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Aula 05
Engenharia Agronômica p/ Concursos -
Curso Regular - 2023
Autor:
Diego Tassinari
19 de Janeiro de 2023
07533291581 - LUANA RAISSA LESSA ROCHA
Sumário
1 - FITOPATOLOGIA ...................................................................................................................................... 3
1.1 - Fitopatologia Geral ............................................................................................................................ 3
1.1.1 - Aspectos gerais das doenças de plantas ................................................................................ 3
1.1.2 - Sintomatologia de doenças de plantas ................................................................................. 11
1.1.3 - Manejo integrado de doenças ................................................................................................ 14
1.2 - Fungos fitopatogênicos ................................................................................................................... 21
1.2.1 - Classificação e biologia dos fungos fitopatogênicos .......................................................... 21
1.2.2 Modos de ação e classificação de fungicidas ......................................................................... 25
1.2.3 - Doenças fúngicas de ocorrência generalizada ..................................................................... 29
1.2.4 - Doenças fúngicas das grandes culturas ................................................................................ 33
1.2.5 - Doenças fúngicas das plantas frutíferas ................................................................................ 44
1.2.6 - Doenças fúngicas das plantas hortícolas ............................................................................... 48
1.2.7 - Doenças fúngicas de florestas ................................................................................................ 52
1.2.8 - Patógenos e sanidade de sementes ...................................................................................... 54
1.3 - Bactérias fitpatogênicas .................................................................................................................. 56
1.3.1 - Características das bactérias fitopatogênicas ....................................................................... 56
1.3.2 - Fitobacterioses .......................................................................................................................... 56
1.3.3 - Controle de fitobacterioses ..................................................................................................... 61
1.4 - Fitovírus .............................................................................................................................................. 63
1.4.1 - Aspectos gerais das doenças causadas por vírus ................................................................ 63
1.4.2 - Principais vírus das culturas agrícolas .................................................................................... 67
1.5 - Nematoides fitopatogênicos .......................................................................................................... 69
1.5.1 - Características dos nematoides fitopatogênicos ................................................................. 69
1.5.2 - Controle de nematoides fitopatogênicos ............................................................................. 71
1.5.3 - Principais nematoides fitopatogênicos .................................................................................. 72
2 - Questões comentadas ............................................................................................................................ 76
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RAIO-X ESTRATÉGICO
Colega Estrategista,
as questões de Fitopatologia são bastante comuns em concursos para
Engenheiros Agrônomos.
Na Fitopatologia, os aspectos mais básicos da Fitopatologia Geral são
relativamente menos cobrados. Já os aspectos específicos das doenças de plantas
das principais culturas agrícola são de extrema importância para as provas.
Isso acaba dificultando a preparação, pois o volume de informação é
tremendo! Assim, tente dar mais atenção àquelas culturas mais relevantes para a
região onde será o concurso.
Bom estudo!
Prof. Diego Tassinari
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1 - FITOPATOLOGIA
Um dos episódios mais expressivos envolvendo doenças de plantas foram os surtos de requeima de
batata que ocorrem na década de 1840 na Europa, grandemente responsável pelo episódio da Grande Fome
na Irlanda. Em 1853, foi comprovada a associação ente a doença e o fungo Phytophthora infestans, sendo
este considerado o marco inicial da Fitopatologia.
Em provas de concursos, os principais aspectos cobrados são os princípios do manejo integrado de
doenças de plantas, o controle químico com fungicidas e as principais doenças das plantas cultivadas.
1.1 - FITOPATOLOGIA GERAL
1.1.1 - Aspectos gerais das doenças de plantas
A ocorrência de doenças está condicionada à interação de três fatores (ilustrados na forma do
famoso triângulo ilustrado a seguir):
• Patógeno virulento.
• Hospedeiro suscetível.
• Ambiente favorável.
Além de afetarem a incidência das doenças, esses fatores também condicionam a ocorrência de
epidemias, que correspondem a aumentos muito grandes na incidência da doença em um curto período
de tempo.
Diversos fatores da planta hospedeira afetam o desenvolvimento de doenças, como:
• Nível de resistência do hospedeiro: será discutido adiante nos métodos de controle.
• Grau de uniformidade genética: maior uniformidade genética, em especial nos genes que
condicionam a resistência, favorecem o desenvolvimento de epidemias.
• Tipo de lavoura: doenças foliares de lavouras anuais e perenes são disseminadas muito mais
rapidamente que doenças de ramos e caule de plantas perenes arbóreas.
Patógeno
Hospedeiro Ambiente
Doença
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• Idade das plantas: a fase de maior suscetibilidade varia de acordo com a doença. Geralmente as
plantas são mais suscetíveis quando mais novas e durante o crescimento vegetativo.
Os fatores ligados ao patógeno que afetam o desenvolvimento de doenças e surtos incluem:
• Nível de virulência: patógenos virulentos são capazes de colonizar os hospedeiros mais
rapidamente e se disseminar.
• Quantidade de inóculo: quanto mais inóculo disponível, maior a incidência da doença.
• Tipo de reprodução: patógenos como fungos, bactérias e vírus produzem muitos propágulos
durante a infecção, enquanto nematoides são comparativamente menos prolíficos. Doenças policíclicas têm
maior potencial de causar epidemias.
• Ecologia do patógeno: muitas espécies de fungos produzem esporos na superfície foliar, o que
facilita sua disseminação. Já os fungos do sistema vascular, as bactérias e os vírus se reproduzem no interior
dos tecidos, o que dificulta sua disseminação. No caso dos vírus, o desenvolvimento de epidemias depende
quase que integralmente da ação dos insetos vetores. Os patógenos de solo, por sua vez, têm pequeno
potencial de provocar epidemias por produzirem inóculo no solo.
• Formas de disseminação: a disseminação pelo vento, que é o caso dos esporos da maioria dos
fungos, favorece o desenvolvimento de grandes epidemias. Os patógenos transmitidos por insetos também
têm disseminação facilitada.
O efeito do ambientesobre a incidência de doenças se dá principalmente pela influência dos
seguintes fatores, que são bastante variáveis até mesmo em curtos períodos de tempo:
• Temperatura: o efeito da temperatura sobre o desenvolvimento do patógeno é variável em função
do próprio patógeno, que pode se desenvolver melhor em temperaturas mais baixas ou mais altas. O
desenvolvimento da doença depende também da temperatura ótima para o hospedeiro. Em geral, o
progresso da doença é mais acentuado quando a temperatura é ótima para o patógeno, mas não para a
planta (o patógeno tem seu desenvolvimento máximo, mas a planta não).
• Umidade: maior umidade em geral é favorável ao desenvolvimento da maioria dos patógenos. A
maioria dos fungos necessita da presença de filmes de água na superfície foliar para germinação dos
esporos. Condições adequadas de umidade também são necessárias para a infecção por bactérias e
nematoides. Maior umidade do solo favorece a maioria dos patógenos de solo, enquanto alguns patógenos,
como os oomicetos, são especialmente favorecidos por condições de encharcamento. Por outro lado, alguns
patógenos são favorecidos por condições mais secas. O exemplo mais expressivo disso são os oídios, cuja
incidência é reduzida em maiores umidades e quando há molhamento foliar, sendo por isso os principais
patógenos de regiões áridas e em condição de cultivo protegido. O patógeno de solo Fusarium se desenvolve
bem em solo seco, condição que também acentua a severidade das murchas provocadas por patógenos do
sistema vascular.
• Vento: favorece a disseminação dos patógenos, porém também favorece a secagem das folhas e o
menor molhamento foliar.
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• Luminosidade: efeito de menor importância e também variável em função do patógeno. Alguns
esporos não germinam sem incidência de luz, como o patógeno causador da vassoura-de-bruxa (Crinipellis
perniciosa), de modo que o enterrio dos resíduos afetados impede a progressão da doença.
• Nutrientes: o estado nutricional da planta afeta a sua capacidade de responder aos ataques. Em
geral, plantas que recebem quantidades adequadas de todos os nutrientes em equilíbrio têm maior
resistência às doenças. O excesso ou deficiência da maioria dos nutrientes favorece o desenvolvimento das
doenças. Elementos benéficos, como o Si, têm demonstrado grande potencial de reduzir a infecção por
diversos patógenos.
(QUADRIX - Prefeitura de Cristalina, GO - 2019) Assinale a alternativa que apresenta os três fatores cuja
interação é essencial para a ocorrência de doenças em plantas.
(A) sintoma, sinal e tratamento
(B) patógeno, ambiente e severidade
(C) severidade, sinais e sintomas
(D) ambiente, tratamento e tempo
(E) patógeno, hospedeiro e ambiente
Comentário: a ocorrência de doenças deve-se à interação de patógeno virulento em ambiente favorável
sobre hospedeiro suscetível.
Gabarito: alternativa E.
Os patógenos que causam doenças em plantas podem provocar diferentes tipos de danos, sendo
reconhecidos os seguintes:
• Dano potencial: dano que poderia ocorrer se não fossem efetuadas medidas de controle.
• Dano real: dano que já ocorreu ou que está ocorrendo, sendo dividido em:
• Dano real direto: afeta o produto colhido quantitativa ou qualitativamente, além de
comprometer a capacidade futura de produção. O dano real direto pode ser primário, que incide sobre a
produção e qualidade dos produtos colhidos tanto durante o desenvolvimento das plantas quanto em pós-
colheita, ou secundário, quando é oriundo de patógenos de solo ou do material de propagação, afetando
a capacidade futura de produção.
• Dano real indireto: efeitos econômicos e sociais das doenças de plantas que afetam
produtores, consumidores e a sociedade em geral. Podemos citar, como exemplo, a desestruturação
provocada pela vassoura-de-bruxa nas regiões produtoras de cacau na Bahia na década de 1990, que há
poucos anos vem conseguindo retomar os níveis de produção.
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(FUNCAB - Prefeitura de Vassouras, RJ - 2013) Em fitopatologia existe um gênero de dano, ocasionado por
doenças de plantas, que são os danos provocados na capacidade futura de produção. Esse gênero de dano
é muito comum quando o patógeno é veiculado pelo solo ou disseminado por órgãos de propagação
vegetativa de seu hospedeiro. Esse gênero de dano denomina-se:
(A) primário.
(B) secundário.
(C) indireto.
(D) potencial.
(E) latente.
Comentário: a alternativa A está correta, pois o dano real direto primário é o que afeta o produto colhido,
tanto em termos de produtividade quanto de qualidade.
A alternativa B está correta, pois o dano real direto secundário compromete a qualidade futura de produção,
em geral decorrente de patógenos de solo ou disseminados pelo próprio material de propagação.
A alternativa C está errada, pois o dano real indireto está relacionado às implicações econômicas e sociais
das doenças de planta.
A alternativa D está errada, pois o dano potencial é aquele que ocorreria se não fossem adotadas mediadas
de controle.
A alternativa E está errada, pois o dano latente é um tipo de dano associado à colheita de sementes (injúrias
provocadas durante a colheita que comprometem a qualidade da semente e que não se manifestam
imediatamente como quebras ou trincas).
Gabarito: alternativa B.
As doenças infecciosas de plantas são causadas por organismos patogênicos como vírus, bactérias,
nematoides e fungos. Esses patógenos estabelecem com as plantas hospedeiras relações de parasitismo, ou
seja, subtraem da planta hospedeira os nutrientes que utilizam para seu próprio crescimento e
desenvolvimento. Contudo, os danos causados por esses organismos excedem em muito o prejuízo
decorrente apenas da remoção de nutrientes, havendo também um componente de patogenicidade pela
ação de toxinas e enzimas que levam a grandes alterações no hospedeiro. Os patógenos de plantas podem
ser necrotróficos ou biotróficos, conforme adquirem seus nutrientes de tecidos vivos ou mortos dos
hospedeiros:
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• Patógenos necrotróficos: correspondem à maioria dos fungos e bactérias. São
parasitas não obrigatórios, podendo se desenvolver também em matéria orgânica morta
(saprófitas). Esses organismos geralmente secretam enzimas extracelulares (junto a
toxinas ou não) que levam à desintegração e degradação das células, absorvendo então
os nutrientes assim liberados. Esses patógenos em geral têm uma amplitude maior de
hospedeiros. Por sobreviverem nos restos de cultura, não são totalmente controlados por
rotação de culturas. Provocam lesões nas folhas ou outros órgãos pela destruição dos
tecidos, o que facilita a sua detecção pela demonstração de sintomas de infecção desde o
princípio.
• Patógenos biotróficos: são parasitas obrigatórios, como os vírus, nematoides e
alguns fungos e bactérias. Sobrevivem apenas em hospedeiros vivos, não sendo por isso
cultiváveis em meio de cultura. Não matam as células para absorverem os nutrientes,
estabelecendo com as células do hospedeiro um contato íntimo para a absorção de
nutrientes. Esses patógenos em geral são bastante específicos quanto aos seus
hospedeiros. No caso de fungos biotróficos, são produzidas estruturas especializadas
(haustórios) que empurram as membranas celulares e promovem contato entre a célula
fúngica e o citoplasma vegetal. Para esses fungos, o nível de controle é baixo, pois a
ocorrência de sinas nas folhas se dá ao término do seu ciclo de vida, quando omesmo já se
encontra na fase reprodutiva. São controlados com bastante eficiência pela rotação de
culturas.
As doenças podem apresentar ciclo primário e secundário, de forma que são classificadas em
doenças monocíclicas ou doenças policíclicas:
• Ciclo primário: inicia-se a partir das estruturas de sobrevivência do patógeno.
• Ciclo secundário: inicia-se após a infecção.
Representação esquemática e infecção por fungo biotrófico (esquerda) e necrotrófico (direita).
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• Doença monocíclica: o patógeno tem apenas um ciclo de vida durante o ciclo de vida do
hospedeiro. Os esporos formados durante um ciclo permanecem no solo e irão constituir o inóculo primário
da estação seguinte. Doenças monocíclicas são causadas, por exemplo, por fungos necrotróficos que têm
estruturas de resistência (como o mofo-branco causado por Sclerotinia sclerotiorum), pela maioria dos
fungos de solo e pelos carvões. Nessas doenças, a severidade da infestação vai aumentando ano a ano.
• Doença policíclica: a maioria das doenças apresenta mais de uma geração do patógeno por estação
de crescimento, ou seja, têm ciclo primário e secundário. A severidade da infestação aumenta durante a
safra. É o caso da maioria dos patógenos e tem potencial de causar grandes epidemias. O inóculo primário
geralmente é constituído por esporos produzidos sexuadamente ou por outras formas de resistência, como
escleródios; enquanto o inóculo secundário é constituído por esporos produzidos assexuadamente. Doenças
foliares policíclicas têm uma taxa de aumento diário de infecção em geral entre 10 e 50% (porcentagem de
aumento de plantas afetadas por dia).
O ciclo das doenças é caracterizado por uma sequência de eventos que culminam com a perpetuação
da doença e do patógeno:
• Inoculação: corresponde ao contato inicial com o tecido ou órgão da planta onde a infecção é
possível. Qualquer material do patógeno que seja capaz de iniciar uma infecção constitui um inóculo, como
esporos, micélio ou indivíduos inteiros no caso de bactérias, nematoides e fungos. O inóculo primário
permanece dormente quando as condições ambientais são desfavoráveis e irá estabelecer a infecção
primária quando as condições forem favoráveis. Já o inóculo produzido pelas próprias infecções primárias é
chamado de inóculo secundário e caracteriza a infecção secundária. O inóculo primário pode estar presente
na própria área da lavoura, sobrevivendo saprofiticamente na palhada, na forma de estruturas de
resistência (como escleródios e clamidósporos, massas de micélio fúngico) ou infectando plantas invasoras;
pode ser transportado de outros locais pela chuva, vento e vetores, como insetos; ou pode ser introduzido
por material contaminado, como sementes, mudas e maquinário.
• Penetração: a maioria dos fungos e bactérias entra em contato com o exterior das folhas e demais
órgãos das plantas e inicialmente deve aderir a esse órgão. Qualquer falha nessa aderência impede que a
infecção se processe. Outros patógenos, como vírus e bactérias fastidiosas (bactérias que infectam os vasos
do sistema condutor das plantas) são postos em íntimo contado com as células e citoplasma pela ação dos
vetores. Após a aderência à superfície, deve haver o reconhecimento do patógeno com o hospedeiro. Na
infecção por fungos, a partir desse reconhecimento, o esporo mobiliza as reservas para emissão do tubo
germinativo (figura anterior). Este pode originar o apressório, a estrutura especializada que irá penetrar a
cutícula, ou crescer em direção a aberturas (estômatos, ferimentos). As bactérias fitopatogênicas também
penetram através dessas aberturas, principalmente ferimentos. A penetração de vírus se dá principalmente
nos ferimentos provocados pelos vetores, podendo ocorrer também pelo uso de ferramentas cortantes
infectadas. Nematoides penetram ativamente as células radiculares ou se aproveitam de aberturas, como
nos locais de emissão de raízes laterais.
• Infecção: processo em que o patógeno estabelece contato com as células e tecidos do hospedeiro,
dos quais adquire os nutrientes. A partir da infecção, o patógeno cresce e se multiplica, colonizando os
tecidos do hospedeiro. O desenvolvimento da infecção e colonização dos tecidos leva ao desenvolvimento
dos sintomas e sinais da doença. Os sintomas são as alterações detectáveis do hospedeiro após a infecção,
enquanto os sinais são estruturas perceptíveis do patógeno (como micélio e estruturas que produzem os
esporos). Entre o momento de infecção e o surgimento dos sintomas tem-se o período de incubação da
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doença. As infecções causadas por bactérias fastidiosas e vírus são sistêmicas, pois os patógenos podem se
deslocar na planta pelas células (plasmodesmos) ou pelo sistema vascular. A infecção por fungos é
caracterizada pelo crescimento micelial a partir do ponto de infecção, enquanto nematoides, vírus e
bactérias se reproduzem ativamente durante a infecção.
• Disseminação: os principais agentes de disseminação de patógenos de plantas são o ar e os insetos
vetores. A água e as práticas de manejo também podem contribuir para a disseminação de doenças. A
disseminação de esporos de fungos pelo ar pode atingir vários quilômetros, sendo este o principal
mecanismo de dispersão das doenças fúngicas. A disseminação pela água age a curtas distâncias (respingos
de água, escoamento superficial), sendo um mecanismo eficiente já que os propágulos atingem superfícies
molhadas. A disseminação por insetos, principalmente por insetos sugadores, como pulgões, tripes e mosca-
branca, é o mecanismo mais importante de transmissão de viroses. A disseminação do patógeno, nesse caso,
é totalmente dependente da dispersão do vetor. Muitos patógenos são disseminados por sementes e
mudas, sendo muito importantes por introduzirem os patógenos juntamente com as plantas no início do
desenvolvimento da lavoura e por introduzirem patógenos em áreas nas quais não havia ainda sua
ocorrência. A ação humana também pode disseminar patógenos pela manipulação de plantas doentes e
sadias em sequência (por ferramentas de corte, por exemplo) e também pelo solo transportado em
equipamentos.
• Sobrevivência: os patógenos, principalmente de plantas anuais, desenvolveram diferentes
mecanismos para sobreviverem aos períodos em que em que o hospedeiro não está presente. Os fungos
podem perpetuar-se como esporos ou estruturas de sobrevivência (escleródios, clamidósporos) e também
podem sobreviver saprofiticamente na matéria orgânica do solo, principalmente os patógenos de solo,
como Fusarium e Rhizoctonia. Os patógenos também podem sobreviver passando de um hospedeiro a
outro. Vírus e bactérias fastidiosas sobrevivem apenas em plantas vivas.
O estudo das doenças no final do século XIX tentava identificar o agente causal das moléstias que
afetavam plantas, humanos e animais. O médico bacteriologista Robert Koch desenvolveu diversos
experimentos que confirmaram a teoria microbiana das doenças de Louis Pasteur, demonstrando que havia
relação entre determinada doença e um patógeno específico. Contudo, durante o isolamento dos patógenos
Representação esquemática da sequência de eventos dos ciclos primário e secundário de doenças
fúngicas.
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de tecido doente e seu crescimento em cultura,diversos outros organismos saprofíticos eram cultivados
junto, dificultando a determinação dos agentes etiológicos. Assim, Koch propôs quatro postulados a serem
seguidos para confirmar se determinado microrganismo isolado é de fato patogênico. Nem sempre, porém,
a aplicação desses postulados é viável, já que nem todos os microrganismos patogênicos são cultiváveis em
meio de cultura, como vários fungos biotróficos, bactérias fastidiosas e vírus. Os seguintes passos para
isolamento de patógenos compõem os postulados de Koch:
• Associação constante patógeno-hospedeiro: o agente causador da doença deve estar presente em
todos os organismos doentes examinados.
• Isolamento do patógeno: o organismo suspeito de ser o agente etiológico da doença deve ser
isolado e cultivado em cultura pura.
• Inoculação do patógeno: quando uma cultura pura do patógeno suspeito é inoculada em um
hospedeiro suscetível, este deve reproduzir os sintomas específicos da doença.
• Reisolamento do patógeno: o patógeno deve ser recuperado a partir do hospedeiro inoculado,
apresentando as mesmas características do isolado no segundo passo.
(FUNDEP - Prefeitura de Lagoa Santa, MG - 2019) A sequência de procedimentos utilizados para se
estabelecer a relação causal entre um microrganismo e uma doença é conhecida por Postulados de Koch
(Robert Koch, 1881). Inicialmente a sequência foi utilizada para patógenos humanos, e foi adaptada
posteriormente para a área fitopatológica. Com base nos Postulados de Koch, assinale a alternativa que
apresenta a sequência correta desses procedimentos.
(A) Associação constante patógeno-hospedeiro; isolamento do patógeno; reisolamento do patógeno;
inoculação do patógeno; e reprodução dos sintomas.
(B) Isolamento do patógeno; associação constante patógeno-hospedeiro; reisolamento do patógeno;
inoculação do patógeno; e reprodução dos sintomas.
(C) Associação constante patógeno-hospedeiro; isolamento do patógeno; inoculação do patógeno e
reprodução dos sintomas; e reisolamento do patógeno.
(D) Isolamento do patógeno; inoculação do patógeno e reprodução dos sintomas; associação constante
patógeno-hospedeiro; e reisolamento do patógeno.
Comentário: a alternativa A está errada, pois o reisolamento do patógeno é o último passo da aplicação dos
postulados.
A alternativa B está errada, pois a primeira etapa é a observação da associação constante entre patógeno e
hospedeiro com os sintomas da doença.
A alternativa C está correta, pois a sequência de aplicação dos postulados de Koch é associação constante,
isolamento, inoculação, reprodução dos sintomas e reisolamento.
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A alternativa D está errada, pois a primeira etapa é a observação da associação constante entre patógeno e
hospedeiro com os sintomas da doença.
Gabarito: alternativa C.
1.1.2 - Sintomatologia de doenças de plantas
A sintomatologia das doenças de plantas é de extrema importância para
diagnóstico. Os sintomas são alterações da própria planta decorrentes do
estabelecimento da infecção, enquanto os sinais são estruturas visíveis dos patógenos,
como pústulas e corpos de frutificação.
Os principais sintomas causados por doenças em plantas são:
• Manchas foliares: lesões localizadas nas folhas da planta afetada. O formato, a coloração e a
evolução das manchas são importantes características diagnósticas. As machas foliares comumente iniciam
com amarelecimento (clorose), evoluindo para morte dos tecidos (necrose). Ao longo da evolução, também
podem sofrer coalescência (manchas se unem umas às outras).
• Clorose: amarelecimento das folhas por degradação da clorofila.
• Murcha: as folhas perdem a turgidez. Folhas e ramos novos tornam-se flácidos e caídos.
Geralmente associado a patógenos do sistema vascular, como os fungos dos gêneros Fusarium e Verticillium
e as bactérias fastidiosas.
• Crestamento ou requeima: morte generalizada e rápida de folhas, ramos e flores. Os tecidos
tornam-se escurecidos e necrosados. Patógenos necrotróficos.
• Cancro: lesões necróticas localizadas e geralmente deprimidas (afundadas em relação ao seu redor)
em tecidos mais suculentos, como ramos novos e frutos.
• Morte de ponteiros: necrose dos ramos, iniciando-se nas pontas e avançando em direção à base.
• Damping-off: tombamento de plântulas pelo rápido apodrecimento e morte da região do coleto.
Muito comum em viveiros e em plântulas recém-germinadas no campo. O principal agente etiológico (agente
causador da doença) é o fungo Rhizoctonia solani., mas diversos outros fungos também causam tombamento
de plântulas, como Pythium sp. e Phytophthora sp.
• Podridão do colo: colapso e necrose da base do caule das plantas causado por fungos necrotróficos
de solo.
• Sarna: lesões localizadas em frutos, folhas e tubérculos, geralmente com aspecto elevado e
apresentando rachaduras características.
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• Podridão mole e podridão seca: colapso e morte dos tecidos de frutos, raízes, bulbos, tubérculos
e folhas suculentas.
• Encharcamento: ou anasarca, tecidos apodrecidos e com líquido abundante, típico de lesões
bacterianas.
• Mosaico: áreas cloróticas em meio a áreas normais.
• Galhas: crescimento exagerado (hipertrofia) de órgãos da planta, como caule e raízes.
• Verrugose: protuberâncias semelhantes a verrugas em folhas, ramos e frutos.
• Vassoura-de-bruxa: superbrotamento de ramos.
• Enrolamento de folhas: as folhas tornam-se engrossadas, deformadas e encurvadas.
Alguns sinais típicos de doenças mais comuns incluem:
• Pústulas: pequenas lesões nas folhas com coloração amarela, alaranjada ou avermelhada e aspecto
pulverulento (esporos do fungo), típico das ferrugens.
• Pulverulência: crescimento micelial esbranquiçado na superfície das folhas e outros órgãos.
Comum nos oídios e míldios.
• Carvão: sementes hipertrofiadas e preenchidas com pó escuro (esporos do fungo).
(CEC - Prefeitura de Piraquara, PR - 2014) De acordo com a sintomatologia de plantas, identifique como
sinais (1) ou sintomas (2).
( ) amarelecimento: causado pela destruição da clorofila (do pigmento ou de cloroplastos);
( ) murcha: estado flácido das folhas ou brotos, devido à falta de água (distúrbios nos tecidos vascular e/ou
radicular);
( ) cancro: lesões necróticas deprimidas, frequentes em tecidos corticais de caules, raízes e tubérculos,
podendo ocorrer em folhas e frutos;
( ) crestamento: ou requeima, necrose repentina de órgãos aéreos (folhas, flores e brotações);
( ) “damping-off”: tombamento de plântulas pela podridão dos tecidos tenros da base do caulículo;
( ) estria: ou listra, é uma lesão alongada, estreita, paralela às nervuras das folhas de gramíneas;
( ) gomose: exsudação de goma (substâncias viscosas), comum em frutíferas;
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( ) podridão: tecido necrosado encontra-se em fase adiantada de desintegração;
( ) pústula: ferrugens, pequena mancha necrótica, com elevação da epiderme, que se rompe por força da
produção e exposição de esporos do fungo;
( ) clorose: é a perda do verde em órgãos clorofilados decorrente da falta de clorofila, mas os órgãos não
fiam brancos como no albinismo, quando a clorose é intercalada com partes verdes normais (mosaico).
Assinale a alternativa que apresenta, de cima para baixo, a sequência correta:
(A) 1 – 2 – 2 – 1 – 2 – 2 – 2 – 2 – 2 – 1
(B) 2 – 2 – 2 – 2 – 2 – 1 – 2 – 2 – 1 – 2
(C) 2 – 2 – 1 – 2 – 2 – 2 – 2 – 1 – 2 – 2
(D) 2 – 1 – 2 – 2 – 1 – 2 – 1 – 2 – 2 – 2
(E)Nenhuma das alternativas estão corretas
Comentário: amarelecimento é um sintoma (manifestação do hospedeiro).
Murcha é um sintoma (manifestação do hospedeiro).
Cancro é um sintoma (manifestação do hospedeiro).
Crestamento é um sintoma (manifestação do hospedeiro).
Damping-off é um sintoma ((manifestação do hospedeiro).
Estria é um sintoma (manifestação do hospedeiro).
Gomose é um sintoma ((manifestação do hospedeiro, que exsuda o material viscoso).
Podridão é um sintoma ((manifestação do hospedeiro).
Pústula é um sinal (estrutura do patógeno).
Clorose é um sintoma ((manifestação do hospedeiro).
Gabarito: alternativa E.
Avaliação de doenças de plantas se baseia na determinação de parâmetros como:
• Ocorrência: simples relato da doença em um local.
• Incidência: proporção de plantas ou órgãos (folhas, frutos, ramos) com sintomas ou sinais da
doença. Essa determinação é em geral simples de ser feita, sendo empregada no acompanhamento de surtos
e epidemias.
