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AULA 4 TECNOLOGIAS ASSISTIVAS Profª Paula Mitsuyo Yamasaki Sakaguti 2 INTRODUÇÃO Em 1991, já dizia a norte-americana que foi diretora de um Centro de Apoio para Pessoas com Deficiências, da IBM: “Para as pessoas sem deficiência, a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis”. No intuito de tornar as coisas possíveis e realizáveis, temos um arsenal de recursos, serviços, estratégias, metodologias e ferramentas diárias que constituem a área da Tecnologia Assistiva para que estudantes com Transtorno do Espectro Autista, Deficiência Intelectual possam operar diante da realidade por meio de recursos da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). TEMA 1 – TECNOLOGIA ASSISTIVA E TECNOLOGIA EDUCACIONAL: QUAL É A DIFERENÇA? A Tecnologia Assistiva (TA) deve ser entendida como um recurso (leia-se dispositivo, instrumento, equipamento, serviço, metodologia, práticas, ferramenta etc.) criado para minorar os problemas funcionais encontrados nas pessoas com deficiência. Prietch et al. (2021, p. 70) ressaltam que os produtos de TA “podem promover para pessoas com deficiência maior igualdade nas oportunidades, qualidade de vida e autonomia”. De acordo com Bersch (2017), a TA é um auxílio, apoio que possibilitará ao usuário realizar determinada função ou atividade desejada que se encontrava impedida por circunstância da deficiência ou pelo envelhecimento. Por exemplo, a cadeira de rodas para o cadeirante e a bengala da pessoa cega ou para aquela que precisa de apoio para a locomoção são recursos da TA que facilitam a vida, promovem a independência do ir e vir, auxiliam a chegar aos lugares que desejam ir. Já a tecnologia educacional, comumente confundida com TA, diferencia-se pela finalidade e objetivos. Tanto as crianças com (e sem) deficiência podem usar um software pedagógico. Esta tecnologia educacional, assim como os lápis de cor, giz de cera e a cartolina, podem ser usados coletivamente por crianças com deficiência física que faz uso de cadeira de rodas com o mesmo objetivo de seus colegas de classe sem deficiência física. 3 Então, os softwares, o computador e os materiais de desenho beneficiam a aprendizagem das crianças com (e sem) deficiência são tecnologias educacionais e não se caracterizam como TA. Caso haja necessidade de adaptar o teclado do computador para que a criança com paralisia cerebral possa digitar ou adaptações dos lápis de cor com engrossadores para assistir e facilitar o manuseio para que a criança possa ter acesso ao conhecimento, usaremos os recursos da TA. É considerada TA quando o serviço ou o recurso utilizado pelo estudante com deficiência tem como objetivo “romper barreiras sensoriais, motoras ou cognitivas que limitam/impedem seu acesso às informações ou favorecem seu acesso e participação ativa e autônoma em projetos pedagógicos”; da mesma forma, quando as ferramentas utilizadas “possibilitam a manipulação de objetos de estudos; quando percebemos que sem este recurso tecnológico a participação ativa do aluno no desafio de aprendizagem seria restrito ou inexistente” (Bersch, 2017, p. 12). Os materiais e produtos da TA são categorizados de acordo com os objetivos funcionais a que se destinam, a saber: adaptação de materiais para auxiliar nas atividades de vida diária, comunicação aumentativa e alternativa, recursos de acessibilidade ao computador, sistemas de controle do ambiente, projetos arquitetônicos para acessibilidade, órteses e próteses, adequação postural, auxílios de mobilidade, auxílios para cegos ou para pessoas com visão subnormal, auxílios para pessoas com surdez ou com déficit auditivo, Libras, recursos que favorecem a prática de esporte e lazer, adaptações de veículos (Bersh, 2017). TEMA 2 – DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E TECNOLOGIA ASSISTIVA Observamos que há confusão entre tecnologia educacional e tecnologia assistiva quando se trata de uso de recursos para atender as demandas de estudantes com deficiência intelectual (DI). Para as outras áreas da deficiência são empregados recursos para romper com as barreiras que impedem a participação do usuário em atividades que deseja realizar. Para a área da DI também é necessário avaliar o objetivo das estratégias e da produção de recursos ou adaptação de materiais a serem proporcionados ao usuário com deficiência intelectual. 