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CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 1 DIREITO EMPRESARIAL | PONTO 9 Teoria Geral da Falência. Efeitos da falência. Processo de falência. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 2 CURSO MEGE Site para cadastro: https://loja.mege.com.br/ Celular / WhatsApp: (99) 98262-2200 Turma: Clube da Magistratura Material: Ponto 9 (Direito Empresarial) Professor: Luiz Vinicius Holanda MATERIAL DE APOIO (Ponto 9) CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 3 SUMÁRIO CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA ...................................................................... 4 DIREITO EMPRESARIAL ..................................................................................................... 5 1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 6 2. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................ 28 3. QUESTÕES ................................................................................................................... 38 4. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 44 CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 4 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA (Conforme Edital Mege) DIREITO EMPRESARIAL – Professor Luiz Vinicius Holanda Teoria Geral da Falência. Efeitos da falência. Processo de falência. (Ponto 9) CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 5 DIREITO EMPRESARIAL (conteúdo atualizado em 11-08-2023) APRESENTAÇÃO Olá, meus queridos alunos! Como prometido na última rodada, depois de estudar o Direito da Recuperação Judicial, vamos estudar o Direito Falimentar. Assunto tão denso quanto o anterior, mas de leitura mais simples, pois os conceitos trabalhados no direito recuperacional também servem aqui. Prometo que continuo tentando ser o mais claro possível, mostrando que Direito Empresarial (especialmente nosso assunto dessa rodada) pode ser simples de compreender e, melhor ainda, simples de gabaritar na prova! Um forte abraço e aproveitem a leitura! Luiz Vinicius Holanda CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 6 1. DOUTRINA (RESUMO) 1.1. DIREITO FALIMENTAR Para os devedores que não conseguem arcar com suas dívidas, há no ordenamento jurídico um tipo de execução especial, em que os credores são reunidos num único processo e executam conjuntamente o devedor, onde, via de regra, vão compartilhar uma igualdade material (princípio do par condictio creditorum ou princípio da igualdade entre credores). Assim, garante-se um tratamento isonômico entre os credores. É importante destacar que se o credor insolvente não for empresário (uma associação ou mesmo um trabalhador), serão aplicadas as regras do concurso de credores, previstas nos arts. 748 a 786-A do CPC/1973, que ainda está em vigor com fundamento no art. 1.052 do CPC/2015. Mas a quem se aplica tal procedimento? A Lei 11.101/2005 só se aplica ao empreendedor individual e à sociedade empresária. Ou seja, apenas o devedor empresário está sujeito à incidência da LFRE. Devedores não empresários estão submetidos ao rito da execução contra devedores insolventes, que, apesar do novo CPC, continua regulado pelo art. 748 e seguintes do CPC/1973. Devedor CIVIL = insolvência. Devedor EMPRESÁRIO = falência. Segundo a doutrina: FALÊNCIA é o processo de execução no qual todo o patrimônio de um empresário declarado falido é arrecadado visando ao pagamento da universidade de seus credores de forma integral ou proporcional. É o processo judicial complexo que compreende a arrecadação dos bens, sua administração e conservação, bem como a verificação e o acertamento dos créditos, para posterior liquidação e rateio entre os credores, além da punição dos atos criminosos eventualmente praticados pelo falido (Ricardo Negrão). Só que não é todo empresário que pode requerer o benefício. Alguns empresários estão excluídos total ou parcialmente do processo de falência. TOTALMENTE excluídas = nunca poderão se submeter à falência, reservando a lei procedimento próprio: a) empresas públicas e sociedade de economia mista = como são controladas direta ou indiretamente pela administração pública (a garantia dos credores é a disposição dos controladores em mantê-las solventes). Há quem defenda a inconstitucionalidade da vedação ante o art. 173 da CF/88, pois não se pode outorgar privilégios às empresas estatais não extensíveis às empresas privadas. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 7 b) câmaras ou prestadores de serviço de compensação e liquidação financeira = são ultimadas e liquidadas de acordo com seus regulamentos, aprovados pelo BACEN. As garantias conferidas por essas entidades destinam-se prioritariamente à satisfação das obrigações assumidas em seu serviço típico. c) entidades fechadas de previdência complementar. d) associações e fundações. e) sociedades simples (inclusive cooperativas). PARCIALMENTE excluídas = há um procedimento alternativo à falência, mas poderão sofrer execução falimentar nos casos excepcionais: a) instituições financeiras, inclusive administradoras de cartão de crédito (STJ, Súmula 283) = passam por regimes especiais de intervenção e de liquidação extrajudicial, sob responsabilidade do BACEN, podendo ter a falência decretada apenas por requerimento do interventor ou liquidante, autorizado pelo Bacen, depois de frustrada a liquidação extrajudicial + (a) indícios de crime falimentar; (b) não pagamento de 50% dos créditos quirografários. b) sociedades arrendadoras com objeto exclusivo de leasing. c) sociedades administradoras de consórcio, fundos mútuos e atividades assemelhadas. d) companhias de seguro. e) entidades abertas de previdência complementar e de capitalização. f) operadoras de planos privados de assistência à saúde. É importante atentar que, para o STJ, a competência para processar e julgar o pedido de falência de empresa em liquidação extrajudicial, ou seja, sob intervenção do BACEN, é da Justiça Estadual, não da Justiça Federal (STJ, REsp. 1.162.469/PR). Entendido isso, prossigamos. Quem pode pedir falência? A legitimidade ativa para o pedido de falência é conferida ao (art. 97 da Lei 11.101/05 – LRF): a) próprio devedor (autofalência), que tem o dever (embora sem sanção) de requerer quando não preencher os requisitos para a recuperação judicial; b) cônjuge sobrevivente,herdeiros e inventariante (somente se aplica ao empresário individual – prazo de 1 ano contado da morte); c) sócio da sociedade devedora, mesmo que LTDA ou S/A; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 8 d) credor com título, mesmo que não vencido (se empresário, deve provar a regularidade do exercício comercial - inscrição individual ou registro dos atos constitutivos). Segundo a jurisprudência: a natureza trabalhista do crédito não impede que o credor requeira a falência do devedor. Assim, o credor trabalhista tem legitimidade ativa para ingressar com pedido de falência, considerando que o art. 97, IV, da Lei nº 11.101/2005 não faz distinção entre credores (STJ, REsp. 1.544.267/DF, 3ª Turma, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 23/8/2016 - Info 589). Credor não domiciliado no país, para requerer a falência de alguém, deve prestar caução, isso porque quem por dolo (não culpa) requerer a falência de outrem, será condenado, na sentença que julgar improcedente o pedido, a indenizar o devedor, apurando-se as perdas e danos em liquidação de sentença – NÃO precisa haver reconvenção ou sequer pedido contraposto, pois se trata de ação dúplice. ATENÇÃO! Credor com garantia real NÃO tem interesse em requerer a falência, pois está devidamente garantido, exceto se renunciar à garantia (torna-se quirografário) ou esta não for suficiente (é credor quirografário no saldo). Embora haja entendimentos em contrário, prevalece que, por mais que a lei utilize a expressão “qualquer credor”, o Superior Tribunal de Justiça tem entendido pela ilegitimidade da Fazenda Pública para requerer a falência (STJ, REsp. 153.389/MG, REsp.164.389/MG e REsp. 287.824/MG). O STJ entende que, como a Fazenda pública dispõe de instrumento específico para cobrança do crédito tributário, falta-lhe interesse de agir para o pedido de falências. Ainda, no mesmo sentido, diz o enunciado 56 da I Jornada de Direito Comercial: “a Fazenda Pública não possui legitimidade ou interesse de agir para requerer a falência do devedor empresário”. 1.1.1. HIPÓTESES DE FALÊNCIA A decretação da falência pressupõe a demonstração da insolvência da empresa. Contudo, o ordenamento jurídico não exige que a insolvência seja econômica (ou real, com o passivo maior que o ativo), entendendo por suficiente que se demonstre a insolvência presumida (ou jurídica), ou seja, se caracterizada as situações descritas na lei, a insolvência é presumida e, na sequência, a decretação da falência. Assim podemos dizer que a falência é um conceito JURÍDICO, não econômico. São TRÊS as causas que autorizam a falência (LFRE, art. 94): 1) impontualidade injustificada; 2) execução frustrada por tríplice omissão; 3) atos de falência. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 9 É importante passar detalhadamente por cada uma destas situações e é o que faremos agora. 1 – IMPONTUALIDADE INJUSTIFICADA = sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência (LFRE, art. 94, inciso I). De acordo com a lei, é indispensável que o título que embasa o pedido de falência seja executivo (podendo ser judicial ou extrajudicial); esteja protestado (de acordo com o STJ, basta o simples protesto cambial, não necessitando do protesto especial para fins falimentares); seja superior a 40 salários-mínimos. Para que a dívida chegue aos 40 salários-mínimos, podem os credores se unirem em litisconsórcio ativo (LFRE, art. 94, § 1º). Não são consideradas aptas a gerar a falência as obrigações a título gratuito, mesmo que econômicas (exemplo: promessa de doação). A impontualidade deve ser injustificada, o que significa sem relevante razão de direito (há dívidas que, obviamente, não podem ensejar falência, como o débito já pago, a duplicata fria, o cheque clonado) e de dívida exigível (uma promissória prescrita e cujo prazo para qualquer ação se esvaiu não pode fundamentar o pedido – as obrigações naturais não dão suporte à falência). ATENÇÃO! A prova da impontualidade se faz pelo PROTESTO (ainda que o título não seja cambial - protesto especial), mesmo que extemporâneo (se cambial): o protesto cambiário pode ser aproveitado para esse fim (TJSP, Súmula 41) + deve identificar a pessoa que recebeu a notificação de protesto (STJ, Súmula 361), sob pena de indeferimento da inicial (condição especial da ação). A duplicata não aceita, mas instruída do comprovante de entrega da mercadoria ou da prestação do serviço, além de protestada, é título hábil a ensejar a falência (STJ, Súmula 248). 2 - EXECUÇÃO FRUSTRADA = aqui, uma vez caracterizada a tríplice omissão do executado que, não paga, não deposita e não nomeia bens à penhora, basta ao credor requerer uma certidão ao juízo exequente (LFRE, art. 94, § 2º) e instruir a petição com ela. Importante ressaltar que a lei não exige que a dívida seja superior a 40 salários- mínimos (LFRE, art. 94, inciso II). Algumas súmulas do TJSP são esclarecedoras sobre a modalidade de falência requerida por conta da execução frustrada: Súmula 39: No pedido de falência fundado em execução frustrada é irrelevante o valor da obrigação não satisfeita. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 10 Súmula 50: No pedido de falência com fundamento na execução frustrada ou nos atos de falência não é necessário o protesto do título executivo. Súmula 48: Para ajuizamento com fundamento no art. 94, II, da lei nº 11.101/2005, a execução singular anteriormente aforada deverá ser suspensa. 3 - ATO DE FALÊNCIA = todos os comportamentos que, presumivelmente, revelam a insolvência do devedor empresário. a) liquidação precipitada = o empresário se desfaz de seus bens, sem reposição; b) emprego de meios ruinosos ou fraudulentos (exemplo: contratação de empréstimo a juro excessivo ou venda de instrumentos indispensáveis à atividade); c) negócio simulado; d) simulação de transferência do estabelecimento (muda o local do estabelecimento); e) alienação irregular do estabelecimento = sem o consentimento dos credores, salvo se conservar em seu patrimônio bens suficientes para responder pelo passivo; f) garantia real ao credor após a instituição do crédito = tentativa de beneficiar um credor em detrimento dos outros, concedendo irregularmente privilégio ao credor quirografário; g) abandono do estabelecimento empresarial sem deixar procurador bastante, com recursos suficientes para quitação das obrigações; h) descumprimento do plano de recuperação judicial. Como se pode perceber, ainda que o empresário seja solvente, poderá ser submetido à falência se verificada uma dessas situações (falência presumida – não possui natureza econômica). ATENÇÃO! De acordo com o art. 101 da LFRE, o juiz poderá condenar o autor a pagar indenização ao devedor, se entender que a ação falimentar foi requerida por DOLO MANIFESTO do credor, caso em que as perdas e danos serão apuradas em liquidação de sentença. 1.1.2. PROCESSO FALIMENTAR O processo falimentar, como um todo, passa por TRÊS etapas: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção dasmedidas cabíveis na esfera cível e penal. 11 a) PRÉ-FALENCIAL = inicia com o pedido de falência e termina com a decretação da falência por sentença; B) FALENCIAL = inicia na sentença declaratória e se conclui no encerramento da falência – ocorre o conhecimento judicial do ativo e do passivo do devedor, a realização do ativo apurado e o pagamento do passivo admitido; C) REABILITAÇÃO = declaração da extinção das responsabilidades de ordem civil. FIQUE DE OLHO!!! A Lei nº 11.101/2005 somente se aplica aos processos em que a sentença declaratória de falência foi prolatada durante sua vigência (a partir de 09/06/2005). Se a sentença foi decretada ao tempo do Decreto-Lei nº 7.661/1945, o processo será regido com base na lei antiga (ultratividade). 1.1.2.1. Competência A competência será sempre da Justiça Estadual, do Juízo do principal estabelecimento do devedor (competência absoluta). Ou seja, continua a mesma regra da recuperação judicial. 