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Conservação do Solo e da Água

Material didático sobre manejo do solo e da água. Aborda noções de solo e água; degradação e tipos de erosão; sistemas de manejo (preparo, reduzido, cultivo mínimo, plantio direto); práticas de conservação e recuperação (mecânicas, vegetativas, agroflorestais, regeneração) e referências.

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SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 
1 NOÇÕES GERAIS SOBRE O SOLO E A ÁGUA ............................................... 4 
1.1 O solo ............................................................................................................... 4 
1.2 A água ............................................................................................................ 13 
1.3 Relação solo e água ....................................................................................... 14 
2 DEGRADAÇÃO E EROSÃO DO SOLO .......................................................... 15 
2.1 Desertificação ................................................................................................. 15 
2.2 Arenização ...................................................................................................... 16 
2.3 Erosão ............................................................................................................ 17 
2.3.1 Erosão Hídrica ................................................................................................ 18 
2.3.2 Erosão eólica .................................................................................................. 20 
2.4 Salinização ..................................................................................................... 20 
2.5 Laterização ..................................................................................................... 21 
2.6 Poluição .......................................................................................................... 22 
3 SISTEMAS DE MANEJO ................................................................................. 22 
3.1 Preparo convencional ..................................................................................... 23 
3.2 Preparo reduzido ............................................................................................ 24 
3.3 Cultivo mínimo ................................................................................................ 24 
3.4 Plantio direto ................................................................................................... 24 
4 PRÁTICAS DE CONSERVAÇÃO DO SOLO ................................................... 26 
4.1 Conservação ................................................................................................... 27 
4.1.1 Métodos mecânicos ........................................................................................ 28 
4.1.2 Métodos vegetativos ....................................................................................... 31 
 
 
 
4.2 Técnicas de recuperação ................................................................................ 33 
4.2.1 Sistemas agroflorestais ................................................................................... 34 
4.2.2 Plantio de espécies florestais nativas ............................................................. 34 
4.2.3 Regeneração natural ...................................................................................... 35 
4.2.4 Implantação de poleiros artificiais ................................................................... 35 
5 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ 36 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Prezado aluno, 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - 
um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é 
que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as 
perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão 
respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da 
nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à 
execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da 
semana e a hora que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
4 
 
1 NOÇÕES GERAIS SOBRE O SOLO E A ÁGUA 
1.1 O solo 
Fonte: bit.ly/3QvWLOa 
Quando falamos em proteção ambiental, logo pensamos em animais, plantas e 
água. Mas, além disso, devemos lembrar que essas plantas e animais obtêm seu 
alimento a partir de outro elemento, e que a qualidade e a quantidade de água também 
dependem dele. Esse elemento se trata do solo. A maioria das pessoas não percebe, 
porque geralmente ele está coberto de vegetação. No entanto, o solo afeta 
diretamente pessoas, animais, plantas e água. Além disso, em ambientes urbanos, os 
efeitos do solo são sentidos em estruturas de edifícios, bueiros e aterros sanitários. 
O solo é um recurso básico que suporta toda a cobertura vegetal de 
terra, sem a qual os seres vivos não poderiam existir. Nessa cobertura, 
incluem-se não só as culturas como, também, todos os tipos de 
árvores, gramíneas, raízes e herbáceas que podem ser utilizadas pelo 
homem (BERTONI; LOMBARDI NETO, 2017). 
 
O solo, juntamente com a vasta área que ocupa na Terra, é uma das maiores 
fontes de energia para o grande drama da vida que se desenrola ao longo de gerações 
de humanos, plantas e animais na Terra. É claro que quanto maior a diversidade do 
solo de um país, maiores as chances de seus cidadãos encontrarem um melhor 
padrão de vida. 
Ao classificar um determinado solo, também se caracteriza um determinado 
ambiente, e um determinado ecossistema completo, uma vez que o solo ocupa uma 
 
5 
 
posição central na maioria dos ecossistemas terrestres. Ou seja, ao examinar as 
relações entre diferentes solos dentro de uma paisagem, também caracterizamos as 
relações entre os diferentes ambientes presentes naquele local específico. 
Se fôssemos examinar e classificar todos os solos de um país de proporções 
continentais como o nosso, o número estaria na casa dos milhares. No entanto, os 
solos podem ser classificados em um sistema de classes ou grupos. Isso coloca os 
tipos individuais em grupos bem relacionados e caracterizados. 
Os grupos de solos que contém propriedades muito diferentes, também terão 
manejos diferentes, uma vez que as finalidades dos seus usos não serão iguais. Ao 
saber mais sobre cada tipo de solo, e possível determinar qual o melhor uso para cada 
um. 
Gerações atrás, quando a maior parte da terra era coberta por florestas e 
gramíneas, a necessidade de proteção do solo era impensável. Hoje, porém, 
conhecemos os danos causados pela erosão, inclusive que existe um tipo dela que é 
invisível e destrói o solo aos poucos, qual seja, a erosão laminar. 
Os materiais que compõem um solo estão dispostos por meio de camadas que 
recebem o nome de horizontes. O número de horizontes presentes em um solo não é 
o mesmo para todos, e a sua variação acontece em função do tempo de 
desenvolvimento daquele perfil. 
Um solo bem desenvolvido tem pelo menos quatro horizontes, descritos abaixo: 
- Horizonte O: Se trata do horizonte orgânico do solo, constituído por uma camada 
superficial composta por água e matéria orgânica. Sua cor é mais escura do que 
outros horizontes. 
- Horizonte A: Nesse a camada é composta por minerais e matéria orgânica, por 
conta disso, a cor dele também é mais escura. 
- Horizonte B: A camada é formada a partir de nutrientes lixiviados das camadas 
superiores do solo e outros minerais resultantes da decomposição química das 
rochas. É mais espesso que os horizontes superiores e tem muito pouca presença de 
matéria orgânica. 
 
6 
 
- Horizonte C: Se trata da transição que existe entrea rocha-mãe e as outras 
camadas do solo. Em sua composição, podem ser encontrados minerais derivados do 
intemperismo químico e dos fragmentos originais da rocha. Não contém matéria 
orgânica. 
Características do solo 
Os planejadores podem programar seu manejo levando em consideração as 
características gerais do solo. As mudanças na topografia podem levar a mudanças 
significativas na drenagem natural. Dessa forma, a grama cresce mais rápido em 
áreas úmidas e o excesso de umidade prejudica a ventilação, de modo que os detritos 
das plantas se decompõem lentamente. O acúmulo de matéria orgânica é diretamente 
proporcional ao teor de umidade do solo. As terras baixas com alto teor de matéria 
orgânica devem ser manejadas diferentemente das terras altas do mesmo grupo de 
textura. 
As variações em cor, resultantes da topografia e drenagem natural, podem ser 
usadas no manejo do solo. Terras altas, bem drenadas, são de cor clara; terras de 
drenagem imperfeita são de cor e topografia intermediárias, e terras de baixada, 
pobremente drenadas, são escuras. 
Esse grupamento em cores, que também reflete o teor de matéria orgânica, 
pode ser usado extensivamente como base para o planejamento de rotação de 
culturas e recomendações de adubação. 
Outro fator que influencia diretamente nas características do solo é o clima. 
Quando o clima está quente e úmido, causa intemperismo e uma intensa lavagem do 
solo. Já nos climas mais frios, o intemperismo ocorre lentamente, e geralmente o teor 
de matéria orgânica é maior, devido a uma decomposição de menor grau no inverno. 
Frequentemente a precipitação em climas secos estabelece a profundidade em 
que a umidade atingirá o solo, e essa profundidade pode vir a limitar a penetração das 
raízes, e também o acúmulo de matéria orgânica. 
A topografia do solo é talvez uma das características do solo mais importantes 
a serem consideradas no planejamento agrícola. As planícies são geralmente mal 
drenadas, com pouco escoamento e infiltração muito lenta, tornando o cultivo bem-
 
