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LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL E LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO 2 Sumário NOSSA HISTÓRIA .................................................................................................... 3 1- INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 4 2 - SUSTENTÁCULOS DA LEI DE RESPONSABILIDADE ...................................... 5 FISCAL (LRF) ............................................................................................................ 5 3 - OBJETIVOS DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL ................................... 7 4 - A TRANSPARÊNCIA COMO PRINCÍPIO DA LEI DE ....................................... 10 RESPONSABILIDADE FISCAL .............................................................................. 10 4.1 - ABRANGÊNCIA .............................................................................................. 14 5 - CONCEITOS ....................................................................................................... 15 6.1 PLANO PLURIANUAL ...................................................................................... 18 7 - LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTARIAS ......................................................... 19 8 - LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL........................................................................... 20 9 - RECEITA PÚBLICA ........................................................................................... 23 10 - DESPESA PÚBLICA ........................................................................................ 26 11 - A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO .............................................................. 29 12 - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES REFERENTES À LEI .................................... 31 12.1- INFORMAÇÕES UTEIS .................................................................................. 34 12.2 A CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO (CGU) .......................................... 35 13 - COMO AS INFORMAÇÕES DEVEM SER PUBLICADAS? ............................ 37 14 - EM QUE CASOS UMA INFORMAÇÃO É SIGILOSA? .................................... 39 15 - COMO FAZER RECURSOS ONLINE? ............................................................ 41 16 - COMO FAZER UM PEDIDO DE INFORMAÇÃO PESSOALMENTE? ............ 43 17 - REFERENCIAS ................................................................................................ 52 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 1- INTRODUÇÃO A Lei de Responsabilidade Fiscal, nome dado a Lei Complementar nº 101 de 2000, é firmada em quatro princípios: o planejamento, o controle, a responsabilidade e a transparência. A mencionada Lei tem por intuito reparar a Administração Pública, em todos os entes federados, assim como estabelecer limitações aos gastos, utilizando- se de meios de planejamento governamental, de organização, transparência e controles interno e externo. Da simples leitura do texto legal depreende-se que o objetivo é manter o equilíbrio fiscal, o qual seria atingido através de ações voltadas à contenção de despesas e estabelecimento de limites para gastos com pessoal e endividamento. A Constituição Federal apresenta os princípios da Administração Pública, a serem observados em todas as esferas, dentre os quais figura a publicidade. Tal princípio foi reproduzido na Lei de Responsabilidade Fiscal, sendo apresentado através da realização de audiência públicas no processo de criação e execução dos planos, participação popular, da lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos. A Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada com o intuito de definir o limite de gastos dos estados e municípios conforme a quantidade de tributos arrecadados por esses entes da Federação Brasileira. Com essa atitude, a Lei de Responsabilidade Fiscal busca criar uma condição de equilíbrio orçamentário, financeiro e fiscal. Essa lei foi implantada na tentativa de inibir uma prática comum de alguns governantes, que faziam grandes gastos ao final de seu mandato para que esses valores fossem pagos pelos próximos representantes eleitos. A Lei de Responsabilidade Fiscal incentivou, portanto, mais transparência nos gastos públicos, o que é de grande valia no combate à corrupção. O Ministério da Defesa cumpre fielmente o disposto na Lei nº 12.527/2011, que regulamenta o direito constitucional de acesso dos cidadãos às informações públicas. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm 5 Por isso, adota medidas no sentido de facilitar a consulta aos dados e documentos sob sua responsabilidade, contribuindo para a consolidação do regime democrático e para o fortalecimento das políticas de transparência pública. Parte desse esforço é refletida no sítio eletrônico, que promove a divulgação espontânea de informações de interesse geral ou coletivo no âmbito do Ministério da Defesa. A Lei de Acesso à Informação (LAI) é considerada um divisor de águas em matéria de transparência pública, pois, dentre outros princípios, define que o acesso à informação é a regra, e o sigilo, a exceção. Para a LAI, qualquer pessoa, física ou jurídica, poderá solicitar acesso às informações públicas, isto é, aquelas não classificadas como sigilosas, conforme procedimento que observará as regras, prazos, instrumentos de controle e recursos previstos. É dever do Estado garantir o direito de acesso à informação, que será franqueada, mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão. O Decreto nº 7.724/12 regulamenta a LAI. Importante lembrar que esse Decreto não abrange toda a Administração Pública, referindo-se somente ao Poder Executivo Federal. 2 - SUSTENTÁCULOS DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL (LRF) A Lei Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000, a Lei Responsabilidade Fiscal (LRF) pauta-se em quatro pilares, a saber, planejamento, controle e responsabilidade e transparência. No que tange ao planejamento, a Constituição de 1988 possibilitou a junção dos processos de planejamento e orçamento através dos mecanismos formulados 6 para esta finalidade, quais sejam, o plano plurianual (PPA), diretrizes orçamentárias e orçamentos anuais, cuja disposição no texto constitucional encontra-se nos arts. 165, I, II, III. Neste ínterim, a Lei de Responsabilidade Fiscal busca propiciar as condições necessárias ao alcance das metas primeiras da gestão por meio da programação da execução orçamentária. O Controle, por sua vez, nos termos do art. 67 da LRF, está ligado ao acompanhamento e a avaliação, deforma permanente, da política e da operacionalidade da gestão fiscal serão realizados por conselho de gestão fiscal, constituído por representantes de todos os Poderes e esferas de Governo, do Ministério Público e de entidades técnicas representativas da sociedade […]. O parágrafo acima se relaciona mais diretamente com o Controle Interno. Já o controle externo é exercido pelo Poder Legislativo, com o auxílio dos respectivos Tribunais de Contas. Os sistemas de controle deverão ter o condão de tornar concreta e exequível a determinação da lei, exercendo a fiscalização das atividades administrativas para que se garanta a similitude com as normas mais novas. Para tanto, a fiscalização deverá ser realizada com rigor como ato contínuo. A responsabilidade, por seu turno, impõe ao gestor sanções em