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Editora	Appris	Ltda.	1.ª	Edição	-	Copyright©	2020	dos	autores	Direitos	de	Edição	Reservados	à	Editora	Appris	Ltda.	Nenhuma	parte	desta	obra	poderá	ser	utilizada	indevidamente,	sem	estar	de	acordo	com	a	Lei	nº	9.610/98.	Se	incorreções	forem	encontradas,	serão	de	exclusiva	responsabilidade	de	seus	organizadores.	Foi	realizado	o	Depósito	Legal	na	Fundação	Biblioteca	Nacional,	de	acordo	com	as	Leis	nos	10.994,	de	14/12/2004,	e	12.192,	de	14/01/2010.	Catalogação	na	Fonte	Elaborado	por:	Josefina	A.	S.	Guedes	Bibliotecária	CRB	9/870
Editora	e	Livraria	Appris	Ltda.	Av.	Manoel	Ribas,	2265	–	Mercês	Curitiba/PR	–	CEP:	80810-002	Tel:	(41)	3156-4731	|	(41)	3030-4570	http://www.editoraappris.com.br/
FICHA	TÉCNICA
EDITORIAL Augusto	V.	de	A.	Coelho	Marli	Caetano	Sara	C.	de	Andrade	Coelho
COMITÊ	EDITORIAL Andréa	Barbosa	Gouveia	-	UFPR	Edmeire	C.	Pereira	-	UFPR	Iraneide	da	Silva	-	UFC	Jacques	de	Lima	Ferreira	-	UP	Marilda	Aparecida	Behrens	-	PUCPR
EDITORAÇÃO Juliane	Scoton
ASSESSORIA	EDITORIAL Evelin	Kolb
DIAGRAMAÇÃO Luciano	Popadiuk
	CAPA Sheila	Alves
REVISÃO Anna	Paula	Batalha	Bacchi	Boé
GERÊNCIA	DE	FINANÇAS Selma	Maria	Fernandes	do	Valle	
COMUNICAÇÃO Carlos	Eduardo	Pereira	Débora	Nazário	Karla	Pipolo	Olegário
LIVRARIAS	E	EVENTOS Estevão	Misael
CONVERSÃO	PARA	E-PUB Carlos	Eduardo	H.	Pereira
COMITÊ	CIENTÍFICO	DA	COLEÇÃO	MULTIDISCIPLINARIDADES
EM	SAÚDE	E	HUMANIDADES
DIREÇÃO	CIENTIFICA Dra.	Doutora	Márcia	Gonçalves	-	UNITAU
CONSULTORES Lilian	Dias	Bernardo	–	IFRJ
Taiuani	Marquine	Raymundo	-	UFPR
Janaína	Doria	Líbano	Soares	-	IFRJ
Rubens	Reimao	–	USP
Edson	Marques	–	Unioeste
Maria	Cristina	Marcucci	Ribeiro	–	UNIAN-SP
Maria	Helena	Zamora	–	PUC-Rio
Aidecivaldo	Fernandes	de	Jesus	–	FEPI
Zaida	Aurora	Geraldes	–	FAMERP
AGRADECIMENTOS
A	Deus,	nosso	pai	celestial,	pela	magnanimidade	em	nos	prover	condições	para
construção	desta	obra,	que	se	reverterá	na	capacitação	de	profissionais	em	prol
da	saúde	e	bem-estar	coletivo.
Aos	nossos	familiares,	que,	no	silêncio,	souberam	compreender	que	o	esforço
empreendido	era	voltado	para	a	importante	causa	da	formação	dos	estudantes	da
área	da	saúde.
Aos	estudantes,	mormente	aos	do	curso	de	Enfermagem	e	de	Medicina	da
Universidade	Federal	de	Alagoas,	que	deram	o	start	à	inspiração	e	à	gênese	para
preencher	a	lacuna	com	referenciais	e	parâmetros	sobre	os	quais	pudessem
pautar	o	processo	de	aprendizagem	para	formação	profissional	no	campo	da
saúde.
Aos	colaboradores,	professores	e	profissionais	da	saúde	que	se	engajaram	neste
importante	empreendimento	didático-pedagógico,	como	contribuição	aos	futuros
colegas,	os	quais	terão	oportunidade	de	conhecer	saberes	e	parâmetros	do	corpo
humano.
À	Universidade	Federal	de	Alagoas	(Ufal),	por	possibilitar	que	esta	obra	se
tornasse	mais	um	instrumento	à	formação	dos	estudantes	do	campo	da	saúde.
Talvez	não	tenhamos	feito	o	melhor,	mas	lutamos	para	que	o	fosse	feito.	Não
somos	o	que	deveríamos	ser,	nem	somos	o	que	seremos,	mas	graças	a	Deus	que
não	somos	o	que	éramos.
(Martin	Luther	King)
APRESENTAÇÃO
Neste	livro	constam	quatro	capítulos	que	trazem	estudos	recentes,	técnicas	e
interpretações	de	valores	sobre	a	mensuração	de	algumas	medidas
antropométricas	como	altura	corporal,	massa	corporal,	circunferências	corporais
e	modificações	antropométricas	em	gestantes.	Ao	final	desses	capítulos,	o	leitor
deverá	ter	alcançado	os	seguintes	objetivos	e	competências:
Objetivos:
Identificar,	entre	as	medidas	antropométricas,	a	altura,	a	massa	e	as
circunferências	corporais	como	variáveis	e	elementos	suplementares	na	tomada
de	decisões	de	procedimentos	e	condutas	terapêuticas;
Reconhecer	a	importância	do	cuidado	e	da	técnica,	ao	realizar	o	procedimento	de
verificação	antropométrica,	como	determinante	fundamental	na	qualidade	da
prestação	de	serviço	à	saúde;
Verificar,	com	a	técnica	adequada,	as	medições	antropométricas;
Avaliar	o	estado	de	saúde	da	pessoa	diante	dos	valores	antropométricos
observados.
Competências:
O	educando	ou	profissional	da	saúde,	ao	concluir	o	procedimento	de	verificação
das	medidas	antropométricas,	deverá	desenvolver:
Capacidades	socioafetivas,	mediadas	pela	comunicação	verbal	e	não	verbal,	e
relações	interpessoais	de	trabalho	no	seu	processo	de	prestação	de	serviços	de
apoio	diagnóstico,	ampliando	a	visão	sobre	a	importância	do	trabalho	e	das
ações	dos	diferentes	profissionais	que	atuam	na	área	da	saúde;
Habilidades	cognitivas	para	a	realização	da	técnica	adequada	de	avaliação	de
estatura	e	comprimento,	massa,	índice	da	massa	corpórea	(IMC),	circunferências
corporais	importantes	para	a	terapêutica;
Concepção	ética	de	que	a	observação	e	o	registro	das	variáveis	antropométricas
no	processo	de	coleta	de	dados	da	pessoa,	compondo	o	exame	físico	e	a
anamnese,	fazem	parte	do	processo	da	assistência	prestada	à	saúde	como
elemento	suplementar	na	tomada	de	decisões	de	procedimentos	e	condutas
terapêuticas;
Realizar,	com	disciplina	e	rigor,	a	antropometria	da	pessoa	considerando	as
implicações	do	cuidado	à	saúde	e	sua	avaliação	nutricional,	incluindo	a	gestante.
Situação-problema	sensibilizadora:
Camila,	16	anos,	reside	em	uma	cidade	do	interior	de	Alagoas.	É	mãe	de	duas
meninas	e,	mensalmente,	procura	a	Unidade	Básica	de	Saúde	para	as	consultas
de	puericultura.	Suas	filhas,	Catarina	e	Cássia,	são	gêmeas	e	nasceram
prematuras,	com	33	semanas	de	idade	gestacional.	Na	última	vez	em	que	Camila
levou	as	crianças	para	verificação	das	medidas	antropométricas,	elas	estavam
com	3	meses	de	vida	e	medidas	compatíveis	à	idade	ajustada.	Camila	não
compreendeu	os	resultados	da	avaliação,	pois,	ao	consultar	a	Caderneta	de	Saúde
da	Criança,	observou	que,	em	comparação	com	os	gráficos	de	crescimento,	peso
e	IMC,	as	meninas	estavam	abaixo	dos	valores	esperados.	Camila	questionou	o
profissional	de	saúde	que	realizou	as	medidas,	pois	ele	havia	solicitado	que	todas
as	roupas	das	crianças	fossem	retiradas,	inclusive	os	adereços	da	cabeça;	ela
achou	a	ação	desnecessária.	Ao	observar	a	expressão	da	mãe,	o	profissional	de
saúde	explicou	a	relevância	desse	procedimento	para	garantir	a	qualidade	dos
dados	coletados	e	destacou	a	importância	de	se	verificar	com	precisão	as
medidas	antropométricas,	para	não	se	obter	falsos	resultados,	possibilitando,
assim,	identificar	alguns	riscos	para	a	saúde.	Para	concluir,	ele	informou	que	as
medidas	antropométricas	devem	ser	avaliadas	em	todas	as	consultas,
independentemente	de	ser	o	paciente	uma	criança	ou	adolescente,	um	adulto	ou
idoso,	ou	uma	gestante.	A	partir	dessas	informações,	Camila	lembrou	que	seu
esposo	recentemente	havia	procurado	a	Unidade	de	Saúde,	relatando	sentir
dificuldades	para	respirar,	tontura	e	dores	de	cabeça.	Quando	foi	consultado,	no
entanto,	não	foram	verificadas	nenhuma	de	suas	medidas	antropométricas,	como
peso,	IMC	e	circunferência	abdominal,	mesmo	sendo	evidente	o	excesso	de
peso.
Sugere-se	que,	ao	término	de	cada	capítulo,	o	leitor	retome	essa	situação-
problema	na	busca	de	compreender	as	decisões	tomadas	pelos	profissionais	do
relato	e	as	medidas	mais	adequadas	para	a	ocasião.	Assim,	o	leitor	fará	o
exercício	de	repensar	suas	práticas	a	partir	de	um	caso	simulado,	observando	as
melhores	condutas	terapêuticas	a	serem	aplicadas.
Boa	leitura.
PREFÁCIO
Nós,	seres	humanos,	caracterizamo-nos	por	possuirmos	identidade	própria,	com
capacidades	particulares	inerentes	a	cada	um	de	nós.	Tudo	isso	é	resultante	de
diversos	fatores,	dentre	eles:	a	genética,	o	modo	de	vida	e	a	cultura.	No	entanto,
fazendo	parte	da	mesma	espécie,	a	humana,	apresentamos	também	algumas
características	que	são	semelhantes	e	que	se	modificaram	lentamente	durante	os
milhões	de	anos	que	habitamos	a	Terra.	Somos,	portanto,	resultantes	de	um
processo	lento	de	mudanças.
A	Antropologia	é	a	ciência	que	estuda	o	ser	humano	e,	para	isso,	necessita
integrar	diversos	espaços	que	refletem	as	dimensões	humanas,	sendo	dividida
em	áreas	como:	sociocultural,	biológica,	arqueológica	e	linguística.	A	área	física
ou	biológica	estuda	nossos	aspectos	genéticos	e	biológicos,	à	procura	da
compreensãodos	mecanismos	de	adaptação	e	evolução.
Parte	dos	resultados	obtidos	por	meio	da	Antropologia	é	encontrado	na	ciência
do	Desenvolvimento	Humano,	que	tem	sua	plenitude	no	florescimento	das
capacidades	humanas,	sendo	esse	desenvolvimento	definido,	algumas	vezes,
como	a	medida	da	qualidade	da	vida	humana	no	meio	em	que	vivemos.	Quando
pensamos	em	desenvolvimento	humano,	recordamos	que	esse	é	o	processo	em
que	nossa	vida	melhora	e	apresentamos,	no	mínimo,	nossas	necessidades	básicas
satisfeitas,	englobando	aspectos	concernentes	ao	desenvolvimento	social,	ao
desenvolvimento	econômico	e	ao	desenvolvimento	sustentável.	Tal	como	a
Antropologia,	um	dos	aspectos	observados	no	desenvolvimento	humano	é	o
aspecto	físico	e	mental.
Neste	livro,	encontramos	particularmente	o	aspecto	físico,	que	aborda	a
Antropometria,	um	dos	ramos	da	Antropologia	que	estuda	as	medidas	e
dimensões	das	diversas	partes	do	corpo	humano,	analisando	aspectos
importantes	para	o	diagnóstico	da	saúde	do	ser	humano.	Etimologicamente,	a
palavra	nos	traz	dois	termos	gregos:	“ánthropos”,	que	significa	homem	ou	ser
humano,	e	“métron”,	medida.	Assim,	a	Antropometria	faz	uso	de	técnicas	para
medir	o	corpo	humano,	subsidiando	a	atuação	de	profissionais	da	área	da	saúde
no	sentido	de	estudar	enfermidades	e	alterações	que	acometem	o	organismo
humano,	técnicas	muito	bem	descritas	e	apresentadas	nesta	obra.
Vivemos	em	um	país	dito	em	desenvolvimento	e	em	um	estado	(Alagoas)	com
uma	concentração	de	renda	elevada,	com	indicadores	sociais	e	de	saúde
precários	e	que	refletem	na	saúde	da	comunidade.	Diagnosticar	alterações	nessas
medidas	por	intermédio	da	puericultura,	na	infância,	ou	do	acompanhamento	do
desenvolvimento	do	adolescente	e	do	adulto	é	de	suma	importância	diante	dos
quadros	de	obesidade	que	também	encontramos	atualmente	em	nossa	sociedade.
Medidas	antropométricas	como	peso,	altura,	circunferência	de	cintura	e
circunferência	de	quadril	servem	para	o	diagnóstico	do	estado	nutricional	e	para
avaliar	riscos	para	a	saúde,	como	a	diabetes	mellitus,	enfermidades	cardíacas	e
metabólicas	nas	diversas	fases	da	vida	humana.	A	avaliação	antropométrica
correta	é	um	meio	para	o	acompanhamento	e	a	manutenção	do	estado	de	saúde,
também	utilizada	na	avaliação	da	adequação	de	atividades	físicas,	tão
importantes	nos	dias	atuais,	em	que	o	sedentarismo	cresce	em	decorrência	de
nossos	hábitos	de	vida.
A	gravidez	é	um	momento	de	vida	da	mulher	que	se	diferencia,	por	ser	uma	fase
na	qual	o	binômio	saúde	mãe-filho	é	inseparável.	O	diagnóstico	precoce	de
alterações	durante	essa	fase	proporciona	à	criança	um	adequado
acompanhamento	de	seu	desenvolvimento,	sendo	a	prevenção	primária
importantíssima,	além	de	proporcionar	à	gestante	um	momento	de	vida	com
controle	e	acompanhamento	do	risco	gravídico.
Prefaciar	este	livro	de	queridos	colegas	é	não	só	uma	honra,	mas	também	a
constatação	da	grande	importância	que	a	obra	ocupará	na	literatura	científica	do
estado	de	Alagoas,	seja	para	o	ensino	na	universidade	ou	em	cursos	técnicos	de
Saúde,	seja	no	uso	diário	nas	Unidades	de	Saúde	ou	em	qualquer	ambiente	em
que	se	necessite	utilizar	os	conhecimentos	da	antropometria,	aqui	tão	bem
expostos.
Finalmente,	parabenizo	os	autores	pela	iniciativa,	almejando	que	outras	surjam
no	sentido	de	subsidiar	ações	na	área	da	Saúde	de	nossa	região,	do	nosso	Brasil
e,	quiçá,	de	outras	fronteiras.
Divanise	Suruagy	Correia
Pediatra	–	Psicoterapeuta
Prof.ª	titular	da	Faculdade	de	Medicina	da	Universidade	Federal	de	Alagoas
(Famed/Ufal)
Sumário
INTRODUÇÃO	19
CAPÍTULO	I
ALTURA	CORPORAL:	MENSURAÇÃO	DA	ESTATURA	E	DO
COMPRIMENTO	23
Givânya	Bezerra	de	Melo,	Eliezel	Alves	dos	Anjos,
Yanna	Cristina	Moraes	Lira	Nascimento,	Raiza	Kananda	Lourenço	de	Santana,
Ingrid	Martins	Leite	Lúcio,	Layanne	Crystina	Bandeira	Nunes
CAPÍTULO	II
MASSA	CORPORAL	E	IMC	51
Eliezel	Alves	dos	Anjos,	Yanna	Cristina	Moraes	Lira	Nascimento,
Louise	Moreira	Ferro	Gomes,	Luís	Felipe	Melo	Barbosa,
Tainá	Cardoso	Caminha	Uchôa,	Regina	Célia	Sales	Santos
CAPÍTULO	III
CIRCUNFERÊNCIAS	CORPORAIS:	MENSURAÇÃO	DO	PESCOÇO,
CINTURA,	ABDOME,	QUADRIL	E	CABEÇA	83
Yanna	Cristina	Moraes	Lira	Nascimento,	Givânya	Bezerra	de	Melo,
Fillipe	Donadio	Araújo,	Patrícia	de	Carvalho	Nagliate,
Tainá	Cardoso	Caminha	Uchôa,	Ana	Carolina	Santana	Vieira
CAPÍTULO	IV
AVALIAÇÃO	ANTROPOMÉTRICA	NA	GESTAÇÃO	119
Amuzza	Aylla	Pereira	dos	Santos,	Raíssa	Rafaella	Santos	Moreno	da	Silva,
Thainá	da	Silva	Cabral,	Ana	Carolina	Santana	Vieira,
Layanne	Crystina	Bandeira	Nunes,	Givânya	Bezerra	de	Melo
CONSIDERAÇÕES	FINAIS	137
SOBRE	OS/AS	AUTORES/AS	141
INTRODUÇÃO
A	antropometria	deriva	da	expressão	grega	anthropos	=	homem	e	metrikos	=
medida.	Conforme	o	dicionário	Michaelis	(2016),	antropometria	é	um	conjunto
de	técnicas	de	mensuração	do	organismo	humano	ou	de	partes	dele.	Portanto,
refere-se	à	observação	das	medidas	físicas	do	corpo	humano,	aplicada	para
diversos	campos	do	conhecimento	humano	(ergonomia,	psicologia,	medicina,
enfermagem,	esporte,	criminologia,	arte),	destacando-se	a	área	da	Saúde	como
processo	de	coleta	de	dados	da	pessoa	para	fins	de	avaliação	física,	do	estado	da
saúde	e	condutas	terapêuticas,	entre	as	quais	as	de	administração	de
medicamentos.
A	história	revela	que	o	estudo	da	antropometria	remete-se	à	antiguidade,	à	época
dos	egípcios,	gregos	e	tempos	bíblicos,	sendo	ainda	hoje	utilizada	como	técnica
sistematizada	para	medir	as	dimensões	corporais	como	o	comprimento	e
circunferência	dos	segmentos	corpóreos,	largura	e	altura,	entre	outros
(BARROSO	et	al.,	2005).	Ressalta-se	que	antropometria	é	a	ciência	de
mensuração	e	a	arte	do	conhecimento	da	geometria	humana,	da	massa	e	da
capacidade	de	força	(ROEBUCK,	1993).	O	termo	antropometria	provavelmente
ocorreu	pela	primeira	vez,	em	1659,	na	tese	de	graduação	do	alemão	Johann
Sigismund	Elsholtz	(1623-1688),	desenvolvida	pelo	estudo	“Antropometria	–	da
mútua	proporção	dos	membros	do	corpo	humano:	questões	atuais	de	harmonia”.
Esse	estudo	teve	sua	inspiração	nos	trabalhos	desenvolvidos	pelos	filósofos
Pitágoras	e	Platão	e	na	filosofia	médica	de	sua	época	(KLEIN,	2009).
A	antropometria	teve	sua	ascendência	a	partir	da	década	de	1940,	decorrente	da
necessidade	de	atender	às	demandas	da	produção	industrial	em	larga	escala,
exigindo	estudos	no	melhoramento	dos	processos	e	critérios	de	qualidade
rigorosos,	no	sentido	de	evitar	desperdícios	e	redução	de	custos,	considerando	os
aspectos	ergométricos	envolvidos	no	trabalho	do	homem	(BOLSTAD;	BENUM;
ROKNE,	2001;	RODRIGUES-AÑEZ,	2001).
A	identificação	das	medidas	antropométricas	da	pessoa	é,	reconhecidamente,	um
parâmetro	importante	na	avaliação	de	seu	estado	de	saúde,	considerando	como
elemento	suplementar	à	mensuração	dos	sinais	vitais	(EVANS;	HODGKINSON;
BERRY,	2001),	muito	aplicada	em	estudos	epidemiológicos	por	se	tratar	de	um
método	simples	e	eficaz,	cujo	equipamento	é	de	tecnologia	primária.	Também	é
considerado	um	método	de	diagnóstico	importante,	de	baixo	custo,	de	fácil
realização,	não	invasivo,	universalmente	aplicável,	de	boa	aceitação	perante	a
população,	constituindo-se,	hoje,	em	procedimento	recomendado	pela
Organização	Mundial	de	Saúde	(OMS)	(FRIGANI	et	al.,	2015).
Verificar	medidas	como	altura,	comprimento,	massa,	IMC	e	circunferências
corporais	possibilita	avaliar	níveis	de	crescimento,	de	desenvolvimento	e	da
distribuição	de	gordura	no	corpo,	fazendo,	sempre	que	possível,	a	correlação
com	o	aparecimento	de	alguma	enfermidade	(MASTROENI	et	al.,	2010).
É	preciso	ter	atenção	quanto	à	verificação	dessas	medidas,	para	que	possíveis
riscos	à	saúde	sejam	avaliados.	O	peso	corporal	e	a	altura	são	as	medidas
antropométricas	mais	utilizadas	para	avaliar	o	estado	nutricional	e	o	manejo	de
pacientes	internados.	Avalia-se	o	peso	para	se	calcular	a	quantidade	de
medicamento	prescrito	ou	o	fluxo	e	o	tempo	necessário	para	uma	diálise,	por
exemplo,	e	a	altura	para	se	averiguar	a	dimensão	corporal	indispensável	para	o
cálculo	do	índice	de	massa	corporal	(IMC)	(RODRIGUES	et	al.,	2010;	RUFINO
et	al.,	2010).
Ressalta-se	que,embora	se	possa	interpretar	que	as	mensurações
antropométricas	sejam	simples,	elas	requerem	treinamento	rigoroso	e	seleção
criteriosa	de	técnicas	e	de	instrumentos	de	medição,	além	dos	valores	de
referência	antropométricos	cientificamente	comprovados.	Essa	conduta	cautelar
é	para	reduzir	a	possibilidade	de	erros	por	ação	negligenciada	(SANTOS;
FUJÃO,	2003).
Deve-se	observar	que,	com	o	advento	da	pandemia	(COVID-19),	é	relevante	que
os	estudantes	e	profissionais	de	saúde	estejam	atentos	quanto	à	higienização
adequada	dos	instrumentos	de	mensuração	e	a	utilização	de	equipamentos	de
proteção	individual	(EPIs),	como	medida	padrão	de	precaução	a	não
contaminação	de	micro-organismos,	seguindo	o	Protocolo	de	Biossegurança
oferecido	pelo	Ministério	da	Saúde.
Com	base	nessas	ponderações,	o	profissional	da	Saúde	deve	exercer	com
disciplina	a	mensuração	das	medidas	antropométricas,	porque,	ao	fazê-la	com
critério,	será	relevante	elemento	de	tomada	de	decisão	no	cuidado	com	a	saúde.
Assim,	compete	ao	estudante	de	Saúde	em	formação	aprender	e	desenvolver	a
habilidade	desse	procedimento	técnico,	bem	como	aos	profissionais	em	exercício
cabem	a	perícia	e	a	eficiência	no	cumprimento	dessa	atribuição,	de	maneira
inter-relacionada,	constituindo-se	como	componente	atitudinal	e	conceitual	para
a	realização	de	qualquer	terapêutica.
Referências
BARROSO,	M.P.et	al.Anthropometric	study	of	a	Portuguese	workers.
International	Journal	of	Industry	Ergonomics,	[s.l.],	n.	35,	p.	401-410,	2005.
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CAPÍTULO	I
ALTURA	CORPORAL:	MENSURAÇÃO	DA	ESTATURA	E	DO
COMPRIMENTO
Givânya	Bezerra	de	Melo
Eliezel	Alves	dos	Anjos
Yanna	Cristina	Moraes	Lira	Nascimento
Raiza	Kananda	Lourenço	de	Santana
Ingrid	Martins	Leite	Lúcio
Layanne	Crystina	Bandeira	Nunes
Na	língua	portuguesa,	a	palavra	estatura	é	sinônimo	de	altura.	Na	língua	inglesa,
existem	as	palavras	“stature”e	“height”	(tradução:	estatura	ou	altura),	que
significam	a	altura	do	indivíduo	medida	na	posição	“stand	up”,	isto	é,	de	pé;
também	é	encontrada	na	literatura	inglesa	a	palavra	“length”	(tradução:
comprimento),	que	denomina	o	comprimento	da	criança	obtido	na	posição
horizontal.	Alguns	autores	definem	altura	como	“qualquer	dimensão	vertical
segmentar”	e	estatura	como	“a	medida	da	distância	máxima	entre	a	região
plantar	(pés)	e	o	vértice	coronal	(topo	da	cabeça)”	(LOPES;	RIBEIRO,	2014).
Assim,	o	termo	“altura”,	em	português,	serve	tanto	para	expressar	o
comprimento	(deitado)	quanto	a	altura	ou	estatura	(em	pé).	Neste	livro,	adotou-
se	o	termo	comprimento	para	a	altura	de	crianças	menores	de	2	anos	e	o	termo
estatura	para	a	altura	de	pessoas	maiores	de	2	anos	(BRASIL,	2011).
