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SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO	3 
2 ASPECTOS CONCEITUAIS: MEDIAÇÃO E CONFLITO	4 
3 DA MEDIAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL 9 	
4 CONFLITOS SOCIAIS: ORIGENS E MOTIVAÇÕES	11 
4.1 Conflito segundo as principais correntes sociológicas	15 
4.2 O conflito social e a sua transferência ao poder judiciário: a necessidade 	
do resgate de uma autonomia social à sua resolução	22 
4.3 Mediação comunitária: caminho para a práxis cidadã e democrática	26 
4.4 Conflito segundo as principais correntes sociológicas	30 
4.5 Conflitualidade social	37 
4.6 Conflitos humanos e suas formas de resolução	44 
5 O PERFIL DO MEDIADOR DE CONFLITOS	46 
5.1 Princípios fundamentais da mediação	48 
5.2 Tipos de conflitos solucionáveis pela mediação	49 
5.3 IMPORTÂNCIA DA MEDIAÇÃO PARA OS CONFLITOS SOCIAIS	51 
6 BIBLIOGRAFIA	52 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 	INTRODUÇÃO 
Prezado aluno! 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 	ASPECTOS CONCEITUAIS: MEDIAÇÃO E CONFLITO 
 
Fonte: psicologiamsn.com 
A sociedade é composta por pessoas de diferentes culturas, gêneros, com diferentes pontos de vista e formada de diversas opiniões. Quando essas pessoas formam grupos em um ambiente específico, as diferenças tornam-se mais esclarecidas, o que naturalmente pode ou não, ocasionar em conflito. Os conflitos podem levar ao caráter saudável, quando ocorrem nas instituições, se levarem a discussões críticas e solidárias entre os pares. Entre as escolas que são um dos alicerces da sociedade ocidental contemporânea e dessa relação social espaçotemporal histórica, há um desafio maior, porque tem grupos com objetivos diferentes: 
professores em educação e grupos de alunos em aprendizagem, FONTANA; (2019). 
Além do mais, no ambiente escolar, as gerações interagem diariamente e são moldadas por diferentes tipos de educação, políticas que alteram o currículo e a forma de gestão das escolas e aspectos que alteram a estrutura social e acadêmica das escolas. O conflito faz parte do ser humano e pode ser sobre si mesmo ou sobre os outros. Os conflitos não são necessariamente caracterizados por brigas ou violência, mesmo que a ideia seja elogiada. Assim, pode-se dizer que o conflito é definido por situações em que pessoas ou grupos sociais, pretendem objetivos diferentes, possuem valores e interesses diferentes. Ou seja, um conflito é uma situação em que há uma incompatibilidade, seja em nível individual ou em nível coletivo, FONTANA; (2019). 
Segundo Fernández (1998 apud POSSATO et al. apud FONTANA; 2019), conflito é o que acontece quando duas ou mais pessoas enfrentam seus interesses. Então, o conflito não necessariamente precisa ser negativo. Chrispino (2007, p.15 apud SOUSA, 2014, p.10 apud FONTANA; 2019) enfatizou nessa mesma direção que “conflito é qualquer diferença de opinião ou maneira diferente de ver ou interpretar determinados acontecimentos. Como resultado, todos nós que vivemos em sociedade temos experiências de conflito." Como se vê, os autores ressaltam que, além do conflito não ser necessariamente negativo, o conflito é inevitável em um relacionamento. 
Para Jares (2002 apud SOUSA, p. 12 apud FONTANA; 2019), na mesma direção de que o conflito é inerente à relação, o conflito é um “Fenómeno de incompatibilidade entre pessoas ou grupos, e está relacionado tanto com questões estruturais como com as mais pessoais. O conflito é um fenómeno dinâmico, dialético, é um processo social que percorre determinado itinerário com subidas e descidas de intensidade, com os seus modos de inflexão. ” 
Dessa maneira, é necessário compreender o conflito como um processo natural, que é considerado inerente ao desenvolvimento de cada pessoa e de cada relacionamento, para possa proporcionar novos caminhos, inúmeras opções de ação e ensino. A resolução de conflitos é uma forma de estratégia para não consolidar comportamentos e atitudes violentas e se baseia no diálogo e na compreensão. Como todos os conflitos surgem quando as pessoas confrontam seus pensamentos ou ações, a mediação é necessária neste momento para que a situação não se sustente ou leve à violência, FONTANA; (2019). 
Ao ter a oportunidade de falar sobre o conflito, as pessoas envolvidas podem assumir a responsabilidade por suas próprias atitudes e entender as atitudes do outro lado. Por meio do processo de mediação, abrirá espaço para o desenvolvimento pessoal e social de ambas as partes, pois, por meio do diálogo, todos poderão entender quais atitudes e emoções que provocaram o início do conflito, e até mesmo lidar com ele de forma a alienar ambas as partes. As partes poderão então desarmar o conflito, especialmente melhorando suas habilidades sociais, FONTANA; (2019). 
De acordo com Péres (2017 apud DELFINO, 2017, p. 4 apud FONTANA; 2019), mediação é o meio pelo qual as partes têm a oportunidade de resolver o próprio conflito, sob a atuação de terceira pessoa (mediador) que, estimulando o diálogo, os incentivará a identificar as necessidades respectivas, sob diferentes prismas para que, depois de levantarem possíveis alternativas de solução (mediante exercício da escuta ativa e empatia), reúnam condições para lapidarem, por si próprias, aquela reputada mais adequada. Tão mais eficiente será a atuação do mediador quanto menor for a interferência de sua intermediação, a qual deve ser gradativamente reduzida à medida em que as partes logrem restabelecer a comunicação. 
A mediação é um processo em que as partes têm o potencial de resolver seu conflito sem vencedores e perdedores, mas chegam a um consenso é bom para ambas as partes e, o mais importante, restaura relacionamentos. No processo, é possível aumentar a autonomia das partes na resolução do conflito, ou seja, por meio do diálogo e do respeito, cada parte tem a oportunidade de expressar suas opiniões, objetivos e frustrações sobre o ocorrido, criando um ambiente mutuamente benéfico, já que cada uma das partes poderá ouvir e falar, FONTANA; (2019). 
De acordo com Neto (2007, p. 85 apud SEBBEN 2016, p. 25 apud FONTANA; 2019), a mediação é “focar nas pessoas e não em relação a casos, podemos entendêlo como “o reconhecimento da integridade dos cidadãos como objetos de deveres e direitos, só assim poderão melhor gerir, transformar ou resolver os seus próprios conflitos”. 
Numa outra conceituação de mediação, encontra-se que é: Uma negociação com a intervenção de um terceiro neutral, baseada nos princípios da voluntariedade das partes, da neutralidade e imparcialidade do terceiro (mediador) e na confidencialidade do processo, a fim de que as partes em litígio encontrem soluções que sejam mutuamente satisfatórias. (MORGADO & OLIVEIRA, 2009, p.48 apud POSSATO et al. 2016, p. 359 apud FONTANA; 2019). 
É verificável que esses autores escrevem que a mediação é um processo em que o mediador é simplesmente uma pessoa que mantém a conversa em andamento, ao invés de impedir ou interferir nas decisões das partes envolvidas. Isso pode ocasionar entre as partes uma maior autonomia e responsabilidade para chegar a um consenso com o qual ambas as partes estejam satisfeitas, FONTANA; (2019). 
Warat (2001,p.80 apud SEBBEN, 2016, p. 25 apud FONTANA; 2019) vem de encontro ao exposto anteriormente compreendendo a mediação como, [...] uma proposta transformadora do conflito porque não busca a sua decisão por um terceiro, mas, sim, a sua resolução pelas próprias partes, que recebem auxílio do mediador para administrá-lo. A mediação não se preocupa com o litígio, ou seja, com a verdade formal contida nos autos. Tampouco, tem como única finalidade a obtenção de um acordo. Mas, visa, principalmente, ajudar as partes a redimensionar o conflito, aqui entendido como conjunto de condições psicológicas, culturais e sociais que determinaram um choque de atitudes e interesses no relacionamento das pessoas envolvidas. O mediador exerce a função de ajudar as partes a construírem simbolicamente a relação conflituosa. 
Bem, podemos dizer que o conflito é um fenômeno em que as pessoas discordam sobre algo que leva ao desacordo, e a mediação é uma reunião onde o mediador oferece às partes envolvidas a possibilidade de restabelecer o diálogo, dessa maneira permite que os conflitos diários sejam resolvidos por meio do diálogo e da compreensão. 
Portanto, a mediação é um dos métodos alternativos e automontados de resolução de conflitos. A auto associação, por sua vez, pode ser vista como a forma mais verdadeira de resolução de conflitos, pois são os seres humanos buscam pela vida boa e em muitos casos, as conversas informais são vistas como a primeira tentativa de solução de problemas. Em outros casos, pode-se dizer que as partes podem optar por negociar com o objetivo de restabelecer o relacionamento sem intervenção de terceiros. Em alguns casos, porém, a erosão das relações torna-se tão expressiva que acaba levando à perda do diálogo entre os envolvidos, com enorme custo, tanto financeiros como emocionais, NETO; (2015). 
Portanto, métodos alternativos de resolução de conflitos precisam ser empregados, de forma que outras portas que contribuam para a resolução de conflitos sejam abertas para selecionar o método mais adequado com base nas necessidades pessoais e materiais de cada uma das partes, levando em consideração, ainda, o tipo de conflito vivenciado. Entre os métodos alternativos e negociados de resolução de conflitos, atualmente conhecidos como métodos apropriados de resolução de disputas (RAD), as instituições de mediação, amplamente incentivadas, se destacam, permitindo a inclusão de uma terceira pessoa em uma negociação cujo objetivo é ajudar a reconstruir uma conversa perdida em um determinado momento e preservar o relacionamento entre as partes envolvidas, NETO; (2015). 
Em outras palavras, pode-se dizer que a mediação é a intervenção de um terceiro neutro e imparcial, independentemente de qualquer iniciativa decisória, optando apenas por ajudar os envolvidos em determinado conflito, aconselhando-os a praticar comunicação construtiva baseada em interesse genuíno para que eles possam voluntariamente alcançar um resultado mutuamente aceitável através do processo tecnicamente coordenado, mas informalmente confidencial. A mediação oferece uma oportunidade de ampliar a compreensão dos reais interesses existentes em determinada situação de conflito, possibilitando que as partes construam soluções consensuais de forma mais satisfatória, sendo responsabilidade do mediador comunicar-se com as partes envolvidas para que possam encontrar soluções adequadas para o problema vivenciado, NETO; (2015). 
Portanto, cabe ao mediador aproximar as partes para que possam compreender melhor os inúmeros pressupostos da disputa, o que ajuda a diminuir o estresse irracional e até mesmo o elemento emocional da disputa que não pode ser visto de forma realista. Só assim será possível analisar melhor a situação, reduzir os impasses e, finalmente, chegar a um acordo. A mediação não se limita à composição das partes, na verdade, destina-se a abordar questões emocionais mais intensas, que na maioria das vezes não são exploradas na resolução tradicional de conflitos por serem muitas vezes de forma muito superficial, com o objetivo de eliminar a discussão, ao invés de ter grandes preocupações sobre o impacto psicológico que irá surgir, NETO; (2015). 
Dessa maneira, a mediação conduzida por profissionais capacitados permite que as partes saiam da reunião satisfeitas, satisfeitas com a resolução de questões financeiras e emocionais, e afastadas da esfera judicial, fator preponderante na redução do número de processos e de processos em curso. Os bons resultados deste instituto têm sido verificados na resolução de conflitos de vários tipos em famílias, comunidades, escolas, apartamentos, empresas, etc., principalmente em conflitos com o objetivo principal de manter o relacionamento entre as pessoas envolvidas, prestando atenção a elas, prestando atenção ao fator primordial na prestação de serviços de justiça de melhor qualidade, resultando em opções rápidas, de alta qualidade e eficazes, NETO; (2015). 
Vários atributos da mediação podem ser facilmente elencados, como valorizar o diálogo, garantir a equidade, a cooperação, apoiar o princípio da autonomia da vontade, promover a tranquilidade social, reduzir a intolerância, entre vários outros. Tudo isso é feito para facilitar a comunicação entre os envolvidos e não expressa nenhum julgamento ou juízo de valor, NETO; (2015). 
 
3 	DA MEDIAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL 
 
Fonte: tomazsolberg.com.br 
A mediação visa mudar a forma como a sociedade lida com o conflito, a fim de acomodar melhor o acesso à justiça. Dessa forma, a noção de acesso à justiça não é interpretada de forma limitada, apenas acesso à justiça, mas para buscar os valores defendidos pela constituição. De acordo com esse raciocínio, o senso de justiça amparado pela Carta Magna, visa garantir que o Estado possa resolver os conflitos satisfatoriamente conforme exigido pela justiça social. Como enfatiza Mauro Cappelletti (1998, p. 7 apud CARVALHO; 2021) em sua obra, o conceito de justiça social exigido pela nossa sociedade moderna pressupõe necessariamente o acesso efetivo. 
Como destaca Mauro Capelletti (1998, p. 7 apud CARVALHO; 2021), o conceito de acesso à justiça mudou ao longo da história. Neste ponto de vista, é necessário ressaltar importantes acontecimentos históricos que marcaram a evolução dos direitos fundamentais. Em primeiro lugar, destaca-se a rebelião do livre estado de direito. A estrutura do país remonta a eventos históricos no final do século XVIII, como a Revolução Francesa em 1789 e a independência americana em 1776. Esses eventos acabaram por levar a uma redução da participação do Estado na esfera pessoal de governança, levando ao fim das grandes monarquias autocráticas e constituindo os direitos fundamentais da primeira geração. 
Na ausência da participação do poder estatal, novas classes sociais surgiram, defendendo a melhoria das condições sociais e econômicas. Essas movimentações, como a Revolução Russa de 1917, influenciaram o estabelecimento do estado de direito nas sociedades, durante o qual as pessoas buscavam a igualdade material perante a lei, não apenas a igualdade formal. Assim, como argumenta Cappelletti (1998, p. 8 apud CARVALHO; 2021), tornou-se lugar-comum que o ativismo estatal é necessário para garantir o gozo de todos esses direitos sociais básicos. 
Seguindo esse raciocínio, é possível entender o acesso à justiça como um pilar fundamental de sistemas jurídicos igualitários destinados a garantir a igualdade material, mecanismos de salvaguarda que permitem aos indivíduos fazer valer direitos sociais básicos. Neste contexto, conforme ensina Cappelletti (1998, pp. 8-9 apud CARVALHO; 2021), é cada vez mais reconhecido que o direito de acesso não é apenas um direito social básico, é claro, e também traz o processismo moderno em relação a processualística, como ponto central. 
