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CONCEITO É um analgésico de ação central e antipirético com propriedades anti-inflamatórias periféricas mínimas; Muito utilizado em crianças e também em medicamentos compostos por associações de analgésicos. Não é considerado um AINE Acetaminofeno EPIDEMIOLOGIA • 66% das intoxicações por paracetamol são propositais. • Grupo de risco: crianças, alcoólatras, usuários de drogas. APRESENTAÇÕES Comprimidos: 500mg, 650mg, 750mg • Solução oral (gotas): 200mg mL; • Suspensão oral: 100mg/mL e 32mg/mL; • Sachê: 500mg por unidade; Atenção para apresentações de ação prolongada Tylenol AP 650mg/comprimido Atenção para apresentações com associação de outros medicamentos Tylex - Comprimidos de 7,5 mg de fosfato de codeína e 500 mg de paracetamol → 30 mg de fosfato de codeína e 500 Mg de paracetamol. DOSE TÓXICA Dose letal média: é quando 50% da população que tomou aquela dose teve uma consequência letal Dose Eficaz média: é quando 50% da população que tomou aquela dose teve um efeito benéfico. Índice Terapêutico: Intervalo da dose da medicação entre o benéfico e antecedente ao maléfico. • Adulto: 7,5 g a 10 g; • Crianças: Com menos de 6 anos: 200 mg/Kg; • Crianças com mais de 6 anos: 150 mg/ Kg BIOTRANSFORMAÇÃO Fígado Paracetamol → conjugado → metabólitos glicuronizados e sulfatados inativos Pequena parcela do paracetamol → hidroxilado → Nacetilp-benzoquinoneimina (NAPQI) → reage com grupos sulfidrila da glutationa → substância não tóxica. Em dosagens altas, a glutationa disponível no fígado se esgota, e a NAPQI reage com o grupo sulfidrila das proteínas hepáticas, formando ligações covalentes. Pode ocorrer necrose hepática, uma condição muito grave e potencialmente fatal. PROSTAGLANDINAS Todos os AINEs atuam inibindo a síntese das prostaglantinas. Síntese de prostaglandinas O ácido araquidônico ( componente dos fosfolipídios das membranas celulares) → é o principal precursor das Prostaglandinas. Existem duas vias principais para a síntese de eicosanoides a partir do ácido araquidônico: a via da cicloxigenase e a da lipoxigenase. 1. Via da cicloxigenase Foram descritas duas isoformas relacionadas das enzimas cicloxigenases: a cicloxigenase1 (COX1) é responsável pela produção fisiológica de prostanoides, e a COX2 provoca o aumento da produção de prostanoides em locais de doença e inflamação crônicas. A COX1 É uma “enzima constitutiva” que regula os processos celulares normais, como a citoproteção gástrica, a homeostase vascular, a agregação plaquetária e as funções reprodutiva e renal. A COX2 É expressa de maneira constitutiva em tecidos, como cérebro, rins e ossos. Sua expressão em outros locais aumenta durante os estados inflamatórios crônicos. Diferen ças na forma dos locais de ligação permitiram o desenvolvimento de inibidores COX2 seletivos. Outra característica diferencial da COX2 é que sua expressão é induzida por mediadores inflamatórios como o FNTα e a IL1, mas pode também ser inibida por glicocorticoides, o que pode contribuir para os efeitos antiinflamatórios significativos desses fármacos. PARACETAMOL Inibe a síntese das PGs no SNC. Isso explica suas propriedades antipiréticas e analgésicas. O paracetamol exerce menor efeito sobre as cicloxigenases nos tecidos periféricos devido à inativação periférica, o que contribui para a sua fraca atividade antiinflamatória. Esse fármaco não afeta a função plaquetária nem aumenta o tempo de sangramento. FARMACOCINÉTICA ABSORÇÃO Rapidamente absorvido TGI ( células lumiais do intestino e nos hepatócitos). É conjugado no fígado → metabólitos glicuronizados Uma parte é hidroxidala → N acetil