Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 
 
 
ASPECTOS RELACIONADOS A CICATRIZAÇÃO 
1 
 
 
Sumário 
 
1. Introdução ....................................................................................... 3 
2. Fases do processo de cicatrização ................................................. 4 
2.1 Fase inflamatória ............................................................................ 4 
2.2 – Fase proliferativa ......................................................................... 6 
2.2.1-Permeabilidade vascular ................................................................... 7 
2.2.2 Angiogênese ..................................................................................... 8 
2.2.3 Reepitelização .................................................................................. 9 
2.2.4 Fibroplasia ...................................................................................... 11 
2.3 Fase de reparo/remodelação ...................................................... 11 
3. Fatores que aceleram a cicatrização .............................................. 16 
3.1 Os alimentos e a cicatrização....................................................... 16 
3.2 Membrana Regeneradora Porosa membracel ............................. 18 
4. Fatores que podem interferir no processo de cicatrização ................ 20 
4.1 Fatores locais (aqueles relacionados diretamente à ferida): ........ 22 
4.2 Fatores sistêmicos (que dizem respeito ao indivíduo).................. 22 
4.3 Nutrição e cicatrização de feridas ................................................ 24 
5. Tipos de cicatrização ......................................................................... 25 
5.1 Cicatrização por primeira intenção ............................................... 25 
5.2 Cicatrização por segunda intenção .............................................. 25 
5.3 Cicatrização terceira intenção (patológica) .................................. 26 
6 Tecido de regeneração e cicatrização ................................................ 27 
6.1 Regeneração ................................................................................ 27 
6.2 Cicatrização.................................................................................. 28 
7.Conclusão ........................................................................................... 30 
8.Referências ......................................................................................... 31 
 
 
2 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
A nossa história, inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a instituição, como entidade 
oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
1. Introdução 
A cicatrização de feridas consiste em perfeita e coordenada cascata de 
eventos que culminam com a reconstituição tecidual. O processo cicatricial é 
comum a todas as feridas, independe do agente que a causou. O processo é 
dividido didaticamente em três fases: inflamatória, proliferação ou granulação e 
remodelamento ou reparo. O colágeno é a proteína mais abundante no corpo 
humano e também é o principal componente da matriz extracelular dos tecidos. 
Estrutura-se numa rede densa e dinâmica resultante da sua constante deposição 
e reabsorção. O tecido cicatricial é resultado da interação entre sua síntese, 
fixação e degradação. Existem várias maneiras de avaliar a cicatrização das 
feridas. Os métodos mais utilizados atualmente são a densitometria, a 
densitometria e morfometria do colágeno, a imunoistoquímica e, mais 
recentemente, a dosagem de fatores de crescimento. 
É um processo complexo que envolve a organização de células, sinais 
químicos e matriz extracelular com o objetivo de reparar o tecido. Por sua vez, o 
tratamento de feridas busca o fechamento rápido da lesão de forma a se obter 
cicatriz funcional e esteticamente satisfatória. Para tanto, é indispensável melhor 
compreensão do processo biológico envolvido na cicatrização de feridas e 
regeneração tecidual. Com o rompimento tecidual nos animais vertebrados, logo 
se inicia o processo de reparo, que compreende uma sequência de eventos 
moleculares objetivando a restauração do tecido lesado. Só durante a fase fetal 
o reparo de lesões se dá sem a formação de cicatriz, ocorrendo perfeita 
restauração do tecido pelo processo de neoformação tecidual. 
 
 
 
 
4 
 
 
2. Fases do processo de cicatrização 
A cicatrização de uma lesão pode variar de uma pessoa para outra, pois 
está relacionada com o tipo da lesão e com fatores influenciadores, como: 
 Faixa etária; 
 Estado nutricional; 
 Doenças crônicas; 
 Terapia medicamentosa; 
 Tratamento tópico inadequado. 
2.1 Fase inflamatória 
Caracterizada pela presença de exsudato (secreção), que dura de um a 
quatro dias, dependendo da extensão e natureza da lesão. Nesse período ocorre 
a ativação do sistema de coagulação sanguínea e a liberação de mediadores 
químicos, podendo haver edema, vermelhidão e dor. 
Após a ocorrência do ferimento, inicia-se o extravasamento sanguíneo 
que preenche a área lesada com plasma e elementos celulares, principalmente 
plaquetas. A agregação plaquetária e a coagulação sanguínea geram um 
tampão, rico em fibrina, que além de restabelecer a hemostasia e formar uma 
barreira contra a invasão de microrganismos, organiza matriz provisória 
necessária para a migração celular. Essa matriz servirá também, como 
reservatório de citocinas e fatores de crescimento que serão liberados durante 
as fases seguintes do processo cicatricial. 
 As plaquetas, essenciais à formação desse tampão hemostático, também 
secretam múltiplos mediadores, incluindo fatores de crescimento, liberados na 
área lesada. Induzidas pela trombina, ainda sofrem a degranulação plaquetária 
e liberam vários fatores de crescimento, como o derivado de plaquetas (PDGF), 
o de crescimento transformante-β (TGF-β), o de crescimento epidérmico (EGF), 
o de crescimento transformante-a (TGF-α) e o fator de crescimento de células 
endoteliais (VEGF), além de glicoproteínas adesivas como a fibronectina e 
trombospondina, que são importantes constituintes da matriz extracelular 
provisória. Mais ainda, a ativação da cascata de coagulação e do complemento, 
juntamente com a liberação dos fatores de crescimento e ativação de células 
5 
 
