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0 
 
UNIVERSIDADE PAULISTA 
CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM RADIOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEIDE DAIANE CONCEIÇÃO DE MIRANDA 
 
 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO 
Radiologia Convencional e Odontológica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Brasília / DF 
2015 
1 
 
LEIDE DAIANE CONCEIÇÃO DE MIRANDA 
RA B681AD0 
 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO 
Radiologia Convencional e Odontológica 
 
 
 
 
 
 
 
Relatório de Estágio Supervisionado realizado 
com 150 horas apresentado à Universidade 
Paulista – UNIP como requisito parcial para 
conclusão do curso de Graduação em Tecnologia 
em Radiologia 
 
 
 
 
Orientador: Prof. Glêicio Oliveira Valgas 
 
 
 
 
 
 
 
Brasília / DF 
2015 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“... os que não aprendem a duvidar e a 
criticar serão sempre servos. A 
aceitação passiva das respostas pode 
abortar o desenvolvimento da 
inteligência”. 
 
 
 
 Augusto Cury 
 
3 
 
RESUMO 
 
 
Este relatório reporta-se ao aprendizado e conhecimento adquiridos durante a 
realização na Secretaria Municipal de Saúde de Correntina do estágio curricular 
obrigatório nesta primeira parte de práticas supervisionadas do curso de Graduação 
em Tecnologia em Radiologia realizado na Universidade Paulista e foi realizado com 
o intuito de demonstrar o conhecimento adquirido nesta importante etapa da vida 
acadêmica onde busca-se nesta fase entrelaçar o conhecimento teórico ao prático, 
vivenciando em um ambiente real de trabalho as situações encontradas pelo 
profissional da radiologia aprendendo assim, “in loco” as rotinas, normas e condutas 
para a realização de exames radiológicos com finalidade de diagnóstico, onde foi 
aprendido posições, incidências e técnicas radiológicas com a finalidade de se 
produzir imagens de qualidade para o auxílio diagnóstico valendo-se de 
equipamento de radiação ionizante, onde envolveu-se também métodos de 
radioproteção, parte também relevante deste período de aprendizagem, pois 
verifica-se que a radiologia é mais do que simplesmente produzir imagens para 
diagnóstico, deve se preocupar com os efeitos produzidos/decorrentes pelo uso 
incorreto da radiação ionizante, aprendendo portanto, como manipular um aparelho 
de raios-x para a realização de exames radiológicos convencionais com e sem 
contraste e exames odontológicos, onde ficou evidenciado que este método de 
diagnóstico é uma importante ferramenta de auxílio diagnóstico, sendo ao mesmo 
tempo rápido, acessível, barato, podendo ser utilizado por pessoas dos mais 
diferentes tipos de constituição física. 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras chaves: Estágio. Radiologia. Convencional. Odontológico. Radioproteção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
LISTA DE SIGLAS 
 
ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
BaSO4 – Sulfato de Bário Hidratado 
CEO – Centro de Especialidades Odontológicas 
CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear 
CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde 
CONTER – Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia 
CRTR – Conselho Regional de Técnicos e Tecnólogos em Radiologia 
HMLJA – Hospital Municipal Dr. Lauro Joaquim de Araújo 
IOE – Indivíduo Ocupacionalmente Exposto 
INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social 
NR – Norma Regulamentadora 
PS – Pronto Socorro 
RT – Responsável Técnico 
SATR – Supervisor de Aplicação das Técnicas Radiológicas 
SPR – Supervisor de Proteção Radiológica 
SVS/MS – Serviço de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde 
UNIP – Universidade Paulista 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................... 
2 OBJETIVOS............................................................................................................... 
2.1 Objetivo Geral........................................................................................................ 
2.2 Objetivos Específicos............................................................................................ 
3 CONHECENDO O CAMPO DE ESTÁGIO................................................................. 
3.1 1ª Etapa - Centro de Especialidades Odontológicas.......................................... 
3.1.1 Atividades realizadas no CEO............................................................................ 
3.1.2 Fotografias do Estágio (CEO)........................................................................... 
3.2 Impressões sobre o Estágio no CEO................................................................... 
3.3 2ª Etapa – Hospital Municipal Dr. Lauro J. de Araújo......................................... 
3.3.1 Atividades realizadas no HMLJA........................................................................... 
3.3.2 Fotografias do Estágio (HMLJA)........................................................................... 
3.4 Desenvolvimento de rotina para radiografias de tórax ..................................... 
3.4.1 Rotina desenvolvida........................................................................................ 
3.5 Impressões sobre o Estágio no HMLJA............................................................... 
4 ANÁLISE TÉCNICA SOBRE O CAMPO DE ESTÁGIO........................................... 
5 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E TEÓRICA: REVISÃO DE LITERATURA................. 
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................ 
REFERÊNCIAS.............................................................................................................. 
ANEXOS................................................................................................................... 
APÊNDICES............................................................................................................ 
PLANILHAS DE AVALIAÇÃO...................................................................................... 
 
 
 
 
 
 6 
 9 
 9 
 9 
10 
10 
17 
18 
19 
20 
33 
34 
39 
39 
44 
47 
49 
52 
54 
57 
63 
67 
 
 
6 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A apresentação do presente relatório de estágio curricular obrigatório tem a 
intenção de demonstrar a prática vivenciada em um ambiente real de trabalho, onde 
são realizados diariamente exames radiográficos, valendo-se da utilização de 
radiação ionizante para a realização dos mesmos. 
Sabe-se que o estágio em campo é uma importante etapa da vida acadêmica 
para a formação do profissional das técnicas radiológicas e que somente com a 
vivência na prática de situações reais é que se consegue formar um profissional com 
qualidade, preparado para o ingresso no mercado de trabalho e para o exercício 
efetivo da profissão escolhida e é durante este período que se dirimem as dúvidas 
que porventura possam existir, podendo assim entrelaçar o conhecimento teórico ao 
prático ampliando assim o conhecimento acadêmico-científico. 
A metodologia utilizada durante o estágio curricular obrigatório foi a 
qualitativa, visto que foi revisada ampla literatura antes de imergir no campo de 
estágio propriamente dito aliada a pesquisa documental e pesquisa de campo onde 
levantou-se dados relevantes para o projeto de estágio, vindo a exemplificar 
detalhadamente o campo de estágio e como foi o aproveitamento do mesmo, 
finalizando com a realização na prática de exames radiográficos sob supervisão de 
profissional habilitado e devidamente inscrito no Conselho Regional de Técnicos e 
Tecnólogos em Radiologia (CRTR). 
Este relatório visa demonstrar o conhecimento adquirido durante a realização 
do estágio obrigatório não somente do uso das técnicas radiológicas para realização 
de exames, mas também como se geram as imagens dos exames realizados, como 
são revelados os filmes planos radiológicos, e como são tratados os rejeitos 
radiológicos provenientesde revelações de películas e filmes perdidos por algum 
motivo, além é claro, de tratar também do tema radioproteção, visto que os 
profissionais das técnicas radiológicas não são somente as pessoas que realizam os 
exames em si, eles devem estar atentos às normas existentes para sua própria 
proteção, visto que ele é um indivíduo ocupacionalmente exposto à radiação 
ionizante, mas também há que se preocupar com a exposição dos usuários do 
7 
 
serviço, além de toda a comunidade de um modo geral, visto que o descarte 
inadequado dos rejeitos reflete no meio ambiente. 
Para melhor compreensão este relatório foi dividido em 6 partes, sendo a 
primeira a introdução, a parte atual, onde se dá a apresentação inicial do relatório, 
quais os métodos utilizados para a realização do referido estágio, evidenciando 
assim quais os objetivos se almejam. 
Destarte, evidentemente a segundo parte deste relatório relata os objetivos 
deste estágio curricular obrigatório, incluindo o objetivo geral que é a finalidade 
maior desta etapa, exemplificando então os objetivos específicos que em conjunto 
vão tornar possível o intento maior que é a formação profissional. 
Na terceira parte o tópico se referirá ao campo de estágio propriamente dito, 
será relatado localização, estrutura física, equipamentos, filmes e químicos 
utilizados, condição geral do ambiente e adequação, além de relatar como foi o 
estágio, as atividades executadas, inclusive com imagens e fotografias, interação 
com a equipe, onde analisar-se-á de forma crítica a postura dos profissionais da 
unidade, as rotinas, os métodos de radioproteção e controle de qualidade além de 
descrever a impressão geral da(s) unidade(s) e métodos utilizados. 
Para alcance da terceira parte será feita uma análise crítica do funcionamento 
da unidade com descrição dos problemas encontrados, sejam em nível de 
profissionais, gerenciamento ou controle de qualidade da unidade de estágio. 
Como endosso, na quarta parte será feita uma análise técnica da unidade, 
onde a intenção não será somente apontar erros, mas indicar possíveis soluções ou 
correções onde elas caibam, valendo-se para tal intento de argumentos 
fundamentados. 
Na quinta parte para alicerçar o tópico anterior, será feita revisão de literatura 
específica, procurando assim encontrar fundamentação para o estágio prático aliado 
aos estudos já realizados sobre as técnicas radiológicas, sobre radioproteção e se 
orientando também em legislação específica sobre o assunto, aplicando então 
conceitos já existentes sobre o tema. 
Nas considerações finais, a sexta parte, serão tecidos comentários sobre as 
impressões encontradas no campo de estágio, finalizando com possíveis 
8 
 
