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LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL E LEI DE 
ACESSO À INFORMAÇÃO 
 
 
 
2 
 
Sumário 
 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................................... 3 
1- INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 4 
2 - SUSTENTÁCULOS DA LEI DE RESPONSABILIDADE ...................................... 5 
FISCAL (LRF) ............................................................................................................ 5 
3 - OBJETIVOS DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL ................................... 7 
4 - A TRANSPARÊNCIA COMO PRINCÍPIO DA LEI DE ....................................... 10 
RESPONSABILIDADE FISCAL .............................................................................. 10 
4.1 - ABRANGÊNCIA .............................................................................................. 14 
5 - CONCEITOS ....................................................................................................... 15 
6.1 PLANO PLURIANUAL ...................................................................................... 18 
7 - LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTARIAS ......................................................... 19 
8 - LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL........................................................................... 20 
9 - RECEITA PÚBLICA ........................................................................................... 23 
10 - DESPESA PÚBLICA ........................................................................................ 26 
11 - A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO .............................................................. 29 
12 - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES REFERENTES À LEI .................................... 31 
12.1- INFORMAÇÕES UTEIS .................................................................................. 34 
12.2 A CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO (CGU) .......................................... 35 
13 - COMO AS INFORMAÇÕES DEVEM SER PUBLICADAS? ............................ 37 
14 - EM QUE CASOS UMA INFORMAÇÃO É SIGILOSA? .................................... 39 
15 - COMO FAZER RECURSOS ONLINE? ............................................................ 41 
16 - COMO FAZER UM PEDIDO DE INFORMAÇÃO PESSOALMENTE? ............ 43 
17 - REFERENCIAS ................................................................................................ 52 
 
 
 
 
3 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em 
atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-
Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo 
serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável 
e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e 
ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país 
na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no 
atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
1- INTRODUÇÃO 
A Lei de Responsabilidade Fiscal, nome dado a Lei Complementar nº 101 de 2000, é 
firmada em quatro princípios: o planejamento, o controle, a responsabilidade e a 
transparência. A mencionada Lei tem por intuito reparar a Administração Pública, em 
todos os entes federados, assim como estabelecer limitações aos gastos, utilizando-
se de meios de planejamento governamental, de organização, transparência e 
controles interno e externo. Da simples leitura do texto legal depreende-se que o 
objetivo é manter o equilíbrio fiscal, o qual seria atingido através de ações voltadas à 
contenção de despesas e estabelecimento de limites para gastos com pessoal e 
endividamento. A Constituição Federal apresenta os princípios da Administração 
Pública, a serem observados em todas as esferas, dentre os quais figura a 
publicidade. Tal princípio foi reproduzido na Lei de Responsabilidade Fiscal, sendo 
apresentado através da realização de audiência públicas no processo de criação e 
execução dos planos, participação popular, da lei de diretrizes orçamentárias e 
orçamentos. 
A Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada com o intuito de definir o limite de gastos 
dos estados e municípios conforme a quantidade de tributos arrecadados por esses 
entes da Federação Brasileira. Com essa atitude, a Lei de Responsabilidade Fiscal 
busca criar uma condição de equilíbrio orçamentário, financeiro e fiscal. 
Essa lei foi implantada na tentativa de inibir uma prática comum de alguns 
governantes, que faziam grandes gastos ao final de seu mandato para que esses 
valores fossem pagos pelos próximos representantes eleitos. A Lei de 
Responsabilidade Fiscal incentivou, portanto, mais transparência nos gastos 
públicos, o que é de grande valia no combate à corrupção. 
O Ministério da Defesa cumpre fielmente o disposto na Lei nº 12.527/2011, que 
regulamenta o direito constitucional de acesso dos cidadãos às informações públicas. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm
 
 
5 
Por isso, adota medidas no sentido de facilitar a consulta aos dados e documentos 
sob sua responsabilidade, contribuindo para a consolidação do regime 
democrático e para o fortalecimento das políticas de transparência pública. 
Parte desse esforço é refletida no sítio eletrônico, que promove a divulgação 
espontânea de informações de interesse geral ou coletivo no âmbito do Ministério 
da Defesa. A Lei de Acesso à Informação (LAI) é considerada um divisor de águas 
em matéria de transparência pública, pois, dentre outros princípios, define que o 
acesso à informação é a regra, e o sigilo, a exceção. 
Para a LAI, qualquer pessoa, física ou jurídica, poderá solicitar acesso às 
informações públicas, isto é, aquelas não classificadas como sigilosas, conforme 
procedimento que observará as regras, prazos, instrumentos de controle e 
recursos previstos. 
É dever do Estado garantir o direito de acesso à informação, que será franqueada, 
mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em 
linguagem de fácil compreensão. 
O Decreto nº 7.724/12 regulamenta a LAI. Importante lembrar que esse Decreto 
não abrange toda a Administração Pública, referindo-se somente ao Poder 
Executivo Federal. 
 
2 - SUSTENTÁCULOS DA LEI DE RESPONSABILIDADE 
FISCAL (LRF) 
A Lei Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000, a Lei Responsabilidade Fiscal 
(LRF) pauta-se em quatro pilares, a saber, planejamento, controle e 
responsabilidade e transparência. 
No que tange ao planejamento, a Constituição de 1988 possibilitou a junção dos 
processos de planejamento e orçamento através dos mecanismos formulados 
 
 
6 
para esta finalidade, quais sejam, o plano plurianual (PPA), diretrizes 
orçamentárias e orçamentos anuais, cuja disposição no texto constitucional 
encontra-se nos arts. 165, I, II, III. 
Neste ínterim, a Lei de Responsabilidade Fiscal busca propiciar as condições 
necessárias ao alcance das metas primeiras da gestão por meio da programação 
da execução orçamentária. 
O Controle, por sua vez, nos termos do art. 67 da LRF, está ligado ao 
acompanhamento e a avaliação, deforma permanente, da política e da 
operacionalidade da gestão fiscal serão realizados por conselho de gestão fiscal, 
constituído por representantes de todos os Poderes e esferas de Governo, do 
Ministério Público e de entidades técnicas representativas da sociedade […]. 
O parágrafo acima se relaciona mais diretamente com o Controle Interno. Já o 
controle externo é exercido pelo Poder Legislativo, com o auxílio dos respectivos 
Tribunais de Contas. 
Os sistemas de controle deverão ter o condão de tornar concreta e exequível a 
determinação da lei, exercendo a fiscalização das atividades administrativas para 
que se garanta a similitude com as normas mais novas. Para tanto, a fiscalização 
deverá ser realizada com rigor como ato contínuo. 
A responsabilidade, por seu turno, impõe ao gestor sanções em caso de 
descumprimento das regras fixadas pela LRF. Aos possíveis infratores serão 
punidos com base nas disposições trazidas no art. 73 da LRF, quais sejam, o 
Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal); a Lei no 1.079, 
de 10 de abril de 1950; o Decreto-Lei no 201, de 27 de fevereiro de 1967; a Lei 
no 8.429, de 2 de junho de 1992; e demais normas da legislação pertinente. 
A punição é estendida igualmente aos órgãos da administração pública que não 
observarem as disposições constantes da LRF. Aqueles poderão ser alvo de 
 
 
7 
suspensão de transferências voluntárias, das garantias e da contratação de 
operações de crédito. 
Por fim, a Transparência deverá ser garantida por meio da participação da 
sociedade nos processos de elaboração e execução dos planos. Nos termos da 
Lei de Responsabilidade Fiscal, os atos e fatos relacionados à arrecadação de 
receitas e efetuação de despesas pelo poder público, desde que não sejam 
acobertados por segredo de Estado. 
A disponibilidade das contas dos administradores durante todo o exercício é um 
dos mecanismos adequados à garantia da transparência, cuja disposição legal é 
trazida no art. 49 da LRF. No mesmo artigo encontra-se a emissão de relatórios 
periódicos de gestão fiscal e de execução orçamentária, bem como o acesso 
público e a ampla divulgação. Ademais, importa ressaltar que as informações 
devem ser fornecidas de modo que seja inteligível a todo aquele que dela queira 
se utilizar. 
3 - OBJETIVOS DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL 
A Lei de Responsabilidade Fiscal, no entendimento de Castro (2000), é efetuar 
reparos na Administração Pública, em todas as searas dos entes federados, 
assim como de estabelecer limite aos gastos, para que tenham conformidade com 
as receitas. Para tanto, a LRF utiliza-se de meios de planejamento governamental, 
de organização, transparência e controles internos externos. 
 