 
parenquimatosas pela lesão, produz numerosos mediadores vasoativos e 
fatores quimiotáticos que auxiliam o recrutamento das células inflamatórias no 
local da ferida. 
Após a saída das plaquetas de dentro do leito vascular, neutrófilos e 
monócitos, em resposta aos agentes quimiotáticos, migram em direção ao leito 
da ferida. A ausência dos neutrófilos no sangue, porém, parece não afetar o 
processo de reparo na ausência de infecção. No gráfico abaixo é apresentada a 
especificidade celular no decorrer da cicatrização. Além da função de fagocitose 
de bactérias, fragmentos celulares e corpos estranhos, essas células 
inflamatórias produzem fatores de crescimento,que preparam a ferida para a 
fase proliferativa, quando fibroblastos e células endoteliais também serão 
recrutados. 
 Os monócitos do sangue periférico, tanto inicialmente quanto durante o 
transcorrer do processo cicatricial, continuam a infiltrar-se no local da ferida em 
resposta a agentes quimiotáticos para monócitos, como o PDGF, por exemplo. 
A liberação dos fatores provenientes das plaquetas, assim como a fagocitose 
dos componentes celulares, como fibronectina ou colágeno, contribuem também 
para a ativação dos monócitos, transformando-os em macrófagos que são as 
principais células envolvidas no controle do processo de reparo. 
O macrófago ativado é a principal célula efetora do processo de reparo 
tecidual, degradando e removendo componentes do tecido conjuntivo danificado, 
como colágeno, elastina e proteoglicanas. Além desse papel na fagocitose de 
fragmentos celulares, os macrófagos também secretam fatores quimiotáticos 
que atraem outras células inflamatórias ao local da ferida e produzem 
prostaglandinas, que funcionam como potentes vasodilatadores, afetando a 
permeabilidade dos microvasos. 
 Os macrófagos produzem vários fatores de crescimento, tais como o 
PDGF, o TGF-β, o fator de crescimento de fibroblastos (FGF) e o VEGF, que se 
destacam como as principais citocinas necessárias para estimular a formação 
do tecido de granulação. 
6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GRÁFICO: Representação esquemática da especificidade celular 
imunológica correlacionada temporalmente com as fases da cicatrização. 
 
2.2 – Fase proliferativa 
É a fase da regeneração, que pode durar de 5 a 20 dias. Nela ocorre a 
proliferação de fibroblastos, que dão origem ao processo chamado “fibroplasia”. 
Nesse período, as células endoteliais se proliferam, resultando em rica 
vascularização e infiltração de macrófagos. Esse conjunto forma o tecido de 
granulação. Abaixo retrata sobre a fase proliferativa da cicatrização. 
 
 
 
 
 
7 
 
 
 
 
Essa fase é responsável pelo fechamento da lesão propriamente dito. 
Compreende: reepitelização, que se inicia horas após a lesão, com a 
movimentação das células epiteliais oriundas tanto da margem como de 
apêndices epidérmicos localizados no centro da lesão; fibroplasia e 
angiogênese, que compõem o chamado tecido de granulação responsável pela 
ocupação do tecido lesionado cerca de quatro dias após a lesão. Os fibroblastos 
produzem a nova matriz extracelular necessária ao crescimento celular enquanto 
os novos vasos sanguíneos carreiam oxigênio e nutrientes necessários ao 
metabolismo celular local. 
 A fase de proliferação epitelial, no caso da pele, inicia-se por estimulação 
mitogênica e quimiotática dos queratinócitos pelo TGF-α e EGF. Tão importante 
quanto a epitelização, que começa nessa fase do processo de reparo, é a 
formação do chamado tecido de granulação, nome atribuído sobretudo pela 
característica granular devida à presença de novos capilares neoformados 
essenciais ao processo de reparo. 
Antes de descrever a angiogênese, cabe salientar que o aumento da 
permeabilidade microvascular é o primeiro estádio desse processo, 
apresentando-se como etapa importante, que permite, através do 
extravasamento de proteínas, citocinas e elementos celulares, a formação de 
matriz extracelular provisória necessária à migração e proliferação das células 
endoteliais. 
2.2.1-Permeabilidade vascular 
A produção de novos vasos sanguíneos a partir de vasos preexistentes é 
acompanhada, na maioria das vezes, por aumento da permeabilidade vascular. 
Na angiogênese patológica, o aumento da permeabilidade vascular à água e às 
macromoléculas apresenta importante função no processo, sendo o responsável 
direto pela formação do edema. Esse aumento da permeabilidade capilar parece 
ter menor efeito durante a angiogênese fisiológica, porém, causa danos 
8 
 
 
consideráveis em determinadas patologias, como a retinopatia diabética, por 
exemplo. 
 Várias citocinas produzidas durante o processo de cicatrização interferem 
diretamente na permeabilidade vascular. O VEGF-A, por exemplo, descoberto 
em líquido ascítico tumoral, foi originalmente descrito por sua capacidade de 
aumentar a permeabilidade dos microvasos e o extravasamento de 
macromoléculas, incluindo fibrinogênio e outras proteínas da coagulação. O 
extravasamento dessas proteínas resulta na deposição extravascular de fibrina, 
favorecendo tanto o processo cicatricial quanto o desenvolvimento tumoral. 
 Os mecanismos básicos da regulação da permeabilidade vascular, 
causada principalmente pelos fatores de crescimento, não foram ainda 
completamente elucidados. Alguns pesquisadores, porém, acreditam que as 
células endoteliais tenham sua contração induzida pelos agentes 
permeabilizantes, formando espaços (gaps) intercelulares de tamanho suficiente 
para permitir o extravasamento de proteínas plasmáticas. Mais recentemente, a 
descoberta de uma estrutura no endotélio venoso, a organela vesiculovacuolar, 
ofereceu via transendotelial alternativa para o extravasamento de proteínas 
plasmáticas em resposta a fatores de permeabilidade. 
2.2.2 Angiogênese 
A angiogênese é etapa fundamental do processo de cicatrização, na qual 
novos vasos sanguíneos são formados a partir de vasos preexistentes. Os novos 
vasos participam da formação do tecido de granulação provisório e suprem de 
nutrientes e de oxigênio o tecido em crescimento. De forma diferencial, a 
vasculogênese refere-se aos primeiros estádios do desenvolvimento vascular, 
durante o qual as células precursoras do endotélio vascular sofrem 
diferenciação, expansão e coalescência para formar a rede de túbulos primitivos 
do organismo. 
Em um organismo adulto, sob condições normais, a angiogênese só 
ocorre no ciclo reprodutivo das fêmeas (no útero, com a formação do endométrio, 
e nos ovários, na formação do corpo lúteo). Dessa forma, a rede vascular se 
mantém quiescente, porém apresentando a capacidade de iniciar a 
angiogênese, principalmente durante a cicatrização. 
9 
 
