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RESPONSABILIDADE FISCAL Programa de Pós-Graduação EAD UNIASSELVI-PÓS Autoria: Nathália Helena Fernandes Laffin. CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Carlos Fabiano Fistarol Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Jóice Gadotti Consatti Norberto Siegel Camila Roczanski Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Joice Carneiro Werlang Marcelo Bucci Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Copyright © UNIASSELVI 2019 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. L163r Laffin, Nathália Helena Fernandes Responsabilidade fiscal. / Nathália Helena Fernandes Laffin. – Indaial: UNIASSELVI, 2019. 117 p.; il. ISBN 978-85-7141-302-3 1.Responsabilidade fiscal - Brasil. II. Centro Universitário Leon- ardo Da Vinci. CDD 342.81088 Impresso por: Sumário APRESENTAÇÃO ..........................................................................05 CAPÍTULO 1 Lei de Responsabilidade Fiscal ....................................................7 CAPÍTULO 2 Orçamento Público .....................................................................43 CAPÍTULO 3 Transparência Sobre as Contas Públicas ...............................79 APRESENTAÇÃO Neste livro serão estudados os principais conteúdos referentes à responsabilidade fiscal, que consiste em práticas consistentes e sustentáveis de políticas fiscais para que haja equilíbrio e transparência no que tange aos recursos públicos. A Contabilidade Pública é uma especialidade da Contabilidade que estuda o patrimônio das entidades. De acordo com a Associação Brasileira de Orçamento Público, a ABOP, a Contabilidade Pública é “o ramo da contabilidade que estuda, controla e demonstra a organização e a execução dos orçamentos, atos e fatos administrativos da fazendo pública, o patrimônio público e suas variações” (ABOP, 1975 apud TCE/SC, 2003, p. 102). Nesse sentido, a Contabilidade Pública deve ser realizada para que as contas públicas e o orçamento público sejam organizados e controlados de acordo com a previsão legal. Kohama (2016) pontua que a contabilidade registra as informações a partir das contas e, por meio delas, serve-se para o registro, o controle e a análise dos fatos administrativos que ocorrem na Administração Pública. Dentre os diferentes instrumentos inerentes à gestão pública, citamos a Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, também chamada de Lei de Responsabilidade Fiscal, objeto de estudo deste capítulo. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é uma norma com grande relevância para as instituições brasileiras, tendo em vista que estabelece as normas de responsabilidade e finanças públicas na gestão fiscal. Para que você possa conhecer os principais aspectos da LRF, estudaremos: • O conceito e os objetivos da LRF. • As origens e qual o contexto no qual a LRF está inserida. • As principais características desta Lei. • Os instrumentos de planejamento e orçamento. • As práticas de transparência das contas públicas. Espera-se que, ao final deste livro, você seja capaz de compreender as características e os fundamentos da Lei de Responsabilidade Fiscal, percebendo sua importância no contexto da gestão pública brasileira. Além disso, a partir dos conteúdos aqui discutidos, espera-se que você se sinta preparado para atuar nas esferas de gestão pública, principalmente no que concerne às atividades de gestão fiscal das contas públicas. Vamos lá? CAPÍTULO 1 Lei de Responsabilidade Fiscal A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: Saber: neste capítulo, o acadêmico compreenderá o que é a Lei de Responsabilidade Fiscal e quais são os relatórios previstos nesta tão importante lei. Fazer: a partir dos conhecimentos discutidos neste capítulo, o acadêmico estará habilitado a aplicar a LRF. 8 Responsabilidade Fiscal 9 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 1 Contextualização Neste capítulo, estudaremos a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Para tanto, discutiremos qual o contexto sob o qual foram discutidas as ideias para sua elaboração. Além disso, aprenderemos o conceito de responsabilidade fiscal e qual o objetivo da LRF e conheceremos quais são os relatórios previstos na LRF, sabendo para que foram criados e como podem ajudar na gestão pública. A Administração Pública, em seu sentido mais amplo, tem como prerrogativa a união de esforços em razão do interesse público, buscando as práticas mais justas e proveitosas para a sociedade de acordo com as normas instituídas em Lei. No que tange especificamente à responsabilidade fiscal, a Administração Pública tem um robusto arcabouço legislativo, definido e fundamentado, composto de conceitos, regras e limites, de forma que os órgãos públicos responsáveis pela gestão de recursos estejam devidamente orientados em suas práticas. A responsabilização dos agentes públicos pode abranger sanções administrativas, políticas e penais. Como dito anteriormente, este capítulo dedica-se ao estudo da Lei de Responsabilidade Fiscal, a LRF. A LRF foi instituída em 2000 com a perspectiva de normatizar as finanças públicas sob abrangência de todos os entes governamentais. Nesse sentido, estudaremos os principais aspectos que dizem respeito à LRF, como seus princípios e suas exigências, principalmente no que diz respeito às despesas com pessoal e restos a pagar. Vamos lá? 2 Origens E Contexto Da Lrf O cenário sob o qual a Lei de Responsabilidade Fiscal foi elaborada decorreu de eventos inerentes à gestão pública brasileira e às pressões internacionais. No sentido de um controle orçamentário mais apurado e eficaz, buscou-se organizar os gastos públicos sob a perspectiva de uma gestão pública responsável. 10 Responsabilidade Fiscal FIGURA 1 – CONTROLE ECONÔMICO FONTE: <https://pixabay.com/pt/homens-empregados-terno- trabalho-1979261/>. Acesso em: 6 dez. 2018. No cenário internacional, tem-se a figura do Fundo Monetário Internacional - FMI: o Brasil, na década de 1990, apresentava uma grande dívida com o FMI e, para organizar o controle econômico, o Fundo recomendou a adoção de práticas rigorosas e efetivas para a contenção dos gastos públicos desenfreados. O Fundo Monetário Internacional é uma organização supranacional, com sede na cidade de Nova York (Estados Unidos da América), que existe desde 1944 e que tem por objetivo controlar as finanças e a economia internacional para evitar instabilidades de ordens financeiras. Assim, com uma organização econômica mais ajustada, o Brasil poderia apresentar resultados primários e cumprir com suas obrigações para com terceiros, inclusive o FMI. 11 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 Na mesma década, o Plano Real trouxe um aumento da dívida pública decorrente do déficit primário e das altas taxas de juros, o que fez com que a situação das contas públicas brasileiras ficasse ainda mais crítica. De acordo com Platt Neto (2018, p. 150), “esse processo elevou as despesas com o serviço da dívida, que desde então figuram entre as mais expressivas no orçamento federal”. Platt Neto (2018, p. 150) destaca ainda que: “Devido ao rigor envolvido, a LRF precisou de um contexto político adequado para o seu lançamento: o sucesso do Plano Real em conter a inflação, que favoreceu a eleição do Ministro da Fazenda como Presidente da República, e a posterior criação do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (1995)”. Assim, em 2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal foi publicada. Não obstante, nos dias atuais, cada vez mais a LRF possui relevância, tendo em vistaque as instituições públicas passam por processos de confiança em razão dos grandes esquemas de corrupção evidenciados pela justiça. Nesse sentido, percebe-se a demanda por boas práticas e a fiscalização dos entes. A organização da LRF se dá por meio de 10 capítulos e suas seções e subseções, os quais são apresentados no Quadro 1. QUADRO 1 – CAPÍTULOS, SEÇÕES E SUBSEÇÕES DA LRF Capítulo I Disposições Preliminares Sem seções. Capítulo II Do Planejamento Seção I – Do Plano Plurianual Seção II – Da Lei de Diretrizes Orçamentárias Seção III – Da Lei Orçamentária Anual Seção IV – Da Execução Orçamentária e do Cumprimento das Metas Capítulo III Da Receita Pública Seção I – Da Previsão e da Arrecadação Seção II – Da Renúncia de Receita 12 Responsabilidade Fiscal Capítulo IV Da Despesa Pública Seção I – Da Geração da Despesa Subseção I – Da Despesa Obrigatória de Caráter Continuado Seção II – Das Despesas com Pessoal Subseção I – Definições e Limites Subseção II – Do Controle da Despesa Total com Pessoal Seção III – Das Despesas com a Seguridade Social Capítulo V Das Transferências Voluntárias Sem seções. Capítulo VI Da Destinação de Recursos Públicos para o Setor Privado Sem seções. Capítulo VII Da Dívida e do Endividamento Seção I – Definições Básicas Seção II – Dos Limites da Dívida Pública e das Operações de Crédito Seção III – Da Recondução da Dívida aos Limites Seção IV – Das Operações de Crédito Subseção I – Da Contratação Subseção II – Das Vedações Subseção III – Das Operações de Crédito por ARO Subseção IV – Das Operações com o Bacen Seção V – Da Garantia e da Contragarantia Seção VI – Dos Restos a Pagar Capítulo VIII Da Gestão Patrimonial Seção I – Das Disponibilidades de Caixa Seção II – Da Preservação do Patrimônio Público Seção III – Das Empresas Controladas pelo Setor Público Capítulo IX Da Transparência, Controle e Fiscalização Seção I – Da Transparência da Gestão Fiscal Seção II – Da Escrituração e Consolidação das Contas Seção III – Do Relatório Resumido da Execução Orçamentária Seção IV – Do Relatório de Gestão Fiscal Seção V – Das Prestações de Contas Seção VI – Da Fiscalização da Gestão Fiscal Capítulo X Disposições Finais e Transitórias Sem seções. FONTE: Adaptado de Brasil (2000) A partir do exposto no Quadro 1, é possível ter uma boa noção do que é abordado na LRF e como esse conteúdo é apresentado. São tratados conteúdos 13 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 como receita e despesa pública, estabelecendo definições e limites. Além disso, aspectos sobre as transferências voluntárias, sobre o endividamento público e a gestão patrimonial também são abordados na Lei. A Lei de Responsabilidade Fiscal é um documento público e que pode ser acessado, via internet, por qualquer pessoa. Acesse o site do Planalto e confira: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/ Lcp101.htm>. Note que, em nosso Livro, temos um capítulo específico para falar do Orçamento Público, abordando o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual (Capítulo 2) e um capítulo específico para falar da Transparência, Controle e Fiscalização (Capítulo 3). Os demais temas serão abordados no próximo tópico. 3 Conceitos E Objetivos A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é uma norma com grande relevância para as instituições brasileiras, tendo em vista que estabelece as normas de responsabilidade e finanças públicas na gestão fiscal. A LRF também promoveu a transparência dos gastos públicos. Em 10 capítulos, compostos por seções e subseções, a LRF apresenta conceitos, objetivos, instrumentos de gestão, de transparência e de fiscalização para a Administração Pública brasileira. 3.1 LRF – Capítulo I: Disposições Preliminares A responsabilidade fiscal, como a própria LRF define, consiste na ação planejada e transparente dos entes públicos, em que há a prevenção de riscos e correção de desvios que possam vir a alterar o equilíbrio das contas públicas. As https://pt.wikipedia.org/wiki/Transpar%C3%AAncia 14 Responsabilidade Fiscal ações de responsabilidade fiscal buscam o cumprimento de metas de resultados e obediência a limites impostos na legislação brasileira. O Tesouro Nacional (2018, s.p.), acrescenta ainda que: “A responsabilidade fiscal é caracterizada pelas práticas adotadas pela administração governamental que visam garantir a solidez e a sustentabilidade da política fiscal, de modo a defender o cidadão, de hoje e de amanhã, por meio da busca permanente do equilíbrio dinâmico entre receitas e despesas e da transparência do gasto público”. Assim, a LRF consiste em todas as ações envolvidas com a arrecadação e com a aplicação de recursos públicos. Nesse sentido, como fica claro no texto legislativo, o objetivo da LRF é o de prevenir riscos e desvios que possam afetar o equilíbrio das contas públicas. Para tanto, a Lei prevê uma ação planejada e transparente. A LRF abrange a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, conforme disposto no art. 1º, § 2º e 3º da Lei: § 2o As disposições desta Lei Complementar obrigam a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. § 3o Nas referências: I - à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, estão compreendidos: a) o Poder Executivo, o Poder Legislativo, neste abrangidos os Tribunais de Contas, o Poder Judiciário e o Ministério Público; b) as respectivas administrações diretas, fundos, autarquias, fundações e empresas estatais dependentes; II - a Estados entende-se considerado o Distrito Federal; III - a Tribunais de Contas estão incluídos: Tribunal de Contas da União, Tribunal de Contas do Estado e, quando houver, Tribunal de Contas dos Municípios e Tribunal de Contas do Município (BRASIL, 2000, s.p.). Isso significa que a LRF abrange todos os entes públicos brasileiros em suas esferas. Na União, estão no alcance da LRF: o Congresso Nacional e o Tribunal de Contas da União (Legislativo), a Administração Direta e Indireta (Executivo) e os Tribunais Superiores e o Tribunal Regional Federal e o Ministério Público Federal (Judiciário), conforme exposto na Figura 2. O objetivo da LRF é o de prevenir riscos e desvios que possam afetar o equilíbrio das contas públicas. 15 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 FIGURA 2 – ABRANGÊNCIA DA LRF NA UNIÃO FONTE: A autora Nos estados, por sua vez, fazem parte do escopo da LRF a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Contas do Estado (legislativo), a Administração Direta e Indireta (executivo) e o Tribunal de Justiça e Ministério Público Estadual (judiciário). Na Figura 3, você pode visualizar melhor: FIGURA 3 – ABRANGÊNCIA DA LRF NOS ESTADOS FONTE: A autora Em caráter municipal, por fim, a LRF abrange tanto o Legislativo, pelas Câmaras de Vereadores e o Tribunal de Contas no Município, quanto o Executivo, pela Administração Direta e Indireta. Veja a Figura 4 para compreender: FIGURA 4 – ABRANGÊNCIA DA LRF NOS MUNICÍPIOS FONTE: A autora 16 Responsabilidade Fiscal Assim, a LRF cria obrigações para todos os entes federativos e possibilita, a partir de cada um deles, uma gestão pública mais organizada e responsável. Agora que você já conheceu o conceito de Responsabilidade Fiscal, bem como o objetivo e a abrangência da Lei, vamos compreender alguns outros conceitos fundamentais para o entendimento desta. Quando a Lei menciona ente da Federação, é importante saber que ela se refere à União, a cada um dos estados, ao Distrito Federal e a cada um dos municípios brasileiros. Ao mencionar empresas, a LRF utiliza termos como “empresa controlada”, que se referem às sociedades “cuja maioria do capital social com direito a voto pertença, direta ou indiretamente, a ente da Federação” (BRASIL, 2000, s.p.) e como “empresa estatal dependente”, que consiste em empresas controladas que recebam de seu ente controlador “recursos financeiros para pagamentode despesas com pessoal ou de custeio em geral ou de capital, excluídos, no último caso, aqueles provenientes de aumento de participação acionária” (BRASIL, 2000, s.p.). A Lei ainda destaca o conceito de Receita Corrente Líquida compreendido como uma parte da Receita Corrente que abrange receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, conforme previsto no art. 2º, IV: IV – receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, deduzidos: a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal, e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição; b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional; c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira citada no § 9º do art. 201 da Constituição. § 1o Serão computados no cálculo da receita corrente líquida os valores pagos e recebidos em decorrência da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996, e do fundo previsto pelo art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. § 2o Não serão considerados na receita corrente líquida do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e de Roraima os recursos recebidos da União para atendimento das despesas de que trata o inciso V do § 1o do art. 19. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art195ia http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art195ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art239 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art201%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp87.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp87.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#adctart60. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#adctart60. 17 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 § 3o A receita corrente líquida será apurada somando-se as receitas arrecadadas no mês em referência e nos onze anteriores, excluídas as duplicidades (BRASIL, 2000, s.p.). Assim, compreende-se que a receita orçamentária dependerá de alguns ajustes para seu cálculo, que devem ser feitos, pois ela possui destaque na LRF, tendo em vista que serve de parâmetro para limites e metas exigidas. 3.2 LRF - Capítulo II: Do Planejamento Esse capítulo abrange quatro seções, perpassando conteúdos sobre o Plano Plurianual (que foi vetado na Lei), a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a Lei Orçamentária Anual e a Execução Orçamentária e o Cumprimento Das Metas. As três primeiras seções tratam de instrumentos de gestão fiscal e serão abordados tanto no Tópico 4 deste capítulo quanto no Capítulo 2 deste livro. FIGURA 5 – PLANEJAMENTO FONTE: <https://pixabay.com/pt/conceito-homem-pap%C3%A9is- pessoa-plano-1868728/>. Acesso em: 6 dez. 2018. A execução orçamentária trata dos prazos para a programação financeira dos orçamentos e o cronograma de execução mensal dos desembolsos públicos. 18 Responsabilidade Fiscal O cumprimento das metas corresponde à verificação das metas de resultado primário ou nominal estabelecidas em um Anexo de Metas Fiscais. O resultado primário consiste na diferença entre as receitas e as despesas governamentais, deduzidas as receitas e as despesas com juros. Um resultado primário positivo é chamado de superávit, enquanto um resultado primário negativo é chamado de déficit. Caso seja percebido que a receita realizada não seja capaz de suportar tais ônus, “os Poderes e o Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos trinta dias subsequentes, limitação de empenho e movimentação financeira, segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias” (BRASIL, 2000, s.p.). 3.3 LRF - Capítulo III: Da Receita Pública O Capítulo III, que trata das Receitas Públicas, determina, na Seção I, que um dos requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal se dá pela previsão e pela efetiva arrecadação dos tributos que são de competência do ente federativo. O cálculo para a previsão das receitas deverá seguir uma metodologia específica (que deve ser publicada conjuntamente às previsões) e deve observar normas técnicas e legais e considerará: “os efeitos das alterações na legislação, da variação do índice de preços, do crescimento econômico ou de qualquer outro fator relevante” (BRASIL, 2000, s.p.). Além disso, tais previsões serão acompanhadas de sua evolução nos últimos três anos, da projeção para os dois próximos. Até trinta dias após a publicação dos orçamentos, o Poder Executivo deverá desdobrar as receitas previstas em metas bimestrais de arrecadação, conforme disposto no art. 13 da LRF: 19 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 Art. 13. No prazo previsto no art. 8o, as receitas previstas serão desdobradas, pelo Poder Executivo, em metas bimestrais de arrecadação, com a especificação, em separado, quando cabível, das medidas de combate à evasão e à sonegação, da quantidade e valores de ações ajuizadas para cobrança da dívida ativa, bem como da evolução do montante dos créditos tributários passíveis de cobrança administrativa (BRASIL, 2000, s.p.). As reestimativas por parte do Poder Legislativo, que consistem em novas estimativas da receita, serão admitidas apenas se for comprovado erro ou omissão de ordem técnica ou legal. Você conhece a Lei nº 4.320 de 1964, que trata das normas de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços dos entes federativos? Acesse o site do Planalto e confira: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4320.htm>. Na Seção II de tal capítulo são abordadas as características imputadas à renúncia da receita, a qual compreende, de acordo com o art. 14, II, § 1o: Anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modifi- cação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado (BRASIL, 2000, s.p). Para tanto, a concessão ou ampliação de incentivo ou benefício tributário que gera renúncia de receita deverá conter uma estimativa do impacto financeiro e orçamentário em três exercícios financeiros a partir da sua vigência. Existem diferentes formas de o Estado renunciar receita: anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, alteração na alíquota e modificação na base de cálculo. 