Prévia do material em texto
4.Da Crande lDepressao a
Grande Guerra(1873‐ 1914)
Antes quc o capitalismo dOnlinasse,a vida econOnlica
conhecera abalos, IIlais ou menos regulares, vinculadosお
cヽondicOes meteor016gicas c as colheitas, aos equilibrios de‐
mOgraficos,as guerras.Toda a fase de industrializacao capi_
talista e feita atraves de movilnentos cicⅡ cos de uma certa re―
gularidade:perlodos de prosperidade e de euforia freados pOr
uma recessa0 0u quebrados por uma crise.
A perda de rnercados ou de aprovisionamento devida a
uma guerra ou a readaptacao logO ap6s o con■ ito,o retral―
mento d0 1mercado das populacOes rurais devidO a uma ou
mais mas colheitas ou,cada vez mais,O excessivo desenvolvi_
mento das capacidades de producao,O acirramento da con―
cOrrencia,a baixa dOs lucros,ligada a dificuldade de realizar
o valor produzido c a baixa dos pre9os,eranl as causas dessas
“crises do seculo xlx"。 1
lC.Juglar,ι
“
cris“ cο″″
`rCた
ノas″ た
“
″″rο
“
′ριriod″
“
θ,1861,2『 ed。 ,1889;
A.Aftalion,L“ crJ“ s′ιr,oJ9“ ″ de s“′νrοグ
“
c″ο″,1913;M.Tougan‐ Bara‐
nowsky,Las Crお as′″グ
“
srrielles θ″ィ4″g′θ
`θ
rra,1912,trad.francesa,1913;Jo Les‐
cure,Des crises g″ Crales′ ′Jχ″′οグ′9″
“
洗 s″″″οグ
“
Crわ″,1923;W.C Mitchell,
3asi″
“
sc(ンCFes,1927;A.C.Pigou,ル d郎″たJ FFacr″ α″ο″s,1929.
HISTORIA DO CAPITALISM0 195
A“ Grande lDepressao"quc sc inicia conl a crise de 1873
e que se estendera ate 1895 abre o que se poderia chanlar de
segunda idade do capitalislno:a idade do imperialisinoo Espe¨
cialinente conl:
一 o desenvolvilnento de uma segunda gera“O de tecni¨
cas lndustrlals e de lndistrlas;
一 a afirma“o dO movilnento operario quc,nos paises
industrializados,arranca apreciaveis cOncessOes;
一 a concentra“o do Capital e o surgilnento do capital
financelro;
― uma nova onda de colonizacao e de cxpansaO em
escala inundial,desembocando na``partilha do lnundo"e nl
“Grande Guerra".
∠ `℃″″ル Deprassa‐ θ"rf∂π‐f895)
Ao prilneiro olhar,cada uma das crises que constituem
essa``(3rande lDepressao"se inscreve na categoria das``crises
do secu10 xIX".
1873:o craque da bolsa de Viena e seguidO de falencias
bancarias na Austria e depois na Alemanha;a indistria pesa―
da alema acabava de conhecer,conl o esfor9o de guerra,com
a construcaO de estradas de ferro e de navios, uma forte
expansao que se emperra conl a elevacao dos custos e conl a
baixa da rentabilidade;a producao de ferro fundido cai em
210/o enl 1874 e seu pre9o tem uma queda de 370/o;o descIIl―
prego acarretou a volta de alguns operariOs aO campo e,cm
outubro de 1875, o barao von Θppenheirn pode escrever:
``EIn cinquenta c scis anos,nunca houve uma crise tao pro‐
longada''。 2
Nos Estados l」nidos,a cxtensao das vias de estradas de
2 citado j″ Cho P.Kindleberger,ハイα″ias,Pani“ and Cras力θs, 1978,pp.216e251.
Ver tambem M.Flamant e Jo Singer― Kerel,Crお
“
″ R`Cess′ ο″sご cO″ 0″″
"“
,
pp.38 e segs。 ,cH.Heaton,″。c′′.,t.II,pp。 241 e segs。
196 MIcHEL BEAUD
ferro ja pront4s progredira em 500/o entre 1869 e 1873;com a
COttugacaO de especulacao, raridade de maO_de_Obra c
alta dos custos,a rentabilidade cai,c60 turbilhao dO panicO
da bolsa e das falencias de bancos e de sociedades de estrada
de ferro;a construcao da estrada de ferro era uIIl escoadouro
essencial para a producao de ferrO fundido,cujo preco cai em
270/O entre 1873 e 1875;desemprego,baixa dos salariOs,a cri―
se ganha a construcao c o setOr textilo Na lnglaterra,as expor―
tacOes tenl uma queda de 250/oem 1872-1875;o nimero de fa―
lencias aumenta(7490 em 1873,13130 em 1879);estende¨ se o
desemprego,os pre9os baixamo As supercapacidades de pro―
ducaO saO enOr】 mes;assiln,os proprictariOs de fundicOes po‐
diam produzir 2,5 1nilhOes de toneladas de trilhos em 1873;o
consumo de trilhos aba破 a para 500000 toneladas;o pre9o cai
600/o entre 1872 e 1881.
1882:craque da bolsa de Lyon,seguido da falencia d。
Banco de Lyon e do Loire,depois daquela do Union G6nera―
le e de inimeras outras falencias bancarias,Inas tamb6m in―
dustriais:Ininas e Frletalirgicas,benl como cOnstrucao civil,
textil e pOrcelanao C}randc aumento do desemprego,queda
dos salarios. ``Nunca vi uma catastrofe igual'', declara o
diretor do Credit Lyonnais.3 vindO ap6s o desenvolvilnento
vinculado a c01。 cacao em pratica dO “plano Freycinet",o
arrefeciinento das obras piblicas,c especialinente da constru―
caO de estradas de ferro,esta na Origem desse turbilhao de―
presslvo。
1884:``Panico das estradas de ferrO"nos Estados l」 ni―
dos:a construcao das vias ferreas havia realinente recomeca―
do(4300 km em 1878,18 600 em 1882),mas nao conseguc
manter o ritmo de crescimento(6300 km em 1884).As com―
panhias de estradas de ferro ficanl presas entre a alta dos pre‐
9os de construcao das vias e a concorrencia a quc elas se en―
tregamo Desaba o preco das acoes da Union Pacific,seguido
por outros de inimeros valores ferroviariOs,depois por falen…
3 citadoノ″J.Bouvier,Lθ Krac力 αθ′'3_′ο″gび″ιraた ,PUF,1906,p.145.
童IsTORIA DO CAPITALiSM0 197
cias bancarias e pelo arrefecilnento da atividade industrial,
com falencias,desemprego e baixa dos salarios(de 15 a 220/o
na inetalurgia,de 25 a 30%no textil).POr OCasiao dessa crise
o grupo(Carnegie se fortalece,cspecialinente comprando fa‐
bricas concorrentes a pre9os balxos.
A Alemanha,quc acabava de conhecer um longo perio‐
do de depressao,entrOu,desde 1879,no canlinho do prote‐
cionismo e da cartelizacao(setenta c seis carteis criadOs entre
1879e1885)。 A Gra― Bretanha sofre as repercuss6es dessas
crises:exportacOes mais diiceis nos paises atingidos,cornpe―
ticaO acentuada nos mercados,desaceleramento da atividade,
queda dos precos de atacado,aumento do desemprego quc
chega a mais de 100/o dos operarios sindicalizados;essa de‐
pressao s6 terFrlina enl 1886‐ 1887.
Descoberta de ouro na Africa do Sul,projeto frances de
um canal no Panama,abertura de novas vias ferreas nOs Esta‐
dos Unidos,perspectivas de novos desenvolvilnentos econ6‐
nlicos na Argentina, Austr:狙 ia, Nova Zelandia: abrern‐ se
novas perspectivas de lucro,iniciam‐ se novas especulac6es,
que desembocanl errl n9vos bloqucios.
1889:na Franca,a companhia encarregada da constru¨
caO dO canal do Panama c a sOcJご ″ a6燿 ′αzχ,cnVOIVida
numa cspeculacao cOnl cobre,vai a bancarrotao PanicO na
bolsa,crise de credito,depressao que cOnduz a uma re叫 ■o
protecionista(tarifas ttlinc).
1890: na Gra‐ Bretanha,o Banco Baring,quc havia se
tornado o agente financeiro da Repiblica Argentina,6 vitilna
de uma crise de confianca devida as dificuldades econOnucas
e financeiras c aos sobressaltos politicos desse pais,ele deve
suspender seus pagarnentos;aintervencao do BancO da lngla‐
terra e dc grandes bancos ingicses perlnite lilnitar o panicO
bancariO. Mas sobrevem uma nova depressaO, envolvendo
inicialinente o setor textil,notadamente o algodao,depOis a
construcao naval e a Fnetalurgia,depressao quc se agrava por
causa da reducao das trOcasligadas as crises que castigam em
1893 os Estados Unidos,a Argentina C a Australia.
198 MIcHEL BEAUD
A Alemanha,cada vez inais orientada para a conquista
dos mercados externos,tamb如 6 envolvida por essa crise.O
aumento da cartelizacaO (centO e trinta e sete carteis em
funcionamento)abre canunho a unl novo l■ OdO de regulacao
da ccononlla。
1893: os Estados Unidos haviam conhecido ate enta0
unl periodo de prosperidade conl a retomada da construcao
civil e da construcao de estradas de ferro e excelentes colhei―
tas;grandes trustes afirrrlavarn o seu poder(Rockefeller,
Carnegie,Morgan),c umata五 fa protetora(tarifa McKinley)
fora introduzida enl 1890 para a indistria.Entretanto,Inais
uma vez as sociedades dc estrada de ferro veenl seus lucros
cattenl,algumassuspendem seus pagamentos;as cotac6es dos
valores ferroviariOs na bolsa desabaIIl; 491 bancos abrem
falenciao A depressao se acentua em 1894, com desenvolvi‐
mento do desemprego c empenho para reduzir os salarios.
Enl cada uma dessas crises,o sinal rnais espetaculare de
ordenl bolsistica(desabamento dos pre9os,panicO)Ou banca―
ria(falencia de um grande estabelecimento ou falencias em
cadeia)。 Na base,volta a rrlesIIla 16gica:quc os custoS Se ele‐
Vem (pOr exemplo:alta dos salarios,aumento dos precos dos
trilhos para as estradas de ferro americanas),que Os lnerca¨
dos de venda se reduzam(diininuicaO dO poder de compra ru‐
ral e daqucle dos trabalhadores de outros setores,reducao
dos investirnentos piblicos, dificuldades nos mercados es―
trangeiros),quc OS pre9os de venda baixem (conCOrrencia nos
pre9os,guerra de tarifas nas estradas de ferro americanas);
entaO a rentabilidade declina ou cai brutalinente,a realizacao
do valor produzido por cada empresa se torna rnais diicil,a
concOrrencia fica acirrada,a situacao das empresas do setor
se torna cada vez lnais precaria.Assiln,tudo pode desenca―
dear a crise:unl rumor na bolsa,um mercado perdido,ulna
empresa ou um banco quc interrompe os pagamentos:6 ain‐
controlavel engrenagem.
Nas crises da prilneira lnetade do secu10 xIX,operava‐
se o controle atraves dc um duplo movirnento:
HISTORIA DO CAPΠ「ALISM0 199
-queda dos pr∝ OS e reduφ O das produ∞ eS,acarre―
tando uma forte reducao do valor realizado e,logo,a clirrll―
nacaO das empresas rnais vulneraveis,fOrma radical de``ex―
purgo''peri6dico do capital;
一 desemprego e reduφ o dOS SalariOs reais,acarretando
uma baixa do consumo operario, O que contribuia para
cxpandir a crisc(C assiln o``expurgO")e perrrlitia dar novo
irnpulso ao periodo cOrrl uma fOrca de trabalho disponiVel a
um“ custO"mais baixo.
Nas crises da``Grande lDepressao",observaFnOS igual―
mente uma baixa dos pre9os acompanhando a compressao c a
reducao das prOdu95es.Mas essa baixa cOnstitui uma``ten‐
dencia pesada''no decorrer desses vinte anos;asSiln,de 1873
a1896,a baixa dos pre9os de atacado fOi de 320/o na Gra‐ Bre…
tanha,de 400/o na Alemanha,de 430/o na Franca e de 450/o nos
Estados Unidos.Essc lnovilnento envolve FnaiS alguns produ―
tos:O pre90 do ferro fundido escoces cai en1 600/o entre 1872 e
1886.4
0bservamos tamberF1 0 Crescilnento dO desemprego:na
Gra―Bretanha,as taxas de Operarios sindicalizados atingidos
pelo desemprego se eleva brutalinente por OCasiao de cada
crise:sobe de 10/o enl 1872 para rnais de l10/o ern 1879,de 20/o
enl 1882 para rnais de 100/o enl 1886,c ainda de 20/o enl 1889-
1890 para 7,50/o enl 1893.5
QuantO aos salarios reais,nos Estados Unidos ha uma
tendencia a baixa nOs Setores atingidOs pelas crises,o que sus―
cita lutas muitO duras.Mas esse fenOmeno ja 6 menos nitidO
na Gra― Bretanha c na Franca.Na Gra― Bretanha,SObre base
100 cln 1850,a taxa de salariO real por trabalhadOr emprega―
do em tempo integral passa de 128 cII1 1873 para 176 cII1 1896;
certamente,cle encontra diininuicOes por ocasiao das crises:
de 137 enl 1876 para 132 enl 1878,de 137 em 1879 para 134
4M.Tougan―Baranowsky,Las Crおas′″グおrrig/Jas θ″ス″gた′θ″́θ,2,ed。 ,1912,trad.
francesa,Giard,Paris,1913,p.139.
5 Jo Lescure,D“ CrFsas gご″び″ras gr′ご
「
′″ ″
“
σ グθS″″「
οグ
"cr′
ο″,Sirey,1923,
p.474.
200 MICHEL BEAUD
TABELA 15
M°
Ⅷ:じI:輩 :w鴇品常露Rぶ&PDO
ホIndice base loo = 19ol_1910
fb“′θr SegundO Fo MaurO,His′ οire deノ 'ごcο″ο″7Jθ ″ο″diα′θ,p.佃 .
em 1880,de 136 enl 1881 para 135 em 1882,c ainda de 166 em
ilitffI:;fllem1892;por(缶
n,durante o perlodo,cle progre―
Na Franca,o salario real cresce cerca de 250/o entre 1873
e1896;rnas esse mOvilnento g10bal e``ritmad。 "pelas crises:
榊榊1群補粥静鯖∬認
de К酪:蹄品島:tFrlttt:里Til蹴麗織::肥曽
まIll:‖
£:網&輩
=‖
:111駆:Sl:誌還Ilifl鷲露肥籠
71
嚇器i鴛雀1鮮撫雌]斃甕
8 cepremap,初
racヵ
“
″ ′
.:Jarゎ
″′′1“attρたル ″
“
お,t.Ⅲ eIV.
perlodo
1860-1913
Gra‐ Bretanha Franca Alemanha Estados Unidos
maxlrno do
perlodo
mlnll■O dO
perlodO
maxilno antes
da Grande
Guerra
f∂73:152
′89σ: 83
1;;`
ノf6
′∂72
f∂刀
′89σ :
′9′2
′9′J
′∂73:136
;:;: 82
;;;` 115
f865:213
(f∂ 7J:136)
;:;; 75
f9fθ :113
(1912‐ 1913:112)
HISTORIA DO CAPITALISMO η l
Paralelamente,o patronato organiza o capitalismo:for―
macaO de empresas ou de grupos de grande porte(Estados
Unidos, Gra― Bretanha),cartelizacao(Alemanha),organiza‐
:m轟:冤wil鳥¶ι詣竃錯9基湯1::監Ъ∬
talista。
Certamente, seria um exagero opor radicalinente o
modo de regulacao quc Observarnos na Grande lDepressao de
1873-1896 aquele dos dois prilneiros ter9os do secu10:mas dc―
vemos notar quc ele acabou de passar por uma prilneira c
fundamental transformacao.
No total,como caracterizar essa Grande lDepressao do
finl do secu10 xlx?
Toda crise capltalista resulta do Jogo de quatro cOntra―
dicOes fundamentais:
一 entre capital e trabalho,isto 6,concretamente,cntre
empresas capitalistas e classes operarias;
――entre capitalistas(Sda nO mesmo setor,s● a de Seto‐
res a setores);
一 entre capitalismos nacionais;
一 entre capitalisI■ os doFFunantes e povOS,paises ou re―
giOes donlinadas.
Nesse periodo,a prilneira c a terceira contradicOes pare―
cem‐nos deterrninantes:
一 as classes opeMrias se organizaIIl,afirmam― se c aca―
banl por ter unl peso sensivei no funcionamento dos capitalis―
mos naclonals;
一 a ascentto dos capitalismos alemお e norte― america―
nO questiOnam a hegemonia ate entao indiscutivel do Capita―
lismo britanicO.
A segunda contradicao atua de uma rnaneira complexa:
潔
Siふ
器概だ
a:‖
I:1現::SI:V:lttit導温磐鷺
篤『s露讐lF鷺ポli:I現:織a:お
S∬
耀I慇蹴
indistrias da prirneira geracao.
202 MIcHEL BEAUD
QuantO a quarta contradicao,ela naO atua muito neste
caso coIIlo fatOr de crise;ela atua rnais como fator de solucao
a crise cOm a expansao do capitalismo em escala mundial,
conl as exportacOes de capitais e conl a colonizacao.
0ノ″ごα力cgθ″ο″lilF britanJcα
Qual gθ″′Jθ″α″poderia duvidar da superioridade brita―
nica?A anglomania ganha as classes abastadas da Europa.A
moda britanica marca a clegancia inasculinao C)s esportes da
c}ra_Bretanha saO cada vez lnais copiados ou adotados:b“ c―
bα4 bαsたc′わα4/oθ′bα′4″閉 イθ
“
″J,′
“
glフ ;iniCia‐ se a cra
dos′ηαrc力se dOノンlir′ lay:6 inegavel a in■ uencia brit`漱 lica,
meslno sendo urn frances,I)ierre de Coubertin,o lancador da
id6ia do renascimento dos jogos 01lmpicos em Atenas,em
1896.As tropas e as adnlinistracOcs britanicas estao presentes
enl todos oslugares do rnundo;os turistas britanicos invadem
OS llgares lnais agradaveis da costa lnediterranea c exp10ram
os inais longinquos rincOes;]Rudyard Kipling ``constata''a
grandeza c a responsabilidade dos homens brancos,dos quais
o ingles 6 o representante lnais procIIlinente;ap6s ter partici―
TABELA 16
BALANcO DOS PAGAMENTOS CORRENTES DA GRA‐ BRETANHA●
●Em milhOcs de libras(m`dia anual de cada perlodo)。
Fo4″ rA.H.Imlah,citadoル Ph.Deanc e W.A.Cole,Bri′ お力acO″ 0″ic Crο ″rヵ ,t.H,p.36.
balanca
comerclal
emlgrantes,
turistas,
governos
transportes
marftimos
lucros,
Juros,
divldendos
seguros,
corretagens,
saldo
llquido
total
′∂76‐ ′88θ
′∂06‐ ′9ω
′9′ ′‐′9′3
-124
-159
-140
-9
-H
-22
+54
+62
+100
+88
+132
+241
+16
+16
+27
+25
+ 40
+206
HISTORIA DO CAPITALISM0 203
pado na gucrra dos bOeres,Baden Powell funda o escOtisIF10 e
publica enl 1908 ScO“ ′lirg/ar 3oys;faz entao mais de quinze
anos quc(Conan】 Doyle criou a personagcrrl de Sherlock HOl‐
mes,clegante sintese do praginatismo e do rigor,da intu10ao
e da deducao。
C)poder,a prosperidade,a riqueza da Gra¨ Bretanha Sao
inegaveis.A praca de Londres e a prilneira do lnundo.A libra
esterlina C a inoeda internaciOnal.A donlinacao britanica se
TABELA 17
PRODUCAo DE CARVAO,DE FERRO
GRA‐BRETANHA,NA ALEMANHA E
FUNDIDO E DE AcO NA
NOS ESTADOS UNIDOS・
1.carvao
Gra~‐Brθ′α″力α И′¢″α
“
力α Es′αご
“
じ
"idos
′∂7′
′88θ
f89θ
′9θθ
′9f3
117
147
182
225
292
29
47
70
109
190
42
65
143
245
571
2.ferro fundido e a9o
l G″ -3溜α″力α l/た
“
α″力αα l E"α あ s助山
′88θ
f∂9θ
19θθ
19′θ
ferro aco
7,9 3,7
8,0 5,3
9,1 6,0
10,2 7,6
ferro aco
2,7 1,5
4,7 3,2
8,5 7,4
14.8 13.1
ferro aco
4,8b l,9b
lo,1 4,7
20,4C 17,2C
30,8d 31,8d
*EIn rnilh6esde toneladas.
a:Luxemburgo inclusive;b:M6dia 1881-1885;c:Mё dia 1901‐ 1905;d:Mё dia
1911‐ 1915.
Fθ″′
“
rJ.H.Clapham,動 θ
“
0″0“たDθツθrOp″θ″′o/Fra″
“
α
“
ごCermα″ッ
″∂′5-′ 9′り,Cambridge,University press,1951,pp.281e285,eS.B.C10ugh,
ris′ο′κ ♂ο″ο″″
“
θびasご′αrs_υ″tr∂
“
_J952,pp.28e33.
204 MICHEL BEAUD
TABELA 18
TAXA DE CRESCIMENTO PoR DECADA DO PRODUTO
E DO PRODUTO PER CAPITA
a: 1861‐ 1870a1890‐ 19oo;b: 1896-1929;c: 1880‐ 1889a1905‐ 1913;d: 1895‐
1904a1925‐ 1929;e: 19oo_1909a1925‐ 1929。
F●″′θ∫Wo W.Rostow,qρ o cFr.,t.v_1,V_6,V‐ 8eV‐ 12.
estende aos cinco cOntinentes e o capitalismo britanicO tira
dela consideraveis rendilnentos.
E, no entanto, inicia‐ se um declinio relativo, dO qual
as crises de 1873‐ 1896 constituem Os prilneiros abalos;essas
crises nao tenl,de fatO,o lmesmo alcance para os diferentes
capitalisI■ os nacionais:nos Estados Unidos e na AIcmanha,
1.Produto tOtal
l cra‐
‐脱 ″″ヵα l物
“
IИ勧
“
ヵα lぷめ 伽 燃
1885-1894
a
1905‐ 1914
23,8 15,7a 32,9C 44,7
1905‐ 1914
a
1925-1929
14,0 18,4b 17,7d 36,7e
1925‐ 1929
a
1950-1954
16,3 11,5 26,5 33,2
2.ProdutO′じ″caprra
Cra‐‐Brarα
“
力α Fra″ Fα И lemα″力α 島tad∝ unriJos ″ め
1885-1894
a
1905‐ 1914
11,4 13,5a 20,1 25,5
1905‐ 1914
a
1925‐ 1929
16,lb 7,3d 16,5e 32,8
1925‐ 1929
a
1952-1954
11,3 10,0 12,5 19,2
HISTORIA DO CAPITALISMO m5
elas acompanhanl o vigoroso crescilnento das estradas de fer―
ro,do carvaO, do a9o,da construcao naval;na G}ra‐ Breta_
nha,elas lnarcanl o sufocamento de unl capitalismo enl plena
maturidade c cIIl plenO poder。
Prova isso a cvolucao das indistrias de base da prilneira
industrializacaO:O carvao,O ferro fundido e o aco.
Em 1871, c ainda enl 1880, aG}ra… Bretanha produzia
mais carvao quc Os Estados Unidos c a Alemanhajuntos;em
1913,sua producao Fnal e Superior a lnetade daquela dos Es―
tados Unidoso I〕 quanto aO a9o,sua producao tenl a qualida‐
de superada com muita rapidez pelos Estados I」 nidos c ultra‐
passada pela Alemanha ja em 19oo.
TABELA 19
PARTE DOS PRINCIPAIS PAFsES INDUSTRIALIZADOS NA
PRODUcAO INDUSTRIAL MUNDIAL*
*E‖ ρOrc`″ ′agθ″.
Fo″ F`rW.W.Rostow,9ρ .εル.,t.H‐ 2,p.52.
Norα「Durante este perfodo,a parte da B61gica cal de 30/o para 10/o;a da ltalia
sObe de 2 para 30/o,para cair de novo para 20/o;a da Escandindvia sobe de
l鰯o para 20/o como a do Canad五 .
Mais amplamente,os novos capitalismos alemao e nOrte…
americano se beneficiam a partir dc entao de uma dinanlica
de crescilnento que prevalece nitidamente sobre aquela dos
“velhos''capitalismos frances e ingles.
1870......
1881‐ 1885 .
1896-1900.
1906-1910 .
1913......
1926-1929 .
1936‐ 1938 .
1963......
Gra― Bretanha
″
27
”
万
″
9
9
5
Franca
Alemanha
(RFA)
′3
′イ
′7
′6
′6
′2
′′
r6J
Rissla
(URSS)
イ
3
5
5
6
の
リ
リ
Estados
Unidos
”
”
”
”
”
″
″
”
Japa0
一
一
′
′
′
タ
ィ
ィ
esto d。
mund。
ぉ
ぉ
2。
″
″
”
2。
”
206 MIcHEL BEAUD
Da``Grande Depressao"ate a vespera da Grandc(3uer・
ra,o cresciinento e duas vezes lnais rapidO na Alemanha do
que na Franca,c quase duas vezes inais rapido nos Estados
Unidos do que na Gra― Bretanha.E,em media,a superiorida_
de do cresciinento arnericano sera rnantida ate logo ap6s a Sc‐
gunda Guerra Mundial.
Portanto,e realinente o declinio do capitalismo britani‐
CO(aCOmpanhado pelo capitalislno frances)que se inicia no
iltilno ter9o do seculo xx,enquanto avanca a aScensaO em
poderio dOs capitalisinos alemao e nOrte‐ americano.
A parte da C}ra¨ Bretanha na producao industrial inun‐
dial cai de 327o em 1870 para 147o na v6spera da Primeira
Grande Guerra e para 90/O na v6spera da crise de 1930;ao pas‐
so que a parte dos Estados Unidos passa de 230/o para 3870
c420/o。
TABELA 20
DISTRIBUIcAo DO COMЁ RCIO MuNDIAL POR PAFsホ
*Em porcentagem.
Fo″′θr W.W.Rostow,9ρ .c′′・,t.H_8,pp.71‐73.
A G}ra― Bretanha representava unl quarto das trocas
mundiais enl 1880,unl sexto enl 1913,e somente um oitavo
em 1948。
.vqlビ:よ器 &葛 l鶉 ∬ 麓 :::蹴tmttT魔 :
cer;aumentam os investilnentOs no exterior,a Gra― Bretanha
Gra‐Bretanha Franca
Alemanha
(RFA)
Resto da
Europa
Estados
Unldos
Resto do
mundo
1880
1913
1928
1938
1948
1958
23
‐6
‐4
‐4
‐2
9
11
7
6
4
5
5
‐0
‐2
9
9
0
0
27
29
22
20
22
26
10
11
14
10
16
14
‐9
25
35
43
43
38
HISTORIA DO CAPITALISM0 207
esta presente,ativa,in■ uente no lnundo inteiro.Mas,diante
dos bOο″s dol■ undo capitalista.Mas,diante dos b00″s dos
capitalismos alemao,nOrte_americano e dё pois japones,cla
ja naO tenl a cnergia que lhe pernlitia se rnanter na dianteira.
A“ retracao dO espirito de empreendilnento e de inova‐
caO",O desenvolvirnento de uma``Inentalidade de rentista",
decerto vinculados as vantagens apresentadas pela volta regu‐
lar de grandes rendiinentos do exterior,Inanifestarrl‐ sc entaO。
A agricultura inglesa,ap6s uma prolongada depressao,sObre_
viveu as custas de uma conversao de seus lnetodos lnais expe‐
rillnentados,inas se tornou incapaz de satisfazer rnais de 400/o
das necessidades alimentares do pais e,senl conhecer unl ver‐
dadeiro declinio de suaJrendas,teve de se resignar a unl papel
de segundo plano e nutrir a csperanca de socorros governa‐
mentals: ela s6 os obteve progressivalnente no decorrer da
guerra,para ve‐ 10s suprirrudos ja em 1921.As grandes indis‐
trias de base viveranl cada vez mais das aquisic6es tecnicas,
fechando―sc as inais prometedoras inovacOes:as siderirgicas
foram fieis demais aos processos Bessemer e Siemens,os co―
toniicios rejeitaranl a adocao,depois de 1900,da tecelagem
circular e,Inais tarde,das lnaquinas automaticas.As indis‐
trias quirnicas,as novas empresas de eletricidade,de borra‐
cha,de bicicleta,de autom6veis se desenvolveram muito len―
tamente。 9
No total, no periodo que precede a Priineira Gucrra
Mundial,os capitalismos antigos― ―ingles e frances.……sa0
alcattados, depois superados pelos novos capitalisinos 一
alemaO e nOrte―americano. Isso se sucede em parte atraves
das crises que inarcanl o finl do secu10 xIX.