• Severidade: proporção da área foliar ou de determinado órgão afetada pela doença. Enquanto a
incidência avalia a presença ou não da doença, a severidade indica a extensão da mesma. A severidade é
avaliada por meio de escalas diagramáticas específicas para cada cultura e doença
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1.1.3 - Manejo integrado de doenças
A partir das relações entre patógeno, hospedeiro e ambiente, são definidos os seguintes princípios
do controle de doenças de plantas:
• Exclusão: tem como objetivo evitar a entrada do patógeno em locais não contaminados pelo
controle da disseminação dos patógenos (quarentena, certificação de sementes e mudas, esterilização de
implementos).
• Erradicação: visa à redução do inóculo inicial, sendo efetivo principalmente para doenças
monocíclicas. As práticas de erradicação (como eliminação de plantas doentes ou roguing) devem ser
implementadas anteriormente à disseminação.
• Proteção: aplicação de tratamentos preventivos, visando impedir a contaminação ou à redução
da taxa de progresso da doença (fungicidas protetores).
• Imunização: também é uma prática preventiva que age sobre o hospedeiro (resistência do
hospedeiro), para impedir a contaminação ou reduzir a taxa de progresso.
• Terapia ou cura: princípio curativo, aplicado depois da contaminação (instalação da doença).
• Regulação: medidas que afetam os fatores do ambiente, criando condições favoráveis à planta
em detrimento do patógeno.
• Evasão: transferência do hospedeiro para ambientes que não sejam favoráveis à incidência da
doença (exemplo: regiões de clima seco).
O manejo integrado de doenças tem como objetivo a manutenção da população do patógeno abaixo
do Limiar de Dano Econômico (LDE). Nessa condição, a receita que seria obtida evitando-se as perdas é
superior ao custo de controle, o que torna a adoção de práticas de controle economicamente viável. O
manejo integrado de doenças prevê o emprego de diversos métodos e técnicas para evitar que a população
do patógeno cause dano econômico.
(VUNESP - Prefeitura de Buritizal, SP - 2018) Assinale a alternativa correta em relação ao princípio, no
âmbito da fitopatologia.
(A) Exclusão: eliminar o patógeno impedindo o seu estabelecimento.
(B) Erradicação: prevenir a entrada do patógeno em sua área livre.
(C) Proteção: impedir contato direto da planta com o patógeno.
(D) Imunização: recuperar a planta doente.
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(E) Terapia: promover a resistência da planta.
Comentário: a alternativa A está errada, pois o princípio da exclusão tem como finalidade impedir a entrada
do patógeno em áreas onde ele ainda não existe.
A alternativa B está errada, pois a erradicação envolve a eliminação das fontes de inóculo.
A alternativa C está correta, pois o princípio de proteção tem como finalidade impedir que o patógeno
ultrapasse a barreira protetiva formada pelo fungicida de contato.
A alternativa D está errada, pois a imunização tem finalidade preventiva e consiste em tornar as plantas
resistentes ao patógeno.
A alternativa E está errada, pois a terapia ou cura tem como objetivo a recuperação das plantas doentes.
Gabarito: alternativa C.
Controle legislativo
O controle legislativo se baseia em leis e outras regulamentações que têm como objetivo principal
evitar a entrada do patógeno no país ou em determinadas áreas, ou seja, baseia-se no princípio da
exclusão.
• Serviço quarentenário: tem como objetivo evitar a introdução de patógenos em material de
propagação ou material vegetal proveniente de outros países. A introdução de novos patógenos é
particularmente danosa, pois as populações de plantas de determinado local se desenvolveram sem a
pressão de patógenos de outros locais, ou seja, não sofreram seleção para resistência àquela doença, sendo,
por isso, em geral bastante suscetíveis.
• Inspeção e certificação: o acompanhamento do processo produtivo de sementes e mudas garante
que o material de propagação não sirva de meio de disseminação de patógenos.
• Vazio fitossanitário: período em que é proibido o plantio de determinada lavoura, sendo
especialmente importante para controle de patógenos biotróficos, como as ferrugens. Além disso, também
se emprega a calendarização do plantio, ou seja, a definição de uma data-limite para que a semeadura seja
realizada para evitar a ocorrência de condições de maior suscetibilidade do hospedeiro e condições
ambientais favoráveis. No Brasil, essas práticas são aplicadas por legislação estadual para soja e algodão,
principalmente.
Controle cultural
Envolve o emprego de inúmeras práticas de manejo das lavouras:
• Material propagativo isento de patógenos: o emprego de material livre de patógenos muitas vezes
é capaz de garantir o desenvolvimento da lavoura sem diversas doenças. Mesmo que infecções tardias
ocorram, o desenvolvimento inicial sem o patógeno já garante boa capacidade de produção. As sementes
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em geral atuam como uma barreira à transmissão de doenças, sendo poucos os patógenos disseminados
dessa maneira. Já as mudas e os materiais de propagação vegetativa têm potencial para disseminar uma
grande variedade de patógenos. Nesse caso, o material propagativo isento de patógenos é geralmente
produzido a partir de matrizes indexadas, ou seja, que foram testadas e se mostraram isentas de
determinada doença (principalmente para doenças causadas por vírus). A indexação pode ser feita por
bioensaios (inoculação de plantas indicadores com enxertos ou seiva da planta testada), por testes
sorológicos (ELISA) ou exames de DNA.
• Erradicação de hospedeiros: a eliminação de plantas doentes é uma alternativa para controle de
surtos epidêmicos no início das infecções, porém nem sempre eficiente. É uma prática muito comum em
canteiros de produção de mudas e campos de produção de sementes para eliminação de plantas doentes
(prática de roguing). A eliminação de hospedeiros alternativos que permitem a sobrevivência do patógeno
mesmo sem a cultura principal presente também contribui para reduzir o inóculo inicial quando a lavoura
for implantada.
• Rotação de culturas: patógenos de solo podem ser controlados pelo emprego de plantas de
espécies ou famílias não afetadas pelo patógeno. Esse método é particularmente eficiente para controle de
espécies de patógenos que sobrevivem apenas em plantas vivas ou nos restos culturais do próprio
hospedeiro. Já para patógenos que sobrevivem saprofiticamente no solo, possuem estruturas de resistênciaou com amplo espectro de hospedeiros a eficiência do método é menor.
• Alqueive e pousio: a prática de alqueive consiste no preparo do solo para erradicação das plantas,
sendo particularmente eficiente para controle de nematoides que, ao eclodirem, não encontram
hospedeiros e acabam morrendo. O pousio tem efeito similar à rotação de culturas, mas não se tem
controle da população de plantas que se estabelecerá.
• Condições desfavoráveis ao patógeno: busca favorecer o desenvolvimento da cultura em
detrimento do patógeno. Emprego de espaçamento adequado entre plantas de modo a reduzir o período
de molhamento foliar, drenagem do solo e manejo adequado da irrigação, manejo da fertilidade do solo e
escolha correta dos fertilizantes (efeito sobre o pH do solo).
• Poda fitossanitária: remoção de ramos e partes doentes de plantas perenes e sua eliminação.
(FAFIPA - Prefeitura de Maria Helena, PR - 2014) A prática de controle cultural mais empregada pelos
agricultores é a rotação de culturas, cujo efeito principal está relacionado à fase de sobrevivência do
patógeno. Assinale a alternativa que NÃO corresponde à rotação de culturas:
(A) Cultivo alternado de espécies vegetais diferentes no mesmo local e na mesma estação anual.
(B) O princípio de controle de fitopatógenos envolvidos é a supressão ou eliminação do substrato apropriado
para o patógeno.
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(C) Os fitopatógenos controláveis pela rotação de culturas possuem habilidade de competição saprofítica,
sendo capazes de trocar de hospedeiro, portanto, muitas espécies vegetais podem servir de hospedeiro.
(D) Os fitopatógenos controláveis pela rotação de culturas sobrevivem pela colonização saprofítica nos restos
culturais e nutricionalmente dependem do hospedeiro.
Comentário: a alternativa A está correta, pois a rotação de culturas corresponde ao plantio de espécies
diferentes no mesmo local e na mesma estação, mas em anos agrícolas distintos (sucessão de culturas ocorre
no mesmo ano).
A alternativa B está correta, pois a rotação de culturas favorece a eliminação dos restos culturais dos
hospedeiros do patógeno.
A alternativa C está errada, pois a rotação de culturas não é eficiente para controle de patógenos capazes de
sobreviver saprofiticamente nos restos vegetais de várias espécies.
A alternativa D está correta, pois os patógenos que sobrevivem como saprófitas apenas nos restos culturais
do hospedeiro podem ser controlados pela rotação de culturas.
Gabarito: alternativa C.
• Emprego de plantas resistentes: o uso de plantas resistentes é um dos métodos mais baratos e
eficazes de controle de doenças, reduzindo tanto as perdas decorrentes da doença quanto os custos de
controle. Resistência, imunidade e tolerância são diferentes aspectos da resistência genética de plantas a
doenças. A tolerância indica a capacidade da planta em produzir mesmo na presença do patógeno. Já a
imunidade representa uma condição em que a planta apresenta 100% de resistência ao patógeno, enquanto
a resistência em si é parcial, ou seja, existem níveis de resistência. A resistência de plantas a patógenos
pode ser de dois tipos, vertical e horizontal. A resistência vertical é controlada por um ou poucos genes e
por isso apresenta em geral baixa durabilidade. Já a resistência horizontal é poligênica e mais difícil de ser
quebrada.
(UNESC - FLAMA-SC - 2019) O cultivo continuado de uma mesma cultivar resistente a uma determinada
doença fúngica, em uma mesma região por vários anos, pode levar à necessidade de sua substituição,
devido ao aumento de ocorrência da referida doença com o tempo de cultivo.
Esse fenômeno é frequentemente denominado “quebra da resistência” e deve-se a:
(A) alteração genética na população do hospedeiro e perda do(s) gene (s) de resistência.
(B) seleção e multiplicação de raças virulentas na população do patógeno.
(C) alterações climáticas resultando na predominância de ambiente propício ao desenvolvimento da doença.
(D) desequilíbrio ambiental decorrente de pulverizações frequentes com fungicidas.
Comentário: a alternativa A está errada, pois as cultivares comerciais apresentam estabilidade genética, ou
seja, não sofrem alteração genética ao longo dos anos.
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A alternativa B está correta, pois o emprego de cultivares resistentes em áreas muitos extensas por longos
períodos de tempo leva à seleção de populações do patógeno (raças) capazes de estabelecer infecção (ou
seja, virulentas) mesmo nas plantas resistentes.
A alternativa C está errada, pois a quebra de resistência não é um processo decorrente de efeitos do
ambiente.
A alternativa D está errada, pois o emprego de um mesmo fungicida por longos períodos de tempo também
pode levar à seleção de raças resistentes, mas elas seriam resistentes ao fungicida, não às cultivares.
Gabarito: alternativa B.
Controle biológico
O controle biológico de doenças corresponde à destruição total ou parcial de populações de
patógenos por outros organismos.
• Solos supressivos: apresentam condições desfavoráveis ao desenvolvimento dos patógenos
devido à ação de organismos antagonistas que agem por diversos mecanismos, como produção de
substâncias antibióticas e enzimas, competição por alimento, parasitismo.
• Controle patógenos por microrganismos antagonistas: principalmente pelo uso de Trichoderma
sp., um fungo rizosférico (habita a região próxima do sistema radicular) antagonista que atua sobre outros
fungos no solo. Esse fungo parasita o micélio e inibe o desenvolvimento de diversas espécies de fungos,
sendo aplicado em diversas lavouras. Outros produtos comerciais disponíveis no Brasil incluem também
bactérias Bacillus sp. para controle de bactérias, nematoides e fungos.
• Plantas-isca: empregadas principalmente em duas situações, como bordadura em cultivos para
evitar a entrada de insetos sugadores vetores de viroses; e para controle de nematoides, em que a planta-
isca leva à eclosão dos ovos, mas as formas juvenis não conseguem estabelecer a infecção (exemplos:
crotalária, amendoim em rotação com cana).
Controle físico
Se baseia no emprego de fatores físicos como temperatura e radiação para erradicação e controle
de inóculos.
• Solarização: o solo é umedecido (favorece a transmissão e calor) e coberto por um plástico
transparente (permite a passagem de ondas curtas da radiação solar, mas retém as ondas longas emitidas
pelo solo aquecido), sendo aquecido pela radiação (temperatura atinge até 70 °C) por dias a semanas para
controle de fungos, nematoides, bactérias e sementes de plantas daninhas próximos à superfície.
• Esterilização por calor: a aplicação de vapor ou água quente é feita em cultivo protegido e canteiros
para controle de patógenos de solo. Temperaturas de 82 °C (aplicadas por 30 min) são suficientes para matar
a maioria dos microrganismos patogênicos, sementes de plantas daninhas e insetos. A aplicação de calor por
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tempos muito longos pode levar à supressão da microbiota saprofítica e de organismos que operam a
ciclagem de nutrientes, como as bactérias nitrificantes.
• Termoterapia: aplicação de calor por água quente em material de propagação (sementes, bulbos,
estacas e outros propágulos). Empregada, por exemplo, no tratamento de toletes de cana-de-açúcar para
controle da bactéria que causa o raquitismo da soqueira (imersão em água quente a 50,5 °C por duas horas
ou 52 °C por 30 minutos).
• Secagem: a redução da umidade de produtos secos (comosementes) impede o desenvolvimento
de fungos de armazenamento.
• Refrigeração: método mais comumente empregado para controle de doenças de pós-colheita de
produtos agrícolas frescos, como frutas.
• Radiação: diversos comprimentos de onda têm potencial de matar microrganismos, sendo a luz
ultravioleta o mais comumente empregado, principalmente em alimentos.
Controle químico
O primeiro agente de controle químico de doenças de plantas foi o enxofre. No século XIX, surgiu a
calda bordalesa, desenvolvida na região de Bordeaux. Durante um surto de míldio da videira, o botânico
francês Pierre Millardet observou que algumas plantas ao longo de uma estrada tinham uma coloração
azulada na superfície e apresentam folhas saudáveis, enquanto outras plantas sem essa coloração
apresentavam-se doentes. O viticultor lhe informou que aplicava uma mistura de cobre e calcário hidratado
para evitar que os transeuntes roubassem as uvas. A mistura (cal hidratada e sulfato de cobre a 1%) foi
aperfeiçoada por Millardet em 1885 para aumentar sua eficácia no controle do míldio, sendo o fungicida
(batizado de calda bordalesa) mais empregado no mundo todo por várias décadas. Na década de 1930
surgiram os fungicidas orgânicos e, na década de 1960, os sistêmicos.
O controle químico de doenças de plantas dentro do manejo integrado de doenças deve se basear
em cinco critérios:
O que aplicar: escolha do produto.
Quanto aplicar: definição da dosagem.
Quando aplicar: quando for atingido o nível de controle para que não se chegue ao
limiar de dano econômico.
Como aplicar: tecnologia de aplicação.
Onde aplicar: alvo biológico.
Quanto à forma de ação, os fungicidas podem ser:
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• Erradicantes: eliminam os patógenos e fontes de inóculo presentes principalmente no solo,
sementes, mudas e equipamentos. Empregados no tratamento de sementes; desinfecção de solo, substrato
e estruturas de cultivo protegido ou armazenamento.
• Protetores: formam uma camada protetora na superfície do hospedeiro, impedindo a germinação
ou penetração dos patógenos. Exemplos: enxofre, calda bordalesa (fungicidas cúpricos), ditiocarbamatos.
• Curativos: são capazes de eliminar os patógenos nos tecidos afetados. Em geral têm efeito
sistêmico.
• Promotores de resistência: são substâncias elicitoras que induzem uma resposta de defesa na
planta (resistência sistêmica adquirida ou induzida), reduzindo a incidência e severidade de diversas
doenças. Os produtos são chamados de indutores de resistência ou ativadores de plantas.
Quanto à translocação na planta, as substâncias para controle químico podem ter ação:
• Contato: formam uma camada protetora na superfície da planta, não sendo translocados para o
interior dos tecidos. Sua eficiência é muito dependente de uma boa aplicação (boa cobertura).
• Mesostêmicos: também chamados de translaminares, penetram nos tecidos e têm alta afinidade
pelo mesofilo foliar, mas não são translocados pelo sistema vascular (têm ação em profundidade).
• Sistêmicos: são absorvidos e translocados no sistema vascular, principalmente pelo xilema
(movimento acrópeto ou ascendente).
Quanto à natureza química do princípio ativo, os produtos para controle químico podem ser:
• Inorgânicos: compostos à base de cobre (sulfato de cobre, oxicloreto de cobre), enxofre (enxofre
elementar, calda sulfocálcica), sais de bicarbonato (sódio, amônio, potássio), fosfito (indutor de resistência),
silício (aumenta resistência da parede celular).
• Orgânicos: desenvolvidos a partir da década de 1930. Inclui a maioria dos fungicidas, antibióticos e
nematicidas.
O controle químico de doenças de plantas pode ser limitado pelo desenvolvimento de resistência
decorrente da seleção de populações resistentes ao produto empregado. O surgimento de populações
resistentes de patógenos é altamente prejudicial devido à baixa eficiência do controle que acaba levando
ao emprego de doses mais elevadas, com implicações econômicas e ambientais.
O desenvolvimento de populações resistentes é principalmente problemático para produtos
sistêmicos, com modo de ação limitado a apenas uma ou poucas enzimas do metabolismo do patógeno.
Assim, qualquer alteração na estrutura dessa enzima pode levar à ineficácia do produto. Já os fungicidas
protetores apresentam menor risco de desenvolvimento de resistência por atuarem em diferentes etapas
do metabolismo. Contudo, os produtos sistêmicos apresentam inúmeras vantagens no controle de doenças,
devendo por isso ser empregadas estratégias que previnam o surgimento de populações resistentes, como
o monitoramento das populações em testes de sensibilidade efetuados pelas empresas produtoras de
agroquímicos, redução da pressão de seleção (rotação de princípios ativos, uso de protetores antes da
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disseminação do patógeno, emprego de produtos sistêmicos quando o patógeno é mais vulnerável ou em
períodos críticos da doença, mistura de princípios ativos) e manejo integrado de doenças (incorporação dos
demais métodos não químicos).
1.2 - FUNGOS FITOPATOGÊNICOS
Os fungos são os principais patógenos de plantas, sendo organismos
eucarióticos (núcleo celular organizado), heterotróficos (aclorofilados) e com
parede celular não celulósica. Têm enorme importância econômica e ambiental,
como patógenos de plantas, decompositores da matéria orgânica (maioria das
espécies), alimento (cogumelos e trufas), importância médica (produção de
antibióticos, causadores de doenças) e como fermentadores (panificação, bebidas
fermentadas).
1.2.1 - Classificação e biologia dos fungos fitopatogênicos
Os fungos fitopatogênicos são filamentosos (formados por hifas), porém existem também fungos
leveduriformes (como a levedura Saccharomyces cerevisiae). O conjunto de hifas que forma o corpo dos
fungos é denominado micélio. As hifas podem ter separação entre as células (hifas septadas) ou não (hifas
cenocíticas), sendo que o primeiro tipo ocorre em ascomicetos e basidiomicetos. Os fungos geralmente se
reproduzem por esporos, que são estruturas reprodutivas compostas por uma a poucas células. A formação
dos esporos pode se dar por via assexuada ou sexuada, com estruturas diferentes de acordo com o fungo.
Além dos esporos, alguns fungos também produzem estruturas de resistência formadas por massas de
micélio, como os escleródios (massas compactas e endurecidas de micélio) e os clamidósporos (conjunto
de células ricas em reservas e com paredes espessas).
Os fungos pertencem principalmente ao reino Fungi (parede celular com quitina), mas existem
também fungos fitopatogênicos que pertencem ao reino Chromista (parede celular sem quitina).
• Reino Fungi: fungos verdadeiros (parede celular de quitina).
• Filo Chytridiomycota: maioria de vida livre, esporos com flagelos (zoósporos).
• Filo Zigomycota: fungos micorrízicos arbusculares e os bolores (Mucor, Rhizopus).
Produzem esporos assexuais em esporângios.
• Filo Ascomycota: inclui fungos micorrízicos (ectomicorrizas, originam as trufas),
leveduras (como Saccharomyces cerevisiae), líquens e inúmeros patógenos. A maioria dos
ascomicetos tem um estágio sexual (fase telomórfica, perfeita ou ascógena) e uma fase
assexual (fase anamórfica, imperfeita ou mitospórica). Na fase sexual, são produzidos
ascósporos (esporos sexuais) em ascos (corpos de frutificação com formato de sacos
isolados ou reunidos em estruturas como peritécio, em formato de pera, apotécio, em
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formato de taça,e cleistotécio, massa globosa que contém os ascos no seu interior). Na
fase assexual, são produzidos esporos assexuais (conídio) pelo destacamento da porção
terminal de hifas especializadas (conidióforos). Os conidióforos podem estar reunidos em
corpos de frutificação como picnídios (formato de pera, revestido com conidióforos no
interior), acérvulos (formato de prato) e outras formas especializadas. Algumas espécies
de ascomicetos não apresentam reprodução sexual conhecida e por muitos anos o Código
Internacional de Nomenclatura Botânica (que também rege a nomenclatura de fungos)
permitiu que ambas as fases tivessem nomes científicos diferentes. Essa prática foi
descontinuada, já que os estudos de filogenia baseados em técnicas moleculares têm
permitido a classificação desses fungos. A adaptação a essa nova realidade pode levar
vários anos, já que afeta a nomenclatura de muitas espécies cujos nomes já são
consagrados nas ciências aplicadas e na prática agrícola.
• Filo Basidiomycota: inúmeras espécies de vida livre (muitos produzem corpos de
frutificação chamativos, diversas espécies comestíveis) e alguns patógenos muito
importantes, como o grupo das ferrugens. Os esporos sexuais (basidiósporos) são
produzidos em basídios.
• Reino Chromista: inclui algas, diatomáceas e patógenos semelhantes a fungos. Os
patógenos semelhantes a fungos do reino Chromista encontram-se reunidos no filo
Oomycota. Os oomicetos produzem esporos assexuais flagelados (zoósporos) em
esporângios e são adaptados a condições de alta umidade, sendo favorecidos em solos
encharcados. Inclui patógenos causadores de podridões (família Pythiaceae, gêneros
Pythium e Phytophthora) e míldio (família Peronosporaceae, gêneros como Plasmopora e
Peronospora).
Representação esquemática da do ciclo de vida (fases telomórfica ou sexual e anamórfica ou
assexual) de um ascomiceto e dos corpos de frutificação mais comuns nessa classe.
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(CEC - Prefeitura de Piraquara, PR - 2014) Sobre as estruturas vegetativas e reprodutivas dos fungos
(Eumycota), assinale a alternativa correta:
(A) ESCLERÓDIO é uma massa de hifas, arredondada, firme, importante na sobrevivência de fungos
veiculados pela água.
(B) CLAMIDÓSPORO são hifas diferenciadas tomando forma arredondada, com paredes finas, células de
resistência de alguns fungos.
(C) APRESSÓRIO é uma estrutura achatada, formada pelo inchaço do tubo germinativo ou da hifa, que adere
à superfície do hospedeiro para facilitar a penetração do fungo.
(D) ESPORO é uma célula ou grupo de células de cuja germinação se origina o talo. O resultado da germinação
é a saída de um ou mais filamentos espessos chamados tubos germinados. Possui membrana, citoplasma e
núcleo.
(E) ESPORÓFORO é a diferenciação de hifas vegetativas, levantadas horizontalmente sobre o plano do
micélio, onde se originam os esporos.
Comentário: a alternativa A está errada, pois escleródios são estruturas de sobrevivência de fungos
(Sclerotinia, Sclerotium) formadas por massas de hifas endurecidas.
A alternativa B está errada, pois clamidósporos são estruturas de resistência de fungos de formato
arredondado e formadas por hifas com paredes espessadas e ricas em reservas.
A alternativa C está correta, pois o apressório é uma estrutura emitida pelos fungos durante a germinação
dos esporos para penetração nos tecidos do hospedeiro.
A alternativa D está errada, pois os esporos são estruturas reprodutivas dos fungos formados por uma ou
mais células. Sua germinação origina o tubo germinativo que irá penetrar no tecido do hospedeiro pela
formação de apressório ou por aberturas naturais. Como as demais células fúngicas, apresenta parede
celular além da membrana, citoplasma e núcleo.
A alternativa E está errada, pois os esporóforos são simplesmente hifas especializadas na produção de
esporos. Recebem diferentes nomes de acordo com os esporos produzidos, como conidióforos (produz
conídios), basidióforos (produz basidiosporos).
Gabarito: alternativa C.
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Principais gêneros de fungos causadores de doenças:
Oomycota Ascomycota Basidiomycota
•Esporo assexual: zoósporo
produzido em esporângios
•Esporo sexual: oósporo
produzido em esporângios.
•Esporo assexual: conídios produzidos
em conidióforos (podem estar
reunidos em picnídios e acérvulos).
•Esporo sexual: ascósporos produzidos
internamente em ascos (podem estar
reunidos em peritécios, apotécios e
cleistotécios).
•Estruturas de resistência: escleródios
e clamidósporos.
Produzem diferentes tipos de
esporos ao longo do ciclo
reprodutivo, sendo os
basidiósporos os mais
importantes para disseminação.
Podridões e requeima:
Phytophthora, Pythium.
Ferrugem branca: Albugo.
Míldio: Bremia, Plasmopora,
Peronospora.
Oídio: Blumeria, Erysiphe, Oidium.
Murchas: Fusarium, Verticillium,
Ceratocystis.
Antracnose: Colletotrichum
Manchas foliares: Alternaria,
Cercospora, Bipolaris, Cladosporium,
Mycosphaerella.
Podridões e mofos: Botrytis,
Sclerotinia.
Carvões: Ustilago.
Ferrugens: Hemileia, Puccinia,
Phakopsora, Uromyces.
Podridões e mofos: Sclerotium,
Rhizoctonia, Armilaria.
Vassoura-de-bruxa: Crinipellis.
(FUNDEP - Prefeitura de Lagoa Santa, MG - 2019) Os fungos estão entre os mais importantes agentes
causais de doenças de plantas e são um grupo de organismos bastante diversificado filogeneticamente. Os
Oomicetos (Reino Chromista), porém, não são considerados fungos verdadeiros por não pertencerem ao
Reino Fungi.
Assinale a alternativa que apresenta uma doença causada por um fungo verdadeiro.
(A) Requeima da batata causada por Phytophthora.
(B) Antracnose de fruteiras causada por Colletotrichum.
(C) Ferrugem branca em hortícolas causada por Albugo.
(D) Míldio da videira causado por Plasmopara.
Comentário: a alternativa A está errada, pois Phytophthora é um gênero de oomicetos.
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A alternativa B está correta, pois Colletotrichum é um ascomiceto.
A alternativa C está errada, pois Algugo é um gênero de oomicetos.
A alternativa D está errada, pois Plasmopora é um gênero de oomicetos.
Gabarito: alternativa B.
1.2.2 Modos de ação e classificação de fungicidas
Fungicidas de contato ou protetores
Em geral apresentam baixo custo e amplo espectro de ação, porém devem ser aplicados diretamente
sobre o patógeno ou depositados previamente sobre a superfície do hospedeiro. Atuam principalmente
sobre a germinação dos esporos e a formação do tubo germinativo. Geralmente atuam sobre diferentes
etapas do metabolismo fúngico, reduzindo o risco de aparecimento de populações resistentes. Podem ser
inorgânicos (à base de enxofre e cobre) ou orgânicos.
• Fungicidas à base de enxofre: mais antigo dos pesticidas, com ação fungicida e acaricida.
Empregado principalmente na forma de calda sulfocálcica (mistura de enxofre e cal hidratada) para
tratamento de inverno em frutíferas de clima temperado, como macieira e pessegueiro.
• Fungicidas à base de cobre: surgidos no século XIX, foram por muitas décadas o principal fungicida
empregado na agricultura. Formam uma barreira protetora na superfície das folhas que inibe a germinação
dos esporos fúngicos. A calda bordalesa é preparada pela diluição de 1,0 kg de sulfato de cobre e 1,0 kg de
cal hidratada em 100 L de água (os produtos são diluídos separadamente e depois misturados). Podem ser
acrescentados micronutrientes, como na calda Viçosa. A fitotoxidade da calda bordalesa paraalgumas
culturas levou ao emprego de compostos fixos de cobre, como o oxicloreto de cobre, o óxido cuproso e o
hidróxido de cobre. Os fungicidas cúpricos são bastante eficientes para aplicação preventiva, principalmente
em culturas perenes.
