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Adaptações Ambientais e Domésticas

Material sobre adaptações ambientais e domésticas para idosos, abordando gerontologia ambiental, avaliação funcional e ambiental, prevenção de quedas e acidentes domésticos e normas de acessibilidade (NBR 9050).

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ADAPTAÇÕES AMBIENTAIS E DOMÉSTICAS 
1 
 
 
Sumário 
1.NOSSA HISTORIA.................................................................................2 
2.INTRODUÇÃO ...................................................................................... 3 
3.GERONTOLOGIA AMBIENTAL: PANORAMA DE SUAS 
CONTRIBUIÇÕES PARA A ATUAÇÃO DO GERONTÓLOGO ............... 8 
4. Gerontologia Ambiental: conceitos clássicos e tendências atuais
 .................................................................................................... 10 
5.NOVAS DEMANDAS À GERONTOLOGIA AMBIENTAL .............. 17 
6.CONTRIBUIÇÕES À ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL 
7.GERONTÓLOGO .......................................................................... 20 
8.CUIDADOS PARA EVITAR ACIDENTES DOMÉSTICOS COM 
IDOSOS ........................................................................................... 22 
9.COMO REDUZIR QUEDAS NO IDOSO ....................................... 27 
10. DICAS ESSENCIAIS PARA ADAPTAR A CASA E EVITAR 
ACIDENTES DOMÉSTICOS COM IDOSOS ......................................... 36 
11.REFERÊNCIAS ........................................................................... 49 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 INTRODUÇÃO 
 
A Terapia Ocupacional em Gerontologia visa a promoção da qualidade de 
vida, especialmente através da promoção da independência em atividades 
cotidianas e da satisfação por parte do idoso. Para tanto é preciso fazer um 
levantamento de uma série de fatores relacionados ao idoso, que se inicia, 
segundo Barreto e Tirado, com dados sócio demográficos e história de vida. Em 
seguida, as autoras mencionam a avaliação funcional, para o conhecimento de 
habilidades e limitações, e a avaliação ambiental, que busca identificar 
problemas e estratégias para maior integração do idoso neste ambiente. O 
ambiente está entre os fatores que influenciam a funcionalidade na velhice e 
deve oferecer, segundo Ribeiro et al., segurança, estímulos, controle pessoal, 
interação social, favorecer a adaptação às mudanças e ser familiar ao idoso. 
Portanto, para que os objetivos da Terapia Ocupacional sejam alcançados, 
muitas vezes faz se necessária a intervenção direta no ambiente físico, a fim de 
favorecer a manutenção da capacidade funcional, independência e autonomia 
do idoso. Considerando desde o ambiente imediato do indivíduo até o ambiente 
geral, a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde 
(CIF) considera que as características do mundo físico, social e de atitude têm 
um impacto facilitador ou limitador sobre os componentes da funcionalidade e 
da incapacidade, não apenas nas condições de saúde, mas também nas 
atividades e na participação em diferentes situações. 
Dessa forma, a sociedade pode restringir o desempenho das pessoas ao 
oferecer um ambiente com barreiras ou simplesmente quando não fornece 
facilitadores necessários para o desempenho de uma determinada tarefa. 
Segundo Atwal, “os terapeutas ocupacionais têm um papel importante na 
remoção das barreiras ambientais”. Mas, como propõe a CIF, não se trata 
apenas da eliminação de barreiras arquitetônicas, pois os locais acessíveis 
devem apresentar facilitações, ou seja, ajudas técnicas que precisam ser 
incluídas no ambiente. Diante da necessidade de se garantir acessibilidade nas 
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, a Associação 
Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT) criou a Norma Brasileira (NBR) 9050, 
estabelecendo parâmetros técnicos a serem observados desde o projeto e 
4 
 
 
construção, ou então na adequação de ambientes já existentes. A primeira 
norma brasileira publicada foi em 1985, ainda com lacunas, tendo passado por 
revisões e reformulações que culminaram com a publicação de uma nova 
versão, em 2004, contemplando aspectos antes não mencionados. Entre os 
pressupostos adotados em 2004 e revisados em 2005, estão: acessibilidade, 
desenho universal, barreira arquitetônica e tecnologia assistiva, incluindo 
também: dimensões necessárias para a circulação de pessoas em diferentes 
condições; referências para alcance manual e visual; formas de comunicação e 
sinalização (piso tátil e braille); especificações de equipamentos eletrônicos; 
dimensionamento de rampas; escadas; banheiros; entre outras informações. 
Após se consolidar como um referencial técnico em acessibilidade e em 
virtude da credibilidade da ABNT, verifica-se o uso da NBR 9050 como 
instrumento confiável, com critérios mínimos para ambientes acessíveis, quanto 
ao conforto e funcionalidade. Para ambientes coletivos, portanto, esta norma tem 
sido o principal referencial para a elaboração de instrumentos de avaliação, 
como por exemplo, para o acesso de pessoas com limitações físicas a serviços 
de saúde, para escolas públicas de ensino fundamental e para Bibliotecas. Além 
da promoção direta da funcionalidade, a adaptação do ambiente domiciliar pode 
prevenir quedas em idosos. Perracini e Gazzola afirmam que a avaliação 
ambiental é fundamental não apenas quanto ao risco de quedas, mas também 
devido ao risco de intoxicações, queimaduras, choques e outras lesões, sendo 
que o uso de tecnologias têm contribuído para a minimização de tais riscos. De 
acordo com Andrade e Pereira, em um estudo de revisão bibliográfica, sobre a 
influência da tecnologia assistiva em idosos frágeis, as evidências científicas 
concluem que o uso de recursos tecnológicos permite ao idoso, em muitos 
casos, desenvolver atividades funcionais com segurança, aumentando sua 
independência e autonomia, além de diminuir a necessidade de cuidadores, 
evitar hospitalizações e institucionalizações, contribuindo, dessa forma, para a 
manutenção de funções motoras e cognitivas, interação social e melhoria da 
qualidade de vida. 
O cuidado com a avaliação é um dos requisitos para aumentar a segurança 
e o terapeuta ocupacional tem sido o profissional escolhido para coordenar este 
processo. A avaliação ambiental pode ser feita por entrevistas e observação 
5 
 
 
direta, podendo ser dividida em: avaliação dos componentes pessoais, avaliação 
dos componentes ambientais e análise das problemáticas relacionadas à 
acessibilidade do local. Segundo Barreto e Tirado, o ambiente físico deve ser 
observado em sua arquitetura (parede, piso, desníveis, iluminação, ventilação, 
circulação) e quanto às características do mobiliário, como disposição e 
quantidade. Ao analisar especificamente o ambiente domiciliar, Cavalcanti e 
Galvão consideram importantes os seguintes critérios: mobilidade (dimensões 
do espaço para as tarefas), orientabilidade (se o meio apresenta informações 
para o acesso e funcionalidade) e usabilidade (interação entre o indivíduo e os 
equipamentosdo ambiente). Diante de uma proposta de atuação tão abrangente 
do terapeuta ocupacional com a população idosa, uma série de aspectos 
precisam ser avaliados para que a intervenção seja eficiente. Nessa perspectiva 
as escalas e instrumentos de avaliação podem ser utilizados para favorecer a 
coleta de dados e facilitar a documentação de informações relevantes. 
Através de um teste padronizado, o profissional estabelece uma linha de 
base bem definida, sobre a qual podem basear suas decisões. Portanto faz-se 
necessária a criação de novos instrumentos, tanto para a clínica como para a 
pesquisa, de forma que as medidas sistematizadas em saúde garantam a 
comparabilidade de resultados. De um modo geral, há escassez de instrumentos 
de avaliação no Brasil. Chaves et al. realizaram uma revisão de literatura e 
constataram que existem poucas escalas de avaliação em Terapia Ocupacional 
que podem ser utilizadas no país. Além disso, “as escalas já validadas e/ou 
elaboradas em português encontradas avaliam o desempenho ocupacional sob 
diferentes aspectos”. Dessa forma, faltam instrumentos de avaliação voltados 
para o ambiente domiciliar, que auxiliem no mapeamento das condições de 
acesso na residência, que facilitem a identificação dos aspectos que necessitam 
de intervenção. No Brasil o contingente de idosos cresce a passos largos, o que 
torna maior a necessidade de desenvolvimento de políticas racionais para suprir 
os problemas sociais, econômicos e principalmente de saúde decorrentes do 
envelhecimento populacional. 
Segundo o Censo demográfico de 2000, 62,4% dos idosos são os 
responsáveis pelos domicílios brasileiros. A população brasileira é de 
169.799.170 habitantes, sendo 14.536.029 indivíduos com 60 anos ou mais 
6 
 
 
idade, representando 8,6% da população. Na Bahia essa faixa etária é composta 
de 1.077.901 habitantes. Os idosos representam 6,8% da população da cidade 
do Salvador. A capital baiana é composta de 12 distritos sanitários, sendo o 
terceiro mais populoso o distrito de Pau da Lima (IBGE, 2000). Papaléo Netto 
(2002), diz que o processo de envelhecimento e sua consequência natural, a 
velhice, é preocupação desde o início da civilização, embora exista pela frente 
um longo tempo para pesquisas sobre o fenômeno do envelhecimento. Nas 
últimas décadas, do século XX, houve um grande interesse dos estudiosos 
acerca da velhice, assim o número de pesquisas sobre envelhecimento e suas 
consequências cresceu. Segundo Santos e Andrade (2005), não existe uma 
maneira padrão de envelhecimento, cada indivíduo envelhece de acordo com 
suas condições biológicas e socioculturais. Envelhecimento é um fato 
irremediável, mas envelhecer sem incapacidades, com a autonomia e 
funcionalidade preservada é fator basilar para manter uma boa qualidade de 
vida. (SILVA et al, 2007). 
Chegado o envelhecimento, diversas alterações tanto funcionais quanto 
morfológicas surgem, e o indivíduo perde sua capacidade de adaptação ao meio 
ambiente e capacidade funcional. Ocorre uma diminuição de suas capacidades 
físicas e mentais, que são de suma importância para a realização de suas 
atividades de vida diária, como por exemplo, os cuidados pessoais, e se tornam 
mais propensos a patologias (LOPES et al, 2007; SILVA et al, 2007). Diante de 
todas as alterações estruturais e complicações que ocorrem em indivíduos com 
idade superior a 60 anos, torna-se maior a necessidade de atenção e 
preocupação entre os profissionais da área de saúde com esse grupo etário que 
se encontra mais susceptível a quedas (SILVA et al, 2007). Para Nevitt (1997), 
Pereira et al (2001), Perracini e Ramos (2002), a queda é um episódio frequente 
e limitante, involuntário do corpo para um plano inferior à posição inicial com 
incapacidade de correção em tempo hábil, sendo considerado como um 
marcador de fragilidade, morte, institucionalização e declínio na saúde e 
capacidade funcional do indivíduo. Outro aspecto que é levado em consideração 
é o tempo de permanência no chão. 
A queda é considerada prolongada quando o indivíduo permanece de 15 a 
20 minutos no solo sem que este não consiga levantar sem ajuda. 32% de idosos 
7 
 