 
8 
 
O texto legal permite deduzir que seu principal objetivo é o equilíbrio fiscal, o qual 
seria fruto de restrições implementadas contra o crescimento das despesas e pelo 
estabelecimento de limites para gastos com pessoal e endividamento O art. 1º §1º 
da LRF prescreve que: 
A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, 
em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das 
contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e 
despesas e a obediência a limites e condições no que tange a renúncia de receita, 
geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas 
consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de 
receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a Pagar. 
Por “ação planejada” têm-se as ações orientadas ao cumprimento de um programa 
previamente determinado, o qual comporta passos a serem seguidos. Tais ações 
estão previstas em dispositivos da LRF, tais como inovações na lei de diretrizes 
orçamentárias e leis orçamentárias anuais (arts. 4º e 5º) e programação financeira 
(art. 8º). 
 
 
9 
A “prevenção de riscos e correção de desvios que afetem o equilíbrio das contas 
públicas” está intimamente ligada à supervisão, através dos controles interna e 
externo, de projetos, atividades ou ações dos gestores públicos. 
A “garantia de equilíbrio nas contas públicas” está relacionada à efetivação das 
metas alusivas a receitas e despesas. A título de exemplo desse princípio tem-se 
o equilíbrio entre receitas e despesas e metas de superávit primário (art. 4º, I, a); 
regras relativas a renúncias de receitas (art. 14, I), aumento de despesas (arts. 16 
e 17) e sistemas previdenciários dos entes da Federação (art. 69). 
A Lei de Responsabilidade Fiscal ratificou os instrumentos já presentes na 
Constituição Federal. Tal fato demonstra a importância do planejamento e 
execução nas atividades da Administração Pública. 
 
 
 
10 
4 - A TRANSPARÊNCIA COMO PRINCÍPIO DA LEI DE 
RESPONSABILIDADE FISCAL 
A Constituição Federal de 1988 é caracterizada por conter em seu corpo um rol de 
princípios a serem observados pela Administração Pública. Tais princípios têm por 
intuito garantir aos cidadãos a concretização de seus direitos mais fundamentais. 
Ao Estado, estes princípios se relacionam à obrigatoriedade de agir com 
transparência. 
O princípio da transparência é mencionado na Constituição Federal em seu art. 5º, 
mais precisamente os incisos XXXIII, XXXIV e LXXII, os quais trazem, dentre 
outras determinações, a garantia do cidadão de captar informações de seu 
interesse, ou mesmo de interesse coletivo, as quais constem em bancos de dados 
públicos. 
No que tange à LRF e o princípio da transparência, Maren Guimarães Taborda leciona 
que: 
 
 
 
11 
(…) a Lei Complementar nº 101/00, que dispõe sobre a Responsabilidade Fiscal, 
também realiza, direta ou indiretamente, o princípio da transparência 
administrativa, porquanto obriga os administradores públicos não só a emitirem 
declarações de responsabilidade como também a permitirem o acesso público a 
essas informações. 
Outrossim, a Lei de Responsabilidade Fiscal faz referência direta ao princípio da 
transparência em seu capítulo IX, no qual apresenta, em conjunto, a transparência, 
o controle e a fiscalização, determinando o regramento e os procedimentos 
relativos a elaboração e difusão de relatórios e demonstrativos de finanças 
públicas, fiscalização e controle, de modo que seja possível ao cidadão julgar, por 
meio dos dados disponibilizados, se a Administração Pública agiu em 
conformidade com os ditames legais, sobretudo com relação as disposições 
constantes na Lei de Reponsabilidade Fiscal. 
A participação popular, a realização de audiências públicas no processo de criação 
e execução dos planos, da lei de diretrizes orçamentárias e dos orçamentos são 
formas de transparência trazidas pela LRF. 
Um exemplo claro desse incentivo é a figura do orçamento participativo, no qual 
os cidadãos são convocados a opinar acerca das maneiras mais efetivas de 
aplicação dos recursos públicos. Tal instituto tem por base as determinações 
contidas no inciso XII, do art. 29, da Constituição Federal. 
O art. 48 da LRF institui a ampla divulgação, nos mais diversos meios de 
comunicação, de relatórios que tratem das receitas e despesas, sendo possível 
também verificarem a autenticidade das informações fornecidas e sua 
proveniência. 
A Lei de Responsabilidade Fiscal reputa os planos, orçamentos e a Lei de 
diretrizes orçamentárias, as prestações de contas, pareceres prévios dos órgãos 
de controle, relatórios de gestão fiscal como instrumentos de transparência. 
 
 
12 
O art. 165, § 3º da CRFB/88 determina o dever do Poder Executivo de publicar, 
até o trigésimo dia após o encerramento de casa bimestre, o Relatório Resumido 
da Execução Orçamentária (RREO). Tal regularidade proporciona à sociedade o 
maior controle e acompanhamento do desempenho governamental em termos 
orçamentários. 
Os parâmetros a serem observados na elaboração do Relatório Resumido da 
ExecuçãoOrçamentária são pormenorizados na LRF. A elaboração, bem como a 
divulgação, é de inteira responsabilidade do Poder Executivo. O RREO 
compreenderá órgãos da Administração Pública direta indireta. 
O RREO é integrado pelo balanço orçamentário (especificação das receitas e 
despesas por categoria econômica) e pelo demonstrativo de execução das 
receitas e despesas. 
A LRF estabelece ainda que deverá ser emitido um Relatório de Gestão Fiscal ao 
final de casa quadrimestre, pelos titulares dos Poderes Executivo, Legislativo, 
Judiciário e Ministério Público. Tal relatório deverá conter a situação real de 
despesas com pessoal, dívida, operações de crédito, ARO, e as medidas 
corretivas implementadas se os limites forem ultrapassados, bem como todas as 
outras que estiverem sujeitas a limitações. 
A consequência pela não divulgação dos relatórios acima elencados é a vedação 
a possibilidade de contratação de operações de crédito, bem como do recebimento 
de transferências voluntárias, deverão ser disponibilizados para consulta. 
Ademais, ao Poder Legislativo caberá realizar, a cada quatro meses, audiência 
pública para que se discuta o cumprimento das metas fiscais, em conformidade 
com as previsões da LRF. 
 
 
13 
A participação popular é de suma importância nas audiências, pois através das 
informações ali prestadas será possível o controle da aplicação dos recursos bem 
como a transparência das ações dos gestores. 
Acerca do tema, explicita Maren Guimarães Taborda: 
Em última instância, só através da transparência – apresentação de dados 
consistentes e compreensíveis, oportunos e atualizados – que se expressa através 
da obrigação de as autoridades públicas, em cada nível de Governo, emitirem 
declarações mensais, trimestrais e anuais de responsabilidade fiscal, atendendo 
aos limites previstos nas metas e objetivos ou justificando seus desvios 
temporários e, ainda, permitirem o acesso público a essas informações, é que os 
objetivos da Lei podem ser alcançados. Por outro lado, a efetividade da Lei Fiscal 
será assegurada por mecanismos de compensação e de correção dos desvios, e 
com transparência, a fim de punir a má gestão mediante a disciplina do processo 
político. 
Logo, a transparência somente poderá ser alcançada através da efetiva 
observância aos institutos obrigatórios, de modo que seja dado conhecimento ao 
cidadão de tudo que ocorre através da prestação de contas. Ao cidadão cabe 
participar, para que seja possível cobrar dos Administradores a efetiva e correta 
utilização dos recursos públicos captados através dos impostos. 
Ademais, sem a efetiva participação popular, a transparência não alcança seu 
objetivo primeiro, uma vez que os verdadeiros interessados não estarão 
acompanhamento o que está sendo feito pelos Agentes Públicos. 
Importa, pois, ressaltar que os orçamentos, a LDO, os planos, as prestações de 
contas (com o respectivo parecer prévio confeccionado pelo Tribunal de Contas), 
os anexos de riscos fiscais e de metas fiscais relatórios de gestão fiscal, dentre 
outros 
 
