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1 ASPECTOS RELACIONADOS A CICATRIZAÇÃO 1 Sumário 1. Introdução ....................................................................................... 3 2. Fases do processo de cicatrização ................................................. 4 2.1 Fase inflamatória ............................................................................ 4 2.2 – Fase proliferativa ......................................................................... 6 2.2.1-Permeabilidade vascular ................................................................... 7 2.2.2 Angiogênese ..................................................................................... 8 2.2.3 Reepitelização .................................................................................. 9 2.2.4 Fibroplasia ...................................................................................... 11 2.3 Fase de reparo/remodelação ...................................................... 11 3. Fatores que aceleram a cicatrização .............................................. 16 3.1 Os alimentos e a cicatrização....................................................... 16 3.2 Membrana Regeneradora Porosa membracel ............................. 18 4. Fatores que podem interferir no processo de cicatrização ................ 20 4.1 Fatores locais (aqueles relacionados diretamente à ferida): ........ 22 4.2 Fatores sistêmicos (que dizem respeito ao indivíduo).................. 22 4.3 Nutrição e cicatrização de feridas ................................................ 24 5. Tipos de cicatrização ......................................................................... 25 5.1 Cicatrização por primeira intenção ............................................... 25 5.2 Cicatrização por segunda intenção .............................................. 25 5.3 Cicatrização terceira intenção (patológica) .................................. 26 6 Tecido de regeneração e cicatrização ................................................ 27 6.1 Regeneração ................................................................................ 27 6.2 Cicatrização.................................................................................. 28 7.Conclusão ........................................................................................... 30 8.Referências ......................................................................................... 31 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história, inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 1. Introdução A cicatrização de feridas consiste em perfeita e coordenada cascata de eventos que culminam com a reconstituição tecidual. O processo cicatricial é comum a todas as feridas, independe do agente que a causou. O processo é dividido didaticamente em três fases: inflamatória, proliferação ou granulação e remodelamento ou reparo. O colágeno é a proteína mais abundante no corpo humano e também é o principal componente da matriz extracelular dos tecidos. Estrutura-se numa rede densa e dinâmica resultante da sua constante deposição e reabsorção. O tecido cicatricial é resultado da interação entre sua síntese, fixação e degradação. Existem várias maneiras de avaliar a cicatrização das feridas. Os métodos mais utilizados atualmente são a densitometria, a densitometria e morfometria do colágeno, a imunoistoquímica e, mais recentemente, a dosagem de fatores de crescimento. É um processo complexo que envolve a organização de células, sinais químicos e matriz extracelular com o objetivo de reparar o tecido. Por sua vez, o tratamento de feridas busca o fechamento rápido da lesão de forma a se obter cicatriz funcional e esteticamente satisfatória. Para tanto, é indispensável melhor compreensão do processo biológico envolvido na cicatrização de feridas e regeneração tecidual. Com o rompimento tecidual nos animais vertebrados, logo se inicia o processo de reparo, que compreende uma sequência de eventos moleculares objetivando a restauração do tecido lesado. Só durante a fase fetal o reparo de lesões se dá sem a formação de cicatriz, ocorrendo perfeita restauração do tecido pelo processo de neoformação tecidual. 4 2. Fases do processo de cicatrização A cicatrização de uma lesão pode variar de uma pessoa para outra, pois está relacionada com o tipo da lesão e com fatores influenciadores, como: Faixa etária; Estado nutricional; Doenças crônicas; Terapia medicamentosa; Tratamento tópico inadequado. 2.1 Fase inflamatória Caracterizada pela presença de exsudato (secreção), que dura de um a quatro dias, dependendo da extensão e natureza da lesão. Nesse período ocorre a ativação do sistema de coagulação sanguínea e a liberação de mediadores químicos, podendo haver edema, vermelhidão e dor. Após a ocorrência do ferimento, inicia-se o extravasamento sanguíneo que preenche a área lesada com plasma e elementos celulares, principalmente plaquetas. A agregação plaquetária e a coagulação sanguínea geram um tampão, rico em fibrina, que além de restabelecer a hemostasia e formar uma barreira contra a invasão de microrganismos, organiza matriz provisória necessária para a migração celular. Essa matriz servirá também, como reservatório de citocinas e fatores de crescimento que serão liberados durante as fases seguintes do processo cicatricial. As plaquetas, essenciais à formação desse tampão hemostático, também secretam múltiplos mediadores, incluindo fatores de crescimento, liberados na área lesada. Induzidas pela trombina, ainda sofrem a degranulação plaquetária e liberam vários fatores de crescimento, como o derivado de plaquetas (PDGF), o de crescimento transformante-β (TGF-β), o de crescimento epidérmico (EGF), o de crescimento transformante-a (TGF-α) e o fator de crescimento de células