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AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TECNOLOGIAS ASSISTIVAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Paula Mitsuyo Yamasaki Sakaguti 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Sabemos que a Tecnologia Assistiva (TA) favorece a funcionalidade da 
pessoa com deficiência e torna possível a realização de atividades rotineiras na 
escola ou no trabalho. É necessário que as escolas disponibilizem os recursos de 
TA e que sejam do conhecimento dos professores a finalidade e o manuseio 
destes. Nesta etapa de estudos, abordaremos os tipos de recursos e 
equipamentos da TA conforme o seu grau de sofisticação (baixa e alta tecnologia), 
as órteses e próteses, adaptações no computador para a acessibilidade, software 
de acessibilidade e projetos arquitetônicos para acessibilidade de pessoas com 
deficiência física. 
TEMA 1 – TECNOLOGIAS DE ALTA E BAIXA COMPLEXIDADE: DEFICIÊNCIA 
FÍSICA 
Apesar de a Tecnologia Assistiva (TA) nos remeter ao uso de 
equipamentos, softwares, órteses e próteses, especialidades da engenharia e da 
informática para ajudar na vida das pessoas, certamente, além destes, temos os 
recursos de baixa tecnologia, que se referem a todo e qualquer material didático 
e pedagógico elaborado para servir de suporte ao aprendizado de estudantes com 
deficiência. São recursos de baixo custo, confeccionados com materiais simples 
e de forma artesanal, por isso são acessíveis e muito utilizados por professores 
(Marin; Pinho, 2017). 
Em outras palavras, na baixa tecnologia, o custo é menor e os produtos 
são simples e criativos, como uma colher adaptada ou um lápis com uma 
empunhadura para facilitar a preensão; já na alta tecnologia, há maior sofisticação 
dos componentes com os quais os produtos são construídos e o custo é mais alto, 
como softwares, computadores, dentre outros, para proporcionar qualidade de 
vida e inclusão das pessoas com deficiência ou idosa (Galvão Filho, 2009). 
Para alguns estudantes apresentam déficits motores, têm tônus muscular 
diminuído/hipotonia (torna os membros fracos e “moles”) ou tônus muscular 
aumentado/rigidez muscular (membros de tronco mais contraídos e rígidos), o que 
acaba influenciando no seu desempenho funcional tornando o movimento e o 
processo de digitação e de escrita mais difícil, lento e árduo. 
Nisso, professores da Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) avaliam 
cada caso quanto aos recursos de TA mais adequados e acessíveis para cada 
 
 
3 
situação. Certamente, a predileção pelo uso de recursos confeccionados 
artesanalmente e com baixo custo, geralmente com verbas do próprio bolso do 
professor, tem facilitado o processo pedagógico pela situação em que se encontra 
a maioria de nossas escolas, que não dispõem de recursos financeiros suficientes 
e de políticas institucionais para a acessibilidade e inclusão. 
Temos, por exemplo, como recursos de baixa tecnologia para estudantes 
com deficiência física e para aqueles que apresentam dificuldade motora: 
engrossador de lápis com placas de E.V.A., livro imantado, plano magnético e 
peças/cartelas/figuras imantadas, livro adaptado com separador de páginas (uso 
do velcro ou feltro adesivo entre as páginas) e luva de feltro ou de velcro, demais 
recursos com velcro, tesoura adaptada, jogos confeccionados com recicláveis, 
dentre outros. 
Assim, por meio desses recursos, estudantes com deficiência poderão 
manusear livros, usar uma luva de dedo com velcro oposto na ponta para facilitar 
o manuseio bem como trabalhar em equipes usando o plano magnético para em 
grupo resolverem situações-problema usando coletivamente as figuras 
imantadas. Esses recursos promovem a interação do alunado com deficiência 
com seus pares da sala de aula. Algumas crianças precisam, além do lápis 
adaptado com engrossador, de uma alça que estabilize o recurso na mão para 
que o lápis não caia. 
Figura 1– Engrossadores de espuma para diferentes objetos 
 
Créditos: Smile ilustras. 
 