7 
 
sucedido problemático. Em áreas com terreno ondulado ou montanhoso, o 
escoamento que se forma flui rapidamente, causando erosão e muitas vezes 
formando ravinas que danificam terras agrícolas. 
Os minerais de argila são quimicamente ativos, a areia é inerte. As argilas 
atuam como ácidos pela sua carga negativa, o que lhes permite absorver cátions. A 
matéria orgânica parcialmente decomposta (húmus) também possui propriedades de 
capacidade de troca. O manejo eficiente do solo requer, portanto, o uso desse volume 
de argila e da fração coloidal de matéria orgânica como reservatório de alimentos 
vegetais. 
Características físicas 
Conhecer as principais propriedades físicas, como cor, textura, estrutura e 
porosidade do solo, é muito importante para o trabalho de manejo e controle da 
erosão. 
Cor: Esta é uma das características mais facilmente distinguíveis dos solos, 
que geralmente apresentam diferentes tonalidades de marrom. 
A umidade afeta a cor do solo, quanto mais úmido, mais escuro ele é. O mesmo 
solo fica mais escuro após a chuva. O solo geralmente tem a cor do material do qual 
é derivado, mas essa propriedade é alterada pela presença de mais ou menos matéria 
orgânica, água e óxidos de ferro. 
A cor, como característica, é menos importante, mas serve como guia para 
avaliar outras condições que afetam o manejo do solo. Portanto, cores mais escuras 
podem indicar maior teor de matéria orgânica. A cor vermelha ou marrom-
avermelhada depende da quantidade de óxido de ferro não hidratado que se forma 
sob boas condições de aeração e, portanto, indica solo bem drenado. 
A cor amarela, também associada aos níveis de óxido de ferro hidratado, pode 
indicar solo mal drenado. Tons de cinza ou esbranquiçados indicam más condições 
de drenagem. As áreas semiáridas podem indicar acúmulo de carbonato de cálcio e 
problemas de salinidade, enquanto as áreas úmidas são menos produtivas porque 
não acumulam matéria orgânica e são desfavoráveis ao crescimento das plantas. 
 
8 
 
Circunstâncias especiais podem afetar a cor especial do piso. A cor vermelha 
profunda é causada pelo alto teor de manganês, e os depósitos de calcário produzem 
pequenos pontos de luz. Por isso, muitas vezes é possível saber pela cor se o solo 
tem boa ou má drenagem, se há problemas com matéria orgânica, ou seja, as 
perspectivas de uso do solo. 
As reações físicas e químicas nos solos ocorrem principalmente na superfície 
das partículas, por isso existe um maior interesse nas áreas menores, que tem uma 
dimensão maior na superfície. 
As diferentes frações do solo são definidas pelo seu tamanho em uma 
classificação granulométrica, convencionada arbitrariamente, para a identificar suas 
estruturas. A análise mecânica determina a proporção existente dessas frações, e o 
resultado é usualmente apresentado como porcentagens de areia, limo e argila. As 
três porcentagens são usadas para designar a classe textural a que pertence o solo 
analisado. 
Textura: pode ser compreendida como as classes que definem o tamanho das 
partículas que formam o solo. Essas partículas são, as pedras, os seixos, os 
cascalhos, a areia, o limo e a argila. No entanto, partículas com menos de 2 mm de 
diâmetro (areia, lodo, argila) são as mais importantes. Isso ocorre porque muitas das 
propriedades físicas e químicas das frações minerais do solo dependem da proporção 
dessas pequenas partículas presentes nele. Portanto, apenas os três menores 
pedaços de areia, lodo e argila são geralmente considerados características de 
textura. 
Sobre as partículas, Lepsch nos diz que: 
O tamanho das partículas tem influência direta nas propriedades físicas 
e químicas do solo. Normalmente, as partículas menores são as mais 
ativas, por isso, a proporção dos componentes de tamanho menor 
(argila e silte) e maior (areia e cascalho), juntamente com seu arranjo 
em agregados, irá determinar no solo algumas características 
importantes, como tamanho e quantidade de poros, permeabilidade à 
água, grau de plasticidade, pegajosidade, facilidade de trabalhos com 
máquinas e resistência à erosão. (LEPSCH, 2002). 
 
 
9 
 
As reações físicas e químicas no solo ocorrem principalmente na superfície das 
partículas. É por isso que há tanto interesse em peças pequenas com áreas de 
superfície proporcionalmente grandes. 
Normalmente, os solos são formados por uma mistura de três frações, e as 
respectivas porcentagens de cada uma é o que irá diferenciar qual tipo de textura tem 
o solo. No Brasil são usadas as seguintes denominações de texturas: arenosa, 
arenosa-francosa, siltosa, silto-francosa, francosa, franco-arenosa, francosiltosa, 
argilosa e muito argilosa. 
É bastante comum dividir os solos, quanto a textura, entre leves e pesados. 
Solos leves são aqueles com predominância de areia, e solos pesados são aqueles 
com alta proporção de argila. Também é comum expressá-los em solos de textura fina 
e de textura grossa, sendo os primeiros dominados por partículas pequenas ou argila 
e os segundos com maior teor de partículas maiores ou areia. Dessa forma, pode-se 
dizer que a textura se trata de uma propriedade permanente do solo, e que ela 
depende das propriedades que o material apresenta, e também dos fatores naturais 
que formam o solo. 
Solos arenosos são geralmente soltos e não resistentes à invasão de raízes, 
enquanto solos muito arenosos com baixo teor de argila geralmente têm baixa 
fertilidade e baixa capacidade de retenção de água. Uma alta fração de areia está 
frequentemente associada a uma forte diferença entre os horizontes A e B. Solos 
arenosos muitas vezes precisam ser reabastecidos com água e fertilizantes para uma 
boa produção. A adição de matéria orgânica melhora a capacidade da planta de reter 
umidade e nutrientes. 
Em regiões úmidas, solos de granulação fina geralmente rendem mais do que 
solos arenosos devido adiferenças na fertilidade. Em áreas subúmidas, solos com 
menos argila têm rendimentos mais elevados em comparação com solos de textura 
mais pesada. Isso pode ser explicado pela alta capacidade de penetração de água. 
Solos ricos em argila têm alta capacidade de retenção de água, pouca aeração 
e podem ser menos produtivos, enquanto solos ricos em argila, altamente coesivos e 
altamente porosos podem ser muito produtivos. 
 