• Quinonas: principal é a ditianona, fungicida de amplo espectro e grande efeito residual protetor e
erradicante empregado em frutíferas de clima temperado (maçã, uva e pessegueiro).
• Aromáticos: apresenta modo de ação inespecífico (reduzido risco de seleção de populações
resistentes) e amplo espectro de ação. Os principais são o clorotalonil (empregado para pulverização em
diversas culturas), a diclorana (pulverização) e o quintozeno (tratamento de sementes).
• Ditiocarbamatos: sua introdução em 1930 marcou o início do uso de fungicidas orgânicos na
agricultura. Atuam preventivamente na proteção de folhas, sementes, caule e raízes. Os principais princípios
ativos são o mancozebe (contém Mn e Zn, pulverização contra doenças fúngicas de parte aérea), o tiram
(tratamento de sementes), o metiram, o manebe e o propinebe.
• Dicarboximidas: grande atividade protetora contra um amplo espectro de fungos. Os princípios
ativos empregados no país incluem a captana (pulverização e tratamento de sementes), o folpete
(pulverização contra antracnose, míldio) e a iprodiona (tratamento de sementes e pulverização de diversas
culturas contra inúmeras doenças, como mofo-cinzento, mofo-branco, mancha-de-alternária,
helmintosporiose).
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• Piridinas (fenilpiridinalamina): o fluazinam é empregado como fungicida e acaricida, sendo
importante no manejo de populações resistentes (empregado para Phytophthora, Sclerotinia, Botrytis,
Rhizoctonia, Monilinia, Alternaria).
• Organoestânicos: apresentam longo efeito residual, têm amplo espectro de ação de maior
efetividade (10 a 20 vezes mais) que os fungicidas cúpricos, porém são altamente tóxicos aos seres
humanos. O hidróxido de fentina foi o primeiro organoestânico usado na agricultura, sendo empregado
principalmente na cultura do feijão (antracnose, mancha-angular, ferrugem, Alternaria).
• Oxazolidinedionas: a famoxadona é empregada no controle de Phytophtora, míldios e Alternaria.
• Fenilureias: o pencicurom é empregado no controle de rizoctoniose.
• Benzamidas: zoxamida e fluopicolide são usados para controle de oomicetos (Pythium,
Phytophthora, míldios). Fluopyram é usado no controle de mofo-branco e tem ação nematicida.
Fungicidas sistêmicos
São fungicidas que são absorvidos depois de aplicados, translocados e atuam sobre patógenos já
estabelecidos na planta (ação curativa). Dessa forma, os fungicidas sistêmicos devem apresentar efeito
seletivo sobre as células fúngicas sem comprometer a fisiologia da planta hospedeira. Apresentam algumas
vantagens em relação aos fungicidas protetores, como a ação curativa, a reduzida perda por lavagem da
superfície das folhas (rápida absorção) e o acesso do produto a partes não atingidas pela pulverização ou
emitidas após a aplicação. Contudo, sua seletividade de ação faz com que atuem sobre um ou poucos sítios
do metabolismo dos patógenos, o que facilita o aparecimento de populações e raças resistentes ao produto
utilizado.
• Benzimidazois: foram um importante marco no desenvolvimento de fungicidas devido ao seu
amplo espectro de ação contra as principais doenças de plantas e o seu efeito sistêmico. Contudo,
atualmente apresentam o maior número de casos de populações resistentes. Atuam na inibição da divisão
celular (impedem a síntese de tubulina, proteína que separa os cromossomos durante a mitose). Os
princípios ativos usados no país incluem o carbendazim (tratamento de sementes e pulverização), o
tiabendazol (tratamento de sementes) e o tiofanato-metílico, que é um precursor de benzimidazol
(tratamento de sementes e pulverização).
• Inibidores da síntese de ergosterol: atuam na inibição das reações de demetilação da síntese do
ergosterol (componente da membrana celular dos fungos). São altamente tóxicos aos fungos, sendo ativos
mesmo a baixa dosagens. Apresentam longo período residual e efeito preventivo e curativo, além de amplo
espectro de ação. Inclui os fungicidas classificados como piperazinas, pirimidinas (ciprodinil para mofo-
branco e Alternaria, pirimetanil para inúmeras doenças) e piridinas, sendo muito efetivos contra ferrugens,
manchas foliares, podridões (mofo-branco, mofo-cinzento) e oídios.
• Triazois: são inibidores da síntese de esterol (também atuam nas reações de demetilação),
componente da membrana celular dos fungos verdadeiros (não tem ação sobre oomicetos). Apresentam
elevada fungitoxidade a vários patógenos, rápida absorção e translocação, efeito curativo, efeito residual
prolongado, moderado risco de desenvolvimento de resistência, sendo usados para tratamento de
sementes ou pulverização. Importantes no manejo de ferrugens, oídios e manchas foliares em diversas
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culturas. Os princípios ativos empregados no país incluem bromuconazol, ciproconazol, difenoconazol,
epoxiconazol, fluquinconazol, flutriafol, imibenconazol, ipconazol, metconazol, miclobutanil, propiconazol,
tebuconazol, triadimenol e triticonazol
• Estrobilurinas: têm ação fungicida sobre ascomicetos, basidiomicetos e oomicetos. Atuam sobre a
respiração celular bloqueando a cadeia de transporte de elétrons. São importantes fungicidas no manejo
de resistência, comumente compondo misturas com outros produtos, principalmente triazois. Os princípios
ativos usados no país incluem a azoxistrobina, o cresoxim-metílico, o dimoxistrobin, o metominostrobin, a
picoxistrobina, a piraclostrobina e a trifloxistrobina.
• Acetamidas e fenilamidas: fungicidas seletivos para oomicetos, inibindo a síntese de RNA
ribossômico. O cimoxanil (acetamida) apresenta pouca translocação, mas bom poder de penetração
(mesostêmico ou translaminar), sendo usado para míldio e Phytophthora. As fenilamidas têm se tornado a
mais importante ferramenta para controle de oomicetos de solo, aplicados antes ou durante o plantio para
controle por exemplo de Pythium e Phytophthora. Princípios ativos usados no país incluem o benalaxil
(míldio, Phytophthora) e o metalaxil (tratamento de sementes).
• Carboxanilidas e carboxamidas: atuam de forma sistêmica e seletiva principalmente contra
basidiomicetos, como Rhizoctonia e ferrugens. Sua ação se dá no processo de respiração, em uma das
etapas do ciclo de Krebs (enzima succinato desidrogenase). As carboxanilidas incluem a carboxina, que é
empregada no tratamento de sementes, penetrando em seu interior e sendo translocada para a plântula
após a germinação; a oxicarboxina, que é usada para controle da ferrugem do feijoeiro; e a tifluzamida para
controle de Rhizoctonia e ferrugem do cafeeiro. As carboxamidas incluem o flutolanil para rizoctoniose e o
bixafem e fluxapiroxade em misturas com outros fungicidas para diversas doenças.
• Carbamatos: são produtos sistêmicos seletivos para oomicetos (Pythium, Phytophthora, míldio),
como o cartape e o propamocarbe.
• Benzotiadiazoles: o acibenzolar-S-metílico é um ativador de plantas, ou seja, um produto indutor
de resistência sistêmica adquirida ou induzida. Sua ação se caracteriza pela ativação do sistema de
resistência da planta, com translocação tanto no xilema quanto no floema.
(IF-MT - IF-MT - 2018) Os fungicidas são produtos químicos amplamente utilizados na agricultura para
controle de diversas doenças. Existem fungicidas protetores ou de contato e fungicidas sistêmicos e dentro
de cada grupo diversas moléculascom diferentes sítios de ação na célula fúngica. Existem fungicidas que
atuam na inibição da enzima Succinato desidrogenase (SDH I); há os inibidores da demetilação (DM Is);
inibidores da quinona oxidase (QOls) e os fungicidas multisítios que atuam em vários sítios na célula
fúngica. Marque a sequência correta de exemplos de fungicidas SDH I, DM I, QOl e multisítios:
(A) Azoxistrobina, Mancozebe, Tebuconazol e Carboxamida.
(B) Mancozebe, Tebuconazol, Azoxistrobina e Carboxamida.
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(C) Carboxamida, Tebuconazol, Azoxistrobina e Mancozebe.
(D) Azoxistrobina, Tebuconazol, Carboxamida e Mancozebe.
(E) Mancozebe, Azoxistrobina, Tebucinazol e Carboxamida
Comentário: inicialmente, perceba como os fungicidas diferem quanto ao seu modo de ação: um fungicida
atua em vários locais e os outros atuam sobre enzimas específicas. Percebemos com isso que os três
primeiros fungicidas são sistêmicos, enquanto o quarto é protetor. Verifique nas alternativas como essa
informação já permitiria eliminar três das cinco alternativas.
Os fungicidas que atuam na enzima succinato desidrogenase afetando o processo de respiração são as
carboxamidas e carboxanilidas (não confundir com as dicarboximidas que têm ação de contato).
Os fungicidas inibidores da síntese de esteróis pela inibição das reações de demetilação são os triazois (como
o tebuconazol) e outros fungicidas "não azois" (pirimidinas).
Os fungicidas que afetam a respiração por inibirem a ação da enzima quinona oxidase são as estrobilurinas,
como a azoxistrobina.
Perceba como no caso dos triazois e estrobilurinas o sufixo indica a classe química (respectivamente "azol"
e "strobina").
Gabarito: alternativa C.
Fungicidas erradicantes para fumigação
• Brometo de metila (halogenado): por muitos anos foi o principal fumigante de solo empregado em
cultivo protegido (desinfecção de solo e substrato) e também em tratamentos quarentenários. Atualmente
seu uso não é mais permitido em consonância com o Protocolo de Montreal já que, além de extremamente
tóxico, também é prejudicial à camada de ozônio.
• Dazomete (isotiocioato de metila): fungicida, nematicida e herbicida fumigante de solo para
aplicação como grânulo.
• Metam-sódico (isotiocioato de metila): fumigante de solo para aplicação via líquida (regador,
pulverizador, irrigação) em pré-plantio. Tem ação fungicida, nematicida, formicida e herbicida.
(Crescer Consultorias - Prefeitura de Urbano Santos, MA - 2017) Fungicidas erradicantes são aqueles que
atuam diretamente sobre o patógeno, na fonte de inóculo. Não são exemplos de fungicidas erradicantes,
EXCETO:
(A) Dazomete
(B) Formol
(C) Tebuconazol
(D) Quintozeno
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Comentário: alternativa A está correta, pois o dazomete é um fungicida fumigante de ação erradicante.
A alternativa B está errada, pois o formol (formaldeído) não é um fungicida usado na agricultura.
A alternativa C está errada, pois o tebuconazol é um fungicida sistêmico do grupo dos triazois.
A alternativa D está errada, pois o quitozeno é um fungicida de contato do grupo dos aromáticos.
Gabarito: alternativa A.
1.2.3 - Doenças fúngicas de ocorrência generalizada
• Damping-off ou tombamento de plântulas: apodrecimento de raízes e da região do coleto de
plantas novas, mudas e plântulas. Causado por diversos patógenos que atuam tanto em viveiro quanto no
campo, como Rhizoctonia sp., Fusarium sp., Pythium sp., Cylindrocladium sp., Botrytis sp., Sclerotinia sp,
Phytophthora sp., Colletotrichum sp. No campo, o controle é feito principalmente pelo tratamento de
sementes com fungicidas, enquanto em viveiros também se aplica o controle cultural por desbaste de
mudas, roguing (remoção e eliminação das plantas doentes), controle da umidade e rustificação das mudas
antes de irem a campo. Doença geralmente favorecida por elevada umidade, baixa temperatura e atraso
na germinação.
(CETAP - Prefeitura de Maracanã, PA - 2019) A podridão radicular é um dos fatores limitantes da produção
de mandioca em algumas áreas da Região Norte. A doença é particularmente importante nos ecossistemas
da várzea e terra firme dos estados do Pará, Amazonas e Amapá, onde se estima que as perdas cheguem
a superar os 50% na várzea, podendo atingir até 30% na terra firme. Assinale a assertiva que não
corresponde à ocorrência de podridão da mandioca.
(A) Quando causada por Phytophthora sp., a podridão pode ocorrer em áreas sujeitas a encharcamento, com
textura argilosa e de pH ligeiramente alcalino ou em solos ácidos arenosos.
(B) A sobrevivência da podridão de Fusarium sp. pode guardar relação com os solos ácidos e adensados.
(C) Diplodia sp., Botrydiplodia sp. e Colletotrichum gloesporioides podem, em muitas áreas favorecidas por
um microclima, tornar-se patógenos potencialmente prejudiciais à cultura.
(D) A podridão causada pelo Pythium scleroteichum ocorre de forma secundária.
Comentário: a alternativa A está correta, pois os patógenos do gênero Phytophthora e os demais oomicetos
são favorecidos principalmente por condições de encharcamento do solo.
A alternativa B está correta, pois Fusarium é favorecido em solos ácidos.
A alternativa C está correta, pois esses patógenos podem ocasionalmente favorecer a ocorrência de podridão
de raízes em condições ambientais propícias.
A alternativa D está errada, pois Pythium, juntamente com Phytophthora e Fusarium, é um dos principais
causadores de podridão radicular em mandioca.
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Essa questão é bastante difícil, pois a alternativa C se apresenta como excelente candidata a resposta correta.
Nesse caso, o conhecimento específico do sistema de produção da cultura seria necessário para chegar na
resposta correta, considerando que a podridão por Pythium é uma doença de importância secundária para
a grande maioria das culturas.
Gabarito: alternativa D.
• Míldio: os míldios são doenças provocadas por oomicetos da família Peronosporaceae. Condições
de alta umidade com molhamento foliar e temperaturas amenas favorecem o rápido progresso da doença,
que pode provocar danos severos em curtos períodos de tempo. Todas as espécies de míldio são parasitas
obrigatórios, sendo característico o crescimento micelial na face inferior das folhas na maioria das espécies.
A face superior das folhas geralmente exibe pontuações ou lesões cloróticas (alongadas em gramíneas) que
podem coalescer e evoluir para necrose. A doença pode ser bastante severa quando atinge plantas ou
tecidos jovens, sendo de difícil controle quando as condições ambientais são favoráveis, mesmo com
fungicidas sistêmicos. Exemplos e fungos causadores de míldio incluem Bremia lactucae (míldio da alface),
Hyaloperonospora parasitica (míldio das crucíferas), gênero Peronospora, com diversas espécies causadoras
de míldio, como P. destructor (míldio da cebola), P. tabacina (míldio do fumo), P. machurica (míldio da soja),
Plasmopora viticola (míldio da soja), Pseudoperonospora cubensis (míldio das cucurbitáceas),
Peronosclerospora (míldio do sorgo, milho e cana) Sclerophthora (míldio dos cereais) e Sclerospora
graminicola (míldio das gramíneas).
• Oídio: doença causada por fungos biotróficos obrigatórios de diversos gêneros, como Blumeria (B.
graminis em gramíneas), Erysiphe (E. polygoni em leguminosas e hortaliças) e Oidium. A doença é facilmente
identificada pelo crescimento micelial esbranquiçado na superfície das folhas. Geralmente não leva à morte
da planta, mas a redução na produção pode ser bastanteelevada (absorção de nutrientes, redução da
fotossíntese). A germinação dos esporos não necessita da presença de filme de água na superfície da folha,
sendo o oídio por isso a doença fúngica mais importante em locais secos e em cultivo protegido. Controle
pelo emprego de variedades resistentes, fungicidas sistêmicos ou produtos à base de cobre ou enxofre
(principalmente em frutíferas).
(FUNRIO - Prefeitura de Porto de Moz, PA - 2019) Uma das principais doenças da cevada, no mundo, é o
oídio, causado pelo fungo biotrófico:
(A) Cochliobolus sativus
(B) Pyrenophora teres
(C) Blumeria graminis f. sp. hordei
(D) Gaeumannomyces graminis var. tritici
(E) Phaeosphaeria nodorum
Comentário: a alternativa A está errada, pois Cochliobolus sativus causa mancha marrom em gramíneas.
A alternativa B está errada, pois Pyrenophora teres é causador da mancha reticular em cevada.
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A alternativa C está correta, pois Blumeria graminis f. sp. hordei é o agente etiológico do oídio em cevada.
A alternativa D está errada, pois Gaeumannomyces graminis var. tritici provoca o mal-do-pé do trigo (take-
all do trigo).
A alternativa E está errada, pois Phaeosphaeria nodorum causa mancha das glumas e folhas em gramíneas.
Gabarito: alternativa C.
• Antracnose: doença que afeta folhas, ramos e frutos, com sintoma característico de lesões bem
escuras. O gênero Colletotrichum é o mais importante nas regiões tropicais e subtropicais (onde a doença é
mais comum), afetando severamente inúmeras plantas como leguminosas (C. lindemuthianum), gramíneas
(C. graminicola), cucurbitáceas (C. orbiculare), solanáceas (C. phomoides), e frutíferas diversas (C.
gloeosporioides). A doença em geral é favorecida por condições de maior temperatura e umidade (os
conídios são disseminados pelo impacto das gotas de chuva). O inóculo sobrevive como micélio ou esporos
em órgãos infectados e em sementes de plantas anuais. Controle pela remoção e eliminação de órgãos
afetados em plantas perenes e pelo uso de material de propagação livre do patógeno. Controle químico por
tratamento de sementes em plantas anuais e pelo emprego de fungicidas.
• Murchas: doenças de ocorrência disseminada, caracterizadas pela murcha, secamento e morte
inicialmente dos ramos mais novos e progredindo para toda a planta, que pode morrer em semanas
(plantas anuais) a meses (plantas perenes). As folhas inicialmente perdem a turgescência, tornando-se
flácidas, depois sofrem amarelecimento progressivo, secam e morrem. Sinais do fungo podem ser
percebidos no interior da região do coleto como escurecimento, crescimento micelial, esporos e presença
de goma obstruindo os vasos do xilema. As plantas têm uma resposta à infecção por patógenos vasculares
pela produção de tiloses, que são projeções de células parenquimáticas que obstruem os vasos do xilema.
As murchas de Fusarium (F. oxysporum) atacam inúmeras lavouras (hortaliças, grandes culturas) e são
favorecidas por condições quentes e solos de baixa fertilidade. O patógeno sobrevive em restos de cultura
no solo ou como esporos. A infecção se inicia pelas raízes (fungo de solo) e o fungo cresce em direção ao
sistema vascular, onde produz esporos que são transportados pelo xilema para toda a parte aérea. O
patógeno, depois de instalado na área, dificilmente é eliminado, devido às estruturas de resistência que
produz (clamidósporos) e à diversidade de hospedeiros que ataca. As murchas de Verticillium também
afetam diversas culturas, sendo, porém, favorecidas em condições de temperaturas amenas e solos mais
ricos em matéria orgânica. O patógeno invade as raízes e coloniza o sistema vascular das plantas atacadas,
que exibem sintomas de murcha menos intensos. O controle é feito principalmente pelo uso de cultivares
resistentes e tratamento de sementes. Controle biológico com Trichoderma sp. Outras medidas são o plantio
de mudas e sementes isentas do patógeno, cultivo em solo livre do patógeno e esterilização do solo, viável
apenas em cultivo protegido. As murchas causadas por Ceratocystis são especialmente importantes para
cacau e eucalipto.
(IDCAP - CONSED-GO - 2019) Entre as doenças fúngicas, a murcha de Fusarium em cafeeiro Conilon, está
preocupando os produtores por causar a morte planta e consequentemente ocasionar prejuízos aos
produtores. Em relação ao clico de vida geral de espécies de Fusarium spp., analise:
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I- A sua disseminação a curta distância pode ser pela água de chuva e/ ou irrigação; movimento do solo
(aração/gradagem) e vento;
II-A sua penetração e infeção se dá somente por ferimentos;
III- Em relação a sua colonização/sintomas, as hifas fúngicas crescem intercelularmente em direção aos vasos
xilemáticos e ocorre também a obstrução e escurecimento dos vasos. Dos itens anteriores:
(A) Apenas o item I está correto.
(B) Apenas o item III está correto.
(C) Apenas os itens I e II estão corretos.
(D) Apenas os itens I e III estão corretos.
(E) Todos os itens estão corretos.
Comentário: a afirmativa I está correta, pois os esporos do fungo podem ser disseminados pela água, pelo
vento ou juntamente com as partículas de solo (nesse caso, também podem ser transportadas os
clamidósporos, forma de resistência do fungo.
A afirmativa II está errada, pois o fungo é capaz de penetrar ativamente nas células radiculares, ainda que
sua ocorrência seja favorecida por ferimentos.
A afirmativa III está correta, pois o micélio fúngico cresce em direção ao xilema, obstruindo os vasos e
produzindo escurecimento característico.
Gabarito: alternativa D.
• Podridões radiculares e de colo: causadas por diversos fungos (Sclerotinia, Colletotrichum,
Fusarium solani, Sclerotium, Rhizoctonia). Os sintomas inicialmente aparecem como lesões encharcadas na
região do coleto, que evoluem para necrose do tecido. As lesões comumente se apresentam cobertas pelo
crescimento micelial do fungo, muito abundante nas infecções por Sclerotinia sclerotiorum (mofo branco).
São doenças causadas por fungos parasitas não obrigatórios que sobrevivem nos restos de cultura e na
matéria orgânica do solo, como esporos ou como estruturas de resistência (escleródios, por exemplo). Sua
ocorrência é favorecida por condições de alta umidade do solo. Controle cultural por práticas como emprego
de material de propagação isento de patógenos, plantio em solos não contaminados, drenagem de solos
encharcados. Controle químico principalmente pelo tratamento de sementes e mudas.
• Mofo-cinzento: doença extremamente comum que afeta hortaliças, plantas ornamentais,
frutíferas, cultivo protegido e outras lavouras. Causada pelo fungo Botrytiscinerea, geralmente se manifesta
como crescimento micelial acinzentado em florações e frutos, causando podridão úmida em frutos e ramos
afetados. A doença é favorecida por condições úmidas e mais frias, sendo que a infecção pode prosseguir
nos frutos armazenados mesmo a temperaturas mais baixas. O patógeno sobrevive como micélio em restos
de plantas e também como escleródios. Controle cultural pela remoção e eliminação de plantas e partes
afetadas. Controle da umidade e temperatura em cultivo protegido e durante o armazenamento. Controle
químico com fungicidas sistêmicos.
• Ferrugens: fungos biotróficos (parasitas obrigatórios) que provocam doenças de grande
importância econômica para várias culturas. Atacam principalmente as folhas, que são tomadas por
pústulas geralmente de coloração amarelada a avermelhada. A maioria das ferrugens é bastante
especializada, atacando apenas uma ou algumas espécies de hospedeiros. Os principais patógenos
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pertencem aos gêneros Puccinia (P. graminis nas gramíneas, P. sorghi e P. polysora no milho, P. sacchari e
P. melanocephala na cana, P. psidii no eucalipto e outras mirtáceas), Hemileia (H. vastatrix, ferrugem do
cafeeiro), Phakopsora (P. pachyrhizi, ferrugem da soja) e Uromyces (Uromyces appendiculatus, ferrugem do
feijoeiro). O controle é feito principalmente com o emprego de fungicidas sistêmicos.
(VUNESP - Prefeitura de Buritizal, SP - 2018) Assinale a alternativa onde todos os gêneros de fungos
pertencem ao grupo de doenças das ferrugens.
(A) Puccinia; Rhizoctonia; Cercospora; Fusarium.
(B) Puccinia; Phakopsora; Hemileia; Uromyces.
(C) Phakopsora; Colletotruchim; Phomopsis.
(D) Phakopsora; Aspergillus; Plasmodiophora; Pythium.
(E) Puccinia; Penicillium; Rhizopus; Phakopsora.
Comentário: a alternativa A está errada, pois Rhizoctonia (rizoctoniose), Cercospora (cercosporiose) e
Fusarium (murcha e podridão de colo) não são agentes causadores de ferrugens.
A alternativa B está correta, pois Puccinia, Phakopsora, Hemileia e Uromyces são gêneros de fungos
causadores de ferrugens.
A alternativa C está errada, pois Colletotruchim (antracnose) e Phomopsis (podridão de haste e sementes)
não são fungos causadores de ferrugens.
A alternativa D está errada, pois Aspergillus (patógeno de produtos armazenados), Plasmodiophora (hérnia-
das-crucíferas) e Pythium (podridão de colo) não são causadores de ferrugem.
A alternativa E está errada, pois Penicillium e Rhizopus não são causadores de ferrugens (são gêneros
causadores de bolores dos alimentos).
Gabarito: alternativa B.
1.2.4 - Doenças fúngicas das grandes culturas
Algodão
• Mancha-de-ramulária (Ramularia areola): provoca manchas de coloração esbranquiçada com
formato irregular e bordas angulosas nas folhas. O patógeno sobrevive nos restos de cultura. A infestação
é favorecida por condições de elevada umidade e plantios mais adensados. Controle cultural pela
eliminação dos restos culturais, rotação de culturas e pelo aumento do espaçamento entre plantas. Controle
químico com fungicidas.
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• Ramulose (Colletotrichum gossypii): provoca nanismo, superbrotamento e encurvamento das
folhas com manchas que evoluem para necrose. O patógeno sobrevive no sobrevive no solo e é
disseminado por sementes, sendo favorecido por condições de alta umidade e solos de maior fertilidade.
Controle pelo emprego de cultivares resistentes, emprego de sementes sadias (inspeção periódica em
campos de produção de sementes), tratamento de sementes e controle químico.
• Murchas (Fusarium, Verticillium): a murcha-de-fusarium é uma das doenças mais importantes do
algodão, sendo favorecida em solos ácidos e de baixa fertilidade, enquanto a murcha-de-verticillium é mais
comum em baixadas úmidas. Controle pelo emprego de cultivares resistentes, sementes isentas do patógeno
e tratamento de sementes.
• Tombamento de plântulas: diversos patógenos de solo e sementes descritos anteriormente. Ocorre
nas primeiras semanas após a germinação. Controle por tratamento de sementes e pela menor
profundidade de semeadura, o que favorece a emergência mais rápida das plântulas.
• Mancha-de-alternária (Alternaria sp.): manchas foliares escuras de formato arredondado e com
anéis concêntricos característicos. Controle cultural pelo emprego de cultivares resistentes, controle
químico com fungicidas.
Arroz
• Brusone (Pyricularia grisea): principal doença da cultura, ocorrendo desde a fase de plântula até a
maturação dos grãos e atingindo todas as partes da planta. Ataca também o trigo. Lesões foliares de formato
elíptico alongado, com bordas amarronzadas mais escuras e centro acinzentado mais claro. A coalescência
das lesões leva à morte das folhas e até mesmo das plantas jovens, também provoca chochamento de grãos
(panículas com coloração esbranquiçada). A doença é especialmente importante nas lavouras de terras
altas ou de sequeiro, sendo favorecida por desequilíbrios nutricionais, plantio adensado, alta umidade
(molhamento foliar) e temperaturas amenas. Controle pelo emprego de cultivares resistentes, sementes
sadias, tratamento de sementes, adubação equilibrada (evitar crescimento vegetativo exagerado) e controle
químico com fungicidas, principalmente no início do desenvolvimento das panículas (emborrachamento e
emissão das panículas).
• Mancha de grãos: complexo de patógenos (Bipolaris oryzae, Pyricularia oryzae, dentre outros) que
atacam os grãos de arroz, sendo uma importante doença na cultura por afetar a qualidade dos grãos e seu
peso. Os patógenos atacam as panículas desde sua emissão até o amadurecimento. A doença é favorecida
pela ocorrência de chuvas durante o desenvolvimento das panículas, acamamento de plantas e ataque de
percevejos (chupão-do-arroz) que favorecem a entrada dos patógenos nos grãos. Controle pelo tratamento
de sementes e emprego de fungicidas sistêmicos durante a formação das panículas.
• Mancha-parda (Bipolaris oryzae): o patógeno presente nos restos de cultura e nas sementes afeta
a germinação e a emergência das plântulas. As lesões nas folhas são ovaladas, com bordas avermelhadas e
centro acinzentado. A doença é favorecida por alta umidade, baixa fertilidade do solo e deficiência hídrica
(qualquer condição desfavorável à planta). Controle pelo emprego de sementes sadias, tratamento de
sementes e aplicação de fungicidas sistêmicos durante a formação das panículas (prevenir a mancha de
grãos).
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• Escaldadura (Monographella albescens): o patógeno encontra-se presente nos restos culturais ou
nas sementes. A doença é favorecida por altas umidades, períodos prolongados de molhamento foliar,
plantios adensados e adubação nitrogenada excessiva. As lesões características aparecem na porção apical
ou nas bordas das folhas e têm coloração amarronzada, com formação de faixas alternadas claras e
escuras. Controle principalmente pelo emprego de sementes sadias e tratamento de sementes.