Outro movilnento de fundo quc inarca cste periodo e a
afirmacao das classes operarias.
9 Ro Marx,Lθ 」陽c″″″ ′ゼcο″ο″たbrlito■■″
“
θ″∂701929),p.8;vertambem A.
Siegfried,Lα Crお
`bri′
α″
“
″
“
θα
“
ス
'“
sJとた。
208 MIcHEL BEAUD
И げ rttα
`′
οごαS cJassgs 6pθrari銀
Esse moviinento e segurarnente o mais fundamental:
nlarca a passagenl de uma fasc enl que o capitalismo se desen―
volvev utiliZando uma rnao― de_Obra desenraizada,dependen¨
te,suttugada,esmagada,para uma fase em quc a burguesia
capitalista teln de contar com uma classe operaria quc toma
consciencia,。 rganiza―se,e finalinente impOc uma nova rela¨
caO de fOrcas.
Ele se desenvolve no ambito de uma transformacao lnais
ampla da sociedade,tarnb6nl provocada pela industrializacao
capitalista:
一 〇 prosseguilnento dO processo do assα′αriα閉
“
′ο:
800/O da populacao ativa C assalariada na Glra…Bretanha no
fim do seculo xlx,630/o nos Estados Unidos enl 1880,660/o
na Alemanha crll1 19o2,580/o na Franca elr1 1911;desde entao,
6 por dezenas de nlilh6es que se contam os assalariados do
mundo capitalista,onde eles doravante superanl em nimero
os pequenos produtores independentes da agricultura,do co―
merciO e dO artesanato.
― A intensificacao da“ ″bα″ittfaο :no inicio do secul。
XX,Londres tem mais de 4 milhOcs dc habitantes;Glasgow,
Manchester,BirIIlinghanl e Liverpool atingerl um nlilhao de
habitantes e umas quarenta cidades britanicas tenl mais de
100 nlil habitantes.A parte da populacaO americana quc vive
enl cidades de FnaiS de 8 mil habitantes passa de 230/o cII1 1880
para 320/c em 1900 e 440/O em 1920。 A da populacaO alema vi―
vendo em aglomeracoes urbanas de mais de 2 nlil habitantes
passa de 410/O cII1 1880 para 600/o enl 1910.Essa porcentagem
e,cntaO,de 780/O na Gra― Bretanha,460/o nos Estados Unidos
e440/o na Franca.Assiln sao criadas as novas cOndicoes da
acaO cOletiva。
Nesse contexto,o燃θ″ッθノッ:“θ″′ο das crassas 9ρθrdrics
e cOmpreendido por algumas cifras:一 Na G面―Bretanha,o nimero de trabalhadores da in―
distria DaSSa de 5,7 nlilhOes enl 1881 para 8,6 nlilhOes em
HISTORIA DO CAPITALISM0 209
1911(Ou seja,6,2 nas indistrias lnanufatureiras,1,2 nas nu―
nas e l,2 na construcao civil),aO que se deve acrescentar l,5
milhaO de assalariados nos transportes.
一 Nos Estados Unidos,a popula“ o empregada no se¨
tor secundariO passa de 230/o da populacao ativa cII1 1870
para 310/o enl 1910;o nimero dos assalariados na indistria
(MbriCas somente)passa de 2 milhOes em 1870 para 4,5 em
1899,6,2 enl 1909 c 8,4 enl 1919。
一 Na Alemanha,a parcela das pessoas quc trabalham
na indistria passa de 410/o em 1895 para 430/o enl 1907;o ni¨
mero de operarios passa de 5,9 para 8,6 HlilhOes,ao qual se
deve acrescentar,nessas duas datas,300■lil trabalhadores a
donlicilio.
一 Na Fratta,os efetivos da classe ope艶 ria passaranl de
3 rnilhOes no firrl do secu10 xIX para 5 na vespera da Grande
Guerrao A transformacao do emprego manufatureiro C Frlar―
cante entre 1850 e 1910:o emprego no artesanato cai de 2,5
para O,9 rnilhao,O cmprego nas empresas industriais cresce
de l,2 para 4,5 1nilhOes.
Assiln,nos quatro grandes paises capitalistas,as classes
operarias representanl cerca de 30 FFlilhOcs dc homens e de
mulheres;e no conjunto dos paises envolvidos pela industria―
lizacao capitalista,cm torno de 40■ lilhOeso Ao mesmo terFl―
po,esses trabalhadorOs se conscientizam de sua solidarieda―
de,e pouco a pouco de sua forca.
Ha serrlpre as inumeraveis fOrmas de rasis′ θ″cノα′9ρ=ヽ
‐
sαο θ′ικρ′Orαfαθ.Passamos a palavra a Fo Wo Taylor,quc
foi operariO antes de ser contralnestre,c,mais tarde,de se
tornar o profeta da``organizacao cientifica do trabalho":
Nessa oficina de maquinas‐ ferramentas, a quase totalidade
do trabalho era paga por pecas.A oficina funcionava noite e
dia,cinco noites e scis dias por semana.Havia duas equipes
de operarios,uma de noite,outra de dia.
N6s, os operariOs, haviamos cuidadosamente entradO em
acordo sobre a producao diaria que deveria ser feita cIIl rela‐
caO a todos os trabalhos da oficinao N6s linlitamos nossa pro‐
210 MIcHEL BEAUD
ducaO a cerca de um ter9o do que poderiamos fazer facilmen―
teo N6s nos achavamOsjustificados de agir assim em razao do
sistema de pagamento por pecas.
Quand9 1ne tOrnci chefe de equipe,os operarios que ficaram
sob nlinhas ordens,quc,naturalinente,sabiam que cu estava
a par de todo o jogo delinlit"aO deliberada da producaO e de
vadiagenl sistematica,vieram me procurar imediatamente pa‐
ra rne dizer:``Agora,Fred,voce naO vai ficar um desses caes
de guarda danados,nao 6?".Eu lhes respondi:
“Se estao querendo dizer que temem quc eu tente fazer esses
turnos produzirem mais do que no passado,Inuito benl,voces
tenl razaO.Eu rne proponho a faze-los prOduzir inais.Lenl‐
brCrFl― Se de quc,quando cu trabalhava corrl voces,soube rne
conduzir como unl companheiro lealo Nunca ultrapassci um
inico ritmo de trabalho quc havianlos combinadoo Mas,ago‐
ra, estou do outro lado da barricadao Aceitei unl cargo na
equipe de direcao da cOmpanhia e devo lhes dizer francamente
que vou tentar obter unla producao mais elevada".I〕 les lne
responderanl:``Voce vai flcar unl desses malditos canalhas"。 10
Taylor faz disso,alias,unl elemento― chave de seu diag―
n6stico:
Vadiar,isto 6,trabalhar lentarnente de uma forma deliberada
a fim dee宙tar o cumprimento de umajornada normal detra‐
balho,``agir como um soldado",corno se diz enl nosso pais,
“levar vida rnansa",como se diz na lnglaterra ou na Esc6cia,
C uma forma universal de agir nos estabelecilnentos indus‐
triais e e tambem unl cOmportamentO muito freqiiente entre
os operarios da cOnstrucao.C)autOr arlrma,sem temer uma
contestacaO,quc essa vadiagern constitui o mal rnais agudo
quc atinge os operarios da lnglaterra e da America.H
10 Fo W. Taylor, ``TemOignage devant la conllnission d'enquete de la Chambre
des Representants'',1912,加 Lα DJ″c″ο
“
scた″′メ,9“θ das θ″″α,「JttS,Edo Mara‐
bout,1967,pp。 lo5 e 106.
1l Prttcrip′ θS a/SCた″′′cルね″αgθ″θ″′,1911,trad.francesa tt Lα DJ″ c″0″ scた″′ル
タq″θ des θ″treprおas,qη .ε″.,p.22.
HISTORIA DO CAPITALISMO
Ha tambem, cada vez llllalS pOderosas, cada vez mals
longas,particularlmente nesses periodos de crise,as g″ ves:
Movilnento de greve alnericano que cullnina enl 1877
com a``comuna dc Pittsburgh"e a greve dos ferrovi`riOse Na
Franca,greve de Anzin,enl 1884,e de Decazeville,enl 1866;
nos Estados Unidos,Inais de tres lnil greves e mais de um
milhaO de grevistas entre 1881 e 1886,especialinente com a
greve do trilho(1884-1886)c a greVe de 1886 pela jornada de
oito horas:80 nlil grevistas em Chicago c,devido a uma pro―
vocacao,chefes do movilnento presos,condenados e enfor‐
cadoso Greve dos estivadores,que paralisa o porto de Lon‐
dres,em 1885。
Greves de mineiros arnericanos em 1893 e,em 1894,a
greve Pullman,interrompida pela aplicacao do sheFmα
“
α″rli‐
′r“srノ4εr e pela prisao dos dirigenteso Na Franca,greve dos
tecelёes de Roanne e dos vidreiros de C)armaux,cm 1895.Na
Alemanha, no mesmo ano, colocacao em pratica de uma
nova cstrategia que cOncentra o moviinento numa inica cIIl‐
presa.
CIreves,de novo,dos nlineiros americanos,cnl 1899 e
1902;dos trabalhadores de C)reusot enl 1899;dos estivadores
do porto dc Marselha enl 1900;dos lnineiros dc Montceau―
les―Mines enl 1901;e doslnineiros de toda a Franca cm 1902.
Na Alemanha,greves no setor textil e nas lninas em 1905;na
Franca,greve dos lninciros do Norte enl 1905,dos ferrovia¨
rios enl 1910。 Nos Estados l」nidos,greves dos lenhadores da
Luisiana em 1910, e dos trabalhadores do textil eFr1 1912-
1913.
Ha tambem O desenvolvirnento das θrgα
“
izαfσas Oρcm―
rlias:sindicatos,bolsas de trabalho,associa90cs,partidos。
Na Gra― Bretanha,onde o moviinento operario,apesar
de sёu retrailnento nos anos 1870,ja cOnta com uma longa
cxperiencia,O nimero de sindicalizados aumenta poderosa―
mente:1,1 lnilhaO em 1876,2,2 1nilhOes em 1900,4,l nulhё es
enl 1913;correntes socialistas se reaniinanl nos anos 1880;os
prilneiros representantes operariOs saO eleitos cII1 1892,Inas e
212 MIcHEL BEAUD
s6quando os sindicatos decidirao participar de um Conlite
para a lRepresentacao do Trabalho(Labour Representation
Conlitec,1900)quC O Lα bθ
“
″ParのソpOdera se Organizar,nao
conseguindo entaO sc impor no sistema bipolar brit:独 lico;em
1914,sobre 1 600000 aderentes,1 570000 sao sindicalistas.
Na Franca,6 na efervescencia das escolas de pensamen―
to,das scitas e das tradi90es,nunl contexto de debate perma―
nente e de cisOes,quc o movilnento operariO se organiza no
im do s6culo XIX(419 mil sindicalizados em 1895,750 mil
en1 1905);e quandO as varias fOrcas socialistas se reinerrl na
Secao Francesa da lnternaciona1 0peraria(sF10, 1905),a
CGT afirrrla no Congresso de Amiens(1906)a total autono‐
■lia de um moviinento sindical que constitui enl si ineslno,
conl a arma da greve geral,a forca que derrubara O capitalis‐
mo;o nimero de sindicalizados ultrapassa o lnilhao em 1912;
os aderentes da SFIO passaln de 30 1nil enl 1905 para 90 mil
enl 1914 e,nas eleicOes,o nimero de sufragiOs sOcialiStas pas‐
sa de 880 nlil enl 1906 para l,4 nlilhao enl 1914。
Na Alemanha, depois das leis de excecao vOtadas em
1878 contra os socialistas e um duro periodo de acao sen■ _
clandestina,a social― democracia logra,con1 550 1nil sufr:魏 gios
e24 eleitos, um prilneiro sucesso em 1884: ela conseguira
arnpliar notavellnente sua influencia coIIl mais de 3 milhOes
de sufragios c 81 eleitos enl 1903,Inais de 4 nlilhOes de votos
e l10 deputados em 1912.C)s sindicatos se desenvolverrl para―
lelarnente:300 rrlil sindica五 zados enl 1890,680 nlil na virada
dO secul。 , 2,5 nlilhOes enl 1913; o acordo de ``paridade",
adotado no(Congresso dc Manheiln,enl 1906,obriga o parti―
do e a organizacao sindical a tomarenl enl comunl as decisOes
essenciais.
Nos]Estados Unidos,enfinl,C ao ritino das crises,das
greves e da repressao quc 6 fOttadoo lnOvilnento sindicalo C)s
cavaleiros do trabalho passam de l10 rFlil enl 1885 para 729
■lil eFn 1886,para cair de novo crr1 1890 para 100 rnil aderen―
tes;algumas organizacOes seinchanl por ocasiao de um mOvi_
mento dc e対 t。 :a American Railway Union(150 mil aderen―
HISTORIA DO CAPITALISMO
tes em 1893),a Federacao dos Minciros Americanos(100 mil
aderentes em 1897);a American Federation of Labor se de‐
senvolve mais progressivamente c mais prudentemente: 100
■lil aderentes enl 1886,250 mn enl 1892,2 111ilhOes enl 1912。
No total,ha nO rnundo,em 1913,cerca de 15 1nilhOes de
trabalhadores sindicalizados.
Efeito de massa e peso eleitoral;manifestac6es de rua,
greves,sangue derramado,organizacOes sindicais,bolsas do
trabalho,cooperativas,associacOes,partidos e movilnentos,
O COttuntO faz,nol■ovilnento especifico de cada pais,que se
modifiquc a relacao de fOr(脚 LSe A classe operaria terrl peso a
partir de entao,mesmO quc ela ainda esttta excluida cm ini‐
meros aspectos,na vida local e nacionalo E 6 essa nova rela‐
caO de fOrcas,c apenas ela,quc explica as conquistas,as no‐
vas vantagens do lnundo do trabalho nesse finl do secu10 xlx
e no inicio do secu10 xx。
Dessa nova relacao de fOrcas resulta a tendencia a clcν α_
″οごO SαJ′rlio rθα′nos quatro principais paises capitalistase
Entre os anos 1870 e o perlodo que precede a guerra de 1914,
os salarios reais se elevaram,cm media,de um quinto na Ale‐
manha e de dois quintos na Franca。 12 Paralelamente,a ten‐
dencia aグ′″liF“ lira‐oカ グ
“
″rαθ Jο rrabαttθ 6 iniciada clara―
mentee Certos autores salientanl aqui que durante esse perio‐
do o aumento da produtividade foi suficientemente elevado
para``tornar possiveis'',do ponto de vista do capital,essas
concessOes; certamente,poreIIl, semoa relacao de fOrcas, 6
infinitamente pouco provavel quc essas concessOes tivessem
sido feitas.
Essa nova relacao de fOrcas expHca a importancia das
JθおsOcJαおquc entao sao vOtadas.Inicialinente na Gra― Breta_
nha,o E4ρ Joyθ rs α
“
グИわrたmθ″Иcr de 1875,que substitui o
n′asrgr α″グSυ″ッα″′Иcr de 1867;leis de 1875 e 1876 quc auto‐
12 segundo G. Kuczynski,D′ υ Gθ scカ メc力″ dθr」Lαge derィ 4″bθ′rar, citadoル Jo A.
Lesourd e C.Gerard,ms′。′″ごcO″ 0″″
“
θ,″ ,ス
'rsだ
cres,t.1,p.103.Ava‐
liacOes nacionais mais recentes conflrnlarn essas estilnativas que, de qualquer
modo,sO podem indicar as tendencias.
214 、41cHEL BEAUD
rizam os piquetes de greve exercidos sem violencia e conce―
deFFl unl estatuto legal as rraグ θ3nJο″so Na Alemanha,leis
das quais Bismarck toma a iniciativa COnl a preocupacao deir
de fogo de encontro:leis sobre o seguro de doenca(1883);so―
bre o seguro de acidentes(1884)e sobre O seguro de velhice;
aposentadoria aos sessenta anos(1889)。 Na Franca,lei conce―
dendo a liberdade de associacao(1884),leiS SObre a duracao
do trabalho(1874,1892e1900),sobre a higiene e seguranca
(1893),sobre Os acidentes do trabalho(1898),sobre as apo―
sentadorias(1905),sobre O descanso semanal(1906)。 Ainda
na Gra― Bretanha,lei de 1906 facilitando a acaO sindical;lei
de 1908 sobrc as aposentadorias operarias;lei de 1908 regula―
mentando o trabalho a donlicilio;lei de 191l instituindo inde―
nizacOes de desemprego c anlpliando o sё guro de doenca。
Nos Estados Unidos,estados relativamente numerosos ado―
tam leis sociais,principalinente,jornada de trabalho de oito
horas para os nlineiros, regularnentacaO dO trabalho das
criancas,lei sobre os acidentes do trabalho,principalinente.
Essa nova relacao de fOrcas faz com quc a lgreJa“ incli―
ne―se"sobre a questao sOcial:Lcao XIII publica em 1891 sua
enciclica Rθr"″1肋να″
"″
。Ele se dirige``aos ricos e aos pa―
trOes":13``Eles naO deverrl tratar o operario como escravo;6
justo que respeitem nele a dignidade de homem,ainda mais
elevada por aquela de cristao.o trabalho do corpo(¨ 。),10n_
ge de ser um mot市 o de vergonha,honra o homem(¨ 。).0
que e vergOnhoso e desumano e usar O homenl como um vil
instrumento de lucro,de s6 avalia-lo em prOporcao aO vigor
de scus bracos''.Ele se dirige taFnbem“ aO pObre,ao opera―
riO":14``Ele deve fornecer integral e fiellnente todo o traba―
lho ao qual esta empenhado por contrato livre e enl confor―
■lidade conl a cquidade.Ele nao deve lesar seu patrao,nem
enl seus bens,ncrrl em sua pessoao Mesmo suas reivindicacOes
13E″
り crlig“
“
θ′Messag“ sac″″χ,apresentadas por H.Guitton,Da1loz,1948,
p.64.
14 fbide″ ,p.64.
HISTORIA DO CAPITALISM0 215
devenl estar isentas de violencias e nunca revestir a forrrla de
sedicOes.I]le deve fugir dos homens perversos quc,enl seus
discursos mentirosos, Sugererrl-lhe esperancas exageradas".
Pois``na sociedade as duas classes estao destinadas pela natu―
reza a se unirem harmoniosamente e a se manterem mutua‐
mente em perfeito equilibrio.Elas telll uma necessidade irrl―
periosa uma da outra;naO podc haver capital sem trabalho,c
trabalho seFFI Capital''。 15 Para um leitor avisado,o conselho
transparece,cntretanto,sob a prudencia: ``N6s estirnamos,
entretanto,mais apropriado as condicoes presentes da vida
social,temperar unl pouco,na rnedida do possive19 o contra‐
to de trabalho mediante elementos tomados ao contrato de
sociedade".
Enfirn,cssa nova relacaO de fOrcas explica a conviccao
quc inumeraveis socialistas,anarquistas e comunistas terrl da
pr6対ma derrubada do sistema capitalista。 16 Lafarguc(188幼
:
“A revolucao esta proxiina(… 。)bastara o chOque de duas
nuvens para deternlinar a explosao humana". Kropotkin
(1883):“ SenhOres,acreditel■ -lne,a revolucao social esta pr6-
XiFna.Antes de dez anos,ela eclodira.Eu vivo no rneio de tra―
balhadores e cu o afin■ o".Ё nlile Pouget,enl o Fゼ 扁θFセ′″α〃
(1889): “Sabem O quc aconteceria se, daqui a quinze dias,
naO hOuvesse rnais carvao?As fabricas parariarrl,as grandes
cidades nao terianl lnais gas,as estradas de ferro cairiam no
SOnO(¨ .)。 lDe repente,quase todo o povao descansaria.Isso
lhe daria tempo de refletir;ele compreenderia quc e pOrca¨
mente roubado pelos patrOes e,assil■ ,benl que podia aconte―
cer quc ele lhes caisse no pesco9o imediatamente!''。 Guesde
(1897):“ O cOme90 do pr6対mo secu10 sera o cOme90 de uma
nova era"。 Mais prudente,e no an。 2000 quc o escritor ame―
ricano]Edward Bellamy situa a sociedade socialista realizada
quc ele descreve em ttθ θたlirg Bacた wαrグ (1888)。
lS Ibide″|,p.63.
16 ver ttЪ
rο ′″ g`narαたご
“
sOctalお″θ,t.H,cE.Dolleans,″ ic″。,t.H.
216 MICHEL BEAUD
伽 α″0ッα idαル Jο ccrガ′α′ぶ″0
Acirra…sc a concorrencia cntre os capitalistas,especial‐
mente nos setores da priineira industrializacao;endurecc― se a
rivalidade dos grandes capitalismos nacionais;as classes ope…
rarias se Organizanl e obrigarrl o capital a apreciaveis cOnces‐
sOes;ampliam‐ se as crises;algumas pessoas veern pr6xiFna a
morte do capitalisIIlo.
Mas o capitalismo ja se adapta,se transforma,abre
novas perspectivas,Inodifica o terreno do afrontamento◆
Frg″′θ as crasses(apθ ttαrligs organizadas,inicialinente.
As leis sociais?Ha sempre patrOes para condena― las,tal
como Henri Schneider,cntrevistado pelo Figα ra cm 1897:``A
intervencaO dO Estado nos problemas operarios,Inuito mal,
muito mal(.¨ ).De modo algum admito um prefeito nas gre‐
VeS(。 。。).IL COmO a regulamentacao dO trabalho das lnulheres,
das criancas(¨ 。). Eles pOem entraves initeis, estreitos de‐
mais.QuantO a jOrnada de oito horas,ainda C uma ideia f破 a
(。
。。).Daqui a cinco ou scis anos ningu6m pensara inais nela;
teraO inventado outra coisa(".).Para nlirn,a verdade 6 quc
urrl operariO cOnl boa saide pode inuito benl fazer suas dez
horas,e devemos deixl‐ lo livre para trabalhar inais,se isso
lhe da prazer。 '̈'。
17 Ha patroes quc as contornam.Mas,cada
vez inais,cles se resignarn ou aご aceitaIIl,alguns por calcu10,
outros por filantropia。
As greves?Elas saO cOmbatidas coIIl dureza.Recurso 2Б
forcas de policia,a trOpa,na Franca;aos detetives c as nlili‐
CiaS(nOtadamente da agencia Pinkerton),aos amarelos,2お
tropas federais,nos Estados Unidos.18 Na Franca,aCorte de
Cassacao confirma ainda enl 1907 quc o empregador nao 6
ob五gado a retomar operariOs grevistas,``visto quc o opera五 。
que se pOc enl greve toma impossivel,por sua pr6pria vonta‐
de,a continuacao da execucao dO cOntrato de trabalho quc o
17 citadoル Jean Bron,Hヽ′0″θグ
"″
0″vema"ο
“
ソ″た″/ra″ fαお,t.H,p.43.
18``Eu posso dar emprego a rnetade da classe operaria para lnatar a outra Fnetadc".
Gould,citado′
“
M.Debouzy,qρ .cJ′.,p。 149.
HISTORIA DO CAPITALISM0 217
1igava ao patrao;quc esse ato,se naO lhe e interdito pela lei
penal,nao deixa de constituir de sua parte,quaisquer que sc―
janl os lnotivos aos quais ele obedeceu,uma ruptura caracte―
rizada do dito contrato".19
Mas a lei de greve sera poucO a pouco adIIlitida,como
pedia Jaurё s em ff″″α″J′ごem 1904, como “o cxercicio de
uma das clausulas implicitas e essenciais do lnoderno contra‐
to de trabalho''.20 E a greve sera integrada num dispositivo
institucionalizado de negociacao cOletiva.。 。
O amortecilnento da producao?Nesse ponto,o empe―
nho patronal foiincessante.Por muito tempo foi dirigido aos
sistemas de salariOso No fim do secu10 xlx, o salario pOr
tarefa perde sua eficacia:``IL verdade quc,assinala o econo―
IIlista Leroy‐ Bcaulieu,por inais itil,por rnais necessario quc
Sda O trabalho por tarefa,ele pode multiplicar,em variOs
casos, as dificuldades entre operariOs e patrOes, c quc um
grande espirito de conciliacao e de justica de ambas as partes
e indispensavel a scu funcionamento pacifico".21 0ra,obser―
va cic ainda, ``a hostilidade popular contra o trabalho por
tarefa(。 )̈parece crescer a cada dia cm vez de diminuir com o
progresso da instrucao''。 22F.W.Taylor,quc viveu sua aplica‐
caO dele,e mais realista:``QuandO um operario viu O preco
da peca que produziu abaixar duas ou tres vezes porquc ele
trabalhou mais depressa c aumentou seu rendilnento,ele e
levado a abandonar inteiramente o ponto de vista de seu pa‐
traO,e se Obstina na resolucaO de naO Hlals sofrer a reducao
de tarifa,se a vadiagerL pOde preserva… la"。 E〕 ainda:esse sis―
tema``estabelece um desacordo permanente entre os patrOes
e os operariOs;ele leva os segundos a dissilnulacao para cOm
os prilneiros;ele obriga os patrOes a parecerem ilnplacaveis e
19 Bo Edelman,Lα Lごgα′isα″οPIグ
`″
ctase ο″ν
『
:●
“
,p.33.
聟g電3路』L躍鮨 脇‰』脱″9″〆.adoレ LM¨ルダご″ね
sα″′ras`′ Pa′ J′″
“
θ ρα′″0″are,cNRS,1966,p.122.
22 Po Leroy‐ Beaulicu,Lθ (レだsriο″ο
“
ッriett α
“
Й
"'r siecle,citado′ “
Bo Mottez,
ル′dθ″,p。 121.
MICHEL BEAUD
gananciosos,Inesmo que nao s● a nada diSso,aos olhos dos
Operarios".23
saO inventados inimeros sistemas de salarios:salariOs¨
prerniO, tal como a “tarifa Lallemand" aplicada enl 1888,
apresentada sumariamente enl 1899 e mais sistematicamente
enl 1912,e da qualscu autor dizia:``Mcu sistema e,acredito,
o prilneiro a tentar remunerar,nao O tempo ou o trabalho
produzido,dois elementos quc,no fundo,deixanl o operario
unl pouco indiferente,mas siln o esfor9o quc ele deve dispen―
der a cada instante";24 tarifas decrescentes, aplicadas nos
arsenais e que levaranl a resultados lnuito lnedlocres,ou tari―
fas progressivas utilizadas em diferentes setores no curso da
segunda Fnetade do secu10 xIX c,enl certas fabricas de auto¨
m6veis,no comeco do secu10 xx;alguns patrOes ja pregarn a
participacao dos trabalhadores c,em 1889,6 criada a``Socie―
dade para o estudo praticO da participacaO dOs empregados
nos lucros'':enl 1911,114 empresas a puseranl enl pratica na
Franca,77 na lnglaterra,46 na Alemanha c 43 nos Estados
Unldos.¨
E a organizacao do trabalho que vai dar ao patronato a
arma de quc ele necessitao Na Franca,Fayol,engenheiro de
nlinas, diretor― geral da firma Conllnentry―Fourchambault
apresenta,enl 1916,no」 B“JJg′ J力 αθ J♭ Sοcた,′θ dθ ′'ノ″dusrrlig
″7J“ごrα′θ, suas concep96es sobre a adnlinistracao indust五 al
geral;ele distinguc a``capacidade profissional"(dOS agentes
inferiores)ca``Capacidade administrativa"(dos chefes),pre‐
ga uma clara definicao das funcOcs e uma organizacao siste_
matica.Fo W.Taylor,que se tornou``engenheiro consultor,
especialista cm organizacao sistematica de fabricas'', cOmO
anuncia scu cartaO de visita,6,a partir de 1893,o obstinado
propagador da organizacao cientifica do trabalho:decompo―
sicaO em tarefas, organiZacaO, definicaO dOs movilnentos,
norma, remuneracao quc incite o respeito a norma。 ̈Ele
"&鳳
鵬省:孟〔t期1■.ギri蜜“a… ″・″。'p3a
HISTORIA DO CAPITALISM0 219
mesmo apresenta as ctapas que pernlitenl a introducaO de sua
nova organizacao numa producao:
19)enCOntrar de dez a quinze operarios(se possivel em
diferentes empresas e em diferentes regiOes)que s● am parti―
cularmente habeis na cxecucaO dO trabalho a analisar;
29)definir a seric exata de movilnentos elementares que
cada uFrl dOS operariOs realiza para executar o trabalho anaⅡ
―
sado,assiln como as ferramentas e materiais quc eles usam;
39)determinar com um cronOmetro o tempo necessaH0
para fazer cada unl desses lnoviFnentOs elementares c escolher
ol■odo mais silnples da cxecucao deles;
49)eliminar todos os mo宙 mentos mal concebidos,
aqueles que sao lentos ou scIIl utilidade;
5P)ap6s ter supriIIndo assiln todos os lnoviinentos int―
teis, reunir numa seqtencia Os movilnentos mais rapidOs e
melhores, que perinitaln empregar os lnelhores materiais e
ferramentas.
