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CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
1 
Fundamentos Históricos do Serviço Social - 
Dimensão Histórica 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 05 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª: Jussara Marques de Medeiros 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
2 
Conversa inicial 
Caras alunas e caros alunos! 
Nesta aula, vamos conhecer um momento histórico muito importante do 
Serviço Social: O Movimento de Reconceituação da Profissão. 
Na nossa trajetória histórica, vamos conhecer as perspectivas teóricas 
que influenciaram o Serviço Social Brasileiro, iniciando pela análise das 
perspectivas do Movimento de Reconceituação, de acordo com Netto. 
Vamos conhecer a fenomenologia, utilizada como base teórica para a 
profissão, relacionando com o contexto da Ditadura. 
Bons estudos! 
Veja o vídeo da professora Jussara em que ela comenta o que mais 
vamos estudar nesta aula. 
Contextualizando 
Nas aulas anteriores, vimos que a característica do Serviço Social no 
período da Ditadura Militar é de caráter conservador e de manutenção de 
status quo. Mas será todos os assistentes sociais nesta época apresentam a 
mesma postura? 
O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) criou o Projeto Serviço 
Social, Memória e Resistência contra a Ditadura para conhecer os profissionais 
que tiveram seus direitos violados na Ditadura Militar. Em 2014, foi realizada 
uma mesa histórica com profissionais de cinco regiões do Brasil, que fizeram 
depoimentos sobre aquele período. Acesse o link a seguir com os depoimentos 
dos profissionais, leia e relacione com uma visão conservadora do Serviço 
Social. Ao final, discutiremos essa questão. 
http://www.cfess.org.br/visualizar/noticia/cod/1121 
 
 
http://www.cfess.org.br/visualizar/noticia/cod/1121
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
3 
Pesquise 
Tema 01: Perspectivas do Movimento de Reconceituação, de 
acordo com Netto 
Netto, no seu livro Ditadura e Serviço Social, a partir de uma literatura da 
área difundida entre 1965 e 1985, registra três momentos de reflexão: o 
primeiro, na segunda metade dos anos 60, o segundo, um decênio depois e o 
terceiro nos anos 80. 
A reflexão de Netto se desenvolve em três direções principais e são 
elas: 
Perspectiva Modernizadora 
Linha de desenvolvimento profissional que encontra o auge de sua 
formulação na segunda metade dos anos 60, sendo que seus grandes 
monumentos são os documentos de Araxá e Teresópolis. 
Núcleo central desta perspectiva: tematização do Serviço Social como 
interveniente, dinamizador e integrador. Mantém uma relação de continuidade 
com o acúmulo profissional na transição dos anos 50 para os 60. 
Cariz tecnocrático de perfil que se pretende atribuir ao Serviço Social no 
Brasil. Estrutural funcionalismo norte americano. Hegemonia posta em questão 
em meados dos anos 70. 
Conteúdo reformista não atende as expectativas do segmento 
profissional. Resiste ao Movimento de laicização e se recusa a romper com o 
estatuto e a funcionalidade subalternos da profissão. 
Vinculação católica, privilegia os componentes mais conservadores da 
tradição profissional (NETTO, 1996). 
Reatualização do Conservadorismo 
O recurso à fenomenologia aparece como o insumo para a reelaboração 
teórica e prática da profissão. 
Ausência da relação entre autores da fenomenologia no Serviço Social e 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
4 
as fontes da fenomenologia: empobrecimento teórico e crítico. 
Requisitos fortemente psicologistas. Retórica da humanização (cristã 
tradicional ou de fundo humanista) e respalda-se no desempenho tradicional da 
ajuda psicossocial. 
Extremo conservantismo no embasamento “científico” com seus 
“objetos”, onde não há uma análise rigorosa e crítica de realidades macros 
societárias. 
Relativa ausência de debates no interior do Serviço Social (NETTO, 
1996). 
Intenção de Ruptura 
A emergência desta perspectiva está contida no trabalho entre 1972 a 
1975 pelo grupo de jovens profissionais da escola Católica de Belo Horizonte, 
onde se formulou o “Método Belo Horizonte”. Elaboram uma crítica teórica ao 
tradicionalismo e propõem uma alternativa que busca romper com o 
tradicionalismo no plano teórico, no plano de concepção e da intervenção 
profissional e no plano de formação. 
Netto aponta três momentos diferentes dessa perspectiva: o de sua 
emersão, o de sua consolidação acadêmica e o de seu espraiamento sobre a 
categoria profissional. 
Para ele, no momento de emersão, o projeto aproxima-se do marxismo 
pelo viés da militância política. Assim, a interação entre os profissionais 
envolvidos no projeto de ruptura e a tradição marxista opera-se pela instância 
político partidária. O autor afirma: 
Dadas as circunstâncias da época, esta aproximação padece de 
vícios óbvios: instrumentalização para legitimar vícios e táticas, pouca 
possibilidade de reflexão teórica, sistemática etc. Quando se repõe no 
marco profissional, ela é filtrada pela recorrência a autores que de 
alguma forma chancelam as deformações próprias desta 
instrumentalização. (NETTO, 1996, p. 268) 
 
