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MODULO 02 3 – PAPILOSCOPIA 3.1 - Conceito: Papiloscopia é a ciência que trata da identificação humana por meio das papilas dérmicas. A palavra papiloscopia é resultante de um hibridismo greco-latino (Papilla = papila e Skopêin = examinar). VANTAGENS EXATIDÃO BAIXO CUSTO SISTEMATIZAÇÃO EM ARQUIVOS AUXÍLIO NA SOLUÇÃO DE CRIMES 3.2 - Período Científico Esse período é caracterizado pela abordagem técnico-científica da identificação pelas impressões papilares e de suas propriedades. Alguns estudiosos, como Locard, consideram como marco inicial o ano de 1665, com o trabalho de Marcelo Malphighi, anatomista italiano, denominado “De lingua, de externo tactus organo”, no qual faz observações sobre diversas figuras existentes nas pontas dos dedos e palmas das mãos. Seu artigo abordou principalmente a morfologia e a função das cristas papilares como órgãos táteis e seu uso no aumento do atrito no ato caminhar e no ato segurar. Em 1823, Johanes Evangelliste Purkinje (1787-1869), fisiologista tcheco, professor da Universidade de Breslau, Alemanha, publicou uma tese contendo seus estudos sobre o olho, impressões digitais e outras características da pele, intitulada Commentatio de Examine Physiogoligo Organi Visus et Systmatis Cutanei. É considerado o pai da datiloscopia. Trata-se do primeiro trabalho contendo a descrição e a classificação dos desenhos digitais, onde Purkinje os classificou em nove tipos, prevendo a possibilidade de serem reduzidos a quatro. Sua classificação foi utilizada tão somente para estudos anatômicos, prendendo-se, por isso, exclusivamente aos “desenhos digitais” e não às “impressões digitais”. Ele não cogitava a aplicação dos desenhos digitais na identificação de pessoas. Em 1856, José Engel publicou o “Tratado de Desenvolvimento da Mão Humana”, no qual faz apreciações sobre os desenhos digitais e reduziu a quatro os nove tipos da classificação de Purkinje. É a partir do último quarto do século XIX (1875 em diante) que se estabelece definitivamente a datiloscopia como meio efetivo de identificação humana. Para isso, trabalharam quase que simultaneamente: Faulds, no Japão; Herschel, na Índia; Galton, na Inglaterra e Vucetich, na Argentina. Diante dos estudos conduzidos por essas pessoas, destacam-se três nomes, dos quais, dois resultaram nos mais conhecidos e utilizados sistemas de classificação da atualidade, Henry e Vucetich. Francis Galton – médico inglês, em publicação na revista Nature, de 28 de Junho de 1888, sob o título de Personal Identification, lançou o sistema de classificação dos desenhos digitais, ao qual deu o nome de Galtonismo. Nesse sistema, ele agrupou desenhos digitais em 38 tipos, distribuídos em três categorias: arcos, presilhas e verticilos. O sistema de Galton baseou-se na persistência inalterável das linhas papilares, desde o seu surgimento, e na enorme variedade das combinações em diferentes indivíduos – princípios da imutabilidade e variabilidade dos desenhos digitais. A importância de Galton está em ser o responsável pelo primeiro estudo completo sobre impressões digitais do ponto de vista biológico e por deduzir suas possibilidades na criminalística. Ele não fez uma classificação utilizável que pudesse substituir o Sistema Antropométrico, mas forneceu todos os elementos necessários para que isso fosse possível. Richard Edward Henry – funcionário do governo inglês. Sucedeu Herschel na Índia. Era inspetor-geral de polícia de Bengala. Quando retornou à Europa, baseado nos seus estudos desenvolvidos na Índia, ele desenvolveu um sistema datiloscópico, admiravelmente preciso, dispensando todas as mensurações, que foi apresentado em 1899 na Associação Britânica para Avanço das Ciências. Em 1890, ele publicou a primeira edição de seu livro Classification and Uses of Fingerprint, considerado a “Bíblia” do método datiloscópico inglês. O método datiloscópico de classificação desenvolvido por Henry foi adotado oficialmente na Inglaterra no ano de 1901, sendo então designado assistente comissionado no Departamento de Investigação Criminal da Scotland Yard. Juan Vucetich Kovacevich – nasceu em 20 de Julho de 1858, na Dalmácia (atual Croácia), antigo império austro-húngaro. Emigrou em 1884 para a Argentina, onde se naturalizou. Em 1888 foi designado funcionário do Departamento Central de Polícia de Buenos Aires. Em 1891, foi encarregado de organizar a Oficina de Estatística y Identificación, aplicando o