caso de descumprimento das regras fixadas pela LRF. Aos possíveis infratores serão punidos com base nas disposições trazidas no art. 73 da LRF, quais sejam, o Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal); a Lei no 1.079, de 10 de abril de 1950; o Decreto-Lei no 201, de 27 de fevereiro de 1967; a Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992; e demais normas da legislação pertinente. A punição é estendida igualmente aos órgãos da administração pública que não observarem as disposições constantes da LRF. Aqueles poderão ser alvo de 7 suspensão de transferências voluntárias, das garantias e da contratação de operações de crédito. Por fim, a Transparência deverá ser garantida por meio da participação da sociedade nos processos de elaboração e execução dos planos. Nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal, os atos e fatos relacionados à arrecadação de receitas e efetuação de despesas pelo poder público, desde que não sejam acobertados por segredo de Estado. A disponibilidade das contas dos administradores durante todo o exercício é um dos mecanismos adequados à garantia da transparência, cuja disposição legal é trazida no art. 49 da LRF. No mesmo artigo encontra-se a emissão de relatórios periódicos de gestão fiscal e de execução orçamentária, bem como o acesso público e a ampla divulgação. Ademais, importa ressaltar que as informações devem ser fornecidas de modo que seja inteligível a todo aquele que dela queira se utilizar. 3 - OBJETIVOS DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL A Lei de Responsabilidade Fiscal, no entendimento de Castro (2000), é efetuar reparos na Administração Pública, em todas as searas dos entes federados, assim como de estabelecer limite aos gastos, para que tenham conformidade com as receitas. Para tanto, a LRF utiliza-se de meios de planejamento governamental, de organização, transparência e controles internos externos. 8 O texto legal permite deduzir que seu principal objetivo é o equilíbrio fiscal, o qual seria fruto de restrições implementadas contra o crescimento das despesas e pelo estabelecimento de limites para gastos com pessoal e endividamento O art. 1º §1º da LRF prescreve que: A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e condições no que tange a renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a Pagar. Por “ação planejada” têm-se as ações orientadas ao cumprimento de um programa previamente determinado, o qual comporta passos a serem seguidos. Tais ações estão previstas em dispositivos da LRF, tais como inovações na lei de diretrizes orçamentárias e leis orçamentárias anuais (arts. 4º e 5º) e programação financeira (art. 8º). 9 A “prevenção de riscos e correção de desvios que afetem o equilíbrio das contas públicas” está intimamente ligada à supervisão, através dos controles interna e externo, de projetos, atividades ou ações dos gestores públicos. A “garantia de equilíbrio nas contas públicas” está relacionada à efetivação das metas alusivas a receitas e despesas. A título de exemplo desse princípio tem-se o equilíbrio entre receitas e despesas e metas de superávit primário (art. 4º, I, a); regras relativas a renúncias de receitas (art. 14, I), aumento de despesas (arts. 16 e 17) e sistemas previdenciários dos entes da Federação (art. 69). A Lei de Responsabilidade Fiscal ratificou os instrumentos já presentes na Constituição Federal. Tal fato demonstra a importância do planejamento e execução nas atividades da Administração Pública. 10 4 - A TRANSPARÊNCIA COMO PRINCÍPIO DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL A Constituição Federal de 1988 é caracterizada por conter em seu corpo um rol de princípios a serem observados pela Administração Pública. Tais princípios têm por intuito garantir aos cidadãos a concretização de seus direitos mais fundamentais. Ao Estado, estes princípios se relacionam à obrigatoriedade de agir com transparência. O princípio da transparência é mencionado na Constituição Federal em seu art. 5º, mais precisamente os incisos XXXIII, XXXIV e LXXII, os quais trazem, dentre outras determinações, a garantia do cidadão de captar informações de seu interesse, ou mesmo de interesse coletivo, as quais constem em bancos de dados públicos. No que tange à LRF e o princípio da transparência, Maren Guimarães Taborda leciona que: 11 (…) a Lei Complementar nº 101/00, que dispõe sobre a Responsabilidade Fiscal, também realiza, direta ou indiretamente, o princípio da transparência administrativa, porquanto obriga os administradores públicos não só a emitirem declarações de responsabilidade como também a permitirem o acesso público a essas informações. Outrossim, a Lei de Responsabilidade Fiscal faz referência direta ao princípio da transparência em seu capítulo IX, no qual apresenta, em conjunto, a transparência, o controle e a fiscalização, determinando o regramento e os procedimentos relativos a elaboração e difusão de relatórios e demonstrativos de finanças públicas, fiscalização e controle, de modo que seja possível ao cidadão julgar, por meio dos dados disponibilizados, se a Administração Pública agiu em conformidade com os ditames legais, sobretudo com relação as disposições constantes na Lei de Reponsabilidade Fiscal. A participação popular, a realização de audiências públicas no processo de criação e execução dos planos, da lei de diretrizes orçamentárias e dos orçamentos são formas de transparência trazidas pela LRF. Um exemplo claro desse incentivo é a figura do orçamento participativo, no qual os cidadãos são convocados a opinar acerca das maneiras mais efetivas de aplicação dos recursos públicos. Tal instituto tem por base as determinações contidas no inciso XII, do art. 29, da Constituição Federal. O art. 48 da LRF institui a ampla divulgação, nos mais diversos meios de comunicação, de relatórios que tratem das receitas e despesas, sendo possível também verificarem a autenticidade das informações fornecidas e sua proveniência. A Lei de Responsabilidade Fiscal reputa os planos, orçamentos e a Lei de diretrizes orçamentárias, as prestações de contas, pareceres prévios dos órgãos de controle, relatórios de gestão fiscal como instrumentos de transparência. 12 O art. 165, § 3º da CRFB/88 determina o dever do Poder Executivo de publicar, até o trigésimo dia após o encerramento de casa bimestre, o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO). Tal regularidade proporciona à sociedade o maior controle e acompanhamento do desempenho governamental em termos orçamentários. Os parâmetros a serem observados na elaboração do Relatório Resumido da ExecuçãoOrçamentária são pormenorizados na LRF. A elaboração, bem como a divulgação, é de inteira responsabilidade do Poder Executivo. O RREO compreenderá órgãos da Administração Pública direta indireta. O RREO é integrado pelo balanço orçamentário (especificação das receitas e despesas por categoria econômica) e pelo demonstrativo de execução das receitas e despesas. A LRF estabelece ainda que deverá ser emitido um Relatório de Gestão Fiscal ao final de casa quadrimestre, pelos titulares dos Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público. Tal relatório deverá conter a situação real de despesas com pessoal, dívida, operações de crédito, ARO, e as medidas corretivas implementadas se os limites forem ultrapassados, bem como todas as outras que estiverem sujeitas a limitações. A consequência pela não divulgação dos relatórios acima elencados é a vedação a possibilidade de contratação de operações de crédito, bem como do