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CENTRO UNIVERSITÁRIO ESTÁCIO DE RIBEIRÃO PRETO CURSO HISTÓRIA - LICENCIATURA MARCELA OLIVEIRA MONTALVÃO HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL: DO GOVERNO CIVIL-MILITAR ATÉ A REDEMOCRATIZAÇÃO PORTO VELHO JANEIRO/2024 MARCELA OLIVEIRA MONTALVÃO HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL: DO GOVERNO CIVIL-MILITAR ATÉ A REDEMOCRATIZAÇÃO Trabalho apresentado ao Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto Como requisito parcial para Obtenção do grau de Licenciado em História. Orientador: Prof. Marcelo de Almeida PORTO VELHO JANEIRO/2024 RESUMO A pesquisa apresentada aborda o tema da Educação no Brasil no período do governo civil-militar, as mudanças e políticas públicas que foram acontecendo até a redemocratização do país considerando seu processo histórico. A história da Educação no Brasil é marcada por transformações significativas influenciadas por mudanças políticas, sociais e econômicas ao longo dessas décadas. Ao longo desse trabalho vamos analisar os acontecimentos e as mudanças mais relevantes para a Educação no Brasil, dispostos nos seguintes assuntos: o inicio da Ditadura Militar que trouxe intervenções no campo educacional, implementação de políticas autoritárias, censura e perseguição de professores e estudantes. A ênfase na formação de mão de obra alinhada aos interesses do estado. O surgimento de movimentos estudantis e de resistência contra a repressão política, protestos e manifestações por liberdade acadêmica e direitos civis. O processo de redemocratização, o retorno da participação democrática nas instituições de ensino, e a revisão de currículos e a busca por uma educação mais crítica e inclusiva. A promulgação da Constituição Federal de 1988, que assegurou direitos fundamentais à educação. O lançamento de programas sociais como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e o aumento do acesso à educação. Palavras Chaves: Educação no Brasil. Ditadura Militar. Redemocratização. ABSTRACT AGRADECIMENTOS SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO........................................................................... 2. OBJETIVOS E METODOLOGIA.................................................... 3. A EDUCAÇÃO NO BRASIL AO LONGO DA DÉCADAS................ 3.1 DÉCADA DE 1960 – A EDUCAÇÃO POSTERIOR AO GOLPE DE 1964................................................................................. 3.2 DÉCADA DE 1970 – AS REFORMAS EDUCACIONAIS......... 3.3 DÉCADA DE 1980 – A EDUCAÇÃO NA TRNSIÇÃO DE REGIME...................................................................................... 3.4 DÉCADA DE 1990 – ATUAL LEI DE DIRETRIZES DE BASES DA EDUCAÇÃO......................................................................... 3.5 FUNDEB – PCNEM – BNCC – AS PERSPECTIVAS PARA EDUCAÇÃO............................................................................... 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................... 5. REFERÊNCIAS................................................................................. 1 INTRODUÇÃO Sobre a educação no Brasil no período de 1964 a 1985 remete a um contexto político e social marcado pela Ditadura Militar. Esse regime, que teve início em 1964, trouxe consigo mudanças significativas no cenário educacional brasileiro. Durante esse período, o governo militar implementou políticas que influenciaram diretamente a educação, moldando-a de acordo com suas perspectivas e objetivos. Os primeiros anos do regime militar foram caracterizados por um alinhamento da educação com os interesses do Estado. Houve um esforço para controlar o ensino, restringindo a liberdade acadêmica e promovendo uma visão ideológica que sustentasse o autoritarismo vigente. Nesse contexto, ocorreu a Lei Suplicy de Lacerda, em 1969, que resultou em intervenções nas instituições de ensino, demissões de professores e censura de conteúdos considerados subversivos. Além disso, a ênfase foi colocada na formação de mão de obra para atender às demandas do mercado, negligenciando, em muitos casos, a formação crítica e o pensamento autônomo. As escolas foram orientadas a promover a disciplina e o civismo, restringindo a participação política dos estudantes. No entanto, ao longo do período, surgiram resistências e movimentos contrários ao autoritarismo na educação. Estudantes, professores e intelectuais engajaram-se em protestos e manifestações, exigindo maior autonomia acadêmica e denunciando as restrições impostas pelo governo. A transição para a redemocratização do Brasil, a partir de meados da década de 1980, trouxe consigo mudanças substanciais na educação. O processo de abertura política permitiu o retorno da participação democrática nas instituições de ensino, a revisão de currículos e o resgate da liberdade acadêmica. Portanto, a análise do período de 1964 a 1985 revela a complexidade das relações entre política e educação, destacando os desafios enfrentados pelos profissionais da educação e a sociedade em busca da construção de um sistema educacional mais democrático e comprometido com o desenvolvimento integral dos indivíduos. 