Scus resultados sao frequentemente espetaculares:assiin
ele obtem que la Onde um Operario carregava dentro de um
vag五o12,7 toneladas de ferro gusa por dia,ele carreguc 48 a
49 toneladas,tendo a felicidade como prerrliO,ja quc ele se
dizia seguro de quc os operariOs ficavam“ mais felizes c lnais
satisfeitos quando carregavam ao ritmo de 48 toneladas do
que quando carregavam no veho ritino de 12,7 toneladas".25
Mas se trata apenas de pioneiros;sera precisO a guerra,
sera preciso o desenvolviinento da producao errl inassa para
que os principios da organizacao do trabalho sejam mais sis‐
teIIlaticarrlente postos enl pratica.
E)iante do αεθ
“
′
"α
mθ
“
′θ da cο
“
εOrrg“ cJα J″′θ́θαρ′′αlis―
′α,as reacOes,as ofensivas,as iniciativas saO miltiplas.
Inicialinente 6 o protecionisI■ o, prinCipalinente sob a
forma de elevacao das tarifas:na Alemanha, enl 1879,ca
partir de 1902;nos Estados I」 nidos,cnl 1857;na Franca,cm
1892, 1907 e 1910。 S6escapa dessa onda a G}ra‐ Bretanha,
25 PrttCripras。
/scた″′ C」Иαttαgθ″θ″4加 Lα DルθC′′0″ scた″′′σ″ら
"。
C′′。,p.281.
220 MIcHEL BEAUD
Ctta fOrca cssencial reside justamente em sua precminencia
sobre o lnercado l■ undial.
hm盤 淋 露:轟 &臨 :∬殿 |:蹴器
t∬
Ъ鷲庶 よ
res entranl enl entendilnentos para fixar Os niveis de produ―
9■0,C00rdenar os investiinentOs,fazer a distribuicao do rner_
cado,deternlinar os pre90s.Em 1903,o cartel hulheiro reno‐
westfaliano controla 98,70/O da producao da bacia;em 1905,
uma pesquisa oficial constata a cxistencia de 17 carteis nas
lrlinas,73 na rnetalurgia,46 na indistria qullnicao Nos Esta―
dos l」 nidos,csses entendimentos,sOb fOrmas lniltiplas e va‐
riaveis,abrangeranl setores lnuito numerosos:especiallnente
estradas de ferro,p61vora,tabaco,petr61eo.I〕 In 1914,fun‐
cionam l14 carteis internacionais,29 nas indistrias hulheiras
e metalirgicas,19 nas indistrias qullnicas,18 nos transportes。
Paralelamente,desenvolvenl‐ se,numa abundancia extra‐
ordinaria,progressos cientiicOs e tecnicOs,invencoes,inova―
90es,qu9 abrem nOvos caminhoso o nimero de patentes con¨
cedidas a cada ano ultrapassa 30000 na Gra‐ Bretanha cntre
1880e1887;ele e ainda superior a 16000 enl 1908.Nos Esta‐
dos l」 nidos,ele passa de 14000 enl 1880 para inais de 36000
em 1907;na Franca,de 6000 em 1880 para 12600 em 1907;na
Alemanha,de 9000 enl 19oO para 12000 enl 1910.26
Entre cssas inven96es,as varias utilizacoes de eletricida―
de:enl 1869,Graminc havia tirado uma patente de gerador de
corrente continua; em 1883, Deprez conseguia o prilneiro
transporte de energia de Vizille a Grenoble;em 18919 Frank‐
furt utiliza os 15000 volts prOduzidos, a 140 knl, no rio
階 :bttl蹴露:諸i総
謂Ъ『蹴止∫翻L輩
:蹴緊】ばl鑓盤∬鵠認淵:L鶴駕寵駕鰹
hidraulicas ou ternlicas― ,co10cacao de cabOs,ilunlinacao
%NIMI鑽
:Iり
た″°″醐翻θαl'I印
`riα
お″ら馴 H%z"a止 針a“em.
HISTORIA DO CAPITALISM0 21
das cidades,transportes piblicos eletrificados,Inotores e16‐
tricos,cquipamentos de fabricas,de cscrit6rios e de residen‐
cias.Poderosas empresas se desenvolvenl rapidamente nesse
novo setor.
TABELA 21
ENERGIA PRODUZIDA NO MUND00
1860
1880
1900
1920
carvao
136
310
735
1250
petr61eo gis natural
一
3
Ю
20
hulha branca
5
21
total
138
319
778
1431
十Em milh5es de toneladas para o carvao Ou seu equivalente para os outros.
Fo″′θ」H sヽ′0ノ″θgこ■●deグ
“
′″ανα〃,t.III,p.223.
Paralelamente, a construcao dO mOtor a explosa0 0
partir de 1862)condllZ, COm a invencaO dO carburador
(1889),ao mOtOr a gasolina,depois ao mOtor lDiesel(1893‐
1897)utiliZando 61eo diesel.Inumeraveis cOnstrutores fabri¨
canl autom6veis,que sc lnodernizanl de ano para ano;outros
fabricam os pneus de borracha;6 preciso construir estradas,
alarga― las,Inelhora―las;O priFneirO salao dO autom6vel abre
cm Paris enl 1898.Alguns anos lnais tarde,tenl exit0 0s pri‐
meiros vOos ern aeroplanos;depois,6 a travessia da Mancha,
enl 1909,c a do Mediterraneo,enl 1912:a csta indistria nas‐
cente, bem como a indistria automobilistica, a guerra de
1914-1918 vai dar unl vigoroso impulso.
As novas fontes de energia se desenvolvem principal―
mente depois de 1900,embora o carvaO cOnserve uma supre‐
macia indiscutivele
Os gasodutos de∝o sao construidos a partir de 1875,
notadamente nos Estados l」 nidos;o prilneiro navio‐ tanque e
posto enl servi9o na Rissia,no CaspiO,cnl 1877;enl 1890,
sessenta petroleiros singraIIl os lnares.Em 1914 dois milhOes
222 MICHEL BEAUD
TABELA 22
1NDUSTRIAS MOTRIZES DA SEGUNDA GERAcAo
EM CINCO PAFsES CAPITALISTAS
(a):perfOdo enl que se assinala a taxa de expansao mttxilna;(b):perfOdo du―
rante o qual o setor e considerado motor para a indistria nacional:“ ):o
setor nao atingiu um peso suficiente para ter uma funcao motOra.
Fo″′θr Segundoヽ Vo W.Rostow,qp.c″ .,t.V‐2,V‐7,V‐ 10,V-13 e V-19,pp.
379, 393,400,407e422.
dc autom6veis circulaln no mundo(a metade nOs Estados
Unidos).
A qullnica se desenvolve:novos processOs,novos produ‐
tos,progressao fulgurante de quantidades.IIIn algumas deca¨
das,a prOducao dc alunlnio passa a unl est:魏 gio industrial(75
toneladas em 1890,mais de 50000 em 1912).Eletroqu缶 nica c
eletrometalurgia pernlitenl a fabricacao de nOvOs produtos;a
soldagem aut6gena se propaga.Raiorn,papeis fOtograficOs,
nitroglicerina, cilnentos, telefone, te16grafo, c logo radiO,
produtos farmaceuticOs e produtos para a agricultura.… de‐
senvolvem―se novos setores,cuJa producao val prOvocar uma
reviravolta nas condicOes de vida。
cra_Brerα ″ヵα
(a)
(b)
IbraJOs υttidos
(a)
(b)
И′θ″α″力α
(a)
(b)
Frarra
(→
(b)
Jara‐0
(a)
(b)
1870-1879
1870‐ 1929
1870‐ 1879
1870‐ 1929
1870-1879
1870-1959
1870-1879
1870-1959
1900-1910
1900‐ 1969
1900‐ 1910
1900‐ 1959
1880‐ 1889
1900‐ 1959
1900… 1910
1900-1969
1920-1929
1900ol%9
1920‐ 1929
1920-1959
1900-1910
1920‐ 1969
1900‐ 1910
1910-1959
1900-1910
1920‐ 1969
1900… 1910
1920‐ 1979
1930-1939
1930-1979
1870‐ 1879
(C)
1870-1879
(C)
1870‐ 1879
(C)
1945‐ 1950
(C)
1930‐ 1939
(C)
HISTORIA DO CAPITALISM0 223
Esses novos setOres,essas novas producOes sao a OpOr_
tunidade da rea五 zacao de altOs lucros e vaO pOSSibilitar a
rapida cOnstituicao de algumas poderosas empresas.
As indistrias de armamento conhecem uma renovacao
com o a9o,com OS inotores,com os novos explosivos:fuzil
de repeticaO (Lebel ou Mauser), metralhadoras, canhOes,
chapas de blindagenl,torre blindada de a9o,navios encou―
racados,prilneiros submarinos.¨ ――tanto mais quc um dos
aspectos da renovacao dO capitalismo reside na cxpansao em
escala rnundial,o que contribui para cxacerbar as rivalidades
nacionais.
И Jdα dθ グοJ″写,θrlialistt0
Sufocamento dos setores industriais da priineira gera―
91o; fortaleciinento e organizacaO das classes operarias nOs
paises capitalistas desenvolvidos;endurecilnento da concor―
rencia intercapitalista;crises violentas。 ¨一 algumas pessoas
veem niss0 0s sintornas do desabamento pr6xiino do capi―
talismo.
Masja se manifestaFn nOVOs e importantes setores indus―
triais;preparam― se novos lnodos de donlinacaO sObre os tra‐
balhadores e novas relacOes com a classe operaria;e,■ lals
alem das rea96es defens市 as(prOtecionismo,cart6is),prOtegi‐
da por elas,inicia― se uma mutacao fundamental do capitalis―
mo:concentracao e centralizacao dO capital industrial,for‐
macaO de trustes e dc inonop61ios nacionais e,indissociavel―
mente,Inundializacao da area de in■ uencia dOs capitalismos
donlinantes,atraves dO cOmerciO e da cxportacao de capitals,
da formacao de grupos inultinacionais,da colonizacao quc
conduz a partilha do mundo。
Enl todo lugar cresce o porte lnediO dos estabelecilnen―
tos e das empresas;na Gra― Bretanha,ele dobra para as fia―
cOes entre 1884 e 1911, e para os altos fornos entre 1882 e
1913;na Franca,em 1906,uIIl decil■ O da lnao‐ dc_obra assa‐
224 MIcHEL BEAUD
lariada esta empregada nas empresas coIIl inais de 500 assala―
riados;nos Estados l」 nidos,o nimero inediO de assalariados
por empresa industrial passa de 22 em 1899 para 40 em 1919.
Por ocasiao das crises,operarn¨ se fusOes de empresas enl pro―
veito das inais poderosas:assiin,no decorrer do periodo de
1880-1918, na Gra― Bretanha, 655 empresas ``desaparecerFl"
en1 74 conjuntos aglomerados.27
Mas,sobretudo,sob a direcao de unl capitalista ou de
uma farrlilia,saO realizados reagrupamentos de capitals sem
precedentes:trustes,grupos,quc lnuito depressa donlinanl o
COttuntO de um setor industrial nacional,principalinente nos
Estados Unidos e na Alemanha. Nos Estados Unidos, em
1908,os sete prilneiros trustes possuelrl ou controlanl 1 638
sociedades;28 ja enl 19oo,a parte dos trustes representa 500/o
da producao textil,540/O da indistria do vidro,600/o do livro c
do papel,620/o da alimentacaO,720/o das bebidas alco61icas
fortes,770/O dos inetais naO_ferrosos,810/o da quilnica,840/0
do ferro e do a9o.29 ■ nOtadamente a United States Steel
Corporation,constituida por J.Po Morgan e E.H.Gary,c
integrando as aciarias de Carnegie.Ё a Standard Oil,funda…
da em 1870 por J.Do Rockefener,que s6 refina enta0 40/o do
petr61eo americano,Inas quc em 1879 controla 900/O das refi―
narias americanas,c em 1904 controla 850/o do comerciO na¨
cional e 900/O das exporta96es.Na Alemanha,6 o imperiO in_
dustrial constituido por КIupp:7 nlil assalariados enl 1873,
78■lil err1 1913;6 a indistria e16trica AEG,quc,gracas a um
fulgurante processo de concentracao,contr01a,enl 1911,de
175a200 sociedades,cmprega mais de 60 Hlil assalariados,
coopera desde 1908 conl o outro grupo alemaO siemens e di¨
vide os lnercados inundiais com o grupo americano General
Electric(grOSSο ″OJθ ,a Europa para a AEG e a Arrlerica dO
27L.Hannah,citado加
7吻θ Ca″ briJgθ eca″ 0″た殿 sraッ o/E“ rapθ ,t.VⅡ ,v01.I,
p.207.
雰N富薦鳳F漁1黒.蹴鳳協彎几為.
HISTORIA DO CAPITALISMO
Norte para a GE)。 30 Na Gra‐ Bretanha csse mo宙 mento naO e
taO nitidO;mas se obscⅣ a durante csse periodo um ilmportan‐
te processo de concentracao bancaria:250 bancps privados
em 1880,48 enl 1913;120」 o′″′―S′θcた βα″たs enl 1880,43 em
1913.Da rFleSma forma,na Alemanha:por ocasiao da crise
de 1873,70 bancos abrenl falencia;Outra onda de falencias
durante a crise de 1890-1891;e a crise de 1901 6 uma verda…
deira``crise de lilnpeza":o Deutsche Bank absorve 49 outros
bancos,o]Dresdner Bank,46,c o Diskonto Bank,28;sobranl
cinco ou seis grandes bancos,``sendo que cada grande banco
era o nicleo inanceiro de um cottuntO de cmpresas,mas
tamberrl,a fim de partilhar os riscos,variOs bancos sc asso―
ciava■ para patrocinar uma lnesma empresa".31 Do lnesmo
modo, nos Estados Unidos: dois “ilnperiOs financeiros"
se constitucnl,urn forlnado pelo First National Bank dc Mor‐
gan,pela GeneralElectric,pela Rubber Trust,pela US Stecl,
pelas estradas de ferro Vanderbilt e por diversas sociedades
de eletricidade;o outro,fonnado pelo National City Bank,de
RockefeHer,pela Standard Oil,pela Tobacco,pelo lce Trust,
pelas estradas de ferro dc Gould e por empresas de telefones.32
``Concentracao da prOducao tendO como consequencia
os monop61ios;fusao Ou interpretacao dOs bancos e da indis‐
tria; ai esta a hist6ria da formacao do capital financeiro
e o conteido dessa nocao",escreve Lenin enl力 ηρ
`riα
lis閣ら
s′αグυs“ρДσ′ηθグ
“
(ηρJ=αlis協,θo Como Bukharin,ele retoma o
conceito fottado pOr Hilferding:
30 Lcnin, L IImperig′ お″e S″dg s″だm`′
“
α″J′α′お″θ, 1916‐ 1917, Edo du
Progres, 1969,pp.85 e segs.
31 Fo Mauro,IisrO′ ″θ dθ ′ゼcο″ο″た″0″diαle,p.212.
32 Na Franca, os bancos de neg6cios participam no desenvolvilnento industrial
(Banque dc Paris et des Pays‐ Bas,Banque Francaise pourle Conllnerce etl'Indus‐
tric), e schneider passou a maO, por ∝asiaO de sua criacao, nO Banque de
l'LInion PaFiSienne.Mas os grandes bancos de dep6sito nao desmentem a sabia
prudencia de Henri Gerlnain,diretor do Credit Lyonnais:“ As ernpresas indus‐
triais,mesmo as mais sabiamente administradas,comportam riscosincompativeis
conl a seguranca indispensavel para a aplicacaO dOs fundos dc unl banco de dep6‐
sitos"。 Citado tt M.Reberiollx,Lα Rク
“
brig“ a radicale2,Seuil,1975,p.120。
226 MIcHEL BEAUD
O capltal financciro slgmfica,de fato,a unificacao dO capl‐
tal.Os setores,antigamente distintos,do capital industrial,
comercial e bancariO,cstao,dc hac em diante,sob o controle
da alta financa,na qual os lnttnatas da indistria e dos ban…
cos estao estreitalnente assodados.33
Assinl se apaga no capital financeiro o carater especial do ca‐
pital.E〕 ste iltiino aparece enquanto forca unida que decore
diretamente da propriedade dos IIleiOS de producao,das ri_
quczas naturais e de todo o trabalho passado acumulado,ca
disposicao dO trabaho vivo como decorrencia dOs ineios de
propriedadeo Ao mesrrlo tempo,a propriedade,concentrada c
centralizada entrё as lnaos de algumas grandes associa90es do
capital,aparece diretamente oposta a grande massa dos nao―
capitalistas.34
1ndissociavelinente,desenvolverse o capitalismo,como
ainda escreve Hilferding:
A politica do cttital financeiro perseguc uma triplice finali―
dade:cln prirneiro lugar,a criacaO de um territ6rio econOmi¨
cO taO vastO quanto possivel;em segundo,a defesa desse ter‐
rit6rio contra a concorrencia estrangeira mediante barreiras
alfandegttias;e,cnl seguida,sua transformacao enl campO
de exploracao para Os inonop6Hos do pais.35
E Bukharin:
Essa politica do capital financeiro 6 o imperialismo.36
Desenvolvilnento das exportacOes e endurecilnento da
concorrencia internacional;exportacOes de capitais,inicio de
participacao e criacaO de filiais no exterior;e,nessc inomen‐
33 DaS■
“
α″ζkap′′α′,Viena,1910,trad.russa,1912,trado francesa,Edo de Minuit,
1970,p.407。
34 1bide′
“
,p.330。
3S Ibiden,p.440。
36N.Bukharin,qρ
o cル,p.105。
HISTORIA DO CAPΠ「ALISMO ″
to,uma segunda c poderosa onda de colonizacOes,acompa‐
nhada por rivalidades,choqucs e guerras。
De 1875 a 1913,apesar do protecionismo,as exporta‐
90es alemas lnultiplicararn por 4 c a dos Estados I」 nidos por
perto de 5。 As exporta96es britanicas multiplicaram apenas
por 2,2 c as exportacOes francesas por l,8;mas esses dois pal‐
ses aumentam o esfor9o para a cxportacao:a parcela quc a
c}ra_Bretanha cxporta do produto fisico,que passara de 260/o
cnl 1851 para 460/o em 1871,c que reduzira ap6s 1881,volta a
subir ap6s 1900 para atingir 500/o erF1 1911;na Franca,csta
parcela progridc inais moderadaIIlente,de 170/o no iltilno ter‐
9o do seculo xlx para 210/o em 1905-1913.37 A Gra‐ Bretanha
cxportava 130/o do caⅣ ao quc produzia cII1 1870,210/o em
1890,330/o ern 1913;ela exportava 35 a 400/o do ferro fundido
e depois do aco quc ela produzia na segunda nletade do se‐
culo XIX,Inas 500/o em 1905‐ 1907。 38 E nesse ponto,a indis―
tria britanica cOntinua a se beneficiar de uma vantagellrl devi‐
da a sua cstrutura,ja quc a parte das producOes de ineios de
producao se fOrtaleceu ainda mais:470/o enl 1881,580/o em
1907:39 0s nOvos paises que se industrializanl,sc urbanizanl,
se equipanl,sao escOadouros essenciais.
A cxportacao de capitais 6 unl dos lneios de se assegurar
esses escoadourosi cla assume uma crescente importancia nO
finl do secu10 xlx e no inicio do secu10 xxo C)s investimen‐
tos exteriores,cm■ uxos anuais,dobraIIl na(3ra― Bretanha de
1880-1884a 1890-1894, depois eles quadruplicam de 1890‐
1894a1910‐ 1913;na Alemanha,cles dobram pela prilncira
vez de 1883 a 1893 e uma segunda vez de 1893 a 1914;na
Franca,eles triplicam de 1880 a 1914。 40
Entre si,csses tres paises representam mais de tres quar_
tos dos capitais investidos no exterior enl 1914:430/o unica‐
37 Jo Marczewski,Ca力 たrsグθ′'IW,n9163,julho de 1963,t。 22,p.LXI.
38 Ph.Deane e W.A.Cole,Qρ .c′′・,t.54c56,pp.216e225。
39 To J.NIIarkovitch,Ca力 ictt de′
'I剛
,n9179,novembro de 1966,p.287.
40H.Feis,E“″qχ,′力θ″ο″′σ Ba″たθら f∂ 70‐′9fイ .
MICHEL BEAUD
mente para a Gra‐ Bretanha,200/O para a Franca,130/o para a
Alemanha; sobrarFI SOmente 70/O para os Estados Unidos,
120/o para o conjunto dos investilnentos belgas,holandeses e
su19os,50/o para tod6s os outros.41
QuantO as zOnas “investidas", a lEuropa representa a
maior parte(270/0),Seguida da America dO Nortc(240/o),da
America Latina(190/0)e da Asia(160/o);a Africa s6 recebe
90/o dos investilnentos no exterior e a(Dceania 50/o.42
AG}ra‐Bretanha continua de longe o priineiro investidor
mundial;mas a distribuicao de scus investilnentos sc lnodifi‐
cou profundamente:eles sc orientam muito inenos para a Eu‐
ropa c menos tamb6m para os Estados Unidos c india,mais
para o resto do Co″ 7′ηο″И′C口′′力e para a America Latina.
Os haveres franceses continuam principalinente na lEu―
rOpa(pertO de tres quintos),COnl uma forte reorientacao para
TABELA 23
DISTRIBUIcAo DOS HAVERES DA GRA― BRETANHA NO EXTERIOR拿
。Em porくたntagem。 .
Fo4″ :a.G.Kenwood e A.L.Lougheed,qρ .clir。 ,p.43.
1ほ乱総 .聖:deA.L.Lmghed,″
。clir.,p.4.
1870 1914
Europa
Estados Unidos
Am6rica Latina
india
resto do Co″ ″ο″wcarrカ
resto do lnundo
25
27
H
22
‐2
3
total
′οrar em″ ilねσas de rlibras
∞
7。 "4107
HISTORIA DO CAPITALISMO
TABELA 24
DISTRIBUIcAo DOS HAVERES DA FRANcA NO EXTERIOR*
●EIn porcentagem.
Fo"″ :R.Eo Cameron,″ 。cJ′。,pp.92,97e380。
a Europa oriental,notadamente a Rissia.Eles ainda naO saO
quase investidos nas co10niase
Os capitais alemaes tamb6nl sao investidos na Europa
(nOtadamente Austria,Rissia,Hungria,Romeniり ,mas tarト
benl enl certos paises,tals como o Japao,O M6xico e o imp6‐
ri9 0tOInano。 Os capitais dos Estados Unidos ficalm na Ame‐
rica:notadamentc(Cttda,M6対 co c(Cuba.
Esses haveres no exterior assumenl formas lnuito diver‐
sas: subscricao de emprestilnos piblicos(muitO apreciados
pelos poupadores franceses),CmprestiinOs a governos,ban―
cos ou cmpresas,inicio de participacOes ou compras nos dife―
rentes setores de atividades ou,Ja,para os trustes Ou grllpos,
cria℃Oes de filiais no estrangeiroo Assinl,Westinghousc criaja
cHl 1903 uma filial na lnglaterra c a AEG tern,antes de 1912,
filiais em Londres.Petrogrado,Paris,G}enova,Estocolmb,
Investimentos realizados Haveres
1816‐ 1851 1852‐ 1881 1914
Europa mediterranea
Europa central
Europa oriental
Europa do Nordeste
total da Europa
Oriente Pr6xiI■ o
co16nias
Americas
resto do lnundo
total
′ο″′θ″ b′肋a郎 グθ/rarcOs
鬱
‐2
・
η
%
一
一
4
・
m
2
,
5
3
1
6
2
一
100
17,6
‐4
8
28
8
58
H
9
‐6
6
100
52,7
230 MICHEL BEAUD
Bruxelas,Viena,Milao e em inimeras cidades da AInerica.
Os bancos tem ai um papel decisivo.Enl 1913,os ativos da
sOciete G6nerale da B61gica sao distribuidos em tres quintOs
erFI Va10res nacionais c em dois quintos cFrl Valores no exte―
rior, especialinente na Austria, na Rissia, no Canada,na
Argentina e na Nova CaledOnia。 …0]Deutsche Bank tem sub―
filiais na ArFleriCa dO sul(Argentina,Peru,Bollvia,Uruguai,
Brasil)e na Espanha;participacOes na Su19a,no lraquc e na
China;interesses na Austria,no imperi0 0tomano,na Ameri―
ca Central,na Africa do Leste e na Africa do Sul.。 。O Dis―
konto Bank tem filiais na Gra―Bretanha, na Romenia, na
Bulgaria,no Brasil e no Chile;participacOes na B61gica c na
ltalia,na Argentina e no Brasil,nos CamarOes,no Guine,na
Asia;interesses na Europa(Gra― Bretanha,Finlandia,Aus_
tria,Romenia,Rissia)e na Africa.¨ Os bancos britanicOs
contavam enl 1910 corrl lnais de cinco nlil sucursais ou agen_
cias no lnundo;os bancos franceses,cento e quatro sucursais;
os alemaes,setenta;c os holandeses,sessenta c oito.43
E nesse inovilnento de expansaO dOs capltaHsmos nacio―
nais enl escala rnundial que se desenvolvenl os diferentes sur―
tos de colonizacaO desse perlodo.Provam isso essas considc―
racOes de Cecil Rhodes enl 1895:
Eu estava onteFrl nO Fas′ E″グ[bairr0 0perario de Londresl e
assisti a uma reuniao de desempregados.Ouvi discursos exal‐
tados.Era unl grito s6:``PaO!PaO!"。 Revivendo toda a cena
ao voltar a casa,senti‐ me ainda rnais convencido do quc antes
da importancia dO imperialismo.¨ A ideia que cOnsidero lnais
ilnportante e a solucaO dO prOblema social,a saber:para sal‐
var os quarenta nlih6es dc habitantes do Rcino Unido de
uma guerra civil destruidora,n6s,os c010nizadores,devemos
conquistar novas terras a fiin de nelas instalarmos o excedente
de nossa populacaO,de nelas encontrarmos novos inercados
para os produtos de nossas fabricas e de nossas lninas.O IIn―
peri。 ,sempre repeti,C uma questao de sObrevivenciao se v6s
43N.Bukharin,qρ o cFr.,pp.40 e segs.
HISTORIA DO CAPITALISM0 231
quiserdes evitar a guerra civil,cumpre que vos torneis impe‐
rialistas.44
E Joseph Chamberlain,nlinistro das co16nias britanicas,
nurrl discurso,na Camara de comerclo de BirrFllnghanl,em
1896:``Se t市 essemos permanecido passivos(。 …)a maiOr par‐
te do continente africano teria sido ocupada por nossos rivais
comerciais(¨ 。)。 Atraves de nossa polltica colonial,assiln quc
adquirilnos e desenvolvemos unl novo territ6rio,n6s o desen―
volvemos como os procuradores da civilizacao para O cresci―
mento do comercio mundial''。 E Jules Ferry: ``A politica
colonial e filha da politica industrial". P. Leroy― Bcaulicu,
membro do lnstituto,professor do Ca′ Jggθ グθ Fra″ (F,diretor
do Ecο″0″お′θ/ra“ fαお,publica em 1891 Dθ ″εO′θ
“
lisα′′0″
c力θてJcs」pθ″ρJgs″ヮοder“θs;ele p6e em epigrafe esta frase de
Stuart Mill: ``Pode― sc afirrrlar,no estado atual do mundo,
quc a fundacao de colonias 6 o rrlelhor neg6cio no qual se
possa aplicar os capitais de um velho e rico pais".E cle escreve:
A colonizaca0 6 a fOrca expansiva de unl povo,e scu pOder de
reproducao, e sua dilat"ao e sua multiplicacao atraves dos
espa9os;e a subnlissao dO universo ou de uma vasta parte a
sua lingua,a suas ideias e a suas icis.UIn povo que coloniza C
unl povo que lanca os alicerces de sua grandeza no futuro,c
de sua supremacia futura(¨ 。
)。
Ё ilnpOssivel naO cOnsider年 [a
colonizacaOl cOmO uma dastarefas que se impOcm aos Esta‐
dos civilizados.45
Realisino econOnlico e racislno se fortaleceIIl:
Nao e natural,nem justo,que os paises civilizados ocidentals
se amontoem indefinidanlente e sc asfixicIII nos espacos res‐
tritos quc foram suas prillleiras lnoradas,que neles acumulem
44Dた 」Mθ
“
θ Zθ″,1898,n91,p.304,citado por Lenin,L Impご ′″′isttθ...,qρ.cJA,
p. 100。
45 Po Leroy― Bcaulicu, De′ α cO′0″おα′′Ott c力θz Fes ρθ
“
ρras″ οder″as, GuillauIIun,
1891,pp.839c841.