contribuições para a melhoria do funcionamento do serviço, além de se apresentar 
as considerações pessoais do estagiário em relação à vivência do estágio curricular 
supervisionado. 
Finalizando este capítulo, ainda que não descrito anteriormente como parte 
do relatório de estágio curricular obrigatório, há que se ressaltar que o presente será 
enriquecido com elementos como anexos e apêndices relativos à realização do 
referido estágio onde se apresentarão situações vivenciadas e documentação 
pertinente à realização do mesmo, como planilhas de avaliação e carga horária 
cumprida, além de treinamento realizado antes da realização do referido estágio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
2 OBJETIVOS 
 
2.1 Objetivo Geral 
 
Capacitar o estudante para a correta utilização das técnicas radiológicas para 
a realização de exames de radiodiagnóstico, utilizando-se para tanto de aparelhos 
de Raios-X convencional e odontológico, observando as normas de segurança e de 
radioproteção, preparando-se para a futura vida profissional. 
 
2.2 Objetivos específicos 
 
 Conhecer uma unidade de radiodiagnóstico; 
 Conhecer normas e rotinas de funcionamento; 
 Receber o paciente para a realização do exame; 
 Interagir com o paciente; 
 Interagir com a equipe de forma multiprofissional; 
 Fazer anotações em livros próprios; 
 Reportar-se ao orientador e ao supervisor de estágio para dissolução de 
dúvidas existentes; 
 Orientar e posicionar o paciente para a realização do exame; 
 Manipular aparelhos de emissão de radiação ionizante sob supervisão; 
 Aplicar as técnicas radiológicas adequadas para a realização do 
procedimento; 
 Realizar a revelação dos filmes em processadoras automáticas ou manuais; 
 Realizar condutas dentro do projeto de radioproteção proposto; 
 Realizar o estágio com postura aberta a novos conhecimentos, mas com 
visão crítica em relação à possíveis erros detectados. 
 
 
10 
 
3 CONHECENDO O CAMPO DE ESTÁGIO 
 
O estágio realizado foi dividido em duas etapas, sendo a primeira semana 
relativa à realização das atividades em um Centro de Especialidades Odontológicas 
(CEO) encontrado em uma unidade de saúde designada Centro de Saúde José 
Mendonça (CS II) e quanto à segunda parte do estágio, quatro semanas, o mesmo 
foi realizado em uma unidade hospitalar de nome Hospital Municipal Dr. Lauro 
Joaquim de Araújo (HMLJA), onde se realizam exames radiológicos convencionais 
(raios-x) com e sem aplicação de rádio-fármacos. 
O estágio foi realizado de forma a se contemplar 30 horas semanais conforme 
disposto na Lei 11.788/2008 no Capítulo IV, Artigo 10, Inciso II, que diz: 
 
Artigo 10. A jornada de atividade em estágio será 
definida de comum acordo entre a instituição de 
ensino, a parte concedente e o aluno estagiário ou 
seu representante legal, devendo constar do termo 
de compromisso ser compatível com as atividades 
escolares e não ultrapassar: 
[...] 
II – 6 (seis) horas diárias e 30 (trinta) horas 
semanais, no caso de estudantes do ensino 
superior, da educação profissional de nível 
médio e do ensino médio regular. (BRASIL, 
2008, n.p. Grifo nosso). 
 
 
Assim sendo, o estágio de cinco semanas, foi dividido entre radiologia 
odontológica, realizada na primeira semana em um CEO, ficando as quatro semanas 
consecutivas para a realização do estágio curricular em radiologia convencional em 
uma unidade hospitalar, somando-se assim ao final uma carga de 150 horas de 
estágio curricular obrigatório. 
 
3.1 1ª Etapa - Centro de Especialidades Odontológicas 
 
Ao chegar ao campo de estágio em meu primeiro dia, encontrei-me com o 
11 
 
profissional das técnicas radiológicas que iria ser meu supervisor de campo ao qual 
me recebeu com simpatia e veio me apresentar à equipe e ambientar-me com a sala 
de procedimentos realizados na unidade. 
O CEO encontra-se alocada dentro de uma unidade de atenção básica de 
porte I ao qual presta serviços à comunidade como exame laboratorial, atendimento 
de fisioterapia, além é claro dos serviços odontológicos, implantados na unidade 
pelo programa federal Brasil Sorridente (Fig. 1). 
 
Figura 1 – Unidade de Radiologia CEO 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
A unidade de porte considerável possui recepção com bancos de espera, 03 
consultórios odontológicos, 02 salas de fisioterapia, um laboratório para exames de 
rotina e de emergência, além de sala de expurgo, sala de coleta de materiais, sala 
para arquivo e digitação de resultados, sala de agendamentos, sala da 
administração, copa, cozinha, sala de esterilização e obviamente uma sala de 
exames radiológicos odontológicos. 
No total a unidade conta com 06 odontólogos que se revezam em turnos 
matutino e vespertino, 02 fisioterapeutas, 03 técnicas em laboratório, 03 auxiliares 
12 
 
de higiene dental, 02 biomédicos, 04 auxiliares de manutenção, copeira, uma 
diretora administrativa e o técnico em radiologia. 
Inicialmente o técnico em radiologia mostrou-me o aparelho de raios-x 
odontológicos da unidade, demonstrando como inicializar seu funcionamento e como 
se dava a revelação dos filmes utilizados no exame, onde a revelação é feita de 
forma manualem uma câmara escura portátil (Figs. 2 e 3). 
 
 Figura 2 – Aparelho Raios-X Odontológico Figura 3 – Câmara escura portátil 
 
 Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
O aparelho de raios-x da unidade é um aparelho da marca GNATUS, modelo 
do tipo 70E Timex Parede (Fig. 4), aparelho leve, portátil de fácil manipulação com 
caixa de comando digital e em auto-relevo (FIg. 5). 
Posteriormente fui orientada como proceder no procedimento de revelação 
dos filmes radiográficos dos exames realizados, onde foi aberta a câmara escura 
portátil e pude ver o sistema de revelação como é feito, onde há três 
compartimentos, na sequência da esquerda para a direita contendo as químicas e a 
água para a lavagem, onde ficam nesta ordem: revelador, água, fixador (Figs. 6 e 7). 
13 
 
Figura 4 – Aparelho GNATUS Figura 5 – Caixa de comando 
 
 Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
 
Figura 6 – Sistema de revelação Figura 7 – Químicos 
 
 Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 
 
Confesso que fiquei bastante ansiosa para realizar meu primeiro exame 
radiológico sob orientação supervisionada, pois este é o momento mais esperado 
durante a realização do curso, é a aplicação de toda teoria que você já estudou 
14 
 
sendo utilizada na prática, onde se vê o resultado do seu trabalho quase que 
imediatamente. 
Antes, porém conheci como são os filmes radiográficos utilizados na unidade. 
São filmes de tamanho 22 x 35 mm, fui informada que existiam outros tamanhos de 
filme, porém na unidade só havia este tipo de filme (Fig. 8 e 8.1). 
 
 Figura 8 – Filme da unidade Figura 8.1 – Filmes radiográficos intra-orais 
 
 Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Biasoli Jr. p. 12 
 
 
Ao ambientar-me com a unidade e passado o primeiro deslumbramento, 
atentei-me às condições técnicas da unidade, utilizando deste modo uma visão 
crítica em relação ao campo de estágio, então percebi que a unidade continha 
somente um avental plumbífero (Fig. 9), ao qual o técnico ou o odontológo que 
estivessem realizando o exame deveriam utilizar expondo assim 
desnecessariamente o paciente à radiação ionizante, além de que a sala de exames 
não continha sinalizações de alerta evidenciando assim a falta de proteção 
radiológica como indicado na Portaria ANVISA 453/98 e na NR 32 (Fig. 10). 
 