 
entre 65 a 74 anos sofrem de queda ao ano. A queda representa inúmeros 
problemas na vida de um idoso. Além de fraturas, imobilidades, limitação na 
execução de atividades da vida diária, o idoso sofre com os prejuízos 
psicossociais, como o medo da institucionalização e de sofrer novas quedas, 
repercussão do incidente na família, aumento dos custos com cuidados de saúde 
e o risco eminente de morte (MACIEL; GUERRA, 2005). Gawryszewski, Jorge e 
Koizumi (2004) relatam que durante o ano de 2000, foram registradas 2.030 
mortes por quedas de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos de ambos 
os sexos no Brasil, ocupando assim a terceira posição na taxa de mortalidade. 
As quedas têm relação causal com 12% de todas as mortes na população 
geriátrica. São responsáveis por 70% dos óbitos acidentais em indivíduos com 
75 anos ou mais. Naqueles que são hospitalizados em decorrência de uma 
queda, o risco de morte no ano seguinte à internação varia entre 15% a 50% 
(PEREIRA et al, 2001). As quedas em indivíduos idosos contribuem 
significativamente para o problema de saúde pública em decorrência da sua alta 
incidência, aos custos assistenciais e complicações para a saúde. 
Close et al (1999) e Steadman, Donaldson e Kalra (2003) acordam que um 
terço da população com idade superior a 75 anos de idade relata um caso ou 
mais de quedas em casa, sendo responsável por 2/3 dos acidentes domésticos. 
Além dos fatores intrínsecos como as próprias modificações comuns ao 
envelhecimento, o uso de fármacos e patologias associadas, existem também 
os fatores extrínsecos como a falta de adaptação do ambiente domiciliar, o que 
se torna um desafio ao idoso. O ambiente domiciliar é responsável por uma 
quantidade significativa de quedas dos idosos. Neste grupo etário 70% dos 
episódios de quedas ocorrem em suas próprias casas. As quedas são 
provocadas pela falta de adaptação do ambiente domiciliar, como piso 
escorregadio, má iluminação, tapetes não fixados no chão ou dobrados, 
degraus, objetos soltos e espalhados pela casa, ausência de corrimãos em 
corredores, banheiros e escadas, prateleiras excessivamente baixas ou 
elevadas e solo irregular. Todas essas más adaptações fazem com que o centro 
de gravidade se desloque constantemente, o que influencia diretamente na 
ocorrência de quedas. 
8 
 
 
Os cuidados com a adaptação do ambiente podem ser simples. Indivíduos 
com baixa renda familiar e baixo grau de informação podem apresentar maior 
dificuldade na adequação da residência, causando episódios de queda por falta 
de informação. Situado na região do Miolo Central de Salvador, o bairro de Pau 
da Lima começou a formar-se em meados da década de 1950, situa-se na 
Região Administrativa XIII entre a Avenida Paralela e a BR-324, e é considerado 
o terceiro bairro mais populoso da cidade estimativa de 260 mil habitantes. No 
bairro de Pau da Lima a renda domiciliar per capita é em média, R$ 2,15 por 
morador por dia, ou R$ 64,60 por morador mensal; 76% não têm ao menos o 
ensino fundamental concluído, sendo que 23% são analfabetos dificultando o 
acesso à informação sobre a adequação do domicílio com dispositivos para 
prevenir a queda. Diversos itens devem ser levados em consideração no que 
concerne à avaliação do idoso: Identificação do paciente, queixa principal 
detalhada, revisão dos sistemas fisiológicos principais, avaliação da 
funcionalidade global, história pessoal atual e pregressa, avaliação sócio 
familiar, avaliação do cuidador, avaliação ambiental, exames complementares, 
estimativas gerais, diagnósticos principais, e por fim, plano de cuidados. A 
avaliação ambiental é importante para a implantação de programas de 
prevenção, com o objetivo da melhoria da qualidade de vida dosidosos. Diante 
dos dados apresentados, do amplo crescimento da população de idosos, e alto 
índice de quedas, fica evidente a necessidade de um maior conhecimento dos 
fatores associados à queda em idosos. 
1. GERONTOLOGIA AMBIENTAL: PANORAMA DE SUAS 
CONTRIBUIÇÕES PARA A ATUAÇÃO DO GERONTÓLOGO 
 
As perspectivas sobre o envelhecimento humano, sobretudo no que se 
refere a seus processos comportamentais e adaptativos, foram tradicionalmente 
pautadas em modelos centrados no declínio biológico e no aumento da idade 
como variáveis causais e explicativas. Contudo, a partir de meados do século 
passado, as contribuições metodológicas e conceituais propiciadas pela 
consideração das variáveis ambientais geraram um notório desenvolvimento do 
campo da Gerontologia no que diz respeito à teoria, pesquisa e aplicação, 
contribuindo para uma concepção multidimensional e multidirecional do 
9 
 
 
envelhecimento. Nos últimos quarenta anos, a consideração explícita da 
influência ambiental sobre o curso e os resultados do envelhecimento propiciou 
a consolidação de uma subárea denominada “Gerontologia Ambiental”, a qual 
tem oferecido evidências e conceitos importantes para ações de promoção de 
um envelhecimento saudável e para a construção de sociedades amigas dos 
idosos. Entre outras definições, a Gerontologia Ambiental é concebida como o 
campo dedicado a descrição, explicação, modificação ou otimização da relação 
entre as pessoas idosas e seu entorno socioespacial, e, enquanto campo 
multidisciplinar, alimenta-se das contribuições advindas das diversas ciências. 
 
 
 
 
 
 
Embora ainda considerado por alguns como um campo de estudos e não 
enquanto uma ciência paradigmática, o desenvolvimento desse campo tem 
permitido compreender os determinantes contextuais do envelhecimento e sua 
influência sobre a heterogeneidade na experiência dos idosos. Uma de suas 
proposições clássicas é que as condições ambientais que permitem aos idosos 
desempenharem comportamentos biológicos, sociais e psicológicos adaptativos 
estão entre as dimensões mais relevantes para o envelhecer com qualidade de 
vida.6 Nesse sentido, o presente texto busca trazer algumas considerações a 
respeito do campo teórico da Gerontologia Ambiental, ao traçar um breve 
panorama dos temas clássicos de estudo e aplicação dos novos campos abertos 
pelas demandas do envelhecimento populacional e das políticas públicas 
decorrentes destas. O texto busca também salientar a importância da 
perspectiva ambiental para as ações práticas do profissional gerontólogo em 
suas tarefas de gestão de cuidados, serviços e políticas no campo da velhice e 
dos processos de envelhecimento. 
10 
 
 
2.1 Gerontologia Ambiental: conceitos clássicos e tendências 
atuais 
 
Do ponto de vista histórico, a Gerontologia Ambiental é fruto de 
contribuições teóricas de diversas áreas, como da Sociologia Urbana da Escola 
de Chicago nos anos 1920, da Psicologia Social de Kurt Lewin na década de 30, 
das teorias da aprendizagem que dominaram a Psicologia nas décadas de 40 e 
50 e do desenvolvimento da Psicologia Ambiental na década de 60. Uma vez 
que o termo “ambiente” dentro de cada uma dessas áreas abarca influências 
sobre o envelhecimento de naturezas diversas, tais como físicas, sociais, 
organizacionais e culturais, o termo “ambiente sociofísico” tem sido utilizado para 
especificar seu foco de estudo considerando as transações do indivíduo com o 
ambiente físico não apenas no que se refere a seus atributos objetivos, mas a 
partir de sua interpretação social, significados compartilhados e contextualização 
histórica. Contudo, o campo ainda é caracterizado por um pluralismo de 
perspectivas, fruto das contribuições interdisciplinares e da consideração dos 
diferentes níveis de análise teóricos e práticos. Assim, o espectro de temáticas 
com as quais a Gerontologia Ambiental está fortemente comprometida atravessa 
um continuum de análise envolvendo desde o microambiente, representado pelo 
ambiente doméstico e privado, os arranjos de moradia e a satisfação residencial, 
passando pelos mesoambientes, tais como os contextos institucionais, até os 
macroambientes que estruturam a experiência do envelhecimento, tais como o 
estudo das transações com os contextos urbanos/rurais, questões de 
vizinhança, segurança, acessibilidade e políticas públicas. 
Embora alguns autores considerem as décadas de 1970 e 1980 como 
“anos de ouro” na produção das teorias em Gerontologia Ambiental, vislumbra-
se um atual florescimento do campo no panorama internacional, abarcando as 
contribuições das perspectivas teóricas em Psicologia life-span e Sociologia life-
course, da Geografia Social e das intervenções práticas nos campos da 
Arquitetura, Engenharia e Terapia Ocupacional. Wahl & Oswald, expoentes da 
Gerontologia Ambiental atual, destacam as três grandes questões e desafios 
com os quais o campo está envolvido. O primeiro desafio é compreender como 
os indivíduos (à medida que envelhecem) manejam as oportunidades e 
11 
 
 
restrições nas condições ambientais sociofísicas. O segundo diz respeito à 
necessidade de clarificar as conexões entre as dimensões objetivas e subjetivas 
na relação dos indivíduos idosos com o ambiente. O terceiro desafio é examinar 
as contribuições das transações pessoa-ambiente para os diferentes cursos 
(normal, patológico ou bem-sucedido) e respostas (bem-estar, autonomia, 
identidade, saúde física e mental) em termos de envelhecimento. Seis principais 
proposições teóricas desenvolvidas entre as décadas de 1970 e 1980, apesar 
de criticadas por se pautarem em perspectivas de transações mais 
representativas dos micro e mesoambientes, ainda são consideradas fontes dos 
principais conceitos em Gerontologia Ambiental e com potencial contribuição 
para as macroanálises. 
Dentre os conceitos herdados dessas contribuições, destacam-se os de 
competência, de pressão ambiental e os desdobramentos desses encontrados 
na obra de Lawton, que, por volta da década de 1990, expandiu as hipóteses da 
docilidade e da proatividade ambiental e postulou a respeito das funções básicas 
do ambiente para o bem-estar na velhice. Uma breve descrição desses conceitos 
se faz pertinente, uma vez que, juntamente com contribuições atuais, tem 
auxiliado a construção de novas estruturas teóricas mais abrangentes. Segundo 
Lawton & Nahemow, competência diz respeito à capacidade funcional de um 
indivíduo refletida em sua saúde biológica, seu funcionamento sensório-
perceptual, suas habilidades motoras, cognitivas e forças do ego. Já a pressão 
ambiental diz das demandas do ambiente sobre o indivíduo, sejam elas físicas, 
interpessoais ou sociais. A relação entre competência e pressão geraram a 
hipótese da docilidade ambiental, ou seja, quanto menos competente é um 
indivíduo, maior é o impacto do ambiente sobre seu comportamento. 
Complementarmente, Lawton propôs a hipótese da proatividade ambiental ao 
sugerir que o indivíduo não é passivo frente às restrições na competência 
impostas pelas demandas do ambiente, tendendo a alterar seu meio ou a forma 
de lidar com seu meio para satisfazer suas necessidades e otimizar suas 
competências. 
Em 1989, Lawton descreveu as três funções básicas dos ambientes 
sociofísicos para o funcionamento competente e qualidade de vida na velhice, a 
saber suas funções: de manutenção, de estimulação e de suporte. A função de 
12 
 
