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Planejamento
Ambiental
Fernanda de Souza Sezerino
2017
Curitiba-PR
Planejamento 
Ambiental
Fernanda de Souza Sezerino
Catalogação na fonte pela Biblioteca do Instituto Federal do Paraná
Atribuição - Não Comercial - Compartilha Igual
INSTITUTO FEDERAL DO PARANÁ – EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Este Caderno foi elaborado pelo Instituto Federal do Paraná para a rede e-Tec Brasil.
Presidência da República Federativa do Brasil
Ministério da Educação
Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica
Odacir Antonio Zanatta
Reitor pro tempore
Marcos Paulo Rosa
Chefe de Gabinete
Amarildo Pinheiro Magalhães
Pró-Reitor de Ensino 
Celso Luiz Buiar
Pró-Reitor de Administração
Marcelo Estevam
Pró-Reitor de Extensão, Pesquisa e Inovação 
Eliane Aparecida Mesquita
Pró-Reitor de Gestão de Pessoas 
Marcos Antonio Barbosa
Diretor Geral de Educação a Distância
Kriscie Kriscianne Venturi
Diretor de Ensino e Desenvolvimento de 
Recursos Educacionais
Gisleine Bovolim
Diretora de Planejamento e Administração
Vania Carla Camargo
Coordenadora de Ensino dos Cursos Técnicos
Lucilene Fátima Baldissera
Coordenadora de Design Educacional
Lídia Emi Ogura Fujikawa
Kenedy Rufino
Designer Educacional
Mayra Candido Ferreira
Designer Instrucional
Beatriz Góes
Fabíola Penso
Diagramação
Daniel Falkemback
Linda Marchi
Livia Priori Gonçalves
Mariane de Souza de Assis
Paulo Pesinato
Revisão Ortográfica 
Melissa Anze
Iconografia
Kenedy Rufino
Ilustração
Ester dos Santos Oliveira
Lídia Emi Ogura Fujikawa
Projeto Instrucional
Diego Windmoller
Projeto Gráfico
 
Apresentação e-Tec Brasil
Prezado estudante,
Bem-vindo à Rede e-Tec Brasil!
Você faz parte de uma rede nacional de ensino, que por sua vez constitui uma das ações 
do Pronatec - Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. O Pronatec, 
instituído pela Lei nº 12.513/2011, tem como objetivo principal expandir, interiorizar e 
democratizar a oferta de cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) para a po-
pulação brasileira, propiciando um caminho de acesso mais rápido ao emprego.
É neste âmbito que as ações da Rede e-Tec Brasil promovem a parceria entre a Secretaria de 
Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) e as instâncias promotoras de ensino técnico 
como os Institutos Federais, as Secretarias de Educação dos Estados, as Universidades, as 
Escolas e Colégios Tecnológicos e o Sistema S.
Assim, a Educação a Distância no nosso país, de dimensões continentais e grande 
diversidade regional e cultural, longe de distanciar, aproxima as pessoas ao garantir 
acesso à educação de qualidade, e promover o fortalecimento da formação de jovens 
moradores de regiões distantes, geograficamente ou economicamente, dos grandes 
centros.
A Rede e-Tec Brasil leva diversos cursos técnicos a todas as regiões do país, incentivando 
os estudantes a concluir o Ensino Médio e realizar uma formação e atualização contínuas. 
Os cursos são ofertados pelas instituições de educação profissional e o atendimento ao 
estudante é realizado tanto nas sedes das instituições quanto em suas unidades remotas, 
os polos. 
Os parceiros da Rede e-Tec Brasil acreditam em uma educação profissional qualificada – 
integradora do ensino médio e educação técnica, sendo capaz de promover o cidadão 
com capacidades para produzir, mas também com autonomia diante das diferentes 
dimensões da realidade: cultural, social, familiar, esportiva, política e ética.
Nós acreditamos em você!
Desejamos sucesso na sua formação profissional!
Ministério da Educação
Março de 2016
Nosso contato
etecbrasil@mec.gov.br
Indicação de ícones
Os ícones são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas de 
linguagem e facilitar a organização e a leitura hipertextual.
Fique atento!
Indica o ponto de maior relevância no texto.
Pesquise!
Orienta ao estudante que desenvolva atividades de pesquisa, 
que complementem seus estudos em diferentes mídias: vídeos, 
filmes, jornais, livros e outras.
Glossário
Indica a definição de um termo, palavra ou expressão utilizada 
no texto.
Você sabia? 
Oferece novas informações que enriquecem o assunto ou “curio-
sidades” e notícias recentes relacionadas ao tema estudado.
Pratique!
Apresenta atividades em diferentes níveis de aprendizagem para 
que o estudante possa realizá-las e conferir o seu domínio do 
tema estudado. 
Design do componente
Unidade
Unidade
Unidade
Unidade
Unidade
1
3
5
2
4
Planejamento Ambiental: histórico 
e definições
O contexto de criação dos planejamentos ambientais
Os tipos e escalas do Planejamento
Os tipos de planejamento
As etapas do Planejamento
Ambiental
A estrutura organizacional do planejamento ambiental
O Planejamento Ambiental e a sua 
relação com a Gestão Ambiental
As diferenças entre política, planejamento, 
gerenciamento e gestão ambiental
O uso de indicadores no 
Planejamento Ambiental
O que são indicadores e qual a sua função
no planejamento ambiental?
13
14
31
32
55
56
25
26
45
46
Unidade
Unidade
Unidade
Unidade
Unidade
6
8
10
7
9
Planejamento Ambiental
das áreas rurais e naturais
A contribuição do planejamento ambiental nas áreas rurais
O planejamento ambiental das áreas naturais
Legislações sobre o uso e ocupação do solo
Legislações brasileiras sobre o uso e a ocupação do solo
Áreas Especiais de Interesse Turístico
Lei do Gerenciamento Costeiro
Legislações ambientais
Código Florestal
SNUC
Lei da Mata Atlântica
Estatuto das Cidades
Os conflitos territoriais e as contribuições 
do Planejamento Ambiental
O planejamento ambiental no contexto
dos conflitos territoriais no Brasil
Planejamento Ambiental das cidades
Planejamento de cidades sustentáveis
Energia
Água
Qualidade do ar
Mobilidade
Saneamento ambiental
Construções sustentáveis
Áreas verdes
Instrumentos de Planejamento Ambiental
Os instrumentos de planejamento ambiental
Zoneamento Ambiental
Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE)
Zoneamento Agroecológico e de Risco Climático
Zoneamento urbano e rural
Etnozoneamento
Plano diretor
Plano de bacias hidrográficas
Planos de manejo
Agenda 21
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77
Palavra da autora
Prezado(a) estudante,
Seja bem vindo(a) ao componente Planejamento Ambiental! 
Nas últimas décadas o mundo todo tem discutido e questionado os impactos socioam-
bientais causados pelo sistema capitalista globalizado. A partir das reflexões sobre a 
crise ambiental que estamos vivenciando, surgiram novos ideários de desenvolvimento, 
este entendido não só a partir da dimensão econômica, mas considerando também as 
dimensões ambientais, culturais, sociais e políticas, conhecido como o “desenvolvimento 
sustentável”. 
Junto com esta nova perspectiva de desenvolvimento surgem novos cursos a cerca da 
temática ambiental, como é o caso do curso Técnico em Meio Ambiente do IFPR. Desta 
forma, o componente Planejamento Ambiental tem como objetivo contribuir na sua 
formação, apresentando novos olhares sob o território, considerando as especificidades, 
diversidades e potencialidades locais.
O planejamento ambiental é indispensável para os profissionais da área ambiental. A 
partir deste documento o uso e ocupação dos territórios são normatizados, de acordo 
com as características locais; são identificadas as prioridades para a população e para 
a conservação dos ambientes naturais e sua biodiversidade; são propostas alternativas 
que conciliem o desenvolvimento econômico com a proteção ambiental, garantindo a 
sustentabilidade e a qualidade de vida para as presentes e futuras gerações.
Considerando isso, preparamos este material com bastante carinho para que você apro-
veite este momento do curso, aprimore seus conhecimentos técnicos e se torne um pro-
fissional brilhante, contribuindo para o bem-estar da sociedade e da natureza. 
Bons estudos!
A autora
Apresentação do 
componente curricular
O componente curricular Planejamento Ambiental tem grande relevânciana formação 
dos futuros Técnicos em Meio Ambiente, pois todas as atividades, programas ou projetos 
ambientais necessitam de um planejamento prévio, seja ele realizado em um ambiente 
natural, urbano, rural, empresarial, institucional ou qualquer outro. Como veremos ao 
longo deste livro, o planejamento ambiental é uma das fases mais importantes da gestão 
ambiental e essencial para alcançar o desenvolvimento sustentável.
O livro está dividido em dez unidades. O conteúdo foi organizado de forma que você, 
estudante, possa compreender a contextualização de criação dos planejamentos am-
bientais, seus conceitos, seus instrumentos e suas aplicações, respectivamente. 
Desta forma, na Unidade 1 vamos conhecer o histórico de criação dos planejamentos 
ambientais no mundo, quando o Brasil passou a adotá-los e quais são as definições 
dadas para o Planejamento Ambiental. Na Unidade 2 vamos analisar a relação do pla-
nejamento com a gestão ambiental e como ele contribui para o desenvolvimento susten-
tável. Na Unidade 3 veremos quais os tipos e escalas de elaboração e implantação dos 
planejamentos ambientais. Na Unidade 4 vamos compreender o que são indicadores e 
como eles auxiliam na elaboração dos planejamentos. 
A partir desses conhecimentos, na Unidade 5 vamos identificar como um planejamento 
é elaborado e analisar cada uma das suas etapas. Já na Unidade 6 iremos conhecer os 
instrumentos do planejamento ambiental e na Unidade 7, as legislações de uso e ocupa-
ção do solo que devem ser consideradas nos planejamentos. Na Unidade 8 e Unidade 
9 vamos entender como devem ser pensados os planejamentos para as cidades e para as 
áreas rurais e naturais, respectivamente. Para finalizar este componente, na Unidade 10 
vamos analisar os conflitos existentes entre diferentes territórios e qual a contribuição do 
planejamento para solucionar estes problemas.
Ao longo das unidades, apresentamos exemplos, indicamos referências para o aprofun-
damento dos estudos e propusemos algumas atividades reflexivas que irão auxiliar na 
compreensão dos conteúdos. 
Desejamos que faça uma ótima leitura!
A autora.
Unidade
Planejamento Ambiental: 
histórico e definições
1
Fonte: © Nicolas Raymond/Freestock.ca
14 Planejamento Ambiental
Nesta primeira unidade vamos analisar o histórico do planejamento ambiental no 
contexto global e compreender como surgiram as primeiras iniciativas de planeja-
mento no Brasil. Também serão apresentadas as definições para planejamento am-
biental, destacando os seus objetivos, a sua importância e a sua contribuição para o 
desenvolvimento sustentável.
O contexto global atual demonstra que estamos diante de uma crise ambiental, devi-
do à intensa degradação dos ambientes naturais e aos graves impactos socioambien-
tais. Dessa forma, o planejamento ambiental é indispensável para um futuro mais 
justo e sustentável, conforme veremos nesta unidade.
O contexto de criação dos 
planejamentos ambientais
Os planejamentos dos territórios ocorrem há milhares de anos em diversas partes do 
mundo, embora tenham mudado seus objetivos ao longo da história.
Os registros históricos indicam que as primeiras iniciativas de planejamento do espaço es-
tão relacionadas às práticas de pesca e agricultura nas aldeias, quando os territórios eram 
pensados e organizados de acordo com as características microclimáticas e topográficas 
da região (SANTOS, 2004). 
Nas aldeias na Mesopotâmia, por exemplo, há cerca de 4.000 a.C., as autoridades reli-
giosas já se preocupavam com a organização das cidades, buscando atender a preceitos 
religiosos e estéticos e buscando conforto. Por isso, essas aldeias são reconhecidas por 
Santos (2004) como os primeiros “planejadores profissionais”. Porém, foram os gregos 
que demonstraram maior preocupação com os 
impactos causados pelos seres humanos nos 
centros urbanos e produziram um importante 
referencial teórico sobre o planejamento e a 
construção de núcleos populacionais daquela 
época.
Aristóteles, filósofo da Grécia Antiga, é 
considerado um grande teórico sobre 
a cidade e promoveu uma importante 
reflexão sobre a organização urbanística e 
o planejamento urbano.
15Unidade 1 – Planejamento Ambiental: histórico e definições
Essa perspectiva de planejamento voltada às cidades durou desde a Grécia Antiga até 
a Revolução Industrial.
Com o crescimento das cidades que se deu após a Revolução Industrial (e, consequen-
temente, dos impactos ambientais oriundos desse crescimento) foram surgindo diversos 
estudos no campo da ecologia questionando a relação dos seres humanos com o meio 
ambiente, como a Teoria da Evolução de Charles Darwin, o conceito de ecossistema 
de Arthur Tansley e as relações entre cadeia trófica e meio abiótico de Raymond Linde-
man. Nesse período histórico, os franceses contribuíram com o planejamento de recursos 
hídricos e de saneamento, enfatizando a relação entre a disponibilidade de água e a 
preservação dos mananciais. Porém, são as cidades japonesas que se destacaram pela 
harmonia entre os elementos naturais e construídos (SANTOS, 2004).
Ao mesmo tempo em que as cidades começavam a pensar seus territórios considerando 
alguns aspectos ambientais, as ciências foram fragmentando os estudos em diversas 
áreas de especializações. Para Santos (2004) “foi o tempo da partição, sistematização, 
aprofundamento e especificidade do conhecimento” (p. 16), refletindo diretamente nos 
processos de organização territorial, que passou a ser planejado em “partes”, ou seja, 
ter planejamentos setoriais, sem a preocupação em integrá-los.
Até o final do século XIX foram desenvolvidos vários tipos de planejamento ambiental. 
Porém, sempre sob a perspectiva dos terrenos urbanos e as funções da cidade e volta-
dos às áreas da Economia e de recursos hídricos. 
Santos (2004) relata que, a partir da década de 
1930, a experiência com os planejamentos se-
toriais resultaram na criação de métodos multi-
critérios, que tinham um caráter de integração 
do meio, mesmo que incipiente. Contudo, esses 
métodos estavam relacionados apenas à avalia-
ção custo/beneficio para auxiliar na tomada de 
decisãoem relação às alternativas dos múltiplos 
usos da água.
Grécia Antiga: 
termo utilizado para se referir ao mundo antigo grego e aos seus países vizinhos, desde 1.100 a.C até 146 d.C.
Revolução Industrial:
 foi o período de transição nos processos de manufatura e de mecanização dos sistemas de produção que ocorreram 
na Europa nos séculos XVIII e XIX, por volta de 1760 e 1840.
Entre as décadas de 1930 a 1940 ganha 
credibilidade a antiga ideia de planejamento 
baseado bacias hidrográficas, porém, 
antes essa ideia se restringia aos recursos 
hídricos, diferentemente do que é discutido 
atualmente, quando o planejamento 
ambiental por bacias hidrográficas é 
considerado a melhor maneira de organizar 
os territórios.
16 Planejamento Ambiental
No período pós Segunda Guerra Mundial, são os planejamentos econômicos que ga-
nham destaque, principalmente na Europa e nos Estados Unidos (SILVA, 2003; SANTOS, 
2004). Nesse período, as discussões sobre “desenvolvimento” e “subdesenvolvimento” 
começam a ganhar maior relevância no mundo. Os países considerados desenvolvidos 
eram aqueles que tinham altos índices do Produto Interno Bruto (PIB), economia de mer-
cado evoluída e uma especialização da sociedade. Considerando isso, os países passaram 
a adotar com mais frequência planejamentos econômicos com o objetivo de acelerar o 
crescimento econômico. Entretanto, esses planos apresentaram muitos problemas: os 
processos eram burocráticos e tiveram diversas dificuldades em sua implantação.
Ao mesmo tempo, surgia, nos Estados Unidos da década de 1950, uma visão diferen-
ciada de planejamento, preocupada com os impactos ambientais resultantes das grandes 
obras estatais no país (SANTOS, 2004). Diversos pesquisadores começaram a questionar 
as perdas ambientais e os problemas sociais dessesempreendimentos, que até o mo-
mento utilizavam metodologias que analisavam apenas o custo/benefício e as técnicas 
de engenharia, sem considerar as questões socioambientais. Essa discussão passou a 
acontecer também em outros países, conforme a degradação e os impactos ambientais 
eram percebidos. Para Santos (2004) esse foi um momento de retomada da visão holísti-
ca e integradora do planejamento, embora a evolução do conhecimento estivesse muito 
separada dos planejamentos e planejadores da época.
Nesse contexto, na década seguinte, em 1960, os planejamentos da forma como es-
tavam sendo elaborados e implementados entraram em crise, principalmente pelas re-
flexões que passam a ser realizadas sobre o conceito de “desenvolvimento” da época. 
Este modelo voltado para o consumo trazia graves consequências, como a poluição, as 
desigualdades sociais, o aumento da criminalidade e a insatisfação da sociedade, entre 
outros efeitos ainda mais graves nos países subdesenvolvidos.
Essa crise no planejamento resultou em mudanças importantes: o planejamento deixou 
de ser domínio dos economistas; ganhou destaque a ideia de não haver um modelo 
único de planejamento; passou-se a considerar o ambiente físico, político e social; o pla-
nejamento passou a ser mais abrangente, dinâmico e preocupado com a avaliação dos 
impactos ambientais (SILVA, 2003; SANTOS, 2004).
Nessa época, diversos especialistas discutiam e questionavam a ideia de que “desenvolvimento” pudesse ser 
sinônimo de “crescimento econômico”, pois mesmo os países considerados “subdesenvolvidos” que haviam 
alcançado um aumento significativo do PIB ainda enfrentavam diversas desigualdades sociais e problemas graves 
nas áreas de saúde, educação etc. Ou seja, concluíram que o bem-estar social não é relacionado apenas ao 
crescimento econômico.
17Unidade 1 – Planejamento Ambiental: histórico e definições
Somado a isso, a partir da década de 1960 diversos informes científicos passaram a ser 
elaborados e divulgados para a sociedade, como uma crítica e, especialmente, um alerta 
a esse modelo de “desenvolvimento”. Como exemplo, podemos citar o emblemático 
livro “Primavera Silenciosa” de Rachel Carson, publicado em 1962, que denunciava os 
efeitos do uso abusivo de pesticidas e da poluição em nível ecossistêmico ocasionada 
pelo avanço da agricultura mecanizada industrial e pela evolução da indústria química 
dos agrotóxicos. 
Outros exemplos são o Relatório “Limites do Crescimento” do Clube de Roma, em 1972, 
e o Relatório “Nosso Futuro Comum”, conhecido como Relatório de Brundtland, pu-
blicado em 1987. Estas publicações motivaram a realização de diversas conferências 
internacionais sobre a temática ambiental, como a Conferência da Biosfera em 1968 e 
a Conferência de Estocolmo em 1972, refletindo na mobilização mundial para a imple-
mentação de uma agenda ambiental internacional e em novas formas de planejamento, 
pois os problemas ambientais transcendem fronteiras e se relacionam com questões de 
ordem política, social, econômica, ecológica e cultural (BRITO, 2000; MEDEIROS, 2006).
Essa mobilização internacional contribuiu para uma reformulação nos planejamentos, 
influenciados pelos estudos de impactos ambientais, enfatizando a conservação e a pre-
servação dos recursos naturais. Nesse sentido, Santos (2004) relata que houve uma ten-
dência a elaborar planejamentos regionais integrados, recuperando a ideia e os multicri-
térios que já eram utilizados nos planejamentos de recursos hídricos na década de 1930.
A partir da década de 1980 iniciaram as discussões sobre o ecodesenvolvimento, que 
mais tarde passou a ser denominado desenvolvimento sustentável, percebeu-se que o 
ambiente e o desenvolvimento não podiam mais ser apresentados isoladamente, por 
isso o planejamento recebeu o adjetivo “ambiental”, tal como é utilizado atualmente 
(SANTOS, 2004). Esse debate foi reforçado após a realização da Conferência das Nações 
Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, conhecida como RIO-92, quando 
o desenvolvimento sustentável é visto como o caminho para o desenvolvimento dos 
países em seu sentido amplo, ou seja, social, cultural, ambiental, tecnológico, político e 
econômico.
Podemos perceber que o planejamento ambiental evoluiu ao longo da história, alterando 
suas características e objetivos, como sintetiza o Quadro1.
18 Planejamento Ambiental
Quadro 1 – Evolução dos objetivos do Planejamento Ambiental por período histórico
Período Histórico Objetivos e características do Planejamento Ambiental
Primeiras aldeias da Mesopotâmia (4000 a.C.)
Ordenamento do espaço (critérios topográficos e climáticos e preceitos 
religiosos, estéticos e de conforto)
Grécia Antiga Preocupação com os impactos ambientais nas cidades
Grécia Antiga até a Revolução Industrial Preocupação com os impactos culturais e socioeconômicos nas cidades
Final do século XIX até década de 1930
Planejamento de recursos hídricos e saneamento; adoção de métodos 
multicriteriais
Pós-Guerra (após 1945) Planejamentos econômicos
Décadas de 1950 a 1970 Incorporação da Avaliação de Impactos Ambientais no planejamento
Década de 1970 Retomada dos métodos multicriteriais e da visão holística
Década de 1980 Conservação e preservação dos recursos naturais
Década de 1990 até os dias atuais Desenvolvimento Sustentável
Diante desta contextualização, vamos entender como o Brasil adotou o planejamento 
ambiental ao longo da sua história?
As primeiras iniciativas de planejamento ambiental 
no Brasil
O Brasil possui registros de documentos e regulamentos de proteção ambiental ainda 
nos períodos colonial e imperial, como, por exemplo, o “Regimento do Pau-Brasil”, edi-
tado em 1605; o projeto de reflorestamento da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 
1844; a proposta de José Bonifácio de Andrade e Silva, em 1821, de criação de um setor 
administrativo responsável pela gestão das florestas e a proposta de André Rebouças, 
em 1876, de criação de dois parques nacionais no país (URBAN, 1998; PÁDUA, 2004, 
MEDEIROS, 2006). Porém, as propostas daquele período eram focadas, sobretudo, na 
proteção de recursos renováveis de grande relevância econômica, como a madeira e os 
minerais. Além disso, o meio natural era discutido para a resolução de problemas pontu-
ais, exercido de maneira desarticulada, ou seja, não eram vinculados a um planejamento 
ambiental ou a uma Política de Estado (SANTOS, 2004; MEDEIROS et al., 2004). 
Somente na década de 1930 a questão ambiental entra na agenda política, a partir 
da criação de diversas legislações ambientais, como o Código Florestal (1934), o Có-
digo de Águas (1934), a Lei de Proteção a Fauna (1934) e o Código de Caça e Pesca 
(1934). Podemos observar que, naquela época, estava se consolidando um novo ideário 
Fonte: Modificado de Silva (2003)
19Unidade 1 – Planejamento Ambiental: histórico e definições
Figura 1.2 Parque Nacional de Itatiaia
Fonte: © AglaéPires/ WikimediaCommons
de desenvolvimento para o país, compatível com a conservação, como foi registrado na 
Constituição Federal de 1934, onde, pela primeira vez, a proteção da natureza aparece 
como princípio básico e é considerada “patrimônio nacional admirável a ser preservado” 
(LITTLE, 2003; MEDEIROS et al., 2004).
É nessa época, também, que são criadas as primeiras Unidades de Conservação do 
país: o Parque Nacional de Itatiaia, no Rio de Janeiro, em 1937 (Figura 1), o Parque 
Nacional do Iguaçu, no Paraná (Figura 2) e o Parque Nacional Serra dos Órgãos, no Rio 
de Janeiro, os dois últimos em 1939. Essas primeiras Unidades de Conservação estavam 
ligadas à proteção dos serviços ecossistêmicos, principalmente relacionados à qualidade 
da água. Podemos observar, também, que o bioma Mata Atlântica foi o primeiro grande 
eixo nacional de proteção, devido ao seu histórico de devastação (DEAN, 1996).
Unidades de Conservação: 
espaço territorial e seus recursosambien-
tais, incluindo as águas jurisdicionais, com 
características naturais relevantes, legal-
mente instituído pelo Poder Público, com 
objetivos de conservação e limites defini-
dos, sob regime especial de administração, 
ao qual se aplicam garantias adequadas de 
proteção (Sistema Nacional de Unidades de 
Conservação da Natureza, Lei Federal nº 
9.985/2000, Art. 2º, inc. I).
