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ACESSE AQUI ESTE MATERIAL DIGITAL! JOSÉ GILBERTO PEREIRA PATRÍCIA MINATOVICZ FERREIRA DOBLINSKI TALITA CRISTIANE SUTTER ORGANIZADOR RENATA RACHIDE ASSISTÊNCIA E ATENÇÃO FARMACÊUTICA Coordenador(a) de Conteúdo Gislaine Cardoso de Souza Fiaes Projeto Gráfico e Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Lavígnia da Silva Santos Design Educacional Gisele Porto Revisão Textual Cindy Mayumi Okamoto Luca Graziele Bento Porto Ilustração Andre Luis Azevedo da Silva Wellington Vainer Fotos Shutterstock e Envato Impresso por: Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722. Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). Núcleo de Educação a Distância. PEREIRA, José Gilberto; DOBLINSKI, Patrícia Minatovicz Ferreira; SUTTER, Talita Cristiane. Assistência e Atenção Farmacêutica / José Gilberto Pereira, Patrícia Minatovicz Ferreira Doblinski, Talita Cristiane Sutter; organizador: Renata Rachide. - Florianópolis, SC: Arqué, 2024. 160 p. ISBN papel 978-65-6137-739-3 ISBN digital 978-65-6137-737-9 1. Assistência 2. Farmacêutica 3. EaD. I. Título. CDD - 615.07 EXPEDIENTE FICHA CATALOGRÁFICA N964 03506880 RECURSOS DE IMERSÃO Utilizado para temas, assuntos ou con- ceitos avançados, levando ao aprofun- damento do que está sendo trabalhado naquele momento do texto. APROFUNDANDO Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de filmes que se conectam com o tema do conteúdo. INDICAÇÃO DE FILME Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de livros que agregarão muito na sua vida profissional. INDICAÇÃO DE LIVRO Utilizado para desmistificar pontos que possam gerar confusão sobre o tema. Após o texto trazer a explicação, essa interlocução pode trazer pontos adicionais que contribuam para que o estudante não fique com dúvidas sobre o tema. ZOOM NO CONHECIMENTO Este item corresponde a uma proposta de reflexão que pode ser apresentada por meio de uma frase, um trecho breve ou uma pergunta. PENSANDO JUNTOS Utilizado para aprofundar o conhecimento em conteúdos relevantes utilizando uma lingua- gem audiovisual. EM FOCO Utilizado para agregar um con- teúdo externo. EU INDICO Professores especialistas e con- vidados, ampliando as discus- sões sobre os temas por meio de fantásticos podcasts. PLAY NO CONHECIMENTO PRODUTOS AUDIOVISUAIS Os elementos abaixo possuem recursos audiovisuais. Recursos de mídia dispo- níveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. 7 61 4 109 U N I D A D E 3 ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 110 PLANEJAMENTO E GESTÃO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA 126 PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES 144 7U N I D A D E 1 PANORAMA HISTÓRICO E CONCEITOS BÁSICOS DA FARMÁCIA CLÍNICA E DO CUIDADO FARMACÊUTICO 8 MÉTODO CLÍNICO FARMACÊUTICO 22 FARMACOTERAPIA 38 61 U N I D A D E 2 POLÍTICA NACIONAL DE MEDICAMENTOS 62 USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS 76 CICLO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA 92 5 SUMÁRIO UNIDADE 1 MINHAS METAS PANORAMA HISTÓRICO E CONCEITOS BÁSICOS DA FARMÁCIA CLÍNICA E DO CUIDADO FARMACÊUTICO Conhecer o panorama histórico da farmácia clínica e do cuidado farmacêutico no Brasil. Compreender os conceitos básicos da farmácia clínica. Conhecer as áreas de atuação do farmacêutico clínico. Entender o papel do farmacêutico no cuidado da saúde. Compreender a relevância do papel do farmacêutico na assistência ao paciente para promover o uso seguro e racional de medicamentos. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1 8 INICIE SUA JORNADA Olá, estudante, iniciaremos os nossos estudos pensando a respeito do papel do farmacêutico no cuidado da saúde. Com que frequência, até o presente momento, você parou e refletiu sobre a importância do farmacêutico na pro- moção do uso seguro e racional de medicamentos? Se nunca o fez, agora é o momento apropriado para fazê-lo, uma vez que você também desempenhará um papel crucial nesse processo. A preocupação com a segurança do usuário de medicamentos começou a ganhar destaque na década de 1960, o que resultou em um maior engaja- mento dos farmacêuticos nas questões relacionadas ao uso de medicamentos por parte dos pacientes. Imagine-se daqui a alguns anos: você estará recém-formado e trabalhará, por exemplo, em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Você colocará em prática tudo o que aprendeu nesta disciplina. Como será participar de todo o processo envolvido na prescrição do médico na UBS? Quais orientações você repassará para o paciente quando dispensar a medicação dele? Quais serão as análises que você fará, por exemplo, quando ler a prescrição do médico e cruzá-la com as informações que já tem sobre o paciente na farmácia? A farmácia clínica e a atenção farmacêutica têm como foco principal o cuidado ao paciente e a busca pelo uso seguro e racional de medicamentos. Você já está preparado para mergulhar nesse universo e compreender o quanto você pode impactar a vida de um paciente com seus conhecimentos? Prepare-se: você irá descobrir como o profissional farmacêutico pode im- pactar nas discussões clínicas e na resolução de problemas relacionados aos me- dicamentos. Você irá se tornar o protagonista das ações clínicas que visam ao uso seguro e racional de medicamentos. Por fim, você terá acesso a uma série de ferramentas para te ajudar a se tornar um bom profissional com olhar clínico. Espero que aprecie o conteúdo. Bons estudos! UNIASSELVI 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 DESENVOLVA SEU POTENCIAL Você sabe de quando são os primeiros relatos da profissão farmacêutica? A farmácia, enquanto profissão, tem história desde o tempo do Império. No Brasil, em 1931, o então Presidente, Getúlio Vargas, declarou a farmácia como estabelecimento profissional do farmacêutico através do Decreto nº 20.377. Em 1973, foi editada a Lei nº 5.991, que trata essencialmente do comércio farmacêutico, no entanto era raro encontrar farmacêuticos em farmácias. Ele quase desapareceu. A população não recebia a atenção clínica do farmacêutico! Preparamos um podcast para você conhecer sobre o uso indiscriminado da Ta- lidomida e das consequências nefastas que isso provocou. Este assunto é muito interessante, pois foi um marco na regulação de medicamentos no Brasil. Aperte o play! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Vamos recordar o que é atenção farmacêutica e cuidado farmacêutico? Atenção Farmacêutica é uma atividade essencial dentro do grande leque da assistência farmacêutica. Ela é tão especial que permite que o profissional farmacêutico desenvolva um relacionamento muito íntimo e direto com o paciente. Os principais objetivos são: atingir resultados terapêuticos que contribuam para a qualidade de vida e, sobretudo, que a farmacoterapia seja racional. O cuidado farmacêutico constitui a ação integrada do farmacêutico com a equipe de saúde. Ela é centrada no usuário e objetiva a promoção, a proteção e a recuperação da saúde e a prevenção de agravos. Não só, mas também visa à educação em saúde e à promoção do uso racional de medicamentos prescritos e não prescritos, de terapias alternativas e complementares por meio dos serviços da clínica farmacêutica e atividades técnico-pedagógicas voltadas ao indivíduo, à família, à comunidade e à equipe de saúde (BRASIL, 2014a). 1 1 Em 1979, o Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, implantou o pri- meiro Serviçode Farmácia Clínica e o primeiro Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) do Brasil. Começando, assim, as disciplinas Farmácia Hos- pitalar, Farmácia Clínica e Farmacoterapia em algumas universidades, iniciando as atividades clínicas também fora dos hospitais. Sugiro que você assista ao documentário A Origem da Farmácia Clínica no Brasil Trata-se da história do farmacêutico e professor Tarcísio José Palhano, da Universi- dade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o qual resgata a história do primeiro serviço de farmácia clínica e do primeiro Centro de Informação sobre Medicamen- tos (CIM) do país. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambien- te virtual de aprendizagem EU INDICO Na década de 1990, o farmacêutico teve retorno às origens e reencontrou a vo- cação assistencial e clínica nos hospitais, farmácias e drogarias, tornando-se no- vamente referência na assistência. Você acredita que a farmácia clínica está relacionada somente ao âmbito hospi- talar? PENSANDO JUNTOS Sabemos que, onde houver paciente, haverá atividades focadas nele e, por con- seguinte, farmácia clínica. Segundo Hepler e Strand (1990), a profissão farmacêutica experimentou um significativo crescimento e desenvolvimento nos últimos 30 anos. No século XX, a farmácia passou por três grandes períodos: o tradicional, o de transição e o de cuidado do paciente, que está, atualmente, em desenvolvimento. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 TRADICIONAL No início do século XX, a farmácia era associada à figura do boticário, que preparava e comercializava os produtos medicinais. As principais funções do farmacêutico eram a obtenção, o preparo e a avaliação dos produtos medicamentosos TRANSIÇÃO Iniciou quando a preparação de medicamentos passou a ser desempenhada gradual- mente pela indústria farmacêutica. No final da década de 1960, começa a se falar de uma nova disciplina: a Farmácia Clínica. Permitiria que os farmacêuticos participassem novamente da equipe de saúde. Ocorreu uma rápida expansão das funções do farmacêutico e o aumento da diversida- de profissional CUIDADO DO PACIENTE O farmacêutico clínico, em qualquer ambiente em que estiver inserido, participa as- sessorando, aconselhando e educando o uso correto dos medicamentos. Em 2002, foi publicado um documento chamado Atenção farmacêutica no Brasil: trilhando caminhos. Leitura indispensável para todos os farmacêuticos e futuros farmacêuticos. Esse documento retrata muito bem o caminho percorrido pelo Brasil para a promoção e o desenvolvimento da atenção farmacêutica. A principal finalidade é divulgar as ações já realizadas até aquele momento e ser um instrumento para a am- pliação da participação de entidades e demais profissionais interessados na atenção farmacêutica. Leia o documentário Atenção farmacêutica no Brasil: trilhando caminhos. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EU INDICO 1 1 Alguns conceitos importantes estão definidos neste documento e você, estudante, deverá se atentar a alguns que são importantes que passarão a fazer parte do seu dia a dia, caso você trabalhe com a atenção farmacêutica. VOCÊ SABE DEFINIR OS CONCEITOS: • Atenção farmacêutica? • Problema Relacionado ao Medicamento (PRM)? • Acompanhamento/seguimento farmacoterapêutico? • Atendimento farmacêutico? • Intervenção farmacêutica? Outro fato muito importante na evolução da profissão farmacêutica foi a publi- cação da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 44 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 17 de agosto de 2009, a qual dispõe sobre Boas Práticas Farmacêuticas para o controle sanitário do funcionamento, da dispensação e da comercialização de produtos e da prestação de serviços farma- cêuticos em farmácias e drogarias e dá outras providências. Além desses marcos históricos já mencionados, não podemos deixar de lembrar e referendar: ■ Resolução CFF nº 585, que regulamenta as atribuições clínicas do far- macêutico. ■ Resolução CFF nº 586, de 29 de agosto de 2013, que regulamenta a pres- crição farmacêutica. ■ Lei nº 13.021, de 8 de agosto de 2014, dispõe sobre o exercício e a fisca- lização das atividades farmacêuticas. Esta lei eleva a farmácia ao grau de estabelecimento de saúde e confere autonomia técnica ao profissional farmacêutico (BRASIL, 2014b). UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 OBJETIVOS DO SERVIÇO DE CLÍNICA FARMACÊUTICA A orientação dos pacientes é direcionada ao acesso aos medicamentos por meio da atenção básica e dos componentes estratégico e especializado da assistência farmacêutica. ■ A educação do paciente em relação aos próprios medicamentos e aos problemas de saúde, de modo a aumentar a compreensão acerca do tra- tamento e promover o autocuidado. ■ A promoção da adesão do paciente ao tratamento mediante a orientação terapêutica, a redução da complexidade do tratamento e a provisão de recursos que apoiem a tomada de medicamentos. ■ A otimização da farmacoterapia por intermédio da revisão da polime- dicação e, quando possível, da redução da carga de comprimidos e do custo do tratamento. ■ A avaliação da efetividade e da segurança dos tratamentos e o ajuste da farmacoterapia, quando necessário, com o prescritor e a equipe de saúde. ■ A identificação, a prevenção e o manejo de erros de medicação, interações medicamentosas, reações adversas, intoxicações e riscos associados aos medicamentos. ■ A educação do paciente para a guarda e a destinação adequada dos me- dicamentos vencidos e demais resíduos de saúde ligados à terapêutica. Diferentemente dos outros serviços prestados pelo farmacêutico, o serviço de cuidado coloca o paciente como foco principal da prática profissional, e não o medicamento. As principais intervenções farmacêuticas na clínica estão relacionadas à pre- venção, à identificação e à resolução de problemas da farmacoterapia, pois se trata daquilo que o profissional deve estar mais bem preparado para resolver. Gostou do que discutimos até aqui? Ainda temos mais para conversar com você a respeito deste tema! Vamos lá! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digi- tal do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO 1 4 NOVOS DESAFIOS Você consegue perceber como a profissão farmacêutica é bela e como a atenção farmacêutica pode contribuir para a vida dos nossos pacientes? Você, como farmacêutico(a) terá um papel importante no uso seguro e racional de medicamentos de modo bem amplo, seja orien- tando o uso correto, seja analisan- do as possíveis interações, a fim de melhorar a qualidade de vida do paciente e solucionar os possíveis PRMs que possam surgir com a farmacoterapia deles. Imagine, agora, tudo o que você, farmacêutico, pode fazer pelo seu paciente: as orientações que pode fornecer a ele, o acom- panhamento que pode fazer da far- macoterapia e os benefícios que ele terá com todas as suas ações. UNIASSELVI 1 5 1. Após grandes mudanças na profissão farmacêutica ao longo da história, especialmente no que tange ao desenvolvimento da farmácia clínica e da atenção farmacêutica, aponte quais foram as principais mudanças ocorridas a partir da edição da Lei nº 5.991/1973 e, depois, com o advento da farmácia clínica, com a criação do primeiro Serviço de Farmácia Clínica e o primeiro Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) do Brasil, em 1979, no Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal. 2. A atenção farmacêutica é uma prática clínica centrada no paciente, visando à resolução de problemas relacionados à farmacoterapia e à promoção do uso racional de medicamentos, com o objetivo de garantir a máxima efetividade e segurança. Dessa forma, caracterize e descreva corretamente a atenção farmacêutica. 3. Considerando os objetivos do serviço de uma clínica farmacêutica, assinale a alternativa correta: a) Otimização da farmacoterapia por intermédio da revisão da polimedicação, com o ob- jetivo exclusivo de reduzir os custos do tratamento. b) Avaliaçãoda efetividade dos tratamentos e ajuste da farmacoterapia, quando necessário, com o prescritor e a equipe de saúde. c) Orientação dos pacientes direcionada ao acesso aos medicamentos por intermédio da atenção básica e dos componentes estratégico e especializado da assistência farma- cêutica. d) Educação do paciente sobre os próprios medicamentos, de modo a aumentar a com- preensão dele acerca do tratamento e promover o autocuidado. e) Promoção da adesão do paciente ao tratamento por meio, exclusivamente, da orientação terapêutica. AUTOATIVIDADE 1 1 4. Considerando o movimento da farmácia clínica no Brasil, analise as afirmativas a seguir: I - A farmácia clínica teve os primeiros movimentos no Brasil, quando professores da Uni- versidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foram até o Chile fazer uma pós-gra- duação em Farmácia Clínica. II - Um dos mais importantes marcos históricos da farmácia clínica no Brasil foi a implan- tação, no início dos anos de 1990, do primeiro Serviço de Farmácia Clínica e do primei- ro Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) do Brasil no Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal. III - A partir da década de 1980, os cursos de especialização em Farmácia Hospitalar im- plantados no Brasil passaram a representar um divisor de águas na história da farmácia hospitalar no Brasil. IV - Depois da farmácia clínica, surgiu a atenção farmacêutica, que, acompanhando uma tendência mundial iniciada nos anos de 1990, tinha, como proposta, reaproximar defini- tivamente o farmacêutico do paciente. V - Um dos países que mais contribuíram para a criação da farmácia clínica no Brasil foram os Estados Unidos, que receberam os professores de diferentes universidades brasileiras para cursar programas de pós-graduação em Farmácia Clínica. É correto o que se afirma em: a) II e III, apenas. b) I, III e IV, apenas. c) I, II, III, IV e V. d) IV, apenas. e) III e V, apenas. AUTOATIVIDADE 1 1 5. A atenção farmacêutica constitui uma nova concepção do exercício profissional farmacêu- tico. A esse respeito, analise as afirmativas a seguir: I - A atenção farmacêutica satisfaz às necessidades sociais, ajudando os indivíduos a obter os melhores resultados durante a farmacoterapia. II - As ações do farmacêutico, no modelo de atenção farmacêutica, são, principalmente, os atos clínicos voltados ao paciente individualmente. III - Os esforços para a readequação de atividades e práticas farmacêuticas visando à orien- tação do uso dos medicamentos são essenciais em uma sociedade em que os fármacos constituem o arsenal terapêutico menos utilizado. IV - Ao prestar atenção farmacêutica, o profissional deve garantir que o paciente possa cum- prir os esquemas farmacoterápicos prescritos e seguir o plano de assistência, procurando alcançar resultados positivos ao final. V - Para satisfazer de maneira eficiente à necessidade social, é essencial que o farmacêutico desenvolva ações centradas nas diferentes classes farmacológicas. É correto o que se afirma em: a) II, III e IV, apenas. b) III e IV, apenas. c) I, II e IV, apenas. d) I, II, III, IV e V. e) I, II e V, apenas. AUTOATIVIDADE 1 8 REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto nº 20 377, de 8 de setembro de 1931. Aprova a regulamentação do exercício da profissão farmacêutica no Brasil. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/de- cret/1930-1939/decreto-20377-8-setembro-1931-498354-publicacaooriginal-1-pe.html. Aces- so em: 17 nov. 2023. BRASIL. Lei nº 13 021, de 8 de agosto de 2014. Dispõe sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas. Brasília, DF: Presidência da República. 2014b. Disponível em: https:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13021.htm. Acesso em: 13 out. 2023. BRASIL. Lei nº 5 991, de 17 de dezembro de 1973. Dispõe sobre o Controle Sanitário do Comér- cio de Drogas, Medicamentos, Insumos Farmacêuticos e Correlatos, e dá outras Providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5991.htm. Acesso em: 17 nov. 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Depar- tamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Serviços farmacêuticos na atenção básica à saúde. Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estra- tégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Brasília: Ministério da Saúde, 2014a. 108 p. BRASIL. Resolução da diretoria colegiada. RDC nº 44, de 17 de agosto de 2009. Dispõe sobre o Controle Sanitário do Comércio de Drogas, Medicamentos, Insumos Farmacêuticos e Correla- tos, e dá outras Providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5991. htm. Acesso em: 17 nov. 2023. BRASIL. Resolução nº 586 de 29 de agosto de 2013. Regula a prescrição farmacêutica e dá outras providências. Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/file/noticias/Resolu%- C3%A7%C3%A3o586_13.pdf. Acesso em: 17 nov. 2023. DOBLINSKI, P. M. F. Atenção Farmacêutica e Serviços Farmacêuticos. Indaial: Arqué, 2023. HEPLER, C. D.; STRAND, L. M. Oportunidades e responsabilidades na assistência farmacêutica. Am J Hosp Pharm., v. 47, n. 3, p. 533-543, 1990. 1 9 1. Texto explicando: o modelo de ensino adotado pelo Brasil contemplava a formação a partir de habilitações nas áreas de análises clínicas, industrial ou de alimentos. As disciplinas de clínicas, como Farmacologia Clínica, Farmacoterapia e Semiologia, simplesmente inexistiam na prática, enquanto disciplinas, como Química Orgânica, Química Analítica e Físico-Química, dominavam o ciclo básico. O profissional farmacêutico estava muito distante do paciente. Com a Lei nº 5.991, o famélico se distanciava mais ainda do paciente, já que a legislação tratava essencialmente do comércio farmacêutico. Nessa época, o profissional farmacêutico era uma peça rara em farmácias: ele quase desapareceu. O que tínhamos eram profissionais farmacêuticos que simplesmente “assinavam pela farmácia”, ou seja, o farmacêutico era considerado o responsável técnico pela farmácia, mas não prestava a assistência devida. A população ficava sem receber a atenção clínica do farmacêutico e permanecia à mercê do mercantilismo de alguns proprietários de farmácias, infelizmente. Todavia, esse panorama mudou completamente com o advento da Farmácia Clínica e da Atenção Farmacêutica. Após a implantação do primeiro Serviço de Farmácia Clínica e do primeiro Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) no Brasil, começaram os movimentos nas universidades brasileiras para inserir algumas disciplinas, como Farmácia Hospitalar, Farmácia Clínica e Farmacotera- pia, o que gerou o início das atividades clínicas fora dos hospitais. Foram criados cursos de especialização em Farmácia Hospitalar, que representaram um divisor de águas na história da Farmácia Hospitalar no Brasil, sobretudo porque os mais de 200 farmacêuticos que deles participaram habilitaram-se a implantar ou implementar serviços de Farmácia Hospitalar em hospitais de todos os estados da federação. Diante disso, na década de 1990, o farmacêu- tico começou a retornar às origens e reencontrou a própria vocação assistencial e clínica nos hospitais, farmácias e drogarias. Além disso, começou a encontrar espaço na indústria farmacêutica em departamentos de pesquisa clínica, Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) e farmacovigilância. Surge, nessa época, a Atenção Farmacêutica, que emergiu como uma proposta concreta de reaproximar, definitivamente, o farmacêutico do paciente. Dessas evidências, tem-se, agora, um novo contingente de farmacêuticos, diferenciados pela verti- calização de conhecimentos sobre a natureza clínica do medicamento, e não menos vigilante no que tange às reações adversas, em uma incessante busca pela racionalidade do uso. 2. Texto explicando: o compartilhamento de decisões e responsabilidades com o paciente é o grande objetivo da Farmácia Clínica. GABARITO 1 1 3. Opção C. Texto explicando: a alternativa Aestá errada, pois a clínica farmacêutica não tem como objetivo exclusivo reduzir os custos com o tratamento. A alternativa B está errada, por- que a clínica farmacêutica avalia a efetividade e a segurança dos tratamentos. A alternativa D está errada, dado que a clínica farmacêutica educa os pacientes sobre medicamentos e problemas de saúde. A alternativa E está errada, uma vez que a clínica farmacêutica promove a adesão do paciente ao tratamento por intermédio de ações diversas, como orientação terapêutica, redução de complexidade de tratamento e provisão de recursos que apoiem a tomada dos medicamentos. 4. Opção B. Texto explicando: a afirmativa I está correta, porque a ida dos professores para fazer pós-graduação no Chile foi crucial para o desenvolvimento da farmácia clínica. A afirmativa II está incorreta, pois a criação do primeiro serviço de Farmácia Clínica aconteceu em 1979, e não no início dos anos de 1990. A afirmativa III também está certa, visto que os cursos de pós- -graduação em Farmácia Hospitalar foram grandes divisores de águas no desenvolvimento da Farmácia Clínica. A afirmativa IV também está correta, já que um dos principais objetivos da Farmácia Clínica era reaproximar o farmacêutico do paciente. A afirmativa V está errada, pois o país que mais contribuiu para a vinda da Farmácia Clínica para o Brasil foi o Chile. 5. Opção C. Texto explicando: a afirmativa I está correta, visto que a Atenção Farmacêutica satisfaz às necessidades sociais, o que propicia melhores resultados com a Farmacoterapia. A afirmativa II também está correta, pois as ações do farmacêutico dizem respeito princi- palmente atos clínicos voltados ao paciente individualmente. A afirmativa IV também está correta, porque, na Atenção Farmacêutica, o profissional garante que o paciente cumpra os esquemas farmacoterápicos prescritos e siga o plano de assistência, procurando alcançar resultados positivos ao final. GABARITO 1 1 MINHAS METAS MÉTODO CLÍNICO FARMACÊUTICO Compreender os métodos clínicos farmacêuticos e sua aplicação na assistência farma- cêutica. Desenvolver os passos necessários para a implementação de um método clínico, a fim de fornecer uma estrutura organizada e sistemática. Identificar os contextos de aplicação dos métodos clínicos e as possibilidades de inter- venção. Aprimorar a habilidade na escolha do método clínico adequado para realização do acom- panhamento farmacoterapêutico. Identificar e resolver problemas relacionados à farmacoterapia, com o objetivo de promo- ver o uso racional de medicamentos. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2 1 1 INICIE SUA JORNADA Olá, seja bem-vindo ao mundo clínico da farmácia! Neste momento, você deve se perguntar: será que estes métodos clínicos e farmacêuticos são assim tão importantes? Como estes métodos poderão ser uti- lizados na prática? E mais: como eles podem ajudar tanto no desenvolvimento da atenção farmacêutica? Imagine: você está em sua farmácia. Entra, então, o seu João. João é casado, aposentado, tem 68 anos e é hipertenso. Ele vem à farmácia, pois não está se sentindo muito bem, reclama de fortes dores na cabeça e, quando você pede para ele mostrar onde dói, ele mostra a nuca. Você questiona acerca do uso do seu anti- hipertensivo, que ele compra em sua farmácia, e então ele diz que está tomando o Captopril® de forma correta. O que será que pode estar acontecendo com João? Ele está tomando o medica- mento de forma correta? Será que o medicamento não faz mais efeito? Será que a dose está errada? Será que a hipertensão dele evoluiu? De que forma você poderá descobrir o que está acontecendo com João? Ao final deste tema você vai descobrir, por meio de um dos métodos clínicos aqui exemplificados, o que pode estar acontecendo com o senhor João, e mais, você vai saber como ajudá-lo. Preparamos um podcast sobre hipertensão arterial, não deixe de ouvir e aprender um pouco mais sobre o assunto. Com certeza, esse podcast agregará conheci- mentos como profissional. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Vamos recordar um pouco do processo da origem da farmácia clínica no Brasil? UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 DESENVOLVA SEU POTENCIAL Ao longo das últimas décadas, o farmacêutico buscou firmar-se como clínico, integrante da equipe de atenção à saúde. Desde o surgimento da farmácia clí- nica e, posteriormente, da atenção farmacêutica, o que se busca é desenvolver uma prática focada no paciente e voltada à resolução e prevenção de problemas farmacoterapêuticos. “ No ambiente hospitalar, o farmacêutico que, por vezes, era distante do paciente, bem como de toda a equipe de saúde, passou a demons- trar a necessidade de participar da equipe de saúde e de interagir no cuidado prestado ao paciente (ANGONESI; SEVALHO, 2010 apud ARAUJO; TESCAROLLO; ANTÔNIO, 2019, p. 2). A importância da farmácia clínica, da atenção farmacêutica e do profissional farmacêutico já nos é bem clara, contudo, temos que pensar que o importante trabalho realizado pelo farmacêutico precisa ser bem-organizado e normatizado e, por isso, a adoção de um método clínico universal é imprescindível. Dentre as metodologias mais citadas no Brasil, estão o Método Dáder, o Pharmacotherapy WorkUp e o Therapeutic Outcomes Monitoring (TOM). De modo geral, todos os métodos de atenção farmacêutica disponíveis ad- vêm de adaptações do método clínico clássico de atenção à saúde e do sistema de registro SOAP (Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano). ETAPAS DO MÉTODO CLÍNICO DE ATENÇÃO FARMACÊUTICA Você, estudante, conhece os passos do método clínico? Na prática do dia a dia, o farmacêutico atenderá os seus pacientes um a um, em consultas individualizadas. Sabendo disso, é importante que conheça as eta- pas do método clínico da atenção farmacêutica. Veja, na Figura 1, as quatro etapas! 