Nessa perspectiva, para alcançar o pleno acesso à justiça, é preciso desenvolver mecanismos que possam efetivamente lidar com o conflito, pois a resolução efetiva do conflito que passa necessariamente pela mudançana forma como a sociedade interpreta o conflito. Portanto, o paradigma do enfrentamento baseado na persistência de disputas e conflitos deve ser mudado. Uma cultura baseada em ideias concorrentes, como ganhar ou perder, mina a realização do senso de justiça cimentado na Carta Magna, CARVALHO; (2021). 
Nessa lógica cumpre destacar a abordagem de John Paul Lederach, (…) o conflito é elemento propulsor de mudanças pessoais e sociais, isso significa visualizá-lo como catalisador do desenvolvimento humano. Ao invés de ver o conflito como ameaça, ele propõe entendê-lo como uma oportunidade para crescer e aumentar a compreensão sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre a nossa estrutura social. (LEDERACH, 2012, p. 12 apud CARVALHO; 2021). 
É interessante mencionar como o processo de mediação pode mudar a percepção do conflito pelas partes. Essa mudança de um modelo ganha-perde (a continuação do litígio é quase inevitável) é resultado do uso efetivo do processo de mediação. Assim, Fabiana Marion (2014, p. 92 apud CARVALHO; 2021) defende que as pessoas envolvidas no conflito entendem o conflito do ponto de vista do mediador como natural, o conflito não é patológico, a diferença está na forma como o tratamento se dará. 
 Ressalta-se ainda que a mediação, que transmite as instruções do processo às partes, constitui uma ferramenta democrática na qual os envolvidos na questão podem resolvê-la de forma construtiva, constituindo-se em uma verdadeira política de prevenção. Isso acontece, porque os litigantes aprendem a lidar e se responsabilizar pela solução dos problemas de forma civilizada e autônoma, sem intervenção judicial. Dessa forma, evitam-se novos casos de disputa que chegam a saturar o judiciário. Concluindo, na mediação não há adversários a superar, apenas oportunidades para restabelecer a comunicação e o diálogo para que o indivíduo assuma o controle de uma relação social mais construtiva e equilibrada, CARVALHO; (2021). 
4 	CONFLITOS SOCIAIS: ORIGENS E MOTIVAÇÕES 
As relações sociais interativas são uma capacidade humana que foi aprimorada conforme a história humana que aconteceu ao longo do tempo pela necessidade de os indivíduos viverem em grupos, impulsionados por processos evolutivos, ou por sua própria proteção. Essas relações podem ocorrer de forma harmoniosa ou conflitante. A principal característica de um relacionamento harmonioso é a convivência estável entre os indivíduos, baseada em o respeitar o outro e as regras sociais estabelecidas, mas quando esses pressupostos sociais são violados, o resultado é o surgimento de interesses opostos, tornando inevitável o surgimento de relações conflitantes, (MORAIS; SPLENGER, 2012, p. 17 apud CARNEIRO; 2019). 
A convivência entre as pessoas é inevitável, e os diferentes matizes são o principal motivo dos conflitos naturais, principalmente por porque a satisfação dos desejos individuais tem impacto direto nas relações interpessoais, principalmente quando os interesses individuais buscam se sobrepor aos interesses coletivos (LIEDKE; SCHIOCCHET, 2012, p. 149 apud CARNEIRO; 2019). 
Os conflitos, assim, surgem naturalmente da condição humana, de posições contraditórias relacionadas a fatos e ações envolvendo expectativas, valores e interesses comuns (VASCONCELOS, 2012, p. 21 apud CARNEIRO; 2019). As definições de conflito não são consistentes entre estudiosos e doutrinadores dessa questão encontraram várias definições na literatura, embora algumas delas mantenham alguma consistência importante. 
Por exemplo, Robbins (2006, p.78 apud CARNEIRO; 2019) caracteriza o conflito como “um processo que se inicia quando um indivíduo ou grupo se sente afetado negativamente por outra pessoa ou grupo", caso em que o conflito é entendido como um conflito de ideias ou interesses, levando a um conflito ou desacordo entre fatos ou pessoas. Esse conflito de interesses é um fio condutor utilizado por Vezzulla (2005, p.19 apud CARNEIRO; 2019) para esclarecer que "o conflito envolve querer tomar uma posição contrária à vontade alheia, envolve uma disputa de poder, e sua expressão pode ser explícita, também pode ser escondido atrás de uma posição ou declaração secreta." 
Morais e Splenger (2012, p. 18 apud CARNEIRO; 2019) postulam que o conflito nessa mesma ideia consiste em um enfrentamento entre dois seres ou grupos da mesma espécie, que manifestam, uns a respeito dos outros, uma intenção hostil, geralmente com relação a um direito e, para manter esse direito, afirmá-lo ou restabelecê-lo, muitas vezes lançam mão da violência, o que pode trazer como resultado o aniquilamento de um dos conflitantes. 
Segundo Luchiari (2012, p. 5 apud CARNEIRO; 2019), o conflito também pode ser entendido como “um conflito de posições diferentes, ou seja, de intenções, de ações diferentes, ocorre quando uma ou ambas as vidas mudaram [...] É uma consequência normal das diferenças humanas e da insatisfação com suas necessidades". 
O conflito é assim visto como um fenômeno subjetivo, às vezes inconsciente, decorrente da competição de respostas incompatíveis, ou seja, o conflito de motivos, ou Informações conflitantes, mas “podem ter um efeito positivo como incentivo à atividade criativa em determinadas circunstâncias e em situações específicas, não precisam necessariamente terminar em litígio, e podem ser resolvidas pacificamente, desde que “todos os meios possíveis de negociação de disputas” sejam fiéis, a um diálogo sincero e honesto entre as partes para alcançar resultados sem perdedores ou vencedores. (MIRANDA, 2012, p. 2 apud CARNEIRO; 2019). 
Essa condição pacificadora se impõe como a decisão mais acertada, considerando-se que derrotar litigante oposto, na maioria dos casos, pode não representar, necessariamente, que o problema tenha sido resolvido, ou que a decisão judicial, tomada com base no que os Autos apresentam, seja, realmente, a solução desejada (BENTES, 2012, p. 98 apud CARNEIRO; 2019). O conflito nem sempre surge quando uma pessoa é contrariada, ele pode advir, de acordo com Luchiari (2012, p.5), “da evolução inerente à pessoa, que traz um desconforto e tem como consequência o conflito”, sendo que, conforme esclarece Vasconcelos (2012, p.19 apud CARNEIRO; 2019), muitas vezes “o desentendimento pode ser benéfico, algo que propicia a evolução”. 
Os conflitos surgem, assim, das condições em que os indivíduos convivem e estão vinculados às circunstâncias relacionais que os tornam inevitáveis, mas tais disputas podem ser resolvidas de forma justa e pacífica por meio de mecanismos que garantam a composição das diferenças. Tradicionalmente, porém, devido à cultura profundamente arraigada da sociedade, a composição sempre foi direcionada para a atuação do judiciário, que emprega uma técnica de composição heterogênea em que os juízes, como terceiros imparciais, têm o poder de decidir os conflitos. (BENTES, 2012, p. 99 apud CARNEIRO; 2019). 
A adoção do sistema de resolução de conflitos sociais é inteiramente baseada na composição heterogênea, e visa relações que não se preocupam com a efetivação dos direitos humanos, a convivência e o bem-estar das partes envolvidas. Isso fragiliza ainda mais a dignidade humana, deixando sempre a percepção de que a justiça não funciona adequadamente (DA SILVA, 2008, p. 35 apud CARNEIRO; 2019). Choques de natureza cultural, racial ou mesmo religiosa induzem sempre os indivíduos a recorrer à justiça, mesmo quando dão a uma “vitória” e a outra “perda”. ”, portanto, sem a devida exploração de alternativas à reconciliação, decorrentes do conflito. 
Essa lógica é muitas vezes perversa, e o resultado é uma multiplicação de procedimentos que impedem o normal funcionamento do judiciário, que é obrigado a decidir sobre questões que podem ser resolvidas por meio do diálogo entre as partes e, para isso, intermediários que ajudam a alcançar seus objetivos com o suporte. Essa cultura, enraizada na sociedade, contribui para a eclosão do conflito, e seu próprio progresso está relacionado às características das partes em conflito, relacionamentos anteriores, a naturezado problema que causou o problema, o contexto social em que o problema ocorreu, o público de interesse, as estratégias empregadas pelas partes e as consequências para cada participante e partes interessadas, (DEUTSCH, 2004, p. 41 apud CARNEIRO; 2019). 
O crescimento do número de conflitos, as tensões sociais nas mais amplas esferas das relações interpessoais e institucionais, e a morosidade da prestação jurisdicional têm forçado os litigantes a esperar demais para atender às exigências legais, gerando insatisfação e descrédito do processo judicial, além de prejuízos à cidadãos. As garantias constitucionais de acesso aos tribunais, sistemas contraditórios, devido processo legal e celeridade processual são os principais objetivos do amplo acesso à justiça e, portanto, porque o processo deve ser organizado e realizado de acordo com estatutos normativos “destinados a torná-lo um canal de uma ordem jurídica justa” porque o seu “amplo alcance é a paz e a justiça”. (DINAMARCO, 2005, p. 375 apud CARNEIRO; 2019). 
A segurança jurídica e a celeridade processual precisam andar de mãos dadas, mas as barreiras e a falta de recursos humanos, técnicos e materiais tornam essa possibilidade cada vez mais distante da realidade, o que torna imperativo que o poder público tome medidas urgentes e necessárias para sanar essa deficiência na prestação da assistência judiciária aos cidadãos. (AMARAL, 2009, p. 23 - 24 apud CARNEIRO; 2019). 
Refletir como e por que surgem os conflitos importa remeter-se à insatisfação do indivíduo, quando os interesses de um ou de outro divergem, e se busca satisfazer as pretensões, não aceitando perda, e dessa insatisfação originase o conflito interpessoal (DA SILVA, 2008, p. 32 apud CARNEIRO; 2019). 
É com base nesta premissa que, na busca de "um resultado que sirva aos seus próprios interesses, torna-se fundamental a adoção de políticas públicas que removam as barreiras ao pleno acesso à justiça e encontrem uma "solução adequada dos conflitos de interesse por meio do engajamento decisivo de as partes", o que preservará o relacionamento delas, propiciando a justiça coexistencial” (WATANABE, 2011, p. 4 apud CARNEIRO; 2019). 
Neste sentido, a sociedade brasileira, por meio das manifestações da sociedade civil organizada e seus representantes, introduziu no atual texto constitucional um importante dispositivo que prioriza os direitos fundamentais e a dignidade humana e fortalecem o papel do judiciário. No mesmo campo, o legislador adotou uma legislação específica para facilitar o acesso à justiça e incentivar a resolução de conflitos de interesse fora do processo judicial. (RUIZ; NOGUEIRA, 2012, p. 118 apud CARNEIRO; 2019). 
4.1 Conflito segundo as principais correntes sociológicas 
Compreender as fontes de conflito requer uma reflexão sobre o assunto a partir de uma perspectiva sociológica. A análise dos estudos sociológicos do conflito abrange uma ampla gama de teorias e explicações sobre os sistemas sociais e sua lógica histórica. Para resumir a pesquisa sobre métodos de conflito, é interessante revisitar as principais correntes sociológicas: funcionalismo, interacionismo, perspectivas de conflito e perspectivas de ação social, PASSOS; (2007). 
 Em um estudo abrangente de diferentes teorias sociológicas do conflito, Pierre Birnbaum [1995 apud PASSOS; 2007] observou que o conceito de conflito "quase sempre ocupa um lugar de destaque" no coração das mais diversas teorias filosóficas e sociais passadas e presentes. Na visão do autor, o conceito “evoca a oposição clássica entre fusão e ruptura, consenso e dissidência, estabilidade e mudança”, de modo que a oposição entre conflito e ordem está “inscrita nos próprios fundamentos das instituições sociais, ou sistemas sociais”, [op cit, p. 247]. 
Por meio do conceito de conflito, são levantadas questões sobre a "natureza das instituições sociais", bem como "a própria natureza da sociologia", como ele a entende, para estudar o conflito de uma perspectiva sociológica, de uma forma ou de outra. Por outro lado, deve procurar esclarecer ao mesmo tempo "a lógica das instituições sociais e a lógica da história, PASSOS; (2007). 
 É por meio da “ oposição/conflito” que se entra no cerne da teoria sociológica contemporânea. Desde o início “estamos diante de" um conhecimento de difícil integração, e "sua interpretação, seja ela funcionalista ou radical”, têm sido tão numerosas e contraditórias. ” [op.cit, p. 249]. A sociologia tem pouco mais de um século, surge da necessidade fundamental de observar e perceber a sociedade, de entender (em níveis sutis, complexos e profundos) como os indivíduos se comportam e como eles se interagem e também sobre as interações pessoais (indivíduos entre si) e organização social, e reflete a história social de fundo. Não é uma ciência com ideias unanimemente aceitas. Em vez disso, há uma ampla gama de abordagens teóricas no campo da sociologia, apontando para diferentes perspectivas e, portanto, diferenças gritantes. Em alguns tópicos, como conflito, PASSOS; (2007). 
No entanto, como observado por Giddens [2004 apud PASSOS; 2007], os autores concordam que a sociologia é uma disciplina em que "deixamos de lado nossa própria maneira" de ver o mundo e começamos a "observar" cuidadosamente os processos que moldam "nossa sociedade", que moldam “as nossas vidas e a dos outros”. [op cit, p. 18] Giddens aponta que a maioria das pessoas tende a ver o mundo em termos das "características" de suas próprias vidas, enquanto a sociologia mostra que é crucial ter uma "perspectiva mais ampla" sobre como vivemos e nos comportamos. Segundo os autores, a sociologia nos diz: 
[...] o que consideramos natural, inevitável, bom ou verdadeiro pode não o ser, e que o que tomamos como «dados» nas nossas vidas é fortemente influenciado por forças históricas e sociais. Compreender as maneiras ao mesmo tempo sutis, complexas e profundas, pelas quais as nossas vidas individuais refletem os contextos da nossa experiência social é essencial à perspectiva sociológica. [GIDDENS, 2004, p. 2 apud PASSOS; 2007]. 
Para Giddens, a ciência surgiu, entre outras coisas, para estudar a organização das sociedades, o comportamento social dos indivíduos, as interações humanas e os símbolos culturais (interpessoais, intragrupais) que eles criam e usam para interagir em grupos e em sociedades. Pressupõe uma tarefa igualmente "fascinante e constrangedora", pois "o objeto de estudo é nosso próprio comportamento como seres sociais". Giddens aponta que a pesquisa sociológica pode ser extremamente ampla, indo desde meros "encontros casuais entre indivíduos que passam na rua até a investigação de processos sociais globais". [op.cit, p. 2], PASSOS; (2007). 