2 OBJETIVOS E METODOLOGIA Esse artigo tem como objetivo analisar o período do governo civil-militar até a redemocratização, e desmistificar que se tinha uma Educação bem sucedida no Brasil durante a ditadura militar. Tema de grande relevância para atual conjuntura da Educação, podemos analisar de uma forma geral como a Educação foi se aperfeiçoando ao longo das décadas no Brasil. A metodologia para discutir o tema apresentado é a técnica de levantamento bibliográfico, dialogando ao decorrer do texto com autores. 3 A EDUCAÇÃO NO BRASIL AO LONGO DAS DÉCADAS 3.1 DÉCADA DE 1960 – A EDUCAÇÃO POSTERIOR AO GOLPE DE 64 A segunda metade da década de 1960 foi marcada por importantes motivações políticas, econômicas e sociais. O clima político no Brasil encontrava-se absolutamente conturbado e no dia 13 de dezembro de 1968, o general Arthur da Costa e Silva baixou aquele que ficou conhecido como AI-5 ou Ato Institucional n°5. Estudantes, professores, trabalhadores urbanos e rurais naquele momento, centenas de pessoas encontravam-se na clandestinidade, exilados, mortos ou presos. Um dos instrumentos jurídicos que caracterizam o período do governo civil-militar como uma ditadura é o uso dos Atos Institucionais, instrumento vinculado ao presidente que estabelecia ditames a serem seguidos de imediato sem necessidade de aprovação do legislativo ou judiciário, transformando o poder executivo em condição de superioridade diante dos demais poderes. O Ato Institucional número 5 é um dos mais famosos e considerado uma virada do momento político. A roupagem democrática fora mantida fora mantida até o governo de Costa e Silva, porém a promulgação do AI-5 serviu para fomentar a censura, influir juridicamente, instaurar mudança em sistemas prisionais e evocar a ordem de defesa do estado como justificativa paraqualquer ato. Ao mesmo tempo, o regime fazia questão de imprimir certa aparência de normalidade ao cotidiano das pessoas, lançando mão de recursos midiáticos de forma doutrinária; durante a semana da pátria (7 de setembro), era obrigatório cantar o Hino Nacional e hastear a bandeira brasileira. Em muitas escolas públicas e particulares, essa prática foi incorporada sem muito questionamento. É muito comum nos depararmos, ainda hoje, com escolas que repetem esse ritual durante a Semana da Pátria ou mesmo semanalmente/diariamente. O período compreendido entre 1964 e 1985 ficou conhecido em função da interrupção do processo democrático brasileiro e pela instauração de uma que duraria longos 21 anos. Uma ditadura é geralmente caracterizada pela imposição de uma visão de mundo, muitas vezes na base da força. Por isso mesmo, aqueles anos foram marcados pela extinção dos partidos políticos, cassação de direitos, censura, perseguição de opositores políticos, mortes e desaparecimentos, após o golpe de 1964, muitos educadores foram mortos, perseguidos e exilados em função das suas ideias ou posturas políticas. Uma das bandeiras levantadas pelos defensores dessa escola nova era o potencial da Educação como instrumento de emancipação dos indivíduos. Isso significa que o governo civil-militar conhecia o poder transformador da Educação e, para atender o lema de recuperar a ordem e a estabilização de seu projeto, a Educação passou a ser pauta do dia durante esse período. No mesmo dia que os militares deram um golpe de Estado instaurando a Ditadura Militar (1° de abril de 1964), eles invadiram e incendiaram a sede da maior representação estudantil, União Nacional dos Estudantes (UNE), muitos líderes estudantis foram presos naquela ocasião. Durante todo o regime militar, a UNE, mesmo atuando na ilegalidade, atuou combativamente contra o projeto de educação implementado pelos militares. O ambiente escolar se tornou cada vez mais hostil para qualquer pessoa que contestasse a ordem vigente, seja aluno, funcionário ou professor. Naquela época, era prática comum que a direção