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Simulado de Linguagens IT0124 - (Enem) Sinhá Se a dona se banhou Eu não estava lá Por Deus Nosso Senhor Eu não olhei Sinhá Estava lá na roça Sou de olhar ninguém Não tenho mais cobiça Nem enxergo bem Para que me pôr no tronco Para que me aleijar Eu juro a vosmecê Que nunca vi Sinhá […] Por que talhar meu corpo Eu não olhei Sinhá Para que que vosmincê Meus olhos vai furar Eu choro em iorubá Mas oro por Jesus Para que que vassuncê Me �ra a luz. CHICO BUAROUE; JOÃO BOSCO. Chico. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2011 (fragmento). No fragmento da letra da canção, o vocabulário empregado e a situação retratada são relevantes para o patrimônio linguís�co e iden�tário do país, na medida em que a) remetem à violência �sica e simbólica contra os povos escravizados. b) valorizam as influências da cultura africana sobre a música nacional. c) rela�vizam o sincre�smo cons�tu�vo das prá�cas religiosas brasileiras. d) narram os infortúnios da relação amorosa entre membros de classes sociais diferentes. e) problema�zam as diferentes visões de mundo na sociedade durante o período colonial. L0245 - (Enem) Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso minha aldeia é grande como outra qualquer Porque sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura... (Alberto Caeiro) A �ra "Hagar" e o poema de Alberto Caeiro (um dos heterônimos de Fernando Pessoa) expressam, com linguagens diferentes, uma mesma ideia: a de que a compreensão que temos do mundo é condicionada, essencialmente, a) pelo alcance de cada cultura. b) pela capacidade visual do observador. c) pelo senso de humor de cada um. d) pela idade do observador. e) pela altura do ponto de observação. L0168 - (Ibmecrj) A Semana de Arte Moderna foi um movimento definidor da concepção contemporânea de “cultura brasileira”, quando foram propostas pela primeira vez muitas das ideias ainda correntes sobre a relação do país com a tradição nacional e as influências estrangeiras. Neste ano de 2012, esse movimento completa 90 anos. Da Semana par�ciparam jovens ar�stas como os escritores Oswald 1@professorferretto @prof_ferretto de Andrade, Anita Malfa�, Mario de Andrade e Manuel Bandeira, esses dois úl�mos autores dos poemas abaixo. Texto I VOU ME EMBORA Mario de Andrade (Fragmento) Vou-me embora, vou-me embora Vou-me embora pra Belém Vou colher cravos e rosas Volto a semana que vem (...) Vou-me embora paz na terra Paz na terra repar�da Uns têm terra, muita terra Outros nem pra uma dormida Não tenho onde cair morto Fiz gorar a inteligência Vou reentrar no meu povo Reprincipiar minha ciência (...) Texto II VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA Manuel Bandeira (Fragmento) Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui não sou feliz (...) Expressões e palavras assumem diferentes significados dependendo do contexto em que estão sendo u�lizadas. A expressão “Vou-me embora” assume, nos textos I e II,os seguintes sen�dos de busca, respec�vamente: a) da independência financeira e da liberdade condicional b) da expressão nacionalista e do paraíso perdido c) do conhecimento da pátria e da independência financeira d) do conhecimento do povo e da liberdade de expressão linguís�ca e) da felicidade e do conhecimento da cultura popular IT0037 - (Enem) Slam do Corpo é um encontro pensado para surdos e ouvintes, existente desde 2014, em São Paulo. Uma inicia�va pioneira do grupo Corposinalizante, criado em 2008. (Antes de seguirmos, vale a explicação: o termo slam vem do inglês e significa – numa nova acepção para o verbo geralmente u�lizado para dizer “bater com força” – a “poesia falada nos ritmos das palavras e da cidade”). Nos saraus, o primeiro obje�vo foi o de botar os poemas em Libras na roda, colocar os surdos para circular e entender esse encontro entre a poesia e a língua de sinais, compreender o encontro dessas duas línguas. Poemas de autoria própria, três minutos, um microfone. Sem figurino, nem adereços, nem acompanhamento musical. O que vale é modular a voz e o corpo, um trabalho artesanal de tornar a palavra “visível”, numa arena cujo obje�vo maior é o de emocionar a plateia, �rar o público da passividade, seja pelo humor, horror, caos, doçura e outras tantas sensações. NOVELLI, O. Poesia incorporada. Revista Con�nente, n. 189. set. 2016 (adaptado). Na prá�ca ar�s�ca mencionada no texto, o corpo assume papel de destaque ao ar�cular diferentes linguagens com o intuito de a) imprimir ritmo e visibilidade à expressão poé�ca. b) redefinir o espaço de circulação da poesia urbana. c) es�mular produções autorais de usuários de Libras. d) traduzir expressões verbais para a língua de sinais. e) proporcionar performances esté�cas de pessoas surdas. IT0123 - (Enem) O pavão vermelho Ora, a alegria, este pavão vermelho, está morando em meu quintal agora. Vem pousar como um sol em meu joelho quando é estridente em meu quintal a aurora. Clarim de lacre, este pavão vermelho sobrepuja os pavões que estão lá fora. É uma festa de púrpura. E o assemelho a uma chama do lábaro da aurora. É o próprio doge a se mirar no espelho. E a cor vermelha chega a ser sonora neste pavão pomposo e de chavelho. Pavões lilases possuí outrora. Depois que amei este pavão vermelho, os meus outros pavões foram-se embora. COSTA, S. Poesia completa: Sosígenes Costa. Salvador: Conselho Estadual de Cultura. 2001. 2@professorferretto @prof_ferretto Na construção do soneto, as cores representam um recurso poé�co que configura uma imagem com a qual o eu lírico a) revela a intenção de isolar-se em seu espaço. b) simboliza a beleza e o esplendor da natureza. c) experimenta a fusão de percepções sensoriais. d) metaforiza a conquista de sua plena realização. e) expressa uma visão de mundo mís�ca e espiritualizada. IT0076 - (Enem) Os textos publicitários são produzidos para cumprir determinadas funções comunica�vas. Os obje�vos desse cartaz estão voltados para a conscien�zação dos brasileiros sobre a necessidade de a) as crianças frequentarem a escola regularmente. b) a formação leitora começar na infância. c) a alfabe�zação acontecer na idade certa. d) a literatura ter o seu mercado consumidor ampliado. e) as escolas desenvolverem campanhas a favor da leitura. GR0031 - (Mackenzie) De acordo com os conceitos e regras propostos pelo menino, é correto afirmar que: a) formas nominais passam a ser usadas como formas verbais e vice-versa; daí a sua esquisi�ce. b) "esquisita" e "foi verbado" mostram que as formas verbais criadas obedecem ao paradigma da primeira conjugação, a dos verbos terminados em "-ar". c) do nome "substan�vo" pode ser formado o verbo "substan�var" e do nome "adje�vo", o verbo "adje�vizar". d) o processo de formação de palavras citado é o de derivação parassinté�ca, que corresponde ao acréscimo simultâneo de prefixos e sufixos aos nomes. e) "Verbar esquisita o idioma" é uma frase com predicado nominal, cujo núcleo é um adje�vo. IT0001 - (Enem) A volta do marido pródigo – Bom dia, seu Marrinha! Como passou de ontem? – Bem. Já sabe, não é? Só ganha meio dia. [...] Lá além, Generoso cotuca Tercino: – [...] Vai em festa, dorme que-horas, e, quando chega, ainda é todo enfeitado e salamistrão!... – Que é que hei de fazer, seu Marrinha... Amanheci com uma nevralgia... Fiquei com cisma de apanhar friagem... – Hum... – Mas o senhor vai ver como eu toco o meu serviço e ainda faço este povo trabalhar... [...] Pintão suou para desprender um pedrouço, e teve de pular para trás, para que a laje lhe não esmagasse um pé. Pragueja: – Quem não tem brio engorda! – É... Esse sujeito só é isso, e mais isso... – opina Sidu. – Também, tudo p’ra ele sai bom, e no fim dá certo... 