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<p>1</p><p>O Evangelho</p><p>Essênio da Paz</p><p>2012</p><p>2</p><p>3</p><p>�OTA EDITORIAL:</p><p>HAILE I SELASSIE I JAH RASTAFARI!</p><p>Bendito o Amor de Deus Conosco e Seus ensinamentos que dão</p><p>orientação a Eu&Eu para como seguir na caminhada terrena.</p><p>Está é a segunda edição do livro O Evangelho Essênio da Paz</p><p>publicada pelo Eu&Eu Realidade Rasta. Parte da série Escrituras Sagradas,</p><p>que tem o objetivo de divulgar e popularizar grandes escritos sagrados que</p><p>por muito tempo ficaram ocultos e desconhecidos, que, porém, trazem</p><p>imensuráveis contribuições para a compreensão da vida, dos ensinos de</p><p>Cristo e das Leis divinas e naturais.</p><p>A primeira edição deste livro teve muita procura e grande</p><p>repercussão, seu conteúdo fascinou os leitores e inspirou muitos a alterarem</p><p>seu antigo modo de vida e buscarem uma purificação de seus templos-</p><p>corpos através de novos hábitos de conduta.</p><p>É nesse intento que trazemos essa nova edição revisada e também</p><p>incluindo alguns textos de apresentação dos manuscritos de seu primeiro</p><p>tradutor do hebraico e aramaico para uma língua moderna, Edmond</p><p>Bordeaux Székely, o mesmo que os encontrou guardados nas bibliotecas do</p><p>vaticano, ocultos do público em geral. Como profundo estudioso desses</p><p>manuscritos, consideramos que suas contribuições são de grande valor para</p><p>o estudo das escrituras dos Essênios.</p><p>Para Eu&Eu, os textos que se seguem são de tamanha importância</p><p>por trazerem o ensinamento vivo daqueles que por milhares de anos</p><p>representaram o povo que opta por uma vida separada do mundo ordinário,</p><p>buscando um contato mais profundo e natural com Deus, a Natureza, os</p><p>seres divinos, ou anjos, e a irmandade, os Essênios que também foram</p><p>conhecidos como Nazireus. Jesus e São João são os conhecidos praticantes</p><p>e difusores dessas práticas e ensinos.</p><p>Nesta compilação de textos sagrados chamada de O Evangelho</p><p>Essênio da Paz, Jesus traz aspectos fundamentais para a vivência Cristã que</p><p>pouco ou nada são mencionados em outros escritos mais populares. Em</p><p>especial o contato com o aspecto Omega-feminino de JAH RASTAFARI</p><p>(Deus-Chefe Criador), a Mãe Terrena, e Suas leis naturais e universais. A</p><p>importância da Alimentação VIVA, sem morte e sem cozimento, faz parte</p><p>desses ensinos de harmonia com Nossa Mãe. É somente estando em</p><p>4</p><p>perfeita harmonia e equilíbrio com nossa Mãe e suas leis, que poderemos</p><p>então almejar conhecer nosso Pai.</p><p>Em anexo, trazemos alguns textos que falam da origem desses</p><p>manuscritos e um breve resumo de quem são os Essênios.</p><p>Assim como ensina Jesus nesses manuscritos, Eu&Eu deseja que</p><p>essas palavras escritas sejam experienciadas como Palavra Viva na prática</p><p>das Eu&Eu vidas.</p><p>Luísa Benjamim – editora</p><p>Eu&Eu Realidade Rasta</p><p>Projeto Omega Nyahbinghi:</p><p>omeganyahbinghi.blogspot.com</p><p>Contatos:</p><p>luisabenjamim@gmail.com</p><p>Ilustração da capa: Alemayehu Bizuneh - artista etíope</p><p>5</p><p>SUMÁRIO</p><p>LIVRO 1 – O Evangelho Essênio da Paz ................................................. 7</p><p>Prefácio ....................................................................................................... 9</p><p>O Evangelho Essênio da Paz ................................................................... 11</p><p>LIVRO 2 – Os Livros Desconhecidos dos Essênios .............................. 43</p><p>Prefácio ..................................................................................................... 45</p><p>Introdução ................................................................................................ 47</p><p>A Visão de Enoque ................................................................................... 51</p><p>O Livro Essênio de Moisés ...................................................................... 53</p><p>As Comunhões ......................................................................................... 57</p><p>Do Livro Essênio de Jesus ....................................................................... 67</p><p>Fragmentos Idênticos aos Manuscritos do Mar Morto ........................ 73</p><p>Do Livro Essênio do Mestre da Virtude ................................................ 77</p><p>Fragmentos do Evangelho Essênio de João ........................................... 81</p><p>Fragmentos do Evangelho Essênio do Apocalipse ................................ 83</p><p>LIVRO 3 – Manuscritos perdidos da Irmandade Essênia ................... 91</p><p>Prefácio ..................................................................................................... 93</p><p>Introdução ................................................................................................ 95</p><p>O Voto Sétuplo ......................................................................................... 99</p><p>O Culto Essênio ...................................................................................... 100</p><p>O Anjo do Sol ......................................................................................... 101</p><p>O Anjo da Água ..................................................................................... 103</p><p>O Anjo do Ar .......................................................................................... 105</p><p>O Anjo da Terra .................................................................................... 107</p><p>O Anjo da Vida ...................................................................................... 109</p><p>O Anjo da Alegria .................................................................................. 111</p><p>A Mãe Terrena ....................................................................................... 113</p><p>O Anjo do Poder .................................................................................... 115</p><p>O Anjo do Amor .................................................................................... 117</p><p>6</p><p>O Anjo da Sabedoria ............................................................................. 118</p><p>O Anjo da Vida Eterna ......................................................................... 120</p><p>O Anjo do Trabalho .............................................................................. 123</p><p>O Anjo da Paz ........................................................................................ 125</p><p>O Pai Celestial ........................................................................................ 127</p><p>A Lei Sagrada ........................................................................................ 130</p><p>Os Anjos ................................................................................................. 132</p><p>A Irmandade .......................................................................................... 135</p><p>Árvores ................................................................................................... 138</p><p>Estrelas ................................................................................................... 140</p><p>A Lua ...................................................................................................... 142</p><p>Salmos de Louvor e Ação de Graças ................................................... 144</p><p>Lamentações .......................................................................................... 148</p><p>Profecias ................................................................................................. 151</p><p>LIVRO 4 – Os Ensinamentos dos Eleitos ........................................... 157</p><p>Prefácio .................................................................................................. 159</p><p>As Comunhões Essênias ....................................................................... 161</p><p>O Dom da Vida na Relva Humilde ...................................................... 169</p><p>A Paz Sétupla ......................................................................................... 177</p><p>As Correntes Sagradas .......................................................................... 187</p><p>Mas sede como aquele</p><p>agricultor que semeou em seu campo semente viva, e cujo campo deu</p><p>espigas de trigo vivas, pagando-lhe cem vezes mais pelas sementes que</p><p>plantou. Pois em verdade vos digo, vivei somente do fogo da vida, e não</p><p>prepareis vossos alimentos com o fogo da morte, que mata vossos</p><p>alimentos, vossos corpos e também vossas almas”.</p><p>“Mestre, onde está o fogo da vida?”, perguntaram alguns deles.</p><p>35</p><p>“Em vós, em vosso sangue e em vossos corpos”.</p><p>“E o fogo da morte?”, perguntaram outros.</p><p>“É o fogo que arde fora de vossos corpos, que é mais quente do que</p><p>vosso sangue. Com esse fogo da morte vós cozinhais vossos alimentos em</p><p>vossas casas e em vossos campos. Em verdade vos digo, é o mesmo fogo</p><p>que destrói vosso alimento e vossos corpos, assim como o fogo da maldade</p><p>que devasta vossos pensamentos, devasta vossos espíritos. Pois vosso corpo</p><p>é o que vós comeis, e vosso espírito é o que vós pensais. Não comais nada,</p><p>portanto, que um fogo mais forte que o fogo da vida tenha matado. Portanto</p><p>preparai e comei todas as frutas das árvores, todas as ervas dos campos e</p><p>todo leite dos animais para o alimento. Pois tudo isto é nutrido e maturado</p><p>pelo fogo da vida; todos são dádivas dos anjos de nossa Mãe Terrena. Mas</p><p>não comais nada a que somente o fogo da morte tenha dado sabor, pois tal é</p><p>de Satã”.</p><p>“Como cozinharíamos nosso pão de cada dia sem fogo, Mestre?”,</p><p>perguntaram alguns com grande espanto.</p><p>“Deixai que os anjos de Deus preparem vosso pão. Umedecei vosso</p><p>trigo, para que o Anjo da Água possa entrar nele. Colocai-o então ao ar,</p><p>para que o Anjo do Ar lhe abrace também. E deixai-o da manhã à tarde sob</p><p>o sol, para que o Anjo da Luz do Sol possa descer sobre ele. E a bênção dos</p><p>três anjos fará com que o gérmen da vida brote em vosso trigo. Em seguida,</p><p>triturai vossos grãos e fazei finas hóstias, como fizeram vossos antepassados</p><p>quando partiram do Egito, a casa da escravidão. Ponde-as novamente sob o</p><p>sol no seu aparecimento, e, quando ele estiver erguido no seu ponto mais</p><p>alto no céu, virai-as do outro lado para que também possa ser envolvido</p><p>pelo Anjo da Luz do Sol, e deixai-as assim até que o sol se ponha. Pois os</p><p>anjos da água, do ar e da luz do sol nutriram e maturaram o trigo no campo,</p><p>e eles devem igualmente preparar também vosso pão. E o mesmo sol que,</p><p>com o fogo da vida, fez o trigo crescer e madurar deve cozer vosso pão</p><p>com o mesmo fogo. Pois o fogo do sol dá vida ao trigo, ao pão e ao corpo.</p><p>Porém o fogo da morte mata o trigo, o pão e o corpo. E os anjos vivos do</p><p>Deus Vivo somente servem a homens vivos. Pois Deus é o Deus dos vivos</p><p>e não deus dos mortos.”</p><p>Assim, comei sempre da mesa de Deus: os frutos das árvores, o grão</p><p>das ervas do campo, o leite dos animais e o mel das abelhas. Pois tudo além</p><p>disso é de Satã e conduz pelos caminhos do pecado e das enfermidades até</p><p>a morte. No entanto, os alimentos que comeis da abundante mesa de Deus</p><p>dão força e juventude a vosso corpo, e nunca vereis enfermidades. Pois a</p><p>36</p><p>mesa de Deus alimentou Matusalém de outrora, e em verdade vos digo, se</p><p>viveis como ele viveu, então o Deus dos vivos também vos dará uma longa</p><p>vida sobre a terra como a dele.”</p><p>“Pois em verdade vos digo, o Deus dos vivos é mais rico que todos</p><p>os ricos da terra, e Sua mesa abundante é mais rica que a mais rica mesa de</p><p>festa de todos os ricos da terra. Comei, portanto, durante toda vossa vida na</p><p>mesa de nossa Mãe Terrena, e nunca vereis escassez. E quando comerdes</p><p>em Sua mesa, comei tudo tal como são encontrados na mesa da Mãe</p><p>Terrena. Não cozinheis nem mistureis todas as coisas umas com as outras,</p><p>para que vossos intestinos não se convertam em lodaçais fumegantes. Pois</p><p>em verdade vos digo, isto é abominável aos olhos do Senhor.”</p><p>“E não sejais como o servo ganancioso que sempre comia a porção</p><p>dos outros na mesa de seu senhor. Devorava tudo sozinho e misturava tudo</p><p>em sua gula. E, vendo aquilo, seu senhor irou-se com ele e expulsou-o da</p><p>mesa. E, quando todos acabaram suas refeições, mesclou tudo o que restara</p><p>sobre a mesa e chamou o servo guloso, e disse-lhe: “Toma e come tudo isso</p><p>junto aos porcos, pois teu lugar está entre eles, e não em minha mesa.”</p><p>“Cuidai, portanto, e não profaneis com todo tipo de abominações o</p><p>templo de vossos corpos. Contentai-vos com dois ou três tipos de</p><p>alimentos, que sempre encontrareis na mesa de nossa Mãe Terrena. E não</p><p>desejeis devorar tudo quanto vedes ao vosso redor. Pois em verdade vos</p><p>digo, se misturais em vossos corpos todo tipo de alimento, então a paz de</p><p>vossos corpos cessará e se travará em vós uma guerra interminável. E vosso</p><p>corpo se aniquilará como as casas e os reinos que, divididos entre si,</p><p>causam sua própria destruição. Pois vosso Deus é o Deus da paz, e nunca</p><p>ajuda a divisão. Não desperteis, portanto, contra vós a cólera de Deus, para</p><p>que Ele não vos expulse de Sua mesa e não sejais compelidos a irdes à</p><p>mesa de Satã, onde o fogo dos pecados, da enfermidade e da morte</p><p>corromperá vossos corpos.”</p><p>“E quando comeis, não comais até estar cheio. Fugi das tentações de</p><p>Satã e escutai a voz dos anjos de Deus. Pois Satã e seu poder vos tentarão</p><p>sempre a comerdes mais e mais. Porém vivei pelo espírito e resisti aos</p><p>desejos do corpo. E vosso jejum é sempre agradável aos olhos dos anjos de</p><p>Deus. Assim prestai atenção ao quanto comestes quando vosso corpo</p><p>estiver saciado, e comei sempre menos de um terço disso.”</p><p>“Que o peso de vosso alimento diário não seja menor que o de uma</p><p>mina, porém vigiai que não exceda o de duas. Então vos servirão sempre os</p><p>anjos de Deus, e nunca caireis na escravidão de Satã e de suas</p><p>37</p><p>enfermidades. Não dificulteis as obras dos anjos em vosso corpo comendo</p><p>muitas vezes ao dia. Pois em verdade vos digo, aquele que come mais de</p><p>duas vezes no dia faz em si a obra de Satã. E os anjos de Deus abandonam</p><p>seu corpo, e rapidamente Satã toma posse dele. Comei somente quando o</p><p>sol estiver mais alto nos céus, e novamente quando ele se pôr. E nunca</p><p>vereis enfermidade, pois desse modo encontrareis favor aos olhos do</p><p>Senhor. E se desejais que os anjos de Deus se alegrem em vosso corpo, e</p><p>que Satã vos evite de longe, sentai então uma só vez ao dia à mesa de Deus.</p><p>E então muitos serão vossos dias sobre a terra, pois isto é agradável aos</p><p>olhos do Senhor. Comei sempre em que a mesa de Deus for servida diante</p><p>de vós, e comei sempre daquilo que encontrardes sobre a mesa de Deus.</p><p>Pois em verdade vos digo, Deus sabe bem o que vosso corpo necessita e</p><p>quando o necessita.”</p><p>“Com a chegada do mês de Iyar comei cevada; no mês de Sivan</p><p>comei trigo, a mais perfeita dentre todas ervas que dão semente. E que</p><p>vosso pão de cada dia seja feito de trigo, para que o Senhor cuide de vossos</p><p>corpos. No mês de Tammuz comei a uva verde, para que vosso corpo possa</p><p>reduzir-se e Satã possa abandoná-lo. No mês de Elul, colhei a uva para que</p><p>seu suco possa vos servir como bebida. No mês de Marcheshvan, colhei a</p><p>uva doce, seca e adoçada pelo Anjo da Luz do Sol, para que vossos corpos</p><p>possam aumentar, para os anjos do Senhor habitarem neles. Deveis comer</p><p>os figos ricos em sumo nos meses de Ab e de Shebat, e o que sobrar, deixai</p><p>que o Anjo do Sol guarde-os para vós; comei-os com amêndoas em todos</p><p>os meses em que as árvores não derem frutos. E as ervas que brotam depois</p><p>da chuva, comei-as durante o mês de Thebet, para que vosso sangue possa</p><p>ser purificado de todos os vossos pecados. E no mesmo mês começai</p><p>também a beber o leite de vossos animais, pois para eles o Senhor deu as</p><p>ervas dos campos, para todos os animais que dão leite, para que eles</p><p>possam alimentar ao homem com seu leite. Pois em verdade vos digo,</p><p>felizes são aqueles que comem somente na mesa de Deus, e abstêm-se de</p><p>todas as abominações de Satã. Não comais alimentos impuros trazidos de</p><p>países distantes, mas comei sempre daquilo que produzirem vossas árvores.</p><p>Pois vosso Deus sabe bem o que é necessário para vós, e onde e quando. E</p><p>Ele dá a todos os povos de todos os reinos os alimentos</p><p>mais adequados</p><p>para cada um deles. Não comais como os pagãos, que fartam-se com</p><p>pressa, profanando seus corpos com todo tipo de abominações.”</p><p>***</p><p>38</p><p>“Pois o poder dos anjos de Deus entra em vós junto com o alimento</p><p>vivo que o Senhor vos proporciona de Sua mesa real. E, quando comeis,</p><p>tende sobre vós o Anjo do Ar, e abaixo de vós o Anjo da Água. Respirai</p><p>longa e profundamente em todas as vossas refeições para que o Anjo do Ar</p><p>possa abençoar vosso alimento. E mastigai bem o vosso alimento com</p><p>vossos dentes, para que se torne água e para que o Anjo da Água converta-o</p><p>em sangue dentro de vosso corpo. E comei lentamente, como se fosse uma</p><p>oração que fazeis ao Senhor. Pois em verdade vos digo, o poder de Deus</p><p>entra em vós se comeis de tal maneira em Sua mesa. Mas Satã converte em</p><p>um lodaçal malcheiroso o corpo daquele sobre cujos alimentos não descem</p><p>os anjos do ar e da água. E o Senhor não lhe permite permanecer por mais</p><p>tempo em Sua mesa. Pois a mesa do Senhor é um altar, e quem come na</p><p>mesa de Deus está em um templo. Pois em verdade vos digo, o corpo do</p><p>Filho do Homem converte-se em um templo, e suas entranhas em um altar,</p><p>se ele cumpre os mandamentos de Deus. Portanto, não ponhais nada sobre</p><p>o altar do Senhor quando vosso espírito estiver atormentado, nem penseis</p><p>de alguém com ira no templo de Deus. E entrai sozinho no santuário do</p><p>Senhor quando sentirdes em vós a chamada de Seus anjos, pois tudo o que</p><p>comeis com tristeza, ou com ira, ou sem desejo, converte-se em veneno em</p><p>vosso corpo. Pois o alento de Satã contamina tudo isso. Ponde com alegria</p><p>vossas oferendas sobre o altar de vosso corpo, e deixai que todos os maus</p><p>pensamentos afastem-se de vós quando receberdes em vosso corpo o poder</p><p>de Deus procedente de Sua mesa. E nunca vos senteis à mesa de Deus antes</p><p>que ele vos chame por meio do anjo do apetite.”</p><p>“Regozijai, portanto, sempre com os anjos de Deus em sua mesa real,</p><p>pois isto é agradável ao coração do Senhor. E vossa vida será longa sobre a</p><p>terra, pois o mais valioso dos servos de Deus vos servirá todos os dias: o</p><p>Anjo da Alegria.”</p><p>“E não esqueçais que cada sétimo dia é santo e está consagrado a</p><p>Deus. Durante seis dias alimentai vosso corpo com os dons da Mãe</p><p>Terrena, mas no sétimo dia santificai vosso corpo para vosso Pai Celestial.</p><p>No sétimo dia não comais nenhum alimento terreno, mas vivei somente das</p><p>palavras de Deus, e permanecei o dia inteiro com os anjos do Senhor no</p><p>reino do Pai Celestial. E no sétimo dia deixai que os anjos de Deus</p><p>construam o reino dos céus em vosso corpo, como trabalhastes durante seis</p><p>dias no reino da Mãe Terrena. E não deixeis que nenhum alimento dificulte</p><p>a obra dos anjos em vosso corpo ao longo do sétimo dia. E Deus vos</p><p>concederá vida longa sobre a terra, para que tenhais vida eterna no reino</p><p>39</p><p>dos céus. Pois em verdade vos digo, se não verdes mais enfermidades sobre</p><p>a terra, vivereis para sempre no reino dos céus.”</p><p>“E Deus vos enviará a cada manhã o Anjo da Luz do Sol para vos</p><p>despertar de vosso sono. Obedecei, portanto, a chamada de vosso Pai</p><p>Celestial e não permaneçais ociosos em vossos leitos, pois os anjos do ar e</p><p>da água já vos aguardam afora. E trabalhai durante todo o dia com os anjos</p><p>da Mãe Terrena para virdes a conhecer eles e suas obras cada vez mais e</p><p>melhor. Mas quando o sol se pôr e vosso Pai Celestial vos enviar Seu anjo</p><p>mais precioso, o do sono, ide descansar e permanecei toda a noite com o anjo</p><p>do sono. E então vosso Pai Celestial vos enviará Seus anjos desconhecidos</p><p>para que possam permanecer convosco ao longo da noite. E os anjos</p><p>desconhecidos do Pai Celestial vos ensinarão muitas coisas sobre o reino de</p><p>Deus, assim como os anjos que conheceis da Mãe Terrena vos instruem nos</p><p>assuntos do Seu reino. Pois em verdade vos digo, vós sereis toda noite os</p><p>convidados do reino de vosso Pai Celestial, se cumpris Seus mandamentos.</p><p>E, quando vos despertardes na manhã seguinte, sentireis em vós o poder</p><p>dos anjos desconhecidos. E vosso Pai Celestial os enviará a vós todas as</p><p>noites, para que possam edificar vosso espírito, assim como todos os dias a</p><p>Mãe Terrena envia Seus anjos, para que edifiquem vosso corpo. Pois em</p><p>verdade vos digo, se durante o dia vossa Mãe Terrena acolhe-vos em Seus</p><p>braços, e se durante a noite o Pai Celestial sopra em vós o Seu beijo, então</p><p>os Filhos dos Homens se tornarão os Filhos de Deus.”</p><p>“Resisti de dia e de noite às tentações de Satã. Não vos desperteis à</p><p>noite, nem durmais de dia, para que os anjos de Deus não vos abandonem.”</p><p>“Não tenha prazer em nenhuma bebida, nem em nenhum fumo de</p><p>Satã, que vos desperte à noite e vos faça dormir de dia. Pois em verdade</p><p>vos digo, todas as bebidas e fumos de Satã são abominações aos olhos de</p><p>vosso Deus.”</p><p>“Não cometais prostituição, nem de dia nem de noite, pois a</p><p>prostituição é como uma árvore cuja seiva escorre para fora do tronco.</p><p>Árvore que secará antes do tempo e não chegará a dar fruto. Portanto, não</p><p>vos prostituais para que Satã não seque vosso corpo e o Senhor não torne</p><p>vossa semente infrutífera.”</p><p>“Evitai tudo que estiver demasiado quente ou demasiado frio. Pois é</p><p>a vontade da vossa Mãe Terrena que nem o calor nem o frio danem vosso</p><p>corpo. E não deixeis que vossos corpos fiquem mais quentes ou mais frios do</p><p>que os anjos de Deus os aqueçam ou esfriem. E se cumpris os mandamentos</p><p>da Mãe Terrena, então, toda a vez que vosso corpo se tornar demasiado</p><p>40</p><p>quente, ela vos enviará o anjo do frescor para que vos refresque, e, toda a</p><p>vez que vosso corpo se tornar demasiado frio, vos enviará o anjo do calor</p><p>para vos aquecer novamente.”</p><p>“Segui o exemplo de todos os anjos do Pai Celestial e da Mãe</p><p>Terrena, que trabalham dia e noite, sem cessar, nos reinos dos céus e da</p><p>terra. Portanto, recebei também em vós mesmos o mais poderoso dos anjos</p><p>de Deus, o Anjo dos Atos, e trabalhai todos juntos sobre o reino de Deus.