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Treinamento de Peças 2ª FASE OAB | PENAL | 39º EXAME Treinamento de peças SUMÁRIO Peças imprescindíveis Treine a peça: queixa-crime ................................................................................................................... 5 Treine a peça: resposta à acusação.................................................................................................... 10 Treine a peça: memoriais ..................................................................................................................... 15 Treine a peça: apelação ....................................................................................................................... 22 Treine a peça: contrarrazões de apelação .......................................................................................... 29 Treine a peça: memoriais do procedimento do júri............................................................................. 37 Treine a peça: recurso em sentido estrito contra decisão de pronúncia ........................................... 40 Treine a peça: agravo em execução ................................................................................................... 47 Treine a peça: revisão criminal............................................................................................................. 52 Treine a peça: recurso ordinário constitucional ................................................................................... 56 Treine a peça: resposta à acusação no procedimento do júri ........................................................... 60 Peças muito relevantes Treine a peça: revogação da prisão preventiva .................................................................................. 64 Treine a peça: relaxamento de prisão ................................................................................................. 68 Treine a peça: defesa preliminar da lei de drogas .............................................................................. 72 Treine a peça: defesa preliminar de funcionário público .................................................................... 76 Treine a peça: apelação no Tribunal do Júri ....................................................................................... 79 Treine a peça: liberdade provisória ...................................................................................................... 83 Treine a peça: apelação do assistente de acusação no procedimento do júri ................................. 87 Treine a peça: contrarrazões de apelação do júri ............................................................................... 92 Treine a peça: embargos infringentes ................................................................................................. 97 Peças relevantes Treine a peça: Recurso Especial ....................................................................................................... 101 Treine a peça: carta testemunhável .................................................................................................. 105 Treine a peça: contrarrazões de agravo em execução .................................................................... 110 Treine a peça: contrarrazões de recurso em sentido estrito ............................................................ 117 Treine a peça: mandado de segurança criminal .............................................................................. 122 Treine a peça: queixa-crime subsidiária ........................................................................................... 126 Treine a peça: razões de apelação ................................................................................................... 129 Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para a 2ª Fase do 39º Exame da OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. Além disso, recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente. Bons estudos, Equipe Ceisc. Atualizado em novembro de 2023. Olá, alunos! Sejam bem-vindos ao treinamento de peças. O presente e-book contém diversas peças para que você realize o treinamento. Sugerimos que você imprima as linhas que estão nas páginas seguintes e pratique as peças à mão, consultando apenas a legislação permitida, simulando ao máximo as condições que você terá no dia da prova. Qualquer dúvida, estaremos à disposição para auxiliá-los através da ferramenta “Pergunte ao professor”! Bons estudos, Abraços, Equipe Ceisc. Peças imprescindíveis Treine a peça: queixa-crime PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XV EXAME OAB (Adaptada) Enunciado Enrico, engenheiro de uma renomada empresa da construção civil, possui um perfil em uma das redes sociais existentes na Internet e o utiliza diariamente para entrar em contato com seus amigos, parentes e colegas de trabalho. Enrico utiliza constantemente as ferramentas da Internet para contatos profissionais e lazer, como o fazem milhares de pessoas no mundo contemporâneo. No dia 07/05/2021, Enrico comemora aniversário e planeja, para a ocasião, uma reunião à noite com parentes e amigos para festejar a data em uma famosa churrascaria da cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Na manhã de seu aniversário, resolveu, então, enviar o convite por meio da rede social, publicando postagem alusiva à comemoração em seu perfil pessoal, para todos os seus contatos. Helena, vizinha e ex-namorada de Enrico, que também possui perfil na referida rede social e está adicionada nos contatos de seu ex, soube, assim, da festa e do motivo da comemoração. Então, de seu computador pessoal, instalado em sua residência, um prédio na praia de Icaraí, em Niterói, publicou na rede social uma mensagem no perfil pessoal de Enrico. Naquele momento, Helena, com o intuito de ofender o ex-namorado, publicou o seguinte comentário: “não sei o motivo da comemoração, já que Enrico não passa de um idiota, bêbado, irresponsável e sem vergonha!”, e, com o propósito de prejudicar Enrico perante seus colegas de trabalho e atingir sua reputação acrescentou, ainda, “ele trabalha todo dia embriagado! No dia 10 do mês passado, ele cambaleava bêbado pelas ruas do Rio, inclusive, estava tão bêbado no horário do expediente que a empresa em que trabalha teve que chamar uma ambulância para socorrê-lo!”. Imediatamente, Enrico, que estava em seu apartamento e conectado à rede social por meio de seu tablet, recebeu a mensagem e visualizou a publicação com os comentários ofensivos de Helena em seu perfil pessoal. Enrico, mortificado, não sabia o que dizer aos amigos, em especial a Carlos, Miguel e Ramirez, que estavam ao seu lado naquele instante. Muito envergonhado, Enrico tentou disfarçar o constrangimento sofrido, mas perdeu todo o seu entusiasmo, e a festa comemorativa deixou de ser realizada. No dia seguinte, Enrico procurou a Delegacia de Polícia Especializada em Repressão aos Crimes de Informática e narrou os fatos à autoridade policial, entregando o conteúdo impresso da mensagem ofensiva e a página da rede social na Internet onde ela poderia ser visualizada. Passados cinco meses da data dos fatos, Enrico procurou seu escritório de advocacia e narrou os fatos acima. Você, na qualidade de advogado de Enrico, deve assisti-lo. Informa-se que a cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, possui Varas Criminais e Juizados Especiais Criminais. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, redija a peça cabível, excluindo a possibilidade de impetração de “habeas corpus”, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes, datando-ano último dia do prazo. (Valor: 5,00 pontos) A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CRIMINAL DA COMARCA DE NITERÓI/RJ ENRICO, nacionalidade..., estado civil..., engenheiro, RG..., CPF..., com endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua...., por meio do seu procurador infra-assinado, com procuração com poderes especiais, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, oferecer a presente QUEIXA-CRIME, com base nos artigos 30, 41, 44, todos do Código de Processo Penal, e artigo 100, § 2º, do Código Penal, contra HELENA, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., CPF..., endereço eletrônico..., residente na Rua ..., pelos fatos a seguir expostos. I – DA TEMPESTIVIDADE A presente queixa-crime é tempestiva, pois oferecida dentro do prazo de 6 meses, previsto nos artigos 38 do Código de Processo Penal e artigo 103 do Código Penal. II – DOS FATOS No dia 07 de maio de 2021, no prédio na praia de Icaraí, em Niterói/RJ, a querelada Helena difamou e injuriou o querelante, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação e ofendeu, ainda, sua dignidade e o decoro. Na ocasião, Helena, vizinha e ex-namorada de Enrico, que também possui perfil na referida rede social e está adicionada nos contatos do querelante, por meio do seu computador pessoal, instalado em sua residência, publicou no perfil pessoal de Enrico o seguinte comentário: “não sei o motivo da comemoração, já que Enrico não passa de um idiota, bêbado, irresponsável e sem vergonha”. Na sequência, com o propósito de prejudicar Enrico perante seus colegas de trabalho e atingir a sua reputação, acrescentou que “ele trabalha todo dia embriagado! No dia 10 do mês passado, ele cambaleava bêbado pelas ruas do Rio, inclusive, estava tão bêbado no horário do expediente que a empresa em que trabalha teve que chamar uma ambulância para socorrê-lo!”. Helena, ao utilizar o seu computador pessoal para inserir as expressões injuriosas e difamantes, no perfil do querelante em sua rede social, usou meio que facilitou a divulgação da difamação e injúria, incorrendo na causa de aumento de pena, prevista no artigo 141, § 2º, do Código Penal. III – DO DIREITO Ao afirmar que o querelante trabalha todo dia embriagado e que no dia 10 de abril, ele cambaleava bêbado pelas ruas do Rio, inclusive, estava tão bêbado no horário do expediente que a empresa em que trabalha teve que chamar uma ambulância para socorrê-lo, a querelada praticou o crime de difamação, previsto no artigo 139 do Código Penal. Ao afirmar que o querelante não passa de um idiota, bêbado, irresponsável e sem vergonha, a querelada praticou o crime de injúria, previsto no artigo 140 do Código Penal. Helena, ao utilizar o seu computador pessoal para inserir as expressões injuriosas e difamantes, no perfil do querelante em sua rede social, usou meio que facilitou a divulgação da difamação e injúria, por meio de rede mundial de computador, incidindo, por isso, a causa de aumento de pena prevista no artigo 141, § 2º, do Código Penal. Helena praticou a injúria e a difamação no mesmo contexto, mediante única publicação, com desígnios autônomos, em concurso formal imperfeito de crimes, nos termos do artigo 70, 2ª parte, do Código Penal. IV – DO PEDIDO Ante o exposto, o querelante requer: a) A designação de audiência reconciliação, prevista no artigo 520 do Código de Processo Penal; b) O recebimento da queixa-crime; c) A citação da querelada; d) A procedência do pedido, com a consequente condenação da querelada pela prática dos crimes do artigo 139 e 140 c/c o artigo 141, § 2º, e artigo 70, todos do Código Penal; e) A fixação do valor mínimo de indenizatório, nos termos do artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal; f) A produção de provas, com a oitiva das testemunhas arroladas. ROL DE TESTEMUNHAS: 1) CARLOS...; 2) MIGUEL...; 3) RAMIREZ... Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 6 de novembro de 2021. ADVOGADO... OAB... Treine a peça: resposta à acusação PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXV EXAME Enunciado Patrick, nascido em 4-6-1960, tio de Natália, jovem de 18 anos, estava na varanda de sua casa em Araruama, em 5-3-2017, no interior do Estado do Rio de Janeiro, quando vê o namorado de sua sobrinha, Lauro, agredindo-a de maneira violenta, em razão de ciúmes. Verificando o risco que sua sobrinha corria com a agressão, Patrick gritou com Lauro, que não parou de agredi-la. Patrick não tinha outra forma de intervir, porque estava com uma perna enfaixada devido a um acidente de trânsito. Ao ver que as agressões não cessavam, foi até o interior de sua residência e pegou uma arma de fogo, de uso permitido, que mantinha no imóvel, devidamente registrada, tendo ele autorização para tanto. Com intenção de causar lesão corporal que garantisse a debilidade permanente de membro de Lauro, apertou o gatilho para efetuar disparo na direção de sua perna. Por circunstâncias alheias à vontade de Patrick, a arma não funcionou, mas o barulho da arma de fogo causou temor em Lauro, que empreendeu fuga e compareceu à Delegacia para narrar a conduta de Patrick. Após meses de investigações, com oitiva dos envolvidos e das testemunhas presenciais do fato, quais sejam, Natália, Maria e José, estes dois últimos sendo vizinhos que conversavam no portão da residência, o inquérito foi concluído, e o Ministério Público ofereceu denúncia, perante o juízo competente, em face de Patrick como incurso nas sanções penais do art. 129, § 1º, inciso III, c/c. o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. Juntamente com a denúncia, vieram as principais peças que constavam do inquérito, inclusive a Folha de Antecedentes Criminais, na qual constava outra anotação por ação penal em curso pela suposta prática do crime do art. 168 do Código Penal, bem como o laudo de exame pericial na arma de Patrick apreendida, o qual concluiu pela total incapacidade de efetuar disparos. Em busca do cumprimento do mandado de citação, o oficial de justiça comparece à residência de Patrick e verifica que o imóvel se encontrava trancado. Apenas em razão desse único comparecimento no dia 26-2-2018, certifica que o réu estava se ocultando para não ser citado e realiza, no dia seguinte, citação por hora certa, juntando o resultado do mandado de citação e intimação para defesa aos autos no mesmo dia. Maria, vizinha que presenciou a conduta do oficial de justiça, se assusta e liga para o advogado de Patrick, informando o ocorrido e esclarecendo que ele se encontra trabalhando e ficará embarcado por 15 dias. O advogado entra em contato com Patrick por e-mail e este apenas consegue encaminhar uma procuração para adoção das medidas cabíveis, fazendo uma pequena síntese do ocorrido por escrito. Considerando a situação narrada, apresente, na qualidade do advogado de Patrick, a peça jurídica cabível, diferente do habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas de direito material e processual pertinentes. A peça deverá ser datada do último dia do prazo. (Valor: 5,00) Obs.: A peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DA COMARCA DE ARARUAMA/RJ Processo nº... PATRICK, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com base nos arts. 396 e 396-A, ambos do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos: I) DA TEMPESTIVIDADEA presente Resposta à Acusação é tempestiva, uma vez que apresentada dentro do prazo de 10 dias, na forma do artigo 396 do Código de Processo Penal. II) DOS FATOS No dia 05/03/2017, o réu Patrick viu Lauro, namorado de sua sobrinha, agredindo-a de maneira violenta, em razão de ciúmes. Após conclusão do Inquérito Policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra o réu como incurso nas sanções penais do art. 129, § 1º, inciso III, c/c art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. Foi juntado laudo de exame pericial da arma apreendida, o qual concluiu pela total incapacidade de efetuar disparos. O oficial de justiça, considerando que o réu se ocultava para não ser citado, procedeu à citação por hora certa. III) DO DIREITO A) DA NULIDADE DA CITAÇÃO O oficial de justiça compareceu à residência do réu e, em razão do único comparecimento realizado no dia 26-2-2018, certificou que réu estava se ocultando para não ser citado, realizando, no dia seguinte, a citação por hora certa. Todavia, Patrick não estava se ocultando para ser citado, pois sua residência estava fechada porque ele estava trabalhando em embarcação e o oficial de justiça somente compareceu em uma oportunidade. Além disso, o oficial de justiça compareceu apenas uma vez na residência do réu, sendo necessário procurar o réu duas vezes sem o encontrar para efetivar a citação por hora certa, nos termos do art. 362 do Código de Processo Penal c/c o art. 252 do Código de Processo Civil. Assim, verifica-se a nulidade da citação, nos termos do art. 564, inciso III, alínea e, do Código de Processo Penal. B) DO CRIME IMPOSSÍVEL O réu foi denunciado pela prática do crime de lesão corporal grave tentado. Todavia, a arma de fogo utilizada não era apta a efetuar disparos, conforme laudo pericial acostado. Logo, o meio utilizado era absolutamente ineficaz para produzir qualquer resultado. Nos termos do art. 17 do Código Penal, não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar- se o delito. Trata-se, portanto, de crime impossível. O reconhecimento do crime impossível gera a atipicidade da conduta e, consequentemente, cabível a absolvição sumária pelo fato evidentemente não constituir crime, com base no art. 397, inciso III, do Código de Processo Penal. C) DA LEGÍTIMA DEFESA O réu foi acusado de ter agredido a vítima, sendo-lhe imputado o crime de lesão corporal grave tentado. Todavia, Patrick agiu amparado pela legítima defesa, prevista nos arts. 25 e 23, inciso II, ambos do Código Penal. No caso, o réu usou moderadamente dos meios que tinha à sua disposição, já que estava com a perna enfaixada devido a um acidente de trânsito, para repelir injusta agressão praticada contra a sua sobrinha. Além disso, Patrick não pretendia matar Lauro, mas apenas lesionar, buscando atingir a sua perna, para fazer cessar a agressão. Assim, diante da legítima defesa, requer a absolvição sumária, tendo em vista que há manifesta causa excludente da ilicitude, com fundamento no art. 397, inciso I, do Código de Processo Penal. IV) DO PEDIDO Ante o exposto, requer: a) Reconhecimento da nulidade do ato de citação, nos termos do art. 564, inciso III, alínea e, do Código de Processo Penal; b) Absolvição sumária, com base no art. 397, inciso I, do Código de Processo Penal. c) Absolvição sumária, com base no art. 397, inciso III, do Código de Processo Penal. d) A produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente prova testemunhal. ROL DE TESTEMUNHAS: 1. Maria...; 2. José...; 3. Natália... Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 09 de março de 2018. Advogado... OAB... Treine a peça: memoriais PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXVI EXAME OAB Enunciado Em 03 de outubro de 2016, na cidade de Campos, no Estado do Rio de Janeiro, Lauro, 33 anos, que é obcecado por Maria, estagiária de uma outra empresa que está situada no mesmo prédio em que fica o seu local de trabalho, não mais aceitando a rejeição dela, decidiu que a obrigaria a manter relações sexuais com ele, independentemente da sua concordância. Confiante em sua decisão, resolveu adquirir arma de fogo de uso permitido, considerando que tinha autorização para tanto, e a registrou, tornando-a regular. Precisando que alguém o substituísse no local do trabalho no dia do crime, narrou sua intenção criminosa para José, melhor amigo com quem trabalha, assegurando-lhe que comprou a arma exclusivamente para ameaçar Maria a manter com ele conjunção carnal, mas que não a lesionaria de forma alguma. Ainda esclareceu a José, que alugara um quarto em um hotel e comprara uma mordaça para evitar que Maria gritasse e os fatos fossem descobertos. Quando Lauro saía de casa, em seu carro, para encontrar Maria, foi surpreendido por viatura da Polícia Militar, que havia sido alertada por José sobre o crime prestes a acontecer, sendo efetuada a prisão de Lauro em flagrante. Em sede policial, Maria foi ouvida, afirmando, apesar de não apresentar documentos, que tinha 17 anos e que Lauro sempre manteve comportamento estranho com ela, razão pela qual tinha interesse em ver o autor dos fatos responsabilizado criminalmente. Após receber os autos e considerando que o detido possuía autorização para portar arma de fogo, o Ministério Público denunciou Lauro apenas pela prática do crime de estupro qualificado, previsto no Art. 213, §1º c/c Art. 14, inciso II, c/c Art. 61, inciso II, alínea f, todos do Código Penal. O processo teve regular prosseguimento, mas, em razão da demora para realização da instrução, Lauro foi colocado em liberdade. Na audiência de instrução e julgamento, a vítima Maria foi ouvida, confirmou suas declarações em sede policial, disse que tinha 17 anos, apesar de ter esquecido seu documento de identificação para confirmar, apenas apresentando cópia de sua matrícula escolar, sem indicar data de nascimento, para demonstrar que, de fato, era Maria. José foi ouvido e também confirmou os fatos narrados na denúncia, assim como os policiais. O réu não estava presente na audiência por não ter sido intimado e, apesar de seu advogado ter-se mostrado inconformado com tal fato, o ato foi realizado, porque o interrogatório seria feito em outra data. Na segunda audiência, Lauro foi ouvido, confirmando integralmente os fatos narrados na denúncia, mas demonstrou não ter conhecimento sobre as declarações das testemunhas e da vítima na primeira audiência. Na mesma ocasião, foi, ainda, juntado o laudo de exame do material apreendido, o laudo da arma de fogo demonstrando o potencial lesivo e a Folha de Antecedentes Criminais, sem outras anotações. Encaminhados os autos para o Ministério Público, foi apresentada manifestação requerendo condenação nos termos da denúncia. Em seguida, a defesa técnica de Lauro foi intimada, em 04 de setembro de 2018, terça-feira, sendo quarta-feira dia útil em todo o país, para apresentação da medida cabível. Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Lauro, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada do último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00) Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CAMPOS/RJ Processo nº... LAURO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar MEMORIAIS, com base no artigo 403 §3º do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos: I) DA TEMPESTIVIDADEOs presentes memoriais são tempestivos, já que apresentados dentro do prazo de 5 dias, previsto no artigo 403, §3°, do Código de Processo Penal. II) DOS FATOS O réu foi denunciado pela prática de estupro qualificado, previsto no artigo 213, §1º, combinado com os artigos 14, II, e 61, II, “f”, todos do Código Penal. Durante a primeira audiência de instrução, a vítima foi ouvida. O réu não compareceu na audiência, pois não foi intimado, mas mesmo com o inconformismo da defesa, o ato foi realizado, sendo interrogado apenas na segunda audiência. O Ministério Público requereu a condenação da ré, nos termos da denúncia. A defesa foi intimada em 04 de setembro de 2018. III) DO DIREITO A) DA NULIDADE DA INSTRUÇÃO O réu Lauro não compareceu na primeira audiência, porque não foi intimado. Todavia, os atos processuais realizados durante a instrução devem ser anulados, uma vez que não foi intimado, e mesmo com a defesa manifestando o inconformismo com o ato, a audiência foi realizada. Assim, os atos processuais realizados a partir da primeira audiência de instrução devem ser anulados, uma vez que a falta de intimação para comparecimento do réu em audiência, representa cerceamento de defesa OU afronta o princípio da ampla defesa, previsto no artigo 5º, LV, da Constituição Federa/88 OU artigo 564, IV, do Código de Processo Penal. Diante disso, verifica-se a nulidade dos atos da instrução, nos termos do artigo 564, IV, do Código de Processo Penal. B) DOS ATOS PREPARATÓRIOS O réu foi acusado de ter tentado estuprar Maria. Todavia, o fato de Lauro ter comprado uma arma e guardado em seu quarto configura apenas atos preparatórios. Logo, não foi iniciada a execução do crime de estupro (0,60), haja vista que os atos preparatórios, de regra, não são puníveis (0,20). Diante disso, não há de se falar em tentativa de estupro, já que não havia sido iniciada a execução do delito, devendo o agente ser absolvido, isso porque, sua conduta não configura crime. No mais, o porte de arma de fogo por si só não configura infração, tendo em vista que Lauro possuía autorização. Assim, o réu deve ser absolvido (0,30), com base no artigo 386, III, do Código de Processo Penal. C) DA QUALIFICADORA Na audiência de instrução, a vítima não apresentou documentação hábil que comprovasse sua idade, apenas apontando que possuía 17 anos. Todavia, a mera alegação em audiência não é suficiente para comprovação de idade, não sendo possível ter certeza, em razão de sua aparência física, se era maior de 18 anos. Nesse sentido, não há prova nos autos da idade da vítima (0,50), bem como não foi apresentado nenhum exame pericial, devendo ser afastada a qualificadora prevista no artigo 213, §1º, do Código Penal. D) DA CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL FAVORÁVEL Na eventualidade de sentença condenatória, o que não se espera, deve a pena-base ser fixada no mínimo legal. Isso porque foi juntada a folha de antecedentes, devendo a pena-base ser fixada no mínimo legal, já que todas as circunstâncias judiciais do artigo 59 do Código Penal são favoráveis. E) DA AGRAVANTE Apesar da vítima ser mulher, não existia situação de relação familiar ou de coabitação, não sendo o crime praticado no âmbito de violência doméstica contra mulher, como prevê a Lei nº 11.340/06. Isso porque, não basta a vítima do crime ser mulher para reconhecimento da agravante. Assim, requer seja afastada a agravante do artigo 61, II, “f", do Código Penal. F) DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA Ao ser interrogado, o réu confirmou integralmente os fatos descritos na denúncia. Logo, incide a atenuante da confissão espontânea (0,30), prevista no artigo 65, inciso II, “d”, do Código Penal. Assim, requer seja reconhecida a atenuante da confissão espontânea. G) DA TENTATIVA Considerando que o crime ficou longe da consumação OU tendo em vista que o entendimento pacífico é de que o critério do quantum de redução guarda relação com o iter criminis percorrido, a diminuição pela tentativa deve ser no máximo (0,15). Assim, requer seja aplicada a redução máxima de 2/3 em razão da tentativa. H) DO REGIME INICIAL ABERTO Considerando a pena no mínimo legal e a redução pela tentativa, com a diminuição no patamar máximo, a pena ficará abaixo de quatro anos, devendo, portanto, o Magistrado fixar o regime inicial de cumprimento de pena no aberto OU semiaberto. Logo, na hipótese de eventual condenação, o Magistrado deverá fixar o regime aberto OU semiaberto, nos termos do artigo 33, §2º, “b”, OU “c”, do Código Penal, já que o réu é primário e as circunstâncias judiciais são favoráveis. I) DA SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DA PENA Considerando a pena no mínimo legal e a redução pela tentativa, com a diminuição no patamar máximo, a pena ficará em dois anos, com o que o réu preenche os requisitos do artigo 77 do Código Penal. Assim requer a aplicação da suspensão condicional da pena (0,20). IV) DO PEDIDO Ante o exposto, requer: a) Seja declarada a nulidade dos atos da instrução em razão da falta de intimação do réu para a audiência; b) A absolvição, com base no artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal; c) Seja afastada a qualificadora do artigo 213, §1º do Código Penal; d) Seja aplicada a pena base no mínimo legal, OU seja reconhecida a atenuante da confissão espontânea, com base no artigo 65, III, “d”, do Código Penal; e) Seja afastada a agravante do artigo 61, II, “f”, do Código Penal; f) Seja aplicada a redução máxima pela tentativa; g) Seja fixado o regime inicial de cumprimento de pena como sendo o aberto, artigo 33, §2º, “c”, do Código Penal; h) Seja aplicada a suspensão da pena, com base no artigo 77 d Código Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 10 de setembro de 2018. Advogado... OAB... Treine a peça: apelação PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXX EXAME OAB Enunciado Carlos, primário e de bons antecedentes, 45 (quarenta e cinco) anos, foi denunciado como incurso nas sanções penais dos arts. 302 da Lei nº 9.503/1997, por duas vezes, e 303, do mesmo diploma legal, todos eles em concurso material, porque, de acordo com a denúncia, “no dia 08 de julho de 2017, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, na direção de veículo automotor, com imprudência em razão do excesso de velocidade, colidiu com o veículo em que estavam Júlio e Mário, este com 9 anos, causando lesões que foram a causa eficiente da morte de ambos”. Consta, ainda, da inicial acusatória que, “em decorrência da mesma colisão, ficou lesionado Pedro, que passava pelo local com sua bicicleta e foi atingido pelo veículo em alta velocidade de Carlos”. As mortes de Júlio e Mário foram atestadas por auto de exame cadavérico, enquanto Pedro foi atendido em hospital público, de onde se retirou, sem ser notado, razão pela qual foi elaborado laudo indireto de corpo de delito com base no boletim de atendimento médico. Pedro nunca compareceu em sede policial para narrar o ocorrido e nem ao Instituto Médico Legal, apesar de testemunhas presenciais confirmarem as lesões sofridas. No curso da instrução, foram ouvidas testemunhas presenciais, não sendo Pedro localizado. Em seu interrogatório, Carlos negou estar em excesso de velocidade, esclarecendo que perdeu o controle do carro em razão de um buraco existente na pista. Foi acostado exame pericial realizado nos automóveis e no local, concluindo que, realmente, não houve excesso de velocidade por parte de Carlos e que havia o buraco mencionado na pista. O exame pericial, todavia, apontou que possivelmente haveria imperícia de Carlos na condução do automóvel, o que poderia ter contribuído para o resultado. Após manifestação das partes, o juiz em atuação perante a 3ª Vara Criminal da Comarcade São Gonçalo/RJ, em 10 de julho de 2019, julgou totalmente procedente a pretensão punitiva do Estado e, apesar de afastar o excesso de velocidade, afirmou ser necessária a condenação de Carlos em razão da imperícia do réu, conforme mencionado no exame pericial. No momento da dosimetria, fixou a pena base de cada um dos crimes no mínimo legal e, com relação à vítima Mário, na segunda fase, reconheceu a agravante prevista no art. 61, inciso II, alínea h, do CP, pelo fato de ser criança, aumentando a pena base em 3 (três) meses. Não havendo causas de aumento ou diminuição, reconhecido o concurso material, a pena final ficou acomodada em 04 (quatro) anos e 09 (nove) meses de detenção. Não houve substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos em razão do quantum final, nos termos do art. 44, inciso I, do CP, sendo fixado regime inicial fechado de cumprimento da pena, com fundamento na gravidade em concreto da conduta. O Ministério Público foi intimado e manteve- se inerte. A defesa técnica de Carlos foi intimada em 18 de setembro de 2019, quarta-feira, para adoção das medidas cabíveis. Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Carlos, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição, considerando que de segunda a sexta-feira são dias úteis em todos os locais do país. (Valor: 5,00). EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 3ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE SÃO GONÇALO/RJ Processo nº... CARLOS, já qualificado nos autos, por meio de seu procurador infra- assinado, conforme procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o presente RECURSO DE APELAÇÃO, com base no art. 593, inciso I, do Código de Processo Penal. Assim, requer seja recebido e processado o recurso, já com as razões inclusas, remetendo-se os autos ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O presente recurso é tempestivo, pois interposto dentro do prazo de 5 dias, previsto no artigo 593, “caput”, do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 23 de setembro de 2019. Advogado... OAB... EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Apelante: CARLOS Apelado: MINISTÉRIO PÚBLICO Processo nº... RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Colenda Câmara Criminal I – DOS FATOS O réu foi denunciado pela prática do delito do art. 302, por duas vezes, e art. 303, ambos da Lei nº 9.503/1997, na forma do art. 69 do Código Penal. Foram ouvidas as testemunhas da acusação e interrogado o réu. A vítima Pedro não foi localizada para ser ouvida. O juiz proferiu a sentença condenando o réu a pena privativa de liberdade de 04 (quatro) anos e 09 (nove) meses. II – DO DIREITO A) DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE O réu foi condenado por ter praticado lesão corporal culposa na direção de veículo automotor contra a vítima Pedro. Todavia, a vítima Pedro não realizou o exame de corpo de delito e não compareceu em sede policial para narrar o ocorrido, inexistindo manifestação quanto à representação, condição indispensável para o oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público, conforme prevê o art. 88 da Lei nº 9.099/1995 e art. 291, § 1º da Lei nº 9.503/1997. Assim, como houve a decadência do direito da representação, já que passados mais de 06 (seis) meses desde a ciência da autoria do fato, incidiu a extinção da punibilidade de Carlos no que tange ao delito de lesão corporal culposa na condução de veículo automotor, com base no art. 107, inciso IV do Código Penal OU art. 38 do Código de Processo Penal. B) DA INEXISTÊNCIA DE IMPRUDÊNCIA O juiz apesar de afastar o excesso de velocidade, afirmou ser necessária a condenação de Carlos em razão da imperícia, conforme mencionado no exame pericial. Todavia, o Magistrado não poderia ter condenado o réu em razão da imperícia, pois o Ministério Público não narrou na denúncia este fato, violando o princípio da correlação. De outro lado, foi acostado exame pericial realizado nos automóveis e no local, concluindo que, realmente, não houve excesso de velocidade por parte de Carlos e que havia o buraco mencionado na pista. Assim, como não houve comprovação da imprudência e nem do excesso de velocidade, pugna-se pela absolvição de Carlos, com base no art. 386, inciso VII do Código de Processo Penal. C) DA AGRAVANTE O juiz reconheceu a agravante prevista no art. 61, inciso II, alínea h do Código Penal, pelo fato da vítima ser criança. Todavia, tal agravante somente pode ser aplicada aos crimes dolosos e, não ao crime culposo como é o caso, sob pena de configuração de responsabilidade penal objetiva. Além disso, não havia possibilidade de o réu saber que havia criança no veículo que estavam Júlio e Mário. Assim, requer seja afastada a agravante em razão da idade da vítima, prevista no art. 61, inciso II, alínea h, do Código Penal. D) DO CONCURSO FORMAL O Juiz reconheceu o concurso material, ficando a pena acomodada em 04 (quatro) anos e 09 (nove) meses. Todavia, ocorreu concurso formal entre os delitos, já que com uma única conduta o réu causou mais de um resultado. Assim, requer seja afastado o concurso material de crimes, reconhecendo o concurso formal dos delitos, devendo ser usado, se mantida a condenação, o critério da exasperação da pena, com base no art. 70 do Código Penal. E) DO REGIME CARCERÁRIO O Juiz fixou o regime inicial fechado de cumprimento de pena, com fundamento na gravidade em concreto da conduta. Todavia, nos termos do art. 33, caput, do Código Penal não é possível fixar o regime inicial fechado ao agente condenado pela prática de crime punido unicamente com pena de detenção. Assim, requer o afastamento do regime fechado, aplicando-se o regime aberto ou semiaberto. F) DA SUBSTITUIÇÃO PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS O Juiz não substituiu a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos em razão do quantum final, nos termos do art. 44, inciso I, do Código Penal. Todavia, é cabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, independente do quantum de pena aplicada, já que o limite do art. 44, inciso I do Código Penal é aplicável exclusivamente aos crimes dolosos. Assim, requer a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. III DO PEDIDO Ante o exposto, requer seja CONHECIDO e PROVIDO o presente recurso, com a reforma da decisão, a fim de que: a) Seja declarada extinta a punibilidade de Carlos no que tange ao delito de lesão corporal culposa na condução de veículo automotor, com base no art. 107, inciso IV, do Código Penal; b) Seja o réu absolvido, com base no art. 386, inciso VII do Código de Processo Penal; c) Seja afastada a agravante em razão da idade da vítima, prevista no art. 61, inciso II, alínea h, do Código Penal; d) Seja afastado o concurso material de crimes; e) Seja afastado o regime fechado, aplicando-se o regime aberto ou semiaberto; f) Seja realizada a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 23 de setembro de 2019. Advogado... OAB... Treine a peça: contrarrazões de apelação PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXVII EXAME OAB Enunciado João, 22 anos, no dia 04 de maio de 2018, caminhava com o adolescente Marcelo, cada um deles trazendo consigo uma mochila nas costas. Realizada uma abordagem por policiais, foi constatado que, no interior da mochila de cada um, havia uma certa quantidade de drogas, razão pela qual elas foram, de imediato,encaminhadas para a Delegacia. Realizado laudo de exame de material entorpecente, constatou-se que João trazia 25 g de cocaína, acondicionados em 35 pinos plásticos, enquanto, na mochila do adolescente, foram encontrados 30 g de cocaína, quantidade essa distribuída em 50 pinos. Após a oitiva das testemunhas em sede policial, da juntada do laudo e da oitiva do adolescente e de João, que permaneceram em silêncio com relação aos fatos, foram lavrados o auto de prisão em flagrante em desfavor do imputável e o auto de apreensão em desfavor do adolescente. Toda a documentação foi encaminhada aos Promotores de Justiça com atribuição. O Promotor de Justiça, junto à 1ª Vara Criminal de Maceió/AL, órgão competente, ofereceu denúncia em face de João, imputando-lhe a prática dos crimes previstos nos artigos 33 e 35, ambos com a causa de aumento do Art. 40, inciso VI, todos da Lei nº 11.343/06. Foi concedida a liberdade provisória ao denunciado, aplicando-se as medidas cautelares alternativas. Após a notificação, a apresentação de resposta prévia e o recebimento da denúncia e da citação, foi designada a audiência de instrução e julgamento, ocasião em que foram ouvidas as testemunhas de acusação. Estas confirmaram a apreensão de drogas em poder de Marcelo e João, bem como que eles estariam juntos, esclarecendo que não se conheciam anteriormente e nem tinham informações pretéritas sobre o adolescente e o denunciado. O adolescente, ouvido, disse que conhecera João no dia anterior ao de sua apreensão e que nunca o tinha visto antes vendendo drogas. Em seguida à oitiva das testemunhas de acusação e defesa, foi realizado o interrogatório do acusado, sendo que nenhuma das partes questionou o momento em que este foi realizado. Na ocasião, João confirmou que o material que ele e Marcelo traziam seria destinado à ilícita comercialização. Ele ainda esclareceu que conhecera o adolescente no dia anterior, que era a primeira vez que venderia drogas e que tinha a intenção de praticar o ato junto com o adolescente somente aquela vez, com o objetivo de conseguir dinheiro para comprar uma moto. Foi acostado o laudo de exame definitivo de material entorpecente confirmando o laudo preliminar e a Folha de Antecedentes Criminais de João, onde constava uma anotação referente a crime de furto, ainda pendente de julgamento. O juiz, após a devida manifestação das partes, proferiu sentença julgando parcialmente procedente a pretensão punitiva estatal. Em um primeiro momento, absolveu o acusado do crime de associação para o tráfico por insuficiência probatória. Em seguida, condenou o réu pela prática do crime de tráfico de drogas, ressaltando que o réu confirmou a destinação das drogas à ilícita comercialização. No momento de aplicar a pena, fixou a pena base no mínimo legal, reconhecendo a existência da atenuante da confissão espontânea; aumentou a pena em razão da causa de aumento do Art. 40, inciso VI, da Lei nº 11.343/06 e aplicou a causa de diminuição de pena do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, restando a pena final em 1 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão e 195 dias multa, a ser cumprida em regime inicial aberto. Entendeu o magistrado pela substituição da pena privativa de liberdade por duas restritivas de direitos. O Ministério Público, ao ser intimado pessoalmente em 22 de outubro de 2018, apresentou o recurso cabível, em 25 de outubro de 2018, acompanhado das respectivas razões recursais, requerendo: a) nulidade da instrução, porque o interrogatório não foi o primeiro ato, como prevê a Lei nº 11.343/06; b) condenação do réu pelo crime de associação para o tráfico, já que ele estaria agindo em comunhão de ações e desígnios com o adolescente no momento da prisão, e o Art. 35 da Lei nº 11.343/06 fala em “reiteradamente ou não”; c) aumento da pena-base em relação ao crime de tráfico diante das consequências graves que vem causando para a saúde pública e a sociedade brasileira; d) afastamento da atenuante da confissão, já que ela teria sido parcial; e) afastamento da causa de diminuição do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, independentemente da condenação pelo crime do Art. 35 da Lei nº 11.343/06, considerando que o réu seria portador de maus antecedentes, já que responde a ação penal em que se imputa a prática do crime de furto; f) aplicação do regime inicial fechado, diante da natureza hedionda do delito de tráfico; g) afastamento da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, diante da vedação legal do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06. Já o acusado e a defesa técnica, intimados do teor da sentença, mantiveram-se inertes, não demonstrando interesse em questioná-la. O magistrado, então, recebeu o recurso do Ministério Público e intimou, no dia 05 de novembro de 2018 (segunda-feira), sendo terça-feira dia útil em todo o país, você, advogado(a) de João, a apresentar a medida cabível. Com base nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluídas as possibilidades de habeas corpus e embargos de declaração, no último dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE MACEIÓ/AL Processo nº... JOÃO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, oferecer as CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO, com base no artigo 600 do Código de Processo Penal, requerendo sejam recebidas, com posterior remessa ao Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas. As presentes contrarrazões são tempestivas, já que oferecidas dentro do prazo de 8 dias, previsto no artigo 600 do Código de Processo Penal. Nesse sentido, requer sejam recebidas, com posterior remessa ao Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 13 de novembro de 2018. Advogado... OAB... EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS APELANTE: Ministério Público APELADO: João CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO ou RAZÕES DO APELADO Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas Colenda Câmara Criminal I) DOS FATOS O réu foi denunciado