1 4 Realizar o seguimento individual do paciente: Coletar e organizar os dados do paciente Identificar problemas relacionados à farmacoterapia Elaborar um plano de cuidado em conjunto com o paciente Realizar o seguimento individual do paciente Figura 1 – Passos para realização da atenção farmacêutica com o paciente / Fonte: adaptada de Weed (1971). Descrição da Imagem: o método clínico de atenção farmacêutica segue as etapas ou fases que podemos observar na figura, como uma seta voltada para a direita, onde, sobre ela, há quatro quadros com os dizeres da esquerda para a direita. Coletar e organizar os dados dos pacientes; identificar problemas relacionados à farmacoterapia. Elaborar um plano de cuidado em conjunto com o paciente; e por último, realizar o seguimento individual do paciente. Fim da descrição. COLETAR E ORGANIZAR OS DADOS DO PACIENTE O objetivo será coletar e organizar dados do paciente, e, para isso, o farmacêutico de- verá utilizar as técnicas de semiologia farmacêutica e entrevista clínica. É nesta etapa que se descobre o motivo da consulta, dados específicos do paciente, a história clínica dele e o histórico de medicação. É aberta uma ficha para registro do atendimento. IDENTIFICAR PROBLEMAS RELACIONADOS À FARMACOTERAPIA De posse de todas as informações necessárias, o farmacêutico será capaz de fazer uma análise situacional e uma revisão da farmacoterapia do paciente para, numa abor- dagem clínica, poder identificar problemas relacionados à farmacoterapia presentes e potenciais do paciente. ELABORAR UM PLANO DE CUIDADO EM CONJUNTO COM O PACIENTE O farmacêutico deverá elaborar um plano de cuidado em conjunto com o paciente, que pode incluir intervenções farmacêuticas e/ou encaminhamento a outros profissio- nais ou agendamento de retorno. UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 REALIZAR O SEGUIMENTO INDIVIDUAL DO PACIENTE É realizado o seguimento individual do paciente com análise de resultados e progres- so, o alcance de metas terapêuticas e o surgimento de novos problemas. Esse proces- so analítico nãoapenas permite uma compreensão profunda do estado de saúde do paciente, mas também facilita a implementação de estratégias personalizadas para otimizar o uso de medicamentos, garantindo, assim, uma intervenção farmacêutica precisa e eficaz. Coleta de Dados A consulta farmacêutica tem início com a coleta de dados, feita por meio de uma anamnese e exame clínico, em que o paciente é a principal fonte das informações. VOCÊ SABE RESPONDER? Você como profissional sabe as perguntas e o que solicitar ao paciente? Quando a consulta é agendada, peça ao paciente que leve seus medicamentos, suas receitas médicas e últimos exames. Isso irá lhe ajudar muito! A entrevista clínica é focada no perfil do paciente, histórico clínico e histó- ria de medicação. A história clínica inclui a queixa principal, história da doença atual, história médica pregressa, história social, familiar e revisão por sistemas. ■ QUEIXA PRINCIPAL: como o paciente refere o problema. ■ HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL: o que perguntar sobre o sintoma. ■ HISTÓRIA MÉDICA PREGRESSA: focar em doenças ou medicamentos que podem causar o sintoma. ■ HISTÓRICO FAMILIAR: destacar caso as situações clínicas tenham his- tórico na família. ■ HISTÓRIA SOCIAL: hábitos que podem ser a causa do sintoma. ■ REVISÃO POR SISTEMAS: outros órgãos que podem ser afetados e que sinalizem casos de maior gravidade e complexidade. 1 1 De posse de todas as informações necessárias sobre o paciente, o farmacêu- tico deve aplicar um raciocínio clínico sistemático a fim de avaliar e identificar todos os problemas relacionados à farmacoterapia do paciente. MÉTODOS CLÍNICOS Agora, precisamos focar nos diferentes métodos clínicos ou métodos de segui- mento farmacoterapêuticos. Dentre as metodologias que otimizam a atenção farmacêutica, podemos citar alguns métodos que podem ser utilizados para au- xiliar o farmacêutico no exercício desta importante atividade. Importante salientar que cabe a cada profissional identificar qual método melhor se encaixa à realidade do seu trabalho, a fim de tornar a sua rotina mais produtiva. Método SOAP (Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano) Este método é amplamente empregado por profissionais da saúde, tendo como ponto positivo seu entendimento por qualquer desses profissionais. Cada termo refere-se a uma parte do processo de atendimento do paciente, com atividades específicas a serem realizadas. São eles (STORPIRTIS et al., 2008, p. 361): Coletar informações subjetivas (S): nessa etapa do procedimento, devem ser registradas as informações obtidas do paciente ou cuidador ou, se for o caso, de históricos de prontuário, as quais não se constituem em conhecimento objetivo. No caso da abordagem farmacêutica, deve-se buscar a obtenção de informações perti- nentes a problemas com o uso de medicamentos e sua relação com a enfermidade. Informações objetivas ou dados que podem ser mensurados (O): refe- rem-se à obtenção de dados objetivos, como sinais vitais, resultados de exames de patologia clínica, achados de testes laboratoriais e de exame físico realizado pelo profissional habilitado para tal. Avaliação dos dados (A): com base nas informações subjetivas e objeti- vas, o farmacêutico deve identificar as suspeitas de problemas relacionados com medicamentos. Após, deve-se verificar o que pode ser realizado para a resolução desses problemas e quais as intervenções farmacêuticas que podem ser adotadas. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Plano (P): montar um plano de ação focado no que for mais necessário: de posse da análise das informações e do planejamento das condutas a serem realizadas, em conformidade com o perfil do paciente, o farmacêutico deve apresentá-las a este último, buscando o estabelecimento de um acordo para a implementação do plano. Caso os problemas relacionados com medicamentos necessitem da avaliação do prescritor, o paciente deverá ser informado dessa necessidade. Também se deve estabelecer, em conjunto, a forma de realizar a monitorização dos resultados do plano a ser implementado, principalmente se houver novas modificações em prescrição de medicamento ou no quadro do paciente, instaurando-se desta forma o ciclo de atendimento. Método PWDT Pharmacist’s Workup of Drug Therapy: o termo pode ser traduzido como “Avalia- ção farmacêutica da terapia medicamentosa" ou "Estudo Farmacêutico da Terapia Farmacológica”. O método considera uma classificação de problemas relacionados aos me- dicamentos (PRMs), dividida em sete categorias: CLASSIFICAÇÃO DE PROBLEMAS RELACIONADOS COM MEDICAMENTOS (PRMS) Indicação PRM 1: Farmacoterapia desnecessária PRM 2: Necessidade de farmacoterapia adicional Efetividade PRM 3: Fármaco inefetivo PRM 4:Dosagem muito baixa Segurança PRM 5: Reação adversa ao fármaco PRM 6: Dosagem muito alta Adesão PRM 7: Não adesão à terapia Quadro 1 – Classificação de PRM / Fonte: adaptado de Cipolle, Strand e Morley (2004). 1 8 Método Dáder O Método Dáder se baseia na obtenção da história Farmacoterapêutica do pa- ciente, isto é, os problemas de saúde que ele apresenta e os medicamentos que utiliza, e na avaliação de seu estado situacional em uma data determinada a fim de identificar, resolver e prevenir os possíveis PRMs apresentados pelo paciente. Após esta identificação, se realizam intervenções farmacêuticas necessárias para resolver os PRMs e posteriormente se avaliam os resultados obtidos. O método considera uma classificação de PRMs, dividida em seis categorias: CLASSIFICAÇÃO DE PROBLEMAS RELACIONADOS COM MEDICAMENTOS (PRM) Necessidade: PRM 1: Problema de saúde não tratado PRM 2: Efeito de um medicamento desnecessário Efetividade: PRM 3: Inefetividade não quantitativa PRM 4: Inefetividade quantitativa Segurança: PRM 5: Insegurança não quantitativa PRM 6: Insegurança quantitativa Quadro 2 – Classificação de PRM / Fonte: adaptado de Santos et al. (2004). Método TOM (Therapeutic Outcomes Monitoring) Método TOM (Therapeutic Outcomes Monitoring) ou Monitorização de Resultados Terapêuticos tem como objetivo avaliar as necessidades do paciente em relação aos medicamentos que utiliza e a realização de segui- mento para verificar os resultados terapêuticos alcançados. É constituído de extenso formulário com perguntas padronizadas, que possibilita analisar UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 a situação do paciente, formular um plano de atenção, monitorar e avaliar o plano quando em uso pelo paciente. Finalizamos, aqui, a definição e esclarecimentos destes quatro importantes métodos de seguimento farmacoterapêutico, ou métodos clínicos farmacêuticos. Vale lembrar que o profissional farmacêutico tem o livre arbítrio para analisar cada um deles e usar aquele que melhor se adeque a sua realidade de trabalho. O que realmente importa é a saúde e o bem-estar do paciente e a busca pelo uso seguro e racional de medicamentos. Importante ressaltar que você poderá aplicar esses métodos clínicos em diferentes ambientes de trabalho: farmácia comunitária, unidade básica de saúde, hospitais. Onde quer que você tenha um paciente fazendo uso de medicamentos, você poderá aplicar um método clínico para identificar, prevenir e resolver problemas relacionados com a farmacoterapia dele. Gostou do que discutimos até aqui? Temos mais para conversar com você a res- peito deste tema, vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO NOVOS DESAFIOS Neste momento, pense em algum usuário de medicamentos que você conhece. Pode ser seu pai, sua mãe, um parente próximo, um amigo ou um paciente lá do seu local de trabalho. Eu imagino que durante esta unidade, quando falávamos dos PRMs, você já ficou imaginando: “Nossa, o fulano… Deve ter muitos PRMs”, então, pense nesta pessoa e, agora, imagine aplicar um dos métodos clínicos para ajudá-la, para identificar possíveis PRMs e garantir que ela tenha mais saúde, qualidade de vida e, acima de tudo, possa fazer uso seguro e racional deseus medicamentos. 1 1 UNIASSELVI 1 1 1. O II Consenso de Granada define problemas relacionados com medicamentos (PRMs) como problemas de saúde, resultados clínicos negativos, provenientes da farmacoterapia, que, produzidos por diversas causas, intervêm no resultado terapêutico ou levam a consequên- cias indesejadas (SANTOS et al., 2004). Segundo este mesmo consenso, em quantas categorias e tipos são classificados os PRMs, respectivamente? 2. Não há dúvidas de que uma das prerrogativas do movimento da atenção farmacêutica foi o de aproximar os pacientes do profissional farmacêutico e demonstrar o seu importante papel na equipe multidisciplinar e no cuidado com a farmacoterapia do paciente. Levando-se em conta os aspectos envolvidos com a atenção farmacêutica, assinale a alternativa correta: a) A Atenção Farmacêutica só é aceitável quando existe cooperação satisfatória com o médico. b) A Atenção Farmacêutica é mais efetiva e aceita quando o farmacêutico colabora com o médico. c) A Atenção Farmacêutica não tem nada a ver com o atendimento médico nem é neces- sária a cooperação mútua. d) A Atenção Farmacêutica pressupõe um entrosamento profissional com os médicos. e) A atenção Farmacêutica pressupõe um entrosamento entre médico, paciente e farma- cêutico. 3. Os Problemas Relacionados a Medicamentos (PRM) são a principal causa de eventos ad- versos, seja em ambiente hospitalar ou em outros ambientes, porém eles podem ser preve- nidos. Além de potencialmente danosos à saúde do paciente, os PRMs podem representar um maior custo para os serviços de saúde, ao aumentar o tempo de internação. A detecção de PRM é um processo que exige que: a) O farmacêutico realize dispensação ativa e dê informações acerca dos medicamentos aos pacientes. b) O farmacêutico solucione de forma satisfatória as consultas com os pacientes. c) O farmacêutico se comunique efetivamente com o médico. d) O farmacêutico analise a situação do paciente, a medicação prescrita, prepare um plano de seguimento e avalie os resultados encontrados durante este seguimento. e) O farmacêutico analise a situação do paciente, prepare um plano de seguimento e avalie os resultados encontrados durante o tratamento do paciente. AUTOATIVIDADE 1 1 4. É muito evidente a importância de um bom método clínico farmacêutico para que o pro- fissional farmacêutico consiga prestar a atenção farmacêutica de forma efetiva para o seu paciente. Sobre os métodos clínicos farmacêuticos para o exercício da atenção farmacêu- tica, analise as sentenças a seguir: I - O Método PWDT (Pharmacists Workup of Drug Therapy) compreende as etapas de oferta do serviço, primeira entrevista, estado de situação, fase de estudo, fase de avaliação, fase de intervenção, fase de resultado, novo estado de situação e entrevistas sucessivas. II - O método clínico farmacêutico é uma importante ferramenta para padronizar proces- sos, estabelecer fluxos e atuar de forma mais assertiva na identificação de PRM com a farmacoterapia do paciente. III - Dentre os métodos clínicos farmacêuticos para seguimento farmacoterapêutico, pode- mos citar: PWDT, Dáder, SOAP e TOM. IV - No método Dáder, podemos identificar três fases bem distintas: fase de avaliação, fase de desenvolvimento de um plano de cuidado e fase de acompanhamento da evolução do paciente. V - Os métodos PWDT e Dáder divergem especialmente no que diz respeito à classificação de PRMs. O método PWDT divide os PRMs em sete tipos, enquanto, no método Dáder, os PRMs são divididos em seis tipos. Assinale a alternativa correta: a) Apenas I, IV e V estão corretas. b) Apenas II, III e V estão corretas. c) Apenas I, II e IV estão corretas. d) Apenas, III, IV e V estão corretas. e) Todas estão corretas. AUTOATIVIDADE 1 1 5. Leia o texto a seguir: Seu João é um senhor aposentado, casado e tem 68 anos. João é seu paciente na farmácia há algum tempo e ele é hipertenso. Ele vem à farmácia pois não está se sentindo muito bem nos últimos dias. Ele reclama de fortes dores na cabeça e quando você pede para ele mostrar onde dói, ele mostra a região da nuca. Você questiona acerca do uso do seu anti-hipertensivo, que ele compra em sua farmácia, e ele diz que está tomando o Captopril®. Você, então, continua sua anamnese, convida João para se sentar e oferece uma água. Depois de cerca de 15 minutos, você verifica a pressão arterial e ela está 180 x 120 mm Hg. Você pergunta: — João, o senhor disse que está tomando o Captopril, então, me conte, que horas o senhor toma o remédio da pressão? João, prontamente responde: — Eu tomo cedo, quando acordo! Você continua: — Seu João, preciso saber exatamente a hora e como toma, me explique. João então, continua: — Eu costumo acordar perto das 07:30 da manhã, minha esposa sempre acorda junto, então ela faz o nosso café e logo depois que tomamos o café eu já tomo o remédio, com o estô- mago cheio para não fazer mal. Você ainda pede para seu João: — O senhor tem tomado mais algum medicamento nos últimos dias? Qualquer coisa? É muito importante que o senhor me conte tudo. E João diz que não, apenas toma o seu remédio de pressão depois do café da manhã. Avalie o caso clínico, aplique um dos métodos clínicos e responda: a) Você consegue identificar algum PRM com a farmacoterapia de João? b) O que pode ser feito para resolver o problema de saúde de João? AUTOATIVIDADE 1 4 REFERÊNCIAS ARAUJO, C. E. P.; TESCAROLLO, I. L.; ANTÔNIO, M. A. (org.). Farmácia clínica e atenção farma- cêutica. Ponta Grossa: Atena Editora, 2019. CIPOLLE, R. J.; STRAND, L. M.; MORLEY, P. C. Prática de Atenção Farmacêutica: o Guia do Clíni- co. 2. ed. Nova York: McGraw-Hill, 2004. 394p. SANTOS, H. et al. Segundo consenso de Granada sobre problemas relacionados com medi- camentos. Acta Médica Portuguesa, Lisboa, v. 17, p. 59-66, 2004. Disponível em: https://www. researchgate.net/publication/303131921_Segundo_Consenso_de_Granada_sobre_Proble- mas_relacionados_com_Medicamentos. Acesso em: 22 out. 2023. STORPIRTIS, S. et al. Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica. Rio de Janeiro: Guanabara Koo- gan, 2008. WEED, L. L. Controle de qualidade e o prontuário médico. Arch Intern Med, v. 127, p. 101-105, 1971. 1 5 1. Resposta: são três categorias: necessidade, efetividade e segurança, com dois tipos de PRM dentro de cada uma. 2. Opção B. A Atenção Farmacêutica é mais efetiva e aceita quando o farmacêutico colabora com o médico, pois a relação destes dois profissionais deve ser em prol do bem-estar do paciente atendido. 3. Opção D. O farmacêutico deve analisar a situação do paciente, a medicação prescrita, pre- pare um plano de seguimento e avalie os resultados encontrados durante este segmento (só mediante uma análise criteriosa o farmacêutico conseguirá identificar e resolver os PRM do paciente). 4. Opção B. Apenas as alternativas II, III e V estão corretas. As alternativas I e IV estão erradas porque elas estão com as fases trocadas, invertidas. 5. a) Sim, no caso clínico em questão, o senhor João está sofrendo com um PRM do tipo 3 (inefetividade não quantitativa da medicação), isso quer dizer que ele está tomando a dose certa, mas ela está sendo inefetiva pois ele está tomando no horário errado. O Captopril® é um anti-hipertensivo que tem sua absorção diminuída de forma muito considerável se for ad- ministrado junto às refeições. Desse modo, precisa ser administrado antes do café da manhã. b) O paciente precisa ser orientado que, a partir de agora, deverá tomar o medicamento em jejum, logo que acordar e, cerca de 30 minutos depois, ele poderá tomar o seu café da manhã. Não há necessidade de enviar comunicado ao médico de João, apenas fazer as orientações para o paciente e, de preferência, de forma verbal e também por escrito. GABARITO 1 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 MINHAS METAS FARMACOTERAPIA Conhecer o que é um acompanhamento farmacoterapêutico. Aprofundar os conhecimentos nos Problemas Relacionados a Medicamentos (PRM). Fazer algumas reflexões acercada importância da revisão da farmacoterapia. Aprender como operacionalizar a revisão da farmacoterapia. Aprender a elaborar um Plano de cuidado/atenção farmacêutica. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3 1 8 INICIE SUA JORNADA Você, estudante, está se preparando para ser um farmacêutico. Diante disso, cer- tamente você também quer ser um bom profissional. Quando eu estava na faculdade de farmácia, pensava: “e se meu paciente fizer uma pergunta e eu não souber responder? O que eu vou fazer?”. Então, vou contar a você, todo mundo passa por isso. No entanto, você não deve sofrer, você é uma pedra preciosa bruta que está sendo lapidada. Lembre-se: o conhecimento e a maturidade chegam aos poucos. Nada como um dia após o outro. Quando você menos perceber, terá tanto conhecimento e tanta capacidade de fazer, que nem mesmo você acreditará. Neste momento, quero convidar você a mergulhar neste tema de aprendi- zagem! Aqui, você aprenderá sobre revisão da farmacoterapia, assunto que irá auxiliar você em seus raciocínios clínicos. Veja como o universo farmacêutico é significativo. Tenho certeza de que, logo, você se identificará com a farmácia clínica. Vamos discutir um caso clínico? Então confira o podcast especial preparado para você. Que tal ouvir? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? O que é Problema Relacionado ao Medicamento (PRM)? “É um problema de saúde relacionado ou suspeito de estar relacionado à farmacoterapia, interferindo nos resultados terapêuticos e na qualidade de vida do usuário” (IVAMA et al., 2002, p. 19). A identificação de PRMs segue os princípios de necessidade, efetividade e segurança, próprios da farmacoterapia. UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 DESENVOLVA SEU POTENCIAL Iniciaremos, então, a nossa jornada. Lembre-se sempre do importante papel do profissional farmacêutico na Atenção Primária à Saúde (APS), que apresenta como características primordiais: ser porta de entrada preferencial dos usuários no sistema de saúde; prestar atenção de forma longitudinal e orientada para as pessoas e não focada nos agravos; desenvolver cuidados abrangentes e resolutivos para a maior parte dos problemas de saúde; e coordenar os cuidados quando os usuários necessitarem de atendimento em outros pontos na Rede de Atenção à Saúde (RAS) (SILVA et al., 2021). No contexto da atenção básica, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a importância do farmacêutico em uma equipe multidisciplinar e interdisciplinar de saúde na prevenção de doenças e na promoção da saúde, pois cabe ao farmacêutico au- xiliar na adesão ao tratamento, incluindo a orientação de autovigilância e autocuidado, como medidas pre- ventivas de complicações, seja devido a condição de saúde ou ao uso inadequado de medicamentos, e nas atividades de educação em saúde (SILVA et al., 2021). A revisão farmacoterapêutica é um dos serviços clínicos farmacêuticos regula- mentados pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), e se caracteriza como o pro- cesso pelo qual as necessidades medicamentosas do usuário são mensuradas a partir da investigação de PRM, de forma organizada, contínua e documentada, com o objetivo de completar os resultados determinados na busca da melhoria da qualidade de vida do usuário. Esse método é geralmente usado para pacien- tes que utilizam simultaneamente vários medicamentos em função de disfunções metabólicas ou por ocorrências de diferentes doenças. APROFUNDANDO Cabe ao farmacêutico auxiliar na adesão ao tratamento 4 1 A revisão da farmacoterapia é um dos serviços clínicos farmacêuticos, no qual é realizada uma avaliação crítica e estruturada de todos os medicamentos que o paciente faz uso para identificar, solucionar e até prevenir PRMs. Durante o processo, utilizam-se algumas informações, como dados pessoais, histórico de doenças, diagnósticos e resultados de exames, uso de sondas, du- ração da terapia medicamentosa, perfil dos medicamentos prescritos, limites funcionais e cognitivos do paciente e quadro clínico. Estudos demonstram que este método tem sido eficaz em diversos países, trazendo benefícios como: melhora do regime terapêutico, redução dos custos com hospitalizações, melhora da qualidade de vida dos pacientes e resolução de PRMs (MELO et al., 2021). A revisão da farmacoterapia é eficiente na resolução de PRMs, que é feita por meio da intervenção farmacêutica junto ao prescritor, cuidador ou paciente. Além da resolução desses problemas, esta prática clínica promove a descon- tinuação de medicamentos sem indicação ou com duplicação terapêutica. Reações Adversas aos Medicamentos (RAMs) As reações adversas aos medicamentos são eventos clínicos indesejáveis e atribuídos aos medicamentos utilizados em doses adequadas à enfermidade e à condição clínica do paciente. Elas podem provocar danos graves à saúde, ocasionando, muitas vezes, admissões hospitalares e, até mesmo, óbito. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos indicam que as reações adversas a medicamentos figuram entre as dez principais causas de óbito no país, além de representarem um ônus significativo para os sistemas de saúde em termos financeiros (MOTA; VIGO; KUCHENBECKER, 2019). VOCÊ SABE RESPONDER? Você sabe o que são Reações Adversas aos Medicamentos? UNIASSELVI 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 COMO OPERACIONALIZAR A REVISÃO DA FARMACOTERAPIA A revisão abrangente da medicação consiste na avaliação sistemática da neces- sidade, efetividade e segurança de todos os medicamentos em uso pelo paciente e de sua adesão ao tratamento. A revisão inicia-se no levantamento das informações do paciente durante a entrevista clínica. O farmacêutico deve conhecer a indicação, dose, via de administração, fre- quência e duração do tratamento para cada medicamento em uso e deve reunir as informações clínicas necessárias para avaliar a resposta do paciente, em termos de efetividade e segurança. Ainda, durante a entrevista, o farmacêutico deverá abordar a experiência de medicação do paciente e conhecer como ele organiza seus medicamentos em sua rotina e qual o grau de cumprimento do regime posológico (CORRER; OTUKI; SOLER, 2011). A avaliação da necessidade do uso de medicamentos pode revelar dois pro- blemas comuns: o uso de medicamentos desnecessários ou sem indicação clara para os problemas de saúde do paciente ou a necessidade de utilizar medicamen- tos para um problema de saúde não tratado até aquele momento. Nesta fase, o farmacêutico continuamente se pergunta se o problema de saúde do paciente é causado pela farmacoterapia ou se o problema é algo que precisa ser tratado com farmacoterapia. A efetividade da farmacoterapia é a expressão dos efeitos benéficos do trata- mento sobre o paciente. A efetividade consiste no resultado obtido do medicamento sob condições reais de uso, isto é, na prática clínica. A farmacoterapia é considerada efetiva quando conduz ao alcance das metas terapêuticas previamente estabelecidas. Para que se possa avaliar a efetividade, é preciso estabelecer as metas do tra- tamento, com base nos sinais e sintomas do paciente ou nos exames laboratoriais alterados associados à enfermidade. A segurança da farmacoterapia consiste na expressão dos efeitos prejudiciais do tratamento sobre o paciente. Um medicamento pode ser considerado seguro quando não causa um novo problema de saúde no paciente, nem agrava um problema de saúde já existente. As Reações Adversas aos Medicamentos (RAM) e a toxicidade são os proble- mas mais comuns relacionados à segurança da farmacoterapia. 4 1 RAM e toxicidade podem ser resultado do uso de doses muito altas pelo paciente. Assim como na efetividade, às condições clínicas do paciente, a dose, a via de administração, a frequência e a duração do tratamento podem dar origem a problemas de segurança da farmacoterapia. A avaliação da adesão terapêutica do paciente também pode revelar dois problemas comuns: anão adesão involuntária (não intencional) do paciente, que ocorre quando o paciente apresenta dificuldade em cumprir o tratamento ou o segue de forma inconsistente com as instruções do prescritor. Outro problema consiste na não adesão voluntária do paciente, situação na qual o paciente decide racionalmente não utilizar seus medicamentos ou fazê-lo de forma diferente das instruções do prescritor. Vários fatores podem influenciar a adesão do paciente ao tratamento, entre eles o acesso aos medicamentos, condições socioeconômicas e culturais, conheci- mento sobre os medicamentos, capacidade cognitiva, complexidade da farmaco- terapia, aspectos religiosos, expectativas e medos ligados ao tratamento, melhora ou agravamento da condição clínica, entre outros. O QUE O FARMACÊUTICO PRECISA SABER Para realizar uma adequada revisão da farmacoterapia, o farmacêutico deve possuir uma base sólida de conhecimento em farmacoterapia e sobre o manejo de condições agudas e crônicas. É fundamental possuir acesso a boas fontes de informação sobre medicamen- tos e às diretrizes clínicas. Boas fontes de informação terciária sobre medicamen- tos são artigos, livros e compêndios oficiais que possuam informação atualizada, completa, confiável e aplicável. Diretrizes clínicas são documentos de orientação da conduta profissional baseados nas melhores evidências científicas, normalmente elaborados por en- tidades médicas e científicas. No Brasil, há consenso de que os bulários normalmente encontrados nas farmácias não atendem às condições necessárias e não têm qualidade suficiente para a prática da atenção farmacêutica. UNIASSELVI 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Problemas Relacionados aos Medicamentos (PRM) Um grupo de farmacêuticos oriundos de diferentes regiões da Espanha se reu- niu na cidade de Granada para criar um consenso em termos da definição e da classificação dos PRM em seis categorias, de acordo com as três condições ou necessidades básicas de qualquer tratamento farmacológico: indicação, segu- rança e efetividade (Quadro 1). Indicação: PRM 1 – O paciente tem um problema de saúde, porque não recebe um medicamento de que necessita. PRM 2 – O paciente tem um problema de saúde, porque recebe um medicamento de que não necessita. Efetividade: PRM 3 – O paciente tem um problema de saúde porque, apesar da dose correta, o medicamento não é efetivo. PRM 4 – O paciente tem um problema de saúde porque, devido à dose prescrita, o medicamento não é efetivo. Segurança: PRM 5 – O paciente tem um problema de saúde, porque o medicamento não é seguro, apesar de a dose prescrita estar correta. PRM 6 – O paciente tem um problema de saúde, porque o medicamento não é seguro, devido à dose prescrita. Quadro 1 – Classificação dos PRM (Consenso de Granada) / Fonte: adaptado de Storpirtis (2008). A Figura 1 traz um esquema que facilita a visualização do processo de raciocínio clínico do farmacêutico em relação à farmacoterapia. 