 
manutenção destaca a importância da constância e previsibilidade do ambiente, 
que contribuem para que o indivíduo atribua significados e derive experiências 
de lar, lugar, identidade, apego e satisfação residencial. A função de estimulação 
diz respeito aos aspectos do ambiente que estimulam comportamentos 
adaptativos, como atividades sociais e de lazer ou mesmo aqueles que reduzem 
ou ampliam problemas comportamentais em idosos com quadros de 
comprometimentos físicos e/oucognitivos. Por fim, a função de suporte diz dos 
aspectos do ambiente que possuem o potencial para compensar competências 
perdidas ou reduzidas, aspectos também chamados de “próteses ambientais”. 
Entre eles estão os fatores que promovem segurança, orientação e 
funcionamento independente. Ao final da década 1990 e início dos anos 2000, 
teorias psicológicas sobre o construto de crenças de controle baseadas em uma 
perspectiva lifespan vieram somar-se às contribuições clássicas no exame das 
transações entre a pessoa que envelhece e o ambiente. 
As distinções entre controle primário (esforço para exercer o controle direto 
sobre os eventos e ambiente externo) e controle secundário (ajustes pessoais, 
como reatribuição causal, para lidar indiretamente com eventos e fatores 
externos) propostas por Heckenhausen & Schulz e as demonstrações de 
diminuição no senso de controle primário na velhice auxiliam na compreensão 
de como os indivíduos manejam o ambiente e as próprias crenças subjetivas 
para lidar com as diminuições nos recursos pessoais. Partindo do construto de 
crenças de controle, Oswald e colaboradores têm proposto o conceito de 
crenças de controle relacionadas à residência para examinar as percepções que 
os idosos possuem na explicação de eventos relacionados ao seu 
microambiente. Nesse sentido, examinase se o idoso percebe as ocorrências 
como contingentes ao seu próprio comportamento ou como fruto da ação de 
eventos incontroláveis, tais como por sorte, fatalidade ou por atuação de outros 
poderosos. O argumento é que as crenças de controle regulam as trocas da 
pessoa com seu ambiente, tornando-se especialmente importantes na 
explicação da autonomia e do bem-estar na velhice. Estudos longitudinais têm 
revelado aumento nas crenças de controle externo como forma de lidar com os 
declínios em saúde, funcionalidade ou por ação dos estereótipos sobre a velhice. 
Porém, segundo Oswald e colaboradores, o baixo senso de controle primário 
13 
 
 
sobre os eventos que incidem sobre o microambiente relaciona-se com perdas 
em autonomia e aumento da dependência. 
Dos modelos de congruência e modelos complementares de congruência, 
a Gerontologia Ambiental derivou o conceito de ajuste ou desajuste pessoa-
ambiente. A mensagem inerente ao conceito de ajuste é que o nível de 
competência em certos domínios é congruente ao nível de pressão ambiental. 
Assim, incongruência representaria uma condição de risco à competência, ou, 
por outro lado, uma condição de estímulo de processos de agência humana e 
de proatividade frente às restrições ambientais. Como exemplo da ação da 
incongruência como fator de estímulo, cabe destacar que, por muito tempo, os 
estudiosos consideravam a realocação residencial como um fator de risco para 
o bem-estar e funcionalidade dos idosos. Porém, estudos atuais têm 
demonstrado que a realocação também pode ser fonte de desenvolvimento na 
velhice, uma vez que promove o surgimento de novos processos adaptativos. 
No intuito de integrar as evidências e construtos oriundos sobretudo das 
contribuições da Psicologia life-span, Wahl e colaboradores oferecem uma 
estrutura conceitual heurística para a compreensão e exame mais refinado das 
transações pessoa-ambiente na velhice. Nessa estrutura, há o envolvimento das 
perspectivas clássicas, mas dois construtos centrais fornecem bases úteis para 
a integração das perspectivas teóricas, a saber: pertencimento e agência. 
Conforme a estrutura conceitual apresentada na figura 1, pertencimento e 
agência são os dois construtos relacionados ao alcance das duas tarefas 
desenvolvimentais centrais a serem alcançadas pelos indivíduos à medida que 
14 
 
 
envelhecem, ou seja, as tarefas de manter-se independente o tanto quanto 
possível (resultando em senso de autonomia) e de manter a integridade do self 
(senso de identidade). 
 
Pertencimento diz respeito ao campo da experiência no ajuste pessoa-
ambiente, envolvendo as avaliações cognitivas, emocionais e as representações 
mentais dos ambientes sociofísicos. Na literatura de pesquisa, o pertencimento 
tem sido medido por seus correlatos, como satisfação residencial, apego ao 
lugar e significados atribuídos ao lugar e/ ou compartilhados, e reflete uma 
orientação ambiental em termos de passado, presente e futuro, reminiscências 
verbalizadas e planos futuros. Por outro lado, agência se refere ao campo dos 
comportamentos, cognições ou práticas sociais orientados a uma meta. É o 
exercício do controle sobre o ambiente e o manejo das demandas e pressões 
ambientais (“docilidade”) resultando ou não em proatividade (uso ativo do 
espaço, compensação adaptação, criação de novos espaços) e ajuste. Wahl & 
Oswald defendem que, por muito tempo, a Gerontologia Ambiental considerou 
os construtos de pertencimento e agência como processos separados. 
Entretanto, a estrutura conceitual apresentada assume a considerável interação 
entre pertencimento, agência e as mudanças desenvolvimentais. Processos 
comportamentais, cognitivos e emocionais estão envolvidos em processos 
adaptativos ao longo da vida e principalmente frente às perdas em competência 
na velhice. Wahl & Oswald exemplificam essa interação ao apontar os processos 
adaptativos de idosos com perdas severas em competência. 
Segundo os autores, os idosos reduzem objetivamente suas esferas 
ambientais de ação ao mesmo tempo em que tendem, cognitivamente, a atribuir 
a essa esfera mais valor, sentido e utilidade do que àqueles ambientes que não 
lhe são mais acessíveis. Assim, a adaptação na velhice não se refere apenas a 
comportamentos ou a experiência, mas a ambos os processos em interação. Os 
resultados da interação entre pertencimento e agência são representados pelas 
respostas desenvolvimentais de autonomia e identidade. Esses construtos 
relacionam-se fortemente com o bem-estar na velhice, termo que, tomado 
globalmente, refere-se a avaliações afetivas e cognitivas positivas no que tange 
à própria vida e às repostas positivas em saúde física e mental. A estrutura 
15 
 
 
conceitual apresentada tem auxiliado a Gerontologia Ambiental em seus 
desafios centrais, a saber, nas tarefas de descrição sobre como os idosos 
manejam as oportunidades e restrições nas condições ambientais sociofísicas, 
no exame das conexões entre as dimensões objetivas e subjetivas na relação 
dos indivíduos idosos com o ambiente e na explicação das contribuições das 
transações pessoa-ambiente para os diferentes cursos e respostas em termos 
de envelhecimento. 
Entretanto, outras contribuições atuais ao campo da Gerontologia 
Ambiental também podem ser destacadas, cabendo ressaltar aquelas advindas 
das perspectivas sociais de inspiração lifecourse. Estudiosos no campo da 
Geografia Social, como Goland, têm buscado compreender, a partir de 
metodologias qualitativas e a partir da perspectiva dos próprios idosos, as 
dimensões intencionais e ativas destes no uso, manipulação e desempenho de 
tarefas em seus ambientes sociofísicos. Goland20 defende a inclusão da 
perspectiva de tempo na pesquisa em Gerontologia Ambiental, uma vez que as 
experiências dos idosos em seus ambientes correntes são influenciadas pelo 
contexto e significado histórico construído na relação com o ambiente, além das 
antecipações futuras que tecem a partir dessas relações. O referido autor 
considera que a inclusão da dimensão de tempo pode ser metodologicamente 
auxiliada pelas abordagens de “história de vida” advindas da Psicologia e 
Antropologia, das análises das “carreiras” residenciais descritas pelos 
demógrafos e pelos estudos longitudinais no campo da Geriatria a respeito das 
trajetórias de processos patológicos e de incapacidade. Investimentos de 
pesquisa em níveis comunitários e populacionais de análise também compõem 
o panorama atual do campo, como as contribuições dos estudos dos impactos 
socioespaciais do envelhecimento populacional.Dados provenientes da Geografia do Envelhecimento, como os de 
SánchezGonzález, por exemplo, têm lançado luz sobre esses impactos no 
contexto mexicano e latinoamericano e incentivado o aprofundamento em 
temáticas como as do ambiente construído e a qualidade de vida de idosos, a 
das estratégias residenciais para manutenção dos idosos nas comunidades, da 
vulnerabilidade climática e ambiental a que idosos podem estar expostos, e 
ainda sobre o apego ao lugar, exclusão social, lazer, turismo e planejamento 
16 
 
 
gerontológico. Outro conjunto de contribuições atuais à Gerontologia Ambiental 
advém dos estudos de intervenção desenvolvidos nos campos aplicados da 
Arquitetura, Engenharia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Kendig destaca 
que, embora classicamente a Arquitetura, a Engenharia e os urbanistas tenham 
contribuído com o saber em Gerontologia Ambiental, destacam-se atualmente 
os estudos de intervenção desenvolvidos por profissionais da saúde. Entre estes 
últimos, tem havido o amplo reconhecimento, no contexto da prevenção e 
promoção da saúde, da importância do conceito “aging in place”, que em linhas 
gerais sintetiza as vantagens que o idoso possui ao envelhecer no seu contexto 
residencial, desfrutando de sua vida comunitária. 
Exemplos de temas frequentes nesses estudos são as questões de 
acessibilidade, segurança e prevenção de quedas que, além de contribuírem no 
trabalho de intervenção clínica e aplicações de “autoajuda” a idosos e familiares, 
retroalimentam a teoria. Estudos sobre acessibilidade têm revelado uma 
importante troca entre a teoria e a prática. Uma vez que a Gerontologia 
Ambiental postula a interação entre aspectos objetivos e subjetivos da relação 
pessoa-ambiente, a acessibilidade tem sido considerada não como o número 
objetivo de barreiras ambientais impostas versus o grau de preservação da 
capacidade, mas como a percepção do ajuste individual frente às barreiras 
ambientais. A percepção de ajuste ou desajuste é fruto da interação entre 
critérios objetivos e subjetivos do indivíduo. Iwarsson encontrou, por exemplo, 
que a acessibilidade, assim concebida, foi mais fortemente relacionada à 
capacidade funcional de idosos do que o número objetivo de barreiras 
ambientais existentes. Estudos de intervenção também fornecem à Gerontologia 
Ambiental elementos importantes para a análise de temáticas como a da 
incidência de quedas entre idosos. 
Em estudo de metaanálise, Oswald e colaboradores encontraram relações 
significativas entre intervenções no ambiente doméstico e respostas de 
diminuição de incapacidades. Contudo, encontraram relações mais fracas entre 
intervenções ambientais (como única frente de intervenção) e incidência de 
quedas. Tais resultados demonstram, por exemplo, a necessidade de 
abordagens multidimensionais na compreensão teórica e na intervenção com 
idosos com histórico de quedas. Observa-se, portanto, que o status atual da 
17 
 