10 
 
A textura é provavelmente um dos fatores mais importantes na determinação 
do uso da terra. Algumas plantas prosperam em solos mal drenados e mal aerados. 
Como exemplo, podemos citar a grama, que cresce onde as leguminosas de raízes 
profundas não crescem; e também as batatas, que crescem bem em solos arenosos 
e argilosos, onde outras culturas não crescem. 
As práticas de crescimento devem ser combinadas com as texturas. O solo 
argiloso não pode ser trabalhado quando está molhado, ao contrário do solo arenoso, 
suscetível aos danos do vento, e possui uma estrutura resistente à erosão eólica. 
Após um tempo de experiências, restou comprovado que plantas cultivadas em 
solos arenosos demonstraram responder diferentemente aos fertilizantes do que em 
solos argilosos, ainda que as análises químicas mostrassem quantidades 
semelhantes de nutrientes disponíveis. Isso pode ser explicado pela diferença de 
textura. 
Estrutura: É o arranjo das partículas elementares do solo. A estrutura 
determina mais ou menos a fácil trabalhabilidade do solo, a permeabilidade, a 
resistência à erosão e as condições de desenvolvimento das raízes das plantas. A 
estrutura é extremamente importante no que se refere à preparação do solo para 
cultivo, erosão, aeração e absorção de água. Um solo mal estruturado é sempre 
menos produtivo. 
As estruturas são classificadas conforme o tamanho e o grau de 
desenvolvimento de suas unidades estruturais. A forma define a natureza da estrutura. 
Tamanho, classe e desenvolvimento são identificados por notas. As formas estruturais 
são as seguintes: lamelar, prismático, em blocos e granular. As classes determinadas 
nas dimensões da unidade de construção podem ser muito pequenas, pequenas, 
médias, grandes e muito grandes. Grau é um agrupamento de estruturas do solo com 
base na adesão, ligação ou estabilidade de agregados na banda de rodagem. 
As estruturas do solo podem ser modificadas através de algumas práticas de 
manejo como, por exemplo, o trabalho mecânico, conteúdo de matéria orgânica, e 
rotação de culturas. O cultivo em solo muito seco ou muito úmido pode danificar a 
estrutura do solo por um longo, ou curto período de tempo. O cultivo contínuo de 
 
11 
 
algumas plantas produz efeitos semelhantes, mas as leguminosas são benéficas, pois 
melhoram a estrutura do solo e a estabilidade dos agregados. 
Não se deve esquecer ainda, que a estrutura correta das plantas cultivadas tem 
grande importância para o solo. Uma boa estrutura é aquela que tem poros muito 
volumosos e interstícios porosos e agregados muito densos e pegajosos para aeração 
da planta, penetração e desenvolvimento radicular. 
Os agregados que permanecem estáveis na água, possibilitam uma maior 
resistência à erosão. Contudo, os agregados instáveis tendem a desaparecer e se 
dispersar. A estabilidade está relacionada à natureza da argila, os elementos a ela 
associados, aos produtos de decomposição da matéria orgânica e à população 
microbiana no solo. Quando a argila se encontrar com excesso de sódio, poderá 
ocorrer dispersão, enquanto altos níveis de hidrogênio ou cálcio estão associados à 
aglomeração. 
A modificação da estrutura solta dos solos arenosos pode ser alcançada pela 
incorporação de matéria orgânica, enquanto a seleção da estabilidade dos agregados 
é alcançada somente após a sua decomposição. A modificação da estrutura 
compactada é mais difícil em solos argilosos e pode ser conseguida em parte por 
lavoura mecânica, absorção de matéria orgânica e em parte por calagem porque 
quantidades suficientes de cálcio fazem com que a argila se aglutine. 
A estrutura do horizonte B é muito importante para a captação de água e 
circulação de ar. Solos com camadas densas são um sério problema de manejo 
porque a absorção da água da chuva é lenta e a falta de oxigênio limita a penetração 
das raízes. 
Não se pode fazer muito para melhorar a estrutura de um horizonte B que seja 
muito argiloso. As práticas mais tentadas para obter algum resultado têm sido a aração 
profunda e a subsolagem. Algumas plantas específicas, como, por exemplo, a alfafa, 
que possuí uma profunda raiz, fazem uma abertura onde é possível o movimento de 
ar e água. 
Porosidade: refere-se à razão entre o espaço ocupado por líquidos e gases e 
o espaço ocupado pela massa de solo. O volume dos poros é responsável por metade 
 
12 
 
do volume do solo em condições médias. Em geral, solos de granulação mais fina 
apresentam maior porosidade, mas requerem mais cuidados na manutenção da 
aeração. Os arenosos têm uma baixa porcentagem de porosidade e aeração quase 
constante. De certo modo, caracterizar a porosidade que permite a aeração não fácil, 
uma vez que o método de tensão usado pelos físicos do solo tem limitações. 
Os solos com boa cultivação apresentam uma porcentagem menor de 
porosidade em comparação aos mesmos solos que não foram cultivados. Os solos 
cultivados têm menor porcentagem de porosidade quando comparados com os 
mesmos solos não cultivados. A perda de porosidade está associada à redução do 
teor de matéria orgânica, à compactação e ao eleito do impacto das gotas de chuva, 
fatores esses que, causando uma diminuição no tamanho dos agregados maiores, 
reduzem, em consequência, o tamanho dos poros. 
As práticas estruturais geralmente também ajudam na aeração. A rotação das 
leguminosas e gramíneas interferem significativamente de forma positiva para a 
porosidade. Arar quando as condições de umidade do solo são ótimas melhora a 
aeração. A incorporação de resíduos de culturas para preservar a matéria orgânica 
melhora a aeração e a oxigenação. 
Permeabilidade: Se trata da capacidade que um solo tem de permitir a 
passagem de água e ar por meio do seu perfil. Alguns perfis de solo são considerados 
saturados quando seu teor de umidade é igual a 100%, pois seus poros estão 
completamente preenchidos por água, o que é mais comum em solos argilosos 
(PINTO, 2006). 
A permeabilidade está vinculada ao tamanho, volume e distribuição dos poros, 
e pode variar de acordo com os horizontes de cada solo. Na areia, que tem muitos 
poros grandes, a permeabilidade é rápida, mas na argila é lenta. Em geral, a 
permeabilidade é mais rápida na camada A e mais lenta na camada B, refletindo o 
aumento da tração da argila. A permeabilidade é uma das propriedades físicas mais 
importantes para o estabelecimento de práticas de conservação. 
 
13 
 
1.2 A água 
Fonte: bit.ly/3RxdCBv 
A necessidade de água é universal. No entanto, sua distribuição mundial e 
oferta aparentemente inesgotável levaram a humanidade a tratar esse importante 
recurso natural sem proteção. Tanto a escassez quanto o excesso de água 
geralmente resultam do mau uso dos recursos naturais. 
A importância universal da água, como uma necessidade básica em 
todas as formas de vida, faz de seu emprego um problema complicado 
de conservação. As várias maneiras de sua utilização criam, às vezes, 
um conflito de interesses. A vida depende da água, que inclui a bebida 
para o homem e animal, a água do solo para a vegetação, a da 
superfície para a população aquática, como uma fonte de energia, uso 
industrial, meio de transporte, meio de purificação e transporte de 
resíduos, e, também, sem dúvida, como forma recreativa (BERTONI; 
LOMBARDI NETO, 2017). 
 
