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Edição 2024.1 Revisada Atualizada Ampliada Direito Eleitoral http://www.iceni.com/infix.htm DIREITO ELEITORAL APRESENTAÇÃO ........................................................................................................................ 10 NOÇÕES INTRODUTÓRIAS ........................................................................................................ 11 1. DIREITOS POLÍTICOS x DIREITO ELEITORAL ................................................................... 11 2. OBJETO DO DIREITO ELEITORAL ................................................................................ 11108 3. FONTES DO DIREITO ELEITORAL ...................................................................................... 13 FONTES MATERIAIS E FORMAIS ................................................................................. 13 FONTES DIRETAS E INDIRETAS .................................................................................. 13 FONTES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS ....................................................................... 14 4. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR SOBRE DIREITO ELEITORAL ....................................... 14 5. RESOLUÇÕES DA JUSTIÇA ELEITORAL ............................................................................ 15 6. CONSULTAS ELEITORAIS ................................................................................................... 15 INSTITUTOS DO DIREITO ELEITORAL ...................................................................................... 17 1. SOBERANIA POPULAR ........................................................................................................ 17 2. SUFRÁGIO UNIVERSAL ....................................................................................................... 17 CONCEITO ..................................................................................................................... 17 SUFRÁGIO UNIVERSAL X SUFRÁGIO RESTRITO ...................................................... 18 3. VOTO .................................................................................................................................... 18 CARACTERÍSTICAS ...................................................................................................... 19 4. DEMOCRACIA ...................................................................................................................... 19 DEMOCRACIA DIRETA ................................................................................................. 20 DEMOCRACIA INDIRETA OU REPRESENTATIVA ....................................................... 20 DEMOCRACIA SEMIDIRETA OU PARTICIPATIVA ....................................................... 20 PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO ELEITORAL ......................................................................... 25 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................. 25 2. PRINCÍPIO DA ISONOMIA .................................................................................................... 25 3. PRINCÍPIO REPUBLICANO .................................................................................................. 25 4. PRINCÍPIO DA ANUALIDADE OU ANTERIORIDADE ELEITORAL ...................................... 26 5. PRINCÍPIO DA CAUTELA/LEGITIMIDADE DAS ELEIÇÕES OU MORALIDADE ELEITORAL 27 6. PRINCÍPIO DA CELERIDADE ............................................................................................... 27 7. PRINCÍPIO DA PRECLUSÃO INSTANTÂNEA ...................................................................... 28 8. PRINCÍPIO DA DEVOLUTIVIDADE DOS RECURSOS ......................................................... 28 9. PRINCÍPIO DO APROVEITAMENTO DO VOTO OU DO IN DUBIO PRO VOTO .................. 28 10. PRINCÍPIO DA IMPERSONALIDADE ................................................................................ 29 SISTEMA ELEITORAL.................................................................................................................. 30 1. CONCEITO ............................................................................................................................ 30 2. ESPÉCIES DE SISTEMAS ELEITORAIS .............................................................................. 30 SISTEMA ELEITORAL MAJORITÁRIO .......................................................................... 30 SISTEMA ELEITORAL PROPORCIONAL ...................................................................... 32 2.2.1. Noções gerais .......................................................................................................... 32 2.2.2. Sistema eleitoral proporcional e infidelidade partidária ............................................ 40 SISTEMA ELEITORAL MISTO ....................................................................................... 40 2.3.1. Voto distrital (o país é dividido em distritos) ............................................................. 41 2.3.2. Voto geral ................................................................................................................ 41 INSTITUIÇÕES DO DIREITO ELEITORAL ................................................................................... 42 1. PODER JUDICIÁRIO ELEITORAL: PODER JUDICIÁRIO ESPECIALIZADO EM DIREITO ELEITORAL .................................................................................................................................. 42 2. ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA ELEITORAL .......................................................................... 42 TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE) .................................................................... 42 2.1.1. Membros.................................................................................................................. 43 2.1.2. Impedimentos .......................................................................................................... 44 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 2 2.1.3. Afastamentos ........................................................................................................... 45 2.1.4. Julgamento .............................................................................................................. 45 TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL (TRE) .................................................................... 45 2.2.1. Composição ............................................................................................................. 46 2.2.2. Julgamento .............................................................................................................. 47 JUIZ ELEITORAL (JE) .................................................................................................... 48 JUNTA ELEITORAL (JTE) .............................................................................................. 49 3. ORGANIZAÇÃO TERRITORIAL DA JUSTIÇA ELEITORAL .................................................. 51 CIRCUNSCRIÇÃO ELEITORAL ..................................................................................... 51 ZONA ELEITORAL ......................................................................................................... 52 SEÇÕES ELEITORAIS ................................................................................................... 52 4. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ELEITORAL........................................................................... 52 COMPETÊNCIA DO TSE E DOS TRE'S ........................................................................ 52 COMPETÊNCIA DOS JUÍZES ELEITORAIS E DA JUNTA ELEITORAL ........................ 59 5. FUNÇÕES DA JUSTIÇA ELEITORAL ................................................................................... 61 FUNÇÃO JURISDICIONAL .............................................................................................61 FUNÇÃO ADMINISTRATIVA .......................................................................................... 62 5.2.1. Função Administrativa “Geral” ................................................................................. 62 5.2.2. Função Administrativa Própria ................................................................................. 63 FUNÇÃO NORMATIVA .................................................................................................. 63 5.3.1. Função normativa “geral” do poder judiciário ........................................................... 63 5.3.2. Função normativa específica da justiça eleitoral ...................................................... 63 FUNÇÃO CONSULTIVA ................................................................................................. 65 FUNÇÃO DE CONTROLE/CORREIÇÃO/FISCALIZAÇÃO ............................................. 66 6. MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL ..................................................................................... 68 ESTRUTURA DO MP ELEITORAL ................................................................................. 68 FUNÇÕES DO MP ELEITORAL ..................................................................................... 73 VEDAÇÕES E CONFLITOS DE ATRIBUIÇÕES ENTRE MEMBROS DO MP ELEITORAL 74 7. POLÍCIA ELEITORAL ............................................................................................................ 74 PREVISÃO LEGAL ......................................................................................................... 74 ATIVIDADE DE POLÍCIA ................................................................................................ 75 7.2.1. Polícia Judiciária Eleitoral ........................................................................................ 75 7.2.2. Polícia Ostensiva Eleitoral ....................................................................................... 75 8. DEFENSORIA PÚBLICA ELEITORAL ................................................................................... 75 9. PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL - PFN ............................................................. 76 PARTIDOS POLÍTICOS ................................................................................................................ 78 1. CONCEITO ............................................................................................................................ 78 2. NATUREZA JURÍDICA .......................................................................................................... 78 3. TEMPO MÍNIMO DE EXISTÊNCIA DO PARTIDO POLÍTICO ............................................... 80 4. REQUISITOS PARA A CRIAÇÃO .......................................................................................... 80 5. CARACTERÍSTICAS ............................................................................................................. 81 LIBERDADE DE CRIAÇÃO ............................................................................................ 81 CARÁTER NACIONAL ................................................................................................... 81 AUTONOMIA PARTIDÁRIA ............................................................................................ 82 6. COLIGAÇÕES ....................................................................................................................... 85 7. FEDERAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS ............................................................................ 87 CONCEITO ..................................................................................................................... 87 REGRAS PARA A CRIAÇÃO DE UMA FEDERAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS ....... 88 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 3 (IM) POSSIBILIDADE DE DEIXAR A FEDERAÇÃO ....................................................... 88 ETAPAS PARA A CONSTITUIÇÃO DE UMA FEDERAÇÃO .......................................... 88 DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA O PEDIDO DE REGISTRO DA FEDERAÇÃO NO TSE ..................................................................................................................................... 89 ATUAÇÃO NAS ELEIÇÕES ........................................................................................... 89 INFIDELIDADE PARTIDÁRIA E FEDERAÇÃO ............................................................... 89 COLIGAÇÃO PARTIDÁRIA X FEDERAÇÃO DE PARTIDOS ......................................... 90 8. CONSTITUCIONALIDADE DA FEDERAÇÃO PARTIDÁRIA ................................................. 92 9. RESPONSABILIDADE PARTIDÁRIA..................................................................................... 95 10. FINANCIAMENTO PARTIDÁRIO ....................................................................................... 96 FUNDO PARTIDÁRIO .................................................................................................... 96 10.1.1. APLICAÇÃO MÍNIMA DE RECURSOS E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DAS MULHERES ........................................................................................................................... 97 10.1.2. CONSEQUÊNCIAS DA INOBSERVÂNCIA DA COTA DE GÊNERO ..................... 100 11. PRESTAÇÃO DE CONTAS.............................................................................................. 102 12. DESAPROVAÇÃO DAS CONTAS ................................................................................... 102 13. VEDAÇÕES AO RECEBIMENTO DE AUXÍLIO FINANCEIRO ......................................... 103 14. INFIDELIDADE PARTIDÁRIA .......................................................................................... 104 ASPECTOS PROCESSUAIS DA DECRETAÇÃO DA PERDA DO CARGO POR INFIDELIDADE PARTIDÁRIA ................................................................................................. 107 14.1.1. Previsão ................................................................................................................ 107 14.1.2. Legitimidade ativa .................................................................................................. 107 14.1.3. Competência ......................................................................................................... 107 14.1.4. Legitimidade passiva ............................................................................................. 108 14.1.5. Pressupostos para a decretação da perda do cargo eletivo ................................... 108 14.1.6. Limites da decisão ................................................................................................. 108 15. FUSÃO E INCORPORAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS ............................................... 108 16. FUNDAÇÕES CRIADAS POR PARTIDOS POLÍTICO ..................................................... 110 17. EXTINÇÃO DOS PARTIDOS POLÍTICOS ....................................................................... 110 18. FIM DA PROPAGANDA PARTIDÁRIA GRATUITA NO RÁDIO E TV ............................... 111 CAPACIDADE ELEITORAL ........................................................................................................ 113 1. CONCEITO E DESDOBRAMENTOS................................................................................... 113 2. DIREITOS POLÍTICO-ELEITORAIS POSITIVOS ................................................................ 113 CAPACIDADE ELEITORAL ATIVA: ALISTABILIDADE E VOTO .................................. 113 CAPACIDADE ELEITORAL PASSIVA: ELEGIBILIDADE ............................................. 114 3. DIREITOS POLÍTICO-ELEITORAIS NEGATIVOS ............................................................... 116 INELEGIBILIDADES (ABSOLUTAS E RELATIVAS) ..................................................... 117 3.1.1. Inelegibilidades ABSOLUTAS ................................................................................117 3.1.2. Inelegibilidades RELATIVAS .................................................................................. 117 3.1.3. A Lei da Ficha Limpa (LC 135/10) e o Princípio da Anualidade ............................. 137 4. PRIVAÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS (PERDA OU SUSPENSÃO) ............................... 138 PERDA DA NATURALIZAÇÃO ..................................................................................... 138 INCAPACIDADE CIVIL ABSOLUTA ............................................................................. 138 CONDENAÇÃO CRIMINAL TRANSITADA EM JULGADO ........................................... 138 RECUSA DE CUMPRIR OBRIGAÇÃO A TODOS IMPOSTA OU SUA PRESTAÇÃO ALTERNATIVA ........................................................................................................................ 139 IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA .............................................................................. 139 5. SERVIDOR PÚBLICO E EXERCÍCIO DE MANDATO ELETIVO ......................................... 140 ALISTAMENTO ELEITORAL ...................................................................................................... 141 1. NATUREZA JURÍDICA DO ALISTAMENTO ELEITORAL .................................................... 141 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 4 2. PROCEDIMENTO DE ALISTAMENTO ELEITORAL ........................................................... 141 PROVOCAÇÃO DO ALISTAMENTO ............................................................................ 141 1ª FASE DO ALISTAMENTO ELEITORAL: QUALIFICAÇÃO ....................................... 141 2.2.1. Requisitos da qualificação ..................................................................................... 142 2ª FASE DO ALISTAMENTO ELEITORAL: INSCRIÇÃO .............................................. 145 3. TRANSFERÊNCIA ............................................................................................................... 146 4. SEGUNDA VIA DO TÍTULO DE ELEITOR .......................................................................... 149 5. CANCELAMENTO E EXCLUSÃO DA INSCRIÇÃO ELEITORAL ......................................... 150 HIPÓTESES DE CANCELAMENTO/EXCLUSÃO DO TÍTULO/ELEITOR ..................... 150 PROCEDIMENTO DE EXCLUSÃO .............................................................................. 154 6. REVISÃO DO TÍTULO DE ELEITOR ................................................................................... 155 7. REVISÃO DO ELEITORADO ............................................................................................... 156 PROCESSO ELEITORAL ........................................................................................................... 158 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................................................................... 158 2. PRIMEIRA FASE: FASE PREPARATÓRIA ......................................................................... 159 DAS CONVENÇÕES PARTIDÁRIAS ........................................................................... 159 2.1.1. Coligação partidária ............................................................................................... 160 2.1.2. Prazo da Convenção ............................................................................................. 160 2.1.3. Lugar da Convenção ............................................................................................. 160 2.1.4. Propaganda eleitoral na Convenção ...................................................................... 161 2.1.5. Tipo de Convenção ................................................................................................ 161 2.1.6. Escolha dos pré-candidatos para registro na Convenção ...................................... 161 DOS REGISTROS DAS CANDIDATURAS ................................................................... 164 2.2.1. Requisitos para o registro ...................................................................................... 164 2.2.2. Candidatura avulsa ................................................................................................ 167 2.2.3. Competência para receber os registros dos pré-candidatos .................................. 169 2.2.4. Prazo para análise do pedido de registro ............................................................... 169 2.2.5. Identificação dos pré-candidatos ........................................................................... 174 2.2.6. Substituição dos candidatos .................................................................................. 174 DA PROPAGANDA POLÍTICA ..................................................................................... 175 2.3.1. Propaganda Institucional (art. 37, §1º CF/88) ........................................................ 175 2.3.2. Propaganda Partidária ........................................................................................... 183 2.3.3. Propaganda Intrapartidária .................................................................................... 185 2.3.4. Propaganda Eleitoral ............................................................................................. 187 ATOS PREPARATÓRIOS PARA A VOTAÇÃO (PARTINDO PARA A 2ª FASE) .......... 222 3. SEGUNDA FASE: FASE DA VOTAÇÃO ............................................................................. 224 REGRAS GERAIS DA VOTAÇÃO ................................................................................ 224 MESA RECEPTORA DE VOTOS ................................................................................. 226 DA JUSTIFICATIVA E VOTO NO EXTERIOR .............................................................. 228 3.3.1. Prazos ................................................................................................................... 228 4. TERCEIRA FASE: FASE DA APURAÇÃO .......................................................................... 228 5. QUARTA FASE: FASE DA DIPLOMAÇÃO .......................................................................... 229 CONCEITO DE DIPLOMAÇÃO .................................................................................... 229 COMPETÊNCIA PARA A DIPLOMAÇÃO ..................................................................... 229 6. QUINTA FASE: POSSE ....................................................................................................... 229 ARRECADAÇÃO E APLICAÇÃO DE RECURSOS NAS CAMPANHAS ELEITORAIS (ARTS. 17 A 27 DA L.9504/97) ........................................................................................................................ 231 1. PRINCÍPIO NORTEADOR ................................................................................................... 231 2. FIXAÇÃO DOS LIMITES DOS GASTOS DE CAMPANHA, POR PARTIDO E CANDIDATOS 231 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 5 PRESIDENTE DA REPÚBLICA .................................................................................... 232 GOVERNADOR ............................................................................................................ 232 SENADOR .................................................................................................................... 232 DEPUTADOS ............................................................................................................... 233 ARRECADAÇÃO FOR MAIOR QUE O LIMITE MÁXIMO DE GASTOS........................ 233 3. FUNDO ESPECIAL DE FINANCIAMENTO DE CAMPANHA ............................................... 233 4. ABERTURA DE CONTAS CORRENTES ESPECÍFICAS .................................................... 236 5. CROWDFUNDING E COMERCIALIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS ................................. 237 ARRECADAÇÃO DE RECURSOS PARA CAMPANHA POR MEIO DE “VAQUINHAS”NA INTERNET .............................................................................................................................. 238 ANTES DA LEI Nº 13.488/2017 O CROWDFUNDING ERA PERMITIDO EM CAMPANHAS ELEITORAIS? .................................................................................................. 238 ARRECADAÇÃO DE RECURSOS PARA CAMPANHA POR MEIO DA VENDA DE BENS E SERVIÇOS .......................................................................................................................... 239 6. ORIGEM DE RECURSOS ................................................................................................... 239 PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 239 RECURSOS PRÓPRIOS DO CANDIDATO .................................................................. 244 DOAÇÃO POR PESSOA FÍSICA.................................................................................. 244 6.3.1. Introdução .............................................................................................................. 244 6.3.2. Representação por excesso de doação ................................................................. 246 6.3.3. Multa por doações acima do limite ......................................................................... 248 6.3.4. Doações ocultas .................................................................................................... 248 6.3.5. Transparências das doações ................................................................................. 249 6.3.6. Vedações para doações ........................................................................................ 250 DOAÇÕES DE OUTROS PARTIDOS POLÍTICOS OU CANDIDATOS ........................ 250 COMERCIALIZAÇÃO DE BENS OU SERVIÇOS OU PROMOÇÃO DE EVENTOS ..... 251 RECEITAS DECORRENTES DE APLICAÇÃO FINANCEIRA DE RECURSOS DE CAMPANHA ............................................................................................................................ 251 RECURSOS PRÓPRIOS DOS PARTIDOS .................................................................. 252 7. RESPONSABILIZAÇÃO ...................................................................................................... 252 DO PARTIDO POLÍTICO .............................................................................................. 252 DO CANDIDATO .......................................................................................................... 253 8. DESPESAS QUE SÃO CONSIDERADAS GASTOS ELEITORAIS PARA FINS DE PRESTAÇÃO DE CONTAS ........................................................................................................ 253 GASTOS ELEITORAIS ................................................................................................. 253 DESPESAS COM TRANSPORTE E DESLOCAMENTO .............................................. 253 DESPESAS COM CONSULTORIA, ASSESSORIA E PAGAMENTO DE HONORÁRIOS REALIZADAS EM DECORRÊNCIA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS E DE CONTABILIDADE NO CURSO DAS CAMPANHAS ELEITORAIS .......................................... 254 DISPENSADOS DE COMPROVAÇÃO NA PRESTAÇÃO DE CONTAS ....................... 255 9. DA PRESTAÇÃO DE CONTAS (ARTS. 28 A 32 L.9504/97) ................................................ 255 CONCEITO ................................................................................................................... 255 CONSEQUÊNCIA DA NÃO PRESTAÇÃO ................................................................... 257 FORMAS DE PRESTAÇÃO DE CONTAS .................................................................... 258 RITO PROCESSUAL .................................................................................................... 258 10. CAPTAÇÃO E GASTOS ILÍCITOS DE RECURSOS ELEITORAIS .................................. 260 PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 261 HIPÓTESES DE CABIMENTO ..................................................................................... 261 BEM JURÍDICO TUTELADO ........................................................................................ 261 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 6 PRAZO PARA AJUIZAMENTO ..................................................................................... 262 COMPETÊNCIA ........................................................................................................... 262 LEGITIMADOS ATIVOS ............................................................................................... 262 LEGITIMADOS PASSIVOS .......................................................................................... 262 PROCEDIMENTO ........................................................................................................ 262 SANÇÕES .................................................................................................................... 263 AÇÕES CIVIS ELEITORAIS (PROCESSO CONTENCIOSO ELEITORAL) ................................ 264 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................................................................... 264 2. RECLAMAÇÃO OU REPRESENTAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DA LEI DAS ELEIÇÕES (RDLE) ........................................................................................................................................ 266 PREVISÃO LEGAL DA RDLE (ART. 96 DA L.9504/97) ................................................ 266 OBJETIVO DA RDLE .................................................................................................... 267 OBJETO DA RDLE ....................................................................................................... 267 2.3.1. Propaganda extemporânea (art. 36, §3º L. – propaganda partidária, intrapartidária e eleitoral) 267 2.3.2. Doações que excedem os limites legais (art. 23, §3º L.) ........................................ 267 2.3.3. Captação de recursos vedados (arts. 24 e 25) ...................................................... 268 2.3.4. Divulgação de pesquisa não registrada (art. 33, §3º) ............................................. 268 2.3.5. Uso de meios indevidos de propaganda eleitoral (art. 39 e outros L.) .................... 268 COMPETÊNCIA PARA A RDLE ................................................................................... 269 PRAZO PARA A RDLE ................................................................................................. 269 LEGITIMIDADE PARA A RDLE .................................................................................... 269 2.6.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 269 2.6.2. Legitimidade Passiva ............................................................................................. 270 PROCEDIMENTO ESPECIAL DA RDLE ...................................................................... 270 EFEITOS DA SENTENÇA PROCEDENTE EM RDLE .................................................. 271 3. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE REGISTRO DE CANDIDATOS (AIRC) ................................ 272 PREVISÃO LEGAL AIRC (ART. 3º LC 64/90) ............................................................... 272 OBJETIVO DA AIRC..................................................................................................... 272 OBJETO DA AIRC ........................................................................................................ 272 3.3.1. Condições de elegibilidade .................................................................................... 272 3.3.2. Causas de inelegibilidade ...................................................................................... 2733.3.3. Presença de registrabilidade (art. 11, §1º L.9504/97) ............................................ 275 COMPETÊNCIA PARA A AIRC .................................................................................... 275 PRAZO PARA A AIRC .................................................................................................. 276 PRECLUSÃO PARA A AIRC ........................................................................................ 276 3.6.1. LEGITIMIDADE PARA A AIRC .............................................................................. 276 3.6.2. Legitimidade ativa .................................................................................................. 276 3.6.3. Legitimidade passiva ............................................................................................. 277 PROCEDIMENTO ESPECIAL DA AIRC (LC 64/90) ..................................................... 277 3.7.1. Petição Inicial ........................................................................................................ 277 3.7.2. Defesa: 07 dias ...................................................................................................... 279 3.7.3. Instrução ................................................................................................................ 279 3.7.4. Participação do MP ................................................................................................ 280 3.7.5. Alegações Finais ................................................................................................... 280 3.7.6. Prolação da sentença ............................................................................................ 280 3.7.7. Recurso ao TRE .................................................................................................... 281 EFEITOS DA SENTENÇA PROCEDENTE EM AIRC (ART. 15 DA LC 64/90) .............. 282 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 7 4. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL (AIJE) OU REPRESENTAÇÃO POR ABUSO DE PODER ECONÔMICO OU DO PODER POLÍTICO (RAPEPP) ............................... 282 PREVISÃO LEGAL (ART. 22 DA LC 64/90) ................................................................. 282 OBJETIVO DA AIJE OU RAPEPP ................................................................................ 282 OBJETO DA AIJE OU RAPPEP (ART. 22 LC 64/90) .................................................... 283 COMPETÊNCIA PARA A AIJE OU RAPPEP ............................................................... 285 PRAZO PARA AIJE OU RAPPEP ................................................................................. 285 LEGITIMIDADE PARA A AIJE OU RAPPEP ................................................................ 286 4.6.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 286 4.6.2. Legitimidade Passiva ............................................................................................. 286 PROCEDIMENTO ESPECIAL DA AIJE OU RAPPEP (ARTS. 22 A 24 LC 64/90). ....... 287 4.7.1. Inicial ..................................................................................................................... 287 4.7.2. Defesa: 05 dias ...................................................................................................... 288 4.7.3. Concessão de liminar ............................................................................................ 288 4.7.4. Instrução ................................................................................................................ 288 4.7.5. Diligências ............................................................................................................. 288 4.7.6. Alegações finais..................................................................................................... 289 4.7.7. Sentença ............................................................................................................... 289 4.7.8. Recurso ................................................................................................................. 289 EFEITOS DA SENTENÇA PROCEDENTE NA AIJE OU RAPPEP (INCIDÊNCIA DA “FICHA LIMPA”) ...................................................................................................................... 290 5. REPRESENTAÇÃO POR CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO (RCIS) .............................. 291 PREVISÃO LEGAL (ART. 41-A L.9504/97) .................................................................. 291 OBJETIVO DA RCIS..................................................................................................... 291 OBJETO (REQUISITOS) DA RCIS ............................................................................... 291 PRAZO DA RCIS .......................................................................................................... 292 COMPETÊNCIA ........................................................................................................... 292 LEGITIMIDADE ATIVA PARA A RCIS .......................................................................... 293 5.6.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 293 5.6.2. Legitimidade Passiva ............................................................................................. 293 PROCEDIMENTO ESPECIAL DA RCIS (ART. 22 LC 64/90) ....................................... 293 EFEITOS DA PROCEDÊNCIA DA RCIS ...................................................................... 294 6. REPRESENTAÇÃO POR CONDUTAS VEDADAS AOS AGENTES PÚBLICOS (RCVAP) . 295 PREVISÃO ................................................................................................................... 295 OBJETIVO DA RCVAP ................................................................................................. 295 OBJETO DA RCVAP .................................................................................................... 295 6.3.1. Desvirtuamento de recursos MATERIAIS da Administração Pública ..................... 296 6.3.2. Desvirtuamento de recursos HUMANOS da Administração Pública ...................... 297 6.3.3. Desvirtuamento de recursos FINANCEIROS da Administração Pública ................ 298 6.3.4. Desvirtuamento dos MEIOS DE COMUNICAÇÃO ................................................. 298 6.3.5. Desvirtuamento dos PRINCÍPIOS da Administração Pública ................................. 299 COMPETÊNCIA PARA A RCVAP ................................................................................ 300 PRAZO PARA A PROPOSITURA DA RCVAP.............................................................. 300 LEGITIMIDADE PARA A RCVAP ................................................................................. 301 6.6.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 301 6.6.2. Legitimidade Passiva ............................................................................................. 301 PROCEDIMENTO (ARTS. 22 A 24 LC 64/90) .............................................................. 301 EFEITOS DA PROCEDÊNCIA DA RCVAP .................................................................. 301 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 8 7. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE DIPLOMAÇÃO OU RECURSO CONTRA DIPLOMAÇÃO - AIDI OU RCD (ART. 262 CE) ............................................................................................................. 303 PREVISÃO LEGAL DO RCD (ART. 262 DO CE) .......................................................... 303 OBJETIVO DO RCD ..................................................................................................... 303 HIPÓTESES DE RCD ...................................................................................................303 COMPETÊNCIA PARA O RCD .................................................................................... 304 PRAZO PARA O RCD (ART. 258 CE) .......................................................................... 305 LEGITIMIDADE PARA O RCD ..................................................................................... 305 7.6.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 305 7.6.2. Legitimidade Passiva ............................................................................................. 305 PROCEDIMENTO DO RCD .......................................................................................... 306 EFEITOS DO RCD ....................................................................................................... 306 8. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO - AIME (ART. 14, §§ 10 E 11 DA CF/88) 307 PREVISÃO CONSTITUCIONAL/LEGAL ....................................................................... 307 OBJETIVO DA AIME .................................................................................................... 307 OBJETO DA AIME ........................................................................................................ 307 COMPETÊNCIA PARA A AIME .................................................................................... 307 PRAZO PARA A AIME (ART. 14, §10 CF/88) ............................................................... 308 LEGITIMAÇÃO PARA A AIME ...................................................................................... 309 8.6.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 309 8.6.2. Legitimidade Passiva ............................................................................................. 309 PROCEDIMENTO DA AIME ......................................................................................... 309 8.7.1. Prazo de 15 dias para apresentar a petição inicial, a partir da diplomação. ........... 309 8.7.2. Defesa prazo de 07 dias ........................................................................................ 310 8.7.3. Instrução ................................................................................................................ 310 8.7.4. Diligências ............................................................................................................. 310 8.7.5. Prolação de sentença ............................................................................................ 310 8.7.6. Recurso ................................................................................................................. 311 EFEITOS DA PROCEDÊNCIA DA AIME ...................................................................... 311 9. AÇÃO RESCISÓRIA ELEITORAL ....................................................................................... 312 PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 312 PRAZO ......................................................................................................................... 312 COMPETÊNCIA ........................................................................................................... 312 LEGITIMIDADE ............................................................................................................ 312 9.4.1. Legitimidade ativa .................................................................................................. 313 9.4.2. Legitimidade passiva ............................................................................................. 313 PROCEDIMENTO ........................................................................................................ 313 RECURSO .................................................................................................................... 313 RECURSOS CÍVEIS ELEITORAIS ............................................................................................. 314 1. REGRAS GERAIS ............................................................................................................... 314 2. DO RECURSO CONTRA DECISÃO PROFERIDA POR JUIZ ELEITORAL: RECURSO INOMINADO (RI) ........................................................................................................................ 316 PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 316 POSSIBILIDADES ........................................................................................................ 316 2.2.1. Decisão que nomeia escrutinadores e auxiliares (art. 39 CE); ............................... 316 2.2.2. Decisão que deferir/indeferir o requerimento de inscrição do ELEITOR (arts. 57 e 58 Resolução 23.569/2021 TSE) .............................................................................................. 317 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 9 2.2.3. Decisão que deferir/indeferir a transferência de domicílio (art. 57 e 58 da Resolução 23.659/2021) ........................................................................................................................ 317 2.2.4. Do julgamento proferido nas ações civis eleitorais ................................................. 318 3. RECURSOS CONTRA DECISÃO PROFERIDA PELA JUNTA ELEITORAL ....................... 318 RECURSO PARCIAL (RP - ART. 261 CE) ................................................................... 319 RECURSO INOMINADO (RI - ART. 265 CE) ............................................................... 319 4. RECURSOS CONTRA DECISÕES PROFERIDAS PELO TRE ........................................... 320 RECURSO PARCIAL .................................................................................................... 320 RECURSO INOMINADO (ASSEMELHA-SE AO AGRAVO REGIMENTAL) ................. 324 RECURSO ORDINÁRIO (ART. 121, §4º, III A V CF/88 c/c ART. 276, II CE) ................ 324 RECURSO ESPECIAL (ART. 121, §4º, I E II CF/88 C/C ART. 276, I CE): RECURSO INTERPOSTO PERANTE O TSE. ........................................................................................... 325 AGRAVO DE INSTRUMENTO (ART. 279 CE) ............................................................. 326 5. RECURSOS CONTRA DECISÕES PROFERIDAS PELO TSE ........................................... 327 RECURSO INOMINADO (ART. 264 CE) ...................................................................... 