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Edição 2024.1
Revisada
Atualizada
Ampliada
Direito
Eleitoral
http://www.iceni.com/infix.htm
DIREITO ELEITORAL 
APRESENTAÇÃO ........................................................................................................................ 10 
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS ........................................................................................................ 11 
1. DIREITOS POLÍTICOS x DIREITO ELEITORAL ................................................................... 11 
2. OBJETO DO DIREITO ELEITORAL ................................................................................ 11108 
3. FONTES DO DIREITO ELEITORAL ...................................................................................... 13 
 FONTES MATERIAIS E FORMAIS ................................................................................. 13 
 FONTES DIRETAS E INDIRETAS .................................................................................. 13 
 FONTES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS ....................................................................... 14 
4. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR SOBRE DIREITO ELEITORAL ....................................... 14 
5. RESOLUÇÕES DA JUSTIÇA ELEITORAL ............................................................................ 15 
6. CONSULTAS ELEITORAIS ................................................................................................... 15 
INSTITUTOS DO DIREITO ELEITORAL ...................................................................................... 17 
1. SOBERANIA POPULAR ........................................................................................................ 17 
2. SUFRÁGIO UNIVERSAL ....................................................................................................... 17 
 CONCEITO ..................................................................................................................... 17 
 SUFRÁGIO UNIVERSAL X SUFRÁGIO RESTRITO ...................................................... 18 
3. VOTO .................................................................................................................................... 18 
 CARACTERÍSTICAS ...................................................................................................... 19 
4. DEMOCRACIA ...................................................................................................................... 19 
 DEMOCRACIA DIRETA ................................................................................................. 20 
 DEMOCRACIA INDIRETA OU REPRESENTATIVA ....................................................... 20 
 DEMOCRACIA SEMIDIRETA OU PARTICIPATIVA ....................................................... 20 
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO ELEITORAL ......................................................................... 25 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................. 25 
2. PRINCÍPIO DA ISONOMIA .................................................................................................... 25 
3. PRINCÍPIO REPUBLICANO .................................................................................................. 25 
4. PRINCÍPIO DA ANUALIDADE OU ANTERIORIDADE ELEITORAL ...................................... 26 
5. PRINCÍPIO DA CAUTELA/LEGITIMIDADE DAS ELEIÇÕES OU MORALIDADE ELEITORAL
 27 
6. PRINCÍPIO DA CELERIDADE ............................................................................................... 27 
7. PRINCÍPIO DA PRECLUSÃO INSTANTÂNEA ...................................................................... 28 
8. PRINCÍPIO DA DEVOLUTIVIDADE DOS RECURSOS ......................................................... 28 
9. PRINCÍPIO DO APROVEITAMENTO DO VOTO OU DO IN DUBIO PRO VOTO .................. 28 
10. PRINCÍPIO DA IMPERSONALIDADE ................................................................................ 29 
SISTEMA ELEITORAL.................................................................................................................. 30 
1. CONCEITO ............................................................................................................................ 30 
2. ESPÉCIES DE SISTEMAS ELEITORAIS .............................................................................. 30 
 SISTEMA ELEITORAL MAJORITÁRIO .......................................................................... 30 
 SISTEMA ELEITORAL PROPORCIONAL ...................................................................... 32 
2.2.1. Noções gerais .......................................................................................................... 32 
2.2.2. Sistema eleitoral proporcional e infidelidade partidária ............................................ 40 
 SISTEMA ELEITORAL MISTO ....................................................................................... 40 
2.3.1. Voto distrital (o país é dividido em distritos) ............................................................. 41 
2.3.2. Voto geral ................................................................................................................ 41 
INSTITUIÇÕES DO DIREITO ELEITORAL ................................................................................... 42 
1. PODER JUDICIÁRIO ELEITORAL: PODER JUDICIÁRIO ESPECIALIZADO EM DIREITO 
ELEITORAL .................................................................................................................................. 42 
2. ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA ELEITORAL .......................................................................... 42 
 TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE) .................................................................... 42 
2.1.1. Membros.................................................................................................................. 43 
2.1.2. Impedimentos .......................................................................................................... 44 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 2 
 
2.1.3. Afastamentos ........................................................................................................... 45 
2.1.4. Julgamento .............................................................................................................. 45 
 TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL (TRE) .................................................................... 45 
2.2.1. Composição ............................................................................................................. 46 
2.2.2. Julgamento .............................................................................................................. 47 
 JUIZ ELEITORAL (JE) .................................................................................................... 48 
 JUNTA ELEITORAL (JTE) .............................................................................................. 49 
3. ORGANIZAÇÃO TERRITORIAL DA JUSTIÇA ELEITORAL .................................................. 51 
 CIRCUNSCRIÇÃO ELEITORAL ..................................................................................... 51 
 ZONA ELEITORAL ......................................................................................................... 52 
 SEÇÕES ELEITORAIS ................................................................................................... 52 
4. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ELEITORAL........................................................................... 52 
 COMPETÊNCIA DO TSE E DOS TRE'S ........................................................................ 52 
 COMPETÊNCIA DOS JUÍZES ELEITORAIS E DA JUNTA ELEITORAL ........................ 59 
5. FUNÇÕES DA JUSTIÇA ELEITORAL ................................................................................... 61 
 FUNÇÃO JURISDICIONAL .............................................................................................61 
 FUNÇÃO ADMINISTRATIVA .......................................................................................... 62 
5.2.1. Função Administrativa “Geral” ................................................................................. 62 
5.2.2. Função Administrativa Própria ................................................................................. 63 
 FUNÇÃO NORMATIVA .................................................................................................. 63 
5.3.1. Função normativa “geral” do poder judiciário ........................................................... 63 
5.3.2. Função normativa específica da justiça eleitoral ...................................................... 63 
 FUNÇÃO CONSULTIVA ................................................................................................. 65 
 FUNÇÃO DE CONTROLE/CORREIÇÃO/FISCALIZAÇÃO ............................................. 66 
6. MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL ..................................................................................... 68 
 ESTRUTURA DO MP ELEITORAL ................................................................................. 68 
 FUNÇÕES DO MP ELEITORAL ..................................................................................... 73 
 VEDAÇÕES E CONFLITOS DE ATRIBUIÇÕES ENTRE MEMBROS DO MP ELEITORAL
 74 
7. POLÍCIA ELEITORAL ............................................................................................................ 74 
 PREVISÃO LEGAL ......................................................................................................... 74 
 ATIVIDADE DE POLÍCIA ................................................................................................ 75 
7.2.1. Polícia Judiciária Eleitoral ........................................................................................ 75 
7.2.2. Polícia Ostensiva Eleitoral ....................................................................................... 75 
8. DEFENSORIA PÚBLICA ELEITORAL ................................................................................... 75 
9. PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL - PFN ............................................................. 76 
PARTIDOS POLÍTICOS ................................................................................................................ 78 
1. CONCEITO ............................................................................................................................ 78 
2. NATUREZA JURÍDICA .......................................................................................................... 78 
3. TEMPO MÍNIMO DE EXISTÊNCIA DO PARTIDO POLÍTICO ............................................... 80 
4. REQUISITOS PARA A CRIAÇÃO .......................................................................................... 80 
5. CARACTERÍSTICAS ............................................................................................................. 81 
 LIBERDADE DE CRIAÇÃO ............................................................................................ 81 
 CARÁTER NACIONAL ................................................................................................... 81 
 AUTONOMIA PARTIDÁRIA ............................................................................................ 82 
6. COLIGAÇÕES ....................................................................................................................... 85 
7. FEDERAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS ............................................................................ 87 
 CONCEITO ..................................................................................................................... 87 
 REGRAS PARA A CRIAÇÃO DE UMA FEDERAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS ....... 88 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 3 
 
 (IM) POSSIBILIDADE DE DEIXAR A FEDERAÇÃO ....................................................... 88 
 ETAPAS PARA A CONSTITUIÇÃO DE UMA FEDERAÇÃO .......................................... 88 
 DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA O PEDIDO DE REGISTRO DA FEDERAÇÃO 
NO TSE ..................................................................................................................................... 89 
 ATUAÇÃO NAS ELEIÇÕES ........................................................................................... 89 
 INFIDELIDADE PARTIDÁRIA E FEDERAÇÃO ............................................................... 89 
 COLIGAÇÃO PARTIDÁRIA X FEDERAÇÃO DE PARTIDOS ......................................... 90 
8. CONSTITUCIONALIDADE DA FEDERAÇÃO PARTIDÁRIA ................................................. 92 
9. RESPONSABILIDADE PARTIDÁRIA..................................................................................... 95 
10. FINANCIAMENTO PARTIDÁRIO ....................................................................................... 96 
 FUNDO PARTIDÁRIO .................................................................................................... 96 
10.1.1. APLICAÇÃO MÍNIMA DE RECURSOS E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DAS 
MULHERES ........................................................................................................................... 97 
10.1.2. CONSEQUÊNCIAS DA INOBSERVÂNCIA DA COTA DE GÊNERO ..................... 100 
11. PRESTAÇÃO DE CONTAS.............................................................................................. 102 
12. DESAPROVAÇÃO DAS CONTAS ................................................................................... 102 
13. VEDAÇÕES AO RECEBIMENTO DE AUXÍLIO FINANCEIRO ......................................... 103 
14. INFIDELIDADE PARTIDÁRIA .......................................................................................... 104 
 ASPECTOS PROCESSUAIS DA DECRETAÇÃO DA PERDA DO CARGO POR 
INFIDELIDADE PARTIDÁRIA ................................................................................................. 107 
14.1.1. Previsão ................................................................................................................ 107 
14.1.2. Legitimidade ativa .................................................................................................. 107 
14.1.3. Competência ......................................................................................................... 107 
14.1.4. Legitimidade passiva ............................................................................................. 108 
14.1.5. Pressupostos para a decretação da perda do cargo eletivo ................................... 108 
14.1.6. Limites da decisão ................................................................................................. 108 
15. FUSÃO E INCORPORAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS ............................................... 108 
16. FUNDAÇÕES CRIADAS POR PARTIDOS POLÍTICO ..................................................... 110 
17. EXTINÇÃO DOS PARTIDOS POLÍTICOS ....................................................................... 110 
18. FIM DA PROPAGANDA PARTIDÁRIA GRATUITA NO RÁDIO E TV ............................... 111 
CAPACIDADE ELEITORAL ........................................................................................................ 113 
1. CONCEITO E DESDOBRAMENTOS................................................................................... 113 
2. DIREITOS POLÍTICO-ELEITORAIS POSITIVOS ................................................................ 113 
 CAPACIDADE ELEITORAL ATIVA: ALISTABILIDADE E VOTO .................................. 113 
 CAPACIDADE ELEITORAL PASSIVA: ELEGIBILIDADE ............................................. 114 
3. DIREITOS POLÍTICO-ELEITORAIS NEGATIVOS ............................................................... 116 
 INELEGIBILIDADES (ABSOLUTAS E RELATIVAS) ..................................................... 117 
3.1.1. Inelegibilidades ABSOLUTAS ................................................................................117 
3.1.2. Inelegibilidades RELATIVAS .................................................................................. 117 
3.1.3. A Lei da Ficha Limpa (LC 135/10) e o Princípio da Anualidade ............................. 137 
4. PRIVAÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS (PERDA OU SUSPENSÃO) ............................... 138 
 PERDA DA NATURALIZAÇÃO ..................................................................................... 138 
 INCAPACIDADE CIVIL ABSOLUTA ............................................................................. 138 
 CONDENAÇÃO CRIMINAL TRANSITADA EM JULGADO ........................................... 138 
 RECUSA DE CUMPRIR OBRIGAÇÃO A TODOS IMPOSTA OU SUA PRESTAÇÃO 
ALTERNATIVA ........................................................................................................................ 139 
 IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA .............................................................................. 139 
5. SERVIDOR PÚBLICO E EXERCÍCIO DE MANDATO ELETIVO ......................................... 140 
ALISTAMENTO ELEITORAL ...................................................................................................... 141 
1. NATUREZA JURÍDICA DO ALISTAMENTO ELEITORAL .................................................... 141 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 4 
 
2. PROCEDIMENTO DE ALISTAMENTO ELEITORAL ........................................................... 141 
 PROVOCAÇÃO DO ALISTAMENTO ............................................................................ 141 
 1ª FASE DO ALISTAMENTO ELEITORAL: QUALIFICAÇÃO ....................................... 141 
2.2.1. Requisitos da qualificação ..................................................................................... 142 
 2ª FASE DO ALISTAMENTO ELEITORAL: INSCRIÇÃO .............................................. 145 
3. TRANSFERÊNCIA ............................................................................................................... 146 
4. SEGUNDA VIA DO TÍTULO DE ELEITOR .......................................................................... 149 
5. CANCELAMENTO E EXCLUSÃO DA INSCRIÇÃO ELEITORAL ......................................... 150 
 HIPÓTESES DE CANCELAMENTO/EXCLUSÃO DO TÍTULO/ELEITOR ..................... 150 
 PROCEDIMENTO DE EXCLUSÃO .............................................................................. 154 
6. REVISÃO DO TÍTULO DE ELEITOR ................................................................................... 155 
7. REVISÃO DO ELEITORADO ............................................................................................... 156 
PROCESSO ELEITORAL ........................................................................................................... 158 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................................................................... 158 
2. PRIMEIRA FASE: FASE PREPARATÓRIA ......................................................................... 159 
 DAS CONVENÇÕES PARTIDÁRIAS ........................................................................... 159 
2.1.1. Coligação partidária ............................................................................................... 160 
2.1.2. Prazo da Convenção ............................................................................................. 160 
2.1.3. Lugar da Convenção ............................................................................................. 160 
2.1.4. Propaganda eleitoral na Convenção ...................................................................... 161 
2.1.5. Tipo de Convenção ................................................................................................ 161 
2.1.6. Escolha dos pré-candidatos para registro na Convenção ...................................... 161 
 DOS REGISTROS DAS CANDIDATURAS ................................................................... 164 
2.2.1. Requisitos para o registro ...................................................................................... 164 
2.2.2. Candidatura avulsa ................................................................................................ 167 
2.2.3. Competência para receber os registros dos pré-candidatos .................................. 169 
2.2.4. Prazo para análise do pedido de registro ............................................................... 169 
2.2.5. Identificação dos pré-candidatos ........................................................................... 174 
2.2.6. Substituição dos candidatos .................................................................................. 174 
 DA PROPAGANDA POLÍTICA ..................................................................................... 175 
2.3.1. Propaganda Institucional (art. 37, §1º CF/88) ........................................................ 175 
2.3.2. Propaganda Partidária ........................................................................................... 183 
2.3.3. Propaganda Intrapartidária .................................................................................... 185 
2.3.4. Propaganda Eleitoral ............................................................................................. 187 
 ATOS PREPARATÓRIOS PARA A VOTAÇÃO (PARTINDO PARA A 2ª FASE) .......... 222 
3. SEGUNDA FASE: FASE DA VOTAÇÃO ............................................................................. 224 
 REGRAS GERAIS DA VOTAÇÃO ................................................................................ 224 
 MESA RECEPTORA DE VOTOS ................................................................................. 226 
 DA JUSTIFICATIVA E VOTO NO EXTERIOR .............................................................. 228 
3.3.1. Prazos ................................................................................................................... 228 
4. TERCEIRA FASE: FASE DA APURAÇÃO .......................................................................... 228 
5. QUARTA FASE: FASE DA DIPLOMAÇÃO .......................................................................... 229 
 CONCEITO DE DIPLOMAÇÃO .................................................................................... 229 
 COMPETÊNCIA PARA A DIPLOMAÇÃO ..................................................................... 229 
6. QUINTA FASE: POSSE ....................................................................................................... 229 
ARRECADAÇÃO E APLICAÇÃO DE RECURSOS NAS CAMPANHAS ELEITORAIS (ARTS. 17 A 
27 DA L.9504/97) ........................................................................................................................ 231 
1. PRINCÍPIO NORTEADOR ................................................................................................... 231 
2. FIXAÇÃO DOS LIMITES DOS GASTOS DE CAMPANHA, POR PARTIDO E CANDIDATOS
 231 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 5 
 
 PRESIDENTE DA REPÚBLICA .................................................................................... 232 
 GOVERNADOR ............................................................................................................ 232 
 SENADOR .................................................................................................................... 232 
 DEPUTADOS ............................................................................................................... 233 
 ARRECADAÇÃO FOR MAIOR QUE O LIMITE MÁXIMO DE GASTOS........................ 233 
3. FUNDO ESPECIAL DE FINANCIAMENTO DE CAMPANHA ............................................... 233 
4. ABERTURA DE CONTAS CORRENTES ESPECÍFICAS .................................................... 236 
5. CROWDFUNDING E COMERCIALIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS ................................. 237 
 ARRECADAÇÃO DE RECURSOS PARA CAMPANHA POR MEIO DE “VAQUINHAS”NA 
INTERNET .............................................................................................................................. 238 
 ANTES DA LEI Nº 13.488/2017 O CROWDFUNDING ERA PERMITIDO EM 
CAMPANHAS ELEITORAIS? .................................................................................................. 238 
 ARRECADAÇÃO DE RECURSOS PARA CAMPANHA POR MEIO DA VENDA DE BENS 
E SERVIÇOS .......................................................................................................................... 239 
6. ORIGEM DE RECURSOS ................................................................................................... 239 
 PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 239 
 RECURSOS PRÓPRIOS DO CANDIDATO .................................................................. 244 
 DOAÇÃO POR PESSOA FÍSICA.................................................................................. 244 
6.3.1. Introdução .............................................................................................................. 244 
6.3.2. Representação por excesso de doação ................................................................. 246 
6.3.3. Multa por doações acima do limite ......................................................................... 248 
6.3.4. Doações ocultas .................................................................................................... 248 
6.3.5. Transparências das doações ................................................................................. 249 
6.3.6. Vedações para doações ........................................................................................ 250 
 DOAÇÕES DE OUTROS PARTIDOS POLÍTICOS OU CANDIDATOS ........................ 250 
 COMERCIALIZAÇÃO DE BENS OU SERVIÇOS OU PROMOÇÃO DE EVENTOS ..... 251 
 RECEITAS DECORRENTES DE APLICAÇÃO FINANCEIRA DE RECURSOS DE 
CAMPANHA ............................................................................................................................ 251 
 RECURSOS PRÓPRIOS DOS PARTIDOS .................................................................. 252 
7. RESPONSABILIZAÇÃO ...................................................................................................... 252 
 DO PARTIDO POLÍTICO .............................................................................................. 252 
 DO CANDIDATO .......................................................................................................... 253 
8. DESPESAS QUE SÃO CONSIDERADAS GASTOS ELEITORAIS PARA FINS DE 
PRESTAÇÃO DE CONTAS ........................................................................................................ 253 
 GASTOS ELEITORAIS ................................................................................................. 253 
 DESPESAS COM TRANSPORTE E DESLOCAMENTO .............................................. 253 
 DESPESAS COM CONSULTORIA, ASSESSORIA E PAGAMENTO DE HONORÁRIOS 
REALIZADAS EM DECORRÊNCIA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS E DE 
CONTABILIDADE NO CURSO DAS CAMPANHAS ELEITORAIS .......................................... 254 
 DISPENSADOS DE COMPROVAÇÃO NA PRESTAÇÃO DE CONTAS ....................... 255 
9. DA PRESTAÇÃO DE CONTAS (ARTS. 28 A 32 L.9504/97) ................................................ 255 
 CONCEITO ................................................................................................................... 255 
 CONSEQUÊNCIA DA NÃO PRESTAÇÃO ................................................................... 257 
 FORMAS DE PRESTAÇÃO DE CONTAS .................................................................... 258 
 RITO PROCESSUAL .................................................................................................... 258 
10. CAPTAÇÃO E GASTOS ILÍCITOS DE RECURSOS ELEITORAIS .................................. 260 
 PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 261 
 HIPÓTESES DE CABIMENTO ..................................................................................... 261 
 BEM JURÍDICO TUTELADO ........................................................................................ 261 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 6 
 
 PRAZO PARA AJUIZAMENTO ..................................................................................... 262 
 COMPETÊNCIA ........................................................................................................... 262 
 LEGITIMADOS ATIVOS ............................................................................................... 262 
 LEGITIMADOS PASSIVOS .......................................................................................... 262 
 PROCEDIMENTO ........................................................................................................ 262 
 SANÇÕES .................................................................................................................... 263 
AÇÕES CIVIS ELEITORAIS (PROCESSO CONTENCIOSO ELEITORAL) ................................ 264 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................................................................... 264 
2. RECLAMAÇÃO OU REPRESENTAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DA LEI DAS ELEIÇÕES 
(RDLE) ........................................................................................................................................ 266 
 PREVISÃO LEGAL DA RDLE (ART. 96 DA L.9504/97) ................................................ 266 
 OBJETIVO DA RDLE .................................................................................................... 267 
 OBJETO DA RDLE ....................................................................................................... 267 
2.3.1. Propaganda extemporânea (art. 36, §3º L. – propaganda partidária, intrapartidária e 
eleitoral) 267 
2.3.2. Doações que excedem os limites legais (art. 23, §3º L.) ........................................ 267 
2.3.3. Captação de recursos vedados (arts. 24 e 25) ...................................................... 268 
2.3.4. Divulgação de pesquisa não registrada (art. 33, §3º) ............................................. 268 
2.3.5. Uso de meios indevidos de propaganda eleitoral (art. 39 e outros L.) .................... 268 
 COMPETÊNCIA PARA A RDLE ................................................................................... 269 
 PRAZO PARA A RDLE ................................................................................................. 269 
 LEGITIMIDADE PARA A RDLE .................................................................................... 269 
2.6.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 269 
2.6.2. Legitimidade Passiva ............................................................................................. 270 
 PROCEDIMENTO ESPECIAL DA RDLE ...................................................................... 270 
 EFEITOS DA SENTENÇA PROCEDENTE EM RDLE .................................................. 271 
3. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE REGISTRO DE CANDIDATOS (AIRC) ................................ 272 
 PREVISÃO LEGAL AIRC (ART. 3º LC 64/90) ............................................................... 272 
 OBJETIVO DA AIRC..................................................................................................... 272 
 OBJETO DA AIRC ........................................................................................................ 272 
3.3.1. Condições de elegibilidade .................................................................................... 272 
3.3.2. Causas de inelegibilidade ...................................................................................... 2733.3.3. Presença de registrabilidade (art. 11, §1º L.9504/97) ............................................ 275 
 COMPETÊNCIA PARA A AIRC .................................................................................... 275 
 PRAZO PARA A AIRC .................................................................................................. 276 
 PRECLUSÃO PARA A AIRC ........................................................................................ 276 
3.6.1. LEGITIMIDADE PARA A AIRC .............................................................................. 276 
3.6.2. Legitimidade ativa .................................................................................................. 276 
3.6.3. Legitimidade passiva ............................................................................................. 277 
 PROCEDIMENTO ESPECIAL DA AIRC (LC 64/90) ..................................................... 277 
3.7.1. Petição Inicial ........................................................................................................ 277 
3.7.2. Defesa: 07 dias ...................................................................................................... 279 
3.7.3. Instrução ................................................................................................................ 279 
3.7.4. Participação do MP ................................................................................................ 280 
3.7.5. Alegações Finais ................................................................................................... 280 
3.7.6. Prolação da sentença ............................................................................................ 280 
3.7.7. Recurso ao TRE .................................................................................................... 281 
 EFEITOS DA SENTENÇA PROCEDENTE EM AIRC (ART. 15 DA LC 64/90) .............. 282 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 7 
 
4. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL (AIJE) OU REPRESENTAÇÃO POR 
ABUSO DE PODER ECONÔMICO OU DO PODER POLÍTICO (RAPEPP) ............................... 282 
 PREVISÃO LEGAL (ART. 22 DA LC 64/90) ................................................................. 282 
 OBJETIVO DA AIJE OU RAPEPP ................................................................................ 282 
 OBJETO DA AIJE OU RAPPEP (ART. 22 LC 64/90) .................................................... 283 
 COMPETÊNCIA PARA A AIJE OU RAPPEP ............................................................... 285 
 PRAZO PARA AIJE OU RAPPEP ................................................................................. 285 
 LEGITIMIDADE PARA A AIJE OU RAPPEP ................................................................ 286 
4.6.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 286 
4.6.2. Legitimidade Passiva ............................................................................................. 286 
 PROCEDIMENTO ESPECIAL DA AIJE OU RAPPEP (ARTS. 22 A 24 LC 64/90). ....... 287 
4.7.1. Inicial ..................................................................................................................... 287 
4.7.2. Defesa: 05 dias ...................................................................................................... 288 
4.7.3. Concessão de liminar ............................................................................................ 288 
4.7.4. Instrução ................................................................................................................ 288 
4.7.5. Diligências ............................................................................................................. 288 
4.7.6. Alegações finais..................................................................................................... 289 
4.7.7. Sentença ............................................................................................................... 289 
4.7.8. Recurso ................................................................................................................. 289 
 EFEITOS DA SENTENÇA PROCEDENTE NA AIJE OU RAPPEP (INCIDÊNCIA DA 
“FICHA LIMPA”) ...................................................................................................................... 290 
5. REPRESENTAÇÃO POR CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO (RCIS) .............................. 291 
 PREVISÃO LEGAL (ART. 41-A L.9504/97) .................................................................. 291 
 OBJETIVO DA RCIS..................................................................................................... 291 
 OBJETO (REQUISITOS) DA RCIS ............................................................................... 291 
 PRAZO DA RCIS .......................................................................................................... 292 
 COMPETÊNCIA ........................................................................................................... 292 
 LEGITIMIDADE ATIVA PARA A RCIS .......................................................................... 293 
5.6.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 293 
5.6.2. Legitimidade Passiva ............................................................................................. 293 
 PROCEDIMENTO ESPECIAL DA RCIS (ART. 22 LC 64/90) ....................................... 293 
 EFEITOS DA PROCEDÊNCIA DA RCIS ...................................................................... 294 
6. REPRESENTAÇÃO POR CONDUTAS VEDADAS AOS AGENTES PÚBLICOS (RCVAP) . 295 
 PREVISÃO ................................................................................................................... 295 
 OBJETIVO DA RCVAP ................................................................................................. 295 
 OBJETO DA RCVAP .................................................................................................... 295 
6.3.1. Desvirtuamento de recursos MATERIAIS da Administração Pública ..................... 296 
6.3.2. Desvirtuamento de recursos HUMANOS da Administração Pública ...................... 297 
6.3.3. Desvirtuamento de recursos FINANCEIROS da Administração Pública ................ 298 
6.3.4. Desvirtuamento dos MEIOS DE COMUNICAÇÃO ................................................. 298 
6.3.5. Desvirtuamento dos PRINCÍPIOS da Administração Pública ................................. 299 
 COMPETÊNCIA PARA A RCVAP ................................................................................ 300 
 PRAZO PARA A PROPOSITURA DA RCVAP.............................................................. 300 
 LEGITIMIDADE PARA A RCVAP ................................................................................. 301 
6.6.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 301 
6.6.2. Legitimidade Passiva ............................................................................................. 301 
 PROCEDIMENTO (ARTS. 22 A 24 LC 64/90) .............................................................. 301 
 EFEITOS DA PROCEDÊNCIA DA RCVAP .................................................................. 301 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 8 
 
7. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE DIPLOMAÇÃO OU RECURSO CONTRA DIPLOMAÇÃO - AIDI 
OU RCD (ART. 262 CE) ............................................................................................................. 303 
 PREVISÃO LEGAL DO RCD (ART. 262 DO CE) .......................................................... 303 
 OBJETIVO DO RCD ..................................................................................................... 303 
 HIPÓTESES DE RCD ...................................................................................................303 
 COMPETÊNCIA PARA O RCD .................................................................................... 304 
 PRAZO PARA O RCD (ART. 258 CE) .......................................................................... 305 
 LEGITIMIDADE PARA O RCD ..................................................................................... 305 
7.6.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 305 
7.6.2. Legitimidade Passiva ............................................................................................. 305 
 PROCEDIMENTO DO RCD .......................................................................................... 306 
 EFEITOS DO RCD ....................................................................................................... 306 
8. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO - AIME (ART. 14, §§ 10 E 11 DA CF/88)
 307 
 PREVISÃO CONSTITUCIONAL/LEGAL ....................................................................... 307 
 OBJETIVO DA AIME .................................................................................................... 307 
 OBJETO DA AIME ........................................................................................................ 307 
 COMPETÊNCIA PARA A AIME .................................................................................... 307 
 PRAZO PARA A AIME (ART. 14, §10 CF/88) ............................................................... 308 
 LEGITIMAÇÃO PARA A AIME ...................................................................................... 309 
8.6.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 309 
8.6.2. Legitimidade Passiva ............................................................................................. 309 
 PROCEDIMENTO DA AIME ......................................................................................... 309 
8.7.1. Prazo de 15 dias para apresentar a petição inicial, a partir da diplomação. ........... 309 
8.7.2. Defesa prazo de 07 dias ........................................................................................ 310 
8.7.3. Instrução ................................................................................................................ 310 
8.7.4. Diligências ............................................................................................................. 310 
8.7.5. Prolação de sentença ............................................................................................ 310 
8.7.6. Recurso ................................................................................................................. 311 
 EFEITOS DA PROCEDÊNCIA DA AIME ...................................................................... 311 
9. AÇÃO RESCISÓRIA ELEITORAL ....................................................................................... 312 
 PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 312 
 PRAZO ......................................................................................................................... 312 
 COMPETÊNCIA ........................................................................................................... 312 
 LEGITIMIDADE ............................................................................................................ 312 
9.4.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 313 
9.4.2. Legitimidade passiva ............................................................................................. 313 
 PROCEDIMENTO ........................................................................................................ 313 
 RECURSO .................................................................................................................... 313 
RECURSOS CÍVEIS ELEITORAIS ............................................................................................. 314 
1. REGRAS GERAIS ............................................................................................................... 314 
2. DO RECURSO CONTRA DECISÃO PROFERIDA POR JUIZ ELEITORAL: RECURSO 
INOMINADO (RI) ........................................................................................................................ 316 
 PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 316 
 POSSIBILIDADES ........................................................................................................ 316 
2.2.1. Decisão que nomeia escrutinadores e auxiliares (art. 39 CE); ............................... 316 
2.2.2. Decisão que deferir/indeferir o requerimento de inscrição do ELEITOR (arts. 57 e 58 
Resolução 23.569/2021 TSE) .............................................................................................. 317 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 9 
 
2.2.3. Decisão que deferir/indeferir a transferência de domicílio (art. 57 e 58 da Resolução 
23.659/2021) ........................................................................................................................ 317 
2.2.4. Do julgamento proferido nas ações civis eleitorais ................................................. 318 
3. RECURSOS CONTRA DECISÃO PROFERIDA PELA JUNTA ELEITORAL ....................... 318 
 RECURSO PARCIAL (RP - ART. 261 CE) ................................................................... 319 
 RECURSO INOMINADO (RI - ART. 265 CE) ............................................................... 319 
4. RECURSOS CONTRA DECISÕES PROFERIDAS PELO TRE ........................................... 320 
 RECURSO PARCIAL .................................................................................................... 320 
 RECURSO INOMINADO (ASSEMELHA-SE AO AGRAVO REGIMENTAL) ................. 324 
 RECURSO ORDINÁRIO (ART. 121, §4º, III A V CF/88 c/c ART. 276, II CE) ................ 324 
 RECURSO ESPECIAL (ART. 121, §4º, I E II CF/88 C/C ART. 276, I CE): RECURSO 
INTERPOSTO PERANTE O TSE. ........................................................................................... 325 
 AGRAVO DE INSTRUMENTO (ART. 279 CE) ............................................................. 326 
5. RECURSOS CONTRA DECISÕES PROFERIDAS PELO TSE ........................................... 327 
 RECURSO INOMINADO (ART. 264 CE) ...................................................................... 327 
 RECURSO ORDINÁRIO (ART. 121, §3º, 2ª PARTE CF C/C ART. 281, 2ª PARTE DO 
CE) 327 
 RECURSO EXTRAORDINÁRIO (ART. 121, §3º, 1ª PARTE CF/88 C/C 281, 1ª PARTE 
DO CE) ................................................................................................................................... 327 
 AGRAVO DE INSTRUMENTO (ART. 282 CE) ............................................................. 328 
6. SÚMULAS DO TSE SOBRE RECURSOS ........................................................................... 329 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 10 
 
APRESENTAÇÃO 
 
Olá! 
Inicialmente gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja 
útil na sua preparação, em todas as fases. A grande maioria dos concurseiros possui o hábito de 
trocar o material de estudo constantemente, principalmente, em razão da variedade que se tem 
hoje, cada dia surge algo novo. O ideal é você utilizar sempre a mesma fonte, fazendo a 
complementação necessária, eis que quanto mais contato temos com determinada fonte de estudo, 
mais familiarizados ficamos, o que se torna primordial na hora da prova. 
Para o estudo da disciplina “Direito Eleitoral” com o enfoque em concursospúblicos, 
aconselha-se a leitura da legislação, dos resumos dos informativos do Tribunal Superior Eleitoral 
(TSE) e mínima doutrina. O Direito Eleitoral é um emaranhado de normas que, não raro, confundem 
estudantes, por isso se indica a leitura da lei seca, bem como a análise do que tem entendido a 
jurisprudência. 
O Caderno Sistematizado de Direito Eleitoral foi totalmente reformulado, tendo como base 
as aulas dos Professores. André Luiz Cunha (G7), Carlos Eduardo Frazão (G7) e João Paulo 
(CERS), bem como do Prof. Bruno Gaspar (CPIuris). 
Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito 
(www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de 
Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). 
Destacamos que é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da 
semana para ler no site do Dizer o Direito. 
Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina 
+ informativos + + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você faça uma 
boa prova. 
Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito 
importante!!! As bancas costumam repetir certos temas. 
Vamos juntos!!! Bons estudos!!! 
Equipe Cadernos Sistematizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 11 
 
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS 
1. DIREITOS POLÍTICOS x DIREITO ELEITORAL 
O Direito Eleitoral é um subsistema dentro do sistema constitucional dos Direitos Políticos. 
Assim, é possível afirmar que os Direitos Políticos são uma categoria ampla, dentro da qual está 
incluído o Direito Eleitoral. 
De acordo com a doutrina, os direitos políticos contêm cinco grandes vertentes, quais sejam: 
VERTENTES 
PRIMEIRA 
Relacionada com as diversas formas de manifestação do pensamento 
político, ideológico, filosófico em âmbito individual e coletivo, pois um 
Estado Democrático de Direito é formado por diferentes convicções. 
Atualmente, a internet é um grande instrumento de manifestação do 
pensamento político. 
SEGUNDA 
Relacionada à associação para fins políticos a qual, de acordo com a CF, 
é livre, sendo vedada a de caráter paramilitar. 
CF Art. 17 - § 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização 
paramilitar. 
 
No Brasil, a grande expressão são os partidos políticos. 
TERCEIRA 
Relacionada aos direitos eleitorais, os quais estão ligados ao processo 
eleitoral. Aqui, tem-se: 
• Possibilidade de ser eleitor e ser elegível; 
• Atribuição de mandato eletivo; 
• Participação da sociedade na manifestação direta da sua 
soberania (plebiscito e referendo). 
QUARTA 
Relacionada à ocupação de cargo público não elegível. Assim, a 
participação nas instituições do Estado (qualquer de seus poderes), em 
cargo não eletivo, é exercício de direito político. 
Cita-se, como exemplo, a indicação para Ministro do STF. 
QUINTA 
Relacionada ao exercício da soberania pela sociedade. 
Como exemplo, tem-se a prerrogativa de participar do processo legislativo 
por meio de iniciativa popular. 
2. OBJETO DO DIREITO ELEITORAL 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 12 
 
É a normatização de todo o chamado “processo eleitoral”, que se inicia com o alistamento 
do eleitor, com a consequente distribuição do corpo eleitoral, e se encerra com a diplomação dos 
eleitos. 
# Os partidos políticos são objeto do Direito Eleitoral? 
1ª C: Sim. Há questões dos partidos políticos que são resolvidas pela Justiça Eleitoral e 
outras são resolvidas no âmbito da Justiça Comum. 
2ª C (mais moderna): Não. Os partidos políticos alcançaram um foro de autonomia tal na 
CF/1988 que passaram a constituir um ramo próprio do direito: o Direito Partidário. 
Para sistematizar, fizemos uma breve lista com os objetivos do Direito Eleitoral. 
OBJETIVOS DO DIREITO ELEITORAL 
Direitos subjetivos 
políticos eleitorais 
Composto pelos direitos positivos (exemplo: capacidade eleitoral 
ATIVA – capacidade de ser eleitor; capacidade eleitoral PASSIVA – 
capacidade de ser elegível) e direitos eleitorais negativos (PERDA 
de direitos políticos, SUSPENSÃO de direitos políticos) 
Sufrágio 
Direito fundamental do cidadão de participar da dinâmica do poder 
político dentro da sociedade. 
Voto É um dos instrumentos para o exercício do sufrágio 
Sistemas Eleitorais 
Metodologias utilizadas para representação da sociedade. Exemplo: 
sistema proporcional, majoritário 
Métodos de 
participação da 
sociedade na tomada 
de decisões coletivas 
Plebiscito e Referendo 
Acesso aos cargos 
políticos eletivos 
Atribuição do mandato e titularidade do mandato, incluindo-se 
também o fim do mandato 
Regular as instituições 
e competências dos 
órgãos constitucionais 
eleitorais 
Poder Judiciário Eleitoral 
MP Eleitoral 
Polícia Eleitoral (atualmente, PF + PC) 
Defensoria Pública 
Procuradoria da Fazenda Nacional 
Processo 
Administrativo eleitoral 
Possui várias vertentes e momentos, envolve desde o alistamento 
até a diplomação dos candidatos 
Crimes eleitorais e 
processo penal 
eleitoral 
Há diversos crimes eleitorais. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 13 
 
3. FONTES DO DIREITO ELEITORAL 
Há várias formas por meio das quais o Direito Eleitoral se expressa. Não existe um consenso 
na doutrina, optou-se por abordar as de maior incidência em provas de concurso. 
 FONTES MATERIAIS E FORMAIS 
As fontes materiais são os fatores que influenciam o surgimento e a elaboração das normas 
eleitorais. Ex.: fatos sociais, políticos e doutrinários que impactam na produção de normas eleitorais 
e a atuação de grupos para a aprovação de determinado projeto de lei. 
Vale destacar que as fontes materiais não possuem caráter vinculativo, funcionam como 
fundamento para a edição posterior de fontes formais pelo Poder Legislativo e pelo Poder Judiciário 
(função normativa). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/PA – CESPE – 2023): Os fatos sociais que impactam na produção de 
normas eleitorais são considerados uma fonte material do direito eleitoral. 
Correto. 
As fontes formais são aquelas que formalizam, em normas, o resultado das fontes 
materiais. Ex.: Constituição Federal, o Código Eleitoral (Lei 4.737/65), a Lei das Eleições (Lei 
9.504/97), a Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95), a Lei de Inelegibilidade (Lei Complementar 
64/90), as respostas às consultas e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral, entre outras normas. 
As fontes formais classificam-se em: 
a) Estatais: são as normas produzidas pelo próprio Estado, tais como a Constituição 
Federal, o Código Eleitoral (Lei 4.737/65), a Lei das Eleições (Lei 9.504/97), a Lei dos 
Partidos Políticos (Lei 9.096/95), a Lei de Inelegibilidade (Lei Complementar 64/90), as 
respostas às consultas e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. 
b) Não estatais: são as normas não emitidas pelo Estado, tais como os estatutos dos 
partidos políticos, os acordos entre partidos políticos e emissoras de televisão a respeito 
dos debates eleitorais. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/AM – CESPE – 2023): No direito eleitoral, as fontes formais estatais, 
que são aquelas elaboradas pelo Estado e que devem ser seguidas por todos 
no país, incluem, entre outras, I a Constituição Federal de 1988 (CF). II a 
consulta. III a Lei Orgânica dos Partidos Políticos (Lei n.º 9.096/1995). IV a 
Lei de Inelegibilidades (Lei Complementar n.º 64/1990). V as resoluções do 
Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Todos os itens estão corretos. 
 FONTES DIRETAS E INDIRETAS 
As fontes direitas são as normas que guardam relação direta com o Direito Eleitoral e as 
questões eleitorais, a exemplo da Constituição Federal, do Código Eleitoral (Lei 4.737/65), da Lei 
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.CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 14 
 
das Eleições (Lei 9.504/97), da Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95), da Lei de Inelegibilidade 
(Lei Complementar 64/90), das resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. 
Por outro lado, as fontes indiretas são aquelas que possuem uma aplicação subsidiária ao 
Direito Eleitoral, já que tratam de outras áreas do Direito, como o Código Civil, o Código Penal, o 
Código de Processo Penal, o Código de Processo Civil. 
 FONTES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS 
As fontes primárias são aquelas que decorrem da Constituição Federal e do próprio 
processo legislativo e podem inovar o ordenamento jurídico, desde que não contrariem a 
Constituição Federal. Ex.: a Constituição Federal, o Código Eleitoral (Lei 4.737/65), a Lei das 
Eleições (Lei 9.504/97), a Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95), a Lei de Inelegibilidade (Lei 
Complementar 64/90). 
Já as fontes secundárias são aquelas que visam à interpretação e à regulamentação das 
fontes primárias, não podendo inová-las. Ex.: a doutrina, a jurisprudência, as respostas às consultas 
do Tribunal Superior Eleitoral. 
4. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR SOBRE DIREITO ELEITORAL 
A União possui competência privativa para legislar sobre Direito Eleitoral (art. 22, I, da CF). 
A competência privativa, como se sabe, permite que algumas especificidades sejam delegadas aos 
Estados e ao DF, sempre por meio de lei complementar (art.22, parágrafo único, da CF). 
Art. 22, Compete privativamente à União legislar sobre: 
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, 
aeronáutico, espacial e do trabalho; 
(...) 
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar 
sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo. 
 
Destaca-se que a CF prevê que não poderá haver edição de Lei Delegada (art. 68, §1º, II) e 
nem de Medida Provisória em matéria de Direito Eleitoral (art. 62, §1º). 
Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, 
que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. 
§ 1º - Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do 
Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados 
ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a 
legislação sobre: 
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;. 
 
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá 
adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de 
imediato ao Congresso Nacional. 
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: 
I - relativa a: 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 15 
 
nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito 
eleitoral; 
 
Leis infraconstitucionais eleitorais podem ser leis ordinárias ou leis complementares. 
Contudo, há matérias específicas que a Constituição Federal reservou para serem tratadas por meio 
de Lei Complementar. 
Art. 14 § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade 
e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a 
moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do 
candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do 
poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na 
administração direta ou indireta. 
 
Art. 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos 
tribunais, dos juízes de direito e das juntas eleitorais. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/MS – Instituto AOCP – 2023): Lei complementar estabelecerá outros 
casos de inelegibilidade além dos previstos na Constituição Federal e os 
prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a 
moralidade para exercício de mandato considerada a vida pregressa do 
candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do 
poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na 
administração direta ou indireta. Correto. 
5. RESOLUÇÕES DA JUSTIÇA ELEITORAL 
Há um poder regulamentar instituído pelo Código Eleitoral, corroborado pela Lei das 
Eleições, a partir do qual o legislador conferiu ao Poder Judiciário (TSE) a prerrogativa de detalhar 
o conteúdo previsto em lei e nas normas gerais produzidas pelo Poder Legislativo. 
Art. 105 da Lei 9.504/97 - Até o dia 5 de março do ano da eleição, o Tribunal 
Superior Eleitoral, atendendo ao caráter regulamentar e sem restringir direitos 
ou estabelecer sanções distintas das previstas nesta Lei, poderá expedir 
todas as instruções necessárias para sua fiel execução, ouvidos, 
previamente, em audiência pública, os delegados ou representantes dos 
partidos políticos. 
 
Como mencionado acima, as resoluções são consideradas fontes formais estatais e direta 
de Direito Eleitoral. 
Vale destacar que, conforme entende o STF, as resoluções do TSE possuem caráter 
secundário e interpretativo, não podendo inovar a ordem jurídica. 
6. CONSULTAS ELEITORAIS 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 16 
 
São entendimentos do TSE, expostos através de resposta a uma pergunta sobre o que o 
TSE pensa de determinado assunto. 
Tradicionalmente, as consultas ao TSE eram vistas como não vinculantes, ou seja, as 
respostas do tribunal não eram de cumprimento obrigatório. No entanto, houve uma mudança nesse 
entendimento. 
O TSE passou a adotar a posição de que as respostas às consultas agora têm um caráter 
vinculante. Isso significa que as decisões e interpretações fornecidas pelo TSE em resposta às 
consultas devem ser seguidas e cumpridas pelas autoridades e órgãos eleitorais, bem como pelos 
demais envolvidos no processo eleitoral. 
A doutrina sustenta que a mudança de entendimento pode ter sido influenciada pelo art. 30 
da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), que foi inserido pela Lei 13.655/18. 
O dispositivo trata da segurança jurídica e da vinculação das respostas das autoridades públicas às 
consultas, garantindo maior estabilidade e previsibilidade nas decisões relacionadas ao direito 
eleitoral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 17 
 
INSTITUTOS DO DIREITO ELEITORAL 
1. SOBERANIA POPULAR 
Inicialmente, é necessário compreender que o poder é um dos elementos do Estado, sem 
poder o governo não consegue implementar as políticas públicas que entende serem necessárias. 
O vocábulo soberania significa o poder alto, supremo e soberano. Ou seja, aquele que não 
está sujeito a nenhum outro poder. Em um primeiro momento, tal significado, pode passar a ideia 
de autoritarismo, o que é equivocado, uma vez que o poder soberano é um poder democrático. 
O Estado Democrático de Direito é aquele que se submete às normas por ele próprio criadas. 
Não por acaso, a Constituição Federal de 1988 consagrou a soberania popular, afirmando que “todo 
poder emana do povo”. 
CF – art. 1º, Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por 
meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta 
Constituição. 
 