das escolas públicas fosse indicada pelos políticos locais. Para isso, tinham como base a ampliação efetiva do número de vagas e formalização de que era função do Estado garantir a Educação, e isso foi um mérito. Já o problema foi promover um clima de vigilância contra algum conteúdo ou ideias consideradas subversivas para os alunos. Durante todo o período da Ditadura Militar, tivemos diversas intervenções que atingiram diretamente o setor educacional. Algumas intervenções promovidas pela Constituição de 1967 foram, a União e os estados estavam desobrigados a investirem um percentual mínimo na Educação, contrariando o que estava disposto na LDB DE 1961. Além disso outra alteração promovida por essa carta constitucional foi a transferência de recursos públicos para instituições privadas de ensino. “(...) a constituição de 24 de janeiro de 1967, baixada pelo regime militar, eliminou a vinculação orçamentária constante das constituições de 1934 e de 1946, que obrigava a União, os estados e municípios a destinar um percentual mínimo de recursos para a educação. A constituição de 1934 havia fixado 10% para a União e 20% para os estados e municípios; a constituição de 1946 manteve os 20% para os estados e municípios e elevou o percentual da União para 12%. A Emenda Constitucional n°1, baixada pela junta militar em 1969, também conhecida como Constituição de 1969 porque redefiniu todo o texto da carta de 1967, restabeleceu a vinculação de 20% mas apenas para os municípios (artigo 15, 3°, alínea f) Em 1968 foi criado o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), o Mobral foi um órgão do governo instituído pelo decreto n° 62.455, de 22 de março de 1968, conforme autorizado pela Lei n°5.379, de 15 de dezembro de 1967, no entanto, só passou a vigorar em 1971. O objetivo dos militares com a criação do Mobral era erradicar o analfabetismo no Brasil. A metodologia de implementação do programa, os militares extinguiram o projeto de alfabetização “De pé no chão também se aprende a ler”, inspirado na pedagogia freiriana, e colocaram em seu lugar o Mobral. O programa se fundamentava na metodologia de alfabetização de Paulo Freire no sentido técnico do termo, mas se distanciava na dimensão da formação da consciência crítica e cidadã. Ao julgar a realidade, é preciso usar uma lente que possa compreender, em seu termo histórico cada situação. Professores e alunos devem interagir com o conhecimento e aprender juntos. Nesse sentido o diálogo ganha força como proposta de interação e recriação, respondendo à lógica da determinação com o poder transformador. Para Freire, o diálogo é um ato de criação. Paulo Freire ao longo de sua vida educadora, divulgou e incentivou a transformação social, anunciando que a Educação é o caminho possível para tal. Como indica o autor, em Pedagogia da Autonomia: “(...) ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou a sua construção” (FREIRE, 2003, p47) Para que o Mobral pudesse ser efetivo, o governo militar criou um sistema de treinamento para professores leigos (sem diploma), que recebiam rudimentos de leitura e escrita preparados para constituir aulas em suas cidades e rincões do Brasil. Essas aulas utilizavam cartilhas distribuídas nacionalmente. Infelizmente, o projeto tornou-se marca de pessoas falsamente formadas ou malformadas, chegando a virar xingamento. O Mobral tem como ponto positivo ter alcançados rincões inimagináveis do Brasil, no entanto, a falta de controle, o número de formações absolutamente indevidas pela ausência de profissionais capacitados, levaram o programa ao colapso. De grande projeto educacional virou piada, em que alguém de baixa capacidade intelectual passou a ser chamado de “Mobral”. Em 1969, os militares determinaram a retirada do ensino de Filosofia e Sociologia das escolas. Sob o decreto-lei n°869, de 12 de setembro de 1969, dispõe sobre a inclusão da “Educação Moral e Cívica” como disciplina obrigatória nas escolas de todos os graus e modalidades, dos sistemas de ensino no país, e dá outras providências como, é intitulada em caráter obrigatório, como disciplina e , também como prática educativa, a Educação Moral e Cívica, nas escolas de todos os graus e modalidades, dos sistemas de ensino no país e será ministrada com a apropriada adequação, em todos os graus e ramos de escolarização. Nos estabelecimentos de graus médio, além da Educação Moral e Cívica, deverá ser ministrado o curso curricular de “Organização Social e Política Brasileira”. 