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2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 3 2 QUEIMADURAS ................................................................................................... 4 3 AVALIAÇÃO DAS QUEIMADURAS .................................................................... 9 3.1 Grau ou profundidade ....................................................................................... 11 3.2 Extensão da queimadura .................................................................................. 16 3.3 Localização e classificação das queimaduras .................................................. 17 4 PROCESSO DE CICATRIZAÇÃO DA PELE ..................................................... 18 5 QUEIMADURAS GRAVES ................................................................................. 21 5.1 Avaliação nutricional em pacientes queimados ................................................ 23 5.2 Vias de administração da alimentação ............................................................. 25 6 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE COM QUEIMADURAS .... 26 6.1 Orientações após a ocorrência de queimadura ................................................ 30 7 PREVENÇÃO E TRATAMENTO ........................................................................ 32 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................. 36 3 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 2 QUEIMADURAS Fonte: shre.ink/maCp Queimaduras são lesões provocadas por calor, produtos químicos, radiação, plantas e animais e suas consequências variam muito, podendo ocasionar desde um leve eritema e dor local até a morte. Independente da etiologia, as queimaduras podem apresentar diversas repercussões de ordem física, psicológica e social que variam conforme a faixa etária da vítima, além de fatores como o nível de gravidade, profundidade, extensão, localização e potenciais consequências causadas pela lesão. Alguns desses fatores podem interferir no processo de recuperação de queimaduras, os quais compreendem a gravidade da lesão, sua localização e o agente causador, bem como condições psicológicas e sociais do indivíduo (OLIVEIRA; MOREIRA; GONÇALVES, 2012). Conforme publicação no site oficial do governo, aproximadamente 1 milhão de pessoas sofrem queimaduras anualmente no país, apresentando-se como uma das principais causas externas de morte no país sendo o público mais afetado composto por crianças e pessoas de baixa renda (BRASIL, 2017). No caso de queimaduras em crianças as mais comuns são causadas por escaldaduras (manuseio de líquidos quentes, como água fervente) e violência doméstica. Em homens adultos, as causas mais comuns de queimaduras estão relacionadas a acidentes de trabalho, enquanto as queimaduras em mulheres estão mais comumente associadas as situações domésticas, como por exemplo, cozinhar alimentos e outros perigos da cozinha, 5 acidentes com garrafas, gás, entre outros e eventualmente até tentativas de suicídio. Os idosos também estão em risco devido à sua capacidade reduzida de reagir e às limitações físicas que vêm com a idade (MUTTONI, 2017). Sendo assim, por ser uma enfermidade tão frequente e capaz de repercutir fortemente na saúde da população, os cuidados necessários ao paciente vítima de queimadura têm como objetivo limitar sequelas funcionais e estéticas, além de oferecer apoio psicossocial para promover uma melhor recuperação desse indivíduo. A mortalidade por queimaduras se deve principalmente pela ocorrência de infecção, que pode evoluir com septicemia e repercutir sistemicamente com complicações renais, adrenais, cardiovasculares, pulmonares, musculoesqueléticas, hematológicas e gastrintestinais. Ademais, dependendo da localização, as queimaduras ainda podem causar complicações neurológicas, oftalmológicas e geniturinárias, além daquelas de ordem psicossocial (MUTTONI, 2017). As queimaduras estão associadas também a uma morbidade significativa devido ás suas possíveis sequelas e consequente incapacidade funcional, principalmente quando acometem as mãos. Fisiopatologia das queimaduras A queimadura compromete a integridade funcional da pele, que por sua vez, é responsável pela homeostase hidroeletrolítica, controle da temperatura interna, flexibilidade e lubrificação da superfície corporal. A magnitude do comprometimento destas funções irá depender da extensão e profundidade da queimadura. A injúria térmica provoca no organismo uma resposta local, com necrose de coagulação tecidual e progressiva trombose dos vasos adjacentes num período de 12 a 48 horas. Em princípio, a ferida da queimadura é estéril, porém, o tecido necrosado acaba sendo atraente a bactérias endógenas e exógenas, produtoras de proteases, que rapidamente a colonizam e dão lugar ao tecido de granulação responsável pela cicatrização da ferida. Já nas grandes queimaduras, além da resposta local, a lesão desencadeia uma reação sistêmica no organismo, em consequência da liberação de mediadores pelo tecido lesado ( MUTTONI, 2017). 6 Tipos de queimadura e suas manifestações clínicas Para conhecer as repercussões causadas pela ocorrência de queimaduras é necessário entender como se estrutura o sistema tegumentar. A pele, ou tegumento, é o maior órgão do corpo humano e apresenta diferentes funções, entre as quais estão o revestimento do corpo, a regulação de fluidos e a termorregulação. A epiderme, a derme e a hipoderme são as principais camadas tegumentares, incluindo, ainda, estruturas anexas, como unhas, pelos e glândulas. A Figura 1 representa essas camadas e suas estruturas. Figura 1 – Representação anatômica das camadas da pele e seus anexos. Fonte: Adaptada de MatoomMi/Shutterstock.com A epiderme é a camada mais superficial, sendo formada por tecido epitelial e ausente de vascularização. Ela é considerada a barreira do corpo, pois protege os demais tecidos contra danos externos e microrganismos, além de dificultar a perda de água. A derme é a camada logo abaixo da epiderme, sendo formada por tecido conjuntivo, apresentando vascularização e terminações nervosas, além de glândulas sudoríparas, sebáceas e folículos pilosos. Ela é rica em elastina e fibras de colágeno, as quais são responsáveis pela rigidez e pela elasticidade (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA, 2017). A hipoderme é a terceira camada da pele e é composta 7 basicamente por tecido adiposo, visto que, sua espessura varia conforme a localização e a composição corporal do indivíduo, sendo responsável por manter a temperatura corporal, além de acumular energia (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA, 2017). Sabe-se que as manifestações clínicas da queimadurasurgirão de acordo com o tipo de agente causador, a profundidade, a extensão e o local atingido. Segundo o Conselho Federal de Medicina, complicações sistêmicas são mais frequentes nos seguintes casos (BRASIL, 2011): ➢ grande área atingida (maior que 20% da superfície corporal em adultos ou maior que 10% em