 
4 
Figura 2 – Escova de dentes com adaptação para preensão 
 
Créditos: Wasteresley Lima. 
Figura 3 – Separador de páginas de feltro ou espuma 
Créditos: Wasteresley Lima. 
 
 
 
 
5 
Figura 4 – Tesoura adaptada 
 
Créditos: Jefferson Schnaider. 
Os recursos da TA caracterizados como de alta tecnologia “empregam 
sistemas computacionais, desde simples softwares de controle ambiental a 
sofisticadas redes que utilizam o piscar do olho humano para comandar ações no 
computador” (Reis, 2014, p. 48). 
Pessoas tetraplégicas ou com paralisia cerebral e/ou perda de movimentos 
nos braços e mãos em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC) 
enfrentam restrições para executar atividades cotidianas da vida diária e escolar. 
Para contornar essa dificuldade, temos equipamentos de alta tecnologia que 
permitem acesso à informação com autonomia suficiente para que o estudante 
possa usar o celular, computador ou tablet e navegar pela internet. 
Para usar o software, é só instalá-lo no computador e usar uma webcam. A 
câmera capta o movimento da cabeça e envia para o comando para o computador. 
Observemos, na figura abaixo, que o mouse de cabeça capta os movimentos da 
cabeça para controlar o ponteiro do mouse, e o clique é feito com o piscar de olhos 
 
 
6 
ou com a bochecha. No mercado, há vários mouses virtuais desenvolvidos para 
pessoas com problemas de mobilidade (CTA, 2022). 
Figura 5 – Mouse ocular 
 
Créditos: Jefferson Schnaider. 
Esses produtos de alta tecnologia, geralmente envolvendo sistemas 
computadorizados, mais complexos e onerosos, nem sempre estão disponíveis 
nas escolas públicas para facilitar a comunicação, o acesso, a digitação e a 
inclusão de estudantes com deficiência. 
Para Galvão (2009, p. 156), esses recursos considerados como alta 
tecnologia não são diferenciados das de baixa tecnologia pela maior ou menor 
funcionalidade, mas, sim, “para caracterizar apenas a maior ou menor sofisticação 
dos componentes com os quais esses produtos são construídos e 
disponibilizados”. 
 
 
 
 
7 
TEMA 2 – ÓRTESES 
De acordo com o guia para prescrição, concessão, adaptação e 
manutenção de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção (Brasil, 2019), 
a órtese pode ser definida como uma peça de correção ou complementação de 
membros ou órgãos do corpo fixada como um material permanente ou transitório 
que auxilia as funções do membro, órgãos ou tecido, desde que a sua colocação 
ou remoção não necessite de uma cirurgia. Além disso, a órtese proporciona 
melhor alinhamento do corpo e busca sempre a posição funcional, isto é, a mais 
adequada. Nessa direção, temos a seguinte definição: 
Órteses são dispositivos aplicados externamente ao corpo para 
modificar as características estruturais ou funcionais do sistema 
neuromusculoesquelético, podendo ser utilizadas para estabilizar ou 
imobilizar, impedir ou corrigir deformidades, proteger contra lesões, 
facilitar a higienização, o posicionamento e assistir a função dos 
membros superiores, inferiores e tronco, decorrentes de lesões, 
doenças, alterações congênitas ou condições ligadas ao processo do 
envelhecimento. (Lustosa et al., 2015, p. 45) 
A órtese é uma TA geralmente utilizada nos serviços de reabilitação física, 
contribuindo para a recuperação de funções de partes do corpo (Gradim; Paiva, 
2018). Bersch (2017) ressalta que elas são comumente construídas sob medida, 
pois são colocadas junto a um segmento do corpo do usuário, garantindo-lhe 
melhor posicionamento, estabilização e/ou função, exemplificado na Figura 6 a 
seguir. 
 