pela prática do crime de tráfico e associação para o tráfico, previstos nos artigos 33 e 35, combinado com a causa de aumento do art. 40, inciso IV, todos da Lei 11.343/06. Ao final da instrução, o Magistrado proferiu sentença parcialmente procedente para o fim de condenar o réu pelo crime de tráfico de drogas, aplicando a pena de 01 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão e 195 dias multa, a ser cumprida em regime aberto. Inconformado, o Ministério Público interpôs recurso de apelação, acompanhado das respectivas razões recursais, no dia 25 de outubro de 2018. O Magistrado recebeu o recurso de apelação do Ministério Público e intimou a defesa para apresentar a medida cabível no dia 05 de novembro de 2018. II) DO DIREITO A) DA NULIDADE DA INSTRUÇÃO O Ministério Público arguiu a nulidade da instrução, em face do interrogatório não ter sido o primeiro ato da instrução. Todavia, embora o art. 57 da Lei 11.343/06 disponha que o interrogatório é o primeiro ato no procedimento da Lei de Drogas, o fato é que a nulidade não foi suscitada no momento adequado, ou seja, na audiência, uma vez que o Ministério Público somente postulou a nulidade em sede de recurso. Além disso, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça adotam o entendimento no sentido de que não há nulidade quando o interrogatório for realizado como último ato da instrução, aplicando-se as regras do artigo 400 do Código de Processo Penal, sobretudo porque não há violação do princípio do contraditório e ampla defesa. Nesse sentido, deve a alegaçãoda nulidade ser afastada. B) DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO O Ministério Público postula a condenação do réu pelo crime de associação para o tráfico, previsto no artigo 35 da Lei 11.343/06. Todavia, para caracterizar tal delito é necessário o animus de praticar o tráfico de forma permanente e estável, o que não restou comprovado. Isso porque, o réu João e o adolescente se conheceram um dia antes dos fatos, praticando, em tese, apenas um delito, não caracterizando, portanto, a relação estável e permanente exigida para a incidência do crime de associação para o tráfico. Diante disso, deve ser mantida a absolvição em relação ao delito de associação para o tráfico. C) DA PENA-BASE O Ministério Público requer o aumento da pena-base alegando que o tráfico gera consequências graves para a sociedade. Todavia, a gravidade abstrata do crime do tráfico, por si só, não é fundamentação idônea para elevar a pena-base acima do mínimo legal. Além disso, a ofensa à saúde pública é inerente ao crime de associação para o tráfico e tráfico de drogas, ou seja, integra o delito, não podendo tal circunstância ser usada também para elevar a pena-base acima do mínimo legal, já que representaria verdadeiro bis in idem. Sendo assim, não deve ser aumentada a pena-base do delito de tráfico, mantendo-se no mínimo legal. D) DA ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA O Ministério Público postula o afastamento da atenuante da confissão espontânea. Todavia, o réu admitiu que a droga apreendida seria destinada à ilícita comercialização, sendo a confissão utilizada pelo juiz para fundamentar a sua decisão. Logo, deve ser mantida a atenuante da confissão espontânea, prevista no artigo 65, inciso III, “d”, do Código Penal, já que considerada pelo Magistrado para fundamentar sua decisão, conforme previsão da Súmula 545 do Superior Tribunal de Justiça. E) DO TRÁFICO PRIVILEGIADO O Ministério Público requer o afastamento da causa de diminuição pelo tráfico privilegiado, previsto no artigo 33, §4º da Lei 11.343/06, tendo em vista que o réu seria portador de maus antecedentes. Todavia, o fato de que o agente apenas responder por outro processo de furto não serva para caracterizar maus antecedentes, conforme previsão da Súmula 444 do Superior Tribunal de Justiça, bem como em razão do princípio da presunção da inocência, previsto no artigo 5º, LVII, da Constituição Federal. Logo, deve ser mantida a causa de diminuição do art. 33, §4º, da Lei 11.343/06. F) DO REGIME FECHADO O Ministério Público pugna pela aplicação do regime inicial fechado para cumprimento da pena, argumentando a natureza hedionda do tráfico. Todavia, o art. 2º, §1º, da Lei 8.072/90, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, pois viola o princípio da individualização da pena, previsto no art. 5º, XLVI, da Constituição Federal/88. Além disso, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça pacificaram o entendimento no sentido de que o tráfico privilegiado não tem natureza hedionda. Sendo assim, o pedido ministerial de aplicação do regime fechado deve ser afastado, mantendo-se o regime inicial aberto. G) DA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS O Ministério Público postula pelo afastamento da substituição da pena restritiva de direitos diante da previsão do art. 33, § 4º, da Lei 11.343/06. Todavia, apesar da expressa vedação do artigo referido, é possível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, uma vez que tal vedação foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como diante da Resolução nº 5 do Senado, por conta da violação do princípio da individualização da pena, previsto no artigo 5º, XLVI, da Constituição Federal/88. Assim, deve ser mantida a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer NÃO SEJA PROVIDO o recurso de apelação interposto, MANTENDO-SE, por conseguinte, a decisão recorrida nos seus exatos termos. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 13 de novembro de 2018. Advogado... OAB... Treine a peça: memoriais do procedimento do júri PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XI EXAME OAB (Adaptado) Enunciado Jerusa, atrasada para importante compromisso profissional, dirige seu carro bastante preocupada, mas respeitando os limites de velocidade. Em uma via de mão dupla, Jerusa decide ultrapassar o carro à sua frente, o qual estava abaixo da velocidade permitida. Para realizar a referida manobra, entretanto, Jerusa não liga a respectiva seta luminosa sinalizadora do veículo e, no momento da ultrapassagem, vem a atingir Diogo, motociclista que, em alta velocidade, conduzia sua moto no sentido oposto da via. Não obstante a presteza no socorro que veio após o chamado da própria Jerusa e das demais testemunhas, Diogo falece em razão dos ferimentos sofridos pela colisão. Instaurado o respectivo inquérito policial, após o curso das investigações, o Ministério Público decide oferecer denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática do delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual (art. 121 c/c art. 18, I parte final, ambos do CP). Argumentou o ilustre membro do Parquet a imprevisão de Jerusa acerca do resultado que poderia causar ao não ligar a seta do veículo para realizar a ultrapassagem, além de não atentar para o trânsito em sentido contrário. A denúncia foi recebida pelo juiz competente e todos os atos processuais exigidos em lei foram regularmente praticados. Finda a instrução probatória, o Ministério Público pugnou pela pronúncia da acusada, nos termos da denúncia. O advogado de Jerusa é intimado da referida decisão em 02 de agosto de 2013 (sexta-feira). Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado (a) de Jerusa, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada do último da do prazo para apresentação. (Vale 5,00) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA... Processo nº ... JERUSA, já qualificada nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar MEMORIAIS, com base 403, § 3º, do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos: I) DA TEMPESTIVIDADE A presente peça é tempestiva, uma vez que apresentada dentro do prazo de 5 dias, na forma do artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal. II) DOS FATOS A ré dirigia seu carro quando atingiu a motocicleta de Diogo. Não obstante a presteza do socorro, Diogo faleceu em razão dos ferimentos sofridos pela colisão. Após o encerramento do respectivo inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática do delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, inciso I, parte final, ambos do Código Penal). Após o encerramento da instrução, o Ministério Público pugnou pela pronúncia. A defesa foi intimada no dia 02 de agosto de 2013. III) DO DIREITO DA DESCLASSIFICAÇÃO A ré foi acusada de, na condução do seu veículo, ter causado a morte de Diogo, que conduzia sua motocicleta em alta velocidade, sendo denunciada pela prática do delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, inciso I, parte final, ambos do Código Penal). Todavia, a ré em nenhum momento assumiu o risco de causar a morte de Diogo, nem aceitou o resultado morte da vítima. Ou seja, a ré não agiu com dolo, uma vez que não assumiu o risco nem aceitou o resultado morte, conforme prevê o artigo 18, inciso I (parte final), do Código Penal, que adotou, em relação ao dolo eventual, a teoria do consentimento.Logo, a ré teria agido, em tese, com culpa. Nesse sentido, a conduta da ré se enquadra, em tese, no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro, definido como homicídio culposo na condução de veículo automotor. Em consequência, não havendo crime doloso contra a vida, o Tribunal do Júri não é competente para julgar o processo, razão pela qual deve ocorrer a desclassificação do delito, nos termos do artigo 419 do Código de Processo Penal, remetendo-se os autos ao Juízo competente. IV) DO PEDIDO Ante o exposto, requer: Seja desclassificado o delito de homicídio simples doloso para o delito de homicídio culposo na condução de veículo automotor, previsto no artigo 302 da Lei 9.503/97 (Código de Trânsito Brasileiro), remetendo-se os autos para o Juízo competente, nos termos do artigo 419 do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 09 de agosto de 2013. Advogado... OAB... Treine a peça: recurso em sentido estrito contra decisão de pronúncia PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXVIII EXAME OAB Enunciado Túlio, nascido em 1º-1-1996, primário, começa a namorar Joaquina, jovem que recém completou 15 (quinze) anos. Logo após o início do namoro, ainda muito apaixonado, é surpreendido pela informação de que Joaquina estaria grávida de seu ex-namorado, o adolescente João, com quem mantivera relações sexuais. Joaquina demonstra toda a sua preocupação com a reação de seus pais diante desta gravidez quando tão jovem e, em desespero, solicita ajuda de Túlio para realizar um aborto. Diante disso, no dia 3-1-2014, em Porto Alegre, Túlio adquire remédio abortivo cuja venda era proibida sem prescrição médica e o entrega para a namorada, que, de imediato, passa a fazer uso dele. Joaquina, então, expele algo não identificado pela vagina, que ela acredita ser o feto. Os pais presenciam os fatos e levam a filha imediatamente ao hospital; em seguida, comparecem à Delegacia e narram o ocorrido. No hospital, foi informado pelos médicos que, na verdade, Joaquina possuía um cisto, mas nunca estivera grávida, e o que fora expelido não era um feto. Após investigação, no dia 20-1-2014, Túlio vem a ser denunciado pelo crime do art. 126, caput, c/c. o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, perante o juízo do Tribunal do Júri da Comarca de Porto Alegre/RS, não sendo oferecido qualquer instituto despenalizador, apesar do reclamo defensivo. A inicial acusatória foi recebida em 22-1-2014. Durante a instrução da primeira fase do procedimento especial, são ouvidas as testemunhas e Joaquina, assim como interrogado o réu, todos confirmando o ocorrido. As partes apresentaram alegações finais orais, e o juiz determinou a conclusão do feito para decisão. Antes de ser proferida decisão, mas após manifestação das partes em alegações finais, foram juntados aos autos o boletim de atendimento médico de Joaquina, no qual consta a informação de que ela não estivera grávida no momento dos fatos, a Folha de Antecedentes Criminais de Túlio sem outras anotações e um exame de corpo de delito, que indicava que o remédio utilizado não causara lesões na adolescente. Com a juntada da documentação, de imediato, sem a adoção de qualquer medida, o magistrado proferiu decisão de pronúncia nos termos da denúncia, sendo publicada na mesma data, qual seja, 18 de junho de 2018, segunda-feira, ocasião em que as partes foram intimadas. Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Túlio, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição, considerando- se que todos os dias de segunda a sexta-feira são úteis em todo o país. (Valor: 5,00) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PORTO ALEGRE/RS Processo nº ... TÚLIO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o presente RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com base no art. 581, inciso IV, do Código de Processo Penal. Nesse sentido, requer seja recebido o recurso e procedido o juízo de retratação, nos termos do art. 589 do Código de Processo Penal. Se mantida a decisão, requer seja encaminhado o presente recurso, já com as razões inclusas, ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, para o devido processamento. O presente recurso é tempestivo, já que interposto dentro do prazo de 5 dias, previsto no artigo 586 do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 25 de junho de 2018 Advogado... OAB... EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Recorrente: TÚLIO Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO Processo nº... RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul Colenda Câmara Criminal I) DOS FATOS O Ministério Público denunciou o recorrente pelo crime de tentativa de aborto, previsto no art. 126, caput, combinado com art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. Durante a instrução, foram ouvidas as testemunhas e Joaquina, bem ainda realizado o interrogatório. Encerrada a instrução, o Magistrado proferiu decisão pronunciando o recorrente pelo crime previsto no art. 126, caput, combinado com art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. A defesa foi intimada da decisão no dia 18 de junho de 2018, segunda-feira. II) DO DIREITO A) PRELIMINAR A1) DA PRESCRIÇÃO O réu foi denunciado pela prática do crime do art. 126, caput, combinado com art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. A pena máxima do delito de aborto é 04 (quatro) anos de reclusão. Logo, o prazo prescricional é de 8 (oito) anos, nos termos do art. 109, inciso IV, do Código Penal. Todavia, como o réu era menor de 21 (vinte e um) anos de idade à época do fato, o prazo prescricional deverá ser contado pela metade, forte art. 115 do Código Penal. Assim o prazo prescricional, no caso, é de 04 (quatro) anos. Entre a data de recebimento da denúncia, 22-1-2014, até a data de publicação da sentença de pronúncia, dia 18-6-2018, decorreram mais de 04 (quatro) anos, configurando a prescrição da pretensão punitiva em abstrato do delito em tela. Sendo assim, incidiu a causa de extinção da punibilidade pela prescrição, nos termos no art. 107, inciso IV, do Código Penal. A2) DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO O Ministério Público deixou de oferecer a suspensão condicional do processo, mesmo sendo postulado pela defesa. Todavia, nos termos do art. 89 da Lei nº 9.099/1995, caberá ao Ministério Público oferecer proposta suspensão condicional do processo quando a pena mínima cominada ao delito imputado for de até 01 (um) ano, abrangidos ou não por esta lei, preenchidos os demais requisitos legais, dentre os quais se destacam a primariedade e a presença dos requisitos do art. 77 do Código Penal. O réu faz jus ao benefício, pois o crime de aborto tentando pelo qual foi denunciado possui pena mínima não superior a um ano. Além disso, o recorrente é primário e de bons antecedentes, conforme folha de antecedentes criminais sem outras anotações juntada no processo. Logo, deve ser declarada a nulidade da instrução e da decisão de pronúncia, uma vez que não foi oferecida a proposta de suspensão condicional do processo. A3) DO CERCEAMENTO DE DEFESA Após encerrada a instrução, foram juntados aos autos o boletim de atendimento médico de Joaquina e a Folha de Antecedentes Criminais de Túlio, sendo que, de imediato, o juiz proferiu decisão após juntada sem dar vista às partes. Todavia, ao não conceder vista do boletim médico e da folha de antecedentes criminais à defesa, houve clara violação do princípio do contraditório e da ampla defesa, previsto noart. 5º, inciso LV, da Constituição Federal/1988. Logo, deve ser anulada a decisão de pronúncia em razão do cerceamento de defesa. B) DO MÉRITO B1) DO CRIME IMPOSSÍVEL O réu foi denunciado pelo crime de tentativa de aborto. Todavia, conforme boletim de atendimento médico, Joaquina não estava grávida no momento dos fatos. Nos termos do art. 17 do Código Penal, não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o delito. Trata-se, portanto, de crime impossível. No caso, há impropriedade absoluta do objeto, já que Joaquina não estava grávida para causar o aborto. O reconhecimento do crime impossível gera a atipicidade da conduta e, consequentemente, a absolvição sumária pelo fato evidente não constituir crime, com base no art. 415, inciso III, do Código de Processo Penal. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, com a REFORMA DA DECISÃO DE 1º GRAU, para o fim de que: a) Seja declarada a extinção da punibilidade, com base no art. 107, inciso IV, do Código Penal; b) Seja reconhecida a nulidade dos atos processuais, com oferecimento de proposta de suspensão condicional do processo; c) Seja declarada a nulidade da decisão de pronúncia, por violação do princípio da ampla defesa; d) Absolvição sumária, com base no art. 415, inciso III, do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 25 de junho de 2018. Advogado... OAB... Treine a peça: agravo em execução PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXIX EXAME OAB (Adaptada) Enunciado Guilherme foi condenado definitivamente pela prática do crime de lesão corporal seguida de morte, sendo-lhe aplicada a pena de 06 anos de reclusão, a ser cumprida em regime inicial fechado, em razão das circunstâncias do fato. Após cumprir 01 ano da pena aplicada, Guilherme foi beneficiado com progressão para o regime semiaberto. Na unidade penitenciária, o apenado trabalhava internamente em busca da remição. Durante o cumprimento da pena nesse regime, veio a ser encontrado escondido em seu colchão um aparelho de telefonia celular. O diretor do estabelecimento penitenciário, ao tomar conhecimento do fato por meio dos agentes penitenciários, de imediato reconheceu na ficha do preso a prática de falta grave, apenas afirmando que a conduta narrada pelos agentes, e que teria sido praticada por Guilherme, se adequava ao Art. 50, inciso VII, da Lei nº 7.210/84. O reconhecimento da falta pelo diretor foi comunicado ao Ministério Público, que apresentou promoção ao juízo da Vara de Execuções Penais de São Paulo, juízo este competente, requerendo a perda de benefícios da execução por parte do apenado. O juiz competente, analisando o requerimento do Ministério Público, decidiu que, “considerando a falta grave reconhecida pelo diretor da unidade, impõe-se: a) a regressão do regime de cumprimento de pena para o fechado; b) perda da totalidade dos dias remidos; c) reinício da contagem do prazo de livramento condicional; d) reinício da contagem do prazo do indulto.” Ao ser intimado do teor da decisão, em 09 de julho de 2019, terça-feira, Guilherme entra em contato, de imediato, com você, na condição de advogado(a), esclarecendo que nunca fora ouvido sobre a aplicação da falta grave, apenas tendo conhecimento de que a Defensoria se manifestou no processo de execução após o requerimento do Ministério Público. Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Guilherme, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição, considerando que, em todos os locais do país, de segunda a sexta-feira são dias úteis. (Valor: 5,00). EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÃO PENAL DA COMARCA DE SÃO PAULO/SP Processo nº... GUILHERME, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO, com base no artigo 197 da Lei 7.210/84 (Lei de Execução Penal). Nesse sentido, requer seja recebido o recurso e procedido o juízo de retratação, nos termos do artigo 589 do Código de Processo Penal. Se mantida a decisão, requer seja encaminhado o recurso, já com as razões inclusas, ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo/SP, para o devido processamento. O presente recurso é tempestivo, pois interposto dentro do prazo de 5 dias, nos termos da Súmula 700 do Supremo Tribunal Federal e artigo 586 do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 15 de julho de 2019. Advogado... OAB... EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO AGRAVANTE: Guilherme AGRAVADO: Ministério Público Processo nº... RAZÕES DO RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo Colenda Câmara Criminal I) DOS FATOS O agravante foi condenado, definitivamente, pela prática do crime de lesão corporal seguida de morte, sendo-lhe aplicada a pena de 06 anos de reclusão, em regime fechado. Após cumprir 01 ano da pena aplicada, foi encontrado no colchão do agravante um aparelho de telefone celular, reconhecendo-se, assim, a prática de falta grave. Após requerimento do Ministério Público, o Magistrado decidiu pela a) regressão do regime de cumprimento da pena para o fechado; b) perda da totalidade dos dias remidos; c) reinício da contagem do prazo de livramento condicional; d) reinício da contagem do prazo do indulto. A defesa técnica foi intimada da decisão no dia 09 de julho de 2019. II) DO DIREITO A) Da invalidade do reconhecimento de falta grave O Magistrado regrediu o regime de cumprimento da pena para o fechado. Todavia, para o reconhecimento da falta grave é necessário o regular procedimento administrativo disciplinar (PAD), com o intuito de assegurar o direito ao exercício do princípio da ampla defesa e contraditório, conforme Súmula 533 do Superior Tribunal de Justiça. Logo, o diretor do estabelecimento carcerário reconheceu a prática de falta grave sem instaurar procedimento administrativo e sem garantir direito de defesa, violando os princípios constitucionais. Assim, não havendo o reconhecimento da prática de falta grave, não será possível aplicar a regressão de cumprimento da pena para o regime fechado. B) Da invalidade da perda total dos dias remidos O Magistrado considerou na sua sentença a perda da totalidade dos dias remidos. Todavia, não é possível considerar a perda da totalidade, ainda que válido o reconhecimento da falta grave, o juiz poderia somente decretar a perda de 1/3 dos dias remidos, conforme artigo 127 da Lei de Execução Penal. Logo, resta equivocada a decisão do Magistrado determinando a perda de todos os dias remidos. C) Da contagem do prazo de livramento condicional O Magistrado considerou em sua sentença o reinício da contagem do prazo de livramento condicional. Todavia, tal decisão não encontra respaldo na lei, já que não há previsão dessa sanção em decorrência da falta grave. Logo, a decisão proferida pelo magistrado violou o princípio da legalidade, não gerando, portanto, a falta grave reinício da contagem do prazo do livramento condicional, conforme se extrai da Súmula 441 do Superior Tribunal de Justiça. D) Da contagem do prazo do indulto O Magistrado considerou em sua sentença o reinício da contagem do prazo do indulto. Todavia, a prática de falta grave não gera reinício da contagem do prazo do indulto, nos termos da Súmula 535 do Superior Tribunal de Justiça. Logo, a decisão proferida pelo magistrado violou o princípioda legalidade, não gerando, portanto, a falta grave reinício da contagem do prazo do indulto. III – DO PEDIDO Ante o exposto, requer seja CONHECIDO e PROVIDO o presente recurso, com a REFORMA DA DECISÃO, para o fim de afastar o reconhecimento da falta grave e suas consequências impostas na sentença. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 15 de julho de 2019. Advogado... OAB... Treine a peça: revisão criminal PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado Wilson, primário, nascido em 15/01/2000, foi denunciado pela prática do crime de estupro de vulnerável, previsto no Art. 217-A do Código Penal, contra sua enteada, que contava com 12 (doze) anos de idade à época do fato, ocorrido em 18/09/2019, em Santos/SP. Durante a tramitação do processo, Wilson foi devidamente citado, mas não apresentou resposta à acusação, nem constituiu advogado. O Magistrado, verificando a desídia do réu, de imediato, decretou sua revelia e designou audiência de instrução. Na audiência de instrução, a vítima confirmou que o réu teria tocado na sua genitália. Carla, ex-companheira de Wilson e mãe da vítima, disse que sua filha reclamou que o réu havia tocado na sua vagina. O réu negou veementemente os abusos, não sabendo apontar a razão pela qual estava sendo acusado de tal crime. Ao final dos debates orais promovidos pelo Ministério Público e pela Defesa Pública nomeada para o ato, o Magistrado proferiu sentença condenando o réu a 10 (dez) anos de reclusão, sem o reconhecimento de qualquer atenuante, uma vez que a sentença foi proferida no dia 15 de fevereiro 2021, quando o réu já tinha completado 21 anos de idade. Apesar dos recursos interpostos, a sentença transitou em julgado, sendo a condenação mantida integralmente. Após dois anos do início do cumprimento da pena, Carla, ex-companheira do réu, faleceu. A vítima, após a morte da sua mãe, encorajou- se e admitiu que tudo não havia passado de um ardil de sua mãe que obrigou-a a acusar falsamente o então padrasto sobre o caso como forma de se “livrar” dele. A vítima retificou suas declarações que ensejaram a condenação do réu por meio de ação de justificação. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, redija a peça cabível, excluindo a possibilidade de impetração de habeas corpus, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,0) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO WILSON, nacionalidade..., profissão..., estado civil..., RG..., CPF..., com endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência ajuizar a presente REVISÃO CRIMINAL, com base no art. 621, incisos I e II, do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos: I) DOS FATOS O requerente foi denunciado pela prática do delito de estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A do Código de Processo Penal, ocorrido no dia 18/09/2019. Após o encerramento da instrução probatória e oferecimento das alegações finais, o Magistrado proferiu decisão, condenando o requerente à pena de 10 anos de reclusão. Após o esgotamento de todos os recursos, a sentença transitou em julgado, sendo a condenação mantida integralmente. Passados dois anos do início do cumprimento da pena, a vítima retificou suas declarações que ensejaram a condenação do requerente por meio de ação de justificação. II) DO DIREITO A) DA NULIDADE DO PROCESSO Durante a tramitação do processo, Wilson foi devidamente citado, mas não apresentou resposta à acusação, nem constituiu advogado. O Magistrado, de imediato, decretou sua revelia e designou audiência de instrução. Todavia, deveria o Magistrado nomear defensor para apresentar a resposta à acusação, conforme prevê o artigo 396-A, § 2º, do Código de Processo Penal. Logo, verifica-se a nulidade do processo, por violação do princípio da ampla defesa e do contraditório, previsto no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, bem como no artigo 564, III, alínea “c”, do Código de Processo Penal, e Súmula 523 do Supremo Tribunal Federal. Assim, deve ser declarada a nulidade do processo, com base no artigo 626 do Código de Processo Penal. B) DA ABSOLVIÇÃO Na audiência de instrução, a vítima confirmou que o réu havia tocado na sua genitália. Todavia, após a morte de sua mãe, a vítima tomou coragem e admitiu que tudo não havia passado de um ardil de sua mãe que obrigou-a a acusar falsamente o réu sobre o caso como forma de se “livrar” dele. Logo, verifica-se que a sentença condenatória se fundou em depoimento comprovadamente falso, já que, em ação de justificação, a vítima retificou suas declarações que ensejaram a condenação do réu, autorizando a revisão da condenação, nos termos do artigo 621, inciso II, do Código de Processo Penal. Assim, o réu deve ser absolvido, com base nos artigos 626 e 386, inciso I, ambos do Código de Processo Penal. C) DA ATENUANTE DA MENORIDADE O Magistrado proferiu sentença condenando o réu a 10 (dez) anos de reclusão, sem reconhecimento de qualquer atenuante, uma vez que a sentença foi proferida no dia 15 de fevereiro de, quando o réu já teria completado 21 anos de idade. Todavia, o réu, ao tempo do fato, era menor de 21 anos de idade, já que nascido em 15/01/2000, e o fato, em tese, teria sido praticado em 18/09/2019. Nos termos do artigo 65, inciso I, do Código Penal, se o réu for menor de 21 anos à época dos fatos, deve o juiz reconhecer a atenuante da menoridade. Logo, na hipótese de não ser reconhecida a nulidade do processo e a tese absolutória, a pena imposta ao réu deve ser modificada, para que seja reconhecida a atenuante da menoridade. D) DA LIMINAR Após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, o réu deu início ao cumprimento da pena. Todavia, diante da evidente possibilidade de nulidade do processo e absolvição do réu, há justificativa plausível para a suspensão liminar da execução da pena. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer seja procedente a ação de revisão criminal, a fim de que: a)Seja declarada a nulidade do processo, nos termos do artigo 626 do Código de Processo Penal; b) Seja o réu absolvido, nos termos dos artigos 626 e 386, inciso I, ambos do Código de Processo Penal; c) Subsidiariamente, que seja modificada a pena, com o reconhecimento da atenuante da menoridade, nos termos do artigo 65, inciso I, do Código Penal; d) Seja suspensa liminarmente a execução da pena; e) Seja reconhecido o direito à indenização, nos termos do artigo 630 do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., data... Advogado... OAB... Treine a peça: recurso ordinário constitucional PEÇA PRÁTICA-PROFISSIONAL Enunciado Durante investigação para apurar a prática de roubos a agências bancárias ocorridos em Volta Redonda/RJ, agentes da polícia civil, embora desconfiados que Pedro Rocha estivesse envolvido nos crimes, não conseguiram reunir provas suficientes para apontá-lo como um dos assaltantes de banco. Diante disso, o Delegado de Polícia orientou um dos policiais a passar a frequentar os mesmos lugares do investigado Pedro Rocha para com ele estabelecer relação de confiança. Ao manter reiterados contatos com Pedro Rocha, o agente policial disfarçado convence o investigado a com ele praticar um roubo em determinada agência bancária. Diante disso, no dia 15 de outubro de 2021, previamente engendrados, o policial disfarçado e o investigado dirigem-se ao banco e, no instante em que ingressaram na agência bancária e anunciaram o assalto, diversos policiais, que monitoravam toda a ação, prenderam Pedro Rocha em flagrante,sob a acusação da prática do crime de roubo majorado tentado. Ao final, o Delegado de Polícia lavrou o auto de prisão em flagrante, observando todas as formalidades legais, e encaminhou à autoridade judiciária. Durante a audiência de custódia, após ouvir o flagrado, o Magistrado, acolhendo requerimento do Ministério Público, converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, com base no artigo 310, inciso II, do Código de Processo Penal. Irresignado, Pedro Rocha, por meio do seu advogado(a), impetrou Habeas corpus, que foi denegado, por maioria dos votos, pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, na qualidade de advogado(a) de Pedro Rocha, redija a peça cabível, exclusiva de advogado(a), no que tange à liberdade de seu cliente. (Valor: 5,00) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO PEDRO ROCHA, já qualificado nos autos, por seu procurador infra- assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, interpor o presente RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL, com base no artigo 105, inciso II, “a” da Constituição Federal/88, combinado com os artigos 30 e 32, ambos da Lei 8.038/90, requerendo seja o recurso recebido e processado e, ao final, remetido ao Superior Tribunal de Justiça. O presente recurso é tempestivo, pois interposto dentro do prazo de 5 dias, previsto no artigo 30 da Lei nº 8.038/1990. Nestes termos, pede deferimento. Local... e data... Advogado... OAB... COLENDO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Recorrente/Impetrante: Pedro Rocha Recorrido: Ministério Público Autos nº RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA COLENDA TURMA I) DOS FATOS O requerente foi preso em flagrante, acusado de ter praticado, em tese, o delito de roubo majorado tentado. O auto de prisão em flagrante foi lavrado e encaminhado à autoridade judiciária, que converteu em prisão preventiva. O recorrente impetrou habeas corpus, que, por maioria, foi denegado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. II) DO DIREITO A) DO FLAGRANTE PREPARADO/PROVOCADO O recorrente foi preso acusado de ter praticado, em tese, o crime de roubo majorado tentado. Todavia, trata-se de prisão ilegal, já que um policial disfarçado convenceu o requerente a ingressar na agência bancária e anunciar o assalto, momento em que foi preso em flagrante, caracterizando o chamado flagrante preparado ou provocado. Nos termos da Súmula 145 do Supremo Tribunal Federal, não configura crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação. Logo, em se tratando de flagrante preparado e crime impossível, previsto no artigo 17 do Código Penal, verifica-se que a prisão é ilegal, devendo ser relaxada. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o recurso, com a consequente reforma do acórdão recorrido, para o fim de que seja concedido o habeas corpus e relaxada a prisão em flagrante do recorrente, com a expedição do alvará de soltura. Nestes termos, Pede deferimento. Local... e data... ADVOGADO... OAB... Treine a peça: resposta à acusação no procedimento do júri PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXVIII EXAME OAB (Adaptado) Enunciado Túlio, nascido em 01/01/1996, primário, começa a namorar Joaquina, jovem que recém completou 15 anos. Logo após o início do namoro, ainda muito apaixonado, é surpreendido pela informação de que Joaquina estaria grávida de seu ex-namorado, o adolescente João, com quem mantivera relações sexuais. Joaquina demonstra toda a sua preocupação com a reação de seus pais diante desta gravidez quando tão jovem e, em desespero, solicita ajuda de Túlio para realizar um aborto. Diante disso, no dia 03/01/2014, em Porto Alegre, Túlio adquire remédio abortivo cuja venda era proibida sem prescrição médica e o entrega para a namorada, que, de imediato, passa a fazer uso dele. Joaquina, então, expele algo não identificado pela vagina, que ela acredita ser o feto. Os pais presenciam os fatos e levam a filha imediatamente ao hospital; em seguida, comparecem à Delegacia e narram o ocorrido. No hospital, foi informado pelos médicos que, na verdade, Joaquina possuía um cisto, mas nunca estivera grávida, e o que fora expelido não era um feto. Em face disso, foi determinada realização de perícia. Como não havia perito oficial na comarca, o inquérito policial demorou para ser concluído, sendo acostados ao procedimento investigatório o laudo médico pericial, no qual consta a informação de que Joaquina não estivera grávida no momento dos fatos, a Folha de Antecedentes Criminais de Túlio sem outras anotações e um exame de corpo de delito, que indicava que o remédio utilizado não causara lesões na adolescente. Após conclusão do inquérito policial, no dia 20/01/2018, Túlio vem a ser denunciado pelo crime do Art. 126, caput, c/c. o Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, perante o juízo do Tribunal do Júri da Comarca de Porto Alegre/RS, não sendo oferecido qualquer instituto despenalizador, apesar do reclamo defensivo. A denúncia foi recebida em 22/01/2018. O réu foi citado no dia 18 de junho de 2018, segunda-feira. Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Túlio, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição, considerando- se que todos os dias de segunda a sexta-feira são úteis em todo o país. (Valor: 5,00) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PORTO ALEGRE/RS Processo nº ... TÚLIO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com base no artigo 406 do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos: I) DA TEMPESTIVIDADE A presente peça é tempestiva, uma vez que apresentada dentro do prazo de 10 dias, na forma do artigo 406 do Código de Processo Penal. II) DOS FATOS O Ministério Público denunciou o réu pelo crime de tentativa de aborto, previsto no artigo 126, caput, combinado com artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal. A denúncia foi recebida no dia 22 de janeiro de 2018. O réu foi citado no dia 18 de junho de 2018, segunda-feira. III) DO DIREITO A) DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO O Ministério Público deixou de oferecer a suspensão condicional do processo, mesmo sendo postulado pela defesa. Todavia, nos termos do artigo 89 da Lei nº 9.099/95, caberá ao Ministério Público oferecer proposta suspensão condicional do processo quando a pena mínima cominada ao delito imputado for de até 01 ano, abrangidos ou não por esta Lei, preenchidos os demais requisitos legais, dentre os quais se destacam a primariedade e a presença dos requisitos do artigo 77 do Código Penal. O réu faz jus ao benefício, pois o crime de aborto tentando pelo qual foi denunciado possui pena mínima não superior a um ano. Além disso, o recorrente é primário e de bons antecedentes, conforme folha de antecedentes criminais sem outras anotações juntada no processo. Logo, deve ser declarada a nulidade do recebimento da denúncia, uma vez que não foi oferecida a proposta de suspensão condicional do processo. B) DA PRESCRIÇÃO O réu foi denunciado pela prática do crime do artigo 126, caput, combinado com artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal. A pena máxima do delito de aborto é 04 anos de reclusão. Logo, oprazo prescricional é de 8 anos, nos termos do artigo 109, inciso IV, do Código Penal. Todavia, como o réu era menor de 21 anos de idade à época do fato, o prazo prescricional deverá ser contado pela metade, forte artigo 115 do Código Penal. Assim o prazo prescricional, no caso, é de 04 anos. Entre a data da consumação do delito, dia 03 de janeiro de 2014, e a do recebimento da denúncia, 22/01/2018, decorreram mais de 04 anos, configurando a prescrição da pretensão punitiva em abstrato do delito em tela. Sendo assim, incidiu a causa de extinção da punibilidade pela prescrição, devendo o réu ser absolvido sumariamente, nos termos do artigo 397, IV, do Código de Processo Penal. C) DO CRIME IMPOSSÍVEL O réu foi denunciado pelo crime de tentativa de aborto. Todavia, conforme boletim de atendimento médico, Joaquina não estava grávida no momento dos fatos. Nos termos do artigo 17 do Código Penal, não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o delito. Trata-se, portanto, de crime impossível. No caso, há impropriedade absoluta do objeto, já que Joaquina não estava grávida para causar o aborto. O reconhecimento do crime impossível gera a atipicidade da conduta e, consequentemente, a absolvição sumária pelo fato evidentemente não constituir crime, com base no artigo 397, inciso III, do Código de Processo Penal. IV) DO PEDIDO Ante o exposto, requer: a) Seja reconhecida a nulidade dos atos processuais, com oferecimento de proposta de suspensão condicional do processo; b) Absolvição sumária, com base no artigo 397, inciso III, do Código de Processo Penal; c) Absolvição sumária, com base no artigo 397, inciso IV, do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 28 de junho de 2018. Advogado... OAB... Peças muito relevantes Treine a peça: revogação da prisão preventiva PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado No dia 29 de setembro de 2014, Paulo Dantas foi encontrado morto na sua residência, localizada no Município de Petrópolis/RJ. Ao longo da investigação, a partir das declarações da testemunha Marieta Lemos, a autoridade policial passou a suspeitar que Cláudio Valentino tenha sido o autor do delito. Na ocasião, Marieta Lemos disse ter recebido mensagem de texto enviada por Cláudio, em tom ameaçador, no sentido de que seria melhor ela não testemunhar, para evitar problemas a ela e à sua família. Em razão disso, a autoridade policial representou pela prisão preventiva de Cláudio, anexando na representação as mensagens enviadas pelo acusado. O Magistrado decretou a prisão preventiva, em despacho motivado, aduzindo, como razão de decidir, a conveniência da instrução criminal, sendo o mandado de prisão cumprido. Após a conclusão do inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Cláudio, imputando-lhe a prática de crime de homicídio, previsto no art. 121, “caput”, do Código Penal. Durante a audiência de instrução, após ser ouvida sobre os fatos relacionados à morte de Paulo, Marieta disse que a ameaça sofrida foi a única proferida por Cláudio. Diante do avançado da hora, o Magistrado suspendeu a audiência e designou outra data para oitiva de uma testemunha de defesa faltante e interrogatório do réu. Insatisfeito com a atuação do seu antigo defensor, já que ainda estava preso, Cláudio contrata você para defendê-lo. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, na qualidade de advogado (a) de Cláudio Valentino, redija a peça cabível, exclusiva de advogado, no que tange à liberdade de seu cliente, alegando para tanto toda a matéria de direito pertinente ao caso. (Valor: 5,00) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PETRÓPOLIS/RJ Autos nº CLÁUDIO VALENTINO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, requerer a REVOGAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA, com base no artigo 316 do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. I) DOS FATOS No dia 29 de setembro de 2014, Paulo Dantas foi encontrado morto na sua residência. O requerente teve a sua prisão preventiva decretada, sob o fundamento da conveniência da instrução criminal. O Ministério Público denunciou o requerente pela prática do delito previsto no artigo 121, “caput”, do Código Penal. A testemunha Marieta foi ouvida em juízo e diante do avançado da hora, o Magistrado suspendeu a audiência e designou outra data para inquirição da testemunha de defesa faltante e interrogatório do réu. II) DO DIREITO A) DA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS QUE AUTORIZAM A PRISÃO PREVENTIVA No caso, a revogação da prisão preventiva é medida que se impõe, pois não mais subsiste o motivo que o levou o juiz a decretá-la. Conforme se verifica, o Magistrado decretou a prisão preventiva por conveniência da instrução criminal. Todavia, a testemunha Marieta foi ouvida em juízo e disse não ter sido mais ameaçada ao longo da instrução criminal. Assim, o motivo que ensejou a prisão do requerente não mais subsiste, uma vez que a testemunha já prestou declarações em juízo. Logo, não subsiste nenhum fundamento para a manutenção da prisão preventiva do requerente, já que não representa perigo à ordem pública, à ordem econômica, à conveniência da instrução criminal ou aplicação da lei penal, estando, portanto, ausentes os pressupostos e requisitos previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal. B) DO PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DA INOCÊNCIA Convém destacar que prevalece no nosso ordenamento jurídico o princípio da presunção da inocência, previsto no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal/88. Logo, o requerente faz jus a responder ao processo em liberdade. C) DA MEDIDA CAUTELAR DIVERSA DA PRISÃO Da mesma forma, em não sendo concedida a liberdade plena, possível a fixação de medida cautelar diversa da prisão, prevista no artigo 319 do Código de Processo Penal, por se tratar de medida mais conveniente e adequada ao caso, nos termos do artigo 282 do Código de Processo Penal. Nesse caso, a medida cautelar diversa da prisão mais adequada seria a proibição de o réu manter contato com a testemunha, o que desde logo se compromete, nos termos do artigo 319, III, do Código de Processo Penal. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer: a) A revogação da prisão preventiva, com expedição do alvará de soltura; b) Subsidiariamente, a concessão de medida cautelar diversa da prisão. Nestes termos, Pede deferimento. Local... e data... Advogado... OAB... Treine a peça: relaxamento de prisão PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – VI EXAME OAB – adaptada Enunciado No dia 10 de março de 2020, após ingerir um litro de vinho na sede de sua fazenda, José Alves pegou seu automóvel e passou a conduzi-lo ao longo da estrada que tangencia sua propriedade rural. Após percorrer cerca de dois quilômetros na estrada absolutamente deserta, José Alves foi surpreendido por uma equipe da Polícia Militar que lá estava a fim de procurar um indivíduo foragido do presídio da localidade. Abordado pelos policiais, José Alves saiu de seu veículo trôpego e exalando forte odor de álcool, oportunidade em que, de maneira incisiva, os policiais lhe compeliram a realizar um teste de alcoolemia em aparelho de ar alveolar. Realizado o teste, foi constatado que José Alves tinha concentração de álcool de um miligrama por litro de ar expelido pelos pulmões, razão pela qual os policiais o conduziram à Unidade de Polícia Judiciária, onde foi lavrado Auto de Prisão em Flagrante pela prática do crime previsto no art. 306 da Lei nº 9.503/1997,sendo-lhe negado no referido Auto de Prisão em Flagrante o direito de entrevistar-se com seus advogados ou com seus familiares. Dois dias após a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante, em razão de José Alves ter permanecido encarcerado na Delegacia de Polícia, você é procurado pela família do preso, sob protestos de que não conseguiam vê-lo e de que o delegado não comunicara o fato ao juízo competente, tampouco à Defensoria Pública. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, na qualidade de advogado de José Alves, redija a peça cabível, exclusiva de advogado, no que tange à liberdade de seu cliente, questionando, em juízo, eventuais ilegalidades praticadas pela Autoridade Policial, alegando para tanto toda a matéria de direito pertinente ao caso. (Valor 5,00) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA CRIMINAL DA COMARCA... Autos nº... JOSÉ ALVES, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., CPF..., endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua..., vem, por seu procurador infra- assinado, com procuração em anexo, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, requerer o RELAXAMENTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE, com base no art. 310, inciso I, do Código de Processo Penal e art. 5º, inciso LXV, da Constituição Federal/1988, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos: II) DOS FATOS O requerente foi preso em flagrante, acusado de ter praticado o delito previsto no art. 306 da Lei nº 9.503/1997. O requerente foi compelido a realizar o teste de alcoolemia em aparelho alveolar, sendo-lhe negado no auto de prisão em flagrante o direito de se entrevistar com advogado e com seus familiares. O requerente permaneceu preso dois dias após a lavratura da prisão em flagrante, sendo que a autoridade policial não comunicou o fato ao juízo competente nem à Defensoria Pública. II) DO DIREITO A) DA PROVA ILÍCITA O requerente foi compelido a realizar o teste de alcoolemia em aparelho de ar alveolar. Todavia, trata-se de prova ilícita, porque violou o direito do requerente de não produzir prova contra si mesmo, previsto no art. 5º, inciso LXIII, da Constituição Federal/1988 e art. 8º, § 2, alínea g, do Decreto nº 678/1992. Além disso, o requerente foi forçado a realizar o teste de alcoolemia. Logo, trata-se de prova ilícita, nos termos do art. 157 do Código de Processo Penal, e art. 5º, inciso LVI, da Constituição Federal/1988. B) DO DIREITO À ADVOGADO E COMUNICAÇÃO À FAMÍLIA A autoridade policial negou ao requerente o direito de se entrevistar com advogado, bem como não permitiu comunicação com a família. Todavia, nos termos do art. 306, § 1º, do Código de Processo Penal, e art. 5º, inciso LXIII, da Constituição Federal/1988, o preso tem direito à assistência de advogado. Logo, deveria a autoridade policial viabilizar a presença de advogado ou encaminhar a cópia dos autos à defensoria Pública. Além disso, a família do preso não foi imediatamente comunicada sobre a prisão, havendo, portanto, violação ao art. 306, caput, do Código de Processo Penal, e art. 5º, inciso LXII, da Constituição Federal/1988. C) DA AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO AO JUIZ COMPETENTE E À DEFENSORIA PÚBLICA A autoridade policial não comunicou a prisão ao juiz competente, nem tampouco à Defensoria Pública. Todavia, nos termos do art. 306, § 1º, do Código de Processo Penal, e art. 5º, inciso LXII, da Constituição Federal, a prisão deveria ser comunicada imediatamente ao juiz competente, bem como à Defensoria Pública, no prazo de 24 horas. Logo, trata-se de prisão ilegal. D) DA NOTA DE CULPA Após o decurso de dois dias da lavratura da prisão em flagrante, o Delegado não havia comunicado e, portanto, encaminhado os autos ao juiz competente, não entregando, pois, a nota de culpa. Todavia, conforme o art. 306, § 2º, do Código de Processo Penal, no prazo de 24 horas após a realização da prisão, deveria ser entregue a nota de culpa ao flagrado. Logo, trata-se de prisão ilegal. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer: a) O relaxamento da prisão em flagrante; b) Expedição do alvará de soltura; c) Vista ao Ministério Público. Nestes termos, Pede deferimento. Local... e data... Advogado... OAB... Treine a peça: defesa preliminar da lei de drogas PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado No dia 25 de janeiro de 2015, Roniquito Vieira foi abordado por policiais, acusado de estar portando 02 gramas de maconha. Após constatar por sua experiência profissional que efetivamente se tratava de cannabis sativa, o policial deu voz de prisão em flagrante, encaminhando Roniquito à Delegacia de Polícia. Durante a lavratura da prisão em flagrante, verificou-se que Roniquito não registrava procedimento policial em seu desfavor. Ao final, a autoridade policial indiciou Roniquito como incurso no crime tráfico ilícito de entorpecentes, previsto no artigo 33 da Lei nº 11.343/2006. Ao longo do procedimento policial, Roniquito negou ser traficante, reconhecendo, contudo, ser dependente químico, já tendo sido, inclusive, internado para tratamento, o que foi confirmado por Joaquim e Manuel, responsáveis pela Clínica de Tratamento. Após o encerramento do procedimento policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Roniquito, imputando-lhe a prática do delito do artigo 33, “caput”, da Lei nº 11.343/2006. O Magistrado determinou a notificação de Roniquito, que ocorreu no dia 03 de junho de 2016, que caiu numa sexta-feira. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, na qualidade de advogado(a) de Roniquito, redija a peça cabível, exclusiva de advogado, invocando todos os argumentos em favor de seu constituinte, datando a peça no último dia do prazo. (valor: 5,00) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA CRIMINAL DA COMARCA.... Processo nº Roniquito Vieira, já qualificado nos autos, por seu procurador infra- assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, oferecer DEFESA PRELIMINAR, com base no artigo 55 da Lei 11.343/2006, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. I) DA TEMPESTIVIDADE A presente defesa preliminar é tempestiva, já que apresentada dentro do prazo de 10 dias, previsto no artigo 55 da Lei 11.343/2006. II) DOS FATOS O réu foi flagrado portando 02 gramas de maconha. Ao longo do seu interrogatório, o réu disse que não era traficante, reconhecendo ser dependente de substância entorpecente. O Ministério Público ofereceu denúncia imputando ao réu a prática do delito do artigo 33 da Lei 11.343/2006. O réu foi notificado. II) DO DIREITO A) DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA O réu foi flagrado portando 02 gramas de maconha, sendo acusado de tráfico de drogas. Todavia, o fato é materialmente atípico, incidindo, no caso, o princípio da insignificância, já que a pequena quantidade de droga apreendida em poder do réu não é capaz de ofender à coletividade ou a saúde pública. Logo, deve ser rejeitada a denúncia, com base no artigo 395, incisos II e III, do Código de Processo Penal. B) DA AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE O réu foi preso acusado de estar portando substância entorpecente. Todavia, a natureza da substância supostamente apreendida em poder do réu foi atestada a partir da experiência profissional do policial que realizou a prisão em flagrante. Logo, não há registro de que tenha sido realizado o laudo de constatação preliminar da natureza da substância, nos termos do artigo 50, §1º, da Lei 11.343/2006. Diante disso, não há prova da materialidade do delito, devendo a denúncia ser rejeitada, por ausência de justa causa, com base no artigo 395, inciso III,do Código de Processo Penal. C) DA DESCLASSIFICAÇÃO PARA O DELITO DO ARTIGO 28 DA LEI 11.343/2006 O Ministério Público denunciou o réu pela prática do delito de tráfico ilícito de entorpecentes. Todavia, deve ser desclassificado o crime de tráfico de drogas para o delito previsto no artigo 28 da Lei 11.343/2006. O réu, perante a autoridade policial, disse não ser traficante, reconhecendo ser dependente de substância entorpecente, tendo sido, inclusive, internado para tratamento de dependência química, o que foi confirmado por Manuel e Joaquim, responsáveis pela Clínica de Tratamento. Além disso, o réu não registra contra si nenhuma ocorrência policial. Assim, nos termos do artigo 28, §2º, da Lei 11.343/2006, considerando a pequena quantidade de droga apreendida, as condições pessoais do réu e a circunstância de ser primário, cabe a desclassificação do delito de tráfico de drogas para o delito previsto no artigo 28 da Lei 11.343/2006, com a remessa dos autos ao Juizado Especial Criminal, juízo competente para processar e julgar infrações de menor potencial ofensivo. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer: a) A rejeição da denúncia, pela atipicidade da conduta, com base no artigo 395, incisos II e III, do Código de Processo Penal; b) A rejeição da denúncia, pela ausência de materialidade, com base no artigo 395, inciso III, do Código de Processo Penal; c) Seja desclassificado o crime previsto no artigo 33 da Lei 11.343/2006 para o delito do artigo 28 da Lei 11.343/2006, remetendo-se os autos ao Juizado Especial Criminal; d) A produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente a testemunhal, conforme rol abaixo. ROL DE TESTEMUNHAS: a)Joaquim b) Manuel Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 15 de junho de 2016 Advogado... OAB... Treine a peça: defesa preliminar de funcionário público PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado Dilson Ferdinando, funcionário público municipal, que exerce a função de motorista, após o encerramento do expediente, resolveu utilizar o carro da Prefeitura para levar a esposa até o Posto de Saúde do Município vizinho, distante 15 Km do município onde trabalha. Duas horas depois, após encher o tanque de gasolina, Wilson devolve o automóvel no mesmo lugar em que o havia retirado. Ao analisarem as câmeras de segurança do Prédio Municipal, guardas municipais perceberam a ação de Wilson, relatando o fato e dando ensejo a instauração de procedimento administrativo disciplinar. O acusado foi interrogado, confessando que, de fato, utilizou o veículo sem autorização, mas que sua intenção era devolvê-lo logo em seguida, como demonstraram as imagens constantes no procedimento. Ao final da instrução do procedimento administrativo, concluiu-se que Wilson praticou falta disciplinar, sendo encaminhada cópia dos autos ao Ministério Público. O Ministério Público ofereceu denúncia contra Wilson pela prática do delito de peculato, previsto no artigo 312, “caput”, do Código Penal. Wilson foi notificado no dia 03 de junho de 2016, sexta-feira. Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo para oferecimento, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA CRIMINAL DA COMARCA.... Processo nº ... Dilson Ferdinando, já qualificado nos autos, por seu procurador infra- assinado, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar DEFESA PRELIMINAR, com base no artigo 514 do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. I) DOS FATOS O réu foi denunciado pela prática do crime de peculato, previsto no artigo 312, “caput”, do Código Penal, porque teria utilizado, sem autorização, o veículo do Município. O réu foi notificado no dia 03 de junho de 2016. A presente defesa preliminar é tempestiva, já que apresentada dentro do prazo de 15 dias, previsto no artigo 514 do Código de Processo Penal. II) DO DIREITO A) DA AUSÊNCIA DE DOLO OU PECULATO DE USO O réu foi acusado de ter utilizado o veículo automotor do Município, sem autorização. Todavia, o réu não teve a intenção de se apropriar do bem, nem tampouco o desviou da Administração Municipal. Pretendia, apenas, utilizar o veículo para levar sua esposa até o Posto de Saúde do Município vizinho e depois devolvê-lo no mesmo lugar que retirou. Assim, não há que se falar em peculato-apropriação, peculato-desvio ou peculato-furto. Logo, o réu não tinha dolo de se apropriar, desviar ou subtrair o veículo, tanto que, após encher o tanque de gasolina, devolveu-o no mesmo local que pegou e nas mesmas condições, caracterizando, no caso, peculato de uso, que constitui fato atípico. Assim, trata-se de fato atípico, devendo a denúncia ser rejeitada, nos termos do artigo 395, incisos II e III, do Código de Processo Penal. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer o réu seja a denúncia rejeitada, com base no artigo 395, incisos II e III, do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 20 de junho de 2016. Advogado... OAB... Treine a peça: apelação no Tribunal do Júri PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado Fernando foi pronunciado pela prática de um crime de homicídio doloso consumado que teve como vítima Henrique. No dia 07 de julho de 2015, numa terça-feira, em sessão plenária do Tribunal do Júri, todas as testemunhas asseguraram que Henrique iniciou agressões contra Fernando e que este agiu em legítima defesa. No momento do julgamento, os jurados reconheceram a autoria e materialidade e optaram por condenar Fernando pela prática do delito de homicídio doloso. Após a prolação da sentença condenatória, que impôs ao réu a pena de 06 (seis) anos, em regime semiaberto, a família de Fernando toma conhecimento de que dois dos jurados que atuaram no julgamento eram irmãos. A intimação da sentença ocorreu na sessão plenária. Com base nas informações acima expostas e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de Habeas Corpus, no último dia do prazo para interposição, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5.00 pontos) Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO PRESIDENTE DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA... Processo nº ... FERNANDO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra- assinado, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o presente RECURSO DE APELAÇÃO, com base no artigo 593, inciso III, “a” e “d”, do Código de Processo Penal. O presente recurso de apelação é tempestivo, já que interposto dentro do prazo de 5 dias, previsto no artigo 593, “caput”, do Código de Processo Penal. Assim, requer seja recebido e processado o recurso, já com as razões anexas, remetendo-se os autos ao Tribunal de Justiça do Estado... Nestes termos, Pede deferimento Local..., 13 de julho de 2015. Advogado... OAB... EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ... Apelante: Fernando Apelado: Ministério Público Processo nº RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO Egrégio Tribunal de Justiça do Estado... Colenda Câmara Criminal I – DOS FATOS O réu foi denunciado e pronunciado pela prática do crime de homicídio doloso. Durante a sessão plenária do Júri, todas as testemunhas disseram que a vítima iniciou as agressões e que o réu agiu em legítima defesa. Os jurados decidiram pela condenação do réu. O Magistrado fixou a pena em 06 (seis) anos, em regime semiaberto. II) DODIREITO A) Da nulidade posterior à pronúncia Após a sessão plenária, a família do réu tomou conhecimento de que dois dos jurados que atuaram no julgamento eram irmãos. Todavia, nos termos do artigo 448, inciso IV, do Código de Processo Penal, irmãos são impedidos de servirem de jurados no mesmo Conselho de Sentença. Logo, considerando que dois dos jurados eram irmãos, deve ser anulada a sessão do plenário do Júri, nos termos do artigo 593, inciso III, “a”, do Código de Processo Penal. B) Da decisão manifestamente contrária à prova dos autos Os jurados reconheceram a autoria e a materialidade e optaram por condenar o réu pela prática do delito de homicídio doloso. Todavia, todas as testemunhas asseguraram que a vítima iniciou as agressões contra Fernando e que este agiu em legítima defesa. Logo, a decisão dos jurados é manifestamente contrária à prova dos autos, devendo o presente recurso ser provido, a fim de sujeitar o réu a novo julgamento, nos termos do artigo 593, § 3º, do Código de Processo Penal. III – DO PEDIDO Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o recurso, com a reforma da decisão, a fim de que: a) Seja anulada a sessão do plenário do Júri, nos termos do artigo 593, III, “a”, do Código de Processo Penal; b) Seja o réu submetido a novo julgamento pelo plenário da Sessão do Júri, nos termos do artigo 593, § 3º, do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 13 de julho de 2015. Advogado... OAB... Treine a peça: liberdade provisória PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado No dia 15 de janeiro de 2022, por volta das 14 horas, na Rua das Mocas, nº 2000, São Paulo/SP, Josué da Silva foi preso em flagrante pela prática do delito de receptação, previsto no artigo 180, “caput”, do Código Penal, acusado de estar conduzindo veículo automotor que sabia ser produto de crime. Ao ser interrogado, Josué disse que era trabalhador e que tinha carteira de trabalho, embora estivesse, na ocasião, desempregado. Ao analisar a folha de antecedentes criminais de Josué, a autoridade policial constatou que o flagrado respondia a processo pelo delito de furto. Diante dessa anotação na Folha de Antecedentes Criminais de Josué, a autoridade policial representou pela conversão da prisão em flagrante em preventiva, afirmando que existiria risco concreto para a ordem pública, pois o indiciado possuía outros envolvimentos com o aparato judicial. Você, como advogado(a) indicado por Josué, é comunicado da ocorrência da prisão em flagrante, além de tomar conhecimento da representação formulada pelo Delegado. Da mesma forma, o comunicado de prisão já foi encaminhado para o Ministério Público e para o magistrado, sendo todas as legalidades da prisão em flagrante observadas. O juiz recebeu o auto de prisão em flagrante, deixando para se manifestar na audiência de custódia. Josué, no entanto, desesperado com a situação disse para você, na condição de advogado (a), buscar soltá-lo o mais rápido possível, antes mesmo da designação da audiência de custódia. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, na qualidade de advogado(a) de Josué, redija a peça cabível, exclusiva de advogado, em favor do seu cliente, apontando os argumentos e fundamentos jurídicos pertinentes ao caso. (Valor: 5,00) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...VARA CRIMINAL DA COMARCA DE SÃO PAULO/SP Autos nº Josué da Silva, nacionalidade, estado civil, desempregado, RG..., CPF..., residente e domiciliado..., por seu procurador infra-assinado, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, requerer a presente LIBERDADE PROVISÓRIA, com base no artigo 310, inciso III, do Código de Processo Penal, artigo 321 do Código de Processo Penal e artigo 5º, LXVI, da Constituição Federal/88, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos: I) DOS FATOS O requerente foi preso em flagrante, acusado de ter praticado o delito de receptação, previsto no artigo 180, “caput”, do Código Penal. O auto de prisão em flagrante observou todas as formalidades e foi encaminhado, no prazo legal, ao Poder Judiciário. II) DO DIREITO A) Da impossibilidade de conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva O requerente foi preso em flagrante acusado de ter praticado o delito de receptação, previsto no artigo 180, “caput”, do Código Penal. Todavia, nos termos do artigo 313, inciso I, do Código de Processo Penal, se o acusado não for reincidente em crime doloso, somente será admitida a prisão preventiva nos crimes dolosos punidos com pena máxima privativa de liberdade superior a quatro anos. Logo, no caso, considerando que o acusado não é reincidente e o crime de receptação simples prevê a pena máxima de quatro anos, não é possível a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, já que não estão presentes nenhuma das hipóteses do artigo 313 do Código de Processo Penal. Diante disso, a medida cabível é a concessão da liberdade provisória. B) Da ausência dos requisitos da prisão preventiva A autoridade policial representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, para preservação da ordem pública. Todavia, não estão presentes os requisitos que autorizam a prisão preventiva, uma vez que o requerente é primário, além de ser trabalhador, embora esteja desempregado. Logo, o requerente não representa perigo à ordem pública, ordem econômica, à conveniência da instrução criminal e aplicação da lei penal, estando, portanto, ausentes os fundamentos do artigo 312 do Código de Processo Penal. Assim, deve-se conceder a liberdade provisória, nos termos do artigo 321 do Código de Processo Penal. C) Do princípio da presunção da inocência Convém destacar que prevalece no nosso ordenamento jurídico o princípio da presunção da inocência, previsto no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal/88, razão pela qual deve o requerente responder a eventual procedimento criminal em liberdade. D) Da fiança ou medida cautelar diversa da prisão Na hipótese de não ser concedida a liberdade plena, cabe, no caso, a concessão de fiança ao requerente, uma vez que o delito pelo qual está sendo acusado não se enquadra nas hipóteses de inafiançabilidade previstas nos artigos 323 e 324, ambos do Código de Processo Penal. Em não sendo fixada fiança, postula-se, ainda de forma subsidiária, a fixação de outra medida cautelar diversa da prisão, prevista no artigo 319 do Código de Processo Penal, por ser tratar de medida mais conveniente e adequada do que a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, nos termos do artigo 282 do Código de Processo Penal. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer: a) a concessão da liberdade provisória, a fim de que possa responder eventual processo em liberdade; b) Subsidiariamente, requer seja concedida a fiança ou outra medida cautelar diversa da prisão; c) Expedição de alvará de soltura; d) Vista ao Ministério Público. Nestes termos, Pede deferimento. Local... e data... Advogado... OAB... Treine a peça: apelação do assistente de acusação no procedimento do júri PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – VII Exame (Adaptado) Enunciado Grávida de nove meses, Ana entra em trabalho de parto, vindo dar à luz um menino saudável, o qual é imediatamente colocado em seu colo. Ao ter o recém-nascido em suas mãos, Ana é tomada por extremo furor, bradando aos gritos que seu filho era um “monstro horrível que não saiu de mim” e bate por seguidas vezes a cabeça da criança na parede do quarto do hospital, vitimando-a fatalmente. Após ser dominada pelos funcionários do hospital, Ana é presa em flagrante delito. Durante a fase de inquérito policial, foi realizado exame médico-legal, o qual atestou queAna agira sob influência de estado puerperal. Posteriormente, foi denunciada, com base nas provas colhidas na fase inquisitorial, sobretudo o laudo do expert, perante a 1ª Vara Criminal/Tribunal do Júri pela prática do crime de homicídio triplamente qualificado, haja vista ter sustentado o Parquet que Ana fora movida por motivo fútil, empregara meio cruel para a consecução do ato criminoso, além de se utilizar de recurso que tornou impossível a defesa da vítima. Em sede de Alegações Finais Orais, o Promotor de Justiça reiterou os argumentos da denúncia, sustentando que Ana teria agido impelida por motivo fútil ao decidir matar seu filho em razão de tê-lo achado feio e teria empregado meio cruel ao bater a cabeça do bebê repetidas vezes contra a parede, além de impossibilitar a defesa da vítima, incapaz, em razão da idade, de defender-se. A Defensoria Pública, por sua vez, alegou que a ré não teria praticado o fato e, alternativamente, se o tivesse feito, não possuiria plena capacidade de autodeterminação, sendo inimputável. Ao proferir a sentença, o magistrado competente entendeu por bem absolver sumariamente a ré em razão de inimputabilidade, pois, ao tempo da ação, não seria ela inteiramente capaz de se autodeterminar em consequência da influência do estado puerperal. Tendo sido intimado o Ministério Público da decisão, em 11 de janeiro de 2011, o prazo recursal transcorreu in albis sem manifestação do Parquet. Em relação ao caso acima, você, na condição de advogado(a), é procurado pelo pai da vítima, Wilson, em 20 de janeiro de 2011, para habilitar-se como assistente da acusação e impugnar a decisão. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, redija a peça cabível, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes, datando do último dia do prazo. (valor: 5,00) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA CRIMINAL/TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA... Processo nº Wilson, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., CPF..., na qualidade de pai da vítima, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, requerer a sua HABILITAÇÃO COMO ASSISTENTE DA ACUSAÇÃO, com base no artigo 268 do Código de Processo Penal, após oitiva do Ministério Público. Ainda, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o presente RECURSO DE APELAÇÃO, com base no artigo 593, inciso I, do Código de Processo Penal, e artigo 416 do Código de Processo Penal, e artigo 598 do Código de Processo Penal. O presente recurso é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo de 15 dias, de acordo com o artigo 598, parágrafo único, do Código de Processo Penal e Súmula 448 do STF. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 31 de janeiro de 2011. Advogado... OAB... EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO... Apelante: Wilson Apelada: Ana Processo nº RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO Egrégio Tribunal de Justiça do Estado... Colenda Câmara Criminal I – DOS FATOS Ana foi denunciada pela prática do delito de homicídio triplamente qualificado pelo motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que tornou impossível a defesa da vítima. Ao proferir sentença, o Magistrado absolveu sumariamente a ré, sob o fundamento de que seria inimputável por conta do seu estado puerperal. Intimado da decisão no dia 11 de janeiro de 2011, o Ministério Público deixou transcorrer o prazo recursal. Em 20 de janeiro de 2011, o pai da vítima procurou o advogado para se habilitar como assistente da acusação e impugnar a decisão. II – DO DIREITO A) DA ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA O Magistrado proferiu sentença de absolvição sumária, considerando a ré inimputável. Todavia, nos termos do artigo 415, parágrafo único, do Código de Processo Penal, somente seria possível a absolvição sumária pela inimputabilidade se fosse a única tese defensiva. No caso, além da inimputabilidade, a defesa apresentou a tese de negativa de autoria, ao alegar que a ré não praticou o fato imputado a ela. Logo, não poderia o Magistrado absolver sumariamente a ré, mas deveria proferir sentença de pronúncia, encaminhando-a para julgamento pelo Tribunal do Júri pela prática do crime de homicídio triplamente qualificado ou, alternativamente, pelo delito de infanticídio. B) DA INIMPUTABILIDADE O Magistrado proferiu sentença de absolvição sumária, considerando a ré inimputável, pois, ao tempo da ação, não seria ela inteiramente capaz de se autodeterminar em consequência da influência do estado puerperal. Todavia, o estado puerperal não constitui causa de inimputabilidade, ou seja, causa excludente de culpabilidade, sendo, portanto, elementar do crime de infanticídio, previsto no artigo 123 do Código Penal. Logo, não cabia ao Magistrado absolver sumariamente a ré pela inimputabilidade, mas proferir decisão de pronúncia pela prática do delito de homicídio triplamente qualificado, pelo motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, ou alternativamente, pelo delito de infanticídio, previsto no artigo 123 do Código Penal. III – DO PEDIDO Ante o exposto, requer seja CONHECIDO O RECURSO E REFORMADA A DECISÃO RECORRIDA, com o PROVIMENTO, a fim de que: Seja a ré pronunciada, encaminhando-a a julgamento pelo Tribunal do Júri pela prática do crime de homicídio triplamente qualificado, pelo motivo fútil, emprego do meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, nos termos do artigo 121, §2º, incisos II, III e IV, do Código Penal, ou, alternativamente, pelo delito de infanticídio, previsto no artigo 123 do Código Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 31 de janeiro de 2011. Advogado... OAB... Treine a peça: contrarrazões de apelação do júri PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado Carlos foi pronunciado pela prática do delito de homicídio qualificado pelo motivo fútil (art. 121, §2º, II, do CP). No dia 25 de junho de 2021 foram designados para comparecerem na sessão em Plenário, 25 jurados, porém somente compareceram 16 jurados daqueles convocados, tendo o juiz Presidente do Tribunal do Júri da Comarca de Porto Alegre/RS realizado o sorteio para formação do Conselho de Sentença. Na ocasião, o Ministério Público se insurgiu consignando em ata a ausência da formação do número necessário à composição do júri, nos termos do artigo 447 do CPP, o que não foi considerado pelo magistrado. Após a devida formação do Conselho de Sentença, foi iniciada a instrução. A tese da acusação consistia em reforçar a prática de homicídio qualificado nos termos trazidos pela pronúncia, enquanto à defesa insistiu na tese de absolvição em face da ocorrência de legítima defesa. A alegação defensiva foi construída em plenário com base no relato das testemunhas defesa. Encerrados os debates orais, sem que o Ministério Público postulasse pela réplica, os jurados dirigiram-se para a votação, ocasião em que absolveram Carlos da imputação, reconhecendo a incidência da legítima defesa. Após a votação o magistrado proferiu a sentença absolutória, inconformado o Ministério Público interpôs recurso com base no art. 593, III, alíneas “a” e “d”, do CPP, apresentando suas razões recursais no sentido da ocorrência de nulidade na formação do Conselho de Sentença, por não estarem presentes os 25 jurados, bem como o julgamento dos jurados ter sido manifestamente contrário à prova dos autos, visto que estava provada a prática de homicídio qualificado. O magistrado recebeu o recurso da acusação e determinou a sua intimação, no dia 20 de julho de 2021 (terça- feira), para manifestar-se na condição de advogado de Carlos. Elabore a peça processual, privativade advogado, utilizando o último dia do respectivo prazo. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ PRESIDENTE DA VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PORTO ALEGRE/RS. Processo nº... CARLOS, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar as presentes CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO, com base no artigo 600 do Código de Processo Penal. As presentes contrarrazões são tempestivas, já que apresentadas dentro do prazo de 8 dias, previsto no artigo 600 do Código de Processo Penal. Nesse sentido, requer sejam recebidas, com posterior remessa ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Nestes termos. Pede deferimento. Local ..., 28 de julho de 2021. Advogado... OAB... EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Apelante: MINISTÉRIO PÚBLICO Apelado: CARLOS CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO Colenda Câmara Criminal I) DOS FATOS Carlos foi pronunciado pela prática do delito de homicídio qualificado pelo motivo fútil (art. 121, §2º, II, do CP). No dia 25 de junho de 2021 foi submetido a julgamento perante o Plenário do Júri da Comarca de Porto Alegre, tendo sido absolvido pelos jurados. Inconformado, o Ministério Público interpôs recurso de apelação, com fundamento nas alíneas “a” e “d”, do CPP. O Magistrado recebeu o recurso ministerial e determinou a intimação da defesa para apresentar a medida cabível. Por tal razão, neste momento a defesa apresenta as presentes Contrarrazões. II) DO DIREITO A) DA INOCORRÊNCIA DE NULIDADE POSTERIOR À PRONÚNCIA Não assiste razão ao representante do Ministério Público ao sustentar a ocorrência de nulidade na formação do Conselho de Sentença, vejamos. O artigo 447 do Código de Processo Penal informa a composição do Tribunal do Júri com 25 jurados. Entretanto, a lei autoriza, no artigo 463 do Código de Processo Penal, para o sorteio do Conselho de Sentença, ou seja, dos 7 jurados que julgarão o caso em plenário, a existência de um número mínimo de 15 jurados, o que se verificou no caso em exame, sem qualquer situação que ensejasse o reconhecimento de nulidade. Logo, não há nulidade a ser reconhecida, conforme pretende o Ministério Público, ao interpor a apelação nos termos do artigo 593, III, alínea “a”, do CPP. B) DA INEXISTÊNCIA DE DECISÃO DOS JURADOS MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS Da mesma forma, não assiste razão a acusação ao sustentar que a decisão dos jurados está manifestamente contrária à prova dos autos, pois conforme restou demonstrado em Plenário havia duas teses definidas. Primeiro a acusação sustentando a ocorrência de homicídio qualificado mediante motivo fútil. Segundo a defesa, com amparo em acervo probatório confrontando a tese e alegando a legítima defesa. Ora Excelência, o julgamento dos jurados se dá nos termos do artigo 472 do Código de Processo Penal com base na sua consciência após analisar as teses expostas em Plenário, estando os jurados, portanto, livres para escolherem os fundamentos e formarem a sua convicção. Desta forma, considerando que a manifestação dos jurados foi no sentido de reconhecer a legítima defesa, discutida e debatida em plenário, não há decisão manifestamente contrária à prova dos autos, motivo pelo qual deverá ser também improvido o recurso, com base no artigo 593, III, “d”, do Código de Processo Penal, respeitando assim a soberania dos vereditos como assegura o artigo 5º, XXXVIII, da Constituição Federal de 1988. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer seja IMPROVIDO o recurso de apelação interposto, mantendo-se, por conseguinte, a decisão recorrida nos seus exatos termos. Nestes termos. Pede deferimento. Local ..., 28 de julho de 2021. Advogado... OAB... Treine a peça: embargos infringentes PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XI EXAME (Adaptado) Enunciado Jerusa, atrasada para importante compromisso profissional, dirige seu carro bastante preocupada, mas respeitando os limites de velocidade. Em uma via de mão dupla, Jerusa decide ultrapassar o carro à sua frente, o qual estava abaixo da velocidade permitida. Para realizar a referida manobra, entretanto, Jerusa não liga a respectiva seta luminosa sinalizadora do veículo e, no momento da ultrapassagem, vem a atingir Diogo, motociclista que, em alta velocidade, conduzia sua moto no sentido oposto da via. Não obstante a presteza no socorro que veio após o chamado da própria Jerusa e das demais testemunhas, Diogo falece em razão dos ferimentos sofridos pela colisão. Instaurado o respectivo inquérito policial, após o curso das investigações, o Ministério Público decide oferecer denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática do delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, I parte final, ambos do CP). Argumentou o ilustre membro do Parquet a imprevisão de Jerusa acerca do resultado que poderia causar ao não ligar a seta do veículo para realizar a ultrapassagem, além de não atentar para o trânsito em sentido contrário. A denúncia foi recebida pelo juiz competente e todos os atos processuais exigidos em lei foram regularmente praticados. Finda a instrução probatória, o juiz competente, em decisão devidamente fundamentada, decidiu pronunciar Jerusa pelo crime apontado na inicial acusatória. Contra essa decisão, a defesa interpôs recurso em sentido estrito, ao qual, por maioria, foi julgado improvido pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, mantendo a decisão de pronúncia, tendo um desembargador proferido voto pela desclassificação. Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos fornecidos, elabore a peça cabível, adotando os argumentos pertinentes. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua. Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Relator do Acórdão da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado... Processo nº JERUSA, já qualificada nos autos, por seu procurador infra- assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, opor o presente RECURSO DE EMBARGOS INFRINGENTES, com base no artigo 609, parágrafo único, do Código de Processo Penal, requerendo seja recebido e processado. O presente recurso é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo de 10 dias, na forma do artigo 609, parágrafo único, do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local... e data... Advogado... OAB... EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO... Embargante: Jerusa Embargado: Ministério Público Processo nº RAZÕES DE RECURSO DE EMBARGOS INFRINGENTES Egrégio Tribunal de Justiça do Estado... Colenda Câmara Criminal ou Colendo Grupo Criminal (conforme o regime interno do Tribunal) I) DOS FATOS A recorrente dirigia seu carro quando atingiu a motocicleta da vítima, que, em alta velocidade, conduzia sua moto no sentido oposto da via. Após o encerramento do inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia imputando a prática do delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual. O Juiz pronunciou a recorrente pelo delito descrito na denúncia. Contra essa decisão, a defesa interpôs recurso em sentido estrito, que, por maioria, foi julgado improvido pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. II) DO DIREITO A recorrente foi acusada de, na condução do seu veículo, ter causado a morte de Diogo, que conduzia sua motocicleta em alta velocidade, sendo denunciada e pronunciada pela prática do crime de homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual. A 2ª Câmara Criminal, por maioria, manteve a decisão recorrida. Todavia,a recorrente em nenhum momento assumiu o risco de causar a morte de Diogo, nem aceitou o resultado morte da vítima, tanto que conduzia o seu veículo respeitando o limite de velocidade. Nesse sentido, a conduta da recorrente se enquadra, em tese, no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro, razão pela qual deve responder pela prática, em tese, de homicídio culposo na condução de veículo automotor, devendo haver, portanto, a desclassificação e remessa do presente feito ao juízo competente, nos termos do artigo 419 do Código de Processo Penal. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o recurso, com a reforma do acórdão, a fim de que: Seja desclassificado o delito de homicídio simples doloso para o delito de homicídio culposo na direção de veículo automotor, previsto no artigo 302 da Lei 9.503/97, encaminhando-se os autos para o Juízo competente, nos termos do artigo 419 do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., data... Advogado ... OAB... Peças relevantes Treine a peça: Recurso Especial PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL (adaptada da questão 2 – XI EXAME) Enunciado Daniel foi denunciado, processado e condenado pela prática do delito de roubo simples em sua modalidade tentada. A pena fixada pelo magistrado foi de dois anos de reclusão em regime aberto. Todavia, atento às particularidades do caso concreto, o referido magistrado concedeu-lhe o benefício da suspensão condicional da execução da pena, sendo certo que, na sentença, não fixou nenhuma condição. Somente a defesa interpôs recurso de apelação, pleiteando a absolvição de Daniel com base na tese de negativa de autoria e, subsidiariamente, a substituição do benefício concedido por uma pena restritiva de direitos. O Tribunal de Justiça, por sua vez, no julgamento da apelação, de forma unânime, negou provimento aos dois pedidos da defesa e, no acórdão, fixou as condições do sursis, haja vista o fato de que o magistrado a quo deixou de fazê-lo na sentença condenatória. Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos fornecidos, você, advogado(a) de Daniel foi intimado, para apresentar a medida cabível. Com base nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus. (Valor: 5,00) Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ... Recurso Recorrido nº ... DANIEL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor o presente RECURSO ESPECIAL, com base no art. 105, III, “a”, da Constituição Federal, requerendo seja o recurso recebido e processado e, ao final, remetido ao Superior Tribunal de Justiça. O presente recurso é tempestivo, pois interposto dentro do prazo de 15 dias. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., data... Advogado... OAB... COLENDO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Recorrente: DANIEL Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO Recurso nº ... RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL Colendo Superior Tribunal de Justiça Douta Turma Eminentes Ministros I) DOS FATOS Daniel foi denunciado, processado e condenado pela prática do delito de roubo simples em sua modalidade tentada. A pena fixada pelo magistrado foi de dois anos de reclusão em regime aberto, concedendo-lhe o benefício da suspensão condicional da execução da pena, não fixando nenhuma condição. Somente a defesa interpôs recurso de apelação, pleiteando a absolvição de Daniel com base na tese de negativa de autoria e, subsidiariamente, a substituição do benefício concedido por uma pena restritiva de direitos. O Tribunal de Justiça, por sua vez, no julgamento da apelação, de forma unânime, negou provimento aos dois pedidos da defesa e, no acórdão, fixou as condições do sursis, haja vista o fato de que o magistrado a quo deixou de fazê-lo na sentença condenatória. II) DO DIREITO O recorrente foi condenado pela prática do delito de roubo simples tentado, sendo-lhe concedido o benefício da suspensão condicional da pena, sem, no entanto, terem sido fixadas condições. Todavia, em recurso exclusivo da defesa, o Tribunal de Justiça negou provimento ao pedido formulado e, ainda, fixou as condições do sursis, violando o disposto no art. 617 do Código de Processo Penal, já que a fixação das condições cabia ao juiz de 1º grau. Como não houve impugnação por parte do Ministério Público, a decisão proferida pelo Tribunal configura verdadeira reformatio in pejus, vedada pelo art. 617 do Código de Processo Penal. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso especial, para o fim de que seja REFORMADO O ACÓRDÃO e, consequentemente, mantida a decisão que concedeu o sursis, sem estabelecer as condições do benefício. Nestes temos, Pede deferimento. Local..., data... Advogado... OAB... Treine a peça: carta testemunhável PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado Jerusa, atrasada para importante compromisso profissional, dirige seu carro bastante preocupada, mas respeitando os limites de velocidade. Em uma via de mão dupla, Jerusa decide ultrapassar o carro à sua frente, o qual estava abaixo da velocidade permitida. Para realizar a referida manobra, entretanto, Jerusa não liga a respectiva seta luminosa sinalizadora do veículo e, no momento da ultrapassagem, vem a atingir Diogo, motociclista que, em alta velocidade, conduzia sua moto no sentido oposto da via. Não obstante a presteza no socorro que veio após o chamado da própria Jerusa e das demais testemunhas, Diogo falece em razão dos ferimentos sofridos pela colisão. Instaurado o respectivo inquérito policial, após o curso das investigações, o Ministério Público decide oferecer denúncia contra Jerusa, imputando-lhe a prática do delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, I parte final, ambos do CP). Argumentou o ilustre membro do Parquet a imprevisão de Jerusa acerca do resultado que poderia causar ao não ligar a seta do veículo para realizar a ultrapassagem, além de não atentar para o trânsito em sentido contrário. A denúncia foi recebida pelo juiz competente e todos os atos processuais exigidos em lei foram regularmente praticados. Finda a instrução probatória, o juiz competente, em decisão devidamente fundamentada, decidiu pronunciar Jerusa pelo crime apontado na inicial acusatória. O advogado de Jerusa é intimado da referida decisão em 02 de agosto de 2013 (sexta-feira). Contra essa decisão, a defesa interpôs, no dia 09 de agosto de 2013, recurso em sentido estrito. Ao proceder ao juízo de admissibilidade, o Magistrado não recebeu o recurso, sob o fundamento de que foi interposto de forma intempestiva, já que, considerando o dia de início 02 de agosto de 2013, o prazo venceu no dia 06 de agosto de 2013. Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos fornecidos, elabore o recurso cabível, instruindo-o com a cópia integral do processo. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua. ILUSTRÍSSIMO SENHOR ESCRIVÃO DO CARTÓRIO DA ... VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA ... Processo nº ... JERUSA, já qualificada nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Senhoria, interpor o presente recurso de CARTA TESTEMUNHÁVEL, com base no artigo 639, I, do Código de Processo Penal,requerendo seja recebido e processado, pelos fatos e fundamentos expostos nas razões inclusas. O presente recurso é tempestivo, pois interposto dentro do prazo de 48 horas, previsto no artigo 640 do Código de Processo Penal1. Diante disso, requer seja procedido o juízo de retratação, com base no artigo 589 do Código de Processo Penal, requerendo, se mantida a decisão, seja encaminhado ao Tribunal de Justiça do Estado... Nestes termos, Pede deferimento. Local... data... Advogado... OAB... Considerando a exigência da tempestividade na peça do 35º Exame, sugerimos expressamente que a peça é tempestiva. EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO... Testemunhante/recorrente: Jerusa Testemunhado/recorrido: Ministério Público Processo nº ... RAZÕES DE RECURSO DE CARTA TESTEMUNHÁVEL Egrégio Tribunal de Justiça do Estado... Colenda Câmara Criminal I) DOS FATOS A recorrente dirigia seu carro quando atingiu a motocicleta de Diogo. Não obstante a presteza do socorro, Diogo faleceu em razão dos ferimentos sofridos pela colisão. Após o encerramento do respectivo inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra a recorrente Jerusa, imputando-lhe a prática do delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, I parte final, ambos do Código Penal). Finda a instrução probatória, o juiz competente, em decisão devidamente fundamentada, decidiu pronunciar Jerusa pelo crime apontado na inicial acusatória. Contra essa decisão, a defesa interpôs recurso em sentido estrito, que não foi recebido pelo Magistrado, sob o fundamento de que é intempestivo. II) DO DIREITO A) Da carta testemunhável/Do recurso em sentido estrito denegado O Magistrado não recebeu o recurso, sob o fundamento de que seria intempestivo, já que a data fatal, segundo ele, seria o dia 06 de agosto de 2013. Todavia, como se trata de prazo processual, o termo inicial para a contagem do prazo do recurso é o primeiro dia útil após a intimação, nos termos do artigo 798 do Código de Processo Penal. Assim, considerando que a intimação ocorreu no dia 02 de agosto de 2013, que caiu numa sexta-feira, o prazo recursal começou a correr no primeiro dia útil, segunda- feira, qual seja, 05 de agosto de 2013, vencendo no dia 09 de agosto de 2013. Logo, requer o testemunhante seja recebido o recurso em sentido estrito denegado, pois interposto dentro do prazo previsto em lei. B) DA DESCLASSIFICAÇÃO Estando o presente recurso suficientemente instruído, verifica-se a possibilidade de analisar o mérito do recurso denegado, nos termos do artigo 644 do Código de Processo Penal. A recorrente foi acusada de, na condução do seu veículo, ter causado a morte de Diogo, que conduzia sua motocicleta em alta velocidade, sendo denunciada e pronunciada pela prática do delito de homicídio doloso simples, na modalidade dolo eventual (Art. 121 c/c Art. 18, I parte final, ambos do CP). Todavia, a recorrente em nenhum momento assumiu o risco de causar a morte de Diogo, nem aceitou o resultado morte da vítima. Ou seja, a recorrente não agiu com dolo, uma vez que não assumiu o risco nem aceitou o resultado morte, conforme prevê o artigo 18, I (parte final), do Código Penal, que adotou, em relação ao dolo eventual, a teoria do consentimento. Nesse sentido, o fato atribuído à recorrente deveria, em tese, ser classificado como homicídio culposo na condução de veículo automotor, previsto no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro. Em consequência, não havendo crime doloso contra a vida, o Tribunal do Júri não é competente para julgar o processo, razão pela qual deve ocorrer a desclassificação do delito, nos termos do artigo 419 do Código de Processo Penal, remetendo-se os autos ao juízo competente. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer seja conhecido o recurso, reformada a decisão e provido o presente recurso, para o fim de que: a) seja recebido o recurso em sentido estrito denegado; b) seja desclassificado o delito de homicídio simples doloso, para o delito de homicídio culposo na condução de veículo automotor (Art. 302 do Código de Trânsito Brasileiro), remetendo-se os autos para o Juízo Competente, nos termos do artigo 419 do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., data... Advogado... OAB... Treine a peça: contrarrazões de agravo em execução PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado Gilberto, quando primário, apesar de portador de maus antecedentes, praticou um crime de roubo simples, pois, quando tinha 20 anos de idade, subtraiu de Renata, mediante grave ameaça, um aparelho celular. Apesar de o crime restar consumado, o telefone celular foi recuperado pela vítima. Os fatos foram praticados em 12 de dezembro de 2011. Por tal conduta, foi Gilberto denunciado e condenado como incurso nas sanções penais do Art. 157, caput, do Código Penal a uma pena privativa de liberdade de 04 anos e 06 meses de reclusão em regime inicial fechado e 12 dias multa, tendo a sentença transitada em julgado para ambas as partes em 11 de setembro de 2013. Gilberto havia respondido ao processo em liberdade, mas, desde o dia 15 de setembro de 2013, vem cumprindo a sanção penal que lhe foi aplicada regularmente, inclusive obtendo progressão de regime. Nunca foi punido pela prática de falta grave e preenchia os requisitos subjetivos para obtenção dos benefícios da execução penal. No dia 25 de agosto de 2015, você, advogado(a) de Gilberto, formulou pedido de obtenção de livramento condicional junto ao Juízo da Vara de Execução Penal da comarca do Rio de Janeiro/RJ, órgão efetivamente competente. O pedido foi deferido pelo Magistrado. O Ministério Público foi intimado da decisão em 14 de setembro de 2015, uma segunda-feira, sendo terça-feira dia útil. Inconformado, o Ministério Público apresentou recurso de agravo em execução perante o juízo competente, acompanhado das respectivas razões recursais, no dia 30 de setembro de 2015, alegando: a) o crime de roubo é crime hediondo, não tendo sido cumpridos, até o momento do requerimento, 2/3 da pena privativa de liberdade; b) ainda que não fosse hediondo, não estariam preenchidos os requisitos objetivos para o benefício, tendo em vista que Gilberto, por ser portador de maus antecedentes, deveria cumprir metade da pena imposta para obtenção do livramento condicional; c) indispensabilidade da realização de exame criminológico, tendo em vista que os crimes de roubo, de maneira abstrata, são extremamente graves e causam severos prejuízos para a sociedade. O magistrado, então, recebeu o recurso de agravo em execução e intimou, no dia 19 de outubro de 2015 (segunda-feira), sendo terça feira dia útil em todo o país, você, advogado(a) de Gilberto, para apresentar a medida cabível. Com base nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5.00) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÃO PENAL DA COMARCA DO RIO DE JANEIRO/RJ Processo nº ... GILBERTO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra- assinado, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar CONTRARRAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO, com base no artigo 588 do Código de Processo Penal. As presentes contrarrazões são tempestivas, pois interpostas dentro do prazo de 2 dias, nos termos do artigo 588 do Código de Processo Penal2. Nesse sentido, requer sejam recebidas, mantendo-se a decisão recorrida em sede de juízo de retratação, nos termos do artigo 589 do Código de Processo Penal, com posterior remessa dos autos ao Tribunal deJustiça do Rio de Janeiro. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 21 de outubro de 2015. Advogado... OAB... Considerando a exigência da tempestividade na peça do 35º Exame, sugerimos expressamente que a peça é tempestiva. EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Agravante: Ministério Público Agravado: Gilberto Processo nº... CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Colenda Câmara Criminal I) DOS FATOS O agravado foi denunciado e condenado como incurso nas sanções penais do artigo 157, “caput”, do Código Penal, a uma pena privativa de liberdade de 04 anos e 06 meses de reclusão, em regime inicial fechado. A sentença transitou em julgado para ambas as partes no dia 11 de setembro de 2013. No dia 25 de agosto de 2015, o agravado formulou pedido de livramento condicional, que foi deferido pelo Juiz da Execução Penal. Inconformado, o Ministério Público interpôs recurso de agravo em execução, acompanhado das razões recursais, no dia 30 de setembro de 2015. O Magistrado recebeu o recurso interposto pelo Ministério Público e intimou a defesa para apresentar e medida cabível. II) DO DIREITO A) DA INTEMPESTIVIDADE DO AGRAVO EM EXECUÇÃO O Ministério Público foi intimado da decisão no dia 14 de setembro de 2015 e interpôs o recurso de agravo em execução no dia 30 de setembro de 2015. Todavia, nos termos do artigo 586 do Código de Processo Penal e Súmula 700 do Supremo Tribunal Federal, o prazo para interposição do recurso é de cinco dias. Logo, considerando que entre a data da intimação e da interposição do recurso passaram mais de cinco dias, já que o prazo vencia no dia 21 de setembro de 2015, conclui-se que o recurso de agravo em execução é intempestivo. Diante disso, o recurso de agravo em execução não deve ser conhecido. B) DO ROUBO NÃO SER CRIME HEDIONDO O Ministério Público postulou o indeferimento do livramento condicional, sob o fundamento de que o crime de roubo simples é hediondo, devendo, portanto, cumprir 2/3 da pena para o livramento condicional. Todavia, o crime de roubo simples não é hediondo, porque não consta do rol previsto no artigo 1º da Lei 8.072/90. Assim, não há necessidade de cumprir 2/3 da pena para o livramento condicional, mas 1/3 da pena, já que o agravado não é reincidente, nos termos do artigo 83, inciso I, do Código Penal. C) DOS MAUS ANTECEDENTES PARA CUMPRIMENTO ½ DA PENA O Ministério Público postulou o indeferimento do pedido de livramento condicional, argumentando que não estaria preenchido o requisito objetivo, já que o agravado ostenta maus antecedentes, devendo cumprir ½ da pena para obtenção do livramento condicional. Todavia, a pretensão do Ministério Público fere o princípio da legalidade, uma vez que o artigo 83, inciso II, do Código Penal, prevê que apenas o condenado reincidente em crime doloso deverá cumprir ½ da pena para obtenção do livramento condicional. Logo, embora o artigo 83, inciso I, do Código Penal, disponha que o condenado não reincidente em crime doloso e portador de bons antecedentes, deve cumprir 1/3 da pena, essa fração deve ser aplicada também na hipótese de o condenado ser portador de maus antecedentes e primário, por ausência de previsão legal para adotar a fração de ½. Assim, diante da omissão legislativa, deve ser considerado o percentual mais favorável ao agravado, pois não cabe falar em analogia in malam partem. D) DA DESNECESSIDADE DO EXAME CRIMINOLÓGICO O Ministério Público postula o indeferimento do livramento condicional, porque considera indispensável a realização do exame criminológico, tendo em vista que os crimes de roubo, de maneira abstrata, são extremamente graves e causam severos prejuízos para a sociedade. Todavia, nos termos do artigo 112 da Lei de Execução Penal (Lei 7.210/84), para fins de progressão de regime e livramento condicional, basta atestado de bom comportamento carcerário durante a execução da pena. O simples fato de considerar o crime de roubo grave não justifica a realização do exame criminológico, não constituindo motivação idônea para exigir a realização de tal exame, devendo a fundamentação considerar a gravidade em concreto do caso, nos termos da Súmula 439 do Superior Tribunal de Justiça. Além disso, o agravado nunca foi punido pela prática de falta grave dentro do estabelecimento prisional, de modo que desnecessária a realização do exame criminológico. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer NÃO SEJA CONHECIDO e que seja IMPROVIDO o recurso de agravo em execução, MANTENDO-SE, por conseguinte, a decisão recorrida nos seus exatos termos. Local..., 21 de outubro de 2015. Advogado... OAB... Treine a peça: contrarrazões de recurso em sentido estrito PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado No dia 25 de janeiro de 2015, Roniquito Vieira foi flagrado vendendo razoável quantidade de cocaína. Ao consultar os registros policiais, a autoridade policial verificou que não havia nenhum procedimento policial ainda instaurado contra Roniquito. Não obstante isso, deu início à lavratura do auto de prisão em flagrante pela prática do delito de tráfico ilícito de entorpecentes, previsto no art. 33 da Lei nº 11.343/2006. Ao tomar vista dos autos, o Ministério Público requereu a conversão da prisão em flagrante em preventiva. O Magistrado proferiu decisão indeferindo o pedido e concedeu a liberdade provisória a Roniquito. O Ministério Público foi intimado da decisão no dia 04 de maio de 2016, quarta-feira, e apresentou recurso em sentido estrito perante o juízo de primeira instância, acompanhado das respectivas razões, no dia 19 de maio de 2016 (quinta-feira), argumentando que: a) o crime de tráfico de drogas é insuscetível de liberdade provisória, nos termos do art. 44 da Lei nº 11.343/2006; b) estão presentes os requisitos da prisão preventiva, sobretudo a garantia da ordem pública, já que o crime de tráfico de drogas é grave, pois fomenta a existência de um Estado paralelo e a prática de outros delitos. O Magistrado, então, recebeu o recurso em sentido estrito interposto pelo Ministério Público e intimou, no dia 09 de junho de 2016 (quinta-feira), você, advogado(a) de Roniquito, para apresentar a medida cabível. Com base nas informações expostas na situação hipotética e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Roniquito, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição, considerando-se que todos os dias de segunda a sexta-feira são úteis em todo o país. (Valor: 5,00) Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA CRIMINAL DA COMARCA... Autos nº... RONIQUITO VIEIRA, já qualificado nos autos, por seu procurador infra- assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, oferecer CONTRARRAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com base no art. 588 do Código de Processo Penal. As presentes contrarrazões são tempestivas, já que oferecidas dentro do prazo de 2 dias, previsto no artigo 588 do Código de Processo Penal3. Nesse sentido, requer sejam recebidas, mantendo-se a decisão recorrida em sede de juízo de retratação, previsto no artigo 589 do Código de Processo Penal, com posterior remessa dos autos ao Tribunalde Justiça do Estado... Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 13 de junho de 2016. Advogado... OAB... Considerando a exigência da tempestividade na peça do 35º Exame, sugerimos expressamente que a peça é tempestiva. EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO.... RECORRENTE: Ministério Público RECORRIDO: Roniquito Vieira Autos nº... CONTRARRAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO Egrégio Tribunal de Justiça do Estado... Colenda Câmara Criminal I) DOS FATOS O recorrido foi preso em flagrante, acusado de ter praticado, em tese, o delito de tráfico de drogas, previsto no art. 33 da Lei nº 11.343/2006. O Ministério Público requereu a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. O Magistrado proferiu decisão indeferindo o pedido e concedeu a liberdade provisória. Inconformado, o Ministério Público interpôs Recurso em Sentido Estrito. O recurso foi recebido e a defesa intimada para apresentar a medida cabível. II) DO DIREITO A) DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO O Ministério Público foi intimado da decisão no dia 04 de maio de 2016, numa quarta-feira, e apresentou Recurso em Sentido Estrito no dia 19 de maio de 2016. Todavia, nos termos do art. 586 do Código de Processo Penal, o prazo para interpor o Recurso em Sentido Estrito é de 05 dias. Logo, considerando que entre a data da intimação da decisão e da interposição do recurso passaram mais de 05 dias, já que o último dia do prazo seria 09 de maio de 2016, conclui-se que o Recurso em Sentido Estrito é intempestivo. Logo, não deve ser conhecido o recurso. B) DA INCONSTITUCIONALIDADE DA VEDAÇÃO DA CONCESSÃO DA LIBERDADE PROVISÓRIA O Ministério Público requereu a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, alegando que o crime de tráfico de drogas é insuscetível de liberdade provisória, nos termos do art. 44 da Lei nº 11.343/2006. Todavia, conforme entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal, a vedação da concessão de liberdade provisória afronta o princípio da presunção da inocência, previsto no art. 5º, inciso LVII, da Constituição Federal/1988, segundo o qual a prisão cautelar é medida excepcional, já que ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença condenatória. Além disso, viola o princípio do devido processo legal, previsto no art. 5º, inciso LIV, da Constituição Federal/1988, já que, com a vedação prevista no art. 44 da Lei nº 11.343/2006, retira do juiz a possibilidade de analisar a necessidade da prisão cautelar ou soltura do flagrado. C) DA GRAVIDADE EM ABSTRATO O Ministério Público busca a prisão do recorrido, afirmando que estão presentes os requisitos da prisão preventiva, sobretudo a garantia da ordem pública, já que o crime de tráfico de drogas é grave, pois fomenta a existência de um Estado paralelo e a prática de outros delitos. Todavia, a opinião do julgador acerca da gravidade em abstrato do delito não constitui motivação idônea e suficiente para embasar um decreto de prisão, sendo necessária decisão fundamentada, apontando de forma concreta, um dos motivos ensejadores da prisão preventiva, constantes no art. 312 do Código de Processo Penal, bem como nos termos do art. 93, inciso IX, da Constituição Federal/1988 e art. 5º, inciso LXI, da Constituição de Federal/1988, bem como o artigo 312, § 2º, do Código de Processo Penal, e artigo 315, § 2º, II, do Código de Processo Penal. Logo, considerando que não estão presentes os requisitos que autorizam a preventiva, sobretudo porque o recorrido é primário, o recurso em sentido estrito deve ser improvido. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer NÃO SEJA CONHECIDO e que seja IMPROVIDO o recurso em sentido estrito interposto pelo Ministério Público, MANTENDO-SE a decisão recorrida nos seus exatos termos. Nestes termos, Pede deferimento. Local..., 13 de junho de 2016. Advogado... OAB... Treine a peça: mandado de segurança criminal PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado Jurema, atrasada para um encontro pessoal, dirige seu carro sem observar o limite de velocidade exigida para o local. Em uma via de mão dupla, Jurema atravessou a via preferencial e, de forma imprudente, acabou atingindo a motocicleta conduzida por Francisco. Não obstante o socorro rápido, Francisco vem a falecer em decorrência dos ferimentos sofridos pela colisão provocada por Jurema. Instaurado o respectivo inquérito policial, após o curso das investigações, o Ministério Público decide oferecer denúncia contra Jurema, imputando-lhe a prática do delito de homicídio culposo na condução de veículo automotor, previsto no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro, sendo a peça acusatória recebida pelo juiz da 5ª Vara Criminal da Comarca de Niterói/RJ. Ao longo da ação penal, Maria, companheira de Francisco, formula pedido de habilitação na condição de assistente à acusação, acompanhado do respectivo contrato de união estável. O Magistrado indeferiu o pedido, sob o argumento de que o artigo 268 do Código de Processo Penal não prevê legitimidade à companheira para intervir como assistente à acusação. Atento ao caso apresentado e tendo como base apenas os elementos fornecidos, elabore, na condição de advogado de Maria, a peça cabível, adotando os argumentos pertinentes. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO MARIA, nacionalidade, união estável, profissão, RG..., domiciliada..., por seu advogado infra-assinado, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência impetrar MANDADO DE SEGURANÇA, com pedido liminar, com base no artigo 5º, inciso LIX, da Constituição Federal/88, combinado com o artigo 1º da Lei 12.016/2009, contra ato do Juiz de Direito da 5ª Vara Criminal da Comarca de Niterói/RJ, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos: I) DA TEMPESTIVIDADE O presente mandado de segurança é tempestivo, uma vez que impetrado dentro do prazo de 120 dias, na forma do artigo 23 da Lei nº 12.016/2009.4 II) DOS FATOS O Ministério Público ofereceu denúncia contra Jurema, imputando-lhe a prática do delito de homicídio culposo na condução de veículo automotor, previsto no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/97). A impetrante, companheira da vítima Francisco, formulou pedido de habilitação na condição de assistente à acusação, acompanhado do respectivo contrato de união estável. Considerando a exigência da tempestividade na peça do 35º Exame, sugerimos mencionar a que o mandado de segurança é tempestivo. O Magistrado indeferiu o pedido, sob o argumento de que o artigo 268 do Código de Processo Penal não prevê legitimidade à companheira para intervir como assistente à acusação. III) DO DIREITO O Magistrado indeferiu o pedido de habilitação à assistente à acusação formulado pela impetrante, sob o argumento de que o artigo 268 do Código de Processo Penal não prevê legitimidade da companheira para intervir como assistente à acusação. Todavia, embora o artigo 268 do Código de Processo Penal não faça referência à legitimidade do companheiro nos casos de união estável, o artigo 226, § 3º, da Constituição Federal, reconheceu a união estável entre homem e mulher como entidade familiar para fins de proteção do Estado. Logo, a própria Constituição Federal legitima a companheira como sucessor no caso de falecimento do ofendido para fins de habilitação como assistente da acusação. Assim, a decisão proferida pelo Magistrado violou direito líquido e certo da impetrante, a concessão do mandado de segurança é medida que se impõe. IV) DA LIMINAR Como se vê, estão presentes o fumus boni juris e o periculum in mora, pressupostos autorizadores da concessão liminar do mandado de segurança postulado.A impetrante juntou aos autos o contrato de união estável, demonstrando sua condição de companheira da vítima e parte legítima para figurar como assistente da acusação. Além disso, a liminar se faz necessária dada a impossibilidade de reversão do ato da autoridade judiciária, já que a impetrante não poderá se manifestar nos atos processuais produzidos ao longo do procedimento criminal em que seu companheiro figura como vítima. V) DO PEDIDO Ante o exposto, o impetrante requer a concessão do mandado de segurança, para o fim de: a) Seja ouvido o ilustre representante do Ministério Público; b) Seja expedido ofício à autoridade coatora, a fim de que preste informações, nos termos do artigo 7º, inciso I, da Lei 12.016/2009; c) Liminarmente, seja deferida a habilitação da impetrante como assistente da acusação na ação penal em que seu falecido companheiro figura como vítima; d) Seja concedido de forma definitiva o mandado de segurança, mantendo-se a liminar postulada, para o fim de que seja cassada a decisão do Juiz da 5ª Vara Criminal da Comarca de Niterói, com a consequente habilitação da impetrante como assistente da acusação na ação penal em que seu falecido companheiro figura como vítima; e) Atribui-se à causa o valor de Alçada Nestes termos, Pede deferimento. Local... e data... Advogado... OAB... Treine a peça: queixa-crime subsidiária PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado No dia 06 de abril de 2020, na cidade de Niterói, Carla, que contava com 19 anos de idade, caminhava sozinha pela rua, quando foi surpreendida por um indivíduo, que, por meio de emprego de uma faca, subtraiu o seu celular. A ação foi visualizada por Amarildo e Carlos, que conversavam próximo ao local. De imediato, Clara procurou a Delegacia de Polícia Especializada em Crimes Contra o Patrimônio e narrou os fatos à autoridade policial, apontando a fisionomia do agente. Depois das investigações, a autoridade policial conseguiu reunir elementos informativos no sentido de que João teria sido o autor da subtração, já que, além de ter sido regularmente reconhecido pela vítima, foi apreendido em seu poder o celular subtraído e a arma branca utilizada. Após a conclusão do inquérito policial, os autos são encaminhados ao Ministério Público com relatório final de investigação, indiciando João, que se encontrava em liberdade provisória. Após 90 (noventa) dias do recebimento do inquérito, os autos permanecem no gabinete do Promotor de Justiça, sem que qualquer medida tenha sido adotada. Indignada, Carla procurou seu escritório de advocacia e narrou os fatos acima. Você, na qualidade de advogado(a) de Carla deve adotar a medida cabível. Informa-se que a cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, possui Varas Criminais e Juizados Especiais Criminais. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, redija a peça cabível, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes. (Valor: 5,00 pontos) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA CRIMINAL DA COMARCA DE NITERÓI/RJ CARLA, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., CPF..., com endereço eletrônico..., residente e domiciliada na Rua...., por meio do seu procurador infra- assinado, com procuração com poderes especiais, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, oferecer a presente QUEIXA-CRIME SUBSIDIÁRIA, com base nos artigos 29, 30, 41, 44, todos do Código de Processo Penal, artigo 100, § 3º, do Código Penal e artigo 5º, LIX, da Constituição Federal, contra JOÃO, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG..., CPF..., endereço eletrônico..., residente e domiciliado na Rua ..., pelos fatos a seguir expostos. I) DA TEMPESTIVIDADE E LEGITIMIDADE A presente queixa-crime subsidiária foi oferecida dentro do prazo de 6 meses, a contar da inércia do Ministério Público em oferecer a denúncia dentro do prazo do artigo 46 do Código de Processo Penal, nos termos dos artigos 38 do Código de Processo Penal e art. 103 do Código Penal. Considerando ter extrapolado o prazo para o Ministério Público oferecer a denúncia, a ofendida passou a ter legitimidade para oferecer a presente queixa-crime subsidiária. II) DOS FATOS No dia 06 de abril de 2020, na cidade de Niterói/RJ, o querelado João subtraiu, mediante grave ameaça, por meio de emprego de uma faca, o celular que pertencia à querelante. Na ocasião, a querelante, que contava com 19 anos de idade, caminhava sozinha pela rua, quando foi surpreendida pelo querelado, que, por meio de grave ameaça, com emprego de uma faca, subtraiu o seu celular. A subtração ocorreu por meio de emprego de faca, incidindo, por isso, a causa de aumento de pena prevista no artigo 157, §2º, VII, do Código Penal. III) DO DIREITO Ao subtrair o celular da querelante, com emprego de uma faca, o querelado praticou o crime previsto no artigo 157, § 2º, VII, do Código Penal. IV) DO PEDIDO Ante o exposto, a querelante requer: a) O recebimento da presente queixa-crime subsidiária; b) A citação do querelado; c) A condenação do querelado pela prática do crime previsto no artigo 157, § 2º, VII, do Código Penal; d) A fixação do valor mínimo de indenizatório, nos termos do artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal; e) A produção de provas, com a oitiva das testemunhas arroladas. ROL DE TESTEMUNHAS: 1) Amarildo...; 2) Carlos... Nestes termos, Pede deferimento. Local..., data... Advogado ... OAB... Treine a peça: razões de apelação PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL Enunciado Desejando comprar um novo carro, Leonardo, jovem com 19 anos, decidiu praticar um crime de roubo em um estabelecimento comercial, com a intenção de subtrair o dinheiro constante do caixa. Narrou o plano criminoso para Roberto, seu vizinho, mas este se recusou a contribuir. Leonardo decidiu, então, praticar o delito sozinho. Dirigiu-se ao estabelecimento comercial, nele ingressou e, no momento em que restava apenas um cliente, simulou portar arma de fogo e o ameaçou de morte, o que fez com ele saísse, já que a intenção de Leonardo era apenas a de subtrair bens do estabelecimento. Leonardo, em seguida, consegue acesso ao caixa onde fica guardado o dinheiro, mas, antes de subtrair qualquer quantia, verifica que o único funcionário que estava trabalhando no horário era um senhor que utilizava cadeiras de rodas. Arrependido, antes mesmo de ser notada sua presença pelo funcionário, deixa o local sem nada subtrair, mas, já do lado de fora da loja, é surpreendido por policiais militares. Estes realizam a abordagem, verificam que não havia qualquer arma com Leonardo e esclarecem que Roberto narrara o plano criminoso do vizinho para a Polícia. Tomando conhecimento dos fatos, o Ministério Público requereu a conversão da prisão em flagrante em preventiva e denunciou Leonardo como incurso nas sanções penais do art. 157, § 2º-A, inciso I, c/c o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. Após decisão do magistrado competente, qual seja, o da 1ª Vara Criminal de Belo Horizonte/MG, de conversão da prisão e recebimento da denúncia, o processo teve seu prosseguimento regular. O homem que fora ameaçado nunca foi ouvido em juízo, pois não foi localizado, e, na data dos fatos, demonstrou não ter interesse em ver Leonardo responsabilizado. Em seu interrogatório, Leonardo confirma integralmente os fatos, inclusive destacando que se arrependeu do crime que pretendia praticar. Constavam no processo a Folha de Antecedentes Criminais do acusado sem qualquer anotação e a Folha de Antecedentes Infracionais, ostentando uma representação pela prática de ato infracional análogo ao crime de tráfico, com decisão definitiva de procedência da ação socioeducativa. O magistrado concedeu prazo para as partes se manifestaremem alegações finais por memoriais. O Ministério Público requereu a condenação nos termos da denúncia. O advogado de Leonardo, contudo, renunciou aos poderes, razão pela qual, de imediato, o magistrado abriu vista para a Defensoria Pública apresentar alegações finais. Em sentença, o juiz julgou procedente a pretensão punitiva estatal. No momento de fixar a pena- base, reconheceu a existência de maus antecedentes em razão da representação julgada procedente em face de Leonardo enquanto era inimputável, aumentando a pena em 06 (seis) meses de reclusão. Não foram reconhecidas agravantes ou atenuantes. Na terceira fase, incrementou o magistrado em 2/3 (dois terços) a pena, justificando ser desnecessária a apreensão de arma de fogo, bastando a simulação de porte do material diante do temor causado à vítima. Com a redução de 1/3 (um terço) pela modalidade tentada, a pena final ficou acomodada em 5 (cinco) anos de reclusão. O regime inicial de cumprimento de pena foi o fechado, justificando o magistrado que o crime de roubo é extremamente grave e que atemoriza os cidadãos de Belo Horizonte todos os dias. Intimado, o Ministério Público apenas tomou ciência da decisão. A irmã de Leonardo o procura para, na condição de advogado, adotar as medidas cabíveis. Constituída nos autos, a defesa interpôs o recurso cabível. O Magistrado recebeu o recurso, sendo a defesa intimada no dia 06 de maio de 2019, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o país. Com base nas informações expostas acima e naquelas que podem ser inferidas do caso concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia do prazo, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG Processo nº LEONARDO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, oferecer as presentes RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO, com base no art. 600 do Código de Processo Penal, requerendo sejam recebidas, com posterior remessa dos autos ao Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. As presentes razões de recurso de apelação são tempestivas, pois oferecidas dentro do prazo de 8 dias, previsto no artigo 600 do Código de Processo Penal. Nestes termos, Pede deferimento Local..., 14 de maio de 2019. Advogado... OAB... EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS Apelante: Leonardo Apelado: Ministério Público Processo nº ... RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais Colenda Câmara Criminal I) DOS FATOS O réu foi denunciado pela prática do crime de roubo majorado tentado, previsto no art. 157, § 2º-A, inciso I, c/c o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. O réu foi interrogado. Encerrada a instrução, o Ministério Público requereu a condenação. Em sentença, o juiz julgou procedente a pretensão punitiva estatal, fixando a pena de 05 (cinco) anos de reclusão, em regime fechado. Intimada da sentença, a defesa interpôs o recurso cabível, que foi recebido pelo Magistrado. Após, a defesa foi intimada para apresentar a peça correspondente no dia 06 de maio de 2019, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o país. II) DO DIREITO A) DA NULIDADE O advogado do réu renunciou aos poderes, tendo o Magistrado, de imediato, concedido vista para a Defensoria Pública apresentar alegações finais. Todavia, o processo deve ser anulado a partir da apresentação das alegações finais pela Defensoria Pública, uma vez que deveria o Magistrado intimar o réu, que estava preso, para se manifestar acerca do interesse de constituir novo advogado ou ser defendido pela Defensoria Pública. A abertura, de imediato, de vista dos autos à Defensoria Pública violou princípio da ampla defesa, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal/1988, uma vez que as alegações finais foram apresentadas sem nenhum contato com o réu, acarretando-lhe prejuízo, já que restou condenado. B) DA DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA O réu foi denunciado pela prática de crime de roubo majorado tentado. Todavia, ao verificar que o único funcionário que estava trabalhando no local era um senhor que utilizava cadeiras de rodas, o réu, mesmo antes de ser notado, desistiu de prosseguir a subtração, deixando o local sem nada subtrair. Logo, não poderia ter sido imputado ao réu a prática de roubo na modalidade tentada, uma vez que, incidindo hipótese de desistência voluntária, o agente responde pelos atos praticados, nos termos do artigo 15 do Código Penal, afastando a possibilidade de tentativa, sendo o fato atípico, já que os atos praticados não constituem crime. Em relação à ameaça, crime de ação penal pública condicionada à representação, como o cliente ameaçado demonstrou não ter interesse em ver o réu responsabilizado, operou-se, no caso, a decadência do direito de representação. Logo, os fatos até então praticados não constituem crime, ensejando a absolvição, com base no artigo 386, III, do Código de Processo Penal. C) DOS MAUS ANTECEDENTES O Juiz aumentou a pena-base em razão da representação julgada procedente em face do réu enquanto era inimputável. Todavia, não poderia o Magistrado elevar a pena-base, porque a existência de representação pela prática de ato infracional, ainda que com decisão definitiva, não enseja maus antecedentes, já que decisão reconhecendo a prática de ato infracional não constitui fundamento idôneo a elevar a pena- base. Logo, na eventualidade de ser mantida a condenação, deve ser afastado o aumento da pena pelos maus antecedentes, devendo a pena-base ficar no mínimo legal. D) DA ATENUANTE DA MENORIDADE O Juiz não reconheceu a atenuante da menoridade. Todavia, o réu era menor de 21 (vinte e um) anos na data dos fatos. Logo, incide a atenuante da menoridade relativa, prevista no art. 65, inciso I, do Código Penal. Assim, requer seja reconhecida a atenuante da menoridade relativa. E) DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA Ao ser interrogado, o réu confessou os fatos, confirmando integralmente os fatos, inclusive destacando que se arrependeu do crime que pretendia praticar. Logo, incide a atenuante da confissão espontânea, prevista no art. 65, inciso III, alínea d, do Código Penal. F) DO AFASTAMENTO DO AUMENTO DE PENA PELO EMPREGO DE ARMA O magistrado aplicou o aumento de 2/3 (dois terços) da pena, sob o fundamento de ser desnecessária a apreensão da arma de fogo, sendo suficiente a simulação do porte da arma para ensejar a causa de aumento de pena. Todavia, nos termos do art. 157, § 2º-A, inciso I, do Código Penal, a pena do delito de roubo aumenta-se até 2/3 (dois terços) se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma. No caso, não há provas do emprego de arma de fogo, já que nenhuma arma foi apreendida. Além disso, a simulação do uso de arma de fogo, por si só, não autoriza a incidência da causa de aumento de pena, uma vez que não gera risco à integridade física da vítima. Assim, deve ser afastada a majorante do art. 157, § 2º-A, inciso I, do Código Penal. G) DA DIMINUIÇÃO DA PENA PELA TENTATIVA E SURSIS O Magistrado reduziu a pena em 1/3 (um terço), restando a pena definitiva em cinco anos. Todavia, o réu ficou distante da consumação do delito, tanto que desistiu da empreitada delituosa antes mesmo de ser visto pelo funcionário do estabelecimento comercial. Logo, a diminuição da pena pela tentativa deveria ser considerada pela redução máxima, ou seja, em 2/3 (dois terços), o que levaria a pena definitiva a ficar abaixo de 02 (dois) anos. Assim, considerando a pena abaixo de 02 (dois) anos, bem como o fato de o réu ser primário e não ser cabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritivade direitos, cabe, no caso, o sursis, ou seja a suspensão condicional da pena, nos termos do art. 77 do Código Penal. H) DO REGIME CARCERÁRIO O Juiz fixou o regime inicial fechado, justificando que o crime de roubo é extremamente grave e que atemoriza os cidadãos de Belo Horizonte todos os dias. Todavia, a opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do delito não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que permitia a pena aplicada, nos termos das Súmula nº 718 e 719, ambas do Supremo Tribunal Federal, e Súmula nº 440 do Superior Tribunal de Justiça. Assim, considerando que a pena não supera 04 anos, deveria ser fixado o regime carcerário aberto, nos termos do art. 33, § 2º, alínea c, do Código Penal. III) DO PEDIDO Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o recurso, com a reforma da decisão recorrida, para o fim de que: a) Seja declarada a nulidade do processo a partir das alegações finais pela Defensoria Pública; b) Seja o réu absolvido, com base no art. 386, inciso III, do Código de Processo Penal; c) Seja afastado o aumento pelos maus antecedentes, fixando a pena-base no mínimo legal; d) Seja reconhecida a atenuante da menoridade relativa, nos termos do art. 65, inciso I, do Código Penal; e) Seja reconhecida a atenuante da confissão espontânea, nos termos do art. 65, inciso III, alínea d, do Código Penal; f) Seja afastado o aumento da pena pelo emprego de arma de fogo, fixando a pena no mínimo legal; g) Seja considerada a redução máxima pela tentativa, ou seja, em 2/3 (dois terços) da pena; h) Seja concedido o sursis, nos termos do art. 77 do Código Penal; i) Seja fixado o regime inicial aberto de cumprimento de pena, nos termos do art. 33, § 2º, alínea c, do Código Penal; j) Seja expedido o alvará de soltura do réu. Nestes termos, pede deferimento. Local..., 14 de maio de 2019. Advogado.... OAB...