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SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 1 NOÇÕES GERAIS SOBRE O SOLO E A ÁGUA ............................................... 4 1.1 O solo ............................................................................................................... 4 1.2 A água ............................................................................................................ 13 1.3 Relação solo e água ....................................................................................... 14 2 DEGRADAÇÃO E EROSÃO DO SOLO .......................................................... 15 2.1 Desertificação ................................................................................................. 15 2.2 Arenização ...................................................................................................... 16 2.3 Erosão ............................................................................................................ 17 2.3.1 Erosão Hídrica ................................................................................................ 18 2.3.2 Erosão eólica .................................................................................................. 20 2.4 Salinização ..................................................................................................... 20 2.5 Laterização ..................................................................................................... 21 2.6 Poluição .......................................................................................................... 22 3 SISTEMAS DE MANEJO ................................................................................. 22 3.1 Preparo convencional ..................................................................................... 23 3.2 Preparo reduzido ............................................................................................ 24 3.3 Cultivo mínimo ................................................................................................ 24 3.4 Plantio direto ................................................................................................... 24 4 PRÁTICAS DE CONSERVAÇÃO DO SOLO ................................................... 26 4.1 Conservação ................................................................................................... 27 4.1.1 Métodos mecânicos ........................................................................................ 28 4.1.2 Métodos vegetativos ....................................................................................... 31 4.2 Técnicas de recuperação ................................................................................ 33 4.2.1 Sistemas agroflorestais ................................................................................... 34 4.2.2 Plantio de espécies florestais nativas ............................................................. 34 4.2.3 Regeneração natural ...................................................................................... 35 4.2.4 Implantação de poleiros artificiais ................................................................... 35 5 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ 36 INTRODUÇÃO Prezado aluno, O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 1 NOÇÕES GERAIS SOBRE O SOLO E A ÁGUA 1.1 O solo Fonte: bit.ly/3QvWLOa Quando falamos em proteção ambiental, logo pensamos em animais, plantas e água. Mas, além disso, devemos lembrar que essas plantas e animais obtêm seu alimento a partir de outro elemento, e que a qualidade e a quantidade de água também dependem dele. Esse elemento se trata do solo. A maioria das pessoas não percebe, porque geralmente ele está coberto de vegetação. No entanto, o solo afeta diretamente pessoas, animais, plantas e água. Além disso, em ambientes urbanos, os efeitos do solo são sentidos em estruturas de edifícios, bueiros e aterros sanitários. O solo é um recurso básico que suporta toda a cobertura vegetal de terra, sem a qual os seres vivos não poderiam existir. Nessa cobertura, incluem-se não só as culturas como, também, todos os tipos de árvores, gramíneas, raízes e herbáceas que podem ser utilizadas pelo homem (BERTONI; LOMBARDI NETO, 2017). O solo, juntamente com a vasta área que ocupa na Terra, é uma das maiores fontes de energia para o grande drama da vida que se desenrola ao longo de gerações de humanos, plantas e animais na Terra. É claro que quanto maior a diversidade do solo de um país, maiores as chances de seus cidadãos encontrarem um melhor padrão de vida. Ao classificar um determinado solo, também se caracteriza um determinado ambiente, e um determinado ecossistema completo, uma vez que o solo ocupa uma 5 posição central na maioria dos ecossistemas terrestres. Ou seja, ao examinar as relações entre diferentes solos dentro de uma paisagem, também caracterizamos as relações entre os diferentes ambientes presentes naquele local específico. Se fôssemos examinar e classificar todos os solos de um país de proporções continentais como o nosso, o número estaria na casa dos milhares. No entanto, os solos podem ser classificados em um sistema de classes ou grupos. Isso coloca os tipos individuais em grupos bem relacionados e caracterizados. Os grupos de solos que contém propriedades muito diferentes, também terão manejos diferentes, uma vez que as finalidades dos seus usos não serão iguais. Ao saber mais sobre cada tipo de solo, e possível determinar qual o melhor uso para cada um. Gerações atrás, quando a maior parte da terra era coberta por florestas e gramíneas, a necessidade de proteção do solo era impensável. Hoje, porém, conhecemos os danos causados pela erosão, inclusive que existe um tipo dela que é invisível e destrói o solo aos poucos, qual seja, a erosão laminar. Os materiais que compõem um solo estão dispostos por meio de camadas que recebem o nome de horizontes. O número de horizontes presentes em um solo não é o mesmo para todos, e a sua variação acontece em função do tempo de desenvolvimento daquele perfil. Um solo bem desenvolvido tem pelo menos quatro horizontes, descritos abaixo: - Horizonte O: Se trata do horizonte orgânico do solo, constituído por uma camada superficial composta por água e matéria orgânica. Sua cor é mais escura do que outros horizontes. - Horizonte A: Nesse a camada é composta por minerais e matéria orgânica, por conta disso, a cor dele também é mais escura. - Horizonte B: A camada é formada a partir de nutrientes lixiviados das camadas superiores do solo e outros minerais resultantes da decomposição química das rochas. É mais espesso que os horizontes superiores e tem muito pouca presença de matéria orgânica. 