4 O uso da TA para estudantes com DI deve ser planejado levando em consideração a ativação e o desenvolvimento de processos mentais superiores em ambientes enriquecidos e contextos desafiadores. Galvão Filho (2009) indica para estudantes com deficiência intelectual associada à dificuldade na coordenação motora a utilização da colmeia (adaptação do teclado) no intuito de diminuir a quantidade de estímulos visuais (quantidade de teclas). O mesmo autor explica que sobre a máscara de acrílico/colmeia são colocados tampões em cartolina deixando à mostra somente as letras, diminuindo, assim, o número de estímulos visuais desnecessários e que podem tornar o trabalho mais difícil. Figura 1 – Colmeia com poucas teclas expostas Crédito: Teofilo Alves Galvão Filho. As crianças com deficiência intelectual apresentam atraso no desenvolvimento cognitivo e, por conseguinte, encontram barreiras para resolver problemas da vida diária, dificuldade em abstrair, atraso na alfabetização, desenvolvimento de habilidades psicomotoras. Inegável é o papel da mediação do professor e de colegas mais competentes na construção e ampliação de conceitos e do conhecimento real da criança com deficiência para galgar para 5 novos conhecimentos. O importante papel da mediação para as pessoas com deficiência intelectual é discutido em diversos estudos (Alves; Hostins, 2019; Paixão, 2018; Rocha; Figueiredo; Poulin, 2018). O conceito de zona de desenvolvimento proximal e o papel do outro no desenvolvimento de capacidades que estão sendo construídas têm base na teoria histórico-cultural proposta por Vygotsky (2007), também conhecida como abordagem sociointeracionista, estreitamente relacionada ao processo de aprendizagem de estudantes com deficiência intelectual e a sua efetivação inclusão escolar. Nesse contexto, o jogo e os brinquedos proporcionam experiências positivas trazendo significado intenso no desenvolvimento da criança e são ótimas estratégias de intervenção pedagógica que atua na zona de desenvolvimento proximal definida por Vygotsky (2007) e promove o desenvolvimento intelectual da criança. Sabemos que o lúdico, isto é, o jogo, o brinquedo e as atividades com materiais concretos podem contribuir no processo de ensino-aprendizagem. Nisto, trazemos o estudo de Ferreira, Rodriguez e Rosa (2018) ao debruçarem-se no desenvolvimento de um brinquedo educativo e interativo para pessoas com Síndrome de Down, de forma a contribuir para o seu desenvolvimento e aprendizado por meio da ludicidade. Os mesmos autores contemplaram os aspectos visuais (cores, formas e texturas), segurança, e avaliaram o jogo com usuários da Instituição Família Down em Maceió, Alagoas, destacando o importante papel dos designers no desenvolvimento de produtos adequados para trabalhar a estimulação cognitiva e atividades motoras com este público. TEMA 3 – COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA E AUMENTATIVA De acordo com Manzini e Deliberato (2006), podemos encontrar estudantes com deficiência intelectual com dificuldades para se expressarem ou outros estudantes com paralisia cerebral que, mesmo sendo inteligentes e com boa compreensão, não conseguem articular ou produzir a fala. Os mesmos autores esclarecem que a política de inclusão nos faz pensar sobre como podemos romper com os obstáculos que impedem os processos de comunicação propiciando às pessoas comdeficiência alguns recursos que lhes dessem condições de se fazerem entender. 