 
 Em resposta à lesão tecidual, a angiogênese é processo dinâmico, 
finamente regulado por sinais presentes tanto no soro quanto na matriz 
extracelular local. Durante o processo cicatricial, a formação de novos vasos 
sanguíneos torna-se necessária para a formação do novo tecido de granulação, 
correspondendo as células dos vasos sanguíneos a cerca de 60% do tecido de 
reparo. A angiogênese ocorre na matriz extracelular do leito da ferida com a 
migração e estimulação mitogênica das células endoteliais. 
A indução da angiogênese foi inicialmente atribuída ao FGF ácido ou 
básico. Subsequentemente, muitas outras moléculas foram identificadas, como 
angiogênicas, incluindo o VEGF, TGF-β, angiogenina, angiotropina e 
angiopoetina. Baixa tensão de oxigênio28 e elevados níveis de ácido lático e 
aminas bioativas também podem estimular a angiogênese. Muitas dessas 
moléculas são proteínas e parecem induzir a angiogênese de forma indireta, 
estimulando a produção de FGF ácido ou básico e VEGF por macrófagos e 
células endoteliais, indutores diretos da angiogênese. 
2.2.3 Reepitelização 
Este processo permite reconstituir a integridade da permeabilidade da 
epiderme após a lesão inicial e resulta de vários mecanismos: migração e 
diferenciação dos queratinócitos, diferenciação do neo-epitélio e 
reestruturação da membrana basal. 
Migração dos queratinócitos 
 Ocorre nas primeiras 24 horas após a lesão cutânea inicial. Para a 
sua compreensão é necessário distinguir entre feridas de espessura total e 
parcial. As primeiras envolvem a epiderme, toda a espessura da derme e 
estruturas profundas, enquanto que as segundas envolvem apenas a 
epiderme e as camadas superficiais da derme. Ou seja, os anexos são 
poupados podendo constituir uma fonte de queratinócitos, para além do 
reservatório presente nos bordos da ferida, o que não se verificanas feridas 
de espessura total, onde o processo de contração assume uma importância 
superior. Deste modo, a migração de queratinócitos inicia-se a partir dos 
bordos da ferida (feridas de espessura total e parcial) e apêndices cutâneos 
(feridas de espessura parcial). 
10 
 
 
 A migração é precedida de algumas alterações estruturais nos 
queratinócitos, incluindo alongamento, perda dos contatos célula-célula e 
célula-matriz, retração dos tonofilamentos intracelulares e formação de 
filamentos de actina14. Durante a migração dos queratinócitos, o seu 
potencial proliferativo encontra-se inibido. Encontram-se identificados vários 
fatores que contribuem para a migração: 
 • Receptores das integrinas presentes na superfície dos 
queratinócitos: permitem a comunicação com a fibronectina da MEC8,9; 
• Metaloproteinases (MMPs): produzidas pelos queratinócitos em 
migração, nomeadamente a MMP-9, que degrada a ligação ao colágeno tipo 
IV e laminina da membrana basal, e a MMP-1 que permite a interrupção da 
ligação às fibrilas de colágeno; 
• MEC provisória formada por fibrina, fibronectina e colágeno tipo V16. 
Proliferação dos queratinócitos 
A proliferação inicia-se geralmente 1 a 2 dias após a lesão inicial e 
permite o suprimento de células para a migração e formação do novo epitélio. 
Após a migração, segue-se então a reestruturação da membrana basal, a 
ligação das células ao substrato subjacente e a diferenciação do neo-epitélio. 
O índice proliferativo é superior no centro da ferida, correspondendo à 
ponta da coluna de migração de queratinócitos que se estende a partir das 
margens da ferida (de acordo com o mecanismo de train method proposto 
para a migração dos queratinócitos). Pelo contrário, a diferenciação é 
superior nas margens, o que pode justificar a presença de uma única coluna 
de queratinócitos no centro e a presença de várias camadas de queratinócitos 
estratificados na periferia. A proliferação ocorre apenas em todos os 
queratinócitos quando se verifica uma camada completa destas células a 
envolver a ferida. 
 A reestruturação da membrana ocorre cerca de 7 a 9 dias após o início 
da reepitelização, devolvendo a adesão aos queratinócitos da base e 
estabilização da derme. Os fatores de crescimento EGF, TGF-α e fator de 
11 
 
 
crescimento dos queratinócitos (KGF) desempenham funções importantes na 
migração e proliferação dos queratinócitos. 
 
 
2.2.4 Fibroplasia 
Esta fase inclui a síntese de colágeno e de outras proteínas da MEC, 
envolvendo a migração e proliferação dos fibroblastos para o coágulo de 
fibrina formado precocemente no processo de cicatrização. 
A migração de fibroblastos é uma resposta precoce à lesão, enquanto 
que a sua proliferação ocorre cerca de 4 dias depois, através da MEC 
provisória. Após a migração, ocorrem alterações estruturais nos fibroblastos 
que facilitam, por um lado, a síntese de proteínas e, por outro, na sua variante 
fenotípica de miofibroblasto, a sua participação na contração da ferida. 
 A fibroplasia também depende da ação de vários fatores de 
crescimento. O PDGF e o TGF-β promovem a proliferação dos fibroblastos e 
o aumento da expressão dos receptores das integrinas. O EGF e o FGF 
promovem não só a proliferação, como também a migração dos fibroblastos. 
As enzimas derivadas dos fibroblastos (colágenas, gelatinase, ativador do 
plasminogénio) também permitem a migração. 
 A proliferação dos fibroblastos é estimulada pela baixa pressão parcial 
de oxigénio e pH ácido nos tecidos lesados (fatores que são atenuados pela 
progressão da angiogênese) e pelas proteínas da MEC, destacando-se a 
fibronectina que fornece uma base aderente para a migração. 
2.3 Fase de reparo/remodelação 
É a última fase do processo e que pode durar meses. A densidade celular 
e a vascularização são diminuídas, resultando na remodelação do tecido 
cicatricial (formado na fase anterior). As fibras são realinhadas para aumentar a 
resistência do tecido e melhorar o aspecto da cicatriz. Nessa fase, a cicatriz 
altera progressivamente sua tonalidade, passando do vermelho escuro a um tom 
rosa claro. 
12 
 