6 - Horizonte C: Se trata da transição que existe entrea rocha-mãe e as outras camadas do solo. Em sua composição, podem ser encontrados minerais derivados do intemperismo químico e dos fragmentos originais da rocha. Não contém matéria orgânica. Características do solo Os planejadores podem programar seu manejo levando em consideração as características gerais do solo. As mudanças na topografia podem levar a mudanças significativas na drenagem natural. Dessa forma, a grama cresce mais rápido em áreas úmidas e o excesso de umidade prejudica a ventilação, de modo que os detritos das plantas se decompõem lentamente. O acúmulo de matéria orgânica é diretamente proporcional ao teor de umidade do solo. As terras baixas com alto teor de matéria orgânica devem ser manejadas diferentemente das terras altas do mesmo grupo de textura. As variações em cor, resultantes da topografia e drenagem natural, podem ser usadas no manejo do solo. Terras altas, bem drenadas, são de cor clara; terras de drenagem imperfeita são de cor e topografia intermediárias, e terras de baixada, pobremente drenadas, são escuras. Esse grupamento em cores, que também reflete o teor de matéria orgânica, pode ser usado extensivamente como base para o planejamento de rotação de culturas e recomendações de adubação. Outro fator que influencia diretamente nas características do solo é o clima. Quando o clima está quente e úmido, causa intemperismo e uma intensa lavagem do solo. Já nos climas mais frios, o intemperismo ocorre lentamente, e geralmente o teor de matéria orgânica é maior, devido a uma decomposição de menor grau no inverno. Frequentemente a precipitação em climas secos estabelece a profundidade em que a umidade atingirá o solo, e essa profundidade pode vir a limitar a penetração das raízes, e também o acúmulo de matéria orgânica. A topografia do solo é talvez uma das características do solo mais importantes a serem consideradas no planejamento agrícola. As planícies são geralmente mal drenadas, com pouco escoamento e infiltração muito lenta, tornando o cultivo bem- 7 sucedido problemático. Em áreas com terreno ondulado ou montanhoso, o escoamento que se forma flui rapidamente, causando erosão e muitas vezes formando ravinas que danificam terras agrícolas. Os minerais de argila são quimicamente ativos, a areia é inerte. As argilas atuam como ácidos pela sua carga negativa, o que lhes permite absorver cátions. A matéria orgânica parcialmente decomposta (húmus) também possui propriedades de capacidade de troca. O manejo eficiente do solo requer, portanto, o uso desse volume de argila e da fração coloidal de matéria orgânica como reservatório de alimentos vegetais. Características físicas Conhecer as principais propriedades físicas, como cor, textura, estrutura e porosidade do solo, é muito importante para o trabalho de manejo e controle da erosão. Cor: Esta é uma das características mais facilmente distinguíveis dos solos, que geralmente apresentam diferentes tonalidades de marrom. A umidade afeta a cor do solo, quanto mais úmido, mais escuro ele é. O mesmo solo fica mais escuro após a chuva. O solo geralmente tem a cor do material do qual é derivado, mas essa propriedade é alterada pela presença de mais ou menos matéria orgânica, água e óxidos de ferro. A cor, como característica, é menos importante, mas serve como guia para avaliar outras condições que afetam o manejo do solo. Portanto, cores mais escuras podem indicar maior teor de matéria orgânica. A cor vermelha ou marrom- avermelhada depende da quantidade de óxido de ferro não hidratado que se forma sob boas condições de aeração e, portanto, indica solo bem drenado. A cor amarela, também associada aos níveis de óxido de ferro hidratado, pode indicar solo mal drenado. Tons de cinza ou esbranquiçados indicam más condições de drenagem. As áreas semiáridas podem indicar acúmulo de carbonato de cálcio e problemas de salinidade, enquanto as áreas úmidas são menos produtivas porque não acumulam matéria orgânica e são desfavoráveis ao crescimento das plantas. 8 Circunstâncias especiais podem afetar a cor especial do piso. A cor vermelha profunda é causada pelo alto teor de manganês, e os depósitos de calcário produzem pequenos pontos de luz. Por isso, muitas vezes é possível saber pela cor se o solo tem boa ou má drenagem, se há problemas com matéria orgânica, ou seja, as perspectivas de uso do solo. As reações físicas e químicas nos solos ocorrem principalmente na superfície das partículas, por isso existe um maior interesse nas áreas menores, que tem uma dimensão maior na superfície. As diferentes frações do solo são definidas pelo seu tamanho em uma classificação granulométrica, convencionada arbitrariamente, para a identificar suas estruturas. A análise mecânica determina a proporção existente dessas frações, e o resultado é usualmente apresentado como porcentagens de areia, limo e argila. As três porcentagens são usadas para designar a classe textural a que pertence o solo analisado. Textura: pode ser compreendida como as classes que definem o tamanho das partículas que formam o solo. Essas partículas são, as pedras, os seixos, os cascalhos, a areia, o limo e a argila. No entanto, partículas com menos de 2 mm de diâmetro (areia, lodo, argila) são as mais importantes. Isso ocorre porque muitas das propriedades físicas e químicas das frações minerais do solo dependem da proporção dessas pequenas partículas presentes nele. Portanto, apenas os três menores pedaços de areia, lodo e argila são geralmente considerados características de textura. Sobre as partículas, Lepsch nos diz que: O tamanho das partículas tem influência direta nas propriedades físicas e químicas do solo. Normalmente, as partículas menores são as mais ativas, por isso, a proporção dos componentes de tamanho menor (argila e silte) e maior (areia e cascalho), juntamente com seu arranjo em agregados, irá determinar no solo algumas características importantes, como tamanho e quantidade de poros, permeabilidade à água, grau de plasticidade, pegajosidade, facilidade de trabalhos com máquinas e resistência à erosão. (LEPSCH, 2002). 9 As reações físicas e químicas no solo ocorrem principalmente na superfície das partículas. É por isso que há tanto interesse em peças pequenas com áreas de superfície proporcionalmente grandes. Normalmente, os solos são formados por uma mistura de três frações, e as respectivas porcentagens de cada uma é o que irá diferenciar qual tipo de textura tem o solo. No Brasil são usadas as seguintes denominações de texturas: arenosa, arenosa-francosa, siltosa, silto-francosa, francosa, franco-arenosa, francosiltosa, argilosa e muito argilosa. É bastante comum dividir os solos, quanto a textura, entre leves e pesados. Solos leves são aqueles com predominância de areia, e solos pesados são aqueles com alta proporção de argila. Também é comum expressá-los em solos de textura fina e de textura grossa, sendo os primeiros dominados por partículas pequenas ou argila e os segundos com maior teor de partículas maiores ou areia. Dessa forma, pode-se dizer que a textura se trata de uma propriedade permanente do solo, e que ela depende das propriedades que o material apresenta, e também dos fatores naturais que formam o solo. Solos arenosos são geralmente soltos e não resistentes à invasão de raízes, enquanto solos muito arenosos com baixo teor de argila geralmente têm baixa fertilidade e baixa capacidade de retenção de água. Uma alta fração de areia está frequentemente associada a uma forte diferença entre os horizontes A e B. Solos arenosos muitas vezes precisam ser reabastecidos com água e fertilizantes para uma boa produção. A adição de matéria orgânica melhora a capacidade da planta de reter umidade e nutrientes. Em regiões úmidas, solos de granulação fina geralmente rendem mais do que solos arenosos devido adiferenças na fertilidade. Em áreas subúmidas, solos com menos argila têm rendimentos mais elevados em comparação com solos de textura mais pesada. Isso pode ser explicado pela alta capacidade de penetração de água. Solos ricos em argila têm alta capacidade de retenção de água, pouca aeração e podem ser menos produtivos, enquanto solos ricos em argila, altamente coesivos e altamente porosos podem ser muito produtivos. 