Os "pioneiros da sociologia" enfrentaram uma confluência de eventos como a substituição do dogma, da superstição e das crenças tradicionais pelo racionalismo, as revoluções francesa e britânica (seguidas pelos outros que os seguiram), trouxeram uma série de mudanças econômicas e sociais e também "mudou drasticamente a face do mundo social". [Ibidem, pág. 6]. Destruição do "estilo de vida" e mudanças dramáticas na sociedade sobre o contexto social deu aos pensadores do século XIX preocupações sobre a nova ordem emergente, necessitando de um pensamento mais sistemático sobre ela (e suas consequências futuras) e levando os pensadores a desenvolver uma "nova concepção do mundo social" e natureza”, dando sentido à sociedade em que vivem, PASSOS; (2007). 
Os primeiros sociólogos usavam métodos muito diferentes para estudar o mundo social. Durkheim e Marx "preocupados com o poder das forças externas individuais" e suas teorias refletiam questões econômicas. Weber partiu da ideia da “capacidade de um indivíduo agir de forma criativa em relação ao mundo exterior” e levou em consideração fatores mais amplos que considerava importantes. Obviamente, não é incomum que os sociólogos analisem a partir de diferentes perspectivas teóricas, mesmo que os sociólogos concordem sobre o "objeto de análise", PASSOS; (2007). 
O funcionalismo estudaa relação entre as partes da sociedade, a relação entre os indivíduos e a relação entre o indivíduo e o todo. A ênfase acontece consenso moral na manutenção da ordem e sobre a estabilidade, para os funcionalistas este é um sistema complexo com várias partes para garantir coesão, estabilidade e solidariedade. Essa linha de pensamento tem ordem e equilíbrio porque “ o estado normal da sociedade”, PASSOS; (2007). 
Enfatiza “o papel dos fatores que levam à coesão social" sobre "os fatores que geram conflito e divisão”. Isto é porque isso tem sido criticado porque a ênfase na ordem e na coesão minimiza a divisão e a desigualdade, que são fontes potenciais de conflito. Porque a ordem é a regra, os funcionalistas tendem a ver o conflito como "patológico", assim, tendem a desaparecer, PASSOS; (2007). 
Entre os pioneiros da chamada escola funcionalista encontramos August Comte e Emile Durkheim, ambos preocupados com a mudança social e conscientes das condições sociais em que viviam e das inconsistências que a industrialização promove a igualdade é perturbada por ameaças à coesão social e suas implicações futuras. Comte entendia que, à semelhança do que acontece no mundo físico, a sociologia deve ser vista em termos de positivismo, pois para ele a sociedade está sujeita às leis imutáveis, PASSOS; (2007). 
No que concerne ao conflito, Comte pensa em uma “sociedade autoritária”, organizada com uma estrutura de “castas”, o que “evitaria o temível conflito”. Segundo Comte, o progresso é fator favorável à formação de uma comunidade pacificada, cuja ordem não presume a existência da coação externa de Spencer, no que diz respeito ao conflito, Comte a vê como uma "sociedade autoritária" organizada em uma estrutura de "castas" que "evitaria um conflito terrível", PASSOS; (2007). 
Segundo Comte, o progresso é um fator facilitador para a formação de comunidades pacíficas cuja ordem não pressupõe coerção externa sobre Spencer, que por sua vez, em termos de conflito, está apenas no militarismo (conflito de guerra) e por causa da crença na industrialização, bem-estar do desenvolvimento, então abandone-o e deixe-o ser uma coisa do passado [BIRNBAUM, op cit, p. 250], PASSOS; (2007). 
 
Embora Durkheim tenha emprestado alguns aspectos da obra de Comte, ele criticou a obra de seu antecessor, argumentando que o estudo da vida social precisava de uma natureza mais científica, ou seja, o estudo da vida social com a "mesma objetividade" que ocorre ao estudar os fenômenos naturais em relação ao mundo. O princípio básico de Durkheim é "estudar os fatos sociais como coisas", o que significa Analisar a "vida social" é tão rigoroso quanto analisar "objetos ou fenômenos naturais”. 
Durkheim entendia os fatos sociais como a “ maneira de agir, pensar e sentir “está fora do indivíduo, existe em uma "realidade fora da vida e da percepção do indivíduo", e de alguma forma impõe uma força coercitiva ao indivíduo sem perceber, PASSOS; (2007). 
 Para Durkheim, os fatos sociais regulam a vida e, por serem intangíveis, intangíveis e revelados por meios indiretos (análise de efeitos), são objetos difíceis de serem estudados pela sociologia. Durkheim diferencia entre variados tipos de solidariedade: social e moral, como coesão social e Integração dos indivíduos na partilha de valores e hábitos (costumes e práticas); solidariedade mecânica, baseada no consenso e Semelhança de crenças e solidariedade orgânica que reconhece a interdependência, PASSOS; (2007). 
Durkheim raramente fala em conflito, e as referências encontradas em sua obra referem-se ao conflito como uma "anomalia social", [ENTELMAN, 2005, p.31 apud PASSOS; 2007], o que confere ao conflito um caráter transitório e temporal. Entre os sociólogos que adotaram uma visão conflitante estavam Marx e Weber, que enfatizaram a relevância das estruturas sociais. Os defensores da ideia de que existe um modelo integrador que "explica o funcionamento da sociedade" rejeitam a ênfase funcionalista no consenso e apontam para "a importância da fragmentação social", focando a análise em questões de poder, desigualdade e luta. ” Seus pontos de vista são frequentemente apoiados pelos escritos de Marx ou Weber. 
Na perspectiva do conflito, nas “teorias do conflito”, são analisadas, dentre outros aspectos: (i) a existência de diferentes grupos na sociedade, com distintos interesses, acarretando a luta pelos próprios interesses e dando origem a tensões que significam potencial conflito e (ii) as tensões existentes entre os grupos dominantes e os desfavorecidos na busca da compreensão quanto à forma como se estabelecem e quanto à perpetuação das relações de controle. Karl Marx, igualmente movido pela necessidade de explicar as mudanças sociais presentes na época da revolução industrial, acompanha o aumento do número de fábricas, o consequente aumento da produção industrial e o crescimento das desigualdades daí resultantes. Foca a maior parte de seus escritos em questões de ordem econômica, no capitalismo e na luta de classes. Para Marx, numa concepção naturalista da história, o sistema 	econômico 	está 	assentado 	na 	posse 	comum 	(binômio 
sociedade/justiça). Mas o capitalismo é dominado pela luta de classes, uma vez que as relações entre as classes são caracterizadas pelos conflitos. A interdependência entre os capitalistas e os trabalhadores é desequilibrada e o “relacionamento assentado na exploração”. [GIDDENS, op cit, p. 17 apud PASSOS; 2007]. 
Weber, como outros pensadores de seu tempo, procurou entender a natureza e a causa da mundaça social naquela época. Ele lida com o capitalismo moderno e as diferenças entre a sociedade moderna e outras sociedades. Ele foi influenciado e foi um crítico dos escritos de marx. Rejeita sua noção de naturalismo da história, e dão ao conflito de classes "menos significado" do que marx deu. De acordo com Giddens, weber é frequentemente apontado como um dos pioneiros da "teoria da ação social", concentrando sua atenção no "papel desempenhado pelas ações e interações dos membros da sociedade" na formação das estruturas que sustentam e influenciam a sociedade e o comportamento humano, PASSOS; (2007). 
Ao contrário de Marx, para weber, “os fatores econômicos são importantes, mas as ideias e os valores têm o mesmo efeito na mudança social”. Assim, na visão de weber, as forças que produzem mudanças residem em crenças, ideias e valores, e é importante que as sociedades se concentrem em ações sociais (pensamentos e motivações) em vez de estruturas. Nesse aspecto, difere de Durkheim e Marx, para quem as estruturas existem fora ou independentemente do indivíduo. Em vez disso, Weber argumentou que "as estruturas sociais são formadas por redes complexas de ação mútua". PASSOS; (2007). 
No que se refere aos conflitos, Birnbaum afirma que somente a partir da década de 50 é que: [...] a teoria do conflito social dá origem, nas sociedades ocidentais, e muito especialmente nas anglo-saxônicas, a uma nova discussão dos fundamentos da ordem social, ao pretender novamente questionar uma visão estrutural-funcionalista dominante, acusada, muitas vezes um pouco apressadamente, de servir de justificação mais ou menos ideológica a um sistema social atravessado pelo poder e que pretende funcionar unicamente pelo consenso. [BIRNBAUM, 1995, p. 249 apud PASSOS; 2007]. 
Também aponta que, para Durkheim e Marx, os dois fundadores da sociologia: 
[...] a existência do conflito baseia-se num determinismo estrutural que pouco se baseia na intencionalidade dos atores [...] pouco importa, portanto, o próprio desenrolar do conflito, sua intensidade, sua regulação, a ideologia que o expressa, os méritos dos atores que neles se empenham a partir dos mais diversos riscos; essas abordagens sociológicas, em sua elaboração mais sistemática, não nos ajudam a compreender os conflitos em si. [op cit, p. 253 apud PASSOS; 2007]. 
Como consequência lógica, portanto, propõe uma abordagem conflitante para se livrar de todo determinismo estrutural, e alerta que, de acordo com Weber, 
[...] a luta é “uma relação - socialna medida em que a atividade é orientada pela intenção de fazer triunfar sua própria vontade contra a resistência do ou dos parceiros”. Esta luta pelo poder implica uma “concorrência quando é conduzida no sentido de uma procura formalmente pacífica de um poder próprio para dispor de oportunidades que outros também solicitam. [op cit, p. 256 apud PASSOS; 2007]. 
Os autores também citam Weber para explicar esse conflito, antes entendido como patológico, 
[...] é visto agora como “normal” em todas as sociedades e não se concebe que possa acabar algum dia. Não está, portanto, circunscrito a uma etapa particular da evolução supostamente disfuncional da humanidade. Com Weber, a noção de conflito adquire uma nova dimensão, já que se torna inerente ao mundo social: perde seu caráter “patológico” e transforma-se num conceito analítico aplicável a todo sistema social. [op cit, p. 256 apud PASSOS; 2007]. 
No entanto, Entman alerta que o conflito é um fenômeno comum, refletindo um adjetivo: internacional, interno, individual, grupal, classe social. Ele também alertou que os tipos de conflito abrangem vários tipos de confronto, e quando alguém lida com o conflito, "um dos Delinear é a identidade do ator": plural (ou coletivo) ou individual. Na primeira, plural ou coletiva, é preciso focar em maior compreensão dos processos decisórios, maior percepção de comportamentos e tensões e melhor estruturação de possíveis cenários futuros, PASSOS; (2007). 
 Na primeira, plural ou coletiva, é preciso focar em maior compreensão dos processos decisórios, maior percepção de comportamentos e tensões e melhor estruturação de possíveis cenários futuros. Nos últimos, individuais, ocorrendo em famílias, empresas, relações comerciais, etc., é necessário que se atenha a um senso de consciência do conflito e sua extensão, PASSOS; (2007). 
O conflito ocorre em qualquer situação que envolva interação, especialmente no curso de uma relação contratual. Nesse sentido, pode-se dizer que a convivência humana oscila entre harmonia e tensão, dependendo das circunstâncias que o ator vivencia, e essa tensão muitas vezes se manifesta por meio do conflito explícito, PASSOS; (2007). 
 
Por um lado, a vida social leva a infinitas interações entre os indivíduos que a compõem, entre eles e seus grupos, e entre seus grupos. Por outro lado, com entidades privadas, sejam elas corporações, associações, empresas ou mesmo organizações sem fins lucrativos. Tais interações, voluntárias e involuntárias, contemplam a miríade de trocas contratuais que preenchem as atividades cotidianas e nos envolvem em tramas caóticas que não poderíamos imaginar há muito tempo. Quanto mais percebemos que somos parte e parcela desse emaranhado de relações, mais percebemos o crescimento ou a multiplicação do conflito, seja ele causado por disputas por bens materiais ou territórios, sejam valores jurídicos, políticos, emocionais ou morais da natureza e ética. [PONIEMAN, 2005, p. 23 apud PASSOS; 2007]. 
Estudiosos do tema afirmam que os conflitos em maior escala e complexidade, advêm do fato de vivermos tempos de constantes mudanças, produzidas em ritmos acelerados que, derivam dos contínuos avanços das ciências e, ultimamente, da informática. Entendem que tais circunstâncias transformaram em efêmeros os lapsos de estabilidade que até então conhecíamos, provocando o aumento dos conflitos de forma assim considerável. [PONIEMAN, op cit, p. 24; CONSTANTINO, op cit, p. 13 apud PASSOS; 2007]. 
O conflito é relacional e, portanto, uma parte final e inevitável das relações humanas. Assim, uma parte integrante da vida cotidiana humana existe em todos os aspectos da vida social. As interações em ambientes institucionais (empresas, entidades públicas e privadas) não são exceção. Nas Relações no Contexto Institucional identificam-se as relações de trabalho, a concorrência e a concorrência entre as empresas, envolvendo as suas relações com fornecedores, clientes e redes diversas, PASSOS; (2007). 
A esse respeito, Pierre Birnbaum esclarece que foi Simmel quem formulou a teoria sociológica na tradição do interacionismo de Weber o conflito mais tarde se tornou um clássico. Segundo os autores, Simmel foi levado a formular uma tipologia de resolução de conflitos que "continua a examinar triunfos, compromissos, reconciliações e até, em alguns casos excepcionais, uma rejeição explícita de qualquer solução que permita uma nova convivência", PASSOS; (2007). 
[op cit, p. 257]” e segundo o autor, "Sempre que há uma crise em uma empresa" (o que, podemos argumentar, também acontece em um ambiente de setor regulado), um "mediador" pode ser chamado para ajudar a resolvê-la. Através desta assistência às partes em conflito, pode ser alcançado um acordo ou "compromisso no interesse das partes". Pierre Birnbaum cita Dahrendorf, que, como diz, se encontra: surgem instituições mediadas por conflitos em que os parceiros concordam cada vez mais com as regras do jogo e aceitam recorrer à mediação, à arbitragem e até a várias formas de mediação, que limitam sua expressão específica a uma "queda dramática de intensidade" conflito. [op cit, p. 261 apud PASSOS; 2007]. 
A cooperação sob essa abordagem estabelece uma espécie de "seguro" entre os parceiros, pois o conflito geralmente é limitado porque seus participantes são "concorrentes" e "parceiros", tanto para evitar confrontos extremos quanto para evitar confrontos extremos de seus interesses comuns. Esse conflito não envolve ideologia nem questões estruturais. [op cit, p. 263 apud PASSOS; 2007]. 
