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Editora Appris Ltda. 1.ª Edição - Copyright© 2020 dos autores Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda. Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98. Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores. Foi realizado o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nos 10.994, de 14/12/2004, e 12.192, de 14/01/2010. Catalogação na Fonte Elaborado por: Josefina A. S. Guedes Bibliotecária CRB 9/870 Editora e Livraria Appris Ltda. Av. Manoel Ribas, 2265 – Mercês Curitiba/PR – CEP: 80810-002 Tel: (41) 3156-4731 | (41) 3030-4570 http://www.editoraappris.com.br/ FICHA TÉCNICA EDITORIAL Augusto V. de A. Coelho Marli Caetano Sara C. de Andrade Coelho COMITÊ EDITORIAL Andréa Barbosa Gouveia - UFPR Edmeire C. Pereira - UFPR Iraneide da Silva - UFC Jacques de Lima Ferreira - UP Marilda Aparecida Behrens - PUCPR EDITORAÇÃO Juliane Scoton ASSESSORIA EDITORIAL Evelin Kolb DIAGRAMAÇÃO Luciano Popadiuk CAPA Sheila Alves REVISÃO Anna Paula Batalha Bacchi Boé GERÊNCIA DE FINANÇAS Selma Maria Fernandes do Valle COMUNICAÇÃO Carlos Eduardo Pereira Débora Nazário Karla Pipolo Olegário LIVRARIAS E EVENTOS Estevão Misael CONVERSÃO PARA E-PUB Carlos Eduardo H. Pereira COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO MULTIDISCIPLINARIDADES EM SAÚDE E HUMANIDADES DIREÇÃO CIENTIFICA Dra. Doutora Márcia Gonçalves - UNITAU CONSULTORES Lilian Dias Bernardo – IFRJ Taiuani Marquine Raymundo - UFPR Janaína Doria Líbano Soares - IFRJ Rubens Reimao – USP Edson Marques – Unioeste Maria Cristina Marcucci Ribeiro – UNIAN-SP Maria Helena Zamora – PUC-Rio Aidecivaldo Fernandes de Jesus – FEPI Zaida Aurora Geraldes – FAMERP AGRADECIMENTOS A Deus, nosso pai celestial, pela magnanimidade em nos prover condições para construção desta obra, que se reverterá na capacitação de profissionais em prol da saúde e bem-estar coletivo. Aos nossos familiares, que, no silêncio, souberam compreender que o esforço empreendido era voltado para a importante causa da formação dos estudantes da área da saúde. Aos estudantes, mormente aos do curso de Enfermagem e de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, que deram o start à inspiração e à gênese para preencher a lacuna com referenciais e parâmetros sobre os quais pudessem pautar o processo de aprendizagem para formação profissional no campo da saúde. Aos colaboradores, professores e profissionais da saúde que se engajaram neste importante empreendimento didático-pedagógico, como contribuição aos futuros colegas, os quais terão oportunidade de conhecer saberes e parâmetros do corpo humano. À Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por possibilitar que esta obra se tornasse mais um instrumento à formação dos estudantes do campo da saúde. Talvez não tenhamos feito o melhor, mas lutamos para que o fosse feito. Não somos o que deveríamos ser, nem somos o que seremos, mas graças a Deus que não somos o que éramos. (Martin Luther King) APRESENTAÇÃO Neste livro constam quatro capítulos que trazem estudos recentes, técnicas e interpretações de valores sobre a mensuração de algumas medidas antropométricas como altura corporal, massa corporal, circunferências corporais e modificações antropométricas em gestantes. Ao final desses capítulos, o leitor deverá ter alcançado os seguintes objetivos e competências: Objetivos: Identificar, entre as medidas antropométricas, a altura, a massa e as circunferências corporais como variáveis e elementos suplementares na tomada de decisões de procedimentos e condutas terapêuticas; Reconhecer a importância do cuidado e da técnica, ao realizar o procedimento de verificação antropométrica, como determinante fundamental na qualidade da prestação de serviço à saúde; Verificar, com a técnica adequada, as medições antropométricas; Avaliar o estado de saúde da pessoa diante dos valores antropométricos observados. Competências: O educando ou profissional da saúde, ao concluir o procedimento de verificação das medidas antropométricas, deverá desenvolver: Capacidades socioafetivas, mediadas pela comunicação verbal e não verbal, e relações interpessoais de trabalho no seu processo de prestação de serviços de apoio diagnóstico, ampliando a visão sobre a importância do trabalho e das ações dos diferentes profissionais que atuam na área da saúde; Habilidades cognitivas para a realização da técnica adequada de avaliação de estatura e comprimento, massa, índice da massa corpórea (IMC), circunferências corporais importantes para a terapêutica; Concepção ética de que a observação e o registro das variáveis antropométricas no processo de coleta de dados da pessoa, compondo o exame físico e a anamnese, fazem parte do processo da assistência prestada à saúde como elemento suplementar na tomada de decisões de procedimentos e condutas terapêuticas; Realizar, com disciplina e rigor, a antropometria da pessoa considerando as implicações do cuidado à saúde e sua avaliação nutricional, incluindo a gestante. Situação-problema sensibilizadora: Camila, 16 anos, reside em uma cidade do interior de Alagoas. É mãe de duas meninas e, mensalmente, procura a Unidade Básica de Saúde para as consultas de puericultura. Suas filhas, Catarina e Cássia, são gêmeas e nasceram prematuras, com 33 semanas de idade gestacional. Na última vez em que Camila levou as crianças para verificação das medidas antropométricas, elas estavam com 3 meses de vida e medidas compatíveis à idade ajustada. Camila não compreendeu os resultados da avaliação, pois, ao consultar a Caderneta de Saúde da Criança, observou que, em comparação com os gráficos de crescimento, peso e IMC, as meninas estavam abaixo dos valores esperados. Camila questionou o profissional de saúde que realizou as medidas, pois ele havia solicitado que todas as roupas das crianças fossem retiradas, inclusive os adereços da cabeça; ela achou a ação desnecessária. Ao observar a expressão da mãe, o profissional de saúde explicou a relevância desse procedimento para garantir a qualidade dos dados coletados e destacou a importância de se verificar com precisão as medidas antropométricas, para não se obter falsos resultados, possibilitando, assim, identificar alguns riscos para a saúde. Para concluir, ele informou que as medidas antropométricas devem ser avaliadas em todas as consultas, independentemente de ser o paciente uma criança ou adolescente, um adulto ou idoso, ou uma gestante. A partir dessas informações, Camila lembrou que seu esposo recentemente havia procurado a Unidade de Saúde, relatando sentir dificuldades para respirar, tontura e dores de cabeça. Quando foi consultado, no entanto, não foram verificadas nenhuma de suas medidas antropométricas, como peso, IMC e circunferência abdominal, mesmo sendo evidente o excesso de peso. Sugere-se que, ao término de cada capítulo, o leitor retome essa situação- problema na busca de compreender as decisões tomadas pelos profissionais do relato e as medidas mais adequadas para a ocasião. Assim, o leitor fará o exercício de repensar suas práticas a partir de um caso simulado, observando as melhores condutas terapêuticas a serem aplicadas. Boa leitura. PREFÁCIO Nós, seres humanos, caracterizamo-nos por possuirmos identidade própria, com capacidades particulares inerentes a cada um de nós. Tudo isso é resultante de diversos fatores, dentre eles: a genética, o modo de vida e a cultura. No entanto, fazendo parte da mesma espécie, a humana, apresentamos também algumas características que são semelhantes e que se modificaram lentamente durante os milhões de anos que habitamos a Terra. Somos, portanto, resultantes de um processo lento de mudanças. A Antropologia é a ciência que estuda o ser humano e, para isso, necessita integrar diversos espaços que refletem as dimensões humanas, sendo dividida em áreas como: sociocultural, biológica, arqueológica e linguística. A área física ou biológica estuda nossos aspectos genéticos e biológicos, à procura da compreensãodos mecanismos de adaptação e evolução. Parte dos resultados obtidos por meio da Antropologia é encontrado na ciência do Desenvolvimento Humano, que tem sua plenitude no florescimento das capacidades humanas, sendo esse desenvolvimento definido, algumas vezes, como a medida da qualidade da vida humana no meio em que vivemos. Quando pensamos em desenvolvimento humano, recordamos que esse é o processo em que nossa vida melhora e apresentamos, no mínimo, nossas necessidades básicas satisfeitas, englobando aspectos concernentes ao desenvolvimento social, ao desenvolvimento econômico e ao desenvolvimento sustentável. Tal como a Antropologia, um dos aspectos observados no desenvolvimento humano é o aspecto físico e mental. Neste livro, encontramos particularmente o aspecto físico, que aborda a Antropometria, um dos ramos da Antropologia que estuda as medidas e dimensões das diversas partes do corpo humano, analisando aspectos importantes para o diagnóstico da saúde do ser humano. Etimologicamente, a palavra nos traz dois termos gregos: “ánthropos”, que significa homem ou ser humano, e “métron”, medida. Assim, a Antropometria faz uso de técnicas para medir o corpo humano, subsidiando a atuação de profissionais da área da saúde no sentido de estudar enfermidades e alterações que acometem o organismo humano, técnicas muito bem descritas e apresentadas nesta obra. Vivemos em um país dito em desenvolvimento e em um estado (Alagoas) com uma concentração de renda elevada, com indicadores sociais e de saúde precários e que refletem na saúde da comunidade. Diagnosticar alterações nessas medidas por intermédio da puericultura, na infância, ou do acompanhamento do desenvolvimento do adolescente e do adulto é de suma importância diante dos quadros de obesidade que também encontramos atualmente em nossa sociedade. Medidas antropométricas como peso, altura, circunferência de cintura e circunferência de quadril servem para o diagnóstico do estado nutricional e para avaliar riscos para a saúde, como a diabetes mellitus, enfermidades cardíacas e metabólicas nas diversas fases da vida humana. A avaliação antropométrica correta é um meio para o acompanhamento e a manutenção do estado de saúde, também utilizada na avaliação da adequação de atividades físicas, tão importantes nos dias atuais, em que o sedentarismo cresce em decorrência de nossos hábitos de vida. A gravidez é um momento de vida da mulher que se diferencia, por ser uma fase na qual o binômio saúde mãe-filho é inseparável. O diagnóstico precoce de alterações durante essa fase proporciona à criança um adequado acompanhamento de seu desenvolvimento, sendo a prevenção primária importantíssima, além de proporcionar à gestante um momento de vida com controle e acompanhamento do risco gravídico. Prefaciar este livro de queridos colegas é não só uma honra, mas também a constatação da grande importância que a obra ocupará na literatura científica do estado de Alagoas, seja para o ensino na universidade ou em cursos técnicos de Saúde, seja no uso diário nas Unidades de Saúde ou em qualquer ambiente em que se necessite utilizar os conhecimentos da antropometria, aqui tão bem expostos. Finalmente, parabenizo os autores pela iniciativa, almejando que outras surjam no sentido de subsidiar ações na área da Saúde de nossa região, do nosso Brasil e, quiçá, de outras fronteiras. Divanise Suruagy Correia Pediatra – Psicoterapeuta Prof.ª titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Famed/Ufal) Sumário INTRODUÇÃO 19 CAPÍTULO I ALTURA CORPORAL: MENSURAÇÃO DA ESTATURA E DO COMPRIMENTO 23 Givânya Bezerra de Melo, Eliezel Alves dos Anjos, Yanna Cristina Moraes Lira Nascimento, Raiza Kananda Lourenço de Santana, Ingrid Martins Leite Lúcio, Layanne Crystina Bandeira Nunes CAPÍTULO II MASSA CORPORAL E IMC 51 Eliezel Alves dos Anjos, Yanna Cristina Moraes Lira Nascimento, Louise Moreira Ferro Gomes, Luís Felipe Melo Barbosa, Tainá Cardoso Caminha Uchôa, Regina Célia Sales Santos CAPÍTULO III CIRCUNFERÊNCIAS CORPORAIS: MENSURAÇÃO DO PESCOÇO, CINTURA, ABDOME, QUADRIL E CABEÇA 83 Yanna Cristina Moraes Lira Nascimento, Givânya Bezerra de Melo, Fillipe Donadio Araújo, Patrícia de Carvalho Nagliate, Tainá Cardoso Caminha Uchôa, Ana Carolina Santana Vieira CAPÍTULO IV AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA NA GESTAÇÃO 119 Amuzza Aylla Pereira dos Santos, Raíssa Rafaella Santos Moreno da Silva, Thainá da Silva Cabral, Ana Carolina Santana Vieira, Layanne Crystina Bandeira Nunes, Givânya Bezerra de Melo CONSIDERAÇÕES FINAIS 137 SOBRE OS/AS AUTORES/AS 141 INTRODUÇÃO A antropometria deriva da expressão grega anthropos = homem e metrikos = medida. Conforme o dicionário Michaelis (2016), antropometria é um conjunto de técnicas de mensuração do organismo humano ou de partes dele. Portanto, refere-se à observação das medidas físicas do corpo humano, aplicada para diversos campos do conhecimento humano (ergonomia, psicologia, medicina, enfermagem, esporte, criminologia, arte), destacando-se a área da Saúde como processo de coleta de dados da pessoa para fins de avaliação física, do estado da saúde e condutas terapêuticas, entre as quais as de administração de medicamentos. A história revela que o estudo da antropometria remete-se à antiguidade, à época dos egípcios, gregos e tempos bíblicos, sendo ainda hoje utilizada como técnica sistematizada para medir as dimensões corporais como o comprimento e circunferência dos segmentos corpóreos, largura e altura, entre outros (BARROSO et al., 2005). Ressalta-se que antropometria é a ciência de mensuração e a arte do conhecimento da geometria humana, da massa e da capacidade de força (ROEBUCK, 1993). O termo antropometria provavelmente ocorreu pela primeira vez, em 1659, na tese de graduação do alemão Johann Sigismund Elsholtz (1623-1688), desenvolvida pelo estudo “Antropometria – da mútua proporção dos membros do corpo humano: questões atuais de harmonia”. Esse estudo teve sua inspiração nos trabalhos desenvolvidos pelos filósofos Pitágoras e Platão e na filosofia médica de sua época (KLEIN, 2009). A antropometria teve sua ascendência a partir da década de 1940, decorrente da necessidade de atender às demandas da produção industrial em larga escala, exigindo estudos no melhoramento dos processos e critérios de qualidade rigorosos, no sentido de evitar desperdícios e redução de custos, considerando os aspectos ergométricos envolvidos no trabalho do homem (BOLSTAD; BENUM; ROKNE, 2001; RODRIGUES-AÑEZ, 2001). A identificação das medidas antropométricas da pessoa é, reconhecidamente, um parâmetro importante na avaliação de seu estado de saúde, considerando como elemento suplementar à mensuração dos sinais vitais (EVANS; HODGKINSON; BERRY, 2001), muito aplicada em estudos epidemiológicos por se tratar de um método simples e eficaz, cujo equipamento é de tecnologia primária. Também é considerado um método de diagnóstico importante, de baixo custo, de fácil realização, não invasivo, universalmente aplicável, de boa aceitação perante a população, constituindo-se, hoje, em procedimento recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) (FRIGANI et al., 2015). Verificar medidas como altura, comprimento, massa, IMC e circunferências corporais possibilita avaliar níveis de crescimento, de desenvolvimento e da distribuição de gordura no corpo, fazendo, sempre que possível, a correlação com o aparecimento de alguma enfermidade (MASTROENI et al., 2010). É preciso ter atenção quanto à verificação dessas medidas, para que possíveis riscos à saúde sejam avaliados. O peso corporal e a altura são as medidas antropométricas mais utilizadas para avaliar o estado nutricional e o manejo de pacientes internados. Avalia-se o peso para se calcular a quantidade de medicamento prescrito ou o fluxo e o tempo necessário para uma diálise, por exemplo, e a altura para se averiguar a dimensão corporal indispensável para o cálculo do índice de massa corporal (IMC) (RODRIGUES et al., 2010; RUFINO et al., 2010). Ressalta-se que,embora se possa interpretar que as mensurações antropométricas sejam simples, elas requerem treinamento rigoroso e seleção criteriosa de técnicas e de instrumentos de medição, além dos valores de referência antropométricos cientificamente comprovados. Essa conduta cautelar é para reduzir a possibilidade de erros por ação negligenciada (SANTOS; FUJÃO, 2003). Deve-se observar que, com o advento da pandemia (COVID-19), é relevante que os estudantes e profissionais de saúde estejam atentos quanto à higienização adequada dos instrumentos de mensuração e a utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs), como medida padrão de precaução a não contaminação de micro-organismos, seguindo o Protocolo de Biossegurança oferecido pelo Ministério da Saúde. Com base nessas ponderações, o profissional da Saúde deve exercer com disciplina a mensuração das medidas antropométricas, porque, ao fazê-la com critério, será relevante elemento de tomada de decisão no cuidado com a saúde. Assim, compete ao estudante de Saúde em formação aprender e desenvolver a habilidade desse procedimento técnico, bem como aos profissionais em exercício cabem a perícia e a eficiência no cumprimento dessa atribuição, de maneira inter-relacionada, constituindo-se como componente atitudinal e conceitual para a realização de qualquer terapêutica. Referências BARROSO, M.P.et al.Anthropometric study of a Portuguese workers. International Journal of Industry Ergonomics, [s.l.], n. 35, p. 401-410, 2005. BOLSTAD, G.; BENUM, B.; ROKNE, A. Anthropometry of Norwegian light an office workers. Applied Ergonomics, [s.l.], v. 32, p. 239-246, 2001. EVANS, D.; HODGKINSON, B.; BERRY, J. Vital signs in hospital patients: a systematic review. International Journal of Nursing Studies, [s.l.], v.38, p. 643- 50, 2001. FRIGNANI, R.R. et al. Reference curves of the body fat index in adolescents and their association with anthropometric variables. J Pediatr (Rio J), [s.l.], v. 91, n. 3, p. 248-255, 2015. KLEIN, A.A. Aplicação da fotogrametria para a coleta de dados da antropometria às mãos. 129f. 2009. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) ‒ Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2009. Disponível em: http://www.pgmec.ufpr.br/dissertacoes/dissertacao_092_alison_alfred_Klein.pdf. Acesso em: 20 nov. 2018. MASTROENI, M.F. et al.Antropometria de idosos residentes no município de Joinville-SC, Brasil. Rev. Bras. Geriat. Gerontol., Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 29-40,2010. MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2016. RODRIGUES, P.A. et al. Correlação das medidas antropométricas reais do peso e da altura com os métodos de estimativa em pacientes adultos do Hospital Regional de Ceilândia. Com. Ciências Saúde, [s.l.], v. 21, n. 3, p. 237-44, 2010. RODRIGUES-AÑEZ, C.R. Antropometria e sua aplicação na ergonomia. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desenvolvimento Humano, [s.l.], v. 3, n. 1, p. 102-108, 2001. ROEBUCK, J. A. Anthropometric methods: designing to fit the human body. Santa Monica: Human Factors and Ergonomics Society, 1993. RUFINO, M. C.B. et al.Correlação das medidas antropométricas reais do peso e da altura com os métodos de estimativa em pacientes adultos do Hospital Regional de Ceilândia. Com. Ciências Saúde, [s.l.], v. 21, n. 3, p. 237-244, 2010. SANTOS, R.; FUJÃO, C. Antropometria. 