232 MIcHEL BEAUD
as maravilhas das ciencias,das artes,da civilizacaO,quc eles
Vttam,′ο″/arra cた α死磁 σ
“
r雛″″e“do″島α ttt dOノ″ro
Jos Gηガ″お 6αlir a“ sθ
“
s′αttas cadα diα ″αお46 e que deixerrl
talvez a Fnetade do rnundo a pequenos grupos de homensigno―
rantes,irnpotentes,verdadeiras criancas debeis,dispersos enl
supericies incomensuraveis,Ou entao a pOpula96es decrepitas,
sern energia,sem direcao,verdadeiros velhinhos incapazes de
qualquer esfor9o,de qualquer acao Ordenada e previdente.47
A boa consciencia civilizada ou reⅡgiosa aben9oa; o
racismo c a certeza da superioridade suprilnem os iltilnos
escripulos;os interesses impelenl;o lnisticisFr10 dO sol e dos
TABELA 25
EXPANSOES COLONIAIS ENTRE 1876 E 1914
co16nias metr6poles
f∂76 ′9fイ f9fイ
s“ρar‐
ル た*
′α,″″‐
rαο中中
s″ar‐
ル た拿
ραフ″″‐
rαο申中
sψer‐
ル :θ
拿
ρα,″ ra_
βαO・・
Gra―Bretanha
R`ssla
Franca
Alemanha
Estados Unidos
JapaO
′0′α′′α″α as sθお
gra“des′οだ″crics
co10nias pertencentes
a pequenos Estados
(B01giCa,Holanda。 )̈
22
,
5
‐7
0
,
9
・
・
・
40,4
251,9
15,9
6
273,8
33,5
17,4
10,6
2,9
0,3
0,3
65
9,9
393,5
33,2
55,5
12,3
9,7
19,2
523,4
45,3
16,5
46,5
136,2
39,6
64,9
97
53
437,2
中Enl rnilh5es de metros quadrados:● ●EIn nlilh5es de habitantes.
F●″″′N.Bukharin,q′ 。c′′。,p.81.
46 Grifo nosso(NoA.)Mas Leroy‐
Beaulieu insiste em nota:“ A colonizaca0 6 um
dos lneios de prevenir,Inediante a abertura de novos empregos aos capitais,a ra‐
pidez desse aviltamento do juro,c isso naO c um de seus rnenores benerlciOs,em_
″鶴 蹴 Iぱ
山 ∝ 饉°°
"山
a ttdndo tte鶴 ∝″≒rbliJa″ ,p“2
HISTORIA DO CAPITALISMO
grandes espacos por vezes aniinam;as armas lnodernas dao a
coragerrl necessaria. 1巳 , britanicas, francesas, alemas, mas
tambem belgas c holandesas, sao as expedic6es coloniais;
quando necessari。 ,Os inaSSacres dc homens ou de popula‐
90es:o saqucamento.
Enl rnenor escala e de uma outra mancira,a lRissia,de
um lado,os Estados Unidos,do outro,participarFl neSSc lno―
vilnento.48
Atritos dos expansionismos nacionais. Endurecilnento
da competicao econorrlica e financeirao Rivalidades nacio‐
nais,aliancas e derrubadas de aliancas.Tudo isto,nunl fun‐
do de nacionalismo,de chauvlFliSIno e de racismo,de desfiles
IIlilitares e de exposicOes universalse C〕 rescem as despesas nuli‐
tares,fornecendo,enl cada pais,Inercados ampliados aos in‐
TABELA 26
CRESCIMENTO DAS DESPESAS MILITARES NOS
PRINCIPAIS PArSES CAPITALISTAS
'Enl porcentagem;●
ホPara a Alemanha,1881‐ 1882;ホ●●ExcluFdas as despe‐
sas``extraordinarias e provis6rias".
ao Nao― dispOnfvel.
FO″ ras′ o.Schwarz,citado J“ N.Bukharin,qρ .c′′.,p. 126,c Wo Sombart,
Lθ Cap″αlismθ ″Odernθ ,trad.francesa,L'И レogeeご
“
capira′ぶ″θ,Payot,
1932,t. 1,p. 88.
48 ver nOtadamente Co Julien,L lE“
り:′
`α
″ごrlicaiPI.
233
1.Crescilnento das
despesas nlilitares′θ″
cap:`α●
2.Parte das despesas
militares nas depesas
totais do Estado*
dθ ′∂75■■
α′Я露
dθ f9“ α
f9f3-f9fイ
′∂75●● f畑
Gra‐Bretanha
Franca
Alemanha
Estados Unidos
62
63
95
67
29
14
28
a
38,6
29,0
28,5
33,5
48,6
37,0
28,3●●●
56,9
234 MIcHEL BEAUD
dustriais nacionais,c os meios de novas conquistas aos nlilita―
reso Elas saO particularlmente importantes nos quatro paises
capitalistas donlinantes da epoca.
Concentracao de capital,carteis, trustes, monop61ios;
interpenetracao dO capital industrial e do capital bancariO
nessa nova realidade:o capital financciro;atuacao renOvada
do Estado,atraves,silnultancamente,da legislacao social,da
ilnportante atuacao nas grandes obras,da cxpansao territo…
rial, do nlilitarismo; exportacao de capitais, colonizacao,
partilha do mundo.Ё um“ nOvO capitalismo"que se desen…
volve no come9o do secu10 xx,batizado por inuitos de``inl―
perialismo".
Como HobsOn,ja em 19o2:“ O novo imperialismo se
distingue do antigo,prllneiramente,por substituir as tenden‐
cias de unl inico lmperiO enl expansao pela teOria c pela pra―
tica dc lmperiOs rivais,cada um deles guiado pelas inesmas
aspiracOes a expansao p01itica c ao lucro comercial:segunda¨
mente,por inarcar a preponderancia dos interesses financei―
ros ou relativos aos investilnentos de capitais sobre os interes‐
ses comercialse49
Gracas ao imperialismo,o capital financeiro vai poder,
por uns tempos,superar as contradicOes referentes ao`逮 nbito
nacional.Hilferding,1910:Com um olhar infalivel,ele olha a nlistura babilonesca dos
povOs e,aciina das outras, ele ve sua pr6pria nacao.I]la c
real,ela vive em seu poderoso Estado,Inultiplicando scrrl pa―
rar sua forca e sua grandeza.Todas as suas forcas sao con―
sagradas a sua elevacao.Assiin obt6111-se a subordinacao dos
_ interesses do individuo aos interesses gerais superiores que
constituerrl a condicaO de tOda ideologia social vital;o Esta‐
do,inirnigo do povo,c a nacao saO apenas unl,c a ideia na_
cional, forca motriz,6 subordinada a politica. Desaparece‐
ram as contradicoes de classes, suprirnidas, engolidas pelo
fato de que tudo e pOsto a servi9o dos interesses do todo.A
49 Hobson,ル
暉フeriαJlis″ ,1902,citado por Lenin,ι 'Impこric′お″ら q● cJ′.,p.118.
HISTORIA DO CAPITALISM0 235
perigosa luta de classes,que poderia ter consequencias desco‐
nhecidas para os proprietariOs,deu lugar as acoes gerais da na‐
9aO,cilnentada por uma meta identica:a grandeza nacional.50
EC)tto Bauer, 1913: ``(Э imperialisino e realinente um
meio de estender os liinites da acumulacaO".51
Se a ccononlia mundial e``unl sistema de relacOes de
producao e de relacOes de troca correspondentes abarcando a
totalidade do lnundo",52 0 imperialislrlo 6 o ampliamento em
escala inundial das relacOes de producao e de troca capitalis‐
ta,operando―se esse ampliamento,no inicio do secu10 xx,
sob a donlinacao dOs capitalislrlos e das burguesias britani_
cas,alemas,francesas,americanas.¨
A“ paz" que reina entao一 alguns pensam quc a′αχ
germα
“
Jεα sucede a ραx brj′α
“
″ica――e uIIla paz ilnperialista,
ja FnatiZada pelos clamores da guerra.
邸 c∫Fl:躙 ei常I齢 。:冨i罵 』L鸞 露 i肌胤
no Sudao;belgas no Congo;italianas na Abissinia c em Tri―
poli;intervencOes americanas no Havai,cm Porto Rico,na
Samoa,nas Filipinas,no Panama;expansionismo japones na
China e na(Coreia;expedicao internacional na(Chinao As ri¨
validades desembocarrl enl situacOes explosivas em Fachoda
enl 1898,no Marrocosem 1905 e 1911;ou enl guerras,guerra
dos bOeres(1899-1902), guerra hispano― americana (1898),
guerra russo― japonesa(1904-1905):prilneiras advertencias de
uma brusca rnudanca que sc anuncia,visto quc,por duas ve―
zes,potencias europeias lutaralrl por``paises de a161n‐ mar".
Guerras nacionais, greco― turca(1897)e balCanicas(1912c
1913),de onde os interesses das grandes potencias nao estao
ausentes.
50 Hilferding,D“ Fi″α
“
zた″′′α′,Viena,1910,citado por N.Bukharin,″ .cli∴ ,
,3.駄 ∝ル タθz″,r24馴 ■ p87■ 血 adoレ R PoReL L“ ス伽 昭 ル
crassas,p。 140。
52 No Bukharin,9ρ .c′′。,p。 17.
236 MICHEL BEAUD
Rivalidades,concorrencia,atritos, cnfrentamentos;in‐
teresses industriais e financeiros, Inas tamb6nl lmpetos pa‐
tri6ticos;inesmo nao sendO a inica causa,a expansaO impe_
rialista dos capitalisI■ os nacionais no finl do seculo xlx e no
inicio do secu10 xX esta fundamentalinente na origem da
“C〕rande Guerra"de 1914-1918.C〕 arnificina gigantesca,quc
apenas a ideia de quc era a``■ ltilna das guerras"podia tornar
suportavele
Conclus5es da etapa 4
Em cada perlodo de suas forrrlacOes e de scus desenvol―
virnentos, os capitalismos nacionais sugaram do exterior:
ouro das Americas,pilhagenl,trabalho forcado,escravidao,
arrecadacOes coloniais,ganhos comerciaiso Nao sao,pOrtan‐
to,neΠl a cxistencia,nem sequer a importancia desses recur‐
sos externos que caracterizarn o imperialismo.
C)irnperialismo 6 o funcionamento e o desenvolvilnento
de unl capitalismo nacional eFn eSCala mundial:extorsao do
valor produzido por ocasiao da prOducao, a realizacaO dO
valor produzido por ocasiao da venda das mercadorias, a
exploracao ecOnonlica, sob a forma de capitais novos,dos
lucros anteriormente realizados,ja nao saO pensadOs e orga‐
nizados principalinente enl escala loca1/nacional,mas sirn de
ilnediato eFrl eSCala naciona1/mundial. Esta nova atitude e
fruto de entidades capita五 stas de grande pOrte:oligop61ios,
assunlindo diversas forlnas,grandes empresas,trustes,gru―
pos;ela repousa cada vez lnais na alianca,por vezes interpe‐
netracao,dO capitalindustrial e do capital bancariO,nO capi―
tal「Inallceiro;ela e prOmOvida por fracOes da burguesia quc,
ultrapassando os horizontes locais/nacionais,cmpreendenl e
MICHEL BEAUD
QUADR0 10
FORMAcOES SOCIAIS,CLASSES,
EXTORSAO E CIRCULAcAo DO VALOR N0 1MPERIALISMO
DE ANTES DE 1914
FORMAcAo socIALIMPERIALISTA
ヽ
▽
FORMAcAo socIAL DOMINADA
言鸞嶽囃軋i
BURGUESIA 9APITAIISTA
′APAREL
TECNO‐βυREOrSrE DE ESTADO
MEDIA E
PEQUENA
BURGUESIA
搬ざ
ASSE
.ERAR
C
O
灘織 F∞b可
intermediariOs
do comercio cOlonial
comcrciantes
CAMPESINATO
classe dirigente
intermediar10s
do com6rcio externo
empresarios /′
´
1`ゝ
‰ 面應
響
CAMPESINATO
OPERARIOS
XittI隷 器 鱚 電 ぽ ぶ 柵 :滉
『
疇
HISTORIA DO CAPITALISMO
Momentos do processo de
acumulacao
Contradicё es correspondentes
A)SubmiSSao real dos trabalhadores.
Compra da forca detrabalho as‐
salariado.OrganizacaO dO traba‐
lho,coacao aO sObretrabalho.
1)COntradicao classe Operaria/bur‐
guesia: continua principallnente
nacional.
B)Rcalizacao dO va10r produzido.
Venda de mercadorias:
一 para o sctor I,Venda de bens
de producao as empresas dos
dois setores;
一 para o setor II,venda de bens
de consumo aostrabalhadores
dos dois setores e as outras
classes. Procura de mercados
externos;tentativas dos capita―
listas estrangeiros de se implan‐
tarem no mercado nacional.
2)ConcOrrencia entre capitalistas
naclonals。
3)Obrigacao de equilわ rio entre pro―
ducaO e mercado de compra para
cada setor,c entre os setores.
4)ConcOrrencia entre capitalistas na‐
cionais e capitalistas estrangeiros。
C)PrOCura de oportunidades de in―
vestimentos rentaveis para Os ca‐
pitais formados a partir dos lucros
anterlores.
5)Contradicao entre O sufocamento
das antigas indistrias e a incerte‐
za das novas.
6)ConcOrrencia entre capitais nacio―
nais e estrangeiros。
7)Contradicao entre a amplitude dos
riscos c as perspectivas de lucro.
irnpulsionanl enl escala naciona1/mundial,c quc,nessa din各
nlica,obterr1 0 apoio do Estado,de sua diplomacia,de sua
frota e de suas arrrlas.
Quer diZer quc,com o imperialismo:
1)aS COntradicOes referentes ao lnovilnento de reprodu‐
caO ampliada do capital se desenvolverrl,dai em diante,no
ambitO naciona1/mundial;
2)surgenl e se desenvolvem novas contradi90es,princi‐
palrrlente com referencia aO periodo enl que nos situamos,no
eSt:稚;iO da realizacao dO valor produzido e do controle de
regiOes do inundo.
239
240 MIcHEL BEAUD
Tentemos sistelmatizar este ponto,para csse periodo do
prilneiro ter9o do secu10 xx.
Esquematizando,as crises do finl do secu10 xlx resulta―
ranl principalinente do jogo das contradicOes l,2,3e5,con―
tradi90es quc atuavam ainda essenciallnente enl cada quadro
nacional.Elas impulsionaranl a procura acentuada de FnerCa‐
dos externos c a cxportacao de capitais, o que fez surgir e
agucar as contradi90es 4,6e7.Para atenuar o efeito delas,
cada potencia prOcurou conseguir uma zona de poder no
mundo,o quc―― com a ttuda dO nacionalismo,racismo,
xenofobia, chauvinislrlo e proselitislno 一 contribuiu para
transforinar os antagonislnos econOrrucos enl oposicoes nacio‐
nais,logo,politicas c lrulitares;oposicoes que se alimentam
dos 6dios e dos rancores hist6ricos,das certezas de superioH―
dade(britanica, francesa ou alema),dOs nlitOs de grandeza
ou dc rrlissao civilizadora。 ′
C)que foilargamente surlciente para desencadear a guer―
ra rnundial quc,entao,pareceu ser a mais sangrenta,a rnais
mortifera,a inais barbara。 ¨
5.A grande reviravolta
(1914‐1945)
Nosso seCu10,nenl sequer findo,tera vistO se suceder duas
idades radicalinente diferentes e senl qualquer outra transicao
senaO a guerra.Os contemporaneos devenl fazer unl esforco
para imaginar os anos de outrora:era de estabilidade,de eco‐
nonlia, de prudencia; sociedade de direitos adquiridos, de
partidos tradicionais,de firmas de confianca;regirne de ren‐
dilnentos fixos,de ordenados certos,de aposentadoriascalcu‐
ladas do modo maisjusto;6poca dos tres por cento,das velhas
ferramentas e do dote regulamentaro A concorrencia auxilia‐
da pela tecnica fez com quc essa sabedoria fugissc e cssa
comodidade morressc(.")。 A guerra transformou em torrente
o curso natural das coisas e mudou a base das necessidades.
Para satisfazer estas tais como sao,variadas,imperiosas,in‐
constantes,a atividade dos homens sc lnultiplica e se precipita
("。).O maquinismo c a d市 itto do trabalho fazem recuar
todos os dias o ecletismo e a fantasia.1
Arrastados por sua 16gica de acumulacaO e de producao
ampliada,os capitalismos nacionais procuraram esp"o no
mundo para sua expansao,fazendo concorrencia cntre si e se
l Charles de Gaulle,Lθ Fir dg′:ク″,1932,Berger― Levrault,1954,pp.54e90。
242 MICHEL BEAUD
confrontando cada vez inais asperarnente.As rca96es nacio―
nais se tornaram mais agudas,os nacionalismos se iniarna‐
ranl,com o espirito de conquista c o espirito de revancheo A
guerra rnundial nada resolveu,muito ao contrariO.A necessi―
dade de expansao enl escala mundial continua vigorosa en‐
quanto foi destruido o antigo sistema de pagamentosinterna―
cionaiso E essc lnundo estilhacado conhecera nOs anos vinte a
coexistencia da prosperidade e da crise,seri arrastado,a par―
tir de 1929,a nova crise,depois a uma nova grande guerra。
Da guerra a crise
“O Capitalismo traz em si mesmo a guerra,como as nu‐
vens escuras a tempestade",havia dito Jaures。 ()capitalismo
traz acilna de tudo a crise c a imperiosa necessidade de con‐
quista de novos espa9os.I〕 e scu desenvolvilnento concreto
atraves das formacOes socials nacionais,6 o enfrentamento
dos capitalismos nacionais que de破 a o capitalismo portador
de guerra。
AC}rande Guerra de 1914‐ 1918 convulsiona a Europa,
acentua o declinio britanico, fOrtalece os Estados Unidos,
senl resolver na realidade as contradi96es de antes de 1914。 E
6 um longo perlodo de crise quc ela abre,insidiosa c iniltipla
nos anos vinte, geral apesar de sua diversidade a partir de
1929.
∠s cο″ッ
“
紡
`s
αα GЛαだcC“erra
O ilnpeto quebrado do lnovilnento operariO,O declinio
agravado dos capitalismos europeus, o endurecilnento dos
nacionalismos.… lE,no entanto,conl a Prilneira Guerra Mun¨
dial,a grande reviravolta estava apenas comecandoo QuebrOu_
se o belo lnito do internacionalislrlo proletariOo A greve geral
devia impedir a guerra;as classes operarias deviam se recusar
HISTORIA DO CAPITALISM0 243
a rnatar‐ sc entre si por conta dos capitalistas.… 1910:``Em to‐
島箇:∬驚lli諸鶴″轟r宙
;品
器 :略懲:
驚 鮮 蹴 1華 鮮 硝 驀 警 ri
rios anos,a greve geralcontra a guerra de 16 de dezembro e,
apesar de sua amplitude e de seustempos fOrtes,um fracasso。
1914:o manifesto da CGT de 29 dejulho:“ Os governantes
(・・0)tem O pOvo frances cOm eles se,como se diz,cles traba‐
lhaln sinceramente para a paz.4
鰯点穏¶撃∬』il庶、:f諄践寵Ⅲl驚∬寵:
ぎ∬庶慧:減:1『鵠轟:「露厭冒繋i認1磁■需:
mados.
Outra derrota:as vesperas da gucrra,trabalhadores da
l畢:滉TH:冊.電憲:ξ濃轟1群lX■
":l賞
∬::
E)ietrich,cm Argenteuil,c em Brasier,enl lvry,enl 1913;oS
trabalhadores dessas empresas rectsam a cronometragenl:
:I:i棚ⅧLttlT」冒蹴『鑑:席理露∬
ma devia levar os trabalhadores suficientemente ingenuos pa_
ra aceita‐ 10(¨ 。);0 0perario reduzido ao estado de bruto,a
ltti∬:胤盤鷺蒸記
iLT夏
窯11器l翼澱
2 citado′″Eo DoH6ans,9ρ oC″・,t.II,p.192.
3 fbidem,p. 195.
4 citado f″ J.Bron,oρ .c′′・,t・ II,p. 146.
MICHEL BEAUD
gaste prematuro, fazendo dde um nao_va10r,joguc― o para
fora da fabrica.on贅
'todo「
ray10r e implacavel;ele elinlina os
naO_va10res c aqucles quc ultrapassaranl a idade da plena ati‐
vidade rnuscular.5
E Merrhein,cIII Иe O“ソrieに,do dia 31 de Fnar90 de
1913:
A inteligencia c escorr∝ ada das fabricas. S6 devem nelas
ficar bracos sem cerebrO c autOmatos de carne adaptados a
autOmatos de ferro e de aco.6
Mas a guerra pellllite a ilnplantacao de metodos dc
organizacaO cientifica do trabalho: o exercit0 0s utiliza na
unidade central de reparacOes do servi9o automotiVO. E
Louis Renault salienttl,enl 1919,diante dos lnembros da ca‐
mara sindical dos construtores de autom6veis, ``o interesse
da organizacao do trabalho,dos lnetOdOs que pernlitern as
mais delicadas fabricacOes senl lnao― de_Obra especializada".
Ja nessa epOca,numa circular de 1918 a scus engenheiros,ele
enfatizava:``quase todos os elementos necessarios a uma Or¨
ganiJacao cOmpleta c対 stem".Ao mesmo tempo,oB“ Jrg″″
des"sliras Rθ
“
α夕′′advertia os operarios que O empenho lOnge
de dilninuir,deveria prosseguir e se intensificar:``V6s presu‐
IIlistes quc,quando esta guerra tiver acabado,a outra guerra,
a guerra cconOrnlca comecara("。 )。 Nesta gucrra,v6s sereis os
soldados de prilncira linha"。
7
Enfinl,como as outras classes,a classe operaria fOi dizi‐
mada: 10%dos trabalhadores industriais foram mortos no
decorrer da guerra de 1914‐ 1918.8
5 Panfleto da C(〕 T de 1913,reproduzido′ ″ris′ο:reごcO″ο″′9″θθ′sOCiale de′α
Fra″ cθ,t.lV,vol.I,p.528 bis.
6 citadoノ″E.Dolleans,qρ oci′ 。,t.IH,p。 264.
7 citado por Bo Coriat,9′ .cル .,p.68;vertambeln P.Fridenson,Iis′ OJ″θaたs“slttes
Rθ″α″′′,t.I,Scuil, 1972,p。 76。
8 Por Causa da rnobilizacao no local,a proporcao 6 uΠ l pouco lnenor para os traba‐
lhadores da indistria(8,80/o)ou dOS transportes(8,1鰯 o)dO que para os agriculto―
HISTORIA DO CAPITALISM0 245
A isto,ha quc se acrescentar:a tentativa de revolucao
comunista na Alemanha,sufocada em sanguc canciro― mar9o
de 1919); a reV01ucao hingara aniquilada ciulhO de 1919);
depois na Franca a cisaO entre comunistas e socia五 stas no
Congresso de Tours(1920)。 No momento em qte,para inu‐
meraveis trabalhadores,a revolucao sovietica acaba de dar ao
socialismo uma patria,o movilnento operario, nOs grandes
paises capitalistas da Europa ocidental, encontra― se enfra―
quccido,machucado,dilacerado.
Esses pr6prios paises estaO exangucs e enl ruinas,Ines―
mo quc alLumaSねbricas tenham se desenvol宙 do na guerra c
irT量∬電
a轟
認
1霊e漁
∬
rl:7■
詰脳亀1』
930 000 na G}ra‐ Bretanha, 150 000 para os Estados Unidos;
tanto na Alemanha quanto na Franca,unl homem sobre dez
de idade ativa,na Gra― Bretanha um sobre vinte.O custo total
da guerra representou 320/o da riqueza nacional da lnglaterra,
30%para a da Franca,220/o para a Alemanha,90/o apenas
para os Estados Unidos。 (Cada Estado comprometido na
guerra contraiu uma enorime divida piblica para com seus ha‐
bitantes:globalinente,a divida piblica do elenco dos paises
beligerantes passou de 26 bilh6es de d61ares nas vesperas da
gucrra a 222 bilhOes err1 1920。 Acrescenta― se a isso a divida cx‐
terna:G}ra― Bretanha cmprestou cerca de 4 bilhOes de d61ares
dos Estados I」nidos,c a Franca 3 bilhOcso EIF1 1921,a colnls―
saO aliada de reparacё es imp6c a Alemanha um pagamento
de 33 bilhOes de d61ares.
Sobre base 100 em 1913,o indice da producao industrial
e,cnl 1920:
一…141 nos Estados Unidos;
-100 na Gぬ ‐Bretanha;
-62 na Fratta e 6i na Alemanha.
As reservas de ouro dos Estados Unidos inais que qua¨
reS(100/0)Ou profissOes liberais(10,70/o)。 (A.Sauvy,″ is`0″θびcO″ 0“″
“
θ da″
FFanCθ ,t。 1,p.442。 )
246 MIcHEL BEAUD
druplicaranl,durante a guerra c ultrapassarn,em 1921,2,5 bi‐
lh6es de d61ares(pertO de dois quintos do cottuntO das reser‐
vas mundiais)。
Ademais,com a Revolu“ o de Outubro,as potencias da
Europa sc achanl por varias decadas senl um mercado prome‐
tedor e onde elas havi`un investidoo Na Rissisa,6 o ideal socia‐
lista que promoveu o lnoviinento portador de ruptura,tanto
conl o capitalismo quanto conl o(Dcidenteo Na Turquia,ap6s
o desinantelamento do imp6rio otomano,depois na Persia,
no Afeganistao,afirmam‐se novas dinanlicas nacionaiso No
Egito,enfinl,ocupado desde 1882,protetorado britanicO des_
de 1914,greves,boicotes e ataques a trens conduzenl o gover‐
no britanicO a proclamar a independencia enl 1922,indepen‐
dencia que deve,6 o que deseJa ele,continuar completamente
te6ricao Afinal,durante a guerra,o Japao aumentOu lnuito
sua producaO industrial,suas trocas e seus haveres externos:uma nova potencia industrial esta sc afirmando na Asia.
Enfraquecilnento dos capitalismos da lEuropa c``decli―
nio da lEuropa''impossivel de dissociar esses dois inovilnen―
tos.C)s Estados Unidos sao,dOravante,a prilneira potencia
cconOmica;a Alemanha vai reconstituir seu poderio indus―
trial;a URSS c o Japao,segundo diferentes carrlinhos vao se
empenhar num forniidavel esfor9o de industrializacao; a
Gra‐ Bretanha c a Franca terrl ainda,conl seus aparelhos in―
dustriais,conl suas redes bancarias e financeiras,conl seus
iFnperiOs,cartas fundamentais.Como previa Louis Renault,
nlal assinado os tratados de paz, abre― se uma forrrudavel
guerra econOrrllca。
И crise Jθ s α″θs f920f`閣θ
Tradicionallnente, este periodo e separado em quatro
partes:o bο ο″7 do imediato ap6s― guerra,a crise de adaptacao
industrial de 1921,o periodo de``prosperidade'',a crise de
1929 e seus nr01ongamentos nos anos trintao Com muita fre¨
HISTORIA DO CAPITALISMO Z7
qtencia saO dissociados os aspectos monetarios(dividas e
pagamentos internacionais,iniacao)e os aspectos econOnli‐
COS(prOducao,intercambiOs comerciais).
A hip6tese que propomos e,ao cOntrariO,quc e a rnes_
ma crise quc se desenvolve sob forinas diferentes nos anos
1920¨ 1930;e quc,seIIl que tenham desaparecido(sera neces_
sariO dize¨ 10?)aS COntradicOes fundamentais,de um lado com
as classes operarias,de outro conl as forinacOcs sociaiS donli―
nadas,sao as contradicOes entre capitalismos nacionais quc
fornecem a chave da grande crise desse periodO。
Destrui90es de guerra?EnorIIle divida piblica?]Divida
cxterna para com os Estados Unidos c a Gra― Bretanha?Na
Franca,volta a resposta,sempre a lnesma:“ A Alemanha pa―
gara"。 ・A Franca bem quc``pagara''ap6s a derrota de 1871.
Mas as reparacOcs exigidas da Alemanha vao forcar osindus―
triais desse pais a exportar inais,cspecialinente carvao,a90,
produtos metalirgicos e mecanicos, o que vai endurecer a
competicao germano‐ britanica.