3.4 LRF - Capítulo IV: Da Despesa Pública As despesas públicas consistem no conjunto de dispêndios efetuados pelos entes federativos para cumprir com os serviços públicos. O Capítulo IV da LRF trata da despesa pública, legislando sobre o tema em três seções. 20 Responsabilidade Fiscal Na primeira seção, há o indicativo das características necessárias para a geração da despesa e da despesa obrigatória de caráter continuado. Na segunda seção - e cabe aqui dar grande destaque - trata das despesas com pessoal, fixando definições e limites. A terceira seção aborda as despesas com a seguridade social, as quais deverão sempre apresentar a fonte de custeio total para criação, aumento ou prorrogação de benefício. FIGURA 6 – LIMITES DE DESPESAS FONTE: <https://goo.gl/eSPwKb>. Acesso em: 6 dez. 2018. Como as despesas com pessoal configuram entre as mais expressivas nos gastos públicos, a LRF deu bastante destaque para o tema. A despesa total com pessoal é apurada a partir da soma realizada no mês em referência com assomas dos onze meses imediatamente anteriores, utilizando como base o regime de competência. O regime de competência determina que as receitas e as despesas serão registradas no momento em que ocorrem, independentemente de seu recebimento e/ou pagamento. A partir do art. 18 da LRF, a despesa com pessoal compreende: O somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros 21 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 de Poder, com quaisquer espécies remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pensões, inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência. Destaca-se que valores de contratos de terceirização de mão de obra para substituição de servidores e empregados públicos serão contabilizados em “outras despesas de pessoal” e, assim, fazem parte da despesa total com pessoal. Como dito anteriormente, por serem tão importantes dentro do orçamento público, o art. 19 da LRF traz os limites para a despesa com pessoal. Assim, seu total não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, conforme apontado: • União: 50% • Estados: 60% • Municípios: 60% Para tanto, não serão contabilizadas a esses limites as despesas com: I - de indenização por demissão de servidores ou empregados; II - relativas a incentivos à demissão voluntária; III - derivadas da aplicação do disposto no inciso II do § 6o do art. 57 da Constituição; IV - decorrentes de decisão judicial e da competência de período anterior ao da apuração a que se refere o § 2o do art. 18; V - com pessoal, do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e Roraima, custeadas com recursos transferidos pela União na forma dos incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e do art. 31 da Emenda Constitucional no 19; VI - com inativos, ainda que por intermédio de fundo específico, custeadas por recursos provenientes: a) da arrecadação de contribuições dos segurados; b) da compensação financeira de que trata o § 9o do art. 201 da Constituição; c) das demais receitas diretamente arrecadadas por fundo vinculado a tal finalidade, inclusive o produto da alienação de bens, direitos e ativos, bem como seu superávit financeiro. Esses limites não poderão exceder outros percentuais, os quais são apresentados no art. 20 da LRF: Na esfera federal: • 2,5% para o Legislativo (incluído o Tribunal de Contas da União). • 6% para o Judiciário. • 40,9% para o Executivo. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art169 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art57%C2%A76ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art57%C2%A76ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art21xiii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art21xiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art31 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc19.htm#art31 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art201%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art201%C2%A79 22 Responsabilidade Fiscal • 0,6% para o Ministério Público da União. Na esfera estadual: • 3% para o Legislativo (incluído o Tribunal de Contas do Estado). • 6% para o Judiciário. • 49% para o Executivo. • 2% para o Ministério Público dos Estados. Na esfera municipal, por sua vez: • 6% para o Legislativo (incluído o Tribunal de Contas do Município - se houver). • 54% para o Executivo. Destaca-se que nos Poderes Legislativo e Judiciário de cada esfera, tais limites serão repartidos entre seus órgãos proporcionalmente à média das despesas com pessoal apuradas nos três exercícios financeiros anteriores ao da publicação da LRF. Observe na Figura 7 um resumo dos limites com despesa com pessoal estabelecidos pela LRF: FIGURA 7 – LIMITES DA DESPESA COM PESSOAL FONTE: A autora 23 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 A verificação de tais limites ocorrerá ao final de cada quadrimestre. Caso, os limites sejam ultrapassados - mas ainda dentro do quadrimestre, o art. 23 da LRF determina que “o percentual excedente terá de ser eliminado nos dois quadrimestres seguintes, sendo pelo menos um terço no primeiro” (BRASIL, 2000, s.p.). Nesse sentido, observa-se que os limites estabelecidos pela LRF representam o planejamento orçamentário público a partir da previsão de receitas e destinações e suas estimativas ao longo do período. O livro Contabilidade Governamental: um enfoque administra- tivo da nova Contabilidade Pública, de Lino Martins da Silva, apre- senta um conteúdo bem interessante sobre os limites de despesa com pessoal. Leia e saiba mais! Ainda no que tange aos limites das despesas, observe o disposto no parágrafo único do art. 22: Parágrafo único. Se a despesa total com pessoal exceder a 95% (noventa e cinco por cento) do limite, são vedados ao Poder ou órgão referido no art. 20 que houver incorrido no excesso: I - concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração a qualquer título, salvo os derivados de sentença judicial ou de determinação legal ou contratual, ressalvada a revisão prevista no inciso X do art. 37 da Constituição; II - criação de cargo, emprego ou função; III - alteração de estrutura de carreira que implique aumento de despesa; IV - provimento de cargo público, admissão ou contratação de pessoal a qualquer título, ressalvada a reposição decorrente de aposentadoria ou falecimento de servidores das áreas de educação, saúde e segurança; V - contratação de hora extra, salvo no caso do disposto no inciso II do § 6o do art. 57 da Constituição e as situações previstas na lei de diretrizes orçamentárias (BRASIL, 2000, s.p.). Apesar de definir limites máximos, a LRF estipula que, caso a despesa total com pessoal exceda 95% do limite máximo, o ente federativo alcançará o limite prudencial, configurando restrições nos recursos públicos e sob o qual ficam vedadas diferentes despesas. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art37x http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art57%C2%A76ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art57%C2%A76ii 24 Responsabilidade Fiscal 3.5 LRF - Capítulo V: Das Transferências Voluntárias A transferência voluntária consiste na “entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde”, conforme disposto no art. 25 da LRF (BRASIL, 2000, s.p.). FIGURA 8 – TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS FONTE: <https://pixabay.com/pt/computadores-correios- tela-3710419/>. Acesso em: 6 dez. 2018. Para a realização de transferências voluntárias deverão ser observados critérios estabelecidos na LDO, além de existir dotação específica para tal doação e a comprovação do beneficiário de que está em dia com suas obrigações fiscais, financeiras e tributárias, que os limites legais constitucionais relativos à saúde e à educação tenham sido respeitados e que há uma previsão orçamentária de contrapartida. No entanto, é vedada, constitucionalmente, a transferência voluntária de recursos pelos Governos Federal e Estaduais para pagamento de despesas com pessoal ativo, inativo e pensionista, dos demais entes federativos. A característica de observação à LDO e obediência à dotação orçamentária específica demanda que os entes federativos se planejem desde a etapa do planejamento para a captação dessas transferências. 25 Lei de ResponsabilidadeFiscal Capítulo 1 3.6 LRF - Capítulo VI: Da Destinação De Recursos Públicos Para O Setor Privado A relação entre o público e o privado tem se tornado cada vez mais presente no orçamento brasileiro. Estratégias para vinculação de práticas entre os setores confere grande particularidade nas questões de normatização pelos agentes públicos. De acordo com a LRF, a destinação de recursos públicos para o setor privado deverá ser fundamentada em lei específica e cobrirá necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas. Destaca-se que tal destinação observará o disposto na LDO e deve estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. Tal qual a abrangência da LRF, estão abrangidas por tal capítulo toda a administração direta e indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, por exceção do Banco Central do Brasil e demais instituições financeiras quando em suas atividades principais. 3.7 LRF - Capítulo VII: Da Dívida E Do Endividamento Para compreender tal capítulo, é necessário conhecer algumas definições, como as de “dívida pública consolidada ou fundada”, “dívida pública mobiliária”, “operação de crédito”, “concessão de garantia” e “refinanciamento da dívida mobiliária”. O art. 29 da LRF aborda tais conceitos, conforme disposto a seguir: I - dívida pública consolidada ou fundada: montante total, apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras do ente da Federação, assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações de crédito, para amortização em prazo superior a doze meses; II - dívida pública mobiliária: dívida pública representada por títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central do Brasil, Estados e Municípios; III - operação de crédito: compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços, arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o uso de derivativos financeiros; 26 Responsabilidade Fiscal IV - concessão de garantia: compromisso de adimplência de obrigação financeira ou contratual assumida por ente da Federação ou entidade a ele vinculada; V - refinanciamento da dívida mobiliária: emissão de títulos para pagamento do principal acrescido da atualização monetária (BRASIL, 2000, s.p.). Tem-se que a dívida consolidada ou fundada divide-se em interna e externa, sendo que a primeira compreende aquelas assumidas no Brasil, enquanto a dívida consolidada ou fundada externa corresponde aos títulos e aos contratos assumidos fora do país. É importante destacar que na Seção VI deste capítulo são tratados os Restos a Pagar. 3.8 LRF - Capítulo VIII: Da Gestão Patrimonial O oitavo capítulo da LRF é composto por três seções: das Disponibilidades de Caixa, da Preservação do Patrimônio Público e das Empresas Controladas pelo Setor Público. FIGURA 9 – GESTÃO PATRIMONIAL FONTE: <https://pixabay.com/pt/f%C3%A1brica-constru%C3%A7%C3%A3o- ind%C3%BAstria-1880261/>. Acesso em: 6 dez. 2018. Tem-se que a dívida consolidada ou fundada divide- se em interna e externa, sendo que a primeira compreende aquelas assumidas no Brasil, enquanto a dívida consolidada ou fundada externa corresponde aos títulos e aos contratos assumidos fora do país. 27 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 Tais seções ponderam um controle mais rigoroso sobre a gestão dos recursos, principalmente naquilo que tange à Previdência Social (RGPS - Regime Geral de Previdência Social e RPPS - Regime Próprio de Previdência Social), destacando uma conta específica para o controle de tais recursos, conforme disposto no art. 43 da LRF: Art. 43. As disponibilidades de caixa dos entes da Federação serão depositadas conforme estabelece o art. §3º do art. 164 da Constituição. § 1o As disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos, ainda que vinculadas a fundos específicos a que se referem os arts. 249 e 250 da Constituição, ficarão depositadas em conta separada das demais disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições de mercado, com observância dos limites e condições de proteção e prudência financeira (BRASIL, 2000, s.p.). Nesse sentido, as disponibilidades de caixa da União serão depositadas no Banco Central, enquanto as dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público e das empresas por ele controladas, em instituições financeiras oficiais. Como visto, a Seção II trata das disposições para a preservação do Patrimônio Público, mostrando que todos os esforços devem ser realizados para a manutenção e a conservação dos itens imobilizados. Note que o art. 44 da LRF veda a aplicação de receita de capital oriunda de alienação de bens e direitos que integram o patrimônio para o financiamento de despesa corrente - saldo se destinada, por Lei, para os RGPS e RPPS. Ainda no que diz respeito ao patrimônio público, o art. 46 da LRF determina que “é nulo de pleno direito ato de desapropriação de imóvel urbano expedido sem o atendimento do disposto no § 3º do art. 182 da Constituição, ou prévio depósito judicial do valor da indenização” (BRASIL, 2000, s. p.). O artigo constitucional referenciado menciona que as desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro. A terceira seção deste capítulo trata da gestão das empresas controladas pelo setor público e dispõe que: Art. 47. A empresa controlada que firmar contrato de gestão em que se estabeleçam objetivos e metas de desempenho, na forma da lei, disporá de autonomia gerencial, orçamentária e financeira, sem prejuízo do disposto no inciso II do § 5o do art. 165 da Constituição. Parágrafo único. A empresa controlada incluirá em seus balanços trimestrais nota explicativa em que informará: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art249 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art250 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art250 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art165%C2%A75ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art165%C2%A75ii 28 Responsabilidade Fiscal I - fornecimento de bens e serviços ao controlador, com respectivos preços e condições, comparando-os com os praticados no mercado; II - recursos recebidos do controlador, a qualquer título, especificando valor, fonte e destinação; III - venda de bens, prestação de serviços ou concessão de empréstimos e financiamentos com preços, taxas, prazos ou condições diferentes dos vigentes no mercado (BRASIL, 2000, s.p.). Neste sentido, sendo observados os aspectos referentes ao orçamento de investimentos das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social votante disposta na LOA, as empresas controladas terão autonomia para gerir seus recursos. 3.9 LRF - Capítulo IX: Da Transparência, Controle E Fiscalização A criação de uma lei que trate da responsabilidade fiscal dos recursos públicos nasceu da necessidade de um maior controle e transparência quanto à forma que os gastos públicos têm sido organizados. O próprio FMI dispõe de um material importante de orientação para a adoção de métodos e práticas transparentes. FIGURA 10 – CONTROLE FONTE: <https://pixabay.com/pt/janela-m%C3%A3o-lupa- pesquisa-controle-1231894/>. Acesso em: 6 dez. 2018. 29 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 Neste sentido, é muito importante que haja um capítulo destinado ao estudo de critérios e instrumentos que viabilizem a publicidade dos dados públicos, principalmente por meio da transparência, que permite um maior controle e fiscalização por parte da população. O Capítulo3 aborda a Transparência sobre as Contas Públicas. Nele, você aprenderá a instrumentalização da publicidade das informações públicas! Assim, o alcance do que trata tal capítulo aplica-se a todos os entes federativos. Em nosso Livro, o Capítulo 3 dedica-se às questões inerentes à transparência pública. Entretanto, vamos, a partir de agora, discutir os principais pontos de cada uma das seis seções dispostas no capítulo. A primeira Seção discorre acerca da transparência da gestão fiscal, a qual menciona os instrumentos de transparência (Relatório Resumido da Execução Orçamentária e Relatório de Gestão Fiscal). Percebe-se que estes instrumentos se propõem a regulamentar as variáveis fiscais por meio de prazos, formas de divulgação e conteúdo-base necessário. Além disso, a LRF destaca que a transparência também será possibilitada a partir de: Art. 48, § 1o: I - incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos; II - liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público; e (Redação dada pela Lei Complementar nº 156, de 2016) III - adoção de sistema integrado de administração financeira e controle, que atenda a padrão mínimo de qualidade estabelecido pelo Poder Executivo da União e ao disposto no art. 48-A (incluído pela Lei Complementar nº 131, de 2009) (vide Decreto nº 7.185, de 2010) (BRASIL, 2000, s.p.). O § 2º do art. 48 da LRF regulamenta a forma como ocorrerá a publicidade das informações gerenciais públicas: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp156.htm#art27 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp156.htm#art27 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp131.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7185.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7185.htm 30 Responsabilidade Fiscal § 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disponibilizarão suas informações e dados contábeis, orçamentários e fiscais conforme periodicidade, formato e sistema estabelecidos pelo órgão central de contabilidade da União, os quais deverão ser divulgados em meio eletrônico de amplo acesso público (BRASIL, 2000, s.p.). Apesar de o acesso à informação ser cada vez mais disseminado pelo mundo, ainda existem muitos municípios brasileiros que desconhecem - ou têm pouquíssimo acesso - aos mecanismos de informação digitais: computador, internet, redes sociais etc. Desta forma, muitos municípios podem não conseguir cumprir à risca os instrumentos de publicidade demandados pela LRF. Destaca-se, contudo, que, por compreender que essa situação existe e se manifesta em muitos munícipios, a Lei é inclusiva e prevê prazos diferenciados para municípios com populações reduzidas. FIGURA 11 – TRANSPARÊNCIA FONTE: <https://pixabay.com/pt/sucesso-curva-m%C3%A3o- dedo-mulher-1093891/>. Acesso em: 6 dez. 2018. 31 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 Assim, as contas publicadas pelo Chefe do Poder Executivo ficarão disponíveis durante todo o exercício financeiro para consulta e análise dos cidadãos e instituições da sociedade, destacando que a prestação de contas da União se fará valer de demonstrativos do Tesouro Nacional e agências financeiras oficiais, tais quais o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES -, conforme disposto no parágrafo único do art. 49 da LRF: Parágrafo único. A prestação de contas da União conterá demonstrativos do Tesouro Nacional e das agências financeiras oficiais de fomento, incluído o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, especificando os empréstimos e financiamentos concedidos com recursos oriundos dos orçamentos fiscal e da seguridade social e, no caso das agências financeiras, avaliação circunstanciada do impacto fiscal de suas atividades no exercício (BRASIL, 2000, s.p.). Assim, a transparência da gestão fiscal consiste em um princípio para a gestão, no qual destaca-se a necessidade de pensar e propor caminhos que levem a informação sobre a gestão pública para a população, para que esta possa “funcionar” como um controle destes gestores. A Seção II - Da Escrituração e Consolidação das Contas apresenta as práticas contábeis reconhecidas pela LRF para a gestão pública, sob as quais se destacam, além das normas de contabilidade pública: Art. 50. Além de obedecer às demais normas de contabilidade pública, a escrituração das contas públicas observará as seguintes: I - a disponibilidade de caixa constará de registro próprio, de modo que os recursos vinculados a órgão, fundo ou despesa obrigatória fiquem identificados e escriturados de forma individualizada; II - a despesa e a assunção de compromisso serão registradas segundo o regime de competência, apurando-se, em caráter complementar, o resultado dos fluxos financeiros pelo regime de caixa; III - as demonstrações contábeis compreenderão, isolada e conjuntamente, as transações e operações de cada órgão, fundo ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional, inclusive empresa estatal dependente; IV - as receitas e despesas previdenciárias serão apresentadas em demonstrativos financeiros e orçamentários específicos; V - as operações de crédito, as inscrições em Restos a Pagar e as demais formas de financiamento ou assunção de compromissos junto a terceiros, deverão ser escrituradas de modo a evidenciar o montante e a variação da dívida pública no período, detalhando, pelo menos, a natureza e o tipo de credor; VI - a demonstração das variações patrimoniais dará destaque à origem e ao destino dos recursos provenientes da alienação de ativos. 