2003. Monografia (Pós-graduação em Técnico Superior de HST) ‒ Universidade de Évora, Évora, 2003. CAPÍTULO I ALTURA CORPORAL: MENSURAÇÃO DA ESTATURA E DO COMPRIMENTO Givânya Bezerra de Melo Eliezel Alves dos Anjos Yanna Cristina Moraes Lira Nascimento Raiza Kananda Lourenço de Santana Ingrid Martins Leite Lúcio Layanne Crystina Bandeira Nunes Na língua portuguesa, a palavra estatura é sinônimo de altura. Na língua inglesa, existem as palavras “stature”e “height” (tradução: estatura ou altura), que significam a altura do indivíduo medida na posição “stand up”, isto é, de pé; também é encontrada na literatura inglesa a palavra “length” (tradução: comprimento), que denomina o comprimento da criança obtido na posição horizontal. Alguns autores definem altura como “qualquer dimensão vertical segmentar” e estatura como “a medida da distância máxima entre a região plantar (pés) e o vértice coronal (topo da cabeça)” (LOPES; RIBEIRO, 2014). Assim, o termo “altura”, em português, serve tanto para expressar o comprimento (deitado) quanto a altura ou estatura (em pé). Neste livro, adotou- se o termo comprimento para a altura de crianças menores de 2 anos e o termo estatura para a altura de pessoas maiores de 2 anos (BRASIL, 2011). Embora pareça um dado simples, a determinação da altura oferece informações específicas sobre a saúde geral e o estado nutricional do indivíduo/cliente/paciente, compondo a avaliação de uma pessoa assistida em qualquer instituição de saúde. Seu monitoramento deve ser realizado periodicamente, durante todo o ciclo vital, pois possibilita a avaliação e a evolução do crescimento e do desenvolvimento que podem se revelar como um sinal precoce de doença aguda ou crônica (BICKLEY; SZILAGYI, 2010). 1.1 Fisiologia, pontos de referência anatômicos e alguns estudos O crescimento corporal é uma construção multifatorial, com associação de condições ambientais, socioeconômicas e biológicas (NEVES et al., 2016). É um processo dinâmico e contínuo, que pode ser expresso pelo aumento do tamanho corporal (BRASIL, 2012). Diferentemente da avaliação do desenvolvimento, é um aspecto objetivo da avaliação clínica. A altura é um traço humano influenciado por fatores hereditários e com fortes influências de elementos não genéticos e/ou ambientais. Alguns determinantes para a altura na vida adulta vêm sendo destacados em estudos, como crescimento fetal, nutrição e exposição a infecções na infância e na adolescência. A altura alcançada na fase adulta é resultante das experiências do início da vida (infância e adolescência), doenças não transmissíveis, longevidade, educação e renda (BUENO et al., 2016). Um estudo que analisou bases de dados populacionais em todo o mundo e estimou as tendências de altura média para adultos nascidos durante um século evidenciou que ocorreram mudanças substanciais na média da altura – no entanto, isso ocorreu de maneira desigual em todo o mundo. Com isso, observaram-se grandes diferenças entre os países em relação à nutrição e ao risco para o desenvolvimento de algumas doenças (FRANCO et al., 2016). As diferenças em relação à altura corporal entre países também são descritas no estudo de Challúa e Silva-Castañeda (2016), que examinaram a evolução da altura em mulheres adultas de doze países latino-americanos durante a segunda metade do século XX. Foi verificado que, ao longo do período estudado, houve, em geral, um aumento de 2,6 cm por década. No entanto, países com economia em retração, como Haiti e Guatemala, obtiveram aumento de apenas 0,25 cm por década, demonstrando que a altura se comporta como um importante indicador de desenvolvimento humano. Em seu estudo, Franco et al. (2016) verificaram que, no último século, houve um grande aumento na média da estatura em países da Europa Continental, que ultrapassou os países de língua inglesa, como os Estados Unidos. Também foi demonstrado que os homens sul-coreanos, japoneses e iranianos obtiveram ganhos maiores que os europeus, tendências semelhantes que estão ocorrendo agora na China e na Tailândia. Comparando-se os sexos masculino e feminino, o estudo apontou ainda variações significativas na altura em todo o mundo: diferenças, em média, de 19 cm entre as populações mais altas e mais baixas para o sexo masculino e, em média, de 20 cm para o feminino. Durante a infância e a adolescência, ocorrem as alterações mais significativas do crescimento corporal. Assim, há uma maior preocupação em relação à mensuração da altura no decorrer dessas fases. Devido à sua especificidade e confiabilidade, o crescimento corporal é um dos indicadores da saúde monitorado continuamente na Caderneta de Saúde da Criançae do Adolescente (BRASIL, 2012). A somatotrofina, conhecida como hormônio do crescimento (HC), desempenha papel importante na promoção do crescimento longitudinal pós-natal, atua sobre a regulação do metabolismo lipídico, aposição óssea, crescimento da massa muscular esquelética e cardíaca e na tensão arterial (NEVES et al., 2016). A eficácia da somatotrofina para induzir o crescimento é influenciada pela atividade apropriada da insulina e disponibilidade adequada de carboidratos, pois estes fornecem a energia necessária ao metabolismo do crescimento do indivíduo (HALL; GUYTON, 2011). Por muito tempo, acreditou-se que a secreção desse hormônio acontecia, primariamente, durante o período de crescimento e que, na adolescência, desaparecia do sangue. No entanto, essa teoria caiu em descrédito, pois, após a adolescência, ocorre na verdade uma diminuição progressiva da secreção do hormônio do crescimento; ao final, a quantidade de hormônio encontrado no idoso é compatível a 25% do nível na adolescência (HALL; GUYTON, 2011). O padrão de secreção do hormônio do crescimento é pulsátil, podendo diminuir ou aumentar, a depender de alguns fatores relacionados. Os mecanismos exatos de controle da secreção não são totalmente compreendidos. Diversos fatores relacionados ao estado nutricional e/ou ao estresse influenciam na secreção desse hormônio. Algumas anormalidades da secreção do hormônio do crescimento incluem o nanismo, o gigantismo e a acromegalia (HALL; GUYTON, 2011). Estudos demonstram que a maior altura está associada ao aumento da longevidade, menor risco de doenças cardiovasculares e respiratórias e menor risco de complicações na gravidez. Por outro lado, a maior altura se correlaciona a um maior risco para câncer colorretal, de mama na pós-menopausa e câncer de ovário (BUENO et al., 2016). Outro fator apontado por estudos é o quanto a desnutrição fetal tem repercussões em longo prazo na saúde humana. Existe uma ligação entre o baixo peso ao nascer e consequências adversas que contribuem para uma redução do “capital humano”. São eles: menor estatura, menor massa corporal magra e pior cognição, desempenho educacional, capacidade de trabalho, renda e desempenho produtivo (VICTORA et al., 2008); resistência à insulina e respostas ao estresse (PHILLIPS, 2007) e redução da tolerância à glicose (WHINCUP et al., 2008), diabetes tipo 2, doença coronariana, doença renal crônica e doença pulmonar crônica (FALL, 2013). Existe ainda uma hipótese relacionada à interferência de fatores ambientais, incluindo a nutrição. No início da vida, poder-se-ia programar de forma permanente a estrutura e a função do corpo conhecida como programação fetal. Nesse contexto, a subnutrição fetal poderia acontecer devido à adoção de uma dieta inadequada por parte da mãe, por inabilidade da mãe para mobilização e carreamento de nutrientes necessários ou em decorrência de um suprimento vascular e placentário prejudicado para o feto (FALL, 2013; FALL, 2011). Dessa forma, é possível inferir que a nutrição e o crescimento estabelecem uma íntima relação, pois, quando não são supridas as necessidades nutricionais básicas, as crianças não desenvolvem seus potenciais genéticos de crescimento, resultando em deficit estruturais para sua idade e desenvolvimento global. 1.2 Instrumentos utilizados Para averiguar a altura de crianças maiores de dois anos, adolescentes, adultos, gestantes e idosos sem limitações físicas, é comum a utilização da balança com régua vertical, o antropômetro vertical ou estadiômetro (Figura 1). Para verificar a altura de pessoas acamadas, pode-se utilizar o paquímetro antropométrico. Já para crianças menores de dois anos que não conseguem permanecer na posição ereta, utiliza-se o papel milimetrado e o antropômetro horizontal, conhecido também como infantômetro, estadiômetro infantil, pediômetro, régua antropométrica infantil ou paquímetro antropométrico (Figura 1) (BRASIL, 2004; BRASIL, 2012). Figura 1– Balança mecânica com estadiômetro vertical acoplado e antropômetro horizontal, respectivamente Fonte: os autores Diante da variedade desses instrumentos, o que vem sendo bastante utilizado é o estadiômetro, que de forma geral “trata-se de uma fita métrica metálica com capacidade retrátil ou pode estar fixado ao longo de uma superfície”; possui marcações em centímetros, mas também possibilita a visualização em milímetros (LOPES; RIBEIRO, 2014, p. 82). Normalmente são confeccionados em alumínio (material recomendado por ser mais resistente e permitir melhor higienização) ou de madeira; possuem baixo custo e fácil utilização (BRASIL, 2012). Para a utilização correta do estadiômetro, é necessária uma superfície plana, uma parede ou mesa, a fim de que se possa posicionar o equipamento e realizar a medida com exatidão (LOPES; RIBEIRO, 2014). Também há no mercado o estadiômetro digital. Para permitir uma medida mais precisa desse modelo de instrumento deve-se evitar ambientes com extremos níveis de temperatura ou umidade, e locais próximos a aparelhos elétricos (SANTOS; GOMES, 2015). 1.3 Técnica de mensuração A mensuração da estatura corporal apresenta algumas especificidades, a depender da idade e da condição do paciente. As medidas diretas são indicadas para as pessoas que não possuem restrições de movimentos e que conseguem ficar em pé sem assistência. As medidas indiretas são adequadas na mensuração de pessoas que não conseguem ficar em pé ou que possuem “contração significativa na parte superior do corpo” (exemplo: curvatura espinhal grave) (MARTINS, 2009). 1.3.1 Mensuração do comprimento em crianças de até 2 anos Antes de iniciar a medição, explique o procedimento ao responsável pela criança. Realize a lavagem básica das mãos e solicite auxílio para despir completamente a criança, inclusive retirar adereços da cabeça e calçados. O responsável deve acompanhar o procedimento. Logo após, execute as seguintes etapas: Deitar a criança no centro do antropômetro; Com a ajuda do responsável: posicionar a cabeça da criança “de modo que seja possível olhar horizontalmente – plano horizontal de Frankfurt, estabelecido pela borda superior do trago e pelo ponto mais baixo na margem orbital” (VALVERDE; PATIN; FISBERG, 2016, p. 301); Manter a cabeça da criança apoiada na parte fixa do antropômetro, com o queixo reto e afastado do tórax; ombros em contato com a superfície plana de apoio do antropômetro; braços estendidos ao longo do corpo; nádegas e calcanhares em contato com a superfície de apoio do equipamento (BRASIL, 2011); Pressionar delicadamente, com uma das mãos, os joelhos da criança para baixo, para que fiquem estendidos. Juntar os pés, formando um ângulo reto com as pernas. Ajustar a parte móvel do antropômetro até as plantas dos pés, tendo cuidado para que não se mexam (BRASIL, 2011) (Figura 2); Figura 2 – Posicionamento correto do antropômetro Fonte: os autores Realizar a leitura do comprimento na posição indicada após ajuste da parte móvel do antropômetro; deve-se estar seguro de que a criança não se moveu da posição indicada (BRASIL, 2011); Realizar o registro da medida do comprimento nos impressos específicos, curvas de crescimento e prontuário da criança (a depender da rotina do serviço de saúde). Realizar a interpretação dos resultados e transmitir ao responsável com as orientações necessárias. As crianças menores de 2 anos devem ser medidas deitadas (comprimento). Crianças com 2 anos ou mais devem ser medidas de pé (estatura). Existe uma diferença de 0,7cm entre a estatura da criança medida deitada e em pé. Assim, se uma criança de 2 ou mais anos tiver sua estatura aferida deitada, o valor encontrado dever ser diminuído de 0,7 antes de ser registrado no gráfico de 2-5 anos e, do mesmo modo, se uma criança menor que 2 anos for medida de pé, o valor encontrado deve ser acrescido de 0,7 antes de ser registrado no gráfico de zero (0) – 2 anos (BRASIL, 2018, p. 53). 1.3.2 Mensuração da altura de pessoas maiores de 2 anos Antes de iniciar a medição, explique o procedimentoe peça autorização para realizá-lo. Proceda à lavagem básica das mãos, solicite que o indivíduo retire o calçado e deixe a cabeça livre de qualquer adereço. Logo após, execute as seguintes etapas: Solicitar à pessoa que fique de pé, posicionada de costas no centro do equipamento, braços estendidos ao longo do corpo, cabeça erguida com olhar fixo em um ponto fixo à altura dos olhos (BRASIL, 2011). “A cabeça do indivíduo deve ser posicionada no plano de Frankfurt (margem inferior da abertura do orbital e a margem superior do meatus auditivo externo deverão ficar em uma mesma linha horizontal)” (BRASIL, 2011, p. 37) (Figura 3); As pernas devem estar posicionadas em paralelo (não é necessário que as partes internas se encostem) e formar com os pés um ângulo reto. O ideal é que o indivíduo encoste os calcanhares, panturrilhas, glúteos, escápulas e a parte posterior da cabeça no estadiômetro ou na parede (BRASIL, 2011). Caso não seja possível posicionar os cinco pontos, devem-se posicionar minimamente três (Figura 3); Abaixar a parte móvel do estadiômetro e fixá-lo contra a cabeça, com uma pressão suficiente para comprimir o cabelo. Ainda segurando a parte móvel, proceda à leitura do valor no ponto delimitado, certifique-se de que o indivíduo não alterou sua posição (BRASIL, 2011) (Figura 3); Figura 3 – Posição adequada para medição da estatura Fonte: os autores Realizar o registro da medida da altura nos impressos específicos, curvas de crescimento e prontuário da pessoa (BRASIL, 2011). Realizar a interpretação dos resultados, transmitindo à pessoa com as orientações necessárias. 1.3.3 Mensuração da altura de adultos com limitações físicas A mensuração da altura de uma pessoa com limitações físicas pode ocorrer por meio da técnica da altura reclinada ou a técnica da altura do joelho (VALVERDE; PATIN; FISBERG, 2016). A técnica da altura reclinada, também denominada altura recumbente (deitada), envolve a medida do comprimento do indivíduo do ápice de cabeça até a palma do pé (MARTINS, 2009). A medida é indicada principalmente para jovens acamados. Os valores adotados são compatíveis aos obtidos na medida em pé (com uma diferença em torno de 2% a mais que a mensuração da pessoa em pé) (MARTINS, 2009). Antes de iniciar a medição, explique o procedimento e peça autorização para realizá-lo, proceda à lavagem básica das mãos e deixe a cabeça livre de qualquer adereço. De acordo com Martins (2009), logo após, execute as seguintes etapas: Posicionar a pessoa em posição supina (ou decúbito dorsal), ou seja, deitada de costas, com o leito em posição horizontal completa (Figura 4); Figura 4 – Pessoa em posição supina Fonte: os autores O avaliado deve estar com a cabeça reta e com a linha de visão voltada para o teto; Realizar o registro das medidas do lado direito ou esquerdo do corpo; Marcar o lençol na altura do ápice da cabeça e da planta do pé (Figura 5); Figura 5 – Marcações da cabeça e do pé para mensuração da estatura em acamados Fonte: os autores Fazer a medição do comprimento entre as marcas, utilizando fita métrica flexível (Figura 6); Figura 6 – Mensuração do comprimento entre as marcas com fita métrica flexível Fonte: os autores Realizar o registro da medida da altura nos impressos específicos, curvas de crescimento e prontuário da pessoa (a depender da rotina do serviço de saúde). Realizar a interpretação dos resultados transmitindo a pessoa, junto com as orientações necessárias. Quanto à mensuração da altura utilizando a técnica da altura do joelho, há pouca alteração com a idade, sendo mais indicada para idosos (MARTINS, 2009). Antes de iniciar a medição, explique o procedimento e peça autorização para realizá-lo. Proceda à lavagem básica das mãos. De acordo com Martins (2009), logo após, execute as seguintes etapas: Auxilie a pessoa a ficar em decúbito dorsal no leito. Caso não seja possível, pode-se fazer a medição com o paciente sentado, com uma perna cruzada sobre o joelho oposto; O joelho e o tornozelo do lado esquerdo devem estar flexionados, formando um ângulo de 90º (Figura 7); Figura 7 – Joelho formando ângulo de 90º Fonte: os autores Colocar a borda fixa do paquímetro embaixo do calcanhar e posicionar a borda móvel do paquímetro na superfície anterior da coxa, próxima à rótula (ou patela). O paquímetro deve ser mantido paralelo à tíbia e pressionado para que os tecidos fiquem comprimidos (Figura 8); Figura 8 – Paquímetro com borda fixa no calcanhar e borda móvel próxima à rótula Fonte: os autores. Realizar duas medidas próximas de 0,1cm e obter a média entre elas. Usando a média mensurada, deve-se calcular a estatura do avaliado a partir das fórmulas: Homens: Estatura (cm) = [64,19 - (0,04 x idade em anos)] + (2,02 x altura do joelho em cm) Mulheres: Estatura (cm) = [84,88 - (0,24 x idade em anos)] + (1,83 x altura do joelho em cm) Fonte: Chumlea, Roche e Steinbaugh (1985) 1.4 Valores de referência Os valores de referências antropométricas padronizados são utilizados normalmente para avaliar a normalidade ou anormalidade das medidas corpóreas, tais como estatura, comprimento, entre outras (SBP, 2009). Também é possível o estabelecimento de índices antropométricos, ou seja, a combinação entre as medidas corporais e classificação em função da idade, gênero ou outras variáveis, permitindo, assim, uma interpretação mais fidedigna (LAMOUNIER; ABRANTES; SILVEIRA, 2009). 