Prévia do material em texto
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Câmpus São João da Boa Vista Química analítica experimental Procedimentos experimentais envolvendo análises volumétricas Prof. José Roberto Serra Martins Ana Carla Candido da Silva - BV302772 Júlia Bueno Rozani - BV3005429 Letícia Gabriel Viana - BV3002748 São João da Boa Vista - SP Junho de 2022 Resumo O principal conceito abordado neste relatório é o método analítico da volumetria, tendo como foco a volumetria de precipitação e a metodologia escolhida para resolvê-lo foi a de laboratório, no qual existe a junção da matéria trabalhada nas aulas teóricas com a prática no laboratório. O presente trabalho apresenta três experimentos sobre volumetria com o objetivo de realizar análises volumétricas. Sendo assim, para cada caso foi realizada uma titulação e os cálculos foram feitos a fim de determinar os valores até então desconhecidos. Palavras-chave: Titulação. Volumetria. Precipitação. 1. Introdução A volumetria é um método analítico que visa determinar a concentração de uma determinada solução, baseado no volume de outra solução de concentração conhecida. Sendo assim, é uma análise quantitativa que pode ser feita através da reação entre as soluções. Desse modo, para esta determinação, um dos procedimentos laboratoriais mais utilizados é a titulação, por ser uma técnica de análise volumétrica rápida e precisa. Nesta técnica, adiciona-se uma solução com características conhecidas, chamada de titulante, a uma solução de concentração desconhecida, sendo o titulado. A partir disso, conforme titula-se a solução, há a mistura e, desta maneira, a ocorrência de reação química que podem ser de tipos distintos. Dependendo da reação encontrada, é que são classificados os tipos de titulação, nesses procedimentos foram feitas algumas delas: 1.1 Volumetria de precipitação Esta volumetria é baseada em reações nas quais são produzidos compostos com baixa solubilidade, isto é, envolve a formação de precipitado. Desta forma, na titulação as substâncias que reagem formam duas fases - uma líquida e outra sólida - sendo uma insolúvel no reagente. Isto ocorre de modo que, é medido na bureta o volume do reagente de concentração conhecida, que é necessário para que ocorra a precipitação por completo. Essas reações devem obedecer algumas condições, sendo elas: O precipitado formado deve ser completamente insolúvel; a precipitação deve ocorrer de forma rápida, para que não se verifique o fenômeno da sobressaturação; o ponto de equivalência da reação, deve ser achado de forma fácil. Uma dificuldade encontrada neste tipo de volumetria é quanto aos indicadores utilizados, pois para que ocorra a formação de precipitado a quantidade de reagentes que pode ser utilizada é limitada. Portanto, esse é um dos obstáculos que surgem, já que os indicadores que são utilizados são específicos para cada uma das titulações, dependendo da reação química que é servida como base. Conforme mencionado por Skoog et. al (2007, p.433), muitas titulações de precipitação utilizam o íon metálico como titulante. Uma das diversas reações que pode ser utilizada na volumetria de precipitação, que possui resultados satisfatórios, são aquelas em que se precipita o íon Prata (Ag +), essas volumetrias são denominadas de argentométricas, sendo amplamente utilizado o nitrato de prata. A principal aplicação desta é para a determinação de haletos e íons metálicos, sendo assim, pode ser usada para determinar o conteúdo de sal de cozinha em alimentos ou de prata em uma amostra, por exemplo, conforme a reação abaixo: NaCl + AgNO3 → AgCl↓ + NaNO3 Através da seta apontada para baixo, nota-se que o cloreto de prata (AgCl) precipitou, o que indica o surgimento de uma fase sólida no fim do processo. Uma observação é que, na argentrometia, o PH do titulado, deve ser menor do que 10, pois é em meio alcalino que ocorrem as reações. Método de Mohr O método de Mohr consiste no processo de detecção do ponto final numa volumetria de precipitação. Esse método é baseado na formação de um segundo precipitado, para detectar o ponto final, e esse é utilizado como um indicador que tenha a partícula titulante. Esse precipitado deve obedecer às seguintes condições: a sua cor deve ser totalmente diferente da do precipitado formado no decorrer da titulação, para que seja detectado visualmente e deve começar a formar-se de imediato a precipitação completa do íon, para isso é necessário que a sua solubilidade seja superior à do precipitado formado na titulação. O indicador, ou seja, o segundo precipitado tem que ser escolhido de modo que a sua precipitação não se dê antes de atingir o ponto de equivalência e nem muito depois dele. No método de Mohr este tipo de indicador, normalmente é aplicado na titulação do íon cloreto (Cl-), com o íon prata (Ag+), sendo então o indicador um precipitado vermelho de cromato de prata (Ag2CrO4). Deste modo, para que o íon cromato atue como um indicador apropriado, o mesmo não deve reagir com o íon prata antes da concentração do mesmo ter atingido o seu valor de equilíbrio, ou seja, o íon prata tem que precipitar totalmente o íon cloreto e só depois se dá a formação do cromato de prata, na cor vermelha. Quando ocorre o aparecimento desta cor no titulado que é muito diferente da cor branca do precipitado do cloreto de prata, é indicado o ponto final da titulação. Este método é aplicado no doseamento de cloretos e de brometos, mas não de iodetos, pelo fato do iodeto de prata ser fortemente corado, o que dificulta a detecção do ponto de equivalência. Por conta destes fatores o método de Mohr é bem limitado, não podendo ser aplicado em qualquer método de titulação de precipitação. De acordo com Skoog et. al (2007, p. 342) a titulação de Mohr deve ser realizada em pH de 7 a 10 porque o íon cromato é a base conjugada do ácido crômico fraco. Consequentemente, em soluções mais ácidas, a concentração dos íons cromato é muito pequena para se produzir o precipitado nas proximidades do ponto de equivalência. Normalmente, um pH adequado é obtido saturando-se a solução do analito com hidrogênio carbonato de sódio. 1.2 Volumetria de oxirredução e iodometria Nesse caso é realizada a determinação através de uma solução com agente redutor ou oxidante (titulante) e uma solução titulada, sendo assim, baseia-se em reações em que há a transferência de elétrons entre espécies. Deste modo, a espécie capaz de receber elétrons funciona como agente oxidante e a que funciona como agente redutor é a que cede os elétrons. Nessas titulações alcança-se o ponto de equivalência no momento em que o oxidante e o redutor estão nas proporções estequiométricas, na qual a equação é a somatória das reações parciais, pois muitas reações de oxirredução ocorrem em uma série de etapas. Além disso, pode ser que essas ocorram de forma lenta, sendo necessário aumentar a velocidade através da titulação aquecendo ou utilizando catalisadores. Quanto aos indicadores, a quantidade que pode ser utilizada para indicar esta equivalência é bem restrita e a maioria dos que são usados são sensíveis à mudanças no potencial da solução de titulação. Quanto às curvas de titulação, segundo Baccan et. al (1946, p. 87), o curso de