32 Responsabilidade Fiscal § 1o No caso das demonstrações conjuntas, excluir-se-ão as operações intragovernamentais. § 2o A edição de normas gerais para consolidação das contas públicas caberá ao órgão central de contabilidade da União, enquanto não implantado o conselho de que trata o art. 67. § 3o A Administração Pública manterá sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária, financeira e patrimonial. Art. 51. O Poder Executivo da União promoverá, até o dia trinta de junho, a consolidação, nacional e por esfera de governo, das contas dos entes da Federação relativas ao exercício anterior, e a sua divulgação, inclusive por meio eletrônico de acesso público. § 1o Os Estados e os Municípios encaminharão suas contas ao Poder Executivo da União nos seguintes prazos: I - Municípios, com cópia para o Poder Executivo do respectivo Estado, até trinta de abril. II - Estados, até trinta e um de maio. § 2o O descumprimento dos prazos previstos neste artigo impedirá, até que a situação seja regularizada, que o ente da Federação receba transferências voluntárias e contrate operações de crédito, exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária (BRASIL, 2000, s.p.). As normas de contabilidade pública estão dispostas na Lei nº 4.320, de 1964, que institui as normas gerais de direito financeiro tanto para a elaboração quanto para o controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Além disso, existem diferentes Normas Brasileiras de Contabilidade emitidas que devem ser observadas. Destaca-se, ainda, que a Contabilidade Pública possui um Manual, que resgata o objeto de estudo da contabilidade: o Patrimônio, e orienta a elaboração e a execução do orçamento. O Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público - MCASP - está disponível na internet e é uma boa fonte de informação para complementar seus estudos. Acesse o site do Tesouro Nacional e confira: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/-/mcasp>. As Seções III e IV tratam do Relatório Resumidoda Execução Orçamentária e do Relatório de Gestão Fiscal, respectivamente. O Relatório Resumido da Execução Orçamentária tem frequência bimestral e o Relatório de Gestão Fiscal tem frequência quadrimestral. No Tópico 4 estudaremos um pouco mais sobre estes relatórios. Fique atento! 33 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 A Seção V, que abarca os arts. 56, 57 e 58 da LRF, trata da prestação de contas. Prestar contas significa apresentar para o público aquilo que foi realizado com os recursos públicos, confrontando o previsto e o realizado. Art. 58. A prestação de contas evidenciará o desempenho da arrecadação em relação à previsão, destacando as providências adotadas no âmbito da fiscalização das receitas e combate à sonegação, as ações de recuperação de créditos nas instâncias administrativa e judicial, bem como as demais medidas para incremento das receitas tributárias e de contribuições (BRASIL, 2000, s.p.). Assim, as contas prestadas pelos Chefes do Poder Executivo compreenderão: suas próprias contas, as contas dos Presidentes do Legislativo e Judiciário e do Chefe do Ministério Público (que, separadamente, foram aprovadas por seus respectivos Tribunais de Contas). A Seção VI, por fim, discorre em um artigo e três parágrafos sobre a fiscalização da gestão fiscal, colocando o Legislativo como Poder fiscalizador do cumprimento da LRF pelos entes federativos. Art. 59. O Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais de Contas, e o sistema de controle interno de cada Poder e do Ministério Público, fiscalizarão o cumprimento das normas desta Lei Complementar, com ênfase no que se refere a: I - atingimento das metas estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias; II - limites e condições para realização de operações de crédito e inscrição em Restos a Pagar; III - medidas adotadas para o retorno da despesa total com pessoal ao respectivo limite, nos termos dos arts. 22 e 23; IV - providências tomadas, conforme o disposto no art. 31, para recondução dos montantes das dívidas consolidada e mobiliária aos respectivos limites; V - destinação de recursos obtidos com a alienação de ativos, tendo em vista as restrições constitucionais e as desta Lei Complementar; VI - cumprimento do limite de gastos totais dos legislativos municipais, quando houver. § 1o Os Tribunais de Contas alertarão os Poderes ou órgãos referidos no art. 20 quando constatarem: I - a possibilidade de ocorrência das situações previstas no inciso II do art. 4o e no art. 9o; II - que o montante da despesa total com pessoal ultrapassou 90% (noventa por cento) do limite; III - que os montantes das dívidas consolidada e mobiliária, das operações de crédito e da concessão de garantia se encontram acima de 90% (noventa por cento) dos respectivos limites; IV - que os gastos com inativos e pensionistas se encontram acima do limite definido em lei; Prestar contas significa apresentar para o público aquilo que foi realizado com os recursos públicos, confrontando o previsto e o realizado. 34 Responsabilidade Fiscal V - fatos que comprometam os custos ou os resultados dos programas ou indícios de irregularidades na gestão orçamentária. § 2o Compete ainda aos Tribunais de Contas verificar os cálculos dos limites da despesa total com pessoal de cada Poder e órgão referido no art. 20. § 3o O Tribunal de Contas da União acompanhará o cumprimento do disposto nos §§ 2o, 3o e 4o do art. 39 (BRASIL, 2000, s.p.). Destaca-se a padronização de prazos e o aumento de tempo possibilitado aos municípios menores. Depreende-se a partir da leitura da LRF que todos os Poderes se sujeitam à análise de suas contas, ainda que não demandem notória publicidade para os relatórios e os pareceres emitidos pelos órgãos fiscalizadores. FIGURA 12 – FISCALIZAÇÃO FONTE: <https://pixabay.com/pt/impostos-evas%C3%A3o-fiscal- pol%C3%ADcia-1027103/>. Acesso em: 6 dez. 2018. O que não se percebe, no entanto, é um estímulo à participação da população em audiências públicas e em controle das contas públicas. Entretanto, existem várias organizações e grupos - principalmente com a evidência das redes sociais, que buscam e chamam a população para uma maior interação. 3.10 LRF - Capítulo X: Disposições Finais E Transitórias O décimo e último capítulo da LRF dispõe de informações de prazos e outros aspectos importantes que devem ser divulgados. Assim, em seus últimos 15 artigos, a LRF destaca o papel da Constituição Federal como norma superior e geral e 35 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 estabelece que Lei estadual ou municipal tem liberdade para fixar limites inferiores aos previstos na LRF no que tange às dívidas consolidada e mobiliária, para operações de crédito e concessão de garantias (conforme previsto no art. 60 da LRF). Para valorizar os títulos públicos, o art. 61 institui que os títulos da dívida pública podem ser oferecidos como caução pelo seu valor econômico: Art. 61. Os títulos da dívida pública, desde que devidamente escriturados em sistema centralizado de liquidação e custódia, poderão ser oferecidos em caução para garantia de empréstimos, ou em outras transações previstas em lei, pelo seu valor econômico, conforme definido pelo Ministério da Fazenda (BRASIL, 2000, s.p.). Dentre as disposições finais, destacam-se as considerações outrora já mencionadas, de diminuição de prazos para municípios menores, evidenciando o tamanho populacional inferior a cinquenta mil habitantes para a percepção de tais benefícios. Destaca-se, também, o disposto no art. 64 da LRF: Art. 64. A União prestará assistência técnica e cooperação financeira aos Municípios para a modernização das respectivas administrações tributária, financeira, patrimonial e previdenciária, com vistas ao cumprimento das normas desta Lei Complementar. Percebe-se, a partir do exposto, que a União deve organizar esforços para contribuir com a gestão transparente dos Municípios, principalmente no que diz respeito à consecução de planos, orçamentos, leis orçamentárias, relatórios e prestações de contas. A Lei prevê, ainda, planos para que o desempenho institucional responsável e transparente seja cada vez mais aprimorado quando, em seu art. 67, determina o acompanhamento e a avaliação permanentes dos processos de gestão fiscal, com vistas a harmonizar e coordenar os entes federativos e suas práticas, possibilitando uma conversa entre tais entes, de forma a poder realizar um benchmarking entre as melhores práticas adotadas. Encerra-se, portanto, o estudo acerca da LRF com o disposto no art. 73-C da Lei, o qual aponta que a não observação às suas determinações configura penalidades para as condutas que lesam o interesse social. 4 Relatórios Previstos Na Lrf Existem três instrumentos de planejamento estatal previstos na Constituição Federal brasileira, sendo eles: o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes 36 Responsabilidade Fiscal Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA). Estudaremos cada um destes relatórios no Capítulo 2, entretanto, é importante que você saiba do que se trata cada um deles e qual sua importância no contexto da LRF. O Plano Plurianual - PPA - é um instrumento orçamentário previsto no art. 165 da Constituição Federal brasileira, no qual são apresentadas as políticas públicas de um Governo para um período de quatro anos, abordando quais as metas previstas e como serão alcançadas. Se você acessar o Portal do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, encontrará o Plano Plurianual vigente de nosso país. Clique e confira: <http://www.planejamento.gov.br/>. A Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO -, por sua vez, estabelece as metas e as prioridades para o exercício financeiro seguinte, orientando a elaboração do Orçamento, apresentando alterações na legislação tributária quando cabível e estabelecendo políticas relacionadas às agênciasfinanceiras de fomento. A LDO fixa limites para os orçamentos do Legislativo, Judiciário e do Ministério Público, deve observar o disposto no PPA, ser entregue via Projeto de Lei do Orçamento ao Congresso Nacional até o dia 15 de abril de cada ano e deve ser aprovada pelo Legislativo até o dia 17 de julho. FIGURA 13 – ANÁLISE DE RELATÓRIOS FONTE: <https://goo.gl/TdFFXs>. Acesso em: 6 dez. 2018. 37 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 A Lei Orçamentária Anual - LOA - disciplina as ações do Governo Federal para um ano, estimando a receita e fixando as despesas. Nesse sentido, todos os gastos públicos devem estar previstos na LOA. A elaboração da LOA é orientada a partir da LDO e o Projeto da LOA deve ser enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano, devendo ser devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa. Na Figura 14, pode-se observar um resumo sobre esses instrumentos. FIGURA 14 – PPA, LDO E LOA FONTE: A autora Platt Neto (2018, p. 155) destaca que a LRF produziu efeitos significativos na LDO, “que passou a ser o principal instrumento de planejamento para uma gestão orçamentária equilibrada”, tendo em vista que a LDO deve apresentar o equilíbrio entre receitas e despesas, além de limitações de empenho, controle de custos e transferências de recursos. Já no que diz respeito à LOA, a principal característica a ser destacada consiste na compatibilidade entre os orçamentos e a própria LRF. Além destes, a LRF prevê, em seu capítulo IX, instrumentos de transparência da gestão fiscal que dizem respeito às prestações de contas e seu respectivo parecer prévio, o Relatório Resumido da Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal e as versões simplificadas desses documentos. 38 Responsabilidade Fiscal O Relatório Resumido de Execução Orçamentária é previsto na Seção III do Capítulo IX da LRF e deverá ser publicado até 30 dias após o encerramento de cada bimestre, contendo: • Balanço Orçamentário. • Demonstrativos da Execução das Receitas. • Demonstrativos da Execução das Despesas - por categoria econômica e fonte. • Demonstrativos da Execução das Despesas - por função e subfunção. Demonstrativos referentes à apuração da receita líquida, receitas e despesas previdenciárias, resultados nominal e primário, despesas com juros e restos a pagar também deverão acompanhar o Relatório Resumido. Além disso, conforme disposto no art. 54, §§ 1o e 2o da LRF: § 1o O relatório referente ao último bimestre do exercício será acompanhado também de demonstrativos: I - do atendimento do disposto no inciso III do art. 167 da Constituição, conforme o § 3o do art. 32; II - das projeções atuariais dos regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos; III - da variação patrimonial, evidenciando a alienação de ativos e a aplicação dos recursos dela decorrentes. § 2o Quando for o caso, serão apresentadas justificativas: I - da limitação de empenho; II - da frustração de receitas, especificando as medidas de combate à sonegação e à evasão fiscal, adotadas e a adotar, e as ações de fiscalização e cobrança (BRASIL, 2000, s.p.). O Relatório de Gestão Fiscal, por sua vez, é elencado na Seção IV do Capítulo IX e determina que ao final de cada quadrimestre, os titulares dos Poderes e os órgãos (conforme disposto nas Figuras 2, 3 e 4) emitirão um Relatório de Gestão Fiscal, que conterá: I - comparativo com os limites de que trata esta Lei Complementar, dos seguintes montantes: a) despesa total com pessoal, distinguindo-a com inativos e pensionistas; b) dívidas consolidada e mobiliária; c) concessão de garantias; d) operações de crédito, inclusive por antecipação de receita; e) despesas de que trata o inciso II do art. 4o; II - indicação das medidas corretivas adotadas ou a adotar, se ultrapassado qualquer dos limites; III - demonstrativos, no último quadrimestre: a) do montante das disponibilidades de caixa em trinta e um de dezembro; b) da inscrição em Restos a Pagar, das despesas: 1) liquidadas; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art167iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art167iii 39 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 2) empenhadas e não liquidadas, inscritas por atenderem a uma das condições do inciso II do art. 41; 3) empenhadas e não liquidadas, inscritas até o limite do saldo da disponibilidade de caixa; 4) não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e cujos empenhos foram cancelados; c) do cumprimento do disposto no inciso II e na alínea b do inciso IV do art. 38 (BRASIL, 2000, s.p.). Tal Relatório será assinado pelo Chefe do Poder Executivo, pelo Presidente e demais membros da Mesa Diretora ou órgão decisório equivalente; pelo Presidente do Tribunal e demais membros de Conselho de Administração ou órgão decisório equivalente, conforme regimentos internos dos órgãos do Poder Judiciário; pelo Chefe do Ministério Público, da União e dos Estados e pelas autoridades responsáveis pela administração financeira e pelo controle interno, bem como por outras definidas por ato próprio de cada Poder ou órgão (BRASIL, 2000, s.p.). Desta forma, pode-se perceber que a LRF é um ponto de partida para outros textos legislativos fundamentais para o exercício da gestão pública, direcionando os gestores para práticas controladas e transparentes. Atividade De Estudo: 1 O que é a Lei de Responsabilidade Fiscal? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2 Qual é o objetivo da Lei de Responsabilidade Fiscal? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3 Qual a abrangência da Lei de Responsabilidade Fiscal? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ _____________________________________________ 40 Responsabilidade Fiscal 4 Quais são os instrumentos orçamentários imputados ao capítulo de Planejamento da Lei de Responsabilidade Fiscal? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 5 Quais os limites para Despesa Total com Pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________ 41 Lei de Responsabilidade Fiscal Capítulo 1 Algumas Considerações Neste capítulo, discutimos os principais assuntos referentes à Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF. Tal Lei foi instituída em 2000, a partir da premissa de uma gestão pública mais eficiente. Em 10 capítulos, compostos por seções e subseções, a LRF apresenta conceitos, objetivos, instrumentos de gestão, de transparência e de fiscalização para a Administração Pública brasileira. A responsabilidade fiscal se caracteriza por práticas adotadas pela administração governamental para que seja garantida a solidez e a sustentabilidade da política fiscal brasileira. Assim, o objetivo da LRF é o de prevenir riscos e desvios que possam afetar o equilíbrio das contas públicas e, para atingir seu objetivo, a LRF prevê ações planejadas e transparentes, de forma que os entes federativos - União, Estados, Distrito Federal e Municípios - tenham seus gastos limitados. A LRF, como dito anteriormente, é uma Lei Complementar que estabelece normas de finanças públicas vinculadas à responsabilidade na gestão fiscal e orçamentária. Nesse sentido, os gestores públicos passam a ter um maior controle às metas orçamentárias, pois suas ações devem ser pautadas a deveres e limites instituídos em Lei. É importante destacar o cuidado da Lei em estabelecer parâmetros e condutas que orientem os administradores públicos a uma gestão responsável e transparente, gerando, inclusive, responsabilização àqueles que não atenderem às prerrogativas da Lei. Outro ponto-chave é a instituição de limites e também de prazos - com flexibilização destes para municípios menores, o que faz com que os gestores se organizem para um processo de planejamento, execução e controle das contas públicas - fazendo com que haja um ciclo completo e permitindo uma maior organização dos recursos. Nesse sentido, o Governo é fundamental na manutenção das contas públicas, tendo em vista que deve planejá-lo para que os planos e as metas sejam executados. Nesse sentido, percebe-se, a partir do exposto, que deve fazer uma união de esforços para que os diferentes entes contribuam, entre si, para uma gestão transparente, partilhando práticas e estratégias principalmente no que diz respeito à consecução de planos, orçamentos, leis orçamentárias, relatórios e prestações de contas. 42 Responsabilidade Fiscal Como vimos, a LRF entrou em vigor no dia 4 de maio de 2000, assinada pelo então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. No ramo da contabilidade pública, da gestão pública e da gestão fiscal, esta Lei consagra-se como um importante instrumento para o início e a consolidação de estratégias apuradas e transparentes de controle e gestão de recursos públicos. A Lei é um marco para a sociedade brasileira e para o povo, que se pode perceber respeitado a partir das prerrogativas de limites e critérios para o uso do dinheiro público - que é de todos e para todos. Referências BRASIL. Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal). Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp101.htm>. Acesso em: 14 out. 2018. ______. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 14 out. 2018. ______. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos estados, dos municípios e do Distrito Federal. Disponível em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L4320.htm>. Acesso em: 14 out. 2018. KOHAMA, H. Contabilidade pública: teoria e prática. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2016. PLATT NETO, O. A. Contabilidade pública: atualizada e focada. 20. ed. Florianópolis, 2018. SILVA, L. M. da. Contabilidade governamental: um enfoque administrativo da nova Contabilidade Pública. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2011. TESOURO NACIONAL. Responsabilidade fiscal. 2018. Disponível em: <http:// www.tesouro.fazenda.gov.br/-/responsabilidade-fiscal>. Acesso em: 15 out. 2018 TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA - TCE/SC. Controle público e cidadania. 3. ed. Florianópolis: TCE/SC, 2003. CAPÍTULO 2 Orçamento Público A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: Saber: neste capítulo, o acadêmico compreenderá o que é o orçamento público e seus instrumentos de planejamento e orçamento. Fazer: a partir dos conhecimentos discutidos neste capítulo, o acadêmico estará habilitado a realizar análises do orçamento, planejar e alocar os gastos públicos. 