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Manual de Higiene e Primeiros Socorros

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OSTENSIVO EMN-013 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APOSTILA DA DISCIPLINA DE 
HIGIENE E PRIMEIROS SOCORROS I 
 
 
MARINHA DO BRASIL 
ESCOLA DE APRENDIZES-MARINHEIROS DO CEARÁ 
2022 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 
OSTENSIVO - II - REV. 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HIGIENE E PRIMEIROS SOCORROS I 
 
 
 
 
 
 
 
MARINHA DO BRASIL 
 
ESCOLA DE APRENDIZES-MARINHEIROS DO CEARÁ 
 
 
 
 
2022 
 
 
TIPO: MANUAL 
FINALIDADE: DIDÁTICA 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 
OSTENSIVO - III - REV. 1 
 
 
ATO DE APROVAÇÃO 
 
 
 
 
 
Aprovo, para emprego nas Escolas de Aprendizes Marinheiros, a publicação EMN-013 
– APOSTILA DA DISCIPLINA DE HIGIENE E PRIMEIROS SOCORROS I, elaborada pela EAMCE, 
para o Curso de formação de Marinheiros para a Ativa. 
 
 
 
Fortaleza, CE. 
Em 25 de outubro de 2022. 
 
 
 
DANIEL ROCHA 
Capitão de Fragata 
Comandante 
ASSINADO DIGITALMENTE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 
OSTENSIVO - IV - REV. 1 
 
ÍNDICE 
Folha de Rosto ........................................................................................................................ II 
Ato de Aprovação ................................................................................................................... III 
Índice ...................................................................................................................................... IV 
Introdução .............................................................................................................................. VI 
 
CAPÍTULO 1 – ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS 
1.1 – Características gerais das células .................................................................................. 1-1 
1.2 – Características gerais dos tecidos ................................................................................. 1-1 
1.3 – Tipos de tecidos, órgãos e sistemas ............................................................................. 1-1 
1.4 – Sistema Respiratório, Hematose e Respiração Celular ................................................. 1-5 
1.5 – Sangue .......................................................................................................................... 1-9 
1.6 – Sistema Cardiovascular .............................................................................................. 1-10 
1.7 – Sistema Locomotor .................................................................................................... 1-14 
1.8 – Sistema Digestório ...................................................................................................... 1-16 
1.9 – Sistema Urinário ......................................................................................................... 1-19 
1.10 – Sistema Reprodutor Masculino ................................................................................ 1-20 
1.11 – Sistema Reprodutor Feminino .................................................................................. 1-21 
1.12 – Ovulação, Fecundação, Gestação e Parto ................................................................. 1-23 
1.13 – Sistema Nervoso ....................................................................................................... 1-25 
 
CAPÍTULO 2 – HIGIENE – PREVENÇÃO DE AGRAVOS À SAÚDE 
2.1 – Conceitos relacionados à Higiene ................................................................................. 2-1 
2.2 – Higiene Pessoal ou Individual ....................................................................................... 2-1 
2.3 – Higiene Coletiva ou Ambiental ................................................................................... 2-14 
2.4 – Planejamento Familiar e Métodos Contraceptivos..................................................... 2-17 
2.5 – Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) ............................................................... 2-20 
2.6 – Drogas de Abuso e Dependência Química .................................................................. 2-28 
2.7 – Drogas Anabolizantes ................................................................................................. 2-39 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 
OSTENSIVO - V - REV. 1 
 
CAPÍTULO 3 – PRIMEIROS SOCORROS 
3.1 – Introdução aos Primeiros Socorros .............................................................................. 3-1 
3.2 – Asfixia ........................................................................................................................... 3-2 
3.3 – Afogamento ................................................................................................................. 3-6 
3.4 – “Estado de Choque” – Choque Cardiovascular ............................................................. 3-7 
3.5 – Avaliações e Condutas em Primeiros Socorros – acidente/ mal súbito ...................... 3-11 
3.6 – Protocolo “ABCDE” (Airways/ Breathing/ Circulation/ Disability/ Exposure) ............. 3-12 
3.7 – Controle de Hemorragias .......................................................................................... 3-22 
3.8 – Decisão de remoção imediata da vítima e transporte de vítimas .............................. 3-28 
3.9 – Avaliação secundária da vítima e conduta (ações de urgência) ................................. 3-33 
3.10 – Intoxicação e envenenamento ................................................................................. 3-60 
 
CAPÍTULO 4 – SOBREVIVÊNCIA NO MAR 
4.1 – Ações imediatas durante o naufrágio .......................................................................... 4-1 
4.2 – Ações importantes após o naufrágio ............................................................................ 4-1 
4.3 – Balsas Salva-Vidas infláveis .......................................................................................... 4-4 
4.4 – Aspectos Psicológicos ................................................................................................... 4-5 
 
ANEXO A – Referências Bibliográficas .................................................................................. A-1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 
OSTENSIVO - VI - REV. 1 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
1 – PROPÓSITO 
 Esta apostila tem como propósito apresentar aos alunos do Curso de Formação de 
Marinheiros para a Ativa (C-FMN), os conteúdos da disciplina de Higiene e Primeiros Socorros 
I, cujos assuntos foram extraídos de publicações de fácil compreensão, atendendo às 
exigências curriculares. 
 
 
2 – DESCRIÇÃO 
 Esta publicação foi dividida em quatro capítulos, assim distribuídos: 
Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia Humanas; 
Capítulo 2 – Higiene – Prevenção de agravos à Saúde; 
Capítulo 3 – Primeiros Socorros; 
Capítulo 4 – Sobrevivência no mar; e 
Anexo A – Referências Bibliográficas. 
 
 
3 – EDIÇÃO 
 Esta apostila foi revisada em AGO2022 pela CT(S) SAMIRA Rodrigues Aguiar Palhano, 
Instrutora da disciplina de Higiene e Primeiros Socorros I (HPS I) na EAMCE. A análise 
pedagógica foi realizada pela 1ºT(RM2-T) KAMILA da Silva Assunção, Encarregada do Serviço 
de Orientação Pedagógica, revisada ortograficamente pela SC CLEIDE Bezerra Ribeiro, docente 
da disciplina de Língua Portuguesa, formatada pela 1ºSG-PD CRISTIANE Carvalho Silva Cardoso, 
Auxiliar do Serviço de Orientação Pedagógica e ratificada pelos(as) Coordenadores(as) de HPS 
I das demais EAM. 
 Prioritariamente, esta publicação destina-se à instrução dos alunos do C-FMN. 
 
 
4 – PRINCIPAIS MODIFICAÇÕES 
 Nesta revisão, as principais modificações são: 
- Ordenação dos conteúdos/ capítulos na mesma sequência que o PlaDis da disciplina; e 
- Separação dos conteúdos por disciplina, sendo uma apostila para HPS I e outra para HPS II. 
 
 
5 – CLASSIFICAÇÃO 
 Esta publicação é classificada, de acordo com o Manual de Publicaçõesda Marinha – 
EMA 411 (7ªREV), em: não controlada, ostensiva, didática e manual. 
 
 
6 – SUBSTITUIÇÃO 
 Esta publicação substitui a EMN-013 – Apostila da disciplina de HPS I e II, editada em 
2019. 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 1 - REV.1 
CAPÍTULO 1 
 
ANATOMIA E FISIOLOGIA HUMANAS 
 
1.1 – CARACTERÍSTICAS GERAIS DAS CÉLULAS 
 
 A célula é a unidade mínima de um organismo capaz de atuar de maneira autônoma 
(independente). 
 Alguns organismos microscópicos, como bactérias e protozoários, são células únicas, 
enquanto os vegetais e os animais são formados por milhões de células organizadas em tecidos 
e órgãos. 
 
1.2 – CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS TECIDOS 
 
 Os tecidos consistem em um conjunto de células de origem comum, igualmente 
diferenciadas para o desempenho de funções específicas. Cada tecido tem uma determinada 
função. 
 
1.3 – TIPOS DE TECIDOS, ÓRGÃOS E SISTEMAS 
 
Em nosso organismo existem quatro tipos básicos de tecidos, a saber: 
• Tecido epitelial; 
• Tecido conjuntivo; 
• Tecido muscular; e 
• Tecido nervoso. 
 
1.3.1 - TECIDO EPITELIAL 
 
I) Características: o tecido epitelial possui basicamente a função de revestimento. Ele 
apresenta as seguintes características: 
• Células intimamente associadas; 
• Não possui vasos sanguíneos (avascular). Os nutrientes chegam até ele por difusão 
através do tecido conjuntivo; 
• Não há entre as células substância intersticial; e 
• Geralmente as células possuem formas geométricas definidas. 
 
II) Tipos de tecido epitelial: 
 
Os tipos de tecido epitelial são: 
 
a) de revestimento: é de fácil regeneração. Reveste toda a superfície externa do corpo, 
também os órgãos internos e as cavidades como a do intestino, bexiga, coração, etc. Ele forma 
dois tipos de membranas: mucosas e serosas. 
 
• Mucosa: são membranas que revestem internamente alguns órgãos. Exemplos: 
mucosas bucal, nasal, intestinal, etc.; 
• Serosa: são membranas que revestem externamente alguns órgãos. Exemplos: 
pericárdio, pleura, mesentério, peritônio, periósteo, etc. 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 2 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1 - Tecido epitelial de revestimento 
 
b) glandular ou secretor: encarregado de secretar substâncias que são utilizadas pelo 
organismo ou de expulsar detritos metabólicos. Exemplos: glândulas sebáceas, sudoríparas, 
lacrimais, hipófise, etc. 
 
1.3.2 - TECIDO CONJUNTIVO 
 
I) Características: os tecidos conjuntivos são tecidos de ligação, sustentação e proteção, 
responsáveis por preencherem as lacunas existentes entre os órgãos. As células constituintes 
têm formatos diversos e a substância intersticial é abundante e de consistência variada. 
 
Figura 2 - Tecido conjuntivo 
 
II) Tipos de tecido conjuntivo: 
a) conjuntivo propriamente dito: apresenta substância intercelular abundante e fibras. É o 
tecido de maior ocorrência no organismo. 
Suas funções são unir, nutrir e sustentar os demais tecidos, defender o organismo contra 
micro-organismos e substâncias tóxicas e, ainda, acumular calorias. 
 
b) cartilaginoso: forma as cartilagens do nosso corpo; exerce função de sustentação; apresenta 
elasticidade e resistência. É encontrado no nariz, no pavilhão auricular, na traqueia e nas 
extremidades dos ossos de uma articulação móvel. 
 
c) ósseo: é constituído por células estreladas (osteócitos). As células são separadas por uma 
substância intercelular dura e resistente, composta de fibras proteicas e sais de cálcio. Exerce 
funções de sustentação, proteção dos órgãos internos, depósito de cálcio e formação dos 
ossos. 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 3 - REV.1 
d) hematopoiético: especializado na fabricação e destruição de células sanguíneas. Localiza-se 
na medula óssea vermelha, no baço, no fígado, no timo e nos gânglios linfáticos. 
 
e) sangue: composto por elementos figurados que terão função de transporte de oxigênio para 
as células do corpo, coagulação e defesa do organismo. Será melhor abordado, a seguir em 
tecidos. 
 
f) tecido adiposo: é uma variedade especial de tecido conjuntivo no qual se encontra o 
predomínio de células adiposa (adipócitos) que são um tipo de célula que acumula gotículas 
de lipídeos em seu citoplasma. 
 
g) tecido linfático: é um tipo de tecido conectivo do sistema linfático que contém grande 
quantidade de linfócitos que fazem parte do sistema imunológico. 
 
 
1.3.3 - TECIDO MUSCULAR 
 
I) Características: o tecido muscular é constituído de células alongadas – as fibras, adaptadas 
à contratilidade e à elasticidade. 
 
II) Tipos de tecido muscular: 
a) estriado esquelético: forma os músculos de contração rápida e voluntária do corpo, como 
bíceps, tríceps, peitoral, trapézio, quadríceps e outros. Apresenta células com estrias 
transversais e vários núcleos (polinucleadas). Possui coloração vermelha. 
 
b) estriado cardíaco: forma músculo de contração rápida, porém involuntária. Como único 
exemplo, temos a musculatura do coração (miocárdio). Apresenta células com estrias 
transversais e um único núcleo (mononucleadas), além de também possuir coloração 
vermelha. 
 
c) liso: formado por células desprovidas de estrias e dotadas de um só núcleo (células 
mononucleadas). Apresenta coloração branca, contração lenta e involuntária; é encontrado 
nas paredes do estômago, intestinos, útero, vasos sanguíneos, bexiga etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3.1 - Os três tipos de células musculares 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 4 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 3.2 - Os três tipos de tecidos musculares 
 
 
1.3.4 - TECIDO NERVOSO 
 
 O tecido nervoso é capaz de receber estímulos do ambiente (por meio dos cinco 
sentidos: visão, audição, tato, paladar e olfato) e do interior do próprio organismo (como a 
dor, a vontade de evacuar ou de urinar, etc.). Ele também é capaz de transformar esses 
estímulos em impulsos elétricos e comandar as respostas a eles, graças a uma célula altamente 
especializada: o neurônio. 
 O neurônio é formado pelo corpo celular, do qual saem prolongamentos curtos, os 
dendritos, e um prolongamento maior, o axônio. Essas células compõem o sistema nervoso 
central (encéfalo e medula) e o sistema nervoso periférico (nervos). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4 – Neurônio 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 5 - REV.1 
 
Após termos estudado os tipos de tecidos, vamos passar ao estudo dos órgãos e 
sistemas. Os órgãos são estruturas formadas, em geral, por vários tipos de tecidos, 
apresentando uma função definida. Como exemplos de órgãos temos: o coração, os pulmões, 
o cérebro, o estômago, o fígado, o pâncreas, o intestino delgado, o intestino grosso, os olhos, 
etc. 
 Já os sistemas consistem em um conjunto de órgãos que têm funções que se 
complementam com o objetivo de realizar uma função maior. Como exemplo, temos o Sistema 
Digestivo que tem a função de digestão e absorção dos alimentos que comemos, do qual fazem 
parte basicamente: a boca, o esôfago, o estômago, o intestino delgado e o grosso, o fígado e 
o pâncreas. Sem um desses órgãos, o Sistema Digestivo não funcionaria adequadamente. 
 Após entendidas essas definições, a partir deste ponto, estudaremos os principais 
órgãos, inseridos no contexto de cada sistema do nosso corpo. 
 
1.4 - SISTEMA RESPIRATÓRIO, HEMATOSE E RESPIRAÇÃO CELULAR 
 
 É o sistema responsável pela ventilação do nosso organismo, ou seja, basicamente faz 
com que o gás oxigênio(O2) passe do ambiente para o sangue e com que o gás carbônico 
(CO2) passe do sangue para o ambiente (troca de gases), processo chamado de hematose. 
 A hematose (troca de gases entre o ar e o sangue) é indispensável para outro processo 
chamado de respiração celular (respiração das nossas células). É a partir desse processo que 
nossas células conseguem obter energia para realizar todas as suas atividades, ou seja, para 
se manterem vivas. 
 O processo de respiração celular consiste basicamente em uma reação de combustão 
celular. O esquema básico de uma reação de combustão é: 
 
COMBURENTE + COMBUSTÍVEL → ENERGIA + GÁS CARBÔNICO + ÁGUA 
 
 
 
No caso das células do nosso organismo, podemos ter: 
 
COMBURENTE + COMBUSTÍVEL → ENERGIA + GÁS CARBÔNICO + ÁGUA 
 (oxigênio) (glicose / açúcar) 
 (aminoácido / proteína) 
 (lipídeo / gordura) 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 6 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5 – O processo da hematose (troca gasosa) 
 
 
 Desse modo, podemos compreender o motivo para as nossas células permanecerem 
vivas, elas necessitam de energia, que é produzida a partir da reação de combustão descrita 
acima, sendo indispensável o oxigênio. Além disso, sabe-se que, como resultado dessas 
reações, ocorre a formação de um resíduo gasoso – o gás carbônico – que deve ser eliminado. 
 Assim, para se manterem vivos, os animais necessitam de um suprimento adequado 
de oxigênio e, ao mesmo tempo, devem eliminar todo gás carbônico produzido. Esse processo 
como um todo de troca de gases entre os seres vivos e o meio ambiente recebe o nome de 
respiração. 
 
1.4.1 - ÓRGÃOS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO 
 
I) Vias aéreas ou respiratórias: são os canais que levam o ar até os pulmões. São elas: 
 
a) fossas nasais: são duas cavidades que constituem a porta de entrada do ar inspirado que, 
ao passar pelo seu interior, sofrem modificações: é filtrado (através dos pelos chamados 
vibrissas), aquecido (pelo calor do sangue existente na intensa rede de vasos sanguíneos) e 
umedecido (pelo muco produzido pelas células caliciformes da mucosa nasal). As fossas 
nasais, além da função respiratória, constituem a sede da olfação (cheiro). 
 
b) faringe: é um tubo musculoso que conduz o ar proveniente das fossas nasais em direção à 
laringe (respiração) e dos alimentos provenientes da boca em direção ao esôfago (digestão). 
 
c) laringe: é um tubo musculoso que possui uma abertura superior denominada glote que é 
guarnecida por uma cartilagem – a epiglote, que fecha a sua entrada durante a deglutição, 
evitando o “engasgo”. Nela também existem as cordas vocais, responsáveis pela produção do 
som (fonação). A laringe conduz o ar até a traqueia (ventilação / respiração). 
 
d) traqueia: é um tubo reto, com mais ou menos 11 cm de comprimento, que vai da laringe 
até os brônquios. É constituído por semianéis cartilaginosos interligados por um músculo liso. 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 7 - REV.1 
Sua função é conduzir o ar até os brônquios (ventilação / respiração). A bifurcação da traqueia 
forma os brônquios (direito e esquerdo). 
 
e) brônquios: são dois tubos anelados, existindo um para cada pulmão. A função deles é 
conduzir o ar (ventilação / respiração). 
 
f) bronquíolos: são ramificações dos brônquios que originam os dutos alveolares. 
 
g) alvéolos: são estruturas altamente vascularizadas, nas quais ocorrem a troca gasosa 
(hematose). 
 
 
Figura 6 – Respiração Humana 
 
 
II) Pulmões: são dois órgãos esponjosos situados no interior da caixa torácica, têm coloração 
rosada. No homem pesam cerca de 300g a 400g cada. 
 
1.4.2 - MECANISMO DA RESPIRAÇÃO 
 
 Cada um dos pulmões, no interior da caixa torácica, está envolvido dentro de um saco 
formado por um tecido bem fino chamado pleura (como se fosse um “saco plástico de 
supermercado”). Internamente eles são formados por uma rede de brônquios e bronquíolos 
que terminam formando pequenos sacos chamados de alvéolos pulmonares. 
 Os alvéolos pulmonares estão envolvidos por uma rede de vasos sanguíneos. O sangue 
que vem de todas as partes do corpo (sangue venoso) passa pelos alvéolos, onde deixa o gás 
carbônico produzido pela respiração celular. O gás carbônico passa então para o ar dos 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 8 - REV.1 
pulmões, sendo eliminado (expiração). Ao mesmo tempo em que se livra do CO2, o sangue 
absorve o oxigênio (sangue arterial) do ar que se encontra nos pulmões (alvéolos pulmonares), 
levando-o para todas as células do organismo. 
 Este fenômeno de trocas gasosas nos alvéolos pulmonares é chamado de hematose, 
processo que já foi comentado acima. 
 
1.4.3 - MOVIMENTOS VENTILATÓRIOS / RESPIRATÓRIOS 
 
I) Inspiração: É o movimento de entrada de ar nos pulmões. 
II) Expiração: É o movimento de saída de ar dos pulmões. 
 
Obs.: Bradipneia é uma respiração lenta e a taquipneia é uma respiração rápida (acelerada). 
 Os principais músculos responsáveis pelos movimentos de ventilação / respiração são 
o músculo diafragma e os músculos intercostais. 
 O ar do ambiente entra pelas vias aéreas e chega aos pulmões (inspiração) por uma 
diferença de pressão, ou seja, quando a pressão do meio externo está maior que a pressão 
interna dos pulmões. Isso ocorre quando o músculo diafragma se contrai e se retifica (já que 
quando ele está relaxado se parece com um “guarda-chuva aberto”) aumentando o volume da 
caixa torácica, o que faz com que a pressão interna diminua e o ar entre. 
 
Figura 7 – Processos de expiração e inspiração 
 
 
 Nesse processo de inspiração também há o auxílio significativo dos músculos 
intercostais que se contraem, produzindo um movimento de aproximação das costelas, 
ocasionando o movimento da caixa torácica chamado de “alça de balde”, o que também 
contribui para aumentar o volume da caixa torácica, diminuir a pressão interna e, 
consequentemente, propiciar a entrada do ar por diferença de pressão. 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 9 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 – Movimento tipo “alça de balde” 
 
 O processo de expiração ocorre basicamente quando esses músculos (diafragma e 
intercostais) relaxam, fazendo com que eles voltem a sua posição inicial, reduzindo o volume 
da caixa torácica, o que aumenta a pressão interna, superando a externa, gerando a saída do 
ar. 
 
1.5 – SANGUE 
 
 É um tecido líquido, de cor vermelha, que circula no interior dos vasos sanguíneos. O 
volume total de sangue de um adulto é de aproximadamente 5 a 6 litros, para uma pessoa de 
tamanho médio. 
 O sangue normal, em média, é constituído de 50% de plasma (parte líquida) e 50% de 
elementos figurados (parte sólida): 
 
I) Plasma 
 Corresponde à parte líquida, onde se dissolvem substâncias transportadas pelo sangue. 
É composto por cerca de 90% de água e 1% de substâncias orgânicas (glicose, proteínas, 
gorduras) e outras inorgânicas (sais de sódio, cloro, potássio, fósforo, cálcio, etc.). 
 
II) Elementos figurados 
 Correspondem à parte sólida do sangue (glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas). 
Essas células ou seus precursores são produzidos em um órgão chamado de medula óssea 
vermelha, situado, nos adultos, dentro de alguns ossos, como o esterno (no centro do tórax) 
e o ossos ilíacos (do quadril). Assim temos: 
 
a) glóbulos vermelhos, hemácias ou eritrócitos: são glóbulos que apresentam forma de 
“disco”, altamente especializados para o transporte degases, como o oxigênio e o gás 
carbônico. Em todos os mamíferos eles não apresentam núcleos e, em consequência, têm 
curta duração (cerca de 120 dias). O seu citoplasma é ocupado por uma proteína chamada 
hemoglobina, que possui sais de ferro. Presos a essa proteína, o oxigênio e o gás carbônico são 
transportados pelo sangue. 
 
b) glóbulos brancos ou leucócitos: têm a função de defender nosso organismo contra micro-
organismos invasores (como vírus, bactérias, fungos e vermes) diretamente ou por meio da 
produção de anticorpos específicos (proteínas de defesa). Alguns glóbulos brancos também 
fazem uma função de “limpeza”, sendo capazes de atravessar a parede dos vasos sanguíneos 
e “comer” corpos estranhos presentes nos tecidos. 
 
c) plaquetas: são fragmentos de células que têm a função de coagulação do sangue. 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 10 - REV.1 
Figura 9 – Sangue (células do sangue) 
 
 
1.6 - SISTEMA CARDIOVASCULAR 
 
1.6.1 - ANATOMIA 
I) Coração 
 É um órgão musculoso, oco, que bombeia o sangue para dentro das artérias (pulmonar 
e aorta). É constituído de fibras estriadas de contração involuntária. É formado pelas seguintes 
camadas: 
➔ Pericárdio: consiste em uma membrana bem fina que reveste externamente o órgão 
(“como um saco”), protegendo-o. 
➔ Miocárdio: consiste no tecido muscular que efetivamente bombeia o sangue, sendo 
responsável pelos movimentos de sístole (contração) e diástole (relaxamento), ou seja, pelos 
batimentos cardíacos. 
➔ Endocárdio: consiste em uma fina membrana que reveste a superfície interna das cavidades 
do coração (“como um adesivo interno). 
 
 O coração do homem está formado por quatro câmaras (cavidades): 
a) átrio direito (AD) e átrio esquerdo (AE) 
b) ventrículo direito (VD) e ventrículo esquerdo (VE) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 11 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 10 – Câmaras cardíacas 
 
 A comunicação entre eles se dá entre o átrio e o ventrículo do mesmo lado. Pelo lado 
direito (AD/VD) circula sangue venoso e pelo lado esquerdo (AE/VE) circula sangue arterial. 
Dizemos então que a circulação é completa, pois o sangue arterial e o venoso não se misturam 
(figura abaixo). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11 – Valvas ou válvulas cardíacas 
 
 As valvas ou válvulas cardíacas são estruturas que impedem o retorno do sangue ao 
ser bombeado, já que seus folhetos só abrem para frente, e não para trás (assim como a 
maioria das portas que conhecemos que só abrem para um lado). São elas, as principais: 
a) Atrioventricular direita (tricúspide): Localiza-se entre o AD e o VD. 
b) Atrioventricular esquerda (mitral): Localiza-se entre o AE e o VE. 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 12 - REV.1 
 
 Os vasos que trazem sangue para dentro do coração são chamados de VEIAS, entrando 
sempre pelos átrios: no átrio direito temos as veias cavas superior e inferior (sangue rico em 
gás carbônico) e no átrio esquerdo temos as quatro veias pulmonares – duas à direita e duas 
à esquerda (sangue rico em oxigênio) 
 Já os vasos que levam sangue para fora do coração são chamados de ARTÉRIAS, saindo 
sempre pelos ventrículos: no ventrículo direito temos as duas artérias pulmonares – direita e 
esquerda (sangue rico em gás carbônico) e no ventrículo esquerdo a artéria aorta (sangue rico 
em oxigênio). 
 
II) Vasos sanguíneos: são compostos por: 
a) artérias: têm parede muscular espessa (“grossa”) e elástica (pulsam), conduzem o sangue 
do coração para as diversas partes do organismo (irrigam). Geralmente são vasos mais 
profundos (passam junto aos ossos), exceto na região do pescoço, do punho e da virilha 
(nessas regiões são mais facilmente palpáveis). 
b) veias: têm parede muscular fina (não pulsam), conduzem o sangue das diversas regiões do 
corpo em direção ao coração (drenam), sendo vasos profundos e também superficiais. 
c) capilares: são vasos finíssimos cuja parede é formada por apenas uma camada de células. 
Põem em contato as artérias com as veias e, por serem tão finos, permitem as trocas gasosas 
e de nutrientes entre o sangue e os tecidos do corpo. 
 
1.6.2 – FISIOLOGIA – A CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA 
 
I) Pequena circulação ou pulmonar 
 Inicia-se no ventrículo direito (VD), onde, por meio de 02 artérias pulmonares, o 
sangue venoso é bombeado em direção aos pulmões, local em que ocorre o processo 
chamado Hematose (troca gasosa – entra oxigênio do alvéolo pulmonar para o sangue e sai 
gás carbônico do sangue para o alvéolo pulmonar). 
 Então, o sangue, agora arterial (oxigenado), retorna, através das 04 Veias Pulmonares, 
ao átrio esquerdo (AE). Nesse ponto, o sangue é bombeado do AE para o VE, ocorrendo a 
junção da pequena com a grande circulação. 
 
II) Grande circulação ou circulação sistêmica 
 Inicia-se no ventrículo esquerdo (VE), onde, por meio da artéria aorta, o sangue 
arterial é bombeado em direção a todas as células do organismo, onde ocorre o processo 
chamado de Respiração Celular (a célula consome oxigênio e libera gás carbônico). Então, o 
sangue, agora venoso (rico em gás carbônico), retorna, por meio das veias cavas, ao átrio 
direito (AD). Nesse ponto, o sangue é bombeado do AD para o VD, ocorrendo a junção da 
grande com a pequena circulação. 
 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 13 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12 – Esquema da grande e pequena circulação. 
 
 
1.6.3 – FREQUÊNCIA CARDÍACA (FC) E PALPAÇÃO DE PULSO 
 Cada contração cardíaca (batimento cardíaco) corresponde a uma pulsação de sangue, 
que percorre todas as artérias do nosso corpo a partir da artéria aorta. Essas pulsações 
(também chamadas de pulso) podem ser sentidas quando se faz uma suave pressão com os 
dedos indicador e médio (ou às vezes usando os 4 dedos da mão, com exceção do polegar) 
sobre o trajeto de algumas artérias mais superficiais. 
 As artérias mais utilizadas para palpação do pulso em primeiros socorros são as artérias 
radiais e as artérias carótidas. Em casos de suspeita de parada cardíaca ou pressão arterial 
baixa, deve-se dar preferência à palpação das artérias carótidas (pescoço), por serem mais 
centrais (próximas ao coração) e calibrosas (maior diâmetro). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 13 – Palpação de pulso (artéria carótida e radial). 
 
 É importante que você consiga reconhecer com segurança essas pulsações na prática, 
pois esse procedimento será fundamental mais adiante na prática dos Primeiros Socorros. 
Nesse momento, você deve treinar palpar o pulso da artéria radial e da artéria carótida em 
você mesmo ou em um colega quantas vezes forem necessárias. Para isso, peça auxílio ao 
instrutor. 
 A partir da palpação do pulso cardíaco, pode-se fazer o cálculo de quantas pulsações o 
indivíduo está apresentando por minuto. Essa frequência de pulsação é chamada de 
FREQUÊNCIA CARDÍACA. 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 14 - REV.1 
 
Em geral, para agilizar o cálculo, contam-se quantas pulsações o indivíduo apresentou 
em 15 segundos e se multiplica esse valor por 4. 
 A frequência cardíaca em um adulto pode ser classificada de seguinte forma: 
 
 Existem casos de indivíduos que apresentam excelente preparo cardiorrespiratório 
(muitas vezes atletas), em que se considera normal a presença de bradicardia (leve). Em outros 
casos, tanto a bradicardia, quanto a taquicardia, em situação de repouso, podem representar 
sinal de alguma doença.Esses casos devem ser avaliados por um médico. 
 Agora, após essas explicações, treine calcular a sua própria frequência cardíaca (FC) e 
a dos seus colegas. Se necessário, peça auxílio ao instrutor. 
 
1.7 – SISTEMA LOCOMOTOR 
 É constituído pelo: 
- Sistema esquelético: Formado pelos ossos. 
- Sistema articular: Formado pelas articulações. 
- Sistema muscular: Formado pelos músculos voluntários (parte ativa). 
 
1.7.1 - OSSOS 
 Os ossos são peças rígidas, ricas em sais de cálcio. Além da função locomotora, em 
razão da qual são utilizados como alavancas pelos músculos que neles se fixam, os ossos 
desenvolvem várias outras funções: plástica, modelando o corpo; de sustentação e proteção 
de órgãos vitais, como o cérebro, o coração, etc.; de armazenamento de íons; e por fim, função 
hematopoiética (produção de células do sangue), por meio da medula óssea contida no 
interior de alguns ossos. 
 
I) Regiões do corpo e respectivos nomes dos ossos 
- Crânio: frontais, occipital, esfenoide, etmoide, parietais e temporais. 
- Face: mandíbula, vômer, zigomáticos, nasais, lacrimais, maxilares, palatinos e cornetos. 
- Coluna vertebral: 7 vértebras cervicais, 12 vértebras torácicas, 5 vértebras lombares, 5 
vértebras sacrais (unidas), 4 vértebras coccigianas (unidas). 
- Tórax: 7 pares de costelas verdadeiras, 3 pares de costelas falsas, 2 pares de costelas 
flutuantes e o esterno. 
- Bacia pélvica ou quadril: ílios, púbis, ísqueos. 
- Bacia escapular ou ombro: clavículas e escápulas. 
- Membros superiores: úmeros (braço), rádios e ulnas (antebraço), 8 carpais, 5 metacarpais, 
14 falanges (mãos). 
- Membros inferiores: fêmures (coxa), tíbias e fíbulas (perna), patelas (joelho), 7 tarsais, 
5 metatarsais, 14 falanges (pé). 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 15 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 14 – Nomenclatura dos principais ossos do corpo 
 
1.7.2 – ARTICULAÇÕES 
 
 As articulações são uniões entre dois ou mais ossos que podem ser classificadas, de 
acordo com a liberdade de movimento que concede aos ossos, em: 
a) móveis ou sinoviais: ombro, cotovelo, punho, joelho, calcanhar, entre a primeira vértebra 
cervical e o osso occipital, etc.; 
b) semimóveis ou cartilaginosas: articulação entre os corpos das vértebras – discos 
intervertebrais; e 
c) imóveis ou fibrosas: articulação entre os ossos da abóbada craniana. 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 16 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 15 – Articulação sinovial 
 
1.7.3 - MÚSCULOS 
 
 Os músculos são órgãos de cor vermelha, constituídos por um ou mais Ventres (parte 
carnosa e contrátil) e também por dois ou mais Tendões (porções que prendem os músculos 
aos ossos). 
 
I) Principais músculos distribuídos por região: 
- Cabeça: músculo frontal (enruga a testa), orbicular dos olhos e boca (cerram respectivamente 
os olhos e a boca), zigomático: maior e menor (estão relacionados com o sorriso), masseter e 
temporal (músculos da mastigação); 
- Pescoço: esternocleidomastoide e esplênio (responsáveis pelos movimentos de rotação, 
flexão e extensão da cabeça); 
- Tronco: trapézio (movimento de “dar de ombros”), diafragma (principal músculo da 
respiração), peitoral maior (permite a flexão do braço); 
- Membros superiores: deltoide (faz a flexão, extensão e abdução do braço sendo nele que se 
aplicam as injeções); bíceps braquial (faz a flexão do antebraço); tríceps braquial (faz a 
extensão do antebraço); flexor do carpo e comum dos dedos (fazem respectivamente a 
extensão da mão e dos dedos); e 
- Membros inferiores: glúteos: máximo, médio e mínimo (auxiliam na locomoção e 
manutenção do indivíduo em pé), quadríceps femoral (flexão da coxa e a extensão da perna), 
sartório ou costureiro (faz o movimento de cruzar as pernas), bíceps femural (faz a flexão da 
perna), adutores da coxa (fazem a adução da coxa), tríceps sural (eleva o calcanhar). 
 
1.8 - SISTEMA DIGESTÓRIO 
 
 É responsável pela digestão, ou seja, pela transformação dos alimentos em substâncias 
absorvíveis e assimiláveis (nutrientes). Em nosso organismo existem dois tipos de digestão: 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 17 - REV.1 
 
- Mecânica: feita pelos dentes. Consiste na quebra dos alimentos em pedaços minúsculos. 
- Química: feita pelos sucos digestórios (saliva, suco gástrico, suco intestinal, suco pancreático 
e bile), consiste na transformação química das macromoléculas (açúcares, proteínas e 
gorduras) em moléculas menores (glicose, frutose, galactose, aminoácidos, ácido graxo e 
glicerol). 
 