327 RECURSO ORDINÁRIO (ART. 121, §3º, 2ª PARTE CF C/C ART. 281, 2ª PARTE DO CE) 327 RECURSO EXTRAORDINÁRIO (ART. 121, §3º, 1ª PARTE CF/88 C/C 281, 1ª PARTE DO CE) ................................................................................................................................... 327 AGRAVO DE INSTRUMENTO (ART. 282 CE) ............................................................. 328 6. SÚMULAS DO TSE SOBRE RECURSOS ........................................................................... 329 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 10 APRESENTAÇÃO Olá! Inicialmente gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja útil na sua preparação, em todas as fases. A grande maioria dos concurseiros possui o hábito de trocar o material de estudo constantemente, principalmente, em razão da variedade que se tem hoje, cada dia surge algo novo. O ideal é você utilizar sempre a mesma fonte, fazendo a complementação necessária, eis que quanto mais contato temos com determinada fonte de estudo, mais familiarizados ficamos, o que se torna primordial na hora da prova. Para o estudo da disciplina “Direito Eleitoral” com o enfoque em concursospúblicos, aconselha-se a leitura da legislação, dos resumos dos informativos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mínima doutrina. O Direito Eleitoral é um emaranhado de normas que, não raro, confundem estudantes, por isso se indica a leitura da lei seca, bem como a análise do que tem entendido a jurisprudência. O Caderno Sistematizado de Direito Eleitoral foi totalmente reformulado, tendo como base as aulas dos Professores. André Luiz Cunha (G7), Carlos Eduardo Frazão (G7) e João Paulo (CERS), bem como do Prof. Bruno Gaspar (CPIuris). Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito (www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). Destacamos que é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da semana para ler no site do Dizer o Direito. Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina + informativos + + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você faça uma boa prova. Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito importante!!! As bancas costumam repetir certos temas. Vamos juntos!!! Bons estudos!!! Equipe Cadernos Sistematizados. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 11 NOÇÕES INTRODUTÓRIAS 1. DIREITOS POLÍTICOS x DIREITO ELEITORAL O Direito Eleitoral é um subsistema dentro do sistema constitucional dos Direitos Políticos. Assim, é possível afirmar que os Direitos Políticos são uma categoria ampla, dentro da qual está incluído o Direito Eleitoral. De acordo com a doutrina, os direitos políticos contêm cinco grandes vertentes, quais sejam: VERTENTES PRIMEIRA Relacionada com as diversas formas de manifestação do pensamento político, ideológico, filosófico em âmbito individual e coletivo, pois um Estado Democrático de Direito é formado por diferentes convicções. Atualmente, a internet é um grande instrumento de manifestação do pensamento político. SEGUNDA Relacionada à associação para fins políticos a qual, de acordo com a CF, é livre, sendo vedada a de caráter paramilitar. CF Art. 17 - § 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar. No Brasil, a grande expressão são os partidos políticos. TERCEIRA Relacionada aos direitos eleitorais, os quais estão ligados ao processo eleitoral. Aqui, tem-se: • Possibilidade de ser eleitor e ser elegível; • Atribuição de mandato eletivo; • Participação da sociedade na manifestação direta da sua soberania (plebiscito e referendo). QUARTA Relacionada à ocupação de cargo público não elegível. Assim, a participação nas instituições do Estado (qualquer de seus poderes), em cargo não eletivo, é exercício de direito político. Cita-se, como exemplo, a indicação para Ministro do STF. QUINTA Relacionada ao exercício da soberania pela sociedade. Como exemplo, tem-se a prerrogativa de participar do processo legislativo por meio de iniciativa popular. 2. OBJETO DO DIREITO ELEITORAL http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 12 É a normatização de todo o chamado “processo eleitoral”, que se inicia com o alistamento do eleitor, com a consequente distribuição do corpo eleitoral, e se encerra com a diplomação dos eleitos. # Os partidos políticos são objeto do Direito Eleitoral? 1ª C: Sim. Há questões dos partidos políticos que são resolvidas pela Justiça Eleitoral e outras são resolvidas no âmbito da Justiça Comum. 2ª C (mais moderna): Não. Os partidos políticos alcançaram um foro de autonomia tal na CF/1988 que passaram a constituir um ramo próprio do direito: o Direito Partidário. Para sistematizar, fizemos uma breve lista com os objetivos do Direito Eleitoral. OBJETIVOS DO DIREITO ELEITORAL Direitos subjetivos políticos eleitorais Composto pelos direitos positivos (exemplo: capacidade eleitoral ATIVA – capacidade de ser eleitor; capacidade eleitoral PASSIVA – capacidade de ser elegível) e direitos eleitorais negativos (PERDA de direitos políticos, SUSPENSÃO de direitos políticos) Sufrágio Direito fundamental do cidadão de participar da dinâmica do poder político dentro da sociedade. Voto É um dos instrumentos para o exercício do sufrágio Sistemas Eleitorais Metodologias utilizadas para representação da sociedade. Exemplo: sistema proporcional, majoritário Métodos de participação da sociedade na tomada de decisões coletivas Plebiscito e Referendo Acesso aos cargos políticos eletivos Atribuição do mandato e titularidade do mandato, incluindo-se também o fim do mandato Regular as instituições e competências dos órgãos constitucionais eleitorais Poder Judiciário Eleitoral MP Eleitoral Polícia Eleitoral (atualmente, PF + PC) Defensoria Pública Procuradoria da Fazenda Nacional Processo Administrativo eleitoral Possui várias vertentes e momentos, envolve desde o alistamento até a diplomação dos candidatos Crimes eleitorais e processo penal eleitoral Há diversos crimes eleitorais. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 13 3. FONTES DO DIREITO ELEITORAL Há várias formas por meio das quais o Direito Eleitoral se expressa. Não existe um consenso na doutrina, optou-se por abordar as de maior incidência em provas de concurso. FONTES MATERIAIS E FORMAIS As fontes materiais são os fatores que influenciam o surgimento e a elaboração das normas eleitorais. Ex.: fatos sociais, políticos e doutrinários que impactam na produção de normas eleitorais e a atuação de grupos para a aprovação de determinado projeto de lei. Vale destacar que as fontes materiais não possuem caráter vinculativo, funcionam como fundamento para a edição posterior de fontes formais pelo Poder Legislativo e pelo Poder Judiciário (função normativa). Como o tema foi cobrado em concurso? (MPE/PA – CESPE – 2023): Os fatos sociais que impactam na produção de normas eleitorais são considerados uma fonte material do direito eleitoral. Correto. As fontes formais são aquelas que formalizam, em normas, o resultado das fontes materiais. Ex.: Constituição Federal, o Código Eleitoral (Lei 4.737/65), a Lei das Eleições (Lei 9.504/97), a Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95), a Lei de Inelegibilidade (Lei Complementar 64/90), as respostas às consultas e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral, entre outras normas. As fontes formais classificam-se em: a) Estatais: são as normas produzidas pelo próprio Estado, tais como a Constituição Federal, o Código Eleitoral (Lei 4.737/65), a Lei das Eleições (Lei 9.504/97), a Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95), a Lei de Inelegibilidade (Lei Complementar 64/90), as respostas às consultas e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. b) Não estatais: são as normas não emitidas pelo Estado, tais como os estatutos dos partidos políticos, os acordos entre partidos políticos e emissoras de televisão a respeito dos debates eleitorais. Como o tema foi cobrado em concurso? (MPE/AM – CESPE – 2023): No direito eleitoral, as fontes formais estatais, que são aquelas elaboradas pelo Estado e que devem ser seguidas por todos no país, incluem, entre outras, I a Constituição Federal de 1988 (CF). II a consulta. III a Lei Orgânica dos Partidos Políticos (Lei n.º 9.096/1995). IV a Lei de Inelegibilidades (Lei Complementar n.º 64/1990). V as resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Todos os itens estão corretos. FONTES DIRETAS E INDIRETAS As fontes direitas são as normas que guardam relação direta com o Direito Eleitoral e as questões eleitorais, a exemplo da Constituição Federal, do Código Eleitoral (Lei 4.737/65), da Lei http://www.iceni.com/infix.htm .CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 14 das Eleições (Lei 9.504/97), da Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95), da Lei de Inelegibilidade (Lei Complementar 64/90), das resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. Por outro lado, as fontes indiretas são aquelas que possuem uma aplicação subsidiária ao Direito Eleitoral, já que tratam de outras áreas do Direito, como o Código Civil, o Código Penal, o Código de Processo Penal, o Código de Processo Civil. FONTES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS As fontes primárias são aquelas que decorrem da Constituição Federal e do próprio processo legislativo e podem inovar o ordenamento jurídico, desde que não contrariem a Constituição Federal. Ex.: a Constituição Federal, o Código Eleitoral (Lei 4.737/65), a Lei das Eleições (Lei 9.504/97), a Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95), a Lei de Inelegibilidade (Lei Complementar 64/90). Já as fontes secundárias são aquelas que visam à interpretação e à regulamentação das fontes primárias, não podendo inová-las. Ex.: a doutrina, a jurisprudência, as respostas às consultas do Tribunal Superior Eleitoral. 4. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR SOBRE DIREITO ELEITORAL A União possui competência privativa para legislar sobre Direito Eleitoral (art. 22, I, da CF). A competência privativa, como se sabe, permite que algumas especificidades sejam delegadas aos Estados e ao DF, sempre por meio de lei complementar (art.22, parágrafo único, da CF). Art. 22, Compete privativamente à União legislar sobre: I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; (...) Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo. Destaca-se que a CF prevê que não poderá haver edição de Lei Delegada (art. 68, §1º, II) e nem de Medida Provisória em matéria de Direito Eleitoral (art. 62, §1º). Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. § 1º - Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre: II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;. Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I - relativa a: http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 15 nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; Leis infraconstitucionais eleitorais podem ser leis ordinárias ou leis complementares. Contudo, há matérias específicas que a Constituição Federal reservou para serem tratadas por meio de Lei Complementar. Art. 14 § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. Art. 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais, dos juízes de direito e das juntas eleitorais. Como o tema foi cobrado em concurso? (MPE/MS – Instituto AOCP – 2023): Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade além dos previstos na Constituição Federal e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. Correto. 5. RESOLUÇÕES DA JUSTIÇA ELEITORAL Há um poder regulamentar instituído pelo Código Eleitoral, corroborado pela Lei das Eleições, a partir do qual o legislador conferiu ao Poder Judiciário (TSE) a prerrogativa de detalhar o conteúdo previsto em lei e nas normas gerais produzidas pelo Poder Legislativo. Art. 105 da Lei 9.504/97 - Até o dia 5 de março do ano da eleição, o Tribunal Superior Eleitoral, atendendo ao caráter regulamentar e sem restringir direitos ou estabelecer sanções distintas das previstas nesta Lei, poderá expedir todas as instruções necessárias para sua fiel execução, ouvidos, previamente, em audiência pública, os delegados ou representantes dos partidos políticos. Como mencionado acima, as resoluções são consideradas fontes formais estatais e direta de Direito Eleitoral. Vale destacar que, conforme entende o STF, as resoluções do TSE possuem caráter secundário e interpretativo, não podendo inovar a ordem jurídica. 6. CONSULTAS ELEITORAIS http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 16 São entendimentos do TSE, expostos através de resposta a uma pergunta sobre o que o TSE pensa de determinado assunto. Tradicionalmente, as consultas ao TSE eram vistas como não vinculantes, ou seja, as respostas do tribunal não eram de cumprimento obrigatório. No entanto, houve uma mudança nesse entendimento. O TSE passou a adotar a posição de que as respostas às consultas agora têm um caráter vinculante. Isso significa que as decisões e interpretações fornecidas pelo TSE em resposta às consultas devem ser seguidas e cumpridas pelas autoridades e órgãos eleitorais, bem como pelos demais envolvidos no processo eleitoral. A doutrina sustenta que a mudança de entendimento pode ter sido influenciada pelo art. 30 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), que foi inserido pela Lei 13.655/18. O dispositivo trata da segurança jurídica e da vinculação das respostas das autoridades públicas às consultas, garantindo maior estabilidade e previsibilidade nas decisões relacionadas ao direito eleitoral. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 17 INSTITUTOS DO DIREITO ELEITORAL 1. SOBERANIA POPULAR Inicialmente, é necessário compreender que o poder é um dos elementos do Estado, sem poder o governo não consegue implementar as políticas públicas que entende serem necessárias. O vocábulo soberania significa o poder alto, supremo e soberano. Ou seja, aquele que não está sujeito a nenhum outro poder. Em um primeiro momento, tal significado, pode passar a ideia de autoritarismo, o que é equivocado, uma vez que o poder soberano é um poder democrático. O Estado Democrático de Direito é aquele que se submete às normas por ele próprio criadas. Não por acaso, a Constituição Federal de 1988 consagrou a soberania popular, afirmando que “todo poder emana do povo”. CF – art. 1º, Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. A CF, ainda, estabeleceu a forma que a soberania popular deve ser concretizada, qual seja: através do sufrágio, do voto direto e secreto. Observe o art. 14: Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I - plebiscito; II - referendo; III - iniciativa popular. 2. SUFRÁGIO UNIVERSAL CONCEITO De acordo com Alexandre de Moraes, “sufrágio universal é um direito público, subjetivo, de natureza política que tem o cidadão de eleger, ser eleito e de participar da organização e da atividade estatal”. Em suma, trata-se de um direito que o cidadão possui de decidir os rumos daadministração, votando e/ou sendo votado. Perceba, portanto, que o sufrágio possui duas concepções. Vejamos: Capacidade Eleitoral Ativa Ius suffragium Direito de votar, de eleger representantes Capacidade Eleitoral Passiva Ius honorum Direito de ser escolhido em processo eleitoral http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 18 Obs.: Não são todos que são dotados de capacidade eleitoral passiva. Apenas aqueles que preencherem os requisitos prefixados poderão ser escolhidos em processo eleitoral. Obs.: No Direito Eleitoral a expressão “cidadania” deve ser interpretada de maneira restrita. Em tópico próprio abordaremos de forma mais aprofundada a questão da Capacidade Eleitoral. SUFRÁGIO UNIVERSAL X SUFRÁGIO RESTRITO Nos dizeres de Bruno Gaspar, “sufrágio universal se caracteriza pela concessão genérica de cidadania. A mera existência de restrição, por si só, não retira o caráter universal do sufrágio. Nele não se admitem restrições por motivos étnicos, de riqueza ou capacidade intelectual”. Cita-se, por exemplo, a proibição de menores de 16 anos votarem. Trata-se de uma restrição ao sufrágio, mas é razoável, portanto, por si só, não retira o seu caráter universal. Por outro lado, “sufrágio restrito, ao contrário, é aquele concedido tão somente a uma minoria, que preenche a determinados requisitos econômicos, sociais e culturais”. O sufrágio restrito poderá ser censitário, cultural ou capacitário ou gênero. O art. 14, §4º da CF prevê que são inalistáveis os analfabetos, seria uma hipótese de sufrágio restrito? 1ªC - Há doutrina que entende que tal proibição é considerada um sufrágio restrito capacitário, ferindo o princípio da dignidade da pessoa humana. 2ªC - De outra banda, há doutrinadores que sustentam que é uma restrição razoável, não tornando o sufrágio restrito. Além disso, o analfabeto possui a faculdade de votar, capacidade eleitoral ativa. 3. VOTO Representa instrumento de exercício do sufrágio, materializando a vontade popular. CENSITÁRIO Fundado na capacidade econômica do indivíduo. Baseia-se na crença de que apenas pessoas com poder econômico elevado podem exercer o direito ao voto. CULTURAL OU CAPACITÁRIO Fundado na formação educacional (capacidade intelectual) da pessoa. Exemplo: a Inglaterra até os anos 50 tinha a participação restrita em razão da cultura. GÊNERO Fundado no patriarcado, no sexismo. Sustenta que apenas os homens podem votar e serem votados, exclui o direito das mulheres. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 19 CARACTERÍSTICAS A seguir serão analisadas as principais características do voto. 1) Personalíssimo O direito ao voto deve ser exercido pessoalmente. Assim, não é possível votar por meio de representante, por procuração e nem por correspondência. 2) Obrigatório Todo cidadão, maior de 18 anos e menor de 70 anos, é obrigado a votar, comparecendo ao local de votação e assinando a lista de votação. Essa obrigatoriedade não impede a liberdade de votar, pois o eleitor pode inclusive votar em branco ou anular seu voto. Obviamente, estando fora do seu local de votação, é possível justificar, no dia da eleição (formulário próprio), ou em até 60 dias depois, sob pena de multa. 3) Secreto Trata-se de um direito público subjetivo do eleitor. Por isso, não pode ser revelado pelos órgãos da Justiça Eleitoral. É cláusula pétrea. 4) Direto Os representantes são escolhidos diretamente pelos eleitores, sem intermediários. A CF prevê o voto indireto, em caráter excepcional. Art. 81, § 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei. 5) Periódico O voto deve ser exercido em intervalos regulares de tempo, decorre do princípio republicano que impõe uma rotatividade do exercício do poder político. 6) Valor igual para todos Não há distinção no valor do voto, será igual para todos os cidadãos. CF - Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: (...) 4. DEMOCRACIA http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 20 O termo democracia foi criado pelos Gregos, significa poder exercido pelo povo. Ou seja, o povo deve participar efetivamente do governo, sem sua participação há ausência de democracia. De acordo com a doutrina, a democracia divide-se em três categorias: direta, indireta ou representativa e semidireta ou participativa. A seguir iremos analisar cada uma delas. DEMOCRACIA DIRETA A democracia direta caracteriza-se por um governo em que os cidadãos participam diretamente das decisões governamentais, não há a presença de intermediários. Trata-se do modelo clássico de democracia, entendido como o ideal. Contudo, é um modelo impraticável, uma vez que as decisões deveriam ser tomadas em assembleias com a participação efetiva de toda a população, o que seria inviável. DEMOCRACIA INDIRETA OU REPRESENTATIVA No modelo da democracia indireta ou representativa cabe aos cidadãos, tão somente, escolherem os seus representantes políticos. Os eleitos receberão um mandato, sem que haja qualquer vinculação jurídica entre o representante e o representado. Perceba, com isso, que não há qualquer obrigação por parte do eleito em cumprir os termos do “mandato” outorgado pelo povo. Assim, por exemplo, caso um candidato a governador apresente um programa de governo com viés liberal e, ao ser eleito, implemente um viés conservador, que desagrade seus eleitores, mesmo que se entenda ser uma “traição”, não gerará nenhum problema. O eleito submete-se apenas aos preceitos constitucionais de ética e decoro, previstos no art. 55 da CF. DEMOCRACIA SEMIDIRETA OU PARTICIPATIVA Na democracia semidireta ou participativa, partindo da ideia de uma democracia representativa, o povo exerce sua soberania popular elegendo seus representantes e participando de forma direta da vida política do Estado, por meio de referendo, plebiscito e iniciativa popular de lei. Como o tema foi cobrado em concurso? (MPE/BA – CESPE – 2023): À luz da tipologia que distingue democracia direta e indireta, constata-se que a Constituição Federal de 1988 consagra um modelo misto de democracia. Correto. É o modelo adotado pela Constituição Federal de 1988. Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I - plebiscito; II - referendo; III - iniciativa popular. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 21 1) Plebiscito Trata-se de uma consulta prévia à edição de ato legislativo ou administrativo, em relação à matéria de grande relevância, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe tenha sido, conforme disposto no art. 2º, §1º da Lei 9.709/98. Lei 9.709/98 Art. 2o Plebiscito e referendo são consultas formuladas ao povo para que delibere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. § 1o O plebiscito é convocado com anterioridade a ato legislativo ou administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe tenha sido submetido. Como o tema foi cobrado em concurso? (MPE/BA – CESPE – 2023): Plebiscito é a consulta popular a respeito de ato legislativo ou administrativo já editado. Errado. (TJ/AC – VUNESP - 2019): O plebiscito é convocado com posterioridade a ato legislativo ou administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe tenha sido submetido. Errado!! É prévio. O art. 2º do ADCT previa que o povo decidiria, por meio de plebiscito, a forma e o sistema degoverno que iria vigorar no Brasil. Art. 2º. No dia 7 de setembro de 1993 o eleitorado definirá, através de plebiscito, a forma (república ou monarquia constitucional) e o sistema de governo (parlamentarismo ou presidencialismo) que devem vigorar no País. Salienta-se que o plebiscito pode ter caráter meramente opinativo. Nada impede, porém, que o plebiscito seja vinculante, bastando que no instrumento convocatório conste expressamente. Além disso, no plebiscito haverá convocação (convocação para a opinião do povo), através de Decreto Legislativo, pelo Congresso Nacional. Lei 9.709/08 Art. 3o Nas questões de relevância nacional, de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo, e no caso do § 3o do art. 18 da Constituição Federal, o plebiscito e o referendo são convocados mediante decreto legislativo, por proposta de um terço, no mínimo, dos membros que compõem qualquer das Casas do Congresso Nacional, de conformidade com esta Lei. CF Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: XV - autorizar referendo e convocar plebiscito; Como o tema foi cobrado em concurso? (TJ/AC – VUNESP - 2019): O plebiscito e o referendo são convocados mediante lei ordinária, por proposta de um terço, no mínimo, dos membros que compõem qualquer das Casas do Congresso Nacional. Errado! Convocação por Decreto Legislativo Após a aprovação do plebiscito, o Presidente do Congresso Nacional dará ciência à Justiça Eleitoral a fim de que tome as medidas cabíveis para sua realização. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 22 Art. 8o Aprovado o ato convocatório, o Presidente do Congresso Nacional dará ciência à Justiça Eleitoral, a quem incumbirá, nos limites de sua circunscrição: I – fixar a data da consulta popular; II – tornar pública a cédula respectiva; III – expedir instruções para a realização do plebiscito ou referendo; IV – assegurar a gratuidade nos meio de comunicação de massa concessionários de serviço público, aos partidos políticos e às frentes suprapartidárias organizadas pela sociedade civil em torno da matéria em questão, para a divulgação de seus postulados referentes ao tema sob consulta. Como o tema foi cobrado em concurso? (TJ/AL - FCC - 2019): Aprovado o ato convocatório de plebiscito pelo Congresso Nacional, o Presidente do Congresso Nacional dará ciência à Justiça Eleitoral, a quem incumbirá, nos limites de sua circunscrição, entre outros, expedir instruções para a realização da consulta. Correto! Convocado o plebiscito, o projeto legislativo ou medida administrativa não efetivada, cujas matérias constituam objeto da consulta popular, terá sustada sua tramitação, até que o resultado das urnas seja proclamado. Lei 9.079/98 Art. 9º Convocado o plebiscito, o projeto legislativo ou medida administrativa não efetivada, cujas matérias constituam objeto da consulta popular, terá sustada sua tramitação, até que o resultado das urnas seja proclamado. Por fim, os §§ 3º e 4º, do art. 18 da CF preveem a realização de plebiscito para a incorporação de Estados entre si e para a criação, incorporação e fusão de Municípios. Observe: Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. § 3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar. § 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei. Como o tema foi cobrado em concurso? (TJ/AL – FCC - 2019): A formação de novos Estados ou Territórios Federais depende da aprovação da população diretamente interessada, por meio de plebiscito e do Congresso Nacional, por lei complementar, ouvidas as respectivas Assembleias Legislativas. Correto! 2) Referendo http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 23 Consiste em uma consulta posterior à edição de ato legislativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição, nos termos do §2º do art. 2º da Lei 9.709/98. Lei 9.709/98 Art. 2o Plebiscito e referendo são consultas formuladas ao povo para que delibere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. § 2o O referendo é convocado com posterioridade a ato legislativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição. Como exemplo temos o Estatuto do Desarmamento. Art. 35. É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6º desta Lei. § 1º Este dispositivo, para entrar em vigor, dependerá de aprovação mediante referendo popular, a ser realizado em outubro de 2005. § 2º Em caso de aprovação do referendo popular, o disposto neste artigo entrará em vigor na data de publicação de seu resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Como o tema foi cobrado em concurso? (TJ/AL - FCC - 2019): O referendo é convocado com anterioridade a ato legislativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição. Errado!! Posteriormente. Salienta-se que no referendo haverá a autorização, também através de Decreto Legislativo, pelo Congresso Nacional. CF Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: XV - autorizar referendo e convocar plebiscito; O referendo pode ser convocado no prazo de 30 dias, a contar da promulgação de lei ou adoção de medida administrativa, que se relacione de maneira direta com a consulta popular. Art. 11. O referendo pode ser convocado no prazo de trinta dias, a contar da promulgação de lei ou a adoção de medida administrativa, que se relacione de maneira direta com a consulta popular. Assim que a Lei ou o ato administrativo for publicado, o Congresso Nacional terá 30 dias para autorizar o referendo. O resultado do referendo ou do plebiscito é por maioria simples, tramitando o referendo ou o plebiscito de acordo com o Regimento do Congresso Nacional, nos termos do art. 12. Art. 10. O plebiscito ou referendo, convocado nos termos da presente Lei, será considerado aprovado ou rejeitado por maioria simples, de acordo com o resultado homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Art. 12. A tramitação dos projetos de plebiscito e referendo obedecerá às normas do Regimento Comum do Congresso Nacional. 3) Iniciativa popular http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 24 Trata-se do poder atribuído aos cidadãos para apresentar projetos de lei, inaugurando, com essa medida, procedimento legislativo que poderá culminar ou não em uma lei, conforme disposto no art. 13 da Lei 9.709/98 e art. 61, §2º da CF/88. Lei 9.709/98 Art. 13 da Lei 9.709/98. A iniciativa popular consiste na apresentação de projeto de lei à Câmara dos Deputados, subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. § 1º O projeto de lei de iniciativa popular deverá circunscrever-se a um só assunto. § 2º O projeto de lei de iniciativa popular não poderá ser rejeitado por vício de forma, cabendo à Câmara dos Deputados, por seu órgão competente, providenciar a correção de eventuais impropriedades de técnica legislativa ou de redação. CF- Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. § 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. Para não esquecer: Segundo a doutrina, não é razoável exigir um quórum tão grande para apenas um projeto de lei. Justamente, por isso, apenas quatro projetos de iniciativa popular se transformaram em leis, a exemplo da Lei 8.930/94, que modificou a Lei de Crimes Hediondos e da Lei da Ficha Limpa (LC 135/2010), que modificou a LC 64/90. Projeto de lei deve ser apresentado à Câmara dos Deputados e tratar de apenas um tema Mínimo de 1% do eleitorado brasileiro Distribuído em no mínimo 5 Estados da Federação Com pelo menos 0,3% dos eleitores de cada um deles http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 25 PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO ELEITORAL 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS No Direito Eleitoral há alguns princípios próprios, quais sejam: • Princípio da Isonomia • Princípio da Anualidade ou da Anterioridade Eleitoral; • Princípio da Cautela/Legitimidade das Eleições ou Moralidade Eleitoral; • Princípio da Celeridade • Princípio da Preclusão Instantânea • Princípio da Devolutividade dos Recursos • Princípio do Aproveitamento do Voto • Princípio da Impersonalidade A seguir serão analisados, de forma detalhada, cada um deles. 2. PRINCÍPIO DA ISONOMIA Parte da premissa de que todos os candidatos devem concorrer em igualdade de condições. De acordo com Bruno Gaspar, “quando o legislador tipificou as condutas vedadas aos agentes públicos e estabeleceu uma data uniforme para o início da propaganda eleitoral, visou preservar a igualdade entre os concorrentes”. 3. PRINCÍPIO REPUBLICANO Encontra-se previsto no art. 1º da CF. O Brasil adotou a República como forma de Governo, caracterizada por mandatos eletivos com prazos determinados, possibilitando a alternância de poder, ao contrário do que ocorre na Monarquia. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 26 MONARQUIA REPÚBLICA Há vitaliciedade na atribuição do poder político. Há temporalidade na atribuição do poder político. Hereditariedade – “o rei não morre”, o poder político é transmitido pela sucessão causa morte. Obs.: em monarquias eletivas, a exemplo do Vaticano, não há hereditariedade. Eletividade – o poder político é legitimado pelo voto direto (em regra) ou indireto. Irresponsabilidade – “o rei não erra”, não se responsabiliza os atos praticados no desempenho de suas funções. Obs. : atualmente, é possível a responsabilidade, em casos determinados, do monarca. São chamadas de monarquias limitadas, a exemplo do Reino Unido. Responsabilidade – no âmbito civil (improbidade administrativa), penal (crime comum) e político-administrativa (crimes de responsabilidade). 4. PRINCÍPIO DA ANUALIDADE OU ANTERIORIDADE ELEITORAL O Princípio da Anualidade Eleitoral encontra-se previsto no art. 16 da CF. Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. Significa que toda lei que alterar o processo eleitoral – aqui entra: convenção, registro dos candidatos, campanha eleitoral, diplomação – passará a viger imediatamente. Contudo, a produção de seus efeitos ocorrerá após um ano da sua entrada em vigor. O objetivo do referido princípio, de acordo com o entendimento majoritário, é evitar a desigualdade e a deformidade nas eleições. Imagine, por exemplo, que em 2020 uma lei altere o processo de diplomação dos candidatos. Tal lei entra em vigor imediatamente, mas seus efeitos só serão produzidos em 2021. Assim, a nova regra acerca da diplomação não irá alcançar as eleições de 2020. Destaca-se que, de acordo com o STF, o referido princípio também será aplicado às emendas constitucionais que, porventura, venham a alterar o processo eleitoral, bem como às mudanças de jurisprudência consolidadas do TSE, que venham afetar a justa expectativa do processo eleitoral. Diante disso, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu que a Lei Complementar (LC) 135/2010, a chamada Lei da Ficha Limpa, não deveria ser aplicada às eleições realizadas em 2010, por desrespeito ao art. 16 da CF, dispositivo que trata da anterioridade da lei eleitoral. De outra banda, as regras que tenham caráter meramente instrumental, auxiliares do processo, que não venham a causar desequilíbrio nas eleições não são abrangidas, de acordo com http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 27 o entendimento majoritário da jurisprudência, pelo princípio da anualidade (como exemplo podemos citar a Lei 10.408/02, que dispôs sobre segurança e fiscalização do voto eletrônico, sobre a qual não houve dúvidas sobre sua aplicação nas eleições gerais de 2002). Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/MG (2018) - O princípio foi pensado pelo constituinte com o propósito de impedir mudanças repentinas, de última hora, no processo de escolha dos agentes políticos que emergem das eleições. Correto! MPE/RR (2017) - O princípio constitucional da anualidade ou da anterioridade da lei eleitoral não abrange resoluções do TSE que tenham caráter regulamentar. Correto! MPE/RR (2017) - O princípio constitucional da anualidade ou da anterioridade da lei eleitoral não repercute sobre decisões do TSE em casos concretos decididos durante o processo eleitoral e que venham a alterar a jurisprudência consolidada. Errado! 5. PRINCÍPIO DA CAUTELA/LEGITIMIDADE DAS ELEIÇÕES OU MORALIDADE ELEITORAL Está previsto no art. 14, § 9º da CF, in verbis: Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: ... § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de INELEGIBILIDADE e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e LEGITIMIDADE das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 4, de 1994) Importante destacar que o art. 14, §9º, de acordo com o entendimento do TSE, não é autoaplicável. Ou seja, é necessário que uma lei infraconstitucional o regulamente, por isso foi editada a Lei Complementar 64/90 regulamenta os casos de inelegibilidade, baseados no princípio da moralidade, prazos de cessação, e determina outras providências. Súmula 13 TSE - Não é autoaplicável o § 9º do art. 14 da Constituição, com a redação da Emenda Constitucional de Revisão nº 4/1994. 6. PRINCÍPIO DA CELERIDADE Os processos que tramitam na Justiça Eleitoral devem ser céleres. Por isso, o Juiz eleitoral tem prazo para julgar certas ações, a exemplo da ação de impugnação de registro de candidatura (AIRC). http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 28 Além disso, os juízes podem ser responsabilizados pelo descumprimento dos prazos (art. 94, §2º da Lei 9.504/97). Art. 94. Os feitos eleitorais, no período entre o registro das candidaturas até cinco dias após a realização do segundo turno das eleições, terão prioridade para a participação do Ministério Público e dos Juízesde todas as Justiças e instâncias, ressalvados os processos de habeas corpus e mandado de segurança. § 2º O descumprimento do disposto neste artigo constitui crime de responsabilidade e será objeto de anotação funcional para efeito de promoção na carreira. A celeridade também pode ser extraída do art. 16 da LC 64/90, que prevê que os prazos são peremptórios e contínuos, não se suspendendo aos sábados, domingos e feriados. Art. 16. Os prazos a que se referem o art. 3º e seguintes desta lei complementar são peremptórios e contínuos e correm em secretaria ou Cartório e, a partir da data do encerramento do prazo para registro de candidatos, não se suspendem aos sábados, domingos e feriados. 7. PRINCÍPIO DA PRECLUSÃO INSTANTÂNEA Os atos da justiça eleitoral têm uma preclusão instantânea. 8. PRINCÍPIO DA DEVOLUTIVIDADE DOS RECURSOS Salvo o direito penal eleitoral e algumas outras, as decisões eleitorais têm eficácia IMEDIATA, ou seja, os recursos somente têm efeito devolutivo. É comum requerer medida cautelar para dar efeito suspensivo ao recurso, ou seja, pedido cautelar de suspensão da decisão do juízo a quo. 9. PRINCÍPIO DO APROVEITAMENTO DO VOTO OU DO IN DUBIO PRO VOTO De acordo com o Princípio do Aproveitamento do Voto, deve-se preservar ao máximo a vontade do eleitor, nos termos do art. 219 do Código Eleitoral. Art. 219. Na aplicação da lei eleitoral o juiz atenderá sempre aos fins e resultados a que ela se dirige, abstendo-se de pronunciar nulidades sem demonstração de prejuízo. Acabou ficando em segundo plano, a partir do momento em que se instalou o voto eletrônico. A dúvida sobre o voto deve ser apreciada pela Junta Eleitoral, aproveitando o voto do eleitor, pois o eleitor é considerado o cerne do direito eleitoral. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 29 10. PRINCÍPIO DA IMPERSONALIDADE A procedência da ação de investigação judicial eleitoral (AIJE), em regra, implica a aplicação das sanções de cassação do registro (se prolatada a sentença antes da eleição) e da inelegibilidade. Entretanto, diferem, quanto aos requisitos para sua configuração, a sanção da cassação do registro da inelegibilidade. Com efeito, é entendimento sedimentado pelos aplicadores do Direito Eleitoral a possibilidade de aplicação da sanção de cassação do registro do candidato com base na mera condição de beneficiário. Em outras palavras, prescinde-se da responsabilidade subjetiva para que sofra a sanção de cassação do registro de candidato. É o que a doutrina de ÉMERSON GARCIA denomina de PRINCÍPIO DA IMPERSONALIDADE. Assim, mesmo que o candidato representado não tenha praticado a conduta declarada como abusiva – seja na forma de abuso do poder político ou econômico ou, mesmo, no uso indevido dos meios de comunicação social –, o simples fato de ter sido BENEFICIADO com a conduta praticada por outrem faz incidir a sanção de cassação do registro do candidato, porquanto a norma jurídica tutela a legitimidade e normalidade das eleições, que, inegavelmente, será afetada com o ato abusivo propalado. Portanto, reconhecido o ato abusivo, com potencialidade para ofender a lisura do pleito, possível é a aplicação da cassação do registro de candidato. Raciocínio semelhante pode – e deve – ser adotado em face da procedência da ação de impugnação de mandato eletivo (AIME) e, do mesmo modo, no recurso contra a expedição do diploma (RCD). Com efeito, a possibilidade de manuseio da ação de impugnação de mandato eletivo em caso de abuso do poder econômico é reconhecida pela Constituição Federal (art. 14, §10°) e pela doutrina, a qual, majoritariamente, admite a incidência da inelegibilidade da alínea “d” em caso de procedência da ação impugnativa mencionada. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 30 SISTEMA ELEITORAL 1. CONCEITO É o conjunto de técnicas de organização do processo eleitoral com a finalidade de atribuir o mandato eletivo. Envolve desde a convenção do partido até a diplomação, enfim todo o processo eleitoral. 2. ESPÉCIES DE SISTEMAS ELEITORAIS SISTEMA ELEITORAL MAJORITÁRIO Tem por finalidade apenas atribuir o mandato eletivo ao candidato ou partido que obteve a maioria dos votos. O sistema majoritário se desdobra em dois: 1) Sistema Eleitoral Majoritário Simples/Relativo Atribui o mandato àquele candidato ou partido que obteve a maioria simples, independentemente do percentual. Exemplo: eleição para o Senado Federal. O candidato do MDB ficou com 27% dos votos; PT 23%, PSDB 20%, DEM 30%. O candidato do DEM será eleito. Somente são contabilizados os votos válidos: excluem-se os brancos e nulos (CF/1988 art. 77, §2º). Art. 77. § 2º - Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos. No Brasil, este sistema é utilizado para o processo eleitoral de Senador e Prefeito de Municípios com até 200 mil eleitores. Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário. § 1º - Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos. Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/PI (CESPE 2019): O sistema majoritário simples é usado para definir as eleições de senador da República e de prefeito de municípios com menos de duzentos mil eleitores. Correto! 2) Sistema eleitoral majoritário ABSOLUTO É aquele que exige que o candidato ou partido tenha a maioria absoluta dos votos válidos (50% dos votos válidos + 01). http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 31 Imagine, por exemplo, que o Município W tenha 1.000.000 de votos válidos, o Prefeito será eleito em primeiro turno se obtiver 500.001 votos. O sistema majoritário absoluto não é um sistema de dois turnos, mas pode haver dois turnos. No Brasil, este sistema é utilizado para Presidente e Vice, Governadores e Vices e Prefeitos e Vices dos Municípios com mais de 200 mil eleitores. Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar- se-á, simultaneamente, no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de 1997) § 1º - A eleição do Presidente da República importará a do Vice-Presidente com ele registrado. § 2º - Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos. § 3º - Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á nova eleição em até vinte dias após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos. § 4º - Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação. § 5º - Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescer, em segundo lugar, mais de um candidato com a mesma votação, qualificar-se-á o mais idoso. Art. 29. II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do art. 77, no caso de Municípios com MAIS de duzentos mil eleitores;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de1997) Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/PI (CESPE 2019): O sistema majoritário absoluto é utilizado nas eleições para deputados federais, estaduais e distritais. Errado! TJ/MT (VUNESP 2018): As eleições para Presidente da República, para Governadorese para Prefeitos de municípios com mais de 200 mil eleitores obedecerão ao sistema majoritário absoluto. Atenção para o §4º do art. 77 da CF. No informativo 787 o STF decidiu que a perda do mandato em razão de mudança de partido não se aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário, sob pena de violação da soberania popular e das escolhas feitas pelo eleitor. No sistema majoritário, o candidato escolhido é aquele que obteve mais votos, não importando o quociente eleitoral nem o quociente partidário. Nos pleitos dessa natureza, os eleitores http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 32 votam no candidato e não no seu partido político. Desse modo, no sistema majoritário, a imposição da perda do mandato por infidelidade partidária é antagônica (contrária) à soberania popular. O TSE entendia que a infidelidade partidária, ou seja, a mudança de partido político após a diplomação acarretava a perda do mandato tanto para cargos proporcionais como majoritários. Essa conclusão estava expressa na Resolução 22.610/2007 do TSE (Infidelidade partidária). Dessa forma, o STF julga parcialmente inconstitucional a Resolução 22.610/2007 do TSE nos trechos em que ela fala sobre cargos majoritários. Em suma, a perda do mandato por infidelidade partidária não se aplica a cargos eletivos majoritários. Salienta-se que a EC 111/2021 reforçou o entendimento já existente de que a infidelidade partidária se aplica apenas ao sistema proporcional. Art. 17 (...) § 6º Os Deputados Federais, os Deputados Estaduais, os Deputados Distritais e os Vereadores que se desligarem do partido pelo qual tenham sido eleitos perderão o mandato, salvo nos casos de anuência do partido ou de outras hipóteses de justa causa estabelecidas em lei, não computada, em qualquer caso, a migração de partido para fins de distribuição de recursos do fundo partidário ou de outros fundos públicos e de acesso gratuito ao rádio e à televisão. SISTEMA ELEITORAL PROPORCIONAL 2.2.1. Noções gerais O sistema proporcional tem como objetivo propiciar representação de maiorias políticas juntamente com diversidades ideológicas. Em outras palavras, seu objetivo é fazer uma proporção entre a maioria da população (critério quantitativo) junto com a diversidade ideológica (critério qualitativo). Utilizado por órgãos do colegiado. Neste sistema, é possível a ocorrência do fenômeno de um candidato do partido A que recebeu 200 mil votos não conseguir se eleger e um candidato do partido B (que se candidata para o mesmo cargo) se eleger com apenas 250 votos. No Brasil, é usado este sistema para Deputados Federais (Câmara dos Deputados), Deputados Estaduais (Assembleias Legislativas), Deputados Distritais, Deputados Territoriais e Vereadores Municipais. CF Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal. § 1º - O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 33 Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/PI (CESPE 2019): O sistema proporcional é usado no caso de pleitos que exijam mais da metade dos votos válidos para definição do candidato vencedor. Errado! MPE/PI (CESPE 2019): O sistema proporcional é adotado nas eleições do chefe do poder executivo municipal. Errado! TJ/SC (FCC 2017): Nos termos da Constituição Federal, a Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional. Tal sistema eleitoral determina, segundo o Código Eleitoral, a eleição dos candidatos que tenham obtido votos em número igual ou superior a 10% (dez por cento) do quociente eleitoral, tantos quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido. No sistema proporcional permite-se o voto para o candidato e o voto no partido (voto de legenda). Sendo para legenda, pode ser LISTA ABERTA (lista não é prefixada), LISTA FECHADA (o partido já coloca o nome dos seus filiados – privilegia a política intrapartidária) ou LISTA FLEXÍVEL (o partido faz uma lista, mas a ordem pode ser alterada de acordo com os votos atribuídos a cada candidato). No Brasil, o sistema proporcional é o de LISTA ABERTA. O partido faz a lista só que não é uma lista em que existe uma ordem de candidatos, ele simplesmente lança a lista com o nome dos parlamentares, sem ordem, vão ser eleitos aqueles que tiverem o maior número de votos. O sistema em vigor no Brasil oferece duas opções aos eleitores: votar em um nome ou em um partido. As cadeiras obtidas pelos partidos (ou coligações entre partidos) são ocupadas pelos candidatos mais votados de cada lista. É importante sublinhar que as coligações entre os partidos funcionam como uma única lista; ou seja, os mais votados da coligação, independentemente do partido ao qual pertençam, elegem-se. Diferentemente de outros países (Chile, Finlândia e Polônia) em que os eleitores têm que obrigatoriamente votar em um nome da lista para ter o seu voto contado para o partido, no Brasil os eleitores têm a opção de votar em um nome ou em um partido (legenda). O voto de legenda é contado apenas para distribuir as cadeiras entre os partidos, mas não tem nenhum efeito na distribuição das cadeiras entre os candidatos. 