1.1.2.2. Pedido de falência O procedimento falimentar pode ser colocado em marcha por requerimento: a) do próprio devedor (incluindo familiar ou sócio da pessoa jurídica devedora); b) de credor. Legitimidade ativa: a) próprio devedor (autofalência) – obrigação (embora sem sanção) de requerer quando não preencher os requisitos para a recuperação judicial. Autofalência ou pedido de terceiro PEDIDO Concurso universal de credores SENTENÇA DE FALÊNCIA Conhecimento e liquidação do ativo e pagamento do passivo CONCLUS ÃO DA FALÊNCIA •Extinção das obrigações do falido REABILITA ÇÃO CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 12 b) cônjuge sobrevivente, herdeiros e inventariante (somente se aplica ao empresário individual – prazo de 1 ano contado da morte). c) sócio da sociedade devedora, mesmo que LTDA ou S/A. d) credor com título, mesmo que não vencido. Lembrando que: (1) se o requerente credor é empresário, deve provar a regularidade do exercício comercial (inscrição individual ou registro dos atos constitutivos); (2) se o credor não for domiciliado no país, deve prestar caução; (3) o credor com garantia real NÃO tem interesse, exceto se renunciar à garantia (torna-se quirografário) ou esta não for suficiente (é credor quirografário no saldo). ATENÇÃO! Sociedade em comum, isto é, a irregular (CC, art. 986) – pode pedir a própria falência, mas NÃO a de outro empresário, pois não conseguiria provar a regularidade da inscrição de empresa. 1.1.2.3. Resumo Procedimento Falência requerida pelo próprio devedor (autofalência) Pedido justificado do devedor instruído com: a) balanço patrimonial, demonstração de resultados e fluxos de caixa. b) relação de credores. c) relação de bens que compõem o ativo e o passivo. d) contrato social ou, se inexistente, relação dos sócios – mesmo os empresários irregulares podem requerer a própria falência. e) relação dos administradores nos últimos 5 anos. Estando o pedido em ordem, o juiz decreta a falência, sem oitiva prévia do MP; do contrário, determina a respectiva emenda. Autopedido Adequadamente instruído Sentença declaratória de falência Não adequadamente instruído Emenda CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 13 1.1.2.4. Resumo procedimento na falência requerida por terceiro Legitimidade ativa: a) credor (pessoa natural ou jurídica; se empresária deve ser regular) b) sócio ou acionista da sociedade devedora. c) cônjuge sobrevivente, herdeiro ou inventariante = do espólio do empresário individual. PEDIDO → citação do empresário para responder em 10 dias → contestação (não prevista reconvenção ou reconhecimento jurídico do pedido). DOCUMENTOS necessários ao pedido: Impontualidade injustificada = título protestado. Execução frustrada = certidão do processo executivo atestando a tríplice omissão. O réu (devedor) pode, nessa situação: a) contestar; b) contestar + depositar; c) só depositar; d) silenciar; e) requerer recuperação judicial. a) contestar (10 dias): Acolhidas as razões da defesa, o juiz denega a falência, condenando o requerente à sucumbência e eventuais perdas e danos. Não acolhidas, o juiz decreta a falência. b) contestar e depositar (exemplo: dívida não é devida). Acolhidas as razões da defesa, o juiz, condenando o requerente à sucumbência e eventuais perdas e danos, autoriza o levantamento do depósito pelo réu. Não acolhidas, o juiz condena o réu à sucumbência e autoriza o levantamento do depósito pelo requerente. c) depositar = depositado o valor da dívida + correção monetária + juros e honorários, o juiz denega falência, condenando o réu à sucumbência e autoriza o levantamento do depósito elisivo pelo requerente. A doutrina defende que essa postura do devedor é possível não apenas na impontualidade e na execução frustrada, mas também na falência por insolvência presumida (atos de falência). d) silenciar = o juiz decreta a falência, instaurando o concurso de credores. e) requerer recuperação judicial. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 14 1.1.2.5. Decretação da Falência A sentença que decreta a falência do devedor, como dito anteriormente, inicia o processo de falência propriamente dito, ou seja, instaura o processo de execução do patrimônio do devedor. ATENÇÃO! Suspensão das execuções individuais (LFRE, art. 6º) na falência (stay period ou prazo de respiro): ocorre na falência do mesmo modo que ocorre na recuperação judicial, com algumas diferenças. Diferente da recuperação judicial, os créditos falimentares se sujeitam à execução falimentar e não há prazo predeterminado para a suspensão de que trata o art. 6º, “caput”, da LFRE. É importante que vocês atentem que a sentença que decreta a falência é híbrida, pois o recurso cabível da decisão é o agravo de instrumento (LFRE, art. 100). Contudo, o STJ decidiu que é cabível ação rescisória contra decisão que decreta a falência. A sentença que decreta a falência tem um extenso rol de requisitos (LFRE, art. 99) e, dentre todos, é importante falar que a fixação do termo legal da falência (LFRE, art. 99, inciso II) vai determinar a presunção de fraude e a consequente ineficácia objetiva de certos atos praticados pelo devedor nesse período, ou seja, trata-se do período suspeito. ATENÇÃO! “O juiz ordenará a publicação de edital eletrônico com a íntegra da decisão que decreta a falência e a relação de credores apresentado pelo falido” (LFRE, art. 99, § 1º). Assim, percebe-se que a sentença deve ser publicada NA ÍNTEGRA. Pedido de terceiro Prazo de 10 dias para resposta Contesta Sentença declaratória de Falência Sentença denegatória de Falência Deposita Sentença denegatória de Falência Silencia Sentença declaratória de Falência CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 15 A decretação da falência produz efeitos imediatos importantes sobre o devedor e a empresa. São três os principais efeitos produzidos pela decretação da falência: instauração do juízo universal da falência (LFRE, art. 76); vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis (LFRE, art.77); e efeitos nos contratos do falido. ATENÇÃO! A sentença que decreta a falência ou recuperação judicial é condição objetiva de punibilidade para o processamento de crime falimentar. O art. 76 da LFRE instaura o juízo universal da falência, ao dizer que “O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens, interesses e negócios do falido, ressalvadas as causas trabalhistas, fiscais e aquelas não reguladas nesta Lei em que o falido figurar como autor ou litisconsorte ativo”. O vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis (LFRE, art. 77). Ainda, o próprio devedor vai sofrer a sua inabilitação empresarial, conforme o art. 102 da LFRE, desde a decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações. Se for condenado por crime falimentar e caso a sentença o condene a inabilitação para o exercício de atividade empresarial, esta durará por até 5 anos após a extinção da punibilidade (LFRE, art. 181, § 1º). Quanto aos contratos, existem várias modalidades específicas que recebem tratamento especial no art. 119 da LFRE. A regra geral, contudo, determina que “os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial, se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê” (LFRE, art. 117). Ainda, “o contratante pode interpelar o administrador judicial, no prazo de até 90 (noventa) dias, contado da assinatura do termo de sua nomeação, para que, dentro de 10 (dez) dias, declare se cumpre ou não o contrato” (LFRE, art. 117, § 1º). A regra trazida no “caput” do art. 117 tem fundamento no princípio da maximização do ativo, que orienta a “preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens, dos ativos e dos recursos produtivos, inclusive os intangíveis da empresa” (LFRE, art. 75, inciso I). OUTROS EFEITOS da sentença que decreta a falência quanto ao FALIDO: a) inabilitação para exercer atividade empresarial = se o falido é empresário individual, fica impedido, mas se é sociedade empresária, seus sócios NÃO ficam impedidos de integrarem outra sociedade (o falido é a sociedade), exceto se se tratar de sócio com responsabilidade ilimitada (responde com o patrimônio pessoal), caso em que também será falido, devendo ser citado para apresentar contestação (art. 81 c/c art. 102). A inabilitação permanece entre a sentença declaratória até a extinção das obrigações. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 16 b) no caso de concessionária de serviço público, implica na extinção da concessão (art. 195). Efeito automático ex vi legi. c) perda da disponibilidade dos bens (art. 103). Pode atuar como assistente nos processos envolvendo a massa (assistência litisconsorcial sui generis - STJ, REsp. 1.003.359/RS), tendo legitimidade para recorrer, mas não para ajuizar ações. ATENÇÃO! Se foi realizada a “baixa irregular” da empresa (deixou de funcionar sem o procedimento regular), a responsabilidade dos sócios passa a ser ilimitada, de maneira que, decretada a falência, os efeitos da quebra também os atingirão. EFEITOS da sentença que decreta a falência quanto aos CREDORES: a) formação da massa falida subjetiva = comunhão de interesses dos credores, voltada à defesa dos interesses gerais dos credores – atua ora como sucessora do falido (exemplo: cobrando seus créditos), ora contra o falido (exemplo: ação revocatória). b) suspensão das ações individuais contra o falido = instaura-se o concurso universal de credores, que atrai todas as ações de conteúdo econômico movidas contra a massa – exceções: (1) ações sobre quantia ilíquida, coisa certa, prestação ou abstenção de fato; (2) reclamações trabalhistas; (3) execuções fiscais fundadas em CDA para cobrança de crédito tributário, não tributário ou parafiscal; (4) em face dos coobrigados (exemplo: avalistas e fiadores). c) vencimento antecipado dos créditos, abatendo-se os juros legais. Os créditos sujeitos à condição suspensiva participarão da verificação, mas seu pagamento só poderá ocorrer após a realização da condição. d) suspensão da fluência dos juros = apenas os juros devidos à data da decretação da falência podem ser cobrados (não correm juros contra o falido após a decretação da falência, exceto se a massa comportar). Exceção: créditos com garantia real (os juros poderão ser pagos até o limite da garantia). e) suspensão da prescrição das obrigações do falido, voltando a correr com a sentença de encerramento da falência. 1.1.2.6. Arrecadação dos Bens do Falido Com a decretação da falência, a administração dos bens do falido passa para o administrador judicial, o qual, assim que assinar o termo de compromisso, “efetuará a arrecadação dos bens e documentos e a avaliação dos bens, separadamente ou em bloco, no local em que se encontrem, requerendo ao juiz, para esses fins, as medidas necessárias” (LFRE, art. 108). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 17 Assim, vemos que a arrecadação dos bens do devedor é também efeito específico da falência. Podemos conceituar a arrecadação como o procedimento de consolidar (trazer para a massa) todos os bens, documentos e escrituração mercantil na posse do falido e de terceiros (exemplo: em locação, comodato...) NÃO são arrecadados os bens: a) absolutamente impenhoráveis (LFRE, art. 108, § 4º); b) gravados com cláusula de impenhorabilidade; c) meação do cônjuge; d) substâncias entorpecentes (depositadas pelas autoridades sanitárias). A guarda dos bens é de responsabilidade do administrador judicial, podendo o falido ser nomeado depositário. No caso de bens de fácil deterioração, proceder-se-á a venda antecipada, ouvido o falido e o comitê e autorizada pelo juiz. ATENÇÃO! Com a novel Lei 14.112/2020, passou a ser prevista a hipótese de não localização de bens para serem arrecadados ou de arrecadação de bens insuficientes para as despesas do processo. Vejamos: Art. 114-A. Se não forem encontrados bens para serem arrecadados, ou se os arrecadados forem insuficientes para as despesas do processo, o administrador judicial informará imediatamente esse fato ao juiz, que, ouvido o representante do Ministério Público, fixará, por meio de edital, o prazo de 10 (dez) dias para os interessados se manifestarem. § 1º Um ou mais credores poderão requerer o prosseguimento da falência, desde que paguem a quantia necessária às despesas e aos honorários do administrador judicial, que serão considerados despesas essenciais nos termos estabelecidos no inciso I-A do caput do art. 84 desta Lei. § 2º Decorrido o prazo previsto no caput sem manifestação dos interessados, o administrador judicial promoverá a venda dos bens arrecadados no prazo máximo de 30 (trinta) dias, para bens móveis, e de 60 (sessenta) dias, para bens imóveis, e apresentará o seu relatório, nos termos e para os efeitos dispostos neste artigo. § 3º Proferida a decisão, a falência será encerrada pelo juiz nos autos. Pode ser que a arrecadação atinja bens de terceiros que estão em poder do devedor na data da decretação da falência. Nesses casos, os titulares desses bens poderão formular pedidos de restituição. “O proprietário de bem arrecadado no processo de falência ou que se encontre em poder do devedor na data da decretação da falência poderá pedir sua restituição” CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida areprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 18 (LFRE, art. 85). É o caso, por exemplo, de bens que estavam com o devedor em razão de contratos de alienação fiduciária em garantia ou arrendamento mercantil. O pedido de restituição pode ser manejado em diversas situações. Vejamos: a) terceiro que tem seus bens na posse do falido em razão de relação jurídica (exemplo: locação ou comodato), buscando livrá-los do esbulho judicial (rito de cognição sumária para que o juiz defina a natureza da posse exercida pelo falido); b) titular de coisas vendidas a crédito e entregues ao falido 15 dias antes do pedido de falência, se ainda não alienadas (a transferência da propriedade é ineficaz, devendo haver restituição); c) terceiro de boa-fé, alcançado pela declaração judicial da ineficácia de negócio jurídico praticado pelo falido; d) pela instituição financeira, de coisa em alienação fiduciária; e) INSS das contribuições retidas pelo falido; f) instituição financeira das importâncias antecipadas ao exportador com base em contrato de câmbio; g) cessionário do título de direitos creditícios no sistema de financiamento imobiliário. Deferido o pedido, o bem é restituído em espécie no prazo de 48 horas (não há habilitação na falência), salvo se o bem se perdeu – torna-se crédito extraconcursal, havendo execução imediata. ATENÇÃO! “Pode ser objeto de restituição, na falência, dinheiro em poder do falido, recebido em nome de outrem, ou