4 4 Necessidade O paciente utiliza todos os medicamentos de que necessita; e o paciente não utiliza nenhum medicamento desnecessário. Adesão terapêutica O paciente compreende e é capaz de cumprir o regime posológico; e o paciente concorda e adere ao tratamento numa postura ativa. Efetividade O paciente apresenta a resposta esperada à medicação; e o regime posológico está ajudando ao alcance das metas terapêuticas. Segurança A farmacoterapia não produz novos problemas de saúde; e a farmacoterapia não agrava problemas de saúde pré-existentes. Figura 1 – Características de uma farmacoterapia ideal / Fonte: adaptada de Correr, Otuki e Soler (2011). Descrição da Imagem: ilustração com a categorização dos problemas relacionados aos medicamentos. Temos quatro importantes categorias e, dentro de cada uma delas, duas possibilidades de PRM: Necessidade – o paciente utiliza todos os medicamentos de que necessita; e o paciente não utiliza nenhum medicamento desnecessário. Adesão terapêutica – o paciente compreende e é capaz de cumprir o regime posológico; e o paciente concorda e adere ao tratamento numa postura ativa. Efetividade – o paciente apresenta a resposta esperada à medicação; e o regime posológico está ajudando ao alcance das metas terapêuticas. Segurança – a farmacoterapia não produz novos problemas de saúde; e a farmacoterapia não agrava problemas de saúde preexistentes. Fim da descrição. UNIASSELVI 4 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 O III Consenso de Granada (2017), ao modificar o termo Problemas Relacio- nados aos Medicamentos (PRMs) para Resultados Negativos da Medicação (RNM), sugeriu uma lista de PRMs, focadas em problemas no processo de uso de medicamentos e não mais organizada em categorias de necessidade, efetividade e segurança da farmacoterapia. A conhecida classificação de seis PRMs é agora uma classificação com seis RNMs. A nova lista de PRMs inclui problemas como: administração incorreta do medicamento, características pessoais, conservação inadequada, contraindica- ção, dose, frequência ou duração inadequada, duplicidade, erro de dispensação, erro de prescrição, não adesão à terapia, interações, entre outros. Esta lista não tem por objetivo substituir classificações existentes, mas apresen- tar uma visão sistêmica sobre as condições ideais da farmacoterapia (necessidade, efetividade e segurança), abordando também a adesão terapêutica do paciente. A ordem lógica serve como guia ao profissional na revisão da farmacoterapia. As causas apresentadas são úteis, ainda, na definição de um plano de cuidado buscando uma prevenção e resolução de problemas existentes e o alcance das metas terapêuticas do paciente (CORRER; OTUKI; SOLER, 2011). A seguir, conheceremos um pouco mais sobre as categorizações de proble- mas relacionados à farmacoterapia e suas causas mais comuns, segundo Correr, Otuki e Soler (2011). 4 1 Farmacoterapia necessária Farmacoterapia desnecessária Inefetividade da Farmacoterapia Insegurança da Farmacoterapia Baixa Adesão do Paciente à Farmacoterapia UNIASSELVI 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 FARMACOTERAPIA NECESSÁRIA Situações Clínicas: há necessidade de iniciar farmacoterapia no paciente. Causas comuns: • Há um problema de saúde não tratado que requer medicamento. • O paciente tem dificuldade de acesso ao medicamento (não usa). • Há necessidade de farmacoterapia preventiva para redução de risco do paciente. FARMACOTERAPIA DESNECESSÁRIA Situações Clínicas: o paciente utiliza farmacoterapia que não é necessária. Causas comuns: • Não há uma indicação clínica válida para o medicamento em uso. • Múltiplos medicamentos estão sendo usado quando apenas um seria suficiente. • O paciente está tratando com medicamento uma RAM que poderia ser resolvida ou evitada. • O problema de saúde poderia ser tratado mais adequadamente com medidas não farmacológicas. INEFETIVIDADE DA FARMACOTERAPIA Situações Clínicas: a farmacoterapia não alcança a meta terapêutica proposta. Causas comuns: • O paciente apresenta-se refratário ao tratamento. • A forma farmacêutica é inadequada para o problema. • O medicamento apresenta problemas de qualidade. • O paciente está recebendo uma dose muito baixa. • Paciente tem dificuldade de acesso ao medicamento (usa menos). • Há uma interação medicamentosa reduzindo o efeito do medicamento. • A frequência de uso ou duração do tratamento é insuficiente para produzir resposta. 4 8 Depois que o farmacêutico faz a avaliação de todas as informações coletadas, estuda o caso em detalhes e revisa toda a farmacoterapia, buscando identificar os problemas relacionados à farmacoterapia, ele tem em mãos uma lista de proble- mas que precisam ser resolvidos ou solucionados. A partir de então, tem início o que chamamos de “Plano de Cuidado”. INSEGURANÇA DA FARMACOTERAPIA Situações Clínicas: o medicamento causa um novo problema de saúde no paciente ou agrava um problema preexistente. Causas comuns: • O paciente está sofrendo uma reação adversa ao medicamento (RAM). • O medicamento é contraindicadodevido a fatores de risco do paciente. • Há uma interação medicamentosa aumentando o efeito do medicamento. • O paciente está recebendo uma dose muito alta. • A frequência de dosagem está muito curta. • A duração do tratamento é muito longa. BAIXA ADESÃO DO PACIENTE À FARMACOTERAPIA Situações Clínicas: o paciente não adere apropriadamente à farmacoterapia de forma voluntária ou involuntária. Causas comuns: • O paciente não entendeu apropriadamente as orientações. • O paciente tem dificuldade para se lembrar de tomar os medicamentos. • O medicamento não pode ser adquirido pelo paciente. • O paciente administra incorretamente o medicamento ou não é capaz de fazê-lo corretamente. • O paciente prefere não tomar os medicamentos. UNIASSELVI 4 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Plano de Cuidado O objetivo do Plano de Cuidado, ou plano de intervenções, é determi- nar, junto ao paciente, como manejar adequadamente seus problemas de saúde, utilizando a farmacoterapia e tudo que deve ser feito para que o plano seja cumprido. De acordo com Correr, Otuki e Soler (2011), este será composto de três partes: 1. Metas terapêuticas. 2. Intervenções voltadas aos problemas relacionados à farmacoterapia. 3. Agendamento das avaliações de seguimento. Elaborar um plano de cuidado re- quer tomada de decisões clínicas. É altamente recomendável a utilização de um modelo de decisões compar- tilhadas centrado no paciente. En- volver o paciente aumenta a adesão terapêutica, dá maior suporte ao au- tocuidado e aumenta as chances de manutenção de resultados terapêu- ticos positivos no longo prazo. O método Dáder 2007 propõe alguns elementos desta forma de trabalhar com o paciente na aten- ção farmacêutica: 5 1 1 Criar uma atmosfera de intimidade no momento de pactuar decisões, proporcionar escuta ativa e comu- nicação não verbal, designando um ambiente de confidencialidade. 3 Identificar claramente qual é a deci- são que precisa ser tomada. 4 Discutir com o paciente seus me- dos, prioridades e expectativas. 2 Pesquisar se o paciente deseja en- volver-se nas decisões clínicas e conhecer que tipo de informação o paciente deseja receber. UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 5 Expor as opções terapêuticas com os seus ‘prós’ e ’contras’. Estas infor- mações devem ser transmitidas de forma compreensível, sem jargões médicos, com auxílio de desenhos no papel se necessário. 7 Compartilhar com o paciente suas experiências pessoais, isto é, o que você faria se estivesse na mesma situação do paciente. 8 Negociar a melhor decisão com o paciente e, se não houver urgência, permitir um tempo para que cada um reflita sobre suas opiniões até a próxima consulta. 6 É importante obter um feedback do paciente a fim de reconhecer se a explicação foi satisfatória. Pode-se indicar outras fontes para o pacien- te pesquisar, como páginas da web voltadas a pacientes. 5 1 Podemos dizer que a intervenção pode ser de duas formas: 1. Farmacêutico-paciente: quando se apresenta um PRM devido a causas derivadas da própria iniciativa do paciente quanto à forma de utilizar os medicamentos. 2. Farmacêutico-paciente-médico: quando a estratégia estabelecida pelo médico não consegue os efeitos esperados ou quando o paciente apresen- ta um problema de saúde que necessita de diagnóstico. Com o objetivo de exemplificar as diferentes intervenções farmacêuticas que podem ser feitas, veja o Quadro 2: Modificação na quantidade de medicamento 1.1. Modificar a dose de medicamento. 1.2. Modificar a frequência de administração ou a duração do tratamento. 1.3. Modificar os horários de uso do medicamento. Modificação da estratégia farmacológica 2.1. Iniciar um novo medicamento. 2.2. Suspender um medicamento. 2.3. Substituir um medicamento. Educação do paciente 3.1. Reduzir a não aderência não intencional do paciente (educar no uso do medicamento). 3.2. Reduzir a não aderência voluntária do paciente (trabalhar atitudes e comportamento do paciente). 3.3. Educar sobre medidas não farmacológicas. Quadro 2 – Tipos de intervenções farmacêuticas realizadas na atenção farmacêutica Fonte: adaptado de Correr, Otuki e Soler (2011). 9 Uma vez tomada a decisão, qualquer que seja, apoiar o paciente para que ele se sinta cuidado. UNIASSELVI 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 NOVOS DESAFIOS Que conteúdo intenso! Imagino que você deva se questionar: quanta coisa! Ou melhor: como um farmacêutico é essencial à farmacoterapia de um paciente! E é por isto que estamos aqui, que você está aqui, para ser um profissional único, que faça a diferença no mercado de trabalho e que não seja um mero entregador de caixinhas lá no mercado de trabalho. Com o conhecimento adquirido nesta unidade de conteúdo, você será capaz de oferecer um serviço de qualidade e será capaz de analisar a história farmaco- terapêutica de seu paciente para prevenir e identificar os PRMs. Agora, diga-me: isso não é maravilhoso? Conhecimento é tudo! Agora, quero ver você colocar em prática e estou curiosa para saber quem será seu primeiro paciente a ter os PRM detectados. Sucesso para você! Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você a respei- to deste tema. Vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO 5 4 1. Leia atentamente o caso a seguir para aplicar os conhecimentos adquiridos e fazer a revisão da farmacoterapia da paciente, tentando identificar possíveis PRMs com a farmacoterapia dela. Caso clínico: Maria Luíza, 19 anos, solteira, estudante, moradora do Bairro Aclimação, em Ma- ringá. A paciente procura você na farmácia para comprar sua pílula contraceptiva e, durante a conversa, ela comenta que está bastante preocupada, pois tem uma anemia intensa que está sendo tratada há meses e ela não melhora. Você pergunta se ela comprou o sulfato ferroso na sua farmácia e ela disse que não. A mãe comprou em uma farmácia do bairro. Então, você continua sua anamnese e pergunta, como ela tem feito este acompanhamento? A paciente conta que fez exames laboratoriais semana passada e que o médico comentou que nada mudou desde o último mês, ela também relata sentir tonturas e fraqueza cons- tante. Então, você questiona como ela tem tomado o sulfato ferroso e pede para explicar em detalhes. A moça, então, comentou que toma um comprimido todos os dias logo depois do almoço com um gole de água. Você pergunta e pede para ela confirmar: ela toma logo depois que acaba de almoçar, todos os dias. Analisando o caso, responda: a) Há algum PRM com a farmacoterapia desta paciente? Qual? Explique. b) Que orientações você daria para a paciente resolver o PRM dela, caso ele exista? AUTOATIVIDADE 5 5 2. Sobre os problemas de saúde ou exames clínicos elencados, considerando a meta farma- coterapêutica atribuída, analise as sentenças a seguir: I - Cura de uma doença/hipertensão ou diabetes. II - Redução e eliminação de sinais e/ou sintomas/depressão, resfriado comum. III - Prevenção da doença/anemia ferropriva, hipocalemia. IV - Auxiliar no processo diagnóstico/exames oftalmológicos contrastes radiológicos. V - Normalização de exames laboratoriais/anemia ferropriva, hipocalemia. Assinale a alternativa correta: a) Apenas I, III e IV estão corretas. b) Apenas II, IV e V estão corretas. c) Apenas I, II, IV e V estão corretas. d) Apenas III, IV e V estão corretas. e) Todas estão corretas. 3. O II Consenso de Granada fortaleceu laços e promoveu cooperação histórica. Sobre esse consenso, assinale a alternativa correta: a) O II Consenso de Granada divide os PRM em duas modalidades a saber: indicação e efetividade. b) O II Consenso de Granada divide os PRM em quatro modalidades: indicação, efetividade, segurança e nível de conhecimento. c) O II Consenso de Granada classifica os PRMs em seis categorias, de acordo com as três condições ou necessidades básicas de qualquer tratamento farmacológico: indicação, segurança e efetividade. d)O II Consenso de Granada classifica os PRMs em quatro categorias, de acordo com as duas condições ou necessidades essenciais de todo tratamento farmacológico: indica- ção e segurança. e) O II Consenso de Granada modificou o termo PRM (Problemas Relacionados aos Medi- camentos) para RNM (Resultados Negativos da Medicação), sugeriu uma lista de PRMs, focada em problemas no processo de uso de medicamentos e não mais organizada em categorias de necessidade, efetividade e segurança da farmacoterapia. AUTOATIVIDADE 5 1 4. A revisão da farmacoterapia trouxe avanços cruciais. Sobre os métodos utilizados para a revisão da farmacoterapia, analise as afirmativas a seguir: I - Para que os estudos realizados pudessem ser comparados, foi preciso unificar critérios de classificação. E foi criado um consenso em termos da definição e da classificação dos PRM em seis categorias, de acordo com as três condições ou necessidades básicas de qualquer tratamento farmacológico: indicação, segurança e efetividade. II - O III Consenso de Granada, ao modificar o termo PRM (Problemas Relacionados aos Me- dicamentos) para RNM (Resultados Negativos da Medicação), sugeriu uma lista de PRMs, focada em problemas no processo de uso de medicamentos e não mais organizada em categorias de necessidade, efetividade e segurança da farmacoterapia. III - O II Consenso de Granada, ao modificar o termo PRM (Problemas Relacionados aos Me- dicamentos) para RNM (Resultados Negativos da Medicação), sugeriu uma lista de PRMs, focada em problemas no processo de uso de medicamentos e não mais organizada em categorias de necessidade e efetividade da farmacoterapia. IV - Quando temos um PRM do tipo inefetividade da farmacoterapia, dizemos que a farma- coterapia não alcança a meta terapêutica proposta e isto pode ocorrer, por exemplo, pelo fato do paciente receber uma dose muito baixa. V - Dizemos que ocorre uma insegurança da farmacoterapia quando o medicamento causa um novo problema de saúde no paciente ou agrava um problema preexistente. Assinale a alternativa correta: a) As afirmativas I, II e III estão corretas. b) As afirmativas II, III e IV estão corretas. c) As afirmativas I, II, IV e V estão corretas. d) As afirmativas III, IV e V estão corretas. e) Todas as afirmativas estão corretas. 5. Elaborar um plano de cuidado para o paciente requer tomada de decisões clínicas. É al- tamente recomendável a utilização de um modelo de decisões compartilhadas centrado no paciente. Envolver o paciente aumenta a adesão terapêutica, dá maior suporte ao au- tocuidado e aumenta as chances de manutenção de resultados terapêuticos positivos no longo prazo. Faça a análise dos elementos propostos pelo método Dáder para trabalhar com o paciente na atenção farmacêutica e os descreva. AUTOATIVIDADE 5 1 REFERÊNCIAS CORRER, C. J.; OTUKI, M. F.; SOLER, O. Assistência farmacêutica integrada ao processo de cui- dado em saúde: gestão clínica do medicamento. Revista Pan-Amazônica de Saúde, [S.l.], v. 2, n. 3, p. 41-49, 2011. IVAMA, A. M. et al. Consenso brasileiro de atenção farmacêutica: proposta. Brasília, DF: Orga- nização Pan-Americana da Saúde, 2002. 24 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/PropostaConsensoAtenfar.pdf. Acesso em: 10 jan. 2024. MELO, M. S. dos S. et al. Importância do serviço de revisão da farmacoterapia no home care: uma revisão narrativa. Revista Artigos. Com, v. 32, p. e9381, 13 dez. 2021. Disponível em: https:// acervomais.com.br/index.php/artigos/article/view/9381/5706. Acesso em: 10 jan. 2024. MOTA, D. M.; VIGO, A.; KUCHENBECKER, R. de S. Reações adversas a medicamentos no sistema de farmacovigilância do Brasil, 2008 a 2013: estudo descritivo. Cadernos de Saúde Pública, v. 35, n. 8, p. 1-13, 2019. SILVA, S. M. de S. et al. Cuidado farmacêutico: revisão da farmacoterapia de usuários da atenção primária à saúde. Infarma – Ciências Farmacêuticas, [S.l.], v. 33, n. 2, p. 197-207, June 2021. Dispo- nível em: https://revistas.cff.org.br/?journal=infarma&page=article&op=view&path%5B%5D=2764. Acesso em: 10 jan. 2024. STORPIRTIS, S. et al. Farmácia clínica e atenção farmacêutica. Rio de Janeiro: Guanabara Koo- gan, 2008. 5 8 1. Resposta: a. A paciente em questão está tendo um PRM do tipo 3 de efetividade. O medicamento que ela toma, o sulfato ferroso não está sendo efetivo, pois está sofrendo uma interação com os alimentos e não está sendo absorvido corretamente. Por isso ela não melhora da sua anemia. b. Para resolver o problema a paciente precisa ser orientada a tomar o sulfato ferroso meia hora antes das refeições e de preferência com um suco de fruta ácido (limonada ou suco de abacaxi). O pH ácido melhora substancialmente a absorção do sulfato ferroso, por isto ele deve ser ingerido antes das refeições e com sucos ácidos. 2. Opção B. A sentença I está errada porque cura de doença é pneumonia bacteriana, amigda- lite estreptocócica. A sentença III está errada porque prevenção de doença é: osteoporose, infarto agudo do miocárdio. 3. Opção C. Temos três categorias de PRM: indicação, segurança e efetividade e cada uma delas se subdivide em mais duas categorias. 4. Opção C. A afirmativa III está errada, pois foi o III, e não o II Consenso de Granada que mo- dificou o termo PRM para RMN. 5. Resposta: É importante criar uma atmosfera de intimidade no momento de pactuar decisões com o paciente, proporcionar escuta ativa e comunicação não verbal, que crie um ambiente de confidencialidade. É importante obter feedback do paciente, a fim de reconhecer se a explicação foi satisfatória. Po- dem-se indicar outras fontes para o paciente pesquisar, como páginas da web voltadas a pacientes. Negociar a melhor decisão com o paciente e, se não houver urgência, permitir um tempo para que cada um reflita sobre suas opiniões até a próxima consulta. GABARITO 5 9 UNIDADE 2 MINHAS METAS POLÍTICA NACIONAL DE MEDICAMENTOS Conhecer a evolução do acesso aos medicamentos no Brasil nas suas diferentes aborda- gens políticas. Reconhecer as implicações dessas diretrizes na Política Nacional de Saúde e no desen- volvimento da Assistência Farmacêutica. Compreender as diretrizes, prioridades, responsabilidades de gestão, acompanhamento e avaliação da Política Nacional de Medicamentos (PNM). Conhecer a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME). Conhecer a Reorientação da Assistência Farmacêutica T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 4 1 1 INICIE SUA JORNADA Você sabia que, desde que o comércio de medicamentos iniciou no país, lá por meados do século XVIII, o acesso da população aos medicamentos disponíveis era restrito e um privilégio das classes mais abastadas da sociedade? A maioria da população, no cuidado de sua saúde e na cura das doenças, sempre lançou mão do uso de infusões e macerações de plantas medicinais, assim como de elementos místicos e práticas religiosas de curandeirismo e ben- zeduras como instrumentos terapêuticos. Atualmente, o acesso aos medicamentos por grande faixa da população tornou- -se uma realidade. Você saberia dizer de que modo as mudanças sociais, econômicas e políticas influenciaram a melhoria desse acesso? Qual foi o escopo do processo político-Social que determinou a criação de uma política de medicamentos no país? Tudo começou com o Movimento da Reforma Sanitária Brasileira, que aconteceu no Brasil em meados dos anos 1970, como uma resposta democrática à saúde coletiva comprometida por um Estado Totalitário. Esse movimento ex- pressou a indignação social frente às desigualdades e à mercantilização da saúde, que se configurou num projeto includente e solidário, que defendia a saúde como direito universal de todos os cidadãos. A criação da Política Nacional de Medicamentos (PNM) veio de encontro a uma crescente ampliação dos serviços de saúde decorrentes da implantação e desenvolvimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O ideário da PNM corrobora, de modo intrínseco à Política Nacional de Saúde, na construção de elementosfundamentais ao desenvolvimento de ações de promoção e melhoria da assistência à saúde. O propósito principal da PNM é o de garantir a eficácia, segurança e qualida- de dos medicamentos, a promoção do seu uso racional e o acesso da população aos medicamentos essenciais. Você está convidado a conhecer um pouco mais sobre a Relação Nacional de Me- dicamentos (Rename). Confira o podcast que preparamos e fique por dentro desse assunto, a fim de contribuir com o seu processo de formação. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 DESENVOLVA SEU POTENCIAL Com a criação dos Ministérios da Educação e da Saúde, em 1930, a assistência à saúde passou a ser executada por alguns hospitais especializados em psiquiatria e tuberculose, voltada à parcela da população denominada “indigente”, tinha caráter filantrópico e se encontrava em poucos estados e alguns municípios. A assistência médico-hospitalar prestada a esta população não era considerada um direito, mas sim uma ação de caridade. “A caridade ou a dádiva era o sustentáculo das Santas Casas de Misericórdia. Elas eram associações organizadas para prestar auxílio àqueles que nada tinham, mas também eram o principal lugar de depósito para aqueles que desejavam doar” (TOMASCHEWSKI, 2014, p. 23). Houve a expansão estrutural das unidades ambulatoriais e hospitalares pelo país, bem como a contratação de serviços privados de referência nas grandes cidades. Todavia, somente os trabalhadores formais (com carteira assinada) e seus depen- dentes tinham direito a essa assistência à saúde prestada pelo Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS). Nesse período, a assistência à saúde no país podia ser categorizada em: ■ os que podiam pagar pelos serviços; ■ os que tinham direito à assistência prestada pelo INAMPS; ■ os que não tinham nenhum direito. Entretanto, você pode questionar: como a Política Nacional de Medicamentos está inserida nesse contexto? O acesso aos serviços de saúde pressupõe o acesso a medicamentos, consi- derados como insumos essenciais que integram as estratégias de tratamento das doenças, promoção, manutenção e recuperação da saúde. Em 1988, ocorreu o I Encontro Nacional de Assistência Farmacêutica e Política de Medicamentos, que contou com a participação de representantes do governo federal, dos conselhos de farmácia, medicina e enfermagem, das universidades, da indústria farmacêutica e outros setores farmacêuticos, e dos 1 4 gestores estaduais e municipais de saúde, que teve por objetivo alinhar a política nacional de medicamentos aos princípios e diretrizes do SUS (BRASIL, 1988). Todo esse movimento culminou na publicação da Portaria GM/MS nº 3.916, de 30 de outubro de 1998, que aprovou a Política Nacional de Medicamentos. POLÍTICA NACIONAL DOS MEDICAMENTOS A criação da PNM veio de encontro a uma crescente ampliação dos serviços de saúde decorrentes da implantação e desenvolvimento do SUS. O aumento da oferta de serviços gerou, consequentemente, um aumento na demanda pelo acesso aos medicamentos, principal ferramenta terapêutica em- pregada. Além disto, o país estava em franco processo de transição epidemiológi- ca, marcada pelo aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (cardiovasculares, reumáticas e do diabetes). O período em questão também foi marcado pelo aumento na morbimortalidade decorrente da violência urbana, incluindo-se homicídios e acidentes de trânsito. Outras doenças como dengue, malária, tuberculose, infecções sexualmente transmissíveis, com destaque para a Aids, também colaboraram para o aumento da carga de doenças na população (BRASIL, 2001). Somados a este cenário constatam-se a desarticulação da assistência farmacêu- tica nos serviços de saúde, que trouxe problemas como a irregularidade do abas- tecimento de medicamentos na atenção básica; o aumento da pressão da indústria farmacêutica sobre a prescrição médica e os padrões de consumo, com estímulo à automedicação e práticas comerciais abusivas, que induzem o uso irracional de medicamentos; e o déficit na regulamentação do mercado farmacêutico nacional, as propagandas abusivas e a onda de falsificação de medicamentos (BRASIL, 2001). “ A PMN vem trazer orientações para assegurar o acesso pela popula- ção a medicamentos seguros, eficazes e de qualidade, ao menor cus- to possível. Os gestores do SUS, nas três esferas de governo (União, Estados e Municípios), devem atuar em parceria e concentrar es- forços no sentido de que o conjunto das ações direcionadas para o alcance deste propósito esteja balizado pelas diretrizes definidas nesta Política (BRASIL, 2001, p. 12). UNIASSELVI 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 RELAÇÃO DE MEDICAMENTOS ESSENCIAIS Medicamentos essenciais são definidos como aqueles que “satisfazem as neces- sidades prioritárias de atenção à saúde da população” e selecionados de acordo com sua relevância para a saúde pública, evidências sobre eficácia e segurança e relação custo-efetividade (WHO, 2002). Destinam-se a ser disponibilizados no contexto de sistemas de saúde, em quantidades e nas formas farmacêuticas adequadas, com qualidade garantida e informação adequada, e a um preço que o indivíduo e a comunidade possam pagar (WHO, 2002). No Brasil, a lista que possui os medicamentos essenciais recebeu o nome de Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, também conhecida como Re- name, lista criada de acordo com as necessidades e perfis epidemiológicos do país. A diretriz de adoção da Rename, como instrumento racionalizador das ações no âmbito da assistência farmacêutica e medida indispensável para o uso racional de medicamentos no contexto do SUS, serve de referência para as listas estaduais e municipais de medicamentos essenciais e para a orientação da prescrição mé- dica no SUS, assim como para dar direcionamento à produção farmacêutica nacional e a pesquisa e desenvolvimento de medicamentos no país. A Rename e suas congêneres nos estados e municípios são fundamentais para a padronização da prescrição e do abastecimento de medicamentos no âmbito do SUS, o que consequentemente reduz os custos da assistência farmacêutica. Para tanto, é fundamental que a Rename seja divulgada continuamente pelos vários meios de comunicação para que chegue aos profissionais de saúde que se encontram na base da assistência e também à população (BRASIL, 2001). Cabe aos gestores promover a revisão e atualização contínua e permanente da Rename sempre com base no conceito de medicamento essencial da OMS. Conheça a edição 2022 da Rename e verifique como ela está organizada agora. Leia as orientações das páginas iniciais e entenda os novos conceitos e métodos aplicados na sua revisão e atualização. Recursos de mídia disponíveis no conteú- do digital do ambiente virtual de aprendizagem EU INDICO 1 1 REORIENTAÇÃO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA Outro ponto de destaque é a Reorientação da Assistência Farmacêutica, em que a assistência farmacêutica centrada na aquisição e distribuição de medica- mentos deverá ser reorientada de modo a desenvolver nas três esferas de governo ações que promovam o acesso da população aos medicamentos considerados essenciais, devendo estar fundamentada na descentralização da gestão, na pro- moção do uso racional de medicamentos, na otimização e na eficácia do sistema de logística de distribuição em todo setor público, implementar mecanismos de redução de preços dos produtos para facilitar o acesso aos medicamentos. Essa reorientação da assistência farmacêutica deverá abranger as atividades de seleção, programação, aquisição, armazenamento, distribuição, controle de qualidade e utilização (prescrição, dispensação e administração) de medicamen- tos. Todo este processo deverá ter como meta o suprimento adequado baseado nas necessidades da população e no seu perfil epidemiológico (BRASIL, 2001). AQUISIÇÃO: a aquisição demedicamentos será programada pelos estados e mu- nicípios conforme critérios técnicos e administrativos preestabelecidos anterior- mente, sendo os recursos financeiros para aquisição garantidos pelo repasse fun- do a fundo e pela colaboração técnica dos Intergestores. O repasse financeiro deverá priorizar a aquisição de medicamentos de uso contí- nuo utilizados em condições crônicas de grande prevalência na população, assim como aqueles definidos em acordos internacionais para uso em situações de cala- midade e pandêmicas, também deve estar garantida a aquisição de medicamen- tos para pacientes de alto risco, como os renais crônicos e transplantados APROFUNDANDO Para promoção do uso racional de medicamentos, o primeiro elemento a ser considerado é a prescrição médica e suas repercussões socioeconômicas, de forma especial no tratamento de doenças prevalentes em nível ambulatorial, promovendo formas de prevenir a influência da indústria farmacêutica na pres- crição e na demanda de medicamentos. UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Uma prescrição inapropriada pode envolver o uso de medicamentos que apresentam riscos significativos de eventos adversos, enquanto exista evidência de alternativas iguais ou mais eficazes e com menor risco para tratar a mesma condição (BRASIL, 2001). Formulário Terapêutico Nacional (FTN) Como instrumento racionalizador do uso de medicamentos no Brasil, o For- mulário Terapêutico Nacional (FTN) deverá trazer informações científicas, isentas e embasadas em evidências sobre os medicamentos selecionados na Re- name, tais como indicações terapêuticas, contraindicações, precauções, efeitos adversos, interações, esquemas e cuidados de administração, orientação ao pa- ciente, formas e apresentações disponíveis comercialmente Também faz parte desta diretriz a adoção de medicamentos genéricos, en- volvendo sua produção, comercialização, prescrição, dispensação e uso. Sendo imprescindível à implementação dessas ações, a garantia de qualidade desses medicamentos, o emprego dos conceitos de bioequivalência, biodisponibilidade e intercambialidade (BRASIL, 2001). Gestores Até o momento foram apresentadas as diretrizes e prioridades da PNM, mas ressalto que é importante, também, destacar as responsabilidades de cada gestor nas três esferas de governo para a implantação e desenvolvimento da PMN, via- bilizando seus propósitos. 