1) Cálculos do Sistema Proporcional O número de cadeiras por Estado é distribuído conforme o número de habitantes por Estado, de acordo com a medição oficial feita pelo IBGE, através do CENSO. Entretanto, essa proporcionalidade é limitada a um mínimo de oito deputados e a um máximo de setenta deputados por estado. Essa semiproporcionalidade faz com que Roraima seja representado por um deputado para cada 51 mil habitantes e, no outro extremo, São Paulo, seja representado por um deputado para cada 585 mil habitantes. LC 78/93 Art. 1º Proporcional à população dos Estados e do Distrito Federal, o número de deputados federais não ultrapassará quinhentos e treze http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 34 representantes, fornecida, pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no ano anterior às eleições, a atualização estatística demográfica das unidades da Federação. Parágrafo único. Feitos os cálculos da representação dos Estados e do Distrito Federal, o Tribunal Superior Eleitoral fornecerá aos Tribunais Regionais Eleitorais e aos partidos políticos o número de vagas a serem disputadas. Art. 2º Nenhum dos Estados membros da Federação terá menos de oito deputados federais. Parágrafo único. Cada Território Federal será representado por quatro deputados federais. Art. 3º O Estado mais populoso será representado por setenta deputados federais. Importante consignar que, para que um candidato seja eleito, o partido deve obter um número mínimo de votos, chamado de quociente eleitoral. Art. 106. Determina-se o quociente eleitoral dividindo-se o número de votos válidos apurados pelo de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral, desprezada a fração se igual ou inferior a meio, equivalente a um, se superior. Exemplo: Representação do Estado de Y (Câmara dos Deputados – Congresso Nacional): a) Eleitorado = 15.000.000 b) Nº de vagas = 53 c) Votos brancos = 1.500.000 (10%) d) Votos nulos = 2.250.000 (15%) e) Abstenção = 750.000 (5%) f) Votantes = 15.000.000 – 750.000 = 14.250.00 g) Votos válidos = 14.250.000 – 3.750.000 (votos nulos + brancos) = 10.500.000 1. Quociente eleitoral = define ospartidos e/ou coligações que têm direito a ocupar as vagas em disputa nas eleições proporcionais, quais sejam: eleições para deputado federal, deputado estadual e vereador. No exemplo — para a Câmara dos Deputados (Congresso Nacional). Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/PI (CESPE 2019): O quociente eleitoral é aplicado na escolha de candidatos tanto no sistema majoritário quanto no proporcional. Errado! TJ/RJ (VUNESP 2016): O quociente eleitoral é instrumento do sistema proporcional, sendo determinado dividindo-se o número de votos válidos apurados pelo de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral, desprezada a fração se igual ou inferior a meio, equivalente a um, se superior. Correto! http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 35 QE = votos válidos / nº de vagas 10.500.000 / 53 = 198.113,20 (despreza-se a fração igual ou inferior a ½. Se for superior a ½, arredonda para cima). Logo, o QE = 198.113. CE Art. 106. Determina-se o quociente ELEITORAL dividindo-se o número de votos válidos apurados pelo de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral, desprezada a fração se igual ou inferior a meio, equivalente a um, se superior. 2. Votos obtidos por partido/coligações Partido A = 3.000.000 Partido B = 2.000.000 Partido C = 1.500.000 Coligação “Viva Brasil” = 2.250.000 Coligação “Ordem e Progresso” = 1.750.000 3. Quociente partidário = define o número inicial de vagas que caberá a cada partido ou coligação que tenham alcançado o quociente eleitoral. QP = voto (partido/coligação) / QE Partido A = 3.000.000 / 198.113 = 15,14 (despreza-se fração) = 15 cadeiras Partido B = 2.000.000 / 198.113 = 10 cadeiras Partido C = 1.500.000 / 198.113 = 7 cadeiras Coligação “Viva Brasil” = 2.250.000 / 198.113 = 11 cadeiras Coligação “Ordem e Progresso” = 1.750.000 / 198.113 = 8 cadeiras CE Art. 107 Determina-se para cada partido o quociente partidário dividindo- se pelo quociente eleitoral o número de votos válidos dados sob a mesma legenda, desprezada a fração. (Redação dada pela Lei nº14.211, de 2021) TOTAL PARCIAL = 51 cadeiras (ficaram sobrando 2 cadeiras - No Estado Y são 53 cadeiras disponíveis no total). Como o tema foi cobrado em prova? TJ/MG (2022) Para efeito de apuração das eleições no sistema proporcional, o Código Eleitoral dispõe que a determinação do quociente partidário, para cada partido, resulta da divisão do número de votos válidos dados sob a mesma legenda, pelo número de partidos ou coligações concorrentes, desprezada a fração. Errada! Obs.: A partir das eleições de 2020, não mais se admite coligações. Diante disso, a Lei 14.211/2021 retirou do art. 107 do CE a expressão “coligações”. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 36 Caso nenhum dos partidos alcance o quociente eleitoral, as cadeiras serão preenchidas com os mais votados. CE Art. 111. Se nenhum partido alcançar o quociente eleitoral, considerar- se-ão eleitos, até serem preenchidos todos os lugares, os candidatos mais votados. 4. Verificar o mais votado Verifica-se quantas vagas cada partido obteve (quociente partidário) e depois examina-se os mais votados naquele partido, sendo estes os eleitos. Ex.: o quociente partidário do Partido X foi 4; significa que ele terá 4 vagas no parlamento; os 4 candidatos daquele Partido mais bem votados serão considerados eleitos. Vale ressaltar, no entanto, que, para ser eleito, o candidato deverá ter recebido votos em número igual ou superior a 10% do quociente eleitoral. Art. 108. Estarão eleitos, entre os candidatos registrados por um partido que tenham obtido votos em número igual ou superior a 10% (dez por cento) do quociente eleitoral, tantos quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido. Assim, só será eleito o candidato que obtiver votos em número igual ou superior a 10% do quociente eleitoral. A pessoa que está sendo eleita pelo partido tem que ter o mínimo de representatividade popular e, por isso, se estabeleceu esses 10%. Os lugares não preenchidos em razão da exigência da votação nominal mínima serão distribuídos de acordo com as regras do art. 109. Vale ressaltar que esse limite de 10% foi inserido pela Lei nº 13.165/2015, julgada constitucional pelo STF (ADI 5920/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 4/3/2020). Antes dessa alteração, se um candidato tivesse muitos votos (ex: Deputado Federal Tiririca), o quociente eleitoral do partido seria alto e, com isso, um candidato desse partido poderia ser eleito mesmo tendo uma ínfima quantidade de votos. O candidato conhecido seria um “puxador de votos”. Esse candidato conhecido conseguiria “eleger” outros bem menos votados. A Lei nº 13.165/2015 tentou colocar um limite para isso, prevendo que esse candidato menos votado deverá ter um mínimo de votos (número igual ou superior a 10% do quociente eleitoral) para que ele “mereça” ser eleito. 5. Distribuição das sobras/restos Art. 109. Os lugares não preenchidos com a aplicação dos quocientes partidários e em razão da exigência de votação nominal mínima a que se refere o art. 108 serão distribuídos de acordo com as seguintes regras: I - dividir-se-á o número de votos válidos atribuídos a cada partido pelo número de lugares por ele obtido mais 1 (um), cabendo ao partido que apresentar a maior média um dos lugares a preencher, desde que tenha candidato que atenda à exigência de votação nominal mínima; http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 37 II - repetir-se-á a operação para cada um dos lugares a preencher; III - quando não houver mais partidos ou coligações com candidatos que III - quando não houver mais partidos com candidatos que atendam às duas exigências do inciso I deste caput, as cadeiras serão distribuídas aos partidos que apresentarem as maiores médias. § 1º O preenchimento dos lugares com que cada partido for contemplado far- se-á segundo a ordem de votação recebida por seus candidatos. § 2º Poderão concorrer à distribuição dos lugares todos os partidos que participaram do pleito, desde que tenham obtido pelo menos 80% (oitenta por cento) do quociente eleitoral, e os candidatos que tenham obtido votos em número igual ou superior a 20% (vinte por cento) desse quociente. O art. 109 do CE deve ser dividido em três momentos: CÓDIGO ELEITORAL Redação dada pela Lei nº 7.454/85 Redação dada pela Lei nº 13.165/2015 Redação dada pela Lei nº 14.211/2021 Art. 109. Os lugares não preenchidos com a aplicação dos quocientes partidários serão distribuídos mediante observância das seguintes regras: Art. 109. Os lugares não preenchidos com a aplicação dos quocientes partidários e em razão da exigência de votação nominal mínima a que se refere o art. 108 serão distribuídos de acordo com as seguintes regras: Art. 109. Os lugares não preenchidos com a aplicação dos quocientes partidários e em razão da exigência de votação nominal mínima a que se refere o art. 108 serão distribuídos de acordo com as seguintes regras: I - dividir-se-á o número de votos válidos atribuídos a cada Partido ou coligação de Partidos pelo número de lugares por ele obtido, mais um, cabendo ao Partido ou coligação que apresentar a maior média um dos lugares a preencher; I - dividir-se-á o número de votos válidos atribuídos a cada partido ou coligação pelo número de lugares definido para o partido pelo cálculo do quociente partidário do art. 107, mais um, cabendo ao partido ou coligação que apresentar a maior média um dos lugares a preencher, desde que tenha candidato que atenda à exigência de votação nominal mínima; I - dividir-se-á o número de votos válidos atribuídos a cada partido pelo número de lugares por eleobtido mais 1 (um), cabendo ao partido que apresentar a maior média um dos lugares a preencher, desde que tenha candidato que atenda à exigência de votação nominal mínima; Qual foi o “problema” dessa alteração promovida pela Lei nº 13.165/2015? Ela foi declarada inconstitucional pelo STF. O STF julgou parcialmente procedente o pedido para declarar a inconstitucionalidade da expressão “número de lugares definido para o partido pelo cálculo do quociente partidário do art. 107”, prevista no inciso I do art. 109 do Código Eleitoral, com redação dada pela Lei nº 13.165/2015. Ao declarar essa expressão inconstitucional, o STF determinou que fosse adotado o critério de cálculo anterior, ou seja, o que vigorava antes da Lei nº 13.165/2015. Para a Corte, a alteração realizada na redação do inciso I do art. 109 do Código Eleitoral acabou por acarretar consequência que praticamente desnatura o sistema proporcional no cálculo das sobras eleitorais. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 38 Na lei anterior, o cálculo utilizado para obtenção da “maior média” entre os partidos (que é o critério utilizado para distribuição das sobras eleitorais), tinha por denominador o “número de lugares por ele [partido ou coligação] obtido, mais um”. Desse modo, a regra previa que cada vaga remanescente distribuída a um partido era, em seguida, levada em consideração no cálculo da distribuição das próximas vagas. Portanto, se um partido recebeu a primeira vaga, isso entrava no cálculo da segunda, diminuindo as suas chances de obtê-la e aumentando as chances de outros partidos recebê-la. Pela sistemática da Lei nº 13.165/2015, apenas o “quociente partidário, mais um” (que é um dado fixo) é que deverá ser utilizado para os seguidos cálculos de atribuição das vagas remanescentes, desprezando-se a aquisição de vagas nas operações anteriores. Logo, o partido político ou coligação que primeiro obtiver a maior média e, consequentemente, obtiver a primeira vaga remanescente, acabará por obter todas as vagas seguintes, enquanto possuir candidato que atenda à exigência de votação nominal mínima (pelo menos 10% do quociente eleitoral). Ou seja, haverá uma tendência à concentração, em uma única sigla ou coligação, de todos os lugares não preenchidos com a aplicação dos quocientes partidários e em razão da exigência de votação nominal mínima. Evidencia-se, pois, em tal regramento, a desconsideração da distribuição eleitoral de cadeiras baseada na proporcionalidade (art. 45 da CF/88), que é intrínseca ao sistema proporcional, em que as vagas são distribuídas aos partidos políticos de forma a refletir o pluralismo político-ideológico presente na sociedade, materializado no voto. A regra da Lei nº 13.165/2015, portanto, atribui unicamente a um mesmo partido político todas as vagas remanescentes, viola, ainda, a distribuição de cadeiras legislativas às legendas representativas de ideais minoritárias no seio social. STF. Plenário. ADI 5420/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/3/2020 (Info 968). Desse modo, a Lei nº 14.211/2021 faz com que a redação do inciso I do art. 109 do CE praticamente volte a ser aquela anterior à Lei nº 13.165/2015, retirando o trecho declarado inconstitucional pelo STF. Sobra = votos do partido ou coligação / nº de lugares + 1 Partido A = 3.000.000 / 15 + 1 (16) = 187.500 Partido B = 2.000.000 / 10 + 1 (11) = 181.818 Partido C = 1.500.000 / 7 + 1 (8) = 187.500 Partido D = 2.250.000 / 11 + 1 (12) = 187.500 Partido E = 1.750.000 / 8 + 1 (9) = 197.444 (ganhará a vaga, desde que tenha a votação nominal mínima) RESULTADO PARCIAL (2) Partido A = 15 cadeiras Partido B = 10 cadeiras http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 39 Partido C = 7 cadeiras Partido D = 11 cadeiras Partido E = 8 cadeiras + 1 = 9 cadeiras. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/SC (FCC 2017): Nos termos da Constituição Federal, a Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional. Tal sistema eleitoral determina, segundo o Código Eleitoral, a eleição dos candidatos que tenham obtido votos em número igual ou superior a 10% (dez por cento) do quociente eleitoral, tantos quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido. Correto!! 6. Nova distribuição das sobras/restos Sobra = votos do partido/coligação / (nº de lugares do cálculo de sobra anterior) + 1 Partido A = 3.000.000 / 16 + 1 (17) = 176.470 (ganhará a vaga) Partido B = 2.000.000 / 11 + 1 (12) = 166.666 Partido C = 1.500.000 / 8 + 1 (9) = 166.666 Partido D= 2.250.000 / 12 + 1 (13) = 173.076 Partido E = 1.750.000 / 9 + 1 (10) = 175.000. 6. Resultado final Partido A = 16 cadeiras (15 + 1) Partido B = 10 cadeiras Partido C = 7 cadeiras Partido D = 11 cadeiras Partido E = 9 cadeiras (8 + 1). TOTAL PARCIAL = 53 cadeiras Obs.: Salienta-se que havendo empate nas médias de dois ou mais partidos, a vaga será atribuída àquele com maior votação. Ocorrendo empate na média e no número de votos dados aos partidos políticos, prevalece, para desempate, o número de votos nominais recebidos pelo candidato que disputa a vaga, nos termos do art. 10, §§2º e 3º da Resolução 23.611/2019). Embora seja uma Resolução temporária (para eleições de 2020), o TSE vem repetindo o regramento. Art. 10. As vagas não preenchidas com a aplicação do quociente partidário e a exigência de votação nominal mínima, a que se refere o art. 7° desta Resolução, serão distribuídas entre todos os partidos políticos que participam http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 40 do pleito, independentemente de terem ou não atingido o quociente eleitoral, mediante observância do cálculo de médias § 2º No caso de empate de médias entre dois ou mais partidos políticos, considera-se aquele com maior votação § 3º Ocorrendo empate na média e no número de votos dados aos partidos políticos, prevalece, para o desempate, o número de votos nominais recebidos pelo candidato que disputa a vaga. A Lei nº 14.211/2021 também alterou o § 2º do art. 109 do CE. Para entender a mudança, temos que voltar ao tema acima no qual estávamos tratando sobre a sobra de vagas no cálculo das eleições proporcionais. Como já mencionado anteriormente, as vagas não preenchidas com a aplicação dos quocientes partidários ou em razão da exigência de votação nominal mínima a que se refere o art. 108, do Código Eleitoral, devem ser distribuídas segundo as regras do art. 109. Indaga-se: quais partidos poderão participar desta distribuição das cadeiras remanescentes? Todos os partidos políticos que disputaram as eleições podem ser beneficiados com essa sobra eleitoral do art. 109 do CE? A resposta está justamente no §2º do art. 109 do CE, que foi sucessivamente alterado, sendo agora novamente modificado pela Lei nº 14.211/2021: CÓDIGO ELEITORAL Todos os partidos políticos que disputaram as eleições podem ser beneficiados com a sobra eleitoral de que trata o art. 109 do CE? Antes da Lei nº 13.488/2017: NÃO Depois da Lei nº 13.488/2017: SIM Depois da Lei nº 14.211/2021: NÃO Art. 109 (...) § 2º Somente poderão concorrer à distribuição dos lugares os partidos ou as coligações que tiverem obtido quociente eleitoral. Art. 109 (...) § 2º Poderão concorrer à distribuição dos lugares todos os partidos e coligações que participaram do pleito. Art. 109 (...) § 2º Poderão concorrer à distribuição dos lugares todos os partidos que participaram do pleito, desde que tenham obtido pelo menos 80% (oitenta por cento) do quociente eleitoral, e os candidatos que tenham obtido votos em número igual ou superior a 20% (vinte por cento) desse quociente. 2.2.2. Sistema eleitoral proporcional e infidelidade partidária O mandato parlamentar conquistadono sistema eleitoral proporcional pertence ao partido político. Assim, se o parlamentar eleito decidir mudar de partido político, ele sofrerá um processo na Justiça Eleitoral que poderá resultar na perda do seu mandato. Neste processo, com contraditório e ampla defesa, será analisado se havia justa causa para essa mudança. SISTEMA ELEITORAL MISTO http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 41 É aquele que pega um pouco do majoritário e do proporcional. É o sistema tipicamente adotado na Alemanha e no México. Trata-se de um sistema que reduz o espaço de disputa entre os concorrentes, torna a campanha mais barata e coloca o eleitor mais próximo de seus representantes. Há duas votações: 2.3.1. Voto distrital (o país é dividido em distritos) Cada partido só pode lançar um nome para cada distrito. O candidato mais votado do distrito é eleito pelo sistema majoritário. 2.3.2. Voto geral Eleição pelo sistema proporcional. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 42 INSTITUIÇÕES DO DIREITO ELEITORAL 1. PODER JUDICIÁRIO ELEITORAL: PODER JUDICIÁRIO ESPECIALIZADO EM DIREITO ELEITORAL Inicialmente, salienta-se que a Justiça Eleitoral é uma justiça especial federal, não possui um corpo de magistrados próprios, permanentes. A organização da justiça eleitoral está em parte na CF/1988 e em parte na legislação infraconstitucional (principalmente no CE). Art. 118. São órgãos da Justiça Eleitoral: I - o Tribunal Superior Eleitoral; II - os Tribunais Regionais Eleitorais; III - os Juízes Eleitorais; IV - as Juntas Eleitorais. De acordo com o art. 121 da CF, compete à lei complementar disciplinar sobre a organização dos tribunais, dos juízes e das juntas eleitorais. Essa Lei Complementar é o Código Eleitoral que, conforme já mencionado, embora seja uma lei ordinária, nas matérias referidas no art. 121 da CF, foi recepcionado como Lei Complementar. Art. 121. Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos tribunais, dos juízes de direito e das juntas eleitorais. Além disso, a investidura dos membros da Justiça Eleitoral será sempre temporária, servirão por dois anos. Não possuem vitaliciedade. CF Art. 121, § 2º - Os juízes dos tribunais eleitorais, salvo motivo justificado, servirão por dois anos, no mínimo, e nunca por mais de dois biênios consecutivos, sendo os substitutos escolhidos na mesma ocasião e pelo mesmo processo, em número igual para cada categoria. Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/MT (2019): Os juízes dos Tribunais Eleitorais servirão sempre por dois anos, obrigatoriamente, podendo ser reconduzidos por mais dois biênios consecutivos. Errado! TJ/PR (2019): A legislação garante vitaliciedade e inamovibilidade aos juízes dos tribunais eleitorais. Errado! Não são dotados de vitaliciedade, é temporária. 2. ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA ELEITORAL TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE) O TSE é considerado o órgão de cúpula da Justiça Eleitoral. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 43 O STF está acima do TSE, mas não é considerado órgão da Justiça Eleitoral, muito embora tenha decisões e aprecie matéria eleitoral. Sua organização está prevista no art. 119 da CF, in verbis: Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de sete membros, escolhidos: I - mediante eleição, pelo voto secreto: a) três juízes dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal; b) dois juízes dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça; II - por nomeação do Presidente da República, dois juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Supremo Tribunal Federal. Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal, e o Corregedor Eleitoral dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça. Perceba que o STF possui poder direto na organização do TSE. 2.1.1. Membros É formado por sete membros. Cinco membros são eleitos (três do STF e dois do STJ) e dois membros nomeados (advogados). Vejamos: a) Três membros eleitos dentre os Ministros do STF (é o próprio STF quem elege), um será, obrigatoriamente, o presidente e um o vice-presidente. Haverá a escolha de três suplentes. Assim, três ministros do STF participam diretamente e três são suplentes. b) Dois membros dentre os Ministros do STJ (é o próprio STJ quem elege), um será o corregedor-geral eleitoral. c) Dois advogados, com no mínimo 10 anos de atividade na carreira. São feitas duas listas com três nomes (totalizando seis), pelo STF (a OAB não participa). A lista é encaminhada ao Presidente da República que irá escolher dois para serem nomeados. Em relação aos advogados, não são impedidos de advogar, salvo em matéria de direito eleitoral. Não possuem remuneração de juiz, recebem por sessão. Não se aplica o quinto constitucional ao TSE. TSE TRE Juiz eleitoral e junta eleitoral http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 44 Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/AL (2019) O Tribunal Superior Eleitoral é composto, entre outros, por dois Juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Senado Federal. Errado! Indicação pelo STF e não pelo Senado. TJ/PR (2019): A composição do TSE é diferenciada, com previsão de integrantes provenientes da magistratura, da advocacia e do Ministério Público. Errado! Não há membro do MP. 2.1.2. Impedimentos Não poderão fazer parte do TSE cônjuges e parentes de até 4º (quarto) grau. CE Art. 16, § 1º - Não podem fazer parte do Tribunal Superior Eleitoral cidadãos que tenham entre si parentesco, ainda que por afinidade, até o quarto grau, seja o vínculo legítimo ou ilegítimo, excluindo-se neste caso o que tiver sido escolhido por último. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/PR (2019): É vedada a nomeação, para o TSE, de cidadãos que tenham entre si parentesco, ainda que por afinidade, até o quarto grau. Os advogados que detém cargo em comissão, ou que são donos ou sócios de empresas que gozam de favores estatais ou que exercem cargo eletivo. CE – Art. 16, § 2º - A nomeação de que trata o inciso II deste artigo não poderá recair em cidadão que ocupe cargo público de que seja demissível ad nutum; que seja diretor, proprietário ou sócio de empresa beneficiada com subvenção, privilegio, isenção ou favor em virtude de contrato com a administração pública; ou que exerça mandato de caráter político, federal, estadual ou municipal. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/PR (2019): É vedada a nomeação, para o TSE, de cidadão que ocupe cargo público de que seja demissível ad nutum ou de diretor, proprietário ou sócio de empresa. Errado! Não é qualquer empresa, mas sim empresa beneficiada com subvenção, privilégio, isenção ou favor em virtude de contrato com a Administração Pública. Além disso, a vedação é apenas para os advogados e não para os demais membros. Obs.: os membros do TSE, que sejam ministros do STF, não estarão impedidos de participarem do julgamento da questão constitucional no STF. Nesse sentido, a Súmula 72 do STF. Súmula 72 STF: No julgamento de questão constitucional, vinculada a decisão do TSE, não estão impedidos os ministros do STF que ali tenham funcionado no mesmo processo, ou no processo originário. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 45 2.1.3. Afastamentos O membro do TSE deverá afastar-se, desde a escolha em convenção partidária até a diplomação, caso o cônjuge ou parente até o segundo grau, esteja se candidatando a cargo eletivo na circunscrição eleitoral. 2.1.4. Julgamento Em regra, a sessão de julgamentoinicia-se com a presença da maioria dos membros do TSE. Contudo, em quatro situações, há a necessidade da presença de todos os membros, mas o voto continua sendo por maioria, são elas: a) Discussão acerca da legislação eleitoral, frente à CF; b) Cassação de registro de partido político; c) Anulação das eleições gerais d) Perda de diplomas CE - Art. 19. O Tribunal Superior delibera por maioria de votos, em sessão pública, com a presença da maioria de seus membros. Parágrafo único. As decisões do Tribunal Superior, assim na interpretação do Código Eleitoral em face da Constituição e cassação de registro de partidos políticos, como sobre quaisquer recursos que importem anulação geral de eleições ou perda de diplomas, só poderão ser tomadas com a presença de todos os seus membros. Se ocorrer impedimento de algum juiz, será convocado o substituto ou o respectivo suplente. ATENÇÃO!! Ainda que se enquadre nas hipóteses acima, há possibilidade de julgamento com o quórum incompleto, tratando-se de suspeição ou impedimento de ministro titular da classe de advogado e impossibilidade jurídica de convocação de juiz substituto (jurisprudência do TSE). Como o tema foi cobrado em prova? MPE/AP (2021) De acordo com a legislação eleitoral e o entendimento do TSE, as decisões desse tribunal sobre quaisquer recursos que acarretarem a perda de diplomas somente poderão ser tomadas com a presença de todos os seus membros, inclusive em embargos de declaração de deliberação que tenha importado perda de diploma. Correta! TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL (TRE) Haverá um Tribunal Regional Eleitoral em cada Estado e um no Distrito Federal. Assim, não se pode ter Estado sem TRE e nem Estado com mais de um TRE, nos termos do art. 120 da CF. CF Art. 120. Haverá um Tribunal Regional Eleitoral na Capital de cada Estado e no Distrito Federal. § 1º - Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-se-ão: I - mediante eleição, pelo voto secreto: http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 46 a) de dois juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça; (02) b) de dois juízes, dentre juízes de direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça; (02) II - de um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do Estado ou no Distrito Federal, ou, não havendo, de juiz federal, escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal Regional Federal respectivo; (01) III - por nomeação, pelo Presidente da República, de dois juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça. (02 = 05 no total) § 2º - O Tribunal Regional Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice- Presidente- dentre os desembargadores. 2.2.1. Composição De acordo com o CE, o TRE não pode ter menos do que sete e mais do que nove membros. Contudo, parte da doutrina entende que esta previsão não foi recepcionada, sendo que o número de sete não pode ser ampliado. Atualmente, todos os TRE’s possuem sete membros, sendo: - 02 Juízes, dentre desembargadores do TJ. - 02 Juízes, dentre juízes de Direito escolhidos pelo TJ. Obs.: normalmente, o TJ escolhe pela experiência dos juízes. Esses juízes podem até ficar licenciados de suas funções comuns durante o período eleitoral. - 01 Desembargador Federal designado pelo TRF ou 01 Juiz Federal designado pelo TRF (se não for sede de TRF). - 02 Advogados nomeados pelo Presidente República, indicados pelo TJ. O TJ faz duas listas com 03 nomes que são encaminhadas ao TRE e este encaminha ao TSE que aprova as listas e encaminha ao Presidente da República. Atenção! A escolha dos advogados segue o seguinte procedimento: 1º O TJ faz duas listas tríplices; http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 47 2º Encaminha-se a lista ao TSE, vedada a participação de magistrados aposentados e de membros do MP aposentados; 3º Publicação da lista pelo TSE; 4º O MPE (pois se trata de matéria de ordem pública) ou partidos políticos podem impugnar a lista publicada; Obs.: O TSE entende que a interpretação teleológica do Código Eleitoral conduz à legitimidade abrangente para a impugnação à lista tríplice, incluindo aí o cidadão, o Ministério Público, os parlamentares ou os integrantes do executivo. 5º Decisão do TSE 6º Encaminha-se ao Presidente da República para nomeação. Dos 07 membros do TRE, a Justiça Estadual tem o poder de escolher 06 membros e 01 só é escolhido pela Justiça Federal. Obs.: não há representante do MP. No TRE, o Presidente será um dos desembargadores e o outro será o vice-presidente. O Corregedor Regional Eleitoral depende do regimento interno de cada TRE: pode ser o vice- presidente ou ser escolhido de forma livre dentre os 06 membros ou o Juiz federal ou desembargador federal. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/AL (2019): Sobre os órgãos da Justiça Eleitoral, é correto afirmar os tribunais regionais federais elegerão seu Presidente e Vice-Presidente dentre os Juízes que os compõem. Errado! TRF não faz parte da Justiça Eleitoral, além disso a escolha é entre os desembargadores. 2.2.2. Julgamento Em regra, o julgamento será feito por maioria de votos, a maioria dos membros deve estar presente. Há três exceções, em que será necessária a presença de todos os membros, embora o julgamento continue sendo feito pela maioria de votos, são elas: a) Cassação de registro de candidatos b) Anulação geral de eleições c) Perda de diplomas CE Art. 28. Os Tribunais Regionais deliberam por maioria de votos, em sessão pública, com a presença da maioria de seus membros. § 1º No caso de impedimento e não existindo quórum, será o membro do Tribunal substituído por outro da mesma categoria, designado na forma prevista na Constituição. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 48 § 2º Perante o Tribunal Regional, e com recurso voluntário para o Tribunal Superior qualquer interessado poderá arguir a suspeição dos seus membros, do Procurador Regional, ou de funcionários da sua Secretaria, assim como dos juízes e escrivães eleitorais, nos casos previstos na lei processual civil e por motivo de parcialidade partidária, mediante o processo previsto em regimento. § 3º No caso previsto no parágrafo anterior será observado o disposto no parágrafo único do art. 20. § 4º As decisões dos Tribunais Regionais sobre quaisquer ações que importem cassação de registro, anulação geral de eleições ou perda de diplomas somente poderão ser tomadas com a presença de todos os seus membros. § 5º No caso do § 4o, se ocorrer impedimento de algum juiz, será convocado o suplente da mesma classe. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/MT (2019): Os Tribunais Regionais deliberam por maioria de votos, em sessão pública, com a presença da maioria de seus membros em quaisquer ações, inclusive nas que importem cassação de registro, anulação geral de eleições ou perda de diplomas. Errado! Exige-se todos os membros. JUIZ ELEITORAL (JE) A organização dos juízes e das juntas eleitorais está na legislação infraconstitucional. CE Art. 32. Cabe a jurisdição de cada uma das zonas eleitorais a um juiz de direito em efetivo exercício e, na falta deste, ao seu substituto legal que goze das prerrogativas do Art. 95 da Constituição. Parágrafo único. Onde houver mais de uma vara o Tribunal Regional designara aquela ou aquelas, a que incumbe o serviço eleitoral. É um Juiz de direito membro da magistratura estadual que acumula função eleitoral. É designado pelo TRE para exercer a função eleitoral, por 02 anos e que poderá ser reconduzido por mais 02 anos. Se for Juiz de comarca de vara única que também seja zona eleitoral, enquanto for Juiz da comarca de vara única também será Juiz eleitoral, cumulando sua função com a de Juiz eleitoral. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/MG (2022) Ojuiz eleitoral é nomeado entre juízes de direito (justiça estadual), em sistema de rodízio (nas zonas eleitorais onde haja mais de um juiz), por um biênio. O promotor de justiça eleitoral é nomeado entre promotores de justiça (Ministério Público estadual), em sistema de rodízio (nas zonas eleitorais onde haja mais de um promotor de justiça), por um biênio. Correto! TJ/SP (2022) Embora expressa a vedação legal no Código Eleitoral, a competência legal decorre de previsão constitucional que remete à lei complementar sua regulamentação, o que se observa na Lei Orgânica da Magistratura, devendo ser entendido que o Código Eleitoral, nesse ponto, não foi recepcionado pela Constituição Federal. Correta! http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 49 TJ/MG (2018): No primeiro grau de jurisdição a Justiça Eleitoral fica a cargo do Juiz de Direito designado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Correto! O Juiz substituto que acabou de ingressar na carreira, ainda não vitalício, pode acumular função eleitoral? O TSE entendeu que sim. Assim, o juiz de direito substituto pode exercer as funções de juiz eleitoral, mesmo antes de adquirir a vitaliciedade, por força do art. 22, §2º da LOMAN. Há um acréscimo ao subsídio, que não está vinculado ao teto constitucional, tendo natureza indenizatória. Quando houver mais de um Juiz apto a exercer função eleitoral, tendo várias zonas eleitorais naquele Município, haverá um sistema de rodízio que segue a regra da antiguidade decrescente para os magistrados poderem exercer a função eleitoral. Destaque para o art. 33 do CE, a indicação é sempre pelo biênio. Art. 33. Nas zonas eleitorais onde houver mais de uma serventia de justiça, o juiz indicará ao Tribunal Regional a que deve ter o anexo da escrivania eleitoral pelo prazo de dois anos. § 1º Não poderá servir como escrivão eleitoral, sob pena de demissão, o membro de diretório de partido político, nem o candidato a cargo eletivo, seu cônjuge e parente consanguíneo ou afim até o segundo grau. § 2º O escrivão eleitoral, em suas faltas e impedimentos, será substituído na forma prevista pela lei de organização judiciária local. Atenção para o impedimento absoluto, previsto no art. 14, §3º do CE. Art. 14. Os juízes dos Tribunais Eleitorais, salvo motivo justificado, servirão obrigatoriamente por dois anos, e nunca por mais de dois biênios consecutivos. § 3º Da homologação da respectiva convenção partidária até a diplomação e nos feitos decorrentes do processo eleitoral, não poderão servir como juízes nos Tribunais Eleitorais, ou como juiz eleitoral, o cônjuge ou o parente consanguíneo ou afim, até o segundo grau, de candidato a cargo eletivo registrado na circunscrição. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/SC (2017): O Código Eleitoral impede de servir como juízes nos Tribunais Eleitorais, ou como juiz eleitoral, o cônjuge ou o parente consanguíneo ou afim, até o segundo grau, de candidato a cargo eletivo registrado na circunscrição. Esse impedimento alcança do início da campanha eleitoral até a apuração final da eleição e os feitos decorrentes do processo eleitoral em que seja interessado o respectivo candidato. JUNTA ELEITORAL (JTE) A junta eleitoral tem uma montagem peculiar prevista na legislação. CE Art. 36. Compor-se-ão as juntas eleitorais de um juiz de direito, que será o presidente, e de 2 (dois) ou 4 (quatro) cidadãos de notória idoneidade. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 50 A junta eleitoral se compõe pelo Juiz Eleitoral + 02 a 04 cidadãos = 03 a 05 membros. É um órgão colegiado. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/AL (2019): Junta Eleitoral é órgão da Justiça Eleitoral composta pelo Juiz de Direito, que a preside, pelo representante do Ministério Público eleitoral e por dois a quatro cidadãos de notória idoneidade. Errado! MP não integra. TJ/CE (2018): órgãos de primeiro grau de jurisdição da justiça eleitoral, compostos por três ou cinco membros, sendo um deles, o presidente, um juiz de direito. Correto! A composição da junta eleitoral dá-se da seguinte forma: 1º Ocorre a indicação dos nomes 2º Dez dias antes da nomeação, publicam-se os nomes 3º O MP eleitoral e os partidos políticos possuem o prazo de três dias para impugnar 4º Sessenta dias, antes das eleições, o presidente do TRE, com a aprovação de seus membros, irá realizar a nomeação. No Brasil, a junta eleitoral tem o funcionamento apenas nas eleições (no dia das eleições e durante as apurações). CE Art. 36 § 1º Os membros das juntas eleitorais serão nomeados 60 (sessenta) dia antes da eleição, depois de aprovação do Tribunal Regional, pelo presidente deste, a quem cumpre também designar-lhes a sede. § 2º Até 10 (dez) dias antes da nomeação os nomes das pessoas indicadas para compor as juntas serão publicados no órgão oficial do Estado, podendo qualquer partido, no prazo de 3 (três) dias, em petição fundamentada, impugnar as indicações. O órgão diplomador nas eleições municipais de Prefeito, Vice-Prefeito, Vereadores e Juiz de Paz é a Junta Eleitoral (CE, art. 36). Se houver várias juntas eleitorais, a diplomação será feita pela Junta do Juiz mais antigo. Estão vedados de atuar nas juntas eleitorais: http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 51 a) Candidato ou parente até 2º grau b) Membros de partidos políticos, desde que seus nomes tenham sido publicados c) Policiais d) Ocupantes de cargo de confiança do executivo e) Servidores da justiça eleitoral f) Menores de 18 anos g) Parentes, em qualquer grau, ou servidores da mesma repartição pública ou empresa privada na mesma Mesa, Turma ou Junta Eleitoral § 3º Não podem ser nomeados membros das Juntas, escrutinadores ou auxiliares: I - os candidatos e seus parentes, ainda que por afinidade, até o segundo grau, inclusive, e bem assim o cônjuge; II - os membros de diretorias de partidos políticos devidamente registrados e cujos nomes tenham sido oficialmente publicados; III - as autoridades e agentes policiais, bem como os funcionários no desempenho de cargos de confiança do Executivo; IV - os que pertencerem ao serviço eleitoral. L9504/97 Art. 64. É vedada a participação de parentes em qualquer grau ou de servidores da mesma repartição pública ou empresa privada na mesma Mesa, Turma ou Junta Eleitoral. Em regra, o Presidente da Junta, sempre um juiz de direito, poderá nomear escrutinadores ou auxiliares. Havendo mais de 10 urnas para apurar, a nomeação passava a ser obrigatória. Trinta dias antes da eleição, as nomeações deveriam ser comunicadas ao TRE. 3. ORGANIZAÇÃO TERRITORIAL DA JUSTIÇA ELEITORAL CIRCUNSCRIÇÃO ELEITORAL Circunscrição Eleitoral: é a organização geográfico-federativa correspondente ao ente da federação ao qual se vincula um determinado processo eleitoral. Quais as circunscrições eleitorais? 1) Circunscrição Nacional ou Federal: Compreende a União. Eleição para Presidente e Vice. 2) Circunscrição Estadual: Corresponde ao Estado-Membro ou ao DF. Eleições gerais/estaduais: Governador, Vice, Senador, Deputados Federais, Estaduais e Distritais. Competência: TRE. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 52 3) Circunscrição Municipal: Corresponde ao Município. Eleições: Prefeito e Vice, Vereador e Juiz de Paz. Competência: Juiz eleitoral e junta eleitoral. ZONA ELEITORAL Em cada circunscrição Estadual, há a organização da justiça eleitoral em zonas eleitorais. É como se fossem as comarcas. Ficam sob a jurisdição imediata de um Juiz eleitoral. É a organização local da circunscrição eleitoral geográfica. As zonas eleitorais podem ter o tamanho de uma comarca, englobar várias comarcas, mas podem ser maiores ou menores. SEÇÕES ELEITORAIS Subdivisões funcionaisde uma zona eleitoral, com o objetivo de organizar a coleta de votos, a qual fica o eleitor vinculado. 4. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ELEITORAL VISÃO GERAL Em regra: O TSE possui jurisdição originária sobre o processo eleitoral nacional para Presidente e vice- Presidente da República. A eleição fica a cargo originário do TSE. O processo eleitoral estadual/regional/federal fica a cargo do TRE: Governador e Vice, Deputados Estaduais e Distritais, Deputado Federal e Senadores e Suplentes. Os juízes e as juntas são responsáveis pelo processo eleitoral municipal: Prefeito e Vice, Vereador e Juiz de Paz. Destaca-se, contudo, três exceções: a) Designação de data para eleições, nos casos em que não está prevista em lei (por exemplo, casos em que a eleição for anulada): competência do TSE, tratando-se de eleição nacional ou federal. b) Designação de data para eleições, nos casos em que não estiver prevista em lei: competência do TRE, tratando-se de eleição estadual e municipal. c) Recurso contra a expedição de diploma (RCED): segue a lógica dos recursos. Assim, tratando-se de eleições municipais, o julgamento será feito pelo TRE; tratando-se de eleições federais e estaduais, o julgamento será feito pelo TSE; no caso de eleições nacionais, não caberá recursos, tendo em vista que não há previsão constitucional. COMPETÊNCIA DO TSE E DOS TRE'S http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 53 COMPETÊNCIAS ORIGINÁRIAS TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (CE ART. 22, I) TRIBUNAIS REGIONAIS ELEITORAIS (CE ART. 29, I) a) o registro e a cassação de registro de partidos políticos, dos seus diretórios nacionais e de candidatos à Presidência e vice- presidência da República; a) o registro e o cancelamento do registro dos diretórios estaduais e municipais de partidos políticos, bem como de candidatos a Governador, Vice-Governadores, e membros do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/AL (2019): Compete ao Juiz Eleitoral processar e julgar o registro e o cancelamento de registro dos diretórios municipais de partidos políticos. Errado! Compete ao TRE. b) os conflitos de jurisdição entre Tribunais Regionais e juízes eleitorais de Estados diferentes b) os conflitos de jurisdição entre juízes eleitorais do respectivo Estado c) a suspeição ou impedimento aos seus membros, ao Procurador Geral e aos funcionários da sua Secretaria. c) a suspeição ou impedimentos aos seus membros ao Procurador Regional e aos funcionários da sua Secretaria assim como aos juízes e escrivães eleitorais d) os crimes eleitorais e os comuns que lhes forem conexos cometidos pelos seus próprios juízes e pelos juízes dos Tribunais Regionais. Não foi recepcionada pelo CF. Havendo crime eleitoral cometido por membro do TSE, a competência será do STF; cometido por membro do TRE, a competência será do TSE. d) os crimes eleitorais cometidos pelos juízes eleitorais; Em se tratando de crimes eleitorais, será competente o TRE, para processar e julgar, os juízes eleitorais, os membros do MPE, os prefeitos e os deputados estaduais. e) o habeas corpus (segue o disposto no artigo) ou mandado de segurança (segue as observações abaixo), em matéria eleitoral, relativos a atos do Presidente da República, dos Ministros de Estado e dos Tribunais Regionais; ou, ainda, o habeas corpus, quando houver perigo de se consumar a violência antes que o juiz competente possa prover sobre a impetração. Obs.: Hoje, o MS, ainda que em matéria eleitoral, impetrado contra ato do PR, será julgado pelo STF; contra ato de Ministro será e) o habeas corpus ou mandado de segurança, em matéria eleitoral, contra ato de autoridades que respondam perante os Tribunais de Justiça por crime de responsabilidade e, em grau de recurso, os denegados ou concedidos pelos juízes eleitorais; ou, ainda, o habeas corpus quando houver perigo de se consumar a violência antes que o juiz competente possa prover sobre a impetração; Cobrado no TJ/MP (2019) http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 54 competência do STJ; contra ato do TRE, será julgado pelo TSE. Acerca do MS, o TSE editou as seguintes súmulas: Súmula 22 TSE: Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial recorrível, salvo situações de teratologia ou manifestamente ilegais. Súmula 23 do TSE: Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial transitada em julgado. Súmula 34 do TSE: Não compete ao TSE processar e julgar mandado de segurança contra ato de membro do Tribunal Regional Eleitoral (a competência será do próprio TRE). f) as reclamações relativas a obrigações impostas por lei aos partidos políticos, quanto à sua contabilidade e à apuração da origem dos seus recursos. Em relação aos diretórios nacionais. f) as reclamações relativas a obrigações impostas por lei aos partidos políticos, quanto a sua contabilidade e à apuração da origem dos seus recursos; Em relação aos diretórios estaduais. Obs.: O diretório municipal presta conta aos juízes eleitorais. g) as impugnações à apuração do resultado geral, proclamação dos eleitos e expedição de diploma na eleição de Presidente e Vice- Presidente da República. g) os pedidos de desaforamento dos feitos não decididos pelos juízes eleitorais em trinta dias da sua conclusão para julgamento, formulados por partido candidato Ministério Público ou parte legitimamente interessada sem prejuízo das sanções decorrentes do excesso de prazo h) os pedidos de desaforamento dos feitos não decididos nos Tribunais Regionais dentro de trinta dias da conclusão ao relator, formulados por partido, candidato, Ministério Público ou parte legitimamente interessada. i) as reclamações contra os seus próprios juízes que, no prazo de trinta dias a contar da conclusão, não houverem julgado os feitos a eles distribuídos. Há decisão monocrática do TSE entendendo que a EC 45/04 revogou tacitamente, sendo do CNJ a competência. Contudo, ficar atento para o que a prova pede, http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 55 tendo em vista que, na maioria dos casos, cobra-se a literalidade da lei. j) a ação rescisória, nos casos de inelegibilidade, desde que intentada dentro de cento e vinte dias de decisão irrecorrível, possibilitando-se o exercício do mandato eletivo até o seu trânsito em julgado. Atenção! Só caberá quando houver o TJ perante o TSE. Assim, havendo o TJ, por exemplo, perante o TRE, não caberá ação rescisória. Atenção2: Somente nos casos em que se discutiu a inelegibilidade caberá ação rescisória. COMPETÊNCIAS RECURSAIS TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (CE ART. 22, II) TRIBUNAIS REGIONAIS ELEITORAIS (CE ART. 29, II) Julgar os recursos interpostos das decisões dos Tribunais Regionais nos termos do Art. 276* inclusive os que versarem matéria administrativa. As decisões do Tribunal Superior são irrecorríveis, salvo nos casos do Art. 281**. Obs.: Art. 121, §3º da CF: são irrecorríveis as decisões do TSE, salvo as que contrariarem a CF e as denegatórias de HC e MS. Julgar os recursos interpostos: a) dos atos e das decisões proferidas pelos juízes e juntas eleitorais. b) das decisões dos juízes eleitorais que concederem ou denegarem habeas corpus ou mandado de segurança. Parágrafo único. As decisões dos Tribunais Regionais são irrecorríveis, salvo nos casos do Art. 276*. Obs.: Art. 121, §4º da CF** * Art. 276. As decisões dos Tribunais Regionais são terminativas, salvo os casos seguintes em que cabe recurso para o Tribunal Superior: I - especial: a) quando forem proferidas contra expressa disposição de lei; b) quando ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais tribunais eleitorais. II - ordinário:a) quando versarem sobre expedição de diplomas nas eleições federais e estaduais; b) quando denegarem habeas corpus ou mandado de segurança. § 1º É de 3 (três) dias o prazo para a interposição do recurso, contado da publicação da decisão nos casos dos nº I, letras a e b e II, letra b e da sessão da diplomação no caso do nº II, letra a. § 2º Sempre que o Tribunal Regional determinar a realização de novas eleições, o prazo para a interposição dos recursos, no caso do nº II, a, contar- http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 56 se-á da sessão em que, feita a apuração das sessões renovadas, for proclamado o resultado das eleições suplementares. ** Art. 281. São irrecorríveis as decisões do Tribunal Superior, salvo as que declararem a invalidade de lei ou ato contrário à Constituição Federal e as denegatórias de "habeas corpus" ou mandado de segurança, das quais caberá recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal, interposto no prazo de 3 (três) dias. § 1º Juntada a petição nas 48 (quarenta e oito) horas seguintes, os autos serão conclusos ao presidente do Tribunal, que, no mesmo prazo, proferirá despacho fundamentado, admitindo ou não o recurso. § 2º Admitido o recurso será aberta vista dos autos ao recorrido para que, dentro de 3 (três) dias, apresente as suas razões. § 3º Findo esse prazo os autos serão remetidos ao Supremo Tribunal Federal. ***Art. 121, § 4º Das decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais somente caberá recurso quando: I - forem proferidas contra disposição expressa desta Constituição ou de lei; II - ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais tribunais eleitorais; III - versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições federais ou estaduais; IV - anularem diplomas ou decretarem a perda de mandatos eletivos federais ou estaduais; V - denegarem habeas corpus, mandado de segurança, habeas data ou mandado de injunção. COMPETÊNCIAS PRIVATIVAS (competência administrativa – não tem o mesmo significado de competência privativa = exclusiva do direito constitucional) TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (CE ART. 23) TRIBUNAIS REGIONAIS ELEITORAIS (CE ART. 30) - Elaborar o seu regimento interno - Elaborar o seu regimento interno; - Organizar a sua Secretaria e a Corregedoria Geral, propondo ao Congresso Nacional a criação ou extinção dos cargos administrativos e a fixação dos respectivos vencimentos, provendo-os na forma da lei. - Organizar a sua Secretaria e a Corregedoria Regional provendo-lhes os cargos na forma da lei, e propor ao Congresso Nacional, por intermédio do Tribunal Superior a criação ou supressão de cargos e a fixação dos respectivos vencimentos; - Conceder aos seus membros licença e férias assim como afastamento do exercício dos cargos efetivos (permitir que atue apenas no TSE). - Conceder aos seus membros e aos juízes eleitorais licença e férias, assim como afastamento do exercício dos cargos efetivos submetendo, quanto aqueles, a decisão à aprovação do Tribunal Superior Eleitoral; - Aprovar o afastamento do exercício dos cargos efetivos dos juízes dos Tribunais Regionais Eleitorais. - Propor a criação de Tribunal Regional na sede de qualquer dos Territórios - Propor ao Poder Legislativo o aumento do número dos juízes de qualquer Tribunal Eleitoral, indicando a forma desse aumento - Fixar as datas para as eleições de Presidente e Vice-Presidente da República, senadores e - Fixar a data das eleições de Governador e Vice- Governador, deputados estaduais, prefeitos, vice- http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 57 deputados federais, quando não o tiverem sido por lei (uma das exceções vista acima) prefeitos, vereadores e juízes de paz, quando não determinada por disposição constitucional ou legal Como o tema foi cobrado em prova? MP/PE (2022) Compete privativamente, aos Tribunais Regionais Eleitorais, fixar a data das eleições de governador e vice-governador, deputados estaduais, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e juízes de paz, quando não determinada por disposição constitucional ou legal. - Aprovar a divisão dos Estados em zonas eleitorais (menor espaço de atuação da JE, cuja atuação pertence aos juízes eleitorais) ou a criação de novas zonas. - Dividir a respectiva circunscrição em zonas eleitorais, submetendo essa divisão, assim como a criação de novas zonas, à aprovação do Tribunal Superior - Constituir as juntas eleitorais e designar a respectiva sede e jurisdição. Cai muito em prova. - Indicar ao tribunal Superior as zonas eleitorais ou seções em que a contagem dos votos deva ser feita pela mesa receptora - Expedir as instruções que julgar convenientes à execução deste Código. Chamada de competência regulamentar – capacidade que o TSE possui de editar instruções que irão complementar ou interpretar a lei eleitoral, permitindo assim a sua fiel execução. As instruções são reguladas por meio de resoluções. Obs.: art. 105 da Lei 9.504/97 – não se aplica o princípio da anualidade às instruções. Art. 105. Até o dia 5 de março do ano da eleição, o Tribunal Superior Eleitoral, atendendo ao caráter regulamentar e sem restringir direitos ou estabelecer sanções distintas das previstas nesta Lei, poderá expedir todas as instruções necessárias para sua fiel execução, ouvidos, previamente, em audiência pública, os delegados ou representantes dos partidos políticos. TSE: a competência regulamentar para disposições da legislação eleitoral é exclusiva do Tribunal Superior Eleitoral. - Fixar a diária do Corregedor Geral, dos Corregedores Regionais e auxiliares em diligência fora da sede - Enviar ao Presidente da República a lista tríplice organizada pelos Tribunais de Justiça nos termos do art. 25. - Responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas em tese por autoridade com - Responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas, em tese, por autoridade pública ou partido político. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 58 jurisdição, federal ou órgão nacional de partido político. Trata-se da competência consultiva do TSE, permindo que sejam feitas consultas, em tese, sobre matéria eleitoral, tendo como legitimados os partidos políticos e autoridades com jurisdição federal. As consultas possuem eficácia erga omnes, com finalidade interpretativa, ou seja, visa esclarecer determinada norma. Ressalta-se que a consulta possui mera natureza jurisprudencial, não possuindo efeito vinculante. TSE: a resposta dada a consulta em matéria eleitoral não tem natureza jurisdicional, sendo ato normativo em tese, sem efeitos concretos e sem força executiva com referência a situação jurídica de qualquer pessoa em particular. - Autorizar a contagem dos votos pelas mesas receptoras nos Estados em que essa providência for solicitada pelo Tribunal Regional respectivo. - Apurar com os resultados parciais enviados pelas juntas eleitorais (faz a apuração em cada uma das zonas), os resultados finais das eleições de Governador e Vice-Governador de membros do Congresso Nacional e expedir os respectivos diplomas, remetendo dentro do prazo de 10 (dez) dias após a diplomação, ao Tribunal Superior, cópia das atas de seus trabalhos. Compete ao TRE a apuração das eleições federais e estaduais. - Requisitar a força federal necessária ao cumprimento da lei, de suas próprias decisões ou das decisões dos Tribunais Regionais que o solicitarem, e para garantir a votação e a apuração; De acordo com o STF, tal dispositivo é constitucional. - Requisitar a força necessária ao cumprimento de suas decisões solicitar ao Tribunal Superior a requisição de força federal - Organizar e divulgar a Súmula de sua jurisprudência; - Requisitar funcionáriosda União e do Distrito Federal quando o exigir o acúmulo ocasional do serviço de sua Secretaria. - Requisitar funcionários da União e, ainda, no Distrito Federal e em cada Estado ou Território, funcionários dos respectivos quadros administrativos, no caso de acúmulo ocasional de serviço de suas Secretarias – apenas para zona eleitoral. - Publicar um boletim eleitoral - Autorizar, no Distrito Federal e nas capitais dos Estados, ao seu presidente e, no interior, aos juízes eleitorais, a requisição de funcionários federais, estaduais ou municipais para auxiliarem os escrivães eleitorais, quando o exigir o acúmulo ocasional do serviço. - Tomar quaisquer outras providências que julgar convenientes à execução da legislação eleitoral - Aprovar a designação do Ofício de Justiça que deva responder pela escrivania eleitoral durante o biênio. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 59 - Aplicar as penas disciplinares de advertência e de suspensão até 30 (trinta) dias aos juízes eleitorais. - Cumprir e fazer cumprir as decisões e instruções do Tribunal Superior; - Determinar, em caso de urgência, providências para a execução da lei na respectiva circunscrição - Organizar o fichário dos eleitores do Estado - *Suprimir os mapas parciais de apuração mandando utilizar apenas os boletins e os mapas totalizadores, desde que o menor número de candidatos às eleições proporcionais justifique a supressão, observadas as seguintes normas: a) qualquer candidato ou partido poderá requerer ao Tribunal Regional que suprima a exigência dos mapas parciais de apuração; b) da decisão do Tribunal Regional qualquer candidato ou partido poderá, no prazo de três dias, recorrer para o Tribunal Superior, que decidirá em cinco dias; c) a supressão dos mapas parciais de apuração só será admitida até seis meses antes da data da eleição; d) os boletins e mapas de apuração serão impressos pelos Tribunais Regionais, depois de aprovados pelo Tribunal Superior; e) o Tribunal Regional ouvira os partidos na elaboração dos modelos dos boletins e mapas de apuração a fim de que estes atendam às peculiaridade locais, encaminhando os modelos que aprovar, acompanhados das sugestões ou impugnações formuladas pelos partidos, à decisão do Tribunal Superior. *Antes, quando não havia o voto eletrônico, realizava-se a apuração total de uma urna, com a expedição do boletim de urna, para, só depois, ir para a urna seguinte. O boletim de urna era passado para um mapa parcial. O inciso XIX do art. 30 do CE, traz a hipótese de supressão do mapa parcial, nos casos especificados. COMPETÊNCIA DOS JUÍZES ELEITORAIS E DA JUNTA ELEITORAL COMPETÊNCIAS ORIGINÁRIAS JUIZ ELEITORAL (CE ART. 35) JUNTA ELEITORAL (CE ART. 40) I - Cumprir e fazer cumprir as decisões e determinações do Tribunal Superior e do Regional I - apurar, no prazo de 10 (dez) dias, as eleições realizadas nas zonas eleitorais sob a sua jurisdição II - Processar e julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhe forem conexos, ressalvada a competência originária do Tribunal Superior e dos Tribunais Regionais; Competência subsidiária. Cobrado no TJ/BA (2018) II - resolver as impugnações e demais incidentes verificados durante os trabalhos da contagem e da apuração. Obs.: incidentes ocorridos durante a votação são de competência do juiz eleitoral. A http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 60 STJ: A competência será da vara da infância e da juventude, ou do juiz que exerce tal função na comarca, para processar e julgar ato infracional cometido por menor inimputável, ainda que a infração seja equiparada a crime eleitoral. STJ: compete ao juiz eleitoral julgar os crimes eleitorais praticados por vereador. competência será das juntas eleitorais durante a apuração e contagem. III - decidir habeas corpus e mandado de segurança, em matéria eleitoral, desde que essa competência não esteja atribuída privativamente a instância superior. Competência subsidiária. III - expedir os boletins de apuração mencionados no Art. 178; IV - Fazer as diligências que julgar necessárias a ordem e presteza do serviço eleitoral; IV - expedir diploma aos eleitos para cargos municipais. Obs.: Tratando-se de eleições nacionais, compete ao TSE; tratando-se de eleições federais e estaduais, compete ao TRE. Parágrafo único. Nos municípios onde houver mais de uma junta eleitoral a expedição dos diplomas será feita pelo que for presidida pelo juiz eleitoral mais antigo, à qual as demais enviarão os documentos da eleição. V - Tomar conhecimento das reclamações que lhe forem feitas verbalmente ou por escrito, reduzindo-as a termo, e determinando as providências que cada caso exigir; VI - Indicar, para aprovação do Tribunal Regional, a serventia de justiça que deve ter o anexo da escrivania eleitoral; VIII - Dirigir os processos eleitorais e determinar a inscrição e a exclusão de eleitores; IX- Expedir títulos eleitorais e conceder transferência de eleitor; X - Dividir a zona em seções eleitorais (não precisa de autorização para criar as seções, mas precisa para fixar o local da seção); http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 61 XI - Mandar organizar, em ordem alfabética, relação dos eleitores de cada seção, para remessa a mesa receptora, juntamente com a pasta das folhas individuais de votação; XII - ordenar o registro e cassação do registro dos candidatos aos cargos eletivos municipais e comunicá-los ao Tribunal Regional; XIII - designar, até 60 (sessenta) dias antes das eleições os locais das seções; XIV - nomear, 60 (sessenta) dias antes da eleição, em audiência pública anunciada com pelo menos 5 (cinco) dias de antecedência, os membros das mesas receptoras; XV - Instruir os membros das mesas receptoras sobre as suas funções; XVI - providenciar para a solução das ocorrências que se verificarem nas mesas receptoras; XVII - tomar todas as providências ao seu alcance para evitar os atos viciosos das eleições; XVIII -fornecer aos que não votaram por motivo justificado e aos não alistados, por dispensados do alistamento, um certificado que os isente das sanções legais; XIX - comunicar, até às 12 horas do dia seguinte a realização da eleição, ao Tribunal Regional e aos delegados de partidos credenciados, o número de eleitores que votarem em cada uma das seções da zona sob sua jurisdição, bem como o total de votantes da zona 5. FUNÇÕES DA JUSTIÇA ELEITORAL Funções aqui são atividades próprias de Estado, sendo uma delas a jurisdição. FUNÇÃO JURISDICIONAL http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 62 A Justiça Eleitoral tem função jurisdicional, impera o princípio da demanda, em que o Juiz só pode decidir dentro dos limites em que a tutela jurisdicional é postulada. Jurisdição Voluntária: por exemplo, no processo eleitoral, havendo dúvida do partido este pode pedir a recontagem de votos. Jurisdição Contenciosa. Ações Eleitorais: cíveis e criminais. Ações Cíveis Eleitorais: Ação de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRC), Ação de Investigação Judicial (AIJ), recurso contra a diplomação (RCD), representação por captação ilícita de sufrágio (RCIS). Ações Criminais Eleitorais: existem mais de 40 tipos penais eleitorais próprios. Neste sentido, válido é destacar o seguinte quadro esquemático relativo às etapas do processo eleitoral, diante das quais se verifica o exercício da função jurisdicional pela justiça Eleitoral: FASES DO PROCESSO ELEITORAL: 1) Alistamento eleitoral 2) Convenção para escolha dos candidatos 3) Registro de candidaturas 4) Propaganda política 5) Votação e apuração de votos 6) Proclamação dos eleitose diplomação dos eleitos Questões pertinentes: 1) A JEL tem competência para a execução da multa eleitoral, em conformidade com o art. 367, IV do CE. CE Art. 367. A imposição e a cobrança de qualquer multa, salvo no caso das condenações criminais, obedecerão às seguintes normas: IV - A cobrança judicial da dívida será feita por ação executiva na forma prevista para a cobrança da dívida ativa da Fazenda Pública, correndo a ação perante os juízos eleitorais; 2) CC entre a JEL e a JCE para o processamento e julgamento de atos infracionais equiparados a delitos eleitorais praticados por menores de 18 anos: o STJ já decidiu que deve se dar prevalência à JIJ, em detrimento do juízo eleitoral. Se o menor for autor de qualquer outra ação eleitoral, que não tenha natureza de ato infracional equiparado a delito eleitoral, será da JEL a justiça competente. 3) Matéria interna corporis dos partidos políticos: STJ se manifestou no sentido de a competência ser da JCE. FUNÇÃO ADMINISTRATIVA 5.2.1. Função Administrativa “Geral” http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 63 Segundo a CF (art. 96), todo o Tribunal tem uma atividade administrativa de auto- organização, por meio de seus regimentos internos. A Justiça Eleitoral também tem essa função. CF Art. 96. Compete privativamente: I - aos tribunais: a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos, com observância das normas de processo e das garantias processuais das partes, dispondo sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos; b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos juízos que lhes forem vinculados, velando pelo exercício da atividade correicional respectiva; c) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos de juiz de carreira da respectiva jurisdição; d) propor a criação de novas varas judiciárias; e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e títulos, obedecido o disposto no art. 169, parágrafo único, os cargos necessários à administração da Justiça, exceto os de confiança assim definidos em lei; f) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros e aos juízes e servidores que lhes forem imediatamente vinculados; 5.2.2. Função Administrativa Própria A Justiça Eleitoral tem outras funções administrativas que lhe são próprias: 1) Organização do eleitorado nacional (cadastramento de eleitores), expedição de título eleitoral, transferência de domicílio eleitoral, fixação de locais de funcionamento de zonas eleitorais, adoção de medidas para fazer impedir ou cessar imediatamente propaganda eleitoral realizada irregularmente 2) Organização do processo eleitoral (organização das eleições). Em alguns países, o processo eleitoral é organizado por órgão administrativo. Não é o caso do Brasil, pois a própria justiça que julga os processos eleitorais vai organizar as eleições. Existe verba orçamentária específica para isso. 3) Registro, atualização estatutária (deve haver o registro dos estatutos na justiça eleitoral) e cancelamento dos partidos políticos. FUNÇÃO NORMATIVA 5.3.1. Função normativa “geral” do poder judiciário Hoje, o Poder Judiciário tem uma função normativa que é expedir seus regimentos. A Justiça Eleitoral também. Organizar seus serviços, funcionários e competências como todo Tribunal. 5.3.2. Função normativa específica da justiça eleitoral Como já vimos, Justiça Eleitoral tem o poder normativo de expedição de instruções e resoluções (CE, art. 1º, parágrafo único e 23, IX; Lei das Eleições, art. 105). CE Art. 1º Este Código contém normas destinadas a assegurar a organização e o exercício de direitos políticos precipuamente os de votar e ser votado. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 64 Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral EXPEDIRÁ INSTRUÇÕES para sua fiel execução. Art. 23 - Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior, IX - EXPEDIR AS INSTRUÇÕES que julgar convenientes à execução deste Código; L9504/97 Art. 105. ATÉ o dia 5 de março do ano da eleição, o Tribunal Superior Eleitoral, atendendo ao caráter regulamentar e sem restringir direitos ou estabelecer sanções distintas das previstas nesta Lei, poderá EXPEDIR TODAS AS INSTRUÇÕES NECESSÁRIAS para sua fiel execução, ouvidos, previamente, em audiência pública, os delegados ou representantes dos partidos políticos.(Redação dada pela Lei nº 12.034, de 2009) § 1º O Tribunal Superior Eleitoral publicará o código orçamentário para o recolhimento das multas eleitorais ao Fundo Partidário, mediante documento de arrecadação correspondente. § 2º Havendo substituição da UFIR por outro índice oficial, o Tribunal Superior Eleitoral procederá à alteração dos valores estabelecidos nesta Lei pelo novo índice. § 3o Serão aplicáveis ao pleito eleitoral imediatamente seguinte apenas as resoluções publicadas até a data referida no caput. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009) Servem para a interpretação da legislação eleitoral e para a regulamentação do processo eleitoral. Normas interpretativas: normas secundárias, que não podem ser objeto de ADI e ADC. Normas regulamentares: para alguns têm status de leis ordinárias, podendo suspender a eficácia destas e sofrer controle concentrado de constitucionalidade. Quem enxerga atos normativos primários: nem o Juiz, nem o TRE podem fazer controle de constitucionalidade das normas regulamentares, mas podem ser objeto de ADI, ADC ou ADPF. O que não é cabível é o controle difuso. A Lei nº 14.211/2021 inseriu o art. 23-A ao Código Eleitoral restringindo a competência normativa da Justiça Eleitoral. O novo dispositivo afirmou que: • o TSE somente pode expedir resoluções ou outros atos normativos sobre matérias que tenham sido especificamente autorizadas pela lei. Assim, não existe uma autorização genérica para a Justiça Eleitoral regulamentar todo e qualquer assunto que diga respeito à matéria eleitoral; • o TSE não pode expedir resoluções ou outros atos normativos tratando sobre organização dos partidos políticos. Art. 23-A. A competência normativa regulamentar prevista no parágrafo único do art. 1º e no inciso IX do caput do art. 23 deste Código restringe-se a matérias especificamente autorizadas em lei, sendo vedado ao Tribunal Superior Eleitoral tratar de matéria relativa à organização dos partidos políticos. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 65 Esse dispositivo irá gerar uma série de controvérsias na prática. Isso porque nem sempre será fácil identificar se a abrangência da autorização conferida pela lei. Um exemplo é o art. 105 da Lei nº 9.504/97, que diz: Art. 105. Até o dia 5 de março do ano da eleição, o Tribunal Superior Eleitoral, atendendo ao caráter regulamentar e sem restringir direitos ou estabelecer sanções distintas das previstas nesta Lei, poderá expedir todas as instruções necessárias para sua fiel execução, ouvidos, previamente, em audiência pública, os delegados ou representantes dos partidos políticos. Esse art. 105 autoriza que, de dois em dois anos, até o dia 05 de março, o TSE edite uma resolução regulamentando as eleições vindouras. A autorização para a regulamentação de uma eleição é algo bem amplo, sendo difícil definir, com precisão, todas as matérias que estão aí incluídas. A Lei nº 9.096/95 é o diploma que rege os partidos políticos no Brasil. Juntamente com o art. 17 da CF/88, esta lei representa o regime jurídico dos partidos políticos. O Título II da Lei nº 9.096/95 trata sobre a “Organização e Funcionamento dos Partidos Políticos”. O ponto interessante vem agora. Confira o que diz o art. 61 da Lei nº 9.096/95: Art. 61. O Tribunal Superior Eleitoral expedirá instruções para a fiel execução desta Lei. Com o novo art. 23-Ado Código Eleitoral, esse art. 61 da Lei nº 9.096/95 foi derrogado. Isso porque o TSE foi proibido de, no exercício de sua competência normativa, tratar sobre “matéria relativa à organização dos partidos políticos”. Logo, o TSE não poderá editar resoluções sobre os assuntos mencionados nos arts. 8º a 29 da Lei nº 9.096/95 nem sobre quaisquer outros que estejam diretamente relacionados com a organização dos partidos políticos. Há, no mínimo, três resoluções do TSE diretamente impactadas, pois tratam de temas ligados à organização dos partidos políticos: • Resolução TSE nº 23.571/2018: dispõe sobre a criação, organização, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos; • Resolução TSE nº 23.596/2019: disciplina a filiação partidária; • Resolução TSE nº 23.604/2019: trata das finanças e contabilidade dos partidos políticos, inclusive prestação de contas partidárias (anuais). Como será que vai ficar daqui para frente? Essas resoluções perderão a validade? São indagações para as quais não há, infelizmente, uma resposta segura, por enquanto. FUNÇÃO CONSULTIVA Só a Justiça Eleitoral tem essa função. Na Europa, alguns Tribunais Constitucionais têm poder consultivo. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 66 CE, art. 23, XII: o TSE pode receber consultas de autoridades com jurisdição federal e de partidos políticos (órgãos nacionais – ex.: PORTANTO, nacional). Autoridades com jurisdição federal: presidente e vice, deputado, senador, ministros etc. A consulta deve ser feita de modo genérico. Art. 23 - Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior, XII - responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas em tese por autoridade com jurisdição, federal ou órgão nacional de partido político; Ex.: menor de 16 anos, mas que completará 16 anos até a data da eleição pode se alistar? Durante os 151 dias que antecedem as eleições, não pode haver alistamento. Essa consulta foi feita pelo PDT. O TSE disse ser possível. A consulta tem que ser feita em tese. A justiça eleitoral responde a consulta por meio de acórdão. Os TRE’s também têm poder consultivo (CE, art. 30, VIII). Legitimidade: autoridade pública (federal, estadual ou municipal) ou partido político. Exemplo: Juiz, MP etc. O TRE também responde por meio de acórdão. Art. 30. Compete, ainda, privativamente, aos Tribunais Regionais: ... VIII - responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas, em tese, por autoridade pública ou partido político; O Juiz pode ter uma dúvida sobre alguma questão que tenha sido objeto de resolução. O TRE vai expedir acórdão para responder. Poderá haver recurso para o TSE. Em tese, da decisão do TSE pode haver recurso para o STF, a depender da matéria. Por fim, é importante destacar que a consulta exige o preenchimento de dois requisitos: legitimidade do consulente e ausência de conexão com situações concretas. FUNÇÃO DE CONTROLE/CORREIÇÃO/FISCALIZAÇÃO É uma função do poder de polícia. Poder de fiscalizar atos da sociedade e atos de Estado. Essa função envolve, por exemplo, a fiscalização de propaganda eleitoral. Ex.: Juiz eleitoral em ano de eleição para Presidente. Não está na jurisdição do Juiz eleitoral. O Juiz percebe um outdoor com campanha eleitoral antecipada para Presidente da República. O Juiz não tem jurisdição sobre essa eleição presidencial. Quem tem jurisdição é o TSE. Contudo, o Juiz tem poder de polícia, devendo notificar o partido para que retire a propaganda eleitoral. O Juiz vai dar conhecimento da notificação ao TRE, que, por sua vez, dá conhecimento da questão ao TSE. O TSE, se for o caso, pode instaurar processo de investigação, podendo até mesmo aplicar uma multa. A multa só pode ser aplicada pelo TSE. CE Art. 249. O direito de propaganda não importa restrição ao poder de polícia quando este deva ser exercido em benefício da ordem pública. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 67 L9504/97 Art. 41. A propaganda exercida nos termos da legislação eleitoral não poderá ser objeto de multa nem cerceada sob alegação do exercício do poder de polícia ou de violação de postura municipal, casos em que se deve proceder na forma prevista no art. 40. (Redação dada pela Lei nº 12.034, de 2009) § 1o O poder de polícia sobre a propaganda eleitoral será exercido pelos juízes eleitorais e pelos juízes designados pelos Tribunais Regionais Eleitorais. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009) § 2o O poder de polícia se restringe às providências necessárias para inibir práticas ilegais, vedada a censura prévia sobre o teor dos programas a serem exibidos na televisão, no rádio ou na internet.(Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009) Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/AL (2019): Além da função jurisdicional, o Juiz Eleitoral exerce função administrativa, já que investido de poder de polícia. São exemplos dessa função administrativa: medidas para impedir a prática de propaganda eleitoral irregular e o alistamento eleitoral. Correto. O Juiz eleitoral tem poder semelhante ao do MP, podendo adotar medidas de ofício. Não é uma função de correição interna, mas sim FISCALIZAÇÃO sobre a sociedade, sobre os candidatos, sobre os partidos. Súmula 18 TSE: conquanto investido de poder de polícia, não tem legitimidade o Juiz eleitoral para, de ofício, instaurar procedimento com a finalidade de impor multa pela veiculação de propaganda eleitoral em desacordo com a Lei 9.504/97. Assim, no exercício do poder de polícia, o juiz deverá se restringir “às providências necessárias para inibir práticas ilegais”, não tendo poder, portanto, para impor, imediatamente, multas aos infratores da lei, as quais só poderão ser aplicadas mediante a observância do devido processo legal, a partir de representação proposta por partido político, coligação ou candidato, na forma do artigo 96 da 9504/97. L9504/97 Art. 96. Salvo disposições específicas em contrário desta Lei, as reclamações ou representações relativas ao seu descumprimento podem ser feitas por qualquer partido político, coligação ou candidato, e devem dirigir- se: I - aos Juízes Eleitorais, nas eleições municipais; II - aos Tribunais Regionais Eleitorais, nas eleições federais, estaduais e distritais; III - ao Tribunal Superior Eleitoral, na eleição presidencial. § 1º As reclamações e representações devem relatar fatos, indicando provas, indícios e circunstâncias. § 2º Nas eleições municipais, quando a circunscrição abranger mais de uma Zona Eleitoral, o Tribunal Regional designará um Juiz para apreciar as reclamações ou representações. § 3º Os Tribunais Eleitorais designarão três juízes auxiliares para a apreciação das reclamações ou representações que lhes forem dirigidas. § 4º Os recursos contra as decisões dos juízes auxiliares serão julgados pelo Plenário do Tribunal. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 68 § 5º Recebida a reclamação ou representação, a Justiça Eleitoral notificará imediatamente o reclamado ou representado para, querendo, apresentar defesa em quarenta e oito horas. §6º - revogado § 7º Transcorrido o prazo previsto no § 5º, apresentada ou não a defesa, o órgão competente da Justiça Eleitoral decidirá e fará publicar a decisão em vinte e quatro horas. § 8º Quando cabível recurso contra a decisão, este deverá ser apresentado no prazo de vinte e quatro horas da publicação da decisão em cartório ou sessão, assegurado ao recorrido o oferecimento de contrarrazões, em igual prazo, a contar da sua notificação. § 9º Os Tribunais julgarão o recurso no prazo de quarenta e oito horas. § 10. Não sendo o feito julgado nos prazos fixados, o pedido pode ser dirigido ao órgão superior, devendo a decisão ocorrer de acordo com o rito definido neste artigo.§ 11. As sanções aplicadas a candidato em razão do descumprimento de disposições desta Lei não se estendem ao respectivo partido, mesmo na hipótese de esse ter se beneficiado da conduta, salvo quando comprovada a sua participação. Existem decisões dizendo que se o Juiz agiu de ofício para retirar propaganda, ele ficará impedido de julgar o processo judicial correspondente. Que tipo de CONTROLE tem o magistrado? Prestação de contas dos candidatos dos partidos políticos. Nos TRE’s quem exerce essa função é o corregedor regional eleitoral, no TSE é o corregedor nacional, na junta eleitoral, é o Juiz eleitoral. Ex.: fiscalização dos atos atentatórios contra a liberdade do voto. 6. MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL ESTRUTURA DO MP ELEITORAL De acordo com o art. 128, da CF, o Ministério Público abrange o MPU (MPF, MPT, MP, MPDFT) e o MP Estadual: Art. 128. O Ministério Público abrange: I - o Ministério Público da União, que compreende: a) o Ministério Público Federal; b) o Ministério Público do Trabalho; c) o Ministério Público Militar; d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios; II - os Ministérios Públicos dos Estados. Onde está o MP Eleitoral? Inicialmente, havia duas correntes: 1 – Implícito na CF/1988, dentro do MPU. 2 – A Lei Complementar 75/93, que regula o MPF, incluiu o MP Eleitoral como uma de suas especializações. Seria o chamado princípio da federalização. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 69 Promotor eleitoral: atua nas eleições municipais, junto à junta e ao Juiz eleitoral. Promotor Regional Eleitoral: tem atuação no processo eleitoral geral/estadual. Foro de atuação: TRE. Procurador-Geral Eleitoral: tem atuação no processo eleitoral de presidente e vice, junto ao TSE. Esquematizando, temos a seguinte distribuição de atribuições1: Procurador-Geral Eleitoral (PGE) Procurador Regional Eleitoral (PRE) Promotores Eleitorais * Essa função é desempenhada pelo Procurador-Geral da República. * O Procurador-Geral designará um Vice- Procurador-Geral Eleitoral e outros membros poderão substituí-lo em seus impedimentos e em caso de necessidade de serviço; * Incumbe ao PGE, dentre outas atribuições: acompanhar os procedimentos do Corregedor-Eleitoral, dirimir conflitos de atribuições, requisitar servidores da União e de suas autarquias, quando o exigir a necessidade do serviço. Essa função é desempenhada por um Procurador Regional da República no Estado (ou no DF). Se não houver Procurador da República no Estado, a função poderá ser realizada por um Procurador da República, desde que vitalício. Exerce um mandato de 2 anos, permitida uma recondução; Casa Estado/DF possui um Procurador Regional Eleitoral. O PRE poderá ser destituído, antes do término do mandato, por iniciativa do PGE, desde que a maioria absoluta do Conselho Superior do MPF concorde. Essa função é desempenhada por um Promotor de Justiça. Desse modo, ao exercer a função de Promotor eleitoral, o Promotor de Justiça atua por delegação do MPF (durante o exercício da função eleitoral, o Promotor de Justiça Eleitoral é como se fosse um servidor público federal, inclusive para fins penais). O Promotor eleitoral é indicado pelo Procurador-Geral de Justiça e nomeado pelo Procurador Regional Eleitoral. Atua nas causas de competência do TSE. Atua nas causas de competência do TER e dirige as atividades do MP eleitoral no Estado. Atua nas causas de competência dos Juízes e Juntas Eleitorais. Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/GO (2022): Pelos princípios da delegação e da cooperação, a prerrogativa de oficiar perante os juízos eleitorais pode ser delegada ao Ministério Público de primeira instância dos Estados e do Distrito Federal. Correta! 1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Designação de Promotor Eleitoral. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f4f6dce2f3a0f9dada0c2b5b66452017>. Acesso em: 27/10/2022 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 70 MPE/CE (2020): O procurador-geral eleitoral integra o MPF e exerce encargos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e nos tribunais regionais eleitorais em caso de matéria referente a eleição de presidente, de governador de estado ou do Distrito Federal, e de prefeito. Errado! MPE/MT (2019): Exercerá as funções de Procurador-Geral, junto ao Tribunal Superior Eleitoral, o Procurador-Geral da República, funcionando, em suas faltas e impedimentos, seu substituto legal. O Procurador-Geral poderá designar outros membros do Ministério Público da União, com exercício no Distrito Federal, e sem prejuízo das respectivas funções, para auxiliá-lo junto ao Tribunal Superior Eleitoral, onde não poderão ter assento. Correto! MPE/MT (2019): Compete aos Procuradores Regionais exercer, perante os Tribunais Regionais junto aos quais servirem, as atribuições do Procurador- Geral, o qual poderá autorizar os Procuradores Regionais a requisitar, para auxiliá-los nas suas funções, membros do Ministério Público local, que terão assento nas sessões do Tribunal enquanto perdurar a requisição. Errado! Não mais se admite ao PRE requisitar, para auxiliá-los nas suas funções, membros do Ministério Público local (Promotores Eleitorais). Ademais, quando era admitido, nos termos do § 4.º do art. 27 do CE, os promotores não podiam ter assento junto ao TRE. O Promotor Eleitoral é o Promotor de Justiça (MP dos Estados) escolhido para atuar na função de MPF, princípio da delegação. A escolha do Promotor Eleitoral é um ato complexo. A indicação será feita pelo PGJ (indica vários nomes). A designação/nomeação é feita pelo Procurador Regional Eleitoral. Lei Complementar 75/93 (art. 79) e Lei 8.625/93 (art. 10, IX, “h” e art. 72). Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/CE (2020): Promotores eleitorais integram os Ministérios Públicos estaduais e exercem encargos perante os juízes eleitorais e as juntas eleitorais em caso de matéria referente a eleições municipais. Correto! MPE/PI (2019): Compete aos promotores eleitorais, nas eleições municipais, fiscalizar o pleito e ajuizar ações contra candidatos a prefeito e vereador. Correto! Para facilitar, segue gráfico: http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 71 LC 75/93 Art. 79. O Promotor Eleitoral será o membro do Ministério Público local que oficie junto ao Juízo incumbido do serviço eleitoral de cada Zona. Lei 8625/93 Art. 10. Compete ao Procurador-Geral de Justiça: IX - designar membros do Ministério Público para: h) oficiar perante a Justiça Eleitoral de primeira instância, ou junto ao Procurador-Regional Eleitoral, quando por este solicitado; Art. 73. Para exercer as funções junto à Justiça Eleitoral, por solicitação do Procurador-Geral da República, os membros do Ministério Público do Estado serão designados, se for o caso, pelo respectivo Procurador-Geral de Justiça. § 1º Não ocorrendo designação, exclusivamente para os serviços eleitorais, na forma do caput deste artigo, o Promotor Eleitoral será o membro do Ministério Público local que oficie perante o Juízo incumbido daqueles serviços. § 2º Havendo impedimento ou recusa justificável, o Procurador-Geral de Justiça designará o substituto. ATENÇÃO!!! O art. 79 da LC 75/93, que confere ao Procurador Regional Eleitoral a incumbência de designar os membros do Ministério Público estadual que atuarão junto à Justiça Eleitoral, é constitucional tanto sob o ponto de vista formal como material. O Procurador-Geral da República detém a prerrogativa, ao lado daquela atribuída ao Chefe do Poder Executivo, de iniciar os projetos de lei que versem sobre a organização e as atribuições do Ministério PúblicoEleitoral. A designação de membro do Ministério Público local (estadual) como Promotor Eleitoral por Procurador Regional Eleitoral, que é membro do Ministério Público Federal, não afronta a autonomia administrativa do Ministério Público do Estado. STF. Plenário. ADI 3802/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/3/2016 (Info 817).2 2 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Designação de Promotor Eleitoral. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f4f6dce2f3a0f9dada0c2b5b66452017>. Acesso em: 09/11/2022 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 72 O Procurador Regional Eleitoral (PRE) é um Procurador Regional da República ou um Procurador da República. No Estado onde houver TRF, há Procuradores Regionais atuando. Nesse caso, o PRE será um Procurador Regional da República escolhido pelo Procurador Geral Eleitoral. Caso contrário, será designado Procurador da República pelo Procurador Regional Eleitoral (Lei Complementar 75/93). Art. 75. Incumbe ao Procurador-Geral Eleitoral: I - designar o Procurador Regional Eleitoral em cada Estado e no Distrito Federal; Art. 76. O Procurador Regional Eleitoral, juntamente com o seu substituto, será designado pelo Procurador-Geral Eleitoral, dentre os Procuradores Regionais da República no Estado e no Distrito Federal, ou, onde não houver, dentre os Procuradores da República vitalícios, para um mandato de dois anos. § 1º O Procurador Regional Eleitoral poderá ser reconduzido uma vez. § 2º O Procurador Regional Eleitoral poderá ser destituído, antes do término do mandato, por iniciativa do Procurador-Geral Eleitoral, anuindo a maioria absoluta do Conselho Superior do Ministério Público Federal. O Procurador Geral Eleitoral é o próprio PGR (CE, arts. 18 e 24 e art. 73 da Lei Complementar 75/93). CE Art. 18. Exercerá as funções de Procurador Geral, junto ao Tribunal Superior Eleitoral, o Procurador Geral da República, funcionando, em suas faltas e impedimentos, seu substituto legal. Parágrafo único. O Procurador Geral poderá designar outros membros do Ministério Público da União, com exercício no Distrito Federal, e sem prejuízo das respectivas funções, para auxiliá-lo junto ao Tribunal Superior Eleitoral, onde não poderão ter assento. Art. 24. Compete ao Procurador Geral, como Chefe do Ministério Público Eleitoral; I - assistir às sessões do Tribunal Superior e tomar parte nas discussões; II - exercer a ação pública e promovê-la até final, em todos os feitos de competência originária do Tribunal; III - oficiar em todos os recursos encaminhados ao Tribunal; IV - manifestar-se, por escrito ou oralmente, em todos os assuntos submetidos à deliberação do Tribunal, quando solicitada sua audiência por qualquer dos juízes, ou por iniciativa sua, se entender necessário; V - defender a jurisdição do Tribunal; VI - representar ao Tribunal sobre a fiel observância das leis eleitorais, especialmente quanto à sua aplicação uniforme em todo o País; VII - requisitar diligências, certidões e esclarecimentos necessários ao desempenho de suas atribuições; VIII - expedir instruções aos órgãos do Ministério Público junto aos Tribunais Regionais; IX - acompanhar, quando solicitado, o Corregedor Geral, pessoalmente ou por intermédio de Procurador que designe, nas diligências a serem realizadas. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 73 LC 75/93 - Art. 73. O Procurador-Geral Eleitoral é o Procurador-Geral da República. Parágrafo único. O Procurador-Geral Eleitoral designará, dentre os Subprocuradores-Gerais da República, o Vice-Procurador-Geral Eleitoral, que o substituirá em seus impedimentos e exercerá o cargo em caso de vacância, até o provimento definitivo. FUNÇÕES DO MP ELEITORAL A função do MP não é legislativa e nem jurisdicional. É função de monitoramento, de fiscalização. O MP pode celebrar um TAC, ajuizar demanda na Justiça Eleitoral etc. Atribuições: a) Monitora a regularidade do alistamento eleitoral tanto no âmbito da zona, como no TRE e TSE; b) Monitorar o processo de constituição dos partidos políticos, alteração do estatuto; c) Analisar as filiações partidárias; d) Monitorar a prestação de contas, cabendo a decisão da regularidade ou da irregularidade das contas prestadas à Justiça Eleitoral; e) Monitorar o processo eleitoral (propaganda, dia das eleições – exemplo: transporte clandestino de eleitores), etc. f) Autoria de todas as AÇÕES e REPRESENTAÇÕES CÍVEIS e ELEITORAIS, muito embora não seja o único legitimado. Exemplo: ação de impugnação de registro de candidatura - AIRC, recurso contra diplomação – RCD etc. g) O MP Eleitoral tem a autoria de todas as AÇÕES PENAIS eleitorais. São ações penais públicas incondicionadas. O que os partidos podem fazer é comunicar o fato ou ser assistente do MP. OBS.: o MP Eleitoral tem competência de fiscalizar a execução da pena. A polícia eleitoral é monitorada pelo MP Eleitoral. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/PR (2019): Na defesa do regime democrático, cumpre ao Ministério Público Eleitoral a proteção das eleições contra influência do poder econômico ou contra abuso do poder político. Correto! MPE/BA (2018): O Ministério Público tem atuação obrigatória em atos e fases do processo eleitoral. Sobre a atuação do Ministério Público no processo eleitoral, é correto afirmar que pode atuar como substituto processual e fiscal da lei, além de deter a titularidade exclusiva da ação penal eleitoral, ressalvada a ação penal privada subsidiária, e provocar a atividade policial de fiscalização e apuração de crimes eleitorais. Correto! http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 74 MPE/RR (2017): O MP eleitoral tem legitimidade para recorrer de decisão que julgue o pedido de registro de candidatura, mesmo que não tenha apresentado impugnação anterior. Correto! VEDAÇÕES E CONFLITOS DE ATRIBUIÇÕES ENTRE MEMBROS DO MP ELEITORAL Conforme disposto no art. 128, II, “e”, da CF é vedado aos membros do Ministério Público o exercício de atividade político-partidária. Portanto, os membros do Ministério Público que ingressaram após a CF/88, caso almejem concorrer a cargo público eletivo, terão que se afastar definitivamente do cargo para se filiar a algum partido político. Tratando-se de membros que ingressaram na instituição antes da CF/88, está assegurada a opção pelo regime jurídico anterior (admite a mera licença para concorrer, com o posterior retorno ao cargo exercido). Ressalta-se que não existe conflito de atribuição entre Procurador Regional Eleitoral e Promotor Eleitoral do mesmo Estado, tendo em vista que prevalecerá a decisão do Procurador Regional Eleitoral. Se forem de Estados distintos, a decisão seria do PGE. Por fim, entre promotores do mesmo Estado, o conflito deve ser decidido pelo PRE, mas se forem de Estados diferentes, a decisão caberia ao PGE. 7. POLÍCIA ELEITORAL PREVISÃO LEGAL Atividade de polícia judiciária e ostensiva. Previsão: CF/88 - art. 144, §1º Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública (ordem eleitoral) e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I - polícia federal; II - polícia rodoviária federal; III - polícia ferroviária federal; IV - polícias civis; V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. VI - polícias penais federal, estaduais e distrital. § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a: I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresaspúblicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei; II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência; III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 75 A Polícia Federal é um dos órgãos que exerce o poder de polícia, em um primeiro momento, para as questões eleitorais. IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União. Inciso IV: os crimes eleitorais são investigados originariamente pela Polícia Federal. ATIVIDADE DE POLÍCIA 7.2.1. Polícia Judiciária Eleitoral É a polícia investigativa. Instaura o Inquérito Policial quando houver indício de crime. É atribuição da Polícia Federal. Não havendo polícia federal, atuará a Polícia Civil. Trata-se de inquérito federal. 7.2.2. Polícia Ostensiva Eleitoral É a polícia que fica monitorando a ordem pública, exercendo no dia a dia, a título preventivo, o poder coercitivo. Num primeiro momento, a atuação é da Polícia Federal (agentes da polícia federal). Não havendo Polícia Federal, atuará a PM. 8. DEFENSORIA PÚBLICA ELEITORAL Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014) A Lei Complementar 80/94, em seu art. 14, atribuiu a função de defesa dos hipossuficientes na Justiça Eleitoral à DPU, em princípio. Havendo convênio, a Defensoria Pública Estadual e a Defensoria Pública do DF podem atuar. Art. 14. A Defensoria Pública da União atuará nos Estados, no Distrito Federal e nos Territórios, junto às Justiças Federal, do Trabalho, Eleitoral, Militar, Tribunais Superiores e instâncias administrativas da União. § 1o A Defensoria Pública da União deverá firmar convênios com as Defensorias Públicas dos Estados e do Distrito Federal, para que estas, em seu nome, atuem junto aos órgãos de primeiro e segundo graus de jurisdição referidos no caput, no desempenho das funções que lhe são cometidas por esta Lei Complementar. (Incluído pela Lei Complementar nº 98, de 1999). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm#art5lxxiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm#art5lxxiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc80.htm#art1 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 76 E se não tiver Defensoria Pública Estadual? Pode atuar em qualquer outro órgão que desempenhe a função da Defensoria Pública (ex.: advogado dativo), desde que exista convênio. A Defensoria Pública atua da seguinte forma: 1) TSE: Defensor Público Federal de Categoria Especial; 2) TRE: Defensor Público Federal de 1ª Categoria; 3) Juntas e Juízes: Defensor Público Federal de 2ª Categoria. 9. PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL - PFN Segundo o CE art. 367 e a Resolução TSE 21.975/04, quem executa as multas eleitorais é a PFN. Uma das principais sanções que a Justiça Eleitoral aplica é a multa. Art. 367. A imposição e a cobrança de qualquer multa, salvo no caso das condenações criminais, obedecerão às seguintes normas: I - No arbitramento será levada em conta a condição econômica do eleitor; II - Arbitrada a multa, de ofício ou a requerimento do eleitor, o pagamento será feito através de selo federal inutilizado no próprio requerimento ou no respectivo processo; III - Se o eleitor não satisfizer o pagamento no prazo de 30 (trinta) dias, será considerada dívida líquida e certa, para efeito de cobrança mediante executivo fiscal, a que for inscrita em livro próprio no Cartório Eleitoral; IV - A cobrança judicial da dívida será feita por ação executiva na forma prevista para a cobrança da dívida ativa da Fazenda Pública, correndo a ação perante os juízos eleitorais; V - Nas Capitais e nas comarcas onde houver mais de um Promotor de Justiça, a cobrança da dívida far-se-á por intermédio do que for designado pelo Procurador Regional Eleitoral; VI - Os recursos cabíveis, nos processos para cobrança da dívida decorrente de multa, serão interpostos para a instância superior da Justiça Eleitoral; VII - Em nenhum caso haverá recurso de ofício; VIII - As custas, nos Estados, Distrito Federal e Territórios serão cobradas nos termos dos respectivos Regimentos de Custas; IX - Os juízes eleitorais comunicarão aos Tribunais Regionais, trimestralmente, a importância total das multas impostas, nesse período e quanto foi arrecadado através de pagamentos feitos na forma dos números II e III; X - Idêntica comunicação será feita pelos Tribunais Regionais ao Tribunal Superior. § 1º As multas aplicadas pelos Tribunais Eleitorais serão consideradas líquidas e certas, para efeito de cobrança mediante executivo fiscal desde que inscritas em livro próprio na Secretaria do Tribunal competente. § 2º A multa pode ser aumentada até dez vezes, se o juiz, ou Tribunal considerar que, em virtude da situação econômica do infrator, é ineficaz, embora aplicada no máximo. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 77 § 3º O alistando, ou o eleitor, que comprovar devidamente o seu estado de pobreza, ficará isento do pagamento de multa. § 4º Fica autorizado o Tesouro Nacional a emitir selos, sob a designação "Selo Eleitoral", destinados ao pagamento de emolumentos, custas, despesas e multas, tanto as administrativas como as penais, devidas à Justiça Eleitoral. § 5º Os pagamentos de multas poderão ser feitos através de guias de recolhimento, se a Justiça Eleitoral não dispuser de selo eleitoral em quantidade suficiente para atender aos interessados. A execução da multa será feita pela Justiça Eleitoral competente (TSE, TRE ou Juiz Eleitoral). Súmula 374 STJ interpretando o CF/1988 - art. 109, I: Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; Súmula 374 STJ Compete à Justiça Eleitoral processar e julgar a ação para anular débito decorrente de multa eleitoral. A multa faz parte da Dívida Ativa da União. Obs.: aplica-se o procedimento da Lei 6.830/80 (cobrança da Dívida Ativa): execução de título executivo extrajudicial, muito embora se trate de título executivo judicial. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 78 PARTIDOS POLÍTICOS 1. CONCEITO São associações civis de cunho político-ideológico, compostas por pessoas naturais, cujo objetivo é conquistar, manter o poder político ou ocupar a condição de oposição. 2. NATUREZA JURÍDICA Pessoa Jurídica de Direito Privado — Associação Civil. Como o tema foi cobrado em prova? TJ/MG (2022) A partir da edição da Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/95) e da alteração do Código Civil Brasileiro pela Lei nº 10.825/2003, os partidos políticos são considerados pessoas jurídicas de direito privado; todavia, sendo relevante seu papel no Estado Democrático de Direito, os partidos políticos ocupam posição de destaque no campodo Direito Eleitoral. Correta! O partido político deve ser registrado no Cartório de Registro Civil de Pessoa Jurídica do local de sua sede (adquire personalidade jurídica); Lei 9.096/95 - Art. 8º O requerimento do registro de partido político, dirigido ao cartório competente do Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede, deve ser subscrito pelos seus fundadores, em número nunca inferior a 101 (cento e um), com domicílio eleitoral em, no mínimo, 1/3 (um terço) dos Estados, e será acompanhado de: (Redação dada pela Lei nº 13.877, de 2019): (...) § 1º O requerimento indicará o nome e a função dos dirigentes provisórios e o endereço da sede do partido no território nacional. (Redação dada pela Lei nº 13.877, de 2019) Como o tema foi cobrado em prova? MP/RJ (2022) O requerimento do registro de partido político deve ser subscrito pelos seus fundadores, em número nunca inferior a 101 (cento e um), com domicílio eleitoral em, no mínimo, 2/3 (dois terços) dos Estados. Com a aprovação do Registro do Estatuto no TSE → adquirirá capacidade político- ideológica. Art. 17 CF/88 - É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos: I - caráter nacional; II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes; http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 79 III - prestação de contas à Justiça Eleitoral; IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei. § 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna e estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e provisórios e sobre sua organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a sua celebração nas eleições proporcionais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária. § 2º - Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. § 3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os partidos políticos que alternativamente: I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% (três por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação § 4º É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar. § 5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos previstos no § 3º deste artigo é assegurado o mandato e facultada a filiação, sem perda do mandato, a outro partido que os tenha atingido, não sendo essa filiação considerada para fins de distribuição dos recursos do fundo partidário e de acesso gratuito ao tempo de rádio e de televisão. § 6º Os Deputados Federais, os Deputados Estaduais, os Deputados Distritais e os Vereadores que se desligarem do partido pelo qual tenham sido eleitos perderão o mandato, salvo nos casos de anuência do partido ou de outras hipóteses de justa causa estabelecidas em lei, não computada, em qualquer caso, a migração de partido para fins de distribuição de recursos do fundo partidário ou de outros fundos públicos e de acesso gratuito ao rádio e à televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021) § 7º Os partidos políticos devem aplicar no mínimo 5% (cinco por cento) dos recursos do fundo partidário na criação e na manutenção de programas de promoção e difusão da participação política das mulheres, de acordo com os interesses intrapartidários. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022) § 8º O montante do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e da parcela do fundo partidário destinada a campanhas eleitorais, bem como o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão a ser distribuído pelos partidos às respectivas candidatas, deverão ser de no mínimo 30% (trinta por cento), proporcional ao número de candidatas, e a distribuição deverá ser realizada conforme critérios definidos pelos respectivos órgãos de direção e pelas normas estatutárias, considerados a autonomia e o interesse partidário. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022) Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/GO (2021) Os partidos políticos que tenham registrado seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral podem, nos termos da lei, participar do processo eleitoral, receber recursos do Fundo Partidário e ter acesso gratuito ao rádio http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc111.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 80 e à televisão, além de ter assegurada a exclusividade de sua denominação, sigla e símbolos, vedada a utilização, por outros partidos, de variações que venham a induzir a erro ou confusão. Correta! 3. TEMPO MÍNIMO DE EXISTÊNCIA DO PARTIDO POLÍTICO Para que um partido político possa concorrer às eleições é necessário que tenha um tempo mínimo de existência. Antes da minirreforma eleitoral de 2017, o tempo mínimo era de um ano, foi reduzido para seis meses com a Lei 13.488/17 (art. 4º da Lei 9.504/97). Art. 4º Poderá participar das eleições o partido que, até seis meses antes do pleito, tenha registrado seu estatuto no Tribunal Superior Eleitoral, conforme o disposto em lei, e tenha, até a data da convenção, órgão de direção constituído na circunscrição, de acordo com o respectivo estatuto (Redação dada pela Lei nº 13.488, de 2017) 4. REQUISITOS PARA A CRIAÇÃO O art. 7º da Lei nº 9.096/95 prevê as regras para que o partido político possa ser criado. Um dos requisitos para a criação de um novo partido é que ele deverá obter uma quantidade mínima de eleitores assinado uma declaração de apoio à nova agremiação. Isso é chamado de "apoiamento mínimo de eleitores". É como se fosse um "abaixo-assinado" com eleitores declarando que desejam a criação do partido. Essa lista de assinaturas e títulos é posteriormente conferida pelo chefe do Cartório eleitoral, que irá lavrar um atestado na própria lista. A Lei nº 13.165/2015 altera o § 1º deste art. 7º e passa a exigir que o apoiamento de eleitores seja coletado durante um período de 2 anos. Art. 7º, § 1º Só é admitido o registro do estatuto de partido político que tenha caráter nacional, considerando-se como tal aquele que comprove, no período de dois anos, o apoiamento de eleitores não filiados a partido político, correspondente a, pelo menos, 0,5% (cinco décimos por cento) dos votos dados na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, não computados os votos em branco e os nulos, distribuídos por um terço, ou mais, dos Estados, com um mínimo de 0,1% (um décimo por cento) do eleitorado que haja votado em cada um deles. Importante destacar que as assinaturas apostas na lista de apoiamento não significam filiação. Atenção para os §§2º e 3º da Lei 9.096/95: Art. 7º(...) § 2º Só o partido que tenha registrado seu estatuto no Tribunal Superior Eleitoral pode participar doprocesso eleitoral, receber recursos do Fundo Partidário e ter acesso gratuito ao rádio e à televisão, nos termos fixados nesta Lei. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13488.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13488.htm#art1 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 81 § 3º Somente o registro do estatuto do partido no Tribunal Superior Eleitoral assegura a exclusividade da sua denominação, sigla e símbolos, vedada a utilização, por outros partidos, de variações que venham a induzir a erro ou confusão. O STF, ao julgar a ADI 5311, entendeu que as alterações promovidas pela Lei 13.107/2015 no art. 7º, são constitucionais. Afirmou que as normas legais impugnadas não afetam, reduzem ou condicionam a autonomia partidária, porque o espaço de atuação livre dos partidos políticos deve estar de acordo com as a normas jurídicas que estabelecem condições pelas quais se pode dar a criação, ou recriação por fusão ou incorporação de partido sem intervir no seu funcionamento interno. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/SC (2019): Em até um ano após adquirir personalidade jurídica, o partido político tem de comprovar o apoiamento mínimo de eleitores filiados, no total de, pelo menos, 0,5% dos votos dados na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, não computados os votos em branco e os nulos. Errado! Em até 2 anos. 5. CARACTERÍSTICAS LIBERDADE DE CRIAÇÃO O caput do art. 17 da CF consagra a liberdade para a criação, fusão, incorporação e extinção dos partidos políticos. Art. 17 CF/88 - É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos CARÁTER NACIONAL Também possui previsão constitucional (art. 17, I da CF), por isso é necessária a lista de apoio para a sua criação. O art. 7º da Lei 9.504/97 exemplifica o caráter nacional dos partidos políticos. Observe: Art. 7º As normas para a escolha e substituição dos candidatos e para a formação de coligações serão estabelecidas no estatuto do partido, observadas as disposições desta Lei. § 1º Em caso de omissão do estatuto, caberá ao órgão de direção nacional do partido estabelecer as normas a que se refere este artigo, publicando-as no Diário Oficial da União até cento e oitenta dias antes das eleições. § 2o Se a convenção partidária de nível inferior se opuser, na deliberação sobre coligações, às diretrizes legitimamente estabelecidas pelo órgão de direção nacional, nos termos do respectivo estatuto, poderá esse órgão anular a deliberação e os atos dela decorrentes. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 82 § 3o As anulações de deliberações dos atos decorrentes de convenção partidária, na condição acima estabelecida, deverão ser comunicadas à Justiça Eleitoral no prazo de 30 (trinta) dias após a data limite para o registro de candidatos. § 4o Se, da anulação, decorrer a necessidade de escolha de novos candidatos, o pedido de registro deverá ser apresentado à Justiça Eleitoral nos 10 (dez) dias seguintes à deliberação, observado o disposto no art. 13. AUTONOMIA PARTIDÁRIA Prevista no art. 17, §1º da CF, vejamos: § 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna e estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e provisórios e sobre sua organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a sua celebração nas eleições proporcionais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária. Repare que, além de proibir a realização de coligações em eleições proporcionais, o novo § 1º do art. 17 prevê expressamente que os partidos políticos gozam de autonomia para estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e provisórios. Começou a produzir efeitos a partir das eleições de 2020. É por meio do estatuto partidário que a agremiação estabelecerá suas diretrizes internas, seus objetivos e seus programas de atuação. Art. 14. Observadas as disposições constitucionais e as desta Lei, o partido é livre para fixar, em seu programa, seus objetivos políticos e para estabelecer, em seu estatuto, a sua estrutura interna, organização e funcionamento. Art. 15. O Estatuto do partido deve conter, entre outras, normas sobre: I - nome, denominação abreviada e o estabelecimento da sede no território nacional; (Redação dada pela Lei nº 13.877, de 2019) II - filiação e desligamento de seus membros; III - direitos e deveres dos filiados; IV - modo como se organiza e administra, com a definição de sua estrutura geral e identificação, composição e competências dos órgãos partidários nos níveis municipal, estadual e nacional, duração dos mandatos e processo de eleição dos seus membros; V - fidelidade e disciplina partidárias, processo para apuração das infrações e aplicação das penalidades, assegurado amplo direito de defesa; VI - condições e forma de escolha de seus candidatos a cargos e funções eletivas; VII - finanças e contabilidade, estabelecendo, inclusive, normas que os habilitem a apurar as quantias que os seus candidatos possam despender com a própria eleição, que fixem os limites das contribuições dos filiados e http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 83 definam as diversas fontes de receita do partido, além daquelas previstas nesta Lei; VIII - critérios de distribuição dos recursos do Fundo Partidário entre os órgãos de nível municipal, estadual e nacional que compõem o partido; IX - procedimento de reforma do programa e do estatuto. X - prevenção, repressão e combate à violência política contra a mulher. (Incluído pela Lei nº 14.192, de 2021) Como exemplo de autonomia partidária, cita-se o art. 3º da Lei 9.096/95 e a revogação da verticalização das coligações. Art. 3º É assegurada, ao partido político, autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento. § 1º. É assegurada aos candidatos, partidos políticos e coligações autonomia para definir o cronograma das atividades eleitorais de campanha e executá- lo em qualquer dia e horário, observados os limites estabelecidos em lei. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 13.831, de 2019) § 2º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir o prazo de duração dos mandatos dos membros dos seus órgãos partidários permanentes ou provisórios. (Incluído pela Lei nº 13.831, de 2019) § 3º O prazo de vigência dos órgãos provisórios dos partidos políticos poderá ser de até 8 (oito) anos. (Incluído pela Lei nº 13.831, de 2019) (Vide ADI Nº 6.230) Destaca-se que o STF (ADI 2530), em virtude da autonomia partidária, suspendeu a eficácia do §1º do art. 8º da Lei 9.504/97 que tratava da figura do candidato nato. Existe direito subjetivo do indivíduo que já ocupa o cargo eletivo e vai em busca da reeleição ser escolhido pelo partido como candidato?3 Por exemplo, João, filiado ao Partido “X”, já é vereador; ele deseja concorrer à reeleição; pelo fato de já ser vereador, o Partido “X” é obrigado a escolher João como sendo um dos candidatos da agremiação? NÃO. O legislador tentou impor essa obrigatoriedade no § 1º do art. 8º da Lei nº 9.504/97: Art. 8º (...) § 1º Aos detentores de mandato de Deputado Federal, Estadual ou Distrital, ou de Vereador, e aos que tenham exercido esses cargos em qualquer período da legislatura que estiver em curso, é assegurado o registro de candidatura para o mesmo cargopelo partido a que estejam filiados. Isso foi denominado pela doutrina e jurisprudência de “candidatura nata”. Assim, “candidatura nata” é o direito que o titular do mandato eletivo possui de, obrigatoriamente, ser escolhido e registrado pelo partido político como candidato à reeleição. O STF, contudo, entendeu que esse § 1º do art. 8º da Lei nº 9.504/97 é inconstitucional, não sendo possível a chamada “candidatura nata”. O instituto da “candidatura nata” é incompatível com a Constituição Federal de 1988, tanto por violar a isonomia entre os postulantes a cargos eletivos como, sobretudo, por atingir a autonomia partidária (art. 5º, “caput”, e art. 17 da CF/88). 3 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Não existe no Brasil a candidatura nata, ou seja, o direito do titular do mandato eletivo de ser, obrigatoriamente, escolhido e registrado pelo partido como candidato à reeleição. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/cc3f5463bc4d26bc38eadc8bcffbc654>. Acesso em: 05/11/2022 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14192.htm#art5 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13831.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13831.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13831.htm#art1 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5774369 https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5774369 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 84 STF. Plenário. ADI 2530/DF, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 18/8/2021 (Info 1026). Retornando ao tópico anterior, é importante lembrar que a autonomia partidária sofre restrições, tendo em vista que é vedado aos partidos receber recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou subordinar-se a eles, bem como utilizar organização paramilitar. Ainda sobre este artigo, convém anotar que recentemente, em agosto de 2022, o STF decidiu pela inconstitucionalidade do prazo de 8 anos para os órgãos provisórios. Os partidos políticos podem, no exercício de sua autonomia constitucional, estabelecer a duração dos mandatos de seus dirigentes, desde que compatível com o princípio republicano da alternância do poder concretizado por meio da realização de eleições periódicas em prazo razoável. É inconstitucional a previsão do prazo de até oito anos para a vigência dos órgãos provisórios dos partidos, para evitar distorções ao claro significado de “provisoriedade”, notadamente porque, nesse período, podem ser realizadas distintas eleições em todos os níveis federativos. É constitucional a previsão de concessão de anistia às cobranças, devoluções ou transferências ao Tesouro Nacional que tenham como causa as doações ou contribuições feitas em anos anteriores por servidores públicos que exerçam função ou cargo público de livre nomeação e exoneração, desde que filiados a partido político. STF. Plenário. ADI 6230/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 5/8/2022 (Info 1062). O poder não deve ser exercido por tempo indeterminado ou excessivo, sendo imprescindível a apuração democrática da vontade dos filiados.4 Ocorre que as comissões provisórias normalmente são compostas por pessoas não eleitas por seus pares, mas indicadas pela direção do partido e com sucessivas reconduções. Essa circunstância é capaz de minar a democracia interna, pois apta a acarretar a falta de autenticidade dos partidos políticos, culminando em sérios reflexos na legitimidade do sistema político. Nas palavras do Ministro Ricardo Lewandowski, “a autonomia partidária foi concedida aos partidos políticos com a intenção de fortalecer o regime democrático e o princípio republicano, não de enfraquecê-los. E aqui se coloca a problemática das comissões provisórias que se perpetuam. O que é provisório não é eterno; o que é temporário, não pode ser permanente; o que é efêmero, não é duradouro. As palavras têm significado, e o intérprete constitucional não pode ignorar o léxico.”. O texto constitucional é claro ao determinar que a autonomia partidária se condiciona ao respeito ao postulado da democracia. De igual forma, a Lei dos Partidos Políticos estabelece a necessidade de constituição definitiva dos órgãos partidários e, ao mencionar a duração dos mandatos dos integrantes dos órgãos partidários de todos os níveis – municipal, estadual e nacional – conduz o intérprete à conclusão de que o poder não pode ser exercido por tempo indeterminado ou excessivo, sendo imprescindível a apuração democrática da vontade dos filiados. 4 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Decisão do STF sobre a autonomia dos partidos para a duração dos mandatos de seus dirigentes e para a vigência dos órgãos provisórios dos partidos (Lei 13.831/2019). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/69ddb50142a89123ba6f870ab07e6fbb>. Acesso em: 04/11/2022. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 85 Diante da declaração de inconstitucionalidade, qual foi o prazo máximo fixado pelo STF para os órgãos provisórios dos partidos políticos? O STF não fixou prazo. Os Ministros disseram que o STF não pode, sob pena de atuar como legislador positivo, estabelecer um único prazo, aplicável indistintamente a todas as agremiações e em todos os cenários. Cabe à Justiça Eleitoral analisar, na apreciação do registro dos estatutos ou quando trazida a questão em casos concretos, a constitucionalidade e legalidade do prazo de vigência dos órgãos provisórios dos partidos políticos. Nesse contexto, especificamente quanto a essa parte na qual reconhece a inconstitucionalidade da norma, o STF fez uma modulação e disse que a decisão somente produzirá efeitos a partir de janeiro de 2023, prazo posterior ao encerramento do presente ciclo eleitoral, após o qual o TSE poderá analisar a compatibilidade dos estatutos com o que fora decidido. 6. COLIGAÇÕES Coligação partidária consiste na aliança (acordo) feita entre dois ou mais partidos para que eles trabalhem juntos em uma eleição apresentando o mesmo candidato. Ex: nas eleições presidenciais de 2014, foi feita uma coligação denominada “Coligação com a força do povo” para apresentar a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Esta coligação era formada por 9 partidos (PT, PMDB, PSD, PP, PR, PROS, PDT, PCdoB e PRB). Importante consignar que a coligação não possui personalidade jurídica própria, mas somente a personalidade judiciária, podendo inclusive figurar nos polos ativo e passivo das ações eleitorais. É possível a realização de coligações partidárias tanto para eleições majoritárias como também proporcionais?5 Antes da EC 97/2017 Depois da EC 97/2017 (ATUALMENTE) SIM. Era permitida a realização de coligações partidárias tanto para eleições majoritárias como também proporcionais. NÃO. Atualmente só se permite coligação partidária para eleições majoritárias. Essa era a redação vigente da Lei nº 9.504/97: Art. 6º É facultado aos partidos políticos, dentro da mesma circunscrição, celebrar coligações para eleição majoritária, proporcional, ou para ambas, podendo, neste último caso, formar-se mais de uma coligação para a eleição proporcional dentre os partidos que integram a coligação para o pleito majoritário. O § 1º do art. 17 da CF/88 foi alterado pela EC 97/2017 e passou a prever que é vedada a celebração de coligações nas eleições proporcionais. Com isso, o art. 6º da Lei nº 9.504/97 não foi recepcionado pela EC 97/2017. Em linguagem comum, mas atécnica, diz-se que o referido art. 6º foi “revogado” pela EC 97/2017. 5 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.211/2021: restrição à competência normativa do TSE, retirada menções às coligações proporcionais da lei eleitoral e alterações noart. 109 do Código Eleitoral. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/dc912a253d1e9ba40e2c597ed2 376640>. Acesso em: 09/11/2022 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 86 A Lei 14.211/2021 atualizou o art. 6º da Lei 9.504/1997, a fim de deixar claro que as coligações se aplicam apenas para as eleições majoritárias. Art. 6º É facultado aos partidos políticos, dentro da mesma circunscrição, celebrar coligações para eleição majoritária. Como o tema foi cobrado em concurso? MP/SP (2022) A coligação partidária pode ter abrangência regional. Correta! MPE/GO (2019): Podemos afirmar que a Emenda Constitucional número 97 alterou a Constituição Federal dando nova roupagem às Coligações Partidárias, Tornou facultativa somente para eleições majoritárias, vedada sua celebração nas eleições proporcionais. Correta! Qual foi o grande objetivo por trás dessa mudança? A intenção foi a de fortalecer os grandes partidos. Isso porque não sendo permitida a coligação em eleições proporcionais, dificilmente partidos muito pequenos irão conseguir atingir um quociente partidário que supere o quociente eleitoral. Significa dizer que, sozinhos, ou seja, sem coligações, partidos pequenos terão muita dificuldade de eleger Vereadores e Deputados. Além da dificuldade de atingir o quociente eleitoral, os partidos pequenos terão poucos segundos no horário eleitoral, diminuindo sua visibilidade. Art. 17, § 3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os partidos políticos que alternativamente: I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% (três por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; ou II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. A proibição de coligações para eleições proporcionais começou a valer para as eleições de 2020. Veja: Art. 2º A vedação à celebração de coligações nas eleições proporcionais, prevista no § 1º do art. 17 da Constituição Federal, aplicar-se-á a partir das eleições de 2020. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/AL (2019): A partir de 2020, são vedadas as coligações partidárias nas eleições proporcionais. Correto! TJ/RS (2018): Com o advento da Emenda Constitucional no 97/2017, a partir das eleições de 2020, a celebração de coligações será vedada nas eleições proporcionais, atingindo, assim, a proibição, os cargos de Vereador, Deputado Estadual, Deputado Federal e Deputado Distrital. Correto! Houve alguma mudança no regime das coligações para eleições majoritárias? NÃO. As coligações para eleições majoritárias continuam sendo permitidas sem qualquer alteração. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 87 Compare as mudanças operadas pela EC 97/2017 no texto constitucional6: Redação anterior Redação ATUAL (dada pela EC 97/2017) Art. 17. (...) § 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária. Art. 17 (...) § 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna e estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e provisórios e sobre sua organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada a sua celebração nas eleições proporcionais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária. 7. FEDERAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS7 CONCEITO Trata-se da reunião de dois ou mais partidos políticos que possuam afinidade ideológica ou programática e que, depois de constituída e registrada no TSE, atuará como se fosse uma única agremiação partidária. Essa possibilidade foi inserida pela Lei nº 14.208/2021 no art. 11-A da Lei nº 9.096/95 (Lei dos Partidos Políticos). Art. 11-A. Dois ou mais partidos políticos poderão reunir-se em federação, a qual, após sua constituição e respectivo registro perante o Tribunal Superior Eleitoral, atuará como se fosse uma única agremiação partidária. . A Lei nº 14.208/2021 entrou em vigor na data de sua publicação (29/09/2021). Obs.: ADI 70228 ajuizada pelo PTB para que seja declarada a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º e, por arrastamento, 3º da Lei n. 14.208 de 28 de setembro de 2021 que, ao permitir a formação de 6 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.211/2021: restrição à competência normativa do TSE, retirada menções às coligações proporcionais da lei eleitoral e alterações no art. 109 do Código Eleitoral. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/dc912a253d1e9ba40e2c597ed2 376640>. Acesso em: 09/11/2022 7 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei 14.208/2021: possibilidade de se instituir federações de partidos políticos. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/00ec53c4682d36f5c4359f4ae7bd7ba1>. Acesso em: 09/11/2022 8 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6293256 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 88 federação partidária, violam frontalmente o §1º, art. 17 e o art. 65, caput e §1º, da Constituição Federal de 1988. REGRAS PARA A CRIAÇÃO DE UMA FEDERAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS A criação da federação de partidos políticos obedecerá às seguintes regras: I) a federação somente poderá ser integrada por partidos com registro definitivo no TSE; II) os partidos reunidos em federação deverão permanecer a ela filiados por, no mínimo, 4 anos. O partido que descumprir essa regra, receberá as seguintes sanções: a) ficará proibido de ingressar em outra federação e de celebrar coligação nas 2 eleições seguintes; b) ficará proibido de utilizar o fundo partidário até completar o prazo mínimo remanescente para completar os 4 anos (ex: se abandonou a federação após 3 anos, ficará impedido de utilizar o fundo partidário por mais 1 ano). III) a federação poderá ser constituída até a data final do período de realização das convenções partidárias. Assim, é vedada a formação de federação de partidos após o prazo de realização das convenções partidárias. IV) a federação terá abrangência nacional e seu registro será encaminhado ao TSE. Deverão ser aplicadas à federação de partidos todas as normas que regem o funcionamento parlamentar e a fidelidade partidária (§ 1º do art. 11-A da Lei nº 9.096/95). Como o tema foi cobrado em prova? MP/TO (2022) Aplicam-se à federação partidária todas as normas que regem o funcionamento parlamentar e a fidelidade partidária. Correta! (IM) POSSIBILIDADE DE DEIXAR A FEDERAÇÃO É possível que o partido político continue existindo, mesmo quando deixar a federação, desde que, mesmo com essa saída, continue havendo pluralidade de partidos, ou seja, a federação continue com, no mínimo, 2 partidos. Confira o que diz o § 5º do art. 11-A: Art. 11-A (...) § 5º Na hipótese de desligamento de 1 (um) ou mais partidos, a federação continuará em funcionamento, até a eleição seguinte, desde que nela permaneçam 2 (dois) ou mais partidos. ETAPAS PARA A CONSTITUIÇÃO DE UMA FEDERAÇÃOhttp://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 89 1) Decisão tomada pela maioria absoluta dos votos da direção nacional do partido aprovando a formação e ingresso na federação. Essa deliberação deverá ser formalizada em uma resolução partidária; 2) Elaboração de um programa e de um estatuto para a federação. Esse estatuto é muito importante porque nele serão definidas as regras para a composição da lista da federação para as eleições proporcionais. (§ 7º do art. 11-A). 3) Formação de um órgão de direção nacional para a federação. 4) Pedido de registro da federação no TSE. DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA O PEDIDO DE REGISTRO DA FEDERAÇÃO NO TSE O pedido de registro de federação de partidos encaminhado ao TSE será acompanhado dos seguintes documentos: a) cópia da resolução tomada pela maioria absoluta dos votos dos órgãos de deliberação nacional de cada um dos partidos integrantes da federação; b) cópia do programa e do estatuto comuns da federação constituída; c) ata de eleição do órgão de direção nacional da federação. ATUAÇÃO NAS ELEIÇÕES Aplicam-se à federação de partidos todas as normas que regem as atividades dos partidos políticos no que diz respeito às eleições, inclusive no que se refere à: a) escolha e registro de candidatos para as eleições majoritárias e proporcionais; b) arrecadação e aplicação de recursos em campanhas eleitorais; c) propaganda eleitoral; d) contagem de votos; e) obtenção de cadeiras; f) prestação de contas; e g) convocação de suplentes. Desse modo, para as eleições, a federação é como se fosse um único partido político. INFIDELIDADE PARTIDÁRIA E FEDERAÇÃO A Lei nº 14.208/2021 inseriu uma norma tratando sobre infidelidade partidária no § 9º do art. 11-A da Lei nº 9.096/95. Antes de analisarmos o que diz esse dispositivo, acho importante tecer algumas considerações prévias sobre o tema para entendermos melhor a nova previsão. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 90 No Brasil, a pessoa só pode concorrer a um cargo eletivo se ela estiver filiada a um partido político. Essa exigência é uma condição de elegibilidade, prevista no art. 14, § 3º, V, da CF/88. Mesmo não havendo uma norma expressa na lei ou na CF/88 dizendo isso, o TSE e o STF, em 2007, decidiram que a infidelidade partidária era causa de perda do mandato eletivo. Em outras palavras, o TSE e o STF firmaram a tese jurisprudencial de que, se o titular do mandato eletivo, sem justa causa, sair do partido político no qual foi eleito, ele perderá o cargo que ocupa. Posteriormente, em 2015, foi editada a Lei nº 13.165/2015, que alterou a Lei nº 9.096/95, passando a tratar expressamente sobre o tema “infidelidade partidária”. Veja o artigo que foi acrescentado naquela época: Art. 22-A. Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito. Parágrafo único. Consideram-se justa causa para a desfiliação partidária somente as seguintes hipóteses: I - mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; II - grave discriminação política pessoal; e III - mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente. Veja agora o novo § 9º do art. 11-A da Lei nº 9.096/95, inserido pela Lei nº 14.208/2021: Art. 11-A (...) § 9º Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa, de partido que integra federação. COLIGAÇÃO PARTIDÁRIA X FEDERAÇÃO DE PARTIDOS Antes de tratar das diferenças, vamos expor as semelhanças: SEMELHANÇAS 1) Tanto a coligação como a federação consistem na reunião de dois ou mais partidos; 2) Funcionam, perante a Justiça Eleitoral, como se fosse um único partido; 3) Devem ser constituídas até a data final do período de realização das convenções partidárias. Exceção: excepcionalmente, a formação de coligações pode ser delegada pelos convencionais à direção partidária, de forma a permitir que a coligação possa ser constituída, em tese, até o protocolo do registro de candidatura. DIFERENÇAS COLIGAÇÃO FEDERAÇÃO Constituída para disputar e vencer uma determinada eleição majoritária (Presidente, Governador ou Prefeito). Constituída para atuar, no mínimo, durante 4 anos, como se fosse uma única agremiação partidária. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 91 Sua atuação se limita ao período eleitoral. Depois da eleição, a coligação é dissolvida. Sua atuação ocorre não apenas no período eleitoral, mas também durante o exercício do mandato. A federação dura, no mínimo, 4 anos. Não precisa ser nacional. É possível a existência de coligações de âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal. A federação, necessariamente, terá abrangência nacional. Não é possível a coligação para disputar eleições proporcionais. Não existe essa restrição no caso da federação, que pode atuar tanto nas eleições proporcionais como majoritárias. Registro perante o juízo competente para o registro de candidatura. Registro no TSE. Durante o período eleitoral, o partido somente terá legitimidade para atuar de forma isolada quando questionar a validade da própria coligação. É assegurada a identidade e a autonomia dos partidos integrantes da federação. Eventual saída de partido de coligação impactará tão somente nas candidaturas eventualmente registradas, sem qualquer penalidade ao partido. O partido que sair da federação antes do prazo mínimo ficará sujeito a sanções. A prestação de contas de campanha é feita por cada partido isoladamente (e não pela coligação). A prestação de contas das campanhas será feita de forma conjunta, pela federação. Qual é a diferença entre uma fusão e a federação de partidos políticos? Por que fazer uma federação em vez de uma fusão? FUSÃO FEDERAÇÃO Os partidos que participam da fusão deixam de existir. Após ser concluída, só existirá o novo partido resultante da fusão. Os partidos que formam a federação continuam existindo. Não são extintos. Ficam preservadas a identidade e a autonomia dos partidos que integram a federação. É feita de forma definitiva, considerando que acarreta a extinção dos partidos políticos fundidos. É uma reunião não definitiva, havendo a possibilidade de o partido político deixar a federação sem qualquer restrição, desde que tenha permanecido filiado por um prazo mínimo de 4 anos. Pode ser feita a qualquer tempo, ou seja, mesmo após a data final do período de realização das convenções partidárias. Somente pode ser constituída até a data final do período de realização das convenções partidárias. Como o tema foi cobrado em prova? (MP/SP - 2022) A federação partidária pode ter abrangência regional. Errada! http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 92 8. CONSTITUCIONALIDADE DA FEDERAÇÃO PARTIDÁRIA O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) ajuizou a ADI 7022 contra a Lei nº 14.208/2021, que alterou a Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/95) e criou as federações partidárias.9 Alegou que, sob a denominação de federação partidária, o que a Lei nº 14.208/2021 fez foi recriar a figura da “coligação partidária” proporcional, providência expressamente vedada pelo art. 17, § 1º, da CF/88, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 97/2017. Argumentou que as regras que disciplinam a federação seriam incompatíveis com os princípios constitucionais da isonomia e da igualdade de chances no processo eleitoral, bem como com o direito à informação por parte do eleitor. No dia 09/02/2022, o Plenário do STF referendou (confirmou) a medida cautelar parcialmente deferida pelo Min. Barroso. Nas palavras do Min. Roberto Barroso: (...) a vedação constitucionalimposta pela EC 97/2017 foi motivada pela compreensão de que, no sistema proporcional, as coligações eleitorais possibilitavam uma transferência ilegítima de votos entre os partidos que as compunham que, muitas vezes, apresentavam inclinações ideológicas muito distintas. Tal mecanismo dificultava a compreensão, por parte do eleitor, sobre os candidatos e ideias em favor dos quais estava efetivamente votando.” (ADI 7021/DF). A federação partidária guarda alguma similaridade com as coligações, porque permite que partidos políticos se unam, antes de determinado pleito eleitoral, e sejam tratados como um partido único, para fins de cômputo de votos e de cálculo do quociente partidário. Nessa medida, a federação também possibilita uma transferência de votos entre agremiações distintas, tal como ocorria no caso das coligações. Todavia, como vimos, a Lei nº 14.208/2021, que disciplinou a federação, previu que ela terá suas regras estabelecidas em estatuto, contará com programa comum e terá abrangência nacional, vinculando a atuação das agremiações que a compõem em todas as esferas, nacional, estadual e municipal (art. 11-A, § 3º, II e IV). Além disso, a lei previu uma série de normas para o funcionamento das federações, sendo que tais previsões tornam improvável a utilização da federação apenas para fins eleitorais. Por fim, não é demais lembrar que as penalidades aplicáveis ao desligamento antecipado de um partido podem impactá-lo gravemente, impedindo a celebração de coligações e o uso do fundo partidário, até que se complete o período mínimo remanescente desde seu ingresso na federação. 