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0 UNIVERSIDADE PAULISTA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM RADIOLOGIA LEIDE DAIANE CONCEIÇÃO DE MIRANDA RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO Radiologia Convencional e Odontológica Brasília / DF 2015 1 LEIDE DAIANE CONCEIÇÃO DE MIRANDA RA B681AD0 RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO Radiologia Convencional e Odontológica Relatório de Estágio Supervisionado realizado com 150 horas apresentado à Universidade Paulista – UNIP como requisito parcial para conclusão do curso de Graduação em Tecnologia em Radiologia Orientador: Prof. Glêicio Oliveira Valgas Brasília / DF 2015 2 “... os que não aprendem a duvidar e a criticar serão sempre servos. A aceitação passiva das respostas pode abortar o desenvolvimento da inteligência”. Augusto Cury 3 RESUMO Este relatório reporta-se ao aprendizado e conhecimento adquiridos durante a realização na Secretaria Municipal de Saúde de Correntina do estágio curricular obrigatório nesta primeira parte de práticas supervisionadas do curso de Graduação em Tecnologia em Radiologia realizado na Universidade Paulista e foi realizado com o intuito de demonstrar o conhecimento adquirido nesta importante etapa da vida acadêmica onde busca-se nesta fase entrelaçar o conhecimento teórico ao prático, vivenciando em um ambiente real de trabalho as situações encontradas pelo profissional da radiologia aprendendo assim, “in loco” as rotinas, normas e condutas para a realização de exames radiológicos com finalidade de diagnóstico, onde foi aprendido posições, incidências e técnicas radiológicas com a finalidade de se produzir imagens de qualidade para o auxílio diagnóstico valendo-se de equipamento de radiação ionizante, onde envolveu-se também métodos de radioproteção, parte também relevante deste período de aprendizagem, pois verifica-se que a radiologia é mais do que simplesmente produzir imagens para diagnóstico, deve se preocupar com os efeitos produzidos/decorrentes pelo uso incorreto da radiação ionizante, aprendendo portanto, como manipular um aparelho de raios-x para a realização de exames radiológicos convencionais com e sem contraste e exames odontológicos, onde ficou evidenciado que este método de diagnóstico é uma importante ferramenta de auxílio diagnóstico, sendo ao mesmo tempo rápido, acessível, barato, podendo ser utilizado por pessoas dos mais diferentes tipos de constituição física. Palavras chaves: Estágio. Radiologia. Convencional. Odontológico. Radioproteção. 4 LISTA DE SIGLAS ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária BaSO4 – Sulfato de Bário Hidratado CEO – Centro de Especialidades Odontológicas CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde CONTER – Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia CRTR – Conselho Regional de Técnicos e Tecnólogos em Radiologia HMLJA – Hospital Municipal Dr. Lauro Joaquim de Araújo IOE – Indivíduo Ocupacionalmente Exposto INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social NR – Norma Regulamentadora PS – Pronto Socorro RT – Responsável Técnico SATR – Supervisor de Aplicação das Técnicas Radiológicas SPR – Supervisor de Proteção Radiológica SVS/MS – Serviço de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde UNIP – Universidade Paulista 5 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................... 2 OBJETIVOS............................................................................................................... 2.1 Objetivo Geral........................................................................................................ 2.2 Objetivos Específicos............................................................................................ 3 CONHECENDO O CAMPO DE ESTÁGIO................................................................. 3.1 1ª Etapa - Centro de Especialidades Odontológicas.......................................... 3.1.1 Atividades realizadas no CEO............................................................................ 3.1.2 Fotografias do Estágio (CEO)........................................................................... 3.2 Impressões sobre o Estágio no CEO................................................................... 3.3 2ª Etapa – Hospital Municipal Dr. Lauro J. de Araújo......................................... 3.3.1 Atividades realizadas no HMLJA........................................................................... 3.3.2 Fotografias do Estágio (HMLJA)........................................................................... 3.4 Desenvolvimento de rotina para radiografias de tórax ..................................... 3.4.1 Rotina desenvolvida........................................................................................ 3.5 Impressões sobre o Estágio no HMLJA............................................................... 4 ANÁLISE TÉCNICA SOBRE O CAMPO DE ESTÁGIO........................................... 5 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E TEÓRICA: REVISÃO DE LITERATURA................. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................ REFERÊNCIAS.............................................................................................................. ANEXOS................................................................................................................... APÊNDICES............................................................................................................ PLANILHAS DE AVALIAÇÃO...................................................................................... 6 9 9 9 10 10 17 18 19 20 33 34 39 39 44 47 49 52 54 57 63 67 6 1 INTRODUÇÃO A apresentação do presente relatório de estágio curricular obrigatório tem a intenção de demonstrar a prática vivenciada em um ambiente real de trabalho, onde são realizados diariamente exames radiográficos, valendo-se da utilização de radiação ionizante para a realização dos mesmos. Sabe-se que o estágio em campo é uma importante etapa da vida acadêmica para a formação do profissional das técnicas radiológicas e que somente com a vivência na prática de situações reais é que se consegue formar um profissional com qualidade, preparado para o ingresso no mercado de trabalho e para o exercício efetivo da profissão escolhida e é durante este período que se dirimem as dúvidas que porventura possam existir, podendo assim entrelaçar o conhecimento teórico ao prático ampliando assim o conhecimento acadêmico-científico. A metodologia utilizada durante o estágio curricular obrigatório foi a qualitativa, visto que foi revisada ampla literatura antes de imergir no campo de estágio propriamente dito aliada a pesquisa documental e pesquisa de campo onde levantou-se dados relevantes para o projeto de estágio, vindo a exemplificar detalhadamente o campo de estágio e como foi o aproveitamento do mesmo, finalizando com a realização na prática de exames radiográficos sob supervisão de profissional habilitado e devidamente inscrito no Conselho Regional de Técnicos e Tecnólogos em Radiologia (CRTR). Este relatório visa demonstrar o conhecimento adquirido durante a realização do estágio obrigatório não somente do uso das técnicas radiológicas para realização de exames, mas também como se geram as imagens dos exames realizados, como são revelados os filmes planos radiológicos, e como são tratados os rejeitos radiológicos provenientesde revelações de películas e filmes perdidos por algum motivo, além é claro, de tratar também do tema radioproteção, visto que os profissionais das técnicas radiológicas não são somente as pessoas que realizam os exames em si, eles devem estar atentos às normas existentes para sua própria proteção, visto que ele é um indivíduo ocupacionalmente exposto à radiação ionizante, mas também há que se preocupar com a exposição dos usuários do 7 serviço, além de toda a comunidade de um modo geral, visto que o descarte inadequado dos rejeitos reflete no meio ambiente. Para melhor