Assim, o autor afirma que o projeto da profissão alia-se a um 
militantismo e, o segundo momento, a dominância pertence ao “marxismo 
acadêmico”, mais voltado para um padrão de análise textual obedecendo a 
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
5 
exigências intelectuais rigorosas. O autor afirma: 
No segundo patamar deste momento, prolongaram-se as incidências 
do ‘marxismo acadêmico’, mas o quadro de transição democrática 
repõe política e história como objetos práticos inelimináveis e 
possíveis de reflexão – e a elaboração passa a socorrer-se da análise 
das fontes originais com o recurso a ‘clássicos’ (...). (NETTO, 1996, p. 
269) 
 
O terceiro momento vai analisar a atualidade profissional, da 
problemática da formação e espaços e políticas de prática. Netto (1996) e Silva 
(2011) destacam, dentre as produções profissionais de 1980, o livro de 
Iamamoto e Carvalho, em 1982, para o projeto profissional de ruptura dos anos 
80. Silva (2011) afirma: 
É através dela que se identifica uma aproximação mais amadurecida 
do das produções do Serviço Social com o marxismo. Parece ficar 
desvendada, mais claramente, a compreensão do Serviço Social, 
enquanto profissão no contexto das relações sociais, bem como o 
caráter contraditório da prática profissional, compreensão esta 
geradora da perspectiva de ruptura do Serviço Social. (SILVA, 2011, 
p. 137) 
 
A autora, a exemplo de Netto, ao referir-se ao esforço de ruptura no 
Serviço Social, destaca três momentos: 
Um momento de efervescência e de mobilização política na qual se 
dá a instituição da ruptura no contexto de uma luta intensa pela 
hegemonia, no interior das entidades nacionais de Serviço Social; 
Um momento de aprofundamento e consolidação do Projeto de 
Ruptura com instituição da hegemonia em face da luta com outras 
perspectivas de projeto profissional, especialmente na segunda 
metade da década de 80; 
Um momento de refluxo e de repensar da profissão no final da 
década de 80 e nos anos de 1990, que se situa no contexto da 
ofensiva neoliberal, da crise do Welfare State e da crise do socialismo 
real e dos paradigmas teórico conceituais. (SILVA, 2011, p. 137) 
 
Saiba Mais: Antes de passarmos ao próximo tópico, veja as tendências e a 
conjuntura do processo de reconceituação do Serviço Social clicando no link a 
seguir: 
https://www.youtube.com/watch?v=XUL2uYdbbGI 
Assista ao vídeo da professora Jussara em que ela fala mais sobre as 
perspectivas do Movimento de Reconceituação de acordo com Netto. 
https://www.youtube.com/watch?v=XUL2uYdbbGI
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
6 
Tema 02: O contexto da Ditadura Militar 
O Documento de Araxá surgiu no momento que se efetivava o golpe 
militar de 64, mais especificamente no Governo Castelo Branco. Neste item,serão pontuados alguns elementos ideológicos deste período, de acordo com 
Aguiar (2011): 
 A partir do referido golpe, aponta-se a presença de um governo de 
militares e tecnocratas, sendo a maioria provenientes de classe 
média. 
 Poucos governos foram tão prolíferos em leis, pensando-se, por 
exemplo, que pela lei da habitação se resolveriam os problemas 
habitacionais, o que se justifica pelos militares, profissionais liberais e 
funcionários públicos, não estarem diretamente no processo 
produtivo. 
 Era um governo economicamente imobilista, ou seja, colocava em 
primeiro lugar a estabilização monetária. 
 Era anti-industrializante porque queria moralizar o ganho de lucros. 
 Era conservador, moralista e anticomunista. 
 Conservador porque não queria mudança no status quo e moralista 
porque acreditava que a honestidade dos políticos podia salvar o 
Brasil. 
 Na perspectiva externa, era colonialista porque colocou o país na 
dependência dos Estados Unidos e acreditava que o Brasil só podia 
desenvolver-se com recurso externo. 
 O governo de Castelo Branco assumiu uma perspectiva liberalista-
intervencionista-tecnocrático militar, que é ao mesmo tempo 
intervencionista e liberal e tem como características o idealismo, 
moralismo e conservadorismo. 
Netto (2014) afirma que esse governo foi de continuidade e ruptura: 
 
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7 
Deu prosseguimento e aprofundou as históricas heteronomia da 
economia brasileira e exclusão de massa do povo nas decisões 
políticas; mas rompeu com os parcos componentes democráticos da 
vida política, promovendo reformas no estado (e nas suas políticas 
sociais) para torná-lo mais eficiente na condução do projeto do 
grande capital. (NETTO, 2014, p. 89) 
 
Saiba Mais: Veja agora o vídeo sobre o governo Castelo Branco, pensando no 
contexto da Ditadura Militar: 
https://www.youtube.com/watch?v=SslWijVKbR0 
Nesse governo, algumas são as perspectivas adotadas para subordinar 
o movimento operário e sindical de acordo com Netto. São elas: 
 A lei de Greve, promulgada por Castelo Brando em 1º de junho de 
1964, que proíbe as greves no serviço público, nas empresas estatais 
e nos serviços essenciais; a greve só seria considerada legal para o 
governo quando os empregadores atrasassem o pagamento ou 
quando não pagassem salários conforme decisão judicial. 
 Criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, em setembro 
de 1966, visto que a legislação trabalhista vigente garantia aos 
trabalhadores com mais de 10 anos de serviço estabilidade, só 
podendo ser demitido se provasse falta grave; os trabalhadores com 
menos de 10 anos só poderiam ser demitidos sem justa causa 
mediante aviso prévio de 30 dias e indenização. O fundo de garantia 
extinguiu a estabilidade no emprego e o empregador deposita 
mensalmente 8% do salário em conta nominal do trabalhador, que 
recebe, ao ser despedido, indenização da própria conta. O autor 
destaca que é indiscutível o ganho do patronato. 
 Houve alteração no sistema previdenciário, ou seja, os tradicionais 
IAPS (Institutos de Aposentadorias e Pensões foram unificados no 
Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). O autor afirma que a 
participação dos trabalhadores era assegurada anteriormente e eles 
foram excluídos de qualquer esfera decisória. O Instituto também 
https://www.youtube.com/watch?v=SslWijVKbR0
 
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8 
favorecia a ampliação da medicina privada. 
Assim, as políticas sociais e assistenciais são implantadas de forma 
centralizada, burocrática e autoritária imperando uma lógica mercantil em 
benefício do grande capital, o que não deixa de atingir as instituições 
responsáveis por sua organização e implementação. A questão social é, nesse 
momento, tratada através do binômio repressão/assistência. Para Netto, em 
relação ao governo Castelo Branco: 
(...) foi nos seus aspectos essenciais, expressivo do caráter geral do 
período da ditadura. De uma parte, através da violência desatada 
pelos golpistas na sequência imediata de 1º de abril, liquidou os 
avanços políticos do movimento dos trabalhadores e dos estudantes 
(com a repressão de que foram alvo o CGT, as Ligas Camponesas e 
a UNE); em seguida, com o movimento sindical amordaçado (e para 
isto, a velha legislação trabalhista, que vinha dos anos 1930/1940, 
enquadrando a vida sindical nos marcos estabelecidos pelo Ministério 
do Trabalho, foi bastante útil) medidas “legais” foram direcionadas 
para a destruição das entidades democráticas muito representativas 
(...). (NETTO, 2014, p. 88) 
 
Durante o regime militar, há o fortalecimento da máquina estatal que se 
voltava para a consolidação da chamada modernização conservadora em 
que há ampliação das funções políticas, sociais, culturais e econômicas do 
Estado, esta última integrada à adensamento de padrões internacionais 
definidas pelo centro capitalista, dando continuidade ao projeto posto aos 
países da periferia capitalista. 
A professora Jussara vai comentar mais o contexto da Ditadura Militar. 
Acompanhe no vídeo. 
Tema 03: Movimento de Reconceituação do Serviço Social 
Para Silva (2011), o Movimento de Reconceituação do Serviço Social é 
no interior da profissão um esforço para desenvolvimento de propostas de ação 
profissional, com as especificidades do contexto da América Latina, assim 
como um processo amplo de questionamento da profissão. 
A autora especifica que na análise da literatura de Serviço Social, pode-
se identificar dois níveis de reflexão sobre o Movimento de Reconceituação do 
 
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9 
Serviço Social no Brasil: 
Um trata esse fenômeno em sentido estrito, caracterizando-o como 
um movimento específico, contextualizado num momento histórico. 
Outro enfatiza a temática de Reconceituação num sentido do amplo, 
como um processo permanente de construção de propostas 
profissionais em resposta às exigências do processo social. (SILVA, 
2011, p. 101) 
 
Nesta aula, o Movimento de Reconceituação é analisado considerando 
seu processo histórico, utilizando as perspectivas de Netto, de forma a 
compreender as dimensões que vai se inserindo no contexto da conjuntura da 
profissão. 
De acordo com Aguiar (2011), grupos de assistentes sociais passam a 
questionar o Serviço Social quanto a sua natureza e operacionalidade, frente à 
realidade da América Latina. O autor afirma: 
Reconceituar significa conceituar de novo e isso supõe a existência 
de conceitos velhos ou que precisam ser revistos ou substituídos. De 
início, a reconceituação nasceu do desejo de superar o Serviço Social 
tradicional, que foi transplantado da Europa e dos Estados Unidos, e 
adequá-lo à realidade latino-americana. Realidade de um continente 
subdesenvolvido e dependente. Nesse começo, o trabalho era de 
descobrir instrumentos de acordo com a nossa realidade sem chegar 
a um questionamento das estruturas e continuando a ter como 
referencial teórico o funcionalismo. Mais tarde é que surgirão 
posturas de reconceituação na postura dialética. (AGUIAR, 2011, p. 
160) 
 
Saiba Mais: Netto discute o contexto da reconceituação no contexto 
profissional. Assista ao vídeo com atenção e pense na conjuntura e análise 
política realizada pelo autor. 
https://www.youtube.com/watch?v=JNpmYmBKTFQ- 
 
Com o golpe militar, os assistentes sociais foram perseguidos 
politicamente, assim como suas instâncias de formação. 
Assim, a atuação profissional neste período se deu em três frentes: 1) 
no Estado, que respondia à questão social de forma coercitiva, 
tecnocrática, meritocrática e conforme demanda econômica do 
capital; 2) nas multinacionais, que precisavam de profissionais 
apropriados do aparato burocrático e que pudessem intervir 
diretamente na relação capital/trabalho, em meio às manifestações 
dos trabalhadores; e 3) na filantropia privada, que se expandiu diante 
do aprofundamentoda questão social, decorrente do processo de 
crescimento da população urbana. (CARDOSO apud ASSUMPÇÃO E 
https://www.youtube.com/watch?v=JNpmYmBKTFQ-
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
10 
CARRAPEIRO, 2014, p. 107) 
 
Para Silva (2011), em relação ao esforço de superação do Serviço 
Social Tradicional, afirmam-se os seguintes itens: 
A tese configurativa central que orienta o Movimento de 
Reconceituação é a perspectiva de superação do denominado 
Serviço Social Tradicional. Busca um desatrelamento do caráter 
doutrinário e a construção de novos métodos e técnicas a partir das 
necessidades dos setores populares. Ruptura não só com a 
fundamentação teórica da profissão, marcada pelo conservadorismo, 
mas também para a necessidade de superação do pragmatismo ou 
para a erosão do tradicionalismo. Centraliza-se no questionamento do 
referencial teórico-metodológico da profissão, cuja eficácia mostra-se 
diminuída em face do acirramento das questões sociais em 
decorrência do desenvolvimento urbano-industrial. (SILVA, 2011, p. 
116) 
 
O quadro a seguir ilustra uma forma de análise do Serviço Social e seu 
processo de Reconceituação: 
 
Fonte: https://acessoacpss.wordpress.com/category/aulas-e-slides-graduacao/ 
 
O quadro ilustra Os Movimentos de Araxá e Teresópolis, que se 
relacionam à vertente modernizadora, com influência do positivismo na 
profissão. O método Belo Horizonte mostra a vertente Intenção de Ruptura, 
porém, apontando para o marxismo inicial, com o caráter de militantismo, que 
no quadro é definido como “marxismo vulgar”. 
Para facilitar seus estudos, crie um quadro com as tendências do 
período de reconceituação e suas principais características! 
No primeiro momento, porém, o esforço de superação ainda apresentou 
 
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11 
um caráter conservador que Netto define como “perspectiva modernizadora”, 
conforme discutido anteriormente. Em 1965, com a realização do seminário em 
Porto Alegre sobre o “Serviço Social face às mudanças sociais na América 
Latina”. Entre as conclusões, Aguiar (2011) destaca: 
 O Serviço Social, pela sua natureza, deve atuar sobre as causas dos 
problemas sociais. 
 É necessária a participação do Serviço Social nas equipes 
governamentais de planejamento econômico e de bem-estar social. 
 O Serviço Social deve preocupar-se com a mudança de mentalidade 
do povo e das cúpulas, procurando melhor formação do cidadão e 
maior aproximação entre povo e governo. 
 Os princípios do Serviço Social e suas técnicas são universais, mas 
sua aplicação prática exige habilidade e adequação às situações, o 
que precisa ser mais desenvolvido no Serviço Social latino-americano. 
Concluindo, esses aspectos traziam à profissão um caráter 
modernizador, de acordo com as autoras: 
Analogamente, a modernização do conservadorismo marcou a 
atuação dos assistentes sociais durante o período ditatorial, fazendo 
surgir no Brasil o projeto modernizador da profissão. Suas ações 
visavam à adequação dos indivíduos à realidade social na lógica do 
desenvolvimentismo, vinculada à harmonia social, em um 
compromisso com a ordem vigente. Neste sentido, remetia a atuação 
profissional a responder as expressões da questão social com ações 
pontuais e individualizantes, buscando o enquadramento e 
ajustamento dos sujeitos, com ações corretivas e preventivas. 
(CARDOSO apud ASSUMPÇÃO E CARRAPEIRO, 2014, p. 109) 
 
Pode-se dizer que o projeto profissional de ruptura é identificado 
historicamente a partir dos anos 70, com avanço significativo na década de 80: 
Há que se registrar que, na primeira metade dos anos 1970, a Escola 
de Serviço Social da Universidade Católica de Minas Gerais 
desenvolve uma proposta profissional alternativa ao denominado 
tradicionalismo no Serviço Social, com toda uma preocupação com 
critérios teóricos, metodológicos e interventivos, explicitamente 
direcionada ao que entendia como interesses históricos das classes e 
camadas exploradas e subalternas. Assim, com equívocos ou não, o 
“Método Belo Horizonte” como ficou conhecido, não pode deixar de 
ser considerado um marco no Projeto de Ruptura do Serviço Social 
 
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12 
no Brasil. (SILVA, 2011, p. 135) 
 