1.8.1 - ÓRGÃOS DO SISTEMA DIGESTÓRIO 
 
I) Boca: é a primeira porção do tubo digestivo, sendo responsável pela mastigação e pela 
insalivação do alimento, possibilitando a digestão do amido. A língua atua na percepção do 
sabor dos alimentos (gustação) e ajuda a misturá-los para uma melhor mastigação, como 
também os empurra em direção à faringe (deglutição). 
Figura 16 – Sistema digestivo 
 
II) Faringe: por ela passam alimentos em direção ao esôfago (digestão) e ar em direção à 
laringe (respiração). 
III) Esôfago: é um tubo de aproximadamente 25 cm de comprimento que liga a faringe ao 
estômago, constituído de músculo liso, que realiza movimentos involuntários denominados 
peristálticos, conduzindo o bolo alimentar ao estômago. 
IV) Estômago: é um órgão do tubo digestivo onde o bolo alimentar é armazenado e sofre a 
ação do suco gástrico. Esse suco contém ácido clorídrico e uma enzima ou fermento chamado 
pepsina, responsável pela digestão de proteínas. 
V) Intestino delgado: mede cerca de 7 m de comprimento. Possui três porções assim 
chamadas: 
• Duodeno: nele ocorre a terceira e última etapa da digestão, pois recebe os seguintes 
sucos digestórios: 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 18 - REV.1 
 
Nele é iniciado o processo de absorção dos nutrientes, é a área mais ativa na digestão. 
 
• Jejuno: é a principal porção responsável pela absorção dos nutrientes. Para tanto, além 
de pregas circulares, apresenta projeções em forma de pequeníssimos dedos 
(vilosidades intestinais) em sua mucosa, para aumentar a superfície de contato com os 
nutrientes. 
• Íleo: nele também ocorre a absorção de nutrientes. 
 
VI) Intestino grosso: mede aproximadamente 1,5 m de comprimento. Menos ativo que o 
intestino delgado, absorve principalmente água. É dividido em: 
• Ceco: possui o apêndice vermiforme agregado nele. 
• Cólon: é dividido em 4 partes (cólon ascendente, transverso, descendente e sigmoide). 
• Reto: é a última parte do intestino grosso. 
 
VII) Ânus: é o orifício final do tubo digestório, por onde o bolo fecal é lançado ao exterior. 
 
Obs.: 
1. Todo o tubo digestivo absorve água, porém ela é absorvida em maior quantidade no 
intestino grosso. 
2. No interior do intestino grosso existem bactérias (flora intestinal) que putrefazem o bolo 
alimentar não aproveitado, transformando-o em fezes. Nesse processo, o nosso organismo é 
beneficiado com a produção de vitaminas do Complexo B. 
 
1.8.2 - ÓRGÃOS ANEXOS DO TUBO DIGESTIVO 
 
I) Glândulas salivares: são três pares assim chamadas: parótidas, submandibulares e 
sublinguais. Produzem a saliva, basicamente constituída por água, substâncias lubrificantes, 
enzima (amilase salivar, que atua na digestão do amido) e bicarbonato de sódio. 
 
II) Pâncreas: é um órgão lobulado e rosado. Produz o suco pancreático, riquíssimo em enzimas 
digestivas, que digerem proteínas, gorduras e açúcares. Também contém bicarbonato de 
sódio. É ainda responsável pela produção de hormônios como por exemplo: insulina 
somatostatina e glucagon.III) Fígado: é a maior glândula do corpo humano. Produz a bile que é armazenada na vesícula 
biliar. A bile serve para emulsionar as gorduras, facilitando assim a ação das enzimas (lipases). 
 
1.8.3 - ABSORÇÃO E ASSIMILAÇÃO DOS NUTRIENTES 
 
 Para poder realizar de forma eficiente a absorção dos nutrientes, o intestino delgado 
tem, na sua camada mais interna, como já foi comentado, projeções em forma de 
pequeníssimos dedos chamadas vilosidades intestinais. Para que a drenagem dos nutrientes 
recém-absorvidos seja bem rápida, as vilosidades possuem uma desenvolvida rede de veias e 
vasos linfáticos. 
 Assim, grande parte dos nutrientes, que é drenada pelas veias, percorre o fígado antes 
de cair na circulação geral, pois muitas substâncias tóxicas para o organismo podem penetrar, 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 19 - REV.1 
juntamente aos nutrientes, nos vasos sanguíneos, havendo necessidade dessa remoção pelo 
fígado. 
 Além disso, é importante que não se altere muito a composição química do sangue 
durante a absorção dos nutrientes. Para isto, o fígado remove do sangue todos os nutrientes 
que estão em excesso e os armazena, para posterior utilização pelo organismo. 
 
1.9 - SISTEMA URINÁRIO 
 
 A principal função dos rins é a eliminação das substâncias nocivas produzidas pelas 
células, bem como daquelas que estejam em excesso no sangue, constituindo a função de 
excreção. Desse modo, os rins mantêm o equilíbrio das substâncias presentes no sangue. 
 
1.9.1 - ÓRGÃOS 
 
I) Rins: são dois órgãos de cor vermelho-escuro; têm a forma de um “grão de feijão”. Situam-
se na parte posterior da cavidade abdominal. Internamente, possuem estruturas chamadas de 
Néfrons, que realizam o trabalho de filtragem do sangue e formação da urina. 
 As duas glândulas adrenais são encontradas nos polos superiores dos rins e secretam 
os hormônios epinefrina (a adrenalina) e norepinefrina, que atuam na produção de resposta 
rápida do organismo diante situações de estresse. 
 
II) Vias Urinárias: 
- Ureteres: são dois tubos compridos e finos que transportam a urina produzida nos rins até a 
bexiga. 
- Bexiga: é uma bolsa musculosa, portanto, elástica. Ela armazena cerca de 200 a 300 ml de 
urina em seu interior. 
- Uretra: é um canal que, nos homens, conduz a urina e o sêmen até o exterior; nas mulheres, 
conduz exclusivamente a urina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 17 – Sistema urinário 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 20 - REV.1 
 
1.10 - SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO 
 
É constituído pelos: 
- Testículos: são dois órgãos situados no escroto (“região escrotal”) chamados de gônadas 
masculinas, pois produzem a testosterona (hormônio masculinizante) e os espermatozoides 
(gametas masculinos). 
- Epidídimos: são dois órgãos situados dentro do escroto e constituem uma continuação dos 
túbulos provenientes dos testículos. Eles têm um papel importante no amadurecimento e 
armazenamento de espermatozoides. Podem estocar gametas por quinze ou mais dias, para 
tanto, produzem uma secreção nutritiva. A continuação do epidídimo forma o ducto 
deferente. 
- Ducto deferente: são dois tubos que levam os espermatozoides desde os epidídimos até o 
canal ejaculatório. 
- Glândulas seminais: são dois órgãos situados próximo à bexiga e têm como função a 
produção de líquidos nutrientes que constituirão o sêmen. 
- Ducto ejaculatório: são dois tubos formados pela junção dos ductos deferentes com os canais 
das glândulas seminais. 
- Próstata: é um órgão ímpar, situado junto à bexiga, e tem a uretra passando pelo seu interior. 
Também produz secreções que irão compor o sêmen e são responsáveis pelo seu odor 
característico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 18 – Sistema Reprodutivo Masculino 
 
Obs.: Sêmen ou Esperma - Líquido branco leitoso composto por espermatozoides mais 
secreções dos epidídimos, vesículas seminais e da próstata. 
- Uretra: é um tubo que se inicia na bexiga, terminando na superfície corporal. No homem, 
tem a função de conduzir urina e sêmen; na mulher, conduz apenas urina. 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 21 - REV.1 
- Glândulas bulbo-uretrais: são duas pequenas glândulas situadas a cada lado da uretra, 
abaixo da próstata. Essas glândulas lançam sua secreção, que é um líquido lubrificante da 
uretra, que pode ser eliminada sem que haja posterior ejaculação (eliminação do sêmen). 
 
1.11 - SISTEMA REPRODUTOR FEMININO 
 
É constituído pelas seguintes estruturas: 
- Monte do púbis: é uma região abaulada, devido ao grande acúmulo de gordura no tecido 
subcutâneo. Possui grande quantidade de pelos. 
- Lábios maiores (Grandes Lábios): possuem pelos em sua estrutura. 
- Lábios menores (Pequenos Lábios): estão situados entre os lábios maiores; não possuem 
pelos. 
 
Obs.: No espaço entre os lábios menores, existe as seguintes estruturas: o orifício externo da 
vagina, o orifício externo da uretra e o clitóris. 
 
- Clitóris: estrutura que possui tecido erétil, glande com prepúcio, tendo uma estrutura 
semelhante ao pênis, porém com tamanho bastante reduzido. 
- Vagina: órgão ímpar, formando um tubo musculoso que se comunica com o meio externo e 
com o colo do útero. Nos bordos laterais de sua entrada, existe também tecido erétil. No seu 
interior encontramos as glândulas de Bartholin, que produzem uma secreção lubrificante para 
a uretra, facilitando a cópula (penetração do pênis). 
- Útero: órgão ímpar, musculoso (miométrio), com o formato de uma pera invertida. A sua 
mucosa, que recebe o nome endométrio, todos os meses cresce e o seu tecido conjuntivo 
adjacente fica muito vascularizado, preparando-se para uma possível gravidez. 
 
 É o local onde normalmente se desenvolve o embrião/feto. A região da entrada do 
útero chama-se colo, que nas mulheres grávidas, fica fechado por um tampão gelatinoso. 
 
- Tubas uterinas: órgão par, musculoso, que se expande de cada lado do útero, formando um 
tubo, cuja porção média é dilatada, formando o bulbo. É o local onde geralmente ocorre a 
fecundação (encontro do espermatozoide com o óvulo). 
- Ovários: órgão par, situados junto às fímbrias das tubas uterinas e denominados de gônadas 
femininas; têm a função de produzir os gametas femininos – os óvulos, que são produzidos 
nos folículos ovarianos. 
 Durante o desenvolvimento do folículo ovariano, durante cada ciclo menstrual, 
algumas células dessa estrutura (no formato de um “ovo”) produzem os hormônios sexuais 
femininos, o Estrogênio e a Progesterona, que atuam no ciclo menstrual. 
 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 22 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 19 – Sistema reprodutor 
feminino – visão externa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 20 – Sistema reprodutor 
feminino – visão interna 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 23 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 21 – Folículo Ovariano 
 
1.12 – OVULAÇÃO, FECUNDAÇÃO, GESTAÇÃO E PARTO 
 
 O ciclo menstrual consiste em um ciclo hormonal feminino, em que há uma grande 
variação na produção de estrogênio e progesterona em determinados períodos, o qual se 
estende da puberdade (quando começa a produção desses hormônios na menina) até o 
climatério feminino (quando cessa a produção desses hormônios – menopausa). 
 O ciclo menstrual tem em média 28 dias (pode variar entre 21-35 dias). A sua principal 
função é “amadurecer” e expulsar, em geral, apenas um óvulo de um dos ováriosa cada ciclo, 
processo chamado de ovulação. 
 Além da produção desse óvulo, é importante ressaltar que esses hormônios 
(estrogênio e progesterona) também têm a função de, a cada ciclo, preparar os órgãos sexuais 
femininos (principalmente o útero) para uma possível gestação (gravidez). 
 
Obs.: Cálculo do período fértil 
 Para se calcular em que dia mais provavelmente ocorrerá a ovulação em um 
determinado ciclo menstrual (regular) e, por consequência, o seu período fértil, pode se seguir 
a seguinte regra: primeiramente se deve saber quantos dias dura o ciclo dessa mulher; depois, 
desse valor se subtraem 14 dias e, assim, se chega ao dia mais provável da ovulação. 
 Vale lembrar que o 1º dia do ciclo sempre é o 1º dia da menstruação e que essa regra 
só tem valor se o ciclo da mulher, em questão, for regular (sempre dura o mesmo número de 
dias), já que quando o ciclo é irregular, não tem como se prever quando ela irá ovular. Vamos 
dar 3 exemplos de ciclos regulares: 
 
 Ex. 1: Sua esposa lhe informou que seu ciclo é regular de 28 dias. Assim, aplicando a 
regra temos: 
28 – 14 = 14. Desse modo, o dia mais provável da sua ovulação será o 14º dia. 
________________________________________________________________________ 
1º dia 14º dia 28º dia 
 /_____________14dias______________/ 
 
Ex. 2: Sua namorada lhe informou que seu ciclo é regular de 31dias. Assim, aplicando 
a regra temos: 31 – 14 = 17. Desse modo, o dia mais provável da sua ovulação será o 17º dia. 
________________________________________________________________________ 
1º dia 17º dia 31º dia 
 /_____________14dias_____________/ 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 24 - REV.1 
 
Ex. 3: Sua noiva lhe informou que seu ciclo é regular de 24 dias. Assim, aplicando a 
regra temos: 24 – 14 = 10. Desse modo, o dia mais provável da sua ovulação será o 10º dia. 
________________________________________________________________________ 
1º dia 10º dia 24º dia 
 /_____________14dias______________/ 
 
 A partir desse cálculo, para se chegar ao período fértil da mulher, devemos considerar 
03 a 05 dias para mais e para menos, como margem de erro, já que esse valor depende da 
literatura a ser pesquisada e da intenção do casal. 
 Assim, se esse cálculo for utilizado para se chegar ao período fértil com intenção do 
casal engravidar, pode-se considerar 3 dias, ou seja, se, por exemplo, a data provável da 
ovulação for o 14º dia, o casal deve manter relações sexuais de preferência entre o 11º ao 
17ºdia (principalmente no 14º dia). 
 Entretanto, se esse cálculo for utilizado para se chegar ao período fértil com intenção 
do casal NÃO engravidar (método conhecido como “tabelinha”), deve ser utilizado, então, 
uma margem de erro maior, ou seja, 5 dias para mais e para menos. Se, por exemplo, a data 
provável da ovulação for o 14º dia, o casal NÃO deve manter relações sexuais de preferência 
entre o 9º ao 19º dia (incluindo o 9º e o 19º dias). 
 É importante relembrar que esse método só tem valor se o casal tiver certeza que o 
ciclo menstrual da parceira é regular (o ciclo sempre dura o mesmo número de dias). 
 Porém, se deve alertar que o método da tabelinha, que irá ser melhor estudado em 
tópico específico adiante (métodos contraceptivos hormonais), não é recomendado para 
casais sem estabilidade (“ficantes” / “namorados”) e, mesmo para os casais estáveis, tem 
muitas chances de erro! Entretanto, pode ser utilizado pelos casais como mais um método 
contraceptivo aliado ao uso da camisinha (principalmente para os casais instáveis, já que 
previne também IST) ou a algum outro método contraceptivo como o DIU, ou mesmo, a 
pílula anticoncepcional. 
 A fecundação é o encontro (fusão) entre o óvulo e o espermatozoide ao nível da tuba 
uterina ou trompas, que ocorre em função de relação sexual prévia. Por meio dessa fusão 
ocorre a formação do ovo ou zigoto que, posteriormente, segue pela tuba uterina e vai se 
instalar na cavidade uterina, processo chamado nidação, dando início à gestação. 
 A gestação humana dura em média 38 a 42 semanas, ou seja, em torno de 9 meses, 
período em que a gestante deve tomar todos os cuidados necessários, por meio das consultas 
de pré-natal, que devem ser rigorosamente seguidas, sempre com o apoio do companheiro. 
 Ao final desse período, dependendo da evolução da gestação, o médico pode indicar 
um parto natural (o feto nasce passando pelo colo do útero e pela vagina) ou, se necessário, 
um parto cesáreo (cirurgia que retira o feto por uma incisão baixa no abdome da gestante). 
Deve-se, sempre que possível, dar preferência ao parto normal, já que a recuperação é mais 
rápida e tem menos riscos de complicações cirúrgicas ou anestésicas. 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 1 - 25 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 22 – Sistema Reprodutivo Feminino (corte transversal) 
 
1.13 - SISTEMA NERVOSO 
 
1.13.1 - FUNÇÃO 
 Juntamente ao sistema endócrino (hormônios) controla o funcionamento do 
organismo, tanto percebendo estímulos externos (pelos órgãos do sentido - sensibilidade), 
quanto executando ações motoras (pela ação dos músculos - motricidade). 
 
1.13.2 - DIVISÃO ANATÔMICA 
 
 O sistema nervoso está dividido em: 
I) Sistema Nervoso Central 
 Localiza-se dentro da caixa craniana e da coluna vertebral (canal medular). É dividido 
em: 
a) Encéfalo: situado no interior da caixa craniana, formado pelos seguintes órgãos: 
- Cérebro: coordena os atos da inteligência, regula as atividades sensoriais e comanda os 
movimentos voluntários do corpo. 
- Cerebelo: coordena os movimentos executados sob a ação do cérebro, garantindo perfeita 
harmonia entre esses movimentos. Assim, dá o tônus muscular (regula a quantidade exata de 
energia que deve ser exercida pelos músculos) e mantém o equilíbrio do corpo, graças às suas 
ligações com os canais semicirculares da orelha interna. 
- Tronco cerebral ou encefálico: subdivide-se em: 
- Mesencéfalo: Relacionado aos movimentos dos olhos. 
- Ponte: Serve de passagem aos estímulos da medula que vão em direção ao cérebro. 
- Bulbo: Controla os movimentos respiratórios e os batimentos cardíacos. 
 
 
 
 
 
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Figura 23 – Sistema Nervoso Central 
 
b) Medula nervosa ou espinhal: 
 Situada no interior da coluna vertebral (canal medular). É um longo cordão nervoso, de 
forma aproximadamente cilíndrica, que transmite os impulsos nervosos desde a região lombar 
até a base do crânio e vice-versa. 
 
II) Sistema Nervoso Periférico 
 Está formado por estruturas nervosas (nervos) e estão situados fora da caixa craniana 
e da coluna vertebral. Os nervos são cordões esbranquiçados, constituídos de feixes de fibras 
nervosas contidas em uma bainha de tecido conjuntivo, através dos quais estímulos nervosos 
se transmitem do SNC, do autônomo ou periférico, ou vice-versa. 
 Os tipos de nervos são: 
a) Cranianos: Têm origem no encéfalo e existem 12 pares. Ex.: olfatório, óptico, facial, vago, etc. 
b) Espinhais: Têm origem na medula espinhal e existem 31 pares. Ex.: Ciático, etc. 
Além dosnervos já comentados, existem os gânglios nervosos, que consistem em acúmulos 
de corpos de neurônios, situados fora do SNC. 
 
1.13.3 - ORGÃOS DOS SENTIDOS 
 É por meio dos órgãos dos sentidos que nosso corpo toma conhecimento do que se 
passa ao seu redor (sensibilidade). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 24 – Os cinco Sentidos 
 
- Pele: percebe as sensações como: pressão; tato; frio e calor. 
- Fossas nasais: no teto das fossas nasais, existe o epitélio olfatório, que percebe o olfato. 
- Língua: percebe a gustação, por diferentes sabores como o doce, salgado, azedo, amargo e 
umani. 
- Olhos: percebem a visão. A luz leva a imagem até a retina, onde ela é projetada. 
- Ouvidos: percebe a audição (na cóclea da orelha interna) e o equilíbrio (nos canais 
semicirculares e vestíbulo da orelha interna). 
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CAPÍTULO 2 
 
HIGIENE – PREVENÇÃO DE AGRAVOS À SAÚDE 
 
 
2.1 - CONCEITOS RELACIONADOS À HIGIENE 
 
 Os cientistas sociais têm confirmado a influência do fator saúde nos indicadores de 
qualidade de vida das populações. Saúde não é só a ausência de doença, mas o completo bem-
estar físico, mental, moral e social do indivíduo, configurando-se como um dos pilares 
fundamentais do processo de desenvolvimento social. 
 No capítulo da Ordem Social (Capítulo II – Seção I) da Constituição Federal do Brasil, 
consta o princípio básico “Saúde – direito de todos e dever do Estado”, a saber: 
 Art. 229. “A saúde é direito de todos e dever do Estado, assegurado mediante políticas 
sociais e econômicas que visam a redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso 
universal e igualitário as ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação”. 
 
 A palavra higiene provem do grego hygieinos – o que contribui para a saúde. Podemos 
conceituar higiene como a aplicação de conhecimentos e preceitos que se destinam a 
preservar e cuidar da saúde, alongando a vida. Em resumo, higiene é tudo aquilo que se pode 
fazer para se ter saúde. 
 A higiene pode ser dividida em higiene pessoal ou individual (tudo aquilo que a pessoa 
pode fazer para que ela própria tenha saúde) e em higiene coletiva ou ambiental (tudo aquilo 
que se pode fazer para que o coletivo tenha saúde). 
 
2.2 - HIGIENE PESSOAL OU INDIVIDUAL 
 
2.2.1 – HIGIENE CORPÓREA 
 
I) Cabelos 
 O cabelo, independentemente do estilo, deve estar sempre limpo e bem cortado. 
Cabelos sujos e muito compridos geram, além de mau cheiro, coceira devido a foliculite e 
pediculose. Após um dia de suor e poeira, tomar um bom banho lavando bem a cabeça e 
indispensável. 
• Pediculose: os dois pedículos mais comuns das áreas peludas do corpo são o piolho 
(infesta os cabelos) e o chato (infesta as axilas e os pelos pubianos). 
 
 Chapéus e bonés, escovas de cabelo, pentes, travesseiros, encostos de cadeiras, 
assentos de carros são as vias de disseminação mais comuns. 
 Esses insetos têm artifícios para que o hospedeiro não perceba que está sendo 
parasitado. Na saliva deles existe uma substância que funciona como anestésico e outra que 
tem propriedades anticoagulantes. O anestésico não deixa que a pessoa sinta que está sendo 
picada e o anticoagulante não permite que o sangue coagule no abdome do inseto. 
 Como estas enzimas são estranhas ao organismo, quando ele acaba de se alimentar, 
acontece uma reação imunológica que causa a coceira. A coceira intensa pode causar feridas, 
que acabam funcionando como uma porta de entrada para infecções oportunistas, 
principalmente bacterianas. 
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OSTENSIVO - 2 - 2 - REV.1 
 
 
 
 
 
 Figura 25 – Piolho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 26 – chato 
 
 
II) Rosto 
 A pele elimina permanentemente sebo (gorduras), além do suor, formando uma 
película de proteção. Esta emulsão é fundamental para a lubrificação e proteção da pele. 
 A glândula sebácea é uma estrutura localizada na derme (camada da pele) que tem 
como função a produção de sebo. Se as glândulas produzem mais do que é necessário, a pele 
se torna muito oleosa, causando seborreia. 
 Para manter a pele com aparência saudável, é necessária uma limpeza diária para 
remover as células mortas, gordura e impurezas. Usar apenas água não é o suficiente, é 
necessário desengordurá-la com um sabonete especifico para o rosto, elaborado com 
substâncias que não irritem nem ressequem a pele. 
 A pele deve ser limpa pelo menos duas vezes ao dia, pela manhã e à noite. A limpeza 
também é importante para a melhor penetração do filtro solar. 
 O uso diário do filtro solar, em um país tropical como o nosso, é importante para 
prevenir queimaduras, evitar o envelhecimento precoce da pele (rugas) e, principalmente, o 
câncer de pele. Ele deve ser espalhado por todo o corpo, inclusive orelhas, pés e mãos 30 
minutos antes da exposição solar (exceto dentro de orifícios, como olhos, ouvidos, boca e 
outros). 
 O filtro deve ser repassado, também em quantidade significativa, 20 a 30 minutos após 
o início da exposição. Depois disso, ele deverá ser repassado novamente a cada 2 horas ou 
após contato com a água ou suor excessivo. 
 É importante ressaltar que mesmo com o céu nublado é importante usar o protetor 
solar, já que os raios ultravioletas (UV), que lesam nossas células e as predispõem ao câncer 
de pele, continuam passando pelas nuvens, com intensidade menor, porém ainda de modo 
significativo. Não se deve esquecer, também, do uso de chapéu ou boné para cobrir o rosto 
e, principalmente, se possível, evitar exposição aos raios solares no período das 10 às 16 
horas. 
 Para as pessoas em geral, o fator de proteção solar (FPS) recomendado é de pelo 
menos 30, porém as pessoas de pele mais clara e que se expõem de forma intensa por praticar 
esportes ao ar livre, por exemplo, devem usar bloqueadores solares (proteção mais ampla – 
pelo menos FPS 50) e também resistentes a água. Já as pessoas de pele negra, em geral, podem 
fazer uso de FPS de pelo menos 15. Abaixo desse valor a proteção deixa de ser eficaz. 
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 O valor do FPS significa quantas vezes mais o indivíduo está protegido dos raios 
ultravioletas (UV) do que se não o estivesse usando. Podemos entender esse assunto da 
seguinte maneira: a pele, quando exposta ao sol sem proteção, leva um determinado tempo 
para ficar vermelha. Quando se usa um filtro solar com FPS 15, a mesma pele leva 15 vezes 
mais tempo para ficar vermelha, ou seja, para apresentar inflamação (lesão das células). 
 
• O processo de barbear: 
 É um processo agressivo para a pele, principalmente se realizado de maneira 
inadequada ou com produtos de má qualidade. O tipo de pelo também influencia no resultado, 
já que cada indivíduo apresenta pelos com características diferentes de espessura e formato, 
o que favorece mais ou menos o encravamento. 
 Este processo pode levar a uma infecção chamada foliculite persistente (“aqueles 
pontinhos vermelhos na face nos locais dos pelos encravados”). Esta se caracteriza por 
avermelhamento, dor e formação de pus na região do folículo pilossebáceo, devido a 
encravamento do pelo e posterior infecção bacteriana. 
 
→ Passos importantes para o ato de barbear: 
- Iniciar com limpeza cuidadosa da pele da face com produto adequado, enxaguando e secando 
bem o local; 
- Em seguida, aplicar um produto de barbear, também adequado ao tipo de pele, o que 
amolece os pelos, facilita o deslizar da lâmina e diminui a irritação da pele; 
- Após a limpeza e uso do produto especifico, o pelo deverá ser cortado, de preferência no 
sentido do crescimento, para evitar lesões; 
- É importante que a lâmina esteja em boas condições, usandode preferência barbeadores 
com 3 lâminas, evitando que seja passada muitas vezes sobre a pele, o que causaria mais 
irritações; 
- Evitar usar álcool após barbear ou outros produtos irritantes para pele; 
- Usar loções ou cremes pós-barba para diminuir a irritação da pele; 
- Pode-se fazer compressas geladas ou de chá de camomila no pós-barba, se necessário; 
- Evitar produtos gordurosos, assim como pasta de dente, Hipoglós e Minâncora, pois podem 
aumentar as chances de “entupir” o orifício das glândulas sebáceas, propiciando a formação 
de cravos, que, quando infectados e inflamados, evoluem para espinhas / acne. 
 
III) Mãos e unhas 
 
 As mãos constituem a principal via de transmissão de micro-organismos, pois a pele é 
um possível reservatório de bactérias, fungos e vírus, que podem se transferir de uma 
superfície para outra, por meio de contato direto (pele com pele), ou indireto, por meio do 
contato com objetos e superfícies contaminados. 
 Vale lembrar da pandemia recente de influenza H1N1 (“gripe suína”) e COVID-19 
(coronavírus), além de outras epidemias / surtos de gripe e conjuntivite que ocorrem de 
tempos em tempos, muito devido ao fato das pessoas não realizarem uma adequada higiene 
das mãos. 
 
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Figura 27 – As etapas da higienização das mãos 
 
 Grande parte desses micro-organismos podem ser removidos da camada mais 
superficial da pele por ação mecânica e química, por meio de uma adequada higienização das 
mãos com água e sabão ou mesmo, em algumas situações, fazendo uso de formulação 
antisséptica (Ex.: álcool a 70% em gel). Deve-se higienizar bem as mãos sempre antes e depois 
de ir ao banheiro e também antes e depois das refeições. 
 
• O processo de higienização das mãos: 
- No caso de torneiras com contato manual para fechamento, sempre utilize papel-toalha; 
- O uso coletivo de toalhas de tecido é contraindicado, pois estas permanecem úmidas, 
favorecendo a proliferação de bactérias e fungos; 
- Não cortar as unhas até o "sabugo", deixe sempre uma discreta porção da borda livre; 
- Qualquer alteração, como bordas desfolhando ou quebrando, manchas, amarelamento, 
irregularidades em sua superfície, espessamento ou descolamento da(s) unha(s), procure um 
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OSTENSIVO - 2 - 5 - REV.1 
médico para o correto diagnóstico e tratamento. Em muitos casos, alguns desses sinais podem 
corresponder a uma doença chamada de micose de unha ou onicomicose (figura abaixo). 
Micose é o nome que se dá as lesões que afetam as unhas ou a pele e que tem como causa 
alguns tipos de fungos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 28 – Micose de unhas das mãos Figura 29 – Pé de atleta (fungos) 
 
 
IV) Pés 
 
 Os fungos são a causa do mau cheiro nos pés, eles provocam fissuras entre os dedos 
e/ou se concentram em pequenos nódulos na base dos dedos na micose conhecida como “pé 
de atleta” ou “frieira” (figura acima). Caracterizado pela coceira, o pé de atleta é um tipo de 
micose que se manifesta entre os dedos e se propaga para a planta do pé, na vizinhança das 
inserções dos dedos contaminados. 
 O sinal mais comum é a descamação da pele, formando placas esbranquiçadas, 
manchas vermelhas e rachaduras que cocam ou ardem. A contaminação, em geral, ocorre ao 
caminhar descalço por pisos úmidos, banheiros de hotéis, vestiários, ou por bordas de piscinas 
e saunas de clubes. 
 Outra micose muito comum é chamada de “pano branco”, que se caracteriza por 
manchas que descamam e cocam muito em algumas partes do corpo, como tronco, axilas, 
virilhas e outros. A forma de contaminação também é por contato direto com roupas, pessoas 
ou locais onde há a presença de fungos, especialmente borda de piscinas coletivas. 
 Vale salientar que nem todos os indivíduos que entram em contato com fungos 
desenvolvem alguma doença (micose). Para desenvolver uma micose, o indivíduo deve entrar 
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em contato com fungos e também ter predisposição, ou seja, susceptibilidade genética para 
tal. 
 Além da susceptibilidade genética comentada, existem mais 5 fatores (fatores 
ambientais) que favorecem o desenvolvimento dos fungos: 
• Umidade; 
• Calor; 
• Ambiente escuro; 
• Ambiente pouco arejado (pouca circulação de ar); e 
• Presença de material orgânico (Ex.: pele descamada / morta). 
 
 Assim sendo, como medidas de prevenção para micoses de pele, deve-se realizar uma 
higiene adequada diária da região entre os dedos dos pés durante o banho, a fim de evitar a 
presença de excesso de material orgânico (pele descamada / morta) nesse local. Além disso, é 
fundamental evitar a presença de umidade nessa região, secando-a bem após o banho. 
 Deve-se também, sempre que possível, fazer uso de calcados abertos (Ex.: sandálias e 
chinelos), principalmente nos períodos quentes do ano, evitando propiciar um ambiente 
quente, escuro e pouco arejado na região dos pés. Além disso, é importante ainda: 
• Manter os calçados limpos, além de arejá-los e colocá-los ao sol todos os dias; 
• Usar sapatos confortáveis para evitar lesões e calosidades; 
• Não cortar as unhas dos pés pelos cantos, isso evitara que elas encravem; e 
• Procurar o atendimento médico caso note alguma lesão suspeita nos pés. 
 
V) Genital masculino 
 
 A limpeza adequada da glande (“cabeça do pênis”), puxando bem o prepúcio, com o 
uso de sabonete neutro, é muito importante para se evitar infecções nessa região, 
principalmente algumas doenças sexualmente transmissíveis, bem como um odor 
desagradável. 
 A secreção acumulada abaixo do prepúcio (esmegma) apresenta bactérias e outros 
micróbios que podem causar micro ferimentos no tecido do pênis. Estes ferimentos podem 
ser a porta de entrada para alguns micro-organismos causadores de doenças infecciosas. 
 A falta de higiene íntima masculina, em casos mais graves, pode ocasionar desde a 
amputação do pênis, até o câncer de pênis. No Brasil, cerca de 1.600 pênis são amputados por 
ano devido à falta de limpeza. 
 Nos últimos 14 anos, foram registradas 7.213 amputações de pênis no Brasil, o que 
corresponde a um aumento de 1.604% no número desses procedimentos. Os dados, 
levantados pelo Ministério da Saúde, foram divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia 
(SBU) em nota à imprensa. A remoção tem como principal causa o câncer de pênis, que ocorre 
com maior incidência em homens com idade a partir dos 50, porém também pode acometer 
os mais jovens. (http://www.oncoguia.org.br – Acesso em 16 de setembro de 2022). 
 
VI) Genital feminino 
 
A higiene íntima deve fazer parte do cuidado pessoal diário. Além de eliminar odores, 
o asseio previne infecções e a proliferação de fungos, sobretudo nas mulheres, que têm 
anatomia genital mais recolhida. 
Atenção, higiene íntima não quer dizer higiene interna. A limpeza deve concentrar-se 
na região da vulva, sem ser direcionada para a vagina. A recomendação é que a higiene deve 
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ser feita três vezes ao dia, de preferência com água, sabonete neutro e usando somente os 
dedos. 
Esponjas, cotonetes ou qualquer outro apetrecho devem ser descartados, pois podem 
raspar a vulva e provocar ferimentos. Os dedos oferecem maior mobilidade na hora da 
limpeza, o que é bastante importante para lavar o clitóris e retirar todo o esmegma. Na vulva, 
os movimentos devem ser leves e circulares. Depois, com os dedos na horizontal, a limpeza 
deve ser feita da vagina para o ânus, para que não haja contatodo material retal com o genital. 
Durante a menstruação, uma das dicas mais importantes é remover constantemente 
os coágulos de sangue que se instalam na vulva. Em relação ao tempo de troca dos 
absorventes, especialistas defendem que devem ser trocados de acordo com o fluxo menstrual 
da mulher. Caso seja intenso, a troca deve ser constante, preferencialmente de hora em hora. 
Não é recomendável que o mesmo absorvente seja utilizado por muito tempo. 
 
VII) Banho 
 
 O banho, além de promover a limpeza do corpo, eliminando os germes nocivos que 
podem vir a ser fontes de contaminação do indivíduo, proporciona sensação refrescante, 
conforto e boa aparência, removendo também odores desagradáveis. 
 A temperatura da água do banho ideal depende do clima do ambiente. De preferência, 
principalmente em ambientes quentes, deve-se fazer uso de água em sua temperatura 
ambiente (fria), pois a água excessivamente quente resseca muito a pele, o que pode predispor 
ao desencadeamento de alergias de pele e acne (“espinhas”), além de gerar danos aos cabelos. 
Já em clima frio, deve-se fazer uso no máximo de água morna no banho. Em ambos os casos, 
devemos sempre fazer uso de sabonete neutro e sua remoção após o banho deve ser 
completa. 
 