Para entender melhor 
como ocorreu o processo 
de devastação da Mata 
Atlântica, faça a leitura 
do livro “A ferro e fogo: a 
história da devastação da 
Mata Atlântica brasileira”, 
do autor Warren Dean 
(1996).
20 Planejamento Ambiental
Figura 1.3 Parque Nacional do Iguaçu
Fonte: : © Daniela Paula de Faria/WikimediaCommons
Apesar disso, nas décadas seguintes (principalmente a partir dos anos de 1950), os go-
vernos brasileiros tiveram como prioridade a industrialização do país e implementaram 
grandes projetos de infraestrutura, além das políticas de deslocamento programado e 
planejado para o interior do país, como foi o caso da construção de Brasília no governo 
de Juscelino Kubitschek (SANTOS, 2004; RAMOS, 2014). Enquanto, no contexto inter-
nacional, já estavam sendo discutidas a avaliação de impactos ambientais e novas medi-
das de proteção dos recursos naturais, o Brasil demonstrava pouca preocupação com a 
questão ambiental, com discursos a favor da poluição e dos impactos ambientais desde 
que trouxesse “crescimento” e “desenvolvimento” para o país (MEDEIROS, 2006). Essa 
percepção permaneceu durante a ditadura militar, quando foram instituídos planos eco-
nômicos para o país, os denominados Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND).
No entanto, naquela época a Floresta Amazônica passou a ser o foco de inúmeras dis-
putas internacionais e se consolidou, junto com a Mata Atlântica, como os eixos prin-
cipais de intervenções de proteção no país, no qual foram criadas diversas Unidades de 
Conservação. Também podemos observar uma revisão das legislações ambientais neste 
período. Isso ocorreu devido ao aumento da sensibilidade política do país para a proble-
21Unidade 1 – Planejamento Ambiental: histórico e definições
mática ambiental, consequência da pressão internacional para que os governos adotas-
sem políticas para conter os impactos ambientais. Porém, podemos perceber ao longo 
do histórico da questão ambiental, que o Brasil adotou essas medidas tardiamente em 
comparação com outros países no mundo. Dentre os instrumentos revisados, destaca-se 
o Código Florestal, em 1965, e a Lei de Proteção a Fauna, em 1967. Em 1973, sob os 
efeitos da Conferência de Estocolmo, é criada a Secretaria Especial de Meio Ambiente, 
mas é somente na década de 1980 que o país consolida suas legislações ambientais – 
principalmente pela promulgação da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei Federal nº 
6.938/1981) – que passam a ser reconhecidas internacionalmente como uma das mais 
avançadas e inovadoras (MEDEIROS et al., 2004; SANTOS, 2004; RAMOS, 2014).
Anos mais tarde, o Brasil também regulamenta a Avaliação de Impactos Ambientais por 
meio da Resolução CONAMA nº 01/1986, seguindo as tendências internacionais, mas, 
principalmente, devido às exigências das instituições que financiavam os projetos de in-
fraestrutura, como o Banco Mundial. Santos (2004) relata que esses estudos de impacto 
ambiental forneceram diversos dados para as secretarias de meio ambiente e passaram 
a ser entendidos como uma ferramenta para o planejamento.
A promulgação da Constituição Federal de 1988 também é considerada um marco na 
história ambiental brasileira, pois nela é incluído como direito fundamental o “meio 
ambiente ecologicamente equilibrado”. A Constituição de 1988 também dispõe sobre a 
responsabilidade compartilhada entre o Poder Público e a coletividade para defender e 
preservar o Meio Ambiente (Art. 225). A partir desses acontecimentos, o planejamento 
ambiental foi incorporado pelos órgãos governamentais, instituições, sociedade e orga-
nizações, realizando, primeiramente, uma conjunção entre os conceitos e estruturas do 
planejamento urbano, estudos de impacto ambiental e dos planos de bacias hidrográ-
ficas, e, atualmente, incorporando a perspectiva do desenvolvimento sustentável (SAN-
TOS, 2004).
Pesquise mais sobre o histórico do planejamento 
ambiental no Brasil e no mundo no livro 
“Planejamento Ambiental: teoria e prática”, 
da autora Rozely Ferreira dos Santos, e no 
livro “Planejamento Ambiental para a cidade 
sustentável”, de Maria de Assunção Ribeiro 
Franco.
22 Planejamento Ambiental
Agora que já compreendemos o contexto de criação e implantação do Planejamento 
Ambiental no Brasil e no mundo, vamos entender qual é a definição de planejamento 
ambiental? Vejamos a seguir!
A definição de Planejamento Ambiental
Como podemos perceber com base no histórico do planejamento ambiental no Brasil 
e no mundo, muitas vezes as propostas de planejamento ambiental cruzaram-se com 
propostas de gerenciamento dos recursos naturais, nas quais a preocupação era essen-
cialmente o controle ambiental, realizado por meio dos regulamentos legais. Por isso, 
muitas vezes o planejamento ambiental é confundido como conceito, estrutura ou pro-
cedimento (SANTOS, 2004).
Para Santos (2004) o planejamento pode ser entendido como:
“um processo contínuo que envolve a coleta, organização e análises sistematizadas 
das informações, por meio de procedimentos e métodos, para chegar a decisões ou 
a escolhas acerca das melhores alternativas para o aproveitamento dos recursos dis-
poníveis” (p. 24).”
No entanto, o “planejamento é uma atividade para ser implementada e não apenas uma 
produção de documentos” (SANTOS, 2004, p. 25). A autora destaca que a finalidade do 
planejamento ambiental é atingir metas específicas no futuro para alcançar a melhoria 
de uma determinada situação e o desenvolvimento sustentável. Ele também irá orientar 
os instrumentos metodológicos, administrativos, legislativos e de gestão, incentivando 
a participação social. Nesse sentido, Silva (2003) ressalta que o planejamento ambiental 
demanda uma abordagem interdisciplinar e integrada, e é uma atividade contínua, ou 
seja, se necessário, deve ser constantemente monitorado e revisado.
O planejamento ambiental parte do princípio da valorização e conservação dos recursos 
naturais do território como base para autossustentação da vida e das relações ecos-
sistêmicas (FRANCO, 2008). A autora explica que ele leva em conta a capacidade de 
sustentação do ecossistema local e regional, sem se distanciar das questões de equilíbrio 
ambiental em escalas continentais e planetárias.
Assim, a ênfase do planejamento ambiental está na tomada de decisões. Por isso, implica 
em decidir sobre ações futuras, por meio de previsões e estimativas dos cenários futu-
ros, subsidiadas por um diagnóstico que identifique e defina o melhor uso dos recursos 
(SANTOS, 2004).
23Unidade 1 – Planejamento Ambiental: histórico e definições
Após a contextualização apresentada nesta unidade, podemos observar que o planeja-
mento ambiental tal como é realizado atualmente é relativamente recente. A partir da 
década de 1980 foram sendo incorporados aos modelos anteriores de planejamento no-
vos critérios de análise, uma abordagem interdisciplinar e integrada, a visão holística e a 
participação social – características do planejamento ambiental. Devido a esses processos 
recentes, não existe um conceito preciso sobre 
o que é o planejamento ambiental. No entanto, 
diversos autores trouxeram suas contribuições 
para que pudéssemos entender sua definição. 
Compreender esse histórico e o que se entende 
por planejamento ambiental é muito importan-
te para dar continuidade aos estudos.
Pratique
Considerando a perspectiva do desenvolvimento sustentável, quais os desafios para via-
bilizar o planejamento ambiental no Brasil?
Vamos entender melhor os tipos e as escalas 
do planejamento ambiental na Unidade 3.
Unidade
OPlanejamento Ambiental
 e a sua relação com a 
Gestão Ambiental
2
Fonte: Ryan Slack / Freeimages
26 Planejamento Ambiental
Após compreender a definição do Planejamento Ambiental e seu histórico de criação 
e implementação, nesta unidade temos como objetivo analisar as interações entre 
o planejamento e a gestão ambiental para alcançar o desenvolvimento sustentável. 
O planejamento muitas vezes é confundido com outros conceitos, como o de geren-
ciamento e o de gestão ambiental. Esses conceitos estão interligados e somente em 
conjunto são capazes de promover a sustentabilidade.
As diferenças entre política, 
planejamento, gerenciamento 
e gestão ambiental
Como podemos observar no histórico do planejamento ambiental, ele sofreu muitas 
alterações, inclusive tendo seus objetivos modificados ao longo dos anos. Por isso, o 
conceito de planejamento ambiental ainda é confundido com outros termos, como o de 
gerenciamento ambiental, de gestão ambiental e o de política ambiental.
Relembrando: o planejamento é um documento elaborado a partir de um diagnóstico 
da área de estudo, que tem como objetivo analisar e propor as melhores alternativas 
para o uso e ocupação do solo, valorizando os recursos naturais locais disponíveis, as 
potencialidades da área e as diversidades socioculturais, compatibilizando-as com a 
conservação e proteção da sociobiodiversidade. 
Planejamento Ambiental: 
um processo contínuo que envolve coleta, organização e análises sistematizadas das informações, por meio 
de procedimentos e métodos, para chegar a decisões ou a escolhas acerca das melhores alternativas para o 
aproveitamento dos recursos disponíveis (SANTOS, 2004).
Sociobiodiversidade: 
consiste em um conceito que envolve a relação entre a diversidade biológica, os sistemas agrícolas tradicionais 
(agrobiodiversidade) e o uso e manejo desses recursos com base nos saberes locais e na cultura dos povos 
tradicionais, como os indígenas, agricultores, pescadores, quilombolas, entre outros (Plano Nacional de Promoção 
das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade, 2009).
27Unidade 2 – O Planejamento Ambiental e a sua relação com a Gestão Ambiental
Esses objetivos, a estrutura e os procedimentos do planejamento ambiental são definidos 
a partir do ideário de um desenvolvimento ecologicamente sustentável e socialmente 
justo, conforme está disposto na Política Ambiental brasileira.
No nível nacional, temos a Política Nacional do Meio Ambiente, instituída pela Lei Fede-
ral nº 6.938/1981, que norteia todas as políticas públicas, programas e ações, visando o 
desenvolvimento sustentável do país. Dentre os seus princípios, a PNMA tem o planeja-
mento e o gerenciamento ambiental.
Política Nacional de Meio Ambiente (Lei Federal nº 6.938/1981)
Art 2º - A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, me-
lhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no 
País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da segurança 
nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios:
I - ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio 
ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegi-
do, tendo em vista o uso coletivo;
II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar;
Ill - planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais;
IV - proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas;
V - controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras;
VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional 
e a proteção dos recursos ambientais;
VII - acompanhamento do estado da qualidade ambiental;
VIII - recuperação de áreas degradadas;
IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação;
X - educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comu-
nidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente.
28 Planejamento Ambiental
Sendo assim, o gerenciamento ambiental é um processo posterior ao planejamento e 
ordenamento territorial – é a fase de execução do planejamento. Ele está relacionado à 
aplicação, administração, controle e monitoramento das alternativas propostas pelo pla-
nejamento (SANTOS, 2004). Durante o gerenciamento, os impactos sociais e ambientais 
passados, presentes e futuros são monitorados e administrados, a fim de minimizar os 
seus efeitos sobre o ambiente natural e sobre a população local. É também durante o 
gerenciamento que é realizada a sensibilização da população, incentivando que todos se 
mobilizem e participem da execução do planejamento ambiental.
Por fim, a gestão ambiental é a integração entre o planejamento, o gerenciamento e a 
política ambiental, conforme mostra a Figura 1. O planejamento ambiental e o gerencia-
mento ambiental são alguns dos componentes da gestão ambiental.
Figura 2.1: interações entre Planejamento, Gerenciamento e Gestão Ambiental.
Fonte: Banco de Imagens DE (2016)
O planejamento ambiental pode ser elaborado 
para diferentes escalas, como veremos na Unidade 
3, por isso, quando realizado em escalas menores, 
além da Política Nacional de Meio Ambiente, deve-
se observar os princípios, objetivos e instrumentos 
das políticas ambientais estaduais, municipais, das 
empresas ou das instituições, conforme for o caso.
Para conhecer a Política Ambiental do 
Governo do Paraná, acesse: http://www.
meioambiente.pr.gov.br/modules/conteudo/
conteudo.php?conteudo=6.
A participação social deve ser incentivada e garantida em todas as fases da gestão ambiental, desde a 
elaboração do planejamento até sua execução, monitoramento e revisão (quando necessária).
29Unidade 2 – O Planejamento Ambiental e a sua relação com a Gestão Ambiental
De acordo com Lanna (1995), a gestão ambiental pode ser compreendida como:
“O processo de articulação das ações dos diferentes agentes sociais que interagem em 
um dado espaço, visando garantir, com base em princípios e diretrizes previamente 
acordados/definidos, a adequação dos meios de exploração dos recursos ambientais/
naturais, econômicos e socioculturais às especificidades do meio ambiente.”
A gestão ambiental só é efetiva quando há um planejamento adequado, que considere 
as características e as potencialidades locais, somado ao gerenciamento e monitoramen-
to contínuo das atividades, ações, programas e projetos que foram propostos. 
A partir do entendimento desses conceitos, podemos concluir que o planejamento tem 
grande relevância na gestão ambiental, pois ele fornece subsídios para que as atividades 
a serem realizadas no território conciliem as dimensões econômicas, ambientais, sociais e 
culturais. Além disso, ele orienta a criação das políticas públicas necessárias para alcançar 
o desenvolvimento sustentável, conforme estabelece a política ambiental brasileira.
Pratique
Seu município apresenta uma política ambiental? Se a resposta for afirmativa, quais são 
seus princípios e objetivos? Caso o município ainda não tenha uma política ambiental 
definida, como ele poderia contribuir para a gestão ambiental local?
Unidade
Os tipos e escalas do 
Planejamento 
3
Fonte: http://pt.freeimages.com/photo/compass-1413023
32 Planejamento Ambiental
Nesta unidade vamos conhecer quais os tipos de planejamento e as características de 
cada um deles. Também vamos entender as diferentes escalas em que o planejamen-
to poderá ser elaborado e implementado, de acordo com seus objetivos.
Os planejamentos podem possuir diversos enfoques, de acordo com seus objetivos de 
criação e as necessidades do espaço que está sendo analisado. Por isso, eles recebem 
adjetivos que caracterizam o foco de cada planejamento, por exemplo, planejamen-
to territorial, socioeconômico, agrícola, tecnológico ou ambiental. Como vimos nas 
unidades anteriores, o planejamento ambiental é interdisciplinar, ou seja, agrega di-ferentes áreas do conhecimento e tem como ideário o desenvolvimento sustentável. 
No entanto, eles podem ser classificados em diversos tipos, conforme seus objetivos, 
sua abrangência e seu nível de detalhamento e o tempo do planejamento.
Os tipos de planejamento
Os planejamentos são realizados a fim de conhecer e contextualizar o espaço, por meio 
dos diagnósticos, e para pensar nas melhores alternativas de uso e ocupação, econômi-
cas, ecológicas, entre outras, para este local. Como podemos observar no histórico do 
planejamento ambiental (Unidade 1), ao longo dos anos ele foi modificando seus objeti-
vos e incorporando dimensões de análise, até ser reconhecido atualmente pezla atuação 
interdisciplinar e pela visão holística dos territórios. 
Tipos de planejamento conforme seus objetivos
Muitas vezes os “adjetivos” dados ao planejamento revelam quais são seus objetivos, 
por exemplo, os planejamentos econômicos anticíclicos revelam que tem como objetivo 
manter a estabilidade econômica, tentando lidar com as variações do mercado; os pla-
nejamentos físicos ou de uso e ocupação, revelam que o principal objetivo é disciplinar o 
uso e as atividades no território; os planejamentos desenvolvimentistas têm como princi-
pal preocupação atender demandas específicas em um determinado período de tempo; 
já os planejamentos ambientais têm como objetivos principais a conservação natureza e 
o bem-estar da população (SANTOS, 2004).
Alguns autores, como Petak (1980) e Slocombe (1993), simplificam esta classificação dos 
diversos planejamentos em apenas dois tipos: o Tradicional ou Tecnológico e o Ambiental 
ou Ecologico. Para Petak (1980) o planejamento tradicional ou tecnológico são aqueles 
33Unidade 3 – Os tipos e escalas do Planejamento 
voltados para a resolução de problemas e o desenvolvimento de tarefas, por meio dos 
planejamentos táticos. Eles não possuem uma visão integrada e sistêmica e tem como 
foco a resolução imediata dos problemas, sem tratar dos sintomas. São baseados, prin-
cipalmente, nas ciências exatas, em variáveis quantitativas conhecidas. Neste contexto, 
Scolambe (1993) complementa que o planejamento tradicional, ou os urbanos e regio-
nais, como chama o autor, são disciplinares e não integram as diferentes áreas do conhe-
cimento. Eles são focados nas comunidades e populações, no uso da terra, na economia, 
infraestrutura e baseados em planos, metas e regulamentos.
Já os planejamentos ambientais ou ecológicos, têm como foco a restauração e conserva-
ção ambiental, para isso, possuem uma visão holística, integrada e considera as incerte-
zas presentes da complexidade ambiental atual, por 
meio das variáveis qualitativas e subjetivas (PETAK, 
1980). Para Slocombe (1993), o planejamento am-
biental enfatiza o sistema biofísico em que vivem 
as populações e as comunidades, considerando os 
efeitos e impactos das atividades desenvolvimentis-
tas. Ele é mais descritivo e integrado.
Ainda segundo os objetivos, os planejamentos am-
bientais também podem ser classificados em proativo, reativo ou integrativo. 
Os planejamentos proativos são aqueles que pre-
veem ações para melhorar a qualidade ambiental 
e o bem-estar da população. Os planejamentos 
reativos são aqueles que buscam ações para re-
mediar os impactos socioambientais e a degrada-
ção já causados ao meio ambiente. Já os plane-
jamentos integrativos, como o próprio nome já 
indica, integram ações pró-ativas e reativas. 
Veja mais sobre os tipos de planejamento 
quanto aos seus objetivos no livro 
“Planejamento Ambiental: teoria e prática”, 
da autora Rozely Ferreira dos Santos.>
Proativo: que age antecipadamente; 
antecipa futuros problemas, necessidades 
ou mudanças.
Reativo: que faz reagir; provoca reação.
Integrativo: incorpora um elemento a 
um conjunto
Perceba que ao longo da história, a questão ambiental também pode ser classificada em fases reativas, proativas e 
integrativas. No início, a preocupação ambiental estava focada na recuperação e remediação dos impactos causados 
ao meio ambiente; posteriormente o movimento conservacionista ganha força e foca em ações proativas, ou seja, de 
proteção ambiental; e atualmente estamos vivendo uma fase que busca a integração destes dois movimentos, em 
busca de um desenvolvimento sustentável.
34 Planejamento Ambiental
Tipos de planejamento conforme seu nível de 
detalhamento
O nível de detalhamento dos planejamentos pode ser classificado em três tipos: estra-
tégico, tático ou operacional. Floriano (2004) explica que o planejamento estratégico é 
aquele que estabelece os objetivos, os princípios e a missão geral para aquele espaço que 
está sendo analisado. O planejamento estratégico, por sua vez, é dividido em diversos 
planejamentos táticos, ou seja, por áreas ou setores de atuação. Por fim, os planejamen-
tos operacionais são aqueles para cada atividade definida pelos planejamentos anterio-
res. Neste sentido, o planejamento estratégico é o menos detalhado, pois apresenta as 
suas diretrizes gerais, enquanto os planejamentos táticos e operacionais apresentam um 
maior nível de detalhamento, pois devem estabelecer quais são os processos, os recursos 
e as técnicas para sua execução (FLORIANO, 2004). 
Para Santos (2004) os planejamentos operacionais são voltados a determinado projeto 
ou atividade. Ele também pode envolver várias atividades ou integrar diversas áreas de 
trabalho nos planos setoriais ou planos de áreas integradas. Neste sentido, a abrangência 
operacional tem como foco a ação, independentemente da escala do planejamento, ou 
seja, da sua abrangência espacial, que tem como foco o território.
Esta classificação é muito utilizada no campo da administração, mais especialmente do 
planejamento estratégico, porém, podemos identificar que os planejamentos ambientais 
também podem ser classificados por meio destes três níveis de detalhamento. Conforme 
estudamos anteriormente, as características do planejamento ambiental já se enquadram 
na classificação estratégica, pois ele estabelece os objetivos e metas gerais, conforme as 
diretrizes e os princípios de uma política ambiental. Porém, ele abrange diversas dimen-
sões: social, econômica, cultural, ecológica, entre outras, envolvendo diversas temáticas 
e cada uma delas irá possuir projetos específicos, ou seja, os planejamentos táticos, que, 
consequentemente, terão planejamentos operacionais para cada atividade. Veja o exem-
plo do caso do saneamento na Figura 3.1.
35Unidade 3 – Os tipos e escalas do Planejamento 
 
Figura 3.1: Tipos de planejamento conforme seu nível de detalhamento.
Fonte: elaborado pela autora.
Tipos de planejamento quanto ao tempo
Os planejamentos ainda podem ser classificados de acordo com o tempo, ou seja, em 
curto, médio ou em longo prazo. Para Floriano (2004) os planejamentos em longo prazo 
são o caso dos planejamentos estratégicos, em médio prazo os planejamentos táticos e 
em curto prazo, os operacionais. 
Os planejamentos ambientais, normalmente são planejados para um longo prazo, pois 
precisam articular as diversas dimensões e por tanto, possuem várias atividades e ações 
para atingir seus objetivos. Porém, no caso, por exemplo, de planejamentos reativos, 
o prazo tende a ser mais curto, pois o objetivo é remediar os impactos e a degradação 
ambiental o quanto antes. 
A definição da área de estudo e as escalas dos 
planejamentos ambientais
A definição da área de estudo e das escalas do planejamento é uma tarefa muito impor-
tante, porém bastante complexa, não só pela dificuldade em delimitar a área de conten-
ção dos impactos, pressões e fenômenos, como pela variedade de escalas necessárias 
para as avaliações (SANTOS, 2004). Isso ocorre porque muitas vezes uma atividade local 
pode causar impactos em uma escala muito maior.
36 Planejamento Ambiental
Além disso, estas definições influenciam diretamente nas tomadas de decisões, por isso, 
uma delimitação incoerente pode acarretar emdecisões erradas.
Área de estudo
Para definir a área de estudo do planejamento, Santos (2004) explica que devemos partir 
das complexidades locais, a abrangência e o núcleo dos problemas regionais, as escalas 
necessárias para avaliar as questões ambientais e o tamanho das unidades territoriais 
envolvidas.
Como vimos anteriormente, de acordo com os obje-
tivos do planejamento, ele demanda de uma área de 
estudo e uma escala específica. Ela pode ser global, 
continental, nacional, estadual, regional ou local (Fi-
gura 3.2). No entanto, Floriano (2004) ressalta que 
nos casos que envolvem mais de um país (área glo-
bal ou continental), os planejamentos são estratégi-
cos, ou seja, aqueles que têm como objetivo apre-
sentar as normativas gerais para as dimensões do 
planejamento, pois fica muito difícil aprofundar as 
análises, por isso são realizados para macro escalas. 
Este também é o caso de países com grande exten-
são territorial, como é o Brasil. 
As áreas de estudo definidas por estados ou grandes regiões, como os biomas, tem maior 
potencialidade para serem elaborados planejamentos táticos, enquanto os planejamen-
tos em áreas menores são mais operacionais e com um nível maior de detalhamento.
A Agenda 21 Global, elaborada durante a 
Conferência das Nações Unidas sobre Meio 
Ambiente e Desenvolvimento no Rio de 
Janeiro em 1992, a Rio-92, é um exemplo de 
planejamento ambiental em macro escala. 
Para saber mais, acesse: http://www.mma.
gov.br/responsabilidade-socioambiental/
agenda-21/agenda-21-global. Acesso: 17 
out 2016.
37Unidade 3 – Os tipos e escalas do Planejamento 
Figura 3.2: Exemplos de áreas de estudo.
Fonte: Forman (1995).
Em nível regional e local, são exemplos de área de es-
tudo os municípios, as regiões metropolitanas, as áre-
as urbanas e rurais, os distritos, as Unidades de Con-
servação, as ecorregiões, as bacias hidrográficas, entre 
outras. 
Neste sentido, Santos (2004) ressalta que estas áreas 
são delimitadas de diferentes formas. Os planos dire-
tores dos municípios, por exemplo, adotam os limites 
político-administrativos legais e restringem as propos-
tas a este espaço, que podem ser divididos pelas áreas 
rurais e urbanas.