Durante a guerra,fortaleceu― se o poder econOrliCo ame―
ricano; igualinente seu poder financeiro: os investilnentos
externos americanos passaram de 3,5 bilh6es de d61ares em
1913 para 6,5 err1 1919,ao passo quc os da Gra― Bretanha re¨
cuavam de 18,3 para 15,7;paralelamente,as reservas de ouro
americanas crescerFl fOrtemente nos Estados Unidos,de O,7
err1 1913 para 2,5 bilhOcs enl 1921,Inuito mais quc na Gra―
Bretanha(de O,2 para O,8)。 A cotacao da libra esterlina em
d61ares caiu de 4,78 enl 1914,antes do desatrelamento do
ouro,para 3,78 em janeiro de 1921;ora,esta fortemente an―
corada a ideia de que,para poder reencontrar seu estatuto de
moeda universal, a libra deve poder “olhar o d61ar de
frente"(ou Seja,recobrar a paridade de antes da gucrra e vol…
tar a cOnvertibilidade ouro)。 Mas,na rnedida errl quc a indis―
tria britanica naO rea五 za ganhos de produtividade superiores
aos de seus concorrentes,essa politica deixa as exportacё es
mais caras,logo, Inais diiceis,c o reerguilnento comercial
mais problematicO;Ou entao,deve… se reduzir o consumo in‐
248 MICHEL BEAUD
QUADR0 11
A REDE DOS COMPROMISSOS FINANCEIROS INTERNACIONAIS
LOGO APOS A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL*
GRA‐BRETANHA
`
ぐ,2)
ヽ
ヽ
(17,2)
(8,3)′
/
/
。Em bilhOes de d61arcs.
haveres guardados no estrangeiro(investimentos externos)em
1919.
reservas de ouro dos bancos ccntrais em 1921.
―
Situacao das dividas interaliadas no fiin da gucrra.
<― ――― ``repara90es''devidas pela Alemanha cm 1921.
F04ras:Esquema cstabelecidO segundo Ao Sauvy,IisrOireご cο″ο″7′σ
“̀de′
α Fra4-
“
,t.I,pp。 141 e segs.e169;Ho Heaton,=お ′οJ″ ごco″ο″″″θ dθ ′
)Eur寧
,t.H,
pp.257 e segs.;M.Bye c Go de Bernis,RcFarJο ″sごcο″0″″
““
加″″α″ο″ars,t.1,
Danoz,1977,p.347;Jo Nere,Lα crrise dθ f929,p.8.6な ′0′αおグαJos dθソem sθr cO″―
sideraびοs cο ″ο`brde″ sグθ gra″ dezα ".
A」EMANHA
胴
ヽ
ヽ
、
一
′
′
/
‐‐‐鵬Ⅳ
‐‐↓▼輌
/
′
△
▽
HISTORIA DO CAPITALISM0 249
terno e notadamente o poder de compra operario,O que leva
a duros confrontos sociais.
Pagamento das repar"ё es alemas,retOrnO a paridade
c a cOnvertibilidade ouro da libra,mais amplamente,preocu‐
pacaO generalizada de voltar a um sistema lnonetario interna…
cional fundamentado no ouro, tentativas para resolver o
inextricavel prOblema das dividas internacionais:9 todos esses
problemas monetariOs e inanceiros que dominam os anos
vinte tem uma dilnensao ecOnonlica e socialo Profeta cntao
pouco escutado, Jo M. Keynes o havia rapidamente conl―
preendido:``Na verdade,o padra0 0urOja nao passa de uma
reliquia dos tempos barbarOs.Todos n6s,a comecar pelo Go‐
vernador do Banco da lnglaterra,estamos agora interessados
cln prilneiro lugar na preservacao da cstabilidade dos neg6‐
cios,dos precos,do emprego,e nao e prOvavel quc,quando
estivermos na obrigac薇〕de escolher,sacrificaremos delibera‐
dalnente tudo isso a csse dogIIla gasto quc outrora teve seu
valor:3‐ 17‐ 101/2 para urna onca de ouro",cscreve ele em
1923 em∠ 7秘c′ 0″ ″0″θ′αげ Rg/0″″O Mas em 1925,ap6s
cinco anos de esfor9os nesse sentido,a libra recobra sua pari‐
dade de antes da guerra;e sua convertibihdade e restabelecida.
C)pre9o pago foi pesado:a crise de 1921,de uma parti‐
cular gravidade na Gra― Bretanha,com uma queda brutal das
exportacOes c um rapido aumento do desemprego(um nlilhao
de desempregados em janeiro de 1921,dois milh6es em ju“
nhO);a queda,cnl valor constante,das exporta96es quc atin‐
ge naO sOmente os produtos siderirgicos c o carvao,rnas tam…
benl as indistrias de cotoniicio e de laniicio c as fabricacOcs
de rnaquinas(enquantO cln 1923,as exportacOcs alemas reen_
contraram,cm volume,on市el de 1913);o deSemprego,quc
vai atingir ao longo de todos os anos 20 1nais de um lrlilhao de
9 Conferencias dc Paris e Londres enl 1921;Conferencia de Genova enl 1922;ocu‐
pacaO dO Ruhr pelos franceses e pelos belgas,c acordo anglo― americano sobre as
dividas interaliadas(1923);ColniSSa0 1Dawes, 1923;plano Dawes, 1924,acordos
Mellon‐ Beranger e Churchill‐ Caillaux, 1926; Comissao Young, 1928; plano
Young, 1929...ate a morat6ria Hoover,1931,c a Conferencia de Lausanne.
250 MIcHEL BEAUD
trabalhadores britanicOs. PoreⅡl,a praca de Londres reen―
controu sua posicao。
E apenas em 1928, e com um quinto de seu valor de
antes da guerra, quc o franco frances v01ta oficialinente a
convertibilidade ouro.QuantO aO marco alemao,ap6s o so‐
9obramento de 1922-1923,ele e recOnstituido com o auxllio
de creditOs externos, brit`hlicos especiallnente, no mesmo
movirnento que se desenvolveu c modernizou o aparelho in―
dustrial: durante o periodo 1924-1930 os creditos externos
obtidos pela Alemanha sao duas vezes e rneia superiores as re¨
paracOes efetivamente pttas,o que lhe perlnite nao sOmente
se aprovisionar em materias_prilnas,Inas tambem reconstituir
uIIl estoque de ouro dc divisas,e desenvolver seus investilnen―
tos no cxterior.10
1mportancia macica da rede de dividas internacionais
quc implicavam,para serenl apagadas,urrl forIIlidavel ilnpul_
so da producao e das trOcasinternacionais,pernlitindo retirar
os saldos necessariOs;Inas a escolha dos responsaveis lnOnc―
tariOs da 6poca de voltar a um sistema lnonetariO fundamen―
tado no ouro,pesa sobre a retomada das trocas britanicas e
torna vuineravel tOd。 。pais,incapaz de equilibrar suas tro―
caso Ao lmesIIlo tempO,nenhunl centro financeiro assume a
responsabilidade do cottuntO:Os bancos americanos ainda
naO teIIl a capacidade;e a praca de Londres,toda ocupada
que esta em reconstituir seu′ θαJθrs力″,naO tem enta0 0
podero Sobre esse ponto,6 justo o diagn6stico de C.P.Kin―
dleberger:
C)sistema econOnlico internacional foi deixado instavel pda
incapacidade da lnglaterra e pela reticencia dos Estados I」 ni‐
dos enl assunlir as responsabilidades da estabilizaφ 6 em tics
setores particulares:a)inantendo unl FnerCado relativamente
aberto para as lnercadorias que nao tinham achado compra‐
dores;b)fornecendo,de forma contraciclica,emprestimOs a
10 Sobre esse ponto,ver Jo Akerman,S′ ″cryras α cソcrasとο″。″″
““
,t.Ⅱ vol.2,
p.509。
HISTORIA DO CAPITALISM0 251
longo prazo;c)minimizando a aIIlplitude da crise.O sisterrla
econOnlico inundial era instavel,a naO ser quc unl pais o esta‐
bilizasse,assiln como o havia feito no secu10 xIX e ate 1913 a
lnglaterra.I〕 In 1929,os ingleses nao pOdianl e os alnericanos
naO querianl faze_10.QuandO cada pais se pOs a proteger seus
interesses nacionais pr6prios, o interesse geral mundial foi
evacuado e conl ele os interesses privados de cada uma das
nacOes.H
Ё nesse contexto internacional fragil que se desenvol‐
venl,conforlme encanlinhalnentos que lhes saO pr6prios,os
diferentes capitaHsmos nacionais:9 britanicO,preso entre a
combatividade de uma classe operaria que recusa os sacri■ ‐
cios exigidos e a pugnacidade de scus concorrentes industriais
estrangeiros; o alemao,cOncentrado, dinaHlicO, expansivo,
sustentado por uma vontade nacional de superar a hunulha‐
caO;O frances,mais disparatado do quc nunca,con■ itado
entre a grande indistria c o artesanato,entre a callna da pro‐
vincia c a aventura do imp6五 o;o americano,arrebatado entre
o frenesi da producao cm massa,do consumo em massa,dos
atulhamentos e da especulacaO;e depois os outros:os dife‐
rentes capitalismos curopeus,o japones,as novas producOes
dos``paises novos",a qucnl a prilneira gucrra dё u uma pri‐
meira oportunidade.
A luta nos inercados externos se torna iniexivel:assiin,
enquanto a libra volta a cOnvertibilidade ouro, as exporta―
90es britanicas caenl em valor de 1924 a 1926 e ficam,de 1927
a1929,abaixo do nivel quc elas haviam atingido em 1924;as
exportacOes francesas havianl se beneficiado da desvaloriza―
caO dO franco na priineira llletade dos anos 20,Inas com a
cstabilizacao financeira de 1926 e o reatrelamento ao ouro de
1928,as exporta95es de inimeros setores diminuem ja cm
1l Co P.Kindleberger,η りθ″りrrJ DepressiO″ f92,f939,un市 ersity of Califomia
Press,1973,p.292,citado por R.Boyer e Jo Mistral,ス cc“″″″″ο″,可ヽ ′′ο″,
crses,p. 161‐ 162.
252 MIcHEL BEAUD
1928。 12 Nessa luta os velhos capitalismos recuam frente ao
surto dos novos.
Assinl se acha cada vez lnais fechada a via dos lnercados
externos. C)ra, o capitalismo americano acaba de conhecer
unl excepcional periodo de acumulacao e de cxpansao,assirn
como os capitalislnos japones,alerrlao,frances."Por outro
lado,a crise que sacOde a agricultura Fnundial desdc o fim da
PriFneira Guerra――superproducao,queda dos pre9os,queda
dos rendilnentos dos agricultores― ―reduz unl outro rnercado
essencial para os produtos industriais.■ voltandO a cssas rea‐
lidades econOIIlicas fundamentais,c naO se cOntentando em
scguir,como faz Jo K.Galbraith,13 aS peripecias da cspecula‐
9■o na bolsa,que podcrrlos compreender a grande crise do
perlodo de entre‐guerra.
TABELA 27
DISTRIBUIcAo DAS EXPORTAcOES MUNDIAIS
DE PRODUTOS MANUFATURADOS
1913 1929 1937
Gra‐ Bretanha
Franca
Estados Unidos
Alemanha
Japa0
outros
30,2
12,1
13,0
26,6
2,3
15,8
22,4
10,9
20,4
20,5
3,9
21,9
20,9
5,8
19,2
21,8
6,9
25,4
Totais 1(】 D 100
Fo″″:Ho Magdoff,LИ r d9′ imptt■鵡
“
,p.55.
A crise foi crOnica na Gra¨ Bretanha ao longo de todos
os anos 20;ela 6 1atente na maioria dos outros paises capi‐
12 cf.。 s trabalhos enl curso de Jo Marseille,historiador,professor na Universidade
dc Paris vHI.
13J.K.Galbraith,ん α Crise a∞″0″ヵ″
`滅
ァf929,1955,trado francesa,Payot,1961.
HISTORIA DO CAPITALISM0 253
talistas, notadamente nos Estados Unidos e na Franca,no
final dos anos 20。 A especulacaO c O panicO de Wall Street
constituem o fascinante catalizador da crise econOrFliCa ame―
ricana;o conhecilnento desta,suas repercussOes banCarias e
financeiras no mundO,Os efeitos quc ela tera atraves da quc_
da dos intercambiOs comerciais arnericanos VaO precipitar em
cada pais crises quc,na verdade,Ja cstavaFn em andanlento
ou em gestacao.
UIn mundo esfacelado
Em 1929,o indice das cotacё es dos valores nos Estados l」 ni―
dos sc lnantinha por volta de 200‐ 210;enl 1932,ele abaixou
para 30‐40. O pre9o dO cottuntO das lnercadorias calu,ao
mesmo tempo,en1 30 a 407o;a queda foi ainda nlals terri‐
vel em alguns mercados. Nos principais paises industrials
do mundo,a producao se reduziu en1 30 a 500/o,conforlme o
caso,c o valor do comercio mundial enl 1932 s6 atingia um
ter9o daquele de 1923.AC)rganizacao lnternacional do Tra‐
balho calculou quc,enl 1933,uns 30■ lilh6es de individuos
estavam sem trabalho no mundo inteiro(¨ 。)。 Nunca ocOr‐
reu nada igual a isto.1929a1933 sao os anOs da grande de‐
pressao。 14
Em andamento no`逮 nago de cada capitalismo nacional
onde se esgota oo modelo pr6prio de acumulacaO dO ap6s‐
guerra, agravado por um quadro internacional em quc a
ausencia de unl sistema estabelecido de pagamentOS interna―
cionais e os surtos de protecionismo lilnitam a cxpansao das
trocas,e nos Estados Unidos quc se desencadeia o prOCesso
lecisivo da``Grande Crise".
14 Robbins,Lα Grα″dし .Dёpr鰯わ″,f92,f9タイ,trad.francesa,Payot,1935,pp.
27-28。 .
・
254 MIcHEL BEAUD
∠″ericaノだ′。..′ βだ加assfrstノ
Logo ap6s a Grande Guerra,os Estados Unidos saЭ a
priineira potencia ccononlica do mundoo A renda nacional
passou de 33 bilhё es de d61ares em 1914 para 61 cm 1918。 A
indistria se fOrtaleceu particularmente,adquirindo a partir
dai uma predonlinancia mundial na maioria dos setores:75
milhoes de toneladas(10ngas)de mineriO de ferro extraidas
em 1917 e 555■ lilhOes de toneladas(Curtas)de carvaO;60
milhOes de toneladas de petr61eo extraidas enl 1920(doiS ter_
9os da producao muttdial); uma prOducao dc eletricidade
equivalente aquela de tOda a lEuropa;cerca de 40 1nilhOes de
toneladas dc a9o produzidas enl 1920(maiS quc a rnetade da
producao lnundial);e o aVan9o das indistrias lnodernas:au_
tomobilistica, e16trica, quilnicao Se, apesar de seu grande
crescilnento,a frota arrlericana ainda nao ultrapassou a frota
britanica,o cOm6rcio americano aproveitou as necessidades c
as(Ⅱficuldades dos Outros paises para atingir,cnl 1920,um
nivel recorde:mais de 5 nlihoes de d61ares de importac6es;
mais de 8 1nilhOes de d61ares dc exportacOes.E,se ps investi‐
mentos externos dOs Estados Unidos ainda sao,cm 1919,in―
feriores a rrletade daqueles da Gra― Bretanha(6,5 contra 15,7
bilh6es de d61ares),scu eStOque de ouro e de 2,5 bilhOes de
d61ares crr1 1921 e seus creditos de guerra conl os aliados e da
ordern de 12 bilhoes de d61ares.
Ademais, a intervencao lnllitar americana fOi decisiva
ao solucionamentO da guerra;a participacao do presidente
Wilson na Conferencia da Paz e o papel que nela representou
consagraranl o acesso dos Estados l」 nidos a prilneira catego‐
ria das potencias lnundiais.
Mas o senado americano se recusa a ratificar o Tratado
de Versalhes e ate rejeita a adesao dOs Estados Unidos a So―
ciedade das NacOes,a edificacaO da qua1 0 presidente Wilson
contribuira poderOsamenteo Nas eleicoes de 1918, sao os
republicanos quc cOnquistarn a maioria da Camara dOs Re―
presentantes e,enl 1920,6 urrl republicano,W.Go Harding,
HISTORIA DO CAPITALISM0 255
quc e eleito para a presidenciao Aos ideais de democracia e de
menl isto,se quiSererrl,de egoismo nacionalista,Inas cu pen―
覇滉itlT凛寵1:井部翼翼r盤譜瞥:駕議:
hgat,就
写榔
6瞥
翼∬讐
e誂
騰yI∬
,dorava正%
pagamento.E〕 o crescilnento americano,durante os anos 1920,
vai poder ser feito largaFnente bascandO― Se enl recursOs ame―
iXI舗 i]II憂 1驀滋 無 :T猛 :肌
::驚:姦濫 裁賢電』蹴鑑|『mT‖霞:L猛誰
cana cm 1904‐ 1914 eram aplicadas oito vezes mais de obri―
留Ta麗問″瑞 器留l跳轟『1翼∬」ム
aplicadas nos Estados Unidos e vinte vezes lnaiOr quc O FnOn―
tante daquelas aplicadas na Gra¨ Bretanha。 17
Pois o Canada c a America Latina sao,a partir de entao,
os principais campos de investilnento para os capitais alne―
rlcanos.
“憮;W品翌糧器:liT盤 :画
em 26鉗cw亜Sbnd∝ E"ad“ Un‐
rica Latina e 26 na Europa(0。 PaStre,Lα
srra`″gた 加′″
“
α′′0″αたdω groη
“
′
“
α″Ciars α″
`ri"Й
s,pp.169 e segs。 )
17 Jo Nlosi,Lα BO“ rgθ Oおたcanadie″
“
θ,Boreal Express,MOntreal,1980,p。39.
MICHEL BEAUD
E C na America Latina quc saO exercidas a intervencao c
a donlinacaO americanas,(五 plomacia do d61ar e do``grande
bastaO",tendo como s′ Ogα″de cobertura:``A America para
os arrlericanos''(ver Tabela 28).
∠″θ″′6α′rs′ノE um formidavel crescimento,uma fasd―
nante prosperidade que os Estados Unidos conhecem nos
anos 20。 E e principalinente a classe operaria quc agienta os
encargos.Durante a guerra,o nimero de operariOs america‐
nos passou de 10 1nilhOes para 13 nlilhOes de 1920(dos quais
5,5 inilhOes de operarios qualificados); atingira 14 111ilhOes
em 1930(dos quais 6,3 rnilhOes qualificados).]De 1913 a 1919,
o sal`壼io real abaixou;e ineslno conl a aceitacao do principio
da jornada dc oito horas,ela ainda esta longe de ser geralo A
organizacaO dO trabalho,os siStemas de remuneracao impe¨
leIIl as cadencias;fadiga,五 scos tomadOs para ganhar tempo
一 e6o acidente:2 1nilhOes de acidentes de trabalho por ano
no inicio dos anos 20,dos quais 20■ lil mortais todo ano.
0 1novilnento operario americanO que era, antes da
guerra,o rrlenos estruturado dos grandes paises capitalistas,
agora e submetidO a urna ofensiva cm regra.Ё a ittuncaO
federal que provoca o fracasso da greve dos mineiros de 1919.
E a atuacao do lninistro da Justica,Paliner contra os sindica‐
listas e os inilitantes socialistas c anarquistas enl 1920。 Sao as
sentencas das cortes deJusti",especialinente da Corte Supre―
ma,que bloqucianl a aplicacaO de algumas leis socials quc ha‐
viam sido votadas(notadamente sobre o trabalho das cHan‐
9aS).Sa0 0s sindicatos amarelos,controlados pelas direc6cs
das empresas:enl 1927,varias centenas de grandes ёmpresas
recorrem a isto c esses sindicatos agrupaFr1 1,4 111ilhao de
“aderentes".Ё tarnberr1 0 1田 正tOdO suave:participacao aciO_
naria Operaria(maiS de um mnhao de operariOs acionistas)e
paternalismo (habitacao, prOgramas escolares, refeit6rios,
assistencia inedica,ferias``。 utorgadas"pela cmpresa,e senl―
pre suscetiveis de serenl ``retomadas'')。 Sinal de recuo do
movilnento operariO,O nimero de aderentes a AFL cai,de 4
■lilh6es enl 1920,para 3 enl 1929 e 2,5,enl 1932。
HIsT6RIA DO CAPΠ
'ALISMO
TABELA 28
SUCURSAIS BANCARIAS E INVESTIMENTOS AMERICANOS
NO EXTERIOR
257
sucursals bancarlas americanas investilnentos no exterior●
America Latina
territ6rios de
ultramar US
Europa
Asia
outros
7brα′
f9f∂ f939 f92イ f9`θ
3
26
0
0
6‐
47
8
‐6
‐8
0
America Latina
Canada
Europa
Asia
outros
TOra′
8
0
6
4
,
8
3
,
2
,
0
,
0
,
Ю
'Em milhOes de d01ares.
FO"res:Ho Magdoff,LИ邸7こた″im〆rialJS″θ,p。 72;Co Pa1loi,L ttQ″ ο″た
″0″ごJαた capli′α′Js″ er res Fira“ ″
“
rrttα′ゎ″αres,to H,p.126;Ho Uo Faulk‐
ner,Qρo cli`.,t.II,p.695,cC、 Julien,Qρ o c″。,pp. 135e172.
白nesse cOntexto quc uma parte do patronato desenvol―
ve a colocacao em pratica da Organizacao cientifica do traba‐
lhO(taylorismo)e dO trabalho em linha de montagem(fOrdis_
mo).“ Desde 1921'',cscreve Wo Co Mitchell,``a ciencia foi
posta a servi9o da indistria com mais intensidade aue nun_
ca"。 18 Faz parte sobretudo do feitio da grande cmpresa con‐
centrada que, mesmo nao representando toda a indistria
americana,tem nela umain■uencia decisivao A US Steel,c可 a
parte na producao dc a90``cai"em 1929 para 400/o,por cau―
sa do desenvolvilnento da Bethlchem Steel e da RepubLc
Steel;a automobilistica,donlinada por Ford,General Motors
18H.u.Faulkner,9ρ
.c′′.,p.608.A isto corresponde uma forlnidavel cOncentra―
caO da prOpriedade privada:o centesirnO inais rico da populacao detern,em 1922,
61,57o das a96es,69%em 1939,760/o em 1953(Jo M.Chevalier,Lα Sracr“ θ́
′
“
υ″Ciere dθ ″′″ご
“
srrig α
“`rica加`,p.29:segundo Ko Jo Lampman,Rθ
νたwo/
Eca″ο溜′cs α″σS′α′お′′Gs,novembro de 1959).
258 MICHEL BEAUD
e Chrysler;a e16trica,por General Electric e Westinghouse;a
qullnica,por]Du Pont e por dois grupos nascidos na gucrra
(Wαr bα bligs),Allied Chemical and Dyc e Union Carbide and
Carbon.Desenvヴ ve―se a cOncentracao apos a Primeira Gucr―
ra c ao longo de todos os anos 20;registram― se,cnl 1929,
1 245 fusOes.Assim,``enl 1930,as duzentas maiores socieda¨
des controlavam perto da lnetade da fortuna que nao estava
enl bancos(Ou stta,Cerca de 380/o dos capitais investidos nos
neg6cios), atingiarn 43,20/o da renda das sociedades indus―
triais c erarll dirigidas por uns dois lnil individuos".19 Enfinl,
tres bancos donlinanl:o Chasc National Bank, o National
City Bank of New York e o Guaranty Trust Co.
saO essas grandes cIIlpresas concentradas quc,as prilnei‐
ras e cln larga cscala,pOem em pratica a racionalizacao da
producao sob seus diferentes aspectos:
/1“Faca″′zαrαο e,particularlmente,a substituicaO dO trabalho
humano e da maquina a vapor(que relat市 amente ainda e対―
gia uma certa quantidade de mo_de_Obra)pOr rnOtores eletri_
cos; enl 1914, 300/o das maquinas energeticas da indistria
eram de maquinas e16tricas ctta potencia tOtal era de 9 mi‐
lhOes de cavalos;em 1929,70%da producao de energia era de
origenl e16trica e representava 35■ lih6es de cavalos;apaJro―
″たα9αο dOS produtos enl unl pequeno nimero de tipos testa―
dos:enl 1900,contavam― se 55000 tipos diferentes de lampa‐
das eletricas;en1 1923,nao se cOntavanl rnais que 342;o′ ra‐
″″αmθ″rO ごO rrabα′ヵο, cnl todos os setOres das fabricas,
grandes ou pequenos,a compra de inaterias_prilnas,o ritino
de trabalho c a cxploracao ln独 ima da capacidade das maqui¨
nas eraln lninuciosamente regulados por unl plano de produ‐
9aO;α ノαbricacaO em′′″ヵαdり ″0″ragem,O princlplo do n贅 ト
todo utilzado nos abatedouros Armours de Chicago(que
consistia enl colocar os cadaveres de porcos numa cinta trans‐
pOrtadOra quc os apresentava um de cada vez na frente de
cada operador)prOpagou‐ se na indistria automobilistica,na
19 Ho U.Faulkner,″。cir。 ,p.613e615。
HISTORIA DO CAPITALISM0 259
indistria e16trica, na producao de refrigeradores e muitas
outras; α οrgα″lizαrαOグοS ωCr′′6″jOs,oS meSrrlos principios
胤∬盤脚驚電器:∫::留‖III雛1淵寵
para aumentar o rendiinento do trabalho.20
Mas,nao e somente unl novO rnetOdO de organizacao do
獄 lT席器織鮮脱躙務λ]脚脱
鰹驚蝋墨榊麟
introduziu esse novo rnodelo.21
Se a descricao dos abatedouros dc(Chicago possibilita
駕E竃 鰍ぶ 腑 守 :i器 蹴 器 冨 蹴 露灘置 量1
modo de organizacao da producao de rnaneira mais sistema‐
ticao Cada trabalhador ocupa um postO,dO qual ele nao se
mexe,pois``andar a pe,repetia Ford,nao e uma atividade re‐
muneradora"。 Sao,pOrtanto,as pecas que se moviinentam
numa correia transportadora;e cada trabalhador efetua uma
para 79%do pessoal empregado nas fabricas Ford,o tempo
de formacao era inferior a uma semana.
聟キ
`錯
::脚IttLgthlt」サibふ艦ル。″″ゎ″“θルグ“磁
ソαれ“
e sutte正~
da em UER de economia politica da Universidade dc Paris VIII;B.COriat,Op.
イ
・
誌 」傷 W呪 碗 議 ::五貯 1難 託 3‰ た 高 』‰ ″ら″ 。ご亀
p.109.
2(Ю MICHEL BEAUD
A linha de rnontageIIl,ao decompor ao maxirnO as tare―
fas c ao impor uma cadencia a tOdos os trabalhadores,possi―
bilita aumentar a produtividade de unl modo consideraveL
Assirn,o acoplamento do volante magneticO,realizado por
unl operariO,exigia vinte e cinco rninutos;conl uma transpor¨
tadora de corrente e vinte e nove operarios``especializados",
cada uΠl numa operacao,esse acoplamento nao tomava rnais
que treze nlinutos;depois,tendo sido elevada a transporta―
dora de corrente,sete lninutos;e,enfiln,corn as cadencias
tendo sido aumentadas corrl a velocidade da transportadora,
cinco rninutos. A produtividade foi inultiplicada por cinco.
Mas cada trabalhador deve repetir o FneSmO gesto a cada dez
minutos e em sua jornada de nove horas ele tera refeitO mais
de tres lnil vezes o l■ esmo gesto no lnesmo nimero de volan―
tes rnagneticOs.
Como Carlitos,en1 0s 7し″ asハイθdcr″ Os,muitos nao
aceitaHl, nao supOrtanl, recusanl: absenteismo c ′
“
″
“
0ッ
`r
atingenl niveis elevados.I;In 1913,``para uFrl efetivo de 15000
0perariOs,53000 pessoas foram empregadas durante o ano";23
no final dessc lnesmo ano,para aumentar enl 100 pessoas os
efetivos deuma fabrica,a companhia teve de empregar 963.24
Mais quc isso,o secretario da Associacao dos Empregadores
de Detroit se inquieta:“ As iおricas saO urrl barril de p61vora
(.¨).Ё absolutamente necessario fazer algo".25
Essc“ algo",Hcnry Ford terrl a ideia,e de certo lnodo a
audacia: enquanto os salarios da indistria automobilistta
saO de dOis a tres d61ares por dia,ele decide eleva-los para
器1∬讐滋胤t∫i農
=鳳
轟ll電
'∫罵男撫
Day。 O efeito 6 imediato:o″ 用οツθrcai a menos de O,5%eo
23H.Beynon, "句 ″たJ″g/o″ FOrご,Penguin, 1973,c Jo Wolf,Rθ ν
“
θごcO″ο″7Jσ
“
θ,
mar9o de 1957,p.297,citado por Bo Coriat,9ρ .c′′・,p.95.