 
2.2.2 – HIGIENE BUCAL OU ORAL 
 
 Uma higiene bucal deficitária pode causar o aparecimento de várias doenças orais, 
como: 
• Placa bacteriana: Película esbranquiçada, que se deposita na superfície dos dentes, 
formada por componentes salivares, restos alimentares e bactérias. 
• Cárie: Doença multifatorial, principalmente provocada pelo acúmulo de placa 
bacteriana. 
• Gengivite: Doença gengival, também provocada pelo acumulo de placa bacteriana, 
causando inflamação gengival e, consequentemente, sangramento, vermelhidão e 
inchaço, podendo ser revertida pela simples remoção de placa bacteriana. 
• Periodontite: Doença gengival em que a placa bacteriana endurece, transformando-se 
em tártaro, causando uma inflamação grave e perda óssea em torno do dente, 
podendo levar a perda de um ou mais dentes, se não tratada. 
 
 As descrições acima relatam os problemas bucais provocados pelo acumulo de placa 
bacteriana. Abaixo serão relatados procedimentos para a sua remoção. 
 
→ Como devemos fazer a remoção da placa bacteriana? 
• Escovar os dentes três vezes ao dia, pelo menos. Escovar a língua diariamente. 
• Fazer uso de fio dental a noite, diariamente, de preferência, antes de escovar os dentes. 
• Fazer uso de líquidos para bochechos contendo flúor, pelo menos semanalmente. 
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→ Material para higiene bucal: 
• Escova de Dentes: Devem ser trocadas, pelo menos, a cada três meses e serem de 
material macio, com cerdas arredondadas. 
• Fio dental: para limpar o espaço entre os dentes que acumula matéria orgânica e 
bactérias. Deve ser passado antes da escovação. 
• Escova interdental - para dentes com espaços maiores entre eles ou para dentes que 
sofreram perdas ósseas. 
 
→ Como fazer a higiene bucal? 
 
ESCOVAÇÃO DENTAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 30 – Escovação dental e uso do fio dental 
 
 
Faça a correta higiene bucal e tenha dentes e gengivas saudáveis!! 
 
 
 
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2.2.3 – HIGIENE DO VESTUÁRIO E DO FARDAMENTO 
 
 As roupas retêm o calor do corpo e por isso favorecem o suor e a consequente 
produção dos resíduos de bactérias que geram o mau cheiro. Mas o odor pode inclusive ser 
consequência da própria roupa, e não do suor. Desse modo, escolher bem a roupa a ser 
utilizada para cada ocasião é fundamental. 
 Seguem algumas informações importantes: 
• Use roupas e calcados mais leves e arejados em climas quentes ou para realizar atividades 
físicas. As peças a base de algodão são as mais indicadas porque permitem uma melhor 
evaporação do suor. Evite roupas feitas com tecidos sintéticos. 
• Não use ou empreste roupas e calcados a colegas. Os fungos e outros micróbios presentes 
nas axilas, região pubiana e pés são transmissíveis. 
• Não ande descalço, principalmente em banheiros coletivos, saunas e bordas de piscinas. 
 
2.2.4 – HIGIENE MENTAL E DO SONO 
 
I) Higiene mental: 
 
 Além dos cuidados com o corpo é importante também dar atenção a nossa mente. 
Sentir-se bem consigo e estabelecer um bom relacionamento com os outros é cuidar da nossa 
saúde mental. 
 Ao longo da vida, algumas fases, como mudança de vida, de rotina, de cidade, ou 
acontecimentos, como a perda de um ente querido, separação, desemprego, podem causar 
perturbações na saúde mental. 
 Manter o pensamento positivo e confiante, não sofrer antecipadamente, manter a 
calma diante das adversidades e não fazer uso de drogas ajudam o indivíduo a controlar a 
ansiedade e manter a mente sã. 
 Além disso, grande parte das doenças mentais são relacionadas a fatores genéticos. 
Portanto, é importante analisar se existe na família parentes próximos com alguma doença 
mental. Deste modo, sempre que houver suspeita de que exista qualquer início de alteração 
ou perturbação de sua mente, é essencial consultar um médico para ser realizado, se for o 
caso, o diagnostico dessa doença mental. 
 O médico especialista nessa área é o psiquiatra. Existe um senso comum de que este 
profissional só trata de “loucos”, o que não é verdade. Cerca de 90% das consultas psiquiátricas 
são relacionadas a neuroses, ou seja, doenças que não alteram o senso de realidade do 
indivíduo, tais como depressão, ansiedade, transtorno bipolar, síndrome do pânico, transtorno 
obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de adaptação, transtorno pós-traumático, entre 
outros. 
 Por outro lado, as doenças mentais que alteram o senso de realidade do indivíduo são 
chamadas de psicoses, isto é, em algum momento do curso da doença mental, o indivíduo 
apresenta alucinações ou delírios. 
 A alucinação consiste em uma alteração doentia na percepção de algum órgão do 
sentido, isto é, ela depende de algum órgão do sentido para ocorrer. Sendo assim, ela pode 
ser classificada em visual (enxergar algo que não existe), auditiva (ouvir algo que não existe), 
tátil (sentir algo que não existe), olfativa (sentir um odor ou cheiro que não existe) ou gustativa 
(sentir um gosto que não existe). Muitas drogas também podem causar alucinações. 
 Já os delírios consistem em apresentar ideias fora da realidade, como, por exemplo, 
quando um indivíduo diz e acredita realmente que é “Napoleão Bonaparte” ou “Jesus Cristo”. 
O indivíduo faz um julgamento errado sobre uma situação de forma patológica, ou seja, 
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proveniente de uma doença. Outro exemplo: “meus pais querem me envenenar”, “meus 
amigos fizeram um plano para acabar comigo”. 
 Apenas cerca de 10% das consultas psiquiátricas, portanto, são relacionadas a psicoses, 
vulgarmente chamadas de “loucura”. Como exemplo podemos citar a esquizofrenia. 
 Os médicos psiquiatras podem realizar o tratamento das doenças mentais por meio de 
medicamentos, sessões de psicoterapia (“terapia por meio de conversa”) e indicação de 
grupos de autoajuda, dependendo de cada caso. Vale salientar que a dependência química 
(tabaco, álcool ou drogas ilícitas), a dependência psicológica (compulsão por jogo, sexo ou 
outro) e os transtornos alimentares (bulimia e anorexia) também são doenças mentais 
tratadas especificamente pelo médico psiquiatra. Portanto, perca o medo do psiquiatra e, 
sempre que suspeitar do início de alguma doença mental, o procure para uma consulta 
médica. 
 Porém, é importante ressaltar que o tratamento psiquiátrico depende de um grupo de 
apoio essencial formadopor uma equipe multidisciplinar, composta por psicólogos (por meio 
de psicoterapia, análise, entre outros tratamentos), enfermeiros e assistentes sociais. 
 
II) Higiene do sono: 
 
 A higiene do sono consiste em todas as ações que podemos realizar, visando a ter um 
sono saudável, ou seja, um sono reparador. Abaixo estão algumas dicas: 
 
→ Manter horários relativamente constantes para dormir e acordar. Mudanças de hábitos, 
como nos finais de semana, podem atrapalhar o sono. Devemos dormir de preferência no 
período noturno, já que é nesse período que hormônios importantes para o nosso organismo 
são produzidos. Indivíduos que trocam o dia pela noite, em geral, apresentam expectativa de 
vida menor (tendem a morrer mais cedo); 
→ Procurar dormir somente o necessário. Manter-se acordado e deitado por muito tempo na 
cama não melhora a qualidade do sono; 
→ O quarto de dormir não deve ser utilizado para trabalhar, estudar ou comer; 
→ Calor, frio, luminosidade e ruido excessivos podem prejudicar bastante o sono. Portanto, se 
possível, devemos manter o ambiente do quarto com uma temperatura agradável, em silêncio 
e escuro; 
→ Quem tem insônia deve evitar ler e assistir à televisão antes de dormir; 
→ Não cochilar durante o dia; entretanto, sestas (cochilo após o almoço) habituais não 
atrapalham o sono; 
→ Exercícios físicos devem ser feitos, no máximo, de seis a quatro horas antes de dormir; 
→ Procurar relaxar o corpo e a mente de sessenta a noventa minutos antes de ir para a cama. 
Nunca tentar resolver problemas nesse período! A maior causa de insônia é apresentar algum 
fator que cause estresse mental antes de dormir; 
→ Procurar fazer refeições mais leves, além de evitar fazer uso de café, chá preto, refrigerante 
de cola, chocolate ou qualquer outra bebida estimulante após as 17 horas. Também não fumar 
antes de dormir, pois a nicotina (substância estimulante) favorece a insônia e um sono não 
reparador. 
 A maioria dos brasileiros na fase adulta dorme entre 07 a 08 horas por dia, porém 
existem algumas pessoas que dormem menos que 07 horas e outras que dormem mais que 
08 horas. Isso depende das necessidades fisiológicas de cada indivíduo. 
 A princípio, a duração ideal do sono é aquela que satisfaça as necessidades do 
organismo, ou seja, aquela que não faça o indivíduo apresentar cansaço ou sonolência no 
outro dia. Entretanto, pesquisas evidenciaram que adultos que dormem pouco (menos 06 a 
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05 horas por dia), rotineiramente, apresentam uma expectativa de vida significativamente 
menor, além de ter uma qualidade de vida pior. 
 Outro fator relevante que deve ser considerado e a memorização. É durante o sono 
que as informações são processadas e consolidadas em nossa mente. Portanto, dormir a 
quantidade de tempo necessária de forma adequada e essencial para a nossa memorização e 
aprendizado. Quem não dorme bem, aprende significativamente menos! 
 Além disso, é durante o sono que são produzidos em grandes quantidades hormônios 
importantes para o crescimento muscular (anabolismo) e a reparação tecidual, como o 
hormônio do crescimento. Por isso, dormir bem também é fundamental para a cicatrização 
de lesões e para aqueles que desejam ganhar massa muscular. 
 Outras consequências de uma noite de sono inadequado são: fadiga, cansaço, tensão, 
diminuição do rendimento escolar e no trabalho, sintomas de depressão e ansiedade, 
sonolência diurna (que aumenta o risco de acidentes), dores musculares e irritabilidade. 
Portanto, sempre que possível, procure ter um sono de boa qualidade e de duração 
satisfatória! 
 
2.2.5 – ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL 
 
 Uma alimentação saudável é uma alimentação que promova saúde para o indivíduo. 
Logicamente, o peso adequado ou a presença de alguma doença são indicadores que sinalizam 
se a alimentação está sendo realizada da forma correta ou não. No entanto, todos devem 
procurar ingerir alimentos mais saudáveis. Se você se enquadra nas pessoas doentes, obesas 
ou com tendência familiar a ter problemas de saúde, procure um médico e um nutricionista 
(profissional que prescreve mudança de hábitos alimentares) para uma orientação mais 
precisa. 
 Caso você ainda não apresente obesidade e/ou qualquer doença, é interessante que 
se entenda e siga as recomendações abaixo: 
 Faça pelo menos cinco refeições por dia (comer de 3 em 3 horas intercalando as 
principais refeições com frutas ou lanches leves); 
 Beba bastante líquido. No mínimo 8 copos (2 litros) de água, suco de frutas ou água 
de coco por dia, com a finalidade de manter o organismo hidratado; 
 Tenha cuidado para não se viciar em produtos estimulantes e energéticos, com o uso 
excessivo de café, mate e guaraná natural – ricos em cafeína. Muitos estudantes fazem uso 
desses estimulantes para aumentar seu rendimento nas tarefas. Porém, em excesso eles 
prejudicam o organismo, gerando dependência (vício) e pioram o quadro de estresse, 
ansiedade e nervosismo. 
 Reduza o consumo de alimentos com alta concentração de sal, como caldos 
concentrados, churrasco, molhos prontos (como o shoyu), salgadinhos industrializados e 
outros, a fim de se contribuir para evitar a pressão alta; 
 Tenha uma alimentação equilibrada. Para isso é importante que se siga o esquema da 
pirâmide alimentar ilustrada na imagem a seguir. Ao se analisar a base da pirâmide, pode-se 
observar que é recomendada a ingestão de uma quantidade maior de cereais nas refeições 
diárias (massas, pão, arroz, feijão, etc.); na sequência, uma quantidade significativa de frutas 
e vegetais; em seguida, carnes (principalmente carnes magras – peixes, carne bovina, suína e 
outras), leite e derivados e; por último, uma quantidade bem pequena de doces, gorduras e 
óleos. 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 12 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 31 – Pirâmide alimentar 
 
 Deve-se variar os tipos de cereais, carnes, verduras, legumes e frutas, alternando as 
cores dos alimentos, já que quanto mais coloridos são os alimentos, mais ricos eles são em 
vitaminas e sais minerais. A complementação de vitaminas e/ou sais minerais só é necessária, 
se houver comprovação da carência de alguma dessas substâncias. Isso é mais comum em 
situações de doenças ou em pessoas idosas. 
 Não abuse das gorduras, das frituras, dos doces, das bebidas alcoólicas, refrigerantes, 
das carnes vermelhas, etc. Isto não significa não comer os produtos acima, apenas ingerir em 
quantidade menor e em situações esporádicas, como eventos especiais, aniversários, um 
almoço de domingo, etc. 
 As gorduras podem ser saturadas, trans-saturadas ou insaturadas. 
 As gorduras saturadas estão presentes principalmente em alimentos de origem animal 
(carnes, leite, manteiga, gema do ovo), sendo que seu consumo deve ser evitado, pois 
predispõe a obesidade e a doenças cardiovasculares (infarto do coração e derrame). 
Obs.: o colesterol não é um tipo de gordura saturada, entretanto também está presente nos 
alimentos de origem animal. O colesterol também predispõe de forma significativa ao infarto 
e ao derrame, já que contribui para o surgimento e crescimento das placas de gordura nos 
vasos sanguíneos, gerando seu “entupimento” (esse processo será melhor explicado em tópico 
especifico adiante). 
 As gorduras trans-saturadas estão presentes principalmente em alimentos 
industrializados, a partir da hidrogenação de óleos vegetais, (biscoitos, salgadinhos fritos, 
margarina, bolos, alguns doces), sendo que seu consumo também deve ser evitado, já que nas 
últimas décadas, descobriu-se que esse tipo de gordura predispõe a obesidade e a doenças 
cardiovasculares (infarto do coração e derrame). 
 As gorduras insaturadas estão presentes principalmente em alimentos de origem 
vegetal (óleosvegetais, como azeite, girassol, soja, canola, milho e outros), sendo que seu 
consumo deve ser estimulado, entretanto sem excessos, já que não deixa de ser uma fonte 
grande de calorias, o que pode levar a obesidade. 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 13 - REV.1 
 Em muitos casos, as gorduras saturadas e o colesterol estão “ocultos” (disfarçados) 
nos alimentos que nós comemos, não as percebendo. Por exemplo, existe muita gordura 
disfarçada nas carnes, salsichas, linguiças, presuntos, salames, etc. 
As carnes selecionadas para o consumo devem ser aquelas com menor quantidade de 
gordura (magras, sempre retirando as peles e gorduras visíveis), sendo seu consumo 
moderado. Qualquer alimento frito, pelo menos triplica a quantidade de gordura contida 
dentro dele. 
 
→ Depois de todas essas informações, o que comer então? 
 O prato típico do brasileiro, geralmente é um excelente exemplo: arroz, feijão, salada 
crua, verdura cozida (com pouco óleo), um pedaço de carne magra (de preferência as aves sem 
pele e peixes) e de sobremesa uma fruta. 
 Uma alimentação saudável, como a apresentada, pode contribuir significativamente 
para uma melhora do desempenho escolar, aumentando a disposição para os estudos, bem 
como melhorando a concentração, o sono e a memória. 
 Por fim, é importante que fique claro que não é preciso que você mude toda a sua 
rotina alimentar de um dia para o outro. Seu organismo tem de ser acostumado gradualmente, 
de modo que se alimentar de forma correta deve passar a fazer parte do seu dia-a-dia, sem 
que você perceba. 
 A alimentação saudável deve passar a ser um hábito e não uma obrigação. Se as 
mudanças forem radicais e incompatíveis com o seu estilo de vida, elas passarão, com o tempo, 
a ser impraticáveis e todo seu esforço, infelizmente, terá sido inútil. 
 
2.2.6 – ATIVIDADES FÍSICAS 
 
 Assim como a alimentação saudável, a prática de atividades físicas habituais é muito 
importante para a manutenção de um bom estado de saúde de toda a tripulação. 
 No Brasil, o sedentarismo é um problema que vem assumindo grande importância. As 
pesquisas mostram que a população atual gasta bem menos calorias por dia do que gastava 
há 100 anos, o que explica o motivo de 70% da população brasileira ser sedentária, ou seja, 
não prioriza a pratica de atividades físicas rotineiramente. 
 Esse estilo de vida atual pode ser responsabilizado por cerca de 54% do risco de morte 
por infarto e por 50% do risco de morte por derrame cerebral, as principais causas de morte 
em nosso país. Assim, vemos como a atividade física é assunto de saúde pública no Brasil. 
 
Como é o treinamento físico militar na Marinha do Brasil? 
 
 De acordo com a publicação do CGCFN-15, o Treinamento Físico Militar (TFM) deve ser 
encarado como um adestramento planejado, executado e controlado, constando no Detalhe 
Semanal de Adestramento (DSA). Nas OM em que não é possível a sua realização diária, deve 
ter periodicidade de, no mínimo, três vezes por semana, inclusive nas viagens. 
 O TFM é composto de um programa de treinamento físico nas modalidades de 
CORRIDA, NATAÇÃO e PERMANÊNCIA, sendo parte integrante da preparação do militar para o 
Teste de Aptidão Física (TAF) anual da Marinha do Brasil. 
 
Quais são os principais benefícios da atividade física? 
 
 A pratica regular de exercícios físicos traz benefícios que se manifestam sob todos os 
aspectos do organismo. Do ponto de vista músculo-esquelético, auxilia na melhora da forca e 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 14 - REV.1 
do tônus muscular, além da flexibilidade e do fortalecimento dos ossos e das articulações. Com 
relação a saúde física, observamos perda de peso e da porcentagem de gordura corporal, 
redução da pressão arterial, melhora do diabetes, diminuição do colesterol total e aumento 
do HDL-colesterol (o "colesterol bom"). 
 Todos esses benefícios auxiliam na prevenção e no controle de doenças, sendo 
importantes para a redução da mortalidade associada a elas. Veja, a pessoa que deixa de ser 
sedentária e passa a ser um pouco mais ativa diminui o risco de morte por doenças do coração 
em 40%! Isso mostra que uma pequena mudança nos hábitos de vida é capaz de provocar uma 
grande melhora na saúde e na qualidade de vida. 
 Já no campo da saúde mental, a pratica de exercícios ajuda na regulação das 
substâncias relacionadas ao sistema nervoso, melhora o fluxo de sangue para o cérebro, ajuda 
na capacidade de lidar com problemas e com o estresse. Além disso, auxilia também na 
manutenção da abstinência de drogas e na recuperação da autoestima. 
 Os exercícios físicos liberam substâncias (endorfinas) que promovem o bem-estar, 
redução da ansiedade e do estresse, ajudando no tratamento da depressão. 
 A atividade física pode também exercer efeitos positivos no convívio social, tanto no 
ambiente de trabalho quanto no familiar. 
 
Como adquirir esses benefícios? 
 
 Para adquirir todos esses benefícios, deve-se ter força de vontade, dedicação e 
paciência, principalmente no início da prática. Porém, assim como na alimentação saudável, o 
mais importante é adquirir aos poucos o hábito de praticar atividades físicas. Ir à academia, 
correr em um parque ou praticar algum esporte deve passar a fazer parte da nossa vida, ou 
seja, deve se tornar tão habitual e necessário como ir ao supermercado fazer compras, por 
exemplo. 
 Para que a mudança dure para o resto de sua vida, devemos entender que a prática de 
atividades físicas deve ser iniciada de modo gradual e agradável, já que mudanças repentinas 
e intensas são desconfortáveis e normalmente nos fazem desistir em pouco tempo. 
 
Obs.: Na Guerra das Malvinas (1981), entre Argentina e Inglaterra, os fuzileiros navais ingleses 
fizeram muitos exercícios físicos durante a longa viagem que realizaram, a fim de se 
apresentarem com um bom condicionamento físico na hora do confronto com os argentinos, 
saindo vitoriosos do combate. 
 
2.3 – HIGIENE COLETIVA OU AMBIENTAL 
 
 Compreende o conjunto de programas voltados para o estudo das condições e recursos 
que possam proporcionar saúde a toda uma coletividade. Assim temos: o saneamento básico 
(rede de esgotos, sistema de abastecimento de água potável, a coleta regular de lixo, etc.), 
campanhas de vacinação, observação das condições mínimas de conforto, limpeza e segurança 
para o funcionamento de escolas, hospitais, navios e outros. 
 
2.3.1 – ASPECTOS PARTICULARES DA HIGIENE NAVAL 
 
 Os navios da Marinha do Brasil são embarcações com estruturas complexas, cada um 
com sua finalidade operativa específica, que dependem de uma adequada interação de todos 
os seus tripulantes, cada qual com sua função. 
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OSTENSIVO - 2 - 15 - REV.1 
 Porém, não podemos esquecer que, para que essas grandes estruturas flutuantes 
continuem operando de forma satisfatória, sem colocar em risco a higidez (saúde) física e 
mental de seus militares, é fundamental que se tenham hábitos de higiene rigorosos e 
adequados, já que qualquer deslize pode ser a causa de grandes surtos de doenças infecciosas, 
as quais podem afetar de forma decisiva a saúde dos tripulantes, levando muitas vezes a um 
completo fracasso em sua missão! 
 Desse modo, dentro de um navio (ou mesmo em uma organização militar de terra) é 
imprescindível que o militar siga as seguintes orientações, a fim de preservar a sua própria 
saúde e a de todos os militares que o cercam: 
 
2.3.1.1 – ILUMINAÇÃO E TEMPERATURA 
 
 O navio não tem janelas, nem quaisquer outras aberturas em seu casco, o que dificulta 
a entrada da iluminação solar (natural) durante o dia. Isto tem que ser compensado com uma 
boa iluminação artificial, com lâmpadasfluorescentes (iluminação fria), pois a pouca 
luminosidade dificulta a locomoção da tripulação e pode acarretar, com o tempo, dificuldades 
de visão em alguns militares. Portanto, o navio deve ser bem iluminado. 
 Por ser construído totalmente com chapas de ferro, absorve muito calor e isso torna o 
ambiente a bordo impróprio para se viver. Por isso, os navios possuem um sistema de 
ventilação com entrada e saída de ar através de canalização para todas as cobertas. Os navios 
mais modernos, devido aos seus inúmeros aparelhos sensíveis ao calor, são dotados de um 
sistema de ar-condicionado, que também proporciona maior conforto para a tripulação. 
 
2.3.1.2 – HIGIENE DO ALOJAMENTO 
 
 Os alojamentos devem sempre ser mantidos bem limpos e arrumados, com a roupa de 
cama adequadamente lavada. Deve-se trocar a roupa de cama regularmente. Não se deve 
dormir nos beliches ou triliches sem toda a roupa de cama organizada, sob pena de diminuir 
a vida útil do colchão e do travesseiro, bem como predispô-los ao desenvolvimento de fungos, 
parasitas e outros micro-organismos. 
 Na alvorada, logo após acordar, é essencial que o militar arrume toda a sua roupa de 
cama, conforme o estabelecido em regulamento. Não é recomendado usar os beliches de 
outras pessoas, a fim de evitar a transmissão de possíveis parasitas, tais como: escabiose 
(sarna), ftiríase (chato), pediculose (piolho), etc. 
 
2.3.1.3 – HIGIENE DA ÁGUA 
 
 A água doce pode ser obtida para abastecer nossas residências e indústrias por meio 
da coleta direta nos rios ou nascentes, do acumulo de água da chuva, dos poços artesianos ou, 
de forma indireta, por meio do sistema público de tratamento de água. 
 Porém, é importante lembrar que a água é considerada potável quando é própria para 
o consumo humano, ou seja, quando podemos bebê-la sem risco a saúde. A água potável não 
apresenta cor (incolor), odor (inodora) e sabor (insípida), características que são importantes, 
entretanto não excluem a possibilidade de presença de substâncias tóxicas e de micro-
organismos que causam doenças. 
 Desse modo, a água retirada de rios, lagos e poços deve, antes, passar por um processo 
de tratamento (nas estações de tratamento de água) para se tornar potável, o que inclui os 
processos de filtração e de cloração da água, eliminando as impurezas e os micro-organismos 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 16 - REV.1 
causadores de doenças. Além disso, em geral, se realiza a fluoretação (adição de pequena 
quantidade de flúor a água), ação que ajuda na prevenção da cárie dentária. 
 Em situações em que não se possa obter água tratada da rede pública de 
abastecimento (Ex.: acampamento, zonas rurais, manobras operativas em locais distantes, 
etc.) é fundamental que se realizem procedimentos básicos de tratamento de água para se 
evitar a aquisição de doenças, tais como ferver a água por pelo menos 05 minutos (quando 
esfriar, para que a água fervida tenha um gosto melhor, derrame a água de um recipiente para 
outro várias vezes) e/ou fazer uso de pastilhas de cloro ou iodo que tem a função de matar os 
micro-organismos que ali estão presentes. Para saber quantas pastilhas colocar e quanto 
tempo esperar para beber, leia as instruções de uso na embalagem das mesmas. 
 
2.3.1.4 – HIGIENE DO LIXO 
 
 Lixo é um conjunto de resíduos de composição variada, podendo conter agentes 
biológicos, físicos e/ou químicos, resultante das atividades humanas e dos animais 
domésticos, que podem ser nocivos ao homem e ao ambiente. 
 Como já foi comentado acima, ainda que possa funcionar como contaminante direto, 
o lixo é principalmente uma via indireta de transmissão de doenças ao homem, pois sua 
disposição e acúmulo inadequados propiciam condições para a ação de múltiplos fatores, 
como: 
• proliferação de animais nocivos ao ser humano, como moscas, baratas, mosquitos e 
roedores; 
• poluição do meio ambiente (água, solo e ar); e 
• contaminação de animais comestíveis, como porcos e peixes. 
 
 O lixo pode ser classificado em resíduos orgânicos e resíduos inorgânicos. 
 Os resíduos orgânicos são todo o tipo de alimento, bem como urina e fezes. Já os 
resíduos inorgânicos são os papéis, plásticos, vidros, metais, madeiras, resíduos perigosos, 
resíduos ambulatoriais, resíduos radioativos e outros resíduos gerais não recicláveis. Cada tipo 
de resíduo deve ser depositado em um coletor específico, que pode ser discriminado, por 
convenção, por uma determinada cor, como segue: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 32 – Separação dos resíduos (lixo) – cores 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 17 - REV.1 
 Esta separação visa auxiliar na destinação final desse lixo e se ele pode ser 
reaproveitado de alguma forma, pois nem tudo é nocivo no lixo. É de fundamental importância 
"reciclarmos" o conceito que temos de lixo, deixando de enxergá-lo como uma coisa suja e 
inútil em sua totalidade. Grande parte dos materiais que vão para o lixo podem (e deveriam) 
ser reciclados. 
 Tendo em vista o tempo de decomposição natural de alguns materiais, como o vidro 
(5.000 anos), o plástico (450 anos), o alumínio (de 200 a 500 anos), a lata (100 anos), faz-se 
necessário o desenvolvimento de uma consciência ambientalista para uma melhoria da 
qualidade de vida atual e para que haja condições ambientais favoráveis a vida das futuras 
gerações. 
 Atualmente, a produção anual de lixo em todo o planeta é de aproximadamente 400 
milhões de toneladas. O que fazer e onde colocar tanto lixo são um dos maiores desafios deste 
final de século. 
 A reciclagem é uma alternativa para amenizar o problema, porém, é necessário o 
engajamento da população para realizar esta ação! O primeiro passo é perceber que o lixo é 
fonte de riqueza e que para ser reciclado deve ser separado. Existem partes que podem ser 
reaproveitadas através de um eficiente sistema de coleta seletiva e reciclagem, contribuindo 
para a renda das famílias e para a preservação do meio ambiente, com geração inclusive de 
combustíveis, como é o caso do biocombustível. 
 
2.4 – PLANEJAMENTO FAMILIAR E MÉTODOS CONTRACEPTIVOS 
 
 O planejamento familiar diz respeito ao planejamento de quantos filhos você e sua(eu) 
companheira(o) irão querer ter e em que momento seria melhor que eles nascessem. É um 
procedimento indispensável no mundo moderno, em que cuidar de filhos é uma tarefa cada 
vez mais complexa, especialmente para um militar, que, em determinadas ocasiões, necessita 
embarcar ou até mesmo se transferir (ser movimentado) de uma cidade para outra do nosso 
país. 
 Primeiramente, é essencial que ambos, tanto você quanto sua companheira, desejem 
realmente ter filhos, já que muitos indivíduos, em seu íntimo, não tem a mínima vontade em 
ter uma criança / adolescente para cuidar, em função das várias concessões que terá que fazer 
a partir de então, ou seja, nunca se imaginaram como pai ou mãe, com todos os deveres 
inerentes a esse papel. Nesse ponto, em específico, deve-se entender que ninguém é obrigado 
a ter filhos. 
 Em segundo lugar, se existir realmente a vontade de tê-los, é importante que se planeje 
adequadamente esse processo, já que alguns fatores são fundamentais, como maturidade, 
tranquilidade, paciência e tempo disponível, além de condições sociais e financeiras mínimas 
para oferecer um adequado desenvolvimento a essa criança, em relação a saúde, educação, 
segurança e transmissão de adequados valores éticos e morais. 
 Em geral, esses pré-requisitos fundamentais só são adquiridos quando o indivíduo 
amadurece em termos mentais, profissionais e financeiros. É aconselhável, portanto, que 
preferencialmente se tenha filhos em uma fase mais madura da vida, ressaltando que essa 
fase varia de pessoa para pessoa e só você e sua(eu) parceira(o) juntos podem decidir quandoserá o melhor momento, ou seja, quando estarão melhor preparados para essa árdua, porém 
gratificante tarefa! 
 Desse modo, é importante que os cônjuges conversem claramente sobre como evitar 
a gravidez, bem como as infecções sexualmente transmissíveis (IST). É preciso que isso seja 
feito antes de iniciar um relacionamento sexual. Depois, como já foi comentado, pode ser 
tarde! 
OSTENSIVO EMN-013 
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 Assim, quem pretende ter relações sexuais, mas não quer correr o risco de uma 
gravidez não planejada, precisa utilizar algum método anticoncepcional ou contraceptivo 
(método que previne a concepção). Todos os métodos listados abaixo tem a função de 
prevenir a gravidez, entretanto se deve enfatizar que o condom ou “camisinha” é o método 
mais completo, pois além de prevenir a gravidez, previne o contágio de Infecções 
Sexualmente Transmissíveis (IST), o que nenhum outro método faz. 
 Além disso, deve-se acabar com o mito de que aprender sobre alguns métodos 
anticoncepcionais, como a “pílula” (contraceptivo oral) ou o DIU (dispositivo intrauterino), é 
dever apenas da mulher. O homem é tão responsável pela possível gravidez quanto a sua 
parceira, haja vista que a responsabilidade quanto a criação do filho é de ambos em partes 
iguais. 
 Assim, por exemplo, se a parceira tem pouco conhecimento sobre a “pílula” ou o DIU, 
é fundamental que o homem a ensine. Portanto, ressaltamos que ambos devem aprender de 
forma adequada as características dos métodos anticoncepcionais listados abaixo: 
 
 MÉTODOS PRÓS CONTRAS 
 
 
 
 
 
HORMONAIS 
Pílula tradicional ou 
anticoncepcional oral 
(ACO) 
Alta eficácia. É um 
engano dizer que dá 
celulite e engorda. As 
pílulas modernas tem 
baixa dosagem 
hormonal e não surtem 
esses efeitos colaterais. 
 
Podem desencadear 
alguns efeitos colaterais 
desagradáveis, como 
náuseas, gastrites e dor 
nas mamas. 
Pílula do dia seguinte. Duas 
pílulas com alta dose de 
hormônio, só fazem efeito se 
forem ingeridas no máximo 
72 horas após a relação 
sexual. 
Único método 
hormonal disponível 
para casos de 
estupro ou falha do 
preservativo. 
 
Causa diversos efeitos 
colaterais: 
Modifica o metabolismo 
hepático e provoca 
grandes alterações 
hormonais. 
 
 
 
INTRAUTERINO 
DIU. Dispositivo com cobre, 
substância que se dissolve 
na cavidade do útero e mata 
os espermatozoides na 
entrada do colo uterino. Age 
durante 5 anos. 
Alta eficácia. Não há 
risco de esquecer de 
usá-lo, como ocorre 
com a pílula 
anticoncepcional. 
Aumenta o fluxo e a 
duração da 
menstruação. 
Pode sair do lugar. 
Para manter a eficácia é 
preciso fazer exame 
ginecológico a cada seis 
meses. 
 
 
 
 
 
CIRÚRGICOS 
Esterilização. Há três tipos: 
- Laqueadura: Método em 
que se secciona e retira um 
fragmento da trompa; 
- Vasectomia: Secção do 
canal por onde passam os 
espermatozoides para 
serem ejaculados. O homem 
continua a ejacular, mas sem 
espermatozoides no sêmen; 
- Histerectomia: Retirada 
dos genitais internos 
femininos (útero e ovário) 
São métodos de 
esterilização que 
apresentam uma 
altíssima eficácia e não 
surtem efeitos 
colaterais. 
 
Laqueadura e 
vasectomia são 
reversíveis apenas com 
cirurgias. 
Mas os resultados nem 
sempre são garantidos, 
não dá para reverter a 
histerectomia. 
OSTENSIVO EMN-013 
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DE BARREIRA 
Camisinha feminina e 
masculina. Produto 
de látex para recobrir os 
genitais. 
Evita a transmissão de 
IST 
 
Algumas pessoas acham 
que diminui a 
sensibilidade nos 
genitais. 
Diafragma. Espécie de 
calota de silicone 
para se colocar no fundo da 
vagina. Tem 
tamanhos diferentes: Deve 
ser escolhido de 
acordo com as dimensões 
do colo do útero. 
Não surte efeitos 
colaterais. 
Tem que ser colocado 
15 minutos antes da 
relação. 
Espermaticida. Substância 
colocada na vagina que mata 
os espermatozoides. E 
apresentado em creme, gel, 
spray, comprimido, 
efervescente, óvulo e 
espuma. 
Se não usado com 
diafragma ou 
camisinha, não tem 
vantagens. 
 