</p><p>Segui o exemplo da água corrente, do vento como ele sopra, do nascente e</p><p>do poente do sol, do crescimento das plantas e das árvores, dos animais</p><p>quando correm e saltam, do minguar e do crescer da lua, das estrelas em</p><p>seu ir e vir; todos se movem e realizam suas tarefas. Porque tudo o que tem</p><p>vida se move, e só o que está morto permanece imóvel. E Deus é o Deus</p><p>dos vivos, e Satã é o dos mortos. Servi, portanto, ao Deus Vivo, para que o</p><p>eterno movimento da vida vos sustente e para que escapeis da eterna</p><p>imobilidade da morte. Trabalhai, portanto, sem cessar para edificar o reino</p><p>de Deus, para que não sejais jogados no reino de Satã. Pois uma alegria</p><p>eterna abunda no reino vivo de Deus, enquanto que uma quieta tristeza</p><p>escurece o reino da morte de Satã. Sejais, pois, verdadeiros Filhos de vossa</p><p>Mãe Terrena e de vosso Pai Celestial, para que não vos torneis escravos de</p><p>Satã. E vossa Mãe Terrena e vosso Pai Celestial vos enviarão Seus anjos</p><p>para que ensinem, amem e sirvam a vós. E Seus anjos escreverão os</p><p>mandamentos de Deus em vossa cabeça, em vosso coração e em vossas</p><p>mãos, para que possais conhecer, sentir e cumprir os mandamentos de Deus.”</p><p>“E orai todos os dias ao vosso Pai Celestial e à vossa Mãe Terrena</p><p>para que vossa alma se torne tão perfeita quanto o espírito santo de vosso</p><p>Pai Celestial é perfeito, e para que vosso corpo se torne tão perfeito quanto</p><p>o corpo de vossa Mãe Terrena é perfeito. Pois se entendeis, sentis e cumpris</p><p>os mandamentos, então tudo quanto pedirdes ao vosso Pai Celestial e à</p><p>vossa Mãe Terrena vos será dado. Porque a sabedoria, o amor e o poder de</p><p>Deus estão acima de tudo.”</p><p>“Orai, portanto, do seguinte modo ao vosso Pai Celestial: ‘Pai nosso</p><p>que estás nos céus, santificado seja Teu nome. Venha o Teu reino. Tua</p><p>vontade seja feita na terra assim como nos céus. O pão nosso de cada dia</p><p>dá-nos hoje. E perdoa nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos</p><p>nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal,</p><p>pois Teus são o reino, o poder e a glória para sempre. Amém’.”</p><p>“E orai do seguinte modo à vossa Mãe</p><p>Terrena: ‘Mãe nossa que estás</p><p>na terra, santificado seja Teu nome. Venha o Teu reino, e Tua vontade seja</p><p>41</p><p>feita em nós assim como se faz em ti. Assim como Tu envias todos os dias</p><p>os Teus anjos, envia-os também a nós. Perdoa os nossos pecados, pois nós</p><p>expiamos todos os nossos pecados contra Ti. Não nos deixes cair em</p><p>enfermidade, mas livra-nos do mal, pois Teus são a terra, o corpo e a saúde.</p><p>Amém’.”</p><p>E todos eles rezaram junto a Jesus ao Pai Celestial e à Mãe Terrena.</p><p>E depois Jesus lhes falou assim: “Assim como vossos corpos</p><p>renasceram por meio dos anjos da Mãe Terrena, vosso espírito pode, de</p><p>igual modo, renascer por meio dos anjos do Pai Celestial. Tornai-vos,</p><p>portanto, verdadeiros Filhos de vosso Pai e de vossa Mãe, e verdadeiros</p><p>Irmãos dos Filhos dos Homens. Até agora estivestes em guerra com vosso</p><p>Pai, com vossa Mãe e com vossos Irmãos. E tendes servido a Satã. A partir</p><p>de hoje, vivei em paz com vosso Pai Celestial, com vossa Mãe Terrena e</p><p>com vossos Irmãos, os Filhos dos Homens. E lutai unicamente contra Satã,</p><p>para que ele não vos roube vossa paz. Eu dou a paz de vossa Mãe Terrena a</p><p>vosso corpo, e a paz de vosso Pai Celestial a vosso espírito. E que a paz de</p><p>ambos reine entre os Filhos dos Homens.”</p><p>“Vinde a mim todos que estejais cansados e que sofrais em conflitos</p><p>e aflições! Pois minha paz vos fortalecerá e vos confortará. Porque minha</p><p>paz está repleta de alegria. Por isso eu sempre vos cumprimento dessa</p><p>forma: ‘A paz esteja convosco!’ Portanto, sempre vos cumprimentai uns</p><p>aos outros assim, para que sobre vosso corpo possa descer a paz de vossa</p><p>Mãe Terrena, e sobre vosso espírito, a paz de vosso Pai Celestial. E então</p><p>encontrareis a paz também entre vós, pois o reino de Deus estará dentro de</p><p>vós. E agora regressai a vossos Irmãos, com quem até agora estivestes em</p><p>guerra, e dai a eles também vossa paz. Pois felizes são aqueles que lutam</p><p>pela paz, pois encontrarão a paz de Deus. Ide, e não pequeis mais. E dai a</p><p>todos a vossa paz, assim como eu vos dei a minha paz. Pois minha paz é de</p><p>Deus. A paz esteja convosco”.</p><p>E lhes deixou.</p><p>E sua paz desceu sobre eles; e com o Anjo do Amor em seus</p><p>corações, com a sabedoria da lei em suas cabeças e com o poder do</p><p>renascimento em suas mãos, dispersaram-se entre os Filhos dos Homens,</p><p>para levar a luz da paz àqueles que guerreavam na escuridão.</p><p>E separaram-se, desejando uns aos outros:</p><p>“A paz esteja convosco”.</p><p>42</p><p>43</p><p>LIVRO 2</p><p>OS LIVROS DESCO�HECIDOS DOS</p><p>ESSÊ�IOS</p><p>44</p><p>45</p><p>PREFÁCIO</p><p>Eu tenho que começar este prefácio com uma grande confissão: esta</p><p>não é minha primeira tradução do Livro Dois do Evangelho Essênio da Paz;</p><p>é minha segunda. O primeiro esforço levou muitos anos para ser concluído,</p><p>e foi composto cuidadosamente e literalmente, com centenas de referências</p><p>cruzadas e muitas notas de rodapé filológicas e exegéticas. Quando ele foi</p><p>finalizado, eu estava muito orgulhoso dele, e, com um entusiasmo de</p><p>autossatisfação realizada, eu dei para meu amigo, Aldous Huxley, ler. Duas</p><p>semanas depois, eu perguntei a ele o que ele achou de minha monumental</p><p>tradução. “É muito, muito ruim”, ele respondeu. “É ainda pior do que os</p><p>tratados mais chatos dos patrísticos e dos escolásticos, que ninguém lê hoje</p><p>em dia. É, de fato, tão seco e desinteressante que eu não tenho vontade de</p><p>ler o Livro Três”. Eu fiquei sem palavras, então ele continuou: “Você</p><p>deveria reescrevê-lo e dar-lhe algo da vitalidade de seus outros livros –</p><p>torná-lo literário, legível e atrativo para os leitores do século vinte. Eu</p><p>tenho certeza de que os Essênios não falavam uns com os outros em notas</p><p>de rodapé! No formato em que ele está agora, os únicos leitores que você</p><p>terá para ele serão uns poucos dogmáticos em seminários teológicos, que</p><p>parecem ter um prazer masoquista em ler esse tipo de coisa. No entanto”,</p><p>ele acrescentou com um sorriso, “você pode achar algum valor nele como</p><p>uma cura para a insônia; cada vez que eu tentava lê-lo, eu adormecia em</p><p>poucos minutos. Você pode tentar vender alguns exemplares, dessa</p><p>maneira, anunciando como um remédio novo de sono em revistas de saúde</p><p>– sem produtos químicos nocivos, e tudo mais.”</p><p>Levei um bom tempo para me recuperar desta crítica. Deixei de lado</p><p>o manuscrito por anos. Entretanto, eu continuei a receber milhares de cartas</p><p>de muitos leitores, de todas as partes do mundo, da minha tradução do</p><p>Livro Um do Evangelho Essênio da Paz, pedindo pelos segundo e terceiro</p><p>livros prometidos no prefácio. Finalmente, eu tive a coragem de começar de</p><p>novo. O passar dos anos tinha amadurecido a minha postura e eu vi as</p><p>críticas do meu amigo sob uma nova luz. Reescrevi todo o manuscrito,</p><p>tratando-o como literatura e poesia, confrontando com grandes problemas</p><p>da vida, tanto antigos quanto contemporâneos. Não foi fácil ser fiel ao</p><p>original, e, ao mesmo tempo, apresentar as verdades eternas de um modo</p><p>atrativo para o homem do século vinte. E, no entanto, era de vital</p><p>importância que eu tentasse; pois os Essênios, acima de todos os outros,</p><p>46</p><p>esforçaram-se para conquistar os corações dos homens através da razão, e</p><p>do poderoso e vívido exemplo de suas vidas.</p><p>Infelizmente, Aldous não está mais aqui para ler a minha segunda</p><p>tradução. Eu tenho a sensação de que ele teria gostado (nem uma nota de</p><p>rodapé!), mas eu terei que deixar o julgamento final para meus leitores. Se</p><p>os Livros Dois e Três se tornarão tão populares como o Livro Um, meus</p><p>esforços de muitos, muitos anos serão amplamente recompensados.</p><p>Edmond Bordeaux Székely</p><p>San Diego, Califórnia</p><p>1º de Novembro, 1974.</p><p>47</p><p>I�TRODUÇÃO</p><p>Há três caminhos que levam à Verdade. O primeiro é o caminho da</p><p>consciência, o segundo é o da natureza, e o terceiro é o da experiência</p><p>acumulada de gerações passadas, que nós recebemos em forma de grandes</p><p>obras de todas as épocas. Desde tempos imemoriais, o homem e a</p><p>humanidade têm seguido todos os três caminhos.</p><p>O primeiro caminho para a Verdade, o caminho da consciência, é o</p><p>seguido pelos grandes místicos. Eles consideram que a consciência é a</p><p>realidade mais imediata para nós e é a chave para o universo. É algo que</p><p>está em nós, que somos nós. E, através das eras, os místicos têm descoberto</p><p>que as leis da consciência humana contêm um aspecto não encontrado nas</p><p>leis que governam o universo material.</p><p>Uma certa unidade dinâmica existe na nossa consciência, na qual um</p><p>é ao mesmo tempo muitos. É possível para nós termos simultaneamente</p><p>diferentes pensamentos, idéias, associações, imagens, memórias e intuições</p><p>ocupando a nossa consciência em frações de minutos ou segundos, contudo</p><p>toda esta multiplicidade ainda constituirá apenas uma única unidade</p><p>dinâmica. Portanto, as leis da matemática, que são válidas para o universo</p><p>material e são uma chave para sua compreensão, não serão válidas no</p><p>campo da consciência, um domínio onde dois e dois não necessariamente</p><p>são quatro. Os místicos também descobriram que as medições de tempo,</p><p>espaço e peso, universalmente válidas na natureza e todo o universo</p><p>material, não são aplicáveis à consciência, na qual, às vezes, alguns</p><p>segundos parecem horas, ou horas parecem um minuto.</p><p>A nossa consciência não existe no espaço e, por conseguinte, não</p><p>pode ser medida em termos espaciais. Tem seu próprio tempo, que é muito</p><p>frequentemente atemporal, assim medições temporais não podem ser</p><p>aplicadas à verdade alcançada por este caminho. Os grandes místicos</p><p>descobriram que a consciência humana, além de ser a mais imediata e a</p><p>mais profunda realidade para nós, é, ao mesmo tempo, nossa mais próxima</p><p>fonte de energia, harmonia e conhecimento. O caminho para a Verdade,</p><p>levando para e através da consciência, produziu os grandes ensinamentos</p><p>da humanidade, as grandes intuições e as grandes obras-primas através das</p><p>eras. Tal é o primeiro caminho ou fonte da Verdade, como as tradições</p><p>Essênias compreendem e interpretam-na.</p><p>48</p><p>Infelizmente, as magníficas intuições originais dos grandes mestres</p><p>muitas vezes perdem sua vitalidade à medida que passam as gerações. Elas</p><p>são muitas vezes modificadas, distorcidas e transformadas em dogmas, e</p><p>muito frequentemente seus valores tornam-se petrificados em instituições e</p><p>organizados em hierarquias. As intuições puras são sufocadas pelas areias</p><p>do tempo e, eventualmente, tem que ser escavadas pelos buscadores da</p><p>Verdade capazes de penetrar em sua essência.</p><p>Outro perigo é que as pessoas que seguem este caminho para a</p><p>Verdade – o caminho da consciência – podem cair em exageros. Eles</p><p>chegam a pensar que este é o único caminho para a Verdade e ignoram</p><p>todos os outros. Muitas vezes, também, eles aplicam as leis específicas da</p><p>consciência humana para o universo material, no qual elas não têm</p><p>validade, e ignoram as leis próprias da última esfera. O místico muitas</p><p>vezes cria para si um universo artificial, cada vez mais distante da</p><p>realidade, até que ele termina por viver em uma torre de marfim, tendo</p><p>perdido todo o contato com a realidade e a vida.</p><p>O segundo dos três caminhos é o caminho da natureza. Enquanto o</p><p>primeiro caminho da consciência começa do interior e penetra daí para a</p><p>totalidade das coisas, o segundo caminho toma o caminho oposto. Seu</p><p>ponto de partida é o mundo externo. É o caminho do cientista, e foi seguido</p><p>em todas as eras através da experiência e da experimentação, através da</p><p>utilização de métodos indutivos e dedutivos.</p><p>O cientista, trabalhando com medidas quantitativas exatas, mede</p><p>tudo no espaço e no tempo, e faz todas as correlações possíveis.</p><p>Com seu telescópio, ele penetra muito distante do espaço cósmico,</p><p>para os vários sistemas solares e galácticos; através de análise de espectro,</p><p>ele mede os componentes dos diversos planetas do espaço cósmico; e, pelo</p><p>cálculo matemático, ele estabelece antecipadamente os movimentos dos</p><p>corpos celestes. Aplicando a lei de causa e efeito, o cientista estabelece</p><p>uma longa cadeia de causas e efeitos que o ajudam a explicar e medir o</p><p>universo, assim como a vida.</p><p>Mas o cientista, como o místico, às vezes cai em exageros. Embora a</p><p>ciência tenha transformado a vida da humanidade e criado grandes valores</p><p>para o homem em todas as eras, não conseguiu dar inteira satisfação na</p><p>solução dos problemas finais da existência, da vida e do universo. O</p><p>cientista tem a longa cadeia de causas e efeitos seguras em todas as suas</p><p>partículas, mas ele não tem idéia do que fazer com o final da cadeia. Ele</p><p>não tem nenhum ponto sólido em que possa conectar o final da cadeia, e</p><p>49</p><p>assim, pelo caminho da Verdade através da natureza e do universo material,</p><p>ele é incapaz de responder às grandes e eternas questões a respeito do início</p><p>e do fim de todas as coisas.</p><p>Os maiores cientistas reconhecem que, no campo metafísico, além da</p><p>cadeia científica existe algo mais – continuando a partir do final dessa</p><p>cadeia. No entanto, existem também os cientistas dogmáticos que negam</p><p>qualquer outra abordagem da Verdade além da sua própria, que se recusam</p><p>a atribuir realidade para os fatos e fenômenos que não se encaixem</p><p>perfeitamente em suas próprias categorias e classificações.</p><p>O caminho para a Verdade através da natureza não é o dos cientistas</p><p>dogmáticos, assim como o primeiro caminho não é o do místico unilateral.</p><p>A natureza é um grande livro aberto, no qual tudo pode ser encontrado, se</p><p>nós aprendermos a extrair dela a inspiração que ela tem dado para os</p><p>grandes pensadores de todas as eras. Se nós aprendermos a sua linguagem,</p><p>a natureza nos revelará todas as leis da vida e do universo.</p><p>É por esta razão que todos os grandes mestres da humanidade ao</p><p>longo do tempo retiraram-se para a natureza: Zaratustra e Moisés para as</p><p>montanhas, Buda para a floresta, Jesus e os Essênios para o deserto – e</p><p>assim seguiram esse segundo caminho, bem como o da consciência. Os</p><p>dois caminhos não se contradizem, mas se completam harmoniosamente</p><p>com todo o conhecimento das leis de ambos. Foi dessa maneira que os</p><p>grandes ensinadores alcançaram verdades maravilhosas e profundas que</p><p>deram inspiração para milhões através de milhares de anos.</p><p>O terceiro caminho para a Verdade é a sabedoria, conhecimento e</p><p>experiência adquiridos pelos grandes pensadores de todas as eras e</p><p>transmitidos a nós na forma de grandes ensinamentos, os grandes livros ou</p><p>escrituras sagrados, e as grandes obras-primas da literatura universal, que</p><p>juntos formam o que hoje chamaríamos de cultura universal.</p><p>Em síntese, portanto, nossa abordagem da Verdade é uma tríplice em</p><p>um: através da consciência, da natureza, e da cultura.</p><p>Nos capítulos seguintes, nós iremos seguir esse tríplice caminho que</p><p>leva à Verdade e examinaremos e traduziremos alguns dos grandes escritos</p><p>sagrados dos Essênios.</p><p>Existem diferentes maneiras de estudar estes grandes escritos. Uma</p><p>maneira – a maneira de todos os teólogos e das Igrejas organizadas – é</p><p>considerar cada texto literalmente. Esta é a maneira dogmática resultante de</p><p>um longo processo de petrificação, pela qual verdades são inevitavelmente</p><p>transformadas em dogmas.</p><p>50</p><p>Quando o teólogo segue este caminho mais fácil, mas parcial, ele</p><p>segue em contradições e complicações sem fim, e ele chega a uma</p><p>conclusão tão longe da verdade como a do intérprete científico desses</p><p>textos que os rejeitam como totalmente sem valor e sem validade. As</p><p>abordagens do teólogo dogmático e do cientista exclusivista representam</p><p>dois extremos.</p><p>Um terceiro erro é acreditar, como fazem certos simbolistas, que</p><p>esses livros não têm mais do que um conteúdo simbólico e não são nada</p><p>mais que parábolas. Com sua própria maneira de exagero estes simbolistas</p><p>fazem milhares de interpretações diferentes e bastante contraditórias desses</p><p>grandes textos.</p><p>O espírito das tradições Essênias é oposto a todas estas três formas</p><p>de interpretar esses textos perenes e segue uma abordagem totalmente</p><p>diferente.</p><p>O método Essênio de interpretação destes livros é, por um lado,</p><p>colocá-los em relação harmoniosa com as leis da consciência humana e da</p><p>natureza, e, por outro, considerar os fatos e as circunstâncias da época e do</p><p>ambiente em que eles foram escritos. Essa abordagem também leva em</p><p>conta o grau de evolução e compreensão das pessoas a quem o singular</p><p>mestre dirigia a sua mensagem.</p><p>Visto que todos os grandes mestres tiveram que adaptar seus ensinos</p><p>ao nível do seu público, eles consideravam necessário formular tanto um</p><p>ensinamento exotérico como esotérico. A mensagem exotérica era</p><p>compreensível para o povo em geral e era expressa em termos de várias</p><p>regras, formas e rituais correspondentes às necessidades básicas do povo e</p><p>da era em questão. Paralelamente a isso, os ensinamentos esotéricos</p><p>sobreviveram através das eras em parte como escritas e em parte como não</p><p>escritas tradições vivas, livres de formas, rituais, regras e dogmas, e, em</p><p>todos os períodos, foram mantidas vivas e praticadas por uma pequena</p><p>minoria.</p><p>É neste espírito de interpretação da Verdade que o Evangelho</p><p>Essênio da Paz será traduzido nas páginas seguintes. Rejeitando os métodos</p><p>dogmáticos de interpretação literal e puramente científica, bem como o</p><p>exagero dos simbolistas, tentaremos traduzir o Evangelho Essênio da Paz à</p><p>luz da nossa consciência e da natureza, e em harmonia com as grandes</p><p>tradições dos Essênios, a cuja irmandade pertenciam os próprios autores</p><p>dos Manuscritos do Mar Morto.</p><p>Edmond Bordeaux Székely</p><p>51</p><p>A VISÃO DE E�OQUE</p><p>Deus fala ao homem a mais antiga revelação</p><p>Falo contigo. Serena-te. Reconhece. Eu sou Deus.</p><p>Falei contigo quando nasceste. Serena-te. Reconhece. Eu sou Deus.</p><p>Falei contigo em tua primeira contemplação. Serena-te. Reconhece.</p><p>Eu sou Deus.</p><p>Falei contigo em tua primeira palavra. Serena-te. Reconhece. Eu sou</p><p>Deus.</p><p>Falei contigo em teu primeiro pensamento. Serena-te. Reconhece. Eu</p><p>sou Deus.</p><p>Falei contigo em teu primeiro amor. Serena-te. Reconhece. Eu sou</p><p>Deus.</p><p>Falei contigo em teu primeiro cântico. Serena-te. Reconhece. Eu sou</p><p>Deus.</p><p>Falo contigo através do pasto das pradarias. Serena-te. Reconhece.</p><p>Eu sou Deus.</p><p>Falo contigo através das árvores dos bosques. Serena-te. Reconhece.</p><p>Eu sou Deus.</p><p>Falo contigo através dos vales e das colinas. Serena-te. Reconhece.</p><p>Eu sou Deus.</p><p>Falo contigo através das Montanhas Sagradas. Serena-te. Reconhece.</p><p>Eu sou Deus.</p><p>Falo contigo através da chuva e da neve. Serena-te. Reconhece. Eu</p><p>sou Deus.</p><p>Falo contigo através das ondas do mar. Serena-te. Reconhece. Eu sou</p><p>Deus.</p><p>Falo contigo através do orvalho da manhã. Serena-te. Reconhece. Eu</p><p>sou Deus.</p><p>Falo contigo através da paz do entardecer. Serena-te. Reconhece. Eu</p><p>sou Deus.</p><p>Falo contigo através do esplendor do sol. Serena-te. Reconhece. Eu</p><p>sou Deus.</p><p>Falo contigo através das estrelas brilhantes. Serena-te. Reconhece.</p><p>Eu sou Deus.</p><p>52</p><p>Falo contigo através das nuvens e das tormentas. Serena-te.</p><p>Reconhece. Eu sou Deus.</p><p>Falo contigo através do trovão e do relâmpago. Serena-te.</p><p>Reconhece. Eu sou Deus.</p><p>Falo contigo através do arco-íris misterioso. Serena-te. Reconhece.</p><p>Eu sou Deus.</p><p>Falarei contigo quando estiveres só. Serena-te. Reconhece. Eu sou</p><p>Deus.</p><p>Falarei contigo através da Sabedoria dos Anciões. Serena-te.</p><p>Reconhece. Eu sou Deus.</p><p>Falarei contigo no final do tempo. Serena-te. Reconhece. Eu sou</p><p>Deus.</p><p>Falarei contigo quando tiveres visto meus Anjos. Serena-te.</p><p>Reconhece. Eu sou Deus.</p><p>Falarei contigo por toda a Eternidade. Serena-te. Reconhece. Eu sou</p><p>Deus.</p><p>Falo contigo. Serena-te. Reconhece. Eu sou Deus.</p><p>53</p><p>O LIVRO ESSÊ�IO DE MOISÉS</p><p>Os Dez Mandamentos</p><p>E o Monte Sinai estava envolto por uma nuvem, porque o Senhor</p><p>descia sobre ele em fogo; e a fumaça que dali subia era como a de uma</p><p>fornalha e toda a montanha tremeu fortemente.</p><p>E o Senhor desceu ao Monte Sinai, sobre o topo do monte, e o</p><p>Senhor chamou Moisés ao topo do monte, e Moisés subiu.</p><p>E o Senhor chamou Moisés para fora do monte, dizendo: “Vem a</p><p>mim, que Eu te darei a Lei para teu povo, a qual será uma aliança com os</p><p>Filhos da Luz.”</p><p>E Moisés foi junto a Deus. E Deus falou nessas palavras, dizendo:</p><p>“Eu sou a Lei, teu Deus, quem te resgatou das profundezas da</p><p>escravidão das trevas.</p><p>Não terás nenhuma outra lei fora de Mim.</p><p>Não construirás para ti nenhuma imagem da Lei nem acima no céu,</p><p>nem abaixo na terra. Eu sou a Lei invisível, sem princípio e sem fim.</p><p>Não criarás para ti falsas leis. Porque Eu sou a Lei e a Lei total de</p><p>todas as leis. Se renuncias a Mim, tu serás visitado por desastres de geração</p><p>em geração.</p><p>Se guardas meus mandamentos, entrarás no Jardim Infinito onde está</p><p>a Árvore da Vida, em meio ao Mar Eterno.</p><p>Não violarás a Lei. A Lei é teu Deus, quem não te considerará</p><p>inocente.</p><p>Honra tua Mãe Terrena para que teus dias possam ser longos sobre a</p><p>terra e honra teu Pai Celestial para que tenhas vida eterna nos céus, pois os</p><p>céus e a terra te são dados pela Lei, que é teu Deus.</p><p>Saudarás a Mãe Terrena na manhã do Shabat.</p><p>Saudarás o Anjo da Terra na segunda manhã.</p><p>Saudarás o Anjo da Vida na terceira manhã.</p><p>Saudarás o Anjo da Alegria na quarta manhã.</p><p>Saudarás o Anjo do Sol na quinta manhã.</p><p>Saudarás o Anjo da Água na sexta manhã.</p><p>Saudarás o Anjo do Ar na sétima manhã.</p><p>Todos estes Anjos da Mãe Terrena saudarás e te consagrarás a eles</p><p>para que possas entrar no Jardim Infinito onde está a Árvore da Vida.</p><p>54</p><p>Adorarás a teu Pai Celestial no entardecer do Shabat.</p><p>Comungarás com o Anjo da Vida Eterna no segundo entardecer.</p><p>Comungarás com o Anjo do Trabalho no terceiro entardecer.