3@professorferretto @prof_ferretto – diz Correia, suspirando e retomando o enxadão. – “P’ra uns, as vacas morrem ... p’ra outros até boi pega a parir...”. Seu Marrajá concordou: – Está bem, seu Laio, por hoje, como foi por doença, eu aponto o dia todo. Que é a úl�ma vez!... E agora, deixa de conversa fiada e vai pegando a ferramenta! ROSA, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967. Esse texto tem importância singular como patrimônio linguís�co para a preservação da cultura nacional devido a) à menção a enfermidades que indicam falta de cuidado pessoal. b) à referência a profissões já ex�ntas que caracterizam a vida no campo. c) aos nomes de personagens que acentuam aspectos de sua personalidade. d) ao emprego de ditados populares que resgatam memórias e saberes cole�vos. e) às descrições de costumes regionais que desmis�ficam crenças e supers�ções. GR0053 - (Efomm) Como Dizia Meu Pai Já se tomou hábito meu, em meio a uma conversa, preceder algum comentário por uma introdução: — Como dizia meu pai... Nem sempre me reporto a algo que ele realmente dizia, sendo apenas uma maneira coloquial de dar ênfase a alguma opinião. De uns tempos para cá, porém, comecei a perceber que a opinião, sem ser de caso pensado, parece de fato corresponder a alguma coisa que Seu Domingos costumava dizer. Isso significará talvez — Deus queira — que insensivelmente vou me tomando com o correr dos anos cada vez mais parecido com ele. Ou, pelo menos, me iden�ficando com a herança espiritual que dele recebi. Não raro me surpreendo, antes de agir, tentando descobrir como ele agiria em semelhantes circunstâncias, repe�ndo uma a�tude sua, até mesmo esboçando um gesto seu. Ao formular uma ideia, percebo que estou concebendo, para nortear meu pensamento, um princípio que, se não foi enunciado por ele, só pode ter sido inspirado por sua presença dentro de mim. — No fim tudo dá certo... Ainda ontem eu tranquilizava um de meus filhos com esta frase, sem reparar que repe�a literalmente o que ele costumava dizer, sempre concluindo com olhar travesso: — Se não deu certo, é porque ainda não chegou no fim. Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde, egresso do escritório situado no porão. Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá de palhinha da varanda, como namorados, trocando no�cias do dia. Os filhos guardavam zelosa distância, até que ela ia aos seus afazeres e ele se punha à disposição de cada um, para ouvir nossos problemas e ajudar a resolvê-los. Finda a úl�ma audiência, passava a mão no chapéu e na bengala e saía para uma volta, um encontro eventual com algum amigo. Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a pé até o centro, subia sempre de bonde. Se acaso ainda estávamos acordados, podíamos contar com o saquinho de balas que o paizinho nunca deixava de trazer. Costumava se distrair realizando pequenos consertos domés�cos: uma boia de descarga, a bucha de uma torneira, um fusível queimado. Dispunha para isso da necessária habilidade e de uma preciosa caixa de ferramentas em que ninguém mais podia tocar. Aprendi com ele como é indispensável, para a boa ordem da casa, ter à mão pelo menos um alicate e uma chave de fenda. Durante algum tempo andou às voltas com o velho relógio de parede que fora de seu pai, hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava atrasando. Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, embora ao remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou não fazerem falta. O relógio passou a funcionar sem atrasos, e as ba�das a soar em horas desencontradas. Como, aliás, acontece até hoje. Tinha por hábito emi�r um pequeno sopro de assovio, que tanto podia ser indício de paz de espírito como do esforço para controlar a perturbação diante de algum aborrecimento. — As coisas são como são e não como deviam ser. Ou como gostaríamos que fossem. Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que não se poderia fugir. Queria dizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade não poder prevalecer sobre a vontade de Deus – embora jamais fosse assim eloquente em suas conclusões. Estas quase sempre eram, mesmo, eivadas de certo ce�cismo preven�vo ante as esperanças vãs: — O que não tem solução, solucionado está. E tudo que acontece é bom — talvez não chegasse ao cúmulo do o�mismo de afirmar isso, como seu filho Gerson, mas não vacilava em sustentar que toda mudança é para melhor: se mudou, é porque não estava dando certo. E se quiser que mude, não podendo fazer nada para isso, espere, que mudará por si. [...] Tudo isso que de uns tempos para cá me vem ocorrendo, às vezes inconscientemente, como legado de meu pai, teve seu coroamento há poucos dias, quando eu ia caminhando distraído pela praia. Revirava na cabeça, não sei a que propósito, uma frase ouvida desde a infância e 4@professorferretto @prof_ferretto que fazia parte de sua filosofia: não se deve aumentar a aflição dos aflitos. Esta máxima me conduziu a outra, enunciada por Carlos Drummond de Andrade no filme que fiz sobre ele, a qual certamente Seu Domingos perfilharia: não devemos exigir das pessoas mais do que elas podem dar. De repente fui fulminado por uma verdade tão absoluta que �ve de parar, completamente zonzo, fechando os olhos para entender melhor. No entanto era uma verdade evangélica, de clareza cin�lante como um raio de sol, cheguei a fazer uma vênia de gra�dão a Seu Domingos por me havê-la enviado: — Só há um meio de resolver qualquer problema nosso: é resolver primeiro o do outro. Com o tempo, a cidade foi tomando conhecimento do seu bom senso, da experiência adquirida ao longo de uma vida sem maiores ambições: Seu Domingos, além de representante de umas firmas inglesas, era procurador de partes — solene designação para uma a�vidade que hoje talvez fosse referida como a de um despachante. A princípio os amigos, conhecidos, e depois até desconhecidos passaram a procurá-lo para ouvir