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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna i
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna i
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 2
2. ÁREA DE AMOSTRAGEM ...................................................................................................... 3
2.1 Descrição dos pontos de amostragem ........................................................................... 4
3. QUALIDADE DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS .............................................................................. 8
3.1 Metodologia .................................................................................................................. 8
3.2 Resultados e Discussão ............................................................................................... 14
4. COMUNIDADE FITOPLANCTÔNICA.................................................................................... 38
4.1 Metodologia ................................................................................................................ 38
4.2 Resultados e discussão ................................................................................................ 40
4.3 Considerações Finais ................................................................................................... 52
5. COMUNIDADE ZOOPLANCTÔNICA .................................................................................... 54
5.1 Metodologia ................................................................................................................ 54
5.2 Resultados e discussão ................................................................................................ 56
5.3. Considerações Finais ................................................................................................... 70
6. MACROINVERTEBRADOS BENTÔNICOS ............................................................................ 72
6.1 Metodologia ................................................................................................................ 72
6.2 Resultados e Discussão ............................................................................................... 75
6.3 Considerações finais .................................................................................................... 84
7. MACRÓFITAS AQUÁTICAS ................................................................................................. 86
7.1 Metodologia ................................................................................................................ 86
7.2 Resultados e Discussão ............................................................................................... 86
7.3 Considerações finais .................................................................................................... 90
8. ICTIOFAUNA E ICTIOPLÂNCTON ....................................................................................... 91
8.1 Metodologia ................................................................................................................ 91
8.2 Resultados e Discussão ............................................................................................... 96
8.3 Considerações Finais ................................................................................................. 126
9. REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 129
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 1
EQUIPE EXECUTORA
GILMAR BAUMGARTNER
(Biólogo, Doutor em Ciências Ambientais)
NYAMIEN YAHAUT SEBASTIEN
(Engenheiro de Pesca, Doutor em Recursos Hídricos)
ÉDER ANDRÉ GUBIANI
(Engenheiro de Pesca, Doutor em Ciências Ambientais)
DIRCEU BAUMGARTNER
(Engenheiro Agrícola, Doutor em Ciências Ambientais)
PITÁGORAS AUGUSTO PIANA
(Engenheiro de Pesca, Doutor em Ciências Ambientais)
PAULO VANDERLEI SANCHES
(Biólogo, Doutor em Ciências Ambientais)
CLEODIMAR FERNANDES
(Matemático, Mestre em Métodos Numéricos)
ADRIANA DA SILVA TRONCO JOHANN
(Química, Doutora em Engenharia Afrícola)
TATIANA RODRIGUES DA SILVA BAUMGARTNER
(Engeheira Química, Dourora em Engenharia Química)
ANDERSON LUIS MACIEL
(Biólogo, Mestre em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca)
ANTÔNIO NOGUEIRA
(Biólogo, Mestre em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca)
CARLOS HENRIQUE ORSI
(Engenheiro de Pesca, Mestre em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca)
CLEOMAR FERNANDES
(Engenheiro de Pesca, Mestre em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca)
PEDRO ROGÉRIO LEANDRO DA SILVA
(Engenheiro de Pesca, Mestre em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca)
TATIANE MARY GOGOLA
(Bióloga, Mestre em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca)
TIAGO DEBONA
(Engenheiro de Pesca, Mestre em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca)
VINÍCIUS VALIENTE DOS SANTOS
(Engenheiro de Pesca, Mestre em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca)
CAMILA AKEMY NABESHIMA AQUINO
(Bióloga, Mestre em Ciências Ambientais)
ROGÉRIO ANDERSON DRUZIAN
(Engenheiro de Pesca, Mestrando em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca)
EDIMAR GONÇALVES
(Auxiliar de Pesquisa)
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1. INTRODUÇÃO
O rio Tibagi nasce na Serra das Almas, entre os municípios de Palmeira e
Ponta Grossa, no sul do estado do Paraná (Região Sul do Brasil), a 1.060 m de altitude,
e corre 550 km, tendo sua foz no rio Paranapanema, na UHE Capivara (UHE Escola de
Engenharia Mackenzie). Na maior parte do seu trajeto ele está fortemente encaixado em
seu leito, e um total de 65 tributários diretos e centenas de subafluentes compõem sua
bacia hidrográfica (De França, 2002 e Medri et al., 2002).
A bacia do rio Tibagi se estende por 41 municípios, cobrindo 24.713 km2 no
território paranaense, sendo o segundo em extensão. Segundo De França (2002) e
Mendonça & Danni-Oliveira (2002) esse rio forma a terceira maior bacia hidrográfica
do estado do Paraná, e pode ser dividido em três regiões conforme o relevo, a hidrologia
e a climatologia. Na região alta encontram-se algumas das suas áreas mais preservadas,
como o Parque Estadual do Guartelá, no rio Iapó, região dos Campos Gerais.
Seu curso principal desenvolve-se na direção noroeste, desde a nascente, até
a confluência com o rio Guarda Velho, pela margem esquerda; em seguida, toma a
direção nordeste até a confluência com o rio Pitangui, pela margem direita; a partir daí,
volta a seguir predominantemente a direção noroeste até sua foz (Maack, 1981). Este rio
é conhecido pelo grande número de cachoeiras que apresenta, como Salto Paludo (5,0
m), Paulinho Batista (2,5 m), Grande da Conceição (20,0 m), Aparados (6,0 m), Alemão
(6,0 m) e Mauá (28,0 m) (De França, 2002). Atualmente, acima do Salto Mauá
encontra-se implantada a Usina Hidrelétrica Mauá.
Em função destas características de leito (encaixado) e número de saltos, há
muito tempo, mas de forma mais intensa recentemente, o rio Tibagi é objeto de
discussões para a implantação de usinas hidrelétricas (Shibatta et al., 2007). Desse
modo, este documento visa apresentar o resultado das coletas do outono e primavera de
2017 (período antes da instalação), do Programa de Monitoramento Limnológico,
Qualidade da Água e Ictiofauna da UHE Tibagi Montante (Licença de captura e
transporte de animais no 44698 do Instituto Ambiental do Paraná), que será implantada
próximo ao município de Tibagi, de maneira que as informações aqui apresentadas
servirão de parâmetro de comparação com o período pós-represamento.
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2. ÁREA DE AMOSTRAGEM
O presente estudo compreendeu sete pontos de amostragem (Tabela 2.1)
localizados acima do município de Tibagi, na área de influência da futura UHE Tibagi
Montante (Figura 2.1) e um ponto de amostragem acima da captação de água da
Sanepar do município de Londrina. Os pontos de amostragem abrangem a montante,
futuro reservatório, jusante e tributários. Destaca-se que no tributário Passatempo (TM-
PAS) e na captação de água da Sanepar do município de Londrina (TM-SAN) foram
efetuadas apenas análises de água e das comunidades fitoplanctônicas, zooplanctônicas
e macroinvertebrados bentônicos.
Tabela 2.1 – Locais de coleta e coordenadas geográficas dos pontos amostrados na área de
influência da UHE Tibagi Montante.
Pontos de
Amostragem
Siglas Rio
Coordenadas
Latitude Longitude
Captação Londrina* TM-SAN Tibagi 23°22'26.29"S 50°59'55.59"O
Jusante TM-JUS Tibagi 24°31'41.17"S 50°24'25.50"O
Barragem TM-BAR Tibagi 24°32'49.70"S 50°24'2.27"O
Tributário* TM-PAS Passatempo 24°32'38.26"S 50°24'50.14"O
Intermediário TM-INT Tibagi 24°36'26.82"S 50°25'31.85"O
Tributário TM-TRI Capivari 24°38'46.18"S 50°26'0.32"O
Remanso TM-REM Tibagi 24°38'57.01"S 50°25'32.81"O
Montante TM-MON Tibagi 24°41'25.50"S 50°23'35.83"O
* apenas qualidade de água, fitoplâncton, zooplâncton e macroinvertebrados bentônicos.
Figura 2.1 – Localização dos pontos amostrais na área de influência da UHE Tibagi Montante
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As amostragens foram realizadas entre nos meses de abril e outubro de
2017, referente as estações do ano outono e primavera, respectivamente, seguindo os
procedimentos de amostragem relacionados no plano de trabalho “Monitoramento
Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna da UHE Tibagi Montante – PR” descritos
abaixo.
2.1 Descrição dos pontos de amostragem
Jusante (JUS)
Localizado logo em frente da estação de captação de água da Sanepar (a
montante desta), no município de Tibagi, apresenta fluxo de água corrente com alguns
remansos, fundo rochoso em poucos trechos, mas na maioria é composto por substrato
arenoso e lodoso (Figura 2.2). Com uma largura média aproximada de 120 metros, suas
margens são bastante preservadas, onde na margem esquerda tem-se cerca de 200
metros (em média) de mata ciliar e na margem direita cerca 90 metros. No local
encontram-se vários pontos de pesca de barranco, sendo o local utilizado também, para
prática de Rafting, uma vez que logo acima do trecho e logo abaixo existem locais com
fortes corredeiras.
Figura 2.2 – Visão Panorâmica do Local de Coleta JUS (Jusante).
Barragem (BAR)
Localizado entre duas corredeiras, apresenta fluxo moderado, com substrato
rochoso e arenoso, com largura média de 130 metros, suas margens são pouco
preservadas, com cerca de 20 metros de mata ciliar em cada (Figura 2.3). Este local é
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utilizado para extração de areia, sendo que em seu entorno é exercida também a
atividade de agricultura e reflorestamento.
Figura 2.3 – Visão panorâmica do Local de Coleta BAR (Barragem).
Intermediário (INT)
Localizado entre a balsa que liga o município de Tibagi e a fazenda Santa
Branca, é um local de águas calmas, com fundo lodoso e arenoso (Figura 2.4). Com
largura média de 80 metros, têm suas margens relativamente preservadas, com
vegetação ciliar de aproximadamente 50 metros em ambas as margens. No entorno do
local exerce-se atividade agrícola, sendo o local bastante utilizado para pesca, com
várias propriedades de pequeno porte pouco acima na margem direita do rio.
Figura 2.4 – Visão panorâmica do Local de Coleta INT (Intermediário).
Remanso (REM)
Com largura média de 70 metros e profundidade máxima de 4 metros, o
local apresenta fluxo de águas com pouca velocidade de corrente, fundo rochoso e
arenoso. Com vegetação ciliar pouco preservada, cerca de 60 metros de mata ciliar na
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margem esquerda e 30 metros na margem direita, o seu entorno é utilizado basicamente
para atividade agrícola (Figura 2.5).
Figura 2.5 – Visão panorâmica do Local de Coleta REM (Remanso).
Montante (MON)
Local de fortes corredeiras e pequenos trechos de remanso, apresenta fundo
rochoso e arenoso, com largura média de 50 metros (Figura 2.6). Acima do local
encontram-se algumas ilhas e praias. A vegetação ciliar é bastante preservada na
margem direita, atingindo em média 35 metros de extensão, onde se executa a atividade
agrícola, já na margem esquerda a vegetação é pouco preservada oscilando entre 5
metros e 100 metros de extensão, sendo que nesta margem a criação de gado é uma das
principais atividades.
Figura 2.6 – Visão panorâmica do Local de Coleta MON (Montante).
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Tributário Capivari (TRI)
Com largura média de 20 metros e profundidade máxima de 1,5 metros, o
local apresenta fluxo de águas correntes, com fundo rochoso em pequenos trechos e
composto na sua maior porção por argila nas margens e areia no centro. Vegetação
ciliar pouco preservada, atingindo em média 40 metros de largura, seu entorno é
utilizado para atividade agrícola (Figura 2.7).
Figura 2.7 – Visão panorâmica do Local de Coleta TRI (Tributário).
Tributário Passatempo (PAS)
Local com aproximadamente 3 metros de largura e 40 cm de profundidade,
a aproximadamente 300 metros da foz no rio Tibagi (Figura 2.8). Vegetação ciliar
presente em cerca de 50 metros em ambas as margens. Propriedades agropastoris estão
presentes no entorno do rio, com suas margens apresentando influência antrópica, com
presença de lixo doméstico, como sacos plásticos, latas e vidros.
Figura 2.8 – Visão panorâmica do Local de Coleta PAS (Tributário Passatempo).
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Captação de Água Sanepar (SAN)
Este local de amostragem situa-se no município de Londrina, a montante da
captação de água da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Com largura
aproximada de 130 metros, com mata ciliar presente com 40 metros em ambas as
margens, o seu entorno é utilizado basicamente para atividade agrícola (Figura 2.9)
Figura 2.9 – Visão panorâmica do Local de Coleta SAN (Captação de água da Sanepar de
Londrina).
3. QUALIDADE DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS
3.1 Metodologia
O Laboratório de Qualidade da Água do Grupo de Pesquisas em Recursos
Pesqueiros e Limnologia (GERPEL) e do Instituto Neotropical de Pesquisas Ambientais
– INEO da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, está em processo de acreditação
pelo INMETRO, sob o processo COD:939939, com auditoria realizada entre 22 a 26 de
janeiro de 2018, aguardando apenas a emissão do certificado. Devido à isso o INEO
segue os procedimentos para a realização da coleta, armazenamento, transporte e análise
das amostras de água, segundo as recomendações do Standard Methods 22ª edição, de
acordo com a DICLA 057-02 e a ABNT/NBR ISO/IEC 17025, segundo as diretrizes da
PCQ-09 (formulário próprio) que descreve o detalhamento do plano de amostragem
para coleta da água.
A amostragem da água (figura 3.1) foi realizada na subsuperfície em cada
um dos sete locais de amostragem, com leitura dos parâmetros de temperatura do ar
(termômetro de bulbo mercúrio), temperatura da água (termômetro digital), oxigênio
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dissolvido e saturação (oxímetro), turbidez (turbidímetro), transparência (Secchi), pH
(pHmetro) e condutividade elétrica (condutivímetro) medidos “in situ”.
Para os parâmetros, alcalinidade total, cor, fósforo total, nitrogênio
orgânico, nitrito, nitrato, nitrogênio amoniacal, DBO, DQO, clorofila-a, sólidos totais,
dissolvidos e suspensos, coliformes totais e fecais, cádmio total, cálcio total, chumbo
total, cloretos, cobre dissolvido, cromo total, fenóis, níquel total, óleos e graxas, dureza,
magnésio, sílica e sulfatos, a água foi armazenada em galões com capacidade de cinco
litros e conservada em gelo até a análise.
A profundidade amostral adotada (subsuperfície) seguiu o conceito de rio
comum continuo, pois segundo Vanotte et al (1980) rios pouco profundos como é o
caso dos rios da região apresentam uma homogeneidade na coluna de água e portanto,
somente a medição na subsuperfície já representa o ambiente em questão, o que justifica
a não realização de perfis verticais nas análises no período pré-represamento.
Visando garantir a qualidade dos resultados produzidos pela análise, bem
como identificar riscos de contaminação de amostras, segundo a DICLA 057-02
(INMETRO, 2017), os trabalhos de campo foram acompanhados de procedimentos para
o controle de qualidade cuja finalidade é identificar possíveis contaminações
ambientais, no manuseio, na análise em campo e no transporte.
Foram utilizados recursos de comparação a fim de validar os procedimentos
de amostragem que foram: branco de campo, branco de equipamento e branco de
transporte.
As amostras foram protegidas da luz solar e do calor durante seu transporte
e manuseio. Todos os frascos foram armazenados em caixas térmicas e posteriormente
refrigerados com gelo, de maneira que a temperatura fosse mantida em 5±3ºC por
período curto de tempo e congelada em -18°C para períodos longos, conforme
recomendam as normas ISO 5667-4 e 5667-6. As amostras obtidas na superfície foram
coletadas no próprio frasco de amostragem para evitar contaminação.
Os frascos para acondicionamento de quaisquer amostras foram enviados
para o campo com rótulo identificador, minimizando a possibilidade de troca de
amostras e agilizando a operação de coleta.
O controle de qualidade na amostragem cuja finalidade é identificar
possíveis contaminações ambientais, no manuseio, na análise em campo e no transporte,
foi realizado durante a coleta conforme as seguintes diretrizes:
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1. ”Branco de campo”: São amostras preparadas no campo, consistindo de
frascos preenchidos no campo com água reagente, expostos ao ambiente
amostral pelo mesmo período que as amostras, durante todo o procedimento
de coleta, preservados de acordo com o parâmetro a analisar e armazenados
com as demais amostras coletadas, para serem submetidas ao processo
analítico requerido. Estas amostras são utilizadas para verificação de
contaminações ambientais que podem ser adicionais às amostras durante os
procedimentos de coleta. A amostragem foi realizada em um mesmo ponto
(coleta em duplicata) para verificar a fidelidade dos parâmetros analisados;
2. O “branco de transporte” é composto por dois frascos de 100 mL com água
destilada, preparados antes de ir ao campo. Os frascos devem ser
encaminhados dentro de uma caixa térmica pequena com gelo, conservada a
5±3ºC. Chegando ao local de coleta os frascos contendo o branco de
transporte deverão ser transferidos para a caixa térmica contendo as
amostras coletadas, sendo enviados de volta para o laboratório. Deverão ser
analisados no branco de transporte os parâmetros contagem de bactérias
heterotróficas e condutividade, conforme definido na ficha de coleta, que
estará identificada como “branco de transporte”;
3. Os frascos de “branco de transporte” não devem ser abertos e deverão ser
transportados juntamente com as outras amostras dentro da mesma caixa de
armazenamento;
4. O “branco de Equipamento” é um procedimento utilizado para verificar
possíveis contaminações mediante contato da amostra com o equipamento
de amostragem. Primeiramente, antes de inserir o equipamento na amostra,
deve-se enxaguar o mesmo com água destilada, e o enxágüe final deve ser
coletado para posterior análise;
5. A água destilada coletada na lavagem do eletrodo ou equipamento
introduzido na amostra não deve demonstrar qualquer alteração em sua
composição, devendo apresentar resultados semelhantes à da água destilada
original;
6. O recolhimento e análise da água da lavagem deverão ser realizados em
campo no início da coleta e também a cada troca de matriz de amostra (água
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bruta, água tratada, efluente, etc.). Quando houver diferença significativa
entre os resultados, o equipamento deverá ser lavado novamente, pois indica
que o mesmo ainda não está totalmente limpo. Somente, após nova limpeza,
o equipamento poderá ser utilizado.
Para garantir a integridade das amostras (por exemplo DBO e Coliformes),
o tempo decorrido entre a retirada da amostra e a análise não ultrapassou 24 horas.
As amostras cujos parâmetros podem exceder o prazo de 24 horas para
análise, foram devidamente acondicionadas em baixa temperatura, preservadas
atendendo às exigências do Standard Methods 22ª Ed., e transportadas para o
laboratório do Instituto Neotropical de Pesquisas Ambinetais – INEO, obedecendo aos
padrões de controle de qualidade.
Figura 3.1 – Coleta e preservação de amostras de água.
Os parâmetros limnológicos para a avaliação da qualidade da água,
juntamente com suas unidades, métodos, aparelhos e referências, podem ser verificados
na tabela 3.1.
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Após a determinação dos parâmetros físicos, químicos e biológicos, foi
estimado o índice de qualidade da água (IQA), através da seguinte fórmula (Suderhsa,
1997):
n
1i
W
i
iqIQA
sendo:
IQA=Índice de qualidade da água;
qi=qualidade do i-ésimo parâmetro (obtido nas curvas);
Wi=peso relativo do i-ésimo parâmetro (Tabela 3.2);
Tabela 3.1 - Variáveis físicas, químicas e biológicas avaliadas na área de influência da futura
UHE Tibagi Montante, e na captação de água da Sanepar de Londrina, no outono e primavera
de 2017.
PARÂMETRO UNIDADE REFERÊNCIA
Alcalinidade total mg/L Carmouze (1994)
Cádmio mg/L APHA (2005)
Chumbo mg/L APHA (2005)
Cloretos mg/L APHA (2005)
Clorofila-a µg/L Golterman et al. (1978)
Cobre dissolvido mg/L APHA (2005)
Coliformes totais e fecais NMP/100mL APHA (2005)
Condutividade elétrica µS/cm Esteves (1998)
Cor uc APHA (2005)
Cromo total mg/L APHA (2005)
DBO mg/L APHA (2005)
DQO mg/L APHA (2005)
Dureza mg/L APHA (2005)
Ferro total mg/L APHA (2005)
Fósforo total mg/L Mackreth et al. (1978)
Magnésio mg/L APHA (2005)
Manganês mg/L APHA (2005)
Mercúrio mg/L APHA (2005)
Níquel total mg/L APHA (2005)
Nitrato mg/L Mackereth et al. (1978)
Nitrito mg/L Strickland & Parson (1972)
Nitrogênio amoniacal mg/L Hansen & Abel (1999)
Nitrogênio Orgânico mg/L Mackreth et al. (1978)
Óleos e graxas mg/L APHA (2005)
Ortofosfato mg/L Mackreth et al. (1978)
Oxigênio dissolvido mg/L Esteves (1998)
Oxigênio dissolvido % Saturação Esteves (1998)
pH unidades Esteves (1998)
Sólidos totais, dissolvidos e suspensos mg/L APHA (2005)
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PARÂMETRO UNIDADE REFERÊNCIA
Temperatura da água ºC Esteves (1998)
Temperatura do ar ºC -
Transparência m Wetzel (2001b)
Turbidez NTUs Esteves (1998)
Zinco mg/L APHA (2005)
Tabela 3.2 – Pesos dos diferentes parâmetrosutilizados no cálculo do índice de qualidade da
água (Fonte: Suderhsa, 1997).
Parâmetros Pesos (WI)
Coliformes Fecais 0,15
Demanda Bioquímica de Oxigênio 0,10
Fósforo Total 0,10
Nitrogênio Total 0,10
Oxigênio Dissolvido 0,17
pH 0,12
Resíduo Total 0,08
Turbidez 0,08
Variação da Temperatura 0,10
A qualidade da água foi classificada em Ótima, Boa, Regular, Ruim e
Péssima (Cetesb, 2006), conforme o valor de IQA constante na tabela 3.3.
Tabela 3.3 – Classificação da água de acordo com os valores de IQA (Fonte: Cetesb, 2006).
IQA Classificação
79 < IQA ≤ 100 Ótima
51 < IQA ≤ 79 Boa
36 < IQA ≤ 51 Regular
19 < IQA ≤ 36 Ruim
IQA ≤ 19 Péssima
O Índice do Estado Trófico foi composto pelo Índice do Estado Trófico para
o fósforo total – IET (PT) e o Índice do Estado Trófico para a clorofila-a – IET (CL),
segundo Lamparelli (2004), sendo estabelecidos para ambientes lóticos pelas equações:
𝐼𝐸𝑇𝐶𝐿 = = {10 ∗ [6 − (
−0,7 − 0,6 ∗ ln(𝐶𝐿)
ln(2)
)] − 20}
𝐼𝐸𝑇𝑃𝑇 = = {10 ∗ [6 − (
0,42 − 0,36 ∗ ln(𝑃𝑇)
ln(2)
)] − 20}
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onde:
PT=concentração de fósforo total medida à superfície da água, em µg/L;
CL=concentração de clorofila-a medida à superfície da água, em µg/L;
ln=logaritmo natural.
Os limites estabelecidos para as diferentes classes de trofia para rios estão
descritos na tabela 3.4.
Tabela 3.4 – Classificação para o Estado Trófico para rios, segundo índice de Carlson,
modificado por Lamaprelli (2004).
Classificação do Estado Trófico - Rios
Categoria
Ponderação
P-Total Clorofila-a
(Estado Trófico) P(mg/m3) (mg/m3)
Ultraoligotrófico IET = 47 P = 13 CL = 0,74
Oligotrófico 47 < IET = 52 13 < P = 35 0,74 < CL = 1,31
Mesotrófico 52 < IET = 59 35 < P = 137 1,31 < CL = 2,96
Eutrófico 59 < IET = 63 137 < P = 296 2,96 < CL = 4,70
Supereutrófico 63 < IET = 67 296 < P = 640 4,70 < CL = 7,46
Hipereutrófico IET > 67 640 < P 7,46 < CL
Para estabelecer as diferenças na qualidade da água entre os locais e
estações do ano, as variáveis físicas, químicas e biológicas, foram sumarizados através
da análise de componentes principais (ACP), sendo retidos para posterior análise os
eixos que obedeceram os critérios de Broken-Stick (autovalores>1,0; PERES-NETO et
al., 2005). Os procedimentos para realização e interpretação dos resultados seguiram as
recomendações de MCCUNE & GRACE (2002), sendo utilizado o software Pc-Ord
5,31® (MCCUNE & MEFFORD, 2006).
3.2 Resultados e Discussão
Temperarura do ar e da água (ºC)
A temperatura do ar apresentou maiores registros em outubro, com valor
máximo de 25ºC nos locais BAR e JUS, e menores registros em abril, com valor
mínimo de 16ºC nos locais MON, REM, INT, BAR e TRI (Figura 3.2), caracterizando
claramente as estações de outono (abril) e primavera (outubro). A temperatura da água,
por sua vez, apresentou valores entre 20,1ºC no REM, em abril, e 14,4ºC no PAS,
portanto, com padrão inverso ao verificado pela temperatura do ar, o que pode ser
explicado pelas características lóticas dos locais amostrados, onde o fluxo de água
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determina menor amplitude térmica entre períodos do ano. Cabe ressaltar que a
temperatura da água tem grande influência sobre as espécies, podendo ser considerada
uma das características mais importantes do meio aquático (Silva et al., 2008).
Figura 3.2 – Variação da temperatura do ar (ºC) (A) e da água (ºC) (B) em 2017, na fase pré-
obra, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante.
Oxigênio Dissolvido (mg/L e % Saturação)
As concentrações de oxigênio dissolvido, em geral, foram mais elevadas no
mês de outubro, com maiores valores no local JUS (8,60 mg/L e 93,50 %,
respectivamente) (Figura 3.3A e B). No mês de abril, em geral, as concentrações foram
menores, com valores mínimos no PAS (6,28 mg/L e 65,70 %, respectivamente).
Destaca-se que as concentrações registradas estiveram dentro do limite estabelecido
pela resolução CONAMA no 357/2005 para águas da classe 2, que é de um mínimo de
5,0 mg/L.
Figura 3.3 – Variação do oxigênio dissolvido (mg/L) (A) e saturação de oxigênio (%) (B), em
2017, na fase pré-obra, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante.
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O xigênio dissolvido 5,0 mg/L
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B
Instituto Neotropical de Pesquisas Ambientais - INEO
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 16
Dentre os gases dissolvidos na água, o oxigênio é um dos mais importantes
na dinâmica dos ecossistemas aquáticos (Esteves, 1998), sendo necessário para a
respiração de organismos aeróbicos. A sobrevivência dos peixes, por exemplo, requer
concentrações mínimas de oxigênio dissolvido entre 10% e 60% de saturação,
dependendo da espécie e outras características do sistema aquático (Fiorucci & Filho,
2005).
pH e Alcalinidade Total (mg/L)
Durante o período analisado, os valores de pH variaram de 7,75 no MON,
em outubro, a 5,78 no INT, em abril (Figura 3.4A). O pH influencia os ecossistemas
aquáticos naturais devido a seus efeitos na fisiologia de diversas espécies, sendo que
para que se conserve a vida aquática, o pH ideal deve variar entre 6 e 9 (Esteves, 1998).
A resolução CONAMA no 357/2005 preconiza que os valores de pH da água devem
estar entre 6,00 e 9,00, logo, com exceção de um dos registros (valor mínimo obtido), os
valores registrados neste estudos apresentaram-se dentro desse limite, com exceção de
apenas um registro (INT em abril).
Quanto à alcalinidade total, os valores observados estiveram entre 13,38
mg/L no REM, em outubro, e 5,26 mg/L no PAS, em abril (Figura 3.4B). A alcalinidade
é a capacidade da água em consumir ou neutralizar ácidos, sendo devida principalmente
à presença de bicarbonatos, carbonatos, bromatos, silicatos, fosfatos e hidróxidos,
formados pela ação do dióxido de carbono sobre os minerais do sedimento. A resolução
CONAMA nº. 357/2005, não estabelece limites para este parâmetro.
Figura 3.4 – Variação do pH (A) e alcalinidade (mg/L) (B) em 2017, na fase pré-obra, na área
de influência da futura UHE Tibagi Montante.
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MON REM INT BAR JUS TRI PAS
0,00
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A
pH 9,0
pH 6,0
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B
Instituto Neotropical de Pesquisas Ambientais - INEO
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 17
Turbidez (NTU) e Transparência (m)
Os valores de turbidez variaram de um máximo de 47,50 NTU no MON, em
outubro, a um mínimo de 9,15 NTU no PAS, também em outubro (Figura 3.5A). A
turbidez reflete o grau de atenuação de intensidade que um feixe de luz sofre ao
atravessar a água devido à presença de sólidos em suspensão (Esteves, 1998). Os
valores observados encontraram-se dentro dos limites estabelecidos pela resolução
CONAMA nº. 357/2005 (≤ 100 NTU). Percebe-se que entre as coletas houve variação
da turbidez, sendo menor em abril, o que está atrelado a presença de material em
suspensão na água, por conta de chuvas locais.
A transparência da águaapresentou valores de 0,95 m no BAR, em abril, a
0,1 m no PAS, também em abril (Figura 3.5B). Uma vez que é a medida da penetração
vertical da luz solar na coluna d´água com o disco de Secchi, a transparência é uma das
mais antigas e básicas ferramentas usadas pelos limnólogos em todo o mundo, sendo
afetada basicamente por algas e material em suspensão (Esteves, 1998). A resolução
CONAMA nº. 357/2005, não estabelece limites para este parâmetro.
Figura 3.5 – Variação da turbidez (NTU) (A) e transparência (m) (B) em 2017, na fase pré-
obra, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante.