compreensão este relatório foi dividido em 6 partes, sendo a primeira a introdução, a parte atual, onde se dá a apresentação inicial do relatório, quais os métodos utilizados para a realização do referido estágio, evidenciando assim quais os objetivos se almejam. Destarte, evidentemente a segundo parte deste relatório relata os objetivos deste estágio curricular obrigatório, incluindo o objetivo geral que é a finalidade maior desta etapa, exemplificando então os objetivos específicos que em conjunto vão tornar possível o intento maior que é a formação profissional. Na terceira parte o tópico se referirá ao campo de estágio propriamente dito, será relatado localização, estrutura física, equipamentos, filmes e químicos utilizados, condição geral do ambiente e adequação, além de relatar como foi o estágio, as atividades executadas, inclusive com imagens e fotografias, interação com a equipe, onde analisar-se-á de forma crítica a postura dos profissionais da unidade, as rotinas, os métodos de radioproteção e controle de qualidade além de descrever a impressão geral da(s) unidade(s) e métodos utilizados. Para alcance da terceira parte será feita uma análise crítica do funcionamento da unidade com descrição dos problemas encontrados, sejam em nível de profissionais, gerenciamento ou controle de qualidade da unidade de estágio. Como endosso, na quarta parte será feita uma análise técnica da unidade, onde a intenção não será somente apontar erros, mas indicar possíveis soluções ou correções onde elas caibam, valendo-se para tal intento de argumentos fundamentados. Na quinta parte para alicerçar o tópico anterior, será feita revisão de literatura específica, procurando assim encontrar fundamentação para o estágio prático aliado aos estudos já realizados sobre as técnicas radiológicas, sobre radioproteção e se orientando também em legislação específica sobre o assunto, aplicando então conceitos já existentes sobre o tema. Nas considerações finais, a sexta parte, serão tecidos comentários sobre as impressões encontradas no campo de estágio, finalizando com possíveis 8 contribuições para a melhoria do funcionamento do serviço, além de se apresentar as considerações pessoais do estagiário em relação à vivência do estágio curricular supervisionado. Finalizando este capítulo, ainda que não descrito anteriormente como parte do relatório de estágio curricular obrigatório, há que se ressaltar que o presente será enriquecido com elementos como anexos e apêndices relativos à realização do referido estágio onde se apresentarão situações vivenciadas e documentação pertinente à realização do mesmo, como planilhas de avaliação e carga horária cumprida, além de treinamento realizado antes da realização do referido estágio. 9 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Capacitar o estudante para a correta utilização das técnicas radiológicas para a realização de exames de radiodiagnóstico, utilizando-se para tanto de aparelhos de Raios-X convencional e odontológico, observando as normas de segurança e de radioproteção, preparando-se para a futura vida profissional. 2.2 Objetivos específicos Conhecer uma unidade de radiodiagnóstico; Conhecer normas e rotinas de funcionamento; Receber o paciente para a realização do exame; Interagir com o paciente; Interagir com a equipe de forma multiprofissional; Fazer anotações em livros próprios; Reportar-se ao orientador e ao supervisor de estágio para dissolução de dúvidas existentes; Orientar e posicionar o paciente para a realização do exame; Manipular aparelhos de emissão de radiação ionizante sob supervisão; Aplicar as técnicas radiológicas adequadas para a realização do procedimento; Realizar a revelação dos filmes em processadoras automáticas ou manuais; Realizar condutas dentro do projeto de radioproteção proposto; Realizar o estágio com postura aberta a novos conhecimentos, mas com visão crítica em relação à possíveis erros detectados. 10 3 CONHECENDO O CAMPO DE ESTÁGIO O estágio realizado foi dividido em duas etapas, sendo a primeira semana relativa à realização das atividades em um Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) encontrado em uma unidade de saúde designada Centro de Saúde José Mendonça (CS II) e quanto à segunda parte do estágio, quatro semanas, o mesmo foi realizado em uma unidade hospitalar de nome Hospital Municipal Dr. Lauro Joaquim de Araújo (HMLJA), onde se realizam exames radiológicos convencionais (raios-x) com e sem aplicação de rádio-fármacos. O estágio foi realizado de forma a se contemplar 30 horas semanais conforme disposto na Lei 11.788/2008 no Capítulo IV, Artigo 10, Inciso II, que diz: Artigo 10. A jornada de atividade em estágio será definida de comum acordo entre a instituição de ensino, a parte concedente e o aluno estagiário ou seu representante legal, devendo constar do termo de compromisso ser compatível com as atividades escolares e não ultrapassar: [...] II – 6 (seis) horas diárias e 30 (trinta) horas semanais, no caso de estudantes do ensino superior, da educação profissional de nível médio e do ensino médio regular. (BRASIL, 2008, n.p. Grifo nosso). Assim sendo, o estágio de cinco semanas, foi dividido entre radiologia odontológica, realizada na primeira semana em um CEO, ficando as quatro semanas consecutivas para a realização do estágio curricular em radiologia convencional em uma unidade hospitalar, somando-se assim ao final uma carga de 150 horas de estágio curricular obrigatório. 3.1 1ª Etapa - Centro de Especialidades Odontológicas Ao chegar ao campo de estágio em meu primeiro dia, encontrei-me com o 11 profissional das técnicas radiológicas que iria ser meu supervisor de campo ao qual me recebeu com simpatia e veio me apresentar à equipe e ambientar-me com a sala de procedimentos realizados na unidade. O CEO encontra-se alocada dentro de uma unidade de atenção básica de porte I ao qual presta serviços à comunidade como exame laboratorial, atendimento de fisioterapia, além é claro dos serviços odontológicos, implantados na unidade pelo programa federal Brasil Sorridente (Fig. 1). Figura 1 – Unidade de Radiologia CEO Fonte: Elaborado pela autora A unidade de porte considerável possui recepção com bancos de espera, 03 consultórios odontológicos, 02 salas de fisioterapia, um laboratório para exames de rotina e de emergência, além de sala de expurgo, sala de coleta de materiais, sala para arquivo e digitação de resultados, sala de agendamentos, sala da administração, copa, cozinha, sala de esterilização e obviamente uma sala de exames radiológicos odontológicos. No total a unidade conta com 06 odontólogos que se revezam em turnos matutino e vespertino, 02 fisioterapeutas, 03 técnicas em laboratório, 03 auxiliares 12 de higiene dental, 02 biomédicos, 04 auxiliares de manutenção, copeira, uma diretora administrativa e o técnico em radiologia. Inicialmente o técnico em radiologia mostrou-me o aparelho de raios-x odontológicos da unidade, demonstrando como inicializar seu funcionamento e como se dava a revelação dos filmes utilizados no exame, onde a revelação é feita de forma manualem uma câmara escura portátil (Figs. 2 e 3). Figura 2 – Aparelho Raios-X Odontológico Figura 3 – Câmara escura portátil Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora O aparelho de raios-x da unidade é um aparelho da marca GNATUS, modelo do tipo 70E Timex Parede (Fig. 4), aparelho leve, portátil de fácil manipulação com caixa de comando digital e em auto-relevo (FIg. 5). Posteriormente fui orientada como proceder no procedimento de revelação dos filmes radiográficos dos exames realizados, onde foi aberta a câmara escura portátil e pude ver o sistema de revelação como é feito, onde há três compartimentos, na sequência da esquerda para a direita contendo as químicas e a água para a lavagem, onde ficam nesta ordem: revelador, água, fixador (Figs. 6 e 7). 