6 Comunicação alternativa e aumentativa (CAA) é uma subárea da TA que apresenta diversas modalidades de comunicação englobando diversas formas possíveis de comunicação como expressões faciais, gestos e sinais para indicar positivo/sim ou negativo/não ou expressar-se por meio de objetos reais, fotografias, pranchas de comunicação, símbolos gráficos, estratégias de modo a promover o acesso à informação e à comunicação (Montenegro et al., 2022). utilizamos o termo Comunicação Alternativa (CA), considerando que a oralidade constitui a forma de expressão comunicativa mais comum entre as pessoas que são ouvintes. Entretanto, para as que não falam, a Comunicação Alternativa pode se constituir no recurso principal de sua comunicação. E para pessoas com déficits na oralidade pode ser utilizada como forma de aprender a ampliar sua fala ou aumentar sua compreensão, tornando-a mais compreensível. (Bez; Passerino, 2013, p. 66) Dessa forma, ao fazer uso da comunicação alternativa, apoiamos o processo de comunicação, oportunizando recursos para suplementar, complementar ou construir um processo de interação social atendendo às peculiaridades de cada pessoa. Ou seja, a escolha e a criação do sistema ou recurso de CAA deve ter como base necessidades do usuário em função da avaliação dos seguintes aspectos: 1. as habilidades físicas do usuário: acuidade visual e auditiva; habilidades perceptivas; fatores de fadiga; habilidades motoras tais como preensão manual, flexão e extensão de membros superiores, habilidades para virar páginas; 2. as habilidades cognitivas: compreensão, expressão, nível de escolaridade, fase de alfabetização; 3. o local onde o sistema será utilizado: casa, escola, comunidade; 4. com quem o sistema será utilizado: pais, professores, amigos, comunidade em geral; 5. com qual objetivo o sistema será utilizado: ensino em sala de aula, comunicação entre amigos. (Manzini; Deliberato, 2006, p. 7) Após esse levantamento, os mesmos autores salientam que é possível organizar o recurso a ser utilizado, por exemplo, se o recurso deverá contemplar um vocabulário específico para a sala de aula ou para a comunicação entre amigos, se haverá um vocabulário básico com figuras acompanhadas por letras. Portanto, estes recursos de comunicação de cada pessoa são construídos da forma personalizada. Cada usuário tem a sua prancha de comunicação que pode ser usada no colo, sobre a mesa plana ou inclinada. As pranchas podem ser organizadas em pastas de comunicação. 7 Na sequência, apresentaremos alguns recursos de baixa tecnologia que poderão ser construídos pelo professor levando em consideração as peculiaridades e o objetivos a que se destinam conforme o Quadro1: Quadro 1 – Recursos de CAA Cartões de comunicação Crédito: Elias Aleixo. Fichário com vários cartões de símbolos, organizados por tipos e cores. A saber: Substantivos alaranjados, Adjetivos azuis, Verbos verdes, Sujeitos amarelos, Expressões sociais em rosa e miscelâneas em branco). Prancha de comunicação com símbolos, fotos ou figuras Crédito: Jefferson Schnaider. Uma pasta do tipo arquivo, contendo várias páginas de sacos plásticos transparentes está sobre o colo de um usuário de CAA. Cada página representa uma prancha de comunicação temática e na imagem visualiza-se a prancha com o tema “animais”. Prancha de comunicação alfabética Crédito: Jefferson Schnaider. Prancha que contém as letras do alfabeto e os números. Pasta de comunicação com diferentes temas Folhas impressas com os símbolos são colocadas numa pasta comum com sacos plásticos. Pequenas abas verdes indicam a mudança de temas entre as folhas 8 Crédito: Jefferson Schnaider. Pasta de comunicação em plano inclinado Crédito: Wasteresley Lima. Pasta de comunicação de capa dura que aberta pode ser colocada em plano inclinado. Ela contém folhas plásticas, com oito bolsos transparentes, onde foram colocados cartões de comunicação que, neste exemplo, trazem o vocabulário de meios de transporte Chaveiros de comunicação Crédito: Elias Aleixo Chaveiro no qual é fixada uma coleção de