 
Gerontologia Ambiental é plural em termos de níveis de análise do seu objeto de 
estudo, o que enriquece, mas desafia o campo na construção de sua perspectiva 
teórica. Semelhantemente ao quadro teórico da Gerontologia como um todo, o 
campo tem sido constituído por microteorias explicativas que buscam abarcar 
sua influência multidisciplinar. No Brasil, ainda existem poucos estudos na área. 
A produção existente reflete, em geral, estudos relativos a idosos e 
envelhecimento provenientes da Psicologia Ambiental ou estudos relativos a 
intervenções ambientais com idosos com comprometimentos físicos ou 
cognitivos, de levantamento, e análise de fatores relacionados a ocorrência e 
prevenção de quedas ou, ainda, compondo a análise dos determinantes 
ambientais da promoção de saúde. Salienta-se que o campo possui grande 
potencial de 
estudos e 
construção de teorias pautadas na coleta e análise de dados contextualizados 
sobre as relações entre a pessoa que envelhece e seu ambiente. Novas 
demandas provenientes do cenário demográfico brasileiro e mundial fornecem 
também estímulos ao campo. 
2. NOVAS DEMANDAS À GERONTOLOGIA AMBIENTAL 
 
 
 
 
 
 
18 
 
 
 
 
A urbanização, a globalização e o envelhecimento populacional têm sido 
considerados as principais forças a moldar as sociedades no século XXI. Assim 
sendo, as concepções mais atuais em Gerontologia e as preocupações públicas 
decorrentes dessas forças têm trazido demandas teóricas e práticas sob uma 
perspectiva macrossocial à Gerontologia Ambiental. Alguns reflexos dessas 
demandas podem ser encontrados em conceitos e iniciativas públicas, tais como 
as denominadas “sociedades e/ou cidades amigas dos idosos”. Segundo o Guia 
Global da Iniciativa “Cidade amiga do idoso”, desenvolvido pela Organização 
Mundial da Saúde, uma “cidade-amiga” é aquela que estimula o envelhecimento 
ativo ao otimizar oportunidades para a saúde, participação e segurança, para 
aumentar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem. Segundo 
o mesmo Guia, em termos práticos, uma “cidadeamiga” adapta suas estruturas 
e serviços para que estes sejam acessíveis aos idosos e promovam a inclusão 
daqueles com diferentes necessidades e graus de capacidade. O 
direcionamento da Gerontologia Ambiental para as prioridades públicas e sociais 
é extremamente relevante frente à necessidade de compreender e promover o 
uso proativo dos ambientes por idosos que desejam se manter saudáveis e em 
suas próprias casas e comunidades. 
Esse direcionamento difere significativamente da ênfase de pesquisa de 
trinta anos atrás, em que a atenção (pública, social e de pesquisa) se centrava 
na minoria frágil dos idosos, residente em contextos institucionais. Torna-se 
premente a teorização nos níveis micro e mesoambientais em conjunto com as 
macroperspectivas. A consideração das tensões e pressões ambientais 
exercidas pelo contexto urbano sobre os processos de envelhecimento pode 
oferecer luz à compreensão dos processos de pertencimento e agência e das 
respostas em termos de bem-estar dos idosos na sua relação com os ambientes. 
Um dos temas sobre as relações entre os níveis micro, meso e macroambientais 
envolve a questão da exclusão social de idosos. Observa-se, por exemplo, nas 
coortes idosas, que o desejo de residir nas cidades por razões de acesso a 
recursos de saúde, lazer, cultura e participação social tem sido minado pela 
19 
 
 
conjunção “urbanização, políticas econômicas, globalização e novas 
tecnologias”. 
Assim, as cidades geram barreiras intergeracionais, refletindo-se, no nível 
macro, em desigualdades em qualidade de vida e no acesso a recursos e 
serviços. Reflete-se também no nível mesoambiental pela formação de “guetos” 
de participação e trocas interpessoais, e no nível microambiental, em resultados 
negativos em termos de bem-estar físico e psicológico. Stahl & Iwarsson 
consideram que, para a construção de uma cultura de ajuste pessoaambiente 
nas sociedades em envelhecimento, é crítico que a Gerontologia Ambiental 
contribua considerando, em sua teoria e prática, a importância da organização 
dos espaços públicos na redução de “áreas de ansiedade” e na promoção de 
segurança e participação por meio de designs livres de barreiras arquitetônicas 
e geracionais. Cabe salientar, contudo, que no plano metodológico, a ampliação 
do escopo da Gerontologia Ambiental considerando as macroperspectivas 
implica desafios frente a grande heterogeneidade e variabilidade dos contextos 
de envelhecimento e do amplo espectro de condições de saúde, competência e 
bem-estar dos idosos. Gitlin, por exemplo, propõe a aliança entre as 
metodologias qualitativas e quantitativas na compreensão dos diversos 
significados da relação entre os processos de envelhecimento e os contextos 
urbanos. 
No âmbito da intervenção (clínica ou em políticas públicas), o emprego 
dessa combinação de metodologias é estimulado pelo Guia Cidade Amiga dos 
Idososda OMS, o qual preconiza a formação de grupos focais com idosos e com 
a comunidade para conhecer as percepções dos indivíduos e suas relações com 
as estruturas das cidades, das atitudes sociais frente ao envelhecimento, das 
formas de comunicação e fornecimento de serviços a idosos. A recomendação 
é que as intervenções e projetos de adequação dos espaços públicos e privados 
para idosos sejam precedidos por embasamento oferecido pela pesquisa quali-
quantitativa com os atores sociais. Investimentos recentes de pesquisa e 
intervenção na França, Canadá e Brasil, sob a ótica das iniciativas “cidades 
amigas dos idosos”, têm caminhado nessa direção. 
20 
 
 
Estudos realizados na cidade de São Paulo-SP, por exemplo, têm derivado 
indicadores de natureza objetiva e subjetiva relevantes para as políticas públicas 
e 
contextualização de práticas gerontológicas. Considerar as macroperspectivas 
em Gerontologia Ambiental implica também conceber as relações entre 
envelhecimento e ambiente como extremamente dinâmicas no que tange às 
dimensões de mudanças históricas, culturais, ecológicas, de arranjos sociais e 
familiares e de inovações tecnológicas. De forma resumida, Wahl & Oswald 
destacam, além dos desafios impostos na arena societal e política (como a 
urbanização e novas tecnologias), outros desafios atuais ao campo – entre eles, 
a compreensão das relações dos idosos com ambientes residenciais 
multigeracionais, com os novos contextos e modelos de cuidados em saúde e 
novos estilos de vida das coortes de idosos atuais. Pode-se também acrescentar 
a esses, a necessidade de investimento na compreensão das implicações das 
mudanças climáticas e do impacto das catástrofes naturais sobre o curso do 
envelhecimento e nas respostas em termos de adaptação, tema ainda pouco 
explorado na literatura. 
 
3. CONTRIBUIÇÕES À ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL 
GERONTÓLOGO 
 
 
O campo da Gerontologia Ambiental possui grande valor no fornecimento 
de bases teóricas e práticas para o trabalho do profissional em Gerontologia. 
21 
 
 
Frente às novas demandas populacionais, o gerontólogo é o novo profissional 
que surge no cenário da gestão de serviços (clínicos, recreativos, institucionais) 
e políticas, estando habilitado a atuar e produzir saberes relacionados ao bem-
estar das pessoas idosas, das famílias e da sociedade em envelhecimento. 
Nesse sentido, a Gerontologia Ambiental convoca o gerontólogo a atentar para 
o plano das influências dos ambientes sociofísicos em suas tarefas de avaliação 
e intervenção. O planejamento ambiental deve ser considerado um componente 
necessariamente presente nos processos de micro e macrogestão. No que se 
refere à atuação do gerontólogo no campo clínico, no apoio e aconselhamento 
de famílias e grupos, o exame das relações indivíduo-ambiente oferece 
caminhos para a avaliação e identificação de barreiras à autonomia, à 
segurança, à independência e ao bem-estar. Tal exame deve levar à 
consideração de que os idosos possuem diferentes esferas de competência nas 
quais a proatividade ambiental pode ser exercida frente às pressões ambientais 
e que a tomada de decisões na gestão deve otimizar a congruência entre as 
necessidades e as competências. 
A Gerontologia Ambiental leva o gerontólogo também a considerar que a 
relação com o ambiente interfere no bem-estar subjetivo e regulação dos 
estados afetivos dos idosos, uma vez que o envelhecimento expõe cada vez 
mais os indivíduos às influências das condições de docilidade ambiental. 
Contudo, ao mesmo tempo, chama a atenção para que as iniciativas em 
microgestão, mesmo em casos de maior fragilização ou comprometimentos, não 
deixe de incluir o idoso nas decisões, potencializando ao máximo seu senso de 
autonomia e agência. Nas tarefas de gestão de serviços e desenvolvimento de 
projetos, programas e políticas, o gerontólogo pode usufruir das contribuições 
teóricas e de intervenção desse campo, os quais têm apontado as relações entre 
características objetivas e subjetivas do design ambiental e o bem-estar das 
pessoas idosas. Intervenções no âmbito da acessibilidade nos equipamentos 
sociais e de saúde, da eliminação de barreiras geracionais na comunidade e na 
criação de espaços de promoção de convivência social e produtividade do idoso 
devem visar à otimização das funções de manutenção, estimulação e suporte 
ambiental. Por fim, a atuação do gerontólogo no âmbito da construção de 
políticas públicas em saúde, habitação, trabalho, previdência e lazer envolve 
22 
 
 
intrinsecamente a consideração dos determinantes ambientais da qualidade de 
vida dos idosos. Portanto, a formação do gerontólogo deve necessariamente 
instrumentalizá-lo para analisar, interpretar e construir propostas de intervenção 
baseadas nos saberes da Gerontologia Ambiental. 
4. CUIDADOS PARA EVITAR ACIDENTES DOMÉSTICOS COM 
IDOSOS 
 
 
 
 
 