do qual, por lei ou contrato, não tivesse ele a disponibilidade” (STF, Súmula 417). Por fim, caso a situação de um terceiro não se encaixe em nenhuma das hipóteses legais acima descritas, ele ainda pode ajuizar embargos de terceiro (LFRE, art. 93), conforme o CPC. 1.1.2.7. Termo legal da Falência e Ineficácia de Negócios Jurídicos A arrecadação dos bens do devedor, por certo, não pode se restringir ao patrimônio que ele possui apenas no momento em que sua falência foi decretada pela sentença. Como é bem conhecido, é provável que o devedor, sabendo que sua falência CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 19 estava próxima, tenha tentado se desfazer de bens, antes da decretação da quebra, para evitar sua arrecadação no processo falimentar. Para possibilitar que os credores apurem os atos praticados pelo devedor antes da falência (buscando eventuais condutas fraudulentas), o juiz fixa o “período suspeito” (termo legal da falência) na sentença que decreta a quebra (LFRE, art. 99, inciso II). Nessa investigação, a LFRE prevê que existem condutas presumidamente fraudulentas, determinadas pela ineficácia objetiva dos atos praticados, ou seja, a fraude é presumida e não há necessidade de provar a intenção do credor em fraudar. Nos outros casos, ainda é possível obter a revogação do ato praticado, exigindo-se, contudo, prova do intuito fraudulento do credor. São considerados ineficazes em relação à massa falida, tenha ou não o contratante conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor, seja ou não intenção deste fraudar credores (LFRE, art. 129): a) o pagamento de dívidas não vencidas realizado pelo devedor dentro do termo legal, por qualquer meio extintivo do direito de crédito, ainda que pelo desconto do próprio título; b) o pagamento de dívidas vencidas e exigíveis realizado dentro do termo legal, por qualquer forma que não seja a prevista pelo contrato; c) a constituição de direito real de garantia, inclusive a retenção, dentro do termo legal, tratando-se de dívida contraída anteriormente; se os bens dados em hipoteca forem objeto de outras posteriores, a massa falida receberá a parte que devia caber ao credor da hipoteca revogada; d) a prática de atos a título gratuito, desde 2 (dois) anos antes da decretação da falência; e) a renúncia à herança ou a legado, até 2 (dois) anos antes da decretação da falência; f) a venda ou transferência de estabelecimento feita sem o consentimento expresso ou o pagamento de todos os credores, a esse tempo existentes, não tendo restado ao devedor bens suficientes para solver o seu passivo, salvo se, no prazo de 30 (trinta) dias, não houver oposição dos credores, após serem devidamente notificados, judicialmente ou pelo oficial do registro de títulos e documentos; g) os registros de direitos reais e de transferência de propriedade entre vivos, por título oneroso ou gratuito, ou a averbação relativa a imóveis realizados após a decretação da falência, salvo se tiver havido prenotação anterior. Ressalto que trata-se de rol taxativo e, caso ocorra, o ato será objetivamente ineficaz. Valendo destacar ainda que, conforme o parágrafo único do art. 129 da LFRE, “a ineficácia poderá ser declarada de ofício pelo juiz, alegada em defesa ou pleiteada mediante ação própria ou incidentalmente no curso do processo”. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 20 ATENÇÃO! Prevalece a desnecessidade de contraditório prévio, mas há autores que defendem sua obrigatoriedade, especialmente em razão do princípio da cooperação. Já os atos revogáveis (ineficácia subjetiva), por sua vez, estão previstos no art. 130 da LFRE, que prevê que “são revogáveis os atos praticados com a intenção de prejudicar credores, provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida”. No caso dos atos revogáveis, não há previsão de conduta específica do devedor, nem utilização de marco temporal como referência. Assim, qualquer ato que se enquadrar no previsto no art. 130 da LFRE pode ser questionado. Diferentemente dos atos de ineficácia objetiva, a revogação não poderá ser conhecida de ofício pelo juiz, alegada em defesa ou pleiteada incidentalmente. Faz-se necessário o ajuizamento de ação própria, chamada de ação revocatória, a qual “deverá ser proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo Ministério Público no prazo de 3 (três) anos contados da decretação da falência” (LFRE, art. 132). ATENÇÃO! O prazo de 3 (três) anos para propor ação revocatória é DECADENCIAL!!! A ação revocatória correrá junto ao juízo universal e seguirá o rito comum do CPC (LFRE, art. 134). Poderá ser ajuizada contra (LFRE, art. 133): a) todos os que figuraram no ato ou que por efeito dele foram pagos, garantidos ou beneficiados; b) contra os terceiros adquirentes, se tiveram conhecimento, ao se criar o direito, da intenção do devedor de prejudicar os credores; os herdeiros ou legatários das pessoas indicadas nos dois casos supra mencionados. Em resumo: Declaração da INEFICÁCIA OBJETIVA (art. 129) Declaração da INEFICÁCIA SUBJETIVA (art. 130) Desnecessidade de demonstração de fraude por parte do falido, bem como de conluio fraudulento entre ele e o terceiro (consilium fraudis) ou de prejuízo à massa (eventus damni). Deve-se demonstrar: (a) a intenção do falido de prejudicar os credores; (b) o conluio fraudulento entre o falido e o terceiro que com ele contratar; e (c) o efetivo prejuízo à massa. 1.1.2.8. Realização do Ativo A realização do ativo consiste na venda dos bens arrecadados, com a finalidade de juntar dinheiro para pagar o crédito dos credores habilitados. Segundo o art. 139 da LFRE, deve iniciar “logo após a arrecadação dos bens, com a juntada do respectivo auto CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena daadoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 21 ao processo de falência”. Ademais, ressalte-se que “a venda dos bens deve ser iniciada antes mesmo de formado o quadro-geral de credores” (LFRE, art. 140, § 2º). A alienação dos bens do falido será realizada de acordo com as modalidades previstas no art. 140 da LFRE (listados em ordem de preferência): a) alienação da empresa, com a venda de seus estabelecimentos em bloco; b) alienação da empresa, com a venda de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente; c) alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do devedor; d) alienação dos bens individualmente considerados. Definida a forma de realização do ativo do devedor, proceder-se-á à venda, que ocorrerá na forma do art. 142 da LFRE, totalmente reformulado na recente reforma da Lei. A venda poderá ser realizada nas seguintes modalidades: a) leilão eletrônico, presencial ou híbrido; b) processo competitivo organizado promovido por agente especializado e de reputação ilibada, cujo procedimento deverá ser detalhado em relatório anexo ao plano de realização do ativo ou ao plano de recuperação judicial, conforme o caso; c) qualquer outra modalidade, desde que aprovada nos termos desta Lei. Além destas modalidades típicas de venda, a LFRE permite que a venda seja realizada por meios atípicos, desde que isso seja mais interessante sob o ponto de vista da maximização dos ativos do devedor. Nesse sentido, afirma a LFRE que “havendo motivos justificados, o juiz poderá autorizar, mediante requerimento fundamentado do administrador judicial ou do Comitê, modalidades de alienação judicial diversas das previstas no art. 142 desta Lei” (LFRE, art. 144). O procedimento para a alienação, tratado nos parágrafos do art. 142, foi totalmente reformulado pela Lei 14.112/2020, é de leitura indispensável para compreensão do instituto. Novidade trazida na reforma da LFRE (art. 145), há a possibilidade de que “por deliberação tomada nos termos do art. 42 desta Lei, os credores poderão adjudicar os bens alienados na falência ou adquiri-los por meio de constituição de sociedade, de fundo ou de outro veículo de investimento, com a participação, se necessária, dos atuais sócios do devedor ou de terceiros, ou mediante conversão de dívida em capital. Caso não haja sucesso em nenhuma das tentativas de venda dos bens, a LFRE agora estabelece que “os bens poderão ser considerados sem valor de mercado e destinados à doação” e, caso sequer para doação existam interessado, os bens serão devolvidos ao falido (LFRE, art. 144-A, “caput” e parágrafo único). ATENÇÃO! Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata o art. 142: I – todos os credores, observada a ordem de preferência definida no art. 83 CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 22 desta Lei, sub-rogam-se no produto da realização do ativo; II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho. 1.1.2.9. Verificação e Habilitação de Créditos Conforme determina o art. 99 da LFRE, na sentença que decreta a falência, o juiz “ordenará ao falido que apresente, no prazo máximo de 5 (cinco) dias, relação nominal dos credores, indicando endereço, importância, natureza e classificação dos respectivos créditos, se esta já não se encontrar nos autos, sob pena de desobediência” e “explicitará o prazo para as habilitações de crédito”. O procedimento de verificação e habilitação de créditos será conduzido pelo administrador judicial e será finalizado com a formação do quadro-geral de credores, cuja ordem de classificação deverá ser observada quando do pagamento dos credores. A primeira relação dos credores será apresentada pelo falido ao juiz após a decretação de sua falência (LFRE, art. 99, inciso III). Após essa lista, os credores terão prazo de 15 dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou divergências, quanto aos créditos relacionados. Após o período de habilitação ou divergência, o administrador judicial publicará, em até 45 dias, edital contendo a relação de credores. Contra esta relação, o comitê, qualquer credor, o devedor ou seus sócios, ou o Ministério Público poderão, no prazo de 10 dias, apresentar impugnação. O rito da impugnação dos créditos é o mesmo estabelecido para os créditos na recuperação judicial e que já tratamos na nossa rodada anterior. ATENÇÃO! “Na falência, os créditos retardatários perderão o direito a rateios eventualmente realizados e ficarão sujeitos ao pagamento de custas, não se computando os acessórios compreendidos entre o término do prazo e a data do pedido de habilitação” (LFRE, art. 10, § 3º). Nesse caso, contudo, “o credor poderá requerer a reserva de valor para satisfação de seu crédito” (LFRE, art. 10, § 4º). Definido, finalmente, o quadro-geral de credores, será este, então, homologado pelo juiz. 1.1.2.10 Incidente de Classificação de Crédito Público Um ponto importante que merece destaque próprio no nosso material é o incidente de classificação de crédito público. Instituto previsto no art. 7º-A da LFRE, após inovação trazida pela Lei 14.112/2020. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 23 Vejamos o que diz o citado artigo: “Art. 7º-A. Na falência, após realizadas as intimações e publicado o edital, conforme previsto, respectivamente, no inciso XIII do caput e no § 1º do art. 99 desta Lei, o juiz instaurará, de ofício, para cada Fazenda Pública credora, incidente de classificação de crédito público e determinará a sua intimação eletrônica para que, no prazo de 30 (trinta) dias, apresente diretamente ao administrador judicial ou em juízo, a depender do momento processual, a relação completa de seus créditos inscritos em dívida ativa, acompanhada dos cálculos, da classificação e das informações sobre a situação atual.” Assim, vemos que o magistrado deve agir de ofício, intimando cada Fazenda Pública credora, para que apresente ao administrador judicial ou em juízo, a relação completa de seus créditos inscritos em dívida ativa, no prazo de 30 dias. A lei (LFRE, art. 7º-A, § 2º) determina que os créditos “não definitivamente constituídos, não inscritos em dívida ativa ou com exigibilidade suspensa poderão ser informados em momento posterior”. Imaginando que haveria regras sobre a fixação da competência, a Lei trouxe qual juízo é responsável pelo julgamento: se seria o juízo falimentar ou das execuções fiscais. “Art. 7º-A. [...] § 4º Com relação à aplicação do disposto neste artigo, serão observadas as seguintes disposições: I - a decisão sobre os cálculos e a classificação dos créditos para os fins do disposto nesta Lei, bem como sobre a arrecadação dos bens, a realização do ativo e o pagamento aos credores, competirá ao juízo falimentar; II - a decisão sobre a existência, a exigibilidade e o valor do crédito, observado o disposto no inciso II do caput do art. 9º desta Lei e as demais regras do processo de falência, bem como sobre o eventual prosseguimento da cobrança contra os corresponsáveis, competirá ao juízo da execução fiscal; III - a ressalva prevista no art. 76 desta Lei, ainda que o crédito reconhecido não esteja em cobrança judicial mediante execução fiscal, aplicar-se-á, no que couber, ao disposto no inciso II deste parágrafo; IV -o administrador judicial e o juízo falimentar deverão respeitar a presunção de certeza e liquidez de que trata o art. 3º da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, sem prejuízo do disposto nos incisos II e III deste parágrafo; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 24 V - as execuções fiscais permanecerão suspensas até o encerramento da falência, sem prejuízo da possibilidade de prosseguimento contra os corresponsáveis; VI - a restituição em dinheiro e a compensação serão preservadas, nos termos dos arts. 86 e 122 desta Lei; e VII - o disposto no art. 10 desta Lei será aplicado, no que couber, aos créditos retardatários.” ATENÇÃO! Atentem que, conforme o § 7º do art. 7º-A da LFRE, o disposto neste artigo aplica-se, no que couber, aos créditos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Por último, é importante ressaltar que “não haverá condenação em honorários de sucumbência no incidente de que trata este artigo” (LFRE, art. 7º-A, §8º). 