crianças); ➢ pessoas com idade acima de 65 anos ou menores de três anos; ➢ ocorrência de inalação de fumaça ou presença de trauma maior simultâneo; ➢ queimaduras químicas e traumas elétricos; ➢ áreas nobres/especiais; ➢ associação à violência, aos maus tratos, ao autoextermínio, entre outros. Ao perpassar a pele, a queimadura pode atingir órgãos, chegando a comprometer por exemplo, o funcionamento do coração, dos pulmões, dos rins e dos sistemas gastrintestinal e imunológico. As complicações relacionadas à insuficiência respiratória são a causa de morte mais comum em vítimas de queimaduras e, ao contrário do que em geral se pensa, nem sempre estão diretamente relacionadas à lesão (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2011). Normalmente, as queimaduras se caracterizam por ocasionar dor, edema, alterações em coloração, temperatura, textura e umidade da pele, perda de sensibilidade, entre outras manifestações. Em casos mais graves, pode haver desidratação, hipovolemia, alterações eletrolíticas e acidobásicas. Se houver inalação de vapores com intoxicação por monóxido de carbono, lesão supraglótica ou lesão infraglótica, pode ocorrer o desenvolvimento de broncoespasmo transitório e até mesmo necrose de mucosa da via aérea, resultando em infecção ou insuficiência respiratória (GOLDMAN; AUSIELLO, 2005). 8 Agente causador As queimaduras podem ser classificadas quanto à sua etiologia (ou agente causador), ao seu grau e profundidade ou ainda quanto à sua extensão. Entre os agentes causadores estão o térmico, químico e elétrico, os quais serão apresentados a seguir. Térmico - entre os diversos tipos de queimaduras, as causadas por agentes térmicos são as mais comuns. Sua gravidade depende do tempo de contato e/ou exposição ao agente, como por exemplo, a exposição ao calor, ao frio, líquido quente, entre outros (COIMBRA, 2018). Químico - as queimaduras por agentes químicos são causadas, em geral, por materiais corrosivos, como ácidos ou álcalis, sendo por vezes difícil a eliminação do agente causador e, portanto, mais graves conforme a concentração desse agente. Essas queimaduras requerem tratamento especializado, sendo necessário, por essa razão, ficar atento ao fato de que o contato de alguns deles com a água utilizada para lavar a lesão pode levar a explosões ao liberarem calor e hidrogênio, como ocorre com alguns metais alcalinos. Além disso, sempre devem ser considerados os possíveis efeitos sistêmicos da absorção cutânea, ingestão ou inalação do produto. No caso das queimaduras causadas por ácidos, o dano surge imediatamente após o contato, levando à necrose de coagulação e consequente escara que protege os tecidos imediatamente inferiores de progressão desse agente. Por outro lado, nas queimaduras causadas por álcalis, o trauma inicial parece mínimo, mas como ocorre necrose de liquefação, esse dano aumenta gradativamente com o passar do tempo, podendo atingir camadas mais profundas em relação às causadas por ácidos, o que facilita a contaminação (CARDOSO; ORGAES; GONELLA, 2012). Elétrico - as queimaduras ocasionadas por correntes de baixa ou alta tensão são de alta gravidade, pois a passagem de tal corrente pelo corpo, além de elevar a temperatura, principalmente no ponto de entrada e de saída da corrente, causando queimaduras de variados graus, pode levar à tetania (contração muscular máxima, contínua e involuntária), que impede que a musculatura volte ao estado de repouso, à fibrilação ventricular, que cursa com contratilidade miocárdica desordenada, à parada cardiorrespiratória ou a danos em qualquer outro órgão ou tecido em que a corrente passar, como o cérebro, por exemplo (MORAIS et al., 2011). 9 É importante ressaltar que as lesões causadas por agentes químicos e elétricos requerem atenção especial. Nas queimaduras químicas, a destruição do tecido atingido pode progredir por várias horas até que a substância seja removida, enquanto nas queimaduras elétricas o dano tecidual pode ser mais profundo devido ao caminho percorrido pela eletricidade. Mesmo que haja apenas uma lesão cutânea aparentemente pequena, é possível que sejam desencadeadas alterações nos mais diversos sistemas e órgãos do corpo, como no sistema nervoso central e no cardiovascular, com arritmias ou até mesmo parada cardiorrespiratória (TONDINELI et al., 2016; SERRA et al., 2011). 3 AVALIAÇÃO DAS QUEIMADURAS Fonte: shre.ink/maRX A avaliação das lesões por queimaduras realizada pelo enfermeiro é fundamental na recuperação e reabilitação do paciente, sendo necessário um pensamento crítico que proporcione decisão clínica, um atendimento imediato, eficaz e com abordagem multidimensional, fortalecidos pela Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE, a fim de obter resultados positivos nos cuidados prestados (SILVA; CASTILHOS, 2010; BORELLI et al., 2021). Para avaliação das queimaduras também são utilizados critérios quanto à sua profundidade, extensão e localização. Porém, a idade do paciente, a existência de doenças prévias, a concomitância de condições agravantes e a inalação de fumaça 10 são fatores importantes a serem considerados na avaliação do paciente queimado. Para a avaliação, deve manter-se o ambiente aquecido e a pele deve ser descoberta e examinada em partes, a fim de que se minimize a perda de líquido por evaporação (MUTTONI, 2017). A avaliação das lesões é muito importante para que sejam estabelecidas prioridades e evitadas complicações decorrentes desse agravo, bem como minimizado o sofrimento do indivíduo acometido. Por isso, fatores como idade e existência de comorbidades prévias são importantes para a classificação da queimadura e o planejamento da assistência prestada à vítima (COIMBRA, 2018). A investigação da causa da queimadura é a primeira abordagem a ser realizada, configurando-se como um diferencial na decisão do manejo mais adequado, uma vez que as causas são diversas e, por isso, são esperadas diferentes reações sistêmicas. Em muitas queimaduras causadas por agentes químicos, por exemplo, a lesão pode continuar ocorrendo mesmo após a retirada do agente causador, dessa forma, o reconhecimento da causa pode auxiliar no processo de tratamento. Um dos métodos mais utilizados na avaliação da Superfície Corporal Queimada (SCQ) é a Regra dos Nove, de Wallace, que nada mais é do que um instrumento que avalia a extensão da queimadura. Essa escala atribui um percentual múltiplo de nove (por isso o nome regra dos nove) a cada parte do corpo e a sua soma resulta na SCQ. Nesse método, são avaliados os seguintes segmentos e atribuídos os respectivos percentuais: cabeça e pescoço (9%), membros superiores (9%), região anterior do tronco (18%), região posterior do tronco (18%), extremidades inferiores (18%) e períneo (1%). Vale ressaltar que a avaliação deve ser feita em toda circunferência do membro, atribuindo metade do percentual caso a queimadura tenha ocorrido em apenas um lado (BRASIL, 2012). Outro método utilizado para avaliar as queimaduras é a escala de Lund- Browder. Essa escala é comumente utilizada em pediatria, pois relaciona a SCQ à idade da criança, no entanto, ela também pode ser utilizada em várias idades (CARVALHO; KUHNEN; PEREIMA, 2013). Na Figura 2, você poderá conferir a maneira como é calculada a SCQ segundo a escala de Lund-Browder. A soma total dos valores referentes a cada segmento equivale à SCQ. Deve-se ficar atento à cabeça e aos membros inferiores (a, b e c), pois estes apresentam valores diferenciados.11 Figura 2 – Representaão gráfica da superfície corporal segundo a escala de Lund-Browder. Fonte: Adaptado de Manual... (2021). 