 
Nem sempre os limites político-
administrativos, ou seja, aqueles que definem 
a área territorial do país, dos estados e dos 
municípios, são os que definem a área de 
estudo para o planejamento. Ela pode ser 
definida com base em outros critérios, como 
por exemplo, características da vegetação 
que definem os biomas brasileiros. Neste 
caso, eles podem ultrapassar os limites 
político-administrativos dos estados, e 
inclusive do país, como é o caso do bioma 
Mata Atlântica e Amazônia, que também 
abrangem países vizinhos. Veremos a seguir 
outros exemplos!
Plano Diretor: instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana (Constituição Federal, 1998, 
Art. 182, parágrafo 1º). Ele tem como finalidade orientar todas as atividades realizadas no território, garantindo a 
função social da cidade, a participação social, a sustentabilidade e a qualidade de vida da população
38 Planejamento Ambiental
No entanto, quando o objeto do planejamento é uma atividade humana ou um conjunto 
de atividades que ocorrem de forma conectada, como é o caso dos distritos industriais, 
Santos (2004) relata que os limites podem ser traçados por meio de um raio ou um polígo-
no a partir do ponto central, os chamados “raios de ação”. No caso de um planejamento 
para um território onde são desenvolvidas atividades em extensão linear, por exemplo, 
ao longo de estradas, portos, linhas de transmissão, áreas de mata ciliares, entre outras, 
pode-se utilizar a estratégia dos corredores, que 
limitam a região de estudo por meio de uma faixa 
marginal destas áreas. Por fim, temos as áreas de 
estudo definidas por uma unidade homogênea, 
ou seja, aquelas que apresentam territórios bem 
definidos em função das suas relações e dinâmi-
cas próprias (SANTOS, 2004). São exemplos neste 
caso, uma região de monocultura, as regiões me-
tropolitanas, as ecorregiões, as bacias hidrográfi-
cas, entre outras. A Figura 3.3 ilustra os diferentes 
tipos de área de estudo.
Figura 3.3: Tipos de áreas de estudo.
Fonte: Adaptado de Forman (1995).
As bacias hidrográficas são reconhecidas internacionalmente como a principal unidade 
de planejamento, pois se constituem em um sistema natural bem delimitado no espaço, 
As unidades homogêneas, como as ecorregiões e as bacias hidrográficas podem ser definidas em diferentes escalas, 
que devem ser definidas conforme os objetivos dos planejamentos. Numa escala maior, uma ecorregião ou uma bacia 
hidrográfica pode englobar outras pequenas áreas ou microbacias em seu interior. Por exemplo, a bacia do rio Paraná 
é uma das 12 regiões hidrográficas do país e abrange parte dos Estados de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do 
Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e o distrito Federal (grande escala). No Estado do Paraná, temos três sub-bacias do 
rio Paraná (média escala) e cada uma delas possui diversas microbacias (pequena escala).>
Ecorregião: conjunto de comunidades 
naturais, geograficamente distintas, que 
compartilham a maioria das espécies, 
dinâmicas e processos ecológicos, além das 
condições ambientais similares, que são 
fatores críticos para a manutenção de sua 
viabilidade em longo prazo (DINNERTEIN et 
al., 1995).
39Unidade 3 – Os tipos e escalas do Planejamento 
onde os fenômenos e as interações, principalmente físicas, são integrados, o que facilita 
a interpreção da dinâmica local. Além disso, é uma unidade espacial de fácil reconheci-
mento e caracterização (SANTOS, 2004). 
A seleção de bacias hidrográficas como área de estudo para propostas de planejamento 
ambiental são utilizadas em diversos estudos acadêmicos e planejamentos oficiais do 
país. Além disso, desde a década de 1970 existe uma recomendação da Organização 
das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informando que o planeja-
mento adequado de bacias hidrográficas é fundamental para a conservação das regiões 
tropicais (SANTOS, 2004). No Brasil, a Resolução CONAMA Nº 01/86, quando trata do 
estudo de impacto ambiental, tem como diretriz:
Definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos im-
pactos, denominada área de influência do projeto, considerando, em todos os casos, 
a bacia hidrográfica na qual se localiza (Art. 5º, inciso III).
Apesar dos benefícios dos planejamentos pelas bacias hidrográficas há alguns impasses 
de ordem técnica para a sua realização. Isso ocorre principalmente pelo fato das bases 
de dados oficiais serem disponibilizadas por municípios, que, frequentemente, não obe-
decem aos limites das bacias hidrográficas, dificultando a sobreposição dos dados e a 
interpretação das cadeias de relações existentes (SANTOS, 2004).
É neste sentido que Santos (2004) defende que devemos fazer uso de diversas áreas de 
trabalho, definidas por diferentes estratégias e estudadas em diferentes escalas. Para a 
autora, podemos somar a área das bacias hidrográfica, os limites legais, os corredores, 
as unidades homogêneas, entre outras, de acordo com os objetivos e abrangência do 
planejamento. Um exemplo da “soma” das áreas é a delimitação das áreas de influên-
cia. Apesar de não ter critérios, metodologias e escalas definidas para a sua delimitação, 
Santos (2004) indica que nos estudos de impacto ambiental de influência direta, indire-
ta, regional e estratégica. As áreas de influência direta podem ser entendidas como os 
limites da área de estudo, como os raios de ação e as áreas homogêneas; a de influência 
Como vimos no histórico do planejamento ambiental no mundo, as bacias hidrográficas já eram utilizadas na 
delimitação das áreas de estudo há muito tempo, porém somente últimas décadas, com a retomada dos estudos 
integrados e da visão holística, elas passar a ser a principal unidade de análise.
40 PlanejamentoAmbiental
indireta pode ser a bacia hidrográfica; a influência regional pode ser os municípios ou 
estados abrangidos; e as áreas de influência estratégicas são, por exemplo, as faixas de 
fluxos do comércio exterior (Figura 3.4).
Figura 3.4: Tipos de áreas de influência.
Fonte: Santos (2004).
Escalas espaciais
A definição da escala pressupõe que cada fenômeno, elemento ou dado da área estuda-
da seja representado por distâncias que reproduzam suas dimensões reais e pelo período 
em que incidem e compartilham o espaço (SANTOS, 2004). No entanto, assim como na 
definição da área de influência, há uma carência de base teórica, critérios e metodologias 
para a escolha da escala mais adequada para cada planejamento.
Em geral, ela é definida com base no nível de detalhe que se espera do planejamento, 
de acordo com os objetivos propostos e os instrumentos selecionados, por isso, Santos 
(2004) relata que, normalmente, a escolha da escala é indutiva e obedece ao bom senso 
da equipe do planejamento. Contudo, a escolha deve considerar quais as informações 
imprescindíveis para o planejamento, quais são os níveis de organização, o quanto de 
heterogeneidade espacial deve ser retratadas, o quanto serão representadas as medidas 
de direção, distância, forma e geometria dos elementos componentes da área de estudo 
(SANTOS, 2004). 
Cendrero (1989) também ressalta que o tipo de 
dado que será coletado, a forma de avaliar as 
informações, os tipos de mapas e as escalas de-
pendem do tipo de problema a ser resolvido, das 
características e extensão da área de estudo, e 
das limitações de equipe e recursos. Todas estas 
informações influenciam diretamente na escolha 
da escala.
Independente da escolha da escala para 
o planejamento, muitas vezes os estudos 
demandam de aproximações para detalhar 
algum fenômeno específico, especialmente 
na fase do diagnóstico, ou seja, aumentar a 
escala para conseguir visualizá-los.
41Unidade 3 – Os tipos e escalas do Planejamento 
Existem muitos autores que indicam escalas ideias para cada espaço planejado. Santos 
(2004) organizou as escalas mais utilizadas no Brasil, conforme o território planejado, 
como indica o Quadro 1. Apesar das dificuldades em estabelecer a escala, é consenso 
entre os pesquisadores e planejadores que escalas maiores possibilitam um maior nível 
de detalhamento, enquanto as escalas menores, embora diminuam o tempo e o cus-
to para o levantamento de dados, apresentam informações agrupadas e generalizadas 
(SANTOS, 2004).
Quadro 1. Exemplos de escalas adotadas em planejamentos ambientais no Brasil, conforme o 
território planejado.
Território Planejado Escala adotada
Território nacional 1:500.000 a 1:5.000.000
Área de influência regional 1:250.000 a 1:1.000.000
Área de influência indireta 1:50.000 a 1:100.000
área de ação estratégica 1:10.000 a 1:500.000
Área de influência direta 1:5.000 a 1:50.000
Bacia hidrográfica 1:5.000 a 1: 1.000.000
Centros urbanos subordinados a áreas de ação 1:500.000
Raios de ação 1:2000 a 1:100.000
Corredores 1:2000 a 1:25.000
Áreas de reassentamentos 1:2000 a 1:25.000
Fonte: Modificado de Santos (2004).
Cabe ressaltar que a mudança de escala reflete na perda ou ganho de informações sobre 
a área de estudo. Caso a escala seja reduzida, os planejamentos podem não ter infor-
mações suficientes para subsidiar a tomada de decisão, o que os torna com menor grau 
de confiabilidade e probabilidade de acerto nas propostas para o planejamento e gestão 
do território. Ao contrário, escalas maiores podem proporcionar um detalhamento ex-
cessivo da área e as propostas podem ser inviabilizadas pelo tempo político, o tempo de 
processamento e análise das informações, recursos disponíveis, entre outros (SANTOS, 
2004). Por isso, é imprescindível que a escala espacial esteja adequada à escala temporal 
do planejamento, como veremos a seguir.
42 Planejamento Ambiental
Escalas temporais 
O planejamento não pode ser realizado a partir de uma leitura estática do ambien-
te, ou seja, considerar apenas o estado atual daquele território. Precisamos compreen-
der os processos históricos que resultaram neste ambiente tal como é no presente, por 
isso, além da escala espacial é importante identificar a escala temporal do planejamento 
(SANTOS, 2004).
Para Santos (2004), o tempo é uma escala objetiva de análise e deve situar o presente, o 
passado e o futuro da área de estudo, visando responder o quê, onde, quando, quanto e 
por que estão ocorrendo mudanças seja no ambiente natural como no ambiente antro-
pizado. Normalmente, o tempo no planejamento é representado por cenários, ou seja, 
são interpretações do ambiente dentro de uma escala temporal, por exemplo, como é no 
presente, como se espera que seja em 5 anos, 10 anos, 50 anos, 100 anos, entre outros. 
Estes períodos de tempo irão variar conforme os objetivos do planejamento e as escalas 
espaciais adotadas.
Entretanto, cabe ressaltar que os planejamentos precisam considerar que existem dife-
renças na escala de tempo de determinados fenômenos e a escala de tempo de resposta 
de um organismo em relação a eles (SANTOS, 2004). A Figura 4 ilustra estas diferenças 
entre as escalas de ocorrência e resposta e mostra a utilização estratégica da construção 
de cenários.
Figura 3.5: Exemplo de diferenças entre as escalas de ocorrência dos fenômenos e a escala de 
resposta.
Fonte: Adaptado de Santos (2004).
Muitas vezes, cabe ao planejador identificar as fontes de erros em cada escala e avaliar os custos x benefícios em adotar 
cada uma delas. Ou também, podem optar por adotar escalas diferentes, conforme as necessidades de determinados 
fenômenos ou propostas. O importante é que a equipe e o planejamento (o documento em si) esclareçam ao público 
o quanto a delimitação da área de estudo e da escala influenciaram nas conclusões apresentadas, pois possibilita que 
novos estudos e planejamentos sejam elaborados, na tentativa de solucionar os problemas identificados
43Unidade 3 – Os tipos e escalas do Planejamento 
Após estudarmos essa unidade, podemos concluir que dentre os diversos tipos de plane-
jamento, o ambiental é o que apresenta uma visão mais integrada e holística do territó-
rio. Também podemos compreender a importância da definição das escalas espaciais e 
temporais para a nossa área de estudo, embora seja uma escolha complexa e que deve 
considerar diversos fatores, dentro dos objetivos do planejamento ambiental. 
Importante lembrar que todas essas definições devem ser realizadas em conjunto, ga-
rantindo a participação social em todas as fases da elaboração do planejamento. Desta 
forma, evitamos que os planejamentos sejam direcionados a interesses específicos, que 
não aqueles voltados ao desenvolvimento sustentável.
Pratique
1. Para compreender a complexidade de definir a área de estudo e a escala espacial do 
planejamento, vamos fazer um exercício no Google Maps. Acesse: https://www.goo-
gle.com.br/maps e selecione a opção “Earth” ou “imagem de satélite”. No campo 
de busca digite “Brasil”, na sequência, “Paraná” e o município em que reside. Após 
esta experiência, aproxime a imagem até o bairro em que reside. Perceba que o site 
apresenta os dados dos mapas no final da tela, inclusive a escala. Quais são as infor-
mações que temos sobre a área de estudo nessas diferentes escalas?
Vamos estudar mais sobre a construção de cenário na Unidade 5 que irá apresentar as etapas do planejamento 
ambiental.
Unidade
O uso de indicadores no 
Planejamento Ambiental
4
Fonte: http://pt.freeimages.com/photo/recycle-1161228
46 Planejamento Ambiental
O planejamento ambiental exige um bom diagnóstico, porém, muitas vezes os plane-
jadores coletam uma infinidade de dados e possuem dificuldades nas interpretações 
e análises. Nesta unidade vamos conhecer a ferramenta de criação e utilização de 
indicadores, que facilitam este processo de análise e auxiliam na tomada de decisão. 
Desta forma, primeiramentevamos compreender o que são os indicadores, como 
são estruturados e organizados e qual a sua importância no planejamento ambiental.
A criação de indicadores vem se consolidando como uma importante ferramenta 
para o planejamento ambiental, pois sintetizam uma série de dados, que represen-
tam um conjunto de aspectos de determinada dimensão, sendo uma forma acessível 
e de fácil interpretação dos resultados. O Ministério do Meio Ambiente destaca que a 
correta utilização e leitura destes indicadores possibilita o fortalecimento das decisões 
e também facilita a participação da sociedade (MMA, 2016a).
O que são indicadores e qual 
a sua função no planejamento 
ambiental?
Por ter uma visão integrada e holística e ser interdisciplinar, o planejamento ambiental 
deve agrupar informações de diversas dimensões, por isso necessita de um grande con-
junto de dados, informações e parâmetros, de diferentes naturezas. Porém, durante o 
agrupamento é importante examinar o tipo de contabilização a ser feita na sobreposição, 
comparação ou cruzamento dos elementos das diferentes temáticas (SANTOS, 2004). 
Além disso, Santos (2004) ressalta que a equipe do planejamento deve ter o bom senso 
de selecionar dados que sejam objetivos, representativos, comparáveis e de fácil interpre-
tação, auxiliando na formulação das propostas e na tomada de decisão. Neste contexto, 
os indicadores se apresentam como uma importante ferramenta de apresentação desses 
dados. 
Para Santos (2004) os indicadores são parâmetros, ou funções derivadas deles, que têm 
a capacidade de descrever um estado ou uma resposta dos fenômenos que ocorrem 
em um meio. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico 
(OECD, 2003), parâmetro é uma propriedade que é medida ou observada. A OECD tam-
bém destaca que a partir do momento que um parâmetro é entendido como indicador, 
o seu valor transcende o número (o dado em si) e adquire um significado.
47Unidade 4 – O uso de indicadores no Planejamento Ambiental
Um indicador deve ser criado com base em conhecimentos técnicos, políticos, sociais, 
lógicos e epistemológicos (GALLOPIN, 1997; SANTOS, 2004). Consequentemente, de-
vem vir acompanhados de perguntas sobre o estado, as pressões e as respostas da área 
de estudo, e responder sobre suas características, suas propriedades e suas qualidades e 
potencialidades (SANTOS, 2004).
Durante a realização da Conferência Rio-92, no Rio de Janeiro em 1992, a ONU criou a 
Comissão para o Desenvolvimento Sustentável (CDS) para assegurar o apoio aos objeti-
vos da Agenda 21, que passou a trabalhar com a criação de um conjunto de indicadores. 
Em 1996 a CDS/ONU publicou o documento “Indicators of sustainable development: 
framework and methodologies” (Indicadores para o desenvolvimento sustentável: estru-
turas e metodologias), que ficou conhecido como o “Livro Azul”, com 134 indicadores 
para o desenvolvimento sustentável. Em 2001, o livro foi atualizado, diminuindo o nú-
mero para 57 indicadores. Em 2007 foi lançada a 3ª edição do livro, vigente atualmente, 
compilada em 50 indicadores. 
Seguindo esta tendência, o Brasil, por meio do Instituto Brasileiro de Geografia e Esta-
tísticas (IBGE), lançou em 2002 a 1ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Susten-
tável, o IDS Brasil, com 50 indicadores. Esta publicação já teve várias atualizações e na 
última edição, publicada em 2015, o estudo incorporou novos indicadores, totalizando 
63, divididos em quatro dimensões: ambiental (19 indicadores), social (21 indicadores), 
econômica (11 indicadores) e institucional (12 indicadores). O objetivo é padronizar um 
conjunto de indicadores para ser reaplicados nos diversos estudos. Porém, devido as 
diversidade e especificidades, muitas vezes o grupo de indicadores precisa ser adaptado 
às realidades locais.
Para saber mais sobre a construção dos indicadores para o desenvolvimento sustentável, acesse o artigo “Indicadores de 
Desenvolvimento Sustentável: um retrospectivo histórico – do internacional para o nacional” dos autores Arise Natiana 
Araújo Teotônio e Jaênes Miranda Alves. Disponível em: http://www.ecoeco.org.br/conteudo/publicacoes/encontros/x_en/
GT6-2043-1445-20130509162730.pdf. Acesso: 20 out 2016.
A 3ª edição do “Livro Azul” da CDS/ONU pode ser consultada em: http://www.un.org/esa/sustdev/natlinfo/indicators/
guidelines.pdf . Acesso: 20 out 2016.
Nem todos os dados quantitativos podem ser considerados indicadores. Existem conceitos, regras e métodos para 
selecioná-los. Para ser um indicador, o dado precisa adquirir outro significado, de acordo com os objetivos para os quais 
foi criado (SANTOS, 2004). Por exemplo: um dado qualquer de um parâmetro ligado à água pode ser transformado em 
um indicador de qualidade, como aqueles padronizados pela Resolução CONAMA Nº 357/2005.>
48 Planejamento Ambiental
Neste contexto, o MMA, em conjunto com outras 
instituições, também elaborou uma proposta de 
um conjunto de indicadores, especificamente am-
bientais, que ficou denominado o “Painel Nacio-
nal de Indicadores Ambientais” (PNIAL). Diversas 
instituições têm trabalhado para atualizar estes 
indicadores e selecionar outros relevantes para os 
planejamentos, avaliações de impacto ambiental 
e demais estudos nesta área. 
Os indicadores tem a função de gerar modelos que representem a realidade. Eles são 
fundamentais para os tomadores de decisão e para a sociedade, pois permitem criar 
cenários sobre o estado da área de estudo e ainda acompanhar os resultados de uma 
tomada de decisão (SANTOS, 2004). Além disso, Santos (2004) destaca outras funções 
dos indicadores:
• Capacidade de medir, analisar e expressar, com fidelidade, os fenômenos;
• Quantificar e simplificar a informação;
• Diminuir e simplificar o número de parâmetros, dando foco à amostragem e agilidade 
e eficiência ao planejamento, sem prejudicar as análises necessárias;
• Avaliar e comparar territórios de diferentes dimensões e diversas complexidades;
Conheça quais são os “Indicadores de 
Desenvolvimento Sustentável” do IBGE em: 
http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/
recursosnaturais/ids/default_2015.shtm. 
Acesso: 19 out 2016.
Consulte a definição de indicadores ambientais adotada pelo Ministério do Meio Ambiente em: http://www.mma.
gov.br/governanca-ambiental/informacao-ambiental/sistema-nacional-de-informacao-sobre-meio-ambiente-sinima/
indicadores. Já o Painel Nacional de Indicadores Ambientais, publicado em 2012, está disponível em: http://www.mma.
gov.br/images/arquivos/Banner/banner_pnia_2012.pdf. Acesso: 21 out 2016.>
Outros exemplos de uso de indicadores são aqueles criados e utilizados pelo Painel Intergovernamental sobre 
Mudanças Climáticas (IPCC) para projeção de cenários sobre os efeitos das mudanças climáticas; ou também o grupo 
de indicadores que a ONU selecionou para avaliar e atingir as metas dos Objetivos do Milênio para o Desenvolvimento 
Sustentável.
49Unidade 4 – O uso de indicadores no Planejamento Ambiental
• Avaliar e projetar tendências ao longo do tempo;
• Nortear ações preventivas.
Como já vimos anteriormente, os planejamentos demandam análises interdisciplinares, 
por isso os indicadores devem representar todas as dimensões do estudo (ambiental, 
social, econômica, cultural, política, institucional). Não existe uma quantidade correta de 
indicadores a serem utilizados no planejamento (SANTOS, 2004). Os planejadores devem 
selecionar o grupo de indicadores, conforme as necessidades, os objetivos e as escalas 
definidas para o planejamento ambiental.
A estruturação, aplicação e os limites do uso de 
indicadores no planejamento ambiental
Para ser utilizado e aplicado, é necessário que o indicador seja qualificado. Para Santos 
(2004),
A qualidade de um indicador ambiental deve ser medida por meio de um conjunto de 
características que denotam sua relevância, mensurabilidade, confiabilidade, tempo 
de resposta ao estímulo, integridade, estabilidade, solidez, relaçãocom as prioridades 
do planejamento, utilidade para o usuário, eficiência e eficácia (p, 62). 
Estas características podem ser reveladas com base em diversos critérios, conforme indica 
o Quadro 1.
Quadro 1. Critérios para avaliar a qualidade do indicador ambiental.
Critério Avaliação
Fonte da informação
Verificar a confiabilidade da fonte e o grau de responsabilidade do profissio-
nal ou instituição que fornece a informação.
Forma de coleta e elaboração do dado Verificar se o dado foi coletado da forma correta 
Atualização da informação em interva-
los regulares
Verificar se os dados não estão desatualizados
Clareza e objetividade dos procedimen-
tos
Verificar a metodologia de coleta dos dados
Validade científica Verificar a precisão e exatidão da informação
Valores de referência Verificar a relevância dos valores, em comparação com o seu estudo
Redundância Verificar se os indicadores não estão apresentando a mesma informação
50 Planejamento Ambiental
Conformidade temporal
Verificar se há conformidade entre o tempo da coleta do dado e a realidade 
que se deseja representar
Representatividade
Verificar a capacidade de retratar os problemas da área de estudo ou atender 
às metas e aos objetivos do planejamento
Tradução
Verificar a capacidade de permitir a distinção dos limites entre as condições 
aceitáveis e inaceitáveis, do ponto de vista técnico, científico e legal.
Conveniência da escala cartográfica Verificar a compatibilidade da escala do dado com a escala do planejamento
Abrangência geográfica Verificar se a informação cobre toda a área de abrangência do planejamento
Sensibilidade às mudanças Verificar se a resposta do dado é imediata às alterações do ambiente
Natureza preventiva
Verificar a capacidade de sinalizar a degradação ambiental antes da ocorrên-
cia dos danos
Séries temporais
Verificar se os indicadores podem gerar séries temporais que representem as 
dinâmicas do espaço
Conectividade Verificar se o indicador tem conectividade com os outros selecionados
Integração Verificar a capacidade de sintetizar informações de outros indicadores
Tipo de relação no espaço Verificar as relações de causa e efeito que o indicador revela
Prescrição e descrição
Verificar se o indicador apresenta a descrição da área de estudo ou se apre-
senta recomendações ao desenvolvimento de alternativas
Capacidade de linha divisória
Verificar se os dados apresentam limites bem definidos, facilitando o geren-
ciamento das propostas do planejamento
Disponibilidade 
Verificar se é possível recuperar a informação sobre o indicador, caso necessá-
rio, sem perda de tempo que prejudique o planejamento
Acessibilidade Verificar a facilidade de obter os dados
Custos Verificar o custo/ benefício da obtenção dos dados
Facilidade de informar e capacidade de 
atrair atenção
Verificar se os indicadores são atrativos e de fácil interpreção da sociedade
Fonte: Elaborado pelos autores a partir de Santos (2004).
Após selecionar os indicadores é importante que os planejadores definam quais serão os 
procedimentos metodológicos para a coleta dos dados necessários. Estes dados podem 
ser primários, aqueles coletados pela própria equipe, ou dados secundários, aqueles já 
disponibilizados nos trabalhos acadêmicos, nas instituições públicas, entre outras fontes 
de dados.