13 Figura 4 – Aparelho GNATUS Figura 5 – Caixa de comando Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora Figura 6 – Sistema de revelação Figura 7 – Químicos Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora Confesso que fiquei bastante ansiosa para realizar meu primeiro exame radiológico sob orientação supervisionada, pois este é o momento mais esperado durante a realização do curso, é a aplicação de toda teoria que você já estudou 14 sendo utilizada na prática, onde se vê o resultado do seu trabalho quase que imediatamente. Antes, porém conheci como são os filmes radiográficos utilizados na unidade. São filmes de tamanho 22 x 35 mm, fui informada que existiam outros tamanhos de filme, porém na unidade só havia este tipo de filme (Fig. 8 e 8.1). Figura 8 – Filme da unidade Figura 8.1 – Filmes radiográficos intra-orais Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Biasoli Jr. p. 12 Ao ambientar-me com a unidade e passado o primeiro deslumbramento, atentei-me às condições técnicas da unidade, utilizando deste modo uma visão crítica em relação ao campo de estágio, então percebi que a unidade continha somente um avental plumbífero (Fig. 9), ao qual o técnico ou o odontológo que estivessem realizando o exame deveriam utilizar expondo assim desnecessariamente o paciente à radiação ionizante, além de que a sala de exames não continha sinalizações de alerta evidenciando assim a falta de proteção radiológica como indicado na Portaria ANVISA 453/98 e na NR 32 (Fig. 10). 15 Figura 9 – Avental plumbífero (único) Figura 10 – Ausência de Sinalização Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora Seguindo as orientações contidas no tópico Dicas para o Inicio do Estágio da cartilha que recebi do professor orientador Gleicio Oliveira, não fiz comentários ou questionei com o supervisor de campo ou o odontólogo, deixando assim para relatar tal fato neste trabalho e posteriormente sanando dúvidas na unidade de ensino. Preste muita atenção no técnico e nos estagiários mais antigos. Mesmo que não concorde com as suas colocações você não deve questioná-los. A forma mais adequada é fazer uma analise do ocorrido é colocar nos relatórios, embasando-se nas nossas bibliografias. Desta forma poderemos dar um retorno, mas adequado e dirimir as suas duvidas. (PROF. GLÊICIO, 2015). Dando seguimento ao estágio supervisionado obrigatório percebi que às vezes o técnico em radiologia se ausentava da sala e o próprio odontólogo realizava o exame radiológico, o mesmo alegou a portaria 453/98 da ANVISA, confesso que fiquei um pouco receosa, pois tanto a Lei 7.394/85, quando o Decreto 92.790/86, ambos em seu 10º artigo trazem o texto: “Art . 10. Os trabalhos de supervisão da aplicação de técnicas em radiologia, em seus respectivos setores, são da competência do Técnico em Radiologia.” (BRASIL, 1985, 1986), porém 16 posteriormente verifiquei e detectei no tópico 3.32 e 3.33, onde percebi inclusive que no mesmo item no inciso B havia resguardo para que eu própria realizasse também o exame radiológico. QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL 3.32 Nenhum indivíduo pode administrar, intencionalmente, radiações ionizantes em seres humanos a menos que: a) Tal indivíduo seja um médico ou odontólogo qualificado para a práti ca, ou que seja um técnico, enfermeiro ou outro profissional de saúde treinado e que esteja sob a supervisão de um médico ou odontólogo. b) Possua certificação de qualificação que inclua os aspectos proteção radiológica, exceto para indivíduos que estejam realizando treinamentos autorizados. 3.33 Para responder pela solicitação ou prescrição de um procedimento radiológico é necessário possuir formação em medicina ou odontologia, no caso de radiologia odontológica. (ANVISA, 1998, n.p. Grifo nosso). Por fim o meu primeiro dia resumiu-se a observar como os exames eram realizados, como os filmes eram revelados e as técnicas utilizadas, além dos posicionamentos. Fiquei também conhecendo o modelo de solicitação de exames radiográficos utilizados na unidade, onde me atentei que na unidade somente realizavam-se os exames radiológicos chamados periapicais que são indicado para estudos individuais ou de grupos de dentes, proporcionando através de uma imagem bi-dimensional uma visão da anatomia dentária e das estruturas que circundam o dente. (FENELON, 2014). Figura 11 – Radiografia periapical Fonte: Google imagens 17 Ao final do primeiro dia de estágio, já havia me adaptado ao ambiente, houve boa receptividade por parte de toda a equipe, e com a perspectiva de eu própria realizar a manipulação do aparelho, posicionar o paciente, realizar a técnica radiológica adequada e em seguida revelar a radiografia, foi um momento de grande ansiedade para que o próximo dia de estágio logo viesse por chegar para tal momento. 3.1.1 Atividades realizadas no CEO Data Hora Entrada Hora Saída Total de horas Atividades desenvolvidas 05/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Conhecendo a unidade, o equipamento, método de revelação e funcionamento do aparelho. 06/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Limpeza do equipamento, anotação em livro próprio, revelação da primeira radiografia. 07/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Posicionamento do paciente, ligando o aparelho, acompanhando a realização do exame, revelação de radiografias. 08/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Realização do primeiro procedimento de utilização do aparelho, ao qual fiz meu primeiro exame radiográfico acompanhada. 09/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Utilização de técnicas radiológicas para exame radiográfico, manipulação do aparelho, posicionamento do paciente, preparo da carga e disparo no equipamento, toda conduta feita sozinha, sendo observada. (várias vezes). Revelação manual. 18 3.1.2 Fotografias do Estágio (CEO) A seguir demonstrarei através de imagens parte do estágio curricular obrigatório realizado no CEO, onde tive meu primeiro contato com um equipamento de radiodiagnóstico, conheci o método de revelação realizado na unidade, além de realizar meu primeiro procedimento valendo-se das técnicas radiológicas. Um momento emocionante na vida de qualquer estudante e que se projeta para o mesmo entusiasmo no exercício da futura profissão. Figura 12 – Preparo da técnica Figura 13 – Posicionamento do paciente Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 19 Figura 14 – Realização do disparo Figura 15 – Revelação ManualFonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 3.2 Impressões sobre o Estágio no CEO A primeira a impressão é de que o serviço de radiologia da unidade deixa a desejar no quesito radioproteção e controle de qualidade. Não há também uso de dosímetros pelos profissionais que operam o aparelho de radiografias, visto que tanto o técnico em radiologia quanto o odontólogo quando em uso do aparelho não foi verificado o uso do dosímetro. Também não há sinalizações de sala de raios-x (luminoso ou letreiro), quase sempre a auxiliar do odontologista encontra-se na sala durante a realização dos exames sem vestimenta adequada (avental plumbífero), visto que o número deste equipamento é insuficiente para o serviço a proteção radiológica na unidade então é nulo o que é extremamente grave, considerando-se que “uma desvantagem apontada aos métodos de diagnóstico com raios X é a dose de radiação ionizante recebida por pacientes e trabalhadores”. (LIMA, 2009, p. 5). 20 O serviço também não apresenta a figura do Supervisor de Proteção Radiológica ou do Supervisor de Aplicação das Técnicas Radiológicas, tais fatos contrariam a Portaria SVS/MS 453/98, assim como a situação descrita anteriormente, além da NR 32 e Resolução 11/11 do Conselho Nacional dos Técnicos em Radiologia (CONTER), o que consta é que se atende somente ao tópico 3.34 da portaria 453 que diz que “para responder pela função de RT é necessário possuir: a) Formação em medicina, ou odontologia, no caso de radiologia odontológica”. (BRASIL, 1998). A sala de procedimentos não é baritada (revestida de argamassa de barita), material utilizado porque tem agregado um minério de alta densidade (barita) ou sulfato de bário hidratado (BaSO4) prestando-se à proteção radiológica, o que também demonstra estar fora das normas para radioproteção (NPR, 2014). Quando aos resíduos de radiografias inutilizadas, filmes velados, químicas vencidas, não me foi apresentada a destinação final de tais produtos, não se tendo visto na unidade sala de recolhimento adequado para esses materiais. Quanto à estrutura em si, equipamento e sistema de revelação as mesmas se apresentaram aparentemente satisfatórias a que se propõe que é a realização de exames radiológicos simples, com imagens satisfatórias, o serviço realmente peca por não contar com um programa de radioproteção ou mesmo prevenção de riscos ambientais. 