uma reação ácido-base pode ser seguido através de um curva do pH versus o volume do titulante. Analogamente, no caso de uma reação redox, faz-se o mesmo através de uma curva do Potencial (E) versus o volume do titulante (V). As curvas das titulações de oxirredução são traçadas colocando o potencial do sistema versus o volume do titulante adicionado, em cada ponto da titulação. No presente trabalho é utilizado o método de iodometria, um método volumétrico, no qual o excesso de íons iodeto são adicionados à solução com agente oxidante e, dessa forma, é produzida uma quantidade de iodo que será titulada com uma solução padrão contendo tiossulfato. Baseiam-se na seguinte reação: I2 (aq) + 2e- → 2I- (aq) Eº = 0,52 V O método deiodometria é dividido em dois outros métodos: ● Método direto: é quando o potencial do iodo é maior que o da amostra, esse método é usada para tratar uma espécie na amostra, o agente redutor, pode ser por exemplo Cu2+, SO3 2-, S2- com uma solução padrão de iodo que tem o papel de agente oxidante. ● Método indireto: é quando o potencial de iodo é menor que o da amostra. É quando trata-se uma espécie da amostra, o agente oxidante, colocando excesso de iodeto de potássio, agente redutor, e após isso titular o iodo (agente oxidante), que foi liberado na solução, com uma solução padrão de tiossulfato de sódio que será o agente redutor. Como o iodo é um componente volátil, ele deve ser adicionado ao erlenmeyer no momento de realização da titulação. Quando acrescenta o iodeto de potássio a volatização do iodo é diminuída acarretando em uma das principais fontes de erro na iodometria. Abaixo estão as reações que indicam o que ocorre com o iodo: I2 (aq) + I- (aq) → I3 - (aq) (triiodeto, solúvel em água) I3 - (aq) + 2e- → 3I- (aq) Eº = + 0,536 V Para esse procedimento utilizou-se uma solução de amido como indicador, onde este forma um complexo insolúvel de coloração azul como o iodo. As soluções de tiossulfato de sódio podem ser afetadas por ataque de bactérias que metabolizam enxofre, pela ação do meio fortemente ácido ou pela presença de CO2 S2O3 2- (aq) + 2H+ (aq) → SO2(aq) + H2O (l) + S (s) S2O3 2- (aq) + H2O (l) + CO2(aq) → HSO3 - (aq) + HCO3 - (aq) + S (s) A presença de enxofre coloidal causa a turvação da solução, além de alterar a sua concentração. A solução fica mais estável em meio alcalino, pH entre 9 e 10, alcançado pela adição de carbonato de sódio. O cobre é moderadamente abundante, está presente nos minerais, como calcita, calcopirita e também na forma de óxido de cobre (I). Este elemento é utilizado na indústria elétrica por conta de sua alta condutividade, e em alguns tipos de tubulação, devido sua inércia química. 1.3 Volumetria por complexação A volumetria por complexação, é uma técnica de análise volumétrica que visa a formação de um complexo de cores, que ocorre entre o analito e o titulante e é utilizado para mostrar o ponto final da titulação, ou seja, é um indicador. A volumetria por complexação é muito utilizada para a determinação de diversos íons metálicos com agentes complexantes ou quelantes. Um agente quelante é qualquer estrutura, onde faz parte dois ou mais átomos possuidores de pares elétrons, que não são utilizados em ligações químicas primárias, mas, que são utilizados como imãs eletrostáticos que se prendem a íons metálicos. Entre os complexantes mais comuns, pode-se citar a água, que é ligada aos íons de cobre e é responsável pela coloração azul das soluções de sais de cobre, já a amônia, quando substitui a água ao redor do cobre, produz uma coloração azul mais intensa e o EDTA (ácido etilenodiaminotetracético) que