 
 
15 
 
 Figura 9 – Avental plumbífero (único) Figura 10 – Ausência de Sinalização 
 
 Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 
 
Seguindo as orientações contidas no tópico Dicas para o Inicio do Estágio da 
cartilha que recebi do professor orientador Gleicio Oliveira, não fiz comentários ou 
questionei com o supervisor de campo ou o odontólogo, deixando assim para relatar 
tal fato neste trabalho e posteriormente sanando dúvidas na unidade de ensino. 
 
Preste muita atenção no técnico e nos estagiários 
mais antigos. Mesmo que não concorde com as 
suas colocações você não deve questioná-los. A 
forma mais adequada é fazer uma analise do 
ocorrido é colocar nos relatórios, embasando-se 
nas nossas bibliografias. Desta forma poderemos 
dar um retorno, mas adequado e dirimir as suas 
duvidas. (PROF. GLÊICIO, 2015). 
 
Dando seguimento ao estágio supervisionado obrigatório percebi que às 
vezes o técnico em radiologia se ausentava da sala e o próprio odontólogo realizava 
o exame radiológico, o mesmo alegou a portaria 453/98 da ANVISA, confesso que 
fiquei um pouco receosa, pois tanto a Lei 7.394/85, quando o Decreto 92.790/86, 
ambos em seu 10º artigo trazem o texto: “Art . 10. Os trabalhos de supervisão da 
aplicação de técnicas em radiologia, em seus respectivos setores, são da 
competência do Técnico em Radiologia.” (BRASIL, 1985, 1986), porém 
16 
 
posteriormente verifiquei e detectei no tópico 3.32 e 3.33, onde percebi inclusive que 
no mesmo item no inciso B havia resguardo para que eu própria realizasse também 
o exame radiológico. 
 
QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL 
3.32 Nenhum indivíduo pode administrar, 
intencionalmente, radiações ionizantes em seres 
humanos a menos que: 
a) Tal indivíduo seja um médico ou odontólogo 
qualificado para a práti ca, ou que seja um técnico, 
enfermeiro ou outro profissional de saúde treinado 
e que esteja sob a supervisão de um médico ou 
odontólogo. 
b) Possua certificação de qualificação que 
inclua os aspectos proteção radiológica, 
exceto para indivíduos que estejam realizando 
treinamentos autorizados. 
3.33 Para responder pela solicitação ou prescrição 
de um procedimento radiológico é necessário 
possuir formação em medicina ou odontologia, no 
caso de radiologia odontológica. (ANVISA, 1998, 
n.p. Grifo nosso). 
 
Por fim o meu primeiro dia resumiu-se a observar como os exames eram 
realizados, como os filmes eram revelados e as técnicas utilizadas, além dos 
posicionamentos. Fiquei também conhecendo o modelo de solicitação de exames 
radiográficos utilizados na unidade, onde me atentei que na unidade somente 
realizavam-se os exames radiológicos chamados periapicais que são indicado para 
estudos individuais ou de grupos de dentes, proporcionando através de uma imagem 
bi-dimensional uma visão da anatomia dentária e das estruturas que circundam o 
dente. (FENELON, 2014). 
 
Figura 11 – Radiografia periapical 
 
Fonte: Google imagens 
17 
 
Ao final do primeiro dia de estágio, já havia me adaptado ao ambiente, houve 
boa receptividade por parte de toda a equipe, e com a perspectiva de eu própria 
realizar a manipulação do aparelho, posicionar o paciente, realizar a técnica 
radiológica adequada e em seguida revelar a radiografia, foi um momento de grande 
ansiedade para que o próximo dia de estágio logo viesse por chegar para tal 
momento. 
 
3.1.1 Atividades realizadas no CEO 
 
 Data Hora 
Entrada 
Hora 
Saída 
Total 
de 
horas 
 Atividades desenvolvidas 
05/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 
horas 
Conhecendo a unidade, o 
equipamento, método de revelação e 
funcionamento do aparelho. 
06/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 
horas 
Limpeza do equipamento, anotação 
em livro próprio, revelação da 
primeira radiografia. 
07/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 
horas 
Posicionamento do paciente, ligando 
o aparelho, acompanhando a 
realização do exame, revelação de 
radiografias. 
08/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 
horas 
Realização do primeiro procedimento 
de utilização do aparelho, ao qual fiz 
meu primeiro exame radiográfico 
acompanhada. 
09/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 
horas 
Utilização de técnicas radiológicas 
para exame radiográfico, 
manipulação do aparelho, 
posicionamento do paciente, preparo 
da carga e disparo no equipamento, 
toda conduta feita sozinha, sendo 
observada. (várias vezes). 
Revelação manual. 
 
 
18 
 
3.1.2 Fotografias do Estágio (CEO) 
 
A seguir demonstrarei através de imagens parte do estágio curricular 
obrigatório realizado no CEO, onde tive meu primeiro contato com um equipamento 
de radiodiagnóstico, conheci o método de revelação realizado na unidade, além de 
realizar meu primeiro procedimento valendo-se das técnicas radiológicas. 
Um momento emocionante na vida de qualquer estudante e que se projeta 
para o mesmo entusiasmo no exercício da futura profissão. 
 
 Figura 12 – Preparo da técnica Figura 13 – Posicionamento do paciente 
 
 Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
 
 Figura 14 – Realização do disparo Figura 15 – Revelação ManualFonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
3.2 Impressões sobre o Estágio no CEO 
 
A primeira a impressão é de que o serviço de radiologia da unidade deixa a 
desejar no quesito radioproteção e controle de qualidade. Não há também uso de 
dosímetros pelos profissionais que operam o aparelho de radiografias, visto que 
tanto o técnico em radiologia quanto o odontólogo quando em uso do aparelho não 
foi verificado o uso do dosímetro. 
Também não há sinalizações de sala de raios-x (luminoso ou letreiro), quase 
sempre a auxiliar do odontologista encontra-se na sala durante a realização dos 
exames sem vestimenta adequada (avental plumbífero), visto que o número deste 
equipamento é insuficiente para o serviço a proteção radiológica na unidade então é 
nulo o que é extremamente grave, considerando-se que “uma desvantagem 
apontada aos métodos de diagnóstico com raios X é a dose de radiação ionizante 
recebida por pacientes e trabalhadores”. (LIMA, 2009, p. 5). 
20 
 
O serviço também não apresenta a figura do Supervisor de Proteção 
Radiológica ou do Supervisor de Aplicação das Técnicas Radiológicas, tais fatos 
contrariam a Portaria SVS/MS 453/98, assim como a situação descrita 
anteriormente, além da NR 32 e Resolução 11/11 do Conselho Nacional dos 
Técnicos em Radiologia (CONTER), o que consta é que se atende somente ao 
tópico 3.34 da portaria 453 que diz que “para responder pela função de RT é 
necessário possuir: a) Formação em medicina, ou odontologia, no caso de radiologia 
odontológica”. (BRASIL, 1998). 
A sala de procedimentos não é baritada (revestida de argamassa de barita), 
material utilizado porque tem agregado um minério de alta densidade (barita) ou 
sulfato de bário hidratado (BaSO4) prestando-se à proteção radiológica, o que 
também demonstra estar fora das normas para radioproteção (NPR, 2014). 
Quando aos resíduos de radiografias inutilizadas, filmes velados, químicas 
vencidas, não me foi apresentada a destinação final de tais produtos, não se tendo 
visto na unidade sala de recolhimento adequado para esses materiais. 
Quanto à estrutura em si, equipamento e sistema de revelação as mesmas se 
apresentaram aparentemente satisfatórias a que se propõe que é a realização de 
exames radiológicos simples, com imagens satisfatórias, o serviço realmente peca 
por não contar com um programa de radioproteção ou mesmo prevenção de riscos 
ambientais. 
 
3.3 2ª Etapa – Hospital Municipal Dr. Lauro J. de Araújo 
 
Na segunda semana do estágio supervisionado, apresentei-me na unidade 
HMLJA, hospital público de porte I contendo cerca de 40 leitos, com leitos para 
internações na área de cirurgia geral (6), clínica geral (6), Unidade de isolamento (1), 
obstetrícia clínica e cirúrgica (15) e pediatria (8), além de contar com leitos de 
observação e pronto socorro (Fig. 16). 
 