1.4.1 Para crianças e adolescentes Em pediatria, os referenciais antropométricos para avaliação da altura mais comumente utilizados são as curvas de crescimento, destacando-se como importantes instrumentos para avaliação clínica de crianças e adolescentes. Essas curvas foram criadas a partir da análise matemática das medidas de crianças e adolescentes em estudos transversais e longitudinais, coletadas com técnicas padronizadas, a fim de garantir referenciais de avaliação confiáveis, acurados e precisos (SBP, 2009). Durante um longo período, as curvas de crescimento do National Center for Health Statistics (NCHS), publicadas em 1977, eram recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Tais padrões foram desenvolvidos a partir de estudos longitudinais com crianças norte-americanas, brancas e de classe média. No entanto, muitas críticas foram tecidas a respeito da aplicabilidade dessas curvas em crianças e adolescentes de diferentes países; outro aspecto frágil é que a maioria das crianças estudadas não se alimentou com leite materno (LAMOUNIER; ABRANTES; SILVEIRA, 2009). Em 1994, foi iniciada uma nova pesquisa multicêntrica denominada Multicentre Growth Reference Study (MGRS). Nela, foram estudadas 8.500 crianças de seis países em diferentes continentes, todas em aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e complementado com outros alimentos até um ano de idade. O estudo seguiu uma metodologia rígida e permitiu o desenvolvimento de novas curvas, publicadas em 2006, para a avaliação de crianças de até 5 anos; posteriormente, houve a publicação de novas curvas para a avaliação da faixa etária de 5 a 19 anos (LAMOUNIER; ABRANTES; SILVEIRA, 2009). As novas curvas da OMS podem ser acessadas na internet¹ (LAMOUNIER; ABRANTES; SILVEIRA, 2009). Entre os gráficos e tabelas disponíveis para avaliação do crescimento infantil estão os indicadores de: comprimento/altura, peso por idade e peso por comprimento/altura (WHO, 2008). Os gráficos diferenciam-se entre sexo e idade (Figuras 9, 10, 11 e 12) e possuem linhas de referência de cores diferentes (preta, vermelha e verde) que facilitam a interpretação dos valores obtidos na mensuração; os valores de referência são organizados sob a forma de percentil e/ou escore Z (WHO, 2008). Figura 9 – Gráfico da OMS em escore Z para meninos entre 0 e 5 anos Fonte: World Health Organization (WHO, 2007a). Figura 10 – Gráfico da OMS em escore Z para meninas entre 0 e 5 anos Fonte: World Health Organization (WHO, 2007a). Figura 11 – Gráfico da OMS em escore Z para meninos entre 5 e 19 anosFonte: World Health Organization (WHO, 2007b). Figura 12 – Gráfico da OMS em escore Z para meninas entre 5 e 19 anos Fonte: World Health Organization (WHO, 2007b). A distribuição em percentil é a representação em cada idade, por sexo, dos valores ordenados de maneira crescente, como se fossem cem valores independentes. Com essa ordenação advém um valor de parâmetro (conforme unidade de medida) para cada percentil; cada um deles representa a posição que aquele valor tem na distribuição ordenada dos valores normais (SBP, 2009). Para exemplificar: imagine uma criança cuja altura é classificada na posição do percentil 50. Isso significa que, dentre as crianças do mesmo sexo e idade, 50% possuem altura superior à sua e 50% possuem altura inferior. Quando a classificação do percentil equivale a 95, significa que, para o mesmo sexo e idade da criança, apenas 5% apresentam altura maior do que à da criança avaliada e 95% possuem altura menor (SBP, 2009). A distribuição em percentis dos parâmetros antropométricos é sempre normal ou muito próxima do normal. Dessa forma, os valores de tendência central (próximos ao percentil 50) são os mais comumente observados na população em geral, ao tempo que os extremos são os mais raros. Esse entendimento permite ao avaliador classificar com mais praticidade o valor do percentil e perceber, quase intuitivamente, o risco de anormalidade ou de normalidade da criança ou adolescente avaliado (SBP, 2009). A distribuição em escores Z baseia-se na diferença (distância ou aproximação) de cada valor em relação ao valor mediano estimado da variável estudada em função da idade ou do sexo. A distância da mediana é avaliada em unidade (ou frações) de desvios-padrão; assim, cada desvio-padrão de diferença da mediana é correspondente a uma unidade de escore Z (SBP, 2009). O cálculo do escore Z é realizado pela fórmula a seguir: Escore Z =valor medido na criança - valor da mediana valor do desvio padrão Para exemplificar: imagine que Ana, de 6 anos de idade, apresenta 112 cm de estatura e Clara, com a mesma idade, 103 cm. A mediana de estatura para a idade é de 106 cm e o desvio-padrão, de 3 cm. Com base nesse exemplo, aplicando-se a fórmula para o cálculo do escore com os dados de Ana, obtém-se: escore Z = (112 - 106)/3 = 2), resultando no escore Z de estatura igual a +2; e com os dados de Clara: escore Z = (103 - 106)/3 = -1), obtendo-se escore Z de -1. Para fins de interpretação dos resultados, o escore Z = 0 corresponde ao valor médio na distribuição dos resultados, os valores encontrados na avaliação dessas crianças são comparados ao dessa média, ou seja, Ana apresenta escore Z positivo, indicando que sua estatura está acima da média (+2). Já Clara apresenta escore Z negativo, indicando que sua estatura está abaixo da média (-1) (SBP, 2009). Assim, de maneira geral, quando o valor do escore Z for positivo, pode-se interpretar que a medida desta pessoa ultrapassa a média da população em geral, em contrapartida, o escore negativo demonstra que se encontra abaixo dessa média (LIMA; FIGUEIRO JUNIOR, 2009). É primordial que todo profissional de saúde saiba interpretar esses escores ao observar as medidas antropométricas encontradas nas curvas de crescimento, pois se faz necessário realizar uma comparação dos valores encontrados durante a avaliação com os valores de referências “normais” para detectar se há alteração ou não (BRASIL, 2018). A comparação entre o escore Z e o percentil pode ser observada na Figura 13. Figura 13 – Relação entre escore Z e percentil Fonte: Brasil (2018) 1.4.2 Registro e interpretação dos índices antropométricos de crianças e adolescentes Para crianças menores de 5 anos, recomenda-se a utilização da referência internacional da OMS, lançada em 2006, que já consta da Caderneta de Saúde da Criança. Para crianças de 5 anos ou mais e adolescentes, recomenda-se o uso da referência internacional da OMS, lançada em 2007. Essa referência também já foi incorporada à Caderneta de Saúde do Adolescente (BRASIL, 2011). Para registrar os valores obtidos na mensuração, selecione o gráfico de linha adequado de acordo com o sexo, a idade e a medida que será registrada. O profissional irá identificar no eixo x do gráfico (linha de referência horizontal na parte inferior) o ponto que corresponde à medida obtida (por exemplo, idade) e traçar uma linha em função da medição obtida no eixo y (linha de referência vertical na extrema esquerda do gráfico) correspondente (por exemplo, peso), plotando no gráfico um ponto comum entre os dois eixos, ou seja, esse ponto corresponde ao cruzamento das linhas estendidas entre os eixos x e y (WHO, 2008). Com o tempo, à medida que ocorrem mensurações em datas sequenciais com o registro de pontos distintos no gráfico, é possível fazer a ligação entre os mesmos e traçar a curva de crescimento. Essa curva permite identificar tendências no crescimento, ou seja, se possui um crescimento consistente ou se está “em risco” de um problema e necessita ser reavaliada em breve (WHO, 2008). As cores das linhas ajudam a interpretar as medidas registradas no gráfico. A Caderneta da Criança (BRASIL, 2018) traz as seguintes informações: Quadro 1 – Interpretação das curvas de crescimento pelas cores da linha Cor da linha Interpretação Linha verde Equivale ao escore z0 ou à mediana. A curva de crescimento de uma criança que é traçada paralela à linha verde, acima ou abaixo dela, indica que a criança está crescendo adequadamente. Linha vermelha e linha preta A linha de crescimento da criança com um ponto ou desvio fora da área compreendida entre as duas linhas vermelhas sinaliza um problema de crescimento. Fonte: Brasil (2018) Outras informações adicionais são importantes para a interpretação das curvas. A World Health Organization (WHO) sugere algumas situações que podem indicar problemas ou riscos: A linha de crescimento de uma criança cruza uma linha de pontuação z; Há uma inclinação acentuada ou declínio na linha de crescimento da criança; A linha crescimento da criança permanece plana (estagnada); ou seja, não há ganho de massa ou comprimento/altura (WHO, 2008, p. 10). Essas situações devem ser interpretadas com cautela, pois podem representar ou não um problema ou risco, a depender de onde a mudança de crescimento começou e a direção que está tomando. É necessário avaliar as circunstâncias: por exemplo, se a criança perdeu peso durante um período em que esteve doente e posteriormente apresentou um ganho rápido de peso, com uma inclinação acentuada no gráfico, tal aspecto é positivo e indica um “crescimento de recuperação”. Também pode ocorrer o inverso, como, por exemplo, quando uma criança com excesso de peso apresenta um declínio na tendência de crescimento em direção à mediana, podendo indicar um “catch-down” (crescimento compensatório lento para realinhar o peso da criança, uma vez que apresentou um período de crescimento rápido, acima da faixa normal) (WHO, 2008). É importante considerar a interpretação de todos os gráficos de crescimento da criança juntos, principalmente se em apenas um for notada alguma anormalidade. Todos os indicadores são essenciais, por isso, ao olhá-los juntos, o profissional consegue identificar problemas ou tendências em relação ao crescimento da criança (LAMOUNIER; ABRANTES; SILVEIRA, 2009; SPERANDIO et al., 2011). Ressalta-se que o acompanhamento periódico e o registro das informações no prontuário do paciente, bem como nas Cadernetas de Saúde da Criança e do Adolescente, são importantes para a garantia de um acompanhamento mais efetivo (VICTORA et al., 2008). Registre com caneta cada medida com um ponto no local correto para a idade da criança e, acima, escreva a data da avaliação; em seguida, utilize uma régua para ligar a medida anterior à atual (KYLE, 2011). 1.5 Aspectos relevantes para avaliação O Quadro 2 apresenta alguns aspectos importantes para avaliação por ciclos de vida: Quadro 2 – Aspectos relevantes por ciclo de vida Ciclo de vida Observações Lactente Durantea fase de lactente, o crescimento físico é mais rápido do que em qualquer outra idade (KYLE, 2011). Infância Durante a avaliação, é imprescindível evitar o confronto físico. Deve-se tentar conquistar a confiança. Sugerem-se brincadeiras, apresentação dos instrumentos, examinando antes uma boneca ou ursinho da criança, contação de histórias ou fazer elogios e tranquilizar os pais (BICKLEY; SZILAGYI, 2010). Em geral, com dois anos de idade, as crianças atingem metade da altura que terão quando adultas (KYLE, 2011). Depois de dois anos, as crianças ganham cerca de 2 a 3 kg e crescem 5 cm ao ano (BICKLEY; SZILAGYI, 2010). Dos seis aos 12 anos, as crianças crescem cerca de 5 cm por ano, com aumento da altura entre 30 e 61 cm (KYLE, 2011). Adolescência A transformação física ocorre, em geral, ao longo de alguns anos, com início, em média, aos 10 anos para as meninas e aos 11 anos para os meninos (BICKLEY; SZILAGYI, 2010). De forma geral, o “estirão” das meninas encerra o desenvolvimento puberal por volta dos 14 anos, e dos meninos por volta dos 16 anos (BICKLEY; SZILAGYI, 2010). Idealmente, as pesagens (e as alturas) sequenciais devem utilizar as mesmas balanças e metros (BICKLEY; SZILAGYI, 2010). Adulto e Idoso As alterações musculoesqueléticas ocorrem durante toda a idade adulta. Logo após a maturidade, inicia-se uma sutil perda de altura e uma diminuição significativa fica evidente no idoso. Parte da perda de altura ocorre no tronco, à medida que os discos intervertebrais ficam mais finos e os corpos vertebrais diminuem de tamanho ou, até mesmo, entram em colapso pela osteoporose (BICKLEY; SZILAGYI, 2010). O peso e a altura são especialmente essenciais nos idosos e têm importância no cálculo do índice de massa corporal. O paciente deve ser pesado a cada consulta (BICKLEY; SZILAGYI, 2010). É possível observar algumas oscilações em relação à variabilidade dessas medidas, entre 1% e 2% ao longo do dia. Tal fenômeno deve-se às alterações posturais e à desidratação que afetam os discos intervertebrais. Nesse sentido, para obtenção de valores mais fidedignos, recomenda-se que a mensuração seja realizada, preferencialmente, pela manhã, quando normalmente são observados os maiores valores. Para conseguir realizar comparações entre os valores obtidos em avaliações anteriores, é importante que seja realizada no mesmo horário da anterior (BICKLEY; SZILAGYI, 2010). Fonte: os autores Alguns autores, como Lima e Figueiro Junior (2009), adotam projeções do comprimento esperado da criança de acordo com a idade: Altura média no nascimento: 50 cm; Primeiro semestre: ganho de 15 cm; Segundo semestre: ganho de 10 cm; Segundo ano: ganho de 12 cm; Aos 4 anos: atinge 1 metro; Aos 5 anos: ganho de 6-8 cm; 6 a 12 anos: 6 cm/ano; Até a puberdade: 5-6 cm/ano; Aceleração do crescimento: entre 11 e 12 anos (meninas) – 8/9 cm/ano e entre 13 e 14 anos (menino) – 10 cm/ano; Desaceleração do crescimento (término do crescimento e alcance final da altura): entre 15 e 16 anos (meninas) e entre 17 e 18 anos (meninos). As aplicações de parâmetros de “normalidade” necessitam de uma avaliação crítica, uma vez que a criança pode apresentar características específicas que requerem um olhar diferenciado. Nesse contexto, é importante que o profissional tenha conhecimento da existência de gráficos de crescimento especiais para crianças com síndrome de Down, síndrome de Turner e grupos étnicos que têm, tipicamente, estatura menor (KYLE, 2011). Também é necessário cautela na avaliação do crescimento e do desenvolvimento de crianças prematuras. Na avaliação delas, deve-se utilizar a idade ajustada para a classificação que a criança teria se estivesse dentro do padrão esperado para a idade cronológica. Para calcular a idade ajustada, deve-se subtrair a quantidade de semanas de prematuridade da idade cronológica (atual) (KYLE, 2011). Por exemplo, uma criança com cinco meses de idade que nasceu com 32 semanas (7 meses), nasceu com 8 semanas a menos do período previsto (2 meses); assim, ao avaliá-la, devem-se subtrair da sua idade cronológica (atual) os meses referentes à prematuridade, ou seja, 5 meses da idade cronológica atual menos 2 meses referentes ao período da prematuridade. Nessa condição, a idade ajustada da criança será de 3 meses. É esperado que a criança atinja os marcos de crescimento e desenvolvimento de 3 meses, em vez de 5 meses. Considerações A altura é de suma importância para a composição da avaliação de uma pessoa atendida em uma instituição de saúde. Ter o conhecimento desse dado durante a avaliação irá fornecer informações próprias sobre a saúde geral e o estado nutricional do paciente. De posse disso, será possível avaliar o desenvolvimento e o crescimento, considerando-se um meio de identificação precoce de uma doença, seja ela aguda ou crônica. Além disso, a aferição precisa da altura é uma forma de graduar riscos, auxiliar na determinação de diagnósticos e na definição da conduta adequada a ser adotada. Referências BICKLEY, L. S.; SZILAGYI, P. G. Bates: Propedêutica Médica. Tradução de Maria de Fátima Azevedo. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta de Saúde da criança: menina. 12.ed. 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É importante que se entre neste âmbito, pois o peso e a altura são as duas medidas antropométricas mais utilizadas para avaliação nutricional de pessoas em cuidados ambulatoriais ou hospitalares (RUFINO et al., 2010, WHO, 1995). Nessa esteira, convém distinguir massa corporal e peso, visto que a literatura corrente utiliza a terminologia “peso” como sinônimo da primeira, mas trata-se de termos distintos. Enquanto o peso é resultado de uma força que atrai os corpos para a superfície da Terra, a massa é a quantidade de matéria presente em um corpo. Logo, a massa de uma pessoa é sempre a mesma em qualquer lugar, diferentemente do peso, que varia conforme o valor da gravidade de cada planeta e satélite do Sistema Solar. Colocando em prática a 2ª lei de Newton, demonstrada pela fórmula matemática: Peso (P) = massa (m) x gravidade (g), pode-se observar que o cálculo do peso de uma pessoa com massa igual a 60 kg, por exemplo, teria resultados diferentes a depender do lugar em que se está. Na Terra, o peso seria igual a 588 N e, na Lua, 100,2 N, considerando a gravidade na Terra de 9,8 N e na Lua de 1,67 N. A massa é uma grandeza física que permite indicar a quantidade de matéria que contém um corpo físico. O Sistema Internacional utiliza o quilograma (kg) como unidade de massa. Desta forma, é importante que se corrija o entendimento empírico presente no cotidiano das pessoas, principalmente em se tratando da seara acadêmica, no sentido de não tornar massa sinônimo de peso. A propósito dessa evidência, não se conhece o Índice de Peso Corporal, mas o Índice de Massa Corporal (IMC) como método antropométrico mais utilizado no campo da Saúde. Por esse motivo, adotaremos, neste capítulo, a terminologia massa corporal. Em relação ao IMC (ou índice de Quételet), foi criado por Lambert Adolphe Jacques Quételet (1796-1874), nascido na Bélgica, importante astrônomo, matemático, demógrafo, estatístico e sociólogo do século XIX. No entanto, a validação desse indicador ocorreu mais de um século após sua concepção (KEYS, 1972). Um dos legados duradouros de Quételet à saúde pública foi o estabelecimento de uma medida simples para classificar a massa corporal em relação a um ideal para a sua altura que é calculado dividindo-se a massa corporal (m), em quilogramas, pela altura (A) ao quadrado, em metros, como representa a seguinte fórmula: IMC = m / A² A correlação entre massa corporal e altura para o cálculo do IMC, juntamente com outros parâmetros de avaliação nutricional, proporcionam resultados que permitem avaliar o estado de saúde de uma pessoa, facilitando orientações alimentares e funcionais, bem como a identificação dos fatores causais e o processo de tratamento de uma doença (POTTER; PERRY, 2009; HAMILTON et al., 2019; MASTROENI et al.,2010), além de ser um indicador de desigualdade social no Brasil por trazer correlações do excesso de peso em populações de baixa renda (CONDE et al., 2018). 