 
 
14 
4.1 - ABRANGÊNCIA 
Nas disposições preliminares da Lei de Responsabilidade Fiscal consta, 
minuciosamente, o rol de responsáveis pela observância aos seus comandos 
legais: a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, também 
denominados entes da Federação. Nas referências a estes, estão compreendidos 
o Poder Executivo, o Poder Legislativo (incluindo os Tribunais de Contas), o Poder 
Judiciário, o Ministério Público, as administrações diretas, fundos, autarquias, 
fundações e empresas estatais dependentes. Por se tratar de lei complementar 
nacional, a obrigatoriedade de seu cumprimento atinge toda a sociedade e não 
somente os entes indicados no artigo 1º. 
 
 
 
15 
5 - CONCEITOS 
A Lei, em diversos dispositivos, conceitua institutos consagrados pelo Direito, 
enquanto que em outros cria novos institutos sem a respectiva definição, deixando 
para a melhor doutrina o papel da conceituação. 
 Para efeitos da Lei Fiscal, entende-se: 
• Ente da Federação- a União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios. 
• Órgão - o Ministério Público, o Senado Federal, a Câmara dos 
Deputados, os Tribunais de Contas, a Assembleia Legislativa, a Câmara 
Legislativa do Distrito Federal, a Câmara de Vereadores e os Tribunais 
elencados no artigo 92 da Constituição Federal. 
• Empresa controlada- Empresa controlada- sociedade cuja maioria do 
capital social com direi- Empresa controlada a voto, pertença, direta ou 
indiretamente, a ente da Federação. 
• Empresa estatal dependente - empresa controlada que receba do 
ente controlador recursos financeiros para pagamento de despesas com 
pessoal ou de custeio em geral ou de capital, excluídos, no último caso, 
aqueles provenientes de aumento de participação acionária. 
Neste conceito, a Lei apresenta uma novidade, pois agora, as empresas 
públicas e as sociedades de economia mista, para os fins de aplicação da Lei 
Fiscal, passam a ser chamadas de estatais dependentes ou não dependentes, 
conforme a situação fática se amolde aos conceitos da Lei. 
É empresa estatal dependente aquela empresa controlada, ou seja, aquela 
cuja empresa estatal dependente maioria do capital sujeito a voto pertença, 
direta ou indiretamente, a ente da Federação e cumulativamente receba do 
ente controlador recursos financeiros para pagamento de despesas com 
pessoal ou de custeio em geral ou de capital, excluídas, nestas últimas, as 
relativas a aumento de participação acionária. A dependência caracteriza-se 
 
 
16 
pela transferência de recursos do tesouro a título de subvenção ou subsídio. A 
contraprestação do ente por serviços prestados pela empresa estatal por ele 
controlada não caracteriza situação de dependência (ex.: energia elétrica e 
água). 
Na proposta para fixação de limites de endividamento encaminhada pelo 
Poder Executivo ao Senado Federal e na LDO da União para o exercício de 
2001, consta que a empresa estatal dependente deve ter recebido do ente 
controlador no exercício anterior, e que tenha autorização orçamentária para 
recebimento no exercício corrente, recursos financeiros para pagamento de 
despesas com pessoal ou de custeio ou de capital. Neste último, excetua-se 
aqueles provenientes de aumento de participação acionária. Assim fica melhor 
delineada a caracterização de empresa estatal dependente, como aquela que 
recebeu recursos por dois exercícios consecutivos. 
Receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, 
patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes 
e outras receitas também correntes. Os valores a serem computados referem-
se à administração direta, autarquias, fundações, fundos e empresas estatais 
dependentes, excluídas as duplicidades. Integram ainda o cálculo da receita 
corrente líquida os valores pagos e recebidos em decorrência da Lei 
Complementar nº 87, de 13/09/96 (Desoneração do ICMS - Lei Kandir) e os do 
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental – FUNDEF. 
Em relação aos recursos do FUNDEF, devem ser observadas as normas 
recursos do FUNDEF de contabilização estabelecidas pela da Portaria nº 328, 
de 27 de agosto de 2001, da Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da 
Fazenda, objetivando a padronização dos procedimentos contábeis nos três 
níveis de governo, visando garantir a consolidação das contas públicas exigida 
pela Lei de Responsabilidade Fiscal. 
A adoção das normas da Portaria STN/MF nº 328/01 implica na contabilização 
pelo valor bruto das transferências constitucionais com introdução de conta 
 
 
17 
redutora da receita (remessa de recursos ao FUNDEF) e de contas de 
transferências multigovernamentais para demonstração dos retornos do 
FUNDEF (valores recebidos pelo município provenientes do Fundo). 
 
 
categoria de elemento primordial natrilogia da gestão fiscal responsável, cujos 
fundamentos se encontram estabelecidos também na transparência dos 
resultados e no controle de limites e prazos. É inegável o forte conteúdo de ficção 
de que se revestiam os instrumentos orçamentários em grande parte da 
administração pública brasileira. 
Por imposição da novel legislação, as informações, metas, limites e condições 
para a renúncia de receitas, geração de despesas, assunção de dívidas, 
realização de operações de crédito e concessão de garantias, apreciadas através 
dos instrumentos do Plano Plurianual, da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei 
Orçamentária Anual Tendem a se tornar mecanismos efetivos de planejamento, 
6 - PLANEJAMENTO 
 
O Planejamento, através da Lei de Responsabilidade Fiscal, foi elevado à 
 
 
18 
acompanhamento da gestão orçamentária e intervenção social na gestão de 
prioridades administrativas. 
6.1 Plano plurianual 
A disciplina sobre o Plano Plurianual – PPA ainda se restringe às regras estatuídas 
na Constituição Federal, em decorrência do veto imposto ao art. 3º da LRF. 
O Plano Plurianual abrangerá as diretrizes, objetivos e metas para o período 
quadrienal situado entre o segundo ano do mandato do responsável pela sua 
elaboração e o primeiro ano do mandato subsequente. No Plano Plurianual devem 
estar especificadas as obras que a administração pretende realizar no quadriênio. 
As disposições relativas à Lei de Diretrizes Orçamentárias consignam um dos 
principais objetivos da Lei de Responsabilidade Fiscal: o controle do déficit público. 
 
 
19 
 
7 - LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTARIAS 
 
De acordo com o disposto no art. 63, III, da LRF, faculta-se aos Municípios com 
menos de 50.000 habitantes apresentar os anexos da Lei de Diretrizes 
Orçamentárias a partir do exercício de 2005, incluindo-os na LDO a ser editada 
para orientar a elaboração do orçamento anual do exercício de 2006 (Anexo de 
Metas Fiscais e Anexo de Riscos Fiscais). A familiarização com os mesmos, 
contudo, deve ter início no menor prazo possível, para fazer as devidas 
adaptações e evitar imprevistos de última hora quando de sua efetiva 
implementação. 
Ampliando a abrangência da Lei de Diretrizes Orçamentárias, estabeleceu a Lei 
Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, dois novos anexos (metas fiscais e 
riscos fiscais) assim como o mecanismo de ajuste das dotações orçamentárias ao 
efetivo fluxo financeiro. 
A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades metas e 
prioridades da administração pública, incluindo as da administração pública 
despesas de capital despesas de capital para o despesas de capital exercício 
 
 
20 
financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orça- orientará a elaboração 
da lei orçamentária anual mentária anual, disporá sobre as mentária anual 
alterações na legislação tributária e alterações na legislação tributária 
estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento, 
quando for o caso (art. 4o da LRF, art. 165, § 2º, Constituição Federal). 
A Lei de Diretrizes Orçamentárias também deve estabelecer as condições e 
exigências para transferências de recursos a entidades públicas transferências de 
recursos a entidades públicas e privadas e privadas (art. 25, § 1º e 26, caput). 
Além das exigências da LRF e privadas devem ser observadas as normas da 
L4.320/64. 
 
