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AO JUÍZO DA VARA CRIMINAL DA COMARCA DE NITEROI DO ESTADO RIO DE JANEIRO – RJ. ENRICO, nacionalidade, estado civil, engenheiro, portador da carteira de identidade nº, inscrita no CPF sob o nº, residente e domiciliado na cidade de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, na Rua XXX, nº XXX, , vem, por meio de seu advogado que este subscreve (procuração anexa), com escritório no endereço Rua, n., bairro, na cidade de [cidade/Estado], tendo como endereço de e-mail, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a presente: QUEIXA CRIME com fulcro no art. 139 e 140 do Código Penal em face de HELENA, nacionalidade, estado civil, profissão, portadora do documento de identidade n., inscrita no CPF n., residente e domiciliada na rua XX., bairro, no município de Niterói / RJ, pelos motivos de fato e direitos a seguir expostos: I. DOS FATOS O autor, engenheiro de uma renomada empresa da construção civil, possui um perfil em uma das redes sociais existentes na internet e o utiliza diariamente para entrar em contato com os seus clientes. No dia 19/04/2014, sábado, o autor comemora o seu aniversario e planejava na ocasião, uma reunião particular com os amigos e familiares a fim de comemorar o seu aniversário em uma churrascaria na cidade de Niterói – RJ. Já certo do evento, no dia decidiu no período da manha enviar os convites por meio da rede social, alusivo para todos os seus contatos. A ré, sua vizinha e ex-namorada se encontram adicionada nos contatos do autor e com isso ficou sabendo da festa a ser realizada, não feliz com a dissolução do relacionamento a mesma do seu computador pessoal, publicou na rede social uma mensagem no perfil pessoal do autor com o intuito de ofende-lo, publicou o seguinte comentário: “não sei o motivo da comemoração, já que o autor não passa de um idiota, bêbado, irresponsável e sem vergonha!” Simplesmente com o intuito de prejudica-lo perante os colegas e denegrir ainda mais a sua imagem acrescentou ainda: “ele trabalha todo dia embriagado! No dia 10 do mês passado, ele cambaleava bêbado pelas ruas do Rio, inclusive, estava tão bêbado no horário do expediente que a empresa em que trabalha teve que chamar uma ambulância para socorrê-lo!”. O autor, não sabia o que dizer aos amigos, em especial a Carlos, Miguel e Ramirez que estavam ao seu lado naquele instante. Muito envergonhado, o autor tentou disfarçar o constrangimento e decidiu cancelar o evento. No dia seguinte, o autor decidiu procurar a polícia narrando todo o ocorrido à autoridade, entregando o conteúdo impresso da mensagem ofensiva e a página da rede social na Internet onde ela poderia ser visualizada. II. DA TEMPESTIVIDADE Conforme se observa no art. 103 do Código Penal, o prazo para interposição de queixa-crime é de 06 (seis) meses, salvo disposição expressa em contrário, contado do dia em que veio a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código, do dia em que se esgota o prazo para oferecimento da denúncia. Com isso a primeira publicação da ré foi no dia 19/04/2014, tendo o autor procurado os direitos pertinentes no dia seguinte ao delito. III. DA COMPETENCIA Como se observa nos fatos narrados, o crime cometido se dá por meio da divulgação da rede social, dessa forma o crime de injúria e difamação cometidos de forma simples terá como pena máxima não superior a 2 (dois) anos. Nesse sentido, o caso se trataria de infração de menor potencial ofensivo, tendo a competência do Juizados Especiais Criminais, aplicando-se o procedimento comum sumaríssimo. Todavia, o delito em questão se trata de crime cometido por meio da rede mundial de computadores, através da rede social, o qual se aplicará a pena triplicada, conforme o art. 141, § 2º, do Código Penal. Nesse sentido, a pena máxima passará de 2 (dois) anos, não se tratando, do qual deverá ser utilizado o rito ordinário para a lide. Vejamos a Jurisprudência abaixo: Conflito de Jurisdição – Feito distribuído originariamente perante a Vara do Juizado Especial Criminal Central da Capital, que houve por bem declinar da competência, sob o fundamento de que a complexidade da causa importava o afastamento do Juizado – Feito redistribuído à 5ª Vara Criminal, que entendeu pela competência da 19ª Vara Criminal, em razão de prevenção – Autos remetidos à 1ª Vara Criminal do Foro Regional de Santana, que não aceitou a competência – Cabimento – Diligências extremamente