 
 
8 
Figura 6 – Órtese de membro inferior 
 
 
Créditos: ilona.shorokhova/Shutterstock. 
Lembrando que uma órtese bem modelada e moldada deve ser concebida 
com base nas necessidades individuais do usuário, devendo ser sistematicamente 
readequada (Brasil, 2019). Para Gradim de Paiva (2018), a revisão de literatura 
 
 
9 
indica que o uso de órteses, especificamente para membrossuperiores, possui 
diferentes objetivos e métodos de utilização, assim como são diversos os modelos 
e materiais para a confecção e fabricação dos dispositivos, sendo que o seu uso 
dependerá das necessidades do usuário, do tipo de lesão ou condição clínica e 
da adaptação da pessoa com relação àquele dispositivo/recurso de TA. 
Já para o acesso ao computador, temos as adaptações físicas ou órteses, 
ou seja, são todos os dispositivos fixados ao corpo da pessoa com deficiência 
para facilitar sua interação com o computador (Galvão Filho, 2009). 
 Galvão Filho (2009) nos apresenta três exemplos de utilização de órteses 
para as atividades de digitação. Uma das órteses que geralmente são usadas por 
estudantes com paralisia cerebral e ajuda a reduzir a amplitude do movimento 
causada pela flutuação do tônus muscular, tornando mais rápido e eficiente o uso 
do computador e o processo de digitação é a pulseira de pesos (Figura 7). 
Conforme a idade e a força do estudante, os pesos das pulseiras podem ser 
acrescentados ou diminuídos. 
Figura 7 – Pulseira de pesos 
 
Créditos: Teofilo Alves Galvão Filho. 
Outra órtese é o estabilizador de punho e abdutor de polegar com ponteira 
para digitação (Figura 8) utilizado principalmente por pessoas com paralisia 
cerebral para facilitar o teclar. 
 
 
10 
Figura 8 – Estabilizador de punho e abdutor de polegar com ponteira para 
digitação 
 
Créditos: Teofilo Alves Galvão Filho. 
 Além dessas órteses de acesso ao computador, para as pessoas sem 
possibilidade de movimentar as mãos temos as ponteiras de cabeça, ou hastes 
fixadas na boca ou no queixo para digitação, quando existe o controle da cabeça 
(Galvão, 2009), dando condições para que possam, além da digitação, desenhar, 
pintar, dentre outras atividades no computador. 
TEMA 3 – PRÓTESES E MEIOS AUXILIARES DE LOCOMOÇÃO 
As próteses, por sua vez, compreendem quaisquer dispositivos 
permanentes ou transitórios que substituem total ou parcialmente um membro, 
órgão ou tecido (Brasil, 2019). São peças que substituem membros ausentes 
desde o nascimento ou por uma lesão adquirida. 
Como exemplo de prótese, temos a tecnologia empregada nas próteses de 
fibra de carbono que permitiram que o velocista sul-africano Oscar Pistorius, com 
amputação de ambas as pernas, participasse em uma Olimpíada. Ele se tornou o 
primeiro atleta amputado da história a competir nos Jogos Olímpicos, em Londres, 
2012 (Terra, 2012). 
 Nas palavras de Bersch (2017, p. 8), “próteses são peças artificiais que 
substituem partes ausentes do corpo”, como exemplifica a Figura 9. 
 
 
11 
Figura 9 – Próteses de membros superiores 
 
Créditos: belushi/Shutterstock. 
Figura 10 – Próteses de membros superiores 
 
Créditos: serhii.suravikin/Shutterstock. 
 
