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1 ADAPTAÇÕES AMBIENTAIS E DOMÉSTICAS 1 Sumário 1.NOSSA HISTORIA.................................................................................2 2.INTRODUÇÃO ...................................................................................... 3 3.GERONTOLOGIA AMBIENTAL: PANORAMA DE SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A ATUAÇÃO DO GERONTÓLOGO ............... 8 4. Gerontologia Ambiental: conceitos clássicos e tendências atuais .................................................................................................... 10 5.NOVAS DEMANDAS À GERONTOLOGIA AMBIENTAL .............. 17 6.CONTRIBUIÇÕES À ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL 7.GERONTÓLOGO .......................................................................... 20 8.CUIDADOS PARA EVITAR ACIDENTES DOMÉSTICOS COM IDOSOS ........................................................................................... 22 9.COMO REDUZIR QUEDAS NO IDOSO ....................................... 27 10. DICAS ESSENCIAIS PARA ADAPTAR A CASA E EVITAR ACIDENTES DOMÉSTICOS COM IDOSOS ......................................... 36 11.REFERÊNCIAS ........................................................................... 49 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 INTRODUÇÃO A Terapia Ocupacional em Gerontologia visa a promoção da qualidade de vida, especialmente através da promoção da independência em atividades cotidianas e da satisfação por parte do idoso. Para tanto é preciso fazer um levantamento de uma série de fatores relacionados ao idoso, que se inicia, segundo Barreto e Tirado, com dados sócio demográficos e história de vida. Em seguida, as autoras mencionam a avaliação funcional, para o conhecimento de habilidades e limitações, e a avaliação ambiental, que busca identificar problemas e estratégias para maior integração do idoso neste ambiente. O ambiente está entre os fatores que influenciam a funcionalidade na velhice e deve oferecer, segundo Ribeiro et al., segurança, estímulos, controle pessoal, interação social, favorecer a adaptação às mudanças e ser familiar ao idoso. Portanto, para que os objetivos da Terapia Ocupacional sejam alcançados, muitas vezes faz se necessária a intervenção direta no ambiente físico, a fim de favorecer a manutenção da capacidade funcional, independência e autonomia do idoso. Considerando desde o ambiente imediato do indivíduo até o ambiente geral, a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) considera que as características do mundo físico, social e de atitude têm um impacto facilitador ou limitador sobre os componentes da funcionalidade e da incapacidade, não apenas nas condições de saúde, mas também nas atividades e na participação em diferentes situações. Dessa forma, a sociedade pode restringir o desempenho das pessoas ao oferecer um ambiente com barreiras ou simplesmente quando não fornece facilitadores necessários para o desempenho de uma determinada tarefa. Segundo Atwal, “os terapeutas ocupacionais têm um papel importante na remoção das barreiras ambientais”. Mas, como propõe a CIF, não se trata apenas da eliminação de barreiras arquitetônicas, pois os locais acessíveis devem apresentar facilitações, ou seja, ajudas técnicas que precisam ser incluídas no ambiente. Diante da necessidade de se garantir acessibilidade nas edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, a Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT) criou a Norma Brasileira (NBR) 9050, estabelecendo parâmetros técnicos a serem observados desde o projeto e 4 construção, ou então na adequação de ambientes já existentes. A primeira norma brasileira publicada foi em 1985, ainda com lacunas, tendo passado por revisões e reformulações que culminaram com a publicação de uma nova versão, em 2004, contemplando aspectos antes não mencionados. Entre os pressupostos adotados em 2004 e revisados em 2005, estão: acessibilidade, desenho universal, barreira arquitetônica e tecnologia assistiva, incluindo também: dimensões necessárias para a circulação de pessoas em diferentes condições; referências para alcance manual e visual; formas de comunicação e sinalização (piso tátil e braille); especificações de equipamentos eletrônicos; dimensionamento de rampas; escadas; banheiros; entre outras informações. Após se consolidar como um referencial técnico em acessibilidade e em virtude da credibilidade da ABNT, verifica-se o uso da NBR 9050 como instrumento confiável, com critérios mínimos para ambientes acessíveis, quanto ao conforto e funcionalidade. Para ambientes coletivos, portanto, esta norma tem sido o principal referencial para a elaboração de instrumentos de avaliação, como por exemplo, para o acesso de pessoas com limitações físicas a serviços de saúde, para escolas públicas de ensino fundamental e para Bibliotecas. Além da promoção direta da funcionalidade, a adaptação do ambiente domiciliar pode prevenir quedas em idosos. Perracini e Gazzola afirmam que a avaliação ambiental é fundamental não apenas quanto ao risco de quedas, mas também devido ao risco de intoxicações, queimaduras, choques e outras lesões, sendo que o uso de tecnologias têm contribuído para a minimização de tais riscos. De acordo com Andrade e Pereira, em um estudo de revisão bibliográfica, sobre a influência da tecnologia assistiva em idosos frágeis, as evidências científicas concluem que o uso de recursos tecnológicos permite ao idoso, em muitos casos, desenvolver atividades funcionais com segurança, aumentando sua independência e autonomia, além de diminuir a necessidade de cuidadores, evitar hospitalizações e institucionalizações, contribuindo, dessa forma, para a manutenção de funções motoras e cognitivas, interação social e melhoria da qualidade de vida. O cuidado com a avaliação é um dos requisitos para aumentar a segurança e o terapeuta ocupacional tem sido o profissional escolhido para coordenar este processo. A avaliação ambiental pode ser feita por entrevistas e observação 5 direta, podendo ser dividida em: avaliação dos componentes pessoais, avaliação dos componentes ambientais e análise das problemáticas relacionadas à acessibilidade do local. Segundo Barreto e Tirado, o ambiente físico deve ser observado em sua arquitetura (parede, piso, desníveis, iluminação, ventilação, circulação) e quanto às características do mobiliário, como disposição e quantidade. Ao analisar especificamente o ambiente domiciliar, Cavalcanti e Galvão consideram importantes os seguintes critérios: mobilidade (dimensões do espaço para as tarefas), orientabilidade (se o meio apresenta informações para o acesso e funcionalidade) e usabilidade (interação entre o indivíduo e os equipamentosdo ambiente). Diante de uma proposta de atuação tão abrangente do terapeuta ocupacional com a população idosa, uma série de aspectos precisam ser avaliados para que a intervenção seja eficiente. Nessa perspectiva as escalas e instrumentos de avaliação podem ser utilizados para favorecer a coleta de dados e facilitar a documentação de informações relevantes. Através de um teste padronizado, o profissional estabelece uma linha de base bem definida, sobre a qual podem basear suas decisões. Portanto faz-se necessária a criação de novos instrumentos, tanto para a clínica como para a pesquisa, de forma que as medidas sistematizadas em saúde garantam a comparabilidade de resultados. De um modo geral, há escassez de instrumentos de avaliação no Brasil. Chaves et al. realizaram uma revisão de literatura e constataram que existem poucas escalas de avaliação em Terapia Ocupacional que podem ser utilizadas no país. Além disso, “as escalas já validadas e/ou elaboradas em português encontradas avaliam o desempenho ocupacional sob diferentes aspectos”. Dessa forma, faltam instrumentos de avaliação voltados para o ambiente domiciliar, que auxiliem no mapeamento das condições de acesso na residência, que facilitem a identificação dos aspectos que necessitam de intervenção. No Brasil o contingente de idosos cresce a passos largos, o que torna maior a necessidade de desenvolvimento de políticas racionais para suprir os problemas sociais, econômicos e principalmente de saúde decorrentes do envelhecimento populacional. Segundo o Censo demográfico de 2000, 62,4% dos idosos são os responsáveis pelos domicílios brasileiros. A população brasileira é de 169.799.170 habitantes, sendo 14.536.029 indivíduos com 60 anos ou mais 6 idade, representando 8,6% da população. Na Bahia essa faixa etária é composta de 1.077.901 habitantes. Os idosos representam 6,8% da população da cidade do Salvador. A capital baiana é composta de 12 distritos sanitários, sendo o terceiro mais populoso o distrito de Pau da Lima (IBGE, 2000). Papaléo Netto (2002), diz que o processo de envelhecimento e sua consequência natural, a velhice, é preocupação desde o início da civilização, embora exista pela frente um longo tempo para pesquisas sobre o fenômeno do envelhecimento. Nas últimas décadas, do século XX, houve um grande interesse dos estudiosos acerca da velhice, assim o número de pesquisas sobre envelhecimento e suas consequências cresceu. Segundo Santos e Andrade (2005), não existe uma maneira padrão de envelhecimento, cada indivíduo envelhece de acordo com suas condições biológicas e socioculturais. Envelhecimento é um fato irremediável, mas envelhecer sem incapacidades, com a autonomia e funcionalidade preservada é fator basilar para manter uma boa qualidade de vida. (SILVA et al, 2007). Chegado o envelhecimento, diversas alterações tanto funcionais quanto morfológicas surgem, e o indivíduo perde sua capacidade de adaptação ao meio ambiente e capacidade funcional. Ocorre uma diminuição de suas capacidades físicas e mentais, que são de suma importância para a realização de suas atividades de vida diária, como por exemplo, os cuidados pessoais, e se tornam mais propensos a patologias (LOPES et al, 2007; SILVA et al, 2007). Diante de todas as alterações estruturais e complicações que ocorrem em indivíduos com idade superior a 60 anos, torna-se maior a necessidade de atenção e preocupação entre os profissionais da área de saúde com esse grupo etário que se encontra mais susceptível a quedas (SILVA et al, 2007). Para Nevitt (1997), Pereira et al (2001), Perracini e Ramos (2002), a queda é um episódio frequente e limitante, involuntário do corpo para um plano inferior à posição inicial com incapacidade de correção em tempo hábil, sendo considerado como um marcador de fragilidade, morte, institucionalização e declínio na saúde e capacidade funcional do indivíduo. Outro aspecto que é levado em consideração é o tempo de permanência no chão. A queda é considerada prolongada quando o indivíduo permanece de 15 a 20 minutos no solo sem que este não consiga levantar sem ajuda. 