3.3 2ª Etapa – Hospital Municipal Dr. Lauro J. de Araújo Na segunda semana do estágio supervisionado, apresentei-me na unidade HMLJA, hospital público de porte I contendo cerca de 40 leitos, com leitos para internações na área de cirurgia geral (6), clínica geral (6), Unidade de isolamento (1), obstetrícia clínica e cirúrgica (15) e pediatria (8), além de contar com leitos de observação e pronto socorro (Fig. 16). 21 Figura 16 – CNES HMLJA Disponível em: http://cnes.datasus.gov.br/Exibe_Ficha_Estabelecimento.asp?VCo_Unidade=2909302801574 Situado estrategicamente à Avenida Tancredo Neves, Setor Colina Azul em uma avenida que é estendida à BR-324, na saída da cidade, onde obrigatoriamente trafega todo o fluxo de veículos que atravessa o município, facilitando, até mesmo, o atendimento em situações de emergências, como acidentes de trânsito que é uma ocorrência bastante comum na unidade (1). Há em seu quadro funcional 128 funcionários efetivos das mais diferentes áreas que vão de serviço de higiene hospitalar, passando por profissionais técnicos em saúde e cerca de, 22 prestadores de serviços, em sua maioria médicos (1). Desta vez já menos ansiosa, fui novamente recepcionada pelo técnico de radiologia do serviço onde novamente percebi a mesma receptividade, interesse em dividir as experiências e os conhecimentos _____________________ (1) Conteúdo adaptado do PIM V G-Rh – Acadêmico Emilio José de O. Queiroz http://cnes.datasus.gov.br/Exibe_Ficha_Estabelecimento.asp?VCo_Unidade=2909302801574 22 Fui conduzida à sala do serviço de radiologia da unidade, onde pude perceber que a sala apresenta boas condições e dimensionamento (37,5 m2) para o atendimento individual a que se propõe (Fig. 17) dispondo em anexo uma câmara escura com processadora automática para revelações de filmes radiográficos (8,75 m2) e possui também um tanque de 13 lts para revelações manuais caso necessário por algum problema na processadora, a câmara escura dispõe de luz vermelha de segurança, exaustor de ar e pia com torneira conforme recomendado na portaria 453 e NR 32 e a sala de exames dispõe de sinalização luminosa e letreiros na entrada conforme orientam as referidas portaria e NR citadas (Figs. 18, 19, 20 e 21). Figura 17 – Conhecendo a sala de exames Fonte: Elaborado pela autora 23 Figura 18 – Entrada da Sala de Raios-X Figura 19 - Aparelho de 500 mA, mural e mesa bucky Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora Figura 20 - Processadora automática de filmes Figura 21 - Luz de segurança e exaustor de ar Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 24 Iniciadas as atividades do estágio, fiquei conhecendo o funcionamento da processadora, como ela funciona e como se faz também a revelação manual, princípio que já havia sido visto durante o estágio em radiologia odontológica, pois os filmes são imersos na química na mesma sequência de revelador, água, fixador e nova lavagem em água para retirada do excesso de produtos químicos. Foi demonstrada a parte interna da processadora e como se dá a limpeza e troca das químicas (Fig. 22), além de ficar conhecendo os tipos e tamanhos de filmes utilizados para cada exame. A processadora é da marca Macrotec, com velocidade de revelação controlada, também com termostato de controle para aquecimento adequado das químicas utilizadas na revelação. A troca dos produtos é feita de forma automática, controlando a entrada ou saída dos produtos de forma automática, sem a necessidade de manipular estes produtos. Aprendi como revelar manualmente uma radiografia em um tanque próprio, procedimento em que se demora mais para se ter o exame pronto, visto que a secagem é feita de forma espontânea, pendurando-se as colgaduras que seguram o filme individualmente para imersão nas químicas e aguardando secagem que dura cerca de 20 minutos, o que se fosse rotina seria extremamente demorado para a dispensação dos exames realizados (Fig. 23). Figura 22 – Processadora por dentro Figura 23 – Revelação Manual Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 25 Na sala do serviço de radiologia encontra-se em utilização, avental plumbífero (02 unidades), protetor de tireóide, aparelho de raios-X de 500 mA com colimador, mural bucky e mesa bucky com gavetas em bom estado e funcionando sem problemas, cabine de proteção com vidro plumbífero para disparos, painel de controle com tabela padrão conforme indicado na Portaria 453 SVS/MS, tanques para armazenamento dos químicos que posteriormente são recolhidos para a devida e correta destinação por empresa especializada, que também recolhe as radiografias veladas, de má qualidade ou expostas acidentalmente à luz. Na sala de exames também tem um negatoscópio para visualização das radiografias depois de reveladas para se conferir a qualidade das mesmas para só então dispensar ao paciente. O aparelho da unidade é um conjunto radiológico marca SHR modelo SH 500 F com variação de 100 a 500 mA, com mesa e mural bucky, cabine de disparo baritada e toda a sala também é revestida de argamassa de barita, além de proteção de chumbo nas portas,tornando assim a sala adequada para a realização dos exames. O serviço funciona com 03 técnicos em radiologia que se alternam em turnos de 04 ou 06 horas conforme a escala ou dia da semana, ficando o serviço noturno a cargo de sobreaviso, sendo necessário chama-se o técnico para a realização do exame. A unidade possui contrato de dosimetria e os dosímetros são em número suficiente para todos os profissionais do setor (Figs. 24 e 25), além de todo efetivo para radioproteção, como dito anteriormente com aventais plumbíferos, protetor de tireóide, sala baritada, portas adequadas, contando não somente com avisos externos, como internos para orientação dos usuários do serviço (Figs. 26 e 27). Os filmes utilizados na unidade são os filmes: 18 x 24 cm 24 x 30 cm 30 x 40 cm 35 x 35 cm 35 x 42 cm 26 Figura 24 – Relatório de dosimetria Figura 26 – Radioproteção Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora Figura 25 – Dosímetros termoluminescentes Fonte: ProRad Consultores S/S Ltda / Dir. Admist. HMLJA 27 Figura 27 – Sinalização de segurança externa e interna Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora Não se pode deixar de mencionar neste tópico que fiquei conhecendo os diversos tipos e tamanhos de chassis e a quais regiões e tipos de exames os mesmos se destinam, ao mesmo tempo em que fui orientada do funcionamento e acionamento da mesa e mural bucky, como se introduz o chassi na gaveta, como centralizar o foco do aparelho e a colimação, além da importância do colimador visto que o mesmo diminui a incidência da radiação emitida, diminuindo, portanto a carga a qual o indivíduo será exposto. Fiquei conhecendo também um modelo de aparelho de raios-x bastante antigo, segundo o técnico do serviço o aparelho deveria ter mais de 25 anos, porém ainda estava em funcionamento e operando perfeitamente, pois segundo o próprio o equipamento havia passado por uma manutenção e trocado o foco em cone por um 28 colimador, viabilizando assim seu uso, é um aparelho portátil da marca SH, modelo SH 30, com 30 mA, que quando se precisa ir em uma enfermaria com paciente acamado sem condições de locomoção, no centro cirúrgico ou na unidade de pronto socorro quando em caso de acidentes o mesmo é transportado e é realizado o exame radiográfico, agilizando assim