10 A textura é provavelmente um dos fatores mais importantes na determinação do uso da terra. Algumas plantas prosperam em solos mal drenados e mal aerados. Como exemplo, podemos citar a grama, que cresce onde as leguminosas de raízes profundas não crescem; e também as batatas, que crescem bem em solos arenosos e argilosos, onde outras culturas não crescem. As práticas de crescimento devem ser combinadas com as texturas. O solo argiloso não pode ser trabalhado quando está molhado, ao contrário do solo arenoso, suscetível aos danos do vento, e possui uma estrutura resistente à erosão eólica. Após um tempo de experiências, restou comprovado que plantas cultivadas em solos arenosos demonstraram responder diferentemente aos fertilizantes do que em solos argilosos, ainda que as análises químicas mostrassem quantidades semelhantes de nutrientes disponíveis. Isso pode ser explicado pela diferença de textura. Estrutura: É o arranjo das partículas elementares do solo. A estrutura determina mais ou menos a fácil trabalhabilidade do solo, a permeabilidade, a resistência à erosão e as condições de desenvolvimento das raízes das plantas. A estrutura é extremamente importante no que se refere à preparação do solo para cultivo, erosão, aeração e absorção de água. Um solo mal estruturado é sempre menos produtivo. As estruturas são classificadas conforme o tamanho e o grau de desenvolvimento de suas unidades estruturais. A forma define a natureza da estrutura. Tamanho, classe e desenvolvimento são identificados por notas. As formas estruturais são as seguintes: lamelar, prismático, em blocos e granular. As classes determinadas nas dimensões da unidade de construção podem ser muito pequenas, pequenas, médias, grandes e muito grandes. Grau é um agrupamento de estruturas do solo com base na adesão, ligação ou estabilidade de agregados na banda de rodagem. As estruturas do solo podem ser modificadas através de algumas práticas de manejo como, por exemplo, o trabalho mecânico, conteúdo de matéria orgânica, e rotação de culturas. O cultivo em solo muito seco ou muito úmido pode danificar a estrutura do solo por um longo, ou curto período de tempo. O cultivo contínuo de 11 algumas plantas produz efeitos semelhantes, mas as leguminosas são benéficas, pois melhoram a estrutura do solo e a estabilidade dos agregados. Não se deve esquecer ainda, que a estrutura correta das plantas cultivadas tem grande importância para o solo. Uma boa estrutura é aquela que tem poros muito volumosos e interstícios porosos e agregados muito densos e pegajosos para aeração da planta, penetração e desenvolvimento radicular. Os agregados que permanecem estáveis na água, possibilitam uma maior resistência à erosão. Contudo, os agregados instáveis tendem a desaparecer e se dispersar. A estabilidade está relacionada à natureza da argila, os elementos a ela associados, aos produtos de decomposição da matéria orgânica e à população microbiana no solo. Quando a argila se encontrar com excesso de sódio, poderá ocorrer dispersão, enquanto altos níveis de hidrogênio ou cálcio estão associados à aglomeração. A modificação da estrutura solta dos solos arenosos pode ser alcançada pela incorporação de matéria orgânica, enquanto a seleção da estabilidade dos agregados é alcançada somente após a sua decomposição. A modificação da estrutura compactada é mais difícil em solos argilosos e pode ser conseguida em parte por lavoura mecânica, absorção de matéria orgânica e em parte por calagem porque quantidades suficientes de cálcio fazem com que a argila se aglutine. A estrutura do horizonte B é muito importante para a captação de água e circulação de ar. Solos com camadas densas são um sério problema de manejo porque a absorção da água da chuva é lenta e a falta de oxigênio limita a penetração das raízes. Não se pode fazer muito para melhorar a estrutura de um horizonte B que seja muito argiloso. As práticas mais tentadas para obter algum resultado têm sido a aração profunda e a subsolagem. Algumas plantas específicas, como, por exemplo, a alfafa, que possuí uma profunda raiz, fazem uma abertura onde é possível o movimento de ar e água. Porosidade: refere-se à razão entre o espaço ocupado por líquidos e gases e o espaço ocupado pela massa de solo. O volume dos poros é responsável por metade 12 do volume do solo em condições médias. Em geral, solos de granulação mais fina apresentam maior porosidade, mas requerem mais cuidados na manutenção da aeração. Os arenosos têm uma baixa porcentagem de porosidade e aeração quase constante. De certo modo, caracterizar a porosidade que permite a aeração não fácil, uma vez que o método de tensão usado pelos físicos do solo tem limitações. Os solos com boa cultivação apresentam uma porcentagem menor de porosidade em comparação aos mesmos solos que não foram cultivados. Os solos cultivados têm menor porcentagem de porosidade quando comparados com os mesmos solos não cultivados. A perda de porosidade está associada à redução do teor de matéria orgânica, à compactação e ao eleito do impacto das gotas de chuva, fatores esses que, causando uma diminuição no tamanho dos agregados maiores, reduzem, em consequência, o tamanho dos poros. As práticas estruturais geralmente também ajudam na aeração. A rotação das leguminosas e gramíneas interferem significativamente de forma positiva para a porosidade. Arar quando as condições de umidade do solo são ótimas melhora a aeração. A incorporação de resíduos de culturas para preservar a matéria orgânica melhora a aeração e a oxigenação. Permeabilidade: Se trata da capacidade que um solo tem de permitir a passagem de água e ar por meio do seu perfil. Alguns perfis de solo são considerados saturados quando seu teor de umidade é igual a 100%, pois seus poros estão completamente preenchidos por água, o que é mais comum em solos argilosos (PINTO, 2006). A permeabilidade está vinculada ao tamanho, volume e distribuição dos poros, e pode variar de acordo com os horizontes de cada solo. Na areia, que tem muitos poros grandes, a permeabilidade é rápida, mas na argila é lenta. Em geral, a permeabilidade é mais rápida na camada A e mais lenta na camada B, refletindo o aumento da tração da argila. A permeabilidade é uma das propriedades físicas mais importantes para o estabelecimento de práticas de conservação. 