 
21 
 
Figura 16 – CNES HMLJA 
 
Disponível em: 
http://cnes.datasus.gov.br/Exibe_Ficha_Estabelecimento.asp?VCo_Unidade=2909302801574 
 
 
 
Situado estrategicamente à Avenida Tancredo Neves, Setor Colina Azul em 
uma avenida que é estendida à BR-324, na saída da cidade, onde obrigatoriamente 
trafega todo o fluxo de veículos que atravessa o município, facilitando, até 
mesmo, o atendimento em situações de emergências, como acidentes de 
trânsito que é uma ocorrência bastante comum na unidade (1). 
Há em seu quadro funcional 128 funcionários efetivos das mais diferentes 
áreas que vão de serviço de higiene hospitalar, passando por profissionais técnicos 
em saúde e cerca de, 22 prestadores de serviços, em sua maioria médicos (1). 
Desta vez já menos ansiosa, fui novamente recepcionada pelo técnico de 
radiologia do serviço onde novamente percebi a mesma receptividade, interesse em 
dividir as experiências e os conhecimentos 
_____________________ 
(1) Conteúdo adaptado do PIM V G-Rh – Acadêmico Emilio José de O. Queiroz 
http://cnes.datasus.gov.br/Exibe_Ficha_Estabelecimento.asp?VCo_Unidade=2909302801574
22 
 
Fui conduzida à sala do serviço de radiologia da unidade, onde pude perceber 
que a sala apresenta boas condições e dimensionamento (37,5 m2) para o 
atendimento individual a que se propõe (Fig. 17) dispondo em anexo uma câmara 
escura com processadora automática para revelações de filmes radiográficos (8,75 
m2) e possui também um tanque de 13 lts para revelações manuais caso necessário 
por algum problema na processadora, a câmara escura dispõe de luz vermelha de 
segurança, exaustor de ar e pia com torneira conforme recomendado na portaria 453 
e NR 32 e a sala de exames dispõe de sinalização luminosa e letreiros na entrada 
conforme orientam as referidas portaria e NR citadas (Figs. 18, 19, 20 e 21). 
 
Figura 17 – Conhecendo a sala de exames 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
 
23 
 
 Figura 18 – Entrada da Sala de Raios-X Figura 19 - Aparelho de 500 mA, mural e mesa bucky 
 
 
 Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
 
 Figura 20 - Processadora automática de filmes Figura 21 - Luz de segurança e exaustor de ar 
 
 Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 
24 
 
Iniciadas as atividades do estágio, fiquei conhecendo o funcionamento da 
processadora, como ela funciona e como se faz também a revelação manual, 
princípio que já havia sido visto durante o estágio em radiologia odontológica, pois 
os filmes são imersos na química na mesma sequência de revelador, água, fixador e 
nova lavagem em água para retirada do excesso de produtos químicos. 
Foi demonstrada a parte interna da processadora e como se dá a limpeza e 
troca das químicas (Fig. 22), além de ficar conhecendo os tipos e tamanhos de 
filmes utilizados para cada exame. 
A processadora é da marca Macrotec, com velocidade de revelação 
controlada, também com termostato de controle para aquecimento adequado das 
químicas utilizadas na revelação. A troca dos produtos é feita de forma automática, 
controlando a entrada ou saída dos produtos de forma automática, sem a 
necessidade de manipular estes produtos. 
Aprendi como revelar manualmente uma radiografia em um tanque próprio, 
procedimento em que se demora mais para se ter o exame pronto, visto que a 
secagem é feita de forma espontânea, pendurando-se as colgaduras que seguram o 
filme individualmente para imersão nas químicas e aguardando secagem que dura 
cerca de 20 minutos, o que se fosse rotina seria extremamente demorado para a 
dispensação dos exames realizados (Fig. 23). 
 Figura 22 – Processadora por dentro Figura 23 – Revelação Manual 
 
 Fonte: Elaborado pela autora Fonte: Elaborado pela autora 
25 
 
Na sala do serviço de radiologia encontra-se em utilização, avental plumbífero 
(02 unidades), protetor de tireóide, aparelho de raios-X de 500 mA com colimador, 
mural bucky e mesa bucky com gavetas em bom estado e funcionando sem 
problemas, cabine de proteção com vidro plumbífero para disparos, painel de 
controle com tabela padrão conforme indicado na Portaria 453 SVS/MS, tanques 
para armazenamento dos químicos que posteriormente são recolhidos para a devida 
e correta destinação por empresa especializada, que também recolhe as 
radiografias veladas, de má qualidade ou expostas acidentalmente à luz. 
Na sala de exames também tem um negatoscópio para visualização das 
radiografias depois de reveladas para se conferir a qualidade das mesmas para só 
então dispensar ao paciente. 
O aparelho da unidade é um conjunto radiológico marca SHR modelo SH 500 
F com variação de 100 a 500 mA, com mesa e mural bucky, cabine de disparo 
baritada e toda a sala também é revestida de argamassa de barita, além de proteção 
de chumbo nas portas,tornando assim a sala adequada para a realização dos 
exames. 
O serviço funciona com 03 técnicos em radiologia que se alternam em turnos 
de 04 ou 06 horas conforme a escala ou dia da semana, ficando o serviço noturno a 
cargo de sobreaviso, sendo necessário chama-se o técnico para a realização do 
exame. 
A unidade possui contrato de dosimetria e os dosímetros são em número 
suficiente para todos os profissionais do setor (Figs. 24 e 25), além de todo efetivo 
para radioproteção, como dito anteriormente com aventais plumbíferos, protetor de 
tireóide, sala baritada, portas adequadas, contando não somente com avisos 
externos, como internos para orientação dos usuários do serviço (Figs. 26 e 27). 
Os filmes utilizados na unidade são os filmes: 
 18 x 24 cm 
 24 x 30 cm 
 30 x 40 cm 
 35 x 35 cm 
 35 x 42 cm 
26 
 
Figura 24 – Relatório de dosimetria 
 
 
Figura 26 – Radioproteção 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
Fonte: Elaborado pela autora 
 Figura 25 – Dosímetros termoluminescentes 
 Fonte: ProRad Consultores S/S Ltda / Dir. Admist. HMLJA 
 
27 
 
Figura 27 – Sinalização de segurança externa e interna 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
Não se pode deixar de mencionar neste tópico que fiquei conhecendo os 
diversos tipos e tamanhos de chassis e a quais regiões e tipos de exames os 
mesmos se destinam, ao mesmo tempo em que fui orientada do funcionamento e 
acionamento da mesa e mural bucky, como se introduz o chassi na gaveta, como 
centralizar o foco do aparelho e a colimação, além da importância do colimador visto 
que o mesmo diminui a incidência da radiação emitida, diminuindo, portanto a carga 
a qual o indivíduo será exposto. 
Fiquei conhecendo também um modelo de aparelho de raios-x bastante 
antigo, segundo o técnico do serviço o aparelho deveria ter mais de 25 anos, porém 
ainda estava em funcionamento e operando perfeitamente, pois segundo o próprio o 
equipamento havia passado por uma manutenção e trocado o foco em cone por um 
 
 
 
 
 
 
 
28 
 
colimador, viabilizando assim seu uso, é um aparelho portátil da marca SH, modelo 
SH 30, com 30 mA, que quando se precisa ir em uma enfermaria com paciente 
acamado sem condições de locomoção, no centro cirúrgico ou na unidade de pronto 
socorro quando em caso de acidentes o mesmo é transportado e é realizado o 
exame radiográfico, agilizando assim o atendimento (Fig. 28). 
 