recebimento de transferências voluntárias, deverão ser disponibilizados para consulta. Ademais, ao Poder Legislativo caberá realizar, a cada quatro meses, audiência pública para que se discuta o cumprimento das metas fiscais, em conformidade com as previsões da LRF. 13 A participação popular é de suma importância nas audiências, pois através das informações ali prestadas será possível o controle da aplicação dos recursos bem como a transparência das ações dos gestores. Acerca do tema, explicita Maren Guimarães Taborda: Em última instância, só através da transparência – apresentação de dados consistentes e compreensíveis, oportunos e atualizados – que se expressa através da obrigação de as autoridades públicas, em cada nível de Governo, emitirem declarações mensais, trimestrais e anuais de responsabilidade fiscal, atendendo aos limites previstos nas metas e objetivos ou justificando seus desvios temporários e, ainda, permitirem o acesso público a essas informações, é que os objetivos da Lei podem ser alcançados. Por outro lado, a efetividade da Lei Fiscal será assegurada por mecanismos de compensação e de correção dos desvios, e com transparência, a fim de punir a má gestão mediante a disciplina do processo político. Logo, a transparência somente poderá ser alcançada através da efetiva observância aos institutos obrigatórios, de modo que seja dado conhecimento ao cidadão de tudo que ocorre através da prestação de contas. Ao cidadão cabe participar, para que seja possível cobrar dos Administradores a efetiva e correta utilização dos recursos públicos captados através dos impostos. Ademais, sem a efetiva participação popular, a transparência não alcança seu objetivo primeiro, uma vez que os verdadeiros interessados não estarão acompanhamento o que está sendo feito pelos Agentes Públicos. Importa, pois, ressaltar que os orçamentos, a LDO, os planos, as prestações de contas (com o respectivo parecer prévio confeccionado pelo Tribunal de Contas), os anexos de riscos fiscais e de metas fiscais relatórios de gestão fiscal, dentre outros 14 4.1 - ABRANGÊNCIA Nas disposições preliminares da Lei de Responsabilidade Fiscal consta, minuciosamente, o rol de responsáveis pela observância aos seus comandos legais: a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, também denominados entes da Federação. Nas referências a estes, estão compreendidos o Poder Executivo, o Poder Legislativo (incluindo os Tribunais de Contas), o Poder Judiciário, o Ministério Público, as administrações diretas, fundos, autarquias, fundações e empresas estatais dependentes. Por se tratar de lei complementar nacional, a obrigatoriedade de seu cumprimento atinge toda a sociedade e não somente os entes indicados no artigo 1º. 15 5 - CONCEITOS A Lei, em diversos dispositivos, conceitua institutos consagrados pelo Direito, enquanto que em outros cria novos institutos sem a respectiva definição, deixando para a melhor doutrina o papel da conceituação. Para efeitos da Lei Fiscal, entende-se: • Ente da Federação- a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. • Órgão - o Ministério Público, o Senado Federal, a Câmara dos Deputados, os Tribunais de Contas, a Assembleia Legislativa, a Câmara Legislativa do Distrito Federal, a Câmara de Vereadores e os Tribunais elencados no artigo 92 da Constituição Federal. • Empresa controlada- Empresa controlada- sociedade cuja maioria do capital social com direi- Empresa controlada a voto, pertença, direta ou indiretamente, a ente da Federação. • Empresa estatal dependente - empresa controlada que receba do ente controlador recursos financeiros para pagamento de despesas com pessoal ou de custeio em geral ou de capital, excluídos, no último caso, aqueles provenientes de aumento de participação acionária. Neste conceito, a Lei apresenta uma novidade, pois agora, as empresas públicas e as sociedades de economia mista, para os fins de aplicação da Lei Fiscal, passam a ser chamadas de estatais dependentes ou não dependentes, conforme a situação fática se amolde aos conceitos da Lei. É empresa estatal dependente aquela empresa controlada, ou seja, aquela cuja empresa estatal dependente maioria do capital sujeito a voto pertença, direta ou indiretamente, a ente da Federação e cumulativamente receba do ente controlador recursos financeiros para pagamento de despesas com pessoal ou de custeio em geral ou de capital, excluídas, nestas últimas, as relativas a aumento de participação acionária. A dependência caracteriza-se 16 pela transferência de recursos do tesouro a título de subvenção ou subsídio. A contraprestação do ente por serviços prestados pela empresa estatal por ele controlada não caracteriza situação de dependência (ex.: energia elétrica e água). Na proposta para fixação de limites de endividamento encaminhada pelo Poder Executivo ao Senado Federal e na LDO da União para o exercício de 2001, consta que a empresa estatal dependente deve ter recebido do ente controlador no exercício anterior, e que tenha autorização orçamentária para recebimento no exercício corrente, recursos financeiros para pagamento de despesas com pessoal ou de custeio ou de capital. Neste último, excetua-se aqueles provenientes de aumento de participação acionária. Assim fica melhor delineada a caracterização de empresa estatal dependente, como aquela que recebeu recursos por dois exercícios consecutivos. Receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes. Os valores a serem computados referem- se à administração direta, autarquias, fundações, fundos e empresas estatais dependentes, excluídas as duplicidades. Integram ainda o cálculo da receita corrente líquida os valores pagos e recebidos em decorrência da Lei Complementar nº 87, de 13/09/96 (Desoneração do ICMS - Lei Kandir) e os do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental – FUNDEF. Em relação aos recursos do FUNDEF, devem ser observadas as normas recursos do FUNDEF de contabilização estabelecidas pela da Portaria nº 328, de 27 de agosto de 2001, da Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda, objetivando a padronização dos procedimentos contábeis nos três níveis de governo, visando garantir a consolidação das contas públicas exigida pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A adoção das normas da Portaria STN/MF nº 328/01 implica na contabilização pelo valor bruto das transferências constitucionais com introdução de conta 17 redutora da receita (remessa de recursos ao FUNDEF) e de contas de transferências multigovernamentais para demonstração dos retornos do FUNDEF (valores recebidos pelo município provenientes do Fundo). categoria de elemento primordial natrilogia da gestão fiscal responsável, cujos fundamentos se encontram estabelecidos também na transparência dos resultados e no controle de limites e prazos. É inegável o forte conteúdo de ficção de que se revestiam os instrumentos orçamentários em grande parte da administração pública brasileira. Por imposição da novel legislação, as informações, metas, limites e condições para a renúncia de receitas, geração de despesas, assunção de dívidas, realização de operações de crédito e concessão de garantias, apreciadas através dos instrumentos do Plano Plurianual, da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei Orçamentária Anual Tendem a se tornar mecanismos efetivos de planejamento, 6 - PLANEJAMENTO O Planejamento, através da Lei de Responsabilidade Fiscal, foi elevado à 18 acompanhamento da gestão orçamentária e intervenção social na gestão de prioridades administrativas. 