 
Nessa fase do processo de cicatrização ocorre uma tentativa de 
recuperação da estrutura tecidual normal. É a fase marcada por maturação dos 
elementos e alterações na matriz extracelular, ocorrendo o depósito de 
proteoglicanas e colágeno. Em fase mais tardia, os fibroblastos do tecido de 
granulação transformam-se em miofibroblastos comportando-se como um tecido 
contrátil responsivo aos agonistas que estimulam o músculo liso. Ocorre, 
concomitantemente, reorganização da matriz extracelular, que se transforma de 
provisória em definitiva, cuja intensidade fenotípica, observada nas cicatrizes, 
reflete a intensidade dos fenômenos que ocorreram, bem como o grau de 
equilíbrio ou desequilíbrio entre eles. 
 Com o decorrer do processo de maturação e remodelagem, a maioria dos 
vasos, fibroblastos e células inflamatórias desaparece do local da ferida 
mediante processos de emigração, apoptose ou outros mecanismos 
desconhecidos de morte celular. Esse fato leva à formação de cicatriz com 
reduzido número de células. Por outro lado, se persistir a celularidade no local, 
ocorrerá a formação de cicatrizes hipertróficas ou queloides. 
As principais citocinas envolvidas nessa fase são: fator de necrose 
tumoral (TNF-α), interleucina (IL-1), PDGF e TGF-β produzidas pelos 
fibroblastos, além das produzidas pelas células epiteliais como EGF e TGF-b. 
 A reepitelização, que é o recobrimento da ferida por novo epitélio e 
consiste tanto na migração quanto na proliferação dos queratinócitos a partir da 
periferia da lesão, também ocorre durante a fase proliferativa. Esses eventos são 
regulados por três principais agentes: fatores de crescimento, integrinas e 
metaloproteases. 
 Durante a fase inflamatória a liberação de fatores de crescimento por 
plasma, fibroblastos e macrófagos/neutrófilos ativa os queratinócitos localizados 
nas margens e no interior do leito da ferida. Dentre os fatores de crescimento 
destacam-se o PDGF, que induz a proliferação de fibroblastos com consequente 
produção da matriz extracelular durante a contração da ferida e reorganização 
da matriz, o KGF7, que é considerado o principal regulador da proliferação dos 
queratinócitos, assim como o TGF-β, principal responsável pelo estímulo inicial 
da migração das células epiteliais. 
13 
 
 
 A ativação de receptores de integrinas pelos queratinócitos permite a 
interação com uma variedade de proteínas da matriz extracelular na margem e 
no leito da ferida. Por outro lado, a expressão e ativação de metaloproteases 
promovem a degradação e modificação das proteínas da matriz extracelular no 
sítio da ferida, facilitando a migração celular. A própria atividade proteolítica 
dessas enzimas pode liberar fatores de crescimento ligados à matriz 
extracelular, de forma a manter constante o estímulo à proliferação e migração 
dos queratinócitos, acelerando o processo de reepitelização. 
Várias são as doenças que interferem negativamente no processo de 
reparo tecidual, como diabetes, esclerose sistêmica, anemia, desnutrição, entre 
outras. Muitas também são as condições que tornam esse processo de difícil 
resolução, impedindo ou retardando a completa restauração dos tecidos. Dentre 
essas condições podem ser ressaltadas as ressecções extensas da parede 
abdominal, como aquelas em que a peritoniostomia se faz necessária. Por 
dificultarem, de alguma maneira, o reparo tecidual, essas doenças contribuem 
potencialmente para o aumento da morbidade e mortalidade. 
Nas últimas décadas, vários estudos têm sido realizados no sentido de 
identificar substâncias capazes de favorecer o processo de reparo. Também a 
busca de substâncias com atividade angiogênica tem sido intensa, por seu 
grande potencial de aplicação clínica. 
 Dentre as substâncias que possuemação direta no processo de reparo 
destacam-se alguns fatores de crescimento que, quando aplicados topicamente 
sobre a ferida, demonstram boa capacidade de acelerar o reparo tecidual em 
experimentos animais. Nesse grupo, merece destaque o REGRANEX“, produto 
à base de PDGF recombinante humano, que interfere diretamente de maneira a 
favorecer o processo de reparo, apresentando bons resultados na cicatrização 
de úlceras de pacientes diabéticos. 
 No entanto, são curativos de alto custo, que se encontram distantes 
da realidade socioeconômica da maioria da população portadora de úlceras 
crônicas. Outras substâncias contendo agentes enzimáticos como as pomadas 
à base de DNA se e colágenas atuam promovendo o debridamento da ferida e 
auxiliam, dessa forma, o curso da restauração tecidual de maneira discreta e 
14 
 
 
indireta. Estas últimas, embora largamente utilizadas na prática clínica, 
apresentam baixa eficácia na cicatrização de feridas crônicas. 
Mesmo que cada caso seja único, é possível identificar três fases da cicatrização 
que levam à regeneração tecidual e à formação do tecido de cicatrização. A 
próxima figura, retrata um pouco sobre as fases da cicatrização, a duração de 
cada fase e suas principais características. 
 
15 
 
 
 
16 
 
 
3. Fatores que aceleram a cicatrização 
O processo cicatricial – que engloba as três fases citadas acima – pode ser 
acelerado se algumas medidas forem tomadas. 
Manter o organismo hidratado, bebendo, no mínimo, 2 litros de água por dia, é 
fator fundamental para a boa cicatrização. Uma dieta equilibrada, com proteínas, 
carboidratos e gorduras, também ajuda a acelerar a regeneração da pele. 
Para conseguir fabricar um novo tecido no local de uma ferida, nosso 
organismo precisa de alguns nutrientes que atuam como matéria-prima, os quais são 
encontrados em diversos alimentos que ajudam na cicatrização da pele. 
3.1 Os alimentos e a cicatrização 
A cicatrização é iniciada a partir de uma inflamação no local da lesão, um 
processo fisiológico que atrai células de defesa e estimula a formação de novos vasos 
sanguíneos para levar nutrientes e oxigênio até a ferida. 
As “matérias-primas” utilizadas pelo organismo para regenerar a pele 
lesionada são principalmente as proteínas, que fornecem os aminoácidos para a 
fabricação do colágeno (uma proteína específica que funciona como uma espécie de 
cola entre os tecidos), e algumas vitaminas e minerais, que exercem papel importante 
nesse processo. 
Além disso, é preciso ajudar o organismo a manter a inflamação inicial sob 
controle. Mesmo que ela seja um processo normal, um quadro inflamatório 
exacerbado pode aumentar demais a produção de colágeno, levando a uma 
supercicatrização e à formação de queloides (cicatrizes que ultrapassam os limites 
da pele). Por isso, também é importante consumir alimentos com propriedades anti-
inflamatórias e antioxidantes. 
Dessa forma, incluir esses alimentos na dieta e entender qual é a função deles 
nesse processo é muito importante quem está se recuperando de um corte causado 
por cirurgia ou acidente. 
Confira a lista de alimentos que ajudam na cicatrização da pele e saiba o que 
colocar no seu prato nesse período de recuperação: 
17 
 