24K.Sward,Zた
`Lcgθ
″グo/Hc″リノFo〃,1948,p.48,メ″Lorenzi`′ α″らqら c′′。,
ぁ 監.長島 n鋳 Fo耐 講θ■″鶴 ルθ腕 ″,油θ Co″αり ,Srわne■ 1954,p.518,dmdo
por Bo Coriat,9′ 。C′′。,p.95.
HISTORIA DO CAPITALISMO '261
absenteismo segue o mesmo movilnentoo Formam‐ se longas
filas de espera na frente dos escrit6rios de recrutamento da
Ford.A producao vai pOder se elevar rapidamente:duzentos
nlil autom6veis eFr1 1913,quinhentos lnil err1 1915,um nlilhao
clr1 1919, dois rrlilhOes clr1 1923,lnais de cinco milhOes em
1929。 C)pre9o de custo ba破 a c o pre9o basicO dO famoso rno―
delo T(produZidO ate 1927)cai de l。 950 para 200 d61ares.“ A
fixacao do salario dajornada de oito horas para cinco d61ares
foi uma das rnais belas econoFrllaS que fiz em nlinha vida;po‐
rem,subindo‐ o a seis d61ares,fiz uma mais bela ainda":26
conl efeito,Henry Ford sobe a jornada para seis d61ares em
19 de janeiro de 1919 e para sete d61ares enl 19 de dezembro
de 1929。
Mas naO se trata somente,para Ford,de se assegurar de
uma maO_de_obra disciplinada e fiel.Trata¨ se,em prilneiro
lugar,de abrir brechas,alnpliar as diferencas no scio da classe
Operaria:entre aqueles quc trabalhanl na Ford e os outros;e,
dentre os``Ford's",entre aqueles que se podem beneficiar
dos cinco d61ares por dia c aqudes que nao saO(ainda)dignOs.
Nao tem direito ao FlわF DOJJars Dαッ:
一 os opeMrios que tenl lrlenOs de scis ineses de casa;
_Os jOvens operarios de inenos de vinte e unl anos;
一 as mulheres(uma Vez quc elas se casam)。
A16m do mais,uma``boa moralidade"era necessaria:
``lilnpeza e reserva",nao fumar,nao beber,naO jOgar,nao
frequentar os bares.¨ OFレθ DοJJars Dαノ6,assiFn,um instru‐
mento de controle e de algum modo de``adestramento"。 27
MaS Se tFata tambenl de pernlitir a csses``bons trabalha‐
dores"aceder a um“ borFl niVel de consumo"(e,pOrtanto,
assegurar rnercados as fabricas Ford)e fazer``belas criancas"
(C,pOrtanto,assegurar para o futuro uma mao― de_Obra em
“boa saide"para as fabricas Ford)。 Mas deixemos H.Ford
falar:
26H.Ford,ο
ρ.c′′。,citado por B.Coriat,ο ρo c′′.,p。 99.
27 com unl corpo de inspetores que controlam de que maneira os diferentes casais
operariOs gastam scus salarios..。 (B.COriat,9ρ.c′′。,p。 96)。
MICHEL BEAUD
Ao dar unl subpagaFnentO aos homens,n6s preparamos uma
geracao de criancas subalimentadas e subedesenvolvidas,tan‐
to isica quanto moralmente; n6s teremos uma geracao de
OperariOs fracos de corpo e dc espirito,c quc,por esta razaO,
mostrar‐ sc―ao ineficazes quando entrarerrl na indistria.Defi―
nitivamente,6 a indistria que pagara a conta。 28
Nosso pr6prio sucesso depende em parte daquilo que paga―
mos. Se distribuilnos muito dinheiro,este dinheiro e gastO.
Ele enriquece os negociantes,os varejistas,os fabricantes e os
trabalhadores de todas as ordens,c essa prosperidade se tra‐
duz por unl aumento da procura de nossos autom6veis.29
Foi realizada uma pesquisa a pedido da companhia Ford,
em 1929, errl Detroit: sobre 100 fanlilias operarias, 98 pos―
suianl unl ferro de passar e16t五 co,76 uma rnaquina de cOstu―
ra,51 uma rnaquina delavar roupa,49 unl fon6grafo,47 um
autom6vel,36 unl radiO e 21 um aspirador.I〕In 1929,havia
23 1nilhOes de autom6veis enl circulacao nos Estados I」 nidos
(19 para loo habitantes,contra 2 por 100 habitantes na rnes‐
ma data na Franca e na Gra‐Bretanha);com OS pneumaticOse
os acess6rios,a gasolina,os consertos,mais de quatro rnilhё es
de empregos sao vinculados ao autom6vel. Paralelamente,
desenvolvem― sc a construcao de estradas e de auto― estradas e
a cxtracao dO petr61eo; as cidades podem se expandir e a
construcao dc habitacOcs progride a unl ritmo serrl preceden‐
te;o equipamento e16trico e telefOnico progride iguallnente c
a producao de eletricidade dobra cnl dez anose
Exploracao de uma parte da classe operaria segundo os
metOdOs de antes de 1914,de um lado(SalariOs baixos,meto―
dos brutais de enquadramento e de manutencao da Ordern,
力 Crθッ Sys′θ″ e swθα′Jtt sysrθ
“
);maStamb6m producao em
massa, organizacao raciOnal do trabalho, politica de altos
salariOs para uma outra parte dos trabalhadores e, assiin,
28 citado por Beynon,qρ
o c′′。,p。 124,′ ″Bo Coriat,qρ o ci′.,p.101.
29H.Ford,Oρ
o cir。 ,p. 142,citado por B.Coriat,qρ o c″ .,p. 144.
HISTORIA DO CAPITALISM0 263
consumo enl massa ao qual acedc uma fracao da classe ope‐
raria: eis as bases da``prosperidade" americana dos anos
vinte:
一 um crescilnento de 900/o de produ“ O industrial entre
1921e 1929;
一 um investilnento quc ultrapassa,durante esses anos,
200/odo PNB;
一 uma produtividade da hora de trabalho quc aumenta
en1 470/o durante os anos vinte(enquantO durante as duas pri‐
meiras decadas dO secu10 ela aumenta respectivamente em
170/o e l10/o).
LIIn dos s′Ogα″s de Calvin(Coolidge,presidente republi‐
cano eleito en■ 1924,cra:“ (D grande neg6cio da America sa0
os neg6cios".
Mas essc lnodelo se esgota no final dos anos 20。 Meslno
sendo aceito gracas a``artilnanha" dos altos salariOs e dO
acesso a algumas despesas de consumo,o trabalho em linha
de rnontagenl continua esgotante,c o efeito das lnedidas ino‐
vadoras de Ford se atenuao C)s ganhos de produtividade se
tornanl mais rarose C)s scgmentos de rrlercado ficanl satura‐
dos.Ademais,a crise agricola,conl a baixa dos precos e dos
rendilnentos, reduz unl IIlercado importante. C)s IIlercados
externos saO acirradamente disputados.No segundo semestre
de 1929 dilninuem os lucros da indistria automobilistica。
Exalta― se a especulacao na b01sa, inflamada pela sede de
ganhar inais.E C a infernal espiralo Depois a crise.
Essa crise quc,na cuforia dos anos 20,os econonlistas
americanos estavam convencidos de que naO pOderia so―
brevire Assiin,Irving Fisher,cnl 1928:``Nada parecido com
unl craque pode acontecer";enl 1929: ``podc haver uma re―
cessaO nO pre9o das a90es, mas nada da natureza dc uma
catastrOfe";enl 1930:``para o futuro imediato,pelo lnenos,
a perspectiva 6 brilhante"。 E〕 a Harvard Econonlic Society,
erII novembro de 1929:uma``crise grave como a de 1920‐ 1921
esta fOra de qualquer probabilidade"; enl janeiro de 1930:
“existem indicacOes segundo as quais a fase rnais grave da cri―
滉寵留I説:訊∬E蹴1篤謂h`1譜『lTi霧懸朦
comm:ritt il尾霊:]『鷺∬y瞥峨電翼鰍
慰構麗驚構l燿:灘静∬1螂
暴蓮稲三甦l蒲蛸書鷲柵I
1932 e trezc IIlilhOes enl 1933;a produtividade dO trabalho
Mellon quc,caricaturando,haⅥ a lembrado as linhas de for‐
糧 i撃
:認 「 1:1獄 l冨 冒 :鶴 獄 壌 靭 ‖
Cumpre tamb6111 se proteger dos cOncorrentes estran‐
geiros: isso 6 feitO desde 1930,com o vOtO da tarifa Haw_
ley―smoot.As import“oes caem de 4,4 ΠlilhOes de d61ares
::驚i輔酷s■蠍rFぶ職∫滉器littT滉
認
鯰d。肌
1鵠
島∬理織胤柵 む。1::凛ti鵠距
HISTORIA DO CAPITALISM0 265
zando largamente a nova audiencia do radiO,Roosevelt de…
nunciou a``ditadura industrial'',os``reiS da ccononlia",o
“novo despotismo";ele critica a adIIlinistracao republicana c
anuncia uma nova politica: “Sacrificados pelas filosofias
pollticas do governo anterior,de unl canto a outro da nacao,
cidadaos e cidadas v01tam para n6s suas esperancas. Eles
querern equitativamente a parte deles na distribuicao das ri_
quczas nacionais.Eu fa9o o juralnento de dar ao povo ameri―
cano o」Ⅳυ″Deα′,o novo pacto,a oportunidade que ele espe―
ra".Eleito grttas a unl amplo leque de votos heterogeneOs_
democratas do Sul conservadores,fazendeiros descontentes,
sindicalistas,desempregados,negros,Ininorias etnicas e reL―
giosas………,Roosevelt decertonao sabia qual seria o conteido
desse」 Nしw Dθα′◆Ele o elabora pouco a pouco,com pragma―
tismo e tenacidade,apoiando― se sobre as forcas sociais que
podem auda-lo a avancar(espeCialmente o movimento sindi―
Cal),ChOCando― se contra poderosas resistencias(criStalizadas
notadamente pelas sentencas da(Corte Suprema).
Corn o recuo,podemos distinguir tres linhas de forca:
1)a reOrganizacaO c a reativacao de setOres de atividade
fundamentais:inicialinente o banco,comO urn prolongamen―
to imediato da crise bancaria dO inicio de 1933;a indistria
com o NIRA(National lndustrial Recovery Act),dejunho de
1933;a agricultura com o AAA(Agricultural Adiustment
Act),de maio de 1933;a cnergia cletrica cOm o Tenessec
Valley Act, de maio de 1933 c o Public Utilities Holding
Company Act, de 1935; os transportes, com o Railroad
Emergency Act, de 1933 o o Wheeler Lca Transportation
Act,de 1940;34
2)uma p01itica visando recolocar os Estados Unidos em
posicao favOravel n0 1nercado mundial:abandono do padrao―
OurO (19 de abril de 1933), desValorizacaO prOgressiva do
34 ver Lo Ro Franck,L iEフ
`rien“
Rο osavar′ α たMirた
“
sοcた′α″缶ica加 ,1937;A.
Mo Schlesinger,7カ θ∠gθ q′ ROoSC″″,3 vol.;M.Einaud,Rο οsθソθ″α″ RινOル‐
′′ο
“
σ
“
New Eをα′,1961.
266 MIcHEL BEAUD
d61ar enl relacao ao OurO e pOlitica de acordos comerciais
I;:,I°
C°S eOm base no Reciprocal Trade Agreements Act,de
離獄ぷ淵灘]熙椰鰤
剛[∫:1露群li∬聰 :」』謝鷺1躍
i'W旨
vou o sistema do lucro privado e da livre empresa''。 35 MaS SC
trata de impOr as forcas mais reacionarias c aOs interesses
mais egoistas um cOttuntO de reformas.
recorrerao enl larga cScala a Ocupacao das fabricaso Nesse
mesmo ano,como O NIRA havia sido declarado inconstitu―
菫 織 鋳 ‖
Ⅷ Li∬ 躙
35(〕itado′″ris′。ire gご ″
`rα
′θ ttes c′ ッメ:isar′ο″s,t.VII,p. 141.
HISTORIA DO CAPITALISMO %7
com os salariOs dOs operarios e para o aumento das horas de
trabalho.36
Paralelamente,ele lanca programas de grandes obras,
cria un■ sistema de``bolsas de trabalhO"para alguns descln―
pregados,lanca acOes para a construcao de habitacOes bara‐
tas.I〕In 1936,o Social Security Act sistematiza,para os tra―
balhadores quc tiveranl unl perlodo suficientemente 10ngo de
emprego assalariado,o direito ao seguro desemprego c a apo―
sentadoria.
Nesse periodo,aumentaln as adesOes sindicais.37 MuitaS
dessas adesOes ocorrem numa cmpresa de um modO ColetiVO,
fazendo corrl que se inanifestasse a inadequacao dO Velho sis―
tema dos sindicatos de profissao sobre o qual e fundamenta…
do o AFL.O sistema de sindicatos de indistria se desenvolve
e leva a criacaO dO clc),cm 1935。 EIn 1938,o C10,coFrl qua―
trO FrlilhOes de aderentes, tenl mais membros quc o AFL.
Urna parte do patronato prosseguc uma luta sistematica cOn_
tra os sindicatos:policias privadas,furadores de greves,indi―
cadores infiltrados nos sindicatos,vigilancia c intilnidacao de
sindicalistas(da Cacetada ao atentado ou dinanlitacao das
instala96es sindicais ou habitac6es),utiliZacao de xerifes ou
de iuiZes corrompidoso Mas,a fOrca de coragem,de persis―
tencia e de solidariedade,a acao coletiva sindical obtenl su_
cessos decisivos:em 1937,ap6s as greves da General Motors e
da Chrysler,o(CI0 6 reconhecido como sindicato representa‐
tivo e assina unl contrato coletivo para a indistria automobi¨
listica;Ford s6 acabara por ceder em 1941。 Na siderurgia,a
US Steel,invertendo sua politica tradicional,assina contratos
coletivos coIIl o C)IC),contratos que os produtores``indepen‐
dentes"recusam durante varios anOs.
C)ハ彙31″ Dθα′nao 10grOu reativar a ёnorme mecanica de
acumulacao quc O capitalismo arnericano constitui:apenas a
訴gI寵』:¶:ュJ:麗:詣s‰s∬ :」 b鴨監選lm 1933a4,7 mnhOes emり 36,
8,2 enl 1939, 13,5 enl 1943.
268 MIcHEL BEAUD
guerra conseguira issOo certaFnente o desemprego recuou;po―
rem,ainda ha loO/O de desempregados enl 1940。 Mas a dura‐
9aO inedia do trabalhO baixou efetivamente,passando de cer_
ca de cinquenta hOras a cerca de quarenta horas semanais;os
salariOs reais dos trabalhadores empregadOs aumentam; os
contratos coletivos cObrem unl nimero cada vez lnaior de se…
tores.E,finalinente,a contribuicaO decisiva do ttw Deα ′pa―
ra o capitalismo americano parece estar nisto:
一 conduziu uma parte do patronato a aceitar conces_
sOes que ianl pernlitir a intcgracao do cOnJunto da classe ope―
raria no sistema de cOnsumo;
一 rnarcolL uma ruptura enl rela“ o aO Velho principio
republicano:``Menos governo nos neg6cios e nlals neg6cios
no gOverno";abriu o canlinho para uma``frutuosa coopera‐
9aO"entre O governo e os neg6cios。
Pois,a partir do rnOmento enl quc``o quc 6 bonl para a
General MOtOrs 6 bOm para a Am6riCa",ス ″ericafrst pOde
muito bem ser trocadO por B‖singss■rS′ !
S′θだ′″gノパ′.¨
C)avesso da ascensao do poderio americano 6 o declinio
da Europa.Declinio quc atinge particularrrlente os dois capi‐
talisnlos lnais antigos:O britanic。 ,que dOnlinou o lnundo no
seculo xlx,c O frances,que nunca logrou se arrancar conl‐
pletamente de seu enraizamentO provincial e ruralo Cada um
deles vai se 9bstinar,ap6s a Grande Guerra,crrl restaurar sua
moeda, siinultaneamente instrumentO e sllnbolo de pOder:
fazendO a classe operaria pagar larganlente o preco disso e
extraindo recursOs e riquczas em seu imperiO.
Empenhada desde logo ap6s a guerra numa politica de
retorno da libra csterlina a antiga paridade c a convertibilida―
de― ouro, a ccononlia britihlica foi profundamente atingida
pela crise de 1920-1921,e continuou de uma certa forma cnl―
baracada numa crise insidiOsa ao longo de todOs os anos 20。
HISTORIA DO CAPITALISM0 269
Keynes havia criticado claramente as implicacOes de uma po中
litica como aqucla:
Melhorar o valor inercantil internacional da libra e leva― la a
sua paridade― ouro de antes da guerra,ao pa,so quc ela deve‐
ria lhe ser inferior enl 100/o,significa quc,cada vez que fizer‐
mos uma venda qualquer ao exterior,ou o comprador estran‐
geiro tera de pagar 100/o a lnais em sua rnoeda,ou entaO n6s
deveremos aceitar 100/o a rnenos enl nossa lnoedao C)quc quer
dizer que deveremos reduzir nossOs precOs cIFl eSterlina do
carvaO,do ferro,do frete inaritilno e de qualquer outro pro‐
duto em 100/o para ficar enl posicao cOncOrrencial(¨ 。)。 As‐
siln,a politica de rnelhoramento da FnOeda de Churchill deve―
ria,cedo ou tarde,tornar‐ se uma politica de reducao dos sala‐
rios de dois xelins por libra(¨ 。)。 A de■ acaO nao reduz ossala‐
rios``automaticamente"。 Ela os reduz por interrrledio dO de_
semprego(¨ 。)。 Vergonha para aqueles cuja f6 0S levou a utili‐
Zar[a Carestia do dinheirol para agravar uma depressao!38
E ele propOe uma outra politica:
O que precisamos,a fim de restaurar a prosperidade hoie,6
uma politicaねcil.Desaamos encorttar OS hOmens de neg6-
cios a criarem novas empresas,e nao,comO foi feito,desen‐
coraja-los.39
Err1 1925,a libra recobra sua paridade de antes da guerra
c e restabelecida a convertibilidade― ouroo Mas a que pre9o
para a classe operaria!
Entretanto, csta parecia cm pleno poder no imediato
ap6s‐guerra,com mais de oito inilhOes de sindicalizados e um
partido trabalhista que ganhava de eleicao enl eleicao de um
partido liberal.Mas o patronato e resOluto e se ap6ia sobre
urrl poderoso partido conservador;frente a greve dOs ferro‐
璃榊騨藉l]瀞渕鰯競競篤:質:階
為躍
39 fbide″ ,p.30. ``
MICHEL BEAUD
viariOs de 1919,o7ソ′πas escreve: ``Como a guerra contra a
Alemanha,esta deve ser uma guerra at6 o firn'';em 1920,os
ferroviariOs enl greve nao obterrl a nacionalizacao das lninas,
mas obteIIl a semana de quarenta c oito horas e aumentos de
salttioso Mas a crise de 1920‐ 1921 faz o nimero de desempre‐
gados aumentar:i nlilhao clnjaneiro de 1921,2,5 rnilhOcs em
julho; o desemprego atinge a metade dos trabalhadores na
metalurgia,unl ter9o na construcaO naval; os proprietariOs
das nlinas procuram reduzir os salariOs, por vezes ate em
350/o:o movilnento operariO se choca conl a deterFFlinacao do
patronato(′ οεたο
“
r)e do governoquc,resolvido a``enfrentar
uma situacaO analoga a guerra civil",cnvia as forcas arrna‐
das;ele se divide,sofre conl a indecisao dOs dirigentes,para
finalinente conhecer a derrotao O governo trabalhista rninoH…
tariO de 1924 nao pode iniciar nenhuma reforma social◆ E,
quando, ap6s o retorno a cOnvertibilidade― ouro da libra,o
patronato vem iniciar uma nova baixa dos salariOs,Os lninei―
ros se pOem novarnente em greve(1926);o ConSelho Geral
das Trade l」 nions decide apoia-los cOnl uma greve geral;mas
o governo conservador faz o rei decretar o “estado de cir¨
cunstancias excepcionais"e declara a greve ilegal;mais uma
vez, o movilnento operariO se divide e conhece o fracasso.
Enfraquccc a confianca nos sindicatos,o nimero de sindica―
lizados cai para rrlenos de cinco nlilhOes.
Ja enl 1927,os conSerVadores consolidanl sua vantagem
com a votacaO de uma lei que lilnita os direitos sindicais:
proibicao dO direito de greve para os funcionariOs,qucja na0
podcrrl aderir ao Trade Unions Council;proibicao de greves
de solidariedade,de greves visando fazer pressOes sobre o go‐
verno;a greve geral e decretada ilegal;o pr6prio exercicio do
direito de greve C estritamente regulamentado e o pagamento
de cotiza96es ao Labour Party tornado mais diicile
Fundamentalinente,a classe operaria esta cnfraquecida:
inicialinente pelo desemprego,que atinge ao longo de todos
os anos 20 1nais de unl nulhao de trabalhadores(120/o da po―
pulacao ativa)e vai alcancar,no inicio dos anos 30,tres ml_
HISTORIA DO CAPITALISM0 271
lhOes de assalariados;ela tarnbern e enfraquecida por uma
consideravel heterogeneidade, correspondente a grande di‐
versidade do capitalisrrlo britanicO,as desigualdades de sala―
rios,as diferencas dc estatutos,as tradicOcs de profissOes.
Assiln,erF1 1926,a FnaiOria dos trabalhadores das estradas de
ferro,dos servi9os piblicos e das nlinas sao pagos pOr tempo;
pOreFrl,a rFletade dos trabalhadores dO textil(dOis ter00s no
algodao)saO pagOs por pecas,berrl como dois quintos dos
trabalhadores das lninas e da confeccao c unl terco dos tra‐
balhadores das indistrias rnecanicas,quilnicas,da ceranlica,
do vidro."A16rrl do rrlais,1■ 色ltiplos salariOs decrescentes e
progressivos, prerrliOs e penalidades multiplicam ao infinito
as especificidades e as divisOes.40
Assirrl se explicanl a forte queda dos salariOs nonlinais
de 1920 a 1922 e sua quase estagnacao de 1922 a 1929,o cres‐
cirnento paralelo da produtividade(+ 120/o de 1924 a 1930
e + 100/o de 1930 a 1934)e,portanto,``a reducao lenta FnaS
constante''da parte dos salariOs na producao liquida das in―
distrias de transformacao.Ⅳ Ias a baixa dos pre9os de ataca―
do e,sobretudo,a dos generOs alimentares,perrnite pensar
quc uma parte dos assalariados pOde manter scu poder de
compra;alguns puderam melhorar:de 1924 a 1939,os sala―
rios reais aumentam em 150/o.Ademais,nos anos 30,medidas
vaO ser tOmadas ou generalizadas:Jornada de oito horas,se―
mana anual de ferias(1938)。 Os maiS desamparados podem
receber alguma coisa,aFru`de muitO pouco;menos da metade
dos velhos recebern uma pensaO que s6 raramente atinge um
IIlinilno decente; chefes de fanlilia doentes podeFrl reCeber
Hlagros auxllios― doenca; e as condicOes de atribuicao dos
auxllios― desemprego continuarn,ao longo de todos os anos
30,diferenciados e restritivos.Dai as lnarchas da fome,nota―
dalnente′ em 1932,duramente reprirnidas pela policia.41
Desemprego,pressao sobre O pOder de compra,aumen―
聟融淵鴇脱 :算
'港
・屍もよ淵i∬潟“ψ
滋ぉ″α R MarttLα G″″ルB″―
rag″e cο″′θ″ 0′αJ″θ;C.Ambrosi e Tacel,Iisrθ ′″θごεο
“
0″,'9“θ.
272 MIcHEL BEAUD
to de produtividade, rFliSeria para os mais fracos: a classe
operaria britanica pagou durarnente a polltica de restauracao
da libra dos anos 20,depois os efeitos da crise mundial dos
anos 30 no capitalismo britanicO.
Logo,veerrl_se quais os motivos em jogo,enorlnes para
a classe dirigente,que baseavanl os debates discretos dos eco―
nonlistas britanicOs.Enquanto lKeynes e outros isolados re―
ClaFnaVam o aumento das despesas piblicas,uma politica de
creditO Inenos restritiva,obras piblicas e se opunhanl a busca
sistematica da baixa dos salariOs nonlinais, os econonlistas
quc eranl acatados vianl,neste lltilno recurso,a principal so‐
lucao.Assiln,Pigou,aluno de Marshan e l■ estre de lKeynes,
acha que:se nada entravar o livre funcionamento do rrlerca―
do,``as taxas dos salariOs sempre terao tendencia a corres―
ponder a demanda de trabalho,de forma quc o pleno empre―
go seja garantidOo Logo,em situacao estavel,tOdo rnundo en―
contrara efetivamente um emprego''.42 E Robbins,em terinos
mais explicitos:
Via de regra,pode― sc afirmar sem se enganar quc,sc as taxas
de salarios fosscln muitO mais flexiveis,o desemprego sc en―
contraria consideravelinente dilninuido(¨ 。)。 Se naO estivessc_
mos obstinados com aideia de quc astaxas de salariOs nao de‐
venl ser reduzidas a pre9o algunl,a fim de preservar assiln o
poder de compra dos consunlidores,a depressao atual teria
sido lnuito rnenos violenta c o desempregO quc a acompanha
naO teria atingido uma tal amplitude.43
A rhごθr′θ g`“
`rα
′θ 6 uma construcao que deve, aos
olhos de Keynes,pernlitir refutar e substituir a visao classica:
N6s criticamoslongamente a teoria do desemprego do profes―
sor Pigou, nao porquc ela nos pareca mais criticavel quc a
I←熊 lL電斃盤
θ
冨iftts11:∫ Itl:lTT'∬
|
9ρ o cJ′ .,p.63.
HISTORIA DO CAPITALISM0 273
teoria de outros econoFruStas classicOs,Inas siln porquc,cm
nosso entender,ela representa o inico esforco quc tenha sido
tentado para expor conl precisao a dOutrina da escola cl`お sica
a respeito do desempregoo N6s deviamos combater essa dou‐
trina sob a forrna rnais tenlivel que lhe tenha sido dada.44
A uma saida capitalista para a crise,quc impunha enor‐
mes sacrificios a classe operaria e se arriscava assiFn a leVar a
inquietantes confrontos,Keynes propunha uma outra saida
capitalista quc,Inediante uma retomada da atividade,possi‐
bilitasse reduzir o desemprego,senl amputar o poder de corn‐
pra dos trabalhadores.Nesse sentido,c trinta anos depois do
Fliνθ DOJJars Dη de Ford,Keynes expOe uma teoria econOnli―
ca que perIIlitira Justificar novas politicas,atraves das quais
sera prOcurada,c enl parte conseguida,a integracao d0 1nun―
do do trabalho na sociedade capitalistao C)quc ja csta acOnte_
cendo nos Estados Unidos,mas que parece ainda largamente
irrealista na Europa.¨
A longa crise dos anos 20 e 30 atinge particularrFlente os
setores da prilneira industrializacao que fizerarn o poder do
capitalismo britanico nO seculo xIX:as exploracOes de car―
vaO,a rnetalurgia,a indistria textil.Ao contrario,desenvol―
verrl― sc as indistrias da segunda geracaO: indistria e16trica
(que dObra O nimero de scus assalariados entre 1924 e 1937),
automobilistica(que dObra sua producao entre 1929 e 1937),
transportes rodoviariOs,seda artificial,indistrias alirrlenta―
res.Essa reestruturacao e fortalecida por consideraveis Ope_
ra90es de organizacao setOrial ou de concentracao:a indis_
tria carbonifera compreendia lnais dc lnil empresas nos anos
20;depois de 1930,uma Conlissao de Reorganizacao toma as
decisOes sobre a producao c a expOrtacao, c um cOnselho
Central das Hulheiras favorece a reorganizacaO e a fusaoo Na
siderurgia, o Conlite de Reorganizacao suscita, em 1932, a
fusaO de duas lnil empresas no B五 tish lron and Steel.O setor
44 Jo M.Keynes,Gθ ″θ′η′刀を0げ o/巳mpノ 9ッθttθ″,ル′θres′ α″グMo4(7,′
`υ
σ,trad.
francesa, 1949,p.295.
274 MIcHEL BEAUD
textil continua disperso e pouco eficiente:assiln,cm 1927,ha
57 inilhOes de fusos na Gra― Bretanha contra 38 nos Estados
Unidos e 6 no JapaO;porenl,a producao britanica naO atinge
a inetade daquela dos Estados Unidos c esta prestes a ser al―
cancada pela dO Japaoo Nas indistrias modernas, consti‐
tuem―se grupos poderosos:na qullnica,o lmperial(Chenlical
lndustries,IC〕 I,conl a participacao da Nobelinglesa;na autO_
mobilistica,alRootes Motor Ltd resulta,cnl 1932,da fusao
de oito empresas;a Courtauld doinina o raiom;e a Lcver(Sa_
bonete)assOCia_se enl 1929 a companhia holandesa Margan―
ne Unie para forinar o grupo Unilever,dO qual,a Unilever
Ltd(britanica)detem 460/o c a Unilever NV(holandesa),540/o
do capital.