Embora	pareça	um	dado	simples,	a	determinação	da	altura	oferece	informações
específicas	sobre	a	saúde	geral	e	o	estado	nutricional	do
indivíduo/cliente/paciente,	compondo	a	avaliação	de	uma	pessoa	assistida	em
qualquer	instituição	de	saúde.	Seu	monitoramento	deve	ser	realizado
periodicamente,	durante	todo	o	ciclo	vital,	pois	possibilita	a	avaliação	e	a
evolução	do	crescimento	e	do	desenvolvimento	que	podem	se	revelar	como	um
sinal	precoce	de	doença	aguda	ou	crônica	(BICKLEY;	SZILAGYI,	2010).
1.1	Fisiologia,	pontos	de	referência	anatômicos	e	alguns	estudos
O	crescimento	corporal	é	uma	construção	multifatorial,	com	associação	de
condições	ambientais,	socioeconômicas	e	biológicas	(NEVES	et	al.,	2016).	É	um
processo	dinâmico	e	contínuo,	que	pode	ser	expresso	pelo	aumento	do	tamanho
corporal	(BRASIL,	2012).	Diferentemente	da	avaliação	do	desenvolvimento,	é
um	aspecto	objetivo	da	avaliação	clínica.
A	altura	é	um	traço	humano	influenciado	por	fatores	hereditários	e	com	fortes
influências	de	elementos	não	genéticos	e/ou	ambientais.	Alguns	determinantes
para	a	altura	na	vida	adulta	vêm	sendo	destacados	em	estudos,	como	crescimento
fetal,	nutrição	e	exposição	a	infecções	na	infância	e	na	adolescência.	A	altura
alcançada	na	fase	adulta	é	resultante	das	experiências	do	início	da	vida	(infância
e	adolescência),	doenças	não	transmissíveis,	longevidade,	educação	e	renda
(BUENO	et	al.,	2016).
Um	estudo	que	analisou	bases	de	dados	populacionais	em	todo	o	mundo	e
estimou	as	tendências	de	altura	média	para	adultos	nascidos	durante	um	século
evidenciou	que	ocorreram	mudanças	substanciais	na	média	da	altura	–	no
entanto,	isso	ocorreu	de	maneira	desigual	em	todo	o	mundo.	Com	isso,
observaram-se	grandes	diferenças	entre	os	países	em	relação	à	nutrição	e	ao
risco	para	o	desenvolvimento	de	algumas	doenças	(FRANCO	et	al.,	2016).
As	diferenças	em	relação	à	altura	corporal	entre	países	também	são	descritas	no
estudo	de	Challúa	e	Silva-Castañeda	(2016),	que	examinaram	a	evolução	da
altura	em	mulheres	adultas	de	doze	países	latino-americanos	durante	a	segunda
metade	do	século	XX.	Foi	verificado	que,	ao	longo	do	período	estudado,	houve,
em	geral,	um	aumento	de	2,6	cm	por	década.	No	entanto,	países	com	economia
em	retração,	como	Haiti	e	Guatemala,	obtiveram	aumento	de	apenas	0,25	cm	por
década,	demonstrando	que	a	altura	se	comporta	como	um	importante	indicador
de	desenvolvimento	humano.
Em	seu	estudo,	Franco	et	al.	(2016)	verificaram	que,	no	último	século,	houve	um
grande	aumento	na	média	da	estatura	em	países	da	Europa	Continental,	que
ultrapassou	os	países	de	língua	inglesa,	como	os	Estados	Unidos.	Também	foi
demonstrado	que	os	homens	sul-coreanos,	japoneses	e	iranianos	obtiveram
ganhos	maiores	que	os	europeus,	tendências	semelhantes	que	estão	ocorrendo
agora	na	China	e	na	Tailândia.	Comparando-se	os	sexos	masculino	e	feminino,	o
estudo	apontou	ainda	variações	significativas	na	altura	em	todo	o	mundo:
diferenças,	em	média,	de	19	cm	entre	as	populações	mais	altas	e	mais	baixas
para	o	sexo	masculino	e,	em	média,	de	20	cm	para	o	feminino.
Durante	a	infância	e	a	adolescência,	ocorrem	as	alterações	mais	significativas	do
crescimento	corporal.	Assim,	há	uma	maior	preocupação	em	relação	à
mensuração	da	altura	no	decorrer	dessas	fases.	Devido	à	sua	especificidade	e
confiabilidade,	o	crescimento	corporal	é	um	dos	indicadores	da	saúde
monitorado	continuamente	na	Caderneta	de	Saúde	da	Criançae	do	Adolescente
(BRASIL,	2012).
A	somatotrofina,	conhecida	como	hormônio	do	crescimento	(HC),	desempenha
papel	importante	na	promoção	do	crescimento	longitudinal	pós-natal,	atua	sobre
a	regulação	do	metabolismo	lipídico,	aposição	óssea,	crescimento	da	massa
muscular	esquelética	e	cardíaca	e	na	tensão	arterial	(NEVES	et	al.,	2016).	A
eficácia	da	somatotrofina	para	induzir	o	crescimento	é	influenciada	pela
atividade	apropriada	da	insulina	e	disponibilidade	adequada	de	carboidratos,	pois
estes	fornecem	a	energia	necessária	ao	metabolismo	do	crescimento	do	indivíduo
(HALL;	GUYTON,	2011).
Por	muito	tempo,	acreditou-se	que	a	secreção	desse	hormônio	acontecia,
primariamente,	durante	o	período	de	crescimento	e	que,	na	adolescência,
desaparecia	do	sangue.	No	entanto,	essa	teoria	caiu	em	descrédito,	pois,	após	a
adolescência,	ocorre	na	verdade	uma	diminuição	progressiva	da	secreção	do
hormônio	do	crescimento;	ao	final,	a	quantidade	de	hormônio	encontrado	no
idoso	é	compatível	a	25%	do	nível	na	adolescência	(HALL;	GUYTON,	2011).
O	padrão	de	secreção	do	hormônio	do	crescimento	é	pulsátil,	podendo	diminuir
ou	aumentar,	a	depender	de	alguns	fatores	relacionados.	Os	mecanismos	exatos
de	controle	da	secreção	não	são	totalmente	compreendidos.	Diversos	fatores
relacionados	ao	estado	nutricional	e/ou	ao	estresse	influenciam	na	secreção	desse
hormônio.	Algumas	anormalidades	da	secreção	do	hormônio	do	crescimento
incluem	o	nanismo,	o	gigantismo	e	a	acromegalia	(HALL;	GUYTON,	2011).
Estudos	demonstram	que	a	maior	altura	está	associada	ao	aumento	da
longevidade,	menor	risco	de	doenças	cardiovasculares	e	respiratórias	e	menor
risco	de	complicações	na	gravidez.	Por	outro	lado,	a	maior	altura	se	correlaciona
a	um	maior	risco	para	câncer	colorretal,	de	mama	na	pós-menopausa	e	câncer	de
ovário	(BUENO	et	al.,	2016).
Outro	fator	apontado	por	estudos	é	o	quanto	a	desnutrição	fetal	tem	repercussões
em	longo	prazo	na	saúde	humana.	Existe	uma	ligação	entre	o	baixo	peso	ao
nascer	e	consequências	adversas	que	contribuem	para	uma	redução	do	“capital
humano”.	São	eles:	menor	estatura,	menor	massa	corporal	magra	e	pior
cognição,	desempenho	educacional,	capacidade	de	trabalho,	renda	e	desempenho
produtivo	(VICTORA	et	al.,	2008);	resistência	à	insulina	e	respostas	ao	estresse
(PHILLIPS,	2007)	e	redução	da	tolerância	à	glicose	(WHINCUP	et	al.,	2008),
diabetes	tipo	2,	doença	coronariana,	doença	renal	crônica	e	doença	pulmonar
crônica	(FALL,	2013).
Existe	ainda	uma	hipótese	relacionada	à	interferência	de	fatores	ambientais,
incluindo	a	nutrição.	No	início	da	vida,	poder-se-ia	programar	de	forma
permanente	a	estrutura	e	a	função	do	corpo	conhecida	como	programação	fetal.
Nesse	contexto,	a	subnutrição	fetal	poderia	acontecer	devido	à	adoção	de	uma
dieta	inadequada	por	parte	da	mãe,	por	inabilidade	da	mãe	para	mobilização	e
carreamento	de	nutrientes	necessários	ou	em	decorrência	de	um	suprimento
vascular	e	placentário	prejudicado	para	o	feto	(FALL,	2013;	FALL,	2011).
Dessa	forma,	é	possível	inferir	que	a	nutrição	e	o	crescimento	estabelecem	uma
íntima	relação,	pois,	quando	não	são	supridas	as	necessidades	nutricionais
básicas,	as	crianças	não	desenvolvem	seus	potenciais	genéticos	de	crescimento,
resultando	em	deficit	estruturais	para	sua	idade	e	desenvolvimento	global.
1.2	Instrumentos	utilizados
Para	averiguar	a	altura	de	crianças	maiores	de	dois	anos,	adolescentes,	adultos,
gestantes	e	idosos	sem	limitações	físicas,	é	comum	a	utilização	da	balança	com
régua	vertical,	o	antropômetro	vertical	ou	estadiômetro	(Figura	1).	Para	verificar
a	altura	de	pessoas	acamadas,	pode-se	utilizar	o	paquímetro	antropométrico.	Já
para	crianças	menores	de	dois	anos	que	não	conseguem	permanecer	na	posição
ereta,	utiliza-se	o	papel	milimetrado	e	o	antropômetro	horizontal,	conhecido
também	como	infantômetro,	estadiômetro	infantil,	pediômetro,	régua
antropométrica	infantil	ou	paquímetro	antropométrico	(Figura	1)	(BRASIL,
2004;	BRASIL,	2012).
Figura	1–	Balança	mecânica	com	estadiômetro	vertical	acoplado	e	antropômetro
horizontal,	respectivamente
Fonte:	os	autores
Diante	da	variedade	desses	instrumentos,	o	que	vem	sendo	bastante	utilizado	é	o
estadiômetro,	que	de	forma	geral	“trata-se	de	uma	fita	métrica	metálica	com
capacidade	retrátil	ou	pode	estar	fixado	ao	longo	de	uma	superfície”;	possui
marcações	em	centímetros,	mas	também	possibilita	a	visualização	em	milímetros
(LOPES;	RIBEIRO,	2014,	p.	82).	Normalmente	são	confeccionados	em
alumínio	(material	recomendado	por	ser	mais	resistente	e	permitir	melhor
higienização)	ou	de	madeira;	possuem	baixo	custo	e	fácil	utilização	(BRASIL,
2012).
Para	a	utilização	correta	do	estadiômetro,	é	necessária	uma	superfície	plana,	uma
parede	ou	mesa,	a	fim	de	que	se	possa	posicionar	o	equipamento	e	realizar	a
medida	com	exatidão	(LOPES;	RIBEIRO,	2014).	Também	há	no	mercado	o
estadiômetro	digital.	Para	permitir	uma	medida	mais	precisa	desse	modelo	de
instrumento	deve-se	evitar	ambientes	com	extremos	níveis	de	temperatura	ou
umidade,	e	locais	próximos	a	aparelhos	elétricos	(SANTOS;	GOMES,	2015).
1.3	Técnica	de	mensuração
A	mensuração	da	estatura	corporal	apresenta	algumas	especificidades,	a
depender	da	idade	e	da	condição	do	paciente.	As	medidas	diretas	são	indicadas
para	as	pessoas	que	não	possuem	restrições	de	movimentos	e	que	conseguem
ficar	em	pé	sem	assistência.	As	medidas	indiretas	são	adequadas	na	mensuração
de	pessoas	que	não	conseguem	ficar	em	pé	ou	que	possuem	“contração
significativa	na	parte	superior	do	corpo”	(exemplo:	curvatura	espinhal	grave)
(MARTINS,	2009).
1.3.1	Mensuração	do	comprimento	em	crianças	de
até	2	anos
Antes	de	iniciar	a	medição,	explique	o	procedimento	ao	responsável	pela
criança.	Realize	a	lavagem	básica	das	mãos	e	solicite	auxílio	para	despir
completamente	a	criança,	inclusive	retirar	adereços	da	cabeça	e	calçados.	O
responsável	deve	acompanhar	o	procedimento.	Logo	após,	execute	as	seguintes
etapas:
Deitar	a	criança	no	centro	do	antropômetro;
Com	a	ajuda	do	responsável:	posicionar	a	cabeça	da	criança	“de	modo	que	seja
possível	olhar	horizontalmente	–	plano	horizontal	de	Frankfurt,	estabelecido	pela
borda	superior	do	trago	e	pelo	ponto	mais	baixo	na	margem	orbital”
(VALVERDE;	PATIN;	FISBERG,	2016,	p.	301);
Manter	a	cabeça	da	criança	apoiada	na	parte	fixa	do	antropômetro,	com	o	queixo
reto	e	afastado	do	tórax;	ombros	em	contato	com	a	superfície	plana	de	apoio	do
antropômetro;	braços	estendidos	ao	longo	do	corpo;	nádegas	e	calcanhares	em
contato	com	a	superfície	de	apoio	do	equipamento	(BRASIL,	2011);
Pressionar	delicadamente,	com	uma	das	mãos,	os	joelhos	da	criança	para	baixo,
para	que	fiquem	estendidos.	Juntar	os	pés,	formando	um	ângulo	reto	com	as
pernas.	Ajustar	a	parte	móvel	do	antropômetro	até	as	plantas	dos	pés,	tendo
cuidado	para	que	não	se	mexam	(BRASIL,	2011)	(Figura	2);
Figura	2	–	Posicionamento	correto	do	antropômetro
Fonte:	os	autores
Realizar	a	leitura	do	comprimento	na	posição	indicada	após	ajuste	da	parte
móvel	do	antropômetro;	deve-se	estar	seguro	de	que	a	criança	não	se	moveu	da
posição	indicada	(BRASIL,	2011);
Realizar	o	registro	da	medida	do	comprimento	nos	impressos	específicos,	curvas
de	crescimento	e	prontuário	da	criança	(a	depender	da	rotina	do	serviço	de
saúde).	Realizar	a	interpretação	dos	resultados	e	transmitir	ao	responsável	com
as	orientações	necessárias.
As	crianças	menores	de	2	anos	devem	ser	medidas	deitadas	(comprimento).
Crianças	com	2	anos	ou	mais	devem	ser	medidas	de	pé	(estatura).	Existe	uma
diferença	de	0,7cm	entre	a	estatura	da	criança	medida	deitada	e	em	pé.	Assim,	se
uma	criança	de	2	ou	mais	anos	tiver	sua	estatura	aferida	deitada,	o	valor
encontrado	dever	ser	diminuído	de	0,7	antes	de	ser	registrado	no	gráfico	de	2-5
anos	e,	do	mesmo	modo,	se	uma	criança	menor	que	2	anos	for	medida	de	pé,	o
valor	encontrado	deve	ser	acrescido	de	0,7	antes	de	ser	registrado	no	gráfico	de
zero	(0)	–	2	anos	(BRASIL,	2018,	p.	53).
1.3.2	Mensuração	da	altura	de	pessoas	maiores	de	2	anos
Antes	de	iniciar	a	medição,	explique	o	procedimentoe	peça	autorização	para
realizá-lo.	Proceda	à	lavagem	básica	das	mãos,	solicite	que	o	indivíduo	retire	o
calçado	e	deixe	a	cabeça	livre	de	qualquer	adereço.	Logo	após,	execute	as
seguintes	etapas:
Solicitar	à	pessoa	que	fique	de	pé,	posicionada	de	costas	no	centro	do
equipamento,	braços	estendidos	ao	longo	do	corpo,	cabeça	erguida	com	olhar
fixo	em	um	ponto	fixo	à	altura	dos	olhos	(BRASIL,	2011).	“A	cabeça	do
indivíduo	deve	ser	posicionada	no	plano	de	Frankfurt	(margem	inferior	da
abertura	do	orbital	e	a	margem	superior	do	meatus	auditivo	externo	deverão	ficar
em	uma	mesma	linha	horizontal)”	(BRASIL,	2011,	p.	37)	(Figura	3);
As	pernas	devem	estar	posicionadas	em	paralelo	(não	é	necessário	que	as	partes
internas	se	encostem)	e	formar	com	os	pés	um	ângulo	reto.	O	ideal	é	que	o
indivíduo	encoste	os	calcanhares,	panturrilhas,	glúteos,	escápulas	e	a	parte
posterior	da	cabeça	no	estadiômetro	ou	na	parede	(BRASIL,	2011).	Caso	não
seja	possível	posicionar	os	cinco	pontos,	devem-se	posicionar	minimamente	três
(Figura	3);
Abaixar	a	parte	móvel	do	estadiômetro	e	fixá-lo	contra	a	cabeça,	com	uma
pressão	suficiente	para	comprimir	o	cabelo.	Ainda	segurando	a	parte	móvel,
proceda	à	leitura	do	valor	no	ponto	delimitado,	certifique-se	de	que	o	indivíduo
não	alterou	sua	posição	(BRASIL,	2011)	(Figura	3);
Figura	3	–	Posição	adequada	para	medição	da	estatura
Fonte:	os	autores
Realizar	o	registro	da	medida	da	altura	nos	impressos	específicos,	curvas	de
crescimento	e	prontuário	da	pessoa	(BRASIL,	2011).	Realizar	a	interpretação
dos	resultados,	transmitindo	à	pessoa	com	as	orientações	necessárias.
1.3.3	Mensuração	da	altura	de	adultos	com
limitações	físicas
A	mensuração	da	altura	de	uma	pessoa	com	limitações	físicas	pode	ocorrer	por
meio	da	técnica	da	altura	reclinada	ou	a	técnica	da	altura	do	joelho
(VALVERDE;	PATIN;	FISBERG,	2016).
A	técnica	da	altura	reclinada,	também	denominada	altura	recumbente	(deitada),
envolve	a	medida	do	comprimento	do	indivíduo	do	ápice	de	cabeça	até	a	palma
do	pé	(MARTINS,	2009).
A	medida	é	indicada	principalmente	para	jovens	acamados.	Os	valores	adotados
são	compatíveis	aos	obtidos	na	medida	em	pé	(com	uma	diferença	em	torno	de
2%	a	mais	que	a	mensuração	da	pessoa	em	pé)	(MARTINS,	2009).
Antes	de	iniciar	a	medição,	explique	o	procedimento	e	peça	autorização	para
realizá-lo,	proceda	à	lavagem	básica	das	mãos	e	deixe	a	cabeça	livre	de	qualquer
adereço.	De	acordo	com	Martins	(2009),	logo	após,	execute	as	seguintes	etapas:
Posicionar	a	pessoa	em	posição	supina	(ou	decúbito	dorsal),	ou	seja,	deitada	de
costas,	com	o	leito	em	posição	horizontal	completa	(Figura	4);
Figura	4	–	Pessoa	em	posição	supina
Fonte:	os	autores
O	avaliado	deve	estar	com	a	cabeça	reta	e	com	a	linha	de	visão	voltada	para	o
teto;
Realizar	o	registro	das	medidas	do	lado	direito	ou	esquerdo	do	corpo;
Marcar	o	lençol	na	altura	do	ápice	da	cabeça	e	da	planta	do	pé	(Figura	5);
Figura	5	–	Marcações	da	cabeça	e	do	pé	para	mensuração	da	estatura	em
acamados
Fonte:	os	autores
Fazer	a	medição	do	comprimento	entre	as	marcas,	utilizando	fita	métrica	flexível
(Figura	6);
Figura	6	–	Mensuração	do	comprimento	entre	as	marcas	com	fita	métrica
flexível
Fonte:	os	autores
Realizar	o	registro	da	medida	da	altura	nos	impressos	específicos,	curvas	de
crescimento	e	prontuário	da	pessoa	(a	depender	da	rotina	do	serviço	de	saúde).
Realizar	a	interpretação	dos	resultados	transmitindo	a	pessoa,	junto	com	as
orientações	necessárias.
Quanto	à	mensuração	da	altura	utilizando	a	técnica	da	altura	do	joelho,	há	pouca
alteração	com	a	idade,	sendo	mais	indicada	para	idosos	(MARTINS,	2009).
Antes	de	iniciar	a	medição,	explique	o	procedimento	e	peça	autorização	para
realizá-lo.	Proceda	à	lavagem	básica	das	mãos.	De	acordo	com	Martins	(2009),
logo	após,	execute	as	seguintes	etapas:
Auxilie	a	pessoa	a	ficar	em	decúbito	dorsal	no	leito.	Caso	não	seja	possível,
pode-se	fazer	a	medição	com	o	paciente	sentado,	com	uma	perna	cruzada	sobre	o
joelho	oposto;
O	joelho	e	o	tornozelo	do	lado	esquerdo	devem	estar	flexionados,	formando	um
ângulo	de	90º	(Figura	7);
Figura	7	–	Joelho	formando	ângulo	de	90º
Fonte:	os	autores
Colocar	a	borda	fixa	do	paquímetro	embaixo	do	calcanhar	e	posicionar	a	borda
móvel	do	paquímetro	na	superfície	anterior	da	coxa,	próxima	à	rótula	(ou
patela).	O	paquímetro	deve	ser	mantido	paralelo	à	tíbia	e	pressionado	para	que
os	tecidos	fiquem	comprimidos	(Figura	8);
Figura	8	–	Paquímetro	com	borda	fixa	no	calcanhar	e	borda	móvel	próxima	à
rótula
Fonte:	os	autores.
Realizar	duas	medidas	próximas	de	0,1cm	e	obter	a	média	entre	elas.	Usando	a
média	mensurada,	deve-se	calcular	a	estatura	do	avaliado	a	partir	das	fórmulas:
Homens:	Estatura	(cm)	=	[64,19	-	(0,04	x	idade	em	anos)]	+	(2,02	x	altura	do	joelho	em	cm)	Mulheres:	Estatura	(cm)	=	[84,88	-	(0,24	x	idade	em	anos)]	+	(1,83	x	altura	do	joelho	em	cm)
Fonte:	Chumlea,	Roche	e	Steinbaugh	(1985)
1.4	Valores	de	referência
Os	valores	de	referências	antropométricas	padronizados	são	utilizados
normalmente	para	avaliar	a	normalidade	ou	anormalidade	das	medidas
corpóreas,	tais	como	estatura,	comprimento,	entre	outras	(SBP,	2009).	Também	é
possível	o	estabelecimento	de	índices	antropométricos,	ou	seja,	a	combinação
entre	as	medidas	corporais	e	classificação	em	função	da	idade,	gênero	ou	outras
variáveis,	permitindo,	assim,	uma	interpretação	mais	fidedigna	(LAMOUNIER;
ABRANTES;	SILVEIRA,	2009).
1.4.1	Para	crianças	e	adolescentes
Em	pediatria,	os	referenciais	antropométricos	para	avaliação	da	altura	mais
comumente	utilizados	são	as	curvas	de	crescimento,	destacando-se	como
importantes	instrumentos	para	avaliação	clínica	de	crianças	e	adolescentes.	Essas
curvas	foram	criadas	a	partir	da	análise	matemática	das	medidas	de	crianças	e
adolescentes	em	estudos	transversais	e	longitudinais,	coletadas	com	técnicas
padronizadas,	a	fim	de	garantir	referenciais	de	avaliação	confiáveis,	acurados	e
precisos	(SBP,	2009).
Durante	um	longo	período,	as	curvas	de	crescimento	do	National	Center	for
Health	Statistics	(NCHS),	publicadas	em	1977,	eram	recomendadas	pela
Organização	Mundial	de	Saúde	(OMS).	Tais	padrões	foram	desenvolvidos	a
partir	de	estudos	longitudinais	com	crianças	norte-americanas,	brancas	e	de
classe	média.	No	entanto,	muitas	críticas	foram	tecidas	a	respeito	da
aplicabilidade	dessas	curvas	em	crianças	e	adolescentes	de	diferentes	países;
outro	aspecto	frágil	é	que	a	maioria	das	crianças	estudadas	não	se	alimentou	com
leite	materno	(LAMOUNIER;	ABRANTES;	SILVEIRA,	2009).
Em	1994,	foi	iniciada	uma	nova	pesquisa	multicêntrica	denominada	Multicentre
Growth	Reference	Study	(MGRS).	Nela,	foram	estudadas	8.500	crianças	de	seis
países	em	diferentes	continentes,	todas	em	aleitamento	materno	exclusivo	até	os
seis	meses	de	idade	e	complementado	com	outros	alimentos	até	um	ano	de	idade.
O	estudo	seguiu	uma	metodologia	rígida	e	permitiu	o	desenvolvimento	de	novas
curvas,	publicadas	em	2006,	para	a	avaliação	de	crianças	de	até	5	anos;
posteriormente,	houve	a	publicação	de	novas	curvas	para	a	avaliação	da	faixa
etária	de	5	a	19	anos	(LAMOUNIER;	ABRANTES;	SILVEIRA,	2009).
As	novas	curvas	da	OMS	podem	ser	acessadas	na	internet¹	(LAMOUNIER;
ABRANTES;	SILVEIRA,	2009).	Entre	os	gráficos	e	tabelas	disponíveis	para
avaliação	do	crescimento	infantil	estão	os	indicadores	de:	comprimento/altura,
peso	por	idade	e	peso	por	comprimento/altura	(WHO,	2008).	Os	gráficos
diferenciam-se	entre	sexo	e	idade	(Figuras	9,	10,	11	e	12)	e	possuem	linhas	de
referência	de	cores	diferentes	(preta,	vermelha	e	verde)	que	facilitam	a
interpretação	dos	valores	obtidos	na	mensuração;	os	valores	de	referência	são
organizados	sob	a	forma	de	percentil	e/ou	escore	Z	(WHO,	2008).
Figura	9	–	Gráfico	da	OMS	em	escore	Z	para	meninos	entre	0	e	5	anos
Fonte:	World	Health	Organization	(WHO,	2007a).
Figura	10	–	Gráfico	da	OMS	em	escore	Z	para	meninas	entre	0	e	5	anos
Fonte:	World	Health	Organization	(WHO,	2007a).