juntamente com o cobre, combate a amônia. O EDTA é o agente complexante mais importante, pois ele forma complexos que são muito estáveis com vários íons metálicos. Além disso, nessas titulações é muito importante o ajuste do pH do meio que está em análise, já que em meio ácido, os íons H+ irão competir com os íons metálicos na quelação e, no meio alcalino, os íons metálicos visam a formação de hidróxidos alcalinos que são poucos solúveis. A ação máxima do complexante EDTA ocorre em meio fortemente alcalino e muitas vezes ocorre a necessidade de adição de um agente complexante auxiliar nas titulações. 2. Objetivos Geral: Analisar técnicas de volumetria como a de precipitação, oxirredução e complexação. Específicos: 1. Determinar a concentração de cloreto em uma amostra pelo método argentométrico ou Método de Mohr. 2. Utilizar o método da iodometria para determinar a concentração de cobre (II) em uma solução. 3. Determinar a dureza total de uma amostra de água de abastecimento, utilizando uma solução-tampão pH 10, o negro de eriocromo T como indicador e EDTA como titulante. 3. Materiais e métodos 3.1 Determinação de cloreto pelo método de Mohr ● Béquer de 250 ml; ● Bureta de 50 ml; ● Erlenmeyer de 250 ml; ● Pipeta volumétrica de 5 ml; ● Pipeta de Pasteur; ● Proveta de 100 ml; ● Suporte universal e garras; ● Balões volumétricos de 100 ml; ● Solução padrão de AgNO3 0,015 mol.L -1; ● Solução indicadora de cromato de potássio (3%); ● Solução de hidróxido de sódio, NaOH 0,25 mol.L-1; ● Solução de ácido sulfúrico H2SO4 0,25 mol.L -1. Procedimento experimental Utilizando uma pipeta volumétrica, foi pipetado 5 ml de cloreto de sódio e transferiu-se a quantia para um erlenmeyer. Em seguida, mediu-se em uma proveta 45 ml de água destilada e esta foi transferida para a mesma vidraria. Após, acrescentou-se na solução 10 gotas de cromato de potássio, com o auxílio de uma pipeta de pasteur. Em um béquer de 250 ml, foi pipetado ainda 100 ml de nitrato de prata, usando a pipeta volumétrica, e o conteúdo do béquer foi todo transferido para a bureta de 50 ml. O erlenmeyer, contendo a solução preparada, foi posicionado embaixo da bureta, dando início à titulação. 3.2 Determinação de cobre por oxirredução ● Água destilada ● Bureta de 50 mL ● Erlenmeyer 250 mL ● Proveta de 50 mL ● Solução de sulfato de cobre (II) ● Solução de iodeto de potássio 4% (m/V) ● Solução de amido ● Solução padrão de tiossulfato de sódio Procedimento experimental Com uma proveta de 50 ml foi separado 35 ml de água destilada, em um erlenmeyer de 125 ml, foi colocado 15 ml de KI, misturou-se com a água destilada e em seguida foi adicionado 0,5 ml de solução de sulfato de cobre II (Cu2+), a solução ficou na cor amarela. Na bureta de 50 ml, foi adicionado 50 ml de Na2S2O3, foi colocado o erlenmeyer abaixo da bureta e abriu-se a torneira dando início à titulação. 3.3 Determinação de cobre por complexometria ● Bureta de 50 ml; ● Pipeta volumétrica de 5,00 ml; ● Pipeta graduada de 25 ml; ● 2 Béqueres de 50 ml; ● Erlenmeyer de 250 ml; ● Proveta de 25 ml; ● Frasco para descarte de ácidos e bases; ● 5 ml de tampão de hidróxido de amônio/ cloreto de amônio PH 10; ● Indicador negro de eriocromo - T; ● 25 ml de água de torneira; ● 25 ml de água destilada; ● 50 ml de solução padrão de ETDA ~ 0,01 mol/L padronizada; ● 5 ml de solução de CaCO3 ~ 0,01 mol/L Inicialmente, com uma pipeta graduada foi pipetada a quantia de 25 ml de água da torneira, sendo transferida para um erlenmeyer de 250 ml. Com o auxílio de uma pipeta volumétrica, acrescentou-se à água 5 ml de solução tampão hidróxido de amônio Ph 10 e, utilizando uma proveta, 25 ml de água destilada. Posteriormente, foi gotejado 15 gotas do indicador Erio T. Na bureta de 50 ml, foi colocada a mesma quantia de EDTA, colocou-se o erlenmeyer embaixo e deu-se início à titulação. Os resultados foram observados e anotados. 