4.2 O conflito social e a sua transferência ao poder judiciário: a necessidade 
do resgate de uma autonomia social à sua resolução 
Os conflitos são inerentes às relações humanas, pois todas as relações sociais acabam por experimentá-los em determinado momento. Esse conflito se deve a uma série de fatores, como a distribuição e o desenvolvimento dos papéis sociais, e a comunicação facilitada pelas novas tecnologias que tendem a alienar os seres humanos e criar laços comunitários artificiais, levando a conflitos mais contemporâneos do que os que existiram no passado (SPENGLER, 2012, p. 197 apud ALVES; 2018), o que justifica o grande volume de demandas colocadas ao judiciário diante da inércia de uma política pública nacional efetiva. 
Neste cenário, é necessário investigar métodos alternativos de resolução de conflitos, o que envolve primeiramente a necessidade de uma compreensão (ainda que simples) do conceito e estrutura do conflito e da situação atual, a situação e padrões de tomada de decisão do judiciário, ALVES; (2018). 
A noção de conflito advém do antigo latim, “tendo como raiz etimológica a ideia de choque, ou a ação de chocar, de contrapor palavras, ideologias, valores ou armas”, razão pela qual, para que exista conflito, é imperioso, primeiramente, que as forças confrontantes sejam dinâmicas, reagindo umas com as outras, e contenham em si o mesmo sentido da ação (SPENGLER, 2012, p. 199 apud ALVES; 2018). 
O conflito envolve a ação de confronto entre dois organismos ou grupos da mesma espécie que demonstram uma vontade hostil um para com o outro, geralmente em relação a um direito, e muitas vezes a força e a violência são usadas para afirmar esse direito, dessa maneira pode ocasionar em uma aniquilação de alguém no conflito. (MORAIS; SPENGLER, 2007, p. 304 apud ALVES; 2018). 
O conflito visa romper a resistência da outra parte, pois existe no confronto de duas vontades, quando uma parte tenta chegar a uma solução por meio de violência direta ou indireta, uma parte tenta dominar a outra, esperando impor uma solução, e/ou por meio de ameaças físicas ou psicológicas, em última análise, é possível admitir que uma pessoa prevaleça sobre outra (MORAIS; SPENGLER, 2007, p. 304 apud ALVES; 2018). 
Quanto à classificação, os conflitos podem ser classificados em intraindividuais, interpessoais, intracoletivos, intercoletivos e internacionais, dependendo de quem está envolvido no conflito e do contexto em que ocorre, o que pode afetar sua resolução. (SPENGLER, 2012, p. 199apud ALVES; 2018). No campo da psicanálise, "o conflito é sempre interno, consciente ou inconsciente. Desenvolve-se dentro de cada indivíduo a partir das forças contraditórias de diferentes instâncias da personalidade". De acordo com isso, o conflito é o resultado de duas tendências ou sistemas de tendências que se confrontam, levando a comportamentos ou efeitos opostos ou diferentes. (GORCZEVSKI, 2007, p. 22 apud ALVES; 2018). 
Para a sociologia, o conflito é concebido como um “resquício do estado primitivo do homem, uma expressão de suas imperfeições, que pode ser suprimida mediante a adoção de atitudes sociais de colaboração”, sendo “fundamental, inerente e necessário ao processo social” (GORCZEVSKI, 2007, p. 27 apud ALVES; 2018). 
Por sua parte, ao contrário da psicologia e da sociologia, "a psicologia social aborda Conflito, não no nível individual, não no nível social, mas na encruzilhada dos dois, ou seja, no nível da interação do indivíduo com o sistema social que ele habita”, sendo este o conflito de grupos, entendido como o resultado de certas ações pessoais. (GORCZEVSKI, 2007, p. 29-30 apud ALVES; 2018). 
No entanto, é importante destacar a importância sociológica do conflito, que pode ser visto na organização, manutenção e transformação das relações sociais, pois, sendo o conflito inerente aos indivíduos e grupos sociais, deixa de ser um fator patológico, e passa a ser considerado como um elemento fisiológico da estrutura do corpo humano. No entanto, para evitar resultados trágicos, muitas vezes usando a violência e a própria força, algumas situações de conflito requerem intervenção externa ao grupo ou indivíduo em conflito. (SPENGLER, 2016, p. 558 apud ALVES; 2018) isso é muitas vezes atribuído ao judiciário. 
Simmel (2010, p. 17 apud ALVES; 2018) destacou a relevância sociológica do conflito, para quem o conflito cria ou altera comunidades de interesse, unidades e organizações, e, independentemente de sua influência contínua ou direta, constitui uma forma de socialização. Acontece que, paradoxalmente, a sociedade procura eliminar o conflito (que é orgânico), que parece decorrer do fato de não querer enfrentá-lo. Por isso, encaminha suas resoluções para um terceiro, o Estado. 
 Por sua vez, essa forma de buscar atingir seus objetivos, mesmo como forma de se sustentar, tem operado tradicionalmente no sentido de eliminá-la imediatamente a todo custo, independentemente de sua origem ou consequências. Portanto, "o direito, e a sociedade como um todo, tem visto e experimentado os resultados das forças destrutivas e a violência que elas produzem". (GORCZEVSKI, 2007, p. 37 apud ALVES; 2018). 
A busca legal e judicial por essa solução acaba por exteriorizar o conflito, revelando as reivindicações e conflitos dos litigantes. “No sentido jurídico, o conflito se manifesta como o antagonismo entre sujeitos de direitos e obrigações, e é um fenômeno que ocorre quando duas reivindicações “diferentes” coexistem sobre a mesma mercadoria, e a “disputa” é entendida como uma das formas de resolver o problema direcionada para uma disputa legal”. (GORCZEVSKI, 2007, p. 32 apud ALVES; 2018). 
Ao judiciário foi dado o poder exclusivo de julgar e resolver os conflitos sociais, e desta forma o Estado diz a quem assiste os direitos e resolve os conflitos. Esse poder supostamente soberano e independente é o responsável final pela segurança, liberdade, sua propriedade e sua própria existência do homem moderno. (GORCZEVSKI, 2007, p. 42 apud ALVES; 2018). 
A falta de resolução de conflitos na própria sociedade pode ser observada em todas as classes sociais, captando a própria democracia porque, simbolicamente, seu espaço está sendo deixado para a justiça, cobrindo-se na esperança de ganhar ação política. Dessa forma, o aumento da procura por instituições judiciárias é inversamente proporcional à probabilidade de que os poderes políticos resolvam problemas coletivos. Um terceiro imparcial, o juiz, parece ser capaz de sanar a "falha democrática" das decisões políticas, dotando a sociedade de um número cada vez maior das chamadas referências simbólicas que são representante do povo. (GARAPON, 1999, p. 48 apud ALVES; 2018). Inevitavelmente, a intervenção e valorização da “justiça” na vida social contemporânea leva as pessoas a perceberem que nada pode “fugir” da valorização da justiça, criando assim um impulso tradicionalmente chamado de judicialização das relações sociais. 
Isso significa que um grande número de questões envolvendo as mais díspares e conflitantes relações sociais (sejam elas trabalhistas, cíveis, criminais, ambientais, científicas, morais, religiosas e políticas) são analisadas e decididas pelo judiciário. Em outras palavras, pode-se dizer que a influência contemporânea do direito não se limita ao poder da república, mas se voltou com destaque para a regulação dos problemas até então. Instituições privadas, que caracterizam a transmissão real do direito na organização da vida social (VIANNA et al, 1999, p. 149 apud ALVES; 2018). 
Desse modo, nota-se que “a expectativa da justiça, de que possa funcionar como exemplo de moralidade, manifesta-se não apenas na pressuposição de termos jurídicos, mas também na persistência de algum tipo de confiança popular” (MAUS, 2000, página 135 apud ALVES; 2018). Isso porque o judiciário torna-se o grito de socorro dos cidadãos que buscam a efetivação de seus direitos. Isso tem acontecido no Brasil nos últimos anos, exemplificado pelas muitas decisões relevantes do judiciário brasileiro (e não muitos outros), demonstrar a incompetência social da gestão de conflitos. 
Com isso, esses processos passam a limitar novas responsabilidades, colocam problemas sociais e, ao mesmo tempo em que tornam visíveis categorias da população até então invisíveis, indicam inimigos e abordam angústias específicas (GARAPON, 1999, p. 48-49 apud ALVES; 2018). A democracia é necessária para a justiça e, ao mesmo tempo, capacita todos os cidadãos a apelar aos governantes para que respeitem as promessas da lei, agindo de forma mais pessoal, próxima e duradoura do que os representantes da Política Clássica Distante (GARAPON, 1999, p. 49 apud ALVES; 2018). 
Como ocorre, na atualidade, diante do crescente número de conflitos sociais em que o Judiciário resolve esses conflitos, a ineficiência e a demora excessiva em suas decisões são o oposto do acesso à justiça e da razoável duração dos procedimentos estabelecidos no texto da Lei brasileira constitucional. (REUSCH; SCHWINN, p. 283-284 apud ALVES; 2018). 
No entanto, a morosidade do processo judicial não é exclusiva do Brasil. Embora seja um tema de discussão global, tem destaque em países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos, como Angola. Nunes (2015, p. 125 apud 
ALVES; 2018) salienta que “uma característica notória da magistratura angolana é a demora na resolução dos litígios que lhe são apresentados em matéria civil, administrativa, laboral e penal”. 
Não seria exagero concordar com Ost (2007, p. 101 apud ALVES; 2018) quando aduz que a lentidão da justiça é um tema, menos cruel certamente, porém mais universal . La Bruyère o imortalizará num aforismo assassino: “O dever dos juízes é fazer a justiça; seu ofício é adiá-la. Alguns conhecem seu dever e fazem seu ofício”. Compreende-se que esse acúmulo de acusações contra a justiça faça o Sacapin de Molière exclamar: “Senhor, se podeis, salvai-vos desse inferno. É condenar-se já neste mundo ter que mover uma ação na justiça; e o simples pensamento de um processo seria capaz de fazer-me fugir para as Índias” [...] basta evocar o magistrado Bourriche descrito por Anatole France: “Ele tem o espírito jurídico e sabe o que um magistrado deve à sociedade. A justiça é social. Somente maus espíritos a desejam humana e sensível. Ela é administrada com regras fixas e não com os estremecimentos da carne e as luzes da inteligência. Sobretudo não lhe peçam para ser justa, ela não tem necessidade de sê-lo já que é a justiça, e lhes direi, de minha parte, que a ideia de uma justiça justa só pôde germinar nacabeça de um anarquista” (OST, 2007, p. 102 apud ALVES; 2018). 
Esta é uma situação preocupante porque, embora reconhecendo a importância da independência judicial para a manutenção de regimes democráticos, reconhece também que, devido à sua estrutura atual, tem sido lenta e negligente. As práticas de agência interna acabam por minar o conceito de justiça, arriscando-se a tornar-se uma agência irrelevante, ou seja, quanto à sua (in) eficácia (GORCZEVSKI, 2007, p. 57 apud ALVES; 2018). 
4.3 Mediação comunitária: caminho para a práxis cidadã e democrática 
Segundo Sales e Moreira (2008, p.363 apud CARVALHO; 2010), "a participação democrática da eficácia e do poder dos cidadãos se dará não apenas por meio de eleição livre dos representantes do povo, mas também oferecendo meios e oportunidades de participação popular. " Em tais situações, especialmente no nível comunitário, os procedimentos de mediação de conflitos promovem maior responsabilização e participação da comunidade na resolução de conflitos, o que beneficia a manutenção dos relacionamentos, atende aos interesses de todas as partes e economiza tempo e dinheiro na resolução de conflitos. Ainda mais importante é a necessidade de conscientizar os cidadãos sobre sua capacidade de resolver conflitos por meio do diálogo produtivo, construir pontes de parceria entre os membros da comunidade e abrir novos caminhos para uma transformação sociocultural positiva. 
 A mediação comunitária ocorre em comunidades remotas para informar as comunidades sobre seus direitos e obrigações, bem como resolver e prevenir conflitos em busca da paz social. Esse tipo de mediação pode criar maiores vínculos entre os envolvidos, estimular a participação ativa na vida social dos membros daquela comunidade e ensiná-los a pensar coletivamente ao invés de respectivamente. O engajamento cívico é um processo aberto de mudança no qual uma política específica é implementada para capacitar e capacitar os cidadãos e promover seu papel no fortalecimento das comunidades, CARVALHO; (2010). 
Na mediação comunitária, o mediador geralmente é um membro da própria comunidade, treinado para mediar conflitos, voluntariamente e optam por dedicar parte do seu tempo ao bem-estar de toda a comunidade. A mediação comunitária é gratuita e não impõe qualquer ônus ao mediador. A finalidade da mediação é desenvolver valores, conhecimentos, crenças, atitudes e comportamentos na população, fortalecendo a democracia política e cultura de paz; enfatizar a relação entre valores e práticas democráticas e a coexistência pacífica, que contribui para uma melhor compreensão do respeito e da tolerância sobre a comunidade, para um tratamento adequado daquelas controvérsias que, no âmbito da comunidade, perturbam a paz, CARVALHO; (2010). 
A mediação de conflitos comunitários torna-se uma poderosa aliada do judiciário, pois o ajuda a desempenhar um papel importante na resolução de conflitos, disposição, incluindo a resolução de conflitos, porque os canais judiciais tradicionais são muito simplistas, e mesmo por falta de informações conflitantes, esses canais nunca podem ser alcançados. Um dos benefícios da mediação comunitária é a prevenção da violência, pois a resolução de conflitos é obtida com agilidade pelas partes envolvidas, e não imposta por um terceiro que, na maioria das vezes, desconhece a realidade da vida do mediador. Não há perdedores na mediação porque todos se sentem satisfeito com a solução do problema encontrado, CARVALHO; (2010). 
Pode-se dizer que a mediação comunitária proporciona um caminho para a prática cívica e, ao mesmo tempo, estimula as partes a participarem ativamente da busca conjunta. Resolver conflitos com famílias, vizinhos, relações comerciais, com o meio ambiente, com os consumidores e muitos outros. A mediação comunitária se dá através do exercício da cidadania e da democracia, pois passa a permitir que os cidadãos que até então são tidos como excluídos se estabeleçam e se resolvam os seus conflitos com a ajuda de um mediador. Como resultado, o indivíduo marginalizado (mediado) começa a assumir o controle de sua própria vida e inclusão social, porque qualquer forma de exclusão social é inaceitável em uma verdadeira democracia, CARVALHO; (2010). 
