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Campus Universitários de Inhamizua-Beira 
Universidade Jean Piaget de Moçambique 
 
 
 
 
 
 
 
Dissertação de Mestrado 
 
 
Pertinência da Abordagem de Educação Psicossexual no 2º Ciclo de 
Ensino Primário: Estudo com os Professores, Alunos e Membros da 
Direcção da Escola Primária de Mussianhalo, Distrito Báruè – Manica 
 
 
Armando Domingos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Beira, Julho de 2024 
 
 
 
 
 
 
 
Campus Universitários de Inhamizua-Beira 
Universidade Jean Piaget de Moçambique 
 
 
Dissertação de Mestrado 
Mestrado em Desenvolvimento Humano e Educação 
 
 
 
 
Pertinência da Abordagem de Educação Psicossexual no 2º Ciclo de 
Ensino Primário: Estudo com os Professores, Alunos e Membros da 
Direcção da Escola Primária de Mussianhalo, Distrito Báruè – Manica 
 
Armando Domingos 
 
Dissertação de Mestrado apresentada ao 
Departamento de Ciências de Educação, 
Campus Universitários de Inhamizua-Beira 
como requisito para obtenção de grau 
académico de Mestrado em 
Desenvolvimento Humano e Educação 
 
 
Supervisor: Prof. Doutor Edú Rafael Domingos Manuel 
 
 
 
 
Beira, Julho de 2024 
 
 
 
 
ÍNDICE 
DECLARAÇÃO DE HONRA ....................................................................................................... V 
Folha de Aprovação ....................................................................................................................... VI 
DEDICATÓRIA .......................................................................................................................... VII 
AGRADECIMENTOS ............................................................................................................... VIII 
Parecer do Supervisor .................................................................................................................... IX 
Lista de Abreviaturas ...................................................................................................................... X 
Lista de tabelas .............................................................................................................................. XI 
Lista de Quadros .......................................................................................................................... XII 
Resumo ....................................................................................................................................... XIII 
Abstract ....................................................................................................................................... XIV 
CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO ................................................................................................... 15 
1.1 Justificação ........................................................................................................................... 17 
1.2 Problematização .............................................................................................................. 18 
1.3 Objectivos ....................................................................................................................... 20 
1.3.1 Objectivo geral .............................................................................................................. 20 
1.3.2 Objetivos específicos..................................................................................................... 20 
1.4 Hipóteses .............................................................................................................................. 20 
1.4.1 Hipótese Nula ................................................................................................................ 20 
1.4.2 Hipótese Alternativa ...................................................................................................... 21 
1.5 Delimitação do Objeto de Estudo ........................................................................................ 21 
1.6 Teoria de base do estudo ...................................................................................................... 21 
1.7.1 Científica ....................................................................................................................... 22 
1.7.2 Social ............................................................................................................................. 22 
1.7.3 Pessoal ..................................................................................................................... 23 
 
 
 
CAPITULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ..................................................................... 24 
2.1 Conceito de educação .......................................................................................................... 24 
2.2. Conceitos de Educação Psicossexual .................................................................................. 25 
2.3. As Formas de Abordagem de Educação Psicossexual ........................................................ 26 
2.4 Dificuldades enfrentadas pelos professores na abordagem de educação psicossexual no 
Ensino Primário ......................................................................................................................... 30 
2.5 A Pertinência da Abordagem de Educação Psicossexual Emancipatória no Ensino Primário
 ................................................................................................................................................... 30 
2.6 Base Legal que sustenta a Abordagem de Educação Psicossexual em Moçambique.......... 32 
2.6.1 Direitos Sexuais e Reprodutivos ................................................................................... 35 
2.7 Formação dos professores para a abordagem de educação Psicossexual emancipatória como 
Tema Transversal no Ensino Primário ....................................................................................... 36 
2.8 A Contribuição da teoria psicanalítica na abordagem de educação psicossexual de forma 
emancipatória e integrada para a formação da personalidade do aluno..................................... 37 
2.9. Síntese dos Estudos sobre a Pertinência de Educação Psicossexual .................................. 40 
CAPITULO III - PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS ...................................................... 47 
3.1 Tipos de Pesquisa ................................................................................................................. 47 
3.1.1 Quanto à Natureza ......................................................................................................... 47 
3.1.2 Quanto à abordagem...................................................................................................... 47 
3.1.3 Quanto aos Objectivos .................................................................................................. 48 
3.3.2 Entrevista Semi- estruturada ......................................................................................... 50 
3.3.3 Observação directa ........................................................................................................ 50 
3.4 População e Amostra ........................................................................................................... 51 
3.4.1 Processo de amostragem ............................................................................................... 52 
3.5 Questões Éticas da Pesquisa ................................................................................................ 52 
 
 
 
3.6 Procedimentos de Análise dos Resultados ........................................................................... 53 
CAPITULO IV – ANÁLISE, DISCUSSÃO E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS ....... 54 
4. 1 Caracterização da Escola Primária de Mussianhalo ........................................................... 54 
4.3 Análise dos Resultados do Inquérito por Questionário Dirigidos aos Alunos..................... 63 
4.4 Análise dos
Resultados da Entrevista Semiestruturada Dirigida aos Membros da Direcção da 
Escola ......................................................................................................................................... 69 
4.4.1 Codificação dos membros da escola ................................................................................. 69 
4.4.2 Caracterização Sócio-Demográfica dos membros da direcção da escola ..................... 69 
4. 5 Síntese e Discussão dos Resultados .................................................................................... 73 
CAPITULO IV – CONCLUSÃO E SUGESTÕES ....................................................................... 77 
4.1 Conclusão ............................................................................................................................. 77 
4.1 Sugestões ........................................................................................................................ 79 
4.2.1 Para os professores ....................................................................................................... 79 
4.2.2 Para a direcção da escola .............................................................................................. 79 
BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................................... 80 
PÊNDICES 
ANEXOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
V 
 
DECLARAÇÃO DE HONRA 
 
Armando Domingos, com a inscrição Nº MDHE2005 - 2a edição, declaro sob compromisso de 
honra, que o presente trabalho resulta da investigação pessoal e da supervisão do orientador, 
Professor Doutor Edú Manuel. O seu conteúdo é original excepto onde indicado por referência 
especial no texto e todas as fontes consultadas estão devidamente identificados no texto, nas notas 
e nas referências bibliográficas. 
Declaro ainda que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituição nacional ou 
estrangeira para obtenção de qualquer grau académico. 
 
Beira, 18 de Julho de 2024 
___________________________ 
(Armando Domingos) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VI 
 
Folha de Aprovação 
 
Armando Domingos 
 
PERTINÊNCIA DA ABORDAGEM DE EDUCAÇÃO PSICOSSEXUAL NO 2º 
CICLO DE ENSINO PRIMÁRIO: ESTUDO COM OS PROFESSORES, ALUNOS 
E MEMBROS DA DIRECÇÃO DA ESCOLA PRIMÁRIA DE MUSSIANHALO, 
DISTRITO BÁRUÈ – MANICA 
Dissertação de Mestrado apresentado ao 
Departamento de Ciências da Educação, Campus 
Universitários de Inhamizua-Beira como requisito 
para obtenção de grau académico de Mestrado em 
Desenvolvimento Humano e Educação. 
 
Aprovada em ____/____/_____ 
Banca examinadora 
_____________________________ 
Prof. Doutor. Edú Manuel 
Supervisor – UJPM- Beira 
_______________________________ 
 
_______________________________ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VII 
 
DEDICATÓRIA 
 
 
Em primeiro lugar, dedico este trabalho aos meus pais, Domingos Cassamo e Rosa Mário 
Gahaja (em memória), bem como aos meus avós, Mário Gahaja e Ana João, que ajudaram-me 
a começar minha educação até hoje. Aos meus irmãos Nuro, João, Mário, Oliva, Marta, Teresa, 
Anifa e Graça, que ajudaram-me moralmente, emocionalmente e materialmente a obter este 
grau, de forma directa ou indirectamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VIII 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Em primeiro lugar, quero expressar a minha gratidão à Deus pelo dom da vida e proteção 
que concedeu-me desde a tenra idade até agora. 
Em seguida, quero expressar a minha gratidão à minha esposa, Joaquina Luís Faquira, 
pela paciência, carinho, amor, suporte, perseverança e reconhecimento dos meus estudos, apesar 
das dificuldades financeiras que enfrentamos. 
Aos meus filhos, Célia e Adson pelo amor e carinho que proporcionaram-me ao longo do 
processo da minha formação, apesar das condições críticas que passaram. 
Ao meu Supervisor Prof. Doutor Edú Rafael Domingos Manuel, pelo zelo e mestria, força 
e espírito de trabalho, acompanhamento e vontade de transmitir sua experiência profissional para 
elaboração da presente Dissertação, apesar da distância soube sanar as minhas dúvidas com muita 
proatividade e sabedoria. 
À Universidade Púnguè pelo emprego que me concedeu, sinceramente ajudou-me bastante 
para suprimento das mensalidades, seguramente que sem ela não seria possível o alcance deste 
nível. 
Aos colegas da Faculdade de Educação da Universidade Púnguè pelo encorajamento e 
preocupação incansável para a conclusão deste nível. Especialmente ao dr. Edson Evaristo 
Magande que tornou o meu grande irmão da academia e pelo apoio incondicional no processo de 
recolha de dados na Escola Primária de Mussianhalo. 
Aos meus colegas do Curso de Mestrado em Desenvolvimento Humano e Educação pela 
convivência, companheirismo, cumplicidade académica e troca de experiência que tivemos 
durante a formação, especialmente ao dr. Chacha Banco Mondola pelos debates inteligentes 
voltados para a construção do conhecimento. 
Aos alunos, professores e os membros da direcção da Escola Primária de Mussianhalo, 
Distrito de Báruè pela abertura no processo de recolha dos dados desta pesquisa. 
À todos que directa ou indiretamente concederam-me o seu apoio moral, afectivo e 
material na construção desta dissertação, endereço-lhes os meus sinceros agradecimentos. 
 
 
 
 
IX 
 
Parecer do Supervisor 
 
Edú Rafael Domingos Manuel, Professor auxiliar e docente da Universidade Jean Piaget de 
Moçambique, considera, enquanto orientador da dissertação de mestrado intitulada: Pertinência 
da Abordagem de Educação Psicossexual no 2º Ciclo de Ensino Primário: Estudo com os 
Professores, Alunos e Membros da Direcção da Escola Primária de Mussianhalo, Distrito 
Báruè – Manica apresentada pelo dr. Armando Domingos na área de Desenvolvimento Humano 
e Educação, que a mesma reúne condições de ser aceite para discussão em provas públicas. 
 
Beira, 18 de Julho de 2024 
 
___________________________________ 
(Professor Auxiliar) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
X 
 
Lista de Abreviaturas 
CIADAJ – Comité Inter-Sectorial para Apoio do Adolescente e do Jovem 
CIPD - Global da Juventude da Conferência Internacional sobre População e 
Desenvolvimento 
DAE – Director Adjunto da Escola 
DDE – Direcção Distrital de Educação 
DE – Director da Escola 
DPE – Direcção Provincial de Educação 
EP1 – Escola Primária do 1º Grau 
EP2 - Escola Primária do 2º Grau 
FNUAP - Fundo das Nações Unidas voltado para a População 
HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana 
INDE – Instituto Nacional de Desenvolvimento Educacional 
ITS – Infecções de Transmissão Sexual 
MEC – Ministério de Educação e Cultura 
MINED – Ministério de Educação 
MINEDH – Ministério de Educação e Desenvolviento Humano 
MISAU – Ministério de Saúde 
SIDA - Síndrome de Imunodeficiência Adquirida 
ZIP – Zona de Influência Pedagógica 
SNE - Sistema Nacional de Educação 
SNS – Sistema Nacional de Saúde 
UNESCO - Organizações das Nações Unidas voltadas para a Educação, a Ciência e a Cultura 
WLSA- Southern African Research and Education Trust on Women and Law 
PEE – Plano Estratégico de Educação 
 
 
 
 
 
 
https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-infecciosas/vih/
https://www.sns24.gov.pt/tema/doencas-infecciosas/vih/
 
XI 
 
Lista de tabelas 
 
Tabela 1- População e Amostra .................................................................................................. 51 
Tabela 2- Conhecimento sobre educação psicossexual .............................................................. 55 
Tabela 3- As disciplinas pelas quais os professores planificam e abordam as matérias de educação 
psicossexual ................................................................................................................................. 56 
Tabela 4- Os temas de educação
psicossexual leccionados na Escola ........................................ 57 
Tabela 5- As formas de abordagem dos conteúdos sobre a educação psicossexual pelos 
professores da Escola Primária de Mussianhalo ......................................................................... 58 
Tabela 6- A pertinência da abordagem dos conteúdos da educação psicossexual para o ensino 
primário ....................................................................................................................................... 59 
Tabela 7- As dificuldades enfrentadas pelos professores na abordagem da educação psicossexual 
emancipatória no ensino primário ............................................................................................... 60 
Tabela 8– Existência de formação/ capacitação em matéria de educação psicossexual ............. 61 
Tabela 9- As práticas desenvolvidas na Escola para abordagem de uma educação psicossexual 
emancipatória e como tema transversal ...................................................................................... 62 
Tabela 10 - As consequências que alunos enfrentam pela fraca abordagem de educação sexual
 ..................................................................................................................................................... 62 
Tabela 11- Percepção da abordagem de educação psicossexual na escola ................................. 64 
Tabela 12- O significado de educação psicossexual ................................................................... 65 
Tabela 13- As disciplinas que se aborda a educação psicossexual na escola ............................. 65 
Tabela 14- Os temas de educação psicossexual aprendidos na escola ........................................ 66 
Tabela 15- Atendimento das dúvidas dos alunos sobre sexualidade .......................................... 67 
Tabela 16- A importância de educação psicossexual para a vida dos alunos ............................. 67 
Tabela 17- Conhecimento dos direitos sexuais e reprodutivos ................................................... 68 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
XII 
 
Lista de Quadros 
 
Quadro 1 - Codificação dos Membros Direcção da Escola Primária de Mussianhalo ............... 69 
Quadro 2- A pertinência da abordagem da educação psicossexual para Escola Primária de 
Mussianhalo ................................................................................................................................ 70 
Quadro 3- As disciplinas que são leccionandas a educação psicossexual na Escola Primária de 
Mussianhalo ................................................................................................................................ 71 
Quadro 4 - As dificuldades enfrentadas pelos membros da diferença na abordagem da educação 
psicossexual emancipatória e transversal .................................................................................... 71 
Quadro 5– Existência envolvimento da família e comunidade abordagem sobre educação 
psicossexual ................................................................................................................................. 72 
Quadro 6- Conhecimento de alguma legislação/política sobre educação psicossexual .............. 72 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
XIII 
 
Resumo 
 
A presente dissertação visa analisar a pertinência da abordagem de educação psicossexual no ensino no 2º 
Ciclo de primário da Escola Primária de Mussianhalo. A educação psicossexual é uma área 
multidimensional extremamente importante na conjuntura actual, cujos seus conteúdos são interligados na 
preparação dos alunos para viverem a sua sexualidade de forma positiva, saudável e feliz, bem como 
desenvolvê-los como cidadãos conscientes, críticos e envolvidos nas transformações de todas as 
dimensões da sexualidade. Para materialização do objectivo definido, recorremos à pesquisa mista 
(qualitativa e quantitativa). Como participantes do estudo, foram escolhidos 113, dos quais 01 Director da 
Escola, 01 Director Adjunto da Escola, 01 Chefe de Secretaria, 20 professores e 90 alunos com base no 
procedimento de amostragem não probabilística na modalidade de intencionalidade ou conveniência tendo 
por base os seguintes critérios: reconhecer a pertinência da abordagem dos conteúdos sobre a educação 
psicossexual, consciencialização dos alunos sobre estes conteúdos, vontade e disponibilidade total em 
participar do estudo, no entanto, aos participantes do estudo foram aplicados o inquérito por questionário 
(aos professores e aos alunos) e a entrevista semiestruturada (aos membros da direcção da escola). Para a 
análise dos resultados, recorremos à análise de conteúdo e a aplicação do software SPSS-24. Os resultados 
desta pesquisa, mostram evidentemente que, há entendimento sobre a pertinência da abordagem dos 
conteúdos da educação psicossexual para o ensino primário, só que pecam nas formas de abordagem desses 
conteúdos, onde os resultados mostram de forma efusiva, 60% dos professores fazem abordagem 
biológico-higienista da sexualidade principalmente na disciplina de Ciências Naturais, deixado a parte das 
dimensões socioculturais e afectivas que dela fazem parte sem descurar o uso frequente de métodos 
tradicionais na abordagem do tema. Quanto às dificuldades que os professores enfrentam na abordagem 
dos conteúdos do tema, foram apontadas a falta de domínio das metodologias de educação psicossexual, 
existência de tabu/ mito, vergonha perante os alunos, falta de conteúdos e materiais didácticos na 
abordagem da educação psicossexual emancipatória e transversal, todavia, como implicações do estudo, 
os resultados mostram que é importante a promoção de capacitação, formação de bases flexíveis e criação 
de grupos de estudos que envolva vários professores na discussão da educação psicossexual na escola; 
estabelecimento da relação entre a família e a escola; atendimento das dúvidas dos alunos sobre a 
sexualidade; Criação da parceria com Direcção de Saúde do distrito do Báruè para a socialização de mais 
experiências e conhecimentos sobre o tema. 
 
Palavras-Chave: Educação Psicossexual; Educação Emancipatória; Escola Primária de Mussianhalo; 
Pertinência e Relação família-escola. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
XIV 
 
Abstract 
 
This dissertation aims to analyze the relevance of the psychosexual education approach in basic education 
at the Mussianhalo Primary School. Psychosexual education is an extremely important multidimensional 
area in the current situation, whose contents are interconnected in preparing students to live their sexuality 
in a positive, healthy and happy way, as well as developing them as conscious, critical citizens involved 
in transformations of all dimensions to sexuality. To materialize the defined objective, we used mixed 
research (qualitative and quantitative). As study participants, 113 were chosen, including 01 School 
Director, 01 Deputy School Director, 01 Head of Secretariat, 20 teachers and 90 students based on the 
non-probabilistic sample procedure in the intentionality or convenience modality based on the following 
criteria: the need for us to understand from teachers and members of the school management the relevance 
of approaching psychosexual education content in the school in the rural area of the investigation and the 
level of education of the student who we believe to be prone to unwanted situations, however the 
participants of the In this study, a questionnaire survey (to teachers and students) and a semi-structured 
interview (to members of the school management) were applied. To analyze the results, we used content 
analysis and the application of SPSS-24 fortware. The results of this research clearly show that there is 
understanding about the relevance of approaching the contents of psychosexual education for basic
education, but they fail in the ways of approaching these contents, where the results show effusively, 60% 
of teachers approach biological-hygienist of sexuality mainly in the Natural Sciences discipline, leaving 
aside the sociocultural and affective dimensions that are part of it without neglecting the frequent use of 
traditional methods in approaching the topic. Regarding the difficulties that teachers face in approaching 
the subject's content, the lack of mastery of psychosexual education methodologies, the existence of 
taboo/myth, shame in the eyes of students and lack of content and teaching materials in the approach to 
education were highlighted. emancipatory and transversal psychosexual, however, as implications of the 
study, the results show that it is important to promote training, form flexible bases and create study groups 
that involve several teachers in the discussion of psychosexual education at school; establishing the 
relationship between family and school; answering students' doubts about sexuality; Creation of a 
partnership with Health Departments in the Báruè district, in the sharing of more experience and 
knowledge on the topic. 
 
Key- words: Emancipatory Education; Family-School Relationship; Mussianhalo Primary 
School; Psychosexual Education and Relevance. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO 
O presente estudo, com o tema “Pertinência da Abordagem de Educação Psicossexual no 
2º Ciclo de Ensino Primário: Estudo com os Professores, Alunos e Membros da Direcção da 
Escola Primária de Mussianhalo, Distrito Báruè - Manica” surge no contexto da elaboração da 
dissertação para a obtenção do grau académico de Mestrado em Desenvolvimento Humano e 
Educação pela Universidade Jean Piaget de Moçambique. 
Actualmente tem sido de grande interesse os estudos e debates sobre a educação 
psicossexual no ensino primário devido aos múltiplos benefícios subjacentes como: a questão da 
vida sexual segura, saudável e feliz dos adolescentes e jovens, bem como, a responsabilidade de 
cuidarem o seu próprio corpo no sentido de não ocorrerem situações futuras indesejadas e graves 
em um mundo onde o vírus da imunodeficiência humana ou síndrome de imunodeficiência 
adquirida (HIV/SIDA), as infecções sexualmente transmissíveis (IST), as gravidezes indesejadas, 
a violência baseada no género e a desigualdade de género ainda são perigosos para sua saúde. 
A orientação técnica internacional sobre educação psicossexual foi lançada pela primeira 
vez em 2009 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura 
(UNESCO) e, ao longo desse tempo, a comunidade global passou a abraçar uma agenda de 
desenvolvimento ousada e transformadora que visa construir uma sociedade justa, equitativa, 
tolerante, aberta e socialmente inclusiva, onde ninguém seja deixado para trás e onde as 
necessidades das pessoas mais vulneráveis sejam atendidas na Agenda 2030 para a educação em 
sexualidade (UNESCO, 2018). Durante esse tempo, um número cada vez maior de jovens uniu-
se para exigir o direito à educação sexual e exortar os líderes políticos a cumprir os compromissos 
que fizeram com as gerações atuais e futuras. (idem) 
O Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) apoiou fortemente a incorporação 
da educação psicossexual nas políticas educacionais em Moçambique. A educação psicossexual 
evoluiu em contextos diferentes, desde a sua emergência no Plano Estratégico da Educação em 
1999, na qual concentrava-se mais em aspectos biológicos, ignorando os aspectos emocionais, 
sociais e eculturais da sexualidade. No entanto, à medida que os planos são revisados, a 
abordagem feita ao conceito de educação psicossexual está incorporando elementos de natureza 
biológica, psicológica e social. (Mubate, 2024) 
 
 
 
16 
 
Ainda na mesma senda, o governo moçambicano está fazendo muito para acabar com os 
estereótipos sobre a sexualidade. Ministério de Educação e Desenvolvimento Humano 
(MINEDH) em 2020 orienta de que, a educação psicossexual deve ser abordada de forma 
transversal porque o assunto envolve tanto aspectos biológicos quanto emocionais e 
socioculturais. Se isso não for suficiente, os conteúdos envolvem todo o currículo do ensino 
primário, tornando a responsabilidade de todos os professores de todas as disciplinas em aborda-
los. Este ponto de vista, é apresentado também no Plano Estratégico da Educação (2020-2029) na 
medida em que, prioriza a transversalidade na abordagem em vários níveis sectoriais. Apesar dos 
esforços empreendidos do governo, falar sobre sexualidade no contexto moçambicano, ainda 
continua a ser grande desafio, por se considerar tabu e que acelera a prática das relações sexuais 
cedo. 
A presente dissertação visa analisar a pertinência abordagem de uma educação 
psicossexual emancipatória como tema transversal na Escola Primária de Mussianhalo, Distrito 
Báruè. Para alcance deste objectivo definido, recorremos as metodologias seguintes: pesquisa 
qualitativa e quantitativa (mista) método bibliográfico, método indutivo, método dedutivo, 
análise de conteúdos e estatística descritiva usando SPSS-22 e como instrumentos de recolha de 
dados, a observação directa, a entrevista e o inquérito por questionário. Levantamos a hipótese 
nula, de que a abordagem objectiva de conteúdos sobre a educação psicossexual pelos professores 
não eliminará as situações de gravidezes precoces, uniões prematuras e infeções de transmissão 
sexual (ITS) e estereótipos dos alunos da Escola Primária de Mussianhalo. 
Tendo em conta que todos os trabalhos de natureza académica apresentam uma estrutura, 
no entanto, a presente dissertação não está alheira a essa estrutura, sendo assim ela é composta 
por cinco capítulos nomeadamente: Capítulo I - Introdução, com seus respectivos elementos 
como: a Justificativa da escolha do tema, o Problema que norteia a nossa investigação, os 
Objectivos, as Hipóteses, a Delimitação do objecto da investigação e a Relevância do Estudo; o 
Capítulo II - Fundamentação Teórica para o embasamento dos conteúdos do trabalho para além, 
de apresentar a Revisão da Literatura empírica e focalizada; O Capítulo III – Procedimentos 
Metodológicos para a consecução dos objectivos deste trabalho, o Capítulo IV – Análise, 
Discussão e Interpretação dos Resultados; e, por fim, o Capítulo V – Conclusões e Sugestões do 
Estudo, sucedido pela Bibliografia, Apêndices e Anexos. 
 