44 Responsabilidade Fiscal 45 Orçamento Público Capítulo 2 1 Contextualização A Contabilidade Pública é uma das áreas da Ciência Contábil mais relevantes para a sociedade. Por meio da Contabilidade Pública, os gestores públicos percebem, organizam e planejam a arrecadação e o consumo dos recursos públicos. Na perspectiva de que o recurso público emana da população e deve ser utilizado para seu benefício, a legislação brasileira é composta de diferentes dispositivos para regulamentar as práticas referentes ao orçamento público. Kohama (2016) destaca que o governo é responsável pelo nível de bem- estar coletivo e, para isso, faz uso de técnicas de planejamento e estratégias de ações. Uma dessas estratégias é o orçamento público. O orçamento público é um ato de prevenção e também de autorização para as despesas do Estado em um exercício. De acordo com Silva (2011, p. 172), “é um instrumento da moderna administração pública”. Neste sentido, compreende- se que o orçamento público é um plano de trabalho que orienta a ação dos gestores públicos por meio de práticas, limites e prazos. Agora que você compreende o que é orçamento público, vamos compreender como é elaborado o orçamento brasileiro?! O processo orçamentário brasileiro é previsto desde antes da promulgação da Constituição Federal de 1988 - que é a carta constitucional vigente em nosso país. Assim, desde 1946, existem princípios orçamentários que orientam os gestores públicos. Tais princípios foram reforçados com a publicação da Lei nº 4.320, de 1964, que dispõe sobre as normas gerais de direito financeiro para a elaboração e o controle dos orçamentos e balanços dos entes federativos. Os princípios previstos na Lei nº 4.320, de 1964, e também na Constituição Federal de 1988 constituem a unidade, a universalidade e a anualidade. A unidade determina que haja apenas um orçamento para o exercício financeiro. A universalidade aponta que o orçamento deve contemplar todas as receitas e todas as despesas dos entes federativos e a anualidade determina que o orçamento deve ser elaborado e autorizado para um período de tempo determinado que, geralmente, corresponde a um ano. O orçamento público decorre de um processo no qual os Governos Federal, Estadual e Municipal estabelecem suas pretensões para curto e médio prazo sobre os recursos decorrentes de tributos e outras receitas. Isso significa que o orçamento público deve ocorrer em todos os níveis de governo. 46 Responsabilidade Fiscal Conforme previsto na Constituição Federal de 1988, o orçamento público observa uma periodicidade. Assim, o Processo de Planejamento-Orçamento compreende os instrumentos de planejamento e orçamento que instituirão as metas de orçamento público. FIGURA 1 – ORÇAMENTO PÚBLICO FONTE: A autora Esse processo compreende as fases de elaboração e execução das Leis Orçamentárias, que são: • Plano Plurianual - PPA. • Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO. • Lei Orçamentária Anual - LOA. Cada umdesses instrumentos possui regras próprias de elaboração, aprovação e implementação e, neste capítulo, nossos estudos se concentrarão no conhecimento do PPA, da LDO e da LOA. Vamos lá? 2 Plano Plurianual (PPA) O Plano Plurianual - PPA - é o primeiro instrumento de orçamento, dentro de um contexto global. É considerado um plano de médio prazo, com o qual são 47 Orçamento Público Capítulo 2 ordenadas as ações dos gestores para atingir os objetivos e as metas fixadas para um período de quatro anos. O PPA tem sua previsão legal fundamentada na Constituição Federal em seu art. 165: “Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I - o plano plurianual; II - as diretrizes orçamentárias; III - os orçamentos anuais” (BRASIL, 1988a, s.p.). FIGURA 2 – PLANO PLURIANUAL FONTE: <https://goo.gl/vRMptH>. Acesso em: 7 dez. 2018. O PPA é um instrumento previsto no art. 165 da Constituição Federal destinado a organizar e viabilizar a ação pública, com vistas a cumprir os fundamentos e os objetivos da República. Por meio dele, é declarado o conjunto das políticas públicas do governo para um período de quatro anos e os caminhos trilhados para viabilizar as metas previstas (BRASIL, 2015, s.p.) Neste sentido, o PPA define as políticas públicas do Governo Federal com base em seus compromissos de campanha, assim como os Governos Estadual e Municipal o fazem sob a mesma premissa. O Plano Plurianual do Governo Federal é de competência da União, conforme previsto no art. 48 da Constituição Federal de 1988. Por tal razão, fica privativo ao Presidente da República enviar ao Congresso Nacional o PPA, tal como outros instrumentos previstos na Carta Magna. O PPA qualifica-se como um planejamento estratégico no qual as gestões públicas apresentam seus compromissos de campanha, organizando quais os planos previstos de acordo com sua realidade econômica. Assim, o PPA http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm 48 Responsabilidade Fiscal abrange a realidade socioeconômica dos entes federativos, assim como toda a estrutura tecnológica, financeira e de pessoa existente para que as ações a serem implementadas preconizem a eficácia e a eficiência na gestão pública. Considera-se importante destacar que o PPA não é um mero documento que visa cumprir com formalidades e legalidades, mas que representa as expectativas dos gestores para o período de sua gestão pública. O Plano Plurianual da União vigente para o período de 2016 a 2019 foi regulamentado pelo Decreto nº 8.759, de 10 de maio de 2016, e foi aprovado conforme o disposto na Lei nº 13.249, de 13 de janeiro de 2016, a qual instituiu o Plano Plurianual da União para o período de 2016 a 2019. A Lei nº 13.249/2016 possui cinco capítulos, conforme disposto no Quadro 1. QUADRO 1 – CAPÍTULOS DO PLANO PLURIANUAL DO PERÍODO 2016-2019 Capítulo Título I Do Planejamento Governamental e do Plano Plurianual II Da Estrutura e Organização do Plano III Da Integração com as Leis Orçamentárias Anuais IV Da Gestão do Plano V Das Disposições Gerais FONTE: Adaptado de Brasil (2016a) O PPA é um instrumento de planejamento governamental que define diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada, com o propósito de viabilizar a implementação e a gestão das políticas públicas (BRASIL, 2016, s.p.). Assim, as prioridades do PPA vigente consistem nas metas inscritas no Plano Nacional de Educação (PNE), o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Plano Brasil Sem Miséria (PBSM), estes dois últimos identificados nas Leis Orçamentárias Anuais. Atividade de Estudos: 1 De acordo com o art. 165 da Constituição Federal, a Lei que instituir o PPA estabelecerá, regionalmente, as _______, ________ e _________ da administração pública federal para as despesas de capital e outras no que diz respeito aos programas de duração continuada. 49 Orçamento Público Capítulo 2 As diretrizes do governo para o período consistiam em um desenvolvimento sustentável pautado na inclusão social, na melhoria contínua dos serviços públicos prestados, na garantia dos direitos humanos e na redução das diversas desigualdades existentes em um país tão grande e complexo como o Brasil. Além disso, as diretrizes previstas no art. 4º da Lei 13.249/2016 preconizam o estímulo e a valorização da educação, da ciência e da tecnologia, das práticas de inovação e competitividade, a participação cidadã e a valorização e o respeito à diversidade cultural, bem como o aperfeiçoamento da gestão pública focada na cidadania, na eficiência do gasto público, na transparência e nas metas contra a corrupção, além de prever o equilíbrio das contas públicas (BRASIL, 2016a). É importante destacar que o plano definido no início de um governo deverá ser mantido por todo o período, independente de haver troca de governantes no meio do mandato. Veja que o PPA vigente em nosso país foi assinado pela então Presidente da República, Dilma Rousseff. No mesmo ano, a Presidente sofreu um processo de impeachment e o Vice-Presidente da República, Michel Temer, assumiu o posto máximo de nossa República. Essa alternância, no entanto, não descaracteriza o disposto no PPA, que deverá ser observado o que foi definido na Lei 13.249/2016. Assinale a alternativa CORRETA que preenche as lacunas: a) ( ) Diretrizes, objetivos e metas. b) ( ) Ideias, metas e finalidades. c) ( ) Leis, objetivos e metas. d) ( ) Finalidades, objetivos e etapas. e) ( ) Etapas, diretrizes e metas. Os objetivos do PPA de 2016 a 2019 estão previstos no art. 4o do Decreto nº 8.759/2016 e constituem: 50 Responsabilidade Fiscal Art. 4o. I - subsidiar a implementação das políticas referenciadas no PPA 2016-2019, de forma a viabilizar seus Objetivos e Metas; II - produzir, organizar e analisar informações sobre as políticas públicas e sua implementação; III - gerar subsídios para o aperfeiçoamento das políticas públicas e dos Programas do Plano; IV - produzir subsídios para as decisões relativas à alocação de recursos; e V - contribuir para a transparência, o controle e a participação social das ações do Governo (BRASIL, 2016b). Os programas previstos no PPA constituem o Programa Temático, que expressa e orienta a ação governamental para a entrega de bens e de serviços para a sociedade e o Programa de Gestão, Manutenção e Serviços ao Estado, que expressa e orienta as ações que são destinadas ao apoio, à gestão e também à manutenção da atuação do governo (BRASIL, 2016a). Assim, um PPA apresentará um objetivo específico e quais as metas e iniciativas para a consecução de tal objetivo, além de apontar o órgão responsável para tanto. Para exemplificar, vamos trazer um objetivo constante no Programa Temático e que se relaciona à promoção de inclusão social por meio da educação. FIGURA 3 – PROGRAMA DE INCLUSÃO SOCIAL FONTE: <https://goo.gl/XhTBXQ>. Acesso em: 7 dez. 2018. O objetivo 1055 do PPA do Governo Federal de 2016 a 2019 prevê a promoção de políticas e ações colaborativas de ciência, tecnologia e inovação para a inclusão social. O órgão responsável para tal objetivo é o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (salvas as especificações e atribuições de tal Ministério na data do PPA). Assim, as metas para atingir esse objetivo são: 044D - Apoiar 360 projetos que contribuam para a melhoria da educação científica e para a popularização e difusão da ciência, tecnologia e inovação no país, distribuídos em todos os estados e no Distrito Federal. 51 Orçamento Público Capítulo 2 Órgão responsável: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. 044E - Apoiar 80 projetos de extensão tecnológica. Órgão responsável: Ministério da Ciência, Tecnologia eInovação. 044F - Apoiar 40 projetos de tecnologias sociais e assistivas. Órgão responsável: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. 04JU - Implantar dois Centros Tecnológicos para pesquisa e de- senvolvimento (P&D) em soluções de mobilidade urbana e logís- tica e educação. Órgão responsável: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (BRASIL, 2016a, s.p.). As iniciativas propostas são: 04U7 - Realização de Olimpíadas do conhecimento e feiras de ciências. 04U8 - Fortalecimento e ampliação do número dos espaços científico-culturais como agentes promotores da difusão, popu- larização e educação científica. 04U9 - Realização da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. 04UA - Ampliação e interiorização da participação dos municí- pios brasileiros em eventos e atividades de difusão, populariza- ção e educação científica. 04UB - Estímulo e apoio à cooperação científica com base na formação de redes para o fortalecimento de projetos voltados a inovações tecnológicas relacionadas à Rede de Pesquisado- res em Soberania e Segurança Alimentar e nutricional, Inclusão Digital, cidades sustentáveis, mobilidade, transporte, habitação, saneamento, desporto e lazer, voltadas para municípios e comu- nidades tradicionais. 06XH - Fomento à criação e à consolidação de empresas ino- vadoras intensivas em conhecimento, em especial os Parques Tecnológicos em Minas Gerais (BRASIL, 2016a, s.p.). Além de trazer objetivos, metas e iniciativas de forma escrita, o PPA, por prever como chegará a tal objetivo, apresenta valores e percentuais estimados do que pretende atingir. Cabe destacar que os aspectos financeiros, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do PPA serão dispostos em Lei Complementar. Já os projetos de lei relativos a ele serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional. Devem, no entanto, ser compatíveis com o PPA, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual - caso contrário, não podem ser aprovadas (BRASIL, 1988a). O anexo da Lei nº 13.249/2016, publicado no Diário Oficial da União, compreende informações referentes aos objetivos, às metas e às iniciativas previstos no PPA vigente. Acesse o site e confira: 52 Responsabilidade Fiscal O PPA deve ser elaborado no primeiro ano de mandato, conforme disposto no art. 35, § 2º: Art. 35, § 2º, I - o projeto do plano plurianual, para vigência até o final do primeiro exercício financeiro do mandato presidencial sub- sequente, será encaminhado até quatro meses antes do encerra- mento do primeiro exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa (BRASIL, 1988a, s.p.). O prazo para o documento implica ao Chefe do Poder Executivo a avaliação e a revisão do planejamento realizado anualmente para que se efetuem os ajustes necessários em consonância ao PPA e que o entregue ao Poder Legislativo na data prevista. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão um sistema de controle interno integrado para, conforme disposto no art. 74, I: “avaliar as metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos da União” (BRASIL, 1988a, s.p.). FIGURA 4 – OBJETIVOS DO PPA FONTE: <https://goo.gl/QPeVSo>. Acesso em: 7 dez. 2018. Ainda se tratando do art. 165 da Constituição Federal, o parágrafo primeiro determina que: <http://www.camara.leg.br/internet/comissao/index/mista/orca/ppa/ PPA_2016_2019/lei/SuplementoPPA_2016_01_14.pdf>. 53 Orçamento Público Capítulo 2 Art. 165 § 1º A lei que instituir o plano plurianual estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, os objetivos e as metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada (BRASIL, 1988a, s.p.). Portanto, todas as informações específicas referentes ao PPA estarão expressas em documentos públicos próprios. O PPA, com o orçamento fiscal dos entes federativos e o orçamento de investimento das empresas nas quais a União detenha maioria do capital social votante, terão, entre suas funções, a redução das desigualdades inter-regionais. Em nossos estudos, trouxemos exemplos do PPA publicado até a data vigente. É importante que você, como cidadão participativo, busque informações sobre o PPA do período de 2019 a 2022, que estará disposto em Lei Complementar posteriormente regulamentada por Decreto-Lei. O art. 167 da Constituição Federal brasileira veda investimentos com execução superior a um exercício financeiro sem que esteja previsto no PPA, prevendo crime de responsabilidade para tanto: “Art. 167. § 1º Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade” (BRASIL, 1988a, s.p.). Importa retomar que o PPA deve ser elaborado por cada ente federativo, isto é, União, Estados e Municípios e como compromisso para com os cidadãos brasileiros, o PPA não deve servir como um mero instrumento de obediência à Lei, mas, sim, como um plano de gestão fundamental para direcionar o orçamento e as finanças públicas. Cabe relembrar, também, que todas as demais ações do governo derivam do PPA e, portanto, deve ser criado com muito cuidado e com observância àquilo que é possível no cenário econômico, financeiro e político de cada ente governamental. 54 Responsabilidade Fiscal 3 Lei De Diretrizes Orçamentárias (LDO) Como já foi visto, o plano para os quatro anos de governo do Presidente da República é descrito no PPA, porém para se definir as metas e as prioridades dos anos para os orçamentos, é fundamental a existência de uma lei que faça esta ligação. Verifica-se que com o passar do mandato podem surgir novas e mais urgentes demandas do que as definidas no início do PPA. Assim, podemos dizer que a Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO - é o segundo instrumento a ser estudado dentro do orçamento, de uma forma geral. Ela estabelecerá como deverá ser feito o orçamento e quais são os gastos mais importantes para aquele período, ou seja, definir as metas e as prioridades da Administração Pública Federal, a fim de orientar a elaboração da Lei Orçamentária Anual - LOA. Conforme já descrito anteriormente, o PPA define grandes prioridades para os próximos quatro anos, porém ele precisa ser ajustado, pois nesse período de longo prazo podem ocorrer situações alheias à vontade do governo e a LDO será a responsável para fazer os ajustes necessários para a LOA, que efetivamente, realizará as ações a cada ano. Além disso, é a LDO que será responsável por separar e distribuir, ao longo dos quatro anos, a realização dos programas de governo já aprovados entre os anos na LOA, de maneira que o orçamento entre receitas e despesas fique equilibrado neste período de tempo. FIGURA 5 – LIGAÇÃO PPA - LDO - LOA FONTE: A autora Observamos, então, na Figura 5, que a LDO (planejamento tático) faz a ligação entre o PPA (planejamento estratégico) e a LOA (planejamento operacional). Para isso, existe uma série de regras para elaborar, organizar e executar o orçamento anual em consonância com o PPA. 55 Orçamento Público Capítulo 2 Você sabia que é a Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO - que indica quanto deverá ser o reajuste do salário-mínimo? Ela também traz o valor que o governo precisará poupar todo ano para conseguir pagar a dívida. A LDO define ainda regras, como a que proíbe o envio de dinheiro do Governo Federal para Organizações Não Governamentais - ONGs - que sejam comandadas por parentes de políticos. Por fim, podemos concluir que a LDO direciona toda e qualquer diretriz para o bom andamento dos orçamentos e das contas públicas, tentando minimizar o impacto aos cofres públicos. Para entendermos melhor e nos atualizarmos sobre a LDO, verifica-seque ela é regida, basicamente, pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF n° 101, de 4 de maio de 2000. Nessas duas legislações você encontrará todos os detalhes técnicos sobre os objetivos da LDO, vigência, prazos de elaboração, aprovação, execução e revisão, bem como as metas físicas e financeiras, entre outras especificações. Observe os Quadros 2 e 3 para conhecer as relações e as diferenças entre o PPA, a LDO e a LOA. QUADRO 2 – DIFERENÇAS BÁSICAS ENTRE O PPA, A LDO E A LOA Objetivos principais Tempo de vigência Período de elaboração Período de aprovação no âmbito do Poder Legislativo Período de execução/revisão Metas físicas e financeiras Espécies de planejamento FONTE: Adaptado de Mota (2009) 56 Responsabilidade Fiscal QUADRO 3 – PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE O PPA, A LDO E A LOA FATOR DIFERENCIADOR PPA LDO LOA Objetivos Principais Estabelecer as diretrizes, os objetivos e as metas da administração federal (estabelece as diretrizes de governo). Estabelecer as metas e as prioridades da administração federal e orientar a elaboração da LOA (estabelece diretrizes para organização e estruturação do orçamento anual). Estimar a receita e fixar a despesa. Tempo de vigência 4 anos (definido em função do mandato do Chefe do Poder Executivo, com um ano de lapso temporal). 18 meses (seis meses orientando a elaboração e doze meses orientando a execução e alteração da LOA). 1 ano (exercício financeiro). Período de elaboração 1° de janeiro a 31 de agosto do primeiro ano do mandato presidencial atual. 1° de janeiro a 15 de abril de cada ano. 18 de julho a 31 de agosto de cada ano. Período de aprovação no âmbito do Poder Legislativo 1° de setembro a 22 de dezembro do primeiro ano de mandato presidencial atual. 16 de abril a 17 de julho de cada ano. 1° de setembro a 22 de dezembro de cada ano. Período de execução/revisão 1° de janeiro do 2° ano do mandato presidencial atual até 31 de dezembro do primeiro ano do mandato presidencial subsequente. 18 de julho a 31 de dezembro, no tocante à orientação e elaboração da LOA. 1° de janeiro a 31 de dezembro do ano subsequente, quanto à orientação para execução e alteração da LOA. 1° de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. Metas físicas e financeiras As metas físicas e financeiras abrangem o período de 4 anos. As metas físicas alcançam apenas um ano. Não estabelece metas financeiras. As metas físicas e financeiras alcançam o período de um ano. Espécies de planejamento Representa o planejamento estratégico. Representa o planejamento tático. Representa o planejamento operacional. FONTE: Mota (2009, p. 28) 57 Orçamento Público Capítulo 2 Com relação aos objetivos, podemos afirmar que a LDO estabelece as metas e as prioridades da administração pública e orienta na elaboração da LOA, estabelecendo diretrizes de organização e estruturação do orçamento anual. São as regras previstas na LDO que ficarão vigentes, caso a LOA não consiga ser votada e aprovada nos devidos prazos. Já o período de vigência da LDO acaba sendo maior do que o ano civil, pois é de 18 meses. Esta Lei, em seus seis primeiros meses, passa orientando a elaboração da LOA e nos próximos doze meses serve para orientar a execução e possíveis alterações que possam ocorrer no orçamento anual. O Governo Federal tem de 1° de janeiro a 15 de abril de cada ano para elaborar a LDO. É neste período que serão analisados o PPA, as metas, as prioridades e os ajustes que deverão ser feitos, possíveis alterações na legislação tributária, bem como seus impactos nas receitas e despesas para os cofres públicos. Após este período de elaboração, o projeto da LDO deverá ser encaminhado para aprovação do Congresso Nacional. O Poder Executivo é responsável pelo envio até o dia 15 de abril. O Congresso Nacional, por sua vez, deverá analisar e aprovar para devolução para o Poder Executivo até o dia 17 de julho. Aqui tem um fato importante, pois o Congresso Nacional não poderá entrar em recesso antes de finalizada e aprovada esta etapa da LDO. Caso seja necessário alterar a LDO, vale lembrar que na CF/88, em seu art. 166, está claro que somente poderá haver emendas ao projeto de LDO caso estas sejam compatíveis com o PPA, pois podemos dizer que ela está subordinada ao PPA. FIGURA 6 - PRAZOS DE ENCAMINHAMENTO E DEVOLUÇÃO DA LDO FONTE: A autora Com a LDO aprovada pelo Congresso Nacional, então ela poderá orientar a elaboração da LOA entre o período de 18 de julho a 31 de dezembro e, no ano subsequente, de 1° de janeiro a 31 de dezembro, orientar a LOA com relação a sua execução ou alterações que possam vir a surgir. 