9 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. As federações partidárias, introduzidas no ordenamento pela Lei 14.208/2021, são constitucionais, no entanto, o prazo para a sua constituição deve ser o mesmo aplicável para a criação dos partidos políticos. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d98d76e2b5ba72023414d98e75403e79>. Acesso em: 05/11/2022 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d98d76e2b5ba72023414d98e75403e79 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 93 Assim, a Lei nº 14.208/2021 criou incentivos para evitar que a federação partidária proporcional atue como mera coligação de ocasião, evitando os problemas representativos já citados. VANTAGENS DAS FEDERAÇÕES As federações preservam a autonomia e a independência dos partidos (art. 11-A, § 2º), que podem optar por não as pactuar e tão-somente se unirem em coligações majoritárias (art. 17, § 1º, da CF/88). O instituto também permite que partidos menores, com identidade política e programática, se associem, de modo provisório, mas estável, para melhorar seu desempenho nas eleições. Caso a associação provisória funcione bem, é possível, ainda, que tais partidos, em momento posterior, optem por uma fusão. Com isso, aumentam-se suas chances nas eleições, evita-se a perda de representatividade das minorias que os apoiam e cria-se um mecanismo pelo qual se poderá, com o tempo, viabilizar uma fusão partidária. O propósito das federações é ser um instituto de efeitos duradouros, ainda que não permanentes, cuja formação exigirá reflexão e debates que considerem seriamente os seus efeitos. Assim, o que se pretendeu com a Lei nº 14.208/2021 não foi aprovar um retorno disfarçado das coligações proporcionais. Buscou-se, ao contrário, assegurar a possibilidade de formação de alianças persistentes entre partidos, com efeitos favoráveis sobre o sistema partidário, já que as federações serão orientadas ideologicamente por estatuto e programa comuns – o que não ocorria com as coligações anteriores. Enfim, o STF considerou que: • a federação partidária, instituto trazido pela Lei nº 14.208/2021, não é uma tentativa de se recriar as coligações partidárias nas eleições proporcionais, que foram proibidas pela EC 97/2017, que deu nova redação ao art. 17, § 1º, da CF/88; • a Lei nº 14.208/2021 criou mecanismos para se impedir que as federações partidárias provocassem um desvirtuamento do sistema representativo; • logo, a figura da federação partidária é compatível com a Constituição Federal. Contudo, o STF detectou um vício de inconstitucionalidade no prazo limite para a formação das federações partidárias, o que irei explicar nos tópicos seguintes. Qual é a data final para a constituição de uma federação? Segundo a Lei, a federação poderia ser criada até o último dia do prazo para a realização das convenções partidárias. Explicando melhor: O art. 8º da Lei nº 9.504/97 prevê que os partidos políticos deverão realizar no período de 20 de julho a 5 de agosto do ano da eleição um evento chamado “convenção partidária” que tem duas finalidades principais: a) escolher os candidatos do partido; http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 94 b) decidir se aquele partido fará, ou não, coligações para a eleição majoritária com outras agremiações. A Lei nº 14.208/2021 acrescentou, na Lei nº 9.096/95 e na Lei nº 9.504/97, a regra de que a federação deveria ser constituída até a data final do período de realização das convenções partidárias, ou seja, até 5 de agosto do ano da eleição: O STF entendeu que esse prazo viola o princípio da isonomia. Pela lei, as federações teriam um prazo maior para se constituírem que os partidos políticos; isso viola o princípio da isonomia Os partidos políticos devem estar registrados, junto ao TSE, até 6 (seis) meses antes do pleito, ou seja, até o início de abril do ano eleitoral, a fim de participarem das eleições. As convenções partidárias, por sua vez, podem ocorrer até 5 de agosto do ano em que se realizar o pleito. A possibilidade de a federação ser constituída meses depois, no momento da convenção, faz com que, na visão do STF, o instituto da federação fique em uma “posição privilegiada” em relação aos partidos, alterando a dinâmica da eleição e as estratégias de campanha. Além disso, a própria lei prevê que as federações sujeitas ao mesmo tratamento dos partidos políticos, inclusive no que diz respeito às regras que regem as eleições. A previsão legal que permite que as federações partidárias possuam prazo superior ao dos partidos políticos para se constituírem viola o princípio da isonomia. Assim, deve-se exigir que as federações obtenham o registro de seu estatuto junto ao TSE com a mesma antecedência exigida dos partidos. Logo, o STF: 1) suspendeu o inciso III do § 3º do art. 11-A da Lei nº 9.096/95 e o parágrafo único do art. 6º-A da Lei nº 9.504/97, com a redação dada pela Lei nº 14.208/2021; 2) conferiu interpretação conforme à Constituição ao caput do art. 11-A da Lei nº 9.096/95, de modo a exigir que, para participar das eleições, as federações estejam constituídas como pessoa jurídica e obtenham o registro de seu estatuto perante o Tribunal Superior Eleitoral no mesmo prazo aplicável aos partidos políticos. Regra excepcional para 2022: Como essa decisão do STF foi proferida em 09/02/2022, o STF entendeu que ficaria um prazo muito exíguo as federações serem constituídas já que houve uma grande redução. • ANTES DA DECISÃO: as federações poderiam ser constituídas até 05 de agosto de 2022. • DEPOIS DA DECISÃO: as federações teriam que ser constituídas até 02 de abril de 2022. Houve, portanto, uma redução de 4 meses. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 95 Diante disso, o STF resolveu modular os efeitos da decisão e disse que, excepcionalmente, as federações constituídas para as eleições de 2022, deverão preencher tais condições até 31 de maio de 2022. Mediante ponderação entre os princípios da isonomia (entre partidos políticos e federações), da segurança jurídica e da maior efetividade da norma que criou o instituto das federações partidárias,entende-se que o prazo fixado é um meio-termo. Ele confere maior prazo para negociações, mas, ao mesmo tempo, evita uma extensão excessiva, o que tornaria o instituto das federações perigosamente aproximado das coligações e poderia trazer-lhe uma lógica “de ocasião”, que é o que se quer evitar. Além disso, esse prazo minimiza eventuais efeitos competitivos adversos que uma constituição tardia das federações poderia produzir na competição com partidos políticos. A federação partidária, instituto trazido pela Lei nº 14.208/2021, não é uma tentativa de se recriar as coligações partidárias nas eleições proporcionais, que foram proibidas pela EC 97/2017, que deu nova redação ao art. 17, § 1º, da CF/88. A Lei nº 14.208/2021 criou mecanismos para se impedir que as federações partidárias provocassem um desvirtuamento do sistema representativo. Logo, a figura da federação partidária é compatível com a Constituição Federal. Vale ressaltar, contudo, que a previsão legal que permite que as federações partidárias possuam prazo superior ao dos partidos políticos para se constituírem viola o princípio da isonomia. A fim de participarem das eleições, as federações partidárias devem estar constituídas como pessoa jurídica e obter o registro de seu estatuto perante o TSE no mesmo prazo aplicável aos partidos políticos. Excepcionalmente, nas eleições de 2022, o prazo para constituição de federações partidárias fica estendido até 31 de maio do mesmo ano. STF. Plenário. ADI 7021/DF MC-Ref, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 9/2/2022 (Info 1043). 9. RESPONSABILIDADE PARTIDÁRIA Os partidos políticos possuem responsabilidade civil por seus atos, responderão por danos morais, materiais e à imagem (art. 927 do CC). Além disso, o art. 15-A da Lei 9.096/95 prevê a responsabilidade partidária, inclusive civil e trabalhista, limitando-se ao órgão partidário da circunscrição que tiver dado causa ao dano ou não cumprimento da obrigação. Art. 15-A. A responsabilidade, inclusive civil e trabalhista, cabe exclusivamente ao órgão partidário municipal, estadual ou nacional que tiver dado causa ao não cumprimento da obrigação, à violação de direito, a dano a outrem ou a qualquer ato ilícito, excluída a solidariedade de outros órgãos de direção partidária. Parágrafo único. O órgão nacional do partido político, quando responsável, somente poderá ser demandado judicialmente na circunscrição especial judiciária da sua sede, inclusive nas ações de natureza cível ou trabalhista. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 96 Tal dispositivo teve sua constitucionalidade confirmada pelo STF, esclarecendo que NÃO HÁ responsabilidade solidária entre os diretórios partidários: Não há responsabilidade solidária entre os diretórios partidários municipais, estaduais e nacionais pelo inadimplemento de suas respectivas obrigações ou por dano causado, violação de direito ou qualquer ato ilícito. STF. Plenário. ADC 31/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/9/2021 (Info 1031).10 10. FINANCIAMENTO PARTIDÁRIO Observe a redação do art. 31 da Lei de Partidos Políticos (9.096/95): Art. 31. É vedado ao partido receber, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou pretexto, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive através de publicidade de qualquer espécie, procedente de: I - entidade ou governo estrangeiros; II - entes públicos e pessoas jurídicas de qualquer natureza, ressalvadas as dotações referidas no art. 38 desta Lei e as proveniente do Fundo Especial de Financiamento de Campanha; III - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.488, de 2017) IV - entidade de classe ou sindical. V - pessoas físicas que exerçam função ou cargo público de livre nomeação e exoneração, ou cargo ou emprego público temporário, ressalvados os filiados a partido político. FUNDO PARTIDÁRIO11 Trata-se de um Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos que tenham seu estatuto registrado no Tribunal Superior Eleitoral e prestação de contas regular perante a Justiça Eleitoral. O “Fundo Partidário” é constituído por dotações orçamentárias da União, multas, penalidades, doações e outros recursos financeiros previstos no art. 38 da Lei n.º 9.096/95. Art. 38. O Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos (Fundo Partidário) é constituído por: I - multas e penalidades pecuniárias aplicadas nos termos do Código Eleitoral e leis conexas; II - recursos financeiros que lhe forem destinados por lei, em caráter permanente ou eventual; 10 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É constitucional o caput do art. 15-A da Lei 9.096/95, que prevê a ausência de responsabilidade solidária entre os diretórios partidários. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6e17a5fd135fcaf4b49f2860c2474c7c>. Acesso em: 09/11/2022 11 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f73b76ce8949fe29bf2a537cfa420e8f?categoria=3&palavra- chave=adi+5105&criterio-pesquisa=e http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 97 III - doações de pessoa física ou jurídica, efetuadas por intermédio de depósitos bancários diretamente na conta do Fundo Partidário; IV - dotações orçamentárias da União em valor nunca inferior, cada ano, ao número de eleitores inscritos em 31 de dezembro do ano anterior ao da proposta orçamentária, multiplicados por trinta e cinco centavos de real, em valores de agosto de 1995. Os valores contidos no Fundo Partidário (administrado pelo TSE) são repassados aos partidos políticos por meio de um cálculo previsto no art. 41-A, da Lei n.º 9.096/95. O dinheiro do Fundo Partidário é dividido da seguinte forma: a) 5% são divididos, em partes iguais, entre todos os partidos que atendam aos requisitos constitucionais de acesso aos recursos do Fundo Partidário. Desse modo, pega-se 5% do Fundo e divide-se igualitariamente entre todos os partidos; b) os 95% restantes são distribuídos aos partidos na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. Assim, os partidos que obtiverem mais votos, irão, proporcionalmente, receber mais. A Lei nº 12.875/2013 determinou que, para os fins desta distribuição acima, devem ser desconsideradas as mudanças de filiação partidária. Dessa feita, o Deputado Federal que mudar de partido (ainda que para um partido novo) durante o mandato não poderá “levar” para o outro os votos que obteve na última eleição, de modo que a mudança não fará com que o partido de destino receba mais verbas do fundo partidário. O STF entendeu que as mudanças efetuadas foram inconstitucionais. Em nosso sistema proporcional, não há como afirmar, simplesmente, que a representatividade política do parlamentar está atrelada à legenda partidária para a qual foi eleito, ficando em segundo plano a legitimidade da escolha pessoal formulada pelo eleitor por meio do sufrágio. O voto do eleitor brasileiro, mesmo nas eleições proporcionais, em geral, se dá em favor de determinado candidato. O princípio da liberdade de criação e transformação de partidos, contido no caput do art. 17 da CF/88 serve de fundamento constitucional para reputar como legítimo o entendimento de que, na hipótese de criação de um novo partido, a novel legenda, para fins de acesso proporcional ao rádio e à televisão, leva consigo a representatividade dos deputados federais que para ela migraram diretamente dos partidos pelos quais foram eleitos. 10.1.1. APLICAÇÃO MÍNIMA DE RECURSOS E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DAS MULHERES Objetivando ampliar a participação feminina nos pleitos eleitorais, foi promulgada a emenda à constitucional de n. 111/2021.12 Art. 2º Para fins de distribuição entre os partidos políticos dos recursos dofundo partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), os votos dados a candidatas mulheres ou a candidatos negros para 12 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. EC 111/2021: Reforma Eleitoral. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/4f6ffe13a5d75b2d6a3923922b3922e5>. Acesso em: 08/11/2022. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 98 a Câmara dos Deputados nas eleições realizadas de 2022 a 2030 serão contados em dobro. Parágrafo único. A contagem em dobro de votos a que se refere o caput somente se aplica uma única vez O que a EC 111 alterou? São diversas as iniciativas tendentes a aumentar a participação de mulheres e da população negra na política. No caso das mulheres, por exemplo, a lei já obriga os partidos políticos a investirem recursos públicos em programas de incentivo à participação feminina, bem como destinar, no mínimo, 30% das vagas para candidaturas de cada sexo. No entanto, essas ações não vêm apresentando resultados satisfatórios, pois, na prática, o que se observa é que os partidos registram candidaturas femininas politicamente inviáveis, apenas para cumprir a obrigação legal. Visando reverter essa situação, a EC 111 objetivou criar um incentivo financeiro para promover as candidaturas femininas. Como já mencionado anteriormente, a maior parte dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha é distribuída segundo a quantidade de votos obtidos pelo partido político para a Câmara dos Deputados nas últimas eleições. O que a Emenda Constitucional fez foi criar uma ação afirmativa temporária para os pleitos 2022 e 2030, de forma a considerar em dobro os votos dados a candidatas mulheres ou candidatos negros. Como o tema foi cobrado em prova? MP/TO (2022) Conforme a Emenda Constitucional nº 111/2021, para fins de distribuição entre os partidos políticos dos recursos do fundo partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), nas eleições realizadas de 2022 a 2030, serão computados em dobro os votos dados a candidatas mulheres para a Câmara dos Deputados. Correta! Ainda buscando fomentar a participação das mulheres no cenário eleitoral brasileiro, recentemente, com a aprovação da emenda constitucional n. 117/2022, foram inseridos dois novos parágrafos no art. 17, da Constituição Federal, incorporando a regra prevista no art. 44, inciso V, da Lei 9.096/95. § 7º Os partidos políticos devem aplicar no mínimo 5% (cinco por cento) dos recursos do fundo partidário na criação e na manutenção de programas de promoção e difusão da participação política das mulheres, de acordo com os interesses intrapartidários. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022) O inciso V, do art. 44 da Lei dos Partidos Políticos continua plenamente em vigor. Embora com uma redação mais sucinta, a Emenda atribuiu status constitucional à previsão legal já existente, reforçando, assim, a obrigatoriedade da destinação de 5% dos recursos do Fundo Partidário para programas de promoção e difusão da participação política das mulheres. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 99 Como consequência, a destinação obrigatória deste montante do Fundo Partidário para incentivo à participação feminina não pode mais ser suprimida pelo legislador infraconstitucional.13 Quanto ao uso proporcional dos recursos a serem distribuídos, previu, ainda a EC 117/2022: § 8º O montante do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e da parcela do fundo partidário destinada a campanhas eleitorais, bem como o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão a ser distribuído pelos partidos às respectivas candidatas, deverão ser de no mínimo 30% (trinta por cento), proporcional ao número de candidatas, e a distribuição deverá ser realizada conforme critérios definidos pelos respectivos órgãos de direção e pelas normas estatutárias, considerados a autonomia e o interesse partidário. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 117, de 2022); Observe que o dispositivo faz menção a tempo de propaganda “a ser distribuído pelos partidos às respectivas candidatas”, o que nos leva à conclusão de que se trata de propaganda eleitoral, tendo em vista que a propaganda partidária, além de ocorrer fora do período eleitoral, não permite a divulgação de candidatos. Quanto à propaganda partidária, contudo, permanece a obrigação do partido quanto à difusão da participação política das mulheres, juntamente com jovens e negros, conforme se destaca na Lei dos Partidos Políticos: Art. 50-B. O partido político com estatuto registrado no Tribunal Superior Eleitoral poderá divulgar propaganda partidária gratuita mediante transmissão no rádio e na televisão, por meio exclusivo de inserções, para: (...) V - promover e difundir a participação política das mulheres, dos jovens e dos negros. Neste mesmo sentido, o TSE, na Resolução n. 23.679/2022, que regulamenta a propaganda partidária, previu destinação mínima de tempo de propaganda para essa finalidade, em percentual idêntico ao mencionado pela Emenda Constitucional: Resolução TSE 23.679/2022 Art. 3º (...) § 1º Do tempo total a que, nos termos do art. 2º desta Resolução, o partido político fizer jus, no mínimo 30% (trinta por cento) deverão ser destinados à promoção e à difusão da participação política das mulheres. 13 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Comentários à emenda constitucional 117/2022. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/7eacb532570ff6858afd2723755ff790>. Acesso em: 26/10/2022. https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/7eacb532570ff6858afd2723755ff790 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 100 Assim, embora não seja contemplada pela Emenda Constitucional, subsiste a obrigação do partido de destinar 30% do tempo de propaganda partidária para promoção e difusão da participação política das mulheres, com fundamento nos dispositivos legais supracitados14. 10.1.2. CONSEQUÊNCIAS DA INOBSERVÂNCIA DA COTA DE GÊNERO Essa obrigação, por estar ligada ao financiamento de campanhas, é fiscalizada pela Justiça Eleitoral na prestação de contas eleitorais. O descumprimento dessa obrigação poderia gerar para o partido: • a desaprovação das contas eleitorais; • a perda do direito ao recebimento de cotas do Fundo Partidário do ano seguinte (art. 25 da Lei nº 9.504/97); e • a restituição dos recursos ao Tesouro Nacional. O art. 3º da EC 117/2022 prevê que os partidos que eventualmente descumpram esta regra nas eleições ocorridas até a promulgação da Emenda Constitucional (05/04/2022) não mais poderão ser punidos pela Justiça Eleitoral em razão dessa irregularidade: Art. 3º Não serão aplicadas sanções de qualquer natureza, inclusive de devolução de valores, multa ou suspensão do fundo partidário, aos partidos que não preencheram a cota mínima de recursos ou que não destinaram os valores mínimos em razão de sexo e raça em eleições ocorridas antes da promulgação desta Emenda Constitucional. Assim, atualmente, de forma objetiva, é possível afirmar que a EC 117/2022 anistiou os partidos que descumpriram o dever de destinar percentual mínimo de recursos para candidaturas femininas. Vale registrar, ainda, que esse novo dispositivo constitucional guarda semelhança com os arts. 55-A a 55-C, da nº Lei 9.096/95, inseridos pela Lei nº 13.831/2019 e que também isentaram de sanções os partidos que descumpriram a aplicação percentual mínimo de recursos do fundo partidário para cota de gênero nos exercícios anteriores à 2019. Por fim, embora careça de previsão específica, tem prevalecido que o mesmo raciocínio e as mesmasconsequências se aplicam quando houver inobservância da cota étnico-racial. Isto porque, o TSE, por maioria, respondeu a uma consulta15, esclarecendo naquela oportunidade que: 1) Não é adequado o estabelecimento, pelo TSE, de política de reserva de candidaturas para pessoas negras no patamar de 30%; 14 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Comentários à emenda constitucional 117/2022. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/7eacb532570ff6858afd2723755ff790>. Acesso em: 26/10/2022. 15 Consulta nº 0600306-47.2019.6.04.0000/TSE https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/7eacb532570ff6858afd2723755ff790 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 101 2) Os recursos públicos do Fundo Partidário e do FEFC e o tempo de rádio e TV destinados às candidaturas de mulheres, pela aplicação das decisões judiciais do STF na ADI nº 5617/DF e do TSE na Consulta nº 0600252-18/DF, devem ser repartidos entre mulheres negras e brancas na exata proporção das candidaturas apresentadas pelas agremiações; 3) Os recursos públicos do Fundo Partidário e do FEFC e o tempo de rádio e TV devem ser destinados ao custeio das candidaturas de homens negros na exata proporção das candidaturas apresentadas pelas agremiações. Desse modo, o que o TSE fez foi determinar que, dentro de cada gênero (candidaturas masculinas e femininas), os recursos e tempo de TV fossem distribuídos proporcionalmente entre os candidatos(as) negros e brancos. O TSE, por maioria, também definiu que esse entendimento seria aplicado somente a partir das Eleições 2022, tendo em vista que prevaleceu, à época, entendimento de que a implementação dessas regras já no Pleito 2020 poderia importar em violação ao princípio da anuidade eleitoral, uma vez que o julgamento havia sido concluído em 25 de agosto de 2020. Não concordando com a postergação dos efeitos dessa decisão para 2022, O Partido Socialismo e Liberdade – PSOL ingressou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 738/DF), por meio do qual postulou pela aplicação dessas regras já para o Pleito 2020. A ADPF foi distribuída para o Ministro Ricardo Lewandowski, que concedeu liminar posteriormente ratificada pelo Plenário. Nesse julgamento da ADPF em questão, a Corte reafirmou entendimento de que a ofensa ao princípio da anuidade eleitoral somente ocorre em quatro situações, a saber: (1) Rompimento da igualdade de participação dos partidos políticos ou candidatos no processo eleitoral; (2) deformação que afete a normalidade das eleições; (3) introdução de elemento perturbador do pleito; ou; (4) mudança motivada por propósito casuístico. Naquele caso concreto, o Supremo Tribunal Federal decidiu que as regras implementadas pelo TSE a respeito da destinação de recursos e tempo de propaganda para negros não importam em qualquer alteração “nas normas relativas ao processo eleitoral, concebido em sua acepção estrita, porquanto não modificou a disciplina das convenções partidárias, nem os coeficientes eleitorais e nem tampouco a extensão do sufrágio universal”. Ainda segundo o STF, o TSE apenas “introduziu um aperfeiçoamento nas regras relativas à propaganda, ao financiamento das campanhas e à prestação de contas, todas de caráter eminentemente procedimental, com o elevado propósito de ampliar a participação de cidadãos negros no embate democrático pela conquista de cargos políticos”. 16 16 https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/7eacb532570ff6858afd2723755ff790 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 102 Resumindo, em decorrência dessa decisão, os partidos foram obrigados a observar a proporcionalidade na distribuição de recursos e tempo de TV entre candidatos negros e brancos já no Pleito 2020. 11. PRESTAÇÃO DE CONTAS Toda a movimentação financeira das agremiações partidárias deve ser submetida à fiscalização da Justiça Eleitoral. Art. 32 da. O partido está obrigado a enviar, anualmente, à Justiça Eleitoral, o balanço contábil do exercício findo, até o dia 30 de junho do ano seguinte. (Redação dada pela Lei nº 13.877, de 2019) § 1º O balanço contábil do órgão nacional será enviado ao Tribunal Superior Eleitoral, o dos órgãos estaduais aos Tribunais Regionais Eleitorais e o dos órgãos municipais aos Juízes Eleitorais. (...) § 5º A desaprovação da prestação de contas do partido não ensejará sanção alguma que o impeça de participar do pleito eleitoral. 12. DESAPROVAÇÃO DAS CONTAS Caso as contas do partido sejam desaprovadas será aplicada uma sanção que consiste na devolução do valor considerado irregular, acrescido de multa de até 20%. Antes da Lei 13.165/2015, acarretava, como punição, a suspensão de novas cotas do Fundo Partidário e sujeitava os responsáveis às penas da lei. Obs.: a falta de prestação de contas continua implicando a suspensão de novas cotas do Fundo Partidário enquanto perdurar a inadimplência e sujeitará os responsáveis às penas da lei (art. 37-A da Lei nº 9.096/95). Art. 37-A. A falta de prestação de contas implicará a suspensão de novas cotas do Fundo Partidário enquanto perdurar a inadimplência e sujeitará os responsáveis às penas da lei. Resumindo: http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 103 • Falta de prestação de contas do partido: acarreta a suspensão de novas cotas do Fundo Partidário enquanto perdurar a inadimplência e sujeitará os responsáveis às penas da lei. • Desaprovação das contas do partido: acarreta exclusivamente a devolução da importância apontada como irregular, acrescida de multa de até 20%. Salienta-se que a desaprovação das contas por movimentação de recursos de origem não identificada ou esclarecida ou de fontes vedadas do art. 31 acarreta as sanções do art. 36 da LPP. Art. 36. Constatada a violação de normas legais ou estatutárias, ficará o partido sujeito às seguintes sanções: I - no caso de recursos de origem não mencionada ou esclarecida, fica suspenso o recebimento das quotas do fundo partidário até que o esclarecimento seja aceito pela Justiça Eleitoral; II - no caso de recebimento de recursos mencionados no art. 31, fica suspensa a participação no fundo partidário por um ano; III – prejudicado em razão da revogação do art. 39, §4º da LPP. Recurso Especial Eleitoral nº 0600012-94, Florianópolis/SC, redator para o acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 10.9.2020. Desaprovação de contas e possibilidade de cumulação das sanções dos arts. 36, II, e 37, da Lei nº 9.096/1995. A desaprovação de contas partidárias pode ensejar, além da sanção de devolução da importância tida por irregular – acrescida de multa de até 20% (art. 36, II) –, a sanção de suspensão do recebimento de cotas do Fundo Partidário. O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por maioria, negou provimento ao recurso especial eleitoral e manteve a decisão do TRE, nos termos do voto do Ministro Alexandre de Moraes – designado redator para o acórdão –, o qual afirmou que, apesar da utilização do termo “exclusivamente”, a norma do art. 37 é de caráter geral. Assim, a qualquer tipo de desaprovação de contas, em regra, aplica-se a sanção de devolução da importância apontada como irregular, acrescida de multa de até 20%. Na linha do acórdão do TRE, o Ministro asseverou que o art. 36 é uma norma específica que acresce a essa sanção geral a possibilidade de suspensão do recebimento de recursos das cotas do Fundo Partidário no caso de comprovada arrecadação de recursos ilícitos. Segundo o Ministro, a desaprovação continua possibilitando as duas sanções, uma vez que não se trata de lei editada posteriormente e desvinculada do texto original, em que se aplicaria o brocardo “lei posterior revoga a leianterior”, havendo, na verdade, uma minirreforma política. 13. VEDAÇÕES AO RECEBIMENTO DE AUXÍLIO FINANCEIRO O art. 31 da Lei nº 9.096/95 prevê que os partidos políticos não podem receber ajuda financeira de determinadas pessoas (físicas ou jurídicas). Ex: não podem receber auxílio pecuniário de governos estrangeiros. A Lei nº 13.488/2017 promoveu três mudanças na lista do art. 31. Veja o que mudou: http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 104 LEI 9.096/95 (LEI DOS PARTIDOS POLÍTICOS) Redação anterior Redação ATUAL Art. 31. É vedado ao partido receber, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou pretexto, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive através de publicidade de qualquer espécie, procedente de: (...) II - autoridade ou órgãos públicos, ressalvadas as dotações referidas no art. 38; III - autarquias, empresas públicas ou concessionárias de serviços públicos, sociedades de economia mista e fundações instituídas em virtude de lei e para cujos recursos concorram órgãos ou entidades governamentais; IV - entidade de classe ou sindical. Não havia inciso V. Art. 31. É vedado ao partido receber, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou pretexto, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive através de publicidade de qualquer espécie, procedente de: (...) II - entes públicos e pessoas jurídicas de qualquer natureza, ressalvadas as dotações referidas no art. 38 desta Lei e as proveniente do Fundo Especial de Financiamento de Campanha; Esse inciso III foi revogado. IV - entidade de classe ou sindical. V - pessoas físicas que exerçam função ou cargo público de livre nomeação e exoneração, ou cargo ou emprego público temporário, ressalvados os filiados ao partido político. 14. INFIDELIDADE PARTIDÁRIA No Brasil, a pessoa só pode concorrer a um cargo eletivo se ela estiver filiada a um partido político. Essa exigência está prevista no art. 14, § 3º, V, da CF/88. Mesmo não havendo uma norma expressa na lei ou na CF/88 dizendo isso, o TSE e o STF, em 2007, decidiram que a infidelidade partidária era causa de perda do mandato eletivo. Em outras palavras, o TSE e o STF firmaram a tese de que, se o titular do mandato eletivo, sem justa causa, sair do partido político no qual foi eleito, ele perderá o cargo que ocupa. Como não havia lei disciplinando o tema, o TSE editou a Resolução nº 22.610/2007 regulamentando as hipóteses e a forma como ocorre a perda do mandato eletivo em caso de infidelidade partidária. O art. 1º da Resolução reafirma a tese da infidelidade e prevê que o partido político pode pedir, perante a Justiça Eleitoral, a decretação da perda do cargo eletivo caso o ocupante do mandato, sem possuir uma justa causa, desfilie-se do partido pelo qual foi eleito. Quais são as hipóteses que podem ser consideradas como "justa causa"? A Resolução traz um rol de situações que são consideradas como "justa causa". Assim, para o TSE, o detentor do cargo eletivo pode sair do partido sem perder o mandato nos seguintes casos: http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 105 a) se o partido em que ele se elegeu passou por um processo de incorporação ou fusão com outro partido; b) se o detentor do cargo saí do partido pelo qual se elegeu para se filiar a um novo partido que foi recém-criado; c) se ficar provado que houve uma mudança substancial no partido ou desvio reiterado do programa partidário; d) se ficar provado que o detentor do cargo sofre grave discriminação pessoal no partido. A Lei nº 13.165/2015 alterou a Lei nº 9.096/95 passando a tratar expressamente sobre o tema "infidelidade partidária". Veja o artigo que foi acrescentado: Art. 22-A. Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito. Parágrafo único. Consideram-se justa causa para a desfiliação partidária somente as seguintes hipóteses: I - mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; II - grave discriminação política pessoal; e III - mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente Observações importantes: 1) A incorporação ou fusão do partido não é mais considerada "justa causa". Assim, se o partido em que detentor do cargo se elegeu passou por um processo de incorporação ou fusão com outro partido, a princípio, isso não autoriza que ele mude de partido, salvo se provar que houve uma mudança substancial ou desvio do programa partidário; 2) A criação de novo partido não é mais considerada "justa causa". http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 106 Dessa forma, o detentor do cargo não pode mais sair do partido pelo qual se elegeu para se filiar a um novo partido que foi recém-criado. Caso faça isso, perderá o mandato. O fim dessas duas hipóteses foi uma reação do Congresso Nacional ao fato de que, recentemente, houve a criação de inúmeros novos partidos e a tentativa de fusão de alguns outros, tudo isso com o objetivo de permitir a mudança de partido sem receber a punição pela infidelidade partidária. 3) A Lei nº 13.165/2015 previu uma terceira hipótese de "justa causa" que, na verdade, é uma "janela" para a troca de partidos. Se a pessoa quer concorrer a determinado cargo eletivo pelo partido "X", ela precisa estar filiada a esse partido no mínimo 6 meses antes das eleições. Ex: João, professor, quer se candidatar ao cargo de Vereador nas eleições de 02/10/2016. Para tanto, ele precisará se filiar ao partido político até, no máximo, 02/04/2016. Ex2: Pedro, que já é Vereador (eleito pelo partido "X"), deseja concorrer à reeleição nas eleições municipais de 02/10/2016. Ocorre que ele deseja sair do partido "X" e concorrer pelo partido "Y". A Lei nº 13.165/2015 acrescentou a possibilidade de que ele saia do partido sem perder seu mandato de Vereador. Basta que faça a troca um mês antes do término do prazo para filiação partidária, ou seja, entre 7 e 6 meses antes das eleições. Em nosso exemplo, ele teria do dia 02/03/2016 até 02/04/2016 para mudar de partido sem que isso implique a perda do mandato. Essa perda do mandato eletivo por infidelidade partidária vale tanto para cargos eletivos proporcionais como majoritários? Se o titular de um cargo eletivo MAJORITÁRIO, sem justa causa, decidir sair do partido político no qual foi eleito, ele perderá o cargo que ocupa? NÃO. A perda do mandato em razão de mudança de partido somente se aplica para os cargos eletivos proporcionais. Essa sanção não vale para candidatos eleitos pelo sistema majoritário. No sistema majoritário, o candidato escolhido é aquele que obteve mais votos, não importando o quociente eleitoral nem o quociente partidário.17 Nas eleições majoritárias (Prefeito, Governador, Senador e Presidente), os eleitores votam no candidato e não no seu partido político. Desse modo, no sistema majoritário, a imposição da perda do mandato por infidelidade partidária é antagônica (contrária) à soberania popular. STF. Plenário. ADI 5081/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/5/2015 (Info 787). A EC 111/2021 acrescenta uma quarta hipótese: a anuência do partido. Assim, imagine que João foi eleito Deputado Federal pelo partido “X”. Ele deseja deixar a agremiação partidária, mas não está presente nenhuma das hipóteses do parágrafo único do art. 22-A da Lei nº 9.096/95. Isso significa que, se ele concretizar a desfiliação, ele perderá o mandato, que será assumido por um suplente do partido “X”. Ocorre que existe uma quarta hipótese na qual ele não sofrerá sanção: se a direção do Partido “X” conceder a ele uma carta de anuência autorizando que ele deixe a agremiação.Isso foi expressamente consignado no § 6º do art. 17. 17 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. EC 111/2021: Reforma Eleitoral. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/novidades_legislativas/detalhes/4f6ffe13a5d75b2d6a3923922b3922e5>. Acesso em: 28/10/2022 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 107 Importante esclarecer que, mesmo antes da alteração, o TSE já possuía firme jurisprudência no sentido de que a carta de anuência do partido autoriza a desfiliação sem perda de mandato. Logo, a regra trazida pela Emenda corrobora o entendimento do TSE. Confira: A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que a concordância da agremiação partidária com o desligamento do filiado é apta a permitir a desfiliação sem prejuízo do mandato eletivo. (RESPE - Recurso Especial Eleitoral nº 060015033 - BELO HORIZONTE – MG - Acórdão de 10/09/2019 - Relator(a) designado(a) Min. Alexandre de Moraes) Em recurso especial eleitoral com agravo, o Ministro Relator manteve o entendimento firmado para as eleições de 2016 no sentido de que "a concordância da agremiação partidária com o desligamento do filiado é apta a permitir a desfiliação sem prejuízo do mandato eletivo" (AgR–Pet nº 0601117–75/PE, Rel. Min. Rosa Weber, j. em 20.02.2018). Precedentes” (0600185-90.2018.6.13.0000 - AI - Agravo Regimental em Agravo de Instrumento nº 060018590 - ITAÚNA – MG - Acórdão de 13/05/2021 - Relator(a) designado(a) Min. Luís Roberto Barroso) Conforme entendimento fixado pelo TSE para os processos relativos às eleições de 2016, “a carta de anuência do partido político constitui justa causa para a desfiliação partidária sem perda de mandato eletivo". Precedentes.” (AI - Agravo Regimental em Agravo de Instrumento nº 060013212 - RIBEIRÃO DAS NEVES – MG - Acórdão de 03/09/2020 - Relator(a) Min. Alexandre de Moraes) ASPECTOS PROCESSUAIS DA DECRETAÇÃO DA PERDA DO CARGO POR INFIDELIDADE PARTIDÁRIA 14.1.1. Previsão Está prevista na Resolução 22.610/2007 do TSE. Salienta-se que embora a Lei 13.165/15 tenha trazido inovações à Lei 9.096/95 no que diz respeito às hipóteses configuradoras de justa causa, a Resolução 22.610/07 continua aplicável em outros aspectos. 14.1.2. Legitimidade ativa Cabe ao partido político solicitar. Caso não o faça em 30 dias, o Ministério Público Eleitoral ou quem tenha interesse jurídico poderão pleitear perante a Justiça Estadual. Resolução 22.610 TSE Art. 1º O partido político interessado pode pedir, perante a Justiça Eleitoral, a decretação da perda de cargo eletivo em decorrência de desfiliação partidária sem justa causa. § 2º Quando o partido político não formular o pedido dentro de 30 (trinta) dias da desfiliação, pode fazê-lo, em nome próprio, nos 30 (trinta) subsequentes, quem tenha interesse jurídico ou o Ministério Público Eleitoral. § 3º O mandatário que se desfiliou ou pretenda desfiliar-se pode pedir a declaração da existência de justa causa, fazendo citar o partido, na forma desta resolução. 14.1.3. Competência http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 108 A competência para conhecer e julgar o pedido da ação para decretação da perda do cargo e a ação declaratória de existência de justa causa será: • TSE quanto aos mandatos federais (Presidente, Senador, Deputado Federal); • TRE's quanto os demais mandatos (estaduais e municipais); • Juiz eleitoral não tem competência para julgar matérias dessa natureza. Art. 2º O Tribunal Superior Eleitoral é competente para processar e julgar pedido relativo a mandato federal; nos demais casos, é competente o tribunal eleitoral do respectivo estado. 14.1.4. Legitimidade passiva É do mandatário infiel. Caso filie-se a outra legenda, esta será citada para integrar o processo como litisconsorte. Art. 4º O mandatário que se desfiliou e o eventual partido em que esteja inscrito serão citados para responder no prazo de 5 (cinco) dias, contados do ato da citação. Parágrafo único. Do mandado constará expressa advertência de que, em caso de revelia, se presumirão verdadeiros os fatos afirmados na inicial. 14.1.5. Pressupostos para a decretação da perda do cargo eletivo Ausência de justa causa. Art. 22-A da Lei 9.096/95. Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito. Parágrafo único. Consideram-se justa causa para a desfiliação partidária somente as seguintes hipóteses: I - mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; II - grave discriminação política pessoal; e III - mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente. 14.1.6. Limites da decisão Ressalta-se que não compete à Justiça Eleitoral fixar quem será investido no cargo vago em virtude da perda do mandato por infidelidade partidária, pois tal atribuição é do Presidente do órgão legislativo. Súmula TSE nº 67: A perda do mandato em razão da desfiliação partidária não se aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário. 15. FUSÃO E INCORPORAÇÃO DE PARTIDOS POLÍTICOS http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 109 FUSÃO INCORPORAÇÃO Um partido se une a outro, fazendo com que se tornem uma só entidade. Deverá ser realizada por decisão dos órgãos nacionais dos partidos, os quais elaborarão os projetos comuns de estatuto e programa. A existência legal do novo partido tem início com o registro, no Ofício Civil competente da sede do novo partido, do estatuto e do programa, cujo requerimento deve ser acompanhado das atas das decisões dos órgãos competentes Um partido absorve uma ou mais agremiações, mantendo sua identidade originária. No caso de incorporação, o instrumento respectivo deve ser levado ao Ofício Civil competente, que deve, então, cancelar o registro do partido incorporado a outro Art. 29. Por decisão de seus órgãos nacionais de deliberação, dois ou mais partidos poderão fundir-se num só ou incorporar-se um ao outro. § 1º No primeiro caso, observar-se-ão as seguintes normas: I - os órgãos de direção dos partidos elaborarão projetos comuns de estatuto e programa; II - os órgãos nacionais de deliberação dos partidos em processo de fusão votarão em reunião conjunta, por maioria absoluta, os projetos, e elegerão o órgão de direção nacional que promoverá o registro do novo partido. § 2º No caso de incorporação, observada a lei civil, caberá ao partido incorporando deliberar por maioria absoluta de votos, em seu órgão nacional de deliberação, sobre a adoção do estatuto e do programa de outra agremiação. § 3º Adotados o estatuto e o programa do partido incorporador, realizar-se-á, em reunião conjunta dos órgãos nacionais de deliberação, a eleição do novo órgão de direção nacional. § 4º Na hipótese de fusão, a existência legal do novo partido tem início com o registro, no Ofício Civil competente da sede do novo partido, do estatuto e do programa, cujo requerimento deve ser acompanhado das atas das decisões dos órgãos competentes. (Redação dada pela Lei nº 13.877, de 2019) § 5º No caso de incorporação, o instrumento respectivo deve ser levado ao Ofício Civil competente, que deve, então, cancelar o registro do partido incorporado a outro. § 6º No caso de incorporação, o instrumento respectivo deve ser levado ao Ofício Civil competente, que deve, então, cancelar o registro do partido incorporado a outro. § 7º Havendo fusão ou incorporação, devem ser somados exclusivamente os votos dos partidos fundidos ou incorporados obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, para efeito da distribuição dos recursos do Fundo Partidário e do acesso gratuito ao rádio e à televisão.§ 8º O novo estatuto ou instrumento de incorporação deve ser levado a registro e averbado, respectivamente, no Ofício Civil e no Tribunal Superior Eleitoral. § 9º Somente será admitida a fusão ou incorporação de partidos políticos que hajam obtido o registro definitivo do Tribunal Superior Eleitoral há, pelo menos, 5 (cinco) anos. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13877.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13877.htm#art1 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 110 O STF, no julgamento da ADI 6044/DF (Informativo 1008), entendeu que a exigência contida no §9º, do art. 29, da Lei 9.096/95, é constitucional, não viola a autonomia partidária. Isto porque a exigência do tempo mínimo de 5 anos para que possa ser feita a fusão ou incorporação de partidos políticos é necessária para garantir o compromisso do cidadão com a sua opção partidária, evitando-se agremiações descompromissadas e sem substrato social. Além disso, reforça o objetivo do constituinte reformador, expresso na EC 97/2017, em coibir o enfraquecimento da representação partidária. 