3.1 Grau ou profundidade Os traumas por queimaduras podem ser identificados como de 1º, 2º e 3º grau (BRASIL, 2012; SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUEIMADURAS, 2015). As queimaduras de 1º grau (espessura superficial) são definidas pela lesão apenas da epiderme, ocasionando eritema, dor, calor, edema local, sem a presença de vesículas ou bolhas e com clareamento cutâneo quando pressionado (BRASIL, 2012; SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUEIMADURAS, 2015). Nas queimaduras de 2º grau (espessura superficial ou profunda), a lesão atinge até a derme e é possível notar eritema, edema, calor local, dor acentuada, bolhas com base rósea, aparência úmida e clareamento quando pressionadas. Quando profundas, há o acometimento de toda a derme, incluindo sua porção inferior, e justamente por essa maior abrangência podem cursar com bolhas de base branca, serem menos dolorosas e apresentar aspecto seco, já que pode haver destruição de 12 terminações nervosas, glândulas sudoríparas e folículos pilosos (BRASIL, 2012; SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUEIMADURAS, 2015). Quando ocorre destruição do subcutâneo, até mesmo músculos e ossos, as queimaduras são classificadas como de 3º grau (espessura total). Estas se apresentam acinzentadas, brancacentas ou enegrecidas. A ausência de dor é característica, já que ocorre lesão de todas as terminações nervosas que conduzem a sensação de dor. Nesse caso, é indicado realizar enxerto, pois não ocorrerá a epitelização da pele (BRASIL, 2012; SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUEIMADURAS, 2015). A National Association of Emergency Medical Technicians (2011) considera a existência de um 4º grau de queimaduras. Nessa situação, a queimadura apresenta dano na espessura total, com destruição tecidual profunda, incluindo tecido adiposo, músculos, ossos e/ou os órgãos internos. A profundidade da queimadura será determinante no resultado funcionante e estético da queimadura e é avaliada em graus, conforme segue: ➢ Queimadura de primeiro grau: compromete apenas a epiderme; apresenta eritema, calor e dor; não há formação de bolhas; evolui com descamação em poucos dias; regride sem deixar cicatrizes; repercussão sistêmica é desprezível; não é considerada na avaliação da área atingida. É uma lesão que atinge a camada mais superficial da pele, a epiderme, podendo deixar um aspecto úmido, com hiperemia, edema e dor. Não há presença de sangue, e o quadro é resolvido em poucos dias, podendo haver escurecimento e descamação da pele (BORGES, 2010). (Figura 3). 13 Figura 3 – Queimadura de 1º grau, com sinais de hiperemia. Fonte: Irishasel/Shutterstock.com. ➢ Queimadura de segundo grau: compromete totalmente a epiderme e parcialmente a derme, apresentando dor, eritema, edema, bolhas, erosão ou ulceração. Há regeneração espontânea, ocorre reepitelização a partir dos anexos cutâneos (folículos pilosos e glândulas), cicatrização mais lenta (2-4 semanas) e pode deixar sequelas, como discromia (superficial) e cicatriz (profunda). A profundidade dessa lesão chega até a derme, a qual vai apresentar bolhas (flictenas) que podem estar rompidas. Caso seja uma lesão de segundo grau superficial, o paciente pode manter alguns folículos pilosos, no entanto, quando ocorre o rompimento das bolhas, será visível uma pele avermelhada e úmida, podendo ter formação cicatricial entre 14 até 21 dias (BORGES, 2010). (Figura 4). 14 Figura 4 – Queimadura de 2º grau superficial. Fonte: Adaptado de Rainer Fuhrmann/Shutterstock.com. Agora, se for uma lesão de segundo grau profunda, após o rompimento das bolhas, é normal visualizarmos uma camada branca (pálida) da pele, menos dolorosa. Como o epitélio é frágil, nesses casos, podem ocorrer úlceras com facilidade, gerando cicatrizações hipertróficas e formação de contraturas cicatriciais, as quais podem impedir o movimento tecidual e articular. Para evitar tal comprometimento, pode ocorrer a excisão tangencial e a colocação de enxertos (BORGES, 2010). (Figura 5). Figura 5 – Queimadura de 2º grau profunda. Fonte: Adaptado de krit_manavid/Shutterstock.com 15 ➢ Queimadura de terceiro grau: destrói todas as camadas da pele, atingindo até o subcutâneo, podendo atingir tendões, ligamentos, músculos e ossos. Causa lesão branca ou marrom, seca, dura, inelástica, é indolor, não há regeneração espontânea, necessitando de enxertia e eventualmente pode cicatrizar, porém com retração das bordas. Acomete os tecidos cutâneo, subcutâneo, muscular e até ósseo, conforme a Figura 6. Apresenta formação da pele marmorizada, com cor esbranquiçada, com redução da capacidade elástica, perda de sensibilidade e vasos trombosados. Nas áreas carbonizadas pelo estímulo térmico ou elétrico, pode-se dizer que é uma lesão de quarto grau. Em toda lesão que se apresentar circular, ou no tórax, os médicos realizam a escarotomia, que é a retirada de todo o tecido morto (BORGES, 2010). A avaliação da extensão e do comprometimento de regiões articulares é indispensável para esse grau de queimadura, devido à profundidade dela, a qual pode limitar severamente o movimento, se não houver a colocação de enxertos. Figura 6 – Queimadura de 3º grau. Fonte: Adaptado de Microgen/Shutterstock.com. 16 3.2 Extensão da queimadura É possível avaliar as queimaduras por meio da sua extensão, assim, o cálculo da área afetada é realizado para prevenir complicações associadas à ocorrência de choque hipovolêmico. Essa prevenção é realizada por meio da reposição adequada de fluidos. Dependendo da faixa etária do indivíduo acometido pela queimadura, a extensão da lesão é considerada um preditor de mortalidade na fase aguda. Estima- se que as taxas de mortalidade aumentem consideravelmente em indivíduos com mais de 30% da superfície corporal queimada (SCQ) (CARVALHO; KUHNEN; PEREIMA, 2013). Quanto maior a extensão da área afetada, maior será a repercussão sistêmica devido à perda de função da pele. Um método prático para o cálculo da área queimada toma como medida de referência a palma da mão da vítima, considerando-se que, incluindo os dedos unidos e estendidos, ela corresponde aproximadamente a 1% da sua superfície corporal. Excluindo-se os dedos, a superfície palmar representa 0,5% da superfície corporal, independentemente da idade. Entretanto, para uma avaliação mais precisa da extensão queimada, o método mais empregado é a regra dos noves de Wallace. A Tabela1 a seguir apresenta a Regra dos noves (Wallace) para ser utilizada para cálculo da superfície queimada em adultos e crianças a partir de 10 anos. Para crianças com menos de 10 anos é utilizada outra forma de cálculo adaptada à idade. Tabela 1 – Regra dos nove (Wallace). Segmento Corporal Porcentagem (SC) Cabeça e pescoço 9 Cada membro superior 9 (x2) Cada quadrante de tronco 9 (x4) Cada coxa 9 (x2) Cada perna e pé 9 (x2) Genitais e períneo 1 Total 100 Fonte: Adaptada de Vale (2005). 