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Modelo de Peça Prático Profissional AO JUÍZO DE DIREITO DA 2ª VARA EMPRESARIAL E CONFLITOS DE ARBITRAGEM DO FORO CENTRAL CÍVEL DA COMARCA DE SÃO PAULO/SP Fulana de Tal, maior, brasileira, casada, contadora, portadora da cédula de identidade RG sob nº ...., inscrita no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda sob nº ......, residente e domiciliada à Rua ....., nº ..., nesta cidade e comarca vem, por meio de sua procuradora a qual subscreve, propor AÇÃO DE DISSOLUÇÃO SOCIETÁRIA COM DELIMITAÇÃO DE QUOTAS Em face de Ciclana de Tal [qualificar a outra parte também, da forma mais completa possível a fim de possibilitar citação e intimação posterior] 1. DA JUSTIÇA GRATUITA A parte autora era sócia da sociedade até ________ quando solicitou sua retirada do quadro societário. Diante da mudança em sua situação econômica, comprovada pela autodeclaração de insuficiência de recursos, e considerando os princípios que regem a economia processual, requer a concessão da benesse da justiça gratuita prevista no art. 98 do Código de Processo Civil, segundo o qual a pessoa física impossibilitada de arcar com as custas e despesas processuais fará jus ao benefício, bastando para isso a mera declaração de miserabilidade. Diante da exposição fática e da relação de documentos, e tendo em vista o disposto em legislação vigente, requer a autora o benefício da justiça gratuita, em respeito aos princípios constitucionais. 2. DOS FATOS Trata-se de Ação de Dissolução Societária promovida com o intuito de retirada da requerente do quadro societário da empresa requerida, bem como visando a limitação das dívidas às quotas de participação da retirante. A parte autora era sócia da empresa requerida, tendo manifestado seu desejo de retirada em ______, conforme instrumento de alteração contratual. Na ocasião, as ___ Modelo de Peça Prático Profissional quotas pertencentes à retirante foram repassadas ao sócio ______, no valor nominal de R$ ________, todas devidamente subscritas e integralizadas em moeda corrente nacional. Até ___________ participavam da sociedade ____ sócios: ____________, segundo alteração contratual inclusa, restaram apenas __________, até então integrantes da sociedade. Assim, o retirante _______ repassou suas _____ cotas aos sócios restantes à época, permanecendo inalteradas as demais cláusulas societárias contratuais. Diante da narração dos fatos, requer-se o encerramento definitivo da referida sociedade e que as dívidas existentes sejam limitadas ao percentual das quotas de participação da autora. 3. DA FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA 3.1 DO ENCERRAMENTO DEFINITIVO DA SOCIEDADE A parte autora pleiteia pelo encerramento definitivo da sociedade em virtude de anterior retirada do sócio Mévio e o falecimento de Tício, sendo este antes da formalização e efetivação do encerramento societário. Assim consta do art. 1028 do Código Civil quanto à morte de um dos sócios: Art. 1.028. No caso de morte de sócio, liquidar-se-á sua quota, salvo: I - se o contrato dispuser diferentemente; II - se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade; III - se, por acordo com os herdeiros, regular-se a substituição do sócio falecido. Porquanto que o interesse da presente demanda é a dissolução da sociedade, não se faz necessária a liquidação das quotas pertencentes ao falecido Tício, devendo eventual liquidação ser procurada pelos interessados em ação própria. Inclusive, cabe destacar que o mesmo tribunal, em caso análogo, entendeu que em consonância ao princípio da efetividade da tutela jurisdicional a expedição de ofício aos órgãos e juntas comerciais é medida que se impõe diante da necessidade da parte interessada em