 
O lar costuma ser o local em que nos sentimos mais seguros, não é 
mesmo? Porém, às vezes basta um piso molhado ou um tapete solto para 
provocar uma 
queda que 
causa 
ferimentos ou, 
no mínimo, um 
grande 
susto. Esse risco 
é maior entre 
as pessoas 
idosas, que têm a 
mobilidade 
limitada e os reflexos reduzidos conforme o avanço da idade, ou que podem 
sofrer de doenças que as fragilizam fisicamente. De acordo com a Sociedade 
Brasileira de Geriatria e Gerontologia, um terço da população acima dos 65 anos 
23 
 
 
sofre pelo menos uma queda por ano, proporção que aumenta com o 
envelhecimento. Tais acidentes podem ocasionar lesões leves, contusões, 
torções ou até fraturas, além de provocar, no idoso, o medo de cair novamente. 
Adaptar a casa para essas limitações ou mesmo evitar o uso de objetos que 
possam representar riscos ajuda a reduzir as chances de acidentes domésticos 
envolvendo idosos. Confira algumas orientações para prevenir quedas e outros 
incidentes. 
Sala adequada 
A sala de estar costuma conter muitos móveis e objetos de decoração. Um idoso 
com dificuldade de locomoção ou mesmo uma pessoa distraída pode bater ou 
tropeçar em um desses itens, se ele estiver bloqueando a passagem. Tapetes 
irregulares também podem fazer o morador cair, então vale minimizar as 
chances de que isso aconteça. 
 Evite tapetes soltos 
 Não deixe móveis fora do lugar habitual 
 Garanta a área de passagem livre mesas de centro, plantas ou outros 
objetos que possam representar obstáculos 
 Mantenha fios elétricos e extensões bem afixadas, evitando que fiquem 
soltos pelo caminho 
 Prefira cadeiras e poltronas com apoio de braço 
 
Banheiro seguro 
O banheiro é o local com maior ocorrência de acidentes graves, por causa da 
umidade que torna o ambiente escorregadio. Se o idoso puder contar com itens 
que deem mais aderência aos pés e pontos de apoio para se segurar, ele deve 
se sentir mais confiante. 
 Utilize um tapete antiderrapante na área de banho 
 Instale barras de apoio nas paredes próximas ao sanitário e ao chuveiro 
 Considere utilizar um assento removível para adequar a altura do vaso 
sanitário 
 Opte por um box resistente e de material inquebrável 
24 
 
 
 A cadeira de banho pode ser utilizada por quem tem equilíbrio mais 
comprometido 
Cozinha acessível 
Ter de subir em uma cadeira para alcançar algo guardado no armário mais alto 
representa um grande risco, ainda mais para quem possui algum tipo de 
limitação física. Adaptações no mobiliário ou mesmo na organização ajudam a 
tornar a cozinha mais segura e prática para idosos. 
 Ajuste as bancadas para uma altura de uso confortável 
 Evite estocar alimentos ou louças em locais de difícil acesso 
 Limpe imediatamente qualquer líquido que tenha sido derrubado no chão 
 Mantenha os utensílios mais utilizados no dia a dia guardados em locais 
mais acessíveis 
 Ao cozinhar, evite o uso de panelas pesadas, que podem cair e provocar 
queimaduras 
 Não deixe a cozinha sem se certificarde que as chamas do fogão estão 
apagadas 
Quarto sem estresse 
Manter os pertences acessíveis e os móveis compatíveis com as características 
do idoso ajuda a garantir que ele tenha um bom descanso e, se precisar se 
levantar à noite, que o faça em segurança. 
 Deixe um abajur ou um interruptor ao lado da cama 
 Utilize uma cama de altura confortável para subir e descer sem 
dificuldades 
 Mantenha armários e gavetas em alturas acessíveis e fáceis de abrir 
 Utilize um colchão de densidade adequada para o seu peso e tamanho 
Cuidados para a casa toda 
 Mantenha antiderrapantes nas escadas e rampas 
 Instale corrimões nas escadas 
 Assegure-se de que os ambientes estejam bem iluminados e com 
interruptores em pontos de fácil acesso 
25 
 
 
 Evite encerar o chão ou utilizar outro produto que o deixe escorregadio 
 Certifique-se de que não haja irregularidades no piso 
 Não sobrecarregue as tomadas 
 Mantenha o telefone em um local acessível, para utilizá-lo facilmente em 
casos de emergência 
 Certifique-se de que as fechaduras abram por dentro e por fora 
Cuidados individuais 
 Evite calçados desamarrados, mal ajustados ou com solado escorregadio 
 Evite roupas muito compridas, que arrastam no chão 
 Faça exames físicos e oftalmológicos regularmente 
 Mantenha uma dieta saudável, incluindo cálcio e vitamina D 
 Pratique atividade física, com orientação profissional 
 Se você se feriu e está sentindo dores preocupantes, procure um médico 
 
ADAPTAÇÃO DA CASA PARA O IDOSO 
 
Para evitar que o idoso caia e ocorra uma fratura grave, pode ser 
necessário fazer algumas adaptações na casa, eliminando perigos e tornando 
as divisões mais seguras. Para isso é recomendado retirar tapetes ou colocar 
barras de suporte no banheiro, para facilitar o banho e o uso do vaso sanitário, 
por exemplo. É importante adaptar a casa às necessidades do idoso porque a 
partir dos 70 anos de idade, podem surgir dificuldade para andar, devido dor nas 
articulações, falta de massa muscular ou perda de equilíbrio, além de poderem 
ter dificuldade em enxergar ou mesmo estarem confusos e, por isso, é importante 
eliminar todos os perigos do interior e exterior da casa para tornar o ambiente 
mais seguro. A casa mais segura para o idoso viver é aquela que tem apenas 1 
nível, porque assim facilita a movimentação entre todos os cômodos e também 
a entrada e a saída, diminuindo o risco de quedas. 
 
Adaptações gerais na casa para evitar quedas 
Algumas das adaptações que devem ser feitas na casa do idoso incluem: 
26 
 
 
 Ter divisões espaçosas e amplas, com poucos armários ou vasos de 
plantas, por exemplo; 
 Prender fios de eletrodomésticos à parede; 
 Dar preferência aos móveis sem quina; 
 Colocar pisos antiderrapantes, principalmente na cozinha e banheiro; 
 Ter as divisões bem iluminadas, optando por ter vários candeeiros e cortinas 
claras; 
 Guardar os objetos pessoais mais utilizados em locais de fácil acesso, como 
armários e gavetas baixas; 
 Retirar o tapete do chão de todas as divisões da casa, deixando apenas um 
à saída do box; 
 Prender tacos de madeira do chão, que possam estar soltos; 
 Não encerar pisos, nem deixar nada molhado no chão; 
 Substituir ou consertar móveis instáveis; 
 Evitar cadeiras muito baixas e também camas muito altas ou muito baixas; 
 Usar maçanetas de fácil abertura, evitando as que são redondas. 
No caso da habitação do idoso ter escadas estas devem ser baixas, e é 
importante colocar corrimões dos dois lados das escadas, além de pintar com 
uma cor forte os degraus e colocar um piso antiderrapante para evitar que o 
idoso caia. No entanto, em alguns casos, pode ser necessário colocar um 
elevador para subir as escadas. 
Adaptações no banheiro 
 O banheiro do idoso deve ser amplo, não ter tapetes e ter apenas um 
armário baixo com os objetos essenciais, como toalhas e produtos de 
higiene, por exemplo. 
 Deve-se optar por um chuveiro em vez da banheira, onde seja possível 
entrar uma cadeira de rodas, colocar um banco bem firme de plástico, ou 
instalar barras de apoio para que o idoso se possa segurar durante o 
banho. 
Adaptações no quarto 
 O quarto do idoso deve ter uma cama com um colchão firme e, em alguns 
casos, pode ser necessário escolher uma cama com grades para evitar 
as quedas noturnas. Os objetos mais usados pelo idoso, como óculos, 
27 
 
 
medicamentos ou telefone, também devem estar sempre ao seu alcance, 
na mesinha de cabeceira, por exemplo. Além disso, é importante que o 
quarto seja bem iluminado, devendo ter uma luz de presença acesa 
durante a noite, se o quarto for muito escuro. 
Adaptações no exterior da casa 
O exterior da casa do idoso também pode por em risco a sua segurança e levar 
o idoso a cair ou se machucar e, por isso, deve-se: 
 Consertar calçadas e degraus quebrados do jardim; 
 Limpar caminhos e remover entulhos de folhas, vasos ou lixeira; 
 Substituir escadas por rampas com corrimão; 
 Retirar fios elétricos em locais de passagem; 
 Não lavar o quintal com detergente ou sabão em pó porque torna o chão 
mais escorregadio. 
É importante realçar que todas estas medidas são uma forma de prevenir que o 
idoso se machuque, evitando fraturas ou traumatismos da cabeça, sendo que as 
adaptações devem ser feitas de acordo com as possibilidades do idoso e da 
família. 
5. COMO REDUZIR QUEDAS NO IDOSO 
 
A queda é um evento bastante comum e devastador em idosos. Embora 
não seja uma consequência inevitável do envelhecimento, pode sinalizar o início 
de fragilidade ou indicar doença aguda. Além dos problemas médicos, as quedas 
apresentam custo social, econômico e psicológico enormes, aumentando a 
dependência e a institucionalização. Estima-se que há uma queda para um em 
cada três indivíduos com mais de 65 anos e que um em vinte daqueles que 
sofreram uma queda sofram uma fratura ou necessitem de internação. Dentre 
os mais idosos, com 80 anos ou mais, 40% cai a cada ano. Dos que moram em 
asilos e casas de repouso, a frequência de quedas é de 50%. A prevenção de 
quedas é tarefa difícil devido à variedade de fatores que as predispõem. 
28 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A 
distribuição das causas difere entre idosos institucionalizados e os não-
institucionalizados. As quedas entre os moradores de asilos e casas de repouso 
são em decorrência de distúrbios de marcha, equilíbrio, vertigem e confusão 
mental, enquanto que pessoas não institucionalizadas tendem a cair por 
problemas ambientais, seguidos de fraqueza/distúrbios do equilíbrio e marcha, 
"síncope de pernas", tontura/vertigem, alteração postural/hipotensão ortostática, 
lesão do Sistema Nervoso Central, síncope e outras causas. 
Os fatores de risco que mais se associam às quedas são: idade avançada 
(80 anos ou mais); sexo feminino; história prévia de quedas; imobilidade; baixa 
aptidão física; fraqueza muscular de membros inferiores; fraqueza do aperto de 
mão; equilíbrio diminuído; marcha lenta com passos curtos; dano cognitivo; 
doença de Parkinson; sedativos, hipnóticos, ansiolíticos e polifarmácia. 
Atividades e comportamentos de risco e ambientes inseguros aumentam a 
probabilidade de cair, pois levam as pessoas a escorregar, tropeçar, errar o 
passo, pisar em falso, trombar, criando, assim, desafios ao equilíbrio. Os riscos 
dependem da frequência de exposição ao ambiente inseguro e do estado 
funcional do idoso. Idosos que usam escada regularmente têm menor risco de 
cair que idosos que a usam esporadicamente. Por outro lado, quanto mais 
vulnerável e mais frágil o idoso, mais suscetível aos riscos ambientais, mesmo 
mínimos. O grau de risco, aqui, depende muito da capacidade funcional. Como 
exemplo, pequenas dobras de tapete ou fios no chão de um ambiente são um 
problema importante para idosos com andar arrastado. Manobras posturais e 
29 
 