(UERR - CODESAIMA - 2017) Assinale a alternativa correta. No Estado de Roraima, são comumente
encontradas no cultivo do arroz irrigado as seguintes doenças fúngicas e insetos pragas:
(A) brusone, mancha parda, lagarta das folhas, broca do colo, bicheira da raiz ou gorgulho aquático,
percevejo do colmo e percevejo do grão.
(B) phoma, mancha vermelha, lagarta das raízes, broca do colo, bicheira da raiz ou gorgulho
aquático, percevejo do colmo e percevejo do grão.
(C) phoma,mancha amarela, lagarta das raízes, broca do colo, bicheira da raiz ou gorgulho
aquático, percevejo do colmo e percevejo do grão.
(D) bruzone, mancha roxa, lagarta das raízes, broca do colo, bicheira da raiz ou gorgulho aquático,
percevejo do colmo e percevejo da espiga.
(E) bruzone, mancha verde, lagarta das raízes, broca do colo, bicheira da raiz ou gorgulho aquático,
percevejo do colmo e percevejo do grão.
Comentário: a alternativa A está correta, pois brusone e mancha parda são importantes doenças do arroz
irrigado, enquanto as principais pragas incluem a lagarta das folhas, a broca do colo, o gorgulho e percevejos.
A alternativa B está errada, pois phoma e mancha vermelha não são doenças do arroz.
A alternativa C está errada, pois mancha amarela não é uma doença do arroz.
A alternativa B está errada, pois mancha roxa não é uma doença do arroz.
A alternativa B está errada, pois mancha verde não é uma doença do arroz.
Gabarito: alternativa A.
Cafeeiro
• Ferrugem do cafeeiro (Hemileia vastatrix): principal doença que acomete o cafeeiro em todas as
regiões produtoras. No Brasil, foi constatada pela primeira vez em 1970 na Bahia, se espalhando rapidamente
para todas as regiões produtoras. As lesões nas folhas caracterizam-se por manchas cloróticas na face
superior, correspondendo às áreas tomadas pelo patógeno na superfície inferior, onde se encontram as
massas pulverulentas de esporos de coloração amarelada. O patógeno é biotrófico e seus danos decorrem
da redução da atividade fotossintética e da desfolha intensa que provoca. Controle principalmente pela
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aplicação de fungicidas sistêmicos, porém fungicidas protetores cúpricos também podem ser utilizados,
demandando maior número de aplicações. A doença evolui mais lentamente no início do período chuvoso,
mas aumenta rapidamente a partir de dezembro e janeiro.
• Cercosporiose (Cercospora coffeicola): lesões foliares na forma de manchas arredondadas de
coloração pardacenta a amarronzada com cento mais claro acinzentado. Provoca desfolha intensa, queda
na produtividade e depreciação da qualidade do café, já que também ataca os frutos. A doença é favorecida
por alta umidade, temperaturas amenas e deficiência nutricional. O controle químico deve ser bastante
criterioso na fase de produção das mudas em viveiro.
• Antracnose (Colletotrichum coffeanum): a doença é especialmente importante pelos danos
causados aos frutos. O patógeno pode infectar flores, frutos verdes ou maduros, além de folhas e ramos.
As flores afetadas são rapidamente destruídas pela progressão da doença. Os frutos verdes exibem manchas
necróticas e os grãos se tornam enegrecidos e totalmente destruídos, enquanto nos frutos maduros os grãos
tornam-se mumificados e enegrecidos. As lesões nas folhas ocorrem como manchas necróticas
acinzentadas de formato irregular com anéis concêntricos característicos. A doença é favorecida por maior
umidade e temperaturas amenas, sendo sua incidência maior em regiões de maior altitude.
(UFV - UFV - 2017) Várias doenças podem ocorrer no cafeeiro, dentre as quais a ferrugem, cujo agente
causal é a Hemileia vastratrix Berk. et Br., é considerada a mais importante. A respeito da ferrugem do
cafeeiro, analise as seguintes afirmativas:
I. A ferrugem surgiu em lavouras do Brasil em 1970, no município de Aurelino Leal, no sul da Bahia,
e espalhou-se rapidamente para todas as áreas produtoras do país.
II. O controle mais eficiente da ferrugem é feito por meio de cultivares geneticamente resistentes, em razão
da baixa frequência de surgimento de novas raças fisiológicas da doença.
III. O controle químico da ferrugem é a alternativa mais viável e rápida, porque existem vários fungicidas de
efeito curativo e protetores (preventivos).
IV. A ocorrência da ferrugem é restrita a ambientes específicos, porque sua dispersão para regiôes
distantes é lenta.
Está CORRETO o que se afirma em:
(A) IV, apenas.
(B) II e IV, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) I, II, III e IV.
Comentário: a afirmativa I está correta, pois a primeira ocorrência de ferrugem do cafeeiro no Brasil foi
constatada em 1970 na Bahia. Apenas dois anos depois já estava presente nas principais regiões produtoras
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do país. Sua disseminação a longas distâncias se dá pela ação do vento e pelo plantio de mudas infectadas,
sendo que as condições tropicais do país favoreceram o seu rápido progresso.
A afirmativa II está errada, pois existem inúmeras raças do patógeno, o que dificulta enormemente a
obtenção de cultivares resistentes.
A afirmativa III está correta, pois o controle químico da ferrugem tem sido satisfatório para controle da
doença. O fato de a lavoura ser perene favorece o emprego de fungicidas protetores, como os cúpricos,
preventivamente. O controle curativo é eficiente quando as pulverizações são iniciadas antes que a
disseminação da doença na lavoura se intensifique, o que ocorre a partir de janeiro principalmente.
A afirmativa IV está errada, pois no Brasil a disseminação da ferrugem em condições favoráveis é
extremamente rápida, conforme comentado anteriormente.
Gabarito: alternativa C.
Cana-de-açúcar
• Ferrugem (Puccinia melanocephala): a doença chegou ao Brasil em 1986, mas a maioria das
cultivares empregadas no país já era resistente. As pústulas com esporos de coloração alaranjada na face
inferior das folhas são sinais característicos do patógeno, que provoca necrose dos tecidos foliares e
crescimento retardado em cultivares muito suscetíveis. A doença é favorecida por umidade elevada e solos
de baixa fertilidade. Controle principalmente pelo emprego de variedades resistentes. Por volta de 2010 foi
detectada no Brasil a ferrugem-alaranjada (Puccinia kuehnii) que ataca algumas cultivares suscetíveis,
produzindo pústulas alaranjadas que não escurecem com o tempo.
• Mancha ocular (Bipolaris sacchari): doença de importância secundária, sendo mais importante em
locais com invernos chuvosos. As lesões nas folhas têm formato elíptico e coloração marrom-avermelhada.
Pode atingir as folhas mais novas do ponteiro, levando à morte do meristema apical. Controle pelo emprego
de variedades resistentes.
• Podridão-abacaxi (Thielaviopsis paradoxa): o patógeno ataca os toletes recém-plantados,
penetrando pelos ferimentos abertos durante o corte dos mesmos. Os toletes apodrecem (exalando cheiro
característico de abacaxi), comprometendo a germinação das plantas. A incidência da doença é pequena nos
plantios realizados durante o verão e também quando a germinação rápida das mudas é favorecida (bom
preparo do solo, plantio raso).
• Podridão-vermelha (Colletotrichum falcatum): importante doença da cana pelos prejuízos que gera
decorrentes da inversão da sacarose (redução no rendimento de açúcar e álcool). As nervuras das folhas
infectadas exibem coloração avermelhada. Os colmos afetados apresentam internamente podridão de
coloração avermelhada característica da doença. A incidência é favorecida pela ocorrência da broca-da-
cana, que abre locais de infecção para o fungo. O controle da broca é uma das formas de controle da doença,
assim como o emprego de variedades resistentes.
• Carvão (Ustilago scitominea): a doença provoca o sintoma muito característico de "chicote", uma
deformação do meristema apical do colmo induzida pelo fungo que se torna estrito e recoberto por uma
película prateada que reveste a massa de esporos pretos. As perdas podem ser severas em cultivares
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suscetíveis. O controle do carvão se dá principalmente pelo emprego de variedades resistentes e de mudas
isentas do patógeno (controle químico nos viveiros, eliminação de mudas doentes e tratamento térmico
das mudas).
(CONSULPAM - Prefeitura de Quadra, SP - 2019) A cultura da cana-de-açúcar sempre esteve ligada com
alguns "surtos" fitopatológicos, desde os primórdios da cultura no Brasil, tendo sofrido com o Mosaico
(Vírus - SCMV), o Carvão (Ustilago scitaminea), o Amarelinho (Vírus) e, mais recentemente, a Ferrugem
alaranjada (Puccinia kehnii), dentre outras das mais de 216 doenças que atingem a cultura. Com as rápidas
alterações, de colheita queimada e manual para sem queima e mecanizada, houve diversas mudanças em
toda e estrutura da cultura, alterando todos os processos produtivos, os sociais e até mesmo a fisiologia
da cultura. Sobre algumas doenças que se destacaram nesse novo cenário, analise os itens abaixo:
I. Podridão vermelha: as colhedoras de cana, inclusive de mudas, utilizam discos com facas para fazer o corte
basal do canavial, propiciando a sua disseminação.
II. Podridão Abacaxi (Ceratocystis / Thielaviopsis paradoxa): com o aumento da colheita mecanizada, houve
um aumento no plantio mecanizado, que utiliza a Cana Picada como muda, aumentando e incidência desta
doença.
III. Ferrugem Alaranjada (Puccinia kuehnii): doença fúngica foliar, observada no Brasil pela primeira vez em
2010. Algumas das variedades mais plantadas na época eram suscetíveis à doença, causando grande
prejuízo.
IV. Carvão (Ustilago scitaminea): doença que já causou prejuízos enormes na cultura. Algumas das
variedades mais plantadas são suscetíveis.
Analisados os itens é CORRETO afirmar que:
(A) Apenas o item I está incorreto.
(B) Apenas o item II está incorreto.
(C) Apenas o item III está incorreto.
(D) Apenas o item IV está incorreto.
Comentário: a afirmativa I está errada, pois a podridão vermelha é disseminada principalmente pela
presença de ferimentos nos colmos, como as aberturas provocadas pela broca-da-cana.
A alternativa B está correta, pois o emprego de toletes cortados favorece a entrada do fungo, que não é
capaz de penetrar a epiderme.
A afirmativa III está correta, pois a ferruge-alaranjada foi recém observada no país, afetando as cultivares
mais suscetíveis.
A afirmativa IV está correta, pois os danos provocados pelo carvão na cana podem ser bastante severos,
porém afeta apenas cultivares suscetíveis.
Gabarito: alternativa A.
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Feijão
• Antracnose (Colletotrichum lindemuthianum): é a doença mais importante na cultura do feijoeiro,
sendo favorecida por condições de elevada umidade tanto em clima tropical quanto subtropial. Pode
provocar morte de plântulas, lesões foliares enegrecidas e lesões escuras e deprimidas nas vagens
circundadas por anel avermelhado. Infecta as sementes e sobrevive em restos de cultura. Controle pelo
emprego de cultivares resistentes, sementes sadias, tratamento de sementes, rotação de culturas e
aplicação de fungicidas.
• Mancha-angular (Pseudocercospora griseola): doença que ataca caule, folhas e vagens, sendo
favorecida por condições de elevada umidade e temperaturas amenas associadas à presença de inóculo na
área. As lesões nas folhas têm formato angular (limitadas pelas nervuras), coloração amarronzada e podem
apresentar clorose ao redor. As manchas foliares coalescem e levam à necrose da folha. As vagens
apresentam lesões arredondadas e de coloração marrom (mas não são deprimidas como na antracnose).
Controle pelo emprego de cultivares resistentes, rotação de culturas e eliminação de restos culturais
infectados por queima ou aração profunda.
• Ferrugem (Uredo appendiculata): os danos são mais intensos quando o ataque se inicia nas plantas
ainda jovens, sendo a doença favorecida por temperaturas mais amenas. As folhas apresentam pústulas de
coloração amarronzada com halo clorótico ao redor. Controle principalmente pelo emprego de cultivares
resistentes.
Milho
• Ferrugens (branca, comum e polissora): fungos biotróficos que provocam lesões nas folhas. A
ferrugem polissora (Puccinia polysora) é a principal doença do milho nas regiões mais quentes, como no
Brasil Central e locais de baixa altitude. As pústulas, localizadas na parte superior das folhas, nas bainhas
foliares e nas brácteas das espigas, são pequenas, arredondadas e de coloração amarelada que se torna
marrom com o tempo. Já a ferrugem comum (Puccinia sorghi) é favorecida também em condições de
elevada umidade, mas com temperaturas amenas. As pústulas são maiores, de coloração marrom e formam
lesões ao longo das nervuras. O controle é feito principalmente com o uso de cultivares resistentes, o que é
especialmente importante em condições que favorecem o patógeno, como em altitudes mais baixas. Já a
ferrugem branca (Physopella zeae) é caracterizada pela presença de pústulas de coloração clara em ambas
as faces das folhas, que podem morrer quando as pústulas coalescem. A doença é favorecida em ambiente
úmido e quente, podendo causar grandes prejuízos quando se instala antes do florescimento. Controle
principalmente pelo uso de cultivares resistentes, evitando semeaduras tardias principalmente em locais de
baixas latitudes.
• Helmintosporiose (Helminthosporium turcicum, H. maydis, H. carbonum): doença importante,
especialmente quando as condições são favoráveis (alta umidade, temperaturas amenas, plantio de
safrinha) e as plantas são suscetíveis, que é o caso principalmente das cultivares de milho pipoca. As folhas
afetadas apresentam grandes lesões necróticas alongadas, inicialmente nas folhas mais basais. Controle
principalmente pelo uso de cultivares resistentes. Para cultivares suscetíveis, podem ser empregadas
práticas culturais como escolha adequada da época de plantio (evitar épocas com possibilidade de baixas
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temperaturas), adubação nitrogenada equilibrada, rotação de culturas, além do controle químico com
fungicidas.
• Mancha-cinzenta ou mancha-de-cercóspora (Cercospora zeae-maydis, Cercospora sorghi var.
maydis, C. zeina): patógeno necrotrófico que sobrevive em restos de cultura e provoca lesões necróticas
alongadas (decorrentes da ação da toxina cercosporina), com extremidades retangulares, limitadas pelas
nervuras secundárias das folhas e que não coalescem. A doença é favorecida pela ocorrência de dias
nublados, orvalho e temperaturas noturnas amenas. Controle pelo uso de cultivares resistentes,
espaçamentos adequados, rotação de culturas e controle químico com fungicidas
• Pinta-branca ou mancha-de-feosféria (Phaeosphaeria maydis): pode levar a perdas significativas
quando a infecção se instala nas plantas jovens e quando as condições ambientais são favoráveis (elevada
umidade). As lesões foliares são manchas necróticas arredondadas, de coloração clara e bordas escuras,
que coalescem com o tempo. Controle pelo emprego de cultivares resistentes e controle químico com
fungicidas.
• Podridão-branca-da-espiga (Stenocarpella maydis): doença caracterizada pelo crescimento
micelial esbranquiçado entre as fileiras de grãos na espiga. Quando a infecção se instala no começo do
desenvolvimento das espigas, pode apodrecê-las completamente. A ocorrência de lagartas que atacam as
espigas (Helicoverpa sp.) favorece a incidência de podridões. Também ocorre podridão das espigas causada
por Fusarium moniliforme, caracterizada por crescimento micelial avermelhado.
• Podridão de colmo: apodrecimento do colmo, principalmente na sua porção mais basal,provocada
por diversos fungos. Podem provocar tombamento de plantas. As podridões causadas por Stenocarpella e
Fusarium são favorecidas por períodos secos durante o florescimento seguidos de chuvas abundantes. A
principal característica é a despigmentação e alteração na cor da medula do colmo. Já a podridão causada
por Colletotrichum graminicola (antracnose) pode ocorrer em qualquer fase do desenvolvimento da planta,
sendo favorecida por condições de elevada temperatura e umidade. O interior do colmo torna-se escurecido
e destruído. A podridão de colmo por Pythium é pouco comum, provocando podridão úmida (lesões
encharcadas) na base dos colmos. O controle das podridões de colmo é feito principalmente pelo emprego
de cultivares resistentes aliado a práticas culturais como adubação equilibrada, manejo da irrigação,
espaçamentos e épocas de plantio adequados.
(Crescer Consultorias - Prefeitura de Urbano Santos, MA - 2017) A cercosporiose do milho é umas das
principais doenças do milho, podendo causar perdas de até 80% na produtividade. Os sintomas dessa
doença caracterizam-se por manchas de coloração cinza, retangulares a irregulares com as lesões
desenvolvendo-se paralelas às nervuras. Sobre o agente etiológico dessa doença é CORRETO afirmar:
(A) Cercospora zeae-maydis é um parasita obrigatório que produz esporangios e esporangiósporos no lado
abaxial da folha
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(B) Nas lesões de cercosporiose é possível encontrar 3 espécies de Cercospora: Cercospora zeina, Cercospora
zeae-maydis e Cercospora sorghi f.sp. maydis
(C) Cercospora sorghi f.sp. maydis é caracterizado por não produzir cercosporina e por causar severas perdas
em milho e em sorgo
(D) Cercospora zeae-maydis produz conídios asseptados e curtos, que são facilmente dispersos pelo vento e
por gotículas de água
Comentário: a alternativa A está errada, pois os fungos do gênero Cercospora são necrotróficos.
A alternativa B está correta, pois a cercosporiose do milho pode ser provocada pelos patógenos Cercospora
zeae-maydis, Cercospora sorghi var. maydis e Cercospora zeina.
A alternativa C está errada, pois a maioria das espécies de Cercospora produzem a toxina cercosporina, que
é responsável pela necrose dos tecidos da planta hospedeira.
A alternativa D está errada, pois os conídios de Cercospora são septados (conídios asseptados ocorrem
apenas nos zygomicetos).
Gabarito: alternativa B.
Soja
• Ferrugem asiática (Phakopsora pachirhizi): a doença pode se desenvolver durante qualquer fase do
ciclo da cultura, provocando desfolha. Inicialmente se manifesta como pequenas lesões pontuais de
coloração mais escura, correspondendo a protuberâncias na face inferior da folha. O molhamento foliar é
essencial para a germinação dos esporos e aumento da incidência da doença. O grande número de raças do
patógeno dificulta a obtenção de cultivares resistentes, sendo o controle feito principalmente com
fungicidas sistêmicos. Controle legislativo pela aplicação de vazio cultural (proibição do plantio em
determinadas épocas do ano).
(NUCEPE - PC-PI - 2018) Na atualidade a principal doença da cultura da soja (Glycine max), que implica um
maior impacto econômico é a ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Dentre as
características dessa doença, é CORRETO afirmar que:
(A) O inoculo sobrevive na área de plantio na forma de estruturas de sobrevivência.
(B) Temperaturas noturnas elevadas e baixa umidade do ar favorecem o desenvolvimento da doença.
(C) Ocorre na fase vegetativa e reprodutiva da cultura, caracterizando-se pelo desenvolvimento de lesões
com pústulas, principalmente na face abaxial das folhas, que variam de castanho claro a castanho escuro,
com presença de amarelecimento no entorno destas lesões.
(D) A desfolha e queda das vagens são sintomas atípicos para esta doença.
(E) O vazio sanitário se mostrou ineficiente para esta doença visto que o inoculo é preservado na área, em
plantas remanescentes.
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Comentário: a afirmativa A está errada, pois o patógeno é biotrófico e sobrevive principalmente em plantas
hospedeiras alternativas ou na tiguera (plantas que se desenvolvem após a colheita a partir das sementes
caídas).
A alternativa B está errada, pois a doença é favorecida por condições de elevada umidade, já que os esporos
necessitam de molhamento foliar para infectarem as plantas.
A alternativa C está correta, pois a doença pode ocorrer em qualquer fase da cultura e provoca manchas
foliares pequenas e de coloração amarronzada, podendo haver desenvolvimento de clorose ao redor.
A alternativa D está errada, pois a desfolha é um dos efeitos da doença.
A alternativa E está errada, pois o emprego do vazio cultural é eficiente já que o patógeno é biotrófico e não
sobrevive em restos de cultura.
Gabarito: alternativa C.
• Mancha-parda ou septoriose (Septoria glycines): o patógeno é transmitido por sementes e o
primeiro surto da doença pode provocar desfolha intensa. Ao final do enchimento de grãos e sob condições
de alta temperatura e umidade, pode ocorrer um novo surto, com manchas foliares de coloração
pardacenta na superfície superior e rósea na superfície inferior circundadas por halo clorótico, provocando
maturação prematura e redução do rendimento. Controle cultural pelo emprego de sementes sadias,
rotação de cultura e adubação equilibrada. Controle químico por tratamento de sementes e aplicação de
fungicidas durante a granação.
• Crestamento foliar (Cercospora kikuchii): doença de final de ciclo, sendo o patógeno disseminado
por sementes. Provoca manchas escuras nas folhas que coalescem para grandes lesões necróticas
enegrecidas (crestamento). As vagens atacadas exibem manchas marrom-avermelhadas, enquanto nas
sementes provoca a mancha púrpura no tegumento. Controle pelo emprego de sementes sadias,
tratamento de sementes e fungicidas sistêmicos.
• Antracnose (Colletotrichum dematium): doença que pode provocar grandes perdas por atacar as
vagens e grãos, sendo favorecida por condições de elevada umidade e temperatura e colheita tardia.
Quando infectadas no início do seu desenvolvimento, as vagens se tornam retorcidas e enegrecidas.
Durante o enchimento de grãos, as vagens infectadas desenvolvem manchas enegrecidas. O patógeno é
disseminado por sementes, sobrevivendo também nos restos culturais. Controle pelo emprego de sementes
sadias e tratamento de sementes. Práticas culturais como maiores espaçamentos, plantios menos
adensados, adubação equilibrada e rotação de culturas também são importantes para o manejo da doença.
• Cancro da haste (Phomopsis phaseopoli): formação de pequenos pontos negros ao longo da haste,
que evoluem para lesões necróticas que avançam para o interior da haste. As folhas desenvolvem sintoma
característico de "folha carijó", com nervuras verdes e o limbo necrosado entre as nervuras. Controle pelo
emprego de variedades resistentes, tratamento de sementes e rotação de culturas.
• Mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum): a doenças se inicia por podridão úmida das hastes, que são
rapidamente tomadas por abundante crescimento micelial esbranquiçado. O micélio se transforma em
massas escuras e endurecidas, os escleródios, tanto na superfície quanto no interior das hastes e das vagens.
A infestação é mais intensa durante o florescimento e sob condições de elevada umidade e temperaturas
amenas. A disseminação pode se dar tanto por infecções interna às sementes quanto por escleródios
misturados às sementes. Depois de introduzido na área, é de difícil erradicação. Controle principalmente
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pelo emprego de sementes sadias e pelo tratamento de sementes. Em locais já afetados, realizar rotação
de culturas com plantas mais resistentes, como milho.
(IF-TO - IF-TO - 2018) O mofo branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, é uma doença
importante na cultura da soja em determinadas regiões de cultivo. Considere as características
epidemiológicas da doença e julgue os itens a seguir:
I. A maior incidência e severidade de ataque do patógeno são registradas em áreas de cultivo localizadas em
baixas altitudes.
II. A fase de maior vulnerabilidade da cultura da soja compreende os períodos de emergência (VE) até o
estádio vegetativo (V4).
III. Por ser um patógeno biotrófico e ter gama restrita de hospedeiras, a doença é facilmente controlada com
medidas de manejo integrado, por exemplo, com o uso do vazio sanitário e resistência genética.
IV. Outras medidas de controle da doença incluem: Tratamento de sementes com fungicidas, rotação e
sucessão de culturas, espaçamento adequado que favoreça melhor aeração, controle químico e biológico.
V. O fungo tem melhor desenvolvimento em temperaturas e umidades elevadas.
Com base nessas afirmações, marque a alternativa correta.
A) Apenas o item IV está correto.
B) Os itens I, II, III e IV estão corretos.
C) Os itens I, IV e V estão corretos.
D) Os itens II, III e V estão corretos.
E) Todos os itens estão corretos.
Comentário: a afirmativa I está errada, pois o mofo branco é favorecido por condições de elevada umidade
e temperaturas amenas, como na região Sul e nos locais de maiores altitudes (acima de 800 m).
A afirmativa II está errada, pois a fase de maior vulnerabilidade corresponde ao período de floração e início
da frutificação.
A afirmativa III está errada, pois como os demais fungos que causam podridões, Sclerotinia sclerotiorum é
um patógeno necrotrófico e seu controle é bastante difícil, devido à sobrevivência do inóculo como
escleródios.
A alternativa IV está correta, pois as medidas citadas favorecem o controle do mofo-branco.
A afirmativa V está errada, pois o mofo-branco é favorecido por condições de elevada umidade e
temperaturas amenas.
Gabarito: alternativa A.
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1.2.5 - Doenças fúngicas das plantas frutíferas
Frutíferas tropicais
• Antracnose (Colletotrichum spp., principalmente C. gloesporioides): é a mais importante doença
das frutíferas tropicais, como manga, abacate, dentre muitas outras. A doença provoca lesões necróticas
enegrecidas nas folhas e também ataca as inflorescências, provocando queda prematura dos frutos, e os
próprios frutos, comprometendo a sua comercialização. A doença é favorecida por alta pluviosidade (12-
18 h de molhamento foliar) durante a época de florescimento. As práticas de controle cultural incluem o
emprego de cultivares mais resistentes, maiores espaçamentos entre plantas e podas de formação e
limpeza que melhorem a insolação na copa e reduzam o molhamento foliar. O controle químico é feito
geralmente por aplicações quinzenais de fungicidas sistêmicos em mistura ou rotação com outros princípios
ativos para evitar a seleção de raças resistentes do patógeno. As pulverizações iniciam-se durante o
florescimento e prosseguem até o desenvolvimento dos frutos.
(FUNRIO - IF-PA - 2016) Na fruticultura, em particular na cultura da mangueira, a antracnose Colletotrichum
gloeosporioides é uma das principais doenças causadoras de grandes prejuízos aos produtores. Avalie as
afirmativas abaixo:
I - A incidência da antracnose ocorre após um período de 12 a 18 horas com alta umidade;
II- A incidência da antracnose é mais prevalente em regiões quentes e secas;
III- Os frutos são afetados em todas as fases, mesmo após a colheita;
IV- A incidência da antracnose não ocorre em regiões quentes e secas;
V- Os estágios de maior susceptibilidade à doença são as flores, os frutos novos e os frutos no período de
maturação.
Estão corretas as afirmativas:
(A) Somente I, II e III.
(B) Somente I, II, IV e V.
(C) Somente I, III, IV e V.
(D) Todas estão corretas.
(E) Somente I, II e IV.
Comentário: a afirmativa I está correta, pois a germinação dos esporos e o estabelecimento da infecção por
Colletotrichum gloeosporioides demanda um período de molhamento foliar de 12 a 18 h, propiciado
principalmente às precipitações que ocorrem no final da tarde. Perceba que, apesar de ser uma informação
muito difícil de se decorar, ela não seria essencial para chegar à resposta correta.
A afirmativa II está errada, pois a antracnose tem maior prevalência (relação entre o número de casos da
doença e o tamanho da população) em regiões quentes e úmidas.
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A afirmativa III está correta, pois a antracnose pode afetar os frutos em todas as fases de desenvolvimento,
sendo também uma doença de pós-colheita.
A afirmativa IV está correta, pois a antracnose não ocorre em regiões de clima seco.
A afirmativa V está correta, pois as inflorescências caracterizam um estágio de grande suscetibilidade à
doença, que facilmente se estabelece nos frutos novos, provocando sua queda.
Gabarito: alternativa C.
• Sigatoka: a sigatoka-amarela (Mycosphaerella musae) é a principal doença que afeta a
bananicultura no país. Inicialmente forma pequenas estrias descoloridas paralelas às nervuras secundárias
principalmente nas folhas mais jovens. As manchas evoluem para necrose e aumentam de tamanho, com
grandes manchas de clorose ao redor. A sigatoka-negra (Pseudocercospora fijiensis, Mycosphaerella
fijiensis) é a doença mais destrutiva da bananeira. Foi constatada no Brasil em 1998 e hoje já está bastante
disseminada nas regiões produtoras. Provoca lesões pardacentas que evoluem para necrose enegrecida.
Controle pelo emprego de variedades resistentes e controle químico com fungicidas + óleo mineral
direcionado às folhas mais novas.