dissolver a sociedade e retirar seu nome dos registros: "DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE – Retirada do autor de sociedade constante de alteração contratual – Falecimento do outro sócio antes da formalização do instrumento – Exigência do Cartório de Títulos e Documentos das Pessoas Jurídicas no sentido de que fosse previamente submetido à apreciação dos órgãos de classe em que a sociedade foi registrada – Ação procedente com determinação para que o réu-revel tomasse tal providência - Hipótese em que o réu é mero herdeiro do sócio falecido, devendo ser observado o princípio da Modelo de Peça Prático Profissional efetividade – Determinação de expedição de ofício pelo MM. Juiz"a quo", conforme requerido pelo autor-apelante – Recurso provido." (TJSP; Apelação Cível 1032652-26.2018.8.26.0001; Relator (a): J. B. Franco de Godoi; Órgão Julgador: 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial; Foro Central Cível - 1ª VARA EMPRESARIAL E CONFLITOS DE ARBITRAGEM; Data do Julgamento: 25/02/2022; Data de Registro: 25/02/2022). Ressalta-se, ainda, que conforme o legislado pelo art. 1032 do Código Civil, a exclusão, retirada ou morte de um dos sócios não exime a ele ou seus herdeiros das obrigações anteriormente adquiridas, até dois anos após a averbação da resolução societária: Art. 1.032. A retirada, exclusão ou morte do sócio, não o exime, ou a seus herdeiros, da responsabilidade pelas obrigações sociais anteriores, até dois anos após averbada a resolução da sociedade; nem nos dois primeiros casos, pelas posteriores e em igual prazo, enquanto não se requerer a averbação. Diante de tal entendimento, requer-se a inclusão dos herdeiros do falecido para que respondam solidariamente pelas obrigações e dívidas adquiridas por Tício. Os tribunais vêm entendendo que o falecimento do sócio antes de sua citação não autoriza o redirecionamento da demanda para a pessoa de seus herdeiros, mas ocorre que, no presente caso, o sócio Tício já conhecia o desejo da requerente em retirar-se da sociedade, o que inviabilizaria o uso do instituto da exclusão dos herdeiros e autorizaria, por sua vez, a demanda contra esses pelas dívidas e obrigações adquiridas antes do falecimento. É o que determina o art. 796 do Código de Processo Civil sobre a responsabilidade dos herdeiros nas dívidas sociais do falecido: O espólio responde pelas dívidas do falecido, mas feita a partilha, cada herdeiro responde por elas dentro das forças da herança e na proporção da parte que lhe couber. Tal responsabilidade não exclui o direito dos herdeiros de nomearem um administrador provisório, tal como estabelecem os arts. 613 e 614, ambos do mesmo dispositivo legal: Art. 613. Até que o inventariante preste o compromisso, continuará o espólio na posse do administrador provisório. Art. 614. O administrador provisório representa ativa e passivamente o espólio, é obrigado a trazer ao acervo os frutos que desde a abertura da sucessão percebeu, tem direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fez e responde pelo dano a que, por dolo ou culpa, der causa. Sobre tal assunto o Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo defendeu que até a adequada liquidação os haveres do sócio falecido e a prestação de contas pelos herdeiros ficarão depositados em juízo: AÇÃO DE DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE C/C APURAÇÃO DE HAVERES. HERDEIROS DE SÓCIO FALECIDO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. MANUTENÇÃO, COM RESSALVA. A EXISTÊNCIA DE Modelo de Peça Prático Profissional DÍVIDAS DA PESSOA JURÍDICA NÃO OBSTA A DISSOLUÇÃO PARCIAL DA SOCIEDADE, ATÉ PORQUE, O PATRIMÔNIO DA PESSOA JURÍDICA NÃO SE CONFUNDE COM O PATRIMÔNIO DOS SÓCIOS. NOS TERMOS DO ART. 606, CAPUT, DO NCPC, O