 
8 - LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL 
A Lei de Responsabilidade Fiscal, além de estabelecer novos conteúdos para a 
LOA, já utiliza as denominações da nova classificação orçamentária estabelecida 
pela Portaria no 42 do Ministério do Orçamento e Gestão, de 14 de abril de 1999. 
São elas: 
Função: representa o maior nível de agregação das diversas áreas da 
despesa que competem ao setor público. Dentre elas existe a função “Encargos 
Especiais”, que engloba despesas não associadas a um bem ou serviço gerado 
 
 
21 
no processo produtivo, tais como a dívida, o ressarcimento, a indenização, entre 
outros; 
 
Subfunção: representa uma partição da função, agregando um determinado: 
subconjunto de despesas do setor público, cabendo ressaltar que as subfunções 
poderão ser combinadas com funções diferentes daquelas a que estejam 
vinculadas; 
 Programa: instrumento de organização da ação governamental para a 
concretização dos objetivos pretendidos, sendo mensurado por indicadores 
estabelecidos no plano plurianual; Projetos: são instrumentos de programação 
para alcançar os objetivos de um programa envolvendo um conjunto de 
operações, limitadas no tempo, das quais resulta um produto que concorre para 
a expansão ou o aperfeiçoamento da ação do governo; 
Projetos: são instrumentos de programação para alcançar os objetivos de 
Projetos: um programa envolvendo um conjunto de operações, limitadas no 
tempo, das quais resulta um produto que concorre para a expansão ou o 
aperfeiçoamento da ação do governo; 
Atividades: são instrumentos de programação para alcançar os objetivos 
Atividades: de um programa, envolvendo um conjunto de operações que se 
realizam de modo contínuo e permanente, das quais resulta um produto 
necessário à manutenção da ação do governo; 
Operações Especiais: Operações Especiais: representam ações que não 
contribuem para as Operações Especiais: manutenção das ações de governo, das 
quais não resulta um produto e não geram contraprestação direta sob a forma de 
bens e serviços. 
O projeto de lei orçamentária anual, conforme estabelece o art. 5º da LRF, deverá 
ser elaborado de forma compatível com o plano plurianual, com a lei de diretrizes 
orçamentárias e com as normas da Lei Complementar nº 101/2000. 
 
 
22 
O artigo 3º da Portaria nº 42, do Ministério do Orçamento e Gestão, determina à 
União, aos Estados e aos Municípios estabelecerem, em atos próprios, suas 
estruturas de programas, códigos e identificação, respeitados os conceitos e 
determinações daquela norma. Para os Municípios, a exigência ocorrerá a partir 
do exercício de 2002. 
Com relação à classificação das despesas, a partir de 2002 deverá ser utilizada a 
classificação estabelecida pela Portaria Interministerial no 163, de 4 de maio de 
2001, da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda e Secretaria 
de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - 
Normas Gerais de Consolidação das Contas Públicas no âmbito da União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios – Classificação de Receitas e Despesas, 
com as alterações das Portarias nºs 180/01, nº 211/01 e nº 212/01, da Secretaria 
do Tesouro Nacional. 
Algumas limitações foram estabelecidas pela LRF e devem ser observadas 
durante a elaboração da Lei Orçamentária: 
1) a atualização monetária da dívida mobiliária refinanciada não poderá 
superar a variação do índice de preço previsto na LDO ou em outra legislação 
específica; 
2) é vedada a consignação, na lei orçamentária, de crédito com dotação 
ilimitada ou finalidade imprecisa; 
3) a lei orçamentária anual não poderá incluir dotações para investimento com 
duração superior a um exercício financeiro, salvo quando prevista no Plano 
Plurianual ou autorizada por outra lei incluindo no PPA; 
4) a inclusão de novos projetos nas leis orçamentárias ou em seus créditos 
adicionais somente poderá ocorrer após o adequado atendimento dos projetos 
em andamento e contempladas as despesas de conservação do patrimônio 
público consoante o disposto na lei de diretrizes orçamentárias (art. 45 LRF). 
 
 
23 
9 - RECEITA PÚBLICA 
 
Previsão e arrecadação 
A Lei de Responsabilidade Fiscal tem como preocupação, juntamente com o 
controle dos gastos públicos, a melhor gestão da receita pública, disciplinando 
aspectos como arrecadação tributária e renúncia de receita. Para tanto, destaca 
como responsabilidade do administrador público na gestão fiscal, a instituição, 
previsãoe efetiva arrecadação de todos os tributos previstos constitucionalmente 
tributos para os entes da Federação (art. 155 da Constituição Federal no caso dos 
tributos de competência dos Estados, e artigo 156 para os tributos de competência 
dos Municípios). 
Para efeito da LRF, entende este Tribunal como efetiva arrecadação de tributos o 
real ingresso efetiva arrecadação de recursos nos cofres públicos, não sendo 
suficiente a mera instituição de tributos por uma Lei estadual ou municipal. Nos 
casos em que não ocorrer o devido ingresso de recursos nos cofres públicos 
devido a situações alheias à vontade do administrador, para efeito de 
comprovação da efetividade na arrecadação, deve ser demonstrado e 
 
 
24 
comprovado aos órgãos de controle interno e externo o esforço do administrador 
em arrecadar os tributos de competência do ente mediante a adoção de todas as 
providências e medidas legais cabíveis nas esferas administrativa e judicial, com 
vistas à eficaz cobrança dos tributos devidos. A instituição de tributos gera uma 
expectativa mínima de ingresso de recursos no Tesouro, contida na estimativa de 
receitas (art. 12, § 3º), razão pela qual devem ser demonstradas as medidas 
tomadas para a efetiva arrecadação. O não cumprimento das disposições legais 
relativas à instituição, previsão e efetiva arrecadação, no que se refere, 
especificamente, aos impostos, impostos, impede o ente da Federação de receber 
transferências voluntárias (art. 11, § único, da LRF), exceto aquelas relativas a 
ações de educação, saúde e assistência social (art. 25, § 3º da LRF). 
No caso do IPTU, a Emenda Constitucional nº 29, que trata preponderantemente 
dos recursos mínimos a serem aplicados em saúde, alterou as regras desse 
tributo, facultando a instituição de alíquotas progressivas em razão do valor do 
imóvel e alíquotas diferenciadas de acordo com a localização e uso do imóvel, 
obedecidos os demais preceitos da Constituição Federal (princípios da legalidade 
e anterioridade, dentre outros). 
Reforçando a preocupação da LRF com o planejamento público, o artigo 12, § 3º, 
da Lei determina ao Poder Executivo que coloque à disposição dos demais 
poderes e do Ministério Público os estudos, estimativas e memórias de cálculo 
das receitas para o exercício seguinte, inclusive da receita corrente líquida, no 
prazo mínimo de 30 dias antes do prazo final para encaminhamento das propostas 
orçamentárias. No caso do Estado de Santa Catarina, essa providência deve ser 
adotada 03 meses antes do encerramento do exercício financeiro (art. 35, III, do 
ADCT da Constituição Estadual de 1989). Assim, o Poder Executivo Estadual 
deve cumprir o artigo 12, § 3º, da LRF, no mínimo, no início do mês de setembro. 
Já os municípios devem observar as suas respectivas Leis Orgânicas. 
 
 
 
25 
 
 
As previsões das receitas, além de observar as normas técnicas e legais, serão 
acompanhadas de: 
1) demonstrativo de evolução nos últimos três anos; 
2) projeção para os dois anos seguintes; 
3) metodologia de cálculo e premissas utilizadas. 
 