Figura 28 – Aparelho portátil de 30 mA 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
 
Depois de conhecer todo o funcionamento da unidade comecei então o 
estágio na prática, onde comecei com as anotações, com cálculos de potências, 
sempre se orientando pela tabela existente no equipamento e posteriormente 
fazendo as revelações na processadora automática na câmara escura, reposição de 
filmes nos chassis, até que no terceiro dia no segundo campo de estágio iniciei a 
realização de todo o procedimento de aplicação das técnicas radiológicas. Fui 
autorizada à atender o paciente desde o início, foi quando recebi a solicitação, 
anotei em livro próprio, posicionei o paciente, posicionei o equipamento, utilizei o 
colimador para delimitar a área, fui para a câmara de disparo e realizei o disparo, 
fazendo uma radiografia de mão em duas incidências (PA + Perfil), passei o filme 
pelo passa chassis, recebi na câmara escura, retirei o filme do chassis, fiz a 
revelação, repus o filme no chassi vazio, conferi a qualidade da revelação no 
29 
 
negatoscópio e finalmente dispensei o exame para o paciente. Todo o procedimento 
foi feito sob supervisão direta do técnico responsável pelo serviço no momento (Figs. 
28, 29, 30 e 31). . 
Figura 28 – Realização da conduta e procedimento 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 Figura 29 – Realização da conduta e procedimento 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
30 
 
 
 Figura 30 – Realização da conduta e procedimento 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: Elaborado pela autora 
 
 Figura 31 – Realização da conduta e procedimento 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
31 
 
 
Foi também realizado um ensaio com emissão de radiação ionizante em 
diversos tipos de materiais para verificação de como a radiação penetra em 
diferentes densidades, comprovando que a técnica radiológica a ser utilizada varia e 
depende de que tipo de imagem se deseja produzir (Fig. 32). 
 
Figura 32 – Ensaio com emissão de radiação em diferentes materiais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Emilio José de Oliveira Queiroz – CRTR 5642T 
 
 
Este ensaio realizado com o acompanhamento do supervisor de campo foi 
bastante esclarecedor, pois foi verificado na prática como a radiação produz 
imagens a partir de diferentes materiais com diferentes densidades, sendo utilizados 
dois balonetes com água, tendo um balonete um ponto metal dentro para se 
verificar, um cubo de madeira, um cubo de gesso, um tubo de plástico e uma lâmina 
de bisturi (metal). 
Foi notado que a técnica radiológica a ser utilizada vai depender do que se 
deseja observar na imagem e que a nitidez varia de acordo com a densidade do 
material a ser observado, além da espessura, sendo verificado o que é 
radiopacidade e radiolucidez. 
 
32 
 
O supervisor de campo demonstrou também como produzir uma identificação 
em uma radiografia sem o uso de marcadores de chumbo, algo extremamente 
primário, mas com eficácia, pois se escrevendo em um pedaço de papel o que se 
deseja identificar com caneta esferográfica comum e com tinta preta e se colocando 
dentro do chassi na área em que será emitida a radiação ionizante, após a revelação 
nota-se que a radiação passou pouco pela tinta da esferográfica, pois a mesma 
segundo explicação do supervisor apresenta em sua composição chumbo para 
fixação da pigmentação da cor no papel ficando então gravada na “chapa”, 
identificando assim a radiografia sem o uso de marcadores de chumbo (Fig. 33). 
 
Figura 33 – Identificação na radiografia com papel e caneta esferográfica preta 
 
Fonte: Emilio José de Oliveira Queiroz – CRTR 5642T 
 
 
O estágio demonstrou que onde não há técnicas de revelação digital como 
em grandes hospitais ou grandes centros, os profissionais aprendem ou criam 
técnicas que tornam o serviço eficiente dentro do que se propõe, pois em 
determinados locais como o INSS, por exemplo, só são aceitas radiografias com 
identificação impressa na “chapa” 
 
 
 
33 
 
3.3.1 Atividades realizadas no HMLJA 
 
 Data Horário 
Entrada 
Horário 
Saída 
Total de 
horas 
Atividades desenvolvidas 
 
 
12/01/2015 
 
 
07:00 h 
 
 
13:00 h 
 
 
06 horas 
Conhecendo a unidade, o equipamento, 
funcionamento da processadora, anotações, 
reposição de filmes nos chassis, conhecendo 
tipos de filmes, rotinas da unidade 
 
 
13/01/2015 
 
 
07:00 h 
 
 
13:00 h 
 
 
06 horas 
Aprendendo a fazer limpeza no equipamento, 
entendendo o funcionamento das gavetas, 
mural e mesa bucky, anotações, revelando um 
filme, ensaio com emissão de radiação em 
diferentes tipos de materiais 
 
 
 
14/01/2015 
 
 
 
07:00 h 
 
 
 
13:00 h 
 
 
 
06 horas 
Realizado o 1º exame sob supervisão, realizei 
a recepção do paciente, posicionei, colimei o 
aparelho, realizei o disparo, recebi o chassi, 
revelei, entreguei ao paciente após conferir 
qualidade da imagem, anotações 
15/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Participando efetivamente da rotina da 
unidade, realizando exames sob supervisão 
(radiografias diversas) 
16/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Avaliação do ambiente, assumindo rotina, 
realizando exames diversosem diversas 
incidências, limpeza e manutenção do 
equipamento 
19/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Elaborando rotina para exames de raios-x de 
tórax, assumindo a unidade sob supervisão, 
realizando exames diversos 
20/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Acompanhando administração de rádio-
fármacos para exame contrastado 
(uretrocistografia), revelação, entrega de 
exames 
21/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Realizando exames em aparelho portátil em 
paciente acidentado na sala de emergência, 
manipulação de equipamento, paciente e 
orientação (sob supervisão) 
22/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Assumindo a rotina, fazendo radiografias 
diversas em várias incidências, feita 
radiografia de seios da face com utilização de 
cone de limitação de dose para melhorar a 
imagem, revelações, 
23/01/2015 07:00 h 13:00 h 06 horas Integração total com o ambiente, assimilação 
da rotina, domínio parcial das técnicas, 
segurança para realização de exames, limpeza 
do equipamento, troca das químicas da 
processadora após limpeza 
 
 
34 
 
3.3.2 Fotografias(2) do Estágio (HMLJA) 
 
A seguir demonstrarei através de fotografias, parte do estágio em radiologia 
convencional, onde conheci como se produz imagens radiográficas utilizando-se de 
técnicas diversas, inclusive conhecendo um aparelho bastante antigo, algo que em 
grandes centros provavelmente nenhum profissional da radiologia recém formado 
viu ou irá ver. 
 
 
 
 
____________________ 
(2) Todas as imagens foram elaboras pela autora durante o estágio 
35 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
____________________ 
(2) Todas as imagens foram elaboras pela autora durante o estágio 
36 
 
 
 
 
 
 
 
____________________ 
(2) Todas as imagens foram elaboras pela autora durante o estágio 
 
37 
 
 
 
 
 
 
 
 
____________________ 
(2) Todas as imagens foram elaboras pela autora durante o estágio 
 
 
38 
 
 
 
 
 
 
 
____________________ 
(2) Todas as imagens foram elaboras pela autora durante o estágio 
39 
 
3.4 Desenvolvimento de rotina para radiografias de tórax 
 
 
Durante o estágio, percebeu-se que depois das radiografias solicitadas por 
traumas diversos foi constatado que o maior número de radiografias solicitadas 
foram radiografias do tórax e por esse motivo descreveremos como rotina o 
atendimento a este tipo de exame. 
 
3.4.1 Rotina desenvolvida 
 
Bezerra (2014) descreve como rotina de tórax a rotina ambulatorial, onde 
“geralmente o paciente fica em posição ortostática e deambulando, em posição ereta 
em perfil e PA e a rotina de paciente acamados ou sem locomoção como em 
traumas, encontrando-se, portanto em dificuldade ou impossibilidade de movimentos 
por exemplo, ficando geralmente em decúbito dorsal com o raio central tendo que 
entrar anteriormente e saindo posteriormente (AP). 
Segundo Prenda (2012) “o biotipo exige uma consideração especial na 
radiografia de tórax, para posicionamento do chassis no bucky mural e/ou mesa”, 
conforme demonstrado na figura 34 
 
Figura 34 – Posicionamento do chassis 
 
Fonte: Prenda, 2012. 
40 
 
Logo sabendo-se a posição do chassi no mural ou mesa bucky ou quando 
feita a radiografia no leito ou cadeira, verificamos a instruções a serem passadas 
para o paciente para uma melhor realização do exame(3): 
 Instrução para a respiração no momento do exame, visto que qualquer 
movimento torácico ou pulmonar pode resultar em borramento da imagem; 
 Instrução para manter apnéia na hora do disparo. 
 
Quanto à posição dos marcadores no filme: 
 Paciente em ortostática = numerador fica no canto superior direito. 
 Paciente sentado = numerador fica no canto lateral direito. 
 Paciente em decúbito = numerador fica no canto inferior direito. 
 
Filmes utilizados: 
 Filmes do tamanho 35 x 43 para homens, 35 x 35 para mulheres e filmes 18 x 24 
para crianças. 
 