um conselho ou receber dele uma orientação. Era de se ver a romaria no seu escritório todas as manhãs: um funcionário que dera desfalque, uma mulher abandonada pelo marido, um pai agoniado com problemas do filho — era gente assim que vinha buscar com ele alívio para a sua dúvida, o seu medo, a sua aflição. O próprio Governador, que não o conhecia pessoalmente, certa vez o consultou através de um secretário, sobre questão administra�va que o atormentava. Não se falando nos filhos: mesmo depois de ter saído de casa, mais de uma vez tomei trem ou avião e fui colher uma palavra sua que hoje tanta falta me faz. Resta apenas evocá-la, como faço agora, para me servir de consolo nas horas más. No momento, ele próprio está aqui a meu lado, com o seu sorriso bom. SABINO, Fernando. A volta por cima. In: Obra Reunida v. III. Rio de Janeiro: Ed. Nova Aguilar, 1996. (Texto adaptado) Com base no texto, responda à questão que se segue. Assinale a opção em que a flexão de grau do substan�vo destacado é u�lizada exclusivamente para pôr em primeiro plano uma linguagem que demonstra valor afe�vo. a) “Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá de palhinha da varanda, como namorados, trocando no�cias do dia.” (9°§) b) “Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, embora ao remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou não fazerem falta.” (10°§) c) “Costumava se distrair realizando pequenos consertos domés�cos: uma boia de descarga, a bucha de uma torneira, um fusível queimado.” (10°§) d) ''Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde [...].” (9°§) e) “Se acaso ainda estávamos acordados, podíamos contar com o saquinho de balas que o paizinho nunca deixava de trazer.” (9°§) IT0019 - (Enem) O humor e a língua Há algum tempo, venho estudando as piadas, com ênfase em sua cons�tuição linguís�ca. Por isso, embora a afirmação a seguir possa parecersurpreendente, creio que posso garan�r que se trata de uma verdade quase banal: as piadas fornecem simultaneamente um dos melhores retratos dos valores e problemas de uma sociedade, por um lado, e uma coleção de fatos e dados impressionantes para quem quer saber o que é e como funciona uma língua, por outro. Se se quiser descobrir os problemas com os quais uma sociedade se debate, uma coleção de piadas fornecerá excelente pista: sexualidade, etnia/raça e outras diferenças, ins�tuições (igreja, escola, casamento, polí�ca), morte, tudo isso está sempre presente nas piadas que circulam anonimamente e que são ouvidas e contadas por todo mundo em todo o mundo. Os antropólogos ainda não prestaram a devida atenção a esse material, que poderia subs�tuir com vantagem muitas entrevistas e pesquisas par�cipantes. Saberemos mais a quantas andam o machismo e o racismo, por exemplo, se pesquisarmos uma coleção de piadas do que qualquer outro corpus. POSSENTI. S. Ciência Hoje, n. 176, out. 2001 (adaptado). A piada é um gênero textual que figura entre os mais recorrentes na cultura brasileira, sobretudo na tradição oral. Nessa reflexão, a piada é enfa�zada por 5@professorferretto @prof_ferretto a) sua função humorís�ca. b) sua ocorrência universal. c) sua diversidade temá�ca. d) seu papel como veículo de preconceitos. e) seu potencial como objeto de inves�gação. IT0077 - (Enem) Montaigne deu o nome para um novo gênero literário; foi dos primeiros a ins�tuir na literatura moderna um espaço privado, o espaço do “eu”, do texto ín�mo. Ele cria um novo processo de escrita filosófica, no qual hesitações, autocrí�cas, correções entram no próprio texto. COELHO, M. Montaigne. São Paulo: Publifolha, 2001 (adaptado). O novo gênero de escrita aludido no texto é o(a) a) confissão, que relata experiências de transformação. b) ensaio, que expõe concepções subje�vas de um tema. c) carta, que comunica informações para um conhecido. d) meditação, que propõe preparações para o conhecimento. e) diálogo, que discute assuntos com diferentes interlocutores. L0177 - (Upf) Leia “Poema que aconteceu” e “Coração numeroso”, poemas que integram a obra Alguma poesia, de Carlos Drummond de Andrade. Poema que aconteceu Nenhum desejo neste domingo nenhum problema nesta vida o mundo parou de repente os homens ficaram calados domingo sem fim nem começo. A mão que escreve este poema não sabe que está escrevendo mas é possível que se soubesse nem ligasse. Coração numeroso Foi no Rio. Eu passava na Avenida quase meia-noite. Bicos de seio ba�am nos bicos de luz estrelas inumeráveis. Havia a promessa do mar e bondes �lintavam, abafando o calor que soprava no vento e o vento vinha de Minas. Meus paralí�cos sonhos desgosto de viver (a vida para mim é vontade de morrer) faziam de mim homem-realejo imperturbavelmente na Galeria Cruzeiro quente quente e como não conhecia ninguém a não ser o doce vento mineiro, nenhuma vontade de beber, eu disse: Acabemos com isso. Mas tremia na cidade uma fascinação casas compridas autos abertos correndo caminho do mar voluptuosidade errante do calor mil presentes da vida aos homens indiferentes, que meu coração bateu forte, meus olhos inúteis choraram. O mar ba�a em meu peito, já não sabia no cais. A rua acabou, quede árvores? a cidade sou eu a cidade sou eu sou eu a cidade meu amor. Em relação aos dois poemas, é correto afirmar que: a) “Poema que aconteceu” expressa a dedicação do poeta à criação poé�ca. b) No poema “Coração numeroso”, o eu lírico se apresenta amargurado e melancólico. c) O vocabulário de “Poema que aconteceu” é �pico da retórica român�ca. d) A linguagem formal e o discurso indireto estão presentes em “Coração numeroso”. e) Ao adotar o ideal da impessoalidade, os poemas transparecem tendências do Parnasianismo. IT0025 - (Enem) TEXTO l Ditado popular é uma frase sentenciosa, concisa, de verdade comprovada, baseada na secular experiência do povo, exposta de forma poé�ca, contendo uma norma de conduta ou qualquer outro ensinamento. WEITZEL, A. H. Folclore literário e linguís�co. Juiz de Fora: Esdeva, 1984 (fragmento). TEXTO II 6@professorferretto @prof_ferretto Rindo brincalhona, dando-lhe tapinhas nas costas, prima Constança disse isto, dorme no assunto, ouça o travesseiro, não tem melhor conselheiro. Enquanto prima Biela dormia no assunto, toda a casa se alvoroçava. [Prima Constança] ia rezar, pedir a Deus para iluminar prima Biela. Mas ia também tomar suas providências. Casamento e mortalha, no céu se talha. Deus escreve direito por linhas tortas. O que for soará. Dizia os ditados todos, procurando interpretar os desígnios de Deus, transformar os seus desejos nos desígnios de Deus. Se achava um instrumento de Deus. DOURADO, A. Uma vida em segredo. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1990 (fragmento). O uso que prima Constança faz dos ditados populares, no texto II, cons�tui uma maneira de u�lizar o �po de saber definido no texto l, porque a) cita-os pela força do hábito. b) os aceita como verdade absoluta. c) aciona-os para jus�ficar suas ações. d) toma-os para solucionar um problema. e) considera-os como uma orientação divina. IT0281 - (Enem) TEXTO I A melhor banda de todos os tempos da úl�ma semana O melhor disco brasileiro de música americana O melhor disco dos úl�mos anos de sucessos do passado O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos Não importa contradição O que importa é televisão Dizem que não há nada que você não se acostume Cala a boca e aumenta o volume então. MELLO, B.; BRITTO, S. A melhor banda de todos os tempos da úl�ma semana. São Paulo: Abril Music, 2001 (fragmento). TEXTO II O fe�chismo na música e a regressão da audição Aldous Huxley levantou em um de seus ensaios a seguinte pergunta: quem ainda se diverte realmente hoje num lugar de diversão? Com o mesmo direito poder-se-ia perguntar: para quem a música de entretenimento serve ainda como entretenimento? Ao invés de entreter, parece que tal música contribui ainda mais para o emudecimento dos homens, para a morte da linguagem como expressão, para a incapacidade de comunicação. ADORNO, T. Textos escolhidos. São Paulo: Nova Cultural, 1999. A aproximação entre a letra da canção e a crí�ca de Adorno indica o(a) a) lado efêmero e restri�vo da indústria cultural. b) baixa renovação da indústria de entretenimento. c) influência da música americana na cultura brasileira. d) fusão entre elementos da indústria cultural e da cultura popular. e) declínio da forma musical em prol de outros meios de entretenimento. L0062 - (Ifsp) Leia um trecho do poema Ilha da Maré, do escritor brasileiro Manuel Botelho de Oliveira. E, tratando das próprias, os coqueiros, galhardos e frondosos criam cocos gostosos; e andou tão liberal a natureza que lhes deu por grandeza, não só para bebida, mas sustento, o néctar doce, o cândido alimento. De várias cores são os cajus belos, uns são vermelhos, outros amarelos, e como vários são nas várias cores, também se mostram vários nos sabores; e criam a castanha, que é melhor que a de França, Itália, Espanha. (COHN, Sergio. Poesia.br Rio de Janeiro: Azougue, 2012.) Podemos relacionar os versos desse poema ao Quinhen�smo Nacional, pois a) o eu lírico repudia a presença de colonizadores portugueses em nossa terra. b) a fauna e a flora tropicais são descritas de maneira minuciosa e idealizada. c) o poeta enriqueceu devido à exportação de produtos brasileiros para a metrópole. d) a exuberância e a diversidade da natureza tropical são exaltadas pelo poeta. e) a natureza farta e bela é o cenário onde ocorrem os encontros amorosos do eu lírico. IT0167 - (Enem) 7@professorferretto @prof_ferretto Opportunity é o nome de um veículo explorador que aterrissou em Marte com a missão de enviar informações à Terra. A charge apresenta uma crí�ca ao(à) a) gasto exagerado com o envio de robôs a outros planetas. b) exploração indiscriminada de outros planetas.c) circulação digital excessiva de autorretratos. d) vulgarização das descobertas espaciais. e) mecanização das a�vidades humanas. GR0243 - (Fuvest) O Twi�er é uma das redes sociais mais importantes no Brasil e no mundo. (...) Um estudo iden�ficou que as fake news são 70% mais propensas a serem retweetadas do que fatos verdadeiros. (...) Outra conclusão importante do trabalho diz respeito aos famosos bots: ao contrário do que muitos pensam, esses robôs não são os grandes responsáveis por disseminar no�cias falsas. Nem mesmo comparando com outros robozinhos: tanto os que espalham informações men�rosas quanto aqueles que divulgam dados verdadeiros alcançaram o mesmo número de pessoas. (Super Interessante, “No Twi�er, fake news se espalham 6 vezes mais rápido que no�cias verdadeiras”. Maio/2019.) No período “Nem mesmo comparando com outros robozinhos: tanto os que espalham informações men�rosas quanto aqueles que divulgam dados verdadeiros alcançaram o mesmo número de pessoas.”, os dois-pontos são u�lizados para introduzir uma a) conclusão. b) concessão. c) explicação. d) contradição. e) condição. IT0148 - (Enem) Atualmente os jovens estão imersos numa sociedade permeada pela tecnologia. Nesse contexto, os jogos digitais são artefatos muito empregados. Videogames a�vos ou exergames foram introduzidos como forma de permi�r que o corpo controlasse tais jogos. Como resultado, passaram a ser vistos como uma ferramenta auxiliar na adoção de um es�lo de vida menos sedentário, com efeitos posi�vos sobre a saúde. Tem-se defendido que os exergames podem contribuir para a prá�ca regular de a�vidade �sica moderada, bem como promover a interação entre jogadores, reduzindo o sen�mento de isolamento social. Por outro lado, argumenta-se que os exergames não podem subs�tuir a experiência real das prá�cas corporais, pois não mo�vam a longo prazo a prá�ca permanente de a�vidades �sicas. FINCO, M. D.; REATEGUI, E. B.; ZARO, M. A. Laboratório de exergames: um espaço complementar para as aulas de educação �sica. Movimento, n. 3, 2015 (adaptado). Pela sua intera�vidade, os exergames apresentam-se como possibilidade para es�mular o(a) a) exercitação �sica, promovendo a saúde. b) vivência de exercícios �sicos sistemá�cos. c) envolvimento com a�vidades �sicas ao longo da vida. d) jogo por meio de comandos fornecidos pelo videogame. e) disputa entre jogadores, contribuindo para o individualismo. GR0238 - (Fmj) Leia o trecho do ar�go “Flertando com o desconhecido”, de Marcelo Gleiser. Muita gente acha que a ciência é uma a�vidade sem emoções, des�tuída de drama, fria e racional. Na verdade, é justamente o oposto. A premissa da ciência é a nossa ignorância, nossa vulnerabilidade em relação ao desconhecido, ao que não sabemos. Muitas vezes, quando experimentos revelam novos aspectos da Natureza que sequer haviam sido conjecturados, a sensação de tatearmos no escuro pode levar ao desespero. E agora? Se nossas teorias não podem explicar o que estamos observando, como ir adiante? Nenhum exemplo na história da ciência ilustra melhor esse drama do que o nascimento da �sica quân�ca, que 8@professorferretto @prof_ferretto descreve o comportamento dos átomos e das par�culas subatômicas, e que está por trás de toda a revolução digital que rege a sociedade moderna. Ao final do século XIX, a �sica estava com muito pres�gio. A mecânica de Newton, a teoria eletromagné�ca de Faraday e Maxwell, a compreensão dos fenômenos térmicos, tudo levava a crer que a ciência estava perto de chegar ao seu obje�vo final, a compreensão de toda a Natureza. Para a surpresa de muitos, experimentos revelaram fenômenos que não podiam ser explicados pelas teorias da chamada era clássica. Não se sabia, por exemplo, se átomos eram ou não en�dades reais, já que a �sica clássica previa que seriam instáveis. Gradualmente, ficou