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https://novaescola.org.br/conteudo/20004/agrupamentos-de-alunos-entenda-sua-
importancia-e-como-fazer-no-dia-a-dia
Publicado em NOVA ESCOLA 09 de Dezembro | 2020
Estratégia de ensino
Agrupamentos de alunos: entenda
sua importância e como fazer no
dia a dia
Modelo pode garantir aprendizagem e ajudar professor no desafio de
defasagem pós 2020
Ana Paula Bimbati
Foto: Getty Image
Imagine uma sala com 30 ou 40 alunos em níveis de aprendizagem diversos, com habilidades,
preferências, interesses e dúvidas diferentes. Adicione na conta a falta de acesso ao conteúdo que cada
estudante teve durante o período de ensino remoto emergencial. O resultado dessa equação é uma
turma desafiadora para um professor de Ensino Fundamental ou Médio. Para solucionar desafios como
esse, um dos caminhos possíveis é o formato de aula por agrupamentos, que estabelece critérios de
divisão de uma sala ou até mesmo de escola para impulsionar a aprendizagem.
Adriana Pereira, especialista em didática e currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(PUC-SP), explica que a escola foi consolidada de forma a valorizar as trajetórias individuais dos alunos
em relação à consolidação do conhecimento. “Nós vivemos um processo de colonialidade dos saberes,
que privilegia conhecimentos a partir de uma visão eurocêntrica e individualista. Mas existem outros
formatos que enriquecem o conhecimento, valorizam a diversidade, participação e a democratização",
diz a especialista.
Quais são as formas de agrupamento da turma?
Conhecedora da metodologia na prática da sala de aula, a professora alfabetizadora Mara Mansani, da
https://novaescola.org.br/conteudo/20004/agrupamentos-de-alunos-entenda-sua-importancia-e-como-fazer-no-dia-a-dia
EE Professora Laila Gales Sacker, em Sorocaba (SP), afirma que há muitas possibilidades de agrupar os
alunos. Entre essas opções, a educadora sugere a divisão por hipóteses próximas, contradição, nível de
aprendizagem e até mesmo interesses. 
CONFIRA 6 DICAS PARA FAZER ATIVIDADES EM GRUPO A
DISTÂNCIA
No processo de alfabetização, um dos agrupamentos comumente utilizados é o de hipóteses de escrita
diferentes. “Na fase pré-silábica, por exemplo, eles ainda não pensam que o falado tem relação com a
escrita”, explica Mara. Por isso, se o grupo ficar entre iguais, o avanço é pequeno. “Mas, se eu escolho
uma criança que está em um nível um pouco mais a frente, silábico com o valor sonoro, eles terão esse
contraditório e é aí que a aprendizagem acontece”, diz a alfabetizadora.
Na Escola Municipal Waldir Garcia, em Manaus (AM), há grande diversidade na comunidade interna: são
alunos estrangeiros de diferentes países, crianças com deficiência, nível socioeconômico e de
aprendizagens diversos. “Para fazer um bom agrupamento dos estudantes, em primeiro lugar, é preciso
conhecer cada criança e levar em consideração a proximidade entre elas, a facilidade em ensinar e
ajudar o outro colega também”, diz a diretora Lúcia Cortez de Barros Santos.
É também durante esse processo de escolha de critérios que o professor deve se atentar às atividades
ofertadas. “A atividade pode ser a mesma, mas precisa ter níveis diferentes, porque já ouvi muitos
professores reclamarem que o agrupamento não deu certo, mas deu a mesma atividade sem mudar
nada para todos os grupos”, diz Mara.
Passo a passo para fazer bons agrupamentos
Veja as dicas da professora Mara Mansani para colocar em prática o modelo
1. Faça um bom diagnóstico
É necessário que o professor conheça seu aluno e sua turma, então o processo começa fazendo um
diagnóstico geral e de aprendizagem. Essa primeira etapa vai ajudar a entender quais são os
gargalos dos estudantes, pontos em comuns e critérios para fazer o agrupamento.
2. Tenha um planejamento das atividades de agrupamentos
Planejamento é a alma da sua aula. Não dá para chegar na sala e fazer tudo na base do improviso.
Muitas perguntas, atividades e até mesmo a análise final podem ocorrer de forma espontânea
durante o dia, mas é preciso se preparar para que haja uma proposta no que está sendo trabalhado.
Dentro desse planejamento, está também a escolha de critérios para agrupamentos dos alunos.
3. Faça intervenções pedagógicas
Enquanto os alunos estão trabalhando em uma atividade e discutindo as possibilidades, é essencial
que o professor passe pelos grupos e faça intervenções pedagógicas. “Isso não significa fazer
perguntas com respostas, mas boas perguntas, que colaborem com a aprendizagem dos alunos”,
pontua Mara. “Por que você escreveu assim?” e “como chegou nessa resposta?” são alguns
exemplos.