endoteliais (VEGF), além de glicoproteínas adesivas como a fibronectina e trombospondina, que são importantes constituintes da matriz extracelular provisória. Mais ainda, a ativação da cascata de coagulação e do complemento, juntamente com a liberação dos fatores de crescimento e ativação de células 5 parenquimatosas pela lesão, produz numerosos mediadores vasoativos e fatores quimiotáticos que auxiliam o recrutamento das células inflamatórias no local da ferida. Após a saída das plaquetas de dentro do leito vascular, neutrófilos e monócitos, em resposta aos agentes quimiotáticos, migram em direção ao leito da ferida. A ausência dos neutrófilos no sangue, porém, parece não afetar o processo de reparo na ausência de infecção. No gráfico abaixo é apresentada a especificidade celular no decorrer da cicatrização. Além da função de fagocitose de bactérias, fragmentos celulares e corpos estranhos, essas células inflamatórias produzem fatores de crescimento,que preparam a ferida para a fase proliferativa, quando fibroblastos e células endoteliais também serão recrutados. Os monócitos do sangue periférico, tanto inicialmente quanto durante o transcorrer do processo cicatricial, continuam a infiltrar-se no local da ferida em resposta a agentes quimiotáticos para monócitos, como o PDGF, por exemplo. A liberação dos fatores provenientes das plaquetas, assim como a fagocitose dos componentes celulares, como fibronectina ou colágeno, contribuem também para a ativação dos monócitos, transformando-os em macrófagos que são as principais células envolvidas no controle do processo de reparo. O macrófago ativado é a principal célula efetora do processo de reparo tecidual, degradando e removendo componentes do tecido conjuntivo danificado, como colágeno, elastina e proteoglicanas. Além desse papel na fagocitose de fragmentos celulares, os macrófagos também secretam fatores quimiotáticos que atraem outras células inflamatórias ao local da ferida e produzem prostaglandinas, que funcionam como potentes vasodilatadores, afetando a permeabilidade dos microvasos. Os macrófagos produzem vários fatores de crescimento, tais como o PDGF, o TGF-β, o fator de crescimento de fibroblastos (FGF) e o VEGF, que se destacam como as principais citocinas necessárias para estimular a formação do tecido de granulação. 6 GRÁFICO: Representação esquemática da especificidade celular imunológica correlacionada temporalmente com as fases da cicatrização. 2.2 – Fase proliferativa É a fase da regeneração, que pode durar de 5 a 20 dias. Nela ocorre a proliferação de fibroblastos, que dão origem ao processo chamado “fibroplasia”. Nesse período, as células endoteliais se proliferam, resultando em rica vascularização e infiltração de macrófagos. Esse conjunto forma o tecido de granulação. Abaixo retrata sobre a fase proliferativa da cicatrização. 7 Essa fase é responsável pelo fechamento da lesão propriamente dito. Compreende: reepitelização, que se inicia horas após a lesão, com a movimentação das células epiteliais oriundas tanto da margem como de apêndices epidérmicos localizados no centro da lesão; fibroplasia e angiogênese, que compõem o chamado tecido de granulação responsável pela ocupação do tecido lesionado cerca de quatro dias após a lesão. Os fibroblastos produzem a nova matriz extracelular necessária ao crescimento celular enquanto os novos vasos sanguíneos carreiam oxigênio e nutrientes necessários ao metabolismo celular local. A fase de proliferação epitelial, no caso da pele, inicia-se por estimulação mitogênica e quimiotática dos queratinócitos pelo TGF-α e EGF. Tão importante quanto a epitelização, que começa nessa fase do processo de reparo, é a formação do chamado tecido de granulação, nome atribuído sobretudo pela característica granular devida à presença de novos capilares neoformados essenciais ao processo de reparo. Antes de descrever a angiogênese, cabe salientar que o aumento da permeabilidade microvascular é o primeiro estádio desse processo, apresentando-se como etapa importante, que permite, através do extravasamento de proteínas, citocinas e elementos celulares, a formação de matriz extracelular provisória necessária à migração e proliferação das células endoteliais. 2.2.1-Permeabilidade vascular A produção de novos vasos sanguíneos a partir de vasos preexistentes é acompanhada, na maioria das vezes, por aumento da permeabilidade vascular. Na angiogênese patológica, o aumento da permeabilidade vascular à água e às macromoléculas apresenta importante função no processo, sendo o responsável direto pela formação do edema. Esse aumento da permeabilidade capilar parece ter menor efeito durante a angiogênese fisiológica, porém, causa danos 8 consideráveis em determinadas patologias, como a retinopatia diabética, por exemplo. Várias citocinas produzidas durante o processo de cicatrização interferem diretamente na permeabilidade vascular. O VEGF-A, por exemplo, descoberto em líquido ascítico tumoral, foi originalmente descrito por sua capacidade de aumentar a permeabilidade dos microvasos e o extravasamento de macromoléculas, incluindo fibrinogênio e outras proteínas da coagulação. O extravasamento dessas proteínas resulta na deposição extravascular de fibrina, favorecendo tanto o processo cicatricial quanto o desenvolvimento tumoral. Os mecanismos básicos da regulação da permeabilidade vascular, causada principalmente pelos fatores de crescimento, não foram ainda completamente elucidados. Alguns pesquisadores, porém, acreditam que as células endoteliais tenham sua contração induzida pelos agentes permeabilizantes, formando espaços (gaps) intercelulares de tamanho suficiente para permitir o extravasamento de proteínas plasmáticas. Mais recentemente, a descoberta de uma estrutura no endotélio venoso, a organela vesiculovacuolar, ofereceu via transendotelial alternativa para o extravasamento de proteínas plasmáticas em resposta a fatores de permeabilidade. 2.2.2 Angiogênese A angiogênese é etapa fundamental do processo de cicatrização, na qual novos vasos sanguíneos são formados a partir de vasos preexistentes. Os novos vasos participam da formação do tecido de granulação provisório e suprem de nutrientes e de oxigênio o tecido em crescimento. De forma diferencial, a vasculogênese refere-se aos primeiros estádios do desenvolvimento vascular, durante o qual as células precursoras do endotélio vascular sofrem diferenciação, expansão e coalescência para formar a rede de túbulos primitivos do organismo. Em um organismo adulto, sob condições normais, a angiogênese só ocorre no ciclo reprodutivo das fêmeas (no útero, com a formação do endométrio, e nos ovários, na formação do corpo lúteo). Dessa forma, a rede vascular se mantém quiescente, porém apresentando a capacidade de iniciar a angiogênese, principalmente durante a cicatrização. 9 Em resposta à lesão tecidual, a angiogênese é processo dinâmico, finamente regulado por sinais presentes tanto no soro quanto na matriz extracelular local. Durante o processo cicatricial, a formação de novos vasos sanguíneos torna-se necessária para a formação do novo tecido de granulação, correspondendo as células dos vasos sanguíneos a cerca de 60% do tecido de reparo. A angiogênese ocorre na matriz extracelular do leito da ferida com a migração e estimulação mitogênica das células endoteliais. A indução da angiogênese foi inicialmente atribuída ao FGF ácido ou básico. Subsequentemente, muitas outras moléculas foram identificadas, como angiogênicas, incluindo o VEGF, TGF-β, angiogenina, angiotropina e angiopoetina. Baixa tensão de oxigênio28 e elevados níveis de ácido lático e aminas bioativas também podem estimular a angiogênese. Muitas dessas moléculas são proteínas e parecem induzir a angiogênese de forma indireta, estimulando a produção de FGF ácido ou básico e VEGF por macrófagos e células endoteliais, indutores diretos da angiogênese. 2.2.3 Reepitelização Este processo permite reconstituir a integridade da permeabilidade da epiderme após a lesão inicial e resulta de vários mecanismos: migração e diferenciação dos queratinócitos, diferenciação do neo-epitélio e reestruturação da membrana basal. Migração dos queratinócitos Ocorre nas primeiras 24 horas após a lesão cutânea inicial. Para a sua compreensão é necessário distinguir entre feridas de espessura total e parcial. As primeiras envolvem a epiderme, toda a espessura da derme e estruturas profundas, enquanto que as segundas envolvem apenas a epiderme e as camadas superficiais da derme. Ou seja, os anexos são poupados podendo constituir uma fonte de queratinócitos, para além do reservatório presente nos bordos da ferida, o que não se verificanas feridas de espessura total, onde o processo de contração assume uma importância superior. Deste modo, a migração de queratinócitos inicia-se a partir dos bordos da ferida (feridas de espessura total e parcial) e apêndices cutâneos (feridas de espessura parcial). 10 A migração é precedida de algumas alterações estruturais nos queratinócitos, incluindo alongamento, perda dos contatos célula-célula e célula-matriz, retração dos tonofilamentos intracelulares e formação de filamentos de actina14. Durante a migração dos queratinócitos, o seu potencial proliferativo encontra-se inibido. Encontram-se identificados vários fatores que contribuem para a migração: • Receptores das integrinas presentes na superfície dos queratinócitos: permitem a comunicação com a fibronectina da MEC8,9; • Metaloproteinases (MMPs): produzidas pelos queratinócitos em migração, nomeadamente a MMP-9, que degrada a ligação ao colágeno tipo IV e laminina da membrana basal, e a MMP-1 que permite a interrupção da ligação às fibrilas de colágeno; • MEC provisória formada por fibrina, fibronectina e colágeno tipo V16. Proliferação dos queratinócitos A proliferação inicia-se geralmente 1 a 2 dias após a lesão inicial e permite o suprimento de células para a migração e formação do novo epitélio. Após a migração, segue-se então a reestruturação da membrana basal, a ligação das células ao substrato subjacente e a diferenciação do neo-epitélio. O índice proliferativo é superior no centro da ferida, correspondendo à ponta da coluna de migração de queratinócitos que se estende a partir das margens da ferida (de acordo com o mecanismo de train method proposto para a migração dos queratinócitos). Pelo contrário, a diferenciação é superior nas margens, o que pode justificar a presença de uma única coluna de queratinócitos no centro e a presença de várias camadas de queratinócitos estratificados na periferia. A proliferação ocorre apenas em todos os queratinócitos quando se verifica uma camada completa destas células a envolver a ferida. A reestruturação da membrana ocorre cerca de 7 a 9 dias após o início da reepitelização, devolvendo a adesão aos queratinócitos da base e estabilização da derme. Os fatores de crescimento EGF, TGF-α e fator de 11 crescimento dos queratinócitos (KGF) desempenham funções importantes na migração e proliferação dos queratinócitos. 