32% de idosos 7 entre 65 a 74 anos sofrem de queda ao ano. A queda representa inúmeros problemas na vida de um idoso. Além de fraturas, imobilidades, limitação na execução de atividades da vida diária, o idoso sofre com os prejuízos psicossociais, como o medo da institucionalização e de sofrer novas quedas, repercussão do incidente na família, aumento dos custos com cuidados de saúde e o risco eminente de morte (MACIEL; GUERRA, 2005). Gawryszewski, Jorge e Koizumi (2004) relatam que durante o ano de 2000, foram registradas 2.030 mortes por quedas de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos de ambos os sexos no Brasil, ocupando assim a terceira posição na taxa de mortalidade. As quedas têm relação causal com 12% de todas as mortes na população geriátrica. São responsáveis por 70% dos óbitos acidentais em indivíduos com 75 anos ou mais. Naqueles que são hospitalizados em decorrência de uma queda, o risco de morte no ano seguinte à internação varia entre 15% a 50% (PEREIRA et al, 2001). As quedas em indivíduos idosos contribuem significativamente para o problema de saúde pública em decorrência da sua alta incidência, aos custos assistenciais e complicações para a saúde. Close et al (1999) e Steadman, Donaldson e Kalra (2003) acordam que um terço da população com idade superior a 75 anos de idade relata um caso ou mais de quedas em casa, sendo responsável por 2/3 dos acidentes domésticos. Além dos fatores intrínsecos como as próprias modificações comuns ao envelhecimento, o uso de fármacos e patologias associadas, existem também os fatores extrínsecos como a falta de adaptação do ambiente domiciliar, o que se torna um desafio ao idoso. O ambiente domiciliar é responsável por uma quantidade significativa de quedas dos idosos. Neste grupo etário 70% dos episódios de quedas ocorrem em suas próprias casas. As quedas são provocadas pela falta de adaptação do ambiente domiciliar, como piso escorregadio, má iluminação, tapetes não fixados no chão ou dobrados, degraus, objetos soltos e espalhados pela casa, ausência de corrimãos em corredores, banheiros e escadas, prateleiras excessivamente baixas ou elevadas e solo irregular. Todas essas más adaptações fazem com que o centro de gravidade se desloque constantemente, o que influencia diretamente na ocorrência de quedas. 8 Os cuidados com a adaptação do ambiente podem ser simples. Indivíduos com baixa renda familiar e baixo grau de informação podem apresentar maior dificuldade na adequação da residência, causando episódios de queda por falta de informação. Situado na região do Miolo Central de Salvador, o bairro de Pau da Lima começou a formar-se em meados da década de 1950, situa-se na Região Administrativa XIII entre a Avenida Paralela e a BR-324, e é considerado o terceiro bairro mais populoso da cidade estimativa de 260 mil habitantes. No bairro de Pau da Lima a renda domiciliar per capita é em média, R$ 2,15 por morador por dia, ou R$ 64,60 por morador mensal; 76% não têm ao menos o ensino fundamental concluído, sendo que 23% são analfabetos dificultando o acesso à informação sobre a adequação do domicílio com dispositivos para prevenir a queda. Diversos itens devem ser levados em consideração no que concerne à avaliação do idoso: Identificação do paciente, queixa principal detalhada, revisão dos sistemas fisiológicos principais, avaliação da funcionalidade global, história pessoal atual e pregressa, avaliação sócio familiar, avaliação do cuidador, avaliação ambiental, exames complementares, estimativas gerais, diagnósticos principais, e por fim, plano de cuidados. A avaliação ambiental é importante para a implantação de programas de prevenção, com o objetivo da melhoria da qualidade de vida dosidosos. Diante dos dados apresentados, do amplo crescimento da população de idosos, e alto índice de quedas, fica evidente a necessidade de um maior conhecimento dos fatores associados à queda em idosos. 1. GERONTOLOGIA AMBIENTAL: PANORAMA DE SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A ATUAÇÃO DO GERONTÓLOGO As perspectivas sobre o envelhecimento humano, sobretudo no que se refere a seus processos comportamentais e adaptativos, foram tradicionalmente pautadas em modelos centrados no declínio biológico e no aumento da idade como variáveis causais e explicativas. Contudo, a partir de meados do século passado, as contribuições metodológicas e conceituais propiciadas pela consideração das variáveis ambientais geraram um notório desenvolvimento do campo da Gerontologia no que diz respeito à teoria, pesquisa e aplicação, contribuindo para uma concepção multidimensional e multidirecional do 9 envelhecimento. Nos últimos quarenta anos, a consideração explícita da influência ambiental sobre o curso e os resultados do envelhecimento propiciou a consolidação de uma subárea denominada “Gerontologia Ambiental”, a qual tem oferecido evidências e conceitos importantes para ações de promoção de um envelhecimento saudável e para a construção de sociedades amigas dos idosos. Entre outras definições, a Gerontologia Ambiental é concebida como o campo dedicado a descrição, explicação, modificação ou otimização da relação entre as pessoas idosas e seu entorno socioespacial, e, enquanto campo multidisciplinar, alimenta-se das contribuições advindas das diversas ciências. Embora ainda considerado por alguns como um campo de estudos e não enquanto uma ciência paradigmática, o desenvolvimento desse campo tem permitido compreender os determinantes contextuais do envelhecimento e sua influência sobre a heterogeneidade na experiência dos idosos. Uma de suas proposições clássicas é que as condições ambientais que permitem aos idosos desempenharem comportamentos biológicos, sociais e psicológicos adaptativos estão entre as dimensões mais relevantes para o envelhecer com qualidade de vida.6 Nesse sentido, o presente texto busca trazer algumas considerações a respeito do campo teórico da Gerontologia Ambiental, ao traçar um breve panorama dos temas clássicos de estudo e aplicação dos novos campos abertos pelas demandas do envelhecimento populacional e das políticas públicas decorrentes destas. O texto busca também salientar a importância da perspectiva ambiental para as ações práticas do profissional gerontólogo em suas tarefas de gestão de cuidados, serviços e políticas no campo da velhice e dos processos de envelhecimento. 10 2.1 Gerontologia Ambiental: conceitos clássicos e tendências atuais Do ponto de vista histórico, a Gerontologia Ambiental é fruto de contribuições teóricas de diversas áreas, como da Sociologia Urbana da Escola de Chicago nos anos 1920, da Psicologia Social de Kurt Lewin na década de 30, das teorias da aprendizagem que dominaram a Psicologia nas décadas de 40 e 50 e do desenvolvimento da Psicologia Ambiental na década de 60. Uma vez que o termo “ambiente” dentro de cada uma dessas áreas abarca influências sobre o envelhecimento de naturezas diversas, tais como físicas, sociais, organizacionais e culturais, o termo “ambiente sociofísico” tem sido utilizado para especificar seu foco de estudo considerando as transações do indivíduo com o ambiente físico não apenas no que se refere a seus atributos objetivos, mas a partir de sua interpretação social, significados compartilhados e contextualização histórica. Contudo, o campo ainda é caracterizado por um pluralismo de perspectivas, fruto das contribuições interdisciplinares e da consideração dos diferentes níveis de análise teóricos e práticos. Assim, o espectro de temáticas com as quais a Gerontologia Ambiental está fortemente comprometida atravessa um continuum de análise envolvendo desde o microambiente, representado pelo ambiente doméstico e privado, os arranjos de moradia e a satisfação residencial, passando pelos mesoambientes, tais como os contextos institucionais, até os macroambientes que estruturam a experiência do envelhecimento, tais como o estudo das transações com os contextos urbanos/rurais, questões de vizinhança, segurança, acessibilidade e políticas públicas. Embora alguns autores considerem as décadas de 1970 e 1980 como “anos de ouro” na produção das teorias em Gerontologia Ambiental, vislumbra- se um atual florescimento do campo no panorama internacional, abarcando as contribuições das perspectivas teóricas em Psicologia life-span e Sociologia life- course, da Geografia Social e das intervenções práticas nos campos da Arquitetura, Engenharia e Terapia Ocupacional. Wahl & Oswald, expoentes da Gerontologia Ambiental atual, destacam as três grandes questões e desafios com os quais o campo está envolvido. O primeiro desafio é compreender como os indivíduos (à medida que envelhecem) manejam as oportunidades e 11 restrições nas condições ambientais sociofísicas. O segundo diz respeito à necessidade de clarificar as conexões entre as dimensões objetivas e subjetivas na relação dos indivíduos idosos com o ambiente. O terceiro desafio é examinar as contribuições das transações pessoa-ambiente para os diferentes cursos (normal, patológico ou bem-sucedido) e respostas (bem-estar, autonomia, identidade, saúde física e mental) em termos de envelhecimento. Seis principais proposições teóricas desenvolvidas entre as décadas de 1970 e 1980, apesar de criticadas por se pautarem em perspectivas de transações mais representativas dos micro e mesoambientes, ainda são consideradas fontes dos principais conceitos em Gerontologia Ambiental e com potencial contribuição para as macroanálises. Dentre os conceitos herdados dessas contribuições, destacam-se os de competência, de pressão ambiental e os desdobramentos desses encontrados na obra de Lawton, que, por volta da década de 1990, expandiu as hipóteses da docilidade e da proatividade ambiental e postulou a respeito das funções básicas do ambiente para o bem-estar na velhice. Uma breve descrição desses conceitos se faz pertinente, uma vez que, juntamente com contribuições atuais, tem auxiliado a construção de novas estruturas teóricas mais abrangentes. Segundo Lawton & Nahemow, competência diz respeito à capacidade funcional de um indivíduo refletida em sua saúde biológica, seu funcionamento sensório- perceptual, suas habilidades motoras, cognitivas e forças do ego. Já a pressão ambiental diz das demandas do ambiente sobre o indivíduo, sejam elas físicas, interpessoais ou sociais. A relação entre competência e pressão geraram a hipótese da docilidade ambiental, ou seja, quanto menos competente