 
17 
 
1.1 Justificação 
A escolha do tema foi motivada pela necessidade de promover os direitos dos alunos e as 
responsabilidades dos professores na abordagem da educação psicossexual como um tema 
transversal, a fim de garantir que os alunos tenham uma vida mais informada, mais saudável e 
livre de preconceitos associados a este assunto. 
A outra questão que impulsionou a escolha do tema, foi aquando da aprendizagem do 
Módulo de Desenvolvimento e Educação Psicossexual, onde destacamos alguns temas 
transversais imprescindíveis para a sua abordagem nas escolas (sexualidade, educação 
psicossexual emancipatória, uniões prematuras, gravidezes não desejadas, métodos 
anticocépticos, Vírus da Imunodeficiência Humana ou Síndrome de Imunodeficiência Adquirida 
(HIV/SIDA), violência, abuso sexual entre outros), daí, surge o interesse de ver abordado este 
tema pelos professores da Escola Primária de Mussianhalo, tema que no contexto moçambicano 
ainda constitui um preconceito, e que a sua a fraca abordagem traz implicações graves como: o 
absentismo escolar e vulnerabilidade para os alunos. 
A escolha da Escola Primária de Mussianhalo, Distrito Báruè, Província de Manica surgiu 
durante a Supervisão das Práticas Pedagógicas Gerais e Prática Técnico Profissional em 
Administração II do Curso de Administração e Gestão de Educação e Ciências de Educação, onde 
constatamos a fraca abordagem de educação psicossexual por parte dos professores. 
Ainda na mesma senda, foi a motivação
na escolha desta temática, justamente pela 
necessidade de referenciar os avanços de abordagem de educação psicossexual, principalmente 
ao nível da Escola Primária de Mussianhalo. Este trabalho, perspectiva auxiliar de certa forma os 
professores para melhorarem a sua prática e compreensão atinente a pertinência da educação 
psicossexual desconstruindo, deste modo os estereótipos de todas formas associados à 
sexualidade visando a construção dos conhecimentos científicos e por conseguinte, o 
aprimoramento de metodologias ativas relacionadas à abordagem emancipatória e transversal e 
que repercutam no desenvolvimento de competências nos alunos para escolhas saudáveis e 
responsáveis no campo da educação psicossexual. 
Ainda no mesmo âmbito no ensino primário a criança entra na 1ª classe quando tem 
aproximadamente seis anos de idade, de acordo com a Lei 18/2018 de 28 de Dezembro do Sistema 
Nacional de Educação (SNE), no entanto em confomidadade com Cunha (2008) a criança já 
 
 
18 
 
vivenciou as três fases pré-genitais de desenvolvimento psicossexual de Freud (Oral, Anal e 
Fálica), neste caso, já passou o conflito do édipo ou Electra que efectiva o Superego, na escola 
procede a fase de latência e por fim genital, está última onde ocorre o início da atividade sexual 
genital propriamente dita, a que Freud denominou “Fase genital”, nessa fase, as crianças não tem 
tido uma educação psicossexual requerida. Nesta perspectiva, sempre notamos vários problemas 
causados por rapazes e as raparigas como: sexo precoce, gravidez indesejada, casamento ou 
uniões prematuras, doenças sexualmente transmissíveis, embora haja regras que pressupõe sexo 
depois dos 18 anos. 
Razão pela qual, é extremamente fulcral que a educação psicossexual, seja introduzida 
nas classes iniciais para a construção das competências dos alunos e ajudar significativamente na 
abstinência das diversas dificuldades inerente à educação psicossexual, embora abordá-la em 
nosso contexto tem sido tabu para os professores e a sociedade em geral, por que acreditam que, 
quando cedo for a sua abordagem antecipa e incita a prática sexual cedo, bem como é falta de 
respeito e pecado falar sobre educação psicossexual para alunos das classes iniciais. 
Neste contexto, a educação psicossexual consciencializam não só os professores, bem 
como todos os implicados com o processo educacional, no sentido de perceberem da necessidade 
e urgência da abordagem da temática por ser crucial para que os alunos tenham uma vivência 
mais saudável e responsável. 
 
1.2 Problematização 
A problemática do presente estudo surge na sequência das observações feitas na Escola 
Primária de Mussianhalo, Distrito Báruè no ano 2022 e na supervisão das Práticas 
Profissionalizantes dos estudantes do Administração e Gestão de Educação do 2º Ano da 
Universidade Púnguè do ano 2022, verificamos o local da investigação a fraca abordagem da 
educação psicossexual como tema transversal no Ensino Primário, neste contexto, muitos 
professores não desempenhavam o seu papel em abordar a educação psicossexual emancipatória 
de forma transversal, no entanto a Escola Primária de Mussianhalo, persistia na abordagem do 
tema de forma parcial deixando simplesmente a responsabilidade para o professor de Ciências 
Naturais, pelo que, a realidade vivida nesta escola é preocupante, visto que, os alunos terminam 
o Ensino Primário sem conhecimentos suficientes da educação psicossexual para encarar os 
 
 
19 
 
desafios da vida. 
Neste âmbito, a fraca abordagem de educação psicossexual emancipatória por parte dos 
Professores da Escola Primária de Mussianhalo nas demais disciplinas, tirando as Ciências 
Naturais, faz com que alunos procurem informações em outras fontes menos fidedignas, como 
nos grupos de amigos, onde muitos estão despreparados. 
Olhando para essa situação, notamos que, é muito preocupante para o futuro dos alunos 
da Escola Primária de Mussianhalo porque eles não estão usufrir o seu direito percioso de 
educação psicossexual, entretanto o mais caricato é que, há omissão desses conteúdos num espaço 
escolar, onde por execelência os alunos poderiam terem informações seguras para futuramente 
desfrutarem a sua sexualidade de forma saudável e livre de todas formas de descriminação e 
estereótipos. 
Para MINEDH (2020), através do seu Plano Curricular de Ensino Primário (PCEP), 
constitui um dos objetivos do ensino primário no âmbito do desenvolvimento pessoal comportar-
se de forma responsável em relação às questões de sexualidade e saúde reprodutiva. Neste sentido, 
o Ministério de Educação e Cultura (MEC) em 2010 orientou a abordagem da sexualidade em 
todas as disciplinas e privilegiou profundamente a disciplina de Ciências Naturais por meio do 
Plano Estratégico de Educação e Cultura. 
Tendo em conta o objetivo em alusão, verificamos que não está sendo alcançado de forma 
eficaz, pois os principais problemas de saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes estão 
associados à gravidez precoce, não desejada, aborto inseguro, Vírus da Imunodeficiência Humana 
ou Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (HIV/SIDA), nutrição inadequada, abuso de 
substâncias (álcool e drogas) e violência física e sexual. 
Neste contexto, cerca de 45% de todas as novas infecções do Vírus da Imunodeficiência 
Humana ou Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (HIV/SIDA), ocorrem em jovens em 
Moçambique, com as raparigas três vezes mais comuns do que os rapazes e gravidezes precoces 
cerca de 40%. (MISAU, 2011) 
O início precoce da atividade sexual é outro problema que os adolescentes enfrentam. Em 
Moçambique, o casamento precoce (também conhecido como união prematura) e a gravidez são 
costumes que começam muito cedo, sendo 40% das mulheres de 15 a 19 anos já tiveram um filho. 
Além disso, estes adolescentes sofrem violência física e sexual. Aproximadamente 25,3% das 
 
 
20 
 
mulheres e 24,9% dos homens tiveram relações sexuais antes dos 15 anos, e 79,5 por cento das 
mulheres e 67,9% dos homens tiveram relações sexuais antes dos 18 anos (idem). 
Diante desta problemática, colocamos a seguinte questão norteadora: 
 Qual é a pertinência da abordagem dos conteúdos da educação psicossexual 
no 2º Ciclo de ensino primário da Escola Primária de Mussianhalo? 
 
1.3 Objectivos 
1.3.1 Objectivo geral 
 Analisar a pertinência da abordagem dos conteúdos de educação psicossexual no 2º 
Ciclo de ensino primário da Escola Primária de Mussianhalo, Distrito Báruè. 
 
 1.3.2 Objetivos específicos 
 Identificar as formas de abordagem dos conteúdos sobre a educação psicossexual pelos 
professores na Escola Primária de Mussianhalo; 
 Descrever as dificuldades que os professores enfrentam na abordagem dos conteúdos de 
educação psicossexual na Escola Primária de Mussianhalo; 
 Sugerir as prácticas de abordagem dos conteúdos de educação psicossexual na Escola 
Primária de Mussianhalo. 
 
1.4 Hipóteses 
Uma proposição testável que pode vir a ser a solução do problema é chamada de hipótese. 
Os conceitos de hipóteses de hipótese foram definidos por vários autores, mas, apesar das 
diferenças de linguagem, eles convergem no mesmo sentido, o que leva o autor deste artigo a 
concluir que são respostas provisórias que, depois de testadas, podem ser consideradas 
definitivas. 
 
1.4.1 Hipótese Nula 
 A abordagem objectiva de conteúdos sobre a educação psicossexual pelos professores não 
eliminará as situações de gravidezes precoces, uniões prematuras e infeções de 
transmissão sexual (ITS) e estereótipos dos alunos da Escola Primária de Mussianhalo. 
 
 
21 
 
1.4.2 Hipótese Alternativa 
 A abordagem objectiva de conteúdos sobre a educação psicossexual pelos professores 
eliminará as situações de gravidezes precoces, uniões prematuras e infeções de 
transmissão sexual (ITS) e estereótipos dos alunos da Escola Primária de Mussianhalo. 
 
1.5 Delimitação do Objeto de Estudo 
No que tange
a perspectiva teórica, o tema atinente “A Pertinência da Abordagem de 
Educação Psicossexual no Ensino Primário: Estudo com os Professores, Alunos e Membros da 
Direcção da Escola Primária de Mussianhalo, Distrito Báruè - Manica”, enquadra-se na disciplina 
de Desenvolvimento Psicossexual e linha de investigação do programa de Mestrado em 
Desenvolvimento Humano e Educação. 
Relativamente à delimitação espacial, a pesquisa foi realizada no distrito de Bárue, 
localiza-se concretamente na Província de Manica,com os seguintes limites: Ao norte, o distrito 
de Guro faz a fronteira com a República do Zimbabwe pelos rios Pandira e Tchatola. Ao sul, o 
rio Punguè faz a fronteira com os distritos de Manica e Gondola, e a este é o distrito de Macossa. 
Ainda na mesma senda, a Escola Primária de Mussianhalo em estudo fica na localidade 
de Chuala, dentro do distrito de Báruè. Fica a cerca de 14 km da sede da localidade na EN7 e 
limita-se ao norte com Chiramba, ao sul com Inhazónia, ao este com o rio Inhazónia e ao oeste 
com a EN7. Tudo isso está na mesma rota. A duração deste estudo foi de Setembro de 2022 ao 
mês de Abril de 2024. 
1.6 Teoria de base do estudo 
A presente dissertação assenta-se na Teoria de Desenvolvimento Psicossexual de 
Sigmund Freud, as suas contribuições consciencializam todos profissionais de educação em 
abordagem de educação psicossexual de forma emancipatória e integrada para a formação da 
personalidade do aluno, principalmente nas suas fases de desenvolvimento psicossexual (oral, 
anal, fálica, latência e genital) que mediante Cunha (2008), explicam o desenvolvimento e suas 
respetivas manifestações nos alunos, onde apela o respeito de cada uma das fases sub risco, os 
adolescentes não ser bem sucessivos quando forem adultos, isto é a falha de uma determinada 
fase, pode trazer implicações severas no futuro como a fratura da personalidade. 
 
 
22 
 
O presente estudo parte de pressuposto de que, os adolescentes têm direitos sexuais, tal 
como são preconizados pela teoria psicanalítica, no entanto eles precisam ter a educação 
psicossexual no sentido de viverem a sua sexualidade segura, prazerosa, saudável e informada. 
 Lembrando que abordagem de educação, ainda constitui tabu em Moçambique, apesar 
das mídias actuais já falam da temática, mas de forma limitada, é a razão pela qual, prende-se a 
presente pesquisa em efectivamente analisar a pertinência da abordagem dos conteúdos de 
educação psicossexual no ensino primário da Escola Primária de Mussianhalo, Distrito Báruè. 
Em relação ao modelo teórico que se alinha melhor ao presente estudo, escolhemos o 
modelo de desenvolvimento pessoal e social por abarcar várias facetas dos outros modelos. Este 
modelo integra elementos de natureza biológica, psicológica e social. Baseia-se em uma visão 
positiva da saúde, que é definida como bem-estar e melhoria da qualidade de vida das pessoas e 
dos povos (López & Oroz, 2001). 
 
1.7 Relevância do estudo 
1.7.1 Científica 
Cientificamente, a presente dissertação é uma mais-valia no campo educativo, 
especialmente no ensino primário visto que reforça os cohecimentos sistematizados nos trabalhos 
académicos sobre o tema, assim como, ajuda propor contribuições e estratégias que vão auxiliar 
na sua abordagem por parte dos professores, e vai permitir em atingir a integração sexual do aluno 
e capacitá-lo para que crie suas próprias atitudes positivas. 
Outrossim, a pesquisa é de extrema importância para o Ministério de Educação e 
Desenvolvimento Humano, justamente para estimular à reflexão sobre a pertinência da 
abordagem dos conteúdos de educação psicossexual no ensino primário de maneiras com que, o 
governo moçambicano incremente mais conteúdo de educação psicossexual nos currículos 
escolares, possibilitando de certa forma a sua abordagem emancipatória e transversal nas escolas 
para melhorar o bem-estar dos alunos moçambicanos. 
 
1.7.2 Social 
Socialmente, este estudo contribuirá na potencialização e consciencialização da sociedade 
em geral, especialmente da comunidade escolar de Mussianhalo sobre o perigo das uniões 
 
 
23 
 
prematuras e gravidezes precoces, e, por conseguinte prevenindo a ocorrência deste mal e que 
juntos estaremos na luta pela defesa da mesma causa. 
O estudo permitirá o desenvolvimento de uma educação psicossexual emancipatória que 
não se restrinja ao acto sexual e anatomia. Por seu turno, vai possibilitar abordagem de educação 
psicossexual dentro de um enfoque sociocultural, abrangendo a saúde reprodutiva, as relações de 
género, as relações interpessoais, o prazer corporal e a auto-estima, uma vez que ela tem uma 
dimensão histórica, cultural, ética e política que abrange todo o ser. 
O tema é de extrema relevância para a sociedade, pelo facto de ser o processo importante 
de aquisição de informação e formação de valores, crenças, atitudes sobre a própria identidade, o 
relacionamento e intimidade, no entanto, isso só pode acontecer enquanto a apropria sociedade 
estiver informada e não só pretendemos crescer com as comunidades. 
 
1.7.3 Pessoal 
Pessoalmente, a temática em estudo contribuirá no desenvolvimento dos conhecimentos 
e experiências da pesquisa para abordagem efectiva de educação psicossexual, e que na qualidade 
do estudante de Mestrado na área de Desenvolvimento Humano e Educação e por um lado como 
docente de ensino superior, possa usar estratégias adequadas para eliminação os problemas que 
apoquentam as comunidades escolares em termos da fraca abordagem de educação psicossexual, 
dada a sua relevância de melhoria do bem-estar da vida sexual dos adolescentes deste país. 
Por outro lado, Escola Primária de Mussianhalo é uma escola rural, onde escalamos a 
nossa pesquisa, por ser uma escola onde observamos práticas socioculturais muito fortes e nocivas 
como os casos de uniões prematuras e gravidezes precoces perpetuadas pelos alunos. Neste caso, 
sob ponto de vista pessoal, o estudo permitirá na desconstrução dos estereótipos relacionados à 
educação psicossexual contribuindo positivamente para uma educação emancipatória, social e 
culturalmente libertadora em que o conhecimento extrapole a componente eminentemente técnica 
e o conteúdo dos currículos das disciplinas, tornando concisas as relações concernentes o 
conhecimento e a vida diária. 
 
 
 
 
 
24 
 
CAPITULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
 
Para sustentar cientificamente o trabalho, revisamos uma variedade de literatura 
relacionada especificamente à pertinência da abordagem de educação psicossexual emancipatória 
como tema transversal no ensino primário. 
 
2.1 Conceito de educação 
A educação é o conjunto de eventos, impactos, estruturas e acções que intervêm no 
desenvolvimento humano de indivíduos e grupos em sua interação ativa com o meio natural e 
social. Isso ocorre em um contexto específico das relações entre grupos e classes sociais, com o 
objetivo de formar o ser humano (Libâneo, 2010), em paralelo com Brandão (1985), Todas as 
informações que aprendemos ao viver em uma sociedade são consideradas educação. Portanto, 
a educação ocorre em todos os lugares: no ônibus, em casa, na igreja, na família e assim por 
diante. O autor afirma que todos são educados e que a educação tem uma dimensão ampla que 
inclui situações formais, não formais e informais. Todos nós envolvemos parte de nossa vida com 
ela, seja em casa, na rua, na igreja ou na escola. Todos os dias, misturamos a educação com o 
objetivo de aprender, fazer, ser ou sobreviver. A educação, com uma ou várias? Educação (idem). 
O autor acredita que, não existe uma única forma de se educar. Observar, entender, imitar 
e aprender é a educação; este processo não ocorre apenas dentro de uma sala de aula, onde um 
professor treinado para ensinar. A aprendizagem está presente em todas as pessoas e em todas as 
classes de uma maneira diferente. 
Libâneo (2010) define a educação como fenómeno plurifacetado,
ocorrendo em muitos 
lugares, institucionalizado ou não, sob várias modalidades, seguindo os conceitos de Brandão. O 
autor identifica a prática pedagógica em suas várias formas. A disseminação e internalização de 
conhecimentos e modos de agir (conhecimentos, conceitos, habilidades, hábitos, procedimentos, 
crenças, atitudes) são necessárias em várias áreas da sociedade. Isso leva a práticas pedagógicas. 
Niquece e Mahalambe (2010) destacam que a organização do conceito de educação refere-
se à transmissão de saberes acumulados pela humanidade em uma época específica do 
desenvolvimento sociocultural, tecnológico e científico. Cada época tem suas próprias 
necessidades para formar a personalidade. O modelo humano foi usado em várias eras conhecidas, 
como a primitiva, a antiguidade, a medieval, a moderna e a contemporânea. Portanto, as 
 
 
25 
 
características da educação mudaram com o tempo. Neste âmbito, vejamos só as características 
de educação contemporânea, onde actualmente se encontramos, elas caracterizam o respeito dos 
direitos humanos e configuram-se na boa convivência social dos indivíduos. Portanto é nesta 
senda, onde o nosso trabalho se alinha melhor para que as crianças usufruam o direito à educação 
psicossexual. 
 
2.2. Conceitos de Educação Psicossexual 
A educação psicossexual é vista como uma componente da educação afectiva que afeta a 
socialização, a formação da personalidade e a escolha de valores morais e pessoais. (Sampaio, 
1987; Faleiro & Malafaia, 2013; Marques, 2002). Os mesmos autores afirmam que, a educação 
psicossexual tem quatro facetas: biológica, psicológica, sociológica e ética. 
Para além das quatro dimensões indicadas acima, a literatura explique que existem outras 
que compõem a educação psicossexual: a cognitiva (informação), afetiva (emoções, atitudes e 
valores) e comportamental (comunicação, tomada de decisões e outras habilidades pessoais). Esta 
definição corresponde a um modelo de educação integral. Nesse modelo, não apenas os domínios 
de informação são expandidos, mas o desenvolvimento das habilidades cognitivas é visto como 
um componente indissociável das habilidades afetivas e sociais. (Sampaio, 1987; Faleiro & 
Malafaia, 2013; Marques, 2002; Nota 2012). 
Marques (2002) define a educação psicossexual como um processo pelo qual pais e 
educadores se esforçam para informar e formar os alunos sobre a sexualidade para que eles 
possam alcançar o desenvolvimento completo de seu ser como homens e mulheres, de modo a 
que possam viver uma vida livre e responsável como seres humanos em suas vidas afectivas, 
pessoais e sociais. Segundo Figueiró (2006) a educação psicossexual é um método para preparar 
os educandos para viver sua sexualidade de forma positiva, saudável e feliz. O mais importante é 
que ela os forme como cidadãos conscientes, críticos e envolvidos na transformação de todas as 
questões sociais que estão ligadas direta ou indirectamente à sexualidade. 
Nota (2015) conceitua a educação psicossexual como a parte do processo educativo 
especificamente voltada para a formação de atitudes referentes à maneira de viver a sexualidade. 
Essa educação fornece informações básicas sobre a biologia da sexualidade (anatomia e fisiologia 
 
 
26 
 
da sexualidade, puberdade, reprodução, infecções sexualmente transmissíveis, HIV/SIDA e 
prevenção de gravidez) e incentiva a reflexão sobre a sexualidade. 
Neste contexto, a educação psicossexual deve ser abordada de forma transversal e 
abrangente, o que significa que deve ser abordada em todas as disciplinas e sem ignorar a 
participação e educação dos pais e encarregados de educação sobre o assunto. Quando se trata de 
educação sexual, este contexto deve levar em consideração a sexualidade. 
Para Marques (2002) existem dois tipos de educação psicossexual: a formal, que é 
institucionalizada e ocorre dentro ou fora da escola; a informal, que não é intencional e engloba 
todas as atividades do dia-a-dia, que podem afetar sua vida sexual direta ou indirectamente. 
Portanto, o termo educação psicossexual seria mais adequado para falar sobre sexualidade com 
crianças e jovens em diferentes níveis de escolarização e diferentes tipos de educação. 
 