1.1.2.11. Pagamento dos Credores Enquanto não iniciado o pagamento dos credores, “as quantias recebidas a qualquer título serão imediatamente depositadas em conta remunerada de instituição financeira, atendidos os requisitos da lei ou das normas de organização judiciária” (LFRE, art. 147). A LFRE determina, contudo, que o administrador judicial faça alguns pagamentos antes de pagar aos credores descritos no quadro-geral. Ou seja, aqui tratamos dos créditos extraconcursais. Pagamentos Antecipados ao Quadro-Geral de Credores: a) As despesas cujo pagamento antecipado seja indispensável à administração da falência (LFRE, art. 150); b) Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial, vencidos nos 3 (três) meses anteriores à decretação da falência, até o limite de 5 (cinco) salários-mínimos por trabalhador (LFRE, art. 151); c) Créditos extraconcursais (descritos no art. 84) e restituições em dinheiro deferidas pelo juiz (LFRE, art. 149). Realizados todos os pagamentos, deve o administrador judicial iniciar o pagamento dos créditos habilitados do quadro-geral de credores, ou seja, dos créditos concursais. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 25 Previstos no art. 83 da LFRE, a classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: Ordem de Classificação dos Créditos Concursais (art. 83): Os créditos derivados da legislação trabalhista, limitados a 150 (cento e cinquenta) salários-mínimos por credor, e aqueles decorrentes de acidentes de trabalho; Os créditos gravados com direito real de garantia até o limite do valor do bem gravado; Os créditos tributários, independentemente da sua natureza e do tempo de constituição, exceto os créditos extraconcursais e as multas tributárias; Os créditos quirografários, a saber: aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo; os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento; e os saldos dos créditos derivados da legislação trabalhista que excederem o limite estabelecido no inciso I do caput deste artigo (limite de 150 salários-mínimos por credor); As multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, incluídas as multas tributárias; Os créditos subordinados, a saber: os previstos em lei ou em contrato; e os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício cuja contratação não tenha observado as condições estritamente comutativas e as práticas de mercado; Os juros vencidos após a decretação da falência, conforme previsto no art. 124 desta Lei. A reforma da LFRE revogou a previsão dos créditos “com privilégio especial e dos créditos com privilégio geral”. Em substituição, incluíram o parágrafo 6º no art. 83, prevendo que “os créditos que disponham de privilégio especial ou geral em outras normas integrarão a classe dos créditos quirografários”. ATENÇÃO! A limitação dos 150 salários-mínimos por trabalhador (art. 83, inciso I) aplica-se ao crédito trabalhista stricto sensu, não abrangendo os créditos decorrentes de acidentes do trabalho. Com a reforma da LFRE, foi adicionado um § 5º ao art. 83 prevendo que “para os fins do disposto nesta Lei, os créditos cedidos a qualquer título manterão sua natureza e classificação”. Assim, caso ocorra a venda de algum crédito trabalhista, este não passará mais a ser considerado quirografário. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 26 1.1.2.11. Encerramento do Processo Falimentar Encerrado o pagamento dos credores da massa falida, determina o art. 154 da LFRE que “concluída a realização de todo o ativo, e distribuído o produto entre os credores, o administrador judicial apresentará suas contas ao juiz no prazo de 30 (trinta) dias”. Na sequência, serão formados autos apartados com as contas apresentadas e, ato contínuo, o magistrado colocará as contas à disposição dos interessados para que ofereçam, caso queiram, impugnações, no prazo de 10 dias e depois enviará os autos ao representante do Ministério Público, que oferecerá parecer em 5 dias. Caso o parecer do MP seja desfavorável ou havendo impugnação, o administrador judicial será novamente ouvido e, feito tudo isso, os autos serão encaminhados ao juiz para julgamento das contas por sentença. Na sequência, “a sentença que rejeitar as contas do administrador judicial fixará suas responsabilidades, poderá determinar a indisponibilidade ou o sequestro de bens e servirá como título executivo para indenização da massa” (LFRE, art. 154, §5º). Da sentença, caberá recurso de apelação (LFRE, art. 154, § 6º). Julgadas as contas, deve o administrador judicial apresentar relatório final, no prazo de 10 dias, no qual indicará “o valor alcançado com a realização do ativo, o valor do passivo, os pagamentos que realizou e as responsabilidades com as quais continuará o devedor falido” (LFRE, art. 155). Apresentado este relatório, o juiz dará por encerrado o processo falimentar, também por meio de sentença, que será publicada em edital. Cabendo, novamente, recurso de apelação contra esta sentença (LFRE, art. 156, “caput” e parágrafo único). ATENÇÃO! A reforma da LFRE revogou o art. 157 da Lei 11.101/05 e acrescentou o inciso VI ao art. 158 da mesma lei. Assim, acabou a discussão que havia sobre o encerramento da falência acarretar ou não a extinção das obrigações do falido, e agora consta expressamente na lei que “extingue as obrigações do falido: o encerramento da falência nos termos dos arts. 114-A ou 156 desta Lei”. 1.1.2.12. Extinção das Obrigações do Falido Na prática, as hipóteses que caracterizavam a extinção das obrigações do falido eram de difícil ocorrência. Assim, a reforma da LFRE reformulou o art. 158, que agora prevê a extinção das obrigações do falido, nos seguintes casos: a) o pagamento de todos os créditos; b) o pagamento, após realizado todo o ativo, de mais de 25% (vinte e cinco por cento) dos créditos quirografários, facultado ao falido o depósito da quantia necessária para CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 27 atingir a referida porcentagem se para isso não tiver sido suficiente a integral liquidação do ativo; c) o decurso doprazo de 3 (três) anos, contado da decretação da falência, ressalvada a utilização dos bens arrecadados anteriormente, que serão destinados à liquidação para a satisfação dos credores habilitados ou com pedido de reserva realizado; d) o encerramento da falência nos termos dos arts. 114-A ou 156 desta Lei. ATENÇÃO! A reforma da LFRE revogou os incisos III e IV do art. 158, que determinavam a extinção das obrigações do falido em lapso temporal bem longo (5 ou 10 anos) após o trânsito em julgado da sentença de encerramento do processo falimentar. No lugar, o prazo foi reduzido para apenas 3 anos, contados desde a decretação da quebra, garantindo que o falido possa retornar ao mercado. É importante falar que não se trata de uma “benesse” dada ao falido. A lei coloca em prática um dos objetivos da falência (acrescentado com a reforma da Lei), que é “fomentar o empreendedorismo, inclusive por meio da viabilização do retorno célere do empreendedor falido à atividade econômica” (LFRE, art. 75, inciso III). Portanto, ocorrida alguma hipótese prevista no art. 158, deve o falido requerer ao juízo que declare, através de sentença, a extinção das suas obrigações (LFRE, art. 159). Na sequência do requerimento, “a secretaria do juízo fará publicar imediatamente informação sobre a apresentação do requerimento a que se refere este artigo, e, no prazo comum de 5 (cinco) dias, qualquer credor, o administrador judicial e o Ministério Público poderão manifestar-se exclusivamente para apontar inconsistências formais e objetivas” (LFRE, art. 159, § 1º). “Findo o prazo, o juiz, em 15 (quinze) dias, proferirá sentença que declare extintas todas as obrigações do falido, inclusive as de natureza trabalhista” (LFRE, art. 159, § 3º). Da sentença, caberá apelação (LFRE, art. 159, § 5º). ATENÇÃO! A reforma da LFRE passou a permitir expressamente a revogação da sentença de extinção das obrigações do falido, após o trânsito em julgado. Esta rescisão ocorrerá “na forma prevista na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), a pedido de qualquer credor, caso se verifique que o falido tenha sonegado bens, direitos ou rendimentos de qualquer espécie anteriores à data do requerimento a que se refere o art. 159 desta Lei” (LFRE, art. 159-A). De acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, “o direito à rescisão de que trata o caput deste artigo extinguir-se-á no prazo de 2 (dois) anos, contado da data do trânsito em julgado da sentença de que trata o art. 159 desta Lei”. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 28 2. JURISPRUDÊNCIA SÚMULAS DO STF SÚMULA 592 - Nos crimes falimentares, aplicam-se as causas interruptivas da prescrição, previstas no código penal. SÚMULA 495 - A restituição em dinheiro da coisa vendida a crédito, entregue nos quinze dias anteriores ao pedido de falência ou de concordata, cabe, quando, ainda que consumida ou transformada, não faça o devedor prova de haver sido alienada a terceiro. SÚMULA 417 - Pode ser objeto de restituição, na falência, dinheiro em poder do falido, recebido em nome de outrem, ou do qual, por lei ou contrato, não tivesse ele a disponibilidade. SÚMULA 193 - Para a restituição prevista no art. 76, § 2º, da lei de falências, conta-se o prazo de quinze dias da entrega da coisa e não da sua remessa. SÚMULAS DO STJ SÚMULA 581 - A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das ações e execuções ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória. SÚMULA 480 - O juízo da recuperação judicial não é competente para decidir sobre a constrição de bens não abrangidos pelo plano de recuperação da empresa. SÚMULA 400 - O encargo de 20% previsto no DL n. 1.025/1969 é exigível na execução fiscal proposta contra a massa falida. SÚMULA 361 - A notificação do protesto, para requerimento de falência da empresa devedora, exige a identificação da pessoa que a recebeu. SÚMULA 248 - A duplicata não aceita, mas instruída do comprovante de entrega da mercadoria ou da prestação do serviço, além de protestada, é título hábil a ensejar a falência. SÚMULA 307 - A restituição de adiantamento de contrato de câmbio, na falência, deve ser atendida antes de qualquer crédito. SÚMULA 29 - No pagamento em juízo para elidir falência, são devidos correção monetária, juros e honorários de advogado. SÚMULA 25 - Nas ações da lei de falências o prazo para a interposição de recurso conta- se da intimação da parte. JULGADOS Depois da decretação da falência, o devedor falido não se convola em mero expectador no processo falimentar, podendo praticar atos processuais em defesa dos CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 29 seus interesses próprios. (STJ. 4ª Turma. EDcl no AgInt no AREsp 1.271.076-GO, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 24/4/2023 (Info 775)). A exigibilidade do protesto da duplicata mercantil para a instrução do processo de falência: (i) não exige a realização do protesto especial para fins falimentares, bastando qualquer das modalidades de protesto previstas na legislação de regência; (ii) torna-se suficiente a triplicata protestada ou o protesto por indicações, desde que acompanhada da prova da entrega da mercadoria, por cuidar-se de título causal; e (iii) é possível realizar diretamente o protesto por falta de pagamento ou o protesto especial para fins falimentares. (STJ. 4ª Turma. REsp 2028234-SC, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 7/3/2023 (Info 767)). Mesmo antes da Lei 14.112/2020, já era possível o magistrado autorizar modalidade alternativa de realização do ativo da massa falida, mesmo após rejeição da proposta pela assembleia-geral de credores, desde que exista justificativa suficiente para adoção da medida excepcional. Antes da Lei nº 14.112/2020, o fundamento legal para isso estava no art. 145, § 3º, da Lei nº 11.101/2005. Depois da Lei nº 14.112/2020, o fundamento passou a ser o art. 142, V, e § 3º-B, III, da Lei nº 11.101/2005. (STJ. 4ª Turma. REsp 1798915/SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 04/10/2022 (Info 754)). Os atos considerados ineficazes pelo juízo falimentar não produzem qualquer efeito jurídico perante a massa. Por outro lado, isso não vincula o juízo da execução fiscal. A decretação da ineficácia do negócio jurídico por parte do juízo falimentar não impede que o juízo da execução fiscal continue decidindo que houve responsabilidade tributária decorrente de sucessão empresarial. (STJ. 2ª Turma. REsp 1822226-RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 27/09/2022 (Info 753)). A apreensão do passaporte do devedor é medida atípica e restritiva da liberdade de locomoção do indivíduo, podendo caracterizar constrangimento ilegal e arbitrário, susceptível de análise em sede de habeas corpus, como via processual adequada. Em homenagem ao princípio do resultado na execução, o CPC/2015 inovou no ordenamento jurídico ao prever, em seu art. 139, IV, a adoção de medidas executivas atípicas, tendentes à satisfação da obrigação exequenda. Sendo a falência um processo de execução coletiva decretado judicialmente, deve o patrimônio do falido estar comprometido exclusivamente com o pagamento da massa falida, de modo que se tem como cabível, de forma subsidiária, a aplicação da referida regra do art. 139, IV, conforme previsto no art. 189 da Lei 11.101/2005. Ou seja: é cabível medida atípica (no caso concreto de apreensão e passaportes), em processo submetido à Lei de Falências, quando constatados fortes indíciosde ocultação de patrimônio. (STJ. 4ª Turma. HC 742879-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 13/09/2022 (Info 749)). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 30 A efetivação de penhora sobre o bem hipotecado, por si, não impede que o credor hipotecário, exequente, requeira a falência do devedor com fundamento no art. 94, II, da Lei nº 11.101/2005. Isso porque se o referido bem não for suficiente para liquidar a integralidade da dívida – inexistindo pagamento, depósito ou ainda a indicação de outros bens à penhora, pelo devedor –, resta caracterizada a execução frustrada disciplinada no referido dispositivo. A inidoneidade do bem penhorado, ainda que objeto de garantia real, pode revelar-se em momento ulterior ao da constrição ou da hipoteca, o que deve ser aferido pelo juiz para avaliar a suficiência da garantia durante todo o trâmite processual, bem assim para fundamentar o decreto de falência do devedor com amparo no art. 94, II. (STJ. 4ª Turma. REsp 1698997-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 16/08/2022 (Info 748)). Uma vez verificada a ocorrência de fraude e confusão patrimonial entre a falida e outras empresas, é possível a desconsideração das personalidades jurídicas incidentalmente no processo falimentar, independentemente de ação própria (anulatória ou revocatória), inclusive com o objetivo de arrecadar bens das sociedades empresariais envolvidas na fraude reconhecida pelas instâncias ordinárias. Conforme precedente antigo do próprio STJ, a desconsideração da personalidade jurídica, quando preenchidos os seus requisitos, pode ser requerida a qualquer tempo, não se submetendo, à míngua de previsão legal, a prazos decadenciais ou prescricionais. (STJ. 3ª Turma. REsp. 1.686.123-SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 22/03/2022 (Info 730)). Segundo o art. 99, II, da Lei nº 11.101/2005, no caso de autofalência, inexistindo protestos contra a devedora, o termo legal deve ser fixado em até 90 dias antes da distribuição do pedido. O juiz não pode ampliar esse prazo, utilizando como marco o ajuizamento de ação de despejo e cobrança contra o devedor. (STJ. 3ª Turma. REsp. 1.890.290-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 22/02/2022 (Info 726)). É possível a Fazenda Pública habilitar em processo de falência crédito tributário objeto de execução fiscal em curso, mesmo antes da vigência da Lei nº 14.112/2020, e desde que não haja pedido de constrição de bens no feito executivo. Importante atentar que este julgado é o tema 1092 e foi julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. (STJ. 1ª Seção. REsp. 1.872.759-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 18/11/2021 (Info 718)). São constitucionais o estabelecimento de um limite máximo de 150 (cento e cinquenta) salários mínimos aos créditos de natureza trabalhista, bem como a definição de créditos com privilégio especial, conforme previsto no art. 83, I, e VI, “c”, da Lei 11.101/2005. Também é constitucional a precedência conferida aos créditos “extraconcursais” decorrentes de obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial, ou após a decretação da falência, e de tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência. É legítima a restituição em dinheiro de valor adiantado ao devedor-falido, oriundo de adiantamento de contrato de câmbio para exportação. (STF. Plenário. ADI 3.424/DF, CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 31 Rel. Min. Edson Fachin, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 16/4/2021 (Info 1013)). Os encargos da massa são preferenciais e não dependem de habilitação para serem satisfeitos, observadas as ressalvas legais do art. 124 do Decreto-Lei nº 7.661/45. É importante ressaltar que este caso ocorreu sob a égide do Decreto-Lei nº 7.661/45. (STJ. 4ª Turma. REsp. 1.383.914/RS, Rel. Min. Antônio Carlos Ferreira, julgado em 16/03/2021 (Info 689)). Cabe agravo de instrumento de todas as decisões interlocutórias proferidas no processo de recuperação judicial e no processo de falência, por força do art. 1.015, parágrafo único, do CPC/2015. (STJ. 2ª Seção. REsp. 1.717.213-MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 03/12/2020. Recurso Repetitivo – Tema 1022. (Info 684)). O inciso III do art. 104 da Lei nº 11.101/2005 prevê que a decretação da falência impõe ao falido o dever de não se ausentar do lugar onde se processa a falência sem motivo justo e comunicação expressa ao juiz, e sem deixar procurador bastante, sob as penas cominadas na lei. Vale ressaltar que a antiga Lei de Falências (DL 7.661/1945) trazia regra mais restritiva e exigia que o falido obtivesse autorização judicial expressa para que pudesse se ausentar do lugar da falência. A norma mais benéfica do art. 104, III, da Lei nº 11.101/2005, que não exige mais autorização judicial, mas apenas a comunicação justificada sobre mudança de residência do sócio, inclusive para o exterior, pode ser aplicada às quebras anteriores à sua vigência. (STJ. 4ª Turma. RHC 80.124-RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 26/05/2020 (Info 673)). O ajuizamento de execução fiscal em momento anterior à decretação da quebra do devedor não enseja o reconhecimento da ausência de interesse processual do ente federado para pleitear a habilitação do crédito correspondente no processo de falência. (STJ. 3ª Turma. REsp. 1.857.055-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/05/2020 (Info 672)). TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO JUÍZO UNIVERSAL. COEXISTÊNCIA COM A EXECUÇÃO FISCAL DESPROVIDA DE PENHORA. POSSIBILIDADE. DUPLA GARANTIA. INOCORRÊNCIA. A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que é possível a coexistência da habilitação de crédito no processo falimentar com a execução fiscal sem garantia, desde que a Fazenda Pública se abstenha de requerer a constrição de bens em relação ao executado que também figure no polo passivo da ação falimentar. A ministra citou precedentes do tribunal sobre a utilização simultânea, pelo fisco, da execução e da habilitação no processo falimentar para a cobrança de crédito fiscal. Ao mencionar o REsp. 185.838, ela destacou que, uma vez “efetuada a penhora na execução fiscal, não há cogitar de reserva de numerário no juízo da concordata, o que se constituiria, sem dúvida, em garantia dúplice”. Regina Helena lembrou que a CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 32 garantia é entendida como a constrição de bens e direitos, sendo feita, na execução fiscal, por meio de penhora ou indisponibilidade. No entanto, afirmou que “a tramitação da ação executiva fiscal não representa, por si só, uma garantia para o credor”. De acordo com a ministra, o juízo de conveniência e oportunidade da Fazenda Pública se dá quando há a concomitância das vias da execução fiscal e da falência, pois, sem a decretação da falência, não haveria alternativa à execução. Para ela, impedir a coexistência da ação executiva fiscal e da habilitação de crédito no juízo falimentar vai contra os artigos 187 do Código Tributário Nacional, 5º e 29 da LEF, bem como os artigos 6º e 7º da Lei 11.101/2005. Finaliza afirmando que não há se falar, portanto, em renúncia à ação executiva fiscal diante de pedido de habilitação decrédito no juízo concursal, quando o feito executivo carece de constrição de bens. STJ, REsp. 1.831.186/SP, 1ª TURMA, Rel. MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel p/ Acórdão MINISTRA REGINA HELENA COSTA, 26/05/2020. É possível o redirecionamento da execução fiscal contra o sócio-gerente da pessoa jurídica originalmente executada pela suposta prática de crime falimentar mesmo que não tenha havido ainda o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. É por essa razão que caberá ao juiz natural, competente para processar e julgar a execução fiscal, analisar, caso a caso, o conteúdo da denúncia pela prática de crime falimentar e decidir se cabe ou não o redirecionamento. Não é necessário, portanto, aguardar o trânsito em julgado da sentença penal condenatória para que o Juízo da Execução Fiscal analise o pleito de redirecionamento da execução contra o sócio. (STJ. 2ª Turma. REsp. 1.792.310-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 04/02/2020 (Info 678)). As hipóteses legais de cabimento do agravo de instrumento elencadas no parágrafo único do artigo 1.015 do Código de Processo Civil de 2015 devem ser interpretadas extensivamente, englobando também a recuperação judicial e a falência (exemplo: contra a decisão que indefere a habilitação de créditos). A Lei nº 11.101/2005 tem normas de direito material e processual, instituindo um regime recursal próprio. Esse regramento não é exaustivo, prevendo a lei a aplicação supletiva do Código de Processo Civil quando for cabível. 4. Nas hipóteses em que a lei especial apontar o recurso próprio, esse é o que deve ser utilizado, somente se cogitando da incidência das normas adjetivas se não houver previsão expressa do remédio aplicável. 5. As questões interlocutórias proferidas durante o processamento da recuperação judicial e da falência (e que não se enquadram nos incisos do artigo 1.015 do CPC/2015) não terão oportunidade de revisão em eventual apelação, como prevê o art. 1.009, § 1º, do CPC/2015. 6. Na forma como a Lei de Recuperação de Empresas e Falência está estruturada, é necessário que as decisões interlocutórias sejam decididas desde logo. A recuperação judicial não é um processo em que há uma sucessão ordenada de atos que termina na sentença. A recuperação judicial busca coordenar o interesse dos credores e do devedor, a partir da realização de diversos atos paralelos, que ao final serão alinhados para possibilitar a votação do plano e sua eventual aprovação ou a decretação da quebra. As questões surgidas nas fases postulatória e deliberativa não podem aguardar a sentença de encerramento. 7. O legislador elencou outras situações em que, como no caso da recuperação judicial e falência, não será possível a revisão de questões interlocutórias em futura apelação, admitindo sua impugnação por agravo de instrumento, norma que CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 33 deve ser aplicada por interpretação extensiva aos processos de recuperação e falência. STJ, REsp. 1.786.524 – SE, Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, 3ª Turma, j. 23/04/2019. A existência de cláusula compromissória não afeta a executividade do título de crédito inadimplido e não impede a deflagração do procedimento falimentar, fundamentado no art. 94, I, da Lei n. 11.101/2005. REsp. 1.733.685-SP, Rel. Min. Raul Araújo, por unanimidade, julgado em 06/11/2018, DJe 12/11/2018 (Info 637) É cabível a interposição de agravo de instrumento contra decisões interlocutórias em processo falimentar e recuperacional, ainda que não haja previsão específica de recurso na Lei n. 11.101/2005 (LREF). REsp. 1.722.866-MT, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, por unanimidade, julgado em 25/09/2018, DJe 19/10/2018 (Info 635) É imprescindível a publicação na imprensa oficial do edital previsto no art. 7º, § 2º, da Lei n. 11.101/2005. REsp. 1.758.777-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, por unanimidade, julgado em 11/09/2018, DJe 13/09/2018 (Info 633) A sociedade empresária falida NÃO tem legitimidade para o ajuizamento de ação cujo objetivo seja o recebimento de valor que, segundo alega, deveria ter sido exigido pela massa falida, mas não o fora. A sociedade não mais possui personalidade jurídica e não pode postular, em nome próprio. É certo que se assegura à sociedade falida o direito de fiscalizar a administração da massa; todavia, mesmo nessa hipótese, a falida somente poderá intervir na condição de assistente, mas nunca como autora (STJ, REsp. 1.330.167/SP). O falido possui legitimidade e capacidade para propor ação rescisória para desconstituir a sentença que decretou a falência. Isso porque depois que é decretada a falência a sociedade empresária falida não mais possui personalidade jurídica e não poderá postular, em nome próprio, direitos da massa falida, nem mesmo em caráter extraordinário. Diz-se que ela sofre uma capitis diminutio (diminuição de sua capacidade) referente aos direitos patrimoniais envolvidos na falência, sendo afastada da administração dos seus bens. No entanto, no caso em que se pretenda rescindir decisão que decreta falência, nem a massa nem os credores têm interesse na desconstituição da decretação de falência, sendo o falido o único interessado. (STJ. 3ª Turma. REsp. 1.126.521-MT, Rel. originário Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. para acórdão Min. João Otávio de Noronha, julgado em 17/3/2015 – Info 558). O deferimento do processamento da recuperação judicial autoriza a suspensão das ações e execuções que tramitavam contra a empresa em recuperação. Como não é afetado o direito creditório em si, não há como se admitir que o mero deferimento do processamento da recuperação judicial autorize a suspensão ou o cancelamento da negativação do nome do devedor nos cadastros de restrição ao crédito e nos CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 34 tabelionatos de protestos. (STJ. 4ª Turma. REsp. 1.374.259-MT, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 2/6/2015 – Info 564). Após a aprovação do plano de recuperação judicial pela assembleia de credores e a posterior homologação pelo juízo competente, deverão ser extintas – e não apenas suspensas – as execuções individuais até então propostas contra a recuperanda nas quais se busca a cobrança de créditos constantes do plano. (STJ. 4ª Turma. REsp. 1.272.697-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 2/6/2015 – Info 564). A mudança de domicílio da sociedade em recuperação judicial, devidamente informada em juízo, ainda que sem comunicação aos credores e sem data estabelecida para a instalação do novo estabelecimento empresarial, não é causa, por si só, para a decretação de ofício da falência. É necessário provar que a mudança foi furtiva e realizada com o objetivo de fraudar os interesses dos credores, isto é, é preciso demonstrar a má-fé do devedor. (STJ. 4ª Turma. REsp. 1.366.845-MG, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 18/6/2015 – Info 564). Créditos extraconcursais consistem em dívidas contraídas pela massa falida, ou seja, após ter ocorrido a quebra. Os créditos extraconcursais são pagos antes dos concursais porque são dívidas que surgem depois de ter sido decretada a falência e em decorrência dela. Em regra, são débitos que nascem para que o processo de falência possa ser realizado. Caso fossem pagos após os demais créditos, a massa falida teria muita dificuldade de conseguir levar em frente o procedimento da falência, já que ninguém iria querer prestar serviços para uma sociedade empresária que está quase falindo com a promessa de receber somente após todos os demais credores. O STJ tem decidido que, em casode decretação de falência, serão considerados extraconcursais os créditos decorrentes de obrigações contraídas pelo devedor entre a data em que se defere o processamento da recuperação judicial e a data da decretação da falência, inclusive aqueles relativos a despesas com fornecedores de bens ou serviços e contratos de mútuo. Assim, são extraconcursais os créditos originários de negócios jurídicos realizados após a data em que foi deferido o pedido de processamento de recuperação judicial. STJ. 4ª Turma. REsp. 1.399.853-SC, Rel. originária Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. para acórdão Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 10/2/2015 (Info 557). STJ. 3ª Turma. REsp. 1.398.092-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 6/5/2014 (Info 543). Os créditos posteriores ao pedido de recuperação judicial não estão submetidos ao plano. Isso significa que as ações e execuções individuais a eles referentes não serão suspensas nem estarão sujeitas ao juízo universal. Contudo, se o crédito posterior não foi assumido a fim de viabilizar a continuidade