2.1 Fisiologia, pontos de referência anatômicos e alguns estudos A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) (BRASIL, 2017) define a obesidade como uma doença crônica e multifatorial, muitas vezes silenciosa; fator de risco para diversas outras doenças crônicas não transmissíveis, como o câncer, doenças cardiovasculares, diabetes e cirrose. Apesar de a obesidade estar relacionada ao ganho de massa, nem todo ganho de massa representa acúmulo de tecido adiposo, uma vez que, em alguns indivíduos, observa-se aumento da massa muscular sem aumento da adiposidade corporal. Evidencia-se, portanto, a necessidade de poder medir com precisão a quantidade de gordura corporal e o nível em que o risco de doença é aumentado. É importante destacar que o ganho de massa adequado está associado às várias fases do período vital, desde a fase intrauterina até a fase puberal. Além disso, outras implicações em termos de estilo de vida – hábitos alimentares, stress, sedentarismo – também exercem influência na redução do gasto energético diário ou no aumento da ingestão de alimentos hipercalóricos (ABESO, 2016). O aumento de massa corpórea é um resultado de reações anabólicas após a ingestão alimentar, em que os nutrientes são utilizados como fonte energética. As moléculas de gordura, os lipídeos, são essenciais para o bom funcionamento do organismo, sendo o principal armazenamento de energia na forma de tecido adiposo, que forma a gordura corporal. Além disso, são componentes fundamentais da membrana celular e circulam no plasma fisiologicamente (SILVERTHORN, 2017). Porém, o excesso de lipídeos é um indicador de risco para doenças cardiovasculares, como a aterosclerose. Outro aspecto importante a ser considerado na avaliação do risco é o padrão de distribuição da gordura corporal, em que dois tipos distintos de obesidade precisam ser considerados: ginoide e androide. O primeiro refere-se ao acúmulo de gordura na região periférica do corpo, enquanto o segundo, também conhecido como obesidade abdominal, define-se pelo acúmulo de tecido adiposo na porção central (VAGUE, 1956). A presença de obesidade geral e abdominal é fator determinante no aumento da pressãoarterial, inclusive em crianças e adolescentes. Esse quadro pode vir acompanhado de dislipidemia e resistência à insulina, caracterizando a síndrome metabólica em que os indivíduos podem aparentar estar clinicamente normais, porém o risco para eventos cardiovasculares é elevado (MOSER et al., 2013). Por essa razão, as pesquisas buscam mostrar a capacidade preditiva dos indicadores antropométricos, na perspectiva de utilizar métodos simples, práticos e de baixo custo na avaliação de fatores de risco para doenças cardiovasculares (COSTA, 2009). A obesidade na adolescência vem assumindo um cenário de significativa preocupação, visto que 21,5% de adolescentes brasileiros apresentam sobrepeso e obesidade (OLIVEIRA, 2016). Esse dado aponta uma preocupação com os reflexos negativos que o excesso de massa pode acarretar, uma vez que o risco cardiovascular elevado nessa faixa etária tem repercussão na vida adulta e implica elevados custos para a saúde pública (ENES; SILVA, 2018). Em relação aos idosos, o excesso de lipídeos também traz consequências, impacta tanto na redução da expectativa de vida quanto no aumento de anos de vida com limitações na função física e na realização de atividades de vida diária (TAREQUE et al., 2019). Outro grupo populacional em que a avaliação antropométrica nutricional tem grande valor é o das gestantes, pois é capaz de predizer riscos fetais e maternos, possibilitando intervenções precoces. O excesso de peso adquirido na gestação, além de predispor à obesidade, associa-se a algumas complicações, entre elas trauma fetal, baixo peso ao nascer e mortalidade infantil (NOMURA et al., 2012). Esse ganho de massa corporal acentuado relaciona-se a fatores maternos, como alto consumo energético, mas também a fatores sociodemográficos, como a escolaridade e idade maternas, e comportamentais, como o tabagismo (STULBACH et al, 2006). Porém, não é apenas a medida da massa corporal o único fator preditor de risco cardiovascular, pois é sabido que a distribuição da gordura corporal é a causa de maior influência (OFSTAD et al., 2019). Dessa forma, é indispensável a verificação adequada da adiposidade, tornando possível uma triagem acurada dos indivíduos com maior risco para intervenção rápida (OLIVEIRA, 2016). O IMC é, atualmente, um dos indicadores antropométricos mais utilizados na avaliação do estado nutricional de populações e em estudos epidemiológicos, em especial, por ser uma medida facilmente aplicável, não invasiva e de baixo custo (ANZOLIN et al., 2017). Alguns estudos revelam que o IMC tem apresentado elevações constantes na maioria dos países, em populações de áreas urbanas de média e baixa renda, e em populações de áreas rurais (BIXBY et al., 2019). Em escolares no Brasil, pesquisa revela maior prevalência de excesso de peso em adolescentes: que se declararam negros ou indígenas; da região sul; da área urbana e dos quintos mais baixos de renda (CONDE et al., 2018). Entretanto, esse índice, o IMC, não é capaz de proporcionar a distinção entre massa gorda e massa magra, não refletindo as grandes mudanças na composição corporal (OFSTAD et al., 2019). No estudo desenvolvido por Carrasco et al. (2004), demonstrou a baixa sensibilidade do IMC em detectar indivíduos com excesso de gordura corporal quando foi constatada em indivíduos que foram avaliados por bioimpedância ‒ o exame de bioimpedância é usado para a avaliação da composição corporal, principalmente de percentuais de gordura quanto de massa magra e água corporal total. Assim, o estudo de Carrasco et al. (2004), observou que, 61% das mulheres e 23,6% dos homens foram classificados com IMC < 30kg/m² como não obesos, porém apresentavam percentual de gordura entre >30%, e >25%, respectivamente, demonstrando esse viés metodológico (CAMPOS, 2012). É perceptível, portanto, que a utilização desse método se torna discutível, porque não consegue adaptar seus valores às variáveis encontradas na fisiologia da massa corpórea, como estado de hidratação e composição muscular (HARAGUCHI et al, 2019). Por exemplo, pessoas com elevada quantidade de massa muscular podem apresentar elevado IMC, mesmo que esse valor não se deva à gordura corporal. Além disso, os pontos de corte propostos para o IMC são os mesmos para uma faixa etária muito ampla, e ainda desconsideram sexo e etnia (CAMPOS, 2012). Assim, o uso dessa técnica precisa de um olhar profissional carregado de bom senso e razoabilidade, por este não ser um cálculo em que se deve considerar apenas seu resultado de forma estrita (SOUZA et al., 2013). Para uma avaliação mais ampla do indivíduo, alguns autores defendem a aplicação do Índice de Massa de Gordura (IMG) e do Índice de Massa Livre de Gordura (IMLG) ou massa magra, obtidos por bioimpedância elétrica, uma vez que se utiliza de uma avaliação mais completa do estado corporal – o que é possível porque esse exame avalia a quantidade real de tecido adiposo, já subtraindo essa massa da quantidade de músculo, água e demais tecidos livres de gordura (OLIVEIRA, 2016). A massa considerada magra equivale à quantidade de musculatura e água, sendo esses componentes ditos saudáveis e desejáveis na constituição do maior percentual do organismo. Com esse cálculo, é possível prever se a intervenção será focada na gordura corporal, na massa livre de gordura ou, até mesmo, em ambas as massas (OLIVEIRA, 2016). Concentrações elevadas de massa de gordura podem promover acúmulo de lipídeos em tecidos que não têm a função de armazenar, como o músculo esquelético, gerando vários riscos à saúde, do mesmo modo que níveis baixos de massa magra podem impactar na força, na resistência e no equilíbrio (ROSA et al., 2017). Estima-se que de 62 a 76% da população mundial possui sua saúde prejudicada por níveis elevados de gordura corporal (MAFFETONE; RIVERA- DOMINGUEZ; LAURSEN, 2016). Outras medidas de distribuição (circunferência da cintura e relação cintura- quadril) e percentual de gordura corporal, além de indicadores musculares de desnutrição (circunferência da panturrilha), são importantes para maior confiabilidade nos resultados, devendo ser avaliados em conjunto (SILVA; PEDRAZA; MENEZES, 2015). Além disso, esses parâmetros são especialmente importantes quando a pesagem é impossibilitada por alguma característica física, a exemplo do que ocorre a muitos idosos, além da inexistência de balanças específicas. Por isso, a massa corporal pode ser estimada por meio de fórmulas que utilizam a altura do joelho, a dobra cutânea subescapular e as circunferências do braço, da panturrilha e abdominal (SOUZA et al., 2013). 2.2 Instrumentos utilizados Para avaliar a massa corporal, porém sem conseguir distinguir IMG e IMLG, deve-se utilizar a balança comum, que pode ser mecânica (Figura 14) ou eletrônica (Figura 15). A balança mecânica exige um conhecimento mais aprofundado acerca de seu funcionamento, para evitar erros de pesagem. Já a balança eletrônica é mais prática, porém exige cuidados periódicos para sua manutenção, uma vez que tende a descalibrar com o tempo. Figura 14 – Balança mecânica Figura 15 – Balança digital Fonte: os autores Fonte: os autores A balança deve ser colocada em superfície regular e firme, não devendo ser posta sobre carpetes e tapetes porque o desnível causa alteração na medição. A mecânica trata-se de uma balança vertical que tem uma base revestida de borracha e uma haste que dá sustentação aos instrumentos em forma de “T”, onde ficam as escalas graduadas, a trava, os pesos (cursores/massores de quilos) e o peso (um cilindro) de calibragem (Figura 16). Figura 16 – Partes da balança mecânica Fonte: os autores Esse tipo de balança tem duas réguas com escalas graduadas paralelas. A régua, localizada na posição inferior é representada em kg, em que cada ranhura representa 10 kg, perfazendo um total de 140 kg. Utiliza-se o cursor/massor maior, que deve ter a sua extensão posicionada na ranhura. A segunda escala, que fica logo acima, contém o cursor/massor menor e é representada em gramas, com escala que vaide 0 a 10 kg, dividida em traços menores de100 gramas e um traço maior de 500 gramas. Esta régua, somada à anterior, perfaz um total de 150 kg. O fabricante alerta que balanças assim possuem a capacidade de pesar no máximo150 kg e no mínimo 2 kg. Quanto à balança digital, o cuidado deve ser com a manutenção das baterias, para evitar erros de aferição. Outro instrumento é a balança com bioimpedância elétrica (Figura 17), que surgiu em 1960 e detecta valores de IGM e IGLM. Essa balança identifica os valores referentes aos componentes constituintes da massa corporal total, separando-os em equivalentes à gordura essencial e à gordura de reserva, o que possibilita fazer uma avaliação de maior acurácia por meio de um método não invasivo, indolor, livre de radiação, rápido e de baixo custo, que leva em consideração o sexo, a etnia, a idade, os valores de massa corporal total, a estatura, o nível de atividade física e a presença de obesidade (ROSA et al., 2017). Esse método é possível porque músculos, sangue, ossos e tecidos do corpo que possuem elevadas quantidades de água conduzem facilmente a eletricidade, o que não ocorre com a gordura. Assim, a balança envia uma corrente elétrica extremamente fraca de 50 kHz e 500 µA por meio de seu corpo para determinar o total de água em cada tecido, segundo os manuais de algumas balanças (ROCHA et al., 2011). Figura 17–Balança de bioimpedância Fonte: https://www.omronbrasil.com/hbf-514-balanca-digital-de-bioimpedancia- de-corpo-inteiro/p. Acesso em: 10 ago. 2020. Existem outros instrumentos, como paquímetros e fitas métricas, que, após mensurar pregas ou circunferências associadas a algumas fórmulas, chegam a valores de gordura corporal, cálculos muito utilizados por nutricionistas e educadores físicos. 2.3 Técnica de mensuração Primeiramente, deve-se acolher a pessoa. A maneira como alguém é acolhido tem reflexo psicoemocional no paciente/cliente que, direta ou indiretamente, poderá contribuir para a melhoria de sua saúde. Também é neste momento que se devem explicar a necessidade e a importância da pesagem para a tomada de algumas medidas terapêuticas. Perguntar ao paciente/cliente qual é sua massa e sua altura atualmente é uma maneira de estimar o valor esperado, observar o nível de orientação e o estado cognitivo; entretanto, considerar o valor relatado pela pessoa extinguindo a necessidade de pesá-la no momento não é uma medida precisa e confiável, pois o valor da massa pode ser constantemente alterado. É importante observar que não existe, a princípio, uma avaliação perfeita para sobrepeso e obesidade por implicações étnicas e genéticas; porém, não se deve negligenciar o rigor do procedimento (ABESO, 2016; JOSEPH et al., 2019). Durante o acompanhamento de ganho ou perda de massa, é recomendável e prudente que se pese a pessoa de preferência no mesmo período do dia, utilizando-se a mesma balança e com as mesmas vestimentas, buscando precisão e exatidão. O jovem e adulto que deambula e fica em posição ortostática pode utilizar a balança convencional ou eletrônica. Nos casos de bebês, recomenda-se que se realize o procedimento em balanças específicas para essa faixa etária. A pesagem deve ser realizada sem sapatos ou sandálias e recomenda-se a retirada de adereços e acessórios (óculos, cinto, colares), objetos dos bolsos da calça, saia ou camisa (celular, caneta, dinheiro, moedas, carteira, lenço, papéis) que possam influenciar na exatidão e comprometer a precisão dos dados. Se a unidade de saúde ou o hospital dispõe de uma vestimenta (bata) destinada para este fim, pede-se ao cliente/paciente para usá-lo antes da pesagem. Caso contrário, usar roupas leves. Em se tratando de adolescentes, devem- se redobrar os cuidados, a fim de evitar a exposição. O procedimento de pesagem, embora possa parecer algo simples, não significa ausência de relevância e prudência. Cuidados precisam ser observados. 2.3.1 Mensuração da massa corporal em adultos e crianças maiores de 2 anos Antes de iniciar o procedimento, o profissional deverá realizar a higienização das mãos, como medida preventiva de contaminação cruzada; Colocar sobre o piso da balança um papel-toalha, pois evita contaminação, além de não deixar fragmentos de areia nas reentrâncias da borracha; Proceder ao abaixamento da trava e tarar a balança (calibrar), movimentando o calibrador. Considera-se a balança calibrada quando seu fiel está em equilíbrio com a agulha (Figura 18); Figura 18 – Calibragem da balança Fonte: os autores Depois de calibrada, levantar a trava e solicitar que a pessoa suba na balança com as costas voltadas para o examinador (caso também seja verificada a altura na própria balança); Solicitar que o paciente permaneça em posição ereta, com os braços estendidos e olhando para o horizonte. Procurar saber quantos quilos a pessoa possui e movimentar o cursor/massor de kg na escala graduada até o número estimado. Em sequência, movimentar o cursor/massor de gramas (Figura 19) até o número em que o fiel da balança aponte o nivelamento. Esse procedimento deve ser realizado com o examinador em frente das escalas graduadas da balança, a fim de evitar erro na leitura; Figura 19 – Movimentação do cursor menor Fonte: os autores Observar os valores e registrá-los de forma legível; Levantar a trava da balança, colocar os massores no ponto zero das suas respectivas escalas e solicitar à pessoa que desça da balança; Retirar o papel da balança, destinando-o ao lixo. Lavar novamente as mãos com água e sabão e secar com papel toalha. Nos idosos, os cuidados para evitar acidentes devem ser objetos de atenção quando sobem e descem da balança. Para a mensuração em balanças eletrônicas, o procedimento é mais simples, pois não é necessário fazer a calibragem. Assim que o paciente sobe, mostra-se o valor da massa em poucos segundos. Quando o examinado sai, a balança volta, automaticamente, ao valor zero. Para os pacientes acamados e os que não podem ficar em posição ortostática, existem macas ou camas-balança e balanças apropriadas para pacientes em cadeira de rodas. Porém, elas não são comuns na maioria das instituições de saúde. Na mensuração do paciente em cadeira de rodas é necessário utilizar balança específica. Deve-se mensurar previamente o peso somente da cadeira, em seguida dispor o paciente sentado no centro da cadeira. Desta última medida deverá ser subtraído o peso da cadeira (MARTINS, 2009). A cama-balança e a maca-balança são indicadas para pacientes acamados. A cama-balança é o método mais prático e consiste na inserção de sensores de peso na cama hospitalar (MARTINS, 2009). A derivação matemática também é uma forma indireta de se estimar o peso corporal (MARTINS, 2009). Esta requer o uso de equações desenvolvidas (CHUMLEA et al., 1998 apud MARTINS, 2009). São duas equações, uma específica para homens e outra para mulheres, como pode ser verificado a seguir: Mulheres: Peso Corporal (kg) = (1,27 x circunferência de panturrilha) + (0,87 x altura de joelho) + (0,98 x circunferência de braço) + (0,4 x espessura de dobra cutânea subescapular) – 62,35 Homens: Peso Corporal (kg) = (0,98 x circunferência de panturrilha) + (1,16 x altura de joelho) + (1,73 x circunferência de braço) + (0,37 x espessura de dobra cutânea subescapular) – 81,69 2.3.2 Mensuração da massa corporal em crianças menores de 2 anos Para a pesagem de crianças, é importante que se tenha um local adequado, com cores e detalhes alegres, além de brinquedos e móbiles que tornem o ambiente lúdico e terapêutico, pois crianças são muito sensíveis às mudanças e desconfiadas com pessoas estranhas ao seu convívio. Assim, o ambiente deve ser o mais familiar e acolhedor possível, para quebrar o estranhamento do novo. O lugar deve dispor de temperatura adequada ou ser climatizado, tendo o cuidado para não haver choque térmico ou calafrio (POTTER, PERRY, 2009). Em crianças menores de 2 anos, deve-se retirar a roupa, podendo deixá-las com fralda descartável e seca. Uma opção é pesá-las desnudas(Figura 20), para não ser necessário fazer o desconto do peso da fralda. Não deve esquecer-se de colocar um tecido leve ou papel sobre a superfície da balança, no sentido de prevenir infecção cruzada a partir de urina ou fezes (POTTER; PERRY, 2009). Pode-se usar uma fralda de tecido (algodão) da própria criança (ABESO, 2016). Figura 20 - Posição da criança para pesagem Fonte: os autores No momento de se colocar a criança na balança, é oportuno que se faça uma inspeção rápida na pele e no seu aspecto geral, aproveitando-se dessa oportunidade para verificar a higiene e a integridade da pele. Os bebês devem ser pesados em gramas. O procedimento em relação à balança para pesagem de bebê não é diferente com relação às balanças de plataforma mecânica para crianças maiores de 2 anos, adolescentes e adultos. A conduta deve ser a mesma para aferir, levando em consideração a calibragem da balança. A balança infantil possui duas réguas, sendo uma anterior e outra posterior. Essas réguas também possuem escalas graduadas. A régua localizada na posição posterior é representada em kg, em que cada ranhura representa 1 kg, perfazendo um total de 15 kg. Utiliza-se o cursor/massor maior, que deve ter a sua extensão posicionada na ranhura. A segunda escala, que se localiza na posição anterior, contém o cursor/massor menor e é representada em gramas, com escala que vai de 0 a 1000 g, dividida em traços de 100 gramas. Essa régua, somada à anterior, perfaz um total de 16 kg. A balança infantil (Figura 21) destina-se à pesagem de bebês e crianças menores de 2 anos e com massa inferior à capacidade da balança. Podem ser de plataforma mecânica ou plataforma digital com prato acolchoado e decoradas com motivos infantis. Figura 21 – Balança infantil Fonte: os autores Fonte: www.balmak.com.br. Acesso em: 2 fev. 2020 2.3.3 Mensuração da massa corporal em balanças com bioimpedância Em relação às balanças com bioimpedância, alguns cuidados são recomendados antes de usá-las, para maior precisão dos resultados, entre eles: estar em jejum, não consumir álcool 48 horas antes do teste, não realizar exercício de intensidade moderada a elevada nas 12 horas antes da avaliação, não efetuar o exame na presença de um estado febril ou de desidratação; não utilizar bijuterias metálicas ou implantes dentários com metal; não ingerir café; realizar a avaliação com roupa de banho ou roupas íntimas (ROCHA et al., 2011, p.1). Em seguida, é necessário digitar alguns dados pessoais, como sexo, idade e altura. Depois, é só seguir o passo a passo de cada fabricante, para não correr o risco de mensurar falsos resultados. Na Figura 22, a seguir, observa-se a descrição da técnica de mensuração de um manual de instrução. Figura 22 – Orientações do manual de instrução: como utilizar a balança de bioimpedância elétrica Fonte: https://site.omronbrasil.com/uploads/attachment/180e655c39164512d2ba7abbd8f70cefd75e6083HBF- 514C-pdf.pdf. Acesso em: 20 ago. 2020 Estudos evidenciam eficiência do método de bioimpedância elétrica em diversas condições clínicas como desnutrição, traumas, pré e pós-operatório, doenças hepáticas, insuficiência renal e gestação; entretanto, em crianças e atletas e em quadros de hiper hidratação, o valor da massa magra fica superestimado. Outras condições que alteram os resultados são: posição corporal, prática de exercícios físicos, ingestão dietética, temperatura da pele e ciclo menstrual. Estudos também não recomendam o uso da bioimpedância em pacientes renais crônicos devido às variações agudas de fluido corporal de pacientes em diálise (ROCHA et al., 2011). 