Margem alta de falha se 
usado sem outro 
método. 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMPORTAMENTAIS 
Tabelinha. Abstinência 
sexual periódica na 
semana em que ocorre a 
ovulação (ela se dá 4 dias 
antes do início da próxima 
menstruação). Deve-se 
evitar relações sexuais 3 dias 
antes e 3 dias depois da 
ovulação. 
Não requer nenhum 
tipo de dispositivo ou 
medicação. 
O casal tem que evitar 
relações sexuais nesse 
período; falha 
facilmente pois o ciclo 
menstrual pode variar. 
Coito interrompido. 
Retirada do pênis da vagina 
alguns momentos antes da 
ejaculação. Essa prática é 
altamente ineficaz, e 
comum entre os 
adolescentes. 
Não tem. É extremamente falho, 
pois o pênis libera 
líquido que contêm 
espermatozoide mesmo 
antes da ejaculação. 
Pode causar ejaculação 
precoce e na mulher 
pode desencadear 
dificuldade de chegar ao 
orgasmo. 
 
 
* A pílula do dia seguinte apresenta muitos efeitos colaterais graves, além de cerca de 20% 
de taxa de falha! Portanto, não deve ser usada como método contraceptivo habitual! 
** Mais informações sobre como se confeccionar a “tabelinha” no Capítulo 1. 
 
 O cálculo do período fértil da mulher pode ser útil tanto como método contraceptivo, 
quanto como forma de aumentar as chances do casal engravidar. Vale lembrar, porém, que 
seu uso como método contraceptivo não é recomendado para casais sem estabilidade 
(“ficantes” / “namorados”) e, mesmo para os casais estáveis, tem muitas chances de erro! 
Entretanto, pode ser utilizado pelos casais como mais um método contraceptivo aliado ao 
uso da camisinha (principalmente para os casais instáveis, já que previne também IST) ou a 
algum outro método contraceptivo como o DIU, ou mesmo, a pílula anticoncepcional. 
 
OSTENSIVO EMN-013 
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2.5 – INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (IST) 
 
 As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são causadas por vírus, bactérias ou 
outros microrganismos. 
 
→ O QUE SÃO? 
 São infecções transmitidas de uma pessoa contaminada para uma pessoa sadia, por 
meio da relação sexual (genital, oral ou anal) sem proteção, podendo evoluir para 
desenvolvimento de doenças com complicações graves e até a morte quando não tratadas 
adequadamente. 
 Algumas também podem ser transmitidas pela transfusão de sangue contaminado, 
utilização de agulhas e seringas contaminadas, ou da mãe para o filho durante a gravidez, 
amamentação ou parto. 
 
→ QUANDO SUSPEITAR? 
 
 Na presença de um ou mais dos seguintes sintomas ou sinais na região genital: 
• Ferida ou ulceração; 
• Nódulo ou caroço; 
• Verrugas; 
• Bolhas; 
• Coceira; 
• Corrimento ou secreção esbranquiçada ou amarelada, com ou sem odor ruim (uretra ou 
vagina); 
• Ardência para urinar ou no ato sexual; e 
• Ínguas (caroços, nódulos) na virilha. 
 
 Existem diversos tipos de IST, e a seguir, serão mostradas as principais doenças: 
 
→ OS PRINCIPAIS AGENTES CAUSADORES E CARACTERÍSTICAS DAS IST: 
 
I) Sífilis ou Lues ou Cancro duro 
- Agente causador: Treponema pallidum (bactéria). 
- Sífilis adquirida recente: 
# Fase primária: ferida ou úlcera ou caroço indolor (cancro duro) nos órgãos genitais, ânus ou 
boca, que surge 2 ou 3 semanas após a relação sexual e que desaparece mesmo sem o 
tratamento. Podem ocorrer ínguas nas virilhas (adenites). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 21 - REV.1 
Figura 33 – Sífilis primaria – cancro duro 
 
# Fase secundária: pontos vermelhos difusos (roséolas sifilíticas) pela face, tórax, abdome,palmas das mãos e sola dos pés. 
 
 
 
Figura 34 – Sífilis secundária em mãos e tronco – roséolas sifilíticas 
 
- Sífilis adquirida tardia: 
# Fase terciária: lesões graves no coração, ossos e no cérebro. 
 Na 1ª e 2ª fases, a sífilis, se adequadamente tratada, não deixa sequelas. Na 3ª fase, 
como foi visto, mesmo com tratamento, pode haver sequelas graves no coração, ossos e 
cérebro, muitas vezes fatais. As mulheres com sífilis podem contaminar o bebe através da 
placenta (sífilis congênita). Portanto, toda gestante deve fazer exame (VDRL ou Sorologia para 
Lues) no pré-natal. 
 
II) Blenorragia, gonorreia, pingadeira ou esquentamento 
 
- Agente causador: Neisseria gonorrheae (bactéria). 
- Características: ardência e dificuldade ao urinar, coceira e corrimento amarelado ou 
esverdeado (pus) na região genital, que aparece de dois a oito dias após a relação sexual. 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 22 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 35 – Blenorragia na mulher e no homem 
 
 
III) Cancro mole, cancroide, cavalo ou cancro venéreo simples 
- Agente causador: Haemophilus ducreyi (bactéria). 
- Características: feridas ou ulceras irregulares e dolorosas acompanhadas de secreção 
purulenta, que surgem de 3 a 5 dias após a relação sexual. É comum o aparecimento de ínguas 
dolorosas em um lado da virilha, que podem romper e eliminar pus espontaneamente, 
tipicamente por orifício único. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 36 – Cancro mole 
 
IV) Linfogranuloma venéreo, doença de Nicolas Favre, bubão ou mula 
- Agente causador: Clamidia trachomatis (bactéria). 
- Características: lesão de formato variável, transitória e indolor que surge de 1 a 3 semanas 
após a relação sexual, evoluindo com aparecimento de inchaço em um lado da virilha, que 
rompe e elimina pus espontaneamente, tipicamente por vários orifícios, deixando cicatrizes. 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 23 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 37 – Linfogranuloma venéreo no homem e na mulher. 
 
V) Tricomoníase 
- Agente causador: Trichomonas vaginalis (protozoário). 
- Características: corrimento vaginal amarelo esverdeado com mau cheiro, dor e ardência ao 
urinar ou durante o ato sexual, coceira na região genital que surgem 1 a 30 dias após relação 
sexual. É importante o tratamento do parceiro!! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 38 – Corrimento vaginal – tricomoníase. 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 24 - REV.1 
VI) Condiloma acuminado, verruga venérea, cavalo de crista ou crista de galo 
- Agente causador: Papiloma vírus (vírus do HPV) 
- Características: lesões papilares ou verrucosas (couve-flor), únicas ou múltiplas, de diversos 
tamanhos, localizadas nos órgãos genitais e ânus, que surgem de 1 dia a 20 meses após o 
contato sexual. Quando não tratadas podem ocasionar câncer de colo do útero, pênis ou canal 
anal. Recentemente foi liberado o uso de vacina contra o HPV. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 39 – Condiloma acuminado na mulher e no homem 
 
VII) Herpes genital ou Herpesvirus 
- Agente causador: Herpesvirus hominus – tipo 2 (vírus do herpes humano) 
- Características: pequenas bolhas agrupadas e dolorosas, que rompem e formam feridas, 
acompanhadas de coceira e ardência nos órgãos genitais. Surgem de 5 a 10 dias após o contato 
sexual, cicatrizam espontaneamente, mas a doença não tem cura e as lesões costumam 
reaparecer de tempos em tempos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 40 – Herpes genital (pênis) 
 
VIII) Hepatites B e C 
- Agente causador: Vírus da hepatite B e C (HBV e HCV). 
- Características: Na maioria dos casos não apresenta sintomas e muitas vezes é 
diagnosticada décadas após a infecção, com sinais relacionados a outras doenças do fígado, 
como cansaço, tontura, enjoo/vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados. 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 25 - REV.1 
A principal forma de prevenção é por meio da vacinação e uso de camisinha. 
É facilmente transmitida através da via sexual e placentária, durante o parto, nas transfusões 
de sangue, nos procedimentos médicos e odontológicos sem as adequadas normas de 
biossegurança, compartilhando agulhas e seringas contaminadas, bem como no material 
utilizado para realização de tatuagens e piercings. Pode evoluir para forma crônica, levando a 
cirrose hepática e ao câncer de fígado. 
 
IX) Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) ou AIDS 
- Agente causador: Vírus da imunodeficiência humana ou HIV 
 
 O HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da AIDS, 
ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As células 
mais atingidas são os linfócitos T CD4+. E é alterando o DNA dessa célula que o HIV faz cópias 
de si mesmo. 
 SER PORTADOR DO HIV NÃO É A MESMA COISA QUE TER AIDS! Há muitos 
soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença, mas 
podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo 
compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a 
amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção. Por isso, é sempre 
importante fazer o teste e se proteger em todas as situações. 
 Janela imunológica é o intervalo de tempo decorrido entre a infecção pelo HIV até a 
primeira detecção de anticorpos anti-HIV produzidos pelo sistema de defesa do organismo. Na 
maioria dos casos, a duração da janela imunológica é de 30 dias, porém, este período pode 
durar até 6 meses, dependendo da reação do organismo do indivíduo frente à infecção e do 
tipo do teste (método utilizado e sensibilidade). 
 
 Se um teste para detecção de anticorpos anti-HIV é realizado durante o período da 
janela imunológica, há a possibilidade de gerar um resultado não reagente, mesmo que a 
pessoa esteja infectada. Dessa forma, recomenda-se que, nos casos de testes com resultados 
não reagentes em que permaneça a suspeita de infecção pelo HIV, a testagem seja repetida 
após 30 dias com a coleta de uma nova amostra. 
 É importante ressaltar que, no período de janela imunológica, o vírus do HIV já pode 
ser transmitido, mesmo nos casos em que o resultado do teste que detecta anticorpos anti-
HIV for não reagente. 
 O HIV se não for controlado com medicações específicas, pode levar ao 
desenvolvimento da SIDA. 
- Características: disfunção grave do sistema de defesa (imunológico) do indivíduo, marcada 
por uma destruição dos linfócitos T CD4+. Não tem cura, mas existe tratamento (coquetel ou 
antirretrovirais). 
# Infecção Aguda: os sintomas são autolimitados e se assemelham a um quadro de gripe, 
dificultando o diagnóstico nesta fase. Além disto, o exame que detecta o vírus (anti-HIV) pode 
dar resultado falso negativo (janela imunológica); 
# Infecção Assintomática (sem sintomas): fase de duração variável, o indivíduo é portador do 
HIV, não tem sintomas, mas transmite a doença; 
# Infecção Sintomática (com sintomas): a destruição das células de defesa leva a 
imunodepressão, acarretando no surgimento das doenças oportunistas (pneumonias, 
tuberculose, etc.) que são as causas de morte. 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 26 - REV.1 
 
Como ocorre a transmissão do HIV/Aids? 
 
Assim pega: 
• Sexo vaginal sem camisinha. 
• Sexo anal sem camisinha. 
• Sexo oral sem camisinha. 
• Uso de seringa por mais de uma pessoa. 
• Transfusão de sanguecontaminado. 
• Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação. 
• Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados. 
 
Assim não pega: 
• Sexo com uso correto da camisinha. 
• Beijo no rosto ou na boca. 
• Suor e lágrima. 
• Picada de inseto. 
• Aperto de mão ou abraço. 
• Sabonete/toalha/lençóis. 
• Talheres/copos. 
• Assento de ônibus. 
• Piscina. 
• Banheiro. 
• Doação de sangue. 
• Pelo ar. 
 
Como se prevenir? 
 
 Há várias formas de prevenir a infecção pelo vírus HIV e de adquirir Aids. A rede pública 
disponibiliza gratuitamente, durante todo o ano, preservativos masculino e feminino e gel 
lubrificante, em todas as unidades básicas de saúde (UBS). 
 
 Também está disponível em toda a rede a Profilaxia Pós-Exposição (PEP). É uma forma 
de prevenção da infecção pelo HIV com o uso de medicamentos que fazem parte do coquetel 
utilizado no tratamento da Aids para pessoas que possam ter entrado em contato com o vírus 
recentemente, por meio da exposição ocupacional, no caso de profissionais de saúde, por 
exemplo, ou pela exposição sexual ocorrida em casos de sexo sem camisinha ou de violência 
sexual. 
 
 Na dúvida, procure uma unidade básica de saúde para realização de aconselhamento 
e teste rápido. 
 
 Como vimos, são muitas as doenças e infecções que podem ser transmitidas por via 
sexual desprotegida. Seguem 2 quadros com resumo das principais IST, no Brasil: 
 
 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 27 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 41 - Quadros 1 e 2 comparativos entre as principais IST’s 
 
→ COMO SE PROTEGER DAS IST? 
1. Use camisinha em todas as relações sexuais (vaginal, oral ou anal); 
2. Guarde as camisinhas em local seco e arejado. O calor estraga a borracha; 
3. Evite tocar a camisinha com as unhas, ou usar objetos cortantes para abrir a embalagem; 
4. Nunca reutilize a camisinha. Após o uso, de um nó na abertura e jogue-a no lixo; 
5. Nunca use vaselina ou lubrificantes oleosos. Use apenas cremes solúveis em água; 
6. Só utilize agulhas e seringas descartáveis; e 
7. Exija transfusão de sangue previamente testado. 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 28 - REV.1 
→ VOCÊ PRECISA SABER! 
• Quanto maior o número de parceiros(as) sexuais, maior será o risco de contrair uma 
IST; 
• O médico é o profissional habilitado para diagnosticar e tratar essas doenças; 
• Não procure o conselho do amigo ou do balconista da farmácia, pois a cura de uma 
dessas doenças exige medicamentos próprios e em doses certas; 
• Avise seu(ua) parceiro(a) para que ele(a) também procure atendimento médico. Isso 
significa respeito ao ser humano!! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 42 – Prevenção das IST 
 
2.6 – DROGAS DE ABUSO E DEPENDÊNCIA QUÍMICA 
 
2.6.1 – CONCEITOS 
- Droga: é qualquer substância natural ou sintética que, introduzida no organismo, modifica 
suas funções. 
- Droga de Abuso: são drogas que geram dependência, ou seja, vício. 
- Drogas lícitas: drogas cujo comércio é permitido pela lei do país em questão (drogas legais). 
- Drogas ilícitas: drogas cujo comércio não é permitido pela lei do país em questão (ilegais). 
- Dependência química (vício): caracteriza-se por um desejo incontrolável de consumir uma 
droga, apesar das consequências danosas serem evidentes. A dependência química é uma 
doença mental e, como tal, deve ser tratada por uma equipe de saúde multiprofissional, 
incluindo o médico psiquiatra (médico especialista em doenças mentais) e o psicólogo, além 
de outros profissionais de apoio. 
- Dependente químico: indivíduo que apresenta uma dependência química (viciado). 
- Tolerância: é a necessidade que o indivíduo tem de usar doses cada vez maiores de uma 
determinada droga, para obter os mesmos efeitos que obtinha anteriormente. 
- Overdose: dose altamente tóxica, as vezes mortal. 
- Abstinência: é um conjunto de sintômas (tremores, náuseas, dor de cabeça, dores pelo 
corpo, insônia, irritabilidade, ansiedade, agressividade, até quadros com delírios e 
alucinações) decorrentes ou causados pela interrupção por algum tempo do uso abusivo de 
uma droga. 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 29 - REV.1 
 Uma das pesquisas mais atuais e completas sobre o consumo de drogas no Brasil é o 
Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito pela Fundação Oswaldo Cruz 
(Fiocruz), em 2017. 
 Este levantamento revelou, por exemplo, que 3,2% dos brasileiros usaram substâncias 
ilícitas no último ano do estudo. Em números absolutos, isso corresponde a 4,9 milhões de 
pessoas. 
 O percentual é maior entre os homens (5%), enquanto o total de mulheres equivale a 
1,5%. Na questão etária, o consumo mais elevado foi registrado entre os jovens: 7,4% dos 
brasileiros entre 18 e 24 anos assumiu ter usado drogas ilegais. 
 O estudo também traz informações relevantes sobre o uso de álcool no país, que é a 
droga lícita mais usada no Brasil, seguida pelo tabaco. Segundo o levantamento, mais da 
metade dos brasileiros ingeriu bebida alcoólica em algum momento da vida e 16,5% relataram 
uso abusivo desta substância, o que é preocupante. 
 Em relação ao uso de drogas ilícitas no Brasil, a maconha encontra-se em 1º lugar, 
seguida de cocaína e crack e similares. 
 
2.6.2 – CLASSIFICAÇÃO 
 
 As drogas de abuso ilícitas (no Brasil) podem ser classificadas quanto a sua ação no 
organismo em: 
 
1) Depressoras (lentificam as ações mentais); 
→ Ex.: álcool, calmantes, solventes (cola de sapateiro, lança perfume, clorofórmio, etc.) e 
opioides (morfina, heroína e codeína). 
 
2) Estimulantes (aceleram e/ou intensificam as ações mentais e do organismo); e 
→ Ex.: cocaína, crack, anfetaminas, tabaco (fumo) e cafeína. 
 
3) Perturbadoras (distorcem a realidade, gerando alucinações e delírios). 
→ Ex.: maconha, LSD, ecstasy e algumas plantas alucinógenas (ayahuasca, cacto, alguns 
tipos de cogumelo, etc.). 
 
 A partir desse ponto, estudaremos as drogas de abuso que se incluem em cada classe 
citada. Vale lembrar que, em geral, quase todas as drogas poderiam ser classificadas em mais 
de uma classe, já que apresentam mais de uma ação simultaneamente, porém estão 
classificadas no grupo acima de acordo com sua ação preponderante. 
 
2.6.3 – DROGAS DEPRESSORAS 
 
 As drogas depressoras são substâncias que diminuem a atividade mental, ou seja, 
afetam o cérebro, fazendo com que funcione de forma mais lenta. Essas drogas diminuem a 
atenção, a concentração, a tensão emocional e a capacidade intelectual. 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 30 - REV.1 
I) Ansiolíticos ou tranquilizantes (sedativos ou calmantes): 
 
 São medicamentos que tem a propriedade de atuar sobre a ansiedade e a tensão. Estas 
drogas foram chamadas de tranquilizantes, por acalmarem a pessoa estressada, tensa e 
ansiosa. Atualmente, prefere-se designar esses tipos de medicamentos pelo nome de 
ansiolíticos, ou seja, que “destroem” (lise) a ansiedade. 
 Também são utilizadas no tratamento de insônia e nesse caso também recebem o 
nome de drogas hipnóticas, isto é, que induzem sono. 
 Dessa forma, quem utiliza esses medicamentos tem uma atenção prejudicada e não 
deve desenvolver atividades perigosas em que a atenção é muito necessária como, por 
exemplo, dirigir ou operar uma máquina perigosa. Quando utilizados por alguns meses, podem 
levar as pessoas a um estado de dependência (vício). 
 Como consequência, se o dependente químico não fizer uso da droga por um 
determinado período, o mesmo pode passar a sentir sintomas da abstinência (irritabilidade, 
ansiedade,insônia, suor excessivo, dor por todo corpo, podendo, em casos extremos, até 
apresentar convulsões). 
 Os ansiolíticos mais comuns são substâncias chamadas benzodiazepínicos, que 
consistem em medicamentos como Rivotril®, Valium®, Lorax®, Lexotam®, Dormonid® e 
Diazepam®. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 43 – Comprimidos de ansiolíticos 
 
II) Solventes inalantes: 
 
 São substâncias sólidas ou líquidas que se transformam em gás ou vapor em contato 
com o meio ambiente e passam a ser inaladas pelo dependente químico (viciado). 
 Os efeitos no cérebro incluem estimulação inicial seguida de depressão marcante, 
podendo ocorrer alucinações. O uso crônico leva à lesões neuronais irreversíveis. 
 Os solventes também produzem efeitos tóxicos no organismo como doenças na medula 
óssea, rins, fígado e nervos periféricos. 
Ex.: cola de sapateiro, benzina, lança-perfume, tiner, aguarras, etc. 
 
III) Opioides (ópio e seus derivados): 
 
 Os opioides são drogas que servem para tratar dores fortes e crônicas, como no câncer 
e doenças degenerativas, assim como em procedimentos cirúrgicos. Eles são drogas analgesias 
(“tiram a dor”) e depressoras potentes, com poder de causar forte dependência química, 
devido à sensação de profundo bem-estar e distanciamento. 
 Um seriado famoso cujo personagem central, Dr. House, era viciado em codeína, tipo 
de droga opioide. 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 31 - REV.1 
 Os opioides também são soníferos potentes. 
 Alguns exemplos são a Morfina, Heroína, Dolantina e Codeína. No caso da heroína, 
além de ser um depressor, é um alucinógeno potente com difícil tratamento e recuperação. 
 O abuso dessas substâncias pode causar morte por depressão do centro respiratório. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 44 – Papoula, a dormideira (Papaver somniferum) 
 
IV) Álcool etílico ou etanol: 
 
 O álcool é a droga mais utilizada no mundo pelo ser humano. Embora seja uma droga, 
frequentemente não é considerada como tal, principalmente pela sua grande aceitação social 
e mesmo religiosa, como, por exemplo, a champagne e o vinho. 
 Nos dias de hoje, é normal em muitas famílias a "iniciação" das crianças no consumo 
do álcool. A permissividade ao álcool leva a falsa crença de inocência do uso do álcool, mas o 
consumo excessivo tem se tornado um dos principais problemas das sociedades modernas. 
 O álcool contido nas bebidas é cientificamente conhecido como etanol, e é produzido 
por meio de fermentação ou destilação de vegetais como a cana-de-açúcar, frutas e grãos. O 
álcool é absorvido principalmente no intestino delgado, e em menores quantidades no 
estômago, intestino grosso e, inclusive, na boca. 
 A concentração do álcool que chega ao sangue depende de fatores como: quantidade 
de álcool consumida em um determinado tempo, peso do indivíduo, o metabolismo de quem 
o ingere e a quantidade de comida no estômago. Porém, quando o álcool já está no sangue, 
não há comida ou bebida que interfira em seus efeitos. 
 O uso do álcool causa desde uma sensação de calor até o coma e a morte, dependendo 
da concentração que o álcool atinge no sangue. Quando o indivíduo começa a beber em uma 
“balada”, no início da noite, o álcool estimula a mente do indivíduo (ação estimulante). Porém 
com a continuidade da sua ingestão, durante a noite, o seu efeito passa a lentificar as ações 
mentais (ação depressora), podendo gerar, em algumas situações, alucinações e delírios (ação 
perturbadora). Como seu principal efeito é depressor, ele é classificado como tal. 
 Dependendo do caso, o álcool pode levar a um estado de insuficiência respiratória, 
coma e morte, principalmente, se ingerido em doses maiores, em curto espaço de tempo e, 
muitas vezes, em associação com outro medicamento ou droga ilícita. 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 32 - REV.1 
 Em um curto período (8 a 12 horas), após a ingestão de grande quantidade de álcool, 
pode ocorrer o que se chama de "ressaca", que se caracteriza por: dor de cabeça, náusea, 
tremores e vômitos. Isso ocorre principalmente pelo efeito de desidratação que o álcool 
provoca no organismo. Por isso, a principal recomendação nesses casos é se hidratar bem. 
 Os efeitos do uso prolongado do álcool são diversos. Dentre os problemas causados 
diretamente pelo álcool podem-se destacar doenças do fígado (cirrose e câncer do fígado), do 
coração e do sistema digestivo. 
 O consumo de álcool durante a gravidez expõe a criança aos efeitos do álcool. O mais 
grave desses efeitos é a Síndrome Fetal pelo Álcool, cujas características incluem: retardo 
mental, deficiência de crescimento, deformidade facial e do crânio e defeitos cardíacos. 
 O uso do álcool também está associado a um aumento de casos de IST, muito 
provavelmente pela perda da inibição e a falta de cuidados relacionados a prevenção das 
mesmas, como por exemplo, a não utilização de preservativos. 
 
2.6.4 – DROGAS ESTIMULANTES 
 
 As drogas estimulantes são substâncias que aceleram e/ou intensificam as ações 
mentais e do organismo, ou seja, afetam o cérebro e o organismo, fazendo com que funcione 
de forma mais acelerada e intensa. 
 
I) Cocaína: 
 
 A cocaína é uma substância presente na folha de coca, cujo nome científico é 
Erythroxylon coca. É uma droga ilícita com ação estimulante do sistema nervoso central, com 
efeitos devastadores no organismo. 
 Infelizmente, nas últimas décadas, houve um retorno do uso dessa droga de forma 
intensa, apresentando-se atualmente como uma nova epidemia brasileira!! 
 
 Existem várias formas de utilizar cocaína e seu uso vai desde chás de coca até a 
cocaína em pó que não pode ser inalada (aspirada) ou até mesmo dissolvida em água para 
uso injetável! 
 No caso da via endovenosa, além do risco de overdose, há também o perigo de infecção 
por meio do uso de seringas contaminadas, principalmente pelo vírus da AIDS (HIV), da 
hepatite B e C e de outras doenças transmissíveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 45 – Cocaína (em pó) aspirada 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 33 - REV.1 
 Conforme o consumo vai se intensificando e se tornando rotineiro, o corpo do usuário 
passa a tolerar cada vez mais a substância. A pessoa, então, acaba achando necessário usar 
uma quantidade maior da droga para obter os mesmos efeitos de antes. 
 Um dos efeitos rápidos do consumo da cocaína é a elevação da pressão sanguínea, dos 
batimentos cardíacos e a vasoconstrição (contração dos vasos) no cérebro e no corpo. É isso 
que dá, ao usuário, a sensação de picos de energia, de ansiedade, estresse e paranoia. 
 O uso crônico pode ocasionar dor no peito, derrame, trombose e até mesmo ataque 
cardíaco, que é a principal causa de morte em usuários com idade entre 18 e 45 anos, com 
25% dos casos. 
 
a) Crack (cocaína + impurezas em forma de pedra): misturando o sal de cocaína com 
bicarbonato, obtêm-se um bloco solido, que é conhecido com o nome de "crack", ou seja, ele 
surge como “resto” do processo de refino da cocaína. 
 Este nome "crack" advém do barulho produzido neste processo de solidificação e na 
quebra deste bloco em pequenos pedaços. 
 A pedra do “crack” quando aquecida, vira um vapor, que é fumado (“pipado”) em 
cachimbos, o que permite com que grande quantidade da droga chegue rapidamente aos 
pulmões e, consequentemente, quase que de forma imediata a corrente circulatória e 
neurônios, sendo, portanto 5 a 7 vezes mais potente que a cocaína aspirada. 
 
Obs.: Outros derivados da cocaína como Oxi e Merla (cocaína + impurezas em forma de 
pasta), possuem efeitos semelhantes ao crack, com maior potencial de dependência química. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 46 – Uso do crack endovenoso 
 
 
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OSTENSIVO - 2 - 34 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 47 – Crack (cocaína em pedra) 
 
 A partir da ingestão dessa droga podemos ter, em maior ou menor grau, os seguintes 
sintomas: 
• sensação de euforia e prazer, excitação e “fissura” avassaladoras; 
• aumento das atividades motoras e intelectuais; 
• dilatação das pupilas; 
• perda da sensação de cansaço; 
• falta de apetite (perda de peso importante); e 
• insônia e maus hábitos de higiene. 
 
 Em uma dose exagerada (overdose), em geral, aparecem sintomas de irritabilidade, 
agressividade, delírios e alucinações. Pode ocorrer também aumento de temperatura e da 
pressão arterial, taquicardia, degeneração dos músculos, depressão e pensamentos suicidas. 
 Em uma fase final, o uso contínuo da droga pode levar a convulsões e até a morte, que 
geralmente ocorre por parada cardíaca (arritmia / infarto agudo do miocárdio), parada 
respiratória (depressão do centro controlador da respiração) ou exposição ao perigo 
(homicídio, suicídio, acidente, confronto com a polícia, etc.). 
 Em geral, de uma forma ou de outra, o usuário, principalmente de crack, morre muito 
cedo, ou seja, ainda na adolescência ou no início da juventude! SEJA INTELIGENTE, CUIDE DE 
SUA VIDA! 
 
II) Anfetaminas: 
 
 As anfetaminas são drogas sintéticas, fabricadas em laboratório, que atuam de forma 
a estimular o organismo, inibindo a fome. São drogas estimulantes da atividade do sistema 
nervoso central, isto é, fazem o cérebro trabalhar mais depressa, deixando as pessoas mais 
“acesas”, “ligadas”, “com menos sono”, “elétricas”, etc. 
 É chamada de “rebite” principalmente entre os motoristas que precisam dirigir durante 
várias horas seguidas sem descanso, a fim de cumprir prazos pré-determinados, ou por 
estudantes que passam noites inteiras em claro antes de uma prova. 
 São usadas também por muitas pessoas, especialmente no Brasil e EUA, com a 
finalidade de emagrecimento, muitas vezes sem o acompanhamento médico. No Brasil, os 
medicamentos da classe das anfetaminas liberados para o comercio são o fenproporex e a 
anfepramona. Entretanto, só podem ser adquiridos de forma legal com receita medica 
controlada, já que podem causar dependência, tolerância e efeitos colaterais sérios. 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 35 - REV.1 
III) Tabaco (fumo): 
 
 O cigarro é um dos produtos de consumo mais vendidos no mundo. Comanda legiões 
de compradores leais (viciados) e tem um mercado em rápida expansão. Satisfeitos, os 
fabricantes se orgulham de ter lucros impressionantes, influência política e prestígio. O único 
problema e que seus melhores clientes morrem um a um. 
 Até 700 aditivos químicos talvez entrem nos ingredientes utilizados na fabricação de 
cigarros, mas a lei permite que os fabricantes guardem a lista em segredo. No entanto, 
constam entre os ingredientes metais pesados, pesticidas e inseticidas. Essa atraente espiral 
de fumaça está repleta de pelo menos 4.000 substâncias, entre as quais acetona, arsênico, 
butano, monóxido de carbono e cianeto. 
 Os pulmões dos fumantes e de quem está perto ficam expostos a pelo menos 43 
substâncias comprovadamente cancerígenas. 
 No mundo todo, 3 milhões de pessoas morrem por causa do fumo por ano (6 por 
minuto), segundo o livro “Mortality From Smoking in Developed Countries 1950-2000”, 
publicado em conjunto pelo Fundo Imperial de Pesquisas do Câncer (da Grã-Bretanha, pela 
OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela Sociedade Americana do Câncer. 
 O fumo passivo também é um grande problema de saúde pública. Pesquisas atuais 
apontam que os fumantes passivos (aqueles que inalam fumaça de fumantes que estão 
próximos) apresentam risco 30% maior de contrair câncer de pulmão. 
 A Associação Cardíaca Americana calcula que ocorram, todo o ano, 40.000 mortes por 
doenças cardiovasculares causadas pela fumaça de cigarro no ambiente (fumo passivo). Um 
levantamento feito pela equipe de Jose Rosember, pneumologista brasileiro, avaliou os efeitos 
do tabagismo na saúde de 15 mil crianças entre zero e um ano. Nas famílias em que o pai 
fuma, cerca de 25% das crianças apresentaram problemas respiratórios. 
 Quando a mãe é fumante, o número passa para 49%, já que, em geral, a mãe tem 
contato mais próximo e frequente com a criança. Em função dessas consequências, existe uma 
lei federal que proíbe qualquer cidadão fumar em locais públicos e fechados: 
 
- Lei Nº 9.294/96: proíbe o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer 
outro produto fumígeno derivado do tabaco, em recinto coletivo, privado ou público, tais 
como repartições públicas, hospitais, salas de aula, bibliotecas, ambientes de trabalho, 
teatros, cinemas, exceto em fumódromos. 
 Além disso, desde 2002, o governo brasileiro estampa nos maços de cigarro, imagens 
e alertas aterradores, como, por exemplo, um doente grave aparecendo num leito de hospital 
com câncer de pulmão, imagens de crianças prematuras para alertar o fumo durante a gravidez 
e frases de efeito como “fumar causa impotência sexual”. 
 O tabaco pode causar infarto do miocárdio, angina, AVC (derrame), pneumonias, 
bronquite crônica, enfisema pulmonar, úlcera digestiva e impotência sexual. 
 Além disso, cientificamente comprovado: CÂNCER de boca, língua, garganta, esôfago, 
laringe e, principalmente, de PULMÃO! 
 O tabaco causa 30% de todos os casos de câncer e 90% dos casos de câncer de 
pulmão. 
 
→ Benefícios ao parar de fumar: 
- 20 min depois de deixar o cigarro, a pressão arterial e os batimentos cardíacos retornam ao 
normal; 
- 1 dia depois de largar o vício, as chances de infarto começam a reduzir; 
- após 3 dias, há um aumento da capacidade respiratória; 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 36 - REV.1 
- de 2 a 12 semanas, a circulação sanguínea melhora significativamente; 
- no intervalo de 1 a 9 meses, a tosse e as infecções das vias aéreas cessam; 
- em 1 ano, diminui o risco de doença coronariana em 50%; 
- em 10 anos, caem as chances do aparecimento de câncer; e 
- no período de 10 a 15 anos, o perigo de desenvolver problemas cardíacos se iguala ao de 
uma pessoa que nunca fumou! 
 
2.6.5 – DROGAS PERTURBADORAS 
 
 As drogas perturbadoras distorcem a realidade, gerando alucinações e delírios. São 
também chamadas de alucinógenas. 
 
- Alucinações: qualquer distorção em algum dos 5 sentidos, como: enxergar, ouvir, sentir o 
cheiro, o gosto ou o tato de algo que não existe na realidade. 
- Delírios: qualquer distorção nos pensamentos, ou seja, ter pensamentos ou ideias fora da 
realidade. Por exemplo: “eu sou Napoleão Bonaparte!”, “eu sou Jesus Cristo!!” ou outros 
pensamentos semelhantes. 
 
I) Maconha: Também conhecida por Cannabis sativa, é usada como fumo ou por ingestão 
(chá, mascada, etc.). Seu princípio ativo é a tetrahidrocanabiol (THC), sendo a droga ilícita 
mais consumida no Brasil. 
 
 Pesquisa com estudantes de 1º e 2º graus nas 10 maiores cidades do Brasil: 
 
• 7,6% já havia experimentado; e 
• 1,7% faziam uso pelo menos 6x/mês. 
 