o atendimento (Fig. 28). Figura 28 – Aparelho portátil de 30 mA Fonte: Elaborado pela autora Depois de conhecer todo o funcionamento da unidade comecei então o estágio na prática, onde comecei com as anotações, com cálculos de potências, sempre se orientando pela tabela existente no equipamento e posteriormente fazendo as revelações na processadora automática na câmara escura, reposição de filmes nos chassis, até que no terceiro dia no segundo campo de estágio iniciei a realização de todo o procedimento de aplicação das técnicas radiológicas. Fui autorizada à atender o paciente desde o início, foi quando recebi a solicitação, anotei em livro próprio, posicionei o paciente, posicionei o equipamento, utilizei o colimador para delimitar a área, fui para a câmara de disparo e realizei o disparo, fazendo uma radiografia de mão em duas incidências (PA + Perfil), passei o filme pelo passa chassis, recebi na câmara escura, retirei o filme do chassis, fiz a revelação, repus o filme no chassi vazio, conferi a qualidade da revelação no 29 negatoscópio e finalmente dispensei o exame para o paciente. Todo o procedimento foi feito sob supervisão direta do técnico responsável pelo serviço no momento (Figs. 28, 29, 30 e 31). . Figura 28 – Realização da conduta e procedimento Fonte: Elaborado pela autora Figura 29 – Realização da conduta e procedimento Fonte: Elaborado pela autora 30 Figura 30 – Realização da conduta e procedimento Fonte: Elaborado pela autora Figura 31 – Realização da conduta e procedimento Fonte: Elaborado pela autora 31 Foi também realizado um ensaio com emissão de radiação ionizante em diversos tipos de materiais para verificação de como a radiação penetra em diferentes densidades, comprovando que a técnica radiológica a ser utilizada varia e depende de que tipo de imagem se deseja produzir (Fig. 32). Figura 32 – Ensaio com emissão de radiação em diferentes materiais Fonte: Emilio José de Oliveira Queiroz – CRTR 5642T Este ensaio realizado com o acompanhamento do supervisor de campo foi bastante esclarecedor, pois foi verificado na prática como a radiação produz imagens a partir de diferentes materiais com diferentes densidades, sendo utilizados dois balonetes com água, tendo um balonete um ponto metal dentro para se verificar, um cubo de madeira, um cubo de gesso, um tubo de plástico e uma lâmina de bisturi (metal). Foi notado que a técnica radiológica a ser utilizada vai depender do que se deseja observar na imagem e que a nitidez varia de acordo com a densidade do material a ser observado, além da espessura, sendo verificado o que é radiopacidade e radiolucidez. 32 O supervisor de campo demonstrou também como produzir uma identificação em uma radiografia sem o uso de marcadores de chumbo, algo extremamente primário, mas com eficácia, pois se escrevendo em um pedaço de papel o que se deseja identificar com caneta esferográfica comum e com tinta preta e se colocando dentro do chassi na área em que será emitida a radiação ionizante, após a revelação nota-se que a radiação passou pouco pela tinta da esferográfica, pois a mesma segundo explicação do supervisor apresenta em sua composição chumbo para fixação da pigmentação da cor no papel ficando então gravada na “chapa”, identificando assim a radiografia sem o uso de marcadores de chumbo (Fig. 33). Figura 33 – Identificação na radiografia com papel e caneta esferográfica preta Fonte: Emilio José de Oliveira Queiroz – CRTR 5642T O estágio demonstrou que onde não há técnicas de revelação digital como em grandes hospitais ou grandes centros, os profissionais aprendem ou criam técnicas que tornam o serviço eficiente dentro do que se propõe, pois em determinados locais como o INSS, por exemplo, só são aceitas radiografias com identificação impressa na “chapa” 33 3.3.1 Atividades realizadas no HMLJA Data Horário Entrada Horário Saída Total de horas Atividades desenvolvidas 12/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Conhecendo a unidade, o equipamento, funcionamento da processadora, anotações, reposição de filmes nos chassis, conhecendo tipos de filmes, rotinas da unidade 13/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Aprendendo a fazer limpeza no equipamento, entendendo o funcionamento das gavetas, mural e mesa bucky, anotações, revelando um filme, ensaio com emissão de radiação em diferentes tipos de materiais 14/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Realizado o 1º exame sob supervisão, realizei a recepção do paciente, posicionei, colimei o aparelho, realizei o disparo, recebi o chassi, revelei, entreguei ao paciente após conferir qualidade da imagem, anotações 15/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Participando efetivamente da rotina da unidade, realizando exames sob supervisão (radiografias diversas) 16/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Avaliação do ambiente, assumindo rotina, realizando exames diversosem diversas incidências, limpeza e manutenção do equipamento 19/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Elaborando rotina para exames de raios-x de tórax, assumindo a unidade sob supervisão, realizando exames diversos 20/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Acompanhando administração de rádio- fármacos para exame contrastado (uretrocistografia), revelação, entrega de exames 21/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Realizando exames em aparelho portátil em paciente acidentado na sala de emergência, manipulação de equipamento, paciente e orientação (sob supervisão) 22/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Assumindo a rotina, fazendo radiografias diversas em várias incidências, feita radiografia de seios da face com utilização de cone de limitação de dose para melhorar a imagem, revelações, 23/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Integração total com o ambiente, assimilação da rotina, domínio parcial das técnicas, segurança para realização de exames, limpeza do equipamento, troca das químicas da processadora após limpeza 34 3.3.2 Fotografias(2) do Estágio (HMLJA) A seguir demonstrarei através de fotografias, parte do estágio em radiologia convencional, onde conheci como se produz imagens radiográficas utilizando-se de técnicas diversas, inclusive conhecendo um aparelho bastante antigo, algo que em grandes centros provavelmente nenhum profissional da radiologia recém formado viu ou irá ver. ____________________ (2) Todas as imagens foram elaboras pela autora durante o estágio 35 ____________________ (2) Todas as imagens foram elaboras pela autora durante o estágio 36 ____________________ (2) Todas as imagens foram elaboras pela autora durante o estágio 37 ____________________ (2) Todas as imagens foram elaboras pela autora durante o estágio 38 ____________________ (2) Todas as imagens foram elaboras pela autora durante o estágio 39 3.4 Desenvolvimento de rotina para radiografias de tórax Durante o estágio, percebeu-se que depois das radiografias solicitadas por traumas diversos foi constatado que o maior número de radiografias solicitadas foram radiografias do tórax e por esse motivo descreveremos como rotina o atendimento a este tipo de exame. 3.4.1 Rotina desenvolvida Bezerra (2014) descreve como rotina de tórax a rotina ambulatorial, onde “geralmente o paciente fica em posição ortostática e deambulando, em posição ereta em perfil e PA e a rotina de paciente acamados ou sem locomoção como em traumas, encontrando-se, portanto em dificuldade ou impossibilidade de movimentos por exemplo, ficando geralmente em decúbito dorsal com o raio central tendo que entrar anteriormente e saindo posteriormente (AP). Segundo Prenda (2012) “o biotipo exige uma consideração especial na radiografia de tórax, para posicionamento do chassis no bucky mural e/ou mesa”, conforme demonstrado na figura 34 Figura 34 – Posicionamento do chassis Fonte: Prenda, 2012. 