claro que uma nova �sica era necessária para lidar com o mundo do muito pequeno. Mas que �sica seria essa? Ninguém queria mudanças muito radicais. Ou quase ninguém. A primeira ideia da nova era veio de Max Planck. Eis como Planck relatou em 1900 seu estado emocional ao propor a ideia do quantum (o menor valor que certas grandezas �sicas podem apresentar): “Resumidamente, posso descrever minha a�tude como um ato de desespero, já que por natureza sou uma pessoa pacífica e contrária a aventuras irresponsáveis.” O uso da palavra “desespero” é revelador. Planck viu-se forçado a propor algo novo, que ia contra tudo o que havia aprendido até então e que acreditava ser correto sobre a Natureza. Abandonar o velho e propor o novo requer muita coragem intelectual. E muita humildade, algo que faltava aos que achavam que a �sica estava quase completa. Planck sabia que a �sica tem como missão explicar o mundo natural, mesmo que a explicação contrarie nossas ideias preconcebidas. Nunca devemos arrogar que nossas ideias tenham precedência sobre o que a Natureza nos diz. (O caldeirão azul, 2019. Adaptado.) “Planck sabia que a �sica tem como missão explicar o mundo natural, mesmo que a explicação contrarie nossas ideias preconcebidas.” (3º parágrafo) Em relação ao trecho que o antecede, o trecho sublinhado expressa ideia de a) consequência. b) condição. c) conclusão. d) concessão. e) causa. IT0280 - (Enem) Par�cipei de uma entrevista com o músico Renato Teixeira. Certa hora, alguém pediu para listar as diferenças entre a música sertaneja an�ga e a atual. A resposta dele surpreendeu a todos: “Não há diferença alguma. A música caipira sempre foi a mesma. É uma música que espelha a vida do homem no campo, e a música não mente. O que mudou não foi a música, mas a vida no campo”. Faz todo sen�do: a música caipira de raiz exalava uma solidão, um certo distanciamento do país “moderno”. Exigir o mesmo de uma música feita hoje, num interior conectado, globalizado e rico como o que temos, é impossível. Para o bem ou para o mal, a música reflete seu próprio tempo. BARCINSKI. A. Mudou a música ou mudaram os caipiras? Folha de São Paulo, 4 jun. 2012 (adaptado). A questão cultural indicada no texto ressalta o seguinte aspecto socioeconômico do atual campo brasileiro: a) Crescimento do sistema de produção extensiva. b) Expansão de a�vidades das novas ruralidades. c) Persistência de relações de trabalho compulsório. d) Contenção da polí�ca de subsídios agrícolas. e) Fortalecimento do modelo de organização coopera�va. IT0010 - (Enem) Vou-me embora p’ra Pasárgada foi o poema de mais longa gestação em toda a minha obra. Vi pela primeira vez esse nome Pasárgada quando �nha os meus dezesseis anos e foi num autor grego. [...] Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas” ou “tesouro dos persas”, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias, como o de L’invita�on au Voyage, de Baudelaire. Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda sensação de tudo o que eu não �nha feito em minha vida por mo�vo da doença, saltou-me de súbito do subconsciente este grito estapafúrdio: “Vou-me embora p’ra Pasárgada!” Sen� na redondilha a primeira célula de um poema, e tentei realizá-lo, mas fracassei. Alguns anos depois, em idên�cas circunstâncias de desalento e tédio, me ocorreu o mesmo desabafo de evasão da “vida besta”. Desta vez o poema saiu sem esforço como se já es�vesse pronto dentro de mim. Gosto desse poema porque vejo nele, em escorço, toda a minha vida; [...] Não sou arquiteto, como meu pai desejava, não fiz nenhuma casa, mas reconstruí e “não de uma forma imperfeita neste mundo de aparências’, uma cidade ilustre, que hoje não é mais a Pasárgada de Ciro, e sim a “minha” Pasárgada. BANDEIRA, M. I�nerário da Pasárgada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; Brasília: INL, 1984 Os processos de interação comunica�va preveem a presença a�va de múl�plos elementos da comunicação, entre os quais se destacam as funções da linguagem. 9@professorferretto @prof_ferretto Nesse fragmento, a função da linguagem predominante é a) emo�va,porque o poeta expõe os sen�mentos de angús�a que o levaram à criação poé�ca. b) referencial, porque o texto informa sobre a origem do nome empregado em um famoso poema de Bandeira. c) metalinguís�ca, porque o poeta tece comentários sobre a gênese e o processo de escrita de um de seus poemas. d) poé�ca, porque o texto aborda os elementos esté�cos de um dos poemas mais conhecidos de Bandeira. e) apela�va, porque o poeta tenta convencer os leitores sobre sua dificuldade de compor um poema. IT0078 - (Enem) Devagar, devagarinho Desacelerar é preciso. Acelerar não é preciso. Afobados e voltados para o próprio umbigo, operamos, automa�zados, falas robó�cas e silêncios glaciais. Ilustra bem esse estado de espírito a música Sinal fechado (1969), de Paulinho da Viola. Trata-se da história de dois sujeitos que se encontram inesperadamente em um sinal de trânsito. A conversa entre ambos, porém, se deu rápida e rasteira. Logo, os personagens se despedem, com a promessa de se verem em outra oportunidade. Percebe-se um registro de comunicação vazia e superficial, cuja tônica foi o contato ligeiro e superficial construído pelos interlocutores: “Olá, como vai? / Eu vou indo, e você, tudo bem? / Tudo bem, eu vou indo correndo, / pegar meu lugar no futuro. E você? / Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono / tranquilo, quem sabe? / Quanto tempo... / Pois é, quanto tempo... / Me perdoe a pressa / é a alma dos nossos negócios... / Oh! Não tem de quê. / Eu também só ando a cem”. O culto à velocidade, no contexto apresentado, se coloca como fruto de um imedia�smo processual que celebra o alcance dos fins sem dimensionar a qualidade dos meios necessários para a�ngir determinado propósito. Tal conjuntura favorece a lei do menor esforço – a comodidade – e prejudica a lei do maior esforço – a dignidade. Como modelo alterna�vo à cultura fast, temos o movimento slow life, cujo propósito, resumidamente, é conscien�zar as pessoas de que a pressa é inimiga da perfeição e do prazer, buscando assim reeducar seus sen�dos para desfrutar melhor os sabores da vida. SILVA, M. F. L. Bole�m UFMG, n. 1749, set. 2011 (adaptado). Nesse ar�go de opinião, a apresentação da letra da canção Sinal fechado é uma estratégia argumenta�va que visa sensibilizar o leitor porque a) adverte sobre os riscos que o ritmo acelerado da vida oferece. b) exemplifica o fato cri�cado no texto com uma situação concreta. c) contrapõe situações de aceleração e de serenidade na vida das pessoas. d) ques�ona o clichê sobre a rapidez e a aceleração da vida moderna. e) apresenta soluções para a cultura da correria que as pessoas vivenciam hoje. L0162 - (Enem) Vicente do Rego Monteiro foi um dos pintores, cujas telas foram