3.2 DÉCADA DE 1970 – AS REFORMAS EDUCACIONAIS A implantação dessa disciplina fazia parte de um contexto em que a moral e o civismo estavam em alta. O ano de 1970, foi o ano da campanha do civismo Brasileiro. A escola era o centro das atividades cívicas, dela o civismo deveria irradiar para toda a comunidade, assim planejava o Estado. No entanto, não deixava essa missão somente para a escola, mobilizando também a imprensa e órgãos de movimentos sociais, com associações de bairros e sindicatos, esses dois últimos por ação mais violenta do que coercitiva. Nesse período, a disciplina Organização Social e Política Brasileira foi responsável por difundir o nacionalismo e o patriotismo nos alunos do 2° grau. Era responsabilidade da escola se certificar que no dia da comemoração do sesquicentenário do Marechal Deodoro da Fonseca as crianças colorissem gravuras do referido Marechal, aprendesse mais sobre a vida e a importância dele para ahistória do Brasil e de como ele contribuiu para o desenvolvimento atual do Brasil, levado a cabo pela “ Revolução”. Que no final do dia letivo, os pais fossem convidados para uma ação solene em que as crianças apresentassem algum trabalho sobre o Marechal Deodoro da Fonseca e levassem para casa um marcador de livros com o rosto dele. Se a prefeitura se articulasse antecipadamente com autoridades municipais, um desfile poderia ser organizado, com banda de música e discursos políticos. Tudo isso era impensado sem a escola, e aí estava a importância primordial para que o plano da ditadura militar para a nação fosse cumprido. Sobre a difusão do nacionalismo e do patriotismo nos alunos, ainda 1970, aconteceu a Copa do Mundo no México, os cantores Dom e Ravel conquistaram o país com o “Eu te amo, meu Brasil”, que estourou nas paradas de sucesso. Essa canção foi utilizada pelo governo militar nos eventos cívicos e cantada nas escolas. Os conteúdos tinham cunho moralizantes, pautados em preceitos considerados fundamentais á sociedade. A Educação era empreendida também por meios não formais. Pra que, no cotidiano, as pessoas pudessem trazer para si o sentimento de civilidade, cuja falta era entendida como um dos males brasileiros. Em 1971 aconteceu a Reforma de 1°e 2° graus, a Lei n°5692/71, chamada de Lei de Diretrizes e Bases de forma errônea. A lei se refere exclusivamente a dois segmentos da Educação, que correspondem ao que, atualmente, chamamos de Educação Básica. Essa lei não tratava também dos objetivos gerais e finalidades da Educação para o país, apenas era especifica para os dois segmentos do ensino. Foi criada por um grupo de trabalho instituído pelo presidente Médici, que tinha por objetivo adequar o ensino ao momento político instaurado pelo golpe de 1964 e às necessidades sociais e econômicas que o governo militar se empenhava em garantir. O país precisava de trabalhadores, mas, mais que isso, precisava de mão de obra especializada. Em linhas gerais, ela criou a estrutura de ensino que se organizava em 1° e 2° graus. As principais alterações na Educação Básica em decorrência da reforma de 1971 foram o primeiro grau passou a abranger os antigos primário e ginásio, atendendo às crianças dos 7 aos 14 anos, a ampliação da obrigatoriedade escolar de 4 para 8 anos, a transformação do antigo curso secundário em ensino de segundo grau, o segundo grau passou a ser obrigatoriamente profissionalizante. Com a promulgação da lei, o segundo grau passou a combinar dupla característica, garantia a terminalidade para aqueles que pretendiam a formação em nível técnico e garantia a continuidade para os que desejavam prestar o vestibular. O ensino profissionalizante acabou contribuindo para a elitização do ensino superior, a necessidade de formar mão de obra levou o governo a alterar radicalmente o ensino básico. Apesar dessa lei valer para o ensino público e para o ensino privado, o que se verificou, na prática, foi a concentração da adoção do ensino profissionalizante no ensino público. De modo, que os filhos da elite continuaram a ser preparados para o ingresso nas carreiras universitárias. Podemos citar algumas consequências dessa reforma, além da instituição de ensino profissionalizante, um deslocamento cada vez maior de recursos públicos para o setor privado. A lei n°5692/71 também foi a primeira legislação educacional que criou um capítulo para tratar do ensino supletivo, capítulo IV Art.24. O ensino supletivo terá por finalidade suprir a escolarização regular para os adolescentes e adultos que não tenham seguido ou concluído na idade própria e proporcionar, mediante