Figura	11	–	Gráfico	da	OMS	em	escore	Z	para	meninos	entre	5	e	19	anosFonte:	World	Health	Organization	(WHO,	2007b).
Figura	12	–	Gráfico	da	OMS	em	escore	Z	para	meninas	entre	5	e	19	anos
Fonte:	World	Health	Organization	(WHO,	2007b).
A	distribuição	em	percentil	é	a	representação	em	cada	idade,	por	sexo,	dos
valores	ordenados	de	maneira	crescente,	como	se	fossem	cem	valores
independentes.	Com	essa	ordenação	advém	um	valor	de	parâmetro	(conforme
unidade	de	medida)	para	cada	percentil;	cada	um	deles	representa	a	posição	que
aquele	valor	tem	na	distribuição	ordenada	dos	valores	normais	(SBP,	2009).
Para	exemplificar:	imagine	uma	criança	cuja	altura	é	classificada	na	posição	do
percentil	50.	Isso	significa	que,	dentre	as	crianças	do	mesmo	sexo	e	idade,	50%
possuem	altura	superior	à	sua	e	50%	possuem	altura	inferior.	Quando	a
classificação	do	percentil	equivale	a	95,	significa	que,	para	o	mesmo	sexo	e
idade	da	criança,	apenas	5%	apresentam	altura	maior	do	que	à	da	criança
avaliada	e	95%	possuem	altura	menor	(SBP,	2009).
A	distribuição	em	percentis	dos	parâmetros	antropométricos	é	sempre	normal	ou
muito	próxima	do	normal.	Dessa	forma,	os	valores	de	tendência	central
(próximos	ao	percentil	50)	são	os	mais	comumente	observados	na	população	em
geral,	ao	tempo	que	os	extremos	são	os	mais	raros.	Esse	entendimento	permite
ao	avaliador	classificar	com	mais	praticidade	o	valor	do	percentil	e	perceber,
quase	intuitivamente,	o	risco	de	anormalidade	ou	de	normalidade	da	criança	ou
adolescente	avaliado	(SBP,	2009).
A	distribuição	em	escores	Z	baseia-se	na	diferença	(distância	ou	aproximação)
de	cada	valor	em	relação	ao	valor	mediano	estimado	da	variável	estudada	em
função	da	idade	ou	do	sexo.	A	distância	da	mediana	é	avaliada	em	unidade	(ou
frações)	de	desvios-padrão;	assim,	cada	desvio-padrão	de	diferença	da	mediana	é
correspondente	a	uma	unidade	de	escore	Z	(SBP,	2009).
O	cálculo	do	escore	Z	é	realizado	pela	fórmula	a	seguir:
Escore	Z	=valor	medido	na	criança	-	valor	da	mediana	valor	do	desvio	padrão
Para	exemplificar:	imagine	que	Ana,	de	6	anos	de	idade,	apresenta	112	cm	de
estatura	e	Clara,	com	a	mesma	idade,	103	cm.	A	mediana	de	estatura	para	a
idade	é	de	106	cm	e	o	desvio-padrão,	de	3	cm.	Com	base	nesse	exemplo,
aplicando-se	a	fórmula	para	o	cálculo	do	escore	com	os	dados	de	Ana,	obtém-se:
escore	Z	=	(112	-	106)/3	=	2),	resultando	no	escore	Z	de	estatura	igual	a	+2;	e
com	os	dados	de	Clara:	escore	Z	=	(103	-	106)/3	=	-1),	obtendo-se	escore	Z	de
-1.
Para	fins	de	interpretação	dos	resultados,	o	escore	Z	=	0	corresponde	ao	valor
médio	na	distribuição	dos	resultados,	os	valores	encontrados	na	avaliação	dessas
crianças	são	comparados	ao	dessa	média,	ou	seja,	Ana	apresenta	escore	Z
positivo,	indicando	que	sua	estatura	está	acima	da	média	(+2).	Já	Clara	apresenta
escore	Z	negativo,	indicando	que	sua	estatura	está	abaixo	da	média	(-1)	(SBP,
2009).
Assim,	de	maneira	geral,	quando	o	valor	do	escore	Z	for	positivo,	pode-se
interpretar	que	a	medida	desta	pessoa	ultrapassa	a	média	da	população	em	geral,
em	contrapartida,	o	escore	negativo	demonstra	que	se	encontra	abaixo	dessa
média	(LIMA;	FIGUEIRO	JUNIOR,	2009).
É	primordial	que	todo	profissional	de	saúde	saiba	interpretar	esses	escores	ao
observar	as	medidas	antropométricas	encontradas	nas	curvas	de	crescimento,
pois	se	faz	necessário	realizar	uma	comparação	dos	valores	encontrados	durante
a	avaliação	com	os	valores	de	referências	“normais”	para	detectar	se	há	alteração
ou	não	(BRASIL,	2018).	A	comparação	entre	o	escore	Z	e	o	percentil	pode	ser
observada	na	Figura	13.
Figura	13	–	Relação	entre	escore	Z	e	percentil
Fonte:	Brasil	(2018)
1.4.2	Registro	e	interpretação	dos	índices	antropométricos	de	crianças	e
adolescentes
Para	crianças	menores	de	5	anos,	recomenda-se	a	utilização	da	referência
internacional	da	OMS,	lançada	em	2006,	que	já	consta	da	Caderneta	de	Saúde	da
Criança.	Para	crianças	de	5	anos	ou	mais	e	adolescentes,	recomenda-se	o	uso	da
referência	internacional	da	OMS,	lançada	em	2007.	Essa	referência	também	já
foi	incorporada	à	Caderneta	de	Saúde	do	Adolescente	(BRASIL,	2011).
Para	registrar	os	valores	obtidos	na	mensuração,	selecione	o	gráfico	de	linha
adequado	de	acordo	com	o	sexo,	a	idade	e	a	medida	que	será	registrada.	O
profissional	irá	identificar	no	eixo	x	do	gráfico	(linha	de	referência	horizontal	na
parte	inferior)	o	ponto	que	corresponde	à	medida	obtida	(por	exemplo,	idade)	e
traçar	uma	linha	em	função	da	medição	obtida	no	eixo	y	(linha	de	referência
vertical	na	extrema	esquerda	do	gráfico)	correspondente	(por	exemplo,	peso),
plotando	no	gráfico	um	ponto	comum	entre	os	dois	eixos,	ou	seja,	esse	ponto
corresponde	ao	cruzamento	das	linhas	estendidas	entre	os	eixos	x	e	y	(WHO,
2008).
Com	o	tempo,	à	medida	que	ocorrem	mensurações	em	datas	sequenciais	com	o
registro	de	pontos	distintos	no	gráfico,	é	possível	fazer	a	ligação	entre	os
mesmos	e	traçar	a	curva	de	crescimento.	Essa	curva	permite	identificar
tendências	no	crescimento,	ou	seja,	se	possui	um	crescimento	consistente	ou	se
está	“em	risco”	de	um	problema	e	necessita	ser	reavaliada	em	breve	(WHO,
2008).
As	cores	das	linhas	ajudam	a	interpretar	as	medidas	registradas	no	gráfico.	A
Caderneta	da	Criança	(BRASIL,	2018)	traz	as	seguintes	informações:
Quadro	1	–	Interpretação	das	curvas	de	crescimento	pelas	cores	da	linha
Cor	da	linha Interpretação
Linha	verde Equivale	ao	escore	z0	ou	à	mediana.	A	curva	de	crescimento	de	uma	criança	que	é	traçada	paralela	à	linha	verde,	acima	ou	abaixo	dela,	indica	que	a	criança	está	crescendo	adequadamente.
Linha	vermelha	e	linha	preta A	linha	de	crescimento	da	criança	com	um	ponto	ou	desvio	fora	da	área	compreendida	entre	as	duas	linhas	vermelhas	sinaliza	um	problema	de	crescimento.
Fonte:	Brasil	(2018)
Outras	informações	adicionais	são	importantes	para	a	interpretação	das	curvas.	A
World	Health	Organization	(WHO)	sugere	algumas	situações	que	podem	indicar
problemas	ou	riscos:
A	linha	de	crescimento	de	uma	criança	cruza	uma	linha	de	pontuação	z;
Há	uma	inclinação	acentuada	ou	declínio	na	linha	de	crescimento	da	criança;
A	linha	crescimento	da	criança	permanece	plana	(estagnada);	ou	seja,	não	há
ganho	de	massa	ou	comprimento/altura	(WHO,	2008,	p.	10).
Essas	situações	devem	ser	interpretadas	com	cautela,	pois	podem	representar	ou
não	um	problema	ou	risco,	a	depender	de	onde	a	mudança	de	crescimento
começou	e	a	direção	que	está	tomando.	É	necessário	avaliar	as	circunstâncias:
por	exemplo,	se	a	criança	perdeu	peso	durante	um	período	em	que	esteve	doente
e	posteriormente	apresentou	um	ganho	rápido	de	peso,	com	uma	inclinação
acentuada	no	gráfico,	tal	aspecto	é	positivo	e	indica	um	“crescimento	de
recuperação”.	Também	pode	ocorrer	o	inverso,	como,	por	exemplo,	quando	uma
criança	com	excesso	de	peso	apresenta	um	declínio	na	tendência	de	crescimento
em	direção	à	mediana,	podendo	indicar	um	“catch-down”	(crescimento
compensatório	lento	para	realinhar	o	peso	da	criança,	uma	vez	que	apresentou
um	período	de	crescimento	rápido,	acima	da	faixa	normal)	(WHO,	2008).
É	importante	considerar	a	interpretação	de	todos	os	gráficos	de	crescimento	da
criança	juntos,	principalmente	se	em	apenas	um	for	notada	alguma
anormalidade.	Todos	os	indicadores	são	essenciais,	por	isso,	ao	olhá-los	juntos,	o
profissional	consegue	identificar	problemas	ou	tendências	em	relação	ao
crescimento	da	criança	(LAMOUNIER;	ABRANTES;	SILVEIRA,	2009;
SPERANDIO	et	al.,	2011).
Ressalta-se	que	o	acompanhamento	periódico	e	o	registro	das	informações	no
prontuário	do	paciente,	bem	como	nas	Cadernetas	de	Saúde	da	Criança	e	do
Adolescente,	são	importantes	para	a	garantia	de	um	acompanhamento	mais
efetivo	(VICTORA	et	al.,	2008).	Registre	com	caneta	cada	medida	com	um
ponto	no	local	correto	para	a	idade	da	criança	e,	acima,	escreva	a	data	da
avaliação;	em	seguida,	utilize	uma	régua	para	ligar	a	medida	anterior	à	atual
(KYLE,	2011).
1.5	Aspectos	relevantes	para	avaliação
O	Quadro	2	apresenta	alguns	aspectos	importantes	para	avaliação	por	ciclos	de
vida:
Quadro	2	–	Aspectos	relevantes	por	ciclo	de	vida
Ciclo	de	vida Observações
Lactente Durantea	fase	de	lactente,	o	crescimento	físico	é	mais	rápido	do	que	em	qualquer	outra	idade	(KYLE,	2011).
Infância Durante	a	avaliação,	é	imprescindível	evitar	o	confronto	físico.	Deve-se	tentar	conquistar	a	confiança.	Sugerem-se	brincadeiras,	apresentação	dos	instrumentos,	examinando	antes	uma	boneca	ou	ursinho	da	criança,	contação	de	histórias	ou	fazer	elogios	e	tranquilizar	os	pais	(BICKLEY;	SZILAGYI,	2010).	Em	geral,	com	dois	anos	de	idade,	as	crianças	atingem	metade	da	altura	que	terão	quando	adultas	(KYLE,	2011).	Depois	de	dois	anos,	as	crianças	ganham	cerca	de	2	a	3	kg	e	crescem	5	cm	ao	ano	(BICKLEY;	SZILAGYI,	2010).	Dos	seis	aos	12	anos,	as	crianças	crescem	cerca	de	5	cm	por	ano,	com	aumento	da	altura	entre	30	e	61	cm	(KYLE,	2011).
Adolescência A	transformação	física	ocorre,	em	geral,	ao	longo	de	alguns	anos,	com	início,	em	média,	aos	10	anos	para	as	meninas	e	aos	11	anos	para	os	meninos	(BICKLEY;	SZILAGYI,	2010).	De	forma	geral,	o	“estirão”	das	meninas	encerra	o	desenvolvimento	puberal	por	volta	dos	14	anos,	e	dos	meninos	por	volta	dos	16	anos	(BICKLEY;	SZILAGYI,	2010).	Idealmente,	as	pesagens	(e	as	alturas)	sequenciais	devem	utilizar	as	mesmas	balanças	e	metros	(BICKLEY;	SZILAGYI,	2010).
Adulto	e	Idoso As	alterações	musculoesqueléticas	ocorrem	durante	toda	a	idade	adulta.	Logo	após	a	maturidade,	inicia-se	uma	sutil	perda	de	altura	e	uma	diminuição	significativa	fica	evidente	no	idoso.	Parte	da	perda	de	altura	ocorre	no	tronco,	à	medida	que	os	discos	intervertebrais	ficam	mais	finos	e	os	corpos	vertebrais	diminuem	de	tamanho	ou,	até	mesmo,	entram	em	colapso	pela	osteoporose	(BICKLEY;	SZILAGYI,	2010).	O	peso	e	a	altura	são	especialmente	essenciais	nos	idosos	e	têm	importância	no	cálculo	do	índice	de	massa	corporal.	O	paciente	deve	ser	pesado	a	cada	consulta	(BICKLEY;	SZILAGYI,	2010).	É	possível	observar	algumas	oscilações	em	relação	à	variabilidade	dessas	medidas,	entre	1%	e	2%	ao	longo	do	dia.	Tal	fenômeno	deve-se	às	alterações	posturais	e	à	desidratação	que	afetam	os	discos	intervertebrais.	Nesse	sentido,	para	obtenção	de	valores	mais	fidedignos,	recomenda-se	que	a	mensuração	seja	realizada,	preferencialmente,	pela	manhã,	quando	normalmente	são	observados	os	maiores	valores.	Para	conseguir	realizar	comparações	entre	os	valores	obtidos	em	avaliações	anteriores,	é	importante	que	seja	realizada	no	mesmo	horário	da	anterior	(BICKLEY;	SZILAGYI,	2010).
Fonte:	os	autores
Alguns	autores,	como	Lima	e	Figueiro	Junior	(2009),	adotam	projeções	do
comprimento	esperado	da	criança	de	acordo	com	a	idade:
Altura	média	no	nascimento:	50	cm;
Primeiro	semestre:	ganho	de	15	cm;
Segundo	semestre:	ganho	de	10	cm;
Segundo	ano:	ganho	de	12	cm;
Aos	4	anos:	atinge	1	metro;
Aos	5	anos:	ganho	de	6-8	cm;
6	a	12	anos:	6	cm/ano;
Até	a	puberdade:	5-6	cm/ano;
Aceleração	do	crescimento:	entre	11	e	12	anos	(meninas)	–	8/9	cm/ano	e	entre	13
e	14	anos	(menino)	–	10	cm/ano;
Desaceleração	do	crescimento	(término	do	crescimento	e	alcance	final	da	altura):
entre	15	e	16	anos	(meninas)	e	entre	17	e	18	anos	(meninos).
As	aplicações	de	parâmetros	de	“normalidade”	necessitam	de	uma	avaliação
crítica,	uma	vez	que	a	criança	pode	apresentar	características	específicas	que
requerem	um	olhar	diferenciado.	Nesse	contexto,	é	importante	que	o	profissional
tenha	conhecimento	da	existência	de	gráficos	de	crescimento	especiais	para
crianças	com	síndrome	de	Down,	síndrome	de	Turner	e	grupos	étnicos	que	têm,
tipicamente,	estatura	menor	(KYLE,	2011).
Também	é	necessário	cautela	na	avaliação	do	crescimento	e	do	desenvolvimento
de	crianças	prematuras.	Na	avaliação	delas,	deve-se	utilizar	a	idade	ajustada	para
a	classificação	que	a	criança	teria	se	estivesse	dentro	do	padrão	esperado	para	a
idade	cronológica.	Para	calcular	a	idade	ajustada,	deve-se	subtrair	a	quantidade
de	semanas	de	prematuridade	da	idade	cronológica	(atual)	(KYLE,	2011).	Por
exemplo,	uma	criança	com	cinco	meses	de	idade	que	nasceu	com	32	semanas	(7
meses),	nasceu	com	8	semanas	a	menos	do	período	previsto	(2	meses);	assim,	ao
avaliá-la,	devem-se	subtrair	da	sua	idade	cronológica	(atual)	os	meses	referentes
à	prematuridade,	ou	seja,	5	meses	da	idade	cronológica	atual	menos	2	meses
referentes	ao	período	da	prematuridade.	Nessa	condição,	a	idade	ajustada	da
criança	será	de	3	meses.	É	esperado	que	a	criança	atinja	os	marcos	de
crescimento	e	desenvolvimento	de	3	meses,	em	vez	de	5	meses.
Considerações
A	altura	é	de	suma	importância	para	a	composição	da	avaliação	de	uma	pessoa
atendida	em	uma	instituição	de	saúde.	Ter	o	conhecimento	desse	dado	durante	a
avaliação	irá	fornecer	informações	próprias	sobre	a	saúde	geral	e	o	estado
nutricional	do	paciente.	De	posse	disso,	será	possível	avaliar	o	desenvolvimento
e	o	crescimento,	considerando-se	um	meio	de	identificação	precoce	de	uma
doença,	seja	ela	aguda	ou	crônica.
Além	disso,	a	aferição	precisa	da	altura	é	uma	forma	de	graduar	riscos,	auxiliar
na	determinação	de	diagnósticos	e	na	definição	da	conduta	adequada	a	ser
adotada.
Referências
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Maria	de	Fátima	Azevedo.	10.	ed.	Rio	de	Janeiro:	Guanabara	Koogan,	2010.
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CAPÍTULO	II
MASSA	CORPORAL	E	IMC
Eliezel	Alves	dos	Anjos
Yanna	Cristina	Moraes	Lira	Nascimento
Louise	Moreira	Ferro	Gomes
Luís	Felipe	Melo	Barbosa
Tainá	Cardoso	Caminha	Uchôa
Regina	Célia	Sales	Santos
Antropometria	é	o	método	sistemático	utilizado	para	acessar	tamanho,
composição	e	proporções	corporais	(WHO,	1995).	É	importante	que	se	entre
neste	âmbito,	pois	o	peso	e	a	altura	são	as	duas	medidas	antropométricas	mais
utilizadas	para	avaliação	nutricional	de	pessoas	em	cuidados	ambulatoriais	ou
hospitalares	(RUFINO	et	al.,	2010,	WHO,	1995).
Nessa	esteira,	convém	distinguir	massa	corporal	e	peso,	visto	que	a	literatura
corrente	utiliza	a	terminologia	“peso”	como	sinônimo	da	primeira,	mas	trata-se
de	termos	distintos.	Enquanto	o	peso	é	resultado	de	uma	força	que	atrai	os
corpos	para	a	superfície	da	Terra,	a	massa	é	a	quantidade	de	matéria	presente	em
um	corpo.	Logo,	a	massa	de	uma	pessoa	é	sempre	a	mesma	em	qualquer	lugar,
diferentemente	do	peso,	que	varia	conforme	o	valor	da	gravidade	de	cada	planeta
e	satélite	do	Sistema	Solar.
Colocando	em	prática	a	2ª	lei	de	Newton,	demonstrada	pela	fórmula	matemática:
Peso	(P)	=	massa	(m)	x	gravidade	(g),	pode-se	observar	que	o	cálculo	do	peso	de
uma	pessoa	com	massa	igual	a	60	kg,	por	exemplo,	teria	resultados	diferentes	a
depender	do	lugar	em	que	se	está.	Na	Terra,	o	peso	seria	igual	a	588	N	e,	na	Lua,
100,2	N,	considerando	a	gravidade	na	Terra	de	9,8	N	e	na	Lua	de	1,67	N.
A	massa	é	uma	grandeza	física	que	permite	indicar	a	quantidade	de	matéria	que
contém	um	corpo	físico.	O	Sistema	Internacional	utiliza	o	quilograma	(kg)	como
unidade	de	massa.
Desta	forma,	é	importante	que	se	corrija	o	entendimento	empírico	presente	no
cotidiano	das	pessoas,	principalmente	em	se	tratando	da	seara	acadêmica,	no
sentido	de	não	tornar	massa	sinônimo	de	peso.	A	propósito	dessa	evidência,	não
se	conhece	o	Índice	de	Peso	Corporal,	mas	o	Índice	de	Massa	Corporal	(IMC)
como	método	antropométrico	mais	utilizado	no	campo	da	Saúde.	Por	esse
motivo,	adotaremos,	neste	capítulo,	a	terminologia	massa	corporal.
Em	relação	ao	IMC	(ou	índice	de	Quételet),	foi	criado	por	Lambert	Adolphe
Jacques	Quételet	(1796-1874),	nascido	na	Bélgica,	importante	astrônomo,
matemático,	demógrafo,	estatístico	e	sociólogo	do	século	XIX.	No	entanto,	a
validação	desse	indicador	ocorreu	mais	de	um	século	após	sua	concepção
(KEYS,	1972).
Um	dos	legados	duradouros	de	Quételet	à	saúde	pública	foi	o	estabelecimento	de
uma	medida	simples	para	classificar	a	massa	corporal	em	relação	a	um	ideal	para
a	sua	altura	que	é	calculado	dividindo-se	a	massa	corporal	(m),	em	quilogramas,
pela	altura	(A)	ao	quadrado,	em	metros,	como	representa	a	seguinte	fórmula:
IMC	=	m	/	A²
A	correlação	entre	massa	corporal	e	altura	para	o	cálculo	do	IMC,	juntamente
com	outros	parâmetros	de	avaliação	nutricional,	proporcionam	resultados	que
permitem	avaliar	o	estado	de	saúde	de	uma	pessoa,	facilitando	orientações
alimentares	e	funcionais,	bem	como	a	identificação	dos	fatores	causais	e	o
processo	de	tratamento	de	uma	doença	(POTTER;	PERRY,	2009;	HAMILTON
et	al.,	2019;	MASTROENI	et	al.,2010),	além	de	ser	um	indicador	de
desigualdade	social	no	Brasil	por	trazer	correlações	do	excesso	de	peso	em
populações	de	baixa	renda	(CONDE	et	al.,	2018).
2.1	Fisiologia,	pontos	de	referência	anatômicos	e	alguns	estudos
A	Agência	Nacional	de	Saúde	Suplementar	(ANS)	(BRASIL,	2017)	define	a
obesidade	como	uma	doença	crônica	e	multifatorial,	muitas	vezes	silenciosa;
fator	de	risco	para	diversas	outras	doenças	crônicas	não	transmissíveis,	como	o
câncer,	doenças	cardiovasculares,	diabetes	e	cirrose.	Apesar	de	a	obesidade	estar
relacionada	ao	ganho	de	massa,	nem	todo	ganho	de	massa	representa	acúmulo	de
tecido	adiposo,	uma	vez	que,	em	alguns	indivíduos,	observa-se	aumento	da
massa	muscular	sem	aumento	da	adiposidade	corporal.	Evidencia-se,	portanto,	a
necessidade	de	poder	medir	com	precisão	a	quantidade	de	gordura	corporal	e	o
nível	em	que	o	risco	de	doença	é	aumentado.
É	importante	destacar	que	o	ganho	de	massa	adequado	está	associado	às	várias
fases	do	período	vital,	desde	a	fase	intrauterina	até	a	fase	puberal.	Além	disso,
outras	implicações	em	termos	de	estilo	de	vida	–	hábitos	alimentares,	stress,
sedentarismo	–	também	exercem	influência	na	redução	do	gasto	energético
diário	ou	no	aumento	da	ingestão	de	alimentos	hipercalóricos	(ABESO,	2016).
O	aumento	de	massa	corpórea	é	um	resultado	de	reações	anabólicas	após	a
ingestão	alimentar,	em	que	os	nutrientes	são	utilizados	como	fonte	energética.
As	moléculas	de	gordura,	os	lipídeos,	são	essenciais	para	o	bom	funcionamento
do	organismo,	sendo	o	principal	armazenamento	de	energia	na	forma	de	tecido
adiposo,	que	forma	a	gordura	corporal.	Além	disso,	são	componentes
fundamentais	da	membrana	celular	e	circulam	no	plasma	fisiologicamente
(SILVERTHORN,	2017).
Porém,	o	excesso	de	lipídeos	é	um	indicador	de	risco	para	doenças
cardiovasculares,	como	a	aterosclerose.	Outro	aspecto	importante	a	ser
considerado	na	avaliação	do	risco	é	o	padrão	de	distribuição	da	gordura	corporal,
em	que	dois	tipos	distintos	de	obesidade	precisam	ser	considerados:	ginoide	e
androide.	O	primeiro	refere-se	ao	acúmulo	de	gordura	na	região	periférica	do
corpo,	enquanto	o	segundo,	também	conhecido	como	obesidade	abdominal,
define-se	pelo	acúmulo	de	tecido	adiposo	na	porção	central	(VAGUE,	1956).
A	presença	de	obesidade	geral	e	abdominal	é	fator	determinante	no	aumento	da
pressãoarterial,	inclusive	em	crianças	e	adolescentes.	Esse	quadro	pode	vir
acompanhado	de	dislipidemia	e	resistência	à	insulina,	caracterizando	a	síndrome
metabólica	em	que	os	indivíduos	podem	aparentar	estar	clinicamente	normais,
porém	o	risco	para	eventos	cardiovasculares	é	elevado	(MOSER	et	al.,	2013).
Por	essa	razão,	as	pesquisas	buscam	mostrar	a	capacidade	preditiva	dos
indicadores	antropométricos,	na	perspectiva	de	utilizar	métodos	simples,	práticos
e	de	baixo	custo	na	avaliação	de	fatores	de	risco	para	doenças	cardiovasculares
(COSTA,	2009).
A	obesidade	na	adolescência	vem	assumindo	um	cenário	de	significativa
preocupação,	visto	que	21,5%	de	adolescentes	brasileiros	apresentam	sobrepeso
e	obesidade	(OLIVEIRA,	2016).	Esse	dado	aponta	uma	preocupação	com	os
reflexos	negativos	que	o	excesso	de	massa	pode	acarretar,	uma	vez	que	o	risco
cardiovascular	elevado	nessa	faixa	etária	tem	repercussão	na	vida	adulta	e
implica	elevados	custos	para	a	saúde	pública	(ENES;	SILVA,	2018).	Em	relação
aos	idosos,	o	excesso	de	lipídeos	também	traz	consequências,	impacta	tanto	na
redução	da	expectativa	de	vida	quanto	no	aumento	de	anos	de	vida	com
limitações	na	função	física	e	na	realização	de	atividades	de	vida	diária
(TAREQUE	et	al.,	2019).
Outro	grupo	populacional	em	que	a	avaliação	antropométrica	nutricional	tem
grande	valor	é	o	das	gestantes,	pois	é	capaz	de	predizer	riscos	fetais	e	maternos,
possibilitando	intervenções	precoces.	O	excesso	de	peso	adquirido	na	gestação,
além	de	predispor	à	obesidade,	associa-se	a	algumas	complicações,	entre	elas
trauma	fetal,	baixo	peso	ao	nascer	e	mortalidade	infantil	(NOMURA	et	al.,
2012).	Esse	ganho	de	massa	corporal	acentuado	relaciona-se	a	fatores	maternos,
como	alto	consumo	energético,	mas	também	a	fatores	sociodemográficos,	como
a	escolaridade	e	idade	maternas,	e	comportamentais,	como	o	tabagismo
(STULBACH	et	al,	2006).
Porém,	não	é	apenas	a	medida	da	massa	corporal	o	único	fator	preditor	de	risco
cardiovascular,	pois	é	sabido	que	a	distribuição	da	gordura	corporal	é	a	causa	de
maior	influência	(OFSTAD	et	al.,	2019).	Dessa	forma,	é	indispensável	a
verificação	adequada	da	adiposidade,	tornando	possível	uma	triagem	acurada
dos	indivíduos	com	maior	risco	para	intervenção	rápida	(OLIVEIRA,	2016).
O	IMC	é,	atualmente,	um	dos	indicadores	antropométricos	mais	utilizados	na
avaliação	do	estado	nutricional	de	populações	e	em	estudos	epidemiológicos,	em
especial,	por	ser	uma	medida	facilmente	aplicável,	não	invasiva	e	de	baixo	custo
(ANZOLIN	et	al.,	2017).
Alguns	estudos	revelam	que	o	IMC	tem	apresentado	elevações	constantes	na
maioria	dos	países,	em	populações	de	áreas	urbanas	de	média	e	baixa	renda,	e
em	populações	de	áreas	rurais	(BIXBY	et	al.,	2019).	Em	escolares	no	Brasil,
pesquisa	revela	maior	prevalência	de	excesso	de	peso	em	adolescentes:	que	se
declararam	negros	ou	indígenas;	da	região	sul;	da	área	urbana	e	dos	quintos	mais
baixos	de	renda	(CONDE	et	al.,	2018).
Entretanto,	esse	índice,	o	IMC,	não	é	capaz	de	proporcionar	a	distinção	entre
massa	gorda	e	massa	magra,	não	refletindo	as	grandes	mudanças	na	composição
corporal	(OFSTAD	et	al.,	2019).	No	estudo	desenvolvido	por	Carrasco	et	al.
(2004),	demonstrou	a	baixa	sensibilidade	do	IMC	em	detectar	indivíduos	com
excesso	de	gordura	corporal	quando	foi	constatada	em	indivíduos	que	foram
avaliados	por	bioimpedância	‒	o	exame	de	bioimpedância	é	usado	para	a
avaliação	da	composição	corporal,	principalmente	de	percentuais	de	gordura
quanto	de	massa	magra	e	água	corporal	total.	Assim,	o	estudo	de	Carrasco	et	al.
(2004),	observou	que,	61%	das	mulheres	e	23,6%	dos	homens	foram
classificados	com	IMC	<	30kg/m²	como	não	obesos,	porém	apresentavam
percentual	de	gordura	entre	>30%,	e	>25%,	respectivamente,	demonstrando	esse
viés	metodológico	(CAMPOS,	2012).
É	perceptível,	portanto,	que	a	utilização	desse	método	se	torna	discutível,	porque
não	consegue	adaptar	seus	valores	às	variáveis	encontradas	na	fisiologia	da
massa	corpórea,	como	estado	de	hidratação	e	composição	muscular
(HARAGUCHI	et	al,	2019).	Por	exemplo,	pessoas	com	elevada	quantidade	de
massa	muscular	podem	apresentar	elevado	IMC,	mesmo	que	esse	valor	não	se
deva	à	gordura	corporal.	Além	disso,	os	pontos	de	corte	propostos	para	o	IMC
são	os	mesmos	para	uma	faixa	etária	muito	ampla,	e	ainda	desconsideram	sexo	e
etnia	(CAMPOS,	2012).
Assim,	o	uso	dessa	técnica	precisa	de	um	olhar	profissional	carregado	de	bom
senso	e	razoabilidade,	por	este	não	ser	um	cálculo	em	que	se	deve	considerar
apenas	seu	resultado	de	forma	estrita	(SOUZA	et	al.,	2013).
Para	uma	avaliação	mais	ampla	do	indivíduo,	alguns	autores	defendem	a
aplicação	do	Índice	de	Massa	de	Gordura	(IMG)	e	do	Índice	de	Massa	Livre	de
Gordura	(IMLG)	ou	massa	magra,	obtidos	por	bioimpedância	elétrica,	uma	vez
que	se	utiliza	de	uma	avaliação	mais	completa	do	estado	corporal	–	o	que	é
possível	porque	esse	exame	avalia	a	quantidade	real	de	tecido	adiposo,	já
subtraindo	essa	massa	da	quantidade	de	músculo,	água	e	demais	tecidos	livres	de
gordura	(OLIVEIRA,	2016).
A	massa	considerada	magra	equivale	à	quantidade	de	musculatura	e	água,	sendo
esses	componentes	ditos	saudáveis	e	desejáveis	na	constituição	do	maior
percentual	do	organismo.	Com	esse	cálculo,	é	possível	prever	se	a	intervenção
será	focada	na	gordura	corporal,	na	massa	livre	de	gordura	ou,	até	mesmo,	em
ambas	as	massas	(OLIVEIRA,	2016).
Concentrações	elevadas	de	massa	de	gordura	podem	promover	acúmulo	de
lipídeos	em	tecidos	que	não	têm	a	função	de	armazenar,	como	o	músculo
esquelético,	gerando	vários	riscos	à	saúde,	do	mesmo	modo	que	níveis	baixos	de
massa	magra	podem	impactar	na	força,	na	resistência	e	no	equilíbrio	(ROSA	et
al.,	2017).	Estima-se	que	de	62	a	76%	da	população	mundial	possui	sua	saúde
prejudicada	por	níveis	elevados	de	gordura	corporal	(MAFFETONE;	RIVERA-
DOMINGUEZ;	LAURSEN,	2016).
Outras	medidas	de	distribuição	(circunferência	da	cintura	e	relação	cintura-
quadril)	e	percentual	de	gordura	corporal,	além	de	indicadores	musculares	de
desnutrição	(circunferência	da	panturrilha),	são	importantes	para	maior
confiabilidade	nos	resultados,	devendo	ser	avaliados	em	conjunto	(SILVA;
PEDRAZA;	MENEZES,	2015).
Além	disso,	esses	parâmetros	são	especialmente	importantes	quando	a	pesagem
é	impossibilitada	por	alguma	característica	física,	a	exemplo	do	que	ocorre	a
muitos	idosos,	além	da	inexistência	de	balanças	específicas.	Por	isso,	a	massa
corporal	pode	ser	estimada	por	meio	de	fórmulas	que	utilizam	a	altura	do	joelho,
a	dobra	cutânea	subescapular	e	as	circunferências	do	braço,	da	panturrilha	e
abdominal	(SOUZA	et	al.,	2013).
2.2	Instrumentos	utilizados
Para	avaliar	a	massa	corporal,	porém	sem	conseguir	distinguir	IMG	e	IMLG,
deve-se	utilizar	a	balança	comum,	que	pode	ser	mecânica	(Figura	14)	ou
eletrônica	(Figura	15).	A	balança	mecânica	exige	um	conhecimento	mais
aprofundado	acerca	de	seu	funcionamento,	para	evitar	erros	de	pesagem.	Já	a
balança	eletrônica	é	mais	prática,	porém	exige	cuidados	periódicos	para	sua
manutenção,	uma	vez	que	tende	a	descalibrar	com	o	tempo.
Figura	14	–	Balança	mecânica	Figura	15	–	Balança	digital
Fonte:	os	autores	Fonte:	os	autores
A	balança	deve	ser	colocada	em	superfície	regular	e	firme,	não	devendo	ser
posta	sobre	carpetes	e	tapetes	porque	o	desnível	causa	alteração	na	medição.	A
mecânica	trata-se	de	uma	balança	vertical	que	tem	uma	base	revestida	de
borracha	e	uma	haste	que	dá	sustentação	aos	instrumentos	em	forma	de	“T”,
onde	ficam	as	escalas	graduadas,	a	trava,	os	pesos	(cursores/massores	de	quilos)
e	o	peso	(um	cilindro)	de	calibragem	(Figura	16).
Figura	16	–	Partes	da	balança	mecânica
Fonte:	os	autores
Esse	tipo	de	balança	tem	duas	réguas	com	escalas	graduadas	paralelas.	A	régua,
localizada	na	posição	inferior	é	representada	em	kg,	em	que	cada	ranhura
representa	10	kg,	perfazendo	um	total	de	140	kg.	Utiliza-se	o	cursor/massor
maior,	que	deve	ter	a	sua	extensão	posicionada	na	ranhura.
A	segunda	escala,	que	fica	logo	acima,	contém	o	cursor/massor	menor	e	é
representada	em	gramas,	com	escala	que	vaide	0	a	10	kg,	dividida	em	traços
menores	de100	gramas	e	um	traço	maior	de	500	gramas.	Esta	régua,	somada	à
anterior,	perfaz	um	total	de	150	kg.	O	fabricante	alerta	que	balanças	assim
possuem	a	capacidade	de	pesar	no	máximo150	kg	e	no	mínimo	2	kg.
Quanto	à	balança	digital,	o	cuidado	deve	ser	com	a	manutenção	das	baterias,
para	evitar	erros	de	aferição.
Outro	instrumento	é	a	balança	com	bioimpedância	elétrica	(Figura	17),	que
surgiu	em	1960	e	detecta	valores	de	IGM	e	IGLM.	Essa	balança	identifica	os
valores	referentes	aos	componentes	constituintes	da	massa	corporal	total,
separando-os	em	equivalentes	à	gordura	essencial	e	à	gordura	de	reserva,	o	que
possibilita	fazer	uma	avaliação	de	maior	acurácia	por	meio	de	um	método	não
invasivo,	indolor,	livre	de	radiação,	rápido	e	de	baixo	custo,	que	leva	em
consideração	o	sexo,	a	etnia,	a	idade,	os	valores	de	massa	corporal	total,	a
estatura,	o	nível	de	atividade	física	e	a	presença	de	obesidade	(ROSA	et	al.,
2017).
Esse	método	é	possível	porque	músculos,	sangue,	ossos	e	tecidos	do	corpo	que
possuem	elevadas	quantidades	de	água	conduzem	facilmente	a	eletricidade,	o
que	não	ocorre	com	a	gordura.	Assim,	a	balança	envia	uma	corrente	elétrica
extremamente	fraca	de	50	kHz	e	500	µA	por	meio	de	seu	corpo	para	determinar
o	total	de	água	em	cada	tecido,	segundo	os	manuais	de	algumas	balanças
(ROCHA	et	al.,	2011).
Figura	17–Balança	de	bioimpedância
Fonte:	https://www.omronbrasil.com/hbf-514-balanca-digital-de-bioimpedancia-
de-corpo-inteiro/p.	Acesso	em:	10	ago.	2020.
Existem	outros	instrumentos,	como	paquímetros	e	fitas	métricas,	que,	após
mensurar	pregas	ou	circunferências	associadas	a	algumas	fórmulas,	chegam	a
valores	de	gordura	corporal,	cálculos	muito	utilizados	por	nutricionistas	e
educadores	físicos.
2.3	Técnica	de	mensuração
Primeiramente,	deve-se	acolher	a	pessoa.	A	maneira	como	alguém	é	acolhido
tem	reflexo	psicoemocional	no	paciente/cliente	que,	direta	ou	indiretamente,
poderá	contribuir	para	a	melhoria	de	sua	saúde.	Também	é	neste	momento	que	se
devem	explicar	a	necessidade	e	a	importância	da	pesagem	para	a	tomada	de
algumas	medidas	terapêuticas.
Perguntar	ao	paciente/cliente	qual	é	sua	massa	e	sua	altura	atualmente	é	uma
maneira	de	estimar	o	valor	esperado,	observar	o	nível	de	orientação	e	o	estado
cognitivo;	entretanto,	considerar	o	valor	relatado	pela	pessoa	extinguindo	a
necessidade	de	pesá-la	no	momento	não	é	uma	medida	precisa	e	confiável,	pois
o	valor	da	massa	pode	ser	constantemente	alterado.
É	importante	observar	que	não	existe,	a	princípio,	uma	avaliação	perfeita	para
sobrepeso	e	obesidade	por	implicações	étnicas	e	genéticas;	porém,	não	se	deve
negligenciar	o	rigor	do	procedimento	(ABESO,	2016;	JOSEPH	et	al.,	2019).
Durante	o	acompanhamento	de	ganho	ou	perda	de	massa,	é	recomendável	e
prudente	que	se	pese	a	pessoa	de	preferência	no	mesmo	período	do	dia,
utilizando-se	a	mesma	balança	e	com	as	mesmas	vestimentas,	buscando	precisão
e	exatidão.
O	jovem	e	adulto	que	deambula	e	fica	em	posição	ortostática	pode	utilizar	a
balança	convencional	ou	eletrônica.	Nos	casos	de	bebês,	recomenda-se	que	se
realize	o	procedimento	em	balanças	específicas	para	essa	faixa	etária.
A	pesagem	deve	ser	realizada	sem	sapatos	ou	sandálias	e	recomenda-se	a
retirada	de	adereços	e	acessórios	(óculos,	cinto,	colares),	objetos	dos	bolsos	da
calça,	saia	ou	camisa	(celular,	caneta,	dinheiro,	moedas,	carteira,	lenço,	papéis)
que	possam	influenciar	na	exatidão	e	comprometer	a	precisão	dos	dados.
Se	a	unidade	de	saúde	ou	o	hospital	dispõe	de	uma	vestimenta	(bata)	destinada
para	este	fim,	pede-se	ao	cliente/paciente	para	usá-lo	antes	da	pesagem.	Caso
contrário,	usar	roupas	leves.	Em	se	tratando	de	adolescentes,	devem-	se	redobrar
os	cuidados,	a	fim	de	evitar	a	exposição.
O	procedimento	de	pesagem,	embora	possa	parecer	algo	simples,	não	significa
ausência	de	relevância	e	prudência.	Cuidados	precisam	ser	observados.
2.3.1	Mensuração	da	massa	corporal	em	adultos	e	crianças	maiores	de	2
anos
Antes	de	iniciar	o	procedimento,	o	profissional	deverá	realizar	a	higienização
das	mãos,	como	medida	preventiva	de	contaminação	cruzada;
Colocar	sobre	o	piso	da	balança	um	papel-toalha,	pois	evita	contaminação,	além
de	não	deixar	fragmentos	de	areia	nas	reentrâncias	da	borracha;
Proceder	ao	abaixamento	da	trava	e	tarar	a	balança	(calibrar),	movimentando	o
calibrador.	Considera-se	a	balança	calibrada	quando	seu	fiel	está	em	equilíbrio
com	a	agulha	(Figura	18);
Figura	18	–	Calibragem	da	balança
Fonte:	os	autores
Depois	de	calibrada,	levantar	a	trava	e	solicitar	que	a	pessoa	suba	na	balança
com	as	costas	voltadas	para	o	examinador	(caso	também	seja	verificada	a	altura
na	própria	balança);
Solicitar	que	o	paciente	permaneça	em	posição	ereta,	com	os	braços	estendidos	e
olhando	para	o	horizonte.
Procurar	saber	quantos	quilos	a	pessoa	possui	e	movimentar	o	cursor/massor	de
kg	na	escala	graduada	até	o	número	estimado.	Em	sequência,	movimentar	o
cursor/massor	de	gramas	(Figura	19)	até	o	número	em	que	o	fiel	da	balança
aponte	o	nivelamento.	Esse	procedimento	deve	ser	realizado	com	o	examinador
em	frente	das	escalas	graduadas	da	balança,	a	fim	de	evitar	erro	na	leitura;
Figura	19	–	Movimentação	do	cursor	menor
Fonte:	os	autores
Observar	os	valores	e	registrá-los	de	forma	legível;
Levantar	a	trava	da	balança,	colocar	os	massores	no	ponto	zero	das	suas
respectivas	escalas	e	solicitar	à	pessoa	que	desça	da	balança;
Retirar	o	papel	da	balança,	destinando-o	ao	lixo.
Lavar	novamente	as	mãos	com	água	e	sabão	e	secar	com	papel	toalha.
Nos	idosos,	os	cuidados	para	evitar	acidentes	devem	ser	objetos	de	atenção
quando	sobem	e	descem	da	balança.
Para	a	mensuração	em	balanças	eletrônicas,	o	procedimento	é	mais	simples,	pois
não	é	necessário	fazer	a	calibragem.	Assim	que	o	paciente	sobe,	mostra-se	o
valor	da	massa	em	poucos	segundos.	Quando	o	examinado	sai,	a	balança	volta,
automaticamente,	ao	valor	zero.
Para	os	pacientes	acamados	e	os	que	não	podem	ficar	em	posição	ortostática,
existem	macas	ou	camas-balança	e	balanças	apropriadas	para	pacientes	em
cadeira	de	rodas.	Porém,	elas	não	são	comuns	na	maioria	das	instituições	de
saúde.
Na	mensuração	do	paciente	em	cadeira	de	rodas	é	necessário	utilizar	balança
específica.	Deve-se	mensurar	previamente	o	peso	somente	da	cadeira,	em
seguida	dispor	o	paciente	sentado	no	centro	da	cadeira.	Desta	última	medida
deverá	ser	subtraído	o	peso	da	cadeira	(MARTINS,	2009).
A	cama-balança	e	a	maca-balança	são	indicadas	para	pacientes	acamados.	A
cama-balança	é	o	método	mais	prático	e	consiste	na	inserção	de	sensores	de	peso
na	cama	hospitalar	(MARTINS,	2009).
A	derivação	matemática	também	é	uma	forma	indireta	de	se	estimar	o	peso
corporal	(MARTINS,	2009).	Esta	requer	o	uso	de	equações	desenvolvidas
(CHUMLEA	et	al.,	1998	apud	MARTINS,	2009).	São	duas	equações,	uma
específica	para	homens	e	outra	para	mulheres,	como	pode	ser	verificado	a
seguir:
Mulheres:	Peso	Corporal	(kg)	=	(1,27	x	circunferência	de	panturrilha)	+	(0,87	x	altura	de	joelho)	+	(0,98	x	circunferência	de	braço)	+	(0,4	x	espessura	de	dobra	cutânea	subescapular)	–	62,35	Homens:	Peso	Corporal	(kg)	=	(0,98	x	circunferência	de	panturrilha)	+	(1,16	x	altura	de	joelho)	+	(1,73	x	circunferência	de	braço)	+	(0,37	x	espessura	de	dobra	cutânea	subescapular)	–	81,69
2.3.2	Mensuração	da	massa	corporal	em	crianças	menores	de	2	anos
Para	a	pesagem	de	crianças,	é	importante	que	se	tenha	um	local	adequado,	com
cores	e	detalhes	alegres,	além	de	brinquedos	e	móbiles	que	tornem	o	ambiente
lúdico	e	terapêutico,	pois	crianças	são	muito	sensíveis	às	mudanças	e
desconfiadas	com	pessoas	estranhas	ao	seu	convívio.
Assim,	o	ambiente	deve	ser	o	mais	familiar	e	acolhedor	possível,	para	quebrar	o
estranhamento	do	novo.	O	lugar	deve	dispor	de	temperatura	adequada	ou	ser
climatizado,	tendo	o	cuidado	para	não	haver	choque	térmico	ou	calafrio
(POTTER,	PERRY,	2009).
Em	crianças	menores	de	2	anos,	deve-se	retirar	a	roupa,	podendo	deixá-las	com
fralda	descartável	e	seca.	Uma	opção	é	pesá-las	desnudas(Figura	20),	para	não
ser	necessário	fazer	o	desconto	do	peso	da	fralda.	Não	deve	esquecer-se	de
colocar	um	tecido	leve	ou	papel	sobre	a	superfície	da	balança,	no	sentido	de
prevenir	infecção	cruzada	a	partir	de	urina	ou	fezes	(POTTER;	PERRY,	2009).
Pode-se	usar	uma	fralda	de	tecido	(algodão)	da	própria	criança	(ABESO,	2016).
Figura	20	-	Posição	da	criança	para	pesagem
Fonte:	os	autores
No	momento	de	se	colocar	a	criança	na	balança,	é	oportuno	que	se	faça	uma
inspeção	rápida	na	pele	e	no	seu	aspecto	geral,	aproveitando-se	dessa
oportunidade	para	verificar	a	higiene	e	a	integridade	da	pele.
Os	bebês	devem	ser	pesados	em	gramas.	O	procedimento	em	relação	à	balança
para	pesagem	de	bebê	não	é	diferente	com	relação	às	balanças	de	plataforma
mecânica	para	crianças	maiores	de	2	anos,	adolescentes	e	adultos.	A	conduta
deve	ser	a	mesma	para	aferir,	levando	em	consideração	a	calibragem	da	balança.
A	balança	infantil	possui	duas	réguas,	sendo	uma	anterior	e	outra	posterior.	Essas
réguas	também	possuem	escalas	graduadas.	A	régua	localizada	na	posição
posterior	é	representada	em	kg,	em	que	cada	ranhura	representa	1	kg,	perfazendo
um	total	de	15	kg.	Utiliza-se	o	cursor/massor	maior,	que	deve	ter	a	sua	extensão
posicionada	na	ranhura.
A	segunda	escala,	que	se	localiza	na	posição	anterior,	contém	o	cursor/massor
menor	e	é	representada	em	gramas,	com	escala	que	vai	de	0	a	1000	g,	dividida
em	traços	de	100	gramas.	Essa	régua,	somada	à	anterior,	perfaz	um	total	de	16
kg.
A	balança	infantil	(Figura	21)	destina-se	à	pesagem	de	bebês	e	crianças	menores
de	2	anos	e	com	massa	inferior	à	capacidade	da	balança.	Podem	ser	de
plataforma	mecânica	ou	plataforma	digital	com	prato	acolchoado	e	decoradas
com	motivos	infantis.
Figura	21	–	Balança	infantil
Fonte:	os	autores Fonte:	www.balmak.com.br.	Acesso	em:	2	fev.	2020
2.3.3	Mensuração	da	massa	corporal	em	balanças	com	bioimpedância
Em	relação	às	balanças	com	bioimpedância,	alguns	cuidados	são	recomendados
antes	de	usá-las,	para	maior	precisão	dos	resultados,	entre	eles:	estar	em	jejum,
não	consumir	álcool	48	horas	antes	do	teste,	não	realizar	exercício	de
intensidade	moderada	a	elevada	nas	12	horas	antes	da	avaliação,	não	efetuar	o
exame	na	presença	de	um	estado	febril	ou	de	desidratação;	não	utilizar	bijuterias
metálicas	ou	implantes	dentários	com	metal;	não	ingerir	café;	realizar	a
avaliação	com	roupa	de	banho	ou	roupas	íntimas	(ROCHA	et	al.,	2011,	p.1).
Em	seguida,	é	necessário	digitar	alguns	dados	pessoais,	como	sexo,	idade	e
altura.	Depois,	é	só	seguir	o	passo	a	passo	de	cada	fabricante,	para	não	correr	o
risco	de	mensurar	falsos	resultados.	Na	Figura	22,	a	seguir,	observa-se	a
descrição	da	técnica	de	mensuração	de	um	manual	de	instrução.
Figura	22	–	Orientações	do	manual	de	instrução:	como	utilizar	a	balança	de
bioimpedância	elétrica
Fonte:
https://site.omronbrasil.com/uploads/attachment/180e655c39164512d2ba7abbd8f70cefd75e6083HBF-
514C-pdf.pdf.	Acesso	em:	20	ago.	2020
Estudos	evidenciam	eficiência	do	método	de	bioimpedância	elétrica	em	diversas
condições	clínicas	como	desnutrição,	traumas,	pré	e	pós-operatório,	doenças
hepáticas,	insuficiência	renal	e	gestação;	entretanto,	em	crianças	e	atletas	e	em
quadros	de	hiper	hidratação,	o	valor	da	massa	magra	fica	superestimado.	Outras
condições	que	alteram	os	resultados	são:	posição	corporal,	prática	de	exercícios
físicos,	ingestão	dietética,	temperatura	da	pele	e	ciclo	menstrual.	Estudos
também	não	recomendam	o	uso	da	bioimpedância	em	pacientes	renais	crônicos
devido	às	variações	agudas	de	fluido	corporal	de	pacientes	em	diálise	(ROCHA
et	al.,	2011).
2.3.4	Valores	de	referência
Nas	crianças	e	nos	recém-nascidos,	as	medidas	antropométricas	são	ferramentas
essenciais	para	que	o	profissional	possa	atestar	o	crescimento	adequado.	Essa
avaliação	faz	parte	das	ações	básicas	de	saúde	no	acompanhamento	do
desenvolvimento	infantil.
As	curvas	de	crescimento	representam	padrões	de	crescimento	de	crianças
normais	e	representam	valiosos	instrumentos	de	avaliação	das	condições	de
saúde	da	população	infantil,	principalmente	quando	aplicadas	de	modo	adequado
pelos	profissionais	de	saúde.	Essas	curvas	foram	elaboradas	com	base	nos
estudos	com	indivíduos	considerados	normais,	obedecendo	aos	critérios	em
condições	ambientais	considerados	favoráveis	ao	desenvolvimento	de	seus
potenciais	de	crescimento	e	desenvolvimento.	Dentre	elas,	as	mais	evidentes	e
conhecidas	no	Brasil	são	as	curvas	de	crianças	americanas	publicadas
pelo	National	Center	for	Health	Statistics	(NCHS),	recomendadas	pela
Organização	Mundial	de	Saúde	(OMS),	e	as	de	Marcondes	et	al.	(1969),
elaboradas	com	crianças	de	Santo	André.	São	amplamente	utilizadas	para	avaliar
o	crescimento	pondero	estrutural,	ou	seja,	peso	x	estatura,	classificando	as
crianças	em	percentis	ou	escores	Z	(quantidade	de	desvios-padrões	acima	ou
abaixo	da	média)	(Quadro	3).
Quadro	3	–	Classificação	da	nutrição	de	crianças	e	adolescentes	baseada	no	IMC
para	idade	(escore	Z	e	percentil)
CONDIÇÃO MENORES	DE	5	ANOS 5	AOS	19ANOS
Magreza	acentuada Escore	Z	<	-3	percentil	<	0,1 Escore	Z	<	-3	percentil	<	0,1
Magreza Escore	Z	≥	-3	e	<-2	percentil	≥	0,1	e	<	3 Escore	Z	≥	-3	e	<-2	percentil	≥	0,1	e	<	3
Eutrófico Escore	Z	≥	-2	e	≤+1	Percentil	≥	3	e	≤	85 Escore	Z	≥	-2	e	≤+1	percentil	≥	3	e	≤	85
Risco	de	sobrepeso Escore	Z	>	+1	e	≤	+2	percentil	>	85	e	≤	97 -
Sobrepeso Escore	Z	>	+2	e	≤	+3	percentil	>	97	e	≤	99,9 Escore	Z	>	+1	e	≤	+2	percentil	>	85	e	≤	97
Obesidade Escore	Z	>	+3	percentil	>	99,9 Escore	Z	>	+2	e	≤+3	percentil	>	97	e	≤99,9
Obesidade	grave - Escore	Z	>	+3	percentil	>	99,9
Fonte:	Brasil	(2017)²
A	Associação	Brasileira	para	o	Estudo	da	Obesidade	e	da	Síndrome	Metabólica
destaca,	nas	Diretrizes	Brasileiras	de	Obesidade,	que	existem	gráficos	de	IMC
padronizados	para	a	faixa	etária	pediátrica,	considerando	que,	em	crianças,	o
IMC	também	varia	com	a	altura	e	com	a	idade,	não	sendo	recomendável	a	sua
aplicação	direta	(ABESO,	2016).
Levando-se	em	conta	as	diferenças	étnicas,	no	ano	de	2006,	a	OMS	lançou
novos	gráficos	de	avaliação,	com	base	em	pesquisas	realizadas	ao	longo	de	10
anos,	em	diferentes	regiões	geográficas	mundiais.	Brasil	(Pelotas)	–	que
representava	toda	a	América	Latina;	Ghana	(Accra);	Índia	(Nova	Délhi);
Noruega	(Oslo);	Oman	(Muscat);	Estados	Unidos	(Davis)	(WHO,	2006).
O	Brasil	adota	curvas	da	OMS	separadas	por	sexo,	disponíveis³	para	crianças	até
5	anos	(Figuras	23	e	24)	e	crianças	e	adolescentes	entre	5	e	19	anos	(Figuras	25	e
26).	Além	do	IMC	para	as	idades,	também	se	utilizam	curvas	de	peso	para	idade
e	peso	para	estatura.
Na	consulta,	após	a	averiguação	da	estatura	e	da	massa	do	paciente,	encaixam-se
essas	informações	nas	curvas	adequadas	e	faz-se	a	correta	interpretação	dos
dados,	segundo	os	valores	expressos	no	Quadro	3	(ABESO,	2016).	A	avaliação
do	estado	nutricional	de	crianças	deve	basear-se	nas	curvas	de	peso	por	idade,
peso	por	estatura,	IMC	por	idade	e	estatura	por	idade,	enquanto	a	de
adolescentes	envolve	apenas	os	indicadores	IMC	por	idade	e	estatura	por	idade.
Figura	23	–	Curva	de	IMC	da	OMS	para	meninas	de	0	a	5	anos
Figura	24	-	Curva	de	IMC	da	OMS	para	meninos	de	0	a	5	anos
Figura	25	–	Curva	de	IMC	da	OMS	para	meninos	de	5	a	19	anos
Figura	26	–	Curva	de	IMC	da	OMS	para	meninas	de	5	a	19	anos
Tendo	em	vista	a	adolescência	ser	uma	das	fases	mais	significativas	do	ciclo
vital,	o	excesso	de	gordura	corporal,	muitas	vezes	decorrente	do	estilo	de	vida
associado	a	um	conjunto	de	mudanças	metabólicas,	pode	resultar	em
dislipidemias,	hipertensão	arterial	e	hiperinsulinemia	–	fatores	de	risco	para	o
desenvolvimento	de	síndrome	metabólica	(PEREIRA	et	al.,	2010).
Para	a	classificação	de	sobrepeso	e	obesidade	em	adultos	no	Brasil,	adotaram-se
os	parâmetros	da	Organização	Mundial	da	Saúde	(OMS),	que	também
apresentam	as	mesmas	limitações,	com	relação	ao	IMC,	constatadas	pela
literatura	(ABESO,	2016).
No	entanto,	essa	classificação	apresenta	semelhante	correlação	com	as
comorbidades	e	risco	para	o	desenvolvimento	de	doenças.Logo,	como	a	técnica
do	IMC	contém	suas	limitações,	é	importante	que	se	agreguem	a	ela	outros
procedimentos	metodológicos	de	determinação	de	gordura,	principalmente	a
circunferência	da	cintura,	de	forma	conjunta,	considerando	que	o	IMC
isoladamente	não	fornece	maior	precisão	(ABESO,	2016).
Quadro	4	–	Classificação	internacional	de	peso	para	adultos	segundo	o	IMC
IMC	(kg/m²) CLASSIFICAÇÃO
<18.5 Baixo	peso
≥18.5	e	<25.0 Peso	adequado
≥25.0	e	<30.0 Sobrepeso
≥30.0 Obesidade
Fonte:	Abeso	(2016)
Os	dados	do	Quadro	4	apresentam	ressalvas,	pois	esses	pontos	de	corte	foram
estabelecidos	a	partir	de	estudos	realizados	com	amostras	predominantemente
caucasianas,	principalmente	europeias	e	americanas.	Assim,	quando	aplicado	a
populações	distintas,	o	indicador	pode	ter	seu	poder	discriminatório	reduzido
(CARROLL	et	al.,	2008).	Os	pontos	de	corte	de:	16.0	kg/m²	(baixo	peso	grave),
16.0-16.9	kg/m²	(baixo	peso	moderado)	e	17.0-18.4	kg/m²	(baixo	peso	leve)
também	fazem	parte	da	classificação	internacional,	mas	não	estão	expressos	na
tabela	proposta	pela	OMS	(ABESO,	2016).
Em	relação	aos	parâmetros	de	gordura	corporal	encontrados	pelo	método	da
bioimpedância,	alguns	estudos	sugerem	utilizar	a	tabela	de	referência	de
Gallagher	et	al.	(2000),	que	traz	associações	à	idade	(MAFFETONE;	RIVERA-
DOMINGUEZ;	LAURSEN,	2016),	revelando	que	valores	superiores	aos
indicados	no	Quadro	5	sugerem	maiores	riscos	à	saúde,	apesar	de	os	estudos
revelarem	a	ausência	de	um	consenso	na	definição	desses	parâmetros.
Quadro	5	–	Parâmetros	considerados	adequados	para	a	porcentagem	de	massa
corporal	em	adultos
Idade IMG	na	mulher IMG	no	homem
20	a	39	anos 32% 19%
40	a	59	anos 33% 21%
60-79	anos 35% 24%
Fonte:	estudos	de	Gallagher	et	al.	(2000)
Para	crianças	e	adolescentes,	a	Sociedade	Brasileira	de	Pediatria	sugere	usar	os
parâmetros	descritos	no	Quadro	6.
Quadro	6	–	Percentual	de	gordura	corporal	por	idade	e	sexo
Fonte:	Buchman	(1998	apud	SBP,	2012)
Os	manuais	de	algumas	balanças	de	bioimpedância	trazem	como	referência
também	Gallagher	et	al.(2000)	e	revelam	a	tabela	a	seguir	como	ponto	de
referência	para	a	realização	da	leitura	e	interpretação	dos	dados	obtidos	(Figura
27).
Figura	27–Parâmetros	de	porcentagem	de	gordura	corporal	adotados	por	alguns
fabricantes	da	balança	de	bioimpedância
Fonte:
https://site.omronbrasil.com/uploads/attachment/180e655c39164512d2ba7abbd8f70cefd75e6083HBF-
514C-pdf.pdf.	Acesso	em:	20	ago.	2020
Isso	porque	se	compreende	que	a	média	do	corpo	humano	possui	82%	de	massa
magra	e	18%	de	massa	gorda.	Valores	acima	desses	podem	ser	considerados	de
risco	para	algumas	doenças	(KNAZAWA	et	al.,	2002).
Considerações
Torna-se	evidente,	portanto,	a	importância	do	acompanhamento	dos	valores	de
massa	corporal,	uma	vez	que	são	preditórios	de	eventos	patológicos,
principalmente	cardiovasculares.	Para	isso,	a	antropometria	tem	seu	valor
comprovado,	em	virtude	da	facilidade	de	obtenção	dos	dados,	que	são	válidos	e
confiáveis,	desde	que	os	profissionais	responsáveis	tenham	treinamento
adequado,	sendo	capacitados	para	realizar	aferições	previstas	pelo	padrão
nacional	(GOMES;	ANJOS;	VASCONCELLOS,	2010).
Os	estudos	apontaram	também	que	os	fatores	de	risco	associados	ao	excesso	de
gordura	corporal,	como	sedentarismo,	distribuição	central	da	massa	adiposa,
tabagismo	e	etilismo,	são	pontos	em	que	o	profissional	de	saúde	deve	insistir	na
modificação,	pois	podem	ser	revertidos,	com	melhora	significativa	para	o
indivíduo,	demonstrando	a	importância	do	acompanhamento	clínico	e
nutricional	para	a	obtenção	de	melhorias	inequívocas	na	qualidade	de	vida	da
população	(REZENDE,	2006).
A	preocupação	pelo	padrão	de	distribuição	da	gordura	corporal	justifica-se	pela
associação	entre	complicações	decorrentes	de	disfunções	metabólicas	e
cardiovasculares	e	um	maior	acúmulo	de	gordura	na	região	central	do	corpo,
independentemente	da	idade	e	da	quantidade	total	de	gordura	corpórea
(THOMAS	et	al,	2004).
Assim,	é	preciso	considerar	a	Bioimpedância	ou	Impedância	Bioelétrica	como
método	prático	e	rápido	de	avaliar	a	composição	corporal,	permitindo	avaliar	a
quantidade	de	massa	magra,	de	água	corporal	e	de	gordura	contida	no	corpo,
indo	para	além	da	restrita	avaliação	do	IMC.
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CAPÍTULO	III
CIRCUNFERÊNCIAS	CORPORAIS:	MENSURAÇÃO	DO
PESCOÇO,	CINTURA,	ABDOME,	QUADRIL	E	CABEÇA
Yanna	Cristina	Moraes	Lira	Nascimento
Givânya	Bezerra	de	Melo
Fillipe	Donadio	Araújo
Patrícia	de	Carvalho	Nagliate
Tainá	Cardoso	Caminha	Uchôa
Ana	Carolina	Santana	Vieira
O	exame	físico	é	um	meio	de	investigação	que	não	pode	ser	negligenciado	na
clínica,	pois	é	determinante	no	direcionamento	da	conduta	propedêutica
caracterizada	por	procedimentos	que	ajudam	o	avaliador	a	levantar	dados	e
diagnósticos	iniciais.
Assim,	o	estudo	das	circunferências	corporais,	em	especial	da	cabeça,	do
pescoço,	da	cintura,	do	abdome	e	do	quadril,	é	imprescindível	à	prática	clínica,
porque	implica	na	utilização	de	parâmetros	para	identificar	possíveis	elementos
anômalos	que	o	corpo	humano	possa	apresentar.	Dessa	forma,	verificar	o
perímetro	craniocefálico	e	identificar	alterações	no	seu	desenvolvimento,	bem
como	estimar	valores,	em	centímetros,	da	gordura	acumulada	em	algumas
regiões	do	nosso	corpo	contribuem	para	o	profissional	investigar	outros	fatores
associados	que	podemsuscitar	em	processos	de	adoecimento.
Para	isso,	é	preciso	compreender,	inicialmente,	que	na	antropometria	a
circunferência	equivale	ao	perímetro	máximo	de	uma	região	do	corpo	quando
medido	em	ângulo	reto	sob	referência	de	seu	eixo	maior	e	corresponde	à	medida
de	espaços	preenchidos	por	estrutura	óssea,	gordura	corporal,	massa	livre	de
gordura,	vasos,	músculos	e	outros	tecidos.	São	consideradas	medidas	úteis
principalmente	no	acompanhamento	do	crescimento	e	podem	auxiliar	no
diagnóstico	do	estado	nutricional	(COSTA;	SICHIER,	1998).	Portanto,	verificar
a	medida	da	cabeça,	do	pescoço,	da	cintura,	do	abdome	e	do	quadril	requer	do
avaliador	conhecimentos	anátomo-fisiológicos	e	técnica	adequada	para	a
obtenção	precisa	dos	valores.
3.1	Fisiologia,	pontos	de	referência	anatômicos	e	alguns	estudos
A	importância	de	se	medir	as	circunferências	do	pescoço,	da	cintura,	do	abdome
e	do	quadril	está	diretamente	ligada	à	quantidade	de	tecido	adiposo	acumulado
em	algumas	regiões	corporais.	O	tecido	adiposo	exerce	um	papel	fundamental	no
metabolismo	glicídico	e	lipídico,	além	de	ser	um	dos	responsáveis	por	favorecer
a	homeostase	sistêmica.	É	composto,	em	grande	parte,	por	dois	tipos	de	gordura:
a	gordura	subcutânea,	localizada	na	hipoderme,	e	a	gordura	visceral,	localizada
na	cavidade	abdominal	e	no	mediastino	(KÜÇÜK	et	al.,	2016).
Uma	forma	de	avaliar	o	risco	que	estes	tipos	de	gorduras	trazem	para	o
funcionamento	adequado	do	coração	é	medindo	a	circunferência	de	regiões
como:	pescoço,	cintura,	abdome	e	quadril.	Ao	identificar	a	circunferência	do
pescoço	(CP),	é	possível	avaliar	o	acúmulo	de	gordura	subcutânea	que	confere
risco	cardiovascular,	uma	vez	que	a	gordura	subcutânea	guarda	correlação	direta
com	a	gordura	epicárdica,	rica	em	gordura	visceral,	responsável	por	modular
funções	locais	da	artéria	coronariana	(KÜÇÜK	et	al.,	2016).	Em	crianças	e
adolescentes	de	6	a	18	anos,	a	medida	do	pescoço	é	suficiente	para	determinar	a
quantidade	de	gordura,	o	nível	de	obesidade	(HATIPOGLU	et	al.,	2010;
JEEVANANDAM;	PRATHIBHA,	2018)	e	síndromes	metabólicas
(FORMIZANO	et	al.,	2016).	No	estudo	de	Filgueiras	et	al.	(2019),	a	CP
mostrou-se	capaz	de	determinar	a	adiposidade	central,	pois	identificou	o	excesso
de	gordura	androide	em	crianças.
Os	valores	da	CP,	quando	elevados,	podem	indicar	risco	de	pré-hipertensão	e
hipertensão	em	crianças,	jovens	e	adultos	(PREIS	et	al.,	2010;	NAFIU	et	al.,
2014;	LIANG	et	al.,	2015;	LI	et	al.,	2015;	FAN	et	al.,	2017;	MORADI	et	al.,
2018).	Contudo,	nos	indivíduos	idosos,	o	valor	da	CP	deve	ser	verificado,	pois
reduções	acentuadas	podem	indicar	desnutrição	ou	sarcopenia
(WAKABAYASHI,	MATSUSHIMA,	2016;	LARDIÉS-SANCHEZ	et	al.,	2019).
No	entanto,	há	restrições	no	uso	dessa	medida	como	indicadores	de	risco	para
essas	patologias	mencionadas	em	pessoas	com	o	aumento	da	CP	por	disfunção
tireoidiana	(ABESO,	2016).
No	cotidiano	clínico,	apesar	de	ser	uma	medida	pouco	usada/explorada,	a	CP
possui	fácil	acesso,	fácil	mensuração	e	avaliação,	pois	no	pescoço	há	pouca
variabilidade	de	espessura	e	formato	se	comparado	ao	abdome	no	período	pré	e
pós-prandial.	Além	disso,	o	pescoço	é	uma	região	socialmente	aceita,	por	não
causar	constrangimento	ao	paciente	no	momento	do	exame	(SILVA	et	al.,	2014;
FILGUEIRAS	et	al.,	2019).	Por	ser	uma	região	de	pouca	exploração,	os	valores
de	referência	da	CP	ainda	são	incipientes,	sendo	necessários	mais	estudos	para	se
estabelecer	padrões	internacionais	de	referência	(SILVA	et	al.,	2014).
A	região	anatômica	localizada	entre	o	tórax	e	a	pelve	é	o	abdome;	composta	por
músculos,	órgãos,	pele,	fáscia,	peritônio	e	gordura.	Diversos	estudos	(BROWN
et	al.,	2000;	BEN-NOUN;	SOHAR;	LAOR,	2001;	CREPALDI;	MAGGI,	2006;
PISCHON	et	al.,	2008;	FREITAS	et	al.,	2008;	LEUNG	et	al.,	2011;	ABDOLAHI
et	al.,	2014;	LAM	et	al.,	2015;	LUO	et	al.,	2016;	MANU;	CHANDNI;
DEVARAJAN,	2017;	MORAIS	et	al.,	2018;	SKOUFAS	et	al.,	2018)	indicam
relações	diretas	da	quantidade	de	gordura	concentrada	no	abdome	com	o
adoecimento	vascular,	principalmente	pela	quantidade	acumulada	de	gordura
visceral	depositada,	na	maioria	das	vezes,	na	região	da	cintura	(CERHAN	et	al.,
2014).	Essa	gordura	é	a	responsável	pela	produção	de	alguns	hormônios	que
alteram	a	circulação	e	os	processos	inflamatórios,	além	de	influenciar	na
resistência	à	insulina	e	no	surgimento	da	aterosclerose,	o	que	acaba	elevando	o
risco	de	doenças	cardiovasculares	(BARROS,	2016).
Há	estudos	que	identificam	correlações	entre	excesso	de	peso,	riscos
metabólicos	e	obesidade	abdominal	e	o	desenvolvimento	de	diabetes,	o	que
favorece	risco	duas	vezes	maior	para	o	surgimento	de	cardiopatias	(FORD,
2005;	ALBERTI	et	al.,	2009;	COSTA;	NASCIMENTO,	2014;	ORSIS;
MONTALVAN;	TETTAMANTI,	2019;	HOUA	et	al.,	2019).	A	associação	entre
obesidade	e	síndrome	metabólica	torna-se	ainda	mais	evidente	quando	a
adiposidade	apresenta	localização	abdominal	(PEREIRA,	2010;	AVALOS	et	al.,
2012;	SPOLIDORO	et	al.,	2013).
A	obesidade	abdominal	envolve	o	acúmulo	de	gordura	subcutânea	e	visceral	na
região	central	do	corpo.	A	adiposidade	visceral,	no	entanto,	é	apontada	como
potencialmente	mais	danosa,	pois	se	observou	que	os	adipócitos	viscerais	são
mais	ativos	e	favorecem,	portanto,	maior	liberação	de	ácidos	graxos	livres,	bem
como	maior	produção	de	adipocinas	pró-inflamatórias.	Desse	modo,	os	efeitos
consequentes	da	resistência	à	insulina	e	da	ação	das	adipocinas	são	mais
pronunciados	em	indivíduos	que	apresentam	obesidade	abdominal	(AHMAD;
IMAN,	2016).
Para	se	verificar	os	possíveis	riscos	que	o	acúmulo	de	gordura	pode	desencadear
nos	indivíduos,	é	necessário	identificar	o	valor	da	medida	de	circunferência	da
cintura	(CC),	uma	vez	que	ela	permite	uma	avaliação	aproximada	da	massa	de
gordura	intra-abdominal	e	da	gordura	total	do	corpo.	Além	disso,	a	CC	tem	sido
relatada	como	um	marcador	de	morbidade	relacionado	à	adiposidade	(CERHAN
et	al.,	2014),	bem	como	um	indicador	de	gordura	visceral	e,	assim,	de	fatores	de
risco	cardiometabólicos	(CRAWFORD	et	al.,	2014).	Estudos	recentes	relataram
que	a	CC	é	mais	sensível	que	outras	medidas	antropométricas	na	predição	de
aterogenicidade	relacionada	à	obesidade	em	crianças	(ELKIRAN	et	al.,	2013;
MELO	et	al.,	2014;	VITOLO,	2015;	AL-DOMI;	AL-SHORMAN,	2019).
No	entanto,	os	pontos	de	referência	determinantes	de	risco	para	a	saúde	variam
de	acordo	com	a	etnia	(FERNANDEZ	et	al.,	2004;	MISRA;	WASIR;	VIKRAM,
2005;	LEAR	et	al.,	2010).	Além	disso,	Santos	e	colaboradores	(2018)	mostraram
que	faixa	etária,	massa	corporal,	estatura,	IMC,	porcentagem	de	gordura,
circunferência	do	quadril	e	do	braço	são	fatores	preditores	de	alteração	na
circunferência	da	cintura.
Há	estudos	que	têm	observado	forte	relação	da	variação	da	circunferência	da
cintura	na	mulher	com	a	fase	do	ciclo	menstrual,	principalmente	na	fase	lútea	ou
pré-menstrual,	uma	vez	que	há	maior	elevação	nos	níveis	de	progesterona	e
consequente	retenção	hídrica.	Contudo,	a	influência	do	peso	e	do	IMC	nessa	fase
do	ciclo	menstrual	não	tem	apresentado	alterações	significativas
(FRANCOVICH;	LEBRUN,	2000;	TOMAZO-RAVNIK;	JAKOPIČ;	2006;
OLIVEIRA	et	al.,	2013).	No	entanto,	pesquisas	vêm	identificando	que	a
circunferência	da	cintura	tem	sido	um	determinante	para	prever	distúrbios	no
ciclo	menstrual	(RTAMAGUSTINI;	PURWANTO;	DHARMAYANTI,	2018;
RAD;	SABZEVARY;	DEHNAVI,	2018).
Em	relação	à	circunferência	da	cabeça,	mais	popularmente	conhecida	como
perímetro	cefálico,	a	importância	de	sua	medição	não	está	relacionada	ao	grau	de
adiposidade	corporal,	e	sim	ao	crescimento	e	ao	desenvolvimento	infantil
(SEREGNI;	PARKER,	2018)	e,	por	este	motivo,	será	explorada	no	texto	após	as
circunferências	do	pescoço,	cintura,	abdome	e	quadril.	Essa	medida	associa-se
ao	volume	encefálico	e	líquido	cefalorraquidiano;	um	edema	acentuado	nesta
região	aumenta	consideravelmente	os	valores	encontrados,	distanciando-se	dos
padrões	de	referência	mais	comumente	encontrados	(FANAROFF;	FANAROFF,
2015).
O	crescimento	e	o	desenvolvimento	infantil	se	iniciam	no	período	intrauterino,
sob	influência	de	diversos	fatores	maternos,como	idade	e	massa	corporal,	que,
se	abaixo	dos	valores	de	normalidade	e	hábitos	não	saudáveis,	como	o	uso	de
tabaco	durante	a	gestação,	acarretam	alterações	metabólicas	e	baixo	provimento
de	nutrientes	ao	feto	que	poderão	desencadear	efeitos	adversos	futuros	no
desenvolvimento	neuropsicológico	da	criança	(VICTORA	et	al.,	2008;	ÁLAMO-
JUNQUEIRA	et	al.,	2015).	As	influências	socioeconômicas	na	vida	após	o
nascimento	também	devem	ser	levadas	em	consideração,	principalmente	quando
estão	relacionadas	à	restrição	dos	nutrientes	necessários	para	o	desenvolvimento
infantil	(BLACK	et	al.,	2008).