</p><p>Comungarás com o Anjo da Paz no quarto entardecer.</p><p>Comungarás com o Anjo do Poder no quinto entardecer.</p><p>Comungarás com o Anjo do Amor no sexto entardecer.</p><p>Comungarás com o Anjo da Sabedoria no sétimo entardecer.</p><p>Com todos os anjos do Pai Celestial comungarás para que teu</p><p>espírito possa purificar-se na Fonte de Luz e entrar no Mar da Eternidade.</p><p>O sétimo dia é o Shabat, o comemorarás e o guardarás como dia</p><p>santo. O Shabat é o dia da Luz da Lei, teu Deus. Nele não farás nenhum</p><p>tipo de trabalho, exceto buscar a Luz, o Reino de Deus, e todas as coisas te</p><p>serão dadas.</p><p>Sabei pois que trabalhareis durante seis dias com os anjos, mas no</p><p>sétimo dia habitareis na Luz de vosso Senhor que é a Lei Santa.</p><p>Não tomarás a vida de qualquer coisa vivente. A vida vem</p><p>unicamente de Deus quem a dá e a tira.</p><p>Não degradarás o Amor. É esse o dom sagrado do Pai Celestial.</p><p>Não negociarás tua alma, o dom imensurável do Deus amoroso, pois</p><p>as riquezas do mundo, que são as sementes que caem em terreno</p><p>pedregoso, não criam raízes e vivem muito pouco tempo.</p><p>Não darás falso testemunho da Lei para utilizá-la contra teus irmãos;</p><p>unicamente Deus conhece o princípio e o fim de todas as coisas, pois Seu</p><p>olho é único e Ele é a Lei Santa.</p><p>Não cobiçarás os bens de teu próximo. A Lei te dá dons muito</p><p>maiores, nos céus e na terra, se guardas os Mandamentos do Senhor teu</p><p>Deus”.</p><p>E Moisés ouviu a voz do Senhor e selou dentro de si a aliança que</p><p>era entre o Senhor e os Filhos da Luz.</p><p>E Moisés virou-se e desceu do monte, com as duas tábuas da Lei em</p><p>suas mãos.</p><p>E as tábuas eram a obra de Deus e a escrita era a escrita de Deus</p><p>gravada sobre as tábuas.</p><p>E o povo não sabia o que havia acontecido com Moisés, e reuniram-</p><p>se e fundiram todos seus artefatos de ouro e construíram um bezerro. E</p><p>adoraram ao ídolo e ofereceram-lhe sacrifícios.</p><p>55</p><p>E eles comeram, beberam e dançaram diante do bezerro de ouro, o</p><p>qual eles haviam feito, e abandonaram-se à corrupção e à perversidade</p><p>diante do Senhor.</p><p>E ocorreu que, assim que chegou perto da aldeia, ele viu o bezerro,</p><p>as danças e a maldade do povo. E Moisés se encheu de fúria e jogou as</p><p>tábuas da lei de suas mãos e quebrou-as contra o monte.</p><p>E na manhã seguinte Moisés disse ao povo: “Vós haveis cometido</p><p>um grande pecado. Vós haveis negado a vosso Criador. Eu subirei até o</p><p>Senhor e implorarei por vosso pecado”.</p><p>E voltando Moisés até o Senhor, disse: “Senhor, Tu viste a</p><p>profanação de Tua Santa Lei. Pois Teus filhos perderam a fé e adoraram as</p><p>trevas e fizeram para eles um bezerro de ouro. Senhor, perdoa-os, pois eles</p><p>estão cegos para a luz”.</p><p>E o Senhor disse a Moisés: “Eis que no princípio dos tempos houve</p><p>uma aliança feita entre Deus e o homem, e a chama sagrada do Criador</p><p>entrou nele. E ele foi feito Filho de Deus, e foi dado a ele que guardasse sua</p><p>herança de primogênito, e fizesse frutífera a terra de seu Pai e mantivesse-a</p><p>Santa. E ele expulsou o Criador de si mesmo, rechaçando sua</p><p>primogenitura. Não existe pecado mais grave aos olhos de Deus”.</p><p>E o Senhor falou, dizendo: “Unicamente os Filhos da Luz podem</p><p>guardar os Mandamentos da Lei. Escuta, pois te falo assim: as tábuas que tu</p><p>quebraste nunca mais serão escritas nas palavras dos homens. Como tu as</p><p>converteste em terra e fogo, assim elas viverão, invisíveis, nos corações</p><p>daqueles que sejam capazes de seguir sua Lei. À tua gente de pouca fé, que</p><p>pecou contra o Criador, mesmo quando estava no solo sagrado diante de teu</p><p>Deus, Eu lhes darei outra Lei. Será uma Lei severa, sim, lhes compelirá,</p><p>pois eles não conhecem ainda o Reino da Luz”.</p><p>E Moisés guardou a Lei invisível dentro de seu peito e manteve-a</p><p>como um sinal aos Filhos da Luz. E Deus deu a Moisés a lei escrita para o</p><p>povo, e ele voltou a eles, e falou-lhes com um coração abatido.</p><p>Moisés disse ao povo: “Estas são as leis que vosso Deus vos tem</p><p>dado:</p><p>Não terás outro Deus além de mim.</p><p>Não farás para ti nenhuma imagem esculpida.</p><p>Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.</p><p>Recordarás do dia do Shabat e o manterás santo.</p><p>Honrarás teu Pai e tua Mãe.</p><p>Não matarás.</p><p>56</p><p>Não cometerás adultério.</p><p>Não roubarás.</p><p>Não levantarás falsos testemunhos contra</p><p>teu próximo.</p><p>Não cobiçarás a casa de teu próximo, nem sua esposa, nem nada que</p><p>seja de teu próximo”.</p><p>E houve um dia de dor e arrependimento pelo grande pecado contra o</p><p>Criador, que não terminou. E as tábuas quebradas da Lei Invisível viveram</p><p>ocultas no peito de Moisés, até que sucedeu que os Filhos da Luz</p><p>apareceram no deserto e os anjos caminharam sobre a Terra.</p><p>57</p><p>AS COMU�HÕES</p><p>E era nas margens de um rio que os fatigados e aflitos vinham buscar</p><p>a Jesus. E, como crianças, eles haviam esquecido a Lei; e, como crianças,</p><p>buscavam a seu pai para que lhes mostrasse onde haviam errado, e</p><p>colocasse seus passos novamente no caminho. E, quando o sol apareceu no</p><p>horizonte, eles viram Jesus, que vinha em sua direção desde a montanha,</p><p>com o brilho do sol nascente sobre sua cabeça.</p><p>E ele levantou sua mão e sorriu para eles, dizendo: “A paz esteja</p><p>convosco”.</p><p>Porém eles estavam envergonhados para retornar-lhe a saudação, pois</p><p>cada um a sua maneira havia dado às costas aos sagrados ensinamentos, e os</p><p>anjos da Mãe Terrena e do Pai Celestial não estavam com eles. E um</p><p>homem, olhando com angustia, falou: “Mestre, estamos necessitados</p><p>desesperadamente de tua sabedoria. Pois nós sabemos o que é bom e ainda</p><p>seguimos o mal. Sabemos que para entrar no reino dos céus devemos</p><p>caminhar com os anjos do dia e da noite, e entretanto nossos pés transitam</p><p>pelos caminhos dos ímpios. A luz do dia brilha unicamente sobre nossa</p><p>busca por prazer, e a noite cai sobre nossa letargia negligente. Diz-nos,</p><p>Mestre, como podemos falar com os anjos e permanecer dentro de seu</p><p>santo círculo, para que a Lei possa arder em nossos corações com uma</p><p>chama constante?”</p><p>E Jesus falou-lhes:</p><p>“Levantar vossos olhos ao céu, quando os olhos de todos os homens</p><p>estão no chão, não é fácil.</p><p>Adorar os pés dos anjos, quando todos os homens adoram somente</p><p>fama e riquezas, não é fácil.</p><p>Mas o mais difícil de tudo é pensar os pensamentos dos anjos, falar</p><p>as palavras dos anjos, e agir como os anjos”.</p><p>E um homem falou: “Mas, Mestre, nós somos apenas homens, não</p><p>somos anjos. Como então podemos esperar andar nos seus caminhos? Diz-</p><p>nos o que devemos fazer”.</p><p>E Jesus falou:</p><p>“Como os filhos herdam a terra de seu pai, assim nós herdamos uma</p><p>Terra Santa de nossos Pais.</p><p>Esta terra não é um campo para ser arado, mas um lugar dentro de</p><p>nós, em que podemos construir um Templo Santo.</p><p>58</p><p>E como um templo deve ser levantando, pedra sobre pedra, assim eu</p><p>darei a vós essas pedras para a construção do Templo Santo; aquele que</p><p>temos herdado de nossos Pais e dos Pais de seus Pais.”</p><p>E todos os homens reuniram-se ao redor de Jesus, e seus rostos</p><p>brilhavam com o desejo de ouvir as palavras que vinham de seus lábios. E</p><p>ele levantou seu rosto para o sol nascente e o esplendor de seus raios</p><p>encheu seus olhos quando falou:</p><p>“O Templo Santo pode ser construído unicamente com as antigas</p><p>Comunhões, aquelas que são faladas, aquelas que são pensadas e aquelas</p><p>que são vividas.</p><p>Pois se elas forem faladas unicamente com a boca, são como uma</p><p>colméia inutilizada que as abelhas abandonaram e não dá mais mel.</p><p>As comunhões são como uma ponte entre os homens e os anjos, e,</p><p>como uma ponte, pode ser construída unicamente com paciência, assim</p><p>como a ponte sobre o rio é construída pedra por pedra, como são</p><p>encontradas nas margens da água.</p><p>E as comunhões são catorze em número, como os anjos do Pai</p><p>Celestial são em número sete e os Anjos da Mãe Terra são em número sete.</p><p>E, assim como as raízes das árvores cavam a terra e são nutridas, e os</p><p>ramos das árvores levantam seus braços ao céu, assim é o homem, como o</p><p>tronco da árvore com suas raízes profundas no coração da Mãe Terrena, e</p><p>seu espírito ascendendo às estrelas brilhantes de seu Pai Celestial.</p><p>E as raízes da árvore são os Anjos da Mãe Terrena, e os ramos da</p><p>árvore são os anjos do Pai Celestial.</p><p>E esta é a Sagrada Árvore da Vida que está no Mar da Eternidade.”</p><p>***</p><p>“A primeira Comunhão é com o Anjo do Sol.</p><p>O Anjo do Sol, que vêm cada manhã, como uma donzela de sua</p><p>câmara, para derramar sua luz dourado sobre o mundo.</p><p>Ó tu, imortal, brilhante, corcel veloz, Anjo do Sol!</p><p>Não há calor sem ti, não há fogo sem ti, não há vida sem ti.</p><p>Como as folhas verdes das árvores adoram-te, e é através de ti que o</p><p>diminuto grão de trigo se converte em um rio de espigas douradas</p><p>balançando ao vento.</p><p>Através de ti se abre a flor no centro de meu corpo.</p><p>Por isso eu nunca me esconderei de ti.</p><p>59</p><p>Anjo do Sol, santo mensageiro da Mãe Terrena, entra no Templo</p><p>Santo dentro de mim e dá-me o Fogo da Vida!”</p><p>***</p><p>“A segunda Comunhão é com o Anjo da Água.</p><p>O Anjo da Água, que faz com que a chuva caia sobre as planícies</p><p>áridas, quem enche a fonte seca até transbordar.</p><p>Sim, nós te adoramos, Água da Vida. Desde o mar celestial, as águas</p><p>correm e fluem das fontes inesgotáveis.</p><p>Em meu sangue fluem mil fontes puras, vapores, nuvens e todas as</p><p>águas que se espalham sobre os Sete Reinos.</p><p>Todas as águas que o Criador fez são santas.</p><p>A voz do Senhor está sobre as águas: o Deus de Glória troveja; o</p><p>Senhor está sobre muitas águas.</p><p>Anjo da Água, santo mensageiro da Mãe Terrena, entra no sangue</p><p>que flui através de mim, lava meu corpo com a chuva que cai do céu e dá-</p><p>me a Água da Vida.”</p><p>***</p><p>“A terceira Comunhão é com o Anjo do Ar.</p><p>O Anjo do Ar quem espalha o perfume de campos de doces aromas,</p><p>de ervas primaveris após a chuva, do botão que se abre da Rosa de Saron.</p><p>Nós adoramos o Sopro Sagrado que está acima de todas as coisas</p><p>criadas.</p><p>Pois eis que o eterno e soberano espaço luminoso onde governam as</p><p>incontáveis estrelas é o ar que nós respiramos e é o ar que nós exalamos.</p><p>E no instante entre a aspiração e a exalação estão ocultos todos os</p><p>mistérios do Jardim Infinito.</p><p>Anjo do Ar, santo mensageiro da Mãe Terrena, entra profundamente</p><p>dentro de mim, como a andorinha despenca do céu, para que eu possa saber</p><p>os segredos do vento e a música das estrelas.”</p><p>***</p><p>“A quarta Comunhão é com o Anjo da Terra.</p><p>60</p><p>O Anjo da Terra, quem produz o cereal e as uvas da plenitude da</p><p>terra. Quem traz os filhos dos lombos do esposo e da esposa.</p><p>Aquele que cultiva a terra com o braço direito e com o braço</p><p>esquerdo; a ele, ela trará uma abundância de frutos e grãos, plantas</p><p>douradas crescendo da terra na primavera, tanto quanto a terra se estende,</p><p>tanto quanto os rios se expandem, tanto quanto o sol se levanta, para</p><p>conceder seus dons de alimento aos homens.</p><p>Esta vasta terra que eu louvo, expandida com caminhos, a produtiva,</p><p>a plenamente fértil, Tua Mãe, santa planta!</p><p>Sim, eu louvo as terras onde tu cresces, aromática, espalhando-se</p><p>rapidamente, o bom desenvolvimento do Senhor.</p><p>Ele, quem semeia cereal, ervas e frutas, semeia a Lei.</p><p>E sua colheita será abundante e sua safra maturará nos montes,</p><p>Como uma recompensa para os seguidores da Lei, o Senhor enviou o</p><p>Anjo da Terra, santo mensageiro da Mãe Terrena, para fazer as plantas</p><p>crescerem e tornar fértil o ventre da mulher, porque a terra nunca pode ficar</p><p>sem o sorriso das crianças. Adoremos ao Senhor nela.”</p><p>***</p><p>“A quinta Comunhão é com o Anjo da Vida.</p><p>O Anjo da Vida, quem dá força e vigor ao homem.</p><p>Pois eis que, se a cera não é pura, como pode então a vela dar uma</p><p>chama firme?</p><p>Ide então até as árvores que crescem altas, e diante de uma delas que</p><p>seja formosa, alta e forte, dizei estas palavras:</p><p>‘Salve a ti! Ó boa árvore viva, feita pelo Criador!’.</p><p>Então o Rio da Vida fluirá entre vós e vossa irmã, a Árvore, e a</p><p>saúde do corpo, a agilidade do pé, a agudeza dos ouvidos, a força dos</p><p>braços e a visão da águia serão vossas.</p><p>Assim é a Comunhão com o Anjo da Vida, santo mensageiro da Mãe</p><p>Terrena.”</p><p>***</p><p>“A sexta Comunhão é com o Anjo da Alegria.</p><p>O Anjo da Alegria, quem desce sobre a terra para dar beleza a todos</p><p>os homens.</p><p>61</p><p>Pois o Senhor não</p><p>é adorado com tristezas, nem com gritos de</p><p>desespero.</p><p>Deixai vossos gemidos e lamentações, e cantai ao Senhor um novo</p><p>cântico: cantai ao Senhor toda a terra.</p><p>Que os céus regozijem, que a terra se alegre, que os campos jubilem,</p><p>que as águas aplaudam, que todos os montes jubilem diante do Senhor.</p><p>Para que sigais com alegria e vades adiante em paz: as montanhas e</p><p>as colinas se irromperão diante de vós em cânticos.</p><p>Anjo da Alegria, santo mensageiro da Mãe Terrena, cantarei ao</p><p>Senhor enquanto eu viver: entoarei louvores ao meu Deus em toda minha</p><p>existência.”</p><p>***</p><p>“A sétima Comunhão é com nossa Mãe Terrena.</p><p>Nossa Mãe Terrena. Ela, quem envia Seus anjos para guiar as raízes</p><p>do homem e as envia profundamente ao solo abençoado.</p><p>Invocamos a Mãe Terrena!</p><p>A Santa Preservadora!</p><p>A Mantenedora!</p><p>É Ela quem restabelecerá o mundo!</p><p>A terra é d’Ela, e a plenitude do mundo, e dos que moram nele.</p><p>Nós adoramos a boa, a forte, a bondosa Mãe Terrena e todos os Seus</p><p>anjos generosos, valentes e plenos de força; concedendo bem-estar, dócil, e</p><p>doando saúde.</p><p>Através de Seu brilho e glória, as plantas crescem na terra nas</p><p>eternas primaveras.</p><p>Através de Seu brilho e glória, os ventos sopram, precipitando as</p><p>nuvens até as fontes inesgotáveis.</p><p>A Mãe Terrena e eu somos Um.</p><p>Eu tenho minhas raízes n’Ela e Ela se compraz em mim, de acordo</p><p>com a Lei Santa.”</p><p>***</p><p>E houve um grande silêncio, enquanto os ouvintes refletiam sobre as</p><p>palavras de Jesus. E havia neles uma força nova, e o desejo e a esperança</p><p>brilhavam em seus rostos. E então um homem falou: “Mestre, estamos</p><p>62</p><p>cheios de ansiedade por iniciar nossas Comunhões com os anjos da Mãe</p><p>Terrena, que plantaram o Grande Jardim da Terra. Mas e os anjos do Pai</p><p>Celestial, que governam a noite? Como nós falaremos com eles, que estão</p><p>tão acima de nós, e são invisíveis aos nossos olhos? Pois podemos ver os</p><p>raios do sol, podemos sentir a água fria do rio em que nos banhamos, e as</p><p>uvas são quentes ao nosso toque enquanto se crescem púrpuras nos</p><p>vinhedos. Mas os anjos do Pai Celestial não podem ser vistos, nem</p><p>ouvidos, nem tocados. Como, então, poderemos falar com eles e entrar no</p><p>seu Jardim Infinito? Mestre, dize-nos o que precisamos fazer.”</p><p>E o sol matutino cercou sua cabeça de glória quando Jesus olhou</p><p>para eles e falou:</p><p>“Meus filhos, não sabeis que a Terra e tudo o que nela habita é</p><p>apenas um reflexo do Reino do Pai Celestial?</p><p>E assim como sois amamentados e confortados por vossa mãe</p><p>quando crianças, mas vão juntar-se ao vosso pai nos campos depois de</p><p>crescidos, assim os anjos da Mãe Terrena guiam vossos passos para Ele que</p><p>é o vosso Pai, e todos os Seus santos anjos, para que possais conhecer o</p><p>vosso verdadeiro lar e tornar-vos verdadeiros Filhos de Deus.</p><p>Enquanto formos crianças, veremos os raios do sol, mas não o Poder</p><p>que o criou; enquanto formos crianças, ouviremos os sons do córrego que</p><p>flui, mas não o Amor que o criou; enquanto formos crianças, veremos as</p><p>estrelas, mas não a mão que as espalha pelo céu, como o lavrador espalha</p><p>sua semente.</p><p>Somente através das Comunhões com os anjos do Pai Celestial, nós</p><p>aprenderemos a ver o invisível, a ouvir o que não pode ser ouvido, e a falar</p><p>a palavra não pronunciada.”</p><p>***</p><p>“A primeira Comunhão é com o Anjo do Poder.</p><p>O Anjo do Poder, que enche o sol de calor e guia a mão do homem</p><p>em todas as suas obras.</p><p>Teu, ó Pai Celestial! era o Poder, quando determinaste um caminho</p><p>para cada um de nós e para todos.</p><p>Através do teu poder, meus pés trilharão o Caminho da Lei; através</p><p>do teu poder, minhas mãos executarão tuas obras.</p><p>Que o rio dourado do poder sempre flua de ti para mim, e que o meu</p><p>corpo sempre se volte para ti, como a flor se volta para o sol.</p><p>63</p><p>Pois não há poder senão o do Pai Celestial; tudo o mais é apenas um</p><p>sonho de poeira, uma nuvem que passa sobre a face do sol.</p><p>Não há homem que tenha poder sobre o espírito; tampouco tem ele</p><p>poder no dia da morte.</p><p>Somente o poder que vem de Deus pode levar-nos para fora da</p><p>Cidade da Morte.</p><p>Guia nossas obras e nossas ações, ó Anjo do Poder, santo mensageiro</p><p>do Pai Celestial!”</p><p>***</p><p>“A segunda Comunhão é com o Anjo do Amor.</p><p>O Anjo do Amor, cujas águas curadoras fluem em uma corrente</p><p>infindável desde o Mar da Eternidade.</p><p>Amados, amemo-nos uns aos outros: Pois o amor é do Pai Celestial,</p><p>e todo aquele que ama nasceu da Ordem Celestial e conhece os anjos.</p><p>Pois sem amor o coração do homem resseca e racha no fundo de um</p><p>poço seco, e suas palavras são vazias feito uma cabaça oca.</p><p>Mas as palavras de amor são como um favo de mel doce para a alma;</p><p>palavras de amor na boca de um homem são como águas profundas, e a</p><p>nascente do amor, como um arroio que flui.</p><p>Sim, dizia-se nos dias de outrora, amarás teu Pai Celestial com todo</p><p>o teu coração, e com toda a tua mente, e com todos os teus atos, e amarás</p><p>teus irmãos como a ti mesmo. O Pai Celestial é amor; e aquele que habita</p><p>no amor habita no Pai Celestial, e o Pai Celestial nele.</p><p>Aquele que não ama é como um pássaro errante banido do ninho;</p><p>para ele a relva se acaba e o córrego tem um gosto amargo.</p><p>E se um homem diz, ‘Eu amo o Pai Celestial, mas odeio o meu</p><p>irmão’, ele é um mentiroso: Pois quem não ama seu irmão, quem tem visto,</p><p>como pode amar o Pai Celestial, quem ele não viu?</p><p>Por isto conhecemos os Filhos da Luz: Aqueles que caminham com o</p><p>Anjo do Amor, pois amam o Pai Celestial, e amam seus irmãos, e guardam</p><p>a Lei Sagrada.</p><p>O amor é mais forte que as correntezas de águas profundas: O Amor</p><p>é mais forte que a morte.”</p><p>***</p><p>64</p><p>“A terceira Comunhão é com o Anjo da Sabedoria.</p><p>O Anjo da Sabedoria, quem faz o homem livre do medo, tolerante de</p><p>coração e tranquilo de consciência: Santa Sabedoria, a Compreensão que se</p><p>desdobra, continuamente, como um pergaminho sagrado, e, no entanto, não</p><p>vem por meio do aprendizado.</p><p>Toda sabedoria provém do Pai Celestial, e com Ele permanece para</p><p>sempre.</p><p>Quem pode contar a areia do mar, as gotas da chuva, e os dias da</p><p>eternidade?</p><p>Quem pode descobrir a altura do céu, e a largura da terra?</p><p>Quem pode revelar o começo da sabedoria?</p><p>A sabedoria foi criada antes de todas as coisas.</p><p>O destituído de sabedoria é como aquele que diz à madeira,</p><p>‘Acorda’, e diz à pedra muda, ‘Levanta-te e ensina!’</p><p>Assim são vazias as suas palavras, e nocivos os seus atos, como a</p><p>criança que brande a espada do pai e não conhece seu gume cortante.</p><p>Mas a coroa da sabedoria faz paz e perfeita saúde florescerem.</p><p>Ambas as quais são as dádivas de Deus.</p><p>Ó tu, Ordem Celestial! E tu, Anjo da Sabedoria! Eu adorarei a ti e ao</p><p>Pai Celestial, por quem o rio do pensamento dentro de nós corre para o Mar</p><p>Sagrado da Eternidade.”</p><p>***</p><p>“A quarta Comunhão é com o Anjo da Vida Eterna.</p><p>O Anjo da Vida Eterna, quem traz a mensagem da eternidade ao</p><p>homem.</p><p>Pois quem caminha com os anjos aprenderá a voar acima das nuvens,</p><p>e seu lar será no Mar Eterno onde está a sagrada Árvore da Vida.</p><p>Não espereis a morte revelar o grande mistério; se não conheceis teu</p><p>Pai Celestial enquanto vossos pés calcam o solo empoeirado, não haverá</p><p>para vós nada além de sombras na vida que há de vir.</p><p>Aqui e agora o mistério é revelado.</p><p>Aqui e agora se abrem as cortinas.</p><p>Não temas, ó homem!</p><p>Agarra-te às asas do Anjo da Vida Eterna, e voa pelos caminhos das</p><p>estrelas, da lua, do sol, e da Luz sem fim, movendo-se entorno de seu</p><p>circuito para sempre, e voa para o Mar Celestial da Vida Eterna.”</p><p>65</p><p>***</p><p>“A quinta Comunhão é com o Anjo do Trabalho.</p><p>O Anjo do Trabalho, quem canta no zunido da abelha, que não pára</p><p>no fabrico do mel dourado; na flauta do pastor, que não dorme para seu</p><p>rebanho não se perder; na canção da donzela quando leva a mão ao fuso.</p><p>E se pensais que estas não são tão belas aos olhos do Senhor quanto a</p><p>mais sublime das preces ecoada desde as montanhas mais altas, enganais-</p><p>vos de fato.</p><p>Pois o trabalho honesto de mãos humildes é uma oração diária</p><p>de</p><p>agradecimento, e a música do arado é um cântico alegre para o Senhor.</p><p>Quem come o pão da ociosidade morrerá de fome, pois um campo de</p><p>pedras só pode dar pedras.</p><p>Para ele o dia não tem sentido e a noite é uma jornada amarga de</p><p>sonhos maus.</p><p>A mente do ocioso está cheia das ervas do descontentamento; mas</p><p>aquele que caminha com o Anjo do Trabalho tem dentro de si um campo</p><p>sempre fértil, onde trigo, uvas e toda a sorte de perfumadas ervas e flores</p><p>crescem em abundância.</p><p>Assim como semeardes, assim colhereis.</p><p>O homem de Deus que descobriu sua tarefa não pedirá outra</p><p>bênção.”</p><p>***</p><p>“A sexta Comunhão é com o Anjo da Paz.</p><p>O Anjo da Paz cujo beijo confere calma, e cujo rosto é como a</p><p>superfície de águas tranquilas, em que a lua se reflete.</p><p>Invocarei a Paz, cujo hálito é amistoso, cuja mão suaviza a fronte</p><p>conturbada.</p><p>No reinado da Paz, não há fome nem sede, nem vento frio nem vento</p><p>quente, nem velhice nem morte.</p><p>Mas, para quem não tem paz em sua alma, não há lugar para</p><p>construir dentro de si O Templo Sagrado; pois como pode o carpinteiro</p><p>edificar no meio de um furacão?</p><p>A semente da violência só pode oferecer uma colheita de desolação,</p><p>e do barro seco não cresce coisa viva.</p><p>Procurai, portanto, o Anjo da Paz, que é como a estrela matutina no</p><p>66</p><p>meio de uma nuvem, como a lua cheia, como a formosa oliveira da qual</p><p>crescem os frutos, e como o sol que brilha sobre o templo do Altíssimo.