar terceiros ou enganar a sociedade. Esses vícios não afetam diretamente a liberdade de consentimento, mas geram lesões à ordem pública ou a interesses de terceiros. Resumo das Consequências: ● Vícios de Consentimento: Os negócios jurídicos afetados por erros, dolo, coação, estado de perigo ou lesão podem ser anulados pela parte prejudicada. ● Vícios Sociais: A fraude contra credores e a simulação resultam em nulidade do negócio jurídico, pois não refletem a verdadeira vontade das partes ou lesam interesses de terceiros.