 
1. Carnes magras 
O frango e cortes magros de carne vermelha (como patinho, maminha, filé 
mignon, coxão mole etc.) são fontes ricas em proteínas de alto valor biológico, o 
nutriente mais importante para que o organismo possa formar novos tecidos. 
2. Leguminosas 
O feijão e a lentilha, em especial, são ricos em ferro, um mineral fundamental 
para que as células do sangue possam levar oxigênio e nutrientes até o local da ferida 
e promover a cicatrização. 
3. Peixes gordurosos 
Os peixes gordurosos, como salmão, atum, sardinha e arenque, são ricos em 
ômega-3, um ácido graxo que ajuda a reduzir a inflamação. 
4. Nozes e castanhas 
As oleaginosas fornecem gorduras benéficas com propriedades anti-
inflamatórias e são fontes de zinco, de modo que elas contribuem para que o 
organismo consiga manter a produção de colágeno no ritmo ideal para a cicatrização. 
5. Sementes 
Enquanto as sementes de linhaça e chia são ricas em ômega-3 e ajudam a 
formar a membrana celular, as sementes de girassol e de abóbora são fontes de 
vitamina E, um micronutriente que melhora a qualidade da nova pele por combater a 
ação dos radicais livres. 
6. Vegetais de folhas verde-escuras 
Você já deve ter ouvido falar que vegetais como couve, brócolis, agrião, 
espinafre e rúcula, entre outros, oferecem uma série de benefícios ao organismo, o 
que os coloca na lista de alimentos que ajudam na cicatrização da pele. 
7. Frutas cítricas 
Laranja, limão, tangerina, acerola, abacaxi, maracujá e kiwi são alguns 
exemplos de frutas cítricas, alimentos ricos em antioxidantes, que combatem os 
18 
 
 
danos causados pelos radicais livres, e em vitamina C, um micronutriente necessário 
para que o organismo consiga fabricar o colágeno. 
8. Frutas vermelhas 
Frutas como amora, framboesa, mirtilo e morango são ricas em flavonoides, 
substâncias com propriedades antioxidantes que combatem a inflamação e protegem 
o sistema circulatório, garantindo um bom aporte de oxigênio e nutrientes para a 
formação da nova pele. 
9. Frutas e vegetais de cor roxa 
Beterraba, berinjela, repolho-roxo, açaí, uva e cereja são alguns exemplos de 
alimentos que têm sua cor característica devido à presença da antocianina, um 
pigmento com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. 
10. Fígado e ovos 
Esses alimentos são excelentes fontes de ferro, o mineral que permite que as 
células vermelhas carreguem as moléculas de oxigênio e os nutrientes para os 
tecidos, incluindo o local onde está a ferida. Além disso, o ferro participa da formação 
do colágeno. 
O fígado e os ovos ainda são fontes de vitamina K, que atua no processo de 
coagulação, e de vitamina A, que funciona como um hormônio e estimula o 
crescimento das células da pele. 
3.2 Membrana Regeneradora Porosa membracel 
A utilização da Membrana Regeneradora Porosa Membracel acelera a 
cicatrização da região lesionada, pois promove o ambiente ideal para o 
desenvolvimento do tecido de granulação. Além disso, a membrana mantém a 
umidade natural na região e promove as trocas gasosas, fatores que auxiliam a 
acelerar a cicatrização. Esses fatores colaboram para a formação do tecido de 
granulação, que é a fase inicial e essencial do processo de reepitelização. Dessa 
forma, a Membracel acelera a cicatrização da pele, diminuindo o tempo e os custos 
com o tratamento. A Membracel pode ser utilizada em qualquer situação em que 
ocorra a perda da pele, seja em lesões superficiais ou profundas. 
19 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Membrana 
Regeneradora Porosa 
Membracel acelera a 
cicatrização da pele. 
É importante 
ressaltar que a Membracel 
não necessita de trocas 
diárias. No início do 
tratamento, a membrana 
pode 
permanecer na lesão entre 
5 e 7 dias. O tempo de 
permanência vai 
aumentando de acordo 
com a evolução do tratamento, podendo chegar a 12 dias, se não houver sinais de 
infecção, mau cheiro ou contaminação. Em muitos casos, uma única membrana é 
necessária até que a lesão esteja 100% cicatrizada. 
A Membracel pode ser utilizada em: Úlceras vasculares, Queimaduras, 
Epidermólisebolhosa e Lesões por pressão (escaras). Pode ainda, ser utilizada em 
20 
 
 
outros casos, como escoriações, cauterização, áreas doadoras ou receptoras de 
enxerto cutâneo ou qualquer outra situação em que ocorra a falta da pele. 
Seus beneficios são: 
 Alívio imediato da dor; 
 Rápida regeneração da pele, acelerando a cicatrização; 
 Permite trocas gasosas e drenagem do exsudato; 
 Não deixa resíduos; 
 Não causa alergia em contato com a pele; 
 Mantém a área da lesão úmida; 
 Possibilita a visualização da lesão e o controle da evolução do processocicatricial. 
4. Fatores que podem interferir no processo de 
cicatrização 
Alguns fatores podem prejudicar a cicatrização da pele, tornando o processo 
mais demorado e podendo causar complicações e prejuízos estéticos e funcionais. 
Esses fatores são definidos como fatores locais e fatores sistêmicos 
Os fatores locais estão relacionados principalmente ao movimento e à 
presença de resíduos dentro da ferida, por exemplo: tecido necrosado, corpos 
estranhos, contaminação bacteriana e hipóxia tecidual. Estes fatores podem atuar 
como barreira física para o desenvolvimento ordenado de tecido de granulação e 
deposição de colágeno, ou podem exagerar a inflamação, afetando a resposta 
inflamatória (Halloran & Slavin, 2002). 
Uma ferida em área com mobilidade alta, é propensa à inflamação crônica 
devido à perturbação repetitiva dos novos capilares, depósitos de colágeno e 
fragilidade do novo epitélio. Inversamente, a completa imobilização da área ferida 
21 
 