Condutividade Elétrica (µS/cm) e Cor (UC)
Nos meses aqui analisados, a condutividade elétrica variou de 59,20 µS/cm
no MON, em outubro, a 21,90 µS/cm no PAS, em abril (Figura 3.6A). Esse parâmetro
tem relação direta com a concentração de íons dissolvidos no corpo de água (Esteves,
1998) e a resolução CONAMA nº. 357/05 não determina limites para o mesmo.
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MON REM INT BAR JUS TRI PAS
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Turbidez 100 NTU
(> 1101)
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B
Instituto Neotropical de Pesquisas Ambientais - INEO
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 18
A cor da água apresentou-se entre 34 UC no MON, em abril, e > 500 UC no
PAS, em abril (Figura 3.6B). Segundo Funasa (2013), a cor de uma amostra de água
está associada à presença de sólidos dissolvidos, principalmente materiais em estado
coloidal orgânico e inorgânico, sendo que dentre os colóides orgânicos, podem ser
mencionados os ácidos húmico e fúlvico, substâncias naturais resultantes da
decomposição parcial de compostos orgânicos presentes em folhas e outros substratos.
Ainda segundo esse autor, também os esgotos domésticos se caracterizam por
apresentarem predominantemente matéria orgânica em estado coloidal, além de diversos
efluentes industriais, que contêm taninos (efluentes de curtumes, por exemplo), anilinas
(efluentes de indústrias têxteis, indústrias de pigmentos etc.), lignina e celulose
(efluentes de indústrias de celulose e papel, da madeira etc).
Há também compostos inorgânicos capazes de causar cor na água e os
principais são os óxidos de ferro e manganês, que são abundantes em diversos tipos de
solo, além disso, alguns outros metais presentes em efluentes industriais conferem-lhes
cor, mas, em geral, íons dissolvidos pouco ou quase nada interferem na passagem da luz
(Funasa, 2013). Entretanto, para a população em geral, o maior problema de cor na água
é o estético, já que causa um efeito repulsivo (Funasa, 2013). Os valores observados no
presente estudo encontraram-se dentro dos limites estabelecidos pela resolução
CONAMA nº. 357/2005 (≤ 75UC) e, assim como a condutividade, percebeu-se uma
variação entre os meses, com maiores valores predominando em outubro e menores em
abril, exceto no local PAS, onde o registro máximo foi expressivamente acima do limite
legal, certamente em razão do influxo de material promovido pela precipitação
pluviométrica.
Figura 3.6 – Variação da Condutividade Elétrica (µS/cm) (A) e Cor (UC) (B) em 2017, na fase
pré-obra, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante.
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(> 500)
Instituto Neotropical de Pesquisas Ambientais - INEO
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 19
Fósforo Total e Ortofosfato (mg/L)
As concentrações de fósforo total mostraram-se mais altas em outubro, com
valor máximo de 0,342 mg/L no PAS, e mais baixas em abril, com valor mínimo de
0,002 mg/L também no PAS (Figura 3.7A). O fósforo é um elemento essencial para o
funcionamento e para o crescimento das plantas aquáticas, uma vez que é componente
de ácidos nucléicos e adenosina trifosfato (Esteves, 1998). O fluxo de fósforo nas águas
continentais depende de processos geoquímicos nas bacias hidrográficas, sendo que os
fosfatos dissolvidos são derivados do processo de lixiviação de minerais (Tundisi &
Matsumura-Tundisi, 2008). Além disso, juntamente com a clorofila-a, é fundamental
para o cálculo do índice de estado trófico dos ambientes. A resolução CONAMA nº.
357/2005 estabelece limite 0,1 mg/L para esse parâmetro, portanto, apenas um dos
registros obtidos nos locais e meses aqui analisados foi superior ao estabelecido. Cabe
ressaltar que essa elevação dos níveis de fósforo foi acompanhada por aumento da
turbidez e queda da transparência da água, evidenciando processos de lixiviação das
margens pelas chuvas.
As concentrações de ortofosfato apresentaram valor máximo de 0,166 mg/L
no PAS, em abril, e mínimo de 0,001 mg/L também no PAS, em outubro (Figura 3.7B).
Esses registros acompanharam aqueles obtidos para o fósforo total, pois ambos são
influenciados pelos mesmos processos. O ortofosfato não tem limite referido na
resolução CONAMA nº. 357/2005.
Figura 3.7 – Variação da concentração de fósforo total (mg/L) (A) e ortofosfato (mg/L) (B), em
2017, na fase pré-obra, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante.
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Fósforo total 0,1 mg/L em ambientes lóticos
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Instituto Neotropical de Pesquisas Ambientais - INEO
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 20
Nitrogênio Orgânico e Nitrogênio Amoniacal (mg/L)
No período analisado, os valores de nitrogênio orgânico variaram de 2,212
mg/L no PAS, em abril, a 0,056 no BAR, em outubro (Figura 3.8A). Esse parâmetro
não tem limite estabelecido pela resolução CONAMA nº. 357/2005. Segundo Esteves
(1998), as formas nitrogenadas no ambiente aquático são encontradas de maneiras
variadas, tanto na parcela orgânica, como na inorgânica, no material particulado ou no
material dissolvido. As formas inorgânicas do nitrogênio, conforme esse autor, são as
predominantes, sendo o nitrogênio amoniacal (NH3), nitrato (NO3), nitrito (NO2) e suas
formas combinadas as mais comuns, além do nitrogênio total dissolvido (N2), que
resulta do somatório de todas as formas.
Com relação ao nitrogênio amoniacal, os valores oscilaram entre 1,330
mg/L (PAS) em abril, e <0,010 mg/L (PAS) em outubro (Figura 3.8B), assim, em todos
os locais esse parâmetro mostrou-se dentro do limite estabelecido pela resolução
CONAMA nº. 357/2005, para corpos de água da Classe 2 (3,70 mg/L, pH ≤ 7,50).
Figura 3.8 – Variação da concentração de nitrogênio orgânico (mg/L) (A) e nitrogênio
amoniacal (mg/L) (B) em 2017, na fase pré-obra, na área de influência da futura UHE Tibagi
Montante.
Nitrato e Nitrito (mg/L)
No período analisado, as concentrações de nitrato variaram de 1,10 mg/L
(REM), em abril, a 0,60 mg/L (MON e INT), também em abril (Figura 3.9A), ou seja,
foram observadas concentrações dentro do limite estabelecido pela resolução
CONAMA nº.357/2005 para águas de classe 2 (≤ 10 mg/L). O nitrato, que é a principal
forma de nitrogênio encontrada na água, ocorre em quantidades pequenas em águas
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(< 0,010)
Nitrogênio amoniacal < 3,70 mg/L, pH 7,50
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Instituto Neotropical de Pesquisas Ambientais- INEO
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 21
superficiais, pode atingir níveis elevados em águas subterrâneas e, quando em elevadas
concentrações, pode conduzir ao processo de eutrofização (Esteves, 1998).
As concentrações máxima e mínima de nitrito foram verificadas no mês de
outubro, com valores de 0,050 mg/L no REM e 0,003 no PAS, respectivamente (Figura
3.9B). A resolução CONAMA no 357/05 determina um limite até 1,0 mg/L de nitrito em
águas da classe II, portanto, todos os locais apresentaram concentrações dentro desse
limite. O nitrito é uma forma química do nitrogênio normalmente encontrada em
quantidades reduzidas nas águas superficiais, pois é instável na presença do oxigênio,
ocorrendo como uma forma intermediária no processo de nitrificação, no qual a amônia
é transformada (oxidada) por bactérias em nitrito e logo para nitrato (Esteves, 1998). O
íon nitrito pode ser utilizado pelas plantas como uma fonte de nitrogênio e sua presença
na água indica processos biológicos ativos influenciados por poluição orgânica, sendo
que em altas concentrações (> 1,0 mg/L) é tóxico aos organismos aquáticos (Esteves,
1998).
Figura 3.9 – Variação da concentração de nitrato (mg/L) (A) e nitrito (mg/L) (B) em 2017, na
fase pré-obra, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante.
DBO e DQO (mg/L)
Os valores máximo e mínimo de DBO registrados para área de influência da
futura UHE Tibagi Montante foram observados em abril, com respectivamente 7,38 no
INT e 2,49 mg/L no PAS (Figura 3.10A). A Demanda Bioquímica de Oxigênio no meio
aquático é a quantidade de oxigênio necessária para oxidar a matéria orgânica para uma
forma inorgânica estável por decomposição microbiana aeróbica (CETESB, 2006). Para
essa variável, a resolução CONAMA no 357/2005 preconiza concentrações não
superiores a 5,00 mg/L, dessa forma, o locais REM, INT, JUS e TRI apresentaram DBO
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Nitrato 10,00 mg/L
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Nitrito 1,00 mg/L
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Instituto Neotropical de Pesquisas Ambientais - INEO
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 22
acima desse limite, sugerindo maiores quantidades de matéria orgânica na água desses
locais.
Quanto à DQO, o maior e menor valor foi verificado em outubro, com 32,87
mg/L no BAR e 3,40 mg/L no REM e PAS, respectivamente (Figura 3.10B). A
Demanda Química de Oxigênio é a quantidade de oxigênio necessária para oxidação da
matéria orgânica através de um agente químico, seus valores normalmente são maiores
que os da DBO e o seu aumento num corpo de água deve-se principalmente a despejos
de origem industrial, sendo muito útil quando utilizada conjuntamente com a DBO para
analisar a biodegradabilidade de despejos (CETESB, 2006). Apesar da importância
desse parâmetro, não existe limite legal para o mesmo.
Figura 3.10 – Variação da demanda bioquímica de oxigênio (mg/L) (A) e da demanda química
de oxigênio (mg/L) (B) em 2017, na fase pré-obra, na área de influência da futura UHE Tibagi
Montante.
Clorofila-a (µg/L) e Cloretos (mg/L)
Nos meses analisados, as concentrações de clorofila-a variaram de 8,19
µg/L no PAS, em abril, a 0,27 µg/L no PAS, em outubro (Figura 3.11A). A clorofila,
além dos carotenóides e ficobilinas, é um dos pigmentos responsáveis pelo processo
fotossintético (Esteves, 1998). A clorofila-a é a mais universal das clorofilas (a, b, c e d)
e representa de 1 a 2% do peso seco do material orgânico em todas as algas
planctônicas, assim, é um indicador da biomassa algal, por isso é considerada uma das
variável indicadora de estado trófico dos ambientes aquáticos. Considerando-se o limite
≤ 30,0 µg/L desse parâmetro estabelecido pela resolução CONAMA nº. 357/2005 para
águas de classe 2, os ambientes analsados apresentaram suas concentrações adequadas,
evidenciando-se também baixa produtividade primária nos mesmos.
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DBO 5,00 mg/L
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 23
As concentrações de cloretos apresentaram-se pouco variáveis entre os
meses analisados, com valor máximo registrado no MON, em outubro (2,32 mg/L) e
valor mínimo no TRI, em abril (0,35 mg/L) (Figura 3.11B). O conhecimento do teor de
cloretos na água tem por finalidade obter informações sobre o seu grau de mineralização
ou indícios de poluição, como esgotos domésticos e resíduos industriais (Funasa, 2013).
Os valores de cloretos verificados neste estudo encontraram-se bem abaixo do limite
previsto pela resolução CONAMA nº. 357/2005 para águas de classe 2 (≤ 250 mg/L),
indicando boa qualidade da água quanto a esse parâmetro.
Figura 3.11 – Variação da concentração de clorofila-a (µg/L) e cloretos (mg/L) em 2017, na
fase pré-obra, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante.
Sólidos Totais, Sólidos Dissolvidos e Sólidos Suspensos (mg/L)
Os sólidos totais apresentaram concentrações variando entre 471,00 mg/L
(PAS) e 19,00 mg/L (TRI) em abril (Figura 3.12A), portanto, mostraram-se dentro dos
limites estabelecidos pela resolução CONAMA nº. 357/2005, para águas de classe 2
(≤500 mg/L). Em saneamento, os sólidos na água (totais, em suspensão, dissolvidos,
fixos e voláteis) correspondem a toda matéria que permanece como resíduo após os
processos de evaporação, secagem ou calcinação da amostra a uma temperatura pré-
estabelecida, durante determinado tempo (Cetesb, 2006).
Os valores de sólidos dissolvidos (Figura 3.12B) variaram de 286,48 mg/L
no INT, em abril, a 9,50 mg/L na JUS, em outubro. O conjunto dos sólidos dissolvidos
totais na água é formado por sais como cloretos, bicarbonatos, sulfatos e outros, que
podem conferir sabor salino e propriedades laxativas à água (Cetesb, 2006). Os valores
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Clorofila-a 30,0 µg/L
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Cloretos 250,0 mg/L
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Instituto Neotropical de Pesquisas Ambientais - INEO
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 24
observados no presente estudo apresentaram-se em conformidade com o limite
determinado pela resolução CONAMA no 357/05 para águas classe 2 (≤500 mg/L).
Quanto aos sólidos suspensos analisados, conforme a figura 3.12C, as
concentrações apresentaram-se entre 74,40 mg/L no PAS, em abril, e 1,00 mg/L no
JUS, em outubro. O material em suspensão é o material particulado não dissolvido,
encontrado no corpo d’água, composto por substâncias inorgânicas e orgânicas,
incluindo-se aí os organismos planctônicos (fito e zooplâncton), cuja principal
influência é na diminuição na transparência da água, impedindo a penetração da luz.
Para esse parâmetro, a resolução CONAMA nº. 357/2005, não prevê limites.
Figura 3.12 – Variação da concentração de sólidos totais (mg/L) (A), sólidos dissolvidos
(mg/L) (B) e sólidos suspensos (mg/L) (C) em 2017, na fase pré-obra, na área de influência da
futura UHE Tibagi Montante.
Dureza e Magnésio (mg/L)
No período avaliado, os valores de dureza oscilaram de 18,50 (PAS) a 11,50
mg/L (REM), ambos registrados no mês de abril (Figura 3.13A). Segundo Cetesb
(2006), dureza é um parâmetro característico da qualidade de águas de abastecimento
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Sólidos Dissolvidos 500,00 mg/L
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C
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 25
industrial e doméstico, sendo que do ponto de vista da potabilidade são admitidos
valores máximos relativamente altos, típicos de águas duras ou muito duras. Quase toda
a dureza da água, segundo esse autor, é provocada pela presença de sais de cálcio e de
magnésio (bicarbonatos, sulfatos, cloretos e nitratos), assim, os principais íons
causadores de dureza são cálcio e magnésio, tendo um papel secundário o zinco e o
estrôncio, e algumas vezes, alumínio e ferro férrico. Não há limite previsto na resolução
CONAMA nº. 357/2005 para esse parâmetro.
As concentrações de magnésio, em geral, foram mais elevadas no mês de
outubro, com registro máximo de 3,96 mg/L no local REM, e mínimo de 3,40 mg/L no
PAS (Figura 3.13B). O magnésio é um dos responsáveis pela dureza da água e, quando
comparado ao cálcio, é mais solúvel e mais difícil de precipitar (Cetesb, 2006).
Figura 3.13 – Variação da concentração de dureza total (mg/L) (A) e magnésio (mg/L) (B) em
2017, na fase pré-obra, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante.
Manganês e Ferro (mg/L)
As concentrações de Manganês variaram de 0,555 mg/L no PAS, em abril, a
0,000 mg/L no REM, em outubro (Figura 3.14A). O valor máximo registrado para esse
parâmetro mostrou-se muito acima do limite estabelecido pela resolução CONAMA nº.
357/2005, para águas de classe 2, que é de concentrações ≤ 0,1 mg/L. O manganês e
seus compostos são usados na indústria do aço, ligas metálicas, baterias, vidros,
oxidantes para limpeza, fertilizantes, vernizes, suplementos veterinários, entre outros
(Funasa, 2013). Este composto ocorre naturalmente nas águas superficiais naturais,
geralmente em concentrações de 0,2 mg/L ou menos, e em águas subterrâneas, no
Locais
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 26
entanto, as atividades antropogênicas são também responsáveis pela contaminação da
água (Funasa, 2013).
Com relação ao ferro, no período avaliado as concentrações variaram de
2,90 mg/L no BAR, em abril, a 0,01 mg/L no MON e PAS, em outubro (Figura 3.14B).
Segundo Funasa (2013), o ferro aparece principalmente em águas subterrâneas devido à
dissolução do minério pelo gás carbônico da água e, nas águas superficiais, o nível de
ferro aumenta nas estações chuvosas devido ao carreamento de solos e ocorrência de
processos de erosão das margens. Também segundo esse autor, a contribuição de
efluentes industriais também é importante, pois muitas indústrias metalúrgicas
desenvolvem atividades de remoção da camada oxidada (ferrugem) das peças antes de
seu uso, processo conhecido por decapagem, que normalmente é realizada por meio de
banho ácido na peça. O ferro, apesar de não se constituir um composto tóxico, traz
diversos problemas para o abastecimento público de água, conferindo cor e sabor à
água, provocando manchas em roupas e utensílios sanitários (Funasa, 2013). A
resolução CONAMA nº. 357/2005 prevê concentrações limites para esse parâmetro de
5,00 mg/L, portanto, os registros obtidos para esse parâmetro foram adequados.
Figura 3.14 – Variação da concentração de manganês (mg/L) (A) e ferro (mg/L) (B) em 2017,
na fase pré-obra, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante.
Óleos e Graxas (mg/L)
Pequenas concentrações de óleos e graxas foram verificadas apenas no mês
de abril, com máximo de 0,013 mg/L no BAR e mínimo de 0,001 mg/L no PAS. Os
óleos e graxas são substâncias orgânicas de origem mineral, vegetal ou animal,
geralmente hidrocarbonetos, gorduras e ésteres (Funasa, 2013). São raramente
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Manganês 0,1 mg/L
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Ferro 5,0 mg/L
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 27
encontrados em águas naturais, normalmente oriundos de despejos e resíduos
industriais, esgotos domésticos, efluentes de oficinas mecânicas, postos de combustível,
estradas e vias públicas, sendo os despejos industriais (especialmente refinarias,
frigoríficos e saboarias) os que mais contribuem para o aumento dessas substâncias nas
águas (Funasa, 2013). A resolução CONAMA nº. 357/2005 estabelece que óleos e
graxas devam estar virtualmente ausentes em águas de classe 2, assim, os registros
obtidos no mês de abril caracterizam, ainda que pequeno, certo grau de poluição
atingindo os ambientes analisados.
Cádmio (mg/L)
As análises de cádmio nas amostras obtidas resultaram em registros de
concentrações < 0,0005 mg/L, portanto, esse parâmetro está em conformidade com o
limite estabelecido pela resolução CONAMA nº. 357/2005 para águas da classe 2 (≤
0,001 mg/L). O cádmio é liberado no ambiente por efluentes industriais, principalmente
galvanoplastias, produção de pigmentos, soldas, equipamentos eletrônicos, lubrificantes
e acessórios fotográficos, bem como por poluição difusa causada por fertilizantes e
poluição do ar local (Funasa, 2013).
Chumbo (mg/L)
O chumbo foi detectado apenas no local MON, em concentrações de 0,002
mg/L, em abril e outubro, logo, esse parâmetro está em adequação com o limite previsto
na resolução CONAMA nº. 357/2005, para águas de classe 2 (≤ 0,01 mg/L). O chumbo
está presente no ar, no tabaco, em bebidas e alimentos, tem ampla aplicação industrial
na fabricação de baterias, tintas, esmaltes, inseticidas, vidros e ligas metálicas, e sua
presença na água ocorre por deposição atmosférica ou lixiviação do solo (Funasa,
2013).
Cromo Total (mg/L)
Concentrações < 0,005 mg/L de cromo foram obtidas em todos os locais e
meses amostrados, portanto, abaixo do limite da resolução CONAMA nº. 357/2005 para
águas de classe 2 (≤ 0,05 mg/L). O cromo é utilizado na produção de ligas metálicas,
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 28
estruturas da construção civil, fertilizantes, tintas, pigmentos, curtumes e preservativos
para madeira (Funasa, 2013). A maioria das águas superficiais contém entre 1 e 10 µg/L
de cromo, que na forma trivalente é essencial ao metabolismo humano e sua carência
causa doenças, entretanto, na forma hexavalente, é tóxico e cancerígeno, por isso os
limites máximos são estabelecidos basicamente em relação ao cromo hexavalente
(Funasa, 2013).
Cobre Dissolvido (mg/L)
Os níveis de cobre detectados em todas as amostras analisadas no presente
estudo foram de 0,0005 mg/L. Considerando-se que a resolução CONAMA nº.
357/2005, para águas de classe 2, estipula concentrações ≤ 0,009 mg/L, a qualidade da
água nos locais estudados esteve adequada. As fontes de cobre para o ambiente incluem
minas de cobre ou de outros metais, corrosão de tubulações de latão por águas ácidas,
efluentes de estações de tratamento de esgotos, uso de compostos de cobre como
algicidas aquáticos, escoamento superficial,contaminação da água subterrânea a partir
do uso agrícola e precipitação atmosférica de fontes industriais, sendo que para peixes e
humanos, doses elevadas de cobre são extremamente nocivas (Funasa, 2013).
Mercúrio (mg/L)
Os níveis de concentração detectados para o mercúrio foram < 0,0001 mg/L
em todas as amostras obtidas, logo, mostraram-se abaixo do limite preconizado pela
resolução CONAMA nº. 357/2005 para águas de classe 2, que é ≤ 0,0002 mg/L. O
mercúrio está presente na forma inorgânica na água superficial e subterrânea, em
concentrações geralmente abaixo de 0,5 μg/L, embora depósitos de minérios possam
elevar a concentração do metal na água subterrânea (Funasa, 2013). Entre as fontes
antropogênicas de mercúrio no meio aquático destacam-se as indústrias cloro-álcali de
células de mercúrio, vários processos de mineração e fundição, efluentes de estações de
tratamento de esgotos, indústrias de tintas, etc. (Funasa, 2013). A principal via de
exposição humana ao mercúrio é por ingestão de alimentos, principalmente pescados,
onde se mostra mais tóxico na forma de compostos organo-metálicos, com efeito
cumulativo e provocando lesões cerebrais (Funasa, 2013).
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 29
Níquel (mg/L)
Os níveis de níquel registrados foram < 0,007 mg/L, assim, as
concentrações em todos os locais estiveram de acordo com os limites estabelecidos pela
resolução CONAMA nº. 357/2005 para águas de classe 2 (≤ 0,025 mg/L).
Zinco (mg/L)
O zinco foi registrado em concentrações < 0,066 mg/L em todas as amostras
coletadas, portanto, dentro do limite preconizado pela resolução CONAMA nº.
357/2005 para águas de classe 2 (≤ 0,18 mg/L). O zinco e seus compostos são muito
usados na fabricação de ligas e latão, galvanização do aço, na borracha como pigmento
branco, suplementos vitamínicos, protetores solares, desodorantes, xampus, etc., e sua
presença é comum nas águas superficiais naturais, em concentrações geralmente abaixo
de 10 μg/L, e em águas subterrâneas ocorre entre 10-40 μg/L (Funasa, 2013). Na água
de torneira, a concentração desse metal pode ser elevada devido à dissolução do zinco
das tubulações, resultando na aparência leitosa e produzindo um sabor metálico ou
adstringente quando a água é aquecida (Funasa, 2013).
Coliformes Totais e Coliformes fecais (Escherichi coli) (NMP/100 mL)
As concentrações de coliformes totais variaram de um máximo de 24196
NMP/100 mL no PAS, em abril, a um mínimo de 727 NMP/100 mL no JUS, em
outubro (Figura 3.15A). Não há referência a limite para esse parâmetro na resolução
CONAMA no 357/2005.
Com relação a Escherichia coli, o maior valor foi observado no local PAS
(9804 NMP/100mL), em abril, e o menor no local JUS (62 NMP/100mL), em outubro
(Figura 3.15B). Apenas uma concentração registrada no mês de abril (241 NMP/100
mL, no local JUS) esteve abaixo do limite estabelecido pela resolução CONAMA
274/2000, que define concentrações máximas de 800 NMP/100 mL nas águas
superficiais de contato primário, portanto, a qualidade da água nos demais locais nesse
mês foi inadequada quanto a esse parâmetro. Todos os valores obtidos no mês de
outubro estiveram abaixo do limite legal. Cabe ressaltar que o grupo das bactérias
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 30
denominadas coliformes é tradicionalmente aceito como indicador de contaminação
fecal, principalmente as representantes da espécie Escherichia coli (Funasa, 2013).
Figura 3.15 – Variação da concentração de coliformes totais (NMP/100mL) (A) e Escherichia-
coli (NMP/100mL) (B) em 2017, na fase pré-obra, na área de influência da futura UHE Tibagi
Montante.
Índice de Qualidade da Água (IQA) e Índice de Estado Trófico (IET)
O maior valor de IQA foi obtido no local JUS, em abril (74,00), enquanto o
menor valor foi do local PAS, em outubro (38,17) (Figura 3.16A), assim, de maneira
geral, a qualidade da água na área de influência da futura UHE Tibagi Montante se
classificou entre as categorias boa (51 < IQA ≤ 79) e regular (36 < IQA ≤ 51). Quanto
ao IET, maiores valores foram obtidos em outubro, com máximo de 80 no local JUS, e
menores valores em abril, com mínimo de 48,79 no JUS (Figura 3.16B). Dessa forma,
de modo geral, os locais amostrados caracterizaram-se como hipereutróficos (IET > 67)
em outubro e variaram entre oligotróficos (47 < IET = 52) e supereutróficos (63 < IET =
67) em abril, indicando aportes de substâncias contaminantes variando espacial e
temporalmente.
Locais
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E. coli 800 NMP/100mL
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B
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 31
Figura 3.16 – Variação do Índice de Qualidade da Água (IQA) (A) e Índice de Estado Trófico
(IET) (B) em 2017, na fase pré-obra, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante.
A tabela 3.5 apresenta os valores dos parâmetros da qualidade da água
avaliados no ano de 2017 nos seis locais de amostragem na área de influência da futura
UHE Tibagi Montante. Os valores em vermelho indicam inadequação em relação à
resolução CONAMA no 357/2005 para corpos de água de classe 2. A maioria dos
parâmetros avaliados esteve dentro dos limites estabelecidos por essa legislação, exceto
alguns registros obtidos para coliformes fecais, DBO, fósforo total e pH.
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna i
Tabela 3.5 – Parâmetros analisados para a caracterização da Qualidade da Água em 2017, na fase pré-obra, na área de influência da futura UHE Tibagi
Montante.