 
ambientais, facilmente realizadas e superadaspor idosos saudáveis, associam-
se fortemente a quedas naqueles portadores de alterações do equilíbrio e da 
marcha. Idosos fragilizados caem durante atividades rotineiras, aparentemente 
sem risco (deambulação, transferência), geralmente dentro de casa, num 
ambiente familiar e bem conhecido. 
Tratamento 
Exercícios: projetos de exercícios com duração de 10 semanas a 9 meses 
mostraram que; (1) há um redução em 10% da probabilidade de queda entres 
os que se exercitam em comparação com sedentários; (2) o treinamento 
específico para equilíbrio motivou uma redução de 25% de quedas; (3) aulas de 
Tai Chi Chuan (um exercício de equilíbrio), reduzem o risco de cair em 37%. 
Intervenções para reduzir lesões: algumas intervenções podem reduzir o risco 
de uma lesão grave pós-queda, prevenindo a osteoporose. Suplementos orais 
de vitamina D e cálcio para mulheres saudáveis na pós-menopausa, podem 
reduzir o risco de fraturas naquelas que caem. Outras medidas de redução ou 
prevenção de osteoporose precisam ser analisadas para estabelecer-se a 
eficácia de prevenir fraturas: terapia de reposição hormonal, bifosfonatos, luz 
solar, caminhadas e consumo aumentado de produtos lácteos. 
Intervenções que atenuam a força do impacto, como o uso de almofadas 
externas protetoras de quadril (acolchoamentos autocolantes na pele ou em 
roupas de baixo) ou de colchonetes no chão, podem diminuir o risco de fratura 
de quadril, caso caiam. Um dos problemas das almofadas autocolantes é o de 
aceitabilidade. Um estudo feito na Dinamarca, para investigar o efeito dos 
protetores externos de quadril sobre a prevenção de fraturas de idosos 
residentes em casas de repouso, mostrou que o risco de fratura de quadril no 
grupo que usou a almofada foi reduzido em 53%, comparativamente com os 
controles. As pessoas do grupo de intervenção que sofreram uma fratura não 
estavam usando o protetor no momento da queda. 
Estratégia de redução de múltiplos fatores de risco 
30 
 
 
Sabe-se que o risco de cair aumenta linearmente com o número de fatores 
de risco. Caso se consiga eliminar um fator de risco, a probabilidade de cair 
também se reduz. Isto é muito importante para os idosos que, em geral, possuem 
múltiplos fatores de risco para quedas, alguns não-modificáveis. Estratégias 
podem ser elaboradas, para modificar ou eliminar aqueles fatores passíveis de 
atuação conseguindo-se, com isso, diminuição significativa nas quedas. Ao 
mesmo tempo, pode-se adotar intervenções que atuem sobre múltiplos fatores, 
como revisão de medicações, recomendações de comportamentos seguros, 
programas de exercícios variados melhoria da segurança ambiental. 
Cair, portanto, tem de ser reconhecido como um problema extremamente 
sério para os serviços de saúde, para a sociedade e, principalmente, para o bem-
estar das pessoas que caem. Para que as estratégias preventivas de quedas em 
idosos tenham sucesso, é necessário identificar populações com risco 
aumentado, instituir intervenções padronizadas para múltiplos fatores de risco e 
moldar tais intervenções a cada indivíduo ou situação particular. As intervenções 
deverão ajudar os usuários idosos dos serviços de saúde e seus cuidadores a 
compreender a forma de reduzir a probabilidade de queda, como: (1) 
melhorando sua habilidade de enfrentar desafios ao equilíbrio; (2) melhorando a 
segurança de seu meio ambiente, e (3) melhorando a autoconfiança e a 
confiança de seus familiares, para que ele possa continuar ativo e independente 
em seu próprio meio, para realizar o que deseja. 
Há evidências para sugerir que exercícios, tais como treinamento de 
equilíbrio (Tai Chi), são efetivos em reduzir o risco de quedas em idosos. 
Melhorar a aptidão física e impedir a inatividade e a imobilidade, também 
contribuem. Vigilância domiciliar periódica e sistemática para avaliar e, caso 
apropriado, modificar os riscos ambientais, pode ser efetiva em reduzir quedas. 
Identificar quaisquer consequências psicológicas de uma queda, como o medo 
de cair, que possam levar a uma autorrestrição de atividades e, 
secundariamente, a desuso, imobilidade, atrofia muscular e novas quedas. 
Modificar os comportamentos de risco, de forma a garantir movimentos e 
transferências seguros, sem restringir a possibilidade de uma vida ativa. Instituir 
estratégias, enfim, que previnam uma lesão séria, de maneira que, mesmo 
ocorrendo uma queda, esta não resulte em graves consequências. 
31 
 
 
Previna Quedas 
Fatores Intrínsecos: 
 Diminuição da força muscular; 
 Osteoporose; 
 Anormalidades para caminhar; 
 Arritmia cardíaca (batimento cardíaco irregular); 
 Alteração da pressão arterial; 
 Depressão; 
 Senilidade; 
 Artrose, fragilidade de quadril ou alteração do equilíbrio; 
 Alterações neurológicas (derrame cerebral, doença de Parkinson, 
esclerose múltipla e mal de Alzheimer); 
 Disfunção urinária e da bexiga. 
 Uso controlado de determinadas drogas; 
 Diminuição da visão; 
 Diminuição da audição; 
 Câncer que afeta os ossos; 
 Deformidades nos pés (unhas grandes, joanetes dolorosos, etc.). 
Fatores Extrínsecos: 
 Iluminação: ambientes mal iluminados favorecem a ocorrência de quedas; 
 Arquitetura: casas mal planejadas aumentam o risco de quedas; 
 Móveis: disposição inadequada atrapalha a locomoção e, quando 
instáveis, não servem como apoio; 
 Espaço: oferecem risco os objetos escorregadios espalhados pela casa. 
32 
 
 
 Cores: ambientes muito escuros aumentam a chance de quedas. 
Veja algumas orientações gerais para prevenir o acometimento de quedas: 
 Faça exames oftalmológicos e físicos anualmente, em específico para 
detectar a existência de problemas cardíacos e de pressão arterial; 
 Mantenha em sua dieta uma ingestão adequada de Cálcio e vitamina D; 
 Tome banhos de sol diariamente; 
 Participe de programas de atividade física que visem ao desenvolvimento 
de agilidade, força, equilíbrio, coordenação e ganho de força do 
quadríceps e mobilidade do tornozelo; 
 Elimine de sua casa tudo aquilo que possa provocar escorregões e instale 
suportes, corrimão e outros acessórios de segurança; 
 Use sapatos com sola antiderrapante; 
 Amarre o cadarço do seu calçado; 
 Substitua os chinelos que estão deformados ou estão muito frouxos; 
 Use uma calçadeira ou sente-se para colocar seu sapato; 
 Evite sapatos altos e com sola lisa; 
 Evite ingestão excessiva de bebidas alcoólicas; 
 Mantenha uma lista atualizada de todos os medicamentos que está 
tomando, ou que costuma tomar, e as dê para os médicos com quem faz 
consulta; 
 Informe-se com o seu médico sobre os efeitos colaterais dos remédios 
que você está tomando e de seu consumo em excesso; 
 Certifique-se de que todos os medicamentos estejam claramente 
rotulados e guardados em um local adequado (que respeite as instruções 
de armazenamento); 
 Tome os medicamentos nos horários corretos e da forma que foi receitada 
pelo médico, na maioria dos casos acompanhados com um copo d'água; 
33 
 
 
 Nunca ande só de meias; 
 Fadiga muscular e confusão mental aumentam o risco de quedas; 
 Mulheres que não conseguem encontrar sapatos esportivos 
suficientemente largos para o formato do seu pé devem comprar na seção 
masculina, pois estes sapatos têm fôrmas maiores; 
 Estatísticas norte-americanas indicam que 60% das quedas em idosos 
acontecem dentro de casa: ao subir escadas, escorregões em superfícies 
muito lisas e tropeços, entre outras situações. 
 Simples cuidados e adaptações poderão diminuir o risco de quedas 
dentro de sua casa. Basta verificar abaixo algumas orientações quanto a 
modificações na organização dos móveis, da casa e iluminação. 
Em seu quarto: 
 Coloque uma lâmpada, um telefone e uma lanterna perto de sua cama; 
 Durma em uma cama na qual você consiga subir e descer facilmente 
(cerca de 55 a 65 cm); 
 Dentro do seu armário, arrume as roupas em lugares defácil acesso, de 
preferência evitando os locais mais altos; 
 Substitua os lençóis e o acolchoado por produtos feitos por materiais não 
escorregadios, como algodão e lã. 
 Instale algum tipo de iluminação ao longo do caminho da sua cama ao 
banheiro; 
 Não deixe o chão do seu quarto bagunçado. 
Na sala e corredor: 
 Organize os móveis de maneira que você tenha um caminho livre para 
passar sem ter que ficar desviando muito; 
 Mantenha as mesas de centro, porta revistas, descansos de pé e plantas 
fora da zona de tráfego; 
34 
 
 
 Instale interruptores de luz na entrada das dependências de maneira que 
você não tenha que andar no escuro até que consiga ligar a luz. 
Interruptores que brilham no escuro podem servir de auxílio; 
 Ande somente em corredores, escadas e salas bem iluminadas; 
 Não acumule ou deixe caixas próximas do caminho da porta ou do 
corredor; 
 Deixe sempre o caminho livre de obstáculos; 
 Mantenha fios de telefone, elétricos e de ampliação fora das áreas de 
trânsito, mas nunca debaixo de tapetes; 
 Não deixe extensões cruzarem o caminho; reorganize a distribuição dos 
móveis. 
 Coloque nas áreas livres tapetes com as duas faces adesivas ou com a 
parte de baixo não deslizante; 
 Não sente em uma cadeira ou sofá muito baixo, porque o grau de 
dificuldade exigido para se levantar é maior; 
 Conserte imediatamente as áreas em que o carpete está desgastado; 
 Remova peitoril de porta maior que 1,3 m. 
Na cozinha: 
 Remova os tapetes que promovem escorregões; 
 Limpe imediatamente qualquer líquido, gordura ou comida que tenham 
sido derrubados no chão; 
 Armazene a comida, a louça e demais acessórios culinários em locais de 
fácil alcance; 
 As estantes devem estar bem presas à parede e ao chão para permitir o 
apoio do idoso quando necessário; 
 Não suba em cadeiras ou caixas para alcançar os armários que estão no 
alto; 
35 
 
 
 No piso, utilize ceras que após a aplicação não deixem seu piso 
escorregadio; 
 A bancada da pia deve ter de 80 a 90 cm do chão para permitir uma 
posição mais confortável ao se trabalhar. 
Na escada: 
 Não deixe malas, caixas ou qualquer tipo de bagunça nos degraus; 
 Interruptores de luz devem estar instalados, tanto na parte inferior quanto 
na parte superior da escada. Uma outra opção é instalar detectores de 
movimento que fornecerão iluminação automaticamente; 
 A iluminação deverá permitir a visualização desde o princípio da escada 
até o seu fim, assim como as áreas de desembarque; 
 Mantenha uma lanterna guardada em algum lugar próximo em caso de 
apagão; 
 Remova os tapetes que estejam no início ou fim da escada; 
 Carpete fixo na escada: selecione um carpete que tenha uma cor sólida 
(sem desenhos ou muitas formas) através do qual seja possível visualizar 
claramente as bordas dos degraus; 
 Coloque tiras adesivas antiderrapantes em cada borda dos degraus; 
 Instale corrimãos por toda a extensão da escala e em ambos os lados. 
Eles devem estar em uma altura de 76 cm acima da escala; 
 Repare imediatamente as áreas em que o carpete esteja desgastado 
(principalmente as bordas dos degraus). 
No banheiro: 
 Coloque um tapete antiderrapante ao lado da banheira ou do box para 
sua segurança na entrada e saída; 
 Instale na parede da banheira ou do box um suporte para sabonete 
líquido; 
36 
 