repetida volta à escola, estudos de aperfeiçoamento ou atualização para os que tenham seguido o ensino regular no todo ou em parte; O ensino supletivo abrangerá cursos e exames a serem organizados nos vários sistemas de acordo com as normas baixadas pelos respectivos Conselhos de Educação. Introduziu algumas propostas que contribuíram para o debate pedagógico, pois previa a integração vertical e integração horizontal. A integração vertical se dava nos dois graus, entre os níveis (o primeiro e o segundo segmento do primeiro grau), e entre todas as séries de ensino das atividades, áreas de estudo e disciplinas, com o propósito de garantir um trabalho de continuidade desde 1ª série do primeiro grau até a última série do segundo grau. A integração horizontal, que buscava eliminar a diferença entre os antigos ramos de ensino, agrícola, comercial, industrial e normal, articulando as várias áreas do conhecimento no interior de cada série. A valorização do magistério é outra questão presente na lei, foi citada especialmente buscando a crescente profissionalização dos professores, o aperfeiçoamento daqueles já formados, e adequando os vencimentos salarias segundo os critérios do nível de formação, ao contrário do nível que ministrava. Art.39. Os sistemas de ensino devem fixar a remuneração dos professores e especialistas de ensino de 1° e 2° graus, tendo em vista a maior qualificação em seus cursos e estágios de formação, aperfeiçoamento ou especialização, sem distinção de graus escolares em que atuem. 3.3 DÉCADA DE 1980 – A EDUCAÇÃO NA TRANSIÇÃO DE REGIME A Constituição de 1988, foi chamada de “Constituição Cidadã” pelo deputado Ulysses Guimarães, o novo texto que regeria a vida de milhares de brasileiros tinha como desafio imediato restituir direitos fundamentais negados durante muito tempo à sociedade. Além disso, tinha como tarefa olhar para o futuro. Ulysses Guimarães foi um dos primeiros opositores à ditadura militar, liderou campanhas pela redemocratização e pelas Diretas já. Politicamente, a abertura lenta e gradual foi ampliando a participação popular nas votações, primeiro para prefeitos, depois para governadores até querela sobre quando seriam as primeiras eleições diretas. Diretas já foi um movimento político da década de 1980, que exigia que as eleições de 1985 fossem por voto popular e direito, e não por voto do colegiado. Apesar do Movimento das Diretas já, a emenda que pretendia antecipar as eleições foi derrotada. Em uma articulação política, foi eleito Tancredo Neves pelo colegiado de deputados, tendo como vice José Sarney. O presidente da câmara era o deputado Ulysses Guimarães. Tancredo Neves foi eleito, mas não empossado, assim José Sarney foi o 31° presidente do Brasil. No contexto da transição de regime, a Educação brasileira seguia os moldes de 1971, as mudanças, no entanto, não acontecem neste campo de forma uniforme até o fim da década. Foram tomadas ações peculiares em capitais e estados. Dois exemplos importantes vêm do Distrito Federal e do Rio de Janeiro. Em Brasília foi proposto um modelo de educação integral que aproximasse a universidade – principalmente a de Brasília – das escolas de Educação Básica, o principal nome desse projeto foi Cristovam Buarque. No Rio de Janeiro a controversa eleição de Leonel Brizola, ferrenho crítico do governo anterior e de seus antagonistas membros do partido MDB, propõe uma intensa ruptura na educação. Darcy Ribeiro foi chamado para liderar este projeto. A ideia era proteger o trabalhador e as crianças, era necessário que elas fossem acolhidas, educadas, ficando longe dos ambientes de conflito e criminalidade, que já eram notórios na cidade. Os Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) trabalhavam com a compreensão de que não se forma o sujeito em conteúdos, pois o sujeito deve ser preparado para ser cidadão e lutar pela cidadania e pelo coletivo. O projeto , moderno em termos pedagógicos, foi bastante atacado em virtude da sua operacionalização e uso político. Foi descaracterizado a partir da eleição de outros grupos que se opunham às políticas brizolistas. O significado das reformas da Educação Brasileirana redemocratização – a Constituição, as resoluções e garantias para a Educação brasileira na constituição de 1988, estão apresentadas no Título VIII, que se trata de Ordem Social, no capítulo III intitulado Da Educação, da Cultura e do Desporto, especificamente na seção I, chamada Da Educação, entre os artigos 205 e 214. Os princípios do ensino foram especificados no artigo 206. Podemos destacar, liberdade de ensinar e aprender, gratuidade nas escolas públicas; Gestão democrática nas escolas da rede pública; valorização dos profissionais da Educação, que inclui plano de carreira, piso salarial para o magistério. No artigo 205, a carta constitucional estabelece a Educação como um direito de todos e dever do Estado e da família. É interessante notar como o dever do Estado precede o da família, o que realmente demonstra a importância do poder público em garantir ensino para a população. 