13 1.2 A água Fonte: bit.ly/3RxdCBv A necessidade de água é universal. No entanto, sua distribuição mundial e oferta aparentemente inesgotável levaram a humanidade a tratar esse importante recurso natural sem proteção. Tanto a escassez quanto o excesso de água geralmente resultam do mau uso dos recursos naturais. A importância universal da água, como uma necessidade básica em todas as formas de vida, faz de seu emprego um problema complicado de conservação. As várias maneiras de sua utilização criam, às vezes, um conflito de interesses. A vida depende da água, que inclui a bebida para o homem e animal, a água do solo para a vegetação, a da superfície para a população aquática, como uma fonte de energia, uso industrial, meio de transporte, meio de purificação e transporte de resíduos, e, também, sem dúvida, como forma recreativa (BERTONI; LOMBARDI NETO, 2017). As pesquisas relacionadas à água vêm da hidrologia, ciência que estuda esse elemento. A hidrologia é uma ciência muito ampla e seu campo de trabalho inclui vários subcampos maisespecíficos, como, por exemplo: • Hidrometeorologia: trata da água na atmosfera; • Limnologia: estuda os lagos e reservatórios; • Potamologia: estuda os rios; • Oceanografia: estuda os oceanos; • Hidrogeologia: estudas as águas subterrâneas; 14 • Glaciologia: trata da ocorrência de neve/gelo na natureza. Em geral, o abastecimento de água está relacionado com a distribuição pluviométrica local, que garante o abastecimento de seus mananciais, águas superficiais e subterrâneas. A água de superfície está disponível a partir de córregos, rios, lagos, reservatórios e açudes. A água subterrânea é extraída diretamente de poços, mas principalmente de nascentes. 1.3 Relação solo e água Quando a água atinge o fundo, pode seguir dois caminhos. A primeira é a chamada infiltração, que depende principalmente das propriedades do material de revestimento da superfície, ou seja, se o solo é vegetado ou nu. A água de infiltração, induzida pela gravidade, tende a preencher os vazios no subsolo, seguindo em profundidade, onde irá abastecer e formar os aquíferos freáticos ou as chamadas águas de subsolo, ou subterrâneas (KARMANN, 2000). A segunda possibilidade ocorre quando a capacidade de carga da água superficial é excedida e o excesso de água começa a se deslocar para o fundo do relevo devido à gravidade. O escoamento superficial origina-se de pequenos córregos que se formam na superfície do solo e convergem em córregos e rios que contribuem para a rede de drenagem. Em raras vezes, pode ocorrer de o escoamento desaguar no oceano. A quantidade de água no solo depende de uma propriedade que é denominada capacidade do solo. Esta é a quantidade de água que o solo absorve antes de atingir a saturação e não ser drenada em camadas mais profundas. Este parâmetro descreve a quantidade de água contida no solo e, portanto, afeta diretamente a infiltração, mas não contribui para a recarga do lençol freático, pois é utilizado apenas pela vegetação (RICKLEFS, 2003). 15 2 DEGRADAÇÃO E EROSÃO DO SOLO O processo de degradação do solo pode vir a ocorrer por diversas formas, muitas vezes devido ao mau uso e má conservação que os humanos lhe causam. Além disso, a degradação e as condições que os humanos dão ao solo podem estar relacionadas a escassez de nutrientes ou a retirada da vegetação. Existem realmente diversos fatores. A perda da camada superficial do solo é a principal forma de expressão da degradação das terras no Brasil, sendo a erosão a sua causa maior (GEOBRASIL, 2002). Ainda sobre os processos de degradação, pode-se afirmar sua ligação com fatores climáticos, antrópicos e edáficos. A intensidade e o ritmo desses processos são agravados pelas práticas inadequadas supracitadas, como desmatamento e exploração além da capacidade de carga e uso intensivo de grades de discos no cultivo, o que, gradualmente, destroem as propriedades químicas e biológicas do solo. Dessa forma, a degradação pode, portanto, ser conceituada como mudanças nas propriedades do solo que afetam negativamente, adversamente uma ou mais funções do solo, a saúde humana ou o meio ambiente. As principais formas de degradação do solo, isto é, os tipos com que esse problema se apresenta, são: 2.1 Desertificação A desertificação é um processo de degradação e esgotamento do solo que ocorre nas regiões de clima árido, semiárido e subúmido, onde a precipitação anual é inferior a 1400 mm e a evaporação excede a infiltração. A desertificação é assim chamada porque provoca uma mudança em sua paisagem, no qual fica parecida com um deserto, embora as áreas formadas não sejam necessariamente pensadas como tal. Mesmo se tratando de um problema que tem várias causas naturais, como, por exemplo, o clima, as principais causas estão relacionadas as práticas humanas e seu uso intensivo da terra, como o desmatamento, mineração e irrigação inadequada. 16 A civilização urbana industrial, originada e desenvolvida nas médias latitudes, chegou tardiamente aos trópicos e aí se instalou, na maioria dos casos, de forma pouco adequada, provocando traumas ambientais (CONTI, 2002). Fonte: bit.ly/3qmWaUm 2.2 Arenização A arenização por muitas vezes pode ser confundida com a desertificação, mas não os mesmos fenômenos, e, por isso, devem ser vistos de forma diferente. A arenização consiste em bancos de areias formados nos solos, e apresentam, de fato, consistência arenosa. Já nas áreas desérticas o clima é mais úmido, e há maior vazão de água superior ao índice de evaporação. As causas para o processo de arenização estão vinculadas principalmente a retirada da vegetação que protege e fortalece o solo. Assim, as chuvas vão lavando a terra gradativamente, despojando-a de seus nutrientes, processo que pode ser agravado pelo esgotamento das práticas agrícolas e pecuárias. Aqui no Brasil a arenização ocorre com mais frequência na região Sul. 17 Fonte: bit.ly/3RSjRzG 2.3 Erosão Fonte: bit.ly/3DcboTC Uma das formas mais conhecidas de degradação do solo é a erosão. Seu início, na maioria das vezes, acontece naturalmente, mas pode vir a ser potencializado pelas práticas humanas, que nesse caso, consiste na erosão do solo e da rocha seguida do transporte e deposição de material sedimentar. Além de alterar a forma do relevo e criar crateras de grande área, o processo de erosão também retira nutrientes do solo. Algumas vezes pode ocorrer lavagem excessiva das camadas superficiais em decorrência da água da chuva, e isso pode tornar os solos mais ácidos ou menos 18 produtivos. A esse processo dá-se o nome de lixiviação ou erosão laminar. Além disso, a erosão está associada à migração em massa e problemas de deslizamento de terra. 