símbolos de um mesmo tema. O chaveiro tem boa portabilidade e permite que o estudante se comunique com facilidade em vários ambientes fora da sala de aula. TEMA 4 – SISTEMAS GRÁFICOS Na produção de cartões de comunicação, pranchas e chaveiros de comunicação são utilizados símbolos gráficos para representar os conceitos e as ideias que o usuário deseja expressar. Esse banco de imagens usados para a construção de recursos de CAA são chamados de sistemas ou biblioteca de símbolos gráficos. Trata-se de uma coleção de imagens gráficas organizadas por 9 características comuns (categorias). Ao indicar apontando para o símbolo gráfico, o usuário está interagindo e comunicando a sua mensagem. Há diversos sistemas simbólicos que são conhecidos e aplicados no Brasil e/ou internacionalmente, a saber: • Sistema PIC (Pictogram Ideogram Communication); • Sistema PCS (Picture Communication Symbols); • Sistema Rebus (Rebus Reading Series); • PECS (Picture Exchange Communication System). A versão portuguesa do sistema PIC é, basicamente, composta por 400 símbolos constituídos por desenhos estilizados em branco num fundo preto. De acordo com Gonçalves (2017), o PIC popularizou-se pela facilidade de compreensão, contudo os pictogramas não são tão versáteis como parecem, limitando a comunicação. Figura 2 – Sistema PIC (Pictogram Ideogram Communication) Crédito: Zhenyakot/Shutterstock; Xeyal Yaqubov/Shutterstock; Devita Ayu Silvianingtyas/Shutterstock; New Design Illustrations/Shutterstock Para Sartoretto e Bersch (2010), um dos sistemas simbólicos mais utilizados no Brasil é o PCS, sigla que na língua portuguesa é traduzida como símbolos de comunicação pictórica, sendo que a sua versatilidade em apresentar imagens de símbolos disponíveis no formato colorido ou preto e branco, representação de expressões sociais usadas para cumprimentar, agradecer, fazer perguntas e outras que representam sentimentos como feliz, triste, com frio, calor, doente, as imagens facilmente reconhecidas por crianças e adultos são algumas das qualidades desse sistema gráfico. Além dessas representações, na parte inferior da prancha com símbolos PCS, temos os símbolos representativos do tempo verbal (passado, presente, futuro) que podem ser associados aos demais 10 símbolos caso o usuário queira expressar que o conteúdo de sua comunicação é uma ação que está acontecendo, aconteceu ou acontecerá. A seguir, no Quadro 2 apresentaremos uma prancha com símbolos PCS em sua versão colorida: Quadro 2 – Prancha PCS colorida Crédito: Davi Souza. Já o sistema Rebus, que teve seu uso inicial na intervenção junto às crianças com deficiência intelectual no aprendizado da leitura, posteriormente ampliou a sua utilização como comunicação alternativa tendo efeitos positivos aos objetivos do ensino da leitura e da identificação de sons. Vejamos, a seguir, um exemplo do sistema Rebus, na Figura 3: Figura 3 – Sistema Rebus Fonte: Gonçalves, 2017, p. 29. 11 O sistema PECS (Picture Exchange Communication System) é um programa de comunicação alternativa que, por meio de intercâmbio de figuras, contribui para ampliação da habilidade da comunicação. O PECS é muito utilizado com crianças com TEA. De acordo com Barbosa e Dutra (2022), originalmente o PECS é dividido em 6 fases de aplicação: • Fase 1 – troca física (como comunicar): a criança utiliza os cartões para solicitar/mostrar algo que deseja; • Fase 2 – distância e persistência: o objetivo deste momento é fazer com que a criança entenda a importância do uso dos cartões e persistência em utilizá-los; • Fase 3 – discriminaçãode figuras: a criança deverá ser encorajada a escolher uma figura, dentre as demais opções que lhe forem apresentadas, distinguindo o cartão mais adequado e entregá-lo para a pessoa com quem está se comunicando; • Fase 4 – estrutura da sentença: a criança aprende a formar frases com verbos de ação e características dos objetos, ampliando assim o vocabulário funcional; • Fase 5 – responder “o que você quer?”: a criança será estimulada a responder ao questionamento “o que você quer?” por meio de fases simples; • Fase 6 – comentar: nesta fase as pessoas que usam o PECS já são capazes de responder as questões como “o que você está vendo? o que você está ouvindo? o que é isso?” e comentar também acontecimentos usando frases simples. A pesquisa de mestrado de Cátia Walter sob a orientação da professora Maria Amélia Almeida/UFSCar, nos apresenta os efeitos da adaptação do sistema PECS em pessoas com TEA com resultados positivos, pois, revelaram que todos os participantes demonstraram “mudanças no comportamento comunicativo, adquiriram vocabulário expressivo de algumas palavras, alguns sons e uso de figuras que variou entre 25 e 61, sendo sempre utilizadas com função comunicativa”, visto que o uso de figuras com a finalidade de interagir e solicitar algo de que deseja para quem está se comunicando parece ter contribuído para este avanço na comunicação (Walter, 2000, p.10). 12 Em continuidade, Walter (2017) nos apresenta o uso do sistema PECS- Adaptado, proposta para o Brasil, com modificações em sua forma de instrução nas fases do programa e nas formas de registro. O programa foi dividido em cinco fases e em cada etapa há um objetivo a ser alcançado. O PECS-Adaptado pode ser utilizado por professores do ensino comum, do AEE, da escola especial, por familiares e profissionais, pois o usuário sempre leva o seu próprio álbum de comunicação. O estudo realizado por Evaristo (2016) demonstrou a eficácia da aplicação do PECS-Adaptado, visto que os estudantes apresentaram desenvolvimento satisfatório de comunicação por troca de figuras e mudanças qualitativas em suas habilidades comunicativas. Neste sentido, é válido afirmar que: Qualquer que seja a fonte para a obtenção de símbolos gráficos, é importante que a escolha desse símbolo seja feita com o usuário, ou confirmada por ele, e a partir de então, seja padronizada. Isso significa que se escolhermos com um aluno uma determinada imagem para representar a expressão "família", esta imagem será aplicada toda vez que necessitarmos construir para ele uma prancha e incluir a palavra "família". Tratando-se de um mesmo usuário, não devemos usar símbolos diferentes para a mesma expressão. (Sartoretto; Bersch, 2010, p. 25) TEMA 5 – DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS E SISTEMAS PARA CAA A barreira encontrada na comunicação por crianças com TEA motivou Padovan e Gazola (2018) a desenvolverem uma TA usando uma metodologia de design no intuito de auxiliar uma criança autista na comunicação e atender a uma necessidade observada na resolução de problemas reais do cotidiano. Conforme as mesmas autoras relatam, a “ausência de comunicação prejudica mais do que só a criança, mas quem está perto e não consegue compreendê-la” (Padovan; Gazola, 2018, p. 422). Pensando em formas tridimensionais básicas e em componentes de um jogo, logo pensou-se em um cubo, que oferece a possibilidade de ser jogado como um dado e que em cada uma de suas faces aparecesse uma atividade. Como Daniel [nome fictício utilizado no estudo de caso] tem dificuldade em atividades simples do dia a dia, foram estabelecidas as atividades que ele desempenha em sua rotina para que fossem desenvolvidas e a comunicação sendo feita por meio de placas de interatividade que aderissem às faces do cubo (Padovan; Gazola, 2018, p. 419) O design de cada brinquedo atingiu o que era necessário para a criança do estudo em questão, algo atraente e divertido para ela e que pudesse manusear 13 com facilidade podendo ser usado para outras crianças, apenas ajustando às necessidades de cada uma (Padovan; Gazola, 2018). O projeto de Leite e Maia (2018) visa desenvolver o ambiente gráfico, com cenários e personagens, para um software educacional destinado a auxiliar no desenvolvimento de habilidades da comunicação, alfabetização e expressão em pessoas com TEA. O estudo resultou num jogo