</p><p>A paz habita no coração do silêncio: Serena-te, e reconhece que Eu</p><p>sou Deus.”</p><p>***</p><p>“A sétima Comunhão é com o Pai Celestial.</p><p>O Pai Celestial que é, foi e sempre será.</p><p>Ó Grande Criador! Criaste os anjos Celestiais, e revelaste as Leis</p><p>Celestiais! És meu refúgio e minha fortaleza, Tu és desde a eternidade.</p><p>Senhor, tens sido a nossa habitação em todas as gerações.</p><p>Antes que as montanhas fossem geradas, ou antes de Tu teres</p><p>formado a terra, mesmo da eternidade para a eternidade, Tu és Deus.</p><p>Quem fez as águas, e quem faz as plantas?</p><p>Quem ao vento uniu as nuvens de tempestade, as ligeiras e até as</p><p>mais velozes?</p><p>Quem, ó Grande Criador! é a fonte da Vida Eterna dentro de nossas</p><p>almas?</p><p>Quem fez a Luz e a Escuridão?</p><p>Quem fez o sono e o gosto das horas de vigília?</p><p>Quem propagou os meio-dias e a meia-noite?</p><p>Tu, ó Grande Criador!</p><p>Tu fizeste a terra pelo Teu poder, estabeleceste o mundo pela Tua</p><p>sabedoria, e estendeste os céus pelo Teu amor.</p><p>Revela-me, ó Pai Celestial, a Tua natureza, que é o poder dos Anjos</p><p>do Teu Reino Sagrado.</p><p>Imortalidade e Ordem Celestial determinaste, ó Criador, e a melhor</p><p>de todas as coisas, Tua Lei Sagrada!</p><p>Louvarei Tuas obras com cânticos de agradecimento, continuamente,</p><p>em todas as gerações do tempo.</p><p>Com a vinda do dia, abraço minha Mãe, com a vinda da noite, junto-</p><p>me a meu Pai, e com a partida da noite e da manhã eu respirarei Sua Lei, e</p><p>eu não interromperei estas Comunhões até o fim dos tempos.”</p><p>E sobre o céu e a terra fez-se um grande silêncio, e a paz do Pai</p><p>Celestial e da Mãe Terrena brilhou sobre as cabeças de Jesus e da multidão.</p><p>67</p><p>DO LIVRO ESSÊ�IO DE JESUS</p><p>A Paz Sétupla</p><p>E, vendo a multidão, Jesus subiu a uma montanha, e seus discípulos</p><p>foram a ele, e todos aqueles que tinham fome de suas palavras. E, vendo-os</p><p>reunidos, ele abriu sua boca e ensinou-lhes, dizendo:</p><p>“Paz vos trago, meus filhos, a Paz Sétupla da Mãe Terrena e do Pai</p><p>Celestial. Paz eu trago para vosso corpo, guiado pelo Anjo do Poder; Paz</p><p>eu trago para vosso coração, guiado pelo Anjo do Amor; Paz eu trago para</p><p>vossa mente, guiado pelo Anjo da Sabedoria. Através dos Anjos do Poder,</p><p>do Amor e da Sabedoria, percorrereis os Sete Caminhos do Jardim Infinito,</p><p>e vosso corpo, vosso coração e vossa mente juntar-se-ão em Unicidade no</p><p>Vôo Sagrada para o Mar Celestial da Paz.</p><p>Sim, em verdade vos digo, os caminhos são sete através do Jardim</p><p>Infinito, e cada um deles deve ser percorrido pelo corpo, pelo coração e</p><p>pela mente como um só, para não tropeçardes e cairdes no abismo do vazio.</p><p>Pois assim como um pássaro não pode voar com uma asa, assim também o</p><p>vosso Pássaro da Sabedoria precisa das duas asas do Poder e do Amor para</p><p>voar por sobre o abismo até a Sagrada Árvore da Vida.</p><p>Pois o corpo sozinho é como uma casa abandonada vista de longe: O</p><p>que supúnhamos belo não passa de ruína e desolação quando nos</p><p>aproximamos. O corpo sozinho é como uma biga feita de ouro, cujo</p><p>construtor a coloca num pedestal, relutante em sujá-la com o uso. Mas</p><p>como um ídolo de ouro, é feia e sem graça, pois somente em movimento</p><p>revela o seu propósito. Como a escuridão vazia de uma janela quando o</p><p>vento lhe apaga a vela, é o corpo só, sem coração e sem mente para enchê-</p><p>lo de luz.</p><p>E o coração sozinho é como um sol sem terra sobre a qual brilhe,</p><p>uma luz no vácuo, uma bola de calor afogada num mar de escuridão. Pois</p><p>quando um homem ama, o amor se volta somente para a sua própria</p><p>destruição quando não há mãos para estender em boas obras, nem mente</p><p>para tecer as chamas do desejo em uma tapeçaria de salmos. Como um</p><p>furacão no deserto é o coração só, sem corpo e sem mente que lhe</p><p>conduzam cantando por entre ciprestes e pinheiros.</p><p>E a mente sozinha é como um manuscrito sagrado desgastado pelos</p><p>anos, que precisa ser enterrado. A verdade e a beleza de suas palavras não</p><p>68</p><p>se modificaram, mas os olhos já não podem ler as letras desbotadas, e ele se</p><p>despedaça nas mãos. Assim é a mente sem o coração que lhe dê palavras, e</p><p>sem o corpo que lhe execute as obras. Pois de que vale a sabedoria sem um</p><p>coração para sentir e sem uma língua para dar-lhe voz? Estéril como o</p><p>ventre de uma mulher idosa é a mente só, sem coração e sem corpo que a</p><p>encham de vida.</p><p>Pois eis que em verdade vos digo, o corpo, o coração e a mente são</p><p>como a biga, o cavalo e o cocheiro. A biga é o corpo, forjado em força para</p><p>fazer a vontade do Pai Celestial e da Mãe Terrena. O coração é o corcel</p><p>ardente, glorioso e corajoso, que conduz a biga bravamente, quer a estrada</p><p>seja plana, quer pedras e árvores caídas estejam em seu caminho. E o</p><p>cocheiro é a mente, segurando as rédeas da sabedoria, vendo de cima o que</p><p>há no horizonte distante, traçando o curso de cascos e rodas.</p><p>Dai-me ouvidos, ó céus, e eu falarei; e escuta, ó terra, as palavras da</p><p>minha boca. Minha doutrina cairá como chuva, minha fala destilará como</p><p>orvalho, como a chuva miúda sobre a erva tenra, e como aguaceiros sobre a</p><p>relva.</p><p>Bem-aventurado é o Filho da Luz que é forte no corpo, pois ele terá</p><p>unidade com a terra. Celebrareis um festim diário com todos os presentes</p><p>do Anjo da Terra: O trigo e o milho dourados, as uvas púrpuras do outono,</p><p>os frutos maduros das árvores, o mel âmbar das abelhas. Buscareis o ar</p><p>fresco da floresta e dos campos, e ali, no meio deles, encontrareis o Anjo do</p><p>Ar. Tirai os sapatos e a roupa e permiti que o Anjo do Ar envolva todo o</p><p>vosso corpo. Então respirareis longa e profundamente, para que o Anjo do</p><p>Ar possa ser trazido para dentro de vós. Entrai no rio fresco que flui e</p><p>permiti que o Anjo da Água envolva todo o vosso corpo. Lançai-vos</p><p>inteiramente em seus braços envolventes, e com a mesma frequência com</p><p>que moveis o ar com a vossa respiração, movei com vosso corpo a água</p><p>também. Buscareis o Anjo do Sol, e entrareis no abraço que purifica com</p><p>chamas sagradas. E todas essas coisas são da Lei Sagrada da Mãe Terrena,</p><p>Ela que vos deu à luz. Aquele que encontrou paz com o corpo construiu um</p><p>templo santo, no qual pode habitar para sempre o espírito de Deus.</p><p>Conhecei esta paz com vossa mente, desejai esta paz com vosso coração,</p><p>realizai esta paz com vosso corpo.</p><p>Bem-aventurado é o Filho da Luz cuja mente é sábia, pois ele criará</p><p>o céu. A mente do sábio é um campo bem arado, que dá abundância e</p><p>fartura. Pois, se mostrardes um punhado de sementes a um sábio, ele verá,</p><p>com os olhos de sua mente, um trigal dourado. E se mostrardes um</p><p>69</p><p>punhado de sementes a um tolo, ele só verá o que está diante dele, e as</p><p>chamará</p><p>de pedrinhas sem valor. E assim como o campo do sábio dá grãos</p><p>em abundância, e o campo do tolo é uma colheita só de pedras, assim é com</p><p>os nossos pensamentos. Como o feixe de trigo dourado repousa escondido</p><p>na minúscula semente, assim é o reino do céu escondido em nossos</p><p>pensamentos. Se eles se encherem com o Poder, o Amor e a Sabedoria dos</p><p>Anjos do Pai Celestial, então eles nos conduzirão para o Mar Celestial. Mas</p><p>maculados com a corrupção, o ódio e a ignorância, eles acorrentarão nossos</p><p>pés a pilares de dor e sofrimento. Ninguém pode servir a dois senhores;</p><p>tampouco maus pensamentos podem habitar na mente cheia da Luz da Lei.</p><p>Quem encontrou paz com a mente aprendeu a voar além do Reino dos</p><p>Anjos. Conhecei esta paz com vossa mente, desejai esta paz com vosso</p><p>coração, realizai esta paz com vosso corpo.</p><p>Bem-aventurado é o Filho da Luz que é puro de coração, pois ele</p><p>verá Deus. Pois como o Pai Celestial vos deu Seu espírito santo, e vossa</p><p>Mãe Terrena vos deu Seu corpo santo, assim dareis amor a todos os vossos</p><p>irmãos. E vossos verdadeiros irmãos são todos aqueles que fazem a vontade</p><p>de vosso Pai Celestial e de vossa Mãe Terrena. Seja o vosso amor como o</p><p>sol que brilha sobre todas as criaturas da terra e não favorece uma folha de</p><p>relva em detrimento de outra. E este amor fluirá como uma fonte de irmão</p><p>para irmão, e à medida que se esgotar será reabastecido. Pois o amor é</p><p>eterno. O amor é mais forte que as correntezas de águas profundas. O amor</p><p>é mais forte que a morte. E se um homem não tem amor, ele constrói um</p><p>muro entre ele e todas as criaturas da terra, e assim viverá na solidão e na</p><p>dor. Ou poderá tornar-se como um irado redemoinho que suga para suas</p><p>profundezas tudo o que flutua demasiado perto. Pois o coração é um mar de</p><p>poderosas ondas, e o amor e a sabedoria precisam moderá-lo, como o sol</p><p>quente surge através das nuvens e aquieta o mar agitado. Quem encontrou</p><p>paz com seus irmãos entrou no reino do Amor e verá Deus face a face.</p><p>Conhecei esta paz com vossa mente, desejai esta paz com vosso coração,</p><p>realizai esta paz com vosso corpo.</p><p>Bem-aventurado é o Filho da Luz que constrói sobre a terra o Reino</p><p>do Céu, pois habitará nos dois mundos. Seguireis a Lei da Irmandade,</p><p>segundo a qual ninguém terá riqueza, e ninguém será pobre, e todos</p><p>trabalharão juntos no jardim da Irmandade. Todavia, cada um seguirá seu</p><p>próprio rumo, e cada um comungará com seu próprio coração. Pois no</p><p>Jardim Infinito há muitas e diversas flores: Quem dirá que uma é melhor</p><p>porque sua cor é púrpura, ou que uma é favorecida porque seu talo é longo</p><p>70</p><p>e fino? Embora os irmãos sejam de aparências diferentes, todos labutam na</p><p>vinha da Mãe Terrena, e todos erguem juntos suas vozes em louvor ao Pai</p><p>Celestial. E juntos partem o pão sagrado, e em silêncio compartilham a</p><p>sagrada refeição de ação de graças. Não haverá paz entre os povos até</p><p>existir um jardim da irmandade sobre a terra. Pois como poderá haver paz</p><p>quando cada homem busca o seu próprio ganho e vende sua alma à</p><p>escravidão? Vós, Filhos da Luz, juntai-vos aos vossos irmãos e então saí</p><p>para ensinar os caminhos da Lei àqueles que quiserem ouvir. Quem</p><p>encontrou paz com a irmandade do homem fez-se colaborador de Deus.</p><p>Conhecei esta paz com vossa mente, desejai esta paz com vosso coração,</p><p>realizai esta paz com vosso corpo.</p><p>Bem-aventurado é o Filho da Luz que estuda o Livro da Lei, pois ele</p><p>será como uma vela na escuridão da noite, e uma ilha de verdade num mar</p><p>de falsidade. Pois sabei que a palavra escrita que vem de Deus é um reflexo</p><p>do Mar Celestial, como as estrelas brilhantes refletem a face do céu. Como</p><p>as palavras dos Anciões são gravadas com a mão de Deus nos Manuscritos</p><p>Sagrados, assim é a Lei gravada nos corações dos fiéis que os estudam.</p><p>Pois se dizia em tempos antigos que no princípio havia gigantes na terra, e</p><p>homens poderosos de tempos antigos, Homens de renome. E os Filhos da</p><p>Luz guardarão e preservarão sua palavra escrita, para não voltarmos a ser</p><p>como animais, e conhecermos o Reino dos Anjos. Sabei também que só</p><p>através da palavra escrita encontrareis a Lei que não foi escrita, como a</p><p>fonte que mana do solo tem uma nascente escondida nas profundezas</p><p>secretas da terra. A Lei escrita é o instrumento pelo qual a Lei não escrita é</p><p>compreendida, como o galho mudo da árvore se converte em uma flauta</p><p>cantante nas mãos do pastor. Muitos são os que se agradariam em ficar no</p><p>tranquilo vale da ignorância, onde brincam as crianças e as borboletas</p><p>dançam ao sol em sua curta hora de vida. Mas ninguém pode permanecer</p><p>ali por muito tempo, e à frente se erguem as sombrias montanhas do saber.</p><p>Muitos são os que temem cruzá-las, e muitos são os que caíram contundidos</p><p>e ensanguentados de suas encostas íngremes e escarpadas. Mas a fé é a guia</p><p>sobre o abismo escancarado, e a perseverança é o apoio para os pés nas</p><p>rochas pontiagudas. Além dos picos gelados de luta existem a paz e a</p><p>beleza do Jardim Infinito do Conhecimento, onde o sentido da Lei é dado a</p><p>conhecer aos Filhos da Luz. Aqui no centro da sua floresta está a Árvore da</p><p>Vida, Mistério dos mistérios. Quem encontrou a paz com os ensinamentos</p><p>dos Anciões, através da luz da mente, através da luz da natureza, e através</p><p>do estudo da Palavra Sagrada, adentrou no anuviado Salão dos Anciões,</p><p>71</p><p>onde habita a Sagrada Irmandade, da qual homem algum pode falar.</p><p>Conhecei esta paz com vossa mente, desejai esta paz com vosso coração,</p><p>realizai esta paz com vosso corpo.</p><p>Bem-aventurado é o Filho da Luz que conhece sua Mãe Terrena, pois</p><p>Ela é a doadora de vida. Conhecei que vossa Mãe está em vós, e que vós</p><p>estais n’Ela. Ela vos deu à luz e Ela vos deu vida. Foi Ela quem vos deu</p><p>vosso corpo, e a Ela, um dia, o devolvereis. Sabei que o sangue que circula</p><p>em vós nasceu do sangue da Mãe Terrena. O sangue d’Ela cai das nuvens,</p><p>salta do ventre da terra, murmura nos riachos das montanhas, corre amplo</p><p>nos rios das planícies, dorme nos lagos, range fortemente nos mares</p><p>tempestuosos. Sabei que o ar que respirais nasceu da respiração de vossa</p><p>Mãe Terrena. O hálito d’Ela é límpido nas alturas dos céus, sussurra no</p><p>topo das montanhas, murmura nas folhas da floresta, ondula sobre os</p><p>trigais, cochila nos vales profundos, incandesce no deserto. Sabei que a</p><p>dureza dos vossos ossos nasceu dos ossos de vossa Mãe Terrena, das</p><p>rochas e das pedras. Sabei que a delicadeza da vossa carne nasceu da carne</p><p>de vossa Mãe Terrena, cuja carne se torna amarela e vermelha nos frutos</p><p>das árvores. A luz dos vossos olhos, a audição dos vossos ouvidos</p><p>nasceram das cores e dos sons de vossa Mãe Terrena, que vos envolvem</p><p>como as ondas do mar envolvem um peixe, como o ar agitado envolve um</p><p>pássaro. Em verdade vos digo, o homem é o Filho da Mãe Terrena, e d’Ela</p><p>o Filho do Homem recebeu todo o seu corpo, assim como o corpo de um</p><p>bebê recém-nascido nasceu do ventre de sua mãe. Em verdade voz digo,</p><p>vós sois um com a Mãe Terrena; Ela está em vós, e vós estais n’Ela. D’Ela</p><p>nascestes, n’Ela viveis, e a Ela regressareis novamente. Mantende,</p><p>portanto, as Suas leis, pois ninguém pode viver muito tempo, nem ser feliz,</p><p>a não ser que honre sua Mãe Terrena e mantenha Suas leis. Pois vossa</p><p>respiração é a Sua respiração, vosso sangue, Seu sangue, vossos ossos,</p><p>Seus ossos, vossa carne, Sua carne, vossas entranhas, Suas entranhas,</p><p>vossos olhos e vossos ouvidos, Seus olhos e Seus ouvidos. Quem encontrou</p><p>a paz com sua Mãe Terrena jamais conhecerá a morte. Conhecei esta paz</p><p>com vossa mente, desejai esta paz com vosso coração, realizai esta paz com</p><p>vosso corpo.</p><p>Bem-aventurado é o Filho da Luz que procura seu Pai Celestial, pois</p><p>ele terá a vida eterna. Aquele que habita no lugar secreto do Altíssimo</p><p>habitará sob a sombra do Todo-Poderoso. Pois Ele vos confiará aos Seus</p><p>Anjos, para que vos guardem em todos os vossos caminhos. Sabei que o</p><p>Senhor tem sido o nosso domicílio em todas as gerações. Antes que as</p><p>72</p><p>montanhas fossem geradas, ou que Ele tivesse formado a terra e o mundo,</p><p>mesmo da eternidade para a eternidade, já havia amor entre o Pai Celestial</p><p>e Seus filhos. E como se poderá romper esse amor? Desde o começo até o</p><p>final dos tempos a chama sagrada do amor circunda as cabeças do Pai</p><p>Celestial e dos Filhos da Luz: Como, então, se poderá extinguir esse amor?</p><p>Pois ele não arde feito vela, nem feito incêndio que devasta a floresta. Eis</p><p>que ele queima com a chama da Luz Eterna, e essa chama não se consome.</p><p>Vós que amais vosso Pai Celestial, fazei, pois, o que Ele vos ordena:</p><p>Caminhai com os Seus Santos Anjos, e encontrai vossa paz com a Sua Lei</p><p>Sagrada. Pois Sua Lei é toda a Lei: Sim, é a Lei das leis. Por meio da Sua</p><p>Lei, Ele fez a terra e os céus serem um; as montanhas e o mar são os Seus</p><p>escabelos. Com Suas mãos Ele nos fez e nos modelou, e nos deu</p><p>entendimento para aprender Sua Lei. Ele cobre-se de Luz como de um</p><p>vestuário: Estende os céus que nem uma cortina. Faz das nuvens a Sua</p><p>carruagem; caminha sobre as asas do vento. Envia as fontes para os vales, e</p><p>o Seu hálito está nas árvores frondosas. Em Sua mão estão os lugares</p><p>profundos da terra: A força das colinas também é Sua. O mar é Seu, e Suas</p><p>mãos formaram a terra seca. Todos os céus proclamam a Glória de Deus, e</p><p>o firmamento mostra a Sua Lei. E para Seus filhos Ele legou o Seu Reino,</p><p>àqueles que caminham com os Seus Anjos, e encontram a Sua paz com a</p><p>Sua Lei Sagrada. Quereis saber mais, meus filhos? Como podemos dizer</p><p>com nossos lábios o que não pode ser dito? É como a romã comida por um</p><p>mudo: Como poderá ele exaltar-lhe o sabor? Se dissermos que o Pai</p><p>Celestial habita em nós, os céus se envergonharão; se dissermos que Ele</p><p>vive sem nós, será uma falsidade. Os olhos que esquadrinham o horizonte</p><p>remoto e os olhos que vêem o coração dos homens Ele os faz como um</p><p>olho só. Ele não é manifesto, não está escondido. Não é revelado e</p><p>tampouco é irrevelado. Meus filhos, não há palavras para dizer o que Ele é!</p><p>Sabemos apenas isto: Somos os Seus filhos, e Ele é o nosso Pai. Ele é o</p><p>nosso Deus, e nós somos os filhos do Seu pascigo, e os carneiros de Sua</p><p>mão. O que encontrou a paz com o seu Pai Celestial penetrou no Santuário</p><p>da Lei Sagrada, e fez uma aliança com Deus que durará para sempre.</p><p>Conhecei esta paz com vossa mente, desejai esta paz com vosso coração,</p><p>realizai esta paz com vosso corpo.</p><p>Embora o céu e a terra possam passar, nem uma letra da Lei Sagrada</p><p>mudará ou passará. Pois no começo era a Lei, e a Lei estava com Deus, e a</p><p>Lei era Deus. Que a Paz Sétupla do Pai Celestial esteja sempre convosco.”</p><p>73</p><p>FRAGME�TOS IDÊ�TICOS AOS DOS MA�USCRITOS DO</p><p>MAR MORTO</p><p>E Enoque caminhou com Deus;</p><p>e ele não estava;</p><p>pois Deus o levou.</p><p>Gênese Essênio 5:24</p><p>A Lei foi plantada no jardim da Irmandade para alumiar o coração do</p><p>homem e tornar retos diante dele todos os caminhos da verdadeira virtude,</p><p>um espírito humilde, um temperamento sereno, uma natureza livremente</p><p>compassiva, bondade, compreensão e introvisão eternas, e uma sabedoria</p><p>poderosa que acredita em todas as obras de Deus, uma confiança segura em</p><p>Suas muitas bênçãos e um espírito de conhecimento de todas as coisas da</p><p>Grande Ordem, sentimentos leais para com todos os filhos da verdade,</p><p>pureza radiante que detesta o que é impuro, discrição relativa a todas as</p><p>coisas ocultas da verdade e aos segredos do conhecimento interior.</p><p>Do Manual de Disciplina</p><p>dos Manuscritos do Mar Morto</p><p>Tu me fizeste conhecer todas as coisas profundas, misteriosas. Todas</p><p>as coisas existem através de Ti e não há ninguém além de Ti. Com a Tua</p><p>Lei dirigiste o meu coração para que eu dê meus passos à frente sobre</p><p>estradas retas e me encaminhe para onde está a Tua presença.</p><p>Do Livro de Hinos VII</p><p>dos Manuscritos do Mar Morto</p><p>A Lei foi instituída para premiar os filhos da luz com a cura e a paz</p><p>abundante, com vida longa, com semente frutuosa de bênçãos duradouras,</p><p>com eterna alegria na imortalidade da Luz eterna.</p><p>Do Manual de Disciplina</p><p>dos Manuscritos do Mar Morto</p><p>Eu Te agradeço, Pai Celestial, porque Tu me puseste na cabeceira de</p><p>correntezas que fluem, na fonte viva de uma terra de seca, regando um</p><p>74</p><p>jardim eterno de maravilhas, a Árvore da Vida, mistério dos mistérios, deita</p><p>galhos perenes para o plantio eterno que fincam raízes na corrente da vida</p><p>de eterno manancial. E Tu, Pai Celestial, protege-lhes os frutos com os anjos</p><p>do dia e da noite e com as chamas da Luz eterna que arde de todas as</p><p>maneiras.</p><p>Dos Salmos de Ação de Graças</p><p>dos Manuscritos do Mar Morto</p><p>Eu Te sou grato, Pai Celestial, porque Tu me elevaste a uma altura</p><p>eterna e eu caminho nos milagres da planície. Tu me deste orientação para eu</p><p>alcançar Tua eterna companhia desde as profundezas da terra. Purificaste-me</p><p>o corpo para juntar-me ao exército dos anjos da terra e para meu espírito atingir</p><p>a congregação dos anjos celestiais. Deste eternidade ao homem para que louve,</p><p>na alvorada e no crepúsculo, Tuas obras e Teus prodígios em cântico jubiloso.</p><p>Dos Salmos de Ação de Graças</p><p>dos Manuscritos do Mar Morto</p><p>Louvarei Tuas obras com cânticos de Ação de Graças continuamente,</p><p>era após era, nos circuitos do dia, e em sua ordem fixa; com a vinda da luz</p><p>da sua fonte na virada da noite e na partida da luz, na partida da treva e na</p><p>vinda do dia, continuamente, em todas as gerações do tempo.</p><p>Dos Salmos de Ação de Graças</p><p>dos Manuscritos do Mar Morto</p><p>Que Ele te abençoe com todo o bem, que Ele te preserve de todo o</p><p>mal e te ilumine o coração com o entendimento da vida e te favoreça com a</p><p>sabedoria eterna. E derrame sobre ti Suas bênçãos Sétuplas da Paz eterna.</p><p>Do Manual de Disciplina</p><p>dos Manuscritos do Mar Morto</p><p>Com a vinda do dia abraço minha Mãe, com a vinda da noite junto-</p><p>me a meu Pai, e com a partida da noite e da manhã respirar-lhes-ei a Lei, e</p><p>não suspenderei essas Comunhões até o final dos tempos.</p><p>Do Manual de Disciplina</p><p>75</p><p>dos Manuscritos do Mar Morto</p><p>Ele mostrou ao homem dois espíritos com os quais poderia caminhar.</p><p>São os espíritos da verdade e da falsidade; a verdade nascida da fonte da</p><p>Luz, a falsidade nascida do poço da escuridão. O domínio de todos os</p><p>filhos da verdade está nas mãos dos Anjos da Luz para que eles trilhem as</p><p>sendas da Luz. Os espíritos da verdade e da falsidade se digladiam dentro</p><p>do coração do homem, procedendo com sabedoria e com loucura. E assim</p><p>como o homem herda a verdade, assim evitará a escuridão. Bênçãos a todos</p><p>os que partilham sua sorte com a Lei, e percorrem realmente todos os seus</p><p>caminhos. Que a Lei os abençoe com todo o bem e os preserve de todo o</p><p>mal e lhes ilumine o coração com a introvisão das coisas da vida e os</p><p>agracie com o conhecimento das coisas eternas.</p><p>Do Manual de Disciplina</p><p>dos Manuscritos do Mar Morto</p><p>Atingi a visão interior e, através do Teu espírito em mim, ouvi o Teu</p><p>segredo maravilhoso. Através da Tua introvisão mística, fizeste uma fonte</p><p>de conhecimento brotar dentro de mim, uma fonte de poder, que jorra águas</p><p>vivas, uma torrente de amor e sabedoria que tudo abarca como o esplendor</p><p>da Luz.