As pesquisas relacionadas à água vêm da hidrologia, ciência que estuda esse 
elemento. A hidrologia é uma ciência muito ampla e seu campo de trabalho inclui 
vários subcampos maisespecíficos, como, por exemplo: 
• Hidrometeorologia: trata da água na atmosfera; 
• Limnologia: estuda os lagos e reservatórios; 
• Potamologia: estuda os rios; 
• Oceanografia: estuda os oceanos; 
• Hidrogeologia: estudas as águas subterrâneas; 
 
14 
 
• Glaciologia: trata da ocorrência de neve/gelo na natureza. 
Em geral, o abastecimento de água está relacionado com a distribuição 
pluviométrica local, que garante o abastecimento de seus mananciais, águas 
superficiais e subterrâneas. A água de superfície está disponível a partir de córregos, 
rios, lagos, reservatórios e açudes. A água subterrânea é extraída diretamente de 
poços, mas principalmente de nascentes. 
1.3 Relação solo e água 
Quando a água atinge o fundo, pode seguir dois caminhos. A primeira é a 
chamada infiltração, que depende principalmente das propriedades do material de 
revestimento da superfície, ou seja, se o solo é vegetado ou nu. A água de infiltração, 
induzida pela gravidade, tende a preencher os vazios no subsolo, seguindo em 
profundidade, onde irá abastecer e formar os aquíferos freáticos ou as chamadas 
águas de subsolo, ou subterrâneas (KARMANN, 2000). 
A segunda possibilidade ocorre quando a capacidade de carga da água 
superficial é excedida e o excesso de água começa a se deslocar para o fundo do 
relevo devido à gravidade. O escoamento superficial origina-se de pequenos córregos 
que se formam na superfície do solo e convergem em córregos e rios que contribuem 
para a rede de drenagem. Em raras vezes, pode ocorrer de o escoamento desaguar 
no oceano. 
A quantidade de água no solo depende de uma propriedade que é denominada 
capacidade do solo. Esta é a quantidade de água que o solo absorve antes de atingir 
a saturação e não ser drenada em camadas mais profundas. Este parâmetro descreve 
a quantidade de água contida no solo e, portanto, afeta diretamente a infiltração, mas 
não contribui para a recarga do lençol freático, pois é utilizado apenas pela vegetação 
(RICKLEFS, 2003). 
 
 
 
 
15 
 
2 DEGRADAÇÃO E EROSÃO DO SOLO 
O processo de degradação do solo pode vir a ocorrer por diversas formas, 
muitas vezes devido ao mau uso e má conservação que os humanos lhe causam. 
Além disso, a degradação e as condições que os humanos dão ao solo podem estar 
relacionadas a escassez de nutrientes ou a retirada da vegetação. Existem realmente 
diversos fatores. 
A perda da camada superficial do solo é a principal forma de expressão da 
degradação das terras no Brasil, sendo a erosão a sua causa maior (GEOBRASIL, 
2002). 
Ainda sobre os processos de degradação, pode-se afirmar sua ligação com 
fatores climáticos, antrópicos e edáficos. A intensidade e o ritmo desses processos 
são agravados pelas práticas inadequadas supracitadas, como desmatamento e 
exploração além da capacidade de carga e uso intensivo de grades de discos no 
cultivo, o que, gradualmente, destroem as propriedades químicas e biológicas do solo. 
Dessa forma, a degradação pode, portanto, ser conceituada como mudanças 
nas propriedades do solo que afetam negativamente, adversamente uma ou mais 
funções do solo, a saúde humana ou o meio ambiente. 
As principais formas de degradação do solo, isto é, os tipos com que esse 
problema se apresenta, são: 
2.1 Desertificação 
A desertificação é um processo de degradação e esgotamento do solo que 
ocorre nas regiões de clima árido, semiárido e subúmido, onde a precipitação anual é 
inferior a 1400 mm e a evaporação excede a infiltração. A desertificação é assim 
chamada porque provoca uma mudança em sua paisagem, no qual fica parecida com 
um deserto, embora as áreas formadas não sejam necessariamente pensadas como 
tal. 
Mesmo se tratando de um problema que tem várias causas naturais, como, por 
exemplo, o clima, as principais causas estão relacionadas as práticas humanas e seu 
uso intensivo da terra, como o desmatamento, mineração e irrigação inadequada. 
 
16 
 
A civilização urbana industrial, originada e desenvolvida nas médias latitudes, 
chegou tardiamente aos trópicos e aí se instalou, na maioria dos casos, de forma 
pouco adequada, provocando traumas ambientais (CONTI, 2002). 
 
Fonte: bit.ly/3qmWaUm 
2.2 Arenização 
A arenização por muitas vezes pode ser confundida com a desertificação, mas 
não os mesmos fenômenos, e, por isso, devem ser vistos de forma diferente. A 
arenização consiste em bancos de areias formados nos solos, e apresentam, de fato, 
consistência arenosa. Já nas áreas desérticas o clima é mais úmido, e há maior vazão 
de água superior ao índice de evaporação. 
As causas para o processo de arenização estão vinculadas principalmente a 
retirada da vegetação que protege e fortalece o solo. Assim, as chuvas vão lavando 
a terra gradativamente, despojando-a de seus nutrientes, processo que pode ser 
agravado pelo esgotamento das práticas agrícolas e pecuárias. Aqui no Brasil a 
arenização ocorre com mais frequência na região Sul. 
 
 
17 
 
 
Fonte: bit.ly/3RSjRzG 
2.3 Erosão 
Fonte: bit.ly/3DcboTC 
Uma das formas mais conhecidas de degradação do solo é a erosão. Seu início, 
na maioria das vezes, acontece naturalmente, mas pode vir a ser potencializado pelas 
práticas humanas, que nesse caso, consiste na erosão do solo e da rocha seguida do 
transporte e deposição de material sedimentar. Além de alterar a forma do relevo e 
criar crateras de grande área, o processo de erosão também retira nutrientes do solo. 
Algumas vezes pode ocorrer lavagem excessiva das camadas superficiais em 
decorrência da água da chuva, e isso pode tornar os solos mais ácidos ou menos 
 
18 
 
produtivos. A esse processo dá-se o nome de lixiviação ou erosão laminar. Além disso, 
a erosão está associada à migração em massa e problemas de deslizamento de terra. 
2.3.1 Erosão Hídrica 
Esse fenômeno consiste na remoção e transporte de camadas superiores do 
solo ou horizontes por água. Começa com gotas de chuva caindo diretamente numa 
superfície desprotegida, seguida pela formação de corredeiras que formam sulcos de 
tamanhos variados. 
Segundo Bertoni e Lombardi Neto, o processo de erosão hídrica acontece em 
três fases distintas: 
 Desagregação: nessa fase, a chuva já umedeceu os agregados, o que causou 
um enfraquecimento das forças de coesão entre as partículas do solo, tornando 
provável a fragmentação dos agregados devido aos efeitos persistentes das gotas de 
chuva. Além disso, as enxurradas formadas pelo escorrimento superficial também 
contribuem para a desagregação. 
Transporte: As partículas do solo, decompostas por gotículas de água podem 
ser transportadas por gotículas, ou seja, junto com as gotas de chuva decompostas 
que se movem quando a primeira gota de água as atinge. O escoamento formado pelo 
escoamento superficial é outro meio de transporte. 
Deposição: Após reduzir ou parar a velocidade e turbulência do escoamento e 
parar a chuva, partículas de solo são depositadas no fundo do relevo. Esse processo 
pode levar ao assoreamento de cursos d'água e reservatórios (BERTONI, LOMBARDI 
NETO, 1990). 
São reconhecidos três tipos principais de erosão hídrica: superficial, sulcos e 
voçorocas. Confira cada uma delas a seguir: 
Erosão laminar ou superficial: Aqui ocorre a remoção de uma camada 
superior fina e uniforme em todo o solo. Quando as gotas de chuva atingem o solo, os 
aglomerados se desfazem, fragmentam-se em partículas menores e são varridos pela 
força da enchente. Este tipo de desgaste é constante mesmo que o terreno seja 
ligeiramente inclinado. Se não forem tomadas medidas para controlar esse tipo de 
 