Parâm
etros
Meses/Ano Resolução
CONAMA
357/05
Classe 2
Abr/17 Out/17
MON REM INT BAR JUS TRI PAS MON REM INT BAR JUS TRI PAS
Alcalinidade Total (mg/L) 14,27 15,23 13,045 13,03 13,15 13,015 5,26 15,095 17,375 14,385 13,485 14,26 12,48 10,15 Nm
Cádmio Total (mg/L) <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 0,001
Chumbo Total (mg/L) 0,002 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,002 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,01
Cloretos (mg/L) 2,323 2,298 2,096 2,121 2,146 0,354 1,010 2,42 2,02 1,92 1,92 1,87 0,66 1,57 250
Clorofila-a (µg/L) 1,6382 2,7303 4,3685 1,0921 0,5461 5,4607 8,1910 1,638 1,092 1,092 2,730 0,546 0,546 0,273 30
Cobre Dissolvido (mg/L) <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 <0,0005 0,009
Coliformes Fecais (E. coli)
(NMP/100mL)
620 934 545 934 241 1664 9804 158 75 98 122 62 305 631 800(*)
Coliformes Totais (NMP/100mL) 5743 7270 6488 6867 2310 15531 24196 4106 4352 7270 7270 727 3873 1918 Nm
Condutividade Elétrica (µS/cm) 45,7 45,8 41,5 40,2 42,1 31,7 21,9 59,2 57,5 52,8 48 50,1 36,6 38,3 Nm
Cor (UC) 34 36 40 56 43 45 >500 236 210 158 145 150 345 100 Nm
Cromo Total (mg/L) <0,005 <0,005 <0,005 <0,005 <0,005 <0,005 <0,005 <0,005 <0,005 <0,005 <0,005 <0,005 <0,005 <0,005 0,05
DBO (mg/L) 4,4394 6,4092 7,3794 4,7628 5,3214 5,6154 1,5582 3,74 2,70 3,82 3,47 3,35 1,90 2,49 5
DQO (mg/L) 4,7200 28,3333 13,6944 14,1667 24,5556 18,8889 27,8611 9,07 3,40 22,67 32,87 18,13 9,07 3,40 Nm
Dureza Total (mg/L) 16,55 11,50 12,85 15,25 15,40 11,85 36,50 21,2 20,9 18,30 18,30 18,50 18,8018,50 Nm
Ferro (mg/L) 0,45 0,47 0,70 2,90 0,76 0,92 1,00 0,01 0,03 0,11 0,20 1,27 0,52 0,01 Nm
Fósforo Total (mg/L) 0,0688 0,0730 0,0480 0,0538 0,0472 0,0322 0,3422 0,0103 0,0114 0,0082 0,0073 0,0070 0,0063 0,0021 0,1
Magnésio (mg/L) 3,30752 2,04288 1,60512 3,11296 2,7968 1,89696 0,88768 3,551 3,964 3,308 3,283 3,551 3,697 3,405 Nm
Manganês Total (mg/L) 0,015 <0,013 0,013 0,017 0,028 0,025 0,018 0,015 <0,013 0,013 0,017 0,028 0,025 0,018 0,1
Mercúrio Total (mg/L) <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 <0,0001 0,0002
Níquel (mg/L) <0,007 <0,007 <0,007 <0,007 <0,007 <0,007 <0,007 <0,007 <0,007 <0,007 <0,007 <0,007 <0,007 <0,007 Nm
Nitrato (mg/L) 0,60 1,80 0,60 1,00 1,20 0,90 1,40 1,6 1,7 1,6 1,4 1,4 1,1 0,9 10
Nitrito (mg/L) 0,0220 0,0198 0,0144 0,0145 0,0102 0,0084 0,0138 0,0477 0,0504 0,0412 0,0284 0,0278 0,0124 0,0032 1
Nitrogênio Amoniacal (mg/L) 0,268 0,2655 0,0205 0,0255 0,033 0,1105 1,33 0,229 0,264 0,151 0,103 0,064 0,061 <0,010 3,7
Nitrogênio Orgânico (mg/L) 0,378 0,854 0,266 0,322 0,35 0,266 2,212 0,868 0,588 0,308 0,056 0,840 0,476 0,532 Nm
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 33
Parâm
etros
Meses/Ano Resolução
CONAMA
357/05
Classe 2
Abr/17 Out/17
MON REM INT BAR JUS TRI PAS MON REM INT BAR JUS TRI PAS
Óleos e Graxas (mg/L) 0,01 0,00 0,01 0,01 0,01 0,00 0,00 <5 <5 <5 <5 <5 <5 <5 Ausentes
Ortofosfato (mg/L) 0,0298 0,0323 0,0223 0,0265 0,0223 0,0140 0,1665 0,010 0,008 0,059 0,048 0,051 0,053 0,001 Nm
Oxigênio dissolvido (% Saturação) 82,4 80,7 73 78,6 79,9 84,8 65,7 88,5 87,4 86,5 92 93,5 81,2 80,4 Nm
Oxigênio Dissolvido (mg/L) 7,69 7,31 6,74 7,16 7,34 8,00 6,28 8,26 8,15 8,06 8,30 8,60 7,89 8,26 5
pH 6,62 6,60 5,78 6,05 6,75 6,62 6,20 7,75 7,39 7,50 7,56 7,62 7,44 7,46 6,0-9,0
Sólidos Dissolvidos (mg/L) 56 53,5 564 56,5 10,5 43 286,49 32,5 50 37 65 9,5 66 48,5 Nm
Sólidos Suspensos (mg/L) 5,60 6,00 6,10 11,30 12,90 5,10 74,40 22,8 26,2 19,2 11,4 1 19,2 3,2 Nm
Sólidos Totais (mg/L) 69,00 43,00 32,00 51,00 37,00 19,00 471,00 47 81 59,5 99 61,5 78,5 51,5 500
Temperatura da Água (oC) 19,70 20,10 19,60 20,00 19,70 18,20 17,70 18,5 18,8 18,7 19,9 19,9 17,0 14,4 Nm
Temperatura do Ar (oC) 16 16 16 16 18 16 18 23,0 23,0 23,0 25,0 25,0 23,0 25,0 Nm
Transparência (m) 0,85 0,90 0,90 0,95 0,90 0,55 0,10 0,60 0,60 0,60 0,60 0,60 0,40 0,70 Nm
Turbidez (NTU) 22,1 18,2 22,1 31,8 16,2 31,7 >1101 47,50 30,00 13,80 13,60 13,80 43,40 9,15 100
Zinco (mg/l) <0,066 <0,066 <0,066 <0,066 <0,066 <0,066 <0,066 <0,066 <0,066 <0,066 <0,066 <0,066 <0,066 <0,066 0,18
IQA 68 68 66 63 74 67 40 50 49 48 51 44 44 38 Nm
IET 54,53 56,89 57,83 52,13 48,79 57,76 65,66 72 77 79 78 80 72 73 Nm
Nm – não mencionado; valores em vermelho não atendem a resolução CONAMA no 357/05 para corpos de água Classe 2; (*) Valor estabelecido pela
resolução CONAMA nº. 274/2000.
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna i
Análise de Componentes Principais (PCA)
A Análise de Componentes Principais (PCA), buscando-se verificar
correlação entre os parâmetros físicos, químicos e biológicos nos locais e meses
analisados, mostrou que os dois primeiros eixos explicaram 66,32% da variabilidade
dos dados (Figura 3.17). O primeiro eixo (PCA1), com autovalor 11,92, explicou
45,86% da variabilidade, sendo que os parâmetros amônia, coliformes fecais, coliformes
totais, cor, dureza, fósforo total e nitrogênio total contribuíram positivamente para a
formação do mesmo, enquanto os parâmetros alcalinidade, condutividade elétrica,
magnésio e oxigênio dissolvido contribuíram negativamente. O segundo eixo (PCA2),
com autovalor de 5,32, explicou 20,46% da variabilidade dos dados, tendo contribuído
positivamente para formação do mesmo apenas o parâmetro DBO, enquanto os
parâmetros cor, dureza, magnésio, nitrato, nitrito, oxigênio dissolvido e pH contribuíram
negativamente. A análise evidenciou também que houve diferença significativa entre os
meses de estudo, indicando variação sazonal da qualidade da água superficial nos locais
amostrados na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, o que possivelmente
esteja associado ao ciclo hidrológico. Evidenciou-se ainda que o local PAS diferiu
significativamente dos demais no mês de abril.
Figura 3.17 – Análise de componente principais aplicada aos dados dos parâmetros
físicos, químicos e biológicos das águas superficiais coletadas em 2017, na fase pré-
obra, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante.
MON
REM
INT
BAR
JUS
TRI
PAS
MONREM
INT
BAR
JUS
TRI
PAS
-10 -8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10 12 14
PCA1
-6
-4
-2
0
2
4
6
P
C
A
2
Abr17 Out17
Amônia, Coliformes fecais, Coliformes totais,
Cor, Dureza, Fósforo total, Nitrogênio total
Alcalinidade, Condutividade,
Magnésio, Oxigênio dissolvido
DBO
Cor
Dureza,
Magnésio
Nitrato
Nitrito
Oxigênio dissolvido
pH
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 35
3.3 Considerações finais
Os parâmetros analisados nos locais e meses a que se refere este estudo
indicam que os ambientes amostrados na área de influência da futura UHE Tibagi
Montante encontram-se pouco degradados, sem ocorrência de processos que conduzam
a prejuízos nos usos da água.
Considerando-se a qualidade da água, com pequeno aporte de nutrientes,
baixa produtividade primária, assim como o fato de que o empreendimento será operado
a fio d´água, a área do reservatório (6,84 km2), com pequeno tempo de residência da
água (3,6 dias), a probabilidade de ocorrer eutrofização do futuro reservatório é baixa.
Assim, as águas do futuro reservatório poderão ter os seguintes usos: i) ao
abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional; ii) proteção das
comunidades aquáticas; iii) recreação de contato primário, como natação, esqui aquático
e mergulho, conforme a resolução CONAMA no 274/2000; iv) irrigação de hortaliças,
plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os quais o
público possa vir ater contato direto; e v) aquicultura e atividades de pesca.
Os resultados aqui apresentados corroboram aqueles apresentados no Estudo
de Impacto Ambiental para a implantação do empreendimento, bem como aqueles do
monitoramente realizado após a emissão da licença prévia, evidenciando que a
qualidade da água do rio Tibagi, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante,
tem permanecido relativamente preservada.
3.4 Referências
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Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 36
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UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 38
4. COMUNIDADE FITOPLANCTÔNICA
4.1 Metodologia
As amostragens quantitativas da comunidade fitoplanctônica foram
realizadas à subsuperfície, utilizando-se a simples passagem de frasco de vidro ou
polietileno com capacidade de 150 ml, sendo as amostras fixadas com solução de lugol
acético. Paralelamente, para auxiliar nos estudos taxonômicos, foram filtrados 200 litros
de água em rede de plâncton cônica com abertura de malha de 20 m (Figura 4.1),
sendo este material acondicionado em frascos de polietileno e fixado em solução de
Transeau (Bicudo e Menezes, 2006).
Figura 4.1 – Coleta da Comunidade Fitoplanctônica.
As amostras fixadas foram encaminhadas ao laboratório, onde as análises
taxonômicas e quantitativas foram realizadas com auxílio de um microscópio invertido
e uma câmara de sedimentação (Utermölh, 1958). A densidade fitoplanctônica foi
estimada segundo o método de Utermöhl (1958) com prévia sedimentação da amostra,
sendo o volume sedimentado estabelecido de acordo com a concentração de algas e/ou
detritos na amostra (3, 5 ou 10 mL), e o tempo de sedimentação conforme a altura da
câmara, sendo de pelo menos três horas para cada centímetro de altura da câmara de
sedimentação.
As contagens foram realizadas aleatoriamente até a obtenção de 100
campos, sendo o erro inferior a 20%, a um coeficiente de confiança de 95% (Lund et al.,
1958). Para a contagem das algas e cianobactérias, os indivíduos foram considerados na
forma como ocorrem na natureza (e.g. células, colônias ou filamentos), sendo o
resultado expresso em indivíduos (células, cenóbios, colônias ou filamentos) por
mililitro, como segue:
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 39
𝑁 =
𝑋. 𝐴
𝑎. 𝑣. 𝑐
Onde:
N= Número de indivíduos por volume na amostra (indivíduos/mL);
X= Número de indivíduos contados na câmara de sedimentação;
A= Área da câmara (490,88 mm);
v= Volume da amostra sedimentada na câmara (3, 5 ou 10 mL);
a= Área do campo de contagem (0,20 mm);
c=número de campos contados (100 campos).
A identificação foi realizada com auxílio de Bourrelly (1972), Bicudo &
Bicudo (1970), Komárek & Fott (1983), Round et al., (1990), Metzeltin & Lange-
Bertalot (1998), Bicudo & Menezes (2005, 2006), Franchescini et al., (2010), além de
outros artigos científicos de descrição de espécies.
O sistema de classificação seguiu o proposto por Reviers (2003) que foi
adotado para o enquadramento taxonômico das algas eucarióticas ao nível de Classe,
enquanto que o enquadramento de Cyanobacteria seguiu Komárek & Anagnostidis
(1989, 1998, 2005).
Os atributos da assembleia foram determinados através dos índices
ecológicos como: índice de diversidade de Shannon, expresso pela equação:
s
1i
ii lnppH'
sendo:
s=número de espécies;
pi=proporção do grupo i.
A equitabilidade (E) será calculada de acordo com a expressão:
lnS
H'
E
sendo:
H’=índice de diversidade de Shannon;
S=número de espécies.
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 40
4.2 Resultados e discussão
A comunidade fitoplanctônica na área de influência da futura UHE Tibagi
Montante revelou a presença de 101 táxons (Tabela 4.1), distribuídos em 8 classes
(Figura 4.2): Bacillariophyceae (48 táxons, 47,52%); Chlorophyceae (35 táxons,
34,65%); Cyanobacteria (8 táxons, 7,92%); Cryptophyceae e Zygnematophyceae (3
táxons, 2,97% para cada táxon); Euglenophyceae (2 táxons, 1,98%); Oedogoniophyceae
e Crysophyceae (1 táxons, 0,99% para cada táxon).
Em todos os locais analisados, a classe Bacillariophyceae predominou em
número de táxons, seguido das classes Chlorophyceae e Cyanobacteria. Os locais que
apresentaram maior número de táxons foram JUS (67 táxons), MON (63 táxons) e REM
(60 táxons). As classes Bacillariophyceae, Chlorophyceae e Cyanobacteria foram as de
maior ocorrência, com registros em todos os locais de coleta. As classes Crysophyceae e
Oedogoniophyceae ocorreram apenas no local MON (Tabela 4.1).
Em relação às densidades da comunidade fitoplanctônica, a classe
Cyanobacteria apresentou a maior densidade média com 330 céls/L, seguida da classe
Bacillariophyceae (260 céls/L). Entre os locais amostrados, a maior densidade foi
registrada no local BAR (1303 céls/L), seguido do local JUS (1075 céls/L) e MON (994
céls/L). Em relação às espécies, pode-se destacar Cylindrospermopsis raciborskii
(classe Cyanobacteria), com alta densidade nos locais BAR (690 céls/L) e MON (550
céls/L), assim como Nitzschia palea (classe Bacillariophyceae), no ponto JUS (79
céls/L) e Aulacoseira ambigua var. ambigua (classe Bacillariophyceae) no local REM
(91 céls/L) (Tabela 4.1).
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 41
Figura 4.2 - Número de táxons de cada classe registrados nos oito locais de amostragem na área
de influência da futura UHE Tibagi Montante, no rio Tibagi, no outono e primavera de 2017.
0
5
10
15
20
25
30
35
JUS BAR MON REM TRI INT SAN PAS
N
d
e
t
á
x
o
n
s
Cyanobacteria Bacillariophyceae Chlorophyceae Cryptophyceae
Euglenophyceae Zygnematophyceae Oedogoniophyceae Crysophyceae
UHE TIBAGI MONTANTE
MonitoramentoLimnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 42
Tabela 4.1 – Densidade (céls/L) da comunidade fitoplanctônica, para cada local de coleta, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante no rio Tibagi,
no outono e primavera de 2017.
GRUPOS TAXONÔMICOS LOCAIS DE AMOSTRAGEM
JUS BAR INT REM MON TRI SAN PAS
CYANOBACTERIA 461 707 572 371 5 383 140 5
Aphanocapsa elachista W. e G. S. West 2 0 2 0 0 0 0 0
Aphanocapsa koordersi Strom 0 0 0 2 0 0 0 0
Cylindrospermopsis raciborskii (Woloszynska) Seenayya & Subba Raju in Desikachary 452 690 550 349 2 373 2 2
Dolichospermum circinale (Rabenhorst ex Bornet & Flahault) 0 0 0 0 0 0 135 0
Komvophoron crassum (Vozzhennikova) Anagnostidis & Komárek 5 7 12 12 0 10 0 0
Merismopedia tenuissima Lemmermann 2 0 0 2 0 0 0 0
Planktolyngbya limnetica (Lemmermann) Komárková-Legnerová & Cronberg 0 10 5 5 2 0 2 2
Pseudanabaena limnetica (Lemm.) Kom. 0 0 2 0 0 0 0 0
BACILLARIOPHYCEAE 388 292 312 442 174 344 91 42
Achnanthidium exiguum(Grunow) Czarnecki 2 0 0 0 0 0 2 0
Achnanthidium minutissimum (Kütz.) Czarn. 0 2 0 0 0 2 2 2
Amphipleura lindheimeri Grun. 0 0 0 0 5 0 2 0
Aulacoseira ambigua (Grun.) Sim. var. ambigua 54 25 47 91 2 32 0 0
Aulacoseira ambigua var. ambigua f. spiralis (Skuja) Ludwig 32 15 32 59 0 34 0 0
Aulacoseira distans (Ehr.) Sim. 7 5 2 0 0 0 0 0
Aulacoseira granulata (Ehr.) Sim. var. angustissima 17 34 37 27 0 22 0 0
Aulacoseira granulata (Ehr.) Sim. var. granulata 5 10 2 2 0 2 0 0
Adlafia drouetiana (R.Patrick) Metzeltin & Lange-Bertalot 0 0 0 0 0 2 0 0
Cyclotella meneghiniana Kützing 27 66 7 15 2 32 5 2
Cymbella affinis Kützing 0 0 0 0 2 0 0 0
Cocconeis placentula Ehrenberg 7 12 5 7 5 0 15 2
Discostella stelligera (Cleve & Grunow) Houk & Klee 17 20 5 27 2 5 0 0
Encyonema minutum (Hilse) D.G.Mann in Round, R.M.Crawford & D.G.Mann 0 0 0 0 0 2 0 0
Encyonema neogracile Krammer 0 0 0 0 2 0 0 0
Encyonema perpusillum (Cleve-Euler) D.G.Mann in Round, R.M.Crawford & D.G.Mann 0 0 0 0 0 2 0 0
Encyonema silesiacum(Bleisch) D.G.Mann 10 5 12 7 7 2 7 0
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 43
GRUPOS TAXONÔMICOS LOCAIS DE AMOSTRAGEM
JUS BAR INT REM MON TRI SAN PAS
Eunotia camelus Ehrenberg 0 0 0 0 2 0 0 0
Eunotia sp. 2 0 2 0 0 0 0 0
Fragilaria tenera (W.Smith) Lange-Bertalot 7 0 2 7 0 0 0 0
Frustulia neomundana Lange-Bertalot & U.Rumric 0 0 0 0 0 2 0 0
Frustulia saxonica Rabenhorst 2 0 0 0 0 2 0 0
Gyrosigma acuminatum(Kützing) Rabenhorst 0 2 0 0 0 2 0 0
Gyrosigma obtusatum (Sullivant & Wormley) C.S.Boyer 2 0 2 2 0 0 0 0
Gomphonema gracile Ehrenberg 0 0 0 0 0 0 0 2
Gomphonema parvulum (Kütz.) Kütz. 7 5 0 5 0 7 2 0
Gomphonema sp. 0 2 5 0 0 0 5 0
Melosira varians Agardh 7 5 10 15 5 10 2 0
Navicula cryptotenella Lange-Bertalot 20 10 7 17 17 20 5 2
Navicula escambia (R.M.Patrick) Metzeltin & Lange-Bertalot 2 2 0 5 7 2 0 0
Navicula rostellata Kützing 10 5 10 5 5 2 0 0
Navicula viridula (Kützing) Ehrenberg 0 0 0 0 0 0 2 7
Navicula sp. 0 0 2 2 0 0 0 0
Nitzschia clausii Hantzsch 0 0 0 0 0 0 2 0
Nitzschia dissipata (Kützing) Rabenhorst 0 0 2 12 0 7 0 0
Nitzschia gracilis Hantzsch 2 2 0 2 0 5 0 0
Nitzschia palea (Kütz.) W. Sm. 79 34 59 22 32 44 15 2
Nupela sp. 2 0 2 0 0 0 0 10
Pinnularia sp. 2 0 2 2 5 2 0 0
Planothidium sp 2 0 0 0 0 0 0 0
Sellaphora laevissima(Kützing) D.G.Mann 0 0 0 0 2 0 0 0
Sellaphora pupula (Kützing) Mereschkovsky 0 0 0 10 0 0 0 0
Sellaphora sp. 20 10 12 34 10 37 0 0
Surirella linearis W.Smith 0 2 2 2 5 2 0 0
Synedra goulardii Brébisson ex Cleve & Grunow 0 5 0 0 0 0 0 0
Tryblionella sp 0 0 0 2 0 0 0 0
Ulnaria ulna (Nitzsch) P.Compère 7 2 7 0 0 0 0 0
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 44
GRUPOS TAXONÔMICOS LOCAIS DE AMOSTRAGEM
JUS BAR INT REM MON TRI SAN PAS
Pennales 32 10 32 59 54 56 22 10
CHLOROPHYCEAE 189 287 91 123 34 69 15 115
Ankistrodesmus fusiformis Corda 2 5 0 10 2 0 0 5
Ankistrodesmus gracilis (Reinsch) Korshikov 0 0 2 0 0 0 0 0
Chlamydomonas sp. 5 0 2 0 0 0 0 0
Closteriopsis longissima (Lemm.) Lemm. 10 12 5 7 0 0 0 0
Closteriopsis scolia A.Comas 2 2 2 0 0 0 0 0
Diacanthos belenophorus Korshikov 2 7 2 0 0 0 0 0
Desmodesmus abundans (Kirchn.) Hegew. 0 5 5 0 0 0 0 0
Desmodesmus armatus var. armatus (R. Chodat) Hegewald 15 39 2 5 0 5 5 0
Desmodesmus armatus var. bicaudatus (Guglielmetti) E.Hegewald 0 17 2 10 0 10 0 0
Desmodesmus communis (Hegew.) Hegew. 22 17 5 15 0 2 0 0
Desmodesmus denticulatus var. denticulatus (Lag.) Am., Friedl e Hegew. 2 0 0 0 0 5 0 0
Desmodesmus opoliensis (P.G.Richter) E.Hegewald 5 0 0 0 0 0 0 0
Desmodesmus pseudodenticulatus (E.Hegewald) E.Hegewald 2 2 0 2 0 0 0 0
Elakatothrix sp. 0 0 2 0 2 0 0 0
Kirchneriella lunaris (Kirchner) Möbius 0 0 0 10 2 0 0 0
Monoraphidium arcuatum (Kors.) Hind. 17 10 7 2 0 0 0 0
Monoraphidium contortum (Thur.) Kom. – Legn. 17 25 7 15 0 15 5 29
Monoraphidium flexuosumKomárek 2 103 7 5 17 5 2 27
Monoraphidium griffithii (Berk.) Kom.-Legn. 15 2 15 5 0 10 0 0
Monoraphidium minutum (Näg.) Kom.-Legn. 22 7 5 15 0 5 0 32
Monoraphidium pusillum (Printz) Komárková-. Legnorová 7 0 2 0 5 2 0 22
Monoraphidium tortile (W. e G.S. West) Kom.- Legn. 2 0 0 0 0 0 0 0
Oocystis borgei J.W.Snow 0 2 0 2 2 0 0 0
Oocystis taenoensis Komárek 0 0 0 2 0 0 0 0
Pediastrum duplex Meyen 0 0 0 2 0 0 0 0
Scenedesmus acuminatus (Lagerheim) Chodat 7 2 2 0 0 5 0 0
Scenedesmus acutus Mey. 2 0 0 0 0 0 0 0
Scenedesmus ecornis (Ehrenberg) Chodat 20 0 5 7 0 5 0 0
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 45
GRUPOS TAXONÔMICOS LOCAIS DE AMOSTRAGEM
JUS BAR INT REM MON TRI SAN PAS
Scenedesmus dimorphus (Turpin) Kützing 5 5 0 0 0 0 0 0
Scenedesmus obtusus Meyen 0 5 0 0 0 0 0 0
Schroederia antillarum Kom. 0 0 0 2 0 0 0 0
Spermatozopsis exsultans Kors. 0 0 5 0 0 0 0 0
Sphaerocystis sp 2 12 2 5 2 0 2 0
Stauridium tetras (Ehrenberg) E.Hegewald 0 2 0 0 0 0 0 0
Tetrastrum komarekii Hindák 0 2 0 0 0 0 0 0
CRYPTOPHYCEAE 5 2 5 5 0 2 0 0
Cryptomonas brasiliense A.Castro, C.Bicudo & D.Bicudo 0 0 2 2 0 0 0 0
Cryptomonas marssonii Skuja 0 0 0 0 0 2 0 0
Cryptomonas sp. 5 2 2 2 0 0 0 0
EUGLENOPHYCEAE 2 0 0 2 0 0 0 0
Euglena sp 0 0 0 2 0 0 0 0
Trachelomonas hispida (Perty) F.Stein 2 0 0 0 0 0 0 0
ZYGNEMATOPHYCEAE 29 15 2 20 0 20 0 0
Mougeotia sp. 22 15 2 15 0 20 0 0
Staurastrum alternans Brébisson 5 0 0 0 0 0 0 0
Staurastrum tetracerum Ralfs ex Ralfs 2 0 0 5 0 0 0 0
OEDOGONIOPHYCEAE 0 0 2 0 0 0 0 0
Oedogonium sp. 0 0 2 0 0 0 0 0
CRYSOPHYCEAE 0 0 10 0 0 0 0 0
Dinobryon sertulariaEhrenberg 0 0 10 0 0 0 0 0
TOTAL (cel/L) 1075 1303 994 962 214 817 245 162
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 46
Considerando as densidades médias entre as classes (Figura 4.3),
Cyanobacteria foi a mais representativa no outono (697 céls/L) e na primavera a classe
Bacillariophyceae (393 céls/L).
Em relação às estações do ano (Tabela 4.2), a maior densidade média foi
registrada no outono (105 céls/L) e a menor na primavera (59 céls/L). Assim como na
escala espacial, a espécie Cylindrospermopsis raciborskii (Cyanobacteria) apresentou a
maior densidade no outono (690 céls/L), seguida de Aulacoseira ambigua var. ambigua
e Nitzschia palea pertencentes à classe Bacillariophyceae, com alta densidade na
primavera (76 e 54 céls/L).
A densidade média das algas da classe Cyanophyceae oscilou entre 20
céls/L a 393 céls/L, de acordo com a resolução CONAMA no 357/2005, as
concentrações máximas de cianobactérias são de 50.000 céls/mL, deste modo, as
concentrações registradas estão abaixo dos limites estabelecidos.
Figura 4.3– Densidade média para as classes na área de influência da futura UHE Tibagi
Montante, no rio Tibagi, no outono e primavera de 2017.
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
OutonoPrimavera
D
en
si
d
ad
e
m
éd
ia
(
C
él
/L
)
Cyanobacteria Bacillariophyceae Chlorophyceae Cryptophyceae
Euglenophyceae Zygnematophyceae Oedogoniophyceae Crysophyceae
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 47
Tabela 4.2 – Densidade (céls/L) da comunidade fitoplanctônica, na área de influência da futura
UHE Tibagi Montante, no rio Tibagi, no outono e primavera de 2017.
GRUPOS TAXONÔMICOS
ESTAÇÕES DO
ANO
Primavera Outono
CYANOBACTERIA 201 2442
Aphanocapsa elachista W. e G. S. West 2 2
Aphanocapsa koordersi Strom 2 0
Cylindrospermopsis raciborskii (Woloszynska) Seenayya & Subba Raju in
Desikachary
17 2403
Dolichospermum circinale (Rabenhorst ex Bornet & Flahault) 135 0
Komvophoron crassum (Vozzhennikova) Anagnostidis & Komárek 15 32
Merismopedia tenuissima Lemmermann 5 0
Planktolyngbya limnetica (Lemmermann) Komárková-Legnerová & Cronberg 25 2
Pseudanabaena limnetica (Lemm.) Kom. 0 2
BACILLARIOPHYCEAE 1779 304
Achnanthidium exiguum(Grunow) Czarnecki 5 0
Achnanthidium minutissimum (Kütz.) Czarn. 7 2
Amphipleura lindheimeri Grun. 5 2
Aulacoseira ambigua (Grun.) Sim. var. ambigua 236 15
Aulacoseira ambigua var. ambigua f. spiralis (Skuja) Ludwig 172 0
Aulacoseira distans (Ehr.) Sim. 0 15
Aulacoseira granulata (Ehr.) Sim. var. angustissima 98 39
Aulacoseira granulata (Ehr.) Sim. var. granulata 0 22
Adlafia drouetiana (R.Patrick) Metzeltin & Lange-Bertalot 0 2
Cyclotella meneghiniana Kützing 157 0
Cymbella affinis Kützing 2 0
Cocconeis placentula Ehrenberg 54 0
Discostella stelligera (Cleve & Grunow) Houk & Klee 76 0
Encyonema minutum (Hilse) D.G.Mann in Round, R.M.Crawford & D.G.Mann 0 2
Encyonema neogracile Krammer 2 0
Encyonema perpusillum (Cleve-Euler) D.G.Mann in Round, R.M.Crawford &
D.G.Mann
0 2
Encyonema silesiacum(Bleisch) D.G.Mann 52 0
Eunotia camelus Ehrenberg 2 0
Eunotia sp. 5 0
Fragilaria tenera (W.Smith) Lange-Bertalot 15 2
Frustulia neomundana Lange-Bertalot & U.Rumric 0 2
Frustulia saxonica Rabenhorst 5 0
Gyrosigma acuminatum(Kützing) Rabenhorst 5 0
Gyrosigma obtusatum (Sullivant & Wormley) C.S.Boyer 0 7
Gomphonema gracile Ehrenberg 2 0
Gomphonema parvulum (Kütz.) Kütz. 25 2
Gomphonema sp. 12 0
Melosira varians Agardh 29 25
Navicula cryptotenella Lange-Bertalot 98 0
Navicula escambia (R.M.Patrick) Metzeltin & Lange-Bertalot 12 7
Navicula rostellata Kützing 22 15
Navicula viridula (Kützing) Ehrenberg 10 0
Navicula sp. 2 2
Nitzschia clausii Hantzsch 2 0
Nitzschia dissipata (Kützing) Rabenhorst 20 2
Nitzschia gracilis Hantzsch 0 12
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 48
GRUPOS TAXONÔMICOS
ESTAÇÕES DO
ANO
Primavera Outono
Nitzschia palea (Kütz.) W. Sm. 187 101
Nupela sp. 15 0
Pinnularia sp. 7 7
Planothidium sp 2 0
Sellaphora laevissima(Kützing) D.G.Mann 2 0
Sellaphora pupula (Kützing) Mereschkovsky 10 0
Sellaphora sp. 113 10
Surirella linearis W.Smith 10 5
Synedra goulardii Brébisson ex Cleve & Grunow 5 0
Tryblionella sp 2 0
Ulnaria ulna (Nitzsch) P.Compère 17 0
Pennales 275 0
CHLOROPHYCEAE 744 179
Ankistrodesmus fusiformis Corda 25 0
Ankistrodesmus gracilis (Reinsch) Korshikov 0 2
Chlamydomonas sp. 0 7
Closteriopsis longissima (Lemm.) Lemm. 0 34
Closteriopsis scolia A.Comas 2 5
Diacanthos belenophorus Korshikov 0 12
Desmodesmus abundans (Kirchn.) Hegew. 5 5
Desmodesmus armatus var. armatus (R. Chodat) Hegewald 71 0
Desmodesmus armatus var. bicaudatus (Guglielmetti) E.Hegewald 39 0
Desmodesmus communis (Hegew.) Hegew. 42 20
Desmodesmus denticulatus var. denticulatus (Lag.) Am., Friedl e Hegew. 0 7
Desmodesmus opoliensis (P.G.Richter) E.Hegewald 5 0
Desmodesmus pseudodenticulatus (E.Hegewald) E.Hegewald 0 7
Elakatothrix sp. 0 5
Kirchneriella lunaris (Kirchner) Möbius 12 0
Monoraphidium arcuatum (Kors.) Hind. 15 22
Monoraphidium contortum (Thur.) Kom. – Legn. 108 5
Monoraphidium flexuosumKomárek 169 0
Monoraphidium griffithii (Berk.) Kom.-Legn. 34 12
Monoraphidium minutum (Näg.) Kom.-Legn. 81 5
Monoraphidium pusillum (Printz) Komárková-. Legnorová 37 2
Monoraphidium tortile (W. e G.S. West) Kom.- Legn. 0 2
Oocystis borgei J.W.Snow 7 0
Oocystis taenoensis Komárek 0 2
Pediastrum duplex Meyen 2 0
Scenedesmus acuminatus (Lagerheim) Chodat 17 0
Scenedesmus acutus Mey. 0 2
Scenedesmus ecornis (Ehrenberg) Chodat 37 0
Scenedesmus dimorphus (Turpin) Kützing 0 10
Scenedesmus obtusus Meyen 5 0
Schroederia antillarum Kom. 0 2
Spermatozopsis exsultans Kors. 0 5
Sphaerocystis sp 27 0
Stauridium tetras (Ehrenberg) E.Hegewald 2 0
Tetrastrum komarekii Hindák 0 2
CRYPTOPHYCEAE 2 17
Cryptomonas brasiliense A.Castro, C.Bicudo & D.Bicudo 0 5
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 49
GRUPOS TAXONÔMICOS
ESTAÇÕES DO
ANO
Primavera Outono
Cryptomonas marssonii Skuja 0 2
Cryptomonas sp. 2 10
EUGLENOPHYCEAE 2 2
Euglena sp 2 0
Trachelomonas hispida (Perty) F.Stein 0 2
ZYGNEMATOPHYCEAE 5 81
Mougeotia sp. 0 74
Staurastrum alternans Brébisson 5 0
Staurastrum tetracerum Ralfs ex Ralfs 0 7
OEDOGONIOPHYCEAE 2 0
Oedogonium sp. 2 0
CRYSOPHYCEAE 10 0
Dinobryon sertulariaEhrenberg 10 0
TOTAL (cel/L) 2746 3025
Para os atributos da assembleia fitoplanctônica (Figura 4.4), considerando
os locais amostrados, as maiores riquezas foram registradas nos locais JUS (S=67),
MON (S=63) e REM (S=60). Para os índices de equitabilidade (E) e diversidade (H’) os
maiores valores foram registrados nos locais PAS (E=0,86 e H’=3,28), SAN (E=0,78 e
H’=0,86), REM (E=0,67 e H’=1,20), MON (E=0,66 e H’=1,29), JUS (E=0,66 e
H’=1,18), TRI (E=0,65 e H’=0,71) e os menores índices foram observados no local
BAR (E=0,62 e H’=1,00) e INT (E=0,60 e H’=0,96).