da sociedade em recuperação, eventuais atos de constrição ao patrimônio, determinados no curso da execução, serão sujeitos ao controle do juízo universal. (STJ. 4ª Turma. REsp. 1.298.670-MS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 21/5/2015 – Info 564). A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 35 execuções nem induz suspensão ou extinção de ações ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória, pois não se lhes aplicam a suspensão prevista nos arts. 6º, caput, e 52, inciso III, ou a novação a que se refere o art. 59, caput, por força do que dispõe o art. 49, § 1º, todos da Lei 11.101/2005. STJ. 2ª Seção. REsp. 1.333.349-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/11/2014 (recurso repetitivo) (Info 554) → Súmula 581 do STJ. Na recuperação judicial é possível a formação de litisconsórcio ativo, e, por conseguinte, é possível aplicar o art. 191 do CPC 1973 (atual 229). Por outro lado, na recuperação judicial não existe a possibilidade de litisconsórcio passivo. Isso porque no processo de recuperação judicial não existem réus. Os credores não são réus. Ocupam a posição de interessados. Portanto, não havendo réus, não se pode falar que exista litisconsórcio passivo entre os credores da recuperanda. Assim, se no processo de recuperação judicial uma decisão desagradar aos credores e eles decidirem recorrer, não terão prazo em dobro, mesmo que possuam advogados diferentes, não lhes sendo aplicável o art. 191 do CPC. (STJ. 3ª Turma. REsp. 1.324.671-SP, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 3/3/2015 (Info 557). Depois que os bens da massa falida forem arrecadados, ou seja, listados e organizados formalmente, eles serão vendidos a fim de arrecadar dinheiro para pagar os credores. Essa venda é chamada pela lei de “realização do ativo”. No art. 142 da Lei estão previstas as modalidades ordinárias de realização do ativo (leilão, propostas fechadas e pregão). No caso da alienação ordinária, a Lei exige que haja prévia publicação de um anúncio em jornal de ampla circulação (§ 1º do art. 142). Além das modalidades ordinárias de alienação, a Lei prevê formas extraordinárias de venda, que estão disciplinadas nos arts. 144 e 145 para casos em que se exige uma maior celeridade e informalidade. O STJ decidiu que, em caso de alienação extraordinária, NÃO é necessária a prévia publicação do anúncio em jornal de grande circulação de que trata o § 1º do art. 142. (STJ. 3ª Turma. REsp. 1.356.809-GO, Rel. Min. Paulo De Tarso Sanseverino, julgado em 10/2/2015 – Info 555). Ainda que o plano de recuperação judicial já tenha sido homologado, é possível a retificação do quadro geral de credores fundada em julgamento de impugnação. No âmbito da recuperação judicial, existem duas fases distintas e paralelas, quais sejam: (a) a verificação e a habilitação de créditos, previstas na Seção II da Lei 11.101/2005, arts. 7º ao 20; e (b) a fase de apresentação e deliberação do plano de recuperação judicial, com assento nas Seções III e IV, arts. 53 ao 69. Por serem fases que ocorrem de maneira paralela, é possível que a aprovação do plano de recuperação judicial ocorra antes da pacificação dos créditos, ou seja, é possível que o plano de recuperação judicial seja aprovado antes do julgamento de impugnação de crédito e, consequentemente, antes da consolidação do quadro geral de credores. Dessa maneira, a existência do plano de recuperação judicial já homologado não pode ser um entrave à consolidação do quadro geral de credores. (STJ. REsp. 1.371.427-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 6/8/2015, DJe 24/8/2015 – Info 567). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 36 É possível impor ao credor que requereu a falência da sociedade empresária a obrigação de adiantar as despesas relativas à remuneração do administrador judicial, quando a referida pessoa jurídica não for encontrada - o que resultou na sua citação por edital e na decretação, incontinenti, da falência - e existirem dúvidas se os bens a serem arrecadados serão suficientes para arcar com a mencionada dívida. Assim, se há possibilidade de não se arrecadar bens suficientes para a remuneração do administrador, deve a parte credora agir com responsabilidade, arcando com as despesas dos atos necessários, e por ela requeridos, para tentar reaver seu crédito. Impõe-se ressaltar que, prosseguindo a ação e arrecadando-se bens suficientes para a remuneração do administrador, a massa falida deverá restituir o valor despendido pelo credor antecipadamente, obedecendo ao art. 25 da Lei n. 11.101/2005 (REsp. 1.526.790-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 10/3/2016). Se, após o biênio de supervisão judicial e desde que ainda não tenha ocorrido o encerramento da recuperação judicial, houver aprovação de novo plano de recuperação judicial, o credor que discordar do novo acordo não tem direito a receber o seu crédito com base em plano anterior aprovado pelo mesmo órgão. Desse modo, apesar de já ter-se extrapolado o prazo bienal, se não há, no decorrer da controvérsia, a prolação da sentença que encerra a recuperação judicial do empresário, é mesmo permitido ao recuperando encaminhar suas novas necessidades à Assembleia de Credores. Enquanto não produzido o encerramento, por meio de sentença, esse órgão ainda permanece com sua soberania para deliberações atinentes ao plano. E, mesmo tendo transcorrido o prazo de dois anos de supervisão judicial, como não houve, como ato subsequente, o encerramento da recuperação, os efeitos desta ainda perduraram, mantendo assim a vinculação de todos os credores à deliberação da Assembleia. A propósito, a Lei de Falências entroniza a Assembleia de Credores inclusive para deliberar a respeito de quaisquer objeções feitas pelos credores não satisfeitos. É o que menciona o art. 56 da lei. Sendo assim, estando presente na deliberação da Assembleia e não conseguindo obstar a aprovação do novo plano, cabe agora ao credor dissidente se submeter à vontade da maioria, fruto da soberania advinda daquele órgão. Destaca-se, por derradeiro, que não está a se falar de descumprimento do plano apresentado. Se assim fosse, poderia o credor dissidente, nos termos do art. 62 da Lei de Falências, postular pela convolação da recuperação em falência (REsp. 1.302.735-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 17/3/2016). Não se submetem aos efeitos da recuperação judicial do devedoros direitos de crédito cedidos fiduciariamente por ele em garantia de obrigação representada por Cédula de Crédito Bancário existentes na data do pedido de recuperação, independentemente de a cessão ter ou não sido registrada no Registro de Títulos e Documentos do domicílio do devedor. É a partir da contratação da cessão fiduciária, e não do registro, que há a imediata transferência, sob condição resolutiva, da titularidade dos direitos creditícios dados em garantia ao credor fiduciário (REsp. 1.412.529-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Para acórdão Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 17/12/2015). A Lei 11.101/05 estabelece, em seu art. 45, § 3º, que, nas deliberações sobre o plano de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 37 recuperação judicial, não terão direito a voto apenas os credores cujos créditos não foram por ele afetados, seja quanto ao valor devido, seja quanto às condições originais de pagamento. [...] A decisão judicial que assegura direito de voto aos detentores de títulos de dívida emitidos pelas recuperandas representados por agente fiduciário (bondholders) é compatível com a norma do art. 39 da Lei 11.101/05, na medida em que esses credores possuem interesse imediato nas deliberações sobre o plano de soerguimento (REsp. 1.670.096/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma, j. 20/06/2017). No processo de falência, a incidência de juros e correção monetária sobre os créditos habilitados deve ocorrer até a decretação da quebra, entendida como a data da prolação da sentença e não sua publicação. (REsp. 1.660.198/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma, j. 03/08/2017). O processo de homologação de sentença estrangeira tem natureza constitutiva, destinando-se a viabilizar a eficácia jurídica de provimento jurisdicional alienígena no território nacional, de modo que tal decisão possa vir a ser aqui executada. É, portanto, um pressuposto lógico da execução da decisão estrangeira, não se confundindo, por óbvio, com o próprio feito executivo, o qual será instalado posteriormente - se for o caso -, e em conformidade com a legislação pátria, na hipótese aplicando-se a Lei n. 11.101/2005, tendo em vista que a requerida se encontra em recuperação judicial. Por conseguinte, não há falar na incidência do art. 6º, § 4º, da Lei de Quebras como óbice à homologação da sentença arbitral, uma vez que se está em fase antecedente à execução, apenas emprestando eficácia jurídica ao provimento homologando (SEC 14.408/EX, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Corte Especial, j. 21/06/2017). Controvérsia que se cinge em definir se a decretação da extinção das obrigações do falido prescinde da apresentação de prova da quitação de tributos. No regime do DL 7.661/1945, os créditos tributários não se sujeitam ao concurso de credores instaurado por ocasião da decretação da quebra do devedor (art. 187), de modo que, por decorrência lógica, não apresentam qualquer relevância na fase final do encerramento da falência, na medida em que as obrigações do falido que serão extintas cingem-se unicamente àquelas submetidas ao juízo falimentar (REsp. 1.426.422/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma, j. 28/03/2017). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 38 3. QUESTÕES 1. (2019/TJAC/Vunesp/Juiz substituto) Sobre a ineficácia e a revogação de atos praticados antes da falência, a Lei nº 11.101/2005 dispõe que: a) são ineficazes os atos praticados com a intenção de prejudicar credores, provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar independente do prejuízo sofrido pela massa falida. b) a ineficácia poderá ser declarada de ofício pelo juiz, alegada em defesa ou pleiteada mediante ação própria ou incidentalmente no curso do processo. c) a ação revocatória poderá ser proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo Ministério Público no prazo de 2 (dois) anos, contado da decretação da falência. d) o juiz poderá, a requerimento de qualquer uma das partes da ação revocatória, ordenar, como medida preventiva, na forma processual estabelecida na lei falimentar, o arresto ou sequestro dos bens retirados do patrimônio do devedor que estejam em poder de terceiros. 2. (2019/TJPR/CESPE/Juiz substituto) O juízo falimentar é universal: atrai todas as ações e os interesses da sociedade falida e da massa falida. De acordo com a regra geral da Lei de Falências, essa atratividade ocorrerá na ação em tramitação em que a massa falida figure na condição de: a) sujeito passivo de uma execução tributária. b) autora ou litisconsorte ativa em ações não reguladas na Lei de Falências. c) sujeito passivo de uma reclamação trabalhista. d) sujeito passivo no cumprimento de sentença líquida por reparação de danos. 3. (2018 TJMT/VUNESP/Juiz substituto) Em relação à ineficácia e da revogação de atos praticados antes da falência, dispõe a Lei nº 11.101/2005: a) São ineficazes em relação à massa falida, tenha ou não o contratante conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor, seja ou não intenção deste fraudar credores, a prática de atos a título gratuito, desde 1 (um) ano antes da decretação da falência. b) A ação revocatória deverá ser proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo Ministério Público no prazo de 2 (dois) anos contado da decretação da falência. c) A venda ou transferência de estabelecimento feita sem o consentimento expresso ou o pagamento de todos os credores, mesmo que prevista e realizada na forma definida no plano de recuperação judicial, será declarada ineficaz ou revogada. d) A ação revocatória pode ser promovida contra os herdeiros ou legatários dos terceiros adquirentes, se estes tiveram conhecimento, ao se criar o direito, da intenção do devedor de prejudicar os credores. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 39 e) A ineficácia poderá ser alegada em defesa ou pleiteada mediante ação própria distribuída por dependência, cuja decisão ocorrerá mediante análise de provas e após manifestação das partes, vedada sua declaração de ofício pelo juiz. 4. (Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: TJ-PE Prova: Juiz Substituto) Cooperativa Agropecuária de Escada emitiu Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) em favor de Industrial Pesqueira S/A no valor nominal de R$ 990.000,00 e data de vencimento no dia 26 de março de 2022. Antes do vencimento, o CDCA foi negociado mediante endosso em favor do Banco Limoeiro S/A. Verificado o não pagamento do CDCA, o endossatário requereu a falência da companhia endossante sem submeter o título a qualquer protesto, tendo em vista a liquidez, a certeza e a exigibilidade do título de crédito. O juiz da 2ª Vara Cível da Comarca de Serra Talhada, lugar do principal estabelecimento, ao apreciar a petição inicial, decidiu, com base nas disposições da Lei nº 11.101/2005: a) determinar que o credor a emendasse diante da ausência do instrumento de protesto falimentar para comprovar a impontualidade do devedor; b) indeferir liminarmente a petição inicial por nulidade do endosso do CDCA, visto que o primeiro endossante deve ser sociedade cooperativa agropecuária, tal qual o emitente; c) determinar a citação do devedor para apresentar contestação, em razão da facultatividade do protesto cambial do CDCA para o requerimento de falência do endossante; d) julgar extintoo processo com resolução de mérito pela ilegitimidade passiva do requerente em razão da ausência de responsabilidade cambiária do endossante; e) julgar antecipadamente a lide, indeferindo o pedido quanto ao mérito em razão da nulidade do CDCA, pois é vedada sua emissão por sociedades cooperativas agropecuárias. 5. (Ano: 2013 Banca: Vunesp Órgão: TJ-SP Prova: Juiz Substituto) A Lei n.º 11.101/2005, no que diz respeito aos crimes nela previstos, considera a sentença que decreta a falência e a que concede a recuperação judicial: a) pressupostos dos crimes pós-falimentares. b) condições de procedibilidade. c) elementos integrantes do tipo. d) condições objetivas de punibilidade. 