 Em relação aos seus efeitos, inicialmente, em doses menores, temos: 
• período inicial de euforia (sensação de bem-estar e felicidade, seguido de relaxamento 
e sonolência); 
• perda da definição de tempo e espaço; 
• coordenação motora diminuída; 
• perda do equilíbrio; 
• alteração da memória recente; 
• falha nas funções intelectuais e cognitivas; 
• maior fluxo de ideias; 
• aumento da frequência cardíaca (taquicardia); 
• hiperemia das conjuntivas (olhos vermelhos); 
• aumento do apetite (“larica”); e 
• secura na boca e garganta. 
 
 Em doses maiores pode levar a sintomas mais graves como alucinações, pensamentos 
confusos e desorganizados, ansiedadee angústia. 
 
 O Haxixe (derivado da maconha) pode ou não ser misturado com o tabaco e fumados 
na forma de "charros", cachimbos, etc. Geralmente tem maior concentração de THC, portanto 
os seus efeitos sobre o organismo humano são mais fortes. 
 O Skank é uma espécie de maconha modificada em laboratório com efeito bem mais 
concentrado. 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 37 - REV.1 
 
II) LSD (Ácido Lisérgico Dietilamina) 
 
 O LSD, ou também chamado de “doce” é, talvez, a mais potente droga alucinógena! 
Pequenas doses (microgramas) já produzem grandes alterações mentais, como: delírios, 
alucinações (percepção deformada de sons, imagens e do tato), dilatação das pupilas, náuseas, 
tremores e fraqueza muscular. 
 Podem ocorrer “más viagens”, com ansiedade e pânico. Seus efeitos duram cerca de 12 
horas. 
 Como a substância é incolor, em geral, é consumida impregnada em pequenos pedaços 
de papel, que são ingeridos pelos usuários. 
 Os efeitos dessa droga dependem da sensibilidade da pessoa, do ambiente, da dose e 
da expectativa diante do uso da droga. As alterações psíquicas são muito mais importantes. As 
sensações podem ser agradáveis como a observação de cores brilhantes e a audição de sons 
incomuns. 
 Também podem ocorrer alucinações visuais (ilusões), em outros casos, as alterações 
são desagradáveis. Algumas pessoas observam visões terríveis e sensações de deformidade 
externa do próprio corpo! Já foi descrito o efeito de flashback, isto é, semanas ou meses após 
o uso da droga, os sintomas mentais podem voltar, mesmo que a pessoa não tenha mais 
consumido a droga. 
 O risco do uso advém essencialmente das alterações psíquicas (alucinações e delírios) 
e sua consequente exposição ao perigo (jogar-se de uma sacada, sofrer um acidente de 
automóvel, ser atropelado, sofrer queimaduras, etc.). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 48 – Suposições de alucinações causadas pelo uso do LSD 
 
III) Ecstasy (MDMA): 
 
 O MDMA (metileno-dioxi-metanfetamina) é o principal princípio ativo de um tipo de 
droga conhecida como “ecstasy”, vulgarmente chamada de “bala”, e guarda estreita relação 
química com as anfetaminas. Possui esses nomes porque tem um formato de um pequeno 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 38 - REV.1 
comprimido (em várias cores) e tem como principais efeitos a euforia (“êxtase”) e a 
desinibição, deixando os usuários muito “ligados” e “elétricos”. 
 Os usuários dessa droga sentem aumento do estado de alerta, maior interesse sexual 
(por isso também é conhecida como “droga do amor”), sensação de bem-estar, grande 
capacidade física e mental, euforia e aumento da sociabilização e extroversão. 
 Após o uso da droga ocorrem alguns efeitos indesejados, como aumento da tensão 
muscular e da atividade motora, aumento da temperatura corporal, enrijecimento e dores na 
musculatura dos membros inferiores e coluna lombar, dores de cabeça, náuseas, perda do 
apetite, visão borrada, boca seca, insônia, grande oscilação da pressão arterial, alucinações, 
agitação, ansiedade, crise de pânico e episódios breves de psicose. 
 O aumento no estado de alerta pode levar à hiperatividade e à fuga de ideias. Nos dias 
seguintes ao uso da droga o usuário pode ficar deprimido, com dificuldade de concentração, 
ansioso e fatigado. 
 O principal risco do ecstasy, principalmente se usado em grande dose ou associado a 
outra droga, é desencadear uma parada cardíaca (por arritmia ou infarto do miocárdio) ou 
AVC (derrame). 
 A duração do efeito é de cerca de 4 a 8 horas, quando ingerido pela boca. O ecstsay é 
muito utilizado por jovens, principalmente em “baladas eletrônicas” e/ou “raves”, passando 
a ser considerada a droga ilícita mais comum nessas ocasiões. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 49 – Comprimidos de ecstasy (várias cores) 
 
2.6.6 – CONDUTA EM CASOS DE DEPENDÊNCIA QUÍMICA 
 
 Primeiramente, deve-se saber que a dependência química (vício) é uma doença e não 
tem cura, apenas controle. Essa afirmação pode ser exemplificada da seguinte maneira: um 
ex alcoólatra, mesmo após anos sem ingerir uma gota de álcool, quando for convidado a tomar 
um vinho em uma festa de fim de ano com seus familiares (achando que após muito tempo 
ele já está curado) pode, apenas com uma taca de vinho, descompensar e voltar a apresentar 
uma situação de dependência (vício) muito parecida com a que ele tinha antes. 
 Conclui-se, então, que ele nunca mais vai ser uma pessoa normal, que pode tomar uma 
pequena dose de álcool sem grandes riscos de dependência. Esse ex alcoólatra sempre terá 
que se controlar, ficando longe da droga, nesse caso o álcool, pelo resto de sua vida. Esse 
raciocínio vale para todos os tipos de drogas de abuso. 
 O controle do vício, em geral, somente é possível com o tratamento adequado. O 
tratamento requer adesão consciente e voluntária do dependente químico, sendo a internação 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 2 - 39 - REV.1 
(contenção contra a sua vontade) indicada somente nos casos estritamente necessários, ou 
seja, em casos em que sua liberdade cause perigo iminente de lesão corporal ou morte para si 
ou para terceiros. 
 A internação também pode ser indicada para estabilização de quadro de intoxicação 
aguda e/ou para controle imediato das crises de abstinência. O tratamento, portanto, deve ser 
preferencialmente ambulatorial, ou seja, por meio de acompanhamento médico psiquiátrico 
e psicológico rigoroso em consultório. 
 Desse modo, o tratamento consiste basicamente em uso de medicação para controle 
da abstinência e prevenção das recaídas, associada a terapia psicológica e reuniões com 
grupos de ajuda mutua, tais como os Narcóticos Anônimos (NA), os Alcoólicos Anônimos (AA), 
dentre outros, sendo a participação da família fundamental para se ter êxito nessa tarefa! 
 
2.7 – DROGAS ANABOLIZANTES 
 
 As drogas anabolizantes são todas as substâncias que favorecem o anabolismo, ou seja, 
o crescimento dos músculos do nosso corpo (ganho de massa magra). Além desse efeito, ele 
também gera a diminuição do percentual corpóreo de gordura (massa gorda). 
 Em geral, são substâncias derivadas da testosterona – hormônio masculinizante e são 
difundidas entre fisiculturistas e atletas que querem um crescimento rápido dos músculos e 
melhora da sua performance. 
 Nos últimos tempos, infelizmente, está sendo comum o consumo dessas substâncias 
de forma ilícita entre jovens que buscam o "corpo perfeito". 
 Esses produtos são de uso médico ou veterinário, sendo indicados apenas para 
tratamento de doenças específicas e não para fins estéticos ou esportivos, devido aos riscos 
do uso, como o desenvolvimento de câncer, especialmente de fígado. Portanto, legalmente, 
devem ser vendidos sob rígida prescrição do profissional qualificado. 
 No Brasil, infelizmente, ainda são facilmente comercializados de forma ilícita, no 
chamado “mercado negro”. Alguns exemplos de anabolizantes são: 
• Deca Durabolin (nandrolona), que é um anabolizante popular e pode permanecer no 
organismo por até 18 meses e oferece rápido ganho de massa magra. 
• Durateston (testosterona), pode permanecer no organismo de 2 a 6 meses e oferece 
maior resistência muscular e melhor performance. 
• GH (somatrofina), conhecido como hormônio do crescimento, possui diversos efeitos 
colaterais, como a deformidade nas cartilagens e mandíbulas, dores ósseas, articulares 
e retenção hídrica. 
 
 No HOMEM, os principais efeitos do uso ao longo do tempo desses medicamentos são: 
- Acne (espinhas) severa; 
- Calvície; 
- Desenvolvimento das mamas; 
- Agressividade e irritabilidade; 
- Pressão alta; 
- Aumento do colesterol; 
- Crescimento da próstata, com dificuldadee/ou dor para urinar; 
- Diminuição do tamanho dos testículos; 
- Impotência sexual; 
- Diminuição da libido (desejo sexual); 
- Redução da quantidade de espermatozoides em produção e infertilidade; 
- Interrupção do crescimento em adolescentes; e 
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OSTENSIVO - 2 - 40 - REV.1 
- Risco significativamente maior de câncer, em especial, de câncer de fígado. 
 
 Na MULHER, além dos fatores comuns aos dois sexos já citados acima, temos: 
- Crescimento de pelos faciais; 
- Alterações ou ausência de ciclo menstrual; 
- Voz grossa; 
- Aumento do clitóris; e 
- Diminuição dos seios. 
 
 
 
 
 
Figura 50 – Charge a respeito de anabolizantes 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
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CAPÍTULO 3 
PRIMEIROS SOCORROS 
 
3.1 – INTRODUÇÃO AOS PRIMEIROS SOCORROS 
 
3.1.1 - CONCEITOS BÁSICOS 
 
 Primeiros Socorros são os auxílios imediatos e provisórios prestados a acidentados 
ou vítimas de mal súbito enquanto se aguarda atendimento médico em ambiente 
especializado. 
 
- Qual a diferença entre EMERGÊNCIA e URGÊNCIA? 
 
 O conceito formal segundo o Conselho Federal de Medicina, em sua Resolução CFM n° 
1451, de 10/03/1995, é: 
 
URGÊNCIA: ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, 
cujo portador necessita de assistência médica imediata. 
EMERGÊNCIA: constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco 
iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato. 
 
 Em geral nas Emergências, o socorro deve ser imediato, não pode esperar!! Deve ser 
realizado em minutos ou até em poucas horas, caso contrário, o indivíduo corre grandes 
chances de morte ou sequela. 
Ex.: Parada cardíaca, asfixia, perda de consciência sem recuperação, queda de grandes alturas, 
choque elétrico, afogamentos, intoxicações graves e grandes hemorragias. 
 Nas Urgência, o paciente apresenta alteração do estado de saúde, porém sem risco 
iminente de vida, que por sua gravidade, desconforto ou dor, requerem atendimento médico 
com a maior brevidade possível. O socorro pode esperar algumas poucas horas (em geral no 
máximo até 24 horas). 
Ex.: Dor de cabeça súbita de forte intensidade, febre alta em bebês, fraturas, pequenas 
queimaduras e outros. 
 
 Os Socorristas são as pessoas que prestam os primeiros socorros a vítimas em casos 
de acidentes ou mal súbito e podem ser identificados como: 
• Profissionais: são as pessoas que, por profissão, prestam socorro (médicos, 
enfermeiros, bombeiros, etc.); e 
• Eventuais: são as pessoas que apresentam algum grau de adestramento (porém, não 
são profissionais da área) e que prestam socorro a acidentados ou vítimas de mal 
súbito por estarem próximos em alguma eventualidade. 
 
3.1.2 - IMPORTÂNCIA DOS PRIMEIROS SOCORROS 
 
 O Código Penal Brasileiro fala sobre a omissão de socorro no artigo, a seguir: 
 
ART. 135 – Deixar de prestar assistência quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança 
abandonada e extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e 
iminente perigo; ou não pedir, nesses casos o socorro da autoridade pública: 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 2 - REV.1 
 Pena – detenção de um a seis meses, ou multa. 
 Parágrafo único – A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal 
de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte. 
 
 Logo, seja no meio naval, onde o militar durante suas atividades, pode estar sujeito a 
riscos de acidentes, seja na vida pessoal, temos que estar sempre atentos à situações que 
possam exigir nossa atuação como socorristas eventuais. 
 Na presença de acidente ou mal súbito, o socorrista eventual (como é o seu caso) não 
pode perder a calma, devendo manter a tranquilidade e agir com rapidez, porém com cuidado 
e segurança. 
 Deve-se lembrar que, para alguém que não é da área e/ou em situações em que 
pessoas conhecidas estão em perigo de morte, é comum a ocorrência de “brancos” 
(esquecimentos), fazendo com que o indivíduo, em algumas situações, permaneça imóvel, não 
conseguindo executar tudo o que apreendeu. 
 Por isso, a correta execução dos princípios básicos dos primeiros socorros depende de 
um adestramento rigoroso, que deve ser incansavelmente repetido. Todo esse adestramento 
- de modo teórico – seguirá neste capítulo. 
 Entretanto, deve ficar claro que a sua PRÁTICA é essencial, pois só assim podemos 
treinar as nossas ações práticas com habilidade e agilidade, com o objetivo de auxiliar no 
salvamento do próximo, que inclusive pode ser algum colega, amigo ou mesmo familiar - como 
sua mãe, seu pai, sua(eu) cônjuge e/ou seus filhos. 
 Portanto, pratique tudo o que aprender neste capítulo a respeito de Primeiros Socorros 
quantas vezes forem necessárias e, se tiver alguma dúvida, peça auxílio ao instrutor de HPS. A 
essência dos primeiros socorros está em sua prática com segurança, agilidade e habilidade. 
 Antes de iniciar a assistência é preciso certificar-se quanto à segurança para a 
realização das intervenções, pois algumas condições podem significar risco aos profissionais 
envolvidos no atendimento, sendo fundamental a observação de três aspectos (3 S): 
 
1. Segurança da cena: avaliar as condições locais ANTES de se aproximar da área onde está o 
paciente; 
2. Segurança do profissional: avaliar se não há risco ANTES de iniciar o atendimento; 
3. Segurança da vítima: certificar-se que não há risco à vítima durante o atendimento. 
Considere inclusive a segurança das pessoas que estão ao redor do local. 
 
 Agora vamos ver algumas condutas que podemos ter em diferentes situações. 
 
3.2 – ASFIXIA 
 
I) Conceito: é caracterizada pela insuficiência respiratória que pode ser parcial (dificuldade em 
respirar) ou total (não consegue respirar). 
II) Principais causas da asfixia: 
a) Bloqueio à passagem do ar (obstrução ou “entupimento” das vias aéreas): este bloqueio 
ocorre nos casos em que há alguma substância impedindo a passagem do ar internamente nas 
vias aéreas, saliva, muco, sangue (hemorragias) ou algum corpo estranho. Além disso, esse 
bloqueio pode ser de causa externa às vias aéreas, como na esganadura, no enforcamento ou 
no estrangulamento. 
b) Insuficiência (falta) de oxigênio no ar: esta situação ocorre nos casos de pessoas 
submetidas a grande altitude e compartimentos não ventilados (certas dependências de 
bordo e minas abandonadas), onde o teor de oxigênio é menor. Nos incêndios em 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 3 - REV.1 
compartimentos fechados, a formação de gás carbônico reduz o oxigênio no ambiente, 
podendo causar asfixia. 
c) Paralisia do centro respiratório no encéfalo: nesta situação, ocorre alguma lesão 
temporária ou definitiva na região do encéfalo (bulbo), que comanda a respiração (os 
movimentos de inspiração e expiração) do nosso organismo. Desse modo, o indivíduo cessa 
sua respiração por ausência de comando do encéfalo. As causas mais frequentes desta 
condição são os traumas cranioencefálicos (TCE), o uso abusivo de determinados 
medicamentos ou drogas (incluindo o álcool) e o choque elétrico. 
d) Compressão do tórax: são situações em que os movimentos respiratórios (inspiração e 
expiração) são impedidos por forte pressão externa, como nos casos de soterramento e 
acidentes automobilísticos. 
 
Nos casos de bloqueio à passagem do ar, o socorrista tem que estar atento 
aos sinais clínicos das obstruções completas que são bem característicos: a 
vítima mostra-se agitada, com grave dificuldade respiratória, com coloração de 
pele azulada, estando incapaz de tossir,respirar e falar, assumindo a postura 
típica de “colocar as mãos ao redor do pescoço”. 
 
Caso não seja administrado um tratamento adequado, em geral, a vítima evolui 
rapidamente para um estado de inconsciência e óbito. 
 No caso da vítima emitir sons, a obstrução não será completa, possibilitando assim, 
uma respiração suficiente para mantê-la viva, devendo ser estimulada a tossir e observada 
atentamente em suas tentativas de expelir o objeto. 
 Porém, se a vítima apresentar sinais de obstrução das vias aéreas (completa ou 
incompleta) e se verifique a impossibilidade de desobstrução pela própria vítima, devem ser 
realizadas imediatamente pelo socorrista manobras de desobstrução, tais como: 
 
- Golpes dorsais e abdominais 
 Golpes nas costas ajudam a criar uma pressão no tórax que contribui para desobstruir 
as vias aéreas, devendo ser utilizado somente em bebês e crianças pequenas (até 2 anos). 
 Deve-se apoiar a vítima com a barriga para baixo, sobre o antebraço do socorrista, 
ficando a cabeça mais baixa que o tórax. Usando a base da mão livre, deverão ser dados alguns 
golpes dorsais na linha média das costelas, entre as saliências da escápula. 
 Aplicar ciclos repetidos de cinco golpes no dorso (entre as escápulas e com o calcanhar 
da mão), seguidos de cinco compressões torácicas logo abaixo da linha intermamilar, até que 
o objeto seja expelido ou o bebê torne-se irresponsivo, como demonstra a figura a seguir: 
 
 
 
 
 
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Figura 51 – Golpes dorsais e abdominais (somente em bebês e crianças) 
 
 
- Compressões abdominais (Manobra de Heimlich) 
 Por meio de compressões abdominais, o socorrista cria uma pressão intratorácica, 
estimulando uma tosse artificial, o que poderá contribuir para a desobstrução, não devendo 
ser praticado em pacientes grávidas e em crianças pequenas. 
 Se o paciente com uma obstrução de vias aéreas estiver consciente, o socorrista 
deverá: 
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 OSTENSIVO - 3 - 5 - REV.1 
- Posicionar-se por trás do paciente, passando os braços por baixo das axilas do mesmo; 
- Fechar uma das mãos e colocá-la na linha média entre o abdome e o tórax; 
- Espalmar a outra mão e colocá-la sobre a mão fechada, aplicando uma compressão súbita e 
intensa (“como uma punhalada”) em JOTA, ou seja, para dentro e para cima do abdome. 
Repetir o procedimento até que as vias aéreas estejam desobstruídas ou até que o paciente 
se torne inconsciente. 
 
 
 
 
 
Figura 52 – Manobras de Heimlich 
 
 
 
 
 
 Caso a vítima com obstrução nas vias aéreas esteja inconsciente ou entrando no estado 
de inconsciência, posicioná-la deitada para realizar essa manobra ajoelhado ao seu lado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 53 – Manobra de Heimlich (deitado) 
 
 
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3.3 – AFOGAMENTO 
 
I) Definições: 
 
 É a asfixia que ocorre devido à aspiração de líquido que venha inundar o aparelho 
respiratório (pulmões), levando à morte. 
 Há interrupção da oxigenação do sangue e eliminação de gás carbônico, que se 
acumula no organismo. 
 
II) Estatísticas: 
 
 Segundo a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA), no Brasil, 16 
pessoas morrem por afogamento diariamente (Ano base 2022). 
 
III) Tipos de afogamento: 
 
- Afogado molhado (pele de coloração azulada): está ligado à aspiração de líquido para os 
pulmões, reservando, assim, os piores prognósticos - responsável por 85% dos casos de 
afogamentos (mortes). Em geral, apresenta a pele com uma coloração azulada. Se a vítima 
estiver consciente, ocorre tosse com espuma esbranquiçada ou rósea em quantidade variada, 
o que vai indicar a gravidade. 
 
- Afogado seco (pele pálida – branca): não apresenta aspiração pulmonar de líquidos em 
consequência do espasmo (contração) da musculatura da laringe. Quando resgatados a 
tempo, as vítimas que não aspiram líquidos geralmente respondem melhor ao tratamento e 
são chamadas, assim de semiafogados. Em geral, apresentam a pele com uma coloração pálida 
(branca). 
 
 A seguir, serão apresentados alguns procedimentos que o militar deve seguir em casos 
de afogamento, seja como vítima, seja como socorrista: 
IV) Conduta: 
 
- Se você for a vítima: 
- Mantenha a calma – a maioria morre por cansaço na luta contra a correnteza; 
- Flutue e acene por socorro; 
- Só grite se alguém puder lhe ouvir; 
- No mar, deixe-se levar para o alto mar, a favor da correnteza; acene por socorro e aguarde. 
 
- Se você for o socorrista: 
- Se for possível e seguro, retire a vítima da água com rapidez, utilizando galhos, boias ou 
outros materiais com que ela possa se agarrar ou entrando na água, retirando a vítima, 
abraçando-a pelas costas e conduzindo-a com a face voltada para cima, como demonstra a 
figura abaixo. 
 
 
 
 
 
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Figura 54 – Retirada de vítima de afogamento da água 
 
- Se a vítima estiver consciente (falando), deve-se: 
 
• Acalmar a vítima e aquecê-la com a troca das roupas molhadas por roupas secas, 
casacos, cobertores e bebidas quentes. 
• Manter a vítima deitada procedendo com a lateralização da cabeça ou até da própria 
vítima a fim de que não ocorra aspiração de líquidos. 
• Mantê-la em observação por pelo menos 2 horas. 
 
- Se a vítima estiver inconsciente ou apresentar sinais de aspiração de líquido e/ou de 
insuficiência respiratória ou parada cardiorrespiratória (vítimas mais graves), você deve iniciar 
as manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), que serão explicadas nos próximos 
tópicos. Além disso, deve-se aquecer o paciente e procurar auxílio médico imediatamente. 
Nesses casos, a incidência de óbitos é superior a 44% dos casos, em média. 
Como regra geral no atendimento ao afogado, não se deve fazer compressão abdominal ou 
torácica para expelir a água aspirada, devido à possível broncoaspiração (condição em que 
alimentos, líquidos, saliva ou vômito são aspirados pelas vias aéreas) de conteúdo gástrico. 
 
3.4 – “ESTADOS DE CHOQUE” – CHOQUE CARDIOVASCULAR 
 
I) Definição: é o quadro clínico que resulta da incapacidade do sistema cardiovascular de 
prover circulação sanguínea suficiente para todos os órgãos do corpo. Ou seja, nesse “estado 
de choque”, o fluxo sanguíneo que chega a todos os tecidos do corpo não é suficiente para 
manter a vida das células. 
 A pressão arterial é a pressão que o sangue faz nas artérias, decorrente da circulação 
sanguínea e força de contração cardíaca. É necessária para que o sangue consiga chegar aos 
locais mais distantes, como ponta dos pés, por exemplo, ou até mesmo vencer a força da 
gravidade, como no cérebro. 
 Os valores normais da pressão arterial estão entre 120 x 80 mmHg. Pressões abaixo de 
90 x 50 mmHg são classificadas como hipotensão severa (pressão arterial baixa). 
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 OSTENSIVO - 3 - 8 - REV.1 
 Em resumo, nos estados de choque cardiovascular a PRESSÃO ARTERIAL SANGUÍNEA 
É BAIXA (HIPOTENSÃO SEVERA)! 
 A pressão arterial se apresenta tão baixa que o sangue não consegue circular pelos 
vasos do corpo em uma velocidade suficiente para oferecer oxigênio e nutrientes em 
quantidade mínima adequada para manter a vida das células. 
 A pressão pode cair por diferentes mecanismos, seja por diminuição do volume de 
sangue, seja por vasodilataçãodos vasos. Abaixo, encontra-se um esquema que indica a ação 
dos vasos na pressão arterial: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figuras 55 e 56: Efeito da resistência periférica sobre a pressão sanguínea 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 9 - REV.1 
 
II) Tipos: o choque pode ser de 3 tipos, dependendo da sua causa: 
 
a) Choque Hipovolêmico (hipo = pouco / volemia = volume de sangue nos vasos): ocorre 
quando se perde volume significativo de sangue dos vasos do corpo, evoluindo-se para um 
estado de hipotensão severa. Isso pode acontecer quando se perde apenas o componente de 
água do sangue (desidratação e queimaduras) ou quando se perde o sangue propriamente 
dito, como ocorre em grandes hemorragias. 
# Exemplos: desidratação grave e/ou grandes hemorragias. 
 
b) Choque Cardiogênico (cardio = coração / gênesis = origem): ocorre quando há insuficiência 
do bombeamento do coração (insuficiência cardíaca) ou parada do funcionamento do coração 
(parada cardíaca), evoluindo para hipotensão severa. 
Exemplos: 
- Doenças que afetam a musculatura do coração (miocárdio), gerando seu enfraquecimento 
progressivo (Insuficiência Cardíaca); 
- Doenças que afetam o sistema de condução elétrica do coração (arritmias), gerando 
batimentos cardíacos “descompassados”; e 
- Doenças que evoluem para uma PARADA CARDÍACA. 
 
 
c) Choque por Vasodilatação: ocorre quando todos os vasos do corpo (artérias, veias e 
capilares) começam a se dilatar de forma generalizada, por um motivo específico, evoluindo 
para hipotensão severa. Em função desse motivo, os choques por vasodilatação podem ser 
subdivididos em 04 tipos: 
 
• Anafilático: causado por uma crise alérgica, em virtude do organismo ter entrado em 
contato subitamente com quantidade significativa de alguma substância com a qual o 
indivíduo tenha alergia. Ex.: picada de abelhas, comer camarão ou usar algum 
medicamento do qual o indivíduo tenha alergia. 
• Séptico: causado por um estado de infecção generalizada (bacteriana, viral ou fúngica). 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 10 - REV.1 
• Neurogênico: causado por lesão no encéfalo, mais especificamente no centro 
regulador do tônus (contração e dilatação) dos vasos do corpo, em geral, em função de 
um trauma cranioencefálico (TCE). 
• Tóxico: causado pela presença de grande quantidade de toxinas nos vasos sanguíneos. 
Em geral, causado pela ingestão de certas drogas ou venenos. 
 
Os choques tóxico e anafilático apresentam a mesma manifestação alérgica do corpo, descrito 
na figura abaixo: 
 
Figura 57: Mecanismo das anafilaxias 
 
III) Sinais e sintomas para identificação: 
 
 A partir dessas informações, portanto, pode-se entender por que os sinais e sintomas 
do choque cardiovascular estão relacionados à hipotensão (pressão baixa) severa. 
 Os sinais e sintomas abaixo estão relacionados em ordem presumida de gravidade da 
diminuição da pressão arterial. Porém, não necessariamente vão surgir nessa ordem e de 
forma completa em todas as vítimas: 
 
1) Palidez (pele com coloração branca); 
2) Náuseas e vômitos; 
3) Taquicardia; 
4) Pele fria e úmida (pelo suor intenso); 
5) Tontura; 
6) Visão turva; 
7) Sede excessiva; 
8) Pulso difícil de palpar; 
9) Falta de ar; 
10) Alteração do nível de consciência (sonolência / confusão mental); e 
11) Desmaio. 
 
Obs.: em alguns casos, o choque cardiovascular pode estar relacionado a sintomas específicos, 
que podem indicar um possível infarto agudo do miocárdio (IAM) ou hemorragias 
importantes. Assim, se alguns dos sintomas abaixo forem notados, o socorrista deve verificar 
se não existem outros sintomas associados (já descritos acima) para se suspeitar de choque: 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 11 - REV.1 
12) DOR NO PEITO INTENSA E SÚBITA (pode indicar infarto do miocárdio); 
13) PRESENÇA DE GRANDES E/OU PROLONGADAS HEMORRAGIAS. 
COMO FOI VISTO, TODO CHOQUE CARDIOVASCULAR CONSISTE EM HIPOTENSÃO (pressão 
baixa) SEVERA! 
 
 
3.5 – AVALIAÇÕES E CONDUTAS EM PRIMEIROS SOCORROS (ACIDENTE / MAL SÚBITO) 
 
3.5.1 – AVALIAÇÃO INICIAL DO LOCAL DO SINISTRO 
 
 Antes de se aproximar do local do sinistro, o socorrista deve observar atentamente os 
eventuais perigos iminentes, como explosão, incêndio, contato com substâncias tóxicas, 
colapso de estruturas e combate com o inimigo. 
 Antes de iniciar um atendimento, faça o seguinte questionamento: é seguro 
aproximar-se da vítima? 
 Não se ponha em perigo, agindo impulsivamente. Pense bem antes de entrar em 
ação! 
 Caso haja perigo iminente no local, deverá ser adotado o procedimento de retirada 
rápida da vítima do local do acidente (extricação), observando-se, se possível, os padrões 
mínimos de segurança para essa vítima. 
 Se após uma rápida análise do local, não se verificar perigo significativo ao socorrista, 
ele deve: 
• Sinalizar o local do evento de forma adequada; 
• Se possível, fazer uso de Equipamentos de Proteção Individual – EPI (como luvas, 
máscara facial e óculos de proteção), evitando o contato com secreções da vítima 
(sangue, secreção da boca e/ou do nariz, entre outras); 
• Verificar o mecanismo do problema emergencial de saúde, diferenciando se é vítima 
de acidente (trauma / intoxicação) ou mal súbito (ex.: avc / infarto); 
• Identificar o maior número de vítimas possível, verificando dentre elas as conscientes 
e as inconscientes (a forma de identificação será explicada adiante); e 
• Sempre que possível, o socorrista deve interagir com a vítima, procurando acalmá-la e, 
ao mesmo tempo, avaliar suas condições enquanto conversa com ela. 
 
 Jamais dê qualquer tipo de bebida a vítimas de acidentes! 
 Com a chegada da equipe médica, a liderança das ações passa a ser do médico. 
 
 
3.5.2 – AVALIAÇÃO PRIMÁRIA DA VÍTIMA E CONDUTA (ações de emergência) 
 
Esta é uma avaliação rápida para se determinar se existem ou não condições que 
ameacem a vida da vítima (acidente / mal súbito); ou seja, vão servir de base para a tomada 
de algumas ações de emergência (imediatas), se necessárias forem incluindo-se a decisão 
sobre o momento e a forma mais apropriada para o transporte da vítima. 
 Essa avaliação primária (rápida e objetiva) deve ser completada em até 02 (dois) 
minutos, sendo tão importante que não deve ser interrompida, exceto se houver uma 
obstrução de vias aéreas, parada respiratória ou cardiorrespiratória. 
 A dificuldade respiratória não é uma indicação para interromper a avaliação, mesmo 
porque a causa dessa geralmente se detecta com a continuidade do exame. 
 
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3.5.2.1 – AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA 
 
 Inicialmente, o líder da equipe (ou quem for possível) deve aproximar-se da vítima 
tentando estabelecer contato verbal. Esta aproximação deve ser realizada de frente, evitando, 
assim, que a vítima não tenha que voltar a cabeça para vê-lo, o que poderia agravar possíveis 
lesões em sua coluna cervical (pescoço). 
 Nessa abordagem, deve-se tocar de maneira suave em seus ombros, apresentando-se, 
e, em seguida, perguntando: “você está bem?”, “o que ocorreu?”, “o que está sentindo?”, “qual 
o seu nome?”. 
 Deve-se ter cuidado para evitar manipular a vítima mais do que o necessário, 
principalmente o seu pescoço, pelo motivo já relatado. As possíveis respostas do paciente irão 
ajudá-lo a avaliar o nível de consciência da vítima, bem como analisar a possibilidade de 
obstrução (“entupimento”) de suas vias aéreas. 
 
3.5.2.2 – SOLICITAÇÃO DE ATENDIMENTO MÉDICO DE EMERGÊNCIA 
 
 Logo após uma rápidaavaliação do nível de consciência das vítimas, deve-se PEDIR 
AJUDA, ou seja, SOLICITAR ATENDIMENTO MÉDICO DE EMERGÊNCIA. 
 Isso pode ser feito ligando-se (de um telefone celular) para o SAMU (192), para os 
BOMBEIROS (193) ou para a POLÍCIA MILITAR (190) e relatando-se de forma resumida e ágil 
as principais informações necessárias, tais como: o que aconteceu; onde vocês estão, se a 
vítima está consciente ou não, além de outras informações mais que lhe forem perguntadas. 
 Caso a sua Organização Militar (OM) tenha um serviço médico de emergência, pode-se 
avisar a esse serviço por meio de telefone ou mesmo com auxílio de um outro militar 
diretamente (exemplos: Oficial de Serviço, Contra-Mestre, Polícia, etc.). 
 
 
3.6 – PROTOCOLO “ABCDE” (Airways /Breathing / Circulation / Disability / Exposure) 
 
 O protocolo “ABCDE”, como é conhecido, surgiu na década de 70 como uma forma de 
agilizar e homogeneizar os procedimentos de Primeiros Socorros a uma vítima de acidente, ou 
mesmo de mal súbito, no âmbito das equipes de resgate e salvamento (profissionais), bem 
como para os socorristas eventuais (leigos na área). 
 
 Portanto o protocolo “ABCDE” consiste nas etapas que se devem seguir para se 
proceder de forma adequada com as ações relativas aos Primeiros Socorros, sendo conhecidas 
dessa forma (“ABCDE”) porque essas etapas foram nomeadas por ordem alfabética, em língua 
inglesa (já que esse protocolo foi criado nos EUA), como forma de facilitar sua memorização. 
Abaixo está descrito o protocolo, juntamente a sua tradução em português: 
 
A IRWAYS (ABERTURA DE VIAS AÉREAS); 
B REATHE (BOA RESPIRAÇÃO); 
C IRCULATION (CIRCULAÇÃO); 
D ISABILITY (DISFUNÇÃO NEUROLÓGICA); 
E XPOSURE (EXPOSIÇÃO DA VÍTIMA À TRAUMAS E FERIMENTOS). 
 Deve-se deixar claro que, para facilitar o processo de aprendizado, é de fundamental 
importância que a sequência acima seja memorizada, e principalmente bem entendida, 
tanto pelo seu nome em inglês, como pela sua tradução em português. Vale salientar que 
todas as informações que serão vistas daqui por diante, serão relacionadas a essa sequência. 
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Obs: Em vítimas de trauma, o protocolo para a ser o XABCDE, onde a letra X significa 
Exsanguinação. Nessa etapa, a contenção de hemorragia externa grave, deve ser feita antes 
mesmo do manejo das vias aéreas uma vez que, apesar da obstrução de vias aéreas ser 
responsável por óbitos em um curto período de tempo, o que mais mata no trauma são as 
hemorragias graves. 
 
 Logo, se o socorrista verificar que a vítima de trauma sofreu uma amputação, laceração 
grave de membro com rompimento externo de artérias por exemplo, ou alguma outra lesão 
que está sangrando muito, ele deve rapidamente realizar contenção dessa hemorragia 
exsanguinante e iniciar o protocolo ABCDE. 
 
3.6.1 – AVALIAÇÃO E MANUTENÇÃO DAS VIAS AÉREAS (Airways – Abertura de Vias Aéreas 
com Proteção Cervical) 
 
I) Em caso de vítima consciente: 
a) Avaliação: 
 
 Se a vítima responde de alguma forma aos questionamentos, você pode presumir que 
as vias aéreas estão permeáveis. Outra questão importante é prestar atenção no que a vítima 
pode lhe informar verbalmente (sintomas). 
 Entretanto, a vítima pode apresentar sinais de obstrução das vias aéreas, sendo que 
essa obstrução (“entupimento”) pode ser completa ou incompleta. 
 Se a vítima apresentar obstrução de vias aéreas, devem ser realizadas imediatamente 
pelo socorrista manobras de desobstrução, como vimos no tópico ASFIXIA. 
 A VIA AÉREA DEVE SER ABERTA POR MEIO DE INCLINAÇÃO DA CABEÇA COM 
ELEVAÇÃO DO QUEIXO (CHIN LIFT) EM VÍTIMAS CLÍNICAS E POR ELEVAÇÃO DA MANDÍBULA 
EM VÍTIMAS DE TRAUMAS (JAW THRUST). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 58 - Manobras de abertura de vias aéreas 
 
 Na Manobra Chin Lift, indicada em situação de emergência clínica, posiciona-se uma 
das mãos na testa para inclinar a cabeça para trás e com os dedos indicadores e médios da 
outra mão, colocamos sob o queixo da vítima, realiza-se a abertura das vias aéreas. A língua é 
uma das principais causas de obstrução no indivíduo inconsciente e com essas manobras é 
possível facilitar a desobstrução. 
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 A Manobra de Jaws Thrust é Indicada para abertura da via aérea em caso de trauma, 
pois nessa situação, a cabeça é mantida em posição neutra, visando à integridade da coluna 
em região cervical. Ao apoiar as mãos na face, segurando bilateralmente, na articulação 
temporo-mandibular, é possível elevar a mandíbula promovendo a abertura da via aérea, 
quando necessário. Essa manobra é indicada apenas para profissionais da saúde, treinados e 
capacitados. Não é recomendada nem orientada aos leigos, pelo risco de provocar luxação 
mandibular. 
 
 
 
 
 
 Em caso de suspeita de trauma (batida, pancada, colisão, etc.), seja em um acidente, 
seja em mal súbito com queda da vítima ao chão, devem-se tomar todas as providências para 
evitar-se uma lesão da medula cervical. Isso porque, nesses casos, teoricamente pode ter 
ocorrido fratura de uma vértebra cervical (do pescoço), sendo que a vértebra pode, através do 
movimento inadvertido do pescoço, comprimir a medula que passa por trás, como demonstra 
a figura: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 59 – Compressão da medula cervical por fratura de uma vértebra 
 
 Nesses casos, para evitar-se uma possível lesão medular é o pescoço da vítima deve 
estar em posição neutra, isto é, em alinhamento com o corpo! 
 Essa posição deverá ser mantida até que se coloque um dispositivo adequado de 
estabilização cervical: o colar cervical. 
 
Uma vítima que se encontra inconsciente (como resultado de um acidente) é 
portadora de trauma na coluna vertebral, até que se prove o contrário!!! 
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Figura 60 – Colar cervical 
 
II) Em caso de vítima inconsciente: 
 
a) Avaliação: 
 
 Se a vítima estiver inconsciente, as vias aéreas devem ser avaliadas para assegurar a 
sua permeabilidade, tomando o cuidado para que as ações sejam realizadas sempre com a 
proteção da coluna cervical, como comentado anteriormente, ou seja, mantendo o pescoço 
em posição neutra (na ausência do colar cervical). 
 Desse modo, estando a vítima inconsciente, abra sua boca (como demonstra a figura 
abaixo) à procura de objetos estranhos ou secreções que possam obstruir a passagem de ar 
para os pulmões, tais como: prótese dentária (dentadura) deslocada, dentes quebrados, balas, 
sangue em função de grandes hemorragias na cavidade da bucal ou nasal, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 61 – Abertura das vias aéreas superiores e inspeção da boca 
 
 
 
 
b) Conduta: 
 Se for verificado qualquer objeto na cavidade bucal ou faringe da vítima inconsciente 
que esteja obstruindo a passagem de ar, o objeto deve ser retirado imediatamente, tomando-
se o devido cuidado para que não entre e obstrua ainda mais as vias aéreas. 
Como já comentado, a principal causa de asfixia em vítimas inconscientes é a 
obstrução pela própria língua! 
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 Caso haja a presença de alguma secreção, como sangue proveniente de alguma 
hemorragia da boca, cavidade nasal ou faringe, deve-se, com muito cuidado e de modo 
gradual, colocar a vítima em decúbito lateral (“de lado”) em bloco, mantendo-se a posição 
hiper estendida do pescoço, para que essa secreção escorra pela boca e não gere obstrução 
das vias aéreas. 
 Lembre-se: uma vítima não poderá respirar se suas viasaéreas não forem 
desobstruídas! 
 
3.6.2 – AVALIAÇÃO DA RESPIRAÇÃO (Breathing – Boa Respiração) 
 
 Somente se inicia a avaliação da respiração se, primeiramente, tivermos a convicção de 
que as vias aéreas da vítima estão desobstruídas. 
 
I) Avaliação: 
 A avaliação da respiração consiste em seguir esses passos: “VER, OUVIR, SENTIR”. 
a) VER: para que haja respiração é necessário que existam movimentos torácicos ou 
abdominais que possam ser observados olhando-se diretamente sobre o peito ou abdome da 
vítima; 
b) OUVIR: deve-se aproximar o ouvido das vias aéreas da vítima de modo a ouvir o som 
oriundo da passagem de ar. Pode-se tentar ouvir os sons provenientes da boca ao taparem-
se as narinas da vítima ou se podem tentar ouvir os sons provenientes das narinas ao se tapar 
sua boca. 
c) SENTIR: deve-se, ainda, apoiar o braço ou a mão sobre o peito / abdome da vítima, o que 
nos permite sentir os possíveis movimentos respiratórios, mesmo que leves. 
 
 Assim, de preferência, essas 3 técnicas (VER, OUVIR, SENTIR ) devem ser realizadas 
simultaneamente, por pelo menos 10 segundos, como mostra a figura abaixo. Isso permite 
uma maior agilidade nessa tarefa de verificar se a vítima apresenta uma possível insuficiência 
respiratória (parcial) ou parada respiratória (total). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 62 – Técnica de avaliação da respiração – VER, OUVIR, SENTIR (20 segundos). 
 
II) Conduta: 
 
 a) Se a vítima estiver respirando espontaneamente, deve-se avançar para o próximo 
item. 
 
OU 
A respiração anormal (agônica ou gasping) deve ser considerada como 
ausência de respiração. 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 17 - REV.1 
 
b) Caso não haja qualquer sinal de respiração em pelo menos 10 segundos, considerar estado 
de “PARADA RESPIRATÓRIA” e também avançar para o próximo item, pois será iniciada uma 
manobra de ressuscitação. 
 
3.6.3 – AVALIAÇÃO DA CIRCULAÇÃO (Circulation) 
 
 Este item se inicia com a palpação do pulso carotídeo (procedimento que já foi 
explicado no capítulo 1). Para se realizar esse procedimento devem-se, sutilmente, apoiar os 
dois dedos (indicador e médio) na região lateral do pescoço, um pouco acima do nível da 
cartilagem epiglote (“pomo de adão”), como demonstra a figura a seguir. 
 
Figura 63 – Palpação da artéria carótida direita 
 
 Desse modo, é verificado se há presença de pulsação sanguínea ou não. 
 Caso o indivíduo esteja respirando normalmente (item anterior – Breathing OK) e sua 
circulação esteja preservada (Circulation OK), ou seja, com adequada pulsação sanguínea e 
sem sinais de grandes hemorragias, deve-se avançar para o próximo item (Disability). 
 Entretanto, caso haja a convicção de PARADA RESPIRATÓRIA (item anterior – Breathing) 
e se verifique ausência de pulsação sanguínea na região carotídea, pode-se concluir que a 
vítima apresenta um estado de PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA - PCR (parada cardíaca + 
parada respiratória). 
 Deve-se ressaltar que, recentemente, os especialistas passaram a recomendar o 
seguinte: se o socorrista não souber realizar a verificação do pulso carotídeo com convicção, 
não se deve perder tempo realizando esse procedimento. Nesse caso, ou mesmo em caso de 
dúvidas quanto à presença de pulsação carotídea, se o socorrista verificar que não há qualquer 
evidência de respiração por parte de vítima (PARADA RESPIRATÓRIA), já há a indicação de se 
iniciarem com as manobras de RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR (RCP), sendo considerado 
estado de PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA. 
 Ou seja, na dúvida, inicie a RCP que será descrita a seguir. 
 
3.6.4 – RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR (RCP) 
 
 Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) é um procedimento de emergência aplicado 
quando as atividades do coração e do pulmão param. Socorristas do mundo inteiro têm 
salvado incontáveis vidas utilizando este procedimento, o qual, se for bem feito, pode 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 18 - REV.1 
representar a diferença entre a vida e a morte para a vítima, que pode, inclusive, ser um 
familiar seu. 
 Para que os procedimentos de RCP sejam eficazes, a vítima deve ser posicionada sobre 
uma superfície plana e rígida em decúbito dorsal (com o dorso tocando a superfície), sendo 
que a cabeça não deve ficar mais alta que os pés, para não prejudicar o fluxo sanguíneo 
cerebral. 
 Alguns cuidados devem ser tomados para que uma boa RCP seja executada: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 64 – Passo-a-passo para uma boa RCP 
 
A frequência das compressões deve ser de 100 a 120 por minuto. 
Ponto de compressão: 
- Linha Intermamilar com 2 dedos acima do apêndice xifóide, isto é, palma de uma das 
mãos sobre o centro do tórax e entre a linha dos mamilos (acima do osso esterno). 
 
Técnica de compressão: 
- Manter os braços esticados com cotovelos retos, com os ombros em ângulo de 90º 
em relação aos braços; 
 - Utilizar o peso do tronco; e 
 - Tempo de compressão = Tempo de descompressão. 
 
 Posicionamento das mãos: 
 - Colocar o calcanhar de uma das mãos no posto de compressão (posição tenar e 
hipotenar da mão); 
 - Colocar a outra mão sobre a primeira; 
- Comprima o tórax rebaixando-o cerca de 5 cm. É importante que essa compressão 
seja feita com a transferência do peso da pessoa que está realizando a compressão e 
não somente com a aplicação da força dos membros superiores (sistema de 
alavanca); 
- Alivie a compressão sem perder contato da mão com o tórax: permita que o tórax 
retorne à posição original, antes de iniciar a compressão seguinte; e 
- Limite as interrupções a menos de 10 segundos. 
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Figura 65 – Passo-a-passo para uma boa RCP 
 
Obs.: Os socorristas devem se alternar na função das compressões a cada cinco 
ciclos ou 2 minutos. 
 
Em resumo: 
 
1) Constatando-se uma PCP, devem-se fazer apenas as compressões torácicas (em torno de 
100-120 compressões por minutos). 
 
2) Se a vítima for um AFOGADO, LACTENTE OU ESTIVER EM PARADA CARDIOPULMONAR HÁ 
MAIS DE DEZ MINUTOS, a RCP deve ser iniciada realizando-se 2 VENTILAÇÕES DE RESGATE, 
chamadas assim porque são realizadas apenas uma vez com o intuito de resgatar a 
respiração da vítima, na tentativa de estimular o retorno de sua respiração espontânea. 
Essas ventilações devem ser realizadas pela técnica boca-a-boca com auxílio de máscara 
orofacial ou ambu (para proteção do socorrista, evitando-se que ele entre em contato com 
as secreções do paciente). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 66 –Ventilação pela técnica boca-a-boca com máscara e ambu 
 
3) Observar a expansão do tórax. Tórax imóvel = ventilação ineficaz. Evitar ventilação 
excessiva. Cada ventilação (ou “sopro”), para que seja efetiva, deve durar cerca de 1 a 2 
segundos e elevar de forma considerável o tórax da vítima. 
 
4) Logo após as 2 ventilações de resgate, deve-se checar a circulação (palpação do pulso 
carotídeo). Caso não seja verificado retorno da circulação (pulsação sanguínea), deve-se 
iniciar as manobras de RCP, realizando-se 5 ciclos de 30 COMPRESSÕES TORÁCICAS para 2 
VENTILAÇÕES (30/2), ou seja, para cada 30 compressões devem ser realizadas 2 ventilações, 
perfazendo um ciclo. 
 
5) Na impossibilidade de realizar as ventilações (ex: trauma de face, ausência de bio-
proteção), o socorrista deverá executar apenas as compressões. 
 
 As compressões devem ser vigorosas e em um ritmo que promova 
aproximadamente 100-120 compressões por minuto! 
 
6) Essa alternância entre5 ciclos e reavaliação deve ser repetida indefinidamente até a 
chegada do atendimento médico de emergência (chamado no início da abordagem da 
vítima) ou mesmo de um desfibrilador externo automático (DEA), que porventura possa 
existir no navio, na OM de terra ou no local onde se encontram (por exemplo: shopping 
center, aeroporto, etc.). 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 21 - REV.1 
 
 
 
 
 
Figura 67 – Fluxograma RCP da 
American Heart Association 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 68 – Alternância entre compressão torácica e ventilação pulmonar 
 
Obs.: Muitos navios da Marinha do Brasil, bem como muitas OM de terra, já possuem, de 
prontidão, um desfibrilador externo automático (DEA) para situações de emergência em que 
há parada cardiorrespiratória. 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 22 - REV.1 
 
 
Figura 69 – Modelo de Desfibrilador Externo Automático (DEA) 
 
 
Em caso de presença de DEA no local, deve-se: 
 
1) LIGAR O DEA (apertar o número 1 indicado no aparelho) e SEGUIR RIGOROSAMENTE AS 
INSTRUÇÕES INFORMADAS PELO APARELHO (o socorrista ouvirá uma voz gravada); 
2) Inicialmente, colar os dois adesivos nas posições indicadas no tórax da vítima; 
3) Afastar todos de perto da vítima (inclusive o próprio socorrista) para que o toque de alguém 
na vítima não gere interferência na análise do ritmo cardíaco; 
4) Em caso de verificação de fibrilação ventricular, o aparelho autorizará a desfibrilação 
(“choque elétrico”). Nesse caso, uma luz alaranjada piscará no botão laranja; e 
5) Após garantir que todos estejam afastados (inclusive você), aperte o botão laranja, o que 
irá deflagrar o “choque elétrico” na vítima. Em seguida, dependendo do resultado, deve-se 
continuar seguindo as instruções do DEA para reinício das manobras de RCP, para novo 
“choque elétrico” ou para o fim do procedimento (depende da evolução do caso). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.7 - CONTROLE DE HEMORRAGIAS (Circulation) 
 
 Vimos que o Protocolo para vítimas de traumas é o XABCDE que enfatiza o controle das 
exanguinações, isto é, grandes hemorragias, pois a vítima morrerá mais rapidamente de um 
choque hipovolêmico do que de uma parada cardiorrespiratória. Não faz sentido tentar 
reanimar um coração com 100-120 compressões por minuto, se existe uma grande artéria 
sangrando no ritmo cardíaco. 
 Para casos de hemorragias não graves, ainda na avaliação da Circulação (letra C), se faz 
necessária abordagem dos sangramentos. 
- POSSIBILIDADES DE INTERRUPÇÃO DA RCP 
a) Por ordem médica (quando da chegada da equipe de atendimento médico 
de emergência); 
b) Exaustão do socorrista (deve-se fazer um revezamento para que se evite a 
exaustão); 
c) Restabelecimento dos sinais vitais (respiração e circulação); ou 
d) Quando o local em que estiver sendo realizada a manobra deixar de 
oferecer segurança para a equipe ou para a vítima. 
OSTENSIVO EMN-013 
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3.7.1 - CONCEITO DE HEMORRAGIA 
 
 É a ruptura de um ou mais vasos sanguíneos (artérias, veias ou vasos capilares) 
provocada por cortes, amputações, esmagamentos, fraturas abertas, úlceras, tumores, etc. 
 
3.7.2 - GENERALIDADES 
 
 O sangue é utilizado para transportar oxigênio, nutrientes para as células, bem como 
gás carbônico e outras excretas para os órgãos de eliminação (como os rins). O volume 
circulante de sangue em um adulto varia em torno de 5 a 6 litros. 
 Havendo uma diminuição brusca desse volume circulante, como a que ocorre em uma 
grande hemorragia, o coração poderá ter sua ação como bomba comprometida, o que, se 
chegar a determinados níveis, levará a vítima a um colapso circulatório (choque hipovolêmico), 
podendo evoluir para a morte. 
 
 
Figura 70 – Gravidade da perda sanguínea 
 
3.7.3 - CLASSIFICAÇÃO DAS HEMORRAGIAS 
 
I) Quanto à localização: 
 
a) Externas: são aquelas em que o sangue se exterioriza logo após o rompimento do vaso 
sanguíneo. Ex.: Ruptura da artéria femoral (na virilha) provocada por arma branca. 
 
b) Internas: são aquelas em que o sangue se interioriza, ficando depositado numa cavidade 
do organismo, como a abdominal ou torácica, só podendo ser percebida através de sinais 
indiretos, que devem ser conhecidos: 
1) Pulso fraco; 
2) Pressão arterial baixa; 
3) Sudorese profunda; 
4) Palidez; e 
5) Mucosas visíveis descoradas (língua e lábios pálidos). 
 
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 OSTENSIVO - 3 - 24 - REV.1 
 Caso a hemorragia continue e não haja atendimento médico imediato, esses sinais vão 
se acentuando, até a perda da consciência por falta de oxigenação cerebral, choque 
hipovolêmico e morte. Ex.: ruptura de uma artéria cerebral em um aneurisma roto, ruptura da 
artéria carótida ou veia jugular em trauma no pescoço, trauma no tórax com hemorragia 
pulmonar, etc. 
 
II) Quanto ao tipo de vaso sanguíneo: 
a) Hemorragia arterial: é aquela ocasionada pela ruptura de uma artéria. O sangue desse tipo 
de hemorragia é de coloração vermelho vivo e, em geral, é possível notar que sai do vaso 
sincronizado com o pulso (em jatos). A pressão arterial torna esse tipo de hemorragia mais 
grave que um sangramento venoso, devido à velocidade da perda sanguínea. 
Ex.: Ruptura da artéria radial (punho). 
b) Hemorragia venosa: é oriunda do rompimento de uma veia. Nesse caso, o sangue que sai 
é mais escuro, de coloração “azulada ou vinhosa” (pois é pobre em oxigênio) e, em vez de sair 
em jatos, como na hemorragia arterial, “escorre” pela pele. 
Ex.: Ruptura da veia safena parva (parte posterior da perna). 
c) Hemorragia capilar: os vasos atingidos são os capilares, sejam arteriais ou venosos. O 
sangue surge em lençol, com fluxo contínuo e lento, à semelhança da água quando mina do 
fundo do poço. Ocorre na maioria dos pequenos ferimentos, como visto em arranhões e cortes 
superficiais da pele. 
Ex.: Perfuração da pele da extremidade de um dos dedos da mão, provocada por uma agulha. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 71: Tipos de hemorragia quanto ao vaso. 
 
3.7.4 - CONSEQUÊNCIAS: 
 
 Uma grande hemorragia não tratada pode conduzir a vítima a um estado de choque e, 
consequentemente, à morte. Já sangramentos lentos e crônicos podem causar anemia (baixa 
quantidade de glóbulos vermelhos). 
 
3.7.5 - CONDUTA: 
 
 O tratamento de uma hemorragia consiste na realização da hemostasia (processo de 
interrupção de um sangramento). 
 
I) Conduta na hemorragia interna: 
 
 Como já foi descrito anteriormente, pouco pode ser feito pelo socorrista no caso de 
suspeita de hemorragia interna. O transporte rápido para uma unidade médica é fundamental. 
 
 
 
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II) Conduta na hemorragia externa: 
 
 Uma vez observados os procedimentos iniciais da avaliação da vítima, ao ser 
constatada uma determinada hemorragia externa, o socorrista deverá optar por um dos 
quatro principais métodos de contenção de hemorragia: 
 
a) Compressão direta ou local 
 
 Hemorragias externas, na maioria das vezes, são controladas por uma compressão 
diretamente sobre o ferimento com o uso de um curativo estéril ou pano limpo. Esta 
compressão não deve ser interrompida até a hemostasia (coagulação do sangue), o que pode 
ocorrer de 6 a 8 minutos nas hemorragias mais intensas. 
 Caso seja interrompida precocemente, poderá ocorrer a remoção do coágulo semi-
formado, iniciando novamente a hemorragia. 
 
Observações: Ao realizar uma compressão direta, fazer ouso de luvas de procedimentos, 
evitando, assim, o contato direto com o sangue da vítima. Mantenha no local as compressas 
encharcadas de sangue. Caso necessário, sobreponha novas compressas secas, fixando as 
compressas sobre o ferimento com bandagens, se disponíveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 72 – Compressão direta ou local de uma hemorragia externa 
 
A compressão direta é o método mais rápido e mais efetivo para o 
controle de uma hemorragia externa!!! 
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b) Mobilização de membros 
 
 Pode ser combinada com a compressão direta em hemorragias de membros, desde 
que não haja suspeita de fraturas. 
 b1) Elevação do membro: deve ser realizada se a hemorragia for arterial, já que o 
efeito da gravidade diminui a pressão sanguínea na região do sangramento, reduzindo assim 
a intensidade do mesmo. Para tanto, o ferimento deve ficar acima do nível do coração. 
 
Figura 73 – Manobra de elevação do membro 
 
 b2) Manutenção do membro abaixo do nível do coração: deve ser realizada se a 
hemorragia for venosa, pelo mesmo motivo comentado acima (ação gravitacional), já que o 
sentido do fluxo sanguíneo venoso é oposto ao do fluxo sanguíneo arterial. 
 
c) Compressão indireta ou à distância 
 Esta técnica consiste em comprimir uma artéria que irriga uma determinada área que 
sangra. Geralmente usada por socorristas profissionais, já que há a necessidade de 
conhecimento anatômico, ou seja, saber por onde passa a artéria a ser comprimida. 
 
d) Torniquete ou Garrote 
 A diferença entre esses termos é o material usado para interromper o fluxo sanguíneo. 
No torniquete se usa um material não elástico (cinto, corda, trapo de pano, etc.), fazendo uso 
de uma haste rígida para apertá-lo gradativamente. Já o termo garrote é usado quando se faz 
uso de um material elástico para tal, geralmente feito de látex. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 74 – Torniquete 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 75 – Garrote 
 
 A real necessidade do uso deste método deve ser considerada por se tratar de um 
procedimento que envolve sérios riscos à vítima. Desse modo, a recomendação dos 
especialistas é que seja um recurso usado apenas por profissionais treinados em casos 
específicos de hemorragias graves que expõem a risco de morte a vítima. 
 Esse treinamento específico é extremamente necessário, a fim de se evitar necrose 
(morte) dos tecidos de uma extremidade do corpo da vítima pela falta de circulação sanguínea 
por tempo prolongado (gangrena). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Portanto, esse método NÃO é recomendado para ser usado 
por socorristas eventuais. 
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3.8 – DECISÃO DE REMOÇÃO IMEDIATA DA VÍTIMA E TRANSPORTE DE VÍTIMAS 
 
I) Decisão de remoção imediata da vítima: 
 
 Durante o exame primário, o socorrista deve estar constantemente avaliando a 
necessidade de transferência imediata da vítima, assim como o mecanismo a ser 
empregado para tal. Essa necessidade de remover a vítima do local do sinistro, mesmo sem 
esperar a chegada de algum serviço de atendimento médico de emergência, pode se 
justificar nos seguintes casos: 
 
a) impossibilidade completa de comunicação com algum serviço de atendimento médico de 
emergência (ou mesmo bombeiros, polícia militar, polícia rodoviária, etc.), sendo o caso de 
emergência e de extrema gravidade; 
b) local com risco iminente de incêndio, explosão, colapso de estrutura e exposição tóxica; 
c) em combate; e 
d) em situações de urgência e de baixa gravidade, em que não se justifica chamar algum 
serviço de atendimento de emergência. Ex.: uma entorse leve em uma partida de futebol. 
 
Obs.: O socorrista eventual (não profissional) está autorizado a mobilizar e transportar 
vítimas apenas nos casos citados acima (ou correlatos). 
 
 Do contrário, NÃO se deve mobilizar a vítima de forma desnecessária e NÃO se deve 
transportá-la em nenhuma hipótese. Esse transporte ficará a cargo da equipe especializada de 
resgate quando chegar, que o realizará de forma adequada, proporcionando menores riscos 
de novas lesões à vítima. 
 Cada situação exige uma estratégia diferente de transporte por parte do socorrista. A 
presença de risco no local, o número de pessoas disponível, o diagnóstico prévio da vítima e o 
local do ferimento influenciam no tipo de transporte. 
 
II) Transporte de vítimas: 
 
 A maioria das vítimas de trauma necessitará de algum tipo de imobilização e a 
totalidade necessitará de transporte. O objetivo da imobilização é a condução das vítimas à 
assistência especializada sem causar danos adicionais, principalmente no que diz respeito à 
coluna vertebral. 
 As vantagens de uma imobilização adequada visam a estabilidade do foco da lesão, 
diminuir a dor e evitar lesão de estruturas adjacentes. 
 
a) Transporte com maca: 
 
 Os socorristas devem se familiarizar com as macas disponíveis em sua organização 
militar (OM), pois um transporte realizado de forma inadequada pode resultar em risco para 
o paciente. Desse modo, sendo necessária uma remoção imediata da vítima, é de 
responsabilidade dos socorristas sua segurança durante seu translado, bem como a 
reavaliação constante de seu estado geral até a chegada a uma unidade de atendimento 
médico. 
 Ao se fazer uso de uma maca para o transporte, os socorristas devem se assegurar de 
que todos os cintos estão atados e sempre fazer qualquer movimento com a maca em bloco 
de forma sincronizada (Ex.: “Um, dois, três, levanta.”). 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 29 - REV.1 
 Existem diversos tipos de macas para transporte. Falaremos de 2, em específico, que 
são possíveis de serem encontradas a bordo: 
 
→ Prancha longa para resgate: 
 
 Consiste em uma prancha rígida, geralmente construída com compensado naval, 
plástico ou fibra. A espessura deve ser de poucos centímetros para facilitar a colocação da 
vítima e a sua superfície deve ser lisa. 
 Devido às características desse equipamento, ele só fornece estabilização 
unidimensional. Por isso, são necessários no mínimo três cintos de segurança para evitar que 
a vítima caia durante o transporte. Os cintos são colocados no nível dos ombros, do quadril e 
dos joelhos. 
 A cabeça deve ser imobilizada com dispositivos especiais (colar cervical e estabilizador 
de coluna cervical, melhor detalhados abaixo) ou ataduras, fitas, talas improvisadas. As 
técnicas para colocação da vítima sobre a prancha devem respeitar a estabilização da coluna 
em toda sua extensão e movimentar a vítima em bloco. 
 A técnica mais usada é o rolamento, movimentando a vítima em bloco. O ideal, se 
possível, é colocar apoios nos espaços que ficam entre a vítima e a prancha nas regiões cervical 
(pescoço), lombar (por trás da cintura) e por trás dos joelhos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 76 – Prancha de resgate 
 
 
→ Campanha: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 77 – Campanha 
 
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→ Equipamentos de imobilização Colar Cervical e Imobilizador Lateral 
 
 É importante que a vítima tenha sua cabeça e coluna cervical imobilizadas 
manualmente até que elas estejam fixadas em dispositivo próprio. Para imobilizar 
parcialmente a coluna cervical da vítima, emprega-se um dispositivo de resina resistente que 
envolve o seu pescoço como se fosse um colar. O colar cervical,isoladamente, não imobiliza o 
pescoço, apenas limita os movimentos de flexão. Utiliza-se então, o imobilizador lateral 
(bachal) ou fitas adesivas e rolos de pano para fixação na prancha longa, como na figura 
abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 78 – Imobilizador lateral 
 
b) Transporte sem maca: 
 
 Se necessário, existem várias maneiras de se transportar uma vítima de forma segura, 
sem a utilização de uma maca. O socorrista deve ter em mente suas limitações físicas e não 
tentar atos heroicos. Veja algumas delas: 
 
→ Transporte de apoio: 
 
 Utilizado quando o paciente não conseguir caminhar sozinho, sem um apoio. Fique ao 
lado da vítima, coloque o braço da vítima sobre o seu pescoço e a segure pela cintura. Você 
poderá utilizar outra pessoa para ajudá-lo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 79 – Transporte de apoio 
 
 
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 OSTENSIVO - 3 - 31 - REV.1 
→ Transporte com levantamento de bombeiro 
 
 Esse transporte pode ser aplicado em casos que não envolvam fraturas e lesões 
graves. É um meio de transporte eficaz e muito útil, se puder ser realizado por uma pessoa ágil 
e fisicamente capaz. 
 
Figura 80 - Utilizado para fazer uma remoção (extricação) rápida de ambientes inóspitos. 
 
→ Transporte nas Costas 
 
 Transporte nas costas é usado para remoção de pessoas envenenadas ou com entorses 
e luxações dos membros inferiores, previamente imobilizados. 
 Dê as costas para a vítima, passe os braços dela ao redor de seu pescoço, incline-a para 
frente e levante-a. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 81 – Transporte nas costas 
 
 
→ Transporte com levantamento pelas extremidades 
 
 Utilizado para vítima em emergência clínica que não tenha trauma craniano, no 
pescoço, na coluna vertebral, no ombro ou no joelho. Ex.: mal estar súbito por ataque cardíaco. 
 
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Figura 82 - Levantamento pelas extremidades 
 
→ Levantamento direto do solo ou em bloco 
 
 Transporte utilizado para vítimas com traumas ou possíveis lesões na coluna espinhal, 
na ausência de macas rígidas, devendo-se, preferencialmente, utilizar quatro socorristas para 
este tipo de transporte, sendo obrigatório a utilização de no mínimo três socorristas para 
realizar este procedimento. 
Utilizando três socorristas: 
- 1 -A vítima deverá estar deitada de barriga para cima, com os braços dobrados sobre o tórax. 
O líder (preferencialmente o socorrista mais experiente) e seus ajudantes devem estar 
alinhados, lado a lado. O líder será o responsável pela estabilização e mobilização da cabeça 
da vítima e os demais deverão estar distribuídos uniformemente. Cada um deve colocar um 
joelho no chão em linha; 
- 2 -sob o comando do líder (1,2,3), todos devem levantar a vítima do chão, até a altura dos 
joelhos; 
- 3 -novamente, sob o comando do líder (1,2,3), todos devem trazer a vítima contra o peito; e 
- 4 -sob o comando do líder (1,2,3), todos devem ficar de pé a uma (em bloco). 
Figura 83 - Levantamento direto do solo ou em bloco 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 33 - REV.1 
→ Chave de Rautec 
 
 Manobra desenvolvida para retirada rápida, sem equipamento, de vítimas que não 
estejam encarceradas. Indicado em risco iminente de vida para a vítima e em situações de 
risco de incêndio. 
 Muito utilizada na extricação de vítimas. 
Técnica: 
1. Verificar se a vítima não está presa; 
2. Posicionar com rosto voltado para frente; 
3. Introduzir braço direito entre o banco e o dorso da vítima; 
4. Passar o braço direito sob a axila da vítima; 
5. Pressionar a face da vítima contra sua própria face com a mão direita; 
6. Estabilizar com esta manobra a cabeça e o pescoço; 
7. Segurar a vítima pelo cinto com a mão esquerda; 
8. Girar o corpo da vítima 90°, apoiando sobre seu tórax; 
9. Trazer a vítima para fora do veículo; e 
10. Arrastar a vítima até um local seguro. 
 
 
 
 
 
Figura 84 - Chave de Rautec 
 
3.9 – AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA DA VÍTIMA E CONDUTA (ações de urgência) 
 
 Depois de realizada uma ágil e adequada avaliação primária (ABC – sinais vitais), que 
deve ocorrer em no máximo 2 minutos (havendo ou não a necessidade da ressuscitação 
cardiopulmonar), o socorrista deve passar para uma avaliação mais detalhada: a avaliação 
secundária, que consiste basicamente nos tópicos Disability e E xposure (DE). 
 Nesse ponto, o socorrista deve examinar os seguimentos do corpo da vítima em uma 
ordem lógica (da cabeça aos pés), de forma adequada e completa. O exame da cabeça aos 
pés consiste em uma sequência lógica de prioridade, iniciando pelas partes mais nobres do 
corpo. 
 Inicie, expondo a vítima sem causar constrangimentos desnecessários. Se o indivíduo 
for vítima de acidente, deve-se dar preferência a cortar suas roupas do que retirá-las, evitando-
se realizar movimentos que poderiam agravar possíveis lesões. 
 A partir desse ponto, para o exame da vítima, é fundamental saber o que se procura, 
porque o socorrista que não sabe o que procura nada acha. Além disso, é essencial que se 
saiba a conduta adequada a se tomar para cada alteração encontrada, a fim de aumentar as 
chances da vítima não evoluir para a morte ou apresentar sequelas graves e incapacitantes no 
futuro. 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 34 - REV.1 
 Nos próximos tópicos (Disability ou Disfunção Neurológica e Exposure ou Exposição à 
traumas e ferimentos– DE), apresentaremos as possibilidades de alterações 
no corpo da vítima e suas respectivas condutas em nível de urgência. 
 
3.9.1 – TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO (TCE) – Disability 
 
3.9.1.1 - GENERALIDADES 
 
 Traumatismo Cranioencefálico (TCE) consiste em qualquer trauma (“batida”) que 
ocorre no crânio (“cabeça”) e, por consequência, reflete no encéfalo. O TCE pode estar 
acompanhado de lesões com cortes, perfurações e/ou fraturas de crânio e podem ser leves ou 
graves. Por exemplo, um trauma de mandíbula é considerado tecnicamente um TCE. 
 Os TCE são as principais causas de óbitos nas vítimas de acidentes automobilísticos, 
principalmente na faixa etária entre 15 e 24 anos. Outras causas são a violência, os acidentes 
de trabalho e os desportivos. 
 Os traumatismos da cabeça podem envolver, isoladamente ou em qualquer 
combinação, o couro cabeludo, crânio e encéfalo, podendo apresentar danos diretos, como os 
que ocorrem nos traumatismos penetrantes, ou danos indiretos, ocasionado por aceleração-
desaceleração (forma mais comum). Em ambos os casos, quando não levam à morte, podem 
causar sequelas graves, incompatíveis com a vida produtiva. 
 