17 É importante ressaltar, que na mensuração da extensão da queimadura, o cálculo de extensão corporal não deve embutir as áreas de primeiro grau. Caso isso aconteça, ocorrerá uma supervalorização da ferida. 3.3 Localização e classificação das queimaduras Queimaduras que comprometem a face, pescoço e mãos favorecem sequelas estéticas e funcionais. Além disso, queimaduras na face e pescoço costumam estar associadas à inalação de fumaça e podem causar edema considerável, o que pode prejudicar a permeabilidade das vias respiratórias e levar à insuficiência respiratória. Por outro lado, queimaduras próximas a orifícios naturais apresentam maior risco de contaminação séptica (MUTTONI, 2017). A seguir veremos no Quadro 1 a classificação de acordocom a gravidade da lesão. Quadro 1 – Classificação de acordo com a gravidade da lesão, proposta pela American Burn Association. Lesão mínima < 15% da espessura parcial da superfície corporal (10% em crianças); < 2% da espessura plena da superfície corporal (não envolvendo olhos, orelhas, face ou períneo). Lesão moderada - Todas aquelas com 15%-25% da superfície corporal (10%-20% em crianças); - 2%-10% da espessura total da superfície corporal (não envolvendo olhos, orelhas, face ou períneo). Lesão maior - Todas aquelas com > 25% de espessura da superfície corporal (> 20% em crianças); - Todas as queimaduras de face, olhos, orelhas e pés; - Todas as queimaduras elétricas; - Todas as queimaduras por inalação; - Todas as queimaduras com fratura ou trauma tecidual importante; - Todas as queimaduras com grande risco, secundário à idade ou doença. Fonte: Adaptado de Mosier e Pham (2009). 18 4 PROCESSO DE CICATRIZAÇÃO DA PELE Fonte: shre.ink/masR A pele é o maior órgão do corpo que se relaciona com o meio ambiente de forma direta. Assim, ela é vulnerável a vários danos, inclusive, às queimaduras (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2017). A cicatrização de feridas na pele é uma interação séria entre tipos de células, citocinas, mediadores, sistema neurovascular e remodelação da matriz. A tecnologia de regeneração de tecidos aprimora notavelmente o reparo da pele por meio da formação de um novo tecido, interações entre células epidérmicas, angiogênese e formação de cicatrizes hipertróficas e queloides. Nesse sentido, as taxas de sucesso da cicatrização da pele, para lesões por queimadura, aumentaram significativamente com a utilização de vários procedimentos. O processo de cicatrização da pele começa no momento da lesão e se estende até a recuperação do tecido local, compreendendo três fases: fase inflamatória, fase de proliferação e fase de remodelamento ou maturação (CAMPOS; BORGES- BRANCO; GROTH, 2007). Fase inflamatória - na fase inflamatória, a cascata de coagulação é estimulada. São então, liberadas substâncias vasoconstritoras, além de outros mediadores químicos que são liberados pelas plaquetas, com intuito de atrair neutrófilos até o local da lesão. Esses neutrófilos são gradativamente substituídos por 19 macrófagos, que são células que auxiliam no desbridamento natural iniciado pelos neutrófilos, além de secretar citocinas, estimular os fatores de crescimento, a angiogênese, a fibroplasia e a síntese de matriz extracelular. Essas reações são importantes para a fase seguinte. Fase de proliferação ou granulação - nessa fase ocorre a proliferação de fibroblastos e células endoteliais, além da formação de capilares por meio da angiogênese e da infiltração de macrófagos, o que resulta na formação de tecido de granulação. Além disso, a produção de colágeno do tipo I e a transformação de fibroblastos em miofibroblastos promovem a contração da ferida. Fase de remodelamento ou maturação - a estrutura densa e cheia de fibras de colágeno dispostas desorganizadamente é reorganizada por meio de fibras de colágeno alinhadas, de modo a aumentar a resistência do tecido e reduzir a espessura da cicatriz, diminuindo, assim, a sua deformidade. Nesse período, a coloração da cicatriz também é alterada, assumindo uma tonalidade semelhante à da pele adjacente. O processo de cicatrização das queimaduras predispõe à formação de cicatrizes hipertróficas e contraturas, devido ao aumento de vascularização pelo qual os fibroblastos e miofibroblastos podem passar, ocorrendo deposição de colágeno e material intersticial. Isso vai depender da duração da vascularidade - quanto maior a duração, maior a chance de formar uma cicatriz hipertrófica (BORGES, 2010). Vale ressaltar, que as cicatrizes que perdem seu aspecto avermelhado dentro de dois a três meses têm baixa chance de terem complicações teciduais restritivas. Um dos tratamentos para esse tipo de cicatrização é a compressão por malhas compressivas, as quais devem ser confeccionadas sob medida. O material utilizado normalmente é 67% nylon e 33% látex, que são capazes de proporcionar uma compressão superior à do capilar sanguíneo (AI et al., 2017). As cicatrizes são classificadas conforme o seu tamanho, alterações de contorno, tensão, coloração, textura, padrão e direção, bem como pelo modo como se misturam ao tecido adjacente. O nível da cicatriz pode ser elevado, deprimido ou atrófico e a sua maturação pode ser definida como madura, hipertrófica ou queloidiana. Sua coloração pode ser hipopigmentada, na qual há diminuição na quantidade de pigmento, ou hiperpigmentada, quando a quantidade depositada de 20 pigmento é maior. Essas alterações no tecido estão relacionadas à formação incorreta do colágeno (GAUGLITZ et al., 2011). Cicatrizes atróficas Nas cicatrizes atróficas, a formação de colágeno durante a fase de reparo tecidual foi insuficiente. Normalmente, essas cicatrizes, caracterizadas por depressões dérmicas, são provocadas pela destruição do colágeno de caráter inflamatório, geralmente desencadeada pelos próprios marcadores inflamatórios. São muito comuns em queimaduras e acne nódulo-cística, sendo cicatrizes de difícil terapêutica e normalmente tratadas com procedimentos minimamente invasivos, desencadeando uma nova lesão e processo de reparo tecidual (BOSI, 2020). Cicatrizes hipertróficas Ao contrário das cicatrizes atróficas, nas hipertróficas, a quantidade de colágeno formado foi excessiva. Entre as cicatrizes hipertróficas, podemos destacar as cicatrizes chamadas de queloides, que também ocorrem pela hiperproliferação do colágeno, porém, sua característica marcante é a capacidade de se estender pelos tecidos laterais da lesão, podendo ainda, ser doloridas mesmo depois de muito tempo de formadas e continuar aumentando com o tempo, o que gera muito desconforto visual à grande maioria dos pacientes. Uma característica dos queloides é que eles não regridem e continuam crescendo com o tempo (FINNERTY et al., 2016). Outras cicatrizes hipertróficas são as lineares, característica de cicatrizes decorrentes de cirurgias, e as difusas, comuns em processos de queimadura do tecido. A cicatriz hipertrófica difusa pode apresentar eritema e, algumas vezes, ser pruriginosa e se mantém dentro das bordas da lesão da queimadura. Na figura 7, veremos os tipos de cicatrizes. 