19 
 
erosão, os sulcos aparecerão mais proeminentes em um curto período de tempo 
(GUERRA; SILVA; BOTELHO, 1999). 
Erosão em sulcos: É o nome que se dá às irregularidades que ocorrem na 
superfície do solo devido às concentrações de escoamento em locais específicos. A 
água das encostas desce por pequenos riachos e se acumula em outrasencostas, 
acentuando ainda mais os riachos. Depois de um tempo, essas ranhuras ficam 
saturadas de umidade e se tornam grandes cavidades ramificadas (GUERRA; SILVA; 
BOTELHO, 1999). 
Erosão em voçoroca: esse tipo de erosão é como um sulco profundo na 
encosta, que atinge o horizonte C do solo. Podendo atingir vários metros de 
profundidade, essa erosão representa uma perda completa de solo, destruindo áreas 
cultivadas e até mesmo áreas urbanas (GUERRA; SILVA; BOTELHO, 1999). 
A erosão causada pela água depende de uma série de fatores, sendo que 
quatro são os principais: clima, tipo de solo, declividade do terreno e manejo do solo. 
Em relação ao clima, é importante lembrar que a distribuição, quantidade e 
intensidade da precipitação são fatores que influenciam fortemente os solos 
desprotegidos. Quando estão sob cultivação sua exposição é ainda maior, 
especialmente durante a semeadura quando o solo é removido recentemente. 
A natureza do solo como fator influenciável, se dá pelo fato de que a erosão 
depende de propriedades físicas como textura, transparência e profundidade. Solos 
arenosos erodem mais facilmente, enquanto solos argilosos são menos suscetíveis à 
erosão devido à sua estrutura mais compacta. 
Solos rasos são mais suscetíveis à erosão do que solos mais profundos porque 
a água se acumula em cima de rochas e camadas impermeáveis, permitindo que elas 
inundem e fluam partículas mais rapidamente. 
O terreno plano ou menos inclinado diminui o fluxo de água e, portanto, leva 
mais tempo para penetrar, enquanto o terreno íngreme diminui o fluxo de água e 
diminui também a infiltração, levando a uma maior erosão. 
O Manejo do solo talvez seja um dos fatores de maior importância. Os solos 
vegetados apresentam condições ideais de absorção de água e são resistentes à 
 
20 
 
erosão. Os problemas de erosão são minimizados se todas as culturas convencionais 
forem substituídas por floresta ou plantio direto. 
2.3.2 Erosão eólica 
A erosão eólica se trata de uma remoção e deposição de detritos finos do solo 
pelo vento. Dependendo da velocidade do vento, detritos finos são removidos, muitas 
vezes deixando uma camada de detritos ou seixos na superfície erodida. 
2.4 Salinização 
A salinização pode ser compreendida como o processo de aumentar os sais 
minerais existentes até o ponto em que a produtividade do solo em uma determinada 
área é afetada. Nesse processo, os minerais estão na forma de íons como Na+ e Cl- 
e são mais comuns em climas áridos e semiáridos onde as taxas de evaporação são 
muito pronunciadas. 
Em suma, a salinidade está relacionada aos métodos de irrigação que utilizam 
água salgada. Lembrando que sais minerais como potássio e muitos outros, estão 
sempre presentes na água. 
À medida que a água evapora, o sal se acumula no solo, aumentando sua 
salinidade. Outras possíveis fontes de salinidade são os rápidos aumentos nos níveis 
das águas subterrâneas e a evaporação das águas salgadas que se acumulam nos 
mares e oceanos. 
 
21 
 
Fonte: bit.ly/3RuR30n 
2.5 Laterização 
A laterização consiste no acúmulo de hidróxidos de ferro e alumínio que alteram 
a composição e a aparência do solo. Este processo é atribuído principalmente à 
alteração da superfície por intemperismo químico associado à extensa lixiviação. 
Os processos de laterização são mais comuns em regiões quentes e úmidas 
de climas tropicais e podem ser exacerbados por incêndios e desmatamento, pois a 
vegetação ajuda a proteger o solo dos altos níveis de erosão da água da chuva. 
Embora importante para a formação de latossolos, a laterização dificulta a 
penetração das raízes e reduz a fertilidade, podendo ser vista como um problema de 
degradação ambiental. 
Fonte: bit.ly/3QvTzlA 
 
22 
 
2.6 Poluição 
A contaminação direta altera quimicamente a composição do solo, muitas 
vezes tornando-o infértil. Isso é claramente um problema resultante da ação humana, 
causado pelo uso excessivo de agrotóxicos, pesticidas e fertilizantes usados na 
agricultura, além de infiltração de matéria orgânica contaminada em aterros sanitários, 
e até mesmo cemitérios. 
Além de tornar o solo improdutivo e afetar a qualidade de vida das pessoas que 
ali vivem, esse tipo de contaminação pode afetar o lençol freático, a vegetação de 
determinados locais e até a fauna e os ecossistemas. Todo esse efeito negativo pode 
ser amenizado por meio de uma conscientização coletiva com o objetivo de reduzir a 
poluição do solo e os recursos naturais. 
 
Fonte: bit.ly/3KZgsNc 
3 SISTEMAS DE MANEJO 
Os sistemas de gestão do solo incluem uma variedade de métodos de cultivo 
existentes destinados a implementar diferentes culturas. A gestão de um sistema 
agrícola envolve várias operações, como operações de semeadura, adubação, 
controle de plantas invasoras e conservação do solo. 
Na agricultura do sul do Brasil, o preparo convencional com intensa mobilização 
do solo tem sido a forma dominante de cultivo por muitos anos. Os problemas de 
 