6.1 Plano plurianual A disciplina sobre o Plano Plurianual – PPA ainda se restringe às regras estatuídas na Constituição Federal, em decorrência do veto imposto ao art. 3º da LRF. O Plano Plurianual abrangerá as diretrizes, objetivos e metas para o período quadrienal situado entre o segundo ano do mandato do responsável pela sua elaboração e o primeiro ano do mandato subsequente. No Plano Plurianual devem estar especificadas as obras que a administração pretende realizar no quadriênio. As disposições relativas à Lei de Diretrizes Orçamentárias consignam um dos principais objetivos da Lei de Responsabilidade Fiscal: o controle do déficit público. 19 7 - LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTARIAS De acordo com o disposto no art. 63, III, da LRF, faculta-se aos Municípios com menos de 50.000 habitantes apresentar os anexos da Lei de Diretrizes Orçamentárias a partir do exercício de 2005, incluindo-os na LDO a ser editada para orientar a elaboração do orçamento anual do exercício de 2006 (Anexo de Metas Fiscais e Anexo de Riscos Fiscais). A familiarização com os mesmos, contudo, deve ter início no menor prazo possível, para fazer as devidas adaptações e evitar imprevistos de última hora quando de sua efetiva implementação. Ampliando a abrangência da Lei de Diretrizes Orçamentárias, estabeleceu a Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, dois novos anexos (metas fiscais e riscos fiscais) assim como o mecanismo de ajuste das dotações orçamentárias ao efetivo fluxo financeiro. A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades metas e prioridades da administração pública, incluindo as da administração pública despesas de capital despesas de capital para o despesas de capital exercício 20 financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orça- orientará a elaboração da lei orçamentária anual mentária anual, disporá sobre as mentária anual alterações na legislação tributária e alterações na legislação tributária estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento, quando for o caso (art. 4o da LRF, art. 165, § 2º, Constituição Federal). A Lei de Diretrizes Orçamentárias também deve estabelecer as condições e exigências para transferências de recursos a entidades públicas transferências de recursos a entidades públicas e privadas e privadas (art. 25, § 1º e 26, caput). Além das exigências da LRF e privadas devem ser observadas as normas da L4.320/64. 8 - LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL A Lei de Responsabilidade Fiscal, além de estabelecer novos conteúdos para a LOA, já utiliza as denominações da nova classificação orçamentária estabelecida pela Portaria no 42 do Ministério do Orçamento e Gestão, de 14 de abril de 1999. São elas: Função: representa o maior nível de agregação das diversas áreas da despesa que competem ao setor público. Dentre elas existe a função “Encargos Especiais”, que engloba despesas não associadas a um bem ou serviço gerado 21 no processo produtivo, tais como a dívida, o ressarcimento, a indenização, entre outros; Subfunção: representa uma partição da função, agregando um determinado: subconjunto de despesas do setor público, cabendo ressaltar que as subfunções poderão ser combinadas com funções diferentes daquelas a que estejam vinculadas; Programa: instrumento de organização da ação governamental para a concretização dos objetivos pretendidos, sendo mensurado por indicadores estabelecidos no plano plurianual; Projetos: são instrumentos de programação para alcançar os objetivos de um programa envolvendo um conjunto de operações, limitadas no tempo, das quais resulta um produto que concorre para a expansão ou o aperfeiçoamento da ação do governo; Projetos: são instrumentos de programação para alcançar os objetivos de Projetos: um programa envolvendo um conjunto de operações, limitadas no tempo, das quais resulta um produto que concorre para a expansão ou o aperfeiçoamento da ação do governo; Atividades: são instrumentos de programação para alcançar os objetivos Atividades: de um programa, envolvendo um conjunto de operações que se realizam de modo contínuo e permanente, das quais resulta um produto necessário à manutenção da ação do governo; Operações Especiais: Operações Especiais: representam ações que não contribuem para as Operações Especiais: manutenção das ações de governo, das quais não resulta um produto e não geram contraprestação direta sob a forma de bens e serviços. O projeto de lei orçamentária anual, conforme estabelece o art. 5º da LRF, deverá ser elaborado de forma compatível com o plano plurianual, com a lei de diretrizes orçamentárias e com as normas da Lei Complementar nº 101/2000. 22 O artigo 3º da Portaria nº 42, do Ministério do Orçamento e Gestão, determina à União, aos Estados e aos Municípios estabelecerem, em atos próprios, suas estruturas de programas, códigos e identificação, respeitados os conceitos e determinações daquela norma. Para os Municípios, a exigência ocorrerá a partir do exercício de 2002. Com relação à classificação das despesas, a partir de 2002 deverá ser utilizada a classificação estabelecida pela Portaria Interministerial no 163, de 4 de maio de 2001, da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda e Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão - Normas Gerais de Consolidação das Contas Públicas no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios – Classificação de Receitas e Despesas, com as alterações das Portarias nºs 180/01, nº 211/01 e nº 212/01, da Secretaria do Tesouro Nacional. Algumas limitações foram estabelecidas pela LRF e devem ser observadas durante a elaboração da Lei Orçamentária: 1) a atualização monetária da dívida mobiliária refinanciada não poderá superar a variação do índice de preço previsto na LDO ou em outra legislação específica; 2) é vedada a consignação, na lei orçamentária, de crédito com dotação ilimitada ou finalidade imprecisa; 3) a lei orçamentária anual não poderá incluir dotações para investimento com duração superior a um exercício financeiro, salvo quando prevista no Plano Plurianual ou autorizada por outra lei incluindo no PPA; 4) a inclusão de novos projetos nas leis orçamentárias ou em seus créditos adicionais somente poderá ocorrer após o adequado atendimento dos projetos em andamento e contempladas as despesas de conservação do patrimônio público consoante o disposto na lei de diretrizes orçamentárias (art. 45 LRF). 