expostas durante a Semana de Arte Moderna. Tal como Michelangelo, ele se inspirou em temas bíblicos, porém com um es�lo peculiar. Considerando-se as obras apresentadas, o ar�sta brasileiro a) estava preocupado em retratar detalhes da cena. b) demonstrou irreverência ao retratar a cena bíblica. c) optou por fazer uma escultura minimalista, diferentemente de Michelangelo. d) deu aos personagens traços cubistas, em vez dos traços europeus, �picos de Michelangelo. e) reproduziu o es�lo da famosa obra de Michelangelo, uma vez que retratou a mesma cena bíblica. IT0033 - (Enem) TEXTO I An�gamente An�gamente, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais e se um se esquecia de arear os dentes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda 10@professorferretto @prof_ferretto cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos penates. Não ficava mangando na rua nem escapulia do mestre, mesmo que não entendesse patavina da instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava bo�na de botões para comparecer todo liró ao copo d’água, se bem que no convescote apenas lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras é que eram um precipício, jogando com pau de dois bicos, pelo que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas de molho diante de um treteiro de topete, depois de fintar e engambelar os coiós, e antes que se pudesse tudo em pratos limpos, ele abria o arco. ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de janeiro: nova Aguilar, 1983 (fragmento). TEXTO II Na leitura do fragmento do texto An�gamente constata- se, pelo emprego de palavras obsoletas, que itens lexicais outrora produ�vos não mais o são no português brasileiro atual. Esse fenômeno revela que a) a língua portuguesa de an�gamente carecia de termos para se referir a fatos e coisas do co�diano. b) o português brasileiro se cons�tui evitando a ampliação do léxico proveniente do português europeu. c) a heterogeneidade do português leva a uma estabilidade do seu léxico no eixo temporal. d) o português brasileiro apoia-se no léxico inglês para ser reconhecido como língua independente. e) o léxico do português representa uma realidade linguís�ca variável e diversificada. IT0014 - (Enem) Senhor Juiz O instrumento do “crime” que se arrola Nesse processo de contravenção Não é faca, revólver ou pistola, Simplesmente, doutor, é um violão. Será crime, afinal, será pecado, Será delito de tão vis horrores, Perambular na rua um desgraçado Derramando nas praças suas dores? Mande, pois, libertá-lo da agonia (a consciência assim nos insinua) Não sufoque o cantar que vem da rua, Que vem da noite para saudar o dia. É o apelo que aqui lhe dirigimos, Na certeza do seu acolhimento Juntada desta aos autos nós pedimos E pedimos, enfim, deferimento Disponível em: www.migalhas.com.br. Acesso em: 23 set. 2020 (adaptado). Essa pe�ção de habeas corpus, ao transgredir o rigor da linguagem jurídica, 11@professorferretto @prof_ferretto a) permite que a narra�va seja obje�va e repleta de sen�dos denota�vos. b) mostra que o cordel explora termos próprios da esfera do direito. c) demonstra que o jogo de linguagem proposto atenua a gravidade do delito. d) exemplifica como o texto em forma de cordel compromete a solicitação pretendida. e) esclarece que os termos “crime” e “processo de contravenção” são sinônimos. IT0122 - (Enem) Se for possível, manda-me dizer: – É lua cheia. A casa está vazia – Manda-me dizer, e o paraíso Há de ficar mais perto, e mais recente Me há de parecer teu rosto incerto. Manda-me buscar se tens o dia Tão longo como a noite. Se é verdade Que sem mim só vês monotonia. E se te lembras do brilho das marés De alguns peixes rosados Numas águas E dos meus pés molhados, manda-me dizer: – É lua nova – E reves�da de luz te volto a ver. HILST, H. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São Paulo: Cia. das Letras, 2018 Falando ao outro, o eu lírico revela-se vocalizando um desejo que remete ao a) ce�cismo quanto à possibilidade do reencontro. b) tédio provocado pela distância �sica do ser amado. c) sonho de autorrealização desenhado pela memória. d) julgamento implícito das a�tudes de quem se afasta. e) ques�onamento sobre o significado do amor ausente. L0211 - (Enem) An�ode Poesia, não será esse o sen�do em que ainda te escrevo: flor! (Te escrevo: flor! Não uma flor, nem aquela flor-virtude – em disfarçados urinóis). Flor é a palavra flor; verso inscrito no verso, como as manhãs no tempo. Flor é o salto da ave para o voo: o salto fora do sono quando seu tecido se rompe; é uma explosão posta a funcionar, como uma máquina, uma jarra de flores. MELO NETO, J. C. Psicologia da composição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997 (fragmento). A poesia é marcada pela recriação do objeto por meio da linguagem, sem necessariamente explicá-lo. Nesse fragmento de João Cabral de Melo Neto, poeta da geração de 1945, o sujeito lírico propõe a recriação poé�ca de a) uma palavra, a par�r de imagens com as quais ela pode ser comparada, afim de assumir novos significados. b) um urinol, em referência às artes visuais ligadas às vanguardas do início do século XX. c) uma ave, que compõe, com seus movimentos, uma imagem historicamente ligada à palavra poé�ca. d) uma máquina, levando em consideração a relevância do discurso técnico-cien�fico pós-Revolução Industrial. e) um tecido, visto que sua composição depende de elementos intrínsecos ao eu lírico. IT0157 - (Enem) A internet proporcionou o surgimento de novos paradigmas sociais e impulsionou a modificação de outros já estabelecidos nas esferas da comunicação e da informação. A principal consequência cri�cada na �rinha sobre esse processo é a 12@professorferretto @prof_ferretto a) criação de memes. b) ampliação da blogosfera. c) supremacia das ideias ciberné�cas. d) comercialização de pontos de vista. e) banalização do comércio eletrônico. IT0061 - (Enem) A associação entre o texto verbal e as imagens da garrafa e do cão configura recurso expressivo que busca a) es�mular denúncias de maus-tratos contra animais. b) desvincular o conceito de descarte da ideia de negligência. c) incen�var campanhas de adoção de animais em situação de rua. d) sensibilizar o público em relação ao abandono de animais domés�cos. e) alertar a população sobre as sanções legais acerca de uma prá�ca criminosa. IT0004 - (Enem) Estojo escolar Rio de Janeiro – Noite dessas, ciscando num desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrônicas, bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma estação espacial. [...] Como pretendo viajar esses dias, habilitei-me a comprar aquilo que os caras anunciavam como o top do top em matéria de computador portá�l. No sábado, recebi um embrulho complicado que necessitava de um manual de instruções para ser aberto. [...] De repente, como vem acontecendo nos úl�mos tempos, houve um corte na memória e vi diante de mim o meu primeiro estojo escolar. Tinha 5 anos e ia para o jardim de infância. Era uma caixinha comprida, envernizada, com uma tampa que corria nas bordas do corpo principal. Dentro, arrumados em divisões, havia lápis coloridos, um apontador, uma lapiseira cromada, uma régua de 20 cm e uma borracha para apagar meus erros. [...] Da caixinha vinha um cheiro gostoso, cheiro que nunca esqueci e que me tonteava de prazer. [...] O notebook que agora abro é negro e, em matéria de cheiro, é abominável. Cheira vilmente a telefone celular, a cabine de avião, a aparelho de ultrassonografia onde outro dia uma moça veio ver como sou por dentro. Acho que piorei de estojo e de vida. CONY, C. H. Crônicas para ler na escola. São Paulo: Obje�va, 2009 (adaptado). No texto, há marcas da função da linguagem que nele predomina. Essas marcas são responsáveis por colocar em foco o(a) a) mensagem, elevando-a à categoria de objeto esté�co do mundo das artes. b) código, transformando a linguagem u�lizada no texto na própria temá�ca abordada. c) contexto, fazendo das informações presentes no texto seu aspecto essencial. d) enunciador, buscando expressar sua a�tude em relação ao conteúdo do enunciado. e) interlocutor, considerando-o responsável pelo direcionamento dado à narra�va pelo enunciador. L0140 - (Enem) Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se veem na humilhante con�ngência de sofrer con�nuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, além, que, dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramá�cos, não se entendem no tocante à correção grama�cal, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma – usando do direito que lhe confere a Cons�tuição, vem pedir que o 13@professorferretto @prof_ferretto Congresso Nacional decrete o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro. BARRETO, L. Triste fim de Policarpo Quaresma. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 26 jun. 2012 Nessa pe�ção da pitoresca personagem do romance de Lima Barreto, o uso da norma-padrão jus�fica-se pela a) situação social de enunciação representada. b) divergência teórica entre gramá�cos e literatos. c) pouca representa�vidade das línguas indígenas. d) a�tude irônica diante da língua dos colonizadores. e) tenta�va de solicitação do documento demandado. L0229 - (Enem) Tudo era harmonioso, sólido, verdadeiro. No princípio. As mulheres, principalmente as mortas do álbum, eram maravilhosas. Os homens, mais maravilhosos ainda, ah, di�cil encontrar família mais perfeita. A nossa família, dizia a bela voz de contralto da minha avó. Na nossa família, frisava, lançado em redor olhares complacentes, lamentando os que não faziam parte do nosso clã. [...] Quando Margarida resolveu contar os podres todos que sabia naquela noite negra da rebelião, fiquei furiosa. [...] É men�ra, é men�ra!, gritei tapando os ouvidos. Mas Margarida seguia em frente: �o Maximiliano se casou com a inglesa de cachos só por causa do dinheiro, não passava de um pilantra, a loirinha feiosa era riquíssima. Tia Consuelo? Ora, �a Consuelo chorava porque sen�a falta de homem, ela queria homem e não Deus, ou o convento ou o sanatório. O dote era tão bom que o convento abriu-lhe as portas com loucura e tudo. “E tem mais coisas ainda, minha queridinha”, anunciou Margarida fazendo um agrado no meu queixo. Reagi com violência: uma agregada, uma cria e, ainda por cima, mes�ça. Como ousava desmoralizar meus heróis? TELLES, L. F. A estrutura da bolha de sabão. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. Representante da ficção contemporânea, a prosa de Lygia Fagundes Telles configura e desconstrói modelos sociais. No trecho, a percepção do núcleo familiar descor�na um(a) a) convivência frágil ligando pessoas financeiramente dependentes. b) tensa hierarquia familiar equilibrada graças à presença da matriarca. c) pacto de a�tudes e valores man�dos à custa de ocultações e hipocrisias. d) tradicional conflito de gerações protagonizado pela narradora e seus �os. e) velada discriminação racial refle�da na procura de casamentos com europeus. L0221 - (Enem) Reclame Se o mundo não vai bem a seus olhos, use lentes ... ou transforme o mundo ó�ca olho vivo agradece a preferência CHACAL et al. Poesia marginal. São Paulo: Á�ca, 2006. Chacal é um dos representantes da geração poé�ca de 1970. A produção literária dessa geração, considerada marginal e engajada, de que é representa�vo o poema apresentado, valoriza a) o experimentalismo em versos curtos e tom jocoso. b) a sociedade de consumo, com o uso da linguagem publicitária. c) a construção do poema, em detrimento do conteúdo. d) a experimentação formal dos neossimbolistas. e) o uso de versos curtos e uniformes quanto à métrica. L0208 - (Fuvest) Agora, o Manuel Fulô, este, sim! Um sujeito pingadinho, quase menino – “pepino que encorujou desde pequeno” – cara de bobo de fazenda, do segundo �po –; porque toda fazenda tem o seu bobo, que é, ou um velhote baixote, de barba rara no queixo, ou um eterno rapazola, meio surdo, gago, glabro* e alvar**. Mas gostava de fechar a cara e roncar voz, todo enfarruscado, para mostrar brabeza, e só por descuido sorria, um sorriso manhoso de dono de hotel. E, em suas feições de caburé*** insalubre, amigavam-se as marcas do sangue aimoré e do gálico herdado: cabelo preto, corrido, que boi lambeu; dentes de fio em meia-lua; malares pontudos; lobo da orelha aderente; testa curta, fugidia; olhinhos de viés e nariz peba, mongol. Guimarães Rosa, “Corpo fechado”, de Sagarana. 14@professorferretto @prof_ferretto *sem pelos, sem barba **tolo ***mes�ço O retrato de Manuel Fulô, tal como aparece no fragmento, permite afirmar que a) há clara an�pa�a do narrador para com a personagem, que por isso é caracterizada como “bobode fazenda”. b) estão presentes traços de diferentes etnias, de modo a refle�r a mescla de culturas própria ao es�lo do livro. c) a expressão “caburé insalubre” denota o determinismo biológico que norteia o livro. d) é irônico o trecho “para mostrar brabeza”, pois ao fim da narra�va Manuel Fulô sofre derrota na luta �sica. e) se apontam em sua fisionomia os “olhinhos de viés” para caracterizar a personagem como ingênua. IT0192 - (Enem) Quatro olhos, quatro mãos e duas cabeças formam a dupla de grafiteiros “Osgemeos”. Eles cresceram pintando muros do bairro Cambuci, em São Paulo, e agora têm suas obras expostas na conceituada Deitch Gallery, em Nova Iorque, prova de que o grafite feito no Brasil é apreciado por outras culturas. Muitos lugares abandonados e sem manutenção pelas prefeituras das cidades tornam-se mais agradáveis e humanos com os grafites pintados nos muros. Atualmente, ins�tuições públicas educa�vas recorrem ao grafite como forma