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Terapêutica Básica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Introdução 
Frequência de administração 
SID: single in die (1x ao dia) 
BID: bis in die (2x ao dia) 
TID: ter in die (3x ao dia) 
QID: quater in die (4x ao dia) 
 
Receitas 
Cabeçalho ou superscrição: Contém os dados do 
profissional. Obrigatoriamente, devem constar, nº de 
inscrição no Conselho Regional e endereço, podendo 
ser acrescidos de especialidade do profissional e 
outros; 
Identificação: Identifica o animal e seu proprietário; 
Inscrição: Indica a droga com sua concentração e 
quantidade prescrita. É sempre grifada e, 
opcionalmente, pode ser precedida de termos que 
indicam a via de administração, também grifados: Uso 
interno, uso parenteral, uso tópico e outros 
Instrução ou indicação: Informa ao proprietário sobre 
a maneira de se administrar o medicamento. 
Aconselha-se sempre o uso do tempo verbal imperativo 
nas instruções de uma prescrição; Assinatura: É a 
parte final de uma prescrição. Caso o cabeçalho não 
identifique o profissional (p. ex. receituários de clínicas 
ou hospitais), esta assinatura deve ser obrigatoriamente 
seguida de aposição de carimbo com o nome e 
inscrição no Conselho Regional do mesmo 
 
Na inscrição deve conter obrigatoriamente: 
Inscrição: Indica a droga com sua concentração e 
quantidade prescrita. É sempre grifada 
• Nome comercial ou princípio ativo: caso seja 
nome comercial deve conter o símbolo (®) ex: 
Cronidor® ou Tramadol 
• Concentração do medicamento: Ex: 200 mg; 
500 mg (quando em solução deve conter mg/ml 
ex: 50mg/ml) 
• Forma do medicamento: comprimido, solução, 
spray, colírio, pastosas... 
• Quantidade total do medicamento: 
quantidade total que a farmácia deve vender 
de acordo com o período de tratamento 
 
 
 
 
 
Tipos de receita 
Receita simples: prescrição dedicada para 
medicamentos que não precisam obrigatoriamente de 
receita para serem comprados nas farmácias. 
Receita controlada: A receita de controle especial se 
destina a medicamentos de uso controlado. 
Imunossupressores, antibióticos e antirretrovirais são 
alguns exemplos de medicamentos que se enquadram 
nesse tipo de prescrição. 
A receita de controle especial deve ser emitida em 
duas vias: uma fica com o paciente enquanto a outra 
fica retida na farmácia. 
 
Receita azul: Lista B (psicotrópicos). É preciso que o 
médico veterinário se dirija à Vigilância Sanitária local, 
cadastre-se e preencha a requisição da NR para obter 
a autorização para, somente então, proceder com a 
confecção do receituário junto à gráfica. 
 
Receita amarela: Lista A1 e A2 (entorpecentes), A3 
(psicotrópicos). O talonário é fornecido pela Vigilância 
Sanitária Estadual ao profissional devidamente 
cadastrado, sendo impressa em papel amarelo, medindo 
20 X 10 cm. A NR A deve ser acompanhada de uma 
receita comum explicando a posologia. 
 
Receita branca: Lista C (anabolizantes, 
antiretrovirais, retinóicas, talidomida). O mesmo modelo 
de receituário pode ser usado tanto para medicamento 
de uso humano como para medicamentos de uso 
veterinário. A confecção deste receituário deverá ser 
realizada pelo profissional em papel branco (14 x 20 cm). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cálculo de medicamento e Fluidoterapia 
Necessita sempre de três fatores: 
• Peso (Kg) - Dose (mg/kg ou mcg/ml) 
• Concentração (mg/ml ou mcg/ml) 
 
Fórmula: Peso x dose / concentração = (resultado 
dado em ml) 
 
Para comprimidos, o cálculo é feito multiplicando o peso 
pela dose (em mg). 
Obs: para transformar mcg em mg é necessário dividir 
por 1000 (500mcg = 0,5 mg), ou mover a vírgula 3 
casas para esquerda. 
Para fármacos que a concentração é expressa em %, 
multiplicar por 10. (xilazina 2% = 20 -> 20mg/nml) 
 