Destarte, sabendo-se os filmes, posições e rotina pré-estabelecidas, inicia-se 
o atendimento ao usuário, onde se chegando à unidade de atendimendo, verifica-se 
as solicitações existentes, confere-se os diferenciais do pedido como solicitação de 
rotina, paciente internado, paciente com trauma, possibilidade de locomoção além 
de fatores como idade ou patologia se for o caso. 
Cumprida esta primeira etapa, dar-se-á inícios aos procedimentos de 
realização dos exames solicitados, onde como exemplo citaremos na unidade que 
quando estávamos por iniciar as atividades deparamo-nos com alguns pacientes de 
rotina para fazer o exame dentre deles uma senhora idosa com dificuldade de 
_____________________ 
(3) Adaptado de Bezerra (2014), artigo publicado no blog radiologia para estudantes 
41 
 
locomoção devido a sequela de AVC, onde a mesma foi selecionada como a 
primeira a ser feito o exame, avisando aos demais usuários do serviço por qual 
motivo a estávamos colocando como primeira paciente a ser realizado o 
procedimento. 
Em seguida anotando a solicitação em livro próprio, adentramos com a 
paciente na sala de exames, orientando aos familiares que aguardassem do lado de 
fora da sala durante a realização do exame conforme disposto nas normas de 
radioproteção. 
O exame teve que ser realizado com a paciente sentada em uma cadeira de 
rodas, sem o uso do mural bucky visto que a paciente não se mantinha em ortostase 
e sentia dores para ficar em decúbito dorsal na mesa bucky (Fig. 35). 
 
Figura 35 – Posicionando a paciente e o RC para o exame 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
Realizado o exame, foi feito então a etapa da revelação do filme radiográfico, 
solicitando ao familiar que acompanhasse a paciente enquanto aguardavam a 
revelação do filme para entrega do mesmo. Toda a etapa entre chamada, anotação, 
realização do exame com revelação e entrega deve ter durado em torno de 16 
 
42 
 
minutos, ao término entregou-se o a radiografia para o acompanhante e foi feita a 
orientação quanto à entrega do mesmo para o médico solicitando do exame. 
Dando andamento ao atendimento, é chamado o paciente por ordem de 
chegada conforme orientação da direção da unidade, excetuando-se situações de 
emergência ou idosos conforme orienta o estatuto do idoso e crianças que choram 
muito ou ficam desinquietas. 
Todo o trabalho é realizado na seguinte ordem: 
 Chamada; 
 Anotação em livro próprio; 
 Escolha do filme adequado; 
 Identificação no filme; 
 Posicionamento do chassis no mural ou mesa bucky, observando-se a 
conveniência do serviço e do paciente; 
 Orientações quanto à respiração, posicionamento, etc. 
 Escolha da técnica adequada e disparo; 
 Retirada do chassi da gaveta da mesa ou mural; 
 Colocação do material no passa chassis; 
 Retirada do chassis na câmara escura, inserindo o filme na processadora 
automática; 
 Recarregamento do chassis; 
 Retira do filme da processadora; 
 Conferência da qualidade da imagem no negatoscópio; 
 Entrega e liberação do paciente; 
 Chamada do próximo paciente. 
 
Em condições normais, com pacientes orientados, deambulando e 
colaborativos, todo este procedimento dura em torno de 08 minutos. 
Vale salientar para enriquecimento deste relatório que durante o expediente, 
foi solicitado um exame radiológico de tórax de uma paciente que havia sofrido um 
trauma por acidente automobilístico trazida pelo SAMU e que de pronto foi 
comunicado aos demais pacientes que aguardavam para a realização de exames 
43 
 
radiológicos a situação, tendo que se ausentar da sala por algum tempo para a ida 
ao pronto socorro para atendimento da referida paciente. 
Transportou-se o aparelho de raios-x portátil até a unidade do PS onde se 
deparou com uma paciente em uso de colar cervical, na maca da ambulância e com 
todas as vestimentas, tornando o exame mais dificultoso, pois com a paciente 
deitada, com roupas, utilizando colar cervical e na macanão podendo movimentar-
se é mais complicado a realização do exame, porém o médico exigia o exame 
radiológico antes mesmo de o próprio ter realizado o exame físico adequado, 
inclusive sem realizar as etapas do atendimento de emergência que prevê entre 
outras coisas a exposição do paciente para avaliação de lesões existentes. porém 
não havia o que se contestar com o médico e o exame foi realizado e que 
posteriormente ao avaliar a imagem notou-se um que a paciente usava soutien com 
metal o que poderia ter comprometido a avaliação da imagem (Fig. 36) . A situação 
foi comunicada e explicada ao médico do plantão. 
 
Figura 36 – Paciente com vestimentas, na maca e imagem comprometida 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
Ademais durante o transcorrer do estágio, a rotina foi mantida dentro do que se 
propôs e que era pré-estabelecido pela instituição. 
 
44 
 
3.5 Impressões sobre o Estágio no HMLJA 
 
Durante o estágio do HMLJA pude perceber que os profissionais que 
trabalham com as técnicas radiológicas na unidade (técnicos em radiologia) nem 
sempre seguem as normas de radioproteção. Por vezes vi exames serem realizados 
com a porta aberta e quando o aparelho portátil era transportado para a o PS ou 
enfermarias os exames eram realizados sem a devida distância de segurança para 
com os demais pacientes no local ou acompanhantes, chegando até mesmo a ver o 
técnico realizar um desses exames sem a vestimenta plumbífera, vestimenta essa 
que inclusive quando se necessitava de acompanhante para a realização de algum 
procedimento na sala de exames, jamais foi oferecido para o acompanhante ou 
dada alguma orientação para o mesmo sobre os riscos da radiação e a 
radioproteção. 
No HMLJA, como no CEO não existe a figura do SATR, ficando o diretor 
médico como supervisor da unidade, o que contraria a Lei 7.394 que normatiza que a 
supervisão de aplicação das técnicas radiológicas é de competência do técnico e do 
tecnólogo em radiologia e a Lei 12.842/13 (Lei do Ato Médico) em seu artigo 4º, 
parágrafo único que diz “§ 7o O disposto neste artigo será aplicado de forma que 
sejam resguardadas as competências próprias das profissões de [...] técnico e 
tecnólogo de radiologia.”, não existindo também um programa de proteção 
radiológica, uma avaliação periódico do aparelho existente na unidade, além de não 
existir no local uma cópia impressa da Portaria 453/98 da ANVISA como a mesma 
institui, não deixando acesso nem para os demais profissionais do hospital, como 
para os pacientes e usuários do serviço de tais informações sobre o que vem a ser 
um exame que se utiliza radiação ionizante (raios-x) ou o que vem a ser 
radioproteção. 
Não há um gerenciamento efetivo, não há controle de qualidade, perdem-se 
muitas radiografias por erro de posicionamento (Fig. 37), expondo 
desnecessariamente o paciente realizando novo exame. 
A identificação do filme sempre é colocada no canto direito superior 
independentemente se o paciente estiver em pé, sentado ou deitado onde na figura 
45 
 
38 nota-se que o paciente por estar deitado, inclinou a cabeça, prejudicando a 
imagem, além de estar identificado no canto superior direito como se estivesse de pé, 
tornando necessária a realização de novo exame. 
 
Figura 37 – Radiografia perdida por erro de posicionamento 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
 
Figura 38 – Radiografia perdida por erro de posicionamento e identificada errôneamente 
 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
Paciente não centralizado no 
mural (imagem “cortada”). 
46 
 
Por fim, conforme visto na figura 39, os exames de um modo geral chegam às 
mãos dos técnicos em radiologia da unidade incompletos, pois quase nunca as 
solicitações vêm corretamente preenchidas, ou seja, o médico apenas solicita o 
exame indicando a área a ser radiografa, mas não especifica as incidências que o 
mesmo deseja, dando margens inclusive para exames incompletos, pois se o 
técnico desejar o mesmo realiza o exame em apenas uma incidência, visto que a 
solicitação está incompleta. 
 
Figura 39 – Solicitação sem especificação de incidência desejada 
 
Fonte: Unidade de radiologia do HMLJA 
 
 
De um modo geral, apesar de o estágio ter sido considerado satisfatório, a 
unidade em si mostra-se bastante defasada principalmente no quesito 
radioproteção. Conta a favor o fato de a unidade contar com programa de controle 
de radiação recebido pelos técnicos da unidade através de dosimetria além da 
unidade estar com sinalização de segurança interna e externamente na sala de 
exames. Peca por não seguir a legislação pertinente ou nomear pessoas 
responsáveis legalmente pela unidade na divisão de vigilância sanitária ou junto ao 
CRTR. 
 