58 Responsabilidade Fiscal Neste contexto, podemos afirmar que para completar o ciclo do PPA, que são de quatro anos, serão necessárias quatro LDOs, pois esta deverá ter o mesmo período do mandato presidencial. Aprofundando um pouco mais na legislação que trata da LDO, podemos observar o disposto no § 2°, do art. 165 da CF/88, onde a Lei deverá atender aos seguintes itens: I - Compreender as metas e as prioridades da Administração Pública Federal, incluindo as despesas de capital para o exercício subsequente: neste caso, o PPA define centenas de programas já aprovados para os quatro anos do mandato, a LDO verificará e analisará quais serão as prioridades e fará uma meta física para aquele exercício financeiro, ou seja, para a LOA executar. Por exemplo, no PPA consta que serão construídas 80.000 unidades habitacionais para a população de baixa renda. A LDO distribui essas 80.000 obras entre os quatro anos, ou seja, 20.000 unidades habitacionais serão construídas por ano. II - Orientar a elaboração da LOA: é a LDO que define a metodologia que deverá ser utilizada pelo Poder Executivo ao encaminhar o projeto de lei orçamentária ao Congresso Nacional, o qual deverá constar diversos trechos previstos em Lei, como: • O texto de lei. • Quadros orçamentários consolidados. • Anexos dos orçamentos fiscal, da seguridade social e de investimentos, discriminando as receitas e as despesas. • A discriminação da legislação da receita e despesas referentes aos orçamentos fiscal e da seguridade social. III - Dispor sobre alterações na legislação tributária: neste item, a LDO analisará a parte orçamentária dessas propostas de alterações na legislação tributária, ou seja, o estudo do impacto, bem como a estimativa das receitas. Muitas propostas de alterações da parte tributária que tramitam no Congresso Nacional, de uma maneira ampla, podem ser benéficas para algum setor ou parte da população, porém é necessário analisar os impactos que este projeto causará nos cofres públicos e nos orçamentos como um todo. Quando o orçamento é feito, já é estimado uma receita para o período, porém com base na legislação já existente e arrecadação de períodos anteriores, se ela se altera, isso pode ter um grande impacto e fazer com que o governo não consiga realizar todos os planos e metas já definidos. IV - Estabelecer a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento: essas agências de fomento servem para incentivar áreas específicas 59 Orçamento Público Capítulo 2 para a população. Elas têm como finalidade proporcionar o crescimento das pessoas e da economia do país. Neste sentido, podemos citar alguns exemplos: • Caixa Econômica Federal: com a redução de déficit habitacional e melhoria nas condições de vida de populações carentes. • Banco do Brasil: com o aumento na oferta de alimentos e produtos agrícolas, tanto dentro do país como para exportação. • Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal: por meio do estímulo à geração de empregos e ao aumento da oferta de produtos de consumo popular. • Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES: por meio do desenvolvimentode micro e pequenas empresas, estimulando as empresas nacionais com relação à competitividade no mercado, tanto interno quanto externo, além das mais variadas linhas de financiamento, como saúde, educação e infraestrutura. FIGURA 7 – EQUILÍBRIO ORÇAMENTÁRIO FONTE: <https://goo.gl/hGWXpj>. Acesso em: 7 dez. 2018. Além disso, a LRF 101/00 traz diversos dispositivos que mencionam a LDO, no qual podemos citar alguns tópicos mais importantes, conforme relacionado a seguir: a) Como o equilíbrio entre receitas e despesas. b) Os critérios e a forma de limitação do empenho. c) A relação da limitação do empenho: a LDO prevê os critérios para o Poder Executivo realizar esta limitação do empenho, no caso de os Poderes e Órgãos não o fazerem por ato próprio e nos montantes necessários. 60 Responsabilidade Fiscal d) Com relação às normas relativas ao controle de custos. e) Com relação às normas relativas à avaliação dos resultados dos programas financiados com os recursos dos orçamentos. f) Verificar as condições e as exigências para as transferências de recursos de entidades públicas e privadas. g) Verificar as condições para a destinação de recursos, direta ou indiretamente, com a finalidade de cobrir as necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas. h) Estabelecer a programação financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso. i) Fazer a concessão ou a ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária na qual decorra de renúncia de receita, bem como uma estimativa do impacto orçamentário-financeiro que isto causará aos cofres públicos. j) Verificar e analisar as despesas consideradas de caráter irrelevantes pela LDO. k) Incluir novos projetos na LOA, bem como a continuidade de projetos em andamento e a conservação e a manutenção de patrimônios públicos. Como visto anteriormente, a LDO é responsável por uma variedade de responsabilidades para fazer com que o governo consiga interligar o PPA e a LOA, para que se consiga realizar e tirar do papel o planejamento estratégico (PPA) e colocar em prática por meio do plano operacional (LOA) todas as demandas e prioridades definidas nos planos de governo. A LDO define e prevê, ainda, outras informações extremamente importantes, como: a) O montante da reserva de contingência, com base na Receita Corrente Líquida. b) A forma de utilização da Reserva de Contingência. c) Os limites para a entrega de recursos financeiros que podem ser utilizados com despesas de pessoal, obedecendo os limites máximos estipulados na LRF. d) As metas de resultados a serem alcançadas na execução orçamentária. e) A variação do índice de preços e situações em que será permitida a contratação de horas extras, isso quando o ente estiver acima dos limites de gastos com pessoal. f) Deverá integrar ao projeto da LDO os Anexos de Metas Fiscais e o Anexos de Riscos Fiscais. 61 Orçamento Público Capítulo 2 Receita Corrente Líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, deduzidos: • Na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal, e as contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição. • Nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional. • Na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira. Reserva de Contingência: é uma reserva cuja forma de utilização e montante é definida com base na receita corrente líquida, será estabelecida na lei de diretrizes orçamentárias, destinada ao atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos. Além disso, poderá ser utilizada para a abertura de créditos adicionais, desde que previsto e autorizado na LDO (BRASIL, 2000). Com relação aos anexos mencionados no item “f”, podemos verificar que no Anexo de Metas Fiscais “serão estabelecidas metas anuais, em valores correntes e constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal e primário e montante da dívida pública, para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes”, conforme descrito na LRF art. 4°, § 1°. Neste anexo, deverá conter ainda: I. A verificação do cumprimento das metas do ano anterior. II. O demonstrativo de metas anuais, com memória de cálculo, metodologia de cálculo, comparando as metas dos três exercícios anteriores, bem como a análise da consistência dessas metas com as premissas e os objetivos da política econômica nacional. III. A evolução do patrimônio líquido. IV. A avaliação da situação financeira e atuarial. V. O demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia da receita e da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art195ia http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art195ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art239 62 Responsabilidade Fiscal FI G U R A 8 – AN EX O D E M ET AS F IS C AI S FO N TE : B ra si l ( 20 09 ) 63 Orçamento Público Capítulo 2 Já o Anexo de Riscos Fiscais é onde serão avaliados os passivos contingentes e outros riscos que podem afetar as contas públicas, bem como as providências que deverão ser tomadas, caso se concretizem (BRASIL, 2000). FIGURA 9 – ANEXO DE RISCOS FISCAIS FONTE: Brasil (2009) 64 Responsabilidade Fiscal Atividade de Estudos: 1 De acordo com a Constituição Federal, em seu art. 166, § 4°, na Lei de Diretrizes Orçamentárias somente poderá haver emendas se: a) ( ) Aprovadas na Lei Orçamentária Anual. b) ( ) Tiverem receitas excedentes no período. c) ( ) Forem compatíveis ao Plano Plurianual. d) ( ) Indicarem recursos de despesas anuladas no período. e) ( ) Aprovadas no Plano Plurianual. Podemos verificar que a LDO tem um papel fundamental para o governo, pois ela é responsável pela integração do PPA com a LOA, bem como analisar e viabilizar os programas de governo, sem que, para isso, tenha um impacto grande para a população e aos cofres públicos ou, pelo menos, deve tentar minimizar isso. Para continuarmos nosso estudo dos orçamentos, verificaremos como funciona a parte operacional dos orçamentos, a LOA, que coloca em prática tudo que foi definido no PPA em consonância com as diretrizes da LDO. 4 Lei Orçamentária Anual (LOA) Como já visto durante este capítulo, a LOA é a parte operacional do orçamento público. É ela a responsável pela execução de tudo que foi planejado para os quatro anos do PPA. A LDO serve como um instrumento importantíssimo de ligação entre os planos estratégico e operacional, definindo todas as diretrizes para conseguir a realização de tudo que foi definido para os quatro anos do PPA. A Lei Orçamentária Anual - LOA - é a parte operacional dos três planos da União para organizar os orçamentos (PPA, LDO e LOA). É nesse orçamento que são estimadas as receitas e fixadas as despesas para o próximo ano. Esse orçamento diz respeito a todos os brasileiros, pois impacta diretamente em nossas vidas. Podemos dizer que o orçamento no Brasil é uma forma de instrumento que auxilia na transparência das contas públicas e, por isso, devemos acompanhar e fiscalizar. Assim, tal legislação é responsável pelo estabelecimento da metodologia a ser utilizada na realização do orçamento público. 65 Orçamento Público Capítulo 2 A LOA é regida, basicamente, pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964. Em seu art. 2°, esta Lei estabeleceu que “a Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de formaa evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do Governo, obedecidos os princípios de unidade, universalidade e anualidade”. Podemos verificar, então, que os objetivos da LOA são estimar as receitas e fixar as despesas. Fazendo isso, o governo consegue ter uma ideia se terá déficit ou superávit orçamentário. Neste sentido, pode-se partir para os planos de ação, para tentar reduzir as despesas do governo ou aumentar as receitas por meio de alterações na legislação tributária, sendo que neste último seu impacto é analisado na LDO. FIGURA 10 – CONTROLE DOS GASTOS PÚBLICOS FONTE: <https://goo.gl/4XCCD6>. Acesso em: 9 dez. 2018. Princípio da Unidade: o orçamento deverá ser um só, para possibilitar um maior conhecimento do fluxo de recursos orçamentários que compõem as finanças de determinado ente público num único contexto. Princípio da Universalidade: deve-se entender como sendo uma peça documental única, a qual englobará todas as receitas a serem arrecadadas e todas as despesas a serem realizadas em determinado período de tempo, com a finalidade de evitar que a arrecadação de algum recurso financeiro, bem como a sua aplicação, fuja à apreciação e aprovação do Poder Legislativo. Princípio da Anualidade: conforme estabelecido pelo art. 34 da Lei n° 4.320/64, “o exercício financeiro coincidirá com o ano 66 Responsabilidade Fiscal civil”, ou seja, o orçamento deverá compreender o período de 1° de janeiro a 31 de dezembro de cada ano (MOTA, 2009, p. 29-30, grifos nossos). Assim, os princípios determinam que haverá apenas um orçamento (Unidade), que englobará todas as receitas e despesas (Universalidade) e deverá compreender um ano, que coincide com o ano civil. A Constituição Federal de 1988 em seu art. 165, § 4° descreveu, ainda, o que precisa conter na LOA, sendo eles: I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público (BRASIL, 1988a). No orçamento fiscal estão grande parte das receitas e despesas do ente público. É por meio desse orçamento que são executadas as receitas tributárias (impostos, taxas e contribuições) e realizadas as despesas, como compras, pagamento de pessoa, entre outras. Já o orçamento de investimentos não está preocupado com as receitas e as despesas operacionais, mas, sim, com a previsão dos investimentos em estatais, na qual a União detenha, direta ou indiretamente, a maioria do capital social com direito a voto. Assim, nesse orçamento constam todas as empresas públicas e sociedades de economia mista. Por fim, o orçamento da seguridade social é aquele onde estão previstas as receitas e as despesas destinadas ao financiamento da saúde, assistência e previdência social. Nesse orçamento, as despesas executadas são vinculadas a uma finalidade específica, como as aposentadorias. A LOA tem como prazo de vigência o período de 1 (um) ano, o qual coincide com o exercício financeiro e com o ano civil. Nesse ano, serão colocadas em prática todas as realizações que o governo almejou, como obras e construções, reparos, auxílio à população, entre outros objetivos e metas já estipulados no PPA e na LDO para aquele ano. 67 Orçamento Público Capítulo 2 Para a realização da LOA, o Poder Executivo tem o período de 18 de julho a 31 de agosto de cada ano para elaborar e enviar ao Poder Legislativo o projeto de Lei. O Poder Legislativo, por sua vez, tem o período de 1° de setembro até 22 de dezembro para apreciar, emendar, votar e aprovar. Após este período, devolve-se para a sanção e publicação até o final do exercício financeiro, que entra em vigor no dia 1° de janeiro do próximo ano. Vale lembrar que o atraso na apreciação e votação da LOA não impede que o Poder Legislativo entre em recesso. Caso aconteça de eles não terem votado, ficará valendo as diretrizes que estão na LDO até que a LOA seja aprovada em caráter definitivo. FIGURA 11 – PRAZOS DE ENCAMINHAMENTO E DEVOLUÇÃO DA LOA FONTE: A autora Na LOA deverão conter todas as receitas e as despesas compatíveis com os objetivos do PPA e da LDO. Na LOA poderá conter, ainda, a autorização para o Executivo abrir créditos suplementares até determinado valor e realizar operações de crédito por antecipação da receita em qualquer mês, com a finalidade de atender a insuficiências de caixa. Atividade de Estudos: 1 Considere as seguintes afirmativas: I- A LOA compreenderá o orçamento fiscal, o orçamento de investimento e o orçamento da seguridade social. II- A LDO tem como finalidade orientar a elaboração dos orçamentos anuais de forma a adequá-los às diretrizes, aos objetivos e às metas estabelecidas no PPA. 68 Responsabilidade Fiscal III- O PPA compreenderá as metas e as prioridades da administração pública. IV- O PPA é um plano de longo prazo, por meio do qual procura- se ordenar as ações do governo que levam à realização dos objetivos e metas fixadas para um período de dez anos. V- A lei de orçamentos anuais é o instrumento utilizado para a materialização dos objetivos e ações que foram planejados visando ao atendimento e ao bem-estar da coletividade. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) III e IV. b) ( ) IV e V. c) ( ) I, II e IV. d) ( ) I, III e V. e) ( ) I, II e V. Podemos considerar como receita todo tributo (impostos, taxas e contribuições). Para fins de orçamento, essas receitas subdividem-se em duas categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. Receitas Correntes: são todas as receitas tributárias, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes (Lei 4.320, art. 11, § 1°). Receitas de Capital: são provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de constituição de dívidas; da conversão, em espécie, de bens e direitos; os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda, o superávit do Orçamento Corrente (Lei n° 4.320/64, art. 11, § 2°). Neste contexto, podemos dizer que as receitas correntes são todas aquelas que vêm de atividades operacionais do governo, como a arrecadação dos impostos e as taxas e contribuições que serão utilizadas para o custeio da atividade-fim do governo. Já as receitas de capital são provenientes de dívidas, bens e direitos, ou seja, não estão relacionadas à finalidade do governo e também não serão utilizadas para cobrir as despesas correntes. 69 Orçamento Público Capítulo 2 Assim como as receitas, as despesas também possuem classificações econômicas, podendo ser Despesas Correntes, que são as de custeio e de transferências correntes; ou Despesas de Capital, que são os investimentos, as inversões financeiras e as transferências de capital. A correta classificação de receitas e despesas na LOA é fundamental para conseguir comparar o superávit ou déficit da corrente ou de capital, para saber onde é necessário alterar o orçamento, para que assim haja o equilíbrio entre as contas governamentais. Para o orçamento anual, é importante ressaltar que ele coincida com o ano civil. Além disso, pertencem ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas e as despesas nele legalmente empenhadas (Lei n° 4.320/64, art. 35). O que pode ocorrer, ainda, são despesas empenhadas, porém, quando não pagasaté 31 de dezembro do ano, estas despesas chamamos de Restos a Pagar. O que são despesas empenhadas? O empenho, segundo a Lei n° 4.320/64, em seu art. 58, trata que “o empenho de despesa é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição”, ou seja, após empenhado, o Estado reconhece a dívida e tem obrigação de pagá-la ao fornecedor. Atividade de Estudos: 1 De acordo com o art. 35 da Lei 4.320/64, pertencem necessariamente ao exercício financeiro as receitas nele ___________ e as despesas nele legalmente ___________. Assinale a alternativa CORRETA que preenche as lacunas: a) ( ) Previstas / fixadas. b) ( ) Arrecadadas / liquidadas. c) ( ) Arrecadadas / empenhadas. d) ( ) Orçadas / empenhadas. e) ( ) Previstas / pagas. 70 Responsabilidade Fiscal No entanto, apesar de toda análise e planejamento, pode ocorrer, ainda, atos e fatos fortuitos ou alheios à vontade do governo. Nesse caso, a Lei previu a abertura de créditos adicionais, que tem como objetivo poder suprir necessidades imediatas que não estavam previstas nos orçamentos. Estes créditos adicionais estão subdivididos em três categorias, são elas: Suplementares: estes se destinam ao reforço de dotação orçamentária, porém a LOA deverá conter essa autorização expressa, bem como o valor máximo que poderá ser destinado à abertura deste tipo de crédito. Especiais: este crédito é destinado a atender despesas que não foram previstas no orçamento, ou seja, não possui crédito orçamentário específico. A abertura deste tipo de crédito precisa ser autorizada por lei. Extraordinários: está destinado a atender despesas imprevisíveis e urgentes, como guerras, comoção interna ou calamidade pública. FIGURA 12 – EVENTOS EXTRAORDINÁRIOS FONTE: <https://goo.gl/sdtuSz>. Acesso em: 7 dez. 2018. Como vimos, podem existir diversas situações que no momento da realização da LOA o governante não consegue prever, desta forma, a Lei precisou estabelecer, também, de onde são provenientes os recursos para cobrir esses créditos adicionais mencionados. 