é um indivíduo, maior é o impacto do ambiente sobre seu comportamento. Complementarmente, Lawton propôs a hipótese da proatividade ambiental ao sugerir que o indivíduo não é passivo frente às restrições na competência impostas pelas demandas do ambiente, tendendo a alterar seu meio ou a forma de lidar com seu meio para satisfazer suas necessidades e otimizar suas competências. Em 1989, Lawton descreveu as três funções básicas dos ambientes sociofísicos para o funcionamento competente e qualidade de vida na velhice, a saber suas funções: de manutenção, de estimulação e de suporte. A função de 12 manutenção destaca a importância da constância e previsibilidade do ambiente, que contribuem para que o indivíduo atribua significados e derive experiências de lar, lugar, identidade, apego e satisfação residencial. A função de estimulação diz respeito aos aspectos do ambiente que estimulam comportamentos adaptativos, como atividades sociais e de lazer ou mesmo aqueles que reduzem ou ampliam problemas comportamentais em idosos com quadros de comprometimentos físicos e/oucognitivos. Por fim, a função de suporte diz dos aspectos do ambiente que possuem o potencial para compensar competências perdidas ou reduzidas, aspectos também chamados de “próteses ambientais”. Entre eles estão os fatores que promovem segurança, orientação e funcionamento independente. Ao final da década 1990 e início dos anos 2000, teorias psicológicas sobre o construto de crenças de controle baseadas em uma perspectiva lifespan vieram somar-se às contribuições clássicas no exame das transações entre a pessoa que envelhece e o ambiente. As distinções entre controle primário (esforço para exercer o controle direto sobre os eventos e ambiente externo) e controle secundário (ajustes pessoais, como reatribuição causal, para lidar indiretamente com eventos e fatores externos) propostas por Heckenhausen & Schulz e as demonstrações de diminuição no senso de controle primário na velhice auxiliam na compreensão de como os indivíduos manejam o ambiente e as próprias crenças subjetivas para lidar com as diminuições nos recursos pessoais. Partindo do construto de crenças de controle, Oswald e colaboradores têm proposto o conceito de crenças de controle relacionadas à residência para examinar as percepções que os idosos possuem na explicação de eventos relacionados ao seu microambiente. Nesse sentido, examinase se o idoso percebe as ocorrências como contingentes ao seu próprio comportamento ou como fruto da ação de eventos incontroláveis, tais como por sorte, fatalidade ou por atuação de outros poderosos. O argumento é que as crenças de controle regulam as trocas da pessoa com seu ambiente, tornando-se especialmente importantes na explicação da autonomia e do bem-estar na velhice. Estudos longitudinais têm revelado aumento nas crenças de controle externo como forma de lidar com os declínios em saúde, funcionalidade ou por ação dos estereótipos sobre a velhice. Porém, segundo Oswald e colaboradores, o baixo senso de controle primário 13 sobre os eventos que incidem sobre o microambiente relaciona-se com perdas em autonomia e aumento da dependência. Dos modelos de congruência e modelos complementares de congruência, a Gerontologia Ambiental derivou o conceito de ajuste ou desajuste pessoa- ambiente. A mensagem inerente ao conceito de ajuste é que o nível de competência em certos domínios é congruente ao nível de pressão ambiental. Assim, incongruência representaria uma condição de risco à competência, ou, por outro lado, uma condição de estímulo de processos de agência humana e de proatividade frente às restrições ambientais. Como exemplo da ação da incongruência como fator de estímulo, cabe destacar que, por muito tempo, os estudiosos consideravam a realocação residencial como um fator de risco para o bem-estar e funcionalidade dos idosos. Porém, estudos atuais têm demonstrado que a realocação também pode ser fonte de desenvolvimento na velhice, uma vez que promove o surgimento de novos processos adaptativos. No intuito de integrar as evidências e construtos oriundos sobretudo das contribuições da Psicologia life-span, Wahl e colaboradores oferecem uma estrutura conceitual heurística para a compreensão e exame mais refinado das transações pessoa-ambiente na velhice. Nessa estrutura, há o envolvimento das perspectivas clássicas, mas dois construtos centrais fornecem bases úteis para a integração das perspectivas teóricas, a saber: pertencimento e agência. Conforme a estrutura conceitual apresentada na figura 1, pertencimento e agência são os dois construtos relacionados ao alcance das duas tarefas desenvolvimentais centrais a serem alcançadas pelos indivíduos à medida que 14 envelhecem, ou seja, as tarefas de manter-se independente o tanto quanto possível (resultando em senso de autonomia) e de manter a integridade do self (senso de identidade). Pertencimento diz respeito ao campo da experiência no ajuste pessoa- ambiente, envolvendo as avaliações cognitivas, emocionais e as representações mentais dos ambientes sociofísicos. Na literatura de pesquisa, o pertencimento tem sido medido por seus correlatos, como satisfação residencial, apego ao lugar e significados atribuídos ao lugar e/ ou compartilhados, e reflete uma orientação ambiental em termos de passado, presente e futuro, reminiscências verbalizadas e planos futuros. Por outro lado, agência se refere ao campo dos comportamentos, cognições ou práticas sociais orientados a uma meta. É o exercício do controle sobre o ambiente e o manejo das demandas e pressões ambientais (“docilidade”) resultando ou não em proatividade (uso ativo do espaço, compensação adaptação, criação de novos espaços) e ajuste. Wahl & Oswald defendem que, por muito tempo, a Gerontologia Ambiental considerou os construtos de pertencimento e agência como processos separados. Entretanto, a estrutura conceitual apresentada assume a considerável interação entre pertencimento, agência e as mudanças desenvolvimentais. Processos comportamentais, cognitivos e emocionais estão envolvidos em processos adaptativos ao longo da vida e principalmente frente às perdas em competência na velhice. Wahl & Oswald exemplificam essa interação ao apontar os processos adaptativos de idosos com perdas severas em competência. Segundo os autores, os idosos reduzem objetivamente suas esferas ambientais de ação ao mesmo tempo em que tendem, cognitivamente, a atribuir a essa esfera mais valor, sentido e utilidade do que àqueles ambientes que não lhe são mais acessíveis. Assim, a adaptação na velhice não se refere apenas a comportamentos ou a experiência, mas a ambos os processos em interação. Os resultados da interação entre pertencimento e agência são representados pelas respostas desenvolvimentais de autonomia e identidade. Esses construtos relacionam-se fortemente com o bem-estar na velhice, termo que, tomado globalmente, refere-se a avaliações afetivas e cognitivas positivas no que tange à própria vida e às repostas positivas em saúde física e mental. A estrutura 15 conceitual apresentada tem auxiliado a Gerontologia Ambiental em seus desafios centrais, a saber, nas tarefas de descrição sobre como os idosos manejam as oportunidades e restrições nas condições ambientais sociofísicas, no exame das conexões entre as dimensões objetivas e subjetivas na relação dos indivíduos idosos com o ambiente e na explicação das contribuições das transações pessoa-ambiente para os diferentes cursos e respostas em termos de envelhecimento. Entretanto, outras contribuições atuais ao campo da Gerontologia Ambiental também podem ser destacadas, cabendo ressaltar aquelas advindas das perspectivas sociais de inspiração lifecourse. Estudiosos no campo da Geografia Social, como Goland, têm buscado compreender, a partir de metodologias qualitativas e a partir da perspectiva dos próprios idosos, as dimensões intencionais e ativas destes no uso, manipulação e desempenho de tarefas em seus ambientes sociofísicos. Goland20 defende a inclusão da perspectiva de tempo na pesquisa em Gerontologia Ambiental, uma vez que as experiências dos idosos em seus ambientes correntes são influenciadas pelo contexto e significado histórico construído na relação com o ambiente, além das antecipações futuras que tecem a partir dessas relações. O referido autor considera que a inclusão da dimensão de tempo pode ser metodologicamente auxiliada pelas abordagens de “história de vida” advindas da Psicologia e Antropologia, das análises das “carreiras” residenciais descritas pelos demógrafos e pelos estudos longitudinais no campo da Geriatria a respeito das trajetórias de processos patológicos e de incapacidade. Investimentos de pesquisa em níveis comunitários e populacionais de análise também compõem o panorama atual do campo, como as contribuições dos estudos dos impactos socioespaciais do envelhecimento populacional.Dados provenientes da Geografia do Envelhecimento, como os de SánchezGonzález, por exemplo, têm lançado luz sobre esses impactos no contexto mexicano e latinoamericano e incentivado o aprofundamento em temáticas como as do ambiente construído e a qualidade de vida de idosos, a das estratégias residenciais para manutenção dos idosos nas comunidades, da vulnerabilidade climática e ambiental a que idosos podem estar expostos, e ainda sobre o apego ao lugar, exclusão social, lazer, turismo e planejamento 16 gerontológico. Outro conjunto de contribuições atuais à Gerontologia Ambiental advém dos estudos de intervenção desenvolvidos nos campos aplicados da Arquitetura, Engenharia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Kendig destaca que, embora classicamente a Arquitetura, a Engenharia e os urbanistas tenham contribuído com o saber em Gerontologia Ambiental, destacam-se atualmente os estudos de intervenção desenvolvidos por profissionais da saúde. Entre estes últimos, tem havido o amplo reconhecimento, no contexto da prevenção e promoção da saúde, da importância do conceito “aging in place”, que em linhas gerais sintetiza as vantagens que o idoso possui ao envelhecer no seu contexto residencial, desfrutando de sua vida comunitária. Exemplos de temas frequentes nesses estudos são as questões de acessibilidade, segurança e prevenção de quedas que, além de contribuírem no trabalho de intervenção clínica e aplicações de “autoajuda” a idosos e familiares, retroalimentam a teoria. Estudos sobre acessibilidade têm revelado uma importante troca entre a teoria e a prática. Uma vez que a Gerontologia Ambiental postula a interação entre aspectos objetivos e subjetivos da relação pessoa-ambiente, a acessibilidade tem sido considerada