4. Resultados e Discussões 4.1.1 Análises e discussões do procedimento 1: 3.1 Determinação de cloreto pelo método de Mohr Inicialmente, observou-se que a solução ficou aos poucos esbranquiçada e obteve-se uma formação de precipitado no fundo do erlenmeyer, sendo este o cloreto de prata branco. Em pH alcalino, ou seja, acima de 7,0, o AgCl dissocia-se e a solução torna-se incolor, as reações podem ser representadas abaixo demonstrando o processo: NaCl (aq) + AgNO3 → AgCl(s) + NaNO3 (aq) AgCI ⇔ Ag+ + Cl- Notou-se também que, na titulação de uma solução neutra ou alcalina de íons cloreto, com solução padrão de nitrato de prata, adiciona-se uma pequena quantidade de solução de cromato de potássio que age como indicador com o objetivo de que os íons prata combinam-se com os íons cromato, por isso é possível visualizar o fim da titulação quando surge uma coloração vermelha, essa reação é descrita como: K2CrO4 (aq) + 2 AgNO3 (aq) ⇔ 2KNO3 (aq) + Ag2CrO4 (s) Equação iônica: Ag2CrO4⇔ 2 Ag+ + CrO4 2- Sendo assim, quando a precipitação do cloreto for completa, o excesso de íons prata devem combinar com os íons cromatoe formando um precipitado, cromato de prata, vermelho, pouco solúvel. Porém, é importante destacar que o composto Ag2CrO4 possui solubilidade ainda maior do que a do cloreto de prata e, por isso, só é formado quando não há mais Cl- para reagir com o íon Ag+ Logo, havendo um excesso de íons cloreto, torna-se mais difícil fazer com que ocorra a precipitação do cromato de prata, isso foi visto de forma que foi necessário mais AgNO3 para que ocorresse a reação com os íons prata. Diante disso, houveram alguns interferentes, como a reação entre a prata com o OH-, causando uma interferência na mudança de cor e, além disso, pôde-se notar que a solução de NaCl utilizada estava mais concentrada do que indicava no rótulo (10%). Além disso, até mesmo a solução de AgNO3 pode ser um interferente neste procedimento, pois não é uma P.A, isto é, não é uma substância para análise, com padrões de trabalho que apresentam um alto grau de pureza e o mínimo de erro. 4.1.2 Cálculos e resultados do procedimento 1: 3.1 Determinação de cloreto pelo método de Mohr A concentração comum de NaCl utilizada é de 10g/L, e a concentração em mol/L é: MNaCl = C NaCl . MM NaCl MNaCl = 0,010 . 55,480 MNaCl = 0,555 mol/L Através da titulação obteve-se o volume de AgNO3 VAgNO3 = Vt - Vi VAgNO3 = 121,0 - 3,6 VAgNO3= 117,4 mL Com esse valor calcula-se a concentração de NaCl utilizada: [AgNO3] . VAgNO3 = [NaCl] . VNaCl 0,100 . 117,4 = [NaCl] . 5,0 [NaCl] = 2,4 mol/L Comparando as duas concentrações em mol/L, nota-se que a concentração de NaCl não encontra-se igual a descrita em seu rótulo, que é igual a 0,555 mol/L. Se esse valor estivesse igual ao descrito no rótulo o volume de AgNO3 seria menor do que o utilizado. Podemos observar através do cálculo: [AgNO3] . VAgNO3 = [NaCl] . VNaCl 0,100 . VAgNO3 = 0,555 . 