2.3. As Formas de Abordagem de Educação Psicossexual 
Furlani (2011) propôs oito abordagens para a educação psicossexual moderna: biológico-
higienista, moral-tradicionalista, terapêutica, religioso-radical, direitos humanos, direitos sexuais, 
emancipatória e queer. No entanto, essas técnicas são consideradas um problema para a educação 
sexual. Três formas, de acordo com nosso estudo, foram consideradas as mais próximas do 
reconhecimento da diferença como positiva e benéfica, de acordo com Furlani (2011). As 
abordagens que linham-se melhor ao presente estudo são abordagens dos direitos humanos, dos 
direitos sexuais e emancipatórias. 
Os direitos humanos e sua relação com a educação sexual são discutidos primeiro. O 
termo "direitos humanos" refere-se a todos os direitos inerentes a cada ser humano, 
independentemente de sua orientação sexual, raça, sexo, nacionalidade ou qualquer outra 
condição, pois essas condições são indicadoras de desigualdades e injustiças na sociedade. 
(Furlani, 2011). 
Como resultado, a educação sexual baseada na abordagem dos direitos humanos é aquela 
que fala, explicita, problematiza e destrói as representações negativas socialmente impostas 
a esses sujeitos e as suas identidades excluídas. 
 De acordo com Furlani (2011) os direitos sexuais são considerados um direito humano 
 
 
27 
 
fundamental e universal. A Declaração dos Direitos Sexuais contém artigos que falam 
diretamente sobre direitos como a liberdade sexual, a livre parceria sexual, a educação sexual 
integral e a atenção à saúde sexual. Estes direitos afirmam que não apenas as questões biológicas 
ou reprodutivas afetam a formação humana, mas que também é necessário discutir a 
representação da liberdade sexual. É um método que enfatiza o fato de que a educação sexual 
deve ser um direito fundamental e fazer-se presente desde a infância. 
A abordagem emancipatória descrita no livro de Furlani considera a educação sexual 
como uma intervenção qualitativa, interseccional no processo educacional. Nessa perspectiva, o 
contexto social é considerado o repressor da sexualidade e, como resultado, o objetivo de alcançar 
a liberdade depende da educação, ou seja, da própria consciência. A construção da cidadania é o 
fundamento da emancipação, e entendemos o papel da ciência geográfica na construção de 
cidadãos para o mundo. O ensino de geografia associado à educação sexual ajuda os alunos a 
desenvolver a cidadania, o que significa que eles desenvolvem suas identidades e aprendem sobre 
a liberdade de escolha. (Furlani, 2011). 
Gonçalves, Faleiro e Malafaia (2013) destacam a necessidade de que as escolas 
reconheçam que a educação sexual deve ser transversal e emancipatória, não se restringindo 
apenas ao ensino de anatomia e biologia do corpo humano. 
Com base nos conceitos em alusão, a abordagem da educação psicossexual em sala de 
aula extrapola a perspectiva biológica e a descrição do corpo que é fragmentada e não profunda. 
Nesse ponto de vista, facilitar a discussão sobre emoções, valores e reeducação dos educadores 
que estão em contacto direto com os adolescentes é essencial. Além disso, a partir desta 
abordagem, é evidente que para estudar a educação sexual no ensino primário, é necessário 
empregar uma abordagem transversal tanto quanto possível. Isso ocorre porque a educação 
psicossexual envolve os fundamentos das ciências naturais, ciências sociais, educação física, 
português e educação moral e cívica. 
MINED (2008) afirma que não é necessário ser um especialista em educação psicossexual, 
mas apenas um profissional que esteja bem informado sobre a sexualidade humana. Além disso, 
afirma que, embora os educadores já tenham tido a oportunidade de pensar
sobre isso, isso não é 
necessário porque o perfil do professor em educação psicossexual não se refere a um professor 
de uma disciplina específica. As descobertas de Brittos, Santos e Gagliotto (2013), mostram que 
 
 
28 
 
muitos adolescentes, mesmo aqueles que já começaram a ter relacionamentos sexuais, têm 
questões importantes sobre o desenvolvimento psicossexual. Isso indica que os professores 
precisam receber uma formação adequada em educação sexual, o que os leva a refletir sobre sua 
prática e se preocupar com o desenvolvimento integral dos alunos. 
 UNESCO (2018) explica que a educação abrangente em sexualidade se baseia em um 
programa de aprendizagem que aborda a sexualidade de formas cognitivas, emocionais, físicas e 
sociais. O objetivo da educação abrangente em sexualidade é ajudar as crianças e jovens a 
desenvolver saúde, bem-estar e dignidade, bem como relacionamentos sociais e sexuais 
respeitosos. 
Outrossim Brasil (1998) menciona várias possibilidades de transversalidade do conteúdo 
de educação sexual em relação ao corpo, incluindo a matriz da sexualidade, as relações de género 
e as questões sobre Vírus da Imunodeficiência Humana ou Síndrome de Imunodeficiência 
Adquirida (HIV/SIDA). Quanto ao corpo: a matriz das sexualidades destaca que esse assunto 
ajudará os adolescentes a se apropriar do próprio corpo e melhorar sua autoestima e obter mais 
autonomia, dado o papel do corpo na identidade pessoal. 
Para abrir os olhos dos alunos e permitir a construção de personalidades necessárias em 
relação às questões de sexualidade, os professores devem usar uma abordagem de educação 
psicossexual emancipatória no ensino fundamental (Figueiró, 2004). Ainda assim, os professores 
fornecem aos alunos informações confiáveis e fundamentadas sobre o assunto nesses espaços 
interativos. Guimarães (1995) questiona o modelo tradicional, que afirma que os alunos não 
podem se expressar livremente em sala de aula. No entanto, as escolas mocamiçanas mantêm e 
cultivam a vergonha em relação à educação psicosexual. 
Por outro lado, Quadros (2013) afirma que, a educação sexual deve ser escolhida de forma 
democrática. Isso significa que, embora o professor modere, incentive e oriente o processo de 
ensino e aprendizagem, ele não impõe os métodos de transmissão do conhecimento, pois o foco 
do processo é o aluno. Além disso, os métodos participativos incentivam os alunos a prender a 
aprender para produzir conhecimento acadêmico e dinâmico (Almeida & Alves, 2010). 
Nesta perspectiva Carvalho, Mendes, Melo e Santos (2012) enfatizam que o professor 
deve buscar uma abordagem de educação psicossexual libertadora baseada no diálogo, 
 
 
29 
 
promovendo o ser humano e tentando compreender os alunos em todas as facetas deles, criando 
um processo de conscientização do aluno e transformando-o em sujeito de sua própria história. 
Como resultado, são encontrados modelos de prática baseada em concepções e 
perspectivas mais amplas (tema transversal, educação sexual emancipatória), que consideram o 
fenômeno como uma construção biopsicossocial (Vieira & Matsukura, 2017). Nesse caso, as 
anormalidades abrangem questões socioculturais além das questões biológicas da sexualidade. 
Aquino e Martelli (2012) afirmam que os professores devem discutir, questionar, discutir 
e compreender os elementos culturais, sociais e históricos que compõem esses aspectos da vida 
humana, devido à importância do trabalho docente na abordagem de educação psicossexual. De 
acordo com essa perspectiva, a formação inicial e continuada em torno da temática é crucial. Este 
contexto parte do pressuposto de que as manifestações da sexualidade estão evidentes na escola, 
mas que os professores devem refletir e discutir essas questões porque os professores mediam o 
conhecimento científico e o desenvolvimento dos alunos. 
De acordo com Silva e Ribeiro (2011) os professores devem considerar os métodos 
adequados para abordar a educação sexual, pois a área requer uma variedade de metodologias 
didáticas. No entanto, os professores devem sair da caixa e usar ações dinâmicas e activas no 
processo de ensino e aprendizagem, como usar material didáctico, diálogos e filmes. Deste modo, 
Nogueira et al. (2016) concorda que diferentes estratégias serão necessárias para o 
desenvolvimento da educação sexual. 
Segundo MINEDH (2020) as formas de abordagens de educação psicossexual nas escolas 
devem incorporar aspectos biológicos, psicológicos e sociais, como a prevenção de doenças 
endémicas como HIV/SIDA, a prevenção e resposta à violência contra as crianças na escola e a 
luta contra a violência de gênero, entre outros. 
Em relação as formas de abordagens de educação psicossexuais acima expostas, 
entendemos que, na conjuntura atual precisa-se privilegiar pela abordagem abrangente ou modelo 
de desenvolvimento pessoal e social da sexualidade para abarcar não só aspetos biológicos como 
também questões socioculturais da sexualidade na melhoria do bem-estar dos adolescentes e 
jovens. 
 
 
 
30 
 
2.4 Dificuldades enfrentadas pelos professores na abordagem de educação psicossexual no 
Ensino Primário 
Nota (2012) esclarece que as questões que os educadores enfrentam ao trabalhar com 
a abordagem psicossexual são principalmente de natureza pessoal/individual e didático-
pedagógica. Por outro lado, estão ligadas aos valores, crenças e estereótipos dos professores sobre 
a sexualidade dos alunos adolescentes e jovens, bem como aos elementos didácticos-pedagógicos, 
que incluem um domínio insuficiente dos métodos e técnicas de ensino da sexualidade. 
Gonçalves, Faleiro e Malafaia (2013) acreditam que existem várias razões pelas quais os 
educadores têm dificuldade em ensinar a sexualidade aos alunos. Essas razões incluem medo de 
discutir o assunto, falta de preparação devido a lacunas na formação dos professores e a 
reprodução da repressão sexual a que os educadores foram submetidos. Essas razões, por 
exemplo, evidenciam que a abordagem da sexualidade nas escolas. 
UNESCO (2018) concluiu que, devidas essas dificuldades enfrentadas, muitos jovens 
chegam à idade adulta e são confrontados com mensagens contraditórias, negativas e confusas 
sobre a sexualidade. Esse constrangimento e o silêncio dos adultos, incluindo pais e professores, 
são frequentemente exacerbados pela falta de discussão pública sobre o comportamento sexual e 
a sexualidade em muitas sociedades, e as normas sociais. 
De acordo com os autores em alusão, percebemos que, no contexto moçambicano, os 
professores enfrentam enormes dificuldades na abordagem de educação psicossexual justamente 
por causa dos seus estereótipos e pré-conceitos de que, o assunto incita os adolescentes a prática 
sexual cedo. No nosso entender esta visão precisa ser desconstruída para abordagem positivista 
da sexualidade aliada ao desenvolvimento pessoal e social no sentido de resgatar aos adolescentes 
e jovens para terem a saúde sexual mais informada, segura e saudável. 
 
2.5 A Pertinência da Abordagem de Educação Psicossexual Emancipatória no Ensino 
Primário 
Segundo Figueiró (2006) a pertinência e a necessidade de uma educação psicossexual é 
pelo facto de resgatar os adolescentes de uma maneira global, baseada no respeito e no 
conhecimento do ser humano como um todo, onde a qualidade e a afectividade prevalecem nas 
relações sociais e sexuais e discutindo e refletindo sobre os papéis sexuais, preconceitos e 
 
 
31 
 
discriminações na linguagem humana. Mamprin (2009) referencia que, devido a vários fatores, a 
educação sexual é um assunto crucial para ser discutido nas escolas. Devido ao grande número 
de desejos e sentimentos que permanecem ocultos no interior de cada pessoa, é possível 
identificar uma variedade de situações inerentes à sexualidade. 
Dantas (2016) explica que a educação psicossexual é pertinente para preparar os 
adolescentes e jovens para a vida sexual segura,
ensinando-lhes a cuidar de seu próprio corpo 
para evitar problemas futuros, como doenças ou gravidez precoce. O Sistema Nacional de Saúde 
de Portugal (SNS) em 2005, enfatiza a importância da educação sexual para melhorar a 
compreensão, satisfação, autonomia e responsabilidade por sua sexualidade. Gonçalves et al. 
(2013) destaca que, a educação psicossexual ajuda os alunos a superar suas preocupações, 
ansiedades e preocupações relacionadas ao assunto. 
Mamprin (2009) afirma que a educação psicossexual é um desejo e direito dos jovens 
quando estão na idade escolar. Crianças e adolescentes vivem em um ambiente escolar rico em 
diversidade cultural e social, onde o aprendizado, as culturas e os valores são construídos e os 
educadores trabalham para formar indivíduos que sejam críticos na comunidade onde estão 
inseridos. 
Devido a isso, o aprendizado não é alcançado de forma completa, o que resulta em 
piadinhas, indisciplina, fortalecimento das relações de poder e, finalmente, algumas pessoas 
deixando a escola. A responsabilidade do professor nesse âmbito é mediar o aprendizado por 
meio de músicas, histórias, poesias e filmes, bem como criar um ambiente de entretenimento e 
desconcentração. 
A responsabilidade dos educadores é abordar as manifestações da sexualidade que estão 
evidentes no ambiente escolar, porque a escola é responsável pela transmissão do conhecimento 
científico e do desenvolvimento humano. Em nossa opinião, os elementos do desenvolvimento 
humano incluem discutir, questionar, conversar e compreender as partes inerentes à sexualidade. 
Aquino e Martelli (2012) afirmam que é fundamental que os professores se concentrem 
em estudos sobre a sexualidade. Isso se deve à necessidade de discutir, questionar, discutir e 
compreender os elementos culturais, sociais e históricos que compõem esses aspectos da vida 
humana. De acordo com essa perspectiva, a formação inicial e continuada em torno da temática 
é crucial. 
 
 
32 
 
É importante destacar que, a educação psicossexual é crucial para os adolescentes, mas se 
uma adolescente não engravidar durante esse período de transição corpórea, ela corre o risco de 
sofrer muitos problemas de saúde, como anemia, parto prematuro, predisposição a infecções, 
depressão pós-parto, hipertensão, inchaço, retenção de líquidos, eclampsia, convulsões e até 
mesmo morte. Apesar dos problemas fisiológicos, quando uma adolescente engravida, ela 
também enfrenta problemas psicológicos devido à mudança rápida da vida que exige muita 
adaptação, o que pode levar a conflitos porque uma grande etapa de sua vida foi deixada de lado. 
2.6 Base Legal que sustenta a Abordagem de Educação Psicossexual em Moçambique 
Arnaldo e Hansine (2017) argumentam que após a conferência do Cairo de 1994, as 
políticas populacionais passaram a ser consideradas ferramentas para promover os direitos 
humanos, influenciado pelo Fundo da Nações para População (FNUAP), o governo moçambicano 
criou uma política populacional em 1999 que enfatizava o respeito aos direitos sexuais e 
reprodutivos dos moçambicanos. 
A partir do ano 2000, os adolescentes começaram a participar de programas relacionados 
à promoção da Saúde Sexual Reprodutiva nas escolas. Alguns desses programas incluem a 
prevenção do HIV por meio do programa Geração Biz em uma perspectiva de ensino e 
aprendizagem. Igualmente, gestores e professores foram treinados para ensinar sobre HIV/SIDA 
(MEC, 2006). 
Em 2003, MINED (2003) emitiu um decreto que oficialmente proibia os professores de 
terem relações sexuais com seus alunos. Além disso, no Plano Económico Social anual de 2010, 
o MINED estabeleceu uma política pública de "tolerância zero" aos abusos sexuais contra alunos, 
e os pontos focais provinciais de género receberam mais poder para monitorar e relatar casos de 
abuso sexual nas escolas. 
Neste âmbito, a implementação rigorosa do decreto e a política de tolerância zero, bem 
como o monitoramento do abuso sexual nas escolas, permanecem ineficazes neste sentido. O 
Comité dos Direitos da Criança expressou sua preocupação com a frequência de abuso e assédio 
sexual em instituições educacionais. O casamento precoce de mulheres e os ritos de iniciação de 
rapazes e raparigas têm um impacto negativo nas taxas de frequência do ensino fundamental. 
Como resultado, os ritos de iniciação ainda são realizados em algumas partes do país, 
principalmente nas áreas rurais. O casamento precoce dos alunos dificulta o acesso à escola e a 
 
 
33 
 
retenção e conclusão do ensino primário. Um estudo do Banco Mundial de 2007 mostrou que o 
casamento precoce é um dos principais fatores que levam as mulheres a deixar o ensino médio 
ou abandonar a escola. 
Os dados do MINED mostram que, a sociedade moderna influencia as crianças nos 
aspectos psico-socioculturais, escondendo os sonhos dos alunos. Isso significa que, no Ensino 
Primário, os professores são considerados muito importantes no desenvolvimento pessoal e social 
das crianças. No entanto, os professores devem garantir uma educação sexual emancipatória em 
todas as disciplinas, aproveitando plenamente os conteúdos leccionados e abordados. 
De acordo com MISAU (2001) a Política e Estratégia de Saúde Reprodutiva do 
Adolescente foi promulgada em Novembro de 2001 com o objetivo de promover a saúde sexual 
e reprodutiva dos adolescentes, respeitando seus direitos sexuais, valores morais, culturais e 
familiares, bem como o princípio da igualdade do género. Esta promoção requer o envolvimento 
de todos os adolescentes, incluindo pais, líderes comunitários, professores, líderes religiosos e 
políticos, bem como os formuladores e decisores da sociedade em geral. 
O "Comité Intersectorial para o Apoio ao Desenvolvimento do Adolescente e do Jovem" 
(CIADAJ) foi criado em 1997 pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desportos. O objetivo do 
CIADAJ era desenvolver e coordenar um Programa Integrado e um Plano de Acção para o Apoio 
ao Desenvolvimento do Adolescente e do Jovem nas Áreas de: (1) Legislação e Políticas para 
Adolescentes e Jovens; (2) Aprendizado sobre a Vida Familiar e (3) Aprendizado sobre a Vida 
Comunitária. 
 No ano 2000, o Ministério da Educação (MINED), criou um plano de acção setorial 
para combater o SIDA, reconhecendo o papel da "Educação" na capacitação dos jovens com as 
habilidades que os permitem responder as adversidades e turbulências da vida para escolhas e 
tomadas de decisões inteligentes e responsáveis. Além disso, um programa destinado a integrar 
as "questões de população e da vida familiar" nos programas do ensino primário (EP1 e EP2) e 
na formação dos professores do ensino primário, que incluiria vários aspectos das questões 
ligadas aos Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Este programa foi iniciado com a ajuda 
técnica do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP). 
Em colaboração com Ministério de Educação (MINED) está reformulando este programa 
para fornecer orientação pedagógica e apoio técnico às instituições educacionais ao nível 
 
 
34 
 
provincial Direcção Provincial de Educação (DPE), Direcção Distrital de Educação (DDE), Zonas 
de Influências Pedagógicas (ZIPs) e escolas) para implementar uma variedade de atividades intra- 
e extracurriculares nas escolas primárias, secundárias e técnicas. O objetivo é alcançar tanto 
alunos quanto professores (MISAU, 2001). 
Em setembro de 2005, o Ministério de Saúde de África e Moçambique aprovaram o Plano 
de Acção de Maputo como parte dos esforços moçambicanos. O objetivo principal é acelerar o 
acesso e a distribuição de serviços de saúde sexual e reprodutiva. Segundo Ministério de Saúde 
(MISAU) em 2011, a política nacional de saúde e direitos sexuais e reprodutivos foi aprovada 
pelo Ministério de Saúde em 2011. Ela tem como objectivo orientar os beneficiários de todos os 
níveis de atenção médica para receber serviços de saúde sexual e reprodutiva atempados
e 
baseados em evidências científicas, respeitando os direitos humanos. (idem) 
Ainda assim, várias leis para proteger as crianças foram aprovadas. Algumas delas 
incluem a lei no19/2019 de 22 Outubro e a lei no1/2018 de 12 de Junho da Constituição da 
República de Moçambique para combater a união precoce, que proíbem, previnem, mitigam e 
punem os autores e cúmplices da união precoce. Eles também protegem as crianças que são 
vítimas de união precoce. 
O Plano Estratégico de Educação e Cultura (2006-2010/11) sugere a criação de currículos 
que abordem o HIV/SIDA e as doenças de transmissão sexual. O Plano incluiu temas relacionados 
à educação sexual, o que representa um avanço significativo no processo de educação sexual nas 
escolas do Moçambique. Os professores foram preparados para abordar a educação sexual com 
seus alunos e os currículos escolares já abrem espaço para abordar esses assuntos como parte da 
educação do aluno, em vez de apenas oferecer programas extracurriculares. (MEC,2006) 
De forma semelhante, o Plano Estratégico de Educação (2012-2016) e Plano Estratégico 
de Educação (2020–2029), a educação sexual está incluída na categoria dos assuntos transversais 
e deve ser abordada de uma maneira transversal em todos os programas. Fazem parte do plano, 
desde a educação pré-escolar até ao ensino superior. (MINED, 2012) 
 
Com base na políticas concebidas para a introdução de educação psicossexual em 
Moçambique, notamos que, no início havia visão parcial da sua abordagem, no entanto com a 
evolução do tempo a visão tornou-se abrangente como evidencia os Planos Estratégicos de 
Educação. No nosso entender, a abordagem actual do assunto deve ser emancipatória e transversal 
 