23 
 
erosão, em grande parte devidos a este sistema, levaram ao longo do tempo à 
introdução de um menor preparo, e mais recentemente, ao plantio direto. 
O plantio direto é atualmente a forma mais dominante de cultivo nas regiões 
agrícolas brasileiras, outras formas de cultivo se limitam a culturas não adaptadas a 
esse tipo de plantio. Acredita-se que o plantio direto revolucionou a agricultura, 
reduzindo os problemas de erosão e reduzindo os custos de produção. 
3.1 Preparo convencional 
A lavoura convencional consiste na aração seguida de grades niveladoras, que 
incorporam os resíduos da cultura ao solo. Uma das principais razões para a 
instalação deste sistema de tratamento de solo é a eliminação de plantas invasoras 
e, em alguns casos, algumas pragas, como, por exemplo, a causada pelo Anthonomus 
grandis na cultura do algodão, também conhecido como Bicudo-do-algodoeiro. 
A mobilização intensiva dos solos decorrente das arações e gradagens, destrói 
os agregados do solo, reduz o teor de matéria orgânica e os torna altamente 
suscetíveis à erosão. Ademais, existe a possibilidade de ocorrer uma compactação 
do subsolo, comumente conhecida como pé-de-arado. Essa compactação pode ser 
compreendida como uma camada que se comprimiu ao longo do tempo e está abaixo 
da profundidade máxima de penetração do arado. Não obstante, o solo fica 
descoberto e sem proteção. 
Ao longo do tempo, após o cultivo contínuo com métodos convencionais de 
preparo do solo, foi constatado que a capacidade produtiva do solo diminuiu, 
principalmente devido aos problemas decorrentes da erosão severa. Por meio de 
estudos foi possível encontrar alternativas ao preparo convencional. Descobriu-se, por 
exemplo, que a germinação das sementes e o bom desenvolvimento das plantas não 
requerem mobilização intensiva do solo, o que possibilitou o preparo reduzido, o 
cultivo mínimo, e o plantio direto. 
 
24 
 
Fonte: bit.ly/3QsqZ4t 
3.2 Preparo reduzido 
A redução do preparo do solo visa diminuir a mobilização do solo em 
comparação com o preparo convencional. Se trata de um sistema que, na maioria das 
vezes, a gradagem é feita com apenas uma grade aradora, e por meio dela os 
resíduos são semi-incorporados no solo. Assim, o controle de plantas invasoras é 
parcial e a mobilização do solo é menor que no sistema convencional, a crosta 
superficial é quebrada, e pequenas palhas que são deixadas no solo o protegem. 
Contudo, ainda podem ocorrer sérios danos de erosão. 
3.3 Cultivo mínimo 
A preparação mínima é muito semelhante à preparação reduzida e difere na 
intensidade da manipulação. Normalmente, nesta forma de preparo utiliza-se apenas 
uma gradação leve. Além disso, a preparação pode ser feita mobilizando apenas as 
linhas de semeadura e deixando espaço entre as linhas sem rotação, como no plantio 
direto, ou usando escarificadores com barras horizontaisque fazem a preparação do 
solo. Essa técnica foi pioneira no sistema de plantio direto. 
3.4 Plantio direto 
No plantio direto, as culturas são semeadas ou plantadas diretamente em cima 
de resíduos de culturas anteriores, ou palha sem preparo físico do solo. A principal 
 
25 
 
característica nesse sistema, é que ocorre apenas uma mobilização mínima na linha 
de semeadura para garantir que ela seja adequada ao solo. Essa forma de manejo foi 
encontrada como uma alternativa para mitigar os problemas causados pela erosão 
que ocorria com mais frequência quando outras formas de manejo são aplicadas, 
formas essas que exigem uma mobilização mais intensa do solo. 
A introdução do plantio direto começou lentamente no final da década de 1970, 
e desde a década de 1990 houve maior expansão, difusão da tecnologia e 
reconhecimento de sua importância pelos agricultores. 
Avanços no maquinário de plantio direto e o surgimento de herbicidas de 
controle de plantas daninhas de plantio direto também contribuíram para a evolução 
desse sistema. 
Embora o plantio direto esteja bem estabelecido nas regiões agrícolas 
brasileiras, ainda existem alguns aspectos que desafiam as pesquisas na busca de 
soluções para tornar o sistema cada vez mais eficiente. 
Fonte: bit.ly/3qoP3KX 
 
 
 
 
 
 
26 
 
4 PRÁTICAS DE CONSERVAÇÃO DO SOLO 
Fonte: bit.ly/3eDO5ry 
O uso apropriado da terra é o primeiro passo para proteger o solo como um 
recurso natural e realizar uma agricultura apropriada e sustentável. Para tanto, cada 
parcela deve, de acordo com sua idoneidade, resiliência e capacidade econômica, ser 
construída de forma que as pessoas possam maximizar e se beneficiar dos recursos 
naturais, protegendo-os para as gerações futuras. 
O objetivo das práticas conservacionistas é prevenir a degradação do solo e 
ajustar o equilíbrio entre os ecossistemas, a agricultura e o meio ambiente, garantindo 
o manejo correto dos solos. 
Existem vários métodos que podem ser aplicados para a proteção do solo, 
entre eles, iremos estudar os seguintes: métodos edáficos, mecânicos e vegetativos 
ou florestais, além de técnicas de recuperação ambiental do solo. Para a aplicação 
destes, é necessário ter um conhecimento básico de do que já foi visto anteriormente, 
como, por exemplo, as características do solo. 
A conservação do solo está diretamente relacionada a diversas práticas 
utilizadas para promover o uso mais sustentável do mesmo. Essas práticas visam 
garantir as condições físicas, químicas e biológicas do solo para manter sua fertilidade 
e possibilitar o crescimento das culturas. 
 
27 
 
Portanto, o principal objetivo da conservação do solo está relacionado à 
produtividade, buscando melhores condições quando essa produtividade se mostrar 
diminuída. Para tanto, é essencial um sistema de manejo do solo que possa controlar 
as ações dos fatores de degradação que levam à erosão do solo. 
O manejo nada mais é do que todos os procedimentos que visam garantir a 
conservação da biodiversidade e dos ecossistemas. Isso está previsto no Sistema 
Nacional de Unidades de Conservação (Lei nº 9.985/2000). O manejo do solo pode, 
portanto, ser considerado como uma importante gestão desse recurso natural. 
4.1 Conservação 
De modo geral, as práticas de prevenção e recuperação de áreas degradadas 
devem: 
a) prover uma melhor cobertura do solo, por meio das plantas vivas ou de seus 
resíduos culturais, pelo maior tempo possível; 
 b) aumentar o potencial de infiltração da água da chuva e/ou irrigação no solo; 
c) evitar que a água escorra pelas encostas. Portanto, o manejo e a proteção 
do solo são essenciais para manter sua qualidade e produtividade e garantir esse 
importante recurso natural para as gerações futuras. 
Métodos edáficos 
Os métodos de conservação edáficos dizem respeito principalmente ao próprio 
solo e procuram manter e melhorar a sua fertilidade de modo a obter quantidades 
suficientes de nutrientes para as plantas. Essas ações são regidas por três princípios: 
adubação, rotação de culturas e exclusão ou supressão das queimadas. (LEPSCH, 
2002). 
O objetivo da adubação é devolver os nutrientes ao solo para que as plantas 
possam crescer melhor. Para um melhor controle da adubação, amostras de solo são 
coletadas e enviadas para laboratórios especializados onde são diagnosticados e 
“corrigidos” os tipos e quantidades de nutrientes específicos que devem ser repostos 
no solo (LEPSCH, 2002). 
 
