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ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE 
QUEIMADO 
 
2 
Sumário 
INTRODUÇÃO........................................................................................................................... 3 
CLASSIFICAÇÃO DAS QUEIMADURAS................................................................................... 6 
QUEIMADOS – ALTERAÇÕES METABÓLICAS E SUPORTE NUTRICIONAL. ........................ 8 
DANOS RESPIRATÓRIOS E QUEIMADURA INALATÓRIA .................................................... 11 
FLUIDOTERAPIA PARA REANIMAÇÃO DO QUEIMADO ...................................................... 14 
MONITORIZAÇÃO NO PACIENTE QUEIMADO ..................................................................... 16 
TÉCNICAS ANESTÉSICAS ..................................................................................................... 18 
PAPEL DO ENFERMEIRO NA ASSISTÊNCIA AO PACIENTE QUEIMADO ........................... 24 
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 25 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
Queimaduras são lesões na pele que podem ser causadas por diversos fatores, 
como calor, eletricidade, produtos químicos, radiação ou fricção. O tratamento de um 
paciente queimado pode variar dependendo da gravidade e extensão das queimaduras. 
As queimaduras são classificadas em primeiro, segundo ou terceiro graus, 
dependendo da profundidade e da extensão do dano tecidual. Se faz necessario verificar 
outras lesões associadas, como trauma por inalação em queimaduras em áreas 
próximas às vias respiratórias. 
Se a queimadura for causada por calor, é importante resfriar a área afetada com 
água fria corrente por pelo menos 10-20 minutos para evitar danos adicionais aos 
tecidos. A área queimada deve ser cuidadosamente limpa para remover sujeira, detritos 
e tecido necrosado, o que pode reduzir o risco de infecção. A administração de 
analgésicos pode ser necessária para aliviar a dor associada às queimaduras. 
Dependendo da extensão e profundidade das queimaduras, podem ser aplicados 
curativos estéreis ou pomadas específicas para queimaduras para proteger a área 
afetada e promover a cicatrização. Pacientes com queimaduras graves podem perder 
uma quantidade significativa de líquidos e nutrientes. A reposição adequada de fluidos 
e a nutrição adequada são essenciais para prevenir complicações como desidratação e 
desnutrição. 
Pacientes com queimaduras estão em maior risco de infecções, portanto, 
medidas preventivas, como administração de antibióticos tópicos ou sistêmicos, podem 
ser necessárias para reduzir o risco de infecção. Em casos de queimaduras graves, 
pode ser necessário realizar cirurgia para remover tecido necrótico (desbridamento) ou 
para enxertar pele saudável na área afetada. Após a fase aguda do tratamento, a 
reabilitação pode ser necessária para restaurar a função e a aparência da área afetada, 
através de fisioterapia, terapia ocupacional, entre outros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
HISTÓRIA DA QUEIMADURA 
 
É incrível como a sabedoria ancestral dos povos indígenas já incluía métodos de 
tratamento para lesões por queimaduras, usando recursos naturais como plantas 
medicinais. Essa prática demonstra uma profunda compreensão dos recursos 
disponíveis na natureza para tratar diferentes condições de saúde. 
A evolução ao longo do tempo, com o surgimento de preocupações mais formais 
e sistematizadas com o tratamento de queimaduras, marca um avanço significativo na 
história da medicina. A criação de serviços hospitalares especializados reflete o 
reconhecimento da importância de um tratamento dedicado e específico para pacientes 
com queimaduras, levando a uma melhoria substancial na qualidade dos cuidados 
oferecidos. 
Essa transição histórica ilustra como o conhecimento e a prática médica evoluem 
ao longo do tempo, incorporando novas descobertas, tecnologias e abordagens 
terapêuticas para melhor atender às necessidades dos pacientes. A introdução de novos 
tratamentos e abordagens para o cuidado de pacientes queimados reflete os avanços 
contínuos na área da medicina e da saúde. 
A criação da Sociedade Brasileira de Queimaduras em 1995 representa um 
marco importante no Brasil, pois demonstra o reconhecimento da gravidade das 
queimaduras como um problema de saúde pública e a necessidade de abordagens 
coordenadas e especializadas para lidar com essa questão. 
A SBQ busca incentivar o avanço do conhecimento científico no campo das 
queimaduras, apoiando pesquisas e estudos que contribuam para melhorar o 
tratamento, prevenção e reabilitação de pacientes queimados. 
A sociedade trabalha para disseminar informações atualizadas e práticas sobre 
o tratamento de queimaduras, garantindo que profissionais de saúde e público em geral 
tenham acesso a recursos e diretrizes eficazes. Uma das principais missões da SBQ é 
educar a população sobre medidas preventivas para evitar acidentes que levam a 
queimaduras, incluindo conscientização sobre segurança em casa, no trabalho e em 
ambientes públicos. 
A SBQ enfatiza a importância dos primeiros socorros adequados no tratamento 
inicial de queimaduras, fornecendo orientações claras e práticas para lidar com 
emergências. A sociedade apoia a formação e o desenvolvimento contínuo de 
profissionais de saúde envolvidos no tratamento de queimaduras, fornecendo 
oportunidades de educação, treinamento e atualização em práticas e técnicas 
relevantes. 
 
5 
 
A SBQ promove o intercâmbio de conhecimentos e experiências entre 
profissionais de diferentes países e instituições, facilitando a colaboração internacional 
e a disseminação das melhores práticas no tratamento de queimaduras. Ao trabalhar 
em conjunto com profissionais de saúde, pesquisadores, instituições acadêmicas e 
organizações governamentais e não governamentais, a Sociedade Brasileira de 
Queimaduras desempenha um papel fundamental na melhoria da qualidade do 
atendimento e na redução do impacto das queimaduras na sociedade brasileira. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS QUEIMADURAS 
 