não como o número objetivo de barreiras ambientais impostas versus o grau de preservação da capacidade, mas como a percepção do ajuste individual frente às barreiras ambientais. A percepção de ajuste ou desajuste é fruto da interação entre critérios objetivos e subjetivos do indivíduo. Iwarsson encontrou, por exemplo, que a acessibilidade, assim concebida, foi mais fortemente relacionada à capacidade funcional de idosos do que o número objetivo de barreiras ambientais existentes. Estudos de intervenção também fornecem à Gerontologia Ambiental elementos importantes para a análise de temáticas como a da incidência de quedas entre idosos. Em estudo de metaanálise, Oswald e colaboradores encontraram relações significativas entre intervenções no ambiente doméstico e respostas de diminuição de incapacidades. Contudo, encontraram relações mais fracas entre intervenções ambientais (como única frente de intervenção) e incidência de quedas. Tais resultados demonstram, por exemplo, a necessidade de abordagens multidimensionais na compreensão teórica e na intervenção com idosos com histórico de quedas. Observa-se, portanto, que o status atual da 17 Gerontologia Ambiental é plural em termos de níveis de análise do seu objeto de estudo, o que enriquece, mas desafia o campo na construção de sua perspectiva teórica. Semelhantemente ao quadro teórico da Gerontologia como um todo, o campo tem sido constituído por microteorias explicativas que buscam abarcar sua influência multidisciplinar. No Brasil, ainda existem poucos estudos na área. A produção existente reflete, em geral, estudos relativos a idosos e envelhecimento provenientes da Psicologia Ambiental ou estudos relativos a intervenções ambientais com idosos com comprometimentos físicos ou cognitivos, de levantamento, e análise de fatores relacionados a ocorrência e prevenção de quedas ou, ainda, compondo a análise dos determinantes ambientais da promoção de saúde. Salienta-se que o campo possui grande potencial de estudos e construção de teorias pautadas na coleta e análise de dados contextualizados sobre as relações entre a pessoa que envelhece e seu ambiente. Novas demandas provenientes do cenário demográfico brasileiro e mundial fornecem também estímulos ao campo. 2. NOVAS DEMANDAS À GERONTOLOGIA AMBIENTAL 18 A urbanização, a globalização e o envelhecimento populacional têm sido considerados as principais forças a moldar as sociedades no século XXI. Assim sendo, as concepções mais atuais em Gerontologia e as preocupações públicas decorrentes dessas forças têm trazido demandas teóricas e práticas sob uma perspectiva macrossocial à Gerontologia Ambiental. Alguns reflexos dessas demandas podem ser encontrados em conceitos e iniciativas públicas, tais como as denominadas “sociedades e/ou cidades amigas dos idosos”. Segundo o Guia Global da Iniciativa “Cidade amiga do idoso”, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde, uma “cidade-amiga” é aquela que estimula o envelhecimento ativo ao otimizar oportunidades para a saúde, participação e segurança, para aumentar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem. Segundo o mesmo Guia, em termos práticos, uma “cidadeamiga” adapta suas estruturas e serviços para que estes sejam acessíveis aos idosos e promovam a inclusão daqueles com diferentes necessidades e graus de capacidade. O direcionamento da Gerontologia Ambiental para as prioridades públicas e sociais é extremamente relevante frente à necessidade de compreender e promover o uso proativo dos ambientes por idosos que desejam se manter saudáveis e em suas próprias casas e comunidades. Esse direcionamento difere significativamente da ênfase de pesquisa de trinta anos atrás, em que a atenção (pública, social e de pesquisa) se centrava na minoria frágil dos idosos, residente em contextos institucionais. Torna-se premente a teorização nos níveis micro e mesoambientais em conjunto com as macroperspectivas. A consideração das tensões e pressões ambientais exercidas pelo contexto urbano sobre os processos de envelhecimento pode oferecer luz à compreensão dos processos de pertencimento e agência e das respostas em termos de bem-estar dos idosos na sua relação com os ambientes. Um dos temas sobre as relações entre os níveis micro, meso e macroambientais envolve a questão da exclusão social de idosos. Observa-se, por exemplo, nas coortes idosas, que o desejo de residir nas cidades por razões de acesso a recursos de saúde, lazer, cultura e participação social tem sido minado pela 19 conjunção “urbanização, políticas econômicas, globalização e novas tecnologias”. Assim, as cidades geram barreiras intergeracionais, refletindo-se, no nível macro, em desigualdades em qualidade de vida e no acesso a recursos e serviços. Reflete-se também no nível mesoambiental pela formação de “guetos” de participação e trocas interpessoais, e no nível microambiental, em resultados negativos em termos de bem-estar físico e psicológico. Stahl & Iwarsson consideram que, para a construção de uma cultura de ajuste pessoaambiente nas sociedades em envelhecimento, é crítico que a Gerontologia Ambiental contribua considerando, em sua teoria e prática, a importância da organização dos espaços públicos na redução de “áreas de ansiedade” e na promoção de segurança e participação por meio de designs livres de barreiras arquitetônicas e geracionais. Cabe salientar, contudo, que no plano metodológico, a ampliação do escopo da Gerontologia Ambiental considerando as macroperspectivas implica desafios frente a grande heterogeneidade e variabilidade dos contextos de envelhecimento e do amplo espectro de condições de saúde, competência e bem-estar dos idosos. Gitlin, por exemplo, propõe a aliança entre as metodologias qualitativas e quantitativas na compreensão dos diversos significados da relação entre os processos de envelhecimento e os contextos urbanos. No âmbito da intervenção (clínica ou em políticas públicas), o emprego dessa combinação de metodologias é estimulado pelo Guia Cidade Amiga dos Idososda OMS, o qual preconiza a formação de grupos focais com idosos e com a comunidade para conhecer as percepções dos indivíduos e suas relações com as estruturas das cidades, das atitudes sociais frente ao envelhecimento, das formas de comunicação e fornecimento de serviços a idosos. A recomendação é que as intervenções e projetos de adequação dos espaços públicos e privados para idosos sejam precedidos por embasamento oferecido pela pesquisa quali- quantitativa com os atores sociais. Investimentos recentes de pesquisa e intervenção na França, Canadá e Brasil, sob a ótica das iniciativas “cidades amigas dos idosos”, têm caminhado nessa direção. 20 Estudos realizados na cidade de São Paulo-SP, por exemplo, têm derivado indicadores de natureza objetiva e subjetiva relevantes para as políticas públicas e contextualização de práticas gerontológicas. Considerar as macroperspectivas em Gerontologia Ambiental implica também conceber as relações entre envelhecimento e ambiente como extremamente dinâmicas no que tange às dimensões de mudanças históricas, culturais, ecológicas, de arranjos sociais e familiares e de inovações tecnológicas. De forma resumida, Wahl & Oswald destacam, além dos desafios impostos na arena societal e política (como a urbanização e novas tecnologias), outros desafios atuais ao campo – entre eles, a compreensão das relações dos idosos com ambientes residenciais multigeracionais, com os novos contextos e modelos de cuidados em saúde e novos estilos de vida das coortes de idosos atuais. Pode-se também acrescentar a esses, a necessidade de investimento na compreensão das implicações das mudanças climáticas e do impacto das catástrofes naturais sobre o curso do envelhecimento e nas respostas em termos de adaptação, tema ainda pouco explorado na literatura. 3. CONTRIBUIÇÕES À ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL GERONTÓLOGO O campo da Gerontologia Ambiental possui grande valor no fornecimento de bases teóricas e práticas para o trabalho do profissional em Gerontologia. 21 Frente às novas demandas populacionais, o gerontólogo é o novo profissional que surge no cenário da gestão de serviços (clínicos, recreativos, institucionais) e políticas, estando habilitado a atuar e produzir saberes relacionados ao bem- estar das pessoas idosas, das famílias e da sociedade em envelhecimento. Nesse sentido, a Gerontologia Ambiental convoca o gerontólogo a atentar para o plano das influências dos ambientes sociofísicos em suas tarefas de avaliação e intervenção. O planejamento ambiental deve ser considerado um componente necessariamente presente nos processos de micro e macrogestão. No que se refere à atuação do gerontólogo no campo clínico, no apoio e aconselhamento de famílias e grupos, o exame das relações indivíduo-ambiente oferece caminhos para a avaliação e identificação de barreiras à autonomia, à segurança, à independência e ao bem-estar. Tal exame deve levar à consideração de que os idosos possuem diferentes esferas de competência nas quais a proatividade ambiental pode ser exercida frente às pressões ambientais e que a tomada de decisões na gestão deve otimizar a congruência entre as necessidades e as competências. A Gerontologia Ambiental leva o gerontólogo também a considerar que a relação com o ambiente interfere no bem-estar subjetivo e regulação dos estados afetivos dos idosos, uma vez que o envelhecimento expõe cada vez mais os indivíduos às influências das condições de docilidade ambiental. Contudo, ao mesmo tempo, chama a atenção para que as iniciativas em microgestão, mesmo em casos de maior fragilização ou comprometimentos, não deixe de incluir o idoso nas decisões, potencializando ao máximo seu senso de autonomia e agência. Nas tarefas de gestão de serviços e desenvolvimento de projetos, programas e políticas, o gerontólogo pode usufruir das contribuições teóricas e de intervenção desse campo, os quais têm apontado as relações entre características objetivas e subjetivas do design ambiental e o bem-estar das pessoas idosas. Intervenções no âmbito da acessibilidade nos equipamentos sociais e de saúde, da eliminação de barreiras geracionais na comunidade e na criação de espaços de promoção de convivência social e produtividade do idoso devem visar à otimização das funções de manutenção, estimulação e suporte ambiental. Por fim, a atuação do gerontólogo no âmbito da construção de políticas públicas em saúde, habitação, trabalho, previdência e lazer envolve 22 intrinsecamente a consideração dos determinantes ambientais da qualidade de vida dos idosos. Portanto, a formação do gerontólogo deve necessariamente instrumentalizá-lo para analisar, interpretar e construir propostas de intervenção baseadas nos saberes da Gerontologia Ambiental. 