 
pode levar a um arranjo desorganizado do novo colágeno dentro da ferida, que 
diminui a força de tensão resultante (Knottenbelt, 2003). 
A presença de corpos estranhos no interior da ferida é fonte de infecção e 
irritação (Knottenbelt, 2003), mantendo a inflamação e resistindo às tentativas de 
controlar a infecção (Neto, 2003). Antes de instituir um tratamento, a presença de 
corpos estranhos deve ser descartada em uma ferida. Se a presença de um corpo 
estranho é confirmada no interior da ferida, debridamento e lavagem são necessários 
para garantir limpeza e umidade no leito da mesma (Hendrickson & Virgin, 2005). 
Dentre os fatores locais, a infecção é a causa mais importante do retardo da 
cicatrização. Deve-se considerar que toda ferida está colonizada, já que as bactérias 
existentes na pele podem colonizar a lesão, mas isso não significa que esteja 
infectada (Sarandy, 2007). 
O fluxo de sangue deficiente para a ferida aumenta o risco de infecção, 
retardando a taxa de cura (Hendrickson & Virgin, 2005). Além disso, reduz a perfusão 
tecidual, aumentando a hipóxia, interferindo no metabolismo e no crescimento celular, 
prejudicando a cicatrização (Sarandy, 2007). Já os fatores sistêmicos, que dificultam 
a cicatrização, incluem estado nutricional, hipovolemia, hipotensão, hipóxia, 
hipotermia, infecção, trauma e uso de medicamentos antiinflamatórios (Neto, 2003). 
Várias deficiências dietéticas têm sido implicadas na cicatrização de feridas 
(Halloran & Slavin, 2002). Estudos têm demonstrado que a falta de proteínas, antes 
da ocorrência do ferimento, propicia a formação de reações teciduais menos 
exuberantes do que quando a depleção ocorre após o ferimento (Neto, 2003). A 
vitamina C (ácido ascórbico) é essencial para a síntese de colágeno e também é 
necessária para a produção de N-acetil galactosamina, um componente de matriz e 
tecido de granulação. Deficiências de vitamina C diminuem a resistência da ferida à 
tensão e atrasam a cicatrização da lesão. O magnésio é necessário para a síntese de 
proteínas e a deficiência do zinco dificulta a função das metaloproteinases da matriz 
(MMPs), que são essenciais para o colágeno e fase de remodelagem (Halloran & 
Slavin, 2002). 
O efeito da temperatura na cicatrização de lesões está aparentemente 
relacionado ao seu efeito no tônus vasomotor periférico. Diminuições na temperatura 
ambiental exercem uma vasoconstrição reflexa autonômica, que reduz a 
22 
 
 
microcirculação local, através da diminuição da oxigenação e nutrição tecidual (Neto, 
2003). A temperatura mais baixa é um dos fatores que determinam os diferentes 
padrões de cicatrização entre as diversas regiões anatômicas do equino (Paganela 
et al., 2009). 
Alguns medicamentos podem interferir na cicatrização de feridas, produzindo 
efeitos negativos sobre a pele, tornando-a mais suscetível ao surgimento de lesões e 
outras patologias cutâneas (Freitas et al., 2011). Os anti-inflamatórios esteroidais 
restringem a fase inflamatória da cicatrização causando efeito inibitório na taxa e 
qualidade da cicatrização. Como consequência, ocorrem atrasos na formação de 
tecido de granulação, proliferação de fibroblastos e neovascularização. Entretanto, o 
efeito de uma única dose de esteróides pode não afetar as fases de cicatrização 
(Neto, 2003). 
4.1 Fatores locais (aqueles relacionados diretamente à 
ferida): 
 Características da ferida: dimensão, profundidade, aspecto da secreção, 
hematomas, edemas e presença de corpo estranho. 
 Cuidados: higienização, material e curativos utilizados. 
 Isquemia tecidual: a falta de oxigenação dificulta a proliferação das células. 
 Infecção local: quando o processo de cicatrização é retardado por conta de 
contaminação bacteriana. 
4.2 Fatores sistêmicos (que dizem respeito ao 
indivíduo) 
 Faixa etária: a idade avançada dificulta a resposta da fase inflamatória. 
 Estado nutricional: uma dieta pobre em proteínas e vitaminas interfere em 
todas as fases da cicatrização. A má nutrição diminui a resposta imunológica 
e a síntese de colágeno. O resultado disso, além da demora na cicatrização, 
pode resultar em deiscência de suturas. 
 Doenças crônicas: diabetes mellitus, obesidade, hipertensão, entre outras. 
 Terapia medicamentosa: antiinflamatórios, antibióticos e quimioterápicos 
podem interferir no processo cicatricial. 
23 
 
 
 Tratamento tópico inadequado: utilização de produtos inapropriados, como 
sabão comum. 
 Distúrbios cicatriciais: distúrbios na cicatrização, como atrofia cicatricial, 
cicatriz hipertrófica e queloides. 
Uma ferida pode ser definida como uma solução de continuidade da pele ou 
dos seus anexos, dos tecidos moles ou das paredes das cavidades orgânicas. A 
cicatrização da mesma é um processo complexo dividido em várias fases que se 
podem sobrepor em 
diferentes 
locais da ferida 
assim como podem 
ser inibidas ou ser 
influenciadas 
negativamente por vários fatores intrínsecos e extrínsecos. O estado nutricional e o 
aporte energético e de nutrientes são dois deles. Na Figura abaixo estão 
representados alguns fatores que afetam a cicatrização de feridas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2182-72302012000300007#f1
24 
 
 
 
 
 
 
4.3 Nutrição e cicatrização de feridas 
Uma ferida causa inúmeras mudanças no organismo, proporcionais à sua 
severidade, decorrentes de um processo catabólico que leva ao aumento das 
necessidades energéticas e nutricionais. 
A reparação e a reconstrução dos tecidos, que ocorre durante a cicatrização, 
requerem quantidades adequadas de energia e de nutrientes. Normalmente estes 
substratos são fornecidos pelas reservas do organismo, no entanto indivíduos 
desnutridos têm esta capacidade comprometida influenciando o processo de 
cicatrização. Também em indivíduos saudáveis com feridas e com uma ingestão 
inadequada relativamente às necessidades energéticas e nutricionais aumentadas, e 
assim em risco de desnutrição, podem ter o processo de cicatrização comprometido. 
Indivíduos em risco de desenvolver úlceras de pressão parecem ter um risco de 
desnutrição 2 a 3x superior. A desnutrição proteico-energética é a mais comum em 
indivíduos com feridas. Abaixo estão representadas algumas alterações que ocorrem 
na desnutrição e influência na cicatrização de feridas. 
A desnutrição protéica pode prejudicar a cicatrização de feridas por prolongar 
a fase inflamatória, diminuir a síntese e a proliferação fibroblástica, angiogênese e 
síntese de colágeno e proteoglicanos. Pode ainda reduzir a força tênsil de feridas, 
limitar a capacidade fagocítica de leucócitos e aumentar a taxa de infecção de feridas. 
25 
 
 
Abaixo a explicação do processo de interferência da desnutrição na 
cicatrização 
5. Tipos de cicatrização 
5.1 Cicatrização por primeira intenção 
É uma cicatrização mais simples, união primaria. Ocorre geralmente, em 
lesõescausadas por objetos cortantes. A ferida é fechada por aproximação de suas 
bordas, pois há pouca perda tecidual e baixo índice de complicações. A lesão fecha 
entre 4 e 10 dias e a cicatriz é linear. 
Figura: Cicatrização por primeira intenção numa ferida fechada, não infectada 
(ex.: ferida cirúrgica incisional). As margens estão próximas e o processo de 
cicatrização evolui diretamente para produção de uma cicatriz. 
 