2.2.4 Fibroplasia Esta fase inclui a síntese de colágeno e de outras proteínas da MEC, envolvendo a migração e proliferação dos fibroblastos para o coágulo de fibrina formado precocemente no processo de cicatrização. A migração de fibroblastos é uma resposta precoce à lesão, enquanto que a sua proliferação ocorre cerca de 4 dias depois, através da MEC provisória. Após a migração, ocorrem alterações estruturais nos fibroblastos que facilitam, por um lado, a síntese de proteínas e, por outro, na sua variante fenotípica de miofibroblasto, a sua participação na contração da ferida. A fibroplasia também depende da ação de vários fatores de crescimento. O PDGF e o TGF-β promovem a proliferação dos fibroblastos e o aumento da expressão dos receptores das integrinas. O EGF e o FGF promovem não só a proliferação, como também a migração dos fibroblastos. As enzimas derivadas dos fibroblastos (colágenas, gelatinase, ativador do plasminogénio) também permitem a migração. A proliferação dos fibroblastos é estimulada pela baixa pressão parcial de oxigénio e pH ácido nos tecidos lesados (fatores que são atenuados pela progressão da angiogênese) e pelas proteínas da MEC, destacando-se a fibronectina que fornece uma base aderente para a migração. 2.3 Fase de reparo/remodelação É a última fase do processo e que pode durar meses. A densidade celular e a vascularização são diminuídas, resultando na remodelação do tecido cicatricial (formado na fase anterior). As fibras são realinhadas para aumentar a resistência do tecido e melhorar o aspecto da cicatriz. Nessa fase, a cicatriz altera progressivamente sua tonalidade, passando do vermelho escuro a um tom rosa claro. 12 Nessa fase do processo de cicatrização ocorre uma tentativa de recuperação da estrutura tecidual normal. É a fase marcada por maturação dos elementos e alterações na matriz extracelular, ocorrendo o depósito de proteoglicanas e colágeno. Em fase mais tardia, os fibroblastos do tecido de granulação transformam-se em miofibroblastos comportando-se como um tecido contrátil responsivo aos agonistas que estimulam o músculo liso. Ocorre, concomitantemente, reorganização da matriz extracelular, que se transforma de provisória em definitiva, cuja intensidade fenotípica, observada nas cicatrizes, reflete a intensidade dos fenômenos que ocorreram, bem como o grau de equilíbrio ou desequilíbrio entre eles. Com o decorrer do processo de maturação e remodelagem, a maioria dos vasos, fibroblastos e células inflamatórias desaparece do local da ferida mediante processos de emigração, apoptose ou outros mecanismos desconhecidos de morte celular. Esse fato leva à formação de cicatriz com reduzido número de células. Por outro lado, se persistir a celularidade no local, ocorrerá a formação de cicatrizes hipertróficas ou queloides. As principais citocinas envolvidas nessa fase são: fator de necrose tumoral (TNF-α), interleucina (IL-1), PDGF e TGF-β produzidas pelos fibroblastos, além das produzidas pelas células epiteliais como EGF e TGF-b. A reepitelização, que é o recobrimento da ferida por novo epitélio e consiste tanto na migração quanto na proliferação dos queratinócitos a partir da periferia da lesão, também ocorre durante a fase proliferativa. Esses eventos são regulados por três principais agentes: fatores de crescimento, integrinas e metaloproteases. Durante a fase inflamatória a liberação de fatores de crescimento por plasma, fibroblastos e macrófagos/neutrófilos ativa os queratinócitos localizados nas margens e no interior do leito da ferida. Dentre os fatores de crescimento destacam-se o PDGF, que induz a proliferação de fibroblastos com consequente produção da matriz extracelular durante a contração da ferida e reorganização da matriz, o KGF7, que é considerado o principal regulador da proliferação dos queratinócitos, assim como o TGF-β, principal responsável pelo estímulo inicial da migração das células epiteliais. 13 A ativação de receptores de integrinas pelos queratinócitos permite a interação com uma variedade de proteínas da matriz extracelular na margem e no leito da ferida. Por outro lado, a expressão e ativação de metaloproteases promovem a degradação e modificação das proteínas da matriz extracelular no sítio da ferida, facilitando a migração celular. A própria atividade proteolítica dessas enzimas pode liberar fatores de crescimento ligados à matriz extracelular, de forma a manter constante o estímulo à proliferação e migração dos queratinócitos, acelerando o processo de reepitelização. Várias são as doenças que interferem negativamente no processo de reparo tecidual, como diabetes, esclerose sistêmica, anemia, desnutrição, entre outras. Muitas também são as condições que tornam esse processo de difícil resolução, impedindo ou retardando a completa restauração dos tecidos. Dentre essas condições podem ser ressaltadas as ressecções extensas da parede abdominal, como aquelas em que a peritoniostomia se faz necessária. Por dificultarem, de alguma maneira, o reparo tecidual, essas doenças contribuem potencialmente para o aumento da morbidade e mortalidade. Nas últimas décadas, vários estudos têm sido realizados no sentido de identificar substâncias capazes de favorecer o processo de reparo. Também a busca de substâncias com atividade angiogênica tem sido intensa, por seu grande potencial de aplicação clínica. Dentre as substâncias que possuemação direta no processo de reparo destacam-se alguns fatores de crescimento que, quando aplicados topicamente sobre a ferida, demonstram boa capacidade de acelerar o reparo tecidual em experimentos animais. Nesse grupo, merece destaque o REGRANEX“, produto à base de PDGF recombinante humano, que interfere diretamente de maneira a favorecer o processo de reparo, apresentando bons resultados na cicatrização de úlceras de pacientes diabéticos. No entanto, são curativos de alto custo, que se encontram distantes da realidade socioeconômica da maioria da população portadora de úlceras crônicas. Outras substâncias contendo agentes enzimáticos como as pomadas à base de DNA se e colágenas atuam promovendo o debridamento da ferida e auxiliam, dessa forma, o curso da restauração tecidual de maneira discreta e 14 indireta. Estas últimas, embora largamente utilizadas na prática clínica, apresentam baixa eficácia na cicatrização de feridas crônicas. Mesmo que cada caso seja único, é possível identificar três fases da cicatrização que levam à regeneração tecidual e à formação do tecido de cicatrização. A próxima figura, retrata um pouco sobre as fases da cicatrização, a duração de cada fase e suas principais características. 15 16 3. Fatores que aceleram a cicatrização O processo cicatricial – que engloba as três fases citadas acima – pode ser acelerado se algumas medidas forem tomadas. Manter o organismo hidratado, bebendo, no mínimo, 2 litros de água por dia, é fator fundamental para a boa cicatrização. Uma dieta equilibrada, com proteínas, carboidratos e gorduras, também ajuda a acelerar a regeneração da pele. Para conseguir fabricar um novo tecido no local de uma ferida, nosso organismo precisa de alguns nutrientes que atuam como matéria-prima, os quais são encontrados em diversos alimentos que ajudam na cicatrização da pele. 3.1 Os alimentos e a cicatrização A cicatrização é iniciada a partir de uma inflamação no local da lesão, um processo fisiológico que atrai células de defesa e estimula a formação de novos vasos sanguíneos para levar nutrientes e oxigênio até a ferida. As “matérias-primas” utilizadas pelo organismo para regenerar a pele lesionada são principalmente as proteínas, que fornecem os aminoácidos para a fabricação do colágeno (uma proteína específica que funciona como uma espécie de cola entre os tecidos), e algumas vitaminas e minerais, que exercem papel importante nesse processo. Além disso, é preciso ajudar o organismo a manter a inflamação inicial sob controle. Mesmo que ela seja um processo normal, um quadro inflamatório exacerbado pode aumentar demais a produção de colágeno, levando a uma supercicatrização e à formação de queloides (cicatrizes que ultrapassam os limites da pele). Por isso, também é importante consumir alimentos com propriedades anti- inflamatórias e antioxidantes. Dessa forma, incluir esses alimentos na dieta e entender qual é a função deles nesse processo é muito importante quem está se recuperando de um corte causado por cirurgia ou acidente. Confira a lista de alimentos que ajudam na cicatrização da pele e saiba o que colocar no seu prato nesse período de recuperação: 17 1. Carnes magras O frango e cortes magros de carne vermelha (como patinho, maminha, filé mignon, coxão mole etc.) são fontes ricas em proteínas de alto valor biológico, o nutriente mais importante para que o organismo possa formar novos tecidos. 2. Leguminosas O feijão e a lentilha, em especial, são ricos em ferro, um mineral fundamental para que as células do sangue possam levar oxigênio e nutrientes até o local da ferida e promover a cicatrização. 3. Peixes gordurosos Os peixes gordurosos, como salmão, atum, sardinha e arenque, são ricos em ômega-3, um ácido graxo que ajuda a reduzir a inflamação. 4. Nozes e castanhas As oleaginosas fornecem gorduras benéficas com propriedades anti- inflamatórias e são fontes de zinco, de modo que elas contribuem para que o organismo consiga manter a produção de colágeno no ritmo ideal para a cicatrização. 5. Sementes Enquanto as sementes de linhaça e chia são ricas em ômega-3 e ajudam a formar a membrana celular, as sementes de girassol e de abóbora são fontes de vitamina E, um micronutriente que melhora a qualidade da nova pele por combater a ação dos radicais livres. 6. Vegetais de folhas verde-escuras Você já deve ter ouvido falar que vegetais como couve, brócolis, agrião, espinafre e rúcula, entre outros, oferecem uma série de benefícios ao organismo, o que os coloca na lista de alimentos que ajudam na cicatrização da pele. 7. Frutas cítricas Laranja, limão, tangerina, acerola, abacaxi, maracujá e kiwi são alguns exemplos de frutas cítricas, alimentos ricos em antioxidantes, que combatem os 18 danos causados pelos radicais livres, e em vitamina C, um micronutriente necessário para que o organismo consiga fabricar o colágeno. 8. Frutas vermelhas Frutas como amora, framboesa, mirtilo e morango são ricas em flavonoides, substâncias com propriedades antioxidantes que combatem a inflamação e protegem o sistema circulatório, garantindo um bom aporte de oxigênio e nutrientes para a formação da nova pele. 9. Frutas e vegetais de cor roxa Beterraba, berinjela, repolho-roxo, açaí, uva e cereja são alguns exemplos de alimentos que têm sua cor característica devido à presença da antocianina, um pigmento com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. 10. Fígado e ovos Esses alimentos são excelentes fontes de ferro, o mineral que permite que as células vermelhas carreguem as moléculas de oxigênio e os nutrientes para os tecidos, incluindo o local onde está a ferida. Além disso, o ferro participa da formação do colágeno. O fígado e os ovos ainda são fontes de vitamina K, que atua no processo de coagulação, e de vitamina A, que funciona como um hormônio e estimula o crescimento das células da pele. 3.2 Membrana Regeneradora Porosa membracel A utilização da Membrana Regeneradora Porosa Membracel acelera a cicatrização da região lesionada, pois promove o ambiente ideal para o desenvolvimento do tecido de granulação. Além disso, a membrana mantém a umidade natural na região e promove as trocas gasosas, fatores que auxiliam a acelerar a cicatrização. Esses fatores colaboram para a formação do tecido de granulação, que é a fase inicial e essencial do processo de reepitelização. Dessa forma, a Membracel acelera a cicatrização da pele, diminuindo o tempo e os custos com o tratamento. A Membracel pode ser utilizada em qualquer situação em que ocorra a perda da pele, seja em lesões superficiais ou profundas. 19 A Membrana Regeneradora Porosa Membracel acelera a cicatrização da pele. É importante ressaltar que a Membracel não necessita de trocas diárias. No início do tratamento, a membrana pode permanecer na lesão entre 5 e 7 dias. O tempo de permanência vai aumentando de acordo com a evolução do tratamento, podendo chegar a 12 dias, se não houver sinais de infecção, mau cheiro ou contaminação. Em muitos casos, uma única membrana é necessária até que a lesão esteja 100% cicatrizada. A Membracel pode ser utilizada em: Úlceras vasculares, Queimaduras, Epidermólisebolhosa e Lesões por pressão (escaras). Pode ainda, ser utilizada em 20 outros casos, como escoriações, cauterização, áreas doadoras ou receptoras de enxerto cutâneo ou qualquer outra situação em que ocorra a falta da pele. Seus beneficios são: Alívio imediato da dor; Rápida regeneração da pele, acelerando a cicatrização; Permite trocas gasosas e drenagem do exsudato; Não deixa resíduos; Não causa alergia em contato com a pele; Mantém a área da lesão úmida; Possibilita a visualização da lesão e o controle da evolução do processocicatricial. 4. Fatores que podem interferir no processo de cicatrização Alguns fatores podem prejudicar a cicatrização da pele, tornando o processo mais demorado e podendo causar complicações e prejuízos estéticos e funcionais. Esses fatores são definidos como fatores locais e fatores sistêmicos Os fatores locais estão relacionados principalmente ao movimento e à presença de resíduos dentro da ferida, por exemplo: tecido necrosado, corpos estranhos, contaminação bacteriana e hipóxia tecidual. Estes fatores podem atuar como barreira física para o desenvolvimento ordenado de tecido de granulação e deposição de colágeno, ou podem exagerar a inflamação, afetando a resposta inflamatória (Halloran & Slavin, 2002). Uma ferida em área com mobilidade alta, é propensa à inflamação crônica devido à perturbação repetitiva dos novos capilares, depósitos de colágeno e fragilidade do novo epitélio. Inversamente, a completa imobilização da área ferida 21 pode levar a um arranjo desorganizado do novo colágeno dentro da ferida, que diminui a força de tensão resultante (Knottenbelt, 2003). A presença de corpos estranhos no interior da ferida é fonte de infecção e irritação (Knottenbelt, 2003), mantendo a inflamação e resistindo às tentativas de controlar a infecção (Neto, 2003). Antes de instituir um tratamento, a presença de corpos estranhos deve ser descartada em uma ferida. Se a presença de um corpo estranho é confirmada no interior da ferida, debridamento e lavagem são necessários para garantir limpeza e umidade no leito da mesma (Hendrickson & Virgin, 2005). Dentre os fatores locais, a infecção é a causa mais importante do retardo da cicatrização. Deve-se considerar que toda ferida está colonizada, já que as bactérias existentes na pele podem colonizar a lesão, mas isso não significa que esteja infectada (Sarandy, 2007). O fluxo de sangue deficiente para a ferida aumenta o risco de infecção, retardando a taxa de cura (Hendrickson & Virgin, 2005). Além disso, reduz a perfusão tecidual, aumentando a hipóxia, interferindo no metabolismo e no crescimento celular, prejudicando a cicatrização (Sarandy, 2007). Já os fatores sistêmicos, que dificultam a cicatrização, incluem estado nutricional, hipovolemia, hipotensão, hipóxia, hipotermia, infecção, trauma e uso de medicamentos antiinflamatórios (Neto, 2003). Várias deficiências dietéticas têm sido implicadas na cicatrização de feridas (Halloran & Slavin, 2002). Estudos têm demonstrado que a falta de proteínas, antes da ocorrência do ferimento, propicia a formação de reações teciduais menos exuberantes do que quando a depleção ocorre após o ferimento (Neto, 2003). A vitamina C (ácido ascórbico) é essencial para a síntese de colágeno e também é necessária para a produção de N-acetil galactosamina, um componente de matriz e tecido de granulação. Deficiências de vitamina C diminuem a resistência da ferida à tensão e atrasam a cicatrização da lesão. O magnésio é necessário para a síntese de proteínas e a deficiência do zinco dificulta a função das metaloproteinases da matriz (MMPs), que são essenciais para o colágeno e fase de remodelagem (Halloran & Slavin, 2002). O efeito da temperatura na cicatrização de lesões está aparentemente relacionado ao seu efeito no tônus vasomotor periférico. Diminuições na temperatura ambiental exercem uma vasoconstrição reflexa autonômica, que reduz a 22 microcirculação local, através da diminuição da oxigenação e nutrição tecidual (Neto, 2003). A temperatura mais baixa é um dos fatores que determinam os diferentes padrões de cicatrização entre as diversas regiões anatômicas do equino (Paganela et al., 2009). Alguns medicamentos podem interferir na cicatrização de feridas, produzindo efeitos negativos sobre a pele, tornando-a mais suscetível ao surgimento de lesões e outras patologias cutâneas (Freitas et al., 2011). Os anti-inflamatórios esteroidais restringem a fase inflamatória da cicatrização causando efeito inibitório na taxa e qualidade da cicatrização. Como consequência, ocorrem atrasos na formação de tecido de granulação, proliferação de fibroblastos e neovascularização. Entretanto, o efeito de uma única dose de esteróides pode não afetar as fases de cicatrização (Neto, 2003). 4.1 Fatores locais (aqueles relacionados diretamente à ferida): Características da ferida: dimensão, profundidade, aspecto da secreção, hematomas, edemas e presença de corpo estranho. Cuidados: higienização, material e curativos utilizados. Isquemia tecidual: a falta de oxigenação dificulta a proliferação das células. Infecção local: quando o processo de cicatrização é retardado por conta de contaminação bacteriana. 4.2 Fatores sistêmicos (que dizem respeito ao indivíduo) Faixa etária: a idade avançada dificulta a resposta da fase inflamatória. Estado nutricional: uma dieta pobre em proteínas e vitaminas interfere em todas as fases da cicatrização. A má nutrição diminui a resposta imunológica e a síntese de colágeno. O resultado disso, além da demora na cicatrização, pode resultar em deiscência de suturas. Doenças crônicas: diabetes mellitus, obesidade, hipertensão, entre outras. Terapia medicamentosa: antiinflamatórios, antibióticos e quimioterápicos podem interferir no processo cicatricial. 