21 Figura 7 – Tipos de cicatrizes. Fonte: Adaptado de Souza (2019). 5 QUEIMADURAS GRAVES As queimaduras maiores resultam em trauma grave. Na fase inicial das queimaduras que atingem mais de 20% da superfície corporal, ocorre aumento maciço transitório na permeabilidade capilar, com perda de plasma do espaço intravascular para o compartimento extravascular, que define o edema generalizado nas queimaduras extensas. Essa perda de líquido é proporcional à extensão da queimadura. Além disso, ocorrem perdas de água por evaporação e o plasma goteja a partir da área queimada (exsudação) (MUTTONI, 2017). Essas mudanças na permeabilidade duram aproximadamente 24 horas, atingindo o seu pico nas primeiras 12 horas, sendo essas perdas, as principais responsáveis pela grande necessidade de líquidos. Metabolicamente, o traumatismo causado pela queimadura percorre pelas seguintes fases de resposta: ➢ Imediatamente após a lesão, inicia-se um período de instabilidade hemodinâmica com a redução da perfusão do tecido cutâneo e a liberação de altos níveis de catecolaminas. Esta fase inicial é 22 caracterizada por menor consumo de oxigênio e menor taxa metabólica, podendo durar poucas horas ou persistir por alguns dias, dependendo da gravidade da lesão e da qualidade da ressuscitação. ➢ Progressivamente a fase inicial é substituída pela fase de restauração de fluxo, caracterizada por alto consumo de oxigênio, gasto energéticode repouso elevado, fluxos de substratos elevados e perdas aceleradas de nitrogênio e potássio. O débito cardíaco aumenta, assim como também normalmente a temperatura corporal. Antigamente, esta fase representava um aumento do gasto energético basal em 150 a 200%, proporcional à extensão e gravidade da queimadura. Atualmente, no entanto, os tratamentos modernos diminuíram esta porcentagem consideravelmente, o que reduziu a necessidade de um aporte calórico tão elevado. O maior aumento da necessidade energética acontece durante as primeiras semanas, dependendo, mais uma vez, da gravidade da queimadura. Após este período, as necessidades energéticas vão se revertendo lentamente para a normalidade. Ainda nesta fase ocorrem grandes perdas proteicas pela pele e o catabolismo proteico muscular está bastante acentuado. A síntese das proteínas de fase aguda e de algumas proteínas viscerais está aumentada. A síntese proteica pode estar comprometida na fase de convalescência e anabólica da doença. Estas mudanças podem ser atenuadas com bom tratamento e terapia nutricional adequada, mas não podem ser evitadas. Quando a fase aguda declina e a superfície queimada é coberta inicia-se a fase de recuperação. Esta fase exige grande aporte energético para enfrentar a reabilitação física e a cura da ferida. O gasto energético desta fase é, no entanto, menor do que aquele das primeiras duas a seis semanas. Em pacientes com queimaduras graves, a fase de recuperação pode durar até dois anos (MUTTONI, 2017). 23 5.1 Avaliação nutricional em pacientes queimados O paciente com queimadura grave apresenta necessidades nutricionais aumentadas e o seu gasto energético varia com o tempo, sendo que os maiores aumentos são observados durante as primeiras semanas após a queimadura. Quando a área corporal queimada atinge mais do que 20 a 30%, o gasto energético do paciente está muito acima da taxa metabólica basal. Além disso, as complicações infecciosas também aumentam o gasto energético destes pacientes. Por tudo isso, existem várias fórmulas que são utilizadas para estimar o gasto calórico em pacientes queimados e todas apresentam limitações, em decorrência da sua incapacidade de avaliar alterações na temperatura e umidade ambientais, troca de curativos, enxertos, dor, ansiedade, uso de sedativos, de drogas vasoativas e níveis variados de atividades. Sendo assim, o propósito da sua utilização deve ser servir como um guia para o fornecimento de calorias (MUTTONI, 2017), considerando que, é fundamental não oferecer calorias em excesso para pacientes queimados. O conceito de hiperalimentação foi desenvolvido para pacientes queimados na década de 1970, quando muitas fórmulas foram criadas para estimar o gasto energético. A equação de Curreri, por exemplo, é bastante citada, porém, ela superestima o gasto calórico, e por isso não deve ser utilizada. Já as medidas atuais de gasto energético basal, por meio de calorimetria indireta, geralmente mostram necessidades energéticas totais mais baixas do que as originadas pelas fórmulas. A equação de Toronto é atualmente mais acurada e útil porque leva em consideração fatores como: sexo, peso, porcentagem da queimadura, febre, ingestão calórica dos dias anteriores e tempo decorrido desde a lesão por queimadura. Tem- se utilizado o valor de 1,3 a 1,5 vezes àquele estimado pela equação de Harris- Benedict para o gasto energético de pacientes queimados, embora valores um pouco mais elevados possam ocorrer, e utilizar esta equação ajustada para atividade e estresse continua sendo o instrumento mais clássico, quando um calorímetro indireto não estiver disponível. Por fim, também se pode utilizar uma estimativa mais simples: 30 a 35 kcal/kg/dia para queimaduras < 40% SC, e 35 a 50 kcal/kg/dia em queimaduras ≥ 40% SC (MUTTONI, 2017). A terapia nutricional nas queimaduras tem por objetivos: prevenir e tratar a desnutrição, atender os déficits nutricionais, adequar a dietoterapia às condições 24 clínicas do paciente, oferecer nutrientes em compatibilidade com as alterações metabólicas encontradas, evitar efeitos adversos e as complicações da terapia nutricional e melhorar o prognóstico do paciente queimado. É importante sempre ter em mente que as complicações que podem ocorrer no curso clínico do paciente queimado causam impacto negativo sobre o estado nutricional do mesmo, enquanto que a desnutrição, está associada com pior prognóstico. Para tanto, deve-se realizar a avaliação nutricional do paciente, a fim de se propor uma conduta nutricional adequada às suas necessidades. A avaliação nutricional do paciente queimado inclui a avaliação clínica, a avaliação antropométrica, bioquímica, imunológica e da composição corporal. No entanto, todos estes testes apresentam limitações e por isso, sua aplicação e análise deve ser feita com muita cautela. Desnutrição pregressa à queimadura, distúrbios alimentares e doenças associadas devem ser investigadas, assim como deve-se saber que a variação da água corporal no paciente queimado pode causar variações no peso e outras medidas antropométricas, e por esta razão, elas não conseguem refletir