 
26 
 
Os valores apresentados pelo Poder Executivo somente poderão ser alterados 
pelo Poder Legislativo caso haja erro ou omissão de ordem técnica ou legal, sendo 
possível reestimar somente a receita, nunca a despesa. Outro aspecto da Lei diz 
respeito à regra de ouro, ou seja, à relação estabelecida entre receitas 
provenientes de operações de crédito e despesas de capital, sendo que o 
montante daquelas não pode ser superior ao das despesas de capital constantes 
do projeto de lei orçamentária. Este dispositivo aprimora o disposto na 
Constituição Federal de 1988 (artigo 167, inciso III) pois inclui a vedação já a partir 
do planejamento orçamentário. 
Outra inovação trazida pela Lei de Responsabilidade Fiscal se refere à 
periodicidade com que o Poder Público trabalhará em termos de metas de 
arrecadação. O artigo 13 da Lei determina que o Poder Executivo, 30 dias após a 
publicação do orçamento, deverá desdobrar as receitas previstas em metas 
bimestrais de arrecadação, incluindo, quando for o caso: 
1) medidas de combate à evasão e à sonegação; 
2) quantidade e valores de ações ajuizadas para cobrança da dívida ativa; 
3) evolução do montante dos créditos tributários passíveis de cobrança 
administrativa. 
10 - DESPESA PÚBLICA 
A questão das despesas públicas toma grande parte das disposições da Lei 
Complementar nº 101/00. A preocupação está centrada em limitar a assunção de 
despesas crescentes pelo Poder Público, de maneira a buscar o equilíbrio das 
contas públicas. 
 
 
27 
Assim, a Lei de Responsabilidade Fiscal se constitui em mais um instrumento 
voltado ao equilíbrio orçamentário, ou seja, entre receitas e despesas. Em 
verdade, considerando a situação atual das finanças públicas, está se buscando 
um reequilíbrio, de forma progressiva. Nesse aspecto, basta verificar que a LRF 
estabelece prazos para adequação. 
Ainda que a Lei tenha preocupação com as receitas, o enfoque principal está 
direcionado para o aspecto das despesas. Sabidamente, a elevada carga 
tributária dificulta a geração de novas receitas, razão por que se torna 
imprescindível o controle das despesas. 
Na lógica da LRF, todas as despesas devem estar previstas no orçamento 
vigente, obedecendo às dotações orçamentárias, objetivando impedir execução 
de despesas sem correspondentes receitas, pois resultaria em déficits constantes, 
elevando os níveis de endividamento. Assim, as despesas de exercícios 
anteriores e restos a pagar sem disponibilidade de caixa também deveriam ser 
incluídas no Orçamento. 
 
 
 
28 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
11 - A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO 
 A Constituição Federal de 1988 já prevê o direito de todo brasileiro à informação, 
mas ainda não havia uma lei especificando o acesso. Em 2005 foi aprovada uma 
lei que garante o sigilo da maioria dos documentos e os mantêm restritos por 
segurança. Em 2011, o projeto de lei que regulamenta a obrigatoriedade de 
órgãos públicos divulgarem todas as informações de interesse nacional foi 
aprovado no Congresso. 
A Lei 12.527 de 18 de novembro de 2011, conhecida como Lei do Acesso à 
Informação, representa um marco histórico, pois pela primeira vez se reconhece 
o direito que todos os atores sociais possuem de acessar a informação produzida 
ou guardada pelos órgãos ou entidades públicas, por pessoas físicas ou jurídicas 
a eles relacionadas; estão excluídas desse contexto as informações relativas a 
projetos de pesquisa e desenvolvimento científicos ou tecnológicos cujo sigilo seja 
imprescindível à segurança nacional. 
A principal dificuldade para nós cidadãos, tanto no sentido de instruir os governos 
sobre o que nós queremos que eles façam [ou seja, indicar preferências], como 
para julgar o que eles têm feito, é que nós simplesmente não sabemos o bastante, 
não dispomos de informação suficiente (PRZEWORSKI, 1998, p. 15 apud SILVA, 
2007. p. 27). A Lei de Acesso a Informação, propicia ao cidadão a oportunidade 
obter um maior controle das informações públicas, e desse modo, poder participar 
nos processos de decisão de maneira convicta; exigir uma ação ou omissão do 
Estado; tomar decisões cotidianas; combater a corrupção através do 
monitoramento da atuação do Estado e promover a eficiência. 
Decreto Federal nº 7.724, que regulamenta o direito de acesso à informação no 
nível federal, assegurado pelos artigos 5º e 37º da Constituição Federal, 
atendendo a antiga reivindicação da sociedade civil, de uma maior transparência 
na gestão pública, através da disponibilização das informações produzidas ou 
coletadas pelos órgãos e entidades públicas a todos os cidadãos. O Brasil dessa 
forma também atendeu à exigência de várias convenções e tratados 
 
 
30 
internacionais das quais é signatário, convenções estas que reconhecem que o 
acesso às informaçõespúblicas é um direito humano fundamental. Essas 
informações são um bem público e como tal devem ser tratadas. 
A Lei de Acesso à Informação é um direito de todos perante a constituição 
brasileira. Isso é importante para a sociedade, do qual tem direito de saber as 
atuações dos governos e do poder público, seja por controle social, seja por 
transparência na gestão do governo, ou até mesmo para inibir possíveis 
corrupções no governo. Segundo a Controladoria Geral da União (CGU), no Brasil 
o acesso à informação pública está inscrito no capítulo I da Constituição dos 
Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, particularmente no inciso XXXIII do 
artigo 5º, que diz: 
(...) a democratização e a socialização da informação não consistem só no 
acesso amplo da cidadania às informações socialmente significativas. 
Consiste muito mais na criação e na implementação de procedimentos 
para ampliar a participação das comunidades na meta-modelização das 
ações e das infraestruturas de informação. 
 
A Lei de Acesso à Informação criou o que se convencionou chamar de 
transparência ativa; que consiste na divulgação de informações, por iniciativa da 
própria Administração, em meios de fácil acesso ao cidadão; e transparência 
passiva; que consiste nos procedimentos para atender a demandas específicas 
dos cidadãos. Para efetivarem a transparência, todos os órgãos e entidades 
públicas são obrigados a manter um Serviço de Informação ao Cidadão (SIC); 
manter sites atualizados (exceto municípios com menos de 10 mil habitantes) com 
os dados em formato aberto (livre de patentes); fornecer informações sem cobrar 
qualquer justificativa do solicitante e de forma gratuita, exceto se houver custos 
na reprodução dos documentos. As informações devem ser fornecidas em um 
prazo máximo de 30 dias. 
De acordo com MICHENER (2011, p. 7), um dos pontos fortes que a lei de acesso 
à informação conseguiu evolui em outros países tem duas características em 
 
 
31 
comum, que vale a pena ressaltarem: promoção de uma cultura de abertura e 
transparência, que depende de dois princípios importantes: 
• Liderança: a vantagem mais importante é a liderança política, o que pode 
elevar o status da liberdade de informação como uma prioridade entre os 
servidores públicos e cidadãos e que garante os recursos necessários para 
sustentar legislações de acesso efetivas. 
• Uso amplo do direito: socializando-se o direito de acesso a informações 
governamentais aumentando o uso de leis de liberdade de informação elevará as 
expectativas para a abertura exigindo uma maior atenção por parte dos líderes. 
A Lei pôs fim ao eterno sigilo de documentos oficiais, mas permite sigilo de 25 
anos para documentos considerados ultrassecretos, 15 anos para os secretos e 
cinco anos para os reservados. 
12 - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES REFERENTES À LEI 
DE ACESSO À INFORMAÇÃO 
 Percebe-se que a lei foi criada no Brasil, contudo ainda não houve uma 
capacitação dos órgãos públicos para atender as solicitações do cidadão que 
almeja por uma informação, visto que a maioria dos documentos do governo ainda 
se encontra em formato físico, pois não foram digitalizados. “(...) as normas 
jurídicas são necessárias e fundamentais para a institucionalização de um campo 
de ação, porém são insuficientes para garantir a implementação efetiva de uma 
nova orientação da ação estatal e social” (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 1999). 
A tecnologia digital está presente em todos os processos de produção, 
tratamento, processamento e divulgação das informações governamentais, o que 
torna cada vez mais premente a solução do problema da inclusão digital, para que 
todas as parcelas da população tenham condições efetivas de acessar e 
compreender as informações disponibilizadas no meio eletrônico. Pereira e 
Jambeiro (2007 apud Pinheiro, 2007, p.2) consideram que a inclusão digital é um 
conceito norteado pela identidade cultural, educação e renda que deve promover 
 