A mediação de conflitos é uma ferramenta da prática cívica e democrática que facilita o acesso efetivo à justiça, como já foi citado anteriormente, e tem também o intuito de esclarecer aos cidadãos quais são suas obrigações e direitos garantidos constitucionalmente, permite que os envolvidos resolvam seus problemas de forma rápida e eficiente de suas próprias contradições, fomentando uma cultura de consciência crítica, diálogo e engajamento que promova a inclusão e a paz social, , CARVALHO; (2010). 
Há necessidade de melhorar a capacidade de se envolver em processos comunitários, processos de tomada de decisão e participação de forma autêntica e direta. Implementar e/ou aplicar políticas que afetem a comunidade com o objetivo de alcançar a igualdade de oportunidades entre os diferentes atores sociais, o que terá impacto e também uma melhora direta em sua qualidade de vida, tanto do ponto de vista material quanto do ponto de vista da realização individual e coletiva, CARVALHO; (2010). 
Em suma, implementar um sistema de gestão participativa com a participação ativa de todos os cidadãos significa desenvolver um processo pleno e democrático, eficiente e eficaz, capaz de aproveitar ao máximo o valor agregado proporcionado por uma abordagem colaborativa na construção de soluções. Neste contexto, a mediação comunitária ajuda a promover questões de cidadania e participação, pois constitui um processo que tem o poder de atuar como o requisito básico é que as pessoas participem ativamente na construção de alternativas e na determinação da melhor solução para o conflito, CARVALHO; (2010). 
 
Baseada na autonomia, orientada para as pessoas Eles são capazes de se comunicar efetivamente com base no diálogo, e a mediação estimula os próprios mediadores a reconhecerem seu potencial e seu papel como cidadãos, em vez de serem identificados como membros do povo "destinatário" das ações e serviços do Estado (MULLER, 2003, pp. 75-77 apud CARVALHO; 2010), mas sim “as pessoas como atores políticos” e capazes de participar de debates sobre questões que dizem respeito não apenas a eles, mas também à comunidade eles pertencem. (LIMA, BERCOVICI, 2005, p. 17 apud CARVALHO; 2010). 
 Conforme CARVALHO; (2010) reconhecer que sua participação viabiliza a construção de soluções mutuamente satisfatórias para os problemas individuais leva a crer que também é possível (e necessário) colaborar em debates para chegar a consensos sobre questões de natureza coletiva. Na verdade, como: 
[A] prática da mediação estabelece a participação ativa das pessoas nas soluções dos conflitos, passa-se a não somente se discutir sobre questões, individuais, mas questões de natureza coletiva também. As experiências brasileiras em mediação, especialmente aquelas realizadas nas periferias dos municípios, têm revelado mudanças de comportamento das pessoas: tornam-se mais participativas nas decisões individuais e coletivas (luta e conquista de cursos de alfabetização para adultos, cursos jurídicos, cursos sobre planejamento familiar, discussões sobre ressocialização da pena ao se receber para auxiliar nos trabalhos administrativos dos centros de mediação pessoas conde nadas à prestação de serviços). (SALES, 2007, p. 38-39 apud CARVALHO; 2010). 
A democracia exige que não apenas uma parcela da população tenha acesso aos meios necessários à participação efetiva, como informação, educação política, espaço e oportunidades de expressão, mas que essas condições sejam compreendidas ao maior número possível de cidadãos, que devem agregar o poder de decisão, ou seja, a capacidade de influenciar as decisões do governo. Na medida em que a mediação comunitária possibilita que as pessoas se comuniquem e dialogam pacificamente, estimula parcerias e redes colaborativas em torno de objetivos comuns, ela tema função educativa de apontar o caminho para a prática democrática coletiva responsável, CARVALHO; (2010). 
No entanto, a prática cívica não ocorre sem inquietação, pois a convivência social expõe as diferenças existentes (individuais e coletivas), sejam elas culturais, políticas, religiosas ou posicionais. Como resultado, surge o conflito, que sempre fez parte da natureza humana (especialmente porque cada um tem características únicas e ideias diferentes). De uma perspectiva, a maneira de lidar com esses conflitos A 
Constituição vigente, deve ser inovadora, pois outros caminhos além do processo judicial são possíveis, e esses caminhos são propícios à construção de um processo democrático consciente, CARVALHO; (2010). 
Neste sentido, a própria mediação comunitária é uma alternativa democrática e eficaz para a resolução de conflitos. Juntamente com outros métodos mutuamente acordados na resolução de conflitos (negociação, mediação e arbitragem), a própria mediação traz novos caminhos para a construção de processos democráticos, potencializando a prática de fortalecimento da cidadania, CARVALHO; (2010). 
4.4 Conflito segundo as principais correntes sociológicas 
Compreender as fontes de conflito requer uma reflexão sobre o assunto a partir de uma perspectiva sociológica. A análise dos estudos sociológicos do conflito abrange uma ampla gama de teorias e explicações sobre os sistemas sociais e sua lógica histórica. Para resumir a pesquisa sobre métodos de conflito, parece interessante revisitar alguns autores e grandes correntes sociológicas, como: funcionalismo, interacionismo, perspectivas de conflito e perspectivas de ação social, PASSOS; (2008). 
Em estudo abrangente sobre as diferentes teorias sociológicas acerca do conflito, Pierre Birnbaum [1995 apud PASSOS; 2008] afirma que no âmago das mais variadas filosofias e teorias sociais do passado e do presente o conceito de conflito ocupa “quase sempre um lugar essencial”. Tal conceito, segundo esclarece o autor, “evoca as antinomias clássicas entre integração e ruptura, consenso e dissenso, estabilidade e mudança”, de modo que a oposição entre o conflito e a ordem “se inscreve no próprio fundamento do sistema social”. [op cit, p. 247]. 
Conforme o conceito de conflito, são levantadas questões sobre "a natureza das instituições sociais" e "a natureza da própria sociologia". O estudo do conflito também parte de uma abordagem sociológica que de acordo com Pierre Birnbaum, de uma forma ou de outra, deve procurar esclarecer tanto "a lógica das instituições sociais quanto a lógica de sua história". É por meio da “oposição consenso/conflito" que se entra no cerne da teoria sociológica contemporânea, desde o início "estamos diante de" um conhecimento de difícil integração, e "sua interpretação, seja ela funcionalista ou radical", têm sido tão numerosas quanto contraditórias. ” [op.cit, p. 249]. 
A sociologia tem pouco mais de um século, dessa maneira ela decorre da necessidade básica de observar e perceber a sociedade, os modos individuais e funciona a partir de uma compreensão das interações (individuais e indivíduos entre si) e da organização social (em níveis sutis, complexos e profundos) e reflete contextos sócio históricos. Não é uma ciência com ideias unanimemente aceitas, em contraste, no campo da sociologia, existem amplas abordagens teóricas, que apontam para diferentes perspectivas. Como resultado, as divergências sobre determinados tópicos, como conflitos, são mais pronunciadas, PASSOS; (2008). 
No entanto, como aponta Giddens [2004 apud PASSOS; 2008], o consenso entre os autores é que a sociologia é uma disciplina em que “deixamos de lado nossos caminhos”, ou seja, é como se estivesse olhando para o mundo e passando a “observar" cuidadosamente as "influências" que moldam "a nossa vida e a de outras pessoas". [ibidem, pág. 18] Giddens, acredita que a maioria das pessoas tende a começar partindo das suas próprias características de vida, e a sociologia sugere que através de uma "visão mais ampla" de como nos comportamos. Segundo os autores, a sociologia nos diz: 
[...] o que consideramos natural, inevitável, bom ou verdadeiro pode não o ser, e que o que tomamos como «dados» nas nossas vidas é fortemente influenciado por forças históricas e sociais. Compreender as maneiras ao mesmo tempo sutis, complexas e profundas, pelas quais as nossas vidas individuais refletem os contextos da nossa experiência social é essencial à perspectiva sociológica. [GIDDENS, 2004, p. 2 apud PASSOS; 2008]. 
De acordo com Giddens, a ciência surgiu, entre outras coisas, para estudar a organização da sociedade, o comportamento social dos indivíduos, a interação humana e os símbolos culturais (interpessoais, intergrupais) que eles criam e usam para interagir em grupos e sociedades, pressupõe uma tarefa que, na mesma medida, "fascinante e constrangedor" porque "o tema do estudo é o nosso próprio comportamento como seres sociais”. [op.cit, p. 2], PASSOS; (2008). 
Conforme Giddens, a ciência surgiu, entre outras coisas, para estudar a organização da sociedade, o comportamento social dos indivíduos, a interação humana e os símbolos culturais, que eles criam e usam para interagir em grupos e sociedades podem ser relacionados a relações interpessoais, intergrupais e intergrupais. Uma tarefa igualmente "fascinante e constrangedora" foi pressuposta porque "o tema do estudo é o nosso próprio comportamento como seres sociais". Giddens aponta que a sociologia tem uma gama extremamente ampla de assuntos, desde meros "encontros casuais entre indivíduos que passam na rua até a investigação de processos sociais globais". [op.cit, p. 2], PASSOS; (2008). 
Os "pioneiros da sociologia" enfrentaram uma confluência de eventos como o racionalismo substituindo dogmas, superstições e crenças tradicionais, as revoluções francesa e inglesa (e outras que se seguiram), trazendo um conjunto de mudanças econômicas e sociais e modificando “ de maneira dramática a face do mundo social”. [op.cit, p. 6], PASSOS; (2008). 
 A destruição do "modo de vida" e as mudanças dramáticas nos contextos sociais deram aos pensadores do século XIX a preocupação com a nova ordem emergente, que deve ser pensada de forma mais sistemática (e consequências futuras) e levar os pensadores a desenvolver "novos conceitos de sociedade e do mundo natural" que dão sentido às sociedades em que vivem, PASSOS; (2008). 
 Os primeiros sociólogos usavam métodos muito diferentes para estudar o mundo social. Durkheim e Marx "preocupados com o poder das forças externas individuais" e suas teorias refletiam o domínio das questões econômicas. Weber partiu da ideia da “capacidade do indivíduo de agir de forma criativa para o mundo exterior”, ele leva em conta fatores mais amplos, que ele acredita serem importantes. Obviamente, não é incomum que os sociólogos realizem análises a partir de diferentes perspectivas teóricas, mesmo quando os sociólogos concordam sobre o "objeto de análise", PASSOS; (2008). 
O funcionalismo estuda a relação das pessoas na sociedade, a relação entre os indivíduos e a relação entre o indivíduo e o todo. Ele enfatiza a manutenção da ordem social e um consenso moral estável, que para os funcionalistas é um sistema complexo composto pelos seguintes componentes assegurar a coesão, a estabilidade e a unidade. Esta corrente tem a ordem e o equilíbrio é "o estado normal da sociedade”. Enfatiza "o papel dos fatores que levam à coesão social" sobre "os fatores que geram conflito e divisão". Como tal, tem sido criticado porque a ênfase na ordem e na coesão minimiza a divisão e a desigualdade, que são fontes potenciais de conflito. Como a ordem é a regra, os funcionalistas tendem a ver o conflito como "patológico" e, portanto, tendem a desaparecer, PASSOS; (2008). 
Entre os pioneiros da chamada escola funcionalista encontramos August Comte e Emile Durkheim, ambos preocupados com a mudança social e conscientes das condições sociais em que viviam e das inconsistências que a industrialização promove a igualdade é perturbada porameaças à coesão social e suas implicações futuras. Comte entendia que, à semelhança do que acontece no mundo físico, a sociologia (anteriormente chamada de física social) deve ser vista em termos de positivismo, pois em sua visão a sociedade é regida por leis imutáveis, PASSOS; (2008). 
No que diz respeito ao conflito, Comte a vê como uma "sociedade autoritária" organizada em uma estrutura de "casta" que "evitaria um conflito terrível". Para Comte, o progresso foi um fator facilitador para a formação de comunidades pacíficas cuja ordem não pressupunha coerção externa sobre Spencer, que por sua vez, em relação ao conflito, apenas reconhecia que estava em militarismo (conflito de guerra) e abandoná-lo, relegando-o ao passado, acreditando nos benefícios do desenvolvimento industrial. [BIRNBAUM, op cit, p. 250], PASSOS; (2008). 
Embora Durkheim tenha emprestado alguns aspectos da obra de Comte, ele criticou a obra de seu antecessor, argumentando que o estudo da vida social precisava de uma natureza mais científica, ou seja, o estudo da vida social com a "mesma objetividade" que surge ao estudar os fenômenos naturais do mundo. O princípio básico de Durkheim é "estudar os fatos sociais como coisas", o que significa que a análise da "vida social" é tão rigorosa quanto a análise de "objetos ou fenômenos naturais". Durkheim entende os fatos sociais como "modos de agir, pensar e sentir" fora do indivíduo, existindo em "realidades e opinião pessoal” e impõe algum grau de coerção ao indivíduo sem perceber, PASSOS; (2008). 
Como caracteriza Durkheim, os fatos sociais podem afetar a vida e, por serem intangíveis, insensíveis, e revelados por meios indiretos (análise de efeitos), são objetos difíceis de serem estudados pela sociologia. Durkheim distingue entre diferentes tipos de solidariedade: social e moral, como elementos de coesão social – decorrentes da integração dos indivíduos na partilha de valores e hábitos (costumes e práticas); a solidariedade mecânica, baseada na semelhança de consenso e crença, e a solidariedade orgânica solidariedade, reconhecendo a interdependência, PASSOS; (2008). 
Durkheim pouco tratou do conflito e as referências encontradas em sua obra referem-se ao conflito como uma “anomalia social”, [ENTELMAN, 2005, p. 31 apud PASSOS; 2008], o que dá ao conflito uma característica temporal e transitória. Dentre os sociólogos que adotaram a perspectiva do conflito estão Marx e Weber. Ambos acentuaram a relevância das estruturas na sociedade e eram adeptos da ideia da existência de um modelo abrangente para “explicar a forma como a sociedade funciona. ”, repelem a ênfase dos funcionalistas ao consenso e assinalam a “importância das divisões na sociedade”, centrando a análise em questões de poder, desigualdade e luta”. Seus pontos de vista, não raras vezes, encontram apoio em escritos de Marx ou de Weber. Na perspectiva do conflito, especialmente nas “teorias do conflito”, são analisadas, dentre outros aspectos: (i) a existência de diferentes grupos na sociedade, com distintos interesses, acarretando a luta pelos próprios interesses e dando origem a tensões que significam potencial conflito e (ii) as tensões existentes entre os grupos dominantes e os desfavorecidos na busca da compreensão quanto à forma como se estabelecem e quanto à perpetuação das relações de controle. Karl Marx, igualmente movido pela necessidade de explicar as mudanças sociais presentes na época da revolução industrial, acompanha o aumento do número de fábricas, o consequente aumento da produção industrial e o crescimento das desigualdades daí resultantes. Foca a maior parte de seus escritos em questões de ordem econômica, no capitalismo e na luta de classes. Para Marx, numa concepção naturalista da história, o sistema econômico está assentado na posse comum (binômio de sociedade-justiça). Mas o capitalismo é dominado pela luta de classes, uma vez que as relações entre as classes são caracterizadas pelos conflitos. A interdependência entre os capitalistas e os trabalhadores é desequilibrada e o “relacionamento assentado na exploração”. [GIDDENS, op cit, p. 17 apud PASSOS; 2008]. 