De acordo com as amostragens (Figura 4.5), verifica-se a maior riqueza na
primavera (S=73) e menor no outono (S=56). O maior índice de equitabilidade e
diversidade ocorreu na primavera (E=0,87 e H’=0,50) e menor no outono (E=0,39 e
H’=0,70).
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 50
Figura 4.4 – Diversidade, equitabilidade e riqueza (entre parênteses) da comunidade
fitoplanctônica, registrada na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, no rio Tibagi,
no outono e primavera de 2017. JUS – Jusante, BAR- Barragem, INT- Intermediário, REM –
Remanso, MON-Montante, TRI- Tributário Capivari, SAN-Captação de água Londrina e PAS-
Tributário Passatempo.
Figura 4.5 – Diversidade, equitabilidade e riqueza (entre parênteses) da comunidade
fitoplanctônica registrada na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, no rio Tibagi,
no outono e primavera de 2017.
JUS BAR MON REM TRI INT SAN PAS
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
1,0
1,2
1,4
D
iv
er
si
d
ad
e
d
e
S
h
an
n
o
n
(
H
)
0,0
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
0,9
E
q
u
it
ab
il
id
ad
e
(E
)
E H
(67)
(58)
(16)
(21)
(46)
(34)
(60)
(63)
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 51
A estrutura da comunidade fitoplanctônica (Figura 4.6), sumarizada em duas
dimensões pela análise de ordenação multidimensional não métrica NMS (Stress = 0.2,
p<0,01), não apresentou variações significativas entre os locais de amostragem, mas
apresentou variação significativa entre as estações do ano, como se pode ser observado
na Figura 4., as duas estações do ano formam grupos distintos, sendo que esta
variabilidade está relacionada com a maior dominância da classe Cyanobacteria no mês
de abril e da classe Bacillariophyceae em outubro.
Figura 4.6 – Ordenação resultante da NMS para a comunidade fitoplanctônica na área de
influência da futura UHE Tibagi Montante, no rio Tibagi, no outono e primavera de 2017.
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidadeda Água e Ictiofauna 52
4.3 Considerações Finais
A comunidade fitoplanctônica foi distribuída em 8 classes e 101 táxons, com
predomínio de Bacillariophyceae (48 táxons) e Chlorophyceae (35 táxons), grupos que
compreendem grande parte da biomassa fitoplanctônica, visto que apresentam rápido
crescimento e desenvolvimento (Reynolds, 1994).
Em relação a densidade da comunidade fitoplanctônica, baixos valores médios
foram encontrados, indicando a influência de vários fatores no controle do
desenvolvimento e sobrevivência do fitoplâncton, tais como disponibilidade de luz,
profundidade, turbidez e disponibilidade de nutrientes (Reynolds, 2006).
Embora tenham sido registrados altos valores de diversidade e equitabilidade
fitoplanctônica nos pontos e meses amostrados, não foi verificado um claro padrão
espacial e temporal. Isso reflete a baixa abundância dos táxons na maioria dos pontos e
meses, e em alguns períodos uma maior contribuição de determinados táxons.
As concentrações de cianobactérias registradas estão dentro dos limites
estabelecidos pela resolução CONAMA no 357/2005, não causando prejuízos à
qualidade da água. A maior densidade de cianobactérias ocorreu no outono, mas com
uma densidade muito abaixo do limite (697 céls/L). Entretanto, embora tenha sido
verificada baixa contribuição de cianobactérias, este grupo merece atenção devido ao
seu poder toxigênico.
O fitoplâncton compreende um grupo extremamente diversificado, abrangendo
organismos com estratégias adaptativas diversas, relacionadas à sua performance para
suportar as perturbações ambientais (Hu et al., 2013). Possuem indivíduos de pequeno
tamanho e curto tempo de geração, assim, tornam os padrões sucessionais altamente
dinâmicos, uma vez que a estrutura das comunidades varia espacial e temporalmente,
podendo ter muitas causas e consequências, devido à combinação de fatores que podem
atuar em diferentes escalas, se tornando então, um excelente modelo da dinâmica
ambiental (Heino et al., 2015).
Neste contexto da UHE Tibagi Montante, o mais preocupante é o florescimento
de cianobactérias, uma vez que este grupo de algas pode produzir toxinas altamente
potentes, além de metabólitos que podem causar gosto e odor na água. Entretanto, a
preocupação no caso deste empreendimento é menor, haja vista a baixa densidade
registrada para estas algas, a reduzida disponibilidade de nutrientes (Ultraoligotrófico),
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 53
o tamanho do reservatório (6,84 km2), o tipo de operação (fio de água) e o tempo de
residência (3,6 dias).
Deste modo, como praticamente não haverá acumulo de nutrientes na área do
futuro reservatório da UHE Tibagi Montante, não deverá ocorrer formação de florações
de algas, já que CASTRO & FABRIZY (1995) e RAMIREZ (1999) afirmam que para
haver o crescimento significativo do fitoplâncton em reservatório, é necessário um
tempo de residência de 2 a 3 semanas, o que é 5,8 vezes maior do que o previsto para a
UHE Tibagi Montante
Diante do contexto acima, fica evidente que o monitoramento limnológico e da
qualidade da água são de extrema importância para o entendimento dos fatores que
regulam a variabilidade da comunidade fitoplanctônica, seja natural ou antropogênico,
permitindo ações mais eficientes das estratégias de manejo e conservação da
biodiversidade.
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 54
5. COMUNIDADE ZOOPLANCTÔNICA
5.1 Metodologia
Para as coletas do zooplâncton foram filtrados 200 litros de água em uma
rede de plâncton cônica com abertura de malha 68 μm (Figura 5.1), e o material
coletado foi acondicionado em frasco de polietileno (500 ml) devidamente etiquetado e
fixado em solução de formaldeído 4,0% tamponado com Borato de Sódio (Schaden,
1985). Destaca-se que este procedimento encontra respaldo na Resolução ANA n°.
724/2011, principalmente no que concerne ao tamanho da malha, forma de coleta
(filtração) e quantificação.
Figura 5.1 - Procedimento de filtragem para a coleta de zooplâncton.
A avaliação da comunidade zooplanctônica foi realizada no Laboratório de
Zooplâncton do Grupo de Pesquisa em Recursos Pesqueiros e Limnologia – Gerpel da
Unioeste, Campus de Toledo, com auxílio de câmara de Sedgewick-Rafter, sob
microscópio óptico (Olympus CX 41) (Figura 5.2). As amostras foram concentradas em
50 ml, sendo extraídas subamostras com pipeta tipo Hensen-Stempel (2,0 ml), e
contados, no mínimo, 50 indivíduos de rotíferos, amebas testáceas, cladóceros, formas
jovens (náuplios e copepoditos) e adultos de copépodes.
A contagem dos indivíduos foi baseada na metodologia de Bottrell et al.
(1976), e as amostras com reduzido número de indivíduos foram contadas na íntegra. A
abundância foi expressa em termos de indivíduos por metro cúbico de água filtrada
(ind/m3). A identificação foi realizada conforme Koste (1978), Sendacz & Kubo (1982),
Reid (1985), Matsumura-Tundisi (1986), Segers (1995, 2007), Elmoor-Loureiro (1997,
2017), Silva (2003) e Souza (2008).
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 55
Figura 5.2 – Análise da comunidade zooplanctônica amostrada nos locais de coleta na área de
influência da futura UHE Tibagi Montante, e na captação de água da Sanepar de Londrina, na
primavera e outono de 2017.
Os atributos da comunidade zooplanctônica analisados foram: riqueza,
abundância das espécies e dos grupos, expressa em indivíduos por metro cúbico
(ind/m3), diversidade da comunidade, através do índice de diversidade de Shannon-
Wiener (1948) e a equitabilidade da comunidade, que expressa a maneira pela qual o
número de indivíduos está distribuído entre as diferentes espécies, isto é, indica se as
diferentes espécies possuem abundância (número de indivíduos) semelhante ou
divergente (Pielou, 1975). Para avaliação dos atributos foi utilizado o software Pc-Ord
5.31® (Mccune & Mefford, 2006).
Para estabelecer a relação entre os períodos e locais de amostragem bem
como a relação entre a qualidade da água e a comunidade zooplanctônica, as variáveis
físicas e químicas foram sumarizadas através da análise de componentes principais
(ACP), uma vez que as variáveis ambientais excedem o número de unidades amostrais,
sendo retidos para posterior análise os componentes que apresentaram autovalores
maiores que 1,0 (critério de Kaiser-Guttman). A partir destes componentes foi possível
inferir sobre o efeito das variáveis físicas e químicas na comunidade zooplanctônica,
sendo para isto utilizada a técnica multivariada de correspondência canônica (CCA). Os
procedimentos para realização e interpretação dos resultados seguiu as recomendações
de McCUNE & GRACE (2002), sendo utilizado o software Pc-Ord 5.3® (MCCUNE &
MEFFORD, 2006).
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 56
5.2 Resultados e discussão
A comunidade zooplanctônica na área de influência da UHE Tibagi
Montante foi composta por 80 espécies enquadradas em 24 famílias. Os rotíferos
apresentaram a maior riqueza (37 espécies), seguidos das amebas testáceas (27
espécies), cladóceros (11 espécies) e copépodes (5 espécies) (Tabela 5.1).
Os rotíferos pertencem a 13 famílias, das quais Brachionidae (10 espécies) e
Lecanidae (7 espécies) foram as predominantes (Tabela 5.1), sendo essas famílias
apontadas como abundantes em diversos estudos em vários habitats aquáticos
(BONECKER et al., 2009; LANSAC-TÔHA et al., 2009; LUCENA et al., 2015). Entre
os rotíferos, Brachionidae é considerada um dos mais importantes táxons de
zooplâncton de água doce, cujas espécies geralmente têm hábitos planctônicos,
enquanto que Lecanidae está relacionada com o bentos e perifíton, especialmente em
lugares ricos em vegetação, ocorrendo ocasionalmente no plâncton (ALMEIDA et al.,2009). O domínio dessas duas famílias é provavelmente devido à grande plasticidade
dos organismos famílias em relação às condições limnológicas e ao alimento disponível.
As amebas testáceas foram distribuídas em 7 famílias, sendo a maior
riqueza observada para Difflugiidae (10 espécies), seguida de Arcellidae (7 espécies)
(Tabela 5.1). As espécies dessas famílias tem sido predominantes em estudos realizados
em diversos rios e lagos tropicais (LANSAC-TÔHA et al., 2009; 2014; ALVES et al.,
2012; ARRIEIRA et al., 2015; SCHWIND et al., 2016). A família Difflugiidae
apresenta espécies que se destacam no plâncton com mesmo tipo de morfologia, ou seja,
com conchas esféricas. Esse tipo morfológico, em conjunto com os tipos de conchas de
grande parte de Arcellidae (hemisférica), são típicos do plâncton (LANSAC-TÔHA et
al., 2014). A família Arcellidae com destaque no plâncton apresenta geralmente
espécies pequenas, de baixa abundância e com conchas compostas de material endógeno
secretado pela própria ameba, o que permite uma maior facilidade de ocupação do
habitat planctônico (LANSAC-TÔHA et al., 2014). No entanto, estes autores também
identificaram formas alongadas e achatadas, que neste estudo também foram observadas
no plâncton, sendo essas espécies apontadas como típicas de macrófitas aquáticas da
região litorânea e do sedimento.
Entre os microcrustáceos, os cladóceros foram representados por 3 famílias,
sendo Chydoridae (8 espécies) e Bosminidae (2 espécies) as de maior riqueza (Tabela
5.1). A família Chydoridae são organismos não planctônicos, sendo comuns para
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 57
ambientes de rios, embora este tipo de ambiente seja considerado menos favorável para
o estabelecimento deste grupo, devido à predação por peixes e ao fluxo de água elevado
(VIROUX, 2002), o que sugere que a vida em ambientes lóticos está relacionada à
algumas especializações e adaptação à turbulência, qualidades que não são muito
evidentes nos cladóceros. A família Bosminidae é tipicamente planctônica e
frequentemente registrada em ambientes de rios (LIMA et al., 1996).
Os copépodes foram representados apenas pelas espécies da ordem
Cyclopoida (5 espécies) (Tabela 5.1). A baixa ocorrência de copépodes adultos em
ambientes aquáticos lóticos é comum devido à grande instabilidade do sistema
(LANSAC-TÔHA et al., 1997; LOPES et al., 1997), no entanto, os organismos jovens
foram predominantes. Essa predominância de formas jovens de copépodes na
comunidade zooplanctônica foi também relatada por outros autores (ALMEIDA et al.,
2009; LANSAC-TÔHA et al., 2009), e geralmente está ligada às altas taxas de
mortalidade das formas adultas, sendo mais suscetíveis à predação por peixes
planctívoros (PARANHOS et al., 2013).
Entre os locais de amostragem, foi registrado maior número de espécies no
Intermediário e Montante (42 espécies, cada), seguido do Remanso (39 espécies),
Jusante e Barragem (30 espécies, cada), Passatempo (22 espécies), no Capivara (20
espécies) e Captação da Sanepar (13 espécies). Dentre os grupos, os rotíferos foram
predominantes no Intermediário (23 espécies), as amebas testáceas na Barragem e
Remanso (14 espécies, cada). Entre os microcrustáceos, os cladóceros apresentaram
maior riqueza de espécies no córrego Passatempo (5 espécies), e os copépodes na
Montante (5 espécies) (Figura 5.3).
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 58
Figura 5.3 - Riqueza de espécies da comunidade zooplanctônica (amebas testáceas, rotíferos,
cladóceros e copépodes), registrada na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, rio
Tibagi, no outono e primavera de 2017. JUS=Jusante; BAR=Barragem; INT=Intermediário;
REM=Remanso; MON=Montante, TRI=Tributário, PAS=Passatempo e SAN=Captação
Sanepar.
Considerando as estações do ano amostradas, no outono foram registradas
51 espécies e na primavera 56 espécies. Os rotíferos apresentaram maior número de
espécies em ambas às estações, com destaque no outono (28 espécies), enquanto os
demais grupos foram predominantes na primavera, sobressaindo as amebas testáceas
(19 espécies), os cladóceros (7 espécies), e os copépodes (4 espécies) (Figura 5.4).
0
10
20
30
40
50
JUS BAR INT REM MON TRI PAS SAN
R
iq
u
ez
a
Amebas Testáceas Rotifera Cladocera Copepoda
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 59
Figura 5.4 - Riqueza de espécies da comunidade zooplanctônica (amebas testáceas, rotíferos,
cladóceros e copépodes), registrada na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, rio
Tibagi, no outono e primavera de 2017.
No que concerne à abundância das espécies e dos grupos da comunidade
zooplanctônica (Tabela 5.1), foi registrado maior valor médio no córrego Passatempo
(3.662,5 ind/m3), predominando as amebas testáceas (1.887,5 ind/m3), sobressaindo A.
discoides e A. dentata (987,5 e 787,5 ind/m3, respectivamente). Os rotíferos foram
seguidos das amebas testáceas (1.550,0 ind/m3), com maior abundância para E. dilatata
(1.312,5 ind/m3) e Notommata sp. (87,5 ind/m3), os cladóceros registraram 137,5
ind/m3, predominando A. glabra (50,0 ind./m3), enquanto os copépodes registraram
abundância média de 87,5 ind/m3, com destaque para náuplios e copepoditos de
Cyclopoida (37,5 e 25,0 ind/m3, respectivamente).
No ponto do Intermediário foi encontrada a segunda maior abundância entre
os locais (2.375,0 ind/m3), predominando os rotíferos (1.243,8 ind/m3), sobressaindo E.
dilatata e T. cylindrica (550,0 e 131,3 ind/m3, respectivamente). As amebas testáceas
foram seguidas dos rotíferos (937,5 ind/m3), com maior abundância para C. aculeata
(318,8 ind/m3) e C. ecornis (243,8 ind/m3), os copépodes registraram 131,3 ind/m3,
sendo as fases jovens as mais abundantes, predominando náuplios e copepoditos de
Cyclopoida (62,5 e 37,5 ind./m3, respectivamente), enquanto os cladóceros registraram
abundância de 62,5 ind/m3, com destaque para C. poppei (31,3 ind/m3) (Tabela 5.1).
0
10
20
30
40
50
60
Outono Primavera
R
iq
u
ez
a
Amebas Testáceas Rotifera Cladocera Copepoda
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 60
Na Montante, foi encontrada abundância média de 2.150,0 ind/m3,
destacando-se os rotíferos (1.043,8 ind./m3), predominando B. dolabratus (181,3
ind/m3) e T. cylindrica (137,5 ind/m3). Dentre as amebas testáceas, foi registrada
abundância de 768,8 ind/m3, predominando C. aculeata (375,0 ind/m3) e C. ecornis
(218,8 ind/m3). Para os microcrustáceos, os cladóceros registraram abundância média de
175,0 ind/m3, destacando A. dadayi e A. glabra (118,8 e 50,0 ind/m3, respectivamente),
enquanto os copépodes responderam pela menor abundância (162,5 ind/m3),
sobressaindo náuplios de Cyclopoida e T. decipiens (43,8 ind/m3, cada) (Tabela 5.1).
No ponto do Remanso foi observada abundância média de 1.312,5 ind/m3,
sendo as amebas testáceas o grupo predominante (675,0 ind./m3), destacando-se C.
aculeata (350,0 ind/m3) e C. ecornis (87,5 ind/m3), seguidas dos rotíferos (475,0
ind/m3), com predomínio de L. ovalis e L. bulla (56,3 ind/m3, cada), já os copépodes
responderam com abundância de 118,8 ind/m3, sobressaindo náuplios de Cyclopoida
(81,3 ind/m3), enquanto os cladóceros foram representados por C. poppei (18,8 ind/m3)
e A. dadayi (12,5 ind/m3) (Tabela 5.1).
No local Barragem foi constatada abundância média de 1.293,8 ind/m3,
sendo as amebas testáceas o grupo mais abundante (675,0 ind./m3), com destaque para a
C. aculeata e C. ecornis (287,5 e 156,3 ind/m3, respectivamente), os rotíferos
contribuíram com abundância média de 437,5 ind/m3, com domínio de E. dilatata
(250,0 ind/m3) e Dissotrocha sp. (37,5 ind/m3), os copépodes, por sua vez, foram
representados pelos náuplios de Cyclopoida e T. minutus (31,3 ind/m3,cada), e os
cladóceros por C. poppei (31,1 ind/m3), A. dadayi (12,5 ind/m3) e L. striata (6,3 ind/m3)
(Tabela 5.1).
No ponto Jusante foi registrada abundância de 743,8 ind/m3, sendo as
amebas testáceas os organismos mais abundantes (356,3 ind/m3), destacando-se C.
aculeata (193,8 ind/m3), seguidas dos rotíferos (256,3 ind./m3), predominando K.
cochlearis (68,8 ind/m3), já os copépodes foram representados por T. decipiens (37,5
ind/m3) e náuplios de Cyclopoida (31,3 ind/m3), enquanto os cladóceros foram
representados por B. deitersi (6,3 ind/m3), A. glabra e A. dadayi (12,5 ind/m3, cada)
(Tabela 5.1).
No ponto do Tributário Capivara foi observada abundância de 312,5 ind/m3,
sendo as amebas testáceas o grupo predominante (118,8 ind./m3), destacando-se C.
aculeata (56,3 ind/m3) e Difflugia sp. (18,8 ind/m3), seguidas dos rotíferos (106,3
ind/m3), com predomínio de P. quadricornis e E. dilatata (25,0 ind/m3, cada), já os
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 61
copépodes responderam com abundância de 43,8 ind/m3, sobressaindo náuplios de
Cyclopoida (31,3 ind/m3), enquanto os cladóceros foram representados por A. dadayi
(18,8 ind/m3), C. poppei (12,5 ind/m3), B. hagmanni e B. deitersi (6,3 ind/m3, cada)
(Tabela 5.1).
No ponto de captação da Sanepar, foi encontrada a menor abundância média
entre os locais (237,5 ind/m3), destacando-se os rotíferos (137,5 ind./m3), sobressaindo
L. bulla e F. terminalis (25,0 ind/m3, cada). Dentre os copépodes, foi registrada
abundância média de 50,0 ind/m3, sendo as fases jovens as predominantes, náuplios e
copepoditos de Cyclopoida (37,5 e 12,5 ind/m3, respectivamente), enquanto as amebas
testáceas e os cladóceros registraram a menor abundância (25,0 ind/m3, cada), sendo as
amebas testáceas representada por A. discoides e C. aculeata (12,5 ind/m3, cada), e os
cladóceros por A. dadayi e C. australis (12,5 ind/m3, cada) (Tabela 5.1).
Tabela 5.1 – Abundância (ind/m3) das espécies da comunidade zooplanctônica, registrada por local de
amostragem, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, no outono e primavera
de 2017. Valor expresso em indivíduos por metro cúbico (ind/m3). JUS=Jusante; BAR=Barragem;
INT=Intermediário; REM=Remanso; MON=Montante, TRI=Tributário, PAS=Passatempo e
SAN=Captação Sanepar de Londrina.
Grupos Taxonômicos
Locais de Amostragem
JUS BAR INT REM MON TRI PAS SAN
AMEBAS TESTACEAS 356,3 675,0 937,5 675,0 768,8 118,8 1.887,5 25,0
Arcellidae
Arcella braziliensis Cunha, 1913
12,5
Arcella costata angulosa (Perty, 1852) 6,3
6,3 18,8
Arcella crenulata Deflandre, 1928
6,3
37,5
Arcella dentata Ehrenberg, 1830
6,3
12,5 787,5
Arcella discoides Ehrenberg, 1843 12,5 6,3 6,3 43,8 31,3
987,5 12,5
Arcella hemisphaerica gibba Deflandre,
1928
12,5
18,8 12,5
Arcella vulgaris Ehrenberg, 1830 25,0 62,5 143,8 68,8 62,5
Cyphoderiidae
Cyphoderia ampulla (Ehrenberg, 1840)
Leidy, 1878
12,5
Centropyxidae
Centropyxis aculeata (Ehrenberg, 1832)
Stein, 1859
193,8 287,5 318,8 350,0 375,0 56,3 50,0 12,5
Centropyxis discoides Pénard, 1890 6,3 6,3
12,5
Centropyxis ecornis (Ehrenberg, 1841) 68,8 156,3 243,8 87,5 218,8 6,3 12,5
Centropyxis gibba (Deflandre, 1929)
12,5 18,8
Difflugiidae
Difflugia acuminata Ehrenberg, 1838
6,3
6,3
Difflugia gramen (Pénard, 1899) 6,3
Difflugia constricta Ehrenberg, 1841 12,5 25,0 75,0 12,5 6,3 12,5
Difflugia corona Wallich, 1864
6,3
6,3 6,3
Difflugia minuta Rampi, 1950
6,3
6,3
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 62
Grupos Taxonômicos
Locais de Amostragem
JUS BAR INT REM MON TRI PAS SAN
Difflugia cylindrica Dumas, 1930
6,3
Difflugia oblonga Ehrenberg, 1838
18,8
Difflugia penardi Cash & Hopkinson, 1909
6,3
Difflugia pyriformis Perty, 1849
31,3
Difflugia sp. 12,5 43,8 68,8 43,8 6,3 18,8
Euglyphidae
Euglypha acanthophora (Ehrenberg, 1841)
6,3
Lesquereusiidae
Lesquereusia spiralis (Ehrenberg, 1840) 6,3 12,5 37,5
Netzelia labeosa Beyens & Chardez, 1997
6,3
Trigonopyxidae
Cyclopyxis impressa (Daday, 1905)
6,3
Cyclopyxis kahli (Deflandre, 1929) 6,3
6,3
ROTIFERA 256,3 437,5 1.243,8 475,0 1.043,8 106,3 1.550,0 137,5
Brachionidae
Anuraeopsis navicula Rousselet, 1911
12,5
Brachionus angularis Gosse, 1851
12,5
Brachionus dolabratus (Harring, 1915) 18,8
50,0
181,3
Brachionus falcatus Zacharias, 1898 6,3
25,0
31,3
Brachionus forficula Wierzejski, 1891
25,0 18,8
Kellicottia bostoniensis (Rousselet, 1908) 6,3 6,3 31,3
62,5
12,5
Keratella americana Carlin, 1943
6,3 25,0 25,0
Keratella cochlearis Gosse, 1851 68,8
62,5 12,5 100,0
Keratella tropica Apstein, 1907
56,3 6,3 93,8
Platyias quadricornis (Ehrenberg, 1832)
12,5
25,0 25,0
Conochilidae
Conochilus coenobasis (Skorikow, 1914)
12,5
Euchlanidae
Euchlanis dilatata Ehrenberg, 1832 6,3 250,0 550,0 50,0 68,8 25,0 1.312,5 12,5
Lecanidae
Lecane bulla (Gosse, 1851) 6,3 25,0 18,8 56,3 12,5
25,0
Lecane ludwigi (Eckstein, 1883)
6,3 6,3 6,3
Lecane luna (Müller, 1776)
6,3
Lecane lunaris (Ehrenberg, 1832) 25,0 31,3 62,5 6,3 25,0 6,3
12,5
Lecane stenroosi (Meissner, 1908)
6,3
12,5
Lecane monostyla (Daday, 1897)
6,3
Lecane signifera (Jennings, 1896)
6,3
Lepadellidae
Lepadella ovalis (O.F. Muller, 1896)
12,5 18,8 56,3 50,0 6,3 25,0
Lepadella patella (Müller, 1773)
12,5
Lepadella sp.
25,0
Lepadella cristata (Rousselet, 1893)
18,8 6,3 12,5
Mytilinidae
Mytilina mucronata (Müller, 1773) 6,3
Notommatidae
Cephalodella sp.
25,0 12,5 25,0 12,5
Monommata sp. 25,0 18,8 12,5
12,5
Notommata copeus Ehrenberg, 1834
18,8
6,3
Notommata sp. 37,5
25,0 50,0 68,8 12,5 87,5 12,5
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 63
Grupos Taxonômicos
Locais de Amostragem
JUS BAR INT REM MON TRI PAS SAN
Philodinidae
Dissotrocha sp. 12,5 37,5 43,8 18,8 25,0 6,3
12,5
Synchaetidae
Polyarthra vulgaris (Carlin, 1943)
6,3 6,3
Testudinellidae
Testudinella patina (Hermann, 1783) 18,8
25,0 18,8
Pompholyx complanata Gosse, 1851
50,0 25,0
Pompholyx triloba Pejler, 1957
18,8
Trichotriidae
Trichotria tetractis (Ehrenberg, 1830)
43,8
6,3 18,8 37,5
Trochosphaeridae
Filinia terminalis (Plate, 1886)
25,0
Filinia opoliensis (Zacharias, 1898)
25,0
50,0
Trichocercidae
Trichocerca cylindrica (Imhof, 1891) 18,8
131,3 43,8 137,5
CLADOCERA 31,3 50,0 62,5 43,8 175,0 43,8 137,5 25,0
Bosminidae
Bosmina hagmanni Stingelin, 1904
6,3 12,5
Bosminopsis deitersi Richard, 1895 6,3
6,3
Chydoridae
Acroperus tupinamba Sinev & Elmoor-
Loureiro, 2010
25,0
Alona glabra Sars, 1886 12,5
12,5 6,3 50,0
50,0
Alona guttata Sars, 1862
6,3 6,3
Alonella dadayi Birge, 1910 12,5 12,5 12,5 12,5 118,8 18,8 25,0 12,5
Camptocercus australis Sars, 1896
12,5
Chydorus eurynotus Sars, 1901
25,0
Coronatella poppei (Richard, 1897)
31,3 31,3 18,8
12,5
Leydigia striata Berabén, 1939
6,3
Ilyocryptidae
Ilyocryptus spinifer Herrick, 1882
6,3
COPEPODA 100,0 131,3 131,3 118,8 162,5 43,8 87,5 50,0
Fases Jovensnáuplio de Cyclopoida 31,3 31,3 62,5 81,3 43,8 31,3 37,5 37,5
náuplio de Calanoida
18,8
12,5
copepodito de Calanoida
6,3
copepodito de Cyclopoida
25,0 37,5
6,3
25,0 12,5
Cyclopidae
Mesocyclops meridianus (Kiefer, 1926)
6,3
Paracyclops chiltoni (Thomson, 1882) 18,8
6,3 12,5 12,5
Thermocyclops decipiens (Kiefer, 1929) 37,5 18,8 18,8 12,5 43,8 6,3 12,5
Thermocyclops minutus (Lowdes, 1934) 12,5 31,3 6,3 12,5 31,3 6,3 12,5
Eucyclops sp.