Entretanto,	parece	que	o	perímetro	cefálico	de	recém-nascidos	é	pouco
comprometido,	mesmo	quando	submetido	a	situações	de	restrição	alimentar,	pois
o	metabolismo	do	feto,	para	adaptar-se	à	situação	de	restrição,	poupa	o	cérebro,
diminuindo	a	taxa	de	perfusão	de	sangue	no	fígado,	a	fim	de	direcioná-lo	ao
cérebro	–	o	que	pode	acarretar	menor	acúmulo	de	gordura	do	que	propriamente
um	menor	perímetro	cefálico.	Todavia,	observam-se	alterações	na	razão
peso/perímetro	cefálico	quando	submetidas	a	essas	restrições,	tornando-se
importante	indicador	do	crescimento	fetal	(GONÇALVES	et	al.,	2015).
Embora	tenha	sido	demonstrada	uma	estreita	relação	entre	a	circunferência	da
cabeça	e	o	volume	cerebral	em	lactentes	e	crianças	jovens	(BARTHOLOMEUS;
COURCHESNE;	KARNS,	2002;	LAMPL;	JOHNSON,	2011),	as	diferenças	nos
padrões	de	crescimento	para	as	medidas	da	circunferência	da	cabeça	e	do	peso
do	cérebro	têm	sido	notadas	há	muito	tempo	(LAMPL;	JOHNSON,	2011).
O	perímetro	cefálico	pode	ser	um	pouco	menor	em	função	da	modelagem	do
crânio	do	feto	durante	o	trabalho	de	parto;	por	volta	do	terceiro	dia,	o	crânio
volta	ao	seu	estado	normal	(WILSON;	HOCKENBERRY,	2014).	No	entanto,
após	7	dias	do	nascimento	da	criança,	o	perímetro	cefálico	volta	a	aumentar.
Esse	fato	talvez	indique	que	o	crescimento	cerebral	esteja	preservado	(VILLELA
et	al.,	2015).	Contudo,	há	estudos	que	pontuam	que	o	rápido	crescimento	da
circunferência	da	cabeça	durante	a	infância	pode	ser	precursor	de	patologias	do
desenvolvimento,	incluindo	autismo	(COURCHESNE;	CARPER;
AKSHOOMOFF,	2003;	FUKOMOTO	et	al.,	2008;	SCHUMANN	et	al.,	2010;
WEI	et	al.,	2018).
Além	de	se	avaliar	o	desenvolvimento	infantil,	a	medição	precisa	do	perímetro
cefálico	é	um	aspecto	importante	dentro	do	exame	físico,	uma	vez	que	é	possível
perceber	cabeças	anatomicamente	grandes	ou	pequenas,	que	podem	apontar	para
alguma	neuropatia	subjacente	(FANAROFF;	FANAROFF,	2015).
Os	estudos	ainda	reforçam	que	essa	medida	deve	ser	observada	em	crianças
maiores,	pois	aquelas	que	sofreram	desnutrição	nos	dois	primeiros	anos	de	vida
também	podem	mostrar	prejuízos	no	desenvolvimento	neuromotor.	Ainda	mais,
o	perímetro	cefálico	menor	também	é	fator	de	risco	para	instalação	precoce	da
doença	de	Alzheimer	em	adultos	predispostos.	Há	evidências	de	maiores	riscos
para	o	desenvolvimento	da	esquizofrenia	em	pessoas	com	menores
circunferências	de	cabeça	ao	nascer	(CANTOR-GRAAE;	ISMAIL;	MCNEIL,
1998;	HULTMAN	et	al.,	1997;	BROWN	et	al.,	2000).	Sendo	assim,	a	medida	do
perímetro	cefálico	deve	constar	em	estudos	de	avaliação	de	saúde	e	nutrição
populacionais,	ao	lado	de	outras	medidas	antropométricas	comumente	usadas
(MACCHIAVERNI;	BARROS	FILHO,	1998).
3.2	Instrumentos	utilizados
Para	avaliar	circunferências	corporais,	deve-se	utilizar	fita	antropométrica
graduada	em	centímetros,	feita	de	material	flexível,	resistente	e	inelástica
(Figura	28).	O	Ministério	da	Saúde	orienta	evitar	o	uso	da	fita	comum	de
costura,	diante	da	possibilidade	de	desgaste,	que	tende	a	esgarçá-la	com	o	tempo,
podendo	dar	falsos	resultados	(BRASIL,	2011).
Figura	28	–	Fita	antropométrica	utilizada	para	medições	das	circunferências
corporais
Fonte:	os	autores
3.3	Técnica	de	mensuração
O	cumprimento	dos	protocolos	de	aferição	de	medidas	antropométricas	é	uma
etapa	de	extrema	importância	na	utilização	e	interpretação	desses	indicadores,
tendo	em	vista	a	necessidade	de	se	reduzir	os	erros	potenciais	na	obtenção	dessas
medidas	(WHO,	2008).
É	importante	frisar	que,	em	todas	as	aferições	a	seguir,	a	fita	deve	estar
posicionada	rente	ao	corpo,	mas	não	deve	ser	aplicada	força	no	sentido	de
constringir	os	tecidos	(WHO,	2008).
Antes	de	iniciar	a	medição,	solicite	à	pessoa	despir	a	região,	caso	esteja	com
uma	vestimenta	que	impossibilite	a	verificação	(como	vestido,	macacões,
cachecóis,	golas	de	camisas).	O	adequado	é	pedir	que	troque	de	roupa.	Também
observe	o	estado	da	fita	métrica	quanto	ao	desgaste	e	à	limpeza	do	material.
Lave	as	mãos	e	esclareça	o	procedimento	que	será	realizado,	bem	como	sua
finalidade.
Logo	após,	execute	as	etapas	seguintes:
3.3.1	Para	aferição	da	circunferência	do	pescoço
Deve	ser	verificada	com	a	pessoa	em	posição	ereta,	com	o	olhar	voltado	para
frente;
O	avaliador	deve	se	posicionar	lateralmente	à	pessoa	avaliada;
Posicionar	a	fita	métrica	na	região	do	pescoço,	especificamente	logo	abaixo	da
epiglote	(MAGALHÃES;	BARROS,	2013),	na	altura	da	cartilagem
cricotireoidea	(FRIZON;	BOSCAINI,	2013).	Nos	homens,	verifica-se	logo
abaixo	do	pomo	de	Adão	(proeminência	da	cartilagem	tireoide)	(PEREIRA	et
al.,	2014;	FRIZON;	BOSCAINI,	2013)	(Figuras	29	e	30).
Observar	os	valores	e	anotar.
Figuras	29	e	30	–	Aferição	da	circunferência	do	pescoço
Fonte:	respectivamente:	os	autores	e:
http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/31887/1/JoaoRMAidos.pdf.	Acesso	em:
21	ago.	2020
3.3.2	Para	aferição	da	circunferência	da	cintura
A	pessoa	deve	estar	de	pé,	ereta,	com	o	abdome	relaxado,	braços	estendidos	nas
laterais	do	corpo	(WHO,	2008)	e	com	as	pernas	paralelas,	ligeiramente
separadas;
O	avaliador	deve	se	posicionar	ao	lado	da	pessoa,	de	modo	que	não	a	deixe
constrangida	durante	a	aferição;
A	roupa	deve	ser	afastada,	deixando	a	região	da	cintura	despida.	Não	verificar
sobre	a	roupa	ou	cinto;
Solicitará	pessoa	que	inspire	profundamente	e	segure	a	respiração	por	alguns
segundos,	até	que	o	avaliador	palpe	para	identificar	a	10ª	costela	(última	costela
fixa)	e	localizar	a	crista	ilíaca,	a	fim	de	definir	o	ponto	médio	entre	essas	duas
regiões	–	é	nesse	local	que	será	realizada	a	aferição	(Figura	31);
Fazer	uma	pequena	marcação	com	caneta	neste	ponto	médio;
O	avaliador	deve	segurar	o	ponto	zero	da	fita	métrica	com	uma	mão	e	com	a
outra	passar	a	fita	ao	redor	da	cintura	sobre	a	marcação	realizada;
Deve-se	verificar	se	a	fita	está	nivelada	em	todas	as	partes	da	cintura,	não
devendo	estar	folgada	ou	apertada;
Pedir	à	pessoa	que	respire	profundamente,	observando	sua	expiração;
Realizar	a	leitura	antes	que	a	pessoa	inspire	novamente;
Retirar	a	fita	e	fazer	as	anotações	necessárias.
Figura	31	–	Aferição	da	circunferência	da	cintura,	após	identificação	do	ponto
médio	entre	a	10ª	costela	e	a	crista	ilíaca
Fonte:	os	autores
No	caso	de	aferição	desta	circunferência	em	neonatos,	diante	da	presença	do
coto	umbilical,	deve-se	posicionar	a	fita	métrica	acima	do	nível	do	umbigo,
nunca	abaixo,	porque	o	enchimento	da	bexiga	pode	influenciar	os	resultados
(WILSON;	HOCKENBERRY,	2014).
3.3.3	Para	aferição	da	circunferência	do	abdome
Antes	de	iniciar	a	medição,	deve-se	lembrar	de	que	os	mesmos	cuidados
descritos	para	a	circunferência	da	cintura	também	são	necessários	para	as	demais
medições.	Em	seguida:
A	pessoa	deve	estar	de	pé,	ereta,	com	o	abdome	relaxado,	braços	estendidos	nas
laterais	do	corpo	(WHO,	2008)	e	as	pernas	paralelas,	ligeiramente	separadas;
Passar	a	fita	métrica	em	volta	do	ponto	de	maior	volume	da	região	abdominal
(ou	cicatriz	umbilical);
Fazer	a	leitura	quando	a	pessoa	finalizar	a	expiração.
Estudos	mencionados	pela	Organização	Mundial	da	Saúde	indicam	que	as
medidas	da	circunferência	da	cintura	feitas	ao	nível	do	umbigo,	consideradas,
neste	capítulo,	como	circunferências	do	abdome,	podem	subestimar	a
circunferência	da	cintura	verdadeira	(WHO,	2008).
3.3.4	Para	aferição	da	circunferência	do	quadril
A	pessoa	deve	se	manter	em	pé,	com	os	pés	unidos	e	os	músculos	glúteos
relaxados;
Passar	a	fita	métrica	no	pontode	maior	protuberância	da	região	glútea	–	que,	em
geral,	coincide	com	a	altura	da	sínfise	púbica	anterior	e	trocânter.	Este	perímetro
também	é	denominado	de	perímetro	glúteo	(LOPES;	RIBEIRO,	2014)	(Figuras
32	e	33).
Verificar	os	valores	e	anotar.
Figuras	32	e	33	–	Aferição	da	circunferência	do	quadril
Fonte:	os	autores.
3.3.5	Para	aferição	da	circunferência	da	cabeça
Acalmar	a	criança,	posicioná-la	em	decúbito	dorsal	(crianças	menores	de	2	anos)
ou	sentada	(crianças	maiores	de	2	anos);
Explicar	o	procedimento	que	irá	realizar;
Ajustar	a	fita	métrica	na	região	frontal,	na	altura	supraorbitária	(acima	das
sobrancelhas)	e,	posteriormente,	na	proeminência	occipital	(Figura	34);
Observar	os	valores,	registrando-os	na	curva	de	perímetro	cefálico,	a	fim	de
acompanhar	a	evolução	de	crescimento	(VILLELA	et	al.,	2015).
Figura	34	–	Aferição	da	circunferência	da	cabeça
Fonte:	os	autores
O	perímetro	cefálico	deve	ser	observado	nos	dois	primeiros	anos	de	vida,	em
toda	consulta,	para	acompanhar	o	índice	de	crescimento	da	criança.
3.4	Valores	de	referência
Pesquisas	apontam	que	pode	haver	diferenças	nos	padrões	de	referência	para	o
risco	de	doenças	em	relação	ao	acúmulo	de	gordura	em	diferentes	grupos,	de
acordo	com	raça,	idade	e	sexo.	As	referências	retratam	muitas	pesquisas
europeias	e	norte-americanas,	carecendo	de	estudos	brasileiros	neste	âmbito,
pois,	embora	alguns	estudos	tenham	sido	realizados,	o	material	encontrado	até	o
momento	ainda	é	insuficiente	para	se	estabelecer	um	banco	de	dados	consistente
para	se	utilizar	como	padrão	nacional.
3.4.1	Circunferência	do	pescoço
Em	adultos,	os	valores	de	referência	limítrofes	para	o	padrão	de	normalidade
seriam:	para	homens,	circunferência	do	pescoço	menor	que	37	cm;	para
mulheres,	menor	que	34	cm	–	padrões	equivalentes	a	um	IMC	menor	ou	igual	a
25	Kg/m²,	ou	seja,	dentro	dos	padrões	de	normalidade	(BEN-NOUN;	LAOR,
2003;	FRIZON;	BOSCAINI,	2013).	Acima	desses	valores,	há	correlações
comprovadas	por	estudos	com	riscos	cardiometabólicos	(PREIS	et	al.,	2010;
ZANUNCIO	et	al.,	2017).	Pescoço	com	circunferência	≥	39,5cm	para	homens	e
≥	36,5	cm	para	mulheres	equivalem	a	um	IMC	≥	30	kg/m²,	o	que	já	se
caracteriza	como	obesidade	(BEN-NOUN;	SOHAR;	LAOR,	2001).
No	entanto,	na	população	brasileira,	ainda	há	restrição	quanto	ao	uso	desse
marcador	antropométrico,	pela	falta	de	padronização	dos	pontos	de	corte,	apesar
de	a	Sociedade	Brasileira	de	Diabetes	sugerir	os	seguintes	estudos	como
referências	para	verificar	resistência	à	insulina,	inclusive	em	adolescentes
(Figura	35):
Figura	35	–	Pontos	de	corte	da	Circunferência	do	Pescoço	(CP)	para	resistência	à
insulina,	em	diferentes	faixas	etárias,	obtidos	de	estudos	brasileiros
*	CP:	circunferência	do	pescoço;	HOMA	IR:	modelo	matemático	de	avaliação
da	homeostase	para	resistência	à	insulina.
Fonte:	Egídio	(2017)
Em	relação	às	medidas	infanto-juvenis,	existem	poucos	estudos	que	definem
valores	de	referência	nessas	faixas	etárias	com	amostras	representativas	para	a
idade	para	outros	diagnósticos,	o	que	dificulta	o	estabelecimento	de	marcos
definitivos	(MORAIS	et	al.,	2018).	Santos	e	colaboradores	(2018)	avaliaram
medidas	de	circunferência	de	pescoço,	abdome	e	braço,	IMC	e	porcentagem	de
gordura	e	puderam	elaborar	pontos	de	corte	para	identificação	de	sobrepeso,	de
acordo	com	o	estadiamento	puberal,	em	adolescentes	brasileiros	de	10	a	15	anos.
Nesse	estudo,	os	meninos	apresentaram	ponto	de	corte	da	circunferência	de
pescoço	maior	que	o	das	meninas,	que	varia	de	30,8	a	31,8	cm	para	eles	e	29,4	a
30,5	cm	para	elas,	mostrando	também	uma	correlação	entre	uma	circunferência
de	cintura	elevada	e	o	aumento	na	circunferência	do	pescoço	(SANTOS	et	al.,
2018).
Pesquisa	com	esse	público,	realizada	na	China,	afirma	correlações	entre
circunferência	do	pescoço	e	pressão	arterial,	evidenciando	que	a	maior	medida
do	pescoço	se	associou	a	um	maior	risco	de	pré-hipertensão	(GUO	et	al.,	2012).
3.4.2	Circunferência	da	cintura	e	do	abdome
Apesar	de	os	estudos	utilizarem	definições	e	técnicas	de	mensuração	distintas
para	cintura	e	abdome,	não	se	pode	deixar	de	citar	que	muitos	pesquisadores
consideram	essas	circunferências	semelhantes,	com	variações	pouco
significativas,	recomendando-se,	assim,	o	uso	dos	mesmos	padrões	de
referência,	ou	pontos	de	corte,	para	ambas.
Essas	circunferências	sofrem	alterações,	a	depender	de	fatores	como	sexo	e
etnia.	Segundo	a	Associação	Brasileira	para	o	Estudo	da	Obesidade	e	da
Síndrome	Metabólica,	a	medida	da	circunferência	abdominal	reflete	melhor	o
conteúdo	de	gordura	visceral	que	propriamente	a	relação	cintura-quadril	e	está
bastante	associada	à	gordura	corporal	total	(ABESO,	2016).
A	ABESO	determina,	em	suas	diretrizes,	os	seguintes	pontos	de	corte,	de	acordo
com	a	International	Diabetes	Federation	(IDF,	2008),	para	o	risco	de	síndrome
metabólica:
Figura	36	–	Valores	de	CC	para	diagnósticos	de	síndrome	metabólica	em	homens
e	mulheres	segundo	a	etnia
Europídeos:	≥	94	cm	(homens);	≥	80	cm	(mulheres).	Sul-africano,	Mediterrâneo	Ocidental	e	Oriente	Médio:	idem	a	Europídeos.	Sul-asiáticos	e	Chineses:	≥	90	cm	(homens);	≥	80	cm	(mulheres).	Japoneses:	≥	90	cm	(homens);	≥	85	cm	(mulheres).	Sul-americanos	e	América	Central:	usar	referências	dos	Sul-asiáticos.
Fonte:	Abeso	(2016)
Também	existe	outro	parâmetro	de	valores	para	a	circunferência	da	cintura	em
adultos,	estabelecido	pela	National	Cholesterol	Education	Program-Adult
Treatment	Panel	III	(ATPIII),	apontando	CC	iguais	ou	superiores	a	102	cm	para
homens	e	88	cm	para	mulheres	como	indicadores	de	riscos	cardiovasculares
(WHO,	2000).
É	importante	esclarecer	que	a	OMS	ressalta	a	importância	de	se	estabelecer
pontos	de	corte	específicos	por	sexo	para	diferentes	populações,	visto	que	os
limites	acima	foram	associados	ao	risco	de	complicações	cardiovasculares	em
populações	caucasianas.	Portanto,	a	organização	estabelece	que	esses	parâmetros
sejam	utilizados	como	um	exemplo,	e	não	como	uma	recomendação	(WHO,
2008).
Diante	dessas	divergências	literárias	referentes	ao	ponto	de	corte,	a	OMS	orienta
que	se	sigam	as	referências	da	IDF	como	risco	aumentado	e	as	referências	da
ATPIII	como	risco	muito	elevado.	Mulheres	com	IMC	normal	e	circunferência
abdominal	acima	de	88	cm	apresentaram	o	dobro	da	prevalência	de
desenvolverem	hipertensão	arterial	em	relação	àquelas	com	valores	abaixo	deste
(HASSELMAN	et	al.,	2008).
Em	crianças	e	adolescentes,	os	pontos	de	corte	na	maioria	dos	estudos	estão
balizados	em	idade,	sexo	e	etnia,	sendo	observados	em	escalas	de	percentil.
Estudos	internacionais	apontam	vários	percentis,	entre	eles	o	de	90	de	cintura
como	indicador	de	alterações	metabólicas	em	crianças	de	5	a	17	anos
(FREEDMAN	et	al.,	1999);	o	percentil	80	como	ponto	de	corte	para	identificar
excesso	de	gordura	na	região	do	tronco	em	crianças	de	3	a	19	anos	(TAYLOR	et
al.,	2000).
os	percentis	85	e	95	para	identificar	sobrepeso	e	obesidade	respectivamente	em
crianças	de	5	a	17	anos	(MCCARTHY,	JARRETT,	CRAWLEY,	2001;
MCCARTHY;	ASHWELL,	2006)	e	percentis	75,	90	e	95	de	cintura	para
classificar	adiposidade	abdominal	em	adolescentes	de	13	a	18	anos	(MORENO
et	al.,	2007),	sendo	os	referenciais	de	percentis	definidos	por	McCarthy	e
Ashwell,	o	que	demonstrou	maior	sensibilidade	para	identificar	excesso	de
gordura	abdominal,	e	o	de	Freedman	et	al.	para	identificar	alterações
metabólicas	(PEREIRA	et	al.,	2010).
Também	surge	outra	tabela	(Figura	37)	que	vem	sendo	bastante	utilizada	e	que
define	os	percentis	acima	de	75	em	crianças	e	adolescentes	de	2	a	18	anos	como
predispostos	a	riscos	cardiovasculares,	hiperinsulinemia	e	diabetes
(FERNANDEZ	et	al.,	2004).
Figura	37	–	Pontos	de	corte	para	circunferência	da	cintura	de	crianças	e
adolescentes	como	indicadores	de	risco	cardiovascular,	hiperinsulinemia	e
diabetes
Fonte:	Fernandez	et	al.	(2004)
Apesar	de	os	estudos	colaborarem	com	informações	relevantes,	ainda	não	se	tem
consensos	de	pontos	de	corte	apropriados	ao	grupo	de	crianças	e	adolescentes
padronizados	internacionalmente.	Observam-se	percentis	dessamedida	mais
altos	em	adolescentes	americanos,	confirmando-se	diferenças	nos	padrões	de
referência	em	relação	à	etnia,	além	das	encontradas	quanto	à	idade	e	ao	sexo
(PEREIRA	et	al.,	2010),	enquanto	meninos	afro-americanos	possuem	valores	de
circunferência	da	cintura	menores	quando	comparados	a	meninos	de	outros
grupos	étnicos,	como	europeus	e	mexicanos	(FERNANDEZ	et	al.,	2004).
Sendo	assim,	recomenda-se	a	utilização	de	escalas	de	percentis	de	IMC	para
determinar	algum	tipo	de	comorbidade.	Contudo,	para	fins	de	consultas	rápidas,
sugere-se	utilizar	alguma	tabela	de	percentil	evidenciada	pelos	estudos	para	se
adquirir	estimativas	sugestivas	de	riscos	que	necessite	de	maior	investigação.
Neste	livro,	destacou-se	uma	das	tabelas	de	referência	para	circunferência	da
cintura	definidas	por	Fernandez	et	al.	(2004),	por	ter	sugerido	uma	escala	média
baseada	em	disparidades	étnicas,	de	sexo	e	de	idade	(Figura	37).
Entretanto,	em	adolescentes	brasileiros,	os	pontos	de	corte	de	circunferência	da
cintura	relacionados	ao	estadiamento	puberal	revelaram	valores	inferiores	aos
adotados	pela	Diretriz	da	IDF,	de	90	cm	para	adolescentes	do	sexo	masculino	e
80	cm	para	adolescentes	do	sexo	feminino	maiores	de	16	anos,	sendo	possível
inferir	que	os	pontos	de	corte	que	relacionam	apenas	idade,	sem	considerar	a
etnia	e	o	estadiamento	puberal,	podem	subestimar	um	possível	risco	nutricional	e
de	doenças	cardiometabólicas	(SANTOS	et	al.,	2018).	O	que	também	se	percebe
nas	diretrizes	adotadas	pela	Sociedade	Brasileira	de	Diabetes	(2017),	que	destaca
pontos	de	corte	como	indicadores	para	resistência	à	insulina	considerando
gênero	e	faixa	etária	diferentes	dos	definidos	pela	IDF	(Figura	38).
Figura	38	–	Pontos	de	corte	da	circunferência	da	cintura	para	resistência	à
insulina	em	diferentes	faixas	etárias,	obtidos	de	estudos	brasileiros
*CC:	circunferência	da	cintura;	HOMA	IR:	modelo	matemático	de	avaliação	da
homeostase	para	resistência	à	insulina.
Fonte:	SBD	(2017)
Para	crianças	menores,	principalmente	neonatos,	a	circunferência	da	cintura	não
é	uma	medida	rotineiramente	observada,	a	menos	que	a	criança	apresente
distensão	abdominal	e	o	examinador	queira	investigar	melhor	suas	causas
durante	um	determinado	tempo	(WILSON;	HOCKENBERRY,	2014).
No	que	se	refere	a	estudos	na	infância,	evidenciou-se	que	as	crianças	brasileiras
possuem	abdomes	maiores,	o	que	reflete	em	modificações	nas	referências
padrões	(NUNES	et	al.,	2008).
3.4.3	Circunferência	do	quadril
A	circunferência	do	quadril	é	utilizada,	principalmente,	para	calcular	a	relação
cintura-quadril,	tendo	sua	aplicabilidade	reduzida	quando	empregada	de	forma
isolada,	considerando-se	que	os	estudos	não	têm	destacado	valores	de	referência
para	esse	parâmetro.
Ainda	assim,	alguns	estudos	apontam	correlação	desse	indicador	com	riscos	à
saúde.	Pesquisa	realizada	em	estudantes	de	escolas	públicas	da	cidade	de	São
Paulo	mostra	que,	entre	adolescentes	de	13	a	15	anos,	os	meninos	possuem
menores	valores	de	circunferência	do	quadril,	IMC	e	Índice	de	Gordura	Corporal
em	relação	a	meninas	da	mesma	faixa	etária	(FRIGNANI	et	al.,	2015).
Outra	pesquisa	em	escolares	realizada	em	Porto	Alegre	evidenciou	que	a
circunferência	do	quadril	apresenta	correlação	com	valores	pressóricos
(SCHOMMER	et	al.,	2014).	No	entanto,	as	pesquisas	não	destacam	ponto	de
corte	para	a	circunferência	do	quadril	de	maneira	isolada.	As	referências	estão
sempre	associadas	à	relação	cintura-quadril.
3.4.4	Relação	cintura-quadril	(RCQ)
Atualmente,	a	relação	cintura-quadril	não	está	sendo	muito	utilizada	por
questões	eminentemente	práticas,	pois	a	circunferência	da	cintura	vem	se
associando	mais	intensamente	à	gordura	corporal	do	que	propriamente	a	esta
relação	cintura-quadril	na	estratificação	do	risco	(BRANDÃO;	AMODEO;
NOBRE,	2012).