 
35 
 
para que, os alunos conheçam os seus direitos e deveres, de maneira com que, tenham 
responsabilidade de cuidarem de forma saudável o seu corpo. 
2.6.1 Direitos Sexuais e Reprodutivos 
Até finais do século XX, os direitos sexuais e reprodutivos não eram considerados direitos 
humanos. Como resultado, não houve políticas públicas relacionadas a este assunto. Com a 
Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento de 1994 e a Quarta Conferência 
Mundial sobre a Mulher, Desenvolvimento e Paz de 1995, os direitos sexuais e reprodutivos 
passaram a ser considerados direitos humanos. Isso começou com programas intersectoriais de 
educação sexual e saúde sexual reprodutiva voltando aos jovens. (Gomes, 2021) 
Antes de falar sobre os direitos sexuais e reprodutivos, é importante esclarecer os 
equívocos sobre a saúde reprodutiva e sexual. Nesse sentido, a saúde reprodutiva refere-se a um 
estado de completo bem-estar físico, mental e social, não apenas a ausência de doenças no sistema 
reprodutivo. Por outro lado, a saúde sexual refere-se a um estado de bem-estar físico, emocional, 
mental e social relacionado à sexual (MISAU, 2011). 
A saúde sexual neste contexto requer uma abordagem positiva e respeitosa em relação à 
sexualidade e relações sexuais, bem como a garantia de que todos possam ter experiências sexuais 
seguras e prazerosas, livres de coerção, discriminação e violência. Respeitar, proteger e satisfazer 
os direitos sexuais de todas as pessoas é necessário para alcançar e manter a saúde sexual. (idem) 
MISAU (2011) diz que a Constituição da República e outras leis do país garantem os 
direitos sexuais e reprodutivos, que incluem os seguintes elementos: 
 Segundo o Artigo 89 da Constituição, todos os cidadãos têm direito à assistência médica 
e sanitária, bem como o dever de promover e defender a saúde pública. 
 De acordo com o artigo 116 da Constituição da República, todos os cidadãos têm direito 
igual à assistência médica oferecida pelo Serviço Nacional de Saúde. 
 Todos os cidadãos são considerados iguais perante a lei e têm os mesmos direitos e 
deveres, independentemente de raça, sexo, raça, origem étnica, lugar de nascimento, 
religião, grau de instrução, posição social, estado civil dos pais, profissão ou opção 
política (artigo 35 da Constituição da República). 
 A igualdade de gênero de acordo com o artigo 36 da Constituição da República, todos os 
homens e mulheres são iguais perante a lei em todos os aspectos da vida política, 
 
 
36 
 
económica, social e cultural; 
 Nos termos da Constituição e demais leis ordinárias em vigor no sistema jurídico 
moçambicano, a maternidade é valorizada e protegida (artigo 120 da Constituição da 
República); 
 A Lei no 8/98 de 20 de Julho (Artigos 74 e 75) da Lei do Trabalho e o Decreto no 14/87 
de 20 de Maio, que aprova o Estatuto Geral dos Funcionários do Estado, garantem a 
proteção das mulheres trabalhadoras durante a gravidez e a amamentação. 
 A gravidez, o parto, a transferência e o internamento são protegidos pela lei (artigos 5, 
Lei no 4/87 de 19 de Janeiro e Lei no 2/77 de 19 de Janeiro - Lei da socialização da 
medicina). Além disso, a lei garante que os cuidados preventivos, como planejamento 
familiar e atenção à criança até aos cinco anos, sejam gratuitos. 
 A Resolução no 4/95 de 11 de Julho aprovou a política do governo com foco na saúde das 
mulheres e das crianças. A Resolução no 5/99 de 13 de Abril aprovou a política da 
população, que coloca como objetivo principal aumentar a esperança de vida ao nascer 
dos moçambicanos, usando medidas para reduzir a mortalidade materna e infantil. 
 Além disso, MISAU (2011) esclarece que Moçambique assinou várias convenções, 
incluindo a CIPD/Cairo, que define os direitos sexuais e reprodutivos da seguinte forma: 
 O direito de todos os adolescentes, homens e mulheres, de serem informados e de terem 
acesso a métodos de planeamento familiar eficientes, seguros, aceitáveis e 
financeiramente compatíveis, bem como a outros métodos de regulação da fecundidade 
que eles escolham e não contrariem a lei, bem como a serviços de saúde adequados que 
ofereçam às mulheres condições de gestação e parto seguros, aumentando a probabilidade 
de de ter um filho sadio. 
 
2.7 Formação dos professores para a abordagem de educação Psicossexual emancipatória 
como Tema Transversal no Ensino Primário 
Segundo MINEDH (2020) a educação psicossexual no Plano Estratégico de Educação 
(2020-2029), tem como objetivo preparar os professores para abordar a educação sexual nas 
escolas e incluir esse assunto no currículo escolar. Assim, é garantido que as políticas de formação 
de professores e os planos curriculares dos vários subsistemas do ensino estejam alinhadas. 
 
 
37 
 
A partir dessa perspectiva, entedemos que, para fornecer aos professores uma base sólida 
de conhecimento para que eles possam ensinar seus alunos a se comportar de forma responsável 
em relação à sexualidade, os cursos de formação de professores devem incluir a dimensão sexual 
em seu currículo. 
Nesses cursos ou programas de formação de professores devem incluir discussões e 
experiências sobre a sexualidade humana, enfatizando as possibilidades do corpo e das emoções. 
A compreensão da sexualidade não implica conhecer a composição dos genitais. Uma educação 
que disciplina, organiza e concentra o prazer nos genitais, o que anestesia o resto do corpo, leva 
à educação psicossexual. 
Aquino e Martelli (2012) afirmam que a educação sexual requer profissionais qualificados 
porque na sala de aula existem vários conceitos, contextos e experiências que ocorrem com cada 
aluno e aluna no cotidiano. Esses eventos não estão incluídos no currículo escolar e, como 
resultado, os professores são confrontados com situações novas que exigem novos 
conhecimentos, incluindo a sexualidade. 
De cordo com MINEDH (2020) os programas educacionais do Moçambique devem 
incorcporar os temas transversais da educação psicossexual, pelo que, os professores precisam 
receberem uma formação inicial e contínua em matérias sobre educação psicossexual abrangente 
e que oriente para o desenvolvimento de atividades activas de educação psicossexual
transversal 
e emancipatória. 
No nosso entender, há necessidade no contexto moçambicano a formação que incorpora 
a educação psicossexual, visto que a maioria dos professores mantém uma compreensão da 
sexualidade limitada à biologia, enfatizando acções preventivas e higienistas. As aulas de ciências 
falam sobre sexualidade e sexo apenas sobre doenças sexualmente transmissíveis, sistema 
reprodutor e contracepção. 
 
2.8 A Contribuição da teoria psicanalítica na abordagem de educação psicossexual de forma 
emancipatória e integrada para a formação da personalidade do aluno 
A teoria psicanalítica foi concebida por Freud como o estudo da vida psíquica. Ele 
demonstrou que, como existe um componente inconsciente que controla a vida humana, as 
pessoas não têm consciência de tudo o que acontece no cérebro. (Tomaz, 2011). 
 
 
38 
 
A maioria das ansiedades dos seres vivos vem do inconsciente, por isso é difícil superá-
las. A psicanálise, neste contexto, tenta ajudar-nos a entender os conflitos emocionais 
inconscientes, indagando questões que buscam lembranças que foram esquecidas por muito 
tempo. (Idem) 
Baptista (2010) afirma que, a teoria psicanalítica de Freud concebe a personalidade como 
um conjunto dinâmico de elementos em conflito dominado pela sexualidade e pelas energias 
inconscientes. Como resultado, Fadiman e Frager (1986) destacam que o inconsciente, o pré-
consciente e o consciente compõem a teoria psicanalítica. 
Tendo em conta os elementos mencionados, Freud enfatizou mais o inconsciente do ser 
humano, afirmando que, a maioria da nossa consciência é criada pelo inconsciente. Portanto, os 
professores devem considerar também o lado inconsciente dos alunos, pois isso os coloca em 
risco de fazer muito esforço e não ter sucesso. 
Segundo Cunha (2008), id, ego e superego compõem a personalidade de Freud. Nesta 
perspectiva, entendemos a forte conexão entre os elementos que compõem a personalidade (id, 
Ego e Superego). Isso se deve ao fato de que o id expressa impulsos e desejos, que são regulados 
pelos requisitos da sociedade (Ego e Superego). É importante destacar que o superego serve como 
alerta para comportamentos que são considerados éticos pela sociedade. Exemplo disso está na 
fase fálica do complexo édipo, quando o menino se torna mais afetivo com sua mãe. Nesse caso, 
estamos discutindo os sentimentos que levam o menino querer matar o seu pai para ficar com a 
mãe (Id). No entanto, devido à castra, o menino temerá o seu pai e será menosprezado pela 
sociedade por isso. Nessa fase, a criança desenvolverá o Superego. 
 
 
2.8.1 Fases de desenvolvimento psicossexual 
Gusmão (1994) afirma que, Freud considerou o critério afetivo, que corresponderia ao 
comportamento de uma pessoa em relação aos seus objetos de prazer. Ele dividiu esse 
crescimento em etapas e atribuiu a cada uma delas um nome associado ao segmento do corpo que 
parecia dominar o hedonismo em cada etapa. Essas fases marcariam todo o desenvolvimento. 
Essas fases se distinguiriam principalmente pela mudança do que cada um deseja e pela forma 
como esses desejos são alcançados. 
 
 
39 
 
A seguir estão as fases de desenvolvimento psicossexuais descritas por Freud, segundo o 
mesmo autor: 
a) Fase oral, que ocorre entre 0 aos 18 meses, a língua e os lábios recebem uma grande parte 
da energia sexual. Por causa disso, esta é a primeira área erotogênica da criança. O prazer 
está primeiro relacionado ao processo de se alimentar. Muitos hábitos orais bem 
desenvolvidos e um interesse contínuo em manter prazeres orais - como comer, chupar, 
mascar, fumar, morder, sarcasmo de um adulto, arrancar o alimento de alguém, fofoca e 
lamber ou beijar com estalo - são as marcas físicas da fase oral de desenvolvimento 
psicossexual do adulto. Pessoas que mordicam regularmente, fumam e comem demais 
podem ser parcialmente fixadas na fase oral, o que significa que sua maturação 
psicológica pode ainda não estar completa. Segundo Fadiman & Frager (1986). 
b) Fase anal, que ocorre entre 18 meses e 3 anos, é quando a energia é principalmente 
direcionada para o ânus, que passa a ser a nova área de prazer: defecar ou reter as fezes 
torna-se a prazer sexual. Ordem, parcimônia e obstinação são características adultas da 
fase anal associadas à fixação parcial da fase anal. Freud notou que esses três traços 
geralmente se combinam. Ele fala sobre o "caráter anal", cujas acções estão muito 
relacionadas às experiências que vivenciaram nesta época da infância. (Fadiman & Frager 
1986) 
c) Fase fálica (3-6 anos), cuja região erotogênica é composta pelo pênis ou pelo clitóris. De 
acordo com Freud, essa fase é chamada de fálica porque, nesse período do 
desenvolvimento, que é entre três e seis anos, ela se dá conta do pênis ou da falta dele nas 
meninas. As fases pré-genitais da sexualidade e o prazer autoerógeno são compostos por 
essas três fases. Tomaz (2011) explica que, essas são características de um adulto em fase 
fálica, uma personalidade bipolar e uma falta de maturidade no plano afectivo. 
d) Fase latência (6-11 anos), ocorre quando desaparece a sexualidade pré-genital. O jovem 
mais jovem passa a se concentrar mais em atividades culturais e sociais e apresenta uma 
vida sexual quase exclusivamente baseada em suas fantasias. De certa forma, o retardo da 
maturação sexual protege a criança contra o incesto, pois só deve ocorrer quando ela tiver 
a capacidade de respeitar os tabus culturais defendidos pela sociedade. 
 
 
40 
 
e) Na fase genital (após a puberdade), As mudanças hormonais que ocorrem no organismo 
do púbere desencadeiam os impulsos sexuais. Idealmente, a sexualidade, abrangendo as 
três zonas pré-genitais e a afeição podem ser combinadas neste estágio (Kline 1988, in cit 
Gusmão 1994). Por volta dos dezessete ou dezoito anos, esta fase atinge sua plenitude. 
Tomaz (2011) salienta que, a capacidade de amar e cuidar além da sexualidade auto-
erótica são marcas de vida adulta da fase genital. 
Além disso, é importante lembrar que a falta de satisfação plena em uma das fases do 
desenvolvimento psicossexual pode afetar a vida adulta. Além disso, a satisfação parcial em uma 
fase do desenvolvimento psicossexual pode causar marcas insatisfeitas na vida adulta; no entanto, 
isso varia de pessoa para pessoa. 
Neste contexto, essas fases visam principalmente abrir nosso horizonte como professores 
e educadores para orientar a prática educativa, prestando atenção adequada aos nossos alunos e 
combinando o conteúdo de aprendizagem com a fase em que os alunos estão envolvidos em 
benefício da formação da boa conduta das crianças. 
No que diz respeito às fases do desenvolvimento psicossexual, refletem também a 
realidade do Moçambique, embora muitos professores encontrem dificuldades em lidar com os 
alunos em cada fase porque não sabem muito sobre a psicanalítica. Assim, é difícil para o 
professor ter a mente crítica e as habilidades psicanalíticas para identificar as manifestações da 
libido e seus conflitos em cada fase de desenvolvimento psicossexual e saber como atender às 
necessidades individuais dos alunos. É claro que o professor pode influenciar negativamente os 
alunos com traços de personalidade indesejáveis se não prestar atenção ou cuidado suficiente. 
 
 
 
2.9. Síntese dos Estudos sobre a Pertinência de Educação Psicossexual 
Brittos, Santos e Gagliotto (2013) apresentam os resultados de seu estudo "A importância 
da educação psicossexual na formação de professores: o projeto laboratório de educação 
psicossexual para adolescentes e adolescentes". O estudo realizado em Brasil examinou muitos 
adolescentes, mesmo aqueles que já iniciaram sua vida sexual, que apresentam dúvidas 
importantes sobre seu desenvolvimento psicossexual. 
 
 
41 
 
A partir dessa perspectiva, Calado (2011) realizou um estudo em Lisboa chamado 
"Educação Sexual no 1º Ciclo do Ensino Primário: Concepções dos Professores
de um 
Agrupamento de Escolas" com o objetivo de investigar as perspectivas dos professores em relação 
à nova legislação sobre educação sexual promulgada pelo governo. Neste sentido, os professores 
ainda não entendem a legislação atual sobre educação sexual, não estão preparados para ensinar 
os conteúdos mínimos exigidos pela lei para o 1º Ciclo de Ensino Básico e a maioria deles não 
recebeu treinamento contínuo sobre o assunto. Assuntos como as dimensões da sexualidade e as 
aproximações abusivas/abuso sexual foram considerados constrangimentos. (idem) 
Por seu turno, Martini (2016) investigou a abordagem do tema educação sexual em sala 
de aula: juntos ou separados? Em Rio Claro, São Paulo. No entanto, a separação dos gêneros foi 
observada durante a atividade de pesquisa para abordar doenças sexualmente transmissíveis, que 
incluem além da sexualidade também a reprodução humana. Após o trabalho, foi realizada uma 
análise que atendia às necessidades da unidade escolar. Isso ampliou e diversificou a abordagem 
a esta questão. 
A pesquisa subordinada à educação sexual no contexto escolar: as estratégias utilizadas 
em sala de aula pelos educadores foram realizadas por Nogueira et al. (2016). A pesquisa analisou 
seis professores da educação de jovens adultos (EJA) com idades entre 43 e 66 anos de uma 
cidade do interior do Estado de São Paulo. Deste modo, os resultados do estudo acima mostraram 
que os professores sabem sobre os termos sexualidade e educação sexual e que eles abordam o 
assunto em sala de aula. Na intervenção, eles usam livros, filmes e diálogos e destacam como a 
educação sexual ajuda a prevenir, quebrar tabus e aumentar a conscientização dos alunos. (idem) 
Outrossim, uma pesquisa intitulada relacção entre a educação psicossexual da rapariga e 
a prevalência da gravidez Precoce: Caso da Escola Secundária da Manhiça que foi realizada no 
Moçambique, com o objetivo de investigar a relação entre a educação sexual e a prevalência de 
gravidezes precoces na escola secundária da Manhiça. Os seus resultados indicam que, no 1º ciclo 
do ensino secundário, as gravidezes precoces ocorrem com maior frequência na escola secundária 
da Manhiça. Este é o resultado da falta de educação sexual e prevenção de gravidez, que ocorre 
apenas de forma transversal e através da organização "Geração Biz". Como recomendação, 
a educação sexual pode ser incluída no currículo escolar e ser e serem igualmente discutidas no 
seio da família. (Nhamposse, 2016). 
 
 
42 
 
Mubate (2024) fez estudo em Maputo sobre Análise dos Planos Estratégicos da Educação 
de 1999–2021 para a educação sexual no ensino médio em Moçambique, com o objetivo de 
compreender como a educação sexual é abordada no currículo do ensino médio em Moçambique. 
A materialização deste objetivo, recorreu a pesquisa bibliográfica. O estudo mostrou que, o Fundo 
das Nações Unidas para a População apoiou fortemente a incorporação da educação sexual nas 
políticas educacionais do Moçambique. A educação sexual teve vários contornos desde que foi 
introduzida no Plano Estratégico da Educação em 1999. Numa primeira fase se concentrou em 
aspectos biológicos da sexualidade. No entanto, à medida que os planos são revisados, a 
abordagem à educação sexual está se tornando mais abrangente, incorporando elementos 
biológicos, psicológicos e sociais. 
Timbane (2022) realizou um estudo sobre a educação sexual e o direito à saúde das 
mulheres na região sul de Moçambique. O objetivo era explicar as interferências culturais na 
saúde das mulheres; discutir os direitos à saúde das mulheres moçambicanas, especialmente 
aquelas da região sul de Moçambique. Os resultados do estudo mostram que as mulheres em 
Moçambique precisam de apoio da sociedade e do Estado para se afirmar e ser cidadãs. A 
educação sexual deve começar na família, eliminando os tabus sobre o sexo antes de demonstrar 
que as mulheres devem ser auto-suficientes e proprietárias de seus corpos. A sexualidade das 
mulheres deve ser incorporada e respeitada na cultura contemporânea. 
De acordo com Impacto (2021) um estudante que recebeu uma Bolsa de Estudo da WLSA 
(Women and Law in Southern Africa Research and Education Trust) chamado Omar Tomás 
Daimone para implementação do projecto Impacto, estudou o tema "Os Factores Sócio-culturais 
de Taxas de Natalidade: Acesso e Exercício de Direitos Sexuais e Reprodutivos, Caso de Estudo 
do Distrito de Moatize (2017-2019)." O tema do estudo demonstra a relação problemática e 
complicada que o autor estabelece entre os fatores socioculturais, as altas taxas de natalidade e o 
exercício dos direitos sexuais e reprodutivos. Devido a isso, existem vários fatores que concorrem 
e influenciam a taxa de natalidade do país. O estudo diz que os fatores socioculturais intervêm de 
forma negativa, impedindo o exercício eficaz dos direitos sexuais e reprodutivos. O estudo indica 
que as organizações envolvidas nesta área devem priorizar a disseminação de informações sobre 
o acesso e o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos no distrito de Moatize. 
Nhampoca (2011) desenvolveu um estudo sobre “O papel dos pais na educação sexual das 
 
 
43 
 
raparigas: uma análise em face das relações sociais de género” foi desenvolvida por um professor 
da Universidade Eduardo Mondlane, com o objetivo de analisar sociologicamente o papel dos 
pais na educação sexual das crianças em função das relações sociais de gênero; identificar os 
elementos que definem o papel da mãe e do pai quanto à educação das crianças; e analisar como 
a construção social das imagens de homens e mulheres influencia a distribuição de papéis entre 
homens e mulheres. Como resultado, existem muitos tabus sobre a educação sexual das crianças 
em nossa sociedade e as mães acreditam que os pais supervisionam a educação sexual das 
crianças. 
De acordo com Impacto (2021) um outro beneficiário da bolsa de estudo oferecida como 
parte da implementação do projecto Impacto na província de Teté foi Ismael José Bonifácio. "A 
percepção de raparigas e rapazes sobre a educação sexual no ensino médio: estudo de caso da 
Escola Secundária de Chingodzi na cidade de Tete" através de pesquisa quantitativa. Os 
resultados mostram que é importante reconhecer que algumas práticas vêm sendo desenvolvidas 
e que os profissionais da educação, especialmente os da área da saúde, precisam trabalhar para 
abordar o assunto da educação sexual no contexto escolar. O autor sugere que as escolas criem 
novas formas de avaliar os alunos, trocando os exames escritos pelos exames orais. 
Nesta perspectiva, Armando Binone, um dos alunos que receberam a Bolsa de Estudo 
durante a implementação do projecto Impacto na província de Teté, estudou o tema "A influência 
dos factores socioculturais nos casamentos prematuros". Estudo de caso de Mutarara, entre os 
anos de 2019 e 2020. Nesta pesquisa, os ritos de iniciação são destacados como um dos fatores 
que influenciam o abandono escolar e a união precoce. Neste âmbito, os resultados da pesquisa 
em alusão, mostram que os casamentos precoces são um fator adicional que aumenta a 
probabilidade de violência doméstica. Além disso, buscou-se entender os efeitos das gravidezes 
precoces que resultam de casamentos realizados antes do tempo previsto; foi encontrado que essas 
gravidezes estão associadas ao desenvolvimento de fístulas obstétricas e, em casos mais graves, 
à morte da criança durante o parto. Portanto, existe uma correlação entre o parto precoce e a 
mortalidade materno-infantil. (Impacto, 2021) 
Santos e Gonçalves (2009) realizaram uma pesquisa em Portugal, com o objectivo de 
avaliar a eficácia de um projecto de intervenção neste campo de conhecimento de educação 
psicossexual. O estudo foi realizado com adolescentes do 8º ano de escolaridade e encontrou 
 