6. (Ano: 2014 Banca: Vunesp Órgão: TJ-SP Prova: Juiz Substituto) Com relação à Lei n.º 11.101, de 09.02.2005 (Lei de Falências e Recuperação de Empresas), assinale a opção incorreta. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 40 a) Só é cabível o pedido de falência se o valor da dívida em atraso for superior ao mínimo estabelecido em lei (40 salários mínimos). b) A simples apresentação de plano de recuperação, no prazo da contestação, impede a decretação da falência com base na impontualidade injustificada. c) O próprio falido ou o administrador judicial deve apresentar a lista de seus credores. d) O crédito fiscal tem preferência sobre os titulares de garantia real. 7. (Ano: 2014 Banca: Vunesp Órgão: TJ-SP Prova: Juiz Substituto) Tendo em vista as relações contratuais do falido, assinale a opção incorreta. a) Se o devedor vendeu coisas compostas e o administrador judicial resolver não continuar a execução do contrato, poderá o comprador pôr à disposição da massa falida as coisas já recebidas, pedindo perdas e danos. b) No compromisso de compra e venda de bens imóveis loteados ou de lotes, com a falência do vendedor, o compromisso será cumprido; com a do adquirente, os seus direitos de promitente serão arrecadados e liquidados. c) Nos patrimônios de afetação, constituídos para cumprimento de destinação específica, o administrador judicial arrecadará o próprio bem mesmo antes do término do prazo da desafetação ou do cumprimento de sua finalidade. d) A falência do locador não resolve o contrato de locação e, na falência do locatário, o administrador judicial pode, a qualquer tempo, denunciar o contrato. 8. (ADAPTADA - Ano: 2015 Banca: Vunesp Órgão: TJ-SP Prova: Juiz Substituto) Na falência, é correto afirmar que: a) na realização do ativo, o juiz deverá dar preferência à alienação separada e individualizada de cada um dos ativos que integram a massa, em lugar da venda em bloco dos estabelecimentos da empresa. b) são exigíveis contra a massa falida juros vencidos após a decretação da falência, independentemente da suficiência do ativo apurado para pagamento dos credores subordinados, desde que estejam previstos em lei ou contrato. c) um sócio da sociedade falida pode exercer seu direito de retirada, mesmo após a decretação da falência. d) Para os fins do disposto nesta Lei, os créditos que disponham de privilégio especial ou geral em outras normas integrarão a classe dos créditos quirografários. 9. (Ano: 2016 Banca: CESPE Órgão: TJ-DFT Prova: Juiz Substituto) Acerca de falência, assinale a opção correta. a) Segundo a jurisprudência do STJ, os honorários advocatícios, na falência, são créditos quirografários qualquer que seja o seu valor. b) O encerramento da falência tem por efeito a extinção de todas as obrigações do falido não satisfeitas no processo. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 41 c) De acordo com a legislação brasileira, a situação falimentar do empresário se revela quando as dívidas excedem a importância de seu patrimônio. d) Um empresário deverá comprovar a regularidade do exercício da atividade empresarial, mediante a apresentação de certidão da junta comercial, para requerer a falência de outro empresário. e) O MP terá legitimidade para propor ação para anular atos praticados pelo falido em fraude a credores caso, no prazo de três anos da decretação da falência, os credores ou o administrador não a proponham. 10. (Ano: 2017 Banca: FCC Órgão: TJ-SC Prova: Juiz Substituto) Na falência, são ineficazes: I. os atos praticados com a intenção de prejudicar credores, provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o prejuízo sofrido pela massa falida. II. os pagamentos de dívidas não vencidas realizados pelo devedor dentro do termo legal, por qualquer meio extintivo do direito de crédito, ainda que pelo desconto do próprio título. III. os registros de direitos reais e de transferência de propriedade entre vivos por título oneroso ou gratuito, ou a averbação relativa a imóveis realizados após a decretação da falência, mesmo se tiver havido prenotação anterior. IV. os pagamentos de dívidas vencidas e exigíveis realizado dentro do termo legal, por outra forma que não seja a prevista pelo contrato. V. a prática de atos a título gratuito ou a renúncia à herança ou legado, até 2 (dois) anos antes da decretação da falência. Está correto o que se afirma APENAS em: a) II, IV e V. b) I, III e V. c) II, III e IV. d) I, IV e V. e) III, IV e V. 11. (Ano: 2017 Banca: CESPE Órgão: TJ-PR Prova: Juiz Substituto) Uma sociedade limitada, cujo único sócio administrador era João Rios, sofreu algumas condenações judiciais ao pagamento de dívidas e, em uma execução, não pagou, não depositou e não nomeou bens à penhora. A pedido de um credor, foi decretada a falência da sociedade. Nessa situação hipotética: a) com a decretação da falência, João Rios perdeu o direito de administrar e dispor de seus bens e não poderá viajar sem prévia comunicação ao juiz. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 42 b) a decretação da falência fundamentou-se no fato de que o passivo da sociedade era maior que seu ativo. c) são quirografários os créditos decorrentes das condenações judiciais, tanto os principais quanto os de honorários advocatícios. d) como efeito da decretação da falência, haverá a inabilitação empresarial de todos os sócios. 12. (Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: TJ-CE Prova: Juiz Substituto) Determinada sociedade limitada que decretou falência era composta por seis sócios: o sócio A, único administrador, possuía 50% das quotas; cada um dos demais sócios possuía 10% das quotas. Com relação ao efeito da decretação da falência nesse caso, assinale a opção correta. a) Caso os seis sócios detenham participações em outras sociedades, nenhum deles poderá continuar com essas participações enquanto não reabilitados. b) Se o capital social não estiver integralizado, caberá ação de integralização, que gerará responsabilidade solidária dos sócios inadimplentes pelas obrigações sociais da falida. c) Se o capital social estiver integralizado, apenas o sócio A responderá pelas obrigações civis da falida, subsidiariamente. d) Entre os sócios, somente o A, o administrador, se submete às obrigações processuais impostas à falida pela Lei de Falências e Recuperação de Empresas. e) O sócio A sofrerá inabilitação empresarial, porque, entre todos os sócios, é ele que detém a maior participação societária. 13. (2019/TJRO/VUNESP/Juiz substituto) Em relação à massa falida, considera(m)-se ineficaz(es): a) os registros de direitos reais e de transferênciade propriedade entre vivos, por título oneroso ou gratuito, ou a averbação relativa a imóveis realizados dentro do termo legal. b) os atos praticados com a intenção de prejudicar credores, provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar, e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida. c) a venda ou transferência de estabelecimento feita sem o consentimento expresso ou o pagamento de todos os credores, a esse tempo existentes, não tendo restado ao devedor bens suficientes para solver o seu passivo, salvo se, no prazo legalmente previsto, não houver oposição dos credores, após serem devidamente notificados. d) a constituição de qualquer direito real de garantia, inclusive a retenção, dentro do termo legal, independentemente das características da dívida garantida. e) o pagamento de quaisquer dívidas, vencidas ou não, de contratos de mútuos ou similares realizado pelo devedor dentro do termo legal, por qualquer meio extintivo do direito de crédito. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 43 14. (ADAPTADA - 2019/TJRJ/VUNESP/Juiz substituto) Com relação aos créditos da falência, é correto afirmar que: a) os créditos relacionados às custas judiciais relativas às ações e às execuções em que a massa falida tenha sido vencida são extraconcursais. b) os créditos dos sócios, dos administradores sem vínculo empregatício e os créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados subordinados. c) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento são créditos de privilégio geral. d) são créditos com privilégio especial aqueles a cujos titulares a lei confira o direito de retenção sobre a coisa dada em garantia. e) os créditos tributários, independentemente de sua natureza e seu tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias, estão em segundo lugar na ordem de classificação de créditos. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 44 4. GABARITO COMENTADO 1 – B. Sobre a ineficácia e a revogação de atos praticados antes da falência, a Lei no 11.101/2005 dispõe que a) são ineficazes os atos praticados com a intenção de prejudicar credores, provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar independente do prejuízo sofrido pela massa falida. “São ineficazes em relação à massa falida, tenha ou não o contratante conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor, seja ou não intenção deste fraudar credores” (art. 129 da Lei n. 11.101/05). Não depende de concilius fraudis. b) a ineficácia poderá ser declarada de ofício pelo juiz, alegada em defesa ou pleiteada mediante ação própria ou incidentalmente no curso do processo. “Art. 129, parágrafo único. A ineficácia poderá ser declarada de ofício pelo juiz, alegada em defesa ou pleiteada mediante ação própria ou incidentalmente no curso do processo”. c) a ação revocatória poderá ser proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo Ministério Público no prazo de 2 (dois) anos, contado da decretação da falência. “Art. 132. A ação revocatória, de que trata o art. 130 desta Lei, deverá ser proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo Ministério Público no prazo de 3 (três) anos contado da decretação da falência”. d) o juiz poderá, a requerimento de qualquer uma das partes da ação revocatória, ordenar, como medida preventiva, na forma processual estabelecida na lei falimentar, o arresto ou sequestro dos bens retirados do patrimônio do devedor que estejam em poder de terceiros. “Art. 137. O juiz poderá, a requerimento do autor da ação revocatória, ordenar, como medida preventiva, na forma da lei processual civil, o seqüestro dos bens retirados do patrimônio do devedor que estejam em poder de terceiros”. Apenas bens específicos (sequestro). 2 – D. O juízo falimentar é universal: atrai todas as ações e os interesses da sociedade falida e da massa falida. De acordo com a regra geral da Lei de Falências, essa atratividade ocorrerá na ação em tramitação em que a massa falida figure na condição de a) sujeito passivo de uma execução tributária. Tributária não é atraída. b) autora ou litisconsorte ativa em ações não reguladas na Lei de Falências. Como autora? Aí não atrai. c) sujeito passivo de uma reclamação trabalhista. Trabalhista não é atraída. d) sujeito passivo no cumprimento de sentença líquida por reparação de danos. Conforme art. 76 da LFR: “O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens, interesses e negócios do falido, ressalvadas as causas trabalhistas, fiscais e aquelas não reguladas nesta Lei em que o falido figurar como autor ou litisconsorte ativo”. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 45 3 – D. Em relação à ineficácia e da revogação de atos praticados antes da falência, dispõe a Lei no 11.101/2005: a) São ineficazes em relação à massa falida, tenha ou não o contratante conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor, seja ou não intenção deste fraudar credores, a prática de atos a título gratuito, desde 1 (um) ano antes da decretação da falência. Dois anos (art. 129, IV). b) A ação revocatória deverá ser proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo Ministério Público no prazo de 2 (dois) anos contado da decretação da falência. Três anos (art. 132). c) A venda ou transferência de estabelecimento feita sem o consentimento expresso ou o pagamento de todos os credores, mesmo que prevista e realizada na forma definida no plano de recuperação judicial, será declarada ineficaz ou revogada. Aí não né! Se for prevista no plano, está valendo. d) A ação revocatória pode ser promovida contra os herdeiros ou legatários dos terceiros adquirentes, se estes tiveram conhecimento, ao se criar o direito, da intenção do devedor de prejudicar os credores. Isso. Artigo 133. e) A ineficácia poderá ser alegada em defesa ou pleiteada mediante ação própria distribuída por dependência, cuja decisão ocorrerá mediante análise de provas e após manifestação das partes, vedada sua declaração de ofício pelo juiz. Poderá ser declarada de ofício pelo juiz (art. 129, parágrafo único). 4 – A. A questão encontra fundamento no § 3º do art. 94 da LFRE. “Art. 94. Será decretada a falência do devedor que: I – sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência; § 3º Na hipótese do inciso I do caput deste artigo, o pedido de falência será instruído com os títulos executivos na forma do parágrafo único do art. 9º desta Lei, acompanhados, em qualquer caso, dos respectivos instrumentos de protesto para fim falimentar nos termos da legislação específica.” 5 – D. A Lei n.º 11.101/2005, no que diz respeito aos crimes nela previstos, considera a sentença que decreta a falência e a que concede a recuperação judicial a) pressupostos dos crimes pós-falimentares. b) condições de procedibilidade. c) elementos integrantes do tipo. d) condições objetivas de punibilidade. (LFR, art. 180) CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste materialsem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 46 6 – D. Com relação à Lei n.º 11.101, de 09.02.2005 (Lei de Falências e Recuperação de Empresas), assinale a opção incorreta. a) Só é cabível o pedido de falência se o valor da dívida em atraso for superior ao mínimo estabelecido em lei (40 salários mínimos). b) A simples apresentação de plano de recuperação, no prazo da contestação, impede a decretação da falência com base na impontualidade injustificada. c) O próprio falido ou o administrador judicial deve apresentar a lista de seus credores. d) O crédito fiscal tem preferência sobre os titulares de garantia real. Ao contrário, os créditos com garantia real estão logo antes dos tributários (LFR, art. 2º, II e III). 