Os indicadores também podem ser divididos em dimensões, tal qual o IBGE realizou 
com os indicadores para o desenvolvimento sustentável, por exemplo, dimensão am-
biental, social, econômica, institucional, entre outras. Santos (2004) também indica que 
os indicadores podem ser agrupados pelas questões chave do planejamento, como por 
exemplo, impactos econômicos e ambientais, saúde, recreação, entre outras. Porém, a 
equipe precisa ter o cuidado para que os indicadores não se sobreponham em dois ou 
mais grupos ou dimensões.
51Unidade 4 – O uso de indicadores no Planejamento Ambiental
A OECD (2003) recomenda a adoção de três grupos: estado, pressão e resposta. O pri-
meiro, com indicadores do estado do meio e dos recursos naturais (água, solo, ar, bio-
diversidade, paisagens culturais); o grupo das pressões das atividades humanas sobre o 
meio (energia, transporte, indústria, agricultura); e o grupo das respostas da sociedade 
e das instituições responsáveis pelo estado e pelas pressões ao ambiente. Na figura 1 
podemos visualizar alguns exemplos para cada grupo.
Figura 4.1: Modelo Estado-Pressão-Resposta.
Fonte: Adaptado de Santos (2004).
Esse é o modelo mais utilizado nos planejamento e tem na sua base a causalidade, ou 
seja, as atividades humanas que exercem pressão sobre o estado do ambiente, alterando 
a quantidade e a qualidade dos recursos naturais e 
dos serviços ecossistêmicos. Consequentemen-
te, a sociedade responde com políticas ambien-
tais, econômicas, entre outras, para deter, reverter 
mitigar ou prevenir os efeitos negativos causados 
pelas atividades humanas (SANTOS, 2004). Desta 
forma, para cada fator de causalidade deve haver 
um conjunto de indicadores para caracterizá-los 
e relacioná-los com os outros grupos. Observe o 
exemplo na Figura 4.2.
Serviços ecossistêmicos, também 
conhecidos como serviços ambientais, são 
benefícios que as pessoas obtêm direta ou 
indiretamente dos recursos naturais, como a 
qualidade do ar, a regulação do microclima, 
a fertilização dos solos, controle da erosão, 
entre outros.
PRESSÃO
Indicadores ligados as 
atividades humanas
Energia, transporte, 
indústria, agricultura, 
turismo
ESTADO
Indicadores ligados ao 
estado do ambiente e 
dos recursos naturais
Ar, água, solo, 
vegetação, fauna
IMPACTO
Indicadores ligados aos 
agentes econômicos 
ambientais
Administrações, 
moradores, empreendi-
mentos
pressões informação
recursos Respostas da 
sociedade
(decisões – ações)
FATORES DE CAUSALIDADE
Saiba mais sobre os serviços ecossistêmicos em: http://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28158-o-que-sao-servicos-
ambientais/. Acesso: 20 out 2016.
52 Planejamento Ambiental
Figura 4.2: Exemplo de indicadores para cada grupo (Estado, Pressão e Resposta).
Fonte: Adaptado de Santos (2004).
Apesar dos benefícios deste modelo, Santos (2004) ressalta que as relações são intrin-
cadas e complexas, porque é difícil definir um indicador dentro de um único fator de 
causalidade. Além disso, ele reduz os impactos às ações humanas e, portanto, não in-
corpora as mudanças causadas por eventos naturais. Outro problema é que o modelo 
foi desenvolvido pela OECD com enfoque global, dificultando a aplicação em escalas 
menores. Neste sentido, diversos pesquisadores tem adaptado esse modelo às realidades 
regionais e locais.
Outra maneira de organizar os indicadores é sintetizá-los em indicadores agregados, ou 
ainda em índices. É uma forma de facilitar o manejo dos dados e as suas análises. 
Os indicadores agregados são aqueles que incorporam dados de um ou mais indicadores 
simples, enquanto os índices são entendidos como “o resultado da combinação de um 
conjunto de parâmetros associados uns aos outros por meio de uma relação pré-estabe-
lecida que dá origem a um novo e único valor” (SANTOS, 2004, p. 64). Desta forma, o 
índice se difere dos indicadores agregados por ser estabelecido por meio de estatísticas 
ou cálculos matemáticos.
Os índices são bastante aceitos e utilizados, principalmente, pelos tomados de decisão, 
que preferem ter acesso aos dados de maneira mais resumida. Ao contrário, Santos 
(2004) relata que sua utilização pode dificultar o entendimento de outros públicos, como 
a população local, que pode não compreender o significado do índice ou dos indicado-
res agregados. Outra dificuldade é a associação entre os índices e as metas do planeja-
Pressão
Indicadores
Estado
Indicadores
Resposta
Indicadores
- Terceirização de mão de 
obra rural;
- Industrialização da 
agricultura
- Número de desempregados;
- Quantidade, qualidade e 
classificação tecnológica de 
máquinas e equipamentos
- Avanço da áreaurbana sobre 
a área rural, gerando adensa-
mentos na periferia
- Surgimento de bairros 
periféricos;
- Enfavelamento e 
encortiçamento
- Morosidade na aprovação de 
política agrária
- Subsídios à mecanização da 
agricultura
- Regulamentação da lei da 
reforma agrária;
- Valores subsidiários para 
agricultura
53Unidade 4 – O uso de indicadores no Planejamento Ambiental
mento, muitas vezes ela não fica clara, por isso, escolher indicadores simples pode ser 
a opção mais adequada. A autora ainda destaca que os índices podem “manipular” 
as informações, conforme foram usados, resultando numa interpretação indevida dos 
fatos. Cabe à equipe do planejamento discutir e avaliar a melhor forma de utilizar os 
indicadores no estudo.
Cabe ressaltar que os indicadores são apenas instrumentos de análise, ou seja, parte do 
processo de planejamento, por isso devemos priorizar o uso dessas informações que eles 
geram e não somente a sua obtenção. Muitas vezes são construídos banco de dados 
excessivos, mas que não são estruturados e organizados de forma adequada, e por isso 
são utilizados apenas na fase do diagnóstico, mas não conseguem contribuir durante a 
elaboração das propostas (SANTOS, 2004).
Também devemos considerar que podem surgir necessidades de informações comple-
mentares que ajudem na interpretação desses dados, evitando uma análise errônea dos 
fenômenos. Além disso, é imprescindível que os indicadores sejam facilmente compre-
endidos e interpretados pelos diversos grupos sociais, para que eles possam contribuir 
durante os processos de tomada de decisão (SAN-
TOS, 2004).
Para Santos (2014) a maior falha no uso de indica-
dores é a incapacidade dos planejadores avaliarem 
sua eficiência e eficácia, por isso a importância de 
avaliar a qualidade dos indicadores, durante a fase 
de seleção, por meio dos critérios apresentados an-
teriormente.
Concluindo esta unidade, podemos perceber a importância do uso de indicadores no 
planejamento. Porém, para garantir que eles cumpram sua função e facilitem e sim-
plifiquem a forma de apresentação e interpretação dos dados, é preciso avaliá-los e 
selecioná-los segundo alguns critérios, como foi discutido anteriormente. Devemos lem-
brar em todas essas fases (seleção, estruturação, organização, análise, interpretação) dos 
indicadores, precisam ser realizadas com ampla participação da sociedade, inclusive no 
momento da tomada de decisão com base nas informações que os indicadores revelam. 
A participação e transparência em todas as fases do processo evitam o direcionamento 
das informações, conforme interesses individuais ou de alguns grupos sociais, e conse-
quentemente dificulta a manipulação dos dados, contribuindo para que o planejamento 
cumpra seus objetivos.
Eficiência: capacidade de ser efetivo, 
competente, produtivo, com o melhor 
rendimento.
Eficácia: qualidade de quem cumpre as 
metas planejadas; mede a relação entre o 
efeito da ação e os objetivos pretendidos.
54 Planejamento Ambiental
Pratique
1. Com base no que estudamos nesta unidade, o que podemos destacar como pontos 
positivos e pontos negativos do uso de indicadores no planejamento ambiental?
Unidade
As etapas do Planejamento 
Ambiental
5
Fonte: CC 0 Public Domain/ Pixabay.com
56 Planejamento Ambiental
Nas unidades anteriores podemos conhecer o histórico do planejamento ambiental 
e compreender a sua importância para a gestão ambiental. Também vimos que os 
planejamentos podem ser classificados em vários tipos e aplicado a diferentes es-
calas. Para isso, estudamos a ferramenta dos indicadores, que facilitam análise dos 
dados. A partir destas informações, vamos conhecer agora como o documento do 
planejamento é estruturado e quais são as suas etapas. Também vamos identificar as 
características e necessidades para que cada uma delas seja elaborada.
 A estrutura do planejamento norteia todo o trabalho da equipe de planejado-
res, mas ela vai além de dispor, organizar e associar as partes, ou etapas, em um todo 
(o documento final). É fundamental entender o que é essencial e representativo para 
caracterizar a área de estudo (SANTOS, 2004).
A estrutura organizacional do 
planejamento ambiental
Os planejamentos ambientais são organizados dentro de uma estrutura que envolve a 
pesquisa, a análise dos dados e uma síntese das informações. A pesquisa tem o objetivo 
de reunir e organizar os dados; na etapa de análise os dados são avaliados, buscando a 
compreensão da área de estudo, suas características, suas potencialidades, seu conflitos; 
e a última etapa, de síntese, se refere à aplicação dos conhecimentos adquiridos durante 
as fases anteriores para a tomada de decisão (SANTOS, 2004). A autora também explica 
que cada uma destas etapas possuem fases com componentes, métodos e produtos 
específicos em cada uma delas. O resultado de cada fase serve de base ou fornece sub-
sídios para o desenvolvimento da fase seguinte.
Essas fases são variáveis em cada estudo, conforme os objetivos do planejamento e os 
procedimentos metodológicos selecionados, no en-
tanto, em geral são divididas em quatro: definição 
dos objetivos, diagnóstico, levantamento de alter-
nativas e tomada de decisão.
 Na Figura 1, Santos (2004) ilustra e detalha as eta-
pas e os procedimentos metodológicos de cada 
uma das fases. Podemos observar que a fase “diag-
nóstico” é precedida pelo inventário, que é basica-
Veja outros exemplos de estruturas 
organizacionais para o planejamento 
ambiental no livro “Planejamento 
Ambiental: teoria e prática”, da autora 
Rozely Ferreira dos Santos (Capítulo 2), e 
na dissertação de mestrado do Mario Buede 
Teixeira (TEIXEIRA, 1998).
57Unidade 5 - As etapas do Planejamento Ambiental
mente da coleta de dados, enquanto no diagnóstico os dados 
são analisados e fornecem a caracterização da área de estudo. 
A fase de levantamento de alternativas também é conhecida 
como o prognóstico, onde são feitas as projeções, construídos 
os cenários e elaboradas as propostas. Da mesma forma, a úl-
tima fase, de tomada de decisão, inclui ainda a formulação das 
diretrizes para o planejamento.
Vamos conhecer melhor quais as características de cada etapa?
Definição dos objetivos
Nesta fase são definidos principalmente os propósitos do planejamento (o que fazer) e 
seus os objetivos (porque fazer). Os objetivos podem ser classificados em objetivo geral 
ou estratégico, objetivos principais e os secundários.
Neste momento também é necessário definir a escala e a área de influência do planeja-
mento, as políticas (normas) e critérios a serem adotados, as metas, os prazos, a forma-
ção da equipe, os recursos necessários (tecnológicos e financeiros) e os procedimentos 
metodológicos. Além disso, esta fase ainda deve indicar as estratégias de controle e 
monitoramento do planejamento. 
É importante que haja um consenso institucional, técnico-científico e comunitário sobre 
todos estes processos, ou seja, ampla participação social. Cabe ressaltar que nessas reu-
niões e discussões, a coordenação do planejamento precisa ter o cuidado e a sensibili-
dade com a comunidade local, utilizando uma linguagem acessível e didática para que 
todos compreendam e possam contribuir nos processos.
58 Planejamento Ambiental
Figura 5.1: Fases e procedimentos metodológicos do Planejamento Ambiental
Fonte: Adaptado de Santos (2004).
59Unidade 5 - As etapas do Planejamento Ambiental
Diagnóstico
Como vimos anteriormente, o diagnóstico é composto também pelo inventário. Esta fase 
é muito importante para o planejamento, pois o inventário e o diagnóstico tem a função 
de caracterizar a área de estudo, compreender suas potencialidades e fragilidades (as 
causas e os agentes) e identificar os conflitos existentes. Eles devem considerar também 
a evolução histórica de ocupação do território e possibilitar a compreensão das pressões 
humanas sobre os ambientes naturais, além dos impactos passados, presentes e futuros.Estas avaliações consideram variações temporais, espaciais e escalares (SANTOS, 2004). 
Desta forma é possível formar um retrato da área de estudo, ressaltando suas caracterís-
ticas e indicando as dinâmicas da região.
Existem diversas estratégias para o levantamento de dados do inventário, como consul-
tas às estatísticas oficiais, observações in loco, aplicação de questionários e entrevistas 
com os atores sociais (moradores, instituições atuantes na área de estudo, poder públi-
co, empreendedores), técnicas de avaliação ecológica rápida, amostragem de campo, 
entre outras. Após o levantamento das informações e suas análises, os planejadores 
podem definir quais serão os indicadores (quantitativos e qualitativos) a serem utilizados 
no estudo.
Para compreender o território estudado de maneira 
holística, o diagnóstico deve compreender diversas 
temáticas que interpretem o meio em relação a sua 
composição, estrutura, processo e função, como 
um todo, contínuo no espaço (SANTOS, 2004). 
Neste sentido, cabe ressaltar que “juntar” os dados 
de diversas “disciplinas” não é o suficiente, por isso, 
o diagnóstico deve possibilitar a compreensão da 
área de estudo de forma integrada.
Avaliação ecológica rápida é uma 
técnica utilizada por meio de expedições 
a campo que determina as informações 
observadas pela equipe, como a presença 
de comunidades e habitats em paisagens 
distintas, presença de espécies raras, 
endêmicas ou ameaças de extinção, entre 
outras (SANTOS, 2004).
Existem dois níveis de informações: o das temáticas e dos temas. Cada tema é um núcleo próprio de dados que gera 
uma composição específica de informações, por exemplo: clima, geologia, vegetação, renda, educação, entre outros. 
Os temas podem ser divididos em subtemas ou ainda serem derivados de um ou mais temas, como por exemplo, o 
tema declividade, que deriva, necessariamente, do tema das curvas de nível. Já a temática é um conjunto de temas, que 
quando são associados, permitem uma análise que sintetiza uma fração particular da área de estudo, por exemplo, a 
temática ambiental ou a temática social (SANTOS, 2004).
60 Planejamento Ambiental
Para Santos (2004) a escolha dos temas que abor-
dam as características da área de estudo revela a co-
erência (ou incoerência) entre a estrutura espacial, a 
dinâmica populacional, as condições de vida da po-
pulação, e, ainda, traduzem o significado social e po-
lítico da caracterização física e biológica do território.
Não existe um único conjunto de temas para os planejamen-
tos, ou seja, não há uma padronização dos conteúdos para 
o diagnóstico. No entanto, alguns deles são frequentes em 
diversos planejamentos ambientais por serem essenciais na 
caracterização da área de estudo. Dentre eles, Santos (2004) 
destaca: climatologia, geologia, geomorfologia, pedologia 
(solos), declividade, espeleologia (cavernas), hidrologia, vege-
tação, fauna, uso e ocupação da terra, demografia/dinâmi-
cas populacionais, economia, condições de vida e aspectos 
políticos-institucionais.
Para facilitar o diagnóstico, muitas vezes os planeja-
dores optam por dividir a área de estudo em unida-
des menores, que podem ser por meio de unidades 
territoriais ou unidades de paisagem, zonas, ou 
cenários (SANTOS, 2004). Independente da meto-
dologia escolhida, cada unidade deve apresentar um 
conjunto de características semelhantes (conforme 
os temas escolhidos para realizar o diagnóstico) e 
corresponder a um conjunto de alternativas e ações.
Essas temáticas e temas expressam as causas dos problemas socioambientais (as pres-
sões), a qualidade do ambiente frente às ações humanas (o estado) e as providências 
tomadas pela sociedade frente às pressões (as respostas). No entanto, ainda cabe na 
fase do diagnóstico avaliar as transformações e mudanças (ecológicas, culturais, sociais, 
estéticas) do território, os efeitos das interações entre sociedade e natureza, ou seja, 
identificar, quantificar e qualificar os impactos (SANTOS, 2004).
A avaliação dos impactos deve considerar o tipo de agente, o tipo de dano (por exemplo, 
contaminação, poluição), a qualificação de cada tipo, e, se possível, sua quantificação. 
Cabe ressaltar que os impactos podem ser efetivos, aqueles que estão ocorrendo no mo-
mento da análise, ou prováveis, aqueles que podem vir a ocorrer, baseado em indícios 
diagnosticados (SANTOS, 2004).
Veja quais são os exemplos de dados a 
serem levantados em cada um desses temas 
no livro “Planejamento Ambiental: teoria 
e prática”, da autora Rozely Ferreira dos 
Santos (Capítulo 5)
Unidade de paisagem: áreas 
relativamente homogêneas que apresentam 
relações entre as características ecológicas 
e as atividades desenvolvidas no território. 
Elas agrupam um conjunto de fatores, 
conforme os critérios e os objetivos 
estabelecidos pela equipe do planejamento
61Unidade 5 - As etapas do Planejamento Ambiental
Após a análise dos temas, temáticas e dos im-
pactos ambientais é possível descrever, explicar 
e prever situações dentro de cada dimensão de 
análise, porém, estes componentes não estão iso-
lados, ao contrário, fazem parte de uma rede de 
interações. A figura 2 ilustra algumas interações 
entre os temas, temáticas e os impactos no território.
Figura 5.2: Exemplos de relações entre os temas e funções do território
Fonte: Santos (2004).
A análise de impactos ambientais será 
tratada com maiores detalhes em um 
módulo específico do curso.
62 Planejamento Ambiental
A integração das informações pressupõe uma análise integrada de todos os temas en-
volvidos, o agrupamento de pontos que tem características e funções comuns (como as 
unidades de paisagem) e a segmentação destes agrupamentos em setores, conforme 
suas características e critérios pré-definidos pela equipe, por exemplo, um setor de vul-
nerabilidades, ou de fragilidades (SANTOS, 2004). 
Santos (2004) explica que, normalmente esta integração ou cruzamento de informações 
é realizado por meio de produtos cartográficos que sobrepõem diferentes dados e repro-
duzem as relações, os processos e as funções do componente do meio que se pretende 
destacar no planejamento. Desta forma, os mapeamentos são os principais produtos da 
fase do diagnóstico. Eles podem ser mapas temáticos ou mapas síntese por unidades de 
paisagem ou zonas, conforme a metodologia adotada. 
A partir desta análise integrada, é possível definir um zoneamento para a área de estu-
do. Santos (2004) relata que no planejamento ambiental, as zonas costumam expressar 
as potencialidades, vocações, fragilidades, suscetibilidades, acertos e conflitos de um 
território. Desta forma, para cada zona é definido um conjunto de normas específicas, 
dirigidas para o desenvolvimento das atividades humanas, garantindo a conservação dos 
ecossistemas.
Espera-se que os resultados do diagnóstico permi-
tam a elaboração de um modelo de organização 
territorial junto com soluções alternativas, buscando 
resolver ou minimizar o quadro de conflitos e impac-
tos da área de estudo. Conforme a área de estudo, 
a escala adotada para o planejamento e a confiabi-
lidade do banco de dados, as estratégias podem se 
apresentar em forma de políticas, metas, diretrizes, 
programas, projetos e/ou regras técnicas, que devem ser pensados de forma integrada 
(SANTOS, 2004), conforme veremos nas fases seguintes.
Levantamento de alternativas/ Prognóstico
Esta fase se baseia na avaliação, seleção e hierarquização das alternativas propostas. 
Estas soluções alternativas devem ser analisadas e agrupadas conforme importância rela-
tiva, eficiência, eficácia, os riscos, espaços de ação, temporalidade, urgência de aplicabili-
dade e custos (SANTOS, 2004). É importante que as alternativas sejam debatidas junto às 
comunidades, lideranças e gestores da área de estudo e que sejam apontadas soluções 
Os zoneamentos são considerados um dos 
instrumentos do planejamento ambiental. 
Na próxima unidade vamos detalhar melhorquais suas funções e contribuições ao 
planejamento.
63Unidade 5 - As etapas do Planejamento Ambiental
facultativas, considerando as possíveis dificuldades de implementação.
A construção de cenários é uma ferramenta que tem sido crescentemente utilizada na 
área de planejamento estratégico e ambiental, tanto de grandes empresas quanto de go-
vernos (BUARQUE, 2003), mas também tem destaque em outras áreas, como na gestão 
ambiental, conforme apresentado pelo GEO Brasil (2002).
À medida que as incertezas aumentam em quase todas as áreas de conhecimento, cres-
ce também a necessidade de uma análise e reflexão sobre as perspectivas futuras da 
realidade em que se vive e diante da qual se planeja. Neste sentido, os cenários podem 
oferecer elementos para se pensar em futuros alternativos, conforme forem as decisões 
tomadas, embora não possam definir precisamente a trajetória futura da realidade estu-
dada (BUARQUE, 2003).
Os cenários são uma transição entre a fase do diagnóstico, especialmente quando apre-
senta os cenários passados e presentes, e do prognóstico, quando são construídos os ce-
nários futuros. Santos (2004) explica que cada um 
destes cenários traz uma interpretação particular 
de um fato: o que foi (cenário passado), o que 
é (cenário real/presente), o que será se medidas 
não forem tomadas (cenário futuro tendencial), 
como deveria ser (cenário futuro ideal, frente às 
potencialidades e as restrições biofísicas), como 
gostaria que fosse (cenário futuro desejado, em 
função dos anseios dos agentes envolvidos), e o 
O relatório do Clube de Roma, “Limites do crescimento”, que vimos durante o histórico do planejamento ambiental 
no mundo, é um dos primeiros cenários com o objetivo de prospectar as futuras alternativas econômicas, sociais e 
ecológicas para o planeta
Consulte o artigo de Egler e Rio (2002) para conhecer quais foram os cenários apresentados para a Gestão Ambiental 
no Brasil.
Nem sempre os planejamentos contemplam 
todos estes tipos de cenários. Os 
planejadores podem optar por construir 
aqueles mais relevantes, conforme a área 
de estudo, o diagnóstico realizado e os 
objetivos do planejamento. Desta forma, 
eles podem ser sintetizados em três: o 
cenário real, o cenário tendencial e o 
cenário desejável.
64 Planejamento Ambiental
que pode ser realmente (cenário futuro possível, alternativo, frente às restrições biofísi-
cas, às aspirações e as limitações socioeconômicas e administrativas).
Os cenários vão além da sobreposição dos mapas e das restrições biofísicas tecnicamen-
te descritas no diagnóstico. Eles devem apontar preocupações prioritárias, tanto sob 
o ponto de vista técnico, como da população envolvida, cujo futuro deve refletir suas 
expectativas. Por isso, para a construção dos cenários é necessário somar dados das 
representações sociais, das memórias coletivas, da história institucional e das políticas 
regionais (SANTOS, 2004).
Existem vários caminhos metodológicos para a construção de cenários, dentre eles, mé-
todos de análise dos impactos cruzados, de análise lógica indutiva, modelagens (ele-
mentos representados por expressões matemáticas), árvores de decisão (visualização de 
causa-efeito), entre outros. Neste sentido, os Sistemas de Informações Georreferenciadas 
(SIG) são bastante úteis na comparação dos cenários. Os softwares de geoprocessa-
mento possuem diversas ferramentas para análise de imagens, criar modelagens, fazer 
análises multivariadas e multicriteriais, entre outras funções, bastante utilizadas na cons-
trução de cenários.
Seja por meio da construção dos cenários ou pelo levantamento de alternativas para o 
local de estudo, esta fase do planejamento possibilita a tomada de decisão acerca das 
ações a serem implementadas e do ordenamento técnico e político desejável para o ter-
ritório (SANTOS, 2004).
Tomada de decisão
Todas as alternativas, propostas na fase anterior, tem consequências, limitações, riscos 
e custos financeiros, sociais, ambientais ou políticos, por isso, elas devem ser discutidas 
com a sociedade para a tomada de decisão (SANTOS, 2004).