As queimaduras são classificadas de acordo com a extensão da superfície 
corpórea queimada, calculada em porcentagem da área total queimada (ATSQ). Além 
da área queimada, deve-se observar a profundidade das queimaduras, que podem ser 
de primeiro, segundo, terceiro grau ou quarto grau. 
As queimaduras de 1º grau (queimadura solar) são dolorosas, duram de 48 a 72 
horas sem comprometimento hemodinâmico e geralmente não justificam internamentos. 
As queimaduras de 2º grau podem ser superficiais ou profundas, conforme atinjam 
apenas a epiderme e o terço superior da derme. Geralmente evoluem de forma benigna, 
com formação de bolhas dolorosas e resolução em torno de 14 dias. Quando afetam a 
parte profunda da derme, embora haja preservação dos folículos pilosos e glândulas 
sudoríparas, geram uma expectativa de reepitelização prolongada, tornando o resultado 
estético precário. 
Na queimadura de 3º grau, a pele é geralmente destruída (epiderme e derme), 
com danos profundos que podem levar a alterações hemodinâmicas, dependendo da 
Área Total de Superfície Corporal Queimada (ATSQ). Geralmente, requerem tratamento 
com intervenção cirúrgica para aproximação das bordas das feridas ou enxertia cutânea. 
A queimadura de quarto grau é uma condição grave em que além de afetar a 
derme e a epiderme, atinge estruturas mais profundas como fáscia, músculos, tendões, 
articulações, ossos e cavidades. Essas queimaduras são consideradas extremamente 
graves devido à sua profundidade e extensão, exigindo intervenção médica urgente e 
tratamento especializado. 
Existem várias formas de calcular a Área Total de Superfície Corporal Queimada 
(ATSQ), sendo a Regrados Nove de Wallace uma das mais utilizadas. No entanto, é 
importante destacar que a avaliação da ATSQ em crianças difere da avaliação em 
adultos. Para crianças, é recomendado usar a "Regra dos Onze" em vez da "Regra dos 
Nove". Essa adaptação leva em consideração as proporções corporais diferentes entre 
adultos e crianças, e ajuda a fornecer uma estimativa mais precisa da área queimada. 
 
 
 
 
 
 
 
7 
Tabela 1 - Regra dos Nove de Wallace 
 
 
 
Tabela 2 - Regra dos onze, para criança 
 
A gravidade das queimaduras está intimamente relacionada com a extensão da 
área corporal queimada, a profundidade da queimadura, idade, sexo e outros fatores. 
Índices foram desenvolvidos para ajudar a estimar a mortalidade após queimaduras 
graves, levando em consideração diversos parâmetros. 
Além da área total do corpo queimada, a profundidade da queimadura e a 
presença de comprometimento de tecidos profundos, como músculos e ossos, são 
indicativos importantes da gravidade da lesão. A inalação de fumaça e produtos tóxicos 
também pode aumentar o risco de complicações e mortalidade. 
Idade é outro fator relevante, com pacientes jovens geralmente apresentam 
melhor prognóstico do que pacientes mais velhos. No entanto, a mortalidade em 
pacientes idosos, especialmente acima de 75 anos, muitas vezes permanece elevada, 
apesar dos avanços no tratamento. A mortalidade também pode variar de acordo com o 
sexo, com mulheres na faixa etária de 30 a 59 anos apresentando uma taxa de 
mortalidade duas vezes maior do que homens na mesma faixa etária. 
Além disso, a atividade da colinesterase plasmática tem sido utilizada como um 
indicador de mortalidade em pacientes queimados. Pacientes com baixa atividade de 
colinesterase no plasma tendem a ter uma maior mortalidade em comparação com 
aqueles com atividade elevada de colinesterase. Esses fatores são importantes para 
estimar o prognóstico e direcionar o tratamento adequado para pacientes queimados. 
 
8 
QUEIMADOS – ALTERAÇÕES METABÓLICAS E SUPORTE NUTRICIONAL. 
 
A resposta ao estresse no paciente queimado é caracterizada por uma resposta 
hipermetabólica intensa e prolongada, que difere significativamente de outros pacientes críticos 
ou com trauma severo. Essa resposta é marcada por um aumento dramático nas necessidades 
metabólicas do corpo. 
Após grandes queimaduras, ocorre uma resposta hiperdinâmica, que se manifesta pelo 
aumento da temperatura corporal, maior consumo de glicose e oxigênio, aumento na produção 
de dióxido de carbono, glicogenólise, lipólise e proteólise. Enquanto pacientes com outras 
condições, como peritonites, podem apresentar um aumento na taxa metabólica de 5% a 25%, 
e pacientes com trauma severo podem ter um aumento de 30% a 70%, os pacientes com 
grandes queimaduras podem experimentar um aumento de até 200% em seu metabolismo. 
As catecolaminas desempenham um papel crucial nesse processo de hipermetabolismo. 
A liberação de noradrenalina pelos terminais nervosos e pela medula adrenal é 
significativamente aumentada em proporção à extensão da área queimada. Os níveis de 
noradrenalina podem atingir de 2 a 10 vezes os níveis normais, o que exerce uma forte influência 
na ocorrência de falência de múltiplos órgãos e na mortalidade dos pacientes queimados. Essa 
resposta metabólica exacerbada destaca a complexidade e a gravidade das queimaduras e 
destaca a importância de uma abordagem multifacetada no tratamento desses pacientes. 
As respostas metabólicas do paciente com grandes queimaduras são complexas e 
evoluem ao longo do tempo. Inicialmente, logo após a queimadura, há uma diminuição 
acentuada na velocidade do metabolismo. O débito cardíaco também diminui significativamente, 
chegando a atingir entre 50% e 60% dos valores basais. Isso ocorre nos primeiros dias após a 
lesão. 
Após esse período inicial, e com a eficácia da reanimação cardio-circulatória por meio 
da administração de fluidos, a taxa metabólica começa a aumentar novamente. Esse aumento 
atinge seu pico entre o 7º e o 12º dia após a queimadura. Em casos de queimaduras extensas, 
acima de 60% da área corporal total queimada, essa taxa de crescimento metabólico pode 
chegar a até duas vezes a velocidade metabólica inicial. 
Esse estado hipermetabólico resulta em um severo catabolismo protéico, que pode levar 
à diminuição da imunidade e retardar a cicatrização da ferida. A demanda aumentada de 
oxigênio muitas vezes requer a suplementação de oxigênio para garantir uma cicatrização 
adequada. 
Após o trauma causado pela queimadura, os mediadores da inflamação liberados nos 
locais da ferida promovem um grande edema. Esses mediadores incluem radicais livres de 
oxigênio, metabólitos do ácido aracdônico e componentes do sistema complemento. Em 
queimaduras com área de superfície corporal pequena, o edema pode ficar confinado ao local 
da ferida. 
 