5,0 VAgNO3 = 27,750 mL 4.2.1 Análises e discussões do procedimento 2: 3.1 Determinação de cobre por oxirredução Esse experimento consiste no processo de oxirredução dos íons de Cu+ e I- , onde mistura-se uma solução de sulfato de cobre e iodeto de potássio : 2CuSO4 (aq) + 4KI (aq) → 2K2SO4 (aq) + CuI (s) +I2 (aq) Ocorre a oxidação dos íons de I- e a redução dos íons de Cu2+ , as equações iônicas abaixo demonstram: Redução → Cu2+ + e- = Cu+ Oxidação → 2I- = I2 + 2e- Equação global → 2Cu2+ + 2I- → 2Cu+ + I2 Na prática inicialmente a solução passa de azul claro, que é a coloração do Cu2+ e fica em um tom de amarelo ao reagir com o I-, precipitando também o CuI um sólido de coloração branca e insolúvel. Para a solução ficar transparente, utilizou-se uma solução de Na2S2O3 para titular, ou seja, para remover o excesso de Iodo. Para que a solução ficasse transparente foi necessário somente 2 gotas de solução de Na2S2O3, após isso adicionou-se o amido, que foi o indicador, este na presença de iodo adquire uma coloração azul intensa, que deve-se à adsorção de íons (I2) pelas macromoléculas do amido, que captura estes íons. Deste modo, o amido forma um complexo azul insolúvel com o iodo, tendo em vista que os amidos podem ser separados em dois componentes que existem em várias plantas: a amilose e a amilopectina, sendo a primeira a que apresenta a coloração azul vista neste processo. O amido reage com o iodo a fim de formar com o excesso de iodo um produto chamado NaI ( iodeto de sódio). A equação abaixo demonstra o ocorrido: I2 (aq) + 2 Na2S2O3 (aq) ⇔ Na2S4O6 + 2 NaI(aq) A reação demorou para ocorrer quando adicionou-se o amido, ou seja, demorou para alterar a coloração, isso ocorreu porque os reagentes utilizados não são para análise e também não encontram-se dentro do período de validade, o que diminui a cinética da reação entre o amido e o iodo. Para que a solução atingisse seu ponto de viragem durante a titulação, foram utilizados 0,5mL de solução de Na2S2O3 . 4.2.2 Cálculos e resultados do procedimento 2: Determinação de cobre por oxirredução n°de mols de Cu2+ = 2. (n° de mols de I2 ) 2. (n° mols de I2 formado) = n° de mols de Na2S2O3 consumido Por meio desses dados, pode-se calcular a concentração de I2 : [ I2] . V I2 = [𝑁𝑎2𝑆2𝑂3 ] . 𝑉𝑁𝑎2𝑆2𝑂3 ÷ 2 [ I2] . 15= 0,1 . 0,5 2÷ [ I2] = 1,67 . 10-3 mol/L E só então é possível descobrir a concentração de Cu2+ : [ I2] . V I2 = [𝐶𝑢𝑆𝑂4] . 𝑉𝐶𝑢𝑆𝑂4 ÷ 2 1,67 . 10-3 . 15= . 0,5 2[𝐶𝑢𝑆𝑂4] ÷ = 0,1002 mol/L[𝐶𝑢𝑆𝑂4] Pela estequiometria, a concentração de Cu2+ é igual à concentração obtida se sulfato de cobre, sendo portanto, de 0,1002 mol/L ou aproximadamente 0,1 mol/L. 4.3.2 Análises e discussões do procedimento 3: Determinação de cobre por complexometria Quando iniciou-se a titulação, foi observado o aparecimento de uma coloração verde bem escuro, a princípio esperava-se que esta coloração mudasse para azul, porém não conseguiu-se observar a cor azul, logo pode-se possivelmente não houve nenhum excesso de EDTA para que isso ocorresse. O indicador utilizado foi o negro de eriocromo e faz com que aos poucos o Ca2+ ligue-se ao EDTA, formando com este um complexo mais estável do que com o indicador, uma vez que indicadores metalocrômicos são quelantes e alteram sua cor conforme se associam a um íon metálico, no caso o Ca2+, sendo o Negro de Eriocromo-T um dos mais utilizados. Neste experimento a coloração não foi alterada para azul, pois a faixa de pH deveria ser superior ou igual a 10, e mesmo com a utilização de uma solução tampão com esse pH, não foi suficiente para fazer a solução chegar a esse pH 10, mantendo então a solução na coloração esverdeada. Efetuando os cálculos, notou-se que o valor obtido foi de 84,84 mg/L de CaCO3, indicando que a água era moderadamente branda, conforme indicado na tabela 2. Portanto, a água analisada pode ser considerada própria para consumo, visto que, no Brasil, a Portaria N.