chamado “Brincando de Expressar” para a identificação e criação de expressões faciais de uma forma interativa. Para os mesmos autores, “as atividades realizadas com o uso de aplicativos favorecem a oferta de pistas visuais, em contraste com as atividades desenvolvidas com o uso de papel e lápis” (Leite; Maia, 2018, p. 430). Soares, Menezes e Queiroz (2021) salientam que o uso de tecnologia assistiva digital no contexto da Educação Inclusiva possibilita que estudantes com deficiência encontre nesse recurso a capacidade de potencializar suas ações educativas, seja pela comunicação e expressão de ideias por meio de comunicação alternativa ou por meio de softwares e adaptadores de hardware, contribuindo para a eliminação de barreiras tecnológicas que impedem o acesso das pessoas com deficiência às tecnologias. Saiba mais Os mesmos autores nos apresentam um levantamento de softwares livres para pessoas com limitação motora e comunicacional: 1. Amplisoft – Sistema de CAA que possibilita melhoria na comunicação de pessoas que possuem limitação motora ou apresentam dificuldades para a comunicação ou escrita e que tenham a possibilidade de utilizar um acionador: AMPLIOSOFT. Disponível em: <https://amplisoft.azurewebsites.net/>. Acesso em: 21 mar. 2023. 2. eViaCam – Controle de mouse para pessoas com limitação motora e comunicacional. O controle do mouse é por meio de movimentos com a cabeça: EVIAVAM. Disponível em: <https://eviacam.crea-si.com/>. Acesso em: 21 mar. 2023. 3. Head Mouse – Proporciona controle de mouse por meio de movimentos com a cabeça, possibilita também a configuração de diferentes movimentos para a movimentação do mouse: 14 INDRA. Baixe grátis Head Moluse. Disponível em: <https://www.tecnologiasaccesibles.com/pt-br/content/headmouse>. Acesso em: 21 mar. 2023. 4. Plaphoons – sistema de CAA, permite a comunicação do usuário, complementando ou substituindo a fala: PROJECT FRESSA. Plaphoons – Download. Disponível em: <http://projectefressa.blogspot.com/2016/01/plaphoons-download.html>. Acesso em: 21 mar. 2023. 5. TICO (Interactive Communication Boards) – Sistema de CAA: DESCUBRE COMO HACERLO. AraSuite: Cómo descargar AraWord gratis – Pictogramas para enseñar. Disponível em: <http://arasuite.proyectotico.es/index.php?title=P%C3%A1gina_principal>. Acesso em: 21 mar. 2023. A inclusão passa pela democratização do acesso à educação e à tecnologia assistiva digital produzida a partir da filosofia do software livre e gratuito para que a população de pessoas com deficiência possa exercer sua cidadania expressando e manifestando por meio de TAD e CAA. No computador podemos instalar o SCALA (Sistema de Comunicação Alternativa para Letramento de Pessoas com Autismo), que, por suas características, é um recurso intuitivo e gratuito e tem contribuído como mais uma metodologia de apoio para pessoas com déficits de comunicação oral, em específico, a população com TEA (Bez; Passerino, 2013). O Scala permite construir uma prancha com base na escolha de um layout, isto é, da forma de apresentação da mesma para serem adicionadas as imagens, importando-as de seu acervo pessoal (“Minhas imagens”). Além disso, esse sistema dispõe de outras categorias de imagens com mais de 5 mil pictogramas (imagens) selecionados de um sistema de CAA. O usuário poderá utilizar o mouse ou acionador configurado e ajustado para seu uso pessoal (Cordeiro; Souza, 2020). Além do módulo Prancha, o Scala dispõe do módulo ComunicadorLivre, tendo como objetivo auxiliar na alfabetização de crianças com TEA e proporcionar momentos de interação com outras crianças em um ambiente onde possam construir frases usando imagens e sons. 15 Figura 4 – Comunicador livre – Sistema Scala Fonte: Sistema Scala, 2017. Assim, por meio do Scala é possível construir histórias e pranchas de CAA estimulando a imaginação, a criatividade e a interação. 16 REFERÊNCIAS ALVES, A. G.; HOSTINS, R. C. L. 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