(UFMT - UFSBA - 2017) Na cultura da bananeira, ocorre a doença Sigatoka-negra cujo agente causal é:
(A) Mycosphaerella psittacorum.
(B) Mycosphaerella musicola.
(C) Mycosphaerella areola.
(D) Mycosphaerella fijiensis.
Comentário: a sigatoka-negra é causada pelo fungo Pseudocercospora fijiensis. Esse fungo e diversas outras
espécies de ascomicetos por muitos anos foram tratados como duas espécies distintas, sendo uma para a
fase sexual e outra para a fase assexual. Assim, o fungo causador da sigatoka-negra era chamado de
Mycosphaerella fijiensis na fase telomórfica (sexuada) e de Pseudocercospora fijiensis na fase anamórfica
(assexual). Atualmente, a nomenclatura de fungos se baseia no princípio "um fungo = um nome", ou seja,
todas essas sinonímias têm sido abandonadas, pois os métodos de genética molecular têm possibilitado o
estabelecimento das relações filogenéticas entre as fases sexuadas e assexuadas (antes baseadas apenas na
morfologia). Esse processo, claro, irá levar alguns anos pois diversos nomes já são consagrados pelo uso e
até são empregados na própria denominação da doença.
Gabarito: alternativa D.
• Vassoura-de-bruxa (Crinipellis perniciosa): mais importante doença da lavoura cacaueira, sendo
uma grande ameaça para o seu desenvolvimento. Acarreta superbrotamento das gemas laterais nos ramos
infectados, com evolução para necrose e formação do sintoma característico que dá nome à doença. A
produção é grandemente comprometida, enquanto plantas novas podem morrer. O controle se dá pela
remoção dos ramos e frutos infectados (poda fitossanitária) e seu enterrio e aplicação de fungicidas.
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(CETAP - Prefeitura de São João de Pirabas, PA - 2016) A vassoura-de-bruxa, doença causada por um fungo,
é problema para o cupuaçu. O ataque do fungo determina um superbrotamento das terminações dos
ramos e inflorescências, justificando o nome “vassoura”. O nome do patógeno da vassoura de bruxa é:
(A) Phytophthora palmivora.
(B) Glomerella cingulata.
(C) Corticicum salmonicolor.
(D) Crinipellis perniciosa.
(E) Rhizoctonia solani.
Comentário: a alternativa a está errada, pois o fungo Phytophthora palmivora é causador da podridão do
coco.
A alternativa B está errada, pois o fungo Glomerella cingulata corresponde à fase sexuada do ungo causador
da antracnose Colletotrichum gloesporioides.
A alternativa C está errada, pois o fungo Corticicum salmonicolor é causador do mal rosado que ataca diversas
culturas.
A alternativa D está correta, pois o fungo Crinipellis perniciosa é causador da vassoura-de-bruxa.
A alternativa E está errada, pois o fungo Rhizoctonia solani é causador da rizoctoniose e do tombamento de
plântulas em diversas culturas.
Gabarito: alternativa D.
Citros
• Gomose (Phytophthora sp.): principal doença fúngica dos citros no Brasil, especialmente em
pomares novos quando as mudas já vêm infectadas. Nos viveiros de produção de mudas, provoca damping-
off nas sementeiras e lesões de caule que exsudam goma, principalmente nos ferimentos resultantes das
operações de enxertia, que são portas de entrada para o fungo. No campo, a doença se manifesta como
podridão de raízes e de tronco em porta-enxertos suscetíveis. A exsudação de goma por ferimentos no
tronco é a principal característica da doença. O comprometimento do fluxo vascular produz sintomas
correspondentes na parte aérea, como amarelecimento de folhas, murcha, seca e morte de ramos,
podendo levar a planta à morte. A principal forma de controle é pelo emprego de porta-enxertos
resistentes, como citrumelo e trifoliata. Outras práticas incluem a escolha do local de plantio (evitar solos
com drenagem deficiente ou encharcados), emprego de mudas sadias e isentas do patógeno, evitar
ferimentos no tronco durante os tratos culturais (roçada), evitar que a irrigação por microaspersão seja
dirigida ao tronco, erradicação de plantas doentes.
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• Verrugose (Elsinoë fawcetti, E. australis): doença especialmente importante na produção de laranja
de mesa, ou seja, para consumo in natura, pois sua ocorrência deprecia os frutos para comercialização. Afeta
os frutos no início do desenvolvimento, provocando lesões irregulares, salientes, corticosas e de coloração
amarronzada. Controle químico com fungicidas para proteção dos frutos novos, devendo ser iniciada ao final
do florescimento.
• Pinta-preta (Guignardia citricarpa): a doença torna os frutos impróprios para a comercialização
como fruta fresca devido às lesões que provoca. As lesões são deprimidas, envoltas por halo clorótico com
bordas bem definidas amarronzadas. Controle pela remoção de frutos extemporâneos infectados formados
antes da floração principal e pulverização para proteção dos frutos começando ao final da floração
(fungicidas protetores ou sistêmicos misturados com óleo mineral).
• Rubelose (Phanerochaete salmonicolor): doença que afeta principalmente galhos e ramos,
podendo levar as plantas à morte quando a infecção avança para o tronco. Os ramos infectados ficam
cobertos por micélio branco que depois se torna róseo. Esse micélio desaparece e permanecem nos ramos
longos filamentos esbranquiçados que são o sinal mais característico da doença. As lesões exsudam goma e
podem levar ao anelamento do galho quando avançam para os tecidos mais internos. Controle pela
execução de poda fitossanitária, removendo ramos doentes, improdutivos e mal posicionados. Controle
químico preventivo com fungicidas protetores.
• Mancha graxa (Mycosphaerella citri): doença que afeta principalmente folhas, favorecida por
condições de elevada umidade e temperatura. Manchas cloróticas nas folhas evoluem para manchas
enegrecidas de aspecto brilhante. Controle cultural pela eliminação das folhas caídas da área do pomar.
Controle químico com a aplicação de fungicidas em mistura com óleo mineral dirigida à face inferior das
folhas.
Frutíferas de clima temperado
• Podridão-parda (Monilinia fructicola): principal doença das rosáceas de caroço, como pêssego e
ameixa. Quando o ataque se dá nas flores, os botões florais ficam cobertos pelo micélio fúngico pardacento
que pode avançar pelo interior do ramo, provocando cancros (principal fonte de inóculo), anelamento e
morte dos ponteiros. O ataque nos frutos próximos à maturação leva à sua mumificação (rápida
desidratação). Controle pela remoção de ramos infectados e frutos mumificados durante a poda de limpeza
de inverno. Controle químico com fungicidas concentrado nas fases de maior suscetibilidade, no início do
florescimento prosseguindo até a pré-colheita se as condições são favoráveis à doença (alta umidade).
(VUNESP - Prefeitura de Valinhos, SP - 2019) A podridão parda (Monilinia fructicola) é uma das principais
doenças em frutas de caroço, como o pêssego, ocorrendo com muita frequência e ocasionando perdas
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severas. No pessegueiro, duas fases de maior suscetibilidade à podridão parda são amplamente
reconhecidas:
(A) polinização e frutificação.
(B) antese e pós-colheita.
(C) floração e pré-colheita.
(D) pós-poda de frutificação e pós-raleio.
(E) vegetativa e reprodutiva
Comentário: a alternativa A está errada, pois a doença pode se estabelecer ainda nos botões florais, ou seja,
no início do florescimento.
A alternativa B está errada, pois o controle pós-colheita não evita a progressão da doença. Contudo, a
podridão-parda é também uma importante doença pós-colheita, já que os frutos infectados podem
contaminar frutos sadios durante a manipulação.
A alternativa C está correta, pois as fases de maior suscetibilidade à podridão-parda são durante a floração
e na pré-colheita, quando deve ser concentrado o cont4role químico se as condições forem favoráveis a0
desenvolvimento da doença.
A alternativa D está errada, pois após a poda a pressão de inóculo é reduzida pela remoção de ramos doentes
e frutos mumificados.
A alternativa E está errada, pois a doença é mais importante durante a fase reprodutiva.
Gabarito: alternativa C.
1.2.6 - Doenças fúngicas das plantas hortícolas
• Mancha-de-alternária: manchas foliares causadas por fungos do gênero Alternaria são bastante
comuns em hortaliças e outras plantas cultivadas anuais. Além de folhas, afetam também ramos, flores e
frutos. Provoca principalmente manchas foliares e necrose de tecidos de folhas (crestamento), frutos e
ramos. As manchas são escuras e apresentam anéis concêntricos característicos. As folhas afetadas sofrem
amarelecimento e caem ou secam. O ataque em caules novos provoca cancros (lesões endurecidas e
deprimidas) e os frutos atacados apresentam lesões escurecidas e apodrecimento. Controle cultural pelo uso
de variedades resistentes e pela destruição de restos de cultura e plantas daninhas hospedeiras, reduzindo
o inóculo disponível. Controle químico com uso de fungicidas.
• Requeima (Phytophthora infestans): doença que ataca inúmeras espécies, provocando
tombamento de plântulas em viveiros e no campo. Também é uma das principais doenças de culturas
hortícolas, como batata e tomate. As plantas podem ser afetadas em qualquer fase do desenvolvimento. As
lesões foliares são enegrecidas(necrose do tecido) e circundadas por um halo encharcado (podridão
úmida). Sob condições de alta umidade e temperaturas amenas, as lesões foliares aumentam rapidamente,
sendo perceptível um crescimento esbranquiçado na face inferior da folha (frutificações do fungo). O
patógeno apresenta grande variabilidade genética, o que dificulta grandemente a obtenção de cultivares
resistentes. O controle é feito principalmente com aplicações regulares de fungicidas, especialmente
quando as condições ambientais são favoráveis à disseminação do patógeno. Algumas práticas de controle
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cultural incluem o plantio em solos mais bem drenados (evitar o plantio em baixadas) e o uso de material de
propagação sadio.
• Rizoctoniose (Rhizoctonia solani): esse fungo de solo ataca diversas culturas hortícolas, sendo
especialmente importante na produção de batata e tomate em áreas onde não se aplica a rotação de
culturas. Ataca brotações e plântulas, retardando a emergência e causando a morte de plantas. Sua
ocorrência é favorecida por alta umidade e temperaturas amenas. Além do controle químico, devem ser
empregadas práticas culturais como material de propagação sadio, rotação de culturas, preparo do solo para
acelerar a decomposição dos resíduos.
• Murchas e podridões (Fusarium, Sclerotinia, Sclerotium, Verticillium): a podridão de Sclerotinia ou
mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum) é favorecida em condições de elevada umidade e temperaturas
amenas. Toda a planta pode ser afetada, mas a incidência se dá principalmente no caule. A lesão leva ao
anelamento do caule, com ocorrência característica de micélio esbranquiçado e escleródios pretos externa
ou internamente. Controle principalmente por rotação de culturas com gramíneas. Já a podridão de
Sclerotium (Sclerotium rolfsii) é favorecida por condições de alta umidade e temperatura. As plantas
afetadas exibem sintoma de murcha e crescimento retardado pelo ataque aos tecidos na região do colo da
planta. Também forma abundante crescimento micelial esbranquiçado, porém com formação de pequenos
escleródios arredondados de coloração que passa de branca a pardacenta. A murcha de Fusarium (Fusarium
oxysporum) se caracteriza pelo amarelecimento das folhas mais velhas, que murcham e morrem, afetando
geralmente apenas um lado da planta. Os vasos do xilema apresentam coloração pardacenta característica.
Controle pelo emprego de variedades resistentes. A murcha de Verticillium (Verticillium dahliae) provoca
manchas amareladas nas folhas mais novas, com pequena alteração na coloração dos tecidos do sistema
vascular. Assim como na murcha de Fusarium, o fungo penetra pelas raízes. Controle principalmente pelo
emprego de cultivares resistentes.
Batata
• Sarna prateada e sarna pulverulenta: são doenças importantes por depreciarem a qualidade dos
tubérculos, favorecidas por condições de alta umidade e baixas temperaturas. A sarna prateada
(Helminthosporium solani) é mais importante quando se emprega batata-semente importada, pois é pouco
comum nas regiões produtoras do país. Provoca manchas nos tubérculos que apresentam um brilho
prateado. Já a sarna pulverulenta (Spongospora subterranea) provoca lesões nos tubérculos semelhantes a
verrugas, que podem romper a epiderme, expondo a massa pulverulenta de esporos escuros do fungo.
Controle pelo emprego de material de propagação sadio, rotação de culturas, desinfecção das caixas
empregadas para transporte (doenças também de pós-colheita).
(FUNRIO - Prefeitura de Porto de Moz, PA - 2019) Para controle da doença requeima da batata é
recomendado:
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(A) Aumento da adubação nitrogenada.
(B) Evitar fazer plantio em áreas com excesso de umidade.
(C) Utilizar quebra-ventos.
(D) Fazer plantios adensados.
(E) Instalar pedilúvios.
Comentário: a alternativa A está errada, pois a adubação nitrogenada em geral favorece a incidência de
pragas e doenças pelo aumento dos teores de aminoácidos livres na seiva e nas células, pela formação de
tecidos mais tenros e pelo maior enfolhamento.
A alternativa B está correta, pois o excesso de umidade favorece enormemente a incidência de oomicetos,
como Phytophthora infestans, o agente etiológico da requeima da batata.
A alternativa C está errada, pois a ventilação adequada da cultura reduz o molhamento foliar e não favorece
o desenvolvimento da doença.
A alternativa D está errada, pois o adensamento no plantio reduz a ventilação das plantas e aumenta o
molhamento foliar e a incidência da requeima.
A alternativa E está errada, pois a instalação de pedilúvios (locais para desinfecção dos calçados) é uma
alternativa baseada no princípio da exclusão viável apenas em cultivo protegido.
Gabarito: alternativa B.
Tomate
• Septoriose (Septoria lycopersici): doença importante sob condições de elevada umidade e
temperaturas amenas que provoca desfolha e exposição dos frutos à luz. As lesões foliares são circulares,
com bordas amarronzadas e centro acinzentado. Ao coalescerem, provocam morte das folhas e intensa
desfolha. Controle pelo emprego de sementes e mudas sadias, rotação de cultura, destruição de restos
culturais infectados e controle químico com fungicidas protetores e sistêmicos (curativos).
Cucurbitáceas
• Crestamento gomoso (Didymella bryoniae): importante doença das cucurbitáceas, especialmente
em regiões de clima úmido, onde chega a ser limitante para o desenvolvimento de algumas culturas (como
melão). A doença afeta toda a planta e em qualquer fase do desenvolvimento. Os caules afetados
apresentam lesões encharcadas (podridão úmida) com exsudação de goma e ramos secos. Nas folhas,
provoca manchas pardas circulares. O fungo sobrevive em restos de culturas, sementes e como esporos.
Controle pelo emprego de sementes e mudas sadias, tratamento de sementes e rotação de culturas.
• Míldio (Pseudoperonospora cubensis): doença importante das cucurbitáceas, favorecida por
condições de alta umidade e temperaturas amenas. As lesões foliares são angulosas, com manchas
cloróticas na face superior das folhas e lesões encharcadas com corpos de frutificação do fungo na face
inferior. Controle pelo uso de cultivares resistentes e controle químico com fungicidas protetores ou
sistêmicos.
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(UERR - CODESAIMA - 2017) Assinale a alternativa correta que corresponde às principais doenças da
cultura da melancia em Roraima.
(A) tombamento ou dampig-off, mal do panamá, mancha de cercospora, crestamento gomoso,
murcha de fusário.
(B) tombamento ou dampig-off, bruzone, mancha de cercospora, crestamento gomoso, murcha de
fusário.
(C) tombamento ou dampig-off, phoma, mancha de cercospora, crestamento gomoso, murcha de
fusário.
(D) tombamento ou dampig-off, vírus do mosaico da melancia, mancha de cercospora, crestamento
gomoso, murcha de fusário.
Comentário: a alternativa A está errada, pois o mal do Panamá é uma doença da bananeira.
A alternativa B está errada, pois o bruzone ou brusone doença do arroz, trigo e outras gramíneas.
A alternativa C está errada, pois a mancha-de-phoma é uma doença do cafeeiro.
A alternativa D está correta, pois essas são importantes doenças da melancia e das cucurbitáceas em geral.
Gabarito: alternativa D.
Crucíferas
• Hérnia das crucíferas (Plasmodiophora brasicae): doença causada por um patógeno de solo
biotrófico, sendo favorecida por condições de alta umidade e temperaturas amenas.Tradicionalemnte
considerada de etiologia fúngica, atualmente sabe-se que Plasmodiophora brasicae é na verdade um
protozoário. A infecção leva ao desenvolvimento de galhas nas raízes e os sintomas se manifestam na parte
aérea como murcha e subdesenvolvimento. Controle pela rotação de culturas, eliminação de plantas
daninhas hospedeiras, uso de cultivares resistentes.
(CEC - Prefeitura de Piraquara, PR - 2014) As Hortaliças são acometidas por doenças fúngicas e bacterianas
que podem levar à perda total do cultivo. Dentre os mais agressivos, podemos citar:
1. Requeima (Phytophthora infestans)
2. Colletotrichum acutatum – flor preta
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3. Míldio – a mancha angular
4. Cercospora – olho de perdiz
5. Plasmodiophora brassicae – Hérnia
Quais das culturas abaixo são alvos para esses patógenos? Estabeleça a associação e assinale a alternativa
que a apresenta.
A. Batata
B. Almeirão
C. Couve-chinesa
D. Alface
E. Beterraba
F. Cenoura
G. Morango
H. Pepino
(A) 1 – A, 2 – C, 3 – F, 4 – G, 5 – D
(B) 1 – D, 2 – F, 3 – A, 4 – H, 5 – C
(C) 1 – B, 2 – G, 3 – E, 4 – E, 5 – F
(D) 1 – A, 2 – G, 3 – H, 4 – E, 5 – C
(E) 1 – C, 2 – H, 3 – D, 4 – E, 5 – B
Comentário: a requeima afeta principalmente a batata e o tomate (1 - A).
A flor preta causada por Colletotrichum acutatum afeta principalmente as rosáceas, como morango e maçã,
e os citros (2 - G).
O míldio é uma importante doença das cucurbitáceas, como pepino (3 - H).
A cercosporiose (Cercospora beticola) é a principal doença foliar da beterraba, provocando necrose das
folhas e intensa desfolha (4 - E).
A hérnia causada por Plasmodiophora brassicae (hérnia das crucíferas) é uma doença das crucíferas, como
couve, repolho, brócolis, dentre outras (5 - C).
Gabarito: alternativa D.
1.2.7 - Doenças fúngicas de florestas
• Tombamento de mudas: as condições de alta umidade características dos viveiros de produção de
mudas favorecem a ocorrência de patógenos que provocam damping-off ou tombamento de mudas. São
diversos os patógenos que podem provocar o tombamento de mudas de eucalipto e pinus, como
Cylindrocladium, Rhizontonia, Pythium, Botrytis e Fusarium. A prática de roguing (remoção de plantas
doentes) e o desbaste reduzem a incidência da doença. O Cylindrocladium acompanha as mudas do viveiro
para o campo, onde provoca manchas foliares com desfolha e podridão de raízes. A podridão de raízes por
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Cylindrocladium se caracteriza pela murcha e morte das plantas decorrente da destruição do sistema
radicular ou anelamento do colo da planta. A região da casca dos locais afetados apresenta lesões necróticas
com resina e encharcamento
Eucalipto
• Murcha de Ceratocystis: patógeno que ataca o sistema vascular, provocando necrose nos vasos
do xilema, sendo necessário o corte do caule para verificar a incidência. Controle pela eliminação das plantas
doentes e evitar ferimentos nas árvores.
• Mal rosado ou rubelose (Corticium salmonicolor): doença caracterizada pelo crescimento micelial
róseo na superfície dos galhos. O fungo ataca os tecidos do câmbio e do lenho, provocando anelamento do
galho e morte do ramo. Controle pela execução de poda fitossanitária e com fungicidas protetores.
• Ferrugem das mirtáceas (Puccinia psidii): ocorre principalmente em brotações novas, sendo
favorecida por condições de elevada umidade e temperaturas amenas. O controle químico com aplicação de
fungicidas sistêmicos pode não ser economicamente compensador.
Pinus
• Podridão de raízes por Armillaria: a manifestação na copa se caracteriza pela murcha,
amarelecimento e bronzeamento (seca) das acículas. Caracteriza-se pela intensa exsudação de resina nas
raízes e ao redor do tronco, formando uma crosta endurecida. Provoca apodrecimento dos tecidos da casca
e do colmo. O fungo produz corpos de frutificação do tipo cogumelo próximos aos troncos.
• Seca de ponteiros (Sphaeropsis sapinea): forma lesões deprimidas em ramos que exsudam goma,
provocando a morte dos ponteiros. Controle pelo emprego de espécies resistentes, como Pinus taeda e P.
elliottii.
(Crescer Consultorias - Prefeitura de Urbano Santos, MA - 2017) Mariazinha foi passear em um parque em
outono, e, ao sentar próximo a uma árvore (Pinus sp) ela observou a presença de um líquido viscoso
amarronzado (resina). Ao reparar em outras árvores, observou que nas bases de outras árvores da mesma
espécie também havia cogumelos (basidiocarpos) e as acículas estavam com coloração amarelo –
amarronzado (bronzeamento). Diante dos sintomas observados por Mariazinha, o nome da doença e do
agente etiológico são:
(A) Armilariose - Armillaria sp.
(B) Podridão de Raízes por Cylindrocladium clavatum.
(C) Seca dos ponteiros – Sphaeropsis sapinea.
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(D) Mancha de acículas – Lophodermium sp.
Comentário: a presença de resina e de cogumelos na base de pinheiros e acículas com bronzeamento são
sintomas de armilariose, causada pelo fungo Armillaria sp.
Gabarito: alternativa A.
1.2.8 - Patógenos e sanidade de sementes
Um grande número de patógenos pode ser disseminado por sementes, o que permite a sua
disseminação a longas distâncias. A presença de patógenos em sementes provoca diversos danos nas
culturas:
• Introdução de fontes de inóculo primário, tanto em áreas que não apresentavam ainda
a doença como pelo estabelecimento de novos focos de infecção.
• Redução da germinação e do vigor das sementes, ocasionando falhas no plantio.
• Contaminação do solo pela introdução de formas de resistência dos patógenos, como
escleródios de Sclerotinia.
• Necessidade de aplicação de fungicidas, onerando a produção e reduzindo a margem de
lucro.
• Menor produtividade e menor qualidade dos produtos colhidos.
• Inutilização de áreas para determinadas culturas temporária ou definitivamente.
O tratamento de sementes envolve qualquer manipulação ou aplicação de produtos químicos,
biológicos ou agentes físicos que visam à garantia ou melhoria da qualidade e desempenho das sementes.
O tratamento de sementes pode ser sanitário ou funcional (priming, peletização, inoculação). O tratamento
sanitário tem como finalidades:
• Erradicar microrganismos presentes nas sementes.
• Evitar a ação de microrganismos patogênicos presentes no solo durante a germinação.
• Prevenir o estabelecimento de alguns patógenos de parte aérea no início do estabelecimento da
cultura.
• Impedir ou retardar o início de surtos epidêmicos.
O tratamento sanitário de sementes pode empregar métodos físicos, químicos ou biológicos:
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• Tratamento físico: pelo emprego de agentes físicos, sendo o calor o principal deles (termoterapia)
A termoterapia pode ser aplicada principalmente pela imersão em água quente ou pela aplicação de vapor
em condições de temperatura e tempo de exposição devidamente definidos.
• Tratamento biológico: uso de microrganismos antagonistas, como fungos e bactérias.
• Tratamento químico: consiste na aplicação de fungicidas protetores ou sistêmicos nas sementes.
Tem diversas vantagens, como a simplicidade de execução, os pequenos volumes de produto necessários,
o menor custo de aplicação, aplicação e produtos menos sujeitos aos fatores climáticos, os menores riscos
de contaminação que outras modalidades de aplicação e a proteção garantidapara o estabelecimento da
cultura.
Existem diversos métodos para detecção de patógenos em sementes, sendo que os microrganismos
presentes nas sementes podem ser agrupados em patógenos de campo, microrganismos de
armazenamento (principalmente os fungos Aspergillus e Penicillium), saprófitas e antagonistas. Importantes
patógenos transmitidos por sementes incluem Phomopsis sp., Colletotrichum sp., Cercospora sp.,
Macrophomina sp., Rhizoctonia sp., Sclerotinia sp. e Fusarium sp.
(IF-MT - IF-MT - 2018) Os fungos estão entre os principais patógenos causadores de doenças de plantas.
São capazes de atacar toda o ciclo das plantas desde a semeadura ou plantio até a fase de produção de
frutos e sementes. Nesse processo de infecção podem infectar e ser transmitidos pelas sementes. São
exemplos de doenças cujo patógeno é transmitido pelas sementes:
(A) Ferrugens, antracnose, mancha alvo e cercospora.
(B) Ramulária, Rhizoctonia, mofo branco e ferrugem.
(C) Mofo branco, antracnose, Rhizoctonia e mancha alvo.
(D) Ferrugem, Mofo branco, antracnose e cercospora.
(E) Cercospora, ferrugem, mofo branco e mancha alvo.
Comentário: a alternativa A está errada, pois as ferrugens não são transmitidas por sementes.
A alternativa B está errada, pois ramulária e ferrugem não são patógenos de sementes
A alternativa C está correta, pois mofo branco, antracnose, rhizoctonia e mancha alvo são doenças cujos
patógenos são transmitidos por sementes.
A alternativa D está errada, pois as ferrugens não são transmitidas por sementes.
A alternativa E está errada, pois as ferrugens não são transmitidas por sementes.
Gabarito: alternativa C.
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1.3 - BACTÉRIAS FITPATOGÊNICAS
1.3.1 - Características das bactérias fitopatogênicas
As bactérias são organismos procariontes (o material genético não se encontra individualizado no
núcleo celular) cujo citoplasma está envolvido pela membrana plasmática e pela parede celular. O potencial
patogênico das bactérias se deve principalmente à sua enorme capacidade de multiplicação, que
geralmente ocorre por fissão binária (simples divisão da célula), originando colônias.
A parede celular bacteriana é composta por peptideoglicano (glicose ligada a aminoácidos), podendo
ser espessa (bactérias gram+) ou delgada (bactérias gram-). Alguns antibióticos, como a penicilina, atuam
inibindo a síntese da parede celular bacteriana. A parede celular pode ser envolvida pela cápsula, um
revestimento de exopolissacarídeos que atua na proteção e fixação da célula bacteriana.
A maioria das bactérias fitopatogênicas tem forma de bastonete (formato alongado) e geralmente
apresentam flagelos longos e delicados. Os flagelos atuam na locomoção das bactérias, permitindo a
motilidade em água para que elas possam encontrar aberturas (estômatos, hidatódios, lenticelas e
ferimentos) para infecção do hospedeiro. A maior parte do material genético das células bacterianas está
em um cromossomo circular, mas também ocorrem pequenas porções circulares de material genético nos
plasmídeos. Os plasmídeos contêm alguns genes que não são essenciais, podendo ser transferidos para
outras bactérias ou mesmo para a planta hospedeira, como nas bactérias que provocam o crescimento de
galhas.
As bactérias não formam esporos ou estruturas de resistência, mas podem encontrar-se com
metabolismo reduzido em hipobiose, como as populações epifíticas (estão na superfície do hospedeiro,
mas não causam a doença devido a condições desfavoráveis, sobrevivendo de exsudatos e secreções do
hospedeiro) ou em estado latente (presentes em restos de cultura ou sementes, encapsuladas e protegidas
pelos exopolissacarídeos). As bactérias com metabolismo ativo podem ocorrer como epidemias
(multiplicação da população bacteriana e aumento da incidência de plantas e órgãos afetados) ou como
saprófitas, multiplicando-se nos restos de cultura.
A disseminação das bactérias a curtas distâncias (entre plantas próximas ou entre órgãos na mesma
planta) se dá principalmente pela ação das gotas de chuva ou de irrigação por aspersão e por insetos
vetores. A longas distâncias, as bactérias são transportadas principalmente pelo material propagativo
(semente, mudas, propágulos vegetativos) e pela água (rios, canais).
1.3.2 - Fitobacterioses
• Bactérias de solo: essas bactérias habitam o solo, onde as populações podem permanecer por
muitos anos. Geralmente infectam uma ampla gama de hospedeiros (pouco específicas), sendo esse o seu
principal mecanismo de sobrevivência. Sua disseminação se dá por propágulos contaminados, pela água de
irrigação, enxurradas e por solo contaminado. A contaminação de plantas pode ocorrer durante tratos
culturais que provoquem ferimentos nos tecidos, como transplantio, enxertia, desbrota, capação, amarrio,
dentre outros. Essas bactérias provocam murchas, podridões de caule, cancros e galhas.