º 518 de 2004, estabelece o limite máximo de 500 mg CaCO3/l para que a água seja admitida como potável. A água quando muito dura pode causar problemas como o ressecamento da pele e dos cabelos, entupimento de canos, chuveiros, torneiras e conexões hidráulicas, devido à precipitação dos sais de cálcio e magnésio, por exemplo. Sendo assim, discutiu-se ainda que a água dura não pode ser usada na indústria, pois pode haver o risco de acidentes como a explosão de caldeiras, ocasionada devido à presença de cálcio em excesso, que contribui para a formação de carbonato de cálcio e, consequentemente, do entupimento, causando as explosões. Além disso, uma água dura também não é ideal para cozinhar vegetais, pois eles endurecem em vez de ficarem mais moles. 4.3.2 Cálculos e resultados do procedimento 3: Determinação de cobre por complexometria Tabela 1- Comparação entre valores da média dos grupos e do obtido Valores da média: MCa.VCa = Medta . Vedta MCa . 0,025= 0,010 . 0,00475 MCa = 0,0019 mol/L M . MM= CCa 0,0019 . 40,02= CCa CCa = 76,038 mg/ L Valores obtidos: MCa.VCa = Medta . Vedta MCa . 0,025= 0,010 . 0,0053 MCa = 0,00212 mol/L M . MM= CCa 0,00212 . 40,02= CCa CCa = 84,8424 mg/L Fonte: Autoria Própria Tabela 2 - Relação entre a dureza de CaCO3 e a classificação da água Fonte: BACCAN, N. et al. Química Analítica Quantitativa Elementar. 5. Considerações finais Com base na análise dos experimentos realizados e também dos estudos acerca de volumetria, pode-se concluir que são análises que ocorrem de uma maneira rápida, ou seja, é possível analisar o resultado da análise em minutos, ela somente exige que as soluções estejam corretas, dentro dos prazos de validade, pois senão tornam a reação mais lenta. Através da volumetria é possível analisar diferentes reações, por meio das diferentes volumetrias, que ao longo dos experimentos foram aplicadas, utiliza-se muito os indicadores, onde esses vão indicar por meio da mudança de coloração o que está ocorrendo na solução, é muito importante ficar atento às mudanças, pois elas podem ocorrer bem rapidamente e de maneira inesperada, então durante a titulação exige ter paciência. Diante de todasas práticas houveram alguns interferentes nos resultados, sendo eles principalmente devido ao fato dos reagentes utilizados não serem P.A, o que minimizaria os erros obtidos quantitativamente. Referências BACCAN, N. et al. Química Analítica Quantitativa Elementar. 3ª. ed. São Paulo: Editora Edgard Blücher, 2001. CESAR, J. Titulação: método para medir a concentração de uma solução. Disponível em: https://canalmetrologia.com.br/titulacao-metodo-para-medir-a-concentracao-de-uma-solucao/ Acesso em: 05 junho 2022. DIAS, D. Análise volumétrica ou volumetria. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/analise-volumetrica.htm. Acesso em: 05 junho 2022. Porto Editora – volumetria de precipitação. Disponível em <https://www.infopedia.pt/$volumetria-de-precipitacao> Acesso em: 05 junho 2022. Porto Editora – volumetria de oxidação-redução. Disponível em https://www.infopedia.pt/$volumetria-de-oxidacao-reducao. Acesso em: 07 junho 2022. Porto: Porto Editora. Método de Mohr. Disponível em https://www.infopedia.pt/$metodo-de-mohr. Acesso em: 16 junho 2022. RUSSELL, John B. Complexometria. Disponível em https://www.infoescola.com/quimica/complexometria/. Acesso em: 16 junho 2022. SKOOG, D. A. et al. Fundamentos de Química Analítica. 8ª. ed. São Paulo: Thom-son Learning, 2007. SOUZA, L. Tipos de volumetria. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/tipos-volumetria.htm. Acesso em: 07 junho 2022. https://www.infopedia.pt/$volumetria-de-precipitacao https://www.infopedia.pt/$metodo-de-mohr https://www.infoescola.com/quimica/complexometria/