A tomada de decisão, nada mais é do que a escolha frente ao conjunto de alternativas, 
dentro das metas esperadas para o território. Santos (2004) indica que a melhor análise 
para a decisão é aquela que considera as limitações e as vantagens de cada alternativa 
avaliada e seleciona a melhor entre elas. Para isso, é importante que seja avaliado o grau 
de confiabilidade de cada alternativa, o grau de conhecimento ou de qualidade das 
informações que subsidiaram a proposta, a viabilidade de implantação em função do 
custo, a capacidade operacional da equipe que irá executar o planejamento, a avaliação 
dos casos de sucesso em outros locais de estudo, e também, a motivação política para 
65Unidade 5 - As etapas do Planejamento Ambiental
colocá-la em prática. Além disso, é necessária que a decisão tomada seja implementada 
e que haja meios de controlar e monitorar os possíveis efeitos negativos desta escolha. 
Com base nestas informações é possível organizar as alternativas segundo uma hierar-
quia, conforme sua abrangência. De acordo com Santos (2004) o primeiro nível hierár-
quico refere-se às diretrizes, que apresentam, em linhas gerais, o conteúdo das propostas 
do planejamento em normas e procedimentos. Elas podem ser agrupadas em metas, 
como já vimos anteriormente. O segundo nível se refere aos programas, que discriminam 
os tópicos de um conjunto de ações, e o terceiro nível é a divisão do programa em pro-
jetos de ação, conforme ilustra o Quadro 1. 
Cabe ressaltar que cada programa ou projeto deve ter seu espaço de abrangência ter-
ritorial e administrativo definido, bem como o seu caráter de urgência: curto, médio ou 
longo prazo.
Quadro 1: Exemplos de planos, programas e projetos
Nível de 
Planejamento Plano Programa Projeto ou 
atividade
Horizonte 
temporal
Federal
Plano Nacional 
de 
Desenvolvimento
Programa Fome 
Zero
Distribuição de 
cheque-alimen-
tação
Curto prazo
Macro-regional
Plano de 
Desenvolvimento 
da Região Norte
Programa de 
PCH (Pequenas 
Centrais 
Hidrelétricas)
Construção de 
pequenas 
barragens
Longo prazo
Estadual
Plano 
estratégico do 
Estado de São 
Paulo
Programa de 
Habitação 
Popular
Projeto 
Cingapura Médio prazo
Micro-regional
Plano de 
Desenvolvimento 
micro-regional
Programa de 
Agricultura 
Sustentável
Projeto de 
plantio de 
cupuaçu
Médio prazo
Municipal
Plano de 
Desenvolvimento 
Municipal (Plano 
Diretor)
Programa de 
Educação
Projeto Escola 
para Todos Curto prazo
Fonte: Adaptado de Santos (2004).
66 Planejamento Ambiental
Após a tomada de decisão, o processo de planejamento deve continuar, através de um 
sistema de retroalimentação (SANTOS, 2004), ou seja, a partir da implantação das ações 
e do monitoramento, pode surgir novos impactos que demandem novos diagnósticos e, 
consequentemente, nova tomada de decisão, por isso o planejamento deve ser contínuo. 
Para Santos (2004) o planejamento ambiental deve funcionar como um “processo per-
manentemente ativo, que se altera em função das modificações do meio e dos anseios 
da sociedade envolvida, expressos ou não em documentos legais” (p. 35). Além disso, 
cabe ressaltar que o sucesso do planejamento está diretamente relacionado à adequação 
das ações ao contexto local, à integração dos dados e propostas e à participação social.
O planejamento ambiental tem dentre as suas finalidades, reduzir e minimizar riscos e 
impactos socioambientais, evitar novos conflitos, maximizar suas as potencialidades do 
território, conservar os ambientes naturais e melhorar a qualidade de vida da população 
local. Para que ele seja utilizado e implantado da melhor maneira, o documento final pre-
cisa retratar a realidade local e indicar propostas viáveis, de acordo com as características 
e potenciais locais, com os anseios da população e com os objetivos do desenvolvimento 
sustentável. Isso evitaa inconsistências nas ações e que a tomada de decisão possa pre-
judicar parcela da população ou os ambientes naturais.
Pratique
1. Considerando que todos os processos do planejamento ambiental devem ser realiza-
dos com ampla participação da sociedade, de que forma a equipe pode proporcionar 
a inclusão da população em espaços participativos?
Unidade
6 Instrumentos de 
Planejamento Ambiental
Fonte: © Flavio Takemoto/ Freeimages.com
68 Planejamento Ambiental
Os instrumentos de 
planejamento ambiental
Os instrumentos podem ser considerados os documentos que regem os planejamentos 
ambientais. A escolha do melhor instrumento deve considerar os objetivos, o objeto de 
estudo, o tema central enfocado e a escala do planejamento. A equipe de planejadores 
precisa verificar se o instrumento selecionado representa um processo de planejamento 
ambiental, ou seja, se ele materializa as propostas e alternativas selecionadas para a área 
de estudo (SANTOS, 2004).
São considerados instrumentos de planejamento ambiental a Agenda 21, os zoneamen-
tos ambientais, os planos diretores, os planos de bacias hidrográficas, os planos de mane-
jo, entre outros. É importante que os instrumentos de planejamento ambiental estejam 
articulados com outros instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente, como, por 
exemplo, a Avaliação de Impactos Ambientais, o licenciamento de atividades efetiva ou 
potencialmente poluidoras e a criação de espaços territoriais especialmente protegidos.
Zoneamento Ambiental
Os zoneamentos ambientais têm como função o ordenamento territorial, compatibili-
zando as atividades humanas com a conservação da natureza. Ele foi instituído como 
instrumento legal na Política Nacional de Meio Ambiente, em 1981, e regulamentado 
pelo Decreto Federal nº. 4.297/2002. Quando regulamentado, o zoneamento ambiental 
passou a ser denominado Zoneamento Ecológico-Econômico, porém este é apenas um 
dos tipos de zoneamento, como veremos a seguir. 
Os planejamentos ambientais podem se apresentar sob diferentes formas, por meio 
dos seus instrumentos. Nesta unidade, conheceremos quais são os instrumentos de 
planejamento ambiental e identificaremos as características e funções de cada um 
deles. Também analisaremos como eles contribuem para a gestão ambiental territorial.
Existem vários instrumentos de planejamento ambiental reconhecidos e aplicados 
no Brasil. A Constituição Federal e Política Nacional de Meio Ambiente indicam e 
regulamentam diversos instrumentos, como os zoneamentos, os planos diretores, 
entre outros. Muitas vezes, eles são confundidos e apresentados como sinônimos do 
planejamento ambiental, no entanto, são instrumentos para a sua aplicação, como 
veremos a seguir.
69Unidade 6 – Instrumentos de Planejamento Ambiental
O zoneamento compõe as fases do inventário e do diagnóstico, resultando na definição 
de áreas, ou zonas, homogêneas, passíveis de serem delimitadas no espaço e na escala 
adotada, e que possuem estruturas e dinâmicas semelhantes (SANTOS, 2004). Elas são 
apresentadas, principalmente, em forma de mapas temáticos. Conforme estudamos na 
unidade anterior, as zonas precisam considerar as potencialidades, vocações e as fragili-
dades naturais, identificar os impactos socioambientais, bem como expressar as relações 
socioeconômicas do território.
Cabe ressaltar que o zoneamento é um suporte para o planejamento ambiental, neces-
sitando de complementações metodológicas que orientem o uso desses espaços dentro 
dos cenários temporais criados (SANTOS, 2004).
Conforme a finalidade, os zoneamentos podem adquirir diversas nomenclaturas, como: 
zoneamento urbano, zoneamento rural, zoneamento costeiro, zoneamento ecológico-e-
conômico, etnozoneamento, entre outros. 
Vamos entender quais são as características e os objetivos de cada um deles?
Zoneamento Ecológico-
Econômico (ZEE)
Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE)
O Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) é como ficou denominado o zoneamento 
ambiental, após a regulamentação desse instrumento da Política Nacional de Meio Am-
biente. 
O ZEE tem por objetivo:
Organizar, de forma vinculada, as decisões dos agentes públicos e privados quanto a 
planos, programas, projetos e atividades que, direta ou indiretamente, utilizem recur-
Os zoneamentos precisam respeitar as legislações ambientais, de uso e ocupação do solo, e as demais 
legislações aplicáveis no local de estudo. Os planejamentos ambientais devem, na fase do diagnóstico, fazer 
o levantamento das leis existentes para a área de estudo e adequar os cenários e as propostas ao que elas 
estabelecem. Na unidade 7, veremos mais detalhes sobre as legislações de uso e ocupação do solo.
70 Planejamento Ambiental
sos naturais, assegurando a plena manutenção do capital e dos serviços ambientais 
dos ecossistemas (Art. 3º, Decreto Federal Nº 4.297/2002).
Ele pode ser realizado em diversas escalas de trabalho: em nível nacional, estadual, regio-
nal e local, de forma compartilhada entre a União, os Estados e os municípios, buscando 
viabilizar o desenvolvimento sustentável dos territórios.
O ZEE deve considerar a importância ecológica, as limitações e as fragilidades dos ecos-
sistemas. Além disso, deve estabelecer vedações, restrições e alternativas de exploração 
do território, e determinar, quando for o caso, a relocalização de atividades incompatíveis 
com as diretrizes gerais do planejamento ambiental.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) publicou, em 2006, a terceira edição das Diretri-
zes metodológicas para o zoneamento ecológico-econômico do Brasil, em que estabele-
ce que ele deve ser elaborado com base no diagnóstico dos meios físico, socioeconômico 
e jurídico-institucional e nos cenários criados, e deve estabelecer também ações voltadas 
à mitigação ou à correção de impactos ambientais identificados (MMA, 2016b), confor-
me ilustra a Figura 1.
O novo Código Florestal brasileiro, Lei Federal nº. 12.651/2012, estabeleceu um prazo de cinco anos para 
que todos os estados elaborem e aprovem seus ZEE.
Decreto Federal nº. 4.297/2002
Art. 4º O processo de elaboração e implementação do ZEE:
I - buscará a sustentabilidade ecológica, econômica e social, com vistas a compatibilizar o crescimento econômico e 
a proteção dos recursos naturais, em favor das presentes e futuras gerações, em decorrência do reconhecimento de 
valor intrínseco à biodiversidade e a seus componentes;
II - contará com ampla participação democrática, compartilhando suas ações e responsabilidades entre os diferentes 
níveis da administração pública e da sociedade civil; e
III - valorizará o conhecimento científico multidisciplinar.
Figura 6.1 - Diretrizes metodológicas para a elaboração do ZEE
Fonte: MMA (2016b)
71Unidade 6 – Instrumentos de Planejamento Ambiental
O Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, Decreto Federal nº. 5.300/2004 estabelece o Zoneamento 
Ecológico-Econômico Costeiro (ZEEC) como um dos seus instrumentos. Ele deve orientar o processo de 
ordenamento territorial, necessário para a obtenção das condições de sustentabilidade do desenvolvimento 
da zona costeira, em consonância com as diretrizes do ZEE do território nacional, como mecanismo de apoio 
às ações de monitoramento, licenciamento, fiscalização e gestão (Art. 7º, inciso. VIII).
Em âmbito federal, foram realizados ou estão em andamento quatro ZEE: o MacroZEE 
da Amazônia Legal, o MacroZEE da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, o ZEE do 
Baixo Rio Parnaíba e o MacroZEE da Região Centro-Oeste. Sua elaboração foi realizada 
em parceria com diversas instituições, como a Agência Nacional de Águas (ANA), o Ser-
viço Geológico do Brasil, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis (IBAMA), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre outros. 
Na região Sul, os três estados já iniciaram a elaboração dos ZEE para as áreas litorâne-
as, e os zoneamentos do restante dos estados encontram-se em andamento (MMA,2016c). No Paraná, o ZEE do Litoral foi criado em 2016, por meio do Decreto Estadual Nº 
4.996/2016, e dividiu a região litorânea do Estado em seis zonas: Zona Protegida por Le-
gislação Ambiental Específica; Zona de Proteção dos Mananciais; Zona de Expansão para 
Unidades de Conservação de Proteção Integral; Zona Urbana; Zona de Desenvolvimento 
das Terras Ocupadas; e Zona de Desenvolvimento Diferenciado.
Saiba mais sobre o ZEE em: http://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/27545-o-que-o-zoneamento-
ecologico-economico/ e consulte a situação das iniciativas federais e estaduais para elaboração dos ZEE 
em: http://www.mma.gov.br/images/arquivo/80032/Estados/informacoes%20de%20ZEE.pdf.
Link: https://goo.gl/9eSK94
Mais informações sobre o ZEE no Estado do Paraná podem ser 
obtidas em: http://www.itcg.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.
php?conteudo=7. Acesso em: 27 out. 2016.
Zoneamento Agroecológico e 
de Risco Climático
A Política Nacional Agrícola, Lei Federal nº. 8.171/1991, também prevê a realização de 
zoneamentos agroecológicos que permitam estabelecer critérios para o disciplinamento 
e o ordenamento da ocupação espacial pelas diversas atividades produtivas, bem como 
para a instalação de novas hidrelétricas (Art. 19, inciso III). Eles têm como objetivo for-
72 Planejamento Ambiental
necer subsídios para as pesquisas agrícolas e para a assistência técnica e extensão rural, 
e também orientar os tomadores de decisão no estabelecimento de políticas públicas 
em programas de desenvolvimento agrícola (EMBRAPA, 2016). Já foram elaborados os 
zoneamentos agroecológicos das culturas da cana-de-açúcar (em 2009) e do óleo de 
palma (dendê) (em 2010).
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) também é um instrumento da política 
agrícola que orienta o produtor rural sobre a melhor época de plantio e semeadura das 
culturas, visando reduzir perdas agrícolas diante dos riscos relacionados aos fenômenos 
climáticos (MMA, 2016d). 
Para a elaboração desse zoneamento, são analisados os parâmetros de clima, solo e de 
ciclos de cultivares, a partir de uma metodologia validada pela Empresa Brasileira de 
Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e adotada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento (MAPA). A caracterização e a delimitação das áreas indicadas para uso 
agrícola (aptidão), das áreas e classes de risco climático (baixo, médio e alto), e a indi-
cação de épocas de plantio e semeadura com baixo risco climático são apresentadas na 
forma de relatórios técnicos contendo mapas, tabelas e calendário de épocas de plantio/
semeadura.
Atualmente, existem estudos de zoneamentos agrícolas de risco climático para 40 cultu-
ras, publicados na forma de portarias do MAPA, alcançando 24 unidades da federação 
(MMA, 2016d).
Saiba mais sobre os zoneamentos agroecológicos e risco climático em:https://www.embrapa.br/tema-
zoneamento-agroecologico/nota-tecnica. Acesso em: 27 out. 2016.
Zoneamento urbano e rural
São zoneamentos definidos, principalmente para a escala local, por meio dos planos di-
retores municipais. Seu objetivo é definir os limites da área urbana e rural do município e 
estabelecer normas e critérios para o uso e ocupação do solo nessas zonas. 
Eles podem ser divididos em zonas menores, conforme as especificidades de cada área. 
O zoneamento urbano deve estabelecer quais são as zonas industriais, de comércio e 
serviços, zonas residenciais, zonas de proteção do patrimônio histórico e cultural, zonas 
de proteção ambiental, entre outras. Cabe ressaltar que, no caso de áreas industriais, a 
73Unidade 6 – Instrumentos de Planejamento Ambiental
Etnomapeamento
Mapeamento participativo das áreas de relevância ambiental, sociocultural e produtiva para os povos indígenas, com 
base nos conhecimentos e saberes indígenas (Art. 2, inciso I, Decreto Federal nº. 7.747/2012)
Lei Federal nº. 6.803/1980 estabelece que seja realizado um zoneamento específico para 
as áreas críticas de poluição, nos mesmos moldes dos zoneamentos urbanos, devendo 
ser aprovado por lei, compatibilizando as atividades industriais à proteção ambiental.
Da mesma maneira, o zoneamento rural deve indicar as zonas de produção agrícola, pe-
cuária, de silvicultura, zonas de proteção ambiental, zonas de mananciais, entre outras.
Etnozoneamento
O etnozoneamento é um instrumento de planejamento participativo, estabelecido pela 
Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), Decreto 
Federal nº. 7.747/2012, que visa à “categorização de áreas de relevância ambiental, 
sociocultural e produtiva para os povos indígenas, desenvolvido a partir do etnomape-
amento” (Art. 2, inciso II). Ele é uma das principais ferramentas para a elaboração dos 
Planos de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas.
O etnomapeamento e o etnozoneamento foram criados a partir de diversas experiências realizadas por diferentes 
atores sociais, como foram os planos de manejos, de gestão territorial, de vida, os diagnósticos participativos e os 
estudos e pesquisas nas escolas das aldeias. Dessa forma, eles incorporam metodologias, tempos e abordagens 
diferenciadas, buscando o diálogo sobre a gestão das terras indígenas (BAVARESCO; MENEZES, 2014). Também 
têm contribuído para minimizar os conflitos territoriais, como veremos na unidade 10.
Plano diretor
O plano diretor pode ser definido como um conjunto de preceitos e regras que orientam 
a ação dos diversos agentes que constroem e utilizam o território municipal (CASSILHA; 
CASSILHA, 2009). Ele é o instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão 
urbana e uma ferramenta de compartilhamento da gestão do espaço local, de democra-
tização dos equipamentos urbanos, de racionalidade no uso dos recursos naturais e de 
fortalecimento do potencial de renda e emprego de cada município (MINISTÉRIO DAS 
CIDADES, 2005).
74 Planejamento Ambiental
Além de buscar soluções para os problemas da cidade e das áreas rurais, ele também é 
responsável por definir estratégias para intervenções futuras, de acordo com as caracte-
rísticas e potencialidades do município. Quando tem dentre seus objetivos o aprimora-
mento das relações entre os seres humanos e a natureza, por meio de propostas, diretri-
zes e metas que visem à conservação ambiental, à qualidade de vida da população, ou 
seja, ao desenvolvimento sustentável, ele também é considerado um instrumento de pla-
nejamento ambiental. Nesse sentido, pode induzir e modelar o próprio desenvolvimento, 
conforme os critérios estabelecidos condizentes com as necessidades da comunidade, 
com o potencial dos seus recursos e com a sua vocação ao longo da história (SANTOS, 
2004; MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2005; CASSILHA; CASSILHA, 2009).
Após a elaboração dos diagnósticos, das propostas, das diretrizes e das audiências públi-
cas, o plano diretor é transformado em um conjunto de leis municipais que norteiam o 
uso e ocupação do solo nos municípios. Dentre esse conjunto de leis, estão as que dis-
põem sobre os zoneamentos rurais e urbanos do município, como vimos anteriormente.
Plano de bacias hidrográficas
Os planos de recursos hídricos são um dos instrumentos da Política Nacional de Recursos 
Hídricos (Lei Federal nº. 9.433/1997), considerado os planos diretores que visam funda-
mentar e orientar o gerenciamento dos recursos hídricos (Art. 6º). Eles são elaborados 
por bacia hidrográfica em diversas escalas (federal, estadual, regional, local).
Cada Estado pode elaborar suas respectivas políticas estaduais sobre os recursos hídricos 
e estabelecer os critérios para a elaboração dos planos. No Paraná, a Lei Estadual nº. 
12.726/1999 instituiu a Política Estadual de Recursos Hídricos e definiu os conteúdos 
mínimos que devem estar nos planos de bacias hidrográficas.
Na unidade 7, veremos mais detalhes sobre as legislações de uso e ocupação do solo.
Saiba mais sobre os planos de bacias hidrográficas do Estado do Paraná em: http://www.meioambiente.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=146. Acesso em: 04 nov. 2016.
75Unidade 6 – Instrumentos de Planejamento Ambiental
Lei Estadual nº. 12.726/1999
Art. 9º. O Plano de Bacia Hidrográfica é de longo prazo, com horizonte de planejamento compatível com o período 
de implantação de seus programas, projetos, ações e atividades e terá o seguinte conteúdo mínimo:
I - diagnóstico da situação atual dos recursos hídricos;
II - análise de cenários alternativos de crescimento demográfico, de evolução de atividades produtivas e de 
modificações dos padrões de ocupação do solo;
III - balanço entre disponibilidade e demandas futuras dos recursos hídricos, em quantidade e qualidade, com 
identificações de conflitos potenciais;
IV - metas de racionalização de uso, adequação da oferta, melhoria da qualidade dos recursos hídricos disponíveis, 
proteção e valorização dos ecossistemas aquáticos;
V - medidas a serem tomadas, programas a serem desenvolvidos e projetos a serem implantados, para o atendimento 
de metas previstas;
VI - divisão dos cursos de água em trechos de rio, com indicação da vazão outorgável em cada trecho;
VII - prioridades para outorga de direitos de uso de recursos hídricos;
VIII - diretrizes e critérios para cobrança pelos direitos de uso dos recursos hídricos;
IX - propostas para a criação de áreas sujeitas a restrição de uso, com vistas à proteção dos recursos hídricos e dos 
ecossistemas aquáticos.
X - propostas de enquadramento dos corpos de água em classes segundo usos preponderantes.
Como estudamos na unidade 3, as bacias hidrográficas são uma unidade de planejamen-
to ambiental muito utilizada pelos planejadores, principalmente em escalas regionais e 
locais, pois abrangem as dinâmicas naturais, econômicas, sociais, entre outras, que nem 
sempre são delimitadas pelos limites político-administrativos dos municípios, como são 
considerados nos planos diretores. Santos (2004) relata que, atualmente, os planos de 
bacias têm um enfoque mais holístico, ou seja, abrangem questões socioambientais, 
econômicas, políticas e culturais que estão diretamente relacionadas à gestão dos recur-
sos hídricos e ao desenvolvimento sustentável do local de estudo; por isso, também são 
considerados instrumentos para o planejamento ambiental.
Planos de manejo
Os planos de manejo são os instrumentos de gestão das Unidades de Conservação (UC). 
Segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), Lei Fede-
ral nº. 9.985/2000, o plano de manejo é o:
[...] documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos gerais de 
uma unidade de conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que de-
vem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação 
das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade (Art. 2º, inciso XVII).
Portanto, ele estabelece as normas e restrições para o uso do solo e para o manejo dos 
recursos naturais e as ações a serem desenvolvidas na UC (visitação, pesquisa, entre 
76 Planejamento Ambiental
outras), em seu entorno e, quando for o caso, nos corredores ecológicos a ela associa-
dos. Também pode incluir a implantação de estruturas físicas dentro da UC, conforme a 
categoria e seus objetivos de criação, visando minimizar os impactos negativos, garantir 
a manutenção dos processos ecológicos e prevenir a simplificação dos sistemas naturais 
(MMA, 2016e). A Figura 2 ilustra os processos de elaboração dos planos de manejo das 
UC.
Corredor ecológico: 
Porções de ecossistemas naturais ou seminaturais que ligam Unidades de Conservação epossibilitam entre elas o fluxo 
de genes e o movimento da biota, facilitando a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas, bem como 
a manutenção de populações que demandam, para sua sobrevivência, áreas com extensão maior do que aquela das 
unidades individuais (SNUC, Art. 2º, inciso XIX).
O plano tem, dentre as premissas, a manutenção da biodiversidade e a solução de con-
flitos e deve ser elaborado com base em uma análise sistêmica, integrada e continuada 
Figura 6.2 - Processos de planejamento de Unidades de Conservação
Fonte: Roteiro Metodológico de Planejamento - ICMBio (2011)
Histórico do Planejamento
Objeticos Estratégicos
Zoneamento
Normas Gerais
Programas de Manejo
Misão,
Objetivos Específicos e
Visão de Futuro
Executar ações
Monitorar e
Avaliar
Aprimorar a
gestão
REVISÃO
Diagnóstico
Organização do
Planejamento
Planejamento Implementação
77Unidade 6 – Instrumentos de Planejamento Ambiental
Manejo Florestal Sustentável
Administração da floresta para a obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando-se os 
mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo e considerando-se, cumulativa ou alternativamente, a 
utilização de múltiplas espécies (Art. 2º, inciso IX, Resolução CONAMA Nº 406/2009).
Para saber mais sobre a elaboração dos planos de manejo, consulte o “Roteiro Metodológico de Planejamento” 
para as categorias de Unidades de Conservação: Parque Nacional, Reserva Biológica e Estação Ecológica, 
elaborado pelo ICMBio em 2002 e atualizado em 2011, disponível em: http://www.funbio.org.br/wp-content/
uploads/2014/02/Roteiro__versao_finalizada_2011_1.pdf. Veja também as “Lições aprendidas sobre a etapa 
de planejamento em planos de manejo de UC”, disponível em: http://www.mma.gov.br/images/arquivo/80255/
LICOES_APRENDIDAS_etapa_planejamento.pdf. Acessos em: 01 nov. 2016.