6,3
Abundância média (ind/m3) 743,8 1.293,8 2.375,0 1.312,5 2.150,0 312,5 3.662,5 237,5
Quanto à abundância média das espécies e dos grupos da comunidade
zooplanctônica entre as estações do ano amostradas (Tabela 5.2), foi registrada maior
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 64
abundância média no outono (1.835,4 ind/m3), sendo os rotíferos os organismos mais
abundantes (985,4 ind/m3), devido à maior contribuição da E. dilatata (302,1 ind/m3) e
T. cylindrica (110,4 ind/m3). As amebas testáceas demonstraram abundância média de
706,3 ind/m3, sendo C. aculeata e A. vulgaris os organismos mais abundantes (256,3 e
118,8 ind/m3, respectivamente). No caso dos copépodes a abundância média foi de
102,1 ind/m3, destacando-se náuplios e copepoditos de Cyclopoida (66,7 e 20,8 ind/m3,
respectivamente), no entanto, os cladóceros foram os menos abundantes (41,7 ind/m3),
com predomínio de C. poppei (31,3 ind/m3) e B. deitersi (4,2 ind/m3).
A menor abundância média foi observada na primavera (1.157,8 ind/m3),
predominando as amebas testáceas (592,2 ind/m3), com destaque para C. aculeata
(210,9 ind/m3) e A. discoides (150,0 ind/m3). Dentre os rotíferos, foi registrada
abundância média de 362,5 ind/m3, sendo E. dilatata e Notommata sp. as mais
abundantes (176,6 e 60,9 ind/m3). Para os copépodes, foi apontada abundância média de
112,5 ind/m3, sendo T. decipiens (35,9 ind/m3) e náuplio de Cyclopoida (29,7 ind/m3) as
espécies predominantes, enquanto os cladóceros responderam pela menor abundância
(90,6 ind/m3), sobressaindo-se A. dadayi (51,6 ind/m3) e A. glabra (26,6 ind/m3)
(Tabela 5.2).
Tabela 5.2 – Abundância média (ind/m3) das espécies da comunidade zooplanctônica, registrada
por estação de amostragem, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, no rio
Tibagi, no outono e primavera de 2017. Valor expresso em indivíduos por metro cúbico
(ind/m3).
Grupos Taxonômicos
Meses
Outono Primavera
AMEBAS TESTACEAS 706,3 592,2
Arcellidae
Arcella braziliensis Cunha, 1913
1,6
Arcella costata angulosa (Perty, 1852) 10,4
Arcella crenulata Deflandre, 1928 2,1 4,7
Arcella dentata Ehrenberg, 1830 4,2 100,0
Arcella discoides Ehrenberg, 1843
150,0
Arcella hemisphaerica gibba Deflandre, 1928 14,6
Arcella vulgaris Ehrenberg, 1830 118,8 1,6
Cyphoderiidae
Cyphoderia ampulla (Ehrenberg, 1840) Leidy, 1878 4,2
Centropyxidae
Centropyxis aculeata (Ehrenberg, 1832) Stein, 1859 256,3 210,9
Centropyxis discoides Pénard, 1890
6,3
Centropyxis ecornis (Ehrenberg, 1841) 147,9 85,9
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 65
Grupos Taxonômicos
Meses
Outono Primavera
Centropyxis gibba (Deflandre, 1929)
7,8
Difflugiidae
Difflugia acuminata Ehrenberg, 1838
3,1
Difflugia gramen (Pénard, 1899)
1,6
Difflugia constricta Ehrenberg, 1841 47,9
Difflugia corona Wallich, 1864 4,2 1,6
Difflugia minuta Rampi, 1950
3,1
Difflugia cylindrica Dumas, 1930 2,1
Difflugia oblonga Ehrenberg, 1838 6,3
Difflugia penardi Cash & Hopkinson, 1909 2,1
Difflugia pyriformis Perty, 1849 10,4
Difflugia sp. 58,3 4,7
Euglyphidae
Euglypha acanthophora (Ehrenberg, 1841)
1,6
Lesquereusiidae
Lesquereusia spiralis (Ehrenberg, 1840) 14,6 3,1
Netzelia labeosa Beyens & Chardez, 1997
1,6
Trigonopyxidae
Cyclopyxis impressa (Daday, 1905)
1,6
Cyclopyxis kahli (Deflandre, 1929) 2,1 1,6
ROTIFERA 985,4 362,5
Brachionidae
Anuraeopsis navicula Rousselet, 1911
1,6
Brachionus angularis Gosse, 1851 2,1 1,6
Brachionus dolabratus (Harring, 1915) 83,3
Brachionus falcatus Zacharias, 1898 18,8 1,6
Brachionus forficula Wierzejski, 1891 14,6
Kellicottia bostoniensis (Rousselet, 1908) 35,4 1,6
Keratella americana Carlin, 1943 6,3 9,4
Keratella cochlearis Gosse, 1851 79,2 1,6
Keratella tropica Apstein, 1907 39,6 9,4
Platyias quadricornis (Ehrenberg, 1832) 6,3 7,8
Conochilidae
Conochilus coenobasis (Skorikow, 1914)
1,6
Euchlanidae
Euchlanis dilatata Ehrenberg, 1832 302,1 176,6
Lecanidae
Lecane bulla (Gosse, 1851) 37,5 4,7
Lecane ludwigi (Eckstein, 1883) 6,3
Lecane luna (Müller, 1776) 2,1
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 66
Grupos Taxonômicos
Meses
Outono Primavera
Lecane lunaris (Ehrenberg, 1832) 52,1 1,6
Lecane stenroosi (Meissner, 1908)
3,1
Lecane monostyla (Daday, 1897) 2,1
Lecane signifera (Jennings, 1896) 2,1
Lepadellidae
Lepadella ovalis (O.F. Muller, 1896) 47,9 3,1
Lepadella patella (Müller, 1773)
1,6
Lepadella sp.
3,1
Lepadella cristata (Rousselet, 1893) 12,5
Mytilinidae
Mytilina mucronata (Müller, 1773)
1,6
Notommatidae
Cephalodella sp. 20,8 3,1
Monommata sp. 4,2 12,5
Notommata copeus Ehrenberg, 1834
6,3
Notommata sp.
60,9
Philodinidae
Dissotrocha sp. 27,1 17,2
Synchaetidae
Polyarthra vulgaris (Carlin, 1943) 4,2
Testudinellidae
Testudinella patina (Hermann, 1783) 6,3 10,9
Pompholyx complanata Gosse, 1851 14,6 7,8
Pompholyx triloba Pejler, 1957 6,3
Trichotriidae
Trichotria tetractis (Ehrenberg, 1830) 16,7 9,4
Trochosphaeridae
Filinia terminalis (Plate, 1886)
3,1
Filinia opoliensis (Zacharias, 1898) 25,0
Trichocercidae
Trichocerca cylindrica (Imhof, 1891) 110,4
CLADOCERA 41,7 90,6
Bosminidae
Bosmina hagmanni Stingelin, 1904 2,1 1,6
Bosminopsis deitersi Richard, 1895 4,2
Chydoridae
Acroperus tupinamba Sinev & Elmoor-Loureiro,
2010
3,1
Alona glabra Sars, 1886
26,6
Alona guttata Sars, 1862
3,1
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 67
Grupos Taxonômicos
Meses
Outono Primavera
Alonella dadayi Birge, 1910
51,6
Camptocercus australis Sars, 1896
1,6
Chydorus eurynotus Sars, 1901
3,1
Coronatella poppei (Richard, 1897) 31,3
Leydigia striata Berabén, 1939 2,1
Ilyocryptidae
Ilyocryptus spinifer Herrick, 1882 2,1
COPEPODA 102,1 112,5
Fases Jovens
náuplio de Cyclopoida 66,7 29,7
náuplio de Calanoida 10,4
copepodito de Calanoida 2,1
copepodito de Cyclopoida 20,8 6,3
Cyclopidae
Mesocyclops meridianus (Kiefer, 1926)
1,6
Paracyclops chiltoni (Thomson, 1882)
12,5
Thermocyclops decipiens (Kiefer, 1929)
35,9
Thermocyclops minutus (Lowdes, 1934)
26,6
Eucyclops sp. 2,1
Abundância média (ind/m3) 1.835,4 1.157,8
A análise dos atributos da comunidade de zooplanctônica (equitabilidade,
diversidade e riqueza) (Figura 5.5) entre os locais de amostragem, mostrou o maior
índice de equitabilidade na Captação da Sanepar (E=0,98), e maior diversidade de
espécies na Montante (H’=3,10), indicando que neste local as espécies encontram-se
melhor distribuídas, enquanto os menores índices foram registrados no córrego
Passatempo (E=0,56 e H’=1,72), apontando o predomínio de algumas espécies, no caso,
principalmente da Euchlanis dilatata. A maior riqueza de espécies foi registrada no
Intermediário e na Montante (S=42), e menor na Captação da Sanepar (S=13) (Figura
5.5).
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 68
Figura 5.5 – Atributos da comunidade zooplanctônica (E=Equitabilidade, H’=Diversidade;
S=número entre parênteses),registrada na área de influência da futura UHE Tibagi Montante,
no rio Tibagi, entre os locais de amostragens, no outono e primavera de 2017. MON=Montante;
REM=Remanso; INT=Intermediário; BAR=Barragem; JUS=Jusante, TRI=Tributário,
PAS=Passatempo e SAN=Captação da Sanepar de Londrina.
Os resultados obtidos para os atributos da comunidade zooplanctônica nas
estações, indicou o maior índice de equitabilidade e diversidade de espécies no outono
(E=0,77 e H’=3,02), mostrando que houve maior homogeneidade na distribuição das
espécies em relação à primavera, Enquanto na primavera foi observado o menor valor
dos atributos (E=0,70 e H’=2,80), indicando baixa diversidade taxonômica e elevado
predomínio de algum grupo, no caso, cladóceros, destacando-se Alonella dadayi. Com
relação ao número de espécies, a maior riqueza foi encontrada na primavera (S=56) e
menor no outono (S=51) (Figura 5.6).
JUS BAR INT REM MON TRI PAS SAN
Locais de Amostragem
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
1,0
1,2
E
q
u
it
a
b
il
id
a
d
e
(E
)
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
D
iv
er
si
d
a
d
e
(H
')
E H'
(39)
(42)
(30)
(30) (20)
(22)
(13)
(42)
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 69
Figura 5.6 – Atributos da comunidade zooplanctônica (E=Equitabilidade, H’=Diversidade;
S=número entre parênteses), registrada na área de influência da futura UHE Tibagi Montante,
no rio Tibagi, entre as estações de amostragens, no outono e primavera de 2017.
A relação entre a comunidade zooplanctônica e as variáveis físicas e químicas da
água representadas nos dois eixos da PCA, avaliados por meio da Análise de
Correspondência Canônica (CCA) não apresentou correlação significativa (teste de
Monte Carlo; p=0,114) entre as espécies-ambiente, apresentando uma baixa dispersão
dos escores das estações amostradas (outono e primavera) de 2017 (Figura 5.7). Os dois
primeiros eixos da CCA explicaram 38,2% da variabilidade dos dados, sendo que o
primeiro eixo da CCA foi responsável por 37,5%, enquanto o segundo eixo foi
responsável por 0,6%.
A baixa porcentagem de explicação observada e a baixa dispersão dos escores
das estações (outono e primavera), indica que os fatores ambientais, apesar de não atuar
sobre a comunidade zooplanctônica, a hidrodinâmica do ambiente lótico, sobretudo a
maior velocidade de fluxo, influenciam na estrutura e dinâmica da comunidade
zooplanctônica no ambiente lótico. Isso pode ser evidenciado durante este período de
monitoramento, pela maior contribuição de rotíferos e amebas testáceas, grupos comuns
neste tipo de ambiente, e pela alta similaridade entre as estações monitoradas,
possivelmente pela alta dispersão das espécies por meio do fluxo contínuo do rio
(Figura 5.7).
Outono Primavera
Estação do ano
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
1,0
E
q
u
it
a
b
il
id
a
d
e
(E
)
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
D
iv
er
si
d
a
d
e
(H
')
E H'
(51)
(56)
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 70
Figura 5.7 - Análise de Correspondência Canônica (CCA) da distribuição espacial e temporal da
comunidade de zooplâncton e os eixos da PCA das variáveis abióticas registradas na área de
influência da UHE Tibagi Montante, ente as estações (outono e primavera) de 2017. Onde:
MON=Montante; REM=Remanso; INT=Intermediário; BAR=Barragem; JUS=Jusante,
TRI=Tributário, PAS=Passatempo e SAN=Captação da Sanepar.
5.3. Considerações Finais
O inventário da comunidade zooplanctônica na área de influencia da UHE
Tibagi Montante registrou 80 espécies enquadradas em quatro grupos, distribuídas em
24 famílias. Os rotíferos e as amebas testáceas foram os organismos predominantes em
riqueza e abundância de espécies. A dominância de rotíferos e amebas testáceas é um
padrão para rios brasileiros. Os rotíferos são dominantes nas amostras de zooplâncton,
representando mais de 60% da comunidade. Enquanto as amebas testáceas são
facilmente encontradas em abundância em ambientes lóticos, que apresentam maior
velocidade de corrente, visto que esse grupo é preferencialmente associado à vegetação
marginal e ao sedimento, e o fluxo da água desses ambientes promove a suspensão e o
arraste dos mesmos da vegetação marginal para coluna de água, facilitando sua captura.
A baixa riqueza e abundância dos cladóceros é um fato comum registrado
em ambientes lóticos, sendo a velocidade da água um fator que influencia nas
populações destes organismos, que por apresentarem pequena movimentação não
conseguem se desenvolver neste tipo de ambiente (rio), sendo carregados pela
correnteza.
Entre os copépodes a maioria dos indivíduos registrados foi de formas
jovens (náuplios e copepoditos), as formas adultas possuem poucos registros em rios,
sendo as formas jovens mais numerosas.
Amebas Testáceas
Copepoda
Amebas Testáceas
Copepoda
Amebas Testáceas
Copepoda
Amebas Testáceas
Copepoda
-3,0 -2,5 -1,0 -0,5 0,0 0,5 1,0 1,5
CC1 (37,5%)
-3,5
-0,5
0,0
0,5
1,0
C
C
2
(
0
,6
%
)
Outono Primavera
Rotifera
Cladocera
PC2
PC1
Amebas Testáceas
Copepoda
Amebas Testáceas
Copepoda
Amebas Testáceas
Copepoda
Amebas Testáceas
Copepoda
-3,0 -2,5 -1,0 -0,5 0,0 0,5 1,0 1,5
CC1 (37,5%)
-3,5
-0,5
0,0
0,5
1,0
C
C
2
(
0
,6
%
)
MON REM INT BAR JUS TRI PAS SAN
Rotifera
PC2
PC1
Cladocera
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 71
Quanto aos atributos avaliados por local de amostragem, foi observada
maior riqueza de espécies no Intermediário e Montante, e menor na captação da Sanepar
de Londrina, enquanto a maior abundância das espécies foi registrada no córrego
Passatempo, e menor na captação da Sanepar de Londrina. No que se refere aos índices
de equitabilidade e diversidade das espécies, foi apontado que no córrego Passatempo as
espécies não estão uniformemente distribuídas, apresentando predomínio de algumas
espécies, principalmente da Euchlanis dilatata.
Para os atributos avaliados pelas estações do ano, foi registrada maior
riqueza de espécies na primavera e menor abundância no outono. Quanto aos índices de
equitabilidade e diversidade das espécies, no outono as espécies apresentaram melhor
distribuição entre os locais de amostragem, em relação à primavera.
De forma geral, com a implantação da UHE Tibagi Montante o panorama
registrado na presente análise deverá mudar, pois com a transformação do ambiente
lótico (rio), para lêntico (reservatório), haverá o favorecimento do desenvolvimento da
comunidade zooplanctônica, preferencialmente dos cladóceros e copépodes,
aumentando a riqueza e abundância desses organismos, principalmente nos locais que
serão alagados, pois o zooplâncton é uma das comunidades aquáticas beneficiadas com
a formação do reservatório, devido à redução do fluxo de corrente e também pela maior
disponibilidade de alimento (fitoplâncton e bacterioplâncton), onde encontram um
ambiente adequado para sua reprodução e desenvolvimento, conseguindo se estabelecer
no reservatório em um curto período de tempo logo após a sua formação, e como
consequência contribuindo para a alimentação de organismos maiores (invertebrados e
peixes), participando significativamente para a cadeia alimentar.
Finalmente, salienta-se a necessidade da continuidade do monitoramento,
não somente na fase de pré formação do reservatório, mas também durante e após o
enchimento do mesmo, sendo indicado para este monitoramento as análises de riqueza,
diversidade, equitabilidade e abundância das espécies e dos grupos da comunidade
zooplanctônica, tendo em vista a escassez de informações sobre as possíveis mudanças
da comunidade zooplanctônica, decorrentes dos represamentos, sendo importante
investigar quais fatores são responsáveis por tais alterações, a fim de que seja possível
prever e mitigar impactos negativos sobre a biota aquática.UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 72
6. MACROINVERTEBRADOS BENTÔNICOS
6.1 Metodologia
Para a caracterização da comunidade bentônica, foram realizadas
amostragens nos oito pontos de amostragem mencionados anteriormente, com o
objetivo de abranger a área do futuro reservatório, a montante, jusante, tributários e a
captação de água da Sanepar em Londrina. Considerando as características
geomorfológicas de cada local, tais como largura, profundidade, tipo de substrato,
velocidade de corrente, além da segurança durante o procedimento de coleta, foram
realizadas três subamostragens de organismos bentônicos com auxílio de rede coletora
do tipo “hand-net”, segundo o método de “Kick-Sampling” e três com o auxílio de
draga do tipo Petersen (Figura 6.1).
Figura 6.1 – Coleta da comunidade de Macroinvertebrados Bentônicos.
Conforme citado, em cada ponto foram recolhidas 6 unidades amostrais,
sendo que para o método kick sampling o tempo de exposição da rede para cada
amostragem foi de 3 minutos. Em cada local de amostragem foram efetuadas coletas
buscando avaliar os diferentes microhabitats (ambientes lóticos, remansos, margens e
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 73
centro). Optou-se por utilizar os dois métodos de coleta no sentido de ampliar a
amostragem destes organismos, embora um seja qualitativo e o outro quantitativo.
Destaca-se que as análises de abundância foram realizadas apenas com os dados obtidos
com a draga.
Após a coleta, as amostras foram previamente triadas em campo para
identificação dos organismos ainda vivos, sendo posteriormente acondicionados em
frascos plásticos e conservados em álcool 70%.
A amostra residual foi conservada em álcool a 70%, para realização de
triagem complementar, com a utilização de um sistema de peneiras graduadas. A
identificação em laboratório foi realizada com auxílio de microscópio estereoscópico,
segundo McCafferty (1981), Perez (1988), Buzzi (2002), Costa et al. (2006) e Mugnai
et al. (2009).
A composição da comunidade de macroinvertebrados bentônicos, assim
como a sua distribuição espacial e temporal foi avaliada em relação ao número de
organismos capturados e as principais ordens e famílias. Os padrões de riqueza e
diversidade específica foram expressos pela riqueza (número) de grupos taxonômicos e
pelo índice de diversidade de Shannon (Magurran, 1988). O índice de Shannon (H’) é
definido como:
s
1i
ii lnppH'
sendo:
s=número de grupos taxonômicos;
pi=proporção do grupo i.
A equitabilidade (E) foi calculada de acordo com a expressão:
lnS
H'
E
sendo:
H’=índice de diversidade de Shannon;
S=número de espécies.
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 74
Para a análise dos atributos da assembleia da comunidade de
macroinvertebrados bentônicos foi utilizado o software Pc-Ord 5.31 (McCune e
Mefford, 2006).
A avaliação da qualidade da água foi realizada considerando o índice
biológico baseado em macroinvertebrados, Biological Monitoring Working Party
System (BMWP) e adaptado por IAP (2003) (Tabela 6.1).
Tabela 6.1 – Classificação da qualidade da água baseada em macroinvertebrados bentônicos.
CLASSE QUANTIDADE VALOR SIGNIFICADO COR
I Ótima >150
Águas muito limpas (águas
pristinas)
LILÁS
II Boa 121-149
Águas limpas, não poluídas ou
sistema perceptivelmente não
poluído
AZUL ESCURO
III Aceitável 101-120
Águas muito pouco poluídas ou
sistema já com um pouco de
alteração
AZUL CLARO
IV Duvidosa 61-100
São evidentes efeitos moderados
de poluição
VERDE
V Poluída 36-60
Águas contaminadas ou poluídas
(sistema alterado)
AMARELO
VI Muito Poluída 16-35
Águas muito poluídas (sistema
muito alterado)
LARANJA
VII Fortemente Poluída <15
Águas fortemente poluídas
(sistema fortemente alterado)
VERMELHO
Para estabelecer a relação entre os períodos e locais de amostragem bem
como a relação entre a qualidade da água e a comunidade de macroinvertebrados
bentônicos, as variáveis físicas e químicas foram sumarizadas através da análise de
componentes principais (ACP), uma vez que as variáveis ambientais excedem o número
de unidades amostrais, sendo retidos para posterior análise os componentes que
apresentaram autovalores maiores que 1,0 (critério de Kaiser-Guttman). A partir destes
componentes foi possível inferir sobre o efeito das variáveis físicas e químicas na
comunidade macroinvertebrados bentônicos, sendo para isto utilizada a técnica
multivariada de correspondência canônica (CCA). Os procedimentos para realização e
interpretação dos resultados seguiu as recomendações de McCUNE & GRACE (2002),
sendo utilizado o software Pc-Ord 5.3® (MCCUNE & MEFFORD, 2006).
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 75
6.2 Resultados e Discussão
As amostragens realizadas com os dois métodos de coleta (kick sampling e
draga de Petersen) nos locais amostrados no rio Tibagi, na área de influência da futura
UHE Tibagi Montante, obedecendo às estações do ano: Outono (abril/2017) e
Primavera (outubro/2017) (Tabela 6.2) resultaram no registro de 5.339 indivíduos,
pertencentes a três filos, oito classes, 16 ordens e 38 famílias, totalizando 63 táxons.
A proporção entre os grupos (Figura 6.2) indicou predominância em número
de indivíduos da ordem Diptera (58%), seguido das ordens Ephemeroptera (25%),
Trichoptera (12%) e Coleoptera (1%). Os demais grupos obtiveram abundância relativa
inferior a 1%, e foram agrupados na categoria outros, contribuindo com 4% do total de
indivíduos capturados.
Figura 6.2– Abundância relativa dos grupos de macroinvertebrados bentônicos registrados na
área de influência da futura UHE Tibagi Montante, no rio Tibagi no outono e primavera de
2017.
Considerando a distribuição da comunidade de macroinvertebrados
bentônicos entre os locais de amostragem (Tabela 6.2), observa-se que a maior
abundância (1.966 indivíduos) ocorreu no local Passatempo, seguido do local Barragem
(1.689 indivíduos). O menor registro (20 indivíduos) verificou-se no local Remanso.
Em relação à variação espacial na dominância dos grupos taxonômicos, os indivíduos
da família Chironomidae foram os mais abundantes, visto que no local Montante foram
58%
25%
1%
12%
Diptera Ephemeroptera Trichoptera Coleoptera Outros
4%
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 76
registrados 78 indivíduos, o que representa 68% do total de indivíduos capturados, no
local Intermediário (51 indivíduos, 73%), no Tributário (380 indivíduos, 45%) e na
Capitação da Sanepar de Londrina (45 indivíduos, 64%). No local Remanso houve
predomínio de Oligochaeta com registro de 10 indivíduos, representando 50% do total
capturado. Na Jusante predominaram os indivíduos da família Baetidae apresentando
(315 indivíduos, 56%). Nos locais Barragem e Passatempo, Simulium sp. da família
Simulidae foram os mais representativos (743 indivíduos, 44% e 580 indivíduos, 29%,
respectivamente).
Considerando o índice biológico utilizado para a avaliação da qualidade da
água baseada em macroinvertebrados, Biological Monitoring Working Party System
(BMWP) e as adaptações propostas pela seção de Limnologia do Instituto Ambiental do
Paraná (2003) (Tabela 6.2), obtiveram-se para o local Montante e Capitação da Sanepar
(50 e 46 pontos, respectivamente) permitindo classificá-los como de classe V, águas
poluídas, com pontuação entre 36-60 pontos. Os locais Remanso e Intermediário
obtiveram 21 pontos e 32 pontos, respetivamente, o que permite classificá-los como de
classe VI, águas muito poluídas, com pontuação entre 16-35 pontos. O local Barragem
obteve pontuação acima de 150 pontos sendo enquadrado na classe I, águas de ótima
qualidade. Os locais Jusantee Passatempo obtiveram 95 pontos e 82 pontos,
respectivamente, sendo enquadrados na classe IV, águas de qualidade duvidosa, com
pontuação entre 61-100 pontos. O local Tributário obteve 118 pontos sendo considerado
de classe III, águas de qualidade aceitável.
Tabela 6.2– Enquadramento Taxonômico e classificação do Índice BMWP (Biological
Monitoring Working Party), baseado na presença das famílias de macroinvertebrados
bentônicos registrados na área de influência da futura UHE Tibagi Montante no rio Tibagi, no
outono e primavera de 2017. Onde: MON=Montante; REM=Remanso; INT=Intermediário;
BAR=Barragem; JUS=Jusante; TRI=Tributário; PAS=Passatempo; SAN=Captação da Sanepar
de Londrina; N=Número de indivíduos; -=sem pontuação e B=BMWP.
Grupos Taxonômicos
MON REM INT BAR JUS TRI PAS SAN
N B N B N B N B N B N B N B N B
Filo Mollusca
Classe Bivalvia
Ordem Unionoidea
Corbiculidae
3 -
4 -
Classe Gastropoda
Ordem Basommatophora
Ancylidae
2 6
Physidae
3
Physa sp.
9
Ordem Mesogastropoda
Ampullariidae 2 -
1 -
17 -
Ordem Veneroida
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 77
Grupos Taxonômicos
MON REM INT BAR JUS TRI PAS SAN
N B N B N B N B N B N B N B N B
Sphaeriidae
3
3 1 3
Pisidium sp. 2
2
12
Filo Annelida
Classe Oligochaeta 6 1 10 1 5 1 9 1 2 1 2 1
8 1
Classe Hirudinea
Ordem Rhynchobdellida
Glossiphonidae
1 3
Hellobdela sp.
2
Filo Arthropoda
Classe Chelicerata
Ordem Acari
Arrenuridae 1 -
1 -
1 - 8 -
Classe Malacostraca
Ordem Decapoda
Aeglidae
4 5
aegla sp.
6
Classe Insecta
Ordem Coleoptera
Ditiscydae
2 3
Elmidae
6
4 6 1 6
6
6
6
Heterelmis sp.
1
6
2
1
hexanchorus sp.
4
1
Macrelmis sp.
3
1
Neoelmis sp.
2
1
2
Xenelmis sp.
4
Psephenidae
7
7
7
7
7
Psephenus sp.
1
2
16
6
4
Ordem Diptera
Chironomidae 78 2 4 2 51 2 466 2 145 2 380 2 350 2 45 2
Empididae
4
4
Hemerodromia sp.
5
2
Psychodidae
1 4
Simulidae
5
5
5
5
5
Simulium sp.
4
743
24
236
580
Ordem Ephemeroptera
Baetidae 8 5
2 5 21 5 163 5 23 5 22 5
5
Baetis sp.
26
79
12
Baetodes sp. 1
1
6
1
4
Camelobaetidius sp. 11
3
67
3
10
1
Caenidae
5
5
Caenis sp.
2
12
Leptohyphidae 1 6
12 6 9 6 5 6 22 6
Leptohyphes sp.
3
7
3
26
Tricorythopsis sp.
1
Leptophlebiidae 1 10
4 10 5 10 46 10 98 10
Farrodes sp.
1
2
4
Hagenulopsis sp.
1
2
6
10
Gripopterygidae
1 7
10
574 7
Ordem Hemiptera
Notonectidae
4
Buenoa sp.
2
Vellidae
1 4
Ordem Lepidoptera
Pyralidae
10 7 9 7
1 7
Cataclysta sp.
11
Ordem Odonata
Calopterygidae
1 8
Coenagrionidae
1 6
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 78
Grupos Taxonômicos
MON REM INT BAR JUS TRI PAS SAN
N B N B N B N B N B N B N B N B
Cordulidae
2 8
2 8
Gomphidae
8
1 8
8
8
8
8
Archaeogomphus sp.