 
44 
 
diferenças significativas entre o pré e o pós-teste. Os seus resultados mostram claramente que a 
eficácia da
intervenção com o grupo experimental foi eficaz. No entanto, os indicadores da 
avaliação qualitativa confirmam que a intervenção funcionou bem para os adolescentes que 
participaram. 
Novak (2013) desenvolveu um estudo na Universidade Tecnológica Federal do Paraná – 
Medianeira sobre “Os desafios enfrentados pelos educadores ao ensinar sexo a adolescentes” 
através de uma pesquisa exploratória, onde o objetivo deste estudo foi investigar as dificuldades 
que os professores de ciências enfrentam ao conversar sobre a sexualidade com adolescentes, bem 
como as percepções dos alunos sobre a liberdade de falar sobre sexualidade. Ainda actualmente, 
falar sobre sexo nas salas de aula é considerado um estímulo à atividade sexual por muitos pais. 
Mas a educação sexual nas escolas ajuda a postergar a iniciação sexual. O ensino não incentiva 
os adolescentes a terem relações. 
Silva, Oliveira e Miranda (2018) desenvolveram um estudo na Universidade Federal da 
Paraíba, com pretensão de examinar as várias abordagens estudadas por Furlani e como 
resultados, apontou a há necessidade de uma prática de educação psicossexual que ajude na 
desconstrução de conceitos associados, determinados pelo radicalismo moralista e preceitos 
religiosos, existência de preconceito, discriminação de género. 
Silva, et. al. (2022) realizaram uma pesquisa com a pretensão de compreender a percepção 
dos docentes em relação à educação psicossexual e seus obstáculos através da abordagem quanti-
qualitativa, em paralelo com a pesquisa exploratória usando um questionário semiestruturado que 
refletiam as opiniões dos professores sobre o assunto em questão. Os resultados mostraram que a 
maioria dos professores não fala sobre educação psicossexual em suas aulas e que todos eles 
dizem que não foram treinados sobre o assunto. A pesquisa concluiu que os principais obstáculos 
para a educação psicossexual em sala de aula são os seguintes: credos religiosos, diversidade 
social e político-econômica dos alunos, falta de conhecimento e formação dos professores e 
preconceito presente nas famílias. 
Em síntese, os estudos mencionados acima chegaram às seguintes conclusões: Os 
pesquisadores no Brasil descobriram que muitos adolescentes, mesmo aqueles que já iniciaram a 
vida sexual, têm preocupações significativas sobre seu desenvolvimento psicossexual. Por outro 
lado, durante a atividade de pesquisa, a separação dos gêneros foi observada para abordar doenças 
 
 
45 
 
sexualmente transmissíveis, que incluem além da sexualidade também a reprodução humana. Foi 
realizada uma análise após o trabalho para atender às necessidades da unidade escolar. Isso 
ampliou e diversificou a maneira como abordamos este assunto. 
Ainda no contexto brasileiro os estudos afirmam que muitos pais ainda consideram falar 
sobre sexo nas salas de aula um estímulo à atividade sexual. Outros resultados mostram que os 
educadores têm conhecimento dos termos sexualidade e educação sexual e que abordam o assunto 
em sala de aula, no entanto, eles usam livros, filmes e diálogos como meio de intervenção, por 
outro lado, outros pesquisadores analisaram as diferentes formas de abordagem de educação 
psicossexual na escola como: direitos humanos e sexuais, Aspectos biológicos e higiênicos, 
religiosidade, radicalismo moralista e queen, onde chamam a reflexão de uma prática de educação 
psicossexual que possa desconstruir nos professores os aspectos de radicalismo moralista e 
preconceitos de vária ordem seja religiosa e social, que resulte a discriminação de género. 
Nesta perspectiva foram apurados os principais obstáculos na abordagem de educação 
psicossexual em sala de aula associados aos aspectos de crenças religiosas, heterogeneidade 
cultural, social e político-econômica dos alunos, falta de conhecimento e treinamento dos 
professores e preconceito presentes nas famílias e sociedades. 
Os estudos de Portugal mostram que os professores não estão familiarizados com a 
legislação atual sobre educação sexual, não estão preparados para ensinar os conteúdos mínimos 
exigidos pela lei para o 1º Ciclo de Ensino Básico e não receberam treinamento contínuo sobre o 
assunto. Por outro lado, os alunos do grupo experimental receberam uma educação psicossexual 
eficaz. 
Em Moçambique percebemos os estudos sobre a educação psicossexual focam mais no 
ensino secundário e nas famílias tendo o grupo alvo as raparigas e as mulheres salvaguardando o 
princípio de equidade de género onde nesses estudos os resultados da pesquisa indicam a 
existências de uniões prematuras, gravidezes precoces, ocorrem com maior frequência que são 
resultantes de certa forma pelos ritos de iniciação e da falta de educação sexual. A educação 
sexual na nossa sociedade ainda é um assunto carregado de tabus pelo facto de factores sócio, 
culturais mencionados pelos autores. 
No nosso entendimento é que a educação psicossexual precisa começar ser abordada na 
base, ou seja no ensino primário, tal como explica Freud na sua Teoria de Desenvolvimento 
 
 
46 
 
Psicossexual, visto que, as crianças desde a tenra idade procuram de todas formas para se 
satisfazerem, portanto os intervenientes educativos deveria de certa forma respeitar os estágios 
preconizados pelo autor para que as crianças cresçam com a personalidade requerida, desde as 
relações de gênero, direitos sexuais e reprodutivos, tabus entres outras. 
 
 
47 
 
CAPITULO III - PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS 
A fim de alcançar os objectivos da pesquisa, o presente capítulo descreve minuciosamente 
as metodologias do estudo e seus grupos-alvo. 
 
3.1 Tipos de Pesquisa 
3.1.1 Quanto à Natureza 
Quanto a natureza, a nossa pesquisa se afigura como aplicada. Appolinário (2011) afirma 
que a pesquisa aplicada visa resolver questões ou necessidades concretas e imediatas. A presente 
pesquisa impulsiona à mudança de atitude dos professores juntamente com os membros da 
direcção da Escola Primária de Mussianhalo, face à educação psicossexual, onde o pesquisador 
objectiva a socialização dos resultados da pesquisa para o efeito. 
 
3.1.2 Quanto à abordagem 
Em função do tamanho do nosso grupo-alvo, a pesquisa atual usa uma combinação de 
abordagens quantitativas e qualitativas. Luzzatto (2009) afirma que a pesquisa qualitativa se 
concentra em aprofundar a compreensão de uma organização ou grupo social em vez de buscar 
representatividade numérica. Lakatos e Marconi (2007) destacam que a pesquisa quantitativa é 
um tipo de pesquisa empírica cujo objetivo principal é descrever ou analisar as características de 
fatos ou fenômenos, avaliar programas ou isolar variáveis importantes ou principais. O objetivo 
deste estudo é verificar hipóteses fornecendo dados com precisão e controle estatístico. 
Para a pesquisa quantitativa, os dados numéricos são usados como base para encontrar e 
analisar as áreas de interesse. A pesquisa qualitativa refere-se ao aprofundamento do 
conhecimento para interpretar o contexto do objeto pesquisado por meio da análise de conteúdo. 
Severino (2007) referencia que era melhor usar as palavras abordagem qualitativa e 
abordagem quantitativa porque muitos estudos usam metodologias diferentes. É fundamental ter 
em mente que existem várias metodologias de pesquisa que podem usar uma abordagem 
quantitativa. Segundo Severino (2007) refere-se mais aos fundamentos epistemológicos do que 
às especificidades metodológicas. 
 
 
48 
 
Por um lado, está pesquisa serviu-nos como uma fonte primordial para manter contacto 
directo com os membros da direção da escola e inquirirmos os professores para aprofundamento 
das matérias ligadas à pertinência de abordagem de educação sexual emancipatória e transversal 
e por outro lado possibilitou-nos na realização de análises estatísticas dos dados fornecidos pelos 
alunos em relação a temática. 
 
3.1.3 Quanto aos Objectivos 
Vamos optar por uma pesquisa exploratória e descritiva devido aos
nossos propósitos da 
pesquisa, neste âmbito foi muito essencial explorar e descrever o contexto da investigação, a 
forma como a educação psicossexual é desenvolvida na escola e seus respetivos problemas ao 
abordar o assunto. Na Perspectiva de Appolinário (2011) a pesquisa exploraratoriá objectiva 
explorar um tema ou problema que é menos pesquisado para trazer os resultados de forma 
evidente que poderão servir como acervo ou suporte dos outros estudos. Segundo Gil (2008) a 
pesquisa descritiva descreve características de uma população ou fenómeno específico. Uma 
característica distintiva da pesquisa descritiva é o uso de técnicas de coleta de dados padronizados, 
como questionários e observação sistemática. 
 
3.1.4 Quanto ao tipo de procedimento 
O presente estudo, privilegiou pesquisa de campo e bibliográfica. Piana (2009) afirma que 
o objetivo da pesquisa de campo é adquirir conteúdo diretamente da população pesquisada. Ela 
exige que o pesquisador se comunique mais diretamente, nesse caso, o pesquisador deve ir ao 
local onde o fenómeno ocorre ou ocorreu e coletar dados para documentar. Nesta perspectiva, 
buscamos informações significativas diretamente com os professores, alunos e os membros da 
direcção da escola em relação a pertinência de abordagem de educação psicossexual no ensino 
básico. 
Segundo Gil (2008) a pesquisa bibliográfica é baseada em material já elaborado, 
principalmente livros e artigos científicos, e é usada neste estudo para desenvolver conceitos e 
ideias para desenvolver abordagens mais condizentes com o desenvolvimento de estudos 
realizados na área de educação psicossexual. Nesse contexto, esta pesquisa ajudou-nos bastante 
 
 
49 
 
no embasamento teórico e eriquencimento cientifico deste estudo. 
 
3.2 Tipos de Método Científicos 
Conforme Lakatos e Marconi (2007) no que diz respeito à abordagem, priorizamos o 
Método Indutivo-Dedutivo devido à natureza mista da pesquisa. O método Indutivo é definido 
como um processo mental por meio do qual uma verdade geral ou universal pode ser inferida a 
partir de dados particulares suficientemente comprovados. Como resultado, o objetivo dos 
argumentos indutivos é chegar a conclusões cujo conteúdo é muito mais amplo do que o das 
premissas nas quais se basearam (conexão ascendente). 
Neste sentido, o facto de o argumento indutivo, assim como o dedutivo, se basear em 
premissas é uma característica que não pode ser ignorada neste contexto. No entanto, quando se 
trata de dedutivos, premissas verdadeiras inevitavelmente levam a conclusões verdadeiras, no 
entanto, nos indutivos, as premissas verdadeiras levam apenas a conclusões prováveis. 
Para esta pesquisa, usamos dados específicos coletados na sala de aula da Escola Primária 
Mussianhalo, no Distrito Báruè. O objetivo da pesquisa é obter um conhecimento geral e 
aprofundado sobre a pertinência das abordagens de educação psicossexual emancipatória e 
transversal. 
3.3 Instrumentos de Colecta de Dados 
3.3.1 Inquérito por questionário 
Uma série de perguntas que precisam ser respondidas por escrito, sem a presença dos 
pesquisadores designa-se por inquérito por questionário (Lakatos & Marconi, 1991). 
Ainda na mesma senda, o nosso meio de coleta de dados foi um inquérito por 
questionário com perguntas fechadas dirigidas aos 20 professores e 90 alunos de sexo diferente 
da Escola Primária de Mussianhalo, localizada no distrito de Báruè, na qual colectamos 
informações que permitiram-nos perceber do nível de conhecimento de educação psicossexual 
dos professores e alunos, as disciplinas pelas quais os professores planificam e abordam as 
matérias de educação psicossexual, os temas leccionados nesta escola, as formas de abordagem, 
 
 
50 
 
a pertinência de educação psicossexual para a escola, as dificuldades enfrentadas na abordagem 
da educação psicossexual emacipatoria, as práticas desenvolvidas nesta escola na abordagem de 
uma educação psicossexual emancipatória como tema transversal e as consequências que alunos 
de 2º ciclo passam resultantes da fraca abordagem de educação psicossexual. 
3.3.2 Entrevista Semi- estruturada 
De acordo com Barros (1986) as entrevistas semiestruturadas são orientadas por um 
roteiro prévio, geralmente composto por questões relacionadas às percepções de duas pessoas ou 
coisas no espaço. Isso se deve ao fato de que "entre" e "vista" são palavras que se referem ao 
processo de observação ou preocupação com algo, e "vista" refere-se ao acto de observar ou se 
preocupar com algo. Indica a relação de lugar ou estado que separa duas pessoas ou coisas no 
espaço. Como resultado, a entrevista se refere ao processo de percepção entre duas pessoas. As 
entrevistas semiestruturadas, de acordo com a perspectiva de Manzine (1991) são orientadas por 
um roteiro prévio, geralmente composto por questões abertas e não estruturadas, que permitem 
ao entrevistado intervir na fala e formular perguntas com grande liberdade. 
Ainda no mesmo contexto, construimos um guião de perguntas abertas dirigidas aos 03 
membros da direcção da Escola Primária Mussianhalo de diferentes sexos, cada membro da 
direcção foi preciso gastar uma hora de tempo, prefazendo três horas além disso, isso fizemos na 
língua portuguesa. Este instrumento permitiu-nos coletar informações e dados sobre a pertinência 
da abordagem de educação psicossexual emancipatória e transversal no 2º ciclo de ensino 
primário, as disciplinas que são leccionandas a educação psicossexua, as dificuldades enfrentadas 
pelos membros da diferença na abordagem da educação psicossexual emancipatória e transversal, 
a existência de envolvimento da família e comunidade abordagem sobre educação psicossexual e 
o conhecimento de alguma legislação/política sobre educação psicossexual. 
 
3.3.3 Observação directa 
Segundo Lakatos e Marconi (1991) a observação direta é um método que pode ser definido 
como um acompanhamento presencial do processo a ser modelado que sujeita o pesquisador a 
um contacto mais directo com a realidade. 
Nesta perspectiva, elaboração o guião de observação directa para examinarmos 
cuidadosamente o ambiente da sala de aula durante o estudo, incluindo disciplinas que abordam 
 
 
51 
 
o assunto, as formas de abordagens do professor, relações entre ele e os alunos, dificuldades 
enfretadas professor para controlar os alunos indisciplinados e regras de convivência (respeito 
mútuo) entre alunos sobre a sexualidade. Isso, fizemos por meio da guia de observação na qual 
permitiu-nos entender a realidade observada na sala de aula sobre a pertinência da abordagem de 
educação psicossexual emancipatória como tema transversal, possibilitando de certa forma, o 
envolvimento directo do pesquisador com o fenómeno pesquisado. 
3.4 População e Amostra 
Segundo Pradonov e Freitas (2013) a população (ou universo da pesquisa é a coleção de 
pessoas que compartilham os mesmos atributos definidos para o estudo em questão. Para o 
presente trabalho de pesquisa, contamos com universo de 698 indivíduos, sendo 01 Director da 
Escola, 01 Director Adjunto da Escola, 01 Chefe de Secretaria, 33 professores dos quais 8 são 
mulheres e 662 alunos sendo 279 são do 2º ciclo da Escola Primária de Mussianhalo, Distrito 
Báruè. 
Segundo Pradonov e Freitas (2013) a amostra é uma parte da população ou do universo 
escolhida por uma regra ou plano. As características desse universo ou dessa população são 
estabelecidas ou estimadas por meio desse subconjunto. Como resultado, o critério de selecção 
da amostra no estudo não é probabilístico, mas sim de conveniência. 
Neste, contexto, trabalhamos com um total de amostra de 113 participantes, dos quais 01 
Director da Escola, 01 Director Adjunto da Escola, 01 Chefe de Secretaria, 20 professores e 90 
alunos porque com este número foi possível satisfazermos a pesquisa e tendo em conta a natureza 
da pesquisa que é a pesquisa mista onde preocupamos com representatividade
numérica e as falas 
dos participantes para entender o fenómeno, permitindo de certa forma, o alcance dos objectivos 
traçados. 
Tabela 1- População e Amostra 
Designação População Amostra 
Director, Director Adjunto e Chefe da Secretaria da Escola Primária de 
Mussianhalo, Distrito Báruè 
03 03 
 
Professores de Escola Primária de Mussianhalo, Distrito Báruè 33 20 
Alunos de Escola Primária de Mussianhalo, Distrito Báruè 662 90 
Total 698 113 
Fonte: Autor (2023) 
 
 
 
52 
 
3.4.1 Processo de amostragem 
O processo de amostragem foi através de critério de escolha por conveniência ou 
intencional não probabilístico, onde trabalhamos com 90 alunos do 2º ciclo, 20 professores e 03 
membros da direção da Escola Primária de Mussianhalo. Moore (2004) fundamentou esta 
amostragem em seu estudo sobre estatística básica e sua prática. Os resultados de seus estudos 
mostram a simplicidade ou a impossibilidade de obter amostras probabilísticas desejáveis. Por 
outro lado, apresenta vários exemplos de amostragem não probabilística, como amostragem 
a esmo ou sem norma, amostragem incompleta ou contínua e amostragem intencional. 
Nessa perspectiva, o presente estudo foi pautado por amostragem não-probabilística 
porque, embora fosse possível atingir toda a população da Escola Primária Mussianhalo, 
composta por cerca de 662 alunos, 33 professores e 03 membros da direção, escolhemos retirar a 
amostra de uma área que é facilmente acessível, conforme descrito em relação. 
 
3.5 Questões Éticas da Pesquisa 
Todas as atividades de pesquisa de um pesquisador devem ser baseadas na ética. Com o 
surgimento da internet, os plágios e as cópias de textos sem a citação da fonte de busca se 
espalhou, ignorando os autores.Segundo Freitas e Prodanov (2013) durante a pesquisa, um 
investigador deve se limitar à neutralidade, sigilo e objectividade. 
Nesta perspectiva, a realização do presente trabalho privilegiou pelo cumprimento das 
normas de produção e publicação dos trabalhos científicos da Universidade Jean Piaget - 
Moçambique, as normas APAS e as orientações dadas pelo supervisor. Para a recolha de dados 
na Escola Primária de Mussianhalo, a universidade concedeu uma credencial, onde fomos 
submeter à escola visada, na qual aceitou imediatamente o nosso pedido e fizemos o trabalho de 
recolha de dados com professores, alunos e membros da direcção sem sobressaltos, evitando de 
certa forma, ferir as sensibilidades dos participantes deste estudo. 
 
 
 
 
 
53 
 
3.6 Procedimentos de Análise dos Resultados 
A análise e interpretação dos dados deste estudo, foi feita em função do tipo de pesquisa 
definida, que é mista e a sua análise segue criteriosamente a estatística descritiva e análise 
qualitativa de conteúdo no processo de investigação sobre o tema. Segundo Lakatos e Marconi 
(1991) como resultado, a interpretação é a atividade intelectual que busca atribuir um significado 
mais amplo aos dados coletados. Correlação aos dados entrevista, usamos a análise de conteúdo 
para analisar e interpretar de forma minuciosa as falas dos participantes. Bardin (2009) permitiu 
que os temas, categorias e subcategorias fossem criados com base em indicadores (interpretação 
das falas dos participantes). Além disso, utilizamos a técnica de análise de conteúdo em sua versão 
qualitativa para observação directa. Nesse caso, contamos as situações ou a ausência dessas na 
realidade da educação psicossexual. Bardin (2014) afirma que, a observação na versão qualitativa 
assenta (contagem das aparições de participação). 
No que diz respeito, aos resultados do inquérito por questionário foram analisados com 
base no recurso a estatística descritiva através de software, SPSS-22 que permitiu-nos a análise e 
a interpretação dos dados sócio demográfico e as variáveis de educação psicossexual do grupo-
alvo. 
 
 
54 
 
CAPITULO IV – ANÁLISE, DISCUSSÃO E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS 
O presente capítulo apresenta, interpreta e discute os resultados de um estudo empírico 
sobre a pertinência da abordagem dos conteúdos de educação psicossexual no ensino primário da 
Escola Primária de Mussianhalo, Distrito Báruè. Esses resultados são confrontados com os de 
outros autores. 
 
4. 1 Caracterização da Escola Primária de Mussianhalo 
A Escola Primária de Mussianhalo funciona nas instalações de construção convencional 
com dois blocos de 03 salas, e 02 salas de construção canseira, ainda no mesmo contexto possui 
01bloco em construção com 04 salas de aulas. Nos blocos de construção convencional estão 
anexadas algumas repartições como: 01secretaria, 01gabinete do DE e 01 de DAE. 
Além disso, a Escola Primária de Mussianhalo possui 04 balneários duplos sendo 02 
reservados para os professores 02 para alunos. Entre os blocos da escola, está um enorme pátio 
com diversas plantas silvestre, onde no intervalo os alunos jogam, saltam acorda, pulam, brincam 
em grupinhos e aos pares nos diversos jogos tradicionais do seu domínio. De salientar que, a 
escola não possui muro de vedação. 
A Escola Primária de Mussianhalo, conta com 662 alunos distribuídos em 14 turmas de 
seguinte forma, 4 turmas para 1ª classe, possui 185 alunos, sendo 92 são do sexo masculino, 2 
turma para a 2ª classe com 90 alunos, onde 49 são do sexo masculino, 2 turmas também para 3ª 
classe 108, sendo 53 são do sexo masculino, 01 turma para na 4ª classe com 66 alunos sendo 31 
são do masculino, 02 turmas para 5ª classe com o total de 98 alunos, sendo 55, são masculinos e 
03 turmas para 6ª classe com 115 alunos no total, sendo 74 são masculinos. 
Ainda no mesmo contexto, o presente estudo, contou também com os membros da 
direcção da escola sendo 01 Director da Escola, 01 Director Adjunto da Escola, 01 Chefe de 
Secretaria, e por outo lado, contou com 33 professores dos quais 8 são mulheres. 
 
 
 
 
55 
 
 
 
4.2 Análise dos Resultados do Inquérito por Questionário Dirigido aos Professores 
4.2.1 Caracterização Sócio - Demográfica dos participantes 
Quanto ao sexo do professor, dos 20 professores escolhidos, 08 são mulheres correspondentes a 
40% em detrimento dos 12 homens que correspondem a 60%. Em relação as idades dos 
professores, muitos deles estão na escala> 35 anos, com acerca de 65% que corresponde a 13 
professores e 35% correspondente 07 professores na escala <35. 
No que tange ao nível de formação dos professores, o nível básico é visto como sendo 
maior com 45% correspondente a 09 professores, em seguida o nível médio com 35% 
correspondente a 07 professores e por fim, o nível superior com apenas 20% correspondente a 04 
professores. 
Atinente ao tempo de serviços dos professores, os dados revelam uma escala elevada de 
> 5anos com 45% que corresponde a 9 professores, em seguida com 35%, numa escala <5 anos 
com 35% que corresponde a 7 professores e 15% para escala < 10 anos com 03 professores 
simplesmente. Para os professores, foi aplicado inquérito por questionário com 09 variáveis 
relacionadas com abordagem de educação psicossexual no ensino primário para alcance dos 
objetivos supramencionados. 
Depois dos dados sócio - demográficos dos professores em alusão, procuramos saber com 
eles em relação ao seu conhecimento sobre educação psicossexual, no universo de 20 professores 
inqueridos, de acordo com os resultados, percebemos que muitos professores da Escola Primária 
de Mussianhalo, já ouviram falar de educação psicossexual, notamos naturalmente o 
conhecimento do tema, com a cerca de 60% (N=12), poucos apontaram o não conhecimento da 
temática com a percentagem correspondente a 40% (N=08). 
Tabela 2- Conhecimento sobre educação psicossexual 
Variável Categorias Total (N=20) 
Conhecimento sobre 
educação 
psicossexual 
Sim N 12 
% do Total 60.0% 
Não N 08 
% do Total 40.0% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
 
56 
 
 
Os resultados da tabela 3, mostram evidentemente que, a disciplina
de Ciências Naturais 
é tida como sendo principal na abordagem dos conteúdos de educação psicossexual, relegando 
para segundo plano as disciplinas de Português e Ciências Sociais. 
Nessa perspectiva, a presente variável busca perceber as disciplinas pelas quais os 
professores planificam e abordam as matérias de educação psicossexual, onde no total dos 20 
professores, muitos estiveram em favor da disciplina de Ciências Naturais, com acerca de 45% 
equivalente a (N=09), em seguida, a disciplina de Português com 35% correspondente a (N=07) 
e uma taxa reduzida dos professores correspondentes a 20% equivalente a (N=04) que apontaram 
a disciplina de Ciências Sociais. 
 