9 
Nos pacientes com queimaduras extensas, acima de 10% da área corporal total, os 
mediadores da inflamação provocam respostas sistêmicas, caracterizadas por um aumento 
significativo na concentração de cortisol e na produção de citocinas mediadoras do processo 
inflamatório. Além disso, ocorre uma diminuição precoce e persistente nos níveis de 
testosterona, que pode durar meses após o início do tratamento, afetando o anabolismo 
proteico. A administração de testosterona é sugerida como uma forma de restaurar o anabolismo 
das proteínas da musculatura esquelética e reduzir a perda de nitrogênio orgânico nos pacientes 
queimados. 
Quando ocorre a quebra da integridade da derme, com comprometimento de todas as 
suas camadas, especialmente em queimaduras que afetam mais de 40% da área total corporal, 
há um aumento significativo no risco de infecção por diversos agentes bacterianos. Isso ocorre 
devido ao desarranjo da resposta imunológica, tanto pelos fatores específicos (mediadores 
celulares e humorais) quanto pelos não específicos (como os leucócitos polimorfonucleares e 
macrófagos). A liberação de histamina no local da queimadura leva à ativação do complemento, 
aumentando a liberação de xantina oxidase e ativando as células inflamatórias. Além disso, 
ocorre um aumento na permeabilidade capilar, resultando em edema na área queimada e em 
áreas adjacentes nas 24 horas seguintes, afetando toda a área corporal, inclusive as regiões 
não queimadas. 
Interessantemente, o peptídeo intestinal vasoativo (VIP), que aumenta em casos de 
grandes traumas, permanece inalterado nos pacientes queimados. Esse fenômeno pode facilitar 
a cicatrização da ferida devido ao efeito citoprotetor do VIP na mucosa intestinal, bloqueando a 
liberação de óxido nítrico nos tecidos afetados pelas queimaduras. 
É crucial notar que dois componentes estão diretamente implicados na resposta ao 
estresse no paciente queimado: a hiperglicemia e o alto catabolismo proteico. Estudos in vitro e 
in vivo têm demonstrado um substancial impedimento na função imunológica e na cicatrização 
das feridas devido à elevação da glicemia. 
Portanto, o controle adequado da glicemia é essencial para otimizar a resposta do 
paciente queimado ao tratamento. A manutenção de níveis normoglicêmicos pode ajudar a 
preservar a função imunológica e promover uma cicatrização mais eficaz das feridas. Além 
disso, estratégias para reduzir o catabolismo proteico, como a oferta adequada de nutrientes por 
meio da alimentação enteral e o uso de suplementos como a glutamina, podem ser benéficas 
para minimizar a perda de massa muscular e promover uma recuperação mais rápida e eficiente. 
Pacientes portadores de diabetes mellitus, com controle da glicemia durante o 
período de queimaduras, apresentam menores incidências de neuropatias, nefropatias 
e complicações oftalmológicas. Por outro lado, a hiperglicemia está associada a perdas 
repetidas de enxertos cutâneos, com uma grande prevalência de septicemia e aumento 
da mortalidade. 
 
10 
Além disso, outrosfatores estão relacionados a complicações e mortalidade no 
paciente queimado. A infecção por herpes é encontrada em pelo menos 15% dos 
pacientes entubados e está associada a um aumento na mortalidade. 
A transfusão sanguínea parece contribuir de maneira específica para a 
imunossupressão. Como medida de proteção do paciente e controle da perda sanguínea 
durante as enxertias de pele autóloga, recomenda-se o uso de solução salina com 
epinefrina no tecido subcutâneo da ferida do queimado e na área doadora do enxerto, a 
fim de reduzir a necessidade de transfusão intraoperatória. Estima-se que isso possa 
reduzir as transfusões em até 50%. 
A temperatura ambiente também tem um efeito importante na taxa metabólica do 
paciente queimado. Em pacientes com área total de superfície queimada acima de 44%, 
uma temperatura ambiente termoneutra de 28 a 32ºC pode resultar em uma taxa 
metabólica 1,5 vez maior do que a de um paciente não queimado. Portanto, é importante 
evitar baixas temperaturas. Além disso, uma maneira de melhorar a taxa metabólica 
desses pacientes é iniciar imediatamente o suporte nutricional após a queimadura. Isso 
pode ser feito assim que o paciente atingir a fase de estabilidade hemodinâmica, em 
alguns centros, iniciando-se até 4 horas após esse período. Essas medidas devem ser 
complementadas pelo controle da dor, alívio da ansiedade, controle térmico do ambiente 
e controle eficaz da liberação de catecolaminas para garantir energia suficiente para a 
cicatrização tecidual. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
DANOS RESPIRATÓRIOS E QUEIMADURA INALATÓRIA 
 
O dano pulmonar causado pela queimadura resulta de diversos fatores, incluindo 
o trauma direto, o processo inflamatório desencadeado pelo trauma, o aumento do 
líquido extravascular pulmonar e a inalação do ar superaquecido. A presença de 
inalação de fumaça contribui significativamente para o aumento da mortalidade nesses 
casos. 
Uma breve exposição da epiglote ou laringe a ar seco com temperatura de 300ºC 
ou vapor com temperatura de 100ºC pode causar um maciço edema e rápida obstrução 
das vias aéreas. Esse fenômeno é especialmente grave em crianças, podendo resultar 
em condições como macroglossia, epiglotite, laringotraqueíte e bronquite. Como 
consequência imediata, ocorre asfixia devido à inalação de monóxido de carbono (CO) 
e cianeto, bem como uma diminuição das trocas gasosas devido ao edema, uma 
diminuição da complacência pulmonar e torácica, e um aumento da resistência vascular 
pulmonar. 
Os achados histopatológicos característicos incluem edema intersticial da 
microcirculação pulmonar, membrana hialina e um alto influxo de neutrófilos. A 
hipoproteinemia e a diminuição da pressão oncótica do plasma também contribuem para 
o aumento do líquido extravascular pulmonar. Esses eventos combinados podem levar 
a complicações respiratórias graves e até mesmo à insuficiência respiratória. 
A pneumonia é uma complicação comum em pacientes queimados, ocorrendo 
em cerca de 48 a 56% dos casos e frequentemente exigindo o uso de ventilação 
mecânica. A inalação de vapor durante a queimadura é um fator de risco significativo, 
podendo aumentar em até duas vezes o risco de desenvolvimento de pneumonia. Os 
principais agentes causadores são bactérias endógenas, originadas principalmente da 
flora da orofaringe e do trato gastrointestinal, incluindo Staphylococcus aureus, 
Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. 
A queimadura da via aérea superior é particularmente crítica nas primeiras 4 a 48 
horas após o incidente, período durante o qual ocorre um edema significativo da epiglote 
e das estruturas laríngeas. O tratamento da hipovolemia pode contribuir para a formação 
desse edema. A obstrução das vias aéreas superiores reduz o fluxo inspiratório sem 
diminuir o fluxo expiratório, podendo levar a uma insuficiência respiratória grave que 
pode exigir intubação oro ou nasotraqueal. Essa intubação muitas vezes precisa ser 
mantida por um período mínimo de 72 horas para garantir uma adequada ventilação e 
oxigenação. 
 