PASSIVO DA SOCIEDADE DEVE SER LEVADO EM CONSIDERAÇÃO NA APURAÇÃO DE HAVERES. LEGITIMIDADE ATIVA. DEMANDA PROPOSTA POR TODOS OS HERDEIROS DO SÓCIO FALECIDO, OS QUAIS DEFENDEM EM JUÍZO TANTO O DIREITO PRÓPRIO DE NÃO SEREM SÓCIOS, COMO TAMBÉM DA PRÓPRIAUNIVERSALIDADE DA HERANÇA. PRECEDENTE DO STJ. PORÉM, COMO OS HERDEIROS APELADOS NÃO PROVIDENCIARAM A PARTILHA DAS QUOTAS SOCIAIS DO DE CUJUS, RESSALVA-SE QUE O LEVANTAMENTO DE EVENTUAIS VALORES RESULTANTES DA APURAÇÃO E LIQUIDAÇÃO DOS HAVERES DO SÓCIO FALECIDO FICARÁ CONDICIONADA À PRÉVIA PARTILHA DAS QUOTAS SOCIAIS EM INVENTÁRIO, E ATÉ QUE ISSO OCORRA, ESSES EVENTUAIS VALORES DEVERÃO PERMANECER DEPOSITADOS EM JUÍZO. APELAÇÃO DOS RÉUS NÃO PROVIDA, COM RESSALVA. (TJSP; Apelação Cível 1010190-95.2020.8.26.0004; Relator (a): Alexandre Lazzarini; Órgão Julgador: 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial; Foro Central Cível - 1ª VARA EMPRESARIAL E CONFLITOS DE ARBITRAGEM; Data do Julgamento: 08/11/2021; Data de Registro: 08/11/2021). No caso em apreço, o sócio Tício faleceu antes da formalização e efetivação do pedido de retirada da autora dos quadros societários. Diante disso requer-se a dissolução total da empresa, com a consequente retirada da parte autora dos órgãos e juntas de registros comerciais, sem prejuízo de responsabilidade pelas dívidas no montante da quota que lhe pertence e sem prejuízo, também, da inclusão dos herdeiros para figurarem no polo passivo da ação e responderem pelas dívidas contraídas por Tício antes de seu óbito. 3.2 DA RESPONSABILIDADE LIMITADA SOBRE AS DÍVIDAS DA SOCIEDADE O art. 1052 do Código Civil dispõe: Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. Dito isto, tratando-se de empresa de responsabilidade limitada e protegida sob a égide das relações civilistas, tal responsabilidade abrange apenas o percentual pertencente a cada sócio. Sobre o tema o Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo se posicionou recentemente, entendendo que o encerramento da pessoa jurídica justifica a inclusão dos sócios no polo da ação: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. Decisão que acolheu parcialmente a impugnação ao cumprimento de sentença. Pretensão de reforma, com pedido principal de afastamento integral da responsabilidade das dívidas da sociedade e subsidiário de limitação dessa responsabilidade. Modelo de Peça Prático Profissional ADMISSIBILIDADE: Ocorrendo a extinção da pessoa jurídica, deve o polo passivo ser regularizado para constar os seus sucessores, que são os sócios. Aplicação do art. 110 do CPC. Limitação de sua responsabilidade à partilha dos bens remanescentes da pessoa jurídica extinta, nos termos do art. 1.110 do Código Civil. Decisão reformada em parte. RECURSO PROVIDO (TJSP; Agravo de Instrumento 2046578-21.2022.8.26.0000; Relator (a): Israel Góes dos Anjos; Órgão Julgador: 18ª Câmara de Direito Privado; Foro Central Cível - 32ª Vara Cível; Data do Julgamento: 01/09/2022; Data de Registro: 01/09/2022). Sendo a sócia existente apenas a parte autora, cabe delimitar sua participação na sociedade, a fim de limitar suas dívidas às quotas que lhe pertencem, quais sejam, a de _______ quotas no total de R$ _______ A Ministra Nancy Andrighi, no julgamento do Recurso Especial 876.974/SP estabeleceu que a irregularidade na dissolução societária não indica, automaticamente, a existência de fraude ou dolo na conduta dos sócios, devendo haver apuração concreta de indícios fortes no sentido de atribuir culpa ao sócio e configurar sua fraude: “A excepcional penetração no âmago da pessoa jurídica, com o levantamento do manto que protege essa independência patrimonial, exige a presença do pressuposto específico do abuso da personalidade jurídica, com a finalidade de lesão a