sistema antropométrico de Bertillon. Nesse mesmo ano conheceu o trabalho de Galton sobre impressões digitais e palmares, por meio da Revista Científica, edição no 18, de 02 de maio de 1891, a qual publicou As Impressões Digitais Depois de Galton, de Henry de Varigny. Ao conhecer a matéria, Vucetich teve a idéia de pesquisar um método de classificação de impressões para ser utilizado na identificação. Assim, criou fichas decadactilares para serem usadas com o sistema antropométrico. Quando criou seu sistema, Vucetich o batizou com o nome de “Icnofalangometria”, porém, em 1904, o renomeou como “Datiloscopia” devido a sugestões, alegando tratar-se de vocábulo mais adequado, curto e eufônico. Devido à eficácia desse sistema, começou a espalhar-se por todos os países da América do Sul. Frederico Olóriz Aguilera – nascido no ano de 1855, em Granada, Espanha, começou a se sobressair aos 16 anos pelo brilhantismo com que obteve a condição de aluno da Faculdade de Medicina da Universidade de Granada, cuja cátedra de Anatomia desempenhou em Madri. Médico e antropólogo, iniciou trabalhos na identificação humana com o método de Bertillon. Olóriz conheceu o método de Henry em 1903. Em 1905, o de Vucetich. Nesse ano leu os principais livros de Galton (Fingerprint, 1892 e Fingerprint Directories, 1895). Em 1908 preconizou o Sistema de Identificação Dactilar, usado na Espanha e Portugal, tendo publicado um estudo exaustivo sobre os deltas. Em 1909 editou o Guía para Entender La Tarjeta de Identidad e o distribuiu gratuitamente, com dedicatória, aos seus alunos. Olóriz tomou como base o sistema de classificação de Vucetich. Ele também agrupa os dactilogramas em quatro tipos fundamentais, classificados segundo o delta. A ausência ou presença de delta e seu número e situação, quando existe, determina o grupo a que pertence. Segundo esse sistema, qualquer dactilograma tem que pertencer a um dos quatro grupos seguintes: 1o Tipo: A – Adeltos (sem delta); 2o Tipo: D – Dextrodeltos (delta à direita); 3o Tipo: S – Sinistrodeltos (delta à esquerda); 4o Tipo: V – Bideltos (dois ou mais deltas); Para uma classificação mais detalhada, Olóriz identificou e nomeou até dez características próprias das impressões digitais que ajudariam a reduzir o número de comparações necessárias para a identificação de um indivíduo em um arquivo datiloscópico. O trabalho de Olóriz o coloca à mesma altura de Henry e Vucetich. 4. ELEMENTOS CIENTÍFICOS DA PAPILOSCOPIA A Papiloscopia é a ciência que trata da identificação humana por meio das papilas dérmicas, ou seja, identificação humana através das impressões digitais, palmares ou plantares. 4.1 - Divisão A Papiloscopia apresenta as seguintes divisões: a) Datiloscopia: É o processo de identificação por meio das impressões digitais, isto é, das pontas dos dedos. b) Quiroscopia: É o processo de identificação por meio das impressões palmares, isto é, das palmas das mãos. A mesma classifica-se em três regiões: I. Tenar: região situada na base do dedo polegar; II. Hipotenar: região que se encontra do lado externo da palma da mão, ou seja, do prolongamento do dedo mínimo, ocupando uma posição oposta à região tênar. III. Superior ou Infra-Digital: região situada imediatamente abaixo dos dedos indicadores, médio, anular e mínimo. O desenho quiroscópico,como o digital, é formado por cristas e sulcos interpapilares, apresentam deltas, pontos característicos e poros, sendo também, perenes, imutáveis e variáveis. Embora as impressões palmares possam ter aplicação na identificação civil, quando da ausência de dedos, é na área criminal que tem maior valia a sua utilização, quando deixada impressões palmares ou fragmentos em local de crime, permitindo, assim, o confronto de tais impressões ou fragmentos com as colhidas de suspeitos. O entintamento da palma da mão pode ser feito com o rolo entintado cobrindo todas as partes da mão, evitando-se que fiquem partes brancas e que se aplique excesso de tinta. A coleta pode ser direta como a batida ou rolada com o uso de um cilindro. c) Podoscopia: É o processo de identificação por meio das impressões plantares, isto é, das plantas dos pés. A podoscopia pode ser utilizada em exames de confronto, quando encontradas em local de crime, no entanto, sua maior aplicação se dá com maior freqüência pelas maternidades, na identificação dos recém-nascidos. A podoscopia classifica-se em: I. Região do grande artelho; II. Região do segundo ao quinto artelho; III. Região fibular (do perônio), lado externo do pé; IV. Região tibial, lado interno (arco do pé); e V. Região do calcanhar. O que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente? A lei 8069/90 em seu artigo 10, inciso II, cria a obrigatoriedade de impressão plantar do recém-nascido: Art. 10 - Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares, são obrigados a: (...) II - identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital e da impressão digital da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela autoridade administrativa competente; Compare o borrão colhido na maternidade, com uma impressão plantar colhida de forma correta com uso de tinta adequada por um Perito Papiloscopista. O material de coleta utilizado no hospital é a tinta carimbo, com alto índice de água, enquanto que a coleta feita pelo técnico da área foi realizada com tinta preta de imprensa de boa consistência de forma que as impressões digitais possam ser guardadas por muitos anos. 4.2. Princípios Fundamentais Os desenhos papilares humanos e dos primatas, bem como das impressões que se obtém dos focinhos dos animais, são individuais (variabilidade), perenes e imutáveis, mesmo que sejam do mesmo tipo, subtipo, forma ou classificação. 4.2.1. Perenidade É a propriedade que tem os desenhos papilares de se manifestarem definidos, desde a vida intra-uterina (entre o quarto e o sexto mês) até a completa putrefação cadavérica. O desenho papilar observado num recém- nascido permanece até a sua velhice, com a única diferença do aumento De tamanho, como se fosse uma ampliação fotográfica. Apesar disso, observa-se que os pontos característicos continuam os mesmos. 4.2.2. Imutabilidade É a propriedade que tem os desenhos papilares de não mudarem a forma original, desde o seu surgimento até a completa decomposição cadavérica. O desenho conserva-se idêntico a si mesmo, não mudando durante a sua existência. 4.2.3. Variabilidade É a propriedade que tem os desenhos papilares de não se repetirem, variando, portanto, de região para região papilar e de pessoa para pessoa. Não há possibilidade de se encontrar duas impressões papilares idênticas, nem mesmo numa mesma pessoa. Indivíduo e pessoa, são diferentes? Indivíduo - é o ser natural, uma unidade física, biológica. Pessoa - está relacionado à personalidade, aos valores e aos papéis que esse indivíduo realiza em seu cotidiano. 4.3. Estrutura da Pele No estudo da pele encontra-se os elementos necessários para a elaboração de métodos de identificação humana, principalmente o papiloscópico. Como as papilas fazem parte da pele, faz-se necessário conhecer sua estrutura para melhor solução dos impasses que possam ocorrer na coleta de impressões. A pele é uma vastíssima membrana, mais ou menos espessa, que recobre externamente todas as partes do corpo. Em nenhum ponto ela possui mais de 4,5mm de espessura, o que não a impede de exercer papel fundamental na percepção, proteção, termo-regulação e secreção. Sua textura pode indicar raça, refletir deficiência de saúde, sinais de envelhecimento e até, em certos casos, identificar a atividade profissional do homem. Do ponto de vista anatômico, a pele é composta de duas camadas superpostas: derme e epiderme. 4.3.1. Derme É a camada mais profunda da pele, onde atuam os fatores que intervêm na morfologia e na configuração dos desenhos papilares. A derme se constitui de duas camadas em formas de rede e tecido fibroso. É a face subcutânea e a última barreira entre a pele e o interior do corpo. Nessa área, encontram-se terminações nervosas, minúsculos vasos sanguíneos, as raízes dos cabelos, as glândulas sudoríparas, glândulas sebáceas e os corpúsculos do tato (corpúsculos de Meissner), localizados nas papilas. As papilas são pequenas saliências de natureza neurovascular. As vasculares apresentam vasos sanguíneos e situam-se na superfície da pele por todo o corpo. As nervosas abrigam os corpúsculos de Meissner (tato) e estão localizadas em alta concentração na polpa digital, nas palmas das mãos e na planta dos pés. Essas saliências têm forma de um cone achatado, variando em número, direção e formato. As papilas são responsáveis pelos desenhos em relevo, observáveis a olho nu, que originam as impressões papilares. Esses desenhos são compostos por linhas que, geralmente, se apresentam quebradas, bifurcadas, interrompidas, desviadas, etc. Essas particularidades têm o nome de “pontos característicos” e são os elementos individualizadores das impressões digitais. 4.3.2. Epiderme É a camada mais superficial da pele. É constituída de duas faces: externa e interna. A face externa é lisa e nela encontram-se pêlos, poros e unhas. A face interna é delgada e recobre as papilas, provocando relevos altos e baixos, os quais resultam nos vários tipos de desenhos papilares, visíveis desde a parte externa. A epiderme não contém vasos sanguíneos, porém possui inúmeras ramificações nervosas. A epiderme é composta de cinco camadas superpostas, que são: a) Córnea; b) Transparente; c) Granular; d) Malpighiana; e) Geradora; Nas duas últimas camadas, a Geradora e a Malpighiana, é que se forma a rede mucosa de Malpighi. É exatamente entre essas duas camadas que se alojam as granulações pigmentares, denominadas “pigmento de Malpighi”, que determina a cor da pele, a qual concorre para a classificação das raças humanas, a saber: As saliências papilares são espessamentos permanentes na epiderme. Erguem-se acima do nível geral da pele e sua distribuição corresponde às principais áreas de preensão e sustentação de peso. Elas variam em aspereza nas diferentes partes da mão. Têm textura mais fina e macia nas pontas dos dedos e mais áspera no resto desses, sendo a palma da mão de uma textura intermediária. Individualmente, existe certa margem de variação. Há, por exemplo, uma vaga correlação entre a largura das elevações e das dimensões corporais. Na superfície, as saliências papilares estão dispostas em formações paralelas, ora em séries curvas, ora em séries retilíneas. As saliências papilares apresentam as seguintes funções: a) Mecânica: relativa à preensão e sustentação de peso; b) Sensorial: relacionada aos terminais nervosos organizados da epiderme, sobretudo os que estão a serviço do tato; c) Exsudação: concernente à eliminação de substâncias por meio das glândulas. 4.3.3. Glândulas Sudoríparas São aquelas que excretam o suor, cuja finalidade é a regulação térmica do organismo, por meio de evaporação, além de purificar o sangue, expelindo por meios doscanais sudoríparos, as matérias nocivas. As glândulas sudoríparas são de variedade comum e encontram-se em todo o corpo humano, totalizando entre 150 e 340 glândulas por centímetro quadrado de pele. Situam-se logo abaixo da epiderme, formando tubos celulares espiralados. Um único canal abre-se para a superfície da pele. As aberturas dos canais de suor estão alinhadas ao longo da crista das elevações papilares. Em média, o ser humano segrega 1.300 gramas de suor por dia. 4.3.4. Glândulas Sebáceas São pequenas glândulas dispostas em cachos, que segregam uma substância gordurosa cuja finalidade é dar proteção, elasticidade e maciez à pele. Elas existem em toda a extensão da pele, porém, são muito mais numerosas ao redor das orelhas, nariz e peito. 4.3.5. Poros São as aberturas dos canais sudoríparos, as quais iniciam na derme e terminam na superfície externa da pele, a epiderme. Observação: Os produtos das glândulas sudoríparas e sebáceas (suor e substâncias gordurosas) têm relação direta com as impressões papilares, de acordo com cada caso: o Quando se tratar da coleta das impressões papilares com tinta (impressões entintadas), esses produtos devem ser removidos para que possa se obter boas impressões. 4.4. Morfologia das Linhas Papilares Na região palmar até as extremidades digitais, ou na região plantar, a pele oferece, à vista do observador, mesmo a olho nu, uma infinidade de saliências que são denominadas de “Cristas Papilares” ou “Linhas Papilares”. Os intervalos ou depressões que as separam chamam-se “Sulcos Interpapilares”. Essas “cristas” são formadas propriamente pelas papilas existentes na derme. As papilas têm a forma, em geral, de cone, porém são também hemisféricas, cilíndricas, ou levemente intumescidas no seu ápice, de acordo com a região do corpo em que se encontram. As papilas oferecem ainda variedade quanto às suas dimensões, direção e seu número por superfície de pele. Podem ser unidas ou divididas em vários prolongamentos, tais como piramidais, cônicos, circulares, hemisféricos, etc., de maior ou menor grandeza. Essa diversidade de formas e situações orienta o trajeto e constituição das cristas papilares, o que explica seus múltiplos arranjos. Geralmente se apresentam quebradas, bifurcadas, interrompidas, desviadas, etc. Essas particularidades têm o nome de “pontos característicos”, que nada mais são do que os elementos individualizadores das impressões papilares.