4. Analise e sistematize
“Não é no final do processo, mas no andamento, em todo tempo”, sugere a professora. Só
sistematizando o que deu certo e o que não deu é que o docente pode identificar o que melhorar para
replicar numa próxima. Tenha em mãos um caderno para anotar seus comentários e depois faça
uma análise das atividades da turma.
5. Replaneje sempre
Com informações nas mãos, é a hora de replanejar, pensar novos caminhos ou em como aprimorar o
modelo para sua turma e, assim, alcançar a aprendizagem para todos.
Estrutura física colabora com os agrupamentos da escola
Em Manaus, na escola de Lúcia, os alunos não se organizam mais em fileiras, um atrás do outro, como
tradicionalmente. Todas as salas têm mesas redondas, uma estrutura física que já convida os alunos a se
sentarem em grupos. No início do ano, eles escolhem onde querem sentar. “Mas, ao longo dos meses,
nós vamos observando o andamento dos grupos e se verificamos a necessidade de uma mudança e
também ouvimos os alunos [nesse processo]”, explica a gestora escolar. “Pra gente é um sucesso
https://box.novaescola.org.br/etapa/3/educacao-fundamental-2/caixa/114/educacao-fisica-em-casa/conteudo/19144
trabalhar em grupos e roteiros pois temos uma comunidade escolar diversa”.
Conheça uma escola que trabalha em pequenos grupos
Com base nas ideias da Escola da Ponte, de Portugal, a Escola Municipal Amorim Lima busca incentivar a autonomia
dos alunos, a liberdade, a solidariedade e a participação das famílias dos estudantes
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O processo de escuta é importante, segundo Lúcia, para que o aluno se sinta acolhido, pertencente ao
processo e, por consequência, incentiva também a participação e engajamento dele no grupo. “Nós
temos uma assembleia, que acontece uma vez na semana para discutir com eles algum ponto que
levantam, temos a autoavaliação, em que eles se avaliam, mas também avaliam o grupo: o que está
faltando? Como posso contribuir? Além disso, temos as tutorias, que são conversas individuais”, conta.
Lúcia também não deixa de lado o fato de que os grupos trabalham conteúdos que estão conectados
com a vida dos alunos e fazem parte de um currículo contextualizado. “Todo esse processo unificado faz
com que a aprendizagem das crianças aconteça, diminui as diferenças e nos ajuda a enxergar mais
estratégias para aprimoramento”.
Agrupamento em toda a escola
Além de servir como um trabalho para uma sala de aula, os agrupamentos podem ser uma forma de
organização para toda uma escola – processo que a EE Professora Laila Gales Sacker já vivenciou. “Nós já
temos um processo de avaliação bem forte e no ano passado levantamos habilidades aprendidas e não
aprendidas e preparamos um Dia D dos agrupamentos”, relembra Mara.
Veja como uma professora trabalhou a ortografia em grupos
A professora Priscila de Medeiros dividiu sua turma do 5º ano da EM Dona Miloca, em Rancharia (SP), em grupos
para trabalhar o conteúdo. Confira dicas para dividir tarefas e muito mais!
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TRABALHO
Na data, a professora conta que todos os alunos, do 1° ao 5º ano, foram divididos em grupos por temas
que tinham dificuldades. “Mapeamos quais crianças precisavam se aprofundar em alfabetização, quais
não produziam texto na qualidade esperada e quais tinham desafios na resolução de problemas, por
exemplo, e usamos como alguns dos critérios para divisão dos grupos”, explica Mara. O resultado foi
positivo: os alunos conseguiramaprender e avançar com colegas de diferentes salas trabalhando em
atividades que envolviam variedade de linguagens e metodologias também.
Para garantir o engajamento da turma, Mara sugere que os professores trabalhem usando as áreas de
interesse dos alunos e atividades com desafios. Pensando em 2021, Adriana indica que as escolas têm a
oportunidade de se reinventar para garantir a participação e engajamento dos estudantes nesse formato
de aula. “Mesmo os que tiveram mais dificuldade, vivemos o processo de inserção e socialização
conectiva neste ano, então o aluno vai voltar com isso muito mais forte”.
https://box.novaescola.org.br/etapa/2/educacao-fundamental-1/caixa/38/use-a-afetividade-a-favor-da-escola/conteudo/18709
https://box.novaescola.org.br/etapa/2/educacao-fundamental-1/caixa/31/e-assim-que-se-escreve/conteudo/18670

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