12 
No caso de pacientes traumatizados por queimaduras, é crucial considerar 
sempre a possibilidade de entubação traqueal. As condições podem ser desafiadoras 
devido ao edema facial, possíveis lacerações nos tecidos moles, inchaço das vias 
aéreas superiores devido à inalação de vapor e intoxicação por monóxido de carbono 
ou cianeto. 
A inalação da fumaça pode causar danos tanto nas vias aéreas superiores quanto 
no trato respiratório inferior. Os produtos químicos resultantes da combustão, como 
amônia, dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre, quando combinados com água no 
trato respiratório, formam ácidos e bases fortes, que podem induzir broncoespasmo, 
edema e ulceração da membrana mucosa. Esses agentes químicos podem penetrar nas 
camadas mais profundas do tecido pulmonar, causando lesões nos alvéolos e 
interferindo nas trocas gasosas normais. 
A capacidade de desenvolver edema nos tecidos moles da orofaringe e do tecido 
subcutâneo é comum em pacientes com queimaduras na face e no pescoço, 
especialmente quando há inalação de gases aquecidos, mesmo em casos de 
queimaduras abrangendo até 30% da área corporal. A intoxicação por monóxido de 
carbono (CO) deve ser sempre considerada em pacientes queimados em ambientes 
fechados, como em explosões de automóveis ou espaços pequenos. 
É importante lembrar que o monóxido de carbono se liga à hemoglobina de forma 
muito mais estável do que o oxigênio, além de deslocar a curva de dissociação da 
hemoglobina para a esquerda, dificultando a liberação de oxigênio para os tecidos. 
Portanto, em casos de intoxicação por monóxido de carbono, a decisão de entubar o 
paciente deve ser rápida para garantir uma adequada suplementação de oxigênio. 
Quanto ao uso de bloqueadores neuromusculares (BNM), deve ser feito de forma 
criteriosa. O uso de bloqueadores despolarizantes, como a succinil-colina, deve ser 
evitado devido ao risco de hipercalemia, que pode levar à parada cardíaca. Estudos 
sugerem que os efeitos dos bloqueadores despolarizantes podem ser sentidos por até 
um ano ou dois após sua administração inicial em pacientes queimados. 
O uso de bloqueadores despolarizantes pode apresentar uma atividade reduzida 
em pacientes queimados, exigindo doses até cinco vezes maiores do que o habitual 
para alcançar o efeito desejado. Isso pode aumentar o risco de efeitos indesejáveis, 
especialmente em pacientes com queimaduras na face, onde a ventilação pode ser mais 
difícil de ser realizada. 
O barotrauma é uma complicação frequente devido à baixa complacência 
pulmonar e torácica, exigindo cautela na aplicação da técnica ventilatória. Em alguns 
 
13 
casos, a fasciotomia pode ser necessária para permitir uma ventilação pulmonar 
adequada, especialmente quando há presença de edema massivo. 
Novas estratégias de ventilação têm sido adotadas na fase aguda do paciente 
queimado para evitar o trauma induzido pela ventilação. A ventilação de alta frequência 
é uma alternativa satisfatória à ventilação convencional, promovendo uma distribuição 
adequada de gás com baixa pressão nas vias aéreas e pouco impacto no sistema 
circulatório. A ventilação de alta frequência oscilatória também tem sido utilizada, 
embora seu impacto na redução da mortalidade ainda não esteja claro. 
Devido ao massivo edema presente em alguns casos, a indicação de dispositivos 
como a máscara laríngea e o Combitube pode ser limitada. Nesses casos, a entubação 
com o paciente acordado ou sob broncoscopia é mais segura. A necessidade de 
cricotiroidostomia ou traqueostomia também deve ser considerada. Uma vez inserida a 
cânula respiratória, é importante verificar sua posição regularmente para evitar 
deslocamentos e mantê-la adequadamente posicionada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
FLUIDOTERAPIA PARA REANIMAÇÃO DOQUEIMADO 
 
 
Retardar o início da reanimação com fluidos em pacientes queimados aumenta 
significativamente o risco de insuficiência renal e mortalidade. Embora existam várias 
estratégias e escalas para calcular a hidratação, a fórmula de Parkland é amplamente 
aceita: administrar 4 ml de solução de Ringer lactato por kg de peso por percentual da 
área corporal queimada durante as primeiras 24 horas. Metade desse volume deve ser 
administrado nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes. No 
entanto, é importante ressaltar que essa fórmula é apenas um guia e outros parâmetros 
devem ser considerados para uma ressuscitação adequada. 
O uso da solução hipertônica de cloreto de sódio, conhecida como "salgadão", foi 
abandonado devido ao risco de aprofundar as lesões do queimado, aumentar a 
incidência de insuficiência renal e suprimir a função imunológica. 
Uma reposição hídrica excessiva está associada ao desenvolvimento de edema 
tecidual e pulmonar, o que pode levar à diminuição da perfusão tecidual e ao 
desenvolvimento da síndrome do compartimento. Nos primeiros 48 horas da reposição, 
pode ocorrer aumento do líquido extravascular pulmonar, dificultando a ventilação e a 
difusão, e em alguns casos, pode ocorrer edema pulmonar se a reposição ultrapassar 
400% do cálculo estabelecido pela fórmula de Parkland. 
Em casos como esses, o acesso central com cateter venoso central (CVC), 
medida da Pressão Pulmonar ou Volume Diastólico Final do Ventrículo Direito podem 
ser úteis na avaliação do paciente e na melhoria subsequente do resultado. No entanto, 
é importante observar que pode ocorrer depleção do volume intravascular persistente 
por até 4 dias, mesmo com uma reposição adequada, e isso deve ser monitorado 
diariamente. 
A inalação de ar quente ou vapor, além de agravar o quadro respiratório, requer 
uma maior hidratação, mesmo na ausência de lesões tegumentares significativas 
causadas pela queimadura. Durante o processo de reanimação, a meta é manter um 
débito urinário de 0.5 a 1 ml por kg por hora, como uma reposição aceitável e necessária 
para o controle da volemia. 
O lactato plasmático e o déficit de base têm sido propostos como métodos de 
avaliação para a titulação da reanimação em casos de hemorragia e choque séptico no 
paciente queimado. No entanto, alguns argumentam que o lactato plasmático não é um 
indicador confiável de uma reposição insuficiente no paciente queimado em choque, 
 