No	entanto,	ao	verificar	essa	relação,	o	profissional	avaliará	a	distribuição	da
gordura	corporal	como	fator	de	risco	à	saúde	(ABESO,	2016).	É	importante
destacar	que,	na	obesidade	androide,	há	um	maior	acúmulo	de	gordura,
principalmente	na	região	abdominal,	enquanto	na	obesidade	ginoide	há	maior
acúmulo	nos	quadris	e	nas	coxas,	o	que	tem	justificado	o	uso	desta	relação,
calculada	com	a	seguinte	equação:
Relação	cintura-quadril	(RCQ)	=	CC/CQ
CC	=	circunferência	da	cintura;	CQ	=	circunferência	do	quadril
Considera-se	risco	aumentado	de	doenças	relacionadas	à	obesidade	um	RCQ>
0,90	para	homens	e	>0,85	para	mulheres	(WHO,	2000).
Os	estudos	apontam	que	essa	relação	não	é	muito	adequada	para	crianças	e
adolescentes,	devido	às	modificações	constantes	das	fases	de	crescimento,	sendo
mais	indicada	a	utilização	do	IMC	para	detecção	de	risco	nessa	faixa	etária.
No	contexto	de	monitoramento,	não	é	recomendada	a	aplicação	da	RCQ,	pois,
em	situação	de	ganho	ou	perda	de	massa	corporal,	tanto	a	circunferência	do
quadril	quanto	a	da	cintura	podem	sofrer	alterações	e,	assim,	a	relação	em	si	não
apresentaria	modificações	significativas	(ASHWELL;	HSIEH,	2005).
3.4.5	Relação	cintura-estatura	(RCEst)
Outro	indicador	antropométrico	para	obesidade	abdominal	é	a	relação	cintura-
estatura	(RCEst).	Por	ser	um	índice	mais	recente,	sua	utilização	nos	serviços	de
saúde	ainda	não	é	muito	difundida.	No	entanto,	diversos	estudos	vêm	apontando
que	a	RCEst	se	correlaciona	de	maneira	mais	forte	com	hipertensão,	diabetes	e
dislipidemias	quando	comparada	com	a	circunferência	da	cintura,	a	RCQ	e	ao
IMC	(LEE	et	al.,	2008).
Esse	índice	é	obtido	por	meio	da	razão	entre	circunferência	da	cintura	(cm)	e
estatura	(cm):
RCEst	=	Circunferência	da	cintura	(cm)
Estatura	(cm)
A	RCEst	forneceria	noção	mais	apropriada	de	proporcionalidade	corporal	por
incorporar	a	estatura	em	seu	cálculo,	conferindo,	assim,	melhor	percepção	sobre
o	acúmulo	de	gordura	da	região	central	do	corpo	(MCCARTHY;	ASHWELL,
2006).
Apesar	de	não	existir	consenso	quanto	ao	ponto	de	corte,	alguns	pesquisadores
propõem	a	universalização	da	RCEst	≥	0.5	para	identificação	de	riscos	à	saúde,
independentemente	de	sexo,	etnias,	nacionalidade	e	até	mesmo	idade
(BROWNING;	HSIEH;	ASHWELL,	2010).
Entretanto,	estudos	realizados	no	Brasil	observaram	pontos	de	corte	mais
acurados	para	identificação	do	risco	para	hipertensão.	Silva	e	colaboradores
(2013),	em	Florianópolis,	detectaram	que	o	ponto	de	corte	que	melhor	se
correlacionou	para	hipertensão	em	mulheres	foi	RCEst	≥	0.49	e,	em	homens,
RCEst	≥0.50.	Já	Rodrigues,	Baldo	e	Mill	(2010)	observaram	que	RCEst	≥	0.54
em	mulheres	e	RCEst	≥	0.53	em	homens	foram	mais	eficazes	na	identificação	de
risco	para	síndrome	metabólica.	No	estado	de	Alagoas,	Caminha	et	al.	(2017)
identificaram	que	RCEst	≥	0.54	foi	considerado	o	melhor	indicador
antropométrico	para	hipertensão	arterial	em	mulheres.
3.4.6	Circunferências	da	cabeça
Os	valores	de	referência	adotados	para	a	circunferência	da	cabeça,	durante
décadas,	foram	de	33	a	35	cm	(POTTER;	PERRY,	2013),	crescendo	0,5	cm	na
segunda	semana,	0,75	cm	na	terceira	semana	e	1	cm	nas	semanas	seguintes
(FANAROFF;	FANAROFF,	2015).	Porém,	nesses	últimos	anos,	diante	do
elevado	número	de	casos	de	crianças	nascidas	com	microcefalia,	filhos	de	mães
infectadas	pelo	Zika	vírus	durante	a	gestação,	a	Organização	Mundial	da	Saúde
tem	alterado	os	valores	de	referência,	orientando	o	uso	de	determinados	gráficos
com	curvas	de	avaliação	como	referência.
A	OMS	tem	recomendado	a	utilização	de	novos	parâmetros	de	medição,
orientando	que	esta	aferição	deve	ser	realizada	tanto	após	as	primeiras	24	horas
do	nascimento	como	durante	a	primeira	semana	de	vida.	Também	se	deve
interpretar	os	valores	do	perímetro	cefálico	de	acordo	com	as	tabelas	de	escores
Z	ou	percentis	específicos	para	sexo	e	idade	gestacional.
Para	neonatos	prematuros,	nascidos	com	36	semanas	ou	menos,	deve-se	utilizar
a	tabela	do	projeto	INTERGROWTH-21	(Figura	39):
Figura	39	–	Parâmetros	adotados	para	verificação	de	perímetro	cefálico	em
nascidos	de	33	a	36	semanas
Fonte:	Villar	et	al.	(2014)
Para	nascidos	a	termo,	ou	seja,	em	tempo	igual	ou	superior	a	37	semanas
gestacionais,	utilizar	os	gráficos	em	percentil	ouescore	Z	da	OMS	(Figuras	40	e
41)	a	seguir:
Figura	40	–	Gráfico	da	OMS	para	registro	da	circunferência	da	cabeça	para
meninas	de	0	a	5	anos	em	escala	Z
Fonte:
https://www.who.int/childgrowth/standards/second_set/cht_hcfa_ninas_z_0_5.pdf?
ua=1.	Acesso	em:	2	fev.	2020
Figura	41	–	Gráfico	da	circunferência	da	cabeça	para	meninos	de	0	a	2	anos,
contido	na	Cartilha	da	Criança	adotada	no	Brasil	pelo	Ministério	da	Saúde
Fonte:	BRASIL	(2017)⁴
Ao	interpretar	os	gráficos,	considera-se,	para	nascidos	a	termo,	o	padrão	de
normalidade	nos	escores	Z	valores	que	estão	entre	as	linhas	+2	e	-2	DE.	A
presença	de	microcefalia	é	constatada	quando	são	encontrados	valores	de
perímetros	cefálicos	registrados	abaixo	do	escore	-2	DE	e	microcefalia	grave
quando	há	registros	observados	abaixo	do	escore	-3	DE,	o	equivalente	a	31,9	cm
para	meninos	e	31,5	cm	para	meninas.	Em	ambas	as	situações,	será	necessário
aprofundamento	do	histórico	da	gestação	e	da	criança,	além	do	acompanhamento
constante	na	primeira	infância	e	exames	complementares	(WHO,	2016).	Já	em
relação	à	tabela	de	percentis,	estimam-se	valores	acima	do	percentil	97	como
macrocefalia;	abaixo	do	percentil	3,	constata-se	microcefalia	(FANAROFF;
FANAROFF,	2015).
É	interessante	ressaltar	que	essa	medida	pode	revelar	valores	sutilmente	menores
imediatamente	após	o	nascimento,	devido	à	modelagem	que	o	crânio	da	criança
sofre	durante	o	trabalho	de	parto	vaginal,	geralmente	atingindo	os	valores	de
referência	no	segundo	ou	no	terceiro	dia	de	nascido.	O	perímetro	cefálico	é
maior	de	2	a	3	cm	do	que	o	perímetro	torácico	no	recém-nascido,	evidenciando
medidas	semelhantes	até	os	2	anos	de	idade,	invertendo-se	após	esta	idade,
tornando-se	inferior	até	7	cm	do	perímetro	torácico	(WILSON;
HOCKENBERRY,	2014).
Se	os	valores	se	distanciarem	desses	limites,	pode-se	suspeitar	de	microcefalia
ou	craniossinostomose	para	medições	consideravelmente	inferiores	e
hidrocefalia	ou	hematoma	subdural,	por	exemplo,	para	valores	superiores	a	4	cm
do	perímetro	torácico.	Também	pode-se	comparar	os	valores	da	circunferência
da	cabeça	ao	comprimento	da	coroa	às	nádegas,	que	se	assemelham	bastante
(WILSON;	HOCKENBERRY,	2014).
Considerações
Na	prática	clínica,	rastrear	alguns	riscos	à	saúde	são	ações	preventivas	que
resultam	em	maior	qualidade	de	vida.	Desse	modo,	verificar	as	circunferências
corporais	e	observar	valores	de	referência	distantes	dos	esperados	sugere	ao
profissional	de	saúde	a	presença	de	alguma	alteração	orgânica	na	pessoa
avaliada,	e	dominar	técnicas	que	são	úteis	para	o	seu	rastreamento	é
responsabilidade	que	deve	ser	assumida	por	um	bom	avaliador.
Realizar	mensurações	de	circunferências	rotineiramente,	quer	seja	do	pescoço	de
um	adulto,	da	cintura	de	um	idoso	ou	da	cabeça	de	uma	criança,	passa	a	ser	um
método	assertivo	para	direcionar	melhores	tomadas	de	decisão	com	relação	à
pessoa	cuidada.	Portanto,	não	negligenciar	a	realização	da	técnica	correta	de
aferição	e	seus	valores	torna-se	fundamental	para	obter	maior	resolutividade	na
terapêutica.
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CAPÍTULO	IV
AVALIAÇÃO	ANTROPOMÉTRICA	NA	GESTAÇÃO
Amuzza	Aylla	Pereira	dos	Santos
Raíssa	Rafaella	Santos	Moreno	da	Silva
Thainá	da	Silva	Cabral
Ana	Carolina	Santana	Vieira
Layanne	Crystina	Bandeira	Nunes
Givânya	Bezerra	de	Melo
A	geração	de	uma	nova	vida	é	um	marco	de	extrema	relevância	na	existência	da
mulher	e	da	família,	acarretando	modificações	nos	âmbitos	físicos,	psicológicos
e	metabólicos	no	corpo	feminino,	com	o	objetivo	de	permitir	o	crescimento	do
feto	e	o	desenvolvimento	da	gravidez.	Em	suma,	a	futura	mãe	se	prepara	para
que	seu	filho	cresça	de	maneira	adequada,	ao	longo	de	todo	o	ciclo	gravídico-
puerperal	(SÃO	PAULO,	2010;	FERNANDES;	MENDONÇA;	AMARAL,
2014).
Habitualmente,	o	período	de	uma	gestação	é	composto	por	40	semanas.	Durante
esse	período,	para	que	o	organismo	se	desenvolva,	são	necessárias	modificações
acentuadas	que	acarretam	alterações	hormonais,	metabólicas,	morfofuncionais	e
psicocomportamentais,	configurando	um	ciclo	de	reconhecida	vulnerabilidade
para	o	binômio	mãe-filho,	principalmente	nos	países	em	desenvolvimento
(BRASIL,	2012).
A	oferta	de	pré-natal	para	todas	as	gestantes	é	essencial,	pois	permite	uma
atenção	integral	à	mulher	com	vistas	à	promoção	da	saúde	(FREIRE	et	al.,
2006).	Nesse	período,	é	de	extrema	relevância	a	avaliação	criteriosa	das	medidas
antropométricas	e	a	avaliação	fetal,	entre	outras	avaliações	consideradas
essenciais	nessa	fase	da	vida	da	mulher.	As	modificações	antropométricas
proporcionam	informações	adequadas	à	gestante	sobre	o	que	está	ocorrendo	no
seu	corpo	e	como	o	ganho	de	peso	gestacional⁵	deve	ser	ponderado
(CARVALHÃES;	GOMES;	MALTA,	2013).
Em	cenários	vulneráveis	ao	acesso	à	saúde	e	alimentação	adequada,	a	gestante
poderá	apresentar	quadros	de	carência	nutricional	ou	de	ingesta	hipercalórica
excessiva,	tornando-se	fatores	de	risco	ao	binômio	mãe-bebê.	Assim,	o
monitoramento	antropométrico	da	gestante	é	primordial	para	o	acompanhamento
de	uma	gravidez	saudável.	Apesar	da	reconhecida	importância,	os	aspectos
nutricionais	da	mãe	têm	sido	negligenciados,	resultando	em	desfechos	negativos
para	o	feto	(SILVA	et	al.,	2014).
A	avaliação	antropométrica	da	gestante	permite	estimar	os	riscos	de	um	bebê
com	baixo	peso	ao	nascer,	da	mortalidade	perinatal,	neonatal	e	infantil,	além	da
duração	da	lactação	e	outras	intercorrências	relacionadas	ao	parto	e	ao
nascimento	(FREITAS	et	al.,	2011;	LIMA	et	al.,	2014).
Destarte,	é	necessário	que	o	profissional	de	saúde,	durante	o	pré-natal,	realize	os
seguintes	procedimentos	para	garantir	uma	avaliação	antropométrica	de
qualidade:	avaliação	nutricional	(massa	corporal,	altura	e	cálculo	do	IMC),
medida	da	altura	uterina	(MAYOR	et	al.,	2018),	além	da	pesquisa	de	edema.
4.1	Fisiologia,	pontos	de	referência	anatômicos	e	alguns	estudos
O	ganho	de	peso	ocorre	naturalmente	na	gestação	e	acontece	devido	ao	aumento
dos	tecidos	maternos,	que	sofrem	adaptações	para	a	geração	do	concepto	e	dos
produtos	da	concepção,	que	incluem	o	embrião,	parte	embrionária	da	placenta	e
suas	membranas	associadas	–	âmnio,	saco	coriônico	(gestacional)	e	saco
vitelino.	Além	dos	fatores	fisiológicos,	o	ganho	de	peso	durante	a	gestação
também	está	associado	a	fatores	nutricionais,	sociodemográficos,	obstétricos	e
comportamentais	(SANTOS	et	al.,	2014).	A	seguir,	tem-se	valores	estipulados
para	esses	produtos:
Figura	41	–	Distribuição	de	peso	materno	durante	a	gestação
PRODUTO	DO	CONCEPTO
Feto 2,7	Kg	a	3,6	Kg
Líquido	amniótico 0,9	Kg	a	1,4	Kg
Placenta 0,9	Kg	a	1,4	Kg
AUMENTO	DOS	TECIDOS	MATERNOS
Expansão	do	volume	sanguíneo 1,6	Kg	a	1,8Kg
Expansão	do	líquido	extracelular 0,9	Kg	a	1,4	Kg
Crescimento	do	útero 1,4	Kg	a	1,8	Kg
Aumento	do	volume	de	mamas 0,7	Kg	a	0,9	Kg
Aumento	dos	depósitos	maternos	–	tecido	adiposo 3,6	Kg	a	4,5	Kg
Fonte:	ABESO	(2011)
Essas	alterações	podem	ser	acompanhadas	pelo	examinador	que	realiza	o	pré-
natal,	para	monitoramento	das	modificações	fisiológicas	a	serem	estudadas.	A
atenção	pré-natal	garante	maior	segurança	no	processo	gestatório	e	a
identificação	precoce	de	necessidade	de	aporte	de	nutrientes	essenciais,	como	as
proteínas,	os	carboidratos	e	os	lipídeos,	com	vistas	a	proporcionar	uma	adequada
nutrição	materna	ao	crescimento	e	desenvolvimento	fetal,	já	que	a	única	fonte	de
nutrientes	do	feto	é	constituída	pelas	reservas	nutricionais	e	a	ingestão	alimentar
materna	(SANTOS	et	al.,	2014;	CARVALHÃES;	GOMES;	MALTA,	2013;
VITOLO,	2014).
O	estado	nutricional	materno,	assim	como	o	ganho	de	peso	gestacional,	vem
sendo	foco	de	diversos	estudos,	não	apenas	pela	crescente	prevalência	dos	seus
distúrbios,	mas	também	devido	ao	seu	papel	essencial	sobre	os	desfechos
gestacionais.	Esses	fatores	possuem	influência	direta	na	saúde	materno-fetal,	no
peso	do	recém-nascido,	no	tempo	de	gestação	e	em	possíveis	complicações	pré	e
pós-parto	(GUERTZENSTEIN,	2010;	SEABRA	et	al.,	2011).
Durante	a	gestação	também	há	alterações	na	estatura,	como	o	aumento	do	centro
gravitacional,	a	hipercifose,	a	hiperlordose	e	a	tensão	da	musculatura
paravertebral.	Com	a	evolução	da	gestação,	ocorre	maior	sobrecarga	da
musculatura	e	ligamentos	da	coluna	vertebral.	Ocorre	também	maior	impacto	às
articulações	devido	à	produção	do	hormônio	relaxina,	que	dá	maior	elasticidade
aos	ligamentos	da	pelve	e	de	outras	articulações,	o	que	resulta	em	frequentes
queixas	de	dores,	entorses,	luxações	ou	fraturas,	além	da	notória	redução	da
estatura	(PAULA	et	al.,	2017).
A	estatura	materna	também	influencia,	segundo	alguns	estudos,	o	peso	do
recém-nascido:	quanto	mais	altas	forem	as	mães,	maior	a	estimativa	de	peso	da
criança	ao	nascer;	por	outro	lado,	quanto	mais	baixa	a	estatura	materna,	maior	o
predomínio	de	recém-nascidos	de	baixo	peso.	Assim,	é	válido	dizer	que	a	baixa
estatura	materna	representa	um	risco	maior	de	ter	um	recém-nascido	de	baixo
peso	(SIQUEIRA,	1975),	o	que	ratifica	o	Ministério	da	Saúde	classificar
gravidez	com	risco	elevado,	entre	outros	fatores,	mulheres	com	estatura	inferior
a	1,45m	(BRASIL,	2012).
4.2	Instrumentos	utilizados
Para	o	acolhimento,	escuta	qualificada	e	a	obtenção	dos	dados	antropométricos
da	gestante,	são	necessários	alguns	equipamentos	e	instrumentos,	como	mesa	e
cadeiras,	mesa	de	exames,	balança	para	adultos	(peso/altura);	fita	métrica
flexível	e	inelástica;	e	gestograma	ou	disco	obstétrico	(FREITAS	et	al.,	2011;
LIMA	et	al.,	2014).
4.3	Técnicas	de	mensuração/valores	de	referência
As	técnicas	de	avaliação	de	altura,	massa	e	circunferências	corporais	dispostas
nos	Capítulos	I,	II	e	III	deste	livro	também	se	aplicam	na	avaliação	da	gestante,
porém	com	algumas	especificidades.
4.3.1	Avaliação	do	peso,	da	altura	e	do	estado	nutricional	da	gestante
Para	avaliar	o	ganho	de	peso	na	gestação,	é	importante	conhecer	o	estado
nutricional	pré--gravídico,	pois	ele	é	um	fator	determinante	para	o	ganho	total	de
peso	durante	a	gestação	(GUERTZENSTEIN,	2010;	SEABRA	et	al.,	2011).
A	partir	da	identificação	do	peso	e	da	altura,	classifica-se	o	estado	nutricional	da
gestante	de	acordo	com	Índice	de	Massa	Corporal	(IMC	=	peso/estatura²),
conforme	a	semana	gestacional,	analisando	os	resultados	sob	referência	dos
estudos	de	Atalah,	adotado	pelo	Ministério	da	Saúde,	que	se	baseia	no	ganho	de
peso	segundo	a	classificação	por	IMC	(SANTOS	et	al.,	2014).
Essa	medição	é	utilizada	para	avaliar	o	ganho	nutricional	durante	todo	o	período
gestacional	e	compará-lo	ao	ganho	adequado	para	cada	trimestre	de	gravidez.
Com	base	no	IMC	obtido	na	primeira	consulta	de	pré-natal,	é	possível	conhecer
o	estado	nutricional	atual	e	acompanhar	o	ganho	de	peso	até	o	fim	da	gestação.
Nessa	perspectiva,	a	gestante	deve	ser	pesada	em	todas	as	consultas.	A	estatura
pode	ser	aferida	apenas	na	primeira	consulta,	desde	que	a	gestante	não	seja
adolescente	(menor	de	20	anos),	cuja	medida	deverá	ser	realizada	pelo	menos
trimestralmente	(SATO;	FUJIMORI,	2012;	NAST	et	al.,	2013).	Vale	ressaltar
que	a	estatura	durante	a	gestação	também	sofre	redução	de	valores	devido	às
mudanças	no	reposicionamento	postural	necessárias	ao	período	gravídicopara
compensar	o	aumento	de	peso	(ORSHAN,	2011;	PAULA	et	al.,	2017).
A	avaliação	deve	começar	com	o	examinador	estipulando	a	idade	gestacional	no
dia	da	consulta,	mensurar	o	peso	e	a	altura	para	calcular	o	IMC	e	compará-lo	às
medidas	de	corte	adotadas	pelo	Ministério	da	Saúde	(Figura	42).	Deve-se
utilizar,	para	essa	medição,	uma	balança	calibrada,	a	fim	de	garantir	a	qualidade
das	medidas	encontradas.	Essa	avaliação	deve	ser	realizada	na	primeira	consulta,
pois	subsidia	a	previsão	de	ganho	de	peso	até	o	fim	da	gestação
(GUERTZENSTEIN,	2010;	BRASIL,	2012).
Figura	42	–	Avaliação	nutricional	por	meio	do	IMC	segundo	idade	gestacional
Fonte:	Brasil	(2012	apud	ATALAH	et	al.,	1997,	p.	1429-1436)
É	preciso	atentar-se	para	o	cálculo	do	IMC	no	início	da	gestação,	seja	aquele
baseado	no	IMC	pré-gravídico	referido,	seja	o	IMC	calculado	no	momento	da
primeira	consulta,	sendo	considerado	até	a	13ª	semana	de	gestação.	Caso	isso
não	seja	possível,	a	avaliação	da	gestante	deve	ser	realizada	com	os	dados	da
primeira	consulta	de	pré-natal,	mesmo	que	ela	ocorra	após	a	13ª	semana
gestacional.	Vale	salientar	que	a	gestante	só	será	classificada	caso	possua	seus
valores	pré-gravídicos;	não	os	possuindo	e	estando	com	idade	gestacional
superior	ao	1º	trimestre,	a	gestante	será	apenas	avaliada	e	reconduzida	a	uma
classificação	para	que	seus	parâmetros	possam	ser	acompanhados,	de	forma	que
o	ganho	nutricional	seja	compatível	com	a	classificação	estabelecida	(BRASIL,
2012;	RAPOSO	et	al.,	2011).
Para	cada	situação	nutricional	diagnosticada	(baixo	peso,	peso	adequado,
sobrepeso	ou	obesidade),	há	um	ganho	de	peso	recomendado.	Para	o	primeiro
trimestre,	o	ganho	foi	agrupado	para	todo	o	período	e	a	gestante	deve	adquirir
em	torno	de	0,5	a	2	kg,	enquanto,	para	o	segundo	e	o	terceiro	trimestre,	o
aumento	de	peso	é	previsto	por	semana	(Figura	43)	(BRASIL,	2012).
Figura	43	–	Ganho	de	peso	recomendado	na	gestação	segundo	o	estado
nutricional	inicial
Fonte:	Brasil	(2012	apud	INSTITUTE	OF	MEDICINE,	1990)
Dessa	forma,	na	primeira	consulta,	deve-se	estimar	quantos	gramas	a	gestante
deverá	ganhar	durante	toda	a	gestação,	assim	como	o	ganho	por	semana	até	o
fim	da	gravidez.	Essa	informação	deve	ser	fornecida	à	gestante	para	que	ela
possa	estar	ciente	acerca	das	complicações	que	o	ganho	excessivo	de	peso	pode
trazer	para	sua	vida	e	para	a	vida	do	seu	filho	(SILVA	et	al.,	2014).
Tomando	como	base	a	Figura	43,	é	possível	verificar	que	as	gestantes	poderão
ter	ganhos	de	peso	distintos,	conforme	seu	IMC	inicial.	Para	a	previsão	do	ganho
de	peso,	o	examinador	deverá	estipulá-lo	até	a	data	da	próxima	consulta	e	quanto
ainda	a	gestante	pode	ganhar	até	o	fim	do	período	gestacional,	em	função	da
avaliação	clínica	para	o	não	comprometimento	da	sua	saúde	e	de	seu	feto.	Essa
oscilação	no	ganho	de	peso	deve-se	ao	entendimento	de	que	as	gestantes	que
estão	distantes	da	faixa	de	normalidade	precisam	ganhar	um	pouco	mais	de	peso,
para	que	se	estabeleça	uma	relação	de	aproximação	com	aquelas	que	estão
situadas	em	área	próxima	à	faixa	de	normalidade,	cujo	ganho	deve	situar-se	em
torno	do	estabelecido	como	mínimo	(LIMA	et	al.,	2014;	SEABRA	et	al.,	2011).
Nas	consultas	subsequentes,	a	avaliação	nutricional	deve	ser	feita	permitindo	a
continuação	da	avaliação	do	ganho	ponderal,	pois	possibilita	evidenciar	a
evolução	do	ganho	de	peso	durante	a	gestação,	bem	como	investigar	se	esse
aumento	está	adequado	para	a	idade	gestacional	calculada	no	dia	da	consulta	e
avaliar	se	corresponde	ao	ganho	da	faixa	em	que	a	gestante	foi	classificada.	Essa
avaliação	é	de	suma	importância	para	que	o	examinador	possa	averiguar	o	estado
nutricional	da	gestante	estabelecido	no	início	do	pré-natal	(SEABRA	et	al.,	2011;
SANTOS	et	al.,	2014).