direito de terceiro, infração da lei ou descumprimento de contrato. O simples fato da recorrida ter encerrado suas atividades operacionais e ainda estar inscrita na Junta Comercial não é, por si só, indicativo de que tenha havido fraude ou má-fé na condução dos seus negócios. (...) Os sócios de empresa constituída sob a forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada não respondem pelos prejuízos sociais, desde que não tenha havido administração irregular e haja integralização do capital social” (REsp 876.974/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 09/08/2007, DJ 27/08/2007, p. 236). No mesmo sentido, o aludido tribunal considerou que, não havendo comprovada má- fé ou fraude no encerramento societário, não há que se falar em responsabilização do sócio restante pela integralidade das dívidas da sociedade, apenas no que lhe cabe referente ao seu percentual de participação. AGRAVO DE INSTRUMENTO DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA PRETENSÃO NEGADA EM 1º GRAU agravada que não é empresário individual, mas sociedade simples limitada falta de provas a respeito da ocorrência de confusão patrimonial, de desvio de finalidade da empresa, de infração à lei ou ao contrato social, bem como da insolvência da recorrida relação entre as partes que não é de consumo mera existência da dívida e encerramento irregular da empresa não são elementos suficientes para a aplicação da teoria da "Disregard of Legal Entity" ausência dos requisitos do art. 50 do Código Civil, aplicável ao caso em exame, para que se proclame a desconsideração da personalidade jurídica da agravada decisão mantida agravo não provido. (TJSP; Agravo de Instrumento 2021985- 40.2013.8.26.0000; Relator (a): Castro Figliolia; Órgão Julgador: 15ª Câmara de Modelo de Peça Prático Profissional Direito Privado; Foro de Pirajuí - 1ª. Vara Judicial; Data do Julgamento: 01/10/2013; Data de Registro: 04/10/2013). Salienta-se que no caso em comento há previsão da responsabilidade dos sócios no Contrato Social, estabelecendo que estes responderão no limite de suas quotas sociais pelas dívidas contraídas pela sociedade e em favor desta, não havendo que se falar em irregularidade por ausência de declaração neste sentido. Diante do exposto, requer a dissolução da sociedade com a consequente delimitação das dívidas que cabem à parte autora, no limite do percentual de suas quotas sociais, conforme previsão em lei e entendimentos jurisprudenciais e doutrinários no sentido de estabelecer que só não é possível tal limitação quando comprovadamente demonstrado que a parte interessada deu causa à dissolução irregular. 4. DOS PEDIDOS Ante todo o exposto, requer: a) A concessão da benesse da justiça gratuita, prevista no art. 98 do CPC, uma vez que a parte declara insuficiência de recursos; b) A produção dos meios de prova admitidos em direito, especialmente a documental que se faz presente e eventual perícia contábil, a fim de estimar a responsabilidade da autora pelas dívidas, no valor de suas quotas sociais; c) O recebimento da presente, com a citação da requerida para, querendo, contestar a ação na pessoa de seus administradores, sob pena dos efeitos da revelia previstos no art. 344 do CPC; d) Que as futuras intimações e notificações sejam feitas exclusivamente em nome desta que subscreve, sob pena de nulidade; e) A retirada do nome da autora dos registros da sociedade; f) A dissolução efetiva da sociedade EAL Empreendimentos Ltda, com a baixa de suas atividades e o encerramento nas juntas comerciais e órgãos de registro; g) A delimitação das dívidas que cabem à parte autora; Atribui-se o valor da causa em ____________ Modelo de Peça Prático Profissional Nestes termos, Pede deferimento Local Data Advogado OAB/SP