4. CUIDADOS PARA EVITAR ACIDENTES DOMÉSTICOS COM IDOSOS O lar costuma ser o local em que nos sentimos mais seguros, não é mesmo? Porém, às vezes basta um piso molhado ou um tapete solto para provocar uma queda que causa ferimentos ou, no mínimo, um grande susto. Esse risco é maior entre as pessoas idosas, que têm a mobilidade limitada e os reflexos reduzidos conforme o avanço da idade, ou que podem sofrer de doenças que as fragilizam fisicamente. De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, um terço da população acima dos 65 anos 23 sofre pelo menos uma queda por ano, proporção que aumenta com o envelhecimento. Tais acidentes podem ocasionar lesões leves, contusões, torções ou até fraturas, além de provocar, no idoso, o medo de cair novamente. Adaptar a casa para essas limitações ou mesmo evitar o uso de objetos que possam representar riscos ajuda a reduzir as chances de acidentes domésticos envolvendo idosos. Confira algumas orientações para prevenir quedas e outros incidentes. Sala adequada A sala de estar costuma conter muitos móveis e objetos de decoração. Um idoso com dificuldade de locomoção ou mesmo uma pessoa distraída pode bater ou tropeçar em um desses itens, se ele estiver bloqueando a passagem. Tapetes irregulares também podem fazer o morador cair, então vale minimizar as chances de que isso aconteça. Evite tapetes soltos Não deixe móveis fora do lugar habitual Garanta a área de passagem livre mesas de centro, plantas ou outros objetos que possam representar obstáculos Mantenha fios elétricos e extensões bem afixadas, evitando que fiquem soltos pelo caminho Prefira cadeiras e poltronas com apoio de braço Banheiro seguro O banheiro é o local com maior ocorrência de acidentes graves, por causa da umidade que torna o ambiente escorregadio. Se o idoso puder contar com itens que deem mais aderência aos pés e pontos de apoio para se segurar, ele deve se sentir mais confiante. Utilize um tapete antiderrapante na área de banho Instale barras de apoio nas paredes próximas ao sanitário e ao chuveiro Considere utilizar um assento removível para adequar a altura do vaso sanitário Opte por um box resistente e de material inquebrável 24 A cadeira de banho pode ser utilizada por quem tem equilíbrio mais comprometido Cozinha acessível Ter de subir em uma cadeira para alcançar algo guardado no armário mais alto representa um grande risco, ainda mais para quem possui algum tipo de limitação física. Adaptações no mobiliário ou mesmo na organização ajudam a tornar a cozinha mais segura e prática para idosos. Ajuste as bancadas para uma altura de uso confortável Evite estocar alimentos ou louças em locais de difícil acesso Limpe imediatamente qualquer líquido que tenha sido derrubado no chão Mantenha os utensílios mais utilizados no dia a dia guardados em locais mais acessíveis Ao cozinhar, evite o uso de panelas pesadas, que podem cair e provocar queimaduras Não deixe a cozinha sem se certificarde que as chamas do fogão estão apagadas Quarto sem estresse Manter os pertences acessíveis e os móveis compatíveis com as características do idoso ajuda a garantir que ele tenha um bom descanso e, se precisar se levantar à noite, que o faça em segurança. Deixe um abajur ou um interruptor ao lado da cama Utilize uma cama de altura confortável para subir e descer sem dificuldades Mantenha armários e gavetas em alturas acessíveis e fáceis de abrir Utilize um colchão de densidade adequada para o seu peso e tamanho Cuidados para a casa toda Mantenha antiderrapantes nas escadas e rampas Instale corrimões nas escadas Assegure-se de que os ambientes estejam bem iluminados e com interruptores em pontos de fácil acesso 25 Evite encerar o chão ou utilizar outro produto que o deixe escorregadio Certifique-se de que não haja irregularidades no piso Não sobrecarregue as tomadas Mantenha o telefone em um local acessível, para utilizá-lo facilmente em casos de emergência Certifique-se de que as fechaduras abram por dentro e por fora Cuidados individuais Evite calçados desamarrados, mal ajustados ou com solado escorregadio Evite roupas muito compridas, que arrastam no chão Faça exames físicos e oftalmológicos regularmente Mantenha uma dieta saudável, incluindo cálcio e vitamina D Pratique atividade física, com orientação profissional Se você se feriu e está sentindo dores preocupantes, procure um médico ADAPTAÇÃO DA CASA PARA O IDOSO Para evitar que o idoso caia e ocorra uma fratura grave, pode ser necessário fazer algumas adaptações na casa, eliminando perigos e tornando as divisões mais seguras. Para isso é recomendado retirar tapetes ou colocar barras de suporte no banheiro, para facilitar o banho e o uso do vaso sanitário, por exemplo. É importante adaptar a casa às necessidades do idoso porque a partir dos 70 anos de idade, podem surgir dificuldade para andar, devido dor nas articulações, falta de massa muscular ou perda de equilíbrio, além de poderem ter dificuldade em enxergar ou mesmo estarem confusos e, por isso, é importante eliminar todos os perigos do interior e exterior da casa para tornar o ambiente mais seguro. A casa mais segura para o idoso viver é aquela que tem apenas 1 nível, porque assim facilita a movimentação entre todos os cômodos e também a entrada e a saída, diminuindo o risco de quedas. Adaptações gerais na casa para evitar quedas Algumas das adaptações que devem ser feitas na casa do idoso incluem: 26 Ter divisões espaçosas e amplas, com poucos armários ou vasos de plantas, por exemplo; Prender fios de eletrodomésticos à parede; Dar preferência aos móveis sem quina; Colocar pisos antiderrapantes, principalmente na cozinha e banheiro; Ter as divisões bem iluminadas, optando por ter vários candeeiros e cortinas claras; Guardar os objetos pessoais mais utilizados em locais de fácil acesso, como armários e gavetas baixas; Retirar o tapete do chão de todas as divisões da casa, deixando apenas um à saída do box; Prender tacos de madeira do chão, que possam estar soltos; Não encerar pisos, nem deixar nada molhado no chão; Substituir ou consertar móveis instáveis; Evitar cadeiras muito baixas e também camas muito altas ou muito baixas; Usar maçanetas de fácil abertura, evitando as que são redondas. No caso da habitação do idoso ter escadas estas devem ser baixas, e é importante colocar corrimões dos dois lados das escadas, além de pintar com uma cor forte os degraus e colocar um piso antiderrapante para evitar que o idoso caia. No entanto, em alguns casos, pode ser necessário colocar um elevador para subir as escadas. Adaptações no banheiro O banheiro do idoso deve ser amplo, não ter tapetes e ter apenas um armário baixo com os objetos essenciais, como toalhas e produtos de higiene, por exemplo. Deve-se optar por um chuveiro em vez da banheira, onde seja possível entrar uma cadeira de rodas, colocar um banco bem firme de plástico, ou instalar barras de apoio para que o idoso se possa segurar durante o banho. Adaptações no quarto O quarto do idoso deve ter uma cama com um colchão firme e, em alguns casos, pode ser necessário escolher uma cama com grades para evitar as quedas noturnas. Os objetos mais usados pelo idoso, como óculos, 27 medicamentos ou telefone, também devem estar sempre ao seu alcance, na mesinha de cabeceira, por exemplo. Além disso, é importante que o quarto seja bem iluminado, devendo ter uma luz de presença acesa durante a noite, se o quarto for muito escuro. Adaptações no exterior da casa O exterior da casa do idoso também pode por em risco a sua segurança e levar o idoso a cair ou se machucar e, por isso, deve-se: Consertar calçadas e degraus quebrados do jardim; Limpar caminhos e remover entulhos de folhas, vasos ou lixeira; Substituir escadas por rampas com corrimão; Retirar fios elétricos em locais de passagem; Não lavar o quintal com detergente ou sabão em pó porque torna o chão mais escorregadio. É importante realçar que todas estas medidas são uma forma de prevenir que o idoso se machuque, evitando fraturas ou traumatismos da cabeça, sendo que as adaptações devem ser feitas de acordo com as possibilidades do idoso e da família. 5. COMO REDUZIR QUEDAS NO IDOSO A queda é um evento bastante comum e devastador em idosos. Embora não seja uma consequência inevitável do envelhecimento, pode sinalizar o início de fragilidade ou indicar doença aguda. Além dos problemas médicos, as quedas apresentam custo social, econômico e psicológico enormes, aumentando a dependência e a institucionalização. Estima-se que há uma queda para um em cada três indivíduos com mais de 65 anos e que um em vinte daqueles que sofreram uma queda sofram uma fratura ou necessitem de internação. Dentre os mais idosos, com 80 anos ou mais, 40% cai a cada ano. Dos que moram em asilos e casas de repouso, a frequência de quedas é de 50%. A prevenção de quedas é tarefa difícil devido à variedade de fatores que as predispõem. 28 A distribuição das causas difere entre idosos institucionalizados e os não- institucionalizados. As quedas entre os moradores de asilos e casas de repouso são em decorrência de distúrbios de marcha, equilíbrio, vertigem e confusão mental, enquanto que pessoas não institucionalizadas tendem a cair por problemas ambientais, seguidos de fraqueza/distúrbios do equilíbrio e marcha, "síncope de pernas", tontura/vertigem, alteração postural/hipotensão ortostática, lesão do Sistema Nervoso Central, síncope e outras causas. Os fatores de risco que mais se associam às quedas são: idade avançada (80 anos ou mais); sexo feminino; história prévia de quedas; imobilidade; baixa aptidão física; fraqueza muscular de membros inferiores; fraqueza do aperto de mão; equilíbrio diminuído; marcha lenta com passos curtos; dano cognitivo; doença de Parkinson; sedativos, hipnóticos, ansiolíticos e polifarmácia. Atividades e comportamentos de risco e ambientes inseguros aumentam a probabilidade de cair, pois levam as pessoas a escorregar, tropeçar, errar o passo, pisar em falso, trombar, criando, assim, desafios ao equilíbrio. Os riscos dependem da frequência de exposição ao ambiente inseguro e do estado funcional do idoso. Idosos que usam escada regularmente têm menor risco de cair que idosos que a usam esporadicamente. Por outro lado, quanto mais vulnerável e mais frágil o idoso, mais suscetível aos riscos ambientais, mesmo mínimos. O grau de risco, aqui, depende muito da capacidade funcional. Como exemplo, pequenas dobras de tapete ou fios no chão de um ambiente são um problema importante para idosos com andar