</p><p>Dos Livro de Hinos</p><p>dos Manuscritos do Mar Morto</p><p>76</p><p>77</p><p>DO LIVRO ESSÊ�IO DO MESTRE DE VIRTUDE</p><p>E o Mestre encaminhou-se para as margens de um curso d’água,</p><p>onde se haviam reunido os que tinham fome de suas palavras. E ele os</p><p>abençoou e perguntou-lhes por que estavam perturbados. E um deles falou:</p><p>“Mestre, quais são as coisas que devemos considerar de grande valor, e</p><p>quais as que devemos desprezar?”</p><p>E o Mestre respondeu, dizendo: “Todos os males de que o homem</p><p>padece são causados por coisas que estão fora de nós; pois o que está</p><p>dentro de nós nunca poderá fazer-nos sofrer. Uma criança morre, perde-se</p><p>uma fortuna, a casa e os campos se queimam, e todos os homens, sentindo-</p><p>se desamparados, põem-se a bradar: ‘Que farei agora? Que é que vai</p><p>acontecer-me agora? Que mais pode</p><p>A�EXOS ................................................................................................ 191</p><p>Os Essênios ............................................................................................ 193</p><p>A Doutrina do Deserto .......................................................................... 195</p><p>7</p><p>LIVRO 1</p><p>O EVA�GELHO ESSÊ�IO DA PAZ</p><p>8</p><p>9</p><p>PREFÁCIO</p><p>Quase dois mil anos se passaram desde que o filho do Homem</p><p>ensinasse o caminho, a verdade e a vida à humanidade. Levou saúde ao</p><p>enfermo, sabedoria ao ignorante e felicidade àqueles que estavam na</p><p>desgraça.</p><p>Suas palavras quase foram esquecidas, e não foram copiadas até</p><p>algumas gerações depois de que foram pronunciadas. Foram mal</p><p>entendidas, mal anotadas, centenas de vezes reescritas e centenas de vezes</p><p>transformadas, mas mesmo assim sobreviveram quase dois mil anos.</p><p>E mesmo suas palavras, como as temos hoje em dia no novo</p><p>testamento, foram terrivelmente mutiladas e deformadas, conquistaram</p><p>meia humanidade e a totalidade da civilização ocidental. Este feito prova a</p><p>eterna vitalidade das palavras do Mestre, e seu valor supremo e</p><p>incomparável.</p><p>Por esta razão decidimos publicar as palavras de Jesus, puras e</p><p>originais, traduzidas diretamente da língua aramaica falada por Jesus e seu</p><p>amado discípulo João, quem, único entre os discípulos de Jesus, anotou</p><p>com exatidão perfeita os ensinamentos pessoais de seu Mestre.</p><p>É uma grande responsabilidade anunciar o Novo Testamento atual,</p><p>que é a base de todas as Igrejas Cristãs, como deformado e falsificado,</p><p>porém não há mais alta religião que a verdade.</p><p>Este livro contém só um fragmento – digamos que uma oitava parte –</p><p>dos manuscritos completos que se conservam em aramaico, na Biblioteca</p><p>do Vaticano, e em antigo eslavo na Biblioteca Real dos Habsburgo,</p><p>atualmente propriedade do governo austríaco.</p><p>Devemos a existência de ambas as versões aos monges nestorianos,</p><p>aqueles que, antes do avanço das hordas de Gengis Khan, se viram forçados</p><p>a fugir do Leste até o Oeste, trazendo consigo todas as suas antigas</p><p>escrituras e ícones.</p><p>Os antigos textos em aramaico datam do primeiro século depois de</p><p>Cristo, enquanto que a versão em eslavo é uma tradução literal daquele. A</p><p>arqueologia ainda não pôde reconstruir exatamente como viajaram esses</p><p>textos desde a Palestina até o interior da Ásia, chegando às mãos dos</p><p>monges nestorianos.</p><p>Atualmente está em preparação uma edição contendo o texto</p><p>completo com todas as referências e notas explicativas (arqueológicas,</p><p>10</p><p>históricas e explicativas) necessárias. A parte publicada trata dos trabalhos</p><p>curadores de Jesus. Emitimos primeiro essa parte antes que o resto, porque</p><p>é a qual a humanidade sofredora tem hoje mais necessidade.</p><p>Nada teremos a adicionar a este texto. Ele fala por si próprio. O leitor</p><p>que estude as páginas que se seguem com concentração, sentirá a vitalidade</p><p>eterna e a poderosa evidência destas verdades profundas que a humanidade</p><p>necessita hoje mais urgentemente do que nunca.</p><p>“E a verdade se demonstrará por si mesma”</p><p>Edmond Bordeaux Székely, Londres, 1937</p><p>(primeiro tradutor do Evangelho Essênio da Paz)</p><p>11</p><p>O EVA�GELHO ESSÊ�IO DA PAZ</p><p>E, então, muitos doentes e aleijados se aproximaram de Jesus,</p><p>perguntando-lhe: “Se conheces todas as coisas, dize-nos: Por que nós</p><p>sofremos com estas penosas calamidades? Por que não estamos sadios</p><p>como os demais homens? Mestre, cura-nos, para que nos também possamos</p><p>tornar-nos fortes e não tenhamos que viver por mais tempo nosso</p><p>sofrimento. Sabemos que tu tens o poder de curar todo tipo de enfermidade.</p><p>Livra-nos de Satã e de todas as suas grandes aflições. Mestre, tem</p><p>compaixão de nós”.</p><p>E Jesus respondeu: “Felizes sois vós que tendes fome da verdade,</p><p>pois eu vos satisfarei com o pão da Sabedoria. Felizes sois vós que bateis,</p><p>pois eu vos abrirei a porta da vida. Felizes sois vós que rechaçais o poder</p><p>de Satã, pois eu vos conduzirei ao reino dos anjos de nossa Mãe, onde o</p><p>poder de Satã não pode entrar”.</p><p>E eles perguntaram-lhe, pasmados: “Quem é nossa Mãe e quais são</p><p>seus anjos? E onde se encontra seu reino?”</p><p>“Vossa Mãe está em vós, e vós n’Ela. Ela vos deu à luz e Ela vos dá</p><p>vida. Foi Ela quem vos deu vosso corpo, e a Ela devolvereis algum dia.</p><p>Felizes sereis vós quando chegardes a conhecê-la, assim como a Seu reino;</p><p>se receberdes os anjos de vossa Mãe e cumprirdes Suas leis. Em verdade</p><p>vos digo, quem fizer isso nunca conhecerá enfermidade. Pois o poder de</p><p>nossa Mãe está acima de tudo. E destrói Satã e seu reino, e tem governo</p><p>sobre todos os vossos corpos e todas as coisas vivas.”</p><p>“O sangue que corre em vós nasceu do sangue de nossa Mãe</p><p>Terrena. Seu sangue cai das nuvens, brota do ventre da terra, murmura nos</p><p>córregos das montanhas, flui amplamente nos rios das planícies, dorme nos</p><p>lagos e se enfurece poderosamente nos mares tempestuosos.”</p><p>“O ar que respiramos nasceu do alento de nossa Mãe Terrena. Sua</p><p>respiração é azul-celeste nas alturas dos céus, silva nos cumes das</p><p>montanhas, sussurra entre as folhas do bosque, ondeia sobre os trigais,</p><p>descansa nos vales profundos e abrasa no deserto.”</p><p>“A dureza de nossos ossos nasceu dos ossos de nossa Mãe Terrena,</p><p>das rochas e das pedras. Erguem-se desnudas aos céus no alto das</p><p>montanhas; são como gigantes que jazem adormecidos nos pés das</p><p>montanhas, como ídolos erguidos no deserto, e estão ocultos nas</p><p>profundidades da terra.”</p><p>12</p><p>“A delicadeza de nossa carne nasceu da carne de nossa Mãe Terrena;</p><p>cuja carne amadurece amarela e vermelha nos frutos das árvores, e nos</p><p>alimenta nos sulcos dos campos.”</p><p>“Nossas entranhas nasceram das entranhas de nossa Mãe Terrena, e</p><p>estão ocultas de nossos olhos como as profundidades invisíveis da terra.”</p><p>“A luz de nossos olhos e o ouvir de nossos ouvidos nascem ambos</p><p>das cores e dos sons de nossa Mãe Terrena, que nos envolve como as ondas</p><p>do mar a um peixe, como o ar em redemoinho a um pássaro.”</p><p>“Em verdade vos digo, o Homem é Filho da Mãe Terrena, e d’Ela o</p><p>Filho do Homem recebeu todo o seu corpo, assim como o corpo do bebê</p><p>recém-nascido nasce do ventre de sua mãe. Em verdade vos digo, vós sois</p><p>um com a Mãe Terrena; Ela está em vós e vós, n’Ela. D’Ela nascestes,</p><p>n’Ela viveis e a Ela de novo retornareis. Guardai, portanto, Suas leis, pois</p><p>ninguém pode viver por muito tempo, nem ser feliz, ao menos que honre</p><p>sua Mãe Terrena e cumpra Suas leis. Pois vossa respiração é a Sua</p><p>respiração; vosso sangue, Seu sangue; vossos ossos, Seus ossos; vossa</p><p>carne, Sua carne; vossas entranhas, Suas entranhas; vossos olhos e vossos</p><p>ouvidos, Seus olhos e Seus ouvidos.”</p><p>“Em verdade vos digo, se deixardes de cumprir uma só de todas estas</p><p>leis, se prejudicardes um só dos membros de vosso corpo, ficareis</p><p>totalmente perdido em vossa dolorosa enfermidade e haverá choro e ranger</p><p>de dentes. Eu vos digo que, a menos que seguis as leis de vossa Mãe, não</p><p>podereis de nenhum modo escapar à morte. E aquele que é fiel às leis de</p><p>sua Mãe é fiel à sua Mãe também. Ela curará todas as suas pragas e ele</p><p>nunca ficará enfermo. Ela lhe dá longa vida e lhe protege de toda a aflição;</p><p>do fogo, da água, da mordida das serpentes venenosas. Pois vossa Mãe vos</p><p>deu à luz, conservai a vida em vós. Ela vos deu Seu corpo, e ninguém senão</p><p>Ela vos cura. Feliz é aquele que ama sua Mãe e repousa sossegadamente</p><p>em Seu seio. Porque vossa Mãe vos ama, mesmo quando vos afastais d’Ela.</p><p>E quanto mais Ela vos amará, se regressardes de novo a Ela? Em verdade</p><p>vos digo, muito grande é Seu amor, maior que a maior das montanhas e</p><p>mais profundo que o mais fundo dos mares. E aqueles que amam sua Mãe</p><p>Ela nunca os abandona. Como a galinha protege a seus pintinhos, como a</p><p>leoa a seus filhotes, como a mãe a seu bebê recém-nascido, assim</p><p>suceder-me?’ E estas são as palavras</p><p>dos que se afligem e regozijam com os acontecimentos que lhes sobrevêm,</p><p>acontecimentos que não são provocados por eles. Mas se nós pranteamos</p><p>pelo que não está em nosso poder, somos iguais à criancinha que chora</p><p>quando o sol se ausenta do céu. Dizia-se antigamente: nada cobiçarás que</p><p>pertença ao teu próximo. E agora vos digo: não desejarás coisa alguma que</p><p>não esteja em teu poder, pois somente o que está dentro de ti te pertence; e</p><p>o que está fora de ti pertence a outrem. Nisto reside a felicidade: saber o</p><p>que é teu e o que não é teu. Se quiseres ter a vida eterna, agarra com força a</p><p>eternidade dentro de ti e não procures alcançar as sombras do mundo dos</p><p>homens, que encerram as sementes da morte.”</p><p>“Tudo o que acontece fora de ti não está fora do teu poder? Está. E o</p><p>teu conhecimento do bem e do mal não está dentro de ti? Está. Não está,</p><p>pois, em teu poder tratar todas as ocorrências à luz da sabedoria e do amor,</p><p>em vez de tratá-las à luz da tristeza e do desespero? Está. Pode algum</p><p>homem impelir-te de proceder assim? Nenhum. Portanto, não gritarás: ‘Que</p><p>hei de fazer? Que é que vai acontecer-me agora? Isso vai acontecer?’ Pois o</p><p>que quer que possa sobrevir, tu julgarás à luz da sabedoria e do amor, e</p><p>verás todas as coisas com os olhos dos anjos.”</p><p>“Pois avaliar a tua felicidade segundo o que possa acontecer-te é</p><p>viver como escravo. E viver de acordo com os anjos que falam dentro de ti</p><p>é ser livre. Viverás em liberdade como verdadeiro filho de Deus, e só</p><p>inclinarás a cabeça diante dos mandamentos da Lei Sagrada. Dessa maneira</p><p>viverás, para que, quando o anjo da morte vier buscar-te, possas estender as</p><p>mãos a Deus e dizer: ‘Não descurei das Comunhões que recebi de Ti por</p><p>78</p><p>conhecer a Tua Lei e por trilhar os caminhos dos anjos; não Te desonrei</p><p>pelos meus atos: vê como tenho usado o olho que enxerga por dentro; acaso</p><p>Te censurei algum dia? Gritei contra o que me aconteceu, ou desejei que as</p><p>coisas fossem diferentes? Desejei transgredir a Tua Lei? Tu me deste a</p><p>vida, e eu Te agradeço o que me deste: enquanto usei as coisas Tuas, estive</p><p>contente: leva-as de volta e coloca-as onde Te aprouver, pois Tuas são</p><p>todas as coisas, até a eternidade’.”</p><p>“Sabe que homem nenhum pode servir a dois amos. Não podes</p><p>desejar possuir as riquezas do mundo e ter também o Reino do Céu. Não</p><p>podes desejar possuir terras e poder sobre os homens e ter também o Reino</p><p>do Céu. Riquezas, terras e poder são coisas que não pertencem a nenhum</p><p>homem, pois são do mundo. Mas o Reino do Céu é teu para sempre, pois</p><p>está dentro de ti. E se desejares e buscares o que não te pertence, perderás,</p><p>por certo, o que é teu. Sabe, pois em verdade te digo, que nada é dado nem</p><p>obtido a troco de nada. Pois cada coisa no mundo dos homens e dos anjos</p><p>tem o seu preço. Quem quiser acumular riqueza e grandes cabedais terá de</p><p>correr para cá e para lá, beijar as mãos dos que não admira, desgastar-se</p><p>fatigosamente às portas de outros homens, dizer e fazer muitas coisas</p><p>falsas, dar presentes de ouro, prata e óleos perfumados; tudo isso e mais</p><p>ainda precisa fazer o homem para juntar riqueza e boas graças. E quando o</p><p>tiveres conseguido, que terás em mãos? Essa riqueza e esse poder te</p><p>assegurarão a libertação do medo, a mente em paz, um dia passado na</p><p>companhia dos anjos da Mãe Terrena, uma noite passada em comunhão</p><p>com os anjos do Pai Celestial? Esperas obter de graça coisas tão grandes?</p><p>Quando tem dois amos, o homem ou odiará um e amará o outro; ou se</p><p>agarrará a um e desprezará o outro. Não podes servir a Deus e também</p><p>servir ao mundo. Pode ser que o teu poço seque, que o óleo precioso se</p><p>derrame, que tua casa se queime, que tuas safras murchem: mas tu tratarás</p><p>o que te acontece com sabedoria e amor. As chuvas voltarão a encher o</p><p>poço, as casas podem ser reconstruídas, novas sementes podem ser</p><p>semeadas: todas essas coisas poderão desaparecer, e voltar, e tornar a</p><p>desaparecer. Mas o Reino do Céu é eterno e não desaparecerá. Por</p><p>conseguinte, não troques o eterno pelo que morre em uma hora.”</p><p>***</p><p>“Quando os homens te perguntarem a que país pertences, não digas</p><p>que és deste ou daquele país, eis que, na verdade, foi apenas o pobre corpo</p><p>79</p><p>que nasceu num cantinho qualquer desta terra. Mas tu, ó Filho da Luz,</p><p>pertences à Irmandade que abrange todos os céus e além deles, e do teu Pai</p><p>Celestial provieram as sementes não só do teu pai e do teu avô, mas</p><p>também de todos os seres gerados na terra. Na verdade, és filho de Deus, e</p><p>todos os homens são teus irmãos: e, porventura, teres a Deus por criador,</p><p>pai e guardião não te liberta de todas as tristezas e de todos os medos?”</p><p>“Por consequência te digo, não penses em ajuntar bens e</p><p>propriedades mundanas, ouro e prata, que só trazem corrupção e morte.</p><p>Pois quanto maior for a tua reserva de riquezas, tanto mais grossas serão as</p><p>paredes do teu túmulo. Escancara as janelas da alma e respira o ar fresco do</p><p>homem livre! Por que te preocupas com o que vais vestir? Pensa nos lírios</p><p>do campo e em como crescem: eles não trabalham, nem fiam; e, no entanto</p><p>te digo, nem Salomão em sua glória se vestia como um deles. Por que</p><p>pensas no que vais comer? Pensa nos presentes de tua Mãe Terrena: os</p><p>frutos maduros de Suas árvores e o grão dourado do Seu solo. Por que</p><p>pensas em casas e terras? Um homem não pode vender-te o que não possui,</p><p>e não pode possuir o que já pertence a todos. Esta terra vasta é tua e todos</p><p>os homens são teus irmãos. Os anjos da Mãe Terrena caminham contigo</p><p>durante o dia, e os anjos do Pai Celestial te guiam durante a noite, e dentro</p><p>de ti está a Lei Sagrada. Não fica bem ao filho de um rei cobiçar uma</p><p>quinquilharia na sarjeta. Toma o teu lugar, portanto, à mesa da</p><p>comemoração e administra a tua herança com honra. Pois em Deus</p><p>vivemos e nos movemos e temos o nosso ser. Em verdade, somos seus</p><p>filhos, e ele é nosso Pai.”</p><p>***</p><p>“Só é livre quem vive como deseja viver; quem não é estorvado em</p><p>seus atos e cujos desejos atingem seus propósitos. Quem não é reprimido é</p><p>livre; porém, quem pode ser reprimido ou estorvado é, sem dúvida, escravo.</p><p>Mas quem não é escravo? Somente o que nada deseja que pertença a</p><p>outrem. E quais são as coisas que te pertencem? Meus filhos, somente o</p><p>reino de Deus, que está dentro de vós, onde habita a Lei do vosso Pai</p><p>Celestial, vos pertence. O reino do céu é como um mercador, que procura</p><p>pérolas vistosas, o qual, ao dar com uma pérola de grande preço, saiu,</p><p>vendeu tudo o que tinha e comprou-a. E se essa pedra preciosa for vossa</p><p>para todo o sempre, por que haveis de barganhá-la por calhaus e pedras?</p><p>80</p><p>Sabei que vossa casa, vossa terra, vossos filhos e filhas, todas as alegrias da</p><p>fortuna e todas as tristezas da tribulação, sim, até a opinião que os outros</p><p>fazem de vós, nada disso vos pertence. E se cobiçardes essas coisas, e vos</p><p>agarrardes a elas, e vos afligirdes e exultardes por causa delas, na verdade</p><p>sereis escravos e na escravidão permanecereis.”</p><p>“Meus filhos, não deixeis que as coisas que não são vossas vos</p><p>penetrem. Não deixeis que o mundo cresça em vós, como a trepadeira</p><p>rastejante cresce depressa no carvalho, para não sofrerdes dor quando ela</p><p>vos for arrancada. Despidos saístes do ventre de vossa mãe e despidos para</p><p>lá voltareis. O mundo dá e o mundo tira. Mas nenhum poder no céu nem na</p><p>terra pode tirar de vós a Lei Sagrada, que reside em vós. Podeis ver vossos</p><p>pais mortos e podeis ser banidos do vosso país. Ireis, então, de coração</p><p>alegre, viver em outro, e olhareis com piedade para o matador de vossos</p><p>pais, sabedores de que, por esse ato, ele matou-se a si mesmo. Pois</p><p>conheceis vossos verdadeiros pais e viveis seguros em vosso verdadeiro</p><p>país. Vossos pais verdadeiros são o vosso Pai Celestial e a vossa Mãe</p><p>Terrena, e o vosso verdadeiro país é o Reino do Céu. A morte nunca poderá</p><p>separar-vos de vossos verdadeiros pais e do vosso verdadeiro país não</p><p>existe exílio. E, dentro de vós, uma rocha que resiste a todas</p><p>as tormentas, a</p><p>Lei Sagrada, é o vosso baluarte e salvação”.</p><p>81</p><p>FRAGME�TOS DO EVA�GELHO ESSÊ�IO DE JOÃO</p><p>No princípio era a Lei, e a Lei estava com Deus, e a Lei era Deus. A</p><p>mesma estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele;</p><p>e sem Ele nada foi feito do que se fez. N’Ele estava a vida; e a vida era a</p><p>luz dos homens. E a luz brilhou na escuridão, e a escuridão não a conteve.</p><p>De um lugar remoto no deserto vieram os Irmãos para dar</p><p>testemunho da Luz, a fim de que todos os homens, através deles,</p><p>caminhassem na luz da Lei Sagrada. Pois a verdadeira luz ilumina todo</p><p>homem que vem ao mundo, mas o mundo não a conhece. Como muitos,</p><p>porém, recebem a Lei, a eles é dado o poder de se tornarem Filhos de Deus</p><p>e entrarem no Mar Eterno, onde se ergue a Árvore da Vida.</p><p>E Jesus ensinou-os, dizendo: “Em verdade, em verdade vos digo: a</p><p>não ser que nasça de novo, o homem não poderá ver o Reino do Céu.”</p><p>E um homem perguntou: “Como há de um homem nascer se já está</p><p>velho? Pode ele entrar, pela segunda vez, no ventre de sua mãe, e nascer?”</p><p>E Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, se um</p><p>homem não nascer da Mãe Terrena e do Pai Celestial, e não caminhar com</p><p>os anjos do Dia e da Noite, não entrará no Reino Eterno. O que nasce da</p><p>carne é carne; e o que nasce do Espírito é espírito. E a carne do teu corpo</p><p>nasceu da Mãe Terrena, e o espírito dentro de ti nasceu do Pai Celestial. O</p><p>vento sopra onde bem entende, e tu lhe ouves o som, mas não podes dizer</p><p>de onde vem. O mesmo sucede com a Lei Sagrada. Todos os homens a</p><p>ouvem, mas não a conhecem, pois desde o seu primeiro sopro ela está com</p><p>eles. Quem, porém, nasceu de novo do Pai Celestial e da Mãe Terrena</p><p>ouvirá com novos ouvidos, e verá com olhos novos, e a chama da Lei</p><p>Sagrada será acesa dentro dele.”</p><p>E um homem perguntou: “Como pode ser isso?”</p><p>Jesus respondeu e disse-lhe: “Em verdade, em verdade vos digo:</p><p>falamos o que sabemos e testificamos o que vimos; e não recebeis o nosso</p><p>testemunho. Pois o homem nasceu para caminhar com os anjos, mas, em</p><p>vez disso, procura jóias no lodo. A ele legou o Pai Celestial sua herança,</p><p>para que construísse o Reino do Céu na terra, mas o homem voltou as</p><p>costas para seu Pai e adora o mundo e seus ídolos. E esta é a condenação: a</p><p>luz veio ao mundo e os homens preferiram a escuridão, porque suas obras</p><p>eram más. Pois todo aquele que pratica o mal odeia a luz e tampouco vem</p><p>para a luz. Somos todos Filhos de Deus e Deus em nós é glorificado. E a</p><p>82</p><p>luz que brilha em torno de Deus e de Seus filhos é a Luz da Lei Sagrada. E</p><p>quem odeia a luz, nega seu Pai e sua Mãe, dos quais nasceu.”</p><p>E um homem perguntou: “Mestre, como podemos conhecer a luz?”</p><p>E Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos dou um novo</p><p>mandamento: amai-vos uns aos outros, como eles vos amam a vós, que</p><p>trabalhais juntos no Jardim da Irmandade. Por isso todos os homens saberão</p><p>que vós também sois irmãos, como todos nós somos Filhos de Deus.”</p><p>E um homem disse: “Só falas em irmandade e, no entanto, nem todos</p><p>podemos pertencer à irmandade. Todavia, gostaríamos de adorar a luz e</p><p>evitar a escuridão, pois ninguém entre nós deseja o mal.”</p><p>E Jesus respondeu: “Não se perturbe o vosso coração: acreditai em</p><p>Deus. Sabei que na casa de nosso Pai há muitas mansões, e a nossa</p><p>irmandade é apenas um vidro escuro que reflete a Irmandade Celeste, à</p><p>qual pertencem todas as criaturas do céu e da terra. A irmandade é a vinha,</p><p>e nosso Pai Celestial é o lavrador. Ele arranca de nós todo galho que não dá</p><p>fruto; e limpa todos os galhos que dão frutos, a fim de que produzam mais</p><p>frutos ainda. Permanecei em nós, e nós em vós. Como o galho não dá fruto</p><p>por si só, a não ser que permaneça na vinha, tampouco o daremos nós, a</p><p>não ser que permaneçamos na Lei Sagrada, que é uma rocha sobre a qual se</p><p>assenta a nossa irmandade.”</p><p>“Quem permanece na Lei produz muitos frutos: pois sem a Lei não</p><p>podeis fazer nada. Se um homem não permanecer na Lei, será arrancado</p><p>como um galho e secará; e os homens os juntarão e lançarão ao fogo e eles</p><p>se queimarão.”</p><p>“E assim como os irmãos permanecem no amor uns dos outros e o</p><p>Anjo do Amor lhes ensina, assim pedimos que vós ameis uns aos outros.</p><p>Nenhum amor tem o homem maior do que este, qual seja, ensinar a Lei</p><p>Sagrada uns aos outros, e amarem-se uns aos outros como a si mesmos. O</p><p>Pai Celestial está em nós, e nós estamos n’Ele, e estendemos as mãos com</p><p>amor e pedimos que vos identifiqueis conosco. A glória que ele nos deu nós</p><p>vos daremos: para que sejais um, como nós somos um. Pois vosso Pai</p><p>Celestial vos amou antes mesmo da fundação do mundo.”</p><p>E dessa maneira ensinaram os Irmãos a Lei Sagrada aos que</p><p>quiseram ouvi-la, e diz-se que fizeram coisas maravilhosas e curaram os</p><p>enfermos e os aflitos com diversas ervas e com os usos prodigiosos do sol e</p><p>da água. E também muitas outras coisas fizeram eles, as quais, se as</p><p>tivessem escrito uma por uma, nem mesmo o mundo conteria os livros que</p><p>seriam escritos. Amém.</p><p>83</p><p>FRAGME�TOS DO LIVRO ESSÊ�IO DO APOCALIPSE</p><p>Eis que o Anjo do Ar o trará, e todos os olhos o verão, e a</p><p>irmandade, toda a grande irmandade da terra, erguerá sua voz uníssona e</p><p>cantará, por causa dele. Assim seja. Amém.