Além dos planos de manejo para as áreas naturais protegidas estabelecidas no SNUC, o 
Código Florestal também estabelece que a exploração das florestas nativas, de domínio 
público ou privado, só pode ser realizada mediante ao Plano de Manejo Florestal Sus-
tentável que contemple técnicas de condução, exploração, reposição florestal e manejo 
compatível com os ecossistemas presentes na área (Art. 31, Lei Federal Nº 12.651/2012). 
Dessa forma, podem ser realizados planos de manejo para as florestas públicas, para 
as propriedades rurais ou também para as zonas de conservação e proteção ambiental 
estabelecidas nos planos diretores.
Na unidade 8, veremos mais detalhes do uso deste instrumento no planejamento ambiental das áreas 
naturais e rurais.
Agenda 21
A Agenda 21 foi criada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente 
e Desenvolvimento do Rio de Janeiro, em 1992. Ela se trata de um instrumento de plane-
jamento para a construção de sociedades sustentáveis, conciliando métodos de proteção 
ambiental, justiça social e eficiência econômica. A Agenda 21 Global possui 40 capítulos 
divididos em seis temas: dimensões sociais e econômicas, conservação e gestão dos re-
(SANTOS, 2004), garantindo a participação social, especialmente das comunidades do 
entorno. Ele pode contemplar programas de recuperação de áreas degradas, de educa-
ção ambiental, de integração com as comunidades do entorno, de uso sustentável dos 
recursos naturais, entre outros.
78 Planejamento Ambiental
cursos para o desenvolvimento, fortalecimento do papel dos grupos principais e meio de 
implementação. Cada capítulo apresenta programas, objetivos e meios de implantação 
para os temas específicos.
Apesar de ter características de um instrumento para escalas globais e nacionais, tam-
bém é aplicada em escalas locais. A Agenda 21 brasileira foi elaborada em 2002 e im-
plementada a partir do ano seguinte. O Estado do Paraná também elaborou a “Agenda 
21 – Pacto para o Paraná Sustentável” em 2010, com metas para curto, médio e longo 
prazo para diversas temáticas, conforme orientam as Agendas 21 Global e a brasileira. 
Os municípios também devem elaborar suas respectivas agendas, considerando as carac-
terísticas locais e suas demandas específicas.
Saiba mais sobre a Agenda 21 brasileira em: http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/
agenda-21/agenda-21-brasileira. 
Link: https://goo.gl/B7j4D9
Para consultar a Agenda 21 Paraná, acesse: http://www.meioambiente.pr.gov.br/
arquivos/File/agenda21/PACTO_PARANA_SUSTENTAVEL_2010.pdf.Acesso em: 01 
nov. 2016.
Conhecemos nesta unidade os principais instrumentos de planejamento ambiental e 
quais são as características de cada um deles. A escolha do melhor instrumento deve 
ser realizada com base nos objetivos e nas escalas do planejamento, pois cada um deles 
possui funções específicas. Devemos lembrar que existem outros instrumentos de gestão 
ambiental que são aliados ao planejamento, como a avaliação de impactos ambientais, 
o licenciamento ambiental, a criação de áreas protegidas, os padrões de qualidade am-
biental, as penalidades para os crimes ambientais, entre outros.
79Unidade 6 – Instrumentos de Planejamento Ambiental
Pratique
Um dos principais instrumentos de planejamento ambiental são os zoneamentos. Você 
conhece o zoneamento do seu município? Como ele é dividido (quantas e quais zonas)? 
Em qual zona você reside? Consulte o site da Prefeitura do seu município e pesquise se 
há um zoneamento. Todos os municípios com mais de 20 mil habitantes são obrigados a 
elaborarem o plano diretor e o zoneamento municipal; no entanto, em municípios com 
menor população, mas que integrem regiões metropolitanas, áreas especiais de interesse 
turístico, áreas de influência de empreendimentos de significativo impacto ambiental e 
áreas de risco (deslizamentos, inundações, entre outras), o plano diretor também é obri-
gatório.
Unidade
7 Legislações sobre o uso 
e ocupação do solo
Fonte: © Compostela Aberta/ WikimediaCommons
82 Planejamento Ambiental
Os instrumentos de planejamento ambiental normalmente são convertidos em 
legislações que orientam e estabelecem as normas e restrições para o uso do solo, 
dos recursos naturais, dos patrimônios culturais, entre outros. Dessa forma, nesta 
unidade, conheceremos quais são as principais legislações de uso e ocupação do solo 
e o que elas determinam.
A Constituição Federal estabelece que é competência da União elaborar e executar 
planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento 
econômico e social. Diversas legislações, planos e programas foram criados a fim de 
ordenar o território e normatizar o uso e a ocupação do solo, como veremos a seguir.
Legislações brasileiras sobre o 
uso e a ocupação do solo
Existem diversas legislações que regulamentam o uso e a ocupação do solo no país. O 
plano diretor, previsto na Constituição Federal e no Estatuto das Cidades, é o principal 
instrumento de planejamento urbano do país, e, a partir da sua elaboração, os muni-
cípios convertem as propostas em um conjunto de legislações que estabelecem, dentre 
outras questões, o zoneamento municipal e os critérios e parâmetros para o uso e ocu-
pação do solo. Porém, existem legislações que regulamentam o uso e a ocupação de re-
giões específicas, por exemplo, na zona costeira brasileira, nos diferentes biomas do país 
e em outras áreas especiais regulamentadas que apresentam dinâmicas diferenciadas e 
demandam uma regulamentação específica.
Vamos conhecer um pouco mais sobre essas legislações?
Áreas Especiais de Interesse 
Turístico
A Lei Federal nº. 6.513/1977 dispõe sobre a criação de Áreas Especiais de Interesse Turís-
tico em território nacional. Elas compreendem:
I. os bens de valor histórico, artístico, arqueológico ou pré-histórico;
II. as reservas e estações ecológicas;
83Unidade 7 – Legislações sobre o uso e ocupação do solo
III. as áreas destinadas à proteção dos recursos naturais renováveis;
IV. as manifestações culturais ou etnológicas e os locais onde ocorram;
V. as paisagens notáveis;
VI. as localidades e os acidentes naturais adequados ao repouso e à pratica de 
 atividades recreativas, desportivas ou de lazer;
VII. as fontes hidrominerais aproveitáveis;
VIII. as localidades que apresentem condições climáticas especiais;
IX. outros que venham a ser definidos, na forma desta Lei. (Art. 1º).
Essas áreas têm como objetivo promover o desenvolvimento turístico, assegurar a pre-
servação e valorização do patrimônio cultural e natural, estabelecer normas de uso e 
ocupação do solo e orientar a alocação de recursos e incentivos necessários a atender 
aos objetivos e diretrizes da lei.
No Estado do Paraná, a Lei Estadual nº. 7.389/1980e o Decreto Estadual nº. 2.722/1984 
estabeleceram e regulamentaram, respectivamente, as Áreas Especiais de Interesse Turís-
tico nos municípios litorâneos. Esssas áreas têm diversas restrições para o uso e ocupa-
ção, como, por exemplo, proibição de movimentos de terra (aterros) que possam alterar 
os acidentes naturais da região; proibição de edificações nas pontas e pontais do litoral, 
estuários dos rios, áreas de mangues, numa faixa de duzentos metros em torno das áreas 
lagunares e restingas, e também nas encostas com inclinação superior a 20%; preserva-
ção das florestas e de quaisquer formas de vegetação natural, dos estuários de rios, áreas 
lagunares e restingas, bem como de fauna existente; preservação de edificações e sítios 
de valor histórico, artístico e arqueológico; dentre outras.
Áreas Especiais de Interesse Turístico
Trechos contínuos do território nacional, inclusive de suas águas territoriais, a ser preservados e valorizados no sentido 
cultural e natural, e destinados à realização de planos e projetos de desenvolvimento turístico (Art. 3º).
84 Planejamento Ambiental
Decreto Estadual nº. 2.722/1984
Art. 1.º - São áreas e locais de interesse especial para fins de proteção e, como tais reservados, os abaixo especificados: 
I - A faixa de terreno lindeira à orla marítima que se estende até 2.000(dois mil) metros, medidos horizontalmente 
em sentido contrário ao mar, a partir da linha do preamar médio do ano de 1831; 
II - As faixas de terreno lindeiras à linha de contorno das baias de Antonina, Guaratuba, Laranjeiras, Paranaguá e 
Pinheiros e aos estuários de rios e canais do litoral do Estado, que se estendem até 400 (quatrocentos) metros, 
medidos horizontalmente em sentido contrário ao mar, a partir da linha do preamar médio de 1831; 
III - As faixas de terreno ao longo dos rios ou de qualquer outro curso d’água que medidas de ambos os lados 
apresentem as seguintes dimensões: de 30(trinta) metros para os rios de menos de 10(dez) metros de largura; de 50 
(cinqüenta) metros para os cursos que tenham de 10 (dez) a 50 (cinqüenta) metros de largura; e de 100(cem) metros 
para os cursos d’água que meçam entre 50 (cinqüenta) e 100(cem) metros de largura; de 150 (cento e cinqüenta) 
metros para os cursos d’água que possuam entre 100(cem) e 200(duzentos) metros de largura e igual à distância 
entre as margens para os cursos d’água com largura superior a 200 (duzentos) metros; 
IV - Os terrenos montanhosos e as elevações isoladas da planície costeira, inclusive as faixas de 50m (cinqüenta 
metros) de largura contados horizontalmente a partir dos seus sopés; 
V - As áreas de mangue e os terrenos em cotas originais inferiores ao nível máximo do preamar; 
VI - As ilhas fluviais costeiras e as do interior das baías de Antonina, Guaratuba, Laranjeiras, Paranaguá e Pinheiros; 
VII - As pontas e os pontais; 
VIII - As faixas de 200m (duzentos metros) em torno das áreas lagunares e restingas; IX - Os complexos zoobotânicos 
inalterados representativos da orla marítima; 
X - Os conjuntos de valor histórico, arquitetônico, artístico e etnológico; 
XI - Os sítios de valor arqueológico ou pré-histórico, em especial os sambaquis.
Lei do Gerenciamento 
Costeiro
A Lei Federal nº. 7.661/1988 instituiu o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro 
(PNGC), parte integrante da Política Nacional para os Recursos do Mar e da Política 
Nacional do Meio Ambiente. Ele tem como objetivo orientar a utilização racional dos re-
cursos na zona costeira brasileira, e estabelece as regras para o uso e ocupação na zona 
costeira. O PNGC foi elaborado em 1990 e atualizado em 1997 (PNGC II), vigente atu-
almente. Em 2004, o Decreto Federal nº. 5.300/2004 regulamenta a lei, estabelecendo 
as regras de uso e ocupaçãoda zona costeira e os critérios de gestão da orla marítima.
Zona Costeira brasileira
Espaço geográfico de interação do ar, do mar e da terra, incluindo seus recursos renováveis ou não, abrangendo uma 
faixa marítima que se estende por doze milhas náuticas, medido a partir das linhas de base e uma faixa terrestre 
compreendida pelos limites dos Municípios que sofrem influência direta dos fenômenos ocorrentes na zona costeira 
(Art. 3º, Decreto Federal Nº 5.300/2004).
A zona costeira é definida como “patrimônio nacional” pela Constituição Federal, que estabelece que a sua 
utilização seja dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso 
dos recursos naturais (Art. 225, inciso VII, parágrafo 4º).
85Unidade 7 – Legislações sobre o uso e ocupação do solo
Os Estados e os municípios devem elaborar seus respectivos planos, de acordo com os 
princípios, as diretrizes e as regras do PNGC. Dessa forma, todos os novos projetos ou 
ampliação de empreendimentos na zona costeira, que envolvam a instalação, ampliação 
e realocação de obras, atividades e empreendimentos, ficam condicionados à sua com-
patibilidade com as normas e diretrizes estabelecidas nos planos de gerenciamento cos-
teiro e nos demais instrumentos de planejamento territorial e ambiental (Art. 15, Decreto 
Federal Nº 5.300/2004).
Consulte quais são as regras de uso e ocupação da zona costeira no Capítulo III do Decreto Federal nº. 
5.300/2004, disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/D5300.htm. O 
PNCG II vigente, pode ser consultado em: http://www.mma.gov.br/images/arquivo/80033/0.PNGC-II97%20
Resolucao05_97.CIRM.pdf. Acessos em: 01 nov. 2016.
Legislações ambientais
As legislações ambientais também apresentam diversas restrições para o uso e ocupação 
do solo. Dentre elas, destacam-se o Código Florestal e o SNUC. Além disso, no caso do 
Estado do Paraná e de outras regiões que abrangem o bioma Mata Atlântica, existem 
restrições específicas para a utilização e a proteção da vegetação nativa. Vejamos a seguir 
o que estabelecem cada uma delas.
Código Florestal
O Código Florestal brasileiro é uma das legislações ambientais mais importantes e inova-
doras do país. Criado em 1934, ele foi ampliado em 1965 e recentemente atualizado e 
modificado pela Lei Federal nº. 12.651/2012. A lei tem como objetivo o desenvolvimento 
sustentável (Art. 1º-A, parágrafo único) e, para isso, normatiza a proteção da vegetação 
nativa, especialmente por meio da definição de áreas de preservação permanente e das 
reservas legais. Além disso, também estabelece restrições para a exploração florestal, 
o suprimento de matéria-prima florestal, o controle da origem dos produtos florestais 
e o controle e prevenção dos incêndios florestais. Todas essas normativas para o uso e 
ocupação do solo permitem a ordenação do território, especialmente ao que se refere às 
áreas florestais nativas.
Nas APP, ao longo das margens dos rios, nos topos de morros e nas encostas, nas res-
tingas, nos manguezais, entre outras, a vegetação não pode ser suprimida, exceto nos 
casos permitidos por lei (casos de utilidade pública, interesse social ou de baixo impacto 
86 Planejamento Ambiental
ambiental), devendo ser mantida pelo proprietário da área, pessoa física ou jurídica, de 
direito público ou privado. 
No caso das Reservas Legais, os proprietários devem manter parte da área com cobertura 
de vegetação nativa, respeitando os seguintes percentuais da propriedade: 80% do imó-
vel situado em área de florestas na Amazônia Legal, 35% do imóvel situado em área de 
cerrado na Amazônia Legal, 20% do imóvel situado em área de campos gerais na Ama-
zônia Legal e também 20% para os imóveis localizados nas demais regiões do país (Art. 
12). Nessas áreas, é permitida a sua exploração econômica mediante a apresentação e 
aprovação dos planos de manejo florestal sustentável.
Essa legislação também normatiza sobre a supressão da vegetação nativa para outros 
usos do solo. Nas áreas passíveis de uso alternativo do solo, a vegetação poderá ser su-
primida desde que os imóveis estejam registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e 
sejam aprovadas pelo órgão ambiental responsável, respeitando as medidas compensa-
tórias e mitigadoras necessárias.
SNUC
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), Lei Federal nº. 
9.985/2000, é uma normatização legal que estabelece critérios e normas para a criação, 
a implantação e a gestão das Unidades de Conservação no país. Ele divide as UC em dois 
grupos: de proteção integral e de uso sustentável. O grupo de proteção integral contem-
pla cinco categorias: Estação Ecológica, Reserva Biológica, Parque Nacional, Monumento 
Natural e Refúgio de Vida Silvestre; e o grupo de uso sustentável contempla outras sete 
Área de Preservação Permanente (APP)
Área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a 
paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e 
assegurar o bem-estar das populações humanas (Art. 3º, inciso II);
Reserva Legal
Área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, delimitada nos termos do art. 12, com a função de 
assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a 
reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de 
fauna silvestre e da flora nativa (Art. 3º, inciso III);
Cadastro Ambiental Rural (CAR)
Registro público eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos os imóveis rurais, com a finalidade de integrar 
as informações ambientais das propriedades e posses rurais, compondo base de dados para controle, monitoramento, 
planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento (Art. 29).
87Unidade 7 – Legislações sobre o uso e ocupação do solo
Consulte o mapa de aplicação da lei da mata atlântica em: http://www.mma.gov.br/estruturas/sbf_chm_
rbbio/_arquivos/mapa_de_aplicao_da_lei_11428_mata_atlantica.pdf. Acesso em: 02 nov. 2016.
categorias: Área de Proteção Ambiental, Área de Relevante Interesse Ecológico, Floresta 
Nacional, Reserva Extrativista, Reserva de Fauna, Reserva de Desenvolvimento Sustentá-
vel, e Reserva Particular do Patrimônio Natural.
Para cada categoria, o SNUC estabelece normas e critérios para a sua implementação e 
gestão. Além disso, todas as UC devem elaborar seus planos de manejo, abrangendo a 
área da unidade de conservação, sua zona de amortecimento e os corredores ecológi-
cos, incluindo medidas com o fim de promover sua integração à vida econômica e social 
das comunidades vizinhas (Art. 27º). Ficam proibidas quaisquer alterações, atividades ou 
modalidades de utilização do solo, da fauna e flora, dos recursos naturais e dos serviços 
ecossistêmicos em desacordo com os seus objetivos da UC, com o seu Plano de Manejo 
e seus regulamentos.
Lei da Mata Atlântica
O bioma Mata Atlântica já possuía uma regulamentação específica desde 1993, por meio 
do Decreto Federal nº. 750/1993. Em 2006, foi sancionada a Lei Federal nº. 11.428/2006 
e, posteriormente, seu regulamento, por meio do Decreto Federal nº. 6.660/2008 (revo-
gando o decreto anterior), que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa 
do bioma Mata Atlântica. A aplicação dessa legislação considera a área original das for-
mações florestais e dos ecossistemas associados (restingas e manguezais, por exemplo) 
ao bioma Mata Atlântica, ou seja, uma área de aproximadamente 1.300.000 km² abran-
gendo 17 estados, ao longo da costa brasileira.
A proteção e a utilização do bioma Mata Atlântica têm por objetivo o desenvolvimento 
sustentável, a salvaguarda da biodiversidade, da saúde humana, dos valores paisagísticos, 
estéticos e turísticos, do regime hídrico e da estabilidade social. Para isso, serão observa-
dosos princípios da função socioambiental da propriedade, da equidade intergeracional, 
da prevenção, da precaução, do usuário-pagador, da transparência das informações e 
atos, da gestão democrática, da celeridade procedimental, da gratuidade dos serviços 
administrativos prestados ao pequeno produtor rural e às populações tradicionais e do 
respeito ao direito de propriedade (Art. 3º). 
A lei estabelece normas para o corte, a supressão e a exploração da vegetação nativa de 
88 Planejamento Ambiental
Lei Federal nº. 11.428/2006
Art. 7o A proteção e a utilização do Bioma Mata Atlântica far-se-ão dentro de condições que assegurem: 
I - a manutenção e a recuperação da biodiversidade, vegetação, fauna e regime hídrico do Bioma Mata Atlântica 
para as presentes e futuras gerações; 
II - o estímulo à pesquisa, à difusão de tecnologias de manejo sustentável da vegetação e à formação de uma 
consciência pública sobre a necessidade de recuperação e manutenção dos ecossistemas; 
III - o fomento de atividades públicas e privadas compatíveis com a manutenção do equilíbrio ecológico; 
IV - o disciplinamento da ocupação rural e urbana, de forma a harmonizar o crescimento econômico com a 
manutenção do equilíbrio ecológico.
maneira diferenciada, conforme se tratar de vegetação primária ou secundária e levando 
em conta o estágio de regeneração, quando for o caso. Além disso, há critérios diferen-
ciados para quando se tratar de zonas urbanas e zonas rurais.
No caso de vegetação primária ou vegetação secundária em estágio avançado de rege-
neração, por exemplo, o corte e a supressão somente serão autorizados em caráter ex-
cepcional, quando necessários à realização de obras, projetos ou atividades de utilidade 
pública, pesquisas científicas e práticas preservacionistas (Art. 20º). Nos casos de vegeta-
ção secundária em estágios de regeneração inicial ou médio o corte e supressão poderão 
ocorrer em alguns casos, mediante autorização dos órgãos ambientais competentes.
Estatuto das Cidades
A Lei Federal nº. 10.257/2001, conhecida como o Estatuto das Cidades, “estabelece 
normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana 
em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do 
equilíbrio ambiental” (Art. 1º, parágrafo único).
Apesar de relativamente recente, o Estatuto das Cidades é o principal instrumento legal 
de normatização e ordenação do espaço urbano. Ele delega aos municípios a implanta-
ção da política urbana e para isso estabelece as diretrizes gerais e institui diversos instru-
mentos de planejamento, jurídicos, urbanísticos, políticos, tributários e financeiros. Den-
tre eles, o plano diretor e a disciplina do parcelamento, do uso e da ocupação do solo.
Outras legislações, anteriores ao Estatuto das Cidades, já estabeleciam algumas normas para o uso e 
ocupação do solo. Por exemplo, as desapropriações por utilidade pública já eram regulamentadas pelo 
Decreto-Lei nº. 3.365/1941, e o parcelamento do solo urbano, pela Lei Federal nº. 6.766/1979.
89Unidade 7 – Legislações sobre o uso e ocupação do solo
Para exemplificar, consulte a lei que dispõe sobre o zoneamento, uso e ocupação do solo do município de 
Curitiba (Lei Municipal nº. 9.800/2000), disponível em: http://multimidia.curitiba.pr.gov.br/2010/00084664.
pdf e os seus anexos contendo os parâmetros urbanísticos para cada zona, disponível em: http://multimidia.
curitiba.pr.gov.br/2010/00084665.pdf.Acessos em: 02 nov. 2016.
A Lei Federal nº. 11.977/2009, que criou o programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, também 
dispõe sobre a regularização fundiária de assentamentos localizados em áreas urbanas. Nesse caso, além 
das diretrizes estabelecidas no Estatuto das Cidades, devem ser observados os critérios dessa lei.
O Estatuto das Cidades orienta como os planos diretores devem ser aplicados em cada 
município. Eles representam um marco na aplicação de normas e programas que ga-
rantem o foco na sustentabilidade no desenvolvimento urbano e municipal (CASSILHA; 
CASSILHA, 2009).
Portanto, cada município estabelecerá seu zoneamento e os respectivos parâmetros ur-
banísticos para cada uma das zonas, por meio de legislação específica. São exemplos 
de parâmetros urbanísticos as taxas de ocupação e impermeabilização dos lotes, o co-
eficiente de aproveitamento (tamanho da área construída por lote), o número máximo 
de pavimentos das construções, entre outros. Juntamente com as legislações de uso e 
ocupação do solo, os municípios podem elaborar os Códigos de Obras e Edificações e 
os Códigos de Postura, que também apresentam uma série de diretrizes que regulam o 
uso do espaço. Cabe ressaltar que o plano diretor também normatiza o uso e ocupação 
do solo nas zonas rurais, com parâmetros específicos e diferenciados para essas áreas.
Vimos nesta unidade alguns exemplos de legislações de uso e ocupação do solo. Em 
outras regiões do país, podem haver outras normativas, como, por exemplo, no caso 
da Amazônia Legal, que possui regulamentações específicas. Além disso, as legislações 
federais fornecem as diretrizes e normativas gerais, cabendo aos Estados e municípios 
criarem outras legislações de uso e ocupação do solo conforme as suas necessidades e 
especificidades. Cabe ressaltar que as legislações estaduais e municipais não podem ser 
menos restritivas que as federais, no entanto, podem determinar normas mais rigorosas.
Desta forma, os planejamentos ambientais precisam considerar todas as normativas e 
restrições destas legislações de uso e ocupação do solo vigentes no momento da elabo-
ração dos diagnósticos e prognósticos para a área de estudo.
90 Planejamento Ambiental
Anotações
91Unidade 7 – Legislações sobre o uso e ocupação do solo
Pratique
A elaboração e revisão dos planos diretores, bem como do conjunto de legislações mu-
nicipais, deve ser discutida e analisada junto com a população local. A participação social 
é proporcionada, principalmente, por meio dos conselhos municipais do plano diretor ou 
dos conselhos das cidades (e também pelos conselhos setoriais: meio ambiente, saúde, 
educação, entre outros) e das conferências das cidades, que ocorrem em âmbito muni-
cipal, estadual e nacional. A cidade em que você reside já criou o conselho municipal 
do plano diretor ou o conselho das cidades? Você já participou de alguma reunião? Seu 
município organizou a conferência das cidades neste ano?
Unidade
8 Planejamento Ambiental 
das cidades
Fonte: © han871111/ Shutterstock.com
94 Planejamento Ambiental
O planejamento ambiental tem como objetivo o desenvolvimento sustentável. Nesta 
unidade, compreenderemos qual é a sua contribuição para a construção de cidades 
mais sustentáveis, identificando quais são as principais ações para que esse ideal de 
espaço urbano se concretize.