5.2 Cicatrização por segunda intenção 
 É uma cicatrização mais complicada, ferida é mais extensa (excisão cirúrgica), 
podendo ou não haver contaminação da ferida. Causando granulação pois no 
abscesso formam-se brotos minúsculos. 
26 
 
 
É Quando há perda acentuada de tecido. As bordas da ferida não se unem e, 
portanto, esse espaço precisa ser preenchido por tecido de granulação que, na 
sequência, irá reepitelizar. O processo todo pode durar meses. Figura: Cicatrização 
por segunda intenção. Acima: numa ferida aberta não infectada. A fenda é 
primeiramente preenchida por tecido de granulação, o qual se contrai e torna-se uma 
cicatriz. Abaixo: numa ferida infectada (as setas vermelhas representam as bactérias). 
A ferida é preenchida com tecido de granulação, o qual produz pus até as bactérias 
serem eliminadas. Depois disso o tecido de granulação contrai e produz uma cicatriz. 
 
5.3 Cicatrização terceira intenção (patológica) 
É quando há excesso crescimento tecido, desproporcional com parênquima 
órgão; subtipos: hipertrófica e queloide. 
O processo envolve limpeza, desbridamento (retirada dos tecidos mortos) e, 
posteriormente, fechamento da lesão por meio de suturas, enxertos ou retalhos. O 
resultado estético é intermediário. 
27 
 
 
c1) Cicatriz hipertrófica: estímulos continuados no mesmo local, como nas 
queimaduras, cirrose hepática (fibroplasia, necrose, regen, hepatócitos, formação 
pseudolóbulos) 
c2) Cicatriz quelóide: pele, corpos estranhos (fio de sutura, talco, pelos, etc.), 
reação imune x proteínas estranhas, no homem predisposição raça (mulheres 
negras). 
Diferenças entre cicatriz queloide e hipertrófica 
 
6 Tecido de regeneração e cicatrização 
6.1 Regeneração 
A regeneração se caracteriza pela restituição dos componentes teciduais 
idênticos àqueles removidos. Esse tipo de reparo só é possível em tecidos em que 
ainda possuem células com a capacidade de se proliferar ou tenham ainda células 
tronco.Assim, com base nessa habilidade de multiplicação celular, os tecidos são 
classificados em: 
- Tecidos lábeis ou de divisão contínua: as células possuem a capacidade 
de se proliferar por toda a vida, substituindo as que estão velhas ou destruídas. Temos 
como exemplo os epitélios, células da medula óssea vermelha e tecidos 
hematopoiéticos. 
28 
 
 
- Tecidos quiescentes ou estáveis: apensar de possuírem um baixo nível de 
replicação, quando submetidos a estímulos para divisão celular são capazes de 
regenerar o tecido de origem. O melhor exemplo é o tecido hepático. 
- Tecidos permanentes ou não divisores: são formados por células que não 
podem ser submetidas à divisão mitótica devido o seu grau de especificidade. 
Exemplos são os neurônios e as células musculares. 
Apensar de o corpo humano possuir tecidos capazes de recuperar células 
perdidas, permitindo a capacidade de regeneração do órgão lesionado, o que ocorre 
em muitos processos é o crescimento compensatório que envolve a hipertrofia celular 
e a hiperplasia. Nesses processos acontece a recuperação da capacidade funcional, 
mas sem necessariamente reconstruir a anatomia original. 
Os órgãos que possuem essa capacidade de crescimento compensatório são 
os rins, o pâncreas, as glândulas adrenais, a tireoide, os pulmões de pacientes jovens 
e o fígado. No caso hepático, a regeneração acontece por meio da replicação de 
células maduras sem o envolvimento de célula tronco. Os hepatócitos são células 
quiescentes que, quando estimuladas por determinadas substâncias, possuem a 
capacidade de multiplicação celular. Nesse exemplo, as principais substâncias são 
as citocinas e os fatores de crescimento polipeptídeos. 
Dessa forma, em uma hepatectomia parcial é possível à restauração hepática, 
porém não ocorre um novo crescimento do lobo ressecado na operação. Em vez 
disso, acontece o crescimento por aumento dos lobos que permaneceram, 
caracterizando-se como crescimento compensatório. 
6.2 Cicatrização 
A cicatrização é uma resposta fibroproliferativa que restaura as estruturas 
originais, porém envolve a deposição de colágeno e a formação da cicatriz. Os fatores 
que favorecem o processo de cicatrização são a extensão do dano celular, o tipo de 
tecido afetado e a intensidade da lesão da matriz extracelular. 
O processo de restauração por cicatrização pode ser dividido por etapas: 
1 - Ocorre uma resposta inflamatória à lesão inicial com a intenção de eliminar o 
agente nocivo, remover o tecido lesionado e estimular a deposição de componentes 
da matriz extracelular; 
29 
 
 
2 - Proliferação de fibroblastos e células endoteliais vasculares, formando o tecido de 
granulação. (O tecido de granulação tem a aparência rósea, lisa e granular e se 
caracteriza pela formação de pequenos novos vasos sanguíneos e multiplicação de 
fibroblastos.); 
3 - Com o aumento no número de fibroblastos, ocorre a síntese de matriz extracelular 
e deposição de colágeno, formando a cicatriz; 
4 - Então se inicia o processo de remodelação que é o equilíbrio entra síntese e 
degradação da matriz extracelular; 
Com base nessas etapas, podemos perceber três principais mecanismos do 
processo de cicatrização: 
 Angiogênese: as células endoteliais são estimuladas a formarem novos vasos 
sanguíneos principalmente pelo VEGF (fator de crescimento endotelial 
vascular – sigla em inglês) e pela angiopoetina; 
 Fibroplasia: a migração e a proliferação de fibroblastos no local da lesão 
ocorrem devido à ação dos fatores de crescimento múltiplos, incluindo TGF-
β, PDGF, EGF, FGF e as citocinas IL-1 e TNF; 
 Remodelação: é o processo que organiza a cicatriz devido a grande 
proliferação celular e à desorganização na produção de matriz extracelular. A 
metaloproteínase é a substância responsável por esse processo e atua na 
degradação do colágeno; 
Podemos utilizar a cicatrização de uma ferida cutânea como exemplo de um 
processo de cicatrização e descrever os fatos gerais da reparação que se observa na 
maioria dos tecidos. As feridas cutâneas são classificadas em dois tipos de 
cicatrização: primeira intenção e segunda intenção. 
 