3.4 DÉCADA DE 1990 – ATUAL LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO Lei 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, com a promulgação da constituição de 1988, a LDB anterior (4024/61) foi considerada obsoleta, mas apenas em 1996, o debate sobre a nova lei foi concluído. A atual LBD, 9394/96 foi sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ministro da Educação, Paulo Renato, em 20 de dezembro de 1996. Baseada no princípio direito universal à Educação para todos, a LDB DE 1996 trouxe diversas mudanças em relação as leis anteriores tais como: gestão democrática do ensino público progressiva autonomia pedagógica e administrativa das unidades escolares (art. 3 e 15); Carga horária mínima de 800 horas distribuídas em 180 dias letivos na educação básica (art.24); Orientação para União gastar, no mínimo, 18% e os estados e municípios, no mínimo, 25%, de seus orçamentos para a manutenção e desenvolvimento do ensino público (art. 69); A criação do Plano Nacional de Educação (art.87), essa lei aponta em seu artigo 22 para uma formação do individuo que atenda a três dimensões da condição humana, cidadania, estudo e trabalho. A ideia é que os currículos escolares e os saberes compartilhados no ambiente escolar estejam atentos as distintas realidades sociais, além de funcionarem como instrumentos em que os alunos consigam praticar o exercício da cidadania na busca por uma sociedade mais justa e igualitária. A LDB pressupõe uma série de ações que foram, desde então, desenvolvidas e que passamos a enunciar. Plano Nacional de Educação Básica: a educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e nos estudos posteriores. 3.5 FUNDEB – PCNEM – BNCC – AS PERSPECTIVAS PARA A EDUCAÇÃO No governo de Fernando HENRIQUE Cardoso o nome do projeto era FUNDEF – Fundo da Educação Fundamental, mudou em 2006 para FUNDEB – Fundo da Educação Básica, que amplia o programa, mas o sentido é o mesmo. O FUNDEB surgiu, durante o governo FHC, houve a intensa discussão de que precisávamos ampliar o número de vagas, garantir o acesso às escolas e , o mais crítico, trabalhar contra a evasão escolar, o ministro Paulo Renato tomou isso como meta e modelo “ameaçando” os estados e municípios de que de veriam atingir essas metas ou não receberiam dinheiro. Com a criação do FUNDEB, prevista na própria LDB, muitas prefeituras e governos criaram programas, deixando de lado a qualidade em prol da continuidade- aprovações automáticas, criação de projetos em que separavam potenciais alunos repetentes, entre outros. Foi criado para regulamentar o auxílio da União a estados e municípios, sem precisar pedir a cada nova demanda. Esse modelo tem como mérito a ampliação do número de pessoas com alguma formação, a maior parte do Brasil passa pela escola. E tem como demérito, a perda de qualidade mensurável. Com as reprovações, as escolas dos modelos anteriores atingiam números grandes de evasões e distorção idade/série. A imagem de que elas eram “melhores” é uma ilusão provocada pela reprovação uma vez que poucos conseguiam obter a formação. Esses programas, apesar de importantes, jogaram a Educação Básica em uma situação complexa ainda que inequivocadamente mais democrática, pois exigiram mais investimento, diversificação o que é custoso, e sem foco específico, faz com que os números se arrastem quando comparados a índices internacionais. Parâmetros curriculares nacionais (PCN), foram organizados também no processo de redemocratização nacional, impulsionados pela LDB/96. Esses parâmetros curriculares podem ser caracterizados como orientações explicitamente práticas da legislação, funcionam como um importante referencial para aquilo que oficialmente se espera da Educação, do professor e do aluno. Assim como os PCN, os PCNEM (Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio) responderam pela intenção de estabelecer uma base curricular nacional comum e introduziram o que passou a ser designado de ensino de competências. Considerando exatamente o termo