7 – C. Tendo em vista as relações contratuais do falido, assinale a opção incorreta. a) Se o devedor vendeu coisas compostas e o administrador judicial resolver não continuar a execução do contrato, poderá o comprador pôr à disposição da massa falida as coisas já recebidas, pedindo perdas e danos. b) No compromisso de compra e venda de bens imóveis loteados ou de lotes, com a falência do vendedor, o compromisso será cumprido; com a do adquirente, os seus direitos de promitente serão arrecadados e liquidados. c) Nos patrimônios de afetação, constituídos para cumprimento de destinação específica, o administrador judicial arrecadará o próprio bem mesmo antes do término do prazo da desafetação ou do cumprimento de sua finalidade. Os patrimônios de afetação, constituídos para cumprimento de destinação específica, permanecerão separados dos do falido até o advento do respectivo termo ou até o cumprimento de sua finalidade, ocasião em que o administrador judicial arrecadará o saldo a favor da massa falida ou inscreverá na classe própria o crédito que contra ela remanescer (LRF, art. 119, IX). d) A falência do locador não resolve o contrato de locação e, na falência do locatário, o administrador judicial pode, a qualquer tempo, denunciar o contrato. 8 – D. Na falência, é correto afirmar que a) na realização do ativo, o juiz deverá dar preferência à alienação separada e individualizada de cada um dos ativos que integram a massa, em lugar da venda em bloco dos estabelecimentos da empresa. Alienação em bloco é preferencial (LRF, art. 140). b) são exigíveis contra a massa falida juros vencidos após a decretação da falência, independentemente da suficiência do ativo apurado para pagamento dos credores subordinados, desde que estejam previstos em lei ou contrato. Não são exigíveis juros vencidos após a decretação da falência (LRF, art. 124). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 47 c) um sócio da sociedade falida pode exercer seu direito de retirada, mesmo após a decretação da falência. A decretação da falência suspende o exercício do direito de retirada ou de recebimento do valor de suas quotas ou ações, por parte dos sócios da sociedade falida (LRF, art. 116, II). d) Para os fins do disposto nesta Lei, os créditos que disponham de privilégio especial ou geral em outras normas integrarão a classe dos créditos quirografários. Correto!!! Novidade da reforma da Lei 11.101/05 (LFR, art. 83, § 6º). 9 – D. Acerca de falência, assinale a opção correta. a) Segundo a jurisprudência do STJ, os honorários advocatícios, na falência, são créditos quirografários qualquer que seja o seu valor. Os créditos resultantes de honorários advocatícios têm natureza alimentar e equiparam-se aos trabalhistas para efeito de habilitação em falência e recuperação judicial (Tese julgada em sede de recursos repetitivos - TEMA 637). b) O encerramento da falência tem por efeito a extinção de todas as obrigações do falido não satisfeitas no processo. Não é bem assim. As hipóteses de extinção das obrigações estão no artigo 158 da LFR (pagamento ao menos de 50% dos quirografários ou o transcurso de prazo). c) De acordo com a legislação brasileira, a situação falimentar do empresário se revela quando as dívidas excedem a importância de seu patrimônio. O autor do pedido de falência não precisa demonstrar que existem indícios da insolvência ou da insuficiência patrimonial do devedor, bastando que a situação se enquadre em uma das hipóteses do art. 94 da Lei nº 11.101/2005. Assim, independentemente de indícios ou provas de insuficiência patrimonial, é possível a decretação da quebra do devedor que não paga, sem relevante razão de direito, no vencimento, obrigação líquida materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência (art. 94, I, da Lei nº 11.101/2005). STJ. 3ª Turma. REsp. 1.532.154-SC, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 18/10/2016. d) Um empresário deverá comprovar a regularidade do exercício da atividade empresarial, mediante a apresentação de certidão da junta comercial, para requerer a falência de outro empresário. Conforme art. 97, IV, § 1º, da lei 11.101, para falir o empresário não precisa ser regular, mas para pedir falência de outro empresário tem de estar regular. e) O MP terá legitimidade para propor ação para anular atos praticados pelo falido em fraude a credores caso, no prazo de três anos da decretação da falência, os credores ou o administrador não a proponham. A legitimidade do MP não é subsidiária, mas concorrente. LSA, art. 132 - A ação revocatória, de que trata o art. 130 desta Lei, deverá ser proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo Ministério Público no prazo de 3 (três) anos contado da decretação da falência. 10 – A. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 48 Na falência, são ineficazes Análise dos artigos dos 129 e 130 da LRF: são ineficazes os atos relacionados expressamente no artigo 129, independentemente do intuito fraudulento; são revogáveis quaisquer atos em relação aos quais se demonstre a intenção de prejudicar credores, o conluio fraudulento do devedor com terceiros e o efetivo prejuízo para a massa falida (artigo 130). I. os atos praticados com a intenção de prejudicar credores, provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o prejuízo sofrido pela massa falida. Conceito de ato revogável (artigo 130). II. os pagamentos de dívidas não vencidas realizados pelo devedor dentro do termo legal, por qualquer meio extintivo do direito de crédito, ainda que pelo desconto do próprio título. Artigo 129, I. III. os registros de direitos reais e de transferência de propriedade entre vivos por título oneroso ou gratuito, ou a averbação relativa a imóveis realizados após a decretação da falência, mesmo se tiver havido prenotação anterior. Salvo se tiver havido prenotação anterior (artigo 129, VII, parte final). IV. os pagamentos de dívidas vencidas e exigíveis realizado dentro do termo legal, por outra forma que não seja a prevista pelo contrato. Artigo 129, II. V. a prática de atos a título gratuito ou a renúncia à herança ou legado, até 2 (dois) anos antes da decretação da falência. Artigo 129, IV. Está correto o que se afirma APENAS em a) II, IV e V. b) I, III e V. c) II, III e IV. d) I, IV e V. e) III, IV e V. 11 – A. Uma sociedade limitada, cujo único sócio administrador era João Rios, sofreu algumas condenações judiciais ao pagamento de dívidas e, em uma execução, não pagou, não depositou e não nomeou bens à penhora. A pedido de um credor, foi decretada a falência da sociedade. Nessa situação hipotética, a)com a decretação da falência, João Rios perdeu o direito de administrar e dispor de seus bens e não poderá viajar sem prévia comunicação ao juiz. Art. 81 da LRF. A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios ilimitadamente responsáveis também acarreta a falência destes, que ficam sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida e, por isso, deverão ser citados para apresentar contestação, se assim o desejarem. § 2º As sociedades falidas serão representadas na falência por seus administradores ou liquidantes, os quais terão os mesmos direitos e, sob as mesmas penas, ficarão sujeitos às obrigações que cabem ao falido. + Art. 103. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 49 Desde a decretação da falência ou do sequestro, o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor. Art. 104. A decretação da falência impõe ao falido os seguintes deveres: III – não se ausentar do lugar onde se processa a falência sem motivo justo e comunicação expressa ao juiz, e sem deixar procurador bastante, sob as penas cominadas na lei; b) a decretação da falência fundamentou-se no fato de que o passivo da sociedade era maior que seu ativo. Por tríplice omissão. Aliás, o conceito de falência é jurídico, não econômico – independe do valor do ativo x passivo. c) são quirografários os créditos decorrentes das condenações judiciais, tanto os principais quanto os de honorários advocatícios. A verba sucumbencial é extraconcursal. d) como efeito da decretação da falência, haverá a inabilitação empresarial de todos os sócios. Enunciado 49 da I Jornada de Direito Comercial: Os deveres impostos pela Lei n. 11.101/2005 ao falido, sociedade limitada, recaem apenas sobre os administradores, não sendo cabível nenhuma restrição à pessoa dos sócios não administradores. 12 – D. Determinada sociedade limitada que decretou falência era composta por seis sócios: o sócio A, único administrador, possuía 50% das quotas; cada um dos demais sócios possuía 10% das quotas. Com relação ao efeito da decretação da falência nesse caso, assinale a opção correta. a) Caso os seis sócios detenham participações em outras sociedades, nenhum deles poderá continuar com essas participações enquanto não reabilitados. Apenas o sócio A. Conforme Enunciado 49 da I Jornada de Direito Comercial: “Os deveres impostos pela Lei n. 11.101/2005 ao falido, sociedade limitada, recaem apenas sobre os administradores, não sendo cabível nenhuma restrição à pessoa dos sócios não administradores”. b) Se o capital social não estiver integralizado, caberá ação de integralização, que gerará responsabilidade solidária dos sócios inadimplentes pelas obrigações sociais da falida. Na S/A, a responsabilidade dos acionistas é limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. Não há tal responsabilidade solidária de integralização (LTDA é de todos, não apenas dos inadimplentes). c) Se o capital social estiver integralizado, apenas o sócio A responderá pelas obrigações civis da falida, subsidiariamente. Não há tal responsabilidade subsidiária (separação patrimonial da pessoa jurídica). O que poderá haver é desconsideração da personalidade, com seus efeitos próprios. d) Entre os sócios, somente o A, o administrador, se submete às obrigações processuais impostas à falida pela Lei de Falências e Recuperação de Empresas. Artigo 81, § 2º, da LRF: As sociedades falidas serão representadas na falência por seus administradores ou liquidantes, os quais terão os mesmos direitos e, sob as mesmas penas, ficarão sujeitos às obrigações que cabem ao falido. e) O sócio A sofrerá inabilitação empresarial, porque, entre todos os sócios, é ele que detém a maior participação societária. Não é uma questão de maior participação, mas de administração. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 50 13 – C. Em relação à massa falida, considera(m)-se ineficaz(es) a) os registros de direitos reais e de transferência de propriedade entre vivos, por título oneroso ou gratuito, ou a averbação relativa a imóveis realizados dentro do termo legal. Redação muito ampla. Englobaria negócios normais do empresário (todos os anos praticamente). Confira os comentários das próximas para entender melhor ou confira o artigo 129 da LFR. b) os atos praticados com a intenção de prejudicar credores, provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar, e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida. São REVOGÁVEIS (não ineficazes) os atos praticados com a intenção de prejudicar credores, provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida (subjetiva). c) a venda ou transferência de estabelecimento feita sem o consentimento expresso ou o pagamento de todos os credores, a esse tempo existentes, não tendo restado ao devedor bens suficientes para solver o seu passivo, salvo se, no prazo legalmente previsto, não houver oposição dos credores, após serem devidamente notificados. Isso! E segundo nossa rodada: a alienação irregular (sem anuência dos credores) do estabelecimento comercial, salvo se o alienante conservou em seu patrimônio bens suficientes para pagamento das obrigações é ineficaz perante os credores, independente da época em que ocorreu e da verificação de fraude. Perante os demais sujeitos de direito, o ato gera os efeitos pretendidos, salvo invalidação nos termos da lei civil. d) a constituição de qualquer direito real de garantia, inclusive a retenção, dentro do termo legal, independentemente das características da dívida garantida. Apenas em caso de constituição posterior de direito real de garantia, em obrigação quirografária assumida antes do termo legal da falência (se a constituição for simultânea, mesmo no termo legal, não há irregularidade). e) o pagamento de quaisquer dívidas, vencidas ou não, de contratos de mútuos ou similares realizado pelo devedor dentro do termo legal, por qualquer meio extintivo do direito de crédito. Não... apenas pagamento de dívida não vencida por qualquer meio (ex.: dação, compensação...), inclusive o pactuado entre as partes quando da criação da obrigação. 14 – A. Com relação aos créditos da falência, é correto afirmar que a) os créditos relacionados às custas judiciais relativas às ações e às execuções em que a massa falida tenha sido vencida são extraconcursais. CERTO!!! “Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência sobre os mencionados no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, aqueles relativos: IV - às custas judiciais relativas às ações e às execuções em que a massa falida tenha sido vencida”. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 51 b) os créditos dos sócios, dos administradores sem vínculo empregatício e os créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados subordinados. “Art. 83 Lei nº 11.101/05. (…). VIII – créditos subordinados, a saber: b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício.” “Art. 83, § 4º, Lei nº 11.101/05. Os créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados QUIROGRAFÁRIOS”. c) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento são créditos de privilégio geral. “Art. 83 Lei nº 11.101/05. (…). VI – créditos QUIROGRAFÁRIOS, a saber: b) os saldosdos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento”; d) são créditos com privilégio especial aqueles a cujos titulares a lei confira o direito de retenção sobre a coisa dada em garantia. Errado! Com a reforma da Lei 11.101/05, o inciso IV do art. 83, que tratava dos créditos com privilégio especial foi revogado, não havendo mais o dispositivo legal que tratava disso. e) os créditos tributários, independentemente de sua natureza e seu tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias, estão em segundo lugar na ordem de classificação de créditos. “Art. 83 Lei nº 11.101/05. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: I – os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e cinquenta) salários-mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho; II – créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado; III – créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias (…)”; Logo, TERCEIRO na ordem.