Fluidoterapia de Manutenção 
É o volume de líquidos utilizados para mantença do 
organismo em um período de 24h. 
Importante lembrar que este volume é apenas para a 
manutenção dos órgãos. Líquidos/secreções (ex: leite) 
devem ser somados ao volume da manutenção. 
• Cães: 50 ml/ kg/ dia cão adulto, 60ml cão 
jovem, 40 ml cão idoso 
• Gatos: 60 ml/ kg/ dia 
• Bovinos: 50 ml/ kg/ dia 
• Equinos: 40 ml/ kg/ dia 
 
Fluidoterapia de Reposição 
É o volume estimado para as perdas já existentes no 
animal (desidratação) 
• PESO x Porcentagem da desidratação 
Ex: 15kg x 6 x 10 (6%) = 900 ml/ dia 
 
Existem duas causas principais de desidratação: 
1. perda excessiva de líquido promovida pela 
ocorrência de diarreia e/ou vômito 
2. ingestão inadequada de água devido à privação 
ou à diminuição na ingestão de água em 
decorrência de algumas enfermidades 
(impedimento à ingestão por paralisia faríngea 
ou obstrução esofágica) 
 
Fluidoterapia para Perdas gastrointestinais 
É o volume de líquidos perdidos nas perdas 
gastrointestinais (vomito e diarreia); são estimadas por: 
• Vômito: 40 ml/kg/dia 
• Diarreia: 50 ml/kg/dia 
• Ambos: 60 ml/kg/dia 
 
Tipos de equipo 
• Macro: 1 ml = 20 gotas 
• Micro: 1 ml = 60 gotas 
Geralmente usamos o micro para animais até 4 kg e o 
equipo macro para animais acima deste peso 
 
Vias de administração de fluido 
• Oral: sonda nasogástrica, seringa, mamadeira. 
Indicado para pacientes pediátricos. 
Desidratação subclínica. 
• Subcutânea: Desidratação leve. Fluidos 
hipotônicos. Mamadeira. Aplicar de 10 a 12ml/kg 
por sítio de aplicação. De 50 a 100ml em gato 
• Intraóssea 
• Intravenosa 
 
 
Tipo de desidratação 
• Hipotônica: Perda de eletrólitos maior do que 
a perda de água. Causada por diuréticos, 
pancreatite, peritonite, uroabdome (perda de 
fluido hipertônico), diarreia, hemorragia, 
hiperadrenocorticismo (perda de fluido 
isotônico com reposição de água). 
Consequências: hip 
• Hipertônica: Perda de água sem perda de 
eletrólitos significativa. Causada por patologias 
renais, cardíacas, hepáticas, queimaduras 
(perda de fluido hipotônico), febre, diabetes 
insípido, diminuição da ingestão de água (perda 
de água). 
• Isotônica: Perdas simultâneas de água e 
eletrólitos em proporções semelhantes. 
Causado por vômito, diarreia, hemorragias, 
hipoadrenocorticismo. 
............................................................................................................................. ....................................................................................... 
Atividade 
Cão 15 kg, deu entrada no centro veterinário, com 
desidratação de 6%, com histórico de vomito e diarreia 
(equipo macro). Manutenção: 15 x 50 ml/kg/dia= 750 
ml/dia 
Reposição: 15 x 6 x 10= 900 ml/dia 
Perdas: 15 x 60 = 900 ml/dia 
2550 ml/dia → 2550/24 = 106,25 ml 
106,25ml/60 min= 1,77 ml/min 
1,77 ml x 20 gotas = 35 gotas por min 
Obs: A quantidade em ml calculada para ser 
administrada por hora pode ser inserida na bomba de 
infusão, se disponível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tipos de fluidoterapia
 
Soluções cristaloides 
Cristaloides são as mais empregadas na fluidoterapia, 
consistem em uma solução à base de água com 
moléculas pequenas às quais a membrana capilar é 
permeável, capazes de entrar em todos os 
compartimentos corpóreos. 
 