 
12 
Tanto as órteses quanto as próteses são potencialmente capazes de 
modificar o modo como o usuário realiza as suas Atividades de Vida Diária (AVD) 
e Atividades de Vida Prática (AVP) e, sobretudo, permitem à pessoa com 
deficiência física o resgate de sua condição produtiva e sua dignidade como 
cidadão capaz de interagir e/ou transformar sua realidade (Brasil, 2019). 
Interessante destacar a pesquisa de Rodrigues Júnior et al. (2021) sobre a 
criação e o desenvolvimento de uma ortoprótese de baixo custo para auxiliar as 
funções manuais de pessoas com hanseníase com sequelas e mão em garra ou 
sem reabsorção óssea. Os mesmos autores justificam que os dispositivos mais 
usados pela população com hanseníase são as órteses (recursos acoplados 
externamente ao membro com a função de favorecer o desempenho funcional) e 
próteses (produtos que substituem completamente o segmento e sua 
funcionalidade), mas, na maioria dos casos, os equipamentos são caros. Foi 
denominado ortoprótese por incorporar características de acoplamento das 
órteses e o funcionamento de agarre das próteses em um só dispositivo “híbrido”. 
TEMA 4 – ADAPTAÇÕES NO COMPUTADOR 
Quando falamos em adaptações no computador para a promoção da 
acessibilidade, estamos nos referindo às adaptações do hardware para aqueles 
usuários que necessitam de adaptações nos equipamentos convencionais. O 
termo hardware é usado para designar a parte física do computador. 
Segundo Galvão Filho (2009, p. 174), as adaptações de hardware referem-
se a “todos os aparelhos ou adaptações presentes nos componentes físicos do 
computador, nos periféricos, ou mesmo, quando os próprios periféricos, em suas 
concepções e construção, são especiais e adaptados”. O mesmo autor apresenta 
a máscara de teclado ou colmeia como a mais simples e eficiente adaptação de 
hardware, a qual consiste em uma placa de plástico ou acrílico com um furo 
correspondente a cada tecla do teclado, sendo fixada sobre o teclado, afastada a 
uma pequena distância das teclas. 
A colmeia tem a finalidade de evitar que o estudante com dificuldades de 
coordenação motora pressione, involuntariamente, mais de uma tecla de cada 
vez, pois deverá procurar o furo que corresponde à tecla que deseja pressionar, 
evitando, assim, que esbarre em outras teclas indevidamente. 
 
 
 
13 
Figura 11 – Teclado com colmeia acrílica 
 
Créditos: Teofilo Alves Galvão Filho. 
Temos também outras adaptações simples e criativas que podem ser 
utilizadas quanto ao posicionamento do teclado ou do mouse, colocando-os sobre 
o colo na cadeira de rodas, ou nas pernas, sobre um livro ou uma pequena tábua 
são algumas das opções encontradas para o posicionamento dos periféricos para 
facilitar a digitação e o trabalho do estudante. 
Uma alternativa para quem não consegue digitar com as mãos é colocar o 
teclado perto no chão para a digitação com os pés. Quem não se lembra do 
clássico filme Gaby, uma história verdadeira, que conta a história de Gabriela 
Brimmer, com paralisia cerebral? Inicialmente, Gaby conseguiu se comunicar 
usando o movimento de seu pé esquerdo, depois foi alfabetizada por meio de uma 
prancha com alfabeto que apontava com o pé esquerdo as letras e as soletrava 
mentalmente. Ela contava também com uma máquina de escrever que levava 
para a escola, posicionava-a no chão diante de seu pé esquerdo e datilografava 
tudo, o que tornou sua comunicação com o entorno mais eficiente. 
A importância dada aos hardwares adaptados para que a pessoa com 
deficiência possa exercer o seu direito de se comunicar é observada no estudo de 
um mouse de baixo custo desenvolvido por discentes e docentes do curso de 
Engenharia da Tecnologia Assistiva e Acessibilidade apresentado por Assis et al. 
 
 
14 
(2019). No intuito de buscar soluções que amenizem os obstáculos na interação 
entre a pessoa com deficiência física e o computador, os mesmos autores relatam 
que o “mousetrackball é relativamente mais fácil de manipular por pessoas com 
pouca força e pouco tônus muscular que é uma das sequelas da paralisia cerebral” 
(p. 123). 
Um dos recursos de alternativas de hardware que tem por objetivo 
acionar/ativar algo é o acionador. Sua função varia de acordo com o dispositivo 
em que ele está plugado (mouse, brinquedo adaptado, luminária dentre outras 
possibilidades). Há uma diversidade de formatos, cores e tamanhos de 
acionadores, também apresentam diferentes modos de acionamento (toque, 
pressão, sopro, piscar de olhos etc.) se adaptando ao movimento residual de cada 
pessoa. Assim, por meio de acionadores, é possível ligar e desligar a luz, utilizar 
o computador, jogar um game, dentre outras (CTA, 2021). 
A escolha do melhor tipo de acionador dependerá da observação pelo 
professor da capacidade e habilidade que o aluno consegue realizar com um 
controle razoável. Para o aluno capaz de soprar, os acionadores que reconhecem 
como comandos o sopro e a sucção feitos em um canudo em contato com a boca 
é uma das opções que pode ser utilizada. 
Figura 12 – Acionador de sopro ou sucção 
 
Créditos: Wasteresley Lima. 
 