 A CF, ainda, estabeleceu a forma que a soberania popular deve ser concretizada, qual seja: 
através do sufrágio, do voto direto e secreto. Observe o art. 14: 
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto 
direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: 
I - plebiscito; 
II - referendo; 
III - iniciativa popular. 
2. SUFRÁGIO UNIVERSAL 
 CONCEITO 
De acordo com Alexandre de Moraes, “sufrágio universal é um direito público, subjetivo, de 
natureza política que tem o cidadão de eleger, ser eleito e de participar da organização e da 
atividade estatal”. Em suma, trata-se de um direito que o cidadão possui de decidir os rumos daadministração, votando e/ou sendo votado. 
Perceba, portanto, que o sufrágio possui duas concepções. Vejamos: 
 
Capacidade Eleitoral 
Ativa 
Ius suffragium
Direito de votar, de 
eleger representantes
Capacidade Eleitoral 
Passiva
Ius honorum
Direito de ser escolhido 
em processo eleitoral
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 18 
 
Obs.: Não são todos que são dotados de capacidade eleitoral passiva. 
Apenas aqueles que preencherem os requisitos prefixados poderão 
ser escolhidos em processo eleitoral. 
Obs.: No Direito Eleitoral a expressão “cidadania” deve ser 
interpretada de maneira restrita. 
Em tópico próprio abordaremos de forma mais aprofundada a questão da Capacidade 
Eleitoral. 
 SUFRÁGIO UNIVERSAL X SUFRÁGIO RESTRITO 
Nos dizeres de Bruno Gaspar, “sufrágio universal se caracteriza pela concessão genérica 
de cidadania. A mera existência de restrição, por si só, não retira o caráter universal do sufrágio. 
Nele não se admitem restrições por motivos étnicos, de riqueza ou capacidade intelectual”. 
Cita-se, por exemplo, a proibição de menores de 16 anos votarem. Trata-se de uma restrição 
ao sufrágio, mas é razoável, portanto, por si só, não retira o seu caráter universal. 
Por outro lado, “sufrágio restrito, ao contrário, é aquele concedido tão somente a uma 
minoria, que preenche a determinados requisitos econômicos, sociais e culturais”. O sufrágio restrito 
poderá ser censitário, cultural ou capacitário ou gênero. 
 
O art. 14, §4º da CF prevê que são inalistáveis os analfabetos, seria uma hipótese de 
sufrágio restrito? 
1ªC - Há doutrina que entende que tal proibição é considerada um sufrágio restrito 
capacitário, ferindo o princípio da dignidade da pessoa humana. 
2ªC - De outra banda, há doutrinadores que sustentam que é uma restrição razoável, não 
tornando o sufrágio restrito. Além disso, o analfabeto possui a faculdade de votar, capacidade 
eleitoral ativa. 
3. VOTO 
Representa instrumento de exercício do sufrágio, materializando a vontade popular. 
CENSITÁRIO
Fundado na capacidade 
econômica do indivíduo. 
Baseia-se na crença de que 
apenas pessoas com poder 
econômico elevado podem 
exercer o direito ao voto.
CULTURAL OU 
CAPACITÁRIO
Fundado na formação 
educacional (capacidade 
intelectual) da pessoa. 
Exemplo: a Inglaterra até os 
anos 50 tinha a participação 
restrita em razão da cultura.
GÊNERO
Fundado no patriarcado, no 
sexismo. Sustenta que 
apenas os homens podem 
votar e serem votados, 
exclui o direito das 
mulheres. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 19 
 
 CARACTERÍSTICAS 
A seguir serão analisadas as principais características do voto. 
1) Personalíssimo 
O direito ao voto deve ser exercido pessoalmente. Assim, não é possível votar por meio de 
representante, por procuração e nem por correspondência. 
2) Obrigatório 
Todo cidadão, maior de 18 anos e menor de 70 anos, é obrigado a votar, comparecendo ao 
local de votação e assinando a lista de votação. Essa obrigatoriedade não impede a liberdade de 
votar, pois o eleitor pode inclusive votar em branco ou anular seu voto. 
Obviamente, estando fora do seu local de votação, é possível justificar, no dia da eleição 
(formulário próprio), ou em até 60 dias depois, sob pena de multa. 
3) Secreto 
Trata-se de um direito público subjetivo do eleitor. Por isso, não pode ser revelado pelos 
órgãos da Justiça Eleitoral. 
É cláusula pétrea. 
4) Direto 
Os representantes são escolhidos diretamente pelos eleitores, sem intermediários. 
A CF prevê o voto indireto, em caráter excepcional. 
Art. 81, § 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período 
presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da 
última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei. 
 
5) Periódico 
O voto deve ser exercido em intervalos regulares de tempo, decorre do princípio republicano 
que impõe uma rotatividade do exercício do poder político. 
6) Valor igual para todos 
Não há distinção no valor do voto, será igual para todos os cidadãos. 
CF - Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo 
voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, 
mediante: (...) 
4. DEMOCRACIA 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 20 
 
O termo democracia foi criado pelos Gregos, significa poder exercido pelo povo. Ou seja, o 
povo deve participar efetivamente do governo, sem sua participação há ausência de democracia. 
De acordo com a doutrina, a democracia divide-se em três categorias: direta, indireta ou 
representativa e semidireta ou participativa. A seguir iremos analisar cada uma delas. 
 DEMOCRACIA DIRETA 
A democracia direta caracteriza-se por um governo em que os cidadãos participam 
diretamente das decisões governamentais, não há a presença de intermediários. 
Trata-se do modelo clássico de democracia, entendido como o ideal. Contudo, é um modelo 
impraticável, uma vez que as decisões deveriam ser tomadas em assembleias com a participação 
efetiva de toda a população, o que seria inviável. 
 DEMOCRACIA INDIRETA OU REPRESENTATIVA 
No modelo da democracia indireta ou representativa cabe aos cidadãos, tão somente, 
escolherem os seus representantes políticos. Os eleitos receberão um mandato, sem que haja 
qualquer vinculação jurídica entre o representante e o representado. Perceba, com isso, que não 
há qualquer obrigação por parte do eleito em cumprir os termos do “mandato” outorgado pelo povo. 
Assim, por exemplo, caso um candidato a governador apresente um programa de governo 
com viés liberal e, ao ser eleito, implemente um viés conservador, que desagrade seus eleitores, 
mesmo que se entenda ser uma “traição”, não gerará nenhum problema. 
O eleito submete-se apenas aos preceitos constitucionais de ética e decoro, previstos no art. 
55 da CF. 
 DEMOCRACIA SEMIDIRETA OU PARTICIPATIVA 
Na democracia semidireta ou participativa, partindo da ideia de uma democracia 
representativa, o povo exerce sua soberania popular elegendo seus representantes e participando 
de forma direta da vida política do Estado, por meio de referendo, plebiscito e iniciativa popular de 
lei. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/BA – CESPE – 2023): À luz da tipologia que distingue democracia 
direta e indireta, constata-se que a Constituição Federal de 1988 consagra 
um modelo misto de democracia. Correto. 
É o modelo adotado pela Constituição Federal de 1988. 
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto 
direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: 
I - plebiscito; 
II - referendo; 
III - iniciativa popular. 
 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 21 
 
1) Plebiscito 
Trata-se de uma consulta prévia à edição de ato legislativo ou administrativo, em relação 
à matéria de grande relevância, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe tenha 
sido, conforme disposto no art. 2º, §1º da Lei 9.709/98. 
Lei 9.709/98 Art. 2o Plebiscito e referendo são consultas formuladas ao povo 
para que delibere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza 
constitucional, legislativa ou administrativa. 
§ 1o O plebiscito é convocado com anterioridade a ato legislativo ou 
administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe 
tenha sido submetido. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE/BA – CESPE – 2023): Plebiscito é a consulta popular a respeito de ato 
legislativo ou administrativo já editado. Errado. 
 
(TJ/AC – VUNESP - 2019): O plebiscito é convocado com posterioridade a 
ato legislativo ou administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou 
denegar o que lhe tenha sido submetido. Errado!! É prévio. 
O art. 2º do ADCT previa que o povo decidiria, por meio de plebiscito, a forma e o sistema 
degoverno que iria vigorar no Brasil. 
Art. 2º. No dia 7 de setembro de 1993 o eleitorado definirá, através de 
plebiscito, a forma (república ou monarquia constitucional) e o sistema de 
governo (parlamentarismo ou presidencialismo) que devem vigorar no País. 
 
Salienta-se que o plebiscito pode ter caráter meramente opinativo. Nada impede, porém, 
que o plebiscito seja vinculante, bastando que no instrumento convocatório conste expressamente. 
Além disso, no plebiscito haverá convocação (convocação para a opinião do povo), através 
de Decreto Legislativo, pelo Congresso Nacional. 
Lei 9.709/08 Art. 3o Nas questões de relevância nacional, de competência do 
Poder Legislativo ou do Poder Executivo, e no caso do § 3o do art. 18 da 
Constituição Federal, o plebiscito e o referendo são convocados mediante 
decreto legislativo, por proposta de um terço, no mínimo, dos membros 
que compõem qualquer das Casas do Congresso Nacional, de 
conformidade com esta Lei. 
 
CF Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: 
XV - autorizar referendo e convocar plebiscito; 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ/AC – VUNESP - 2019): O plebiscito e o referendo são convocados 
mediante lei ordinária, por proposta de um terço, no mínimo, dos membros 
que compõem qualquer das Casas do Congresso Nacional. Errado! 
Convocação por Decreto Legislativo 
Após a aprovação do plebiscito, o Presidente do Congresso Nacional dará ciência à Justiça 
Eleitoral a fim de que tome as medidas cabíveis para sua realização. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 22 
 
Art. 8o Aprovado o ato convocatório, o Presidente do Congresso Nacional 
dará ciência à Justiça Eleitoral, a quem incumbirá, nos limites de sua 
circunscrição: 
I – fixar a data da consulta popular; 
II – tornar pública a cédula respectiva; 
III – expedir instruções para a realização do plebiscito ou referendo; 
IV – assegurar a gratuidade nos meio de comunicação de massa 
concessionários de serviço público, aos partidos políticos e às frentes 
suprapartidárias organizadas pela sociedade civil em torno da matéria em 
questão, para a divulgação de seus postulados referentes ao tema sob 
consulta. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ/AL - FCC - 2019): Aprovado o ato convocatório de plebiscito pelo 
Congresso Nacional, o Presidente do Congresso Nacional dará ciência à 
Justiça Eleitoral, a quem incumbirá, nos limites de sua circunscrição, entre 
outros, expedir instruções para a realização da consulta. Correto! 
Convocado o plebiscito, o projeto legislativo ou medida administrativa não efetivada, cujas 
matérias constituam objeto da consulta popular, terá sustada sua tramitação, até que o resultado 
das urnas seja proclamado. 
Lei 9.079/98 Art. 9º Convocado o plebiscito, o projeto legislativo ou medida 
administrativa não efetivada, cujas matérias constituam objeto da consulta 
popular, terá sustada sua tramitação, até que o resultado das urnas seja 
proclamado. 
 
Por fim, os §§ 3º e 4º, do art. 18 da CF preveem a realização de plebiscito para a 
incorporação de Estados entre si e para a criação, incorporação e fusão de Municípios. Observe: 
 Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do 
Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, 
todos autônomos, nos termos desta Constituição. 
§ 3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou 
desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou 
Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente 
interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei 
complementar. 
§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de 
Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei 
Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante 
plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos 
Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ/AL – FCC - 2019): A formação de novos Estados ou Territórios Federais 
depende da aprovação da população diretamente interessada, por meio de 
plebiscito e do Congresso Nacional, por lei complementar, ouvidas as 
respectivas Assembleias Legislativas. Correto! 
2) Referendo 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 23 
 
Consiste em uma consulta posterior à edição de ato legislativo ou administrativo, 
cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição, nos termos do §2º do art. 2º da Lei 9.709/98. 
Lei 9.709/98 Art. 2o Plebiscito e referendo são consultas formuladas ao povo 
para que delibere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza 
constitucional, legislativa ou administrativa. 
§ 2o O referendo é convocado com posterioridade a ato legislativo ou 
administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição. 
 
Como exemplo temos o Estatuto do Desarmamento. 
Art. 35. É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o 
território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6º desta Lei. 
§ 1º Este dispositivo, para entrar em vigor, dependerá de aprovação 
mediante referendo popular, a ser realizado em outubro de 2005. 
§ 2º Em caso de aprovação do referendo popular, o disposto neste artigo 
entrará em vigor na data de publicação de seu resultado pelo Tribunal 
Superior Eleitoral. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ/AL - FCC - 2019): O referendo é convocado com anterioridade a ato 
legislativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou 
rejeição. Errado!! Posteriormente. 
Salienta-se que no referendo haverá a autorização, também através de Decreto Legislativo, 
pelo Congresso Nacional. 
CF Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: 
XV - autorizar referendo e convocar plebiscito; 
 
O referendo pode ser convocado no prazo de 30 dias, a contar da promulgação de lei ou 
adoção de medida administrativa, que se relacione de maneira direta com a consulta popular. 
Art. 11. O referendo pode ser convocado no prazo de trinta dias, a contar 
da promulgação de lei ou a adoção de medida administrativa, que se 
relacione de maneira direta com a consulta popular. 
 
Assim que a Lei ou o ato administrativo for publicado, o Congresso Nacional terá 30 dias 
para autorizar o referendo. 
O resultado do referendo ou do plebiscito é por maioria simples, tramitando o referendo ou 
o plebiscito de acordo com o Regimento do Congresso Nacional, nos termos do art. 12. 
Art. 10. O plebiscito ou referendo, convocado nos termos da presente Lei, 
será considerado aprovado ou rejeitado por maioria simples, de acordo com 
o resultado homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral. 
 
Art. 12. A tramitação dos projetos de plebiscito e referendo obedecerá às 
normas do Regimento Comum do Congresso Nacional. 
 
3) Iniciativa popular 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 24 
 
Trata-se do poder atribuído aos cidadãos para apresentar projetos de lei, inaugurando, com 
essa medida, procedimento legislativo que poderá culminar ou não em uma lei, conforme disposto 
no art. 13 da Lei 9.709/98 e art. 61, §2º da CF/88. 
Lei 9.709/98 Art. 13 da Lei 9.709/98. A iniciativa popular consiste na 
apresentação de projeto de lei à Câmara dos Deputados, subscrito por, 
no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos 
por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos 
eleitores de cada um deles. 
§ 1º O projeto de lei de iniciativa popular deverá circunscrever-se a um só 
assunto. 
§ 2º O projeto de lei de iniciativa popular não poderá ser rejeitado por vício 
de forma, cabendo à Câmara dos Deputados, por seu órgão competente, 
providenciar a correção de eventuais impropriedades de técnica legislativa ou 
de redação. 
 
CF- Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer 
membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do 
Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal 
Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos 
cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. 
§ 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos 
Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do 
eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não 
menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. 
 
Para não esquecer: 
 
Segundo a doutrina, não é razoável exigir um quórum tão grande para apenas um projeto 
de lei. Justamente, por isso, apenas quatro projetos de iniciativa popular se transformaram em leis, 
a exemplo da Lei 8.930/94, que modificou a Lei de Crimes Hediondos e da Lei da Ficha Limpa (LC 
135/2010), que modificou a LC 64/90. 
 
 
 
Projeto de lei deve ser apresentado à Câmara
dos Deputados e tratar de apenas um tema
Mínimo de 1% do eleitorado brasileiro
Distribuído em no mínimo 5 Estados da
Federação
Com pelo menos 0,3% dos eleitores de cada
um deles
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 25 
 
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO ELEITORAL 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
No Direito Eleitoral há alguns princípios próprios, quais sejam: 
• Princípio da Isonomia 
• Princípio da Anualidade ou da Anterioridade Eleitoral; 
• Princípio da Cautela/Legitimidade das Eleições ou Moralidade Eleitoral; 
• Princípio da Celeridade 
• Princípio da Preclusão Instantânea 
• Princípio da Devolutividade dos Recursos 
• Princípio do Aproveitamento do Voto 
• Princípio da Impersonalidade 
A seguir serão analisados, de forma detalhada, cada um deles. 
2. PRINCÍPIO DA ISONOMIA 
Parte da premissa de que todos os candidatos devem concorrer em igualdade de condições. 
De acordo com Bruno Gaspar, “quando o legislador tipificou as condutas vedadas aos 
agentes públicos e estabeleceu uma data uniforme para o início da propaganda eleitoral, visou 
preservar a igualdade entre os concorrentes”. 
3. PRINCÍPIO REPUBLICANO 
Encontra-se previsto no art. 1º da CF. O Brasil adotou a República como forma de Governo, 
caracterizada por mandatos eletivos com prazos determinados, possibilitando a alternância de 
poder, ao contrário do que ocorre na Monarquia. 
 
 
 
 
 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 26 
 
MONARQUIA REPÚBLICA 
Há vitaliciedade na atribuição do poder 
político. 
Há temporalidade na atribuição do poder 
político. 
Hereditariedade – “o rei não morre”, o poder 
político é transmitido pela sucessão causa 
morte. 
Obs.: em monarquias eletivas, a exemplo do 
Vaticano, não há hereditariedade. 
Eletividade – o poder político é legitimado pelo 
voto direto (em regra) ou indireto. 
Irresponsabilidade – “o rei não erra”, não se 
responsabiliza os atos praticados no 
desempenho de suas funções. 
Obs. : atualmente, é possível a 
responsabilidade, em casos determinados, do 
monarca. São chamadas de monarquias 
limitadas, a exemplo do Reino Unido. 
Responsabilidade – no âmbito civil 
(improbidade administrativa), penal (crime 
comum) e político-administrativa (crimes de 
responsabilidade). 
4. PRINCÍPIO DA ANUALIDADE OU ANTERIORIDADE ELEITORAL 
O Princípio da Anualidade Eleitoral encontra-se previsto no art. 16 da CF. 
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua 
publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de 
sua vigência. 
 
Significa que toda lei que alterar o processo eleitoral – aqui entra: convenção, registro dos 
candidatos, campanha eleitoral, diplomação – passará a viger imediatamente. Contudo, a produção 
de seus efeitos ocorrerá após um ano da sua entrada em vigor. 
O objetivo do referido princípio, de acordo com o entendimento majoritário, é evitar a 
desigualdade e a deformidade nas eleições. 
Imagine, por exemplo, que em 2020 uma lei altere o processo de diplomação dos candidatos. 
Tal lei entra em vigor imediatamente, mas seus efeitos só serão produzidos em 2021. Assim, a nova 
regra acerca da diplomação não irá alcançar as eleições de 2020. 
Destaca-se que, de acordo com o STF, o referido princípio também será aplicado às 
emendas constitucionais que, porventura, venham a alterar o processo eleitoral, bem como às 
mudanças de jurisprudência consolidadas do TSE, que venham afetar a justa expectativa do 
processo eleitoral. 
Diante disso, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu que a Lei Complementar (LC) 
135/2010, a chamada Lei da Ficha Limpa, não deveria ser aplicada às eleições realizadas em 2010, 
por desrespeito ao art. 16 da CF, dispositivo que trata da anterioridade da lei eleitoral. 
De outra banda, as regras que tenham caráter meramente instrumental, auxiliares do 
processo, que não venham a causar desequilíbrio nas eleições não são abrangidas, de acordo com 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 27 
 
o entendimento majoritário da jurisprudência, pelo princípio da anualidade (como exemplo podemos 
citar a Lei 10.408/02, que dispôs sobre segurança e fiscalização do voto eletrônico, sobre a qual 
não houve dúvidas sobre sua aplicação nas eleições gerais de 2002). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/MG (2018) - O princípio foi pensado pelo constituinte com o propósito de 
impedir mudanças repentinas, de última hora, no processo de escolha dos 
agentes políticos que emergem das eleições. Correto! 
 
MPE/RR (2017) - O princípio constitucional da anualidade ou da anterioridade 
da lei eleitoral não abrange resoluções do TSE que tenham caráter 
regulamentar. Correto! 
 
MPE/RR (2017) - O princípio constitucional da anualidade ou da anterioridade 
da lei eleitoral não repercute sobre decisões do TSE em casos concretos 
decididos durante o processo eleitoral e que venham a alterar a jurisprudência 
consolidada. Errado! 
5. PRINCÍPIO DA CAUTELA/LEGITIMIDADE DAS ELEIÇÕES OU MORALIDADE 
ELEITORAL 
Está previsto no art. 14, § 9º da CF, in verbis: 
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto 
direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: 
... 
§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de INELEGIBILIDADE e os 
prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a 
moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do 
candidato, e a normalidade e LEGITIMIDADE das eleições contra a influência 
do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego 
na administração direta ou indireta. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional de Revisão nº 4, de 1994) 
 
Importante destacar que o art. 14, §9º, de acordo com o entendimento do TSE, não é 
autoaplicável. Ou seja, é necessário que uma lei infraconstitucional o regulamente, por isso foi 
editada a Lei Complementar 64/90 regulamenta os casos de inelegibilidade, baseados no princípio 
da moralidade, prazos de cessação, e determina outras providências. 
Súmula 13 TSE - Não é autoaplicável o § 9º do art. 14 da Constituição, com 
a redação da Emenda Constitucional de Revisão nº 4/1994. 
6. PRINCÍPIO DA CELERIDADE 
Os processos que tramitam na Justiça Eleitoral devem ser céleres. Por isso, o Juiz eleitoral 
tem prazo para julgar certas ações, a exemplo da ação de impugnação de registro de candidatura 
(AIRC). 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 28 
 
Além disso, os juízes podem ser responsabilizados pelo descumprimento dos prazos (art. 
94, §2º da Lei 9.504/97). 
Art. 94. Os feitos eleitorais, no período entre o registro das candidaturas até 
cinco dias após a realização do segundo turno das eleições, terão prioridade 
para a participação do Ministério Público e dos Juízesde todas as Justiças e 
instâncias, ressalvados os processos de habeas corpus e mandado de 
segurança. 
§ 2º O descumprimento do disposto neste artigo constitui crime de 
responsabilidade e será objeto de anotação funcional para efeito de 
promoção na carreira. 
 
A celeridade também pode ser extraída do art. 16 da LC 64/90, que prevê que os prazos são 
peremptórios e contínuos, não se suspendendo aos sábados, domingos e feriados. 
Art. 16. Os prazos a que se referem o art. 3º e seguintes desta lei 
complementar são peremptórios e contínuos e correm em secretaria ou 
Cartório e, a partir da data do encerramento do prazo para registro de 
candidatos, não se suspendem aos sábados, domingos e feriados. 
7. PRINCÍPIO DA PRECLUSÃO INSTANTÂNEA 
Os atos da justiça eleitoral têm uma preclusão instantânea. 
8. PRINCÍPIO DA DEVOLUTIVIDADE DOS RECURSOS 
Salvo o direito penal eleitoral e algumas outras, as decisões eleitorais têm eficácia 
IMEDIATA, ou seja, os recursos somente têm efeito devolutivo. É comum requerer medida cautelar 
para dar efeito suspensivo ao recurso, ou seja, pedido cautelar de suspensão da decisão do juízo 
a quo. 
9. PRINCÍPIO DO APROVEITAMENTO DO VOTO OU DO IN DUBIO PRO VOTO 
De acordo com o Princípio do Aproveitamento do Voto, deve-se preservar ao máximo a 
vontade do eleitor, nos termos do art. 219 do Código Eleitoral. 
Art. 219. Na aplicação da lei eleitoral o juiz atenderá sempre aos fins e 
resultados a que ela se dirige, abstendo-se de pronunciar nulidades sem 
demonstração de prejuízo. 
 
Acabou ficando em segundo plano, a partir do momento em que se instalou o voto eletrônico. 
A dúvida sobre o voto deve ser apreciada pela Junta Eleitoral, aproveitando o voto do eleitor, pois 
o eleitor é considerado o cerne do direito eleitoral. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 29 
 
10. PRINCÍPIO DA IMPERSONALIDADE 
A procedência da ação de investigação judicial eleitoral (AIJE), em regra, implica a aplicação 
das sanções de cassação do registro (se prolatada a sentença antes da eleição) e da 
inelegibilidade. Entretanto, diferem, quanto aos requisitos para sua configuração, a sanção da 
cassação do registro da inelegibilidade. 
Com efeito, é entendimento sedimentado pelos aplicadores do Direito Eleitoral a 
possibilidade de aplicação da sanção de cassação do registro do candidato com base na mera 
condição de beneficiário. Em outras palavras, prescinde-se da responsabilidade subjetiva para que 
sofra a sanção de cassação do registro de candidato. É o que a doutrina de ÉMERSON GARCIA 
denomina de PRINCÍPIO DA IMPERSONALIDADE. 
 Assim, mesmo que o candidato representado não tenha praticado a conduta declarada 
como abusiva – seja na forma de abuso do poder político ou econômico ou, mesmo, no uso indevido 
dos meios de comunicação social –, o simples fato de ter sido BENEFICIADO com a conduta 
praticada por outrem faz incidir a sanção de cassação do registro do candidato, porquanto a norma 
jurídica tutela a legitimidade e normalidade das eleições, que, inegavelmente, será afetada com o 
ato abusivo propalado. 
Portanto, reconhecido o ato abusivo, com potencialidade para ofender a lisura do pleito, 
possível é a aplicação da cassação do registro de candidato. 
Raciocínio semelhante pode – e deve – ser adotado em face da procedência da ação de 
impugnação de mandato eletivo (AIME) e, do mesmo modo, no recurso contra a expedição do 
diploma (RCD). 
Com efeito, a possibilidade de manuseio da ação de impugnação de mandato eletivo em 
caso de abuso do poder econômico é reconhecida pela Constituição Federal (art. 14, §10°) e pela 
doutrina, a qual, majoritariamente, admite a incidência da inelegibilidade da alínea “d” em caso de 
procedência da ação impugnativa mencionada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 30 
 
SISTEMA ELEITORAL 
1. CONCEITO 
É o conjunto de técnicas de organização do processo eleitoral com a finalidade de atribuir o 
mandato eletivo. Envolve desde a convenção do partido até a diplomação, enfim todo o processo 
eleitoral. 
2. ESPÉCIES DE SISTEMAS ELEITORAIS 
 SISTEMA ELEITORAL MAJORITÁRIO 
Tem por finalidade apenas atribuir o mandato eletivo ao candidato ou partido que obteve a 
maioria dos votos. O sistema majoritário se desdobra em dois: 
1) Sistema Eleitoral Majoritário Simples/Relativo 
Atribui o mandato àquele candidato ou partido que obteve a maioria simples, 
independentemente do percentual. 
Exemplo: eleição para o Senado Federal. O candidato do MDB ficou com 27% dos votos; 
PT 23%, PSDB 20%, DEM 30%. O candidato do DEM será eleito. 
Somente são contabilizados os votos válidos: excluem-se os brancos e nulos (CF/1988 art. 
77, §2º). 
Art. 77. § 2º - Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado 
por partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os 
em branco e os nulos. 
 
No Brasil, este sistema é utilizado para o processo eleitoral de Senador e Prefeito de 
Municípios com até 200 mil eleitores. 
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do 
Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário. 
§ 1º - Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com 
mandato de oito anos. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PI (CESPE 2019): O sistema majoritário simples é usado para definir as 
eleições de senador da República e de prefeito de municípios com menos de 
duzentos mil eleitores. Correto! 
2) Sistema eleitoral majoritário ABSOLUTO 
É aquele que exige que o candidato ou partido tenha a maioria absoluta dos votos válidos 
(50% dos votos válidos + 01). 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 31 
 
Imagine, por exemplo, que o Município W tenha 1.000.000 de votos válidos, o Prefeito será 
eleito em primeiro turno se obtiver 500.001 votos. 
O sistema majoritário absoluto não é um sistema de dois turnos, mas pode haver dois turnos. 
No Brasil, este sistema é utilizado para Presidente e Vice, Governadores e Vices e Prefeitos 
e Vices dos Municípios com mais de 200 mil eleitores. 
Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-
se-á, simultaneamente, no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, 
e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior 
ao do término do mandato presidencial vigente. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 16, de 1997) 
§ 1º - A eleição do Presidente da República importará a do Vice-Presidente 
com ele registrado. 
§ 2º - Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por 
partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os 
em branco e os nulos. 
§ 3º - Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira 
votação, far-se-á nova eleição em até vinte dias após a proclamação do 
resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e 
considerando-se eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos. 
§ 4º - Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou 
impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, 
o de maior votação. 
§ 5º - Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer, em segundo 
lugar, mais de um candidato com a mesma votação, qualificar-se-á o mais 
idoso. 
 
Art. 29. II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro 
domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato dos que devam 
suceder, aplicadas as regras do art. 77, no caso de Municípios com MAIS 
de duzentos mil eleitores;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
16, de1997) 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PI (CESPE 2019): O sistema majoritário absoluto é utilizado nas 
eleições para deputados federais, estaduais e distritais. Errado! 
 
TJ/MT (VUNESP 2018): As eleições para Presidente da República, para 
Governadorese para Prefeitos de municípios com mais de 200 mil eleitores 
obedecerão ao sistema majoritário absoluto. 
Atenção para o §4º do art. 77 da CF. 
No informativo 787 o STF decidiu que a perda do mandato em razão de mudança de partido 
não se aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário, sob pena de violação da soberania 
popular e das escolhas feitas pelo eleitor. 
No sistema majoritário, o candidato escolhido é aquele que obteve mais votos, não 
importando o quociente eleitoral nem o quociente partidário. Nos pleitos dessa natureza, os eleitores 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 32 
 
votam no candidato e não no seu partido político. Desse modo, no sistema majoritário, a imposição 
da perda do mandato por infidelidade partidária é antagônica (contrária) à soberania popular. 
O TSE entendia que a infidelidade partidária, ou seja, a mudança de partido político após a 
diplomação acarretava a perda do mandato tanto para cargos proporcionais como majoritários. Essa 
conclusão estava expressa na Resolução 22.610/2007 do TSE (Infidelidade partidária). 
Dessa forma, o STF julga parcialmente inconstitucional a Resolução 22.610/2007 do TSE 
nos trechos em que ela fala sobre cargos majoritários. Em suma, a perda do mandato por 
infidelidade partidária não se aplica a cargos eletivos majoritários. 
Salienta-se que a EC 111/2021 reforçou o entendimento já existente de que a infidelidade 
partidária se aplica apenas ao sistema proporcional. 
Art. 17 (...) 
§ 6º Os Deputados Federais, os Deputados Estaduais, os Deputados 
Distritais e os Vereadores que se desligarem do partido pelo qual tenham sido 
eleitos perderão o mandato, salvo nos casos de anuência do partido ou de 
outras hipóteses de justa causa estabelecidas em lei, não computada, em 
qualquer caso, a migração de partido para fins de distribuição de recursos do 
fundo partidário ou de outros fundos públicos e de acesso gratuito ao rádio e 
à televisão. 
 SISTEMA ELEITORAL PROPORCIONAL 
2.2.1. Noções gerais 
O sistema proporcional tem como objetivo propiciar representação de maiorias políticas 
juntamente com diversidades ideológicas. 
Em outras palavras, seu objetivo é fazer uma proporção entre a maioria da população 
(critério quantitativo) junto com a diversidade ideológica (critério qualitativo). Utilizado por 
órgãos do colegiado. Neste sistema, é possível a ocorrência do fenômeno de um candidato do 
partido A que recebeu 200 mil votos não conseguir se eleger e um candidato do partido B (que se 
candidata para o mesmo cargo) se eleger com apenas 250 votos. 
No Brasil, é usado este sistema para Deputados Federais (Câmara dos Deputados), 
Deputados Estaduais (Assembleias Legislativas), Deputados Distritais, Deputados Territoriais e 
Vereadores Municipais. 
CF Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, 
eleitos, pelo sistema proporcional, em cada Estado, em cada Território e no 
Distrito Federal. 
§ 1º - O número total de Deputados, bem como a representação por Estado 
e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, 
proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no 
ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação 
tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados. 
 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 33 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PI (CESPE 2019): O sistema proporcional é usado no caso de pleitos 
que exijam mais da metade dos votos válidos para definição do candidato 
vencedor. Errado! 
 
MPE/PI (CESPE 2019): O sistema proporcional é adotado nas eleições do 
chefe do poder executivo municipal. Errado! 
 
TJ/SC (FCC 2017): Nos termos da Constituição Federal, a Câmara dos 
Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema 
proporcional. Tal sistema eleitoral determina, segundo o Código Eleitoral, a 
eleição dos candidatos que tenham obtido votos em número igual ou superior 
a 10% (dez por cento) do quociente eleitoral, tantos quantos o respectivo 
quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha 
recebido. 
No sistema proporcional permite-se o voto para o candidato e o voto no partido (voto de 
legenda). Sendo para legenda, pode ser LISTA ABERTA (lista não é prefixada), LISTA FECHADA 
(o partido já coloca o nome dos seus filiados – privilegia a política intrapartidária) ou LISTA 
FLEXÍVEL (o partido faz uma lista, mas a ordem pode ser alterada de acordo com os votos 
atribuídos a cada candidato). 
No Brasil, o sistema proporcional é o de LISTA ABERTA. O partido faz a lista só que não é 
uma lista em que existe uma ordem de candidatos, ele simplesmente lança a lista com o nome 
dos parlamentares, sem ordem, vão ser eleitos aqueles que tiverem o maior número de votos. 
O sistema em vigor no Brasil oferece duas opções aos eleitores: votar em um nome ou em 
um partido. As cadeiras obtidas pelos partidos (ou coligações entre partidos) são ocupadas pelos 
candidatos mais votados de cada lista. É importante sublinhar que as coligações entre os partidos 
funcionam como uma única lista; ou seja, os mais votados da coligação, independentemente do 
partido ao qual pertençam, elegem-se. 
Diferentemente de outros países (Chile, Finlândia e Polônia) em que os eleitores têm que 
obrigatoriamente votar em um nome da lista para ter o seu voto contado para o partido, no Brasil os 
eleitores têm a opção de votar em um nome ou em um partido (legenda). O voto de legenda é 
contado apenas para distribuir as cadeiras entre os partidos, mas não tem nenhum efeito na 
distribuição das cadeiras entre os candidatos. 
1) Cálculos do Sistema Proporcional 
O número de cadeiras por Estado é distribuído conforme o número de habitantes por Estado, 
de acordo com a medição oficial feita pelo IBGE, através do CENSO. Entretanto, essa 
proporcionalidade é limitada a um mínimo de oito deputados e a um máximo de setenta deputados 
por estado. 
Essa semiproporcionalidade faz com que Roraima seja representado por um deputado para 
cada 51 mil habitantes e, no outro extremo, São Paulo, seja representado por um deputado para 
cada 585 mil habitantes. 
LC 78/93 Art. 1º Proporcional à população dos Estados e do Distrito Federal, 
o número de deputados federais não ultrapassará quinhentos e treze 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 34 
 
representantes, fornecida, pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística, no ano anterior às eleições, a atualização estatística demográfica 
das unidades da Federação. 
Parágrafo único. Feitos os cálculos da representação dos Estados e do 
Distrito Federal, o Tribunal Superior Eleitoral fornecerá aos Tribunais 
Regionais Eleitorais e aos partidos políticos o número de vagas a serem 
disputadas. 
 
Art. 2º Nenhum dos Estados membros da Federação terá menos de oito 
deputados federais. 
Parágrafo único. Cada Território Federal será representado por quatro 
deputados federais. 
 
Art. 3º O Estado mais populoso será representado por setenta deputados 
federais. 
 
Importante consignar que, para que um candidato seja eleito, o partido deve obter um 
número mínimo de votos, chamado de quociente eleitoral. 
Art. 106. Determina-se o quociente eleitoral dividindo-se o número de votos 
válidos apurados pelo de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral, 
desprezada a fração se igual ou inferior a meio, equivalente a um, se superior. 
 
Exemplo: Representação do Estado de Y (Câmara dos Deputados – Congresso Nacional): 
a) Eleitorado = 15.000.000 
b) Nº de vagas = 53 
c) Votos brancos = 1.500.000 (10%) 
d) Votos nulos = 2.250.000 (15%) 
e) Abstenção = 750.000 (5%) 
f) Votantes = 15.000.000 – 750.000 = 14.250.00 
g) Votos válidos = 14.250.000 – 3.750.000 (votos nulos + brancos) = 10.500.000 
1. Quociente eleitoral = define ospartidos e/ou coligações que têm direito a ocupar as 
vagas em disputa nas eleições proporcionais, quais sejam: eleições para deputado federal, 
deputado estadual e vereador. No exemplo — para a Câmara dos Deputados (Congresso Nacional). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PI (CESPE 2019): O quociente eleitoral é aplicado na escolha de 
candidatos tanto no sistema majoritário quanto no proporcional. Errado! 
 
TJ/RJ (VUNESP 2016): O quociente eleitoral é instrumento do sistema 
proporcional, sendo determinado dividindo-se o número de votos válidos 
apurados pelo de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral, 
desprezada a fração se igual ou inferior a meio, equivalente a um, se superior. 
Correto! 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 35 
 
QE = votos válidos / nº de vagas  10.500.000 / 53 = 198.113,20 (despreza-se a fração 
igual ou inferior a ½. Se for superior a ½, arredonda para cima). Logo, o QE = 198.113. 
CE Art. 106. Determina-se o quociente ELEITORAL dividindo-se o número 
de votos válidos apurados pelo de lugares a preencher em cada 
circunscrição eleitoral, desprezada a fração se igual ou inferior a meio, 
equivalente a um, se superior. 
 
2. Votos obtidos por partido/coligações 
Partido A = 3.000.000 
Partido B = 2.000.000 
Partido C = 1.500.000 
Coligação “Viva Brasil” = 2.250.000 
Coligação “Ordem e Progresso” = 1.750.000 
3. Quociente partidário = define o número inicial de vagas que caberá a cada partido ou 
coligação que tenham alcançado o quociente eleitoral. 
QP = voto (partido/coligação) / QE 
Partido A = 3.000.000 / 198.113 = 15,14 (despreza-se fração) = 15 cadeiras 
Partido B = 2.000.000 / 198.113 = 10 cadeiras 
Partido C = 1.500.000 / 198.113 = 7 cadeiras 
Coligação “Viva Brasil” = 2.250.000 / 198.113 = 11 cadeiras 
Coligação “Ordem e Progresso” = 1.750.000 / 198.113 = 8 cadeiras 
CE Art. 107 Determina-se para cada partido o quociente partidário dividindo-
se pelo quociente eleitoral o número de votos válidos dados sob a mesma 
legenda, desprezada a fração. (Redação dada pela Lei nº14.211, de 2021) 
 
TOTAL PARCIAL = 51 cadeiras (ficaram sobrando 2 cadeiras - No Estado Y são 53 cadeiras 
disponíveis no total). 
Como o tema foi cobrado em prova? 
TJ/MG (2022) Para efeito de apuração das eleições no sistema proporcional, 
o Código Eleitoral dispõe que a determinação do quociente partidário, para 
cada partido, resulta da divisão do número de votos válidos dados sob a 
mesma legenda, pelo número de partidos ou coligações concorrentes, 
desprezada a fração. Errada! 
 
Obs.: A partir das eleições de 2020, não mais se admite coligações. 
Diante disso, a Lei 14.211/2021 retirou do art. 107 do CE a expressão 
“coligações”. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 36 
 
Caso nenhum dos partidos alcance o quociente eleitoral, as cadeiras serão preenchidas com 
os mais votados. 
CE Art. 111. Se nenhum partido alcançar o quociente eleitoral, considerar-
se-ão eleitos, até serem preenchidos todos os lugares, os candidatos mais 
votados. 
 
4. Verificar o mais votado 
Verifica-se quantas vagas cada partido obteve (quociente partidário) e depois examina-se 
os mais votados naquele partido, sendo estes os eleitos. 
Ex.: o quociente partidário do Partido X foi 4; significa que ele terá 4 vagas no parlamento; 
os 4 candidatos daquele Partido mais bem votados serão considerados eleitos. 
Vale ressaltar, no entanto, que, para ser eleito, o candidato deverá ter recebido votos em 
número igual ou superior a 10% do quociente eleitoral. 
Art. 108. Estarão eleitos, entre os candidatos registrados por um partido que 
tenham obtido votos em número igual ou superior a 10% (dez por cento) do 
quociente eleitoral, tantos quantos o respectivo quociente partidário indicar, 
na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido. 
 
Assim, só será eleito o candidato que obtiver votos em número igual ou superior a 10% do 
quociente eleitoral. 
A pessoa que está sendo eleita pelo partido tem que ter o mínimo de representatividade 
popular e, por isso, se estabeleceu esses 10%. 
Os lugares não preenchidos em razão da exigência da votação nominal mínima serão 
distribuídos de acordo com as regras do art. 109. 
Vale ressaltar que esse limite de 10% foi inserido pela Lei nº 13.165/2015, julgada 
constitucional pelo STF (ADI 5920/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 4/3/2020). 
Antes dessa alteração, se um candidato tivesse muitos votos (ex: Deputado Federal Tiririca), 
o quociente eleitoral do partido seria alto e, com isso, um candidato desse partido poderia ser eleito 
mesmo tendo uma ínfima quantidade de votos. 
O candidato conhecido seria um “puxador de votos”. Esse candidato conhecido 
conseguiria “eleger” outros bem menos votados. A Lei nº 13.165/2015 tentou colocar um limite para 
isso, prevendo que esse candidato menos votado deverá ter um mínimo de votos (número igual ou 
superior a 10% do quociente eleitoral) para que ele “mereça” ser eleito. 
5. Distribuição das sobras/restos 
Art. 109. Os lugares não preenchidos com a aplicação dos quocientes 
partidários e em razão da exigência de votação nominal mínima a que se 
refere o art. 108 serão distribuídos de acordo com as seguintes regras: 
I - dividir-se-á o número de votos válidos atribuídos a cada partido pelo 
número de lugares por ele obtido mais 1 (um), cabendo ao partido que 
apresentar a maior média um dos lugares a preencher, desde que tenha 
candidato que atenda à exigência de votação nominal mínima; 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 37 
 
II - repetir-se-á a operação para cada um dos lugares a preencher; 
III - quando não houver mais partidos ou coligações com candidatos que III - 
quando não houver mais partidos com candidatos que atendam às duas 
exigências do inciso I deste caput, as cadeiras serão distribuídas aos partidos 
que apresentarem as maiores médias. 
§ 1º O preenchimento dos lugares com que cada partido for contemplado far-
se-á segundo a ordem de votação recebida por seus candidatos. 
§ 2º Poderão concorrer à distribuição dos lugares todos os partidos que 
participaram do pleito, desde que tenham obtido pelo menos 80% (oitenta por 
cento) do quociente eleitoral, e os candidatos que tenham obtido votos em 
número igual ou superior a 20% (vinte por cento) desse quociente. 
 