40 Logo sabendo-se a posição do chassi no mural ou mesa bucky ou quando feita a radiografia no leito ou cadeira, verificamos a instruções a serem passadas para o paciente para uma melhor realização do exame(3): Instrução para a respiração no momento do exame, visto que qualquer movimento torácico ou pulmonar pode resultar em borramento da imagem; Instrução para manter apnéia na hora do disparo. Quanto à posição dos marcadores no filme: Paciente em ortostática = numerador fica no canto superior direito. Paciente sentado = numerador fica no canto lateral direito. Paciente em decúbito = numerador fica no canto inferior direito. Filmes utilizados: Filmes do tamanho 35 x 43 para homens, 35 x 35 para mulheres e filmes 18 x 24 para crianças. Destarte, sabendo-se os filmes, posições e rotina pré-estabelecidas, inicia-se o atendimento ao usuário, onde se chegando à unidade de atendimendo, verifica-se as solicitações existentes, confere-se os diferenciais do pedido como solicitação de rotina, paciente internado, paciente com trauma, possibilidade de locomoção além de fatores como idade ou patologia se for o caso. Cumprida esta primeira etapa, dar-se-á inícios aos procedimentos de realização dos exames solicitados, onde como exemplo citaremos na unidade que quando estávamos por iniciar as atividades deparamo-nos com alguns pacientes de rotina para fazer o exame dentre deles uma senhora idosa com dificuldade de _____________________ (3) Adaptado de Bezerra (2014), artigo publicado no blog radiologia para estudantes 41 locomoção devido a sequela de AVC, onde a mesma foi selecionada como a primeira a ser feito o exame, avisando aos demais usuários do serviço por qual motivo a estávamos colocando como primeira paciente a ser realizado o procedimento. Em seguida anotando a solicitação em livro próprio, adentramos com a paciente na sala de exames, orientando aos familiares que aguardassem do lado de fora da sala durante a realização do exame conforme disposto nas normas de radioproteção. O exame teve que ser realizado com a paciente sentada em uma cadeira de rodas, sem o uso do mural bucky visto que a paciente não se mantinha em ortostase e sentia dores para ficar em decúbito dorsal na mesa bucky (Fig. 35). Figura 35 – Posicionando a paciente e o RC para o exame Fonte: Elaborado pela autora Realizado o exame, foi feito então a etapa da revelação do filme radiográfico, solicitando ao familiar que acompanhasse a paciente enquanto aguardavam a revelação do filme para entrega do mesmo. Toda a etapa entre chamada, anotação, realização do exame com revelação e entrega deve ter durado em torno de 16 42 minutos, ao término entregou-se o a radiografia para o acompanhante e foi feita a orientação quanto à entrega do mesmo para o médico solicitando do exame. Dando andamento ao atendimento, é chamado o paciente por ordem de chegada conforme orientação da direção da unidade, excetuando-se situações de emergência ou idosos conforme orienta o estatuto do idoso e crianças que choram muito ou ficam desinquietas. Todo o trabalho é realizado na seguinte ordem: Chamada; Anotação em livro próprio; Escolha do filme adequado; Identificação no filme; Posicionamento do chassis no mural ou mesa bucky, observando-se a conveniência do serviço e do paciente; Orientações quanto à respiração, posicionamento, etc. Escolha da técnica adequada e disparo; Retirada do chassi da gaveta da mesa ou mural; Colocação do material no passa chassis; Retirada do chassis na câmara escura, inserindo o filme na processadora automática; Recarregamento do chassis; Retira do filme da processadora; Conferência da qualidade da imagem no negatoscópio; Entrega e liberação do paciente; Chamada do próximo paciente. Em condições normais, com pacientes orientados, deambulando e colaborativos, todo este procedimento dura em torno de 08 minutos. Vale salientar para enriquecimento deste relatório que durante o expediente, foi solicitado um exame radiológico de tórax de uma paciente que havia sofrido um trauma por acidente automobilístico trazida pelo SAMU e que de pronto foi comunicado aos demais pacientes que aguardavam para a realização de exames 43 radiológicos a situação, tendo que se ausentar da sala por algum tempo para a ida ao pronto socorro para atendimento da referida paciente. Transportou-se o aparelho de raios-x portátil até a unidade do PS onde se deparou com uma paciente em uso de colar cervical, na maca da ambulância e com todas as vestimentas, tornando o exame mais dificultoso, pois com a paciente deitada, com roupas, utilizando colar cervical e na macanão podendo movimentar- se é mais complicado a realização do exame, porém o médico exigia o exame radiológico antes mesmo de o próprio ter realizado o exame físico adequado, inclusive sem realizar as etapas do atendimento de emergência que prevê entre outras coisas a exposição do paciente para avaliação de lesões existentes. porém não havia o que se contestar com o médico e o exame foi realizado e que posteriormente ao avaliar a imagem notou-se um que a paciente usava soutien com metal o que poderia ter comprometido a avaliação da imagem (Fig. 36) . A situação foi comunicada e explicada ao médico do plantão. Figura 36 – Paciente com vestimentas, na maca e imagem comprometida Fonte: Elaborado pela autora Ademais durante o transcorrer do estágio, a rotina foi mantida dentro do que se propôs e que era pré-estabelecido pela instituição. 44 3.5 Impressões sobre o Estágio no HMLJA Durante o estágio do HMLJA pude perceber que os profissionais que trabalham com as técnicas radiológicas na unidade (técnicos em radiologia) nem sempre seguem as normas de radioproteção. Por vezes vi exames serem realizados com a porta aberta e quando o aparelho portátil era transportado para a o PS ou enfermarias os exames eram realizados sem a devida distância de segurança para com os demais pacientes no local ou acompanhantes, chegando até mesmo a ver o técnico realizar um desses exames sem a vestimenta plumbífera, vestimenta essa que inclusive quando se necessitava de acompanhante para a realização de algum procedimento na sala de exames, jamais foi oferecido para o acompanhante ou dada alguma orientação para o mesmo sobre os riscos da radiação e a radioproteção. No HMLJA, como no CEO não existe a figura do SATR, ficando o diretor médico como supervisor da unidade, o que contraria a Lei 7.394 que normatiza que a supervisão de aplicação das técnicas radiológicas é de competência do técnico e do tecnólogo em radiologia e a Lei 12.842/13 (Lei do Ato Médico) em seu artigo 4º, parágrafo único que diz “§ 7o O disposto neste artigo será aplicado de forma que sejam resguardadas as competências próprias das profissões de [...] técnico e tecnólogo de radiologia.”, não existindo também um programa de proteção radiológica, uma avaliação periódico do aparelho existente na unidade, além de não existir no local uma cópia impressa da Portaria 453/98 da ANVISA como a mesma institui, não deixando acesso nem para os demais profissionais do hospital, como para os pacientes e usuários do serviço de tais informações sobre o que vem a ser um exame que se utiliza radiação ionizante (raios-x) ou o que vem a ser radioproteção. Não há um gerenciamento efetivo, não há controle de qualidade, perdem-se muitas radiografias por erro de posicionamento (Fig. 37), expondo desnecessariamente o paciente realizando novo exame. A identificação do filme sempre é colocada no canto direito superior independentemente se o paciente estiver em pé, sentado ou deitado onde na figura 45 38 nota-se que o paciente por estar deitado, inclinou a cabeça, prejudicando a imagem, além de estar identificado no canto superior direito como se estivesse de pé, tornando necessária a realização de novo exame. Figura 37 – Radiografia perdida por erro de posicionamento Fonte: Elaborado pela autora Figura 38 – Radiografia perdida por erro de posicionamento e identificada errôneamente Fonte: Elaborado pela autora Paciente não centralizado no mural (imagem “cortada”). 