arrastado. Manobras posturais e 29 ambientais, facilmente realizadas e superadaspor idosos saudáveis, associam- se fortemente a quedas naqueles portadores de alterações do equilíbrio e da marcha. Idosos fragilizados caem durante atividades rotineiras, aparentemente sem risco (deambulação, transferência), geralmente dentro de casa, num ambiente familiar e bem conhecido. Tratamento Exercícios: projetos de exercícios com duração de 10 semanas a 9 meses mostraram que; (1) há um redução em 10% da probabilidade de queda entres os que se exercitam em comparação com sedentários; (2) o treinamento específico para equilíbrio motivou uma redução de 25% de quedas; (3) aulas de Tai Chi Chuan (um exercício de equilíbrio), reduzem o risco de cair em 37%. Intervenções para reduzir lesões: algumas intervenções podem reduzir o risco de uma lesão grave pós-queda, prevenindo a osteoporose. Suplementos orais de vitamina D e cálcio para mulheres saudáveis na pós-menopausa, podem reduzir o risco de fraturas naquelas que caem. Outras medidas de redução ou prevenção de osteoporose precisam ser analisadas para estabelecer-se a eficácia de prevenir fraturas: terapia de reposição hormonal, bifosfonatos, luz solar, caminhadas e consumo aumentado de produtos lácteos. Intervenções que atenuam a força do impacto, como o uso de almofadas externas protetoras de quadril (acolchoamentos autocolantes na pele ou em roupas de baixo) ou de colchonetes no chão, podem diminuir o risco de fratura de quadril, caso caiam. Um dos problemas das almofadas autocolantes é o de aceitabilidade. Um estudo feito na Dinamarca, para investigar o efeito dos protetores externos de quadril sobre a prevenção de fraturas de idosos residentes em casas de repouso, mostrou que o risco de fratura de quadril no grupo que usou a almofada foi reduzido em 53%, comparativamente com os controles. As pessoas do grupo de intervenção que sofreram uma fratura não estavam usando o protetor no momento da queda. Estratégia de redução de múltiplos fatores de risco 30 Sabe-se que o risco de cair aumenta linearmente com o número de fatores de risco. Caso se consiga eliminar um fator de risco, a probabilidade de cair também se reduz. Isto é muito importante para os idosos que, em geral, possuem múltiplos fatores de risco para quedas, alguns não-modificáveis. Estratégias podem ser elaboradas, para modificar ou eliminar aqueles fatores passíveis de atuação conseguindo-se, com isso, diminuição significativa nas quedas. Ao mesmo tempo, pode-se adotar intervenções que atuem sobre múltiplos fatores, como revisão de medicações, recomendações de comportamentos seguros, programas de exercícios variados melhoria da segurança ambiental. Cair, portanto, tem de ser reconhecido como um problema extremamente sério para os serviços de saúde, para a sociedade e, principalmente, para o bem- estar das pessoas que caem. Para que as estratégias preventivas de quedas em idosos tenham sucesso, é necessário identificar populações com risco aumentado, instituir intervenções padronizadas para múltiplos fatores de risco e moldar tais intervenções a cada indivíduo ou situação particular. As intervenções deverão ajudar os usuários idosos dos serviços de saúde e seus cuidadores a compreender a forma de reduzir a probabilidade de queda, como: (1) melhorando sua habilidade de enfrentar desafios ao equilíbrio; (2) melhorando a segurança de seu meio ambiente, e (3) melhorando a autoconfiança e a confiança de seus familiares, para que ele possa continuar ativo e independente em seu próprio meio, para realizar o que deseja. Há evidências para sugerir que exercícios, tais como treinamento de equilíbrio (Tai Chi), são efetivos em reduzir o risco de quedas em idosos. Melhorar a aptidão física e impedir a inatividade e a imobilidade, também contribuem. Vigilância domiciliar periódica e sistemática para avaliar e, caso apropriado, modificar os riscos ambientais, pode ser efetiva em reduzir quedas. Identificar quaisquer consequências psicológicas de uma queda, como o medo de cair, que possam levar a uma autorrestrição de atividades e, secundariamente, a desuso, imobilidade, atrofia muscular e novas quedas. Modificar os comportamentos de risco, de forma a garantir movimentos e transferências seguros, sem restringir a possibilidade de uma vida ativa. Instituir estratégias, enfim, que previnam uma lesão séria, de maneira que, mesmo ocorrendo uma queda, esta não resulte em graves consequências. 31 Previna Quedas Fatores Intrínsecos: Diminuição da força muscular; Osteoporose; Anormalidades para caminhar; Arritmia cardíaca (batimento cardíaco irregular); Alteração da pressão arterial; Depressão; Senilidade; Artrose, fragilidade de quadril ou alteração do equilíbrio; Alterações neurológicas (derrame cerebral, doença de Parkinson, esclerose múltipla e mal de Alzheimer); Disfunção urinária e da bexiga. Uso controlado de determinadas drogas; Diminuição da visão; Diminuição da audição; Câncer que afeta os ossos; Deformidades nos pés (unhas grandes, joanetes dolorosos, etc.). Fatores Extrínsecos: Iluminação: ambientes mal iluminados favorecem a ocorrência de quedas; Arquitetura: casas mal planejadas aumentam o risco de quedas; Móveis: disposição inadequada atrapalha a locomoção e, quando instáveis, não servem como apoio; Espaço: oferecem risco os objetos escorregadios espalhados pela casa. 32 Cores: ambientes muito escuros aumentam a chance de quedas. Veja algumas orientações gerais para prevenir o acometimento de quedas: Faça exames oftalmológicos e físicos anualmente, em específico para detectar a existência de problemas cardíacos e de pressão arterial; Mantenha em sua dieta uma ingestão adequada de Cálcio e vitamina D; Tome banhos de sol diariamente; Participe de programas de atividade física que visem ao desenvolvimento de agilidade, força, equilíbrio, coordenação e ganho de força do quadríceps e mobilidade do tornozelo; Elimine de sua casa tudo aquilo que possa provocar escorregões e instale suportes, corrimão e outros acessórios de segurança; Use sapatos com sola antiderrapante; Amarre o cadarço do seu calçado; Substitua os chinelos que estão deformados ou estão muito frouxos; Use uma calçadeira ou sente-se para colocar seu sapato; Evite sapatos altos e com sola lisa; Evite ingestão excessiva de bebidas alcoólicas; Mantenha uma lista atualizada de todos os medicamentos que está tomando, ou que costuma tomar, e as dê para os médicos com quem faz consulta; Informe-se com o seu médico sobre os efeitos colaterais dos remédios que você está tomando e de seu consumo em excesso; Certifique-se de que todos os medicamentos estejam claramente rotulados e guardados em um local adequado (que respeite as instruções de armazenamento); Tome os medicamentos nos horários corretos e da forma que foi receitada pelo médico, na maioria dos casos acompanhados com um copo d'água; 33 Nunca ande só de meias; Fadiga muscular e confusão mental aumentam o risco de quedas; Mulheres que não conseguem encontrar sapatos esportivos suficientemente largos para o formato do seu pé devem comprar na seção masculina, pois estes sapatos têm fôrmas maiores; Estatísticas norte-americanas indicam que 60% das quedas em idosos acontecem dentro de casa: ao subir escadas, escorregões em superfícies muito lisas e tropeços, entre outras situações. Simples cuidados e adaptações poderão diminuir o risco de quedas dentro de sua casa. Basta verificar abaixo algumas orientações quanto a modificações na organização dos móveis, da casa e iluminação. Em seu quarto: Coloque uma lâmpada, um telefone e uma lanterna perto de sua cama; Durma em uma cama na qual você consiga subir e descer facilmente (cerca de 55 a 65 cm); Dentro do seu armário, arrume as roupas em lugares defácil acesso, de preferência evitando os locais mais altos; Substitua os lençóis e o acolchoado por produtos feitos por materiais não escorregadios, como algodão e lã. Instale algum tipo de iluminação ao longo do caminho da sua cama ao banheiro; Não deixe o chão do seu quarto bagunçado. Na sala e corredor: Organize os móveis de maneira que você tenha um caminho livre para passar sem ter que ficar desviando muito; Mantenha as mesas de centro, porta revistas, descansos de pé e plantas fora da zona de tráfego; 34 Instale interruptores de luz na entrada das dependências de maneira que você não tenha que andar no escuro até que consiga ligar a luz. Interruptores que brilham no escuro podem servir de auxílio; Ande somente em corredores, escadas e salas bem iluminadas; Não acumule ou deixe caixas próximas do caminho da porta ou do corredor; Deixe sempre o caminho livre de obstáculos; Mantenha fios de telefone, elétricos e de ampliação fora das áreas de trânsito, mas nunca debaixo de tapetes; Não deixe extensões cruzarem o caminho; reorganize a distribuição dos móveis. Coloque nas áreas livres tapetes com as duas faces adesivas ou com a parte de baixo não deslizante; Não sente em uma cadeira ou sofá muito baixo, porque o grau de dificuldade exigido para se levantar é maior; Conserte imediatamente as áreas em que o carpete está desgastado; Remova peitoril de porta maior que 1,3 m. Na cozinha: Remova os tapetes que promovem escorregões; Limpe imediatamente qualquer líquido, gordura ou comida que tenham sido derrubados no chão; Armazene a comida, a louça e demais acessórios culinários em locais de fácil alcance; As estantes devem estar bem presas à parede e ao chão para permitir o apoio do idoso quando necessário; Não suba em cadeiras ou caixas para alcançar os armários que estão no alto; 35 No piso, utilize ceras que após a aplicação não deixem seu piso escorregadio; A bancada da pia deve ter de 80 a 90 cm do chão para permitir uma posição mais confortável ao se trabalhar. Na escada: Não deixe malas, caixas ou qualquer tipo de bagunça nos degraus; Interruptores de luz devem estar instalados, tanto na parte inferior quanto na parte superior da escada. Uma outra opção é instalar detectores de movimento que fornecerão iluminação automaticamente; A iluminação deverá permitir a visualização desde o princípio da escada até o seu fim, assim como as áreas de desembarque; Mantenha uma lanterna guardada em algum lugar próximo em caso de apagão; Remova os tapetes que estejam no início ou fim da escada; Carpete fixo na escada: selecione um carpete que tenha uma cor sólida (sem desenhos ou muitas formas) através do qual seja possível visualizar claramente as bordas dos degraus; Coloque tiras adesivas antiderrapantes em cada borda dos degraus; Instale corrimãos por toda a extensão da escala e em ambos os lados. Eles devem estar em uma altura de 76 cm acima da escala; Repare imediatamente as áreas em que o carpete esteja desgastado (principalmente as bordas dos degraus). No banheiro: Coloque um tapete antiderrapante ao lado da banheira ou do box para sua segurança na entrada e saída; Instale na parede da banheira ou do box um suporte para sabonete líquido; 36 Instale barras de apoio nas paredes do seu banheiro; Duchas móveis são mais adequadas; Mantenha algum tipo de iluminação durante as noites; Use dentro da banheira ou no chão do box tiras antiderrapantes; Substitua as paredes de vidro do box por um material não deslizante; Ao tomar banho, utilize uma cadeira de plástico firme com cerca de 40 cm. Caso não consiga se abaixar até o chão ou se sinta instável. 