complexas que não se amoldam, evidentemente, aos princípios da informalidade, economia e celeridade processuais, ínsitos ao procedimento sumaríssimo – Necessidade de extensas perícias nas searas cibernética e de propriedade intelectual – Conflito procedente para declarar a competência do MM. Juízo da 19ª Vara Criminal da Barra Funda. (TJ-SP - CJ: 00330184620228260000 SP 0033018-46.2022.8.26.0000, Relator: Xavier de Aquino (Decano), Data de Julgamento: 10/03/2023, Câmara Especial, Data de Publicação: 10/03/2023) Dessa forma a queixa crime deverá ser proposta para o juízo criminal na esfera comum. IV. DOS FUNDAMENTOS Tendo em vista todo o desenrolar dos fatos narrados, entende-se que a ré, cheia de rancor e magoa pelo termino do relacionamento não se conteve em ver a felicidade do autor em comemorar o seu aniversario com os amigos e familiares, decidiu por intermédio da rede social o agredir em virtude de difamação e injuria, atribuindo ao mesmo, fatos que não se enquadra em sua realidade. Ora, mesmo que tais imputações fossem verdadeiras, não caberia de forma alguma a ré utilizar-se dos meios digitais pretextos para atribuir um cidadão honesto e trabalhador afirmações não verdadeiras e repudiantes. O artigo 139 do Código Penal estabelece que difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação, terá como pena a detenção, de 3 meses a 1 ano somado com multa, bem como o artigo 140 do mesmo regramento jurídico define que injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro terá como pena a detenção, de 1 a 6 meses, somado com multa. Cezar Roberto Bittencourt diferencia as duas condutas em sua obra, da seguinte forma: Difamação é a imputação a alguém de fato ofensivo à sua reputação. Difamar consiste em atribuir fato ofensivo à reputação do imputado — acontecimento concreto — e não conceito ou opinião, por mais gravosos ou aviltantes que possam ser. Injuriar é ofender a dignidade ou o decoro de alguém. A injúria, que é a expressão da opinião ou conceito do sujeito ativo, traduz sempre desprezo ou menoscabo pelo injuriado. É essencialmente uma manifestação de desprezo e de desrespeito suficientemente idônea para ofender a honra da vítima no seu aspecto interno Ao visualizar o contexto e explicação do renomado doutrinador, percebe-se que a honra e a dignidade do autor não foram respeitadas, promovendo diversos constrangimentos perante os próximos e a toda a sociedade, uma vez que o mesmo utiliza das redes sociais para a execução dos seus trabalhos de forma comercial. Diversos são os julgados em relação a matéria, pois o crime vai de viés a dignidade da pessoa humana, preceito Constitucional que assegura a todo o cidadão brasileiro, o direito de se defender a ataques que “mancham” a imagem e sua dignidade. Abaixo, a Jurisprudência é uníssona: APELAÇÃO. QUEIXA-CRIME. DIFAMAÇÃO. ART. 139 DO CÓDIGO PENAL. INJÚRIA. ART. 140 DO CÓDIGO PENAL. ADEQUAÇÃO TÍPICA. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. CONDENAÇÃO MANTIDA. 1. O delito de difamação se trata de crime formal, consumado tão logo a imputação de fato que ofende a reputação do ofendido no seio social chegue ao conhecimento de terceiros. Indubitável, no caso concreto, o preenchimento destes requisitos, à medida que as postagens difamatórias foram veiculadas em rede social, tendo o querelado atribuído ao querelante a prática de? falcatruas? e conluios de corrupção com o responsável pela contabilidade, com nítidointuito de macular a honra objetiva do querelado perante a sociedade. 2. A prática injuriosa, por si, igualmente se trata de delito formal, cuja consumação se dá tão logo os predicativos ofensivos cheguem ao conhecimento da vítima. Inarredável, também, o animus injuriandi do querelado, na medida em que atribuiu à pessoa do querelante predicativos como? sem vergonha?, bem como descreveu seus parentes como ?corja? e ?suga suga?, de modo a gerar abalo à honra subjetiva do ofendido. RECURSO DESPROVIDO.