23 9 - RECEITA PÚBLICA Previsão e arrecadação A Lei de Responsabilidade Fiscal tem como preocupação, juntamente com o controle dos gastos públicos, a melhor gestão da receita pública, disciplinando aspectos como arrecadação tributária e renúncia de receita. Para tanto, destaca como responsabilidade do administrador público na gestão fiscal, a instituição, previsãoe efetiva arrecadação de todos os tributos previstos constitucionalmente tributos para os entes da Federação (art. 155 da Constituição Federal no caso dos tributos de competência dos Estados, e artigo 156 para os tributos de competência dos Municípios). Para efeito da LRF, entende este Tribunal como efetiva arrecadação de tributos o real ingresso efetiva arrecadação de recursos nos cofres públicos, não sendo suficiente a mera instituição de tributos por uma Lei estadual ou municipal. Nos casos em que não ocorrer o devido ingresso de recursos nos cofres públicos devido a situações alheias à vontade do administrador, para efeito de comprovação da efetividade na arrecadação, deve ser demonstrado e 24 comprovado aos órgãos de controle interno e externo o esforço do administrador em arrecadar os tributos de competência do ente mediante a adoção de todas as providências e medidas legais cabíveis nas esferas administrativa e judicial, com vistas à eficaz cobrança dos tributos devidos. A instituição de tributos gera uma expectativa mínima de ingresso de recursos no Tesouro, contida na estimativa de receitas (art. 12, § 3º), razão pela qual devem ser demonstradas as medidas tomadas para a efetiva arrecadação. O não cumprimento das disposições legais relativas à instituição, previsão e efetiva arrecadação, no que se refere, especificamente, aos impostos, impostos, impede o ente da Federação de receber transferências voluntárias (art. 11, § único, da LRF), exceto aquelas relativas a ações de educação, saúde e assistência social (art. 25, § 3º da LRF). No caso do IPTU, a Emenda Constitucional nº 29, que trata preponderantemente dos recursos mínimos a serem aplicados em saúde, alterou as regras desse tributo, facultando a instituição de alíquotas progressivas em razão do valor do imóvel e alíquotas diferenciadas de acordo com a localização e uso do imóvel, obedecidos os demais preceitos da Constituição Federal (princípios da legalidade e anterioridade, dentre outros). Reforçando a preocupação da LRF com o planejamento público, o artigo 12, § 3º, da Lei determina ao Poder Executivo que coloque à disposição dos demais poderes e do Ministério Público os estudos, estimativas e memórias de cálculo das receitas para o exercício seguinte, inclusive da receita corrente líquida, no prazo mínimo de 30 dias antes do prazo final para encaminhamento das propostas orçamentárias. No caso do Estado de Santa Catarina, essa providência deve ser adotada 03 meses antes do encerramento do exercício financeiro (art. 35, III, do ADCT da Constituição Estadual de 1989). Assim, o Poder Executivo Estadual deve cumprir o artigo 12, § 3º, da LRF, no mínimo, no início do mês de setembro. Já os municípios devem observar as suas respectivas Leis Orgânicas. 25 As previsões das receitas, além de observar as normas técnicas e legais, serão acompanhadas de: 1) demonstrativo de evolução nos últimos três anos; 2) projeção para os dois anos seguintes; 3) metodologia de cálculo e premissas utilizadas. 26 Os valores apresentados pelo Poder Executivo somente poderão ser alterados pelo Poder Legislativo caso haja erro ou omissão de ordem técnica ou legal, sendo possível reestimar somente a receita, nunca a despesa. Outro aspecto da Lei diz respeito à regra de ouro, ou seja, à relação estabelecida entre receitas provenientes de operações de crédito e despesas de capital, sendo que o montante daquelas não pode ser superior ao das despesas de capital constantes do projeto de lei orçamentária. Este dispositivo aprimora o disposto na Constituição Federal de 1988 (artigo 167, inciso III) pois inclui a vedação já a partir do planejamento orçamentário. Outra inovação trazida pela Lei de Responsabilidade Fiscal se refere à periodicidade com que o Poder Público trabalhará em termos de metas de arrecadação. O artigo 13 da Lei determina que o Poder Executivo, 30 dias após a publicação do orçamento, deverá desdobrar as receitas previstas em metas bimestrais de arrecadação, incluindo, quando for o caso: 1) medidas de combate à evasão e à sonegação; 2) quantidade e valores de ações ajuizadas para cobrança da dívida ativa; 3) evolução do montante dos créditos tributários passíveis de cobrança administrativa. 10 - DESPESA PÚBLICA A questão das despesas públicas toma grande parte das disposições da Lei Complementar nº 101/00. A preocupação está centrada em limitar a assunção de despesas crescentes pelo Poder Público, de maneira a buscar o equilíbrio das contas públicas. 27 Assim, a Lei de Responsabilidade Fiscal se constitui em mais um instrumento voltado ao equilíbrio orçamentário, ou seja, entre receitas e despesas. Em verdade, considerando a situação atual das finanças públicas, está se buscando um reequilíbrio, de forma progressiva. Nesse aspecto, basta verificar que a LRF estabelece prazos para adequação. Ainda que a Lei tenha preocupação com as receitas, o enfoque principal está direcionado para o aspecto das despesas. Sabidamente, a elevada carga tributária dificulta a geração de novas receitas, razão por que se torna imprescindível o controle das despesas. Na lógica da LRF, todas as despesas devem estar previstas no orçamento vigente, obedecendo às dotações orçamentárias, objetivando impedir execução de despesas sem correspondentes receitas, pois resultaria em déficits constantes, elevando os níveis de endividamento. Assim, as despesas de exercícios anteriores e restos a pagar sem disponibilidade de caixa também deveriam ser incluídas no Orçamento. 28 29 11 - A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO A Constituição Federal de 1988 já prevê o direito de todo brasileiro à informação, mas ainda não havia uma lei especificando o acesso. Em 2005 foi aprovada uma lei que garante o sigilo da maioria dos documentos e os mantêm restritos por segurança. Em 2011, o projeto de lei que regulamenta a obrigatoriedade de órgãos públicos divulgarem todas as informações de interesse nacional foi aprovado no Congresso. A Lei 12.527 de 18 de novembro de 2011, conhecida como Lei do Acesso à Informação, representa um marco histórico, pois pela primeira vez se reconhece o direito que todos os atores sociais possuem de acessar a informação produzida ou guardada pelos órgãos ou entidades públicas, por pessoas físicas ou jurídicas a eles relacionadas; estão excluídas desse contexto as informações relativas a projetos de pesquisa e desenvolvimento científicos ou tecnológicos cujo sigilo seja imprescindível à segurança nacional. A principal dificuldade para nós cidadãos, tanto no sentido de instruir os governos sobre o que nós queremos que eles façam [ou seja, indicar preferências], como para julgar o que eles têm feito, é que nós simplesmente não sabemos o bastante, não dispomos de informação suficiente (PRZEWORSKI, 1998, p. 15 apud SILVA, 2007. p. 27). A Lei de Acesso a Informação, propicia ao cidadão a oportunidade obter um maior controle das informações públicas, e desse modo, poder participar nos processos de decisão de maneira convicta; exigir uma ação ou omissão do Estado; tomar decisões cotidianas; combater a corrupção através do monitoramento da atuação do Estado e promover a eficiência. Decreto Federal nº 7.724, que regulamenta o direito de acesso à informação no nível federal, assegurado pelos artigos 5º e 37º da Constituição Federal, atendendo a antiga reivindicação da sociedade civil, de uma maior transparência na gestão pública, através da disponibilização das informações produzidas ou coletadas pelos órgãos e entidades públicas a todos os cidadãos. O Brasil dessa forma também atendeu à exigência de várias convenções e tratados 30 internacionais das quais é signatário, convenções estas que reconhecem que o acesso às informaçõespúblicas é um direito humano fundamental. Essas informações são um bem público e como tal devem ser tratadas. A Lei de Acesso à Informação é um direito de todos perante a constituição brasileira. Isso é importante para a sociedade, do qual tem direito de saber as atuações dos governos e do poder público, seja por controle social, seja por transparência na gestão do governo, ou até mesmo para inibir possíveis corrupções no governo. Segundo a Controladoria Geral da União (CGU), no Brasil o acesso à informação pública está inscrito no capítulo I da Constituição dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, particularmente no inciso XXXIII do artigo 5º, que diz: (...) a democratização e a socialização da informação não consistem só no acesso amplo da cidadania às informações socialmente significativas. Consiste muito mais na criação e na implementação de procedimentos para ampliar a participação das comunidades na meta-modelização das ações e das infraestruturas de informação. A Lei de Acesso à Informação criou o que se convencionou chamar de transparência ativa; que consiste na divulgação de informações, por iniciativa da própria Administração, em meios de fácil acesso ao cidadão; e transparência passiva; que consiste nos procedimentos para atender a demandas específicas dos cidadãos. Para efetivarem a transparência, todos os órgãos e entidades públicas são obrigados a manter um Serviço de Informação ao Cidadão (SIC); manter sites atualizados (exceto municípios com menos de 10 mil habitantes) com os dados em formato aberto (livre de patentes); fornecer informações sem cobrar qualquer justificativa do solicitante e de forma gratuita, exceto se houver custos na reprodução dos documentos. As informações devem ser fornecidas em um prazo máximo de 30 dias. De acordo com MICHENER (2011, p. 7), um dos pontos fortes que a lei de acesso à informação conseguiu evolui em outros países tem duas características em 31 comum, que vale a pena ressaltarem: promoção de uma cultura de abertura e transparência, que depende de dois princípios importantes: • Liderança: a vantagem mais importante é a liderança política, o que pode elevar o status da liberdade de informação como uma prioridade entre os servidores públicos e cidadãos e que garante os recursos necessários para sustentar legislações de acesso efetivas. • Uso amplo do direito: socializando-se o direito de acesso a informações governamentais aumentando o uso de leis de liberdade de informação elevará as expectativas para a abertura exigindo uma maior atenção por parte dos líderes. A Lei pôs fim ao eterno sigilo de documentos oficiais, mas permite sigilo de 25 anos para documentos considerados ultrassecretos, 15 anos para os secretos e cinco anos para os reservados. 12 - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES REFERENTES À LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO Percebe-se que a lei foi criada no Brasil, contudo ainda não houve uma capacitação dos órgãos públicos para atender as solicitações do cidadão que almeja por uma informação, visto que a maioria dos documentos do governo ainda se encontra em formato físico, pois não foram digitalizados. “(...) as normas jurídicas são necessárias e fundamentais para a institucionalização de um campo de ação, porém são insuficientes para garantir a implementação efetiva de uma nova orientação da ação estatal e social” (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 1999). A tecnologia digital está presente em todos os processos de produção, tratamento, processamento e divulgação das informações governamentais, o que torna cada vez mais premente a solução do problema da inclusão digital, para que todas as parcelas da população tenham condições efetivas de acessar e compreender as informações disponibilizadas no meio eletrônico. Pereira e Jambeiro (2007 apud Pinheiro, 2007, p.2) consideram que a inclusão digital é um conceito norteado pela identidade cultural, educação e renda que deve promover 32 “a habilitação do indivíduo para realizar-se social, cultural e economicamente também pelo domínio dos aparatos tecnológicos conquistados pela sociedade e seu uso na consecução de informações que lhe sejam úteis”. Essa lei é polêmica, pois ao mesmo tempo em que regulamenta o acesso à informação, cria uma série de arestas relativas à privacidade e ao direito individual. É preciso conciliar o direito à preservação da privacidade, a proteção dos dados pessoais dos funcionários públicos e de uma forma mais ampla a proteção dos dados pessoais de toda a população frente ao crescente tratamento automatizado dos dados pessoais e profissionais e a facilidade do seu acesso, inclusive para utilizações não autorizadas. Parte das informações que serão disponibilizadas, poderão ser encontradas nas bases de dados do Governo, com isso poderá surgir uma grande demanda por parte dos solicitantes quais as instituições terão dificuldade em atender no prazo determinado por lei. Outro problema que pode acontecer será com relação à falta de informação por parte do solicitante, que pode fazer o pedido de maneira incorreta, ou até mesmo gerar um mesmo pedido em órgãos públicos diferentes ou excessivamente. Com isso os servidores podem sofrer uma sobrecarga nas suas atividades cotidianas, ou até mesmo fornecer informações erradas, e ou duplicadas, devido à falta de preparação para atender a demanda. A Lei de Acesso à Informação veio com o propósito de abrir ao cidadão as informações de órgãos e empresas ligadas ao Governo Federal, mas ao redigir o decreto não é bem isso que observamos. As estatais, com o argumento de que precisam se proteger dentro de um mercado competitivo, mobilizaram-se para que não tivessem de estar sob o mesmo rigor da lei de transparência que os outros órgãos públicos. Assim sendo, receberam do governo “a autorização” para classificar, elas próprias, as informações que seriam ou não estratégicas e definir, assim, o que divulgar para o cidadão. Conforme podemos observar no Decreto, no Capítulo II do artigo 5º, parágrafo 1: 33 § 1 o A divulgação de informações de empresas públicas, sociedade de economia mista e demais entidades controladas pela União que atuem em regime de concorrência, sujeitas ao disposto no art. 173 da Constituição, estará submetida às normas pertinentes da Comissão de Valores Mobiliários, a fim de assegurar sua competitividade, governança corporativa e, quando houver, os interesses de acionistas minoritários. Como disponibilizar um material que envolve a honra e a privacidade? Como responsabilizar as pessoas que utilizam essas informações de uma forma indevida? Com o Decreto Presidencial 7724 de 16 de maio de 2012 que têm a finalidade de regulamentar a Lei 12.527 de 11 de novembro de 2011, o tema do direito à privacidade das informações pode ter uma solução. Seus artigos 58º e 59º estabelecem que o princípio da privacidade possa deixar de ser respeitado em função da recuperação de temas históricos importantes. O artigo 61 define que será do pesquisador, que solicita a abertura dos arquivos íntimos e privados a responsabilidade sobre a disseminação das informações ali existentes. A Lei de Acesso à Informação não possui um órgão central e independente para analisar os recursos aos pedidos de informação negados. Seria interessante a criação de um órgão especializado no tema “acesso à informação“, para evitar a multiplicação de interpretações da lei, ou seja, a contradição. Com relação à multiplicação de interpretações, já podemos observar a não adequação da lei. O Governo Federal determinou que os salários e todos os auxílios recebidos pelos servidores, deverão ser divulgados, mas os poderes Judiciário e Legislativo ainda não se posicionam positivamente à lei. Outro problema que podemos citar é com relação à falta de um padrão para acesso às informações publicadas. Muitas vezes as informações encontram-senum teor muito técnico ou até mesmo escondido. 