</p><p>Eu sou Alfa e Ômega, princípio e fim; que é, que foi e que será.</p><p>E a voz falou, e eu voltei-me para ver a voz que falava comigo. E,</p><p>tendo-me voltado, vi sete velas de ouro; e no meio da sua luz fulgurante vi</p><p>alguém parecido com o Filho do Homem, vestido de branco, branco como a</p><p>neve. E sua voz enchia o ar como o som da água aos borbotões e em suas</p><p>mãos havia sete estrelas, cheias da luz flamejante dos céus, de onde</p><p>procediam. E quando ele falou, de seu rosto jorrava luz, fulgurante e</p><p>dourada qual um milhar de sóis.</p><p>E ele disse: “Não temas: Eu sou o primeiro e o último; Eu sou o</p><p>princípio e o fim. Escreve as coisas que viste, e as coisas que são, e as que</p><p>serão doravante; o mistério das sete estrelas que me enchem as mãos, e as</p><p>sete velas de ouro, que fulguram com luz eterna. As sete estrelas são os</p><p>anjos do Pai Celestial, e as sete velas são os anjos da Mãe Terrena. E o</p><p>espírito do homem é a chama que flui entre a luz da estrela e a vela</p><p>cintilante: Uma ponte de santa luz entre o céu e a terra”. Essas coisas disse</p><p>ele que trazia sete estrelas nas mãos, que caminhava no meio das chamas</p><p>das sete velas de ouro. Quem tiver ouvidos ouça o que diz o Espírito: “Para</p><p>o triunfador darei de comer da Árvore da Vida, que se ergue no meio do</p><p>resplandecente Paraíso de Deus.” E então olhei e eis que uma porta se abriu</p><p>no céu: E uma voz que soava de todos os lados, como se fosse uma</p><p>trombeta, falou-me: “Sobe até aqui, que te mostrarei as coisas que terão de</p><p>ser daqui por diante.”</p><p>E imediatamente me vi lá, em espírito, no limiar da porta aberta. E</p><p>entrei pela porta aberta num mar de luz resplandecente. E no meio do oceano</p><p>de resplendor ofuscante havia um trono; e no trono sentava-se alguém de</p><p>rosto escondido. Um arco-íris envolvia o trono, semelhante a uma esmeralda.</p><p>Em volta do trono havia treze assentos: e nos assentos avistei treze anciões</p><p>abancados, envoltos num trajo branco; e seus rostos estavam ocultos por</p><p>nuvens turbilhonantes de luz. E sete lâmpadas de fogo ardiam defronte do</p><p>trono, o fogo da Mãe Terrena. E sete estrelas do céu brilhavam diante do</p><p>trono, o fogo do Pai Celestial. E à frente do trono havia um mar de vidro feito</p><p>cristal: E, refletidos nele, todas as montanhas, vales e oceanos da terra, e</p><p>84</p><p>todas as criaturas que neles habitam. E os treze anciões se inclinavam diante</p><p>do esplendor de quem se sentava no trono, com o rosto escondido. E rios de</p><p>luz jorravam de suas mãos, de uma para a outra, e eles clamavam: “Santo,</p><p>santo, santo, Senhor Deus Onipotente, que era, é e será. És digno, Ó Senhor,</p><p>de receber glória, honra e poder: pois criaste todas as coisas.”</p><p>E vi, então, na mão direita de quem se sentava no trono, e cujo rosto</p><p>estava</p><p>escondido, um livro escrito dentro e atrás, selado com sete selos. E</p><p>vi um anjo que proclamava em altas vozes: “Quem é digno de abrir o livro;</p><p>e soltar-lhe os selos?”</p><p>E nenhum ser no céu, na terra, nem mesmo debaixo da terra, foi</p><p>capaz de abrir o livro, nem de olhar para ele. E eu chorei, porque o livro</p><p>não podia ser aberto, nem fui capaz de ler o que nele estava escrito. E um</p><p>dos anciões me disse: “Não chores. Estende a mão e pega o livro, sim, o</p><p>mesmo livro dos sete selos, e abre-o. Pois ele foi escrito para ti, que és, ao</p><p>mesmo tempo, o mais baixo dos baixos, e o mais alto dos altos.”</p><p>Estendi a mão e toquei o livro. E eis que a capa se levantou, e minhas</p><p>mãos tocaram as páginas de ouro, e eu contemplei o mistério dos sete selos.</p><p>E vi e ouvi a voz de muitos anjos à volta do trono, e o número deles</p><p>era dez mil vezes dez mil, e milhares de milhares, que diziam a brados:</p><p>“Toda glória, sabedoria, força e poder para todo o sempre a ele que revelará</p><p>o Mistério dos Mistérios.” E vi as nuvens turbilhonantes de luz dourada</p><p>esticando-se qual ponte ígnea entre minhas mãos, e as mãos dos treze</p><p>anciões, e os pés do que estava sentado no trono, cuja face se escondia.</p><p>Abri o primeiro selo. E vi e contemplei o Anjo do Ar. Por entre os</p><p>lábios fluía-lhe o sopro da vida, e ele se ajoelhou sobre a terra e deu ao</p><p>homem os ventos da Sabedoria. E o homem aspirou-os. E, quando expirou,</p><p>o céu escureceu, o ar perfumado se tornou viciado e fétido, nuvens de</p><p>fumaça má pairaram baixas sobre toda a terra. E eu desviei o rosto,</p><p>envergonhado.</p><p>Abri o segundo selo. E vi e contemplei o Anjo da Água. Por entre os</p><p>lábios fluía-lhe a água da vida, e ele se ajoelhou sobre a terra e deu ao</p><p>homem um oceano de Amor. E o homem entrou nas águas claras e</p><p>brilhantes. E, quando tocou a água, as correntes claras escureceram, as</p><p>águas cristalinas engrossaram, cheias de limo, os peixes passaram a ofegar</p><p>na escuridão lodosa, e todas as criaturas morreram de sede. E eu desviei o</p><p>rosto, envergonhado.</p><p>Abri o terceiro selo. E vi e contemplei o Anjo do Sol. Por entre os</p><p>lábios fluía-lhe a luz da vida, e ele se ajoelhou sobre a terra e deu ao</p><p>85</p><p>homem os fogos do Poder. E a força do sol penetrou o coração do homem,</p><p>que tomou o poder e fez com ele um sol falso, e eis que ele espalhou os</p><p>fogos da destruição, queimando florestas, devastando vales verdejantes,</p><p>deixando apenas ossos calcinados de seus irmãos. E eu desviei o rosto,</p><p>envergonhado.</p><p>Abri o quarto selo. E vi e contemplei o Anjo da Alegria. Por entre os</p><p>lábios fluía-lhe a música da vida e ele se ajoelhou sobre a terra e deu ao</p><p>homem o cântico da Paz. E paz e alegria, como música, fluíam através da</p><p>alma do homem. Mas ele ouviu apenas a áspera discordância da tristeza e</p><p>do descontentamento, e ele ergueu a espada e cortou as mãos dos</p><p>pacificadores, e voltou a erguê-la mais uma vez e cortou a cabeça dos</p><p>cantores. E eu desviei o rosto, envergonhado.</p><p>Abri o quinto selo. E vi e contemplei o Anjo da Vida. Por entre seus</p><p>lábios fluía a santa aliança entre Deus e o Homem, e ele se ajoelhou sobre a</p><p>terra e deu ao homem o dom da Criação. E o homem criou uma foice de</p><p>ferro em forma de serpente, e a safra que colheu foram a fome e a morte. E</p><p>eu desviei o rosto, envergonhado.</p><p>Abri o sexto selo. E vi e contemplei o Anjo da Terra. Por entre os</p><p>lábios fluía-lhe o rio da Vida Eterna, e ele se ajoelhou sobre a terra e deu ao</p><p>homem o segredo da Eternidade, e ordenou-lhe que abrisse os olhos e</p><p>observasse a misteriosa Árvore da Vida que se ergue no Mar Infinito. Mas</p><p>o homem ergueu a mão e lançou fora os próprios olhos, e disse que não</p><p>havia eternidade. E eu desviei o rosto, envergonhado.</p><p>Abri o sétimo selo. E vi e contemplei o Anjo da Mãe Terrena. E ele</p><p>trouxe consigo uma mensagem de Luz ardente do trono do Pai Celestial. E</p><p>a mensagem era só para os ouvidos do homem que caminha entre a terra e o</p><p>céu. E aos ouvidos do homem sussurrou-se a mensagem, e ele não a ouviu.</p><p>Mas não desviei o rosto, envergonhado. Eis que estendi a mão para as asas</p><p>do anjo e dirigi minha voz para o céu, dizendo: “Dizei-me a mensagem.</p><p>Pois me agradaria comer do fruto da Árvore da Vida que cresce no Mar da</p><p>Eternidade.”</p><p>E o anjo olhou para mim com grande tristeza, e houve silêncio no</p><p>céu. Então ouvi uma voz, que era como a voz que soava qual trombeta e</p><p>dizia: “Ó Homem, houvesses tu olhado para o mal que fizeste quando</p><p>desviaste o rosto do trono de Deus, quando não fizeste uso dos dons dos</p><p>sete anjos da Mãe Terrena e dos sete anjos do Pai Celestial?”. E uma dor</p><p>terrível me dominou ao sentir dentro de mim as almas de todos os que se</p><p>haviam cegado, de modo que só viam os próprios desejos da carne. E vi</p><p>86</p><p>sete anjos postados diante de Deus; e a eles foram dadas sete trombetas. E</p><p>veio outro anjo e quedou-se no altar, trazendo um turíbulo de ouro; e foi-</p><p>lhe dado muito incenso, para que ele o oferecesse com as preces de todos os</p><p>anjos sobre o altar de ouro que defrontava o trono. E a fumaça do incenso</p><p>elevou-se diante de Deus, saída da mão do anjo. E o anjo tomou o turíbulo,</p><p>encheu-o do fogo do altar e arremessou-o dentro da terra, e houve vozes e</p><p>estrondear de trovões, e relâmpagos, e terremotos. E os sete anjos que</p><p>tinham as sete trombetas prepararam-se para soá-las.</p><p>O primeiro anjo soou, e seguiram-se o granizo e o fogo misturado</p><p>com sangue, que foram lançados sobre a terra: e as florestas verdes e as</p><p>árvores se queimaram, e toda a relva verde murchou, incinerada.</p><p>E o segundo anjo soou e, por assim dizer, uma grande montanha que</p><p>se abrasava foi jogada ao mar: e o sangue ergueu-se da terra como um</p><p>vapor.</p><p>E o terceiro anjo soou, e eis que houve um grande terremoto; e o sol</p><p>tornou-se tão escuro quanto um burel de pêlos, e a lua ficou como sangue.</p><p>E o quarto anjo soou, e as estrelas do céu caíram sobre a terra, como</p><p>a figueira deixa cair seus figos prematuros, quando a sacode um vento</p><p>poderoso.</p><p>E o quinto anjo soou, e o céu se partiu como pergaminho enrolado. E</p><p>sobre toda a terra já não havia uma só árvore, nenhuma flor, nenhuma haste</p><p>de relva. E eu deixei-me ficar sobre a terra, e meus pés afundaram-se no</p><p>solo, macio e grosso de sangue, que se prolongava até onde a vista</p><p>alcançava. E sobre toda a terra havia silêncio.</p><p>E o sexto anjo soou. E eu vi um ser imenso descer do céu, vestido</p><p>com uma nuvem: Um arco-íris encimava-lhe a cabeça, e seu rosto era como</p><p>se fosse o sol, e seus pés eram pilares de fogo. Ele tinha na mão um livro</p><p>aberto: e colocou o pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra, e</p><p>gritou em voz alta, maravilhosa de se ouvir: “Ó Homem, gostarias que esta</p><p>visão passasse?” E eu respondi: “Tu sabes, Ó Santíssimo, que eu faria o que</p><p>quer que fosse para que tais coisas terríveis não viessem a passar.”</p><p>E ele falou: “O homem criou esses poderes de destruição. E os forjou</p><p>com a própria mente. Ele desviou o rosto dos anjos do Pai Celestial e da</p><p>Mãe Terrena, e talhou a própria destruição.”</p><p>E eu falei: “Não há esperança, anjo brilhante?” E uma luz</p><p>resplandecente escorria-lhe das mãos como um rio quando ele respondeu:</p><p>“Sempre há esperança, ó tu para quem o céu e a terra foram criados.”</p><p>E então o anjo, que estivera com um pé sobre o mar e um pé sobre a</p><p>87</p><p>terra, ergueu a mão para o céu, e jurou por aquele que vive para todo o</p><p>sempre, que criou o céu e as coisas que estão dentro dele, e a terra e as</p><p>coisas que estão dentro dela, e o mar e as coisas que estão dentro dele, que</p><p>já não haveria tempo: Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele</p><p>principiar a soar, o mistério de Deus será revelado aos que comeram da</p><p>Árvore da Vida que se ergue para sempre no Mar Eterno. E a voz falou de</p><p>novo, dizendo: “Vai e pega o livro aberto na mão do anjo que está sobre o</p><p>mar e sobre a terra.” E eu me enderecei ao anjo, e disse-lhe: “Dá-me o</p><p>livro, pois quero comer da Árvore da Vida que se ergue no meio do Mar</p><p>Eterno.” E o anjo me deu o livro, e eu o abri e nele li o que sempre fora, o</p><p>que era agora, e o que</p><p>viria a acontecer.</p><p>Vi o holocausto que engolfaria a terra, e a grande destruição que</p><p>afogaria todos os seus habitantes em oceanos de sangue. E vi também a</p><p>eternidade do homem e a clemência infindável do Onipotente. As almas</p><p>dos homens eram como páginas em branco do livro, sempre prontas para</p><p>que nele se inscrevesse um novo cântico.</p><p>E eu ergui o rosto para os sete anjos da Mãe Terrena e para os sete</p><p>anjos do Pai Celestial, e senti que meus pés tocavam a santa fronte da Mãe</p><p>Terrena, e que meus dedos tocavam os santos pés do Pai Celestial, e entoei</p><p>um hino de Ação de Graças:</p><p>“Agradeço-te, Pai Celestial.</p><p>Porque me colocaste numa fonte de águas correntes,</p><p>Na fonte viva numa terra de seca,</p><p>Que rega um eterno jardim de maravilhas.</p><p>A Árvore da Vida, Mistério dos Mistérios,</p><p>Que brota galhos perpétuos para o eterno plantio</p><p>Penetrando raízes na corrente da vida</p><p>Que mana de uma fonte eterna.</p><p>E tu, Pai Celestial.</p><p>Protege-lhes os frutos</p><p>Com os anjos do dia e da noite</p><p>E com chamas da Luz Eterna que arde de todas as maneiras.”</p><p>Mas a voz tornou a falar, e mais uma vez meus olhos se desviaram</p><p>dos esplendores do reino da luz. “Presta atenção, ó Homem! Podes parar no</p><p>caminho certo e caminhar na presença dos anjos. Podes cantar sobre a Mãe</p><p>Terrena de dia e sobre o Pai Celestial à noite, e através do teu ser pode</p><p>seguir a corrente de ouro da Lei. Mas deixarias teus irmãos mergulharem</p><p>no abismo hiante de sangue, enquanto a terra, destroçada pela dor,</p><p>88</p><p>estremece e geme debaixo das suas correntes de pedra? Podes beber da taça</p><p>da vida eterna, quando teus irmãos morrem de sede?”</p><p>Com o coração pesado de compaixão, olhei, e eis que apareceu um</p><p>grande prodígio no céu: Uma mulher vestida com o sol e com a lua debaixo</p><p>dos pés, que trazia sobre a cabeça uma coroa de sete estrelas. E conheci que</p><p>ela era a fonte dos cursos d’água velozes e a Mãe das Florestas.</p><p>E quedei-me sobre a areia do mar, e vi erguer-se do mar uma besta,</p><p>cujas narinas lançavam um ar imundo e asqueroso, e, no lugar em que ela se</p><p>ergueu do mar, as águas se transformaram em lodo, e cobria-lhe o corpo uma</p><p>pedra escura e fumegante. E a mulher vestida com o sol estendeu os braços</p><p>para a besta, e a besta se aproximou e abraçou-a. E eis que sua pele de pérola</p><p>emurcheceu sob o hálito impuro da besta, que lhe quebrou as costas com</p><p>braços de rocha trituradora, e, com lágrimas de sangue, ela deixou-se cair na</p><p>poça de lama. E da boca da besta saíram exércitos de homens, que brandiam</p><p>espadas e lutavam entre si. Eles combatiam com uma fúria terrível, e</p><p>decepavam os próprios membros e arrancavam os próprios olhos, até caírem</p><p>na voragem de lama, berrando de agonia e de dor.</p><p>Caminhei até a borda do abismo e estendi a mão para baixo, e pude</p><p>ver o redemoinho turbilhonante de sangue, e os homens dentro dele, presos</p><p>feito moscas numa teia. E falei em voz alta, dizendo: “Irmãos, largai as</p><p>espadas e segurai a minha mão. Deixai o aviltamento e a profanação</p><p>daquela que vos deu à luz, e daquele que vos deu a herança. Pois se</p><p>acabaram para vós os dias de comprar e vender, como se acabaram também</p><p>os dias de caçar e matar. Pois quem leva ao cativeiro será levado ao</p><p>cativeiro, e quem mata pela espada, pela espada morrerá. E os mercadores</p><p>da terra se carpirão e lamentarão, pois nenhum homem voltará a comprar-</p><p>lhes a mercadoria: Os mercadores de ouro, de prata, de pedras preciosas, de</p><p>pérolas, de linho fino, de púrpura, de seda e de escarlate, de mármore, de</p><p>animais, de gado e de cavalos, de carros, de escravos e de almas de</p><p>homens, nenhuma dessas coisas podereis comprar e vender, porque todas</p><p>estão sepultadas num mar de sangue, porque destes as costas ao vosso pai e</p><p>à vossa mãe, e adorastes a besta que teria construído um paraíso de pedra.</p><p>Largai as espadas, meus irmãos, e segurai a minha mão.”</p><p>E enquanto nossos dedos se agarravam, vi na distância uma grande</p><p>cidade, alva e brilhante no horizonte afastado, de alabastro luzente. E havia</p><p>vozes, trovões e raios, e um grande terremoto, que nunca se vira, desde que</p><p>os homens habitaram a terra, tão vigoroso e tão violento. E a grande cidade</p><p>dividiu-se em três partes, e caíram as cidades das nações: e a grande cidade</p><p>89</p><p>lembrou, na presença de Deus, para que ele lhe desse a taça do vinho da</p><p>veemência da sua ira. E todas as ilhas se evadiram, e não se encontraram as</p><p>montanhas. E caiu do céu sobre os homens um furioso granizo, cada uma</p><p>de cujas pedras pesava, mais ou menos, um talento. E um anjo vigoroso</p><p>tomou uma pedra semelhante a uma grande mó e jogou-a no mar, dizendo:</p><p>“Assim com violência a grande cidade será derrubada, e nunca mais será</p><p>encontrada. E a voz dos harpistas, músicos, gaiteiros, cantores, e trombeteiros,</p><p>nunca mais será ouvida em vós; e nenhum artífice, seja qual for a sua arte,</p><p>nunca mais será encontrado em vós; e o som de uma mó de moinho não</p><p>será ouvido nunca mais em vós. E a luz de uma vela não brilhará nunca</p><p>mais em vós; e a voz do noivo e da noiva não será ouvida nunca mais em</p><p>vós; porque os vossos mercadores foram os grandes homens da terra;</p><p>porque enganastes, com vossas bruxarias, todas as nações. E nela se</p><p>encontrou o sangue dos profetas e dos santos e de todos os que foram</p><p>mortos sobre a terra.”</p><p>E meus irmãos agarraram a minha mão, e lutaram por sair do abismo</p><p>de lama e ficaram atônitos no mar de areia, e os céus se abriram e com</p><p>chuva lhes lavaram os corpos nus. E ouvi uma voz que vinha do céu, como</p><p>a voz de muitas águas, e como a voz de um grande trovão; e ouvi a voz de</p><p>harpistas que harpejavam, com suas harpas, e cantavam, por assim dizer,</p><p>um cântico novo perante o trono.</p><p>E vi outro anjo voar no meio do céu, com os cânticos do dia e da</p><p>noite e o evangelho eterno para pregar aos que habitavam a terra, aos que</p><p>tinham conseguido sair do abismo de lama e se achavam nus e lavados pela</p><p>chuva diante do trono. E o anjo clamava: “Temei a Deus, e glorificai-o;</p><p>pois chegou a hora do seu julgamento: E adorai aquele que fez o céu e a</p><p>terra e o mar e as fontes de águas.”</p><p>E vi o céu aberto, e avistei um cavalo branco; e quem o montava se</p><p>chamava Fiel e Verdadeiro, e com Virtude ele julga. Seus olhos eram como</p><p>chama de fogo, e em sua cabeça havia muitas coroas, e ele trazia uma capa</p><p>de luz ofuscante e seus pés estavam nus. E seu nome é a Palavra de Deus. E</p><p>a Santa Irmandade o seguia montando cavalos brancos, vestida de linho</p><p>fino, branco e limpo. E eles entraram no eterno Jardim Infinito, em cujo</p><p>meio se erguia a Árvore da Vida. E as multidões nuas, lavadas da chuva,</p><p>entravam à presença dos Irmãos, trêmulas, para lhes receberem o</p><p>julgamento. Pois seus pecados eram muitos, e elas tinham conspurcado a</p><p>terra, sim, tinham destruído as criaturas da terra e do mar, empeçonhado o</p><p>solo, viciado o ar, e enterrado viva a Mãe que os dera à luz.</p><p>90</p><p>Mas não vi o que lhes aconteceu, pois minha visão mudou, e vi um</p><p>novo céu e uma nova terra: Pois o primeiro céu e a primeira terra haviam</p><p>passado; e já não havia mar.</p><p>E vi a cidade sagrada da Irmandade descendo de Deus para fora do</p><p>céu, preparada qual noiva adornada para o marido. E ouvi uma grande voz</p><p>saída do céu, que dizia: “Eis que a montanha da casa do Senhor, firmada no</p><p>topo das montanhas, é exaltada acima das colinas; e todo o povo acorrerá a</p><p>ela. Vinde, e subamos para a montanha do Senhor, para a casa de Deus; e</p><p>Ele nos ensinará Seus caminhos, e nós palmilharemos Suas sendas: Pois da</p><p>Santa Irmandade sairá a Lei. Eis que o tabernáculo de Deus está com os</p><p>homens, e ele habitará com eles, e eles serão o Seu povo, o próprio Deus</p><p>está com eles, e será o Deus deles. E Deus lhes enxugará todas as lágrimas</p><p>dos olhos; e já não haverá morte, nem tristeza, nem choro, nem haverá dor</p><p>alguma: Pois as coisas anteriores terão findado. Os que fizeram guerra</p><p>transformarão suas espadas em relhas de arado, e suas lanças em podadeiras:</p><p>Nação alguma levantará a espada contra outra nação, pois elas tampouco</p><p>aprenderão a guerra: Pois as coisas anteriores terão passado.”</p><p>E ele tornou a falar: “Eis que farei novas todas as coisas. Sou Alfa e</p><p>Ômega, princípio e fim. Darei ao que tem sede da fonte da água da vida</p><p>livremente. O que triunfar herdará todas as coisas, e Eu serei o seu Deus, e</p><p>ele será o meu filho. Mas os medrosos e os incrédulos, e os abomináveis, os</p><p>assassinos e todos os mentirosos, cavarão sua própria fossa, que queima</p><p>com fogo e enxofre.”</p><p>Mais uma vez minha visão mudou, e ouvi as vozes da Santa</p><p>Irmandade erguidas em cântico, dizendo: “Vinde e caminhemos na luz da</p><p>Lei.” E vi a cidade sagrada, e os Irmãos que corriam para ela. A cidade não</p><p>precisava do sol nem da lua para nela brilhar: Pois a glória de Deus a</p><p>iluminava. E vi o rio puro da Água da Vida, claro como cristal, saído do</p><p>trono de Deus. E no meio do rio se erguia a Árvore da Vida, que produzia</p><p>catorze tipos de frutos, e dava seu fruto a quem quisesse comê-lo, e as</p><p>folhas da árvore se destinavam à cura das nações. E ali não haverá noite; e</p><p>eles não precisaram de velas, nem da luz do sol, pois o Senhor Deus lhes</p><p>dará luz: e eles reinarão para todo o sempre.</p><p>Alcancei a visão interior e, através do Teu espírito em mim, ouvi o</p><p>Teu segredo maravilhoso. Através da Tua mística introvisão, fizeste uma</p><p>fonte de conhecimento brotar dentro de mim, uma fonte de poder, que</p><p>mana águas vivas; um dilúvio de amor e de oniabrangente sabedoria como</p><p>o esplendor da Luz Eterna.</p><p>91</p><p>LIVRO 3</p><p>MA�USCRITOS PERDIDOS DA</p><p>IRMA�DADE ESSÊ�IA</p><p>92</p><p>93</p><p>PREFÁCIO</p><p>Neste momento, nós temos orgulho de nos separarmos da Natureza, e</p><p>o espírito de Pan está morto. As almas dos homens estão espalhadas para</p><p>além da esperança de unidade, e as espadas dos credos formais estão</p><p>drasticamente separando-os em toda parte. Viver em harmonia com o</p><p>Universo torna a vida a performance de uma cerimônia majestosa; viver</p><p>contra ele é rastejar de um lado a outro em um beco sem saída. No entanto,</p><p>mesmo agora, sussurros de mudança estão tomando a face do mundo mais</p><p>uma vez. Como outro grande sonho iniciando-se, a consciência do homem</p><p>está lentamente expandindo-se mais uma vez. Algumas vozes de tempos</p><p>atrás estão divinamente anunciando através de nosso pequeno globo. Para</p><p>estas vozes, eu dedico este livro.</p><p>E.B.S.</p><p>Este terceiro livro do Evangelho Essênio da Paz é uma coleção de</p><p>textos de grande valor espiritual, literário, filosófico e poético, criados por</p><p>duas poderosas e entrelaçadas correntes de tradições.</p><p>Cronologicamente, a primeira corrente de tradições, a qual o povo</p><p>hebreu foi exposto na prisão babilônica, data do Épico de Gilgamesh ao</p><p>Zend Avesta de Zoroastro. A segunda é a corrente de tradições que fluem</p><p>com poética majestade através dos Antigo e Novo Testamentos, desde a</p><p>época do eterno Enoch e outros Patriarcas, passando pelos Profetas até a</p><p>misteriosa Irmandade Essênia.