com precisão a massa celular corporal destes pacientes. Os métodos de análise da composição corporal podem ser auxiliares na avalição no estado nutricional, mas a bioimpedância corporal total, por exemplo, embora de fácil realização e custo acessível, também apresenta utilização limitada pelos desvios de água corporal na queimadura (MUTTONI, 2017). A fórmula de Parkland é utilizada com mais frequência na ressuscitação com líquidos de paciente queimados, embora possa necessitar de modificações em casos individuais. A fórmula a ser utilizada, apresenta-se da seguinte maneira: Metade deste líquido é administrado como cristaloide nas primeiras 8 horas após a lesão e o restante das próximas 16 horas. O débito urinário deve permanecer > 0,5 mL/kg/h. Nas 24 horas seguintes, as necessidades hídricas diminuem para, aproximadamente, 50%. A partir do 3º dia, o edema começa a ser reabsorvido para o compartimento intravascular e com isso a necessidade de oferta líquida também irá 25 diminuir. A necessidade de água livre pode permanecer alta e as variações de líquidos são grandes. Por isso, deve-se pesar os pacientes todos os dias, se possível. 5.2 Vias de administração da alimentação A escolha da via de administração da alimentação do paciente queimado depende de sua situação. No entanto, pacientes com queimaduras graves, com elevado gasto energético ou com apetite reduzido requerem, usualmente, alimentação por sonda. Isso se deve ao fato de que as tentativas de alimentar pacientes com grandes queimaduras exclusivamente por via oral apresentaram grandes dificuldades, em razão do estado mental alterado do paciente, lesões por inalação, função pulmonar comprometida, disfunção gastrintestinal, e/ou alimentação intolerante (MUTTONI, 2017). Sendo assim, a nutrição enteral (NE) é o método preferido no suporte nutricional de queimados, porque ela é a via que mantém o trofismo do tubo gastrintestinal e estimula a liberação dos hormônios tróficos gastrintestinais, possibilitando um suporte nutricional mais balanceado e individualizado. Entretanto, quando o trato gastrintestinal não pode ser utilizado, deve ser administrada a nutrição parenteral. Ainda, a nutrição parenteral (NPT) pode ser administrada como um suplemento à nutrição enteral, quando esta não é suficiente para atender as demandas de nutrientes do paciente. A NPT é a única via capaz de fornecer grandes quantidades de micronutrientes, os quais são necessárias durante as primeiras duas semanas após o traumatismo (MUTTONI, 2017). 26 6 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE COM QUEIMADURAS Fonte: shre.ink/maE1 O cuidado ao paciente vítima de queimadura deve ser planejado visandominimizar as repercussões negativas, devido à gravidade desse dano que envolve dimensões de ordem física, psicológica e social (OLIVEIRA; PERIPATO, 2017). Os enfermeiros, reconhecidos por sua atuação no cuidado às necessidades da população, têm papel fundamental no tratamento de vítimas de queimaduras, pois, além de estarem presentes em todos os níveis de atenção em que essas vítimas podem ser admitidas, darão continuidade ao tratamento. Para que esses profissionais possam implementar sua assistência, é necessário conhecer a etiologia do agravo, pois se trata de um fator preponderante para determinar as intervenções que serão realizadas, direcionando os cuidados mais adequados às demandas que podem interferir no processo de recuperação do paciente (OLIVEIRA; MOREIRA; GONÇALVES, 2012). Estabelecer o nível de gravidade da lesão também se faz necessário para compreender como devem ser planejadas as intervenções e a maneira como estas serão implementadas. Por se tratar de enfermidade de grande complexidade, lesões mais graves, como, por exemplo, as que ocasionam perda de volume de líquido, risco de infecção e deformações, requerem avaliação multidimensional e multiprofissional desse indivíduo, com foco em estabelecer uma terapêutica voltada não somente para 27 o tratamento da lesão, mas também dos demais agravos que possivelmente podem ocorrer em decorrência da queimadura (OLIVEIRA; MOREIRA; GONÇALVES, 2012). O cuidado de enfermagem não deve abranger somente a lesão, mas todas as dimensões por ela afetadas. O Conselho Federal de Enfermagem, por meio da Resolução nº. 358, de 15 de outubro de 2009, em seu Art. 1º, define que “o Processo de Enfermagem deve ser realizado, de modo deliberado e sistemático, em todos os ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem” (BRASIL, 2009). Dessa forma, em unidades ou serviços que atendem pacientes vítimas de queimaduras, é necessário que se implemente o processo de enfermagem (PE) para embasar a prática profissional do enfermeiro. O PE envolve cinco etapas interdependentes: coleta de dados, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação. No acolhimento às vítimas de queimaduras, a implementação do PE é uma ferramenta importante para que o enfermeiro possa sistematizar sua prática. A anamnese e o exame físico (coleta de dados) minuciosos são fundamentais para a identificação de problemas que poderão interferir no processo de recuperação, além de auxiliar na definição de diagnósticos e do planejamento das intervenções. Silva e Castilhos (2010) realizaram um levantamento sobre os principais diagnósticos de enfermagem encontrados em pacientes com grandes queimaduras, os quais estão elencados no Quadro 2. Quadro 2 – Principais diagnósticos e intervenções de enfermagem realizados em pacientes com queimaduras de grande extensão. Diagnóstico Intervenções Troca gasosa prejudicada Fornecer oxigênio umedecido e monitorar rigorasamente o paciente em ventilação mecânica. Padrão respiratório ineficaz Observar queimaduras do tórax Perfusão tecidual periférica prejudicada Manter extremidades aquecidas Volume de líquidos deficiente Monitorar débito urinário pelo menos a cada hora e pesar o paciente diariamente Risco de infecção Usar a assepsia em todos os aspectos do cuidado com o paciente, inspecionar a ferida para verificar sinais de infecção, drenagem purulenta ou coloração e monitorar a contagem de leucócitos, resultado de cultura e sensibilidade. 