Para a autora, na década de 80, o Projeto Profissional de Ruptura se 
consolida e se torna hegemônico na profissão. 
Iamamoto (2013), retomando a história da profissão e do Serviço Social, 
enquanto uma estratégia do bloco dominante, fortalecendo as bases de 
legitimidade para o poder de classe, pontua o que ela nomina de “um arsenal 
de mitos” presentes na prática profissional. São estes: 
 A prática social reduzida a qualquer atividade. 
 A concepção utilitária da prática social, traduzida profissionalmente na 
preocupação com o resultado imediato e visível. 
 A prática social apreendida na sua imediaticidade, como um dado que 
teria o poder de revelar-se a si mesmo como uma coisa natural. Seria 
a naturalização da vida social e a coisificação da prática. 
Veja no vídeo da professora Jussara algumas reflexões sobre o 
processo de Reconceituação do Serviço Social. 
Tema 04: A influência da fenomenologia no Serviço Social 
Brasileiro 
Na década de 60, os assistentes sociais discutem a possibilidade de 
romper com a visão conservadora da profissão, por meio da matriz teórica da 
fenomenologia. Netto nomina essa vertente como Reatualização do 
Conservadorismo. A representante desta visão é Anna Augusta de Almeida e 
sua principal obra é o livro Possibilidades e Limites da Teoria do Serviço Social, 
publicado em 1978. 
A autora desenvolve os seguintes aspectos referentes à fenomenologia, 
de acordo com Silva (2011): 
 Almeida diz interessar-se originalmente pelo homem vivendo sua 
própria experiência, que não se pode dar isolada do mundo em que 
vive (unicidade homem-mundo) e que os pressupostos teóricos se 
 
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13 
constituem em três grandes conceitos: diálogo, pessoa e 
transformação social. 
 O diálogo é percebido como ajuda psicossocial e visto como um 
processo gerador de transformação social. 
Essas reflexões sobre diálogo e a intersubjetividade, na formulação 
destes autores, convergem para o entendimento de que a prática 
profissional é elemento desencadeador da transformação, outro eixo 
temático que figura, também, como central nas reflexões que 
apresentam. Cumpre explicitar, entretanto, que a transformação, 
nessas reflexões, está associada não a considerações sobre a 
superação da sociedade de classes, mas a uma espécie de 
“mudança interna”, uma mudança que começa na ação do sujeito. 
(GUEDES et al, 2005, s. p.) 
 O cliente é percebido como pessoa, sendo reconhecido pela sua 
condição humana e não enquanto oprimido, alienado, desajustado. 
 A transformação social, à luz dessa nova proposta, é percebida como 
capacitação. 
Para Netto, nesta concepção, há uma grande valorização da elaboração 
teórica e “a ênfase recai na interdição do empirismo e do praticalismo, 
ressaltando-se como primordial o investimento na cognição” (NETTO, 1996, p. 
203). Porém, o autor explicita uma contradição no discurso profissional: 
No mesmo movimento, os representantes desta perspectiva recusam-
se a passar a ideia de que seu labor teórico é asséptico: afirmam 
clara e nitidamente os seus valores e objetivos profissionais. Os 
primeiros são, sintomaticamente cristãos (...). (NETTO, 1996, p. 205) 
 
O autor, ao destacar os clássicos da fenomenologia, ou seus autores 
originais (como Husserl), mostra a falta de relação entre os autores 
representativos da vertente de reatualização do conservadorismo a essas 
fontes originais: 
(...) no apelo à inspiração fenomenológica desta perspectiva 
renovadora brasileira, é assombrosa a absoluta falta de mínimas 
referências às problematizações de que as posturas, propostas, 
categorias eprocedimentos fenomenológicos foram e são objetos. 
(NETTO, 1996, p. 213) 
 
Guedes et al, 2005, faz várias críticas a essa vertente, sendo elas: 
 As reflexões apresentadas por esses autores, por não ter referências 
 