 
32 
“a habilitação do indivíduo para realizar-se social, cultural e economicamente 
também pelo domínio dos aparatos tecnológicos conquistados pela sociedade e 
seu uso na consecução de informações que lhe sejam úteis”. 
Essa lei é polêmica, pois ao mesmo tempo em que regulamenta o acesso à 
informação, cria uma série de arestas relativas à privacidade e ao direito 
individual. É preciso conciliar o direito à preservação da privacidade, a proteção 
dos dados pessoais dos funcionários públicos e de uma forma mais ampla a 
proteção dos dados pessoais de toda a população frente ao crescente tratamento 
automatizado dos dados pessoais e profissionais e a facilidade do seu acesso, 
inclusive para utilizações não autorizadas. 
Parte das informações que serão disponibilizadas, poderão ser encontradas nas 
bases de dados do Governo, com isso poderá surgir uma grande demanda por 
parte dos solicitantes quais as instituições terão dificuldade em atender no prazo 
determinado por lei. 
Outro problema que pode acontecer será com relação à falta de informação por 
parte do solicitante, que pode fazer o pedido de maneira incorreta, ou até mesmo 
gerar um mesmo pedido em órgãos públicos diferentes ou excessivamente. Com 
isso os servidores podem sofrer uma sobrecarga nas suas atividades cotidianas, 
ou até mesmo fornecer informações erradas, e ou duplicadas, devido à falta de 
preparação para atender a demanda. 
A Lei de Acesso à Informação veio com o propósito de abrir ao cidadão as 
informações de órgãos e empresas ligadas ao Governo Federal, mas ao redigir o 
decreto não é bem isso que observamos. As estatais, com o argumento de que 
precisam se proteger dentro de um mercado competitivo, mobilizaram-se para que 
não tivessem de estar sob o mesmo rigor da lei de transparência que os outros 
órgãos públicos. Assim sendo, receberam do governo “a autorização” para 
classificar, elas próprias, as informações que seriam ou não estratégicas e definir, 
assim, o que divulgar para o cidadão. Conforme podemos observar no Decreto, 
no Capítulo II do artigo 5º, parágrafo 1: 
 
 
33 
§ 1 o A divulgação de informações de empresas públicas, sociedade de 
economia mista e demais entidades controladas pela União que atuem em 
regime de concorrência, sujeitas ao disposto no art. 173 da Constituição, estará 
submetida às normas pertinentes da Comissão de Valores Mobiliários, a fim de 
assegurar sua competitividade, governança corporativa e, quando houver, os 
interesses de acionistas minoritários. 
 
Como disponibilizar um material que envolve a honra e a privacidade? Como 
responsabilizar as pessoas que utilizam essas informações de uma forma 
indevida? 
Com o Decreto Presidencial 7724 de 16 de maio de 2012 que têm a finalidade de 
regulamentar a Lei 12.527 de 11 de novembro de 2011, o tema do direito à 
privacidade das informações pode ter uma solução. Seus artigos 58º e 59º 
estabelecem que o princípio da privacidade possa deixar de ser respeitado em 
função da recuperação de temas históricos importantes. O artigo 61 define que 
será do pesquisador, que solicita a abertura dos arquivos íntimos e privados a 
responsabilidade sobre a disseminação das informações ali existentes. 
A Lei de Acesso à Informação não possui um órgão central e independente para 
analisar os recursos aos pedidos de informação negados. Seria interessante a 
criação de um órgão especializado no tema “acesso à informação“, para evitar a 
multiplicação de interpretações da lei, ou seja, a contradição. 
Com relação à multiplicação de interpretações, já podemos observar a não 
adequação da lei. O Governo Federal determinou que os salários e todos os 
auxílios recebidos pelos servidores, deverão ser divulgados, mas os poderes 
Judiciário e Legislativo ainda não se posicionam positivamente à lei. Outro 
problema que podemos citar é com relação à falta de um padrão para acesso às 
informações publicadas. Muitas vezes as informações encontram-senum teor 
muito técnico ou até mesmo escondido. 
 
 
34 
12.1- INFORMAÇÕES UTEIS 
QUEM ESTÁ SUJEITO À LAI? 
• Poderes Executivo, Legislativo, incluindo Cortes de Contas, e 
Judiciário e o Ministério Público. 
• Autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de 
economia mista e entidades controladas direta ou indiretamente pelos 
entes da federação. 
• Entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos 
públicos. 
QUAIS SÃO AS OBRIGAÇÕES DOS ÓRGÃOS SUJEITOS À LAI? 
• Criar e manter um serviço de informações ao cidadão em local com 
condições apropriadas para atender e orientar o público; 
• Informar sobre a tramitação de documentos e protocolizar 
documentos e requerimentos de acesso a informações; 
• Todos os órgãos e entidades públicas devem oferecer uma 
plataforma online para receber pedidos de informação, com protocolo. As 
páginas eletrônicas dos órgãos devem oferecer linguagem e ferramentas 
fáceis e claras para leigos, mas também oferecer facilidades para aqueles 
que manipulam dados de forma mais complexa. A informação deve estar 
em formatos eletrônicos diversos e sempre atualizada; 
• Incentivar a participação popular, particularmente com a realização 
de audiências e consultas públicas e com a divulgação dos portais que 
recebem pedidos de informação online. 
Cada órgão é responsável por: 
• Designar uma autoridade interna para assegurar o cumprimento das 
normas de acesso; 
• Monitorar sua implementação; 
• Recomendar medidas de aperfeiçoamento e procedimentos; 
• Orientar suas unidades sobre o disposto na legislação. 
 
 
35 
A Lei de Acesso à Informação indica quais são as obrigações gerais dos órgãos 
públicos. No entanto, cada órgão, incluindo estados e municípios, devem 
regulamentar a LAI e estabelecer, por meio de leis, de Decretos Estaduais e/ou 
Decretos Municipais, quais são as atribuições desses órgãos. No caso do 
legislativo, é possível regulamentar a LAI por resolução. 
Se a sua cidade ou estado ainda não tiverem regulamentado a LAI, você pode 
fazer pedidos de informação da mesma forma. A LAI tem validade nacional e 
determina procedimentos mínimos e comuns que devem ser seguidos pelo 
Estado como um todo. Além disso, o direito de acesso é um direito constitucional 
considerado fundamental, valendo para todo Brasil desde 1988. 
Caso sua cidade ou estado ainda não tenha adotado normas específicas, avise o 
Ministério Público ou a Câmara de Vereadores! Ele pode tomar as medidas 
necessárias para incentivar essa regulamentação, inclusive através de acordos 
com o Executivo Municipal. 
12.2 A CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO (CGU) 
DEVE: 
• Organizar uma campanha nacional de fomento à cultura da transparência 
e conscientização do direito fundamental de acesso à informação; 
• Informar anualmente o Congresso Nacional sobre a implementação da lei. 
 