(Apelação Crime, Nº 70081347007, Terceira Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sérgio Miguel Achutti Blattes, Julgado em: 27-06-2019) (TJ-RS - ACR: 70081347007 RS, Relator: Sérgio Miguel Achutti Blattes, Data de Julgamento: 27/06/2019, Terceira Câmara Criminal, Data de Publicação: 18/07/2019) Dessa forma, o autor deseja que a ré seja condenada pelos crimes praticados em decorrência da falsa atribuição a imagem do autor, é necessário que esse nobre juízo não deixe passar em branco tal delito, uma vez que a imagem de todo o cidadão de bem precisa ser respeitado. E uma vez que as condutas de boa-fé, caráter e integridade de uma pessoa não é atendido, caberá a parte agredida provocar o juízo para que aconteça a devida tutela. A ré, não satisfeita em apenas atribuir os crimes contra a honra caracterizados no artigo 139 e 140 do Código Penal, cometeu os mesmos por meio da utilização das redes sociais, tornando público a todos aqueles que seguem a página do autor. Entenda Excelência, a rede social tem alcances astronômicos de público, que podem ser tanto no vínculo de amizade do autor, quanto familiar e quanto também de uma rede de trabalho. Como relatado nos fatos, o autor utiliza dos meios digitais para angariar a sua clientela e divulgar o seu trabalho. Com isso, o nosso ordenamento jurídico majora as penas uma vez constatado o fato delitoso, o artigo 141 do Código Penal diz que as penas cominadas neste capítulo aumentam de um terço, se qualquer dos crimes é cometido e divulgado em quaisquer modalidades das redes sociais da rede mundial de computadores, assim aplica-se em triplo a pena. A jurisprudência é pacifica nesse entendimento, vejamos abaixo o julgado: APELAÇÃO CRIMINAL. DIFAMAÇÃO E INJÚRIA. RECURSO DA QUERELADA. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. CONDENAÇÃO MANTIDA. DOSIMETRIA ADEQUADA. DANO MORAL. MANTIDO. RECURSO DESPROVIDO. 1.Verifica-se nos autos que a consumação delitiva restou suficientemente comprovada, na medida em que a querelada proferiu palavras injuriosas e difamatórias as querelantes de forma concreta a cada uma, ofendendo as suas honras subjetivas, pois utilizou as expressões em seu livro e postagens em redes sociais com o único objetivo de magoar e ofender as vítimas. 2. O valor arbitrado a título de indenização por danos morais deve ser proporcional ao delito e atender às finalidades de reprimir o crime e compensar o sofrimento da vítima. 3. Recurso conhecido e desprovido. (TJ-DF 07100690820198070004 1409482, Relator: DEMETRIUS GOMES CAVALCANTI, Data de Julgamento: 17/03/2022, 3ª Turma Criminal, Data de Publicação: 29/03/2022). V. DO ROL DE TESTEMUNHAS O artigo 41 do Código de Processo Penal, estabelece que é possível a propositura do arrolamento das testemunhas, o artigo indica que a denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas. Dessa forma, requer-se que sejam arroladas as três testemunhas de acusação abaixo citadas, intimando-as em seus respectivos endereços e ouvidas em juízo, são elas: 1. Carlos, nacionalidade, estado civil, profissão, portador do documento de identidade n., inscrito no CPF n., residente e domiciliado ao endereço, CEP; 2. Miguel, nacionalidade, estado civil, profissão, portador do documento de identidade n., inscrito no CPF n., residente e domiciliado ao endereço, CEP; 3. Ramirez, nacionalidade, estado civil, profissão, portador do documento de identidade n., inscrito no CPF n., residente e domiciliado ao endereço, CEP; VI. DOS PEDIDOS Ante ao exposto o autor requer: a) que seja aceita e julgada procedente a presente queixa-crime em razão da sua tempestividade e cabimento, uma vez que o prazo final para a apresentação da peça é dia 19 de outubro de 2014, dentro do prazo legal previsto de 06 (seis) meses, conforme o art. 103 do Código Penal; b) que seja deferida a presente queixa-crime no Juízo Comum, tendo em vista que, por meio da causa de aumento de pena, não se trata mais de crime de menor potencial ofensivo, conforme o art. 141, § 2º, do Código Penal ; c) que seja condenada a ré nos tipos penais dos artigos 139 e 140 do Código Penal — difamação e injúria —, em razão de comprovada autoria e materialidade delitiva; d) que a dosimetria da pena da ré tenha o aumento do triplo da pena, em razão da divulgação se dar por meio da rede mundial de computadores; e) que seja citada a ré para que apresente por escrito no prazo de 10 (dez) dias, bem como para que acompanhe os demais termos do processo conforme o artigo 396 do CPP; h) que sejam arroladas as três testemunhas de acusação citadas acima, intimando-as em seus respectivos endereços e ouvidas em juízo; e i) por fim, que protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, principalmente a prova testemunhal, pericial, documental e demais que se fizerem necessárias ao deslinde da demanda. Nestes termos, pede deferimento Local, data ADVOGADO OAB Aluno: Abilio Quintas Matricula: 20211000203 – 8º Período Data: 13/08/2024