O art. 109 do CE deve ser dividido em três momentos: 
CÓDIGO ELEITORAL 
Redação dada pela 
Lei nº 7.454/85 
Redação dada pela 
Lei nº 13.165/2015 
Redação dada pela 
Lei nº 14.211/2021 
Art. 109. Os lugares não 
preenchidos com a aplicação 
dos quocientes partidários 
serão distribuídos mediante 
observância das seguintes 
regras: 
 
Art. 109. Os lugares não 
preenchidos com a aplicação 
dos quocientes partidários e em 
razão da exigência de votação 
nominal mínima a que se refere 
o art. 108 serão distribuídos de 
acordo com as seguintes 
regras: 
Art. 109. Os lugares não 
preenchidos com a aplicação 
dos quocientes partidários e 
em razão da exigência de 
votação nominal mínima a que 
se refere o art. 108 serão 
distribuídos de acordo com as 
seguintes regras: 
I - dividir-se-á o número de 
votos válidos atribuídos a 
cada Partido ou coligação de 
Partidos pelo número de 
lugares por ele obtido, mais 
um, cabendo ao Partido ou 
coligação que apresentar a 
maior média um dos lugares 
a preencher; 
I - dividir-se-á o número de 
votos válidos atribuídos a cada 
partido ou coligação 
pelo número de lugares 
definido para o partido pelo 
cálculo do quociente 
partidário do art. 107, mais um, 
cabendo ao partido ou 
coligação que apresentar a 
maior média um dos lugares a 
preencher, desde que tenha 
candidato que atenda à 
exigência de votação nominal 
mínima; 
I - dividir-se-á o número de 
votos válidos atribuídos a cada 
partido pelo número de lugares 
por eleobtido mais 1 (um), 
cabendo ao partido que 
apresentar a maior média um 
dos lugares a 
preencher, desde que tenha 
candidato que atenda à 
exigência de votação nominal 
mínima; 
 
Qual foi o “problema” dessa alteração promovida pela Lei nº 13.165/2015? Ela foi declarada 
inconstitucional pelo STF. 
O STF julgou parcialmente procedente o pedido para declarar a inconstitucionalidade da 
expressão “número de lugares definido para o partido pelo cálculo do quociente partidário do art. 
107”, prevista no inciso I do art. 109 do Código Eleitoral, com redação dada pela Lei nº 13.165/2015. 
Ao declarar essa expressão inconstitucional, o STF determinou que fosse adotado o critério de 
cálculo anterior, ou seja, o que vigorava antes da Lei nº 13.165/2015. Para a Corte, a alteração 
realizada na redação do inciso I do art. 109 do Código Eleitoral acabou por acarretar consequência 
que praticamente desnatura o sistema proporcional no cálculo das sobras eleitorais. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 38 
 
Na lei anterior, o cálculo utilizado para obtenção da “maior média” entre os partidos (que é o 
critério utilizado para distribuição das sobras eleitorais), tinha por denominador o “número de lugares 
por ele [partido ou coligação] obtido, mais um”. Desse modo, a regra previa que cada vaga 
remanescente distribuída a um partido era, em seguida, levada em consideração no cálculo da 
distribuição das próximas vagas. Portanto, se um partido recebeu a primeira vaga, isso entrava no 
cálculo da segunda, diminuindo as suas chances de obtê-la e aumentando as chances de outros 
partidos recebê-la. 
Pela sistemática da Lei nº 13.165/2015, apenas o “quociente partidário, mais um” (que é um 
dado fixo) é que deverá ser utilizado para os seguidos cálculos de atribuição das vagas 
remanescentes, desprezando-se a aquisição de vagas nas operações anteriores. 
Logo, o partido político ou coligação que primeiro obtiver a maior média e, 
consequentemente, obtiver a primeira vaga remanescente, acabará por obter todas as vagas 
seguintes, enquanto possuir candidato que atenda à exigência de votação nominal mínima (pelo 
menos 10% do quociente eleitoral). Ou seja, haverá uma tendência à concentração, em uma única 
sigla ou coligação, de todos os lugares não preenchidos com a aplicação dos quocientes partidários 
e em razão da exigência de votação nominal mínima. Evidencia-se, pois, em tal regramento, a 
desconsideração da distribuição eleitoral de cadeiras baseada na proporcionalidade (art. 45 da 
CF/88), que é intrínseca ao sistema proporcional, em que as vagas são distribuídas aos partidos 
políticos de forma a refletir o pluralismo político-ideológico presente na sociedade, materializado no 
voto. 
A regra da Lei nº 13.165/2015, portanto, atribui unicamente a um mesmo 
partido político todas as vagas remanescentes, viola, ainda, a distribuição de 
cadeiras legislativas às legendas representativas de ideais minoritárias no 
seio social. STF. Plenário. ADI 5420/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 
4/3/2020 (Info 968). 
 
Desse modo, a Lei nº 14.211/2021 faz com que a redação do inciso I do art. 109 do CE 
praticamente volte a ser aquela anterior à Lei nº 13.165/2015, retirando o trecho declarado 
inconstitucional pelo STF. 
Sobra = votos do partido ou coligação / nº de lugares + 1 
Partido A = 3.000.000 / 15 + 1 (16) = 187.500 
Partido B = 2.000.000 / 10 + 1 (11) = 181.818 
Partido C = 1.500.000 / 7 + 1 (8) = 187.500 
Partido D = 2.250.000 / 11 + 1 (12) = 187.500 
Partido E = 1.750.000 / 8 + 1 (9) = 197.444 (ganhará a vaga, desde que tenha a votação 
nominal mínima) 
RESULTADO PARCIAL (2) 
Partido A = 15 cadeiras 
Partido B = 10 cadeiras 
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. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 39 
 
Partido C = 7 cadeiras 
Partido D = 11 cadeiras 
Partido E = 8 cadeiras + 1 = 9 cadeiras. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/SC (FCC 2017): Nos termos da Constituição Federal, a Câmara dos 
Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema 
proporcional. Tal sistema eleitoral determina, segundo o Código Eleitoral, a 
eleição dos candidatos que tenham obtido votos em número igual ou superior 
a 10% (dez por cento) do quociente eleitoral, tantos quantos o respectivo 
quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha 
recebido. Correto!! 
6. Nova distribuição das sobras/restos 
Sobra = votos do partido/coligação / (nº de lugares do cálculo de sobra anterior) + 1 
Partido A = 3.000.000 / 16 + 1 (17) = 176.470 (ganhará a vaga) 
Partido B = 2.000.000 / 11 + 1 (12) = 166.666 
Partido C = 1.500.000 / 8 + 1 (9) = 166.666 
Partido D= 2.250.000 / 12 + 1 (13) = 173.076 
Partido E = 1.750.000 / 9 + 1 (10) = 175.000. 
6. Resultado final 
Partido A = 16 cadeiras (15 + 1) 
Partido B = 10 cadeiras 
Partido C = 7 cadeiras 
Partido D = 11 cadeiras 
Partido E = 9 cadeiras (8 + 1). 
TOTAL PARCIAL = 53 cadeiras 
Obs.: Salienta-se que havendo empate nas médias de dois ou mais 
partidos, a vaga será atribuída àquele com maior votação. Ocorrendo 
empate na média e no número de votos dados aos partidos políticos, 
prevalece, para desempate, o número de votos nominais recebidos 
pelo candidato que disputa a vaga, nos termos do art. 10, §§2º e 3º da 
Resolução 23.611/2019). Embora seja uma Resolução temporária 
(para eleições de 2020), o TSE vem repetindo o regramento. 
Art. 10. As vagas não preenchidas com a aplicação do quociente partidário e 
a exigência de votação nominal mínima, a que se refere o art. 7° desta 
Resolução, serão distribuídas entre todos os partidos políticos que participam 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 40 
 
do pleito, independentemente de terem ou não atingido o quociente eleitoral, 
mediante observância do cálculo de médias 
§ 2º No caso de empate de médias entre dois ou mais partidos políticos, 
considera-se aquele com maior votação 
§ 3º Ocorrendo empate na média e no número de votos dados aos partidos 
políticos, prevalece, para o desempate, o número de votos nominais 
recebidos pelo candidato que disputa a vaga. 
 
A Lei nº 14.211/2021 também alterou o § 2º do art. 109 do CE. Para entender a mudança, 
temos que voltar ao tema acima no qual estávamos tratando sobre a sobra de vagas no cálculo das 
eleições proporcionais. 
Como já mencionado anteriormente, as vagas não preenchidas com a aplicação dos 
quocientes partidários ou em razão da exigência de votação nominal mínima a que se refere o art. 
108, do Código Eleitoral, devem ser distribuídas segundo as regras do art. 109. 
 Indaga-se: quais partidos poderão participar desta distribuição das cadeiras 
remanescentes? Todos os partidos políticos que disputaram as eleições podem ser beneficiados 
com essa sobra eleitoral do art. 109 do CE? A resposta está justamente no §2º do art. 109 do CE, 
que foi sucessivamente alterado, sendo agora novamente modificado pela Lei nº 14.211/2021: 
CÓDIGO ELEITORAL 
Todos os partidos políticos que disputaram as eleições podem ser beneficiados 
com a sobra eleitoral de que trata o art. 109 do CE? 
Antes da Lei nº 13.488/2017: 
NÃO 
Depois da Lei nº 
13.488/2017: SIM 
Depois da Lei nº 
14.211/2021: 
NÃO 
Art. 109 (...) 
§ 2º Somente poderão 
concorrer à distribuição dos 
lugares os partidos ou as 
coligações que tiverem 
obtido quociente eleitoral. 
Art. 109 (...) 
§ 2º Poderão concorrer à 
distribuição dos lugares todos 
os partidos e coligações que 
participaram do pleito. 
Art. 109 (...) 
§ 2º Poderão concorrer à 
distribuição dos lugares todos 
os partidos que participaram 
do pleito, desde que tenham 
obtido pelo menos 80% 
(oitenta por cento) do 
quociente eleitoral, e os 
candidatos que tenham 
obtido votos em número igual 
ou superior a 20% (vinte por 
cento) desse quociente. 
2.2.2. Sistema eleitoral proporcional e infidelidade partidária 
O mandato parlamentar conquistadono sistema eleitoral proporcional pertence ao partido 
político. Assim, se o parlamentar eleito decidir mudar de partido político, ele sofrerá um processo 
na Justiça Eleitoral que poderá resultar na perda do seu mandato. Neste processo, com contraditório 
e ampla defesa, será analisado se havia justa causa para essa mudança. 
 SISTEMA ELEITORAL MISTO 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 41 
 
É aquele que pega um pouco do majoritário e do proporcional. É o sistema tipicamente 
adotado na Alemanha e no México. 
Trata-se de um sistema que reduz o espaço de disputa entre os concorrentes, torna a 
campanha mais barata e coloca o eleitor mais próximo de seus representantes. 
Há duas votações: 
2.3.1. Voto distrital (o país é dividido em distritos) 
Cada partido só pode lançar um nome para cada distrito. O candidato mais votado do distrito 
é eleito pelo sistema majoritário. 
2.3.2. Voto geral 
Eleição pelo sistema proporcional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 42 
 
INSTITUIÇÕES DO DIREITO ELEITORAL 
1. PODER JUDICIÁRIO ELEITORAL: PODER JUDICIÁRIO ESPECIALIZADO EM DIREITO 
ELEITORAL 
Inicialmente, salienta-se que a Justiça Eleitoral é uma justiça especial federal, não possui 
um corpo de magistrados próprios, permanentes. 
A organização da justiça eleitoral está em parte na CF/1988 e em parte na legislação 
infraconstitucional (principalmente no CE). 
Art. 118. São órgãos da Justiça Eleitoral: 
I - o Tribunal Superior Eleitoral; 
II - os Tribunais Regionais Eleitorais; 
III - os Juízes Eleitorais; 
IV - as Juntas Eleitorais. 
 
De acordo com o art. 121 da CF, compete à lei complementar disciplinar sobre a organização 
dos tribunais, dos juízes e das juntas eleitorais. Essa Lei Complementar é o Código Eleitoral que, 
conforme já mencionado, embora seja uma lei ordinária, nas matérias referidas no art. 121 da CF, 
foi recepcionado como Lei Complementar. 
Art. 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos 
tribunais, dos juízes de direito e das juntas eleitorais. 
 
Além disso, a investidura dos membros da Justiça Eleitoral será sempre temporária, servirão 
por dois anos. Não possuem vitaliciedade. 
CF Art. 121, § 2º - Os juízes dos tribunais eleitorais, salvo motivo justificado, 
servirão por dois anos, no mínimo, e nunca por mais de dois biênios 
consecutivos, sendo os substitutos escolhidos na mesma ocasião e pelo 
mesmo processo, em número igual para cada categoria. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/MT (2019): Os juízes dos Tribunais Eleitorais servirão sempre por dois 
anos, obrigatoriamente, podendo ser reconduzidos por mais dois biênios 
consecutivos. Errado! 
 
TJ/PR (2019): A legislação garante vitaliciedade e inamovibilidade aos juízes 
dos tribunais eleitorais. Errado! Não são dotados de vitaliciedade, é 
temporária. 
2. ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA ELEITORAL 
 TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE) 
O TSE é considerado o órgão de cúpula da Justiça Eleitoral. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 43 
 
 
O STF está acima do TSE, mas não é considerado órgão da Justiça Eleitoral, muito embora 
tenha decisões e aprecie matéria eleitoral. 
Sua organização está prevista no art. 119 da CF, in verbis: 
Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de sete 
membros, escolhidos: 
I - mediante eleição, pelo voto secreto: 
a) três juízes dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal; 
b) dois juízes dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça; 
II - por nomeação do Presidente da República, dois juízes dentre seis 
advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo 
Supremo Tribunal Federal. 
Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral elegerá seu Presidente e o 
Vice-Presidente dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal, e o 
Corregedor Eleitoral dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça. 
 
Perceba que o STF possui poder direto na organização do TSE. 
2.1.1. Membros 
É formado por sete membros. 
Cinco membros são eleitos (três do STF e dois do STJ) e dois membros nomeados 
(advogados). 
Vejamos: 
a) Três membros eleitos dentre os Ministros do STF (é o próprio STF quem elege), um será, 
obrigatoriamente, o presidente e um o vice-presidente. 
Haverá a escolha de três suplentes. Assim, três ministros do STF participam diretamente e 
três são suplentes. 
b) Dois membros dentre os Ministros do STJ (é o próprio STJ quem elege), um será o 
corregedor-geral eleitoral. 
c) Dois advogados, com no mínimo 10 anos de atividade na carreira. São feitas duas listas 
com três nomes (totalizando seis), pelo STF (a OAB não participa). A lista é encaminhada 
ao Presidente da República que irá escolher dois para serem nomeados. 
Em relação aos advogados, não são impedidos de advogar, salvo em matéria de direito 
eleitoral. Não possuem remuneração de juiz, recebem por sessão. 
Não se aplica o quinto constitucional ao TSE. 
TSE
TRE
Juiz eleitoral e junta eleitoral
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 44 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/AL (2019) O Tribunal Superior Eleitoral é composto, entre outros, por dois 
Juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, 
indicados pelo Senado Federal. Errado! Indicação pelo STF e não pelo 
Senado. 
 
TJ/PR (2019): A composição do TSE é diferenciada, com previsão de 
integrantes provenientes da magistratura, da advocacia e do Ministério 
Público. Errado! Não há membro do MP. 
2.1.2. Impedimentos 
Não poderão fazer parte do TSE cônjuges e parentes de até 4º (quarto) grau. 
CE Art. 16, § 1º - Não podem fazer parte do Tribunal Superior Eleitoral 
cidadãos que tenham entre si parentesco, ainda que por afinidade, até o 
quarto grau, seja o vínculo legítimo ou ilegítimo, excluindo-se neste caso o 
que tiver sido escolhido por último. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/PR (2019): É vedada a nomeação, para o TSE, de cidadãos que tenham 
entre si parentesco, ainda que por afinidade, até o quarto grau. 
Os advogados que detém cargo em comissão, ou que são donos ou sócios de empresas 
que gozam de favores estatais ou que exercem cargo eletivo. 
CE – Art. 16, § 2º - A nomeação de que trata o inciso II deste artigo não 
poderá recair em cidadão que ocupe cargo público de que seja demissível ad 
nutum; que seja diretor, proprietário ou sócio de empresa beneficiada com 
subvenção, privilegio, isenção ou favor em virtude de contrato com a 
administração pública; ou que exerça mandato de caráter político, federal, 
estadual ou municipal. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/PR (2019): É vedada a nomeação, para o TSE, de cidadão que ocupe 
cargo público de que seja demissível ad nutum ou de diretor, proprietário ou 
sócio de empresa. Errado! Não é qualquer empresa, mas sim empresa 
beneficiada com subvenção, privilégio, isenção ou favor em virtude de 
contrato com a Administração Pública. Além disso, a vedação é apenas para 
os advogados e não para os demais membros. 
 
Obs.: os membros do TSE, que sejam ministros do STF, não estarão 
impedidos de participarem do julgamento da questão constitucional no 
STF. Nesse sentido, a Súmula 72 do STF. 
Súmula 72 STF: No julgamento de questão constitucional, vinculada a 
decisão do TSE, não estão impedidos os ministros do STF que ali tenham 
funcionado no mesmo processo, ou no processo originário. 
 
 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 45 
 
2.1.3. Afastamentos 
O membro do TSE deverá afastar-se, desde a escolha em convenção partidária até a 
diplomação, caso o cônjuge ou parente até o segundo grau, esteja se candidatando a cargo eletivo 
na circunscrição eleitoral. 
2.1.4. Julgamento 
Em regra, a sessão de julgamentoinicia-se com a presença da maioria dos membros do 
TSE. 
Contudo, em quatro situações, há a necessidade da presença de todos os membros, mas o 
voto continua sendo por maioria, são elas: 
a) Discussão acerca da legislação eleitoral, frente à CF; 
b) Cassação de registro de partido político; 
c) Anulação das eleições gerais 
d) Perda de diplomas 
CE - Art. 19. O Tribunal Superior delibera por maioria de votos, em sessão 
pública, com a presença da maioria de seus membros. 
Parágrafo único. As decisões do Tribunal Superior, assim na interpretação do 
Código Eleitoral em face da Constituição e cassação de registro de partidos 
políticos, como sobre quaisquer recursos que importem anulação geral de 
eleições ou perda de diplomas, só poderão ser tomadas com a presença de 
todos os seus membros. Se ocorrer impedimento de algum juiz, será 
convocado o substituto ou o respectivo suplente. 
 
ATENÇÃO!! Ainda que se enquadre nas hipóteses acima, há possibilidade de julgamento 
com o quórum incompleto, tratando-se de suspeição ou impedimento de ministro titular da classe 
de advogado e impossibilidade jurídica de convocação de juiz substituto (jurisprudência do TSE). 
Como o tema foi cobrado em prova? 
MPE/AP (2021) De acordo com a legislação eleitoral e o entendimento do 
TSE, as decisões desse tribunal sobre quaisquer recursos que acarretarem a 
perda de diplomas somente poderão ser tomadas com a presença de todos 
os seus membros, inclusive em embargos de declaração de deliberação que 
tenha importado perda de diploma. Correta! 
 TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL (TRE) 
Haverá um Tribunal Regional Eleitoral em cada Estado e um no Distrito Federal. Assim, não 
se pode ter Estado sem TRE e nem Estado com mais de um TRE, nos termos do art. 120 da CF. 
CF Art. 120. Haverá um Tribunal Regional Eleitoral na Capital de cada Estado 
e no Distrito Federal. 
§ 1º - Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-se-ão: 
I - mediante eleição, pelo voto secreto: 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 46 
 
a) de dois juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça; (02) 
b) de dois juízes, dentre juízes de direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça; 
(02) 
II - de um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do Estado 
ou no Distrito Federal, ou, não havendo, de juiz federal, escolhido, em 
qualquer caso, pelo Tribunal Regional Federal respectivo; (01) 
III - por nomeação, pelo Presidente da República, de dois juízes dentre seis 
advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo 
Tribunal de Justiça. (02 = 05 no total) 
§ 2º - O Tribunal Regional Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-
Presidente- dentre os desembargadores. 
2.2.1. Composição 
De acordo com o CE, o TRE não pode ter menos do que sete e mais do que nove membros. 
Contudo, parte da doutrina entende que esta previsão não foi recepcionada, sendo que o número 
de sete não pode ser ampliado. 
Atualmente, todos os TRE’s possuem sete membros, sendo: 
- 02 Juízes, dentre desembargadores do TJ. 
- 02 Juízes, dentre juízes de Direito escolhidos pelo TJ. 
Obs.: normalmente, o TJ escolhe pela experiência dos juízes. Esses 
juízes podem até ficar licenciados de suas funções comuns durante o 
período eleitoral. 
- 01 Desembargador Federal designado pelo TRF ou 01 Juiz Federal designado pelo TRF 
(se não for sede de TRF). 
- 02 Advogados nomeados pelo Presidente República, indicados pelo TJ. O TJ faz duas 
listas com 03 nomes que são encaminhadas ao TRE e este encaminha ao TSE que aprova as listas 
e encaminha ao Presidente da República. 
Atenção! A escolha dos advogados segue o seguinte procedimento: 
 
 
1º O TJ faz duas listas tríplices; 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 47 
 
2º Encaminha-se a lista ao TSE, vedada a participação de magistrados aposentados e de 
membros do MP aposentados; 
3º Publicação da lista pelo TSE; 
4º O MPE (pois se trata de matéria de ordem pública) ou partidos políticos podem impugnar 
a lista publicada; 
Obs.: O TSE entende que a interpretação teleológica do Código 
Eleitoral conduz à legitimidade abrangente para a impugnação à lista 
tríplice, incluindo aí o cidadão, o Ministério Público, os parlamentares 
ou os integrantes do executivo. 
5º Decisão do TSE 
 6º Encaminha-se ao Presidente da República para nomeação. 
Dos 07 membros do TRE, a Justiça Estadual tem o poder de escolher 06 membros e 01 só 
é escolhido pela Justiça Federal. 
Obs.: não há representante do MP. 
No TRE, o Presidente será um dos desembargadores e o outro será o vice-presidente. O 
Corregedor Regional Eleitoral depende do regimento interno de cada TRE: pode ser o vice-
presidente ou ser escolhido de forma livre dentre os 06 membros ou o Juiz federal ou 
desembargador federal. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/AL (2019): Sobre os órgãos da Justiça Eleitoral, é correto afirmar os 
tribunais regionais federais elegerão seu Presidente e Vice-Presidente dentre 
os Juízes que os compõem. Errado! TRF não faz parte da Justiça Eleitoral, 
além disso a escolha é entre os desembargadores. 
2.2.2. Julgamento 
Em regra, o julgamento será feito por maioria de votos, a maioria dos membros deve estar 
presente. 
Há três exceções, em que será necessária a presença de todos os membros, embora o 
julgamento continue sendo feito pela maioria de votos, são elas: 
a) Cassação de registro de candidatos 
b) Anulação geral de eleições 
c) Perda de diplomas 
CE Art. 28. Os Tribunais Regionais deliberam por maioria de votos, em 
sessão pública, com a presença da maioria de seus membros. 
§ 1º No caso de impedimento e não existindo quórum, será o membro do 
Tribunal substituído por outro da mesma categoria, designado na forma 
prevista na Constituição. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 48 
 
§ 2º Perante o Tribunal Regional, e com recurso voluntário para o Tribunal 
Superior qualquer interessado poderá arguir a suspeição dos seus membros, 
do Procurador Regional, ou de funcionários da sua Secretaria, assim como 
dos juízes e escrivães eleitorais, nos casos previstos na lei processual civil e 
por motivo de parcialidade partidária, mediante o processo previsto em 
regimento. 
§ 3º No caso previsto no parágrafo anterior será observado o disposto no 
parágrafo único do art. 20. 
§ 4º As decisões dos Tribunais Regionais sobre quaisquer ações que 
importem cassação de registro, anulação geral de eleições ou perda de 
diplomas somente poderão ser tomadas com a presença de todos os seus 
membros. 
§ 5º No caso do § 4o, se ocorrer impedimento de algum juiz, será convocado 
o suplente da mesma classe. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/MT (2019): Os Tribunais Regionais deliberam por maioria de votos, em 
sessão pública, com a presença da maioria de seus membros em quaisquer 
ações, inclusive nas que importem cassação de registro, anulação geral de 
eleições ou perda de diplomas. Errado! Exige-se todos os membros. 
 JUIZ ELEITORAL (JE) 
A organização dos juízes e das juntas eleitorais está na legislação infraconstitucional. 
CE Art. 32. Cabe a jurisdição de cada uma das zonas eleitorais a um juiz de 
direito em efetivo exercício e, na falta deste, ao seu substituto legal que 
goze das prerrogativas do Art. 95 da Constituição. 
Parágrafo único. Onde houver mais de uma vara o Tribunal Regional 
designara aquela ou aquelas, a que incumbe o serviço eleitoral. 
 
É um Juiz de direito membro da magistratura estadual que acumula função eleitoral. É 
designado pelo TRE para exercer a função eleitoral, por 02 anos e que poderá ser reconduzido por 
mais 02 anos. Se for Juiz de comarca de vara única que também seja zona eleitoral, enquanto for 
Juiz da comarca de vara única também será Juiz eleitoral, cumulando sua função com a de Juiz 
eleitoral. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/MG (2022) Ojuiz eleitoral é nomeado entre juízes de direito (justiça 
estadual), em sistema de rodízio (nas zonas eleitorais onde haja mais de um 
juiz), por um biênio. O promotor de justiça eleitoral é nomeado entre 
promotores de justiça (Ministério Público estadual), em sistema de rodízio 
(nas zonas eleitorais onde haja mais de um promotor de justiça), por um 
biênio. Correto! 
 
TJ/SP (2022) Embora expressa a vedação legal no Código Eleitoral, a 
competência legal decorre de previsão constitucional que remete à lei 
complementar sua regulamentação, o que se observa na Lei Orgânica da 
Magistratura, devendo ser entendido que o Código Eleitoral, nesse ponto, não 
foi recepcionado pela Constituição Federal. Correta! 
 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 49 
 
TJ/MG (2018): No primeiro grau de jurisdição a Justiça Eleitoral fica a cargo 
do Juiz de Direito designado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Correto! 
O Juiz substituto que acabou de ingressar na carreira, ainda não vitalício, pode acumular 
função eleitoral? O TSE entendeu que sim. Assim, o juiz de direito substituto pode exercer as 
funções de juiz eleitoral, mesmo antes de adquirir a vitaliciedade, por força do art. 22, §2º da 
LOMAN. 
Há um acréscimo ao subsídio, que não está vinculado ao teto constitucional, tendo natureza 
indenizatória. 
Quando houver mais de um Juiz apto a exercer função eleitoral, tendo várias zonas eleitorais 
naquele Município, haverá um sistema de rodízio que segue a regra da antiguidade decrescente 
para os magistrados poderem exercer a função eleitoral. 
Destaque para o art. 33 do CE, a indicação é sempre pelo biênio. 
Art. 33. Nas zonas eleitorais onde houver mais de uma serventia de justiça, o 
juiz indicará ao Tribunal Regional a que deve ter o anexo da escrivania 
eleitoral pelo prazo de dois anos. 
§ 1º Não poderá servir como escrivão eleitoral, sob pena de demissão, o 
membro de diretório de partido político, nem o candidato a cargo eletivo, seu 
cônjuge e parente consanguíneo ou afim até o segundo grau. 
§ 2º O escrivão eleitoral, em suas faltas e impedimentos, será substituído na 
forma prevista pela lei de organização judiciária local. 
 
Atenção para o impedimento absoluto, previsto no art. 14, §3º do CE. 
Art. 14. Os juízes dos Tribunais Eleitorais, salvo motivo justificado, servirão 
obrigatoriamente por dois anos, e nunca por mais de dois biênios 
consecutivos. 
§ 3º Da homologação da respectiva convenção partidária até a diplomação 
e nos feitos decorrentes do processo eleitoral, não poderão servir como juízes 
nos Tribunais Eleitorais, ou como juiz eleitoral, o cônjuge ou o parente 
consanguíneo ou afim, até o segundo grau, de candidato a cargo eletivo 
registrado na circunscrição. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
 TJ/SC (2017): O Código Eleitoral impede de servir como juízes nos Tribunais 
Eleitorais, ou como juiz eleitoral, o cônjuge ou o parente consanguíneo ou 
afim, até o segundo grau, de candidato a cargo eletivo registrado na 
circunscrição. Esse impedimento alcança do início da campanha eleitoral até 
a apuração final da eleição e os feitos decorrentes do processo eleitoral em 
que seja interessado o respectivo candidato. 
 JUNTA ELEITORAL (JTE) 
A junta eleitoral tem uma montagem peculiar prevista na legislação. 
CE Art. 36. Compor-se-ão as juntas eleitorais de um juiz de direito, que será 
o presidente, e de 2 (dois) ou 4 (quatro) cidadãos de notória idoneidade. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 50 
 
 
A junta eleitoral se compõe pelo Juiz Eleitoral + 02 a 04 cidadãos = 03 a 05 membros. É um 
órgão colegiado. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/AL (2019): Junta Eleitoral é órgão da Justiça Eleitoral composta pelo Juiz 
de Direito, que a preside, pelo representante do Ministério Público eleitoral e 
por dois a quatro cidadãos de notória idoneidade. Errado! MP não integra. 
 
TJ/CE (2018): órgãos de primeiro grau de jurisdição da justiça eleitoral, 
compostos por três ou cinco membros, sendo um deles, o presidente, um juiz 
de direito. Correto! 
A composição da junta eleitoral dá-se da seguinte forma: 
 
1º Ocorre a indicação dos nomes 
2º Dez dias antes da nomeação, publicam-se os nomes 
3º O MP eleitoral e os partidos políticos possuem o prazo de três dias para impugnar 
4º Sessenta dias, antes das eleições, o presidente do TRE, com a aprovação de seus 
membros, irá realizar a nomeação. 
No Brasil, a junta eleitoral tem o funcionamento apenas nas eleições (no dia das eleições e 
durante as apurações). 
CE Art. 36 
§ 1º Os membros das juntas eleitorais serão nomeados 60 (sessenta) dia 
antes da eleição, depois de aprovação do Tribunal Regional, pelo presidente 
deste, a quem cumpre também designar-lhes a sede. 
§ 2º Até 10 (dez) dias antes da nomeação os nomes das pessoas indicadas 
para compor as juntas serão publicados no órgão oficial do Estado, podendo 
qualquer partido, no prazo de 3 (três) dias, em petição fundamentada, 
impugnar as indicações. 
 
O órgão diplomador nas eleições municipais de Prefeito, Vice-Prefeito, Vereadores e Juiz 
de Paz é a Junta Eleitoral (CE, art. 36). Se houver várias juntas eleitorais, a diplomação será feita 
pela Junta do Juiz mais antigo. 
Estão vedados de atuar nas juntas eleitorais: 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 51 
 
a) Candidato ou parente até 2º grau 
b) Membros de partidos políticos, desde que seus nomes tenham sido publicados 
c) Policiais 
d) Ocupantes de cargo de confiança do executivo 
e) Servidores da justiça eleitoral 
f) Menores de 18 anos 
g) Parentes, em qualquer grau, ou servidores da mesma repartição pública ou empresa 
privada na mesma Mesa, Turma ou Junta Eleitoral 
§ 3º Não podem ser nomeados membros das Juntas, escrutinadores ou 
auxiliares: 
I - os candidatos e seus parentes, ainda que por afinidade, até o segundo 
grau, inclusive, e bem assim o cônjuge; 
II - os membros de diretorias de partidos políticos devidamente registrados e 
cujos nomes tenham sido oficialmente publicados; 
III - as autoridades e agentes policiais, bem como os funcionários no 
desempenho de cargos de confiança do Executivo; 
IV - os que pertencerem ao serviço eleitoral. 
 
L9504/97 Art. 64. É vedada a participação de parentes em qualquer grau ou 
de servidores da mesma repartição pública ou empresa privada na mesma 
Mesa, Turma ou Junta Eleitoral. 
 
Em regra, o Presidente da Junta, sempre um juiz de direito, poderá nomear escrutinadores 
ou auxiliares. Havendo mais de 10 urnas para apurar, a nomeação passava a ser obrigatória. Trinta 
dias antes da eleição, as nomeações deveriam ser comunicadas ao TRE. 
3. ORGANIZAÇÃO TERRITORIAL DA JUSTIÇA ELEITORAL 
 CIRCUNSCRIÇÃO ELEITORAL 
Circunscrição Eleitoral: é a organização geográfico-federativa correspondente ao ente da 
federação ao qual se vincula um determinado processo eleitoral. 
Quais as circunscrições eleitorais? 
1) Circunscrição Nacional ou Federal: Compreende a União. Eleição para Presidente e 
Vice. 
2) Circunscrição Estadual: Corresponde ao Estado-Membro ou ao DF. Eleições 
gerais/estaduais: Governador, Vice, Senador, Deputados Federais, Estaduais e 
Distritais. Competência: TRE. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 52 
 
3) Circunscrição Municipal: Corresponde ao Município. Eleições: Prefeito e Vice, 
Vereador e Juiz de Paz. Competência: Juiz eleitoral e junta eleitoral. 
 ZONA ELEITORAL 
Em cada circunscrição Estadual, há a organização da justiça eleitoral em zonas eleitorais. É 
como se fossem as comarcas. Ficam sob a jurisdição imediata de um Juiz eleitoral. É a organização 
local da circunscrição eleitoral geográfica. As zonas eleitorais podem ter o tamanho de uma 
comarca, englobar várias comarcas, mas podem ser maiores ou menores. 
 SEÇÕES ELEITORAIS 
Subdivisões funcionaisde uma zona eleitoral, com o objetivo de organizar a coleta de votos, 
a qual fica o eleitor vinculado. 
4. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ELEITORAL 
VISÃO GERAL 
Em regra: 
O TSE possui jurisdição originária sobre o processo eleitoral nacional para Presidente e vice-
Presidente da República. A eleição fica a cargo originário do TSE. 
O processo eleitoral estadual/regional/federal fica a cargo do TRE: Governador e Vice, 
Deputados Estaduais e Distritais, Deputado Federal e Senadores e Suplentes. 
Os juízes e as juntas são responsáveis pelo processo eleitoral municipal: Prefeito e Vice, 
Vereador e Juiz de Paz. 
Destaca-se, contudo, três exceções: 
a) Designação de data para eleições, nos casos em que não está prevista em lei (por 
exemplo, casos em que a eleição for anulada): competência do TSE, tratando-se de 
eleição nacional ou federal. 
b) Designação de data para eleições, nos casos em que não estiver prevista em lei: 
competência do TRE, tratando-se de eleição estadual e municipal. 
c) Recurso contra a expedição de diploma (RCED): segue a lógica dos recursos. Assim, 
tratando-se de eleições municipais, o julgamento será feito pelo TRE; tratando-se de 
eleições federais e estaduais, o julgamento será feito pelo TSE; no caso de eleições 
nacionais, não caberá recursos, tendo em vista que não há previsão constitucional. 
 COMPETÊNCIA DO TSE E DOS TRE'S 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 53 
 
COMPETÊNCIAS ORIGINÁRIAS 
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (CE ART. 
22, I) 
TRIBUNAIS REGIONAIS ELEITORAIS (CE 
ART. 29, I) 
a) o registro e a cassação de registro de 
partidos políticos, dos seus diretórios nacionais 
e de candidatos à Presidência e vice-
presidência da República; 
a) o registro e o cancelamento do registro dos 
diretórios estaduais e municipais de partidos 
políticos, bem como de candidatos a 
Governador, Vice-Governadores, e membros 
do Congresso Nacional e das Assembleias 
Legislativas. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/AL (2019): Compete ao Juiz Eleitoral processar e 
julgar o registro e o cancelamento de registro dos 
diretórios municipais de partidos políticos. Errado! 
Compete ao TRE. 
b) os conflitos de jurisdição entre Tribunais 
Regionais e juízes eleitorais de Estados 
diferentes 
b) os conflitos de jurisdição entre juízes 
eleitorais do respectivo Estado 
c) a suspeição ou impedimento aos seus 
membros, ao Procurador Geral e aos 
funcionários da sua Secretaria. 
c) a suspeição ou impedimentos aos seus 
membros ao Procurador Regional e aos 
funcionários da sua Secretaria assim como aos 
juízes e escrivães eleitorais 
d) os crimes eleitorais e os comuns que lhes 
forem conexos cometidos pelos seus próprios 
juízes e pelos juízes dos Tribunais Regionais. 
Não foi recepcionada pelo CF. 
Havendo crime eleitoral cometido por membro 
do TSE, a competência será do STF; cometido 
por membro do TRE, a competência será do 
TSE. 
d) os crimes eleitorais cometidos pelos juízes 
eleitorais; 
Em se tratando de crimes eleitorais, será 
competente o TRE, para processar e julgar, os 
juízes eleitorais, os membros do MPE, os 
prefeitos e os deputados estaduais. 
e) o habeas corpus (segue o disposto no artigo) 
ou mandado de segurança (segue as 
observações abaixo), em matéria eleitoral, 
relativos a atos do Presidente da República, 
dos Ministros de Estado e dos Tribunais 
Regionais; ou, ainda, o habeas corpus, quando 
houver perigo de se consumar a violência antes 
que o juiz competente possa prover sobre a 
impetração. 
Obs.: Hoje, o MS, ainda que em matéria 
eleitoral, impetrado contra ato do PR, será 
julgado pelo STF; contra ato de Ministro será 
e) o habeas corpus ou mandado de segurança, 
em matéria eleitoral, contra ato de autoridades 
que respondam perante os Tribunais de Justiça 
por crime de responsabilidade e, em grau de 
recurso, os denegados ou concedidos pelos 
juízes eleitorais; ou, ainda, o habeas corpus 
quando houver perigo de se consumar a 
violência antes que o juiz competente possa 
prover sobre a impetração; Cobrado no TJ/MP 
(2019) 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 54 
 
competência do STJ; contra ato do TRE, será 
julgado pelo TSE. 
Acerca do MS, o TSE editou as seguintes 
súmulas: 
Súmula 22 TSE: Não cabe mandado de 
segurança contra decisão judicial recorrível, 
salvo situações de teratologia ou 
manifestamente ilegais. 
Súmula 23 do TSE: Não cabe mandado de 
segurança contra decisão judicial transitada em 
julgado. 
Súmula 34 do TSE: Não compete ao TSE 
processar e julgar mandado de segurança 
contra ato de membro do Tribunal Regional 
Eleitoral (a competência será do próprio TRE). 
f) as reclamações relativas a obrigações 
impostas por lei aos partidos políticos, quanto à 
sua contabilidade e à apuração da origem dos 
seus recursos. Em relação aos diretórios 
nacionais. 
f) as reclamações relativas a obrigações 
impostas por lei aos partidos políticos, quanto a 
sua contabilidade e à apuração da origem dos 
seus recursos; Em relação aos diretórios 
estaduais. 
Obs.: O diretório municipal presta conta aos 
juízes eleitorais. 
g) as impugnações à apuração do resultado 
geral, proclamação dos eleitos e expedição de 
diploma na eleição de Presidente e Vice-
Presidente da República. 
g) os pedidos de desaforamento dos feitos não 
decididos pelos juízes eleitorais em trinta dias 
da sua conclusão para julgamento, formulados 
por partido candidato Ministério Público ou 
parte legitimamente interessada sem prejuízo 
das sanções decorrentes do excesso de prazo 
h) os pedidos de desaforamento dos feitos não 
decididos nos Tribunais Regionais dentro de 
trinta dias da conclusão ao relator, formulados 
por partido, candidato, Ministério Público ou 
parte legitimamente interessada. 
 
i) as reclamações contra os seus próprios 
juízes que, no prazo de trinta dias a contar da 
conclusão, não houverem julgado os feitos a 
eles distribuídos. Há decisão monocrática do 
TSE entendendo que a EC 45/04 revogou 
tacitamente, sendo do CNJ a competência. 
Contudo, ficar atento para o que a prova pede, 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 55 
 
tendo em vista que, na maioria dos casos, 
cobra-se a literalidade da lei. 
j) a ação rescisória, nos casos de 
inelegibilidade, desde que intentada dentro de 
cento e vinte dias de decisão irrecorrível, 
possibilitando-se o exercício do mandato 
eletivo até o seu trânsito em julgado. 
Atenção! Só caberá quando houver o TJ perante o 
TSE. Assim, havendo o TJ, por exemplo, perante o 
TRE, não caberá ação rescisória. 
Atenção2: Somente nos casos em que se discutiu a 
inelegibilidade caberá ação rescisória. 
 
 
COMPETÊNCIAS RECURSAIS 
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (CE ART. 
22, II) 
TRIBUNAIS REGIONAIS ELEITORAIS (CE 
ART. 29, II) 
Julgar os recursos interpostos das decisões 
dos Tribunais Regionais nos termos do Art. 
276* inclusive os que versarem matéria 
administrativa. 
As decisões do Tribunal Superior são 
irrecorríveis, salvo nos casos do Art. 281**. 
Obs.: Art. 121, §3º da CF: são irrecorríveis as 
decisões do TSE, salvo as que contrariarem a 
CF e as denegatórias de HC e MS. 
Julgar os recursos interpostos: 
a) dos atos e das decisões proferidas pelos 
juízes e juntas eleitorais. 
b) das decisões dos juízes eleitorais que 
concederem ou denegarem habeas corpus ou 
mandado de segurança. 
Parágrafo único. As decisões dos Tribunais 
Regionais são irrecorríveis, salvo nos casos do 
Art. 276*. Obs.: Art. 121, §4º da CF** 
 
* Art. 276. As decisões dos Tribunais Regionais são terminativas, salvo os 
casos seguintes em que cabe recurso para o Tribunal Superior: 
I - especial: 
a) quando forem proferidas contra expressa disposição de lei; 
b) quando ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais 
tribunais eleitorais. 
II - ordinário:a) quando versarem sobre expedição de diplomas nas eleições federais e 
estaduais; 
b) quando denegarem habeas corpus ou mandado de segurança. 
§ 1º É de 3 (três) dias o prazo para a interposição do recurso, contado da 
publicação da decisão nos casos dos nº I, letras a e b e II, letra b e da sessão 
da diplomação no caso do nº II, letra a. 
§ 2º Sempre que o Tribunal Regional determinar a realização de novas 
eleições, o prazo para a interposição dos recursos, no caso do nº II, a, contar-
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 56 
 
se-á da sessão em que, feita a apuração das sessões renovadas, for 
proclamado o resultado das eleições suplementares. 
 
** Art. 281. São irrecorríveis as decisões do Tribunal Superior, salvo as que 
declararem a invalidade de lei ou ato contrário à Constituição Federal e as 
denegatórias de "habeas corpus" ou mandado de segurança, das quais 
caberá recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal, interposto no 
prazo de 3 (três) dias. 
§ 1º Juntada a petição nas 48 (quarenta e oito) horas seguintes, os autos 
serão conclusos ao presidente do Tribunal, que, no mesmo prazo, proferirá 
despacho fundamentado, admitindo ou não o recurso. 
§ 2º Admitido o recurso será aberta vista dos autos ao recorrido para que, 
dentro de 3 (três) dias, apresente as suas razões. 
§ 3º Findo esse prazo os autos serão remetidos ao Supremo Tribunal Federal. 
 
***Art. 121, § 4º Das decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais somente 
caberá recurso quando: 
I - forem proferidas contra disposição expressa desta Constituição ou de lei; 
II - ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais tribunais 
eleitorais; 
III - versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições 
federais ou estaduais; 
IV - anularem diplomas ou decretarem a perda de mandatos eletivos federais 
ou estaduais; 
V - denegarem habeas corpus, mandado de segurança, habeas data ou 
mandado de injunção. 
 
COMPETÊNCIAS PRIVATIVAS (competência administrativa – não tem o mesmo 
significado de competência privativa = exclusiva do direito constitucional) 
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (CE 
ART. 23) 
TRIBUNAIS REGIONAIS ELEITORAIS (CE 
ART. 30) 
- Elaborar o seu regimento interno - Elaborar o seu regimento interno; 
- Organizar a sua Secretaria e a Corregedoria Geral, 
propondo ao Congresso Nacional a criação ou 
extinção dos cargos administrativos e a fixação dos 
respectivos vencimentos, provendo-os na forma da 
lei. 
- Organizar a sua Secretaria e a Corregedoria 
Regional provendo-lhes os cargos na forma da lei, e 
propor ao Congresso Nacional, por intermédio do 
Tribunal Superior a criação ou supressão de cargos 
e a fixação dos respectivos vencimentos; 
- Conceder aos seus membros licença e férias 
assim como afastamento do exercício dos cargos 
efetivos (permitir que atue apenas no TSE). 
- Conceder aos seus membros e aos juízes eleitorais 
licença e férias, assim como afastamento do 
exercício dos cargos efetivos submetendo, quanto 
aqueles, a decisão à aprovação do Tribunal Superior 
Eleitoral; 
- Aprovar o afastamento do exercício dos cargos 
efetivos dos juízes dos Tribunais Regionais 
Eleitorais. 
 
- Propor a criação de Tribunal Regional na sede de 
qualquer dos Territórios 
 
- Propor ao Poder Legislativo o aumento do número 
dos juízes de qualquer Tribunal Eleitoral, indicando 
a forma desse aumento 
 
- Fixar as datas para as eleições de Presidente e 
Vice-Presidente da República, senadores e 
- Fixar a data das eleições de Governador e Vice-
Governador, deputados estaduais, prefeitos, vice-
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 57 
 
deputados federais, quando não o tiverem sido por 
lei (uma das exceções vista acima) 
prefeitos, vereadores e juízes de paz, quando não 
determinada por disposição constitucional ou legal 
Como o tema foi cobrado em prova? 
MP/PE (2022) Compete privativamente, aos 
Tribunais Regionais Eleitorais, fixar a data das 
eleições de governador e vice-governador, 
deputados estaduais, prefeitos, vice-prefeitos, 
vereadores e juízes de paz, quando não 
determinada por disposição constitucional ou legal. 
- Aprovar a divisão dos Estados em zonas eleitorais 
(menor espaço de atuação da JE, cuja atuação 
pertence aos juízes eleitorais) ou a criação de novas 
zonas. 
- Dividir a respectiva circunscrição em zonas 
eleitorais, submetendo essa divisão, assim como a 
criação de novas zonas, à aprovação do Tribunal 
Superior 
 - Constituir as juntas eleitorais e designar a 
respectiva sede e jurisdição. Cai muito em prova. 
 - Indicar ao tribunal Superior as zonas eleitorais ou 
seções em que a contagem dos votos deva ser feita 
pela mesa receptora 
- Expedir as instruções que julgar convenientes à 
execução deste Código. Chamada de competência 
regulamentar – capacidade que o TSE possui de 
editar instruções que irão complementar ou 
interpretar a lei eleitoral, permitindo assim a sua fiel 
execução. 
As instruções são reguladas por meio de 
resoluções. 
Obs.: art. 105 da Lei 9.504/97 – não se aplica o 
princípio da anualidade às instruções. 
 Art. 105. Até o dia 5 de março do ano da eleição, o 
Tribunal Superior Eleitoral, atendendo ao caráter 
regulamentar e sem restringir direitos ou 
estabelecer sanções distintas das previstas nesta 
Lei, poderá expedir todas as instruções necessárias 
para sua fiel execução, ouvidos, previamente, em 
audiência pública, os delegados ou representantes 
dos partidos políticos. 
 
TSE: a competência regulamentar para 
disposições da legislação eleitoral é exclusiva 
do Tribunal Superior Eleitoral. 
 
- Fixar a diária do Corregedor Geral, dos 
Corregedores Regionais e auxiliares em diligência 
fora da sede 
 
- Enviar ao Presidente da República a lista tríplice 
organizada pelos Tribunais de Justiça nos termos 
do art. 25. 
 