23 Tratamento tópico inadequado: utilização de produtos inapropriados, como sabão comum. Distúrbios cicatriciais: distúrbios na cicatrização, como atrofia cicatricial, cicatriz hipertrófica e queloides. Uma ferida pode ser definida como uma solução de continuidade da pele ou dos seus anexos, dos tecidos moles ou das paredes das cavidades orgânicas. A cicatrização da mesma é um processo complexo dividido em várias fases que se podem sobrepor em diferentes locais da ferida assim como podem ser inibidas ou ser influenciadas negativamente por vários fatores intrínsecos e extrínsecos. O estado nutricional e o aporte energético e de nutrientes são dois deles. Na Figura abaixo estão representados alguns fatores que afetam a cicatrização de feridas. http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2182-72302012000300007#f1 24 4.3 Nutrição e cicatrização de feridas Uma ferida causa inúmeras mudanças no organismo, proporcionais à sua severidade, decorrentes de um processo catabólico que leva ao aumento das necessidades energéticas e nutricionais. A reparação e a reconstrução dos tecidos, que ocorre durante a cicatrização, requerem quantidades adequadas de energia e de nutrientes. Normalmente estes substratos são fornecidos pelas reservas do organismo, no entanto indivíduos desnutridos têm esta capacidade comprometida influenciando o processo de cicatrização. Também em indivíduos saudáveis com feridas e com uma ingestão inadequada relativamente às necessidades energéticas e nutricionais aumentadas, e assim em risco de desnutrição, podem ter o processo de cicatrização comprometido. Indivíduos em risco de desenvolver úlceras de pressão parecem ter um risco de desnutrição 2 a 3x superior. A desnutrição proteico-energética é a mais comum em indivíduos com feridas. Abaixo estão representadas algumas alterações que ocorrem na desnutrição e influência na cicatrização de feridas. A desnutrição protéica pode prejudicar a cicatrização de feridas por prolongar a fase inflamatória, diminuir a síntese e a proliferação fibroblástica, angiogênese e síntese de colágeno e proteoglicanos. Pode ainda reduzir a força tênsil de feridas, limitar a capacidade fagocítica de leucócitos e aumentar a taxa de infecção de feridas. 25 Abaixo a explicação do processo de interferência da desnutrição na cicatrização 5. Tipos de cicatrização 5.1 Cicatrização por primeira intenção É uma cicatrização mais simples, união primaria. Ocorre geralmente, em lesõescausadas por objetos cortantes. A ferida é fechada por aproximação de suas bordas, pois há pouca perda tecidual e baixo índice de complicações. A lesão fecha entre 4 e 10 dias e a cicatriz é linear. Figura: Cicatrização por primeira intenção numa ferida fechada, não infectada (ex.: ferida cirúrgica incisional). As margens estão próximas e o processo de cicatrização evolui diretamente para produção de uma cicatriz. 5.2 Cicatrização por segunda intenção É uma cicatrização mais complicada, ferida é mais extensa (excisão cirúrgica), podendo ou não haver contaminação da ferida. Causando granulação pois no abscesso formam-se brotos minúsculos. 26 É Quando há perda acentuada de tecido. As bordas da ferida não se unem e, portanto, esse espaço precisa ser preenchido por tecido de granulação que, na sequência, irá reepitelizar. O processo todo pode durar meses. Figura: Cicatrização por segunda intenção. Acima: numa ferida aberta não infectada. A fenda é primeiramente preenchida por tecido de granulação, o qual se contrai e torna-se uma cicatriz. Abaixo: numa ferida infectada (as setas vermelhas representam as bactérias). A ferida é preenchida com tecido de granulação, o qual produz pus até as bactérias serem eliminadas. Depois disso o tecido de granulação contrai e produz uma cicatriz. 5.3 Cicatrização terceira intenção (patológica) É quando há excesso crescimento tecido, desproporcional com parênquima órgão; subtipos: hipertrófica e queloide. O processo envolve limpeza, desbridamento (retirada dos tecidos mortos) e, posteriormente, fechamento da lesão por meio de suturas, enxertos ou retalhos. O resultado estético é intermediário. 27 c1) Cicatriz hipertrófica: estímulos continuados no mesmo local, como nas queimaduras, cirrose hepática (fibroplasia, necrose, regen, hepatócitos, formação pseudolóbulos) c2) Cicatriz quelóide: pele, corpos estranhos (fio de sutura, talco, pelos, etc.), reação imune x proteínas estranhas, no homem predisposição raça (mulheres negras). Diferenças entre cicatriz queloide e hipertrófica 6 Tecido de regeneração e cicatrização 6.1 Regeneração A regeneração se caracteriza pela restituição dos componentes teciduais idênticos àqueles removidos. Esse tipo de reparo só é possível em tecidos em que ainda possuem células com a capacidade de se proliferar ou tenham ainda células tronco.Assim, com base nessa habilidade de multiplicação celular, os tecidos são classificados em: - Tecidos lábeis ou de divisão contínua: as células possuem a capacidade de se proliferar por toda a vida, substituindo as que estão velhas ou destruídas. Temos como exemplo os epitélios, células da medula óssea vermelha e tecidos hematopoiéticos. 