15 
mas sim, uma ferramenta útil para avaliar rapidamente a extensão da área queimada no 
período imediato pós-queimadura. 
Durante esse período, há uma diminuição do débito cardíaco, 
independentemente do volume vascular reposto. Além disso, a contratilidade cardíaca 
está reduzida devido a fatores circulantes, como a resposta diminuída às catecolaminas 
endógenas e a diminuição do fluxo coronariano. Embora não tenha sido identificado um 
fator específico para essa depressão miocárdica, acredita-se que seja causada por 
fatores como o fator de necrose tumoral, radicais livres de oxigênio, endotelina-1 e 
interleucina. 
A resposta cardiovascular diminuída às catecolaminas, tanto endógenas quanto 
exógenas, é causada pela diminuição da afinidade dos receptores adrenérgicos no 
músculo cardíaco. Além disso, a diminuição do fluxo coronariano no período pós-
queimadura contribui para essa diminuição da contratilidade cardíaca. Esses fenômenos 
são mais acentuados em pacientes mais idosos. 
No caso das crianças, a reanimação segue uma abordagem diferente em 
comparação aos adultos, geralmente exigindo uma quantidade maior de líquidos 
cristaloides. Uma média de 6 ml/kg por percentagem de área corporal queimada é usada 
para manter um débito urinário adequado. 
Assim como nos adultos, as crianças com queimaduras graves também 
apresentam hiperglicemia nas primeiras 24 horas. Após esse período, em crianças 
menores, pode-se optar pela utilização de uma solução de dextrose a 5% com solução 
salina a 0,45% para reposição de líquidos. Em algumas situações, a reposição com 
coloides pode ser necessária em crianças queimadas, devido à rápida queda na 
concentração de proteínas plasmáticas durante a reposição com cristaloides. 
Pacientes que não respondem bem à reposição convencional muitas vezes 
apresentam características como grandes áreas de queimaduras, acima de 40%, 
profundas o suficiente para afetar fáscias e músculos, além de extremos de idade, 
queimaduras inalatórias e comorbidades como diabetes e hipertensão. Alguns centros 
médicos optam por utilizar reposição com plasma em pacientes para estabilização 
hemodinâmica e para limitar a reposição líquida, embora essa medida não seja 
amplamente aceita em todos os lugares. 
 
 
 
 
 
16 
MONITORIZAÇÃO NO PACIENTE QUEIMADO 
 
A monitorização das vítimas de queimaduras que serão submetidas a 
procedimentos anestésico-cirúrgicos deve levar em consideração as condições clínicas 
prévias do paciente, a extensão do trauma, a magnitude da abordagem cirúrgica e suas 
possíveis complicações. É importante que essa monitorização seja o mais completa 
possível para garantir uma avaliação precisa do paciente a ser anestesiado. 
A oximetria é um método não invasivo para avaliar a saturação da hemoglobina 
com oxigênio, fornecendo informações cruciais, especialmente em situações graves, 
onde o consumo de oxigênio está aumentado devido ao estado hipermetabólico. 
É importante observar que em pacientes intoxicados por monóxido de carbono, a 
oximetria de pulso pode fornecer leituras superestimadas, pois a presença de 
carboxihemoglobina mascara a detecção de oxihemoglobina pelo oxímetro. Isso ocorre 
porque o monóxido de carbono possui uma afinidade 250 vezes maior pela hemoglobina 
do que o oxigênio, competindo com ele e reduzindo a capacidade de transporte de 
oxigênio pela hemoglobina, o que pode levar à hipoxemia e acidose metabólica. 
Em tais casos, pode ser necessário encontrar alternativas para a colocação do 
sensor do oxímetro, como nariz, orelha, língua, entre outros locais. O cooxímetro, que 
mede as percentagens de hemoglobina, oxihemoglobina, carboxihemoglobina e 
metahemoglobina, é essencial para uma avaliação precisa da saturação de oxigênio, 
especialmente em pacientes com intoxicação por monóxido de carbono. 
A colocação dos eletrodos do ECG pode representar um desafio para o 
anestesiologista em pacientes com queimaduras, pois idealmente eles devem ser 
colocados em áreas não afetadas pela queimadura. Se não houver áreas intactas 
disponíveis ou se estas estiverem dentro do campo cirúrgico, podem ser utilizadas 
agulhas conectadas aos eletrodos ou até mesmo um eletrodo esofágico. 
A pressão arterial pode ser medida de forma indireta através de um manguito, 
mesmo em áreas queimadas, desde que não estejam muito edemaciadas, o que poderia 
interferir na precisão da medida. No entanto, a medida direta da pressão arterial é 
preferível, especialmente em procedimentos longos ou quando os pacientes necessitam 
de monitorização mais invasiva. O acesso arterial, além de fornecer uma avaliação 
contínua da pressão arterial, facilita a coleta de exames sanguíneos seriados. 
A capnografia é uma ferramenta crucial para garantir a ventilação adequada do 
paciente queimado, pois ele tende a produzir uma grande quantidade de dióxido de 
carbono devido ao seu estado hipermetabólico. Monitorizar a diurese horária também é 
 