O último censo do IBGE, realizado em 2010, revelou que o Brasil possui 190 milhões 
de habitantes, sendo que a grade maioria da população, cerca de 85%, reside em 
áreas urbanas. Considerando esse cenário, é muito importante que os planejamentos 
ambientais para as áreas urbanas apresentem propostas com o objetivo de construir 
cidades mais sustentáveis.
Planejamento de cidades 
sustentáveis
As dinâmicas populacionais atuais, que concentram grande parcela da população em 
áreas urbanas, demandam ações que minimizem os impactos dessa concentração popu-
lacional sobre os ambientes naturais e garantam a sustentabilidade das cidades. Nesse 
sentido, os planejamentos são essenciais para pensar e implantar alternativas para o uso 
e a ocupação nas áreas urbanas, assim como para todas as atividades humanas realiza-
das nas cidades.
Após a realização da Rio-92 e outras conferências internacionais que abordaram as pro-
blemáticas socioambientais, emergiram as discussões sobre o espaço urbano, a sua rela-
ção com as áreas rurais e naturais e a necessidade de novas estratégias para o planeja-
mento e a gestão das cidades. 
A Agenda21 global, construída durante a Rio-92, indicou vários caminhos e estabele-
ceu metas para a construção de cidades mais sustentáveis. Franco (2008) explica que 
esse documento reconhece que o planejamento ambiental deve fornecer sistemas de 
infraestrutura ambientalmente saudáveis para que alcançar a sustentabilidade do desen-
volvimento urbano. Consequentemente, o planejamento deve promover tecnologias de 
obtenção de energia mais eficientes e de novas fontes renováveis, sistemas de transporte 
sustentáveis, o reflorestamento, entre outros. 
Nesse contexto, a Agenda 21 brasileira tem, como um dos seis temas abordados, as 
cidades sustentáveis, estabelecendo estratégias para o uso e ocupação do solo e para 
95Unidade 8 – Planejamento Ambiental das cidades
o ordenamento territorial; para o desenvolvimento institucional e o fortalecimento da 
capacidade de planejamento e gestão democrática da cidade; para promover mudanças 
nos padrões de produção e de consumo da cidade; e para a criação de instrumentos 
econômicos no gerenciamento dos recursos naturais (MMA, 2002).
Além da Agenda 21, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos 
(ONU-HABITAT) realiza conferências internacionais e elabora a sua Agenda Habitat, com 
metas específicas sobre a questão urbana. Além disso, lançou, em 2010, a Campanha 
Urbana Mundial, que busca informar e conscientizar a população mundial sobre a ne-
cessidade de ter cidades sustentáveis, diminuindo as desigualdades e garantindo serviços 
básicos de qualidade. Essa questão também é incluída nos Objetivos para o Desenvolvi-
mento Sustentável (ODS - Agenda 2030), lançados pela ONU, em 2015. Esse documento 
é uma atualização dos antigos “Objetivo do Milênio” e contém 17 objetivos globais e 
169 metas para promover a inclusão social, o desenvolvimento sustentável e a governan-
ça democrática em todo o mundo entre 2016 e 2030. No objetivo 11, aborda a questão 
de “tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e 
sustentáveis” (ONU, 2016).
Objetivo 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
11.1 Até 2030, garantir o acesso de todos à habitação segura, adequada e a preço acessível, e aos serviços básicos 
e urbanizar as favelas;
11.2 Até 2030, proporcionar o acesso a sistemas de transporte seguros, acessíveis, sustentáveis e a preço acessível 
para todos, melhorando a segurança rodoviária por meio da expansão dos transportes públicos, com especial atenção 
para as necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade, mulheres, crianças, pessoas com deficiência e 
idosos;
11.3 Até 2030, aumentar a urbanização inclusiva e sustentável, e as capacidades para o planejamento e gestão de 
assentamentos humanos participativos, integrados e sustentáveis, em todos os países;
11.4 Fortalecer esforços para proteger e salvaguardar o patrimônio cultural e natural do mundo;
11.5 Até 2030, reduzir significativamente o número de mortes e o número de pessoas afetadas por catástrofes e 
substancialmente diminuir as perdas econômicas diretas causadas por elas em relação ao produto interno bruto 
global, incluindo os desastres relacionados à água, com o foco em proteger os pobres e as pessoas em situação de 
vulnerabilidade;
11.6 Até 2030, reduzir o impacto ambiental negativo per capita das cidades, inclusive prestando especial atenção 
à qualidade do ar, gestão de resíduos municipais e outros;
11.7 Até 2030, proporcionar o acesso universal a espaços públicos seguros, inclusivos, acessíveis e verdes, 
particularmente para as mulheres e crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência;
11.a Apoiar relações econômicas, sociais e ambientais positivas entre áreas urbanas, periurbanas e rurais, reforçando 
o planejamento nacional e regional de desenvolvimento;
11.b Até 2020, aumentar substancialmente o número de cidades e assentamentos humanos adotando e 
implementando políticas e planos integrados para a inclusão, a eficiência dos recursos, mitigação e adaptação às 
mudanças climáticas, a resiliência a desastres; e desenvolver e implementar, de acordo com o Marco de Sendai para 
a Redução do Risco de Desastres 2015-2030, o gerenciamento holístico do risco de desastres em todos os níveis;
11.c Apoiar os países menos desenvolvidos, inclusive por meio de assistência técnica e financeira, para construções 
sustentáveis e resilientes, utilizando materiais locais.
96 Planejamento Ambiental
Para conhecer quais são os outros Objetivos do Milênio para o Desenvolvimento Sustentável, consulte: https://
nacoesunidas.org/pos2015/. Acesso em: 03 nov. 2016.
Link: https://goo.gl/3NbcMs
A partir dessas diretrizes gerais, os municípios passaram a incorporar, em seus planos 
diretores, programas, planos e projetos para atingir as metas para cidades mais susten-
táveis. Nas unidades anteriores, vimos que o plano diretor é o principal instrumento de 
planejamento ambiental das cidades. A partir dele, são instituídos o zoneamento, as 
legislações de uso e ocupação do solo e os planos setoriais (de saneamento, mobilidade, 
habitação, educação, entre outros). Eles devem ser elaborados considerando as legisla-
ções federais (políticas de meio ambiente, dos recursos hídricos, dos resíduos sólidos, 
de educação ambiental, entre outras) e as metas internacionais acordadas pelos países, 
como é o caso da Agenda 21, da Agenda Habitat e dos Objetivos para o Desenvolvimen-
to Sustentável.
Segundo o MMA (2016f), para ser uma cidade sustentável, ela deve melhorar o orde-
namento urbano, a mobilidade, a poluição sonora e atmosférica, o descarte de resíduos 
sólidos, a eficiência energética, a economia de água, entre outros aspectos, priorizando 
a qualidade de vida da população e a sua sustentabilidade.
Para auxiliar esse processo de planejamento, vimos também que o IBGE lançou um guia 
com indicadores do desenvolvimento sustentável, que podem ser utilizados e adaptados 
pelos municípios no momento de elaboração do plano diretor, das legislações e dos pro-
gramas, planos e projetos setoriais.
Vejamos a seguir alguns temas que devem ser abordados e discutidos nos planejamentos 
ambientais para as cidades sustentáveis.
Energia
Os planejamentos devem privilegiar fontes de energia renováveis (energia solar, e eólica, 
por exemplo) nas atividades públicas, bem como deve promover incentivos, inclusive 
97Unidade 8 – Planejamento Ambiental das cidades
econômicos, para que a população e os empreendedores adotem fontes alternativas de 
energia para as atividades pessoais, comerciais e industriais. Eles podem prever e estimu-
lar pesquisas de novas tecnologias de energia sustentáveis adaptáveis às condições e às 
potencialidades locais.
Existem diversas possibilidades para geração de energia renovável. Além das energias solar e eólica, existem 
tecnologias para aproveitar a energia das ondas e a energia da biomassa, como, por exemplo, a partir da 
liberação do gás metano dos aterros sanitários, entre outros.
A Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA é responsável pela 
formulação e pela proposição de políticas e normas, pela definição de estratégias de 
promoção de uma matriz energética limpa, pelo desenvolvimento de pesquisas e proje-
tos voltadas à ampliação do uso de alternativas energéticas ambientalmente adequadas 
e socialmente justas (MMA, 2016f). A Lei Federal nº. 12.187/2009 instituiu a Política 
Nacional de Mudança do Clima, e, entre suas diretrizes, estão o estímulo e o apoio à 
manutenção e à promoção de práticas, atividades e tecnologias de baixas emissões de 
gases de efeito estufa (Art. 5º, inciso XIII). Dessa forma, os municípios devem planejar as 
cidades sustentáveis baseadas nos princípios dessas legislações federais e utilizando seus 
instrumentos na escala local.
Água
A gestão sustentável das águas no ambiente urbano é essencial para garantir a qualidade 
de vida da população. A Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano(SRHU) do 
MMA (2016f) trabalha com o conceito de desenvolvimento urbano de baixo impacto, 
incentivando os estados e os municípios a preservar o ciclo hidrológico natural, por meio 
do uso e ocupação que contemplem o controle da erosão e permeabilidade do solo, com 
formas de pavimentação permeáveis. 
Além disso, as cidades devem fiscalizar e manter as Áreas de Preservação Permanen-
te (APP) instituídas pelo Código Florestal. Nas áreas urbanas, podem ser construídos 
parques lineares ou parques fluviais no entorno dos cursos dos rios. Segundo o MMA 
(2016f), eles contribuem para a prevenção da ocupação desordenada das margens dos 
rios, recuperar a vegetação e preservar os recursos naturais da região, favorecendo o 
desenvolvimento de diversas atividades culturais, esportivas, de lazer e de turismo para a 
população. A criação dessas áreas verdes contribui para a sensibilização dos moradores 
98 Planejamento Ambiental
Manancial de abastecimento público é a fonte de água doce superficial ou subterrânea utilizada para consumo 
humano ou desenvolvimento de atividades econômicas (MMA, 2016g).
quanto à importância da manutenção dos ciclos hidrológicos e da preservação das suas 
margens, bem como da fauna e da flora local.
Essas medidas, junto com uma drenagem urbana eficiente (como veremos no item sane-
amento ambiental), auxiliam na prevenção de inundações, evitando a perda de vidas e 
do patrimônio na ocorrência das enchentes.
As áreas de mananciais também devem ter uma atenção especial nos planejamentos 
das cidades e uma regulamentação específica, pois a qualidade da água nos mananciais 
depende da forma pela qual os demais trechos da bacia hidrográfica são manejados. Os 
planos diretores ou as demais legislações de uso e ocupação do solo podem identificar 
as áreas de mananciais na região e adotar instrumentos gerenciais de proteção, plane-
jamento e utilização, adequando o planejamento urbano à vocação natural do sistema 
hídrico (MMA, 2016f).
Ainda em relação à água, é importante que os planejamentos ambientais contemplem 
a implantação de tecnologias para a conservação e reuso nas edificações urbanas, bem 
como o reaproveitamento da água da chuva. Os estados e municípios podem elaborar 
campanhas de sensibilização da população para economizar água e fazer um uso melhor 
desse recurso.
Qualidade do ar
A gestão da qualidade do ar nas cidades deve ser realizada por meio do licenciamento 
ambiental das atividades potencialmente poluidoras, do monitoramento contínuo da 
qualidade do ar, da elaboração de inventários de emissões locais, da definição de áreas 
prioritárias para o controle de emissões, do combate às queimadas, entre outros. São 
necessárias ações de prevenção, combate e redução das emissões de poluentes e dos 
efeitos na natureza e na saúde da população (MMA, 2016f).
O MMA possui a Gerência de Qualidade do Ar (GQA), vinculada ao Departamento de 
Qualidade Ambiental na Indústria, com o objetivo de formular políticas, implementar 
programas, projetos e ações necessários para a melhoria da qualidade do ar. Em 2009, o 
99Unidade 8 – Planejamento Ambiental das cidades
Saiba mais sobre a gestão da qualidade do ar no Estado do Paraná em: http://www.iap.pr.gov.br/modules/
conteudo/conteudo.php?conteudo=92. Acesso em: 08 nov. 2016.
governo federal lançou o “Compromisso pela qualidade do ar e saúde ambiental” como 
parte integrante da Política Nacional de Qualidade do Ar, com o objetivo de “proteger 
o meio ambiente e a saúde humana dos efeitos da contaminação atmosférica, por meio 
da implantação de uma política contínua e integrada de gestão da qualidade do ar no 
país” (MMA, 2009). Esse documento apresentou diversas ações a serem realizadas pelo 
governo federal, divididas em linhas de ação (transportes, atividades agrossilvipastoris, 
desenvolvimento urbano, entre outras).
Além disso, um dos instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente é o estabele-
cimento de padrões de qualidade ambiental. A resolução CONAMA Nº 3/1990 firma os 
padrões que devem ser respeitados e fiscalizados por todos os estados e municípios. A 
lei de crimes ambientais estabelece as penalidades para os casos em que as atividades 
ultrapassem os padrões de qualidade. Novas pesquisas devem ser incentivadas para a 
criação de tecnologias para minimizar os efeitos da poluição do ar.
A Gerência de Qualidade do Ar do MMA também elaborou diversas resoluções referentes, especificamente, 
ao controle das emissões de poluentes dos veículos. Além disso, as cidades estão elaborando projetos que 
restringem o uso de veículos em determinados espaços, com o intuito de diminuir a poluição do ar. Veremos 
mais sobre esse assunto no item “mobilidade”.
Mobilidade
Diante do contexto de urbanização e do aumento expressivo da frota de veículos nas ci-
dades, é indispensável a discussão sobre formas alternativas de mobilidade urbana, visto 
que o padrão de mobilidade centrado no transporte motorizado individual mostra-se 
insustentável (MMA, 2016f). 
Mobilidade urbana
Condição em que se realizam os deslocamentos de pessoas e cargas no espaço urbano (Art.4º, inciso II, Lei Federal nº. 
12.587/2012).
100 Planejamento Ambiental
Historicamente, as cidades têm buscado solucionar os problemas de mobilidade incen-
tivando o uso dos veículos, por meio da construção de viadutos, túneis, vias expressas, 
rodovias, pontes, entre outras obras de infraestrutura. No entanto, essas medidas não 
são suficientes para solucionar os impactos ambientais (degradação da qualidade do ar, 
impermeabilização do solo, poluição atmosférica e sonora, aquecimento global) e as ne-
cessidades da população (qualidade de vida, deslocamento seguro e acessível).
Por isso, os planejamentos ambientais das cidades devem priorizar formas alternativas de 
mobilidade, de baixo impacto, por meio da ampliação das áreas destinadas aos pedestres 
e ciclistas, com ampliação das vias, iluminação adequada, sinalização segura, arboriza-
ção e acessibilidade. Além disso, deve-se investir em melhorias no sistema de transporte 
público, modernizando e integrando as linhas, estabelecendo tarifas acessíveis e progra-
mas de incentivo (como tarifa zero ou descontos para estudantes, idosos, entre outros), 
melhoria das vias urbanas e da segurança no uso do transporte público. Outra solução é 
restringir o uso de veículos em determinadas áreas da cidade ou em dias da semana es-
pecíficos (nos finais de semana, por exemplo), incentivando o uso de formas alternativas 
de mobilidade.
Em 2012, o país instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei Federal nº. 
12.587/2012), instrumento da política de desenvolvimento urbano, estabelecendo os 
princípios, as diretrizes e os objetivos gerais, orientando também os municípios a elabo-
rarem suas políticas municipais de mobilidade urbana.
Saiba mais sobre o planejamento da mobilidade urbana em: http://www.cidades.gov.br/mobilidade-urbana/
planejamento-da-mobilidade-urbana. Acesso em: 08 nov. 2016.
Saneamento ambiental
O saneamento ambiental compõe o abastecimento de água, o esgotamento sanitário, a 
limpeza urbana e a gestão de resíduos, a drenagem urbana e o controle de vetores. A Lei 
Federal nº. 11.445/2007 estabeleceu as diretrizes nacionais para o saneamento básico e 
atribui ao Governo Federal, sob a coordenação do Ministério das Cidades, a responsabi-
lidade pela elaboração de um Plano Nacional de Saneamento Básico, integrando diversos 
órgãos, como o MMA e a Agência Nacional de Águas. Em 2008, foi lançado o “Pacto 
pelo saneamento básico: mais saúde, qualidade de vida e cidadania”, para atingir as 
metas acordadas nos Objetivos do Milênio e da Agenda 21 brasileira e para auxiliar na 
elaboração do plano, ainda em construção.
101Unidade 8 – Planejamento Ambiental das cidades
Com base nessas diretrizes, os planejamentos ambientais devem contemplar projetos 
específicos para um desses eixos do saneamento ambiental. O abastecimento de águae 
o esgotamento sanitário devem ser acessíveis a todos os moradores. Sistemas alternati-
vos podem ser utilizados nas áreas rurais, nas ilhas, nas comunidades tradicionais e em 
povoados afastados. Os planejamentos devem considerar a gestão sustentável dos recur-
sos hídricos, incluindo uma drenagem eficiente, considerando as dinâmicas naturais da 
região. Essas medidas também contribuem para um controle dos vetores que transmitem 
diversas doenças (insetos e roedores, por exemplo), garantindo a saúde e a qualidade de 
vida da população.
No caso dos resíduos sólidos, foi instituída, em 2010, a Política Nacional de Resíduos 
Sólidos (Lei Federal nº. 12.305/2010), que estabeleceu a gestão integrada dos resíduos, 
ou seja, responsabilidade do poder público e dos geradores. Dentre seus instrumentos, 
estão os Planos de Gerenciamento Resíduos Sólidos (PGRS), que devem ser elaborados 
pelos municípios e por todos os empreendimentos (indústrias, comércios, portos, aero-
portos, entre outros), estabelecendo a destinação final ambientalmente adequada de 
todos os tipos de resíduos gerados em suas atividades. Os municípios podem adotar pro-
gramas de coleta seletiva em parceria com as associações de catadores de materiais reci-
cláveis, diminuindo o percentual de materiais passíveis de reutilização e reciclagem que 
são destinados aos aterros sanitários. Também podem disponibilizar pontos de coleta 
para resíduos especiais (pneus, eletroeletrônicos, da construção civil, entre outros) e esta-
belecer parcerias com instituições prestadoras de serviços de reciclagem destes materiais. 
Os PGRS podem contemplar a construção de unidades de reciclagem para transformar o 
óleo vegetal de uso doméstico em biocombustível, os resíduos de pneus para a produção 
de asfalto, os resíduos orgânicos em adubo, por meio da compostagem, entre outros.
Cabe aos órgãos ambientais (federais, estaduais e municipais) fiscalizar a gestão de re-
síduos dos empreendedores, incentivando a elaboração dos PGRS, a logística reversa, a 
reciclagem e a destinação adequada de todos os resíduos gerados.
Consulte o “Pacto pelo saneamento básico mais saúde, qualidade de vida e 
cidadania” em: https://www.cidades.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/Arquivos_
PDF/PACTO_-_PLANSAB_-_20081216_Final_Internet.pdf. Acesso em: 08 nov. 2016
Link: https://goo.gl/aYXRj2
102 Planejamento Ambiental
Construções sustentáveis
 A construção sustentável é definida como:
[...] um processo holístico que aspira a restauração e manutenção da harmonia entre 
os ambientes natural e construído, e a criação de assentamentos que afirmem a dig-
nidade humana e encorajem a equidade econômica (MMA, 2016f).
O MMA (2016f) relata que os desafios para o setor da construção consistem na redução 
e na otimização do consumo de materiais e energia, na redução dos resíduos gerados, 
na preservação do ambiente natural e na melhoria da qualidade do ambiente construído. 
Portanto, recomenda a mudança dos conceitos da arquitetura convencional para que 
os projetos sejam mais flexíveis; a busca de soluções que potencializem o uso racional 
de energia ou de energias renováveis; a gestão ecológica da água; a redução do uso de 
materiais com alto impacto ambiental; e a redução dos resíduos da construção.
Os municípios podem induzir e fomentar boas práticas para a construção sustentável 
e para o desenho urbano em suas legislações de uso e ocupação do solo, urbanísticas, 
de ordenamento territorial, e estabelecer critérios, como, por exemplo, a diminuição as 
taxas de impermeabilidade, de acordo com as dinâmicas das bacias hidrográficas, au-
mentando o tamanho dos lotes para minimizar os efeitos do adensamento populacional. 
Nesse sentido, Corrêa (2009) relata diversos princípios para a construção sustentável, 
entre os quais destacamos: o aproveitamento das condições naturais locais (topografia, 
ventilação, iluminação natural, entre outras); a implantação e a análise do entorno, a 
fim de não provocar ou reduzir impactos (nas paisagens, no microclima, por exemplo); 
a gestão sustentável da implantação da obra, por meio do uso de matérias-primas que 
contribuam com a ecoeficiência do processo, da redução do consumo energético e do 
consumo de água, da gestão dos resíduos sólidos; a adaptação dos projetos às neces-
sidades da população; introduzir inovações tecnológicas sempre que possível e viável; e 
promover conscientização dos envolvidos no processo, por meio da educação ambiental.
Logística reversa
Instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios 
destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em 
seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada (Art. 3º, inciso XII, Lei 
Federal nº. 12.305/2010).
103Unidade 8 – Planejamento Ambiental das cidades
Além disso, o MMA (2016f) complementa:
A escolha dos materiais de construção disponíveis no local, pouco processados, não 
tóxicos, potencialmente recicláveis, culturalmente aceitos, propícios para a autocons-
trução e para a construção em regime de mutirões;
O uso do coletor solar térmico para aquecimento de água, de energia eólica para 
bombeamento de água e de energia solar fotovoltaica, com possibilidade de se injetar 
o excedente na rede pública; 
A coleta e utilização de águas pluviais, utilização de dispositivos economizadores de 
água, reuso de águas, tratamento adequado de esgoto no local e, quando possível, o 
uso de banheiro seco; 
Valorização dos elementos naturais no tratamento paisagístico e o uso de espécies 
nativas, a destinação de espaços para produção de alimentos e compostagem de resí-
duos orgânicos, o uso de reciclados da construção na pavimentação e de pavimenta-
ção permeável, a previsão de passeios sombreados no verão e ensolarados no inverno.
Seguindo esses preceitos para cidades sustentáveis, também têm emergido a discussão e 
as novas experiências de ecovilas no país. Elas seguem um modelo de assentamento hu-
mano sustentável (urbanas ou rurais), ou seja, as construções são sustentáveis, utilizam 
materiais locais (barro, bambu, entre outros) e sistemas de energia renováveis, produzem 
seus próprios alimentos e têm uma economia própria, além de uma gestão democrática, 
mediadora de conflitos e com uma visão holística sobre o ambiente.
Áreas verdes
Além das áreas protegidas estabelecidas pelas legislações ambientais, como as áreas 
de preservação permanente, as reservas legais e as unidades de conservação federais 
e estaduais, as cidades podem criar parques urbanos e áreas verdes. Além dos serviços 
ambientais prestados por essas áreas, principalmente a regulação do microclima e a me-
lhoria na qualidade do ar, elas também têm funções estéticas e de lazer, melhorando a 
qualidade de vida da população.
Conheça algumas ecovilas no Brasil acessando o link: http://nomadesdigitais.com/10-ecovilas-brasileiras-
para-conhecer-em-cada-regiao-do-pais/. Acesso em: 08 nov. 2016.
104 Planejamento Ambiental
A resolução CONAMA nº. 369/2006, define as áreas verdes como:
[...] o espaço de domínio público que desempenhe função ecológica, pai-
sagística e recreativa, propiciando a melhoria da qualidade estética, funcio-
nal e ambiental da cidade, sendo dotado de vegetação e espaços livres de 
impermeabilização (Art. 8º, inciso III).
Elas podem ser implementadas na forma de parques lineares, unidades de conservação 
municipais urbanas, praças, parques, jardim botânico, zoológicos, corredores ecológicos, 
entre outros. A implantação de áreas verdes também auxilia no ordenamento territorial 
das cidades, protegendo áreas de risco, frágeis ecologicamente ou de grande importân-
cia biológica e contribuindo para a conservação dos recursos das dinâmicas naturais.
Além disso, os municípios podem incentivar a implantação de hortas urbanas e jardins 
comunitários, como uma alternativapara a produção de alimentos orgânicos, mais pró-
xima dos moradores, minimizando os impactos do transporte dos produtos e dos insu-
mos químicos utilizados nas grandes produções, além de ser uma opção de área pública 
de lazer. Os jardins comunitários podem aproveitar os resíduos orgânicos, na forma de 
compostagem e produzir flores e plantas ornamentais para as outras áreas verdes das 
cidades. 