3.9.1.2 - CONDUTA 
 
 Em vítimas de TCE grave que permanecem inconscientes, não há muito o que se fazer 
em termos de conduta por um socorrista eventual, a não ser tomar todas as medidas já 
abordadas em outros tópicos (ABC), a fim de manter os sinais vitais da vítima estáveis 
(respiração, pulso, temperatura e pressão arterial) até a chegada do atendimento médico de 
emergência. 
 Entretanto, é nos casos de vítimas de TCE leve e moderado que os socorristas têm uma 
maior possibilidade de fazer a diferença entre a vida e a morte (ou mesmo sequelas). Um 
exemplo típico é aquela criança que está andando de bicicleta e cai, batendo a cabeça na 
calçada da rua. É um caso em que a mãe acaba por não levar o filho para avaliação médica no 
Pronto Socorro de algum hospital, em função de não ter conhecimento sobre algumas 
alterações que indicam evolução para uma situação gravíssima, em que há a formação de 
hematoma intracraniano (por hemorragia intracraniana) e, por consequência, compressãogradativa e muitas vezes rápida das estruturas nervosas do encéfalo. 
 É extremamente comum que esse quadro, em geral por pura falta de conhecimento, 
evolua fatalmente para sequelas neurológicas ou mesmo para a morte da vítima, em função 
da compressão gradativa das estruturas do encéfalo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Assim, em qualquer caso de traumatismo craniano (até os aparentemente leves), 
observe com atenção a vítima, avaliando o possível surgimento dos seguintes sintomas / 
sinais de gravidade: 
-Surgimento de náuseas e vômitos; 
-Aumento progressivo da dor na região em que ocorreu o trauma na cabeça; 
-Presença de anisocoria (diferença do diâmetro das pupilas – “menina dos olhos”); 
-Presença de sinais que indicam fraturas de crânio, como Sinal de Battle (hematoma 
atrás das orelhas) sangramento pelos ouvidos, sangramento pelas narinas e “olhos de 
guaxinim” (hematoma em torno dos olhos); e 
 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 35 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: Nos casos de TCE, sempre observar também os cuidados adicionais com a coluna 
cervical. Estatisticamente, em 5 a 10% dos casos, também há lesão na coluna vertebral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 85 – Anisocoria (notem que, nessa foto, a pupila direita é maior que a esquerda) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 86 - Olhos de Guaxinim e Sinal de Battle 
 
-Rebaixamento progressivo do nível de consciência (sonolência, confusão mental, 
inconsciência, coma e morte cerebral). 
 
Por isso, nesses casos, é fundamental sempre se levar a vítima 
para uma avaliação médica, após qualquer tipo de TCE. 
 
 Além disso, mesmo após a avaliação médica, é importante continuar observando 
a vítima pelos próximos dias após o acidente (principalmente nas primeiras 24 horas). 
 Desse modo, sendo notada qualquer alteração suspeita, deve-se retornar ao 
médico para reavaliação do quadro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 36 - REV.1 
3.9.2 – TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR (TRM) – Disability 
 
3.9.2.1 - GENERALIDADES 
 
 O traumatismo da coluna vertebral e da medula espinhal é denominado Traumatismo 
Raquimedular (TRM). A maioria dessas lesões é causada por acidentes automobilísticos, 
quedas, acidentes desportivos, principalmente mergulhos em águas rasas e ferimentos por 
arma de fogo. 
 Lesões ósseas vertebrais podem estar presentes sem que haja lesões de medula 
espinhal aparente. Por isso, a vítima deve ser imobilizada quando há qualquer suspeita de 
lesão de coluna, protegendo a medula de ser lesada com a mobilização inadequada. 
 Tal imobilização deve ser mantida até ser afastada por exame médico (exame clínico e 
radiografia) qualquer suspeita de fraturas ou luxações da coluna vertebral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 87 – Fratura vertebral SEM compressão e lesão da medula 
 
 
 
Figura 88 – Fratura vertebral COM compressão e lesão da medula 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 37 - REV.1 
3.9.2.2 - SINAIS E SINTOMAS (dependem do nível da lesão motora ou sensitiva na medula) 
 
 a) alterações motoras: perda da força muscular (paralisias) ou apenas diminuição de 
força muscular (paresias); 
 b) alterações sensitivas: ausência de sensibilidade (anestesia), diminuição da 
sensibilidade (hipoestesia) e formigamento ou dormências (parestesias). 
 
3.9.2.3 - CONDUTA 
Em casos de acidente com suspeita de trauma raquimedular: 
 
 a) Realize adequadamente a avaliação primária da vítima (ABC), atentando-se para 
prevenção de lesões medulares por possíveis fraturas vertebrais já existentes (devido ao 
manuseio inadequado), como já foi comentado: principalmente proteção cervical com 
colocação do colar cervical ou algo semelhante; e 
b) aguarde a chegada do atendimento médico de emergência. 
 
 Obs. 1: Em caso de indicação de remoção imediata da vítima, coloque o colar cervical 
ou improvise uma imobilização do pescoço, utilizando materiais como cobertor, tala de 
papelão ou boné, prenda a vítima na maca rígida (recomendada a prancha longa), utilizando 
o imobilizador lateral de cabeça, e a transporte imediatamente para o hospital mais próximo. 
 
Obs. 2: Nas luxações cervicais, em que ocorrer desvio cervical com torcicolo, NÃO se 
deve tentar corrigir este desvio com rotação para a colocação do colar cervical. 
 
3.9.3 – TRAUMATISMOS MUSCULOESQUELÉTICOS (Exposure) 
 
3.9.3.1 - GENERALIDADES 
 
 Nunca deixe que extremidades deformadas ou feridas ocupem sua atenção quando 
houver lesões que ameacem a vida da vítima. Estas lesões são fáceis de identificar ao primeiro 
contato com o paciente e raramente apresentam risco de vida imediato. 
 É importante rever os passos iniciais de atendimento ao acidentado (avaliação primária 
completa e início da secundária - ABCD) e só então se preocupar com o tratamento ou 
imobilização dessas lesões. 
 O Choque Hipovolêmico (Hemorrágico) é um perigo em potencial em poucas lesões 
musculoesqueléticas. Somente a laceração direta de artérias, como a que ocorre nas 
amputações traumáticas e as fraturas de pelve e/ou de fêmur, associam-se comumente com 
suficiente sangramento para causar um estado de choque hipovolêmico do tipo hemorrágico. 
 
3.9.3.2- FRATURA 
 
I) Conceito: fratura é a ruptura de um osso que pode ser completa, isto é, abranger toda a 
espessura do osso, ou incompleta, quando ocorrer em apenas uma parte do mesmo, como 
ocorre em fissuras ósseas, por exemplo. 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 38 - REV.1 
 
 Figura 89 – Fratura óssea incompleta Figura 90 – Fraturas ósseas completas 
 
II) Sinais e sintomas: 
 
- Dor intensa; 
- Edema (inchaço); 
- Vermelhidão; 
- Equimoses / hematomas (cor arroxeada em função do acúmulo de sangue sob a pele); 
- Impotência funcional (mesmo que a vítima deseje, em geral, ela não consegue movimentar 
o membro fraturado); e 
- Deformidade do membro (em função da fratura). 
 
 
 
 
 
III) Classificação: 
 
- Simples ou fechadas: são aquelas em que o osso fraturado permanece no interior do 
membro, sem causar ferimentos externos. 
- Expostas ou abertas: são aquelas em que a pele se rompe, exteriorizando um fragmento 
ósseo. Há grande risco de uma grave infecção devido à exposição do osso e dos tecidos 
internos (Ex.: osteomielite). 
 
 FRATURA EXPOSTA FRATURA SIMPLES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 91 – Tipos de fraturas 
Esses sinais e sintomas, em maior ou menor grau, ocorrem também nos 
casos de entorses, luxações, distensões e contusões, exceto em relação à 
deformidade do membro que é própria apenas das fraturas e luxações. 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 39 - REV.1 
IV) Conduta: 
 
 Se possível, não mobilize o membro faturado e aguarde a chegada da equipe médica. 
Em casos de indicação de remoção imediata da vítima ou em casos leves, em que não há 
indicação de chamada de atendimento médico no local (Ex.: goleiro fratura um dedo em 
partida de futebol) imobilize o membro fraturado na posição em que for encontrado, já que 
qualquer mobilização pode causar danos em vasos, nervos, músculos e outras estruturas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.9.3.3 - ENTORSE 
 
I) Conceito: Os ossos do esqueleto humano estão unidos uns aos outros por meio dos 
músculos e as superfícies de contato são mantidas umas às outras atravésde ligamentos. 
Quando um ângulo de determinado movimento é excedido, pode ocorrer um estiramento ou 
até mesmo uma ruptura dos ligamentos daquela articulação, ou seja, uma ENTORSE, que é a 
perda momentânea das superfícies articulares com lesão das partes moles. 
II) Sinais e sintomas: já comentados no tópico FRATURAS (acima). 
 
IMOBILIZAÇÃO DE FRATURAS 
1) Na ausência de tala própria para imobilização, improvise talas com o material disponível 
no momento: revista grossa, palito de picolé, galhos de árvore ou afins; 
a) Acolchoe as talas com panos ou qualquer outro material macio, a fim de não ferir a pele. 
Utilize talas que ultrapassem as articulações acima e abaixo da fratura e sustentem o 
membro atingido; 
b) Amarre as talas com tiras de pano em torno do membro fraturado. Não amarre no local 
da fratura. Sempre que imobilizar um membro fraturado, deixe os dedos livres para verificar 
qualquer alteração de irrigação sanguínea. Estando eles inchados, roxos ou adormecidos, as 
tiras devem ser afrouxadas; e 
c) No caso de fratura exposta, proteja o ferimento com gaze ou pano limpo antes de 
imobilizar, a fim de evitar a penetração de poeira ou qualquer outra substância que favoreça 
uma infecção (osteomielite). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 92 - Imobilização de fraturas 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 40 - REV.1 
III) Conduta: 
-Gelo ou compressas frias, protegendo a pele para evitar lesões causadas pelo frio; 
-Imobilização da área afetada; e 
-Encaminhamento para avaliação médica. 
 
Obs.: Onde há uma entorse, pode haver uma fratura. Trate como tal. Não permita que outras 
pessoas movimentem ou “puxem” a articulação afetada, sob pena de piorar a lesão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 93 - Entorse com lesão de parte mole 
 
3.9.3.4 - LUXAÇÃO 
 
I) Conceito: Lesão em que as superfícies articulares deixam de se tocar de forma permanente, 
podendo ser completa, quando há separação total das superfícies articulares, ou incompleta, 
quando a articulação ainda mantém algum ponto de contato. 
II) Sinais e sintomas: já comentados no tópico FRATURAS (acima). 
III) Conduta: mesma das entorses. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 94 - Luxação de Ombro 
 
Obs.: Não tente reduzir (“colocar no lugar”) a luxação. Isso pode agravar o problema, além 
de causar grande dor à vítima. Além disso, pode haver fratura combinada. 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 41 - REV.1 
 Desse modo, trate a luxação como se fosse uma fratura. A maioria das luxações não 
ameaça a vida, porém são verdadeiras emergências pelo risco de comprometimento nervoso 
e vascular, podendo evoluir inclusive para uma amputação da extremidade afetada, caso não 
seja tratada com agilidade. 
 
3.9.3.5 - DISTENSÃO 
I) Conceito: é uma laceração (ruptura) parcial ou total do músculo, do tendão ou de ambos, 
também chamada de estiramento. 
II) Sinais e sintomas: já comentados no tópico FRATURAS (acima). 
III) Conduta: --Gelo ou compressas frias, protegendo a pele para evitar lesões causadas pelo 
frio; 
--Não há necessidade de fazer imobilização nos casos leves, porém aconselhe a vítima a não 
executar movimentos bruscos ou forçar o músculo afetado; e 
--Encaminhamento para avaliação médica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 95 – Distensão ou estiramento muscular 
 
3.9.3.6 - CONTUSÃO 
 
I) Conceito: é uma lesão de tecidos moles, produzida pela força de um trauma (pancada, soco, 
batida, colisão, etc.), sendo de menor gravidade. 
II) Sinais e sintomas: já comentados no tópico FRATURAS (acima). 
III) Conduta: mesmo da distensão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 96 – Contusão muscular 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 42 - REV.1 
3.9.4 – QUEIMADURAS (Exposure) 
 
I) Conceito: são lesões produzidas no tecido de revestimento do organismo por agentes 
térmicos, químicos, elétricos e radioativos. 
 A pele é o tecido mais acometido pelas queimaduras e tem por finalidade a proteção 
do corpo contra traumas e invasão de micro-organismos externos, a regulação da temperatura 
do organismo e a conservação do líquido interno do corpo. 
II) Classificações: são classificadas pela sua profundidade, extensão, localização anatômica e 
agente causador, sendo que as relações entre estes fatores determinam sua gravidade. 
a) Quanto à profundidade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 97 – Classificação quanto à profundidade da queimadura (visão externa) 
 
- Queimaduras de 1º grau: 
 
 Atingem somente a epiderme e são as mais comuns. Uma queimadura de 1º grau, 
geralmente, deixa a pele avermelhada, provocando ardor e ressecamento. Este tipo de 
queimadura nem sempre é grave. Porém, se ela atingir uma grande extensão do corpo, poderá 
ser considerada grave. 
 A queimadura de 1º grau é produzida geralmente por exposição prolongada à luz solar 
ou por contato breve com líquidos ferventes. 
 
- Queimaduras de 2º grau: 
 
 As queimaduras de 2º grau são aquelas que atingem camadas um pouco mais 
profundas da pele, alcançando a epiderme e a derme. Caracterizam-se pela formação de 
bolhas (flictenas) e desprendimento das camadas superficiais da pele com a formação de 
feridas avermelhadas que são muito dolorosas. 
 São geralmente produzidas por contato ou imersão em líquidos ferventes, 
chamuscamento por explosões (álcool, gasolina e gás) e por substâncias cáusticas (ácidos, 
removedores, detergentes, tintas, etc). 
 Essas queimaduras são mais graves que as de 1º grau porque aumentam sensivelmente 
a possibilidade de infecção, além de permitir extravasamento de líquidos corporais. 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 43 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 98 – Flictenas (bolhas) em queimadura de 2º grau 
 
- Queimaduras de 3º grau: 
 
 As queimaduras de 3º grau são aquelas em que todas as camadas da pele são atingidas, 
podendo ainda alcançar os músculos e ossos. Estas queimaduras apresentam-se secas, 
esbranquiçadas ou de aspecto carbonizado (preto). 
 A pele se assemelha ao couro, diferentemente da superfície macia das queimaduras de 
1º e 2º graus. 
 Os locais com queimaduras de 3º grau não são muito dolorosos, pois há destruição das 
terminações nervosas, que transmitem a sensação de dor. A dor normalmente é provocada 
por queimaduras de 1º e 2º graus associadas. 
 Este tipo de queimadura é produzido normalmente por contato direto com chamas, 
líquidos inflamáveis ou eletricidade, sendo, portanto, mais graves e por isso representa sério 
risco de morte para a vítima, sobretudo se atingirem grandes extensões do corpo. 
 
Figura 99 – Classificação quanto à profundidade da queimadura (visão esquemática) 
 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 44 - REV.1 
 
 
 Figura 100 – Queimaduras de 3º grau 
 
 
 
 
 
b) Quanto à extensão 
 
 Para calcularmos, em um adulto, a porcentagem aproximada da superfície corporal 
queimada (SCQ) da vítima, podemos fazer uso da “REGRA DOS 9”, de acordo com a figura: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 101 – Esquema para se calcular a área de superfície queimada (“regra dos 9”). 
 
Nota: Como sabemos, nem sempre a queimadura se apresenta de forma que possamos 
calcular a área queimada utilizando a regra dos nove. Para tanto, podemos realizar a 
mensuração da queimadura usando a palma da mão da vítima (sem os dedos) que 
corresponde a 1% da SCQ. 
 Assim, as queimaduras podem ser classificadas quanto à extensão, como segue: 
 
3.9.4.1 - CLASSIFICAÇÃO QUANTO A EXTENSÃO 
 
a) Pequenasqueimaduras - quando atinge menos de 10% da área do corpo; 
b) Médias queimaduras - 10 a 30% da área do corpo; 
c) Grandes queimaduras - quando atinge mais de 30% da área do corpo. 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 45 - REV.1 
3.9.4.2 - CLASSIFICAÇÃO QUANTO A GRAVIDADE: 
 
 Para determinarmos a gravidade de uma queimadura devemos sempre considerar os 
seguintes aspectos: 
 
a) Profundidade da queimadura; 
b) Extensão corporal queimada; 
c) Localização da queimadura; 
d) Idade da vítima; 
e) Presença de outras enfermidades anteriores; 
f) Tipo da queimadura (elétrica, química ou térmica); 
g) Queimadura em toda a circunferência de algum membro ou pescoço. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
c) Agentes causadores 
 
As queimaduras podem ser químicas, elétricas, térmicas: 
 
- Químicas: são causadas por substâncias com ação corrosiva, como ácidos e bases fortes. 
Todas estas queimaduras produzem morte dos tecidos, efeito que pode se estender 
lentamente por várias horas. 
 
- Elétricas: são produzidas pela corrente elétrica. Como os ossos são os tecidos do corpo 
humano que possuem maior resistência elétrica, são eles que produzem mais calor à 
passagem da corrente elétrica (principalmente em circuitos de alta voltagem). 
 
 Desse modo, em geral, as queimaduras elétricas ocorrem de dentro para fora, ou 
seja, primeiro aqueles tecidos mais próximos aos ossos, e na sequência gradualmente os 
outros. 
 Após os ossos, os tecidos com maior resistência elétrica são, em ordem decrescente: 
gordura, tendão, pele, músculo, vaso sanguíneo e nervo. 
 
Obs.: Lembre-se de que as queimaduras por choque elétrico são normalmente mais graves do 
que as por agentes térmicos, em virtude da maior lesão de estruturas nobres do corpo 
(internas) e pelo fato de não poder se estimar a superfície de área queimada, ocasionando 
uma maior probabilidade de sequelas graves e morte. 
A vítima deve ser classificada grave ou grande queimado quando possuir: 
- Queimadura de 3º grau presente em mais de 10% da superfície corporal (adulto e criança); 
- Queimadura de 2º grau presente em mais de 25% da superfície corporal se adulto; 
- Queimadura de 2º grau presente em mais de 20% da superfície corporal se criança. 
São consideradas também queimaduras graves aquelas que acontecem nas seguintes 
regiões: região genital; nos pés e nas mãos; na face; nas articulações. 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 46 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 102 - queimadura elétrica 
 
- Térmicas: são ocasionadas pelo contato direto da pele com a chama, vapores e líquidos ou 
sólidos superaquecidos. Um exemplo grave é a queimadura por inalação em vítimas que 
foram expostas à fumaça em um espaço fechado, como nos incêndios. O maior risco é 
desenvolver obstrução de vias aéreas por inflamação e edema devido à queimadura, o que 
pode causar asfixia em poucas horas. 
 
III) Conduta: 
 
-Examine a vítima retirando ou cortando suas roupas, não devendo ser retiradas as partes que, 
eventualmente, estejam aderidas à pele. 
-Retire anéis e pulseiras da vítima, para não estrangularem as extremidades dos membros, 
devido ao edema (inchaço) que possa ocorrer. 
-Resfrie imediatamente o local da queimadura com água em temperatura ambiente, soro 
fisiológico ou compressas frias úmidas. Este procedimento visa a reduzir a temperatura no 
local do ferimento, interrompendo assim o processo de queimadura. Porém, não use gelo para 
não gerar outra queimadura (geladura). 
-Nunca fure as bolhas nem toque na parte queimada, pois isso poderá provocar uma 
infecção. 
-Não aplique nenhuma substância ou remédio sobre a queimadura. Este procedimento será 
realizado em uma enfermaria ou hospital sob orientação médica. 
-Proteja a queimadura com um curativo ou pano limpo. 
-Ofereça água para hidratar a vítima, caso esta esteja consciente, visto que a hidratação é 
essencial para reduzir as chances de morte! 
-Procure auxílio médico com urgência. 
 
Obs.: As áreas queimadas não devem ser tratadas com gelo, pois pode causar uma geladura, 
como também não se deve aplicar remédio ou qualquer outra substância sobre a queimadura. 
 As queimaduras nos olhos, provocadas por substâncias químicas (ácidos, soda cáustica, 
gasolina, etc.), devem ser lavadas de imediato pelo socorrista e, a seguir, aplicar uma gaze, 
encaminhando a vítima com urgência para avaliação com médico oftalmologista. 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 47 - REV.1 
3.9.5 – SÍNDROMES TÉRMICAS (Exposure) 
 
3.9.5.1 - HIPERTERMIA 
 
 Diz-se que há hipertermia (hiper = alta / termia = temperatura) quando a temperatura 
corporal é superior a 37,5º C. Quando a elevação da temperatura corpórea ultrapassa de 40 
graus, interfere com as atividades normais das células, especialmente às do sistema nervoso, 
sendo uma condição de emergência, pois pode causar lesão cerebral permanente ou morte. 
 Há dois tipos principais de lesão pelo calor: 
a) Insolação - estado em que ocorre uma súbita elevação da temperatura corporal, em 
consequência de uma ação prolongada dos raios solares diretamente sobre o indivíduo, 
como, por exemplo, quando permanecemos período prolongado expostos aos raios solares 
em uma praia; e 
b) Intermação – estado decorrente da ação do calor sobre o indivíduo com ausência de raios 
solares, elevando sua temperatura corporal, como, por exemplo, quando um marinheiro está 
trabalhando em uma praça de máquinas de um navio pouco ventilada, em um dia muito 
quente. Além da temperatura elevada, a umidade do ar, os exercícios físicos excessivos e a 
alimentação exagerada representam outros fatores que contribuem para um estado de 
intermação. 
 
- CONDUTA: 
O objetivo principal do tratamento é a redução da temperatura corporal, evitando danos 
cerebrais e até mesmo a morte. 
--Afrouxe as roupas da vítima; 
--Coloque-a em um local fresco e arejado; 
--Resfrie a vítima de qualquer maneira (a temperatura corporal deve ser abaixada 
rapidamente), utilize água ou compressas frias (nas axilas, punhos, virilhas e pescoço da 
vítima); 
- Oferecer líquidos se vítima estiver em bom estado de consciência e conseguir beber sem 
assistência do socorrista; 
--Eleve as pernas da vítima ou mantenha a cabeça dela mais baixa que o nível do corpo; e 
--A encaminhe a vítima para avaliação médica, caso as medidas acima não surtam efeito. 
 
3.9.5.2 - HIPOTERMIA E CONGELAMENTO 
 
 O resfriamento geral do corpo humano é conhecido como hipotermia (hipo = baixa / 
termia = temperatura) e está presente quando temperatura interna central é menor que 35 
graus Celsius. 
 A exposição ao frio reduz a temperatura do corpo e com o tempo ele fica incapaz de 
manter sua temperatura interna. Já o congelamento é uma severa forma de resfriamento 
local, com a exposição ao frio extremo, ou seja, aquele que atinge temperaturas muito baixas. 
A pele e as camadas inferiores dos tecidos são congeladas, causando lesões profundas 
(geladura). 
 
– Sinais e sintomas: 
- Calafrios; 
- Sensação de dormência nos membros; 
- A respiração e o pulso, no início da exposição, são rápidos, passando a se tornarem lentos 
quando expostos por muito tempo ao frio; e 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 48 - REV.1 
- Pele da face, orelhas e dedos (extremidades) inicialmente ficam vermelhos e depois se 
tornam azulados ou esbranquiçados, sendo que, por fim, evoluem para cinza-azulados. 
 
– Conduta: 
--Retire a vítima do frio, levando-a para um local com ar quente, retirando as roupas molhadas; 
--Aqueça rapidamente as extremidades afetadas, tendo o cuidado para não queimar os tecidosdormentes, a temperatura ideal varia entre 33º C a 34º C; 
--Oriente a vítima a movimentar as extremidades, visando a um aquecimento natural pelo 
maior fluxo de sangue, quando se tratar de hipotermia. Nos casos de congelamento, não faça 
massagens ou movimentos, simplesmente imobilize e cubra o local; 
- Se houver sinais de congelamento de extremidades, envolver as extremidades em ataduras 
secas na posição encontrada; 
-Se houver sinais de congelamento de ponta de nariz, iniciar aquecimento da extremidade 
usando contato pele congelada - pele aquecida (mão do socorrista com extremidade da 
vítima); 
--Se a vítima estiver consciente, você poderá oferecer bebidas quentes como achocolatados, 
que auxiliam na recuperação do calor. Não ofereça bebidas alcoólicas ou café, elas podem 
provocar vasoconstricção e restringir o fluxo de sangue às regiões afetadas. 
 
3.9.6 – CHOQUE ELÉTRICO (Exposure) 
 
- Conceito: 
 
 Descargas elétricas e a conversão destas em calor, durante a passagem pelos tecidos 
(órgãos, músculos, etc), causam lesões graves podendo levar a vítima rapidamente à morte. A 
gravidade do trauma depende do tipo de corrente (contínua ou alternada), da magnitude da 
energia aplicada, da resistência dos tecidos, da duração do contato e do caminho percorrido 
pela eletricidade. 
 A corrente de alta-tensão (ex:13.000V) geralmente causa danos mais graves, porém 
lesões fatais podem ocorrer mesmo com a baixa voltagem das residências (110 a 220V). 
 
 
 Além disso, também podem ocorrer graves queimaduras, cujo mecanismo de lesão (a 
queimadura ocorre de dentro para fora) já foi explicado no tópico QUEIMADURAS. 
 
A parada cardiorrespiratória (PCR) é a principal causa de óbito após um choque elétrico, em 
função de parada cardíaca (geralmente em fibrilação ventricular), ou mesmo de uma parada 
respiratória, causada pela passagem da corrente pelo cérebro, levando à inibição da função 
do centro respiratório, com consequente paralisia do diafragma. 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 49 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 103 - queimadura por choque elétrico 
 
 Podemos citar ainda as lesões secundárias causadas pela queda ou projeção da vítima 
contra superfícies rígidas. 
 
- Conduta: 
 
- Desalimente a corrente elétrica, antes de tocar na vítima; 
- Avalie seu estado de consciência e solicite atendimento médico de emergência; 
- Inicie a avaliação primária do paciente (ABC); 
- Execute as manobras de RCP (se necessário); e 
- Trate das possíveis lesões, ferimentos de entrada e saída da corrente elétrica (DE), enquanto 
aguarda atendimento médico. 
 
Obs.: Caso, por algum motivo, não seja possível desalimentar imediatamente a corrente 
elétrica, deve-se tentar isolar a vítima, interrompendo a corrente elétrica com material não 
condutor de eletricidade (madeira, borracha, isopor, etc.). Caso seja necessário, verificar se há 
corrente elétrica, encoste o dorso da mão no corpo da vítima. 
 
3.9.7 – FERIMENTOS (Exposure) 
 
- Conceito: 
 
 São situações em que há lesão dos tecidos em função de algum trauma, geralmente 
apresentando os sinais inflamatórios típicos: dor, calor, rubor (ou vermelhidão), edema (ou 
inchaço) e perda de função. 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 50 - REV.1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 104 - Sinais da Inflamação 
 
- Classificação: 
 
→ Ferimentos Fechados São os ferimentos onde a pele se mantém íntegra. Podendo ser 
classificada em: 
• Contusão: lesão por objeto contundente que danifica o tecido, sem romper a pele; 
• Hematoma: é o acumulo de sangue em um órgão ou tecido, devido à ruptura de 
vasos, geralmente bem localizado e definido, normalmente causado por traumatismo 
(pancadas). Há aumento da espessura. Característica: edema/abaulamento. 
• Equimose: Mancha escura ou azulada devida a uma infiltração difusa de sangue no 
tecido subcutâneo. Na maior parte dos casos, aparece após um traumatismo, mas 
pode também aparecer espontaneamente em sujeitos que apresentam fragilidade 
capilar. Característica: sem edema/abaulamento. 
 
 
 
 Figura 105 - hematoma (esq.) e equimose (dir.) 
 
➢ Ferimentos incisivos ou cortantes – causados por objetos de corte (lâminas, navalhas, 
bisturi, etc.); 
➢ Ferimentos contundentes: causados por objetos contundentes, que esmagam, ou seja, que 
produzem lesão tecidual pela batida ou colisão de uma superfície contra outra. Ex.: martelo, 
pedra, pedaço de pau, cassetete, etc.). 
➢ Ferimentos perfurantes: causados por objetos penetrantes, pontiagudos e finos (prego, 
agulhas, alfinetes, etc.); 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 51 - REV.1 
- Perfuro-contundentes: ocorre quando o objeto causador da ferida é de superfície romba 
(ferimento por arma de fogo); 
- Perfuro-cortantes: quando o agente vulnerante possui superfície de contato laminar ou 
pontiagudo (ferimento causado por arma branca, peixeira, faca). 
- Corto-contundentes: causados por objetos que cortam e provocam lesões de esmagamento 
pela batida. Ex.: machado, foice. 
Figura 106 - Diferença de lesões 
 
➢ Escoriações ou abrasões: produzidas pelo atrito de uma superfície áspera e dura contra a 
pele, sendo que somente esta é atingida ou raspagem. Frequentemente, contém partículas de 
corpo estranho (cinza, graxa, terra). Muito comum em acidentes de moto e quedas de crianças. 
➢ Avulsão ou amputação: ocorre quando uma parte do corpo é cortada ou arrancada 
(membros ou parte de membros, orelhas, nariz etc.). 
➢ Lacerações: quando o mecanismo de ação exerce uma pressão ou tração sobre o tecido, 
causando lesões irregulares, isto é, o tecido rasga, dilacera. 
 
 
 
 
 
 
 
Conduta: A ação de um socorrista se limita a conter uma hemorragia ativa e proteger o 
ferimento, encaminhando a vítima para algum serviço de saúde, a fim de ser submetida a uma 
limpeza de forma adequada do ferimento, principalmente se relacionado a metal (enferrujado 
ou não) e/ou à poeira (terra), além da verificação da sua situação quanto a vacina antitetânica. 
 Se for necessário, a vítima irá ser submetida ao fechamento do corte por meio de 
sutura (pontos). Esses procedimentos devem ser realizados em até, no máximo, 06 horas após 
o corte, já que em muitos casos, a partir desse período pode não haver mais indicação médica 
para fechar completamente o corte por meio de sutura (pontos), situação que pode gerar 
maior chance de infecção e, também, uma cicatriz potencialmente menos estética. 
 
 
Obs.: Antes de levar uma vítima ao hospital, nunca tente retirar um objeto fixado ao 
corpo de um acidentado (como uma faca), pois tal procedimento pode agravar 
seriamente a lesão, podendo causar lesões graves de vasos, nervos e outras estruturas! 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 52 - REV.1 
3.9.8 – ACIDENTES COM ANIMAIS (Exposure) 
 
3.9.8.1 - ANIMAIS PEÇONHENTOS/VENENOSOS 
 
GENERALIDADES 
 
 Os acidentes com animais peçonhentos são muito comuns no interior do Brasil, 
principalmente nas zonas rurais. O militar poderá estar exposto a eles em muitas situações, 
como quando for servir em ilhas isoladas, em regiões do pantanal ou mesmo da Amazônia, 
além de outras regiões inóspitas do mundo. 
 
DEFINIÇÃO: 
 
 Animais peçonhentos são aqueles que possuem glândulas de veneno que se 
comunicam com dentes, ferrões, ou aguilhões, estruturas por onde o veneno é injetado. Como 
exemplo destes animais, podemos citar as abelhas africanas, as aranhas, escorpiões e algumas 
espécies de serpentes. 
 Já os animais venenosos, produzem veneno, mas não possuem um aparelho 
inoculador. O envenenamentoocorre por contato, ou compressão. Algumas espécies de sapos 
e de taturanas são animais venenosos. 
 Portanto, em caso de ferimentos, sempre leve a vítima para atendimento médico em 
no máximo 06 horas! 
 
3.9.8.2 - PRINCIPAIS ANIMAIS PEÇONHENTOS/VENENOSOS 
 
- Serpentes: jararaca, cascavel, surucucu e coral verdadeira; 
- Insetos: abelhas, vespas, formigas e lagartas; 
-Aracnídeos: aranhas (marrom, armadeira, viúva negra), escorpiões (preto, amarelo); 
- Peixes: arraias e peixes que possuem órgãos produtores de eletricidade; e 
- Outros animais marinhos ou fluviais: medusas, águas-vivas e caravelas. 
 
3.9.8.3 - CONDUTA PARA ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS EM GERAL 
 
- Lavar o local da picada de preferência com água e sabão; 
- Manter a vítima deitada em repouso absoluto, evitando com que ela se movimente para não 
favorecer a absorção do veneno; 
- Afrouxe as roupas, remova anéis e braceletes que podem interromper a circulação da 
extremidade após desenvolvimento do edema (inchaço); 
- Imobilize e mantenha a extremidade elevada; 
- Não fazer torniquete ou garrote, devido ao risco de causar gangrena (necrose); 
- Não furar, não cortar, não queimar, não espremer, não fazer sucção no local da ferida e nem 
aplicar folhas, pó de café ou terra sobre ela, para não provocar infecção; 
- Não dar à vítima bebida alcoólica, querosene ou fumo, como é costume em algumas regiões 
do país; e 
- Levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, para que possa receber o 
tratamento em tempo, levando, se possível, o animal agressor, mesmo morto, para facilitar o 
diagnóstico. 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 53 - REV.1 
Conduta específica para serpentes: 
 
--Se possível, leve a serpente para identificação ou a identifique, a fim de providenciar a 
aplicação do soro antiofídico específico; 
--Verifique qual é o hospital ou centro de saúde mais próximo que apresente o soro antiofídico 
específico (ou combinado); e 
--Transporte a vítima para o hospital o mais rápido possível. 
 
3.9.8.4 - SERPENTES 
 
 Existem no Brasil 60 espécies de serpentes venenosas, mas são as jararacas as 
responsáveis pelo maior número de ataques - cerca de 85% do total. As cascavéis, com o 
característico guizo (“chocalho”) na extremidade da cauda e as surucucus, que podem atingir 
o comprimento máximo de 4,5 metros, causam pouco mais de 10% dos acidentes. 
 