34 12.1- INFORMAÇÕES UTEIS QUEM ESTÁ SUJEITO À LAI? • Poderes Executivo, Legislativo, incluindo Cortes de Contas, e Judiciário e o Ministério Público. • Autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista e entidades controladas direta ou indiretamente pelos entes da federação. • Entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos públicos. QUAIS SÃO AS OBRIGAÇÕES DOS ÓRGÃOS SUJEITOS À LAI? • Criar e manter um serviço de informações ao cidadão em local com condições apropriadas para atender e orientar o público; • Informar sobre a tramitação de documentos e protocolizar documentos e requerimentos de acesso a informações; • Todos os órgãos e entidades públicas devem oferecer uma plataforma online para receber pedidos de informação, com protocolo. As páginas eletrônicas dos órgãos devem oferecer linguagem e ferramentas fáceis e claras para leigos, mas também oferecer facilidades para aqueles que manipulam dados de forma mais complexa. A informação deve estar em formatos eletrônicos diversos e sempre atualizada; • Incentivar a participação popular, particularmente com a realização de audiências e consultas públicas e com a divulgação dos portais que recebem pedidos de informação online. Cada órgão é responsável por: • Designar uma autoridade interna para assegurar o cumprimento das normas de acesso; • Monitorar sua implementação; • Recomendar medidas de aperfeiçoamento e procedimentos; • Orientar suas unidades sobre o disposto na legislação. 35 A Lei de Acesso à Informação indica quais são as obrigações gerais dos órgãos públicos. No entanto, cada órgão, incluindo estados e municípios, devem regulamentar a LAI e estabelecer, por meio de leis, de Decretos Estaduais e/ou Decretos Municipais, quais são as atribuições desses órgãos. No caso do legislativo, é possível regulamentar a LAI por resolução. Se a sua cidade ou estado ainda não tiverem regulamentado a LAI, você pode fazer pedidos de informação da mesma forma. A LAI tem validade nacional e determina procedimentos mínimos e comuns que devem ser seguidos pelo Estado como um todo. Além disso, o direito de acesso é um direito constitucional considerado fundamental, valendo para todo Brasil desde 1988. Caso sua cidade ou estado ainda não tenha adotado normas específicas, avise o Ministério Público ou a Câmara de Vereadores! Ele pode tomar as medidas necessárias para incentivar essa regulamentação, inclusive através de acordos com o Executivo Municipal. 12.2 A CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO (CGU) DEVE: • Organizar uma campanha nacional de fomento à cultura da transparência e conscientização do direito fundamental de acesso à informação; • Informar anualmente o Congresso Nacional sobre a implementação da lei. EXISTE PUNIÇÃO AO DESRESPEITO À LEI? A sanção mínima para infrações de agentes públicos e militares é a suspensão. Em casos mais graves, o infrator pode responder por improbidade administrativa. Está sujeito a sanções aquele agente público ou militar que: • Recusar-se a fornecer informação pública, fazê-lo intencionalmente de forma incorreta, incompleta ou imprecisa, ou agir de má fé na análise de solicitações de informação; • Utilizar indevidamente, subtrair, destruir, inutilizar, desfigurar, alterar ou ocultar informação; 36 • Acessar ou permitir o acesso indevido a informação sigilosa ou pessoal; de impor sigilo à informação para proveito pessoal ou de terceiro; • Ocultar informação da autoridade superior A pessoa física ou entidade privada que detiver informações públicas, e não cumprir o disposto na lei, está sujeita a advertência, multa, rescisão do vínculo com o poder público, suspensão temporária de participar em licitação e contratos públicos e declaração de inidoneidade (incapacidade, inadequação) até que seja promovida a reabilitação. 37 13 - COMO AS INFORMAÇÕES DEVEM SER PUBLICADAS? Existem duas formas de divulgação: a transparência passiva e a transparência ativa. Transparência ativa: Informações de relevante interesse público e coletivo produzidas ou mantidas por entidades públicas devem ser publicadas independentemente de requerimentos. Ou seja, os sites dos organismos sujeitos à LAI devem fornecer um rol de informações de forma espontânea, sem que seja preciso fazer um pedido de informação. São elas: • Registro de contatos, um organograma (“quem é quem”) e competências; • Respostas a perguntas frequentes da sociedade; • Registro de despesas e de movimentação financeira; • Informações sobre locais de atendimento e serviços disponíveis; • Informações sobre licitações, procedimentos licitatórios, contratos e aditivos; • Dados gerais para acompanhamento de políticas e obras públicas; • A lista de documentos que deixaram de ser sigilosos e a lista de documentos que são sigilosos, com indicação de assunto, grau de sigilo, autoridade e data de classificação; • Relatório estatístico periódico sobre pedidos de informação recebidos, atendidos e indeferidos; • Mecanismo de busca e link para o portal de transparência; • Os dados devem estar em formato aberto. Cidades com menos de 10.000 habitantes não têm a obrigação de divulgar todas essas informações por internet, devendo, no entanto, se utilizar de outros meios, como cartazes e outros materiais disponíveis para consulta dos cidadãos. Ainda assim, essas cidades devem cumprir o disposto na Lei 38 Complementar 131/2009, e divulgar em tempo real de receitas e despesas, tanto prefeituras como câmaras. Transparência passiva: Nos casos em que a informação não foi divulgada de forma ativa, qualquer pessoa interessada poderá apresentar pedidos de acesso à informação aos órgãos públicos, pessoalmente ou via internet. Os pedidos de informação devem ser respondidos satisfatoriamente, de acordo com a lei, sejam eles feitos pessoalmente ou via internet. As respostas devem ser de fácil entendimento para leigos, devem responder todos os aspectos da pergunta ou então oferecer uma justificativa válida para negar o acesso à informação, citando a legislação adequada. Quando a resposta alegar que a informação já se encontra disponível na internet, é necessário que o órgão envie o link da página. O órgão tem até 20 dias para responder o pedido, sendo esse prazo prorrogável por mais 10 dias, mediante justificativa. A prorrogação do pedido deve ser feita e justificada antes que o prazo inicial de 20 dias termine. Quando alguma informação for sigilosa, está assegurado o acesso com a ocultação apenas da parte sigilosa, através do uso de tarjas pretas, por exemplo. O sigilo sempre deve ser justificado a partir da LAI. 39 14 - EM QUE CASOS UMA INFORMAÇÃO É SIGILOSA? A Lei de Acesso à Informação estabelece que o acesso deve ser a regra e o sigilo, a exceção. Mas afinal, em que casos uma informação pode ser mantida em sigilo? Segundo o artigo 23 da Lei de Acesso à Informação, as informações passíveis de classificação são aquelas que podem: • Pôr em risco a defesa e a soberania nacionais ou a integridade do território nacional; • Prejudicar ou pôr em risco a condução de negociações ou as relações internacionais do país, ou as que tenham sido fornecidas em caráter sigiloso por outros Estados e organismos internacionais; • Pôr em risco a vida, a segurança ou a saúde da população; • Oferecer elevado risco à estabilidade financeira, econômica ou monetária do país; • Prejudicar ou causar risco a planos ou operações estratégicas das Forças Armadas; • Prejudicar ou causar risco a projetos de pesquisa e desenvolvimento científico ou tecnológico, assim como a sistemas, bens, instalações ou áreas de interesse estratégico nacional;• Por em risco a segurança de instituições ou de altas autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares; • Comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações. Quando