2.3.1 Erosão Hídrica Esse fenômeno consiste na remoção e transporte de camadas superiores do solo ou horizontes por água. Começa com gotas de chuva caindo diretamente numa superfície desprotegida, seguida pela formação de corredeiras que formam sulcos de tamanhos variados. Segundo Bertoni e Lombardi Neto, o processo de erosão hídrica acontece em três fases distintas: Desagregação: nessa fase, a chuva já umedeceu os agregados, o que causou um enfraquecimento das forças de coesão entre as partículas do solo, tornando provável a fragmentação dos agregados devido aos efeitos persistentes das gotas de chuva. Além disso, as enxurradas formadas pelo escorrimento superficial também contribuem para a desagregação. Transporte: As partículas do solo, decompostas por gotículas de água podem ser transportadas por gotículas, ou seja, junto com as gotas de chuva decompostas que se movem quando a primeira gota de água as atinge. O escoamento formado pelo escoamento superficial é outro meio de transporte. Deposição: Após reduzir ou parar a velocidade e turbulência do escoamento e parar a chuva, partículas de solo são depositadas no fundo do relevo. Esse processo pode levar ao assoreamento de cursos d'água e reservatórios (BERTONI, LOMBARDI NETO, 1990). São reconhecidos três tipos principais de erosão hídrica: superficial, sulcos e voçorocas. Confira cada uma delas a seguir: Erosão laminar ou superficial: Aqui ocorre a remoção de uma camada superior fina e uniforme em todo o solo. Quando as gotas de chuva atingem o solo, os aglomerados se desfazem, fragmentam-se em partículas menores e são varridos pela força da enchente. Este tipo de desgaste é constante mesmo que o terreno seja ligeiramente inclinado. Se não forem tomadas medidas para controlar esse tipo de 19 erosão, os sulcos aparecerão mais proeminentes em um curto período de tempo (GUERRA; SILVA; BOTELHO, 1999). Erosão em sulcos: É o nome que se dá às irregularidades que ocorrem na superfície do solo devido às concentrações de escoamento em locais específicos. A água das encostas desce por pequenos riachos e se acumula em outrasencostas, acentuando ainda mais os riachos. Depois de um tempo, essas ranhuras ficam saturadas de umidade e se tornam grandes cavidades ramificadas (GUERRA; SILVA; BOTELHO, 1999). Erosão em voçoroca: esse tipo de erosão é como um sulco profundo na encosta, que atinge o horizonte C do solo. Podendo atingir vários metros de profundidade, essa erosão representa uma perda completa de solo, destruindo áreas cultivadas e até mesmo áreas urbanas (GUERRA; SILVA; BOTELHO, 1999). A erosão causada pela água depende de uma série de fatores, sendo que quatro são os principais: clima, tipo de solo, declividade do terreno e manejo do solo. Em relação ao clima, é importante lembrar que a distribuição, quantidade e intensidade da precipitação são fatores que influenciam fortemente os solos desprotegidos. Quando estão sob cultivação sua exposição é ainda maior, especialmente durante a semeadura quando o solo é removido recentemente. A natureza do solo como fator influenciável, se dá pelo fato de que a erosão depende de propriedades físicas como textura, transparência e profundidade. Solos arenosos erodem mais facilmente, enquanto solos argilosos são menos suscetíveis à erosão devido à sua estrutura mais compacta. Solos rasos são mais suscetíveis à erosão do que solos mais profundos porque a água se acumula em cima de rochas e camadas impermeáveis, permitindo que elas inundem e fluam partículas mais rapidamente. O terreno plano ou menos inclinado diminui o fluxo de água e, portanto, leva mais tempo para penetrar, enquanto o terreno íngreme diminui o fluxo de água e diminui também a infiltração, levando a uma maior erosão. O Manejo do solo talvez seja um dos fatores de maior importância. Os solos vegetados apresentam condições ideais de absorção de água e são resistentes à 20 erosão. Os problemas de erosão são minimizados se todas as culturas convencionais forem substituídas por floresta ou plantio direto. 2.3.2 Erosão eólica A erosão eólica se trata de uma remoção e deposição de detritos finos do solo pelo vento. Dependendo da velocidade do vento, detritos finos são removidos, muitas vezes deixando uma camada de detritos ou seixos na superfície erodida. 2.4 Salinização A salinização pode ser compreendida como o processo de aumentar os sais minerais existentes até o ponto em que a produtividade do solo em uma determinada área é afetada. Nesse processo, os minerais estão na forma de íons como Na+ e Cl- e são mais comuns em climas áridos e semiáridos onde as taxas de evaporação são muito pronunciadas. Em suma, a salinidade está relacionada aos métodos de irrigação que utilizam água salgada. Lembrando que sais minerais como potássio e muitos outros, estão sempre presentes na água. À medida que a água evapora, o sal se acumula no solo, aumentando sua salinidade. Outras possíveis fontes de salinidade são os rápidos aumentos nos níveis das águas subterrâneas e a evaporação das águas salgadas que se acumulam nos mares e oceanos. 21 Fonte: bit.ly/3RuR30n 2.5 Laterização A laterização consiste no acúmulo de hidróxidos de ferro e alumínio que alteram a composição e a aparência do solo. Este processo é atribuído principalmente à alteração da superfície por intemperismo químico associado à extensa lixiviação. Os processos de laterização são mais comuns em regiões quentes e úmidas de climas tropicais e podem ser exacerbados por incêndios e desmatamento, pois a vegetação ajuda a proteger o solo dos altos níveis de erosão da água da chuva. Embora importante para a formação de latossolos, a laterização dificulta a penetração das raízes e reduz a fertilidade, podendo ser vista como um problema de degradação ambiental. Fonte: bit.ly/3QvTzlA 22 2.6 Poluição A contaminação direta altera quimicamente a composição do solo, muitas vezes tornando-o infértil. Isso é claramente um problema resultante da ação humana, causado pelo uso excessivo de agrotóxicos, pesticidas e fertilizantes usados na agricultura, além de infiltração de matéria orgânica contaminada em aterros sanitários, e até mesmo cemitérios. Além de tornar o solo improdutivo e afetar a qualidade de vida das pessoas que ali vivem, esse tipo de contaminação pode afetar o lençol freático, a vegetação de determinados locais e até a fauna e os ecossistemas. Todo esse efeito negativo pode ser amenizado por meio de uma conscientização coletiva com o objetivo de reduzir a poluição do solo e os recursos naturais. Fonte: bit.ly/3KZgsNc 3 SISTEMAS DE MANEJO Os sistemas de gestão do solo incluem uma variedade de métodos de cultivo existentes destinados a implementar diferentes culturas. A gestão de um sistema agrícola envolve várias operações, como operações de semeadura, adubação, controle de plantas invasoras e conservação do solo. Na agricultura do sul do Brasil, o preparo convencional com intensa mobilização do solo tem sido a forma dominante de cultivo por muitos anos. Os problemas de 23 erosão, em grande parte devidos a este sistema, levaram ao longo do tempo à introdução de um menor preparo, e mais recentemente, ao plantio direto. O plantio direto é atualmente a forma mais dominante de cultivo nas regiões agrícolas brasileiras, outras formas de cultivo se limitam a culturas não adaptadas a esse tipo de plantio. Acredita-se que o plantio direto revolucionou a agricultura, reduzindo os problemas de erosão e reduzindo os custos de produção. 