- Responder, sobre matéria eleitoral, às consultas 
que lhe forem feitas em tese por autoridade com 
- Responder, sobre matéria eleitoral, às consultas 
que lhe forem feitas, em tese, por autoridade pública 
ou partido político. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 58 
 
jurisdição, federal ou órgão nacional de partido 
político. 
Trata-se da competência consultiva do TSE, 
permindo que sejam feitas consultas, em tese, 
sobre matéria eleitoral, tendo como legitimados os 
partidos políticos e autoridades com jurisdição 
federal. 
As consultas possuem eficácia erga omnes, com 
finalidade interpretativa, ou seja, visa esclarecer 
determinada norma. Ressalta-se que a consulta 
possui mera natureza jurisprudencial, não 
possuindo efeito vinculante. 
TSE: a resposta dada a consulta em matéria 
eleitoral não tem natureza jurisdicional, sendo 
ato normativo em tese, sem efeitos concretos e 
sem força executiva com referência a situação 
jurídica de qualquer pessoa em particular. 
- Autorizar a contagem dos votos pelas mesas 
receptoras nos Estados em que essa providência for 
solicitada pelo Tribunal Regional respectivo. 
- Apurar com os resultados parciais enviados pelas 
juntas eleitorais (faz a apuração em cada uma das 
zonas), os resultados finais das eleições de 
Governador e Vice-Governador de membros do 
Congresso Nacional e expedir os respectivos 
diplomas, remetendo dentro do prazo de 10 (dez) 
dias após a diplomação, ao Tribunal Superior, cópia 
das atas de seus trabalhos. 
Compete ao TRE a apuração das eleições federais 
e estaduais. 
- Requisitar a força federal necessária ao 
cumprimento da lei, de suas próprias decisões ou 
das decisões dos Tribunais Regionais que o 
solicitarem, e para garantir a votação e a 
apuração; De acordo com o STF, tal dispositivo é 
constitucional. 
- Requisitar a força necessária ao cumprimento de 
suas decisões solicitar ao Tribunal Superior a 
requisição de força federal 
- Organizar e divulgar a Súmula de sua 
jurisprudência; 
 
- Requisitar funcionáriosda União e do Distrito 
Federal quando o exigir o acúmulo ocasional do 
serviço de sua Secretaria. 
- Requisitar funcionários da União e, ainda, no 
Distrito Federal e em cada Estado ou Território, 
funcionários dos respectivos quadros 
administrativos, no caso de acúmulo ocasional de 
serviço de suas Secretarias – apenas para zona 
eleitoral. 
- Publicar um boletim eleitoral - Autorizar, no Distrito Federal e nas capitais dos 
Estados, ao seu presidente e, no interior, aos juízes 
eleitorais, a requisição de funcionários federais, 
estaduais ou municipais para auxiliarem os 
escrivães eleitorais, quando o exigir o acúmulo 
ocasional do serviço. 
- Tomar quaisquer outras providências que julgar 
convenientes à execução da legislação eleitoral 
 
 
 - Aprovar a designação do Ofício de Justiça que 
deva responder pela escrivania eleitoral durante o 
biênio. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 59 
 
 - Aplicar as penas disciplinares de advertência e de 
suspensão até 30 (trinta) dias aos juízes eleitorais. 
 - Cumprir e fazer cumprir as decisões e instruções 
do Tribunal Superior; 
 - Determinar, em caso de urgência, providências 
para a execução da lei na respectiva circunscrição 
 - Organizar o fichário dos eleitores do Estado 
 - *Suprimir os mapas parciais de apuração 
mandando utilizar apenas os boletins e os mapas 
totalizadores, desde que o menor número de 
candidatos às eleições proporcionais justifique a 
supressão, observadas as seguintes normas: a) 
qualquer candidato ou partido poderá requerer ao 
Tribunal Regional que suprima a exigência dos 
mapas parciais de apuração; b) da decisão do 
Tribunal Regional qualquer candidato ou partido 
poderá, no prazo de três dias, recorrer para o 
Tribunal Superior, que decidirá em cinco dias; c) a 
supressão dos mapas parciais de apuração só será 
admitida até seis meses antes da data da eleição; d) 
os boletins e mapas de apuração serão impressos 
pelos Tribunais Regionais, depois de aprovados 
pelo Tribunal Superior; e) o Tribunal Regional 
ouvira os partidos na elaboração dos modelos dos 
boletins e mapas de apuração a fim de que estes 
atendam às peculiaridade locais, encaminhando os 
modelos que aprovar, acompanhados das 
sugestões ou impugnações formuladas pelos 
partidos, à decisão do Tribunal Superior. 
*Antes, quando não havia o voto eletrônico, 
realizava-se a apuração total de uma urna, com a 
expedição do boletim de urna, para, só depois, ir 
para a urna seguinte. O boletim de urna era passado 
para um mapa parcial. O inciso XIX do art. 30 do CE, 
traz a hipótese de supressão do mapa parcial, nos 
casos especificados. 
 COMPETÊNCIA DOS JUÍZES ELEITORAIS E DA JUNTA ELEITORAL 
COMPETÊNCIAS ORIGINÁRIAS 
JUIZ ELEITORAL (CE ART. 35) JUNTA ELEITORAL (CE ART. 40) 
I - Cumprir e fazer cumprir as decisões e 
determinações do Tribunal Superior e do 
Regional 
I - apurar, no prazo de 10 (dez) dias, as eleições 
realizadas nas zonas eleitorais sob a sua 
jurisdição 
II - Processar e julgar os crimes eleitorais e os 
comuns que lhe forem conexos, ressalvada a 
competência originária do Tribunal Superior e 
dos Tribunais Regionais; Competência 
subsidiária. Cobrado no TJ/BA (2018) 
II - resolver as impugnações e demais 
incidentes verificados durante os trabalhos da 
contagem e da apuração. 
Obs.: incidentes ocorridos durante a votação 
são de competência do juiz eleitoral. A 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 60 
 
STJ: A competência será da vara da infância e 
da juventude, ou do juiz que exerce tal função 
na comarca, para processar e julgar ato 
infracional cometido por menor inimputável, 
ainda que a infração seja equiparada a crime 
eleitoral. 
STJ: compete ao juiz eleitoral julgar os crimes 
eleitorais praticados por vereador. 
competência será das juntas eleitorais durante 
a apuração e contagem. 
III - decidir habeas corpus e mandado de 
segurança, em matéria eleitoral, desde que 
essa competência não esteja atribuída 
privativamente a instância superior. 
Competência subsidiária. 
III - expedir os boletins de apuração 
mencionados no Art. 178; 
 
IV - Fazer as diligências que julgar necessárias 
a ordem e presteza do serviço eleitoral; 
IV - expedir diploma aos eleitos para cargos 
municipais. 
Obs.: Tratando-se de eleições nacionais, 
compete ao TSE; tratando-se de eleições 
federais e estaduais, compete ao TRE. 
Parágrafo único. Nos municípios onde houver 
mais de uma junta eleitoral a expedição dos 
diplomas será feita pelo que for presidida pelo 
juiz eleitoral mais antigo, à qual as demais 
enviarão os documentos da eleição. 
V - Tomar conhecimento das reclamações que 
lhe forem feitas verbalmente ou por escrito, 
reduzindo-as a termo, e determinando as 
providências que cada caso exigir; 
 
VI - Indicar, para aprovação do Tribunal 
Regional, a serventia de justiça que deve ter o 
anexo da escrivania eleitoral; 
 
VIII - Dirigir os processos eleitorais e 
determinar a inscrição e a exclusão de 
eleitores; 
 
IX- Expedir títulos eleitorais e conceder 
transferência de eleitor; 
 
X - Dividir a zona em seções eleitorais (não 
precisa de autorização para criar as seções, 
mas precisa para fixar o local da seção); 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 61 
 
XI - Mandar organizar, em ordem alfabética, 
relação dos eleitores de cada seção, para 
remessa a mesa receptora, juntamente com a 
pasta das folhas individuais de votação; 
 
 XII - ordenar o registro e cassação do 
registro dos candidatos aos cargos eletivos 
municipais e comunicá-los ao Tribunal 
Regional; 
 
XIII - designar, até 60 (sessenta) dias antes das 
eleições os locais das seções; 
 
XIV - nomear, 60 (sessenta) dias antes da 
eleição, em audiência pública anunciada com 
pelo menos 5 (cinco) dias de antecedência, os 
membros das mesas receptoras; 
 
XV - Instruir os membros das mesas receptoras 
sobre as suas funções; 
 
XVI - providenciar para a solução das 
ocorrências que se verificarem nas mesas 
receptoras; 
 
XVII - tomar todas as providências ao seu 
alcance para evitar os atos viciosos das 
eleições; 
 
XVIII -fornecer aos que não votaram por motivo 
justificado e aos não alistados, por dispensados 
do alistamento, um certificado que os isente 
das sanções legais; 
 
XIX - comunicar, até às 12 horas do dia 
seguinte a realização da eleição, ao Tribunal 
Regional e aos delegados de partidos 
credenciados, o número de eleitores que 
votarem em cada uma das seções da zona sob 
sua jurisdição, bem como o total de votantes da 
zona 
 
5. FUNÇÕES DA JUSTIÇA ELEITORAL 
Funções aqui são atividades próprias de Estado, sendo uma delas a jurisdição. 
 FUNÇÃO JURISDICIONAL 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 62 
 
A Justiça Eleitoral tem função jurisdicional, impera o princípio da demanda, em que o Juiz 
só pode decidir dentro dos limites em que a tutela jurisdicional é postulada. 
Jurisdição Voluntária: por exemplo, no processo eleitoral, havendo dúvida do partido este 
pode pedir a recontagem de votos. 
Jurisdição Contenciosa. Ações Eleitorais: cíveis e criminais. Ações Cíveis Eleitorais: Ação 
de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRC), Ação de Investigação Judicial (AIJ), recurso 
contra a diplomação (RCD), representação por captação ilícita de sufrágio (RCIS). Ações Criminais 
Eleitorais: existem mais de 40 tipos penais eleitorais próprios. 
Neste sentido, válido é destacar o seguinte quadro esquemático relativo às etapas do 
processo eleitoral, diante das quais se verifica o exercício da função jurisdicional pela justiça 
Eleitoral: 
FASES DO PROCESSO ELEITORAL: 
1) Alistamento eleitoral 
2) Convenção para escolha dos candidatos 
3) Registro de candidaturas 
4) Propaganda política 
5) Votação e apuração de votos 
6) Proclamação dos eleitose diplomação dos eleitos 
Questões pertinentes: 
1) A JEL tem competência para a execução da multa eleitoral, em conformidade com o 
art. 367, IV do CE. 
CE Art. 367. A imposição e a cobrança de qualquer multa, salvo no caso das 
condenações criminais, obedecerão às seguintes normas: 
IV - A cobrança judicial da dívida será feita por ação executiva na forma 
prevista para a cobrança da dívida ativa da Fazenda Pública, correndo a 
ação perante os juízos eleitorais; 
 
2) CC entre a JEL e a JCE para o processamento e julgamento de atos infracionais 
equiparados a delitos eleitorais praticados por menores de 18 anos: o STJ já decidiu 
que deve se dar prevalência à JIJ, em detrimento do juízo eleitoral. Se o menor for 
autor de qualquer outra ação eleitoral, que não tenha natureza de ato infracional 
equiparado a delito eleitoral, será da JEL a justiça competente. 
3) Matéria interna corporis dos partidos políticos: STJ se manifestou no sentido de a 
competência ser da JCE. 
 FUNÇÃO ADMINISTRATIVA 
5.2.1. Função Administrativa “Geral” 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 63 
 
Segundo a CF (art. 96), todo o Tribunal tem uma atividade administrativa de auto-
organização, por meio de seus regimentos internos. A Justiça Eleitoral também tem essa função. 
CF Art. 96. Compete privativamente: 
I - aos tribunais: 
a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos, com 
observância das normas de processo e das garantias processuais das partes, 
dispondo sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos 
jurisdicionais e administrativos; 
b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos juízos que lhes 
forem vinculados, velando pelo exercício da atividade correicional respectiva; 
c) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos de juiz de carreira 
da respectiva jurisdição; 
d) propor a criação de novas varas judiciárias; 
e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e títulos, obedecido 
o disposto no art. 169, parágrafo único, os cargos necessários à 
administração da Justiça, exceto os de confiança assim definidos em lei; 
f) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros e aos juízes 
e servidores que lhes forem imediatamente vinculados; 
5.2.2. Função Administrativa Própria 
A Justiça Eleitoral tem outras funções administrativas que lhe são próprias: 
1) Organização do eleitorado nacional (cadastramento de eleitores), expedição de título 
eleitoral, transferência de domicílio eleitoral, fixação de locais de funcionamento de 
zonas eleitorais, adoção de medidas para fazer impedir ou cessar imediatamente 
propaganda eleitoral realizada irregularmente 
2) Organização do processo eleitoral (organização das eleições). Em alguns países, o 
processo eleitoral é organizado por órgão administrativo. Não é o caso do Brasil, pois a 
própria justiça que julga os processos eleitorais vai organizar as eleições. Existe verba 
orçamentária específica para isso. 
3) Registro, atualização estatutária (deve haver o registro dos estatutos na justiça eleitoral) 
e cancelamento dos partidos políticos. 
 FUNÇÃO NORMATIVA 
5.3.1. Função normativa “geral” do poder judiciário 
Hoje, o Poder Judiciário tem uma função normativa que é expedir seus regimentos. A Justiça 
Eleitoral também. Organizar seus serviços, funcionários e competências como todo Tribunal. 
5.3.2. Função normativa específica da justiça eleitoral 
Como já vimos, Justiça Eleitoral tem o poder normativo de expedição de instruções e 
resoluções (CE, art. 1º, parágrafo único e 23, IX; Lei das Eleições, art. 105). 
CE Art. 1º Este Código contém normas destinadas a assegurar a organização 
e o exercício de direitos políticos precipuamente os de votar e ser votado. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 64 
 
Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral EXPEDIRÁ INSTRUÇÕES 
para sua fiel execução. 
 
Art. 23 - Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior, 
IX - EXPEDIR AS INSTRUÇÕES que julgar convenientes à execução deste 
Código; 
 
L9504/97 Art. 105. ATÉ o dia 5 de março do ano da eleição, o Tribunal 
Superior Eleitoral, atendendo ao caráter regulamentar e sem restringir direitos 
ou estabelecer sanções distintas das previstas nesta Lei, poderá EXPEDIR 
TODAS AS INSTRUÇÕES NECESSÁRIAS para sua fiel execução, 
ouvidos, previamente, em audiência pública, os delegados ou 
representantes dos partidos políticos.(Redação dada pela Lei nº 12.034, 
de 2009) 
§ 1º O Tribunal Superior Eleitoral publicará o código orçamentário para o 
recolhimento das multas eleitorais ao Fundo Partidário, mediante documento 
de arrecadação correspondente. 
§ 2º Havendo substituição da UFIR por outro índice oficial, o Tribunal Superior 
Eleitoral procederá à alteração dos valores estabelecidos nesta Lei pelo novo 
índice. 
§ 3o Serão aplicáveis ao pleito eleitoral imediatamente seguinte apenas as 
resoluções publicadas até a data referida no caput. (Incluído pela Lei nº 
12.034, de 2009) 
 
Servem para a interpretação da legislação eleitoral e para a regulamentação do processo 
eleitoral. Normas interpretativas: normas secundárias, que não podem ser objeto de ADI e ADC. 
Normas regulamentares: para alguns têm status de leis ordinárias, podendo suspender a eficácia 
destas e sofrer controle concentrado de constitucionalidade. 
Quem enxerga atos normativos primários: nem o Juiz, nem o TRE podem fazer controle de 
constitucionalidade das normas regulamentares, mas podem ser objeto de ADI, ADC ou ADPF. O 
que não é cabível é o controle difuso. 
A Lei nº 14.211/2021 inseriu o art. 23-A ao Código Eleitoral restringindo a competência 
normativa da Justiça Eleitoral. O novo dispositivo afirmou que: 
• o TSE somente pode expedir resoluções ou outros atos normativos sobre 
matérias que tenham sido especificamente autorizadas pela lei. Assim, não existe 
uma autorização genérica para a Justiça Eleitoral regulamentar todo e qualquer 
assunto que diga respeito à matéria eleitoral; 
• o TSE não pode expedir resoluções ou outros atos normativos tratando sobre 
organização dos partidos políticos. 
Art. 23-A. A competência normativa regulamentar prevista no parágrafo único 
do art. 1º e no inciso IX do caput do art. 23 deste Código restringe-se a 
matérias especificamente autorizadas em lei, sendo vedado ao Tribunal 
Superior Eleitoral tratar de matéria relativa à organização dos partidos 
políticos. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 65 
 
 Esse dispositivo irá gerar uma série de controvérsias na prática. Isso porque nem 
sempre será fácil identificar se a abrangência da autorização conferida pela lei. Um exemplo é o art. 
105 da Lei nº 9.504/97, que diz: 
Art. 105. Até o dia 5 de março do ano da eleição, o Tribunal Superior Eleitoral, 
atendendo ao caráter regulamentar e sem restringir direitos ou estabelecer 
sanções distintas das previstas nesta Lei, poderá expedir todas as instruções 
necessárias para sua fiel execução, ouvidos, previamente, em audiência 
pública, os delegados ou representantes dos partidos políticos. 
 
Esse art. 105 autoriza que, de dois em dois anos, até o dia 05 de março, o TSE edite uma 
resolução regulamentando as eleições vindouras. A autorização para a regulamentação de uma 
eleição é algo bem amplo, sendo difícil definir, com precisão, todas as matérias que estão aí 
incluídas. 
A Lei nº 9.096/95 é o diploma que rege os partidos políticos no Brasil. Juntamente com o art. 
17 da CF/88, esta lei representa o regime jurídico dos partidos políticos. 
O Título II da Lei nº 9.096/95 trata sobre a “Organização e Funcionamento dos Partidos 
Políticos”. O ponto interessante vem agora. Confira o que diz o art. 61 da Lei nº 9.096/95: 
Art. 61. O Tribunal Superior Eleitoral expedirá instruções para a fiel execução 
desta Lei. 
 
 
Com o novo art. 23-Ado Código Eleitoral, esse art. 61 da Lei nº 9.096/95 foi derrogado. Isso 
porque o TSE foi proibido de, no exercício de sua competência normativa, tratar sobre “matéria 
relativa à organização dos partidos políticos”. 
Logo, o TSE não poderá editar resoluções sobre os assuntos mencionados nos arts. 8º a 29 
da Lei nº 9.096/95 nem sobre quaisquer outros que estejam diretamente relacionados com a 
organização dos partidos políticos. 
 Há, no mínimo, três resoluções do TSE diretamente impactadas, pois tratam de temas 
ligados à organização dos partidos políticos: 
• Resolução TSE nº 23.571/2018: dispõe sobre a criação, organização, fusão, 
incorporação e extinção de partidos políticos; 
• Resolução TSE nº 23.596/2019: disciplina a filiação partidária; 
• Resolução TSE nº 23.604/2019: trata das finanças e contabilidade dos partidos 
políticos, inclusive prestação de contas partidárias (anuais). 
 Como será que vai ficar daqui para frente? Essas resoluções perderão a validade? 
São indagações para as quais não há, infelizmente, uma resposta segura, por enquanto. 
 FUNÇÃO CONSULTIVA 
Só a Justiça Eleitoral tem essa função. Na Europa, alguns Tribunais Constitucionais têm 
poder consultivo. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 66 
 
CE, art. 23, XII: o TSE pode receber consultas de autoridades com jurisdição federal e de 
partidos políticos (órgãos nacionais – ex.: PORTANTO, nacional). Autoridades com jurisdição 
federal: presidente e vice, deputado, senador, ministros etc. A consulta deve ser feita de modo 
genérico. 
Art. 23 - Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior, 
XII - responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas em 
tese por autoridade com jurisdição, federal ou órgão nacional de partido 
político; 
 
Ex.: menor de 16 anos, mas que completará 16 anos até a data da eleição pode se alistar? 
Durante os 151 dias que antecedem as eleições, não pode haver alistamento. Essa consulta foi 
feita pelo PDT. O TSE disse ser possível. 
A consulta tem que ser feita em tese. A justiça eleitoral responde a consulta por meio de 
acórdão. 
Os TRE’s também têm poder consultivo (CE, art. 30, VIII). Legitimidade: autoridade pública 
(federal, estadual ou municipal) ou partido político. Exemplo: Juiz, MP etc. O TRE também responde 
por meio de acórdão. 
Art. 30. Compete, ainda, privativamente, aos Tribunais Regionais: 
... 
VIII - responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas, em 
tese, por autoridade pública ou partido político; 
 
O Juiz pode ter uma dúvida sobre alguma questão que tenha sido objeto de resolução. O 
TRE vai expedir acórdão para responder. Poderá haver recurso para o TSE. Em tese, da decisão 
do TSE pode haver recurso para o STF, a depender da matéria. 
Por fim, é importante destacar que a consulta exige o preenchimento de dois requisitos: 
legitimidade do consulente e ausência de conexão com situações concretas. 
 FUNÇÃO DE CONTROLE/CORREIÇÃO/FISCALIZAÇÃO 
É uma função do poder de polícia. Poder de fiscalizar atos da sociedade e atos de Estado. 
Essa função envolve, por exemplo, a fiscalização de propaganda eleitoral. 
Ex.: Juiz eleitoral em ano de eleição para Presidente. Não está na jurisdição do Juiz eleitoral. 
O Juiz percebe um outdoor com campanha eleitoral antecipada para Presidente da República. O 
Juiz não tem jurisdição sobre essa eleição presidencial. 
Quem tem jurisdição é o TSE. Contudo, o Juiz tem poder de polícia, devendo notificar o 
partido para que retire a propaganda eleitoral. O Juiz vai dar conhecimento da notificação ao TRE, 
que, por sua vez, dá conhecimento da questão ao TSE. O TSE, se for o caso, pode instaurar 
processo de investigação, podendo até mesmo aplicar uma multa. A multa só pode ser aplicada 
pelo TSE. 
CE Art. 249. O direito de propaganda não importa restrição ao poder de 
polícia quando este deva ser exercido em benefício da ordem pública. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 67 
 
L9504/97 Art. 41. A propaganda exercida nos termos da legislação eleitoral 
não poderá ser objeto de multa nem cerceada sob alegação do exercício do 
poder de polícia ou de violação de postura municipal, casos em que se deve 
proceder na forma prevista no art. 40. (Redação dada pela Lei nº 12.034, de 
2009) 
§ 1o O poder de polícia sobre a propaganda eleitoral será exercido pelos 
juízes eleitorais e pelos juízes designados pelos Tribunais Regionais 
Eleitorais. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009) 
§ 2o O poder de polícia se restringe às providências necessárias para 
inibir práticas ilegais, vedada a censura prévia sobre o teor dos programas 
a serem exibidos na televisão, no rádio ou na internet.(Incluído pela Lei nº 
12.034, de 2009) 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/AL (2019): Além da função jurisdicional, o Juiz Eleitoral exerce função 
administrativa, já que investido de poder de polícia. São exemplos dessa 
função administrativa: medidas para impedir a prática de propaganda eleitoral 
irregular e o alistamento eleitoral. Correto. 
O Juiz eleitoral tem poder semelhante ao do MP, podendo adotar medidas de ofício. Não é 
uma função de correição interna, mas sim FISCALIZAÇÃO sobre a sociedade, sobre os candidatos, 
sobre os partidos. 
Súmula 18 TSE: conquanto investido de poder de polícia, não tem 
legitimidade o Juiz eleitoral para, de ofício, instaurar procedimento com a 
finalidade de impor multa pela veiculação de propaganda eleitoral em 
desacordo com a Lei 9.504/97. 
 
 Assim, no exercício do poder de polícia, o juiz deverá se restringir “às providências 
necessárias para inibir práticas ilegais”, não tendo poder, portanto, para impor, imediatamente, 
multas aos infratores da lei, as quais só poderão ser aplicadas mediante a observância do devido 
processo legal, a partir de representação proposta por partido político, coligação ou candidato, na 
forma do artigo 96 da 9504/97. 
L9504/97 Art. 96. Salvo disposições específicas em contrário desta Lei, as 
reclamações ou representações relativas ao seu descumprimento podem ser 
feitas por qualquer partido político, coligação ou candidato, e devem dirigir-
se: 
I - aos Juízes Eleitorais, nas eleições municipais; 
II - aos Tribunais Regionais Eleitorais, nas eleições federais, estaduais e 
distritais; 
III - ao Tribunal Superior Eleitoral, na eleição presidencial. 
 § 1º As reclamações e representações devem relatar fatos, indicando provas, 
indícios e circunstâncias. 
§ 2º Nas eleições municipais, quando a circunscrição abranger mais de uma 
Zona Eleitoral, o Tribunal Regional designará um Juiz para apreciar as 
reclamações ou representações. 
 § 3º Os Tribunais Eleitorais designarão três juízes auxiliares para a 
apreciação das reclamações ou representações que lhes forem dirigidas. 
 § 4º Os recursos contra as decisões dos juízes auxiliares serão julgados pelo 
Plenário do Tribunal. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 68 
 
§ 5º Recebida a reclamação ou representação, a Justiça Eleitoral notificará 
imediatamente o reclamado ou representado para, querendo, apresentar 
defesa em quarenta e oito horas. 
§6º - revogado 
§ 7º Transcorrido o prazo previsto no § 5º, apresentada ou não a defesa, o 
órgão competente da Justiça Eleitoral decidirá e fará publicar a decisão em 
vinte e quatro horas. 
§ 8º Quando cabível recurso contra a decisão, este deverá ser apresentado 
no prazo de vinte e quatro horas da publicação da decisão em cartório ou 
sessão, assegurado ao recorrido o oferecimento de contrarrazões, em igual 
prazo, a contar da sua notificação. 
§ 9º Os Tribunais julgarão o recurso no prazo de quarenta e oito horas. 
§ 10. Não sendo o feito julgado nos prazos fixados, o pedido pode ser dirigido 
ao órgão superior, devendo a decisão ocorrer de acordo com o rito definido 
neste artigo.§ 11. As sanções aplicadas a candidato em razão do descumprimento de 
disposições desta Lei não se estendem ao respectivo partido, mesmo na 
hipótese de esse ter se beneficiado da conduta, salvo quando comprovada a 
sua participação. 
 
Existem decisões dizendo que se o Juiz agiu de ofício para retirar propaganda, ele ficará 
impedido de julgar o processo judicial correspondente. 
Que tipo de CONTROLE tem o magistrado? Prestação de contas dos candidatos dos 
partidos políticos. Nos TRE’s quem exerce essa função é o corregedor regional eleitoral, no TSE é 
o corregedor nacional, na junta eleitoral, é o Juiz eleitoral. 
Ex.: fiscalização dos atos atentatórios contra a liberdade do voto. 
6. MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL 
 ESTRUTURA DO MP ELEITORAL 
De acordo com o art. 128, da CF, o Ministério Público abrange o MPU (MPF, MPT, MP, 
MPDFT) e o MP Estadual: 
Art. 128. O Ministério Público abrange: 
I - o Ministério Público da União, que compreende: 
a) o Ministério Público Federal; 
b) o Ministério Público do Trabalho; 
c) o Ministério Público Militar; 
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios; 
II - os Ministérios Públicos dos Estados. 
 
Onde está o MP Eleitoral? Inicialmente, havia duas correntes: 
1 – Implícito na CF/1988, dentro do MPU. 
2 – A Lei Complementar 75/93, que regula o MPF, incluiu o MP Eleitoral como uma de suas 
especializações. Seria o chamado princípio da federalização. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 69 
 
Promotor eleitoral: atua nas eleições municipais, junto à junta e ao Juiz eleitoral. 
Promotor Regional Eleitoral: tem atuação no processo eleitoral geral/estadual. Foro de 
atuação: TRE. 
Procurador-Geral Eleitoral: tem atuação no processo eleitoral de presidente e vice, junto ao 
TSE. 
Esquematizando, temos a seguinte distribuição de atribuições1: 
Procurador-Geral Eleitoral 
(PGE) 
Procurador Regional 
Eleitoral (PRE) 
Promotores Eleitorais 
* Essa função é 
desempenhada pelo 
Procurador-Geral da 
República. 
* O Procurador-Geral 
designará um Vice-
Procurador-Geral Eleitoral e 
outros membros poderão 
substituí-lo em seus 
impedimentos e em caso de 
necessidade de serviço; 
* Incumbe ao PGE, dentre 
outas atribuições: acompanhar 
os procedimentos do 
Corregedor-Eleitoral, dirimir 
conflitos de atribuições, 
requisitar servidores da União 
e de suas autarquias, quando 
o exigir a necessidade do 
serviço. 
 
Essa função é desempenhada 
por um Procurador Regional 
da República no Estado (ou no 
DF). 
Se não houver Procurador da 
República no Estado, a função 
poderá ser realizada por um 
Procurador da República, 
desde que vitalício. 
Exerce um mandato de 2 anos, 
permitida uma recondução; 
Casa Estado/DF possui 
um Procurador Regional 
Eleitoral. 
O PRE poderá ser 
destituído, antes do término do 
mandato, por iniciativa do 
PGE, desde que a maioria 
absoluta do Conselho Superior 
do MPF concorde. 
Essa função é desempenhada 
por um Promotor de Justiça. 
Desse modo, ao exercer a 
função de Promotor eleitoral, o 
Promotor de Justiça atua por 
delegação do MPF (durante o 
exercício da função eleitoral, o 
Promotor de Justiça Eleitoral é 
como se fosse um servidor 
público federal, inclusive para 
fins penais). 
O Promotor eleitoral é indicado 
pelo Procurador-Geral de 
Justiça e nomeado pelo 
Procurador Regional Eleitoral. 
Atua nas causas de 
competência do TSE. 
Atua nas causas de 
competência do TER e dirige 
as atividades do MP eleitoral 
no Estado. 
Atua nas causas de 
competência dos Juízes e 
Juntas Eleitorais. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/GO (2022): Pelos princípios da delegação e da cooperação, a 
prerrogativa de oficiar perante os juízos eleitorais pode ser delegada ao 
Ministério Público de primeira instância dos Estados e do Distrito Federal. 
Correta! 
 
1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Designação de Promotor Eleitoral. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f4f6dce2f3a0f9dada0c2b5b66452017>. Acesso em: 27/10/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 70 
 
 
MPE/CE (2020): O procurador-geral eleitoral integra o MPF e exerce 
encargos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e nos tribunais regionais 
eleitorais em caso de matéria referente a eleição de presidente, de 
governador de estado ou do Distrito Federal, e de prefeito. Errado! 
 
MPE/MT (2019): Exercerá as funções de Procurador-Geral, junto ao Tribunal 
Superior Eleitoral, o Procurador-Geral da República, funcionando, em suas 
faltas e impedimentos, seu substituto legal. O Procurador-Geral poderá 
designar outros membros do Ministério Público da União, com exercício no 
Distrito Federal, e sem prejuízo das respectivas funções, para auxiliá-lo junto 
ao Tribunal Superior Eleitoral, onde não poderão ter assento. Correto! 
 
MPE/MT (2019): Compete aos Procuradores Regionais exercer, perante os 
Tribunais Regionais junto aos quais servirem, as atribuições do Procurador-
Geral, o qual poderá autorizar os Procuradores Regionais a requisitar, para 
auxiliá-los nas suas funções, membros do Ministério Público local, que terão 
assento nas sessões do Tribunal enquanto perdurar a requisição. Errado! 
Não mais se admite ao PRE requisitar, para auxiliá-los nas suas funções, 
membros do Ministério Público local (Promotores Eleitorais). Ademais, 
quando era admitido, nos termos do § 4.º do art. 27 do CE, os promotores 
não podiam ter assento junto ao TRE. 
O Promotor Eleitoral é o Promotor de Justiça (MP dos Estados) escolhido para atuar na 
função de MPF, princípio da delegação. A escolha do Promotor Eleitoral é um ato complexo. A 
indicação será feita pelo PGJ (indica vários nomes). A designação/nomeação é feita pelo 
Procurador Regional Eleitoral. Lei Complementar 75/93 (art. 79) e Lei 8.625/93 (art. 10, IX, “h” e art. 
72). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/CE (2020): Promotores eleitorais integram os Ministérios Públicos 
estaduais e exercem encargos perante os juízes eleitorais e as juntas 
eleitorais em caso de matéria referente a eleições municipais. Correto! 
 
MPE/PI (2019): Compete aos promotores eleitorais, nas eleições municipais, 
fiscalizar o pleito e ajuizar ações contra candidatos a prefeito e vereador. 
Correto! 
Para facilitar, segue gráfico: 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 71 
 
 
LC 75/93 Art. 79. O Promotor Eleitoral será o membro do Ministério Público 
local que oficie junto ao Juízo incumbido do serviço eleitoral de cada Zona. 
 
Lei 8625/93 Art. 10. Compete ao Procurador-Geral de Justiça: 
IX - designar membros do Ministério Público para: 
h) oficiar perante a Justiça Eleitoral de primeira instância, ou junto ao 
Procurador-Regional Eleitoral, quando por este solicitado; 
 
Art. 73. Para exercer as funções junto à Justiça Eleitoral, por solicitação do 
Procurador-Geral da República, os membros do Ministério Público do Estado 
serão designados, se for o caso, pelo respectivo Procurador-Geral de Justiça. 
§ 1º Não ocorrendo designação, exclusivamente para os serviços eleitorais, 
na forma do caput deste artigo, o Promotor Eleitoral será o membro do 
Ministério Público local que oficie perante o Juízo incumbido daqueles 
serviços. 
§ 2º Havendo impedimento ou recusa justificável, o Procurador-Geral de 
Justiça designará o substituto. 
 
ATENÇÃO!!! 
O art. 79 da LC 75/93, que confere ao Procurador Regional Eleitoral a 
incumbência de designar os membros do Ministério Público estadual que 
atuarão junto à Justiça Eleitoral, é constitucional tanto sob o ponto de vista 
formal como material. O Procurador-Geral da República detém a prerrogativa, 
ao lado daquela atribuída ao Chefe do Poder Executivo, de iniciar os projetos 
de lei que versem sobre a organização e as atribuições do Ministério PúblicoEleitoral. A designação de membro do Ministério Público local (estadual) 
como Promotor Eleitoral por Procurador Regional Eleitoral, que é membro do 
Ministério Público Federal, não afronta a autonomia administrativa do 
Ministério Público do Estado. 
STF. Plenário. ADI 3802/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/3/2016 (Info 
817).2 
 
2 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Designação de Promotor Eleitoral. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f4f6dce2f3a0f9dada0c2b5b66452017>. 
Acesso em: 09/11/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 72 
 
 
O Procurador Regional Eleitoral (PRE) é um Procurador Regional da República ou um 
Procurador da República. No Estado onde houver TRF, há Procuradores Regionais atuando. Nesse 
caso, o PRE será um Procurador Regional da República escolhido pelo Procurador Geral Eleitoral. 
Caso contrário, será designado Procurador da República pelo Procurador Regional Eleitoral (Lei 
Complementar 75/93). 
 Art. 75. Incumbe ao Procurador-Geral Eleitoral: 
I - designar o Procurador Regional Eleitoral em cada Estado e no Distrito 
Federal; 
 
Art. 76. O Procurador Regional Eleitoral, juntamente com o seu substituto, 
será designado pelo Procurador-Geral Eleitoral, dentre os Procuradores 
Regionais da República no Estado e no Distrito Federal, ou, onde não houver, 
dentre os Procuradores da República vitalícios, para um mandato de dois 
anos. 
§ 1º O Procurador Regional Eleitoral poderá ser reconduzido uma vez. 
§ 2º O Procurador Regional Eleitoral poderá ser destituído, antes do término 
do mandato, por iniciativa do Procurador-Geral Eleitoral, anuindo a maioria 
absoluta do Conselho Superior do Ministério Público Federal. 
 
O Procurador Geral Eleitoral é o próprio PGR (CE, arts. 18 e 24 e art. 73 da Lei 
Complementar 75/93). 
CE Art. 18. Exercerá as funções de Procurador Geral, junto ao Tribunal 
Superior Eleitoral, o Procurador Geral da República, funcionando, em suas 
faltas e impedimentos, seu substituto legal. 
Parágrafo único. O Procurador Geral poderá designar outros membros do 
Ministério Público da União, com exercício no Distrito Federal, e sem prejuízo 
das respectivas funções, para auxiliá-lo junto ao Tribunal Superior Eleitoral, 
onde não poderão ter assento. 
 
Art. 24. Compete ao Procurador Geral, como Chefe do Ministério Público 
Eleitoral; 
I - assistir às sessões do Tribunal Superior e tomar parte nas discussões; 
II - exercer a ação pública e promovê-la até final, em todos os feitos de 
competência originária do Tribunal; 
III - oficiar em todos os recursos encaminhados ao Tribunal; 
IV - manifestar-se, por escrito ou oralmente, em todos os assuntos 
submetidos à deliberação do Tribunal, quando solicitada sua audiência por 
qualquer dos juízes, ou por iniciativa sua, se entender necessário; 
V - defender a jurisdição do Tribunal; 
VI - representar ao Tribunal sobre a fiel observância das leis eleitorais, 
especialmente quanto à sua aplicação uniforme em todo o País; 
VII - requisitar diligências, certidões e esclarecimentos necessários ao 
desempenho de suas atribuições; 
VIII - expedir instruções aos órgãos do Ministério Público junto aos Tribunais 
Regionais; 
IX - acompanhar, quando solicitado, o Corregedor Geral, pessoalmente ou 
por intermédio de Procurador que designe, nas diligências a serem 
realizadas. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 73 
 
LC 75/93 - Art. 73. O Procurador-Geral Eleitoral é o Procurador-Geral da 
República. 
 Parágrafo único. O Procurador-Geral Eleitoral designará, dentre os 
Subprocuradores-Gerais da República, o Vice-Procurador-Geral Eleitoral, 
que o substituirá em seus impedimentos e exercerá o cargo em caso de 
vacância, até o provimento definitivo. 
 FUNÇÕES DO MP ELEITORAL 
A função do MP não é legislativa e nem jurisdicional. É função de monitoramento, de 
fiscalização. O MP pode celebrar um TAC, ajuizar demanda na Justiça Eleitoral etc. 
Atribuições: 
a) Monitora a regularidade do alistamento eleitoral tanto no âmbito da zona, como no TRE 
e TSE; 
b) Monitorar o processo de constituição dos partidos políticos, alteração do estatuto; 
c) Analisar as filiações partidárias; 
d) Monitorar a prestação de contas, cabendo a decisão da regularidade ou da irregularidade 
das contas prestadas à Justiça Eleitoral; 
e) Monitorar o processo eleitoral (propaganda, dia das eleições – exemplo: transporte 
clandestino de eleitores), etc. 
f) Autoria de todas as AÇÕES e REPRESENTAÇÕES CÍVEIS e ELEITORAIS, muito 
embora não seja o único legitimado. Exemplo: ação de impugnação de registro de 
candidatura - AIRC, recurso contra diplomação – RCD etc. 
g) O MP Eleitoral tem a autoria de todas as AÇÕES PENAIS eleitorais. São ações penais 
públicas incondicionadas. O que os partidos podem fazer é comunicar o fato ou ser 
assistente do MP. 
OBS.: o MP Eleitoral tem competência de fiscalizar a execução da 
pena. 
A polícia eleitoral é monitorada pelo MP Eleitoral. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/PR (2019): Na defesa do regime democrático, cumpre ao Ministério 
Público Eleitoral a proteção das eleições contra influência do poder 
econômico ou contra abuso do poder político. Correto! 
 
MPE/BA (2018): O Ministério Público tem atuação obrigatória em atos e fases 
do processo eleitoral. Sobre a atuação do Ministério Público no processo 
eleitoral, é correto afirmar que pode atuar como substituto processual e fiscal 
da lei, além de deter a titularidade exclusiva da ação penal eleitoral, 
ressalvada a ação penal privada subsidiária, e provocar a atividade policial 
de fiscalização e apuração de crimes eleitorais. Correto! 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 74 
 
MPE/RR (2017): O MP eleitoral tem legitimidade para recorrer de decisão que 
julgue o pedido de registro de candidatura, mesmo que não tenha 
apresentado impugnação anterior. Correto! 
 VEDAÇÕES E CONFLITOS DE ATRIBUIÇÕES ENTRE MEMBROS DO MP 
ELEITORAL 
Conforme disposto no art. 128, II, “e”, da CF é vedado aos membros do Ministério Público o 
exercício de atividade político-partidária. Portanto, os membros do Ministério Público que 
ingressaram após a CF/88, caso almejem concorrer a cargo público eletivo, terão que se afastar 
definitivamente do cargo para se filiar a algum partido político. 
Tratando-se de membros que ingressaram na instituição antes da CF/88, está assegurada 
a opção pelo regime jurídico anterior (admite a mera licença para concorrer, com o posterior retorno 
ao cargo exercido). 
Ressalta-se que não existe conflito de atribuição entre Procurador Regional Eleitoral e 
Promotor Eleitoral do mesmo Estado, tendo em vista que prevalecerá a decisão do Procurador 
Regional Eleitoral. Se forem de Estados distintos, a decisão seria do PGE. 
Por fim, entre promotores do mesmo Estado, o conflito deve ser decidido pelo PRE, mas se forem 
de Estados diferentes, a decisão caberia ao PGE. 
7. POLÍCIA ELEITORAL 
 PREVISÃO LEGAL 
Atividade de polícia judiciária e ostensiva. Previsão: CF/88 - art. 144, §1º 
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de 
todos, é exercida para a preservação da ordem pública (ordem eleitoral) e da 
incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: 
I - polícia federal; 
II - polícia rodoviária federal; 
III - polícia ferroviária federal; 
IV - polícias civis; 
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. 
VI - polícias penais federal, estaduais e distrital. 
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e 
mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a: 
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento 
de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e 
empresaspúblicas, assim como outras infrações cuja prática tenha 
repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, 
segundo se dispuser em lei; 
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o 
contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros 
órgãos públicos nas respectivas áreas de competência; 
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 75 
 
 
A Polícia Federal é um dos órgãos que exerce o poder de polícia, em um primeiro momento, 
para as questões eleitorais. 
IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União. 
 
Inciso IV: os crimes eleitorais são investigados originariamente pela Polícia Federal. 
 ATIVIDADE DE POLÍCIA 
7.2.1. Polícia Judiciária Eleitoral 
É a polícia investigativa. Instaura o Inquérito Policial quando houver indício de crime. 
É atribuição da Polícia Federal. Não havendo polícia federal, atuará a Polícia Civil. Trata-se 
de inquérito federal. 
7.2.2. Polícia Ostensiva Eleitoral 
É a polícia que fica monitorando a ordem pública, exercendo no dia a dia, a título preventivo, 
o poder coercitivo. 
Num primeiro momento, a atuação é da Polícia Federal (agentes da polícia federal). Não 
havendo Polícia Federal, atuará a PM. 
8. DEFENSORIA PÚBLICA ELEITORAL 
Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função 
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do 
regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção 
dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, 
dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos 
necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição 
Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014) 
 
A Lei Complementar 80/94, em seu art. 14, atribuiu a função de defesa dos hipossuficientes 
na Justiça Eleitoral à DPU, em princípio. Havendo convênio, a Defensoria Pública Estadual e a 
Defensoria Pública do DF podem atuar. 
Art. 14. A Defensoria Pública da União atuará nos Estados, no Distrito 
Federal e nos Territórios, junto às Justiças Federal, do Trabalho, Eleitoral, 
Militar, Tribunais Superiores e instâncias administrativas da União. 
§ 1o A Defensoria Pública da União deverá firmar convênios com as 
Defensorias Públicas dos Estados e do Distrito Federal, para que estas, em 
seu nome, atuem junto aos órgãos de primeiro e segundo graus de jurisdição 
referidos no caput, no desempenho das funções que lhe são cometidas por 
esta Lei Complementar. (Incluído pela Lei Complementar nº 98, de 1999). 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm#art5lxxiv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm#art5lxxiv
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc80.htm#art1
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 76 
 
E se não tiver Defensoria Pública Estadual? Pode atuar em qualquer outro órgão que 
desempenhe a função da Defensoria Pública (ex.: advogado dativo), desde que exista convênio. 
A Defensoria Pública atua da seguinte forma: 
1) TSE: Defensor Público Federal de Categoria Especial; 
2) TRE: Defensor Público Federal de 1ª Categoria; 
3) Juntas e Juízes: Defensor Público Federal de 2ª Categoria. 
9. PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL - PFN 
Segundo o CE art. 367 e a Resolução TSE 21.975/04, quem executa as multas eleitorais é a 
PFN. 
Uma das principais sanções que a Justiça Eleitoral aplica é a multa. 
Art. 367. A imposição e a cobrança de qualquer multa, salvo no caso das 
condenações criminais, obedecerão às seguintes normas: 
I - No arbitramento será levada em conta a condição econômica do eleitor; 
II - Arbitrada a multa, de ofício ou a requerimento do eleitor, o pagamento será 
feito através de selo federal inutilizado no próprio requerimento ou no 
respectivo processo; 
III - Se o eleitor não satisfizer o pagamento no prazo de 30 (trinta) dias, será 
considerada dívida líquida e certa, para efeito de cobrança mediante 
executivo fiscal, a que for inscrita em livro próprio no Cartório Eleitoral; 
IV - A cobrança judicial da dívida será feita por ação executiva na forma 
prevista para a cobrança da dívida ativa da Fazenda Pública, correndo a ação 
perante os juízos eleitorais; 
V - Nas Capitais e nas comarcas onde houver mais de um Promotor de 
Justiça, a cobrança da dívida far-se-á por intermédio do que for designado 
pelo Procurador Regional Eleitoral; 
VI - Os recursos cabíveis, nos processos para cobrança da dívida decorrente 
de multa, serão interpostos para a instância superior da Justiça Eleitoral; 
VII - Em nenhum caso haverá recurso de ofício; 
VIII - As custas, nos Estados, Distrito Federal e Territórios serão cobradas 
nos termos dos respectivos Regimentos de Custas; 
IX - Os juízes eleitorais comunicarão aos Tribunais Regionais, 
trimestralmente, a importância total das multas impostas, nesse período e 
quanto foi arrecadado através de pagamentos feitos na forma dos números II 
e III; 
 X - Idêntica comunicação será feita pelos Tribunais Regionais ao Tribunal 
Superior. 
§ 1º As multas aplicadas pelos Tribunais Eleitorais serão consideradas 
líquidas e certas, para efeito de cobrança mediante executivo fiscal desde 
que inscritas em livro próprio na Secretaria do Tribunal competente. 
§ 2º A multa pode ser aumentada até dez vezes, se o juiz, ou Tribunal 
considerar que, em virtude da situação econômica do infrator, é ineficaz, 
embora aplicada no máximo. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 77 
 
 § 3º O alistando, ou o eleitor, que comprovar devidamente o seu estado de 
pobreza, ficará isento do pagamento de multa. 
 § 4º Fica autorizado o Tesouro Nacional a emitir selos, sob a designação 
"Selo Eleitoral", destinados ao pagamento de emolumentos, custas, 
despesas e multas, tanto as administrativas como as penais, devidas à 
Justiça Eleitoral. 
§ 5º Os pagamentos de multas poderão ser feitos através de guias de 
recolhimento, se a Justiça Eleitoral não dispuser de selo eleitoral em 
quantidade suficiente para atender aos interessados. 
 