Em 1935,as tres prilneiras empresas de cada setor con¨
trolanl respectivamente 830/o das estradas de ferro,820/O do
鶴雪
11観
吼策淵:l幣:路こ懺戯篤I:。1梁離鑑
230/o do textil.Ao rrlesmo tempo,30 1nil empresas empregam
entre 10 a 100 pessoas(ou SCja,unl quinto dos trabalhadores
da indistria);130 mil empregam menos de 10(ou seja,500
Πlil assalariados)。 A heranca de urrl passado prestigioso pesa
muito sobre o destino do capitalismo britanico.
Ha tambenl unl grande trunfo nessa heranca:o lmperio,
co10nias e dorFliniOs,que se amphou ap6s a Prilneira Guerra
com um mandato sobre a Africa oriental alema,ccOm uma
zona de influencia no oriente Medio. cada donlinio dispoe
de uma vOz na SI)N,o quc assegura uma predonlinancia aos
anglo‐ sax6es.Na(Conferencia lmperial de 1926 6 afirmada a
igualdade em materia de politica externa dos dOnlinios e da
Gra― Bretanha,Inesmo que esta iltilna tenha``responsabilida―
des particulares''enl questao de defesa.As trocas comercials
da Gra― Bretanha colrl o lmperio resistem melhor a crise dO
que suas outras trocas externas.I〕 quando,enl setembro de
1931,a libra e desatrelada do ouro,6 imediatamente introdu―
zida uma tarifa protecionista.Na Conferencia de ottawa,em
1932,o lmperio e rebatizado British COnllnonwealth of Na―
HISTORIA DO CAPITALISM0 275
tions e e concluido unl acordo de``preferencia reciproca":a
Gra― Bretanha adnlite conl franquia a maioria dos produtos
do Commonwealth;e a Australia,a Nova Zelandia,a india,
o Canada,a Terra Nova,a Uniao sul_Africana c a Rodesia
concedem apreciaveis tarifas preferenciais aos produtos in―
gleses.EIn 1939,a Gra―Bretanha recebera dO conll■ onwealth
380/o de suas ilnportacOes(contra 260/oem 1929)e lhe Vendera
450/o de suas exportacOes(contra 400/o enl 1929).
Paralelamente,os investimentos britanicOs no exterior,
que recuarrl nos Estados I」 nidos e cstagnaIII no Canada,prO_
gridenl na Europa,na Argentina e no MexicO,mas sobretudo
nos paises do Conll■ onwealth:especialinente Austr:狙 ia,Nova
zelandia e india。 45
0ra,a renda desses investilnentos constitui,durante o
periodo entre as duas guerras,unl recurso essencial para as
contas externas da Gra― Bretanha(ver Tabela 29).
Enfirn,Inelhoram os termos da troca,notadaFnente de¨
vidO a fOrte baixa dos pre9os relativos dos produtos bisicos e,
particularIIlente,dos produtos agricolas dos``paises novos":
para a Gra― Bretanha,a relacao dOs precos para cxportacao
COII1 0S precos de importacao sc eleva do indice 60 enl 1881‐
1885 para 82 enl 1926‐ 1930e100 erl1 1931‐ 1935。
46
Retiradas ocultas atraves da trOca desigual, acentuada
45D″
rlib“なαO das″ν
“
′′″
“
′οs exrθ′″os dα G層‐3″ ra″ヵαρο″ragt∝s(em milh6es
de d61ares):
Fllrnn, 1050
4250
28∞
3700
2200
3550
2450
20000
1750
2750
27∞
49∞
3350
5250
2150
22850
Estados Unidos
ranndi
America Latina
Oceanin
′A
Åfricn
乃 ′α′″″″グJα′..
Fo″′θ:P,Mathias, 7カ θ Firs′ ′″dusrrlia′ Nar′0″ ,p.469。
So Amin,L'И cc″″〃″′わ″′′
)Ochθ
Fre″。″ご二αた,p.89.
276 NIIIcHEL BEAUD
por esse inelhoramento dos termos de troca e retirada atraves
das rendas do investirnento externo,significam ampliacaO e
intensificacao da cxploracaO enl escala mundial.I〕In forlnas
adaptadas a cada producao,a cada fOrmacaO sOcial e a cada
tipo de presenca da metr6pole, a coacao ao sObretrabalho
esta enl andamento,cada vez lnais profundamente,nos cinco
continentes.Brotam novas formas de miseriao Novas ittusti―
cas.Novas aspiracOes a libertacao,a independencia:anliide
saO as classes abastadas e os intelectuais,por vezes lnembros
dos cleros, dos religiosos,que se fazem porta‐ vozes dessas
pretensoes.Exatamente quando se torna rnais vital que nunca
para o capitalismo britanico,。 Imperio ja esta marcado por
inumeravels rachaduras.
TABELA 29
BALANcO DE PAGAMENTOS CORRENTES DA GRA― BRETANHA*
摯Em milhoes de libras(media anual de cada periodO)。
Fo″′θ:P.A4athias,opo cノ ′。,p.469.
五θ/ra″ Cグリbθ′ヴ′
Certas fracOes do capita五 smo frances tamb6m havianl,
ja nos anos 20, privilegiado a``exploracao econolrlica" do
lmperiO:plano Sarrault de 1921,criacao dO Banque de Syrie
et du Liban(1919),dO Banque d'■ tat de lちへOF(1925),do
Battque de Madagascar(1925).¨ lDiante da intensificacaO da
concorrencia n。 lmercado mundial,uma lei alfandegaria,ja
comerclo
de
mercadorlas
rendas dos
investimentos
externos
outras
operacOes
correntes
our。
e
divisa
saldo
f920イ
f92J‐ 9
′930イ
′995‐9
一-279
--395
-324
-360
+ 199
+250
+ 174
+ 199
+221
+ 213
+ 127
+ 133
+ 21
+ 1
--66
--77
+ 162
+ 68
-- 89
-105
HISTORIA DO CAPITALISMO
enl 1928,organiza a preferencia imperial e,no essencial,su―
priinc as tarifas entre a lnetr6pole c as co16nias.EIn 1931 6
organizada a Exposicao Co10nial de Vincennes. EII1 193牛
1935a(Conferencia lmperial nao tem muito exitO,s61ogran‐
do substituir pela f6rinula``ultramar''os termos``co10nias"
e“ colonial''.
i na crise dos anos 30 quc a concentracao em tOrnO dO
ImperiO aparece com nllis nitidez:as trocas corFl aS CO10nias
s6representavaln 120/o para asiinportacOes e 190/o para as ex‐
portacOcS em 1928-1930;elas atingen1 270/o das irnportacOes e
30%das exportacOes en■ 1936‐ 1938.EII1 1913,apenas unl de‐
cilno dos capitais franceses investidos no exterior ocorre no
lmperiO;esta proporcaO naO parece evoluir notavelinente no
peFiodo de entre― guerra,apesar da presenca ativa de alguns
grandes grupos:a CFAO(grupO COm capitais lmarselheses
principalmente),a scoA(grllpO COm capitais lioneses,宙 n‐
culado ao banco Demarch9,o Banque del'Union Parisienne
(aSSOCiadO a capitais bordeleses),O Banque del'Indochine,o
Banque dc Paris et des Pays‐Bas.Significativo do estado de
TABELA 30
1NVESTIMENTOS DOS PRINCIPAIS PAiSES CAPITALISTAS
NO EXTERIOR摯
1914 1930 1960
Gra¨ Bretanha
FranOa
Alemanha
Palses Balxos
Estados Unidos
Canada
Suecla
50,4
22,2
17,3
3,1
6,3
0,5
0,3
43,8
8,4
2,6
5,5
35,3
3,1
1,3
24,5
4,7
1,1
4,2
59,1
5,5
0,9
Totais 100 100
*Em porcentagem。
Fo″た:Ho Magdoff,L Иgθ グθ′Ittperiα′isJ"θ ,p.56.
MICHEL BEAUD
espirito dos capitalistas franceses enl relacao ao lmperi。 ,。s
investilnentos que nele sao realizados o sao sobretudo no co―
merci。 (39%),nOS Setores banc缶 lo c imobiliariO(100/0),mas
pouco na indistria(100/0)e naS minas(70/o).47 Esse investi¨
mento nas colOnias e de pOucO peso:pois,ja nesse periodo,o
investilnento externo da Franca esta em declinio.
E ja一 mas e mais hcil,com o tempo,de apreender o
alcance‐―‐aparecem fissuras:distirbios na Tunisia em 1920-
1921,revolta de Abd el‐Krirn no Marrocos(1925‐ 1926),levan_
tanlento de Yen Bay e revoltas camponesas na lndochina
(1930‐ 1931),mo宙mentos,tambem eles reprimidos,na Tuni‐
sia e no Marrocos enl 1937‐ 1938.I:sses movilnentos naO saO
“adnlissiveis",nao somente porquc eles entranl enl choque
conl os interesses coloniais,mastamb61n porque numa parce―
la muito ampla da opiniaO francesa as id6ias coloniais e as
ideias repttblicanas sc rrlisturararn de uma tal maneira quc,
hoje,pode parecer estranho:prova isso,por exemplo,esta
nota de um alto funcionariO:
Foi a lRepiblica quc,cm menos de quarenta anos,refez uma
Franca colonial e que difundiu pelo mundo frances as ideias
de libertacao e de prOgresso social(¨ 。
)。
A tarefa dessa politica
colonial e dupla("。 ): Criar um direito de populacOes colo―
niais,desenvolver e favorecer a evolucaO sOcial e cconOnlica
dos povos indigenas(¨ 。
)。 [Assilnl a Franca podera fazer dos
povos indigenas quc ela dirige e instrui povos associados a sua
vida,livres em seus costumes e em sua cvolucao,pOrem fede_
rados na Franca de ultramar.48
Mas se o IInperio pOssibilitou amortecer em parte os
efeitos da crise dos anos 30,nao e principalinente sobre sua
cxploracao que se baseou o crescirnentodo qual se beneficiou
47 co coquery‐ Vidrovitch(ed。 ),Cο″″αisancθ グ″1爾θrs Mo″グ′(COntribu19ao de C.
Coquery‐ Vidrovitch e de Jo Suret‐ Canale)cん α Frα″CC′′ιθ riars NIIonde(contri_
buicaO de M.Beaud).
48 citado por Co Coquery― Vidrovitch,メ ″Co″″αissα″c`グ
“
rliars MOrヽ、9ρo cル .,
p.231.
HISTORIA DO CAPITALISM0 279
o capitalismo frances nOs anos 20。 Este crescilnento e inega_
vel:sobre base 100 em 1913,a producao industrial era 57 em
1919, c55, por causa da crise,enl 1921, ela atinge 109 cm
1924e127 enl 1928.Entre 1922 e 1929,a taxa de crescilnento
da producao 6 de 5,8 por ano,uma taxa comparavel a da Ale¨
manha(5,7),inferiOr somente a do JapaO(6,8),superior a
dos Estados Unidos(4,8),da Gra… Bretanha(2,7)e da lta五a
(2,3).Este cresciinento foi maior para as indistrias de bens de
producao (quc ultrapassam err1 500/o seu nivel de antes da
gucrra)que para as indistrias de bens de consumo(que nao
ultrapassanl seu nivel de antes da guerra senao enl loO/o).
Assinl se fortalece o lugar ocupado pelo setor dos lneios
de producao na indistria francesa,ao passo que para aindis―
tria britanica(muitO avancada nessc campo antes da Prilneira
Guerra)invertia_se o mo宙 mento.
TABELA 31
ESTRUTURA DO PRODUTO INDUSTRIAL NA GRA‐ BRETANHA
E NA FRANcA*
Gra‐ Bretanha Franca
И″os
bθ″sグθ
εO″S夕
“
ηO** ¨̈
И″os
bθ″sグθ
εO″S″
“
ηO**
″αos dθ
ρroグ″
"
1875-84
1905‐ 13
1920‐ 24
1935‐ 38
78
72
66
59
22
28
34
4‐
*Em porcentagem.
**Construcao e TP inclusive.
Fo″′θ:T.Jo Markovitch,Ca力′θrs dθ ′1」6“ ,n9179,novembro de 1966,p.287.
Esse crescilnento e produzido sobretudo pelas indistrias
de segunda geracao.A producao de eletricidade quadruplica
enl 1920 a 1928;Ernest Mercier,sustentado pelos Rothschild,
280 MIcHEL BEAUD
reine sociedades da regiao parisiense numa l」 niao de lEletri‐
cidade e fortalece os ia9os conl as empresas de fabricacao de
material eletricO: a cOmpagnic Generale d'IElectricite c a
AIsthom (nasCida enl 1928 da fusao da SOciete Alsacienne de
Constructions Mecaniques e de Thomson― Houston,filial do
grupo aIIlericano General Electric).Aindistria automobilisti―
ca vai construir 250 1nil veiculos enl 1928;rnuito para a lEuro―
pa,mas pouco enl comparacao aOs Estados I」 nidos;Inais da
metade sao cOnstruidos por Renault, Pcugeot c(Citroen.A
indistria da borracha,que tenl enl 1929 uma producao oito
vezes e meia superior a de 1913,e dorninada por Michelin.
Consideraveis progressos tambenl na indistria quilnica,doIIll―
nada por Kuhllnann,■las ondetambem se afirmam recem‐ che_
gados,especialinente por ocasi2k)das``reparacOes":o(Dffice
National de l'Azote(Capitals piblicos), a SOCiete du RhOne
(Capitais suicos),Progil(Capitais do textil,de Lyon― os Gilet
――e do Norte…―os Motte).PrOgresso rapido dO alunlinio e da
eletrometalurgia,com Pechiney e Ugineo MesmO a prOducao
de ferro e de produtos siderirgicos,sempre donlinada pelos
Schneider e pelos Wendel,progride durante esse periodo.49
Esse crescilnento 6 estilnulado por urrl forte aumento das
exportacOes,favorecido pela depreciacao do francO ate 1926-
1928: a parte exportada da producaO manufatureira era de
70/o no fim do secu10 xlx e de 80/o enl 1905-1913;ela ultra―
passa 100/O em 1920-1924(mas caira de nOvO para 40/o em
1935-1938)。 Enl 1930,a porcentagern da producao cxpOrtada
6 de 100/O para a hulha, 150/o para a borracha, 170/o para o
autom6vel, 250/o para as indistrias quilnicas,290/o para os
produtos siderirgicos;ela 6 ainda lnais consideravel para as
indistrias tradicionais:300/o para os couros e peles,320/o para
os tecidos dc algodao,380/o para os tecidos de la,500/o para a
confeccao c′ ′″gθ rJθ ,para os produtos farmacOuticos,para os
instrumentos inusicais,600/o para a perfumaria,para a relo―
49 ver P.Bernard,ι α Flirグ '“
“
″ο″αθ rf9ノイー′92,,cM.BCaud,P.Danjou,J.
Da宙d,υ″θ″″ノ′′″α′ブθ″αた/ra″
“
おι「P`chル貿りみιrgルθ_κ
“
カノ
“
α″″.
HISTORIA DO CAPITALISM0 281
joaria― ourivesaria e para a indistria de bolsas e carteiras,
650/o para os tecidos de seda e de raiom.50 POrtanto,cste cres―
cilnento se baseou em parte numa depreciacao relativa do
trabalho frances enl cOmparacao ao trabalho americano ou
britanicO, realizada atraves da baixa relativa,do franco, a
qual facilita a rnanutencao e O desenvolvilnento das correntes
dc exportacao.
Ele se baseou enl grandes progressos da produtividadce
Em francos franceses 1905‐ 1913, o valor da producao por
trabalhador passou de cerca de 2 500 FF enl 1920‐1924(mes‐
mo nivel quc em 1905-1913)para 3500 FF em 1925‐ 1934c
4250 FF em 1935-1938。 ()crescirnento da produtividade foi
particularrrlente forte no periodo 1925-1935(+ 370/o)。 Mes…
mo quc haja recuado de 1913 a 1920(― - 1,80/o por ano em
media),a prOdutividade por trabalhador da indistria cresceu
em um ritmo muito rapido nos anos 20(+5,80/o por ano)e
continuou a progredir de 1930 a 1937(+2,8 por ano)。 Sobre
base 100 enl 1913-1914,a produtividade industrial havia cal―
do para 84 enl 1920;ela atinge 136 enl 1929.Tendo enl cOnta
o fato de quc, durante esse periodo,a duracao semanal do
trabalho e reduzida c as ferias anuais se generalizaIIl,o creSCi―
mento da produtividadc horaria 6 ainda FnaiOr:ela quase do―
bra entre 1920 e 1938.51
Esse crescilnento da produtividade esta ligadO a uma
intensificacao da rrlecanizacao e da rnOtorizacao,a lnOderni_
zacaO c a raciOnalizacaO do aparelho industrial:de 150/oem
1896-1913, a taxa de investiFnentOs aumenta para 190/o em
1928-1931;ao rnesmo tempo,desenvolverrl― se FnetOdOs varia―
dos de intensificacao do trabalho nos diferentes setores e rne‐
didas visando uma inaior estabilidade da classc operaria sa0
tomadas pelos dirigentes das grandes empresas.Assiin,na si―
derurgia:``A reducao do nimerO dos operariOs devida as per_
50「Fo J.ヽ4arkovitch,α″′.cJ′。,pp.307 e segs.
51T.J.Markovitch,α
「
′.cr′.;Jo J.carre,P.Dubois,E.Malinvaud,La CroAsα Кe
/ra″ rαおθ;Ao Sauvy,〃 isrο f″ aη″ο″″
“
θルねFrα″
““
′″ Fas dθ″ g″err6,t.I;
Cepremap,И ′η″Oc力
“
グθノ'Jぼ:α′わ
“
r′
'ar″
′た/ra″
“
お,t・ Hl.
282 MIcHEL BEAUD
das resultantes da guerra,a elevacao dos salariOs",cscreve
Eugёne Schneider enl 1931,``obrigou o desenvolvilnento e o
aperfeicoamento dos equipamentos, substituindo a antiga
maO_de_Obra por eles,tanto para a fabricacao quantO para a
manutencao";eleva―se o nimero de altos‐ fornos,de 73 em
1921 para 154 enl 1929; nesse setor, tanto com os Wendel
quanto com os Schneider,a insercao de uma parte da lnaO…
dc― obra em cidades ou povoados,onde tudo,da habitacao ao
cenliterio,da loja a cscola c ao dispensariO,pertencerrl a fa‐
brica,j16 uma tradicaO。
Nas lninas de carvaO,O nimero de perfuradoras pncu―
maticas passa de 1 400 em 1913 para 13 300 enl 1925;paralela―
mente,C introduttid0 0``sistema Bedeaux",que define uma
nOFma de trabalho:o operariO e penalizado se nao a atinge e
gratificado se a ultrapassa..。 ,e de quando enl quando as nor―
mas saO elevadas;tambenl aie seguida uma politica de estabi―
lizacao― integracao, apOiando… se no ``orgulho de ser
mineiro'',a vila,com o alttamentO,O jardim e a vizinhanca,
a cscola,a igreja,as festas,o carvao gratuitO e,no Norte,a
lingua local.52 Na indistria automobilistica e nas outras in―
distrias IFleCanicas,6 o trabalho em linha de montagern que
serve de base aos progressos da produtividade;na Renault,o
nimero de inaquinas_ferramentas passa de 2250 em 1914 pa―
ra 5 210 enl 1920,c na Citroen,de 3450 enl 1919 para 12260
enl 1927;o nimero dejornadas de trabalho vivo contidas na
fabricacao de um autOm6vel cai de 563 enl 1920 para 129 em
1929(160 na lRenault onde os lnodelos sao mais variados e a
x制子ms`譜霊∬旨庶1肌:"∬殿棚就庶
sobre cinco mOranl em“ habita96es Pcchiney",c anliide em
cidadezinhas onde tudo e contr。ladO pela fabrica.
Assiln,os progressos de produtividade dO periodo entre
"L″
:麗
『
'協 θ″″″ 肋 だ 'Sed,eD.Bmau、 Desル sρθパο″″θおα勝″α″
53P.Fridenson,ζ
7,.cF′.,cM.Freyssenet,Lα DJッおJο″ccρ J′α′isrθ du rraッ α〃,pp。 45e
segs.
HISTORIA DO CAPITALISM0 283as duas guerras resultanl ao mesmo tempo da mecanizacao/
motorizacaO/racionalizacaO da producaO e da intensirlcaca。
do trabalho sob a press:荻)de FnetOdOs de Organizacao e de re_
muneracao variados,conl,muito frequentemente,uma poM‐
tica paternalista de estabilizacaO/integracao dos trabalhado‐
res,seguida pelas grandes empresas.Mas as grandes empresas
continuam uma ilha no capitalismo frances: Os estabeleci‐
mentos com mais de quinhentos assalariados s6 representam
unl quinto dos operarios em 1926 e 1936,enquanto os estabc‐
lecilnentos com menos de dez assalariados empregavalrn ainda
dois quintos deles;e nas pequenas empresas,saO os lnetodos
mais tradicionais de incitacao ao sObretrabalho quc se per‐
petuam。
Essa fase de acumulacao cOmeca a encontrar,por volta
de 1926,seus pr6prios limites:rnaior dificuldade de escoar as
producOes,resultante,de um lado,das divergencias dos cres‐
cirnentos setoriais,do outro,da fraqueza do poder de compra
OperariO e campones;ademais,cndurecc― sc a concorrencia nO
mercado mundial,que vai se tornar inais rude ainda corrl a
cstabilizacao financeira de 1926 e o atrelamento do franco ao
ouro em 1928。 Os pre9os de atacado comecam a baixar em
1926:sobre base 100 em 1913,eles cacm para 94 1naterials in‐
dustriais,de 793 enl 1926 para 697 cln 1928 e 579 enl 1930,
ano em que se presume quc a``crise americana"comecou a
atingir a Franca;esta baixa atinge especialmente os lninerais e
os lmetais,os texteis e os couros,os produtos quilnicos e a
borracha.Paralelamente,o valor das exportacOes comeca a
retroceder:ja cln 1926 para os tecidos de la e de seda,para a
rliFgarlig e as roupas,para os autom6veis,as ferramentas e tra‐
balhos de rnetais;cm 1927 para os tecidos de algodao c os fios
de la.¨・Enfinl,cm 1926,a taxa de lucro para o cottuntO dOS
setores sobe a uΠ l nivel que nunca sera atingidO no decorrer
dos catorze anos seguintese51
“籠,鵜ふぶ轟
・ιメ洗源協胤題Ψ輩融畷撃t'《脱出躍篇胤
″6θ
“
′
`JO′“
′ルθ力お′ο″″
“
′,Cepremap,mimeo.
284 MIcHEL BEAUD
Assim,uma crise ja csta realmente em andamento na
econonlia francesa quando esta sofre as repercussOcs da crise
americanao A obstinada pol■ ica de inanutencao da cOnverti‐
bilidadc‐ouro e de denacaO cOntribuira para faze― la durar:o
maxilnO do nimero de desempregados socorridos e atingid。
em 1935 e 1936(mais de quatrocentOs mil);baiXa ligeira,po‐
renl cOnstante,dos sal`rios nonlinais at6 1936;baixa dos pre‐
9os at6 1935(■ laiS acentuada para os precos dc atacado do
que para os pre9os de vareJo);eStagnacao duravel da produ¨
caO industrial a unl nivel de 10 a 250/o inferior ao de 1928;bai¨
xa das exportacoes,enl volume at6 1932,cnl valor ate 1936。 55
E o protecionismo,o nIJthusianismo,a arremetida da direi‐
ta,1934。 ¨Depois,diante da ascensao do fascismo,a Frente
Popular.
O movilnento operario frances sc achou cm posicao de
forca cm dois lnomentos desse periodo:logo ap6s a guerra,
quando a CGT recobra seus efetivos de 1913(noveCentOs nul
OperariOs)e quando a tlasse operaria da prOva de combativi‐
dadC(1919‐ 1920);no mOmento da Frente Popular,com o
grande movilnento de 1936 e unl surto sem precedente,na
Fran9a,da sindicalizへ )ao(oitOcentos mil sindicalizados em
1935,quatro milhoes em 1937).Porem,ja em 1919,c対 stem
serias divergencias nO scio do moviinento operario:alguns
fazenl greve sobretudo para a apⅡ cacao da jOrnada de oito
horas,outros para uma mudanca radical da sociedade;e de‐
senvolve‐se uma outra divisaO, cntre aqueles quc veem na
URSS a patria do sOcialisl■ o(a vit6ria do socialisI■ o no mun―
do sendo,por cOnsegulnte,condicionada pelos sucessos so―
vi(光icos)… . C a variada gama dos Outros: sera a fratura da
SF10,depois da(CGT;sera um longO perlodO de confrontos
e de enfraquecilnentoo E〕 na Frentc Popular,por ocasiao das
dificuldades quc ela encontra na aproxilnacao da guerra,essa
divisao continua a pesare
55A.Sauvy,″。clir。 ,t。 職 Qpremap,op.cit。 ,t.Ⅳ .
HISTORIA DO CAPITALISMO
Entretanto9 no cottunto,a classe operaria francesa,c
mais amplamente o mundo dos assalariados, logra manter
uma relacao de fOrcas que lhe pernlite,no periodo,benefi‐
ciar―se de uma parte dos ganhos de produtividade dos quais
ela arca conl os encargos;e isto sob duas formas:
1)a reducaO da duracao de trabalho;
2)a defeSa c a progressao dO salario real.
Em 1919 6 votada a lei sobre a jornada de oito horas:
sua aplicacao acarreta uma nitida queda da duracao do traba_
lho enl 1920 e 1921.C)arrefecilnento da atividade provoca,a
partir de 1929,uma nova e sensivel queda da duracao anual
do trabalho.Enfinl,a semana de quarenta horas e as ferias
pagas,cII1 1936,traduzenl… se por uma nova quedao Compara‐
da a lenta dilninuicao dO periodo 1896… 1913 e a parciinOniosa
reducao(ap6s unl nitido levantarnento)nOS anos 1960,a evo‐
luca0 6 sensivel.E ilnaginamos a satisfacao quc Os trabalha‐
dores nao‐desempregados puderam sentir ao reconquistar
“tempo para viver".
QUADR0 12
DURAcAO ANUAL DO TRABALHO NA FRANcA
(EVOLUcAo LONGA)
1930 1940 1950 1970
Fo4″ :Srarお′″
““
θ′ご′
“
das/iFα″Ciares,nP 40,1979,p.15。
QuantO aO salario real,ele progrediu para cada traba‐
lhador ern rnedia de 2,2qb por ano de 1920 a 1930,e del,50/o
por ano de 1930 a 1937。 EE1 1930,o poder de compra de dife―
”
80
70
ω
286 MICHEL BEAUD
rentes categorias de salarios estava em progressao de 140/oa
157o enl comparacao a 1914;modifica― sc a estrutura dos con‐
sumos alimentares das fammias operarias:dilninui a porcen‐
t銀3em dos produtos a base de cereais(120/o em 1930 contra
190/o enl 1905),ao paSSO que progride aquela das aves,frios
e lingiicas(100/O COntra 90/o)e de fritas e legumes(160/o con―
tra 100/0); COntinuam estaveis Os itens ovos/1aticinios/gor―
duras(190/0)e bebidas(130/o)。 56 Nas aglomera96es urbanasin‐
dustriais,donas‐ dc‐casa da inedia burgucsia ficam chocadas:
inlaginem, mulheres de oper力 rios agora estao cOmprando
frangos!
A lei de 1919,sobre as convencOes coletivas,quase nao
foi aplicadac A de 1928 sobre a previdencia sOcial acarreta‐
ra unl prilneiro alargarnento do sal`rio indireto,ctto peSO re_
presentara um quarto da nlassa salarial enl 1937。 I]In 1936,
alerrl dos aumentos de salariOs,as quarenta horas e as ferias
pagas,o direito sindical e alnpliado e fortalecido,o sistema
de conven96es coletivas generalizado,c sao criadOs os delega‐
dos de empresa。 ¨
Assiin,no cottuntO dO perlodo,a classe operaria 10grou
siinultaneamente obter a institucionaHzacao de``aquisicOes"
ilnportantes e beneficiarttsc,sob a fOrma de reducaO da dura―
caO dO trabalho e de aumento do poder de compra,dc uma
parcela dos progressos da producao quc ela suportavac Por
scu lado,se o patronato foilevado a cssas concessOes,obteve,
de uma parte,a intensificacaO dO trabalho no ambitO do es―
forco de inodernizacao e de racionalizacao;e,de Outra parte,
mediante uma politica paternalista,ele inseriu l■ elhor,quan‐
dO naO integrou,fracOes da classe operaria cm muitas regi6es
e zonas industriaiso Mesmo quc a csquerda c a direita todos
na Franca rdeitem,a social‐ democracia,as bases de um c6m―
pronllsso sOCial‐ democrata sao reallnente introduzidas na―
56 Jo Lhornme, ``Le pouvoir d'achat de l'ouvrier francais.… ",Lθ ハイb“νemθ″r sO_
cJα′,abril‐ iunhO de 1968;Ao Sauvy,″ 。c″。,t・ I c II;Cepremap,9ρ o cli′ 。,t.IH。
Nas fases de denaca。 ,e pOr lne10 de urna maior resistencia a baixa dos salarios
nonlinais quc aumenta o poder de compra dos assalariados.