 
 Instale barras de apoio nas paredes do seu banheiro; 
 Duchas móveis são mais adequadas; 
 Mantenha algum tipo de iluminação durante as noites; 
 Use dentro da banheira ou no chão do box tiras antiderrapantes; 
 Substitua as paredes de vidro do box por um material não deslizante; 
 Ao tomar banho, utilize uma cadeira de plástico firme com cerca de 40 
cm. Caso não consiga se abaixar até o chão ou se sinta instável. 
6. DICAS ESSENCIAIS PARA ADAPTAR A CASA E EVITAR 
ACIDENTES DOMÉSTICOS COM IDOSOS 
 
Em todas as fases da vida adaptações são necessárias para que possamos 
viver bem e sem correr riscos. Quando bebês e crianças, nossos pais se 
preocupam em manter a casa segura, longe de qualquer coisa que possa nos 
machucar, afinal, nessa idade estamos descobrindo o mundo e qualquer objeto 
pontudo ou tomadas à vista podem ser muito atrativos, não é mesmo? Já quando 
crescemos e estamos adultos, as preocupações e descobrimentos da infância já 
não são motivos de preocupação. As adaptações necessárias ocorrem conforme 
queremos nosso conforto, comodidade e segurança – instalando câmeras e 
alarmes na casa, por exemplo. Quando envelhecemos, essas adaptações 
devem continuar acontecendo e devem ser uma fusão das preocupações da 
infância com as da vida adulta, afinal, conforme a idade vai chegando, ficamos 
37 
 
 
mais frágeis e propensos a sofrer acidentes graves em casa, assim como 
também temos necessidade de viver em um local confortável e agradável. 
Por que é necessário adaptar a casa para os idosos? 
Como citamos no início desse post, toda fase da vida demanda cuidados 
especiais. Quando envelhecemos, nossos reflexos e mobilidade não são mais 
os mesmos, por isso, acidentes que não aconteceriam ou que não causariam 
tantos danos a alguém jovem, estão mais propensos a acontecer com idosos – 
e serem graves. Por isso, não tem como fugir: adaptar a casa é um ato de amor 
essencial para proteger a saúde dos nossos idosos e proporcionar bem-estar. 
Dicas para adaptar a casa e evitar acidentes domésticos com idosos 
Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, um terço da 
população brasileira acima dos 65 anos sofre acidentes domésticos ao menos 
uma vez por ano, geralmente envolvendo quedas. Conforme a idade avança, 
essa proporção de acidentes anuais aumenta e pode provocar ferimentos leves, 
contusões, torções e até mesmo fraturas! Por isso, se você tem um idoso em 
casa, adaptá-la conforme as necessidades dele é essencial para que ele possa 
viver tranquilamente e sem riscos de se machucar. 
Confira abaixo dicas para adaptar a casa e evitar que seu velhinho sofra 
acidentes domésticos. 
1) Como adaptar um banheiro para idosos? 
Como você deve imaginar ou já deve ter ouvido falar, o banheiro é um dos locais 
mais propícios para ocorrer acidentes graves envolvendo idosos. Isso acontece 
porque esse cômodo da casa costuma estar úmido e, além disso, possui 
inúmeros itens que podem colaborar para que o idoso se desequilibre e caia – 
como o vaso sanitário, por exemplo. Por isso, é importante que o banheiro 
possua objetos e itens que deem mais aderência aos pés do idoso e também 
adaptações que sirvam como apoio para que ele possa se segurar e ter mais 
segurança para se locomover. 
38 
 
 
Para garantir um banheiro seguro para o idoso, você pode seguir as seguintes 
dicas: 
 Procure instalar pisos antiderrapantes no banheiro; 
 Instale barras para apoio próximas ao vaso sanitário e ao chuveiro, para 
que ele tenha onde se segurar; 
 Coloque um tapete antiaderente no chão do chuveiro, assim, ele terá 
firmeza nos pés quando estiver no banho, evitando escorregões; 
 Escolha um box que seja resistente para que, assim, acidentes com vidro 
sejam evitados; 
 Deixe uma cadeira de banho disponível para o idoso, para o caso dele 
precisar se sentar. 
2) Como adaptar um quarto para idosos? 
O quarto é o cômodo da casa que deve passar tranquilidade, conforto e, 
especialmente no caso dos idosos, praticidade. Por isso, manter todos os 
pertences do idoso ao alcance dele, como roupas, acessórios e objetos 
pessoais, é essencial para ele não fique nervoso e nem pense em subir em 
móveis para conseguir alcançar alguma coisa. Outro ponto importante para ser 
observado na adaptação de um quarto para idoso são os móveis disponíveis. 
Eles devem ser compatíveis com as características e necessidades do idoso 
para que se, por exemplo, ele precise se levantar à noite para ir ao banheiro, 
possa fazer isso sem dificuldades – e sem esbarrar em nada! 
Paragarantir um quarto seguro para o idoso, você pode seguir as seguintes 
dicas: 
 Procure deixar um abajur, lanterna ou interruptor próximo à cama do 
idoso, dessa forma, ele terá luz se precisar se levantar durante a noite; 
 Mantenha os armários e guarda-roupas em uma altura acessível para que 
ele possa pegar o que quiser sem dificuldades; 
39 
 
 
 Adapte a cama para que ela tenha uma altura confortável para que o 
idoso consiga subir e descer facilmente. 
3) Como adaptar uma sala de estar para idosos? 
A sala de estar é um ambiente de descontração para toda a família, inclusive 
para o idoso! Porém, esse local também costuma estar recheado de móveis e 
objetos decorativos que podem ser perigosos para eles. Uma sala cheia de 
objetos e móveis pelo caminho pode ser um desafio para o idoso, pois dificulta 
sua locomoção, podendo, inclusive, provocar esbarrões e quedas. Por isso, 
também é um ambiente que deve ser cuidadosamente adaptado. 
Para garantir uma sala de estar segura para o idoso, você pode seguir as 
seguintes dicas: 
 Evite trocar os móveis de lugar para não confundir os movimentos 
habituais do idoso; 
 Procure sempre deixar uma área de passagem livre para ele, facilitando 
sua movimentação; 
 Evite ter tapetes que fiquem soltos no chão, o idoso pode facilmente 
tropeçar e sofrer uma queda; 
 Escolha sofás, cadeiras e poltronas onde ele possa se apoiar e ter 
firmeza; 
 Preste atenção aos fios dos aparelhos eletrônicos para que nenhum fique 
solto no chão, o idoso pode tropeçar e se machucar. 
4) Como adaptar uma cozinha para idosos? 
Assim como o banheiro, a cozinha é um ambiente essencial em uma casa e que 
pode oferecer inúmeros perigos se não adaptada corretamente para um idoso. 
Ter que subir em cadeiras para alcançar objetos, bancadas muito altas, líquidos 
que caem no chão… são detalhes que parecem insignificantes, mas que para 
alguém com idade avançada pode representar perigo. 
40 
 
 
Para garantir uma cozinha segura para o idoso, você pode seguir as seguintes 
dicas: 
 Ajuste os móveis para que o idoso possa usá-los de maneira 
confortável sem precisar subir em cadeiras ou escadas; 
 Evite colocar alimentos e utensílios utilizados pelo idoso em locais de 
difícil acesso, como em cima de prateleiras altas, por exemplo; 
 Limpe o chão assim que líquidos ou alimento forem derrubados, dessa 
forma, o idoso não corre o risco de escorregar; 
 Sempre confira se o gás está desligado, especialmente se o idoso utilizar 
o fogão; 
 Pisos antiderrapantes na cozinha pode ser uma boa ideia para evitar 
acidentes. 
Abaixo vídeos relacionados ao assunto abordado: 
 
https://www.youtube.com/watch?v=KFQ9OfpkejI
41 
 
 
 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=-YCNc52I-GA
42 
 
 
 
TEXTO DE APOIO 
 
Disponível em:< 
https://editorarealize.com.br/editora/anais/cieh/2015/TRABALHO_EV040_MD4_
SA15_ID2710_07092015212140.pdf> 
 
ADAPTAÇÕES EM RESIDENCIAS PARA IDOSOS: NECESSIDADE DE 
PREPARO E DISCUSSÃO 
 
Maria do Socorro Costa Avelino; 
Samille Milany Miranda Pimentel de Araújo, 
Charle Victor Martins Tertuliano; 
Ana Karina da Cruz Machado 
Faculdade Mauricio de Nassau – e-mail: socorroavelino13@hotmail.com 
 
INTRODUÇÃO: 
 
Segundo o Estatuto do idoso, pessoa idosa, é aquela que atinge idade 
igual ou superior a sessenta anos de idade (BRASIL, 2003). A longevidade é 
uma realidade atual, sendo assim, a cada nova estatística maiores serão os 
dados referentes ao avanço dos anos vividos pelas pessoas no mundo. 
Esse fato deve ser considerado motivo de comemoração, no entanto, 
vários fatores ainda preocupam a questão de envelhecer com qualidade de vida 
e o preparo e adaptação para lidar com as consequencias do envelhecer é uma 
delas. Como exemplo, podemos citar as condições crônicas desencadeadas 
pelo envelhecimento, e com elas, maior incapacidade funcional. 
À medida que o ser humano envelhece, as atividades do dia a dia tornam-
se cada vez mais difíceis de serem realizadas (ARAUJO, 2007). Neste sentido, 
o ambiente no qual a pessoa idosa está inserida, se torna fundamental no 
processo de autonomia e independência aos quais são essenciais para o 
envelhecer com qualidade. 
Essa adaptação pode ser desenvolvida de maneira simples, o maior 
problema notado não se trata de condições de renda e sim de informação, uma 
vez que, a adequação correta da pessoa idosa em sua residência, pode evitar 
episódios de quedas e possíveis agravos que conduzem muitas vezes a 
limitações permanentes ou óbitos em pessoas idosas, casos graves que 
necessitam cada vez mais de discussão e orientação. 
43 
 