de expressão ar�s�ca, o que propicia a inclusão social de adolescentes carentes, demonstrando que o grafite é considerado uma categoria de arte aceita e reconhecida pelo campo da cultura e pela sociedade local e internacional. Disponível em: h�p://www.flickr.com. Acesso em: 10 set. 2008 (adaptado). No processo social de reconhecimento de valores culturais, considera-se que a) grafite é o mesmo que pichação e suja a cidade, sendo diferente da obra dos ar�stas. b) a população das grandes metrópoles depara-se com muitos problemas sociais, como os grafites e as pichações. c) atualmente, a arte não pode ser usada para inclusão social, ao contrário do grafite. d) os grafiteiros podem conseguir projeção internacional, demonstrando que a arte do grafite não tem fronteiras culturais. e) lugares abandonados e sem manutenção tornam-se ainda mais desagradáveis com a aplicação do grafite. IT0006 - (Enem) Os linguistas têm notado a expansão do tratamento informal. “Tenho 78 anos e devia ser tratado por senhor, mas meus alunos mais jovens me tratam por você”, diz o professor Ataliba Cas�lho, aparentemente sem se incomodar com a informalidade, inconcebível em seus tempos de estudante. O você, porém, não reinará sozinho. O tu predomina em Porto Alegre e convive com o você no Rio de Janeiro e em Recife, enquanto você é o tratamento predominante em São Paulo, Curi�ba, Belo Horizonte e Salvador. O tu já era mais próximo e menos formal que você nas quase 500 cartas do acervo on-line de uma ins�tuição universitária, quase todas de poetas, polí�cos e outras personalidades do final do século XIX e início do XX. Disponível em: h�p://revistapesquisa.fapesp.br. Acesso em: 21 abr. 2015 (adaptado). No texto, constata-se que os usos de pronomes variaram ao longo do tempo e que atualmente têm empregos diversos pelas regiões do Brasil. Esse processo revela que a) a escolha de “você” ou de “tu” está condicionada à idade da pessoa que usa o pronome. b) a possibilidade de se usar tanto “tu” quanto “você” caracteriza a diversidade da língua. c) o pronome “tu” tem sido empregado em situações informais por todo o país. d) a ocorrência simultânea de “tu” e de “você” evidencia a inexistência da dis�nção entre níveis de formalidade. e) o emprego de “você” em documentos escritos demonstra que a língua tende a se manter inalterada. IT0040 - (Enem) Esporte e cultura: análise acerca da espor�vização de prá�cas corporais nos jogos indígenas Nos Jogos dos Povos Indígenas, observa-se que as prá�cas corporais realizadas envolvem elementos tradicionais (como as pinturas e adornos corporais) e modernos (como a regulamentação, a fiscalização e a padronização). O arco e flecha e a lança, por exemplo, são instrumentos tradicionalmente u�lizados para a caça e a defesa da comunidade na aldeia. Na ocasião do evento, esses artefatos foram produzidos pela própria etnia, porém sua estruturação como “modalidade espor�va” promoveu uma semelhança entre as técnicas apresentadas, com o sen�do único da compe�ção. ALMEIDA, A. J. M.; SUASSUNA, D. M. F. A. Pensar a prá�ca, n. 1, jan.-abr. 2010 (adaptado). 15@professorferretto @prof_ferretto A relação entre os elementos tradicionais e modernos nos Jogos dos Povos Indígenas desencadeou a a) padronização de pinturas e adornos corporais. b) sobreposição de elementos tradicionais sobre os modernos. c) individuação das técnicas apresentadas em diferentes modalidades. d) legi�mação das prá�cas corporais indígenas como modalidade espor�va. e) preservação dos significados próprios das prá�cas corporais em cada cultura. GR0044 - (Unifor) A morte do jangadeiro Ao sopro do terral abrindo a vela Na esteira azul das águas arrastada, Segue veloz a intrépida jangada, Entre os uivos do mar que se encapela. Prudente, o jangadeiro se acautela Contra os mil acidentes da jornada; Fazem-lhe, entanto, guerra encarniçada O vento, a chuva, os raios, a procela. Súbito, um raio o prostra e, furioso, Da jangada o despeja na água escura E, em brancos véus de espuma, desdiloso Envolve e traga a onda intumescida, Dando-lhe, assim, mortalha e sepultura O mesmo mar que o pão lhe dera em vida. Pe. Antônio Tomás Assinale, de acordo com o soneto do Pe. Antônio Tomás, a alterna�va em que o vocábulo onomatopaico traduz, no texto, o perigo, a traição e a ferocidade do mar diante da frágil embarcação: a) Raios. b) Uivos. c) Véus. d) Acidentes. e) Mortalha. IT0147 - (Enem) A realidade virtual é uma tecnologia de informação que, conforme sugere a imagem, tem como uma de suas principais funções a) promover a manipulação eficiente de conhecimentos e informações de di�cil compreensão no mundo �sico. b) conduzir escolhas profissionais da área de ciência da computação, oferecendo um leque de opções de atuação. c) transferir conhecimento da inteligência ar�ficial para as áreas tradicionais, como as das ciências exatas e naturais. d) levar o ser humano a experimentar mentalmente outras realidades, para as quais é transportado sem sair de seu próprio lugar. e) delimitar tecnologias exclusivas de jogos virtuais, a fim de oferecer maior emoção ao jogador por meio de outras realidades. IT0026 - (Enem) Em bom português No Brasil, as palavras envelhecem e caem como folhas secas. Não é somente pela gíria que a gente é apanhada (aliás, já não se usa mais a primeira pessoa, tanto do singular como do plural: tudo é “a gente”). A própria linguagem corrente vai-se renovando e a cada dia uma parte do léxico cai em desuso. Minha amiga Lila, que vive descobrindo essas coisas, chamou minha atenção para os que falam assim: — Assis� a uma fita de cinema com um ar�sta que representa muito bem. Os que acharam natural essa frase, cuidado! Não saberão dizer que viram um filme com um ator que trabalha bem. E irão ao banho de mar em vez de ir à praia, ves�do de roupa de banho em vez de biquíni, carregando guarda-sol em vez de barraca. Comprarão um automóvel em vez de 16@professorferretto @prof_ferretto comprar um carro, pegarão um defluxo em vez de um resfriado, vão andar no passeio em vez de passear na calçada. Viajarão de trem de ferro e apresentarão sua esposa ou sua senhora em vez de apresentar sua mulher. SABINO, F. Folha de S.Paulo, 13 abr. 1984 (adaptado). A língua varia no tempo, no espaço e em diferentes classes socioculturais. O texto exemplifica essa caracterís�ca da língua, evidenciando que a) o uso de palavras novas deve ser incen�vado em detrimento das an�gas. b) a u�lização de inovações no léxico é percebida na comparação de gerações. c) o emprego de palavras com sen�dos diferentes caracteriza diversidade geográfica. d) a pronúncia e o vocabulário são aspectos iden�ficadores da classe social a que pertence o falante. e) o modo de falar específico de pessoas de diferentes faixas etárias é frequente em todas as regiões. 17@professorferretto @prof_ferretto