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14 
a um suposto projeto societário, tendem a se tornar desconectadas de 
uma tendência histórica presente nas reflexões teóricas sobre a 
prática do Serviço Social no Brasil. 
 Os profissionais que se empenhavam na renovação dessas bases 
tradicionais, no período em que o Serviço Social Brasileiro adere ao 
projeto desenvolvimentista (1955 a 1970) também partilhavam da 
preocupação com um projeto societário, uma sociedade desenvolvida, 
via pela qual refletiam sobre o necessário desenvolvimento social do 
país. 
 As referências à transformação social, nessas reflexões, aparecem 
vinculadas a um suposto crescimento pessoal que tem início com 
atitudes reflexivas necessárias ao engajamento livre e consciente 
que, supostamente, permitiria uma consciência crítica. 
Ao final, temos a conclusão dos autores em relação a esta vertente: 
Os autores que recorrem à fenomenologia e à filosofia existencial 
como subsídios para a prática profissional, associam, de forma 
idealizada, a transformação social às atitudes pessoais que se 
configuram na relação entre assistente social e usuário. Recorrem a 
reflexões críticas como, por exemplo, as de Paulo Freire, mas as 
esvaziam da criticidade que apresentam em relação à necessária 
transformação da realidade social. Tendem, nesse compasso, a 
valorizar princípios abstratos, como o da autodeterminação, 
elegendo-os como centrais na orientação profissional e selam 
tendências a circunscrever-se em análises sobre os componentes 
internos do Serviço Social, como se esta profissão tivesse um 
estatuto próprio, independente das determinantes sócio históricas que 
recaem sobre as requisições de sua prática profissional. Reafirmam a 
inscrição do Serviço Social em projeto social de cunho conservador. 
(GUEDES et al, 2005, s. p.) 
 
Enfim, esta vertente teórica na busca de romper com o 
conservadorismo, apresenta uma visão que também propõe uma visão 
conservadora, ainda voltada para um pensamento humanista cristão. 
No vídeo da professora Jussara, vamos explicitar as características 
dessa vertente e seus limites. Acompanhe! 
 
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15 
Trocando ideias 
Faça um wiki sobre as práticas conservadoras do Serviço Social na 
atualidade. Pontue como essas podem estar presentes no cotidiano dos 
profissionais e destaque quais os caminhos para superá-las. 
Na prática 
Escute a canção “Cálice” de Chico Buarque, criada na Ditadura Militar no 
Brasil: 
https://www.youtube.com/watch?v=wV4vAtPn5-Q 
Pesquise o contexto do governo militar em que foi criada esta canção e 
seu significado, destacando o contexto social, político e econômico baseado 
nos conteúdos discutidos em nossas aulas. 
Síntese 
Nesta aula, foram pontuadas as três vertentes de análise de Netto em 
relação ao Movimento de Reconceituação. Em seguida, foi apresentado o 
contexto da Ditadura Militar, destacando as políticas nessa época e os 
assistentes sociais nesse contexto conhecido como Reconceituação da 
profissão. Ao final, destacou-se a perspectiva fenomenológica no Serviço 
Social e como se organizou seu processo no período da ditadura militar. 
Para finalizar, assista ao vídeo da professora Jussara em que ela faz 
uma síntese do que estudamos aqui. 
 
https://www.youtube.com/watch?v=wV4vAtPn5-Q
 
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
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Referências 
ASSUMPÇÃO, Raiane Patrícia Severino; DE MAGALHÃES CARRAPEIRO, 
Juliana. Ditadura e serviço social no Brasil: contribuições para prosseguir 
rompendo com o conservadorismo na profissão. Lutas Sociais. ISSN 1415-
854X, v. 18, n. 32, p. 105-118, 2014. 
 
DE AGUIAR, Antônio Geraldo. Serviço Social e Filosofia das origens a 
Araxá. 6ª Edição. São Paulo: Cortez: 2011. 
 
GUEDES, O. S. et al. Reflexões sobre uma das tendências à reatualização do 
conservadorismo no Serviço Social brasileiro. 2º Seminário Nacional Estado 
e Políticas Sociais no Brasil. Paraná: UNIOESTE, 2005. 
 
IAMAMOTO, Marilda Villela. Renovação e conservadorismo no Serviço 
Social: ensaios críticos. São Paulo: Cortez Editora, 2013. 
 
NETTO, José Paulo. Pequena História da Ditadura Brasileira (1964-1985). 
São Paulo: Cortez, 2014. 
 
ORTIZ, Fátima Grave. O Serviço Social no Brasil: os fundamentos de sua 
imagem social e da autoimagem de seus agentes. Editora E-papers, 2010. 
 
SILVA, Maria Ozanira da Silva e. O Serviço Social e o Popular: resgate 
teórico metodológico do Projeto Profissional de Ruptura. 7 ed. São Paulo: 
Cortez, 2011.

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