Para	facilitar	esse	acompanhamento,	a	Caderneta	da	Gestante	possui	um	gráfico
para	que	o	examinador	possa	anotar	e	acompanhar	os	resultados	(Figura	44).	O
gráfico	é	composto	por	um	eixo	horizontal,	com	valores	correspondentes	à
semana	gestacional,	e	por	um	eixo	vertical,	com	valores	de	IMC.	O	interior	do
gráfico	apresenta	o	desenho	de	três	curvas,	que	delimitam	as	quatro	faixas	para	a
classificação	do	estado	nutricional	da	gestante:	baixo	peso	(BP),	peso	adequado
(A),	sobrepeso	(S)	e	obesidade	(O)	(BRASIL,	2012;	MAYOR	et	al.,	2018).
Figura	44	–	Acompanhamento	nutricional	da	gestante
Fonte:	Brasil	(2014)
É	de	extrema	importância	o	registro	da	avaliação	nutricional	na	Caderneta	da
Gestante,	pois	essa	avaliação	é	capaz	de	fornecer	subsídios	que	podem	ajudar	na
prevenção	e	no	controle	de	agravos	à	saúde	e	à	nutrição	no	ciclo	gravídico-
puerperal.	Além	disso,	o	examinador	deverá	utilizar	outros	procedimentos	que
complementem	o	diagnóstico	nutricional	ou	alterem	sua	interpretação	(VITOLO,
2014;	SILVA	et	al.,	2014).
O	examinador	deve	estar	atento	à	presença	de	alguma	patologia	que	modifica	o
estado	nutricional	para	que	condutas	possam	ser	realizadas	em	tempo	hábil	ao
desfecho	positivo	da	gestação.	Essas	alterações	poderão	ser	identificadas	por
meio	de	exames	laboratoriais	(glicemia	de	jejum,	hematócrito	e	hemoglobina)	e
da	presença	de	edema,	que	pode	alterar	o	resultado	da	avaliação	nutricional,	pois
acarreta	ganho	de	peso,	dentre	outros	procedimentos	(RICCI,	2015).
É	comprovada	a	associação	entre	o	IMC	mais	elevado	e	a	ocorrência	maior	de
Doenças	Crônicas	Não	Transmissíveis	durante	a	gravidez.	Tal	fato	deve	ser
analisado	durante	a	assistência	pré-natal,	pois	é	esperado	um	aumento	das
medidas	durante	a	gestação,	sendo	justificado	por	todo	o	crescimento	e
desenvolvimento	do	feto.	No	entanto,	quando	os	valores	ultrapassam	os	limites,
tornam-se	fatores	de	riscos	para	patologias.	Portanto,	o	pré-natal	deve	ser
realizado	adequadamente,	e,	além	disso,	os	profissionais	que	o	realizam	devem
traçar	estratégias	para	efetivar	uma	influência	positiva	no	acompanhamento	e
controle	das	medidas	antropométricas	da	gestante	(ARREDONDO	et	al.,	2019).
Outro	ponto	importante	a	ser	ponderado	é	em	relação	à	gestante	adolescente,
pois	a	classificação	do	estado	nutricional	deve	ser	avaliada	conforme	o
crescimento	e	a	maturidade	biológica	dessa	fase	do	ciclo	de	vida.	A	classificação
do	estado	nutricional	pode	ser	usada,	desde	que	a	interpretação	dos	achados	seja
flexível	e	considere	as	gestantes	adolescentes	que	engravidaram	dois	ou	mais
anos	depois	da	menarca	(em	geral,	maiores	de	15	anos);	nessa	condição,	a
avaliação	nutricional	será	semelhante	à	da	gestante	na	fase	adulta.	Para	gestantes
adolescentes	que	engravidaram	menos	de	dois	anos	após	a	menarca,	a
classificação	ficará	próxima	das	gestantes	adultas	com	baixo	peso,	porém	o
examinador	precisará	avaliar	os	aspectos	físicos	e	nutricionais,	conforme	o
exame	físico	realizado	(BRASIL,	2012).
Outra	medida	antropométrica	a	ser	verificada	para	a	gestante	é	a	altura	de	fundo
de	útero.
4.3.2	Mensuração	e	avaliação	da	altura	do	fundo	do	útero	(AFU)
A	medição	do	fundo	do	útero	é	um	procedimento	que	deve	ser	realizado	em
todas	as	consultas.	Antes	de	iniciar	a	mensuração	da	AFU,	certifique-se	de	que	a
mulher	não	se	encontra	com	necessidade	de	urinar,	pois,	por	questões
anatômicas,	o	valor	da	AFU	é	alterado	a	partir	da	quantidade	de	urina	presente
na	bexiga:	cada	100	mL	de	urina	presente	na	bexiga	significa	1	cm	a	mais	na
AFU	(BRASIL,	2012).
Deve-se	proceder	à	lavagem	básica	das	mãos	e	auxiliar	a	mulher	a	deitar-se
sobre	a	maca	forrada	com	papel	toalha	descartável	exclusivo	para	o	seu	uso.
Logo	após,	execute	as	seguintes	etapas,	de	acordo	com	Freitas	et	al.	(2011):
Posicionar	a	paciente	em	decúbito	dorsal	com	a	bexiga	vazia,	para	reduzir	a
interferência	na	AFU;
Identificar	a	borda	superior	da	sínfise	púbica	e	o	fundo	uterino;
Posicionar	o	ponto	0	da	fita	na	borda	superior	da	sínfise	púbica;
Fixar	a	outra	extremidade	da	fita	entre	o	dedo	indicador	e	dedo	médio;
Com	a	face	cubital	da	mão,	deslizar	até	alcançar	o	fundo	uterino;
Marcar,	em	centímetros,	o	valor	correspondente	à	altura	uterina	(Figura	45).
Figura	45	–	Medida	da	altura	uterina
Fonte:	Peixoto	(2014)
O	útero	aumenta	seu	tamanhocom	a	idade	gestacional,	de	modo	que,	a	partir	da
12ª	semana,	o	fundo	do	útero	torna-se	palpável	na	sínfise	púbica.	Na	16ª	semana,
passa	a	ser	palpável	no	ponto	médio,	localizado	entre	a	borda	superior	da	sínfise
púbica	e	a	cicatriz	umbilical.	Na	20ª	semana,	o	fundo	uterino	pode	ser	palpado
na	região	da	cicatriz	umbilical,	e	a	relação	entre	os	parâmetros	da	AFU	e	da
Idade	Gestacional	(IG)	passam	a	ter	uma	relação	direta.	Porém,	o	parâmetro
passa	a	ser	menos	fidedigno	a	partir	da	30ª	semana.	Na	36ª	semana,	o	fundo
uterino	está	localizado	logo	abaixo	do	apêndice	xifoide	(BRASIL,	2012;	RICCI,
2015).
Quando	a	gestante	informa	o	tempo	da	amenorreia	e	este	é	confiável,	descarta-se
a	possibilidade	de	natimorto	e	alguns	agravos	provenientes	diretamente	da
gestação,	como,	por	exemplo,	oligoâmnio.	A	medida	da	altura	uterina	possibilita
uma	avaliação	completa	do	crescimento	intrauterino	e	permite	ao	examinador
conduzir	o	exame	de	forma	a	detectar	agravos	que	possam	comprometer	a
vitalidade	fetal,	bem	como	a	saúde	materna	(MANFREDI	et	al.,	2016).
Dessa	forma,	é	preciso	que	o	serviço	padronize,	por	meio	de	protocolos,
parâmetros	para	que	o	examinador	possa	utilizá-los	na	condução	do	exame	e	na
avaliação	dos	parâmetros	relacionados	à	AFU,	pois	os	diversos	métodos	de
medida	que	demonstram	valores	diferentes	podem	provocar	erros	na	avaliação
da	AFU	quando	comparados	à	IG;	por	isso,	é	imprescindível	normalizar	a	forma
de	medir	e	utilizar	padrões	normais	de	referência	que	tenham	sido	elaborados
com	a	mesma	técnica	(BRASIL,	2012).
Após	a	realização	da	mensuração	da	AFU,	é	recomendado	que	sejam	efetuados
os	devidos	registros	na	Caderneta	da	Gestante	e	na	Ficha	Perinatal,
principalmente	no	gráfico	da	curva	de	altura	do	útero/idade	gestacional	(Figura
46).	Esse	gráfico	tem	como	objetivo	acompanhar	o	desenvolvimento	normal	do
feto	de	acordo	com	a	IG,	para	detectar	desvios	de	crescimento	(FREIRE	et	al.,
2006;	FREITAS	et	al.,	2011).
Figura	46	–	Altura	uterina	por	semanas	de	gestação
Fonte:	Brasil	(2014)
Valores	de	altura	uterina	em	função	da	idade	gestacional	dentro	dos	padrões	de
normalidade	devem	estar	entre	os	percentis	10	e	90.	Abaixo	do	percentil	10
poderá	indicar	feto	morto,	oligoidrâmnio	ou	restrição	de	crescimento
intrauterino;	acima	do	percentil	90	sugere-se	polidrâmnio,	macrossomia,
gestação	gemelar	ou	mola	hidatiforme.	No	entanto,	quando	se	observa	mudanças
abruptas	nas	curvas,	deve-se	pensar	em	erros	de	mensuração	do	avaliador,
sugerindo-se	a	repetição	das	medidas	antes	de	sugerir	algum	diagnóstico	de
alteração	gravídica	(BRASIL,	2012).
Considerações
A	antropometria	na	gestação	é	um	fator	relevante	para	direcionar	a	assistência
em	saúde,	bem	como	para	fornecer	informações	do	estado	nutricional	materno,
que	está	estreitamente	relacionado	ao	estado	geral	de	saúde	do	binômio	mãe-
filho.	Logo,	faz-se	necessário	que	a	avaliação	antropométrica	completa	seja
contemplada	na	assistência	pré-natal,	além	de	fomentar	intervenções	oportunas,
quando	necessárias,	para	um	bom	desenvolvimento	do	ciclo	gravídico.
A	avaliação	antropométrica	das	gestantes	deve	ser	realizada	por	meio	dos
métodos	propedêuticos	que	ajudem	o	examinador	a	avaliar	a	massa,	a	estatura,	o
IMC	e	a	altura	de	fundo	uterino,	aplicando	técnicas	específicas,	além	de	contar
com	uma	visão	minuciosa	e	aguçada	para	perceber	desde	discretas	alterações	até
agravos	que	possam	comprometer	o	bem-estar	materno-fetal.	Na	gestante,	a
propedêutica	conta	com	algumas	peculiaridades	próprias	da	gestação	e	deve	ser
adaptada	ao	seu	quadro	gestacional.
O	examinador	deve	ter	o	conhecimento	de	toda	a	dinâmica	da	gestação,	assim
como	das	modificações	gravídicas	que	irão	acarretar	mudanças	percebidas	ao
longo	do	exame	e	precisarão	ser	distintas	de	alterações	patológicas.	A
perspectiva	deste	capítulo	é	contribuir	para	a	melhoria	da	avaliação	nutricional
da	gestante,	de	forma	a	propiciar	ao	examinador	um	aporte	científico	que	possa
ser	utilizado	na	perspectiva	de	proporcionar	um	nascer	com	consequente	redução
dos	coeficientes	de	morbimortalidade	perinatal,	nutrição	inadequada	e
desenvolvimento	de	doenças	crônicas.
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CONSIDERAÇÕES	FINAIS
A	obra	Medidas	Antropométricas:	saberes	e	parâmetros	aos	profissionais	de
saúde	é,	concomitantemente,	uma	ousadia	e	um	tributo.	Primeiro	porque	se	trata
de	uma	iniciativa	que	se	propõe	preencher	uma	lacuna	na	literatura	específica
para	atender	ao	processo	didático-pedagógico	dos	estudantes	e	profissionais	da
área	da	saúde.	Segundo,	como	tributo,	pois	certamente	dará	importante
contribuição	aos	atuais	e	futuros	estudantes	e	profissionais	da	área	da	saúde	para
aplicação	no	desenvolvimento	do	processo	prático	do	ensino-aprendizagem	a
respeito	dos	principais	saberes	e	fenômenos	que	ocorrem	no	corpo	humano,
utilizando-se	de	parâmetros	para	fazer	a	divisão	entre	o	normal	e	o	anômalo.
Mas	como	toda	ousadia	e	tributo,	não	se	encerram	em	si	mesmos;	trata-se	de
uma	obra	despretensiosa.	Todavia,	a	singeleza	que	permeia	a	construção	dessa
contribuição	perpassa	pelo	indiscutível	esforço	dos	seus	autores,	visando
oferecer	aos	discentes	e	aos	professores	que	militam	na	seara	da	saúde	não
apenas	conteúdos,	mas	informações	pautadas	em	evidências	científicas	que	serão
muito	úteis	para	conhecimento	do	corpo	humano.
Trata-se	de	um	assunto	que	teve	seu	interesse	no	passado,	não	sendo	diferente	no
presente.	O	que	acontece	com	o	corpo	humano	e	as	suas	medidas	têm	despertado
interesse	desde	os	tempos	remotos.	Em	vários	períodos	da	história,	podem-se
constatar	grandes	obras	realizadas	por	estudiosos	que	se	dedicaram	à	pesquisa,
produzindo	ciência	e	desenvolvendo	o	conhecimento	da	anatomia	humana.
Nesse	avanço,	também	foi	necessário	criar	ferramentas	para	se	buscar	maior
precisão,	como	o	termômetro,	estetoscópico,	esfigmomanômetro	e	muitas	outras.
Portanto,	o	estudo	da	antropometria	apresenta	informações	valiosas	para	a
predição	e	a	estimação	dos	vários	componentes	corporais,	sobretudo	porque	hoje
o	homem	está	mais	suscetível	a	um	conjunto	de	fatores	que	são	deletérios	à
harmonia	e	ao	equilíbrio	da	saúde.	A	ideia	é	que	os	estudantes	e	profissionais	da
saúde	se	apropriem	dos	diversos	referenciais	sobre	o	corpo	humano,	a	fim	de
permitir	sua	avaliação,	seu	diagnóstico	e	seu	prognóstico.
Reunir	neste	livro	quatro	capítulos	que	reforçam	a	importância	da	antropometria
como	indicador	de	possíveis	alterações	de	saúde	foi	desafiador,	diante	de	tantos
estudos	publicados,	muitas	divergências	nos	valores	de	referência	e	poucos
consensos	definidos.	A	relevância	dessa	temática	e	a	escassez	de	material	que
reunisse	informações	necessárias	à	prática	clínica	em	uma	única	obra	foram	as
motivações	de	enfrentar	tamanha	provocação.
É	indispensável	a	avaliação	antropométrica	para	determinar	intervenções,	reduzir
os	danos	e	prevenir	futuras	complicações	de	saúde.	Mensurar	a
altura/comprimento	e	a	massa	corporal,	além	de	levar	o	profissional	de	saúde	a
definir	suas	condutas	terapêuticas,	como,	por	exemplo,	a	dosagem	de	uma
medicação	ou	a	solicitação	de	exames	comprobatórios,	também	o	faz	refletir
sobre	os	fatores	que	interferem	nesses	resultados.	Verificar	se	uma	pessoa	está
abaixo	ou	acima	do	peso	para	sua	altura	infere	diretamente	no	seu	estilo	de	vida.
Uma	simples	mensuração	revela	uma	riqueza	de	informações.	Não	somente
dados	biológicos,	mas	dados	sociais	e	ambientais.	Perceber	os	motivos	que
levam	uma	criança	a	estar	com	baixo	peso	ou	um	trabalhador	estar	com
obesidade	revela,	além	das	possíveis	causas,	que	eles	podem	ser	de	ordem
genética	ou	hormonal,	estar	diretamente	ligados	ao	seu	contexto	de	vida,	gerido
por	privações	e	negligência,	ou	por	uma	rotina	de	trabalho	excessiva	que
estimula	a	ingestão	de	alimentos	rápidos	e	hipercalóricos.
Em	qualquer	avaliação,	as	orientações	dos	profissionais	de	saúde	impactam	no
estilo	de	vida	dos	sujeitos.	Quanto	maior	a	análise	destes	dados,	maior	será	a
variedade	das	prescrições	e	intervenções.	Um	valor	indicativo	de	baixo	peso
exige,	além	de	suplementos	alimentares	e	acréscimo	de	medicamentos,	a
observação	das	questões	de	vulnerabilidade	social	para	avaliar	se	os	resultados
têm	correlação	com	o	baixo	poder	aquisitivo	e,	se	assim	o	for,	acrescentar
intervenções	sociais	que	possibilitem	o	acesso	ao	alimento.
Nesse	mesmo	sentido,	observar	os	valores	de	circunferências	corporais,	como	do
abdome,	do	pescoço	e	do	quadril,	traz	à	tona	a	predisposição	a	fatores	de	riscos
cardiovasculares	e	metabólicos	que	têm	relações	causais	multifatoriais,	inclusive
com	questões	psicoemocionais.	Ou	seja,	o	acúmulo	de	gordura	visceral	ou
subcutânea	pode	ser	consequência	de	elevados	níveis	de	ansiedade.
Independentemente	das	causas	ou	efeitos	que	geraram	alterações
antropométricas,	medi-las	sempre	será	o	primeiro	passo.
No	entanto,	conhecer	os	instrumentos	utilizados	e	a	técnica	correta	para	realizar
as	mensurações	é	dever	de	todo	profissional	da	saúde,	sejam	educadores	físicos,
enfermeiros,	médicos,	nutricionistas	e	outros,	para	que	não	haja	a	detecção	de
falsos	valores.	Um	valor	subestimado	ou	superestimado	de	um	perímetro
cefálico	pode	incorrer	em	ações	errôneas	e	não	contemplar	uma	estimulação
precoce	em	um	bebê	com	microcefalia,	da	mesma	forma	que	não	acompanhar	o
ganho	de	massa	corporal	de	uma	gestante	durante	um	pré-natal	pode	impactar	no
não	acompanhamento	de	uma	possívelretenção	hídrica	ou,	até	mesmo,	aumento
da	pressão	arterial.
Outra	questão	a	ser	observada	é	o	cuidado	com	que	o	profissional	comunica
estes	valores	antropométricos	apreendidos	à	pessoa	avaliada.	A	forma	como	é
revelada	pode	elevar	o	nível	de	frustração	ou	preocupação	do	sujeito;	portanto,
cautela	e	empatia	são	importantes.	Enfim,	em	todas	as	situações,	verificar
medidas	antropométricas	é	a	prerrogativa	para	qualquer	intervenção	prudente;
todavia,	valores	de	referências	diferentes	encontrados	em	diversos	estudos
acabam	dificultando	o	uso	dessas	medidas	como	preditores	de	riscos.
Deve-se	destacar	que	os	valores	de	referência,	na	sua	maioria,	mudam	a
depender	da	etnia,	gênero	e	idade.	No	entanto,	investigar	fontes	confiáveis	de
dados,	consensos	internacionais	e	diretrizes	adotadas	pelo	governo	ou	por
associações	de	especialistas	para	utilizá-las	na	definição	dos	pontos	de	corte
devem	ser	medidas	criteriosamente	incorporadas	pelos	profissionais.
Espera-se	que	as	perguntas	feitas	na	introdução	da	obra	tenham	sido
respondidas,	que	os	leitores	tenham	refletido	sobre	suas	práticas	profissionais	e
que	esta	obra	tenha	facilitado	a	consulta	de	informações,	servindo	para	dirimir
dúvidas	e	estimular	a	utilização	de	técnicas	e	interpretações	adequadas	dos
valores	obtidos.	Espera-se,	também,	que	o	leitor	profissional	perceba	a
importância	de	não	negligenciar	dados	antropométricos	na	avaliação	clínica,	do
mesmo	modo	que	o	leitor	de	outras	áreas	que	não	a	da	Saúde	compreenda	a
importância	de	exigir	a	verificação	e	as	interpretações	dessas	medidas	quando
submetido	a	qualquer	procedimento	de	saúde.
SOBRE	OS/AS	AUTORES/AS
Ana	Carolina	Santana	Vieira,	enfermeira,	doutora	em	Ciências	da	Saúde
pela	Universidade	Federal	de	Alagoas.	Docente	da	Escola	de	Enfermagem
da	Universidade	Federal	de	Alagoas.	Orcid:	0000-0002-7273-1414
Amuzza	Aylla	Pereira	dos	Santos,	enfermeira,	doutora	em	Ciências	da
Saúde	pela	Universidade	Federal	de	Alagoas.	Docente	da	Escola	de
Enfermagem	da	Universidade	Federal	de	Alagoas.	Orcid:	0000-0001-6299-
7190
Eliezel	Alves	dos	Anjos,	enfermeiro,	bacharel	em	Direito,	mestre	em	Saúde
da	Criança	e	do	Adolescente	pela	Universidade	Federal	de	Alagoas.
Assessor	técnico	da	Coordenação	Geral	da	Atenção	Primária	da	Secretaria
Municipal	de	Maceió.	Orcid:	0000-0001-7831-8869
Fillipe	Donadio	Araújo,	graduando	em	Medicina	pela	Universidade	Federal
de	Alagoas.	Orcid:	0000-0002-6587-7634
Givânya	Bezerra	de	Melo,	enfermeira,	doutoranda	do	Programa	Associado
de	Pós-graduação	em	Enfermagem	da	Universidade	de	Pernambuco	e
Universidade	Estadual	da	Paraíba	UPE/UEPB	(PAPGEnf).	Docente	de
Enfermagem	do	Centro	Universitário	Tiradentes	de	Alagoas	(UNIT/AL).
Orcid:	0000-0001-8951-4881
Ingrid	Martins	Leite	Lúcio,	enfermeira,	doutora	em	Enfermagem	pela
Universidade	Federal	do	Ceará.	Docente	da	Escola	de	Enfermagem	da
Universidade	Federal	de	Alagoas.	Orcid:	0000-0003-2738-7527
Layanne	Crystina	Bandeira	Nunes,	enfermeira,	mestra	em	Ensino	na	Saúde
pela	Universidade	Federal	de	Alagoas.	Enfermeira	da	Clínica	de	Oncologia
do	Hospital	Universitário	Professor	Alberto	Antunes	e	da	Faculdade	de
Medicina	da	Universidade	Federal	de	Alagoas.	Orcid:	0000-0002-9581-4220
Louise	Moreira	Ferro	Gomes,	graduanda	em	Medicina	pela	Universidade
Federal	de	Alagoas.	Orcid:	0000-0001-5285-1067
Luís	Felipe	Melo	Barbosa,	graduando	em	Medicina	pela	Universidade
Federal	de	Alagoas.	Orcid:	0000-0002-5501-339X
Patrícia	de	Carvalho	Nagliate,	enfermeira,	doutora	em	Ciências	pela	Escola
de	Enfermagem	de	Ribeirão	Preto	da	Universidade	de	São	Paulo.	Docente
da	Escola	de	Enfermagem	da	Universidade	Federal	de	Alagoas.	Orcid:
0000-0001-6715-0028
Raíssa	Rafaella	Santos	Moreno	da	Silva,	graduanda	em	Enfermagem	pela
Universidade	Federal	de	Alagoas.	Orcid:	0000-0002-7265-9352
Raiza	Kananda	Lourenço	de	Santana,	graduanda	em	Medicina	pela
Universidade	Federal	de	Alagoas.	Orcid:	0000-0001-7429-6084
Regina	Célia	Sales	Santos,	enfermeira,	doutora	em	Biotecnologia	pela	Rede
Nordeste	de	Biotecnologia.	Docente	da	Escola	de	Enfermagem	da
Universidade	Federal	de	Alagoas.	Orcid:	0000-0002-2447-0707
Tainá	Cardoso	Caminha	Uchôa,	nutricionista,	mestra	em	Nutrição	pela
Universidade	Federal	de	Alagoas,	graduanda	em	Medicina	pela
Universidade	Federal	de	Alagoas.	Orcid:	0000-0001-7885-4039
Thainá	da	Silva	Cabral,	graduanda	de	Enfermagem	pela	Universidade
Federal	de	Alagoas.	Orcid:	0000-0002-6972-2904
Yanna	Cristina	Moraes	Lira	Nascimento,	enfermeira,	doutoranda	em
Serviço	Social,	mestra	em	Enfermagem	pela	Universidade	Federal	de
Alagoas.	Docente	da	Escola	de	Enfermagem	e	da	Faculdade	de	Medicina	da
Universidade	Federal	de	Alagoas.	Orcid:	0000-0003-3705-1429
¹	Disponível	em:	http://www.who.int/childgrowth/en/.
²	Neste	endereço,	encontram-se,	na	íntegra,	as	cadernetas	com	todos	os	gráficos
antropométricos	para	ambos	os	sexos.
³	Gráficos	disponíveis	no	endereço	da	OMS:
http://www.who.int/childgrowth/en/.
⁴	Nesse	endereço,	encontram-se,	na	íntegra,	as	cadernetas	com	todos	os	gráficos
antropométricos	para	ambos	os	sexos.
⁵	Será	mantida	a	nomenclatura	de	“peso	gestacional”	neste	capítulo,	em
conformidade	com	a	nomenclatura	adotada	pelo	Ministério	da	Saúde;	entretanto,
compreende-se	que	o	peso	gestacional	aqui	expresso	equivale	à	massa
gestacional,	conforme	justificativas	contidas	no	Capítulo	II	deste	livro.
Homem	Vitruviano
(Leonardo	da	Vinci,	1490)
	Cover Page
	Suplementos literários, imagens e a imprensa recifense em fins da década de 1920
	INTRODUÇÃO
	CAPÍTULO I - ALTURA CORPORAL: MENSURAÇÃO DA ESTATURA E DO COMPRIMENTO
	CAPÍTULO II - MASSA CORPORAL E IMC
	CAPÍTULO III - CIRCUNFERÊNCIAS CORPORAIS: MENSURAÇÃO DO PESCOÇO, CINTURA, ABDOME, QUADRIL E CABEÇA
	CAPÍTULO IV - AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA NA GESTAÇÃO
	CONSIDERAÇÕES FINAIS
	SOBRE OS/AS AUTORES/AS

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