 
Weber, como outros pensadores de seu tempo, procurou entender a natureza e as causas das alterações sociais naquela época. Ele lida com o capitalismo moderno e como a sociedade moderna difere de outras sociedades. Ele foi influenciado pelos escritos de Marx e também foi um crítico. Rejeita sua visão naturalista da história e dá ao conflito de classes "menos importância" do que Marx deu. De acordo com Giddens, Weber é frequentemente referido como um dos pioneiros da "teoria da ação social", com foco no "papel desempenhado pelas ações e interações dos membros da sociedade" na formação das estruturas que sustentam a sociedade e influenciam o comportamento humano, PASSOS; (2008). 
Ao contrário de Marx, para Weber, “os fatores econômicos são importantes, mas as ideias e os valores têm o mesmo efeito na mudança social”. Dessa maneira, na visão de Weber, as forças que produzem mudanças residem em crenças, ideias e valores, e é importante que as sociedades se concentrem em ações sociais (pensamentos e motivações) em vez de estruturas. Nesse sentido, ele difere de Durkheim. E Marx, para ele, a estrutura existe fora ou independente do indivíduo. Em vez disso, Weber argumentou que "as estruturas sociais são formadas por redes complexas de ação mútua", PASSOS; (2008). 
Em relação ao conflito, Birnbaum observa que até a década de 1950 apud Passos 2008: 
[...] a teoria do conflito social dá origem, nas sociedades ocidentais, e muito especialmente nas anglo-saxônicas, a uma nova discussão dos fundamentos da ordem social, ao pretender novamente questionar uma visão estruturalfuncionalista dominante, acusada, muitas vezes um pouco apressadamente, de servir de justificação mais ou menos ideológica a um sistema social atravessado pelo poder e que pretende funcionar unicamente pelo consenso. [BIRNBAUM, 1995, p. 249 apud PASSOS; 2008]. 
Para PASSOS; (2008) também aponta que para os dois fundadores da sociologia, Durkheim e Marx, o conflito é baseado em algum tipo de determinismo estrutural não suportado pela intencionalidade dos autores, ressaltando, portanto, que, o curso real do conflito, sua intensidade, as regras, a ideologia que expressa o conflito, os méritos dos atores envolvidos no conflito são irrelevantes. Eles assumem os mais diversos riscos; essas abordagens sociológicas, em formulação mais sistemática, não nos ajudam a compreender o próprio conflito. 
Como consequência lógica, portanto, propõe uma abordagem conflitante para se livrar de todo determinismo estrutural e alerta que, segundo Weber, A luta é “uma relação social em que a atividade é guiada por intenções para que a vontade prevaleça sobre a resistência de um ou de outros parceiros. ” Essa luta pelo poder significa 
“competição na busca pacífica do próprio poder de forma a obter oportunidades que outros também demandam. [op cit, p. 256], PASSOS; (2008). 
Os autores também citam Weber para explicar que o conflito, antes entendido como uma patologia, agora é visto como um fenômeno normal que existe em todas as sociedades. Sob estas condições: como tal, não se limita a um estágio específico do que os humanos chamam de evolução disfuncional. Para Weber, o conceito de conflito ganha um novo significado dimensão à medida que se torna inerente ao mundo social: perde seu caráter "patológico" e torna-se um conceito analítico aplicável a todo sistema social, PASSOS; (2008). 
No entanto, Entelman alerta que o conflito é um fenômeno universal que reflete um adjetivo: conflito internacional, interno, individual, grupal, de classe social. Ele também alerta que os tipos de conflito abrangem muitos tipos de confronto, e quando alguém lida com o conflito, "uma das áreas delineadas é a identificação dos atores": plural ou coletivo e pessoal. Em primeiro lugar, pluralista ou coletivo, é preciso insistir em uma maior compreensão do processo decisório, uma maior consciência de comportamentos e tensões e uma melhorconstrução de possíveis cenários futuros. Neste último, o indivíduo, ocorrendo nas relações familiares, é necessário que as societárias, negociais, entre outros, tenha que se ater à percepção da consciência do conflito e seu grau, PASSOS; (2008). 
O conflito ocorre em qualquer situação que envolva interação, especialmente no curso de uma relação contratual. Nesse sentido, pode-se dizer que a convivência humana oscila entre harmonia e tensão, dependendo das circunstâncias vivenciadas. Com atores, não é incomum que essa tensão se manifeste por meio de conflito explícito, PASSOS; (2008). 
A vida em sociedade ocasiona, por um lado, uma infinidade de interações entre os indivíduos, entre estes e seus grupos e os grupos de adesão, e por outro lado, propicia interações com entidades privadas, sejam estas empresas, associações, comércios ou ainda instituições sem fins lucrativos e entes públicos. Essas interações, sejam voluntárias ou involuntárias, contemplam incontáveis intercâmbios contratuais povoando as atividades diárias e envolvendo-nos num emaranhado de tramas que não nos seria possível imaginar, tempos atrás. Quanto mais nos damos conta de que integramos e estamos neste emaranhado relacional, mais estaremos aptos a perceber o crescimento ou a multiplicação dos conflitos, quer sejam estes decorrentes de disputas por bens ou territórios materiais, quer sejam de natureza jurídica, política, afetiva ou de valores morais e éticos. [PONIEMAN, 2005, p. 23 apud PASSOS; 2008]. 
Estudiosos do assunto afirmam que o conflito de maior abrangência e complexidade decorre dos tempos que vivemos em tempos de mudança, que estão ocorrendo em ritmo acelerado, decorrentes dos contínuos avanços da ciência e, mais recentemente, da tecnologia da informação. Eles entendem isso como as circunstâncias duraram pouco o que anteriormente conhecíamos como lapsos de estabilização, levando a um enorme aumento no conflito. [PONIEMAN, op cit, p. 24 apud PASSOS; 2008]. 
O conflito é relacional e, portanto, é uma parte eventual e inevitável das relações humanas. Integra a vida cotidiana humana e existe em todos os aspectos da vida social. As interações em ambientes empresariais e institucionais não são exceção. Nesses casos, as relações são construídas de diversas formas, muitas vezes baseadas em diferentes expressões de poder e no início do conflito. Foi Simmel, na mesma tradição interacionista de weber, quem formulou a teoria sociológica do conflito que mais tarde se tornaria a teoria clássica do conflito, PASSOS; (2008). 
De acordo com Pierre Binrbaum, Simmel foi levado a desenvolver uma tipologia de resolução de conflitos que "olhar para a vitória, compromisso, mediação, ou em alguns casos excepcionais, rejeitando expressamente qualquer solução que permita uma nova convivência. [Ibidem, pág. 257]”, e como ele mesmo coloca, “sempre que há uma crise em uma empresa” (o que, podemos argumentar, também acontece em um ambiente setorial regulado), um terceiro “mediador” pode ser chamado para ajudar a resolvê-la. Através desta assistência às partes em conflito, pode ser alcançado um acordo ou "compromisso no interesse das partes", PASSOS; (2008). 
O próprio Darrendorf observou o surgimento de instituições mediadas por conflitos, nas quais os parceiros concordam cada vez mais com as regras do jogo e aceitam o recurso à mediação, arbitragem e até várias formas de resolução, que limitam sua expressão específica a um declínio acentuado do conflito, ou seja, sobre a sua intensidade. A colaboração sob essa abordagem cria uma espécie de "seguro" entre os parceiros, pois isso não é incomum o conflito é limitado porque seus atores são ao mesmo tempo "concorrentes" e "parceiros", tanto pelo desejo de evitar confrontos extremos quanto pelos interesses comuns que defendem. Este conflito não envolve ideologia nem questões estruturais, PASSOS; (2008). 
4.5 Conflitualidade social 
No mundo como um todo, acredita-se que "nenhum organismo individual vive isolado" (CAPRA, 2002. p.23 apud AZEVEDO; 2010). Desde o nascimento, os seres humanos são completamente dependentes de outros para fornecer seus cuidados primários e, como resultado, podem durar longos períodos de suas vidas. Ao longo deste período, a sobrevivência é garantida pela presença e conexão com outras pessoas – pai, mãe, tio, babá ou pessoa próxima, “compreendendo” e atendendo as necessidades do bebê ao longo do tempo e da convivência, dando-lhe um nome, uma família, um sentido de pertencimento – a partir desses momentos, suas vidas, suas identidades são conectadas e estabelecidas por meio dessa relação e das demais relações que formam (VEZZULLA, 2001 apud AZEVEDO; 2010). 
Dessa maneira, pode-se observar o estabelecimento da interdependência entre os indivíduos, o desenvolvimento da convivência mútua, a constante constituição de relações - sejam sociais, econômicas, culturais ou profissionais, de acordo com isso há a existência de um conflito. No decorrer da história humana, nas mais diferentes comunidades do mundo, discussões, batalhas, levantes, guerras existiram como meio de alcançar os interesses pessoais e a mudança que eles buscam. Portanto, pode-se dizer que a existência do conflito é parte integrante da experiência humana, AZEVEDO; (2010). 
Nesse contexto, os conflitos tornam-se inevitáveis nas relações dos seres humanos, em razão das diferenças individuais, culturais e sociais. Além disso, eles são necessários, pois impulsionam e auxiliam nas mudanças e tomadas de decisões, conforme as palavras de Sales (2007. p. 23 apud AZEVEDO; 2010). O conflito é natural e inerente aos seres humanos. Sem o conflito seria impossível haver progresso e provavelmente as relações estariam estagnadas em algum momento da história. Se não houvesse insatisfação, as situações da vida permaneceriam iguais, constantes. Portanto, o conflito e a insatisfação tornam-se necessários para o aprimoramento das relações interpessoais e sociais. 
Reconhecendo a necessidade do conflito, a luta que incita os seres humanos a alcançar mudanças sociais e comportamentais é que estão mudando a forma como existem e percebem o mundo em que vivem e aqueles com quem convivem, de maneiras bem diversificadas, devido à educação, valores morais e éticos e também a experiência adquirida ao longo do tempo. Assim, mesmo sozinhos, os indivíduos estão sempre em conflito inevitável, conforme com seus pensamentos, desejos e decisões e, portanto, na vida em comunidade, não pode ser diferente, AZEVEDO; (2010). 
No entanto, a maior parte dos indivíduos associa a palavra ‘conflito’ a seu significado literal, sendo visto, assim, como algo indesejável e prejudicial. Em seus estudos, Sales (2007, p.25 apud AZEVEDO; 2010) refere-se à negatividade dos conflitos, da seguinte forma, o conflito, normalmente, é compreendido como algo ruim para a pessoa, para a família e para a sociedade. Um momento de instabilidade, de sofrimento, de angústia pessoal dificilmente é percebido como um momento de possível transformação. 
Conforme as visões modernas, o conflito não é necessariamente um fator negativo, mas pode ser considerado um fator positivo, dependendo de como o indivíduo conduz o conflito. Assim, parece que podemos vislumbrar o significado positivo do conflito. O conflito como indicador de interdependência interpessoal pode ser positivo, até criativo. Além disso, é inerente às relações humanas, AZEVEDO; (2010). 
As relações humanas são inerentemente conflitantes: nós humanos conflitamos, esbarramos uns nos outros. Desse choque, pode surgir a abolição do outro e do outro, ou uma mudança criativa entre as tensões do próprio conflito. O papel criativo e transformador do conflito não nos salva da tensão, da indecisão e do não saber o que fazer. Para isso, precisamos também uns dos outros (GUZMÁN, 2003. p.245 apud AZEVEDO; 2010). 
Os autores citados também comentaram sobre a ruptura do conflito na vida das pessoas e a interdependência entre si nos momentos de resolução de conflitos. Portanto, essa experiência só pode ser demonstrada quando os indivíduos seorganizam em uma comunidade. Mas o que preocupa é a ampliação dos conflitos - oriundos de relações diversas - as dimensões que assumem e as formas como são buscadas soluções para eles. Portanto, a questão principal é saber gerenciá-los de forma eficaz e produtiva, principalmente quando se observa a necessidade de conviver com os outros, que é o que acontece com a maioria das pessoas, principalmente na comunidade, AZEVEDO; (2010). 
A definição do termo é que comunidade significa "qualidades comuns, comunhão; um grupo de seres humanos caracterizados pela coesão dos indivíduos" (ROCHA, 2003 apud AZEVEDO; 2010). Fichter (1972 apud AZEVEDO; 2010), por sua vez, descreve uma comunidade como “um grupo territorial de indivíduos com relações recíprocas que usam meios comuns para atingir um objetivo comum. Enquanto esses autores sugeriam o significado do termo, Bauman (2003 apud AZEVEDO; 2010) foi mais longe em seu estudo sobre comunidades, afirmando que: 
Palavras têm significado, porém algumas delas guardam sensações. A palavra ‘comunidade’ é uma delas. Ela sugere uma coisa boa: o que quer que ‘comunidade’ signifique é bom ‘ter uma comunidade’, ‘estar numa comunidade’[...]. Comunidade, sentimos, sempre é uma coisa boa (BAUMAN 2003, p.07 apud AZEVEDO; 2010). 
O autor aqui citado expressa que o significado e o sentimento da palavra são dependentes, pois, a palavra comunidade evoca um sentimento bom pelo significado que carrega, pois, todos os significados prometem felicidade, a maioria das quais são compartilhadas por todos querem, mas nunca chegam lá, AZEVEDO; (2010). 
Assim, Bauman (2003. p. 07-08 apud AZEVEDO; 2010) define comunidade como, [...] um lugar ‘cálido’, um lugar confortável e aconchegante. É como um teto sob o qual nos abrigamos da chuva pesada, como uma lareira diante da qual esquentamos as mãos num dia gelado. Lá fora, na rua, toda sorte de perigo está à espreita; temos que estar alertas quando saímos, prestar atenção com quem falamos e a quem nos fala, estar de prontidão a cada minuto. Aqui, na comunidade, podemos relaxar — estamos seguros, não há perigos ocultos em cantos escuros (com certeza, dificilmente um ‘canto’ aqui é ‘escuro’). Numa comunidade, todos nós entendemos bem, podemos confiar no que ouvimos, estamos seguros a maior parte do tempo e raramente ficamos desconcertados ou somos surpreendidos. Nunca somos estranhos entre nós. Podemos discutir — mas são discussões amigáveis, pois todos estamos tentando tornar nosso estar juntos ainda melhor e mais agradável do que até aqui e, embora levados pela mesma vontade de melhorar nossa vida em comum, podemos discordar sobre como fazê-lo. Mas nunca desejamos má sorte uns aos outros, e podemos estar certos de que os outros à nossa volta nos querem bem. 