71 Orçamento Público Capítulo 2 No caso dos créditos suplementares ou especiais, a Lei n° 4.320/64, em seu art. 43, afirma que o legislador pontuou quais poderiam ser as fontes de recursos a serem utilizadas para cobrir a abertura desses créditos adicionais, que são: I - o superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior; II - os provenientes de excesso de arrecadação; III - os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais, autorizados em Lei; IV - o produto de operações de crédito autorizadas, em forma que juridicamente possibilite ao poder executivo realizá-las (BRASIL, 1964). Atualmente, os orçamentos podem ser acompanhados de perto por meio do Portal da Transparência, um site do governo que visa deixar bem claro tudo que está sendo feito pela sua população, inclusive a abertura de créditos adicionais e os restos a pagar. Você pode entrar e conferir por meio do site: <http://www. portaltransparencia.gov.br/>. Ao contrário da abertura de créditos adicionais, o art. 165, § 6° da CF/88 menciona que “o projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e as despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia” (grifo nosso). O que são esses termos? Isenção: deverá ser previsto em Lei que especifica condições e requisitos para que isso ocorra, ou seja, a Lei proíbe que o lançamento do imposto ocorra por determinada condição. Exemplo: o IPVA para cardiopatas (CTN, art. 176 a 179). Anistia: refere-se exclusivamente às infrações cometidas anteriormente a vigência da Lei que a concede, como infrações de legislação referentes a determinado tributo. Exemplo: o Imposto de Renda (CTN, art. 180 a 182). Remissão: a Lei autoriza o perdão total ou parcial do contribuinte, de acordo com alguns critérios descritos a seguir: http://www.portaltransparencia.gov.br/ http://www.portaltransparencia.gov.br/ 72 Responsabilidade Fiscal I - à situação econômica do sujeito passivo; II - ao erro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato; III - à diminuta importância do crédito tributário; IV - a considerações de equidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso; V - a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante (CTN, art. 172) (BRASIL, 1966, s.p.). Esse demonstrativo com essas receitas e despesas decorrentes de isenções, anistias, remissões, entre outros, é importante para o orçamento anual, pois impactará diretamente no resultado final deste orçamento. Na elaboração de um orçamento, é necessário que ele esteja o mais próximo possível da realidade, para não termos surpresas de falta de dinheiro nos cofres públicos para a realização de atividades básicas que não podem faltar para a população. FIGURA 13 – CICLO INTEGRADO DE PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO FONTE: Adaptada de Gontijo (2018) Visto todos esses procedimentos e conceitos relevantes para o estudo e a compreensão da matéria, estamos preparados para conseguir identificar, separar e analisar as diferenças entre o PPA, a LDO e a LOA. Todos têm suas 73 Orçamento Público Capítulo 2 importâncias para que o ciclo como um todo funcione corretamente e tudo saia como o planejado. Assim como o PPA e a LDO, o orçamento anual tem um papel primordial neste ciclo, pois é ele que realmente coloca em prática tudo o que foi planejado com os programas de governo. Além disso, com a execução durante o ano da LOA, conseguimos acompanhar não somente fisicamente, mas também pelo site do Portal da Transparência, conforme já mencionado anteriormente. Por fim, podemos concluir que o PPA, a LDO e a LOA estão todos interligados neste processo de orçar as receitas e as despesas dos entes públicos. Cada um com seus objetivos, prazos e prioridades, mas com os três em sintonia o país consegue dar conta de todas as suas demandas e auxiliar a população no que for preciso. Atividade de Estudos: 1 O que é o orçamento público? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2 O que é o Plano Plurianual? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3 O que é a Lei de Diretrizes Orçamentárias? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 4 O que é a Lei Orçamentária Anual? R.: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ___________________________________________________ 74 Responsabilidade Fiscal 5 Quais as principais diferenças entre o PPA, a LDO e a LOA? R.: FATOR DIFERENCIADOR PPA LDO LOA Objetivos Principais Tempo de vigência Período de elaboração Período de aprovação no âmbito do Poder Legislativo Período de execução/revisão Metas físicas e financeiras Espécies de planejamento Algumas Considerações Neste capítulo foram discutidos os principais pontos sobre o PPA, a LDO e a LOA. Um conjunto de objetivos, prazos e metas para a realização e a concretização dos orçamentos de acordo com um cronograma de governo previamente estabelecido. O PPA é um plano de médio prazo, visto como um Planejamento Estratégico elaborado pela administração pública. Sua elaboração preconiza a eficiência e a eficácia daquilo que foi proposto em campanhas eleitorais e que se compatibiliza com o cenário financeiro do ente federativo. OPPA, portanto, estabelece quais as diretrizes, quais os objetivos e quais as metas a serem seguidas pelo governo ao longo de um período de quatro anos. O PPA deve ser elaborado por todos os entes federativos. 75 Orçamento Público Capítulo 2 A LDO veio com o objetivo de estabelecer diretrizes e metas, bem como interligar o PPA, um plano maior e mais amplo, à LOA, que é um plano operacional no qual concretizará os programas e as ações já estabelecidas. É importante destacar que, além disso, a LDO analisa ainda projetos de alterações nas legislações tributárias, aumento de salário-mínimo e, até mesmo, quanto o governo deve poupar para conseguir pagar as suas dívidas. Tudo isso acompanhado de um relatório do impacto financeiro e orçamentário para os cofres públicos. Já a LOA visa colocar em prática todas as ações previstas nos programas de governo. Tudo que foi orçado e estimado pelo PPA e pela LDO, ela realiza. Portanto, conseguimos observar o comparativo do orçado versus o executado a partir deste momento, no qual o governo efetivamente está realizando as obras públicas e as benfeitorias para a população. Outra questão importante é que a LOA só poderá realizar a parte operacional do orçamento se suas diretrizes e objetivos estiverem de acordo com o PPA e a LDO. Se não estiver previsto o orçamento para determinada despesa, esta somente poderá ser realizada mediante abertura de créditos adicionais, isso se ela se enquadrar nos critérios. Caso contrário não serão realizadas aquelas despesas. No ramo da Contabilidade Pública fala-se muito em transparência, a fim de evitar desvios ou despesas que não tenham uma real necessidade de realização. Por isso que os orçamentos são fundamentais para o controle e a previsão tanto de receita quanto de despesa. Isso faz com que o governante realmente pense e considere todas as hipóteses e utilize os recursos públicos com consciência e para melhor atender à população. Referências BRASIL. Lei nº 13.249, de 13 de janeiro de 2016. Institui o Plano Plurianual da União para o período de 2016 a 2019. 2016a. Disponível em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/L13249.htm>. Acesso em: 17 nov. 2018. ______. Decreto-Lei nº 8.759, de 10 de maio de 2016. Regulamenta a Lei nº 13.249, de 13 de janeiro de 2016, que institui o Plano Plurianual da União para o período de 2016 a 2019. 2016b. Disponível em: <http://www.planejamento.gov.br/ assuntos/planeja/plano-plurianual/Decreton8759.pdf>. Acesso em: 16 nov. 2018. http://www.planejamento.gov.br/assuntos/planeja/plano-plurianual/Decreton8759.pdf 76 Responsabilidade Fiscal ______. Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. O que é o PPA? 2015. Disponível em: <http://www.planejamento.gov.br/servicos/faq/ planejamento-governamental/plano-plurianual-ppa/o-que-eacute-o-ppa>. Acesso em: 16 nov. 2018. ______. Secretaria do Tesouro Nacional. Manual de demonstrativos fiscais: aplicado à União e aos Estados, Distrito Federal e Municípios: anexo de riscos fiscais e anexo de metas fiscais / Ministério da Fazenda, Secretaria do Tesouro Nacional. 2. ed. Brasília: Secretaria do Tesouro Nacional, Coordenação-Geral de Contabilidade, 2009. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/ LCP/Lcp101.htm>. Acesso em: 18 nov. 2018. ______. Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá out- ras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/ Lcp101.htm>. Acesso em: 17 nov. 2018. ______. Constituição (1988). Constituição Federal. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988a. ______. Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. 1988b. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/conadc/1988/constituicao.adct-1988-5- outubro-1988-322234-publicacaooriginal-1-pl.html>. Acesso em: 16 nov. 2018. ______. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/ L5172.htm>. Acesso em: 18 nov. 2018. ______. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4320.htm>. Acesso em: 17 nov. 2018. GONTIJO, V. Instrumentos de planejamento e orçamento. 2018. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/cidadao/entenda/cursopo/ planejamento.html>. Acesso em: 18 nov. 2018. KOHAMA, H. Contabilidade pública: teoria e prática. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2016. 77 Orçamento Público Capítulo 2 MOTA, F. G. L. Contabilidade aplicada ao setor público. Brasília: Grupo Gestão Pública, 2009. SILVA, L. M. da. Contabilidade governamental: um enfoque administrativo da nova Contabilidade Pública. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2011. 78 Responsabilidade Fiscal CAPÍTULO 3 Transparência Sobre as Contas Públicas A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: Saber: neste capítulo o acadêmico compreenderá a transparência das Contas Públicas, sua legislação e as características das audiências públicas. Fazer: a partir dos conhecimentos discutidos neste capítulo, o acadêmico estará habilitado a instrumentalizar a publicidade das informações públicas. 80 Responsabilidade Fiscal 81 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 1 Contextualização Conforme visto nos capítulos anteriores, a Administração Pública possui processos para contabilização de suas receitas e despesas, bem como mecanismos de controle. Podemos citar a Lei de Responsabilidade Fiscal, que veio para trazer normas e diretrizes, bem como a transparência dessas contas, além dos orçamentos públicos, Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual, que servem como base para a realização dos planos de governo, estabelecendo prioridades sobre os gastos dos recursos públicos. Neste capítulo, abordaremos um outro tema relacionado ao setor público: a transparência sobre as contas públicas. Além de todos os mecanismos existentes e já estudados para prevenção de fraudes ou erros, bem como diretrizes para todos elaborarem e utilizarem a mesma metodologia, temos a Lei de Acesso à Informação, as Audiências Públicas e a Prestação de Contas. A Lei de Acesso à Informação é uma lei federal, compreenderemos o que é tal lei e quais as implicações para o controle social e a cidadania. É importante que você saiba que a Lei de Acesso à Informação - LAI - foi criada com o intuito de assegurar o direito de todos ao acesso às informações produzidas e armazenadas pelos órgãos e entidades pertencentes à Administração Pública. Por outro lado, as Audiências Públicas ocorrem com a finalidade de deixar a comunidade relatar problemas, bem como apresentar propostas e sugestões aos órgãos públicos para melhoria de todo o processo. É um direito concedido pela Constituição Federal de 1988, para que a população tenha um espaço para sua participação política, visando à comunicação de vários setores e interessados sobre determinado assunto. Nesse sentido, estudaremos, além de outras coisas, o que são as Audiências Públicas, quem deve participar e quando ocorrem. Por fim, a Prestação de Contas é a apresentação dos balanços e demonstrativos contábeis elaborados pela Administração Pública. Deixar esses documentos à disposição da população além de ser um meio de transparência, pode-se dizer que é um meio de acesso à informação, uma vez que toda a população interessada poderá verificar e analisar as contas públicas, como seu dinheiro está sendo gerido e utilizado pelo governo. Em resumo, esse capítulose dedica a pontuar as principais questões de publicidade da informação gerada pela Administração Pública, perpassando a Lei de Acesso à Informação, as Audiências Públicas e a Prestação de Contas. Vamos lá? 82 Responsabilidade Fiscal 2 Lei De Acesso À Informação No Brasil, atualmente, vivemos em uma democracia, um governo onde o povo tem soberania, direta ou indiretamente sobre o Estado como um todo (AURÉLIO, 2019). FIGURA 1 – LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO FONTE: <https://goo.gl/se2Uvr>. Acesso em: 2 fev. 2019. Com o advento da Constituição Federal de 1988, a população brasileira passou a ter diversos direitos garantidos por este documento. No que tange ao acesso à informação, em seu art. 5°, inciso XXXIII, nos trouxe essa garantia, quando escreveu: XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado (BRASIL, 1988, s.p.). XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado (BRASIL, 1988, s.p.). 83 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 Neste sentido, podemos dizer que todos têm direito ao acesso à informação, seja por interesse social, geral ou até mesmo privado. No entanto, existem exceções quanto às informações sigilosas, como quando diz respeito à segurança do Estado ou da sociedade. Podemos citar o vazamento de informações privilegiadas, as quais podem colocar em risco a segurança pública de uma determinada região ou até mesmo nacional, que prejudicará toda a sociedade. Assim, a Administração Pública elaborou e aprovou a Lei n° 12.527, de 18 de novembro de 2011, a qual regulamenta o acesso à informação com base no que a Constituição Federal de 1988 já previu, conforme descrito. Com relação às leis de acesso à informação, podemos citar como exemplo uma regulamentação específica do Distrito Federal, a Lei nº 4.990/2012. Após a promulgação desta lei, todos nós passamos a ter o direito do acesso à informação, que até então era prevista na Constituição Federal, porém não havia uma legislação que a regulamentasse. Passou a ser um dever do estado fornecer as informações, desde que não sejam sigilosas, a toda a população, antes mesmo de ela ser solicitada. Você sabia que existe um site no qual você consegue consultar e tirar todas as suas dúvidas sobre o acesso à informação? Além disso, você pode requerer informações que não tenha encontrado de maneira on-line, que eles te responderão. Saiba mais em: <http:// www.acessoainformacao.gov.br/>. A informação para ser importante e nos transmitir algo útil precisa ter algumas características, conforme demonstrado na Figura 2. 84 Responsabilidade Fiscal FIGURA 2 – CARACTERÍSTICAS DA INFORMAÇÃO TRANSPARENTE FONTE: Platt Neto (2018) Então a informação precisa ser: • Acessível: que todos tenham acesso de maneira facilitada. • Compreensível: que todos entendam o que está querendo ser passado, que o significado entendido por todos seja um só. • Relevante: que a informação repassada tenha importância, relevância para a pessoa interessada nela. A junção desses três elementos faz com que uma informação seja transparente e reflita o que realmente a Administração Pública deseja passar por meio dos seus demonstrativos contábeis ou todos os outros documentos que deixam à disposição da população para consulta. Aprofundando um pouco mais na Lei de Acesso à Informação podemos extrair melhor os dados que queremos analisar, bem como orientar a todos que estão a nossa volta. A Lei n° 12.527/2011 foi promulgada em 18 de novembro de 2011, porém só entrou em vigor a partir de 2012. Ela está dividida em seis capítulos, conforme pode ser visto no Quadro 1. 85 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 QUADRO 1 – CAPÍTULOS E SEÇÕES DA LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO Capítulo I – Disposições Gerais Sem seções Capítulo II – Do Acesso à Informação e da sua Divulgação Sem seções Capítulo III – Do Procedimento de Acesso à Informação Seção I – Do Pedido de Acesso Seção II – Dos Recursos Capítulo IV – Das Restrições de Acesso à Informação Seção I – Disposições Gerais Seção II – Da Classificação da Informação quanto ao Grau e Prazos de Sigilo Seção III – Da Proteção e do Controle de Informações Sigilosas Seção IV – Dos Procedimentos de Classificação, Reclassificação e Desclassificação Seção V – Das Informações Pessoais Capítulo V – Das Responsabilidades Sem seções Capítulo VI – Disposições Finais e Transitórias Sem seções FONTE: A autora A partir desse quadro podemos verificar que esta lei foi criada com o intuito de deixar a informação mais transparente e ao acesso de todos, mesmo que tendo suas exceções, a fim de resguardar a Administração Pública. A seguir, discorreremos sobre cada capítulo desta lei e o que ela nos traz de informações. 2.1 Lei De Acesso À Informação – Capítulo I: Disposições Gerais Neste primeiro capítulo demonstram-se algumas situações gerais a respeito desta Lei, como a abrangência dela pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Além disso, entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos para a realização de ações de interesse público também precisam relatar todas as informações e prestações de contas. 86 Responsabilidade Fiscal FONTE: A autora Em seu artigo 3° são trazidos os princípios básicos, bem como as diretrizes estabelecidas pela Administração Pública e que regulamentam o acesso à informação, sendo eles: • A publicidade como sendo a regra geral, tendo como exceção o sigilo em determinados casos. • A divulgação de informações, independente de serem realizadas solicitações para isso. • A utilização de meios de comunicação, como a internet, para facilitar o acesso à informação por meio da tecnologia. • O estímulo ao desenvolvimento da cultura de transparência por toda a Administração Pública. • Por fim, o controle social por parte das entidades públicas. Além disso, ela nos traz conceitos importantes que devem ser listados para o melhor entendimento da legislação como um todo, conforme consta no seu art. 4° e transcrito a seguir: I - informação: dados, processados ou não, que podem ser utilizados para produção e transmissão de conhecimento, contidos em qualquer meio, suporte ou formato; II - documento: unidade de registro de informações, qualquer que seja o suporte ou formato; III - informação sigilosa: aquela submetida temporariamente à restrição de acesso público em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado; FIGURA 3 – PRINCÍPIOS BÁSICOS E DIRETRIZES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 87 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 IV - informação pessoal: aquela relacionada à pessoa natural identificada ou identificável; V - tratamento da informação: conjunto de ações referentes à produção, recepção, classificação, utilização, acesso, repro- dução, transporte, transmissão, distribuição, arquivamento, ar- mazenamento, eliminação, avaliação, destinação ou controle da informação; VI - disponibilidade: qualidade da informação que pode ser conhecida e utilizada por indivíduos, equipamentos ou sistemas autorizados; VII - autenticidade: qualidade da informação que tenha sido produzida, expedida, recebida ou modificada por determinado indivíduo, equipamento ou sistema; VIII - integridade: qualidade da informação não modificada, inclusive quanto à origem, trânsito e destino; IX - primariedade: qualidade da informação coletada na fonte, com o máximode detalhamento possível, sem modificações (BRASIL, 2011, s.p., grifos nossos). Por fim, esta Lei veio para garantir o acesso à informação, de maneira que ela seja transmitida com clareza, transparência, objetividade e com uma linguagem de fácil compreensão. 2.2 Lei De Acesso À Informação – Capítulo II: Do Acesso À Informação E Da Sua Divulgação O capítulo II tem como referência os arts. 6° ao 9°, que tratam sobre o acesso à informação e as formas de divulgação. Os órgãos da Administração Pública deverão ter normas e procedimentos para uma gestão transparente da informação, bem como deixando o acesso a ela de maneira ampla e descomplicada. Além disso, deve-se garantir a proteção da informação sigilosa e pessoal, bem como garantir sua disponibilidade, autenticidade e integridade. 88 Responsabilidade Fiscal FIGURA 4 – DIVULGAÇÃO DA INFORMAÇÃO FONTE: <https://plixs.com/photo/3853/thinking-about-marketing>. Acesso em: 2 fev. 2019. Nesta Lei também são tratados os direitos referentes a estas informações, em seu art. 7°, como citados a seguir: I - orientação sobre os procedimentos para a consecução de acesso, bem como sobre o local onde poderá ser encontrada ou obtida a informação almejada; II - informação contida em registros ou documentos, produzidos ou acumulados por seus órgãos ou entidades, recolhidos ou não a arquivos públicos; III - informação produzida ou custodiada por pessoa física ou entidade privada decorrente de qualquer vínculo com seus órgãos ou entidades, mesmo que esse vínculo já tenha cessado; IV - informação primária, íntegra, autêntica e atualizada; V - informação sobre atividades exercidas pelos órgãos e entidades, inclusive as relativas a sua política, organização e serviços; VI - informação pertinente à administração do patrimônio público, utilização de recursos públicos, licitação, contratos administrativos; e VII - informação relativa: a) à implementação, acompanhamento e resultados dos programas, projetos e ações dos órgãos e entidades públicas, bem como metas e indicadores propostos; 89 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 b) ao resultado de inspeções, auditorias, prestações e tomadas de contas realizadas pelos órgãos de controle interno e externo, incluindo prestações de contas relativas a exercícios anteriores (BRASIL, 2011, s.p.). Independente da solicitação por meio de requerimentos, a informação deverá estar em local de fácil acesso, desde que sejam informações de interesses coletivos ou gerais. Estas informações podem ser: • Registros de horários de atendimentos, locais, telefones, contatos, ou seja, que se referem à estrutura organizacional das entidades públicas. • Quaisquer tipos de informações financeiras, despesas, repasses, entre outros. • Referentes a processos licitatórios, bem como editais, processos seletivos, resultados e os contratos firmados. • Dados gerais sobre os programas de governos, suas ações realizadas, projetos, obras, entre outros. • Perguntas e respostas realizadas pela sociedade, a fim de facilitar o esclarecimento de dúvidas. Por fim, podemos dizer que os órgãos da Administração Pública precisam assegurar o acesso às informações, criando locais de atendimento próprios para essas situações, onde a população será orientada e atendida, poderá saber sobre a tramitação de documentos, bem como protocolizar documentos e requerimentos de acesso à informação. 