não for autorizado acesso integral à informação por ser ela parcialmente sigilosa, é assegurado o acesso à parte não sigilosa por meio de certidão, extrato ou cópia com ocultação da parte sob sigilo. As restrições de acesso incluem, independentemente de classificação, informações pessoais relacionadas a intimidade, vida privada, honra e 40 imagem, por serem consideradas informações pessoais. Documentos e informações sobre condutas que impliquem a violação de direitos humanos praticada por ou a mando de agentes públicos não podem ser objeto de restrição de acesso. A LAI também prevê que outras hipóteses legais de segredo de justiça e sigilo devem ser respeitadas, como o sigilo bancário (LC 105/2001), o sigilo fiscal (lei 5172/66) e as hipóteses de segredo industrial decorrentes da exploração direta de atividade econômica (pelo estado ou por entes que tenham vínculo com o poder público). O sistema de classificação de informações tem três níveis – ultrassecreto, secreto e reservado – com prazos de sigilo de, respectivamente, 25, 15 e 5 anos. O sigilo ultrassecreto pode ser renovado apenas uma vez, mediante avaliação do ente público responsável. Transcorrido esse prazo, a informação é automaticamente tornada pública. Para a classificação, deve-se considerar o interesse público, a gravidade do dano à segurança da sociedade e do Estado e o prazo máximo de restrição, utilizando o critério menos restritivo possível. 41 15 - COMO FAZER RECURSOS ONLINE? Se o seu pedido não foi respondido no prazo ou foi respondido de forma inadequada, você tem 10 dias corridos para fazer um recurso em 1ª instância. O recurso deve ser respondido por autoridade hierarquicamente superior àquela à qual o pedido de informação foi enviado. Esses 10 dias são contados da seguinte forma: • Se o seu pedido não foi respondido, os 10 dias são contados a partir da data limite para a resposta do pedido. Se você fez o pedido no dia 1 de 42 agosto, por exemplo, o órgão teria até o dia 21 para responder. Se ele não respondeu, você deve contar 10 dias a partir do dia 21 de agosto: assim, você tem até o dia 31 de agosto para fazer o recurso. • Se o seu pedido foi respondido de forma insatisfatória, você tem 10 dias a partir da data de resposta, seja ela a data limite para resposta ou não. Por exemplo, se você mandou o pedido no dia 1 de agosto e o órgão respondeu insatisfatoriamente no dia 15 de agosto, você tem até o dia 25 de agosto para enviar um recurso. Após o envio do recurso, o órgão tem 5 dias corridos para responder. Segundo a LAI, todos os e-SICs devem oferecer uma opção de recurso, ou seja, um botão no site em que você clique para enviar um recurso. Se você encontrar esse botão, basta clicar nele para escrever seu recurso. Infelizmente, muitos e-SICs não apresentam essa opção. Nesse caso, você pode enviar um novo pedido e explicar que, como o site não oferece a opção de recurso, você está enviando um recurso em forma de pedido. Não esqueça de incluir o protocolo do pedido para o qual você está enviando o recurso. O órgão público questionado tem a obrigação de encaminhar o recurso para a instância responsável pelo julgamento do mérito. Ao escrever o recurso, especifique exatamente a qual pedido ele se refere (você pode copiar o pedido no texto do recurso, junto com seu protocolo), em que data ele foi enviado, qual era a data limite, qual foi a data da resposta (se houve resposta) e porque você considerou a resposta inadequada. Se possível, use a LAI como embasamento. Abaixo estão dois exemplos fictícios, um de recurso para ausência de resposta, outro de recurso para Uma vez enviado este recurso de 1ª instância, o órgão tem 5 dias para responder. Se o órgão não responder ou responder inadequadamente, você por protocolar um recurso de 2a instância. Use a mesma estrutura do recurso de 1ª instância para redigir o de 2a instância, explicando o histórico do pedido: 43 16 - COMO FAZER UM PEDIDO DE INFORMAÇÃO PESSOALMENTE? Quando você não conseguir encontrar um e-SIC, ouvidoria ou algum canal de comunicação do órgão, você pode fazer seu pedido de informação pessoalmente. Neste caso o órgão também precisa fornecer um protocolo referente ao pedido de informação. Leve duas cópias impressas do seu pedido: a primeira fica com o órgão, a segunda deve voltar para você com a assinatura do servidor que recebeu a solicitação e o número de protocolo. Onde entregar o pedido de informação pessoalmente? Procure na internet o telefone da Ouvidoria do órgão e ligue para perguntar qual é o endereço em que o pedido deve ser entregue. Se você não conseguir encontrar a Ouvidoria, tente ligar para outros telefones do órgão questionado para descobrir onde você pode ir para protocolar seu pedido. 44 Modelo de pedido de informação fictício a ser entregue pessoalmente Quando você fizer o pedido em seu nome: COMO FAZER UM RECURSO PESSOALMENTE? Da mesma forma que no e-SIC, é possível fazer recursos de 1ª, 2ª e 3ª instância no caso de não resposta ou de resposta inadequada. Você deve usar a mesma lógica que usaria num recurso online: explicar o histórico do pedido e argumentar porque o seu recurso é justificável. Por exemplo: 45 Se você esgotar todos os recursos e o órgão não te responder satisfatoriamente, sem justificar de forma legítima o porquê, você tem algumas opções: • Fazer uma reclamação pelo e-SIC, se este permitir; • Você pode ir até o Ministério Público Estadual, na Promotoria de Justiça da sua cidade, e denunciar um ato de improbidade administrativa pelo descumprimento da Lei de Acesso à Informação. Você não precisa de um advogado para fazer isso. • Se você tiver acesso a um advogado (você pode tentar conseguir através da Defensoria Pública), é possível apresentar um mandado de segurança diretamente ao Poder Judiciário para obter acesso às informações. • Pode ser útil mobilizar outras instituições, como a OAB, para obter apoio para o seu caso. Divulgue o caso em suas redes e entre em contato com organizações que podem apoiar, como a ARTIGO 19! 46 Modelo de reclamação Você também pode fazer uma reclamação ao órgão para o qual solicitou informação, caso a resposta não tenha sido satisfatória. Você pode fazer a reclamação em qualquer momento, no entanto é melhor usar os recursos quando possível (até a 3a instância) e só depois a reclamação, pois ao contrário dos recursos ela não tem prazo de resposta. A reclamação é uma denúncia administrativa, você também pode fazer uma denúncia jurídica (veja na parte final da cartilha). Além disso, é possível juntar vários pedidos mal/não respondidos em uma mesma reclamação, e escrever a reclamação em conjunto - podem assinar várias pessoas físicas e organizações. Assim, a sua reclamação terá mais peso. A reclamação pode ser entregue pessoalmente ou feita através da ouvidoria ou do e- SIC, quando houver essa opção. Você também pode enviar um pedido de informação com conteúdo de reclamação, caso o site não ofereça a opção de enviar reclamações. 47 48 49 50 51 52 17 - REFERENCIAS A lei de responsabilidade fiscal como instrumento gerencial para a administração pública. Disponível em: <http://ambitojuridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=1448 3&revista_caderno=4> Acesso em: 18 de dez. de 2017 ABORDA, MarenGuimarães. O princípio da transparência e o aprofundamento dos caracteres fundamentais do direito administrativo. In Revista de Direito Administrativo nº 230. Editora Renovar, p. 254/255 ALVES, Benedito Antonio. 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