A execução da multa será feita pela Justiça Eleitoral competente (TSE, TRE ou Juiz 
Eleitoral). Súmula 374 STJ interpretando o CF/1988 - art. 109, I: 
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal 
forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, 
exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça 
Eleitoral e à Justiça do Trabalho; 
 
Súmula 374 STJ Compete à Justiça Eleitoral processar e julgar a ação para 
anular débito decorrente de multa eleitoral. 
 
A multa faz parte da Dívida Ativa da União. 
Obs.: aplica-se o procedimento da Lei 6.830/80 (cobrança da Dívida 
Ativa): execução de título executivo extrajudicial, muito embora se 
trate de título executivo judicial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 78 
 
PARTIDOS POLÍTICOS 
1. CONCEITO 
São associações civis de cunho político-ideológico, compostas por pessoas naturais, cujo 
objetivo é conquistar, manter o poder político ou ocupar a condição de oposição. 
2. NATUREZA JURÍDICA 
Pessoa Jurídica de Direito Privado — Associação Civil. 
Como o tema foi cobrado em prova? 
TJ/MG (2022) A partir da edição da Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/95) 
e da alteração do Código Civil Brasileiro pela Lei nº 10.825/2003, os partidos 
políticos são considerados pessoas jurídicas de direito privado; todavia, 
sendo relevante seu papel no Estado Democrático de Direito, os partidos 
políticos ocupam posição de destaque no campodo Direito Eleitoral. Correta! 
O partido político deve ser registrado no Cartório de Registro Civil de Pessoa Jurídica do 
local de sua sede (adquire personalidade jurídica); 
Lei 9.096/95 - Art. 8º O requerimento do registro de partido político, dirigido 
ao cartório competente do Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de 
sua sede, deve ser subscrito pelos seus fundadores, em número nunca 
inferior a 101 (cento e um), com domicílio eleitoral em, no mínimo, 1/3 (um 
terço) dos Estados, e será acompanhado de: (Redação dada pela Lei nº 
13.877, de 2019): 
(...) 
§ 1º O requerimento indicará o nome e a função dos dirigentes provisórios e 
o endereço da sede do partido no território nacional. (Redação dada pela 
Lei nº 13.877, de 2019) 
 
Como o tema foi cobrado em prova? 
MP/RJ (2022) O requerimento do registro de partido político deve ser 
subscrito pelos seus fundadores, em número nunca inferior a 101 (cento e 
um), com domicílio eleitoral em, no mínimo, 2/3 (dois terços) dos Estados. 
Com a aprovação do Registro do Estatuto no TSE → adquirirá capacidade político-
ideológica. 
Art. 17 CF/88 - É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos 
políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o 
pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados 
os seguintes preceitos: 
I - caráter nacional; 
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo 
estrangeiros ou de subordinação a estes; 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 79 
 
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral; 
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei. 
§ 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura 
interna e estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus 
órgãos permanentes e provisórios e sobre sua organização e funcionamento 
e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações nas 
eleições majoritárias, vedada a sua celebração nas eleições proporcionais, 
sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, 
estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas 
de disciplina e fidelidade partidária. 
§ 2º - Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma 
da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. 
§ 3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao 
rádio e à televisão, na forma da lei, os partidos políticos que 
alternativamente: 
I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% 
(três por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das 
unidades da Federação, com um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos 
válidos em cada uma delas; ou 
II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em 
pelo menos um terço das unidades da Federação 
§ 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar. 
§ 5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos previstos no § 3º 
deste artigo é assegurado o mandato e facultada a filiação, sem perda do 
mandato, a outro partido que os tenha atingido, não sendo essa filiação 
considerada para fins de distribuição dos recursos do fundo partidário e de 
acesso gratuito ao tempo de rádio e de televisão. 
§ 6º Os Deputados Federais, os Deputados Estaduais, os Deputados 
Distritais e os Vereadores que se desligarem do partido pelo qual tenham sido 
eleitos perderão o mandato, salvo nos casos de anuência do partido ou de 
outras hipóteses de justa causa estabelecidas em lei, não computada, em 
qualquer caso, a migração de partido para fins de distribuição de recursos do 
fundo partidário ou de outros fundos públicos e de acesso gratuito ao rádio e 
à televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021) 
§ 7º Os partidos políticos devem aplicar no mínimo 5% (cinco por cento) dos 
recursos do fundo partidário na criação e na manutenção de programas de 
promoção e difusão da participação política das mulheres, de acordo com os 
interesses intrapartidários. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, 
de 2022) 
§ 8º O montante do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e da 
parcela do fundo partidário destinada a campanhas eleitorais, bem como o 
tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão a ser distribuído pelos 
partidos às respectivas candidatas, deverão ser de no mínimo 30% (trinta por 
cento), proporcional ao número de candidatas, e a distribuição deverá ser 
realizada conforme critérios definidos pelos respectivos órgãos de direção e 
pelas normas estatutárias, considerados a autonomia e o interesse partidário. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022) 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/GO (2021) Os partidos políticos que tenham registrado seus estatutos no 
Tribunal Superior Eleitoral podem, nos termos da lei, participar do processo 
eleitoral, receber recursos do Fundo Partidário e ter acesso gratuito ao rádio 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc111.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 80 
 
e à televisão, além de ter assegurada a exclusividade de sua denominação, 
sigla e símbolos, vedada a utilização, por outros partidos, de variações que 
venham a induzir a erro ou confusão. Correta! 
3. TEMPO MÍNIMO DE EXISTÊNCIA DO PARTIDO POLÍTICO 
Para que um partido político possa concorrer às eleições é necessário que tenha um tempo 
mínimo de existência. Antes da minirreforma eleitoral de 2017, o tempo mínimo era de um ano, foi 
reduzido para seis meses com a Lei 13.488/17 (art. 4º da Lei 9.504/97). 
Art. 4º Poderá participar das eleições o partido que, até seis meses antes do 
pleito, tenha registrado seu estatuto no Tribunal Superior Eleitoral, conforme 
o disposto em lei, e tenha, até a data da convenção, órgão de direção 
constituído na circunscrição, de acordo com o respectivo estatuto (Redação 
dada pela Lei nº 13.488, de 2017) 
4. REQUISITOS PARA A CRIAÇÃO 
O art. 7º da Lei nº 9.096/95 prevê as regras para que o partido político possa ser criado. 
Um dos requisitos para a criação de um novo partido é que ele deverá obter uma quantidade 
mínima de eleitores assinado uma declaração de apoio à nova agremiação. Isso é chamado de 
"apoiamento mínimo de eleitores". É como se fosse um "abaixo-assinado" com eleitores 
declarando que desejam a criação do partido. Essa lista de assinaturas e títulos é posteriormente 
conferida pelo chefe do Cartório eleitoral, que irá lavrar um atestado na própria lista. 
A Lei nº 13.165/2015 altera o § 1º deste art. 7º e passa a exigir que o apoiamento de eleitores 
seja coletado durante um período de 2 anos. 
Art. 7º, § 1º Só é admitido o registro do estatuto de partido político que tenha 
caráter nacional, considerando-se como tal aquele que comprove, no período 
de dois anos, o apoiamento de eleitores não filiados a partido político, 
correspondente a, pelo menos, 0,5% (cinco décimos por cento) dos votos 
dados na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, não 
computados os votos em branco e os nulos, distribuídos por um terço, ou 
mais, dos Estados, com um mínimo de 0,1% (um décimo por cento) do 
eleitorado que haja votado em cada um deles. 
 
Importante destacar que as assinaturas apostas na lista de apoiamento não significam 
filiação. 
Atenção para os §§2º e 3º da Lei 9.096/95: 
Art. 7º(...) 
§ 2º Só o partido que tenha registrado seu estatuto no Tribunal Superior 
Eleitoral pode participar doprocesso eleitoral, receber recursos do Fundo 
Partidário e ter acesso gratuito ao rádio e à televisão, nos termos fixados 
nesta Lei. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13488.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13488.htm#art1
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 81 
 
§ 3º Somente o registro do estatuto do partido no Tribunal Superior Eleitoral 
assegura a exclusividade da sua denominação, sigla e símbolos, vedada a 
utilização, por outros partidos, de variações que venham a induzir a erro ou 
confusão. 
 
O STF, ao julgar a ADI 5311, entendeu que as alterações promovidas pela Lei 13.107/2015 
no art. 7º, são constitucionais. 
Afirmou que as normas legais impugnadas não afetam, reduzem ou condicionam a 
autonomia partidária, porque o espaço de atuação livre dos partidos políticos deve estar de acordo 
com as a normas jurídicas que estabelecem condições pelas quais se pode dar a criação, ou 
recriação por fusão ou incorporação de partido sem intervir no seu funcionamento interno. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/SC (2019): Em até um ano após adquirir personalidade jurídica, o partido 
político tem de comprovar o apoiamento mínimo de eleitores filiados, no total 
de, pelo menos, 0,5% dos votos dados na última eleição geral para a Câmara 
dos Deputados, não computados os votos em branco e os nulos. Errado! Em 
até 2 anos. 
5. CARACTERÍSTICAS 
 LIBERDADE DE CRIAÇÃO 
O caput do art. 17 da CF consagra a liberdade para a criação, fusão, incorporação e extinção 
dos partidos políticos. 
Art. 17 CF/88 - É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos 
políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o 
pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados 
os seguintes preceitos 
 CARÁTER NACIONAL 
Também possui previsão constitucional (art. 17, I da CF), por isso é necessária a lista de 
apoio para a sua criação. 
O art. 7º da Lei 9.504/97 exemplifica o caráter nacional dos partidos políticos. Observe: 
Art. 7º As normas para a escolha e substituição dos candidatos e para a 
formação de coligações serão estabelecidas no estatuto do partido, 
observadas as disposições desta Lei. 
§ 1º Em caso de omissão do estatuto, caberá ao órgão de direção nacional 
do partido estabelecer as normas a que se refere este artigo, publicando-as 
no Diário Oficial da União até cento e oitenta dias antes das eleições. 
§ 2o Se a convenção partidária de nível inferior se opuser, na deliberação 
sobre coligações, às diretrizes legitimamente estabelecidas pelo órgão de 
direção nacional, nos termos do respectivo estatuto, poderá esse órgão 
anular a deliberação e os atos dela decorrentes. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 82 
 
§ 3o As anulações de deliberações dos atos decorrentes de convenção 
partidária, na condição acima estabelecida, deverão ser comunicadas à 
Justiça Eleitoral no prazo de 30 (trinta) dias após a data limite para o registro 
de candidatos. 
§ 4o Se, da anulação, decorrer a necessidade de escolha de novos 
candidatos, o pedido de registro deverá ser apresentado à Justiça Eleitoral 
nos 10 (dez) dias seguintes à deliberação, observado o disposto no art. 13. 
 AUTONOMIA PARTIDÁRIA 
Prevista no art. 17, §1º da CF, vejamos: 
§ 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura 
interna e estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus 
órgãos permanentes e provisórios e sobre sua organização e funcionamento 
e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações nas 
eleições majoritárias, vedada a sua celebração nas eleições proporcionais, 
sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, 
estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas 
de disciplina e fidelidade partidária. 
 
Repare que, além de proibir a realização de coligações em eleições proporcionais, o novo § 
1º do art. 17 prevê expressamente que os partidos políticos gozam de autonomia para estabelecer 
regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e provisórios. 
Começou a produzir efeitos a partir das eleições de 2020. 
É por meio do estatuto partidário que a agremiação estabelecerá suas diretrizes internas, 
seus objetivos e seus programas de atuação. 
Art. 14. Observadas as disposições constitucionais e as desta Lei, o partido 
é livre para fixar, em seu programa, seus objetivos políticos e para 
estabelecer, em seu estatuto, a sua estrutura interna, organização e 
funcionamento. 
 
Art. 15. O Estatuto do partido deve conter, entre outras, normas sobre: 
I - nome, denominação abreviada e o estabelecimento da sede no território 
nacional; (Redação dada pela Lei nº 13.877, de 2019) 
II - filiação e desligamento de seus membros; 
III - direitos e deveres dos filiados; 
IV - modo como se organiza e administra, com a definição de sua estrutura 
geral e identificação, composição e competências dos órgãos partidários nos 
níveis municipal, estadual e nacional, duração dos mandatos e processo de 
eleição dos seus membros; 
V - fidelidade e disciplina partidárias, processo para apuração das infrações 
e aplicação das penalidades, assegurado amplo direito de defesa; 
VI - condições e forma de escolha de seus candidatos a cargos e funções 
eletivas; 
VII - finanças e contabilidade, estabelecendo, inclusive, normas que os 
habilitem a apurar as quantias que os seus candidatos possam despender 
com a própria eleição, que fixem os limites das contribuições dos filiados e 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 83 
 
definam as diversas fontes de receita do partido, além daquelas previstas 
nesta Lei; 
VIII - critérios de distribuição dos recursos do Fundo Partidário entre os 
órgãos de nível municipal, estadual e nacional que compõem o partido; 
IX - procedimento de reforma do programa e do estatuto. 
X - prevenção, repressão e combate à violência política contra a 
mulher. (Incluído pela Lei nº 14.192, de 2021) 
 
Como exemplo de autonomia partidária, cita-se o art. 3º da Lei 9.096/95 e a revogação da 
verticalização das coligações. 
Art. 3º É assegurada, ao partido político, autonomia para definir sua estrutura 
interna, organização e funcionamento. 
§ 1º. É assegurada aos candidatos, partidos políticos e coligações autonomia 
para definir o cronograma das atividades eleitorais de campanha e executá-
lo em qualquer dia e horário, observados os limites estabelecidos em 
lei. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 13.831, de 2019) 
§ 2º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir o prazo de 
duração dos mandatos dos membros dos seus órgãos partidários 
permanentes ou provisórios. (Incluído pela Lei nº 13.831, de 2019) 
§ 3º O prazo de vigência dos órgãos provisórios dos partidos políticos poderá 
ser de até 8 (oito) anos. (Incluído pela Lei nº 13.831, de 2019) (Vide ADI 
Nº 6.230) 
 
Destaca-se que o STF (ADI 2530), em virtude da autonomia partidária, suspendeu a eficácia 
do §1º do art. 8º da Lei 9.504/97 que tratava da figura do candidato nato. 
Existe direito subjetivo do indivíduo que já ocupa o cargo eletivo e vai em busca da reeleição 
ser escolhido pelo partido como candidato?3 Por exemplo, João, filiado ao Partido “X”, já é vereador; 
ele deseja concorrer à reeleição; pelo fato de já ser vereador, o Partido “X” é obrigado a escolher 
João como sendo um dos candidatos da agremiação? NÃO. O legislador tentou impor essa 
obrigatoriedade no § 1º do art. 8º da Lei nº 9.504/97: 
Art. 8º (...) § 1º Aos detentores de mandato de Deputado Federal, Estadual 
ou Distrital, ou de Vereador, e aos que tenham exercido esses cargos em 
qualquer período da legislatura que estiver em curso, é assegurado o registro 
de candidatura para o mesmo cargopelo partido a que estejam filiados. 
 
Isso foi denominado pela doutrina e jurisprudência de “candidatura nata”. Assim, 
“candidatura nata” é o direito que o titular do mandato eletivo possui de, obrigatoriamente, ser 
escolhido e registrado pelo partido político como candidato à reeleição. 
O STF, contudo, entendeu que esse § 1º do art. 8º da Lei nº 9.504/97 é inconstitucional, não 
sendo possível a chamada “candidatura nata”. 
O instituto da “candidatura nata” é incompatível com a Constituição Federal 
de 1988, tanto por violar a isonomia entre os postulantes a cargos eletivos 
como, sobretudo, por atingir a autonomia partidária (art. 5º, “caput”, e art. 17 
da CF/88). 
 
3 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Não existe no Brasil a candidatura nata, ou seja, o direito do titular do mandato eletivo de ser, 
obrigatoriamente, escolhido e registrado pelo partido como candidato à reeleição. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/cc3f5463bc4d26bc38eadc8bcffbc654>. Acesso em: 05/11/2022 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14192.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13831.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13831.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13831.htm#art1
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5774369
https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5774369
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 84 
 
STF. Plenário. ADI 2530/DF, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 18/8/2021 
(Info 1026). 
 
Retornando ao tópico anterior, é importante lembrar que a autonomia partidária sofre 
restrições, tendo em vista que é vedado aos partidos receber recursos financeiros de entidade ou 
governo estrangeiros ou subordinar-se a eles, bem como utilizar organização paramilitar. 
Ainda sobre este artigo, convém anotar que recentemente, em agosto de 2022, o STF 
decidiu pela inconstitucionalidade do prazo de 8 anos para os órgãos provisórios. 
Os partidos políticos podem, no exercício de sua autonomia constitucional, 
estabelecer a duração dos mandatos de seus dirigentes, desde que 
compatível com o princípio republicano da alternância do poder concretizado 
por meio da realização de eleições periódicas em prazo razoável. 
É inconstitucional a previsão do prazo de até oito anos para a vigência dos 
órgãos provisórios dos partidos, para evitar distorções ao claro significado de 
“provisoriedade”, notadamente porque, nesse período, podem ser realizadas 
distintas eleições em todos os níveis federativos. 
É constitucional a previsão de concessão de anistia às cobranças, 
devoluções ou transferências ao Tesouro Nacional que tenham como causa 
as doações ou contribuições feitas em anos anteriores por servidores 
públicos que exerçam função ou cargo público de livre nomeação e 
exoneração, desde que filiados a partido político. 
STF. Plenário. ADI 6230/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 
5/8/2022 (Info 1062). 
 
O poder não deve ser exercido por tempo indeterminado ou excessivo, sendo imprescindível 
a apuração democrática da vontade dos filiados.4 
Ocorre que as comissões provisórias normalmente são compostas por pessoas não eleitas 
por seus pares, mas indicadas pela direção do partido e com sucessivas reconduções. Essa 
circunstância é capaz de minar a democracia interna, pois apta a acarretar a falta de autenticidade 
dos partidos políticos, culminando em sérios reflexos na legitimidade do sistema político. 
Nas palavras do Ministro Ricardo Lewandowski, “a autonomia partidária foi concedida aos 
partidos políticos com a intenção de fortalecer o regime democrático e o princípio republicano, não 
de enfraquecê-los. E aqui se coloca a problemática das comissões provisórias que se perpetuam. 
O que é provisório não é eterno; o que é temporário, não pode ser permanente; o que é efêmero, 
não é duradouro. As palavras têm significado, e o intérprete constitucional não pode ignorar o 
léxico.”. 
O texto constitucional é claro ao determinar que a autonomia partidária se condiciona ao 
respeito ao postulado da democracia. De igual forma, a Lei dos Partidos Políticos estabelece a 
necessidade de constituição definitiva dos órgãos partidários e, ao mencionar a duração dos 
mandatos dos integrantes dos órgãos partidários de todos os níveis – municipal, estadual e nacional 
– conduz o intérprete à conclusão de que o poder não pode ser exercido por tempo indeterminado 
ou excessivo, sendo imprescindível a apuração democrática da vontade dos filiados. 
 
4 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Decisão do STF sobre a autonomia dos partidos para a duração dos mandatos de seus dirigentes 
e para a vigência dos órgãos provisórios dos partidos (Lei 13.831/2019). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/69ddb50142a89123ba6f870ab07e6fbb>. Acesso em: 04/11/2022. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 85 
 
Diante da declaração de inconstitucionalidade, qual foi o prazo máximo fixado pelo STF para 
os órgãos provisórios dos partidos políticos? 
O STF não fixou prazo. Os Ministros disseram que o STF não pode, sob pena de atuar como 
legislador positivo, estabelecer um único prazo, aplicável indistintamente a todas as agremiações e 
em todos os cenários. Cabe à Justiça Eleitoral analisar, na apreciação do registro dos estatutos ou 
quando trazida a questão em casos concretos, a constitucionalidade e legalidade do prazo de 
vigência dos órgãos provisórios dos partidos políticos. 
Nesse contexto, especificamente quanto a essa parte na qual reconhece a 
inconstitucionalidade da norma, o STF fez uma modulação e disse que a decisão somente produzirá 
efeitos a partir de janeiro de 2023, prazo posterior ao encerramento do presente ciclo eleitoral, após 
o qual o TSE poderá analisar a compatibilidade dos estatutos com o que fora decidido. 
6. COLIGAÇÕES 
Coligação partidária consiste na aliança (acordo) feita entre dois ou mais partidos para que 
eles trabalhem juntos em uma eleição apresentando o mesmo candidato. 
Ex: nas eleições presidenciais de 2014, foi feita uma coligação denominada “Coligação com 
a força do povo” para apresentar a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Esta 
coligação era formada por 9 partidos (PT, PMDB, PSD, PP, PR, PROS, PDT, PCdoB e PRB). 
Importante consignar que a coligação não possui personalidade jurídica própria, mas 
somente a personalidade judiciária, podendo inclusive figurar nos polos ativo e passivo das ações 
eleitorais. 
É possível a realização de coligações partidárias tanto para eleições majoritárias como 
também proporcionais?5 
Antes da EC 97/2017 Depois da EC 97/2017 (ATUALMENTE) 
SIM. Era permitida a realização de 
coligações partidárias tanto para eleições 
majoritárias como também proporcionais. 
NÃO. Atualmente só se permite coligação 
partidária para eleições majoritárias. 
Essa era a redação vigente da Lei nº 
9.504/97: 
Art. 6º É facultado aos partidos políticos, 
dentro da mesma circunscrição, celebrar 
coligações para eleição majoritária, 
proporcional, ou para ambas, podendo, 
neste último caso, formar-se mais de uma 
coligação para a eleição proporcional 
dentre os partidos que integram a 
coligação para o pleito majoritário. 
O § 1º do art. 17 da CF/88 foi alterado 
pela EC 97/2017 e passou a prever que é 
vedada a celebração de coligações nas 
eleições proporcionais. 
Com isso, o art. 6º da Lei nº 9.504/97 não 
foi recepcionado pela EC 97/2017. Em 
linguagem comum, mas atécnica, diz-se 
que o referido art. 6º foi “revogado” pela 
EC 97/2017. 
 
5 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.211/2021: restrição à competência normativa do TSE, retirada 
menções às coligações proporcionais da lei eleitoral e alterações noart. 109 do Código Eleitoral. Buscador 
Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/dc912a253d1e9ba40e2c597ed2
376640>. Acesso em: 09/11/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 86 
 
 
A Lei 14.211/2021 atualizou o art. 6º da Lei 9.504/1997, a fim de deixar claro que as 
coligações se aplicam apenas para as eleições majoritárias. 
Art. 6º É facultado aos partidos políticos, dentro da mesma circunscrição, 
celebrar coligações para eleição majoritária. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MP/SP (2022) A coligação partidária pode ter abrangência regional. Correta! 
MPE/GO (2019): Podemos afirmar que a Emenda Constitucional número 97 
alterou a Constituição Federal dando nova roupagem às Coligações 
Partidárias, Tornou facultativa somente para eleições majoritárias, vedada 
sua celebração nas eleições proporcionais. Correta! 
Qual foi o grande objetivo por trás dessa mudança? 
A intenção foi a de fortalecer os grandes partidos. Isso porque não sendo permitida a 
coligação em eleições proporcionais, dificilmente partidos muito pequenos irão conseguir atingir um 
quociente partidário que supere o quociente eleitoral. Significa dizer que, sozinhos, ou seja, sem 
coligações, partidos pequenos terão muita dificuldade de eleger Vereadores e Deputados. 
Além da dificuldade de atingir o quociente eleitoral, os partidos pequenos terão poucos 
segundos no horário eleitoral, diminuindo sua visibilidade. 
Art. 17, § 3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e acesso 
gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os partidos políticos que 
alternativamente: 
I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% 
(três por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das 
unidades da Federação, com um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos 
válidos em cada uma delas; ou 
II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em 
pelo menos um terço das unidades da Federação. 
 
A proibição de coligações para eleições proporcionais começou a valer para as eleições de 
2020. Veja: 
Art. 2º A vedação à celebração de coligações nas eleições proporcionais, 
prevista no § 1º do art. 17 da Constituição Federal, aplicar-se-á a partir das 
eleições de 2020. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/AL (2019): A partir de 2020, são vedadas as coligações partidárias nas 
eleições proporcionais. Correto! 
 
TJ/RS (2018): Com o advento da Emenda Constitucional no 97/2017, a partir 
das eleições de 2020, a celebração de coligações será vedada nas eleições 
proporcionais, atingindo, assim, a proibição, os cargos de Vereador, 
Deputado Estadual, Deputado Federal e Deputado Distrital. Correto! 
Houve alguma mudança no regime das coligações para eleições majoritárias? NÃO. As 
coligações para eleições majoritárias continuam sendo permitidas sem qualquer alteração. 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 87 
 
Compare as mudanças operadas pela EC 97/2017 no texto constitucional6: 
Redação anterior Redação ATUAL (dada pela EC 
97/2017) 
Art. 17. (...) 
§ 1º É assegurada aos partidos políticos 
autonomia para definir sua estrutura 
interna, organização e funcionamento e 
para adotar os critérios de escolha e o 
regime de suas coligações eleitorais, sem 
obrigatoriedade de vinculação entre as 
candidaturas em âmbito nacional, 
estadual, distrital ou municipal, devendo 
seus estatutos estabelecer normas de 
disciplina e fidelidade partidária. 
Art. 17 (...) 
§ 1º É assegurada aos partidos políticos 
autonomia para definir sua estrutura 
interna e estabelecer regras sobre 
escolha, formação e duração de seus 
órgãos permanentes e provisórios e 
sobre sua organização e funcionamento e 
para adotar os critérios de escolha e o 
regime de suas coligações nas eleições 
majoritárias, vedada a sua celebração 
nas eleições proporcionais, sem 
obrigatoriedade de vinculação entre as 
candidaturas em âmbito nacional, 
estadual, distrital ou municipal, devendo 
seus estatutos estabelecer normas de 
disciplina e fidelidade partidária. 
7. FEDERAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS7 
 CONCEITO 
Trata-se da reunião de dois ou mais partidos políticos que possuam afinidade ideológica ou 
programática e que, depois de constituída e registrada no TSE, atuará como se fosse uma única 
agremiação partidária. 
Essa possibilidade foi inserida pela Lei nº 14.208/2021 no art. 11-A da Lei nº 9.096/95 (Lei 
dos Partidos Políticos). 
Art. 11-A. Dois ou mais partidos políticos poderão reunir-se em federação, a 
qual, após sua constituição e respectivo registro perante o Tribunal Superior 
Eleitoral, atuará como se fosse uma única agremiação partidária. . 
 
A Lei nº 14.208/2021 entrou em vigor na data de sua publicação (29/09/2021). 
Obs.: ADI 70228 ajuizada pelo PTB para que seja declarada a 
inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º e, por arrastamento, 3º da Lei 
n. 14.208 de 28 de setembro de 2021 que, ao permitir a formação de 
 
6 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.211/2021: restrição à competência normativa do TSE, retirada 
menções às coligações proporcionais da lei eleitoral e alterações no art. 109 do Código Eleitoral. Buscador 
Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/dc912a253d1e9ba40e2c597ed2
376640>. Acesso em: 09/11/2022 
7 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.208/2021: possibilidade de se instituir federações de partidos políticos. Buscador Dizer o 
Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/00ec53c4682d36f5c4359f4ae7bd7ba1>. Acesso em: 
09/11/2022 
8 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6293256 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 88 
 
federação partidária, violam frontalmente o §1º, art. 17 e o art. 65, 
caput e §1º, da Constituição Federal de 1988. 
 REGRAS PARA A CRIAÇÃO DE UMA FEDERAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS 
A criação da federação de partidos políticos obedecerá às seguintes regras: 
I) a federação somente poderá ser integrada por partidos com registro definitivo no TSE; 
II) os partidos reunidos em federação deverão permanecer a ela filiados por, no mínimo, 4 
anos. 
O partido que descumprir essa regra, receberá as seguintes sanções: 
a) ficará proibido de ingressar em outra federação e de celebrar coligação nas 2 eleições 
seguintes; 
b) ficará proibido de utilizar o fundo partidário até completar o prazo mínimo 
remanescente para completar os 4 anos (ex: se abandonou a federação após 3 anos, 
ficará impedido de utilizar o fundo partidário por mais 1 ano). 
III) a federação poderá ser constituída até a data final do período de realização das 
convenções partidárias. Assim, é vedada a formação de federação de partidos após o 
prazo de realização das convenções partidárias. 
IV) a federação terá abrangência nacional e seu registro será encaminhado ao TSE. 
Deverão ser aplicadas à federação de partidos todas as normas que regem o funcionamento 
parlamentar e a fidelidade partidária (§ 1º do art. 11-A da Lei nº 9.096/95). 
Como o tema foi cobrado em prova? 
MP/TO (2022) Aplicam-se à federação partidária todas as normas que regem 
o funcionamento parlamentar e a fidelidade partidária. Correta! 
 (IM) POSSIBILIDADE DE DEIXAR A FEDERAÇÃO 
É possível que o partido político continue existindo, mesmo quando deixar a federação, 
desde que, mesmo com essa saída, continue havendo pluralidade de partidos, ou seja, a federação 
continue com, no mínimo, 2 partidos. Confira o que diz o § 5º do art. 11-A: 
Art. 11-A (...) 
§ 5º Na hipótese de desligamento de 1 (um) ou mais partidos, a federação 
continuará em funcionamento, até a eleição seguinte, desde que nela 
permaneçam 2 (dois) ou mais partidos. 
 
 ETAPAS PARA A CONSTITUIÇÃO DE UMA FEDERAÇÃOhttp://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 89 
 
1) Decisão tomada pela maioria absoluta dos votos da direção nacional do partido 
aprovando a formação e ingresso na federação. Essa deliberação deverá ser formalizada em uma 
resolução partidária; 
2) Elaboração de um programa e de um estatuto para a federação. Esse estatuto é muito 
importante porque nele serão definidas as regras para a composição da lista da federação para as 
eleições proporcionais. (§ 7º do art. 11-A). 
3) Formação de um órgão de direção nacional para a federação. 
4) Pedido de registro da federação no TSE. 
 DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA O PEDIDO DE REGISTRO DA FEDERAÇÃO 
NO TSE 
O pedido de registro de federação de partidos encaminhado ao TSE será acompanhado dos 
seguintes documentos: 
a) cópia da resolução tomada pela maioria absoluta dos votos dos órgãos de 
deliberação nacional de cada um dos partidos integrantes da federação; 
b) cópia do programa e do estatuto comuns da federação constituída; 
c) ata de eleição do órgão de direção nacional da federação. 
 ATUAÇÃO NAS ELEIÇÕES 
Aplicam-se à federação de partidos todas as normas que regem as atividades dos partidos 
políticos no que diz respeito às eleições, inclusive no que se refere à: 
a) escolha e registro de candidatos para as eleições majoritárias e proporcionais; 
b) arrecadação e aplicação de recursos em campanhas eleitorais; 
c) propaganda eleitoral; 
d) contagem de votos; 
e) obtenção de cadeiras; 
f) prestação de contas; e 
g) convocação de suplentes. 
Desse modo, para as eleições, a federação é como se fosse um único partido político. 
 INFIDELIDADE PARTIDÁRIA E FEDERAÇÃO 
A Lei nº 14.208/2021 inseriu uma norma tratando sobre infidelidade partidária no § 9º do art. 
11-A da Lei nº 9.096/95. Antes de analisarmos o que diz esse dispositivo, acho importante tecer 
algumas considerações prévias sobre o tema para entendermos melhor a nova previsão. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 90 
 
No Brasil, a pessoa só pode concorrer a um cargo eletivo se ela estiver filiada a um partido 
político. Essa exigência é uma condição de elegibilidade, prevista no art. 14, § 3º, V, da CF/88. 
Mesmo não havendo uma norma expressa na lei ou na CF/88 dizendo isso, o TSE e o 
STF, em 2007, decidiram que a infidelidade partidária era causa de perda do mandato eletivo. Em 
outras palavras, o TSE e o STF firmaram a tese jurisprudencial de que, se o titular do mandato 
eletivo, sem justa causa, sair do partido político no qual foi eleito, ele perderá o cargo que ocupa. 
Posteriormente, em 2015, foi editada a Lei nº 13.165/2015, que alterou a Lei nº 9.096/95, 
passando a tratar expressamente sobre o tema “infidelidade partidária”. Veja o artigo que foi 
acrescentado naquela época: 
Art. 22-A. Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem 
justa causa, do partido pelo qual foi eleito. 
Parágrafo único. Consideram-se justa causa para a desfiliação partidária 
somente as seguintes hipóteses: 
I - mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; 
II - grave discriminação política pessoal; e 
III - mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que 
antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, 
majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente. 
 
Veja agora o novo § 9º do art. 11-A da Lei nº 9.096/95, inserido pela Lei nº 14.208/2021: 
Art. 11-A (...) 
§ 9º Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa 
causa, de partido que integra federação. 
 COLIGAÇÃO PARTIDÁRIA X FEDERAÇÃO DE PARTIDOS 
Antes de tratar das diferenças, vamos expor as semelhanças: 
 SEMELHANÇAS 
1) Tanto a coligação como a federação consistem na reunião de dois ou mais partidos; 
2) Funcionam, perante a Justiça Eleitoral, como se fosse um único partido; 
3) Devem ser constituídas até a data final do período de realização das convenções 
partidárias. Exceção: excepcionalmente, a formação de coligações pode ser delegada pelos 
convencionais à direção partidária, de forma a permitir que a coligação possa ser constituída, em 
tese, até o protocolo do registro de candidatura. 
DIFERENÇAS 
 
COLIGAÇÃO FEDERAÇÃO 
Constituída para disputar e vencer uma 
determinada eleição majoritária (Presidente, 
Governador ou Prefeito). 
Constituída para atuar, no mínimo, durante 
4 anos, como se fosse uma única 
agremiação partidária. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 91 
 
Sua atuação se limita ao período eleitoral. 
Depois da eleição, a coligação é dissolvida. 
Sua atuação ocorre não apenas no período 
eleitoral, mas também durante o exercício 
do mandato. 
A federação dura, no mínimo, 4 anos. 
Não precisa ser nacional. 
É possível a existência de coligações de 
âmbito nacional, estadual, distrital ou 
municipal. 
A federação, necessariamente, terá 
abrangência nacional. 
Não é possível a coligação para disputar 
eleições proporcionais. 
Não existe essa restrição no caso da 
federação, que pode atuar tanto nas 
eleições proporcionais como majoritárias. 
Registro perante o juízo competente para o 
registro de candidatura. 
Registro no TSE. 
Durante o período eleitoral, o partido 
somente terá legitimidade para atuar de 
forma isolada quando questionar a validade 
da própria coligação. 
É assegurada a identidade e a autonomia 
dos partidos integrantes da federação. 
Eventual saída de partido de coligação 
impactará tão somente nas candidaturas 
eventualmente registradas, sem qualquer 
penalidade ao partido. 
O partido que sair da federação antes do 
prazo mínimo ficará sujeito a sanções. 
 
A prestação de contas de campanha é feita 
por cada partido isoladamente (e não pela 
coligação). 
A prestação de contas das campanhas será 
feita de forma conjunta, pela federação. 
 
Qual é a diferença entre uma fusão e a federação de partidos políticos? Por que fazer uma 
federação em vez de uma fusão? 
FUSÃO FEDERAÇÃO 
Os partidos que participam da fusão 
deixam de existir. Após ser concluída, só 
existirá o novo partido resultante da fusão. 
Os partidos que formam a federação 
continuam existindo. Não são extintos. 
Ficam preservadas a identidade e a 
autonomia dos partidos que integram a 
federação. 
É feita de forma definitiva, considerando 
que acarreta a extinção dos partidos 
políticos fundidos. 
É uma reunião não definitiva, havendo a 
possibilidade de o partido político deixar a 
federação sem qualquer restrição, desde 
que tenha permanecido filiado por um 
prazo mínimo de 4 anos. 
Pode ser feita a qualquer tempo, ou seja, 
mesmo após a data final do período de 
realização das convenções partidárias. 
Somente pode ser constituída até a data 
final do período de realização das 
convenções partidárias. 
 
Como o tema foi cobrado em prova? 
(MP/SP - 2022) A federação partidária pode ter abrangência regional. Errada! 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 92 
 
8. CONSTITUCIONALIDADE DA FEDERAÇÃO PARTIDÁRIA 
O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) ajuizou a ADI 7022 contra a Lei nº 14.208/2021, que 
alterou a Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/95) e criou as federações partidárias.9 
Alegou que, sob a denominação de federação partidária, o que a Lei nº 14.208/2021 fez foi 
recriar a figura da “coligação partidária” proporcional, providência expressamente vedada pelo art. 
17, § 1º, da CF/88, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 97/2017. Argumentou que 
as regras que disciplinam a federação seriam incompatíveis com os princípios constitucionais da 
isonomia e da igualdade de chances no processo eleitoral, bem como com o direito à informação 
por parte do eleitor. 
No dia 09/02/2022, o Plenário do STF referendou (confirmou) a medida cautelar parcialmente 
deferida pelo Min. Barroso. 
Nas palavras do Min. Roberto Barroso: 
(...) a vedação constitucionalimposta pela EC 97/2017 foi motivada pela 
compreensão de que, no sistema proporcional, as coligações eleitorais 
possibilitavam uma transferência ilegítima de votos entre os partidos que as 
compunham que, muitas vezes, apresentavam inclinações ideológicas muito 
distintas. Tal mecanismo dificultava a compreensão, por parte do eleitor, 
sobre os candidatos e ideias em favor dos quais estava efetivamente 
votando.” (ADI 7021/DF). 
 
A federação partidária guarda alguma similaridade com as coligações, porque permite que 
partidos políticos se unam, antes de determinado pleito eleitoral, e sejam tratados como um partido 
único, para fins de cômputo de votos e de cálculo do quociente partidário. Nessa medida, a 
federação também possibilita uma transferência de votos entre agremiações distintas, tal como 
ocorria no caso das coligações. 
Todavia, como vimos, a Lei nº 14.208/2021, que disciplinou a federação, previu que ela terá 
suas regras estabelecidas em estatuto, contará com programa comum e terá abrangência nacional, 
vinculando a atuação das agremiações que a compõem em todas as esferas, nacional, estadual e 
municipal (art. 11-A, § 3º, II e IV). Além disso, a lei previu uma série de normas para o funcionamento 
das federações, sendo que tais previsões tornam improvável a utilização da federação apenas para 
fins eleitorais. 
Por fim, não é demais lembrar que as penalidades aplicáveis ao desligamento antecipado 
de um partido podem impactá-lo gravemente, impedindo a celebração de coligações e o uso do 
fundo partidário, até que se complete o período mínimo remanescente desde seu ingresso na 
federação. 
 