Ausência da incidência 
desejada 
47 
 
4 ANÁLISE TÉCNICA SOBRE O CAMPO DE ESTÁGIO 
 
Como já pontuado nos capítulos anteriores, a Secretaria Municipal de Saúde 
de Correntina em suas unidades de radiodiagnóstico pouco tem feito no sentido de 
se atingir um projeto de radioproteção adequada. 
Os profissionais das técnicas radiológicas alegam que “têm chefe demais”, 
pois enfermeiros, médicos, o secretário de saúde além de outros profissionais como 
odontólogos e fisioterapeutas interferem nos procedimentos e se sentem “chefes” do 
serviço, incumbindo os profissionais com solicitações desnecessárias e mal 
solicitadas ou solicitadas inadequadamente, tornando o serviço quase que acéfalo, 
pois não há responsável técnico, não há supervisão de aplicação das técnicas 
radiológicas, não há protocolos de proteção e os próprios profissionais da área não 
trabalham com o princípio da otimização da exposição de radiação ionizante. 
 
As radiações ionizantes são utilizadas em diversas áreas da medicina, 
como tal a sua utilização deve ser feita de maneira correta, para que os 
benefícios possam ser produzidos em detrimento dos danos que estas 
possam causar, ao paciente e ao meio ambiente. A radiologia diagnóstica 
constitui uma poderosa ferramenta utilizada pela medicina. Neste contexto, 
a adoção de uma cultura de proteção radiológica e de garantia da qualidade 
deve ser uma tônica, na atual tendência, de oferecer aos usuários dos 
serviços transparência no que diz respeito a segurança e eficácia dos 
exames radiológicos. (MACEDO e RODRIGUES (2009), apud SECCA e 
BRASIL). 
 
 
Macedo e Rodrigues (2009) explicitam que um programa de controle de 
qualidade em radiologia (PCQ) analisa e avalia as doses de radiação por área, 
medição das doses individuais dos indivíduos ocupacionalmente expostos (IOE), 
calibração dos equipamentos, teste de fuga de cabeçote, testes de constância e 
quantificação de películas inutilizadas, considera-se que as unidades, tanto de 
radiologia odontológica, quanto a de radiologia convencional efetivamente estão 
muito aquém do que pode determinar como controle de qualidade em radiologia, 
tornando a situação da unidade considerada do ponto de vista técnico como grave, 
visto que radiação ionizante vai muito além de “dar disparos e revelar filmes”. 
48 
 
A impressão que foi passada durante o estágio é a de que nas unidades do 
campo de estágio o exame de raios-x é considerado meramente somente “mais um 
exame complementar”, não havendo por parte das pessoas responsáveis a 
preocupação de se aplicar o que diz a legislação relacionada. 
Nas unidades de radiologia odontológica o descarte dos resíduos não é feito 
adequadamente, na unidade de radiologia convencional o armazenamento não é 
feito de forma correta, armazenando-se os filmes inutilizados e os químicos em 
ambiente impróprio (um “cantinho” na sala de revelação), onde se aguarda por 
tempo indeterminado que uma empresa que recolhe e processa esse material venha 
buscá-lo e depois de a empresa recolher tais produtos a secretaria de saúde não 
sabe que destino é dado para os mesmos. 
Do ponto de vista técnico muito há o que se fazer para melhorar a situação 
em quese encontram as unidades que serviram para campo de estágio, acreditando 
que com interesse e boa vontade por parte dos gestores na área da saúde local há 
como reverter a atual situação, desde que se respeitando a legislação vigente e 
adequando o funcionamento das unidades, dando treinamentos e capacitações para 
os profissionais que não são da área da radiologia e orientando e capacitando os 
demais profissionais da unidade, inclusive os profissionais das técnicas radiológicas, 
afinal utilizando-se de raios x nos procedimentos em radiodiagnóstico para se 
alcançar o intento desejado, há que se ter em mente que é o paciente que obtém o 
benefício do exame, devendo para tanto utilizar-se de todos os meios de 
radioproteção, inclusive para os IOE para que as doses sejam tão baixas quanto 
razoavelmente praticáveis. (OLIVEIRA, 2014). 
Acredito que os profissionais das técnicas radiológicas da unidade têm 
capacidade e conhecimento para tal mudança, afinal são profissionais com 
especialidade em radiodiagnóstico, o que parece faltar na unidade é reconhecimento 
e valorização profissional, assim como a aplicação correta das normas e legislações 
vigentes sobre o assunto. 
 
 
 
 
49 
 
5 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E TEÓRICA 
 
Em uma tarde, na Universidade de Wurzburg, na Alemanha, deu-se início à 
história da radiologia, mais exatamente no dia 08 de novembro de 1895, quando o 
físico W. C. Roentgen, fazia suas pesquisas em um tubo de raios catódicos, 
invenção do inglês W. Crookes. Roentgen conseguiu então projetar a imagem dos 
ossos de sua mão em uma tela. Fascinado, mas ainda confuso Roentgen decidiu 
chamar sua descoberta de Raios-X - símbolo usado em ciência para designar o 
desconhecido. (ARRUDA, 1996). 
Desde então, métodos muito além da chamada radiologia convencional foram 
desenvolvidos valendo-se de radiações ionizantes, mas que jamais tirarão o mérito 
do cientista Roentgen. 
O tema por si só já é bastante interessante, porém atentaremos para os 
conceitos inerentes a uma das profissões que adentram o fascinante mundo da 
radiologia, o tecnólogo em radiologia, profissão regulamentada por lei, reconhecida 
como graduação em nível superior e que conta com valorosos profissionais. 
Baseando-se na Lei 7.394/85 que regula sobre os profissionais das técnicas 
radiológicas, o CONTER em seu código de ética dirigido aos profissionais por ele 
abrangidos enuncia os fundamentos e condutas necessárias para a prática das 
profissões de Tecnólogo em Radiologia, relacionando seus direitos e deveres aos 
profissionais inscritos no sistema CONTER/CRTR, apontando que para o exercício 
da profissão impõe-se a inscrição do mesmo no CRTR da respectiva jurisdição ao 
mesmo tempo em que o referido profissional conta como objeto da sua profissão 
entre outras atribuições o de radiologia no setor de diagnóstico médico. 
Porém, no Brasil, existem outras leis que disciplinam a utilização da radiação 
ionizante, fazendo-se necessário então a normatização de atividades que dela 
fazem uso, como a Portaria 453/98 da ANVISA que “Aprova o Regulamento Técnico 
que estabelece as diretrizes básicas de proteção radiológica em radiodiagnóstico 
médico e odontológico, dispõe sobre o uso dos raios -x diagnósticos em todo 
território nacional e dá outras providências”. 
50 
 
Ainda sobre o tema radiação ionizante e radioproteção dispomos ainda da 
Portaria GM 485, de 11 de novembro de 2005 e Portaria GM 939 de 18 de novembro 
de 2008, que formam a NR 32 que trata sobre segurança e saúde no trabalho em 
serviços de saúde no capítulo 32.4 – Das Radiações Ionizantes, onde há o seguinte 
texto: 
 
32.4.1 O atendimento das exigências desta NR, com relação às radiações 
ionizantes, não desobriga o empregador de observar as disposições 
estabelecidas pelas normas específicas da CNEN e da ANVISA, além do 
MS. 
32.4.2. É obrigatório manter no local de trabalho e à disposição da inspeção 
do trabalho o plano de proteção radiológica – PPR, aprovado pela CNEN, e 
para os serviços de radiodiagnóstico aprovado pela vigilância sanitária. 
(BRASIL, 2005). 
 
Portanto, pode ser perceber que a radiologia é mais do que uma simples 
profissão que “produzirão imagens” para diagnóstico médico, por isso então a 
capacitação cada vez maior dos profissionais que dela farão uso, criando-se então a 
figura do Tecnólogo em Radiologia, profissional de nível superior, com formação 
técnico-científica além do técnico em radiologia, profissional que até bem pouco 
tempo era praticamente o único responsável nesta área pela produção de imagens. 
Para Dimenstein e Netto (2002) os raios X têm seu uso em radiologia voltado 
para fins diagnósticos, assim como a radioterapia para o tratamento de certas 
doenças e por isso a importância de que a correta manipulação dos aparelhos e 
equipamentos utilizados seja uma constante preocupação por parte do profissional 
que o utiliza. 
Evidencia-se então a importância da melhor capacitação dos profissionais que 
manipularão estes equipamentos, afinal sabemos que mais de um século após sua 
descoberta por Roentgen, “os raios X ainda ocupam lugar de destaque no arsenal 
de diagnóstico por imagens”. (DIMESTEIN e NETTO, 2002). 
 