Tabela 3- As disciplinas pelas quais os professores planificam e abordam as matérias de educação psicossexual 
Variável Categorias Total (N=20) 
As disciplinas pelas quais os 
professores planificam e abordam 
as matérias de educação 
psicossexual 
Ciências Naturais 
N 09 
% do Total 45% 
Português 
 
N 07 
% do Total 35% 
Ciências Sociais 
N 04 
% do Total 20% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
Os dados constatados na tabela 4, dão mais ênfase a abordagem de prevenção de gravidez 
precoce, apesar que, durante a observação feita nesta escola não verificamos a fala dessa 
categoria, apenas notamos abordagem das questões biológicas como aparelho reprodutivo 
feminino e masculino entre outras variáveis. 
Neste âmbito, a tabela 4 ilustra claramente com o maior enfoque, a prevenção de gravidez 
precoce com 70% dos professores correspondentes a (N=14), ao passo que, o resto de temas 
tiveram uma pontuação baixa, tal como é evidente na violência e abuso sexual com 65% 
professores correspondentes a (N=02), Infeções de Transmissão Sexual (ITS), com 15% dos 
professores que equivalem a (03) e os ritos de Iniciação com 5% dos professores que 
correspondem a (N=1) 
Tendo em conta, os aspectos mencionados, a escola poderia repensar nesses temas para 
que sejam temas que focalizam nas diversas dimensões como: biológicas, psicológicas, sociais e 
culturais do ser humano por causa mesmo dos estereótipos associados à temática, no sentido de 
trazerem as bases cientificas que sustentam de forma robusta a abordagem da educação 
 
 
57 
 
psicossexual na escola. Associando ao estudo de Gonçalves, Faleiro e Malafaia (2013), evidencia 
que, as ideias e conceitos de várias disciplinas (matemática, língua portuguesa, ciências naturais, 
geografia, história, arte e educação física) contribuem para o desenvolvimento e a construção de 
uma visão positiva do corpo do aluno por meio da explicação das diversas dimensões da educação 
psicossexual. 
Tabela 4- Os temas de educação psicossexual leccionados na Escola 
Variável Categorias Total (N=20) 
Os temas de educação 
psicossexual leccionados 
na Escola 
Prevenção de gravidez precoce N 14 
% do Total 70% 
Violência e abuso sexual N 02 
% do Total 10% 
Infeções de Transmissão sexual 
(ITS) 
N 03 
% do Total 15% 
Ritos de Iniciação N 01 
% do Total 5% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
Os resultados desta variável, mostram inequivocamente que, muitos professores 
desenvolveram a educação psicossexual que se enquadra na abordagem biológico-higienista da 
sexualidade, principalmente na área de ciências naturais. Essa abordagem concentra-se mais no 
aspecto fisiológico e genital do homem, deixando de lado os aspectos culturais, emocionais e 
sociais. A observação que foi feita durante a aula mostrava que os professores priorizavam mais 
os métodos tradicionais do que os métodos ativos para abordar o assunto. Em nosso ponto de 
vista, esse método não é suficiente para levar em consideração as preocupações e questões de 
sexualidade dos alunos. 
É por esta razão, propusemos aprofundar os dados da tabela 3 e 4, através desta variável 
(formas de abordagem dos temas/ conteúdos nas respetivas disciplinais elencadas pelos 
professores), nesta perspectiva, os dados da tabela 5, conformam-se com os dados da tabela 3, 
que configuram as disciplinas pelas quais a temática é lecionada de forma específica, nas Ciências 
Naturais, pois este posicionamento entra em harmonia com os temas apontados da tabela 4. 
Outrossim os dados da variável em destaque, mostram evidentemente que, 60% dos professores 
equivalentes (N=12), fazem abordagem biológica e higienista do ser humano, 25% professores 
correspondentes a (N=5) apoiaram-se na abordagem dos direitos sexuais e apenas 15% 
equivalentes a (N=3), alinharam-se na abordagem transversal e emancipatória. 
 
 
 
58 
 
Tabela 5- As formas de abordagem dos conteúdos sobre a educação psicossexual pelos professores da Escola 
Primária de Mussianhalo 
Variável Categorias Total (N=20) 
As formas de 
abordagem dos 
conteúdos 
Abordagem como transversal e 
emancipatória 
N 03 
% do Total 15% 
Abordagem biológica e 
higienista do ser humano 
N 12 
% do Total 60% 
Abordagem dos direitos sexuais N 05 
% do Total 25% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
Neste contexto, os resultados da tabela 6, configuram-se na existência da percepção da 
pertinência da abordagem dos conteúdos da educação psicossexual para o ensino básico, onde o 
grosso número dos professores indicou a prevenção de gravidezes precoce, ITS e eliminação de 
uniões prematuras. Entendemos que, esses dados são meramente importantes para incrementar 
uma abordagem efetiva de educação psicossexual dada a sua pertinência reconhecida pelos 
próprios professores. 
Sendo assim, procuramos perceber a pertinência da abordagem dos conteúdos da educação 
psicossexual para o ensino Primário junto dos 20 professores, foram apontadas três categorias 
sendo a primeira referente a prevenção de gravidezes precoce e ITS com mais pontuações de 50% 
dos professores que correspondem a (N=10), em seguida a categoria de eliminação de uniões 
prematuras com 40% dos professores que equivalem a (N=08) e a última sobre a não existência 
de pertinência, estiveram poucos em favor com acerca de 10% dos professores que equivalem 
(N=02). 
Tendo em conta, os aspectos indicados, a educação sexual no ambiente escolar tem uma 
longa história de intensos debates políticos e ideológicos em todo o mundo, culminando com a 
criação de grupos de trabalho ou sua incorporação em várias leis, decretos de lei ou portarias, mas 
cujas diretrizes nem sempre são simples de concretizar (Santos & Goncalves, 2009). Além disso, 
a educação psicossexual é um tema extremamente importante e ainda muito atual e não menos 
importante, conforme MINED (2008) a educação psicossexual é extremamente pertinente no 
ensino primário no âmbito do desenvolvimento pessoal do aluno em comportar-se de forma 
responsável, face às questões de sexualidade e saúde reprodutiva. 
 
 
 
 
59 
 
Tabela 6- A pertinência da abordagem dos conteúdos da educação psicossexual para o ensino Primário 
Variável Categorias Total (N=20) 
A pertinência da 
abordagem dos conteúdos 
da educação psicossexual 
para o ensino primário 
Eliminação de Uniões prematuras 
N 08 
% do Total 40% 
Prevenção de gravidezes precoce e ITS 
N 10 
% do Total 50% 
Não tem nenhuma pertinência 
N 02 
% do Total 10% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
 
Nesta variável, os dados revelam claramente que, dentro da mesma escola, os professores 
possuem dificuldades diferentes na abordagem da educação psicossexual como: alguns não têm 
domínio das metodologias de educação psicossexual, outros possuem tabu/ mito sobre a educação 
psicossexual acelera a prática sexual precoce nos alunos e outros sentem vergonha perante os 
alunos. Assim entendemos que, o assunto de educação psicossexual está sendo evitado nesta 
escola por causa dos problemas supramencionados. Isso implica uma máxima urgência de 
abordagem da temática com vista a eliminação dos todos males advindos da sua
fraca abordagem 
de educação psicossexual. Esses dados se conformam com estudo de Novak (2013) que esclarece 
que, ao trabalhar com a sexualidade em sala de aula, os professores geralmente enfrentam 
problemas diferentes. No entanto, a maioria das vezes, os professores enfrentam problemas com 
a falta de familiaridade com as metodologias de educação psicossexual, o que resulta em 
discussões com os demais alunos. 
Relativamente à tabela 7, possibilitou-nos averiguar as dificuldades enfrentadas na 
abordagem da educação psicossexual emancipatória no ensino Primário pelos 20 professores 
inquiridos, as que tiveram maior peso, foram a falta de domínio das metodologias de educação 
psicossexual com 65% professores correspondentes (N=13), as que sucedem, a existência de tabu/ 
mito de que a educação sexual acelera a prática sexual precoce nos alunos com 15% dos 
professores que equivalem a (N=03) e Vergonha perante os alunos na abordagem de educação 
sexual com mesmas percentagens de 15% professores e com pouco apoio as dificuldade de sanear 
as dúvidas dos alunos sobre sexualidade com 5% que corresponde a (N=01). 
Em conformidade com Vieira e Matsukura (2017) a educação psicossexual a favor da 
emancipação e da autonomia exige que os profissionais reconheçam a vivência da sexualidade 
 
 
60 
 
como um direito, pois é sua responsabilidade fornecer informações e incentivar a reflexão entre 
os adolescentes para que possam fazer suas próprias escolhas. 
Tabela 7- As dificuldades enfrentadas pelos professores na abordagem da educação psicossexual 
emancipatória no ensino Primário 
Variável Categorias Total (N=20) 
As dificuldades 
enfrentadas pelos 
professores na 
abordagem da educação 
psicossexual 
emancipatória no ensino 
primário 
Falta de domínio das 
Metodologias de educação 
psicossexual 
N 13 
% do Total 65% 
Tabu/ mito de que a educação 
sexual acelera a prática sexual 
precoce nos alunos 
N 03 
% do Total 15% 
Vergonha perante os alunos na 
abordagem de educação sexual 
N 03 
% do Total 15% 
Dificuldade de sanear as dúvidas 
dos alunos sobre sexualidade 
N 01 
% do Total 5% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
De acordo com os dados apontados, a Escola Primária de Mussianhalo pouco providencia 
formação/ capacitação em matéria de educação psicossexual, pois esses dados se conformam com 
os resultados da tabela 7, onde muitos professores enfrentam dificuldades da temática, o que 
implica uma mudança radical de atitude de todos intervenientes educativos da escola para 
privilegiarem o refresh ou preparação do seu pessoal para lidarem com as diversidades da 
sexualidade dos seus alunos. 
Neste âmbito, procuramos perceber da existência de formação/ capacitação em matéria de 
educação psicossexual na escola, o grosso número dos professores aponta a não existência de tal 
de formação/ capacitação em matéria de educação psicossexual correspondente a 55% que 
equivale a (N=11), ao passo que, 45% dos professores que correspondem a (N=09) afirmaram a 
sua existência na Escola Primária de Mussianhalo. 
No que diz respeito à educação de professores, muitos cursos de básico, médio e 
licenciatura não têm uma disciplina específica que aborde como ensinar a educar sexualmente. 
Em vez disso, os professores geralmente se baseiam em suas próprias experiências pessoais para 
falar sobre sexualidade, e quando eles apresentam sexualidades que foram reprimidas na fase de 
afloramento, não conseguem ajudar os seus alunos de forma benéfica e acabam reprimindo. Isso 
é realmente preocupante porque sabemos que a formação é fundamental para o ensino, 
especialmente porque a sexualidade é um tema que tem gerado muita discussão. Não existe um 
método mágico para ensinar sexualidade. A responsabilidade não é apenas de garantir que a 
 
 
61 
 
formação ocorra, mas também de garantir que os professores atendam às necessidades dos alunos 
e forneçam conhecimento sobre educação sexual para que possam formar cidadãos responsáveis 
e protagonistas. (Brasil, 1998) 
Brittos, Santos e Gagliotto (2013) descobriram que muitos adolescentes, mesmo quando 
já começaram a ter relacionamentos sexuais, têm questões importantes sobre o desenvolvimento 
psicossexual. Eles concluíram que os professores precisam ter uma boa formação em educação 
psicossexual para refletir sua prática e se concentrar no desenvolvimento integral das crianças e 
adolescentes. 
Tabela 8– Existência de formação/ capacitação em matéria de educação psicossexual 
Variável Categorias Total (N=20) 
Existência de formação/ capacitação em 
matéria de educação psicossexual 
Sim N 09 
% do Total 45% 
Não N 11 
% do Total 55% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
Os dados da tabela 9, mostram evidentemente que, as palestras sobre a educação 
psicossexual e a lecionação dos conteúdos de educação psicossexual são tidas como as principais 
práticas de abordagem de educação psicossexual. Esses dados se conformam com a observação 
feita na Escola Primária de Mussianhalo, pois embora a abordagem da temática se restringe nos 
aspectos biológicos da sexualidade humana. Endentemos que, essas práticas estão distantes para 
a eliminação efectiva das gravidezes precoces, uniões prematuras entre outros males. 
Associada à questão anterior, os dados obtidos dos professores revelam claramente que, 
as práticas mais privilegiadas são as palestras sobre a educação psicossexual com 60% dos 
professores que equivalem a (N=12), em seguida procedem com a lecionação dos conteúdos de 
educação psicossexual com 15% dos professores que correspondem a (N=03) e procedem com a 
mesma percentagem a categoria de sensibilização dos pais e encarregados na educação da 
abordarem a educação psicossexual e depois seguem nas capacitações dos professores para 
abordagem da educação psicossexual com acerca de 10% dos professores equivalentes à (N=02) 
Nesta perspectiva, as práticas fundamentais para abordagem de educação psicossexual 
emancipatória e como tema transversal compreendem a utilização dos métodos participativos e 
recursos didácticos pelos professores, capacitações dos mesmos em matéria de educação 
psicossexual, oportunizar o envolvimento da família, líderes comunitários, bem como outros 
 
 
62 
 
sectores como Ministério da Saúde, Autoridade Policiais e Tribunais entre outros. (Almeida, 2010 
& Nota, 2013) 
Tabela 9- As práticas desenvolvidas na Escola para abordagem de uma educação psicossexual emancipatória 
e como tema transversal 
Variável Categorias Total (N=20) 
As práticas desenvolvidas 
na Escola para abordagem 
de uma educação 
psicossexual emancipatória 
e como tema transversal 
A lecionação dos conteúdos de educação 
psicossexual 
N 03 
% do Total 15% 
Palestras sobre a educação psicossexual N 12 
% do Total 60% 
Capacitação aos professores para 
abordagem da educação psicossexual 
N 02 
% do Total 10% 
Sensibilizar os pais e encarregados de 
educação a abordarem a educação 
psicossexual 
N 03 
% do Total 15% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
Tal como ilustra a tabela 10, as gravidezes precoces, as uniões prematuras, assim como as 
Infeções de Transmissão Sexual (ITS) são as conseqüências graves que alunos enfrentam pela 
fraca abordagem de educação sexual, sendo assim, implicam a revitalização de estratégias para 
abordagem objectiva da educação psicossexual no ensino primário. 
De forma miniciosa, a maioria dos professores apontaram as gravidezes precoces como 
sendo as principais consequências com 65% que correspondem (N=13), seguindo as uniões 
prematuras com 15% dos professores que equivalem a (N=03), na mesma posição apontaram as 
Infeções de Transmissão Sexual (ITS) e com taxas reduzidas o assédio sexual com apenas 5% 
dos professores que equivalem a (N=01). 
Com base em uma revisão de evidências de 2016, conclui-se que a educação sexual
tem 
benefícios, incluindo o aumento do conhecimento sobre vários aspectos da sexualidade, 
comportamentos e riscos, como gravidez, VIH e outras IST. Além disso, a educação sexualidade 
melhora as crenças sobre a saúde sexual e reprodutiva, de acordo com vários estudos (UNESCO, 
2018). A revisão do Guia enfatiza que a educação sexual, seja dentro ou fora das escolas, não 
aumenta a atividade sexual, o comportamento sexual de risco ou as taxas de infecção por 
DST/VIH. Isso é baseado na pesquisa do Guia original, bem como na literatura científica e prática 
mais ampla. (idem) 
 
 
 
 
63 
 
Tabela 10 - As consequências que alunos enfrentam pela fraca abordagem de educação sexual 
Variável Categorias Total (N=20) 
As consequências que 
alunos enfrentam pela 
fraca abordagem de 
educação sexual 
Gravidezes precoces N 13 
% do Total 65% 
Uniões prematuras N 03 
% do Total 15% 
Infeções de Transmissão Sexual (ITS) N 03 
% do Total 15% 
Assédio sexual N 01 
% do Total 5% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
4.3 Análise dos Resultados do Inquérito por Questionário Dirigidos aos Alunos 
4.3.1 Caracterização Sócio-Demográfica dos Alunos 
 
No que toca ao sexo dos alunos, foram escolhidos equitativamente 45 alunos do sexo 
masculino e 45 do sexo feminino correspondentes a 50% por cada sexo, o que perfaze 100% em 
ambos sexos, respeitando de certa forma o princípio de equidade de género. 
Em virtude das idades dos alunos escolhidos, foi notório elevadas taxas dos alunos na 
escala <10 anos, que pontua 96,7% correspondente a 87 alunos em detrimento de 3,3% 
correspondente a 03 alunos na escala <15 anos. De salientar que, as idades dos Alunos alinham-
se nas fases de latência e genital da Teoria de Desenvolvimento Psicossexual de Freud. 
Relativamente as classes escolhidas do 2º ciclo da Escola Primária de Mussianhalo, a 6ª 
classe foi privilegiada com maiores alunos acerca de 31 alunos correspondentes a 34.4%, em 
seguida a 5ª classe com 30 alunos que corresponde 33.3% e por fim, a 4ª classe com 29 alunos 
que pontuam 32.2%. 
 Para os alunos foi aplicado inquérito por questionário composto por 07 variáveis 
constituídas em função da pertinência da abordagem da educação psicossexual no ensino 
primário. 
Depois da caracterização Sócio-Demográficos dos Alunos, no entanto, eles foram 
submetidos a questão relacionada com à abordagem de educação psicossexual na Escola Primária 
de Mussianhalo, onde à luz dos resultados da tabela 11 e dos professores, constatamos na verdade, 
a percepção da abordagem de educação psicossexual na escola, apesar que ainda existe um 
número significativo dos alunos alegam nunca terem ouvido a educação psicossexual na escola, 
entretanto o nosso entendimento é que a educação psicossexual é essencial para o 
 
 
64 
 
desenvolvimento da personalidade dos alunos porque permite que eles mudem suas atitudes sobre 
como se comportarem, agirem e interagirem com os outros tanto dentro quanto fora da escola. 
Quanto aos dados percentuais, dos 90 alunos inquiridos no total, muitos alunos estiveram 
em favor da abordagem de educação psicossexual com acerca de 56.7% correspondentes a 
(N=51), enquanto, 43,3% dos alunos nunca ouviram falar de educação psicossexual nesta escola. 
Segundo Cunha (2008) Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, percebeu uma regra para o 
desenvolvimento da personalidade. Em seus estudos, esse desenvolvimento estaria relacionado 
aos estágios psicossexuais e à maneira como a criança passou por eles. Os intervenientes 
educativos nesses estágios são cruciais para moldar a personalidade da criança. 
Nas evidências da UNESCO (2018) mostram que, apesar desses avanços, muitos jovens 
ainda recebem informações incorretas, incompletas ou carregadas de julgamentos que afetam seu 
desenvolvimento físico, social e emocional quando fazem a transição da infância para a idade 
adulta. Essa preparação inadequada não só agrava a vulnerabilidade das crianças e dos jovens à 
exploração e a outros resultados perigosos, mas também representa o fracasso dos detentores de 
deveres da sociedade. 
Tabela 11- Abordagem de educação psicossexual na escola 
Variável Categorias Total (N=90) 
Abordagem educação 
psicossexual na escola 
Sim 
N 51 
% do Total 56.7% 
Não 
N 39 
% do Total 43.3% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
 
Os resultados desta variável, vislumbra-nos que, muitos alunos estão equivocados em 
relação ao significado da educação psicossexual, entendendo de que, ela incita as práticas sexuais, 
porém isso, não constitui a verdade. 
Foi colocada esta questão para a confirmação da variável anterior, sendo dos 90 alunos 
inquiridos, 44.4% equivalentes a (N=40), entendem a educação psicossexual como sendo educar 
para as práticas sexuais, por lado, 28.9% dos alunos que equivalem (N=26), entendem a educação 
sexual aquela que não se restringe a exploração sobre sexo, entretanto ela pressupõem intimidade, 
relações afectivas, emoções e 26.7% dos alunos correspondentes a (N=24), percebem a educação 
sexual como um conjunto de conhecimento para a vivência mais saudável e livre de tabu. 
 
 
 
65 
 
O estudo de Souza (1991) explica muito bem, de que, a educação psicossexual é o processo de 
criar um ambiente em que as pessoas possam ver seu corpo e sua sexualidade de uma perspectiva 
positiva, livre de medo, estereótipos, culpas e barreiras. Como afirmado por Bomfim (2009) 
a educação sexual envolve mais do que apenas a troca de informações sobre sexo; ela inclui o 
relacionamento interpessoal, a troca de valores, atitudes e comportamentos entre indivíduos. É 
essencial que os educadores estejam preparados psicologicamente e pedagogicamente para falar 
sobre o assunto. 
 
