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Mecânica das Estruturas II Aula 02: Princípio dos Trabalhos Virtuais Universidade Federal Rural do Semi-Árido Departamento de Engenharias - Angicos Bacharelado em Engenharia Civil Docente: Bianca Alencar Vieira E-mail: bianca.vieira@ufersa.edu.br Introdução ao PTV Os métodos de análise de estruturas têm como metodologia a superposição de casos básicos. • Método das forças: os casos básicos são soluções estaticamente determinadas (isostáticas); • No método dos deslocamentos: os casos básicos são soluções cinematicamente determinadas (configurações deformadas conhecidas). Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Energia de deformação interna Quando cargas são aplicadas a um corpo deformável, elas deformam o material. Contanto que nenhuma energia seja perdida sob forma de calor, o trabalho externo realizado pelas cargas será convertido em trabalho interno denominado energia de deformação interna, sendo o trabalho o produto vetorial da força em questão pelo deslocamento. Elemento infinitesimal de volume submetido a uma deformação normal na direção x Energia de deforma- ção por unidade de volume armazenada nesse elemento Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Material com comportamento linear Energia de deformação por unidade de volume generalizada: • No caso de grelha, o efeito de torção também deve ser considerado: • No caso de uma barra de um pórtico plano, tem-se a seguinte expressão: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia A energia de deformação interna total é obtida pela integração da energia U0 ao longo de todo o volume da estrutura. Para pórticos planos, tem-se: 𝒰 = න 𝑉 𝑈0 . 𝑑𝑉 = 1 2 න 𝑉 𝜎𝑥 𝑎 . 𝜀𝑥 𝑎. 𝑑𝑉 + 1 2 න 𝑉 𝜎𝑥 𝑓 . 𝜀𝑥 𝑓 . 𝑑𝑉 + 1 2 න 𝑉 𝜏𝑥 𝑐 . 𝛾𝑐 . 𝑑𝑉 Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Para modelo matemático com estrutura reticulada, a energia de deformação pode ser escrita por unidade de comprimento de barra: 𝒰 = න 𝑒𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑢𝑟𝑎 1 2 න 𝐴 𝜎𝑥 𝑎 . 𝜀𝑥 𝑎. 𝑑𝐴 + 1 2 න 𝐴 𝜎𝑥 𝑓 . 𝜀𝑥 𝑓 . 𝑑𝐴 + 1 2 න 𝐴 𝜏𝑥 𝑐 . 𝛾𝑐 . 𝑑𝐴 . 𝑑𝑥 𝒰 = න 𝑒𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑢𝑟𝑎 න 𝐴 𝒰𝑎 . 𝑑𝐴 + න 𝐴 𝒰 𝑓 . 𝑑𝐴 + න 𝐴 𝒰𝑐 . 𝑑𝐴 . 𝑑𝑥 Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia De resistência dos materiais: Grelhas Em que: • N é o esforço normal na seção transversal e du é o deslocamento axial relativo interno • M é o momento fletor na seção transversal e dθ é a rotação relativa interna por flexão • Q é o esforço cortante na seção transversal e dh é o deslocamento transversal relativo interno • T é o momento torçor na seção transversal e 𝑑𝜑 é a rotação relativa interna por torção Deduções: Capítulo 5 (MARTHA, L. F. Análise de estruturas: Conceitos e Métodos básicos. Ed. Campus, 2010). Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia De resistência dos materiais: Deduções: Capítulo 5 (MARTHA, L. F. Análise de estruturas: Conceitos e Métodos básicos. Ed. Campus, 2010). Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia • Deslocamento axial relativo interno • Rotação relativa interna por flexão • Deslocamento transversal relativo interno • Rotação relativa interna por torção 𝒰 = න 𝑒𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑑𝒰𝑎 + න 𝑒𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑑𝒰𝑓 + න 𝑒𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑑𝒰𝑐 Energia de deformação elástica total armazenada na estrutura: 𝒰 = න 𝑒𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑢𝑟𝑎 1 2 𝑁. 𝑑𝑢 + න 𝑒𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑢𝑟𝑎 1 2 𝑀. 𝑑𝜃 + න 𝑒𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑢𝑟𝑎 1 2 𝑄. 𝑑ℎ Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Premissas básicas do Princípio da Conservação da Energia: • O carregamento é aplicado lentamente, de tal forma que não provoca vibrações na estrutura (não existe energia cinética). • O único tipo de energia armazenada pela estrutura é a energia de deformação elástica, não existindo perda de energia na forma de calor, ruído etc. • A energia de deformação por efeito cortante é desprezada, pois é muito menor do que a energia de deformação por flexão para barras usuais (com comprimento bem maior do que a altura da seção transversal). • A estrutura tem um comportamento linear-elástico, isto é, o material da estrutura trabalha em um regime elástico e linear (não existe plastificação em nenhum ponto) e os deslocamentos da estrutura são pequenos o suficiente para se escreverem as equações de equilíbrio na configuração indeformada da estrutura. Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Princípio da conservação de energia: sendo: WE o trabalho realizado pelas forças externas quando a estrutura se deforma; e 𝒰 a energia de deformação interna. Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Exemplo de aplicação do Princípio da Conservação da Energia Determinar o deslocamento no ponto central da viga simplesmente apoiada abaixo, submetida a uma força vertical P1 aplicada no meio do vão. Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Considerando um comportamento linear para a estrutura, o trabalho total das forças externas para esse exemplo é: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Nesse exemplo, tem-se apenas energia de deformação por momento fletor, assim: Igualando o trabalho externo à energia de deformação interna, chega-se a: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Finalmente, o deslocamento vertical do ponto central é dado por: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Princípio dos Trabalhos Virtuais O princípio da conservação de energia é bastante intuitivo, mas tem uma aplicação muito limitada para o cálculo de deslocamentos em estruturas. Basicamente esse princípio só permite calcular deslocamentos para o caso de solicitação de uma força concentrada, e o deslocamento calculado tem de ser no ponto de aplicação e na direção da força. Analogamente, também é possível calcular a rotação na direção de um momento concentrado aplicado. Princípio dos Trabalhos Virtuais Esse princípio pode ter seu enfoque modificado de forma a eliminar essas limitações. Para enunciar o princípio, algumas definições são necessárias: • (FA, σA) → sistema de forças A, com campo de forças externas (FA) e tensões internas (σA ) em equilíbrio entre si; • (DB, εB) → configuração deformada B, com campo de deslocamentos externos (DB) e deformações internas (εB) compatíveis entre si. A generalização feita em relação ao princípio de conservação de energia é que, agora, não existe qualquer ligação entre o sistema de forças e a configuração deformada, a não ser que atuam em uma mesma estrutura. Princípio dos Trabalhos Virtuais O balanço entre o trabalho externo e a energia de deformação interna combinando esses dois sistemas independentes resulta no princípio dos trabalhos virtuais (PTV): Princípio dos Trabalhos Virtuais Para o caso de estruturas reticulares, a energia de deformação interna virtual também pode ser expressa em termos de esforços internos e deslocamentos relativos internos: Princípio dos Trabalhos Virtuais No caso de pórticos planos, a energia de deformação interna virtual pode ser desmembrada em parcelas que consideram os efeitos axial, de flexão e cortante: Princípio dos Trabalhos Virtuais • Esse princípio pode ser utilizado para impor condições de compatibilidade a uma configuração deformada (D, d) qualquer. Basta que se escolha arbitrariamente um sistema de forças (F, f) denominado virtual, do qual se saiba que satisfaz as condições de equilíbrio. Essa versão do PTV é chamada de princípio das forças virtuais. • De maneira análoga, o PTV pode ser utilizado para impor condições de equilíbrio a um sistema de forças (F, f) qualquer. Basta que se escolha arbitrariamente uma configuração deformada (D, d), denominada virtual, da qual se saiba que satisfaz as condições de compatibilidade.Essa versão do PTV é chamada de princípio dos deslocamentos virtuais. Princípio das Forças Virtuais O princípio das forças virtuais (PFV) é uma das principais ferramentas para a determinação de deslocamentos em estruturas. Esse princípio diz que: Dada uma configuração deformada real (D, ε) – ou (D, d) – e um sistema de forças ( ത𝐹, തσ ) – ou ( ത𝐹, ҧf ) – arbitrário (virtual) em equilíbrio, a igualdade WE= ത𝒰 estabelece uma condição de compatibilidade para a configuração deformada real. Princípio das Forças Virtuais • O PFV utiliza um sistema auxiliar (sistema virtual) completamente independente do sistema real, sendo este a estrutura da qual se quer calcular um deslocamento ou rotação (ou estabelecer uma condição de compatibilidade). • O sistema virtual trabalha com a mesma estrutura, mas