 
51 
 
É aí então que entra o profissional Tecnólogo em Radiologia, ele tem uma 
formação superior em carga horária e conhecimento teórico-técnico-científico ao 
profissional de nível médio, profissional mais capacitado para dentro da sala de 
exames ter total autonomia para realizar o procedimento, responsável pela proteção 
radiológica de todos os presentes durante o procedimento (CADU, 2011). 
Porém todo cuidado se faz necessário, por isso a necessidade de se conduzir 
todo o procedimento de forma correta, respeitando as normas de radioproteção e as 
técnicas radiológicas, além do princípio da justificação da dose e é neste ponto que 
entra na formação profissional o estágio curricular, pois é onde o estudante entrará 
em contato com situações reais, com o inesperado, com a emergência, com 
situações que nem sempre a princípio estão sob nosso controle, fugindo de tudo 
aquilo que se vê em sala de aula, em livros ou laboratórios. 
Passerini (2007, p. 30) descreve o estágio curricular como: 
 
[...] Estágio Curricular Supervisionado [é] aquele em que o futuro 
profissional toma o campo de atuação como objeto de estudo, de 
investigação, de análise e de interpretação crítica, embasando-se no que é 
estudado nas disciplinas do curso, indo além do chamado Estágio 
Profissional, aquele que busca inserir o futuro profissional no campo de 
trabalho de modo que este treine as rotinas de atuação. (PASSERINI, 2007, 
p. 30). 
 
 
Daí a importância do estágio curricular na formação do futuro profissional para 
a sua inserção no mercado de trabalho, pois ao final do curso o mesmo poderá 
executar gerenciar e supervisionar os serviços e procedimentos radiológicos, 
atuando conforme as normas de biossegurança e radioproteção em clínicas de 
radiodiagnóstico, hospitais, policlínicas, laboratórios, indústria, fabricantes 
(comércio) e distribuidores de equipamentos hospitalares. Possuirá habilidades 
técnicas e conhecimentos de gestão, interagindo com a equipe médica e técnica. 
(UNIP, 2005). 
 
 
 
52 
 
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Ao final deste primeiro estágio curricular obrigatório percebi a importância da 
profissão de Tecnólogo em Radiologia, pois compreendi que se trata de um 
profissional com autonomia para a utilização de técnicas radiológicas que envolvem 
o uso de radiações ionizantes em seres humanos que servirão como base para um 
diagnóstico médico, algo primordial para o tratamento de diversas patologias. 
Consegui compreender a importância do uso da radiação ionizante para o 
benefício da coletividade indo muito além do que se lê em livros e se assiste em sala 
de aula, complementando, portanto toda a teoria vista em estudos e laboratórios. 
Claro que não pude deixar de notarque a radiologia vai muito além de 
“apertar botões” como muitos podem pensar e que quando se trata de radiologia 
existem regras, métodos e técnicas radiológicas, incluindo-se aí a radioproteção, 
que determinam o conjunto de normas que fazem o uso de tais radiações muito mais 
seguro para os seres humanos e o meio ambiente. 
Estagiando, vivenciei na prática situações que encontrarei como profissional 
da radiologia, deparei-me com métodos que só conhecia na teoria e aprendi como é 
o funcionamento de um serviço de radiologia na prática, “in loco”, mesmo que o de 
radiologia convencional, que foi o primeiro método de utilização da radiologia para 
diagnóstico médico. Encontrei um local para estágio que contava também com um 
aparelho bastante antigo, algo que muito poucos profissionais recém saídos das 
faculdades irão encontrar ou ver a não ser em museus e vi como era o trabalho 
desses profissionais antigamente, indo desde o uso de um aparelho analógico até o 
uso de revelação manual para manipulação e revelação das películas radiográficas 
utilizadas para a produção de imagem. 
Conheci e compreendi o uso das técnicas radiológicas para a visualização de 
diferentes materiais com diferentes densidades, compreendendo então que para o 
que se pretende visualizar utiliza-se a técnica adequada. 
Compreendi também para que serve a radioproteção e a sua importância e 
como um primeiro passo na minha formação acadêmica, este estágio 
supervisionado foi deveras enriquecedor, tornando a minha caminhada muito mais 
53 
 
promissora, florescendo em mim a vontade então de ir cada vez mais longe na 
profissão. 
 Desenvolvendo várias atividades sob supervisão de um profissional da área e 
empenhado em passar adiante seus conhecimentos, vivenciei o dia a dia do 
profissional da radiologia medica, onde desenvolvi experiência para poder atuar na 
área e me tornar uma profissional da profissão que escolhi. 
Alcancei em meu entendimento ao término do estágio que esta etapa 
concluída contribuiu para minha compreensão sobre os deveres, os direitos e as 
responsabilidades que incumbem aos profissionais das técnicas radiológicas, 
acreditando ter alcançado meu intento que era de adquirir conhecimento prática da 
profissão, o que é a intenção maior do estágio supervisionado. 
Claro que encontrei obstáculos, tive dificuldades, mas eles estão no caminho 
para serem transpostos, pois para se alcançar o sucesso profissional há que se ter 
muito mais do que todo o conhecimento adquirido em livros, tem que se 
experimentar, viver na prática, há que se “meter a mão na massa” e ir além do 
saber, pois o bom profissional sabe o que tem para se fazer, tem conhecimento para 
fazê-lo. 
Por fim, mesmo encontrando um serviço de radiologia sem a normatização 
adequada a unidade do campo de estágio mostrou-se bastante valorosa, pois os 
profissionais que laboram nesta área vêem se às voltas com profissionais 
despreparados para trabalhar em equipe, mas que como em qualquer ambiente ou 
situação encontrada com a capacitação adequada toda situação adversa pode ser 
sanada e espero que isso aconteça na unidade onde completei meu primeiro 
estágio. 
Guardarei profundo carinho por todos ao mesmo tempo em que agradeço 
essa experiência tão valorosa e que muito contribuiu para o meu engrandecimento 
não só como estudante ou futura profissional das técnicas radiológicas, mas 
enriqueceu-me como ser humano. 
 
 
54 
 
REFERÊNCIAS 
 
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raios-x diagnósticos em todo território nacional e dá outras providências. Disponível 
em: <http://www.saude.mg.gov.br/images/documentos/Portaria_453.pdf>. Acesso 
em: 13 jan. 2015. 
 
ARRUDA, Walter Oleschko. 100 anos da descoberta dos raios x. Arq. 
Neuropsiquiatria. 1996; 54 (3): 525-531. Disponível em: <http:// www. scielo. br/ pdf/ 
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BRASIL. Lei 7.394 de 29 de outubro de 1985 – Regula o Exercício da Profissão de 
Técnico em Radiologia. Disponível em: < http://www.planalto. gov.br/ccivil 03 / leis / l 
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Acesso em: 17 jan. 2015. 
UNIP. Cursos de Graduação – Tecnólogo em Radiologia. Disponível em: 
<http://www.unip.br/ensino/graduacao/tecnologicos/radiologia.aspx>. Acesso em: 30 
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UNIP. Guia de normalização para apresentação de trabalhos acadêmicos da 
Universidade Paulista / Biblioteca Universidade Paulista, UNIP. Revisada e 
atualizada pelas bibliotecárias Alice Horiuchi e Bruna Orgler Schiavi. – 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://cbr.org.br/wp-content/biblioteca-cientifica/v2/01_10.pdf
http://www.unip.br/ensino/graduacao/tecnologicos/radiologia.aspx
57 
 
ANEXOS 
Anexo I – Declaração de Curso em Segurança do Trabalho 
 
 
58 
 
Anexo II – Vista Ilustrada do aparelho de raios-X utilizado no estágio 
 
 
 
 
59 
 
Anexo III – Layout da sala de exames radiológicos 
 
 
 
 
60 
 
Anexo IV – Aparelho radiografia odontológica 
 
 
 
61 
 
Anexo V – Relatório de Dosimetria 
 
 
 
62 
 
Anexo VI – Esquema da processadora 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
63 
 
APÊNDICES 
Apêndice I – Protetor de tireóide 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
 
Apêndice II – Caixa de armazenamento dos dosímetros 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65 
 
Apêndice III – Fotografias 
 
 
 
 
66 
 
Apêndice IV - Fotografias

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