17 
essencial em pacientes gravemente queimados, e a instalação de uma sonda vesical é 
mandatória para uma avaliação precisa. O débito urinário é um indicador importante de 
perfusão tecidual e renal, com metas específicas a serem observadas para adultos e 
crianças. A incidência de insuficiência renal aguda em pacientes queimados varia, mas 
pode ser associada a uma alta taxa de mortalidade. 
A temperatura corporal também deve ser rigorosamente monitorizada, pois os 
pacientes queimados são vulneráveis à hipotermia,que é comum e difícil de prevenir. 
Estratégias como o uso de gases inspirados aquecidos e umidificados, colchões 
térmicos, líquidos intravenosos aquecidos e manutenção de temperaturas elevadas nas 
salas cirúrgicas podem ajudar a prevenir a hipotermia e contribuir para a estabilidade 
metabólica desses pacientes. 
O bloqueio neuromuscular é essencial ao administrar fármacos dessa classe a 
pacientes queimados, pois eles frequentemente desenvolvem resistência aos 
bloqueadores neuromusculares adespolarizantes. Essa resistência pode se manifestar 
como uma diminuição no tempo de ação desses bloqueadores, começando cerca de 
uma semana após a queimadura e podendo persistir por até 18 meses. A resistência 
ocorre devido à proliferação de receptores de acetilcolina, tanto nas áreas afetadas 
pelas queimaduras quanto em locais distantes. 
Em pacientes com queimaduras extensas ou comorbidades graves, a 
monitorização invasiva da pressão arterial, pressão venosa central e cateter de artéria 
pulmonar é recomendada. Isso permite um controle mais preciso da reposição volêmica, 
o uso de substâncias cardioinotrópicas e a detecção precoce de instabilidade 
hemodinâmica. Esses dispositivos proporcionam uma visão mais abrangente do estado 
hemodinâmico do paciente e ajudam na tomada de decisões clínicas mais assertivas. 
É fundamental realizar exames laboratoriais como hemogramas, coagulogramas, 
gasometrias arteriais, ionogramas, função renal, glicemia, proteínas séricas, 
colinesterases plasmáticas e outros de forma periódica em pacientes queimados. Esses 
exames são essenciais para monitorar as alterações decorrentes da patologia e das 
intervenções cirúrgicas realizadas. Eles devem ser solicitados sempre que as condições 
clínicas do paciente indicarem sua necessidade, para garantir um acompanhamento 
adequado e intervenções oportunas, se necessário. 
 
 
 
 
 
18 
TÉCNICAS ANESTÉSICAS 
 
A escolha da técnica anestésica no paciente queimado depende de diversos 
fatores, incluindo a extensão e localização das queimaduras, o estado hemodinâmico 
do paciente e a natureza do procedimento a ser realizado. Geralmente, a anestesia geral 
é a opção mais comum devido às características específicas desses pacientes. 
Para procedimentos como balneoterapia e troca de curativos, a anestesia venosa 
com cetamina é frequentemente preferida devido à praticidade, segurança e 
estabilidade hemodinâmica que oferece. Em casos de desbridamento e enxertia cutânea 
em membros sem infecção cutânea, os bloqueios de plexo, peridural ou raquianestesia 
podem ser adequados e bem tolerados pelos pacientes. 
No entanto, em pacientes com queimaduras extensas, choque ou instabilidade 
hemodinâmica, especialmente quando há comprometimento de áreas críticas como 
face, pescoço, tórax e vias aéreas, a anestesia geral combinada é frequentemente 
utilizada, seguindo critérios de segurança e risco. É importante evitar o uso de succinil-
colina devido ao risco de parada cardíaca nesses pacientes. 
Os bloqueadores neuromusculares adespolarizantes são frequentemente 
indicados em pacientes queimados, porém, sua dose precisa ser aumentada, às vezes 
até cinco vezes mais do que o habitual. Isso ocorre devido ao aumento dos receptores 
musculares de acetilcolina, o que resulta em resistência a esses bloqueadores. Esse 
efeito começa dentro de uma semana após a queimadura e pode durar mais de 18 
meses. 
Embora se pense que essa resistência seja mais evidente em pacientes com 
queimaduras que afetam mais de 30% da área corporal, estudos mostraram que os 
receptores de acetilcolina também estão aumentados em pacientes com queimaduras 
em áreas menores, como 2% da área corporal. Quanto à escolha do agente volátil para 
anestesia, não parece haver uma influência significativa nos resultados, mas é 
importante ter cautela com o uso repetido do halotano. 
O enflurano e o isoflurano afetam o sistema cardiovascular, reduzindo o débito 
cardíaco, sendo que o isoflurano tem uma ação predominante na redução da resistência 
vascular periférica, diminuindo a pós-carga. Por sua rápida indução, ausência de odor 
irritante e estabilidade hemodinâmica, o sevoflurano tem sido preferido entre os 
halogenados, especialmente em crianças queimadas, embora não haja comprovação 
de hepatite induzida pelo halotano nesses pacientes. 
 
 
19 
Todos os agentes intravenosos são eficazes na anestesia do paciente queimado. 
A cetamina é amplamente utilizada devido aos seus efeitos benéficos, embora possa 
causar efeitos disfóricos. O etomidato é uma boa opção em pacientes instáveis, embora 
seus efeitos mioclônicos possam ser exacerbados em pacientes queimados, podendo 
até mimetizar convulsões. 
O propofol e o tiopental também podem ser utilizados nesses pacientes com 
cautela, pois ambos podem causar uma significativa queda no débito cardíaco. 
Pacientes queimados frequentemente sofrem de dor intensa e requerem tratamento 
analgésico potente com opioides para garantir conforto durante e após os 
procedimentos cirúrgicos. 
Devido à exposição repetida a esses medicamentos devido a múltiplos 
procedimentos cirúrgicos e trocas de curativos, os pacientes podem desenvolver 
tolerância aos opioides. Remifentanil, alfentanil, fentanil e sufentanil são opções eficazes 
e bem toleradas para o controle da dor nesses pacientes. No entanto, o remifentanil, 
apesar de apresentar o melhor perfil farmacocinético para infusão contínua, pode ser 
insuficiente para proporcionar uma analgesia adequada no período pós-operatório em 
pacientes queimados. 
O sufentanil se destaca como uma opção preferencial devido à sua potência 
analgésica, estabilidade e perfil farmacocinético adequado para infusão contínua. 
Especialmente em pacientes com queimaduras extensas, o sufentanil proporciona uma 
analgesia eficaz durante o procedimento cirúrgico e pode continuar a oferecer alívio da 
dor no pós-operatório por até 4 horas após a interrupção da infusão. Isso reduz a 
necessidade de analgésicos adicionais durante esse período crítico. 
Dessa forma, é essencial abordar a dor de forma eficaz, pois ela é uma 
consequência inevitável das grandes queimaduras. Além disso, é importante reconhecer 
e tratar os componentes de ansiedade e depressão, que são frequentemente presentes 
em pacientes que experimentam tanto trauma físico quanto psicológico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
CUIDADOS COM A FERIDA POR QUEIMADURA 
 