1 8 GESTOR FEDERAL Ao gestor federal, na figura do Ministério da Saúde, caberá a implementação e avalia- ção da PMN, que compreenderão as responsabilidades junto às demais instâncias do SUS de apoio técnico e financeiro, estabelecimento de normas gerais e promoção da assistência farmacêutica em todas suas formas de organização, incluindo a formação de consórcios Intergestores nos níveis estadual e municipal, destinar recursos fundo a fundo para aquisição de medicamentos e organização da gestão, além de orientar e assessorar estados e municípios nos processos de aquisição de medicamentos, visando o abastecimento oportuno, regular e econômico, orientando os processos de logística de distribuição e dispensação. GESTOR ESTADUAL Os gestores estaduais atuarão de modo suplementar ao Ministério da Saúde na formula- ção, acompanhamento, execução e avaliação das propostas definidas na PNM. No seu âm- bito, o gestor estadual, na figura da Secretaria Estadual de Saúde, coordenar o processo de articulação intersetorial, formulará a política estadual de medicamentos, deverá cooperar e assessorar técnica e financeiramente os municípios sob sua jurisdição, coordenar a execu- ção da assistência farmacêutica estadual, estimulará e orientará a formação dos consórcios intermunicipais de saúde. Ainda, promover e participar de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos, disseminar informação técnico-científica, elaborar a relação estadual de medicamentos essenciais tendo como base a Rename, desenvolver ações de promoção do uso racional de medicamentos, investir na formação de recursos humanos para gestão da assistência farmacêutica, implementar e executar as ações de vigilância sanitária sob a sua responsabilidade, estruturar o sistema de logística de aquisição, armazenamento e distribuição de medicamentos no estado, coordenar e assessorar o processo de aquisição de medicamentos pelos municípios, visando a correta programação, abastecimento ade- quado e economicidade, priorizar a aquisição de laboratórios oficiais localizados no estado. GESTOR MUNICIPAL no âmbito municipal, caberá à Secretaria Municipal de Saúde coordenar a assistência farmacêutica do município, participar dos consórcios intermunicipais de saúde, promo- ver o uso racional de medicamentos, elaborar a relação municipal de medicamentos essenciais com base na Rename, implementar e executar ações de vigilância sanitária, treinar e capacitar os recursos humanos no que se refere à execução da PNM no mu- nicípio, estruturar o sistema de logística de aquisição, armazenamento e distribuição de medicamentos no município de acordo com o Plano Municipal de Saúde, visando a correta programação, abastecimento adequado e economicidade, investir na infraes- trutura de centrais farmacêuticas e das farmácias dos serviços de saúde, assegurando a conservação e a qualidade dos medicamentos. UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Toda política pública, depois de implantada, deve ser objeto de acompanhamento e contínua avaliação, o que não será diferente para PNM. A finalidade da ava- liação é conhecer o impacto da política na saúde da população, em especial no que diz respeito à melhoria do acesso aos medicamentos e ao seu uso racional. É preciso medir e analisar se as diretrizes e prioridades estão sendo cumpri- das e se estão proporcionando o aumento na qualidade da assistência à saúde definida para o SUS. Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você a respei- to deste tema, vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO NOVOS DESAFIOS A PNM produziu, desde sua criação, um impacto muito positivo no acesso e promoção do uso racional de medicamentos, e o farmacêutico tem sido o agente chave de todo esse processo e da reorientação da assistência farmacêutica no SUS. Diversas pesquisas têm demonstrado o crescimento exponencial da oferta de medicamentos no país, para várias condições clínicas, bem como o acesso da população, em especial aquela menos favorecida economicamente. Este cresci- mento demandou a ampliação das ações de assistência farmacêutica. Não basta somente oferecer o medicamento à população, caberá a você, far- macêutico, garantir o seu uso racional por meio de ações de educação em saúde, acesso às informações objetivas e seguras sobre medicamentos, intervenções do farmacêutico e seguimento farmacoterapêutico dos pacientes, capacitação de profissionais de saúde, entre outras, são estratégias que você deverá aplicar continuamente para alcançar eficácia, segurança e qualidade da farmacoterapia. 1 1 1. Entre os anos 1960 e 1970, havia uma grande disparidade no que diz respeito ao acesso de medicamentos pela população. A assistência à saúde, em conjunto com a previdência social, era um privilégio dos trabalhadores com “carteira assinada” e suas famílias. Ainda assim, essa assistência era incompleta, uma vez que contemplava o fornecimento de me- dicamentos somente às pessoas hospitalizadas. No ano de 1971, por iniciativa do Governo Federal, foi implementada a primeira estratégia governamental de tentativa de facilitar o acesso aos medicamentos pela população. Descreva qual foi essa estratégia e seus prin- cipais objetivos. 2. Medicamentos essenciais são definidos como aqueles que “satisfazem as necessidades prioritárias de atenção à saúde da população”, e selecionados de acordo com sua relevância para a saúde pública, evidências sobre eficácia e segurança e relação custo-efetividade. Destinam-se a ser disponibilizados no contexto de sistemas de saúde, em quantidadese nas formas farmacêuticas adequadas, com qualidade garantida e informação adequada, e a um preço que o indivíduo e a comunidade possam pagar (WHO, 2021). No Brasil, a lista de medicamentos essenciais é denominada Rename. Descreva a função da Rename no contexto da Política Nacional de Medicamentos. 3. A Portaria GM/MS nº 3.916/1998 estabeleceu as diretrizes da ação pública na área de me- dicamentos com o objetivo de “garantir a necessária segurança, eficácia e qualidade dos medicamentos, a promoção do uso racional e o acesso da população àqueles considerados essenciais”. Suas principais diretrizes são: o estabelecimento da relação de medicamentos essenciais, a reorientação da assistência farmacêutica, o estímulo à produção de medica- mentos e a regulamentação sanitária. Sobre o que representa corretamente o que foi aprovado por meio da referida portaria, assinale a alternativa correta: a) A assistência farmacêutica no SUS. b) A relação nacional de medicamentos essenciais. c) A promoção do uso racional de medicamentos. d) A política nacional de medicamentos. e) A política nacional de saúde. AUTOATIVIDADE 1 1 4. Na reorientação da assistência farmacêutica, existe a recomendação da descentralização dos processos de aquisição e distribuição dos medicamentos aos gestores estaduais e municipais. No entanto, em algumas situações específicas é favorável que esses processos sejam centralizados. Para isso, devem ser considerados alguns aspectos epidemiológicos. Considerando o que descreve corretamente um critério epidemiológico a ser acatado na compra centralizada de medicamentos, assinale a alternativa correta: a) O financiamento da aquisição e da distribuição dos produtos, sobretudo no tocante à disponibilidade de recursos financeiros. b) O custo-benefício e o custo-efetividade da aquisição e distribuição dos produtos em relação ao conjunto das demandas e necessidades de saúde da população. c) A repercussão do fornecimento e uso dos produtos sobre a prevalência ou incidência de doenças e agravos relacionados aos medicamentos fornecidos. d) A necessidade de garantir apresentações de medicamentos, em formas farmacêuticas e dosagens adequadas, considerando a sua utilização por grupos populacionais espe- cíficos, como crianças e idosos. e) As doenças que configuram problemas de saúde pública, que atingem ou põem em risco as coletividades, e cuja estratégia de controle concentra-se no tratamento de seus portadores. 5. Para a promoção do uso racional de medicamentos, o primeiro elemento a ser considerado é a prescrição médica e suas repercussões socioeconômicas, de forma especial no trata- mento de doenças prevalentes em nível ambulatorial, promovendo formas de prevenir a influência da indústria farmacêutica na prescrição e na demanda de medicamentos (BRA- SIL, 2001). Assinale, entre as alternativas a seguir, aquela que representa corretamente um outro elemento da promoção do uso racional de medicamentos: a) Programação adequada para aquisição de medicamentos. b) Monitorização do uso dos medicamentos pela população. c) Desregulamentação da propaganda de medicamentos. d) Distribuição massiva e irregular de amostras grátis aos médicos. e) Proibição da intercambialidade de medicamentos nas farmácias. AUTOATIVIDADE 1 1 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Central de Medicamentos – Carta de Brasília. I Encontro Nacional de Assistência Farmacêutica e Política de Medicamentos: relatório final. Brasília: Ministério da Saú- de, 1988. 40 p. Disponível em: https://www.farmacia.ufmg.br/wp-content/uploads/2017/05/ Ref-49_M%C3%B3d-2-Tema-5-Carta-de-Bras%C3%ADlia-I-Enc-Nac.-AF-Pol-Medic-Brasil.pdf. Acesso em: 4 nov. 2023. BRASIL. Portaria nº 3 916, de 30 de outubro de 1998. Disponível em: https://bvsms.saude.gov. br/bvs/saudelegis/gm/1998/prt3916_30_10_1998.html. Acesso em: 10 jan. 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento Atenção Básica. Política Nacional de Medicamentos. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. (Série C. Projetos, Pro- gramas e Relatórios, n. 25). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politi- ca_medicamentos.pdf. Acesso em: 4 nov. 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Depar- tamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Relação Nacional de Medica- mentos Essenciais – Rename. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. TOMASCHEWSKI, C. et al. Entre o Estado, o mercado e a dádiva: a distribuição da assistência a partir das irmandades da Santa Casa de Misericórdia nas cidades de Pelotas e Porto Alegre, Brasil, [c. 1847 c. 1891.] 2014. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Relatório sobre o 12º Comitê de Especialistas em Seleção e Uso de Medicamentos Essenciais. Série de Laudos Técnicos nº 914. Genebra: Orga- nização Mundial da Saúde, 2002. 1 1 1. Resposta: a estratégia foi a criação da Central de Medicamentos (CEME), que tinha como objetivo a promoção e organização do fornecimento de medicamentos a preços acessí- veis para a população, cujas condições econômicas não permitissem a aquisição a preços praticados no mercado. Também era função da CEME regular a produção e distribuição de medicamentos dos laboratórios farmacêuticos oficiais do Estado. 2. Resposta: como instrumento racionalizador das ações no âmbito da assistência farmacêutica e medida indispensável para o uso racional de medicamentos no contexto do SUS, servirá de referência para as listas estaduais e municipais de medicamentos essenciais, para a orientação da prescrição médica no SUS, assim como para dar direcionamento à produção farmacêutica nacional e à pesquisa e desenvolvimento de medicamentos no país. Pode ser utilizada também como parâmetro para a Vigilância Sanitária no estabelecimento de ações prioritárias como na concessão e revisão de registros de medicamentos, na padronização e atualização das informações de rotulagem e bulas, no desenvolvimento de programas de avaliação da qualidade e na vigilância pós-comercialização. 3. Opção D. A Portaria GM/MS nº 3.916/1998, conforme seu Art. 1º, aprova a Política Nacional de Medicamentos. 4. Opção E. O critério epidemiológico representado é: “as doenças que configuram problemas de saúde pública, que atingem ou põem em risco as coletividades, e cuja estratégia de controle concentra-se no tratamento de seus portadores". As demais alternativas referem-se aos as- pectos técnicos e administrativos da aquisição e distribuição centralizada de medicamentos. 5. Opção B. Uma das principais estratégias de promoção do uso racional de medicamentos é a monitorização do uso dos medicamentos pela população por meio do Sistema Nacional de Farmacovigilância. GABARITO 1 4 MINHAS ANOTAÇÕES 1 5 MINHAS METAS USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS Conhecer os conceitos que fundamentam o uso racional de medicamentos. Compreender as práticas de uso irracional de medicamentos empregadas na farmacote- rapia. Entender os fatores e as barreiras que se opõem ao uso racional de medicamentos. Estudar os elementos que compõem a promoção do uso racional de medicamentos. Explorar os princípios da automedicação, do uso abusivo de medicamentos, da prescri- ção racional de medicamentos e da polifarmácia. Entender o fundamento da decisão terapêutica baseada em evidências científicas. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5 1 1 INICIE SUA JORNADA A maior expectativa quando se institui um tratamento medicamentoso é a de que ele seja eficaz e seguro, trazendo, assim, benefícios para a saúde de quem o utiliza. No entanto, nem sempre as circunstâncias nas quais a farmacoterapia aconte- ce são favoráveis à obtenção desses benefícios. Pelo contrário, os danos causados podem sobrepô-los, o que resulta em prejuízo à saúde. O uso abusivo, insuficiente ou inadequado de medicamentos causa danos à saúde da população e desperdiça os recursos públicos. Situações comuns, como a polifarmácia e a automedicação, predispõem e favorecem o usoirracional de medicamentos. No seu cotidiano, você já se deparou com situações de uso irracional de medicamentos ou realizou alguma ação que pode estar relacionada a essa prática? Conhece algum caso de uso irracional de medicamentos com con- sequências para a saúde das pessoas? A resistência bacteriana aos antibióticos está cada vez mais associada ao uso indis- criminado desses medicamentos. Estudos apontam que é nos hospitais onde acontece a maioria dos casos de resistência bacteriana aos antibióticos. Para comprovar a afir- mação exibida, são exigências da Vigilância Sanitária a todos os hospitais a criação e o funcionamento de uma Comissão de Controle de Infecções Hospitalares. Constata-se que os microrganismos multirresis- tentes estão extrapolando o ambiente hospitalar, o que está causando infecções comunitárias por esses microrganismos. Com isso, estima-se que a vida útil de vários antibióticos está chegando ao fim, o que levará a falhas importantes no combate de infecções causadas por microrganismos multirresistentes e ao consequente aumento da mortalidade. Diante do significativo desafio de saúde pública voltado à falta de antibióticos eficazes contra determinados tipos de bactérias que afetam a população, qual será a estratégia que devemos abordar? Espero que, ao final deste estudo, você conheça ainda mais o uso racional de medica- mentos, o que te ajudará em seus atendimentos clínicos. Forte abraço e bons estudos! A vida útil de vários antibióticos está chegando ao fim UNIASSELVI 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 DESENVOLVA SEU POTENCIAL PROGRAMA DE USO RACIONAL DOS ANTIMICROBIANOS EM INSTITUIÇÕES DE SAÚDE A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dispõe de um guia de uso racional de antimicrobianos que propõe a criação de um programa de uso racional dos antimicrobianos em instituições de saúde. O programa representa um conjunto de ações destinadas a racionalizar a prescrição de antimicrobianos, variando desde uma simples avaliação do con- sumo global até complexos processos de assessoria, padronização de condutas e medidas intervencionistas. O envelhecimento da população, acompanhado pela evolução de tecnologias em saúde e fármacos mais eficazes, explica o fenômeno da polifarmácia. Com certe- za, os idosos, com doenças crônicas, conhecem os efeitos dessa prática. Vamos entender quais são os riscos da polifarmácia para os idosos? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Vamos recordar a definição de automedicação? A Organização Mundial da Saúde (OMS) define automedicação como “a seleção e uso de medicamentos para tratar doenças ou sintomas” autorreconhecidos (NAVES et al., 2010, p. 1751). O uso não orientado de medicamentos feito por opção do usuário, a utilização indiscriminada de antibióticos e da prescrição médica não orientada em evidências científicas, o número exacerbado de apresentações farmacêuticas disponíveis no mercado e a falta de adesão ao tratamento pelos pacientes são alguns dos fatores que predispõem e favorecem o uso irracional de medicamentos. 1 8 O objetivo primordial do programa é otimizar as prescrições, visando ao melhor resultado terapêutico ou profilático, à redução dos efeitos adversos e ao impedimento da proliferação de microrganismos patogênicos e da emergência de resistência microbiana, proporcionando um ambiente de maior segurança para os pacientes. O uso racional de antimicrobianos é uma responsabilidade de todos os profissio- nais envolvidos no tratamento, quer sejam médicos, farmacêuticos ou enfermeiros. Conheça o escopo do programa recomendado pela Anvisa. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EU INDICO USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso racional de medica- mentos requer que: ■ O medicamento adequado seja prescrito. ■ O medicamento esteja disponível no momento certo. ■ O medicamento tenha um preço que as pessoas podem pagar. ■ O medicamento seja dispensado corretamente. ■ O medicamento seja tomado na dose certa. ■ O medicamento seja tomado no intervalo de tempo certo. ■ Seja oferecido um tempo de tratamento certo. ■ O medicamento apropriado seja eficaz, de qualidade aceitável e seguro. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 50% dos medi- camentos são prescritos, dispensados e administrados de maneira não adequada. Na mesma proporção, dá-se o uso incorreto pelo paciente. Os medicamentos, quando são indevidamente e desnecessariamente utilizados, podem causar danos à saúde e levar à morte (BRASIL, 2019). UNIASSELVI 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Segundo o Ministério da Saúde, entre os anos de 2012 e 2016, houve, no Siste- ma Único de Saúde (SUS), um aumento de 30% no atendimento de pessoas com depressão. Além do mais, no mesmo período, houve um crescimento de 87% no número de unidades de antidepressivos dispensados. Verifica-se, nesse contexto, que o medicamento é o meio mais rápido para a resolução de problemas, quer sejam afetivos, clínicos ou sociais. Em 2017, o Brasil foi o sexto maior produtor mundial de benzodiazepínicos e o terceiro maior consumidor desses medicamentos. A cultura da medicalização leva as pessoas à automedicação ou à procura de atendimento médico, para que possam se manter produtivas, aumentando o rendimento no trabalho, sem levar em consideração que o tratamento medicamentoso, além de oferecer riscos para a saúde, pode causar dependência, transformando fatos normais do cotidiano em doenças (BRASIL, 2019). Assim como você pôde observar até o momento por intermédio de alguns conceitos e exemplos, o uso irracional de medicamentos pode causar graves problemas de saúde pública. O que foi pensado para curar e aliviar sintomas torna-se um vilão da saúde e do bem-estar das pessoas a ser enfrentado pela sociedade. USO NÃO RACIONAL DE MEDICAMENTOS Conheça, a seguir, os principais problemas que podem dificultar ou impedir o uso racional de medicamentos. Automedicação Segundo a OMS, a automedicação é feita quando o indivíduo seleciona e utili- za medicamentos para tratar sintomas e doenças reconhecidas por ele próprio. Dentre os fatores mais comuns que levam à automedicação, estão os econômi- cos, políticos e culturais, o aumento à facilidade de acesso, a assistência médica insuficiente e o maior número de doenças crônicas. A frequência de consumo por classes terapêuticas dos medicamentos em ordem decrescente de automedicação são os analgésicos, os relaxantes muscula- 8 1 res, os anti-inflamatórios e os antirreumáticos. Com isso, verifica-se que a maior motivação para a automedicação é a dor. Os fármacos mais consumidos são dipirona, dipirona associada à cafeína e orfenadrina e paracetamol, que são de venda isenta de prescrição médica, de baixo custo e de fácil acesso pela população (ARRAIS et al., 2016). A automedicação também pode trazer outros problemas, como o desperdício de recursos financeiros, o aumento da resistência dos microrganismos patogê- nicos e o risco de ocorrência de reações adversas aos medicamentos, os quais podem prolongar injúria e sofrimento (BENNADI, 2013). A automedicação está sempre vinculada ao uso irracional de medicamentos. Compreendemos que o panorama da automedicação não é exatamente como se costuma propagar nos meios de comunicação. A OMS defende a automedicação responsável, quando há o domínio do conhecimento em saúde por indivíduos que a praticam e com a ajuda e a orientação de um profissional da saúde, preferencialmente, o farmacêutico. Uso abusivo de medicamentos Definido como o uso de medicamentos prescritos, ou não, de maneira diferente das razões para as quais eles são indicados ou por uma pessoa à qual o medica- mento não foi prescrito, o uso abusivo de medicamentos é um problema real e se chama “uso não médico de medicamentos prescritos”. O uso abusivo pode se dar pelo paciente, quetoma a sobra de medicamen- tos prescritos anteriormente ou aumenta indevidamente, sem o conhecimento médico, a dose dos medicamentos prescritos em uso. Prescrição irracional de medicamentos Compreende a receita escrita de um plano terapêutico elaborado por profissio- nais legalmente habilitados. A prescrição representa o primeiro passo do processo de uso racional de me- dicamentos, que se inicia pela seleção do medicamento apropriado ao paciente e ao problema de saúde dele. Em outras palavras, o medicamento prescrito deve UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 ter indicação clara e objetiva para o tratamento da doença em questão, respei- tando as especificidades do paciente, dentre elas, a idade, o gênero e as condições fisiológicas, como a gravidez. São vários os elementos que constituem fatores de risco para as prescrições irracionais por parte dos prescritores. Eles vão desde a imprecisão no diagnóstico, a falta de informação sobre o medicamento prescrito, a pouca experiência na área de atuação e a educação médica insuficiente até dificuldades na relação médi- co-paciente. O paciente também pode contribuir para a prescrição irracional quando demanda medicamentos ao prescritor, com o objetivo de se automedicar. Os fatores institucionais e políticos também exercem pressão sobre a pres- crição de medicamentos, tornando-a irracional. É possível citar a propaganda de medicamentos e os incentivos financeiros ao prescritor, a não cobertura dos planos de saúde, a falta de acesso à informação sobre medicamentos, assim como a falha nos processos de padronização e incorporação de novos medicamentos. A prescrição irracional pode aumentar o impacto nos custos em saúde, pro- mover o surgimento de resistência antimicrobiana, fomentar o risco de ocorrên- cia de reações adversas e reduzir a adesão do paciente ao tratamento (NÉRI et al., 2011; GONÇALVES et al., 2020). Polifarmácia A polifarmácia é entendida como o uso corriqueiro e concomitante de cinco ou mais medicamentos pelo paciente, sejam eles prescritos, ou não (WHO, 1998). Ela ocorre principalmente entre os idosos, podendo levar com maior frequência à ocorrência de interações medicamentosas, reações adversas a medicamentos e erros de medicação. Quanto mais medicamentos estiverem em uma prescrição, mais chance ela tem de ser inapropriada. A prevalência da polifarmácia em nosso país é de cerca de 9,4% da população geral medicada na Atenção Primária à Saúde e 18% entre os idosos usuários de medicamentos. A grande maioria (79%) relata ter diabetes ou doenças car- diovasculares ou ambas concomitantemente. No hospital, a polifarmácia é a responsável, além dos problemas com as in- terações medicamentosas e as reações adversas a medicamentos, pelo aumento do tempo de permanência hospitalar em cinco dias ou mais, independentemente do gênero ou motivo da internação (SILVA et al., 2016). 8 1 Uma prescrição médica ambulatorial deverá ser feita preferencialmente em um sistema informatizado e conter os seguintes itens obrigatórios: ■ Legibilidade e ausência de rasuras e emendas. ■ Identificação do usuário. ■ Identificação do medicamento, da concentração, da dosagem, da forma farmacêutica e da quantidade. ■ Modo de usar ou posologia. ■ Duração do tratamento. ■ Local e data da emissão. ■ Assinatura e identificação do prescritor com o número de registro no respectivo conselho profissional. Colateral – Para cada mal existe um remédio. Da ansiedade à zoonose, passando pela impotência, você somente deve encontrar o medicamento certo para os seus sintomas. Opções não faltam: fitoterápicos, homeopáticos e químicos: é tudo uma questão de tentativa e erro. Caso você não se sinta bem, procure o seu médico até encontrar o coquetel certo que restaure a sua saúde ou aquele que te trans- forme em uma aberração mutante. Assista ao vídeo do canal “Porta dos Fundos”, que faz uma cômica e, ao mesmo tempo, uma trágica reflexão sobre a prescrição irracional de medicamentos. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EU INDICO UNIASSELVI 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 SAÚDE BASEADA EM EVIDÊNCIAS A seleção dos medicamentos no momento da prescrição, assim como as deci- sões em saúde pública tomadas por gestores, financiadores, profissionais e pelo público, têm cada vez mais sido fundamentadas em evidências. Logo, toda informação relevante é filtrada por metodologias próprias de análise e síntese para apoiar uma prática clínica específica de cuidado de pacientes individuais ou de grupos de pacientes, o que é um grande desafio para o profissional de saúde. Dois requisitos são atribuídos à evidência científica em saúde: a qualidade da evidência e o grau de recomendação de aplicação dela. A qualidade da evidência, representada hierarquicamente pela qualidade dos estudos que a compõem, indica a extensão da confiabilidade e se a estimativa do efeito demonstrado está correta. Já o grau de recomendação indica a relevância clínica e a aplicabilidade. Em ou- tras palavras, indica a capacidade de a evidência se ajustar à prática clínica e a estima- tiva de que a recomendação trará mais benefícios que riscos para a saúde do paciente. Dentre as principais iniciativas do Ministério da Saúde para a promoção do uso racional de medicamentos no Brasil, temos a criação, em 2007, do Comitê Nacional para Promoção do Uso Racional de Medicamentos (CNPURM), que tem, como objetivos, orientar e propor ações, estratégias e atividades ao uso ra- cional de medicamentos baseadas na Política Nacional de Promoção da Saúde. A Política Nacional de Medicamentos determina que a promoção do uso racional de medicamentos é uma responsabilidade do Estado e dos profissionais de saúde. Ela é garantida pela alocação de recursos suficientes ao desenvolvimento das ações tanto de promoção do acesso quanto do uso racional. Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você a res- peito do tema. Vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO 8 4 NOVOS DESAFIOS A automedicação responsável definida pela OMS requer ações educativas por parte do farmacêutico, de forma que toda iniciativa do paciente de se automedi- car seja orientada e supervisionada pelo profissional, com a finalidade de garantir o uso racional dos medicamentos com segurança e eficácia. O farmacêutico tem o dever de intervir em qualquer prescrição irracional que lhe seja apresentada, sempre com o intuito de subsidiar o trabalho do pres- critor e proteger o paciente das consequências dos erros de prescrição. Ainda, é da responsabilidade desse profissional o monitoramento da farmacoterapia de pacientes com múltiplas enfermidades e que notadamente estão sujeitos à polifar- mácia. Nesse caso, com a ajuda do farmacêutico, o paciente poderá tirar o melhor proveito dos medicamentos que lhe são necessários, mesmo que sejam vários. A intervenção farmacêutica pode ser uma iniciativa do farmacêutico, que contribuirá para a redução da polifarmácia e do abuso do uso não médico de medicamentos. A completa adesão à farmacoterapia é improvável sem a ação do farmacêutico, quer seja como provedor dos medicamentos necessários, quer seja como educador do paciente para ações de autocuidado e monitoramento do uso por meio do emprego de metodologias apropriadas. Essas são algumas de muitas ações do farmacêutico que podem ser empre- gadas para a promoção do uso racional de medicamentos. No Brasil, o dia 5 de maio ficou definido como o Dia Nacional pelo Uso Racional de Medicamen- tos. A data foi criada em 1998 pelo Conselho Nacional de Entidades Estudantis de Farmácia, sendo oficializada pelo Ministério da Saúde, com o intuito de alertar a população dos problemas causados à saúde pela automedicação UNIASSELVI 8 5 1. No caso do uso de psicofármacos no sistema escolar, a atenção deve ser dada ao uso de medicamentos para o tratamento do Transtorno de Déficitde Atenção com ou sem Hipe- ratividade. Segundo o relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, a partir dos anos 2000, o uso do metilfenidato cresceu em todo o mundo, acompanhado das discussões sobre o seu mau uso. Nesse contexto, utiliza-se da lógica equivocada de que é mais fácil medicar a criança do que mudar o sistema de educação. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Uso de medicamentos e medicalização da vida: recomendações e estratégias. Brasília, DF: Ministério da Saúde 2019. p. 14. Considerando o conceito de Uso Racional de Medicamentos (URM) fornecido pela Orga- nização Mundial da Saúde (OMS) em 1987, descreva o princípio do URM que a situação do uso irracional do metilfenidato contraria. 2. O controle dos corpos e a cultura da medicalização em uma sociedade que funciona de uma forma mais prática, pode fazer com que muitas vezes as pessoas sintam que preci- sam se automedicar ou procurar um atendimento médico e/ou terapêutico para estarem produtivas, objetivando maior rendimento no trabalho, sem ter a real noção dos riscos do tratamento farmacológico, e até mesmo da dependência física ou psíquica intrínseca ao uso desses medicamentos. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Uso de medicamentos e medicalização da vida: recomendações e estratégias. Brasília, DF: Ministério da Saúde 2019. p. 15. Cite um exemplo de situação clínica na qual o uso de medicamentos pode levar as pessoas à automedicação, por considerarem que os medicamentos são o meio mais rápido para a resolução de problemas. AUTOATIVIDADE 8 1 3. Uma vertente muito preocupante da automedicação é o uso abusivo de medicamentos para finalidades não terapêuticas. Definido como o uso de medicamentos prescritos, ou não, de maneira diferente das razões para as quais eles são indicados ou por uma pessoa à qual o medicamento não foi prescrito, o uso abusivo de medicamentos é um problema real e se chama “uso não médico de medicamentos prescritos”. Considerando o uso abusivo de medicamentos, é correto afirmar: a) Os tipos mais comuns de medicamentos utilizados no contexto não médico são dipirona, paracetamol e ibuprofeno. b) Usuários de drogas de abuso têm migrado para os medicamentos convencionais pres- critos pelo fato de esses medicamentos serem mais potentes que as drogas de abuso. c) O uso abusivo pode se dar pelo paciente, que toma a sobra de medicamentos prescri- tos ou aumenta indevidamente a dose de medicamento em uso sem o conhecimento médico. d) As pessoas mais vulneráveis à prática do uso não médico de medicamentos são as crianças, as mulheres grávidas e os idosos institucionalizados. e) Prevenir ou interromper o uso não médico de medicamentos prescritos é responsabili- dade exclusiva do paciente. 4. São vários os elementos que constituem fatores de risco para as prescrições irracionais por parte dos prescritores. Esses elementos vão desde a imprecisão no diagnóstico, a falta de informação sobre o medicamento prescrito, a pouca experiência na área de atuação e a educação médica insuficiente até dificuldades na relação médico-paciente. Considerando a prescrição racional de medicamentos é correto afirmar: a) Atualmente, a prescrição de medicamentos é uma atribuição exclusiva de médicos. b) A elaboração de uma prescrição racional deve atender aos aspectos técnicos e científicos da farmacoterapêutica, sem considerar as normas sanitárias e legais vigentes. c) Na prescrição, primeiro, define-se cuidadosamente a escolha de um tratamento com eficácia e segurança comprovadas. d) O tratamento tem início com a prescrição da receita e a provisão de informações e ins- truções claras ao paciente. e) Uma prescrição médica ambulatorial deverá, preferencialmente, ser manuscrita pelo próprio punho do prescritor, a fim de evitar fraudes. AUTOATIVIDADE 8 1 5. A polifarmácia é entendida como o uso corriqueiro e concomitante de cinco ou mais medi- camentos pelo paciente, sejam eles prescritos, ou não. Ela ocorre principalmente entre os idosos, podendo levar com maior frequência à ocorrência de interações medicamentosas, reações adversas a medicamentos e erros de medicação. WHO. The role of the pharmacist in self-care and self-medication. Report of the 4th WHO Consultative Group on the Role of the Pharmacist. The Hague, The Netherlands: WHO, 1998. Considerando a polifarmácia, assinale a alternativa correta: a) A polifarmácia é prevalente na Atenção Primária à Saúde, porque é nesse nível de aten- ção que são tratadas as pessoas com várias comorbidades, incluindo diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, dentre outras. b) A polifarmácia não ocorre na assistência hospitalar, porque a prescrição de vários medi- camentos feita para pacientes internados não é considerada polifarmácia. c) A polifarmácia é mais grave quando atinge as crianças, porque essa faixa etária requer o uso concomitante de mais de cinco medicamentos, aumentando o risco de interações medicamentosas e reações adversas. d) Uma das principais ferramentas para aumentar a eficácia e a segurança dos medica- mentos na polifarmácia é a revisão da medicação, porque esse método pode impedir completamente a ocorrência de interações medicamentosas e reações adversas. e) A desprescrição é uma estratégia que busca reduzir a polifarmácia, porque está funda- mentada em retirar da prescrição somente os medicamentos de custo mais elevado. AUTOATIVIDADE 8 8 REFERÊNCIAS ARRAIS, P. S. D. et al. Prevalência da automedicação no Brasil e fatores associados. Revista de Saúde Pública, n. 50, p. 1s-11s, 2016. BENNADI, D. Self-medication: a current challenge. Journal of Basic and Clinical Pharmacy, v. 5, n. 1, p. 19-23, dez. 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departa- mento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Uso de medicamentos e medicali- zação da vida: recomendações e estratégias. Brasília, DF: Ministério da Saúde 2019. GONÇALVES, M. F. et al. Prescrição médica e o uso irracional de medicamentos: uma revisão bibliográfica. Revista Bioética Cremego, v. 2, n. 1, p. 55-60, 2020. NAVES, J. de O. S. et al. Automedicação: uma abordagem qualitativa de suas motivações. Ciên- cia & Saúde Coletiva, v. 15, n. 1, p. 1751-1762, 2010. NÉRI, E. D. R. et al. Erros de prescrição de medicamentos em um hospital brasileiro. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 57, n. 3, p. 306-314, 2011. SILVA, D. C. G. e. et al. Potentially inappropriate medication use among elderly patients from a Brazilian general hospital. Infarma, v. 28, n. 1, p. 27-32, 2016. WHO. The role of the pharmacist in self-care and self-medication. Report of the 4th WHO Consultative Group on the Role of the Pharmacist. The Hague, The Netherlands: WHO, 1998. 8 9 1. O princípio contrariado é o de que os pacientes recebam medicamentos apropriados para as próprias necessidades clínicas. A discussão relativa ao uso do metilfenidato em estudantes foca exatamente na questão que trata da incerteza do diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade, ou seja, não havendo essa indicação, o uso é des- necessário e, portanto, irracional. 2. Algumas situações, como os distúrbios afetivos e mentais, tais como depressão, ansiedade, transtorno afetivo bipolar e outros transtornos do humor, são considerados gatilhos para a automedicação. 3. Opção C. A maneira mais comum de iniciar o uso abusivo de medicamentos é dada pelo paciente, que toma a sobra de medicamentos prescritos ou aumenta indevidamente a dose de me- dicamento em uso sem o conhecimento médico. 4. Opção D. O tratamento tem início com a prescrição da receita e a provisão de informações e instruções claras ao paciente. 5. Opção A. A polifarmácia é prevalentena Atenção Primária à Saúde, porque é nesse nível de atenção que são tratadas as pessoas com várias comorbidades, incluindo diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, dentre outras. GABARITO 9 1 MINHAS ANOTAÇÕES 9 1 MINHAS METAS CICLO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA Estudar o ciclo da assistência farmacêutica. Entender como o ciclo da assistência farmacêutica se torna um elemento estruturante da gestão. Conhecer os principais objetivos da seleção de medicamentos. Compreender as principais metas da etapa de programação para a gestão em saúde. Explorar o papel imprescindível do farmacêutico no desenvolvimento da assistência farmacêutica. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 6 9 1 INICIE SUA JORNADA Um dos grandes desafios assistenciais do Sistema Único de Saúde (SUS) é a pres- tação integral da assistência farmacêutica como forma de promover o acesso e o uso racional de medicamentos pela população, assim como se encontra dis- posto na Política Nacional de Medicamentos. Superar esses desafios é, em grande parte, responsabilidade do farmacêutico no serviço público. No entanto, como o farmacêutico deve se empoderar para organizar o gerenciamento das atividades inerentes à assistência farmacêutica? Quais competências e habilidades deverão ser construídas para atender à demanda cada vez mais crescente de medicamentos pela população? O desabastecimento de medicamentos no SUS ainda é o principal obstáculo à prestação eficiente da assistência farmacêutica, o que traz consequências clínicas, sociais e econômicas para a população. Dentre as diversas causas do desabasteci- mento, estão o planejamento inadequado, o emprego de ferramentas gerenciais ineficientes e a escassez de recursos financeiros. O impacto do desabastecimento é ainda mais dramático quando afeta atendi- mentos de urgência e emergência, suporte avançado à vida e cuidados intensivos, pois as consequências podem ser fatais. O abastecimento de medicamentos no SUS, entendido como a disponibi- lidade de medicamentos aos pacientes que necessitam deles, depende do bom desempenho das etapas de programação, aquisição, armazenamento e distribui- ção. Falhas na execução dessas etapas podem levar ao desabastecimento, o que poderá afetar diretamente as etapas de utilização e seleção dos medicamentos. Agora, entraremos no mundo da assistência farmacêutica. Eu te convido a vir comigo nessa jornada! Você conhece o papel do farmacêutico que trabalha no Sistema Único de Saúde (SUS)? O que o farmacêutico faz na Unidade Básica de Saúde (UBS)? Neste pod- cast, eu contarei um pouco a minha experiência. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 DESENVOLVA SEU POTENCIAL No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), o medicamento é considerado um bem de consumo, o que incorre em uma visão fragmentada da assistência farmacêu- tica, desqualificando-a do papel dela no cuidado com a farmacoterapia e valorizando somente as ações de aquisição, armazenamento e distribuição de medicamentos. Com o objetivo de superar essa fragmentação, adotou-se um enfoque sistê- mico para a respectiva reorganização, compreendido como uma estratégia arti- culadora e integradora dos próprios componentes. Esse enfoque foi chamado de ciclo da assistência farmacêutica (MARIN et al., 2003). O ciclo da assistência farmacêutica abrange, de forma ordenada, a seleção, a programação, a aquisição, o armazenamento, a distribuição e a utilização de medicamentos. Além disso, prevê que essas ações sejam monitorizadas, super- visionadas e avaliadas, assim como é representado na Figura 1. GERENCIAMENTO FINANCIAMENTO RECURSOS HUMANOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO CONTROLE E AVALIAÇÃO SELEÇÃO PROGRAMAÇÃO AQUISIÇÃO ARMAZENAMENTO DISTRIBUIÇÃO UTILIZAÇÃO (PRESCRIÇÃO, DISPENSAÇÃO E USO) Figura 1 – Ciclo da assistência farmacêutica / Fonte: adaptada de Marin et al. (2003). Descrição da Imagem: é apresentada uma sequência contínua de seis etapas em um fluxo circular. O nome de cada etapa está inscrito nos círculos menores, que se apresentam em diferentes cores e são seguidos por setas indicativas do sentido do fluxo. O ciclo tem início em um círculo laranja disposto no topo da figura: ele corresponde à etapa denominada “Seleção”. No sentido horário, o próximo círculo, de cor cinza, corresponde à “Programação”. O próximo, que tem cor amarela, é o de “Aquisição”, seguido do azul, “Armazenamento”, seguido do verde, que trata da “Distribuição” e, finalmente, do círculo laranja, correspondente à utilização e suas subetapas “Prescrição, dispensação e uso”. No centro da figura, há um círculo azul-escuro que representa a gestão e os respectivos componentes: gerenciamento, financiamento, recursos humanos, sistemas de informações, controle e avaliação. Fim da descrição. 9 4 Seleção O ciclo da assistência farmacêutica tem início na seleção de medicamentos, atividade dedicada a estabelecer a lista dos medicamentos que serão disponibilizados no serviço de saúde. Ela pode ser considerada uma etapa fundamental e, certamente, a mais importante do ciclo, porque a seleção é o gatilho para o respectivo desenvolvimento. Quando bem executada, a seleção é capaz de propiciar ganhos terapêuticos e econômicos para o sistema de saúde, além de possibilitar a melhoria do acesso a medicamentos pela população e o uso racional. Recomenda-se que a seleção seja realizada por grupos de trabalho multiprofis- sionais e especializados, capazes de tomar decisões à luz da farmacoterapia baseada em evidências e equacionar os fatores condicionantes dessa atividade, como a dis- ponibilidade dos medicamentos no mercado, a introdução constante de novidades terapêuticas, a influência da propaganda e do marketing da indústria farmacêutica e as pressões políticas sempre incisivas (BRASIL, 2006; CONASS, 2015). Os principais objetivos da seleção de medicamentos são reduzir o número de especialidades farmacêuticas, uniformizar as condutas terapêuticas, racionalizar custos e otimizar recursos, promover a interdisciplinaridade nas tomadas de decisões, impulsionar a capacitação e a educação continuada dos profissionais e melhorar a gestão administrativa e financeira da assistência farmacêutica. Na Figura 2, são exibidas, de forma ilustrativa, as etapas que compõem o processo de seleção de medicamentos. O ciclo da assistência farmacêutica tem início na seleção de medicamentos UNIASSELVI 9 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Fase política: apoio e sensibilização do gestor e dos profissionais da saúde. Fase técnico-normativa: criação de Comissão de Farmácia e Terapêutica em caráter permanente e deliberativo. Seleção propriamente dita: definição de critérios e efetivação do processo, estruturação e elaboração de uma relação de medicamentos essenciais. Fase de divulgação e implantação: elaboração de estratégias para divulgação da relação de medicamentos essenciais como forma de validar e legitimar o processo. Elaboração de um formulário terapêutico: documento com informações técnicas relevantes e atualizadas sobre os medicamentos selecionados para subsidiar os profissionais. Figura 2 – Etapas do processo de seleção / Fonte: adaptada de Brasil (2006). Descrição da Imagem: é ilustrada uma sequência ordinal das cinco etapas que compõem o processo de seleção de medicamentos. Cada etapa é representada por um retângulo, que tem uma cor diferente. São elas, da parte superior para a inferior: cinza, amarelo, azul, laranja, marrom e vermelho. Já as etapas são as seguintes: “1. Fase política: apoio e sensibilização do gestor e dos profissionais da saúde”; “2. Fase técnico-normativa: criação de Co- missão de Farmácia e Terapêutica em caráter permanente e deliberativo”; “3. Seleção propriamente dita: definição de critérios e efetivação do processo, estruturação e elaboração de uma relação de medicamentos essenciais”; “4. Fase de divulgação e implantação:elaboração de estratégias para divulgação da relação de medicamentos essenciais como forma de validar e legitimar o processo”; e “5. Elaboração de um formulário terapêutico: docu- mento com informações técnicas relevantes e atualizadas sobre os medicamentos selecionados para subsidiar os profissionais”. Fim da descrição. Um importante instrumento orientador do uso de medicamentos e insumos no SUS é a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename). A Rename de 2022 apresenta os medicamentos oferecidos em todos os níveis de atenção e nas linhas de cuidado do SUS, proporcionando transparência às informações sobre o acesso aos medicamentos da rede. Medicamentos essenciais são defini- dos como aqueles que satisfazem às necessidades prioritárias de atenção à saúde 9 1 da população e são selecionados de acordo com a relevância deles para a saúde pública, as evidências sobre a eficácia e a segurança e a relação custo-efetividade. Esses medicamentos devem ser disponibilizados no contexto dos sistemas de saúde em quantidades e formas farmacêuticas adequadas, com qualidade garantida e informação adequada. Também devem ser disponibilizados a um preço que o indivíduo e a comunidade possam pagar. Toda a população tem acesso à Rename. Sugiro que você acesse a lista dos me- dicamentos essenciais. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EU INDICO Programação A programação de medicamentos é uma atividade que consiste em fazer a previ- são das quantidades de medicamentos a serem adquiridas para um determinado período de atendimento às necessidades locais dos serviços. A programação evita a falta ou a perda de medicamentos e compras desneces- sárias, otimizando recursos financeiros disponíveis e priorizando o planejamento estratégico em assistência farmacêutica. A meta da programação é garantir a disponibilidade dos medicamentos se- lecionados nas quantidades apropriadas e no tempo adequado para atender às necessidades da população. Para tanto, é preciso dispor de um sistema eficiente de informação e gestão de estoques, além de aplicar métodos de programação, como os fundamentados no perfil epidemiológico da população, consumo em série histórica, consumo ajustado por taxas conhecidas, oferta de serviços de saúde e proporção da população coberta (CONASS, 2015). A Figura 3 mostra o fluxo do processo de programação. UNIASSELVI 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Aquisição A aquisição de medicamentos objetiva prover o abastecimento de medica- mentos na quantidade correta e que proporcione qualidade e custos favoráveis à manutenção da regularidade e ao funcionamento dos serviços de saúde. Caracte- riza-se pelo conjunto de atividades que torna efetiva a compra dos medicamentos estabelecidos na programação (CONASS, 2015). A execução das atividades de aquisição está diretamente atrelada a uma política com diretrizes e prioridades bem definidas. Em conjunto com normas e procedimentos estabelecidos, eles estruturarão o delineamento do processo. Quando se programa a aquisição de medicamentos, é preciso responder às se- guintes perguntas: o que comprar? Para quem? Qual é o modo de comprar? Quanto? Quando? Como comprar? Ao se definir o que será adquirido, é importante saber a quais serviços de saúde a aquisição atenderá, a modalidade em que ela será empregada, para qual período de abastecimento e qual será a programação de entrega. Ainda, é preciso saber se a compra será centralizada ou descentralizada e qual fluxo operacional será empregado no processo (CONASS, 2015). Medicamento selecionado Descritivo Quantitativo Justificativa CronogramaModalidade de compra Indicação de fornecedores Cotação de preços Custo total Fontes de recurso Edição de licitação Figura 3 – Programação de medicamentos / Fonte: o autor. Descrição da Imagem: é ilustrado o fluxo do processo de programação de medicamentos. Esse fluxo é represen- tado por onze retângulos seguidos por setas que indicam o sentido do fluxo. O processo se inicia em um retângulo laranja e termina em outro retângulo laranja. Já a ordem é a seguinte: medicamento selecionado, descritivo, quantitativo, justificativa, cronograma, modalidade de compra, indicação de fornecedores, cotação de preços, custo total, fontes de recursos e edição da licitação. Fim da descrição. 9 8 Armazenamento O armazenamento é compreendido como as atividades de recebimento, estoca- gem, controle de estoque e expedição de medicamentos. Ele requer conhecimen- tos de administração e logística, além dos aspectos técnicos relacionados à con- servação e à manutenção da qualidade e da integridade dos medicamentos. A Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) é o local de armazena- mento de medicamentos. Ela deve ter características estruturais específicas para essa finalidade, diferindo-se dos tradicionais almoxarifados e depósitos onde se estocam uma diversidade de materiais. Na etapa de recebimento, primeiramente, verifica-se a condição do trans- porte desde a origem até o ponto de entrega. Além disso, é feita a conferência da documentação, da quantidade, da integridade e das especificações técnicas dos medicamentos de acordo com aquilo que é disposto no pedido de compra e no edital. Cumprida essa etapa, procede-se ao registro da nota fiscal e à entrada dos medicamentos no sistema de estoque e, por fim, à guarda de maneira ordenada, adequada e sistematizada. A estocagem é uma etapa crítica, porque tem como objetivo reduzir perdas, oti- mizar o espaço físico e permitir a eficiência do processo de controle, disponibilizando medicamentos seguros e de qualidade em tempo oportuno e quantidades necessárias. Para tanto, a estocagem deve obedecer às condições técnicas adequadas de lu- minosidade, temperatura e umidade. Não só, mas os medicamentos precisam ser dispostos de maneira a conservar as características físico-químicas deles e é preciso obedecer aos prazos de validade (BLATT; SANTOS; BUENDGENS, 2015). Distribuição A distribuição de medicamentos se caracteriza pela rapidez e segurança da entrega e por ser um sistema de controle e informação eficiente com condições de transporte adequadas. Os procedimentos de distribuição feitos sequencialmente compreendem o planejamento do processo, a análise da solicitação, o processamento do pedido, a preparação e a liberação do pedido, a conferência, o registro de saída, o moni- toramento, a avaliação e o arquivo da documentação. UNIASSELVI 9 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 A distribuição deve obedecer a uma periodicidade baseada em cronogramas definidos e a um fluxo lógico e ordenado que racionalize os custos de realização do processo. O transporte é um item muito importante na distribuição e alguns fatores determinam a eficiência dele, tais como: ■ Dispor de veículos adequados, que mantenham as condições de tempe- ratura, umidade e pressão, a fim de garantir a qualidade e a integridade dos medicamentos. ■ Ter motoristas devidamente treinados e capacitados, que tenham a com- preensão das características da carga. ■ Ter respeito ao empilhamento máximo dentro dos veículos. ■ Proporcionar a manutenção do conforto térmico durante o transporte de medicamentos termolábeis. Utilização (prescrição, dispensação e uso) Alocados nas unidades assistenciais, os medicamentos estão disponíveis para utilização, o que consiste nas atividades de prescrição, dispensação e uso pro- priamente dito. Segundo o Ministério da Saúde, “uma receita compreende a prescrição es- crita de medicamento, contendo orientação de uso para o paciente, efetuada por profissional legalmente habilitado, quer seja de formulação magistral ou de produto industrializado” (BRASIL, 1998). Todavia, para além da definição apresentada, uma prescrição compreende a receita escrita de um plano terapêutico definido por profissionais em acordo com o paciente com base em três etapas fundamentais: ■ O diagnóstico a partir do entendimento do problema de saúde do pa-ciente. ■ A seleção de um tratamento eficaz e seguro, dentre aqueles padroniza- dos no serviço, que leve em consideração a gravidade, o prognóstico e a qualidade de vida do paciente. ■ A elaboração da prescrição e a comunicação clara dela ao paciente ou aos cuidadores e aos profissionais de saúde envolvidos no tratamento. 1 1 1 Ao final do período definido, o tratamento deve ser avaliado para a verifi- cação dos desfechos esperados e, se necessário, o plano terapêutico poderá ser alterado e reconduzido. Na atual concepção de assistência farmacêutica, a dispensação de medicamentos constitui uma das estratégias para a promoção do cuidado farmacêuti- co ao paciente nos pontos de atenção à saúde. O primeiro passo para a dispensação reside na recepção e na avaliação da receita pelo farmacêu- tico, que irá: ■ Certificar-se do cumprimento dos aspectos legais pertinentes ao preen- chimento pelo prescritor. ■ Proceder à análise dos aspectos técnicos relacionados aos medicamentos: nome e apresentação, dose, posologia, duração do tratamento, interações com medicamentos e alimentos e potenciais reações adversas. ■ Separar os medicamentos, certificando-se da qualidade, o que inclui a análise de aspectos legais da embalagem, estado de conservação e prazo de validade, na quantidade suficiente ao tratamento completo ou, no caso de medicamentos de uso contínuo, fornecer para um período definido. O uso de medicamentos pode se dar por autoadministração pelo paciente ou por administração por um profissional de saúde ou cuidador. Nesse último caso, o uso em crianças, idosos e adultos incapazes requer formulações far- macêuticas que não permitam a autoadministração, assim como ocorre com a maioria dos medicamentos injetáveis. O farmacêutico tem uma missão fundamental na autoadministração de medicamentos e um componente importante dessa missão é a assistência aos pacientes ao administrar os próprios medicamentos. Em primeiro lugar, é preciso fazer com que o paciente entenda a importância de tomar os medicamentos corretamente, incluindo doses e horários corretos. Também é preciso expor os alimentos e/ou outros medicamentos que podem, ou não, ser ad- ministrados simultaneamente e o que esperar depois de tomar o medicamento. O primeiro passo para a dispensação reside na recepção e na avaliação da receita UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 NOVOS DESAFIOS A assistência farmacêutica é considerada uma das áreas de maior impacto eco- nômico no SUS em todas as instâncias. A demanda cada vez maior por medica- mentos e o desenvolvimento crescente das políticas de acesso exigem níveis mais complexos de gerenciamento, os quais envolvem a gestão de pessoas, a utilização racional e eficiente de recursos financeiros disponíveis e o desenvolvimento de uma infraestrutura moderna e adequada. O gerenciamento compreende o planejamento, a execução, o acompanha- mento e a avaliação de resultados. Ele é implementado por intermédio de es- tratégias apropriadas, tendo o farmacêutico como o profissional imprescindível para desenvolver as ações. No entanto, para que alguns aspectos, tais como a operacionalização das atividades e a definição e o cumprimento de especificações técnicas, normas orga- nizacionais, jurídicas e legais, diretrizes orçamentárias e sistemas de informação e controle, sejam desenvolvidos no contexto da gestão da assistência farmacêutica, faz-se necessária uma abordagem multiprofissional, tendo o ciclo da assistência farmacêutica como instrumento estruturante da gestão. Conhecer o ciclo da assistência farmacêutica em cada uma das respectivas etapas é fundamental ao desenvolvimento político-administrativo da gestão e ao suporte das atividades de gerenciamento da assistência farmacêutica (tendo o farmacêutico como agente de sua organização) integrada ao processo de cuidado em saúde e gestão clínica do medicamento em todos os níveis de atenção à saúde. Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você a respei- to deste tema. Vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO 1 1 1 1. O ciclo da assistência farmacêutica tem início com a seleção de medicamentos, atividade dedicada ao estabelecimento da lista dos medicamentos que serão disponibilizados no serviço de saúde. Pode-se considerar uma etapa essencial e, certamente, a mais importante do ciclo, porque a seleção é o gatilho para o respectivo desenvolvimento. Diante do enunciado exibido, descreva, pelo menos, quatro objetivos da seleção de medi- camentos. 2. A programação de medicamentos é uma atividade que consiste em fazer a previsão das quantidades de medicamentos a serem adquiridas para um determinado período de tempo de atendimento às necessidades locais dos serviços. Diante do enunciado apresentado, descreva os fundamentos dos métodos mais aplicados na execução da programação de medicamentos. 3. A Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) é o local de armazenamento de medica- mentos. Ela deve ter características estruturais específicas para essa finalidade. Assinale a alternativa que descreve corretamente e ordenadamente as atividades de arma- zenamento realizadas pela CAF: a) Seleção, estocagem, expedição e controle de estoque. b) Recebimento, estocagem, controle de estoque e expedição. c) Recepção, controle de estoque, distribuição e estocagem. d) Programação, aquisição, estocagem e distribuição. e) Aquisição, recebimento, estocagem e expedição. AUTOATIVIDADE 1 1 1 4. A distribuição de medicamentos se caracteriza pela rapidez e segurança da entrega e por ser um sistema de controle e informação eficiente com condições de transporte adequadas. Assinale a alternativa que corresponde corretamente a alguns dos procedimentos que com- põem as etapas da distribuição de medicamentos: a) Planejamento de compras, análise da solicitação, processamento do pedido, preparação e liberação do pedido. b) Preparação e liberação do pedido, escolha da modalidade de licitação, registro de saída, monitoramento e avaliação e arquivo da documentação. c) Processamento do pedido, preparação e liberação do pedido, conferência, registro de saída, monitoramento e avaliação e inventário. d) Controle de estoque, separação dos medicamentos solicitados, conferência e registro de saída. e) Solicitação do medicamento, análise da solicitação, processamento do pedido e prepa- ração e liberação do pedido. 5. A prescrição de medicamentos diz respeito à receita escrita de um plano terapêutico defi- nido por profissionais em acordo com o paciente e com base em três etapas fundamentais. Assinale a alternativa que descreve corretamente as etapas fundamentais nas quais uma prescrição deve estar embasada: a) Diagnóstico, seleção dos medicamentos e elaboração da receita. b) Consulta clínica, elaboração da receita e orientações de uso dos medicamentos. c) Solicitação de exames complementares, diagnóstico e elaboração da receita. d) Seleção dos medicamentos, elaboração da receita e dispensação dos medicamentos. e) Anamnese, solicitação de exames complementares e elaboração do diagnóstico. AUTOATIVIDADE 1 1 4 REFERÊNCIAS BLATT, C. R.; SANTOS, R. I. dos; BUENDGENS, F. B. (org.). Logística de medicamentos – Módulo 4. Florianópolis: UFSC, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 344, de 12 de maio de 1998. Aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. Brasília, DF: Presidên- cia da República, [1998]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs/1998/ prt0344_12_05_1998_rep.html. Acesso em: 7 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departa- mento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Assistência farmacêutica na aten- ção básica: instruções técnicas para a sua organização. 2. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2006. CONASS. Assistência farmacêutica no SUS. Brasília, DF:CONASS, 2015. Disponível em: ht- tps://www.conass.org.br/biblioteca/pdf/atualizacao-2015/L07_Assis-Farmaceutica-no-SUS_ jun2015.pdf. Acesso em: 7 fev. 2024. MARIN, N. et al. (org.). Assistência farmacêutica para gerentes municipais. Rio de Janeiro: Opas/OMS, 2003. Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/84%20-%20MARIN%20N%20 ET%20AL%20Assistencia%20Farmaceutica%20para%20gerentes%20municipais_2003.pdf. Aces- so em: 7 fev. 2024. 1 1 5 1. Os principais objetivos da seleção de medicamentos são: reduzir o número de especialidades farmacêuticas, uniformizar as condutas terapêuticas, racionalizar custos e otimizar recursos, promover a interdisciplinaridade nas tomadas de decisões, impulsionar a capacitação e a educação continuada dos profissionais e melhorar a gestão administrativa e financeira da assistência farmacêutica. 2. Os métodos de programação estão fundamentados no perfil epidemiológico da população, no consumo em uma série histórica, no consumo ajustado por taxas conhecidas, na oferta de serviços de saúde e na proporção da população coberta. 3. Opção B. Recebimento, estocagem, controle de estoque e expedição. 4. Opção E. Solicitação do medicamento, análise da solicitação, processamento do pedido e preparação e liberação do pedido. 5. Opção A. Diagnóstico, seleção dos medicamentos e elaboração da receita. GABARITO 1 1 1 MINHAS ANOTAÇÕES 1 1 1 UNIDADE 3 MINHAS METAS ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE Estudar os aspectos que norteiam a assistência farmacêutica na Atenção Básica. Conhecer um modelo de organização dos serviços farmacêuticos na Atenção Básica. Compreender o Sistema Hórus, utilizado para o planejamento e o desenvolvimento de ações de assistência farmacêutica na Atenção Básica. Entender a importância do farmacêutico na Atenção Primária à Saúde (APS). Conhecer algumas experiências exitosas dos farmacêuticos no Sistema Único de Saúde (SUS). T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7 1 1 1 INICIE SUA JORNADA A Atenção Básica é o nível de organização de assistência à saúde no qual a po- pulação tem maior acesso aos medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS)? Deveria ser, se não fossem os problemas estruturais e financeiros, as desigualda- des e a falta de qualificação da assistência farmacêutica nesse âmbito. A gestão da assistência farmacêutica, há tempos, tem sido um constante desa- fio para os profissionais da área. Considere Felipe, um farmacêutico responsável por essa tarefa no município de São Paulo, e Rodrigo, que desempenha a mesma função na cidade de Carmo de Minas, localizada em Minas Gerais. De um lado, com 12 milhões de habitantes, São Paulo conta com 629 farmácias no sistema de saúde. Nelas, atuam 621 farmacêuticos e 1.890 au- xiliares. Do outro, há um município produtor de café com pouco mais de 15 mil habitantes. Ela conta com dois farmacêuticos e dois auxiliares na assistência farmacêutica em uma única farmácia. Em São Paulo, a assistência farmacêutica tem um orçamento anual de cerca de R$ 320 milhões, enquanto, em Carmo de Minas, com um orçamento em construção, há a cobertura integral da população na atenção básica com cinco equipes de saúde da família. Além disso, a farmácia fornece medicamentos dos três componentes da assistência farmacêutica de forma integrada à atenção básica e desenvolve serviços de cuidados farmacêuticos. Esses serviços, no município de São Paulo, são oferecidos por quase 90% das unidades de saúde. Nos dois municípios, o maior dilema da estruturação da assistência farma- cêutica reside na dificuldade de integração com a gestão, cujo entendimento está limitado na ideia de que o único papel da assistência farmacêutica é o de suprimento, ou seja, garantir medicamentos nas prateleiras. Carmo de Minas tem problemas voltados a equipes reduzidas, o que limita a produção e faz do farmacêutico apenas um executor de tarefas. Não há espaço para o planejamento, a organização e a capacitação profissional. Já a preocupação da equipe de São Paulo está em atuar na promoção do uso racional de medica- mentos, trabalhando junto às equipes da saúde da família para a aplicação de práticas clínicas e pedagógicas na assistência ao paciente no próprio território. Ambos os profissionais concordam com a necessidade de integrar a assistên- cia farmacêutica à assistência à saúde, ou seja, desenvolver um trabalho em redes. UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 DESENVOLVA SEU POTENCIAL ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE (APS) A Atenção Primária à Saúde (APS), também chamada de Atenção Básica, é, via de regra, o primeiro ponto de contato do usuário com o sistema de saúde. Nela, o atendimento deve ser de fácil acesso e de assistência ampla voltada ao cuidado das pessoas, e não somente ao tratamento de doenças. Estima-se que 80% das necessidades de saúde de uma pessoa sejam atendidas na APS ao longo da vida, por intermédio da oferta da atenção integral à saúde próxima ao domicílio e à comunidade na qual a pessoa está inserida. Ações de promoção, prevenção, tratamento e controle de doenças, cuidados paliativos e reabilitação compõem o conjunto de serviços oferecidos na APS e são voltados às famílias e à coletividade (BRASIL, 2012). A Portaria GM/MS nº 2.436, de 21 de setembro de 2017, aprovou a Política Na- cional da Atenção Básica (PNAB) em vigência, estabelecendo diretrizes e normas para organização. Essa portaria traz a seguinte definição: “ Art. 2º A Atenção Básica é o conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas que envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde, desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e gestão qualificada, realizada com equipe Ouça uma breve análise da importância da assistência farmacêutica no cuidado à saúde dentro da atenção primária, a fim de entender o papel primordial do farma- cêutico no cuidado centrado no indivíduo e no coletivo. Recursos de mídia dispo- níveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO 1 1 1 multiprofissional e dirigida à população em território definido, so- bre as quais as equipes assumem responsabilidade sanitária. §1º A Atenção Básica será a principal porta de entrada e centro de comunicação da RAS, coordenadora do cuidado e ordenadora das ações e serviços disponibilizados na rede. § 2º A Atenção Básica será ofertada integralmente e gratuitamente a todas as pessoas, de acordo com suas necessidades e demandas do território, considerando os determinantes e condicionantes de saúde (BRASIL, 2017a, on-line). Dois anos depois da instituição da Portaria GM/MS nº 2.436, de 21 de setem- bro de 2017, a APS se caracteriza por cerca de 45 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS), com 43.458 equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) distribuídas desigualmente em todo território nacional, com cobertura para cerca de 150 milhões de pessoas. Todas as equipes da ESF utilizam o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), um sistema de informação instituído pela Portaria GM/ MS nº 1.412, de 10 de julho de 2013, com a finalidade de organizar o financia- mento e facilitar a adesão aos programas e às estratégias da PNAB. O SISAB integra a estratégia e-SUS Atenção Primária, que é um sistema de captação de dados que promove melhorias na gestão da informação em saúde, na automação de processos assistenciais e nas condições de infraes- trutura e trabalho na APS. A PNAB define como responsabilidade das três esferas de governo o desenvol- vimento, nos pontos de atenção da APS, das ações de assistência farmacêutica e do uso racional de medicamentos, garantindo a disponibilidade e o acesso a medicamentos e a insumos de acordo com a Relação Nacional de Medicamentos (Rename), os protocolos clínicos e as diretrizes terapêuticas e as relações espe- cíficas complementares de medicamentos dos estados e municípios, visando à integralidade docuidado (BRASIL, 2017a). APROFUNDANDO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Em 2007, com a publicação da Portaria MS/GM nº 204, o financiamento da assistência farmacêutica é organizado com a criação dos componentes bási- co, estratégico e especializado, que definem as categorias dos medicamentos disponíveis no SUS de acordo com as aplicabilidades deles nas diferentes ações e programas de saúde. O custeio da Assistência Farmacêutica na Atenção Básica é baseado no Com- ponente Básico da Assistência Farmacêutica (CBAF) do bloco de financia- mento. Em 2017, é definida a responsabilidade da União, dos estados e dos mu- nicípios da aplicação de, no mínimo, R$ 5,85, R$ 2,36 e R$ 2,36 por habitante/ ano, respectivamente, para financiar a aquisição dos medicamentos e insumos do CBAF constantes na Rename vigente no SUS (BRASIL, 2017b). No ano de 2009, com o objetivo de aprimorar as ações de planejamento, desenvolvimento, monitoramento e avaliação da assistência farmacêutica nos três níveis de gestão, foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Recife, o Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica – Sistema Hórus. Sistema Hórus O Sistema Hórus é voltado ao planejamento e ao desenvolvimento de ações de assistência farmacêutica na Atenção Básica. Ele constitui uma plataforma baseada na web, integrada a outros sistemas de dados do SUS, que abrange a gestão dos três componentes da assistência farmacêutica. Correspondente a três perfis de acesso ao Sistema Hórus, foi criado um quarto perfil para atender à gestão da assistência farmacêutica no Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (BRASIL, 2017c). O Sistema Hórus proporciona o gerenciamento estratégico dos estoques de medicamentos, uma vez que permite a realização de pedidos, a programação de aquisição, o monitoramento de prazos de validade, a rastreabilidade de lotes e a logística de remanejamento entre unidades. Por meio do Sistema Hórus, também é possível acompanhar as dispen- sações registradas de forma integrada ao prontuário do paciente a partir de qualquer unidade. Com isso, pode-se definir, a qualquer momento, o padrão de consumo e a qualificação da demanda de medicamentos (COSTA; NAS- CIMENTO JR., 2012; BRASIL, 2017c). 1 1 4 A utilização do Sistema Hórus na atenção básica traz vários benefícios ao usuário do SUS, tais como: agilidade no atendimento, agendamento das dispensações, avaliação do serviço e ampliação do acesso aos medicamentos. Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farmacêutica (Qualifar-SUS) Outro passo importante para a reorganização da assistência farmacêutica foi a criação do Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farma- cêutica (Qualifar-SUS) no âmbito do Sistema Único de Saúde, o qual foi instituído pela Portaria GM/MS nº 1.214/2012, que definiu nova fonte de financiamento para sua execução. Com a finalidade de contribuir para o aprimoramento, a implementação e a integração das atividades da assistência farmacêutica às ações e aos serviços de saúde, o Qualifar-SUS encontra-se organizado em quatro eixos estratégicos de acordo com os objetivos (BRASIL, 2016, p. 21): “ I - Eixo Estrutura: contribuir para a estruturação dos serviços far- macêuticos no SUS de modo que estes sejam compatíveis com as atividades desenvolvidas na assistência farmacêutica [...]; II - Eixo Educação: promover a educação permanente e a capa- citação dos profissionais na lógica das Redes de Atenção à Saúde; III - Eixo Informação: disponibilizar informações que possibili- tem o acompanhamento, monitoramento e avaliação das ações e serviços da Assistência Farmacêutica; e IV - Eixo Cuidado: inserir a Assistência Farmacêutica nas práticas clínicas visando a resolutividade das ações em saúde, otimizando os benefícios e minimizando os riscos relacionados à farmacoterapia. Você está convidado a acessar o Hórus – Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica: manual 1 – apresentação do sistema e conhecer mais o Sistema Hórus. EU INDICO UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Os quatro eixos são apresentados a seguir de forma mais detalhada. EIXO ESTRUTURA Estão previstas melhorias na infraestrutura, nas instalações e no custeio das Centrais de Abastecimento Farmacêutico (CAF) e das farmácias nos municípios, além da dispo- nibilização de recursos tecnológicos voltados à qualidade do gerenciamento. EIXO EDUCAÇÃO Desde o lançamento do Qualifar-SUS, o Ministério da Saúde tem oferecido e custeado cursos de capacitação para farmacêuticos nas modalidades ensino a distância (EAD) e pre- sencial em parceria com instituições de ensino e hospitais de referência. Observe, a seguir, alguns exemplos: • Farmacêuticos na Atenção Básica/Primária à Saúde: trabalhando em Rede (UFRGS). • Cuidado Farmacêutico na Atenção Básica: aplicação do Método Clínico (HAOC). • Assistência Farmacêutica na Gestão Municipal: da Instrumentalização à Prática nos Serviços (HAOC). • Políticas de Saúde e Assistência Farmacêutica no SUS (Fiocruz). • Qualificação em Assistência Farmacêutica para profissionais do Sistema Único de Saúde com o uso da simulação realística (Einstein). EIXO INFORMAÇÃO O Ministério da Saúde disponibiliza aos municípios o Sistema Hórus de gerenciamento da Assistência Farmacêutica, o Sistema e-CAR para acompanhamento, monitoramento e avaliação das ações e serviços da Assistência Farmacêutica e a Base Nacional de Dados de Ações e Serviços da Assistência Farmacêutica no SUS (BNAFAR), que conso- lida, a partir dos registros no Sistema Hórus, dados nacionais de controle e movimen- tação de estoque e dispensações realizadas pelos municípios (BRASIL, 2016). EIXO CUIDADO São desenvolvidas ações, serviços e tecnologias que, integrados à educação em saú- de, promovem o cuidado farmacêutico, entendido como uma ação do farmacêutico centrada no usuário e integrada à equipe multiprofissional de saúde para a promoção, a proteção e a recuperação da saúde e a prevenção de agravos. O cuidado farmacêu- tico deve ter, como metas, a educação em saúde e a promoção do uso racional de medicamentos e de terapias alternativas e complementares, levando em considera- ção as concepções do indivíduo, a família, a comunidade e a equipe de saúde, incluin- do não apenas a dimensão clínico-assistencial, mas também a técnico-pedagógica do trabalho em saúde (BRASIL, 2016). 1 1 1 Farmacêutico na APS O farmacêutico, na APS, de forma integrada com a rede de atenção à saúde, deve ser o profissional responsável pela estruturação dos Serviços Farmacêuticos na Atenção Básica (SFAB), os quais contemplem desde a dimensão técnico-geren- cial, voltada para o planejamento, a logística e o acesso a medicamentos, até a dimensão clínico-assistencial, com vistas ao alcance de melhores resultados terapêuticos advindos do uso da farmacoterapia. Uma proposta atual para o desenvolvimento dos SFAB no SUS é o Instru- mento de Referência dos Serviços Farmacêuticos na Atenção Básica (IRSFAB), elaborado por um Grupo de Trabalho do Conselho Nacional de Secretarias Mu- nicipais de Saúde (CONASEMS). Os seis âmbitos funcionais dos SFAB descritos no instrumento de referência são: Gestão Logística e Acesso a Medicamentos, Cuidado Farmacêutico, Coor- denação da Assistência Farmacêutica no Âmbito da Atenção Básica, Análise e Aprimoramento da Utilização de Medicamentos na Prática Clínica e de Resul- tados em Saúde e Gestão do Conhecimento. Por iniciativa do Conselho Federal de Farmácia, foi criada, em 2013, uma publicação de periodicidade anual denominada Experiências Exitosas de Far- macêuticos no SUS, com o objetivo de divulgar experiências de farmacêuticos nos eixos da atenção primária à saúde, serviços clínicos e farmácia hospitalar. RELATOS DE EXPERIÊNCIA Apresentados os conceitos básicos da assistência farmacêutica na Atenção Primária à Saúde, a seguir, é exibida a aplicabilidade desses conceitos em um estudo de caso. Caracterização Fátima do Sul éum município da região Centro-Oeste do país localizado no estado de Mato Grosso do Sul, a 248 km da capital, Campo Grande. Com 19.189 habitantes, 50,8% da população do município é do sexo feminino e 49,2% do sexo masculino, sendo que 26,8% dessa população tem idade entre 40 e 59 anos, e 14,8% têm 60 anos ou mais. No ranking de população residente por faixa etária UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fátima do Sul ocupa o terceiro lugar em índice de envelhecimento no estado. A rede de serviços públicos de saúde de Fátima do Sul é formada por sete Unidades de Estratégia de Saúde da Família (seis urbanas e uma rural), um Nú- cleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB), um laboratório de análises clínicas, um Centro de Especialidades Médicas (CEM), duas clínicas de fisioterapia, três farmácias básicas (sendo duas na cidade e uma no distrito), uma farmácia do Componente Especializado/Estratégico e Ação Judicial, uma Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) e um Hospital Filantrópico, con- veniados com o SUS. A assistência farmacêutica é realizada por cinco farmacêuticos, sendo que uma realiza a dispensação na farmácia básica do distrito de Culturama, a 35 km da cidade. A Central de Abastecimento Farmacêutico é gerenciada por outra farmacêutica, responsável pelo pedido de compras e controle de estoque. Um farmacêutico e duas estagiárias atendem na dispensação da farmácia central, enquanto outra farmacêutica atende na farmácia da Estratégia de Saúde da Famí- lia (ESF). Já a quinta farmacêutica é a responsável pelo CEAF/Estratégico, Ação Judicial e atuações no NASF-AB. Relato da experiência Observou-se, durante as reuniões do HiperDia (encontros mensais para dispen- sação de medicamentos para tratamento de hipertensão e diabetes), que havia baixa adesão ao tratamento, uso inadequado, supressão de doses e ausência de conciliação entre prescrições de profissionais da atenção básica e médicos espe- cialistas. Em visitas domiciliares com a equipe NASF, foram observados, também, o armazenamento de medicamentos em local inadequado, quantidade ex- cessiva estocada em domicílios, medicamentos vencidos acondicionados em embalagens trocadas e muitos até deteriorados. Havia a necessidade imediata da intervenção de um profissional farmacêu- tico. Motivadas pelo curso do Conselho Federal de Farmácia denominado Cui- dado Farmacêutico no SUS – Capacitação em Serviços, as farmacêuticas elabo- raram uma agenda de atendimento aos pacientes e foram, então, impulsionadas a deixar a dispensação e pensar um pouco mais nas atribuições do profissional com o cuidado farmacêutico. 1 1 8 A primeira consulta foi realizada na unidade de saúde e as consultas de retor- no foram feitas, em sua maioria, durante visitas domiciliares. Na primeira con- sulta, as farmacêuticas tiveram a oportunidade de conhecer a história clínica do paciente e aplicar conhecimentos de consulta farmacêutica adquiridos no curso de Cuidado Farmacêutico no SUS. Ao final da primeira consulta, os pacientes recebiam uma ficha para monitoramento residencial da pressão arterial e/ou glicemia e deixava agendada a consulta de retorno. Durante a consulta de retorno, as farmacêuticas, em visita domiciliar, tinham a oportunidade de verificar o local de armazenamento dos medicamentos, a vali- dade, as prescrições médicas, os exames laboratoriais, conhecer os aparelhos de pressão arterial e glicemia que o paciente tinha na própria residência, verificar as condições de uso e avaliar os resultados do monitoramento da pressão arterial e/ou glicemia que o paciente havia feito na própria residência. As intervenções farmacêuticas foram realizadas ao longo do período de execução do trabalho à medida que as farmacêuticas adquiriam a confiança dos pacientes avaliados. Foram realizadas as seguintes intervenções: • Melhoria na adesão. • Disponibilidade de acesso. • Melhoria no armazenamento em domicílio. • Conciliação entre receitas de dois ou mais prescritores diferentes. • Encaminhamento a outros profissionais. • Retirada de excesso de medicamentos acondicionados em domicílio com prazo de validade expirado ou próximo a vencer. Resultados e impactos gerados com a experiência Foi obtido êxito em mais de uma intervenção por paciente avaliado, totalizando 27 diferentes intervenções. Em 15% do total de intervenções, houve “melhoria na adesão” ao tratamento, o que corresponde a 69,23% dos pacientes em que pode UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 ser observada melhoria dos parâmetros clínicos, configurando aprimoramento na adesão. Observou-se, também, que 21% das intervenções obtiveram êxito de “acesso ao medicamento”, o que corresponde a 100% dos pacientes para os quais essa intervenção foi realizada. O êxito no acesso se deu quando as farmacêuticas realizaram intervenções, orien- tando uma paciente a enviar o receituário médico à Casa da Saúde para adquirir in- sulina degludeca. Ela já a havia ganho a partir de uma ação judicial, porém não sabia que precisava levar a receita para retirar a medicação. Outra paciente que estava sem utilizar um anticoagulante oral por ser de alto custo e não ter condições financeiras de adquiri-lo teve a medicação substituída por um profissional médico habilitado, que trocou por outra alternativa terapêutica disponível na atenção básica, e segue fazendo acompanhamento médico e exames laboratoriais de rotina. O mesmo resultado se aplicou à intervenção “melhoria no armazenamento em domicílio”, realizada em 21% das intervenções, com resultado positivo para todos os pacientes avaliados, ou seja, 100% dos pacientes para os quais esta in- tervenção foi feita. Essa intervenção se deu por intermédio de orientação prática (em domicílio) aos pacientes e/ou familiares sobre os locais corretos para arma- zenamento e confecção de caixas de armazenamento com desenhos ilustrativos dos horários de administração dos diferentes fármacos. Onze porcento das intervenções correspondem à “conciliação entre receitas” de diferentes prescritores, totalizando um êxito correspondente a 50% dos pacien- tes avaliados. Resultados apresentados como intervenção “encaminhamento”: foi possível realizar a conciliação de 50% e os demais 50% foram encaminhados a um profissional médico para verificação da melhor conduta. Do total de intervenções, 21% corresponderam ao item “retirada do excesso de medicamentos acondicio- nados em domicilio” com prazo de validade vencido ou próximo ao vencimento. Essa intervenção foi aplicada a 100% dos pacientes avaliados, porque eles faziam a retirada de medicação na farmácia básica municipal e nas farmácias do comércio a partir do “Programa Aqui Tem Farmácia Popular”. Foram realizadas, ainda, “orientações sobre o uso correto do aparelho de glicemia” e “rodízio dos locais de aplicação de insulina”, orientações sobre o melhor horário para a tomada dos hipoglicemiantes orais, alterações nos horários de tomadas de anti-hipertensivos, orientações nutricionais e de mudança no estilo de vida, autocuidado com pé diabético e encaminhamento de pacientes ao grupo de ta- bagismo e ao grupo de emagrecimento. 1 1 1 NOVOS DESAFIOS Somente a garantia do acesso a medicamentos pela população baseada na estrutu- ra favorável e no abastecimento adequado não permite a ação terapêutica integral. O uso dos medicamentos deve ser um motivo de preocupação e zelo dos cuidados farmacêuticos, que são inteiramente dependentes da iniciativa e da competência do farmacêutico da atenção básica. Como vimos no exemplo exposto, ações sim- ples, mas bem direcionadas, modificam a realidade do uso dos medicamentos e promovem mais saúde e qualidade de vida para a população. Conhecer os aspectos que norteiam a assistência farmacêutica na Atenção Básica e entender a organização dos serviços farmacêuticos nesse nível de atenção permite ao farmacêutico orientar as próprias atribuições no SUS.A inserção do farmacêutico na rede pública de saúde é crescente e tem se tornado um campo de atuação muito promissor. Todavia, exige desse pro- fissional aperfeiçoamento e capacitação em gestão da logística e do cuidado, dominando as práticas do Ciclo da Assistência Farmacêutica, as quais são de atribuição exclusiva dele. Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar com você a respei- to deste tema. Vamos lá? Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO A inserção do farmacêutico na rede pública de saúde é crescente UNIASSELVI 1 1 1 1. A Atenção Primária à Saúde (APS), também chamada de Atenção Básica, é, via de regra, o primeiro ponto de contato do usuário com o sistema de saúde. Nela, o atendimento deve ser de fácil acesso e de assistência ampla voltada ao cuidado das pessoas, e não somente ao tratamento de doenças. Atualmente, qual é a principal iniciativa para que a APS alcance as próprias finalidades? Assinale a alternativa correta: a) O Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica. b) A Estratégia Saúde da Família. c) O Piso da Atenção Básica. d) A Carteira de Serviços da Atenção Primária à Saúde. e) O Piso da Atenção Básica Variável. 2. A definição da origem de recursos financeiros, o planejamento e o orçamento são requisitos fundamentais para a programação e a execução das ações de saúde em qualquer nível de gestão. Considerando as regras atuais do financiamento da assistência farmacêutica na Atenção Básica, é correto afirmar: a) O Incentivo à Assistência Farmacêutica Básica (IAFB) no valor de R$ 2,00 por habitante/ ano é de responsabilidade do governo federal. b) O Plano Estadual de Assistência Farmacêutica Básica tem como objetivo o gerenciamen- to dos recursos financeiros repassados aos municípios. c) A Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME) vigente é a lista de referên- cia para o financiamento do Componente Básico da Assistência Farmacêutica. d) Até 15% da contrapartida federal do financiamento do Componente Básico da Assistência Farmacêutica poderá ser aplicado na adequação física das farmácias do SUS. e) O financiamento da assistência farmacêutica na Atenção Básica é de natureza tripartite, ou seja, é de responsabilidade conjunta de estados, municípios e União. AUTOATIVIDADE 1 1 1 3. Outro passo importante para a reorganização da assistência farmacêutica foi a criação do Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farmacêutica no âmbito do Sistema Único de Saúde (Qualifar-SUS), organizado em quatro eixos estratégicos de acordo com os próprios objetivos. Considerando as características dos eixos estratégicos do Qualifar-SUS, assinale a alternativa correta: a) Eixo Estrutura: prever melhorias na infraestrutura, nas instalações e no custeio das Cen- trais de Abastecimento Farmacêutico (CAF). b) Eixo Educação: disponibilizar informações que possibilitem o acompanhamento, o mo- nitoramento e a avaliação das ações e dos serviços da assistência farmacêutica. c) Eixo Informação: inserir a assistência farmacêutica nas práticas clínicas visando à re- solutividade das ações em saúde, otimizando os benefícios e minimizando os riscos relacionados à farmacoterapia. d) Eixo Cuidado: contribuir para a estruturação dos serviços farmacêuticos no SUS, de modo que eles sejam compatíveis com as atividades desenvolvidas na assistência farmacêutica. e) Eixo Cuidado: promover a educação permanente e a capacitação dos profissionais na lógica das Redes de Atenção à Saúde. 4. De acordo com o Instrumento de Referência dos Serviços Farmacêuticos na Atenção Básica (IRSFAB), os SFAB estão agrupados em seis âmbitos funcionais compostos por 20 linhas de serviços distribuídas em 68 serviços. Quais são os seis âmbitos funcionais dos SFAB descritos no instrumento de referência? Denomine-os. 5. Um dos âmbitos funcionais dos SFAB é voltado ao planejamento, à implementação, ao mo- nitoramento e à avaliação de políticas farmacêuticas, além do desenvolvimento de ações para a gestão dos serviços farmacêuticos de forma coordenada com os demais serviços de saúde. O objetivo dele é fortalecer e integrar a assistência farmacêutica e a promoção do Uso Racional de Medicamentos (URM) às políticas de saúde. Denomine o âmbito funcional descrito no enunciado e cite as linhas de serviço correspon- dentes dele. AUTOATIVIDADE 1 1 1 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº 6, de 28 de setembro de 2017. Conso- lidação das normas sobre o financiamento e a transferência dos recursos federais para as ações e os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 190, p. 569, 3 out. 2017b. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2 436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Na- cional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, DF: Ministério da Saúde, [2017a]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017. html. Acesso em: 28 fev. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departa- mento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Hórus – Sistema Nacional de Ges- tão da Assistência Farmacêutica: manual 1: apresentação do sistema. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017c. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departa- mento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. QUALIFARSUS. Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farmacêutica no Âmbito do Sistema Único de Saúde. Eixo Estru- tura Atenção Básica. Instruções Técnicas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2016. COSTA, K. S.; NASCIMENTO JR., J. M. HÓRUS: inovação tecnológica na assistência farmacêutica no sistema único de saúde. Revista de Saúde Pública. v. 46, sup. 1, p. 91-99, 2012. 1 1 4 1. Opção B. A principal iniciativa para do desenvolvimento das finalidades da APS é a Estratégia Saúde da Família. 2. Opção E. O financiamento da assistência farmacêutica na Atenção Básica é de natureza tripartite, ou seja, é de responsabilidade conjunta dos estados, municípios e União. 3. Opção A. O Eixo Estrutura prevê melhorias na infraestrutura, nas instalações e no custeio das Centrais de Abastecimento Farmacêutico (CAF). 4. Os seis âmbitos funcionais dos SFAB descritos no instrumento de referência são: gestão logística e acesso a medicamentos, cuidado farmacêutico, coordenação da assistência farmacêutica no âmbito da atenção básica, análise e aprimoramento da utilização de medi- camentos na prática clínica e de resultados em saúde e gestão do conhecimento. 5. O nome do âmbito funcional é Coordenação da Assistência Farmacêutica no Âmbito da Atenção Básica. As linhas funcionais dele são: coordenação da assistência farmacêutica, planejamento da assistência farmacêutica, monitoramento e avaliação da assistência far- macêutica e promoção do uso racional de medicamentos. GABARITO 1 1 5 MINHAS METAS PLANEJAMENTO E GESTÃO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA Conhecer os aspectos da evolução da administração pública brasileira. Estudar os seguintes modelos de gestão: patrimonialista, burocrático e gerencial. Entender o planejamento da assistência farmacêutica tradicional e estratégica no contex- to do Plano Municipal de Saúde. Explorar os elementos e os desafios da gestão da assistência farmacêutica. Aprender as normas e os modelos empregados na organização e no desenvolvimento da gestão da assistência farmacêutica. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8 1 1 1 INICIE SUA JORNADA Estudante, você sabe como está a situação da saúde na cidade em que você mora? Já teve a curiosidade de participarde alguma reunião do Conselho de Saúde do seu município? A gestão da assistência farmacêutica é o primeiro passo para elaborar um plano de gestão da assistência farmacêutica. Ela faz uma análise da situação de saúde por meio do levantamento de dados e informações do território, seguido da identificação de problemas e necessidades. Os problemas da sua cidade podem ser semelhantes aos de inúmeras cidades espalhadas por todo o Brasil. Falta de medicamentos, ausência de sistema infor- matizado, baixa qualidade no atendimento aos usuários, medicamentos prescri- tos e indisponíveis para a população: são inúmeras as situações que prejudicam o atendimento adequado da população. A lista de problemas é extensa. A proposta para resolver a situação exposta é promover a implantação de um modelo de assistência farmacêutica no muni- cípio. Muitas cidades brasileiras não conseguem organizar a própria assistência farmacêutica e, com isso, a atenção integral à saúde da população fica prejudicada devido a diversos problemas, como o acesso e o uso racional de medicamentos. É necessário elaborar um plano para direcionar essa implantação. O modelo escolhido para isso é o Planejamento Estratégico Situacional (PES), uma ferramenta que exige um correto entendimento do cenário do problema a ser solucionado e realizar análises situacionais para orientar as ações, devendo a realidade ser constantemente acompanhada. Estudante, você já ouviu alguém falar sobre “políticas públicas de saúde”? Preparei um podcast para você sobre o assunto. Aprofunde um pouco mais o seu conheci- mento na área farmacêutica. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 DESENVOLVA SEU POTENCIAL No final dos anos de 1990, inicia-se a adequação da assistência farmacêutica ao modelo de gestão descentralizada como princípio norteador da organização do Sistema Único de Saúde (SUS). A reorganização da assistência farmacêutica, tra- tada na Política Nacional de Medicamentos (PNM), orientada pela Norma Operacional Básica nº 96 (NOB 96) e pela Portaria GM/MS nº 179/1999, que estabelece os requisitos para a qualificação dos municípios e estados ao Incentivo à Assistência Farmacêutica Básica (IAFB) e define os valores a serem transferi- dos, teve o marco teórico estabelecido por iniciativa conjunta da Assessoria de Assistência Farmacêutica, do Departamento de Atenção Básica e da Secretaria de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A iniciativa foi baseada na estratégia educacional, com a realização das Ofi- cinas Técnicas de Assistência Farmacêutica dirigidas à capacitação dos gestores estaduais e municipais. Como produto dessas oficinas, foi elaborada, em 2003, uma diretriz para a assistência farmacêutica no Brasil denominada Assistência Farmacêutica para Gerentes Municipais (MARIN et al., 2003). “A Assistência Farmacêutica compreende um conjunto de atividades que envolvem o medicamento e que devem ser realizadas de forma sistêmica, ou seja, articuladas e sincronizadas, tendo, como beneficiário maior, o paciente. É o resultado da combinação de estrutura, pessoas e tecnologias para o desenvolvimento dos serviços em um determinado contexto social. Dessa forma, necessita de uma organização de trabalho que amplie sua complexidade, de acordo com o nível de aperfeiçoamento das atividades e da qualidade impressa nos serviços realizados” (MARIN et al., 2003, p. 54). Alguns componentes, tais como planejamento, organização, direção e controle, são elementos da administração empregados para desenvolver objetivos e metas na produção de resultados definidos na organização empresarial e envolvem a combinação de recursos humanos e materiais associados às tecnologias dispo- níveis. No caso do SUS, esses conceitos se aplicam àquilo que se denomina de gestão dos serviços de saúde em todos os níveis. 1 1 8 Cabe aos gestores fazer com que os serviços de saúde operem com eficácia e eficiência. Para tanto, são necessários conhecimentos e habilidades técnicas, administrativas, políticas e psicossociais (MARIN et al., 2003). “ Etimologicamente, as palavras administração, gestão, gerência e su- pervisão são sinônimos, diferenciadas pelas funções exercidas. As- sim, consideramos a gestão como administração de nível superior, seja municipal, estadual ou federal; a gerência como administração de nível intermediário e a supervisão como administração de nível operacional. O processo administrativo ocorre em todos os níveis de atividades da organização, ou seja, gestor, gerente e supervisor (MARIN et al., 2003, p. 54). MODELOS DE GESTÃO A evolução da Administração Pública Brasileira passa por três modelos de gestão: o patrimonialista, o burocrático e o gerencial, este também chamado de “nova gestão pública”, para chegar à governança pública, modelo em de- senvolvimento na atualidade. MODELO PATRIMONIALISTA Teve início com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808, e se caracterizou por ser um sistema de dominação política e autoritária em que bens e direitos eram distribuídos como patrimônio pessoal às elites econômicas da época. Esse sistema era marcado pelo nepotismo, clientelismo, corrupção e descaso pelas demandas sociais e se estendeu até os anos de 1930, quando o poder econômico se concentrava nos grandes latifundiários (senhores de terras/coronéis), exploradores dos trabalhadores rurais. O Estado patrimonial se caracterizava por ser um Estado com poder absoluto, ilimitado e arbitrário, em que o bem público não pertencia à coletivi- dade, mas à propriedade pessoal do soberano em caráter hereditário e sob uma rede de interesses e influências chamada “dominação patrimonial”. No entanto, mudanças políticas, econômicas e sociais levaram à despatrimonialização do Estado e do poder, fazendo com que as fontes de renda da elite econômica e do governo passassem a ter origem na arrecadação de impostos. No plano jurídico, surge a segmentação do direito em público e privado. UNIASSELVI 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 MODELO BUROCRÁTICO Esse modelo impulsiona a criação do Estado moderno, com patrimônio próprio e atuação voltada ao interesse público. Ele é regido por normas claras e separado dos interesses privados. Nele, a administração pública opera com critérios racionais e le- gais, promovendo transparência, impessoalidade, hierarquia, meritocracia e concurso público na seleção de funcionários. Apesar de criticado, foi essencial para consolidar o capitalismo e o Estado de direito, garantindo segurança jurídica, eficiência e moderni- zação. Contudo, a rigidez da gestão burocrática, a crise financeira dos anos de 1970 e o avanço do neoliberalismo e da globalização foram catalisadores para o surgimento da nova gestão pública. MODELO GERENCIAL O modelo gerencial, também chamado de “nova gestão pública”, trouxe uma abor- dagem que aplicava técnicas do setor privado à administração pública. Isso incluía a gestão orientada para resultados, métricas de desempenho, simplificação organiza- cional e parcerias público-privadas. Apesar de trazer melhorias isoladas, não foi eficaz na coordenação entre as entidades públicas e a sociedade civil. Diante disso, surgiu a governança pública, uma abordagem mais integrada e colaborativa para lidar com os desafios sociais modernos. MODELO DE GOVERNANÇA PÚBLICA Tem, como princípios básicos, a integração, a articulação e a colaboração intersetorial orientados para o desempenho. A intersetorialidade, sob coordenação do Estado, deve envolver a participação dos vários atores que integram determinado espaço, com efe- tivo controle social e participação dos diversos segmentos sociais na gestão pública e na proposição de ações e políticas públicas fundamentadas nas necessidades sociais. A evolução dos modelos de administração pública não seguiu uma lógica linear e segmentada ao longo dos anos, masocorreu de maneira sobreposta, de forma que muitos princípios e características de cada modelo permanecem influenciando a gestão pública na atualidade. 1 1 1 Gestão da assistência farmacêutica Depois de uma breve abordagem sobre os princípios da administração pública, passaremos para a gestão da assistência farmacêutica propriamente dita. Para isso, tenhamos em mente que o caráter da assistência farmacêutica não está restrito ao simples abastecimento de medicamentos, mas possui uma natu- reza complexa, sistêmica e multiprofissional. O primeiro passo é viabilizar a estrutura da assistência farmacêutica em cada um dos níveis de atenção à saúde, a começar pela criação de um organograma hierárquico para estabelecer cargos, funções e divisões formais de trabalho vin- culados ao Poder Executivo, mas com articulações intra e intersetoriais, princi- palmente com a área administrativa do governo. A organização das atividades pode se dar por tipo de atividade (seleção, programação e aquisição), por grupos de medicamentos (básicos, estratégicos e imunobiológicos) ou qualquer outra natureza, pois é a partir do modelo es- colhido que se desenvolverão as atribuições e as competências relacionadas. A organização estrutural deverá estar embasada em especificações técnicas, normas administrativas, aspectos jurídicos e legais, recursos financeiros, sistemas de in- formação e gestão eficiente do estoque (CONASS, 2011). Planejar é preciso, executar é tudo! Em qualquer projeto, o planejamento é o primeiro passo, afinal, é necessário colocar no papel tudo o que você precisa para realizar uma ação. Ao mesmo tempo, ela apenas se concretiza se você reunir o suficiente para executar os planos. É necessário encontrar motivação para continuar firme no seu planejamento, dia após dia! Assim, você consegue reunir a força necessária para cumprir todos os passos e alcançar os seus objetivos (PLANEJAR..., 2019). A política de assistência farmacêutica que norteia o processo de gestão é funda- mentada em diretrizes que precisam ser transformadas em ações concretas, a fim de assegurar a racionalidade, a eficiência, a eficácia e a qualidade dos serviços prestados, o que não é uma tarefa fácil e exige planejamento (MARIN et al., 2003). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 No SUS, o planejamento é um requisito legal de responsabilidade do gestor em cada esfera de governo, o que requer conhecimento técnico e desenvolvi- mento de instrumentos e ferramentas nos processos de trabalho. Geralmente, o planejamento no setor público precisa estar alinhado ao plano de governo, muitas vezes, norteado por “promessas de campanha eleitoral”, que podem vir a ser implementadas. Além do mais, esse planejamento é influenciado por políticas econômicas e sociais e pelas prioridades fiscais definidas no Plano Plurianual (PPA), na Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO), na Lei Orçamentária Anual (LOA) e na Constituição Federal. O planejamento no SUS é regulamentado pelo Decreto nº 7.508/2011, o qual também estabelece normas para o acesso à assistência farmacêutica. Assim, define os requisitos que direcionarão o seu planejamento, que deverá ser apro- vado e pactuado pelas comissões intergestoras de acordo com a esfera de gestão na qual se apresente. O planejamento da assistência farmacêutica, uma vez que é transversal a todas as ações e serviços da rede de atenção à saúde, deverá envolver todos os atores dos diferentes ambientes e níveis de gestão, principalmente os usuários do SUS, que são os beneficiários das entregas planejadas. Além disso, deve contar com fontes significativas de informações de todas as áreas envolvidas que permitam definir ações, objetivos, metas e indicadores do plano (VEBER et al., 2011; BRASIL, 2020). 1 1 1 Ciclo PDCA O método mais aplicado no planejamento da assistência farmacêutica é o PDCA, sigla advinda do inglês que integra as palavras “plan” (planejar), “do” (fazer, exe- cutar), “check” (checar, controlar, verificar) e “act” (atuar, agir, corrigir). P D A C Figura 1 – Ciclo PDCA / Fonte: adaptada de Brasil (2020, p. 80). Descrição da Imagem: trata-se de uma representação das etapas do ciclo do PDCA, que está segmentado em quatro partes iguais. A primeira parte, presente no quadrante superior esquerdo e na cor azul, é a letra P, que está na cor branca. Na sequência, no sentido horário, há uma parte laranja com a letra D, que está na cor branca, seguida de uma parte cinza com uma letra C na cor branca. Por último, há uma parte amarela com a letra A na cor branca. O sentido do ciclo é representado por quatro setas dispostas do lado de fora de cada quadrante nas respectivas cores e no sentido horário. Fim da descrição. Para que o planejamento se concretize, é necessário que o ciclo PDCA seja aplica- do de forma hierárquica e ascendente desde a Unidade Básica de Saúde (UBS) até o nível central das Secretarias de Saúde, observando os aspectos de regionalização e considerando um cronograma com prazos estabelecidos para a devida constru- ção. A seguir, são exibidas as descrições de cada etapa do PDCA da assistência farmacêutica (BRASIL, 2020). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 PLAN (PLANEJAR) Nesse estágio, que se reflete como uma ação estratégica, considera-se a avaliação dos procedimentos atualmente utilizados e a forma como eles podem ser melho- rados. Também são estabelecidos os seguintes elementos: a missão, os objetivos e as metas da organização, além dos procedimentos e as metodologias necessárias para que os resultados previamente definidos sejam alcançados. Ainda nessa etapa, é importante que a gestão da assistência farmacêutica se envolva, de fato, com a construção do planejamento da secretaria, a fim de garantir que as ações, as metas e os indicadores sejam contemplados. DO (FAZER) Momento em que as ações planejadas são executadas, ou seja, quando o plano entra em ação. Uma vez que as metas da assistência farmacêutica são garantidas no Plano Municipal de Saúde, essa é a etapa que se destina a executar o que foi planejado por meio da programação anual de saúde com o orçamento aprovado na Lei Orçamentá- ria Anual. CHECK (VERIFICAR) Nessa etapa, em que estão presentes os processos de monitoramento e avaliação, busca-se observar, com base nos resultados acumulados até então, se o plano está sendo executado conforme planejado. Essa verificação (ou monitoramento) do que será feito precisará ser descrita no relatório anual de gestão e nos relatórios quadri- mestrais. ACT (AGIR) É neste momento que se busca corrigir o que foi identificado como problema ou falha na etapa anterior e compromete o alcance dos resultados. O objetivo dessa etapa é aprimorar a execução do plano, na busca por maior qualidade, eficiência e eficácia. Neste momento, é importante que a avaliação seja feita em conjunto com o controle social. Se cada uma das etapas do PDCA for bem executada, a gestão alcançará as metas planejadas, demonstrando eficácia das ações da assistência farmacêutica. Para fins de aplicação em planejamento, a gestão é entendida como um instrumento 1 1 4 adotado para se obter resultados definidos previamente, lançando mão de recur- sos materiais e humanos, além de processos e práticas adequadas. Entende-se por governança, do ponto de vista do planejamento, o conjunto de medidas perma- nentes que auxiliam na avaliação, no monitoramento e no direcionamento do plano e são aplicadas pela gestão durante a execução (BRASIL, 2020). A assistência farmacêutica tem dois tipos fundamentais de planejamento: o tradicional e o estratégico. O planejamento tradicional, também denominado “normativo”, é constituído pelas seguintes etapas: diagnóstico, prognóstico, fixação de metas e objetivos, seleção, formulação do plano, programação dos recursos financeiros, humanos e físicos, execução e avaliação/controle. Por sua vez, o planejamento estratégico é um método de raciocínio que tem a capacidade de avaliar a coerência entreas propostas possíveis e o objeto definido, sendo utilizado para mudar uma realidade. ZOOM NO CONHECIMENTO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Entre vários modelos de planejamento, vamos abordar o Planejamento Estra- tégico Situacional (PES), que é o mais empregado no setor da saúde. O PES é um método em que a ação, o sujeito e a situação atuam centrados em problemas identificados e nas operações que serão realizadas para a solução desses pro- blemas. Nele, o sujeito está inserido tanto no problema quanto na solução a ser aplicada, sendo partícipe da realidade que se quer planejar. Você está convidado a ler o artigo Planejamento estratégico situacional: estudo de caso em uma farmácia básica municipal, a fim de obter um melhor entendimento do PES. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EU INDICO UNIASSELVI 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Para que seja possível planejar os objetivos, as metas e os indicadores que comporão a assistência farmacêutica, é preciso organizar o PES em quatro momentos de execução. MOMENTO EXPLICATIVO Dedicado à análise da situação e à identificação de proble- mas, insatisfações e barreiras que se opõem à consecução de um propósito. Para isso, é importante trazer informa- ções, como o tamanho do problema, o número de pessoas atingidas, a localização e a dimensão temporal. MOMENTO NORMATIVO Busca-se “colocar tudo no papel”, desenhando planos e descrevendo as operações e as ações que serão executa- das durante a vigência do plano. Pode-se utilizar planilhas ou matrizes operacionais que definem as ações a serem executadas, o prazo de execução, o responsável pela execução, os grupos de apoio, os recursos necessários e, por fim, a análise da eficiência e da eficácia das ações por meio de indicadores predefinidos. As planilhas e as matrizes também serão aplicadas como ferramentas de controle e acompanhamento da execução das ações, ou seja, de gestão administrativa do plano. MOMENTO ESTRATÉGICO Além de fornecer nome ao modelo do PES, é a ocasião usada para avaliar a viabilidade e a factibilidade do plano. Existe apoio político da gestão, de outros atores ou grupos sociais para a realização do plano? Existem recursos finan- ceiros, tecnológicos e gerenciais para a realização do pla- no? O cenário no qual o problema se apresenta é favorável à resolução? Essas são questões a serem respondidas e resolvidas no momento estratégico por meio de articula- ção sistemática de todos os envolvidos, empregando-se estratégias de sensibilização e convencimento que tragam perspectivas otimistas ao cenário, despertem o interesse dos atores no plano e produzam os mesmos valores, como cooperação, tolerância, cooptação, enfrentamento, nego- ciação e resolução de conflitos. MOMENTO TÁTICO-OPERACIONAL Hora de agir, ou seja, trata-se da execução do plano propriamente dita. É o momento em que o plano “sai do papel” para se transformar em ações concretas pelo grupo executor das operações, com coordenação permanente e avaliações periódicas. Quadro 1 – Momentos de execução do PES / Fonte: adaptado de Brasil (2020) e Veber et al. (2011). 1 1 1 MODELOS ALTERNATIVOS DE GESTÃO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA A organização da assistência farmacêutica nos municípios deve levar em consi- deração o porte e as peculiaridades locais dos territórios e as diferentes dimen- sões e realidades que envolvem o acesso da população às ações e aos serviços de saúde a serem priorizados pela assistência farmacêutica nos distintos níveis de complexidade. Com a finalidade de tentar adequar a organização da gestão às realidades dos municípios, são propostos modelos alternativos de gestão da assistência farmacêutica. MODELO CENTRALIZADO No modelo atual, todas as fases da assistência farmacêutica são concentradas em um único local, apesar da distribuição regional das unidades de saúde. Portanto, os usuários são direcionados ao centro de assistência farmacêutica para acessar medica- mentos e serviços clínicos. Embora esse modelo seja comum em pequenas cidades devido à economia de custos, pode representar um desafio para os usuários que não podem se deslocar até o centro (BRASIL, 2020). MODELO PARCIALMENTE DESCENTRALIZADO O modelo parcialmente descentralizado da assistência farmacêutica considera a distribuição territorial da população e da Rede de Atenção à Saúde (RAS). A gestão de estoque e a dispensação ocorrem em múltiplos locais, enquanto a gestão financeira, a programação e a aquisição são centralizadas. É uma escolha comum aos municí- pios de médio porte. As farmácias descentralizadas cuidam do armazenamento, da dispensação e dos serviços clínicos. Embora esse modelo priorize o acesso aos medi- camentos e aos serviços, a implementação de tecnologias na gestão de estoque e de serviços pode ser limitada pela falta de recursos nos territórios (BRASIL, 2020). UNIASSELVI 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 MODELO DESCENTRALIZADO A gestão municipal opta por descentralizar o controle de estoques e a dispensação em todas as farmácias, levando em consideração a distribuição da população e da Rede de Atenção à Saúde. Além disso, outras formas de contratação de serviços são utilizadas, como consórcios ou organizações sociais, incluindo o programa “Aqui tem Farmácia Popular”. Parcerias com Secretarias de Saúde estaduais podem ser estabelecidas para gerenciar as farmácias especializadas de forma compartilhada. As gestões financeira e administrativa também são descentralizadas, sendo cada unidade responsável pelos próprios orçamento e operações, o que inclui programação, aquisição, armazenamento, transporte, dispensação e serviços clínicos. Embora seja comum em municípios de médio e grande porte, pode haver problemas na contratação e na gestão de terceiriza- das, levando a interrupções temporárias dos serviços. Alguns municípios optam por um modelo de gestão pública total para evitar esses problemas (BRASIL, 2020). Estudante, para expandir os seus conhecimentos sobre o assunto abordado, gos- taríamos de te indicar uma aula que preparamos especialmente para você. Acre- ditamos que essa aula complementará e aprofundará ainda mais o seu entendi- mento do tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO NOVOS DESAFIOS Em seu município, qual é o modelo de gestão da assistência farmacêutica? Por que se optou por esse modelo? Fica lançado o desafio para que você busque respostas para essas questões. É fato que, tanto na administração pública quanto na administração privada, o planejamento é um processo indispensável para o desenvolvimento da gestão. Conhecer os métodos e as estratégias de planejamento e saber aplicá-los são ações fundamentais ao gestor farmacêutico em todas as áreas de atuação. No serviço público, nas farmácias e nas drogarias, na indústria farmacêutica e na de alimentos, no ensino e na pesquisa, nas atividades clínicas, enfim, quer onde exista, ou não, uma atividade empresarial, o planejamento assume uma importância muito grande para o sucesso dos empreendimentos. 