46 Por fim, conforme visto na figura 39, os exames de um modo geral chegam às mãos dos técnicos em radiologia da unidade incompletos, pois quase nunca as solicitações vêm corretamente preenchidas, ou seja, o médico apenas solicita o exame indicando a área a ser radiografa, mas não especifica as incidências que o mesmo deseja, dando margens inclusive para exames incompletos, pois se o técnico desejar o mesmo realiza o exame em apenas uma incidência, visto que a solicitação está incompleta. Figura 39 – Solicitação sem especificação de incidência desejada Fonte: Unidade de radiologia do HMLJA De um modo geral, apesar de o estágio ter sido considerado satisfatório, a unidade em si mostra-se bastante defasada principalmente no quesito radioproteção. Conta a favor o fato de a unidade contar com programa de controle de radiação recebido pelos técnicos da unidade através de dosimetria além da unidade estar com sinalização de segurança interna e externamente na sala de exames. Peca por não seguir a legislação pertinente ou nomear pessoas responsáveis legalmente pela unidade na divisão de vigilância sanitária ou junto ao CRTR. Ausência da incidência desejada 47 4 ANÁLISE TÉCNICA SOBRE O CAMPO DE ESTÁGIO Como já pontuado nos capítulos anteriores, a Secretaria Municipal de Saúde de Correntina em suas unidades de radiodiagnóstico pouco tem feito no sentido de se atingir um projeto de radioproteção adequada. Os profissionais das técnicas radiológicas alegam que “têm chefe demais”, pois enfermeiros, médicos, o secretário de saúde além de outros profissionais como odontólogos e fisioterapeutas interferem nos procedimentos e se sentem “chefes” do serviço, incumbindo os profissionais com solicitações desnecessárias e mal solicitadas ou solicitadas inadequadamente, tornando o serviço quase que acéfalo, pois não há responsável técnico, não há supervisão de aplicação das técnicas radiológicas, não há protocolos de proteção e os próprios profissionais da área não trabalham com o princípio da otimização da exposição de radiação ionizante. As radiações ionizantes são utilizadas em diversas áreas da medicina, como tal a sua utilização deve ser feita de maneira correta, para que os benefícios possam ser produzidos em detrimento dos danos que estas possam causar, ao paciente e ao meio ambiente. A radiologia diagnóstica constitui uma poderosa ferramenta utilizada pela medicina. Neste contexto, a adoção de uma cultura de proteção radiológica e de garantia da qualidade deve ser uma tônica, na atual tendência, de oferecer aos usuários dos serviços transparência no que diz respeito a segurança e eficácia dos exames radiológicos. (MACEDO e RODRIGUES (2009), apud SECCA e BRASIL). Macedo e Rodrigues (2009) explicitam que um programa de controle de qualidade em radiologia (PCQ) analisa e avalia as doses de radiação por área, medição das doses individuais dos indivíduos ocupacionalmente expostos (IOE), calibração dos equipamentos, teste de fuga de cabeçote, testes de constância e quantificação de películas inutilizadas, considera-se que as unidades, tanto de radiologia odontológica, quanto a de radiologia convencional efetivamente estão muito aquém do que pode determinar como controle de qualidade em radiologia, tornando a situação da unidade considerada do ponto de vista técnico como grave, visto que radiação ionizante vai muito além de “dar disparos e revelar filmes”. 48 A impressão que foi passada durante o estágio é a de que nas unidades do campo de estágio o exame de raios-x é considerado meramente somente “mais um exame complementar”, não havendo por parte das pessoas responsáveis a preocupação de se aplicar o que diz a legislação relacionada. Nas unidades de radiologia odontológica o descarte dos resíduos não é feito adequadamente, na unidade de radiologia convencional o armazenamento não é feito de forma correta, armazenando-se os filmes inutilizados e os químicos em ambiente impróprio (um “cantinho” na sala de revelação), onde se aguarda por tempo indeterminado que uma empresa que recolhe e processa esse material venha buscá-lo e depois de a empresa recolher tais produtos a secretaria de saúde não sabe que destino é dado para os mesmos. Do ponto de vista técnico muito há o que se fazer para melhorar a situação em quese encontram as unidades que serviram para campo de estágio, acreditando que com interesse e boa vontade por parte dos gestores na área da saúde local há como reverter a atual situação, desde que se respeitando a legislação vigente e adequando o funcionamento das unidades, dando treinamentos e capacitações para os profissionais que não são da área da radiologia e orientando e capacitando os demais profissionais da unidade, inclusive os profissionais das técnicas radiológicas, afinal utilizando-se de raios x nos procedimentos em radiodiagnóstico para se alcançar o intento desejado, há que se ter em mente que é o paciente que obtém o benefício do exame, devendo para tanto utilizar-se de todos os meios de radioproteção, inclusive para os IOE para que as doses sejam tão baixas quanto razoavelmente praticáveis. (OLIVEIRA, 2014). Acredito que os profissionais das técnicas radiológicas da unidade têm capacidade e conhecimento para tal mudança, afinal são profissionais com especialidade em radiodiagnóstico, o que parece faltar na unidade é reconhecimento e valorização profissional, assim como a aplicação correta das normas e legislações vigentes sobre o assunto. 49 5 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E TEÓRICA Em uma tarde, na Universidade de Wurzburg, na Alemanha, deu-se início à história da radiologia, mais exatamente no dia 08 de novembro de 1895, quando o físico W. C. Roentgen, fazia suas pesquisas em um tubo de raios catódicos, invenção do inglês W. Crookes. Roentgen conseguiu então projetar a imagem dos ossos de sua mão em uma tela. Fascinado, mas ainda confuso Roentgen decidiu chamar sua descoberta de Raios-X - símbolo usado em ciência para designar o desconhecido. (ARRUDA, 1996). Desde então, métodos muito além da chamada radiologia convencional foram desenvolvidos valendo-se de radiações ionizantes, mas que jamais tirarão o mérito do cientista Roentgen. O tema por si só já é bastante interessante, porém atentaremos para os conceitos inerentes a uma das profissões que adentram o fascinante mundo da radiologia, o tecnólogo em radiologia, profissão regulamentada por lei, reconhecida como graduação em nível superior e que conta com valorosos profissionais. Baseando-se na Lei 7.394/85 que regula sobre os profissionais das técnicas radiológicas, o CONTER em seu código de ética dirigido aos profissionais por ele abrangidos enuncia os fundamentos e condutas necessárias para a prática das profissões de Tecnólogo em Radiologia, relacionando seus direitos e deveres aos profissionais inscritos no sistema CONTER/CRTR, apontando que para o exercício da profissão impõe-se a inscrição do mesmo no CRTR da respectiva jurisdição ao mesmo tempo em que o referido profissional conta como objeto da sua profissão entre outras atribuições o de radiologia no setor de diagnóstico médico. Porém, no Brasil, existem outras leis que disciplinam a utilização da radiação ionizante, fazendo-se necessário então a normatização de atividades que dela fazem uso, como a Portaria 453/98 da ANVISA que “Aprova o Regulamento Técnico que estabelece as diretrizes básicas de proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico, dispõe sobre o uso dos raios -x diagnósticos em todo território nacional e dá outras providências”. 