Tabela 12- O significado de educação psicossexual 
Variável Categorias Total (N=90) 
O significado de educação 
psicossexual 
A educação sexual é um conjunto de 
conhecimento para a vivência mais 
saudável e livre de tabu 
N 24 
% do Total 26.7% 
A educação sexual não significa a 
exploração apenas sobre sexo, ela 
pressupõem intimidade, relações 
afectivas, emoções 
N 26 
% do Total 28.9% 
A educação sexual significa educar para 
práticas sexuais 
N 40 
% do Total 44.4% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
Os dados da tabela 13 revelam que, a disciplina de Ciências Naturais é abordada a temática 
de forma significativa na Escola Primária de Mussianhalo, nesta perspectiva, com 90% dos alunos 
que equivalem (N=81), porém 10% dos alunos correspondentes a (N=9) não indicaram nenhuma 
disciplina. 
Do ponto de vista dos alunos, precisam construir a sua sexualidade sob vários ângulos 
(psicológicos sociais, culturais, históricos e biológicos) sendo assim, é necessário que eles tenham 
conceitos, imagens, conceitos e valores sobre o corpo, incluindo a sexualidade, como algo 
inerente e necessário na vida humana. De acordo com esse ponto de vista, outras disciplinas 
podem ser cruciais para explicar e resolver as questões de sexualidade dos alunos. (Gonçalves, 
Faleiro & Malafaia, 2013) 
Tabela 13- As disciplinas que se aborda a educação psicossexual na escola 
Variável Categorias Total (N=90) 
As disciplinas que se 
aborda a educação 
psicossexual na escola 
Ciências Naturais 
N 81 
% do Total 90% 
Nenhuma N 09 
 
 
66 
 
% do Total 10% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
Os dados desta tabela se conformam com as observações feitas na Escola Primária de 
Mussianhalo, onde se nota com maior ênfase a aprendizagem do aparelho reprodutivo masculino 
e feminino, deixando outras temáticas para traz, uma vez que poderiam ser sinergias para 
educação psicossexual emancipatória. 
Está variável foi colocada para consubstanciar a acima exposta, onde procurarmos analisar 
de forma concisa, os temas de educação sexual aprendidos na escola, dos 90 alunos inquiridos,
91.1% dos alunos que equivalem a (N=82) indicaram aparelho reprodutivo masculino e feminino, 
4,4% dos alunos que equivalem a (N=4) apontaram a prevenção de gravidez precoce, 3,3% dos 
alunos equivalendo a (N=03) referiram o ciclo menstrual e 1% que equivale a (N=1) não 
indicaram nenhum dos temas elencados no inquérito. 
 
Tabela 14- Os temas de educação psicossexual aprendidos na escola 
Variável Categorias Total (N=90) 
Os temas de educação 
sexual abordados 
/estudados na escola 
Aparelho reprodutivo masculino e 
feminino 
N 82 
% do Total 91.1% 
Prevenção de gravidez precoce N 04 
% do Total 4.4% 
Ciclo Menstrual N 03 
% do Total 3.3% 
Nenhum tema N 01 
% do Total 1.1% 
 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
Nesta perspectiva, os resultados da tabela 15, mostram evidentemente que, muitos alunos 
não são atendidos as suas dúvidas acerca da sexualidade, isso leva aos alunos adquirirem 
informações em fontes não fidedignas, repercutindo assim em efeitos graves no seu futuro. 
Quntos aos dados percentuais, dos 90 alunos inquiridos, cerca de 73%,3 revelaram o não 
atendimento e 26,7% dos alunos equivalentes a (N=66), porém uma percentagem reduzida apoia 
o atendimento das suas dúvidas sobre a sua sexualidade. 
Para Sayão (1997) os professores não mediam a educação psicossexual de forma 
requerida, no entanto ao invés de discutir o assunto, os alunos apenas perguntam sobre educação 
psicossexual quando têm dúvidas. Quando isso ocorre, ou o professor responde de forma 
inadequada com base em sua experiência pessoal sobre o assunto que pode ter consequências 
 
 
67 
 
catastróficas para a educação de quem tem dúvidas sobre o assunto. 
Tabela 15- Atendimento das dúvidas dos alunos sobre sexualidade 
Variável Categorias Total (N=90) 
Atendimento das dúvidas 
dos alunos sobre 
sexualidade 
Sim 
N 24 
% do Total 26.7% 
Não 
N 66 
% do Total 73.3% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
De acordo com os dados tabela 16 sobre a importância de educação psicossexual para a 
vida dos alunos, constatamos que a maioria dos alunos, estiveram em favor na preparação dos 
alunos para construírem a sua sexualidade de forma segura, mais gratificante, mais autónoma e 
responsável. Nesse âmbito, percebemos que, os alunos estão alinhados com a importância da 
educação psicossexual, entretanto para que se reflita essa importância dependerá das sinergias de 
todos os intervenientes educativos em se evolverem e zelarem pela mesma causa. Nesta 
perspectiva, um estudo adequado é necessário sobre a educação sexual em escolas, uma questão 
atual e relevante. (Santos & Goncalves, 2009) 
No que diz respeito à está variável em termos percetuais, 89% dos alunos correspondentes 
a (N=80), apoiaram em preparar-lhes para a vida sexual de forma segura, mais gratificante, mais 
autónoma e responsável, 4,4% dos alunos correspondentes a (N=04), apontaram eliminação da 
violência e abuso sexual, 2.2% dos alunos equivalendo a (N=2), indicaram conhecimento dos 
seus direitos sexuais e reprodutivos, igualmente indicaram a prevenção de gravidez precoce, 1.1% 
que equivale (N=01), apoiou em conhecimento sobre a prevenção de ITS e outro professor apoiou 
em conhecerem a sua sexualidade que equivale também 1.1%. 
 Ainda na mesma senda, as evidências da UNESCO (2018) mostraram que a educação 
psicossexual no ensino primário é bastante importante porque pode ajudar os jovens a refletir 
sobre normas sociais, valores culturais e crenças tradicionais para que possam compreender e 
administrar melhores suas relações com seus pares, pais, professores, outros adultos e a 
comunidade em que vivem. 
Tabela 16- A importância de educação psicossexual para a vida dos alunos 
Variável Categorias Total 
(N=90) 
 
 
 
Preparar-lhe para a vida sexual de forma segura, mais 
gratificante, mais autónoma e responsável 
N 80 
% do Total 89% 
Eliminação da violência e abuso sexual N 04 
 
 
68 
 
A importância de educação 
psicossexual para a vida 
dos alunos 
 
% do Total 4.4% 
Conhecimento dos seus direitos sexuais e reprodutivos N 02 
% do Total 2.2% 
Prevenção de gravidez precoce N 02 
% do Total 2.2% 
Transmitir-lhe conhecimento sobre a prevenção de ITS N 01 
% do Total 1.1% 
Preparar-lhe para conhecerem a sua sexualidade N 01 
% do Total 1.1% 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
Os resultados da tabela 17, mostram inequivocamente o fraco conhecimento dos direitos 
sexuais e reprodutivos por parte dos alunos, implicando nos alunos passarem por situações de 
vergonha, culpa, estereótipos, bloqueios de construírem a sua sexualidade de forma livre. 
Entendemos que, a disseminação dos direitos sexuais e reprodutivos é extremamente importante 
para salvaguardar a construção e desenvolvimento da sexualidade dos adolescentes sem fratura e 
nem tabus dentro e fora da escola. 
Na tabela, ao percebermos dos alunos sobre o conhecimento dos direitos sexuais e 
reprodutivos, 77.8 % dos alunos que equivalem a (N=70) apontaram o não conhecer os seus 
direitos sexuais e reprodutivos e 22.2% que equivale a (N=20) conhecem os seus direitos. 
A utilização de uma abordagem explícita baseada nos direitos nos programas de ESA leva 
a efeitos positivos a curto prazo sobre o conhecimento e as atitudes, incluindo um maior 
conhecimento dos próprios direitos numa relação sexual; maior comunicação com os pais sobre 
sexo e relacionamentos; e maior auto-eficácia para gerenciar situações de risco. Também foram 
encontrados efeitos positivos significativos e de longo prazo nos resultados psicossociais e em 
alguns resultados comportamentais (UNESCO, 2016). 
 
Tabela 17- Conhecimento dos direitos sexuais e reprodutivos 
Variável Categorias Total (N=90) 
Conhecimento dos 
direitos sexuais e 
reprodutivos 
Sim 
N 20 
% do Total 22.2% 
Não 
N 70 
% do Total 77.8% 
 
Fonte: Inquérito por Questionário, elaborado pelo autor (2023) 
 
 
 
69 
 
 
4.4 Análise dos Resultados da Entrevista Semiestruturada Dirigida aos Membros da 
Direcção da Escola 
4.4.1 Codificação dos membros da escola 
Visando garantir a confidencialidade dos participantes, pautou-se pelo processo da sua 
codificação que a seguir a tabela apresenta. 
 
Quadro 1 - Codificação dos Membros Direcção da Escola Primária de Mussianhalo 
Designação dos participantes Codificação dos participantes mediantes alfabetos 
Director da Escola A 
Diretor Adjunto da Escola B 
Chefe de Secretaria C 
Fonte: Elaborado pelo autor (2023) 
 
Em virtude da Codificação dos membros da escola, respeitando justamente as questões 
éticas, foram designados em função de alfabetos, tal como é evidente na tabela em alusão, o 
Director da Escola, é representado pela letra A, o Diretor Adjunto da Escola, designado pela letra 
B e a Chefe de Secretaria pela letra C. 
 
4.4.2 Caracterização Sócio-Demográfica dos membros da direcção da escola 
Os membros da direcção da escola são constituídos por dois homens e uma mulher 
nomeadamente, o Director da Escola, o Director Adjunto da Escola e a Chefe da Secretaria. Em 
relação suas idades, os diretores estão na escala de maior que 35 anos, ao passo que a chefe da 
secretaria está na escala menor que 35 anos. 
No que tange ao nível de formação dos membros da escola, o Director da escola e o 
Director Adjunto da Escola estão no nível superior, ao passo que a Chefe da Secretaria está no 
nível médio. 
Atinente ao tempo de serviços dos membros da direção da escola, o Director da escola e 
o Director Adjunto da Escola estão a fazer mais de 10 anos de serviço, ao passo que a Chefe de 
Secretaria está abaixo de 10 anos. Para os membros da direção foi aplicada entrevista 
semiestrutura com 05 questões abertas sobre a pertinência da abordagem da educação 
psicossexual no ensino primário. 
À luz da pertinência da abordagem da educação psicossexual, buscamos refletir juntos
dos 
 
 
70 
 
03 membros da direção da Escola Primária de Mssianhalo, onde o membro da direção (A) 
respondeu que, garante a proteção do adolesceste no seu dia- a- dia, o membro da direção (B) 
afirmou que, é importante porque os alunos saberão lidar com as adversidades da sua sexualidade 
e o membro da direção (C) disse que, é muito necessária a educação psicossexual porque é nessa 
fase em que os adolescentes começam a experimentar tudo. 
Quanto aos resultados da tabela 19, os membros da direção da escola afirmaram que 
garante a proteção do adolesceste no seu dia- a- dia permite os alunos lidarem com as adversidades 
da sua sexualidade por ser esta fase em que eles começam a experimentar tudo. Neste contexto, 
constatamos que, os membros da direção da direção da Escola Primária de Mssianhalo, têm 
conhecimento atinente a pertinência da abordagem da educação psicossexual, visto que. 
Quadro 2- A pertinência da abordagem da educação psicossexual para Escola Primária de Mussianhalo 
Categoria Subcategoria Indicador Total (N=3) 
A pertinência da 
abordagem da 
educação 
psicossexual para 
Escola Primária de 
Mussianhalo 
 
 
Bastante pertinente 
Garante a proteção do adolesceste no 
seu dia- a- dia (A) 
 É importante porque os alunos saberão 
lidar com as adversidades da sua 
sexualidade (B) 
 
 É muito necessária porque é nessa fase 
em que os adolescentes começam 
experimentar tudo (C) 
Fonte: Guião de Entrevista Semiestruturada, elaborado pelo autor (2023) 
 
Quanto às disciplinas que são leccionandas a educação psicossexual na Escola Primária 
de Mussianhalo, todos os membros da direção (A, B e C), foram unânimes em afirmarem que, a 
leccionação da educação psicossexual acontece simplesmente na disciplina de Ciências Naturais. 
Os dados desta variável se conformam com os resultados dos alunos e assim como dos 
professores por simplesmente a educação psicossexual ser leccionada na disciplina de Ciências 
Naturais. Esses dados são confrontados por Gonçalves et al. (2013) chamando atenção ao abordar 
a educação psicossexual por meio de um enfoque sociocultural transversal, que engloba a saúde 
reprodutiva, as relações de género, as relações interpessoais, prazer corporal e autoconfiança. Isso 
se deve ao fato de que a educação psicossexual tem um significado cultural, histórico, ético e 
político e abrange todo o ser humano, incluindo corpo e espírito, razão e sentimentos. 
Neste âmbito, a educação psicossexual pode abordar preconceitos e discutir valores como 
respeito, solidariedade e tolerância. Ao resgatar os valores humanos e aceitar a diferença como 
 
 
71 
 
algo positivo, essas escolas podem ajudar a diminuir as desigualdades sociais. Isso resulta em 
uma sociedade mais feliz. (Castro, 2009). 
 
Quadro 3- As disciplinas que são leccionandas a educação psicossexual na Escola Primária de Mussianhalo 
Categoria Subcategoria Indicador Total (N=3) 
 
As disciplinas que são leccionandas 
a educação psicossexual na Escola 
Primária de Mussianhalo 
 
 
Ciências Naturais 
Ciências Naturais (A) 
 Ciências Naturais (B) 
 Ciências Naturais (C) 
Fonte: Guião de Entrevista Semiestruturada, elaborado pelo autor (2023) 
 
No que concerne às dificuldades enfrentadas pelos membros da diferença na abordagem 
da educação psicossexual emancipatória e transversal, o membro da direção (A) relata que, a falta 
de conteúdos e materiais didácticos de lecionação, o membro da direção (B), lamenta a questão 
de falta de domínio dos conteúdos para a sua lecionação e o membro da direção (C) diz que, os 
conteúdos de educação psicossexual são requeridos aos adultos e não para os adolescentes. 
As dificuldades que os membros da direcção enfrentam, não são tão diferentes dos 
professores, visto que, constatamos problemas similares no que toca a falta de domínio dos 
conteúdos e estereótipos de que os conteúdos da sexualidade são praticamente considerados dos 
adultos, porém diferenciaram-se na falta de conteúdos e materiais didácticos de lecionação. 
Conforme Novak (2013) destruir preconceitos e ajudar as crianças a fazer perguntas são 
as principais maneiras de abordar a sexualidade na escola para que ela aprenda mais sobre seus 
sentimentos, seu corpo e suas fantasias. Tanto os educadores quanto os alunos devem aprender 
sobre a sexualidade de maneira educadora, esclarecedora e saudável, sem correr riscos. 
Quadro 4- As dificuldades enfrentadas pelos membros da diferença na abordagem da educação psicossexual 
emancipatória e transversal 
Categoria Subcategoria Indicador Total (N=3) 
 
As dificuldades enfrentadas pelos 
membros na abordagem da 
educação psicossexual 
emancipatória e transversal 
 
Estereótipos e escassez dos conteúdos 
A falta de conteúdos e 
materiais didácticos de 
lecionação (A) 
 Falta de domínio dos 
conteúdos 
 Por ser conteúdos dos 
adultos (C) 
Fonte: Guião de Entrevista Semiestruturada, elaborado pelo autor (2023) 
 
 
 
 
72 
 
Relativamente à existência de envolvimento da família e comunidade na abordagem de 
educação psicossexual, os membros da direção (A, B e C) foram unânimes em afirmar que, nunca 
houve apoio e nem envolvimento da família e comunidade na abordagem sobre educação 
psicossexual. 
Segundo os dados concedidos através da entrevista dirigida aos 03 membros da direcção 
da escola, não existem parcerias, apoio ou sinergias com família e comunidade na abordagem de 
educação psicossexual. Esses dados são confrontando com Fagundes (1992) a educação 
psicossexual na escola não pode impedir que as crianças participem da família e da comunidade 
em que vivem. 
É essencial que a escola e a família trabalhem juntas para que a educação em sexualidade 
seja realmente um sucesso. Quando se pretende discutir sexualidade de forma pedagógica, 
Guimarães (1995) nos lembra que o papel da família na educação sexual de seus filhos, 
oferecendo "educação sexual assistemática e frequentemente dogmática, deve ser reconhecido e 
discutido na escola. 
Quadro 5– Existência de envolvimento da família e da comunidade na abordagem de educação psicossexual 
Categoria Subcategoria Indicador Total (N=3) 
 
Existência de envolvimento da 
família e da comunidade na 
abordagem de educação 
psicossexual 
 
Ausência total 
Nunca tivemos ajuda (A) 
 Não (B) 
 Ainda não tivemos apoio (C) 
Fonte: Guião de Entrevista Semiestruturada, elaborado pelo autor (2023) 
 
Procuramos averiguar com os membros da direção sobre o conhecimento de alguma 
legislação/política sobre educação psicossexual, todos membros da direção entrevistados (A, B e 
C) foram unânimes em dizer que, não conhecem alguma legislação/política sobre educação 
psicossexual. 
Fazendo análise, é importante sublinhar que, durante os estudos percebemos de que, no 
contexto moçambicano existem diferentes leis de educação psicossexual por exemplo a Lei 
nº19/2019 de 22 de Outubro, lei de combate às uniões prematuras, mas não existe a lei específica 
que ratifica a abordagem de educação psicossexual de forma específica como a título de exemplo 
em Brasil e Portugal. Neste caso, os resultados do quadro 6, mostram praticamente o 
desconhecimento da política de educação de psicossexual por parte dos membros da direção da 
escola, o que pecam, de certa forma na sua abordagem como tema transversal. 
 
 
73 
 
 
 
Quadro 6- Conhecimento de alguma legislação/política sobre educação psicossexual 
Categoria Subcategoria Indicador Total (N=3) 
 
Conhecimento de alguma 
legislação/política sobre educação 
psicossexual 
 
O desconhecimento da política de 
educação de psicossexual 
Não (A) 
 Não (B) 
 Não (C) 
Fonte: Guião de Entrevista Semiestruturada, elaborado pelo autor (2023) 
 
4. 5 Síntese e Discussão dos Resultados 
À luz do objetivo central da nossa pesquisa, que é de analisar a pertinência da abordagem 
dos conteúdos da educação psicossexual na Escola Primária de Mussianhalo,
constatamos que, 
muitos professores, alunos e os membros da direcção da escola têm noção da pertinência da 
abordagem dos conteúdos da educação psicossexual, visto que, apontaram nas categorias da 
prevenção de gravidezes precoce, ITS e eliminação de uniões prematuras, entretanto esses dados 
são fulcrais para dinamizar uma abordagem transversal de educação psicossexual pelos próprios 
professores. 
Esses dados se conformam com os resultados de estudos de Furlani (2011), Marques, 
Cardoso e Rocha (2016) na medida em que, a pertinência da educação psicossexual é constatada 
como sendo uma preparação dos adolescentes para uma vida sexual saudável, responsável e 
equilibrada, bem como incorporada para ajudar os alunos a lidarem com a fase da puberdade, 
reconhecendo e gerenciando as mudanças corporais subjacentes. Não obstante, as principais 
descobertas da UNESCO (2018) sobre a pertinência de abordagem dos programas de educação 
psicossexual baseados no currículo resultou nos seguintes resultados: mais tempo para começar 
uma relação sexual, menos relações sexuais, menos parceiros sexuais, menos riscos e mais 
contraceptivos. 
No nosso entendimento, a abordagem dos conteúdos da educação psicossexual é bastante 
pertinente principalmente no ensino primário para a formação da personalidade dos alunos. Neste 
contexto, possibilita evitarmos que alunos cresçam com fratura de personalidade. Para o efeito, é 
importante que os professores envidem esforços necessários para que, a educação psicossexual 
seja abrangente, descontruindo de certa forma, os tabus associados ao assunto. 
 
 
74 
 
 
Para o enriquecimento dos dados em alusão, em função dos objetivos do presente trabalho, 
procuramos identificar as formas de abordagem dos conteúdos sobre a educação psicossexual 
pelos professores da Escola Primária de Mussianhalo, neste contexto os dados dos alunos, 
professores e dos membros da direção, mostram evidentemente uma conformidade em abordagem 
parcial e especifica na disciplina de Ciências Naturais, privilegiando os temas de abordagem 
biológica e higienista do ser humano, menosprezando, de certa forma a abordagem transversal e 
emancipatória. 
Portanto, os resultados da presente pesquisa, revelam minuciosamente que, a educação 
psicossexual desenvolvida nesta escola, dá mais ênfase as questões fisiológicas e genitais do 
homem, descurando os aspectos históricos, sociais, culturais e afectivos associados à temática, 
esses dados dialogam com o estudo de Figueiró (2009) onde os seus resultados evidenciam que, 
a educação psicossexual limita-se a abordar o sistema reprodutor e a prevenção de doenças 
venéreas, omitindo assuntos relacionados à sexualidade. Isso ocorre porque os professores 
consideram a sexualidade como sendo um tabu na educação psicossexual e temem discutir o 
assunto com seus alunos porque temem que suas famílias rejeitem a iniciativa. 
Corroborando com Marques, Cardoso e Rocha (2016) a educação psicossexual é um 
assunto que deve ser abordado de forma interdisciplinar. É fácil relacionar as áreas curriculares e 
quebrar o isolamento das mesmas, olhando para o saber como um todo unificado. Essa abordagem 
melhora a compreensão da realidade e facilita o aprendizado dos alunos. 
Ainda no mesmo contexto, um conjunto significativo de evidências indica que a educação 
psicossexual abrangente ajuda as crianças e os jovens a desenvolver valores, como respeito pelos 
direitos humanos, igualdade e diversidade de género, bem como conhecimentos, atitudes e 
habilidades que contribuem para relacionamentos seguros, saudáveis e positivos. (UNESCO, 
2018) 
Olhando para os dados da nossa pesquisa, entendemos que há uma necessidade imediata 
na abordagem da educação psicossexual no ensino primário de forma transversal e emancipatória, 
visto a literatura e a síntese de estudos resultados de pesquisa deste trabalho, explicam muito bem, 
de que a sexualidade está associada à diversidade de dimensões como sociais, históricas, culturais, 
 
 
75 
 
biológicas, psicológicas entre outras, no entanto a disciplina de Ciências Naturais, por si só não é 
suficiente para esclarecer os aspectos subjacentes e subjetivos das outras dimensões. 
Em relação às dificuldades enfrentadas pelos professores na abordagem da educação 
psicossexual, os dados apontam a diferenciação dessas dificuldades na lecionacção do tema por 
parte dos professores dentro da mesma escola, como o domínio das metodologias de educação 
psicossexual, outros possuem tabu/ mito sobre a educação sexual acelera a prática sexual precoce 
nos alunos e outros sentem vergonha perante os alunos. Aos membros da direcção, constatamos 
dificuldades similares dos professores no que toca a falta de domínio dos conteúdos e estereótipos 
de que os conteúdos da sexualidade são praticamente considerados dos adultos, porém 
diferenciaram-se na falta de conteúdos e materiais didácticos de lecionação. 
As dificuldades constatadas neste estudo, estão atreladas ao estudo de Figueiró (2009) em 
que os professores possuem dificuldade em lidar com a questão da sexualidade é causada pela 
insegurança acerca do assunto, ainda que tenham a impressão de que o assunto foi liberado. Além 
disso, a maneira como a mídia e as músicas atuais abordam o assunto podem parecer tabu para 
muitas pessoas e para muitos professores, que também são frutos da educação sexual tradicional. 
Segundo a autora, os educadores têm problemas com a sexualidade porque não foram 
suficientemente treinados para abordar o assunto na escola. Isso significa que, como resultado de 
nossa formação cultural, acabamos carregando consigo uma variedade de preconceitos, tabus e 
sentimentos, muitas vezes negativos, em relação ao sexo, o que dificulta ainda mais nossa 
capacidade de discutir o assunto de forma aberta. 
Tendo em conta os fatores mencionados, é importante salientar que, os maiores obstáculos 
à implementação da educação psicossexual no contexto escolar são os seguintes: a dificuldade 
do/a educador/a em falar sobre o assunto porque está envolto em valores e concepções muitas 
vezes repressores, tornando-o um grande tabu para essas pessoas; o medo de ser rejeitado pela 
comunidade devido à subjetividade do tema. 
A pesquisa realizada por Ferreira e Ribeiro (2009) enfatiza a importância da capacitação 
especializada para educadores que atuam na educação sexual. O estudo enfatiza as emoções e 
sentimentos subjetivos de cada pessoa, o que reforça a importância da formação de educadores 
que abordarão o assunto. 
 