benzenoquinoneimina que se reagir com sulfidrila podem causar lesão hepática. Em dosagens normais de paracetamol, a NAPQI reage com o grupo sulfidrila da glutationa, que é produzida no fígado, formando uma substância não tóxica. Pico de concentração plasmática: 30 a 45 minutos; Apresentações de liberação prolongada alcançam o pico em 1 a 2 horas. Nestes casos a absorção pode persistir por até 12 horas em doses terapêuticas, e muito mais tempo em overdose. Por isso o nomograma de Rumack-Matthew não pode ser utilizado com preparações de liberação prolongada. DISTRIBUIÇÃO o Volume de distribuição : 0,7 a 1,2 L/Kg; o Ligação Proteica : 10 a 25%. METABOLISMO Hepático. ELIMINAÇÃO o Renal; o Meia-vida: 1 a 3 horas; pode aumentar para 12 horas na overdose. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Fase 1 - até 24 horas Assintomático ou com sintomas gastrintestinais: anorexia, náusea, vômito Fase 2 - 24 a 72 horas Assintomático, mas já apresenta alterações de função hepática (TGO, TGP, INR, TP) Fase 3 - 72 a 96 horas Necrose hepática: icterícia, náuseas, vômitos, distúrbios de coagulação, IRA, miocardiopatia, encefalopatia, confusão mental, coma e óbito Fase 4 - 4 dias a 2 sem Recuperação hepática com fibrose residual nos pacientes que sobrevivem. DIAGNÓSTICO CLÍNICO A suspeita de intoxicação por paracetamol depende da história de ingestão e do nível sérico. LABORATORIAL GERAL Hemograma, glicemia, eletrólitos; TGO, TGP, TAP/TTPA, INR; Bilirrubinas total e frações; Função renal. LABORATORIAL ESPECÍFICO Nível sérico: Obter um nível plasmático com pelo menos 4 horas após a ingestão. Níveis obtidos anteriormente podem não refletir a absorção completa e não devem ser usados para prever a toxicidade ou a necessidade de NAC. Os níveis de paracetamol obtidos entre 4 e 16 horas após a ingestão são os mais preditivos do potencial hepatotóxico. * O resultado do nível sérico deve ser lançado no nomograma de Rumack-Matthew que correlaciona a concentração plasmática de paracetamol livre com o tempo em que ela foi obtida entre 4 a 24 horas após uma ingestão aguda única e determina a necessidade de terapia com antídoto específico; * Níveis obtidos antes de 4 horas ou após 24 horas não podem ser interpretados, nem os níveis obtidos após a ingestão crônica ou repetida. TRATAMENTO DESCONTAMINAÇÃO o Considerar a realização de lavagem gástrica e a administração de carvão ativado após uma ingestão potencialmente tóxica. É mais eficaz quando realizados no prazo de 1 hora após a ingestão. ANTÍDOTO N- acetilcisteina (NAC) N-acetilcisteína é um antídoto para intoxicação por paracetamol. Este fármaco é precursor da glutationa, diminuindo a toxicidade do paracetamol por elevar o depósito de glutationa hepática e também, possivelmente, por outros mecanismos. Deve ser administrado a qualquer paciente com risco de lesão hepática: * Nível sérico de paracetamol acima da linha de possível toxicidade no Normograma Rumack-Matthew; * Iniciar NAC dentro das 8 primeiras horas após ingestão em pacientes com qualquer possível risco de hepatotoxicidade; * Os pacientes com mais de 24 horas após a ingestão que têm níveis mensuráveis de paracetamol ou evidências bioquímicas de hepatotoxicidade devem receber terapêutica com NAC até melhora da função hepática, mantendo a última fase do protocolo por dias, se necessário. NOTIFICAÇÃO SUSPEITA Os casos suspeitos de intoxicação devem ser notificados, de acordo com a Portaria MS/GM no 204 de 17 de fevereiro de 2016 na Ficha de Investigação de Intoxicação Exógena-FIIE. CONFIRMADA Preencher campo 66 da FIIE como: o Intoxicação por derivados do 4 amino-fenol (paracetamol) –T 39.1.