28 - Tecidos quiescentes ou estáveis: apensar de possuírem um baixo nível de replicação, quando submetidos a estímulos para divisão celular são capazes de regenerar o tecido de origem. O melhor exemplo é o tecido hepático. - Tecidos permanentes ou não divisores: são formados por células que não podem ser submetidas à divisão mitótica devido o seu grau de especificidade. Exemplos são os neurônios e as células musculares. Apensar de o corpo humano possuir tecidos capazes de recuperar células perdidas, permitindo a capacidade de regeneração do órgão lesionado, o que ocorre em muitos processos é o crescimento compensatório que envolve a hipertrofia celular e a hiperplasia. Nesses processos acontece a recuperação da capacidade funcional, mas sem necessariamente reconstruir a anatomia original. Os órgãos que possuem essa capacidade de crescimento compensatório são os rins, o pâncreas, as glândulas adrenais, a tireoide, os pulmões de pacientes jovens e o fígado. No caso hepático, a regeneração acontece por meio da replicação de células maduras sem o envolvimento de célula tronco. Os hepatócitos são células quiescentes que, quando estimuladas por determinadas substâncias, possuem a capacidade de multiplicação celular. Nesse exemplo, as principais substâncias são as citocinas e os fatores de crescimento polipeptídeos. Dessa forma, em uma hepatectomia parcial é possível à restauração hepática, porém não ocorre um novo crescimento do lobo ressecado na operação. Em vez disso, acontece o crescimento por aumento dos lobos que permaneceram, caracterizando-se como crescimento compensatório. 6.2 Cicatrização A cicatrização é uma resposta fibroproliferativa que restaura as estruturas originais, porém envolve a deposição de colágeno e a formação da cicatriz. Os fatores que favorecem o processo de cicatrização são a extensão do dano celular, o tipo de tecido afetado e a intensidade da lesão da matriz extracelular. O processo de restauração por cicatrização pode ser dividido por etapas: 1 - Ocorre uma resposta inflamatória à lesão inicial com a intenção de eliminar o agente nocivo, remover o tecido lesionado e estimular a deposição de componentes da matriz extracelular; 29 2 - Proliferação de fibroblastos e células endoteliais vasculares, formando o tecido de granulação. (O tecido de granulação tem a aparência rósea, lisa e granular e se caracteriza pela formação de pequenos novos vasos sanguíneos e multiplicação de fibroblastos.); 3 - Com o aumento no número de fibroblastos, ocorre a síntese de matriz extracelular e deposição de colágeno, formando a cicatriz; 4 - Então se inicia o processo de remodelação que é o equilíbrio entra síntese e degradação da matriz extracelular; Com base nessas etapas, podemos perceber três principais mecanismos do processo de cicatrização: Angiogênese: as células endoteliais são estimuladas a formarem novos vasos sanguíneos principalmente pelo VEGF (fator de crescimento endotelial vascular – sigla em inglês) e pela angiopoetina; Fibroplasia: a migração e a proliferação de fibroblastos no local da lesão ocorrem devido à ação dos fatores de crescimento múltiplos, incluindo TGF- β, PDGF, EGF, FGF e as citocinas IL-1 e TNF; Remodelação: é o processo que organiza a cicatriz devido a grande proliferação celular e à desorganização na produção de matriz extracelular. A metaloproteínase é a substância responsável por esse processo e atua na degradação do colágeno; Podemos utilizar a cicatrização de uma ferida cutânea como exemplo de um processo de cicatrização e descrever os fatos gerais da reparação que se observa na maioria dos tecidos. As feridas cutâneas são classificadas em dois tipos de cicatrização: primeira intenção e segunda intenção. 30 Resumo 7.Conclusão A cicatrização é um processo que está presente na rotina clínica dos profissionais de saúde, dentre eles os médicos veterinários. Por ser um evento sistêmico, esse processo abrange uma gama de fatores que precisam interagir entre si para que haja uma evolução de forma eficiente. Esses mesmos fatores, bem como as interações existentes entre eles, precisam ser bem elucidados para que os profissionais possam interferir no processo, tendo em vista que a aceleração do 31 mesmo é muitas vezes um dos principais objetivos terapêuticos na rotina clínica. O conhecimento sobre esse processo, aliado às nuances particulares de cada paciente, serão as bases nas quais os profissionais deverão se apoiar para instituir uma terapia cicatrizante, que irá culminar com o reparo tecidual e o reestabelecimento da homeostase do animal. É processo complexo, que começou a ser entendido em maior amplitude nos últimos anos. Contudo, ainda há necessidade de se continuar estudando seus mecanismos, porque grande parte dele ainda é desconhecida. O futuro é promissor em medidas preventivas e curativas mais eficientes e que possam estar à disposição dos cirurgiões, diminuindo assim a possibilidade de complicações no manuseio dos doentes que necessitam agressão cirúrgica para cura dos seus males. O processo é complexo, envolvendoa interação entre células e vários sistemas mensageiros inter e intracelulares, destacando-se as citosinas e os fatores de crescimento. Os avanços da biologia molecular e celular permitiram identificar uma variedade de células, moléculas e cascatas de sinalização envolvidas no processo de cicatrização e que poderão constituir futuros alvos terapêuticos. 8.Referências AMABIS, José Mariano, MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia volume 1. São Paulo: Moderna, 2004. BALBINO C.A., Pereira L.M. & Curi R. 2005. Mecanismos envolvidos na cicatrização: uma revisão. Brazil J. of Pharmaceutic Science. 41(1):27-51. CARVALHO P.T.C. 2002. Análise da cicatrização de lesões cutâneas através de espectrofotometria: estudo experimental em ratos diabéticos. Dissertação de mestrado, Universidade de São Paulo, São Carlos. 72p. 32 DÁRIO G.M. 2008. Avaliação da atividade cicatrizante de formulação contendo argila medicinal sobre feridas cutâneas em ratos. Dissertação de mestrado, Universidade do Extremo Sul Catarinense, Criciúma, 78p. FREITAS M.C., Medeiros A.B.F., Guedes M.V.C., Almeida P.C., Galiza F.T. & Nogueira J.M. 2011. 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