2.3 Lei De Acesso À Informação – Capítulo III: Do Procedimento De Acesso À Informação Este capítulo trata do procedimento administrativo para solicitação de acesso à informação que não esteja disponível pela internet ou entidades públicas responsáveis. Neste caso precisará ser feito um pedido ao órgão ou entidade pública, o qual deverá conceder acesso imediato à informação que estiver disponível. Caso não esteja disponível, a entidade terá o prazo de 20 dias, podendo ser prorrogado por mais 10 dias para realizar a busca e ceder para o requerente. A informação, nesse caso, só não será concedida caso seja sigilosa. 90 Responsabilidade Fiscal FIGURA 5 – ACESSO À INFORMAÇÃO FONTE: <https://plixs.com/photo/802/people-adult-station>. Acesso em: 2 fev. 2019. Passando este prazo e o órgão ou entidade pública ainda não forneceu a informação necessária, pode-se entrar com um recurso por um prazo de 10 dias a partir da sua ciência. A entidade pública responsável terá o prazo de 5 dias para te dar um retorno. Este poderá ser aceito ou negado. Caso seja aceito, situação resolvida, pois o requerente conseguiu as informações desejadas. Em caso negativo, o requerente poderá, ainda, recorrer para a Corregedoria-Geral da União, pelo prazo de 5 dias, nos seguintes casos previstos no art. 16 desta Lei: I - o acesso à informação não classificada como sigilosa for negado; II - a decisão de negativa de acesso à informação total ou parcialmente classificada como sigilosa não indicar a autoridade classificadora ou a hierarquicamente superior a quem possa ser dirigido pedido de acesso ou desclassificação; III - os procedimentos de classificação de informação sigilosa estabelecidos nesta Lei não tiverem sido observados; e IV - estiverem sendo descumpridos prazos ou outros procedimentos previstos nesta Lei (BRASIL, 2011, s.p.). Se mesmo assim for negado, o requerente poderá, ainda, recorrer para uma Comissão Mista de Reavaliação de Informações e, subsidiariamente, poderá 91 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 recorrer a Lei n° 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. FIGURA 6 – PROCEDIMENTO DO ACESSO À INFORMAÇÃO FONTE: A autora Neste capítulo da Lei demonstramos diversas formas de negação ao acesso à informação, porém, isso são exceções. Na verdade, o intuito desta Lei é realmente garantir o acesso à informação, mas podem existir alguns problemas neste percurso, caso a informação desejada seja sigilosa ou de extrema complexidade para ser alcançada. 2.4 Lei De Acesso À Informação – Capítulo IV: Das Restrições De Acesso À Informação Como já visto nos capítulos anteriores, a informação não poderá ser negada e é um direito de todos. No entanto, existem algumas informações que possuem caráter sigilosos e que são imprescindíveis à manutenção do sigilo, para não colocar em risco a segurança da sociedade e do próprio Estado. Na Lei de Acesso à Informação, em seu art. 23 são citadas as classificações de informações que podem ser consideradas como sigilosas: 92 Responsabilidade Fiscal I - pôr em risco a defesa e a soberania nacionais ou a integridade do território nacional; II - prejudicar ou pôr em risco a condução de negociações ou as relações internacionais do país, ou as que tenham sido fornecidas em caráter sigiloso por outros Estados e organismos internacionais; III - pôr em risco a vida, a segurança ou a saúde da população; IV - oferecer elevado risco à estabilidade financeira, econômica ou monetária do país; V - prejudicar ou causar risco a planos ou operações estratégicos das Forças Armadas; VI - prejudicar ou causar risco a projetos de pesquisa e desenvolvimento científico ou tecnológico, assim como a sistemas, bens, instalações ou áreas de interesse estratégico nacional; VII - pôr em risco a segurança de instituições ou de altas autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares; ou VIII - comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações (BRASIL, 2011, s.p). Além disso, essas informações sigilosas possuem um prazo máximo de restrição, dependendo da classificação recebida. Ela poderá ser ultrassecreta, secreta ou reservada. Com relação aos prazos de restrição, podem ser verificados na Figura 7, a seguir. FIGURA 7 – PRAZO MÁXIMO DE RESTRIÇÃO PARA O ACESSO À INFORMAÇÃO FONTE: A autora Assim, passado esteprazo, essas informações também estarão disponíveis para o acesso de toda a população. 93 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 2.5 Lei De Acesso À Informação – Capítulo V: Das Responsabilidades Como em qualquer regulamento, esta Lei prevê, ainda, a responsabilidade por atos que não estão de acordo com esta legislação, bem como a aplicação de sanções para o agente público ou militar que desrespeitar esta Lei. O desrespeito à Lei por conduta de atos ilícitos realizados por agentes públicos ou militares podem ser: • Recusar-se a fornecer informações à população. • A utilização indevida de informação do governo. • Agir com dolo ou má-fé. • Divulgar ou permitir o acesso a informações de caráter sigiloso. • Impor sigilo a uma informação que não é sigilosa, ou seja, é de acesso livre a toda a população interessada. • Destruir ou subtrair informações, entre outros. Caso algum ato ilícito ocorra, esta Lei descreveu medidas e sanções para responsabilizar as pessoas que o fizeram, conforme descrito em seu art. 33 e transcrito a seguir: I - advertência; II - multa; III - rescisão do vínculo com o poder público; IV - suspensão temporária de participar em licitação e impedimento de contratar com a administração pública por prazo não superior a 2 (dois) anos; e V - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a administração pública, até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a penalidade (BRASIL, 2011, s.p.). Assim, passamos para o último capítulo desta Lei, sobre as disposições finais e transitórias. 2.6 Lei De Acesso À Informação – Capítulo Vi: Disposições Finais E Transitórias Neste capítulo, a Lei apresenta somente disposições finais e transitórias, em que são abordados assuntos como a instituição da Comissão Mista de 94 Responsabilidade Fiscal Reavaliação de Informações, que informará sobre as classificações e o tratamento das informações sigilosas. Você poderá acessar e solicitar mais informações sobre a Administração Pública pelo site: <https://esic.cgu.gov.br/sistema/site/ index.aspx>. Além disso, o Capítulo VI trata também sobre outras comissões e seus objetivos. FIGURA 8 – LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO: COMO OCORRE FONTE: <https://plixs.com/photo/795/business-adult-people- office-indoors>. Acesso em: 2 fev. 2019. Percebe-se que este é um Capítulo de encerramento, inerente a qualquer legislação brasileira. Pontua-se informações importantes que devem ser observadas no tangente às informações sigilosas. Este é um conteúdo importante 95 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 de ser abordado, pois, apesar de compreendermos que a informação pública deve ser de conhecimento de todos, em alguns casos é imprescindível que haja discernimento sobre o que deve ser ou não publicado. Aqui encerra-se o estudo acerca da Lei de Acesso à Informação, em que tratamos diversos dispositivos e explanamos um pouco mais sobre o assunto. 3 Audiências Públicas A Audiência Pública é um instrumento de participação popular, no qual há a previsão da realização de encontros com participação ativa dos cidadãos. O objetivo de uma Audiência Pública é a possibilidade do debate das demandas sociais e efetividade dos direitos coletivos. Por meio de tais encontros, há o exercício da cidadania e a sociedade civil pode exercer seu controle sobre a Administração Pública. FIGURA 9 – AUDIÊNCIAS PÚBLICAS A Audiência Pública é um instrumento de participação popular, no qual há a previsão da realização de encontros com participação ativa dos cidadãos. O objetivo de uma Audiência Pública é a possibilidade do debate das demandas sociais e efetividade dos direitos coletivos. FONTE: <https://plixs.com/photo/4431/public-speaking>. Acesso em: 2 fev. 2019. A Audiência Pública tem previsão legal instituída pela Constituição Federal de 1988 e também por Leis Federais, constituições estaduais e leis orgânicas municipais. Assim, torna-se um espaço onde tanto o Poder Executivo quanto o Legislativo (ou o Ministério Público) expõem temas sobre formulação de políticas públicas. 96 Responsabilidade Fiscal Uma Audiência Pública é um meio de a população e o Estado estreitarem suas relações, pois possibilita a conversa entre ambos. Você, leitor, consegue compreender a importância de haver uma conversa entre governo e governados sobre aquilo que importa e afeta a ambos? Isso é muito importante! Assim, o objetivo dessas Audiências Públicas consiste em estabelecer um caminho de diálogo entre a comunidade e os gestores públicos. O objetivo maior das audiências é incentivar os presentes na busca de soluções de problemas públicos. Políticas públicas constituem-se por conjuntos de programas, ações e decisões realizadas pelos entes federativos que buscam assegurar os direitos previstos no art. 5º da Constituição Federal brasileira. Portanto, uma política pública pode ser tanto uma motivação para novas ações de benefício social ou para a resolução de um problema encontrado. Ela pode ser uma política de Estado, que é a política assegurada pela Constituição e que não se vincula a um governo específico; ou pode ser uma política de Governo, que decorre de um plano de governo específico. Você conhece o Programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal? Ele é um exemplo de política pública criado para reduzir os déficits habitacionais em nosso país. Assim, além de constituírem reuniões de participação popular, as Audiências Públicas centram-se em decisões de políticas públicas para a população brasileira. É importante destacar, ainda, que as Audiências Públicas não são realizadas somente para discutir propostas, mas também para discutir os resultados de políticas públicas já existentes. Nesse sentido, em audiências públicas, entra em discussão a elaboração de um projeto de Lei ou de obras e eventos visando os benefícios das pessoas e do meio no qual estão inseridas. Isso significa que são mecanismos de participação popular. De acordo com o Instituto Pólis (2005, s.p.), A realização de Audiências Públicas é um dever dos órgãos públicos e um direito dos cidadãos. É uma forma importante de a sociedade civil fazer parte das decisões do Estado, 97 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 influenciando-o e controlando-o. Por meio delas, o Estado disponibiliza informações, esclarece dúvidas, abre debates e presta contas à sociedade sobre ações e projetos públicos de relevante impacto ou interesse social. Destaca-se ainda que tais audiências são incentivadas a partir dos princípios do planejamento e da transparência. De acordo com Platt Neto (2018, p. 153), “a transparência aparece na LRF não apenas na forma de um mecanismo para que a sociedade possa tomar conhecimento das contas públicas, dos orçamentos e das ações governamentais. Este princípio é mais amplo que o princípio constitucional da publicidade”. FIGURA 10 – AUDIÊNCIAS PÚBLICAS: CONVERSA ENTRE A COMUNIDADE E O GOVERNO FONTE: <https://plixs.com/photo/2861/silhouette-people- man-black-art>. Acesso em: 2 fev. 2019. Portanto, decorrente de uma estratégia de permitir que todos tenham acesso à informação, as audiências públicas vêm ao encontro dessa ideia, permitindo que a população tenha acesso não só ao resultado daquilo que ocorre na gestão pública, mas que faça parte de todo um processo de discussão e decisão daquilo que é importante - e é visto como importante - para a sociedade. Agora que você já sabe o que é uma Audiência Pública, vamos entender como ela ocorre? 98 Responsabilidade Fiscal 3.1 Responsáveis Pela Realização Da Audiência Pública Uma Audiência Pública será realizada apenas por órgãos públicos. No entanto, a população pode requisitar ao Poder Executivo ou Legislativo ou ao Ministério Público a realização de Audiência para que sejam discutidos temas que demandamespecial atenção dos gestores públicos. 3.2 Quem Pode Participar Da Audiência Pública Como o próprio nome orienta, a Audiência é Pública. Portanto, todos os cidadãos podem participar de audiências. É relevante, no entanto, que estejam presentes as pessoas impactadas pela política pública ou pelo projeto que será discutido, pois são estas que mais podem contribuir para a compreensão do que é necessário e do que é viável. Nesse sentido, é importante que haja uma ampla divulgação, principalmente nos espaços de grande circulação de massas. FIGURA 11 – PARTICIPAÇÃO POPULAR NAS AUDIÊNCIAS PÚBLICAS FONTE: <https://goo.gl/U95Ziz>. Acesso em: 2 fev. 2019. 99 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 A presença de autoridades competentes e de pessoas especialistas é muito importante para que possa haver uma articulação entre aquilo que é demandado e aquilo que é permitido diante do contexto político e econômico do momento. O Instituto Pólis (2005, s.p.) destaca que “a presença da imprensa é um fator que pode ajudar a dar visibilidade tanto para a discussão como para os argumentos utilizados pela população. Além disso, os meios de comunicação também auxiliam a fiscalização e podem, dessa maneira, garantir o respeito aos resultados da Audiência”. É um direito de todos a participação nas Audiências Públicas. No entanto, a população deveria vislumbrar tal situação como uma obrigação, pois se delegarmos às autoridades competentes a criação de políticas públicas e de projetos para a nossa sociedade e não nos manifestarmos quanto àquilo que é necessário e que nos afeta, como poderemos cobrar de nossos governantes? É importante que tenhamos um papel ativo em nossa sociedade, exercendo a cidadania e contribuindo com o desenvolvimento justo do local no qual nos inserimos. É muito importante destacar que a participação nas audiências públicas é uma forma democrática de participação popular e, portanto, é muito importante que os cidadãos se envolvam e participem. 3.3 Como Ocorrerá A Audiência Pública Primeiramente, deve haver uma divulgação prévia da audiência pública por meio de um edital de convocação pelo órgão competente no Diário Oficial. Nessa divulgação, deve-se informar o tema que será discutido, quando e onde se realizará a audiência. Assim, a população interessada pode se organizar para participar. Uma audiência pública geralmente ocorre em um período ou dia e é coordenada por um órgão competente ou um conjunto de entidades da sociedade 100 Responsabilidade Fiscal civil. Deve-se também ser delimitada a forma como ocorrerá a audiência: quais temas serão discutidos e quanto tempo a população terá para interceder e explanar suas opiniões. QUADRO 2 – ORGANIZAÇÃO DE UMA AUDIÊNCIA PÚBLICA • Publicação do edital de convocação pelo órgão competente no Diário Oficial, inclusive mediante divulgação nos meios de comunicação disponíveis (com a antecedência prevista na legislação vigente da realização da audiência pública, contendo: data, horário, local, objetivo e a dinâmica dos trabalhos). • O órgão público deve deixar disponível para consulta pública, com o máximo de antecedência e acessibilidade, informações a respeito da questão a ser discutida na Audiência. • Definir como será a dinâmica da Audiência, em que ordem os temas serão discutidos, quanto tempo será reservado para cada intervenção dos participantes, qual será a duração da Audiência, e garantir que os participantes tenham o direito de se manifestar sobre o tema, expondo seus pontos de vista de maneira justa e adequada. • Envio de convites para autoridades e lideranças que comporão a mesa. • Envio de convites para autoridades e lideranças em geral. • Fixação de cartazes em locais de intenso fluxo de pessoas, como unidades de saúde, escolas, terminais rodoviários e prédios públicos. • Elaboração de listas de presença geral e de autoridades. • Lista dos inscritos para manifestação oral. FONTE: Pereira (2016, s.p.) A ideia central de uma Audiência Pública consiste na organização de um tema ou projeto de interesse público, permitindo que a população presente se manifeste sobre tal. Existem audiências públicas para os mais diferentes motivos: saúde, educação, meio ambiente, contratos, reforma da previdência, reforma política etc. É de competência dos órgãos públicos a realização de Audiências Públicas, mas você sabe quando elas ocorrem? É obrigatória a existência de alguma Audiência Pública? A partir de agora, saberemos quando ocorrerão tais Audiências. 101 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 3.4 Quando Ocorrerá A Audiência Pública A partir da legislação vigente, o Quadro 3 aponta os casos nos quais haverá Audiência Pública. Confira: QUADRO 3 – QUANDO HAVERÁ AUDIÊNCIA PÚBLICA • No início do processo de licitação, sempre que o valor estimado for superior a 100 vezes o limite previsto pela mesma lei (Lei Federal nº 8666/1993). • Nos casos de processos de licenciamento ambiental que provoquem significativo impacto ambiental, como para a construção de hidrelétricas, presídios, lixões etc., sempre que o órgão ambiental julgar necessário, ou quando for solicitado por entidade civil, pelo Ministério Público ou por 50 ou mais cidadãos (Resolução nº 009/1987 do CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente). • Para debater os temas necessários para o poder público em qualquer momento de um processo administrativo (Lei Federal nº 9784/1999). • Na demonstração e avaliação do cumprimento das metas fiscais de responsabilidade do Poder Executivo (prestação de contas) para cada quadrimestre. Essas deverão acontecer no final dos meses de maio, setembro e fevereiro de cada ano (Lei de Responsabilidade Fiscal - Lei Complementar n° 101/2000). • No processo de elaboração do Plano Diretor e discussão de projetos de grande impacto (Estatuto da Cidade - Lei Federal nº 10.257/2001 e Resolução nº 25 do Conselho Nacional das Cidades). • Para a garantia dos direitos difusos e coletivos junto aos órgãos públicos dos poderes Executivo e Legislativo, realizadas pelo Ministério Público (Lei Federal nº 8.625/1993). FONTE: Pólis (2005, s.p.) Além disso, há a obrigatoriedade de realização de Audiências Públicas durante o planejamento municipal nas questões que dizem respeito à seguridade social, saúde pública, formulação de políticas e de ações de assistência social e do meio ambiente. Assim, o Poder Executivo deve realizar Audiências Públicas para a discussão de tais temáticas (PÓLIS, 2005). Para o Poder Legislativo, é previsto que as comissões temáticas (de Desenvolvimento Urbano, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia etc.) do Senado Federal, da Câmara de Deputados, da Assembleia Legislativa Estadual e Câmaras de Vereadores realizem Audiências Públicas durante o processo de elaboração da legislação (PÓLIS, 2005). 102 Responsabilidade Fiscal De acordo com Pereira (2016, s.p.): Historicamente, as audiências públicas têm sido espaços de debate de diversos assuntos de reconhecida importância, como a mudança e melhorias de grande porte nas infraestruturas das cidades, criação de leis, assuntos relacionados à regulação (liberação de medicamentos, serviços de telefonia, água, eletricidade etc.), orçamento, impactos ambientais, segurança pública, formulação e revisão de planos diretores. Portanto, são fundamentais para o desenvolvimento e a manutenção de uma sociedade mais igualitária, mais digna e inclusiva. Novamente, alertamos para o fato de que uma Audiência Pública só produz resultados se houver a participação e a colaboração da sociedade. 4 Prestação De Contas A utilização de recursos públicos e a prestação de contas constituem-se como pautas importantes de preocupação e discussão na sociedade atual, pois recorrentemente vemos escândalos de corrupção, desvios de recursos e má aplicação do erário público. A prestação de contas faz parte dos princípiosde governança e relaciona-se com o compromisso do gestor público de agir com transparência e de postar à população como decorre(u) a gestão pública em um exercício. FIGURA 12 – PRESTAÇÃO DE CONTAS FONTE: <https://goo.gl/JVskzc>. Acesso em: 2 fev. 2019. 103 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 A incessante busca de melhores formas de prestar contas ao público busca fortalecer tanto os controles internos da gestão pública quanto a consciência dos gestores sobre a transparência de seus atos. Assim, destaca-se o papel do controle social na perspectiva da prestação de contas. O controle social consiste na participação das pessoas na gestão pública, fiscalizando, monitorando e controlando as ações da Administração Pública. É uma forma de a população exercer sua cidadania. A prestação de contas é matéria constitucional e o artigo 70 da Constituição Federal de 1988 determina que: Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária (BRASIL, 1988, s.p.). Nesse sentido, uma entidade que recebe recursos, públicos ou privados, precisa responder a seus financiadores onde e como foi aplicado tal valor. Essa resposta é denominada prestação de contas. FIGURA 13 – PRESTANDO CONTAS FONTE: <https://goo.gl/LWuit8>. Acesso em: 2 fev. 2019. 