2.3.4 Valores de referência Nas crianças e nos recém-nascidos, as medidas antropométricas são ferramentas essenciais para que o profissional possa atestar o crescimento adequado. Essa avaliação faz parte das ações básicas de saúde no acompanhamento do desenvolvimento infantil. As curvas de crescimento representam padrões de crescimento de crianças normais e representam valiosos instrumentos de avaliação das condições de saúde da população infantil, principalmente quando aplicadas de modo adequado pelos profissionais de saúde. Essas curvas foram elaboradas com base nos estudos com indivíduos considerados normais, obedecendo aos critérios em condições ambientais considerados favoráveis ao desenvolvimento de seus potenciais de crescimento e desenvolvimento. Dentre elas, as mais evidentes e conhecidas no Brasil são as curvas de crianças americanas publicadas pelo National Center for Health Statistics (NCHS), recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e as de Marcondes et al. (1969), elaboradas com crianças de Santo André. São amplamente utilizadas para avaliar o crescimento pondero estrutural, ou seja, peso x estatura, classificando as crianças em percentis ou escores Z (quantidade de desvios-padrões acima ou abaixo da média) (Quadro 3). Quadro 3 – Classificação da nutrição de crianças e adolescentes baseada no IMC para idade (escore Z e percentil) CONDIÇÃO MENORES DE 5 ANOS 5 AOS 19ANOS Magreza acentuada Escore Z < -3 percentil < 0,1 Escore Z < -3 percentil < 0,1 Magreza Escore Z ≥ -3 e <-2 percentil ≥ 0,1 e < 3 Escore Z ≥ -3 e <-2 percentil ≥ 0,1 e < 3 Eutrófico Escore Z ≥ -2 e ≤+1 Percentil ≥ 3 e ≤ 85 Escore Z ≥ -2 e ≤+1 percentil ≥ 3 e ≤ 85 Risco de sobrepeso Escore Z > +1 e ≤ +2 percentil > 85 e ≤ 97 - Sobrepeso Escore Z > +2 e ≤ +3 percentil > 97 e ≤ 99,9 Escore Z > +1 e ≤ +2 percentil > 85 e ≤ 97 Obesidade Escore Z > +3 percentil > 99,9 Escore Z > +2 e ≤+3 percentil > 97 e ≤99,9 Obesidade grave - Escore Z > +3 percentil > 99,9 Fonte: Brasil (2017)² A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica destaca, nas Diretrizes Brasileiras de Obesidade, que existem gráficos de IMC padronizados para a faixa etária pediátrica, considerando que, em crianças, o IMC também varia com a altura e com a idade, não sendo recomendável a sua aplicação direta (ABESO, 2016). Levando-se em conta as diferenças étnicas, no ano de 2006, a OMS lançou novos gráficos de avaliação, com base em pesquisas realizadas ao longo de 10 anos, em diferentes regiões geográficas mundiais. Brasil (Pelotas) – que representava toda a América Latina; Ghana (Accra); Índia (Nova Délhi); Noruega (Oslo); Oman (Muscat); Estados Unidos (Davis) (WHO, 2006). O Brasil adota curvas da OMS separadas por sexo, disponíveis³ para crianças até 5 anos (Figuras 23 e 24) e crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos (Figuras 25 e 26). Além do IMC para as idades, também se utilizam curvas de peso para idade e peso para estatura. Na consulta, após a averiguação da estatura e da massa do paciente, encaixam-se essas informações nas curvas adequadas e faz-se a correta interpretação dos dados, segundo os valores expressos no Quadro 3 (ABESO, 2016). A avaliação do estado nutricional de crianças deve basear-se nas curvas de peso por idade, peso por estatura, IMC por idade e estatura por idade, enquanto a de adolescentes envolve apenas os indicadores IMC por idade e estatura por idade. Figura 23 – Curva de IMC da OMS para meninas de 0 a 5 anos Figura 24 - Curva de IMC da OMS para meninos de 0 a 5 anos Figura 25 – Curva de IMC da OMS para meninos de 5 a 19 anos Figura 26 – Curva de IMC da OMS para meninas de 5 a 19 anos Tendo em vista a adolescência ser uma das fases mais significativas do ciclo vital, o excesso de gordura corporal, muitas vezes decorrente do estilo de vida associado a um conjunto de mudanças metabólicas, pode resultar em dislipidemias, hipertensão arterial e hiperinsulinemia – fatores de risco para o desenvolvimento de síndrome metabólica (PEREIRA et al., 2010). Para a classificação de sobrepeso e obesidade em adultos no Brasil, adotaram-se os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS), que também apresentam as mesmas limitações, com relação ao IMC, constatadas pela literatura (ABESO, 2016). No entanto, essa classificação apresenta semelhante correlação com as comorbidades e risco para o desenvolvimento de doenças.Logo, como a técnica do IMC contém suas limitações, é importante que se agreguem a ela outros procedimentos metodológicos de determinação de gordura, principalmente a circunferência da cintura, de forma conjunta, considerando que o IMC isoladamente não fornece maior precisão (ABESO, 2016). Quadro 4 – Classificação internacional de peso para adultos segundo o IMC IMC (kg/m²) CLASSIFICAÇÃO <18.5 Baixo peso ≥18.5 e <25.0 Peso adequado ≥25.0 e <30.0 Sobrepeso ≥30.0 Obesidade Fonte: Abeso (2016) Os dados do Quadro 4 apresentam ressalvas, pois esses pontos de corte foram estabelecidos a partir de estudos realizados com amostras predominantemente caucasianas, principalmente europeias e americanas. Assim, quando aplicado a populações distintas, o indicador pode ter seu poder discriminatório reduzido (CARROLL et al., 2008). Os pontos de corte de: 16.0 kg/m² (baixo peso grave), 16.0-16.9 kg/m² (baixo peso moderado) e 17.0-18.4 kg/m² (baixo peso leve) também fazem parte da classificação internacional, mas não estão expressos na tabela proposta pela OMS (ABESO, 2016). Em relação aos parâmetros de gordura corporal encontrados pelo método da bioimpedância, alguns estudos sugerem utilizar a tabela de referência de Gallagher et al. (2000), que traz associações à idade (MAFFETONE; RIVERA- DOMINGUEZ; LAURSEN, 2016), revelando que valores superiores aos indicados no Quadro 5 sugerem maiores riscos à saúde, apesar de os estudos revelarem a ausência de um consenso na definição desses parâmetros. Quadro 5 – Parâmetros considerados adequados para a porcentagem de massa corporal em adultos Idade IMG na mulher IMG no homem 20 a 39 anos 32% 19% 40 a 59 anos 33% 21% 60-79 anos 35% 24% Fonte: estudos de Gallagher et al. (2000) Para crianças e adolescentes, a Sociedade Brasileira de Pediatria sugere usar os parâmetros descritos no Quadro 6. Quadro 6 – Percentual de gordura corporal por idade e sexo Fonte: Buchman (1998 apud SBP, 2012) Os manuais de algumas balanças de bioimpedância trazem como referência também Gallagher et al.(2000) e revelam a tabela a seguir como ponto de referência para a realização da leitura e interpretação dos dados obtidos (Figura 27). Figura 27–Parâmetros de porcentagem de gordura corporal adotados por alguns fabricantes da balança de bioimpedância Fonte: https://site.omronbrasil.com/uploads/attachment/180e655c39164512d2ba7abbd8f70cefd75e6083HBF- 514C-pdf.pdf. Acesso em: 20 ago. 2020 Isso porque se compreende que a média do corpo humano possui 82% de massa magra e 18% de massa gorda. Valores acima desses podem ser considerados de risco para algumas doenças (KNAZAWA et al., 2002). Considerações Torna-se evidente, portanto, a importância do acompanhamento dos valores de massa corporal, uma vez que são preditórios de eventos patológicos, principalmente cardiovasculares. Para isso, a antropometria tem seu valor comprovado, em virtude da facilidade de obtenção dos dados, que são válidos e confiáveis, desde que os profissionais responsáveis tenham treinamento adequado, sendo capacitados para realizar aferições previstas pelo padrão nacional (GOMES; ANJOS; VASCONCELLOS, 2010). Os estudos apontaram também que os fatores de risco associados ao excesso de gordura corporal, como sedentarismo, distribuição central da massa adiposa, tabagismo e etilismo, são pontos em que o profissional de saúde deve insistir na modificação, pois podem ser revertidos, com melhora significativa para o indivíduo, demonstrando a importância do acompanhamento clínico e nutricional para a obtenção de melhorias inequívocas na qualidade de vida da população (REZENDE, 2006). A preocupação pelo padrão de distribuição da gordura corporal justifica-se pela associação entre complicações decorrentes de disfunções metabólicas e cardiovasculares e um maior acúmulo de gordura na região central do corpo, independentemente da idade e da quantidade total de gordura corpórea (THOMAS et al, 2004). Assim, é preciso considerar a Bioimpedância ou Impedância Bioelétrica como método prático e rápido de avaliar a composição corporal, permitindo avaliar a quantidade de massa magra, de água corporal e de gordura contida no corpo, indo para além da restrita avaliação do IMC. Referências ABESO. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Diretrizes brasileiras de obesidade. 4.ed. São Paulo, 2016. ANZOLIN, C. C. et al. Precisão de diferentes pontos de corte do índice de massa corporal para identificar sobrepeso de acordo com valores de gordura corporal estimados por Dexa. J. Pediatr., [s.l.], Porto Alegre, v. 93, n. 1, p. 58-63, 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0021- 75572017000100058&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso em: 25 maio 2019. BIXBY, H.; et al. Rising rural body-mass index is the main driver of the global obesity epidemic in adults. Nature Scientific Reports, [s.l.], v. 569, p. 260-264, 2019. 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Assim, o estudo das circunferências corporais, em especial da cabeça, do pescoço, da cintura, do abdome e do quadril, é imprescindível à prática clínica, porque implica na utilização de parâmetros para identificar possíveis elementos anômalos que o corpo humano possa apresentar. Dessa forma, verificar o perímetro craniocefálico e identificar alterações no seu desenvolvimento, bem como estimar valores, em centímetros, da gordura acumulada em algumas regiões do nosso corpo contribuem para o profissional investigar outros fatores associados que podemsuscitar em processos de adoecimento. Para isso, é preciso compreender, inicialmente, que na antropometria a circunferência equivale ao perímetro máximo de uma região do corpo quando medido em ângulo reto sob referência de seu eixo maior e corresponde à medida de espaços preenchidos por estrutura óssea, gordura corporal, massa livre de gordura, vasos, músculos e outros tecidos. São consideradas medidas úteis principalmente no acompanhamento do crescimento e podem auxiliar no diagnóstico do estado nutricional (COSTA; SICHIER, 1998). Portanto, verificar a medida da cabeça, do pescoço, da cintura, do abdome e do quadril requer do avaliador conhecimentos anátomo-fisiológicos e técnica adequada para a obtenção precisa dos valores. 3.1 Fisiologia, pontos de referência anatômicos e alguns estudos A importância de se medir as circunferências do pescoço, da cintura, do abdome e do quadril está diretamente ligada à quantidade de tecido adiposo acumulado em algumas regiões corporais. O tecido adiposo exerce um papel fundamental no metabolismo glicídico e lipídico, além de ser um dos responsáveis por favorecer a homeostase sistêmica. É composto, em grande parte, por dois tipos de gordura: a gordura subcutânea, localizada na hipoderme, e a gordura visceral, localizada na cavidade abdominal e no mediastino (KÜÇÜK et al., 2016). Uma forma de avaliar o risco que estes tipos de gorduras trazem para o funcionamento adequado do coração é medindo a circunferência de regiões como: pescoço, cintura, abdome e quadril. Ao identificar a circunferência do pescoço (CP), é possível avaliar o acúmulo de gordura subcutânea que confere risco cardiovascular, uma vez que a gordura subcutânea guarda correlação direta com a gordura epicárdica, rica em gordura visceral, responsável por modular funções locais da artéria coronariana (KÜÇÜK et al., 2016). Em crianças e adolescentes de 6 a 18 anos, a medida do pescoço é suficiente para determinar a quantidade de gordura, o nível de obesidade (HATIPOGLU et al., 2010; JEEVANANDAM; PRATHIBHA, 2018) e síndromes metabólicas (FORMIZANO et al., 2016). No estudo de Filgueiras et al. (2019), a CP mostrou-se capaz de determinar a adiposidade central, pois identificou o excesso de gordura androide em crianças. Os valores da CP, quando elevados, podem indicar risco de pré-hipertensão e hipertensão em crianças, jovens e adultos (PREIS et al., 2010; NAFIU et al., 2014; LIANG et al., 2015; LI et al., 2015; FAN et al., 2017; MORADI et al., 2018). Contudo, nos indivíduos idosos, o valor da CP deve ser verificado, pois reduções acentuadas podem indicar desnutrição ou sarcopenia (WAKABAYASHI, MATSUSHIMA, 2016; LARDIÉS-SANCHEZ et al., 2019). No entanto, há restrições no uso dessa medida como indicadores de risco para essas patologias mencionadas em pessoas com o aumento da CP por disfunção tireoidiana (ABESO, 2016). No cotidiano clínico, apesar de ser uma medida pouco usada/explorada, a CP possui fácil acesso, fácil mensuração e avaliação, pois no pescoço há pouca variabilidade de espessura e formato se comparado ao abdome no período pré e pós-prandial. Além disso, o pescoço é uma região socialmente aceita, por não causar constrangimento ao paciente no momento do exame (SILVA et al., 2014; FILGUEIRAS et al., 2019). Por ser uma região de pouca exploração, os valores de referência da CP ainda são incipientes, sendo necessários mais estudos para se estabelecer padrões internacionais de referência (SILVA et al., 2014). A região anatômica localizada entre o tórax e a pelve é o abdome; composta por músculos, órgãos, pele, fáscia, peritônio e gordura. Diversos estudos (BROWN et al., 2000; BEN-NOUN; SOHAR; LAOR, 2001; CREPALDI; MAGGI, 2006; PISCHON et al., 2008; FREITAS et al., 2008; LEUNG et al., 2011; ABDOLAHI et al., 2014; LAM et al., 2015; LUO et al., 2016; MANU; CHANDNI; DEVARAJAN, 2017; MORAIS et al., 2018; SKOUFAS et al., 2018) indicam relações diretas da quantidade de gordura concentrada no abdome com o adoecimento vascular, principalmente pela quantidade acumulada de gordura visceral depositada, na maioria das vezes, na região da cintura (CERHAN et al., 2014). Essa gordura é a responsável pela produção de alguns hormônios que alteram a circulação e os processos inflamatórios, além de influenciar na resistência à insulina e no surgimento da aterosclerose, o que acaba elevando o risco de doenças cardiovasculares (BARROS, 2016). Há estudos que identificam correlações entre excesso de peso, riscos metabólicos e obesidade abdominal e o desenvolvimento de diabetes, o que favorece risco duas vezes maior para o surgimento de cardiopatias (FORD, 2005; ALBERTI et al., 2009; COSTA; NASCIMENTO, 2014; ORSIS; MONTALVAN; TETTAMANTI, 2019; HOUA et al., 2019). A associação entre obesidade e síndrome metabólica torna-se ainda mais evidente quando a adiposidade apresenta localização abdominal (PEREIRA, 2010; AVALOS et al., 2012; SPOLIDORO et al., 2013). A obesidade abdominal envolve o acúmulo de gordura subcutânea e visceral na região central do corpo. A adiposidade visceral, no entanto, é apontada como potencialmente mais danosa, pois se observou que os adipócitos viscerais são mais ativos e favorecem, portanto, maior liberação de ácidos graxos livres, bem como maior produção de adipocinas pró-inflamatórias. Desse modo, os efeitos consequentes da resistência à insulina e da ação das adipocinas são mais pronunciados em indivíduos que apresentam obesidade abdominal (AHMAD; IMAN, 2016). Para se verificar os possíveis riscos que o acúmulo de gordura pode desencadear nos indivíduos, é necessário identificar o valor da medida de circunferência da cintura (CC), uma vez que ela permite uma avaliação aproximada da massa de gordura intra-abdominal e da gordura total do corpo. Além disso, a CC tem sido relatada como um marcador de morbidade relacionado à adiposidade (CERHAN et al., 2014), bem como um indicador de gordura visceral e, assim, de fatores de risco cardiometabólicos (CRAWFORD et al., 2014). Estudos recentes relataram que a CC é mais sensível que outras medidas antropométricas na predição de aterogenicidade relacionada à obesidade em crianças (ELKIRAN et al., 2013; MELO et al., 2014; VITOLO, 2015; AL-DOMI; AL-SHORMAN, 2019). No entanto, os pontos de referência determinantes de risco para a saúde variam de acordo com a etnia (FERNANDEZ et al., 2004; MISRA; WASIR; VIKRAM, 2005; LEAR et al., 2010). Além disso, Santos e colaboradores (2018) mostraram que faixa etária, massa corporal, estatura, IMC, porcentagem de gordura, circunferência do quadril e do braço são fatores preditores de alteração na circunferência da cintura. Há estudos que têm observado forte relação da variação da circunferência da cintura na mulher com a fase do ciclo menstrual, principalmente na fase lútea ou pré-menstrual, uma vez que há maior elevação nos níveis de progesterona e consequente retenção hídrica. Contudo, a influência do peso e do IMC nessa fase do ciclo menstrual não tem apresentado alterações significativas (FRANCOVICH; LEBRUN, 2000; TOMAZO-RAVNIK; JAKOPIČ; 2006; OLIVEIRA et al., 2013). No entanto, pesquisas vêm identificando que a circunferência da cintura tem sido um determinante para prever distúrbios no ciclo menstrual (RTAMAGUSTINI; PURWANTO; DHARMAYANTI, 2018; RAD; SABZEVARY; DEHNAVI, 2018). Em relação à circunferência da cabeça, mais popularmente conhecida como perímetro cefálico, a importância de sua medição não está relacionada ao grau de adiposidade corporal, e sim ao crescimento e ao desenvolvimento infantil (SEREGNI; PARKER, 2018) e, por este motivo, será explorada no texto após as circunferências do pescoço, cintura, abdome e quadril. Essa medida associa-se ao volume encefálico e líquido cefalorraquidiano; um edema acentuado nesta região aumenta consideravelmente os valores encontrados, distanciando-se dos padrões de referência mais comumente encontrados (FANAROFF; FANAROFF, 2015). O crescimento e o desenvolvimento infantil se iniciam no período intrauterino, sob influência de diversos fatores maternos,como idade e massa corporal, que, se abaixo dos valores de normalidade e hábitos não saudáveis, como o uso de tabaco durante a gestação, acarretam alterações metabólicas e baixo provimento de nutrientes ao feto que poderão desencadear efeitos adversos futuros no desenvolvimento neuropsicológico da criança (VICTORA et al., 2008; ÁLAMO- JUNQUEIRA