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• Murcha bacteriana: afeta principalmente plantas herbáceas, como hortaliças, plantas anuais,
ornamentais, dentre outras. A colonização do xilema pelas bactérias leva ao bloqueio dos vasos condutores,
com murcha generalizada da planta. Também ocorre emissão de raízes adventícias e lesões em tubérculos
e rizomas. O corte do caule permite identificar o escurecimento do sistema vascular e a exsudação do pus
bacteriano, o que permite o emprego do teste do copo para diagnóstico da etiologia bacteriana da murcha
(principalmente de Ralstonia). No teste de exsudação no copo, uma porção do tecido vivo do caule próximo
à lesão é seccionado e colocado em um copo de vidro com água. A porção do caule é cortada
longitudinalmente para aderir à lateral do copo. A afinidade das células bacterianas por água permite a
visualização de filetes de exsudação de coloração esbranquiçada a partir do local do corta na base do caule
seccionado.
(FUNRIO - Prefeitura de Porto de Moz, PA - 2019) Analise o trecho e assinale a alternativa que completa
corretamente a lacuna:
Diferentes testes são utilizados para auxiliar no diagnóstico de doenças de plantas. O teste do copo é um
deles, e consiste em colocar uma pequena porção da parte mais inferior do caule da planta doente em frasco
transparente com água limpa. Posteriormente, é possível observar a presença de um filete leitoso saindo do
tecido em direção ao fundo do copo, o que indica a presença da bactéria______________.
(A) Ralstonia solanacearum.
(B) Pseudomonas syringae.
(C) Xanthomonas campestres.
(D) Agrobacterium tumefaciens.
(E) Pectobacterium carotovorum.
Comentário: o teste de exsudação no copo é empregado principalmente para diagnóstico da murcha de
Ralstonia solanacearum.
Gabarito: alternativa A.
A murcha apresenta sintomas semelhantes às murchas de etiologia fúngica, porém a infecção por
bactérias leva ao colapso das células e à formação de podridões mole., O controle é difícil, sendo
principalmente pelo emprego de variedades resistentes, material de propagação isento de patógenos,
rotação de culturas e controle de insetos vetores. Os principais gêneros de bactérias que provocam murchas
são:
• Clavibacter: além de murcha, provoca podridão de raízes e cancro em hastes em solanáceas,
sendo C. michiganense a principal espécie.
• Erwinia: E. tracheiphila causa murcha em cucurbitáceas, sendo transmitida pelas vaquinhas
(besouros fitófagos). E. amylovora causa
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• Ralstonia: R. solanacearum provoca murcha em diversas plantas da família Solanaceae,
como batata, tomate, berinjela,fumo e pimentão, mas também em plantas de várias outras famílias
(moko da bananeira, por exemplo).
• Xanthomonas: X. campestris provoca murcha associada à podridão negra das crucíferas,
murcha da mandioca. X. albilineans é o agente etiológico da escaldadura das folhas da cana-de-
açúcar.
• Pseudomonas: P. solanacearum causa o moko ou murcha bacteriana da bananeira, murcha
bacteriana em batata.
(VUNESP - MPE-SP - 2016) É sintoma crônico da presença da Xanthomonas albilineans na cana-de-açúcar:
(A) crescimento irregular e encurtamento de colmos.
(B) colmos com sintomas de riscas e estrias deprimidas que podem evoluir até a necrose do tecido
subepidérmico.
(C) coloração de pústula na página inferior das folhas que varia de amarelo a marrom-escuro.
(D) estrias brancas estendidas por extensas áreas do limbo foliar, podendo atingir a bainha.
(E) podridão vermelha interna no colmo.
Comentário: Xanthomonas albilineans é o agente etiológico da escaldadura das folhas da cana-de-açúcar. A
doença se manifesta de três formas: latente, crônica e aguda. A forma latente se desenvolve em plantas
tolerantes, que apresentam sintomas pouco perceptíveis de ligeira descoloração dos vasos condutores. O
sintoma crônico é caracterizado pela formação de estrias esbranquiçadas por extensas áreas do limbo foliar.
O sintoma agudo evolui rapidamente como queima das folhas (como se tivessem sido escaldadas com água
quente).
Gabarito: alternativa D.
• Podridão mole: podridões bacterianas apresentam lesões amolecidas pela desestruturação dos
tecidos, exsudação de pus bacteriano, anasarca (lesão encharcada) e cheiro desagradável. Também são
importantes durante o armazenamento de frutos e tubérculos (batata). Provocam também a doença
chamada de canela preta ou talo oco (enegrecimento do colo da planta).
• Erwinia carotovora: podridão mole em frutos carnosos, hortaliças e plantas ornamentais.
• Pseudomonas fluorescens: podridão mole em frutos e hortaliças suculentos.
• Cancro: são poucos os cancros de etiologia bacteriana, mas constituem doenças de enorme
importância nas culturas acometidas. Psedomonas syringae causa cancro e gomose em algumas frutíferas
(maçã, pera e nozes). Xanthomonas axonopodis provoca o cancro cítrico, uma das doenças mais importantes
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dos citros. Provoca lesões eruptivas e salientes em ramos, folhas e frutos. Clavibacter michiganense provoca
cancro bacteriano no tomateiro. Controle pelo emprego de cultivares resistentes, erradicação de plantas
acometidas e pulverização de fungicidas cúpricos para proteção das brotações novas.
(CETREDE - Prefeitura de Aquiraz, CE - 2017) Doença que ataca, especificadamente, o tomateiro, causada
por uma bactéria – Clavibacter michiganensis subsp. michiganensis – não afetando, portanto, outras
culturas. Referimo-nos à doença conhecida por
(A) cancro bacteriano.
(B) rizoctoniose.
(C) murcha verticilar.
(D) septoriose.
(E) requeima.
Comentário: a alternativa A está correta, pois Clavibacter michiganensis é causador do cancro bacteriano no
tomateiro.
A alternativa B está errada, pois a rizoctoniose é causada pelo fungo Rhizoctonia solani.
A alternativa C está errada, pois a murcha verticilar é provocada pelo fungo Verticillium.
A alternativa D está errada, pois a septoriose é causada pelo fungo Septoria lycopersici.
A alternativa E está errada, pois a requeima é provocada pelo fungo Phytophthora infestans.
Gabarito: alternativa A.
• Galha da coroa: doença causada principalmente por Agrobacterium tumefaciens, que induz um
crescimento anormal (tumor) em caules e raízes localizados próximo à superfície do solo. Ocorre em plantas
herbáceas e também comumente em plantas lenhosas, como frutíferas (maçã, pera).
• Manchas foliares bacterianas: lesões em folhas, ramos, florações e frutos. As manchas foliares
podem evoluir para grandes áreas necrosadas (crestamento ou requeima). As lesões pontuais necróticas
são geralmente envolvidas por halo clorótico e delimitadas pelas nervuras (lesões angulosas e em faixas
dependendo da enervação da folha e também em formato de V quando o patógeno penetra pelos
hidatódios). A incidência dessas doenças é favorecida por condições climáticas quente e úmidas. As
principais espécies são Pseudomonas syringae e Xanthomonas campestris. A penetração ocorre através de
estômatos, hidatódios e ferimentos. Controle principalmente cultural pelo emprego de variedades
resistentes, rotação de culturas e boas práticas sanitárias (desinfecção de ferramentas, por exemplo).
Controle químico com fungicidas cúpricos e antibióticos (exemplo: casugamicina). Controle biológico com
Bacillus amyloliquefaciens.
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• Pseudomonas syringae: mancha aureolada do cafeeiro; mancha foliar translúcida em
crucíferas; mancha angular nas cucurbitáceas; fogo selvagem (ou crestamento de halo ou areolado)
em feijão; crestamento bacteriano em soja.
• Xanthomonas campestris: mancha angular do algodão, mangueira; crestamento e mancha
bacteriana em hortaliças, feijão; podridão negra das crucíferas; pústula bacteriana em soja.
• Bactérias fastidiosas: habitam os vasos condutores do xilema e floema e não crescem em meio
de cultura convencional. Foram descobertas apenas na década de 1970. A espécie Xylella fastidiosa infecta
os vasos do xilema, provocando necrose marginal nas folhas e enfezamento das plantas. Bactéria causadora
da clorose variegada dos citros ou amarelinho, que compromete a qualidade dos frutos tanto para consumo
in natura quanto para a indústria, e a escaldadura da folha da ameixa. O controle é feito principalmente pelo
emprego de mudas isentas do patógeno e poda e eliminação dos ramos doentes. Algumas bactérias
fastidiosas ocorrem apenas nos vasos do floema, como é o caso do agente etiológico do greening dos citros
ou huanglongbing, provocado pela bactéria Candidatus liberobacter e transmitido por psilídeos. Essa doença
se caracteriza por folhas pequenas, cloróticas e frutos que não amadurecem, permanecendo verdes e
adquirindo sabor desagradável. As plantas acometidas devem ser erradicadas (IN nº58 de 2008 do MAPA).
Controle do inseto vetor (psilídeo). Leifsonia xyli subsp. xyli provoca o raquitismo das soqueiras da cana-de-
açúcar.
(VUNESP - Prefeitura de Valinhos, SP - 2019) Considere o texto a seguir:
A Xylella fastidiosa, causadora da clorose variegada dos citros (CVC), é uma bactéria oportunista. Tão logo
infecta as laranjeiras, transmitida pela picada de um inseto, a cigarrinha, ela começa a se multiplicar e a
obstruir os vasos responsáveis pelo transporte de água e nutrientes da raiz para a copa das plantas. O
resultado são folhas com manchas amarelas e frutos duros e pequenos, que amadurecem mais rápido e são
impróprios para a comercialização. Um grupo de pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC),
em Cordeirópolis/SP, conseguiu obter uma variedade de laranjeira resistente ao patógeno. A estratégia
consistiu em introduzir no genoma da planta um gene da bactéria: o rpfF, responsável pela produção de uma
proteína homônima que reduz a movimentação da Xylella. Nos testes iniciais, a diminuição da mobilidade da
bactéria evitou que ela se espalhasse pela laranjeira, restringindo a colonização a poucas partes da planta.
(Revista FAPESP. Contra as pragas da citricultura. Edição 262, dez. 2017. Adaptado)
Assim, é correto afirmar que o texto trata
(A) da modificação da proteína transportadora do gene rpfF na cigarrinha, capaz de transmitir o CVC.
(B) da alteração bioquímica da proteína que transporta a Xylella fastidiosa pela seiva da laranjeira.
(C) da modificação do manejo dalaranjeira, restringindo o crescimento da Xylella fastidiosa.
(D) da alteração do genoma da Xylella fastidiosa, retirando o gene rpfF, responsável pelo CVC.
(E) do uso da modificação genética na laranjeira para induzir a resistência à Xylella fastidiosa.
Comentário: a alternativa A está errada, pois o rpfF é um gene da bactéria.
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A alternativa B está errada, pois a proteína que atua no transporte da bactéria não sofreu nenhuma
manipulação.
A alternativa C está errada, pois o controle desenvolvido não propões nenhuma alteração nos tratos
culturais.
A alternativa D está errada, pois a alteração genética não foi feita no genoma da bactéria.
A alternativa E está correta, pois as plantas de laranjeira receberam o gene rpfF da bactéria e passaram a
produzir a proteína da bactéria que reduz o seu transporte na planta.
Gabarito: alternativa E.
• Sarna: afeta principalmente órgãos subterrâneos, como tubérculos, produzindo lesões pontuais
no tecido epidérmico. Streptomyces scabies provoca a sarna comum na batata e S. ipomoeae provoca sarna
na batata-doce.
• Espiroplasmas e fitoplasmas: são patógenos procariontes que não possuem parede celular (não
são bactérias). Provocam enfezamento pálido e enfezamento vermelho no milho, cálice gigante no
tomateiro.
1.3.3 - Controle de fitobacterioses
O controle curativo de doenças de etiologia bacteriana é de difícil aplicação devido à facilidade com
que as populações resistentes são selecionadas. O controle químico preventivo com fungicidas protetores
à base de cobre geralmente tem boa eficiência para evitar a disseminação ou a instalação de fitobacterioses.
Assim, para o manejo dessas doenças, é extremamente importante a adoção de práticas de controle
cultural, como:
• Material de propagação: empregar sempre material de propagação isentos de patógeno
(sementes, mudas, tubérculos, dentre outros). A obtenção de materiais sadios envolve a inspeção dos
viveiros e campos de produção, o emprego de solo ou substrato esterilizados para a produção de mudas,
irrigação com água livre de contaminação e adequada esterilização das ferramentas de corte, como os
instrumentos empregados na enxertia.
• Escolha do local de plantio: plantio em áreas recém desmatadas, sujeitas a encharcamento e
regiões com temperatura e umidade elevadas favorecem a ocorrência de bacterioses. Evitar o plantio de
culturas suscetíveis em solos que já tiveram histórico de murchas bacterianas. Locais bem ventilados e
maiores espaçamentos de plantio favorecem o menor acúmulo de água.
• Manejo de nematoides e pragas de solo: provocam ferimentos nas plantas que servem de porta
de entrada para as bactérias.
• Irrigação: evitar excesso de água, irrigação por gotejamento não favorece a disseminação das
bactérias, preocupação com a fonte de água (contaminação).
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• Tratos culturais: realizar operação de desbrota mais cedo (não precisa instrumentos de corte),
eliminação de plantas doentes, realizar sanitização de instrumentos em tratos culturais nos quais as
ferramentas entram em contato com a seiva das plantas.
• Rotação de culturas: preferencialmente com gramíneas.
• Erradicação: viável em substratos para cultivo protegido. Solarização é boa alternativa.
(Instituto Excelência - Prefeitura de Barra Velha, SC - 2019) As bacterioses são doenças onde os agentes
são bactérias fitopatogênicas, que também são seres microscópicos. São disseminadas através de
sementes botânicas, partes vegetativas utilizadas na propagação, mãos contaminadas, implementos
agrícolas e água de irrigação, entre outros meios. Esta podem afetar todas as partes de uma planta,
inclusive as subterrâneas, já que algumas bactérias habitam o solo. Assinale a alternativa CORRETA que
demonstra como se deve realizar o controle das bacterioses.
(A) O controle em bacterioses foliares pode ser realizado através de pulverização com fungicidas cúpricos,
onde se comprova a ação inibidora do desenvolvimento de bactérias.
(B) Antibióticos também podem ser utilizados em sementes, na maioria das vezes em via seca, porém é feito
muito mais eficientemente pelo próprio produtor que pelas firmas produtoras de sementes.
(C) A pulverização com antibióticos é muito eficaz, e seus custos são menores, apresentando resultados
satisfatórios.
(D) O controle em bacterioses deve ser efetuado preventivamente, pois, após a manifestação inicial dos
sintomas, não se consegue controlar nenhuma bacteriose, mas, as plantas se recuperam normalmente."
Comentário: a alternativa A está correta, pois os fungicidas cúpricos são também eficientes na inibição do
desenvolvimento das bactérias, ou seja, sua ação é protetora e bacteriostática e não bactericida.
A alternativa B está errada, pois não existem antibióticos disponíveis no Brasil para tratamento de sementes.
O único produto orgânico sintético com atividade bactericida autorizado para uso em pulverização é a
casugamicina.
A alternativa C está errada, pois o uso de antibióticos tem pouca eficiência no controle das fitobacterioses já
que as populações resistentes são rapidamente selecionadas.
A alternativa D está errada, pois, apesar do controle preventivo ser a melhor alternativa, as plantas não se
recuperam normalmente quando as condições ambientais são favoráveis ao desenvolvimento da doença.
Gabarito: alternativa A.
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1.4 - FITOVÍRUS
1.4.1 - Aspectos gerais das doenças causadas por vírus
Vírus são nucleoproteínas com ação patogênica a nível celular. Os vírus se multiplicam
exclusivamente dentro de células vivas, já que necessitam do aparato enzimático do hospedeiro para
produzirem cópias de si mesmos. Apesar da simplicidade organizacional, são patógenos evoluídos, pois em
geral não levam o hospedeiro à morte, convivendo com a planta causando o mínimo de dano possível.
Os vírus são constituídos por uma molécula de DNA ou RNA envolvida por uma capa proteica, o
capsídeo. A maioria dos vírus de planta contém RNA como material genético. Os vírus também podem
apresentar um revestimento externo lipoproteico e enzimas, como a RNApolimerase nos vírus com RNA
(replicação do RNA viral para produção da fita complementar que servirá como molde para a replicação do
RNA viral).
Os vírus de plantas recebem nomes em inglês, geralmente formados pelo nome da planta hospedeira
e o sintoma característico da infecção acrescidos da palavra virus, como:
vírus do mosaico do fumo - Tobacco mosaic virus (TMV)
A classificação dos vírus se baseia em características moleculares (tipo de material genético) e
morfológicas (formato da cápsula proteica, presença de camada protetora lipídica). Algumas famílias de vírus
que contêm importantes patógenos de plantas:
• Tobamaviridae - vírus do mosaico do fumo (TMV).
• Potyviridae - vírus Y da batata (PVY), vírus do mosaico comum do feijoeiro (BCMV), vírus do mosaico
do mamoeiro (PRSV), vírus do mosaico da soja (SoyMV), vírus do mosaico da cana (SGMV).
• Closteroviridae: tristeza dos citros.
• Geminiviridae: vírus do mosaico dourado do feijoeiro (BGMV).
Representação esquemática de alguns vírus fitopatogênicos.
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Os fitovírus penetram nas plantas apenas através de ferimentos mecânicos ou feitos por insetos
vetores. O ciclo primário do patógeno corresponde à sua introdução na cultura a partir de fontesde inóculo
que podem ser externas à cultura (sobrevivência do patógeno em hospedeiros alternativos) ou pelo material
de propagação contaminado. O ciclo secundário corresponde à disseminação do patógeno na própria
cultura, sendo necessário algum agente transmissor.
A transmissão dos vírus de plantas se dá principalmente pelo emprego de material de propagação
contaminado e pela ação de insetos vetores, porém diferentes mecanismos de transmissão existem:
• Transmissão natural: a transmissão de vírus por insetos é a forma mais comum e economicamente
importante de disseminação de viroses em plantas, sendo efetuada principalmente por isentos sugadores
como pulgões, cigarrinhas, moscas-brancas, psilídeos e tripes. Outras formas de transmissão natural são
possíveis, mas menos comuns, como a transmissão por sementes (apesar dos vírus serem patógenos
sistêmicos, a transmissão por sementes é pouco comum), transmissão pelo grão de pólen e transmissão
mecânica natural (atrito entre plantas pelo vento).
Os vetores podem apresentar diferentes comportamentos quanto à transmissão dos vírus, o que
está relacionado ao próprio comportamento do vetor. Na escolha de hospedeiros, os insetos vetores podem
não gostar da planta, migrando após a picada de prova; aceitá-la, permanecendo nela pela maior parte da
sua vida; ou gostar da planta, se alimentar e migrar após algumas horas, repetindo continuamente esse
comportamento. Com isso, existem diferentes períodos de:
• Aquisição: tempo que o vetor demora para adquirir o vírus (tornar-se virulífero).
• Latência: tempo que o vetor demora para transmitir o vírus depois da sua aquisição.
• Persistência: tempo que o vetor permanece virulífero após a aquisição.
A partir disso, podem ser identificados os seguintes mecanismos de transmissão:
• Transmissão não-persistente ou estiletar: os vírus permanecem aderidos ao estilete do inseto,
sendo rapidamente adquiridos da planta (alguns segundo, o tempo da picada de prova, sem período de
latência) e permanecendo virulíferos por intervalos curtos de tempo (minutos a horas). Típico dos pulgões.
• Transmissão semi-persistente: maior tempo de aquisição, sem período de latência e persistência
de alguns dias. Ocorre em pulgões, cigarrinhas, cochonilhas e moscas-brancas.
• Transmissão persistente: o inseto vetor adquire o vírus internamente. As partículas virais são
engolidas, atravessam a parede do tubo digestivo, caem na hemolinfa e migram para as glândulas salivares,
sendo então transmitidas pela saliva. O tempo de aquisição é de vários minutos, com período de latência
de algumas horas e persistência de até várias semanas. Na transmissão persistente circulativa, o vírus
apenas atravessa os tecidos do inseto e é transmitido para outras plantas quando ele se alimenta (ocorre em
pulgões, cigarrinhas, tripes e moscas-brancas), enquanto na transmissão persistente propagativa o vírus se
multiplica no vetor, que permanece virulífero durante toda a sua vida (pulgões e cochonilhas).
• Transmissão artificial: a transmissão artificial pode ocorrer associada ao plantio (material de
propagação contaminado), à multiplicação das plantas (estaquia, enxertia, corte de tubérculos, manivas e
colmos) e aos tratos culturais (ações que promovam ferimentos nas plantas, como capação, desbrota, poda).
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• Transmissão experimental: empregada, por exemplo, para confirmação da etiologia viral de
determinada doença e para avaliação da resistência de determinado hospedeiro. Transmissão mecânica
pela abrasão da superfície foliar e aplicação de macerado de folhas de plantas contaminadas, transmissão
por enxertia.
Os vírus são parasitas sistêmicos, podendo ser translocados na planta tanto pelo sistema vascular
(xilema e floema) quanto célula a célula através dos plasmodesmos. Os sintomas mais comuns das infecções
virais são em geral caracterizados por clorose e crescimento reduzido. O desenvolvimento de sintomas
depende de características do da planta e do órgão afetados (idade, cultivar), do tempo após a infecção e do
próprio patógeno. Os principais sintomas provocados por infecções virais em plantas são:
• Enrolamento da folha: crescimento diferencial entre as partes infectadas e não infectadas,
relacionado à distribuição das partículas virais.
• Enrugamento: menor crescimento das nervuras (e limbo foliar ressaltado.
• Engruvinhamento: dobra das bordas das folhas.
• Encarquilhamento: combinação de diferentes sintomas, folhas deformadas.
• Encurtamento de internódios.
• Mosaico: sintoma mais típico das viroses, caracterizado por áreas cloróticas em meio a áreas
normais. O mosaico pode ser comum (tons de verde escuro e verde claro) ou dourado (coloração verde e
dourada ou amarelada). Não ocorrem apenas em folhas, podendo ocorrer também em frutos. Em gramíneas,
os mosaicos ocorrem seguindo o alinhamento das nervuras. Os sintomas são mais intensos nas folhas mais
novas, que crescem sob maior pressão do patógeno.
• Lesão local necrótica: resposta da planta à infecção. Rotas metabólicas alternativas são ativadas
para combater a infecção, com liberação de substâncias tóxicas que provocam morte do tecido para evitar
que o patógeno se espalhe.
• Streak: manchas necróticas alongadas.
• Virescência: aparecimento de clorofila em tecidos aclorofilados.
• Variegação: falta de coloração em alguns locais.
• Subdesenvolvimento e má formação de órgãos como folhas, flores e frutos.
Os vírus compõem um grupo especial de patógenos cujo controle deve ser em grande parte
preventivo, impedindo ou retardando ao máximo a entrada do patógeno na lavoura. Não existem produtos
para aplicação na agricultura que combatam as infecções virais, ou seja, não existem medidas curativas para
aplicação em campo (apenas para produção de mudas, como a termoterapia). A aplicação de medidas
preventivas deve considerar inicialmente qual a forma de disseminação do vírus, se por sementes, mudas,
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material de propagação, vetores ou por propagação mecânica. As principais medidas de controle de fitovírus
incluem:
• Exclusão: impedir a entrada do vírus em uma área ainda não contaminada.
• Emprego de material propagativo livre de vírus (evita a presença do vírus no início da cultura,
quando a suscetibilidade é maior).
• Manutenção de estoques vegetativos livres de patógenos, principalmente para vírus que não
têm vetor associado, facilitando a manutenção de populações isentas do patógeno. Manutenção de matrizes
em telado antiafídico.
• Remoção das fontes de infecção: o uso de material de propagação sadio e a remoção de fontes
alternativas de inóculo são práticas que grandemente previnem o estabelecimento de epidemias. Fontes de
inóculo incluem plantas acometidas da própria cultura (prática de roguing) hospedeiros selvagens perenes
e anuais, plantas ornamentais, outras culturas, tiguera da cultura anterior (plantas espontâneas que
germinam após a colheita), culturas bienais. As fontes de inóculo devem ser eliminadas em uma faixa de pelo
menos 25 a 50 m ao redor da lavoura. A capina ao redor de uma cultura já estabelecida deve ser precedida
pelo controle de insetos vetores (que do contrário migrariam para a lavoura).
• Práticas culturais: medidas que permitam quebrar o ciclo de infecção (rotação de culturas com
plantas não hospedeiras), evitar plantio escalonado (implantar lavoura sadia próximo a lavoura já
acometida), mudança da época de plantio (época com menor incidência de vetores), plantio de grandes
áreas, isolamento do campo, colheita precoce.
• Proteção da população de plantas.
• Controle de vetores aéreos (insetos sugadores) e de solo (de menorimportância, insetos e
nematoides).
• Emprego de cultivares resistentes ou tolerantes.
• Pré-imunização, que consiste na proteção da planta pela inoculação de estirpes fracas.
• Medidas curativas, como termoterapia (tratamento térmico por imersão em água quente de
material de propagação), cultura de tecidos com material meristemático apical (geralmente livre de vírus)
para obtenção de material livre do patógeno, obtenção de clones nucelares (desenvolvidos de embrião não
fecundado).
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(IF-TO - IF-TO - 2018) A doença ‘vira-cabeça do tomateiro’, (causada por várias espécies de Tospovirus,
entre eles o Tomato spotted wilt virus- TSWV), é uma das mais importantes do tomateiro. Com relação às
medidas gerais de controle que podem ser utilizadas, assinale a resposta incorreta:
(A) Cultivares resistentes.
(B) Evasão.
(C) ‘Roguing’.
(D) Tratamento de sementes.
(E) Controle do inseto vetor.
Comentário: a alternativa A está correta, pois o uso de cultivares resistentes é uma prática de controle para
doenças de etiologia viral.
A alternativa B está correta, pois o plantio em locais não afetados pelo patógeno ou pelos vetores é uma
prática de controle de doenças causadas por vírus.
A alternativa C está correta, pois a eliminação de plantas afetadas reduz a pressão de inóculo e a
disseminação de doenças virais.
A alternativa D está errada, pois não existem produtos para controle químico de doenças virais.
A alternativa E está correta, pois o controle dos insetos vetores é uma prática essencial para o manejo de
fitovírus.
Gabarito: alternativa D.
1.4.2 - Principais vírus das culturas agrícolas
Algodoeiro
• Mosaico comum (abutilon mosaic virus - AbMV): mosaico verde, nanismo, encarquilhamento das
folhas. Transmissão pela mosca-branca.
• Vermelhão (cotton anthocyanosis virus - CAV): clorose seguida de avermelhamento das folhas
(acúmulo de antocianinas). Transmissão por pulgão.
• Mosaico das nervuras ou doença azul (cotton leafroll dwarf virus - CLRDV): uma das principais
doenças do algodoeiro na região do Cerrado. Plantas subdesenvolvidas, com folhas retorcidas para baixo
(epinastia), internódios curtos. Transmissão por pulgões.
Cana
• Mosaico (sugarcane mosaic virus - SCMV): mosaico nas folhas, estrias e riscas nos colmos,
internódios encurtados. Transmissão por pulgões. O SCMV também provoca mosaico no milho.
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Feijoeiro
• Mosaico comum (bean common mosaic virus - BCMV): transmissão por pulgões e por sementes.
• Mosaico dourado (bean golden mosaic virus - BGMC): mosaico amarelado brilhante, crescimento
reduzido. Transmitido pela mosca-branca.
Soja
• Mosaico comum (soybean mosaic virus - SMV): transmissão por pulgões e sementes (manchas
escuras).
Batata
• Mosaico Y (potato virus Y - PVY): redução da área foliar, epinastia, depreciação dos tubérculos,
transmissão por pulgões.
• Enrolamento da folha (potato leafroll virus - PLRV): enrolamento do limbo foliar, transmissão por
pulgões.
Tomate
• Vira-cabeça (tomato spotted wilt virus - TSWV): clorose das folhas novas, lesões necróticas com
anéis concêntricos, encarquilhamento das folhas, ramos e inflorescências. Transmissão por tripes.
• Mosaico comum (tomato mosaic virus - ToMV): mosaico em folhas e frutos, subdesenvolvimento.
Transmissão muito fácil por tratos culturais.
Citros
• Tristeza dos citros (citrus tristeza virus - CTV): crescimento reduzido, morte de ramos, frutos
miúdos ("coquinhos"). Transmissão pelo pulgão-preto. Controle pelo emprego de enxertos ou porta-
enxertos resistentes e pré-imunização (inoculação com estirpes atenuadas do vírus).