104 Responsabilidade Fiscal Desta forma, atente para a finalidade da prestação de contas, que consiste em evidenciar aos provedores de recursos que os objetivos e metas delimitados foram realizados e, para tanto, foram observadas as leis e as práticas vigentes. A prestação de contas, portanto, é um processo no qual, dentro de prazos determinados, uma organização está obrigada a comprovar a órgão competente a movimentação ou a utilização de bens, numerários e valores à instituição confiados (SILVA, 2008). Platt Neto (2018, p. 153) pontua, no entanto, que “a mera divulgação, sem que se torne o conteúdo minimamente compreensível para a sociedade não é transparência”. Portanto, deve haver um esforço dos responsáveis pela prestação de contas para que essa informação seja compreensível. 4.1 O Que A Contabilidade Tem A Ver Com A Prestação De Contas? Nesta disciplina, você estudou a Lei de Responsabilidade Fiscal. Tal legislação fortalece o exercício de uma gestão consciente por meio de ações planejadas do poder público e por meio da obrigatoriedade de transparência dos atos públicos. Existem alguns documentos demandados pela LRF, por exemplo, que compreendem uma forma de o poder público prestar contas à população, como o Relatório Resumido da Execução Orçamentária - RREO - e o Relatório de Gestão Fiscal - RGF. No Capítulo 1 de nosso Livro de Responsabilidade Fiscal, você estudou todos os aspectos da Lei de Responsabilidade Fiscal, inclusive alguns aspectos sobre estes relatórios. Caso tenha dúvidas, busque em seu material o conteúdo referente ao RREO e ao RGF! Correspondendo ao que aponta Platt Neto (2018) sobre a informação ser clara, a LRF prevê que estes relatórios sejam elaborados em linguagem simples e A prestação de contas, portanto, é um processo no qual, dentro de prazos determinados, uma organização está obrigada a comprovar a órgão competente a movimentação ou a utilização de bens, numerários e valores à instituição confiados (SILVA, 2008). 105 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 objetiva, permitindo que a população não demande de conhecimento técnico para compreender o que está sendo evidenciado. FIGURA 14 – A PRESTAÇÃO DE CONTAS COMO PROCESSO SOCIAL FONTE: <https://plixs.com/photo/4126/adsense-earnings>. Acesso em: 2 fev. 2019. O Conselho Federal de Contabilidade - CFC (2016), por meio da Norma Brasileira de Contabilidade Técnica aplicada ao Setor Público - NBC TSP; Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Informação Contábil de Propósito Geral pelas Entidades do Setor Público (NBC TSP Estrutura Conceitual), aponta que a principal função dos governos e de outras entidades do setor público é a de fornecer serviços que aprimorem ou mantenham o bem-estar dos cidadãos e dos outros indivíduos. Nesse rol de serviços, contemplam-se a saúde, a educação, as políticas públicas etc. Desta maneira, compete ao setor público e aqueles que o representam, trabalhar em prol da população. A Contabilidade faz parte desse processo realizado no setor público e fica responsável pelo registro e controle do patrimônio e das contas públicas. A partir do exposto, depreende-se que a Contabilidade deve permitir a seus usuários o conhecimento da gestão e do patrimônio público. Nesse contexto, a prestação de contas decorre também de um processo contábil e precisa apresentar consonância com o disposto nesta disciplina. 106 Responsabilidade Fiscal 4.2 Como A Contabilidade Participa Do Processo De Prestação De Contas? A Contabilidade aplicada ao Setor Público é responsável pela emissão dos Relatórios Contábeis de Propósito Geral e, por meio deles, informa a seus usuários quais as movimentações e alterações que ocorreram no setor público em um período de tempo. A partir desses relatórios, a Contabilidade Pública subsidia e contribui para a tomada de decisão. Conforme destacado pelo Conselho Federal de Contabilidade - CFC (2016, s.p.), Por exemplo, as informações sobre os custos, a eficiência ou a eficácia das atividades de prestação de serviços no passado, o montante e as fontes de recuperação de custos e os recursos disponíveis para dar suporte às atividades futuras, são necessárias para o atendimento da prestação de contas e responsabilização (accountability). Logo, as informações fornecidas pela Contabilidade permitem a elaboração dos relatórios de prestação de contas. FIGURA 15 – CONTABILIDADE, TOMADA DE DECISÃO E PRESTAÇÃO DE CONTAS FONTE: <https://plixs.com/photo/4026/financial-planning- silhouette>. Acesso em: 2 fev. 2019. 107 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 Além disso, essa informação também é útil para a tomada de decisão dos usuários dos relatórios emitidos pela contabilidade, inclusive aquelas que dizem respeito a patrocinadores e doadores de recursos às entidades públicas. A NBC TSP Estrutura Conceitual aponta que o Governo e outras entidades do setor público têm a obrigação de prestar contas aos que proveem recursos e àquelas que dele dependam para a prestação de serviços. Nesse sentido, tal fato demanda o fornecimento de informações sobre a gestão dos recursos da entidade confiados com a finalidade de prestação de serviços aos cidadãos e aos outros indivíduos, bem como a sua adequação à legislação, regulamentação ou outra norma que disponha sobre a prestação dos serviços e outras operações (CFC, 2016, s. p.). O Conselho Federal de Contabilidade destaca ainda que: Para fins de prestação de contas e responsabilização (accountability) e tomada de decisão, os usuários de serviço e os provedores de recursos necessitam de informações que possam dar suporte às avaliações de questões como: (a) o desempenho da entidade durante o exercício, como em: (i) satisfazer a sua prestação de serviços e outros objetivos operacionais e financeiros; (ii) administrar os recursos pelos quais é responsável; e (iii) estar em conformidade com a legislação, regramentos orçamentários ou com os pronunciamentos de outro órgão ou entidade que regulamente a captação e a utilização dos recursos; (b) a liquidez (por exemplo, a capacidade de satisfazer as obrigações atuais) e a solvência (por exemplo, a capacidade de satisfazer as obrigações em longo prazo) da entidade; (c) a sustentabilidade da prestação de serviços pela entidade e de outras operações em longo prazo, e as mudanças decorrentes como resultado dasatividades da entidade durante o exercício, incluindo, por exemplo: (i) a capacidade de a entidade de continuar a financiar as suas atividades para satisfazer aos seus objetivos operacionais em futuro (a sua capacidade financeira), inclusive as fontes prováveis de financiamento e a extensão na qual a entidade depende de tais fontes e, portanto, é vulnerável ao financiamento ou a pressões por demandas que estariam fora do seu controle; e (ii) os recursos físicos e outros disponíveis atualmente para dar suporte à prestação de serviços no futuro (a sua capacidade operacional); e (d) a capacidade da entidade de se adaptar a novas situações, devido a mudanças demográficas ou nas condições econômicas nacionais ou globais que provavelmente irão impactar a natureza ou a composição das atividades que realiza ou os serviços que são prestados (CFC, 2016, s.p.). 108 Responsabilidade Fiscal O que a Contabilidade tem a ver com a prestação de contas? Resposta: As informações produzidas pela contabilidade objetivam auxiliar a tomada de decisão, a adequada prestação de contas e o suporte necessário para instrumentalizar o controle social. Portanto, a partir da elaboração e publicação dos Relatórios Contábeis de Propósito Geral, fornece dados e informações importantes para a elaboração de relatórios de prestação de contas. Dentre outras utilidades referentes à informação trazida pela Contabilidade a partir da ótica da prestação de contas, destaca-se: (a) a entidade está utilizando os recursos com eficácia, efici- ência e economicidade, e da maneira pretendida, e se tal uso corresponde ao interesse público; (b) o alcance, o volume e o custo dos serviços prestados du- rante o exercício são apropriados, bem como os montantes e as fontes de recuperação dos custos; (c) a carga tributária atual e outros recursos angariados são suficientes para manter o volume e a qualidade dos serviços prestados atualmente (CFC, 2016, s.p.). Logo, os usuários do serviço público têm o direito de conhecer a forma como têm atuado os representantes eleitos para suas funções públicas, conhecendo seus atos, as atividades realizadas durante o exercício social e as consequências deles, bem como quais são as perspectivas futuras de recursos disponíveis para a continuidade de atividades e/ou expansão e melhoria delas. FIGURA 16 – A PRESTAÇÃO DE CONTAS COMO AUXÍLIO À TOMADA DE DECISÃO FONTE: <https://plixs.com/photo/3343/decision-making>. Acesso em: 2 fev. 2019. 109 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 Assim, o Conselho Federal de Contabilidade ainda pontua que: Os provedores de recursos exigem informação como subsídio para as avaliações sobre se a entidade: (a) está alcançando os objetivos estabelecidos de modo a jus- tificar os recursos angariados durante o exercício; (b) financiou as operações atuais a partir dos recursos anga- riados dos contribuintes, de empréstimos ou de outras fontes no período atual; e (c) provavelmente necessita de recursos adicionais (ou me- nos recursos) no futuro e as fontes prováveis destes recursos (CFC, 2016, s.p.). O que se pode extrair do disposto pelo Conselho Federal de Contabilidade é que a relação entre a prestação de contas e as informações geradas pela Contabilidade é de dependência, pois é muito difícil elaborar uma prestação de contas sem possuir informações econômico-financeiras confiáveis para relatar. Aqueles que operam com o setor público também demandam esse tipo de informação, pois precisam saber se haverá condição de: a) pagamento; b) manutenção do contrato; c) continuidade dos serviços. Tais informações são necessárias porque precisam de garantias para que os contratos possam ser firmados e os produtos entregues ou os serviços executados. Por fim, mas não menos importante, os doadores de recursos “exigem informação para dar suporte às avaliações se a entidade está utilizando os recursos com eficácia, eficiência e economicidade, e da maneira pretendida” (CFC, 2016, s.p.). Até aqui, você já compreendeu o que é a Prestação de Contas e como ela se relaciona com a Ciência Contábil, certo? Vamos, a partir de agora, compreender quem são as entidades que devem realizar a prestação de contas e o porquê disso. 4.3 Quem Deve Prestar Contas? Nossa Constituição Federal determina que a União não intervém nos Estados nem no Distrito Federal na maioria dos assuntos. Entretanto, em seu art. 34, a Carta Magna prevê que a União poderá intervir nos demais entes para que seja assegurada a observância dos princípios constitucionais, principalmente aquele que se refere à prestação de contas da administração pública direta e indireta. Portanto, toda a Administração Pública, direta e indireta, deverá prestar contas à sociedade. Portanto, toda a Administração Pública, direta e indireta, deverá prestar contas à sociedade. 110 Responsabilidade Fiscal FIGURA 17 – QUEM DEVE PRESTAR CONTAS FONTE: A autora Já estudamos que a prestação de contas é prevista na Constituição Federal brasileira no parágrafo primeiro do artigo 70, que determina que prestar contas é obrigação de toda e qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, gerencie, guarde ou administre recursos públicos. No entanto, além disso, o Decreto-Lei nº 200, de 1967, em seu artigo 93, aponta que o ônus da prova é de quem utilizou os recursos e que esta comprovação deve ser feita em consonância às normas da Administração Pública. Nesse contexto, entidades não governamentais, organizações sociais, organizações do sistema S (como Senai, Senac e Sebrae), que recebem ou que movimentam recursos públicos, por equipararem-se às Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público - integral ou parcialmente -, também deverão prestar contas à sociedade. 111 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 4.4 De Quem É A Responsabilidade Pela Elaboração Da Prestação De Contas? É de responsabilidade do gestor público a elaboração pela prestação de contas. Assim, um prefeito, por exemplo, deverá prestar contas sobre as movimentações financeiras ocorridas em um exercício financeiro de seu mandato. A sociedade tem acesso a essas informações principalmente por meio de divulgações em meios eletrônicos, como sites e portais dos entes federativos. A Súmula 230 do Tribunal de Contas da União aponta que é de responsabilidade do sucessor apresentar as contas referentes aos recursos federais recebidos pelo antecessor quando este não as realizou, ou seja: quando o Prefeito do ano X1 não prestar contas, o Prefeito que assume em X2 deverá prestar contas referentes a fatos geradores que não são de sua gestão. O Supremo Tribunal Federal também já declarou, em seu Mandado de Segurança 21.644, que o dever de prestar contas é da pessoa física atuante no serviço público e que está como responsável por tal. Portanto, compreende-se que quem elaborará a prestação de contas - e por ela se responsabilizará - será o agente público e não a entidade. 112 Responsabilidade Fiscal FONTE: A autora Portanto, a prestação de contas ocorre da seguinte forma: a entidade pública delega para alguém ou para uma instituição a autoridade de agir em seu nome e, para tanto, provê recursos para isso. Essa pessoa ou instituição responsável deve, então, prestar o serviço ao qual foi incumbida, devendo prestar satisfação de como utilizaram os recursos recebidos. 4.5 Não Prestar Contas A não prestação de contas é sancionada por diferentes legislações e pode conferir ao responsável pela prestação de contas sanções civis, penais e administrativas também. Pauta-se que não prestar contas implica ato de improbidade, em que uma das penas é a devolução, com patrimônio próprio do gestor, dos valores conveniados. FIGURA 18 – RESPONSABILIDADE PELA PRESTAÇÃO DE CONTAS 113 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 Aimprobidade administrativa está prevista na Lei nº 8.429 de 1992 e consiste na atuação desonesta e desleal do agente público no exercício de suas funções públicas. Destaca-se, ainda, que seja considerada ação ilícita, não constitui crime e sujeita-se a penas de natureza cíveis e não penais. Ainda no que tange às consequências, a não prestação de contas, o ente que não prestar contas fica impossibilitado de receber novos recursos de convênios. Assim, até que se regularizem as informações que devem ser publicadas, o ente fica “punido”. Por vezes, pode-se considerar uma medida punitiva que afeta a toda a população, no entanto, é importante ressaltar que deve haver tal cobrança para que os gestores se responsabilizem por seus atos. Assim, conclui-se que o ato de prestar contas é fundamental para uma sociedade mais equilibrada e com gestores públicos comprometidos com a cidadania e com zelo em suas atividades. A prestação de contas não é um instrumento de punição, nem sequer é um instrumento que coloca em dúvida o caráter do gestor público. Ela é um instrumento de fiscalização e de controle social, que permite que a população tenha conhecimento do que está sendo executado na sociedade e de como os recursos públicos têm sido empregados. Atividade de Estudos: 1 Por que a Lei de Acesso à Informação foi criada? R:__________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ __________________________________________________. 114 Responsabilidade Fiscal 2 O que são audiências públicas? R:__________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ __________________________. 3 O que são prestações de contas? R:__________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ __________________________________________________. Algumas Considerações Neste capítulo foram abordados os assuntos sobre a Lei de Acesso à Informação, as Audiências Públicas, bem como as Prestações de Contas elaboradas pela Administração Pública e colocadas à disposição da população. Esses assuntos são muito importantes para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igual, pois ao passo que permitem a interação da população com os governantes, possibilitam também que se tenha conhecimento daquilo que foi realizado durante um período. Tanto a Lei de Acesso à Informação quanto as Audiências Públicas e a Prestação de Contas constituem-se como instrumentos de controle social e possibilitam que haja uma maior transparência nas atividades do setor público. Como visto, a Lei de Acesso à Informação foi um marco na legislação brasileira com relação às contas públicas, pois trouxe mais veracidade e tempestividade com relação às informações, uma vez que precisam ser informadas de imediato ou estarem à disposição por meios de sites pela internet para que qualquer pessoa entre e faça suas pesquisas. Também vimos que embora todas as informações tenham que estar à disposição para consulta da população, ela nos trouxe dispositivos com a finalidade de resguardar a própria Administração Pública, bem como sua população. As informações sobre segurança nacional, por exemplo, são consideradas de caráter 115 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 sigiloso, podendo somente serem abertas à população depois de um prazo longo de anos. Por outro lado, vimos também que as Audiências Públicas objetivam a solução de problemas públicos a partir da interação entre a comunidade e os órgãos públicos. Portanto, somente os órgãos públicos podem realizar Audiências Públicas, mas a população pode solicitar tal realização quando compreender que existe um tema importante que deve ser discutido. As Audiências Públicas são, portanto, um instrumento para a discussão de políticas públicas e de projetos importantes para a sociedade e, por meio das discussões realizadas, permitem que as práticas realizadas pelos gestores públicos tenham a premissa de serem mais efetivas e possibilitar um maior impacto positivo (ou redução dos impactos negativos) no contexto na qual são discutidas ou aplicadas. Além disso, nestas Audiências pode-se avaliar os efeitos de políticas já existentes, de forma a discutir como estas políticas afetaram a população e o que pode ser melhorado. A Prestação de Contas, por sua vez, relaciona-se com os dois temas já explicados. A Prestação de Contas é uma forma de os gestores públicos mostrarem à população como os recursos públicos foram utilizados. É um documento público elaborado pelo responsável pela informação no qual há a instrumentalização do acesso à informação, pois os cidadãos podem visualizar qual a origem e qual a aplicação dos numerários públicos. A Prestação de Contas é um importante instrumento de conversa entre os gestores públicos com a população, pois apresenta de forma mais prática e fácil as demonstrações contábeis, um resumo daquilo que ocorreu nas finanças públicas. Concluímos essa disciplina compreendendo como é o orçamento público e qual a importância de existirem mecanismos que permitam a organização completa dos planos previstos para a sociedade, desde o seu planejamento até a forma como esse resultado é demonstrado à população. O que depreende-se é que o mundo - e nosso país - tem tentado, cada vez mais, buscar a gestão pública responsável e transparente e a Lei de Responsabilidade Fiscal, o orçamento público e os instrumentos de acesso à informação são fundamentais para tal empreitada. 116 Responsabilidade Fiscal Referências AURÉLIO, Dicionário. Democracia. 2019. Disponível em: <https:// dicionariodoaurelio.com/democracia>. Acesso em: 6 dez. 2018. BRASIL. Lei n. 4.990, de 12 de dezembro de 2012. Regula o acesso a informações no Distrito Federal previsto no art. 5º, XXXIII, no art. 37, § 3º, II, e no art. 216, § 2º, da Constituição Federal e nos termos do art. 45, da Lei federal nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.fazenda.df.gov.br/aplicacoes/legislacao/legislacao/ TelaSaidaDocumento.cfm?txtNumero=4990&txtAno=2012&txtTipo=5&txtParte=.>. Acesso em: 2 fev. 2019. ______. Lei nº 12527, de 18 de novembro de 2011. Regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei nº 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm>. Acesso em: 7 dez. 2018. _______. Lei n. 10.257, de 10 de julho de 2001. 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Acesso em: 2 fev. 2019. ______. Lei n. 8.625, de 12 de fevereiro de 1993. Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público, dispõe sobre normas gerais para a organização do Ministério Público dos Estados e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8625.htm>. Acesso em: 2 fev. 2019. 117 Transparência Sobre as Contas Públicas Capítulo 3 ______. Lei n. 8.429, de 2 de junho de 1992. Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/LEIS/L8429.htm>. Acesso em: 2 fev. 2019. ______. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 6 dez. 2018. ______. 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