 
O ambiente domiciliar é responsável por uma quantidade significativa de 
quedas na população idosa, 70% desses registros ocorrem na residência da 
vítima. Para Meira et. al, 2005; Lord et. al (2006), essas quedas são provocadas 
pela falta de adaptação do ambiente em que esses idosos vivem, como piso 
escorregadio, má iluminação, objetos soltos e espalhados pela casa, ausência 
de corrimãos nos corredores, degraus e solo irregular. 
As adaptações realizadas no ambiente domiciliar são de extrema 
importância para a implementação de programas de prevenção, com o objetivo 
de melhorar a qualidade de vida desses idosos (BOERS et. al, 2001). 
Para a prevenção desses danos, decorrentes do mau planejamento do 
ambiente domiciliar, devem ser realizadas adaptações, prevenindo os acidentes 
domésticos (BORGES, 2009). Sendo assim, é de extrema importância 
caracterizar as condições ambientais do domicilio do idoso e identificar as 
adaptações que podem ser realizadas nesse ambiente, com o objetivo de evitar 
futuros acidentes domésticos. 
Neste sentido, é importante considerar não apenas as residências iniciais, 
mas, lembrar de que muitos idosos ao envelhecer, passam a integrar outros 
ambientes de vivencia tais como Instituições de Longa Permanência para 
Pessoas Idosas (ILPIS) assim como, centro de convivências e condomínios 
próprios para a moradia de idosos, que vem sendo cada vez mais incentivado 
pelos programas de governo e ações governamentais dos municípios e estados, 
como exemplo, o condomínio Cidade Madura/ PB, primeiro condomínio público 
construído e projetado para a moradia da pessoa idosa, ao qual já, a partir da 
entrada do condomínio é possível perceber a qualidade do material investido e 
o quanto houve preocupação no cumprimento da legislação no que diz respeito 
à acessibilidade, qualidade de vida e convivência social. 
Neste condomínio em específico, os idosos usuários de cadeiras de rodas 
e com limitação na locomoção tem suas necessidades atendidas de acordo com 
a legislação redigida pela Associação Brasileira de Normas e Técnicas, 
especificamente a NBR9050 (ABNT/NBR), lei que auxilia nas construções em 
geral, determinando o acesso especial a ser cumprido de maneira a promover a 
inclusão de todos, promovendo e incentivando a utilização segura do ambiente 
ou equipamento. 
44 
 
 
Quantos outros idosos no país não tem a mesma oportunidade de terem 
seus lares adaptados e preparados para a promoção de sua autonomia e 
independência? O quanto de consequencias, tais como internamentos por 
quedas, agravos de doenças já existentes, e óbitos, essa ação não evitaria? 
O presente trabalho visa discorrer sobre a importância da necessidade do 
preparo e das adaptações nas residências para idosos, da importância da 
orientação e discussão no sentido de evitar consequencias e agravos a já 
debilitada ou frágil saúde da pessoa idosa. Para isso, vários artigos e 
publicações já existentes foram consultados, conforme descritas a seguir. 
 
METODOLOGIA, RESULTADOS E DISCUSSÃO: 
 
O estudo se trata de uma revisão bibliográfica onde será detalhada a ação 
das adaptações nas residências para idosos como meio de qualidade de vida 
para essa população, realizando um levantamento da literatura com artigos, 
revistas, livros e monografiaspara analise do tema escolhido. 
Para a busca de material e artigos na literatura foram utilizadas as 
seguintes palavras-chaves e descritores em saúde, combinados da seguinte 
forma: adaptação em residências, pessoa idosa, qualidade de vida. 
Como critérios de inclusão, foram selecionados todos os artigos que 
apresentassem algum estudo clínico, revisões, teses ou dissertações com 
adaptações e qualidade de vida em residências adaptadas como meio de 
melhorar nas atividades de vida diária. O ano de publicação não foi um critério 
de inclusão, uma vez que todas as publicações referentes a este tema entraram 
para o estudo. Sendo assim as publicações foram de 2003 a 2013. 
A pesquisa foi realizada no período compreendido entre abril e agosto de 
2015. As seguintes bases de dados que foram pesquisadas: Scielo, Medline, 
Lilacs, Bireme, Pubmed e PEDro. 
Foram pesquisados artigos, monografias e livros na língua portuguesa e 
inglesa. Os artigos que apresentavam as palavras chaves no título eram 
selecionados, em seguida era realizada a leitura do resumo e a leitura do texto 
completo. Algumas publicações foram excluídas após a leitura do texto 
completo, por não estarem relacionadas diretamente ao tema escolhido. 
45 
 
 
Os resultados apontam que muitos estudos têm mostrado a epidemiologia 
das quedas em idosos. Segundo EVCI (2006), um estudo realizado na Turquia 
mostrou que 31% dos idosos, no ultimo ano, caíram pelo menos uma vez. Seculi 
(2004) em seu estudo realizado na Cataluña mostra que 17,9% das pessoas 
acima de 65 anos de idade, sofreram pelo menos uma queda em um ano. Já no 
Brasil, aproximadamente 30% dos idosos, sofrem queda ao menos uma vez por 
ano (PERRACINI, 2002). 
Pessoas de todas as idades sofrem quedas diariamente, porém, ela é 
mais grave no individuo idoso, pois suas consequências podem levá-lo a 
incapacidade e até a morte. Foi verificado que 54% das quedas em idosos tem 
como causa o ambiente inadequado, e que 66% dessas quedas ocorrem no 
próprio ambiente domiciliar do idoso (FABRÍCIO et. al, 2004). 
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2011), um terço dos acidentes 
traumáticos, ocorre com indivíduos com mais de 60 anos de idade, sendo que 
75% dessas lesões ocorrem no ambiente domiciliar e 45% desses acidentes 
ocorrem principalmente à noite, no trajeto do quarto para o banheiro. A maior 
causa de acidentes domésticos ocorre por: quedas, tropeços, escorregamentos 
e escadas. 
Idosos com idade superior a 75 anos de idade, que precisam de ajuda na 
realização de suas atividades de vida diária (AVD’s), como: alimentar-se, tomar 
banho, realizar higiene intima, vestir-se, pentear os cabelos, sair da cama, 
escovar os dentes, possui uma probabilidade de cair 14 vezes maior do que 
idosos da mesma idade que são independentes (PERRACINI, 2004). 
Em um estudo realizado por Agnelli 2012, o quintal foi o cômodo que mais 
apresentou obstáculo, por conter muitos vasos com plantas e roupas 
penduradas. No mesmo estudo, foram avaliados os banheiros, e 25% não 
apresentava Box, aumentando o risco de queda após o banho, pois com o 
banheiro molhado, pode ser que o idoso perca o equilíbrio, promovendo a queda. 
De acordo com Agnelli (2012), dentre os ambientes presentes na rotina 
do idoso, o ambiente domiciliar tem uma representação muito forte, já que é onde 
o idoso realiza maior parte das atividades de vida diária. 
Essas adaptações domiciliares têm como objetivo favorecer a 
independência do idoso em sua própria residência, ajudar o idoso nas atividades 
de vida diária (AVD’s), promovendo sua autonomia. Além da melhora direta da 
46 
 
 
funcionalidade, a adaptação do ambiente domiciliar irá prevenir quedas em 
idosos (MELLO, 2007). 
Um ambiente propício para o idoso é aquele que oferece segurança, 
facilita a interação social, favorece a adaptação às mudanças e é familiar para o 
idoso (RIBEIRO, et. al, 2008). 
Ao analisar o ambiente domiciliar, Cavalcanti e Galvão (2007), 
consideram importantes os critérios a seguir: mobilidade, as dimensões dos 
espaços para que o individuo possa realizar suas tarefas; orientação em relação 
do individuo com o ambiente. 
De acordo com o estudo do Ministério da Saúde (2011), as adaptações 
recomendadas devem utilizar dispositivos de apoio para a marcha (bengala, 
andador), evitar camas muito altas, retirar tapetes soltos, cordões e fios do 
assoalho, substituir ou consertar móveis instáveis, instalar corrimãos nas 
escadas e faixas nas bordas dos degraus, providenciar iluminação adequada 
para a noite, instalar vaso sanitário mais alto, barras de apoio próximo ao 
chuveiro e ao vaso sanitário, os capachos e tapetes devem ser antiderrapantes, 
consertar calçadas e degraus quebrados, instalar iluminação adequada nas 
calçadas, portas e escadas. 
Segundo Meira (2005), a redistribuição da mobília, deixando áreas de 
circulação livres, tornaria o ambiente domiciliar seguro, levando o idoso à 
autonomia e independência num maior número de atividades de vida diária 
possíveis com segurança e menor risco de quedas. 
Soares 2013, em seu estudo, fala que uma iluminação destinada à pessoa 
da terceira idade deve atender dois objetivos: a quantidade de luz e a qualidade 
da luz, pois os idosos tendem a ver mais o amarelo. Ela aborda também, que é 
de extrema importância iluminar corredores e escadas, pois são espaços que 
ligam um cômodo a outro. E, para o quarto, o autor sugere uma cama baixa, 
onde se consiga apoiar os pés no chão enquanto sentado. 
Os estudos demonstram que muitas ações dependem muito mais de 
orientação quanto as adaptações corretas do que de condições sócio 
econômicas, assim, a principal discussão se encaixa no sentido da promoção de 
campanhas da importância de residências adaptadas para a moradia segura da 
pessoa idosa, da orientação em torno da disposição dos móveis e espaços da 
47 
 
 
casa e de atitudes simples como ampliar a iluminação, entre outras ações que 
podem evitar. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
De acordo com os artigos analisados, verificou-se que o ambiente domiciliar 
é o responsável pela maior incidência de quedas em pessoas idosas, tendo 
como causa o ambiente inadequado onde vivem. Diante do exposto, vimos à 
importância de uma adaptação nessas residências, para que seja possível uma 
diminuição desses índices de quedas em ambientes não adaptados para a 
pessoa idosa. 
As adaptações tais como: barras de ferro, corrimãos nas escadas e faixas nas 
bordas dos degraus que deem destaque, além de iluminação adequada, a 
instalação de vaso sanitário mais alto, barras de apoio próximo ao chuveiro e ao 
vaso sanitário, capachos e tapetes antiderrapantes, calçadas e degraus inteiros 
entre outras providencias evitam o aumento destas tristes estatísticas que 
podem desencadear em óbitos precoces. 
Importante salientar também, que esses cuidados, promovem a autonomia e 
a independência da pessoa idosa, possibilitando que a mesma faça suas 
atividades rotineiras com segurança e contribuem assim, com uma melhor 
qualidade de vida dos mesmos em seu ambiente familiar. 
A partir desse estudo podemos ampliar um leque com relação às adaptações 
que podem ser realizadas em residências onde os idosos convivem, e mais que 
isso, se pode refletir sobre a necessidade de orientação a população que convive 
com a pessoa idosa, e de um suporte maior do Estado no que tange a ampliação 
de políticas públicas que possam assegurar essa acessibilidade por meios de 
programas do governo com apoio as famílias que não tem condições de ter sua 
residência adaptada para esse segmento podendo, inclusive essas adaptações 
devem ser pleiteadas por programas de reformas apoiados pelo programa de 
habitação do governo federal, um direito que poucas pessoas sabem e que deve 
ser esclarecido e cobrado. 
Residências adaptadas certamente contribuirão para uma melhor qualidade 
de vida da pessoa idosa, que poderácircular livremente por seu “território 
conhecido”, independente de ser seu lar inicial ou uma moradia final, como 
48 
 
 
instituições que abrigam essa demanda. Assim, podendo desfrutar da velhice 
com autonomia, independência e de maneira saudável e ativa. 
 
 
49 
 
 
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