parâmetros, os PCNEM têm como princípio servir de referência básica e geral à comunidade escolar ( professores, coordenadores pedagógicos, alunos etc.), na organização e implementação do projeto educativo das escolas, no intuito de garantir uma base nacional comum ao currículo da Educação Básica. As disciplinas no PCNEM foram distribuídas de forma que as variadas áreas do conhecimento fossem contempladas. O próprio termo tecnologias caracteriza as contribuições de cada uma das áreas para a proposta curricular. A Proposta Curricular ficou assim: Linguagens, códigos e suas tecnologias - inclui as disciplinas conhecidas pelas denominações de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Estrangeira, bem como Artes, Educação Física e Informática. Ciências da Natureza, matemática e suas tecnologias – engloba as disciplinas de Biologia, Física, Química e Matemática. Ciência Humanas e suas tecnologias – inclui o conteúdo das disciplinas de Geografia, História, Sociologia e Filosofia, dialogando metodologicamente com as demais áreas das Ciências Sociais. A leitura interdisciplinar dos fenômenos sociais permite a articulação dos fatos, conceitos, processos e tendências de forma contextualizada, ressaltando especificidades. Depois dos Parâmetros Curriculares Nacionais, a grande novidade para a Educação foi a homologação, no ano de 2018, da Base Nacional Curricular Comum (BNCC). Trata-se de um documento normativo para a Educação Básica (Educação Infantil, Ensinos Fundamental e Médio). A BNCC ao ser elaborada teve os PCN e as DCNEB (Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica) como pano de fundo. A BNCC tornou-se obrigatória nos currículos de todas as redes do país, públicas e particulares. Dessa forma, os documentos anteriores devem continuar sendo consultados, mas apenas como documentos orientadores, sem caráter obrigatório. Diferentemente da BNCC, os PCN foram orientações e não legislação. Eles não geram uma Base Comum, mas apontaram sugestões para um currículo escolar diversificado e significativo, levando em conta o respeito às diversidades regionais, culturais e políticas. A BNCC prevista no artigo 10 da constituição de 1988, instituída pela LDB n°9.394/1996 e fundamentada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. Ela foi pensada na esteira da LDB/96, dos PCN e das DCNEB, dessa forma faz sentido pensar em todos esses documentos conjuntamente, como se um auxiliasse e completasse o outro. A BNCC é mais que um documento que estabelece como, quando e por que determinados conteúdos serão ensinados, ou seja, o que importa é construir umprojeto educacional que contemple todas as dimensões do desenvolvimento humano, como os aspectos cognitivos e socioemocional, o desenvolvimento físico, cultural etc. A ideia é que o aluno consiga aplicar o conhecimento apendido na escola no seu cotidiano. O objetivo é formar o indivíduo para a vida cidadã, através da transmissão de valores que permitam uma boa convivência social. Dois aspectos importantes sobre a BNCC são, Política de estado, a BNCC não é uma medida vinculada a determinado governo ou partido, ela é uma Política de Estado, prevista no Plano Nacional de Educação, na LDB/96 e na Constituição de 1988. A palavra chave da Base Nacional Comum Curricular é Competências, ela propõe o desenvolvimento de competências distribuídas nas disciplinas curriculares, que devem, por meio do desenvolvimento das diversas habilidades, serem respondidas pelas atitudes concretas do aluno em todos os locais de sua convivência. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O contexto educacional dos anos 1960 deveria ser, ao menos, inspirador. Afinal em 1961 foi publicada nossa primeira LDB (Lei40/24, ainda que tenha demorado trinta anos desde a criação do Ministério da Educação e Saúde, em 1930. Com o Regime Militar instaurado em 1964 não somente a política e as ralações sociais sofreram abalo, mas também a Educação. Com a visão de uma educação estritamente tecnicista, sob a justificativa de desenvolvimento industrial do país, tornou-se necessária a publicação de novas leis de cunho educacional, a mais importante delas, a Lei 5.692, de 1971, chamada por alguns de segunda LDB, tinha um caráter estritamente reformador: a definição clara dos segmentos da Educação: 1° e 2° graus ( atual Educação Básica, Ensino Fundamental e Médio). Ela definia, por exemplo, que todo estudante deveria sair do 2° grau com uma formação técnica. Outra mudança foi a substituição do projeto “De pé no chão também se aprende a