NaCl 0,9% 
Solução cristaloide, isotônica, utilizada para reposição, 
não é uma solução balanceada, pois contém apenas 
sódio, cloro e água. É acidificadora, sendo indicada para 
pacientes com alcalose. 
Pode ser usada em hipoadrenocorticismo (por 
aumentar reposição de sódio), insuficiência renal 
oligúrica ou anúrica (pois evita retenção de potássio) e 
hipercalcemia (pois não contém cálcio) 
 
NaCl 7,5% 
Solução salina hipertônica: é uma solução hipertônica 
utilizada para reanimação. É indicada em casos de 
hemorragia, queimaduras, hipovolemia e choque. Nos 
casos de choque aconselha-seo uso de solução salina 
hipertônica de NaCl a 7,5%. 
Soluções hipertônicas levam ao aumento da frequência 
cardíaca, vasodilatação pulmonar e sistêmica, 
manutenção do fluxo sanguíneo nos órgãos vitais. Ao 
administrar este tipo de solução o paciente deve ser 
monitorado com atenção. 
 
Ringer Lactato 
Ringer com lactato de sódio é uma solução isotônica, 
cristaloide, com composição semelhante ao LEC, pH 
6,5, utilizada para reposição. Tem características 
alcalinizantes, uma vez que o lactato sofre 
biotransformação hepática em bicarbonato, sendo 
indicado para acidoses metabólicas 
Por conter cálcio é contraindicada para pacientes 
hipercalcêmicos, assim como não é indicada para 
pacientes hepatopatas. Não deve ser administrada junto 
com hemoderivados, no mesmo cateter intravenoso, 
para evitar precipitação do cálcio com o anticoagulante. 
 
Glicofisiológica 
Solução de glicose a 5% em NaCl a 0,9% também é 
chamada de solução glicofisiológica. É uma solução 
cristaloide utilizada para reposição. Possui composição 
semelhante à solução de NaCl a 0,9%. Apresenta, 
porém maior osmolaridade e pH 4,0. 
 
Soluções coloides 
São substâncias de alto peso molecular, com 
permeabilidade restrita ao plasma de pacientes com 
endotélio íntegro e não comprometido. Os coloides 
atuam principalmente no compartimento intravascular. 
Usados para restaurar a pressão oncótica. 
O coloide é indicado em pacientes que possuem PPT 
(Plaquetas Pré-Transfusionais) menor que 3,5 g/dL, e 8 
albumina menor que 1,5g/dl, e em casos de choque 
hipovolêmico. São contraindicados em pacientes com 
falência renal, pois a metabolização e excreção da 
solução se dão por via renal, em pacientes com 
coagulopatias, pois podem causar hemorragia. Estas 
soluções são acidificantes. 
 
Derivados de Dextranos (Dextran 20 a 70) 
Dextrano é um expansor do volume plasmático 
[polissacarídeo sintético]. 
Muito utilizado em casos de anemias (ex: anemia 
ferropriva dos leitões) 
 
Haemacel e Polisocel 
São derivados de polímeros de gelatina. Destinados ao 
tratamento de insuficiência circulatória devido a uma 
diminuição do volume de plasma/sangue Ex: 
hemorragias, nos estados de choque hipovolêmico 
(diminuição do volume sanguíneo), perda de sangue e 
plasma, por exemplo, em traumatismos e queimaduras, 
 
Hetastarch (Voluven) 
É um expansor do volume plasmático [coloide sintético 
não proteico derivado de amido ceroso composto 
principalmente de amilopectina]. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Transfusão Sanguínea 
Pode ser utilizada em diversas condições clínicas, 
como: anemia, hemorragia, coagulopatia e 
hipoproteinemia. 
Pode ser fornecido como sangue total ou 
hemocomponentes (concentrado de hemácias, 
concentrado de plaquetas, plasma fresco congelado e 
crioprecipitado) 
 
 
 
Hematócrito: parte “sólida”/celularidade sanguínea 
• Hematócrito do doador: % de celularidade do 
doador 
• Hematócrito do receptor: % de celularidade do 
receptor 
• Hematócrito desejado: % que deseja-se chegar 
no receptor 
 