 
15 
 Conforme Soares, Menezese Queiroz (2021), trazer a temática das 
tecnologias para a educação especial é uma forma de torná-la acessível à pessoa 
com deficiência, que por séculos foi excluída de diversos espaços sociais. Para 
essas autoras, “é válido afirmar que a tecnologia é um bem de todos, e por todos 
deve ser acessada” (p. 143). 
Com base no levantamento realizado por Soares, Menezes e Queiroz 
(2021), no Quadro 1, apresentaremos alguns softwares para auxiliar e viabilizar 
tarefas para pessoas com deficiência física motora e comunicacional: 
Quadro 1 – Softwares de tecnologia assistiva digital gratuitos 
Software Site Finalidade 
Amplisoft <https://amplisoft.azurewe
bsites.net/> 
Software livre. Sistema de comunicação 
alternativa para pessoas com limitação motora 
e comunicacional. Possibilita melhora na 
comunicação de pessoas que possuem 
limitação motora ou apresentam dificuldades 
para se comunicar ou escrever e que tenham a 
possibilidade de utilizar um acionador. 
eViaCam <https://eviacam.crea-
si.com/> 
Software livre. Controle de mouse para 
pessoas com limitação motora e 
comunicacional. Proporciona o controle do 
mouse através de movimentos com a cabeça. 
Head Mouse <https://www.tecnologiasa
ccesibles.com/ 
pt-
br/content/headmouse> 
Software livre. Controle de mouse por 
tecnologia assistiva digital para pessoas com 
limitação motora e comunicacional. 
Proporciona o controle do mouse por meio de 
movimentos com a cabeça. Além disso, 
possibilita a configuração de diferentes 
movimentos para a movimentação do mouse. 
Plaphoons <http://projectefressa.blog
spot.com/ 
2016/01/plaphoons-
download.html> 
Software livre. Sistema de comunicação 
aumentativa e alternativa para pessoas com 
limitação motora e comunicacional. Permite a 
comunicação do usuário complementando ou 
substituindo a fala. 
TICO 
(Interactive 
Communicatio
n Boards) 
<http://arasuite.proyectoti
co.es/ 
index.php?title=P%C3%A
1gina_principal> 
Software livre. Sistema de comunicação 
alternativa para pessoas com limitação motora 
e comunicacional. Possibilita uma melhora na 
comunicação de pessoas que possuem 
limitação motora ou apresentam dificuldades 
para se comunicar ou escrever e que tenham a 
possibilidade de utilizar um acionador. 
Fonte: Elaborado por Sakaguti com base em Soares; Menezes; Queiroz, 2021, p. 154-155. 
 
 
 