et al., 2015). As influências socioeconômicas na vida após o nascimento também devem ser levadas em consideração, principalmente quando estão relacionadas à restrição dos nutrientes necessários para o desenvolvimento infantil (BLACK et al., 2008). Entretanto, parece que o perímetro cefálico de recém-nascidos é pouco comprometido, mesmo quando submetido a situações de restrição alimentar, pois o metabolismo do feto, para adaptar-se à situação de restrição, poupa o cérebro, diminuindo a taxa de perfusão de sangue no fígado, a fim de direcioná-lo ao cérebro – o que pode acarretar menor acúmulo de gordura do que propriamente um menor perímetro cefálico. Todavia, observam-se alterações na razão peso/perímetro cefálico quando submetidas a essas restrições, tornando-se importante indicador do crescimento fetal (GONÇALVES et al., 2015). Embora tenha sido demonstrada uma estreita relação entre a circunferência da cabeça e o volume cerebral em lactentes e crianças jovens (BARTHOLOMEUS; COURCHESNE; KARNS, 2002; LAMPL; JOHNSON, 2011), as diferenças nos padrões de crescimento para as medidas da circunferência da cabeça e do peso do cérebro têm sido notadas há muito tempo (LAMPL; JOHNSON, 2011). O perímetro cefálico pode ser um pouco menor em função da modelagem do crânio do feto durante o trabalho de parto; por volta do terceiro dia, o crânio volta ao seu estado normal (WILSON; HOCKENBERRY, 2014). No entanto, após 7 dias do nascimento da criança, o perímetro cefálico volta a aumentar. Esse fato talvez indique que o crescimento cerebral esteja preservado (VILLELA et al., 2015). Contudo, há estudos que pontuam que o rápido crescimento da circunferência da cabeça durante a infância pode ser precursor de patologias do desenvolvimento, incluindo autismo (COURCHESNE; CARPER; AKSHOOMOFF, 2003; FUKOMOTO et al., 2008; SCHUMANN et al., 2010; WEI et al., 2018). Além de se avaliar o desenvolvimento infantil, a medição precisa do perímetro cefálico é um aspecto importante dentro do exame físico, uma vez que é possível perceber cabeças anatomicamente grandes ou pequenas, que podem apontar para alguma neuropatia subjacente (FANAROFF; FANAROFF, 2015). Os estudos ainda reforçam que essa medida deve ser observada em crianças maiores, pois aquelas que sofreram desnutrição nos dois primeiros anos de vida também podem mostrar prejuízos no desenvolvimento neuromotor. Ainda mais, o perímetro cefálico menor também é fator de risco para instalação precoce da doença de Alzheimer em adultos predispostos. Há evidências de maiores riscos para o desenvolvimento da esquizofrenia em pessoas com menores circunferências de cabeça ao nascer (CANTOR-GRAAE; ISMAIL; MCNEIL, 1998; HULTMAN et al., 1997; BROWN et al., 2000). Sendo assim, a medida do perímetro cefálico deve constar em estudos de avaliação de saúde e nutrição populacionais, ao lado de outras medidas antropométricas comumente usadas (MACCHIAVERNI; BARROS FILHO, 1998). 3.2 Instrumentos utilizados Para avaliar circunferências corporais, deve-se utilizar fita antropométrica graduada em centímetros, feita de material flexível, resistente e inelástica (Figura 28). O Ministério da Saúde orienta evitar o uso da fita comum de costura, diante da possibilidade de desgaste, que tende a esgarçá-la com o tempo, podendo dar falsos resultados (BRASIL, 2011). Figura 28 – Fita antropométrica utilizada para medições das circunferências corporais Fonte: os autores 3.3 Técnica de mensuração O cumprimento dos protocolos de aferição de medidas antropométricas é uma etapa de extrema importância na utilização e interpretação desses indicadores, tendo em vista a necessidade de se reduzir os erros potenciais na obtenção dessas medidas (WHO, 2008). É importante frisar que, em todas as aferições a seguir, a fita deve estar posicionada rente ao corpo, mas não deve ser aplicada força no sentido de constringir os tecidos (WHO, 2008). Antes de iniciar a medição, solicite à pessoa despir a região, caso esteja com uma vestimenta que impossibilite a verificação (como vestido, macacões, cachecóis, golas de camisas). O adequado é pedir que troque de roupa. Também observe o estado da fita métrica quanto ao desgaste e à limpeza do material. Lave as mãos e esclareça o procedimento que será realizado, bem como sua finalidade. Logo após, execute as etapas seguintes: 3.3.1 Para aferição da circunferência do pescoço Deve ser verificada com a pessoa em posição ereta, com o olhar voltado para frente; O avaliador deve se posicionar lateralmente à pessoa avaliada; Posicionar a fita métrica na região do pescoço, especificamente logo abaixo da epiglote (MAGALHÃES; BARROS, 2013), na altura da cartilagem cricotireoidea (FRIZON; BOSCAINI, 2013). Nos homens, verifica-se logo abaixo do pomo de Adão (proeminência da cartilagem tireoide) (PEREIRA et al., 2014; FRIZON; BOSCAINI, 2013) (Figuras 29 e 30). Observar os valores e anotar. Figuras 29 e 30 – Aferição da circunferência do pescoço Fonte: respectivamente: os autores e: http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/31887/1/JoaoRMAidos.pdf. Acesso em: 21 ago. 2020 3.3.2 Para aferição da circunferência da cintura A pessoa deve estar de pé, ereta, com o abdome relaxado, braços estendidos nas laterais do corpo (WHO, 2008) e com as pernas paralelas, ligeiramente separadas; O avaliador deve se posicionar ao lado da pessoa, de modo que não a deixe constrangida durante a aferição; A roupa deve ser afastada, deixando a região da cintura despida. Não verificar sobre a roupa ou cinto; Solicitará pessoa que inspire profundamente e segure a respiração por alguns segundos, até que o avaliador palpe para identificar a 10ª costela (última costela fixa) e localizar a crista ilíaca, a fim de definir o ponto médio entre essas duas regiões – é nesse local que será realizada a aferição (Figura 31); Fazer uma pequena marcação com caneta neste ponto médio; O avaliador deve segurar o ponto zero da fita métrica com uma mão e com a outra passar a fita ao redor da cintura sobre a marcação realizada; Deve-se verificar se a fita está nivelada em todas as partes da cintura, não devendo estar folgada ou apertada; Pedir à pessoa que respire profundamente, observando sua expiração; Realizar a leitura antes que a pessoa inspire novamente; Retirar a fita e fazer as anotações necessárias. Figura 31 – Aferição da circunferência da cintura, após identificação do ponto médio entre a 10ª costela e a crista ilíaca Fonte: os autores No caso de aferição desta circunferência em neonatos, diante da presença do coto umbilical, deve-se posicionar a fita métrica acima do nível do umbigo, nunca abaixo, porque o enchimento da bexiga pode influenciar os resultados (WILSON; HOCKENBERRY, 2014). 3.3.3 Para aferição da circunferência do abdome Antes de iniciar a medição, deve-se lembrar de que os mesmos cuidados descritos para a circunferência da cintura também são necessários para as demais medições. Em seguida: A pessoa deve estar de pé, ereta, com o abdome relaxado, braços estendidos nas laterais do corpo (WHO, 2008) e as pernas paralelas, ligeiramente separadas; Passar a fita métrica em volta do ponto de maior volume da região abdominal (ou cicatriz umbilical); Fazer a leitura quando a pessoa finalizar a expiração. Estudos mencionados pela Organização Mundial da Saúde indicam que as medidas da circunferência da cintura feitas ao nível do umbigo, consideradas, neste capítulo, como circunferências do abdome, podem subestimar a circunferência da cintura verdadeira (WHO, 2008). 3.3.4 Para aferição da circunferência do quadril A pessoa deve se manter em pé, com os pés unidos e os músculos glúteos relaxados; Passar a fita métrica no pontode maior protuberância da região glútea – que, em geral, coincide com a altura da sínfise púbica anterior e trocânter. Este perímetro também é denominado de perímetro glúteo (LOPES; RIBEIRO, 2014) (Figuras 32 e 33). Verificar os valores e anotar. Figuras 32 e 33 – Aferição da circunferência do quadril Fonte: os autores. 3.3.5 Para aferição da circunferência da cabeça Acalmar a criança, posicioná-la em decúbito dorsal (crianças menores de 2 anos) ou sentada (crianças maiores de 2 anos); Explicar o procedimento que irá realizar; Ajustar a fita métrica na região frontal, na altura supraorbitária (acima das sobrancelhas) e, posteriormente, na proeminência occipital (Figura 34); Observar os valores, registrando-os na curva de perímetro cefálico, a fim de acompanhar a evolução de crescimento (VILLELA et al., 2015). Figura 34 – Aferição da circunferência da cabeça Fonte: os autores O perímetro cefálico deve ser observado nos dois primeiros anos de vida, em toda consulta, para acompanhar o índice de crescimento da criança. 3.4 Valores de referência Pesquisas apontam que pode haver diferenças nos padrões de referência para o risco de doenças em relação ao acúmulo de gordura em diferentes grupos, de acordo com raça, idade e sexo. As referências retratam muitas pesquisas europeias e norte-americanas, carecendo de estudos brasileiros neste âmbito, pois, embora alguns estudos tenham sido realizados, o material encontrado até o momento ainda é insuficiente para se estabelecer um banco de dados consistente para se utilizar como padrão nacional. 3.4.1 Circunferência do pescoço Em adultos, os valores de referência limítrofes para o padrão de normalidade seriam: para homens, circunferência do pescoço menor que 37 cm; para mulheres, menor que 34 cm – padrões equivalentes a um IMC menor ou igual a 25 Kg/m², ou seja, dentro dos padrões de normalidade (BEN-NOUN; LAOR, 2003; FRIZON; BOSCAINI, 2013). Acima desses valores, há correlações comprovadas por estudos com riscos cardiometabólicos (PREIS et al., 2010; ZANUNCIO et al., 2017). Pescoço com circunferência ≥ 39,5cm para homens e ≥ 36,5 cm para mulheres equivalem a um IMC ≥ 30 kg/m², o que já se caracteriza como obesidade (BEN-NOUN; SOHAR; LAOR, 2001). No entanto, na população brasileira, ainda há restrição quanto ao uso desse marcador antropométrico, pela falta de padronização dos pontos de corte, apesar de a Sociedade Brasileira de Diabetes sugerir os seguintes estudos como referências para verificar resistência à insulina, inclusive em adolescentes (Figura 35): Figura 35 – Pontos de corte da Circunferência do Pescoço (CP) para resistência à insulina, em diferentes faixas etárias, obtidos de estudos brasileiros * CP: circunferência do pescoço; HOMA IR: modelo matemático de avaliação da homeostase para resistência à insulina. Fonte: Egídio (2017) Em relação às medidas infanto-juvenis, existem poucos estudos que definem valores de referência nessas faixas etárias com amostras representativas para a idade para outros diagnósticos, o que dificulta o estabelecimento de marcos definitivos (MORAIS et al., 2018). Santos e colaboradores (2018) avaliaram medidas de circunferência de pescoço, abdome e braço, IMC e porcentagem de gordura e puderam elaborar pontos de corte para identificação de sobrepeso, de acordo com o estadiamento puberal, em adolescentes brasileiros de 10 a 15 anos. Nesse estudo, os meninos apresentaram ponto de corte da circunferência de pescoço maior que o das meninas, que varia de 30,8 a 31,8 cm para eles e 29,4 a 30,5 cm para elas, mostrando também uma correlação entre uma circunferência de cintura elevada e o aumento na circunferência do pescoço (SANTOS et al., 2018). Pesquisa com esse público, realizada na China, afirma correlações entre circunferência do pescoço e pressão arterial, evidenciando que a maior medida do pescoço se associou a um maior risco de pré-hipertensão (GUO et al., 2012). 3.4.2 Circunferência da cintura e do abdome Apesar de os estudos utilizarem definições e técnicas de mensuração distintas para cintura e abdome, não se pode deixar de citar que muitos pesquisadores consideram essas circunferências semelhantes, com variações pouco significativas, recomendando-se, assim, o uso dos mesmos padrões de referência, ou pontos de corte, para ambas. Essas circunferências sofrem alterações, a depender de fatores como sexo e etnia. Segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, a medida da circunferência abdominal reflete melhor o conteúdo de gordura visceral que propriamente a relação cintura-quadril e está bastante associada à gordura corporal total (ABESO, 2016). A ABESO determina, em suas diretrizes, os seguintes pontos de corte, de acordo com a International Diabetes Federation (IDF, 2008), para o risco de síndrome metabólica: Figura 36 – Valores de CC para diagnósticos de síndrome metabólica em homens e mulheres segundo a etnia Europídeos: ≥ 94 cm (homens); ≥ 80 cm (mulheres). Sul-africano, Mediterrâneo Ocidental e Oriente Médio: idem a Europídeos. Sul-asiáticos e Chineses: ≥ 90 cm (homens); ≥ 80 cm (mulheres). Japoneses: ≥ 90 cm (homens); ≥ 85 cm (mulheres). Sul-americanos e América Central: usar referências dos Sul-asiáticos. Fonte: Abeso (2016) Também existe outro parâmetro de valores para a circunferência da cintura em adultos, estabelecido pela National Cholesterol Education Program-Adult Treatment Panel III (ATPIII), apontando CC iguais ou superiores a 102 cm para homens e 88 cm para mulheres como indicadores de riscos cardiovasculares (WHO, 2000). É importante esclarecer que a OMS ressalta a importância de se estabelecer pontos de corte específicos por sexo para diferentes populações, visto que os limites acima foram associados ao risco de complicações cardiovasculares em populações caucasianas. Portanto, a organização estabelece que esses parâmetros sejam utilizados como um exemplo, e não como uma recomendação (WHO, 2008). Diante dessas divergências literárias referentes ao ponto de corte, a OMS orienta que se sigam as referências da IDF como risco aumentado e as referências da ATPIII como risco muito elevado. Mulheres com IMC normal e circunferência abdominal acima de 88 cm apresentaram o dobro da prevalência de desenvolverem hipertensão arterial em relação àquelas com valores abaixo deste (HASSELMAN et al., 2008). Em crianças e adolescentes, os pontos de corte na maioria dos estudos estão balizados em idade, sexo e etnia, sendo observados em escalas de percentil. Estudos internacionais apontam vários percentis, entre eles o de 90 de cintura como indicador de alterações metabólicas em crianças de 5 a 17 anos (FREEDMAN et al., 1999); o percentil 80 como ponto de corte para identificar excesso de gordura na região do tronco em crianças de 3 a 19 anos (TAYLOR et al., 2000). os percentis 85 e 95 para identificar sobrepeso e obesidade respectivamente em crianças de 5 a 17 anos (MCCARTHY, JARRETT, CRAWLEY, 2001; MCCARTHY; ASHWELL, 2006) e percentis 75, 90 e 95 de cintura para classificar adiposidade abdominal em adolescentes de 13 a 18 anos (MORENO et al., 2007), sendo os referenciais de percentis definidos por McCarthy e Ashwell, o que demonstrou maior sensibilidade para identificar excesso de gordura abdominal, e o de Freedman et al. para identificar alterações metabólicas (PEREIRA et al., 2010). Também surge outra tabela (Figura 37) que vem sendo bastante utilizada e que define os percentis acima de 75 em crianças e adolescentes de 2 a 18 anos como predispostos a riscos cardiovasculares, hiperinsulinemia e diabetes (FERNANDEZ et al., 2004). Figura 37 – Pontos de corte para circunferência da cintura de crianças e adolescentes como indicadores de risco cardiovascular, hiperinsulinemia e diabetes Fonte: Fernandez et al. (2004) Apesar de os estudos colaborarem com informações relevantes, ainda não se tem consensos de pontos de corte apropriados ao grupo de crianças e adolescentes padronizados internacionalmente. Observam-se percentis dessamedida mais altos em adolescentes americanos, confirmando-se diferenças nos padrões de referência em relação à etnia, além das encontradas quanto à idade e ao sexo (PEREIRA et al., 2010), enquanto meninos afro-americanos possuem valores de circunferência da cintura menores quando comparados a meninos de outros grupos étnicos, como europeus e mexicanos (FERNANDEZ et al., 2004). Sendo assim, recomenda-se a utilização de escalas de percentis de IMC para determinar algum tipo de comorbidade. Contudo, para fins de consultas rápidas, sugere-se utilizar alguma tabela de percentil evidenciada pelos estudos para se adquirir estimativas sugestivas de riscos que necessite de maior investigação. Neste livro, destacou-se uma das tabelas de referência para circunferência da cintura definidas por Fernandez et al. (2004), por ter sugerido uma escala média baseada em disparidades étnicas, de sexo e de idade (Figura 37). Entretanto, em adolescentes brasileiros, os pontos de corte de circunferência da cintura relacionados ao estadiamento puberal revelaram valores inferiores aos adotados pela Diretriz da IDF, de 90 cm para adolescentes do sexo masculino e 80 cm para adolescentes do sexo feminino maiores de 16 anos, sendo possível inferir que os pontos de corte que relacionam apenas idade, sem considerar a etnia e o estadiamento puberal, podem subestimar um possível risco nutricional e de doenças cardiometabólicas (SANTOS et al., 2018). O que também se percebe nas diretrizes adotadas pela Sociedade Brasileira de Diabetes (2017), que destaca pontos de corte como indicadores para resistência à insulina considerando gênero e faixa etária diferentes dos definidos pela IDF (Figura 38). Figura 38 – Pontos de corte da circunferência da cintura para resistência à insulina em diferentes faixas etárias, obtidos de estudos brasileiros *CC: circunferência da cintura; HOMA IR: modelo matemático de avaliação da homeostase para resistência à insulina. Fonte: SBD (2017) Para crianças menores, principalmente neonatos, a circunferência da cintura não é uma medida rotineiramente observada, a menos que a criança apresente distensão abdominal e o examinador queira investigar melhor suas causas durante um determinado tempo (WILSON; HOCKENBERRY, 2014). No que se refere a estudos na infância, evidenciou-se que as crianças brasileiras possuem abdomes maiores, o que reflete em modificações nas referências padrões (NUNES et al., 2008). 3.4.3 Circunferência do quadril A circunferência do quadril é utilizada, principalmente, para calcular a relação cintura-quadril, tendo sua aplicabilidade reduzida quando empregada de forma isolada, considerando-se que os estudos não têm destacado valores de referência para esse parâmetro. Ainda assim, alguns estudos apontam correlação desse indicador com riscos à saúde. Pesquisa realizada em estudantes de escolas públicas da cidade de São Paulo mostra que, entre adolescentes de 13 a 15 anos, os meninos possuem menores valores de circunferência do quadril, IMC e Índice de Gordura Corporal em relação a meninas da mesma faixa etária (FRIGNANI et al., 2015). Outra pesquisa em escolares realizada em Porto Alegre evidenciou que a circunferência do quadril apresenta correlação com valores pressóricos (SCHOMMER et al., 2014). No entanto, as pesquisas não destacam ponto de corte para a circunferência do quadril de maneira isolada. As referências estão sempre associadas à relação cintura-quadril. 