30 
 
 
Resumo 
 
 
 
 
7.Conclusão 
A cicatrização é um processo que está presente na rotina clínica dos 
profissionais de saúde, dentre eles os médicos veterinários. Por ser um evento 
sistêmico, esse processo abrange uma gama de fatores que precisam interagir entre 
si para que haja uma evolução de forma eficiente. Esses mesmos fatores, bem como 
as interações existentes entre eles, precisam ser bem elucidados para que os 
profissionais possam interferir no processo, tendo em vista que a aceleração do 
31 
 
 
mesmo é muitas vezes um dos principais objetivos terapêuticos na rotina clínica. O 
conhecimento sobre esse processo, aliado às nuances particulares de cada paciente, 
serão as bases nas quais os profissionais deverão se apoiar para instituir uma terapia 
cicatrizante, que irá culminar com o reparo tecidual e o reestabelecimento da 
homeostase do animal. 
É processo complexo, que começou a ser entendido em maior amplitude nos 
últimos anos. Contudo, ainda há necessidade de se continuar estudando seus 
mecanismos, porque grande parte dele ainda é desconhecida. O futuro é promissor 
em medidas preventivas e curativas mais eficientes e que possam estar à disposição 
dos cirurgiões, diminuindo assim a possibilidade de complicações no manuseio dos 
doentes que necessitam agressão cirúrgica para cura dos seus males. 
O processo é complexo, envolvendoa interação entre células e vários sistemas 
mensageiros inter e intracelulares, destacando-se as citosinas e os fatores de 
crescimento. Os avanços da biologia molecular e celular permitiram identificar uma 
variedade de células, moléculas e cascatas de sinalização envolvidas no processo de 
cicatrização e que poderão constituir futuros alvos terapêuticos. 
 
 
 
8.Referências 
AMABIS, José Mariano, MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia volume 1. São 
Paulo: Moderna, 2004. 
BALBINO C.A., Pereira L.M. & Curi R. 2005. Mecanismos envolvidos na 
cicatrização: uma revisão. Brazil J. of Pharmaceutic Science. 41(1):27-51. 
CARVALHO P.T.C. 2002. Análise da cicatrização de lesões cutâneas através de 
espectrofotometria: estudo experimental em ratos diabéticos. Dissertação de 
mestrado, Universidade de São Paulo, São Carlos. 72p. 
32 
 
 
DÁRIO G.M. 2008. Avaliação da atividade cicatrizante de formulação contendo 
argila medicinal sobre feridas cutâneas em ratos. Dissertação de mestrado, 
Universidade do Extremo Sul Catarinense, Criciúma, 78p. 
FREITAS M.C., Medeiros A.B.F., Guedes M.V.C., Almeida P.C., Galiza F.T. & 
Nogueira J.M. 2011. Úlcera por pressão em idosos institucionalizados: Análise da 
prevalência e fatores de risco. Rev Gaúcha Enferm. 32(1):143-150. 
KUMAR V, Abbas AK, Fausto N. 2005. Robbins e Cotran – Patologia: bases 
patologicas das doencas. 7a ed. Elsevier, Rio de Janeiro. 
LIMA R.O.L., Rabelo E.R., Moura V.M.B.D., Silva L.A.F., Tresvenzol L.M.F. 2012. 
Cicatrização de feridas cutâneas e métodos de avaliação. Revisão de literatura. 
Revista CFMV. Ano XVIII. 56:53-59. 
MANDELBAUM S.H., Di Santis E.P. & Mandelbaum M.H.S. 2003. Cicatrização: 
conceitos atuais e recursos auxiliares – Parte 1. An Bras de Dermatol. Jul./ago., Rio 
de Janeiro, RJ. 78(4):393-410. 
MENDONÇA R.J. & Coutinho-netto J. 2009. Aspectos celulares da cicatrização. An 
Bras Dermatol. 84(3):257-262. 
NOGUEIRA, R.M.B., Kitamura E.A. & Aguiar O.M. 2005. Estudo clínico da 
reparação tecidual de feridas cutâneas de cães tratados com papaína e 
colagenase. Nos Clín. 8(43):25-28. 
OLIVEIRA A.F. 2008. Avaliação da atividade cicatrizante da Caesalpinia ferrea 
(tul.) Martius (Jucá) em lesões cutâneas de caprinos. Dissertação de mestrado, 
Universidade Federal Rural do Semiárido, Mossoró, Rio grande do Norte, 65p. 
PAGANELA J.C., Ribas L.M., Santos C.A., Feijó L.S., Nogueira C.E.W. & Fernandes 
C.G. 2009. Abordagem clínica de feridas cutâneas em equinos. RPCV. 104(569-
572):13-18. 
PANOBIANCO M.S., Sampaio B.A.L, Caetano E.A., Inocenti A. & Gozzo T.O. 2012. 
Comparação da cicatrização pós-mastectomia entre mulheres portadoras e 
não-portadoras de diabetes mellitus. Rev. Rene. 11:15-22. 
ROCHA Junior A.M., Oliveira R.G., Farias R.E., Andrade L.C.F & Aerestrup F.M. 
2006. Modulação da proliferação fibroblástica e da resposta inflamatória pela 
33 
 
 
terapia a laser de baixa intensidade no processo de reparo tecidual. An. Bras. 
Dermatol. Rio de Janeiro, 81(2):150-156. 
SAMPAIO, L.A.S., et al. Impacto da desnutrição proteica na cicatrização de 
feridas cutâneas em ratos. Rev. Nutr. [online]. 2018, vol. 31, no. 5, pp. 433-442, 
ISSN: 1415-5273 [viewed January 03 2020.

Mais conteúdos dessa disciplina