 
16 
TEMA 5 – PROJETOS ARQUITETÔNICOS PARA ACESSIBILIDADE 
Para facilitar a locomoção de pessoas com deficiência física e mobilidade 
reduzida, são fundamentais as “adaptações estruturais e reformas na casa e/ou 
ambiente de trabalho, através de rampas, elevadores, adequações em banheiros, 
mobiliário, entre outras, que retiram ou reduzem as barreiras físicas” para a 
garantia de acesso, funcionalidade e inclusão de todas as pessoas 
independentemente de sua condição física ou sensorial (Bersch, 2017, p. 5). 
Para Lopes, Almeida e Souza (2018), essas construções tornam a vida da 
pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida mais acessível, isto é, permite 
uma vida mais autônoma e independente. 
Assim, essa modalidade de TA – Projetos Arquitetônicos para 
Acessibilidade – objetiva garantir que os ambientes sejam acessíveis a todas as 
pessoas e, portanto, analisa suas condições e propõe um projeto de edificação ou 
de reforma que atenda às necessidades específicas por meio da eliminação de 
barreiras ambientais que dificultam a locomoção, ou seja, nas palavras de Lopes, 
Almeida e Souza (2018, p. 2), é “todo tipo de construção ou adaptação de 
construção feita para dar acessibilidade, seja em locais fechados como escolas, 
bancos ou em locais abertos como as ruas da cidade para PCDs [Pessoas com 
Deficiência], garantindo assim o seu direito de ir e vir”. 
No entanto, nem sempre a construção de rampas, por exemplo, é 
adequada. Às vezes, o ângulo de sua inclinação coloca em risco a segurança e 
locomoção do andante e do cadeirante. Isso porque não seguem os padrões de 
usabilidade conforme as normas da ABNT-NBR-9050 (Associação Brasileira de 
Normas Técnicas – Norma Brasileira). Em seu escopo, essa norma afirma que 
“[...] estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quanto ao 
projeto, construção, instalação e adaptação do meio urbano e rural, e de 
edificações às condições de acessibilidade” (ABNT, 2020, p. 1). 
Cardozo e Schneider (2021) nos apontam alguns indicadores de 
acessibilidade arquitetônica disponibilizados pelos dados do Censo Escolar até o 
ano de 2019 que correspondem à existência (ou não) de banheiro acessível e se 
as vias e dependências escolares eram acessíveis. Esses autores criaram um 
roteiro de observação de acessibilidade arquitetônica em cinco grupos de espaços 
físicos a ser aplicado nas escolas, contexto de sua pesquisa, apresentados no 
quadro a seguir. 
 
 
17 
Quadro 2 – Roteiro de observação 
Entorno da escola A largura da rampa permite a passagem de uma cadeira de rodas 
e uma pessoa ao seu lado? 
A calçada/piso do entorno e das entradas é antiderrapante? 
Cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida conseguem abrir 
totalmente a porta do veículo para embarque ou desembarque no 
estacionamento da escola? (considerar pessoas com muletas, 
andadores e cadeira de rodas). 
Sala de aula, 
biblioteca 
É possível um cadeirante chegar até a biblioteca escolar com autonomia 
e segurança? 
Cadeirantes, muletantes, pessoas com mobilidade reduzida, obesos 
conseguem circular na sala? 
Cadeirantes, muletantes, pessoas com mobilidade reduzida, obesos 
conseguem acessar e utilizar as carteiras da sala de aula? 
Refeitório, 
sanitários 
Nas superfícies de apoio para bandejas ou similares, os talheres, 
pratos, alimentos e bebidas podem ser alcançados por estudantes 
cadeirantes, andantes, muletantes? 
É garantida uma faixa de circulação entre as mesas e área de manobra 
para acesso (passagem que permita uma cadeira de rodas acessar e 
girar)? 
A porta do sanitário permite a entrada de uma pessoa que utiliza a 
cadeira de rodas? 
Os sanitários acessíveis estão próximos ou integrados às demais 
instalações sanitárias? 
Existem barras de apoio próximas ao vaso sanitário? 
Espaço para prática 
esportiva, parque 
Cadeirantes, muletantes, pessoas com mobilidade reduzida, obesos 
conseguem acessar o espaço para a prática esportiva? 
O piso é antiderrapante, regular, estável e não trepidante? 
Existe brinquedo adaptado para a utilização de crianças com deficiência 
e/ou mobilidade reduzida? 
Mobilidade entre 
corredores, entre 
pavimentos e 
sinalização 
Existem placas de sinalização informando sobre os sanitários, acessos 
verticais e horizontais e números de pavimento? 
Existe elevador ou plataforma elevatória? 
A rampa tem inclinação adequada? 
O corrimão prolonga-se antes do início e após o término da rampa? 
Fonte: Cardozo; Schneider, 2021, p. 9-12. 
Ressaltamos a importância da qualidade das calçadas como fator de 
acessibilidade urbana. Observamos que, em muitos centros urbanos, há calçadas 
em desníveis, com obstáculos como postes, inclinações íngremes, sem rampas, 
com obras inacabadas e/ou sem sinalização. Enfim, em desacordo com a NBR 
9050, elaborada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a falta 
de acessibilidade torna intransitável o trajeto para usuários de cadeira de rodas, 
ou melhor, para os pedestres em geral, chegarem ao seu destino com segurança 
e autonomia. Calçadas que não apresentam acessibilidade geram barreiras 
significativas para pessoas com deficiência. 
Vale lembrar que a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência 
(Lei n. 13.146/2015) trata sobre a acessibilidade e, em especial, chamamos a 
atenção para os arts. 56 e 57: 
 