3.1 Preparo convencional A lavoura convencional consiste na aração seguida de grades niveladoras, que incorporam os resíduos da cultura ao solo. Uma das principais razões para a instalação deste sistema de tratamento de solo é a eliminação de plantas invasoras e, em alguns casos, algumas pragas, como, por exemplo, a causada pelo Anthonomus grandis na cultura do algodão, também conhecido como Bicudo-do-algodoeiro. A mobilização intensiva dos solos decorrente das arações e gradagens, destrói os agregados do solo, reduz o teor de matéria orgânica e os torna altamente suscetíveis à erosão. Ademais, existe a possibilidade de ocorrer uma compactação do subsolo, comumente conhecida como pé-de-arado. Essa compactação pode ser compreendida como uma camada que se comprimiu ao longo do tempo e está abaixo da profundidade máxima de penetração do arado. Não obstante, o solo fica descoberto e sem proteção. Ao longo do tempo, após o cultivo contínuo com métodos convencionais de preparo do solo, foi constatado que a capacidade produtiva do solo diminuiu, principalmente devido aos problemas decorrentes da erosão severa. Por meio de estudos foi possível encontrar alternativas ao preparo convencional. Descobriu-se, por exemplo, que a germinação das sementes e o bom desenvolvimento das plantas não requerem mobilização intensiva do solo, o que possibilitou o preparo reduzido, o cultivo mínimo, e o plantio direto. 24 Fonte: bit.ly/3QsqZ4t 3.2 Preparo reduzido A redução do preparo do solo visa diminuir a mobilização do solo em comparação com o preparo convencional. Se trata de um sistema que, na maioria das vezes, a gradagem é feita com apenas uma grade aradora, e por meio dela os resíduos são semi-incorporados no solo. Assim, o controle de plantas invasoras é parcial e a mobilização do solo é menor que no sistema convencional, a crosta superficial é quebrada, e pequenas palhas que são deixadas no solo o protegem. Contudo, ainda podem ocorrer sérios danos de erosão. 3.3 Cultivo mínimo A preparação mínima é muito semelhante à preparação reduzida e difere na intensidade da manipulação. Normalmente, nesta forma de preparo utiliza-se apenas uma gradação leve. Além disso, a preparação pode ser feita mobilizando apenas as linhas de semeadura e deixando espaço entre as linhas sem rotação, como no plantio direto, ou usando escarificadores com barras horizontaisque fazem a preparação do solo. Essa técnica foi pioneira no sistema de plantio direto. 3.4 Plantio direto No plantio direto, as culturas são semeadas ou plantadas diretamente em cima de resíduos de culturas anteriores, ou palha sem preparo físico do solo. A principal 25 característica nesse sistema, é que ocorre apenas uma mobilização mínima na linha de semeadura para garantir que ela seja adequada ao solo. Essa forma de manejo foi encontrada como uma alternativa para mitigar os problemas causados pela erosão que ocorria com mais frequência quando outras formas de manejo são aplicadas, formas essas que exigem uma mobilização mais intensa do solo. A introdução do plantio direto começou lentamente no final da década de 1970, e desde a década de 1990 houve maior expansão, difusão da tecnologia e reconhecimento de sua importância pelos agricultores. Avanços no maquinário de plantio direto e o surgimento de herbicidas de controle de plantas daninhas de plantio direto também contribuíram para a evolução desse sistema. Embora o plantio direto esteja bem estabelecido nas regiões agrícolas brasileiras, ainda existem alguns aspectos que desafiam as pesquisas na busca de soluções para tornar o sistema cada vez mais eficiente. Fonte: bit.ly/3qoP3KX 26 4 PRÁTICAS DE CONSERVAÇÃO DO SOLO Fonte: bit.ly/3eDO5ry O uso apropriado da terra é o primeiro passo para proteger o solo como um recurso natural e realizar uma agricultura apropriada e sustentável. Para tanto, cada parcela deve, de acordo com sua idoneidade, resiliência e capacidade econômica, ser construída de forma que as pessoas possam maximizar e se beneficiar dos recursos naturais, protegendo-os para as gerações futuras. O objetivo das práticas conservacionistas é prevenir a degradação do solo e ajustar o equilíbrio entre os ecossistemas, a agricultura e o meio ambiente, garantindo o manejo correto dos solos. Existem vários métodos que podem ser aplicados para a proteção do solo, entre eles, iremos estudar os seguintes: métodos edáficos, mecânicos e vegetativos ou florestais, além de técnicas de recuperação ambiental do solo. Para a aplicação destes, é necessário ter um conhecimento básico de do que já foi visto anteriormente, como, por exemplo, as características do solo. A conservação do solo está diretamente relacionada a diversas práticas utilizadas para promover o uso mais sustentável do mesmo. Essas práticas visam garantir as condições físicas, químicas e biológicas do solo para manter sua fertilidade e possibilitar o crescimento das culturas. 27 Portanto, o principal objetivo da conservação do solo está relacionado à produtividade, buscando melhores condições quando essa produtividade se mostrar diminuída. Para tanto, é essencial um sistema de manejo do solo que possa controlar as ações dos fatores de degradação que levam à erosão do solo. O manejo nada mais é do que todos os procedimentos que visam garantir a conservação da biodiversidade e dos ecossistemas. Isso está previsto no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Lei nº 9.985/2000). O manejo do solo pode, portanto, ser considerado como uma importante gestão desse recurso natural. 4.1 Conservação De modo geral, as práticas de prevenção e recuperação de áreas degradadas devem: a) prover uma melhor cobertura do solo, por meio das plantas vivas ou de seus resíduos culturais, pelo maior tempo possível; b) aumentar o potencial de infiltração da água da chuva e/ou irrigação no solo; c) evitar que a água escorra pelas encostas. Portanto, o manejo e a proteção do solo são essenciais para manter sua qualidade e produtividade e garantir esse importante recurso natural para as gerações futuras. Métodos edáficos Os métodos de conservação edáficos dizem respeito principalmente ao próprio solo e procuram manter e melhorar a sua fertilidade de modo a obter quantidades suficientes de nutrientes para as plantas. Essas ações são regidas por três princípios: adubação, rotação de culturas e exclusão ou supressão das queimadas. (LEPSCH, 2002). O objetivo da adubação é devolver os nutrientes ao solo para que as plantas possam crescer melhor. Para um melhor controle da adubação, amostras de solo são coletadas e enviadas para laboratórios especializados onde são diagnosticados e “corrigidos” os tipos e quantidades de nutrientes específicos que devem ser repostos no solo (LEPSCH, 2002). 28 Uma maneira de melhorar o solo é com calcário. O calcário eleva o pH a níveis razoáveis, corrige a acidez, remove elementos tóxicos (alumínio) e fornece macronutrientes como cálcio e magnésio. Os fertilizantes, por outro lado, fornecem nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio que as plantas usam em abundância. A rotação de culturas é o plantio alternado de diferentes culturas no mesmo local, sem repetir esse mesmo plantio, no mesmo lugar, por um longo período de tempo. Esta prática é baseada no fato de que as culturas têm sistemas radiculares e necessidades nutricionais diferentes. (LEPSCH, 2002). A integração da rotação de culturas está relacionada ao sistema de plantio direto. O sistema cria vantagens fitossanitárias, desenvolve a plena fertilidade do solo (aspectos físicos, químicos e biológicos), promove a cobertura permanente do solo e, principalmente, aumenta a rentabilidade. A queima ainda é considerada por muitos como a forma mais rápida e econômica de limpar a terra, facilitar a colheita e replantar pastagens. Este é um sistema no qual os nutrientes da biomassa vegetal estão prontamente disponíveis na forma de cinzas, permitindo que as plantas de ciclo curto produzam colheitas abundantes. Contudo, a queimada deixa o solo descoberto para a ação dos processos erosivos, queima elementos úteis às plantas e, ainda, causa poluição atmosférica e elimina toda a biota do solo (bactérias, minhocas, formigas, fungos, etc.) (LEPSCH, 2002). 