9 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. As federações partidárias, introduzidas no ordenamento pela Lei 14.208/2021, 
são constitucionais, no entanto, o prazo para a sua constituição deve ser o mesmo aplicável para a criação dos 
partidos políticos. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d98d76e2b5ba72023414d98e75403e79>. Acesso 
em: 05/11/2022 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d98d76e2b5ba72023414d98e75403e79
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 93 
 
Assim, a Lei nº 14.208/2021 criou incentivos para evitar que a federação partidária 
proporcional atue como mera coligação de ocasião, evitando os problemas representativos já 
citados. 
VANTAGENS DAS FEDERAÇÕES 
As federações preservam a autonomia e a independência dos partidos (art. 11-A, § 2º), que 
podem optar por não as pactuar e tão-somente se unirem em coligações majoritárias (art. 17, § 1º, 
da CF/88). 
O instituto também permite que partidos menores, com identidade política e programática, 
se associem, de modo provisório, mas estável, para melhorar seu desempenho nas eleições. 
Caso a associação provisória funcione bem, é possível, ainda, que tais partidos, em 
momento posterior, optem por uma fusão. Com isso, aumentam-se suas chances nas eleições, 
evita-se a perda de representatividade das minorias que os apoiam e cria-se um mecanismo pelo 
qual se poderá, com o tempo, viabilizar uma fusão partidária. 
O propósito das federações é ser um instituto de efeitos duradouros, ainda que não 
permanentes, cuja formação exigirá reflexão e debates que considerem seriamente os seus efeitos. 
Assim, o que se pretendeu com a Lei nº 14.208/2021 não foi aprovar um retorno disfarçado 
das coligações proporcionais. Buscou-se, ao contrário, assegurar a possibilidade de formação de 
alianças persistentes entre partidos, com efeitos favoráveis sobre o sistema partidário, já que as 
federações serão orientadas ideologicamente por estatuto e programa comuns – o que não ocorria 
com as coligações anteriores. 
Enfim, o STF considerou que: 
• a federação partidária, instituto trazido pela Lei nº 14.208/2021, não é uma 
tentativa de se recriar as coligações partidárias nas eleições proporcionais, que 
foram proibidas pela EC 97/2017, que deu nova redação ao art. 17, § 1º, da 
CF/88; 
• a Lei nº 14.208/2021 criou mecanismos para se impedir que as federações 
partidárias provocassem um desvirtuamento do sistema representativo; 
• logo, a figura da federação partidária é compatível com a Constituição Federal. 
Contudo, o STF detectou um vício de inconstitucionalidade no prazo limite para a formação 
das federações partidárias, o que irei explicar nos tópicos seguintes. 
Qual é a data final para a constituição de uma federação? Segundo a Lei, a federação 
poderia ser criada até o último dia do prazo para a realização das convenções partidárias. 
Explicando melhor: 
O art. 8º da Lei nº 9.504/97 prevê que os partidos políticos deverão realizar no período de 
20 de julho a 5 de agosto do ano da eleição um evento chamado “convenção partidária” que tem 
duas finalidades principais: 
a) escolher os candidatos do partido; 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 94 
 
b) decidir se aquele partido fará, ou não, coligações para a eleição majoritária com outras 
agremiações. 
A Lei nº 14.208/2021 acrescentou, na Lei nº 9.096/95 e na Lei nº 9.504/97, a regra de que a 
federação deveria ser constituída até a data final do período de realização das convenções 
partidárias, ou seja, até 5 de agosto do ano da eleição: 
O STF entendeu que esse prazo viola o princípio da isonomia. 
Pela lei, as federações teriam um prazo maior para se constituírem que os partidos políticos; 
isso viola o princípio da isonomia 
Os partidos políticos devem estar registrados, junto ao TSE, até 6 (seis) meses antes do 
pleito, ou seja, até o início de abril do ano eleitoral, a fim de participarem das eleições. 
As convenções partidárias, por sua vez, podem ocorrer até 5 de agosto do ano em que se 
realizar o pleito. 
A possibilidade de a federação ser constituída meses depois, no momento da convenção, 
faz com que, na visão do STF, o instituto da federação fique em uma “posição privilegiada” em 
relação aos partidos, alterando a dinâmica da eleição e as estratégias de campanha. 
Além disso, a própria lei prevê que as federações sujeitas ao mesmo tratamento dos partidos 
políticos, inclusive no que diz respeito às regras que regem as eleições. 
A previsão legal que permite que as federações partidárias possuam prazo superior ao dos 
partidos políticos para se constituírem viola o princípio da isonomia. 
Assim, deve-se exigir que as federações obtenham o registro de seu estatuto junto ao TSE 
com a mesma antecedência exigida dos partidos. 
Logo, o STF: 
1) suspendeu o inciso III do § 3º do art. 11-A da Lei nº 9.096/95 e o parágrafo único do art. 
6º-A da Lei nº 9.504/97, com a redação dada pela Lei nº 14.208/2021; 
2) conferiu interpretação conforme à Constituição ao caput do art. 11-A da Lei nº 9.096/95, 
de modo a exigir que, para participar das eleições, as federações estejam constituídas como pessoa 
jurídica e obtenham o registro de seu estatuto perante o Tribunal Superior Eleitoral no mesmo prazo 
aplicável aos partidos políticos. 
Regra excepcional para 2022: 
Como essa decisão do STF foi proferida em 09/02/2022, o STF entendeu que ficaria um 
prazo muito exíguo as federações serem constituídas já que houve uma grande redução. 
• ANTES DA DECISÃO: as federações poderiam ser constituídas até 05 de agosto 
de 2022. 
• DEPOIS DA DECISÃO: as federações teriam que ser constituídas até 02 de abril 
de 2022. 
Houve, portanto, uma redução de 4 meses. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 95 
 
Diante disso, o STF resolveu modular os efeitos da decisão e disse que, excepcionalmente, 
as federações constituídas para as eleições de 2022, deverão preencher tais condições até 31 de 
maio de 2022. 
Mediante ponderação entre os princípios da isonomia (entre partidos políticos e federações), 
da segurança jurídica e da maior efetividade da norma que criou o instituto das federações 
partidárias,entende-se que o prazo fixado é um meio-termo. Ele confere maior prazo para 
negociações, mas, ao mesmo tempo, evita uma extensão excessiva, o que tornaria o instituto das 
federações perigosamente aproximado das coligações e poderia trazer-lhe uma lógica “de ocasião”, 
que é o que se quer evitar. Além disso, esse prazo minimiza eventuais efeitos competitivos adversos 
que uma constituição tardia das federações poderia produzir na competição com partidos políticos. 
A federação partidária, instituto trazido pela Lei nº 14.208/2021, não é uma 
tentativa de se recriar as coligações partidárias nas eleições proporcionais, 
que foram proibidas pela EC 97/2017, que deu nova redação ao art. 17, § 1º, 
da CF/88. 
A Lei nº 14.208/2021 criou mecanismos para se impedir que as federações 
partidárias provocassem um desvirtuamento do sistema representativo. 
Logo, a figura da federação partidária é compatível com a Constituição 
Federal. 
Vale ressaltar, contudo, que a previsão legal que permite que as federações 
partidárias possuam prazo superior ao dos partidos políticos para se 
constituírem viola o princípio da isonomia. 
A fim de participarem das eleições, as federações partidárias devem estar 
constituídas como pessoa jurídica e obter o registro de seu estatuto perante 
o TSE no mesmo prazo aplicável aos partidos políticos. 
Excepcionalmente, nas eleições de 2022, o prazo para constituição de 
federações partidárias fica estendido até 31 de maio do mesmo ano. 
STF. Plenário. ADI 7021/DF MC-Ref, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 
9/2/2022 (Info 1043). 
9. RESPONSABILIDADE PARTIDÁRIA 
Os partidos políticos possuem responsabilidade civil por seus atos, responderão por danos 
morais, materiais e à imagem (art. 927 do CC). 
Além disso, o art. 15-A da Lei 9.096/95 prevê a responsabilidade partidária, inclusive civil e 
trabalhista, limitando-se ao órgão partidário da circunscrição que tiver dado causa ao dano ou não 
cumprimento da obrigação. 
Art. 15-A. A responsabilidade, inclusive civil e trabalhista, cabe 
exclusivamente ao órgão partidário municipal, estadual ou nacional que tiver 
dado causa ao não cumprimento da obrigação, à violação de direito, a dano 
a outrem ou a qualquer ato ilícito, excluída a solidariedade de outros órgãos 
de direção partidária. 
Parágrafo único. O órgão nacional do partido político, quando responsável, 
somente poderá ser demandado judicialmente na circunscrição especial 
judiciária da sua sede, inclusive nas ações de natureza cível ou trabalhista. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 96 
 
Tal dispositivo teve sua constitucionalidade confirmada pelo STF, esclarecendo que NÃO 
HÁ responsabilidade solidária entre os diretórios partidários: 
Não há responsabilidade solidária entre os diretórios partidários municipais, 
estaduais e nacionais pelo inadimplemento de suas respectivas obrigações 
ou por dano causado, violação de direito ou qualquer ato ilícito. 
STF. Plenário. ADC 31/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/9/2021 (Info 
1031).10 
10. FINANCIAMENTO PARTIDÁRIO 
Observe a redação do art. 31 da Lei de Partidos Políticos (9.096/95): 
Art. 31. É vedado ao partido receber, direta ou indiretamente, sob qualquer 
forma ou pretexto, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em 
dinheiro, inclusive através de publicidade de qualquer espécie, procedente 
de: 
I - entidade ou governo estrangeiros; 
II - entes públicos e pessoas jurídicas de qualquer natureza, ressalvadas as 
dotações referidas no art. 38 desta Lei e as proveniente do Fundo Especial 
de Financiamento de Campanha; 
III - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.488, de 2017) 
IV - entidade de classe ou sindical. 
V - pessoas físicas que exerçam função ou cargo público de livre nomeação 
e exoneração, ou cargo ou emprego público temporário, ressalvados os 
filiados a partido político. 
 FUNDO PARTIDÁRIO11 
Trata-se de um Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos que tenham 
seu estatuto registrado no Tribunal Superior Eleitoral e prestação de contas regular perante a 
Justiça Eleitoral. 
O “Fundo Partidário” é constituído por dotações orçamentárias da União, multas, 
penalidades, doações e outros recursos financeiros previstos no art. 38 da Lei n.º 9.096/95. 
Art. 38. O Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos 
(Fundo Partidário) é constituído por: 
I - multas e penalidades pecuniárias aplicadas nos termos do Código Eleitoral 
e leis conexas; 
II - recursos financeiros que lhe forem destinados por lei, em caráter 
permanente ou eventual; 
 
10 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É constitucional o caput do art. 15-A da Lei 9.096/95, que prevê a 
ausência de responsabilidade solidária entre os diretórios partidários. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6e17a5fd135fcaf4b49f2860c2474c7c>. 
Acesso em: 09/11/2022 
11 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f73b76ce8949fe29bf2a537cfa420e8f?categoria=3&palavra-
chave=adi+5105&criterio-pesquisa=e 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 97 
 
III - doações de pessoa física ou jurídica, efetuadas por intermédio de 
depósitos bancários diretamente na conta do Fundo Partidário; 
IV - dotações orçamentárias da União em valor nunca inferior, cada ano, ao 
número de eleitores inscritos em 31 de dezembro do ano anterior ao da 
proposta orçamentária, multiplicados por trinta e cinco centavos de real, em 
valores de agosto de 1995. 
 
Os valores contidos no Fundo Partidário (administrado pelo TSE) são repassados aos 
partidos políticos por meio de um cálculo previsto no art. 41-A, da Lei n.º 9.096/95. 
O dinheiro do Fundo Partidário é dividido da seguinte forma: 
a) 5% são divididos, em partes iguais, entre todos os partidos que atendam aos 
requisitos constitucionais de acesso aos recursos do Fundo Partidário. Desse modo, 
pega-se 5% do Fundo e divide-se igualitariamente entre todos os partidos; 
b) os 95% restantes são distribuídos aos partidos na proporção dos votos obtidos na 
última eleição geral para a Câmara dos Deputados. Assim, os partidos que obtiverem 
mais votos, irão, proporcionalmente, receber mais. 
A Lei nº 12.875/2013 determinou que, para os fins desta distribuição acima, devem ser 
desconsideradas as mudanças de filiação partidária. 
Dessa feita, o Deputado Federal que mudar de partido (ainda que para um partido novo) 
durante o mandato não poderá “levar” para o outro os votos que obteve na última eleição, de modo 
que a mudança não fará com que o partido de destino receba mais verbas do fundo partidário. 
O STF entendeu que as mudanças efetuadas foram inconstitucionais. Em nosso sistema 
proporcional, não há como afirmar, simplesmente, que a representatividade política do parlamentar 
está atrelada à legenda partidária para a qual foi eleito, ficando em segundo plano a legitimidade 
da escolha pessoal formulada pelo eleitor por meio do sufrágio. O voto do eleitor brasileiro, mesmo 
nas eleições proporcionais, em geral, se dá em favor de determinado candidato. 
O princípio da liberdade de criação e transformação de partidos, contido no caput do art. 17 
da CF/88 serve de fundamento constitucional para reputar como legítimo o entendimento de que, 
na hipótese de criação de um novo partido, a novel legenda, para fins de acesso proporcional ao 
rádio e à televisão, leva consigo a representatividade dos deputados federais que para ela migraram 
diretamente dos partidos pelos quais foram eleitos. 
10.1.1. APLICAÇÃO MÍNIMA DE RECURSOS E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DAS 
MULHERES 
Objetivando ampliar a participação feminina nos pleitos eleitorais, foi promulgada a emenda 
à constitucional de n. 111/2021.12 
Art. 2º Para fins de distribuição entre os partidos políticos dos recursos dofundo partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha 
(FEFC), os votos dados a candidatas mulheres ou a candidatos negros para 
 
12 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. EC 111/2021: Reforma Eleitoral. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível 
em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/4f6ffe13a5d75b2d6a3923922b3922e5>. 
Acesso em: 08/11/2022. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 98 
 
a Câmara dos Deputados nas eleições realizadas de 2022 a 2030 serão 
contados em dobro. 
Parágrafo único. A contagem em dobro de votos a que se refere o caput 
somente se aplica uma única vez 
 
O que a EC 111 alterou? São diversas as iniciativas tendentes a aumentar a participação de 
mulheres e da população negra na política. No caso das mulheres, por exemplo, a lei já obriga os 
partidos políticos a investirem recursos públicos em programas de incentivo à participação feminina, 
bem como destinar, no mínimo, 30% das vagas para candidaturas de cada sexo. No entanto, essas 
ações não vêm apresentando resultados satisfatórios, pois, na prática, o que se observa é que os 
partidos registram candidaturas femininas politicamente inviáveis, apenas para cumprir a obrigação 
legal. 
Visando reverter essa situação, a EC 111 objetivou criar um incentivo financeiro para 
promover as candidaturas femininas. 
Como já mencionado anteriormente, a maior parte dos recursos do Fundo Partidário e do 
Fundo Especial de Financiamento de Campanha é distribuída segundo a quantidade de votos 
obtidos pelo partido político para a Câmara dos Deputados nas últimas eleições. 
O que a Emenda Constitucional fez foi criar uma ação afirmativa temporária para os pleitos 
2022 e 2030, de forma a considerar em dobro os votos dados a candidatas mulheres ou candidatos 
negros. 
Como o tema foi cobrado em prova? 
MP/TO (2022) Conforme a Emenda Constitucional nº 111/2021, para fins de 
distribuição entre os partidos políticos dos recursos do fundo partidário e do 
Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), nas eleições 
realizadas de 2022 a 2030, serão computados em dobro os votos dados a 
candidatas mulheres para a Câmara dos Deputados. Correta! 
Ainda buscando fomentar a participação das mulheres no cenário eleitoral brasileiro, 
recentemente, com a aprovação da emenda constitucional n. 117/2022, foram inseridos dois novos 
parágrafos no art. 17, da Constituição Federal, incorporando a regra prevista no art. 44, inciso V, da 
Lei 9.096/95. 
§ 7º Os partidos políticos devem aplicar no mínimo 5% (cinco por cento) dos 
recursos do fundo partidário na criação e na manutenção de programas de 
promoção e difusão da participação política das mulheres, de acordo com os 
interesses intrapartidários. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, 
de 2022) 
O inciso V, do art. 44 da Lei dos Partidos Políticos continua plenamente em vigor. Embora 
com uma redação mais sucinta, a Emenda atribuiu status constitucional à previsão legal já existente, 
reforçando, assim, a obrigatoriedade da destinação de 5% dos recursos do Fundo Partidário para 
programas de promoção e difusão da participação política das mulheres. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 99 
 
Como consequência, a destinação obrigatória deste montante do Fundo Partidário para 
incentivo à participação feminina não pode mais ser suprimida pelo legislador 
infraconstitucional.13 
Quanto ao uso proporcional dos recursos a serem distribuídos, previu, ainda a EC 117/2022: 
§ 8º O montante do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e da 
parcela do fundo partidário destinada a campanhas eleitorais, bem como o 
tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão a ser distribuído pelos 
partidos às respectivas candidatas, deverão ser de no mínimo 30% (trinta por 
cento), proporcional ao número de candidatas, e a distribuição deverá ser 
realizada conforme critérios definidos pelos respectivos órgãos de direção e 
pelas normas estatutárias, considerados a autonomia e o interesse partidário. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022); 
 
Observe que o dispositivo faz menção a tempo de propaganda “a ser distribuído pelos 
partidos às respectivas candidatas”, o que nos leva à conclusão de que se trata de propaganda 
eleitoral, tendo em vista que a propaganda partidária, além de ocorrer fora do período eleitoral, não 
permite a divulgação de candidatos. 
Quanto à propaganda partidária, contudo, permanece a obrigação do partido quanto à 
difusão da participação política das mulheres, juntamente com jovens e negros, conforme se 
destaca na Lei dos Partidos Políticos: 
Art. 50-B. O partido político com estatuto registrado no Tribunal Superior 
Eleitoral poderá divulgar propaganda partidária gratuita mediante transmissão 
no rádio e na televisão, por meio exclusivo de inserções, para: 
 
(...) 
 
V - promover e difundir a participação política das mulheres, dos jovens e dos 
negros. 
 
Neste mesmo sentido, o TSE, na Resolução n. 23.679/2022, que regulamenta a propaganda 
partidária, previu destinação mínima de tempo de propaganda para essa finalidade, em percentual 
idêntico ao mencionado pela Emenda Constitucional: 
Resolução TSE 23.679/2022 
 
Art. 3º (...) 
 
§ 1º Do tempo total a que, nos termos do art. 2º desta Resolução, o partido 
político fizer jus, no mínimo 30% (trinta por cento) deverão ser destinados à 
promoção e à difusão da participação política das mulheres. 
 
 
13 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Comentários à emenda constitucional 117/2022. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível 
em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/7eacb532570ff6858afd2723755ff790>. Acesso em: 
26/10/2022. 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/7eacb532570ff6858afd2723755ff790
http://www.iceni.com/infix.htm
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Assim, embora não seja contemplada pela Emenda Constitucional, subsiste a obrigação do 
partido de destinar 30% do tempo de propaganda partidária para promoção e difusão da 
participação política das mulheres, com fundamento nos dispositivos legais supracitados14. 
10.1.2. CONSEQUÊNCIAS DA INOBSERVÂNCIA DA COTA DE GÊNERO 
Essa obrigação, por estar ligada ao financiamento de campanhas, é fiscalizada pela Justiça 
Eleitoral na prestação de contas eleitorais. 
O descumprimento dessa obrigação poderia gerar para o partido: 
• a desaprovação das contas eleitorais; 
• a perda do direito ao recebimento de cotas do Fundo Partidário do ano seguinte 
(art. 25 da Lei nº 9.504/97); e 
• a restituição dos recursos ao Tesouro Nacional. 
O art. 3º da EC 117/2022 prevê que os partidos que eventualmente descumpram esta regra 
nas eleições ocorridas até a promulgação da Emenda Constitucional (05/04/2022) não mais 
poderão ser punidos pela Justiça Eleitoral em razão dessa irregularidade: 
Art. 3º Não serão aplicadas sanções de qualquer natureza, inclusive de 
devolução de valores, multa ou suspensão do fundo partidário, aos partidos 
que não preencheram a cota mínima de recursos ou que não destinaram os 
valores mínimos em razão de sexo e raça em eleições ocorridas antes da 
promulgação desta Emenda Constitucional. 
 
Assim, atualmente, de forma objetiva, é possível afirmar que a EC 117/2022 anistiou os 
partidos que descumpriram o dever de destinar percentual mínimo de recursos para candidaturas 
femininas. 
Vale registrar, ainda, que esse novo dispositivo constitucional guarda semelhança com os 
arts. 55-A a 55-C, da nº Lei 9.096/95, inseridos pela Lei nº 13.831/2019 e que também isentaram 
de sanções os partidos que descumpriram a aplicação percentual mínimo de recursos do fundo 
partidário para cota de gênero nos exercícios anteriores à 2019. 
Por fim, embora careça de previsão específica, tem prevalecido que o mesmo raciocínio e 
as mesmasconsequências se aplicam quando houver inobservância da cota étnico-racial. 
Isto porque, o TSE, por maioria, respondeu a uma consulta15, esclarecendo naquela 
oportunidade que: 
1) Não é adequado o estabelecimento, pelo TSE, de política de reserva de candidaturas 
para pessoas negras no patamar de 30%; 
 
14 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Comentários à emenda constitucional 117/2022. Buscador Dizer o Direito, 
Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/7eacb532570ff6858afd2723755ff790>. 
Acesso em: 26/10/2022. 
15 Consulta nº 0600306-47.2019.6.04.0000/TSE 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/7eacb532570ff6858afd2723755ff790
http://www.iceni.com/infix.htm
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2) Os recursos públicos do Fundo Partidário e do FEFC e o tempo de rádio e TV destinados 
às candidaturas de mulheres, pela aplicação das decisões judiciais do STF na ADI nº 5617/DF e do 
TSE na Consulta nº 0600252-18/DF, devem ser repartidos entre mulheres negras e brancas na 
exata proporção das candidaturas apresentadas pelas agremiações; 
3) Os recursos públicos do Fundo Partidário e do FEFC e o tempo de rádio e TV devem ser 
destinados ao custeio das candidaturas de homens negros na exata proporção das candidaturas 
apresentadas pelas agremiações. 
Desse modo, o que o TSE fez foi determinar que, dentro de cada gênero (candidaturas 
masculinas e femininas), os recursos e tempo de TV fossem distribuídos proporcionalmente entre 
os candidatos(as) negros e brancos. 
O TSE, por maioria, também definiu que esse entendimento seria aplicado somente a partir 
das Eleições 2022, tendo em vista que prevaleceu, à época, entendimento de que a implementação 
dessas regras já no Pleito 2020 poderia importar em violação ao princípio da anuidade eleitoral, 
uma vez que o julgamento havia sido concluído em 25 de agosto de 2020. 
Não concordando com a postergação dos efeitos dessa decisão para 2022, O Partido 
Socialismo e Liberdade – PSOL ingressou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito 
Fundamental (ADPF 738/DF), por meio do qual postulou pela aplicação dessas regras já para o 
Pleito 2020. 
A ADPF foi distribuída para o Ministro Ricardo Lewandowski, que concedeu liminar 
posteriormente ratificada pelo Plenário. 
Nesse julgamento da ADPF em questão, a Corte reafirmou entendimento de que a ofensa 
ao princípio da anuidade eleitoral somente ocorre em quatro situações, a saber: 
(1) Rompimento da igualdade de participação dos partidos políticos ou candidatos no 
processo eleitoral; 
(2) deformação que afete a normalidade das eleições; 
(3) introdução de elemento perturbador do pleito; ou; 
(4) mudança motivada por propósito casuístico. 
Naquele caso concreto, o Supremo Tribunal Federal decidiu que as regras implementadas 
pelo TSE a respeito da destinação de recursos e tempo de propaganda para negros não importam 
em qualquer alteração “nas normas relativas ao processo eleitoral, concebido em sua acepção 
estrita, porquanto não modificou a disciplina das convenções partidárias, nem os coeficientes 
eleitorais e nem tampouco a extensão do sufrágio universal”. 
Ainda segundo o STF, o TSE apenas “introduziu um aperfeiçoamento nas regras relativas à 
propaganda, ao financiamento das campanhas e à prestação de contas, todas de caráter 
eminentemente procedimental, com o elevado propósito de ampliar a participação de cidadãos 
negros no embate democrático pela conquista de cargos políticos”. 16 
 
16 https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/7eacb532570ff6858afd2723755ff790 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 102 
 
Resumindo, em decorrência dessa decisão, os partidos foram obrigados a observar a 
proporcionalidade na distribuição de recursos e tempo de TV entre candidatos negros e brancos já 
no Pleito 2020. 
11. PRESTAÇÃO DE CONTAS 
Toda a movimentação financeira das agremiações partidárias deve ser submetida à 
fiscalização da Justiça Eleitoral. 
Art. 32 da. O partido está obrigado a enviar, anualmente, à Justiça Eleitoral, 
o balanço contábil do exercício findo, até o dia 30 de junho do ano seguinte. 
(Redação dada pela Lei nº 13.877, de 2019) 
§ 1º O balanço contábil do órgão nacional será enviado ao Tribunal Superior 
Eleitoral, o dos órgãos estaduais aos Tribunais Regionais Eleitorais e o dos 
órgãos municipais aos Juízes Eleitorais. (...) 
§ 5º A desaprovação da prestação de contas do partido não ensejará sanção 
alguma que o impeça de participar do pleito eleitoral. 
12. DESAPROVAÇÃO DAS CONTAS 
Caso as contas do partido sejam desaprovadas será aplicada uma sanção que consiste na 
devolução do valor considerado irregular, acrescido de multa de até 20%. Antes da Lei 
13.165/2015, acarretava, como punição, a suspensão de novas cotas do Fundo Partidário e 
sujeitava os responsáveis às penas da lei. 
Obs.: a falta de prestação de contas continua implicando a suspensão 
de novas cotas do Fundo Partidário enquanto perdurar a inadimplência 
e sujeitará os responsáveis às penas da lei (art. 37-A da Lei nº 
9.096/95). 
Art. 37-A. A falta de prestação de contas implicará a suspensão de novas 
cotas do Fundo Partidário enquanto perdurar a inadimplência e sujeitará os 
responsáveis às penas da lei. 
 
 
 
Resumindo: 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 103 
 
• Falta de prestação de contas do partido: acarreta a suspensão de novas cotas do 
Fundo Partidário enquanto perdurar a inadimplência e sujeitará os responsáveis às 
penas da lei. 
• Desaprovação das contas do partido: acarreta exclusivamente a devolução da 
importância apontada como irregular, acrescida de multa de até 20%. 
Salienta-se que a desaprovação das contas por movimentação de recursos de origem não 
identificada ou esclarecida ou de fontes vedadas do art. 31 acarreta as sanções do art. 36 da LPP. 
Art. 36. Constatada a violação de normas legais ou estatutárias, ficará o 
partido sujeito às seguintes sanções: 
I - no caso de recursos de origem não mencionada ou esclarecida, fica 
suspenso o recebimento das quotas do fundo partidário até que o 
esclarecimento seja aceito pela Justiça Eleitoral; 
II - no caso de recebimento de recursos mencionados no art. 31, fica 
suspensa a participação no fundo partidário por um ano; 
III – prejudicado em razão da revogação do art. 39, §4º da LPP. 
 
Recurso Especial Eleitoral nº 0600012-94, Florianópolis/SC, redator para o 
acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 10.9.2020. Desaprovação de 
contas e possibilidade de cumulação das sanções dos arts. 36, II, e 37, da 
Lei nº 9.096/1995. A desaprovação de contas partidárias pode ensejar, além 
da sanção de devolução da importância tida por irregular – acrescida de multa 
de até 20% (art. 36, II) –, a sanção de suspensão do recebimento de cotas do 
Fundo Partidário. O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por maioria, 
negou provimento ao recurso especial eleitoral e manteve a decisão do TRE, 
nos termos do voto do Ministro Alexandre de Moraes – designado redator 
para o acórdão –, o qual afirmou que, apesar da utilização do termo 
“exclusivamente”, a norma do art. 37 é de caráter geral. Assim, a qualquer 
tipo de desaprovação de contas, em regra, aplica-se a sanção de devolução 
da importância apontada como irregular, acrescida de multa de até 20%. Na 
linha do acórdão do TRE, o Ministro asseverou que o art. 36 é uma norma 
específica que acresce a essa sanção geral a possibilidade de suspensão do 
recebimento de recursos das cotas do Fundo Partidário no caso de 
comprovada arrecadação de recursos ilícitos. Segundo o Ministro, a 
desaprovação continua possibilitando as duas sanções, uma vez que não se 
trata de lei editada posteriormente e desvinculada do texto original, em que 
se aplicaria o brocardo “lei posterior revoga a leianterior”, havendo, na 
verdade, uma minirreforma política. 
13. VEDAÇÕES AO RECEBIMENTO DE AUXÍLIO FINANCEIRO 
O art. 31 da Lei nº 9.096/95 prevê que os partidos políticos não podem receber ajuda 
financeira de determinadas pessoas (físicas ou jurídicas). 
Ex: não podem receber auxílio pecuniário de governos estrangeiros. 
A Lei nº 13.488/2017 promoveu três mudanças na lista do art. 31. Veja o que mudou: 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 104 
 
 
 
LEI 9.096/95 (LEI DOS PARTIDOS POLÍTICOS) 
 
Redação anterior Redação ATUAL 
Art. 31. É vedado ao partido receber, direta ou 
indiretamente, sob qualquer forma ou 
pretexto, contribuição ou auxílio pecuniário ou 
estimável em dinheiro, inclusive através de 
publicidade de qualquer espécie, procedente 
de: 
(...) 
 
II - autoridade ou órgãos públicos, 
ressalvadas as dotações referidas no art. 38; 
 
 
 
 
III - autarquias, empresas públicas ou 
concessionárias de serviços públicos, 
sociedades de economia mista e fundações 
instituídas em virtude de lei e para cujos 
recursos concorram órgãos ou entidades 
governamentais; 
IV - entidade de classe ou sindical. 
 
Não havia inciso V. 
Art. 31. É vedado ao partido receber, direta ou 
indiretamente, sob qualquer forma ou 
pretexto, contribuição ou auxílio pecuniário ou 
estimável em dinheiro, inclusive através de 
publicidade de qualquer espécie, procedente 
de: 
(...) 
 
II - entes públicos e pessoas jurídicas de 
qualquer natureza, ressalvadas as dotações 
referidas no art. 38 desta Lei e as proveniente 
do Fundo Especial de Financiamento de 
Campanha; 
 
Esse inciso III foi revogado. 
 
IV - entidade de classe ou sindical. 
 
 
V - pessoas físicas que exerçam função ou 
cargo público de livre nomeação e 
exoneração, ou cargo ou emprego público 
temporário, ressalvados os filiados ao partido 
político. 
 
14. INFIDELIDADE PARTIDÁRIA 
No Brasil, a pessoa só pode concorrer a um cargo eletivo se ela estiver filiada a um partido 
político. Essa exigência está prevista no art. 14, § 3º, V, da CF/88. 
Mesmo não havendo uma norma expressa na lei ou na CF/88 dizendo isso, o TSE e o STF, 
em 2007, decidiram que a infidelidade partidária era causa de perda do mandato eletivo. Em outras 
palavras, o TSE e o STF firmaram a tese de que, se o titular do mandato eletivo, sem justa causa, 
sair do partido político no qual foi eleito, ele perderá o cargo que ocupa. 
Como não havia lei disciplinando o tema, o TSE editou a Resolução nº 22.610/2007 
regulamentando as hipóteses e a forma como ocorre a perda do mandato eletivo em caso de 
infidelidade partidária. 
O art. 1º da Resolução reafirma a tese da infidelidade e prevê que o partido político pode 
pedir, perante a Justiça Eleitoral, a decretação da perda do cargo eletivo caso o ocupante do 
mandato, sem possuir uma justa causa, desfilie-se do partido pelo qual foi eleito. 
Quais são as hipóteses que podem ser consideradas como "justa causa"? 
A Resolução traz um rol de situações que são consideradas como "justa causa". Assim, para 
o TSE, o detentor do cargo eletivo pode sair do partido sem perder o mandato nos seguintes casos: 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 105 
 
a) se o partido em que ele se elegeu passou por um processo de incorporação ou fusão com 
outro partido; 
b) se o detentor do cargo saí do partido pelo qual se elegeu para se filiar a um novo partido 
que foi recém-criado; 
c) se ficar provado que houve uma mudança substancial no partido ou desvio reiterado do 
programa partidário; 
d) se ficar provado que o detentor do cargo sofre grave discriminação pessoal no partido. 
A Lei nº 13.165/2015 alterou a Lei nº 9.096/95 passando a tratar expressamente sobre o 
tema "infidelidade partidária". Veja o artigo que foi acrescentado: 
Art. 22-A. Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem 
justa causa, do partido pelo qual foi eleito. 
Parágrafo único. Consideram-se justa causa para a desfiliação partidária 
somente as seguintes hipóteses: 
I - mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; 
II - grave discriminação política pessoal; e 
III - mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que 
antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, 
majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente 
 
 
Observações importantes: 
1) A incorporação ou fusão do partido não é mais considerada "justa causa". 
Assim, se o partido em que detentor do cargo se elegeu passou por um processo de 
incorporação ou fusão com outro partido, a princípio, isso não autoriza que ele mude de partido, 
salvo se provar que houve uma mudança substancial ou desvio do programa partidário; 
2) A criação de novo partido não é mais considerada "justa causa". 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 106 
 
Dessa forma, o detentor do cargo não pode mais sair do partido pelo qual se elegeu para se 
filiar a um novo partido que foi recém-criado. Caso faça isso, perderá o mandato. 
O fim dessas duas hipóteses foi uma reação do Congresso Nacional ao fato de que, 
recentemente, houve a criação de inúmeros novos partidos e a tentativa de fusão de alguns outros, 
tudo isso com o objetivo de permitir a mudança de partido sem receber a punição pela infidelidade 
partidária. 
3) A Lei nº 13.165/2015 previu uma terceira hipótese de "justa causa" que, na verdade, é 
uma "janela" para a troca de partidos. 
Se a pessoa quer concorrer a determinado cargo eletivo pelo partido "X", ela precisa estar 
filiada a esse partido no mínimo 6 meses antes das eleições. 
Ex: João, professor, quer se candidatar ao cargo de Vereador nas eleições de 02/10/2016. 
Para tanto, ele precisará se filiar ao partido político até, no máximo, 02/04/2016. 
Ex2: Pedro, que já é Vereador (eleito pelo partido "X"), deseja concorrer à reeleição nas 
eleições municipais de 02/10/2016. Ocorre que ele deseja sair do partido "X" e concorrer pelo partido 
"Y". A Lei nº 13.165/2015 acrescentou a possibilidade de que ele saia do partido sem perder seu 
mandato de Vereador. Basta que faça a troca um mês antes do término do prazo para filiação 
partidária, ou seja, entre 7 e 6 meses antes das eleições. Em nosso exemplo, ele teria do dia 
02/03/2016 até 02/04/2016 para mudar de partido sem que isso implique a perda do mandato. 
Essa perda do mandato eletivo por infidelidade partidária vale tanto para cargos eletivos 
proporcionais como majoritários? Se o titular de um cargo eletivo MAJORITÁRIO, sem justa causa, 
decidir sair do partido político no qual foi eleito, ele perderá o cargo que ocupa? 
NÃO. A perda do mandato em razão de mudança de partido somente se aplica para os 
cargos eletivos proporcionais. Essa sanção não vale para candidatos eleitos pelo sistema 
majoritário. 
No sistema majoritário, o candidato escolhido é aquele que obteve mais votos, não 
importando o quociente eleitoral nem o quociente partidário.17 
Nas eleições majoritárias (Prefeito, Governador, Senador e Presidente), os eleitores votam 
no candidato e não no seu partido político. Desse modo, no sistema majoritário, a imposição da 
perda do mandato por infidelidade partidária é antagônica (contrária) à soberania popular. STF. 
Plenário. ADI 5081/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/5/2015 (Info 787). 
A EC 111/2021 acrescenta uma quarta hipótese: a anuência do partido. Assim, imagine 
que João foi eleito Deputado Federal pelo partido “X”. Ele deseja deixar a agremiação partidária, 
mas não está presente nenhuma das hipóteses do parágrafo único do art. 22-A da Lei nº 9.096/95. 
Isso significa que, se ele concretizar a desfiliação, ele perderá o mandato, que será assumido por 
um suplente do partido “X”. Ocorre que existe uma quarta hipótese na qual ele não sofrerá sanção: 
se a direção do Partido “X” conceder a ele uma carta de anuência autorizando que ele deixe a 
agremiação.Isso foi expressamente consignado no § 6º do art. 17. 
 
17 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. EC 111/2021: Reforma Eleitoral. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/4f6ffe13a5d75b2d6a3923922b3922e5>. Acesso em: 
28/10/2022 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 107 
 
Importante esclarecer que, mesmo antes da alteração, o TSE já possuía firme jurisprudência 
no sentido de que a carta de anuência do partido autoriza a desfiliação sem perda de mandato. 
Logo, a regra trazida pela Emenda corrobora o entendimento do TSE. Confira: 
A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que a concordância da 
agremiação partidária com o desligamento do filiado é apta a permitir a 
desfiliação sem prejuízo do mandato eletivo. (RESPE - Recurso Especial 
Eleitoral nº 060015033 - BELO HORIZONTE – MG - Acórdão de 10/09/2019 
- Relator(a) designado(a) Min. Alexandre de Moraes) 
Em recurso especial eleitoral com agravo, o Ministro Relator manteve o 
entendimento firmado para as eleições de 2016 no sentido de que "a 
concordância da agremiação partidária com o desligamento do filiado é apta 
a permitir a desfiliação sem prejuízo do mandato eletivo" (AgR–Pet nº 
0601117–75/PE, Rel. Min. Rosa Weber, j. em 20.02.2018). Precedentes” 
(0600185-90.2018.6.13.0000 - AI - Agravo Regimental em Agravo de 
Instrumento nº 060018590 - ITAÚNA – MG - Acórdão de 13/05/2021 - 
Relator(a) designado(a) Min. Luís Roberto Barroso) 
 
Conforme entendimento fixado pelo TSE para os processos relativos às 
eleições de 2016, “a carta de anuência do partido político constitui justa causa 
para a desfiliação partidária sem perda de mandato eletivo". Precedentes.” 
(AI - Agravo Regimental em Agravo de Instrumento nº 060013212 - 
RIBEIRÃO DAS NEVES – MG - Acórdão de 03/09/2020 - Relator(a) Min. 
Alexandre de Moraes) 
 ASPECTOS PROCESSUAIS DA DECRETAÇÃO DA PERDA DO CARGO POR 
INFIDELIDADE PARTIDÁRIA 
14.1.1. Previsão 
Está prevista na Resolução 22.610/2007 do TSE. Salienta-se que embora a Lei 13.165/15 
tenha trazido inovações à Lei 9.096/95 no que diz respeito às hipóteses configuradoras de justa 
causa, a Resolução 22.610/07 continua aplicável em outros aspectos. 
14.1.2. Legitimidade ativa 
Cabe ao partido político solicitar. Caso não o faça em 30 dias, o Ministério Público Eleitoral 
ou quem tenha interesse jurídico poderão pleitear perante a Justiça Estadual. 
Resolução 22.610 TSE Art. 1º O partido político interessado pode pedir, 
perante a Justiça Eleitoral, a decretação da perda de cargo eletivo em 
decorrência de desfiliação partidária sem justa causa. 
§ 2º Quando o partido político não formular o pedido dentro de 30 (trinta) dias 
da desfiliação, pode fazê-lo, em nome próprio, nos 30 (trinta) subsequentes, 
quem tenha interesse jurídico ou o Ministério Público Eleitoral. 
§ 3º O mandatário que se desfiliou ou pretenda desfiliar-se pode pedir a 
declaração da existência de justa causa, fazendo citar o partido, na forma 
desta resolução. 
14.1.3. Competência 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 108 
 
A competência para conhecer e julgar o pedido da ação para decretação da perda do cargo 
e a ação declaratória de existência de justa causa será: 
• TSE quanto aos mandatos federais (Presidente, Senador, Deputado Federal); 
• TRE's quanto os demais mandatos (estaduais e municipais); 
• Juiz eleitoral não tem competência para julgar matérias dessa natureza. 
Art. 2º O Tribunal Superior Eleitoral é competente para processar e julgar 
pedido relativo a mandato federal; nos demais casos, é competente o tribunal 
eleitoral do respectivo estado. 
14.1.4. Legitimidade passiva 
É do mandatário infiel. Caso filie-se a outra legenda, esta será citada para integrar o 
processo como litisconsorte. 
Art. 4º O mandatário que se desfiliou e o eventual partido em que esteja 
inscrito serão citados para responder no prazo de 5 (cinco) dias, contados do 
ato da citação. 
Parágrafo único. Do mandado constará expressa advertência de que, em 
caso de revelia, se presumirão verdadeiros os fatos afirmados na inicial. 
14.1.5. Pressupostos para a decretação da perda do cargo eletivo 
Ausência de justa causa. 
Art. 22-A da Lei 9.096/95. Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que 
se desfiliar, sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito. 
Parágrafo único. Consideram-se justa causa para a desfiliação partidária 
somente as seguintes hipóteses: 
I - mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; 
II - grave discriminação política pessoal; e 
III - mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que 
antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, 
majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente. 
14.1.6. Limites da decisão 
Ressalta-se que não compete à Justiça Eleitoral fixar quem será investido no cargo vago em 
virtude da perda do mandato por infidelidade partidária, pois tal atribuição é do Presidente do órgão 
legislativo. 
Súmula TSE nº 67: A perda do mandato em razão da desfiliação partidária 
não se aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário. 
15. FUSÃO E INCORPORAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 109 
 
FUSÃO INCORPORAÇÃO 
Um partido se une a outro, fazendo com que se 
tornem uma só entidade. 
Deverá ser realizada por decisão dos órgãos 
nacionais dos partidos, os quais elaborarão os 
projetos comuns de estatuto e programa. 
A existência legal do novo partido tem início 
com o registro, no Ofício Civil competente da 
sede do novo partido, do estatuto e do 
programa, cujo requerimento deve ser 
acompanhado das atas das decisões dos 
órgãos competentes 
Um partido absorve uma ou mais agremiações, 
mantendo sua identidade originária. 
No caso de incorporação, o instrumento 
respectivo deve ser levado ao Ofício Civil 
competente, que deve, então, cancelar o 
registro do partido incorporado a outro 
 
Art. 29. Por decisão de seus órgãos nacionais de deliberação, dois ou mais 
partidos poderão fundir-se num só ou incorporar-se um ao outro. 
§ 1º No primeiro caso, observar-se-ão as seguintes normas: 
I - os órgãos de direção dos partidos elaborarão projetos comuns de estatuto 
e programa; 
II - os órgãos nacionais de deliberação dos partidos em processo de fusão 
votarão em reunião conjunta, por maioria absoluta, os projetos, e elegerão o 
órgão de direção nacional que promoverá o registro do novo partido. 
§ 2º No caso de incorporação, observada a lei civil, caberá ao partido 
incorporando deliberar por maioria absoluta de votos, em seu órgão nacional 
de deliberação, sobre a adoção do estatuto e do programa de outra 
agremiação. 
§ 3º Adotados o estatuto e o programa do partido incorporador, realizar-se-á, 
em reunião conjunta dos órgãos nacionais de deliberação, a eleição do novo 
órgão de direção nacional. 
§ 4º Na hipótese de fusão, a existência legal do novo partido tem início com 
o registro, no Ofício Civil competente da sede do novo partido, do estatuto e 
do programa, cujo requerimento deve ser acompanhado das atas das 
decisões dos órgãos competentes. (Redação dada pela Lei nº 13.877, de 
2019) 
§ 5º No caso de incorporação, o instrumento respectivo deve ser levado ao 
Ofício Civil competente, que deve, então, cancelar o registro do partido 
incorporado a outro. 
§ 6º No caso de incorporação, o instrumento respectivo deve ser levado ao 
Ofício Civil competente, que deve, então, cancelar o registro do partido 
incorporado a outro. 
§ 7º Havendo fusão ou incorporação, devem ser somados exclusivamente os 
votos dos partidos fundidos ou incorporados obtidos na última eleição geral 
para a Câmara dos Deputados, para efeito da distribuição dos recursos do 
Fundo Partidário e do acesso gratuito ao rádio e à televisão.§ 8º O novo estatuto ou instrumento de incorporação deve ser levado a 
registro e averbado, respectivamente, no Ofício Civil e no Tribunal Superior 
Eleitoral. 
§ 9º Somente será admitida a fusão ou incorporação de partidos políticos que 
hajam obtido o registro definitivo do Tribunal Superior Eleitoral há, pelo 
menos, 5 (cinco) anos. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13877.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13877.htm#art1
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 110 
 
 
O STF, no julgamento da ADI 6044/DF (Informativo 1008), entendeu que a exigência contida 
no §9º, do art. 29, da Lei 9.096/95, é constitucional, não viola a autonomia partidária. Isto porque a 
exigência do tempo mínimo de 5 anos para que possa ser feita a fusão ou incorporação de partidos 
políticos é necessária para garantir o compromisso do cidadão com a sua opção partidária, 
evitando-se agremiações descompromissadas e sem substrato social. 
Além disso, reforça o objetivo do constituinte reformador, expresso na EC 97/2017, em coibir 
o enfraquecimento da representação partidária. 
16. FUNDAÇÕES CRIADAS POR PARTIDOS POLÍTICO 
O art. 53 da Lei nº 9.096/95 prevê a possibilidade de que os partidos políticos criem 
fundações ou institutos de direito privado para estudo, pesquisa, doutrinação e educação política: 
Art. 53. A fundação ou instituto de direito privado, criado por partido político, 
destinado ao estudo e pesquisa, à doutrinação e à educação política, rege-
se pelas normas da lei civil e tem autonomia para contratar com instituições 
públicas e privadas, prestar serviços e manter estabelecimentos de acordo 
com suas finalidades, podendo, ainda, manter intercâmbio com instituições 
não nacionais. 
 
A Lei nº 13.487/2017 inseriu alguns parágrafos a esse art. 53 prevendo novas regras para 
essas fundações: 
§ 1º O instituto poderá ser criado sob qualquer das formas admitidas pela lei 
civil. 
§ 2º O patrimônio da fundação ou do instituto de direito privado a que se 
referem o inciso IV do art. 44 desta Lei e o caput deste artigo será vertido ao 
ente que vier a sucedê-lo nos casos de: 
I - extinção da fundação ou do instituto, quando extinto, fundido ou 
incorporado o partido político, assim como nas demais hipóteses previstas na 
legislação; 
II - conversão ou transformação da fundação em instituto, assim como deste 
em fundação. 
§ 3º Para fins do disposto no § 2º deste artigo, a versão do patrimônio implica 
a sucessão de todos os direitos, os deveres e as obrigações da fundação ou 
do instituto extinto, transformado ou convertido. 
§ 4º A conversão, a transformação ou, quando for o caso, a extinção da 
fundação ou do instituto ocorrerá por decisão do órgão de direção nacional 
do partido político. 
17. EXTINÇÃO DOS PARTIDOS POLÍTICOS 
Prevista nos arts. 27 e 28 da Lei 9.096/95. 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 111 
 
Art. 27. Fica cancelado, junto ao Ofício Civil e ao Tribunal Superior Eleitoral, 
o registro do partido que, na forma de seu estatuto, se dissolva, se incorpore 
ou venha a se fundir a outro. 
 
Art. 28. O Tribunal Superior Eleitoral, após trânsito em julgado de decisão, 
determina o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido contra o 
qual fique provado: 
I - ter recebido ou estar recebendo recursos financeiros de procedência 
estrangeira; 
II - estar subordinado a entidade ou governo estrangeiros; 
III - não ter prestado, nos termos desta Lei, as devidas contas à Justiça 
Eleitoral; 
IV - que mantém organização paramilitar. 
§ 1º A decisão judicial a que se refere este artigo deve ser precedida de 
processo regular, que assegure ampla defesa. 
§ 2º O processo de cancelamento é iniciado pelo Tribunal à vista de denúncia 
de qualquer eleitor, de representante de partido, ou de representação do 
Procurador-Geral Eleitoral. 
§ 3º O partido político, em nível nacional, não sofrerá a suspensão das cotas 
do Fundo Partidário, nem qualquer outra punição como consequência de atos 
praticados por órgãos regionais ou municipais. 
§ 4o Despesas realizadas por órgãos partidários municipais ou estaduais ou 
por candidatos majoritários nas respectivas circunscrições devem ser 
assumidas e pagas exclusivamente pela esfera partidária correspondente, 
salvo acordo expresso com órgão de outra esfera partidária. 
§ 5o Em caso de não pagamento, as despesas não poderão ser cobradas 
judicialmente dos órgãos superiores dos partidos políticos, recaindo eventual 
penhora exclusivamente sobre o órgão partidário que contraiu a dívida 
executada. 
§ 6o O disposto no inciso III do caput refere-se apenas aos órgãos nacionais 
dos partidos políticos que deixarem de prestar contas ao Tribunal Superior 
Eleitoral, não ocorrendo o cancelamento do registro civil e do estatuto do 
partido quando a omissão for dos órgãos partidários regionais ou municipais. 
 
Como o tema foi cobrado? 
TJ/MA (2022) No âmbito da atividade partidária, é solidária a 
responsabilidade entre os órgãos partidários municipais, estaduais e 
nacional, em caso de violação a direito, dano a outrem ou de qualquer outro 
ilícito. Errado! Não há responsabilidade solidária. 
18. FIM DA PROPAGANDA PARTIDÁRIA GRATUITA NO RÁDIO E TV 
PROPAGANDA EM DIREITO ELEITORAL 
Propaganda, em direito eleitoral, é um gênero, que se divide nas seguintes 
espécies (classificação proposta pelo Min. Luiz Fux): 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 112 
 
Propaganda INTRAPARTIDÁRIA 
ou PRÉ-ELEITORAL 
Tem por objetivo promover o pretenso candidato 
perante os demais filiados ao partido político; 
Propaganda ELEITORAL 
STRICTO SENSU 
Tem por objetivo conseguir a captação de votos 
perante o eleitorado; 
Propaganda 
 INSTITUCIONAL 
Possui conteúdo educativo, informativo ou de 
orientação social, sendo promovida pelos órgãos 
públicos, nos termos do art. 37, § 1º, da CF; 
Propaganda 
PARTIDÁRIA 
É aquela organizada pelos partidos políticos, com o 
intuito de difundir suas ideias e propostas, o que 
serviria para cooptar filiados para as agremiações, 
bem como para enraizar suas plataformas e opiniões 
na consciência da comunidade. Era disciplinada no 
art. 45 da Lei nº 9.096/95, foi revogada pela Lei 
13.487/2017. 
Em 2022, a Lei 14.291/2022, 
trouxe de volta a propaganda partidária gratuita no 
rádio e na televisão. 
 