6. DICAS ESSENCIAIS PARA ADAPTAR A CASA E EVITAR ACIDENTES DOMÉSTICOS COM IDOSOS Em todas as fases da vida adaptações são necessárias para que possamos viver bem e sem correr riscos. Quando bebês e crianças, nossos pais se preocupam em manter a casa segura, longe de qualquer coisa que possa nos machucar, afinal, nessa idade estamos descobrindo o mundo e qualquer objeto pontudo ou tomadas à vista podem ser muito atrativos, não é mesmo? Já quando crescemos e estamos adultos, as preocupações e descobrimentos da infância já não são motivos de preocupação. As adaptações necessárias ocorrem conforme queremos nosso conforto, comodidade e segurança – instalando câmeras e alarmes na casa, por exemplo. Quando envelhecemos, essas adaptações devem continuar acontecendo e devem ser uma fusão das preocupações da infância com as da vida adulta, afinal, conforme a idade vai chegando, ficamos 37 mais frágeis e propensos a sofrer acidentes graves em casa, assim como também temos necessidade de viver em um local confortável e agradável. Por que é necessário adaptar a casa para os idosos? Como citamos no início desse post, toda fase da vida demanda cuidados especiais. Quando envelhecemos, nossos reflexos e mobilidade não são mais os mesmos, por isso, acidentes que não aconteceriam ou que não causariam tantos danos a alguém jovem, estão mais propensos a acontecer com idosos – e serem graves. Por isso, não tem como fugir: adaptar a casa é um ato de amor essencial para proteger a saúde dos nossos idosos e proporcionar bem-estar. Dicas para adaptar a casa e evitar acidentes domésticos com idosos Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, um terço da população brasileira acima dos 65 anos sofre acidentes domésticos ao menos uma vez por ano, geralmente envolvendo quedas. Conforme a idade avança, essa proporção de acidentes anuais aumenta e pode provocar ferimentos leves, contusões, torções e até mesmo fraturas! Por isso, se você tem um idoso em casa, adaptá-la conforme as necessidades dele é essencial para que ele possa viver tranquilamente e sem riscos de se machucar. Confira abaixo dicas para adaptar a casa e evitar que seu velhinho sofra acidentes domésticos. 1) Como adaptar um banheiro para idosos? Como você deve imaginar ou já deve ter ouvido falar, o banheiro é um dos locais mais propícios para ocorrer acidentes graves envolvendo idosos. Isso acontece porque esse cômodo da casa costuma estar úmido e, além disso, possui inúmeros itens que podem colaborar para que o idoso se desequilibre e caia – como o vaso sanitário, por exemplo. Por isso, é importante que o banheiro possua objetos e itens que deem mais aderência aos pés do idoso e também adaptações que sirvam como apoio para que ele possa se segurar e ter mais segurança para se locomover. 38 Para garantir um banheiro seguro para o idoso, você pode seguir as seguintes dicas: Procure instalar pisos antiderrapantes no banheiro; Instale barras para apoio próximas ao vaso sanitário e ao chuveiro, para que ele tenha onde se segurar; Coloque um tapete antiaderente no chão do chuveiro, assim, ele terá firmeza nos pés quando estiver no banho, evitando escorregões; Escolha um box que seja resistente para que, assim, acidentes com vidro sejam evitados; Deixe uma cadeira de banho disponível para o idoso, para o caso dele precisar se sentar. 2) Como adaptar um quarto para idosos? O quarto é o cômodo da casa que deve passar tranquilidade, conforto e, especialmente no caso dos idosos, praticidade. Por isso, manter todos os pertences do idoso ao alcance dele, como roupas, acessórios e objetos pessoais, é essencial para ele não fique nervoso e nem pense em subir em móveis para conseguir alcançar alguma coisa. Outro ponto importante para ser observado na adaptação de um quarto para idoso são os móveis disponíveis. Eles devem ser compatíveis com as características e necessidades do idoso para que se, por exemplo, ele precise se levantar à noite para ir ao banheiro, possa fazer isso sem dificuldades – e sem esbarrar em nada! Paragarantir um quarto seguro para o idoso, você pode seguir as seguintes dicas: Procure deixar um abajur, lanterna ou interruptor próximo à cama do idoso, dessa forma, ele terá luz se precisar se levantar durante a noite; Mantenha os armários e guarda-roupas em uma altura acessível para que ele possa pegar o que quiser sem dificuldades; 39 Adapte a cama para que ela tenha uma altura confortável para que o idoso consiga subir e descer facilmente. 3) Como adaptar uma sala de estar para idosos? A sala de estar é um ambiente de descontração para toda a família, inclusive para o idoso! Porém, esse local também costuma estar recheado de móveis e objetos decorativos que podem ser perigosos para eles. Uma sala cheia de objetos e móveis pelo caminho pode ser um desafio para o idoso, pois dificulta sua locomoção, podendo, inclusive, provocar esbarrões e quedas. Por isso, também é um ambiente que deve ser cuidadosamente adaptado. Para garantir uma sala de estar segura para o idoso, você pode seguir as seguintes dicas: Evite trocar os móveis de lugar para não confundir os movimentos habituais do idoso; Procure sempre deixar uma área de passagem livre para ele, facilitando sua movimentação; Evite ter tapetes que fiquem soltos no chão, o idoso pode facilmente tropeçar e sofrer uma queda; Escolha sofás, cadeiras e poltronas onde ele possa se apoiar e ter firmeza; Preste atenção aos fios dos aparelhos eletrônicos para que nenhum fique solto no chão, o idoso pode tropeçar e se machucar. 4) Como adaptar uma cozinha para idosos? Assim como o banheiro, a cozinha é um ambiente essencial em uma casa e que pode oferecer inúmeros perigos se não adaptada corretamente para um idoso. Ter que subir em cadeiras para alcançar objetos, bancadas muito altas, líquidos que caem no chão… são detalhes que parecem insignificantes, mas que para alguém com idade avançada pode representar perigo. 40 Para garantir uma cozinha segura para o idoso, você pode seguir as seguintes dicas: Ajuste os móveis para que o idoso possa usá-los de maneira confortável sem precisar subir em cadeiras ou escadas; Evite colocar alimentos e utensílios utilizados pelo idoso em locais de difícil acesso, como em cima de prateleiras altas, por exemplo; Limpe o chão assim que líquidos ou alimento forem derrubados, dessa forma, o idoso não corre o risco de escorregar; Sempre confira se o gás está desligado, especialmente se o idoso utilizar o fogão; Pisos antiderrapantes na cozinha pode ser uma boa ideia para evitar acidentes. Abaixo vídeos relacionados ao assunto abordado: https://www.youtube.com/watch?v=KFQ9OfpkejI 41 https://www.youtube.com/watch?v=-YCNc52I-GA 42 TEXTO DE APOIO Disponível em:< https://editorarealize.com.br/editora/anais/cieh/2015/TRABALHO_EV040_MD4_ SA15_ID2710_07092015212140.pdf> ADAPTAÇÕES EM RESIDENCIAS PARA IDOSOS: NECESSIDADE DE PREPARO E DISCUSSÃO Maria do Socorro Costa Avelino; Samille Milany Miranda Pimentel de Araújo, Charle Victor Martins Tertuliano; Ana Karina da Cruz Machado Faculdade Mauricio de Nassau – e-mail: socorroavelino13@hotmail.com INTRODUÇÃO: Segundo o Estatuto do idoso, pessoa idosa, é aquela que atinge idade igual ou superior a sessenta anos de idade (BRASIL, 2003). A longevidade é uma realidade atual, sendo assim, a cada nova estatística maiores serão os dados referentes ao avanço dos anos vividos pelas pessoas no mundo. Esse fato deve ser considerado motivo de comemoração, no entanto, vários fatores ainda preocupam a questão de envelhecer com qualidade de vida e o preparo e adaptação para lidar com as consequencias do envelhecer é uma delas. Como exemplo, podemos citar as condições crônicas desencadeadas pelo envelhecimento, e com elas, maior incapacidade funcional. À medida que o ser humano envelhece, as atividades do dia a dia tornam- se cada vez mais difíceis de serem realizadas (ARAUJO, 2007). Neste sentido, o ambiente no qual a pessoa idosa está inserida, se torna fundamental no processo de autonomia e independência aos quais são essenciais para o envelhecer com qualidade. Essa adaptação pode ser desenvolvida de maneira simples, o maior problema notado não se trata de condições de renda e sim de informação, uma vez que, a adequação correta da pessoa idosa em sua residência, pode evitar episódios de quedas e possíveis agravos que conduzem muitas vezes a limitações permanentes ou óbitos em pessoas idosas, casos graves que necessitam cada vez mais de discussão e orientação. 43 O ambiente domiciliar é responsável por uma quantidade significativa de quedas na população idosa, 70% desses registros ocorrem na residência da vítima. Para Meira et. al, 2005; Lord et. al (2006), essas quedas são provocadas pela falta de adaptação do ambiente em que esses idosos vivem, como piso escorregadio, má iluminação, objetos soltos e espalhados pela casa, ausência de corrimãos nos corredores, degraus e solo irregular. As adaptações realizadas no ambiente domiciliar são de extrema importância para a implementação de programas de prevenção, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida desses idosos (BOERS et. al, 2001). Para a prevenção desses danos, decorrentes do mau planejamento do ambiente domiciliar, devem ser realizadas adaptações, prevenindo os acidentes domésticos (BORGES, 2009). Sendo assim, é de extrema importância caracterizar as condições ambientais do domicilio do idoso e identificar as adaptações que podem ser realizadas nesse ambiente, com o objetivo de evitar futuros acidentes domésticos. Neste sentido, é importante considerar não apenas as residências iniciais, mas, lembrar de que muitos idosos ao envelhecer, passam a integrar outros ambientes de vivencia tais como Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILPIS) assim como, centro de convivências e condomínios próprios para a moradia de idosos, que vem sendo cada vez mais incentivado pelos programas de governo e ações governamentais dos municípios e estados, como exemplo, o condomínio Cidade Madura/ PB, primeiro condomínio público construído e projetado para a moradia da pessoa idosa, ao qual já, a partir da entrada do condomínio é possível perceber a qualidade do material investido e o quanto houve preocupação no cumprimento da legislação no que diz respeito à acessibilidade, qualidade de vida e convivência social. Neste condomínio em específico, os idosos usuários de cadeiras de rodas e com limitação na locomoção tem suas necessidades atendidas de acordo com a legislação redigida pela Associação Brasileira de Normas e Técnicas, especificamente a NBR9050 (ABNT/NBR), lei que auxilia nas construções em geral, determinando o acesso especial a ser cumprido de maneira a promover a inclusão de todos, promovendo e incentivando a utilização segura do ambiente ou equipamento. 