Para a construção de cidades sustentáveis necessitamos incorporar formas alternativas 
de geração de energia, a gestão sustentável da água e dos resíduos sólidos, investir no 
saneamento ambiental, incentivar boas práticas na construção civil, criar áreas verdes. 
No entanto, além destas questões, os planejamentos ambientais devem prever também 
o ordenamento territorial adequado, de acordo com as características e potencialidades 
locais; a gestão democrática da cidade, promovendo a acessibilidade e a inclusão e prio-
rizando a transparência pública; e estimular o desenvolvimento dos bairros, diversifican-
do os usos (residencial, comercial, educacional, de lazer, entre outros).
105Unidade 8 – Planejamento Ambiental das cidades
Pratique
A ONU possui o Programa Cidades Sustentáveis propondo acordos e metas para todos os 
seus países membros, incluindo o Brasil. No site é possível consultar as cidades participan-
tes. Consulte o link <https://www.cidadessustentaveis.org.br/signatarios-candidatos> e 
verifique quais são as cidades do Estado do Paraná que participam deste programa. Sua 
cidade consta na lista dos participantes? O que ela vem desenvolvimento para atingir as 
metas para a construção de uma cidade sustentável? Caso ela ainda não participe, como 
podemos contribuir para a adesão do município ao programa?
Unidade
9 Planejamento Ambiental 
das áreas rurais e naturais
Fonte: © alphaspirit/ Shutterstock.com
108 Planejamento Ambiental
Nesta unidade vamos discutir sobre o planejamento ambiental das áreas rurais e das 
áreas naturais, ou seja, aquelas que ainda estão preservadas. Desta forma, temos 
como objetivo identificar como o planejamento ambiental contribui para a gestão 
sustentável dessas áreas e quais os instrumentos utilizados nestes casos.
Assim como nas cidades, as áreas rurais também precisam ser planejadas para alcançar 
o desenvolvimento sustentável. As atividades agrossilvipastoris são responsáveis por 
diversos impactos ambientais e pela degradação das áreas naturais, por isso, os 
planejamentos devem ter estratégias para que elas sejam sustentáveis, compatíveis 
com a conservação ambiental. Já as áreas naturais são protegidas por diversas 
legislações ambientais e precisam prever nos seus planejamentos a integração com 
as comunidades do entorno e com outras áreas naturais, sejam elas nas zonas rurais 
ou urbanas.
A contribuição do 
planejamento ambiental nas 
áreas rurais
Apesar de o país concentrar a maior parte da população nas áreas urbanas, as principais 
atividades econômicas estão concentradas nas áreas rurais, onde a produção agrícola 
tem grande destaque. A fim de conciliar estas atividades com o modo de vida das comu-
nidades tradicionais e com a conservação da natureza, foram instituídas diversas políticas 
ambientais e agrícolas, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável das 
áreas rurais.
Segundo o MMA (2016g), o objetivo do desenvolvimento rural sustentável é incentivar 
o uso adequado da terra e dos recursos naturais nas áreas de agricultura familiar, nos 
assentamentos da reforma agrária, nas terras indígenas ou nas comunidades tradicionais 
extrativistas, nas áreas susceptíveis à desertificação e nas áreas de produção agropecuária 
em grande escala.Desta forma, para este órgão ambiental, o desafio é reverter o cenário 
atual de degradação dos ecossistemas provocada pela agropecuária, e também promo-
ver, difundir e consolidar novas formas e estilos de sistemasprodutivosagrossilvipastoris e 
de desenvolvimento rural, praticados em bases sustentáveis.
109Unidade 9 – Planejamento Ambiental das áreas rurais e naturais
O Código Florestal é uma das legislações mais importantes para o desenvolvimento sus-
tentável das áreas rurais. Por meio da instituição das Áreas de Preservação Permanente 
(APP) e das Reservas Legais, contribui para o ordenamento territorial rural, garantindo 
a conservação das áreas florestais, dos recursos naturais e dos serviços ecossistêmicos. 
Com a atualização na legislação, foi instituído o instrumento do Cadastro Ambiental 
Rural (CAR), definido como um:
registro público eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos os imóveis rurais, com 
a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais, com-
pondo base de dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico 
e combate ao desmatamento (Art. 29º, Lei Federal Nº 12.651/2012).
Ele é uma ferramenta importante para a regularização e para o planejamento dos imó-
veis rurais, e também dos municípios e estados, já que fornece informações georreferen-
ciadas dos imóveis, com delimitação das APPs e RLs, dos remanescentes de vegetação 
nativa, das áreas rurais consolidadas, além das áreas de interesse social e de utilidade 
pública. A partir destas informações é possível identificar, por exemplo, as áreas desma-
tadas ou degradadas que necessitam de recuperação, áreas estratégicas para a formação 
de corredores ecológicos e para a criação de novas unidades de conservação.
Saiba mais sobre o Cadastro Ambiental Ruralem:http://www.
car.gov.br/. Acesso em: 08 nov 2016
Link: https://goo.gl/eMZvYr
Além disso, o Plano Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (PNDRSS) 
construído durante a 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e 
Solidário, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e pelo Conselho 
Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf) ao longo de 2013, tem como 
objetivos: assegurar o desenvolvimento socioeconômico e ambiental e o fortalecimento 
da agricultura familiar e da agroecologia; promover a reforma agrária, a democratização 
do acesso à terra e aos recursos naturais; adotar a abordagem territorial como estratégia 
de desenvolvimento rural e de melhoria da qualidade de vida; promover o etnodesenvol-
vimento, valorizando a agrobiodiversidade e os produtos da sociobiodiversidade, entre 
outros. O plano estabelece estratégias e metas para alcançar estes objetivos, bem como 
as instituições envolvidas.
110 Planejamento Ambiental
Em relação aos povos e comunidades tradicionais, o Decreto Federal Nº 6.040/2007 
instituiu a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades 
Tradicionais (PNPCT) e o Decreto Federal Nº 7.747/2012 instituiu a Política Nacional de 
Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI).Ambas as políticas tem como 
objetivos promover o desenvolvimento sustentável, por meio da proteção e conservação 
dos recursos naturais, assegurando seus direitos territoriais e respeitando a autonomia 
sociocultural dos povos e comunidades. Os Planos de Desenvolvimento Sustentável dos 
Povos e Comunidades Tradicionais e os etnomapeamentos e etnozoneamentos são ins-
trumentos das políticas, respectivamente.
Os planos diretores dos municípios, ao estabelecer suas zonas rurais, devem considerar 
todas estas legislações e prever programas e projetos específicos para estas áreas durante 
o planejamento, incluindo aos povos e comunidades tradicionais que a habitam e as le-
gislações específicas nestes casos, de forma a promover o desenvolvimento sustentável. 
Para isso, podem criar unidades de conservação de proteção integral e também de uso 
sustentável, conforme as características e demandas locais. Além disso, devem incentivar 
a agricultura familiar, a produção agroecológica, a criação de sistemas agroalimentares 
localizados, pautados principalmente na interação e no cooperativismo, em consonância 
com a exploraçãosustentável dos recursos e a conservação da biodiversidade. O poder 
público pode identificar boas práticas na produção agrossilvipastoril no país e promovê-
-las no âmbito local.
O Plano Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário pode 
ser consultado em http://www.mda.gov.br/pndrss/principal.pdf. Acesso em: 
08 nov 2016.
Link: https://goo.gl/rSd8Wd
Em 2015, a Lei Federal Nº 13.123/2015, conhecida como a lei da biodiversidade, dispõe sobre o acesso 
ao patrimônio genético, sobre a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado e sobre a 
repartição de benefícios para conservação e uso sustentável da biodiversidade, ou seja, normatiza o uso e 
comercialização dos produtos da biodiversidade brasileira
Sistemas agroalimentares localizados
Um conjunto de ferramentas mobilizáveis em atividades de pesquisa e intervenção, cuja finalidade é sustentar/apoiar 
processos de identificação, resgate e valorização de recursos locais e cujas contribuições podem ser capitalizados no 
desenho de políticas públicas (REDE SIAL BRASIL, 2016).
111Unidade 9 – Planejamento Ambiental das áreas rurais e naturais
Os planejamentos ambientais para as áreas rurais podem prever ainda usos alternativos 
da região, por exemplo, voltadas ao ecoturismo ou ao turismo de base comunitária, en-
volvendo as comunidades locais, seus modos de vida e a biodiversidade da região e se 
constituindo em uma alternativa de renda para as famílias.
O SNUC estabelece 12 categorias de Unidades de Conservação, divididas em dois grupos: de Proteção 
Integral e de Uso Sustentável. O objetivo das Unidades de Proteção Integral é preservar a natureza, sendo 
admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, enquanto o das Unidades de Uso Sustentável é 
compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais (Art. 
7º). No entanto, cada Unidade de Conservação é criada com objetivos específicos; por isso, os planos de 
manejo devem considerá-los no momento do planejamento da gestão dessas áreas.
Para saber mais sobre o turismo de base comunitária e conhecer algumas experiências 
brasileiras, consulte o livro “Turismo de Base Comunitária: diversidade de olhares e 
experiências brasileiras”, disponível em: http://www.turismo.gov.br/sites/default/
turismo/o_ministerio/publicacoes/downloads_publicacoes/TURISMO_DE_BASE_
COMUNITxRIA.pdf. Acesso em: 08 nov 2016.
Link: https://goo.gl/9lgRUU
O planejamento ambiental das 
áreas naturais
O principal instrumento de planejamento ambiental das áreas naturais é o plano de ma-
nejo. Ele deve ser elaborado para as unidades de conservação, para as áreas de floresta 
nativa, para as propriedades rurais ou para outras áreas naturais ainda conservadas, pro-
tegidas pelas legislações ambientais, como por exemplo, áreas de Mata Atlântica.
Esse documento tem como objetivo orientar a gestão destas áreas naturais, bem como 
identificar as ações necessárias para garantir a sua preservação e conservação. O plano 
deve considerar os objetivos de criação das áreas protegidas e propor programas e proje-
tos para cada atividade realizada; por exemplo: manejo de espécies da fauna, da flora e 
dos recursos naturais (para as áreas que permitem a sua exploração sustentável), recupe-
ração de áreas degradas, ecoturismo, pesquisa científica, educação ambiental, visitação, 
atividades esportivas, entre outras.
112 Planejamento Ambiental
A elaboração dos planos de manejo é de responsabilidade dos órgãos gestores das áreas 
naturais; no caso das Unidades de Conservação, o ICMBio, na esfera federal, e os ór-
gãos ambientais estaduais ou municipais, quando for o caso. Quando se tratar de áreas 
florestais nativas, os planos de manejo florestal sustentável devem ser elaborados pelos 
responsáveis pela exploração da área (poder público, empresas privadas, comunidades 
ou indivíduo), conforme estabelece a Instrução Normativa MMA nº. 5/2006. Da mesma 
forma, os proprietários rurais devem elaborar o plano de manejo das suas propriedades. 
Em outros casos, como as áreas naturais protegidas pela Lei da Mata Atlântica, por 
exemplo, os municípios devem elaborar seus planos municipais de conservação e recu-
peração da mata atlântica (PMMA), instrumento da lei.
No Estado do Paraná, os municípios de Curitiba, Campo Magro e Maringá já possuem o PMMA, e 
vários municípios estão em fase de mobilização para a elaboração dos planos, como é o caso dos 
municípios do litoral paranaense. Consulte os municípios que estão mobilizados, elaborando ou 
já elaboraram e estão implantando seus planos, em: http://pmma.etc.br/index.php?option=com_
content&view=article&id=192&Itemid=1081. Acesso em: 09 nov. 2016.
Os planos devem ser elaborados de forma participativa e democrática, evitando causar 
conflitos socioambientais com os atores sociais locais (comunidades, empreendedores, 
agricultores, pescadores, poder público, população em geral). Nesse sentido, o país apre-
senta várias experiências positivas no planejamento e gestão de áreas naturais, as cha-
madas boas práticas, que podem orientar os planejadores no momento de elaboração 
dos planos de manejo.
A revista Boas Práticas na Gestão de Unidades de Conservação, do 
Instituto Ipê, em parceria com o ICMBio, apresenta algumas experiências 
positivas na gestão dessas áreas protegidas no Brasil. Consulte a última 
edição da revista em: https://issuu.com/institutoipe/docs/revista_boas_
pr__ticas_2016. Acesso em: 09 nov. 2016.
Link: https://goo.gl/LpA4rY
Os zoneamentos das áreas naturais também contribuem para uma gestão eficiente, onde 
são estabelecidas zonas específicas, conforme suas características e potencialidades, por 
exemplo: zonas de proteção integral ou intangível (são as que concentram grande rique-
za biológica, espécies em extinção, áreas fragilizadas, entre outras), zonas de uso susten-
tável (aquelas que possibilitam o uso sustentável dos recursos e o uso público), zonas de 
recuperação ambiental, zonas histórico-culturais (que apresentam sítios arqueológicos, 
históricos, entre outros).
113Unidade 9 – Planejamento Ambiental das áreas rurais e naturais
Os planejamentos ambientais, sejam eles em qualquer área de estudo (rural ou urbana) 
ou em qualquer escala, devem considerar as legislações ambientais que protegem as 
áreas naturais, bem como o que estabelece seus planos de manejo, seus zoneamentos 
e os outros documentos que fornecem as diretrizes e as orientações para sua gestão. 
Eles devem propor estratégias de integração entre as áreas de preservação permanente, 
reservas legais, unidades de conservação e outras áreas naturais protegidas, formando 
corredores ecológicos e contribuindo para a preservação da biodiversidade e a manuten-
ção dos serviços ecossistêmicos. As pesquisas são muito importantes nessas áreas, pois 
auxiliam na identificação de novas formas de manejo sustentável; novas possibilidades 
de uso público, integrando a população local a estes ambientes naturais e contribuindo 
para a sensibilização para a sua preservação; novas políticas públicas necessárias para 
uma gestão eficiente e para o desenvolvimento sustentável, entre outros.
O planejamento das áreas rurais e naturais deve ser integrado às estratégias do planeja-
mento das áreas urbanas, em busca do desenvolvimento sustentável. Apesar de os pla-
nos diretores terem foco no planejamento das cidades, também devem prever programas 
e projetos para as áreas rurais e naturais, como vimos nesta unidade (incentivos à agricul-
tura familiar e para a produção agroecológica, projetos de turismo de base comunitária, 
educação ambiental, uso público das áreas naturais, entre outros). Outros instrumentos 
de planejamento ambiental, como os ZEE e os planos de bacia hidrográfica, que abran-
gem áreas de estudo mais amplas do que os municípios, podem contemplar a gestão 
integrada, participativa e sustentável dos territórios (urbanos, rurais, de comunidades 
tradicionais, de áreas naturais).Pratique
Pesquise boas práticas na gestão de áreas rurais e áreas naturais protegidas, selecione 
uma delas e compartilhe com seus colegas e familiares. Você pode utilizar as redes sociais 
para divulgar essas experiências, incentivando as pessoas as conhecerem essas experiên-
cias positivas.
Unidade
10 Os conflitos territoriais 
e as contribuições do 
Planejamento Ambiental
Fonte: © GOVBA/ Visualhunt.com
116 Planejamento Ambiental
Os diferentes usos e ocupação do solo podem dar a origem a vários conflitos 
socioambientais quando as atividades se sobrepõem. Nesta unidade, temos como 
objetivo avaliar a contribuição do planejamento ambiental e dos seus instrumentos 
para a minimização destes conflitos e para melhorar a gestão territorial no país. 
Os processos históricos de uso e ocupação do solo e as dificuldades na regularização 
fundiária, as sobreposições entre as políticas públicas e as legislações, dentre outros 
fatores, resultaram em diversos conflitos territoriais no Brasil. Vamos entender melhor 
quais são eles e como o planejamento ambiental contribui para a gestão territorial?
Existem várias iniciativas de mapeamento de conflitos socioambientais, incluindo os relacionados às disputas 
por territórios e pelo uso e pela ocupação do solo.
Veja alguns exemplos:
Mapa de conflitos socioambientais de Minas Gerais, disponível em: http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.
br/observatorio-de-conflitos-ambientais/mapa-dos-conflitos-ambientais/;
Mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e saúde no Brasil, disponível em: http://www.
conflitoambiental.icict.fiocruz.br/;
Atlas das Injustiças Ambientais no mundo, disponível em: http://ejatlas.org/. Acessos em 09 nov. 2016.
O planejamento ambiental 
no contexto dos conflitos 
territoriais no Brasil
O Brasil apresenta diversos conflitos territoriais entre os projetos de assentamento da 
reforma agrária, as terras indígenas e os territórios de outros povos e comunidades tra-
dicionais (quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, entre outros), as unidades de 
conservação, as áreas arrecadadas pelos Estados, as áreas das comunidades urbanas, 
entre outros.
O Brasil ainda não possui uma política específica para o ordenamento territorial (PNOT), 
conforme estabelece a Constituição Federal; no entanto, historicamente, foram criadas 
diversas políticas públicas e legislações de uso e ocupação do solo, proteção ambiental, 
desenvolvimento rural, entre outras, que acabaram fazendo esse papel de ordenamento 
do território. Ocorre que muitas vezes elas se sobrepõem umas às outras e são implan-
tadas por diferentes órgãos e instituições, dificultando a gestão do território e dando 
margem para a criação de conflitos e disputas entre os diversos atores sociais.
117Unidade 10– Os conflitos territoriais e as contribuições do Planejamento Ambiental
Em 2006, o Ministério da Integração Nacional lançou um documento, contendo um 
diagnóstico da situação territorial do país e indicando diretrizes e estratégias como um 
subsídio para a elaboração da Política Nacional de Ornamento Territorial (PNOT). Nesse 
documento, indica-se que o objetivo de criação da PNOT é “estimular o uso e a ocu-
pação racional e sustentável do território, com base na distribuição mais equânime da 
população e das atividades produtivas, garantindo às gerações presentes e futuras o 
usufruto sustentável dos recursos naturais” (MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO, 2006).
O documento “Subsídios para a definição da Política Nacional de Ordenamento Territorial – PNOT” está 
disponível em: http://www.mi.gov.br/c/document_library/get_file?uuid=45546192-e711-497a-8323-
07244ee574ce&groupId=24915. Acesso em: 09 nov. 2016.
O Ministério da Integração também ressalta a existência de importantes instrumentos 
de planejamento ambiental que contribuem com ordenamento territorial, embora não 
sejam instrumentos específicos da PNOT, conforme ilustra o Quadro 1.
Quadro 1: Instrumentos de ordenamento territorial no Brasil
Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC
Política Nacional de Desenvolvimento Urbano – PNDU
Planos Diretores Urbanos e seus instrumentos de gestão territorial urbana
Plano Nacional de Recursos Hídricos
Planos Diretores de Bacias Hidrográficas
Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável
Programa Nacional de Desenvolvimento dos Territórios Rurais – PRONAT
Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento – ENIDS
Programa de Proteção de Terras Indígenas, Gestão Territorial e Etnodesenvolvimento
Programa de Zoneamento Ecológico-Econômico
 Fonte: Elaborado pelos autores a partir do Ministério da Integração (2006).
Dessa forma, a evolução dos planejamentos ambientais e todos os instrumentos que 
foram criadas para a sua implementação, conforme estudamos nas unidades anteriores, 
estão contribuindo para minimizar esses conflitos territoriais. 
O SNUC, por exemplo, organizou as diversas tipologias de áreas protegidas que já exis-
118 Planejamento Ambiental
tiam, mas estavam previstas em legislações diferentes e sob a coordenação de diver-
sos ministérios, secretarias e órgãos ambientais. Ele também normatizou o processo de 
criação e implementação dessas áreas, garantindo a participação social, principalmente 
das comunidades do entorno, além de ter inovado nas categorias de áreas protegidas, 
incluindo as do grupo de uso sustentável, que possibilitaram a exploração dos recursos 
naturais, conforme já era realizada tradicionalmente por diversas comunidades. Essas 
medidas têm evitado novos conflitos socioambientais com os povos e comunidades tra-
dicionais durante a criação das unidades de conservação.
Da mesma forma, as Políticas de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades 
Tradicionais (PNPCT) e de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), ao 
definirem como objetivo o desenvolvimento sustentável e criarem instrumentos para a 
gestão deses territórios, garantindo a conservação ambiental, cooperam para solucionar 
esses tipos de conflitos com as Unidades de Conservação.
O CAR, instrumento do Código Florestal, também possui um grande potencial de mini-
mizar outros tipos de conflitos territoriais, entre os agricultores familiares, grandes pro-
prietários de terras e as áreas naturais protegidas, ao passo que subsidiará a regulari-
zação fundiária e ambiental das propriedades rurais. Além disso, o MMA estabeleceu 
áreas prioritárias para a conservação, utilização sustentável e repartição dos benefícios 
da biodiversidade, devendo ser consideradas pelas políticas de desenvolvimento rural e 
urbana, bem como por todos os programas, projetos e ações a serem realizados no país. 
Saiba mais sobre as áreas prioritárias para a conservação em: http://www.mma.gov.br/biodiversidade/
biodiversidade-brasileira/%C3%A1reas-priorit%C3%A1rias. Acesso em 09 nov. 2016.
Nesse sentido, o ZEE é um dos principais instrumentos de planejamento ambiental e 
ordenamento do território, como já estudamos anteriormente, e deve considerar todos 
esses tipos de uso e ocupação do solo, as atividades realizadas no território, bem como 
as restrições ambientais. No entanto, para ser efetivo na minimização dos conflitos ter-
ritoriais, ele deve refletir os interesses da população, priorizando o desenvolvimento sus-
tentável e a qualidade de vida, ao contrário do que muitos zoneamentos e planos têm 
estabelecido, quando as atividades econômicas (industriais, minerarias, energéticas, do 
agronegócio, entre outras) norteiam o planejamento e as ações do poder público.
Cabe ressaltar ainda que a Constituição Federal trouxe vários avanços ao reconhecer o 
direito ao meio ambiente equilibrado e o direito dos povos indígenas, por exemplo. No 
119Unidade 10– Os conflitos territoriais e as contribuições do Planejamento Ambiental
entanto, é preciso colocar em prática as políticas, os programas, os projetos ambientais 
e a demarcação das terras indígenas e dos demais povos e comunidades tradicionais, 
assegurandoos seus direitos constitucionais. Os conflitos territoriais entre indígenas e 
os grandes proprietários do agronegócio ainda estão distantes de uma solução, apesar 
de o Brasil possuir legislações bastante avançadas em relação aos povos tradicionais e à 
questão ambiental.
Podemos concluir que os diversos instrumentos de planejamento ambiental contribuem 
para o ordenamento territorial e para solucionar ou, ao menos, minimizar os conflitos 
territoriais existentes no país. Contudo, ainda temos que avançar muito na implementa-
ção desses planejamentos voltados ao desenvolvimento sustentável e na gestão demo-
crática do território.
Pratique
Para conhecer mais sobre os conflitos territoriais no Brasil, acesse o mapeamento realiza-
do pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), disponível em <http://www.conflitoambien-
tal.icict.fiocruz.br>, navegue pelas opções de filtro por tipo de conflito e analise quais são 
os conflitos no Estado do Paraná.
122
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126
Currículo da autora
Fernanda de Souza Sezerino
Gestora Ambiental e Mestra com distinção em Desenvolvimento Territorial Sustentável pela UFPR. 
Realizou estágios no Núcleo Ambiental da APPA e na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de 
Paranaguá-PR. Atuou como Técnica Ambiental no SESC-PR, como Assistente Técnica do SENAI-PR na 
implantação do PGRS da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) e foi professora 
conteudista para o IFPR (Curso Técnico em Meio Ambiente) e para a DTCOM (Curso de graduação em 
Gestão Ambiental). Atualmente é professora no INAT e no Centro Estadual de Educação Profissional Dr. 
Brasílio Machado. Possui experiência em Políticas Públicas, Licenciamento Ambiental, Gestão de Resíduos 
Sólidos, Gestão de Unidades de Conservação, Gestão Ambiental Portuária, Educação Ambiental, 
Geoprocessamento e Projetos Socioambientais. Desenvolve pesquisas na área de Gestão de Unidades 
de Conservação, Políticas Públicas, Expansão Urbana sobre Áreas Protegidas, Gestão Territorial, 
Planejamento Ambiental e Urbano, Gestão de Recursos Hídricos, Vulnerabilidade Socioambiental, 
Conflitos ambientais, Economia Ecológica, Ecologia Política e Justiça Ambiental.

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