 
 Figura 107 – Jararaca Figura 108 – Surucucu 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 109 – Cascavel 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 54 - REV.1 
 A Coral, apesar da fama de perigosas, precisam ser muito provocadas ou pisoteadas 
para dar o bote. Elas respondem por menos de 1% das ocorrências e são facilmente 
confundidas com as falsas Corais, suas primas inofensivas. 
 
 
 Figura 110 – Coral (verdadeira) Figura 111 – “Coral falsa” 
 
3.9.8.5 - O QUE SÃO ACIDENTES OFÍDICOS? 
 
 Acidente ofídico ou ofidismo é o quadro o envenenamento decorrente da mordida de 
serpentes, que ocorre quando a serpente consegue injetar o conteúdo de suas glândulas 
venenosas. Mas, nem toda picada leva ao envenenamento, isso porque há muitas espécies de 
serpentes que não possuem presas ou, quando presentes, estão localizadas na parte de trás 
da boca, o que dificulta a injeção de veneno. 
 O tratamento é realizado com o soro específico para cada tipo de envenenamento, 
produzido a partir do veneno da cobra. Os soros antiofídicos específicos são o único 
tratamento eficaz e, quando indicados, devem ser administrados em ambiente hospitalar e 
sob supervisão médica. 
 Figura 112 – Veneno de Cobra. Figura 113 – Soro antiofídico 
 
3.9.8.6 - ORIENTAÇÕES PARA PREVENÇÃO DE ACIDENTES: 
 
➢ Usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem; 
➢ Limpar regularmente móveis, cortinas, quadros, cantos de parede; 
➢ Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés; 
➢ Utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos; 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 55 - REV.1 
➢ Manter limpos os locais próximos das casas, jardins, quintais, paióis e celeiros; 
➢ Evitar plantas trepadeiras e bananeiras junto às casas e manter a grama sempre cortada; 
➢ Não mexer em colmeias e vespeiros. Caso estejam em áreas de risco de acidente, contatar 
a autoridade local competente para a remoção. 
➢ Inspecionar calçados, roupas, toalhas de banho e de rosto, roupas de cama, panos de chão 
e tapetes antes de usá-los. 
➢ Afastar camas e berços das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários. 
➢ Não depositar ou acumular lixo, entulho e materiais de construção junto às habitações. 
➢ Não montar acampamento próximo a áreas onde normalmente há roedores (plantações, 
pastos ou matos) e, por conseguinte, maior número de serpentes. 
➢ Controlar roedores existentes na área e combater insetos, principalmente baratas (são 
alimentos para escorpiões e aranhas). 
➢ Caso encontre um animal peçonhento, afaste-se com cuidado e evite assustá-lo ou tocá-lo, 
mesmo que pareça morto, e procure a autoridade de saúde local para orientações. 
➢ Não andar descalço em locais onde é possível a presença de animais peçonhentos: sapatos, 
botinas, botas ou perneiras devem ser usados (evitam 80% dos acidentes). 
➢ Olhar sempre com atenção o local onde você está servindo e os caminhos a percorrer; 
➢ Usar luvas de couro nas atividades em meio rural, mata, floresta e de jardinagem; nunca 
colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços 
situados em montes de lenha ou entre pedras; 
➢ Não utilizar diretamente as mãos ao tocar em sapé, capim, mato baixo, montes de folhas 
secas; usar sempre antes um longo pedaço de pau, enxada ou foice, se for o caso; 
➢ Ao amanhecer e ao entardecer, evitar aproximar-se de vegetação rasteira, gramados ou até 
mesmo jardim; é nesse momento que as serpentes estão em maior atividade; 
 
INSETOS 
 
 O ferrão das abelhas, vespas e formigas (himenópteros sociais) exerce um papel 
essencial para a defesa de suas colônias. Elas perdem o ferrão ao picar, morrendo em 
seguida. Como possui músculos próprios, o ferrão continua a injetar a peçonha mesmo após 
a separação do resto do corpo. 
 Os acidentes com estes animais são classificados como quadro de envenenamento 
decorrente da inoculação de toxinas por meio do ferrão. 
 As manifestações clínicas podem ser alérgicas (mesmo com uma só picada) e tóxicas 
(múltiplas picadas). Em casos mais graves pode ocorrer choque, insuficiência respiratória 
aguda, e insuficiência renal aguda. 
 As manifestações alérgicas locais são caracterizadas por um inchaço que persiste por 
alguns dias. As reações alérgicas sistêmicas podem variar de urticária generalizada e mal-estar 
até edema de glote, broncoespasmos, choque anafilático. 
 Nos primeiros socorros em acidentes múltiplos, é necessário encaminhar o acidentado 
rapidamente ao hospital, junto com alguns dos insetos que provocaram o acidente. A remoção 
dos ferrões pode ser realizada por raspagem com lâminas, e não com pinças, pois esse 
procedimento resulta na inoculação do veneno ainda existente no ferrão. 
OSTENSIVO EMN-013 
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Figura 114 – Abelha 
 
ARACNÍDEOS 
 
 As aranhas e escorpiões são aracnídeos pertencentes ao grupo dos artrópodes, animais 
abundantes em todos os ecossistemas. 
 Os gênerosde importância em saúde pública no Brasil são as seguintes espécies: 
• aranha-marrom (Loxosceles); 
• aranha-armadeira ou macaca (Phoneutria); e 
• viúva-negra (Latrodectus). 
 
 
 
 
 Figura 115 – Aranha Marrom Figura 116 – Aranha Armadeira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 117 – Viúva-negra 
 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 57 - REV.1 
 Os escorpiões são predominantes nas zonas tropicais e subtropicais do mundo, com 
maior incidência nos meses em que ocorre aumento de temperatura e umidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 118 – Gênero Tityus 
 
 No Brasil, os escorpiões de importância em saúde pública são as seguintes espécies do 
gênero Tityus: 
• Escorpião amarelo (T. serrulatus) - com ampla distribuição em todas as macrorregiões do 
país, representa a espécie de maior preocupação em função do maior potencial de gravidade 
do envenenamento e pela expansão em sua distribuição geográfica no país. 
• Escorpião marrom (T. bahiensis) - encontrado na Bahia e regiões centro-oeste, sudeste e sul 
do Brasil. 
• Escorpião-amarelo-do-nordeste (T. stigmurus) - espécie mais comum do Nordeste, 
apresentando alguns registros nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. 
• Escorpião-preto-da-amazônia (T. obscurus) - encontrado na região Norte e Mato Grosso. 
 
 A grande maioria dos acidentes é leve e o quadro local tem início rápido e duração 
limitada. Os adultos apresentam dor imediata, vermelhidão e inchaço leve por acúmulo de 
líquido, piloereção (pelos em pé) e sudorese (suor) localizadas, cujo tratamento é sintomático. 
 Crianças abaixo de 7 anos apresentam maior risco de desenvolver sintomas graves, 
evoluindo para óbito, nas picadas por escorpião amarelo. 
 
ÁGUAS-VIVAS 
 
 As águas-vivas são representadas por várias espécies ao longo do litoral do Brasil 
havendo, no entanto, poucas delas relacionadas a acidentes com humanos. 
 A medusa tem o corpo gelatinoso em forma de guarda-chuva, marginado por 
tentáculos. As espécies de medusas que estão associadas a acidentes fatais no Brasil são a 
Tamoya haplonema e a Chiropsalmus quadrumanus. 
 As caravelas são muito comuns no Brasil e pode provocar acidentes graves. Outras 
pequenas hidromedusas podem ser encontradas com relativa frequência e causam acidentes 
mais leves, mas, ainda assim, dolorosos. 
 Durante banhos de mar é importante lembrar que se evita contato com águas-vivas e 
caravelas. 
 A gravidade os sinais e sintomas dependem de fatores relativos ao animal – espécie 
envolvida e composição química da peçonha, quantidade de peçonha inoculada, tempo de 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 58 - REV.1 
contato dos tentáculos com a pele – e fatores relativos ao homem – espessura da pele no local 
de contato, extensão do corpo atingida, peso e idade. 
 Nos pontos de contato com o animal aparece dor imediata e intensa, seguida de 
erupção e coceira. Pode-se observar na pele lesada “linhas entrecruzadas”, representando as 
áreas de contato com os tentáculos do animal. 
 Em poucas horas, a lesão inicial pode evoluir com a formação de bolhas, e em alguns 
casos, necrose local. A dor é persistente e intensa. 
 Algumas pessoas podem apresentar sintomas mais graves, evoluindo até mesmo com 
choque tóxico. 
 Para alívio da dor inicial, devem ser utilizadas compressas geladas em pacotes fechados 
com pano para proteção local ou água do mar gelada. Em seguida, o local da lesão deve ser 
lavado com ácido acético a 5% (vinagre, por exemplo). 
 Evitar a remoção de tentáculos aderidos à pele com técnicas abrasivas (esfregação de 
panos, toalhas, areia), esse procedimento agrava a dor. A remoção dos tentáculos aderidos à 
pele deve ser realizada de forma cuidadosa, preferencialmente com uso de pinça ou lâmina; 
e, posteriormente, compressa do mesmo produto deve ser aplicada por cerca de 10 minutos, 
para evitar o aumento do envenenamento. 
 É importante que NÃO seja utilizada água doce para lavagem do local da lesão, nem 
para aplicação das compressas geladas, pois a água doce pode piorar o quadro do 
envenenamento. 
 
Prevenção de acidentes 
 
 A melhor forma de prevenir acidentes é evitar entrar no mar caso haja aglomeração 
destes animais na água. 
 As caravelas, por sua coloração peculiar, são avistadas facilmente; lembrar que seus 
tentáculos podem atingir vários metros de comprimento, evitando aproximar-se. 
 As águas-vivas, de coloração quase transparente, são mais difíceis de ser visualizadas 
na água. 
 Evitar tocar em águas-vivas ou caravelas aparentemente mortas, encalhadas na areia; 
os tentáculos ainda põem grudar na pele; 
 
 Figura 119 – Physalia ( Caravela) Figura 120 – Tamoya haplonema 
 
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Figura 121 – Acidente com água viva 
 
MORDIDAS DE ANIMAIS 
 
 As mordeduras de animais são relativamente comuns, especialmente de animais 
domésticos, sendo os acidentes com cães os de maior ocorrência, com índices de 80% a 90% 
dos casos, comumente, não havendo necessidade de atendimento de urgência. 
 As feridas causadas por gatos (mordeduras e arranhões) infectam-se em mais de 50% 
das vezes. 
 Em relação a localização das lesões, a maioria dos acidentes ocorre nas extremidades 
corporais, embora cabeça, pescoço, orelhas e lábios possam ser acometidos. Isso tem 
relevância no tratamento, pois mordeduras nas mãos têm maior probabilidade de 
apresentarem infecções, em virtude da circulação terminal e da anatomia que dificulta a 
limpeza adequada do ferimento. 
 A atenção com a limpeza cuidadosa do ferimento é importante na prevenção das 
infecções, sobretudo nos ferimentos lacerados e puntiformes. 
 Mordeduras de animais selvagens ou de animais domésticos de origem desconhecida 
geram problemas mais graves, uma vez que existe a possibilidade de transmissão do vírus 
causador da raiva. Estes animais devem ser capturados por agentes de saúde e mantidos em 
observação. 
 Além do trauma físico causado pelas mordidas, deve-se ter a preocupação com as 
doenças infecciosas, que podem ser transmitidas. Estas podem ser causadas por bactérias, 
fungos, vírus, dentre outros agentes biológicos. 
 
CONDUTA PARA ACIDENTES COM MORDIDAS DE ANIMAIS 
 
• A ferida deve ser bem lavada com água e sabão; deixando que a água escorra por alguns 
minutos sobre o ferimento; 
• Irrigar, abundantemente, com soro fisiológico a 0,9%; e 
• Imobilização com elevação do membro afetado. 
 
 A conduta correta nos casos de mordidas de animais é encaminhar a vítima para um 
serviço de saúde para receber a orientação específica. Pois, deve-se avaliar: a espécie animal 
envolvida, as circunstâncias da mordida, o status imunológico do animal e o histórico de 
zoonoses, principalmente raiva, na região. 
 
 
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ORIENTAÇÕES PARA PREVENÇÃO DE ACIDENTES COM ANIMAIS DOMÉSTICOS: 
 
• Vacinar todos os animais domésticos anualmente; 
• Ensinar as crianças a não provocar os cães e gatos desconhecidos; 
• Em caso de dúvidas sobre a contaminação com o vírus da raiva, manter o animal sob 
observação por dez dias; 
• Se animal apresentar sintomas da raiva, fugir, ou morrer, providenciar, imediatamente, o 
tratamento antirrábico das possíveis vítimas que tiveram contato com o animal. 
 
3.10 – INTOXICAÇÃO E ENVENENAMENTO 
 
 Numerosas substâncias químicas são potencialmente tóxicas para adultos, crianças e 
animais domésticos. Nas residências são utilizados vários tipos de produtos químicos,tornando-se necessário o conhecimento dos efeitos dos mesmos para que se evitar danos à 
saúde. 
 As intoxicações e o envenenamento são causados pela ingestão, aspiração e introdução 
no organismo, acidental ou não, de substâncias tóxicas de naturezas diversas. A diferença 
entre intoxicação e envenenamento está no tipo e quantidade de produto ingerido ou 
absorvido pelo organismo da vítima. Ambos podem resultar em doença grave ou morte em 
poucas horas se a vítima não for socorrida em tempo. O diagnóstico precoce e a correta 
abordagem inicial são decisivos no bom desfecho dos casos. 
 Intoxicação é o efeito de uma determinada substância no organismo causando 
alterações fisiológicas mais leves. 
 Já no envenenamento, estas alterações fisiológicas são tão extremas que destroem 
células ou tecidos da vítima. 
 
As substâncias mais comuns nas intoxicações são: 
• Produtos químicos utilizados em limpeza doméstica e de laboratório; 
• Venenos utilizados no lar (como raticidas, por exemplo); 
• Entorpecentes e medicamentos em geral; 
• Alimentos deteriorados; e 
• Gases tóxicos. 
 
 A absorção das substâncias químicas pelo organismo humano se dá por diferentes 
formas: 
 
• Por inalação – podemos absorver uma substância química nociva pela respiração, quando 
estamos em um local contaminado; 
 
• Por contato (pele) – certas substâncias podem penetrar no organismo através da pele, 
mesmo que o contato seja breve, mesmo sem escoriações ou ferimentos; e 
 
• Por ingestão – podemos ingerir substâncias químicas nocivas acidentalmente quando nos 
alimentamos em locais contaminados ou através das mãos, por hábitos inadequados de 
higiene. 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
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SINAIS E SINTOMAS: 
 Obs.: os sintomas gerais serão apresentados conforme listagem abaixo, podendo variar 
de acordo com o veneno inalado. 
Envenenamento por ingestão Envenenamento por contato Envenenamento por inalação 
• Queimaduras, lesões ou 
manchas ao redor da boca; 
• Odores incomuns da 
respiração, no corpo, nas roupas 
da vítima ou do ambiente; 
• Hálito com odor estranho; 
• Transpiração abundante; 
• Queixa de dor ao engolir; 
• Queixa de dor abdominal; 
• Náuseas, vômito, diarreia; 
• Alterações no nível de 
consciência, sonolência; 
• Convulsões; 
• Aumento ou diminuição do 
diâmetro das pupilas; e 
• Alterações no pulso, na 
respiração e da temperatura 
corporal. 
• Manchas na pele; 
• Coceira; 
• Irritação nos olhos; 
• Dor de cabeça; e 
• Temperatura da pele 
aumentada. 
• Respiração rápida; 
• Tosse; e 
• Frequentemente os olhos da 
vítima aparecerão irritados. 
 
Orientações gerais: 
 
• Cuidados com a segurança do socorrista, evitando o contato com o produto intoxicante; 
• Remover a vítima para local arejado; 
• Afrouxar as vestimentas e, caso estejam contaminadas, retirá-las; 
• NUNCA deixar a vítima sozinha; 
• Deixar a vítima falar, deixando-a o mais confortável possível; 
• Transportar a vítima em posição lateral, a fim de evitar aspiração de vômito, caso ocorra; 
• Transportar restos da substância, recipientes, embalagens e aplicadores – juntos; 
 
Procedimentos nos casos de intoxicação por contato (pele); 
• Lavar abundantemente o local afetado com água corrente; 
• Se os olhos forem afetados: lavar com água corrente durante 15 minutos e cobri-los, sem 
pressão, com pano limpo ou gaze; e 
• Encaminhar ao serviço médico (pronto socorro ou hospital). 
 
Nos casos de intoxicação por inalação: 
 
• Remover a vítima para local arejado; e 
• Encaminhar ao serviço médico (pronto socorro ou hospital). 
 
Nos casos de intoxicação por ingestão: 
 
• Não provocar vômito; 
• Não oferecer água, leite ou qualquer outro líquido; e 
• Encaminhar, com urgência, para serviço médico (pronto socorro ou hospital). 
OSTENSIVO EMN-013 
 OSTENSIVO - 3 - 62 - REV.1 
 
3.10.1 – CONVULSÕES 
 
 Uma convulsão é a resposta a uma descarga elétrica anormal no cérebro. A 
manifestação da convulsão depende da parte do cérebro que é afetada pela descarga elétrica 
anormal. Ela pode envolver uma área mínima do cérebro, fazendo apenas que o indivíduo 
perceba um odor ou sabor estranho, ou pode envolver grandes áreas, acarretando espasmos 
musculares generalizados. 
 O indivíduo pode apresentar perda da consciência, seguida por período variável de 
confusão mental, perda do controle da bexiga e do esfíncter anal. 
 No “ataque epiléptico”, tipo de crise convulsiva muito comum, a pessoa pode 
apresentar contrações musculares em todo o corpo, mordedura da língua, salivação intensa, 
respiração ofegante e, às vezes, até urinar. Ao término da fase convulsiva nota-se os sintomas 
de sonolência e confusão mental. 
 
Causas: Epilepsia, hipoglicemia, overdose de cocaína, abstinência alcoólica, meningite, 
lesões cerebrais: tumores, AVE, TCE, eclâmpsia e febre alta. 
 
Sinais e sintomas: 
 
• Perda da consciência e queda ao solo; 
• Contrações musculares violentas; 
• Pode ocorrer palidez intensa e lábios azulados; 
• Pode haver eliminação de fezes e urina; e 
• Dentes travados e salivação abundante. 
 
Procedimentos em caso de crise: 
 
1- Afastar objetos ao redor da vítima e curiosos; 
2- Afrouxar as suas vestes; 
3- Proteger a cabeça sem restringir os movimentos da vítima; 
4- Manter as vias aéreas liberadas; 
5- Não tentar colocar objetos na boca da vítima durante a crise; 
6- Sempre que possível manter o paciente em decúbito lateral (de lado) para evitar 
broncoaspiração; 
7- Aguardar a duração normal da crise (1 a 5 minutos); 
8- Aguardar a recuperação da confusão mental após a crise e solicitar que procure 
assistência médica ambulatorial; 
9-Não há necessidade de transporte para hospital nestas condições, a não ser que a vítima 
permaneça desorientada. 
 
O que não fazer? 
• Não jogar água no rosto da vítima ou oferecer-lhe algo para cheirar durante a crise. 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 4 
 
SOBREVIVÊNCIA NO MAR (SOBREMAR) 
 
 
 Para a sobrevivência do náufrago, é mais importante o seu estado psicológico do que 
a eficiência do equipamento que possui. Portanto, o homem deve estar preparado 
psicologicamente para tal desventura e perfeitamente familiarizado com todo o equipamento 
e objetos que lhe possam proporcionar um maior tempo de vida. 
 
4.1 – AÇÕES IMEDIATAS DURANTE O NAUFRÁGIO 
 
- Se o naufrágio for iminente, primeiramente coloque colete salva-vidas; 
- Se possível, transmita sinais de socorro e dê sua posição; 
- Reúna tudo que seja útil para a sua sobrevivência (roupas térmicas e impermeáveis, latas de 
água, ração, sinalizadores, etc.); 
- Beba tanta água quanto puder; 
- Evite pânico, mantenha-se adestrado; 
- Dirija-se ao local em que se encontram as balsas ou os botes salva-vidas e os libere; 
- Se for necessário acionar a válvula hidrostática para que o bote infle, faça-o de modo que 
tenha segurança de que você ou algum companheiro possa segurar firmemente o bote, 
principalmente em caso de tempestades; se possível, amarrando-a junto à embarcação e 
cortando esse cabo após o embarque de todos os tripulantes; 
- Pule na água com a balsa ou o bote por barlavento nas proximidades da proa ou popa; 
- Use os remos de pás flutuantes para afastar-se do navio (100 m mais ou menos); 
- Feche as válvulas de segurança, procure reunir-se às outras balsas para facilitar sua 
localização e lance ao mar a âncora flutuante (conhecida como drogue - equipamento 
semelhante a um paraquedas destinado a manter a embarcação parada); 
- Leia e siga rigorosamente as instruções de utilização dos equipamentos da balsa; 
- Só use o material de sinalização, se houver uma grande chance de serem avistados; e 
- Enquanto aguardam seremresgatados, siga rigorosamente as instruções a seguir para 
aumentar significativamente as suas chances de sobrevivência. 
 
4.2 – AÇÕES IMPORTANTES APÓS O NAUFRÁGIO 
 
Essas ações estão resumidas em 4 grandes tópicos, os quais seguem: 
 
I) Cuidado com ataques de tubarões: 
 
 Primeiramente, para se manter vivo em alto-mar, principalmente em regiões onde 
existem registros de ataques de tubarões com grande frequência, como o Caribe, a Austrália, 
alguns locais da costa africana e outros (no Brasil, principalmente na região nordeste), é 
fundamental evitar atitudes que aumentem as chances de ataques de tubarões. 
 Apenas 2 das 225 espécies de tubarão conhecidas são dignas de confiança, como, por 
exemplo, o “tubarão lixa”. As demais consistem em grandes predadores marinhos carnívoros, 
dos quais 12 podem ser consideradas como verdadeiras, constantes e significativas ameaças 
ao homem, como, por exemplo, o grande “tubarão branco”. 
 Não há certeza do que pode exatamente levar um tubarão a atacar um ser humano. A 
existência de sangue na água é inegavelmente o principal estímulo. Uma gota de sangue que 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 4 - 2 - REV.1 
se dissolve na água do mar pode ser o suficiente para um tubarão perceber sua presença 
mesmo a alguns quilômetros de distância! 
 Em outras situações, porém, o fato de o tubarão atacar ou não atacar parece 
condicionado a causas pouco definidas. A verdade é que, até agora, ninguém pôde estabelecer 
o que realmente deve ser feito para desencorajar o ataque de um tubarão. 
 A barracuda é um peixe que habita normalmente as águas tropicais e pode oferecer 
tanto ou mais perigo que o tubarão. Costuma atacar tudo que lhe chama a atenção, 
especialmente objetos brilhantes. 
 É aconselhável, portanto, que o náufrago retire e guarde no bolso quaisquer objetos 
nessas condições, tais como distintivos, fivelas de cinto, aliança, relógios etc. 
 
II) Hipotermia: 
 
 O tempo de sobrevivência de um homem imerso na água fria, antes de ocorrer uma 
parada cardíaca, é determinado por quatro fatores: 
 
1- Temperatura da água; 
2- Tempo de exposição na água; 
3- A constituição física; e 
4- O procedimento na água. 
 
 Quanto menor a temperatura da água, menor será o tempo de sobrevivência. A 
explicação é simples: a hipotermia começa a manifestar-se quando o corpo perde mais calor 
para o meio ambiente (no caso para o mar) do que pode produzir, com sua temperatura 
diminuindo gradativamente à medida que o tempo de exposição aumenta. 
- Se estiver dentro d’água, adote a posição “HELP” e procure não se agitar para conservar o 
calor; 
- Na balsa, proteja-se do frio e da hipotermia, ficando junto do companheiro para aquecerem-
se mutuamente, se houver; 
- Em águas frias, infle o fundo da balsa para aumentar o isolamento térmico; 
- Em climas frios, mantenha-se agasalhado e proteja-se do vento, fechando o toldo da balsa e 
procurando ativar a circulação com exercícios físicos moderados, se necessário; e 
- Procure manter-se seco. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 122 – Posição help 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 4 - 3 - REV.1 
 Quando o náufrago permanece molhado exposto diretamente ao vento, o mesmo 
determina uma maior passagem da água do estado líquido para o estado gasoso e, com isso, 
essa água, que está em contato com a pele, ao evaporar, absorve calor do corpo humano, 
diminuindo gradativamente a temperatura interna do organismo. Quando essa temperatura 
diminui a níveis críticos (por volta de 33° a 32°C), o indivíduo pode sofrer graves consequências 
como desorientação, desmaio e inclusive parada cardíaca. 
 
III) Desidratação: 
 
- Não se deve beber água nas primeiras 24 horas!!! 
 Nas primeiras 24 horas, após o abandono da embarcação ou da aeronave, verifica-se 
um irreprimível desequilíbrio orgânico e, consequentemente uma maior excreção urinária, 
quando o excesso de água é eliminado. Portanto, não se deve beber água nesse período, pois 
fatalmente ela não seria retida pelo organismo, e sim, perdida através da urina. 
 As latas de água da balsa só devem começar a ser utilizadas após essas primeiras 24 
horas, porque existe uma grande possibilidade dos náufragos serem encontrados antes do 
término do primeiro dia. 
 
- Saber como conseguir e administrar a água potável é um dos fatores cruciais: 
 
 Deve-se fazer um racionamento rigoroso da água, já que numa situação de 
sobrevivência, a única água potável disponível, além da contida nas latas, será a água da chuva. 
É fundamental, portanto, otimizar a drenagem e o armazenamento da água da chuva que 
porventura ocorrer nesses dias, fazendo uso dos meios e materiais existentes necessários para 
tal, como lonas plásticas para drenagem, recipientes para armazenagem e panos para 
absorção da água da chuva. 
 Outra atitude importante seria, se possível, recolher o orvalho condensado no toldo da 
balsa. 
 Os médicos da Marinha dos Estados Unidos comprovaram na última Grande Guerra 
que um homem privado de alimentos, mas com abundância de água para beber, evitando ao 
máximo despender qualquer esforço físico, pode ter uma sobrevida de 20 a 30 dias, 
dependendo da sua compleição e condições ambientais. 
 Por outro lado, a ausência total de água, na melhor das hipóteses, leva a uma sobrevida 
em torno de 7 dias. 
 
 Obs.: Em 1942, após o torpedeamento do “Ben Lamond”, um chinês permaneceu à 
deriva sobre uma balsa durante 134 dias, à custa de peixe e água de chuva, sendo recolhido 
após ter completado a maior permanência à deriva de que se tem notícia! 
 
→ Nunca, em hipótese alguma, deve-se beber água do mar! 
 
 Beber água do mar, em função do altíssimo teor de sal, piorará o seu estado de 
desidratação, evoluindo com alucinações e delírios, insuficiência dos rins e outros problemas 
de saúde que culminarão em sua morte de forma rápida! Além disso, pelos mesmos motivos, 
não se deve beber água doce misturada com água do mar. 
 
 
 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 4 - 4 - REV.1 
Demais recomendações importantes: 
 
- Se houver na balsa aparelhos como o dessalinizador ou o destilador solar (transformam água 
salgada em doce), usá-los; 
- Evitar, ao máximo, expor-se aos raios solares; 
- Não comer se não dispuser de água e não beber urina; 
- Evitar ao máximo a perda de água pela sudorese, não se agitando, mantendo a ventilação na 
balsa e, se for necessário, molhando as roupas; 
- Evitar as náuseas (enjoo) e os vômitos, tomando medicamentos para tal, se possível; 
- Não beber sangue de animais marinhos, nem seus fluídos corpóreos; e 
- Procurar repousar o máximo possível, evitando esforços desnecessários. 
 
IV) Cuidado com infecções em ferimentos: 
 
 Outro cuidado importante que se deve ter em situações de naufrágio, é com os 
ferimentos / feridas. 
 Deve-se fazer de tudo para evitar cortes, contusões ou qualquer ferimento que possa 
evoluir para um processo de infecção por bactérias ou fungos com o passar dos dias, o que, 
em situações limites como o naufrágio, podem se tornar extremamente graves, já que, 
geralmente, não existem medicamentos antibióticos (que matam as bactérias) nas balsas. 
 Entretanto, se por algum motivo, já existir algum indivíduo com um ou mais ferimentos 
na pele, é importante que se possa fazer uso de todos os meios disponíveis para se evitar a 
infecção, ou seja, para “matar as bactérias” existentes na ferida, já que uma infecção em um 
náufrago intensamente debilitado pela falta de comida e água, em grande parte dos casos 
evolui para uma infecção generalizada seguida de morte em poucos dias!Nesse sentido, na ausência de antibióticos e soluções antissépticas como iodo ou 
clorexidine (merthiolate), pode se colocar sobre a ferida álcool, sal, açúcar ou afins. Todas 
essas substâncias desidratam intensamente as bactérias a ponto de matá-las, ou seja, “matam 
as bactérias por puxar água do seu interior”. 
 
4.3 – BALSAS SALVA-VIDAS INFLÁVEIS (INFORMAÇÕES E EQUIPAMENTOS) 
 
 São embarcações de salvamento, sendo que sua capacidade varia de 15 a 25 pessoas, 
dependendo do porte do navio da MB. São lançadas pela borda do navio através de um 
aparelho hidrostático (acionado pela pressão da água). 
 São infladas por uma ampola de CO2 contida no fundo da balsa. Após lançadas, podem 
ser utilizadas pelos náufragos em poucos segundos. 
 
 
Figura 123 – Balsas salva-vidas infláveis 
 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO - 4 - 5 - REV.1 
DOTAÇÃO 
 
- Instruções para sobrevivência e utilização do kit balsa; 
- Um par de remos; 
- Coletores de água da chuva; 
- Botijão de vários diâmetros para vedação de furos encontrados; 
- Espelho sinalizador; 
- Âncora flutuante (conhecida como drogue); 
- Aro flutuante; 
- Esponjas (para remoção de água do interior da balsa); 
- Lanterna sinalizadora (com pilhas); 
- Bomba manual (para recompletar o ar); 
- Argola de borracha com retinida; 
- Facas (com pontas arredondadas, para evitar danos na balsa); 
- Kit para pesca (linhas, anzóis); 
- Kit de primeiros socorros; 
- Manta térmica; 
- Ração líquida e sólida para período estimado em 1 semana (sacos de água com 50 ml); 
- Equipamentos pirotécnicos (foguetes, estrela vermelha com paraquedas, fachos manuais 
vermelhos e fumígeno laranja); e 
- Tabela de sinais de salvamento (para orientar a utilização dos equipamentos pirotécnicos). 
 
4.4 - ASPECTOS PSICOLÓGICOS 
 
 Apesar de todos os recursos disponíveis numa balsa, um grupo de náufragos, logo no 
início da sobrevivência, poderá ter que enfrentar problemas devido aos reajustes no 
comportamento de alguns náufragos com instabilidade mental e emocional que, se não forem 
combatidos a tempo, contagiarão o restante do grupo, podendo significar a diferença entre a 
vida e a morte. 
 Tem sido constatado que a presença de um oficial ou sargento capaz de liderar um 
grupo de sobreviventes é o fator determinante de um grande número de resgates bem-
sucedidos (liderança e moral do grupo). Grupos bem conduzidos, trabalhando em equipe e 
com um bom moral tem contribuído favoravelmente para as estatísticas de salvamento de 
náufragos. 
 Lembre-se que o sucesso da sobrevivência nessas condições não depende tanto de 
equipamentos sofisticados, mas sim de organização, união do grupo, autocontrole, 
persistência, adestramento e, principalmente, do fato de nunca desistir. Mantenha sempre 
acesa a sua esperança de vida, bem como a do seu grupo. 
 
Quem não tem a esperança da vitória, já começa derrotado! 
Quem vai para o mar, prepara-se em terra! 
Então, prepare-se! 
OSTENSIVO EMN-013 
OSTENSIVO A-1 REV.1 
ANEXO A 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
a) BRASIL. Presidência da República. Lei nº 8069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança 
e do Adolescente.a Z. Brasília: Ministério da Saúde. 
Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z>. Acesso em 24 
ago. 2022. 
b)_______.Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Infecções Sexualmente Transmissíveis. 
Brasília: Ministério da Saúde/CONITEC, 2015. 
c)_______. Protocolos de Intervenção para o SAMU 192: Serviço de Atendimento Móvel de 
Urgência. Brasília: Ministério da Saúde, 2ª edição, 2016. 
d)_______.Guia de vigilância em saúde. Brasília: Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância 
em saúde. Ministério da Saúde, 3ª edição, 2019. 
e)_______.Guia de vigilância epidemiológica. Brasília: Ministério da Saúde, Secretaria de 
Vigilância em saúde. Ministério da Saúde, versão 3, 15 de março de 2021. 
f) ______. Marinha do Brasil. Diretoria de Ensino da Marinha. DEnsM-401. Livro Texto de 
Higiene e Primeiros Socorros. Rio de Janeiro, 2001. 
g) ______. Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão. CAAML-1206. Manual de 
Primeiros Socorros. 1ª Rev. Rio de Janeiro, 2008. 
h) GOWDAK, D; MARTINS, E. O Corpo Humano. 7ª série. Editora FTD. São Paulo, 2003. 
i) SILVEIRA, D.X. Um Guia para a Família. Serie Dialogo. (1 a 7). Secretaria Nacional Antidroga. 
Brasília, 2002. 36 p. 
j) MULLER, L; VITIELLO, N. 500 Perguntas Sobre Sexo: Respostas para as Principais Dúvidas de 
Homens e Mulheres. Editora Objetiva. Rio de 
Janeiro, 2001. 
k) FLANAGAN, Geraldine Lux. O Começo da Vida. Editora Globo. São Paulo, 1996. 120 p. 
l) VARELLA, Drauzio; JARDIM, Carlos. Primeiros Socorros: um Guia Prático. Editora 
Claroenigma. São Paulo, 2011. 63p. 
m) HARRIS, Robie H. Vamos Falar Sobre Sexo: Amadurecimento, Mudanças no Corpo, Sexo e 
Saúde Sexual. Editora Martins Fontes. São Paulo, 1997. 89 p. 
n) NEVES, David Pereira. Parasitologia Humana. 9ª Ed. Editora Atheneu. São Paulo, 1997. 524 
p. 
o) NORO, Joao J; SIESSERE, Sonia. Manual de Primeiros Socorros. Editora Ática. São Paulo, 
1996. 256 p. 
p) TIBA, Icami. Juventude & Drogas: Anjos Caídos: para Pais e Educadores. Editora Integrare. 
São Paulo, 2007. 327p.