28 
 
Uma maneira de melhorar o solo é com calcário. O calcário eleva o pH a níveis 
razoáveis, corrige a acidez, remove elementos tóxicos (alumínio) e fornece 
macronutrientes como cálcio e magnésio. Os fertilizantes, por outro lado, fornecem 
nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio que as plantas usam em abundância. 
A rotação de culturas é o plantio alternado de diferentes culturas no mesmo 
local, sem repetir esse mesmo plantio, no mesmo lugar, por um longo período de 
tempo. Esta prática é baseada no fato de que as culturas têm sistemas radiculares e 
necessidades nutricionais diferentes. (LEPSCH, 2002). 
A integração da rotação de culturas está relacionada ao sistema de plantio 
direto. O sistema cria vantagens fitossanitárias, desenvolve a plena fertilidade do solo 
(aspectos físicos, químicos e biológicos), promove a cobertura permanente do solo e, 
principalmente, aumenta a rentabilidade. 
A queima ainda é considerada por muitos como a forma mais rápida e 
econômica de limpar a terra, facilitar a colheita e replantar pastagens. Este é um 
sistema no qual os nutrientes da biomassa vegetal estão prontamente disponíveis na 
forma de cinzas, permitindo que as plantas de ciclo curto produzam colheitas 
abundantes. Contudo, a queimada deixa o solo descoberto para a ação dos processos 
erosivos, queima elementos úteis às plantas e, ainda, causa poluição atmosférica e 
elimina toda a biota do solo (bactérias, minhocas, formigas, fungos, etc.) (LEPSCH, 
2002). 
4.1.1 Métodos mecânicos 
Os métodos de preservação mecânica requerem o uso de máquinas. 
Mudanças de mitigação são normalmente introduzidas para corrigir declives íngremes 
construindo níveis de contorno, forçando a água de escoamento a pingar em vez de 
fluir. Geralmente são métodos mais simples, mais caros, mas com bons resultados. 
As principais práticas mecânicas de conservação do solo incluem o plantio em 
curvas de nível, os terraços de tipo camalhão, bem como estruturas para desvio e 
infiltração das águas. 
O plantio de contorno consiste em determinar a curva de acordo com a 
topografia do solo, sempre preparando o solo e semeando perpendicularmente ao 
 
29 
 
declive. As fileiras de plantas, portanto, agem como sulcos, quebrando a velocidade 
do escoamento e permitindo que a água penetre no solo. 
Para conceituar o terraço, basta imaginar a construção de um canal em forma 
de dique de terra com o auxílio de máquinas agrícolas. Eles são construídos em 
intervalos regulares ao longo da encosta do terreno para forçar a água a penetrar no 
solo e o excesso de água é drenado lentamente da área de cultivo. 
As práticas de terraço podem ser muito eficientes desde que bem planejadas, 
aplicadas e cuidadas adequadamente. Por outro lado, se os terraços forem mal 
planejados, se um desses diques romper ou transbordar, a reação pode ser em 
cascata, fazendo com que todos os outros diques se rompam e causem muitos danos 
ao solo. (LEPSCH, 2002). 
Estruturas semelhantes foram usadas por povos antigos, como os astecas e os 
maias, para construir pátios e terraços nas encostas para cultivar milho e batata. Fica 
claro, portanto, que essas pessoas já estavam fazendo esforços para proteger o solo 
e garantir a produção de alimentos para as gerações futuras (LEPSCH, 2002). 
Por fim, cabe destacar que não apenas as áreas de cultivo devem ficar à mercê 
de tais práticas, mas sim todo o meio ambiente. Com isso em mente,os seguintes 
planos mais amplos são propostos: não desviar águas oriundas do escoamento de 
estradas e pastagens para dentro do terreno que está sendo cultivado. 
Os terraços são classificados mediante três critérios distintos: finalidade, 
sentido de deslocamento de terra na sua construção e amplitude da faixa de 
movimentação de solo na construção. 
Quanto à finalidade, os terraços podem ser de dois tipos: 
a) Terraço em nível, de absorção, de retenção ou de infiltração: os terraços 
podem ser divididos da seguinte forma: este tipo de terraço é construído ao nível do 
solo perpendicular ao talude para controlar o escoamento e percolar na vala do 
terraço, sendo adequado para solos altamente permeáveis. 
b) Terraço em gradiente ou de drenagem: este tipo de construção de terraços 
ocorre em cumes perpendiculares ao terreno e permite que o escoamento seja 
 
30 
 
desviado com segurança das áreas protegidas. É adequado para solos com 
permeabilidade moderada ou baixa. 
Em relação ao sentido de deslocamento de terra na sua construção, os terraços 
podem ser de dois tipos: 
a) Terraço tipo Nichols: neste tipo de terraço, dependendo da inclinação do 
terreno, o movimento do solo ocorre de cima para baixo durante a construção da 
cumeeira, formando uma ravina triangular. Isto é adequado para relevos muito 
ondulados e chuvas fortes. 
b) Terraço tipo Mangum: O deslocamento de terra neste tipo de construção 
alterna de cima para baixo e de baixo para cima, resultando em cumes e ravinas com 
conformações trapezoidais. É adequado para áreas moderadamente montanhosas e 
com baixa pluviosidade. 
 
Fonte: bit.ly/3RyTI9g 
 
 
Locação de estradas e cercas 
O arrendamento interno das estradas e cercas das propriedades é de suma 
importância para o manejo da conservação. O ideal é que a propriedade tenha uma 
rede viária que atravesse todas as propriedades de forma acessível e segura. 
 
31 
 
Para o arrendamento das estradas principais e secundárias, deve-se dar 
preferência deve ser dada para as que tiverem divisores de água naturais, ou aquelas 
anexadas a um dos terraços inferiores do terreno. A construção de rampas muito 
longas em descidas deve ser evitada devido ao alto risco de erosão. Além disso, as 
estradas devem ser evitadas nas extremidades dos terraços e nas valas de drenagem. 
A construção de cercas também é importante para a proteção do solo. Devem ser 
colocados no início ou no final do terraço, e não no meio da planta, pois isso dificulta 
a manutenção e o trabalho com máquinas agrícolas. 
Cordão de pedra 
Esta prática é adequada para pequenas áreas com afloramentos rochosos 
próximos ao local protegido. A construção consiste em abrir um canal em uma planície 
onde as pedras se empilham e formam uma barreira contra a ação das enxurradas 
que descem o morro. 
Fonte: bit.ly/3U0fx3d 
4.1.2 Métodos vegetativos 
As práticas de vegetação consistem em cobrir o solo com plantas para controlar 
a erosão. Cultivo em faixas, replantio, bom manejo de pastagens, quebra-ventos com 
faixas de árvores, cobertura do solo com palha ou serapilheira e controle de ervas 
daninhas podem ser feitos (LEPSCH, 2002). 
 