28 Integridade cutânea prejudicada Limpar as feridas diariamente, realizar o curativo da ferida de acordo com a prescrição e evitar pressão, infecção e mobilização dos enxertos de pele. Hipotermia Avaliar com frequência a temperatura corporal central e fornecer ambiente aquecido por meio de cobertores térmicos. Nutrição desequilibrada: menor que as necessidades corporais Oferecer dieta hiperproteíca, incluindo os alimentos de preferência do paciente e monitorar a contagem de calorias e o peso diário. Eliminação urinária prejudicada Posicionar a sonda e a bolsa de drenagem de modo que propiciem um fluxo desimpedido de urina. Mobilidade física prejudicada Posicionar o paciente cuidadosamente, a fim de evitar posições flexionadas nas áreas queimadas e implementar exercícios de amplitude de movimentos várias vezes ao dia. Dor Oferecer analgésico aproximadamente 20 minutos antes do processo doloroso, bem como fornecer tranquilidade e apoio emocional. Enfrentamento individual ineficaz Usar a abordagem multidisciplinar para promover a mobilidade e a independência Ansiedade Explicar todos os procedimentos ao paciente e a sua família, com termos claros e simples e individualizar as respostas para o nível de enfrentamento do paciente e sua família. Intolerância à atividade Incorporar os execícios de fisioterapia ao cuidado do paciente para impedir a atrofia muscular e manter a mobilidade necessária para as atividades diárias. Distúrbio da imagem corporal Encaminhar o paciente à terapia de grupo. Déficit de conhecimento sobre o cuidado domiciliar e a necessidade de acompanhamento pós - alta Avaliar a prontidão do paciente e da família em aprender. Fonte: Adaptado de Silva e Castilhos (2010). Nos casos de acidentes com grandes lesões, onde é necessário o transporte do paciente, indica-se que os ferimentos sejam cobertos com curativos para impedir a contaminação e reduzir o fluxo de ar, controlando, desse modo, a dor. O uso de manta térmica ou camadas de cobertores sobre tecidos estéreis é recomendado para auxiliar na manutenção da temperatura corporal (NATIONAL ASSOCIATION OF 29 EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2011). Além das intervenções levantadas por Silva e Castilhos (2010), é necessário que os enfermeiros considerem a faixa etária desses pacientes, pois o manejo com crianças será diferente do realizado com adultos, assim como também será diferente com idosos. Cada faixa etária requer uma abordagem diferente, pois o modo como percebem/compreendem o agravo se difere. É importante que os profissionais de enfermagem atuem na promoção da saúde e na prevenção dessas enfermidades. A educação em saúde é uma ferramenta muito eficaz no controle do risco de queimaduras. Os espaços para a realização dessas intervenções compreendem escolas, grupos de jovens, Unidades Básicas de Saúde e outros locais com vistas a orientar crianças, jovens e adultos sobre a prevenção de queimaduras. A orientação de pais e/ou responsáveis durante as consultas de puericultura pode ser interessante para prevenir queimaduras em idades precoces, pois é muito comum a ocorrência de queimadura por escaldadura, fogo e objeto sólido e no banho, por exemplo, além de acidentes domésticos envolvendo óleo e água quente, sendo importante também ressaltar o cuidado com tomadas (BARCELOS et al., 2017; MILLAN et al., 2012). Os enfermeiros devem se atentar, ainda, para o abuso infantil, pois sabe-se que aproximadamente 20% das queimaduras em crianças são lesões intencionais ou ocasionadas por abuso. A imersão forçada em água quente é considerada a forma mais comum, portanto, é necessário que sejam realizadas abordagens aprofundadas e abrangentes nas famílias em que houver esse tipo de suspeita, envolvendo a intersetorialidade, mas se atentando para que não haja equívocos sobre a suspeição, o que poderia resultar em uma falsa acusação (NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS, 2011). É importante ressaltar que pacientes queimados e que requeiram internação hospitalar devem receber atendimento multi e interprofissional, reconhecendo a necessidade de cuidados integrais. Além dos cuidados com as lesões que devem receber coberturas adequadas, o enfermeiro deve reconhecer a importância da nutrição adequada para cicatrização, sendo o nutricionista o profissional competentepara avaliar e reavaliar a reposição de elementos nutricionais. Os pacientes com lesão respiratória por queimadura, por exemplo, necessitam de fisioterapia respiratória precoce, assim como os que apresentam lesões cicatriciais devem receber cuidados específicos para minimizar a retração de pele e o 30 comprometimento dos movimentos. Além destes e muitos outros cuidados, é fundamental que a equipe esteja atenta ao dano emocional causado pelas cicatrizes das queimaduras, que não raro alteram a imagem corporal definitivamente. Sendo assim, é incompleto qualquer atendimento que não contemple ações colaborativas entre os diferentes profissionais da saúde. 6.1 Orientações após a ocorrência de queimadura A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda alguns cuidados que devem ser implementados no caso de queimaduras em crianças, bem como restrições a atitudes que são frequentemente percebidas em casos de queimaduras. É importante ressaltar que essas medidas não se aplicam somente a crianças, mas, sim, à população em geral. A seguir, você poderá conferir essas intervenções que podem ser realizadas por enfermeiros ou pela família sob orientação de profissionais de saúde. Segundo a Sociedade brasileira de pediatra (2014), os procedimentos a serem realizados são: ➢ Retirar a roupa que cobre a área afetada. Se a roupa estiver grudada na área queimada, deve-se lavar a região até que o tecido possa ser retirado delicadamente sem aumentar a lesão. Se continuar aderido à pele, o tecido deve ser cortado ao redor do ferimento; ➢ Remover anéis, pulseiras e colares, pois o edema se desenvolve rapidamente; ➢ Colocar a área queimada debaixo da água fria (e não gelada) ou utilizar compressas limpas e frias sobre a queimadura até que a dor desapareça. O resfriamento das lesões com água fria é o melhor tratamento de urgência nesse caso. A água alivia a dor, limpa a lesão, impede o aprofundamento das queimaduras e diminui o edema (inchaço) subsequente; ➢ Não utilizar compressas úmidas por longo período em queimaduras extensas, pois podem ocasionar hipotermia (a temperatura do corpo da vítima fica abaixo do normal); 31 ➢ Envolver o paciente com lençol limpo e agasalhos e encaminhá-lo ao atendimento médico; ➢ Dar um analgésico para alívio da dor; ➢ Nas vítimas conscientes e colaborativas com pequenas áreas queimadas, a hidratação oral utilizando água e sucos de frutas pode ser iniciada; ➢ Nas queimaduras extensas, a perda de líquidos é muito grande, assim, a reposição de líquidos e eletrólitos por via venosa deverá ser iniciada com bastante agilidade, pois será fundamental para a sobrevivência do paciente. Segundo a Sociedade brasileira de pediatra (2014), entre os procedimentos a não serem realizados estão: ➢ Usar gelo no local afetado; ➢ Furar as bolhas causadas pela queimadura; ➢ Não passar nada na região afetada; ➢ Usar pomadas ou produtos caseiros, tais como clara de ovo, pó de café, banha de galinha, pasta de dente, pimenta, entre outros, pois, além de não trazer benefícios, podem favorecer complicações infecciosas; ➢ Oferecer bebida alcoólica ao paciente. Vale ressaltar, em relação ao aparecimento de bolhas que, segundo a National Association of Emergency Medical Technicians (2011), a retirada de bolhas deve ser feita por especialistas em ambiente hospitalar devido ao risco de infecção. Ademais, o tratamento das lesões em vítimas por queimaduras, abrange consequências psicológicas devido a fisionomia do indivíduo e cicatrizes que não se desfazem, ainda que sejam submetidos a cirurgias reparadoras. A equipe de enfermagem deve estar preparada para lidar com o paciente e familiares com o objetivo de reduzir os efeitos dos transtornos provocados pelos tratamentos, fornecendo um cuidado holístico, individualizando valores, culturas e queixas (CINTRA et al., 2005). 