50 Ainda sobre o tema radiação ionizante e radioproteção dispomos ainda da Portaria GM 485, de 11 de novembro de 2005 e Portaria GM 939 de 18 de novembro de 2008, que formam a NR 32 que trata sobre segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde no capítulo 32.4 – Das Radiações Ionizantes, onde há o seguinte texto: 32.4.1 O atendimento das exigências desta NR, com relação às radiações ionizantes, não desobriga o empregador de observar as disposições estabelecidas pelas normas específicas da CNEN e da ANVISA, além do MS. 32.4.2. É obrigatório manter no local de trabalho e à disposição da inspeção do trabalho o plano de proteção radiológica – PPR, aprovado pela CNEN, e para os serviços de radiodiagnóstico aprovado pela vigilância sanitária. (BRASIL, 2005). Portanto, pode ser perceber que a radiologia é mais do que uma simples profissão que “produzirão imagens” para diagnóstico médico, por isso então a capacitação cada vez maior dos profissionais que dela farão uso, criando-se então a figura do Tecnólogo em Radiologia, profissional de nível superior, com formação técnico-científica além do técnico em radiologia, profissional que até bem pouco tempo era praticamente o único responsável nesta área pela produção de imagens. Para Dimenstein e Netto (2002) os raios X têm seu uso em radiologia voltado para fins diagnósticos, assim como a radioterapia para o tratamento de certas doenças e por isso a importância de que a correta manipulação dos aparelhos e equipamentos utilizados seja uma constante preocupação por parte do profissional que o utiliza. Evidencia-se então a importância da melhor capacitação dos profissionais que manipularão estes equipamentos, afinal sabemos que mais de um século após sua descoberta por Roentgen, “os raios X ainda ocupam lugar de destaque no arsenal de diagnóstico por imagens”. (DIMESTEIN e NETTO, 2002). 51 É aí então que entra o profissional Tecnólogo em Radiologia, ele tem uma formação superior em carga horária e conhecimento teórico-técnico-científico ao profissional de nível médio, profissional mais capacitado para dentro da sala de exames ter total autonomia para realizar o procedimento, responsável pela proteção radiológica de todos os presentes durante o procedimento (CADU, 2011). Porém todo cuidado se faz necessário, por isso a necessidade de se conduzir todo o procedimento de forma correta, respeitando as normas de radioproteção e as técnicas radiológicas, além do princípio da justificação da dose e é neste ponto que entra na formação profissional o estágio curricular, pois é onde o estudante entrará em contato com situações reais, com o inesperado, com a emergência, com situações que nem sempre a princípio estão sob nosso controle, fugindo de tudo aquilo que se vê em sala de aula, em livros ou laboratórios. Passerini (2007, p. 30) descreve o estágio curricular como: [...] Estágio Curricular Supervisionado [é] aquele em que o futuro profissional toma o campo de atuação como objeto de estudo, de investigação, de análise e de interpretação crítica, embasando-se no que é estudado nas disciplinas do curso, indo além do chamado Estágio Profissional, aquele que busca inserir o futuro profissional no campo de trabalho de modo que este treine as rotinas de atuação. (PASSERINI, 2007, p. 30). Daí a importância do estágio curricular na formação do futuro profissional para a sua inserção no mercado de trabalho, pois ao final do curso o mesmo poderá executar gerenciar e supervisionar os serviços e procedimentos radiológicos, atuando conforme as normas de biossegurança e radioproteção em clínicas de radiodiagnóstico, hospitais, policlínicas, laboratórios, indústria, fabricantes (comércio) e distribuidores de equipamentos hospitalares. Possuirá habilidades técnicas e conhecimentos de gestão, interagindo com a equipe médica e técnica. (UNIP, 2005). 52 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao final deste primeiro estágio curricular obrigatório percebi a importância da profissão de Tecnólogo em Radiologia, pois compreendi que se trata de um profissional com autonomia para a utilização de técnicas radiológicas que envolvem o uso de radiações ionizantes em seres humanos que servirão como base para um diagnóstico médico, algo primordial para o tratamento de diversas patologias. Consegui compreender a importância do uso da radiação ionizante para o benefício da coletividade indo muito além do que se lê em livros e se assiste em sala de aula, complementando, portanto toda a teoria vista em estudos e laboratórios. Claro que não pude deixar de notarque a radiologia vai muito além de “apertar botões” como muitos podem pensar e que quando se trata de radiologia existem regras, métodos e técnicas radiológicas, incluindo-se aí a radioproteção, que determinam o conjunto de normas que fazem o uso de tais radiações muito mais seguro para os seres humanos e o meio ambiente. Estagiando, vivenciei na prática situações que encontrarei como profissional da radiologia, deparei-me com métodos que só conhecia na teoria e aprendi como é o funcionamento de um serviço de radiologia na prática, “in loco”, mesmo que o de radiologia convencional, que foi o primeiro método de utilização da radiologia para diagnóstico médico. Encontrei um local para estágio que contava também com um aparelho bastante antigo, algo que muito poucos profissionais recém saídos das faculdades irão encontrar ou ver a não ser em museus e vi como era o trabalho desses profissionais antigamente, indo desde o uso de um aparelho analógico até o uso de revelação manual para manipulação e revelação das películas radiográficas utilizadas para a produção de imagem. Conheci e compreendi o uso das técnicas radiológicas para a visualização de diferentes materiais com diferentes densidades, compreendendo então que para o que se pretende visualizar utiliza-se a técnica adequada. Compreendi também para que serve a radioproteção e a sua importância e como um primeiro passo na minha formação acadêmica, este estágio supervisionado foi deveras enriquecedor, tornando a minha caminhada muito mais 53 promissora, florescendo em mim a vontade então de ir cada vez mais longe na profissão. Desenvolvendo várias atividades sob supervisão de um profissional da área e empenhado em passar adiante seus conhecimentos, vivenciei o dia a dia do profissional da radiologia medica, onde desenvolvi experiência para poder atuar na área e me tornar uma profissional da profissão que escolhi. Alcancei em meu entendimento ao término do estágio que esta etapa concluída contribuiu para minha compreensão sobre os deveres, os direitos e as responsabilidades que incumbem aos profissionais das técnicas radiológicas, acreditando ter alcançado meu intento que era de adquirir conhecimento prática da profissão, o que é a intenção maior do estágio supervisionado. Claro que encontrei obstáculos, tive dificuldades, mas eles estão no caminho para serem transpostos, pois para se alcançar o sucesso profissional há que se ter muito mais do que todo o conhecimento adquirido em livros, tem que se experimentar, viver na prática, há que se “meter a mão na massa” e ir além do saber, pois o bom profissional sabe o que tem para se fazer, tem conhecimento para fazê-lo. Por fim, mesmo encontrando um serviço de radiologia sem a normatização adequada a unidade do campo de estágio mostrou-se bastante valorosa, pois os profissionais que laboram nesta área vêem se às voltas com profissionais despreparados para trabalhar em equipe, mas que como em qualquer ambiente ou situação encontrada com a capacitação adequada toda situação adversa pode ser sanada e espero que isso aconteça na unidade onde completei meu primeiro estágio. Guardarei profundo carinho por todos ao mesmo tempo em que agradeço essa experiência tão valorosa e que muito contribuiu para o meu engrandecimento não só como estudante ou futura profissional das técnicas radiológicas, mas enriqueceu-me como ser humano. 54 REFERÊNCIAS ANVISA. Portaria SVS/MS n° 453, de 1 de junho de 1998 - dispõe sobre o uso dos raios-x diagnósticos em todo território nacional e dá outras providências. Disponível em: <http://www.saude.mg.gov.br/images/documentos/Portaria_453.pdf>. Acesso em: 13 jan. 2015. ARRUDA, Walter Oleschko. 100 anos da descoberta dos raios x. Arq. Neuropsiquiatria. 1996; 54 (3): 525-531. Disponível em: <http:// www. scielo. br/ pdf/ anp/v54n3/27.pdf>. Acesso em 29 jan. 2015. BEZERRA, Andréa G. Posicionamentos do Tórax e Abdome. Artigo publicado no blog Portal Radiologia. Disponível em: <http://radiologia-para- estudantes.blogspot.com.br/search/label/178%29%20POSICIONAMENTOS%20DO %20T%C3%93RAX%20E%20ABDOME>. 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