</p><p>Na biblioteca enterrada da Irmandade dos Essênios no Mar Morto,</p><p>onde o maior número de pergaminhos foi encontrado, os textos destas duas</p><p>correntes de tradições eram muito entrelaçados. Eles seguem uma à outra</p><p>em uma estranha sucessão: a poderosa simplicidade cubista da primeira</p><p>justaposta com a majestosa poesia expressionista da segunda.</p><p>Os textos originais desta coleção podem ser classificados em três</p><p>grupos aproximados: cerca de setenta por cento deles são completamente</p><p>diferentes dos antigos Livros Sagrados dos Avestas e dos Antigo e Novo</p><p>Testamentos; vinte por cento são semelhantes, e dez por cento são</p><p>idênticos.</p><p>Meu desejo em apresentar esta coleção foi de abster-me de secas</p><p>interpretações filológicas e exegéticas, e, ao contrário, concentrar-me em</p><p>94</p><p>seus valores espirituais e poéticos, mais atraentes para o homem do século</p><p>vinte. Tentei seguir o estilo da minha tradução francesa do primeiro livro</p><p>do Evangelho Essênio da Paz, que já foi publicado em dezessete idiomas, e</p><p>foi distribuído em mais de 200.000 cópias*.</p><p>Espero que este Livro Três seja tão bem sucedido como o Livro Um,</p><p>e, assim, continue a trazer estas inspirações eternas ao nosso século</p><p>desorientado, guiando-nos, através dos tempos, em direção à luz maior.</p><p>Edmond Bordeaux Székely</p><p>* A partir desta impressão, em 1986, o Livro Um de O Evangelho Essênio da Paz foi</p><p>publicado em vinte e cinco línguas e distribuído em mais de um milhão de cópias.</p><p>95</p><p>I�TRODUÇÃO</p><p>Desde os tempos remotos da antiguidade, um ensinamento notável</p><p>existiu que é universal em sua aplicação e atemporal em sua sabedoria.</p><p>Fragmentos dele são encontrados em hieróglifos Sumérios e em cerâmicas</p><p>e pedras que datam de cerca de oito ou dez mil anos atrás. Alguns dos</p><p>símbolos, como o sol, a lua, o ar, a água e outras forças naturais, são de uma</p><p>época anterior precedente ao cataclismo que encerrou o período Pleistoceno.</p><p>Quantos milhares de anos antes o ensino existia é desconhecido.</p><p>Estudar e praticar esse ensinamento é despertar no coração de cada</p><p>homem um conhecimento intuitivo que pode resolver seus problemas</p><p>individuais e os problemas do mundo.</p><p>Vestígios desse ensinamento apareceram em quase todos os países e</p><p>religiões. Seus princípios fundamentais foram ensinados na antiga Pérsia,</p><p>Egito, Índia, Tibete, China, Palestina, Grécia e muitos outros países. Mas</p><p>foi transmitido em sua forma mais pura pelos Essênios, esta misteriosa</p><p>irmandade que viveu durante os últimos dois ou três séculos a.c. e no</p><p>primeiro século da era Cristã no Mar Morto na Palestina e no Lago</p><p>Mareotis no Egito. Na Palestina e na Síria os membros da irmandade eram</p><p>conhecidos como Essênios e no Egito como Therapeutae, ou curandeiros.</p><p>A parte esotérica do seu ensino é dada na Árvore da Vida, nas</p><p>Comunhões Essênias com os anjos, na Paz Sétupla, entre outros. O ensino</p><p>exotérico ou exterior aparece no Livro Um de “O Evangelho Essênio da</p><p>Paz” e nos recentemente descobertos Manuscritos do Mar Morto.</p><p>A origem da irmandade é dito ser desconhecida, e a derivação do</p><p>nome é incerta. Alguns acreditam que vem de Esnoch, ou Enoch, e alegam</p><p>ser ele o fundador, tendo suas comunhões com o mundo angélico sido</p><p>dadas primeiro a ele.</p><p>Outros consideram que o nome vem do Esrael, os eleitos do povo a</p><p>quem Moisés levou as Comunhões no Monte Sinai, onde foram reveladas a</p><p>ele pelo mundo angélico.</p><p>Mas, qualquer que seja sua origem, é certo que os Essênios existiram,</p><p>por um longo período, como uma irmandade, talvez com outros nomes em</p><p>outras terras. O ensinamento aparece no Zend Avesta de Zoroastro, que</p><p>traduziu-o em um modo de vida que foi seguido por milhares de anos. Ele</p><p>contém os conceitos fundamentais do Bramanismo, os Vedas e os</p><p>Upanishads; e os sistemas de Yoga da Índia surgiram da mesma fonte. Buda,</p><p>96</p><p>mais tarde, passou essencialmente as mesmas idéias básicas, e sua árvore</p><p>Bodhi sagrada está relacionada com a Árvore da Vida Essênia. No Tibete o</p><p>ensinamento mais uma vez encontrou expressão na Roda da Vida Tibetana.</p><p>Os pitagóricos e estóicos da Grécia antiga também seguiam os</p><p>princípios Essênios e muito do seu modo de vida. O mesmo ensinamento</p><p>era um elemento da cultura Adonica dos fenícios, da Escola de Filosofia de</p><p>Alexandria, no Egito, e contribuiu grandemente para muitos ramos da</p><p>cultura ocidental, a Maçonaria, a Gnose, a Cabala e a Cristandade. Jesus</p><p>interpretou-o em sua forma mais sublime e bela nas sete bem-aventuranças</p><p>do Sermão da Montanha.</p><p>Os Essênios viviam nas margens de lagos e rios, longe de cidades e</p><p>vilas, e praticavam uma forma comunal de vida, partilhando igualmente em</p><p>tudo. Eles eram principalmente agricultores e arboricultores, tendo um</p><p>vasto conhecimento de cultivo, solo e condições climáticas, o que lhes</p><p>permitiu fazer crescer uma notável variedade de frutas e vegetais em áreas</p><p>relativamente desertas e com um mínimo de trabalho.</p><p>Eles</p><p>não tinham servos ou escravos e teriam sido o primeiro povo a</p><p>condenar a escravidão, tanto na teoria como na prática. Não havia ricos e</p><p>pobres entre eles, ambas as condições eram consideradas por eles como</p><p>desvios da lei. Eles estabeleceram o seu próprio sistema econômico,</p><p>baseado inteiramente na Lei, e mostraram que todos os alimentos do</p><p>homem e as necessidades materiais podem ser alcançados sem esforço,</p><p>através do conhecimento da Lei.</p><p>Eles passavam muito tempo em estudo, tanto de escritos antigos e</p><p>ramos especiais de aprendizado, como de educação, cura, e astronomia. É</p><p>dito que eles são os herdeiros da astronomia caldéia e persa e das artes de</p><p>cura egípcias. Eles eram peritos na profecia para qual se preparavam pelo</p><p>jejum prolongado. No uso de plantas e ervas para a cura de homens e</p><p>animais eles eram igualmente proficientes.</p><p>Eles viviam uma vida simples comum, levantando-se a cada dia</p><p>antes do nascer do sol para estudar e comungar com as forças da natureza,</p><p>banhando-se em água fria como um ritual e vestindo roupas brancas.</p><p>Depois de seu trabalho diário nos campos e vinhedos, eles partilhavam suas</p><p>refeições em silêncio, precedendo e terminando-as com orações. Em seu</p><p>profundo respeito por todas as coisas vivas, nunca tocavam em alimentos</p><p>cárneos, nem bebiam líquidos fermentados. Suas noites eram dedicadas ao</p><p>estudo e à comunhão com as forças celestiais.</p><p>97</p><p>A noite era o início de seu dia, e seu Shabat, ou dia santo, começava</p><p>na noite de sexta-feira, o primeiro dia de sua semana. Este dia foi dado para</p><p>estudo, discussão, entretenimento dos visitantes e reprodução de certos</p><p>instrumentos musicais, cujas relíquias foram descobertas.</p><p>Seu modo de vida permitia-lhes viver até idades avançadas de 120</p><p>anos ou mais e diz-se que eles tinham força e resistência maravilhosas. Em</p><p>todas as suas atividades eles expressavam o amor criador.</p><p>Eles enviavam curadores e professores das irmandades, dentre os quais</p><p>estavam Elias, João Batista, João, o Amado, e o grande Mestre Essênio, Jesus.</p><p>Ser um membro da irmandade era atingível apenas após um período</p><p>probatório de um ano, e três anos de trabalho iniciático, seguido por mais</p><p>sete anos antes de serem admitidos no integral ensino interior.</p><p>Registros do modo Essênio de vida chegaram até nós a partir dos</p><p>escritos de seus contemporâneos. Plínio, naturalista romano, Filo, filósofo</p><p>de Alexandria, Josefo, o historiador romano, Solanius e outros falaram</p><p>deles várias vezes como “uma raça por si só mais notável do que qualquer</p><p>outra no mundo”, “os mais antigos dos iniciados, recebendo os seus ensinos</p><p>da Ásia Central”, “ensino perpetuado através de um imenso espaço de</p><p>eras”, “santidade constante e inalterável”.</p><p>Alguns dos ensinamentos estão preservados no texto Aramaico, no</p><p>Vaticano, em Roma. Alguns no texto eslavo, que foi encontrado na posse</p><p>dos Habsburgos na Áustria e disseram ter sido trazido da Ásia no século</p><p>treze por sacerdotes nestorianos fugindo das hordas de Genghis Khan.</p><p>Ecos do ensinamento existem hoje em muitas formas, em certos</p><p>rituais da ordem maçônica, no símbolo do candelabro de sete braços, na</p><p>saudação “A paz esteja convosco”, usada desde a época de Moisés, e até</p><p>mesmo nos sete dias da semana, que há muito tempo perderam o seu</p><p>significado espiritual original.</p><p>Por sua antiguidade e sua persistência através dos tempos, é evidente</p><p>que o ensinamento não poderia ter sido o conceito de qualquer indivíduo ou</p><p>qualquer povo, mas é a interpretação, por uma sucessão de grandes</p><p>Mestres, da Lei do universo, a Lei básica, eterna e imutável como as</p><p>estrelas em seus cursos, a mesma agora como dois ou dez mil anos atrás, e</p><p>tão aplicável hoje como então.</p><p>O ensinamento explica a Lei, mostra como os desvios do homem</p><p>dela são a causa de todos os seus problemas, e dá o método pelo qual ele</p><p>pode encontrar seu caminho para fora de seu dilema.</p><p>Edmond Bordeaux Székely</p><p>98</p><p>99</p><p>O VOTO SÉTUPLO</p><p>Eu quero fazer e farei o meu melhor para viver como a Árvore da</p><p>Vida, plantada pelos Grandes Mestres da nossa Irmandade, com meu Pai</p><p>Celestial, que plantou o Jardim Eterno do Universo e me deu o meu</p><p>espírito; com minha Mãe Terrena, que plantou o Grande Jardim da Terra e</p><p>me deu o meu corpo; com meus irmãos que estão trabalhando no Jardim da</p><p>nossa Irmandade.</p><p>Eu quero fazer e farei o meu melhor para manter todas as manhãs</p><p>minhas Comunhões com os anjos da Mãe Terrena, e todas as noites com os</p><p>anjos do Pai Celestial, como estabelecido pelos Grandes Mestres da nossa</p><p>Irmandade.</p><p>Eu quero fazer e farei o meu melhor para seguir o Caminho da Paz</p><p>Sétupla.</p><p>Eu quero fazer e farei o meu melhor para aperfeiçoar meu corpo que</p><p>age, meu corpo que sente, e meu corpo que pensa, segundo os</p><p>Ensinamentos dos Grandes Mestres da nossa Irmandade.</p><p>Eu sempre e em toda a parte obedecerei, com reverência, Meu</p><p>Mestre, que me dá a Luz dos Grandes Mestres de todos os tempos.</p><p>Eu me submeterei a meu Mestre e aceitarei sua decisão sobre</p><p>quaisquer queixas ou diferenças que eu possa ter contra algum dos meus</p><p>irmãos que trabalham no Jardim da Irmandade; e jamais levarei alguma</p><p>queixa contra um irmão ao mundo exterior.</p><p>Eu sempre e em toda parte manterei secretas todas as tradições de</p><p>nossa Irmandade que meu Mestre me revelar; e nunca mostrarei a ninguém</p><p>estes segredos sem a permissão de meu Mestre.</p><p>Eu nunca reivindicarei como meu o conhecimento recebido de meu</p><p>Mestre, e sempre lhe darei o crédito por todo esse conhecimento.</p><p>Eu nunca usarei o conhecimento e o poder que eu tiver obtido,</p><p>através da iniciação de meu Mestre, com propósitos materiais ou egoístas.</p><p>E adentro o Jardim Eterno e Infinito com reverência ao Pai Celestial,</p><p>à Mãe Terrena e aos Grandes Mestres, reverência ao Sagrado, Ensinamento</p><p>Puro e Salvador, reverência à Irmandade dos Eleitos.</p><p>100</p><p>O CULTO ESSÊ�IO</p><p>Prólogo</p><p>Quando Deus viu que o seu povo pereceria porque não via a Luz da</p><p>Vida, escolheu os melhores de Israel, para que pudessem fazer a Luz da</p><p>Vida brilhar diante dos filhos dos homens, e os escolhidos foram chamados</p><p>Essênios, porque ensinavam os ignorantes e curavam os enfermos, e se</p><p>reuniam na véspera de cada sétimo dia para alegrar-se com os anjos.</p><p>Culto</p><p>ANCIÃO: Mãe Terrena, dá-nos o Alimento da Vida!</p><p>IRMÃOS: Nós comeremos o Alimento da Vida!</p><p>ANCIÃO: Anjo do Sol, dá-nos o Fogo da Vida!</p><p>IRMÃOS: Nós perpetuaremos o Fogo da Vida!</p><p>ANCIÃO: Anjo da Água, dá-nos a Água da Vida!</p><p>IRMÃOS: Nós nos banharemos na Água da Vida!</p><p>ANCIÃO: Anjo do Ar, dá-nos o Sopro da Vida!</p><p>IRMÃOS: Nós respiraremos o Ar da Vida!</p><p>ANCIÃO: Pai Celestial, dá-nos o Teu Poder!</p><p>IRMÃOS: Nós construiremos o Reino de Deus com o Poder do Pai</p><p>Celestial!</p><p>ANCIÃO: Pai Celestial, dá-nos o Teu Amor!</p><p>IRMÃOS: Nós encheremos nossos corações com o Amor do Pai Celestial!</p><p>ANCIÃO: Pai Celestial, dá-nos a Tua Sabedoria!</p><p>IRMÃOS: Nós seguiremos a Sabedoria do Pai Celestial!</p><p>ANCIÃO: Pai Celestial, dá-nos a Vida Eterna!</p><p>IRMÃOS: Nós viveremos como a Árvore da Vida Eterna!</p><p>ANCIÃO: A paz esteja convosco!</p><p>IRMÃOS: A paz esteja convosco!</p><p>101</p><p>O A�JO DO SOL</p><p>Eia! Levanta-te e segue!</p><p>Tu, imortal, cintilante, velocíssimo Anjo do Sol!</p><p>Acima das Montanhas!</p><p>Produz Luz para o Mundo!</p><p>Anjo do Sol, tu és a Fonte de Luz: tu rompes a escuridão.</p><p>Abre a porta do horizonte!</p><p>O Anjo do Sol habita muito acima da terra e, no entanto, seus raios</p><p>enchem nossos dias com vida e calor.</p><p>A carruagem da manhã traz a luz do sol nascente e alegra os</p><p>corações dos homens.</p><p>O Anjo do Sol ilumina nosso caminho com raios de esplendor.</p><p>Anjo do Sol!</p><p>Arremessa teus raios sobre mim!</p><p>Deixa que eles me toquem; deixa que eles me penetrem!</p><p>Entrego-me a ti e ao teu abraço, abençoado com o fogo da vida!</p><p>Uma enxurrada de santa alegria flui para mim vinda de ti!</p><p>Avante, Anjo do Sol!</p><p>Como nenhum homem pode fitar o sol a olho nu, assim também</p><p>nenhum homem pode</p><p>ver Deus face a face, para que não seja consumido</p><p>pelas chamas que guardam a Árvore da Vida.</p><p>Estuda, então, a Lei Sagrada: Pois a face do Sol e a face de Deus só</p><p>podem ser vistas por alguém que tenha dentro de si a Revelação da Lei.</p><p>Acreditas que a morte é um fim?</p><p>Teus pensamentos são tolos como os de uma criança que vê o céu</p><p>escuro e a chuva que cai e chora porque já não há sol.</p><p>Queres fortalecer-te na Lei?</p><p>Sê, então, como o sol no meio-dia.</p><p>Que brilha com luz e calor sobre todos os homens e distribui livre e</p><p>abundantemente sua glória de ouro.</p><p>Então a Fonte da Luz fluirá de volta a ti, assim como o Sol nunca se</p><p>desprovê de luz, pois flui livremente, sem restrições.</p><p>E quando o Sol nasce, então a Terra, feita pelo Criador, torna-se</p><p>limpa, as águas correntes purificam-se, as águas dos poços purificam-se, as</p><p>águas do mar purificam-se, as águas paradas purificam-se, todas as</p><p>Criaturas Sagradas purificam-se.</p><p>102</p><p>É através do brilho e da glória que nasce o homem que ouve bem as</p><p>Palavras Sagradas da Lei, que a Sabedoria tanto preza.</p><p>Através do seu brilho e da sua glória o Sol segue seu caminho,</p><p>através do seu brilho e da sua glória a Lua segue o seu caminho, através do</p><p>seu brilho e da sua glória as estrelas seguem o seu caminho.</p><p>Ao imortal, cintilante e velocíssimo Sol haja invocação com</p><p>sacrifício e prece.</p><p>Quando a Luz do Sol se torna mais brilhante, quando o brilho do Sol</p><p>se torna mais quente, então surgem as forças celestiais.</p><p>Elas vertem sua Glória sobre a Terra, feita pelo Pai Celestial, para o</p><p>crescimento dos Filhos da Luz, para o crescimento do imortal, cintilante e</p><p>velocíssimo Sol.</p><p>Ele quem oferece um sacrifício ao imortal, cintilante e velocíssimo</p><p>Sol, para resistir à escuridão, para resistir à morte que se arrasta no</p><p>invisível, oferece-o ao Pai Celestial, oferece-o aos anjos, oferece-o à sua</p><p>própria alma.</p><p>Ele regozija com todas as forças celestes e terrestres que oferecem</p><p>um sacrifício ao imortal, cintilante e velocíssimo Sol.</p><p>Eu sacrificarei a essa amizade, a melhor de todas as amizades, que</p><p>reinam entre o Anjo do Sol e os filhos da Mãe Terrena.</p><p>Eu bendigo a Glória e a Luz, a Força e o Vigor, do imortal, cintilante</p><p>e velocíssimo Anjo do Sol!</p><p>103</p><p>O A�JO DA ÁGUA</p><p>Do Mar Celestial as Águas correm e fluem avante vindas das Fontes</p><p>inesgotáveis.</p><p>Ao deserto seco e infecundo os Irmãos trouxeram o Anjo da Água:</p><p>Para que pudesse produzir um jardim e um recanto verde, cheio de árvores</p><p>e da fragrância das flores.</p><p>Atira-te nos braços envolventes do Anjo da Água: Porque ele</p><p>expulsará de ti tudo o que é impuro e mau.</p><p>Que o meu amor flua para Ti, Pai Celestial, como o rio flui para o</p><p>mar. E que o Teu amor flua para mim, Pai Celestial, como a chuva gentil</p><p>beija a terra.</p><p>Qual rio que atravessa a floresta, é a Lei Sagrada.</p><p>Todas as criaturas dependem dela, e ela nada nega a nenhum ser.</p><p>A Lei é para o mundo dos homens o que um grande rio é para</p><p>córregos e riachos.</p><p>Como rios de água em um local seco são os Irmãos que trazem a Lei</p><p>Sagrada ao mundo dos homens.</p><p>Na água podes te afogar, e na água podes saciar tua sede.</p><p>Dessa maneira é a Lei Sagrada uma espada de dois gumes: Pela Lei</p><p>tu podes destruir-te, e pela lei tu podes ver a Deus.</p><p>Pai Celestial! Do Teu Mar Celestial fluem todas as Águas que se</p><p>espalham pelos sete Reinos.</p><p>Somente este Teu Mar Celestial continua trazendo Águas tanto no</p><p>verão como no inverno e em todas as estações.</p><p>Esse Teu Mar purifica o sêmen nos machos, o ventre nas fêmeas, o</p><p>leite nos seios das fêmeas.</p><p>O Mar Celestial flui, desimpedido, para os grandes campos de</p><p>trigais, para os pequenos campos de pastagem, e para todo o Mundo</p><p>Terrestre.</p><p>Mil Fontes puras correm para os pastos a fim de alimentar os Filhos</p><p>da Luz.</p><p>Se alguém sacrificar a ti, ó sagrado Anjo da Água! A ele tu dás tanto</p><p>esplendor como glória, com a saúde e o vigor do corpo.</p><p>A ele dás vida longa e duradoura, e o Mar Celestial, em seguida.</p><p>Nós adoramos todas as águas sagradas que saciam a sede da terra,</p><p>todas as águas santas feitas pelo Criador, e todas as plantas feitas pelo</p><p>104</p><p>Criador, todas as quais são sagradas.</p><p>Nós adoramos a Água da Vida, e todas as águas sobre a terra,</p><p>paradas, correntes, de poço, águas de nascente que fluem permanentemente,</p><p>ou as benditas gotas das chuvas, nós sacrificamos às boas e santas águas</p><p>que a Lei criou.</p><p>Ruja o mar e todas as águas, o mundo e os que nele habitam.</p><p>Batam palmas as enxurradas, rejubilem-se juntas as colinas.</p><p>A voz do Senhor paira sobre as águas: O Deus da Glória troveja.</p><p>Pai Celestial! E tu, Anjo da Água! Nós te agradecemos e bendizemos</p><p>o teu nome.</p><p>Uma enxurrada de amor irrompe dos lugares ocultos debaixo da</p><p>terra: A Irmandade é abençoada para sempre na Santa Água da Vida.</p><p>105</p><p>O A�JO DO AR</p><p>Nós adoramos o Sopro Sagrado, posto mais alto que todas as outras</p><p>coisas criadas; e nós adoramos a mais verdadeira Sabedoria.</p><p>No meio do ar fresco da floresta e dos campos, encontrarás o Anjo</p><p>do Ar.</p><p>Pacientemente, ele espera que tu deixes os buracos abafados e</p><p>abarrotados da cidade.</p><p>Procura-o, então, e suga em grandes tragadas, profundamente, a</p><p>corrente de ar curativa que ele te oferece.</p><p>Respira longa e profundamente, para que o Anjo do Ar possa ser</p><p>levado para dentro de ti.</p><p>Pois o ritmo de tua respiração é a chave do conhecimento que revela</p><p>a Lei Sagrada.</p><p>O Anjo do Ar voa em asas invisíveis: Contudo, deves caminhar em</p><p>seu caminho invisível se quiseres ver a face de Deus.</p><p>Mais doce do que o mais fino néctar de romã adocicada é a</p><p>fragrância do vento no bosque de ciprestes.</p><p>Mais agradável ainda que o aroma dos devotos, que veneram e</p><p>ensinam a Lei Sagrada.</p><p>Santo é o Anjo do Ar, que limpa tudo o que é impuro e dá a todas as</p><p>coisas malcheirosas um agradável perfume.</p><p>Vinde, vinde, ó nuvens! De cima a baixo sobre a terra, por milhares</p><p>de gotas, através do seu brilho e glória, sopram os ventos, precipitando as</p><p>nuvens, em direção às fontes inesgotáveis.</p><p>Sobem os vapores dos vales das montanhas, fomentados pelo vento</p><p>ao longo da trilha da Lei que aumenta o reino da Luz.</p><p>O Pai Celestial fez a terra com o seu poder, ele estabeleceu o mundo</p><p>pela sua sabedoria, e estendeu os céus pela sua vontade.</p><p>Quando ele emite sua voz, há uma multidão de águas nos céus, e ele</p><p>faz subir os vapores desde os extremos da terra; faz relâmpagos com chuva,</p><p>e produz o vento com o seu sopro.</p><p>Como o mar é o ponto de encontro das águas, que sobem e descem,</p><p>sobem para o ar e caem sobre a terra, e sobem de novo para o ar: Assim</p><p>levanta e segue! Tu, para cujos ascensão e crescimento, o Pai Celestial fez</p><p>o eterno e soberano Espaço luminoso.</p><p>Nenhum homem pode chegar diante da Face de Deus se o Anjo do</p><p>106</p><p>Ar não o tiver deixado passar.</p><p>Teu corpo precisa respirar o ar da Mãe Terrena, e teu espírito precisa</p><p>respirar a Lei Sagrada do Pai Celestial.</p><p>107</p><p>O A�JO DA TERRA</p><p>Nós invocamos a Terra Abundante!</p><p>Que possui Saúde e Felicidade e é mais poderosa do que todas as</p><p>suas Criaturas.</p><p>Louvamos esta terra ampla, expandida com caminhos, a produtiva, a</p><p>plenamente capaz de gerar, tua mãe, planta sagrada!</p><p>Louvamos as terras onde cresces, perfumosa, espalhando-te depressa,</p><p>o bom crescimento da Mãe Terrena.</p><p>Louvamos o bom, o forte, o beneficente Anjo da Terra, que se</p><p>regozija no orvalho do céu, na opulência da terra, e na colheita farta do</p><p>trigo e das uvas.</p><p>Louvamos as altas montanhas, ricas em pastos e em águas, sobre as</p><p>quais correm os muitos córregos e rios.</p><p>Louvamos as plantas sagradas do Anjo da Terra, que brotam do solo,</p><p>para alimentar animais e homens, para nutrir os Filhos da Luz.</p><p>A terra é a forte Preservadora, a santa Preservadora, a Mantenedora!</p><p>Louvamos a força e o vigor da poderosa Preservadora, a terra, criada</p><p>pelo Pai</p><p>Celestial!</p><p>Louvamos os curadores da terra, eles que conhecem os segredos das</p><p>ervas e das plantas; para os curadores o Anjo da Terra revelou seu</p><p>conhecimento antigo.</p><p>O Senhor criou remédios da própria terra, e aquele que é sábio os</p><p>utilizará.</p><p>Não foi a água feita doce com madeira, para que a sua virtude</p><p>pudesse ser conhecida?</p><p>E a certos irmãos ele conferiu habilidade, para que a Lei pudesse ser</p><p>honrada e cumprida.</p><p>Com essas coisas eles curam os homens, e lhes tiram as dores, e para</p><p>as suas obras não há fim; e deles emana a paz que cobre a terra.</p><p>Dá lugar, portanto, aos curadores e honra-os, pois o Pai Celestial os</p><p>criou: Não deixes que se afastem de ti, pois tu precisas deles.</p><p>Louvamos os lavradores do solo, que trabalham juntos no Jardim da</p><p>Irmandade, nos campos que o Senhor abençoou: àquele que lavra a terra,</p><p>com o braço esquerdo e com o direito, ela produzirá abundância de frutos,</p><p>plantas verdes saudáveis e grãos dourados.