A Lei nº 9.096/95 dispõe sobre os partidos políticos e, em seu art. 45, tratava sobre a 
“propaganda partidária”, quarta espécie de propaganda, conforme visto acima. A Lei nº 13.487/2017 
acabou com a propaganda partidária no rádio e na televisão revogando os dispositivos da Lei nº 
9.504/97 que tratavam sobre o tema: 
Art. 5º Ficam revogados, a partir do dia 1º de janeiro subsequente à 
publicação desta Lei, os arts. 45, 46, 47, 48 e 49 e o parágrafo único do art. 
52 da Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995. 
 
Contudo, em 2022, a Lei 14.291/2022, trouxe de volta a propaganda partidária gratuita no 
rádio e na televisão. 
Art. 50-A. A propaganda partidária gratuita mediante transmissão no rádio e 
na televisão será realizada entre as 19h30 (dezenove horas e trinta minutos) 
e as 22h30 (vinte e duas horas e trinta minutos), em âmbito nacional e 
estadual, por iniciativa e sob a responsabilidade dos respectivos órgãos de 
direção partidária. 
 
 
 
 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 113 
 
CAPACIDADE ELEITORAL 
1. CONCEITO E DESDOBRAMENTOS 
É a aptidão para o exercício dos direitos político-eleitorais. Trata-se de direitos políticos em 
sentido estrito. 
A capacidade eleitoral é uma capacidade atribuível apenas às pessoas naturais (pessoas 
físicas). Portanto, pessoas jurídicas não são portadoras da capacidade eleitoral. 
A capacidadeeleitoral relaciona-se com o que se chama de direitos políticos positivos e 
se desdobra em duas: 
1) Capacidade eleitoral ativa (voto e alistabilidade): É a capacidade para votar ou ser eleitor. 
É obtida mediante o alistamento eleitoral. 
2) Capacidade eleitoral passiva (elegibilidade): É a capacidade para ser elegível, para 
receber um mandato eletivo, mediante submissão da vontade do eleitorado no processo 
eleitoral. 
2. DIREITOS POLÍTICO-ELEITORAIS POSITIVOS 
DIREITOS POLÍTICOS ELEITORAIS 
POSITIVOS 
DIREITOS POLÍTICOS ELEITORAIS 
NEGATIVOS 
Alistabilidade (capacidade eleitoral ativa) Inalistabilidade (impedimento para capacidade 
eleitoral ativa) 
Elegibilidade (capacidade eleitoral passiva) 
Inelegibilidade (impedimento para capacidade 
eleitoral passiva) 
 Suspensão/perda do direito político 
 
As capacidades ativas e passivas são consideradas como direitos político-eleitorais 
positivos, pois autorizam a pessoa a participar do processo eleitoral, quer como eleitor quer como 
candidato. 
Engloba o seguinte: 
1) Alistabilidade e voto (capacidade eleitoral ativa); 
2) Elegibilidade (capacidade eleitoral passiva). 
Vejamos: 
 CAPACIDADE ELEITORAL ATIVA: ALISTABILIDADE E VOTO 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 114 
 
Alistabilidade é o direito de se alistar (tirar título), que é pressuposto para o exercício do 
direito de votar. Tanto o alistamento quanto o voto são vedados aos: 
• Menores de 16 anos; 
• Estrangeiros (salvo portugueses equiparados); 
• Conscritos: Pessoas que prestam o serviço militar obrigatório. 
O conceito de conscritos abrange médicos, dentistas, veterinários, farmacêuticos que 
prestam serviço obrigatório? VERDADEIRO. Isso ocorre quando eles protelam a prestação 
do serviço obrigatório para depois de formados em curso superior. Nesse período, os direitos 
políticos ficam suspensos. 
Como o tema foi cobrado em prova? 
(TJ/MA – 2022) É vedado o alistamento eleitoral de oficial das Forças 
Armadas em operação militar. Errada! A vedada aplica-se apenas aos 
conscritos. 
Res.-TSE nº 15850/1989: a palavra conscritos constante deste dispositivo 
alcança também aqueles matriculados nos órgãos de formação de reserva, 
bem como médicos, dentistas, farmacêuticos e veterinários que prestam 
serviço militar inicial obrigatório. 
O alistamento e o voto são obrigatórios para os que têm entre 18 e 70 anos. 
Será facultativo para os que: 
• Possuem entre 16 e 18. 
• Possuem mais de 70. 
• São analfabetos. 
E os indígenas, podem se alistar e votar? O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assegurou o 
alistamento eleitoral facultativo aos índios que, segundo o Estatuto do Índio, sejam considerados 
isolados e em vias de integração. Pela decisão, os índios alfabetizados devem se inscrever como 
eleitores, mas não estão sujeitos ao pagamento de multa pelo atraso no alistamento eleitoral. Essa 
orientação está prevista no artigo 16 da Resolução nº 21.538/2003 do TSE. 
O indígena que se alistou e tem o título em mãos também pode ser candidato. 
Como o tema foi cobrado em prova? 
(TJ/MA – 2022) É facultativo o alistamento eleitoral de indígena que não fale 
português. Correta! 
 CAPACIDADE ELEITORAL PASSIVA: ELEGIBILIDADE 
É a possibilidade de concorrer a um mandato. O direito de ser votado só se torna absoluto 
se preenchidos os requisitos e condições, estão previstas no art. 14, §3º (devem ser 
regulamentadas através de lei ordinária). 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 115 
 
No Brasil, a plena cidadania é atingida aos 35 anos, pois é o último limite etário como 
condição de elegibilidade. Vejamos: 
• 35 anos: Presidente, vice e senador. 
• 30 anos: Governadores e vice. 
• 21 anos: Prefeitos (e vice), deputados e juiz de paz. 
• 18 anos: Vereador. 
CF Art. 14, § 3º - São condições de elegibilidade (condições de elegibilidade 
típicas ou próprias), na forma da lei: 
I - a nacionalidade brasileira; 
II - o pleno exercício dos direitos políticos; 
III - o alistamento eleitoral; 
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; 
V - a filiação partidária; 
VI - a idade mínima de: 
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e 
Senador; 
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito 
Federal; 
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, 
Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; 
d) dezoito anos para Vereador. 
 
CONDIÇÕES DE ELEGIBILIDADE 
Nacionalidade brasileira 
Requisito fundamental para concorrer a cargos públicos. Os 
estrangeiros naturalizados só podem concorrer aos cargos de 
Vereador, Prefeito, Deputado, Senador e Governador, mas os 
cargos de Presidente e Vice-Presidente da República são privativos 
de brasileiro nato (art. 12, §3º da CF/88). 
Pleno exercício dos 
direitos políticos 
Capacidade de votar e ser votado. Os direitos políticos são 
adquiridos com o alistamento eleitoral. Quando uma pessoa se 
alista, torna-se eleitora e passa a exercer os direitos políticos, a não 
ser que incida nas hipóteses previstas no art. 15 da CF/88 (perda ou 
suspensão dos direitos políticos). 
Alistamento eleitoral 
Inscrição no cadastro dos eleitores. A partir do momento que uma 
pessoa se alista, recebe o título de eleitor, que será o documento 
hábil a comprovar o alistamento. 
Domicílio eleitoral na 
circunscrição 
Qualquer cidadão brasileiro só pode concorrer na circunscrição 
onde está alistado, pois é aí que mantém seu domicílio eleitoral. 
Deve estar domiciliado naquela circunscrição há pelo menos seis 
meses (art. 9º da Lei 9.504/97). 
Filiação partidária Para ser votado, o brasileiro necessariamente deve estar com a 
filiação deferida pelo partido político, seis meses antes da eleição 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 116 
 
(art. 9º da Lei 9.504/97). Seis meses é o prazo mínimo, pois o 
estatuto do partido poderá estabelecer prazo superior. Segundo o 
TSE, os militares da ativa constituem exceção a esta regra. 
Independentemente do tempo de serviço efetivo, o militar da ativa 
pode ser candidato a cargo eletivo, desde que tenha sido escolhido 
em convenção partidária e o partido apresente o requerimento de 
registro de candidatura à Justiça Eleitoral. 
Obs.: Havendo coexistência de filiações partidárias, prevalecerá a 
mais recente, devendo a Justiça Eleitoral determinar o 
cancelamento das demais (art. 22, parágrafo único, da Lei 
9.096/95). 
Idade mínima 
35 anos: Presidente, vice e senador. 
30 anos: Governadores e vice. 
21 anos: Prefeitos (e vice), deputados e juiz de paz. 
18 anos: Vereador 
 
A idade mínima era exigida a partir da data da posse, para todos os cargos. 
A Lei 13.165/2015 alterou o §2º do art. 11, a fim de que no caso dos vereadores a idade de 
18 anos seja comprovada na data-limite do pedido de registro. 
Lei 9.504/97 Art. 11. Os partidos e coligações solicitarão à Justiça Eleitoral o 
registro de seus candidatos até as dezenove horas do dia 15 de agosto do 
ano em que se realizarem as eleições. 
§ 2o A idade mínima constitucionalmente estabelecida como condição de 
elegibilidade é verificada tendo por referência a data da posse, salvo quando 
fixada em dezoito anos, hipótese em que será aferida na data-limite para 
o pedido de registro. 
 
Como o tema foi cobrado em prova? 
TJ/MG (2022) A verificação da idade mínima, como condição constitucional 
de elegibilidade, será com referência à data da posse, salvo os eleitos para 
vereador, cuja aferição será na data-limite para o pedido de registro. Correta! 
 
OBS: Domicílio eleitoral não se confunde com domicílio civil. 
No entanto, para o exercício absoluto do direito de ser votado, o candidato além de preencher 
os requisitos acima, não pode incorrer em qualquer das causas de inelegibilidades. 
3. DIREITOS POLÍTICO-ELEITORAIS NEGATIVOS 
http://www.iceni.com/infix.htm. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 117 
 
Os direitos políticos negativos, como ressalta Pedro Lenza “individualizam-se ao definirem 
formulações constitucionais restritivas e impeditivas das atividades político-partidárias, privando o 
cidadão do exercício de seus direitos políticos”. 
São as chamadas inelegibilidades, bem como as situações em que há privação dos direitos 
políticos. Engloba o seguinte: 
• Inelegibilidades (absolutas e relativas); 
• Privação dos direitos políticos (perda ou suspensão). 
 INELEGIBILIDADES (ABSOLUTAS E RELATIVAS) 
Além de ABSOLUTAS ou RELATIVAS, a inelegibilidades podem ser: TÍPICAS/PRÓPRIAS 
(previstas na CF/88) ou ATÍPICAS/IMPRÓPRIAS (prevista em lei infraconstitucional — LC 64/90). 
3.1.1. Inelegibilidades ABSOLUTAS 
Somente a CF pode estabelecer inelegibilidade absoluta, visto tratar-se de restrições a 
direitos fundamentais. E ela o faz em seu art. 14, §4º, que prevê como absolutamente inelegíveis: 
I - Os inalistáveis (conscritos, estrangeiros e menores de 16 – que já não preenchem o 
requisito de idade mínima); 
II - Os analfabetos. 
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto 
direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: 
... 
§ 4º - São inelegíveis os INALISTÁVEIS e os ANALFABETOS. 
 
Estão relacionadas a uma condição pessoal, diferentemente das inelegibilidades relativas, 
que estão relacionadas a cargos. 
Atenção! 
Súmula TSE nº 15 - O exercício de mandato eletivo não é circunstância 
capaz, por si só, de comprovar a condição de alfabetizado do candidato. 
 
Súmula TSE nº 55 - A Carteira Nacional de Habilitação gera a presunção da 
escolaridade necessária ao deferimento do registro de candidatura. 
 
OBS: Já teve ADI questionando a vedação aos analfabetos, no 
entanto o mérito nem foi analisado, haja vista se tratar de norma 
constitucional originária. 
3.1.2. Inelegibilidades RELATIVAS 
As inelegibilidades relativas previstas no ordenamento se fundamentam em quatro critérios: 
• Em razão do cargo; 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 118 
 
• Em razão do parentesco; 
• Relacionada aos militares; 
• Previstas em Lei Complementar: LC 64/90 – (inelegibilidades impróprias). 
Vejamos: 
1) Inelegibilidade relativa: em razão do cargo 
Aqui, temos três tipos: 
• Única reeleição para o mesmo cargo de chefe do executivo; 
• Desincompatibilização de 06 meses; 
• Renúncia de cargos não eletivos. 
Vamos ao estudo deles: 
a) Única reeleição para o mesmo cargo ao chefe do executivo (art. 14, §5º): Impede o 
terceiro mandato consecutivo. Sempre se refere ao chefe do executivo, para não permitir 
que o comandante da máquina administrativa se perpetue no poder. 
CF Art. 14 § 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do 
Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no 
curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período 
subsequente. 
 
Como o tema foi cobrado em prova? 
TJ/SP (2021) Prevista está a vedação que atinge todos os cargos majoritários 
e estabelece não ser possível o exercício de terceiro mandato seguido, 
referindo-se ao cargo pleiteado, independentemente de ser ele exercido na 
mesma cidade ou em municípios diferentes. Correta! 
Poderia o Lula ter se candidatado a vice da Dilma nas eleições de 2010? Na CF não há 
vedação, mas se entende que não poderia, pois, do contrário, seria uma possibilidade de burlar a 
vedação ao terceiro mandato (eis que figuraria na linha de sucessão presidencial). 
STF: A simples substituição (interina) não conta como exercício de mandato. Somente no 
caso de sucessão definitiva é que o candidato passa a exercer o seu primeiro mandato como titular 
do cargo. 
Exemplo: Caso Alckmin e Covas – SP (Alckmin havia substituído temporariamente) Covas 
no 1º mandato, no 2º ele sucedeu (definitivo), no 3º Alckmin concorre e é eleito. A oposição 
questiona. STF, de acordo com a interpretação acima, diz que é como se fosse o 2º mandato, eis 
que no 1º a substituição foi temporária, faz uma interpretação teleológica da CF. 
OBS: figura do “Prefeito itinerante”. 
Imagine agora a seguinte situação hipotética: 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 119 
 
Em 2008, “A” foi eleito para o cargo de Prefeito do Município “X”. 
Em 2012, “A” foi reeleito como Prefeito do Município “X”. 
Em 2015, “A” renunciou ao cargo de Prefeito do Município “X” e transferiu seu domicílio 
eleitoral para a cidade “Z”. 
Em 2016, “A” concorreu e foi eleito ao cargo de Prefeito do Município “Z”, que é vizinho da 
cidade “X”. 
A doutrina e a jurisprudência denominam essa situação de “Prefeito itinerante”, ou seja, 
aquele indivíduo que foi eleito e reeleito para o cargo de Prefeito de um município e quer tentar um 
terceiro mandato, agora como Prefeito de outra cidade, normalmente vizinha, em que também tem 
influência e prestígio político. 
A pergunta é a seguinte: O § 5º do art. 14 da CF/88 permite a figura do “Prefeito 
itinerante”? É possível que uma pessoa que exerceu dois mandatos consecutivos de Prefeito de 
um Município concorra e seja eleita a um terceiro mandato consecutivo de Prefeito, só que agora 
de uma cidade vizinha? 
R: NÃO. O Plenário do STF decidiu que o indivíduo que já exerceu dois mandatos 
consecutivos de Prefeito, ou seja, foi eleito e reeleito, fica inelegível para um terceiro mandato, ainda 
que seja em município diferente. Em outras palavras, o STF proibiu a figura do “Prefeito itinerante” 
(“Prefeito profissional”). A prática do “Prefeito itinerante”, ato aparentemente lícito, representa, na 
verdade, um desvio de finalidade, visando à monopolização do poder local. 
O princípio republicano impede a perpetuação de pessoa ou grupo no poder. Portanto, esse 
princípio obsta a terceira eleição não apenas no mesmo município, mas em relação a qualquer outra 
cidade. Se assim não fosse, tornar-se-ia possível a figura do denominado “prefeito itinerante” ou 
“prefeito profissional”, claramente incompatível com o princípio republicano, que exige a 
temporariedade e a alternância do exercício do poder. 
Logo, somente é possível eleger-se para o cargo de Prefeito municipal por 2 vezes 
consecutivas, não sendo permitido um 3º mandato consecutivo, ainda que em outra cidade. 
Entendido isso, passemos então ao segundo ponto muito importante do julgado: 
A jurisprudência pátria SEMPRE condenou a figura do “Prefeito itinerante”? 
R: NÃO. O TSE admitia como legítimo o “Prefeito itinerante” e, somente em 17/12/2008, foi 
que alterou seu entendimento. Nessa época não havia ainda posicionamento definitivo do STF 
sobre o tema, de modo que prevalecia, no Brasil, a posição do TSE. 
Qual foi o “problema” de o TSE mudar seu entendimento? 
Como essa mudança ocorreu no final de 2008 (ano em que houve eleições municipais), 
aconteceram muitos casos como o seguinte, que foi analisado neste julgado: 
“B”, após exercer 2 mandatos consecutivos como Prefeito do mesmo Município (“X”), 
transfere seu domicílio eleitoral para a cidade “Z” e lá se candidatou ao cargo de Prefeito no pleito 
de 2008. À época, como vimos, a jurisprudência do TSE era firme no sentido de que isso era 
possível. Logo, a candidatura de “B” não foi impugnada pelo Ministério Público ou por qualquer 
partido político adversário (não adiantava; era matéria pacífica no TSE). 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 120 
 
Após transcorrido todo o período de campanha, “B” foi eleito. Contudo, no período de 
diplomação dos eleitos, o TSE modificou radicalmente sua jurisprudência e passou a considerar a 
hipótese do “Prefeito itinerante” como vedada pelo art. 14, § 5º, da CF. 
Em consequência, o Ministério Público Eleitoral e a coligação adversária impugnaram o 
diploma do candidato (Código Eleitoral, art. 262, I), o que resultou na suacassação. 
O TSE, ao mudar sua jurisprudência, respeitou o princípio da segurança jurídica? 
R: O STF entendeu que não. Como foi alterada uma concepção adotada há muitos anos, 
seria sensato que o TSE modulasse os efeitos da decisão, em face da segurança jurídica. Desse 
modo, deveria a Corte eleitoral ter atribuído efeitos prospectivos (pro futuro) a esse entendimento. 
A modulação também era indispensável porque a mudança ocorreu no decorrer do período 
eleitoral, de modo que era importante resguardar a segurança jurídica e confiança dos candidatos 
e dos eleitores na interpretação então vigente. 
Nesse âmbito, portanto, a segurança jurídica assume a sua face de princípio da confiança, 
a fim de proteger a estabilização das expectativas de todos aqueles que, de alguma forma, 
participam das disputas eleitorais. 
Em suma, a decisão do TSE, apesar de ter concluído corretamente que é abusiva a figura 
do “Prefeito itinerante”, não poderia retroagir esse entendimento para o fim de cassar diploma 
regularmente concedido ao Prefeito vencedor das eleições de 2008, ainda que itinerante. Deveria, 
portanto, ser preservado o seu mandato. 
Como o tema foi cobrado em prova? 
TJ/MG (2022) O Tribunal Superior Eleitoral vedou o exercício consecutivo de 
mais de dois mandatos de prefeito (“prefeito itinerante” ou “prefeito 
profissional”). Todavia, o Supremo Tribunal Federal adotou interpretação 
conforme a Constituição e, preservando o direito subjetivo público ao 
exercício da capacidade eleitoral passiva, limitou essa vedação a municípios 
que estejam na mesma microrregião administrativa. Errada! 
b) Desincompatibilização dos 06 meses para outro cargo (art. 14, §6º): Também se refere 
aos chefes do executivo. 
É o chamado instrumento da desincompatibilização dos seis meses. 
Não alcança o vice que poderá se candidatar não só ao mesmo cargo (reeleição), como 
também a outros cargos, sem renúncia, desde que nos últimos seis meses não tenha sucedido ou 
substituído o titular. 
O Presidente da Câmara que substituiu o Prefeito nos seis meses anteriores à eleição, 
está inelegível para o cargo de vereador, mas pode se candidatar ao cargo de Prefeito. 
CF Art. 14, § 6º - Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da 
República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos 
devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do 
pleito. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 121 
 
TJ/RJ (2019): Para concorrem a outros cargos, o Presidente da República, 
os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem 
renunciar aos respectivos mandatos até 6 (seis) meses antes do pleito. 
Correto! 
Vale ressaltar que, para fins de desincompatibilização, é exigida uma manifestação formal 
do interessado com pedido expresso de afastamento no prazo legal, assim como o afastamento de 
fato do candidato de suas funções. 
Os prazos de desincompatibilização variam de três a seis meses da data marcada para a 
eleição, levando-se em consideração a influência que o exercente da função teria no processo 
eleitoral. 
a) Cargo não eletivo (renúncia): juiz (art. 95, §único, III) e membro do MP (art. 128, §5º, II, 
e) não podem concorrer sem antes renunciar ao cargo. 
 
Art. 95 
Parágrafo único. Aos juízes é vedado: 
III - dedicar-se à atividade político-partidária. 
 
Art. 128,§5º (MP) 
II - as seguintes vedações: 
e) exercer atividade político-partidária; 
2) Inelegibilidade relativa: em razão do parentesco (ou reflexa) Art. 14, §7º CF. 
Art. 14, § 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o 
cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por 
adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, 
do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos 
seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e 
candidato à reeleição. 
 
 De acordo com inelegibilidade por parentesco: 
O cônjuge, os parentes e afins 
até o 2º grau do... 
Não poderão candidatar-se a... 
PREFEITO Vereador e/ou Prefeito do mesmo Município 
GOVERNADOR 
Qualquer cargo no mesmo Estado, ou seja: 
• Vereador ou prefeito em qualquer município no mesmo Estado; 
• Deputado estadual ou Governado no mesmo Estado; 
• Deputado federal ou Senador nas vagas do próprio Estado. 
PRESIDENTE Qualquer cargo eletivo no país (municipal, estadual ou federal). 
 
Como o tema foi cobrado em prova? 
MPE/MG (2022): São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o 
cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o terceiro grau ou por 
adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, 
do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 122 
 
seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e 
candidato à reeleição. Errada! 
 
TJ/GO (2021): A inelegibilidade reflexa é espécie de inelegibilidade 
constitucional e, portanto, não se sujeita à preclusão temporal, podendo ser 
arguida tanto na impugnação do registro de candidatura quanto no recurso 
contra expedição de diploma. Correta! 
Exceção à regra do § 7º: “ (...) salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.” 
Assim, no caso do cônjuge, parente ou afim já possuir mandato eletivo, não haverá qualquer 
impedimento para que concorra à reeleição (candidatura ao mesmo cargo). 
Abrangência do termo “cônjuge”: 
Considera-se cônjuge não somente a mulher/homem que esteja casada(o), mas também 
aquela(e) que vive em união estável com o Chefe do Poder Executivo, ou mesmo com seu irmão (a 
fim de 2º grau). Isso porque a CF/88 amplia o conceito de entidade familiar, nos termos do art. 226, 
§ 3º. A vedação incide também no caso de união homoafetiva. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/BA (2019): Ante a impossibilidade de interpretação extensiva das regras 
de inelegibilidade, as relações estáveis homoafetivas não são situações 
configuradoras de hipóteses de inelegibilidade reflexa. Errado! 
A inelegibilidade persiste, ainda que, no curso do mandato, a relação se extinga: 
O TSE tem entendimento de que, se em algum momento do mandato, ocorreu a relação de 
casamento, união estável ou parentesco, esta pessoa já está inelegível, ainda que esta relação seja 
desfeita. 
Ex.: Luciano foi eleito prefeito em 2016. Em 2016, foi reeleito. Logo, em 2020, não poderia 
concorrer à reeleição porque seria seu terceiro mandato consecutivo. Em 2018, Luciano separou-
se de sua esposa Amélia. Mesmo estando separados, Amélia não poderá concorrer nas eleições 
de 2020 porque, durante o mandato do prefeito, houve uma relação entre eles, não cessando a 
inelegibilidade pelo fim do vínculo conjugal Inelegibilidade relativa: relacionada aos Militares (art. 
14, §8º). 
O STF possui o mesmo entendimento: 
Súmula vinculante 18-STF: A dissolução da sociedade ou do vínculo 
conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no § 7º 
do artigo 14 da Constituição Federal. 
 
 Convém observar que o STF excepcionou a aplicação da súmula vinculante acima, 
nas hipóteses em que a dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal decorra da morte de um 
dos cônjuges. 
Como o tema foi cobrado em prova? 
(MP/MG – 2022) A inelegibilidade, constitucionalmente prevista, decorrente 
da existência de relação conjugal com o chefe do executivo, no território da 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 123 
 
mesma jurisdição, cessa na hipótese em que a ruptura daquela decorrer da 
morte do titular do mandato. 
Correta! Tema 678 (repercussão geral) Súmula Vinculante 18 do STF não se 
aplica aos casos de extinção do vínculo conjugal pela morte de um dos 
cônjuges. 
Os parentes (ou cônjuge) podem concorrer naseleições, desde que o titular do cargo tenha 
direito à reeleição e não concorra na disputa: 
Ex: em 1998, Garotinho foi eleito Governador do RJ. No final do seu 1º mandato (em 2002), 
ele renunciou ao cargo para se desincompatibilizar e concorrer à Presidência da República. Sua 
esposa, Rosinha, candidatou-se ao cargo de Governador na eleição de 2002, tendo sido eleita. O 
TSE considerou que Rosinha poderia concorrer e assumir o cargo porque seu marido havia 
renunciado e ainda estava no 1º mandato. A lógica utilizada pelo TSE foi a seguinte: ora, se o 
próprio Garotinho poderia concorrer novamente ao cargo de Governador, não haveria sentido em 
se negar à sua esposa o direito de disputar a eleição. Vale ressaltar, no entanto, que Rosinha, ao 
ganhar a eleição, é como se estivesse exercendo o 2º mandato consecutivo. Logo, em 2006 não 
poderia concorrer novamente ao Governo. 
Em suma, este núcleo familiar foi eleito Governador em 1998 e reeleito em 2002, não 
podendo figurar em um terceiro mandato consecutivo. 
ELEIÇÃO SUPLEMENTAR E AS HIPÓTESES DE INELEGIBILIDADE 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
João foi eleito, em 2016, prefeito de uma cidade do interior. 
Ocorre que, em 2017, ele e o vice foram cassados. 
Diante disso, a Justiça Eleitoral determinou a realização de nova eleição para Prefeito 
(chamada de "eleição suplementar"). 
Ao exercício do restante do mandato por outra pessoa, em função de vacância ou 
impedimento, dá-se popularmente o nome de mandato-tampão. 
Maria, mulher de João, inscreveu-se para concorrer na eleição suplementar. No entanto, os 
partidos oposicionistas impugnaram a candidatura afirmando que ela seria inelegível com base no 
art. 14, § 7º da CF/88: 
Art. 14 (...) § 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge 
e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do 
Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito 
Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses 
anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à 
reeleição. 
 
Maria defendeu-se afirmando que as hipóteses de inelegibilidade só se aplicam para 
eleições gerais, não valendo para o caso de eleições suplementares. 
O argumento defensivo de Maria está correto? As hipóteses de inelegibilidade só se aplicam 
para as eleições gerais? 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 124 
 
NÃO. As hipóteses de inelegibilidade previstas no art. 14, § 7º, da CF/88, inclusive quanto 
ao prazo de seis meses, são aplicáveis às eleições suplementares. Assim, incide o art. 14, § 7º, da 
CF/88. 
João estava no seu primeiro mandato. Logo, em tese, ele ainda teria direito de concorrer a 
uma reeleição (em 2020). Diante disso, quando o próprio chefe do Poder Executivo ainda pode 
concorrer à reeleição, a jurisprudência abre uma exceção ao art. 14, § 7º, da CF/88 e permite que 
o cônjuge (no caso, sua mulher) concorra no seu lugar. Assim, em tese, em 2016, Maria poderia 
concorrer à Prefeita mesmo existindo a regra do art. 14, § 7º (vimos essa situação acima no caso 
da Rosinha Garotinho). 
Voltando, no entanto, ao caso concreto: Maria não poderá concorrer nas eleições 
suplementares porque João, ao ser cassado, tornou-se inelegível, conforme prevê o art. 1º, I, "c", 
da LC 64/90: 
Art. 1º São inelegíveis: 
I - para qualquer cargo: 
(...) 
c) o Governador e o Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal e o 
Prefeito e o Vice-Prefeito que perderem seus cargos eletivos por infringência 
a dispositivo da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou 
da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o 
remanescente e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término do mandato para 
o qual tenham sido eleitos; (Redação dada pela Lei Complementar nº 
135/2010) 
 
Assim, sendo João inelegível, Maria também se tornou inelegível, não podendo ser aplicada 
a exceção feita pela jurisprudência ao art. 14, § 7º, da CF/88. Em outras palavras, não se pode 
aplicar aqui a mesma solução dada ao caso da Rosinha porque lá o Garotinho não estava inelegível 
(ele ainda poderia concorrer à reeleição, se quisesse). 
No presente caso é diferente porque João estava inelegível, fazendo com que essa 
inelegibilidade se transmitisse à sua mulher. 
O que é mais importante, no entanto, é que você aprenda a tese fixada pelo STF no âmbito 
da repercussão geral: 
As hipóteses de inelegibilidade previstas no art. 14, § 7º, da CF, inclusive quanto ao prazo 
de seis meses, são aplicáveis às eleições suplementares. 
Como o tema foi cobrado em prova? 
TJ/RS (2022) A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de 
prefeito pelo mesmo núcleo familiar aplica-se na hipótese em que tenha 
havido a convocação do segundo colocado nas eleições para o exercício de 
mandato-tampão. Correta! 
 
TCDFT (2021) Joaquim foi eleito prefeito de seu munícipio, porém, sete 
meses depois da eleição, a justiça eleitoral local cassou o mandato em razão 
da constatação da prática de abuso do poder econômico e, assim, marcou 
novas eleições. A esposa do prefeito cassado, então, habilitou-se para a nova 
disputa eleitoral. Nessa situação, a esposa do prefeito cassado é elegível 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 125 
 
para disputar o novo pleito, pois não há inelegibilidade em eleições 
suplementares. Errada! 
3) O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições: 
CF Art. 14 
§ 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições: 
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade; 
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade 
superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a 
inatividade. 
 
Assim, o militar alistável é aquele que não é conscrito, ou seja, é aquele que escolhe seguir 
a carreira de militar e não está prestando serviço militar. Entretanto, só será elegível se tiver mais 
de 10 anos de carreira militar e para tal será obrigado a se licenciar e quem exercerá sua função 
militar será seu superior hierárquico. Por outro lado, caso tenha menos de 10 anos e queira se 
eleger, ele terá que pedir exoneração (saída/deixa a função). 
Se ele perder as eleições, ele poderá retornar ao serviço militar. Do contrário, ele ficará 
afastado da carreira militar (fica inativo). 
E se ele tivesse 10 anos de carreira militar, já que a CF/88 foi omissa? 
Resposta: Deve-se fazer uma interpretação mais favorável ao militar. Logo, ele ficará 
licenciado. 
4) Inelegibilidade relativa: estabelecidas por LC (art. 14, §9º) – Art. 1º LC 64/90. 
CF Art. 14, § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de 
inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade 
administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida 
pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra 
a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou 
emprego na administração direta ou indireta. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional de Revisão nº 4, de 1994) 
 
As inelegibilidades só podem ser definidas por LEI COMPLEMENTAR, sob pena de 
inconstitucionalidade formal. O que não se confunde com a criação de novos requisitos de 
elegibilidade, que, conforme já decidiu o STF, podem ser feitos por lei ordinária. 
Como o tema foi cobrado em prova? 
MP/PE (2022) Lei ordinária estabelecerá outros casos de inelegibilidade, 
além daqueles previstos na Constituição Federal, e os prazos de sua 
cessação, a fim de proteger a probidade administrativa e a moralidade para 
exercício de mandato, considerada a vida pregressa do candidato. Errada! 
Dois exemplos que foram questionados no STF por serem supostas hipóteses de 
inelegibilidades criadas por LO (Lei 9.504/97) e que foram declaradosconstitucionais (por não 
serem consideradas como tal): 
- Captação de sufrágio, sob pena de cassação do registro. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 126 
 
- Proibição de inauguração de obra três meses antes do pleito, sob a pena de cassação do 
registro. 
Vejamos o art. 1º da LC 64/90: 
LC 64/90 
Art. 1º São inelegíveis: 
I - para qualquer cargo: 
a) os inalistáveis e os analfabetos; 
b) os membros do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, da 
Câmara Legislativa e das Câmaras Municipais, que hajam perdido os 
respectivos mandatos por infringência do disposto nos incisos I e II do art. 
55 da Constituição Federal, dos dispositivos equivalentes sobre perda de 
mandato das Constituições Estaduais e Leis Orgânicas dos Municípios e do 
Distrito Federal, para as eleições que se realizarem durante o período 
remanescente do mandato para o qual foram eleitos e nos oito anos 
subsequentes ao término da legislatura; (Redação dada pela LCP 81, de 
13/04/94) 
c) o Governador e o Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal e o 
Prefeito e o Vice-Prefeito que perderem seus cargos eletivos por infringência 
a dispositivo da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito 
Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se 
realizarem durante o período remanescente e nos 8 (oito) anos 
subsequentes ao término do mandato para o qual tenham sido 
eleitos; (Redação dada pela Lei Complementar nº 135, de 2010) 
d) os que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela 
Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão 
colegiado, em processo de apuração de abuso do poder econômico ou 
político, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem 
como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes; 
e) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou 
proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o 
transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena, pelos 
crimes: 
1. contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o 
patrimônio público; 
2. contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e 
os previstos na lei que regula a falência; 
3. contra o meio ambiente e a saúde pública; 
4. eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liberdade;) 
5. de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do 
cargo ou à inabilitação para o exercício de função pública; 
6. de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; 
7. de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e 
hediondos; 
8. de redução à condição análoga à de escravo; 
9. contra a vida e a dignidade sexual; e 
10. praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando; 
f) os que forem declarados indignos do oficialato, ou com ele incompatíveis, 
pelo prazo de 8 (oito) anos; 
***g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções 
públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de 
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. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 127 
 
improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão 
competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder 
Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, 
contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II 
do art. 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesa, 
sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição; 
TJ/RO (2019); MPE/SC (2019) 
h) os detentores de cargo na administração pública direta, indireta ou 
fundacional, que beneficiarem a si ou a terceiros, pelo abuso do poder 
econômico ou político, que forem condenados em decisão transitada em 
julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, para a eleição na qual 
concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem 
nos 8 (oito) anos seguintes; 
i) os que, em estabelecimentos de crédito, financiamento ou seguro, que 
tenham sido ou estejam sendo objeto de processo de liquidação judicial 
ou extrajudicial, hajam exercido, nos 12 (doze) meses anteriores à 
respectiva decretação, cargo ou função de direção, administração ou 
representação, enquanto não forem exonerados de qualquer 
responsabilidade; 
j) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida 
por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, por corrupção eleitoral, por captação 
ilícita de sufrágio, por doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de 
campanha ou por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas 
eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diploma, pelo prazo de 8 
(oito) anos a contar da eleição; 
k) o Presidente da República, o Governador de Estado e do Distrito Federal, 
o Prefeito, os membros do Congresso Nacional, das Assembleias 
Legislativas, da Câmara Legislativa, das Câmaras Municipais, que 
renunciarem a seus mandatos desde o oferecimento de representação 
ou petição capaz de autorizar a abertura de processo por infringência a 
dispositivo da Constituição Federal, da Constituição Estadual, da Lei 
Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as 
eleições que se realizarem durante o período remanescente do mandato para 
o qual foram eleitos e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término da 
legislatura; 
l) os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão 
transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso 
de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e 
enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito em julgado até o 
transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena; 
m) os que forem excluídos do exercício da profissão, por decisão 
sancionatória do órgão profissional competente, em decorrência de infração 
ético-profissional, pelo prazo de 8 (oito) anos, salvo se o ato houver sido 
anulado ou suspenso pelo Poder Judiciário; TJ/RO (2019) 
n) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida 
por órgão judicial colegiado, em razão de terem desfeito ou simulado desfazer 
vínculo conjugal ou de união estável para evitar caracterização de 
inelegibilidade, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão que reconhecer a 
fraude; 
o) os que forem demitidos do serviço público em decorrência de 
processo administrativo ou judicial, pelo prazo de 8 (oito) anos, contado 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 128 
 
da decisão, salvo se o ato houver sido suspenso ou anulado pelo Poder 
Judiciário; 
p) a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por 
doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou 
proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos 
após a decisão, observando-se o procedimento previsto no art. 22; 
q) os magistrados e os membros do Ministério Público que forem 
aposentados compulsoriamente por decisão sancionatória, que tenham 
perdido o cargo por sentença ou que tenham pedido exoneração ou 
aposentadoria voluntária na pendência de processo administrativo disciplinar, 
pelo prazo de 8 (oito) anos; 
II - para Presidente e Vice-Presidente da República: 
a) até 6 (seis) meses depois de afastados definitivamente de seus cargos e 
funções: 
1. os Ministros de Estado: 
2. os chefes dos órgãos de assessoramento direto, civil e militar, da 
Presidência da República; 
3. o chefe do órgão de assessoramento de informações da Presidência da 
República; 
4. o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas; 
5. o Advogado-Geral da União e o Consultor-Geral da República; 
6. os chefes do Estado-Maior da Marinha, do Exército e da Aeronáutica; 
7. os Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica; 
8. os Magistrados; 
9. os Presidentes,Diretores e Superintendentes de autarquias, empresas 
públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas e as mantidas 
pelo poder público; 
10. os Governadores de Estado, do Distrito Federal e de Territórios; 
11. os Interventores Federais; 
12, os Secretários de Estado; 
13. os Prefeitos Municipais; 
14. os membros do Tribunal de Contas da União, dos Estados e do Distrito 
Federal; 
15. o Diretor-Geral do Departamento de Polícia Federal; 
16. os Secretários-Gerais, os Secretários-Executivos, os Secretários 
Nacionais, os Secretários Federais dos Ministérios e as pessoas que ocupem 
cargos equivalentes; 
b) os que tenham exercido, nos 6 (seis) meses anteriores à eleição, nos 
Estados, no Distrito Federal, Territórios e em qualquer dos poderes da União, 
cargo ou função, de nomeação pelo Presidente da República, sujeito à 
aprovação prévia do Senado Federal; 
c) (Vetado); 
d) os que, até 6 (seis) meses antes da eleição, tiverem competência ou 
interesse, direta, indireta ou eventual, no lançamento, arrecadação ou 
fiscalização de impostos, taxas e contribuições de caráter obrigatório, 
inclusive parafiscais, ou para aplicar multas relacionadas com essas 
atividades 
e) os que, até 6 (seis) meses antes da eleição, tenham exercido cargo ou 
função de direção, administração ou representação nas empresas de que 
tratam os arts. 3° e 5° da Lei n° 4.137, de 10 de setembro de 1962, quando, 
pelo âmbito e natureza de suas atividades, possam tais empresas influir na 
economia nacional; 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 129 
 
f) os que, detendo o controle de empresas ou grupo de empresas que atuem 
no Brasil, nas condições monopolísticas previstas no parágrafo único do art. 
5° da lei citada na alínea anterior, não apresentarem à Justiça Eleitoral, até 6 
(seis) meses antes do pleito, a prova de que fizeram cessar o abuso apurado, 
do poder econômico, ou de que transferiram, por força regular, o controle de 
referidas empresas ou grupo de empresas; 
g) os que tenham, dentro dos 4 (quatro) meses anteriores ao pleito, ocupado 
cargo ou função de direção, administração ou representação em entidades 
representativas de classe, mantidas, total ou parcialmente, por contribuições 
impostas pelo poder Público ou com recursos arrecadados e repassados pela 
Previdência Social; 
h) os que, até 6 (seis) meses depois de afastados das funções, tenham 
exercido cargo de Presidente, Diretor ou Superintendente de sociedades com 
objetivos exclusivos de operações financeiras e façam publicamente apelo à 
poupança e ao crédito, inclusive através de cooperativas e da empresa ou 
estabelecimentos que gozem, sob qualquer forma, de vantagens 
asseguradas pelo poder público, salvo se decorrentes de contratos que 
obedeçam a cláusulas uniformes; 
i) os que, dentro de 6 (seis) meses anteriores ao pleito, hajam exercido cargo 
ou função de direção, administração ou representação em pessoa jurídica ou 
em empresa que mantenha contrato de execução de obras, de prestação de 
serviços ou de fornecimento de bens com órgão do Poder Público ou sob seu 
controle, salvo no caso de contrato que obedeça a cláusulas uniformes; 
j) os que, membros do Ministério Público, não se tenham afastado das suas 
funções até 6 (seis)) meses anteriores ao pleito; 
I) os que, servidores públicos, estatutários ou não, dos órgãos ou entidades 
da Administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, 
dos Municípios e dos Territórios, inclusive das fundações mantidas pelo 
Poder Público, não se afastarem até 3 (três) meses anteriores ao pleito, 
garantido o direito à percepção dos seus vencimentos integrais; 
III - para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; 
a) os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da 
República especificados na alínea a do inciso II deste artigo e, no tocante às 
demais alíneas, quando se tratar de repartição pública, associação ou 
empresas que operem no território do Estado ou do Distrito Federal, 
observados os mesmos prazos; 
b) até 6 (seis) meses depois de afastados definitivamente de seus cargos ou 
funções: 
1. os chefes dos Gabinetes Civil e Militar do Governador do Estado ou do 
Distrito Federal; 
2. os comandantes do Distrito Naval, Região Militar e Zona Aérea; 
3. os diretores de órgãos estaduais ou sociedades de assistência aos 
Municípios; 
4. os secretários da administração municipal ou membros de órgãos 
congêneres; 
IV - para Prefeito e Vice-Prefeito: 
a) no que lhes for aplicável, por identidade de situações, os inelegíveis para 
os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice-
Governador de Estado e do Distrito Federal, observado o prazo de 4 
(quatro) meses para a desincompatibilização; TJ/RO (2019) 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 130 
 
b) os membros do Ministério Público e Defensoria Pública em exercício na 
Comarca, nos 4 (quatro) meses anteriores ao pleito, sem prejuízo dos 
vencimentos integrais; 
c) as autoridades policiais, civis ou militares, com exercício no Município, nos 
4 (quatro) meses anteriores ao pleito; 
V - para o Senado Federal: 
a) os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da 
República especificados na alínea a do inciso II deste artigo e, no tocante às 
demais alíneas, quando se tratar de repartição pública, associação ou 
empresa que opere no território do Estado, observados os mesmos prazos; 
b) em cada Estado e no Distrito Federal, os inelegíveis para os cargos de 
Governador e Vice-Governador, nas mesmas condições estabelecidas, 
observados os mesmos prazos; 
VI - para a Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa e Câmara 
Legislativa, no que lhes for aplicável, por identidade de situações, os 
inelegíveis para o Senado Federal, nas mesmas condições estabelecidas, 
observados os mesmos prazos; 
VII - para a Câmara Municipal: 
a) no que lhes for aplicável, por identidade de situações, os inelegíveis para 
o Senado Federal e para a Câmara dos Deputados, observado o prazo de 
6 (seis) meses para a desincompatibilização; 
b) em cada Município, os inelegíveis para os cargos de Prefeito e Vice-
Prefeito, observado o prazo de 6 (seis) meses para a desincompatibilização . 
§ 1° Para concorrência a outros cargos, o Presidente da República, os 
Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar 
aos respectivos mandatos até 6 (seis) meses antes do pleito. 
§ 2° O Vice-Presidente, o Vice-Governador e o Vice-Prefeito poderão 
candidatar-se a outros cargos, preservando os seus mandatos respectivos, 
desde que, nos últimos 6 (seis) meses anteriores ao pleito, não tenham 
sucedido ou substituído o titular. 
§ 3° São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os 
parentes, consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do 
Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito 
Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos 6 (seis) meses 
anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à 
reeleição. 
§ 4o A inelegibilidade prevista na alínea e do inciso I deste artigo não se aplica 
aos crimes culposos e àqueles definidos em lei como de menor potencial 
ofensivo, nem aos crimes de ação penal privada. 
§ 4º-A. A inelegibilidade prevista na alínea “g” do inciso I do caput deste 
artigo não se aplica aos responsáveis que tenham tido suas contas julgadas 
irregulares sem imputação de débito e sancionados exclusivamente com o 
pagamento de multa. (Incluído pela Lei Complementar nº 184, de 2021) 
§ 5o A renúncia para atender à desincompatibilização com vistas a 
candidatura a cargo eletivo ou para assunção de mandato não gerará a 
inelegibilidade prevista na alínea k, a menos que a Justiça Eleitoral reconheça 
fraude ao disposto nesta Lei Complementar. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso?MPE/AP (2021) Os prazos de desincompatibilização para que membros da 
Defensoria Pública dos estados em exercício na comarca concorram às 
eleições para prefeito, vereador e deputado estadual são, respectivamente, 
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 131 
 
de até quatro meses antes do pleito, seis meses antes do pleito e três meses 
antes do pleito. Correta! 
A seguir iremos analisar algumas hipóteses do art. 1º da LC 64/90 de maior relevância: 
1ª Hipótese: Art. 1º, I, “e” - Os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou 
proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) 
anos após o cumprimento da pena (privativa de liberdade, restritiva de direito ou multa), pelos 
crimes: 
• contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio 
público; 
• contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os 
previstos na lei que regula a falência; 
• contra o meio ambiente e a saúde pública; 
• eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liberdade; 
• de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou 
à inabilitação para o exercício de função pública; 
• de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; 
• de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos; 
• de redução à condição análoga à de escravo; 
• contra a vida e a dignidade sexual; e 
• praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando; 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/MS (2020): O artigo 1°, inciso I, alínea “e”, da Lei Complementar federal 
n° 64, de 18 de maio de 1990, estabelece, como causa de inelegibilidade para 
qualquer cargo, a condenação, pelos crimes que especifica, em decisão 
transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a 
condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento 
da pena. A esse respeito, o prazo concernente à hipótese de inelegibilidade 
em questão projeta-se por 8 (oito) anos após o cumprimento da pena, seja 
ela privativa de liberdade, restritiva de direito ou multa. Correto! 
Salienta-se que, conforme o art. 15, III, da CF, a condenação criminal transitada em julgado 
acarreta a suspensão dos direitos políticos enquanto perdurarem seus efeitos. Os efeitos da 
suspensão dos direitos políticos cessam a partir do cumprimento ou da extinção da pena. 
Aqui, a inelegibilidade, ao contrário, persiste até 8 anos após o cumprimento da pena. 
Além disso, a inelegibilidade se constitui a partir do trânsito em julgado da decisão ou da 
publicação da decisão colegiada. A oposição de embargos declaratórios não suspende a incidência 
da inelegibilidade (REsp 12.242). 
http://www.iceni.com/infix.htm
. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 132 
 
ATENÇÃO!! Na liminar da ADI 6.63018, o Ministro Kássio Nunes, suspendeu a expressão 
“após o cumprimento da pena”, afirmando que a inelegibilidade de 8 anos deve contar a partir da 
condenação, uma vez que a norma da alínea e, “faz protrair por prazo indeterminado os efeitos do 
dispositivo impugnado”. 
ADI 6.630: Em face do exposto, defiro o pedido de suspensão da expressão 
“após o cumprimento da pena”, contida na alínea ‘e’ do inciso I do art. 1º da 
Lei Complementar 64/1990, nos termos em que fora ela alterada pela Lei 
Complementar 135/2010, tão somente aos processos de registro de 
candidatura das eleições de 2020 ainda pendentes de apreciação, inclusive 
no âmbito do TSE e do STF. 
 