16. FUNDAÇÕES CRIADAS POR PARTIDOS POLÍTICO O art. 53 da Lei nº 9.096/95 prevê a possibilidade de que os partidos políticos criem fundações ou institutos de direito privado para estudo, pesquisa, doutrinação e educação política: Art. 53. A fundação ou instituto de direito privado, criado por partido político, destinado ao estudo e pesquisa, à doutrinação e à educação política, rege- se pelas normas da lei civil e tem autonomia para contratar com instituições públicas e privadas, prestar serviços e manter estabelecimentos de acordo com suas finalidades, podendo, ainda, manter intercâmbio com instituições não nacionais. A Lei nº 13.487/2017 inseriu alguns parágrafos a esse art. 53 prevendo novas regras para essas fundações: § 1º O instituto poderá ser criado sob qualquer das formas admitidas pela lei civil. § 2º O patrimônio da fundação ou do instituto de direito privado a que se referem o inciso IV do art. 44 desta Lei e o caput deste artigo será vertido ao ente que vier a sucedê-lo nos casos de: I - extinção da fundação ou do instituto, quando extinto, fundido ou incorporado o partido político, assim como nas demais hipóteses previstas na legislação; II - conversão ou transformação da fundação em instituto, assim como deste em fundação. § 3º Para fins do disposto no § 2º deste artigo, a versão do patrimônio implica a sucessão de todos os direitos, os deveres e as obrigações da fundação ou do instituto extinto, transformado ou convertido. § 4º A conversão, a transformação ou, quando for o caso, a extinção da fundação ou do instituto ocorrerá por decisão do órgão de direção nacional do partido político. 17. EXTINÇÃO DOS PARTIDOS POLÍTICOS Prevista nos arts. 27 e 28 da Lei 9.096/95. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 111 Art. 27. Fica cancelado, junto ao Ofício Civil e ao Tribunal Superior Eleitoral, o registro do partido que, na forma de seu estatuto, se dissolva, se incorpore ou venha a se fundir a outro. Art. 28. O Tribunal Superior Eleitoral, após trânsito em julgado de decisão, determina o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido contra o qual fique provado: I - ter recebido ou estar recebendo recursos financeiros de procedência estrangeira; II - estar subordinado a entidade ou governo estrangeiros; III - não ter prestado, nos termos desta Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral; IV - que mantém organização paramilitar. § 1º A decisão judicial a que se refere este artigo deve ser precedida de processo regular, que assegure ampla defesa. § 2º O processo de cancelamento é iniciado pelo Tribunal à vista de denúncia de qualquer eleitor, de representante de partido, ou de representação do Procurador-Geral Eleitoral. § 3º O partido político, em nível nacional, não sofrerá a suspensão das cotas do Fundo Partidário, nem qualquer outra punição como consequência de atos praticados por órgãos regionais ou municipais. § 4o Despesas realizadas por órgãos partidários municipais ou estaduais ou por candidatos majoritários nas respectivas circunscrições devem ser assumidas e pagas exclusivamente pela esfera partidária correspondente, salvo acordo expresso com órgão de outra esfera partidária. § 5o Em caso de não pagamento, as despesas não poderão ser cobradas judicialmente dos órgãos superiores dos partidos políticos, recaindo eventual penhora exclusivamente sobre o órgão partidário que contraiu a dívida executada. § 6o O disposto no inciso III do caput refere-se apenas aos órgãos nacionais dos partidos políticos que deixarem de prestar contas ao Tribunal Superior Eleitoral, não ocorrendo o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido quando a omissão for dos órgãos partidários regionais ou municipais. Como o tema foi cobrado? TJ/MA (2022) No âmbito da atividade partidária, é solidária a responsabilidade entre os órgãos partidários municipais, estaduais e nacional, em caso de violação a direito, dano a outrem ou de qualquer outro ilícito. Errado! Não há responsabilidade solidária. 18. FIM DA PROPAGANDA PARTIDÁRIA GRATUITA NO RÁDIO E TV PROPAGANDA EM DIREITO ELEITORAL Propaganda, em direito eleitoral, é um gênero, que se divide nas seguintes espécies (classificação proposta pelo Min. Luiz Fux): http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 112 Propaganda INTRAPARTIDÁRIA ou PRÉ-ELEITORAL Tem por objetivo promover o pretenso candidato perante os demais filiados ao partido político; Propaganda ELEITORAL STRICTO SENSU Tem por objetivo conseguir a captação de votos perante o eleitorado; Propaganda INSTITUCIONAL Possui conteúdo educativo, informativo ou de orientação social, sendo promovida pelos órgãos públicos, nos termos do art. 37, § 1º, da CF; Propaganda PARTIDÁRIA É aquela organizada pelos partidos políticos, com o intuito de difundir suas ideias e propostas, o que serviria para cooptar filiados para as agremiações, bem como para enraizar suas plataformas e opiniões na consciência da comunidade. Era disciplinada no art. 45 da Lei nº 9.096/95, foi revogada pela Lei 13.487/2017. Em 2022, a Lei 14.291/2022, trouxe de volta a propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão. A Lei nº 9.096/95 dispõe sobre os partidos políticos e, em seu art. 45, tratava sobre a “propaganda partidária”, quarta espécie de propaganda, conforme visto acima. A Lei nº 13.487/2017 acabou com a propaganda partidária no rádio e na televisão revogando os dispositivos da Lei nº 9.504/97 que tratavam sobre o tema: Art. 5º Ficam revogados, a partir do dia 1º de janeiro subsequente à publicação desta Lei, os arts. 45, 46, 47, 48 e 49 e o parágrafo único do art. 52 da Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995. Contudo, em 2022, a Lei 14.291/2022, trouxe de volta a propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão. Art. 50-A. A propaganda partidária gratuita mediante transmissão no rádio e na televisão será realizada entre as 19h30 (dezenove horas e trinta minutos) e as 22h30 (vinte e duas horas e trinta minutos), em âmbito nacional e estadual, por iniciativa e sob a responsabilidade dos respectivos órgãos de direção partidária. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 113 CAPACIDADE ELEITORAL 1. CONCEITO E DESDOBRAMENTOS É a aptidão para o exercício dos direitos político-eleitorais. Trata-se de direitos políticos em sentido estrito. A capacidade eleitoral é uma capacidade atribuível apenas às pessoas naturais (pessoas físicas). Portanto, pessoas jurídicas não são portadoras da capacidade eleitoral. A capacidadeeleitoral relaciona-se com o que se chama de direitos políticos positivos e se desdobra em duas: 1) Capacidade eleitoral ativa (voto e alistabilidade): É a capacidade para votar ou ser eleitor. É obtida mediante o alistamento eleitoral. 2) Capacidade eleitoral passiva (elegibilidade): É a capacidade para ser elegível, para receber um mandato eletivo, mediante submissão da vontade do eleitorado no processo eleitoral. 2. DIREITOS POLÍTICO-ELEITORAIS POSITIVOS DIREITOS POLÍTICOS ELEITORAIS POSITIVOS DIREITOS POLÍTICOS ELEITORAIS NEGATIVOS Alistabilidade (capacidade eleitoral ativa) Inalistabilidade (impedimento para capacidade eleitoral ativa) Elegibilidade (capacidade eleitoral passiva) Inelegibilidade (impedimento para capacidade eleitoral passiva) Suspensão/perda do direito político As capacidades ativas e passivas são consideradas como direitos político-eleitorais positivos, pois autorizam a pessoa a participar do processo eleitoral, quer como eleitor quer como candidato. Engloba o seguinte: 1) Alistabilidade e voto (capacidade eleitoral ativa); 2) Elegibilidade (capacidade eleitoral passiva). Vejamos: CAPACIDADE ELEITORAL ATIVA: ALISTABILIDADE E VOTO http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 114 Alistabilidade é o direito de se alistar (tirar título), que é pressuposto para o exercício do direito de votar. Tanto o alistamento quanto o voto são vedados aos: • Menores de 16 anos; • Estrangeiros (salvo portugueses equiparados); • Conscritos: Pessoas que prestam o serviço militar obrigatório. O conceito de conscritos abrange médicos, dentistas, veterinários, farmacêuticos que prestam serviço obrigatório? VERDADEIRO. Isso ocorre quando eles protelam a prestação do serviço obrigatório para depois de formados em curso superior. Nesse período, os direitos políticos ficam suspensos. Como o tema foi cobrado em prova? (TJ/MA – 2022) É vedado o alistamento eleitoral de oficial das Forças Armadas em operação militar. Errada! A vedada aplica-se apenas aos conscritos. Res.-TSE nº 15850/1989: a palavra conscritos constante deste dispositivo alcança também aqueles matriculados nos órgãos de formação de reserva, bem como médicos, dentistas, farmacêuticos e veterinários que prestam serviço militar inicial obrigatório. O alistamento e o voto são obrigatórios para os que têm entre 18 e 70 anos. Será facultativo para os que: • Possuem entre 16 e 18. • Possuem mais de 70. • São analfabetos. E os indígenas, podem se alistar e votar? O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assegurou o alistamento eleitoral facultativo aos índios que, segundo o Estatuto do Índio, sejam considerados isolados e em vias de integração. Pela decisão, os índios alfabetizados devem se inscrever como eleitores, mas não estão sujeitos ao pagamento de multa pelo atraso no alistamento eleitoral. Essa orientação está prevista no artigo 16 da Resolução nº 21.538/2003 do TSE. O indígena que se alistou e tem o título em mãos também pode ser candidato. Como o tema foi cobrado em prova? (TJ/MA – 2022) É facultativo o alistamento eleitoral de indígena que não fale português. Correta! CAPACIDADE ELEITORAL PASSIVA: ELEGIBILIDADE É a possibilidade de concorrer a um mandato. O direito de ser votado só se torna absoluto se preenchidos os requisitos e condições, estão previstas no art. 14, §3º (devem ser regulamentadas através de lei ordinária). http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 115 No Brasil, a plena cidadania é atingida aos 35 anos, pois é o último limite etário como condição de elegibilidade. Vejamos: • 35 anos: Presidente, vice e senador. • 30 anos: Governadores e vice. • 21 anos: Prefeitos (e vice), deputados e juiz de paz. • 18 anos: Vereador. CF Art. 14, § 3º - São condições de elegibilidade (condições de elegibilidade típicas ou próprias), na forma da lei: I - a nacionalidade brasileira; II - o pleno exercício dos direitos políticos; III - o alistamento eleitoral; IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; V - a filiação partidária; VI - a idade mínima de: a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador; b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; d) dezoito anos para Vereador. CONDIÇÕES DE ELEGIBILIDADE Nacionalidade brasileira Requisito fundamental para concorrer a cargos públicos. Os estrangeiros naturalizados só podem concorrer aos cargos de Vereador, Prefeito, Deputado, Senador e Governador, mas os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República são privativos de brasileiro nato (art. 12, §3º da CF/88). Pleno exercício dos direitos políticos Capacidade de votar e ser votado. Os direitos políticos são adquiridos com o alistamento eleitoral. Quando uma pessoa se alista, torna-se eleitora e passa a exercer os direitos políticos, a não ser que incida nas hipóteses previstas no art. 15 da CF/88 (perda ou suspensão dos direitos políticos). Alistamento eleitoral Inscrição no cadastro dos eleitores. A partir do momento que uma pessoa se alista, recebe o título de eleitor, que será o documento hábil a comprovar o alistamento. Domicílio eleitoral na circunscrição Qualquer cidadão brasileiro só pode concorrer na circunscrição onde está alistado, pois é aí que mantém seu domicílio eleitoral. Deve estar domiciliado naquela circunscrição há pelo menos seis meses (art. 9º da Lei 9.504/97). Filiação partidária Para ser votado, o brasileiro necessariamente deve estar com a filiação deferida pelo partido político, seis meses antes da eleição http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 116 (art. 9º da Lei 9.504/97). Seis meses é o prazo mínimo, pois o estatuto do partido poderá estabelecer prazo superior. Segundo o TSE, os militares da ativa constituem exceção a esta regra. Independentemente do tempo de serviço efetivo, o militar da ativa pode ser candidato a cargo eletivo, desde que tenha sido escolhido em convenção partidária e o partido apresente o requerimento de registro de candidatura à Justiça Eleitoral. Obs.: Havendo coexistência de filiações partidárias, prevalecerá a mais recente, devendo a Justiça Eleitoral determinar o cancelamento das demais (art. 22, parágrafo único, da Lei 9.096/95). Idade mínima 35 anos: Presidente, vice e senador. 30 anos: Governadores e vice. 21 anos: Prefeitos (e vice), deputados e juiz de paz. 18 anos: Vereador A idade mínima era exigida a partir da data da posse, para todos os cargos. A Lei 13.165/2015 alterou o §2º do art. 11, a fim de que no caso dos vereadores a idade de 18 anos seja comprovada na data-limite do pedido de registro. Lei 9.504/97 Art. 11. Os partidos e coligações solicitarão à Justiça Eleitoral o registro de seus candidatos até as dezenove horas do dia 15 de agosto do ano em que se realizarem as eleições. § 2o A idade mínima constitucionalmente estabelecida como condição de elegibilidade é verificada tendo por referência a data da posse, salvo quando fixada em dezoito anos, hipótese em que será aferida na data-limite para o pedido de registro. Como o tema foi cobrado em prova? TJ/MG (2022) A verificação da idade mínima, como condição constitucional de elegibilidade, será com referência à data da posse, salvo os eleitos para vereador, cuja aferição será na data-limite para o pedido de registro. Correta! OBS: Domicílio eleitoral não se confunde com domicílio civil. No entanto, para o exercício absoluto do direito de ser votado, o candidato além de preencher os requisitos acima, não pode incorrer em qualquer das causas de inelegibilidades. 3. DIREITOS POLÍTICO-ELEITORAIS NEGATIVOS http://www.iceni.com/infix.htm. CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 117 Os direitos políticos negativos, como ressalta Pedro Lenza “individualizam-se ao definirem formulações constitucionais restritivas e impeditivas das atividades político-partidárias, privando o cidadão do exercício de seus direitos políticos”. São as chamadas inelegibilidades, bem como as situações em que há privação dos direitos políticos. Engloba o seguinte: • Inelegibilidades (absolutas e relativas); • Privação dos direitos políticos (perda ou suspensão). INELEGIBILIDADES (ABSOLUTAS E RELATIVAS) Além de ABSOLUTAS ou RELATIVAS, a inelegibilidades podem ser: TÍPICAS/PRÓPRIAS (previstas na CF/88) ou ATÍPICAS/IMPRÓPRIAS (prevista em lei infraconstitucional — LC 64/90). 3.1.1. Inelegibilidades ABSOLUTAS Somente a CF pode estabelecer inelegibilidade absoluta, visto tratar-se de restrições a direitos fundamentais. E ela o faz em seu art. 14, §4º, que prevê como absolutamente inelegíveis: I - Os inalistáveis (conscritos, estrangeiros e menores de 16 – que já não preenchem o requisito de idade mínima); II - Os analfabetos. Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: ... § 4º - São inelegíveis os INALISTÁVEIS e os ANALFABETOS. Estão relacionadas a uma condição pessoal, diferentemente das inelegibilidades relativas, que estão relacionadas a cargos. Atenção! Súmula TSE nº 15 - O exercício de mandato eletivo não é circunstância capaz, por si só, de comprovar a condição de alfabetizado do candidato. Súmula TSE nº 55 - A Carteira Nacional de Habilitação gera a presunção da escolaridade necessária ao deferimento do registro de candidatura. OBS: Já teve ADI questionando a vedação aos analfabetos, no entanto o mérito nem foi analisado, haja vista se tratar de norma constitucional originária. 3.1.2. Inelegibilidades RELATIVAS As inelegibilidades relativas previstas no ordenamento se fundamentam em quatro critérios: • Em razão do cargo; http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 118 • Em razão do parentesco; • Relacionada aos militares; • Previstas em Lei Complementar: LC 64/90 – (inelegibilidades impróprias). Vejamos: 1) Inelegibilidade relativa: em razão do cargo Aqui, temos três tipos: • Única reeleição para o mesmo cargo de chefe do executivo; • Desincompatibilização de 06 meses; • Renúncia de cargos não eletivos. Vamos ao estudo deles: a) Única reeleição para o mesmo cargo ao chefe do executivo (art. 14, §5º): Impede o terceiro mandato consecutivo. Sempre se refere ao chefe do executivo, para não permitir que o comandante da máquina administrativa se perpetue no poder. CF Art. 14 § 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente. Como o tema foi cobrado em prova? TJ/SP (2021) Prevista está a vedação que atinge todos os cargos majoritários e estabelece não ser possível o exercício de terceiro mandato seguido, referindo-se ao cargo pleiteado, independentemente de ser ele exercido na mesma cidade ou em municípios diferentes. Correta! Poderia o Lula ter se candidatado a vice da Dilma nas eleições de 2010? Na CF não há vedação, mas se entende que não poderia, pois, do contrário, seria uma possibilidade de burlar a vedação ao terceiro mandato (eis que figuraria na linha de sucessão presidencial). STF: A simples substituição (interina) não conta como exercício de mandato. Somente no caso de sucessão definitiva é que o candidato passa a exercer o seu primeiro mandato como titular do cargo. Exemplo: Caso Alckmin e Covas – SP (Alckmin havia substituído temporariamente) Covas no 1º mandato, no 2º ele sucedeu (definitivo), no 3º Alckmin concorre e é eleito. A oposição questiona. STF, de acordo com a interpretação acima, diz que é como se fosse o 2º mandato, eis que no 1º a substituição foi temporária, faz uma interpretação teleológica da CF. OBS: figura do “Prefeito itinerante”. Imagine agora a seguinte situação hipotética: http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 119 Em 2008, “A” foi eleito para o cargo de Prefeito do Município “X”. Em 2012, “A” foi reeleito como Prefeito do Município “X”. Em 2015, “A” renunciou ao cargo de Prefeito do Município “X” e transferiu seu domicílio eleitoral para a cidade “Z”. Em 2016, “A” concorreu e foi eleito ao cargo de Prefeito do Município “Z”, que é vizinho da cidade “X”. A doutrina e a jurisprudência denominam essa situação de “Prefeito itinerante”, ou seja, aquele indivíduo que foi eleito e reeleito para o cargo de Prefeito de um município e quer tentar um terceiro mandato, agora como Prefeito de outra cidade, normalmente vizinha, em que também tem influência e prestígio político. A pergunta é a seguinte: O § 5º do art. 14 da CF/88 permite a figura do “Prefeito itinerante”? É possível que uma pessoa que exerceu dois mandatos consecutivos de Prefeito de um Município concorra e seja eleita a um terceiro mandato consecutivo de Prefeito, só que agora de uma cidade vizinha? R: NÃO. O Plenário do STF decidiu que o indivíduo que já exerceu dois mandatos consecutivos de Prefeito, ou seja, foi eleito e reeleito, fica inelegível para um terceiro mandato, ainda que seja em município diferente. Em outras palavras, o STF proibiu a figura do “Prefeito itinerante” (“Prefeito profissional”). A prática do “Prefeito itinerante”, ato aparentemente lícito, representa, na verdade, um desvio de finalidade, visando à monopolização do poder local. O princípio republicano impede a perpetuação de pessoa ou grupo no poder. Portanto, esse princípio obsta a terceira eleição não apenas no mesmo município, mas em relação a qualquer outra cidade. Se assim não fosse, tornar-se-ia possível a figura do denominado “prefeito itinerante” ou “prefeito profissional”, claramente incompatível com o princípio republicano, que exige a temporariedade e a alternância do exercício do poder. Logo, somente é possível eleger-se para o cargo de Prefeito municipal por 2 vezes consecutivas, não sendo permitido um 3º mandato consecutivo, ainda que em outra cidade. Entendido isso, passemos então ao segundo ponto muito importante do julgado: A jurisprudência pátria SEMPRE condenou a figura do “Prefeito itinerante”? R: NÃO. O TSE admitia como legítimo o “Prefeito itinerante” e, somente em 17/12/2008, foi que alterou seu entendimento. Nessa época não havia ainda posicionamento definitivo do STF sobre o tema, de modo que prevalecia, no Brasil, a posição do TSE. Qual foi o “problema” de o TSE mudar seu entendimento? Como essa mudança ocorreu no final de 2008 (ano em que houve eleições municipais), aconteceram muitos casos como o seguinte, que foi analisado neste julgado: “B”, após exercer 2 mandatos consecutivos como Prefeito do mesmo Município (“X”), transfere seu domicílio eleitoral para a cidade “Z” e lá se candidatou ao cargo de Prefeito no pleito de 2008. À época, como vimos, a jurisprudência do TSE era firme no sentido de que isso era possível. Logo, a candidatura de “B” não foi impugnada pelo Ministério Público ou por qualquer partido político adversário (não adiantava; era matéria pacífica no TSE). http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 120 Após transcorrido todo o período de campanha, “B” foi eleito. Contudo, no período de diplomação dos eleitos, o TSE modificou radicalmente sua jurisprudência e passou a considerar a hipótese do “Prefeito itinerante” como vedada pelo art. 14, § 5º, da CF. Em consequência, o Ministério Público Eleitoral e a coligação adversária impugnaram o diploma do candidato (Código Eleitoral, art. 262, I), o que resultou na suacassação. O TSE, ao mudar sua jurisprudência, respeitou o princípio da segurança jurídica? R: O STF entendeu que não. Como foi alterada uma concepção adotada há muitos anos, seria sensato que o TSE modulasse os efeitos da decisão, em face da segurança jurídica. Desse modo, deveria a Corte eleitoral ter atribuído efeitos prospectivos (pro futuro) a esse entendimento. A modulação também era indispensável porque a mudança ocorreu no decorrer do período eleitoral, de modo que era importante resguardar a segurança jurídica e confiança dos candidatos e dos eleitores na interpretação então vigente. Nesse âmbito, portanto, a segurança jurídica assume a sua face de princípio da confiança, a fim de proteger a estabilização das expectativas de todos aqueles que, de alguma forma, participam das disputas eleitorais. Em suma, a decisão do TSE, apesar de ter concluído corretamente que é abusiva a figura do “Prefeito itinerante”, não poderia retroagir esse entendimento para o fim de cassar diploma regularmente concedido ao Prefeito vencedor das eleições de 2008, ainda que itinerante. Deveria, portanto, ser preservado o seu mandato. Como o tema foi cobrado em prova? TJ/MG (2022) O Tribunal Superior Eleitoral vedou o exercício consecutivo de mais de dois mandatos de prefeito (“prefeito itinerante” ou “prefeito profissional”). Todavia, o Supremo Tribunal Federal adotou interpretação conforme a Constituição e, preservando o direito subjetivo público ao exercício da capacidade eleitoral passiva, limitou essa vedação a municípios que estejam na mesma microrregião administrativa. Errada! b) Desincompatibilização dos 06 meses para outro cargo (art. 14, §6º): Também se refere aos chefes do executivo. É o chamado instrumento da desincompatibilização dos seis meses. Não alcança o vice que poderá se candidatar não só ao mesmo cargo (reeleição), como também a outros cargos, sem renúncia, desde que nos últimos seis meses não tenha sucedido ou substituído o titular. O Presidente da Câmara que substituiu o Prefeito nos seis meses anteriores à eleição, está inelegível para o cargo de vereador, mas pode se candidatar ao cargo de Prefeito. CF Art. 14, § 6º - Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito. Como o tema foi cobrado em concurso? http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 121 TJ/RJ (2019): Para concorrem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até 6 (seis) meses antes do pleito. Correto! Vale ressaltar que, para fins de desincompatibilização, é exigida uma manifestação formal do interessado com pedido expresso de afastamento no prazo legal, assim como o afastamento de fato do candidato de suas funções. Os prazos de desincompatibilização variam de três a seis meses da data marcada para a eleição, levando-se em consideração a influência que o exercente da função teria no processo eleitoral. a) Cargo não eletivo (renúncia): juiz (art. 95, §único, III) e membro do MP (art. 128, §5º, II, e) não podem concorrer sem antes renunciar ao cargo. Art. 95 Parágrafo único. Aos juízes é vedado: III - dedicar-se à atividade político-partidária. Art. 128,§5º (MP) II - as seguintes vedações: e) exercer atividade político-partidária; 2) Inelegibilidade relativa: em razão do parentesco (ou reflexa) Art. 14, §7º CF. Art. 14, § 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. De acordo com inelegibilidade por parentesco: O cônjuge, os parentes e afins até o 2º grau do... Não poderão candidatar-se a... PREFEITO Vereador e/ou Prefeito do mesmo Município GOVERNADOR Qualquer cargo no mesmo Estado, ou seja: • Vereador ou prefeito em qualquer município no mesmo Estado; • Deputado estadual ou Governado no mesmo Estado; • Deputado federal ou Senador nas vagas do próprio Estado. PRESIDENTE Qualquer cargo eletivo no país (municipal, estadual ou federal). Como o tema foi cobrado em prova? MPE/MG (2022): São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o terceiro grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 122 seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. Errada! TJ/GO (2021): A inelegibilidade reflexa é espécie de inelegibilidade constitucional e, portanto, não se sujeita à preclusão temporal, podendo ser arguida tanto na impugnação do registro de candidatura quanto no recurso contra expedição de diploma. Correta! Exceção à regra do § 7º: “ (...) salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.” Assim, no caso do cônjuge, parente ou afim já possuir mandato eletivo, não haverá qualquer impedimento para que concorra à reeleição (candidatura ao mesmo cargo). Abrangência do termo “cônjuge”: Considera-se cônjuge não somente a mulher/homem que esteja casada(o), mas também aquela(e) que vive em união estável com o Chefe do Poder Executivo, ou mesmo com seu irmão (a fim de 2º grau). Isso porque a CF/88 amplia o conceito de entidade familiar, nos termos do art. 226, § 3º. A vedação incide também no caso de união homoafetiva. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/BA (2019): Ante a impossibilidade de interpretação extensiva das regras de inelegibilidade, as relações estáveis homoafetivas não são situações configuradoras de hipóteses de inelegibilidade reflexa. Errado! A inelegibilidade persiste, ainda que, no curso do mandato, a relação se extinga: O TSE tem entendimento de que, se em algum momento do mandato, ocorreu a relação de casamento, união estável ou parentesco, esta pessoa já está inelegível, ainda que esta relação seja desfeita. Ex.: Luciano foi eleito prefeito em 2016. Em 2016, foi reeleito. Logo, em 2020, não poderia concorrer à reeleição porque seria seu terceiro mandato consecutivo. Em 2018, Luciano separou- se de sua esposa Amélia. Mesmo estando separados, Amélia não poderá concorrer nas eleições de 2020 porque, durante o mandato do prefeito, houve uma relação entre eles, não cessando a inelegibilidade pelo fim do vínculo conjugal Inelegibilidade relativa: relacionada aos Militares (art. 14, §8º). O STF possui o mesmo entendimento: Súmula vinculante 18-STF: A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no § 7º do artigo 14 da Constituição Federal. Convém observar que o STF excepcionou a aplicação da súmula vinculante acima, nas hipóteses em que a dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal decorra da morte de um dos cônjuges. Como o tema foi cobrado em prova? (MP/MG – 2022) A inelegibilidade, constitucionalmente prevista, decorrente da existência de relação conjugal com o chefe do executivo, no território da http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 123 mesma jurisdição, cessa na hipótese em que a ruptura daquela decorrer da morte do titular do mandato. Correta! Tema 678 (repercussão geral) Súmula Vinculante 18 do STF não se aplica aos casos de extinção do vínculo conjugal pela morte de um dos cônjuges. Os parentes (ou cônjuge) podem concorrer naseleições, desde que o titular do cargo tenha direito à reeleição e não concorra na disputa: Ex: em 1998, Garotinho foi eleito Governador do RJ. No final do seu 1º mandato (em 2002), ele renunciou ao cargo para se desincompatibilizar e concorrer à Presidência da República. Sua esposa, Rosinha, candidatou-se ao cargo de Governador na eleição de 2002, tendo sido eleita. O TSE considerou que Rosinha poderia concorrer e assumir o cargo porque seu marido havia renunciado e ainda estava no 1º mandato. A lógica utilizada pelo TSE foi a seguinte: ora, se o próprio Garotinho poderia concorrer novamente ao cargo de Governador, não haveria sentido em se negar à sua esposa o direito de disputar a eleição. Vale ressaltar, no entanto, que Rosinha, ao ganhar a eleição, é como se estivesse exercendo o 2º mandato consecutivo. Logo, em 2006 não poderia concorrer novamente ao Governo. Em suma, este núcleo familiar foi eleito Governador em 1998 e reeleito em 2002, não podendo figurar em um terceiro mandato consecutivo. ELEIÇÃO SUPLEMENTAR E AS HIPÓTESES DE INELEGIBILIDADE Imagine a seguinte situação hipotética: João foi eleito, em 2016, prefeito de uma cidade do interior. Ocorre que, em 2017, ele e o vice foram cassados. Diante disso, a Justiça Eleitoral determinou a realização de nova eleição para Prefeito (chamada de "eleição suplementar"). Ao exercício do restante do mandato por outra pessoa, em função de vacância ou impedimento, dá-se popularmente o nome de mandato-tampão. Maria, mulher de João, inscreveu-se para concorrer na eleição suplementar. No entanto, os partidos oposicionistas impugnaram a candidatura afirmando que ela seria inelegível com base no art. 14, § 7º da CF/88: Art. 14 (...) § 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. Maria defendeu-se afirmando que as hipóteses de inelegibilidade só se aplicam para eleições gerais, não valendo para o caso de eleições suplementares. O argumento defensivo de Maria está correto? As hipóteses de inelegibilidade só se aplicam para as eleições gerais? http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 124 NÃO. As hipóteses de inelegibilidade previstas no art. 14, § 7º, da CF/88, inclusive quanto ao prazo de seis meses, são aplicáveis às eleições suplementares. Assim, incide o art. 14, § 7º, da CF/88. João estava no seu primeiro mandato. Logo, em tese, ele ainda teria direito de concorrer a uma reeleição (em 2020). Diante disso, quando o próprio chefe do Poder Executivo ainda pode concorrer à reeleição, a jurisprudência abre uma exceção ao art. 14, § 7º, da CF/88 e permite que o cônjuge (no caso, sua mulher) concorra no seu lugar. Assim, em tese, em 2016, Maria poderia concorrer à Prefeita mesmo existindo a regra do art. 14, § 7º (vimos essa situação acima no caso da Rosinha Garotinho). Voltando, no entanto, ao caso concreto: Maria não poderá concorrer nas eleições suplementares porque João, ao ser cassado, tornou-se inelegível, conforme prevê o art. 1º, I, "c", da LC 64/90: Art. 1º São inelegíveis: I - para qualquer cargo: (...) c) o Governador e o Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal e o Prefeito e o Vice-Prefeito que perderem seus cargos eletivos por infringência a dispositivo da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o remanescente e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término do mandato para o qual tenham sido eleitos; (Redação dada pela Lei Complementar nº 135/2010) Assim, sendo João inelegível, Maria também se tornou inelegível, não podendo ser aplicada a exceção feita pela jurisprudência ao art. 14, § 7º, da CF/88. Em outras palavras, não se pode aplicar aqui a mesma solução dada ao caso da Rosinha porque lá o Garotinho não estava inelegível (ele ainda poderia concorrer à reeleição, se quisesse). No presente caso é diferente porque João estava inelegível, fazendo com que essa inelegibilidade se transmitisse à sua mulher. O que é mais importante, no entanto, é que você aprenda a tese fixada pelo STF no âmbito da repercussão geral: As hipóteses de inelegibilidade previstas no art. 14, § 7º, da CF, inclusive quanto ao prazo de seis meses, são aplicáveis às eleições suplementares. Como o tema foi cobrado em prova? TJ/RS (2022) A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo familiar aplica-se na hipótese em que tenha havido a convocação do segundo colocado nas eleições para o exercício de mandato-tampão. Correta! TCDFT (2021) Joaquim foi eleito prefeito de seu munícipio, porém, sete meses depois da eleição, a justiça eleitoral local cassou o mandato em razão da constatação da prática de abuso do poder econômico e, assim, marcou novas eleições. A esposa do prefeito cassado, então, habilitou-se para a nova disputa eleitoral. Nessa situação, a esposa do prefeito cassado é elegível http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 125 para disputar o novo pleito, pois não há inelegibilidade em eleições suplementares. Errada! 3) O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições: CF Art. 14 § 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições: I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade; II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade. Assim, o militar alistável é aquele que não é conscrito, ou seja, é aquele que escolhe seguir a carreira de militar e não está prestando serviço militar. Entretanto, só será elegível se tiver mais de 10 anos de carreira militar e para tal será obrigado a se licenciar e quem exercerá sua função militar será seu superior hierárquico. Por outro lado, caso tenha menos de 10 anos e queira se eleger, ele terá que pedir exoneração (saída/deixa a função). Se ele perder as eleições, ele poderá retornar ao serviço militar. Do contrário, ele ficará afastado da carreira militar (fica inativo). E se ele tivesse 10 anos de carreira militar, já que a CF/88 foi omissa? Resposta: Deve-se fazer uma interpretação mais favorável ao militar. Logo, ele ficará licenciado. 4) Inelegibilidade relativa: estabelecidas por LC (art. 14, §9º) – Art. 1º LC 64/90. CF Art. 14, § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 4, de 1994) As inelegibilidades só podem ser definidas por LEI COMPLEMENTAR, sob pena de inconstitucionalidade formal. O que não se confunde com a criação de novos requisitos de elegibilidade, que, conforme já decidiu o STF, podem ser feitos por lei ordinária. Como o tema foi cobrado em prova? MP/PE (2022) Lei ordinária estabelecerá outros casos de inelegibilidade, além daqueles previstos na Constituição Federal, e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa e a moralidade para exercício de mandato, considerada a vida pregressa do candidato. Errada! Dois exemplos que foram questionados no STF por serem supostas hipóteses de inelegibilidades criadas por LO (Lei 9.504/97) e que foram declaradosconstitucionais (por não serem consideradas como tal): - Captação de sufrágio, sob pena de cassação do registro. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 126 - Proibição de inauguração de obra três meses antes do pleito, sob a pena de cassação do registro. Vejamos o art. 1º da LC 64/90: LC 64/90 Art. 1º São inelegíveis: I - para qualquer cargo: a) os inalistáveis e os analfabetos; b) os membros do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, da Câmara Legislativa e das Câmaras Municipais, que hajam perdido os respectivos mandatos por infringência do disposto nos incisos I e II do art. 55 da Constituição Federal, dos dispositivos equivalentes sobre perda de mandato das Constituições Estaduais e Leis Orgânicas dos Municípios e do Distrito Federal, para as eleições que se realizarem durante o período remanescente do mandato para o qual foram eleitos e nos oito anos subsequentes ao término da legislatura; (Redação dada pela LCP 81, de 13/04/94) c) o Governador e o Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal e o Prefeito e o Vice-Prefeito que perderem seus cargos eletivos por infringência a dispositivo da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o período remanescente e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término do mandato para o qual tenham sido eleitos; (Redação dada pela Lei Complementar nº 135, de 2010) d) os que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso do poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes; e) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena, pelos crimes: 1. contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público; 2. contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os previstos na lei que regula a falência; 3. contra o meio ambiente e a saúde pública; 4. eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liberdade;) 5. de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou à inabilitação para o exercício de função pública; 6. de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; 7. de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos; 8. de redução à condição análoga à de escravo; 9. contra a vida e a dignidade sexual; e 10. praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando; f) os que forem declarados indignos do oficialato, ou com ele incompatíveis, pelo prazo de 8 (oito) anos; ***g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 127 improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesa, sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição; TJ/RO (2019); MPE/SC (2019) h) os detentores de cargo na administração pública direta, indireta ou fundacional, que beneficiarem a si ou a terceiros, pelo abuso do poder econômico ou político, que forem condenados em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes; i) os que, em estabelecimentos de crédito, financiamento ou seguro, que tenham sido ou estejam sendo objeto de processo de liquidação judicial ou extrajudicial, hajam exercido, nos 12 (doze) meses anteriores à respectiva decretação, cargo ou função de direção, administração ou representação, enquanto não forem exonerados de qualquer responsabilidade; j) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, por corrupção eleitoral, por captação ilícita de sufrágio, por doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diploma, pelo prazo de 8 (oito) anos a contar da eleição; k) o Presidente da República, o Governador de Estado e do Distrito Federal, o Prefeito, os membros do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, da Câmara Legislativa, das Câmaras Municipais, que renunciarem a seus mandatos desde o oferecimento de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de processo por infringência a dispositivo da Constituição Federal, da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o período remanescente do mandato para o qual foram eleitos e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término da legislatura; l) os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena; m) os que forem excluídos do exercício da profissão, por decisão sancionatória do órgão profissional competente, em decorrência de infração ético-profissional, pelo prazo de 8 (oito) anos, salvo se o ato houver sido anulado ou suspenso pelo Poder Judiciário; TJ/RO (2019) n) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, em razão de terem desfeito ou simulado desfazer vínculo conjugal ou de união estável para evitar caracterização de inelegibilidade, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão que reconhecer a fraude; o) os que forem demitidos do serviço público em decorrência de processo administrativo ou judicial, pelo prazo de 8 (oito) anos, contado http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 128 da decisão, salvo se o ato houver sido suspenso ou anulado pelo Poder Judiciário; p) a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o procedimento previsto no art. 22; q) os magistrados e os membros do Ministério Público que forem aposentados compulsoriamente por decisão sancionatória, que tenham perdido o cargo por sentença ou que tenham pedido exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de processo administrativo disciplinar, pelo prazo de 8 (oito) anos; II - para Presidente e Vice-Presidente da República: a) até 6 (seis) meses depois de afastados definitivamente de seus cargos e funções: 1. os Ministros de Estado: 2. os chefes dos órgãos de assessoramento direto, civil e militar, da Presidência da República; 3. o chefe do órgão de assessoramento de informações da Presidência da República; 4. o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas; 5. o Advogado-Geral da União e o Consultor-Geral da República; 6. os chefes do Estado-Maior da Marinha, do Exército e da Aeronáutica; 7. os Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica; 8. os Magistrados; 9. os Presidentes,Diretores e Superintendentes de autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas e as mantidas pelo poder público; 10. os Governadores de Estado, do Distrito Federal e de Territórios; 11. os Interventores Federais; 12, os Secretários de Estado; 13. os Prefeitos Municipais; 14. os membros do Tribunal de Contas da União, dos Estados e do Distrito Federal; 15. o Diretor-Geral do Departamento de Polícia Federal; 16. os Secretários-Gerais, os Secretários-Executivos, os Secretários Nacionais, os Secretários Federais dos Ministérios e as pessoas que ocupem cargos equivalentes; b) os que tenham exercido, nos 6 (seis) meses anteriores à eleição, nos Estados, no Distrito Federal, Territórios e em qualquer dos poderes da União, cargo ou função, de nomeação pelo Presidente da República, sujeito à aprovação prévia do Senado Federal; c) (Vetado); d) os que, até 6 (seis) meses antes da eleição, tiverem competência ou interesse, direta, indireta ou eventual, no lançamento, arrecadação ou fiscalização de impostos, taxas e contribuições de caráter obrigatório, inclusive parafiscais, ou para aplicar multas relacionadas com essas atividades e) os que, até 6 (seis) meses antes da eleição, tenham exercido cargo ou função de direção, administração ou representação nas empresas de que tratam os arts. 3° e 5° da Lei n° 4.137, de 10 de setembro de 1962, quando, pelo âmbito e natureza de suas atividades, possam tais empresas influir na economia nacional; http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 129 f) os que, detendo o controle de empresas ou grupo de empresas que atuem no Brasil, nas condições monopolísticas previstas no parágrafo único do art. 5° da lei citada na alínea anterior, não apresentarem à Justiça Eleitoral, até 6 (seis) meses antes do pleito, a prova de que fizeram cessar o abuso apurado, do poder econômico, ou de que transferiram, por força regular, o controle de referidas empresas ou grupo de empresas; g) os que tenham, dentro dos 4 (quatro) meses anteriores ao pleito, ocupado cargo ou função de direção, administração ou representação em entidades representativas de classe, mantidas, total ou parcialmente, por contribuições impostas pelo poder Público ou com recursos arrecadados e repassados pela Previdência Social; h) os que, até 6 (seis) meses depois de afastados das funções, tenham exercido cargo de Presidente, Diretor ou Superintendente de sociedades com objetivos exclusivos de operações financeiras e façam publicamente apelo à poupança e ao crédito, inclusive através de cooperativas e da empresa ou estabelecimentos que gozem, sob qualquer forma, de vantagens asseguradas pelo poder público, salvo se decorrentes de contratos que obedeçam a cláusulas uniformes; i) os que, dentro de 6 (seis) meses anteriores ao pleito, hajam exercido cargo ou função de direção, administração ou representação em pessoa jurídica ou em empresa que mantenha contrato de execução de obras, de prestação de serviços ou de fornecimento de bens com órgão do Poder Público ou sob seu controle, salvo no caso de contrato que obedeça a cláusulas uniformes; j) os que, membros do Ministério Público, não se tenham afastado das suas funções até 6 (seis)) meses anteriores ao pleito; I) os que, servidores públicos, estatutários ou não, dos órgãos ou entidades da Administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos Territórios, inclusive das fundações mantidas pelo Poder Público, não se afastarem até 3 (três) meses anteriores ao pleito, garantido o direito à percepção dos seus vencimentos integrais; III - para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; a) os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República especificados na alínea a do inciso II deste artigo e, no tocante às demais alíneas, quando se tratar de repartição pública, associação ou empresas que operem no território do Estado ou do Distrito Federal, observados os mesmos prazos; b) até 6 (seis) meses depois de afastados definitivamente de seus cargos ou funções: 1. os chefes dos Gabinetes Civil e Militar do Governador do Estado ou do Distrito Federal; 2. os comandantes do Distrito Naval, Região Militar e Zona Aérea; 3. os diretores de órgãos estaduais ou sociedades de assistência aos Municípios; 4. os secretários da administração municipal ou membros de órgãos congêneres; IV - para Prefeito e Vice-Prefeito: a) no que lhes for aplicável, por identidade de situações, os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice- Governador de Estado e do Distrito Federal, observado o prazo de 4 (quatro) meses para a desincompatibilização; TJ/RO (2019) http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 130 b) os membros do Ministério Público e Defensoria Pública em exercício na Comarca, nos 4 (quatro) meses anteriores ao pleito, sem prejuízo dos vencimentos integrais; c) as autoridades policiais, civis ou militares, com exercício no Município, nos 4 (quatro) meses anteriores ao pleito; V - para o Senado Federal: a) os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República especificados na alínea a do inciso II deste artigo e, no tocante às demais alíneas, quando se tratar de repartição pública, associação ou empresa que opere no território do Estado, observados os mesmos prazos; b) em cada Estado e no Distrito Federal, os inelegíveis para os cargos de Governador e Vice-Governador, nas mesmas condições estabelecidas, observados os mesmos prazos; VI - para a Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa e Câmara Legislativa, no que lhes for aplicável, por identidade de situações, os inelegíveis para o Senado Federal, nas mesmas condições estabelecidas, observados os mesmos prazos; VII - para a Câmara Municipal: a) no que lhes for aplicável, por identidade de situações, os inelegíveis para o Senado Federal e para a Câmara dos Deputados, observado o prazo de 6 (seis) meses para a desincompatibilização; b) em cada Município, os inelegíveis para os cargos de Prefeito e Vice- Prefeito, observado o prazo de 6 (seis) meses para a desincompatibilização . § 1° Para concorrência a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até 6 (seis) meses antes do pleito. § 2° O Vice-Presidente, o Vice-Governador e o Vice-Prefeito poderão candidatar-se a outros cargos, preservando os seus mandatos respectivos, desde que, nos últimos 6 (seis) meses anteriores ao pleito, não tenham sucedido ou substituído o titular. § 3° São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes, consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos 6 (seis) meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. § 4o A inelegibilidade prevista na alínea e do inciso I deste artigo não se aplica aos crimes culposos e àqueles definidos em lei como de menor potencial ofensivo, nem aos crimes de ação penal privada. § 4º-A. A inelegibilidade prevista na alínea “g” do inciso I do caput deste artigo não se aplica aos responsáveis que tenham tido suas contas julgadas irregulares sem imputação de débito e sancionados exclusivamente com o pagamento de multa. (Incluído pela Lei Complementar nº 184, de 2021) § 5o A renúncia para atender à desincompatibilização com vistas a candidatura a cargo eletivo ou para assunção de mandato não gerará a inelegibilidade prevista na alínea k, a menos que a Justiça Eleitoral reconheça fraude ao disposto nesta Lei Complementar. Como o tema foi cobrado em concurso?MPE/AP (2021) Os prazos de desincompatibilização para que membros da Defensoria Pública dos estados em exercício na comarca concorram às eleições para prefeito, vereador e deputado estadual são, respectivamente, http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 131 de até quatro meses antes do pleito, seis meses antes do pleito e três meses antes do pleito. Correta! A seguir iremos analisar algumas hipóteses do art. 1º da LC 64/90 de maior relevância: 1ª Hipótese: Art. 1º, I, “e” - Os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena (privativa de liberdade, restritiva de direito ou multa), pelos crimes: • contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público; • contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os previstos na lei que regula a falência; • contra o meio ambiente e a saúde pública; • eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liberdade; • de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou à inabilitação para o exercício de função pública; • de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; • de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos; • de redução à condição análoga à de escravo; • contra a vida e a dignidade sexual; e • praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando; Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/MS (2020): O artigo 1°, inciso I, alínea “e”, da Lei Complementar federal n° 64, de 18 de maio de 1990, estabelece, como causa de inelegibilidade para qualquer cargo, a condenação, pelos crimes que especifica, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena. A esse respeito, o prazo concernente à hipótese de inelegibilidade em questão projeta-se por 8 (oito) anos após o cumprimento da pena, seja ela privativa de liberdade, restritiva de direito ou multa. Correto! Salienta-se que, conforme o art. 15, III, da CF, a condenação criminal transitada em julgado acarreta a suspensão dos direitos políticos enquanto perdurarem seus efeitos. Os efeitos da suspensão dos direitos políticos cessam a partir do cumprimento ou da extinção da pena. Aqui, a inelegibilidade, ao contrário, persiste até 8 anos após o cumprimento da pena. Além disso, a inelegibilidade se constitui a partir do trânsito em julgado da decisão ou da publicação da decisão colegiada. A oposição de embargos declaratórios não suspende a incidência da inelegibilidade (REsp 12.242). http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 132 ATENÇÃO!! Na liminar da ADI 6.63018, o Ministro Kássio Nunes, suspendeu a expressão “após o cumprimento da pena”, afirmando que a inelegibilidade de 8 anos deve contar a partir da condenação, uma vez que a norma da alínea e, “faz protrair por prazo indeterminado os efeitos do dispositivo impugnado”. ADI 6.630: Em face do exposto, defiro o pedido de suspensão da expressão “após o cumprimento da pena”, contida na alínea ‘e’ do inciso I do art. 1º da Lei Complementar 64/1990, nos termos em que fora ela alterada pela Lei Complementar 135/2010, tão somente aos processos de registro de candidatura das eleições de 2020 ainda pendentes de apreciação, inclusive no âmbito do TSE e do STF. Posteriormente, porém, quando do julgamento do mérito da referida ADI julgou-se improcedente o pedido, sendo cassada a medida liminar. Prevaleceu-se, ao final, que a fluência integral do prazo de 8 anos de inelegibilidade dá-se após o fim do cumprimento da pena (art. 1º, I, “e”, da LC 64/1990, com a redação da LC 135/2010), vejamos: EMENTA: CONSTITUCIONAL. ELEITORAL. AÇÃO DIRETA. ART. 1º, I, ALÍNEA "E", DA LEI COMPLEMENTAR 64/1990 (REDAÇÃO DA LC 135/2010). INELEGIBILIDADE DECORRENTE DE CONDENAÇÃO CRIMINAL. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DE 8 ANOS A PARTIR DA DATA DO CUMPRIMENTO DA PENA. DETRAÇÃO DO TEMPO DE INELEGIBILIDADE ENTRE O JULGAMENTO COLEGIADO E O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. DETRAÇÃO DO PERÍODO ENTRE O TRÂNSITO EM JULGADO E O FIM DO CUMPRIMENTO DA PENA. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS ARTS. 14, § 9º, E 15, CAPUT E INCISO III, DA CF. VITUAL CASSAÇÃO DE DIREITOS POLÍTICOS E INDETERMINAÇÃO DO PRAZO DA INELEGIBILIDADE. PEDIDO JULGAGO IMPROCEDENTE. 1. A Lei Complementar 135/2010 modificou o regime das inelegibilidades, majorando o prazo para 8 (oito) anos e estabelecendo inelegibilidade no curso do processo judicial, após o julgamento colegiado em segunda instância, visando a conferir efetividade à tutela da moralidade administrativa e à legitimidade dos processos eleitorais, como reconhecido pela CORTE no julgamento das ADCs 29 e 30 e da ADI 4578, em que se afirmou a constitucionalidade do tratamento rigoroso da matéria, inclusive em relação à inelegibilidade efetivada antes do trânsito em julgado da ação. 2. Carece de fundamento legal a pretensão a subtrair do prazo de 8 (oito) anos de inelegibilidade posterior ao cumprimento da pena o tempo em que a capacidade eleitoral passiva do agente foi obstaculizada pela inelegibilidade anterior ao trânsito em julgado e pelos efeitos penais da condenação, conforme expressamente debatido e rejeitado pela CORTE no julgamento das ADCs 29 e 30 e da ADI 4578. 3. A fluência integral do prazo de 8 anos de inelegibilidade após o fim do cumprimento da pena (art. 1º, I, “e”, da LC 64/1990, com a redação da LC 135/2010) é medida proporcional, isonômica e necessária para a prevenção de abusos no processo eleitoral e para a proteção da moralidade e probidade administrativas. 4. Ação Direta julgada improcedente. 18 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6072681 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6072681 http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 133 Importante consignar que a inelegibilidade NÃO se aplica aos crimes culposos, de menor potencial ofensivo e de ação penal privada. Art. 1º, § 4o A inelegibilidade prevista na alínea e do inciso I deste artigo não se aplica aos crimes culposos e àqueles definidos em lei como de menor potencial ofensivo, nem aos crimes de ação penal privada. A prescrição da pretensão executória não prejudica os efeitos extrapenais da condenação criminal e não afasta a inelegibilidade da alínea e. Atenção para a Súmulas 59 e 60 do TSE: Súmula nº 59 - O reconhecimento da prescrição da pretensão executória pela Justiça Comum não afasta a inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC nº 64/90, porquanto não extingue os efeitos secundários da condenação Súmula 60 - O prazo da causa de inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC nº 64/1990 deve ser contado a partir da data em que ocorrida a prescrição da pretensão executória e não do momento da sua declaração judicial. Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/SP (2017): O reconhecimento da prescrição da pretensão executória, pela Justiça Comum, do réu condenado definitivamente por tráfico de entorpecentes, implica, em relação a sua elegibilidade o fim da sua inelegibilidade após o decurso de oito anos contados da data em que ocorreu a extinção da pretensão executória estatal. Correta! Crimes tributários e licitatórios atraem a inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, 1, da LC nº 64/90, por enfraquecer as regras regentes da Administração Pública. Ademais, incide na hipótese de condenação pelo Tribunal do Júri, já que se trata de um órgão colegiado. TSE- Recurso Ordinário nº 263449 - SÃO PAULO – SP RECURSO ORDINÁRIO. ELEIÇÕES 2014. DEPUTADO FEDERAL. REGISTRO DE CANDIDATURA. INELEGIBILIDADE. ART. 1º, I, e, 9, DA LC 64/90. CONDENAÇÃOCRIMINAL. TRIBUNAL DO JÚRI. ÓRGÃO COLEGIADO DO PODER JUDICIÁRIO. DESPROVIMENTO. 1. A inelegibilidade do art. 1º, I, e, 9, da LC 64/90 incide nas hipóteses de condenação criminal emanada do Tribunal do Júri, o qual constitui órgão colegiado soberano, integrante do Poder Judiciário. Precedentes: REspe nº 611- 03/RS, Dje 13.8.2013 e REspe nº 158-04/MG, PSESS 23.10.2012. O Tribunal, por maioria, desproveu o recurso, nos termos do voto da Ministra Maria Thereza de Assis Moura, que redigirá o acórdão. Vencidos os Ministros Relator e Gilmar Mendes. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/MS (2020): O artigo 1°, inciso I, alínea “e”, da Lei Complementar federal n° 64, de 18 de maio de 1990, estabelece, como causa de inelegibilidade para qualquer cargo, a condenação, pelos crimes que especifica, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena. A esse respeito, o Tribunal Superior Eleitoral tem decidido que http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 134 Tribunal do Júri não pode ser considerado órgão judicial colegiado para os fins da aplicação dessa hipótese de inelegibilidade. Errado! TJ/MS (2020): os crimes previstos na Lei de Licitações (Lei federal n° 8.666, de 21 de junho de 1993) não estão abrangidos pela citada hipótese de inelegibilidade. Errado! (Obs.: após a Lei 14.133/2021 os crimes de licitação estão previstos no Código Penal) TJ/MS (2020): os crimes contra a ordem tributária não estão abrangidos pela citada hipótese de inelegibilidade. Errado! 2ª Hipótese: Art. 1º, I, “g” - os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesa, sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição. O art. 1º, I, “g”, da LC 64/90 prevê que são inelegíveis para qualquer cargo os que tiverem suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas “por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa”. Assim, a rejeição de contas só gera a inelegibilidade se a irregularidade insanável que for detectada configurar ato doloso de improbidade administrativa. Não é possível fazer uma interpretação extensiva desse dispositivo para dizer que a simples violação da Lei de Licitações configura ato doloso de improbidade administrativa e que, portanto, caracteriza essa hipótese de inelegibilidade. É necessário fazer uma distinção entre “ato meramente ilegal” e “ato ímprobo”, exigindo para este último uma qualificação especial: lesar o erário ou, ainda, promover enriquecimento ilícito ou favorecimento contra legem de terceiro. Importante consignar que cabe à Justiça Eleitoral definir se as contas rejeitadas apresentam características de irregularidade insanável que configure ato de improbidade administrativa e, assim, reconhecer a incidência da inelegibilidade. Salienta-se que a LC 184/2021 incluiu o §4º-A determinado que só haverá inelegibilidade na hipótese da alínea “g” do inciso I do art. 1º se as contas do administrador forem julgadas irregulares com imputação de débito (ressarcimento ao erário). Se o órgão aplicar apenas multa, essa decisão não gerará inelegibilidade. Art. 1º, § 4º-A. A inelegibilidade prevista na alínea “g” do inciso I do caput deste artigo não se aplica aos responsáveis que tenham tido suas contas julgadas irregulares sem imputação de débito e sancionados exclusivamente com o pagamento de multa. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/RO (2019): São inelegíveis os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade sanável e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 135 realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão. Errado! MPE/SC (2019): Consoante a Lei Complementar n. 64/1990, alterada pela Lei Complementar n. 135/2010, são inelegíveis os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão. Errado! MPE/BA (2018): Sobre a inelegibilidade de condenado por ato doloso de improbidade administrativa, nos termos da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, alterada pela Lei Complementar nº 135, de 04 de junho de 2010, de natureza infraconstitucional, é correto afirmar que perdura por oito anos, desde a condenação ter sido confirmada ou proferida por órgão colegiado, dispensado o requisito do trânsito em julgado. Correto! 3ª Hipótese: Art. 1º, I, “j” - os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, por corrupção eleitoral, por captação ilícita de sufrágio, por doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diploma, pelo prazo de 8 (oito) anos a contar da eleição. Só incide a inelegibilidade prevista aqui se houver efetiva cassação do registro ou diploma. A aplicação isolada de multa não acarreta a inelegibilidade. Por exemplo, Prefeito condenado por conduta vedada aos agentes públicos (art. 73 e seguintes da Lei 9.504/97), mas a única sanção estabelecida na condenação foi o pagamento de multa, não será inelegível. O Juiz eleitoral que julga as representações não deve se pronunciar sobre a inelegibilidade, porque é efeito secundário da decisão proferida por órgão colegiado que cassar o registro ou diploma. Súmula 69 do TSE: Os prazos de inelegibilidade previstos nas alíneas j e h do inciso I do art. 1º da LC nº 64/90 têm termo inicial no dia do primeiro turno da eleição e termo final no dia de igual número no oitavo ano seguinte. 4ª Hipótese: Art. 1º, I, “l” - os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/RO (2019): São inelegíveis os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público ou enriquecimento ilícito, desde o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após a referida condenação. Errado! http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 136 A inelegibilidade só incidirá se for aplicada a sanção de suspensão dos direitos políticos na ação que julgou a improbidade. Trata-se dos oito anos somente contados após terminado o período de suspensão de direitos políticos. Obs.: Segundo TSE, lesão ao patrimônio e enriquecimento ilícito são requisitos cumulativos. AI - Agravo Regimental em Agravo de Instrumento nº 41102 - ORIZÂNIA- MG Acórdão de 05/12/2019 Relator(a) Min. Edson Fachin 1. A inelegibilidade prevista no art. 1º, I, l, da LC nº 64/1990 exige para sua configuração a presença dos seguintes requisitos: condenação à suspensão dos direitos políticos; decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado; ato doloso de improbidade administrativa; o ato tenha ensejado, de forma cumulativa, lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito. 2. É lícito à Justiça Eleitoral aferir, a partir da fundamentação do acórdão proferido pela Justiça Comum, a existência - ou não - dos requisitos exigidos para a caracterização da causa de inelegibilidade preconizada no art. 1º, I, l, da LC nº 64/1990. 4. No caso em exame, não é possível extrair do acórdão condenatório proferido em ação de improbidade administrativa o enriquecimento ilícito do agente público ou de terceiros, à míngua de elementos que denotem acréscimo patrimonial. 5ª Hipótese: Art. 1º, I, “p” - a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o procedimento previsto no art. 22. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/RO (2019): São inelegíveis a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o procedimento da ação de investigação judicial eleitoral. Correto! A Lei 9504/97 estabelece que cada pessoa física só pode doar para campanhas eleitorais 10% do seu rendimento bruto no ano anterior ao da eleição (art. 23, §1º). Quem exceder a esses limites vai virar réu em representação por doação ilegal. Não mais se aplica aos “dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis”, a partir da decisão do STF (ADI 4650), que reconheceu a inconstitucionalidade das doações de pessoas jurídicas para as campanhas eleitorais. O TSE vem decidindo que somente as doações que representam quebra da isonomia entre os candidatos, risco à normalidade e à legitimidade do pleito ou que se aproximam do abuso do poder econômico podem gerar a causa de inelegibilidade prevista nesta alínea. 0000161-88.2016.6.08.0043 RESPE - Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 16188 - BRASÍLIA - DF Acórdão de 14/12/2016 Relator(a) Min. Napoleão Nunes Maia Filho 1. O acórdão recorrido está em consonância com o entendimento desta Corte, segundo o qual nem toda http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 137 doação eleitoral tida como ilegal é capaz de atrair a inelegibilidade da alínea p. Somente aquelas que, em si, representam quebra da isonomia entre os candidatos, risco à normalidade e à legitimidade do pleito ou que se aproximem do abuso do poder econômico é que poderão ser qualificadas para efeito de aferição da referida inelegibilidade (RO 534-30/PB, Rel. Min. HENRIQUE NEVES DA SILVA, DJe 16.9.2014). 2. No caso, o TRE do Espírito Santo concluiu que o valor que excedeu o limite permitido - R$ 6.981,85 - representava menos de 10% da arrecadação realizada pelo candidato beneficiado, não reunindo, portanto, aptidão para influenciar o pleito - tanto que o agraciado não foi eleito - e, tampouco, ferir a isonomia entre os candidatos. 3.1.3. A Lei da Ficha Limpa (LC 135/10) e o Princípio da Anualidade Esta lei alterou a LC 64. A inelegibilidade passou a ser de 08 anos, em vez de 03. Ademais, antes era exigido o trânsito em julgado enquanto hoje é necessária apenas a condenação por órgão colegiado. Além disso, o rol dos crimes em razão dos quais a pessoa não poderia se candidatar foi ampliado. A CF consagra o art. 16 como cláusula pétrea, garantia individual do cidadão (já vista no Poder Constituinte). Princípio da anterioridade eleitoral. CF Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 4, de 1993) Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a Lei Complementar (LC) 135/2010, a chamada Lei da Ficha Limpa, não deveria ser aplicada às eleições realizadas em 2010, por desrespeito ao artigo 16 da Constituição Federal, dispositivo que trata da anterioridade da lei eleitoral. Com essa decisão, os ministros estão autorizados a decidir individualmente casos sob sua relatoria, aplicando o artigo 16 da Constituição Federal. A decisão aconteceu no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 633703, que discutiu a constitucionalidade da Lei Complementar 135/2010 e sua aplicação nas eleições de 2010. Por seis votos a cinco, os ministros deram provimento ao recurso de Leonídio Correa Bouças, candidato a deputado estadual em Minas Gerais que teve seu registro negado com base nessa lei. TSE: a inelegibilidade se aplica aos que forem condenados ANTES ou DEPOIS da lei. Foi um artifício utilizado pelo Senado, houve alteração na lei redação, com a desculpa que era apenas alteração sem modificação de sentido, portanto a outra casa não revisou. Isso foi confirmado pelo STF em FEV./2012, conforme abaixo. Em Fevereiro/2012, o STF declarou a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e sua respectiva aplicação nas eleições de 2012. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) concluíram dia 16/02/2012 a análise conjunta das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs 29 e 30) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4578) que tratam da Lei Complementar 135/2010, a Lei da Ficha Limpa. Por maioria de votos, prevaleceu o entendimento em favor da constitucionalidade da lei, que poderá ser aplicada nas eleições daquele ano, alcançando atos e fatos ocorridos antes de sua vigência. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 138 4. PRIVAÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS (PERDA OU SUSPENSÃO) Não se admite no Brasil CASSAÇÃO de direitos políticos. Cassação é a retirada arbitrária de direitos políticos. A CF só admite a perda e a suspensão dos direitos políticos. A perda é uma privação definitiva; a suspensão é uma privação temporária. CF Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja PERDA ou SUSPENSÃO só se dará nos casos de: I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; (PERDA) II - incapacidade civil absoluta; (SUSPENSÃO) III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; (SUSPENSÃO) IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; (Controvérsia: SUSPENSÃO ou PERDA) V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. (SUSPENSÃO) Vejamos: PERDA DA NATURALIZAÇÃO Só pode exercer direitos políticos, no Brasil, quem for cidadão. Só pode ser cidadão aquele que for nacional (com exceção dos portugueses – veremos adiante). Assim, quando ocorre a perda da naturalização, consequentemente, perde-se os direitos políticos INCAPACIDADE CIVIL ABSOLUTA É hipótese de suspensão dos direitos políticos. Atualmente, absolutamente incapazes são apenas os menores de 16 anos, os demais, mesmo que não possam manifestar sua vontade, são considerados relativamente incapazes. Para o Direito Eleitoral, é um problema, tendo em vista que o sufrágio é uma manifestação de vontade própria, não se admite o voto por procuração. Assim, os relativamente incapazes, estarão impedidos de exercer seus direitos políticos, numa interpretação lógica sistemática do ordenamento. CONDENAÇÃO CRIMINAL TRANSITADA EM JULGADO É hipótese de suspensão dos direitos políticos. Destaca-se que não se trata da forma como o condenado irá cumpriro regime de pena (fechado, semiaberto ou aberto), assim mesmo que o réu esteja solto, havendo condenação com trânsito em julgado, os seus direitos políticos estarão suspensos até o integral cumprimento da http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 139 pena. Além disso, o cidadão preso preventivamente terá seus direitos políticos, podendo exercer o sufrágio. Há entendimento do TSE de que a absolvição imprópria, em que há aplicação de medida de segurança, também causa a suspensão dos direitos políticos. A Súmula 9 do TSE trata do assunto: Súmula 09 TSE: a suspensão dos direitos políticos decorrente de condenação criminal transitada em julgado cessa com o cumprimento ou a extinção da pena, independendo de reabilitação ou de prova de reparação de danos. RECUSA DE CUMPRIR OBRIGAÇÃO A TODOS IMPOSTA OU SUA PRESTAÇÃO ALTERNATIVA Divergência: Conforme a Lei Eleitoral seria SUSPENSÃO, seguida pela doutrina eleitoral. No entanto, a grande maioria dos constitucionalistas (Afonso da Silva e Dirley da Cunha Jr.) entende ser PERDA. Em provas, é cobrado como perda, apesar do TSE entender tratar-se de suspensão. Se o indivíduo cumprir a obrigação devida, retoma os direitos perdidos. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Uma das consequências do ato ímprobo é a SUSPENSÃO dos direitos políticos. Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) ... § 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. A seguir quadro esquemático acerca do assunto: http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 140 Por fim, importante lembrar: • Cláusula de reciprocidade com Portugal (brasileiros equiparados a portugueses): Os brasileiros que vivem em Portugal e ganham a equiparação aos portugueses em relação ao exercício de direitos, ficam com seus direitos políticos SUSPENSOS no Brasil, enquanto nessa condição. • LC 64/90: Deputado ou Senador declarado incompatível com o decoro parlamentar tem seus direitos políticos SUSPENSOS por oito anos. 5. SERVIDOR PÚBLICO E EXERCÍCIO DE MANDATO ELETIVO Ao servidor público da Administração Direta, autárquica ou fundacional, no exercício de cargo eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: 1) Investido em mandato eletivo federal, estadual ou distrital, fica afastado do cargo público. 2) Investido no mandato de prefeito, fica afastado do cargo público, mas pode escolher a remuneração que vai receber. 3) Investido em mandato de vereador, poderá ganhar as duas remunerações, desde que haja compatibilidade. Do contrário, fica afastado e escolhe a que vai ganhar. 4) O tempo de afastamento conta como tempo de serviço para todos os efeitos legais (inclusive benefícios previdenciários), exceto promoção por merecimento. DIREITOS POLÍTICOS Vedada a cassação Admite-se a perda ou suspensão Perda da naturalização Incapacidade civil absoluta Condenação criminal com TJ Recusa de cumprir obrigação a todos imposta Improbidade administrativa http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 141 ALISTAMENTO ELEITORAL É o termo inicial da cidadania (capacidade de exercer direitos políticos), tendo em vista que confere capacidade eleitoral ativa. No ano das eleições, 150 dias antes, é fechado o alistamento eleitoral para novas pessoas. Contando da data das eleições, inclusive, são 151 dias. Obs.: se houver segundo turno, este período também se estende. O alistamento eleitoral é regido pelo art. 42 a 50 do CE e pelos arts 29 a 36 da resolução 23.659/2021 do TSE. 1. NATUREZA JURÍDICA DO ALISTAMENTO ELEITORAL O alistamento eleitoral é o procedimento administrativo de qualificação e de inscrição da pessoa natural no registro de eleitores e que torna a pessoa titular da capacidade eleitoral ativa (capacidade para ser eleitor). 2. PROCEDIMENTO DE ALISTAMENTO ELEITORAL CE Art. 42. O alistamento se faz mediante a qualificação e inscrição do eleitor. PROVOCAÇÃO DO ALISTAMENTO O alistamento eleitoral não é realizado de ofício, devendo ser feito por provocação do interessado. É um procedimento facultativo para os menores de 18 anos e maiores de 16, para os maiores de 70 anos, bem como para os analfabetos (independentemente da idade – quem não sabe ler e nem escrever). Ressalta-se que, nestes casos, o voto também é facultativo. Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/MT (2019): não podem alistar-se como eleitores somente os analfabetos e os que não saibam exprimir-se na língua nacional. Errado! MPE/MT (2019): o alistamento é obrigatório para todos os brasileiros, salvo apenas para os maiores de sessenta anos, pois já enquadrados no Estatuto do Idoso. Errado! Aquele que não se alista, sendo obrigado, incorre em várias sanções: não participa de concursos públicos, não pode ter passaporte etc. 1ª FASE DO ALISTAMENTO ELEITORAL: QUALIFICAÇÃO http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 142 Qualificação é procedimento pelo qual a pessoa natural comprova que preenche os requisitos para se tornar eleitor. O procedimento de qualificação é aferido pelo CARTÓRIO ELEITORAL. Presentes os requisitos, o Juiz vai deferir a inscrição no CADASTRO GERAL DE ELEITOR. Se não preencher algum requisito, o Juiz nega o alistamento e o procedimento se transforma em judicial. 2.2.1. Requisitos da qualificação O alistando irá preencher, no Cartório Eleitoral, o RAE (requerimento de alistamento eleitoral). Obs.: hoje, este procedimento é eletrônico. 1) Nacionalidade brasileira (brasileiro nato ou naturalizado) Como se prova a nacionalidade? Carteira de identidade, certidão de nascimento, certidão de casamento etc. CF Art. 14. § 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos. *Exceção: portugueses amparados pelo estatuto da igualdade. É o instituto que existe apenas entre brasileiros e portugueses. Entra-se com um procedimento no Ministério da Justiça. Os portugueses nessas condições não são obrigados a se alistar, sendo tal alistamento facultativo. Porém, os portugueses que se alistam têm o dever de votar, nas hipóteses de voto obrigatório discriminadas na CF. Brasileiro NATURALIZADO tem o prazo de 01 ano após a entrega do certificado de naturalização para se alistar, sob pena de ficar irregular com a justiça eleitoral. 2) Não estar em regime de conscrição militar A conscrição militar é o período de prestação de serviço militar obrigatório. O brasileiro que já se alistou e depois é chamado a servir o exército, seu registro eleitoral permanece (não deve ser cancelado, pois ao se inscrever não estava conscrito), mas fica suspenso. *Inalistabilidade → CF/1988 - art. 14, §2º. Não podem se alistar os estrangeiros e durante o serviço militar obrigatório os conscritos. CF Art. 14. § 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos. Estes dois requisitos compõem a inalistabilidade. Direito político eleitoral negativo. 3) Idade Mínima CF/1988: 16 anos. Essa idade não pode ser objeto de aumento, pois é cláusula pétrea. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 143 Segundo a Resolução 23.659/21, art. 30, caput e §3º, a partir da data em que o menor completar 15 anos fica facultado o seu alistamento, ao completar 16 anos o títulode eleitor começa a surtir efeitos. Art. 30. A partir da data em que a pessoa completar 15 anos, é facultado o seu alistamento eleitoral. § 1º Nos anos em que se realizarem eleições ordinárias, o alistamento de que trata o caput deste artigo deverá ser solicitado até o encerramento do prazo fixado para requerimento de operações do cadastro. § 2º O alistamento será requerido diretamente pela pessoa menor de idade e independe de autorização ou assistência de seu/sua representante legal. § 3º O título eleitoral emitido nas condições deste artigo somente surtirá o efeito previsto no art. 11 desta Resolução quando a pessoa completar 16 anos. Qual o tempo máximo para o alistamento? O art. 8º do CE e o art. 91 da Lei das Eleições tratam do assunto: até completar 19 anos. Se ele completar 19 anos e não se alista, será considerado irregular, não podendo fazer matrículas em universidade, não pode obter novos documentos e será multado pelo Juiz eleitoral quando for regularizar sua situação, nos termos do art. 7º do CE. CE Art. 8º O brasileiro nato que não se alistar até os 19 anos ou o naturalizado que não se alistar até um ano depois de adquirida a nacionalidade brasileira, incorrerá na multa de 3 (três) a 10 (dez) por cento sobre o valor do salário- mínimo da região, imposta pelo juiz e cobrada no ato da inscrição eleitoral através de selo federal inutilizado no próprio requerimento. L9504 Art. 91. Nenhum requerimento de inscrição eleitoral ou de transferência será recebido dentro dos cento e cinquenta dias anteriores à data da eleição. Parágrafo único. A retenção de título eleitoral ou do comprovante de alistamento eleitoral constitui crime, punível com detenção, de um a três meses, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade por igual período, e multa no valor de cinco mil a dez mil UFIR. Art. 7º O eleitor que deixar de votar e não se justificar perante o juiz eleitoral até 30 (trinta) dias após a realização da eleição, incorrerá na multa de 3 (três) a 10 (dez) por cento sobre o salário-mínimo da região, imposta pelo juiz eleitoral e cobrada na forma prevista no art. 367. § 1º Sem a prova de que votou na última eleição, pagou a respectiva multa ou de que se justificou devidamente, não poderá o eleitor: I - inscrever-se em concurso ou prova para cargo ou função pública, investir- se ou empossar-se neles; II - receber vencimentos, remuneração, salário ou proventos de função ou emprego público, autárquico ou para estatal, bem como fundações governamentais, empresas, institutos e sociedades de qualquer natureza, mantidas ou subvencionadas pelo governo ou que exerçam serviço público delegado, correspondentes ao segundo mês subsequente ao da eleição; III - participar de concorrência pública ou administrativa da União, dos Estados, dos Territórios, do Distrito Federal ou dos Municípios, ou das respectivas autarquias; http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 144 IV – Revogado pela Lei 14.690, de 2023; V - obter passaporte ou carteira de identidade; VI - renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo; VII - praticar qualquer ato para o qual se exija quitação do serviço militar ou imposto de renda. Como o tema foi cobrado em concurso? MP/TO (2022): O requerimento de transferência de domicílio eleitoral poderá ser protocolado dentro dos cento e cinquenta dias anteriores à data da eleição. Correto! MPE/MT (2019): sem a prova de que votou na última eleição, pagou a respectiva multa ou de que se justificou devidamente, não poderá o eleitor obter passaporte ou carteira de identidade, entre outras restrições. Correto! MPE/MT (2019): o eleitor que deixar de votar e não se justificar perante o juiz eleitoral até 45 dias após a realização da eleição, incorrerá em multa de cinco a dez por cento sobre o salário-mínimo da região, imposta pelo juiz eleitoral. Errado! A Lei 9504/97 criou uma espécie de anistia para este jovem. Se ele já tem 19 anos, mas providenciou o alistamento até 150 dias da próxima eleição, fica isento da multa do art. 8º do CE. Art. 8º, Parágrafo único. Não se aplicará a pena ao não alistado que requerer sua inscrição eleitoral até o centésimo primeiro dia anterior à eleição subsequente à data em que completar dezenove anos. 4) Domicílio Eleitoral Uma das condições para que a pessoa possa concorrer nas eleições é que ela tenha domicílio eleitoral na circunscrição (art. 14, § 3º, IV, da CF/88). Assim, o candidato deve possuir domicílio eleitoral no local onde quer se candidatar pelo período mínimo previsto na legislação infraconstitucional. Domicílio eleitoral é o lugar onde a pessoa tem vínculos políticos (ex.: participa do diretório do partido no local), sociais (ex.: é líder comunitário), profissionais (ex.: trabalha na cidade), econômicos (ex.: possui empresa no Município) ou até mesmo afetivos. Enfim, mesmo que a pessoa não more naquele Município ou Estado, ela, em tese, pode ter domicílio eleitoral ali, desde que possua um dos vínculos acima expostos. Trata-se de uma interpretação bem mais ampla que o domicílio civil. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/MS (2020): O domicílio eleitoral é determinado pelo lugar em que o eleitor estabelece a sua residência com ânimo definitivo, não se admitindo a demonstração de outros vínculos para tal determinação. Errado! CE art. 42, parágrafo único: o domicílio eleitoral coincide, num primeiro momento, com o domicílio civil. Se tiver mais de um domicílio civil, qualquer deles. Art. 42. O alistamento se faz mediante a qualificação e inscrição do eleitor. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 145 Parágrafo único. Para o efeito da inscrição, é domicílio eleitoral o lugar de residência ou moradia do requerente, e, verificado ter o alistando mais de uma, considerar-se-á domicílio qualquer delas. Obs.: nem sempre o domicílio civil coincide com o domicílio eleitoral. A minirreforma eleitoral de 2017 reduziu o prazo mínimo do domicílio eleitoral de um ano para seis meses. ANTES: para concorrer às eleições, o candidato deveria possuir domicílio eleitoral na respectiva circunscrição pelo prazo de, pelo menos, um ano antes do pleito. AGORA: esse prazo mínimo de domicílio eleitoral foi reduzido para 6 meses. LEI 9.504/97 (LEI DAS ELEIÇÕES) Redação anterior Redação ATUAL Art. 9º Para concorrer às eleições, o candidato deverá possuir domicílio eleitoral na respectiva circunscrição pelo prazo de, pelo menos, um ano antes do pleito, e estar com a filiação deferida pelo partido no mínimo seis meses antes da data da eleição. Art. 9º Para concorrer às eleições, o candidato deverá possuir domicílio eleitoral na respectiva circunscrição pelo prazo de seis meses e estar com a filiação deferida pelo partido no mesmo prazo. 5) Regularização Requisito necessário para os que estiverem irregulares com a justiça eleitoral. Exemplo: naturalizado que não cumpriu o período. Sujeito com 19 anos que não se alistou. A secretaria eleitoral irá receber esta documentação, através do R A E, e será encaminhada ao Juiz eleitoral. Todo alistamento eleitoral tem que ser deferido pelo Juiz. Se o Juiz entende não estarem preenchidos os requisitos ou tendo alguma dúvida, pode determinar a realização de alguma diligência, notificando o alistando para que seja comprovado algum requisito. Se o caso não for de diligência, o Juiz pode indeferir o alistamento de plano. Se o Juiz entender presentes todos os requisitos, passa-se para a 2ª fase (inscrição). 2ª FASE DO ALISTAMENTO ELEITORAL: INSCRIÇÃO O Juiz defere e informa o TRE (cadastro estadual), que informa ao TSE (cadastro nacional). A inscrição é o DEFERIMENTO do pedido de alistamento, inscrevendo a pessoa no cadastro geral de eleitores. Aquele inscrito ficará vinculadoa uma zona e uma seção eleitoral, que passarão a constar do título de eleitor. Deferida a inscrição, o TRE faz uma listagem dos requerimentos deferidos e indeferidos, que será publicada. http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 146 Havendo DEFERIMENTO da inscrição, partido político ou MP Eleitoral podem impugnar este alistamento alegando que houve vício ou erro. Essa impugnação é feita por meio de um recurso ao TRE, no prazo de 10 dias* contados da publicação da lista dos nomes deferidos. Trata- se do RECURSO INOMINADO. *O prazo de dias úteis do NCPC não se aplica ao direito eleitoral, assim, aqui, conta-se em dias corridos. Havendo INDEFERIMENTO da inscrição: O único interessado em recorrer é o alistando. O alistando possui o prazo de 05 dias contados da publicação da lista para recorrer ao TRE. RECURSO INOMINADO. CE Art. 45. O escrivão, o funcionário ou o preparador recebendo a fórmula e documentos determinará que o alistando date e assine a petição e em ato contínuo atestará terem sido a data e a assinatura lançados na sua presença; em seguida, tomará a assinatura do requerente na folha individual de votação" e nas duas vias do título eleitoral, dando recibo da petição e do documento. § 6º Quinzenalmente o juiz eleitoral fará publicar pela imprensa, onde houver ou por editais, a lista dos pedidos de inscrição, mencionando os deferidos, os indeferidos e os convertidos em diligência, contando-se dessa publicação o prazo para os recursos a que se refere o parágrafo seguinte. § 7º Do despacho que indeferir o requerimento de inscrição caberá recurso interposto pelo alistando, e do que o deferir poderá recorrer qualquer delegado de partido. § 8º Os recursos referidos no parágrafo anterior serão julgados pelo Tribunal Regional Eleitoral dentro de 5 (cinco) dias. TSE Resolução 21538/03 Art. 17. Despachado o requerimento de inscrição pelo juiz eleitoral e processado pelo cartório, o setor da Secretariado Tribunal Regional Eleitoral responsável pelos serviços de processamento eletrônico de dados enviará ao cartórioeleitoral, que as colocará à disposição dos partidospolíticos, relações de inscrições incluídas no cadastro, com os respectivos endereços. § 1º Do despacho que indeferir o requerimento deinscrição, caberá recurso i nterposto pelo alistando noprazo de cinco dias e, do que o deferir, poderá recorrer qualquer delegado de partido político no prazo de dez dias ,contados da colocação da respectiva listagem à disposição dos partidos, o que deverá ocorrer nos dias 1º e 15 de cada mês, ou no primeiro dia útil seguinte, ainda que tenham sido exibidas ao alistando antes dessas datas e mesmo que os partidos não as consultem (Lei nº 6.996/82,art. 7º) 3. TRANSFERÊNCIA Trata-se de procedimento, no primeiro momento, administrativo de mudança de domicílio eleitoral. É realizada por meio de requerimento da parte interessada. Requisitos da transferência (CE arts. 55 e ss). http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 147 Art. 55. Em caso de mudança de domicílio, cabe ao eleitor requerer ao juiz do novo domicílio sua transferência, juntando o título anterior. § 1º A transferência só será admitida satisfeitas as seguintes exigências: I - entrada do requerimento no cartório eleitoral do novo domicílio até 100 (cem) (150 dias anteriores a eleição, de acordo com o art. 28 da Resolução 23.659/2021) dias antes da data da eleição. Art. 28. Dentro dos 150 dias anteriores à data da eleição, não serão recebidos requerimentos de alistamento, transferência ou revisão. Parágrafo único. O recebimento dos requerimentos de que trata o caput deste artigo será retomado em todas as unidades de atendimento da Justiça Eleitoral, em âmbito nacional, após o processamento dos dados de eleição, com observância à data-limite fixada na resolução que trata do cronograma do Cadastro Eleitoral. Lei nº 9.504/97, art. 91, caput: Nenhum requerimento de inscrição eleitoral ou de transferência será recebido dentro dos cento e cinquenta dias anteriores à data da eleição”. Parágrafo único. O processamento reabrir-se-á em cada zona logo que estejam concluídos os trabalhos de apuração em âmbito nacional (Código Eleitoral, art. 70). II - transcorrência de pelo menos 1 (um) ano da inscrição primitiva; II - residência mínima de 3 (três) meses no novo domicílio, atestada pela autoridade policial ou provada por outros meios convincentes. § 2º O disposto nos n°s II e III, do parágrafo anterior, não se aplica quando se tratar de transferência de título eleitoral de servidor público civil, militar, autárquico, ou de membro de sua família, por motivo de remoção ou transferência. (Redação dada pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966) Os arts. 37 e 38 da Resolução 23.659/2021 também trata sobre o tema. Vejamos: Art. 37. A transferência será realizada quando a pessoa desejar alterar seu domicílio eleitoral, em conjunto ou não com eventual retificação de dados ou regularização de inscrição cancelada, e for encontrado em seu nome, em município diverso ou no exterior, número de inscrição regular, suspensa ou, se cancelada, por motivo que permita sua reutilização. Art. 38. A transferência só será admitida se satisfeitas as seguintes exigências: I - apresentação do requerimento perante a unidade de atendimento da Justiça Eleitoral do novo domicílio no prazo estabelecido pela legislação vigente; II - transcurso de, pelo menos, um ano do alistamento ou da última transferência; III - tempo mínimo de três meses de vínculo com o município, dentre aqueles aptos a configurar o domicílio eleitoral, nos termos do art. 23 desta Resolução, pelo tempo mínimo de três meses, declarado, sob as penas da lei, pela própria pessoa (Lei nº 6.996/1982, art. 8º); IV - regular cumprimento das obrigações de comparecimento às urnas e de atendimento a convocações para auxiliar nos trabalhos eleitorais. § 1º Os prazos previstos nos incisos II e III deste artigo não se aplicam à transferência eleitoral de: http://www.iceni.com/infix.htm . CS – DIREITO ELEITORAL 2024.1 148 a) servidora ou servidor público civil e militar ou de membro de sua família, por motivo de remoção, transferência ou posse (Lei nº 6.996/1982, art. 8º, parágrafo único); e b) indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência, trabalhadoras e trabalhadores rurais safristas e pessoas que tenham sido forçadas, em razão de tragédia ambiental, a mudar sua residência. § 2º Não comprovada de plano a regularidade das obrigações referidas no inciso IV deste artigo, e não sendo o caso de isenção, será cobrada do eleitor ou da eleitora multa no valor arbitrado pelo juízo da zona eleitoral de sua inscrição. § 3º Se a multa devida por ausência às urnas ou por desatendimento a convocações para os trabalhos eleitorais ainda não tiver sido arbitrada pelo juízo eleitoral competente, o eleitor ou a eleitora poderá optar, desde logo, por recolhê-la no valor máximo, não decuplicado, previsto na legislação. § 4º Feito o pagamento da multa, será concluída a transferência e, se for o caso do § 3º deste artigo, será feita a comunicação ao juízo competente, com vistas à extinção de eventual procedimento administrativo em que se apure a situação de mesário faltoso. Assim, temos: 1) O pedido de transferência é feito para o Juiz (não existe transferência de ofício) eleitoral da cidade para a qual se quer transferência; 2) O pedido deve ser feito no prazo de 150 dias antes da data da eleição. Esse prazo é fixado na Resolução do TSE; 3) Deve ter transcorrido, pelo menos, 01 ano da inscrição primitiva ou da última transferência; Obs.: não se aplica aos servidores que tenham sido transferidos por decisão do poder público, nem aos seus familiares. Igualmente, não se aplica o prazo aos indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência,