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Simulado de Linguagens
IT0124 - (Enem)
Sinhá
 
Se a dona se banhou
Eu não estava lá
Por Deus Nosso Senhor
Eu não olhei Sinhá
Estava lá na roça
Sou de olhar ninguém
Não tenho mais cobiça
Nem enxergo bem
 
Para que me pôr no tronco
Para que me aleijar
Eu juro a vosmecê
Que nunca vi Sinhá
[…]
Por que talhar meu corpo
Eu não olhei Sinhá
Para que que vosmincê
Meus olhos vai furar
Eu choro em iorubá
Mas oro por Jesus
Para que que vassuncê
Me �ra a luz.
CHICO BUAROUE; JOÃO BOSCO. Chico. Rio de Janeiro:
Biscoito Fino, 2011 (fragmento).
 
No fragmento da letra da canção, o vocabulário
empregado e a situação retratada são relevantes para o
patrimônio linguís�co e iden�tário do país, na medida
em que 
a) remetem à violência �sica e simbólica contra os povos
escravizados. 
b) valorizam as influências da cultura africana sobre a
música nacional. 
c) rela�vizam o sincre�smo cons�tu�vo das prá�cas
religiosas brasileiras. 
d) narram os infortúnios da relação amorosa entre
membros de classes sociais diferentes. 
e) problema�zam as diferentes visões de mundo na
sociedade durante o período colonial.
L0245 - (Enem)
 
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no
Universo...
Por isso minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
(Alberto Caeiro)
 
A �ra "Hagar" e o poema de Alberto Caeiro (um dos
heterônimos de Fernando Pessoa) expressam, com
linguagens diferentes, uma mesma ideia: a de que a
compreensão que temos do mundo é condicionada,
essencialmente, 
a) pelo alcance de cada cultura. 
b) pela capacidade visual do observador. 
c) pelo senso de humor de cada um. 
d) pela idade do observador. 
e) pela altura do ponto de observação. 
L0168 - (Ibmecrj)
A Semana de Arte Moderna foi um movimento definidor
da concepção contemporânea de “cultura brasileira”,
quando foram propostas pela primeira vez muitas das
ideias ainda correntes sobre a relação do país com a
tradição nacional e as influências estrangeiras. Neste ano
de 2012, esse movimento completa 90 anos. Da Semana
par�ciparam jovens ar�stas como os escritores Oswald
1@professorferretto @prof_ferretto
de Andrade, Anita Malfa�, Mario de Andrade e Manuel
Bandeira, esses dois úl�mos autores dos poemas abaixo.
 
Texto I
 
VOU ME EMBORA
Mario de Andrade
(Fragmento)
 
Vou-me embora, vou-me embora
Vou-me embora pra Belém
Vou colher cravos e rosas
Volto a semana que vem
(...)
Vou-me embora paz na terra
Paz na terra repar�da
Uns têm terra, muita terra
Outros nem pra uma dormida
Não tenho onde cair morto
Fiz gorar a inteligência
Vou reentrar no meu povo
Reprincipiar minha ciência
(...)
 
Texto II
 
VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA
Manuel Bandeira
(Fragmento)
 
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui não sou feliz
(...)
 
Expressões e palavras assumem diferentes significados
dependendo do contexto em que estão sendo u�lizadas.
A expressão “Vou-me embora” assume, nos textos I e
II,os seguintes sen�dos de busca, respec�vamente: 
a) da independência financeira e da liberdade
condicional 
b) da expressão nacionalista e do paraíso perdido 
c) do conhecimento da pátria e da independência
financeira 
d) do conhecimento do povo e da liberdade de expressão
linguís�ca 
e) da felicidade e do conhecimento da cultura popular 
IT0037 - (Enem)
Slam do Corpo é um encontro pensado para surdos e
ouvintes, existente desde 2014, em São Paulo. Uma
inicia�va pioneira do grupo Corposinalizante, criado em
2008. (Antes de seguirmos, vale a explicação: o termo
slam vem do inglês e significa – numa nova acepção para
o verbo geralmente u�lizado para dizer “bater com força”
– a “poesia falada nos ritmos das palavras e da cidade”).
Nos saraus, o primeiro obje�vo foi o de botar os poemas
em Libras na roda, colocar os surdos para circular e
entender esse encontro entre a poesia e a língua de
sinais, compreender o encontro dessas duas línguas.
Poemas de autoria própria, três minutos, um microfone.
Sem figurino, nem adereços, nem acompanhamento
musical. O que vale é modular a voz e o corpo, um
trabalho artesanal de tornar a palavra “visível”, numa
arena cujo obje�vo maior é o de emocionar a plateia,
�rar o público da passividade, seja pelo humor, horror,
caos, doçura e outras tantas sensações.
NOVELLI, O. Poesia incorporada. Revista Con�nente, n.
189. set. 2016 (adaptado).
Na prá�ca ar�s�ca mencionada no texto, o corpo assume
papel de destaque ao ar�cular diferentes linguagens com
o intuito de
a) imprimir ritmo e visibilidade à expressão poé�ca.
b) redefinir o espaço de circulação da poesia urbana.
c) es�mular produções autorais de usuários de Libras.
d) traduzir expressões verbais para a língua de sinais.
e) proporcionar performances esté�cas de pessoas
surdas.
IT0123 - (Enem)
O pavão vermelho
 
Ora, a alegria, este pavão vermelho,
está morando em meu quintal agora.
Vem pousar como um sol em meu joelho
quando é estridente em meu quintal a aurora.
 
Clarim de lacre, este pavão vermelho
sobrepuja os pavões que estão lá fora.
É uma festa de púrpura. E o assemelho
a uma chama do lábaro da aurora.
 
É o próprio doge a se mirar no espelho.
E a cor vermelha chega a ser sonora
neste pavão pomposo e de chavelho.
 
Pavões lilases possuí outrora.
Depois que amei este pavão vermelho,
os meus outros pavões foram-se embora.
COSTA, S. Poesia completa: Sosígenes Costa. Salvador:
Conselho Estadual de Cultura. 2001.
 
2@professorferretto @prof_ferretto
Na construção do soneto, as cores representam um
recurso poé�co que configura uma imagem com a qual o
eu lírico 
a) revela a intenção de isolar-se em seu espaço. 
b) simboliza a beleza e o esplendor da natureza. 
c) experimenta a fusão de percepções sensoriais. 
d) metaforiza a conquista de sua plena realização. 
e) expressa uma visão de mundo mís�ca e
espiritualizada.
IT0076 - (Enem)
Os textos publicitários são produzidos para cumprir
determinadas funções comunica�vas. Os obje�vos desse
cartaz estão voltados para a conscien�zação dos
brasileiros sobre a necessidade de 
a) as crianças frequentarem a escola regularmente. 
b) a formação leitora começar na infância. 
c) a alfabe�zação acontecer na idade certa. 
d) a literatura ter o seu mercado consumidor
ampliado. 
e) as escolas desenvolverem campanhas a favor da
leitura.
GR0031 - (Mackenzie)
 
 
De acordo com os conceitos e regras propostos pelo
menino, é correto afirmar que:
a) formas nominais passam a ser usadas como formas
verbais e vice-versa; daí a sua esquisi�ce.
b) "esquisita" e "foi verbado" mostram que as formas
verbais criadas obedecem ao paradigma da primeira
conjugação, a dos verbos terminados em "-ar".
c) do nome "substan�vo" pode ser formado o verbo
"substan�var" e do nome "adje�vo", o verbo
"adje�vizar".
d) o processo de formação de palavras citado é o de
derivação parassinté�ca, que corresponde ao
acréscimo simultâneo de prefixos e sufixos aos nomes.
e) "Verbar esquisita o idioma" é uma frase com
predicado nominal, cujo núcleo é um adje�vo.
IT0001 - (Enem)
A volta do marido pródigo
 
– Bom dia, seu Marrinha! Como passou de ontem?
– Bem. Já sabe, não é? Só ganha meio dia. [...]
Lá além, Generoso cotuca Tercino:
– [...] Vai em festa, dorme que-horas, e, quando chega,
ainda é todo enfeitado e salamistrão!...
– Que é que hei de fazer, seu Marrinha... Amanheci com
uma nevralgia... Fiquei com cisma de apanhar friagem...
– Hum...
– Mas o senhor vai ver como eu toco o meu serviço e
ainda faço este povo trabalhar...
[...]
Pintão suou para desprender um pedrouço, e teve de
pular para trás, para que a laje lhe não esmagasse um pé.
Pragueja:
– Quem não tem brio engorda!
– É... Esse sujeito só é isso, e mais isso... – opina Sidu.
– Também, tudo p’ra ele sai bom, e no fim dá certo...
3@professorferretto @prof_ferretto
– diz Correia, suspirando e retomando o enxadão. – “P’ra
uns, as vacas morrem ... p’ra outros até boi pega a
parir...”.
Seu Marrajá concordou:
– Está bem, seu Laio, por hoje, como foi por doença, eu
aponto o dia todo. Que é a úl�ma vez!... E agora, deixa de
conversa fiada e vai pegando a ferramenta!
ROSA, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967.
 
Esse texto tem importância singular como patrimônio
linguís�co para a preservação da cultura nacional devido 
a) à menção a enfermidades que indicam falta de
cuidado pessoal. 
b) à referência a profissões já ex�ntas que caracterizam a
vida no campo. 
c) aos nomes de personagens que acentuam aspectos de
sua personalidade. 
d) ao emprego de ditados populares que resgatam
memórias e saberes cole�vos. 
e) às descrições de costumes regionais que desmis�ficam
crenças e supers�ções.
GR0053 - (Efomm)
Como Dizia Meu Pai
Já se tomou hábito meu, em meio a uma conversa,
preceder algum comentário por uma introdução:
 — Como dizia meu pai...
Nem sempre me reporto a algo que ele realmente dizia,
sendo apenas uma maneira coloquial de dar ênfase a
alguma opinião.
De uns tempos para cá, porém, comecei a perceber que a
opinião, sem ser de caso pensado, parece de fato
corresponder a alguma coisa que Seu Domingos
costumava dizer. Isso significará talvez — Deus queira —
que insensivelmente vou me tomando com o correr dos
anos cada vez mais parecido com ele. Ou, pelo menos,
me iden�ficando com a herança espiritual que dele
recebi.
Não raro me surpreendo, antes de agir, tentando
descobrir como ele agiria em semelhantes circunstâncias,
repe�ndo uma a�tude sua, até mesmo esboçando um
gesto seu. Ao formular uma ideia, percebo que estou
concebendo, para nortear meu pensamento, um
princípio que, se não foi enunciado por ele, só pode ter
sido inspirado por sua presença dentro de mim.
 — No fim tudo dá certo...
Ainda ontem eu tranquilizava um de meus filhos com
esta frase, sem reparar que repe�a literalmente o que ele
costumava dizer, sempre concluindo com olhar travesso:
 — Se não deu certo, é porque ainda não chegou
no fim.
Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a
quem chamávamos paizinho, a subir pausadamente a
escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair
da tarde, egresso do escritório situado no porão. Ou
depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá de
palhinha da varanda, como namorados, trocando no�cias
do dia. Os filhos guardavam zelosa distância, até que ela
ia aos seus afazeres e ele se punha à disposição de cada
um, para ouvir nossos problemas e ajudar a resolvê-los.
Finda a úl�ma audiência, passava a mão no chapéu e na
bengala e saía para uma volta, um encontro eventual
com algum amigo. Regressava religiosamente uma hora
depois, e tendo descido a pé até o centro, subia sempre
de bonde. Se acaso ainda estávamos acordados,
podíamos contar com o saquinho de balas que o paizinho
nunca deixava de trazer.
Costumava se distrair realizando pequenos consertos
domés�cos: uma boia de descarga, a bucha de uma
torneira, um fusível queimado. Dispunha para isso da
necessária habilidade e de uma preciosa caixa de
ferramentas em que ninguém mais podia tocar. Aprendi
com ele como é indispensável, para a boa ordem da casa,
ter à mão pelo menos um alicate e
uma chave de fenda. Durante algum tempo andou às
voltas com o velho relógio de parede que fora de seu pai,
hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava
atrasando. Depois de remexer durante vários dias em
suas entranhas, deu por findo o trabalho, embora ao
remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que
alegou não fazerem falta. O relógio passou a funcionar
sem atrasos, e as ba�das a soar em horas
desencontradas. Como, aliás, acontece até hoje.
Tinha por hábito emi�r um pequeno sopro de assovio,
que tanto podia ser indício de paz de espírito como do
esforço para controlar a perturbação diante de algum
aborrecimento.
 — As coisas são como são e não como deviam ser.
Ou como gostaríamos que fossem.
Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando
diante de uma fatalidade a que não se poderia fugir.
Queria dizer que devemos nos conformar com o fato de
nossa vontade não poder prevalecer sobre a vontade de
Deus – embora jamais fosse assim eloquente em suas
conclusões. Estas quase sempre eram, mesmo, eivadas
de certo ce�cismo preven�vo ante as esperanças vãs:
 — O que não tem solução, solucionado está.
E tudo que acontece é bom — talvez não chegasse ao
cúmulo do o�mismo de afirmar isso, como seu filho
Gerson, mas não vacilava em sustentar que toda
mudança é para melhor: se mudou, é porque não estava
dando certo. E se quiser que mude, não podendo fazer
nada para isso, espere, que mudará por si.
 [...]
Tudo isso que de uns tempos para cá me vem ocorrendo,
às vezes inconscientemente, como legado de meu pai,
teve seu coroamento há poucos dias, quando eu ia
caminhando distraído pela praia. Revirava na cabeça, não
sei a que propósito, uma frase ouvida desde a infância e
4@professorferretto @prof_ferretto
que fazia parte de sua filosofia: não se deve aumentar a
aflição dos aflitos. Esta máxima me conduziu a outra,
enunciada por Carlos Drummond de Andrade no filme
que fiz sobre ele, a qual certamente Seu Domingos
perfilharia: não devemos exigir das pessoas mais do que
elas podem dar. De repente fui fulminado por uma
verdade tão absoluta que �ve de parar, completamente
zonzo, fechando os olhos para entender melhor. No
entanto era uma verdade evangélica, de clareza cin�lante
como um raio de sol, cheguei a fazer uma vênia de
gra�dão a Seu Domingos por me havê-la enviado:
 — Só há um meio de resolver qualquer problema
nosso: é resolver primeiro o do outro.
Com o tempo, a cidade foi tomando conhecimento do
seu bom senso, da experiência adquirida ao longo de
uma vida sem maiores ambições: Seu Domingos, além de
representante de umas firmas inglesas, era procurador
de partes — solene designação para uma a�vidade que
hoje talvez fosse referida como a de um despachante. A
princípio os amigos, conhecidos, e depois até
desconhecidos passaram a procurá-lo para ouvir um
conselho ou receber dele uma orientação.
Era de se ver a romaria no seu escritório todas as
manhãs: um funcionário que dera desfalque, uma mulher
abandonada pelo marido, um pai agoniado com
problemas do filho — era gente assim que vinha buscar
com ele alívio para a sua dúvida, o seu medo, a sua
aflição. O próprio Governador, que não o conhecia
pessoalmente, certa vez o consultou através de um
secretário, sobre questão administra�va que o
atormentava. Não se falando nos filhos: mesmo depois
de ter saído de casa, mais de uma vez tomei trem ou
avião e fui colher uma palavra sua que hoje tanta falta
me faz.
Resta apenas evocá-la, como faço agora, para me servir
de consolo nas horas más. No momento, ele próprio está
aqui a meu lado, com o seu sorriso bom.
SABINO, Fernando. A volta por cima. In: Obra Reunida v.
III. Rio de Janeiro: Ed. Nova Aguilar, 1996. (Texto
adaptado)
 
Com base no texto, responda à questão que se segue.
Assinale a opção em que a flexão de grau do substan�vo
destacado é u�lizada exclusivamente para pôr em
primeiro plano uma linguagem que demonstra valor
afe�vo.
a) “Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá
de palhinha da varanda, como namorados, trocando
no�cias do dia.” (9°§) 
b) “Depois de remexer durante vários dias em suas
entranhas, deu por findo o trabalho, embora ao
remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que
alegou não fazerem falta.” (10°§) 
c) “Costumava se distrair realizando pequenos
consertos domés�cos: uma boia de descarga, a bucha
de uma torneira, um fusível queimado.” (10°§)
d) ''Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a
quem chamávamos paizinho, a subir pausadamente a
escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao
cair da tarde [...].” (9°§) 
e) “Se acaso ainda estávamos acordados, podíamos
contar com o saquinho de balas que o paizinho nunca
deixava de trazer.” (9°§)
IT0019 - (Enem)
O humor e a língua
 
Há algum tempo, venho estudando as piadas, com ênfase
em sua cons�tuição linguís�ca. Por isso, embora a
afirmação a seguir possa parecersurpreendente, creio
que posso garan�r que se trata de uma verdade quase
banal: as piadas fornecem simultaneamente um dos
melhores retratos dos valores e problemas de uma
sociedade, por um lado, e uma coleção de fatos e dados
impressionantes para quem quer saber o que é e como
funciona uma língua, por outro. Se se quiser descobrir os
problemas com os quais uma sociedade se debate, uma
coleção de piadas fornecerá excelente pista: sexualidade,
etnia/raça e outras diferenças, ins�tuições (igreja, escola,
casamento, polí�ca), morte, tudo isso está sempre
presente nas piadas que circulam anonimamente e que
são ouvidas e contadas por todo mundo em todo o
mundo. Os antropólogos ainda não prestaram a devida
atenção a esse material, que poderia subs�tuir com
vantagem muitas entrevistas e pesquisas par�cipantes.
Saberemos mais a quantas andam o machismo e o
racismo, por exemplo, se pesquisarmos uma coleção de
piadas do que qualquer outro corpus.
POSSENTI. S. Ciência Hoje, n. 176, out. 2001 (adaptado).
 
A piada é um gênero textual que figura entre os mais
recorrentes na cultura brasileira, sobretudo na tradição
oral. Nessa reflexão, a piada é enfa�zada por 
5@professorferretto @prof_ferretto
a) sua função humorís�ca. 
b) sua ocorrência universal. 
c) sua diversidade temá�ca. 
d) seu papel como veículo de preconceitos. 
e) seu potencial como objeto de inves�gação. 
IT0077 - (Enem)
Montaigne deu o nome para um novo gênero literário; foi
dos primeiros a ins�tuir na literatura moderna um espaço
privado, o espaço do “eu”, do texto ín�mo. Ele cria um
novo processo de escrita filosófica, no qual hesitações,
autocrí�cas, correções entram no próprio texto.
COELHO, M. Montaigne. São Paulo: Publifolha, 2001
(adaptado).
 
O novo gênero de escrita aludido no texto é o(a) 
a) confissão, que relata experiências de transformação. 
b) ensaio, que expõe concepções subje�vas de um
tema. 
c) carta, que comunica informações para um
conhecido. 
d) meditação, que propõe preparações para o
conhecimento. 
e) diálogo, que discute assuntos com diferentes
interlocutores. 
L0177 - (Upf)
Leia “Poema que aconteceu” e “Coração numeroso”,
poemas que integram a obra Alguma poesia, de Carlos
Drummond de Andrade.
 
Poema que aconteceu
 
Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.
 
A mão que escreve este poema
não sabe que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.
 
 
Coração numeroso
 
Foi no Rio.
Eu passava na Avenida quase meia-noite.
Bicos de seio ba�am nos bicos de luz estrelas
inumeráveis.
Havia a promessa do mar
e bondes �lintavam,
abafando o calor
que soprava no vento
e o vento vinha de Minas.
 
Meus paralí�cos sonhos desgosto de viver
(a vida para mim é vontade de morrer)
faziam de mim homem-realejo imperturbavelmente
na Galeria Cruzeiro quente quente
e como não conhecia ninguém a não ser o doce vento
mineiro,
nenhuma vontade de beber, eu disse: Acabemos com
isso.
 
Mas tremia na cidade uma fascinação casas compridas
autos abertos correndo caminho do mar
voluptuosidade errante do calor
mil presentes da vida aos homens indiferentes,
que meu coração bateu forte, meus olhos inúteis
choraram.
 
O mar ba�a em meu peito, já não sabia no cais.
A rua acabou, quede árvores? a cidade sou eu
a cidade sou eu
sou eu a cidade
meu amor.
 
 
Em relação aos dois poemas, é correto afirmar que: 
a) “Poema que aconteceu” expressa a dedicação do
poeta à criação poé�ca. 
b) No poema “Coração numeroso”, o eu lírico se
apresenta amargurado e melancólico. 
c) O vocabulário de “Poema que aconteceu” é �pico da
retórica român�ca. 
d) A linguagem formal e o discurso indireto estão
presentes em “Coração numeroso”. 
e) Ao adotar o ideal da impessoalidade, os poemas
transparecem tendências do Parnasianismo. 
IT0025 - (Enem)
TEXTO l
 
Ditado popular é uma frase sentenciosa, concisa, de
verdade comprovada, baseada na secular experiência do
povo, exposta de forma poé�ca, contendo uma norma de
conduta ou qualquer outro ensinamento.
WEITZEL, A. H. Folclore literário e linguís�co. Juiz de Fora:
Esdeva, 1984 (fragmento).
 
TEXTO II
 
6@professorferretto @prof_ferretto
Rindo brincalhona, dando-lhe tapinhas nas costas, prima
Constança disse isto, dorme no assunto, ouça o
travesseiro, não tem melhor conselheiro.
 
Enquanto prima Biela dormia no assunto, toda a casa se
alvoroçava.
 
[Prima Constança] ia rezar, pedir a Deus para iluminar
prima Biela. Mas ia também tomar suas providências.
Casamento e mortalha, no céu se talha. Deus escreve
direito por linhas tortas. O que for soará. Dizia os ditados
todos, procurando interpretar os desígnios de Deus,
transformar os seus desejos nos desígnios de Deus. Se
achava um instrumento de Deus.
DOURADO, A. Uma vida em segredo. Rio de Janeiro:
Francisco Alves, 1990 (fragmento).
 
O uso que prima Constança faz dos ditados populares, no
texto II, cons�tui uma maneira de u�lizar o �po de saber
definido no texto l, porque 
a) cita-os pela força do hábito. 
b) os aceita como verdade absoluta. 
c) aciona-os para jus�ficar suas ações. 
d) toma-os para solucionar um problema. 
e) considera-os como uma orientação divina. 
IT0281 - (Enem)
TEXTO I
A melhor banda de todos os tempos da úl�ma semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos úl�mos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez
maiores fracassos
Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então.
MELLO, B.; BRITTO, S. A melhor banda de todos os
tempos da úl�ma semana.
São Paulo: Abril Music, 2001 (fragmento).
 
TEXTO II
O fe�chismo na música e a regressão da audição
Aldous Huxley levantou em um de seus ensaios a
seguinte pergunta: quem ainda se diverte realmente hoje
num lugar de diversão? Com o mesmo direito poder-se-ia
perguntar: para quem a música de entretenimento serve
ainda como entretenimento? Ao invés de entreter,
parece que tal música contribui ainda mais para o
emudecimento dos homens, para a morte da linguagem
como expressão, para a incapacidade de comunicação.
ADORNO, T. Textos escolhidos. São Paulo: Nova Cultural,
1999.
 
A aproximação entre a letra da canção e a crí�ca de
Adorno indica o(a) 
a) lado efêmero e restri�vo da indústria cultural. 
b) baixa renovação da indústria de entretenimento. 
c) influência da música americana na cultura brasileira. 
d) fusão entre elementos da indústria cultural e da
cultura popular. 
e) declínio da forma musical em prol de outros meios de
entretenimento. 
L0062 - (Ifsp)
Leia um trecho do poema Ilha da Maré, do escritor
brasileiro Manuel Botelho de Oliveira.
E, tratando das próprias, os coqueiros,
galhardos e frondosos
criam cocos gostosos;
e andou tão liberal a natureza
que lhes deu por grandeza,
não só para bebida, mas sustento,
o néctar doce, o cândido alimento.
De várias cores são os cajus belos,
uns são vermelhos, outros amarelos,
e como vários são nas várias cores,
também se mostram vários nos sabores;
e criam a castanha,
que é melhor que a de França, Itália, Espanha.
(COHN, Sergio. Poesia.br Rio de Janeiro: Azougue, 2012.)
Podemos relacionar os versos desse poema ao
Quinhen�smo Nacional, pois
a) o eu lírico repudia a presença de colonizadores
portugueses em nossa terra.
b) a fauna e a flora tropicais são descritas de maneira
minuciosa e idealizada.
c) o poeta enriqueceu devido à exportação de produtos
brasileiros para a metrópole.
d) a exuberância e a diversidade da natureza tropical são
exaltadas pelo poeta.
e) a natureza farta e bela é o cenário onde ocorrem os
encontros amorosos do eu lírico.
IT0167 - (Enem)
7@professorferretto @prof_ferretto
Opportunity é o nome de um veículo explorador que
aterrissou em Marte com a missão de enviar informações
à Terra. A charge apresenta uma crí�ca ao(à)
a) gasto exagerado com o envio de robôs a outros
planetas.
b) exploração indiscriminada de outros planetas.c) circulação digital excessiva de autorretratos.
d) vulgarização das descobertas espaciais.
e) mecanização das a�vidades humanas.
GR0243 - (Fuvest)
O Twi�er é uma das redes sociais mais importantes no
Brasil e no mundo. (...) Um estudo iden�ficou que as fake
news são 70% mais propensas a serem retweetadas do
que fatos verdadeiros. (...) Outra conclusão importante
do trabalho diz respeito aos famosos bots: ao contrário
do que muitos pensam, esses robôs não são os grandes
responsáveis por disseminar no�cias falsas. Nem mesmo
comparando com outros robozinhos: tanto os que
espalham informações men�rosas quanto aqueles que
divulgam dados verdadeiros alcançaram o mesmo
número de pessoas.
(Super Interessante, “No Twi�er, fake news se espalham
6 vezes mais rápido que no�cias verdadeiras”.
Maio/2019.)
 
No período “Nem mesmo comparando com outros
robozinhos: tanto os que espalham informações
men�rosas quanto aqueles que divulgam dados
verdadeiros alcançaram o mesmo número de pessoas.”,
os dois-pontos são u�lizados para introduzir uma
a) conclusão.
b) concessão.
c) explicação.
d) contradição.
e) condição.
IT0148 - (Enem)
Atualmente os jovens estão imersos numa sociedade
permeada pela tecnologia. Nesse contexto, os jogos
digitais são artefatos muito empregados. Videogames
a�vos ou exergames foram introduzidos como forma de
permi�r que o corpo controlasse tais jogos. Como
resultado, passaram a ser vistos como uma ferramenta
auxiliar na adoção de um es�lo de vida menos
sedentário, com efeitos posi�vos sobre a saúde. Tem-se
defendido que os exergames podem contribuir para a
prá�ca regular de a�vidade �sica moderada, bem como
promover a interação entre jogadores, reduzindo o
sen�mento de isolamento social. Por outro lado,
argumenta-se que os exergames não podem subs�tuir a
experiência real das prá�cas corporais, pois não mo�vam
a longo prazo a prá�ca permanente de a�vidades �sicas.
FINCO, M. D.; REATEGUI, E. B.; ZARO, M. A. Laboratório
de exergames: um espaço complementar para as aulas de
educação �sica. Movimento, n. 3, 2015 (adaptado).
 
Pela sua intera�vidade, os exergames apresentam-se
como possibilidade para es�mular o(a)
a) exercitação �sica, promovendo a saúde.
b) vivência de exercícios �sicos sistemá�cos.
c) envolvimento com a�vidades �sicas ao longo da vida.
d) jogo por meio de comandos fornecidos pelo
videogame. 
e) disputa entre jogadores, contribuindo para o
individualismo.
GR0238 - (Fmj)
Leia o trecho do ar�go “Flertando com o desconhecido”,
de Marcelo Gleiser.
Muita gente acha que a ciência é uma a�vidade
sem emoções, des�tuída de drama, fria e racional. Na
verdade, é justamente o oposto. A premissa da ciência é
a nossa ignorância, nossa vulnerabilidade em relação ao
desconhecido, ao que não sabemos. Muitas vezes,
quando experimentos revelam novos aspectos da
Natureza que sequer haviam sido conjecturados, a
sensação de tatearmos no escuro pode levar ao
desespero. E agora? Se nossas teorias não podem
explicar o que estamos observando, como ir adiante?
Nenhum exemplo na história da ciência ilustra melhor
esse drama do que o nascimento da �sica quân�ca, que
8@professorferretto @prof_ferretto
descreve o comportamento dos átomos e das par�culas
subatômicas, e que está por trás de toda a revolução
digital que rege a sociedade moderna.
Ao final do século XIX, a �sica estava com muito
pres�gio. A mecânica de Newton, a teoria
eletromagné�ca de Faraday e Maxwell, a compreensão
dos fenômenos térmicos, tudo levava a crer que a ciência
estava perto de chegar ao seu obje�vo final, a
compreensão de toda a Natureza. Para a surpresa de
muitos, experimentos revelaram fenômenos que não
podiam ser explicados pelas teorias da chamada era
clássica. Não se sabia, por exemplo, se átomos eram ou
não en�dades reais, já que a �sica clássica previa que
seriam instáveis. Gradualmente, ficou claro que uma
nova �sica era necessária para lidar com o mundo do
muito pequeno. Mas que �sica seria essa? Ninguém
queria mudanças muito radicais. Ou quase ninguém.
A primeira ideia da nova era veio de Max Planck.
Eis como Planck relatou em 1900 seu estado emocional
ao propor a ideia do quantum (o menor valor que certas
grandezas �sicas podem apresentar): “Resumidamente,
posso descrever minha a�tude como um ato de
desespero, já que por natureza sou uma pessoa pacífica e
contrária a aventuras irresponsáveis.” O uso da palavra
“desespero” é revelador. Planck viu-se forçado a propor
algo novo, que ia contra tudo o que havia aprendido até
então e que acreditava ser correto sobre a Natureza.
Abandonar o velho e propor o novo requer muita
coragem intelectual. E muita humildade, algo que faltava
aos que achavam que a �sica estava quase completa.
Planck sabia que a �sica tem como missão explicar o
mundo natural, mesmo que a explicação contrarie nossas
ideias preconcebidas. Nunca devemos arrogar que nossas
ideias tenham precedência sobre o que a Natureza nos
diz.
(O caldeirão azul, 2019. Adaptado.)
 
“Planck sabia que a �sica tem como missão explicar o
mundo natural, mesmo que a explicação contrarie nossas
ideias preconcebidas.” (3º parágrafo)
Em relação ao trecho que o antecede, o trecho
sublinhado expressa ideia de
a) consequência.
b) condição.
c) conclusão.
d) concessão.
e) causa.
IT0280 - (Enem)
Par�cipei de uma entrevista com o músico Renato
Teixeira. Certa hora, alguém pediu para listar as
diferenças entre a música sertaneja an�ga e a atual. A
resposta dele surpreendeu a todos: “Não há diferença
alguma. A música caipira sempre foi a mesma. É uma
música que espelha a vida do homem no campo, e a
música não mente. O que mudou não foi a música, mas a
vida no campo”. Faz todo sen�do: a música caipira de raiz
exalava uma solidão, um certo distanciamento do país
“moderno”. Exigir o mesmo de uma música feita hoje,
num interior conectado, globalizado e rico como o que
temos, é impossível. Para o bem ou para o mal, a música
reflete seu próprio tempo.
BARCINSKI. A. Mudou a música ou mudaram os
caipiras? Folha de São Paulo, 4 jun. 2012 (adaptado).
 
A questão cultural indicada no texto ressalta o seguinte
aspecto socioeconômico do atual campo brasileiro: 
a) Crescimento do sistema de produção extensiva. 
b) Expansão de a�vidades das novas ruralidades. 
c) Persistência de relações de trabalho compulsório. 
d) Contenção da polí�ca de subsídios agrícolas. 
e) Fortalecimento do modelo de organização
coopera�va. 
IT0010 - (Enem)
Vou-me embora p’ra Pasárgada foi o poema de mais
longa gestação em toda a minha obra. Vi pela primeira
vez esse nome Pasárgada quando �nha os meus
dezesseis anos e foi num autor grego. [...] Esse nome de
Pasárgada, que significa “campo dos persas” ou “tesouro
dos persas”, suscitou na minha imaginação uma
paisagem fabulosa, um país de delícias, como o
de L’invita�on au Voyage, de Baudelaire. Mais de vinte
anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua
do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais
aguda sensação de tudo o que eu não �nha feito em
minha vida por mo�vo da doença, saltou-me de súbito
do subconsciente este grito estapafúrdio: “Vou-me
embora p’ra Pasárgada!” Sen� na redondilha a primeira
célula de um poema, e tentei realizá-lo, mas fracassei.
Alguns anos depois, em idên�cas circunstâncias de
desalento e tédio, me ocorreu o mesmo desabafo de
evasão da “vida besta”. Desta vez o poema saiu sem
esforço como se já es�vesse pronto dentro de mim.
Gosto desse poema porque vejo nele, em escorço, toda a
minha vida; [...] Não sou arquiteto, como meu pai
desejava, não fiz nenhuma casa, mas reconstruí e “não
de uma forma imperfeita neste mundo de aparências’,
uma cidade ilustre, que hoje não é mais a Pasárgada de
Ciro, e sim a “minha” Pasárgada.
BANDEIRA, M. I�nerário da Pasárgada. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira; Brasília: INL, 1984
 
Os processos de interação comunica�va preveem a
presença a�va de múl�plos elementos da comunicação,
entre os quais se destacam as funções da linguagem.
9@professorferretto @prof_ferretto
Nesse fragmento, a função da linguagem predominante
é 
a) emo�va,porque o poeta expõe os sen�mentos de
angús�a que o levaram à criação poé�ca. 
b) referencial, porque o texto informa sobre a origem do
nome empregado em um famoso poema de
Bandeira. 
c) metalinguís�ca, porque o poeta tece comentários
sobre a gênese e o processo de escrita de um de seus
poemas. 
d) poé�ca, porque o texto aborda os elementos esté�cos
de um dos poemas mais conhecidos de Bandeira. 
e) apela�va, porque o poeta tenta convencer os leitores
sobre sua dificuldade de compor um poema. 
IT0078 - (Enem)
Devagar, devagarinho
 
Desacelerar é preciso. Acelerar não é preciso. Afobados e
voltados para o próprio umbigo, operamos,
automa�zados, falas robó�cas e silêncios glaciais. Ilustra
bem esse estado de espírito a música Sinal fechado
(1969), de Paulinho da Viola. Trata-se da história de dois
sujeitos que se encontram inesperadamente em um sinal
de trânsito. A conversa entre ambos, porém, se deu
rápida e rasteira. Logo, os personagens se despedem,
com a promessa de se verem em outra oportunidade.
Percebe-se um registro de comunicação vazia e
superficial, cuja tônica foi o contato ligeiro e superficial
construído pelos interlocutores: “Olá, como vai? / Eu vou
indo, e você, tudo bem? / Tudo bem, eu vou indo
correndo, / pegar meu lugar no futuro. E você? / Tudo
bem, eu vou indo em busca de um sono / tranquilo,
quem sabe? / Quanto tempo... / Pois é, quanto tempo... /
Me perdoe a pressa / é a alma dos nossos negócios... /
Oh! Não tem de quê. / Eu também só ando a cem”.
O culto à velocidade, no contexto apresentado, se coloca
como fruto de um imedia�smo processual que celebra o
alcance dos fins sem dimensionar a qualidade dos meios
necessários para a�ngir determinado propósito. Tal
conjuntura favorece a lei do menor esforço – a
comodidade – e prejudica a lei do maior esforço – a
dignidade.
Como modelo alterna�vo à cultura fast, temos o
movimento slow life, cujo propósito, resumidamente, é
conscien�zar as pessoas de que a pressa é inimiga da
perfeição e do prazer, buscando assim reeducar seus
sen�dos para desfrutar melhor os sabores da vida.
SILVA, M. F. L. Bole�m UFMG, n. 1749, set. 2011
(adaptado).
 
Nesse ar�go de opinião, a apresentação da letra da
canção Sinal fechado é uma estratégia argumenta�va que
visa sensibilizar o leitor porque 
a) adverte sobre os riscos que o ritmo acelerado da vida
oferece. 
b) exemplifica o fato cri�cado no texto com uma situação
concreta. 
c) contrapõe situações de aceleração e de serenidade na
vida das pessoas. 
d) ques�ona o clichê sobre a rapidez e a aceleração da
vida moderna. 
e) apresenta soluções para a cultura da correria que as
pessoas vivenciam hoje. 
L0162 - (Enem)
Vicente do Rego Monteiro foi um dos pintores, cujas telas
foram expostas durante a Semana de Arte Moderna. Tal
como Michelangelo, ele se inspirou em temas bíblicos,
porém com um es�lo peculiar. Considerando-se as obras
apresentadas, o ar�sta brasileiro 
a) estava preocupado em retratar detalhes da cena. 
b) demonstrou irreverência ao retratar a cena bíblica. 
c) optou por fazer uma escultura minimalista,
diferentemente de Michelangelo. 
d) deu aos personagens traços cubistas, em vez dos
traços europeus, �picos de Michelangelo. 
e) reproduziu o es�lo da famosa obra de Michelangelo,
uma vez que retratou a mesma cena bíblica. 
IT0033 - (Enem)
TEXTO I
 
An�gamente
 
An�gamente, os pirralhos dobravam a língua diante dos
pais e se um se esquecia de arear os dentes antes de cair
nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não
devia também se esquecer de lavar os pés, sem tugir
nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem
de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda
10@professorferretto @prof_ferretto
cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos
penates. Não ficava mangando na rua nem escapulia do
mestre, mesmo que não entendesse patavina da
instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava
bo�na de botões para comparecer todo liró ao copo
d’água, se bem que no convescote apenas lambiscasse,
para evitar flatos. Os bilontras é que eram um precipício,
jogando com pau de dois bicos, pelo que carecia muita
cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas de
molho diante de um treteiro de topete, depois de fintar e
engambelar os coiós, e antes que se pudesse tudo em
pratos limpos, ele abria o arco.
ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de janeiro: nova
Aguilar, 1983 (fragmento).
 
TEXTO II
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na leitura do fragmento do texto An�gamente constata-
se, pelo emprego de palavras obsoletas, que itens lexicais
outrora produ�vos não mais o são no português
brasileiro atual. Esse fenômeno revela que 
a) a língua portuguesa de an�gamente carecia de termos
para se referir a fatos e coisas do co�diano. 
b) o português brasileiro se cons�tui evitando a
ampliação do léxico proveniente do português
europeu. 
c) a heterogeneidade do português leva a uma
estabilidade do seu léxico no eixo temporal. 
d) o português brasileiro apoia-se no léxico inglês para
ser reconhecido como língua independente. 
e) o léxico do português representa uma realidade
linguís�ca variável e diversificada. 
IT0014 - (Enem)
Senhor Juiz
 
O instrumento do “crime” que se arrola
Nesse processo de contravenção
Não é faca, revólver ou pistola,
Simplesmente, doutor, é um violão.
 
Será crime, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua um desgraçado
Derramando nas praças suas dores?
 
Mande, pois, libertá-lo da agonia
(a consciência assim nos insinua)
Não sufoque o cantar que vem da rua,
Que vem da noite para saudar o dia.
 
É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento
Juntada desta aos autos nós pedimos
E pedimos, enfim, deferimento
Disponível em: www.migalhas.com.br. Acesso em: 23 set.
2020 (adaptado).
 
Essa pe�ção de habeas corpus, ao transgredir o rigor da
linguagem jurídica, 
11@professorferretto @prof_ferretto
a) permite que a narra�va seja obje�va e repleta de
sen�dos denota�vos. 
b) mostra que o cordel explora termos próprios da esfera
do direito. 
c) demonstra que o jogo de linguagem proposto atenua a
gravidade do delito. 
d) exemplifica como o texto em forma de cordel
compromete a solicitação pretendida. 
e) esclarece que os termos “crime” e “processo de
contravenção” são sinônimos. 
IT0122 - (Enem)
 Se for possível, manda-me dizer:
– É lua cheia. A casa está vazia –
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
– É lua nova –
E reves�da de luz te volto a ver.
HILST, H. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São
Paulo: Cia. das Letras, 2018
 
Falando ao outro, o eu lírico revela-se vocalizando um
desejo que remete ao 
a) ce�cismo quanto à possibilidade do reencontro. 
b) tédio provocado pela distância �sica do ser amado. 
c) sonho de autorrealização desenhado pela memória. 
d) julgamento implícito das a�tudes de quem se afasta. 
e) ques�onamento sobre o significado do amor
ausente. 
L0211 - (Enem)
An�ode
 
Poesia, não será esse
o sen�do em que
ainda te escrevo:
 
flor! (Te escrevo:
flor! Não uma
flor, nem aquela
flor-virtude – em
disfarçados urinóis).
 
Flor é a palavra
flor; verso inscrito
no verso, como as
manhãs no tempo.
 
Flor é o salto
da ave para o voo:
o salto fora do sono
quando seu tecido
se rompe; é uma explosão
posta a funcionar,
como uma máquina,
uma jarra de flores.
MELO NETO, J. C. Psicologia da composição.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997 (fragmento).
 
A poesia é marcada pela recriação do objeto por meio da
linguagem, sem necessariamente explicá-lo. Nesse
fragmento de João Cabral de Melo Neto, poeta da
geração de 1945, o sujeito lírico propõe a recriação
poé�ca de 
a) uma palavra, a par�r de imagens com as quais ela
pode ser comparada, afim de assumir novos
significados. 
b) um urinol, em referência às artes visuais ligadas às
vanguardas do início do século XX. 
c) uma ave, que compõe, com seus movimentos, uma
imagem historicamente ligada à palavra poé�ca. 
d) uma máquina, levando em consideração a relevância
do discurso técnico-cien�fico pós-Revolução
Industrial. 
e) um tecido, visto que sua composição depende de
elementos intrínsecos ao eu lírico. 
IT0157 - (Enem)
A internet proporcionou o surgimento de novos
paradigmas sociais e impulsionou a modificação de
outros já estabelecidos nas esferas da comunicação e da
informação. A principal consequência cri�cada na �rinha
sobre esse processo é a
12@professorferretto @prof_ferretto
a) criação de memes.
b) ampliação da blogosfera.
c) supremacia das ideias ciberné�cas.
d) comercialização de pontos de vista.
e) banalização do comércio eletrônico.
IT0061 - (Enem)
A associação entre o texto verbal e as imagens da garrafa
e do cão configura recurso expressivo que busca 
a) es�mular denúncias de maus-tratos contra animais. 
b) desvincular o conceito de descarte da ideia de
negligência. 
c) incen�var campanhas de adoção de animais em
situação de rua. 
d) sensibilizar o público em relação ao abandono de
animais domés�cos. 
e) alertar a população sobre as sanções legais acerca de
uma prá�ca criminosa. 
IT0004 - (Enem)
Estojo escolar
 
Rio de Janeiro – Noite dessas, ciscando num desses
canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas
eletrônicas, bastava telefonar e eu receberia um
notebook capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma
estação espacial.
[...] Como pretendo viajar esses dias, habilitei-me a
comprar aquilo que os caras anunciavam como o top do
top em matéria de computador portá�l. 
No sábado, recebi um embrulho complicado que
necessitava de um manual de instruções para ser aberto.
[...] De repente, como vem acontecendo nos úl�mos
tempos, houve um corte na memória e vi diante de mim
o meu primeiro estojo escolar. Tinha 5 anos e ia para o
jardim de infância.
Era uma caixinha comprida, envernizada, com uma
tampa que corria nas bordas do corpo principal. Dentro,
arrumados em divisões, havia lápis coloridos, um
apontador, uma lapiseira cromada, uma régua de 20 cm e
uma borracha para apagar meus erros.
[...] Da caixinha vinha um cheiro gostoso, cheiro que
nunca esqueci e que me tonteava de prazer. [...]
O notebook que agora abro é negro e, em matéria de
cheiro, é abominável. Cheira vilmente a telefone celular,
a cabine de avião, a aparelho de ultrassonografia onde
outro dia uma moça veio ver como sou por dentro. Acho
que piorei de estojo e de vida.
CONY, C. H. Crônicas para ler na escola. São Paulo:
Obje�va, 2009 (adaptado).
 
No texto, há marcas da função da linguagem que nele
predomina. Essas marcas são responsáveis por colocar
em foco o(a) 
a) mensagem, elevando-a à categoria de objeto esté�co
do mundo das artes. 
b) código, transformando a linguagem u�lizada no texto
na própria temá�ca abordada. 
c) contexto, fazendo das informações presentes no texto
seu aspecto essencial. 
d) enunciador, buscando expressar sua a�tude em
relação ao conteúdo do enunciado. 
e) interlocutor, considerando-o responsável pelo
direcionamento dado à narra�va pelo enunciador.
L0140 - (Enem)
Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário
público, certo de que a língua portuguesa é emprestada
ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o
escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se
veem na humilhante con�ngência de sofrer
con�nuamente censuras ásperas dos proprietários da
língua; sabendo, além, que, dentro do nosso país, os
autores e os escritores, com especialidade os gramá�cos,
não se entendem no tocante à correção grama�cal,
vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os
mais profundos estudiosos do nosso idioma – usando do
direito que lhe confere a Cons�tuição, vem pedir que o
13@professorferretto @prof_ferretto
Congresso Nacional decrete o tupi-guarani como língua
oficial e nacional do povo brasileiro.
BARRETO, L. Triste fim de Policarpo Quaresma. Disponível
em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 26 jun.
2012
 
Nessa pe�ção da pitoresca personagem do romance de
Lima Barreto, o uso da norma-padrão jus�fica-se pela 
a) situação social de enunciação representada. 
b) divergência teórica entre gramá�cos e literatos. 
c) pouca representa�vidade das línguas indígenas. 
d) a�tude irônica diante da língua dos colonizadores. 
e) tenta�va de solicitação do documento demandado. 
L0229 - (Enem)
Tudo era harmonioso, sólido, verdadeiro. No princípio. As
mulheres, principalmente as mortas do álbum, eram
maravilhosas. Os homens, mais maravilhosos ainda, ah,
di�cil encontrar família mais perfeita. A nossa família,
dizia a bela voz de contralto da minha avó. Na nossa
família, frisava, lançado em redor olhares complacentes,
lamentando os que não faziam parte do nosso clã. [...] 
Quando Margarida resolveu contar os podres todos que
sabia naquela noite negra da rebelião, fiquei furiosa. [...] 
É men�ra, é men�ra!, gritei tapando os ouvidos. Mas
Margarida seguia em frente: �o Maximiliano se casou
com a inglesa de cachos só por causa do dinheiro, não
passava de um pilantra, a loirinha feiosa era riquíssima.
Tia Consuelo? Ora, �a Consuelo chorava porque sen�a
falta de homem, ela queria homem e não Deus, ou o
convento ou o sanatório. O dote era tão bom que o
convento abriu-lhe as portas com loucura e tudo. “E tem
mais coisas ainda, minha queridinha”, anunciou
Margarida fazendo um agrado no meu queixo. Reagi com
violência: uma agregada, uma cria e, ainda por cima,
mes�ça. Como ousava desmoralizar meus heróis?
TELLES, L. F. A estrutura da bolha de sabão. Rio de
Janeiro: Rocco, 1999.
 
Representante da ficção contemporânea, a prosa de Lygia
Fagundes Telles configura e desconstrói modelos sociais.
No trecho, a percepção do núcleo familiar descor�na
um(a) 
a) convivência frágil ligando pessoas financeiramente
dependentes. 
b) tensa hierarquia familiar equilibrada graças à presença
da matriarca. 
c) pacto de a�tudes e valores man�dos à custa de
ocultações e hipocrisias. 
d) tradicional conflito de gerações protagonizado pela
narradora e seus �os. 
e) velada discriminação racial refle�da na procura de
casamentos com europeus. 
L0221 - (Enem)
Reclame
 
Se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
... ou transforme o mundo
 
ó�ca olho vivo
agradece a preferência
CHACAL et al. Poesia marginal. São Paulo: Á�ca, 2006.
 
 
Chacal é um dos representantes da geração poé�ca de
1970. A produção literária dessa geração, considerada
marginal e engajada, de que é representa�vo o poema
apresentado, valoriza 
a) o experimentalismo em versos curtos e tom jocoso. 
b) a sociedade de consumo, com o uso da linguagem
publicitária. 
c) a construção do poema, em detrimento do
conteúdo. 
d) a experimentação formal dos neossimbolistas. 
e) o uso de versos curtos e uniformes quanto à métrica. 
L0208 - (Fuvest)
Agora, o Manuel Fulô, este, sim! Um sujeito pingadinho,
quase menino – “pepino que encorujou desde pequeno”
– cara de bobo de fazenda, do segundo �po –; porque
toda fazenda tem o seu bobo, que é, ou um velhote
baixote, de barba rara no queixo, ou um eterno rapazola,
meio surdo, gago, glabro* e alvar**. Mas gostava de
fechar a cara e roncar voz, todo enfarruscado, para
mostrar brabeza, e só por descuido sorria, um sorriso
manhoso de dono de hotel. E, em suas feições de
caburé*** insalubre, amigavam-se as marcas do sangue
aimoré e do gálico herdado: cabelo preto, corrido, que
boi lambeu; dentes de fio em meia-lua; malares
pontudos; lobo da orelha aderente; testa curta, fugidia;
olhinhos de viés e nariz peba, mongol.
Guimarães Rosa, “Corpo fechado”, de Sagarana.
14@professorferretto @prof_ferretto
 
*sem pelos, sem barba **tolo ***mes�ço
 
O retrato de Manuel Fulô, tal como aparece no
fragmento, permite afirmar que 
a) há clara an�pa�a do narrador para com a personagem,
que por isso é caracterizada como “bobode
fazenda”. 
b) estão presentes traços de diferentes etnias, de modo a
refle�r a mescla de culturas própria ao es�lo do
livro. 
c) a expressão “caburé insalubre” denota o determinismo
biológico que norteia o livro. 
d) é irônico o trecho “para mostrar brabeza”, pois ao fim
da narra�va Manuel Fulô sofre derrota na luta �sica. 
e) se apontam em sua fisionomia os “olhinhos de viés”
para caracterizar a personagem como ingênua. 
IT0192 - (Enem)
Quatro olhos, quatro mãos e duas cabeças formam a
dupla de grafiteiros “Osgemeos”. Eles cresceram
pintando muros do bairro Cambuci, em São Paulo, e
agora têm suas obras expostas na conceituada Deitch
Gallery, em Nova Iorque, prova de que o grafite feito no
Brasil é apreciado por outras culturas. Muitos lugares
abandonados e sem manutenção pelas prefeituras das
cidades tornam-se mais agradáveis e humanos com os
grafites pintados nos muros. Atualmente, ins�tuições
públicas educa�vas recorrem ao grafite como forma de
expressão ar�s�ca, o que propicia a inclusão social de
adolescentes carentes, demonstrando que o grafite é
considerado uma categoria de arte aceita e reconhecida
pelo campo da cultura e pela sociedade local e
internacional.
Disponível em: h�p://www.flickr.com. Acesso em: 10 set.
2008 (adaptado).
 
No processo social de reconhecimento de valores
culturais, considera-se que 
a) grafite é o mesmo que pichação e suja a cidade, sendo
diferente da obra dos ar�stas. 
b) a população das grandes metrópoles depara-se com
muitos problemas sociais, como os grafites e as
pichações. 
c) atualmente, a arte não pode ser usada para inclusão
social, ao contrário do grafite. 
d) os grafiteiros podem conseguir projeção internacional,
demonstrando que a arte do grafite não tem fronteiras
culturais. 
e) lugares abandonados e sem manutenção tornam-se
ainda mais desagradáveis com a aplicação do grafite.
IT0006 - (Enem)
Os linguistas têm notado a expansão do tratamento
informal. “Tenho 78 anos e devia ser tratado por senhor,
mas meus alunos mais jovens me tratam por você”, diz o
professor Ataliba Cas�lho, aparentemente sem se
incomodar com a informalidade, inconcebível em seus
tempos de estudante. O você, porém, não reinará
sozinho. O tu predomina em Porto Alegre e convive com
o você no Rio de Janeiro e em Recife, enquanto você é o
tratamento predominante em São Paulo, Curi�ba, Belo
Horizonte e Salvador. O tu já era mais próximo e menos
formal que você nas quase 500 cartas do acervo on-line
de uma ins�tuição universitária, quase todas de poetas,
polí�cos e outras personalidades do final do século XIX e
início do XX.
Disponível em: h�p://revistapesquisa.fapesp.br. Acesso
em: 21 abr. 2015 (adaptado).
 
No texto, constata-se que os usos de pronomes variaram
ao longo do tempo e que atualmente têm empregos
diversos pelas regiões do Brasil. Esse processo revela que 
a) a escolha de “você” ou de “tu” está condicionada à
idade da pessoa que usa o pronome. 
b) a possibilidade de se usar tanto “tu” quanto “você”
caracteriza a diversidade da língua. 
c) o pronome “tu” tem sido empregado em situações
informais por todo o país. 
d) a ocorrência simultânea de “tu” e de “você” evidencia
a inexistência da dis�nção entre níveis de
formalidade. 
e) o emprego de “você” em documentos escritos
demonstra que a língua tende a se manter
inalterada. 
IT0040 - (Enem)
Esporte e cultura: análise acerca da espor�vização de
prá�cas corporais nos jogos indígenas
Nos Jogos dos Povos Indígenas, observa-se que as
prá�cas corporais realizadas envolvem elementos
tradicionais (como as pinturas e adornos corporais) e
modernos (como a regulamentação, a fiscalização e a
padronização). O arco e flecha e a lança, por exemplo,
são instrumentos tradicionalmente u�lizados para a caça
e a defesa da comunidade na aldeia. Na ocasião do
evento, esses artefatos foram produzidos pela própria
etnia, porém sua estruturação como “modalidade
espor�va” promoveu uma semelhança entre as técnicas
apresentadas, com o sen�do único da compe�ção.
ALMEIDA, A. J. M.; SUASSUNA, D. M. F. A. Pensar a
prá�ca, n. 1, jan.-abr. 2010 (adaptado).
 
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A relação entre os elementos tradicionais e modernos
nos Jogos dos Povos Indígenas desencadeou a
a) padronização de pinturas e adornos corporais.
b) sobreposição de elementos tradicionais sobre os
modernos.
c) individuação das técnicas apresentadas em diferentes
modalidades.
d) legi�mação das prá�cas corporais indígenas como
modalidade espor�va.
e) preservação dos significados próprios das prá�cas
corporais em cada cultura.
GR0044 - (Unifor)
A morte do jangadeiro
Ao sopro do terral abrindo a vela
Na esteira azul das águas arrastada,
Segue veloz a intrépida jangada,
Entre os uivos do mar que se encapela.
 
Prudente, o jangadeiro se acautela
Contra os mil acidentes da jornada;
Fazem-lhe, entanto, guerra encarniçada
O vento, a chuva, os raios, a procela.
 
Súbito, um raio o prostra e, furioso,
Da jangada o despeja na água escura
E, em brancos véus de espuma, desdiloso
 
Envolve e traga a onda intumescida,
Dando-lhe, assim, mortalha e sepultura
O mesmo mar que o pão lhe dera em vida.
Pe. Antônio Tomás
 
Assinale, de acordo com o soneto do Pe. Antônio Tomás,
a alterna�va em que o vocábulo onomatopaico traduz,
no texto, o perigo, a traição e a ferocidade do mar diante
da frágil embarcação:
a) Raios.
b) Uivos.
c) Véus.
d) Acidentes.
e) Mortalha.
IT0147 - (Enem)
A realidade virtual é uma tecnologia de informação que,
conforme sugere a imagem, tem como uma de suas
principais funções
a) promover a manipulação eficiente de conhecimentos e
informações de di�cil compreensão no mundo �sico.
b) conduzir escolhas profissionais da área de ciência da
computação, oferecendo um leque de opções de
atuação.
c) transferir conhecimento da inteligência ar�ficial para
as áreas tradicionais, como as das ciências exatas e
naturais.
d) levar o ser humano a experimentar mentalmente
outras realidades, para as quais é transportado sem
sair de seu próprio lugar.
e) delimitar tecnologias exclusivas de jogos virtuais, a fim
de oferecer maior emoção ao jogador por meio de
outras realidades.
IT0026 - (Enem)
Em bom português
 
No Brasil, as palavras envelhecem e caem como folhas
secas. Não é somente pela gíria que a gente é apanhada
(aliás, já não se usa mais a primeira pessoa, tanto do
singular como do plural: tudo é “a gente”). A própria
linguagem corrente vai-se renovando e a cada dia uma
parte do léxico cai em desuso. 
 
Minha amiga Lila, que vive descobrindo essas coisas,
chamou minha atenção para os que falam assim:
— Assis� a uma fita de cinema com um ar�sta que
representa muito bem.
 
Os que acharam natural essa frase, cuidado! Não saberão
dizer que viram um filme com um ator que trabalha bem.
E irão ao banho de mar em vez de ir à praia, ves�do de
roupa de banho em vez de biquíni, carregando guarda-sol
em vez de barraca. Comprarão um automóvel em vez de
16@professorferretto @prof_ferretto
comprar um carro, pegarão um defluxo em vez de um
resfriado, vão andar no passeio em vez de passear na
calçada. Viajarão de trem de ferro e apresentarão sua
esposa ou sua senhora em vez de apresentar sua mulher.
SABINO, F. Folha de S.Paulo, 13 abr. 1984 (adaptado).
 
A língua varia no tempo, no espaço e em diferentes
classes socioculturais. O texto exemplifica essa
caracterís�ca da língua, evidenciando que 
a) o uso de palavras novas deve ser incen�vado em
detrimento das an�gas. 
b) a u�lização de inovações no léxico é percebida na
comparação de gerações. 
c) o emprego de palavras com sen�dos diferentes
caracteriza diversidade geográfica. 
d) a pronúncia e o vocabulário são aspectos
iden�ficadores da classe social a que pertence o
falante. 
e) o modo de falar específico de pessoas de diferentes
faixas etárias é frequente em todas as regiões. 
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