Posteriormente, porém, quando do julgamento do mérito da referida ADI julgou-se 
improcedente o pedido, sendo cassada a medida liminar. Prevaleceu-se, ao final, que a fluência 
integral do prazo de 8 anos de inelegibilidade dá-se após o fim do cumprimento da pena (art. 1º, I, 
“e”, da LC 64/1990, com a redação da LC 135/2010), vejamos: 
EMENTA: CONSTITUCIONAL. ELEITORAL. AÇÃO DIRETA. ART. 1º, I, 
ALÍNEA "E", DA LEI COMPLEMENTAR 64/1990 (REDAÇÃO DA LC 
135/2010). INELEGIBILIDADE DECORRENTE DE CONDENAÇÃO 
CRIMINAL. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DE 8 ANOS A PARTIR DA 
DATA DO CUMPRIMENTO DA PENA. DETRAÇÃO DO TEMPO DE 
INELEGIBILIDADE ENTRE O JULGAMENTO COLEGIADO E O TRÂNSITO 
EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. DETRAÇÃO DO PERÍODO ENTRE O 
TRÂNSITO EM JULGADO E O FIM DO CUMPRIMENTO DA PENA. 
ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS ARTS. 14, § 9º, E 15, CAPUT E INCISO III, 
DA CF. VITUAL CASSAÇÃO DE DIREITOS POLÍTICOS E 
INDETERMINAÇÃO DO PRAZO DA INELEGIBILIDADE. PEDIDO JULGAGO 
IMPROCEDENTE. 1. A Lei Complementar 135/2010 modificou o regime das 
inelegibilidades, majorando o prazo para 8 (oito) anos e estabelecendo 
inelegibilidade no curso do processo judicial, após o julgamento colegiado em 
segunda instância, visando a conferir efetividade à tutela da moralidade 
administrativa e à legitimidade dos processos eleitorais, como reconhecido 
pela CORTE no julgamento das ADCs 29 e 30 e da ADI 4578, em que se 
afirmou a constitucionalidade do tratamento rigoroso da matéria, inclusive em 
relação à inelegibilidade efetivada antes do trânsito em julgado da ação. 2. 
Carece de fundamento legal a pretensão a subtrair do prazo de 8 (oito) anos 
de inelegibilidade posterior ao cumprimento da pena o tempo em que a 
capacidade eleitoral passiva do agente foi obstaculizada pela inelegibilidade 
anterior ao trânsito em julgado e pelos efeitos penais da condenação, 
conforme expressamente debatido e rejeitado pela CORTE no julgamento 
das ADCs 29 e 30 e da ADI 4578. 3. A fluência integral do prazo de 8 anos 
de inelegibilidade após o fim do cumprimento da pena (art. 1º, I, “e”, da LC 
64/1990, com a redação da LC 135/2010) é medida proporcional, isonômica 
e necessária para a prevenção de abusos no processo eleitoral e para a 
proteção da moralidade e probidade administrativas. 4. Ação Direta julgada 
improcedente. 
 
 
18 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6072681 
 
http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6072681
http://www.iceni.com/infix.htm
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 133 
 
Importante consignar que a inelegibilidade NÃO se aplica aos crimes culposos, de menor 
potencial ofensivo e de ação penal privada. 
Art. 1º, § 4o A inelegibilidade prevista na alínea e do inciso I deste artigo não 
se aplica aos crimes culposos e àqueles definidos em lei como de menor 
potencial ofensivo, nem aos crimes de ação penal privada. 
 
A prescrição da pretensão executória não prejudica os efeitos extrapenais da condenação 
criminal e não afasta a inelegibilidade da alínea e. 
Atenção para a Súmulas 59 e 60 do TSE: 
Súmula nº 59 - O reconhecimento da prescrição da pretensão executória pela 
Justiça Comum não afasta a inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC nº 
64/90, porquanto não extingue os efeitos secundários da condenação 
 
Súmula 60 - O prazo da causa de inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da 
LC nº 64/1990 deve ser contado a partir da data em que ocorrida a prescrição 
da pretensão executória e não do momento da sua declaração judicial. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/SP (2017): O reconhecimento da prescrição da pretensão executória, 
pela Justiça Comum, do réu condenado definitivamente por tráfico de 
entorpecentes, implica, em relação a sua elegibilidade o fim da sua 
inelegibilidade após o decurso de oito anos contados da data em que ocorreu 
a extinção da pretensão executória estatal. Correta! 
Crimes tributários e licitatórios atraem a inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, 1, da LC nº 
64/90, por enfraquecer as regras regentes da Administração Pública. Ademais, incide na hipótese 
de condenação pelo Tribunal do Júri, já que se trata de um órgão colegiado. 
TSE- Recurso Ordinário nº 263449 - SÃO PAULO – SP RECURSO 
ORDINÁRIO. ELEIÇÕES 2014. DEPUTADO FEDERAL. REGISTRO DE 
CANDIDATURA. INELEGIBILIDADE. ART. 1º, I, e, 9, DA LC 64/90. 
CONDENAÇÃOCRIMINAL. TRIBUNAL DO JÚRI. ÓRGÃO COLEGIADO DO 
PODER JUDICIÁRIO. DESPROVIMENTO. 1. A inelegibilidade do art. 1º, I, 
e, 9, da LC 64/90 incide nas hipóteses de condenação criminal emanada 
do Tribunal do Júri, o qual constitui órgão colegiado soberano, 
integrante do Poder Judiciário. Precedentes: REspe nº 611- 03/RS, Dje 
13.8.2013 e REspe nº 158-04/MG, PSESS 23.10.2012. O Tribunal, por 
maioria, desproveu o recurso, nos termos do voto da Ministra Maria Thereza 
de Assis Moura, que redigirá o acórdão. Vencidos os Ministros Relator e 
Gilmar Mendes. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/MS (2020): O artigo 1°, inciso I, alínea “e”, da Lei Complementar federal 
n° 64, de 18 de maio de 1990, estabelece, como causa de inelegibilidade para 
qualquer cargo, a condenação, pelos crimes que especifica, em decisão 
transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a 
condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento 
da pena. A esse respeito, o Tribunal Superior Eleitoral tem decidido que 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 134 
 
Tribunal do Júri não pode ser considerado órgão judicial colegiado para os 
fins da aplicação dessa hipótese de inelegibilidade. Errado! 
 
TJ/MS (2020): os crimes previstos na Lei de Licitações (Lei federal n° 8.666, 
de 21 de junho de 1993) não estão abrangidos pela citada hipótese de 
inelegibilidade. Errado! (Obs.: após a Lei 14.133/2021 os crimes de licitação 
estão previstos no Código Penal) 
 
TJ/MS (2020): os crimes contra a ordem tributária não estão abrangidos pela 
citada hipótese de inelegibilidade. Errado! 
2ª Hipótese: Art. 1º, I, “g” - os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou 
funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade 
administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa 
ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, 
contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição 
Federal, a todos os ordenadores de despesa, sem exclusão de mandatários que houverem agido 
nessa condição. 
O art. 1º, I, “g”, da LC 64/90 prevê que são inelegíveis para qualquer cargo os que tiverem 
suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas “por irregularidade insanável que configure ato 
doloso de improbidade administrativa”. 
Assim, a rejeição de contas só gera a inelegibilidade se a irregularidade insanável que for 
detectada configurar ato doloso de improbidade administrativa. Não é possível fazer uma 
interpretação extensiva desse dispositivo para dizer que a simples violação da Lei de Licitações 
configura ato doloso de improbidade administrativa e que, portanto, caracteriza essa hipótese de 
inelegibilidade. É necessário fazer uma distinção entre “ato meramente ilegal” e “ato ímprobo”, 
exigindo para este último uma qualificação especial: lesar o erário ou, ainda, promover 
enriquecimento ilícito ou favorecimento contra legem de terceiro. 
Importante consignar que cabe à Justiça Eleitoral definir se as contas rejeitadas apresentam 
características de irregularidade insanável que configure ato de improbidade administrativa e, 
assim, reconhecer a incidência da inelegibilidade. 
Salienta-se que a LC 184/2021 incluiu o §4º-A determinado que só haverá inelegibilidade na 
hipótese da alínea “g” do inciso I do art. 1º se as contas do administrador forem julgadas irregulares 
com imputação de débito (ressarcimento ao erário). Se o órgão aplicar apenas multa, essa decisão 
não gerará inelegibilidade. 
Art. 1º, § 4º-A. A inelegibilidade prevista na alínea “g” do inciso I 
do caput deste artigo não se aplica aos responsáveis que tenham tido suas 
contas julgadas irregulares sem imputação de débito e sancionados 
exclusivamente com o pagamento de multa. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/RO (2019): São inelegíveis os que tiverem suas contas relativas ao 
exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade sanável 
e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido 
suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 135 
 
realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão. 
Errado! 
 
MPE/SC (2019): Consoante a Lei Complementar n. 64/1990, alterada pela 
Lei Complementar n. 135/2010, são inelegíveis os que tiverem suas contas 
relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por 
irregularidade insanável que configure ato de improbidade administrativa, e 
por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido 
suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se 
realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão. 
Errado! 
 
MPE/BA (2018): Sobre a inelegibilidade de condenado por ato doloso de 
improbidade administrativa, nos termos da Lei Complementar nº 64, de 18 de 
maio de 1990, alterada pela Lei Complementar nº 135, de 04 de junho de 
2010, de natureza infraconstitucional, é correto afirmar que perdura por oito 
anos, desde a condenação ter sido confirmada ou proferida por órgão 
colegiado, dispensado o requisito do trânsito em julgado. Correto! 
3ª Hipótese: Art. 1º, I, “j” - os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou 
proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, por corrupção eleitoral, por captação ilícita de 
sufrágio, por doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou por conduta vedada 
aos agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diploma, 
pelo prazo de 8 (oito) anos a contar da eleição. 
Só incide a inelegibilidade prevista aqui se houver efetiva cassação do registro ou diploma. 
A aplicação isolada de multa não acarreta a inelegibilidade. 
Por exemplo, Prefeito condenado por conduta vedada aos agentes públicos (art. 73 e seguintes da 
Lei 9.504/97), mas a única sanção estabelecida na condenação foi o pagamento de multa, não será 
inelegível. 
O Juiz eleitoral que julga as representações não deve se pronunciar sobre a inelegibilidade, 
porque é efeito secundário da decisão proferida por órgão colegiado que cassar o registro ou 
diploma. 
Súmula 69 do TSE: Os prazos de inelegibilidade previstos nas alíneas j e h 
do inciso I do art. 1º da LC nº 64/90 têm termo inicial no dia do primeiro turno 
da eleição e termo final no dia de igual número no oitavo ano seguinte. 
 
4ª Hipótese: Art. 1º, I, “l” - os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em 
decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de 
improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde 
a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o 
cumprimento da pena. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/RO (2019): São inelegíveis os que forem condenados à suspensão dos 
direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão 
judicial colegiado, por ato de improbidade administrativa que importe lesão ao 
patrimônio público ou enriquecimento ilícito, desde o trânsito em julgado até 
o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após a referida condenação. Errado! 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 136 
 
A inelegibilidade só incidirá se for aplicada a sanção de suspensão dos direitos políticos na 
ação que julgou a improbidade. 
Trata-se dos oito anos somente contados após terminado o período de suspensão de direitos 
políticos. 
Obs.: Segundo TSE, lesão ao patrimônio e enriquecimento ilícito são 
requisitos cumulativos. 
AI - Agravo Regimental em Agravo de Instrumento nº 41102 - ORIZÂNIA- 
MG Acórdão de 05/12/2019 Relator(a) Min. Edson Fachin 1. A inelegibilidade 
prevista no art. 1º, I, l, da LC nº 64/1990 exige para sua configuração a 
presença dos seguintes requisitos: condenação à suspensão dos direitos 
políticos; decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial 
colegiado; ato doloso de improbidade administrativa; o ato tenha 
ensejado, de forma cumulativa, lesão ao patrimônio público e 
enriquecimento ilícito. 2. É lícito à Justiça Eleitoral aferir, a partir da 
fundamentação do acórdão proferido pela Justiça Comum, a existência - ou 
não - dos requisitos exigidos para a caracterização da causa de 
inelegibilidade preconizada no art. 1º, I, l, da LC nº 64/1990. 4. No caso em 
exame, não é possível extrair do acórdão condenatório proferido em ação de 
improbidade administrativa o enriquecimento ilícito do agente público ou de 
terceiros, à míngua de elementos que denotem acréscimo patrimonial. 
 
5ª Hipótese: Art. 1º, I, “p” - a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis 
por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão 
colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o 
procedimento previsto no art. 22. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/RO (2019): São inelegíveis a pessoa física e os dirigentes de pessoas 
jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão 
transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, 
pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o procedimento 
da ação de investigação judicial eleitoral. Correto! 
A Lei 9504/97 estabelece que cada pessoa física só pode doar para campanhas eleitorais 
10% do seu rendimento bruto no ano anterior ao da eleição (art. 23, §1º). Quem exceder a esses 
limites vai virar réu em representação por doação ilegal. 
Não mais se aplica aos “dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis”, a partir da decisão 
do STF (ADI 4650), que reconheceu a inconstitucionalidade das doações de pessoas jurídicas para 
as campanhas eleitorais. 
O TSE vem decidindo que somente as doações que representam quebra da isonomia entre 
os candidatos, risco à normalidade e à legitimidade do pleito ou que se aproximam do abuso do 
poder econômico podem gerar a causa de inelegibilidade prevista nesta alínea. 
0000161-88.2016.6.08.0043 RESPE - Agravo Regimental em Recurso 
Especial Eleitoral nº 16188 - BRASÍLIA - DF Acórdão de 14/12/2016 
Relator(a) Min. Napoleão Nunes Maia Filho 1. O acórdão recorrido está em 
consonância com o entendimento desta Corte, segundo o qual nem toda 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 137 
 
doação eleitoral tida como ilegal é capaz de atrair a inelegibilidade da alínea 
p. Somente aquelas que, em si, representam quebra da isonomia entre os 
candidatos, risco à normalidade e à legitimidade do pleito ou que se 
aproximem do abuso do poder econômico é que poderão ser qualificadas 
para efeito de aferição da referida inelegibilidade (RO 534-30/PB, Rel. Min. 
HENRIQUE NEVES DA SILVA, DJe 16.9.2014). 2. No caso, o TRE do 
Espírito Santo concluiu que o valor que excedeu o limite permitido - R$ 
6.981,85 - representava menos de 10% da arrecadação realizada pelo 
candidato beneficiado, não reunindo, portanto, aptidão para influenciar o 
pleito - tanto que o agraciado não foi eleito - e, tampouco, ferir a isonomia 
entre os candidatos. 
3.1.3. A Lei da Ficha Limpa (LC 135/10) e o Princípio da Anualidade 
Esta lei alterou a LC 64. A inelegibilidade passou a ser de 08 anos, em vez de 03. Ademais, 
antes era exigido o trânsito em julgado enquanto hoje é necessária apenas a condenação por 
órgão colegiado. Além disso, o rol dos crimes em razão dos quais a pessoa não poderia se 
candidatar foi ampliado. 
A CF consagra o art. 16 como cláusula pétrea, garantia individual do cidadão (já vista no 
Poder Constituinte). Princípio da anterioridade eleitoral. 
CF Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de 
sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de 
sua vigência. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 4, de 1993) 
 
Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a Lei 
Complementar (LC) 135/2010, a chamada Lei da Ficha Limpa, não deveria ser aplicada às 
eleições realizadas em 2010, por desrespeito ao artigo 16 da Constituição Federal, dispositivo que 
trata da anterioridade da lei eleitoral. Com essa decisão, os ministros estão autorizados a decidir 
individualmente casos sob sua relatoria, aplicando o artigo 16 da Constituição Federal. 
A decisão aconteceu no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 633703, que discutiu 
a constitucionalidade da Lei Complementar 135/2010 e sua aplicação nas eleições de 2010. Por 
seis votos a cinco, os ministros deram provimento ao recurso de Leonídio Correa Bouças, 
candidato a deputado estadual em Minas Gerais que teve seu registro negado com base nessa lei. 
TSE: a inelegibilidade se aplica aos que forem condenados ANTES ou DEPOIS da lei. Foi 
um artifício utilizado pelo Senado, houve alteração na lei redação, com a desculpa que era apenas 
alteração sem modificação de sentido, portanto a outra casa não revisou. Isso foi confirmado pelo 
STF em FEV./2012, conforme abaixo. 
Em Fevereiro/2012, o STF declarou a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e sua 
respectiva aplicação nas eleições de 2012. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) 
concluíram dia 16/02/2012 a análise conjunta das Ações Declaratórias de Constitucionalidade 
(ADCs 29 e 30) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4578) que tratam da Lei 
Complementar 135/2010, a Lei da Ficha Limpa. 
Por maioria de votos, prevaleceu o entendimento em favor da constitucionalidade da lei, que 
poderá ser aplicada nas eleições daquele ano, alcançando atos e fatos ocorridos antes de sua 
vigência. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 138 
 
4. PRIVAÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS (PERDA OU SUSPENSÃO) 
Não se admite no Brasil CASSAÇÃO de direitos políticos. 
Cassação é a retirada arbitrária de direitos políticos. A CF só admite a perda e a suspensão 
dos direitos políticos. 
A perda é uma privação definitiva; a suspensão é uma privação temporária. 
CF Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja PERDA ou 
SUSPENSÃO só se dará nos casos de: 
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; 
(PERDA) 
II - incapacidade civil absoluta; (SUSPENSÃO) 
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus 
efeitos; (SUSPENSÃO) 
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, 
nos termos do art. 5º, VIII; (Controvérsia: SUSPENSÃO ou PERDA) 
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. (SUSPENSÃO) 
 
Vejamos: 
 PERDA DA NATURALIZAÇÃO 
Só pode exercer direitos políticos, no Brasil, quem for cidadão. Só pode ser cidadão aquele 
que for nacional (com exceção dos portugueses – veremos adiante). 
Assim, quando ocorre a perda da naturalização, consequentemente, perde-se os direitos 
políticos 
 INCAPACIDADE CIVIL ABSOLUTA 
É hipótese de suspensão dos direitos políticos. 
Atualmente, absolutamente incapazes são apenas os menores de 16 anos, os demais, 
mesmo que não possam manifestar sua vontade, são considerados relativamente incapazes. 
Para o Direito Eleitoral, é um problema, tendo em vista que o sufrágio é uma manifestação 
de vontade própria, não se admite o voto por procuração. Assim, os relativamente incapazes, 
estarão impedidos de exercer seus direitos políticos, numa interpretação lógica sistemática do 
ordenamento. 
 CONDENAÇÃO CRIMINAL TRANSITADA EM JULGADO 
É hipótese de suspensão dos direitos políticos. 
Destaca-se que não se trata da forma como o condenado irá cumpriro regime de pena 
(fechado, semiaberto ou aberto), assim mesmo que o réu esteja solto, havendo condenação com 
trânsito em julgado, os seus direitos políticos estarão suspensos até o integral cumprimento da 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 139 
 
pena. Além disso, o cidadão preso preventivamente terá seus direitos políticos, podendo exercer o 
sufrágio. 
Há entendimento do TSE de que a absolvição imprópria, em que há aplicação de medida de 
segurança, também causa a suspensão dos direitos políticos. 
A Súmula 9 do TSE trata do assunto: 
Súmula 09 TSE: a suspensão dos direitos políticos decorrente de 
condenação criminal transitada em julgado cessa com o cumprimento ou a 
extinção da pena, independendo de reabilitação ou de prova de reparação de 
danos. 
 
 RECUSA DE CUMPRIR OBRIGAÇÃO A TODOS IMPOSTA OU SUA PRESTAÇÃO 
ALTERNATIVA 
Divergência: Conforme a Lei Eleitoral seria SUSPENSÃO, seguida pela doutrina eleitoral. 
No entanto, a grande maioria dos constitucionalistas (Afonso da Silva e Dirley da Cunha Jr.) entende 
ser PERDA. 
Em provas, é cobrado como perda, apesar do TSE entender tratar-se de suspensão. 
Se o indivíduo cumprir a obrigação devida, retoma os direitos perdidos. 
 IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 
Uma das consequências do ato ímprobo é a SUSPENSÃO dos direitos políticos. 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos 
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência 
e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) 
... 
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a SUSPENSÃO 
DOS DIREITOS POLÍTICOS, a perda da função pública, a indisponibilidade 
dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, 
sem prejuízo da ação penal cabível. 
 
A seguir quadro esquemático acerca do assunto: 
 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 140 
 
 
Por fim, importante lembrar: 
• Cláusula de reciprocidade com Portugal (brasileiros equiparados a portugueses): Os 
brasileiros que vivem em Portugal e ganham a equiparação aos portugueses em 
relação ao exercício de direitos, ficam com seus direitos políticos SUSPENSOS no 
Brasil, enquanto nessa condição. 
• LC 64/90: Deputado ou Senador declarado incompatível com o decoro parlamentar 
tem seus direitos políticos SUSPENSOS por oito anos. 
5. SERVIDOR PÚBLICO E EXERCÍCIO DE MANDATO ELETIVO 
Ao servidor público da Administração Direta, autárquica ou fundacional, no exercício de 
cargo eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: 
1) Investido em mandato eletivo federal, estadual ou distrital, fica afastado do cargo público. 
2) Investido no mandato de prefeito, fica afastado do cargo público, mas pode escolher a 
remuneração que vai receber. 
3) Investido em mandato de vereador, poderá ganhar as duas remunerações, desde que haja 
compatibilidade. Do contrário, fica afastado e escolhe a que vai ganhar. 
4) O tempo de afastamento conta como tempo de serviço para todos os efeitos legais (inclusive 
benefícios previdenciários), exceto promoção por merecimento. 
 
 
 
 
DIREITOS 
POLÍTICOS
Vedada a 
cassação
Admite-se a 
perda ou 
suspensão
Perda da 
naturalização
Incapacidade civil 
absoluta
Condenação 
criminal com TJ
Recusa de 
cumprir obrigação 
a todos imposta
Improbidade 
administrativa
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 141 
 
ALISTAMENTO ELEITORAL 
 
É o termo inicial da cidadania (capacidade de exercer direitos políticos), tendo em vista que 
confere capacidade eleitoral ativa. 
No ano das eleições, 150 dias antes, é fechado o alistamento eleitoral para novas pessoas. 
Contando da data das eleições, inclusive, são 151 dias. 
Obs.: se houver segundo turno, este período também se estende. 
O alistamento eleitoral é regido pelo art. 42 a 50 do CE e pelos arts 29 a 36 da resolução 
23.659/2021 do TSE. 
1. NATUREZA JURÍDICA DO ALISTAMENTO ELEITORAL 
O alistamento eleitoral é o procedimento administrativo de qualificação e de inscrição da 
pessoa natural no registro de eleitores e que torna a pessoa titular da capacidade eleitoral ativa 
(capacidade para ser eleitor). 
2. PROCEDIMENTO DE ALISTAMENTO ELEITORAL 
CE Art. 42. O alistamento se faz mediante a qualificação e inscrição do 
eleitor. 
 PROVOCAÇÃO DO ALISTAMENTO 
O alistamento eleitoral não é realizado de ofício, devendo ser feito por provocação do 
interessado. 
É um procedimento facultativo para os menores de 18 anos e maiores de 16, para os 
maiores de 70 anos, bem como para os analfabetos (independentemente da idade – quem não 
sabe ler e nem escrever). Ressalta-se que, nestes casos, o voto também é facultativo. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/MT (2019): não podem alistar-se como eleitores somente os analfabetos 
e os que não saibam exprimir-se na língua nacional. Errado! 
 
MPE/MT (2019): o alistamento é obrigatório para todos os brasileiros, salvo 
apenas para os maiores de sessenta anos, pois já enquadrados no Estatuto 
do Idoso. Errado! 
Aquele que não se alista, sendo obrigado, incorre em várias sanções: não participa de 
concursos públicos, não pode ter passaporte etc. 
 1ª FASE DO ALISTAMENTO ELEITORAL: QUALIFICAÇÃO 
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. 
 
CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 142 
 
Qualificação é procedimento pelo qual a pessoa natural comprova que preenche os 
requisitos para se tornar eleitor. 
O procedimento de qualificação é aferido pelo CARTÓRIO ELEITORAL. Presentes os 
requisitos, o Juiz vai deferir a inscrição no CADASTRO GERAL DE ELEITOR. Se não preencher 
algum requisito, o Juiz nega o alistamento e o procedimento se transforma em judicial. 
2.2.1. Requisitos da qualificação 
O alistando irá preencher, no Cartório Eleitoral, o RAE (requerimento de alistamento 
eleitoral). 
Obs.: hoje, este procedimento é eletrônico. 
1) Nacionalidade brasileira (brasileiro nato ou naturalizado) 
Como se prova a nacionalidade? Carteira de identidade, certidão de nascimento, certidão 
de casamento etc. 
CF Art. 14. § 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, 
durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos. 
 
*Exceção: portugueses amparados pelo estatuto da igualdade. É o instituto que existe 
apenas entre brasileiros e portugueses. Entra-se com um procedimento no Ministério da Justiça. Os 
portugueses nessas condições não são obrigados a se alistar, sendo tal alistamento facultativo. 
Porém, os portugueses que se alistam têm o dever de votar, nas hipóteses de voto obrigatório 
discriminadas na CF. 
Brasileiro NATURALIZADO tem o prazo de 01 ano após a entrega do certificado de 
naturalização para se alistar, sob pena de ficar irregular com a justiça eleitoral. 
2) Não estar em regime de conscrição militar 
A conscrição militar é o período de prestação de serviço militar obrigatório. 
O brasileiro que já se alistou e depois é chamado a servir o exército, seu registro eleitoral 
permanece (não deve ser cancelado, pois ao se inscrever não estava conscrito), mas fica suspenso. 
*Inalistabilidade → CF/1988 - art. 14, §2º. Não podem se alistar os estrangeiros e durante o 
serviço militar obrigatório os conscritos. 
CF Art. 14. § 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, 
durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos. 
 
Estes dois requisitos compõem a inalistabilidade. Direito político eleitoral negativo. 
3) Idade Mínima 
CF/1988: 16 anos. Essa idade não pode ser objeto de aumento, pois é cláusula pétrea. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 143 
 
Segundo a Resolução 23.659/21, art. 30, caput e §3º, a partir da data em que o menor 
completar 15 anos fica facultado o seu alistamento, ao completar 16 anos o títulode eleitor começa 
a surtir efeitos. 
Art. 30. A partir da data em que a pessoa completar 15 anos, é facultado o 
seu alistamento eleitoral. 
§ 1º Nos anos em que se realizarem eleições ordinárias, o alistamento de que 
trata o caput deste artigo deverá ser solicitado até o encerramento do prazo 
fixado para requerimento de operações do cadastro. 
§ 2º O alistamento será requerido diretamente pela pessoa menor de idade e 
independe de autorização ou assistência de seu/sua representante legal. 
§ 3º O título eleitoral emitido nas condições deste artigo somente surtirá o 
efeito previsto no art. 11 desta Resolução quando a pessoa completar 16 
anos. 
 
Qual o tempo máximo para o alistamento? 
O art. 8º do CE e o art. 91 da Lei das Eleições tratam do assunto: até completar 19 anos. Se 
ele completar 19 anos e não se alista, será considerado irregular, não podendo fazer matrículas em 
universidade, não pode obter novos documentos e será multado pelo Juiz eleitoral quando for 
regularizar sua situação, nos termos do art. 7º do CE. 
CE Art. 8º O brasileiro nato que não se alistar até os 19 anos ou o naturalizado 
que não se alistar até um ano depois de adquirida a nacionalidade brasileira, 
incorrerá na multa de 3 (três) a 10 (dez) por cento sobre o valor do salário-
mínimo da região, imposta pelo juiz e cobrada no ato da inscrição eleitoral 
através de selo federal inutilizado no próprio requerimento. 
 
L9504 Art. 91. Nenhum requerimento de inscrição eleitoral ou de 
transferência será recebido dentro dos cento e cinquenta dias anteriores à 
data da eleição. 
Parágrafo único. A retenção de título eleitoral ou do comprovante de 
alistamento eleitoral constitui crime, punível com detenção, de um a três 
meses, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade por igual 
período, e multa no valor de cinco mil a dez mil UFIR. 
 
Art. 7º O eleitor que deixar de votar e não se justificar perante o juiz eleitoral 
até 30 (trinta) dias após a realização da eleição, incorrerá na multa de 3 (três) 
a 10 (dez) por cento sobre o salário-mínimo da região, imposta pelo juiz 
eleitoral e cobrada na forma prevista no art. 367. 
§ 1º Sem a prova de que votou na última eleição, pagou a respectiva multa 
ou de que se justificou devidamente, não poderá o eleitor: 
I - inscrever-se em concurso ou prova para cargo ou função pública, investir-
se ou empossar-se neles; 
II - receber vencimentos, remuneração, salário ou proventos de função ou 
emprego público, autárquico ou para estatal, bem como fundações 
governamentais, empresas, institutos e sociedades de qualquer natureza, 
mantidas ou subvencionadas pelo governo ou que exerçam serviço público 
delegado, correspondentes ao segundo mês subsequente ao da eleição; 
III - participar de concorrência pública ou administrativa da União, dos 
Estados, dos Territórios, do Distrito Federal ou dos Municípios, ou das 
respectivas autarquias; 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 144 
 
IV – Revogado pela Lei 14.690, de 2023; 
V - obter passaporte ou carteira de identidade; 
VI - renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo 
governo; 
VII - praticar qualquer ato para o qual se exija quitação do serviço militar ou 
imposto de renda. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MP/TO (2022): O requerimento de transferência de domicílio eleitoral poderá 
ser protocolado dentro dos cento e cinquenta dias anteriores à data da 
eleição. Correto! 
 
MPE/MT (2019): sem a prova de que votou na última eleição, pagou a 
respectiva multa ou de que se justificou devidamente, não poderá o eleitor 
obter passaporte ou carteira de identidade, entre outras restrições. Correto! 
 
MPE/MT (2019): o eleitor que deixar de votar e não se justificar perante o juiz 
eleitoral até 45 dias após a realização da eleição, incorrerá em multa de cinco 
a dez por cento sobre o salário-mínimo da região, imposta pelo juiz eleitoral. 
Errado! 
A Lei 9504/97 criou uma espécie de anistia para este jovem. Se ele já tem 19 anos, mas 
providenciou o alistamento até 150 dias da próxima eleição, fica isento da multa do art. 8º do CE. 
Art. 8º, Parágrafo único. Não se aplicará a pena ao não alistado que requerer 
sua inscrição eleitoral até o centésimo primeiro dia anterior à eleição 
subsequente à data em que completar dezenove anos. 
4) Domicílio Eleitoral 
Uma das condições para que a pessoa possa concorrer nas eleições é que ela tenha 
domicílio eleitoral na circunscrição (art. 14, § 3º, IV, da CF/88). Assim, o candidato deve possuir 
domicílio eleitoral no local onde quer se candidatar pelo período mínimo previsto na legislação 
infraconstitucional. 
Domicílio eleitoral é o lugar onde a pessoa tem vínculos políticos (ex.: participa do diretório 
do partido no local), sociais (ex.: é líder comunitário), profissionais (ex.: trabalha na cidade), 
econômicos (ex.: possui empresa no Município) ou até mesmo afetivos. 
Enfim, mesmo que a pessoa não more naquele Município ou Estado, ela, em tese, pode ter 
domicílio eleitoral ali, desde que possua um dos vínculos acima expostos. Trata-se de uma 
interpretação bem mais ampla que o domicílio civil. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/MS (2020): O domicílio eleitoral é determinado pelo lugar em que o eleitor 
estabelece a sua residência com ânimo definitivo, não se admitindo a 
demonstração de outros vínculos para tal determinação. Errado! 
CE art. 42, parágrafo único: o domicílio eleitoral coincide, num primeiro momento, com o 
domicílio civil. Se tiver mais de um domicílio civil, qualquer deles. 
Art. 42. O alistamento se faz mediante a qualificação e inscrição do eleitor. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 145 
 
Parágrafo único. Para o efeito da inscrição, é domicílio eleitoral o lugar de 
residência ou moradia do requerente, e, verificado ter o alistando mais de 
uma, considerar-se-á domicílio qualquer delas. 
 
Obs.: nem sempre o domicílio civil coincide com o domicílio eleitoral. 
A minirreforma eleitoral de 2017 reduziu o prazo mínimo do domicílio eleitoral de um ano 
para seis meses. 
ANTES: para concorrer às eleições, o candidato deveria possuir domicílio eleitoral na 
respectiva circunscrição pelo prazo de, pelo menos, um ano antes do pleito. 
AGORA: esse prazo mínimo de domicílio eleitoral foi reduzido para 6 meses. 
 
LEI 9.504/97 (LEI DAS ELEIÇÕES) 
 
Redação anterior Redação ATUAL 
Art. 9º Para concorrer às eleições, o 
candidato deverá possuir domicílio 
eleitoral na respectiva circunscrição pelo 
prazo de, pelo menos, um ano antes do 
pleito, e estar com a filiação deferida pelo 
partido no mínimo seis meses antes da 
data da eleição. 
Art. 9º Para concorrer às eleições, o 
candidato deverá possuir domicílio 
eleitoral na respectiva circunscrição pelo 
prazo de seis meses e estar com a 
filiação deferida pelo partido no mesmo 
prazo. 
 
5) Regularização 
Requisito necessário para os que estiverem irregulares com a justiça eleitoral. 
Exemplo: naturalizado que não cumpriu o período. Sujeito com 19 anos que não se alistou. 
A secretaria eleitoral irá receber esta documentação, através do R A E, e será encaminhada 
ao Juiz eleitoral. Todo alistamento eleitoral tem que ser deferido pelo Juiz. Se o Juiz entende não 
estarem preenchidos os requisitos ou tendo alguma dúvida, pode determinar a realização de alguma 
diligência, notificando o alistando para que seja comprovado algum requisito. Se o caso não for de 
diligência, o Juiz pode indeferir o alistamento de plano. Se o Juiz entender presentes todos os 
requisitos, passa-se para a 2ª fase (inscrição). 
 2ª FASE DO ALISTAMENTO ELEITORAL: INSCRIÇÃO 
O Juiz defere e informa o TRE (cadastro estadual), que informa ao TSE (cadastro nacional). 
A inscrição é o DEFERIMENTO do pedido de alistamento, inscrevendo a pessoa no cadastro 
geral de eleitores. Aquele inscrito ficará vinculadoa uma zona e uma seção eleitoral, que passarão 
a constar do título de eleitor. 
Deferida a inscrição, o TRE faz uma listagem dos requerimentos deferidos e indeferidos, que 
será publicada. 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 146 
 
Havendo DEFERIMENTO da inscrição, partido político ou MP Eleitoral podem impugnar 
este alistamento alegando que houve vício ou erro. Essa impugnação é feita por meio de um 
recurso ao TRE, no prazo de 10 dias* contados da publicação da lista dos nomes deferidos. Trata-
se do RECURSO INOMINADO. 
*O prazo de dias úteis do NCPC não se aplica ao direito eleitoral, assim, aqui, conta-se em 
dias corridos. 
Havendo INDEFERIMENTO da inscrição: O único interessado em recorrer é o alistando. O 
alistando possui o prazo de 05 dias contados da publicação da lista para recorrer ao TRE. 
RECURSO INOMINADO. 
CE Art. 45. O escrivão, o funcionário ou o preparador recebendo a fórmula e 
documentos determinará que o alistando date e assine a petição e em ato 
contínuo atestará terem sido a data e a assinatura lançados na sua presença; 
em seguida, tomará a assinatura do requerente na folha individual de 
votação" e nas duas vias do título eleitoral, dando recibo da petição e do 
documento. 
§ 6º Quinzenalmente o juiz eleitoral fará publicar pela imprensa, onde houver 
ou por editais, a lista dos pedidos de inscrição, mencionando os deferidos, os 
indeferidos e os convertidos em diligência, contando-se dessa publicação o 
prazo para os recursos a que se refere o parágrafo seguinte. 
§ 7º Do despacho que indeferir o requerimento de inscrição caberá recurso 
interposto pelo alistando, e do que o deferir poderá recorrer qualquer 
delegado de partido. 
§ 8º Os recursos referidos no parágrafo anterior serão julgados pelo Tribunal 
Regional Eleitoral dentro de 5 (cinco) dias. 
 
TSE Resolução 21538/03 
Art. 17. Despachado o requerimento de inscrição pelo juiz eleitoral e 
processado pelo cartório, o setor da Secretariado Tribunal Regional Eleitoral 
responsável pelos serviços de processamento eletrônico de dados enviará ao 
cartórioeleitoral, que as colocará à disposição dos partidospolíticos, relações 
de inscrições incluídas no cadastro, com os respectivos endereços. 
§ 1º Do despacho que indeferir o requerimento deinscrição, caberá recurso i
nterposto pelo alistando noprazo de cinco dias e, do que o deferir, poderá 
recorrer qualquer delegado de partido político no prazo de dez dias 
,contados da colocação da respectiva listagem à disposição dos partidos, o 
que deverá ocorrer nos dias 1º e 15 de cada mês, ou no primeiro dia útil 
seguinte, ainda que tenham sido exibidas ao alistando antes dessas datas e 
mesmo que os partidos não as consultem (Lei nº 6.996/82,art. 7º) 
3. TRANSFERÊNCIA 
Trata-se de procedimento, no primeiro momento, administrativo de mudança de domicílio 
eleitoral. 
É realizada por meio de requerimento da parte interessada. 
Requisitos da transferência (CE arts. 55 e ss). 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 147 
 
Art. 55. Em caso de mudança de domicílio, cabe ao eleitor requerer ao juiz do 
novo domicílio sua transferência, juntando o título anterior. 
§ 1º A transferência só será admitida satisfeitas as seguintes exigências: 
I - entrada do requerimento no cartório eleitoral do novo domicílio até 100 
(cem) (150 dias anteriores a eleição, de acordo com o art. 28 da Resolução 
23.659/2021) dias antes da data da eleição. 
 
Art. 28. Dentro dos 150 dias anteriores à data da eleição, não serão 
recebidos requerimentos de alistamento, transferência ou revisão. 
Parágrafo único. O recebimento dos requerimentos de que trata o 
caput deste artigo será retomado em todas as unidades de 
atendimento da Justiça Eleitoral, em âmbito nacional, após o 
processamento dos dados de eleição, com observância à data-limite 
fixada na resolução que trata do cronograma do Cadastro Eleitoral. 
 
Lei nº 9.504/97, art. 91, caput: Nenhum requerimento de inscrição 
eleitoral ou de transferência será recebido dentro dos cento 
e cinquenta dias anteriores à data da eleição”. 
Parágrafo único. O processamento reabrir-se-á em cada zona logo 
que estejam concluídos os trabalhos de apuração em âmbito nacional 
(Código Eleitoral, art. 70). 
 
II - transcorrência de pelo menos 1 (um) ano da inscrição primitiva; 
II - residência mínima de 3 (três) meses no novo domicílio, atestada pela 
autoridade policial ou provada por outros meios convincentes. 
§ 2º O disposto nos n°s II e III, do parágrafo anterior, não se aplica quando se 
tratar de transferência de título eleitoral de servidor público civil, militar, 
autárquico, ou de membro de sua família, por motivo de remoção ou 
transferência. (Redação dada pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966) 
 
Os arts. 37 e 38 da Resolução 23.659/2021 também trata sobre o tema. Vejamos: 
Art. 37. A transferência será realizada quando a pessoa desejar alterar seu 
domicílio eleitoral, em conjunto ou não com eventual retificação de dados ou 
regularização de inscrição cancelada, e for encontrado em seu nome, em 
município diverso ou no exterior, número de inscrição regular, suspensa ou, 
se cancelada, por motivo que permita sua reutilização. 
Art. 38. A transferência só será admitida se satisfeitas as seguintes 
exigências: 
I - apresentação do requerimento perante a unidade de atendimento da 
Justiça Eleitoral do novo domicílio no prazo estabelecido pela legislação 
vigente; 
II - transcurso de, pelo menos, um ano do alistamento ou da última 
transferência; 
III - tempo mínimo de três meses de vínculo com o município, dentre aqueles 
aptos a configurar o domicílio eleitoral, nos termos do art. 23 desta Resolução, 
pelo tempo mínimo de três meses, declarado, sob as penas da lei, pela 
própria pessoa (Lei nº 6.996/1982, art. 8º); 
IV - regular cumprimento das obrigações de comparecimento às urnas e de 
atendimento a convocações para auxiliar nos trabalhos eleitorais. § 1º Os 
prazos previstos nos incisos II e III deste artigo não se aplicam à transferência 
eleitoral de: 
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CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 148 
 
a) servidora ou servidor público civil e militar ou de membro de sua família, 
por motivo de remoção, transferência ou posse (Lei nº 6.996/1982, art. 8º, 
parágrafo único); e 
b) indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência, trabalhadoras e 
trabalhadores rurais safristas e pessoas que tenham sido forçadas, em razão 
de tragédia ambiental, a mudar sua residência. 
§ 2º Não comprovada de plano a regularidade das obrigações referidas no 
inciso IV deste artigo, e não sendo o caso de isenção, será cobrada do eleitor 
ou da eleitora multa no valor arbitrado pelo juízo da zona eleitoral de sua 
inscrição. 
§ 3º Se a multa devida por ausência às urnas ou por desatendimento a 
convocações para os trabalhos eleitorais ainda não tiver sido arbitrada pelo 
juízo eleitoral competente, o eleitor ou a eleitora poderá optar, desde logo, 
por recolhê-la no valor máximo, não decuplicado, previsto na legislação. 
§ 4º Feito o pagamento da multa, será concluída a transferência e, se for o 
caso do § 3º deste artigo, será feita a comunicação ao juízo competente, com 
vistas à extinção de eventual procedimento administrativo em que se apure a 
situação de mesário faltoso. 
 
Assim, temos: 
1) O pedido de transferência é feito para o Juiz (não existe transferência de ofício) eleitoral da 
cidade para a qual se quer transferência; 
2) O pedido deve ser feito no prazo de 150 dias antes da data da eleição. Esse prazo é fixado 
na Resolução do TSE; 
3) Deve ter transcorrido, pelo menos, 01 ano da inscrição primitiva ou da última transferência; 
Obs.: não se aplica aos servidores que tenham sido transferidos por 
decisão do poder público, nem aos seus familiares. Igualmente, não 
se aplica o prazo aos indígenas, quilombolas, pessoas com 
deficiência,

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