1
1
Phylocycla sp. 1
4
1
Progomphus sp.
8
Libellulidae
8
8
Orthemis sp.
2
1
Megapodagrionidae
2 10
Perilestidae
2 8
Ordem Plecoptera
Perlidae
10
10
10
Anacroneuria sp.
3
1
1
Ordem Magaloptera
Corydalidae
4
Coydalus sp.
1
Ordem Trichoptera
Leptoceridae
10
3 10 2 10 8 10
Oecetis sp. 1
4
2
8
Triplectides sp.
1
Hydrobiosidae
1 7
Hydroptilidae
1 7
6 7
Hydroptilla sp.
7
Hydropsychidae 2 5
5 177 5 10 5 12 5 98 5
Smicridea sp.
1
95
1
14
120
Polycentropodidae
1 7 2 7
Philopotamidae
13 8
16 8
Chimarra sp.
17
15
Total de organismos 115 20 70 1689 565 844 1966 70
Classe/Índice BMWP V 50 VI 21 VI 32 I 151 IV 95 III 118 IV 82 V 46
A distribuição da comunidade de macroinvertebrados bentônicos entre o
outono e primavera, expressos na tabela 6.3, mostra que a maior abundância ocorreu na
primavera (4.307 indivíduos), com destaque para Simulium sp. apresentando 1.483
indivíduos, seguido de Chironomidae (1.106 indivíduos).
Entre as duas estações do ano, pode-se classificar a qualidade das águas do
rio Tibagi, no que compreende a área diretamente afetada pela UHE Tibagi Montante,
como sendo de classe I, águas de ótima qualidade, com pontuação acima de 150 pontos.
Tabela 6.3 - Ocorrência de macroinvertebrados bentônicos e classificação do Índice BMWP
para as famílias de macroinvertebrados bentônicos registradas na área de influência da futura
UHE Tibagi Montante, no outono e primavera de 2017, no rio Tibagi. Onde N=número de
indivíduos e - =sem pontuação.
Grupos Taxonômicos
Outono Primavera
N BMWP N BMWP
Filo Mollusca
Classe Bivalvia
Ordem Unionoidea
Corbiculidae 5 - 2 -
Classe Gastropoda
Ordem Basommatophora
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 79
Grupos Taxonômicos
Outono Primavera
N BMWP N BMWP
Ancylidae
2 6
Physidae
3
Physa sp.
9
Ordem Mesogastropoda
Ampullariidae 3 - 17 -
Ordem Veneroida
Sphaeriidae
3 1 3
Pisidium sp. 14
2
Filo Annelida
Classe Oligochaeta 7 1 35 1
Classe Hirudinea
Ordem Rhynchobdellida
Glossiphonidae 1 3
Hellobdela sp. 2
Filo Arthropoda
Classe Chelicerata
Ordem Acari
Arrenuridae 2 - 9 -
Classe Malacostraca
Ordem Decapoda
Aeglidae
4 5
aegla sp.
6
Classe Insecta
Ordem Coleoptera
Ditiscydae
2 3
Elmidae 4 6 1 6
Heterelmis sp. 5
5
hexanchorus sp. 3
2
Macrelmis sp. 2
2
Neoelmis sp. 2
3
Xenelmis sp. 2
2
Psephenidae
7
7
Psephenus sp. 25
4
Ordem Diptera
Chironomidae 413 2 1106 2
Empididae
4
4
Hemerodromia sp. 5
2
Psychodidae
1 4
Simulidae
5
5
Simulium sp. 104
1483
Ordem Ephemeroptera
Baetidae 85 5 154 5
Baetis sp. 106
11
Baetodes sp. 1
12
Camelobaetidius sp. 43
52
Caenidae
5
Caenis sp.
14
Leptohyphidae 22 6 27 6
Leptohyphes sp. 9
30
Tricorythopsis sp.
1
Leptophlebiidae 25 10 129 10
Farrodes sp.
7
Hagenulopsis sp. 6
13
Gripopterygidae
585 7
Ordem Hemiptera
Notonectidae
4
Buenoa sp.2
Vellidae
1 4
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 80
Grupos Taxonômicos
Outono Primavera
N BMWP N BMWP
Ordem Lepidoptera
Pyralidae 4
16 7
Cataclysta sp. 3
8
Ordem Magaloptera
Corydalidae
4
Coydalus sp. 1
Ordem Odonata
Calopterygidae 1 8
Coenagrionidae 1 6
Cordulidae 4 8
Gomphidae 1 8
8
Archaeogomphus sp. 2
Phylocycla sp. 2
4
Progomphus sp.
8
Libellulidae
8
8
Orthemis sp. 1
2
Megapodagrionidae 1 10 1 10
Perilestidae
2 8
Ordem Plecoptera
Perlidae
10
10
Anacroneuria sp. 1
4
Ordem Trichoptera
Leptoceridae 7 10 6 10
Oecetis sp. 8
7
Triplectides sp.
1
Hydrobiosidae
1 7
Hydroptilidae 6 7 1 7
Hydroptilla sp. 7
Hydropsychidae 26 5 273 5
Smicridea sp. 32
199
Polycentropodidae 2 7 1 7
Philopotamidae 11 8 18 8
Chimarra sp. 15
17
Total de organismos 1032 4307
Classe/Índice BMWP I 151 I 185
Os resultados avaliados para os atributos de comunidade de
macroinvertebrados bentônicos (riqueza, equitabilidade e diversidade), expressos na
Figura 6.3, indicaram que os maiores índices de equitabilidade foram registrados nos
locais REM, JUS e PAS (E = 0,80, 0,63 e 0,60, respectivamente), os menores índices
desse atributo foram verificados nos locais: BAR, MON, INT, TRI e SAN (E = 0,47,
0,50, 0,50, 0,52 e 0,54, respectivamente). Os valores reduzidos para este atributo
indicam dominância, principalmente de Chironomidae. Para o atributo diversidade, os
maiores índices registrados verificou-se nos locais: JUS, PAS e TRI (H = 2,08, 1,87,
1,84, respectivamente), mostrando que a distribuição dos grupos taxonômicos nesses
locais, foi mais homogênea que nos demais. Já os menores índices desse atributo, foram
registrados nos locais: INT, SAN, MON e REM (H’ = 1,10, 1,26, 1,28 e 1,29
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 81
respectivamente). Com relação à riqueza de grupos taxonômicos verifica-se, que o
maior valor foi registrado no local BAR (S = 42), seguido do local TRI (S = 34), JUS (S
= 27) e PAS (S = 22), e o menor registro (S = 5) ocorreu no local REM.
Figura 6.3 – Atributos de comunidade analisados para cada local na área de influência da futura
UHE Tibagi Montante, no rio Tibagi entre o outono e primavera de 2017.
Entre as duas estações do ano, os resultados para os atributos de
comunidade de macroinvertebrados bentônicos (riqueza, equitabilidade e diversidade),
mostraram que os maiores índices de equitabilidade e diversidade (E = 0,62 e H’ = 2,39)
foram registrados no outono. Na primavera foi de E = 0,50 e H’ = 2,02. Para o atributo
riqueza de grupos taxonômicos, o maior valor (S = 54) foi registrado na primavera,
enquanto que no outono foi de S = 46 (Figura 6.4).
MON REM INT BAR JUS TRI PAS SAN
Locais de Amostragem
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
1,0
1,2
E
q
u
it
a
b
il
id
a
d
e
(E
)
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
D
iv
er
si
d
a
d
e
(H
')
E H'
(42)
(9)
(5)
(13)
(34)
(27)
(22)
(10)
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 82
Figura 6.4 – Atributos de comunidade bentônica analisados na área de influência da futura UHE
Tibagi Montante, no rio Tibagi, no outono e primavera de 2017.
A relação entre a estrutura da assembleia de macroinvertebrados bentônicos
e os eixos da PCA das variáveis físicas e químicas da qualidade da água foi sumarizada
através da Análise de Correspondência Canônica (CCA). Nessa análise nenhum dos
eixos foi significativo (teste de Monte Carlo; p<0,05) não havendo influência das
variáveis físicas e químicas qualidade da água sobre os padrões espaciais (locais) e
temporais (estações do ano) da composição e estrutura da assembleia de
macroinvertebrados bentônicos (Figura 6,5). Os dois primeiros eixos da CCA
explicaram 14,9% da variabilidade dos dados, sendo que o primeiro eixo da CCA foi
responsável por 9,6%, e o segundo eixo foi responsável por 8,3 %, e a correlação entre
os eixos não foi significativa (p<0,05).
Outono Primavera
Estações do Ano
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
1,0
1,2
E
q
u
it
a
b
il
id
a
d
e
(E
)
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
D
iv
er
si
d
a
d
e
(H
')
E H'
(46)
(54)
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 83
Figura 6.5A. Análise de Correspondência Canônica (CCA) entre a assembleia de
macroinvertebrados bentônicos (+) e os eixos da PCA (linhas vermelhas) das variáveis físicas e
químicas da qualidade da água, registradas na área de influência da futura UHE Tibagi
Montante, no rio Tibagi, entre o outono e primavera de 2017. Onde: Cor=Corbiculidae,
Anc=Ancylidae, Phy=Physidae, Amp=Ampularidae, Spha=Sphaeridae, Oligo=Oligochaeta,
Glos=Glossiphonidae, Arre=Arrenuridae, Aeg=Aeglidae, Diti=Ditiscydae, Elm=Elmidae,
Pseph=Psephenidae, Bae=Baetidae, Leptohy=Leptohyphidae, Leptophl=Leptophlebiidae,
Hydropsy=Hydropsychidae, Hydrobi=Hydrobiosidae, Emp=Empididae Chiro=Chironomidae
Hydropti=Hydroptilidae, Psych=Psychodidae Lepto=Leptoceridae, Poly=Polycentropodidae, e
Philo=Philopotamidae, Sim=Simulidae, Noto=Notonectidae, Vell=Vellidae,
Calopte=Calopterygidae, Coena=Coenagrionidae, Cord=Cordulidae, Gomp=Gomphidae,
Libell=Libellulidae, Mega=Megapodagrionidae, Peri=Perilestidae, Pyra=Pyralidae,
Perli=Perlidae, Coryd=Corydalidae,
Corb
Anc
Phy
Amp
Spha
Oligo
Glos
Elm
Bae
Leptohy
Leptophle
Hydropsi
Hydrobi
Hydropti
Lepto
Polyce
Philo
Calopte
Coena
Cordu Gomp
Libel
Mega
Peri
Pyra
Perli
Psycho
Empi
Simu
-8 -6 -4 -2 0 2 4
CC1 (9,6%)
-8
-6
-4
-2
0
2
4
6
8
10
C
C
2
(
8
,3
%
)
Outono Primavera
Pseph
Noton
Vell
Gripo
DItisArreChiro
AegCoryd
Caen
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 84
Figura 6.5B. Análise de Correspondência Canônica (CCA) entre a assembleia de
macroinvertebrados bentônicos (+) e os eixos da PCA (linhas vermelhas) das variáveis físicas e
químicas da qualidade da água, registradas na área de influência da futura UHE Tibagi
Montante, no rio Tibagi, entre o outono e primavera de 2017.
6.3 Considerações finais
As amostragens da comunidade de macroinvertebrados bentônicos
realizadas no outono e na primavera, mostrou-se bem diversificada, visto que foram
registros 5.339 indivíduos, pertencentes a três filos, oito classes, 16 ordens e 38
famílias, totalizando 63 táxons, no entanto, oscilou sazonalmente, principalmente no
número de indivíduos capturados, visto que nas amostragens realizadas durante o
outono foram registrados 1.032 indivíduos, enquanto que, na primavera foram
registrados 4.307 indivíduos, porém, houve pequena diferença no número de famílias e
de táxons registrados entre as duas estações do ano, mantendo o predomínio de Diptera,
seguido de Ephemeroptera e Trichoptera.
Em relação ao predomínio da ordem Diptera, Giuliatti & Carvalho (2009) e
Zerlin & Henry (2014), afirma que esta ordem é a mais representativa em termos de
número de indivíduos e mais abundante nas comunidades de macroinvertebrados
bentônicos, estando distribuídos em larga escala nos ambientes aquáticos de água doce,
principalmente por serem organismos muito tolerantes a ambientes poluídos. Segundo
-8 -6 -4 -2 0 2 4
CC1 (9,6%)
-8
-6
-4
-2
0
2
4
6
8
10
C
C
2
(
8
,3
%
)
MON REM INT BAR JUS TRI PAS SAN Grupos
PC1
PC2
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 85
Ferreira et al. (2011), as ordens Ephemeroptera e Trichoptera, vivem em águas
correntes, limpas e oxigenadas e, portanto, são sensíveis à poluição.
Vale ressaltar a grande diversidade de Chironomidae registrada em todos ospontos amostrados durante as duas estações do ano, corroborando com estudos
realizados em riachos e rios do alto rio Uruguai (Buckup et. al., 2007; Biasi et. al.,
2010; Bourscheid, 2012), onde esta família são os mais representativos insetos
aquáticos, que em decorrência da amplitude de ocupação de habitats; utilizam diversos
recursos alimentares, o que confere estratégias adaptativas para colonizar diferentes
tipos de micro-habitats (Trivinho-Strixino & Sonada, 2006), deste modo, os indivíduos
desta família podem atuar como predadores, coletores de matéria orgânica particulada
fina, e até eventualmente como fragmentadores (Tupinambás et al., 2007). Os baixos
valores de equitabilidade em alguns locais, demonstram a dominância de alguns grupos,
como por exemplo, o amplo predomínio de Chironomidae e Simuliidae registrados nos
locais Barragem, Tributário Capivara e Passatempo , principalmente na primavera.
Quando calculado o valor do índice BMWP, a baixa captura de indivíduos
pode, dessa forma, influenciar diretamente no índice BMWP, não indicando assim, que
as águas do trecho analisado estejam poluídas, apenas que estas não apresentem um
habitat adequado para a maioria das comunidades bentônicas (Winterbotton et al. 1997).
Dessa forma a baixa ocorrência de famílias registradas nos locais Remanso,
Intermediário, Montante e Passatempo, que indicam águas muito poluídas e poluídas,
pode estar relacionada ao habitat inadequado para a maioria das comunidades
bentônicas, e não necessariamente que o ambiente esteja degradado. Nos demais locais
os resultados foram satisfatórios, indicando águas aceitáveis e de ótima qualidade, assim
como também, nas duas estações do ano avaliadas, que as águas foram classificadas
como sendo de ótima qualidade.
Com a formação do reservatório, na área alagada, possivelmente a
comunidade bentônica possa ser afetada, o que reduziria a disponibilidade alimentar aos
peixes. Diante disso sugere-se a manutenção de parte da vegetação a ser alagada para
aumentar a disponibilidade de alimento aos peixes, já que nos troncos se desenvolve o
perifíton que é utilizado pelas espécies detritívoras.
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 86
7. MACRÓFITAS AQUÁTICAS
7.1 Metodologia
Para análise qualitativa, a amostragem das macrófitas foi realizada através
do método de varredura, nos seis locais de amostragem, sendo registradas as macrófitas
presentes (flutuantes, emersas e submersas) as quais foram coletadas e fotografadas no
local para facilitar a identificação ao menor nível taxonômico possível com o auxílio de
Amaral et al. (2008) e Suzuki (2011).
Os bancos de macrófitas (Figura 7.1) foram georreferenciados e estimados
seus tamanhos (m2) para acompanhamento quanto ao deslocamento e aumento/redução
do tamanho em seis dos locais de amostragem (Tabela 7.1) na área de influência da
futura UHE Tibagi Montante, no outono e primavera de 2017.
Tabela 7.1 – Locais de amostragem na área de influência da futura UHE Tibagi Montante.
Local Siglas Rio
Coordenadas
Latitude Longitude
Jusante JUS Tibagi 24º31’38,46’’S 50º24’25,34’’O
Barragem BAR Tibagi 24º33’2,71’’S 50º24’22,63’’O
Intermediário INT Tibagi 24º36’24,98’’S 50º25’30,74’’O
Remanso REM Tibagi 24º39’28,20’’S 50º25’8,23’’O
Montante MON Tibagi 24º41’24,09’’S 50º23’37,60’’O
Tributário TRI Capivari 24º39’0,80’’S 50º26’8,14’’O
Figura 7.1 – Localização e georreferenciamento de bancos de macrófitas aquática na área de
influência da UHE Tibagi Montante, no outono e primavera de 2017.
7.2 Resultados e Discussão
Nas duas amostragens realizadas que compreenderam as estações do ano
outono e primavera, foi identificada a presença de três espécies de macrófitas aquáticas
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 87
na área de influência da UHE Tibagi Montante, sendo uma espécies aquática flutuante
(Eichhornia crassipes) e duas espécies aquática emersa (Eichhornia azurea e
Echinodorus sp.) (Tabela 7.2).
Tabela 7.2 - Classificação taxonômica das espécies de macrófitas aquáticas, segundo Species
2000 & ITIS Catalogue of Life: April 2013, localizadas na área de influência da UHE Tibagi
Montante, rio Tibagi, na primavera de 2017.
Classificação Taxonômica Característica Local de amostragem
Divisão Tracheophyta
Classe Liliopsida
Ordem Commelinales
Família Pontederiaceae
Eichhornia crassipes (Mart.) Solms Flutuante JUS/BAR/INT/REM/MON
Eichhornia azurea (Mart.) Solms Flutuante JUS/BAR
Echinodorus sp. Submersa BAR/MON
Nas tabelas abaixo, estão descritas as dimensões dos bancos de macrófitas
georreferenciados nas duas amostragens realizadas, sendo localizadas macrófitas
aquáticas em cinco dos seis locais de amostragem. No outono (Tabela 7.3), foi
identificada a presença de apenas uma espécie de macrófitas aquáticas (Eichhornia
crassipes) na área de influência da futura UHE Tibagi Montante. Os bancos de
macrófitas foram registrados em cinco dos seis locais de amostragem (JUS, BAR, INT,
REM e MON), sendo que as maiores ocorrências foram verificadas nos locais JUS e
BAR da espécie E. crassipes.
Durante a primavera, os bancos de macrófitas (Tabela 7.4) foram
registrados em quatro dos seis locais de amostragem (JUS, BAR, REM e MON), sendo
que as maiores ocorrências foram verificadas nos locais BAR e MON para o gênero
Eichhornia, e ainda, a ocorrência da espécie submersa Eichonodorus sp. nos locais
BAR e MON.
De forma geral, a maior ocorrência nos cinco locais de amostragem foi da
espécie E. crassipes e os maiores bancos foram registrados no local BAR. Das espécies
identificadas, E. crassipes e E. azurea, são as que podem apresentar maiores danos na
formação de um reservatório. Segundo Martins et al. (2002) E. crassipes está entre as
principais plantas aquáticas classificadas como daninhas. Essas plantas se proliferam de
forma desorganizada em reservatórios podendo causar problemas como o acúmulo de
lixo, dificuldade de navegação, prejuízos ao turismo e pesca, bem como prejuízos na
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 88
geração de energia às usinas hidrelétricas incrementando custos na manutenção
(Marcondes & Tanaka, 1997).
Ao longo do estudo realizado, foram observados deslocamento e variações
de tamanho nos bancos de macrófitas, fato comum principalmente nas espécies
aquáticas flutuantes, uma vez que estas são carreadas pelas correntezas dos rios.
Tabela 7.3 – Georrefereciamento da presença de bancos de macrófitas aquáticas, na área de
influência da futura UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, no outono de 2017.
Local Espécie Dimensão
Coordenadas
Latitude Longitude
TM-JUS Eichhornia crassipes ≈ 11m² 24º31'41,5''S 50º24'22,8''O
TM-JUS Eichhornia crassipes ≈ 12m² 24º31'42,7''S 50º24'24,1''O
TM-JUS Eichhornia crassipes ≈ 5m² 24º31'45,5''S 50º24'25,2''O
TM-JUS Eichhornia crassipes ≈ 6m² 24º31'50,7''S 50º24'25,3''O
TM-BAR Eichhornia crassipes ≈ 8m² 24º32'48,1''S 50º24'11,7''O
TM-BAR Eichhornia crassipes ≈ 17m² 24º32'48,1''S 50º24'07,9''O
TM-BAR Eichhornia crassipes ≈ 20m² 24º32'52,4''S 50º23'56,4''O
TM-BAR Eichhornia crassipes ≈ 6m² 24º32'58,4''S 50º23'56,8''O
TM-BAR Eichhornia crassipes ≈ 13m2² 24º33'05,1''S 50º24'05,4''O
TM-INT Eichhornia crassipes ≈ 8m² 24º36'27,8''S 50º25'36,0''O
TM-INT Eichhornia crassipes ≈ 26m² 24º36'14,4''S 50º25'20,3''O
TM-REM Eichhornia crassipes 5m² 24º38'57,1''S 50º25'30,2''O
TM-MON Eichhornia crassipes ≈ 17m² 24º41'21,7''S 50º23'42,7''O
TM-MON Eichhornia crassipes ≈ 9m² 24º41'25,0''S 50º23’33,2''O
TM-MON Eichhornia crassipes ≈ 6m² 24º41'16,9''S 50º23'41,9''O
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 89
Tabela 7.4 – Georrefereciamento da presença de bancos de macrófitas aquáticas, na área de
influência da futura UHE TibagiMontante, rio Tibagi, na primavera de 2017.
Local Espécie Dimensão
Coordenadas
Latitude Longitude
TM-JUS Eichhornia crassipes ≈ 1m² 24º31'41,5''S 50º24'22,8''O
TM-JUS Eichhornia crassipes ≈ 2m² 24º31'42,7''S 50º24'24,1''O
TM-JUS Eichhornia azurea ≈ 3m² 24º31'45,5''S 50º24'25,2''O
TM-JUS Eichhornia azurea ≈ 1m² 24º31'50,7''S 50º24'25,3''O
TM-BAR Eichhornia crassipes ≈ 4m² 24º32'48,1''S 50º24'11,7''O
TM-BAR Eichhornia crassipes ≈ 7m² 24º33'2,6''S 50º24'5,0''O
TM-BAR Eichhornia crassipes ≈ 9m² 24º32'48,1''S 50º24'07,9''O
TM-BAR Eichhornia crassipes ≈ 6m² 24º32'52,4''S 50º23'56,4''O
TM-BAR Eichhornia crassipes ≈ 10m² 24º32'58,4''S 50º23'56,8''O
TM-BAR Eichhornia crassipes ≈ 7m² 24º33'05,1''S 50º24'05,4''O
TM-BAR Eichhornia azurea ≈ 4m² 24º32'59,5''S 50º23'57,2''O
TM-REM Eichhornia crassipes ≈3m² 24º39'2,7''S 50º25'25,3''O
TM-MON Eichhornia crassipes ≈ 3m² 24º41'26,9''S 50º23'35,4''O
TM-MON Eichhornia crassipes ≈ 3m² 24º41'24,3''S 50º23’38,8''O
TM-MON Eichhornia crassipes ≈ 6m² 24º41'23,3''S 50º23'37,4''O
TM-MON Eichhornia crassipes ≈ 4m² 24º41'16,9''S 50º23'41,9''O
Eichhornia crassipes
Eichhornia azurea
Echinodorus sp
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 90
7.3 Considerações finais
As macrófitas aquáticas geralmente colonizam a região litorânea dos
reservatórios, e sua distribuição e abundância são influenciadas pela composição dos
sedimentos, transparência da água, disponibilidade de nutrientes e ação dos herbívoros.
Nos ambientes aquáticos tropicais, normalmente, as condições climáticas tendem a
favorecer o crescimento das plantas aquáticas, principalmente as temperaturas elevadas
e a radiação solar. Além desses fatores, ocorrem, ainda, ações antrópicas que podem
induzir o aparecimento de condições favoráveis para o desenvolvimento destes vegetais,
por exemplo, o lançamento de esgotos não tratados e a consequente eutrofização do
meio.
Na formação de reservatórios a transformação de ambiente lótico em lêntico
atenua significativamente a velocidade de corrente, aumentando o tempo médio de
residência das águas, e nas regiões de remanso as condições limnológicas geralmente
diferem das do corpo principal, principalmente no que se refere à velocidade de
circulação, profundidade média e variáveis físicas, químicas e biológicas. É comum
observar, nesses ambientes, a propagação da comunidade de macrófitas, principalmente
daquelas enraizadas que se limitam a ocupar as regiões litorâneas, onde encontram
condições adequadas para fixação e nutrição, enquanto que as espécies livres e
flutuantes podem ocupar áreas mais amplas.
No caso da UHE Tibagi Montante, as macrófitas enraizadas com folhas que
crescem para fora da água (emersas), podem vir a ter uma grande proliferação com a
formação do reservatório devido ao aumento de regiões litorâneas uma vez que duas
espécies com estas características foram registradas na área de estudo, já a possibilidade
de infestação por macrófitas flutuantes é maior, sendo que das três espécies
identificadas, E. crassipes e E. azurea são espécies com alto índice de proliferação e
infestação em reservatórios de regiões tropicais.
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 91
8. ICTIOFAUNA E ICTIOPLÂNCTON
8.1 Metodologia
As amostragens da ictiofauna, nos seis pontos citados acima, foram
realizadas com o auxílio de diferentes petrechos de pesca, como redes de espera,
tarrafas, espinhéis, varas de pesca e arrastos. As redes de espera (Figura 8.1) foram de
malha simples (2,5 a 12 cm entre nós) e feiticeiras (6 a 8 cm entre nós não adjacentes)
com 20 m de comprimento (cada) no rio Tibagi e 10 m de comprimento (cada) no
Tributário Capivari, as quais ficaram expostas durante 16 horas, instaladas às 16 horas e
revistadas às 22 e 8 horas. As tarrafas (Figura 8.2) foram de malhas 2,5 e 4,0 cm de
entre nós não adjacentes e 15 m de roda (abertura), operadas durante o período diurno,
sendo realizados lances de cada malha durante 15 minutos.
Os espinhéis (Figura 8.3) foram utilizados para a captura de peixes de médio
e grande porte, sendo compostos por 30 anzóis (7/0) expostos durante 16 horas,
instalados às 16 horas e revistados às 22 e 8 horas. As amostragens na zona litorânea
foram realizadas para a captura de espécies de pequeno a médio porte, com auxílio de
rede de arrasto (Figura 8.4) ou cerco de 10 m de comprimento, 2 m de altura e malha 5
mm de abertura, operadas no período crepuscular vespertino, em cada um dos pontos de
amostragem, quando possível. Durante a amostragem da primavera, não foram
realizadas os arrastos na zona litorânea, devido ao furto deste aparelho de pesca no
primeiro dia de coleta na margem do local JUS.
Os peixes capturados foram anestesiados com hidrocloreto de benzocaína,
segundo a Resolução n° 714, de 20 de Julho de 2002 do Conselho Federal de Medicina
Veterinária, que dispõe sobre procedimentos e métodos de eutanásia em animais. Após
este procedimento, os peixes foram fixados em formaldeído 10% e acondicionados em
tambores de polietileno. Em laboratório, a identificação das espécies de peixes foi
efetuada segundo Graça & Pavanelli (2007) e descrições de espécies posteriores.
Exemplares testemunhos de cada espécie foram conservados em álcool 70% e
depositados em coleção ictiológica da Universidade Estadual do Oeste do Paraná
(UNIOESTE/GERPEL).
De cada exemplar foi obtido o comprimento total (Lt), comprimento padrão
(Ls), peso total (Wt), peso das gônadas (Wg), data, local, tipo de aparelho e turno de
captura. Além destes fatores, foi analisado o grau de repleção gástrico, o sexo e os
estádios de maturidade gonadal. Ao grau de repleção gástrico (GR), que indica o estado
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 92
de enchimento dos estômagos foi atribuída a seguinte escala: GR0 = estômago vazio;
GR1 = estômago parcialmente vazio; GR2 = estômago parcialmente cheio e GR3 =
estômago cheio.
Figura 8.1 – Coletas com redes de espera.
Figura 8.2 – Coletas com tarrafa.
Figura 8.3 – Coletas com espinhel.
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 93
Figura 8.4 – Coletas com arrasto marginal.
A identificação do sexo e dos estádios de maturidade foi feita através da
inspeção macroscópica das gônadas, observando-se o tamanho, a forma, a possibilidade
de visualização dos ovócitos (no caso dos ovários) e sua posição na cavidade abdominal
e foi atribuída a seguinte escala: IMT=imaturo; MAT=desenvolvimento (maturação);
RPD=capaz de desovar (Reprodução); ESG=regressão (esgotado); REP=regeneração
(repouso) (Brown-Peterson et al., 2011).
Os atributos utilizados como descritores de comunidade, riqueza específica
(S=número de espécies), equitabilidade (E) e índice de diversidade de Shannon (H)
(Magurran, 1988; Krebs, 1999) foram utilizados para avaliar a organização das
assembleias de peixes ao longo do gradiente longitudinal. O índice de Shannon (H’) foi
definido como:
s
1i
ii lnppH'
sendo:
s=número de espécies;
pi=proporção da espécie i.
A equitabilidade (E) foi calculada de acordo com a expressão:
lnS
H'
E
sendo:
H’=índice de diversidade de Shannon;
S=número de espécies.
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 94
A riqueza, equitabilidade e índice de diversidade de Shannon foram
calculados utilizando o software PC-Ord 5.31 (McCune & Mefford, 2006).
Para o cálculo de Captura por Unidade de Esforço (CPUE) foram utilizadas
redes de espera simples de malha 2,5 a 12 cm e tresmalho 6, 7 e 8 cm. As capturas em
peso por unidade de esforço foram padronizadas para kg/1.000 m2 de rede*16 h,
enquanto as capturas em número de indivíduos por unidade de esforço foram expressas
emind/1.000 m2 de rede*16 h.