EXISTE PUNIÇÃO AO DESRESPEITO À LEI? 
A sanção mínima para infrações de agentes públicos e militares é a suspensão. 
Em casos mais graves, o infrator pode responder por improbidade administrativa. 
Está sujeito a sanções aquele agente público ou militar que: 
• Recusar-se a fornecer informação pública, fazê-lo intencionalmente de 
forma incorreta, incompleta ou imprecisa, ou agir de má fé na análise de 
solicitações de informação; 
• Utilizar indevidamente, subtrair, destruir, inutilizar, desfigurar, alterar ou 
ocultar informação; 
 
 
36 
• Acessar ou permitir o acesso indevido a informação sigilosa ou pessoal; de 
impor sigilo à informação para proveito pessoal ou de terceiro; 
• Ocultar informação da autoridade superior 
 
A pessoa física ou entidade privada que detiver informações públicas, e não 
cumprir o disposto na lei, está sujeita a advertência, multa, rescisão do vínculo 
com o poder público, suspensão temporária de participar em licitação e contratos 
públicos e declaração de inidoneidade (incapacidade, inadequação) até que seja 
promovida a reabilitação. 
 
 
37 
 
13 - COMO AS INFORMAÇÕES DEVEM SER PUBLICADAS? 
 
Existem duas formas de divulgação: a transparência passiva e a transparência ativa. 
Transparência ativa: Informações de relevante interesse público e coletivo produzidas 
ou mantidas por entidades públicas devem ser publicadas independentemente de 
requerimentos. Ou seja, os sites dos organismos sujeitos à LAI devem fornecer um 
rol de informações de forma espontânea, sem que seja preciso fazer um pedido de 
informação. São elas: 
• Registro de contatos, um organograma (“quem é quem”) e 
competências; 
• Respostas a perguntas frequentes da sociedade; 
• Registro de despesas e de movimentação financeira; 
• Informações sobre locais de atendimento e serviços disponíveis; 
• Informações sobre licitações, procedimentos licitatórios, contratos e 
aditivos; 
• Dados gerais para acompanhamento de políticas e obras públicas; 
• A lista de documentos que deixaram de ser sigilosos e a lista de 
documentos que são sigilosos, com indicação de assunto, grau de sigilo, 
autoridade e data de classificação; 
• Relatório estatístico periódico sobre pedidos de informação recebidos, 
atendidos e indeferidos; 
• Mecanismo de busca e link para o portal de transparência; 
• Os dados devem estar em formato aberto. 
 
Cidades com menos de 10.000 habitantes não têm a obrigação de divulgar 
todas essas informações por internet, devendo, no entanto, se utilizar de outros 
meios, como cartazes e outros materiais disponíveis para consulta dos 
cidadãos. Ainda assim, essas cidades devem cumprir o disposto na Lei 
 
 
38 
Complementar 131/2009, e divulgar em tempo real de receitas e despesas, 
tanto prefeituras como câmaras. 
 
Transparência passiva: Nos casos em que a informação não foi divulgada de 
forma ativa, qualquer pessoa interessada poderá apresentar pedidos de acesso à 
informação aos órgãos públicos, pessoalmente ou via internet. 
Os pedidos de informação devem ser respondidos satisfatoriamente, de acordo 
com a lei, sejam eles feitos pessoalmente ou via internet. As respostas devem ser 
de fácil entendimento para leigos, devem responder todos os aspectos da 
pergunta ou então oferecer uma justificativa válida para negar o acesso à 
informação, citando a legislação adequada. Quando a resposta alegar que a 
informação já se encontra disponível na internet, é necessário que o órgão envie 
o link da página. 
O órgão tem até 20 dias para responder o pedido, sendo esse prazo prorrogável 
por mais 10 dias, mediante justificativa. A prorrogação do pedido deve ser feita e 
justificada antes que o prazo inicial de 20 dias termine. 
 Quando alguma informação for sigilosa, está assegurado o acesso com a 
ocultação apenas da parte sigilosa, através do uso de tarjas pretas, por exemplo. 
O sigilo sempre deve ser justificado a partir da LAI. 
 
 
 
 
 
39 
14 - EM QUE CASOS UMA INFORMAÇÃO É SIGILOSA? 
A Lei de Acesso à Informação estabelece que o acesso deve ser a regra e o 
sigilo, a exceção. Mas afinal, em que casos uma informação pode ser mantida em 
sigilo? 
 Segundo o artigo 23 da Lei de Acesso à Informação, as informações passíveis de 
classificação são aquelas que podem: 
• Pôr em risco a defesa e a soberania nacionais ou a integridade do 
território nacional; 
• Prejudicar ou pôr em risco a condução de negociações ou as relações 
internacionais do país, ou as que tenham sido fornecidas em caráter 
sigiloso por outros Estados e organismos internacionais; 
• Pôr em risco a vida, a segurança ou a saúde da população; 
• Oferecer elevado risco à estabilidade financeira, econômica ou 
monetária do país; 
• Prejudicar ou causar risco a planos ou operações estratégicas das 
Forças Armadas; 
• Prejudicar ou causar risco a projetos de pesquisa e desenvolvimento 
científico ou tecnológico, assim como a sistemas, bens, instalações ou 
áreas de interesse estratégico nacional;• Por em risco a segurança de instituições ou de altas autoridades 
nacionais ou estrangeiras e seus familiares; 
• Comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou 
fiscalização em andamento relacionadas com a prevenção ou repressão de 
infrações. 
Quando não for autorizado acesso integral à informação por ser ela 
parcialmente sigilosa, é assegurado o acesso à parte não sigilosa por meio 
de certidão, extrato ou cópia com ocultação da parte sob sigilo. 
As restrições de acesso incluem, independentemente de classificação, 
informações pessoais relacionadas a intimidade, vida privada, honra e 
 
 
40 
imagem, por serem consideradas informações pessoais. Documentos e 
informações sobre condutas que impliquem a violação de direitos humanos 
praticada por ou a mando de agentes públicos não podem ser objeto de 
restrição de acesso. 
A LAI também prevê que outras hipóteses legais de segredo de justiça e 
sigilo devem ser respeitadas, como o sigilo bancário (LC 105/2001), o sigilo 
fiscal (lei 5172/66) e as hipóteses de segredo industrial decorrentes da 
exploração direta de atividade econômica (pelo estado ou por entes que 
tenham vínculo com o poder público). 
O sistema de classificação de informações tem três níveis – ultrassecreto, 
secreto e reservado – com prazos de sigilo de, respectivamente, 25, 15 e 5 
anos. O sigilo ultrassecreto pode ser renovado apenas uma vez, mediante 
avaliação do ente público responsável. Transcorrido esse prazo, a 
informação é automaticamente tornada pública. 
Para a classificação, deve-se considerar o interesse público, a gravidade 
do dano à segurança da sociedade e do Estado e o prazo máximo de 
restrição, utilizando o critério menos restritivo possível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
15 - COMO FAZER RECURSOS ONLINE? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Se o seu pedido não foi respondido no prazo ou foi respondido de forma inadequada, você 
tem 10 dias corridos para fazer um recurso em 1ª instância. O recurso deve ser respondido 
por autoridade hierarquicamente superior àquela à qual o pedido de informação foi enviado. 
Esses 10 dias são contados da seguinte forma: 
 
• Se o seu pedido não foi respondido, os 10 dias são contados a partir 
da data limite para a resposta do pedido. Se você fez o pedido no dia 1 de 
 
 
42 
agosto, por exemplo, o órgão teria até o dia 21 para responder. Se ele não 
respondeu, você deve contar 10 dias a partir do dia 21 de agosto: assim, 
você tem até o dia 31 de agosto para fazer o recurso. 
• Se o seu pedido foi respondido de forma insatisfatória, você tem 10 
dias a partir da data de resposta, seja ela a data limite para resposta ou 
não. Por exemplo, se você mandou o pedido no dia 1 de agosto e o órgão 
respondeu insatisfatoriamente no dia 15 de agosto, você tem até o dia 25 
de agosto para enviar um recurso. 
Após o envio do recurso, o órgão tem 5 dias corridos para responder. 
Segundo a LAI, todos os e-SICs devem oferecer uma opção de recurso, ou 
seja, um botão no site em que você clique para enviar um recurso. Se você 
encontrar esse botão, basta clicar nele para escrever seu recurso. 
Infelizmente, muitos e-SICs não apresentam essa opção. Nesse caso, você 
pode enviar um novo pedido e explicar que, como o site não oferece a 
opção de recurso, você está enviando um recurso em forma de pedido. Não 
esqueça de incluir o protocolo do pedido para o qual você está enviando o 
recurso. O órgão público questionado tem a obrigação de encaminhar o 
recurso para a instância responsável pelo julgamento do mérito. 
Ao escrever o recurso, especifique exatamente a qual pedido ele se refere 
(você pode copiar o pedido no texto do recurso, junto com seu protocolo), 
em que data ele foi enviado, qual era a data limite, qual foi a data da 
resposta (se houve resposta) e porque você considerou a resposta 
inadequada. 
 Se possível, use a LAI como embasamento. Abaixo estão dois exemplos fictícios, 
um de recurso para ausência de resposta, outro de recurso para Uma vez enviado 
este recurso de 1ª instância, o órgão tem 5 dias para responder. Se o órgão não 
responder ou responder inadequadamente, você por protocolar um recurso de 2a 
instância. Use a mesma estrutura do recurso de 1ª instância para redigir o de 2a 
instância, explicando o histórico do pedido: 
 
 
43 
 
16 - COMO FAZER UM PEDIDO DE INFORMAÇÃO 
PESSOALMENTE? 
Quando você não conseguir encontrar um e-SIC, ouvidoria ou algum canal de comunicação 
do órgão, você pode fazer seu pedido de informação pessoalmente. Neste caso o órgão 
também precisa fornecer um protocolo referente ao pedido de informação. Leve duas cópias 
impressas do seu pedido: a primeira fica com o órgão, a segunda deve voltar para você com 
a assinatura do servidor que recebeu a solicitação e o número de protocolo. 
Onde entregar o pedido de informação pessoalmente? Procure na internet o telefone da 
Ouvidoria do órgão e ligue para perguntar qual é o endereço em que o pedido deve ser 
entregue. Se você não conseguir encontrar a Ouvidoria, tente ligar para outros telefones do 
órgão questionado para descobrir onde você pode ir para protocolar seu pedido. 
 
 
 
 
 
 
44 
Modelo de pedido de informação fictício a ser entregue pessoalmente 
Quando você fizer o pedido em seu nome: 
COMO FAZER UM RECURSO PESSOALMENTE? 
Da mesma forma que no e-SIC, é possível fazer recursos de 1ª, 2ª e 3ª instância 
no caso de não resposta ou de resposta inadequada. Você deve usar a mesma 
lógica que usaria num recurso online: explicar o histórico do pedido e argumentar 
porque o seu recurso é justificável. Por exemplo: 
 
 
 
45 
Se você esgotar todos os recursos e o órgão não te responder satisfatoriamente, sem 
justificar de forma legítima o porquê, você tem algumas opções: 
• Fazer uma reclamação pelo e-SIC, se este permitir; 
• Você pode ir até o Ministério Público Estadual, na Promotoria de 
Justiça da sua cidade, e denunciar um ato de improbidade administrativa 
pelo descumprimento da Lei de Acesso à Informação. Você não precisa de 
um advogado para fazer isso. 
• Se você tiver acesso a um advogado (você pode tentar conseguir 
através da Defensoria Pública), é possível apresentar um mandado de 
segurança diretamente ao Poder Judiciário para obter acesso às 
informações. 
• Pode ser útil mobilizar outras instituições, como a OAB, para obter 
apoio para o seu caso. Divulgue o caso em suas redes e entre em contato 
com organizações que podem apoiar, como a ARTIGO 19! 
 
 
 
46 
Modelo de reclamação 
Você também pode fazer uma reclamação ao órgão para o qual solicitou informação, 
caso a resposta não tenha sido satisfatória. Você pode fazer a reclamação em 
qualquer momento, no entanto é melhor usar os recursos quando possível (até a 3a 
instância) e só depois a reclamação, pois ao contrário dos recursos ela não tem prazo 
de resposta. A reclamação é uma denúncia administrativa, você também pode fazer 
uma denúncia jurídica (veja na parte final da cartilha). 
Além disso, é possível juntar vários pedidos mal/não respondidos em uma mesma 
reclamação, e escrever a reclamação em conjunto - podem assinar várias pessoas 
físicas e organizações. Assim, a sua reclamação terá mais peso. 
A reclamação pode ser entregue pessoalmente ou feita através da ouvidoria ou do e-
SIC, quando houver essa opção. Você também pode enviar um pedido de informação 
com conteúdo de reclamação, caso o site não ofereça a opção de enviar reclamações. 
 
 
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17 - REFERENCIAS 
A lei de responsabilidade fiscal como instrumento gerencial para a 
administração pública. Disponível em: 
<http://ambitojuridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=1448
3&revista_caderno=4> Acesso em: 
18 de dez. de 2017 
ABORDA, MarenGuimarães. O princípio da transparência e o aprofundamento 
dos caracteres fundamentais do direito administrativo. In Revista de Direito 
Administrativo nº 230. Editora Renovar, p. 
254/255 
ALVES, Benedito Antonio. Lei de Responsabilidade Fiscal Comentada e 
Anotada. 1ª Edição, São Paulo: Editora Juarez de Oliveira. 2000. 
CASTRO, Francisco Régis Xavier Moura e. Apontamentos sobre a Lei de 
Responsabilidade Fiscal. Belo Horizonte: Atricon, 2000. 
CORREIA, Alberto. Controle interno. São Paulo: USP, 1999. 
Dicas sobre a lei de Responsabilidade Fiscal. Disponível em: 
<http://www.cg.ufal.br/arquivos/dicas_lrf.htm>. Acesso em: 17 dez. 2018. 
Lei Complementar nº 101, de 4 de Maio de 2000. Disponível em: 
<http://www2.camara.gov.br/legin/fed/leicom/2000/leicomplementar-101-4-maio-
2000-351480-normapl.html>. Acesso em: 28 dez. 2017. 
O princípio da transparência como um dos alicerces da lei de responsabilidade fiscal. 
Disponível em: <https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/7845/O-principio-da-
transparencia-como-um-dos-alicercesda-lei-de-responsabilidade-fiscal> Acesso em: 05 de 
dez. de 2017 
ALVES, Cida. Entrevista: Rosental Calmon Alves: "O cidadão é o chefe”. Veja, 16 
maio 2012. Disponível em: . Acesso em: 18 jun. 2012. ALVES, Cida; HUPSEL 
FILHO, Valmar. Falta de regulamentação pode atrasar eficácia da Lei de Acesso à 
Informação. Veja, 16 maio 2012. Disponível em: < 
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/falta-de-regulamentacao-pode-atrasar-eficacia-
da-lei-deacesso-ainformacao>. Acesso em: 18 jun. 2012. 
BRASIL. Congresso Nacional. Lei Nº 12.527, de 18 de Novembro de 2011. Disponível em: < 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12527.htm > . Acesso em 30 
jun. 2012. 
 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988. Brasília, 
DF, 1988. 
Disponível em: 
http://www2.camara.leg.br/atividadelegislativa/legislacao/Constituicoes_Brasileira
s/constituicao1988.html/ ConstituicaoTextoAtua lizado_EC71.pdf. Acesso em: 07 
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53 
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2012. 
CANELA, Guilherme; NASCIMENTO, Solano. Acesso à informação e controle 
social das políticas públicas. Brasília, DF: ANDI; Artigo 19, p.8-32, 2009. 
CPBR11 - Lei de acesso à informação. Disponível em: < 
http://www.youtube.com/watch?v=LmE8Ca4i1Yg&feature=player_embedded>. 
Acesso em: 30 jun. 2012. Diálogos EBC - Lei de Acesso à Informação. 
Disponível em: < 
http://www.youtube.com/watch?v=umREDpuiOwY&feature=player_embedded>. 
Acesso em: 30 jun. 2012. 
GONZÁLES DE GÓMEZ, M. N. Da política de informação ao papel da 
informação na política contemporânea. Revista Internacional de Estudos 
Políticos. Rio de Janeiro: UERJ/NUSEG, v. 1, n. 1, abr., p. 67-93, 1999.

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