Benefícios da transfusão sanguínea 
Método rápido para aumentar a capacidade de 
oxigenação e reestabelecer valores normais de 
proteínas e fatores de coagulação 
Melhora clínica do paciente é prontamente 
reestabelecida, mas sempre deve-se tratar a causa 
desta perda sanguínea 
 
Riscos da transfusão sanguínea 
Embora seja capaz de salvar vidas, a transfusão 
sanguínea também apresenta riscos, o maior deles é a 
reação transfusional 
Os primeiros sinais clínicos da reação transfusional são: 
• Edema periocular 
• Edema perilabial 
• Edema facial 
• Eritema generalizado 
• Edema de glote 
Animais submetidos à primeira transfusão, tem 
menores riscos, a partir da segunda, deve ser feito 
teste de compatibilidade 
 
Teste de compatibilidade 
As hemácias possuem em sua membrana plasmática 
substâncias que não são necessariamente iguais em 
todos os animais. Estas hemácias do doador serão 
atacadas pelos anticorpos do receptor Teste: 
• 1 ml de sangue total (ou precipitado de 
hemácias do receptor) 
• 1 ml de soro do doador 
• Mistura-se e observa-se soro aglutinação 
 
Procedimento ao se perceber uma reação 
transfusional 
• Interromper a transfusão imediatamente 
• Iniciar fluidoterapia de choque (1/3 do volume 
diário em duas horas) 
 
Terapia medicamentosa: 
• Corticoides (dexametasona, prednisona, 
hidrocortisona) 
• Diuréticos (furosemida) 
• Anti-histamínicos (Prometazina) 
• Alguns profissionais realizam o tratamento com 
corticoide preventivo 
 
Qual a velocidade da transfusão sanguínea? 
Iniciar com 2 a 5 ml/kg/h, caso não ocorra nenhum sinal 
de reação transfusional nos primeiros 30 a 60 minutos, 
pode-se aumentar a taxa de infusão. 
Passar para 10 a 20 ml/kg/h para animais “não 
comprometidos” (ideal é não exceder 4 a 5 horas de 
transfusão). Em pacientes cardiopatas ou nefropatas 
manter em 2 a 4 ml/kg/h, evitando-se assim riscos com 
sobrecarga circulatória. 
 
Como realizar a coleta de sangue? 
Existem bolsas específicas para transfusão sanguínea: 
• 63 ml citrato de sódio, para 450 ml de sangue 
Para outros volumes deve-se calcular com regra de 3 
 
Como saber quanto de sangue o receptor 
precisa? 
O volume pode ser definido empiricamente: 15 a 20 
ml/kg (valores menores em animais obesos) Ou através 
do cálculo/fórmula: 
 
Cães: Peso x 90 x (Ht desejado - Ht receptor) 
 Ht doador 
 
Gatos: Peso x 70 x (Ht desejado - Ht receptor) 
 Ht doador 
 
Obs: o valor normal do Ht em cães íntegros varia de 
37% e 55%, e em gatos é de 24% a 45% 
 
Quanto de sangue pode retirar do doador? 
O volume sanguíneo corresponde a 8% do peso vivo do 
animal. Podemos retirar no máximo 20% (ideal é até 
15%) 
• Peso ideal do doador é: cães: acima de 25 kg; 
gatos: acima de 5kg (1 a 8 anos, vacinado, 
vermifugado, sem hemoparasitoses, não 
gestante, sem cirurgias recentemente) 
Logo: Um cão de 30 kg, tem 2400 ml de sangue e 
podemos retirar no máximo 600 ml 
 
Cuidados na transfusão sanguínea 
Nunca utilizar Ringer Lactato como fluidoterapia 
adjuvante (ideal é ter dois acessos venosos) 
• Ficar muito atento ao paciente, principalmente 
no início da transfusão 
• Calcular as doses dos fármacos/terapias 
antecipadamente, em caso de reações 
transfusionais 
• Prestar atenção em reações tardias