4.1.1 Métodos mecânicos Os métodos de preservação mecânica requerem o uso de máquinas. Mudanças de mitigação são normalmente introduzidas para corrigir declives íngremes construindo níveis de contorno, forçando a água de escoamento a pingar em vez de fluir. Geralmente são métodos mais simples, mais caros, mas com bons resultados. As principais práticas mecânicas de conservação do solo incluem o plantio em curvas de nível, os terraços de tipo camalhão, bem como estruturas para desvio e infiltração das águas. O plantio de contorno consiste em determinar a curva de acordo com a topografia do solo, sempre preparando o solo e semeando perpendicularmente ao 29 declive. As fileiras de plantas, portanto, agem como sulcos, quebrando a velocidade do escoamento e permitindo que a água penetre no solo. Para conceituar o terraço, basta imaginar a construção de um canal em forma de dique de terra com o auxílio de máquinas agrícolas. Eles são construídos em intervalos regulares ao longo da encosta do terreno para forçar a água a penetrar no solo e o excesso de água é drenado lentamente da área de cultivo. As práticas de terraço podem ser muito eficientes desde que bem planejadas, aplicadas e cuidadas adequadamente. Por outro lado, se os terraços forem mal planejados, se um desses diques romper ou transbordar, a reação pode ser em cascata, fazendo com que todos os outros diques se rompam e causem muitos danos ao solo. (LEPSCH, 2002). Estruturas semelhantes foram usadas por povos antigos, como os astecas e os maias, para construir pátios e terraços nas encostas para cultivar milho e batata. Fica claro, portanto, que essas pessoas já estavam fazendo esforços para proteger o solo e garantir a produção de alimentos para as gerações futuras (LEPSCH, 2002). Por fim, cabe destacar que não apenas as áreas de cultivo devem ficar à mercê de tais práticas, mas sim todo o meio ambiente. Com isso em mente,os seguintes planos mais amplos são propostos: não desviar águas oriundas do escoamento de estradas e pastagens para dentro do terreno que está sendo cultivado. Os terraços são classificados mediante três critérios distintos: finalidade, sentido de deslocamento de terra na sua construção e amplitude da faixa de movimentação de solo na construção. Quanto à finalidade, os terraços podem ser de dois tipos: a) Terraço em nível, de absorção, de retenção ou de infiltração: os terraços podem ser divididos da seguinte forma: este tipo de terraço é construído ao nível do solo perpendicular ao talude para controlar o escoamento e percolar na vala do terraço, sendo adequado para solos altamente permeáveis. b) Terraço em gradiente ou de drenagem: este tipo de construção de terraços ocorre em cumes perpendiculares ao terreno e permite que o escoamento seja 30 desviado com segurança das áreas protegidas. É adequado para solos com permeabilidade moderada ou baixa. Em relação ao sentido de deslocamento de terra na sua construção, os terraços podem ser de dois tipos: a) Terraço tipo Nichols: neste tipo de terraço, dependendo da inclinação do terreno, o movimento do solo ocorre de cima para baixo durante a construção da cumeeira, formando uma ravina triangular. Isto é adequado para relevos muito ondulados e chuvas fortes. b) Terraço tipo Mangum: O deslocamento de terra neste tipo de construção alterna de cima para baixo e de baixo para cima, resultando em cumes e ravinas com conformações trapezoidais. É adequado para áreas moderadamente montanhosas e com baixa pluviosidade. Fonte: bit.ly/3RyTI9g Locação de estradas e cercas O arrendamento interno das estradas e cercas das propriedades é de suma importância para o manejo da conservação. O ideal é que a propriedade tenha uma rede viária que atravesse todas as propriedades de forma acessível e segura. 31 Para o arrendamento das estradas principais e secundárias, deve-se dar preferência deve ser dada para as que tiverem divisores de água naturais, ou aquelas anexadas a um dos terraços inferiores do terreno. A construção de rampas muito longas em descidas deve ser evitada devido ao alto risco de erosão. Além disso, as estradas devem ser evitadas nas extremidades dos terraços e nas valas de drenagem. A construção de cercas também é importante para a proteção do solo. Devem ser colocados no início ou no final do terraço, e não no meio da planta, pois isso dificulta a manutenção e o trabalho com máquinas agrícolas. Cordão de pedra Esta prática é adequada para pequenas áreas com afloramentos rochosos próximos ao local protegido. A construção consiste em abrir um canal em uma planície onde as pedras se empilham e formam uma barreira contra a ação das enxurradas que descem o morro. Fonte: bit.ly/3U0fx3d 4.1.2 Métodos vegetativos As práticas de vegetação consistem em cobrir o solo com plantas para controlar a erosão. Cultivo em faixas, replantio, bom manejo de pastagens, quebra-ventos com faixas de árvores, cobertura do solo com palha ou serapilheira e controle de ervas daninhas podem ser feitos (LEPSCH, 2002). 32 Cobrir o solo com palha e serapilheira (galhos, folhas) é muito eficaz no combate à erosão. Essa prática tem como princípio básico cobrir o solo com restos vegetais, imitando a própria natureza. A cobertura do solo também é a base para a vida de animais que vivem nele, como minhocas, besouros e bactérias. Lembrando ainda que os fungos e líquens também requerem condições ideais de temperatura, umidade e luz para seu desenvolvimento. O solo que antes era adequado para o cultivo, mas não é mais adequado para esse fim, pode ajudar a formar pastagens. No entanto, é necessário analisar sempre sobre a quantidade de animais que estão no terreno, pois quanto mais o solo é pisoteado, maior será o risco de erosão (LEPSCH, 2002). Para evitar essa erosão, recomenda-se alternar o local das pastagens, subdividindo-os e formando os chamados polos. Dessa forma, o gado se desloca de um lote para outro, sem o pisoteio constante, as pastagens têm tempo para se reconstruir, mantendo sempre o chão coberto e forte. O cultivo em várias faixas é também um método nutritivo que ajuda a proteger o solo. Para isso, são feitas faixas de 20 a 40 metros de largura, e a cada ano acrescenta-se um povoamento menos denso para melhorar o solo, alternando com povoamentos densos que protegem. Essa prática combina plantio em contorno e rotação de culturas. A proteção contra a erosão deriva tanto da diferente cobertura da cultura assumida como da colocação de subdivisões de taludes e contornos de bloqueio de água de escoamento (LEPSCH, 2002). Uma forma de combinar atividades agrícolas com reflorestamento e proteção do solo é a introdução de sistemas agroflorestais. Por meio dessa prática, as espécies florestais são misturadas