3.4.4 Relação cintura-quadril (RCQ) Atualmente, a relação cintura-quadril não está sendo muito utilizada por questões eminentemente práticas, pois a circunferência da cintura vem se associando mais intensamente à gordura corporal do que propriamente a esta relação cintura-quadril na estratificação do risco (BRANDÃO; AMODEO; NOBRE, 2012). No entanto, ao verificar essa relação, o profissional avaliará a distribuição da gordura corporal como fator de risco à saúde (ABESO, 2016). É importante destacar que, na obesidade androide, há um maior acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal, enquanto na obesidade ginoide há maior acúmulo nos quadris e nas coxas, o que tem justificado o uso desta relação, calculada com a seguinte equação: Relação cintura-quadril (RCQ) = CC/CQ CC = circunferência da cintura; CQ = circunferência do quadril Considera-se risco aumentado de doenças relacionadas à obesidade um RCQ> 0,90 para homens e >0,85 para mulheres (WHO, 2000). Os estudos apontam que essa relação não é muito adequada para crianças e adolescentes, devido às modificações constantes das fases de crescimento, sendo mais indicada a utilização do IMC para detecção de risco nessa faixa etária. No contexto de monitoramento, não é recomendada a aplicação da RCQ, pois, em situação de ganho ou perda de massa corporal, tanto a circunferência do quadril quanto a da cintura podem sofrer alterações e, assim, a relação em si não apresentaria modificações significativas (ASHWELL; HSIEH, 2005). 3.4.5 Relação cintura-estatura (RCEst) Outro indicador antropométrico para obesidade abdominal é a relação cintura- estatura (RCEst). Por ser um índice mais recente, sua utilização nos serviços de saúde ainda não é muito difundida. No entanto, diversos estudos vêm apontando que a RCEst se correlaciona de maneira mais forte com hipertensão, diabetes e dislipidemias quando comparada com a circunferência da cintura, a RCQ e ao IMC (LEE et al., 2008). Esse índice é obtido por meio da razão entre circunferência da cintura (cm) e estatura (cm): RCEst = Circunferência da cintura (cm) Estatura (cm) A RCEst forneceria noção mais apropriada de proporcionalidade corporal por incorporar a estatura em seu cálculo, conferindo, assim, melhor percepção sobre o acúmulo de gordura da região central do corpo (MCCARTHY; ASHWELL, 2006). Apesar de não existir consenso quanto ao ponto de corte, alguns pesquisadores propõem a universalização da RCEst ≥ 0.5 para identificação de riscos à saúde, independentemente de sexo, etnias, nacionalidade e até mesmo idade (BROWNING; HSIEH; ASHWELL, 2010). Entretanto, estudos realizados no Brasil observaram pontos de corte mais acurados para identificação do risco para hipertensão. Silva e colaboradores (2013), em Florianópolis, detectaram que o ponto de corte que melhor se correlacionou para hipertensão em mulheres foi RCEst ≥ 0.49 e, em homens, RCEst ≥0.50. Já Rodrigues, Baldo e Mill (2010) observaram que RCEst ≥ 0.54 em mulheres e RCEst ≥ 0.53 em homens foram mais eficazes na identificação de risco para síndrome metabólica. No estado de Alagoas, Caminha et al. (2017) identificaram que RCEst ≥ 0.54 foi considerado o melhor indicador antropométrico para hipertensão arterial em mulheres. 3.4.6 Circunferências da cabeça Os valores de referência adotados para a circunferência da cabeça, durante décadas, foram de 33 a 35 cm (POTTER; PERRY, 2013), crescendo 0,5 cm na segunda semana, 0,75 cm na terceira semana e 1 cm nas semanas seguintes (FANAROFF; FANAROFF, 2015). Porém, nesses últimos anos, diante do elevado número de casos de crianças nascidas com microcefalia, filhos de mães infectadas pelo Zika vírus durante a gestação, a Organização Mundial da Saúde tem alterado os valores de referência, orientando o uso de determinados gráficos com curvas de avaliação como referência. A OMS tem recomendado a utilização de novos parâmetros de medição, orientando que esta aferição deve ser realizada tanto após as primeiras 24 horas do nascimento como durante a primeira semana de vida. Também se deve interpretar os valores do perímetro cefálico de acordo com as tabelas de escores Z ou percentis específicos para sexo e idade gestacional. Para neonatos prematuros, nascidos com 36 semanas ou menos, deve-se utilizar a tabela do projeto INTERGROWTH-21 (Figura 39): Figura 39 – Parâmetros adotados para verificação de perímetro cefálico em nascidos de 33 a 36 semanas Fonte: Villar et al. (2014) Para nascidos a termo, ou seja, em tempo igual ou superior a 37 semanas gestacionais, utilizar os gráficos em percentil ouescore Z da OMS (Figuras 40 e 41) a seguir: Figura 40 – Gráfico da OMS para registro da circunferência da cabeça para meninas de 0 a 5 anos em escala Z Fonte: https://www.who.int/childgrowth/standards/second_set/cht_hcfa_ninas_z_0_5.pdf? ua=1. Acesso em: 2 fev. 2020 Figura 41 – Gráfico da circunferência da cabeça para meninos de 0 a 2 anos, contido na Cartilha da Criança adotada no Brasil pelo Ministério da Saúde Fonte: BRASIL (2017)⁴ Ao interpretar os gráficos, considera-se, para nascidos a termo, o padrão de normalidade nos escores Z valores que estão entre as linhas +2 e -2 DE. A presença de microcefalia é constatada quando são encontrados valores de perímetros cefálicos registrados abaixo do escore -2 DE e microcefalia grave quando há registros observados abaixo do escore -3 DE, o equivalente a 31,9 cm para meninos e 31,5 cm para meninas. Em ambas as situações, será necessário aprofundamento do histórico da gestação e da criança, além do acompanhamento constante na primeira infância e exames complementares (WHO, 2016). Já em relação à tabela de percentis, estimam-se valores acima do percentil 97 como macrocefalia; abaixo do percentil 3, constata-se microcefalia (FANAROFF; FANAROFF, 2015). É interessante ressaltar que essa medida pode revelar valores sutilmente menores imediatamente após o nascimento, devido à modelagem que o crânio da criança sofre durante o trabalho de parto vaginal, geralmente atingindo os valores de referência no segundo ou no terceiro dia de nascido. O perímetro cefálico é maior de 2 a 3 cm do que o perímetro torácico no recém-nascido, evidenciando medidas semelhantes até os 2 anos de idade, invertendo-se após esta idade, tornando-se inferior até 7 cm do perímetro torácico (WILSON; HOCKENBERRY, 2014). Se os valores se distanciarem desses limites, pode-se suspeitar de microcefalia ou craniossinostomose para medições consideravelmente inferiores e hidrocefalia ou hematoma subdural, por exemplo, para valores superiores a 4 cm do perímetro torácico. Também pode-se comparar os valores da circunferência da cabeça ao comprimento da coroa às nádegas, que se assemelham bastante (WILSON; HOCKENBERRY, 2014). Considerações Na prática clínica, rastrear alguns riscos à saúde são ações preventivas que resultam em maior qualidade de vida. Desse modo, verificar as circunferências corporais e observar valores de referência distantes dos esperados sugere ao profissional de saúde a presença de alguma alteração orgânica na pessoa avaliada, e dominar técnicas que são úteis para o seu rastreamento é responsabilidade que deve ser assumida por um bom avaliador. Realizar mensurações de circunferências rotineiramente, quer seja do pescoço de um adulto, da cintura de um idoso ou da cabeça de uma criança, passa a ser um método assertivo para direcionar melhores tomadas de decisão com relação à pessoa cuidada. Portanto, não negligenciar a realização da técnica correta de aferição e seus valores torna-se fundamental para obter maior resolutividade na terapêutica. Referências ABDOLAHI, H. et al. 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CAPÍTULO IV AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA NA GESTAÇÃO Amuzza Aylla Pereira dos Santos Raíssa Rafaella Santos Moreno da Silva Thainá da Silva Cabral Ana Carolina Santana Vieira Layanne Crystina Bandeira Nunes Givânya Bezerra de Melo A geração de uma nova vida é um marco de extrema relevância na existência da mulher e da família, acarretando modificações nos âmbitos físicos, psicológicos e metabólicos no corpo feminino, com o objetivo de permitir o crescimento do feto e o desenvolvimento da gravidez. Em suma, a futura mãe se prepara para que seu filho cresça de maneira adequada, ao longo de todo o ciclo gravídico- puerperal (SÃO PAULO, 2010; FERNANDES; MENDONÇA; AMARAL, 2014). Habitualmente, o período de uma gestação é composto por 40 semanas. Durante esse período, para que o organismo se desenvolva, são necessárias modificações acentuadas que acarretam alterações hormonais, metabólicas, morfofuncionais e psicocomportamentais, configurando um ciclo de reconhecida vulnerabilidade para o binômio mãe-filho, principalmente nos países em desenvolvimento (BRASIL, 2012). A oferta de pré-natal para todas as gestantes é essencial, pois permite uma atenção integral à mulher com vistas à promoção da saúde (FREIRE et al., 2006). Nesse período, é de extrema relevância a avaliação criteriosa das medidas antropométricas e a avaliação fetal, entre outras avaliações consideradas essenciais nessa fase da vida da mulher. As modificações antropométricas proporcionam informações adequadas à gestante sobre o que está ocorrendo no seu corpo e como o ganho de peso gestacional⁵ deve ser ponderado (CARVALHÃES; GOMES; MALTA, 2013). Em cenários vulneráveis ao acesso à saúde e alimentação adequada, a gestante poderá apresentar quadros de carência nutricional ou de ingesta hipercalórica excessiva, tornando-se fatores de risco ao binômio mãe-bebê. Assim, o monitoramento antropométrico da gestante é primordial para o acompanhamento de uma gravidez saudável. Apesar da reconhecida importância, os aspectos nutricionais da mãe têm sido negligenciados, resultando em desfechos negativos para o feto (SILVA et al., 2014). A avaliação antropométrica da gestante permite estimar os riscos de um bebê com baixo peso ao nascer, da mortalidade perinatal, neonatal e infantil, além da duração da lactação e outras intercorrências relacionadas ao parto e ao nascimento (FREITAS et al., 2011; LIMA et al., 2014). Destarte, é necessário que o profissional de saúde, durante o pré-natal, realize os seguintes procedimentos para garantir uma avaliação antropométrica de qualidade: avaliação nutricional (massa corporal, altura e cálculo do IMC), medida da altura uterina (MAYOR et al., 2018), além da pesquisa de edema. 4.1 Fisiologia, pontos de referência anatômicos e alguns estudos O ganho de peso ocorre naturalmente na gestação e acontece devido ao aumento dos tecidos maternos, que sofrem adaptações para a geração do concepto e dos produtos da concepção, que incluem o embrião, parte embrionária da placenta e suas membranas associadas – âmnio, saco coriônico (gestacional) e saco vitelino. Além dos fatores fisiológicos, o ganho de peso durante a gestação também está associado a fatores nutricionais, sociodemográficos, obstétricos e comportamentais (SANTOS et al., 2014). A seguir, tem-se valores estipulados para esses produtos: Figura 41 – Distribuição de peso materno durante a gestação PRODUTO DO CONCEPTO Feto 2,7 Kg a 3,6 Kg Líquido amniótico 0,9 Kg a 1,4 Kg Placenta 0,9 Kg a 1,4 Kg AUMENTO DOS TECIDOS MATERNOS Expansão do volume sanguíneo 1,6 Kg a 1,8Kg Expansão do líquido extracelular 0,9 Kg a 1,4 Kg Crescimento do útero 1,4 Kg a 1,8 Kg Aumento do volume de mamas 0,7 Kg a 0,9 Kg Aumento dos depósitos maternos – tecido adiposo 3,6 Kg a 4,5 Kg Fonte: ABESO (2011) Essas alterações podem ser acompanhadas pelo examinador que realiza o pré- natal, para monitoramento das modificações fisiológicas a serem estudadas. A atenção pré-natal garante maior segurança no processo gestatório e a identificação precoce de necessidade de aporte de nutrientes essenciais, como as proteínas, os carboidratos e os lipídeos, com vistas a proporcionar uma adequada nutrição materna ao crescimento e desenvolvimento fetal, já que a única fonte de nutrientes do feto é constituída pelas reservas nutricionais e a ingestão alimentar materna (SANTOS et al., 2014; CARVALHÃES; GOMES; MALTA, 2013; VITOLO, 2014). O estado nutricional materno, assim como o ganho de peso gestacional, vem sendo foco de diversos estudos, não apenas pela crescente prevalência dos seus distúrbios, mas também devido ao seu papel essencial sobre os desfechos gestacionais. Esses fatores possuem influência direta na saúde materno-fetal, no peso do recém-nascido, no tempo de gestação e em possíveis complicações pré e pós-parto (GUERTZENSTEIN, 2010; SEABRA et al., 2011). Durante a gestação também há alterações na estatura, como o aumento do centro gravitacional, a hipercifose, a hiperlordose e a tensão da musculatura paravertebral. Com a evolução da gestação, ocorre maior sobrecarga da musculatura e ligamentos da coluna vertebral. Ocorre também maior impacto às articulações devido à produção do hormônio relaxina, que dá maior elasticidade aos ligamentos da pelve e de outras articulações, o que resulta em frequentes queixas de dores, entorses, luxações ou fraturas, além da notória redução da estatura (PAULA et al., 2017). A estatura materna também influencia, segundo alguns estudos, o peso do recém-nascido: quanto mais altas forem as mães, maior a estimativa de peso da criança ao nascer; por outro lado, quanto mais baixa a estatura materna, maior o predomínio de recém-nascidos de baixo peso. Assim, é válido dizer que a baixa estatura materna representa um risco maior de ter um recém-nascido de baixo peso (SIQUEIRA, 1975), o que ratifica o Ministério da Saúde classificar gravidez com risco elevado, entre outros fatores, mulheres com estatura inferior a 1,45m (BRASIL, 2012). 4.2 Instrumentos utilizados Para o acolhimento, escuta qualificada e a obtenção dos dados antropométricos da gestante, são necessários alguns equipamentos e instrumentos, como mesa e cadeiras, mesa de exames, balança para adultos (peso/altura); fita métrica flexível e inelástica; e gestograma ou disco obstétrico (FREITAS et al., 2011; LIMA et al., 2014). 4.3 Técnicas de mensuração/valores de referência As técnicas de avaliação de altura, massa e circunferências corporais dispostas nos Capítulos I, II e III deste livro também se aplicam na avaliação da gestante, porém com algumas especificidades. 4.3.1 Avaliação do peso, da altura e do estado nutricional da gestante Para avaliar o ganho de peso na gestação, é importante conhecer o estado nutricional pré--gravídico, pois ele é um fator determinante para o ganho total de peso durante a gestação (GUERTZENSTEIN, 2010; SEABRA et al., 2011). A partir da identificação do peso e da altura, classifica-se o estado nutricional da gestante de acordo com Índice de Massa Corporal (IMC = peso/estatura²), conforme a semana gestacional, analisando os resultados sob referência dos estudos de Atalah, adotado pelo Ministério da Saúde, que se baseia no ganho de peso segundo a classificação por IMC (SANTOS et al., 2014). Essa medição é utilizada para avaliar o ganho nutricional durante todo o período gestacional e compará-lo ao ganho adequado para cada trimestre de gravidez. Com base no IMC obtido na primeira consulta de pré-natal, é possível conhecer o estado nutricional atual e acompanhar o ganho de peso até o fim da gestação. Nessa perspectiva, a gestante deve ser pesada em todas as consultas. A estatura pode ser aferida apenas na primeira consulta, desde que a gestante não seja adolescente (menor de 20 anos), cuja medida deverá ser realizada pelo menos trimestralmente (SATO; FUJIMORI, 2012; NAST et al., 2013). Vale ressaltar que a estatura durante a gestação também sofre redução de valores devido às mudanças no reposicionamento postural necessárias ao período gravídicopara compensar o aumento de peso (ORSHAN, 2011; PAULA et al., 2017). A avaliação deve começar com o examinador estipulando a idade gestacional no dia da consulta, mensurar o peso e a altura para calcular o IMC e compará-lo às medidas de corte adotadas pelo Ministério da Saúde (Figura 42). Deve-se utilizar, para essa medição, uma balança calibrada, a fim de garantir a qualidade das medidas encontradas. Essa avaliação deve ser realizada na primeira consulta, pois subsidia a previsão de ganho de peso até o fim da gestação (GUERTZENSTEIN, 2010; BRASIL, 2012). Figura 42 – Avaliação nutricional por meio do IMC segundo idade gestacional Fonte: Brasil (2012 apud ATALAH et al., 1997, p. 1429-1436) É preciso atentar-se para o cálculo do IMC no início da gestação, seja aquele baseado no IMC pré-gravídico referido, seja o IMC calculado no momento da primeira consulta, sendo considerado até a 13ª semana de gestação. Caso isso não seja possível, a avaliação da gestante deve ser realizada com os dados da primeira consulta de pré-natal, mesmo que ela ocorra após a 13ª semana gestacional. Vale salientar que a gestante só será classificada caso possua seus valores pré-gravídicos; não os possuindo e estando com idade gestacional superior ao 1º trimestre, a gestante será apenas avaliada e reconduzida a uma classificação para que seus parâmetros possam ser acompanhados, de forma que o ganho nutricional seja compatível com a classificação estabelecida (BRASIL, 2012; RAPOSO et al., 2011). Para cada situação nutricional diagnosticada (baixo peso, peso adequado, sobrepeso ou obesidade), há um ganho de peso recomendado. Para o primeiro trimestre, o ganho foi agrupado para todo o período e a gestante deve adquirir em torno de 0,5 a 2 kg, enquanto, para o segundo e o terceiro trimestre, o aumento de peso é previsto por semana (Figura 43) (BRASIL, 2012). Figura 43 – Ganho de peso recomendado na gestação segundo o estado nutricional inicial Fonte: Brasil (2012 apud INSTITUTE OF MEDICINE, 1990) Dessa forma, na primeira consulta, deve-se estimar quantos gramas a gestante deverá ganhar durante toda a gestação, assim como o ganho por semana até o fim da gravidez. Essa informação deve ser fornecida à gestante para que ela possa estar ciente acerca das complicações que o ganho excessivo de peso pode trazer para sua vida e para a vida do seu filho (SILVA et al., 2014). Tomando como base a Figura 43, é possível verificar que as gestantes poderão ter ganhos de peso distintos, conforme seu IMC inicial. Para a previsão do ganho de peso, o examinador deverá estipulá-lo até a data da próxima consulta e quanto ainda a gestante pode ganhar até o fim do período gestacional, em função da avaliação clínica para o não comprometimento da sua saúde e de seu feto. Essa oscilação no ganho de peso deve-se ao entendimento de que as gestantes que estão distantes da faixa de normalidade precisam ganhar um pouco mais de peso, para que se estabeleça uma relação de aproximação com aquelas que estão situadas em área próxima à faixa de normalidade, cujo ganho deve situar-se em torno do estabelecido como mínimo (LIMA et al., 2014; SEABRA et al., 2011). Nas consultas subsequentes, a avaliação nutricional deve ser feita permitindo a continuação da avaliação do ganho ponderal, pois possibilita evidenciar a evolução do ganho de peso durante a gestação, bem como investigar se esse aumento está adequado para a idade gestacional calculada no dia da consulta e avaliar se corresponde ao ganho da faixa em que a gestante foi classificada. Essa avaliação é de suma importância para que o examinador possa averiguar o estado nutricional da gestante estabelecido no início do pré-natal (SEABRA et al., 2011; SANTOS et al., 2014). Para