44 Quantos outros idosos no país não tem a mesma oportunidade de terem seus lares adaptados e preparados para a promoção de sua autonomia e independência? O quanto de consequencias, tais como internamentos por quedas, agravos de doenças já existentes, e óbitos, essa ação não evitaria? O presente trabalho visa discorrer sobre a importância da necessidade do preparo e das adaptações nas residências para idosos, da importância da orientação e discussão no sentido de evitar consequencias e agravos a já debilitada ou frágil saúde da pessoa idosa. Para isso, vários artigos e publicações já existentes foram consultados, conforme descritas a seguir. METODOLOGIA, RESULTADOS E DISCUSSÃO: O estudo se trata de uma revisão bibliográfica onde será detalhada a ação das adaptações nas residências para idosos como meio de qualidade de vida para essa população, realizando um levantamento da literatura com artigos, revistas, livros e monografiaspara analise do tema escolhido. Para a busca de material e artigos na literatura foram utilizadas as seguintes palavras-chaves e descritores em saúde, combinados da seguinte forma: adaptação em residências, pessoa idosa, qualidade de vida. Como critérios de inclusão, foram selecionados todos os artigos que apresentassem algum estudo clínico, revisões, teses ou dissertações com adaptações e qualidade de vida em residências adaptadas como meio de melhorar nas atividades de vida diária. O ano de publicação não foi um critério de inclusão, uma vez que todas as publicações referentes a este tema entraram para o estudo. Sendo assim as publicações foram de 2003 a 2013. A pesquisa foi realizada no período compreendido entre abril e agosto de 2015. As seguintes bases de dados que foram pesquisadas: Scielo, Medline, Lilacs, Bireme, Pubmed e PEDro. Foram pesquisados artigos, monografias e livros na língua portuguesa e inglesa. Os artigos que apresentavam as palavras chaves no título eram selecionados, em seguida era realizada a leitura do resumo e a leitura do texto completo. Algumas publicações foram excluídas após a leitura do texto completo, por não estarem relacionadas diretamente ao tema escolhido. 45 Os resultados apontam que muitos estudos têm mostrado a epidemiologia das quedas em idosos. Segundo EVCI (2006), um estudo realizado na Turquia mostrou que 31% dos idosos, no ultimo ano, caíram pelo menos uma vez. Seculi (2004) em seu estudo realizado na Cataluña mostra que 17,9% das pessoas acima de 65 anos de idade, sofreram pelo menos uma queda em um ano. Já no Brasil, aproximadamente 30% dos idosos, sofrem queda ao menos uma vez por ano (PERRACINI, 2002). Pessoas de todas as idades sofrem quedas diariamente, porém, ela é mais grave no individuo idoso, pois suas consequências podem levá-lo a incapacidade e até a morte. Foi verificado que 54% das quedas em idosos tem como causa o ambiente inadequado, e que 66% dessas quedas ocorrem no próprio ambiente domiciliar do idoso (FABRÍCIO et. al, 2004). Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2011), um terço dos acidentes traumáticos, ocorre com indivíduos com mais de 60 anos de idade, sendo que 75% dessas lesões ocorrem no ambiente domiciliar e 45% desses acidentes ocorrem principalmente à noite, no trajeto do quarto para o banheiro. A maior causa de acidentes domésticos ocorre por: quedas, tropeços, escorregamentos e escadas. Idosos com idade superior a 75 anos de idade, que precisam de ajuda na realização de suas atividades de vida diária (AVD’s), como: alimentar-se, tomar banho, realizar higiene intima, vestir-se, pentear os cabelos, sair da cama, escovar os dentes, possui uma probabilidade de cair 14 vezes maior do que idosos da mesma idade que são independentes (PERRACINI, 2004). Em um estudo realizado por Agnelli 2012, o quintal foi o cômodo que mais apresentou obstáculo, por conter muitos vasos com plantas e roupas penduradas. No mesmo estudo, foram avaliados os banheiros, e 25% não apresentava Box, aumentando o risco de queda após o banho, pois com o banheiro molhado, pode ser que o idoso perca o equilíbrio, promovendo a queda. De acordo com Agnelli (2012), dentre os ambientes presentes na rotina do idoso, o ambiente domiciliar tem uma representação muito forte, já que é onde o idoso realiza maior parte das atividades de vida diária. Essas adaptações domiciliares têm como objetivo favorecer a independência do idoso em sua própria residência, ajudar o idoso nas atividades de vida diária (AVD’s), promovendo sua autonomia. Além da melhora direta da 46 funcionalidade, a adaptação do ambiente domiciliar irá prevenir quedas em idosos (MELLO, 2007). Um ambiente propício para o idoso é aquele que oferece segurança, facilita a interação social, favorece a adaptação às mudanças e é familiar para o idoso (RIBEIRO, et. al, 2008). Ao analisar o ambiente domiciliar, Cavalcanti e Galvão (2007), consideram importantes os critérios a seguir: mobilidade, as dimensões dos espaços para que o individuo possa realizar suas tarefas; orientação em relação do individuo com o ambiente. De acordo com o estudo do Ministério da Saúde (2011), as adaptações recomendadas devem utilizar dispositivos de apoio para a marcha (bengala, andador), evitar camas muito altas, retirar tapetes soltos, cordões e fios do assoalho, substituir ou consertar móveis instáveis, instalar corrimãos nas escadas e faixas nas bordas dos degraus, providenciar iluminação adequada para a noite, instalar vaso sanitário mais alto, barras de apoio próximo ao chuveiro e ao vaso sanitário, os capachos e tapetes devem ser antiderrapantes, consertar calçadas e degraus quebrados, instalar iluminação adequada nas calçadas, portas e escadas. Segundo Meira (2005), a redistribuição da mobília, deixando áreas de circulação livres, tornaria o ambiente domiciliar seguro, levando o idoso à autonomia e independência num maior número de atividades de vida diária possíveis com segurança e menor risco de quedas. Soares 2013, em seu estudo, fala que uma iluminação destinada à pessoa da terceira idade deve atender dois objetivos: a quantidade de luz e a qualidade da luz, pois os idosos tendem a ver mais o amarelo. Ela aborda também, que é de extrema importância iluminar corredores e escadas, pois são espaços que ligam um cômodo a outro. E, para o quarto, o autor sugere uma cama baixa, onde se consiga apoiar os pés no chão enquanto sentado. Os estudos demonstram que muitas ações dependem muito mais de orientação quanto as adaptações corretas do que de condições sócio econômicas, assim, a principal discussão se encaixa no sentido da promoção de campanhas da importância de residências adaptadas para a moradia segura da pessoa idosa, da orientação em torno da disposição dos móveis e espaços da 47 casa e de atitudes simples como ampliar a iluminação, entre outras ações que podem evitar. CONSIDERAÇÕES FINAIS De acordo com os artigos analisados, verificou-se que o ambiente domiciliar é o responsável pela maior incidência de quedas em pessoas idosas, tendo como causa o ambiente inadequado onde vivem. Diante do exposto, vimos à importância de uma adaptação nessas residências, para que seja possível uma diminuição desses índices de quedas em ambientes não adaptados para a pessoa idosa. As adaptações tais como: barras de ferro, corrimãos nas escadas e faixas nas bordas dos degraus que deem destaque, além de iluminação adequada, a instalação de vaso sanitário mais alto, barras de apoio próximo ao chuveiro e ao vaso sanitário, capachos e tapetes antiderrapantes, calçadas e degraus inteiros entre outras providencias evitam o aumento destas tristes estatísticas que podem desencadear em óbitos precoces. Importante salientar também, que esses cuidados, promovem a autonomia e a independência da pessoa idosa, possibilitando que a mesma faça suas atividades rotineiras com segurança e contribuem assim, com uma melhor qualidade de vida dos mesmos em seu ambiente familiar. A partir desse estudo podemos ampliar um leque com relação às adaptações que podem ser realizadas em residências onde os idosos convivem, e mais que isso, se pode refletir sobre a necessidade de orientação a população que convive com a pessoa idosa, e de um suporte maior do Estado no que tange a ampliação de políticas públicas que possam assegurar essa acessibilidade por meios de programas do governo com apoio as famílias que não tem condições de ter sua residência adaptada para esse segmento podendo, inclusive essas adaptações devem ser pleiteadas por programas de reformas apoiados pelo programa de habitação do governo federal, um direito que poucas pessoas sabem e que deve ser esclarecido e cobrado. Residências adaptadas certamente contribuirão para uma melhor qualidade de vida da pessoa idosa, que poderácircular livremente por seu “território conhecido”, independente de ser seu lar inicial ou uma moradia final, como 48 instituições que abrigam essa demanda. Assim, podendo desfrutar da velhice com autonomia, independência e de maneira saudável e ativa. 49 7. REFERÊNCIAS BALTES MM; SILVENBERG S. A dinâmica dependência-autonomia no curso de vida. In: Neri AL. Psicologia do envelhecimento: temas selecionados na perspectiva do curso de vida. Campinas. Papirus, 1995 (Coleção Viva Idade). BERGER L; MAILLOUX-POIRIER D. Pessoas idosas: uma abordagem global. Lisboa, Lusodidacta, 1995. BÉRIA JU. Prescrição de Medicamentos. In: DUNCAN BB; SCHMIDT MI; GIUGLIANI ERJ. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. Porto Alegre: Artmed, 2006. CAPONE V. Satisfação de idosos em ambientes de vizinhança de duas regiões do Distrito Federal [dissertação]. Brasília: Universidade de Brasília; 2001. CASSOL PB. A Gerontologia interface o meio ambiente como estratégia no cuidado e promoção da saúde. Reget 2012;6(6):1043-48. CUPERTINO AP. 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