32 7 PREVENÇÃO E TRATAMENTO O dia seis de junho é definido como dia nacional de luta contra queimaduras, pela Lei nº 12.026/2.009, em que o Ministério da Saúde é autorizado a instituir a Semana Nacional de Prevenção e Combate a Queimaduras. De acordo com Silva e Temporão (2009) esta lei tem como finalidade a divulgação de medidas de prevenção importantes para redução dos índices de acidentes com vítimas de queimaduras. Precauções As queimaduras estão entre os acidentes domésticos mais comuns hoje em dia. Mas, existem maneiras de se prevenir para evitar esse tipo de ocorrência, dessa forma, foi criada uma cartilha com as seguintes orientações (SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUEIMADURAS, 2018): ➢ Se você estiver em algum local que esteja pegando fogo, abaixe-se, coloque um pano molhado na frente da boca e nariz e respire normalmente enquanto engatinha para a saída; ➢ Se pegar fogo nas roupas e não houver água ou um extintor por perto, cubra o rosto com as mãos, deite-se e role até apagar as chamas. Caso tenha água por perto, como uma piscina, pule imediatamente para apagar as chamas. Caso exista fios elétricos por perto, não utilize água e, sim, o extintor; ➢ Dentro de sua residência, evite fumar, principalmente deitado; ➢ Evite fumar próximo de carros ou postos de combustíveis; ➢ Em queimaduras elétricas, retire o objeto da tomada ou desligue a energia geral; ➢ Não manipule álcool próximo a objetos inflamáveis ou diretamente sobre o fogo; ➢ Investigue com frequência se há vazamento de gás; ➢ Não cozinhe com crianças no colo; ➢ Antes de realizar o banho na criança, teste a água primeiro utilizando o dorso da mão; ➢ Manter objetos aquecidos fora do alcance de crianças; 33 ➢ Manter produtos de limpeza fora do alcance de crianças; ➢ Utilizar protetores em tomadas elétricas da casa; ➢ Manter em bom estado cabos e alças de panelas; ➢ Estar atento ao acender um fósforo, mantendo o palito longe de seu rosto, visto que se escapar alguma chama, não irá atingir seus cílios, sobrancelhas ou cabelos; ➢ Ao acender uma vela, observe se está longe de produtos inflamáveis, como botijões de gás, solventes ou tecidos; ➢ Não manipular álcool, querosene, gasolina ou outros líquidos inflamáveis perto do fogo. Esses produtos devem, ainda, ser guardados longe do alcance das crianças; ➢ Em festas juninas, dar preferência às fogueiras pequenas, que só devem ser acesas longe de matas, de depósitos de papel, de produtos inflamáveis ou ventanias. ➢ Nunca tente retirar uma pipa enrolada em fios de alta tensão; ➢ Evite sempre brincar na chuva, pode ser divertido, mas um raio pode matar. Tratamento A atenção ao tratamento de pacientes com queimaduras tem sido executada periodicamente pela equipe de enfermagem, conforme a qualificação de cada profissional e na rotina dos serviços de saúde que enfatizam cuidados com queimaduras. Para isso, segundo Ferreira et al. (2003) é fundamental conhecer a eficácia dos produtos associados à necessidade da lesão para obter êxito na cicatrização da ferida. Reforçando essa ideia, temos a resolução COFEN n° 0567/2018 que regulamenta a atuação do enfermeiro e equipe nos cuidados aos pacientes com feridas, sendo o mesmo responsável pela avaliação, prescrição e execução de curativos em todos os tipos de feridas nos pacientes sob seus cuidados, além de coordenar e supervisionar a equipe de enfermagem na prevenção e cuidados de pessoas com feridas. 34 Para que o tratamento humanizado ocorra é importante a formação profissional, vivenciando diferentes experiências, conexões com os hospitalizados e a sugestão de planos de cuidados que permitam o profissional compreender a singularidade de cada humano (CINTRA et al., 2005). Destaca-se a relevância do enfermeiro dermatologista na elaboração de um plano de cuidados singulares para a vítima acometida por queimadura e escolha do curativo ideal (OLIVEIRA; PERIPATO, 2017). No Brasil, a técnica de uso da pele de tilápiapara tratar lesões por queimaduras na etapa de cicatrização, foi elaborada e patenteada pelo médico e pesquisador Marcelo Borges após ter lido uma matéria em um jornal de Pernambuco no ano de 2011, sobre o uso da pele do peixe no artesanato (IPEN, 2019). Os curativos oclusivos que utilizam materiais sintéticos ou biossintéticos geram um custo altíssimo para a unidade de aplicação devido ao tipo de material utilizado, com isso, busca-se nos materiais biológicos possibilidades econômicas e efetivas no tratamento de feridas por queimadura (JUNIOR et al., 2017). O uso dos chamados substituto de pele, nas lesões de vítimas por queimaduras, está inserido na linha de pesquisa realizada pelo médico Manoel Odorico de Moraes ao lado do cirurgião plástico Edmar Maciel desde 2015. Deu-se início à aprendizagem quando eles associaram à ideia original do cirurgião plástico Marcelo Borges. Neste estudo foram inseridos 189 colaboradores, em sete estados do Brasil e outros seis países - Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Colômbia, Guatemala e México. Devido às dificuldades para desenvolver essa linha de pesquisa Edmar Maciel convidou o médico Marcelo Borges para fazer parte da pesquisa (FAPESP, 2019). Os substitutos de pele são elementos biológicos, sintéticos ou biossintéticos, com o objetivo de oclusão temporária ou permanente em uma ferida, utilizados com grande frequência nos curativos de queimaduras (FERREIRA; SILVA, 2021). Lesões graves geram perda completa do envoltório cutâneo, sendo assim, o recurso frequentemente utilizado pelos cirurgiões funciona como uma enxertia de pele autógena. Em episódios de escassez de área doadora, há grande relevância no interesse em materiais sintéticos ou biológicos para serem utilizados como substitutos de pele (FERREIRA et al., 2011). Para Filho (2006) enxertos podem ser identificados conforme sua origem, sendo: 35 ➢ Autólogos: No qual o doador e receptor são o mesmo indivíduo; ➢ Homólogos: Em que o doador e receptor são seres diferentes, porém são da mesma espécie; ➢ Heterólogos ou Xenoenxertos: Tanto o doador quanto o receptor são de espécies diferentes. As particularidades dos substitutos de pele devem ser: aderência, transporte do vapor de água, flexibilidade, conservação, baixa antigenicidade e toxicidade, capacidade de conter sangramento e ação antibacteriana. Em análise, conceitua-se três tendências de substitutos temporários de pele (FERREIRA et al., 2003): ➢ Origem animal: membrana amniótica, pele de porco, pele de embrião bovino e colágeno; ➢ Substitutos à base de substâncias sintéticas como por exemplo, poliuretano silicone, hydrom; ➢ Substitutos aliados à matéria orgânica e película sintética, como colágeno e silicone. 36 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABALÍ, M. O. T.; BRAVO, B. S. F.; ZYLBERSZTEJN, D. 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