• Leprose (citrus leprosis virus - CiLV): manchas amareladas com centro necrótico, desfolha e queda
de frutos. Transmissão pelo ácaro-da-leprose.
• Exocorte (citrus exocortis viroid- CEVd): definhamento da planta, amarelecimento das folhas,
desfolha, rachaduras no tronco.
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1.5 - NEMATOIDES FITOPATOGÊNICOS
1.5.1 - Características dos nematoides fitopatogênicos
Os nematoides são animais de corpo cilíndrico e vermiforme (Reino Animalia: Filo Nematoda). A
maioria das milhares de espécies que existem é de vida livre, alimentando-se de microrganismos, restos
vegetais e plantas e animais microscópicos. Diversas espécies, porém, parasitam animais e seres humanos,
enquanto algumas centenas de espécies são parasitas de plantas.
O corpo dos nematoides é revestido pela cutícula. O sistema digestório é formado por um tubo que
se estende da boca ao ânus. A circulação é aberta, desempenhada pelo fluido contido na cavidade corporal.
O sistema reprodutivo é bem desenvolvido (as fêmeas têm ovários e os macho têm testículos e espículas
copulatórias). A reprodução é por oviparidade, sendo que os ovos podem ser formados por reprodução
sexuada ou por partenogênese (origina apenas fêmeas), dependendo da espécie.
O ciclo de vida dos nematoides envolve quatro estádios juvenis (não são chamados de larvas, pois
são morfologicamente semelhantes aos indivíduos adultos) e quatro ecdises (troca da cutícula, a primeira
camada do corpo). A primeira ecdise ocorre ainda dentro do ovo, sendo que a eclosão em geral ocorre no
segundo estádio juvenil, que é a forma infectiva da maioria das espécies. A forma infectiva necessita de
encontrar um hospedeiro compatível para se alimentar ou acabará morrendo por inanição.
Quanto ao modo de parasitismo, os nematoides podem ser:
• Endoparasitas: parasitas internos, penetram nos órgãos das plantas. Podem ser migradores,
quando penetram e migram na planta, como Pratylenchus e Radopholus; ou sedentários, quando penetram
e permanecem no mesmo local, como Meloidogyne e Heterodera.
• Ectoparasitas: permanecem na superfície da planta. Podem ser migradores, quando mudam de
local na superfície da raiz, como Xiphinema e Belonolaimus; ou sedentários, quando introduzem o estilete e
permanecem no mesmo local.
Os nematoides são disseminados juntamente com partículas de solo (aderido ao rodado ou
implementos), pela água de irrigação (proveniente de poços ou represas contaminados com ovos e juvenis),
Representação esquemática da morfologia e anatomia de um nematoide fitopatogênico.
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pelas enxurradas (principal forma de disseminação), por mudas e material de propagação infestados
(tubérculos, rizomas, bulbos) e por animais.
Todos os nematoides fitopatogênicos vivem parte da vida no solo. Mesmo nas espécies sedentárias,
os ovos, juvenis e machos vivem no solo. Apenas espécies dos gêneros Aphelenchoides (nematoide de folhas)
e Bursaphelenchus (nematoide do anel vermelho do coqueiro) podem viver todo o ciclo apenas na planta.
Os ovos da maioria das espécies dependem da presença de umidade para eclodirem (diapausa), enquanto
algumas espécies podem depender também da presença de sinais químicos indicando hospedeiros
disponíveis. Após a eclosão, as larvas de algumas espécies podem entrar em estado de hipobiose (chamado
de larva dauer) caso as condições ambientais se tornem desfavoráveis, podendo sobreviver por meses a anos
nesse estado.
(FCM - IF-RJ - 2017) São mecanismos de sobrevivência dos nematoides:
(A) trofozoito; cápside
(B) espórios; merozoitos
(C) sideróforos; esporozoitos
(D) taquizoito; quorumsensing
(E) dauer larvae; ovos em diapausa
Comentário: a alternativa A está errada, pois trofozoíto é o estágio adulto de certos protozoários
apicomplexos (como o causador da malária e as giárdias), enquanto cápside ou capsídeo é o envoltório
proteico de alguns vírus.
A alternativa B está errada, pois espórios são estruturas reprodutivas de protozoários esporozoários,
enquanto merozoito é um estágio de vida do protozoário causador da malária.
A alternativa C está errada, pois sideróforos são moléculas com grande afinidade pelo Fe produzidos por
alguns microrganismos, enquanto esporozoitos são um estágio de vida de alguns protozoários.
A alternativa D está errada, pois traquezoito é uma forma infectante de determinados protozoários,
enquanto quorum sensing é a capacidade de determinados microrganismos perceberem o tamanho da
população no seu ambiente para ajustar as próprias taxas de reprodução, reduzindo assim a competição por
recursos do meio.
A alternativa E está correta, pois as larvas dauer ocorrem em algumas espécies de nematoides (formas
juvenis pré-infectivas que permanecem em estado de hipobiose devido a condições ambientais
desfavoráveis), enquanto ovos em diapausa são uma característica dos nematoides em geral, já que os ovos
apenas eclodem quando as condições ambientais se tornam favoráveis (principalmente umidade).
Gabarito: alternativa E.
Os sintomas de infecção por nematoides se expressam tanto no sistema radicular quanto na parte
aérea.
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• Raízes: galhas e lesões no sistema radicular. As galhas são formadas por hipertrofia do sistema
radicular induzida pelo próprio nematoide ao regurgitar o produto da glândula dorsal. A resposta do
hospedeiro é o desenvolvimento de células gigantes, responsáveis pela nutrição do nematoide. Sintoma
mais característico da infecção por nematoides, principalmente do gênero Meloidogyne. As lesões no
sistema radicular incluem necrose, bifurcação (bastante perceptível em raízes tuberosas, como cenoura),
descamamento e menor quantidade ou morte de radicelas.
• Parte aérea: os sintomas na parte aérea são em geral decorrentes do comprometimento da
capacidade de absorção de água e nutrientes do sistema radicular. Amarelecimento, murcha e seca das
folhas (menor capacidade de absorção de água e nutrientes); desfolha; seca de ramos e galhos;
subdesenvolvimento; murcha, seca da planta e morte.
1.5.2 - Controle de nematoides fitopatogênicos
O controle de nematoides fitopatogênicos pode ser feito por métodos químicos, biológicos e,
principalmente, culturais.
O controle químico de nematoides envolve o uso de nematicidas, que em geral são altamente
tóxicos, de forma que vários já foram proibidos (como o brometo de metila, o dibromocloropropano, o
aldicarbe). Quanto ao modo de aplicação, podem ser:
• Fumigantes: são aplicados na forma líquida ou sólida e originam gases que penetram e se espalham
no espaço poroso do solo. São empregados produtos à base de dazomete (micro granulado) e metam-sódico
(concentrado solúvel), que são classificados como precursores do isotiocianato de metila. Esses produtos são
aplicados antes ou durante o plantio e não deixam resíduos nos produtos agrícolas.
• Não fumigantes: devem ser aplicados preferencialmente no plantio ou para tratamento de
sementes, já que a infecção por nematoides é especialmente importante nos primeiros 30 dias das lavouras
anuais. Podem ser granulados ou líquidos. Em culturas anuais, são aplicados granulados juntamente com
o adubo durante o plantio, em forma líquida na linha de plantio ou no tratamento de sementes. Em
lavouras perenes são aplicados granulados (manualmente com matraca ou em operações mecanizadas) ou
nematicidas líquidos, ambos na projeção da copa. Estão disponíveis no Brasil os seguintes princípios ativos:
• Organofosforados: podem ter ação por contato ou ingestão, como o cadusafós (granulado
e suspensão para aplicação terrestre na linha de plantio ou ao redor das plantas); ou ação sistêmica, como
fenamifós (granulado e suspensão para aplicação em mudas), fostiazato (granulado), terbufós (granulado).
• Carbamatos: produtos com ação sistêmica, como o benfuracarbe (tratamento de sementes,
granulado e pulverização) e o carbossulfano (tratamento de sementes e pulverização).
• Avermectina: abamectina é inseticida, acaricida e nematicida (aplicado como granulado
dispersível).
• Extrato de alho: registrado para controle de Meloidogyne no tomateiro.
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• Fluensulfona: nematicida sistêmico de menor toxicidade para aplicação no sulco de
semeadura e tratamento de sementes.
O controle biológico de nematoides pode ser feito com diversos produtos à base de bactérias
(Bacillus licheniformis, B. methylotrophicus, B. subtilis, Pasteuria nishizawae) e fungos (Paecilomyces
lilacinus, Trichoderma koningiopsis) para aplicação terrestre ou tratamento de sementes.
O controle cultural envolve práticas agrícolas como:
• Escolha do local de plantio: plantio em local isento de nematoides de importância
econômica para a cultura.
• Material de propagação: emprego de material de propagação (sementes, mudas e
outros propágulos, como bulbos e rizomas) livre de nematoides fitopatogênicos.
• Rotação de culturas: cultivo de plantas não hospedeiras ou plantas resistentes para
evitar o aumento da população de nematoides. Para controle efetivo, é importante saber
quais espécies de nematoides de importância econômica ocorrem na área, quanto tempo
é requerido para o controle da população dessas espécies, se as plantas empregadas na
rotação são resistentes ou suscetíveis aos nematoides presentes.
• Alqueive: consiste em deixar a área limpa, sem plantas hospedeiras, para que os
nematoides morram por falta de alimento.
• Revolvimento do solo com irrigação: consiste na combinação do sistema de
alqueive com o emprego de irrigação para induzir a eclosão dos ovos. A área é revolvida
para controle das plantas hospedeiras, sendo depois aplicada água por irrigação. A partir
de duas semanas pode ser realizado o plantio. Essa técnica é bastante eficaz durante o
período mais quente do fim do inverno de locais que têm invernos secos.
• Destruição das plantas atacadas: eliminação das plantas infestadas.
• Inundação do solo.
1.5.3 - Principais nematoides fitopatogênicos
Meloidogyne (nematoide-das-galhas)
São importantes parasitas em locais de clima mais quente e invernos amenos e também em cultivo
protegido. São patógenos generalistas, infectando quase todas as plantas cultivadas. Provocam a formação
de galhas nas raízes. Os juvenis de segundo ínstar emergem dos ovos e penetram nas raízes das plantas
hospedeiras. Ao secretarem saliva nas células da raiz, induzem mudanças morfológicas com formação de
células gigantes (coalescência de células próximas pela digestão da parede celular) das quais se alimentam
e galhas (tecido hipertrofiado). As demais ecdises ocorrem na raiz. Após a última ecdise, os machos saem do
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sistema radicular para o solo, enquanto as fêmeas (que têm formato de pera) permanecem na raiz e
ovipositam.
As principais espécies são M. incognita, M. javanica, M. arenaria, M. exigua, M. graminicola, M.
paranaensis (cafeeiro) e M. coffeicola (cafeeiro). A maioria das espécies ataca quase todas as culturas
agrícolas, sendo mais comuns M. incognita, M. javanica e M. arenaria.
Heterodera e Globodera (nematoide-do-cisto)
Os nematoides-do-cisto são particularmente importantes em regiõesde clima temperado, sendo que
várias espécies têm hospedeiros específicos. Afetam diversas culturas, como H. avenae em gramíneas, H.
glycines em soja, H. schachtii em beterraba-açucareira e crucíferas, H. tabacum em fumo, G. rostochiensis
(nematoide-dourado) em batata.
De maior importância no Brasil é o nematoide-do-cisto-da-soja, Heterodera glycines, que também
pode afetar outras leguminosas. Os juvenis de segundo estágio emergem dos ovos e constituem as formas
infectivas, que penetram no sistema radicular. Após a última ecdise, os machos migram para o solo,
enquanto as fêmeas permanecem na raiz. As fêmeas têm formato arredondado e produzem ovos no
interior do seu corpo, que se torna cada vez maior até romper os tecidos da raiz e emergir no exterior,
formando os cistos característicos da infecção. Após a morte da fêmea o cisto permanece, sobrevivendo
por vários anos. Os sintomas mais característicos são a presença de raízes necrosadas, tombamento de
plantas, amarelecimento, murcha e seca da parte aérea.
Tylenchulus (nematoide-dos-citros)
O nematoide-dos-citros (Tylenchulus semipenetrans) provoca subdesenvolvimento das plantas, que
crescem lentamente, amarelecimento e queda prematura de folhas, seca de ponteiros e produção muito
reduzida de frutos. As fêmeas juvenis de segundo estágio são a única forma infectiva. A fêmea penetra a
porção anterior do corpo nas raízes, enquanto a porção posterior permanece para fora. As raízes afetadas
frequentemente tornam-se enegrecidas e necrosadas por infecções secundárias.
Pratylenchus (nematoide-das-lesões)
Provocam danos em inúmeras culturas. P. zeae afeta principalmente gramíneas, enquanto P.
brachyurus afeta diversas culturas de importância econômica (algodão, café, soja, hortícolas e gramíneas).
Provocam lesões em raízes jovens, reduzindo o desenvolvimento do sistema radicular. As raízes se tornam
amarronzadas e necrosadas, favorecendo a incidência de infecções secundárias. As plantas infectadas
exibem sintomas típicos de deficiência nutricional e hídrica, mas em reboleiras na área. Plantas
severamente afetadas podem ser retiradas do solo com facilidade devido ao comprometimento do sistema
radicular.
Rotylenchulus reniformis (nematoide-reniforme)
Esse nematoide afeta principalmente o algodoeiro, mas pode ocorrer em outras culturas de
importância econômica. Provoca o sintoma de folha carijó (limbo foliar necrosado entre as nervuras),
redução do porte da planta e queda na produção. As fêmeas penetram parcialmente nas raízes, ficando
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com a porção posterior para fora dos tecidos radiculares onde podem aderir ovos e partículas de solo na
substância gelatinosa secretada (raiz suja).
(UFMT - UFSBA - 2017) Sobre nematoides presentes na cultura do algodoeiro, numere a coluna da direita
(sintomatologia) de acordo com a da esquerda (espécies de nematoides).
Assinale a sequência correta.
(A) 1, 2, 3
(B) 2, 1, 3
(C) 1, 3, 2
(D) 3, 1, 2
Comentário: o escurecimento do sistema radicular pela necrose dos tecidos e a diminuição do porte das
plantas são provocados pelo nematoide-das-lesões, Pratylenchus brachyurus (3).
O sintoma de folhas carijó com formação de galhas nas raízes é decorrente da infecção pelo nematoide-das-
galhas, Meloidogyne incognita (1).
O sintoma de folhas carijó com presença de ovos aderidos às raízes acracteriza a infecção pelo nematoide-
reniforme, Rotylenchulus reniformis (2).
Gabarito: alternativa D.
Radopholus (nematoide-cavernícola)
Rodophilus similis ataca a bananeira. Os nematoides penetram nas raízes, causando danos no
parênquima cortical, onde abrem galerias. Os canais abertos servem de porta de entrada para outros
patógenos, principalmente Fusarium (mal do Panamá), com formação de lesões avermelhadas na região
cortical das raízes. Na parte aérea, os sintomas se apresentam como clorose, pseudocaules finos, menor
perfilhamento e tombamento de plantas.
Ditylenchus (nematoide-do-alho)
Os nematoides do gênero Ditylenchus são particularmente importantes em regiões de clima
temperado, onde podem ter efeitos devastadores em diversas culturas. No Brasil, tem maior importância a
1 - Meloidogyne incognita
2 - Rotylenchulus reniformis
3 - Pratylenchus brachyurus
( ) Escurecimento no sistema radicular, diminuição do porte
da planta.
( ) Presença de galhas, folhas “carijó”, reboleiras, diminuição
do porte das plantas.
( ) Folhas “carijó”, reboleiras, presença de massas de ovos
aderidas nas raízes, diminuição do porte das plantas
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espécie D. dipsace, o nematoide-do-alho, que infecta bulbos e folhas e causa a seca do alho. Os bulbilhos
de plantas afetadas ficam chochos e servem como fonte de inóculo para disseminação do patógeno.
Aphelencoides (nematoide-das-folhas)
Os nematoides do gênero Aphelenchoides são endo e ectoparasitas da parte aérea de diversas
plantas. A. besseyi causa enfezamento no morango e ponta branca no arroz. A ponta branca do arroz tem
maior relevância no cultivo sob inundação. O nematoide é disseminado por sementes, permanecendo como
ectoparasita na parte aérea durante todo o desenvolvimento da planta e penetrando nas sementes depois
da sua formação.
Bursaphelenchus (nematoide-do-anel-vermelho)
Bursaphelenculus cocophilus é o agente etiológico do anel vermelho do coqueiro, que também afeta
diversas outras palmeiras. O nematoide é disseminado principalmente pela broca-do-coqueiro, que
adquire o nematoide ao se alimentar de tecidos infectados e infecta novas plantas principalmente durante
a alimentação e oviposição. Os sintomas na parte aérea se manifestam como progressivo amarelecimento
das folhas, folhas inferiores secam e ficam caídas, podendo ocorrer a morte da planta em alguns meses após
o início da infecção.
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==2e82b8==
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2 - QUESTÕES COMENTADAS
1. (FCM - IF-RJ - 2017) Correlacione os métodos de controle de doenças a seus efeitos
epidemiológicos, segundo a agroecologia.
1. Proteção das plantas ( ) rotação de culturas
2. Exclusão do patógeno ( ) restrição pela quarentena
3. Para evitar o patógeno ( ) escolha da época de plantio
4. Erradicação do patógeno ( ) modificação da nutrição das plantas
A sequência correta é
(A) 1, 3, 4, 2.
(B) 2, 1, 3, 4.
(C) 3, 4, 1, 2.
(D) 4, 2, 3, 1.
(E) 4, 1, 2, 3.
Comentário: a rotação de culturas atua sobre a fonte de inóculo do patógeno, favorecendo assim a
erradicação do patógeno da área cultivada (4).
A restrição pela quarentena evita a entrada de patógenos em áreas ainda não infectadas, ou seja, se baseia
na exclusão do patógeno (2).
A escolha da época de plantio se baseia no princípio de evasão, ou seja, evitar o patógeno durante a época
em que o ambiente lhe seja mais favorável (3).
A modificação da nutrição de plantas, principalmente pelo emprego de adubações equilibradas, aumenta a
resistência das plantas aos patógenos, ou seja, se baseia na sua proteção (1).
Gabarito: alternativa D.
_______________________________________________________________________________________
2. (MS Concursos - CREA-MG - 2014) Marque a alternativa errada no que diz respeito ao tipo de dano
que as doenças causam nas plantas, influência direta e indireta na rentabilidade do empreendimento
agrícola.
(A) Doenças de plantas podem limitar os tipos ou variedades de plantas que podem desenvolver em
determinada área geográfica.
(B) Doenças de plantasnão tornam as plantas venenosas ao homem e animais.
(C) Doenças de plantas reduzem a quantidade e a qualidade dos produtos vegetais, cujas perdas variam com
a espécie de planta.
(D) Doenças de plantas podem levar a custos inaceitáveis de controle.
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Comentário: a alternativa A está correta, pois a presença de determinado patógeno na região pode impedir
o plantio de variedades suscetíveis ou até mesmo de determinada cultura, sendo este um exemplo de dano
indireto.
A alternativa B está errada, pois diversos patógenos que se estabelecem no campo continuam sendo
importantes na pós-colheita e armazenamento, enquanto outros microrganismos são mais importantes
durante o armazenamento e pós-colheita. Um exemplo bastante drástico da primeira situação seria o ergot
ou ergotismo, que corresponde à infecção de grãos de cereais (sorgo, aveia, cevada, trigo) pelo fungo
Claviceps purpurea principalmente. Esse fungo produz diversos alcaloides, como o ácido lisérgico, cuja
presença nos grãos os torna impróprios para o consumo. Além do efeito alucinógeno, a vaso constrição
provocada pelos alcaloides de Claviceps pode levar à gangrena de membros e à morte. Outras doenças cuja
infecção se estabelece no campo e que também provocam danos em pós-colheita são, por exemplo, a
antracnose e o mofo-cinzento. Já os patógenos de armazenamento, principalmente do gênero Aspergillus,
não provocam danos no campo, mas são extremamente importantes no armazenamento devido à produção
de micotoxinas.
A alternativa C está correta, pois os danos reais diretos provocados pelas doenças afetam tanto a
produtividade quanto a qualidade dos produtos agrícolas.
A alternativa D está correta, pois os custos de controle podem ser maiores que a o valor da produção
garantida com a prática de controle, ou seja, o custo pode exceder o ganho, principalmente quando o manejo
integrado não é aplicado adequadamente (por exemplo, controle químico iniciado depois que a doença já
está muito disseminada).
Gabarito: alternativa B.
_______________________________________________________________________________________
3. (IF-RS - IF-RS - 2016) Atualmente, o controle fitossanitário em olericultura tem sido direcionado a
medidas preventivas, de natureza não-química. Dessa forma, assinale a alternativa INCORRETA:
(A) Plantas jovens pertencentes a espécies suscetíveis a enfermidades veiculadas por insetos devem ser
cultivadas em terrenos livres de plantas invasoras, as quais facilitam a aterrisagem, e consequentemente a
introdução de insetos no cultivo.
(B) Barreiras vivas, constituídas por plantas de porte elevado e dispostas ao redor das culturas oleráceas,
oferecem proteção contra a invasão de insetos vetores de enfermidades. Recomenda-se a aplicação de
inseticida somente na barreira viva, o que é eficaz na destruição dos vetores, sem interferir no equilíbrio
biológico do cultivo.
(C) O solo deve ser mantido com pH na faixa de 6,0 a 6,5, a qual favorece o desenvolvimento das culturas e
ao mesmo tempo é desfavorável para alguns fitopatógenos de solo.
(D) Para o controle de nematoides pode-se utilizar a inundação total do terreno durante alguns dias,
reduzindo drasticamente a concentração de oxigênio no solo, o que causa a morte desses organismos
aeróbios.
(E) Em um cultivo com bom aspecto fitossanitário, as plantas isoladas com sintomas iniciais de doença devem
ser erradicadas o mais precocemente possível e queimadas em local afastado. Independente da forma como
será feita, nunca é aconselhável enterrar as plantas contaminadas, por permitir a viabilidade dos patógenos
no solo.
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Comentário: a alternativa A está correta, pois a presença de hospedeiras alternativas favorece não só a
sobrevivência do inóculo, mas também dos insetos vetores.
A alternativa B está correta, pois o emprego desses plantios em contorno tanto na forma de plantas-isca
(atraem os vetores para si em vez de irem para a lavoura) quanto na forma de plantas-armadilha (atraem os
vetores para si, sendo então feito o controle químico localizado) favorece o controle de vetores de doenças.
A alternativa C está correta, pois a condição de pH ideal para a cultura lhe garante maior resistência aos
patógenos devido às melhores condições de desenvolvimento. De maneira geral, pH elevado favorece
doenças bacterianas, enquanto pH ácido favorece doenças fúngicas.
A alternativa D está correta, pois a inundação favorece a eclosão dos ovos, mas leva as formas juvenis à
morte pela deficiência de oxigênio.
A alternativa E está errada, pois o enterrio dos restos culturais pode ser suficiente para erradicar o inóculo
de diversos patógenos, principalmente os biotróficos.
Gabarito: alternativa E.
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4. (IBFC - SES-PR - 2016) Algumas medidas contribuem para evitar o aparecimento de pragas e das
doenças nas plantas. Leia as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta.
I. A prática da monocultura favorece a ocorrência de pragas nas culturas.
II. Manter o solo protegido (coberto, úmido e diversificado) contribui para o controle de pragas nas lavouras.
III. Molhar intensamente as plantas colabora para o aumento da taxa fotossintética e não compromete o
aparecimento de doenças e pragas.
Estão corretas as afirmativas:
(A) I e II, apenas.
(B) II e III, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) I, II e III.
Comentário: a afirmativa I está correta, pois grandes populações de uma mesma espécie favorecem o
desenvolvimento de populações também expressivas das pragas que exploram aquele recurso
extensivamente disponível.
A afirmativa II está correta, principalmente pelo "diversificado", pois a diversidade biológica favorece o
controle natural das populações. Contudo, em determinadas situações a proteção do solo pode ser pior para
o controle, já que algumas pragas de solo são controladas pelo revolvimento.
A alternativa III está errada, pois a umidade foliar não contribui para a taxa fotossintética das plantas e
aumenta o risco de ocorrência de doenças.
Gabarito: alternativa A.
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5. (NC-UFPR - Prefeitura de Curitiba, PR - 2019) Considere o seguinte texto:
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O controle de doenças de plantas é o mais importante objetivo prático da fitopatologia. Num esforço de
sistematização dos métodos então conhecidos, Whetzel et al. (1925; 1929) agruparam 4 princípios biológicos
gerais de controle. A __________ é a prevenção da entrada de um patógeno em uma área ainda não
infestada. Depois que o patógeno foi introduzido, a __________ visa eliminar o patógeno dessa área. O
princípio da __________ consiste na interposição de uma barreira protetora entre as partes suscetíveis da
planta e o inóculo do patógeno, antes de ocorrer a deposição. O princípio da __________ consiste no
desenvolvimento de plantas resistentes, por meios naturais ou artificiais. Além desses quatro princípios, com
o tempo acrescentou-se o princípio da __________, que visa restabelecer a sanidade de uma planta com a
qual o patógeno já estabelecera uma íntima relação parasitária. Esses princípios estão relacionados de uma
forma lógica com o ciclo das relações patógeno-hospedeiro.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas, na ordem em que aparecem no texto:
(A) exclusão – erradicação – proteção – imunização – terapia.
(B) proteção – exclusão – imunização – erradicação– terapia.
(C) exclusão – proteção – erradicação – terapia – imunização.
(D) proteção – exclusão – imunização – terapia – erradicação.
(E) imunização – exclusão – terapia – erradicação – proteção.
Comentário: a prevenção da entrada de determinado patógeno em uma área onde ainda não ocorre
corresponde ao princípio da exclusão.
A eliminação do patógeno e das suas fontes de inóculo compõem o princípio da erradicação.
A formação de barreiras protetoras sobre as plantas, impedindo o estabelecimento da infecção, faz parte do
princípio da proteção.
O desenvolvimento e emprego de plantas resistentes ao patógeno caracteriza o princípio da imunização.
O restabelecimento da sanidade da planta depois da infecção corresponde ao princípio de cura ou terapia.
Gabarito: alternativa A.
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6. (FCM - IF-RJ - 2017) Sobre os ciclos das doenças de plantas, o(s)
(A) elicitores são estruturas infecciosas especializadas.
(B) haustório é um mecanismo de resistência das plantas.
(C) propágulo é o conjunto de inóculos de um fitopatógeno.
(D) apressórios são estruturas diferenciadas do tubo germinativo.
(E) protozoários produzem seus inóculos nas partes externas da planta.
Comentário: a alternativa A está errada, pois elicitores são compostos químicos que sinalizam e induzem o
desenvolvimento de uma resposta metabólica nas plantas. Compostos elicitores podem ser aplicados para o
desenvolvimento de resistência sistêmica adquirida previamente ao estabelecimento da infecção.
A alternativa B está errada, pois haustório é uma hifa especializada dos fungos fitopatogênicos que permite
o íntimo contato entre a célula fúngica e a célula hospedeira para absorção de nutrientes desta.
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A alternativa C está errada, pois o inóculo, na verdade, já é o conjunto das estruturas de resistência,
sobrevivência e disseminação do fungo.
A alternativa D está correta, pois o apressório é uma estrutura diferenciada na extremidade do tubo
germinativo dos esporos de fungos fitopatogênicos cuja função
A alternativa E está errada. São raros os protozoários fitopatogênicos, havendo algumas espécies de
protozoários flagelados que parasitam o floema de algumas espécies, onde sobrevivem e se reproduzem.
Gabarito: alternativa D.
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7. (IBFC - IDAM - 2019) O manejo integrado de pragas e doenças em culturas vegetais se refere ao
conjunto de técnicas disponíveis passíveis de serem utilizadas para a prevenção ou controle destas
moléstias nos diversos cultivos. Sobre o manejo integrado de pragas e doenças, analise as afirmativas,
atribuindo-lhes os valores de Verdadeiro (V) ou Falso (F).
( ) Dentro dos procedimentos de manejo integrado de pragas deve-se priorizar o uso de métodos naturais,
biológicos e biotecnológicos. A incidência de pragas deve ser regularmente avaliada e registrada, através de
monitoramento.
( ) Como alternativas para o controle de patógenos nocivos pode ser feito o uso de produtos que não agridam
o homem e a natureza, tal como a calda Bordalesa, calda Viçosa e a calda Sulfocálcica, entre muitos outros.