facilitar esse acompanhamento, a Caderneta da Gestante possui um gráfico para que o examinador possa anotar e acompanhar os resultados (Figura 44). O gráfico é composto por um eixo horizontal, com valores correspondentes à semana gestacional, e por um eixo vertical, com valores de IMC. O interior do gráfico apresenta o desenho de três curvas, que delimitam as quatro faixas para a classificação do estado nutricional da gestante: baixo peso (BP), peso adequado (A), sobrepeso (S) e obesidade (O) (BRASIL, 2012; MAYOR et al., 2018). Figura 44 – Acompanhamento nutricional da gestante Fonte: Brasil (2014) É de extrema importância o registro da avaliação nutricional na Caderneta da Gestante, pois essa avaliação é capaz de fornecer subsídios que podem ajudar na prevenção e no controle de agravos à saúde e à nutrição no ciclo gravídico- puerperal. Além disso, o examinador deverá utilizar outros procedimentos que complementem o diagnóstico nutricional ou alterem sua interpretação (VITOLO, 2014; SILVA et al., 2014). O examinador deve estar atento à presença de alguma patologia que modifica o estado nutricional para que condutas possam ser realizadas em tempo hábil ao desfecho positivo da gestação. Essas alterações poderão ser identificadas por meio de exames laboratoriais (glicemia de jejum, hematócrito e hemoglobina) e da presença de edema, que pode alterar o resultado da avaliação nutricional, pois acarreta ganho de peso, dentre outros procedimentos (RICCI, 2015). É comprovada a associação entre o IMC mais elevado e a ocorrência maior de Doenças Crônicas Não Transmissíveis durante a gravidez. Tal fato deve ser analisado durante a assistência pré-natal, pois é esperado um aumento das medidas durante a gestação, sendo justificado por todo o crescimento e desenvolvimento do feto. No entanto, quando os valores ultrapassam os limites, tornam-se fatores de riscos para patologias. Portanto, o pré-natal deve ser realizado adequadamente, e, além disso, os profissionais que o realizam devem traçar estratégias para efetivar uma influência positiva no acompanhamento e controle das medidas antropométricas da gestante (ARREDONDO et al., 2019). Outro ponto importante a ser ponderado é em relação à gestante adolescente, pois a classificação do estado nutricional deve ser avaliada conforme o crescimento e a maturidade biológica dessa fase do ciclo de vida. A classificação do estado nutricional pode ser usada, desde que a interpretação dos achados seja flexível e considere as gestantes adolescentes que engravidaram dois ou mais anos depois da menarca (em geral, maiores de 15 anos); nessa condição, a avaliação nutricional será semelhante à da gestante na fase adulta. Para gestantes adolescentes que engravidaram menos de dois anos após a menarca, a classificação ficará próxima das gestantes adultas com baixo peso, porém o examinador precisará avaliar os aspectos físicos e nutricionais, conforme o exame físico realizado (BRASIL, 2012). Outra medida antropométrica a ser verificada para a gestante é a altura de fundo de útero. 4.3.2 Mensuração e avaliação da altura do fundo do útero (AFU) A medição do fundo do útero é um procedimento que deve ser realizado em todas as consultas. Antes de iniciar a mensuração da AFU, certifique-se de que a mulher não se encontra com necessidade de urinar, pois, por questões anatômicas, o valor da AFU é alterado a partir da quantidade de urina presente na bexiga: cada 100 mL de urina presente na bexiga significa 1 cm a mais na AFU (BRASIL, 2012). Deve-se proceder à lavagem básica das mãos e auxiliar a mulher a deitar-se sobre a maca forrada com papel toalha descartável exclusivo para o seu uso. Logo após, execute as seguintes etapas, de acordo com Freitas et al. (2011): Posicionar a paciente em decúbito dorsal com a bexiga vazia, para reduzir a interferência na AFU; Identificar a borda superior da sínfise púbica e o fundo uterino; Posicionar o ponto 0 da fita na borda superior da sínfise púbica; Fixar a outra extremidade da fita entre o dedo indicador e dedo médio; Com a face cubital da mão, deslizar até alcançar o fundo uterino; Marcar, em centímetros, o valor correspondente à altura uterina (Figura 45). Figura 45 – Medida da altura uterina Fonte: Peixoto (2014) O útero aumenta seu tamanhocom a idade gestacional, de modo que, a partir da 12ª semana, o fundo do útero torna-se palpável na sínfise púbica. Na 16ª semana, passa a ser palpável no ponto médio, localizado entre a borda superior da sínfise púbica e a cicatriz umbilical. Na 20ª semana, o fundo uterino pode ser palpado na região da cicatriz umbilical, e a relação entre os parâmetros da AFU e da Idade Gestacional (IG) passam a ter uma relação direta. Porém, o parâmetro passa a ser menos fidedigno a partir da 30ª semana. Na 36ª semana, o fundo uterino está localizado logo abaixo do apêndice xifoide (BRASIL, 2012; RICCI, 2015). Quando a gestante informa o tempo da amenorreia e este é confiável, descarta-se a possibilidade de natimorto e alguns agravos provenientes diretamente da gestação, como, por exemplo, oligoâmnio. A medida da altura uterina possibilita uma avaliação completa do crescimento intrauterino e permite ao examinador conduzir o exame de forma a detectar agravos que possam comprometer a vitalidade fetal, bem como a saúde materna (MANFREDI et al., 2016). Dessa forma, é preciso que o serviço padronize, por meio de protocolos, parâmetros para que o examinador possa utilizá-los na condução do exame e na avaliação dos parâmetros relacionados à AFU, pois os diversos métodos de medida que demonstram valores diferentes podem provocar erros na avaliação da AFU quando comparados à IG; por isso, é imprescindível normalizar a forma de medir e utilizar padrões normais de referência que tenham sido elaborados com a mesma técnica (BRASIL, 2012). Após a realização da mensuração da AFU, é recomendado que sejam efetuados os devidos registros na Caderneta da Gestante e na Ficha Perinatal, principalmente no gráfico da curva de altura do útero/idade gestacional (Figura 46). Esse gráfico tem como objetivo acompanhar o desenvolvimento normal do feto de acordo com a IG, para detectar desvios de crescimento (FREIRE et al., 2006; FREITAS et al., 2011). Figura 46 – Altura uterina por semanas de gestação Fonte: Brasil (2014) Valores de altura uterina em função da idade gestacional dentro dos padrões de normalidade devem estar entre os percentis 10 e 90. Abaixo do percentil 10 poderá indicar feto morto, oligoidrâmnio ou restrição de crescimento intrauterino; acima do percentil 90 sugere-se polidrâmnio, macrossomia, gestação gemelar ou mola hidatiforme. No entanto, quando se observa mudanças abruptas nas curvas, deve-se pensar em erros de mensuração do avaliador, sugerindo-se a repetição das medidas antes de sugerir algum diagnóstico de alteração gravídica (BRASIL, 2012). Considerações A antropometria na gestação é um fator relevante para direcionar a assistência em saúde, bem como para fornecer informações do estado nutricional materno, que está estreitamente relacionado ao estado geral de saúde do binômio mãe- filho. Logo, faz-se necessário que a avaliação antropométrica completa seja contemplada na assistência pré-natal, além de fomentar intervenções oportunas, quando necessárias, para um bom desenvolvimento do ciclo gravídico. A avaliação antropométrica das gestantes deve ser realizada por meio dos métodos propedêuticos que ajudem o examinador a avaliar a massa, a estatura, o IMC e a altura de fundo uterino, aplicando técnicas específicas, além de contar com uma visão minuciosa e aguçada para perceber desde discretas alterações até agravos que possam comprometer o bem-estar materno-fetal. Na gestante, a propedêutica conta com algumas peculiaridades próprias da gestação e deve ser adaptada ao seu quadro gestacional. O examinador deve ter o conhecimento de toda a dinâmica da gestação, assim como das modificações gravídicas que irão acarretar mudanças percebidas ao longo do exame e precisarão ser distintas de alterações patológicas. A perspectiva deste capítulo é contribuir para a melhoria da avaliação nutricional da gestante, de forma a propiciar ao examinador um aporte científico que possa ser utilizado na perspectiva de proporcionar um nascer com consequente redução dos coeficientes de morbimortalidade perinatal, nutrição inadequada e desenvolvimento de doenças crônicas. Referências ABESO. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e a Síndrome Metabólica. Ganho de Peso na Gestação. [2011]. Disponível em: http://www.abeso.org.br/uploads/downloads/5/5521b01341a2c.pdf. Acesso em: 15 jun. 2019. ARREDONDO, A. et al. Indicadores socioeconómicos de obesidad materna. El estudio de una cohorte en Morelos, México. Horizonte sanitário, [s.l.], v. 18, n. 2, p. 139-148, maio/ago. 2019. Disponível em: http://revistas.ujat.mx/index.php/horizonte. Acesso em: 2 fev. 2020. ATALAH, E. S. et al. Propuesta de un nuevo estándar de evaluación nutricional en embarazadas. Rev. Med. Chile, [s.l.], v. 125, p. 1429-1436, 1997. 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Mas como toda ousadia e tributo, não se encerram em si mesmos; trata-se de uma obra despretensiosa. Todavia, a singeleza que permeia a construção dessa contribuição perpassa pelo indiscutível esforço dos seus autores, visando oferecer aos discentes e aos professores que militam na seara da saúde não apenas conteúdos, mas informações pautadas em evidências científicas que serão muito úteis para conhecimento do corpo humano. Trata-se de um assunto que teve seu interesse no passado, não sendo diferente no presente. O que acontece com o corpo humano e as suas medidas têm despertado interesse desde os tempos remotos. Em vários períodos da história, podem-se constatar grandes obras realizadas por estudiosos que se dedicaram à pesquisa, produzindo ciência e desenvolvendo o conhecimento da anatomia humana. Nesse avanço, também foi necessário criar ferramentas para se buscar maior precisão, como o termômetro, estetoscópico, esfigmomanômetro e muitas outras. Portanto, o estudo da antropometria apresenta informações valiosas para a predição e a estimação dos vários componentes corporais, sobretudo porque hoje o homem está mais suscetível a um conjunto de fatores que são deletérios à harmonia e ao equilíbrio da saúde. A ideia é que os estudantes e profissionais da saúde se apropriem dos diversos referenciais sobre o corpo humano, a fim de permitir sua avaliação, seu diagnóstico e seu prognóstico. Reunir neste livro quatro capítulos que reforçam a importância da antropometria como indicador de possíveis alterações de saúde foi desafiador, diante de tantos estudos publicados, muitas divergências nos valores de referência e poucos consensos definidos. A relevância dessa temática e a escassez de material que reunisse informações necessárias à prática clínica em uma única obra foram as motivações de enfrentar tamanha provocação. É indispensável a avaliação antropométrica para determinar intervenções, reduzir os danos e prevenir futuras complicações de saúde. Mensurar a altura/comprimento e a massa corporal, além de levar o profissional de saúde a definir suas condutas terapêuticas, como, por exemplo, a dosagem de uma medicação ou a solicitação de exames comprobatórios, também o faz refletir sobre os fatores que interferem nesses resultados. Verificar se uma pessoa está abaixo ou acima do peso para sua altura infere diretamente no seu estilo de vida. Uma simples mensuração revela uma riqueza de informações. Não somente dados biológicos, mas dados sociais e ambientais. Perceber os motivos que levam uma criança a estar com baixo peso ou um trabalhador estar com obesidade revela, além das possíveis causas, que eles podem ser de ordem genética ou hormonal, estar diretamente ligados ao seu contexto de vida, gerido por privações e negligência, ou por uma rotina de trabalho excessiva que estimula a ingestão de alimentos rápidos e hipercalóricos. Em qualquer avaliação, as orientações dos profissionais de saúde impactam no estilo de vida dos sujeitos. Quanto maior a análise destes dados, maior será a variedade das prescrições e intervenções. Um valor indicativo de baixo peso exige, além de suplementos alimentares e acréscimo de medicamentos, a observação das questões de vulnerabilidade social para avaliar se os resultados têm correlação com o baixo poder aquisitivo e, se assim o for, acrescentar intervenções sociais que possibilitem o acesso ao alimento. Nesse mesmo sentido, observar os valores de circunferências corporais, como do abdome, do pescoço e do quadril, traz à tona a predisposição a fatores de riscos cardiovasculares e metabólicos que têm relações causais multifatoriais, inclusive com questões psicoemocionais. Ou seja, o acúmulo de gordura visceral ou subcutânea pode ser consequência de elevados níveis de ansiedade. Independentemente das causas ou efeitos que geraram alterações antropométricas, medi-las sempre será o primeiro passo. No entanto, conhecer os instrumentos utilizados e a técnica correta para realizar as mensurações é dever de todo profissional da saúde, sejam educadores físicos, enfermeiros, médicos, nutricionistas e outros, para que não haja a detecção de falsos valores. Um valor subestimado ou superestimado de um perímetro cefálico pode incorrer em ações errôneas e não contemplar uma estimulação precoce em um bebê com microcefalia, da mesma forma que não acompanhar o ganho de massa corporal de uma gestante durante um pré-natal pode impactar no não acompanhamento de uma possívelretenção hídrica ou, até mesmo, aumento da pressão arterial. Outra questão a ser observada é o cuidado com que o profissional comunica estes valores antropométricos apreendidos à pessoa avaliada. A forma como é revelada pode elevar o nível de frustração ou preocupação do sujeito; portanto, cautela e empatia são importantes. Enfim, em todas as situações, verificar medidas antropométricas é a prerrogativa para qualquer intervenção prudente; todavia, valores de referências diferentes encontrados em diversos estudos acabam dificultando o uso dessas medidas como preditores de riscos. Deve-se destacar que os valores de referência, na sua maioria, mudam a depender da etnia, gênero e idade. No entanto, investigar fontes confiáveis de dados, consensos internacionais e diretrizes adotadas pelo governo ou por associações de especialistas para utilizá-las na definição dos pontos de corte devem ser medidas criteriosamente incorporadas pelos profissionais. Espera-se que as perguntas feitas na introdução da obra tenham sido respondidas, que os leitores tenham refletido sobre suas práticas profissionais e que esta obra tenha facilitado a consulta de informações, servindo para dirimir dúvidas e estimular a utilização de técnicas e interpretações adequadas dos valores obtidos. Espera-se, também, que o leitor profissional perceba a importância de não negligenciar dados antropométricos na avaliação clínica, do mesmo modo que o leitor de outras áreas que não a da Saúde compreenda a importância de exigir a verificação e as interpretações dessas medidas quando submetido a qualquer procedimento de saúde. SOBRE OS/AS AUTORES/AS Ana Carolina Santana Vieira, enfermeira, doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Alagoas. Docente da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0002-7273-1414 Amuzza Aylla Pereira dos Santos, enfermeira, doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Alagoas. Docente da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0001-6299- 7190 Eliezel Alves dos Anjos, enfermeiro, bacharel em Direito, mestre em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal de Alagoas. Assessor técnico da Coordenação Geral da Atenção Primária da Secretaria Municipal de Maceió. Orcid: 0000-0001-7831-8869 Fillipe Donadio Araújo, graduando em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0002-6587-7634 Givânya Bezerra de Melo, enfermeira, doutoranda do Programa Associado de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade de Pernambuco e Universidade Estadual da Paraíba UPE/UEPB (PAPGEnf). Docente de Enfermagem do Centro Universitário Tiradentes de Alagoas (UNIT/AL). Orcid: 0000-0001-8951-4881 Ingrid Martins Leite Lúcio, enfermeira, doutora em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará. Docente da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0003-2738-7527 Layanne Crystina Bandeira Nunes, enfermeira, mestra em Ensino na Saúde pela Universidade Federal de Alagoas. Enfermeira da Clínica de Oncologia do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes e da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0002-9581-4220 Louise Moreira Ferro Gomes, graduanda em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0001-5285-1067 Luís Felipe Melo Barbosa, graduando em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0002-5501-339X Patrícia de Carvalho Nagliate, enfermeira, doutora em Ciências pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Docente da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0001-6715-0028 Raíssa Rafaella Santos Moreno da Silva, graduanda em Enfermagem pela Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0002-7265-9352 Raiza Kananda Lourenço de Santana, graduanda em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0001-7429-6084 Regina Célia Sales Santos, enfermeira, doutora em Biotecnologia pela Rede Nordeste de Biotecnologia. Docente da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0002-2447-0707 Tainá Cardoso Caminha Uchôa, nutricionista, mestra em Nutrição pela Universidade Federal de Alagoas, graduanda em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0001-7885-4039 Thainá da Silva Cabral, graduanda de Enfermagem pela Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0002-6972-2904 Yanna Cristina Moraes Lira Nascimento, enfermeira, doutoranda em Serviço Social, mestra em Enfermagem pela Universidade Federal de Alagoas. Docente da Escola de Enfermagem e da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas. Orcid: 0000-0003-3705-1429 ¹ Disponível em: http://www.who.int/childgrowth/en/. ² Neste endereço, encontram-se, na íntegra, as cadernetas com todos os gráficos antropométricos para ambos os sexos. ³ Gráficos disponíveis no endereço da OMS: http://www.who.int/childgrowth/en/. ⁴ Nesse endereço, encontram-se, na íntegra, as cadernetas com todos os gráficos antropométricos para ambos os sexos. ⁵ Será mantida a nomenclatura de “peso gestacional” neste capítulo, em conformidade com a nomenclatura adotada pelo Ministério da Saúde; entretanto, compreende-se que o peso gestacional aqui expresso equivale à massa gestacional, conforme justificativas contidas no Capítulo II deste livro. Homem Vitruviano (Leonardo da Vinci, 1490) Cover Page Suplementos literários, imagens e a imprensa recifense em fins da década de 1920 INTRODUÇÃO CAPÍTULO I - ALTURA CORPORAL: MENSURAÇÃO DA ESTATURA E DO COMPRIMENTO CAPÍTULO II - MASSA CORPORAL E IMC CAPÍTULO III - CIRCUNFERÊNCIAS CORPORAIS: MENSURAÇÃO DO PESCOÇO, CINTURA, ABDOME, QUADRIL E CABEÇA CAPÍTULO IV - AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA NA GESTAÇÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE OS/AS AUTORES/AS