ler”, fundamentado nas ideias de Paulo Freire, pelo Mobral, em 1967. Embora ambos tivessem o objetivo de erradicar o analfabetismo do país, o projeto militar esvaziava-se do caráter de “educação crítica” do anterior. Com o fim do Regime Militar, em 1984, e a definição da chamada Nova República, ainda que muitos aspectos de transição do antigo modelo político-econômico, a necessidade de uma nova constituição e de uma reforma educacional foi imediatamente percebida. Assim em 1988, com a promulgação da constituição cidadã (como ficou conhecida), já era possível perceber mudanças significativas da Educação, como a redefinição dos Sistemas de Educação, responsabilizando federações, estados e municípios e trazendo o famoso artigo 205: “ A Educação é direito de todos e dever do Estado e da família.” A partir daí, vários educadores (destaca-se a figura de Darcy Ribeiro) começaram a pensar e estruturar uma nova LDB, que, no entanto, somente será publicada em 1996(lei 9.394. Apesar de ela já ter sido bastante alterada, através de leis complementares, trouxe propostas que, embora não correspondessem às expectativas de todos os educadores envolvidos, trazia pontos relevantes, valorizando muito mais o papel das equipes pedagógicas, o aumento da carga horária mínima para o ano letivo (800h/180 dias, na Educação Básica) e a criação do Plano Nacional de Educação. Visto todos esses tópicos, conseguimos desmistificar esse conceito de que a Educação era de melhor qualidade no período do Regime Militar, quando na verdade o que tínhamos era um alto nível de reprovação, não por que o ensino era bom e sim por que quase ninguém conseguia se formar, e que foi ao longo dos anos que conseguimos melhorar a qualidade do ensino no país por meio de Leis, reformas e adaptações, seguimos em evolução para obter uma Educação de qualidade para todos. 5 REFERÊNCIAS ARAPIRACA, José Oliveira. A Usaid e a educação brasileira. São Paulo: Autores associados/Cortez, 1982. ATCON, Rudolph P. Rumo à reformulação estrutural da universidade brasileira. In: SERRANO, José(org.). Atcon e a universidade brasileira. Rio de Janeiro: Equipe técnica de planejamento, pesquisa e empreendimentos, 1974. BERNARDO, Nairim; SOARES, Marcelo. 20 anos de LDB: como a lei mudou a Educação. Acesso em: 19 jan. 2024. CUNHA, Luiz Antônio. A universidade reformada: o golpe de 64 e a modernização do ensino superior. 2. Ed. São Paulo: Editora UNESP, 2007 CUNHA, Luiz Antônio. Ensino superior e universidade no Brasil. In: LOPES, Eliane, M.T.; FARIA FILHO, Luciano M. de; VEIGA, Cynthia G. (ORGS.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. CUNHA, Luiz Antônio. Diretrizes para o estudo histórico do ensino superior no Brasil. Fórum educ., Rio de Janeiro, vol. 5, n. 2, pp. 3-28, abr./jun. 1981. DE ABREU, Vanessa; INÁCIO FILHO, Geraldo. A Educação Moral e Cívica – doutrina, disciplina e prática educativa. Acesso em: 18 jan. 2024 FÁVERO, Maria de Lourdes. 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Caderno Cedes, vol 28, n. 76, pag. 291-312. Campinas, 2008. Acesso em:19 jan. 2024. TERMO DE RESPONSABILIDADE E COMPROMISSO DE AUTORIA Eu, Marcela Oliveira Montalvão , matricula nº 202103136559 declaro, para os devidos fins de direito, que o trabalho de conclusão de curso o artigo intitulado, História da Educação no Brasil: Do Governo Civil-Militar até a Redemocratização, é de minha autoria, tendo sido elaborado com a observância ao princípio do respeito aos direitos autorais de terceiros e em conformidade às normas estabelecidas no Manual de Normas para a Estrutura Formal de Trabalhos Científicos do Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto. Declaro ainda que as citações e referências foram elaboradas à luz das normas da ABNT. Estou ciente, outrossim, de que o plágio ou a adoção de qualquer outro meio ilícito, na confecção de trabalhos acadêmicos configura fraude, possível de sanções, conforme as normas internas do Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto das quais também declaro ter plena ciência. Ademais, tenho conhecimento de que, eventualmente, o Professor orientador poderá exigir-me uma verificação adicional de conhecimento sobre o tema do artigo científico como condição para a aprovação da disciplina. Declaro, por fim, que tenho conhecimento de que o plágio constitui crime previsto no art. 184 do Código Brasileiro e que arcarei com todas as implicações civis, criminais e administrativas caso incorra nesta prática. Porto Velho, 22 de Janeiro de 2024. MARCELA O MONTALVÃO Assinatura do Aluno