com cargas diferentes. – As cargas do sistema virtual são compostas de uma força (ou momento), escolhida arbitrariamente na direção do deslocamento (ou rotação) que se deseja calcular e de suas correspondentes reações de apoio. – As cargas do sistema virtual não existem na realidade (por isso, são ditas virtuais) e são meras abstrações para cálculo. Princípio das Forças Virtuais Exemplo de aplicação do Princípio das Forças Virtuais Considere a viga simplesmente apoiada na figura abaixo com uma força concentrada P1 no centro (sistema real). Deseja-se determinar o valor do deslocamento D2 em um ponto qualquer definido por uma distância a ao apoio da esquerda. Princípio das Forças Virtuais 1° Passo: Definir o sistema virtual 2° Passo: Determinar reações de apoio 3° Passo: Determinar as equações do diagrama de esforços internos e desenha-los. 4° Passo: Aplicar o PFV 5° Passo: Determinar o deslocamento real no ponto. sendo dθ a rotação relativa interna do sistema real. Princípio das Forças Virtuais Aplicação do PFV para o cálculo de deslocamentos em estruturas que trabalham à flexão resulta no cálculo de uma integral que combina diagramas de momentos fletores nos sistemas real e virtual. ➢ Para facilitar os cálculos existem tabelas de integração com valores das integrais 𝑀 ഥ𝑀𝑑𝑥 para barra com rigidez à flexão EI constante ao longo do seu comprimento. Princípio das Forças Virtuais Princípio das Forças Virtuais Expressão geral do PFV para o cálculo de um deslocamento genérico de um ponto de um pórtico plano: Princípio das Forças Virtuais Expressão geral do PFV para o cálculo de um deslocamento genérico de um ponto de um pórtico plano: Princípio das Forças Virtuais Expressão geral do PFV para o cálculo de um deslocamento genérico de um ponto de uma grelha: Princípio das Forças Virtuais Cargas virtuais utilizadas para calcular deslocamentos e rotações em vínculos eliminados de estruturas hiperestáticas Princípio das Forças Virtuais Exercício: Considere o pórtico plano da figura abaixo. Calcule o deslocamento horizontal do apoio da direita provocado pelas forças linearmente distribuída e concentrada horizontal indicadas. O material adotado é um aço com módulo de elasticidade E = 2,05x108 kN/m². Para as colunas, é adotada a seção transversal CS 200x52.3, com área Ac = 6,7x10–3 m2 e momento de inércia Ic = 4,8x10–5 m4. A seção transversal da viga é a VS 300x43.0, com área Av = 5,5x10–3 m2 e momento de inércia Iv = 8,8x10 –5 m4. Princípio das Forças Virtuais Exercício: Sistema real Princípio das Forças Virtuais Exercício: Sistema real DMF (kNm) DEC (kN) DEN (kN) Princípio das Forças Virtuais Exercício: Sistema virtual DMF (kNm) Dúvidas? Slide 1: Mecânica das Estruturas II Aula 02: Princípio dos Trabalhos Virtuais Slide 2: Introdução ao PTV Slide 3: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 4: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 5: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 6 Slide 7: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 8: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 9: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 10: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 11: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 12: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 13: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 14: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 15: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 16: Energia de deformação e Princípio da Conservação da Energia Slide 17: Princípio dos Trabalhos Virtuais Slide 18: Princípio dos Trabalhos Virtuais Slide 19: Princípio dos Trabalhos Virtuais Slide 20: Princípio dos Trabalhos Virtuais Slide 21: Princípio dos Trabalhos Virtuais Slide 22: Princípio dos Trabalhos Virtuais Slide 23: Princípio das Forças Virtuais Slide 24: Princípio das Forças Virtuais Slide 25: Princípio das Forças Virtuais Slide 26: Princípio das Forças Virtuais Slide 27: Princípio das Forças Virtuais Slide 28: Princípio das Forças Virtuais Slide 29: Princípio das Forças Virtuais Slide 30: Princípio das Forças Virtuais Slide 31: Princípio das Forças Virtuais Slide 32: Princípio das Forças Virtuais Slide 33: Princípio das Forças Virtuais Slide 34: Princípio das Forças Virtuais Slide 35: Princípio das Forças Virtuais Slide 36: Princípio das Forças Virtuais Slide 37