 
76 
 
Os resultados em alusão, remete-nos o entendimento de que, os professores e os membros 
da direcção da Escola Primária de Mussianhalo enfrentam dificuldades do tipo pessoal, social, 
cultural, psicológica, pedagógica e didáctica na abordagem de educação psicossexual no ensino 
primário, no entanto a abordagem da temática ainda constituí um grande desafio na aquela Escola, 
visto que o tabu e vergonha perpetuada pelas questões sociais e culturais falam mais altos, para 
além de fraco conhecimento e domínio do assunto que desencadeiam na fraca abordagem do tema 
causando, de certa forma consequências gravosas na vida dos alunos nesta escola como: 
gravidezes precoces, uniões prematuras, Infeções de Transmissão Sexual (ITS) e assédio sexual 
mediante a tabela 10 do inquérito por questionário direccionado aos professores. 
No que tange às práticas desenvolvidas na Escola Primária de Mussianhalo para 
abordagem de uma educação psicossexual emancipatória e como tema transversal, os dados 
obtidos dos professores e da observação feita na escola revelam claramente que, as práticas mais 
privilegiadas são as palestras sobre a educação psicossexual. Associada à questão, Novak (2013) 
aponta as práticas mais importantes para reduzir esses problemas incluem o trabalho em equipa 
de professores, a criação de material didático, a abertura e organização de um ciclo de palestras 
sobre educação
psicossexual para pais e alunos e a criação de grupos de estudo que envolvam 
vários professores na discussão da educação sexual nas escolas. 
Essas práticas estão atreladas com o estudo de Vieira e Matsukura (2017) onde por sua 
vez descobriram modelos de prática baseados em concepções e perspectivas da sexualidade mais 
amplas e consideram o fenômeno como uma construção biopsicossocial. Nesse caso, as 
abordagens são mais abrangentes e abrangem além das dimensões biológicas da sexualidade, 
questões e temas socioculturais e subjetivos. 
Associado a essa perspectiva, um estudo realizado na Finlândia sobre como a educação 
sexual nas escolas afecta os conhecimentos e atitudes sexuais dos alunos mostrou que, a utilização 
de estratégias participativas, a motivação, os pensamentos e as habilidades dos professores são os 
principais responsáveis pelo sucesso dos programas de educação psicossexual no ensino primário. 
(Kontula, 2010) 
Mediante os dados em epígrafe, entendemos que, a escola pouco faz em termos de 
desenvolvimento das práticas de abordagem de educação psicossexual, portanto há necessidade 
os intervenientes da Escola Primaria de Mussianhalo dinamizarem mais práticas como as 
 
 
77 
 
metodologias ativas, o envolvimento das famílias ONGs e organizações governamentais, meios 
de comunicação social para além de palestras apenas no sentido de que haja abordagem efectiva, 
emancipatória e como tema transversal de educação psicossexual.
 
 
77 
 
CAPITULO IV – CONCLUSÃO E SUGESTÕES 
4.1 Conclusão 
Do estudo feito, concluímos que na Escola Primária de Mussianhalo, há entendimento 
sobre a pertinência da abordagem dos conteúdos da educação psicossexual para o ensino primário 
com base nos dados dos professores, alunos e os membros da direção da escola, onde muitos 
professores relegaram na primeira instância, a prevenção de gravidezes precoces e ITS, a maioria 
dos alunos apontou a temática como força de motriz para preparar-lhes para a vida sexual de 
forma segura, mais gratificante, mais autónoma e responsável e aos membros da direção da 
escola, reconheceram a necessidade dos alunos aprenderem a temática para sua proteção e 
saberem lidar com as adversidades da sua sexualidade, justamente por ser está fase em que os 
adolescentes começam experimentar tudo. 
No que concerne às formas de abordagem dos conteúdos sobre a educação psicossexual 
pelos professores da Escola Primária de Mussianhalo, os resultados desta variável, mostram 
claramente que, a maioria dos professores fazem abordagem biológico-higienista da sexualidade 
principalmente na disciplina de Ciências Naturais, dando mais ênfase o aspecto fisiológico e 
genital do homem, deixando de certa forma, a parte das dimensões culturais, afectivas e sociais 
que dela fazem parte. Nessa perspectiva entendemos que, essa abordagem não é suficiente para 
contemplar as dúvidas e questionamentos dos alunos sobre a sexualidade. 
Quanto às dificuldades que os professores enfrentam na abordagem dos conteúdos de 
educação psicossexual na Escola Primária de Mussianhalo, a maioria dos professores apontou a 
falta de domínio das metodologias e a existência de tabu/ mito de que a educação sexual acelera 
a prática sexual precoce nos alunos. Essas dificuldades afetam também os membros da direção 
da escola que se identificaram com a falta de conteúdos e materiais didácticos na abordagem da 
educação psicossexual emancipatória e transversal. 
Relativamente às prácticas de abordagem dos conteúdos de educação psicossexual na 
Escola Primária de Mussianhalo, os dados obtidos dos professores revelam claramente que, as 
práticas mais privilegiadas são as palestras sobre a educação psicossexual. 
Este estudo confirma a hipótese alternativa por conta da relação significativa das variáveis 
do estudo, mostrando que, a abordagem objectiva de conteúdos sobre a educação psicossexual 
pelos professores elimina as situações de gravidezes precoces, uniões prematuras e infeções de 
 
 
78 
 
transmissão sexual (ITS) e estereótipos dos alunos da Escola Primária de Mussianhalo tal como 
configura a tabela 6 sobre a pertinência da abordagem dos conteúdos da educação psicossexual 
para o ensino primário, sendo 50% dos professores apontaram a prevenção de gravidezes precoces 
e ITS, porém rejeitamos a hipótese nula, mostrando de que, haja a desconstrução dos tabus 
associados abordagem de educação psicossexual no ensino primário para todos intervenientes 
educativos. 
 
 
 
79 
 
4.1 Sugestões 
4.2.1 Para os professores 
 Para formar alunos que assumam um papel ativo na educação psicossexual com 
autonomia e criatividade, os professores devem exercitar e melhorar sua atitude de busca 
constante de conhecimento e livrarem dos estereótipos /tabus associados ao tema; 
 Que todos professores abordem a educação psicossexual de forma transversal e 
emancipatória no ensino primário; 
 Que organizem grupos de estudo que incluam professores discutindo a educação 
psicossexual na escola; 
 Que haja produção e utilização de material didático pela equipe de professores; 
 Priorizem o uso de métodos participativos activos na educação psicossexual, como jogos, 
canções, teatros, dramatizações, debates, trabalho em grupo, brainstorming, caixas de 
perguntas, meios tecnológicos e muito mais; 
 Satisfazerem as dúvidas dos alunos e ajudá-los a aprender sobre educação sexual, os 
professores devem ser simples e naturais como a sexualidade é natural e simples, não ser 
repressores, responder de forma clara e objetiva, adaptando a explicação ao nível das 
crianças. 
 Promoverem a conexão entre a família e o método de educação psicossexual 
emancipatória por meio de reuniões, contactos semanais e solicitações aos pais dos alunos 
para superar preconceitos e tabus para garantir um método emancipatório de educação 
psicossexual. 
4.2.2 Para a direcção da escola 
 Promover as capacitações e formação de bases flexíveis que permitem os professores 
aprendam novas habilidades de forma sincronizada com a dinâmica do trabalho; 
 Procurar desenvolver uma relação com família e comunidade na abordagem de educação 
psicossexual a partir de sensibilização dos pais e encarregado de educação, líderes 
comunitários para superar os estereotípicos; 
 Trabalharem com as Direcções de Saúde do distrito do Báruè e ONGS para obter mais 
conhecimento e experiência para abordarem a educação psicossexual como um tema 
transversal no ensino primário.
 
 
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http://www.webartigos.com/artigos/o-educador-frente-aos-desafios-da-educacao-sexual-na-escola/110545/
https://pt.scribd.com/document/358173178/Educacao-Sexual-Em-Contexto-Escolarr
 
 
84 
 
Tomaz, M. (2011). Sigmund Freud e Carl G. Jung. Brasil. Disponível em: 
https://www.ufjf.br/renato_nunes/files/2012/06/Sigmund-Freud-e-Carl-Jungslides.pdf 
UNESCO (2016). Aberto: Respostas do Setor Educacional à Violência Baseada na Orientação 
Sexual e Identidade de Gênero. França. 
UNESCO (2018). Orientação técnica internacional sobre educação sexual: Uma abordagem 
baseada em evidências, França: ISBN 978-92-3-100259-5 
Vieira, P.M. & Matsukura, S.M. (2017). Modelos de educação
sexual na escola: concepções e 
práticas de professores do ensino fundamental da rede pública, São Paulo – Brasil. 
Legislação 
Lei nº19/2019 de 22 Outubro, lei de combate às uniões prematuras 
Lei nº1/2018 de 12 de Junho, a Constituição da República de Moçambique 
Lei nº 18/2018 de 28 de Dezembro, lei do Sistema Nacional de Educação (SNE)
https://www.ufjf.br/renato_nunes/files/2012/06/Sigmund-Freud-e-Carl-Jungslides.pdf
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 APÊNDICE 1 
 
Mestrado em Desenvolvimento Humano e Educação 
 
Termo de Consentimento Informado 
 
O/A estudante da Pós-graduação, Curso de Mestrado em Desenvolvimento Humano 
e Educação e o/a entrevistado/a ________________ celebram o seguinte acordo de 
compromisso: 
 
O estudante do doutoramento compromete-se a: 
 
1 – Realizar o estudo em conformidade com os critérios adotados pela comunidade 
científica da especialidade. 
 
2 – Transmitir oralmente a informação detalhada sobre os objetivos do estudo. 
 
3 – Prestar todos os esclarecimentos adicionais sobre a realização do estudo que o/a 
entrevistado/a considere necessários. 
 
4 – Utilizar o conteúdo do inquérito por entrevista exclusivamente para este estudo, 
ressalvando que a equipa de investigação terá acesso à gravação oral e à sua transcrição. 
 
5 – Conservar o sigilo sobre nomes, apelidos, data de nascimento, bem como quaisquer 
informações que possam levar à identificação pessoal. 
 
6 – Informar o/a entrevistado/a dos resultados do estudo. 
 
O/A entrevistado/a compromete-se a: 
 
1 – Participar de livre vontade neste estudo sem receber qualquer tipo de incentivo (s). 
 
2 – Assumir o papel de entrevistado/a respondendo com honestidade às questões 
colocadas. 
 
3 – Autorizar a gravação áudio da entrevista 
 
 
 
 
 
4 – Permitir a utilização da entrevista neste estudo. 
 
5 – Receber uma cópia deste Termo de Consentimento Informado devidamente assinado. 
 
Beira, Outubro de 2023 
 
 
Assinatura do Entrevistado/a: 
 
Assinatura do/a estudante de Mestrado em _______: 
 
 
Obrigado pela sua colaboração! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICE II: INQUÉRITO POR QUESTIONÁRIO PARA OS PROFESSORES 
Prezado Professor! O presente inquérito por questionário é destinado para fins de realização 
de dissertação do Curso de Mestrado em Desenvolvimento Humano e Educação. A resposta 
deste questionário não tem como objetivo de prejudicar- lhe pela sua colaboração para 
materialização deste trabalho, para efeito, deixe ficar a sua percepção em volta da Pertinência 
de Educação Psicossexual no 2º Ciclo de Escola Primária de Mussianhalo. Portanto, 
agradecíamos desde já a sua colaboração em responder este questionário, marcando com (X) 
a situação que julgar-lhe conveniente. As respostas dadas serão mantidas em absoluto sigilo. 
 
A – DADOS SOCIÓ- DEMOGRÁFICOS 
1. Sexo 
a) Masculino ________ 
b) Feminino _________ 
2. Idade 
a) <35 _______ 
b) > 35 _______ 
3. Habilitações Académicas 
a) Nível Básico _________ 
b) Nível Medio _________ 
c) Nível Superior ________ 
4. Tempo de serviço 
a) > 5 ano ______ 
b) < 5 anos ______ 
c) < 10 anos ______ 
B- DADOS DE PESQUISA 
1. Já ouviu falar de educação psicossexual Sim _____ Não _____ 
2. Quais são as disciplinas pelas quais os professores planificam e abordam as matérias de 
educação psicossexual? 
a) Português______ 
b) Matemática_______ 
c) Ciências Sociais______ 
d) Ciências Naturais_____ 
e) Educação física______ 
 
 
 
 
f) Educação Musical______ 
3. Quais são os temas de educação psicossexual leccionados na Escola Primária de Mussianhalo? 
a) Prevenção de gravidez indesejada______ 
b) Direitos sexuais e reprodutivos_______ 
c) Infeções de transmissão sexual (ITS) _____~ 
d) Métodos anticonceptivos _________ 
e) Violência e abuso sexual _________ 
f) Ritos de Iniciação_______ 
g) Ciclo Menstrual______ 
h) Uniões prematuras ______ 
i) Nenhum _________ 
4. Quais as formas de abordagem dos conteúdos sobre a educação psicossexual pelos professores 
da Escola Primária de Mussianhalo? 
a) Abordagem como transversal e emancipatória _________ 
b) Abordagem biológica e higienista do ser humano ______ 
c) Abordagem dos direitos sexuais ______ 
d) Abordagem moral-tradicionalista____________ 
e) Abordagem terapêutica_________ 
f) Abordagem religioso-radical_______ 
g) Abordagem dos direitos humanos__________ 
5. Qual é a pertinência de educação psicossexual para a Escola Primária de Mussianhalo tendo em 
conta que são classes iniciais? 
a) Prevenção de gravidezes precoce e ITS ________ 
b) Eliminação de Uniões prematuras _________ 
c) Conhecimento dos direitos sexuais e reprodutivos ______ 
d) Vivevencia de vida sexual segura e responsável ________ 
e) Não tem nenhuma pertinência________ 
6. Quais são as dificuldades que você enfrenta face a abordagem da educação psicossexual 
emacipatoria? 
a) Dificuldade nas Metodologias de Educação sexual ________________ 
b) Tabu/ mito de que a educação sexual acelera a pratica sexual precoce nos 
alunos__________ 
c) Vergonha perante os alunos na abordagem de educação sexual___________ 
7. Teve uma certa formação em matéria de educação psicossexual? sim_____ Não_______ 
 
 
 
 
8. Quais são as práticas que desenvolve nesta escola na abordagem de uma educação psicossexual 
emancipatória como tema transversal? 
a) Sensibilizar os pais e encarregados de educação a abordarem a educação 
psicossexual_____ 
b) Capacitação aos professores para abordagem da educação psicossexual_______ 
c) Palestras sobre a educação psicossexual_______ 
d) A lecionação dos conteúdos de educação psicossexual_______ 
9. Quais são as consequências que alunos de 2º ciclo passam resultantes da fraca abordagem de 
educação psicossexual? 
a) Infeções de Transmissão Sexualmente (ITS) __________________________ 
b) Gravidezes indesejadas _____________________________ 
c) Uniões prematuras_________________________ 
d) Assédio sexual ___________________________ 
Obrigado pela sua colaboração 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICE-III: INQUÉRITO POR QUESTIONÁRIO PARA OS ALUNOS 
Caro aluno! O presente inquérito por questionário é destinado para fins de realização de 
dissertação do Curso de Mestrado em Desenvolvimento Humano e Educação. A resposta deste 
questionário não tem como objetivo de prejudicar- lhe pela sua colaboração para 
materialização deste trabalho, para efeito, deixe ficar a sua percepção em volta da Pertinência 
de Educação Psicossexual no Ensino Primário de Escola Primária de Mussianhalo. Portanto, 
agradecíamos desde já a sua colaboração em responder este questionário, marcando com (X ) 
a situação que julgar-lhe conveniente. As respostas dadas serão mantidas em absoluto sigilo. 
A – DADOS SOCIÓ- DEMOGRÁFICOS 
1. Sexo 
a) Masculino __________ 
b) Feminino __________ 
10. Idade 
a) <5anos_____ 
b) <10 anos ______ 
c) < 15 anos _______ 
3. Classe 
a) 4ª Classe_______ 
b) 5ª Classe______ 
c) 6ª Classe ______ 
B- DADOS DE PESQUISA 
1. Os professores abordam os conteúdos de educação psicossexual na sua escola? Sim _____ 
Não______ 
2. Qual é o significado de educação psicossexual? Sim _____ Não _______ 
Se sim, qual o significado? 
a) A educação sexual significa educar para práticas sexuais _______ 
b) A educação sexual não significa a exploração apenas sobre sexo, ela pressupõem 
intimidade, relações afectivas e emoções ___________ 
c) A educação sexual é um conjunto de conhecimento para a vivência mais saudável e livre 
de tabu________ 
3. Em que disciplina já ouviu falar de educação psicossexual? 
a) Português______ 
b) Matemática_______
c) Ciências Sociais______ 
d) Ciências Naturais_____ 
e) Educação física______ 
f) Educação Musical______ 
g) Nenhuma 
4.Quais os temas de educação psicossexual já estudou? 
a) Prevenção de gravidez precoce______ 
b) Direitos sexuais e reprodutivos_______ 
c) Doença de transmissão sexual (DTS) ______ 
d) Métodos anticonceptivos _________ 
e) Violência e abuso sexual _________ 
f) Ritos de Iniciação_______ 
g) Ciclo Menstrual______ 
h) Aparelho reprodutivo masculino e feminino _______ 
i) Uniões prematuras ______ 
j) Nenhum tema _________ 
5.O seu professor tem respondido as suas dúvidas sobre sexualidade? Sim _____ Não______ 
6. Qual é a importância de educação sexual para sua vida? 
a) Preparar-lhe para a vida sexual de forma segura, mais gratificante, mais autónoma e 
responsável ______________ 
b) Preparar-lhe para conhecerem a sua sexualidade ___________ 
c) Transmitir-lhe conhecimento sobre a prevenção de ITS _______________ 
d) Eliminação da violência e abuso sexual ________ 
e) Prevenção de gravidez precoce e uniões prematuras _______ 
f) Conhecimento dos seus direitos sexuais e reprodutivos ___________ 
7.Conhece os seus direitos direitos sexuais e reprodutivos? Sim _____ Não _______ 
 
 
Obrigado pela sua colaboração! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICE IV: GUIÃO DE ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA PARA OS 
MEMBROS DA DIRECÇÃO DA ESCOLA 
 
A- DADOS SOCIÓ- DEMOGRÁFICOS 
1. Sexo 
a) Masculino ________ 
b) Feminino _________ 
2. Idade 
a) <35 _______ 
b) > 35 _______ 
3. Habilitações Académicas 
a) Nível Básico _________ 
b) Nível Médio _________ 
c) Nível Superior ________ 
4. Tempo de serviço 
a) > 5 ano ______ 
b) < 5 anos ______ 
c) < 10 anos ______ 
B- DADOS DA PESQUISA 
1. Qual é a pertinência da abordagem da educação psicossexual para Escola Primária de 
Mussianhalo 
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________ 
2. Quais são as disciplinas que são leccionandas a educação psicossexual na Escola 
Primária de Mussianhalo 
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________ 
3. Quais são as dificuldades enfrentadas pelos membros da diferença na abordagem da educação 
psicossexual emancipatória e transversal? 
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
 
 
 
 
_______________________________________________________________________ 
 4. Existem envolvimento da família e comunidade abordagem sobre educação psicossexual? 
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________ 
5.Conhece alguma legislação/política sobre educação psicossexual? 
_____________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________ 
Obrigado pela sua colaboração! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICE V: GUIÃO DE OBSERVAÇÃO 
 
1.O professor aborda a educação psicossexual na sua aula? 
_____________________________________ 
3. Qual é a forma de abordagem do conteúdo de educação psicossexual? 
___________________________ 
4. Os alunos mostram compreender e aderir os conteúdos e tarefas de educação 
psicossexual? 
_______________________________________________________________ 
5. Que metodologia de trabalho é proposta aos alunos no conteúdo de educação 
psicossexual? 
a) Trabalho individual----------- 
b) Trabalho em par------------- 
c) Trabalho em grupo --------- 
d) Trabalho misto ----------- 
e) ___________________________ 
6. Que acções são usadas para certificar os alunos se estão aprender a educação 
psicossexual?__________________________________________________________ 
7. O professor esclarece as dúvidas dos alunos sobre a educação psicossexual?________ 
8. Em que disciplina se aborda a educação psicossexual? 
i. Português______ 
ii. Matemática_______ 
iii. Ciências Sociais______ 
iv. Ciências Naturais_____ 
v. Educação física______ 
vi. Educação Musical______ 
9. Quais os temas de educação psicossexual são lecionados? 
k) Prevenção de gravidez indesejada______ 
l) Direitos sexuais e reprodutivos_______ 
m) Doença de transmissão sexual (DTS) 
n) Métodos anticonceptivos _________ 
o) Violência e abuso sexual _________ 
p) Ritos de Iniciação_______ 
q) Ciclo Menstrual______ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANEXOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. Credencial 
 
 
 
 
 
2. Imagens do processo de recolha dos dados

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