HISTORIA DO CAPITALISM0 287
quele pais entre as duas guerras.C)quc a Alemanha,ber9o da
soclal‐ democracla,naO cOnsegulu nessa epoca.
助
“
rscヵ′α″a7″わθ″αJJgs′
UIn ilnperialisino ferido enl sua expansao c amputado.
Unl capitalismo inutilado e pesadamente punido enl proveito
de seus rivais.Certamente.
Entretanto,aqui ainda mais nitido,tudo nao pode ser
reduzido ao capitalismo,a seus avatares e a seus sobressaltos。
Ha urn exercitO derrotado,c a casta de rnilitareso Ha unl pOvo
hunlilhado,c o nacionalisino.Ha os fer】 mentos indonlinaveisdo racislno,do chauvinismo e da xenofobia.E depois,houve
o encontro dc urrl derrlagogo fora do comunl,desse povo lna¨
chucado,desses interesses avidOs c a fascinacao deles atraves
dO radiO,da propaganda,a encenacaO mOnumental e a vio‐
lencia da massa.Houve o peso da ideologia.Para o homenl:
`Иめ
`J′
″αc力′/rgノ "(“■O trabalho quc te faz livre''。 ¨e co‐
mo nega-lo quandO se conheccu o desemprego?);e para a
mulher:`亀κj“ JθらK「″c力らKtrchθ "(“ Criancas,cozinha,igre‐
ja".¨ c,contra ideias taO sadias,que poderia replicar a lgre‐
ja?).HOuve os atos violentos e ilegais,os lances audaciosos,
o arbitrariO dO mais forte,a violencia desenfreada ou amea…
cadora,os campos.
No outro lado,houve os erros de julgamento,os rosa‐
rios de covardia,os inaus calcu10s.Mas nao houve tambem
um ampla porcao de cumplicidade do cottuntO das classes di―
rigentes?A partir do lnomento cIIl quC O mal era a URSS,o
cOmunismo,o verlmelho,a Alemnha nazista naO pOderia ser
um itil guarda‐ fogo?]Ela nao iria achar iteis compensacOes
numa nova arremetida para o Leste?Por unstempos,o pacto
gerrrlano― sovi6tico destruiu esse sonho.¨ E o incendiO inia‐
mou ol■undo.
O programa do Partido Nacional Socialista,cH1 1920,
tenl aspectos nitidamente anticapitalistas.Ele preconiza a na‐
288 MIcHEL BEAUD
cionalizacao das sOciedades de acOes,que se tornaraO``bens
da comunidade nacional''。 C)tto Strasser,promotor dessa li‐
nha de pensamento,escreve:
A indistria alema,a ccOnoFnla alema entre as lnaos dO capital
financeiro internacional,6 o finl de qualquer possibilidade de
libertacao sOcial,6 o fiIIl de todos os sonhos de uma Alenla‐
nha socialista(“ 。
)。
N6s,jovens alemacs da guerra,n6s,revo‐
lucionarios nacionais‐ socialistas,n6s iniciamos a luta contra
o capitalismo e o imperialismo,cuja cncarnacaO e a paz de
Versalhes.57
0s hinos nazistas conservam vestigios disso:
N6s somos o exercitO da cruz gamada;
Agitai as bandeiras vermelhas;
Para os trabalhadores alemaes,queremos
Aplainar os caIIlinhos da liberdade.58
E Hitler,emル物li4 JttmJ(1925‐ 1927):
Enquanto socialistas nacionais,n6s vemos enl nossa bandeira
nosso programao No verlmelho vemos a ideia sOcial de nosso
moviinento;no branco a ideia naciOnalista;na cruz gamada,
a llllissao de cOmbater para a vit6ria do homem ariano,que
sera tamberFl a Vit6ria da ideia dO trabalho criador,que por
toda a eternidade foi anti― senlita e sera anti_senlita por toda a
eternidade.59
E(Ooebbels,em Rご ッ0′
“
′lio″ des∠ JJg′留α″aむ :
Qual e a meta do socialismo alemao?Ele quer que no porvir,
na Alemanha,ja naO htta urrl prOletariO.Qual e a meta dO
nacionalismo alemao?Ele quer quc,no porvir,a Alemanha
X8糧::器尋i鷺躙 L朧露e% :子 1933,"ad.■ anc“ Lヽa
"鵬 Y°
uQり 70,tLp。 8Q
HISTORIA DO CAPITALISM0 289
naO s● a O pr01ctariO dO un市erso.O nacional‐ socialismo
hada lnais e dO quc a sintese dessas duas concep96es.60
A medida quc o mo宙mento nacional‐ socialista vai se
ilnplantando na IIledia c pequena burguesia e na lnedia e pe_
quena b“
“
θθおlig,61e,SObretudo,que sc apr6xilna do grande
capital industrial e financeiro,o movilnento nazista pOe cm
surdina essa dilnensao anticapitalista(1927),c os prOmOtores
dessa corrente saO elinlinados ja na tOmada do poder(1933¨
193o.
A partir de entao 6 o nusticismo da nacao e da raca,do
sanguc e da forca que prevalecem.Hitier:“ Nao C a inteligen‐
cia fazendo distin96es lnuito sutis quc tirou a Alemanha de
seu infortinio,mas sim nossa艶 (.¨ )。
A razao vOs teria desa‐
conselhado de vir a rniln e apenas a fe vos dirigiu"。
62 E Gocb‐
bels a Hitler:``Enl nosso profundo desespero,n6s encontra‐
mosem V6s aquele que mostra o caminho da艶 (。 。。)・ V6s fos‐
tes para n6s a rcalizacao de unl Husterioso descjoo V6s dirigis‐
tcs a nOssa angistia palavras de libertacao.V6s fottaStes nos‐
sa confianca nσ lnilagre quc vira"。
63E6a histeria iniamada
pelas palavras:``Alemanha,acorda!"― ―``Deutschland uber
alles!"(``A Alemanha acima de tudo'')。 “Os pOVOS que re‐
nunciam manter a pureza de sua raca renunciam ao lmesmo
tempo a unidade de sua alina".64``(D papel do nlals forte 6 o
de donlinar e nao o de se fundir conl o lnais fraco。 "65
1deias silnples, frases dc efeito, IIlarteladas, repisadas
pela propagandao Hitler: ``Eu cstava sempre extraordinaria―
mente interessado pela atividade da propaganda, arte quc
para os partidos burgueses continuava quase desconhecida".
6Cl citado por D.Guerin,Fascお ″
`θ
′Cra4グ Cap′′α′,Gallimard(lF ed。 ,193o,
1945,p。 92;ver talnblln No Poulantzas,Fascismθ θ′Dlicrα ′
“
″θ.
61 1sto e,as camadas de funcionarios,de empregados,de assalariados dos escrit6‐
rios e das adnlinistra96es piblicas.
62 citado tt risra′ θ́gご″●raた des c'ソ J:isarゎ″s,t.VII,p。 93.
63 citado por D.Guerin,qρ .CF′.,p.79.
64 citado por J.Jo Chevalier,■ as gra″d66セッνres′ ο″′′α
“
as,Oρ o c″。,p.369。
65 fbi虎″2,p.367。
290 MIcHEL BEAUD
E ainda:``A propaganda deve ser inantida ao nivel da lnassa
e s6 se pode medir seu valor pelos resultados obtidos"。 E
Goebbels:“ A propaganda s6 tenl uma finalidade:a conquis―
ta das lnassaso E todos os ineios que sirvam para essa finaI‐
dade sao bons"。 E a violencia, Organizada, sistematizada,
programada:os SA,os SS,os trotes,seguidos pelos ataqucs
aos judeus,os ataques aos sindicalistas,aos(maus)Verime‐
lhos,os Ss elilninando os SA,o Estado SS.¨
Por certo,houve a derrota,as alnputacOes e as hunlllha‐
96es:houve as dividas de guerra,a ocupacao do Ruhr,a in―
flacaO abs01uta que destruiu a rnoeda,o peso das reparacOes,
o csfor9o de austeridade."Ha a crise dos Estados Unidos quc
verrl atingir direta e plenamente um reerguilnento econOnlico
de uma cxtrema fragilidade,tanto no interior quanto no exte―
rior:a reserva de ouro do Rcichsbank que se esvai,a produ¨
caO industrial‐ quc,sobre base 100 enl 1928,cai para 59 em
agosto de 1932;o nimero de desempregados que sobe de 2,5
milhOes para 6 rnilh6es em 1932。 Ha um movilnento operariO
enfraquecido por seus fracassos do inicio dos anos 20 c pela
divisao profunda que faz do PC alemaO,estreitamente ligado
al」RSS,e da social― democracia dois irredutiveis adversarios.
Ha uma classe dirigente,cla rneslna dividida,cnl quc o patro‐
nato industrial e financeiro se opOc aos proprictariOs rurais,
as indistrias inanufaturelras a indistria pesada,o patronato
mediO(desaOSO em negociar um compromisso com a classe
Operaria aO grande patronato(preoCupado numa revanche
sobre o lnoviinento operario c em recobrar urn poder absolu‐
tO).Stinnes,Inagnata da indistria,anunciou esse rnomento,
ja cm 1919:“ Os grandes industriais,todos os chefes da宙 da
cconOnlica, recobraraO um dia sua in■ uencia c scu podere
Eles serao lembrados pelo povo desiludido,ineio morto de
fome,quc teri necessidade de pao e naO de frases".E Fritz
Thyssen,enl 1924:“ A democracia,em nosso pais,isso nada
representa".正〕In 1929,agrupaIIl― se em``frente nacional uni‐
da"o lPartido Nacional Alemao e O s′α力′力θin――(Capacetes
de A9o(mo宙mentos promovidos por Hugenberg,presidente
HISTORIA DO CAPΠ「ALISM0 291
do Conselho de Adnlinistracao da lKrupp e magnata da inl…
prensa),a liga pangellnanista c o Partido Nacional Socialista◆
Ha,cnfirn,as classes lnedias__empresarios e negocian‐
tes individuais da pequena c inedia burgucsia;funcionariOs e
empregados da pequena c media b“ 扁θθJslia traumatizados e
atingidos pela crise;o campesinato,cujo poder de compra 6
achatado;a classe operaria,da qual,salienta Reich,algumas
camadas``aburguё sam‐se"e na qual as lnulheres continualn
largaIIlente submetidas a influencia da lgrda。 OS aderentes
do partido nazista,cm 1934,sao:240/o dc empregados assala‐
riados(12%da populacao),13Mb de funcionarios(50/o da po‐
pul“aO),200/o de comerciantes c artesaOs(9%da popul∝ao;
mas ll%``somente''de calnponeses(230/o da populacao)c
32囁D da Classe operaria(450/o da populacao).Em 19ZЮ ,um
ter9o dos oficiais e subofidais SS vem dos IIleios “intelec‐
tuais'':professores primariOs e secundttios,9studantes uni‐
versitarios diplomadose“A base social da ascensao dO nacional― socialismo foi,
portanto,principalinente a pequcna e inedia b“昴θ。ぉlig;inas a
alianca conl o grande capital foi a condicao necessaria dO aces‐
so ao poder。 ()moviinento operario organizado foi rapida―
mente qucbrado pela violencia e pelo envio daqueles que re―
sistiam aos campos de concentracao.POrern,ap6s a tomada
do poder, o poder de compra da classe operaria parece se
manter, c ate mesmO aumenta para certas categorias‐―‐en‐
quanto recua para os funcionariOs,para os pequcnos comer‐
ciantes e para os artesaOs,muitos destes tendo de fechar o ne‐
g6cio e tornar― se assalariado.C)que faz a partir dai a grande
forca do poder hitleriano 6 o recuo do desemprego,o Estado
totalitariO c a perspectiva da afirmacao de uma Grande Ale―
manha。 、
C)inco nlilhOes c】 meio de desempregados enl 1933,dois
milhOes enl 1935,Inenos de urrl ern 1937;algumas dezenas de
milhares em 1939.A producao lnais que dobrou entre 1933 e
“
N.Poulantzas,ο ρo CJr。 ,pp.205,283,314e375.
MICHEL BEAUD
TABELA 32
ESTRUTURA DE CLASSE E ESTRUTURA IDEOLOGICA
NA ALEMANHA EM 1928-1930 SEGUNDO W.REICH*
IDEOLOGIA
ESTRUTURA
DE CLASSE
proletiria
(14,4)
p●quena‐ burguesia
(20,1)
burguesia
o,7)
proletariado
(21,8)
classes
m`dias
(12,8)
burgucsia
(0,7)
trabalhadores
da lndistrla,
dos transpor―
tes,do comer_
trabalhadores
agricolas
rο′α′
trabalho a domiclllo O,1
cmpregados dom“ ti∞s l,3
penslonistas da pre‐
videncia social l,7
empregados subalter‐
nOS Onenos de 250
marcos por mes) 2,8
funcionariOs subalter‐
■os e aposcntados l,4
′4イ ′0′α′
こmadas″″ J“ das ci
dad‐
das quais: pequenos
comerciantes● om 2
cmpregados ou me‐
nos)
pequenos comerclantes
(com 3 empregados
ou mais)
empregados ou fun‐
c10nar10s medios
profissOes liberais
e estudantes
pequenos propriet4‐
rios e rcntistas
aα″αJas ″
"ias dοca″ ο
das quais: pequenos
agricuitores e sitian‐
teS(at`5 ha)
agricultores m6dios
(5a50 ha)
ら6
burguesia
(inClus市 e grandcs agri‐
cultores e proprictariOs
FundiariOs)
*Em milhOes.
Fo″′θ:Segundo W.Reich,qρ o c′′。,t.I,pp。 loc ll.
HISTORIA DO CAPΠ :ALISMO "3
1939:nessa data,cla ultrapassa cm 260/o scu nivel recorde de
1929. Politica de grandes obras― ―auto‐estradas,linhas de
ferrovias, aeroportos(obraS em quc nao estaO ausentes as
preocupacOes estrategicas)一 ―,mas tambern realizacё es de
urbanislno――construcёes,predios de presti唸 iO para o reglmee
Armamento:ja em 1935,as despesas alemas dc armamento
ultrapassam em 50%as despesas francesas, c as fabrias da
Krupp trabalhanl no lilnite de capacidade;entre 1935 e 1939,
elas se multiplicararrl por seis.Politica de θrsa′z industriais,
quc estiinula a qullnica,a inetalurgia,as indistrias texteis e
alimentares.Tudo realizado no ambitO de uma politica rigo―
rosa de controle de pre9os,de creditO e de neutralizacao do
poder da colrlpra cm excedente;com uma cstrategia dO co‐
merciO externo, fundarnentada em acordos bilaterais e em
mecanismos de pagamento mediante coFrlpensacao,que per‐
nlite unl fortalecirnento das trocas,notadamente com paises
da America Latina c corFl paiSes da Europa central e inediter‐
ranea.
Mas esse novo impulso,essa politica,csse dirigisino sc
apoiam enl poderosos conJuntos industriais e bancariOs dO ca¨
pitalisl■ o alemaO c Os fortalecemo MesI■ o os grupos estrangel‐
ros・― General Motors(Opel),Ford,Unilever,Shell,Schroc‐
der‐……foranl respeitados:a inica obrigacao que lhes foi irrl‐
posta foi a de reinvestir na Alemanha todos os lucros.
ParticipacOes quc o Estado fora levado a ter nos bancos,
nas empresas siderirgicas,nos estaleiros navais saO cedidas
aos interesses privados,as companhias lnunicipais de produ‐
cao e16trica sao desencOraJadas crrl beneicio da indistria pri―
vada; quanto aos Hermann Goering Reichswerke, se eles
aliam capitais piblicos e capitais privados,6 que o aporte pi―
blico e necessariO para o desenvolvilnento da producao poucO
rentavel, a partir de nun6Hos de ferro de baixo teoro Mas,
sobretudo,vai ser rnais fortalecida a cartelizacao dO capitaⅡ s‐
mo alemao:o nimero de carteis havia passado de 1 500 em
1923‐ 1924 para 2 100 em 1930;a IG Farben donlina a qullnica
desde 1926;desde 1926‐ 1927,as Vereinigte Stahlwerke agru‐
294 MIcHEL BEAUD
panl os quatro lnaiores produtores de aco;desde a fusao,em
1929, do Deutsche Bank e do E)iskonto Gescnschaft, tres
bancos dominam o cottuntO dO Sistema bancario.umalei de
1933 sistcIIliza cssa``organizacao"dO capitalismo alemao ao
obrigar as empresas a participarem do cartel de seu rarno:
conl a preocupacaO de racionalizar silnultaneamente horizon¨
tal e verticalinente.E6no seio desses cart6is e dessesたo“zθ閉
que se organiza,se sistematiza o esfor9o industrial necessttrio
ao Rθich.
Poderosamente sustentado e fortemente enquadrado
pelo lEstado,trata‐se realinente do fortalecilnento do capita¨
lismo alemaO,decerto sob a forma mais exagerada quejamais
tenha cxistido de capitalismo de Estado.
Este desenvolvilnento se faz no seio de uma sociedade
encerrada numa rede rn■ ltipla tecida pelo Estado e pelo Parti…
do.Goebbels o havia anunciado:“ O Estado sera a Organiza‐
caO superiOr da vida piblica e privada(...).TOdas as forcas
da nacao seraO submetidas ao Estado,de tal inodo que lhes
sera impOssivel exercer alguma atividade fora do Estado.0
Estado realizara o principio totalitario". Ponta de lanca,
6rgao de vigilancia,de controle,de repressao desse Estado―
sua policia:ja cnl 1933,todas as pollcias locais sao unifica‐
das;em 1934,a Gestapo(poliCia politica)e aS SS Se fundiraln
sob a direcaO de IIiinnller;em 1936,todas as policias sao sub…
metidas ao aparelho Gestapo― SS. De 1933 a 1938,Inais de
quatrocentos lnil alemacs saO presos e rnuitos deles colocados
em campos de concentracao.TodOs Os aspectos da vida sao
encerrados em miltiplas redes.C)s trabalhadores sa0 0rgani‐
zados na Frente do Trabalho criada ja em maio de 1933,na
meslna 6poca em que sao dissOlvidos os sindicatosc Para os
lazeres,重 h名ルグ
“
rcL物 ル (a Forca pela Alegria).Paratudo,
para todos,ha organizacOes:para os jovens,os estudantes,
os professores,os artistas,as lnulheres,os pais.¨ O radiO,a
ilnprensa,o cinema,o ensino estao tOtalinente a servi9o da
ideologia e da propaganda nacional… socialista。
Enfirn, aos alemaes hurrulhados, Hitler abriu a pers―
HISTORIA DO CAPITALISMO
QUADR0 13
CLASSES SOCIAIS NA ALEMANHA POR VOLTA DE 1930。
BURGUESIA O,7)
畷 盤 FONATOI獣 獄 8NATOI:課 翻 冒 舗
FINANCEIRO
aposentados e pensionistas(1,9)e
pequenos proprietarios
e rcntistas(0,6)
APARELHO DO
ESTADO
R
日
Й
』0
い
κ
b
い
ヽ
く
】∩
口
Σ
国
く
Z
口
っ
0
口
』
"5
く
目
∽
口
つ
0
ぼ
つ
m
く
日0
口
,
【
口
く
Z
四
っ
0
口
餞
CLASSE OPERARIA
agricultores
一 m“los(4,υ
一 pequenos(2,4)
trabalhadores assala
TRANSPORTES
INDUSTRIA
(11,8)
(
い
.
じ
∽
0
0
日
あ
口
”
【0
0
As cifras entre parenteses representanl,cln lnilhOes,o nimero de ativos enl 1928‐
1930.
Segundo Wo Reich,Psyc力 OJogた ル mass`グ
“
/aSCな″ら
`フ
.ci′。,t.I,pp.10 e ll。
α
“
饉mmv鶴
〇
:eSfem da rOducaO m江
“
裁
○
:eSfen da「 Oducm ptta o
autoconsumo.
296 MIcHEL BEAUD
pect市a dc uma Alemanha triunfante,ja cmル セJ″ 重徽競″ tO―
dos os homens ``de unl IIlesmo sangue devem pertencer ao
mesmo」Rθich".UIna vez reunido,que fazer de um“povo sem
espa9o"?O rnovilnento nacional― socialista deve``encontrar a
coragerrl de reunir nosso povo e seu poderio para lanca‐ lo ao
canlinho que o tirara de seu estreito habitat atual e o levara
para novos territ6rios".Por certo,6 inister aniquilar a Fran¨
ca:“Nunca perrlllitanl que se forinenl na Europa duas poten¨
cias continentais. EFrl tOda tentativa de organizacao, nas
fronteiras com a Alemanha,de uma segunda potencia nlili―
tar,vejalm um ataque contra a AlerFlanha"。 Porern,6 na Eu‐
ropa,para o Leste,quc o」 Rθich deve se estender:``Cuidem
para quc a origenl do poderio de nosso pais nao esteja nas co‐
10nias,mas siln na Europa,no solo da patria(¨ 。
)。 C)Estado
gigantesco do Leste estarnadurO para o desmoronamento"。
E, finalinente, por que se lilnitar a Europa? ``Um Estado
quc, numa 6poca de contanlinacao das racas, cuida ciosa¨
mente da conservacao dos lnelhores elementos da sua,deve se
tornar unl dia o dono da terrao Quc os adeptos de nosso lnO―
vilnento nunca o esquccanl".
1935:restabelecilnento do servico Fnilitar na Alemanha;
1936;reocupacaO da lRenania;1938:Hitler comandante‐ erFl―
chefe da Reichswehr,ocupacao da Austria,ultimato a Praga,
acordos de Muniquc. 1939: ocupacao da Tchecoslovaquia,
tomada dc Memel,alianca nlilitar italo‐ alema,pacto de naO_
agressao germanO‐ sovietico,invasao e depOis divisao da lPO_
10nia conl a URSS,que ocupa a Finlandiao o fogo da Segunda
Guerra Mundialja esta acesOo A Alemanha domina a Euro‐
pao Mas o ataquc al」 RSS c a entrada dos Estados Unidos na
guerra(1941)invertem a relacao de fOrcase Serao precisOs
mais de tres anOs de uma guerra implacavel,destruic6es em
massa(pro10ngamento militar da producaO em massa e do
consumo em massa),Cinqtenta milhOes de mortos(scis Vezes
mais que na“ Grandc Guerra")anteS da capitulacao alema;e
o emprego da prilneira bomba atOnlica antes da capitulacao
japonesa.
HISTORIA DO CAPITALISMO "7
Duas grandes potencias donlinanl doravante um mundo
devastado:os Estados Unidos,agora lider predOnlinante do
campo capitalista;a URSS,no centro de um nOVO b10cO quc
se proclama do socialisI■ o。
ConclusOes da etapa 5
No essencial,a crise dos anos 1920-1930 resulta das lnes―
mas contradicoes cuJa combinacao levou a guerra de 1914-
1918: sufocamento das indistrias da prirncira industrializa中
9aO; acirramento da competicao entre Os capitalismos na‐
cionais;surtos do movilnento operario para Obter uma divi―
sa0 1nenOs desigual do valor produzidoo E cssas contradicOes
intervem nunl mundo divididO: com a zona de influencia
americana, o Co″7′ηθ″weaFr力 britanicO, o imperiO frances
(maS tambem Os imperios h。landes,belga)C― ― ao mesmo
tempo fechada e voltada para si lnesma一 a URSS.
Mas as indistrias da segunda geracao se achanl,entao,
cm pleno desenvolvilnento. E, notavel retorno dialeticO, 。
reerguilnento do poder de compra de fracOes da classe opera―
ria,quc aos olhos da maioria dos capitalistas devia arruinar
o sistema,revela― se unl elemento de dinanlismo econOnlico c
de integracao social:no cottuntO,reduz― se a duracaO dO tra―
balho e aumenta o salariO real para os trabalhadores dos
grandes paises industriais;mas o desemprego pesa perinanen―
teFnente,e corrl peso enorine cnl perlodo de crise.
Atraves dOs rendiinentos dos investilnentos no exterior,
atraves da troca desigual,atraves da tesoura dos precos e da
HISTORIA DO CAPITALISM0 2リ
melhora dos termos de troca67 deSenvolve― se uma cOnsidera―
vel transferencia de valores das co16nias― ―mas tambern dOs
Wi紺 糠 鰐 職 幽
:胴
瀑 I
curopeias e americanas e enl parte assegurada,ou compensa‐
da,do ponto de vista do capital,por uma retirada dos campe―
sinatos do lnundo inteiro.
No meslno perlodo,como vilnos,acentua― se a concen―
暴1脚年 鱗斃:響χ群
驚 妄『ittW
se confronta diretamente com a producao material, cOmo
ocorrre conl o campesinato e conl a classe operaria;e,por scu
generO de vida, cla, freqtentemente, esta mais pr6xilna da
pequcna c inedia burgucsia.69
67 TermOs de troca da Europa industrial(conjunto de nove paises:Gra‐ Bretanha,
I椰釜鱗鮮麟 ilⅢ繊鰐政}諄謀:
Kindleberger, Thθ Eco″ 0″7Jc Joぼnα′, mar9o de 1955, citado F″ M. MOret,
“獅∬毬∬柑 寛ヽ31T麒選漁 ∬鶴l職篤鮒
θ織 鶴麗鵬:I,電軍篤Fttsettprgadosnapopdacao江市a passa de Ю%
em 1910 a 14%em 1920 e 17%em 1940(L.G.Reynolds,LαbO′ ECο
“
ο″′σα″グ
Lα bo″ Rθ ra″ο″s,Prentice Hall,Nova lorquc,1949,p.27.
300 MIcHEL BEAUD
Essas evolu16es se dao num mundO esfacelado.IIsface‐
lado,cm prilneiro lugar,porque,cunha solidamente en「 lada
no mercado mundial, desenvolve‐ sc a partir dё entao, na
URSS,o coletivismo de Estado。 70 1Esfacelado,tamb6Π
l,por_
quc o imperialismo dOminante de ontem,a Gra― Bretanha,ja
naO tenl capacidade de assegurar a regulacao de unl sistema
de pttament6 1■undial e a prilneira potencia ecOnOnlica,os
Estados Unidos, naO se encarregou de substitul― lao Esface‐
lado,alnda,porque cada grande potencia se pOlarizou num
Objetivo naciOnal:a prosperidade americana,a libra,o fran‐
co,a restauracao dO poderio alemaoo Esfacelado,enfinl,por‐
quc, nas dificuldades da crise,cada grande potencia se fe_
chou cm seu casulo(a Co″ ″ο″wealth para a Gra‐ Bretanha,
O imperio para a Frang⇒ Ou em scu projeto(OAた ソZたα′ame‐
ricano),ao passO que com Hitler a Alemanha se mobilizava
para a grandeza nacional,para O rearmamento,para a con¨
quista,para o dOnlinio da Europa e d0 1nundo.
70 ver M.Bcaud,Lθ
sοcialisme a′ :こρ″″″ dθ ′物お′οlira,cap.4,5,6e7.
6.O grande boo"e do
capitalismo(1945日1978)
Apesar do que posSanl pensar aqueles que veem em cada
guerra, c enl cada crise,enl cada indiciO de crise,um novO
agravamento da “crise geral do capitalismo'', 6 principal¨
mente uIIl novo bο O″7 do capitalismo que se realiza no perio‐
do atual.
Rcalinente,numa grande parte do mundO,ja naO reina
o capitalismo;unl novo FnOdO de acumulacaO e deindustria五 …
zacaO,uma Outra sociedade de classes,uma fOrFrlidavel cOn‐
densacao do poder do Estado fazem reinar nela outras ino‐
dalidades de producao e de aplicacaO dos recursos.
Mas a Segunda Guerra Mundial,a reconstrucaO e O pe_
riodo de prosperidade quc a seguiu,a descolonizacao,a inter‐
nacionalizacao dO capital e as novas industrializacOes do Ter―
ceiro Mundo rnarcarn unl novo surto do capitalismo enl esca‐
la lnundial.E a crise dos anos 1970‐ 1980e,de certO rnodo,o
operador atraves dO qual se realizam esta nova expansao do
capitalismo c as lnutacOes quc a acompanham.