com as culturas simultânea ou sequencialmente. Assim, a ocorrência de erosão é reduzida e o rendimento da propriedade é diversificado. Os sistemas agroflorestais podem ser divididos em: sistemas silviagrícolas, sistemas silvipastoris e sistemas agrosilvipastoris. Os sistemas silviagrícolas são aqueles onde são cultivadas, simultaneamente, culturas agrícolas e espécies florestais. As associações entre os sistemas podem ser 33 temporárias ou permanentes no calendário agrícola. A forma permanente é mais comum devido ao lento desenvolvimento das espécies florestais. Neste caso, vários cultivos agrícolas são feitos em uma mesma cultura florestal. Espécies florestais funcionam como quebra-ventos, cercas vivas, ajudam a sombrear as plantas que precisam delas e também fornecem barreiras naturais aos impactos do escoamento, por exemplo, quando cultivadas em faixas perpendiculares às encostas. Os sistemas silvipastoris é constituído por uma combinação de pastagens, animais e árvores da mesma área, tornando o seu uso mais eficiente e também contribui para a conservação do solo. Isso pode ser feito naturalmente, introduzindo animais na floresta para aproveitar a vegetação rasteira disponível, ou administrando pastagens que protegem o solo dos processos de erosão. Os sistemas silvipastoris consiste na associação de pastagens, animais e árvores em uma mesma área, proporcionando um melhor aproveitamento da área, além de auxiliar na conservação do solo. Pode ser de maneira natural, onde os animais são introduzidos em bosques no intuito de aproveitar a vegetação rasteira existente, ou através do cultivo de pastagem, fazendo com que o solo seja preservado dos processos erosivos. 4.2 Técnicas de recuperação A reutilização é um processo que visa obter novos usos para áreas degradadas que podem diferir de seus usos originais. Conforme Rodrigues e Gandolfi, o termo recuperação se refere a uma designação genérica de qualquer ação que possibilite a reversão de uma área degradada para a condição não degradada (RODRIGUES, GANDOLFI, 2000). Além dos métodos de conservação do solo para que a agricultura possa coexistir, existem outras estratégias que possibilitam a recuperação de uma área que já foi usada, seja para cultivo de plantas alimentares ou pastagem, seja pela mera exploração florestal e abandono da área deixando os rastros de degradação que levam à erosão do solo pelas enxurradas, impactos das gotas de chuvas, ventos e 34 outros. Entre as diversas técnicas de recuperação de uma área, que foi degradada pela ação humana, podemos citar: implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), a implantação de espécies florestais nativas, regeneração natural e implantação de poleiros artificiais, implantação de leiras de contenção. 4.2.1 Sistemas agroflorestais Essa estratégia consiste em plantar espécies nativas misturadas com espécies exóticas que não possuem histórico de invasão quando manejadas na mesma área ao longo do tempo.Os SAFs referem-se a uma variedade de formas de uso da terra em que árvores e arbustos são cultivados para interagir com culturas e pastagens que representam opções viáveis para o manejo versátil e sustentável da terra. As espécies cultivadas nos SAFs podem pertencer a um dos seguintes grupos: a) Espécies prioritárias: usadas para o autoconsumo e para a geração e apropriação da renda (beneficiamento e comercialização). b) Espécies de serviço: são espécies funcionais na prestação de serviços ambientais, como as plantas repelentes que ajudam a controlar determinadas pragas, entre elas: o gengibre (Zingiberoficinale) e a citronela (Cymbopogonwinterianus) (MAY; TROVATTO, 2008). 4.2.2 Plantio de espécies florestais nativas Essa estratégia pode ser usada em áreas em que a floresta original foi substituída por alguma atividade de agricultura ou de pecuária. As espécies são introduzidas nessa sequência: pioneiras, secundárias iniciais, secundárias tardias e/ou climáxicas. As espécies podem ser plantadas na área em mudas ou por meio de semeadura de propágulos. (GHODDOSI; TORRES; FRANK, 2009). Um aspecto fundamental dessa estratégia é a escolha adequada das espécies, o que representa uma das garantias do sucesso da recuperação. A seleção deve considerar a adaptabilidade das espécies para cada condição física do solo, ou seja, espécies para solos saturados (úmidos) e para não saturados (secos). 35 4.2.3 Regeneração natural Essa estratégia é usada em áreas com menor nível de perturbação e caracteriza-se pela facilidade do processo de recuperação, pois é preciso somente isolar a área dos fatores de perturbação. O isolamento é essencial se a área de regeneração estiver próxima à área de alojamento dos animais, pois entrar nela prejudicará severamente as mudas e o processo de sucessão (GHODDOSI; TORRES; FRANK, 2009). Um fator importante que contribui para o sucesso da restauração natural é a presença de aves na área. Os pássaros liberam as sementes das bagas que comem em detritos próximos. 4.2.4 Implantação de poleiros artificiais Consiste na instalação de galhos secos nas fases iniciais do processo de recuperação. O poleiro artificial serve como atração para os dispersores de rua dentro da área resgatada. Dessa forma, os galhos secos de árvores servem de pouso para as aves. Elas os utilizam para repouso ou forrageamento de presas (muitas aves são onívoras e, enquanto caçam, depositam sementes. (GHODDOSI; TORRES; FRANK, 2009). O poleiro artificial pode ser confeccionado com diversos materiais, como, por exemplo, restos de madeira ou bambu. Eles devem apresentar ramificações terminais onde as aves possam pousar, serem relativamente altos para proporcionar bom local de caça e esparsos na paisagem (GHODDOSI; TORRES; FRANK, 2009). 36 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERTONI, José; LOMBARDI NETO, Francisco. Conservação do Solo. São Paulo: Ícone, 2017. CONTI, José Bueno. As relações Sociedade/ Natureza e os Impactos da Desertificação nos Tópicos. Florianópolis, 2002. GEOBRASIL. O estado do meio ambiente no Brasil. 2002. GHODDOSI, S. M.; TORRES, F. S; FRANK, B. Caderno de recuperação de matas ciliares: orientações para os grupos de trabalho municipais. Blumenau: Fundação Agência de Água do Vale do Itajaí; FURB, 2009. GUERRA, A. J. T.; SILVA, A. S. da; BOTELHO, R. G. M. Erosão e conservação dos solos: conceitos, temas e aplicações. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. KARMANN, I. Ciclo da água: água subterrânea e sua ação geológica. In:TEIXEIRA, W. et al. (Orgs.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2000. LEPSCH, Igo F. Formação e Conservação dos Solos. São Paulo: Oficina de Textos, 2002. LEPSCH, I.F., BELTINAZZI JR. R., BERTOLINI, D.; ESPÍNDOLA, C.R. Manual para levantamento utilitário do meio físico e classificação de terra no sistema de capacidade de uso. Impressão revisada, Campinas, SBCS. 1991. MAY, P. H.; TROVATTO, C. M. M. (Coord.) Manual agroflorestal para a Mata Atlântica. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário, 2008. TORRES, Francieli Stano. Conservação e uso do solo. Indaial: UNIASSELVI, 2011. PINTO, Carlos de Sousa Pinto. Curso básico de mecânica dos solos. 2ª Edição. Editora: Oficina de textos, 2006.