32 
 
Cobrir o solo com palha e serapilheira (galhos, folhas) é muito eficaz no 
combate à erosão. Essa prática tem como princípio básico cobrir o solo com restos 
vegetais, imitando a própria natureza. 
A cobertura do solo também é a base para a vida de animais que vivem nele, 
como minhocas, besouros e bactérias. Lembrando ainda que os fungos e líquens 
também requerem condições ideais de temperatura, umidade e luz para seu 
desenvolvimento. 
O solo que antes era adequado para o cultivo, mas não é mais adequado para 
esse fim, pode ajudar a formar pastagens. No entanto, é necessário analisar sempre 
sobre a quantidade de animais que estão no terreno, pois quanto mais o solo é 
pisoteado, maior será o risco de erosão (LEPSCH, 2002). 
Para evitar essa erosão, recomenda-se alternar o local das pastagens, 
subdividindo-os e formando os chamados polos. Dessa forma, o gado se desloca de 
um lote para outro, sem o pisoteio constante, as pastagens têm tempo para se 
reconstruir, mantendo sempre o chão coberto e forte. 
O cultivo em várias faixas é também um método nutritivo que ajuda a proteger 
o solo. Para isso, são feitas faixas de 20 a 40 metros de largura, e a cada ano 
acrescenta-se um povoamento menos denso para melhorar o solo, alternando com 
povoamentos densos que protegem. Essa prática combina plantio em contorno e 
rotação de culturas. A proteção contra a erosão deriva tanto da diferente cobertura da 
cultura assumida como da colocação de subdivisões de taludes e contornos de 
bloqueio de água de escoamento (LEPSCH, 2002). 
Uma forma de combinar atividades agrícolas com reflorestamento e proteção 
do solo é a introdução de sistemas agroflorestais. Por meio dessa prática, as espécies 
florestais são misturadas com as culturas simultânea ou sequencialmente. Assim, a 
ocorrência de erosão é reduzida e o rendimento da propriedade é diversificado. 
Os sistemas agroflorestais podem ser divididos em: sistemas silviagrícolas, 
sistemas silvipastoris e sistemas agrosilvipastoris. 
Os sistemas silviagrícolas são aqueles onde são cultivadas, simultaneamente, 
culturas agrícolas e espécies florestais. As associações entre os sistemas podem ser 
 
33 
 
temporárias ou permanentes no calendário agrícola. A forma permanente é mais 
comum devido ao lento desenvolvimento das espécies florestais. Neste caso, vários 
cultivos agrícolas são feitos em uma mesma cultura florestal. 
 Espécies florestais funcionam como quebra-ventos, cercas vivas, ajudam a 
sombrear as plantas que precisam delas e também fornecem barreiras naturais aos 
impactos do escoamento, por exemplo, quando cultivadas em faixas perpendiculares 
às encostas. 
Os sistemas silvipastoris é constituído por uma combinação de pastagens, 
animais e árvores da mesma área, tornando o seu uso mais eficiente e também 
contribui para a conservação do solo. Isso pode ser feito naturalmente, introduzindo 
animais na floresta para aproveitar a vegetação rasteira disponível, ou administrando 
pastagens que protegem o solo dos processos de erosão. 
Os sistemas silvipastoris consiste na associação de pastagens, animais e 
árvores em uma mesma área, proporcionando um melhor aproveitamento da área, 
além de auxiliar na conservação do solo. Pode ser de maneira natural, onde os 
animais são introduzidos em bosques no intuito de aproveitar a vegetação rasteira 
existente, ou através do cultivo de pastagem, fazendo com que o solo seja preservado 
dos processos erosivos. 
4.2 Técnicas de recuperação 
A reutilização é um processo que visa obter novos usos para áreas degradadas 
que podem diferir de seus usos originais. Conforme Rodrigues e Gandolfi, o termo 
recuperação se refere a uma designação genérica de qualquer ação que possibilite a 
reversão de uma área degradada para a condição não degradada (RODRIGUES, 
GANDOLFI, 2000). 
Além dos métodos de conservação do solo para que a agricultura possa 
coexistir, existem outras estratégias que possibilitam a recuperação de uma área que 
já foi usada, seja para cultivo de plantas alimentares ou pastagem, seja pela mera 
exploração florestal e abandono da área deixando os rastros de degradação que 
levam à erosão do solo pelas enxurradas, impactos das gotas de chuvas, ventos e 
 
34 
 
outros. Entre as diversas técnicas de recuperação de uma área, que foi degradada 
pela ação humana, podemos citar: implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), a 
implantação de espécies florestais nativas, regeneração natural e implantação de 
poleiros artificiais, implantação de leiras de contenção. 
4.2.1 Sistemas agroflorestais 
Essa estratégia consiste em plantar espécies nativas misturadas com espécies 
exóticas que não possuem histórico de invasão quando manejadas na mesma área 
ao longo do tempo.Os SAFs referem-se a uma variedade de formas de uso da terra 
em que árvores e arbustos são cultivados para interagir com culturas e pastagens que 
representam opções viáveis para o manejo versátil e sustentável da terra. 
As espécies cultivadas nos SAFs podem pertencer a um dos seguintes grupos: 
a) Espécies prioritárias: usadas para o autoconsumo e para a geração e 
apropriação da renda (beneficiamento e comercialização). 
b) Espécies de serviço: são espécies funcionais na prestação de serviços 
ambientais, como as plantas repelentes que ajudam a controlar determinadas pragas, 
entre elas: o gengibre (Zingiberoficinale) e a citronela (Cymbopogonwinterianus) 
(MAY; TROVATTO, 2008). 
4.2.2 Plantio de espécies florestais nativas 
Essa estratégia pode ser usada em áreas em que a floresta original foi 
substituída por alguma atividade de agricultura ou de pecuária. As espécies são 
introduzidas nessa sequência: pioneiras, secundárias iniciais, secundárias tardias 
e/ou climáxicas. As espécies podem ser plantadas na área em mudas ou por meio de 
semeadura de propágulos. (GHODDOSI; TORRES; FRANK, 2009). 
Um aspecto fundamental dessa estratégia é a escolha adequada das espécies, 
o que representa uma das garantias do sucesso da recuperação. A seleção deve 
considerar a adaptabilidade das espécies para cada condição física do solo, ou seja, 
espécies para solos saturados (úmidos) e para não saturados (secos). 
 
35 
 
4.2.3 Regeneração natural 
Essa estratégia é usada em áreas com menor nível de perturbação e 
caracteriza-se pela facilidade do processo de recuperação, pois é preciso somente 
isolar a área dos fatores de perturbação. O isolamento é essencial se a área de 
regeneração estiver próxima à área de alojamento dos animais, pois entrar nela 
prejudicará severamente as mudas e o processo de sucessão (GHODDOSI; 
TORRES; FRANK, 2009). 
Um fator importante que contribui para o sucesso da restauração natural é a 
presença de aves na área. Os pássaros liberam as sementes das bagas que comem 
em detritos próximos. 
4.2.4 Implantação de poleiros artificiais 
Consiste na instalação de galhos secos nas fases iniciais do processo de 
recuperação. O poleiro artificial serve como atração para os dispersores de rua dentro 
da área resgatada. Dessa forma, os galhos secos de árvores servem de pouso para 
as aves. Elas os utilizam para repouso ou forrageamento de presas (muitas aves são 
onívoras e, enquanto caçam, depositam sementes. (GHODDOSI; TORRES; FRANK, 
2009). 
O poleiro artificial pode ser confeccionado com diversos materiais, como, por 
exemplo, restos de madeira ou bambu. Eles devem apresentar ramificações terminais 
onde as aves possam pousar, serem relativamente altos para proporcionar bom local 
de caça e esparsos na paisagem (GHODDOSI; TORRES; FRANK, 2009). 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
 
5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BERTONI, José; LOMBARDI NETO, Francisco. Conservação do Solo. São Paulo: 
Ícone, 2017. 
 
CONTI, José Bueno. As relações Sociedade/ Natureza e os Impactos da 
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