A estrutura geral das populações foi avaliada por meio dos valores mínimos,
máximos, médios e desvios padrão do comprimento padrão, para todas as espécies
capturadas. Além disso, foi construído o histograma das classes de comprimento
padrão, para avaliar a distribuição geral de tamanho dos peixes amostrados.
Para a análise da dieta, após as despescas, foi realizada a dissecação dos
indivíduos, possibilitando a determinação do grau de repleção dos estômagos. Os
estômagos que se encontraram parcialmente cheios ou cheios (Gr 2 e Gr 3,
respectivamente), de acordo com os critérios de Braga (1990), foram retirados e
conservados em álcool 70,0%. O hábito alimentar das espécies de peixes foi definido de
acordo com Hahn et al. (1997 e 2004)
Para a determinação do local de reprodução foram utilizadas as frequências
de indivíduos nos diferentes estádios de maturação gonadal (fêmeas e machos).
A estrutura espaço-temporal da comunidade ictiofaunística foi sumarizada
pela técnica de escalonamento multidimensional não métrica (NMS) e avaliada
considerando as estações do ano pelo Procedimento Permutacional de Multi-Resposta
(MRPP), com base na medida de distância de Sorensen. Para tanto, foi seguido o
procedimento da NMS descrito em McCune & Grace (2002), nível médio do piloto
automático (40 configurações iniciais; 50 rodagens com dados randomizados para o
teste de Monte Carlo; critério de estabilidade de desvio padrão do stress ≤ 0,00001 após
15 interações consecutivas). A NMS foi escolhida porque seu protocolo de ordenação
procura pela menor diferenciação possível entre os ranks das distâncias no espaço
multivariado, de n-unidades amostrais por m-espécies, e o rank das distâncias num
espaço reduzido, de duas dimensões. Esse procedimento resulta em uma visualização
mais intuitiva da semelhança entre as amostras em poucas dimensões, de acordo com os
táxons presentes.
As coletas de ictioplâncton (figura 8.5) somente na primavera foram
realizadas com o auxílio de redes de plâncton cônico-cilíndricas (malha 0,5 mm), as
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 95
quais foram fixadas a um cabo estendido de uma margem à outra do rio e expostas
durante 10 minutos. Foram instaladas três redes, sendo duas de superfície, uma na
margem direita (MD), outra na margem esquerda (ME), e uma terceira no centro
(fundo) (FD) acoplada a um trenó. Foram realizadas quatro amostragens por coleta,
sendo duas durante o período diurno e duas no período noturno. As amostras foram
acondicionadas em frascos plásticos, sendo identificadas quanto ao ponto e data da
coleta e fixadas em formol a 4,0%, tamponado com carbonato de cálcio. Após as
coletas, as amostras foram encaminhadas ao laboratório de ictioplâncton onde passaram
por um processo de triagem (separação).
Para a estimativa da densidade de ovos, larvas e jovens/adultos de peixes as
abundâncias foram padronizadas para um volume de 10 m³ de água filtrada, utilizando-
se as seguintes expressões:
a.r.fV
sendo:
V=volume de água filtrada (m³);
a=área da boca da rede;
r=número de rotações do fluxômetro;
f=fator de calibração do fluxômetro.
10
V
X
Y x
sendo:
Y=número de organismos por 10 m³;
X=número de organismos coletados;
V=volume de água filtrada.
A densidade média por pontos de amostragem foi obtida através da seguinte
expressão:
B
C
D
sendo:
D=densidade média de ovos, larvas e jovens/adultos de peixes por pontos;
C=número total de ovos, larvas e jovens/adultos de peixes capturados;
B=número de coletas por pontos.
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 96
Figura 8.5 – Coleta de ictioplâncton com redes estacionárias.
8.2 Resultados e Discussão
Levantamento ictiofaunístico
Durante as amostragens na área de influência da UHE Tibagi Montante, nos
seis locais de coleta, foram capturados 992 indivíduos, sendo a maior ocorrência no
local Montante (MON; 205 indivíduos), seguido de Remanso (REM; 199 indivíduos),
Barragem (BAR; 160 indivíduos), Intermediário (INT; 159 indivíduos), Jusante (JUS;
139 indivíduos) e Tributário (TRI; 130 indivíduos). Foram registradas 41 espécies,
distribuídas em cinco ordens e 11 famílias (Tabela 8.1).
O predomínio de Characiformes e Siluriformes na área de influência da
UHE Tibagi Montante corrobora os resultados encontrados por outros autores para a
região Neotropical (Lowe-McConnell, 1999; Shibatta et al., 2002; Gubiani, 2006), que
relatam estas ordens como as de maior representatividade na ictiofauna de sistemas
fluviais sul-americanos, com domínio de Characiformes.
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 97
Erro! Fonte de referência não encontrada. – Enquadramento e estratégia reprodutiva das espécies de peixes e capturadas na área de influência da UHE
ibagi Montante, rio Tibagi, entre os meses de abril de 2017 (outono) e outubro de 2017 (primavera), seguindo Nelson (2006) para Ordens e famílias de
Siluriformes e Reis et al. (2003) para demais famílias, com exceção de Characidae que segue Mirande (2009). Estratégia Reprodutiva de acordo com Suzuki et
al. (2004) (MIG= migrador de longa distância; SSP= não migrador ou migrador de curta distância sem cuidado parental; SCC= não migrador ou migrador de
curta distância com cuidado parental; SI= sem informação).
Classificação Taxonômica Nome Vulgar
Locais de Amostragem Estratégia
Reprodutiva MON REM INT BAR JUS TRI
CHARACIFORMES
Parodontidae
Apareiodon affinis (Steindachner, 1879) Canivete X X
X X
SSP
Apareiodon piracicabae (Eigenmann, 1907) Canivete X
X
X
SSP
Parodon nasus Kner, 1859 Canivete
X X X
SSP
Anostomidae
Leporellus vittatus (Valenciennes, 1850) Solteira
X
SSP
Leporinus amblyrhynchus Garavello & Britski, 1987 Piau X X X X X X SSP
Leporinus octofasciatus Steindachner, 1915 Piau-flamengo X X X X X X SSP
Leporinus striatus Kner, 1858 Piau-listrado
X X X
SSP
Megaleporinus obtusidens (Valenciennes, 1850) Piapara X X X X X
MIG
Megaleporinus piavussu (Britski, Birindelli &
Garavello, 2012)
Piapara
X
X X MIG
Schizodon nasutus Kner, 1858 Ximboré X X X X X X SSP
Prochilodontidae
Prochilodus lineatus (Valenciennes, 1837) Curimba
X X
MIG
Characidae
Astyanax aff. fasciatus (Cuvier, 1819) Lambari-do-rabo-vermelho X X X X X X SSP
Astyanax bockmanni Vari & Castro, 2007 Lambari X
SSP
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 98
Classificação Taxonômica Nome Vulgar
Locais de Amostragem Estratégia
Reprodutiva MON REM INT BAR JUS TRI
Astyanax lacustres (Lütken, 1875) Tambiú X X
X X X SSP
Bryconamericus stramineus (Eigenmann, 1908) Lambarizinho X
X
X
SSP
Knodus moenkhausii (Eigenmann & Kennedy, 1903) Lambarizinho X
X
SI
Oligosarcus paranensis Menezes & Géry, 1983 Saicanga X X X X X SSP
Piabarchus stramineus (Eigenmann, 1908) Lambarizinho X
X
X
SSP
Piabina argentea Reinhardt, 1967 Lambarizinho X X X
X
SI
Salminus hilarii Valenciennes, 1850 Tabarana X X X X X X MIG
CYPRINODONTIFORMES
Peciliidae
Phalloceros harpagos Lucinda, 2008 Guaru
X
FI
SILURIFORMES
Loricariidae
Hypostomus albopunctatus (Regan, 1908) Cascudo X X X X
SCC
Hypostomus ancistroides (Ihering, 1911) Cascudo
X
X X
SCC
Hypostomus cf. nigromaculatus Garavello, Britsky &
Zawadzki, 2012
Cascudo
X
SCC
Hypostomus cf. paulinus (Ihering, 1905) Cascudo X X
X X
SCC
Hypostomus cf. regani (Ihering, 1905) Cascudo X X X X X
SCC
Hypostomus cf. strigaticeps (Regan, 1908) Cascudo X X X X X X SCC
Hypostomus commersoni Valenciennes, 1836Cascudo-avião X X
X X
SCC
Hypostomus hermanni (Ihering, 1905) Cascudo X X X X X
SCC
Hypostomus microstomus Weber, 1987 Cascudo X
X X X
SCC
Megalancistrus parananus (Peters, 1881) Cascudo-abacaxi X
X
SCC
Hepapteridae
Imparfinis mirini Haseman, 1911 Bagrinho
X
SI
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 99
Classificação Taxonômica Nome Vulgar
Locais de Amostragem Estratégia
Reprodutiva MON REM INT BAR JUS TRI
Rhamdia quelen (Quoy & Gaimard, 1824) Jundiá
X X X X X SSP
Pimelodidae
Iheringichthys labrosus (Lütken, 1874) Mandi-beiçudo X X X X X X SSP
Pimelodus cf. argenteus Perugia, 1891 Mandi X
SI
Pimelodus maculatus Lacepède, 1803 Mandi-amarelo X X
X
SSP
Pimelodus microstoma Steindachner, 1877 Mandi X X X X X X SI
Callichthyidae
Corydoras ehrhardti Steindachner, 1910 Limpa-vidro
X
SCC
Corydoras longipinnis Knaack, 2007 Limpa-vidro
X
X
SCC
GYMNOTIFORMES
Sternopygidae
Eigenmannia virescens (Valenciennes, 1836) Espadinha
X SSP
PERCIFORMES
Cichlidae
Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1824) Cará
X
X
SCC
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 100
Estratégia reprodutiva
Na área de influência da UHE Tibagi Montante foram capturadas quatro
espécies classificadas como migradoras de longa distância (MIG) de acordo com Suzuki
et al. (2004) (Erro! Fonte de referência não encontrada.), Megaleporinus obtusidens,
egaleporinus piavussu, Prochilodus lineatus e Salminus hilarii, que responderam por
9,8% do total de espécies capturadas, sendo M. obtusidens e S. hilarii as mais
abundantes. As espécies definidas como não migradoras ou migradoras de curta
distância sem cuidado parental (SSP) foram as mais abundantes, com 18 espécies,
representando 43,9% do total, seguidas das espécies não migradoras ou migradoras de
curta distância com cuidado parental (SCC) que totalizaram 13 espécies e representaram
31,7%. Foi registrada uma espécie não migradora com fecundação interna (FI),
representando 2,4% e cinco espécies sem informação na literatura (SI), que
representaram 12,2% do total de espécies encontradas nesse período (Figura 8.6).
Figura 8.6 – Estratégias reprodutivas das espécies de peixes (MIG= migrador de longa
distância; SSP= não migrador ou migrador de curta distância sem cuidado parental; SSP = não
migrador ou migrador de curta distância com cuidado parental; SI = sem informação)
capturadas na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, rio Tibagi entre os meses de
abril de 2017 (outono) e outubro de 2017 (primavera).
A Figura 8.7 mostra que, entre os locais, o predomínio de indivíduos de
espécies não migradoras sem cuidado parental (SSP) confirma o padrão observado
anteriormente. Observou-se também que as espécies migradoras de longa distância
9,8%
43,9%
31,7%
2,4%
12,2%
MIG SSP SCC FI SI
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 101
(MIG) foram mais abundantes nos locais INT, REM e MON (7,54%, 7,54% e 6,83%
respectivamente).
Figura 8.7 – Estratégias reprodutivas das espécies (MIG = migrador de longa distância; SSP =
não migrador ou migrador de curta distância sem cuidado parental; SCC = não migrador ou
migrador de curta distância com cuidado parental; SI = sem informação) no período de julho de
2017 (outono) a outubro de 2017 (primavera) na área de influência da futura UHE Tibagi
Montante, rio Tibagi.
Em relação ao período de amostragem observou-se que os exemplares das
espécies migradoras de longa distância (MIG) tiveram abundâncias ligeiramente
superiores em abril (outono) (4,80%), quando comparado ao mês de outubro
(primavera) (4,54%). Já os não migradores sem cuidado parental (SSP) foram os que
apresentaram as maiores proporções nas duas estações do ano, seguido dos não
migradores com cuidado parental (SCC) (Figura 8.8).
0%
20%
40%
60%
80%
100%
JUS BAR INT REM MON TRI
In
d
iv
íd
u
o
s
Locais
MIG
SSP
SCC
FI
SI
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 102
Figura 8.8 – Estratégias reprodutivas das espécies de peixes coletadas entre abril de 2017
(outono) e outubro de 2017 (primavera) (MIG = migrador de longa distância; SSP = não
migrador ou migrador de curta distância sem cuidado parental; SCC = não migrador ou
migrador de curta distância com cuidado parental; SI = sem informação) nos locais de
amostragem na área de influência da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi.
Padrões de dominância e abundância relativa
A CPUE total calculada para os locais (Figura 8.9A) apresentou diferença
considerável entre os locais de amostragem, sendo o local TRI aquele que apresentou as
maiores capturas em número de indivíduos (284,21 indivíduos/1000m²*16h), seguido
dos locais MON e REM (224,09 e 217,53 indivíduos/1000m²*16h, respectivamente). Já
os locais JUS, BAR e INT apresentaram valores próximos (151,95, 174,90 e 173,81
indivíduos/1000m²*16h, respectivamente). Considerando a biomassa capturada (Figura
B) os maiores valores foram registrados para os locais MON (22,42 kg/1000m²*16h),
seguido de REM (19,93 kg/1000m²*16h), TRI (17,50 kg/1000m²*16h) e BAR (17,28
kg/1000m²*16h). As menores capturas, em peso, foram para os locais JUS e INT (10,78
e 13,13 kg/1000m²*16h, respectivamente).
Em relação às estações do ano, a primavera apresentou os maiores valores
de captura em número de indivíduos e biomassa (245,26 indivíduos/1000m²*16h e
24,84 kg/1000m²*16h, respectivamente). No outono, as capturas foram de 149,06
indivíduos/1000m²*16h e 8,72 kg/1000m²*16h (Figura 8.9B).
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
Outono Primavera
In
d
iv
íd
u
o
s
Locais
MIG
SSP
SCC
FI
SI
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 103
Figura 8.9 – Captura por unidade de esforço para os locais de amostragem (A) e as estações do
ano (B) em número de indivíduos (indivíduos/1000m²*16h) e biomassa (kg/1000m²*16h),
coletados entre abril de 2017 (outono) e outubro de 2017 (primavera), na área de influência da
futura UHE Tibagi Montante, rio Tibagi.
Avaliando as capturas por unidade de esforço entre os locais e as estações
do ano, observou-se os maiores valores em número de indivíduos (Figura 8.10A) nos
locais MON (44,92 indivíduos/1000m²*16h) e INT (38,95 indivíduos/1000m²*16h),
durante o outono, e no local REM (64,79 indivíduos/1000m²*16h), durante a primavera.
Os menores valores em número de indivíduos foram observados no local TRI (7,55
indivíduos/1000m²*16h). Em relação à biomassa (Figura 8.10B), o local com maior
captura durante o outono foi MON (3,90 kg/1000m²*16h), enquanto REM (6,12
kg/1000m²*16h) e BAR (5,00 kg/1000m²*16h) apresentaram maiores biomassas na
primavera.
Figura 8.10 – Captura por unidade de esforço em número de indivíduos (A) e biomassa (B) em
1000m² de rede*16h para os locais de amostragem durante os meses de abril de 2017 (outono) e
outubro de 2017 (primavera), na área de influência da UHE Tibagi Montante.
Indivíduos/1 .000m²*16h
Locais
MON
REM
INT
BAR
JUS
TRI
050100150200250300 0 5 10 15 20 25
kg/1 .000m²*16h
CPUE
Indiv íduos/1 .000m²*16h
Locais
Outono
Primavera
050100150200250300 0 5 10 15 20 25
kg/1 .000m²*16h
CPUE
0,00
10,00
20,00
30,00
40,00
50,00
60,00
70,00
JUS BAR INT REM MON TRI
C
P
U
E
(
In
d
iv
íd
u
o
s/
1
0
0
0
m
²*
1
6
h
)
Locais de Coleta
Outono Primavera
0,00
1,00
2,00
3,00
4,00
5,00
6,00
7,00
JUS BAR INT REM MON TRI
C
P
U
E
(
k
g
/1
0
0
0
m
²*
1
6
h
)
Locais de Coleta
Outono Primavera
A B
A B
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 104
Quando detalhadaa captura das espécies em relação às estações do ano, em
número de indivíduos, observou-se que a espécie mais representativa foi A. aff.
fasciatus em ambas as estações (outono e primavera), com maiores registros na
primavera (80,69 indivíduos/1000m²*16h) do que no outono (52,07
indivíduos/1000m²*16h). Essa espécie foi seguida por P. argentea (24,25
indivíduos/1000m²*16h), no outono, e L. octofasciatus (21,47 indivíduos/1000m²*16h),
P. microstoma (20,67 indivíduos/1000m²*16h) e I. labrosus (19,87
indivíduos/1000m²*16h), na primavera (Figura 8.11).
Figura 8.11 – Captura por unidade de esforço (CPUE) em número de indivíduos
(indivíduos/1000m²*16h) das espécies capturadas nos meses de abril de 2017 (outono) e
outubro de 2017 (primavera), na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, rio Tibagi.
A captura por unidade de esforço para biomassa das espécies, em relação às
estações do ano, mostrou que L. octofasciatus teve maior biomassa capturada, durante a
primavera (4,80 kg/1000m²*16h), seguida de H. cf. strigaticeps (2,36 kg/1000m²*16h),
M. obtusidens (2,25 kg/1000m²*16h) e S. nasutus (2,21 kg/1000m²*16h). Durante o
outono as espécies com maiores valores de biomassa capturada foram M. obtusidens
(1,70 kg/1000m²*16h) e S. nasutus (1,11 kg/1000m²*16h) (Figura 8.12).
0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00
S. nasutus
H. cf. paulinus
P. argentea
L. octofasciatus
P. microstoma
I. labrosus
A. aff. fasciatus
CPUE (Indivíduos/1000m²*16h)
E
sp
éc
ie
s
Primavera
Outono
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 105
Figura 8.12 – Captura por unidade de esforço (CPUE) em biomassa das espécies na área de
influência da futura UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, entre os meses de abril de 2017 (outono)
e outubro de 2017 (primavera).
Analisando a captura por unidade de esforço, considerando as estratégias
reprodutivas das espécies e as estações do ano, verificaram-se os maiores registros para
as espécies não migradoras ou migradoras de curta distância sem cuidado parental (SSP)
na primavera (162,58 indivíduos/1000m²*16h) e no outono (95,48
indivíduos/1000m²*16h). Para as espécies migradoras de longa distância (MIG) os
maiores registros foram também na primavera (11,13 indivíduos/1000m²*16h), sendo
que no outono foram registrados 7,15 indivíduos/1000m²*16h. As espécies não
migradoras ou migradoras de curta distância com cuidado parental (SCC) variaram
entre 16,30 indivíduos/1000m²*16h no outono e 49,30 indivíduos/1000m²*16h na
primavera. A única espécie com fecundação interna (FI), P. harpagos, foi capturada
apenas no outono (0,40 indivíduos/1000m²*16h). Espécies sem informação (SI)
variaram entre 22,26 indivíduos/1000m²*16h na primavera e 29,82
indivíduos/1000m²*16h no outono (Figura 8.13A).
Em relação à biomassa capturada, os maiores registros foram para espécies
não migradoras sem cuidado parental (SSP) na primavera (13,11 kg/1000m²*16h),
seguidas de espécies não migradoras com cuidado parental (SCC) na primavera (5,20
kg/1000m²*16h), SSP no outono (4,89 kg/1000m²*16h) e espécies migradoras de longa
distância (MIG) na primavera (4,72 kg/1000m²*16h). Os menores valores de biomassa
foram observados para espécies sem informação (SI), durante todas as estações do ano
0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00
R. quelen
I. labrosus
A. aff. fasciatus
H. cf. strigaticeps
S. nasutus
M. obtusidens
L. octofasciatus
CPUE (kg/1000m²*16h)
E
sp
éc
ie
s
Primavera
Outono
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 106
(Figura 8.13B), exceto para a espécie com fecundação (FI) no outono (>0,01
kg/1000m²*16h).
Figura 8.13 – Captura por unidade de esforço (CPUE) em número de indivíduos das espécies
capturadas em relação às estratégias reprodutivas (MIG= migrador de longa distância; SSP= não
migrador ou migrador de curta distância sem cuidado parental; SCC= não migrador ou migrador
de curta distância com cuidado parenta), durante os meses de abril de 2017 (outono) e outubro
de 2017 (primavera), na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, rio Tibagi.
Atributos da assembleia de peixes
Durante o período de monitoramento da ictiofauna na área de influência da
UHE Tibagi Montante, entre os meses de abril (outono) e outubro (primavera) de 2017,
foram coletadas 41 espécies de peixes. Entre os locais, observou-se os seguintes valores
de riqueza JUS (32), MON (27), BAR (25), INT (24), REM (21) e TRI (13). Em relação
à equitabilidade, os locais MON (E = 0,85) e JUS (E = 0,83) apresentaram os maiores
valores. De modo geral, os locais na calha do rio Tibagi apresentaram maiores valores
de equitabilidade do que o local TRI (E = 0,65). O índice de diversidade de Shannon
seguiu tendência parecida, com maiores valores nos locais JUS (H’ = 2,87) e MON (H’
= 2,81) e menor no TRI (H’ = 1,67) (Figura 8.14).
0,0
20,0
40,0
60,0
80,0
100,0
120,0
140,0
160,0
180,0
Outono Primavera
C
P
U
E
(
In
d
iv
íd
u
o
s/
1
0
0
0
m
²*
1
6
h
)
Estações do Ano
MIG
SSP
SCC
FI
SI
0,0
2,0
4,0
6,0
8,0
10,0
12,0
14,0
Outono Primavera
C
P
U
E
(
k
g
/1
0
0
0
m
²*
1
6
h
)
Estações do Ano
MIG
SSP
SCC
FI
SI
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 107
Figura 8.14 – Variação espacial da riqueza de espécies (entre parênteses), equitabilidade e
diversidade específica nos locais (JUS= jusante; BAR= barragem; INT= intermediário; REM=
remanso; MON= montante; TRI= tributário) nos meses de abril de 2017 (outono) e outubro de
2017 (primavera), na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, rio Tibagi.
Avaliando os atributos da assembleia de peixes, durante as duas estações do
ano, observou-se riquezas parecidas no outono (S = 33) e na primavera (S = 34). Os
índices de equitabilidade e diversidade de Shannon seguiram as mesmas tendências,
com maiores valores na primavera (E = 0,73 e H’ = 2,59) e menores no outono (E =
0,72 e H’ = 2,46) (Figura 8.15).
E H'
JUS BAR INT REM MON TRI
Locais de Amostragem
0,0
0,2
0,4
0,6
0,8
1,0
E
q
u
it
a
b
il
id
a
d
e
(E
)
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
D
iv
er
si
d
a
d
e
(H
')
(32)
(25)
(13)
(27)
(21)
(24)
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 108
Figura 8.15 – Variação temporal da riqueza de espécies (entre parênteses), equitabilidade e
diversidade específica nos meses de abril de 2017 (outono) e outubro de 2017 (primavera), na
área de influência da futura UHE Tibagi Montante, rio Tibagi.
Estrutura geral da população
As espécies capturadas na área de influência da UHE Tibagi Montante
foram classificadas de acordo com o comprimento padrão (Cp) em pequeno (0-20 cm),
médio (20,1-40 cm) e grande porte (> 40,1cm). No período de abril de 2017 (outono) a
outubro de 2017 (primavera), 58,5% das espécies foram classificadas como de pequeno
porte. Espécies de médio porte representaram 39,0%, enquanto a de grande porte (P.
lineatus) representou 2,4%, que é classificada como nativa e migradora de longa
distância (Tabela 8.1).
Tabela 8.1 – Número de indivíduos, valores mínimos, máximos, médios e desvio padrão do
comprimento padrão (Cp) e classificação quanto ao tamanho das espécies capturadas na área de
influência da futura UHE Tibagi Montante, no Tibagi, no período de abril de 2017 (outono) a
julho de 2017 (primavera).
Espécie
Comprimento Padrão (cm)
Tamanho
N min. máx. méd. S
A. aff. fasciatus 334 6.5 12.7 9.1 1.1 pequeno
A. affinis 13 5.5 12.4 8.6 2.6 pequeno
A. bockmanni 1 11.2 11.2 11.2 - pequeno
E H'
Outono Primavera
Estações do Ano
0,0
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
0,8
E
q
u
it
a
b
il
id
a
d
e
(E
)
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
D
iv
er
si
d
a
d
e
(H
')
(33)
(34)
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidadeda Água e Ictiofauna 109
Espécie
Comprimento Padrão (cm)
Tamanho
N min. máx. méd. S
A. lacustris 20 5.4 10.0 8.4 1.2 pequeno
A. piracicabae 18 3.5 10.9 7.1 2.5 pequeno
B. stramineus 15 2.5 4.2 3.4 0.5 pequeno
C. ehrhardti 1 2.2 2.2 2.2 - pequeno
C. longipinnis 8 2.3 5.5 3.6 1.1 pequeno
E. virescens 1 23.5 23.5 23.5 - médio
G. brasiliensis 3 9.9 15.0 13.3 2.9 pequeno
H. albopunctatus 9 15.1 25.2 19.8 3.7 médio
H. ancistroides 5 14.0 20.2 16.3 2.4 médio
H. cf. nigromaculatus 1 9.9 9.9 9.9 - pequeno
H. cf. paulinus 33 7.0 13.9 10.5 1.5 pequeno
H. cf. regani 12 8.1 17.5 12.1 2.6 pequeno
H. cf. strigaticeps 29 9.9 30.0 19.1 5.1 médio
H. commersoni 6 17.5 20.8 18.8 1.1 médio
H. hermanni 32 9.1 17.4 13.1 2.2 pequeno
H. microstomus 24 7.0 16.2 9.7 2.3 pequeno
I. labrosus 80 9.4 24.0 16.1 3.3 médio
I. mirini 1 8.9 8.9 8.9 - pequeno
K. moenkhausii 2 3.0 4.4 3.7 1.0 pequeno
L. amblyrhynchus 24 9.4 18.5 13.3 3.1 pequeno
L. octofasciatus 64 8.0 33.1 19.9 5.6 médio
L. striatus 3 8.6 9.5 9.0 0.5 pequeno
L. vittatus 1 21.0 21.0 21.0 - médio
M. obtusidens 22 12.9 38.0 26.8 6.3 médio
M. parananus 2 14.9 19.5 17.2 3.3 pequeno
M. piavussu 3 15.5 26.5 21.2 5.5 médio
O. paranensis 12 8.1 15.8 12.8 2.1 pequeno
P. argentea 63 2.0 6.7 3.4 0.9 pequeno
P. cf. argenteus 1 22.1 22.1 22.1 - médio
P. harpagos 1 1.8 1.8 1.8 - pequeno
P. lineatus 2 40.0 42.0 41.0 1.4 grande
P. maculatus 4 11.4 33.0 23.4 9.0 médio
P. microstoma 64 5.0 22.5 15.8 3.4 médio
P. nasus 7 9.5 12.5 10.6 1.1 pequeno
P. stramineus 3 4.1 5.1 4.7 0.6 pequeno
R. quelen 17 19.3 32.0 26.4 3.5 médio
S. hilarii 19 13.5 31.2 21.7 5.4 médio
S. nasutus 32 10.9 30.0 22.3 6.0 médio
A Figura 8.16 mostra a distribuição das classes de comprimento das
espécies capturadas na região estudada. A classe com maior representatividade (maior
frequência) foi de indivíduos entre 5,1 e 10 cm (35,8%), seguido de indivíduos com
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 110
tamanho entre 10,1 e 15 cm (25,7%) e entre 15,1 e 20 cm (14,2%), o que corrobora a
grande quantidade de indivíduos de pequeno porte neste trecho do rio Tibagi.
Figura 8.16 – Distribuição das classes de comprimentos das espécies capturadas na área de
influência da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi durante o período de abril de 2017 (outono) a
julho de 20117 (primavera).
Dieta das espécies
A investigação da dieta resultou na identificação de 32 itens alimentares:
Aeglidae, Algas, Araneae, Bivalvia, Coleoptera (adultos e larvas), detrito/sedimento,
detrito/vegetal, Diptera (adultos, larvas e pupas), Ephemeroptera (ninfas), escamas,
Gastropoda, Hemiptera, Hidrachnidae, Hirudinida, Homoptera, Hymenoptera, Isoptera,
Lepidoptera (adultos e larvas), microcrustáceos, Orthoptera, peixes, restos de insetos,
sementes, Thysanoptera, Trichoptera (adultos, casulos e larvas) e vegetais.
Foram obtidas informações gerais sobre a dieta de 12 espécies, as quais são
apresentadas através dos valores do índice alimentar (IAi) na Tabela 8.3.
0
5
10
15
20
25
30
35
40
%
d
e
In
d
iv
íd
u
o
s
Classe de Comprimento (cm)
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 111
Tabela 8.3 - Composição da dieta de algumas espécies de peixes na área de influência das futuras instalações da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, no outono
e primavera de 2017 (n = número de estômagos analisados). (1 = A. aff. fasciatus; 2 = A. lacustris; 3 = I. labrosus; 4 = K. moenkhausii; 5 = L. amblyrhyncus; 6
= L. octofasciatus; 7 = O. paranensis; 8 = P. argentea; 9 = P. microstoma; 10 = P. stramineus; 11 = R. quelen; 12 = S. nasutus).