1 1 8 UNIASSELVI 1 1 9 1. A evolução da administração pública brasileira compreende os seguintes modelos de ges- tão: patrimonialista, burocrático, nova gestão pública e governança pública. Assinale a alternativa que apresenta corretamente uma das características do modelo da nova gestão pública: a) Teve início com a vinda da família real portuguesa para o Brasil em 1808. b) Não faz distinção entre o público e o privado. c) Aplica modelos, técnicas e ferramentas do setor privado à administração pública. d) Impulsionou a criação do chamado Estado moderno. e) Tem, como princípios básicos, a integração, a articulação e a colaboração intersetorial. 2. O método mais aplicado no planejamento da assistência farmacêutica é o PDCA, sigla advinda do inglês que integra as palavras “plan” (planejar), “do” (fazer, executar), “check” (checar, controlar, verificar) e “act” (atuar,agir, corrigir). Assinale a alternativa que corresponde corretamente à etapa do PDCA que realiza a ava- liação dos procedimentos atualmente usados na gestão e a forma como eles podem ser melhorados: a) Planejar. b) Fazer. c) Verificar. d) Controlar. e) Atuar 3. A assistência farmacêutica tem dois tipos fundamentais de planejamento: o tradicional e o estratégico. Para escolher qual modelo de planejamento usar, é muito importante analisar as diferenças entre eles. Assinale a alternativa que corresponde corretamente a uma característica do planejamento estratégico: a) A elaboração considera, em geral, apenas os recursos econômicos. b) Considera a existência de outros atores sociais em todas as etapas. c) Atribui, como meta, uma única explicação verdadeira. d) Tem, como proposta, a promoção política do gestor. e) As diretrizes, geralmente, estão fora do contexto da realidade. AUTOATIVIDADE 1 4 1 4. O PES é um método em que a ação, o sujeito e a situação atuam centrados em problemas identificados e nas operações que serão realizadas para a solução desses problemas. Para que seja possível planejar os objetivos, as metas e os indicadores que comporão a assistên- cia farmacêutica, é preciso organizar o PES em quatro momentos de execução: explicativo, normativo, estratégico e tático-operacional. Descreva o momento “normativo” do PES. 5. O planejamento da assistência farmacêutica do município deve estar obrigatoriamente articulado ao Plano Municipal de Saúde. Diante dessa afirmativa, descreva o conhecimento específico que o farmacêutico precisa ter para participar ativamente do processo de ela- boração desse planejamento. AUTOATIVIDADE 1 4 1 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Pro- moção da Saúde. Gestão e planejamento da assistência farmacêutica no SUS. Assistência farmacêutica na gestão municipal: da instrumentalização às práticas de profissionais de nível superior nos serviços de saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020. v. 2. CONASS. Assistência farmacêutica no SUS. Brasília, DF: CONASS, 2011. v. 7. MARIN, N. et al. (org.). Assistência farmacêutica para gerentes municipais. Rio de Janeiro: Opas/OMS, 2003. PLANEJAR é preciso, executar é tudo! DHoffmann, 7 ago. 2019. Disponível em: https://dhof- fmann.com.br/planejamento-e-preciso-executar-e-tudo/#:~:text=Em%20qualquer%20proje- to%2C%20o%20planejamento,suficiente%20para%20executar%20os%20planos. Acesso em: 7 mar. 2024. VEBER, A. P. et al. Gestão da assistência farmacêutica. Especialização a distância. Módulo Transversal 1: gestão da assistência farmacêutica. Florianópolis: UFSC, 2011. 1 4 1 1. Opção C. Aplica modelos, técnicas e ferramentas advindos do setor privado à administração pública. 2. Opção A. 3. Opção B. Considera a existência de outros atores sociais em todas as etapas. 4. Busca-se “colocar tudo no papel”, desenhando planos e descrevendo as operações e as ações que serão executadas durante a vigência do plano. Pode-se utilizar planilhas ou matrizes operacionais que definem as ações a serem executadas, o prazo de execução, o responsável pela execução, os grupos de apoio, os recursos necessários e, por fim, a análise da eficiência e da eficácia das ações por meio de indicadores predefinidos. As planilhas e as matrizes também serão aplicadas como ferramentas de controle e acompanhamento da execução das ações, ou seja, de gestão administrativa do plano. 5. O desenvolvimento de um planejamento da assistência farmacêutica exige do farmacêutico conhecimentos específicos de gestão em saúde, os quais podem ser adquiridos em cursos e treinamentos próprios do SUS dirigidos aos gestores. GABARITO 1 4 1 MINHAS METAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES Compreender a definição de Práticas Integrativas e Complementares de Saúde. Conhecer a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Entender os objetivos da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Explorar as principais Práticas Integrativas e Complementares de Saúde. Estudar a aplicabilidade das Práticas Integrativas e Complementares de Saúde no Siste- ma Único de Saúde (SUS). T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9 1 4 4 INICIE SUA JORNADA Estudante, você já ouviu alguém falar em Práticas Integrativas e Complementa- res (PICs)? Você sabe se algumas dessas práticas estão disponíveis na unidade de saúde onde você é atendido? Será que o seu município incentiva as práticas integrativas e complementares no serviço de saúde? As PICs são abordagens terapêuticas que têm, como objetivo, prevenir agra- vos à saúde, além de fomentarem a promoção e a recuperação da saúde, enfati- zando a escuta acolhedora, a construção de laços terapêuticos e a conexão entre o ser humano, o meio ambiente e a sociedade. As PICs não substituem o tratamento tradicional. Elas são um adicional, um complemento ao tratamento, e são indi- cadas por profissionais específicos de acordo com as necessidades de cada caso. Venha aprofundar um pouco mais o seu conhecimento sobre o universo das PICs! Você, como estudante de Farmácia, já ouviu alguém falar em homeopatia? Re- cursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de apren- dizagem PLAY NO CONHECIMENTO UNIASSELVI 1 4 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 DESENVOLVA SEU POTENCIAL As Práticas Integrativas e Complementares de Saúde (PICs) são tratamentos para a saúde que utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradi- cionais voltados para prevenir diversas doenças, como depressão e hipertensão. Em alguns casos, também podem ser usados como tratamentos paliativos para algumas doenças crônicas (PRÁTICAS..., 2024). A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) foi implantada no dia 3 de maio de 2006 pela Portaria nº 971/2006. Naquele ano, foram implantadas as seguintes práticas: acupuntura, homeopatia, plantas me- dicinais/fitoterapia e termalismo social (BRASIL, 2006). Em março de 2017, foi instituída a Portaria nº 849/2017, que ampliou a oferta das PICs no SUS, ao instituir as seguintes práticas: arteterapia, ayurveda, bio- dança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia,qui- ropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga. Atualmente, são 29 práticas integrativas e complementares de saúde ofertadas pelo SUS (BRASIL, 2017). Essas práticas têm o objetivo de aumentar as abordagens de cuidado e as pos- sibilidades terapêuticas para os usuários do SUS, visando contemplar a integrali- dade e a resolutividade da atenção à saúde. São competências exclusivas do muni- cípio a contratação dos profissionais e a definição das práticas a serem ofertadas. “ Compete ao gestor municipal elaborar normas técnicas para a in- serção da PNPIC na rede municipal de saúde e definir os recursos orçamentários e financeiros para a implementação das práticas in- tegrativas (BRASIL, 2006). 1 4 1 OBJETIVOS DA POLÍTICA NACIONAL DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES (PNPIC) A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) tem como objetivos: ■ Incorporar e implementar as Práticas Integrativas e Complementares no SUS, nas perspectivas da prevenção de agravos e da promoção e da re- cuperação da saúde, com ênfase na atenção básica, voltada ao cuidado continuado, humanizado e integral em saúde. ■ Contribuir ao aumento da resolubilidade do SUS e à ampliação do acesso à PNPIC, garantindo qualidade, eficácia, eficiência e segurança no uso. ■ Promover a racionalização das ações de saúde, estimulando alternati- vas inovadoras e socialmente contributivas ao desenvolvimento sus- tentável de comunidades. ■ Estimular as ações referentes ao controle/participação social, promo- vendo o envolvimento responsável e continuado dos usuários, gestores e trabalhadores nas diferentes instâncias de efetivação das políticas de saúde (BRASIL, 2006). VOCÊ SABE RESPONDER? Estudante, você conheceas principais Práticas Integrativas e Complementares da Saúde? Já teve contato com alguma delas? MEDICINA TRADICIONAL CHINESA: ACUPUNTURA A acupuntura integra a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e possui mais de três mil anos de tradição. A medicina chinesa atua nos canais de energia deno- minados “meridianos”. Nos meridianos, fluem Xue e Qi (sangue e energia) e a técnica visa equilibrar o organismo da pessoa. Antes do início do tratamento, o acupunturista realizará uma anamnese, buscando coletar dados e informações sobre a saúde e o estilo de vida do paciente. Também pode complementar utili- zando diagnósticos a partir da língua e do pulso (DZIEMIDKO, 2000). UNIASSELVI 1 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 A acupuntura foi introduzida no Brasil há cerca de 100 anos, com a vinda dos primeiros imigrantes japoneses que vieram trabalhar na agricultura. En- tre eles, encontravam-se alguns praticantes da Medicina Tradicional Oriental (NOGUEIRA; MAKI, 2003). Uma sessão de acupuntura pode produzir o alívio dos sintomas, mas, geralmente, são necessárias algumas sessões semanais para produzir e manter os efeitos a longo prazo (DZIEMIDKO, 2000). As agulhas são de uso único e descartáveis. O acupunturista necessita seguir a regulamentação das boas práticas de biossegurança (NOGUEIRA; MAKI, 2003). PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERAPIA A prática do uso de ervas para a cura é muito antiga. As plantas medicinais pos- suem um efeito fisiológico sobre o equilíbrio do metabolismo e muitos remédios da medicina tradicional surgiram a partir das ervas. “A fitoterapia, provavelmen- te, é mais antiga que o homem, pois animais, como a cobra, o lobo e o chimpanzé valem-se das ervas enquanto estão doentes. Isso sugere que a escolha de plantas por sua capacidade curativa é inata aos animais” (DZIEMIDKO, 2000, p. 116). “As plantas medicinais são aquelas capazes de aliviar ou curar enfermidades e têm tradição de uso pela população ou comunidade. [...] Para usá-las, é preciso conhecer a planta, “saber onde pode ser colhida e como prepará-la!” (CARVALHO; CARDOSO; GUTIERREZ, 2022, p. 6). PENSANDO JUNTOS As ervas medicinais são utilizadas com mais frequência em forma de chás e in- fusões. Embora as plantas medicinais sempre tenham sido presentes e predomi- nantes em nossa história, essa terapêutica sempre foi ineficaz quando falamos de patologias graves, principalmente as infecciosas. Quando a planta medicinal é industrializada com o objetivo de se tornar um medi- camento, a constituição dela é o fitoterápico. O processo de industrialização da planta evita contaminações por microrganismos e substâncias estranhas, além de padronizar a quantidade e a forma que deve ser usada, permitindo uma maior segurança de uso. 1 4 8 Atualmente, são 2.160 Unidades Básicas de Saúde (UBS) que disponibilizam fitoterápicos ou plantas medicinais, sendo que 260 (UBS disponibilizam a planta in natura, 188 a droga vegetal, 333 o fitoterápico manipulado e 1.647 UBS disponibilizam o fitoterápico industrializado (CASTILHO, 2019). Em Blumenau, em Santa Catarina, por exemplo, o Ambulatório Geral Haroldo Bachmann implementou o Grupo Horta Medicinal em parceria com acadêmicos da área da saúde. Os objetivos desse projeto são resgatar e valorizar o saber popular sobre as plantas medicinais, ampliar as experiências na utilização de chás, além de revitalizar as hortas medicinais domésticas. São 36 espécies de plantas medicinais disponíveis na horta comunitária para a partilha com a comunidade (PRADO, 2015). REIKI Reiki é uma palavra de origem japonesa: “rei” significa “universal”, expressando a essência energética que está em todas as coisas que existem, enquanto “ki” se refere à energia vital que flui em todos os organismos vivos e os mantém. Sem “ki”, o corpo morre. A palavra reiki é utilizada para se referir ao método Usui Reiki Ryoho, criado por Mikao Usui. O reiki funciona transformando as energias prejudiciais em benéficas. Por in- termédio de um mestre habilitado, a energia universal flui por meio do físico e pode ser repassada. A aplicação do reiki pode ser feitessoas, plantas, animais, ou seja, em todo ser vivo (DE’CARLI, 2017). “O Reiki pode ser usado para qualquer doença ou lesão, bem como para distúrbios emocionais e confusão espiritual. O receptor usa a energia onde ela for mais necessária” (DZIEMIDKO, 2000, p. 78). “ “O Reiki pode ser usado para qualquer doença ou lesão, bem como para distúrbios emocionais e confusão espiritual. O receptor usa a energia onde ela for mais necessária” (DZIEMIDKO, 2000, p. 78). No processo de aplicação do Reiki, ocorre a sintonia de uma frequência energé- tica de alta vibração, que: UNIASSELVI 1 4 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 “ [...] possibilita contribuir com a elevação da frequência vibracio- nal dos clientes, promovendo a reestruturação dos seus padrões energéticos, que têm relação direta com o sistema glandular endó- crino, favorecendo assim o equilíbrio físico, emocional, mental e espiritual. O Reiki atua para o benefício dos que o praticam e sua abrangência e alcance estão além de nossas percepções finitas, pois é uma energia de amor, de cura e de transformação, podendo ser irradiado para qualquer estrutura de forma presencial ou a distância (BESSA; OLIVEIRA, 2013, p. 661). DANÇA CIRCULAR A dança circular também é conhecida como dança dos povos ou dança circular sagrada. Esse movimento teve início com Bernhard Wosien, que era coreógrafo e bailarino e, em 1976, visitou a Comunidade de Findhorn, na Escócia, com o objetivo de ensinar as danças dos povos para os residentes. De certa forma, a dança circular sempre esteve presente na cultura e na história da humanidade. O círculo, símbolo universal, tendo, como centro, muitas vezes, o fogo ou objetos sagrados, como talismãs e flores, representava o espaço da comunidade para celebrar rituais de passagem, tais como nascimento, casamento, morte, entre outros momentos importantes da vida humana (CONHEÇA..., 2024). “A Dança Circular Sagrada não é, portanto, uma invenção dos tempos modernos. Pelo contrário, é apenas o resgate de uma prática ancestral muito antiga e profun- da, vestida para os tempos atuais” (CONHEÇA..., 2024, on-line). PENSANDO JUNTOS O principal objetivo na dança circular sagrada não é a técnica da coreografia, mas sim o sentimento de união de grupo, o espírito comunitário que se ins- tala a partir do momento em que todos, de mãos dadas, apoiam e auxiliam os companheiros (CONHEÇA..., 2024). “ Benefícios da prática de dança circular, de acordo com Sutter (2017, on-line): 1 5 1 1. Desperta a Integração e viabiliza a socialização em grupo. 2. Possibilita a harmonização e o autoconhecimento. 3. Promove a melhora de concentração e memória. 4. Auxilia na confiança em si mesmo e na conexão transcendental. 5. Promove a sensação de bem-estar e de emoções saudáveis. 6. Prática Terapêutica proporcionando a manutenção ou recupe- ração da saúde. Arteterapia A arteterapia vem a contribuir como uma prática integrativa e complementar, visando auxiliar na promoção, na reabilitação e na recuperação da saúde, além da prevenção de agravos a partir da utilização da arte. É considerada um campo de conhecimento transdisciplinar e tem uma abordagem terapêutica que se baseia na ideia de que o processo criativo se dá mediante a comunicação não verbal de sentimentos e conflitos (UBAAT, 2024). “A expressão artística é um caminho que favorece a comunicação de desconfortos ou experiências contraditórias, de difícil comunicação apenas em palavras” (UBAAT, 2024, p. 2). Na atividade artística, a manifestação de sentimentos ou emoções não ditas contribui para a manifestação no concreto As atividades envolvendo o desenho, a pintura, a modelagem e a construção podem constituir uma “experiência pessoal de potencialização de autonomia, uma vez que envolvem um processo ativo de escolha de materiais, estilos, cores, formas, linhas e texturas” (UBAAT, 2024, p. 2). Trata-se de um processo terapêuticoaplicável em quadros clínicos di- versos envolvendo todos os ciclos vitais: infância, adolescência, adultos e idosos (UBAAT, 2024). UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Yoga A palavra “yoga” deriva da língua sânscrita e a raiz dela, “yuj”, significa “união”. Paramahansa Yogananda, grande mestre da ciência da meditação na linha da yoga, define essa palavra como a união da alma individual com o espírito. Não só, mas ela também representa o conjunto de métodos pelos quais se alcança esse objetivo (MARTINS, 2016). “A história da Yoga como doutrina tem cerca de 5.000 anos e sua codificação se deu por volta do século II a.C., por Patânjali, grande sábio que compilou os ensinamentos da Yoga através de um sistema res- peitado e reconhecido até hoje” (MARTINS, 2016, on-line). Os fundamentos da yoga estão ancorados em oito passos para a conexão com o divino ou o alcance para a iluminação. São elas (OS OITO..., 2020): 1º Yamas = Abstenções: São cinco atitudes éticas que devemos ter diante do outro, da natureza e de nós mesmos (não violência, não mentir, não roubar, não exagerar e não ter apego). 2º Nyamas = Promoções: São cinco atitudes que devemos promover em relação a nós mesmos (purificação, contentamento, autodisciplina, estudo de si mesmo e devoção). 3º Asanas: Posturas físicas. Segundo Patanjali, o ásana deve ser estável e confortável. A prática traz saúde e leveza para o corpo e disciplina para a mente. Reduz a fadiga e acalma os nervos. 4º Pranayama: Controle da energia vital (prana) por meio da respiração. O pranayama fortalece o sistema respiratório e acalma o sistema nervoso, favore- cendo a concentração. 5º Pratyahara: Controle dos sentidos e estabilização das sensações da mente. 6º Dharana: Concentração e atenção fixa em um único ponto. 7º Dhyana: Meditação. 8º Samadhi: Estado de comunhão com Deus (OS OITO..., 2020). Para Martins (2016), as técnicas utilizadas para desenvolver a prática da yoga são compostas por asanas (posturas básicas), pranayamas (exercícios respirató- rios), relaxamento, concentração e meditação. 1 5 1 Meditação Caracterizada como o treinamento para a atenção plena à consciência do mo- mento presente, a meditação tem sido associada a um maior bem-estar físico, mental e emocional (MENEZES; DELL’AGLIO, 2009a). Podemos considerar a meditação uma disciplina que tem um grande po- tencial de cura em todos os níveis. Sendo praticada há mais de 4.000 anos, além de fazer parte da yoga, também é realizada em religiões, como o budismo. Me- ditando, podemos relaxar o corpo e a mente, percebendo a consciência de um modo diferente. “ Esse processo visa mover a consciência além do ego. A meditação pode levar-nos para além do desconforto imposto ao corpo, levan- do-nos para um ponto além de nós mesmos onde sentimos felici- dade, unidade com o 'divino”, alegria, paz e estamos de bem-estar (DZIEMIDKO, 2000, p. 109). Segundo Menezes e Dell’Aglio (2009b), podemos entender a meditação sob duas perspectivas: a prática dentro do contexto religioso-espiritual, que, de acor- do com a tradição, há ensinamentos transmitidos pelos preceitos inerentes a cada uma delas; e uma atividade inserida no âmbito da saúde, “na condição de técnica capaz de produzir determinados benefícios, promovendo maior saúde física e mental. Parece prudente inferir que uma não necessita excluir a outra, e tampouco uma necessariamente precisa da outra” (MENEZES; DELL’AGLIO, 2009b, p. 285). TERAPIA COMUNITÁRIA A Prática da Terapia Comunitária Integrativa integra, desde 2008, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Ministério da Saúde. Ela tem se revelado para os gestores da saúde e comunidade um instrumento de grande valor estratégico, atualmente, efetivado no Sistema Único de Saúde (SUS), respondendo, dentro desse universo, a importantes diretrizes, como a equidade e a universalidade, grandes fontes de inclusão e cidadania (JATAI; SILVA, 2012). UNIASSELVI 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Souza et al. (2011) descreveram a importância da Terapia Comunitária Inte- grativa na vida dos usuários quanto à promoção à saúde. Os estudiosos constata- ram que, a partir dela, consegue-se transformar espaços e construir saberes e que, nesses espaços, os participantes têm acesso a uma assistência integral e singular. A Terapia Comunitária praticada no âmbito do SUS traz inovações às práticas grupais: importa mais a experiência de vida das pessoas do que o saber técni- co. Todos detêm conhecimento, sem hierarquizações das relações interpessoais, sendo desejável que as pessoas compartilhem sentimentos. “ Nesse espaço, a identidade do terapeuta comunitário prevalece sobre a identidade do profissional de saúde, essa é a essência da proposta que pretende fortalecer vínculos e humanizar as relações entre a comunidade e os profissionais (PADILHA; OLIVEIRA, 2012, p. 1071). Estudante, quer saber mais sobre o glossário temático Práticas Integrativas e Com- plementares em Saúde? Acesse o material elaborado pelo Ministério da Saúde. https://bvsms saude gov br/bvs/publicacoes/glossario_tematico_praticas_ integrativas_complementares pdf EU INDICO Estudante, para expandir os seus conhecimentos sobre o assunto abordado, gos- taríamos de te indicar uma aula que preparamos especialmente para você. Acredi- tamos que essa aula complementará e aprofundará ainda mais o seu entendimen- to sobre o tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem EM FOCO 1 5 4 NOVOS DESAFIOS As Práticas Integrativas e Complementares (PICs) têm se destacado como uma abordagem promissora para promover a saúde e o bem-estar, incorporando mé- todos terapêuticos que complementam a medicina convencional. A compreensão dessas práticas vai além da simples aplicação de técnicas, visto que envolve uma visão holística do ser humano, considerando não apenas os aspectos físicos, mas também os emocionais, mentais e espirituais. Essa compreensão tem impacto não apenas no trabalho profissional, mas também na busca por um estilo de vida mais equilibrado e saudável. UNIASSELVI 1 5 5 1. No Sistema Único de Saúde (SUS), quais são as principais Práticas Integrativas e Comple- mentares de Saúde (PICs) oferecidas como tratamentos para a saúde? 2. Descreva os objetivos da dança circular, considerando os contextos histórico e cultural. 3. A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares foi implantada, em 2006, com as seguintes práticas: acupuntura, homeopatia, plantas medicinais/fitoterapia e terma- lismo social. Elas têm o objetivo de aumentar as abordagens de cuidado e as possibilidades terapêuticas para os usuários do SUS, visando contemplar a integralidade e a resolutividade da atenção à saúde. Considerando as práticas integrativas e complementares, assinale a alternativa correta: a) Não promovem a racionalização das ações de saúde. b) Contribuem com a diminuição da resolubilidade do SUS e não garantem a qualidade, a eficácia, a eficiência e a segurança no uso. c) As práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais. d) Não estimulam as ações referentes ao controle/participação social. Dessa forma, não promovem o envolvimento responsável e continuado dos usuários, gestores e trabalha- dores nas diferentes instâncias de efetivação das políticas de saúde. e) Não estimulam o perceber do ser humano de forma holística, ou seja, em sua totalidade. 4. Assinale a alternativa que apresenta corretamente o contexto histórico e a forma como a acupuntura integra e visa equilibrar o organismo da pessoa: a) Antes do início do tratamento, não é necessário realizar uma anamnese, buscando coletar dados e informações sobre a saúde e o estilo de vida do paciente. b) A acupuntura foi introduzida no Brasil há cerca de 100 anos, com a vinda dos primeiros imigrantes europeus. c) Uma sessão de acupuntura não produz alívio dos sintomas. Geralmente, são necessárias várias sessões semanais para produzir e manteros efeitos. d) A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimula, há décadas, o uso da acupuntura de forma integrada às técnicas da medicina moderna. e) Não são utilizados diagnósticos complementares por meio da língua e pulso. AUTOATIVIDADE 1 5 1 5. Quais são as técnicas utilizadas para desenvolver a prática da yoga? Assinale a alternativa correta: a) Asanas, pranayamas, relaxamento, concentração e meditação. b) Abraço, fala e respiração. c) Meditação, concentração, respiração e abraço. d) Asanas, fala, relaxamento e meditação. e) Meditação, relaxamento e fala. AUTOATIVIDADE 1 5 1 REFERÊNCIAS BESSA, J. H. do N.; OLIVEIRA, D. C. de. O uso da terapia do Reiki nas Américas do Norte e do Sul: uma revisão. Revista Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, v. 21, n. 1, p. 660-664, 2013. Disponí- vel em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/enfermagemuerj/article/view/10048/7834. Acesso em: 11 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 849, de 27 de março de 2017. Inclui a Arteterapia, Ayur- veda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [2017]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt0849_28_03_2017.htmlAcesso em: 11 mar. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 971, de 03 de maio de 2006. Aprova a Política Nacio- nal de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [2006]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/ gm/2006/prt0971_03_05_2006.html. Acesso em: 11 mar. 2024. CARVALHO, A. C. B.; CARDOSO, F. de A.; GUTIERREZ, I. E. M. Orientações sobre o uso de fitote- rápicos e plantas medicinais. [S. l.]: ANVISA, c2022. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/ pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/medicamentos/publicacoes-sobre-medicamentos/ orientacoes-sobre-o-uso-de-fitoterapicos-e-plantas-medicinais.pdf. Acesso em: 11 mar. 2024. CASTILHO, I. Alcachofra: fitoterápico que alivia má digestão é distribuído no SUS. VivaBem UOL, 2 jan. 2019. Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/01/02/ alcachofra-fitoterapico-que-alivia-ma-digestao-e-distribuido-no-sus.htm. Acesso em: 11 mar. 2024. CONHEÇA um pouco da história da Dança Circular Sagrada, seu desenvolvimento e benefícios. Dança circular com br, c2024. Disponível em: https://dancacircular.com.br/oque. Acesso em: 11 mar. 2024. DE’CARLI, J. Reiki: apostilas oficiais. 7. ed. São Paulo: Isis, 2017. DZIEMIDKO, H. E. O livro completo da medicina energética: um guia fundamental para as téc- nicas complementares de cura que trabalham com sua energia interna, reforçando os trata- mentos convencionais. São Paulo: Manole, 2000. JATAI, J. 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Acupuntura, plantas medicinais, fitoterapia, dança circular, arteterapia, yoga, meditação e terapia comunitária. 2. Desperta a integração e viabiliza a socialização em grupo. Possibilita a harmonização e o autoconhecimento. Promove a melhoria da concentração e memória. Auxilia na confiança em si mesmo e na conexão transcendental. Promove a sensação de bem-estar e de emoções saudáveis. Prática terapêutica que proporciona a manutenção ou a recuperação da saúde. 3. Opção C. As práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais. 4. Opção D. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimula, há décadas, o uso da acupuntura de forma integrada às técnicas da medicina moderna. 5. Opção A. Asanas, pranayamas, relaxamento, concentração e meditação. GABARITO 1 1 1