Como mencionado anteriormente, as comunidades idealizadas sempre parecem ser “coisas boas”, mas é preciso observar o que é necessário para poder viver nessa comunidade dos sonhos. O que fazer para desfrutar da segurança e liberdade que esta "boa comunidade" pode proporcionar? O que você tem que "desistir" para se sentir confortável em uma comunidade? O sonho dessa comunidade ser sempre boa pode se tornar realidade? Naquele momento, estabeleceu-se um clima de ambiguidade e as pessoas perceberam que viver em comunidade nem sempre é tão bom quanto se pensa. A esse respeito, Bauman (2003. p. 09 apud AZEVEDO; 2010) afirma: "Em suma, uma 'comunidade' é um mundo infelizmente fora de nosso alcance - mas que queremos viver e queremos ter". E ainda adicionar: 
Pouco resta fazer para fugir ao dilema – podemos negá-lo por nossa conta e risco. Uma boa coisa a fazer, contudo, é avaliar as chances e perigos das soluções já propostas e tentadas. Armados de tal conhecimento, estaremos aptos ao menos a evitar ir muito longe por caminhos que podem ser percebidos por antecipação como sem saída. [...] não seremos humanos sem segurança ou sem liberdade; mas não podemos ter as duas ao mesmo tempo e ambas na quantidade que quisermos (BAUMAN, 2003. p.11 apud AZEVEDO; 2010). 
Dessa forma, fica claro que as pessoas sempre negarão algo para ganhar outra coisa e, neste caso, a comunidade em geral existe; nesse constante sentimento de esperança, eles formam uma relação contínua, criando e reconstruindo suas vidas e experiências da comunidade. A chamada "rede" é assim constituída, sem a qual as pessoas não podem sobreviver. "O padrão de rede é o que todas as formas de vida têm em comum. Onde há vida, há uma rede." ” (CAPRA, 2005. p.27 apud AZEVEDO; 2010). 
É ainda capra (2004, p. 6-8 apud AZEVEDO; 2010) que fala sobre redes [...] as redes são o principal padrão de organização de todos os sistemas vivos. [...] assim sendo, a rede é um padrão observado comumente a todas as formas de vida, ou seja, onde observamos a vida observamos também as redes. [...] A vida dentro do âmbito social pode também ser compreendida em função das redes que a compõem. Redes vivas dentro da sociedade humana são basicamente redes de comunicação. E você pode até pensar a respeito de uma comunidade como uma rede de comunicação. Na medida em que você vive em comunidade, você interage com várias outras pessoas que pertencem a essa mesma comunidade. E se você viver, digamos, ainda que seja numa pequena aldeia ou numa pequena comunidade profissional, você sabe que as pessoas vão te conhecer tão bem que você não vai conseguir fazer nada sem que todo mundo saiba o que você está fazendo. Isso porque, claro, as pessoas conversam entre si e se comunicam continuamente, essa, na verdade, é a própria essência de uma comunidade viva, de uma rede viva... E da mesma forma como ocorre nas redes biológicas, as redes sociais são autogeradas, mas o que elas geram, na verdade, são basicamente coisas abstratas, não materiais cada comunicação cria pensamentos e significados, que por sua vez, dão origem a comunicações outras, e desta vez toda a rede acaba por se autogerar. E à medida que esta comunicação continua a existir dentro de uma rede social, elas foram ciclos de. quer dizer, a comunicação que gira em ciclos, e no fim das contas à rede social cria um sistema comum de crenças, de valores compartilhados, de conhecimento compartilhado e também de regras compartilhadas de comportamento. Na medida em que você pertence a uma dada comunidade, você deve se comportar de uma determinada forma, certas coisas são permitidas, [...] há coisas que você faz na sua comunidade profissional, digamos assim, que você não faz na comunidade, por exemplo, onde você joga futebol ou faz outras coisas. Então, cada comunidade detém suas próprias regras, regras que quando são adotadas criam a identidade que demonstra para as pessoas que, por exemplo, você ou a outra pessoa pertence àquela comunidade. Então as regras são perpetuamente conservadas pelo comportamento das pessoas. Então, nós temos aí uma relação bastante complexa entre as comunicações que existem dentro da comunidade e a identidade e a fronteira que termina por ser criada para conceder a esta comunidade uma identidade e a sua distinção perante as outras comunidades. 
As dinâmicas de mudança, novas formas de socialização e a criação e recriação de novos conceitos, definições e diferentes visões vêm impulsionando mudanças nos sistemas políticos, sociais, culturais e econômicos ao longo do tempo, gerando novos conceitos como democracia, capitalismo, globalização, etc. Inevitavelmente, as comunidades também mudam: crescem e se tornam mais complexas, resultando em: crescimento acelerado e desordenado das cidades, problemas na oferta de saúde, educação e segurança e ampliação da diferença socioeconômica e cultural. Sobre a intensidade das mudanças que estão ocorrendo no Brasil, Carvalho (2009 p. 211 apud AZEVEDO; 2010) diz o rápido desenvolvimento urbano transformou o Brasil em um país predominantemente urbano em apenas alguns anos. Em 1960, a população rural ainda era maior do que a população urbana. Em 2000, 81% da população já era urbana. Com o processo de urbanização, surgiram as metrópoles. 
A dificuldade das tarefas cotidianas,a distância entre lugares que convivem entre si, o isolamento de indivíduos e comunidades também é minimizado, sendo impossível deixar de falar da constância e velocidade da comunicação em um mundo globalizado. Além disso, reduzem a confiança e aumentam a suspeita. Atualmente, existem contradições extremas na vida da comunidade. As pessoas mudaram seus hábitos e suas relações umas com as outras. A distância entre as pessoas está cada vez mais próxima. Através do uso de telefones celulares, computadores e Internet, sendo substituindo as cadeiras nas calçadas, os passeios nas praças ou clubes, AZEVEDO; (2010). 
As casas estão fechadas para passeios por falta de confiança das pessoas umas nas outras e, quando acontecem, são muito limitadas e criteriosamente selecionadas. A esse respeito, Bowman (2009 p.16 apud AZEVEDO; 2010) menciona que podemos dizer que a insegurança moderna, em suas diversas manifestações, caracteriza-se pelo medo do crime e dos criminosos. Duvidamos dos outros e de suas intenções, e nos recusamos a acreditar (ou não) na constância e regularidade da unidade humana. 
Nesse sentido, as redes sociais essenciais para estabelecer a comunicação e o diálogo entre as pessoas estão se dissipando. Aos poucos, eles foram substituídos por outros. Medo, insegurança, distanciamento entre as pessoas, isolamento em casa, falta de solidariedade, compreensão e comunicação são alguns dos sintomas presentes na atual comunidade, atualmente, são testemunhas de uma dura realidade marcada pela violência, atinge diariamente pessoas de todas as idades, gêneros e classes sociais. Problemas de relações sociais e interesses divergentes estão cada vez mais focados em atitudes e comportamentos violentos, AZEVEDO; (2010). 
Como afirma Santos (1999, p. 20 apud AZEVEDO; 2010) as relações de sociabilidade passam por uma nova mutação, mediante processos simultâneos de integração comunitária e de fragmentação social, de massificação e individualização, de ocidentalização e de desterritorialização. 
Como efeito dos processos de exclusão social e econômica, inserem-se práticas de violência como normal social particular de amplos grupos da sociedade, presentes em múltiplas dimensões da violência social e política contemporânea. 
Com menos sociabilidade na comunidade, o que é comum a todos está escondido atrás de grandes muros, cercas; agora visto por câmeras, vigilância 24 horas, sistemas de segurança privada. O isolamento passa a ser buscado como medida de segurança; a exclusão, o ato de naturalização na comunidade, o sentimento de solidariedade, que existia antes, é substituído pelo consumo estimulado pelo desejo crescente de “possuir”, porém, não apenas possuir, mas sempre é “possuir” o novo, o melhor (lobo, 2003 apud AZEVEDO; 2010), a competição e, portanto, o egoísmo, o desrespeito, até mesmo o medo e a violência. 
Bauman (2009 apud AZEVEDO; 2010) citando Teresa Caldeira, que escreveu sobre o isolamento das construções na cidade de São Paulo, diz, hoje é uma cidade feita de muros. Barreiras físicas são construídas por todo lado: ao redor das casas, dos condomínios, dos parques, das praças, das escolas, dos escritórios. A nova estética da segurança decide a forma de cada tipo de construção, impondo uma lógica fundada na vigilância e na distância (CALDEIRA apud BAUMAN, 2009, p. 38 apud AZEVEDO; 2010). 
Como resultado, a violência tem seu lugar na televisão, nas manchetes dos jornais, frequentemente e em proporções cada vez maiores, disseminando a cultura do medo e da violência em proporções iguais. Até os meios de comunicação - pela influência que exercem - podem ajudar na educação e no desenvolvimento sociocultural da comunidade, mas mudam seu propósito e sua apresentação, seus espetáculos se assemelham aos cenários da vida real vivenciados hoje, realmente os piores cenários. Morte, crime, violência e medo reaparecem na vida das pessoas, AZEVEDO; (2010). 
Como aponta Chesnais (1999 p.54 apud AZEVEDO; 2010), no Brasil, a violência, sobre tudo urbana, está sobre tudo urbana, está no centro do dia a dia e ocupa as manchetes dos jornais. Ela é o assunto de especiais para a TV e, mais que tudo, assombra as consciências, de tal forma é ameaçadora, recorrente e geradora de um profundo sentimento de insegurança. Essa evolução é sintoma de uma desintegração social, de um mal-estar coletivo e de um desregramento das instituições públicas. [...] A violência gera o medo, mas este gera igualmente violência. 
	O referido autor também afirma: 	 
A televisão exerce enorme influência sobre a formação das mentalidades. Ora, esse meio de comunicação está longe de exercer o papel educativo que se poderia esperar dele, exceto entre os cidadãos melhor formados, que fazem um uso seletivo. [...] A televisão tem, é verdade, a imensa virtude de unificar o território veiculando a mesma língua, a mesma mensagem e as mesmas imagens sobre o espaço nacional. Mas ela tem o defeito de impor aos mais vulneráveis e, com freqüência, nas horas de maior audiência, um quadro fascinante, mas sangrento; alguns sociólogos chegam até a falar de ‘telemassacre’ quotidiano. Esse fato não é privilégio do Brasil, é praticamente mundial. [...] é forçoso reconhecer que na falta de organização de opinião pública, há uma ditadura de fato sobre as mentalidades: a de um punhado de homens que controlam as grandes redes de televisão. Esse desequilíbrio entre os poderes é, não apenas, incompatível com o surgimento de uma democracia pluralista, mas, pela importância ocupada pelas imagens de violência, gerador de medo, insegurança e perda de confiança (CHESNAIS, 1999 p.60-61 apud AZEVEDO; 2010). 
Como resultado, “a violência tornou-se um flagelo da sociedade como um todo, espalhando sofrimento, medo generalizado e causando graves danos econômicos” (SOARES, 2004, p. 130 apud AZEVEDO; 2010). Pesquisas mostram que não só a mídia traz altos índices de violência, mas também é vivenciada em comunidades em todo o país e em todo o mundo. No entanto, há mais foco na distribuição da violência, que, como tudo no Brasil, é aleatória e desigual, de modo que os maiores índices se concentram na população mais jovem, principalmente quando é pobre, entre 15 e 24 anos (SOARES, 2004 apud AZEVEDO; 2010). 
Dessa forma, percebe-se que os estudiosos se preocupam com o nível de violência, principalmente quando abrange em grande parte o que se costuma chamar de “futuro da nação”: os jovens. Nesse sentido, compreender a diversidade e a diversidade dos jovens é um dos pré-requisitos fundamentais para compreender seu envolvimento em processos violentos, AZEVEDO; (2010). 
4.6 Conflitos humanos e suas formas de resolução 
Ao encontrar defeitos no outro, começamos a erigir um muro entre nós. Ao culpar alguém, me posiciono como alguém que sabe tudo e que é totalmente íntegro e você como um ser que está sujeito ao meu julgamento. Você é objeto de desdém, sujeito à correção, ao passo que eu permaneço digno de elogios e poderoso” (Gergen, 1999, p. 35 apud MÜLLER 2007). 
Morin (1996 apud MÜLLER 2007) argumenta que os seres humanos são multidimensionais por natureza e se desenvolvem por meio de interações com o meio ambiente, resultantes de uma variedade de fatores, incluindo as questões psicológicas, biológicas e sociais; protagonista do pensamento racional e simbólico, misto, convivente, produtor e produto de seu meio, que o distingue e revela sua singularidade. Essa originalidade humana, por sua vez, permite a percepção e vivência de situações de formas únicas, ou seja, a heterogeneidade, propriedade que leva a diferentes formas de pensar, agir e avaliar o próprio comportamento, o que em muitos casos pode levar a mal-entendidos, diferenças não compreendidas causam conflitos. 
Existem várias áreas do conhecimento que lidam com o conflito. Dessa forma, os conflitos sociológicos, jurídicos, intraindividuais, intracoletivos, intranacionais e interpessoais, intercoletivos ou internacionais e etc., (tipos de conflito) têm significado. Para os propósitos deste estudo, os tipos de conflitos a serem focalizadossão aqueles que são instanciados na trajetória familiar, conhecidos como conflitos relacionais ou psicológicos. Em linhas gerais, o conflito pode ser entendido como o resultado de uma série de condições psicossociais culturais que determinam o conflito de interesses. O conflito pode vir da vida em um relacionamento, quando uma pessoa é contra seus pares pelas seguintes razões a necessidade de realização pessoal é contrária à vontade dos outros, ou seja, relacional, mas também decorre do conflito interno, ou seja, quando disputam as demandas pelo contrário, se houver desejo e resistência, o sofrimento surgirá, MÜLLER (2007). 
Como acontece, o conflito de relacionamento tem efeitos internos e pode se manifestar em emoções como ansiedade, auto culpa, dentre outros tipos de afetos, caso contrário, reflexos de conflitos intrapsíquicos, tais como as neuroses, podem levar a conflitos externos. Nesse entendimento, um conflito está entrelaçado com outro, ou seja, conflito interpessoal e os intrapessoais estão envolvidos. Segundo Breitman e Porto (2001 apud MÜLLER 2007), conflito pode ser compreendido como qualquer forma de antagonismo entre forças rivais. Isso significa a ocorrência de diferenças de valores, "uma falta de poder, recursos ou posições, uma divergência de ideias ou tensão, que por sua vez envolve tensões e lutas entre as partes" (p. 93). 