A sulfadiazina de prata é de fato um dos antimicrobianos mais comumente 
utilizados no tratamento de queimaduras. Sua aplicação cria uma barreira protetora 
contra infecções e ajuda a promover a cicatrização da ferida. É importante aplicar uma 
camada adequada do medicamento sobre a área afetada e cobri-la com gaze 
absorvente, seguindo as orientações do fabricante. 
A troca do curativo a cada 12 horas é essencial para garantir a eficácia do 
tratamento e prevenir infecções. Além disso, outros cuidados locais e sistêmicos podem 
ser necessários, dependendo da profundidade, localização e extensão da queimadura. 
Uma abordagem multidisciplinar e individualizada é fundamental para o manejo 
adequado de cada caso. 
Os curativos oclusivos têm se destacado globalmente devido à sua eficácia na 
promoção da cicatrização. Eles devem ser espessos o suficiente para evitar vazamentos 
de secreções da ferida, manter a temperatura do paciente e fornecer um ambiente úmido 
que favoreça o crescimento celular e impeça a penetração de germes e raios ultravioleta. 
Apesar dos benefícios, esses curativos não são recomendados para áreas genitais e 
faciais. 
Os hidrogéis são outra opção de curativo que tem sido amplamente utilizada. Eles 
proporcionam alívio da dor devido à sensação de frescor causada pela alta umidade e 
ajudam na reparação do tecido lesionado, criando um ambiente ideal para o processo 
de cicatrização. Os hidrogéis são indicados tanto para feridas de espessura parcial 
quantopara aquelas com exsudação abundante. 
A frequência de troca do curativo depende da eficácia do produto utilizado e das 
características da ferida. Uma abordagem individualizada e acompanhamento médico 
são essenciais para determinar o melhor tipo de curativo e a frequência adequada de 
troca para cada paciente. 
Os curativos úmidos são uma opção eficaz para regiões genitais e faciais, 
proporcionando analgesia adequada. Eles consistem em gazes embebidas em solução 
fisiológica, que são trocadas a cada duas horas por profissionais de enfermagem 
capacitados. Essa abordagem ajuda a manter um ambiente úmido na ferida, o que 
favorece a cicatrização. 
As películas de proteção são utilizadas para criar um ambiente propício à 
epitelização da ferida. Elas são indicadas em feridas com controle bacteriano e após a 
remoção do tecido necrótico. Essas películas são transparentes, permitindo que a 
 
21 
evolução da ferida seja acompanhada, e devem ser removidas somente quando a lesão 
estiver completamente epitelizada. 
Dentre as opções de películas de proteção, destacam-se as membranas 
amnióticas, de colágeno e, mais recentemente, de ácido hialurônico, glucosamina, 
quitosano e cana de açúcar. Cada uma dessas membranas tem suas próprias 
propriedades e benefícios, e a escolha do tipo mais adequado depende das 
características específicas da ferida e das necessidades do paciente. 
O tratamento das feridas por queimadura inclui a excisão precoce do tecido 
necrosado e a cobertura local da área afetada. Esse procedimento é crucial para evitar 
infecções e melhorar a sobrevida dos pacientes. Nos casos de queimaduras de terceiro 
grau, o desbridamento da ferida é essencial para remover o tecido desvitalizado, 
prevenindo infecções e promovendo a cicatrização. É importante ressaltar que toda 
queimadura não desbridada tende a se tornar infectada após o décimo quinto dia pós-
queimadura, mesmo com o uso de agentes antimicrobianos tópicos adequados. 
A oxigenoterapia hiperbárica é uma opção de tratamento coadjuvante para 
queimaduras, aproveitando os efeitos bioquímicos e biofísicos do oxigênio. Esse 
procedimento aumenta a disponibilidade de oxigênio para as células e tecidos através 
de sua maior dissolução no plasma quando administrado em pressões superiores às 
atmosféricas normais, conforme a Lei de Henry. No entanto, a eficácia da oxigenoterapia 
hiperbárica em pacientes com queimaduras ou intoxicação por incêndio ainda é 
questionada. Além disso, é importante considerar as contraindicações desse tratamento, 
como claustrofobia, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), histórico de 
convulsões, sinusite, otite e pneumotórax não drenado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
PREVENÇÃO DA LESÃO POR QUEIMADURA 
 
As queimaduras representam importantes causas de morbidade e mortalidade, 
constituindo um sério problema de saúde pública no Brasil. Embora haja avanços no 
tratamento das lesões causadas por queimaduras, a prevenção ainda é a abordagem 
mais eficaz, com um excelente custo-benefício. É responsabilidade do poder público e 
das equipes de saúde divulgar medidas preventivas e orientar a população sobre os 
riscos e cuidados necessários para evitar queimaduras. 
O alto número de crianças envolvidas em acidentes por queimaduras ressalta a 
importância da prevenção, uma vez que esses incidentes podem deixar sequelas em 
vidas que estão apenas começando. Portanto, é fundamental promover a 
conscientização e implementar medidas preventivas para proteger as crianças e toda a 
população contra os perigos das queimaduras. 
As queimaduras representam importantes causas de morbidade e mortalidade, 
constituindo um sério problema de saúde pública no Brasil. Embora haja avanços no 
tratamento das lesões causadas por queimaduras, a prevenção ainda é a abordagem 
mais eficaz, com um excelente custo-benefício. É responsabilidade do poder público e 
das equipes de saúde divulgar medidas preventivas e orientar a população sobre os 
riscos e cuidados necessários para evitar queimaduras. 
O alto número de crianças envolvidas em acidentes por queimaduras ressalta a 
importância da prevenção, uma vez que esses incidentes podem deixar sequelas em 
vidas que estão apenas começando. Portanto, é fundamental promover a 
conscientização e implementar medidas preventivas para proteger as crianças e toda a 
população contra os perigos das queimaduras. 
As queimaduras representam um sério problema de saúde pública no Brasil, com 
cerca de um milhão de acidentes ocorrendo anualmente, dos quais apenas 10% 
procuram atendimento médico. Esses acidentes resultam em aproximadamente 2.500 
mortes por ano, direta ou indiretamente relacionadas às lesões causadas pelas 
queimaduras. Dois terços dos acidentes térmicos acontecem dentro do domicílio da 
vítima, afetando principalmente jovens do sexo masculino, crianças menores de 15 anos 
e idosos. 
Entre os adultos do sexo masculino, as queimaduras frequentemente ocorrem no 
local de trabalho. Já entre as mulheres adultas, os casos mais comuns de queimaduras 
estão relacionados a diversas situações domésticas, especialmente no ambiente da 
cozinha. Isso inclui o preparo de alimentos, a manipulação de água fervente, o uso de 
 