Itens
Espécies
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
(n = 175 ) (n = 9) (n = 3 ) (n = 1) (n = 2 ) (n = 3) (n = 1 ) (n = 16 ) (n = 5 ) (n = 8 ) (n = 2 ) (n = 1 )
Aeglidae 9,09
Algas 0,45 20,18
Araneae <0,01 0,19 0,08 0,35
Bivalvia <0,01 15,61 7,96
Coleoptera (adultos) 0,59 0,01 0,40 0,05 0,43
Coleoptera (larvas) <0,01 0,37 2,90
Detrito/sedimento <0,01 0,08
Detrito/vegetal <0,01 12,52 0,24
Diptera (adultos) 0,13 <0,01 0,19 0,40 12,45 0,13
Diptera (larvas) <0,01 49,06 36,62 23,79 14,38 0,21 0,13
Diptera (pupas) 0,21 1,03 1,12 0,16 0,86
Ephemeroptera (ninfas) 0,01 <0,01 0,74 0,10 0,08 0,24
Escamas <0,01 0,24
Gastropoda 0,02
Hemiptera 0,03
Hidrachnidae 0,19
Hirudinida <0,01
Homoptera <0,01
Hymenoptera 11,74 90,65 19,73 66,09
Isoptera 0,21 0,10
Lepidoptera (adultos) 0,02
Lepidoptera (larvas) <0,01
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 112
Itens
Espécies
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
(n = 175 ) (n = 9) (n = 3 ) (n = 1) (n = 2 ) (n = 3) (n = 1 ) (n = 16 ) (n = 5 ) (n = 8 ) (n = 2 ) (n = 1 )
Microcrustaceos 5,15
Orthoptera 0,02
Peixes 100,00 90,91
Restos de insetos 27,90 <0,01 0,51 20,00 5,42 3,86 0,09 13,95
Sementes 0,68 8,72 0,10 0,16 3,46
Thysanoptera <0,01 0,02
Trichoptera (adultos) 0,35
Trichoptera (casulos) <0,01 1,49 0,08 3,48
Trichoptera (larvas) <0,01 0,19 0,48
Vegetais 57,61 0,49 16,12 80,00 59,11 67,02 94,61 49,84 6,01 79,55
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 113
Astyanax aff. fasciatus
A investigação da composição da dieta de A. aff. fasciatus indicou o uso
predominante de recursos alimentares vegetais (57,61%). Apesar deste sutil predomínio
foram também identificados vários outros itens alimentares, entre os quais destacaram-
se os insetos (adultos e imaturos) de diferentes ordens como Coleoptera, Diptera,
Ephemeroptera, Hymenoptera, Isoptera e Trichoptera (Figura 8.17). A utilização de
recursos alimentares com origem distinta, incluindo principalmente insetos e vegetais
sugere um hábito alimentar generalista (Bennemann et al., 2005). Tal característica foi
evidenciada para A. aff. fasciatus por Wolff et al. (2009) estudando o rio das Pedras,
onde essa espécie explorou amplo espectro de itens alimentares, incluindo vegetais
(folhas, frutos e sementes), insetos terrestres e aquáticos.
Figura 8.17 - Composição da dieta de Astyanax aff. fasciatus na área de influência das futuras
instalações da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, no outono e primavera de 2017. (itens
alimentares cujo valor de IAi foi inferior a 0,1% foram agrupados no item Outros).
Quanto à variação temporal na dieta, observou-se diferenças entre a
composição da dieta nos períodos correspondentes ao outono e primavera. Assim, no
outono, a dieta foi caracterizada pelo maior consumo de vegetais (85,4%), sendo
complementada principalmente por insetos e sementes. Já na primavera, o maior valor
de índice alimentar foi obtido para restos de insetos (46,5%), além de Hymenoptera
(24,5%) e vegetais (24,1%), indicando a exploração predominante de insetos,
principalmente terrestres (Figura 8.18). As variações na composição da dieta
0,45%
0,59%
0,34%
11,74%
0,21%
0,10%
27,90%
0,68%
0,36%
57,61%
Algas
Coleoptera
Diptera
Hymenoptera
Isoptera
Outros
Restos de insetos
Sementes
Trichoptera
Vegetais
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 114
provavelmente foram determinadas pela disponibilidade de recursos alimentares,
refletindo, portanto o oportunismo trófico dessa espécie.
Figura 8.18 - Variaçãotemporal na composição da dieta de Astyanax aff. fasciatus na área de
influência das futuras instalações da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, no outono e primavera
de 2017. (itens alimentares cujo valor de IAi foi inferior a 0,1% foram agrupados no item
Outros).
Astyanax lacustris
A dieta de A. lacustris foi composta principalmente por insetos terrestres,
visto o valor de índice alimentar obtido para Hymenoptera (90,65%), sendo também
registrados Coleoptera, Diptera, Ephemeroptera e Isoptera. Entretanto, apesar do
predomínio de insetos na dieta, observou-se a exploração de vegetais e sementes, que
foram registrados com frequência e em quantidades reduzidas (Figura 8.19).
Diferentemente do verificado neste período, Cassemiro et al. (2002)
relataram o hábito herbívoro para A. altiparanae em ambiente natural. Entretanto, esta é
considerada uma espécie de meia-água, tomando alimentos que são arrastados pela
correnteza, portanto, principalmente recursos alóctones (Casatti et al., 2001),
possibilitando o sucesso na exploração de insetos terrestres. Nesse sentido, o uso
predominante de recursos alóctones como vegetais e insetos sugere a importância das
regiões marginais na disponibilização de alimentos, seja na oferta direta de alimento,
através do consumo da vegetação, ou ainda pelo fato de esta atuar como armadilha para
insetos que são disponibilizados à ictiofauna (Cassemiro et al., 2002).
0,0
25,0
50,0
75,0
100,0
Outono Primavera
IA
i
(%
)
Estações do ano
Algas
Coleoptera
Diptera
Hemiptera
Hymenoptera
Isoptera
Outros
Restos de insetos
Sementes
Trichoptera
Vegetais
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 115
Figura 8.19 - Composição da dieta de Astyanax lacustris na área de influência das futuras
instalações da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, no outono e primavera de 2017. (itens
alimentares cujo valor de IAi foi inferior a 0,1% foram agrupados no item Outros).
Com relação à variação da dieta nas estações do ano avaliadas, observou-se
que no outono houve consumo predominante de sementes (86,0%). Já no período
correspondente a primavera o item alimentar mais consumido foi Hymenoptera
(99,1%), sendo a dieta complementada principalmente por insetos como Coleoptera,
Diptera, Ephemeroptera e Isoptera (Figura 8.20). As variações na composição da dieta
observadas indicam o caráter oportunista de A. lacustris quanto a alimentação,
aparentemente mudando sua dieta, em resposta as variações na disponibilidade de
recursos alimentares, visando aqueles temporariamente mais vantajosos.
90,65%
0,10%
0,04%
8,72%
0,49%
Hymenoptera
Isoptera
Outros
Sementes
Vegetais
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 116
Figura 8.20 - Variação temporal na composição da dieta de Astyanax lacustris na área de
influência das futuras instalações da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, no outono e primavera
de 2017. (itens alimentares cujo valor de IAi foi inferior a 0,1% foram agrupados no item
Outros).
Piabarchus stramineus
A dieta de P. stramineus foi composta por espectro restrito de itens
alimentares, incluindo itens alimentares de origem animal e vegetal. Entre estes, obteve-
se maiores valores de índice alimentar para Hymenoptera (66,09%), restos de insetos
(13,95%) e Diptera (13,52%), sendo complementada por outros insetos e vegetais
(Figura 8.21). Para P. stramineus, vários estudos indicam uma tendência a insetivoria
(Casatti et al., 2003; Russo et al., 2004; Brandão-Gonçalves et al., 2009), coletando
principalmente insetos terrestres que são transportados pela corrente (Grant & Noakes,
1987).
0,0
25,0
50,0
75,0
100,0
Outono Primavera
IA
i
(%
)
Estações do ano
Hymenoptera
Isoptera
Outros
Restos de insetos
Sementes
Vegetais
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 117
Figura 8.21 - Composição da dieta de P. stramineus na área de influência das futuras instalações
da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, no outono e primavera de 2017.
Considerando as estações do ano avaliadas, foi possível identificar variações
na composição da dieta, apesar do predomínio de insetos em todos. No outono o item
com maior valor de índice alimentar foi restos de insetos (60,2%), seguido de vegetais
(25,9%). Já na primavera observou-se o maior consumo de Hymenoptera e Diptera que
corresponderam a 70,6 e 28,4% da dieta, respectivamente (Figura 8.22).
Figura 8.22 - Variação temporal na composição da dieta de Piabarchus stramineus na área de
influência das futuras instalações da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, no outono e primavera
de 2017.
0,43%
13,52%
66,09%
13,95% 6,01%
Coleoptera
Diptera
Hymenoptera
Restos de insetos
Vegetais
0,0
25,0
50,0
75,0
100,0
Outono Primavera
IA
i
(%
)
Estações do ano
Coleoptera
Diptera
Hymenoptera
Restos de insetos
Vegetais
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 118
Piabina argentea
O hábito alimentar generalista foi verificado para P. argentea, uma vez que
uma variedade de recursos alimentares foi explorada pela espécie, entretanto, foi
evidente o amplo predomínio de recursos de origem vegetal, visto o valor de índice
alimentar obtido para vegetais (94,61%) (Figura 8.23). Para pequenos cursos de água
Kintopp & Abilhoa (2009) sugerem que mudanças na composição da dieta, bem como
uma maior tendência à herbivoria para P. argentea estão relacionadas as diferentes
classes de tamanho, porém, ainda assim, indicando que a onivoria é a estratégia
predominante para esta espécie.
Figura 8.23 - Composição da dieta de Piabina argentea na área de influência das futuras
instalações da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, no outono e primavera de 2017. (itens
alimentares cujo valor de IAi foi inferior a 0,1% foram agrupados no item Outros).
Pimelodus microstoma
A investigação da composição da dieta de P. microstoma revelou um amplo
espectro de itens alimentares, incluindo vegetais, insetos, além de invertebrados como
Bivalvia e Gastropoda. Apesar do uso de itens alimentares variados, verificou-se
predomínio de vegetais (49,84%), Hymenoptera (19,73%) e Diptera (14,54%) (Figura
8.24). A grande variedade de recursos alimentares observados na dieta de P.
microstoma possivelmente está relacionada a capacidade desta explorar alimentos
disponíveis em diferentes camadas de água. Tal característica foi também evidenciada
por Delariva et al. (2007), para uma espécie congênere (Pimelodus sp.) no rio Iguaçu.
0,40%
0,24%
0,40%
0,32%
3,86%
0,16%
94,61%
Coleoptera
Detrito/vegetal
Diptera
Outros
Restos de insetos
Sementes
Vegetais
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 119
Figura 8.24 - Composição da dieta de Pimelodus microstoma na área de influência das futuras
instalações da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, no outono e primavera de 2017. (itens
alimentares cujo valor de IAi foi inferior a 0,1% foram agrupados no item Outros).
De acordo com a Tabela 8.4, verificou-se a presença de 6 guildas tróficas
para 40 espécies capturadas no rio Tibagi na área de influência da UHE Tibagi
Montante, com predomínio de espécies detritívoras (16 espécies), seguidas de onívoras
(9 espécies), herbívoras (7 espécies), insetívoras (4 espécies) piscívoras (3 espécies) e
perifitívora, apenas uma espécie.
Tabela 8.4 - Guildas tróficas das espécies amostradas na área de influência da futura UHE Tibagi
Montante, rio Tibagi, no outono e primavera de 2017.
Espécies Guildas tróficas Espécies Guildas tróficas
Apareiodon affinis detritívora Knodus moenkhausii herbívora
Apareiodon piracicabae detritívora Leporellus vittatus onívora
Astyanax aff. fasciatus herbívora Leporinus amblyrhynchus herbívora
Astyanax bockmanni herbívora Leporinusoctofasciatus herbívora
Astyanax lacustris insetívora Leporinus striatus herbívora
Corydoras ehrhardti detritívora Megalancistrus parananus detritívora
Corydoras longipinnis detritívora Megaleporinus obtusidens onívora
Eigenmannia virescens insetívora Megaleporinus piavussu onívora
Geophagus brasiliensis onívora Oligosarcus paranensis piscívora
Hypostomus albopunctatus detritívora Parodon nasus detritívora
Hypostomus ancistroides detritívora Phalloceros harpagos detritívora
Hypostomus cf. nigromaculatus perifitívora Piabarchus stramineus insetívora
Hypostomus cf. paulinus detritívora Piabina argentea herbívora
Hypostomus cf. strigaticeps detritívora Pimelodus cf. argenteus onívora
0,35%
7,96%
14,54% 0,24%
0,24%
19,73%
0,17%
3,46%3,48%
49,84%
Araneae
Bivalvia
Diptera
Ephemeroptera
Escamas
Hymenoptera
Outros
Sementes
Trichoptera
Vegetais
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 120
Espécies Guildas tróficas Espécies Guildas tróficas
Hypostomus commersoni detritívora Pimelodus maculatus onívora
Hypostomus hermanni detritívora Pimelodus microstoma onívora
Hypostomus microstomus detritívora Prochilodus lineatus detritívora
Hypostomus regani detritívora Rhamdia quelen piscívora
Iheringichthys labrosus onívora Salminus hilarii piscívora
Imparfinis mirini insetívora Schizodon nasutus onívora
Reprodução
A reprodução das espécies de peixes, avaliada durante o período de
amostragem, revelou que houve predomínio de indivíduos em repouso (REP), entre os
locais e as estações do ano amostradas, principalmente no local MON (53,89%),
seguido de INT (50,96%), TRI (50,79%) e BAR (50,68%), enquanto os locais REM
(41,85%) e JUS (40,16%) apresentaram as menores porcentagens de indivíduos em
repouso. Em relação aos locais, BAR (22,30%), MON (17,37%), JUS (16.39%) e INT
(15,38%) apresentaram as maiores proporções de indivíduos em reprodução (RPD), se
comparados aos locais TRI (11,11%) e REM (8,15%) (Figura 8.25A). Analisando as
estações do ano, a primavera apresentou as maiores porcentagens de indivíduos em
maturação (MAT) (12,63%) e em reprodução (RPD) (37,72%), enquanto o outono
apresentou a maior proporção de indivíduos esgotados (ESG) (27,34%) e em repouso
(REP) (61,59%) (Figura 8.25B).
Figura 8.25 – Frequência de ocorrência dos estádios de desenvolvimento gonadal (IMT=
imaturo, MAT = maturação, RPD = reprodução, ESG = esgotado; REP = repouso) nos locais de
coleta (A) e estações do ano (B) na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, rio
Tibagi.
Entre as 10 espécies mais capturadas na área de influênciada UHE Tibagi
Montante, nos meses de abril de 2017 (outono) e outubro de 2017 (primavera), todas
0%
20%
40%
60%
80%
100%
JUS BAR INT REM MON TRI
F
re
q
u
ên
ci
a
Locais
IMT MAT RPD ESG REP
0%
20%
40%
60%
80%
100%
Outono Primavera
F
re
q
u
ên
ci
a
Período
IMT MAT RPD ESG REP
A B
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 121
apresentaram maior proporção de exemplares em repouso (REP), seguido de indivíduos
em reprodução (RPD), exceto L. octofasciatus e H. microstomus. O maior número de
indivíduos com gônadas esgotadas (ESG) do que em maturação (MAT) foi um padrão
consistente para a maioria das espécies mais abundantes (Figura 8.26).
Figura 8.26 – Frequência de ocorrência dos estádios de desenvolvimento gonadal (IMT=
imaturo, MAT = maturação, RPD = reprodução, ESG = esgotado, REP = repouso). para as
principais espécies capturadas na área de influência da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, nos
meses de abril de 2017 (outono) e outubro de 2017 (primavera).
A reprodução das espécies também foi avaliada considerando as diferentes
estratégias reprodutivas. Dentre elas, o padrão de maior porcentagem de indivíduos em
repouso (REP) se manteve constante em todas as estratégias relacionadas à reprodução.
Em contrapartida, considerando as espéceis migradoras de longa distância (MIG), houve
grande porcentagem de indivíduos em maturação (MAT) (21,62%) e indivíduos em
reprodução (RPD) (18,92%). Todas as demais estratégias de vida tiveram grandes
porcentagens de indivíduos em reprodução (RPD), com 26,72% para espécies não
migradoras sem cuidado parental (SSP), 22,08% para espécies não migradoras com
cuidado parental (SCC) e 40,00% para espécies sem informação sobre o modo de
reprodução (SI) (Figura 8.27).
0% 20% 40% 60% 80% 100%
M. obtusidens
H. microstomus
H. cf. strigaticeps
S. nasutus
H. cf. paulinus
P. argentea
P. microstoma
L. octofasciatus
I. labrosus
A. aff. fasciatus
Frequência
E
sp
éc
ie
s
IMT MAT RPD ESG REP
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 122
Figura 8.27 – Frequência de ocorrência dos estádios de desenvolvimento gonadal (IMT=
imaturo, MAT = maturação, RPD = reprodução, ESG = esgotado, REP = repouso) para as
estratégias reprodutivas (MIG = migrador de longa distância, SSP = não migrador ou migrador
de curta distância sem cuidado parental,SCC = não migrador ou migrador de curta distância
com cuidado parental e SI = sem informação) nos meses de abril de 2017 (outono) e outubro de
2017 (primavera), na área de influência da UHE Tibagi Montante, rio Tibagi.
A estrutura da comunidade ictiofaunística, sumarizada em duas dimensões
pela NMS (Stress = 12,02%, p < 0,01;Figura 8.28), apresentou variações significativas
entre as estações do ano, sendo o outono significativamente diferente da primavera
(MRPP: A = 0,08; p = 0,01). Apesar do teste não poder ser realizado entre os locais
(menos de 3 observações por local), a Figura 8.28 sugere diferenças marcantes entre os
locais, especialmente do tributário (TRI) para com os demais locais, em relação às
espécies que compõem esses locais.
0%
20%
40%
60%
80%
100%
MIG SSP SCC SI
F
re
q
u
ên
ci
a
Estratégia
IMT MAT RPD ESG REP
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 123
Figura 8.28 – Ordenação resultante da NMS para a comunidade ictiofaunística (+) e das
estações do ano (julho de 2017 – outono; outubro de 2017 – primavera) da área de influência do
UHE Tibagi Montante.
Ictioplâncton
Durante o período de amostragem do ictioplâncton, os valores de
temperatura do ar variaram de 10,0 a 26,0º C, sendo a maior média registrada no ponto
TRI (19,3ºC). Para a temperatura da água os valores foram semelhantes, sendo o menor
valor médio registrado no ponto INT (19,1ºC) e o maior no ponto BAR (21,1ºC). O
oxigênio dissolvido apresentou valores elevados em todos os pontos, destacando-se os
pontos REM e MON (8,1 mg/L, cada). Os valores de pH apresentaram-se próximo a
neutralidade (média geral 7,0), e a condutividade elétrica com valores oscilando entre
18,5 e 70,9 µS/cm, com maior média registrada no ponto MON (66,0 µS/cm). A
turbidez da água foi registrada com quantidades moderadas de material em suspensão,
sendo os maiores valores registrados entre os pontos INT, REM e MON (média 32,6
NTUs), e consequentemente menor transparência da água (média 61,7 cm) (Tabela 8.5).
Outono Primavera
BAR
INT
JUS
MON
REM
TRI
BAR
INTJUS
MON
REM
TRI
-0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2
NMS 1
-1,0
-0,5
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
N
M
S
2
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 124
Tabela 8.5 - Parâmetros limnológicos analisados “in situ” durante o procedimento de coleta do
ictioplâncton, na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, na primavera de
2017. (1) Temperatura do ar (ºC); (2) Temp. da Água (ºC); (3) Oxigênio dissolvido (mg/L); (4)
% Saturação de oxigênio; (5) pH; (6) Condutividade elétrica (uS/cm); (7) Turbidez (NTU); (8)
Secchi (cm).
Locais de
Amostragem
Parâmetros Limnológicos
1 2 3 4 5 6 7 8
JUS 17,8 20,5 7,887,2 7,1 59,0 21,6 100,0
BAR 16,5 21,1 7,9 88,4 7,1 62,8 25,6 105,0
INT 15,0 19,1 7,8 84,4 7,0 65,3 39,3 60,0
REM 19,0 20,6 8,1 90,7 7,0 54,6 25,4 65,0
MON 12,8 19,2 8,1 87,8 6,8 66,0 33,0 60,0
TRI 19,3 19,3 7,6 82,4 6,9 44,4 15,4 100,0
O ictioplâncton foi coletado em um total de 1909,0 organismos, com maior
abundância de ovos (98,8%), seguido de larvas de peixes (1,1%) (Figura 8.29A). Em
relação aos pontos de amostragem pode-se verificar maior frequência de organismos no
ponto REM (92,0%), seguido dos pontos TRI e JUS (6,2 e 0,8%, respectivamente)
(Figura 8.29B). Em termos de densidade, a maior abundância de ovos foi registrada no
ponto REM (127,37 ovos/10m³), seguido dos pontos TRI e INT (5,30 e 0,50 ovos/10m³,
respectivamente). As larvas foram registradas em maior abundância no ponto JUS (0,30
larvas/10m³), seguido dos pontos MON e TRI (0,19 e 0,16 larvas/10m³). Os
jovens/adultos foram coletados em pequena quantidade e apenas nos pontos INT e REM
(0,03 e 0,09 jovens/adultos/10m³) (Figura 8.29C).
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 125
Figura 8.29 - Frequência geral da ocorrência de organismos coletados (A), por ponto (B) e
densidade média de organismos por ponto de coleta (C) através de procedimento estacionário,
na área de influência da futura UHE Tibagi Montante, rio Tibagi, na primavera de 2017.
A relação entre a estrutura da assembleia de peixes e os eixos da análise dos
componentes principais (PCA) das variáveis físicas e químicas da água foi sumarizada
através da Análise de Correspondência Canônica (CCA). Nessa análise nenhum dos
eixos foi significativo (teste de Monte Carlo; p<0,05) na explicação da variabilidade dos
dados, desse modo, esta análise não demonstrou efeito significativo (teste de Monte
Carlo; p>0,05) das variáveis físicas e químicas da água sobre os padrões espaciais
(locais) e temporais (estações do ano) da composição e estrutura da assembleia de
peixes (Figura 8.30).
98,8%
1,1% 0,1%
A
Ovos Larvas Jovens/Adultos
0,8%
0,4%
0,4%
92,0%
0,1%6,2%
B
JUS BAR INT REM MON TRI
0,0
0,1
1,0
10,0
100,0
1.000,0
JUS BAR INT REM MON TRI
0,16
0,23
0,50
127,37
5,30
0,30
0,02
0,15
0,10
0,19 0,16
0,03
0,09
N
ú
m
er
o
d
e
o
rg
a
n
is
m
o
s
Pontos
C
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 126
Figura 8.30 - Análise de Correspondência Canônica (CCA) entre a comunidade de ictiofauna e
os eixos da PCA das variáveis abióticas registradas na área de influência da UHE Tibagi
Montante, no outono e primavera de 2017.
8.3 Considerações Finais
Entre as 45 espécies capturadas na fase de pré-enchimento do reservatório
da UHE Tibagi Montante, seis foram classificadas como migradoras de longa distância,
porém, a abundância é bastante reduzida em comparação com as outras espécies que
não realizam migrações para fim de reprodução. Nestas amostragens não foram
capturadas espécies que estejam listadas como ameaçadas de extinção.
O número de espécies registradas na presente análise é semelhante ao
registrado no estudo de impacto ambiental para a obtenção da licença prévia (44
espécies), entretanto, o número de espécies migradoras naquele momento foi de apenas
três espécies.
A maior frequência de espécies não migradoras sem cuidado parental e com
cuidado parental é esperada em virtude das características da ictiofauna, que é composta
principalmente por espécies de pequeno a médio porte, muitas delas forrageiras e outras
sedentárias.
A. affin
A. pirac
A. aff.
A. bockm
A. lacus
B. stram
C. ehrha
C. longi
E. vires
G. brasi
H. albop
H. ancisH. cf. n
H. cf. p
H. cf. r
H. cf. s
H. commeH. hermaH. micro
I. labro
I. mirin
K. moenk
L. vitta
L. ambly
L. octof
L. stria
M. paran
M. obtus
M. piavu
O. paran
P. nasus
P. harpa
P. stram
P. argen
P. cf. a
P. macul
P. micro
P. linea
R. quele
S. hilar
S. nasut
-3 -2 -1 0 1 2 3 4
Eixo 1 (29,5%)
-10
-8
-6
-4
-2
0
2
4
E
ix
o
2
(
7
,1
%
)
PCA1
PCA2
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 127
A captura por unidade de esforço mostra uma maior abundância no
Tributário, possivelmente pelas caracteristicas do ambiente, fato que pode estar ligado
ao conceito de rio contínuo (Vannote, 1980), onde há aumento da disponibilidade de
alimentos e nichos ecológicos, tendo em vista que as coletas foram realizadas próximas
à sua desembocadura no rio Tibagi. Na calha principal do rio Tibagi os locais de
amostragem MON, BAR e JUS encontram-se em trechos curtos entre corredeiras e cada
local tem suas particularidades como águas mais rápidas, pedrais e remansos, os locais
INT e REM encontram-se em um longo trecho de águas mais calmas, com correnteza
reduzida, este fato poderia explicar a semelhança em relação às capturas.
Em relação à dieta das espécies, a maioria dos exemplares cuja dieta foi
identificada refere-se a indivíduos de pequeno porte, que apresentaram hábito alimentar
generalista, com uma dieta composta por grande variedade de itens alimentares. Entre
os itens alimentares que se destacaram vale ressaltar os insetos (terrestres e aquáticos) e
vegetais, alimentos que com a formação do reservatório tendem a se tornar mais
abundantes, principalmente devido a mata ciliar. A plasticidade trófica dessas espécies e
o seu caráter oportunista quanto à alimentação permite a essas espécies alterar a dieta ao
longo do tempo e espaço, demonstrando capacidade de adaptação frente a possíveis
mudanças ambientais. Essa capacidade garante a melhor exploração dos recursos
disponíveis e o sucesso na ocupação de diferentes ambientes. Já como espécies de
médio porte, apenas Pimelodus microstoma foi avaliada, a qual também apresentou
dieta diversificada, entretanto, como diferença das demais observou-se a utilização de
itens alimentares maiores, como peixes.
Os atributos da assembleia da ictiofauna na área de influência da UHE
Tibagi Montante mostram uniformidade na distribuição das espécies de peixes entre os
locais e entre as estações do ano, este fato indica que na região não ocorre impacto
sobre essa fauna, excetuando-se o local REM que apresentou os menores índices, fato
que pode estar ligado às características do ambiente.
Em geral a ocorrência de espécies de pequeno porte é esperada para
ambientes neotropicais, que neste estudo foram as mais abundantes. Cabe ressaltar que
as espécies de grande porte foram aquelas classificadas como migradoras de longa
distância, porém, estas contribuíram com baixa abundância.
A maior atividade reprodutiva foi registrada na primavera (outubro de 2017)
e a menor no outono de 2017. No período que anteceu a coleta da primavera a bacia do
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 128
rio Tibagi sofreu um grande volume de chuvas, elevando seu nível e mudando as
caracteristicas do ambiente, aliado a isso, foi um período de inverno atipico, onde não
ocorreram temperaturas muito baixas, mantendo a temperatura da água acima da média
esperada para a época, estes fatores podem ter desencadeado estímulos ao inicio de
atividade reprodutiva o que justifica a grande frequência de exemplares em maturação e
reprodução no outono.
A análise de ordenação multivariada apresentou diferenças entre o inverno
verão e outono para a comunidade ictiofaunística, e entre os locais o Remanso foi o que
apresentou maior diferença, comparado com os demais sendo parecido apenas com os
locais Intermediário e Tributário, este fato pode estar ligado à proximidade dos locais.
A partir dos resultados, fica evidente a necessidade de continuidade dos
estudos de ictiofauna, comunidades hidrobiológicas e da qualidade da água, mesmo
antes do início das obras, bem como durante e após a formação do reservatório.
Nesse sentido, coma implantação do empreendimento, os impactos
prováveis são: 1) Interrupção da rota migratória dos peixes em função da barragem, o
que é minimizado pela presença da UHE Mauá, que não possui sistema que facilite a
passagem dos peixes; 2) Redução na abundância de espécies migradoras de longa
distância e reofílicas; 3) Aumento da abundância de espécies não migradoras ou de
movimentos curtos; 4) Perda de habitat e de sítios de alimentação por alagamento; 5)
Aumento da predação no reservatório; 6) Mortandade de peixes nas turbinas; 7)
Alteração na abundância das comunidades bentônicas e litorânea; e 9) Possível
dispersão de espéceis não nativas.
Em função destes impactos, algumas medidas são propostas: a) implantação
de mata ciliar para a proteção de áreas de desova, principalmente nos tributários do
reservatório, c) fechamento de áreas de pesca, principalmente nos tributários e a jusante;
d) Manutenção de parte da vegetação alagada, para permitir a formação de perifiton,
aumentando a disponibilidade alimentar Além disso, alguns programas devem ser
implementados no sentido de monitorar as populações dos peixes na área de influência
da UHE Tibagi Montante, sendo eles: a) Programa de monitaramento da ictiofauna; b)
Programa de monitoramento do ictioplâncton; c) Programa de monitamento das
comunidades hidrobiológicas, da qualidade da água, de macrófitas e da qualidade dos
sedimentos.
UHE TIBAGI MONTANTE
Monitoramento Limnológico, Qualidade da Água e Ictiofauna 129
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Toledo-PR, 23 de fevereiro de 2018
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Responsável Técnico
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