( ) De maneira geral, podemos dizer que entre os métodos empregados para o manejo de pragas e doenças,
o aumento da resistência das plantas ainda não é eficiente.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
(A) V, V, V
(B) V, F, F
(C) V, V, F
(D) V, F, V
Comentário: a primeira afirmativa está correta, pois os métodos naturais, biológicos e biotecnológicos em
geral apresentam maior seletividade, preservando as populações de inimigos naturais. O monitoramento da
população de pragas deve ser realizado regularmente para que as práticas de controle sejam efetuadas
quando o nível populacional assim o exigir.
A segunda afirmativa está correta, pois os fungicidas protetores inorgânicos como os citados apresentam
baixa toxicidade para os seres humanos e baixo risco de dano ambiental (exceto aos organismos aquáticos
no caso dos fungicidas cúpricos).
A terceira afirmativa está errada, pois a resistência de plantas é extremamente eficaz para controle de um
grande número de pragas e doenças entre inúmeras culturas. Além do controle eficiente das pragas e
doenças, têm como vantagem o menor risco de dano às pessoas e ao ambiente e o menor custo.
Gabarito: alternativa C.
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8. (NUCEPE - PC-PI - 2018) A Termoterapia utilizada para tratamento de colmos de cana-de-açúcar
(Saccharum officinarum) para o plantio é uma prática utilizada no Brasil, nas regiões produtoras. Sobre
esta prática, pode-se considerar CORRETO que:
(A) É uma prática utilizada para o manejo da broca-do-colmo (Diatraea saccharalis) da cana-de-açúcar.
(B) É possível erradicar através da termoterapia a bactéria Leifsonia xyli subsp. xyli de colmos de cana-de-
açúcar utilizando a prática da termoterapia.
(C) A metodologia para aplicação da termoterapia em toletes de cana-de-açúcar para evitar a morte de
gemas é utilizando a água quente a 50,5°C durante 30 minutos.
(D) O raquitismo da soqueira da cana-de-açúcar é causado pela bactéria Xanthomonas albilineans, afetada
em baixos níveis pela termoterapia dos colmos.
(E) Pode ser realizada utilizando água quente a 50,5ºC por 120 minutos ou 52°C por 30 minutos, para o
manejo do raquitismo-da-soqueira.
Comentário: a alternativa A está errada, pois a termoterapia é empregada para o controle de doenças em
cana-de-açúcar.
A alternativa B está errada, pois a termoterapia não elimina completamente o inóculo da bactéria causadora
do raquitismo da soqueira.
A alternativa C está errada, pois a termoterapia na cana-de-açúcar consiste na aplicação de água quente a
50,5 °C por duas horas.
A alternativa D está errada, pois o raquitismo da soqueira é provocado pela bactéria Leifsonia xyli subsp. xyli.
A alternativa E está correta, pois geralmente o tratamento térmico para controle do raquitismo da soqueira
é realizado pela aplicação de água quente a 50,5 °C por duas horas ou 52 °C por 30 minutos.
Gabarito: alternativa E.
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9. (UERR - CODESAIMA - 2017) Relacione o respectivo agente causal com a respectiva espécie vegetal
ou característica da doença.
(1) Ralstonia solanacearum
(2) Hemileia vastatrix
(3) Phakopsora pachyrhizi
(4) Cercospora coffeicola
(5) Phytophthora infestans
(6) Rhizoctonia solani
(7) Meloydogene exigua
(8) Mycosphaerella fijiensis
(9) Papaya ringspot mosiac virus
( ) Ferrugem do cafeeiro
( ) Requeima da batata
( ) Mosaico do mamoeiro
( ) Ferrugem asiática da soja
( ) Murcha bacteriana
( )Tombamento ou Damping-off
( ) Sigatoka Negra da bananeira
( ) Nematóide do cafeeiro
( ) Cercospora do café
Assinale a alternativa correta.
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(A) 1, 3, 4, 5, 8, 2, 6, 7, 9
(B) 2, 5, 9, 3, 1, 6, 8, 7, 4
(C) 2, 8, 9, 3, 1, 7, 4, 5, 6
(D) 2, 5, 9, 6, 1, 7, 8, 3, 4
(E) 1, 3, 4, 5, 9, 7, 6, 2, 8
Comentário: a ferrugem do cafeeiro é causada pelo fungo Hemileia vastatrix (2).
A requeima da batata é causada pelo oomiceto Phytophthora infestans (5).
O mosaico do mamoeiro é causado pelo vírus Papaya ringspot mosiac virus (9).
A ferrugem asiática da soja é causada pelo fungoPhakopsora pachyrhizi (3).
A murcha bacteriana pode ser causada por Ralstonia solanacearum (1).
O tombamento ou damping-off pode ser causado pelo fungo Rhizoctonia solani (6).
A sigatoka negra da bananeira é causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis (8).
O nematoide do cafeeiro pertence à espécie Meloydogene exigua (7).
A cercosporiose do café é causada pelo fungo Cercospora coffeicola (4).
Gabarito: alternativa B.
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10. (FCM - IF-RJ - 2017) Faça a correspondência entre os agentes patogênicos às doenças das plantas.
1. Vírus
2. Fungos
3. Bactérias
4. Abióticos
5. Nematoides
( ) coração-preto da batata
( ) reboleiras em algodoeiro
( ) podridão-mole da alface
( ) mancha anelar do mamoeiro
( ) podridão do colmo do milho
A sequência correta é
(A) 1, 3, 2, 5, 4.
(B) 2, 1, 4, 3, 5.
(C) 4, 5, 3, 1, 2.
(D) 5, 3, 2, 1, 4.
(E) 5, 1, 4, 2, 3.
Comentário: o coração-preto da batata é um distúrbio fisiológico dos tubérculos caracterizado pela necrose
e escurecimento dos tecidos em decorrência da falta de oxigenação causada tanto por condições
inadequadas de armazenamento, quanto por calor excessivo durante a tuberização no campo (4).
As reboleiras em algodoeiro são comumente decorrentes do ataque de nematoides, ainda que a ocorrência
de reboleiras seja uma característica comum `incidência de diversos patógenos (5).
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A podridão-mole da alface, como diversas outras podridões moles e encharcadas, está associada à incidência
de bactérias (3).
A mancha anelar do mamoeiro é uma doença de etiologia viral (1).
A podridão do colmo do milho pode ser provocada dor diversos fungos, como Fusarium, Pythium,
Colletotrichum e Stenocarpella (2).
Gabarito: alternativa C.
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11. (CONSULPAM - Prefeitura de Quadra, SP - 2019) Essa doença tem por agente causal um fungo. Sua
disseminação ocorre de forma generalizada pelas regiões produtoras de café. Atinge todas as fases da
lavoura, do viveiro ao campo. O desenvolvimento do fungo é favorecido por umidade relativa alta,
insolação excessiva ou alta luminosidade, nutrição desequilibrada ou deficiente (principalmente
deficiência de nitrogênio ou desequilíbrio entre nitrogênio e potássio), sistema radicular pouco
desenvolvido ou defeituoso, solos com textura inadequada (muito argilosos ou muito arenosos). Seus
sintomas podem ocorrer em folhas e frutos. Nas folhas, as lesões são de tamanho pequeno, até 1,5
centímetros, mais ou menos circulares, de coloração marrom a pardo claro, com o centro cinza claro,
envolvido quase sempre por um halo amarelado, dando um aspecto de um olho. Os frutos também podem
ser infectados, com maior frequência nos meses de janeiro a março, sendo que as lesões são visualizadas
em época próxima à maturação. As lesões em frutos são deprimidas, de coloração marrom ou arroxeadas,
tornando-se escuras quando mais velhas. Quando os frutos são atacados ainda verdes, ocorre uma
maturação forçada da casca ao redor da mancha, com prejuízos na qualidade da bebida, em decorrência
de processos fermentativos desenvolvidos. Aqui descrevemos que doença do cafeeiro:
(A) Rizoctoniose Tardia.
(B) Manchas de Phoma.
(C) Cercosporiose.
(D) Mancha de Ascochyta.
Comentário: a alternativa A está errada, pois a rizoctoniose afeta principalmente o sistema radicular e o colo
das plantas.
A alternativa B está errada, pois a mancha de Phoma provoca seca de ponteiros e necrose nas folhas, que se
tornam encurvadas quando as lesões atingem a borda foliar.
A alternativa C está correta, pois a cercosporiose ou olho-pardo provoca lesões pardacentas com centro de
coloração acinzentada.
A alternativa D está errada, pois a mancha de Ascochyta produz sintomas semelhantes à mancha de Phoma,
mas com lesões mais amarronzadas e geralmente localizadas no meio do limbo foliar.
Gabarito: alternativa C.
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12. (COTEC - Prefeitura de Turmalina, MG - 2019) De acordo com os sintomas descritos para uma
doença do tomateiro, assinale a alternativa que corresponde às características:
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“É uma doença altamente destrutiva, pela rapidez na colonização de toda a parte aérea das plantas e na
disseminação do patógeno na cultura. Tem ocorrência esporádica e está relacionada à persistência de baixa
temperatura e alta umidade, principalmente no período chuvoso. A doença ataca toda a parte aérea da
planta, mas, em geral, inicia-se pelos tecidos situados em sua metade superior. Nos folíolos, os primeiros
sintomas surgem como manchas irregulares, de tecido encharcado verde-escuro, que podem aumentar
rapidamente de tamanho e tomar grandes áreas dos folíolos. Nos frutos, em qualquer estádio, as lesões são
do tipo podridão dura, de cor pardo escura, profundas e de superfície irregular. Os esporângios são formados
durante período de alta umidade relativa e de temperaturas ótimas entre 18-22ºC. Em condições úmidas,
podem germinar diretamente ou produzir zoósporos biflagelados sob frio”.
A) Mancha bacteriana - Xanthomonas campestris pv. vesicatoria (Doidge) Dye et al.
B) Requeima - Phytophthora infestans (Mont) De Bary.
C) Mosaico comum - “Tomato mosaic virus”- ToMV.
D) Vira-cabeça – Tospovirus.
Comentário: a alternativa A está errada, pois a mancha bacteriana é favorecida por condições de alta
umidade e temperatura, provocando sintoma característico podridão mole e anasarca (lesões necróticas
encharcadas). Não produz esporângios e zoósporos.
A alternativa B está correta, pois o oomiceto Phytophthora infestans produz esporângios e zoósporos. Sua
incidência é favorecida por alta umidade e temperaturas amenas. Provoca lesões encharcadas nas folhas que
evoluem para necrose e podridão dura nos frutos.
A alternativa C está errada, pois o mosaico comum do tomateiro se caracteriza pelo mosaico, enrugamento
e ligeira curvatura dos bordos para cima.
A alternativa D está errada, pois o vira-cabeça do tomateiro provoca clorose das folhas, seguida de
bronzeamento, necrose e deformação do limbo foliar.
Gabarito: alternativa B.
_______________________________________________________________________________________
13. (CETAP - Prefeitura de São João de Pirabas, PA - 2016) É a principal doença da maioria das
variedades do cajueiro e também ocorre em abacateiro, mangueira, acerola e cafeeiro, causada pelo fungo
Colletotrichum gloeosporioides Penz.
(A) Resinose.
(B) Mofo-preto.
(C) Fusariose.
(D) Podridão parda.
(E) Antracnose.
Comentário: a alternativa A está errada, pois a resinose é provocada pelo fungo Lasiodiplodia theobromae,
sendo uma das mais importantes doenças do cajueiro. Provoca intumescimento e fendilhamento do tronco
com exsudação de goma.
A alternativa B está errada, pois o mofo-preto é causado por Diploidium anacardiacearum se caracteriza pela
presença de micélio escurecido na face inferior das folhas, que exibem clorose seguida de necrose.
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A alternativa C está errada, pois a fusariose é causada por fungos do gênero Fusarium.
A alternativa D está errada, pois a podridão parda é provocada por fungos do gênero Phytophthora, afetando
principalmente frutos e sementes no cacaueiro.
A alternativa E está correta, pois o fungo Colletotrichum gloeosporioides é o agente etiológico da antracnose.Gabarito: alternativa E.
_______________________________________________________________________________________
14. (Crescer Consultorias - Prefeitura de Urbano Santos, MA - 2017) O oídio da soja, desenvolve-se na
parte aérea da planta, sendo caracterizado pela presença de uma fina camada de micélio e esporos
(conídios) pulverulentos do fungo, que podem evoluir de pequenos pontos brancos para a cobertura total
das partes infectadas, impedindo a fotossíntese e provocando queda prematura das folhas, nas quais, a
coloração branca do fungo pode se alterar para castanho acinzentada e, nas hastes, podem ocorrer
rachaduras e cicatrizes superficiais. Possui dispersão facilitada pelo vento, podendo incidir em qualquer
estádio de desenvolvimento da planta, sendo que, quanto mais cedo, maiores os danos provocados sobre
o rendimento. A baixa umidade relativa do ar e temperaturas amenas são condições favoráveis ao fungo.
Assinale o agente causal dessa doença:
(A) Erysiphe polygoni
(B) Uncinula necator
(C) Sphaerotheca pannosa
(D) Microsphaera difusa
Comentário: a alternativa A está errada, pois Erysiphe polygoni é o agente etiológico do oídio do feijoeiro,
de frutíferas e de hortaliças.
A alternativa B está errada, pois Uncinula necator causa oídio na videira.
A alternativa C está errada, pois Sphaerotheca pannosa é o oídio da roseira e de diversas plantas
ornamentais.
A alternativa D está correta, pois Microsphaera difusa (atualmente Erysiphe diffusa) provoca oídio na soja.
Gabarito: alternativa D.
_______________________________________________________________________________________
15. (Crescer Consultorias - Prefeitura de Pedro do Rosário, MA - 2019) “É uma doença que ataca as
lavouras de trigo, causada por um fungo que penetra pela base do cacho deixando-o amarelado (com
aparência de maduro), porém o caule continua verde”.
A doença citada acima é:
(A) bubalina.
(B) brucelose.
(C) brotação.
(D) brusone.
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Comentário: a alternativa A está errada, pois bubalina refere-se a aspectos e produtos relacionados à criação
de búfalos.
A alternativa B está errada, pois a brucelose é uma zoonose provocada por bactérias do gênero Brucella.
A alternativa C está errada, pois brotação refere-se ao estágio inicial do desenvolvimento de ramos laterais
em plantas.
A alternativa D está correta, pois o brusone é uma doença provocada pelo fungo Pyricularia griseaque ataca
também o arroz.
Gabarito: alternativa D.
_______________________________________________________________________________________
16. (VUNESP - MPE-SP - 2016) O enrolamento da folha da batateira é causado pela presença do Potato
leafroll, trata-se de
(A) uma bactéria.
(B) um fungo.
(C) um príon.
(D) um nematoide.
(E) um vírus.
Comentário: o enrolamento da batateira é provocado pelo potato leafroll virus, sendo uma doença de
etiologia viral.
Gabarito: alternativa E.
_______________________________________________________________________________________
17. (PONTUA - Prefeitura de Jaguarão, RS - 2013) Na cultura dos citros (Citrus spp), os sintomas desta
doença caracterizam-se, no início, na forma de lesões eruptivas, levemente salientes, puntiformes, de cor
creme ou parda, tornando-se após esponjosas, esbranquiçadas e por fim pardacentas, circundadas por um
halo amarelo. Nas folhas, as lesões são salientes nas duas faces. Esta doença é conhecida como:
(A) Melanose (Diaportha citri).
(B) Exocorte (Citrus exocortis viroid).
(C) Leprose (Citrus leprosis vírus).
(D) Clorose variegada dos citros (Xylella fastidiosa).
(E) Cancro cítrico (Xanthomonas axonopodis).
Comentário: a alternativa A está errada, pois a melanose provoca pequenas lesões encharcadas que, ao se
romperem, provocam exsudação de goma, tornando as lesões escurecidas e ásperas ao tato.
A alternativa B está errada, pois o exocorte provoca amarelecimento das folhas, rachaduras nos ramos e
exsudação de goma.
A alternativa C está errada, pois a leprose provoca manchas com centro esverdeado e entorno amarelado.
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A alternativa D está errada, pois a clorose variegada dos citros provoca amarelecimento variegado
(manchado) nas folhas que evoluem para lesões amarronzadas.
A alternativa E está correta, pois o cancro cítrico se manifesta inicialmente como lesões eruptivas pontuais
levemente salientes, evoluindo para lesões esponjosas circundadas por halo clorótico.
Gabarito: alternativa E.
_______________________________________________________________________________________
18. (ADVISE - Prefeitura de São João, PE - 2016) Existe uma grande diversidade dos organismos
causadores de doenças em plantas com diferentes mecanismos de disseminação, o que dificulta o controle
desses agentes. Assinale a alternativa correta sobre o tema descrito:
(A) Alguns zygomicetos são capazes de se transportar de maneira ativa a curtas distâncias.
(B) O vento é o principal meio de disseminação dos vírus e bactérias.
(C) Na maior parte dos casos as infecções causadas por vírus têm início com a formação de um filme de água
sobre a folha que transporta as partículas do organismo até as zonas lesionadas ou aberturas naturais da
planta.
(D) Os insetos são os grandes responsáveis pela disseminação dos nematoides a grandes distâncias
(E) A irrigação por sulcos é a mais indicada para evitar a disseminação de patógenos de solo como Fusarium
spp.
Comentário: a alternativa A está correta, pois os zigomicetos apresentam esporos flagelados que são capazes
de se locomover ativamente a curtas distâncias.
A alternativa B está errada, pois o principal mecanismo de disseminação de vírus é por insetos vetores,
enquanto as bactérias são disseminadas principalmente por partículas de água formadas depois do impacto
de gotas de chuva ou irrigação.
A alternativa C está errada, pois as infecções virais geralmente têm início com ferimentos causados por
insetos vetores ou práticas de manejo, enquanto a formação de filme de água na superfície foliar é essencial
para o estabelecimento de infecções fúngicas.
A alternativa D está errada, pois os nematoides são disseminados a grandes distâncias principalmente por
solo contaminado e por material de propagação infectado.
A alternativa E está errada, pois a irrigação por sulcos permite o transporte de inóculo de patógenos de solo.
Gabarito: alternativa A.
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19. (ADVISE - Prefeitura de São João, PE - 2016) O cultivo do tomateiro demanda cuidados intensivos
em relação ao controle de moléstias. Assinale a alternativa CORRETA em relação às principais doenças
dessa cultura:
(A) O sistema de cultivo de tomate para indústria torna as plantas menos suscetíveis a doenças de solo como
a podridão causada por Scletorinia sclerotiorum.
(B) A rotação com culturas anuais como a soja é recomendada para o controle de Sclerotium rolfsii que causa
podridão no tomateiro.
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(C) O controle de mosca-branca (Bemisia tabaci) é fundamental para o manejo do vírus do vira-cabeça do
tomateiro.
(D) A doença conhecida como talo-oco é ocasionada por Fusarium oxysporum que tem a característica de
infeccionar os casos do floema.
(E) A utilização do controle biológico com Trichoderma spp. auxilia no controle da rizoctoniose, pois aquele
fungo parasita os microescleródios deste.
Comentário: a alternativa A está errada, pois a produção de tomate para indústria não emprega sistema de
condução,o que favorece o contato das plantas com os patógenos de solo.
A alternativa B está errada, pois a soja também é acometida pela podridão causada por Sclerotium rolfsii.
A alternativa C está errada, pois o vírus do vira-cabeça do tomateiro é transmitido por tripes.
A alternativa D está errada, pois as espécies de Fusarium parasitam os vasos do xilema.
A alternativa E está correta, pois o fungo Trichoderma spp. controla fungos fitopatogênicos de solo, como
Rhizoctonia sp., por diversos mecanismos, como competição e parasitismo das hifas e micélio fúngico.
Gabarito: alternativa E.
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20. (IF-MT - IF-MT - 2018) Nematoides são organismos aquáticos que habitam diferentes espaços na
crosta terrestre desde água doce, salgada e o solo. Quando no solo, se fitoparasitas, infectam as raízes e
também a parte aérea de plantas cultivadas causando danos irreversíveis à produção. O manejo de
nematoides envolve diversas estratégias que visam reduzir a população presente na área a níveis que não
causem danos às plantas. Entre os principais gêneros que ocorrem em áreas de produção de grãos e fibras
no cerrado estão Meloidogyne incognita, Pratylenchus spp, Heterodera glycines e Rotylenchulus reniformis
que são conhecidos, sobretudo, pelos sintomas característicos que causam nas raízes e pelo tipo de
sintoma ou estrutura que produz, respectivamente:
(A) Nematoide de galhas, nematoide de cisto, nematoide das lesões radiculares e nematoide reniforme.
(B) Nematoide cavernícola, nematoide de galhas, nematoide do cisto e nematoide das lesões radiculares.
(C) Nematoide de galhas, nematoide das lesões radiculares, nematoide do cisto e nematoide reniforme.
(D) Nematoide do cisto, nematoide reniforme, nematoide cavernícola e nematoide das lesões radiculares.
(E) Nematoide reniforme, nematoide do cisto, nematoide cavernícola, nematoide de galhas
Comentário: Meloidogyne incognita é uma espécie de nematoide-das-galhas.
Pratylenchus spp. é o gênero do nematoide-das-lesões.
Heterodera glycines é a espécie do nematoide do cisto da soja.
Rotylenchulus reniformis é a espécie do nematoide reniforme.
Gabarito: alternativa C.
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21. (AMEOSC - Prefeitura de São João do Oeste, SC - 2017) Essa doença tem sido verificada em plantas
localizadas em áreas recém-desmatadas e já foi encontrada em diversas coníferas como: Abies, Araucaria,
Chamaecyparis, Criptomeria, Cupressus, Juniperus, Larix, Libocedrus, Pinus, Pseudotsuga, Sequoia, Thuya,
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Tsuga. Em folhosas temos Acacia, Acer, Alnus, Betula, Castanea, Fagus, Juglans, Morus, Platanus, Populus,
Robinia, Quercus. As árvores com essa doença apresentam crescimento vagaroso, tornam-se
amarelecidas. Apresentam exsudação de resina na base do tronco e nas raízes. Posteriormente, começam
a ter queda acentuada de acículas, secamento de terminais de galhos e, finalmente, morrem. Em alguns
casos é possível observar a presença de cogumelos (basidiocarpos) na base das árvores vivas e no solo,
acima de raízes infectadas.
O nome dessa doença e o agente causal são respectivamente:
(A) Seca de ponteiros - Mycosphaerella pini.
(B) Armilariose - Armillaria spp.
(C) Podridão de raízes por Cylindrocladium - Cylindrocladium clavatum.
(D) Podridão de raízes causadas por Fusarium – Fusarium spp.
Comentário: a alternativa A está errada, pois a seca dos ponteiros é caracterizada pela seca das acículas de
ramos acometidos e exsudação de resina na base desses ramos.
A alternativa B está correta, a armilariose se caracteriza pelo amarelecimento, bronzeamento e seca das
acículas, com grande exsudação de resina na base do tronco e aparecimento de cogumelos, que são os
corpos de frutificação do fungo.
A alternativa C está errada, pois a podridão de raízes por Cylindrocladium se caracteriza pelo amarelecimento
e bronzeamento das acículas, com necrose e acúmulo de resina na região da casca do sistema radicular.
A alternativa D está errada, pois a podridão de raízes causada por Fusarium é uma doença mais importante
em viveiros, provocando murcha e escurecimento dos vasos do xilema.
Gabarito: alternativa B.
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22. (Instituto Excelência - Prefeitura de Barra Velha, SC - 2019) 30 A soja tem cada vez mais importância
no mercado. Devido ao aumento do plantio e a reutilização das mesmas áreas constantemente ano após
ano, incidência de doenças tem sido incrementada na lavoura. Qual doença tem como sintomas
característicos inicialmente pequenos manchas verde claras e amareladas que vão aumentando de
tamanho, ficando no fim com o centro necrótico e cor acinzentada. As manchas apresentam o halo
amarelado e são irregulares. No inferior da folha ocorre a formação das frutificações do fungo, essa massa
esbranquiçada é fundamental para diferenciar esta doença.
Assinale a alternativa correta que demonstra que doença é essa citada acima.
(A) Míldio
(B) Antracnose
(C) Tombamento ou Damping-Off
(D) Cercosporiose.
Comentário: a alternativa A está correta, pois o míldio da soja provoca manchas cloróticas nas folhas que
podem evoluir para necrose, sendo a característica mais marcante o crescimento micelial esbranquiçado na
face inferior das folhas.
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A alternativa B está errada, pois a antracnose é caracterizada pelas lesões necróticas e enegrecidas nas folhas
e nas vagens.
A alternativa C está errada, pois o tombamento ocorre no início do estabelecimento da lavoura, acometendo
plântulas que sofrem podridão do colo e acabam tombando e morrendo.
A alternativa D está errada. Fungos do gênero Cercospora provocam duas doenças na soja, a mancha púrpura
ou crestamento foliar (C. kikuchii) e a mancha olho-de-rã (C. sojina). A primeira é caracterizada por grandes
manchas necróticas escurecidas que provocam intensa desfolha, enquanto a segunda exibe manchas com
centro pardacento e bordas avermelhadas.
Gabarito: alternativa A.
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23. (Crescer Consultorias - Prefeitura de Urbano Santos, MA - 2017) A Fitopatologia é a ciência que
estuda as doenças das plantas em todos os seus aspectos, desde a diagnose e sintomatologia, passando
pela etiologia e epidemiologia, até chegar ao manejo. Desta forma, esta ciência é rica em conceitos, sendo
assim, assinale a alternativa INCORRETA:
(A) Os espiroplasmas são descritos como procariotos, sem parede celular e de forma espiraladas. As espécies
fitopatogênicas são habitantes do floema e podem se distribuir de forma sistêmica em toda a planta.
(B) As medidas recomendadas para controle dos carvões compreendem basicamente, o uso de variedades
resistentes, o tratamento do material de propagação (sementes e toletes) e o tratamento químico do solo.
(C) Tilose é uma estrutura de defesa histológica formadas nos vasos do xilema em resposta a estresse
abiótico, envelhecimento e/ou invasão por patógenos vasculares.
(D) Inóculo primário é o inóculo responsável pelos ciclos secundários da doença, ou seja, é o inóculo
produzido geralmente sobre o hospedeiro durante o ciclo da cultura.
Comentário: a alternativa A está correta, pois os espiroplasmas são procariotos que podem parasitar o
sistema vascular das plantas.
A alternativa B está correta, pois os carvões são controlados principalmente pelo emprego de cultivares
resistentes e também pelo tratamento do material de propagação.
A alternativa C está correta, as tiloses são projeçõesde células do parênquima que levam à obstrução dos
vasos do xilema como forma de defesa.
A alternativa D está errada, pois o inóculo primário é aquele que dá origem à infecção, enquanto p inóculo
secundário é aquele produzido depois que a infecção primária foi estabelecida nas doenças policíclicas.
Gabarito: alternativa D.
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24. (Instituto Excelência - Prefeitura de Barra Velha, SC - 2019) O milho é uma cultura, amplamente
difundida em nosso país, é realizada em regiões que diferem entre si quanto ao clima. Sendo o ambiente
um dos fatores determinantes na ocorrência de doenças. Uma doença muito presente nas lavouras de
milho tem como sintomatologia, plantas infectadas sistematicamente que se caracterizam por apresentar
uma clorose, redução no desenvolvimento, podendo ocorrer também estrias nas folhas. As lesões locais
na forma de lesões cloróticas estreitas e alongadas podem ser observadas em plantas sadias.
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Assinale a alternativa CORRETA de qual, doença está sendo descrita a cima.
(A) Mancha marron.
(B) Mildios.
(C) Podridão do colmo causada por Pythium.
(D) Rhizoctonia sp.
Comentário: a alternativa A está errada, pois a mancha marrom se caracteriza por lesões cloróticas que
evoluem para marrom-arroxeado.
A alternativa B está correta, pois os míldios provocam manchas cloróticas nas folhas que, no caso das
gramíneas, são estreitas e alongadas, formando estrias e faixas brancas.
A alternativa C está errada, pois a podridão de colmo por Pythium geralmente é limitada ao primeiro
internódio acima do solo, provocando lesões amarronzadas encharcadas.
A alternativa D está errada, pois o fungo Rhizoctonia sp. está associado principalmente ao tombamento de
plântulas.
Gabarito: alternativa B.
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Parabéns, colega Estrategista!
Chegamos ao fim da nossa aula. Espero que você tenha gostado do material e conseguido absorver
todo o conteúdo.
Não se esqueça de nos contatar em caso de dúvida, pode ser pelo fórum ou por:
Comemore essa vitória e siga adiante!
profdiegotassinari@gmail.com
@profdiegotassinari
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