23 
fogões com panelas mal adaptadas ou com cabos soltos, a manipulação de óleo quente 
e problemas com sistemas de botijão de gás mal conectados ou em mau estado de 
conservação. Além disso, casos de tentativas de autoextermínio também contribuem 
para o número de queimaduras. 
As queimaduras representam uma importante causa de morbimortalidade na 
população infanto-juvenil, podendo resultar em limitações funcionais significativas. 
Embora as estatísticas no Brasil sejam limitadas, dados do DATASUS indicam que em 
2006, ocorreram 16.573 hospitalizações de crianças e adolescentes menores de 15 
anos devido a lesões por queimadura, representando 14% dos acidentes de causas 
externas nesse grupo etário. No mesmo ano, as queimaduras foram responsáveis por 
363 óbitos nessa faixa etária. 
Em 2010, o número de hospitalizações aumentou para 21.472, mas houve uma 
redução no número de casos fatais, que caiu para 313. Esses dados sugerem que, 
embora o atendimento hospitalar possa ter contribuído para a redução das mortes, ainda 
são necessárias medidas preventivas eficazes para reduzir o impacto das queimaduras 
na população infanto-juvenil. 
As queimaduras entre crianças e adolescentes geralmente ocorrem por acidentes 
domésticos, sendo as escaldaduras com líquidos quentes as principais causas desse 
tipo de lesão. Além disso, a manipulação de produtos químicos ou inflamáveis, acidentes 
com panelas quentes e fogos de artifício também representam riscos significativos. As 
causas variam de acordo com a faixa etária: em crianças menores de dois anos, os 
banhos com água quente são a principal causa; nos pré-escolares de dois a sete anos, 
substâncias inflamáveis são mais comuns, devido à sua curiosidade e exploração do 
ambiente. Já as queimaduras por combustão são mais comuns em escolares e 
adolescentes. 
No caso dos idosos, o aumento da população nessa faixa etária os expõe a maior 
risco de acidentes domésticos, devido à baixa acuidade visual e auditiva, reflexos 
diminuídos e mudanças na estrutura familiar que podem deixá-los mais vulneráveis. 
Entre os homens, as queimaduras estão frequentemente relacionadas ao 
ambiente de trabalho, com acidentes envolvendo eletricidade de alta voltagem, agentes 
térmicos e químicos. Os agentes causadores mais comuns incluem produtos químicos, 
eletricidade, líquidos superaquecidos, fogo e superfícies quentes. Esses dados 
ressaltam a importância de medidas preventivas adequadas para reduzir o risco de 
queimaduras em diferentes grupos populacionais. 
 
 
24 
PAPEL DO ENFERMEIRO NA ASSISTÊNCIA AO PACIENTE QUEIMADO 
 
É crucial que o enfermeiro esteja atento aos parâmetros ventilatórios do paciente 
e à necessidadede suporte de oxigênio em casos de queda na saturação de oxigênio 
abaixo de 95%. A avaliação dos sinais de choque hipovolêmico também é fundamental, 
e o enfermeiro deve intervir imediatamente com reposição de líquidos e eletrólitos 
conforme as orientações terapêuticas estabelecidas pelo médico responsável. Essas 
ações demonstram o papel central do enfermeiro na promoção da saúde e no cuidado 
integral ao paciente queimado. 
A monitorização contínua da saturação de oxigênio com oxímetro de pulso e a 
elevação da cabeceira do paciente em 30º, juntamente com a hiperextensão da região 
cervical, são medidas essenciais para garantir uma adequada oxigenação e prevenir 
complicações respiratórias. 
A limpeza prévia das lesões com água corrente clorada é uma prática comum 
para remover detritos e contaminantes da área afetada. No caso de lesões oculares, a 
lavagem copiosa do olho afetado com solução fisiológica 0,9% é crucial para remover 
qualquer substância irritante ou contaminante. 
Os cuidados de enfermagem são muito importantes para o tratamento adequado 
de feridas, especialmente em pacientes com queimaduras significativas. A remoção dos 
tecidos desvitalizados e a aplicação de uma cobertura antimicrobiana ajudam a prevenir 
infecções e promover a cicatrização da ferida. O tratamento tópico da ferida, incluindo a 
limpeza, desbridamento e aplicação da cobertura, é crucial para criar um ambiente 
favorável à reepitelização, o processo pelo qual a pele se regenera. 
A reavaliação regular do paciente é essencial para monitorar o estado 
neurológico, padrão respiratório e temperatura corporal, especialmente em casos de 
queimaduras extensas que podem levar à hipotermia. Além disso, é importante estar 
atento à presença de edema em regiões e membros afetados, pois isso pode afetar a 
circulação e a recuperação do paciente. 
A elevação da cabeceira do leito e dos membros é uma medida importante para 
prevenir e controlar o edema, ajudando a melhorar a circulação sanguínea e reduzir o 
acúmulo de fluidos nas áreas afetadas. Esses cuidados combinados são essenciais para 
garantir uma recuperação adequada e minimizar complicações em pacientes com 
queimaduras e outras lesões graves. 
 
 
 
 
25 
 
 
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