Os conflitos podem ser óbvios ou latentes de ambos os lados, o primeiro funciona de forma aberta, o que é bem conhecido, enquanto o segundo ocorre sem que as pessoas saibam ou saibam evitar (Ávila, 2002 apud MÜLLER 2007). De acordo com Warat (1999 apud MÜLLER 2007), são justamente os desejos, as intenções e os quereres que são evocados quando se revelam os materiais latentes dos conflitos. Segundo Moore (1998 apud MÜLLER 2007), existe outro tipo de conflito, o conflito emergencial, quando ambas as partes em conflito reconhecem que ocorreu uma discussão e levam a uma troca de tons ásperos entre elas, mas não sabem como resolvê-la. 
No entendimento de Deutsch, em sua obra A Resolução do conflito (2004 apud MÜLLER 2007), os conflitos manifestos e latentes fazem parte do que ele denomina de conflito deslocado: as pessoas em embate estão manifestando outra questão. Exemplo: marido e esposa discutindo sobre as contas domésticas na forma de um “descolamento de um conflito não expresso sobre relações sexuais” (p. 37). O autor explica: o que é experienciado é o conflito manifesto, já o que está sendo indiretamente referido é o subjacente. O manifesto, genericamente, expressa o subjacente de maneira simbólica; “a forma indireta é o modo mais ‘seguro’ de falar sobre conflitos que pareçam voláteis ou perigosos demais para serem tratados diretamente” (p. 37). O autor refere, ainda, que o conflito manifesto pode expressar, simplesmente, a irritabilidade e a tensão que permeia as relações entre pessoas conflitantes que decorre de um conflito não solvido e oculto. 
Em nossa sociedade, o conflito está associado ao confronto, à diferença e é incompreendido nos sistemas de crenças. A diferença é muitas vezes vista como agressão. No entanto, Morey (2003 apud MÜLLER 2007) ensina que o conflito em si não é destrutivo e pode ser entendido como um dos elementos da própria vida e, portanto, é parte integrante do ambiente em que as pessoas nascem, a vida e a morte fazem parte da interação. A questão é como gerenciá-lo para que seja possível sair da situação de conflito e ganhar experiência, transformação e novas possibilidades. 
Nesse sentido, contemporâneo, relacionado ao conflito uma percepção bem positiva que é encontrada em Fonkert (1999 apud MÜLLER 2007), Folger e Bush (1999 apud MÜLLER 2007), Warat (1999, 2001 apud MÜLLER 2007), Vezzulla (2001, 2003, 2006 apud MÜLLER 2007), Ávila (2002), Moré (2006 apud MÜLLER 2007) dentre outros. Deutsch (2004 apud MÜLLER 2007) ainda enfatiza o potencial e a importância do conflito nas esferas social e pessoal. Segundo o autor, ele tem bastante funções positivas: dessa forma, irá prevenir a estagnação, estimular o interesse e a curiosidade, na qual é a forma como as pessoas expressam os seus problemas e procuram soluções, “é uma fonte de mudança pessoal e social” (p. 34). 
Schinitman (1999a apud MÜLLER 2007) também vê o conflito como uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento. Folger e Bush (1999 apud MÜLLER 2007) vão um passo além, argumentando que o conflito é potencialmente transformador e o entende como parte integrante da vida e capaz de produzir mudanças, como descrevem em "O Compromisso com a Mediação" (1996 apud MÜLLER 2007). Eles explicam que o conflito pode ser construtivo ou transformador quando oferece uma oportunidade para um indivíduo desenvolver e integrar força pessoal e habilidades de empatia. Quando alcançar essas capacidades representa um passo importante para a mudança pessoal e social. 
5 	O PERFIL DO MEDIADOR DE CONFLITOS 
Conforme BERNEGOSSI; et al., (2017) além do conhecimento das resoluções e da legislação vigente, existem alguns requisitos que um mediador precisa executar para que possa desempenhar bem essa função. Para tanto, foram determinados vários princípios que devem ser seguidos na realização da mediação. E são eles: 
· Imparcialidade do mediador; 
· Isonomia entre as partes; 
· Oralidade; 
· Informalidade; 
· Autonomia da vontade das partes; 
 
 
 
 
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Busca do consenso; 
· Confidencialidade; 
· Boa-fé. (BRASIL, 2015 apud BERNEGOSSI; et al., 2017). 
De acordo com BERNEGOSSI; et al., (2017) o Código de Ética dos mediadores do CONIMA, descreve estes e mais alguns princípios que devem ser seguidos pelo mediador atuante, a saber: 
· Independência – não deve ser parente ou relativo dos envolvidos; 
· Credibilidade – ser de confiança das partes ou demonstrar ser de confiança para os envolvidos; 
· Aptidão – o mediador deve estar habilitado e regulamentado dentro do Conselho Nacional de Justiça a exercer sua função; e 
· Diligência – o mediador precisa dedicar tempo para se especializar e dedicar-se ao máximo a essa função. 
Diante de todos esses princípios que foram expostos, é preciso ressaltar que “o mediador pode e deve contribuir para questões não diretamente relacionadas à disputa e que afetem a dinâmica das partes” (Brasil, 2016 apud BERNEGOSSI; et al., 2017), ou seja, ele deve investigar, questionar o e aprofundar os interesses das partes. O Manual de Mediação descreve melhor o mediador "Com o incentivo do mediador, exercer influência na forma como a comunicação é conduzida ou negociada [...]". 
Vasconcelos (2008 apud BERNEGOSSI; et al., 2017) afirma que a 
comunicação construtiva viabiliza uma mediação eficaz para gerenciar os conflitos envolvidos de maneira sistemática. Para isso, ele lista dez mandamentos necessários para que os mediadores realizem tais trocas: 
· Conotação positiva; 
· Escuta ativa; 
· Perguntas sem julgamento; 
· Reciprocidade discursiva; 
· Mensagem como opinião pessoal; 
· Assertividade; 
· Priorização do elemento relacional; 
· Reconhecimento da diferença; 
· Não reação; 
Não ameaça. Esta forma de comunicar-se assertivamente com os mediandos, BERNEGOSSI; et al., (2017). 
5.1 Princípios fundamentais da mediação 
Falando da importância da mediação, não podemos deixar de mencionar os princípios que norteiam a mediação das práticas através das quais são produzidos os melhores resultados para a parte mediada. Percebe-se que a mediação não é apenas uma alternativa, mas uma técnica adequada para resolver determinados conflitos, não para competir, mas para cooperar com o judiciário e a população. De acordo com Sales apud Alencar (2004 apud ROLDAN; 2008), os princípios essenciais da mediação são: 
· Liberdade das partes: as partes em conflito têm o direito de decidir se participam do processo de mediação. Na prática da mediação, eles também têm a liberdade de definir o acordo que melhor atenda aos seus interesses; ROLDAN; (2008). 
· Não-competitividade: os conflitos são resolvidos através da mediação e também através da cooperação mútua entre as partes.A mediação ocorre por meio de um diálogo amigável, em vez de uma reunião de adversários em luta; ROLDAN; (2008). 
· Poder de decisão das partes: a mediação visa estabelecer a igualdade de poder entre as partes. Nenhum deles se sente compelido a tomar uma decisão. Além disso, o mediador não pode opinar, mas apenas facilitar o processo decisório; ROLDAN; (2008). 
· Participação de um terceiro imparcial: envolvimento de uma terceira pessoa (mediador) atuar como facilitador do diálogo entre as partes, possibilitando que elas vejam seus verdadeiros interesses e busquem conjuntamente soluções para os conflitos; ROLDAN; (2008). 
· Competência do Mediador: o mediador precisa ser um indivíduo, preferencialmente preparado tecnicamente para a mediação (através de cursos e treinamentos da instituição) atualizando-se constantemente por meio de aprendizado e aprimoramento contínuos; ROLDAN; (2008). 
Informalidade do processo: a informalidade da mediação decorre do fato de não ter regras fixas e predeterminadas, podendo o mediador adequar sua prática às características administrativas de sua instituição, ROLDAN; (2008). 
Segundo Wanderley (2004 apud ROLDAN; 2008), outras características importantes da mediação são. Participação de boa-fé: as partes em conflito vêm participar de forma voluntária às reuniões de mediação, devendo firmar com o mediador, o compromisso de agirem com boa-fé, sem o que é impossível obter um resultado satisfatório e justo para as partes. O sigilo do processo: o sigilo tem um significado fundamental no processo de mediação, que é o de proteger as partes de quaisquer especulações e inconvenientes que seriam gerados, caso houvesse uma divulgação inconsequente dos relatos nele tratados. O mediador deve atuar de forma ética, garantindo a segurança das partes, porém tomando as devidas providências nos casos de crimes contra menores, sequestros, assassinatos, etc., denunciando-os às autoridades responsáveis. Orientação para conflitos futuros: através da experiência da mediação, as partes ficam mais bem preparadas para enfrentar conflitos futuros, passando a enxergar os momentos de dissensões de uma forma mais positiva, aprendendo, por elas mesmas, a aplicar as técnicas aprendidas nas reuniões de mediação. 
5.2 Tipos de conflitos solucionáveis pela mediação 
Segundo Wanderley (2004 apud ROLDAN; 2008), à mediação são mais adequados os conflitos que versem sobre relação continuada, onde existam conflitos de sentimentos (sendo preciso restaurar a comunicação) e haja necessidade de sigilo. A mediação não é indicada para conflitos cuja solução independe da contribuição das partes, onde exista grande desequilíbrio de poder, má-fé de qualquer das partes, e quando as partes não estão todas representadas. Ou seja, quando as características dos conflitos não permitam o cumprimento dos princípios fundamentais da mediação, não é adequada a sua aplicação. Em outra perspectiva, Alencar (2004 apud ROLDAN; 2008) aponta que os únicos casos passíveis de mediação são aqueles considerados direitos disponíveis, sujeitos às transações das partes. 
Portanto, os tipos de conflitos que podem ser mediados são (COSTA, 2004 apud ROLDAN; 2008): 
· Conflitos cíveis: cobrança, posse e propriedade, indenização, revisão de contrato, refinanciamento, ações, revisão contratual, inventários, marcas e patentes, dissolução de sociedade, ou seja, todas as questões que estão envolvidas com a sociedade, ROLDAN; (2008). 
Conflitos comerciais: Contratos diversos, notas de crédito, fretes, seguros e entregas de mercadorias, cheques, etc., ou seja, todas as espécies de contrato, ROLDAN; (2008). 
· Conflitos ambientais: todas as questões que estão envolvidas com a poluição sonora e ambiental, bem como questões que estão envolvidas com entidades públicas e empresas, ambientalistas e entidades públicas, entre outras, ROLDAN; (2008). 
· Conflitos escolares: todos os problemas que são encontrados pelos professores, alunos e diretores voltados para o ambiente escolar; ROLDAN; (2008). 
· Conflitos trabalhistas: é relacionado para o direito coletivos, como o direito de negociar em acordos trabalhistas entre sindicatos e empresas; 
· Conflitos de vizinhança: é sobre as questões relacionadas à convivência dos indivíduos. 
Já em relação aos conflitos criminais, indica-se apenas que os crimes que não afetem diretamente os interesses sociais devem ser investigados de acordo com a lei. Existe no campo penal, portanto, a mediação só é adequada para casos que lesem interesses privados e particulares, como um crime de ação privada, ROLDAN; (2008). 
Jucá (2004 apud ROLDAN; 2008) dá melhores esclarecimentos sobre o assunto, destacando através de sua experiência, os crimes mais comuns tratados em sessões de mediação comunitária: 
· Lesão corporal: onde é ofendida a integridade física de alguém; 
· Maus-tratos: quando o agente expõe a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob a sua autoridade, guarda ou vigilância; 
· Calúnia: quando uma pessoa afirma que alguém cometeu um fato definido como crime, ou quando a pessoa divulga tal fato, mesmo sabendo que não houve crime; 
· Difamação: quando um indivíduo comete um ato ofensivo à reputação de outrem. Haverá crime por ofender a honra de uma pessoa; 
· Injúria: quando alguém ofende a dignidade ou o decoro de outra pessoa. O agente não diz que uma determinada pessoa fez alguma coisa, apenas chama essa pessoa de algo desonroso; 
· Constrangimento ilegal: consiste em compelir alguém a fazer ou não fazer algo ilegítimo; 
· Ameaça: quando alguém ameaça outrem de causar mal injusto ou grave, por palavras, escritos ou gestos. 
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5.3 IMPORTÂNCIA DA MEDIAÇÃO PARA OS CONFLITOS SOCIAIS 
Para NETTO; (2019) a mediação é uma alternativa à jurisdição nacional como mecanismo de resolução de conflitos que permite às partes iniciar um diálogo bilateral, respeitoso e harmonioso, conducente ao entendimento dos interesses e necessidades das partes, a fim de alcançar uma solução satisfatória e mais importante, após este procedimento, ambas as partes podem manter o relacionamento original. No decorrer de nossa pesquisa, aprendemos que o conflito é um fenômeno inextricavelmente ligado à natureza humana, e suas causas são variadas. Eles fazem com que os sujeitos envolvidos em disputas procurem quase instintivamente resolver disputas. No entanto, a atividade de perceber o conflito social de uma forma positiva entra em conflito com o significado original do conflito: 
O que geralmente ocorre no conflito processado com enfoque adversarial é a hipertrofia do argumento unilateral, quase não importando o que o outro fala ou escreve. Por isso mesmo, enquanto um se expressa, o outro já prepara nova argumentação. Ao identificarem que não estão sendo entendidas, escutadas, lidas, as partes se exaltam e dramatizam, polarizando ainda mais as posições. (VASCONCELOS, 2018, p.19 apud NETTO; 2019). 
A mediação gerencia o conflito fornecendo a visão necessária para lidar com as dificuldades de uma sociedade cada vez mais globalizada hoje em suas configurações. Adote uma nova forma de perceber o conflito, mostrando uma atitude positiva diante da possibilidade de uma solução amigável, NETTO; (2019). 
Assim, o conceito de "transformação do conflito" mostrou-se importante: uma vez que os argumentos são constituídos por percepções das relações de vida, a mudança a visualização de fatos conhecidos em questão pode produzir mudanças comportamentais que podem influenciar o andamento da disputa, traduzindo-a em uma nova experiência. (TARTUCE, 2018, p. 29 apud NETTO; 2019). 
As soluções heterogêneas têm sido abraçadas com entusiasmo e ganham força como uma das formas adequadas de lidar com certas disputas, a mediação, pois não impõe decisões unilaterais, mas declara solução oposta, colaborativa e, por vezes, exitosa, NETTO; (2019). 
 
 
 
 
6 	BIBLIOGRAFIA 
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