 
18 
Art. 56. A construção, a reforma, a ampliação ou a mudança de uso de 
edificações abertas ao público, de uso público ou privadas de uso 
coletivo deverão ser executadas de modo a serem acessíveis. 
§ 1º As entidades de fiscalização profissional das atividades de 
Engenharia, de Arquitetura e correlatas,ao anotarem a responsabilidade 
técnica de projetos, devem exigir a responsabilidade profissional 
declarada de atendimento às regras de acessibilidade previstas em 
legislação e em normas técnicas pertinentes. 
§ 2º Para a aprovação, o licenciamento ou a emissão de certificado de 
projeto executivo arquitetônico, urbanístico e de instalações e 
equipamentos temporários ou permanentes e para o licenciamento ou a 
emissão de certificado de conclusão de obra ou de serviço, deve ser 
atestado o atendimento às regras de acessibilidade. 
§ 3º O poder público, após certificar a acessibilidade de edificação ou de 
serviço, determinará a colocação, em espaços ou em locais de ampla 
visibilidade, do símbolo internacional de acesso, na forma prevista em 
legislação e em normas técnicas correlatas. 
Art. 57. As edificações públicas e privadas de uso coletivo já existentes 
devem garantir acessibilidade à pessoa com deficiência em todas as 
suas dependências e serviços, tendo como referência as normas de 
acessibilidade vigentes. 
 De acordo com Araújo e outros (2022, p. 9), a “mobilidade urbana é uma 
condição inerente ao deslocamento do ser humano pela cidade, seja por meio de 
transportes ou não, o que remete a questões de acessibilidade em sua 
singularidade, tornando-se, assim, um direito”. 
 
 
 
 
19 
REFERÊNCIAS 
ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: 
Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de 
Janeiro: ABNT, 2020. 
ATLETA amputado é selecionado para o Jogos Olímpicos de Londres. Terra, 5 
jul. 2012. Disponível em: <https://www.terra.com.br/esportes/atletismo/atleta-
amputado-e-selecionado-para-os-jogos-olimpicos-de-
londres,7c18300aee4ba310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>. Acesso em: 
24 mar. 2023. 
ARAÚJO, Y. F. L. et al. Acessibilidade da pessoa com deficiência física às 
unidades básicas de saúde. Cogitare Enfermagem, v. 27, 2022. Disponível em: 
<https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/75651>. Acesso em: 24 mar. 2023. 
ASSIS, K. C. R. et al. Desenvolvimento de um mouse trackball de baixo custo. In: 
STAES 19’. Seminário Tecnologias Aplicadas a Educação e Saúde. Anais... 2019, 
p.116-124. Disponível em: 
<https://revistas.uneb.br/index.php/staes/issue/view/458>. Acesso em: 24 mar. 
2023. 
BERSCH, R. Introdução à Tecnologia Assistiva. Porto Alegre, 2017. Disponível 
em: <https://www.assistiva.com.br/Introducao_Tecnologia_Assistiva.pdf>. 
Acesso em: 24 mar. 2023. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia para Prescrição, Concessão, Adaptação e 
Manutenção de Órteses, Próteses e Meios Auxiliares de Locomoção. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2019. 
CARDOZO, R. D.; SCHNEIDER, G. Acessibilidade arquitetônica, deficiência física 
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