</p><p>Doçura e opulência fluirão dessa terra e desses campos, junto com a</p><p>108</p><p>saúde e a cura, com a plenitude, o incremento e a abundância.</p><p>Aquele que semeia trigo, relva e frutos semeia a Lei Sagrada: ele faz</p><p>progredir a Lei do Criador.</p><p>Quando toda a terra for um jardim, então todo o mundo corpóreo se</p><p>tornará livre da velhice e da morte, da corrupção e da podridão, para todo o</p><p>sempre.</p><p>A misericórdia e a verdade se juntarão, a virtude e a paz beijarão</p><p>uma a outra, a verdade saltará da terra, e a glória habitará em nossa terra.</p><p>109</p><p>O A�JO DA VIDA</p><p>Não sejas ingrato ao teu Criador, pois Ele te deu a Vida.</p><p>Não busques a lei em tuas escrituras, pois a lei é Vida, ao passo que</p><p>as escrituras são apenas palavras.</p><p>Em verdade te digo, Moisés não recebeu suas leis de Deus por</p><p>escrito, mas através da palavra viva.</p><p>A lei é a palavra viva do Deus Vivo, dos profetas vivos para os</p><p>homens vivos.</p><p>Em tudo o que é vida a lei está escrita.</p><p>Ela é encontrada na relva, nas árvores, no rio, nas montanhas, nos</p><p>pássaros do céu, nas criaturas da floresta e nos peixes do mar; mas é</p><p>encontrada sobretudo em vós mesmos.</p><p>Todas as coisas vivas estão mais perto de Deus que as escrituras, que</p><p>são sem vida.</p><p>Deus fez a vida e todas as coisas vivas para que elas pudessem, pela</p><p>primeira palavra eterna, ensinar as leis do Pai Celestial e da Mãe Terrena</p><p>aos filhos dos homens.</p><p>Deus não escreveu as leis nas páginas dos livros, mas em teu coração</p><p>e em teu espírito.</p><p>Elas estão em teu alento, em teu sangue e em teus ossos; em tua</p><p>carne, em teus olhos, em teus ouvidos, e em cada pequena parte do teu</p><p>corpo.</p><p>Estão presentes no ar, na água, na terra, nas plantas, nos raios de sol,</p><p>nas profundezas e nas alturas.</p><p>Todas falam contigo para que tu possas compreender a língua e a</p><p>vontade do Deus Vivo.</p><p>As escrituras são obras do homem, mas a vida e todas as suas hostes</p><p>são obras de Deus.</p><p>Primeiro, Ó Grande Criador! Tu criaste os Poderes Celestiais e Tu</p><p>revelaste as Leis Celestiais!</p><p>Tu nos deste entendimento de Tua própria mente, e fizeste nossa vida</p><p>corpórea.</p><p>Nós somos gratos, Pai Celestial, por todas as Tuas inúmeras dádivas</p><p>de vida: pelas preciosidades do céu, pelo orvalho, pelos preciosos frutos</p><p>produzidos pelo sol, pelas preciosidades apresentadas pela lua, pelas</p><p>grandiosidades das montanhas antigas, pelas preciosidades das colinas</p><p>110</p><p>duradouras, e pelas preciosidades da terra.</p><p>Nós somos gratos, Pai Celestial, pelo vigor da saúde, saúde do corpo,</p><p>sábio, brilhante e lúcido, com pés velozes, rápida audição, força nos braços</p><p>e visão de águia.</p><p>Por todas as inúmeras dádivas de Vida, nós adoramos o Fogo da</p><p>Vida, e a Santa Luz da Ordem Celestial.</p><p>Adoramos o Fogo, o bom e o amistoso, o Fogo da Vida!</p><p>O mais benéfico e o mais prestativo, o Fogo da Vida!</p><p>O maior apoiador, o mais generoso, é o Fogo que é a Casa do</p><p>Senhor!</p><p>Eis agora o Filho da Luz que comunga com o Anjo da Vida: Ei-lo</p><p>agora, sua força está em seus lombos, e sua força está nos músculos de seu</p><p>peito.</p><p>Ele move suas pernas como um cedro: os tendões de suas coxas estão</p><p>entrelaçados.</p><p>Seus ossos são como tubos de bronze, seus membros são como</p><p>barras de ferro.</p><p>Ele come da mesa da Mãe Terrena, a relva do campo e as águas do</p><p>córrego alimentam-no; as montanhas, sem dúvida, lhe produzem alimento.</p><p>Abençoadas são a sua força e a sua beleza, porque ele serve à Lei.</p><p>Um Santuário do Espírito Santo é o corpo em que o Fogo da Vida</p><p>arde com Luz eterna.</p><p>Nós Te agradecemos, Pai Celestial, pois Tu nos colocaste em um</p><p>manancial de córregos, numa fonte viva em uma terra de seca, regando um</p><p>eterno jardim de maravilhas, a Árvore da Vida, mistério dos mistérios,</p><p>cultivando perpétuos ramos para o eterno plantio, para penetrar suas raízes</p><p>no córrego da Vida de uma fonte eterna.</p><p>111</p><p>O A�JO DA ALEGRIA</p><p>Os céus sorriem, a terra celebra, as estrelas da manhã cantam juntas,</p><p>e todos os Filhos da Luz gritam de Alegria.</p><p>Entoai ao Pai Celestial um novo cântico: Cantai à Mãe Terrena, toda</p><p>a terra.</p><p>Regozijem-se os céus, alegre-se a terra, ruja o mar, e a plenitude da</p><p>Vida Eterna.</p><p>Jubile-se o campo, e tudo o que nele existe: então todas as árvores da</p><p>mata regozijarão diante da Lei Sagrada.</p><p>Cantai para o Pai Celestial, todos vós, céus dos céus, e vós, águas</p><p>que estais acima dos céus, todas as montanhas e todas as colinas, vento</p><p>tempestuoso que cumpre sua palavra, árvores frutíferas e todos os cedros,</p><p>animais e todo o gado, répteis e aves que voam, reis da terra e todo o povo,</p><p>príncipes e juízes da terra: Rapazes e donzelas, velhos e crianças, cantem</p><p>eles ao Pai Celestial com Alegria.</p><p>Cantai para o Senhor com a harpa e a voz de um salmo.</p><p>Com trombetas e o som de flautas produzi um som alegre diante dos</p><p>anjos.</p><p>Que as enxurradas batam palmas: que as colinas jubilem-se juntas na</p><p>presença do Senhor.</p><p>Fazei um som alegre para o senhor, vós, todas as terras.</p><p>Servi ao Pai Celestial e à Mãe Terrena com prazer e alegria: Vinde</p><p>diante da presença deles com cânticos.</p><p>O espírito da Lei Sagrada está sobre mim, porque os Anciões</p><p>ungiram-me para pregar as boas novas aos humildes.</p><p>Eles enviaram-me para atar os corações partidos, para proclamar a</p><p>liberdade dos cativos, e a abertura da prisão daqueles que estão confinados;</p><p>consolar todos que lamentam, e enviar-lhes o santo Anjo da Alegria, para</p><p>dar-lhes beleza em troca das cinzas, o óleo da alegria em troca das</p><p>lamentações, vestes de Luz em troca do espírito da opressão, porque o</p><p>choro pode durar a noite inteira, mas a alegria chega pela manhã.</p><p>As pessoas que caminhavam na escuridão verão uma grande luz, e</p><p>sobre os que habitam na terra da sombra da morte brilhará a luz da Lei</p><p>Sagrada.</p><p>Descei, ó céus, do alto, e deixai que os céus derramem felicidade.</p><p>Que o povo saia da tristeza com alegria, e seja conduzido com paz:</p><p>112</p><p>que as montanhas e colinas rompam em cânticos diante deles, para que</p><p>possam participar da santa celebração, e comer do fruto da Árvore da Vida,</p><p>que está no Mar Eterno.</p><p>O sol não será mais a sua luz de dia, e tampouco pelo seu brilho a lua</p><p>iluminará a eles: mas a Lei será para eles uma luz permanente, e o Pai</p><p>Celestial e a Mãe Terrena serão a sua glória eterna.</p><p>O seu sol não mais se porá, nem a sua lua se recolherá: pois a Lei</p><p>será a sua luz permanente, e os dias de suas lamentações estarão findados.</p><p>Eu regozijarei grandemente na Lei Sagrada, minha alma se alegrará</p><p>nos anjos; pois eles me vestiram com trajes de luz, e me cobriram com</p><p>mantos de alegria.</p><p>Como a terra gera seu broto, e como o jardim faz brotar suas</p><p>sementes, assim o Pai Celestial fará a Lei Sagrada brotar, com alegria e</p><p>contentamento, diante de todos os Filhos da Luz.</p><p>No Jardim da Irmandade, toda a terra brilha com santidade e alegria</p><p>abundantes, pois lá se semearam as sementes da Lei Sagrada.</p><p>A Lei é o melhor de todos os bens para os Filhos da Luz: Dá-lhes</p><p>brilho e glória, saúde e força do corpo, vida longa em comunhão com os</p><p>anjos, eterna e infindável Alegria.</p><p>Nós cantaremos para o Pai Celestial, e para a Mãe Terrena, e para</p><p>todos os anjos, enquanto vivermos no Jardim da Irmandade: cantaremos</p><p>louvores à Lei Sagrada para todo o sempre.</p><p>113</p><p>A MÃE TERRE�A</p><p>Honra tua Mãe Terrena, para que teus dias possam ser longos sobre a</p><p>terra.</p><p>A Mãe Terrena está em ti e tu estás n’Ela.</p><p>Ela te deu à luz; Ela te deu a vida.</p><p>Foi Ela quem te deu teu corpo, e a Ela tu, um dia, o devolverás.</p><p>Feliz serás tu quando chegares a conhecer a Ela e a Seu reino.</p><p>Se receberes os anjos de tua Mãe e cumprires as Suas leis, quem faz</p><p>essas coisas nunca verá a doença.</p><p>Pois o poder de nossa Mãe está acima de tudo.</p><p>Ela tem domínio sobre todos os corpos dos homens e de todas as</p><p>coisas vivas.</p><p>O sangue que corre em nós nasceu do sangue de nossa Mãe Terrena.</p><p>O sangue d’Ela cai das nuvens, salta do ventre da terra, murmura nos</p><p>riachos das montanhas, corre amplo nos rios das planícies, dorme nos</p><p>lagos, range poderosamente nos mares tempestuosos.</p><p>O ar que nós respiramos nasceu do sopro da nossa Mãe Terrena. Seu</p><p>alento é puro nas alturas dos céus, suspira no topo das montanhas, sussurra</p><p>nas folhas da floresta, eleva-se sobre os trigais, descansa nos vales</p><p>profundos, arde quente no deserto.</p><p>A dureza dos nossos ossos nasceu dos ossos de nossa Mãe Terrena,</p><p>das rochas e das pedras. Elas estão nuas debaixo dos céus no topo das</p><p>montanhas, são quais gigantes adormecidos nas encostas dos morros, como</p><p>ídolos erguidos no deserto, e estão escondidas nas profundezas da terra.</p><p>A maciez da nossa carne nasceu da carne de nossa Mãe Terrena, cuja</p><p>carne se torna amarela e vermelha nos frutos das árvores, e nos alimenta</p><p>nas leiras dos campos.</p><p>A luz de nossos olhos, a audição de nossos ouvidos, nasceram ambas</p><p>das cores e dos sons de nossa Mãe Terrena; que nos envolvem como as</p><p>ondas do mar envolvem o peixe, como o ar que turbilhona envolve o</p><p>pássaro.</p><p>O Homem é o Filho da Mãe Terrena, e d’Ela o Filho do Homem</p><p>recebeu todo o seu corpo, assim como o corpo do bebê recém-nascido</p><p>nasce do ventre de sua mãe.</p><p>Tu és um com a Mãe Terrena; Ela está em ti e tu estás n’Ela.</p><p>D’Ela tu nasceste, n’Ela tu vives, e a Ela tu voltarás novamente.</p><p>114</p><p>Mantenha, portanto, as Suas leis, pois ninguém pode viver muito,</p><p>nem ser feliz, ao menos que honre sua Mãe Terrena e realize Suas leis.</p><p>Pois o teu alento é o alento d’Ela, o teu sangue é o sangue d’Ela, os</p><p>teus ossos são os ossos d’Ela, a tua carne é a carne d’Ela, teus olhos e teus</p><p>ouvidos, são os olhos e os ouvidos d’Ela.</p><p>Nossa Mãe Terrena! Somos sempre abraçados por Ela, sempre</p><p>cercados pela Sua beleza.</p><p>Nunca poderemos separar-nos d’Ela; nunca poderemos conhecer-lhe</p><p>as profundezas.</p><p>Ela está sempre criando formas novas: o que agora existe nunca</p><p>existiu antes. O que existia não retorna novamente.</p><p>Em Seu reino tudo é sempre novo e sempre velho.</p><p>Vivemos no meio d’Ela e ainda não a conhecemos.</p><p>Continuamente Ela fala conosco, mas nunca trai os Seus segredos</p><p>para nós.</p><p>Sempre lavramos o Seu solo e apanhamos as Suas colheitas, no</p><p>entanto, não temos poder nenhum sobre Ela.</p><p>Ela constrói sempre, Ela destrói sempre, e Seu local de trabalho está</p><p>escondido dos olhos dos homens.</p><p>115</p><p>O A�JO DO PODER</p><p>Teu, Ó Pai Celestial! era o Poder quando ordenaste um Caminho</p><p>para cada um de nós e para todos.</p><p>O que é a ação bem praticada? É aquela praticada pelos Filhos da</p><p>Luz que consideram a Lei antes de todas as outras coisas.</p><p>A melhor de todas as dádivas, portanto, eu imploro a Ti, ó melhor</p><p>dos seres, Pai Celestial! Que a Lei Sagrada governe dentro de nós através</p><p>do Teu Anjo do Poder!</p><p>Aproximo-me de Ti com minhas invocações, para que Tuas grandes</p><p>dádivas de poder protejam Tua Ordem Celestial e Tua mente criativa dentro</p><p>de nós, para sempre.</p><p>Nós Te exaltaremos, Pai Celestial, Rei Todo Poderoso!</p><p>E bendiremos o Teu poder para todo o sempre.</p><p>Enquanto formos capazes e pudermos ter o poder, ensinaremos o</p><p>povo a respeito desses atos que devem ser praticados por eles com fé no Pai</p><p>Celestial, na Mãe Terrena, nos santos anjos, em todos os Filhos da Luz, que</p><p>lavram o solo do Jardim da Irmandade, e no desejo do advento da Ordem</p><p>Celestial em suas almas e seus corpos.</p><p>Teu, Ó Pai Celestial! era o Poder, sim, Teus, Ó Criador do Amor!</p><p>eram o entendimento e o espírito, quando ordenaste um caminho para cada</p><p>um de nós e para todos.</p><p>Através do Teu Poder iremos para o meio do povo, e ensinaremos a</p><p>eles, dizendo: Confiai na Lei, e caminhai nos caminhos dos santos anjos,</p><p>assim habitareis na terra, e, em verdade, sereis alimentados da mesa do</p><p>festim da Mãe Terrena.</p><p>Deliciai-vos também no Poder do Pai Celestial, e Ele satisfará os</p><p>desejos do vosso coração.</p><p>Não deixeis que a arrogância saia de vossa boca: pois o Pai Celestial</p><p>governa segundo a santa Lei, e por Ele as ações são pesadas.</p><p>Ele leva para o túmulo e leva para cima.</p><p>O Poder da Lei empobrece e enriquece: seu Poder derruba e eleva.</p><p>Ele ergue o pobre do pó, e levanta o mendigo da esterqueira, e os faz</p><p>herdar o trono da glória.</p><p>Com estrondo expulsa do céu os filhos da escuridão: O Senhor</p><p>julgará com Poder os confins da terra.</p><p>Ouvi as vozes dos Irmãos que clamam no ermo e no deserto</p><p>116</p><p>infecundo: Preparai o caminho da Lei, endireitai as veredas do Pai</p><p>Celestial, da Mãe Terrena, e de todos os santos anjos do dia e da noite.</p><p>Todos os vales serão aterrados, todas as montanhas e colinas serão</p><p>abatidas; o torto será endireitado, os caminhos acidentados serão aplanados,</p><p>e toda a carne verá o Poder da Lei.</p><p>Nós Te exaltamos, Pai Celestial, pois Tu nos levantaste.</p><p>Ó Senhor, nosso Onipotente e Poderoso Pai, nós clamamos a Ti e Tu</p><p>nos curaste.</p><p>Do túmulo ergueste as almas das pessoas; e as mantiveste vivas, para</p><p>que não caíssem no abismo.</p><p>Ó Pai Celestial, Tu és a Lei; cedo e tarde buscaremos os Teus anjos:</p><p>nossas almas têm sede da Lei, nossa carne anseia a Lei.</p><p>A Lei é um rio de santo Poder numa terra seca e sedenta, onde não</p><p>existe água.</p><p>Nossos lábios louvarão o Teu Poder enquanto vivermos, nós</p><p>ergueremos nossas mãos em Teu nome.</p><p>Nós preservaremos, nós alimentaremos Tua Ordem Celestial através</p><p>do cumprimento de Atos.</p><p>Nós invocaremos e proclamaremos de dia e de noite Teu santo</p><p>Poder, e esse Poder virá nos ajudar; será como se houvesse mil anjos</p><p>empenhados em vigiar um homem.</p><p>A Ti, Pai Celestial, pertence todo o Poder, como a Ti também</p><p>pertence a misericórdia: Pois a santa Lei retribuirá a cada homem segundo</p><p>a sua obra.</p><p>117</p><p>O A�JO DO AMOR</p><p>O Amor é mais forte que as correntezas de águas profundas.</p><p>O Amor é mais forte que a morte.</p><p>Amados, amemo-nos uns aos outros; pois o amor é do Pai Celestial:</p><p>E todo aquele que ama nasceu do Pai Celestial e da Mãe Terrena, e conhece</p><p>os anjos.</p><p>Vós vos amareis uns aos outros, como o Pai Celestial vos tem amado.</p><p>Pois o Pai Celestial é amor; e quem habita no amor habita no Pai</p><p>Celestial, e o Pai Celestial habita nele.</p><p>Que aquele que o ama seja como o sol quando se apresenta em sua força.</p><p>Irmãos, tende todos o mesmo propósito, com amor e compaixão</p><p>infinitos uns pelos outros.</p><p>Não exercerás vingança, nem nutrirás rancor contra os filhos do teu</p><p>povo, mas amarás o teu próximo como a ti mesmo.</p><p>Se um homem disser: ‘Eu amo o Pai Celestial, mas odeio meu</p><p>irmão’, ele é um mentiroso: pois se ele não ama a seu irmão, a quem viu,</p><p>como pode amar o Pai Celestial a quem não viu?</p><p>Quem ama o Pai Celestial ama também seu irmão.</p><p>Amai também o estrangeiro: pois vós fostes estrangeiros na terra do</p><p>Egito.</p><p>O povo costuma dizer: É melhor um jantar de ervas onde está o</p><p>amor, do que um boi gordo e com ele o ódio.</p><p>As palavras de amor são qual favo de mel, doce para a alma e</p><p>saudável para os ossos.</p><p>As palavras</p><p>da boca de um homem são como águas profundas, e a</p><p>fonte do amor é como um córrego que flui.</p><p>O que a Lei requer de ti é apenas que procedas com justiça, ames a</p><p>misericórdia, e caminhes humildemente com os anjos.</p><p>Por isso nós sabemos que o Anjo do Amor habita em nós, quando</p><p>amamos o Pai Celestial e mantemos a sua Lei.</p><p>Gracioso Amor! Criador do Amor! Revela as melhores palavras</p><p>através da Tua mente divina que vive dentro de nós.</p><p>Dize aos Filhos da Luz que lavram o solo no Jardim da Irmandade:</p><p>Honrai todos os homens.</p><p>Amai a Irmandade.</p><p>Obedecei à Lei.</p><p>118</p><p>O A�JO DA SABEDORIA</p><p>Seguir o Senhor é o princípio da Sabedoria: E o conhecimento do</p><p>Santíssimo é entendimento.</p><p>Pois por meio dele, teus dias serão multiplicados, e os anos de tua</p><p>vida serão acrescentados.</p><p>Toda Sabedoria provém do Pai Celestial, e está com Ele para sempre.</p><p>Através da Lei sagrada, o Anjo da Sabedoria guia os Filhos da Luz.</p><p>Quem pode contar a areia do mar, as gotas da chuva, e os dias da</p><p>eternidade?</p><p>Quem pode encontrar a altura do céu, a largura da terra, o abismo, e</p><p>a sabedoria?</p><p>A sabedoria foi criada antes de todas as coisas.</p><p>Pode-se curar com bondade, pode-se curar com justiça, pode-se curar</p><p>com ervas, pode-se curar com a Palavra Sábia.</p><p>Entre todos os remédios, curativo é aquele que cura com a Palavra</p><p>Sábia.</p><p>Este é o que melhor expulsa a doença dos corpos dos fiéis, pois a</p><p>Sabedoria é a cura mais eficiente de todos os remédios.</p><p>Seguir a Lei Sagrada é a coroa da Sabedoria, fazendo florescer a paz</p><p>e a saúde perfeita, ambas as quais são dádivas dos anjos.</p><p>Nós nos aproximamos de Ti, Ó Pai Celestial! Com a ajuda do Teu</p><p>Anjo da Sabedoria, que nos guia por intermédio da Tua Ordem Celestial, e</p><p>com ações e palavras inspiradas pela Tua santa Sabedoria!</p><p>Vem a nós, Pai Celestial, com a Tua mente criativa, e Tu, que</p><p>conferes dádivas através da Ordem Celestial, confere igualmente a dádiva</p><p>duradoura da Sabedoria aos Filhos da Luz, para que esta vida possa ser</p><p>vivida em santo serviço no Jardim da Irmandade.</p><p>No reino da Tua boa mente, encarnado em nossas mentes, o caminho</p><p>da Sabedoria flui da Ordem Celestial, na qual habita a sagrada Árvore da</p><p>Vida.</p><p>De que modo se manifesta a Tua Lei, Ó Pai Celestial!</p><p>O Pai Celestial responde: Pelo bom pensamento em perfeita unidade</p><p>com a Sabedoria, ó Filho da Luz!</p><p>Qual é a palavra bem falada?</p><p>É a palavra da Sabedoria que confere bênçãos.</p><p>Qual é o pensamento bem pensado?</p><p>119</p><p>É o que pensa o Filho da Luz, aquele que considera ser o Pensamento</p><p>Santo mais valoroso do que todas as outras coisas</p><p>Assim o Filho da Luz crescerá em concentração e comunhão, e ele</p><p>poderá desenvolver a Sabedoria, e assim ele continuará até que todos os</p><p>mistérios do Jardim Infinito, onde está a Árvore da Vida, sejam-lhe</p><p>revelados.</p><p>Então ele dirá estas palavras vitoriosas: Ó Pai Celestial! Dá-me a</p><p>minha tarefa para a construção do Teu Reino na terra, através de bons</p><p>pensamentos, boas palavras, boas ações, que serão para o Filho da Luz o</p><p>seu dom mais precioso.</p><p>Ó tu Ordem Celestial! E tu Mente Universal! Eu vos adorarei e</p><p>adorarei o Pai Celestial, graças a quem a mente criativa dentro de nós leva</p><p>o imperecível Reino a progredir!</p><p>Santa Sabedoria, liberta todos os homens do medo, e faze-os sábios</p><p>de coração e leves de consciência.</p><p>Santa Sabedoria, o entendimento que se desdobra para sempre,</p><p>continuamente, sem fim, e não é adquirido através dos manuscritos</p><p>sagrados.</p><p>A ignorância arruína a maioria das pessoas, tanto entre as que</p><p>morreram, quanto entre as que morrerão.</p><p>Quando a ignorância for substituída pela Santa Sabedoria, então a</p><p>suavidade e a abundância voltarão novamente à nossa terra e aos nossos</p><p>campos, com saúde e cura, com plenitude e progresso, e crescimento e</p><p>abundância de trigo e relva, e rios de Paz fluirão pelo deserto.</p><p>120</p><p>O A�JO DA VIDA ETER�A</p><p>E Enoque caminhava com Deus; e ele não estava; pois Deus o levara.</p><p>Sobre a terra nenhum homem foi criado como Enoque, pois ele foi</p><p>tirado da terra.</p><p>Ele era como a estrela da manhã no meio de uma nuvem, como a lua</p><p>cheia, como o sol que brilha sobre o templo do Altíssimo, como o arco-íris</p><p>que dá luz às nuvens brilhantes, como a flor de rosas na primavera do ano,</p><p>como lírios à beira dos rios, como os galhos da árvore de olíbano na época</p><p>do verão, como uma formosa oliveira brotando frutos, e como o cipreste</p><p>que cresce até chegar às nuvens.</p><p>O primeiro seguidor da Lei foi Enoque, o primeiro dos curadores,</p><p>dos sábios, dos felizes, dos gloriosos, dos fortes, que repeliu a doença e</p><p>repeliu a morte.</p><p>Ele obteve uma fonte de remédios para resistir à doença e resistir à</p><p>morte; para resistir à dor e resistir à febre; para resistir ao mal e à infecção</p><p>que a ignorância da Lei criou contra os corpos dos mortais.</p><p>Nós invocamos Enoque, o mestre da vida, o Fundador da nossa</p><p>Irmandade, o homem da Lei, o mais sábio de todos os seres, o que melhor</p><p>governa entre todos os seres, o mais brilhante de todos os seres, o mais</p><p>glorioso de todos os seres, o mais digno de invocações entre todos os seres,</p><p>o mais digno de glorificação entre todos os seres, quem primeiro pensou o</p><p>que é bom, quem primeiro falou o que é bom, quem primeiro fez o que é</p><p>bom.</p><p>Que foi o primeiro Sacerdote, o primeiro Lavrador do Solo, que</p><p>primeiro conheceu e primeiro ensinou a Palavra, e a obediência à Lei</p><p>Sagrada.</p><p>A todos os Filhos da Luz ele deu todas as coisas boas da vida: Ele foi</p><p>o primeiro portador da Lei.</p><p>Estão escritas as palavras do Pai Enoque: Nós sacrificamos ao</p><p>Criador, ao Pai Celestial, aos brilhantes e gloriosos anjos.</p><p>Nós sacrificamos aos céus resplandecentes, nós sacrificamos à</p><p>brilhante, feliz, bem-aventurada sabedoria dos Santos anjos da Eternidade.</p><p>Concede-nos, Pai Celestial! o desejo e o conhecimento do caminho</p><p>mais reto, mais reto por razão da Ordem Celestial da Vida, a Melhor Vida</p><p>dos anjos, brilhante e toda gloriosa.</p><p>Assim como a saúde é excelente, assim também é a Vida Eterna,</p><p>121</p><p>ambas emanam da Ordem Celestial, a criadora da bondade da mente, e das</p><p>ações da vida realizadas por devoção ao Criador da Vida Eterna.</p><p>Nós sacrificamos ao céu soberano, nós sacrificamos ao tempo sem</p><p>limites, nós sacrificamos ao mar sem fim da Vida Eterna.</p><p>Nós invocamos a Lei mais gloriosa.</p><p>Nós invocamos o Reino do Céu, o tempo sem limites e os anjos.</p><p>Nós invocamos a eterna e santa Lei.</p><p>Nós seguimos os caminhos das Estrelas, da Lua, do Sol e da Luz sem</p><p>fim, que se movem entorno de seu círculo giratório para sempre.</p><p>E a veracidade em Pensamento, Palavra e Ação colocará a alma do</p><p>homem fiel na luz sem fim da Vida Eterna.</p><p>O Pai Celestial me dominou no começo do Seu caminho, antes de</p><p>Suas obras mais antigas.</p><p>Fui criado desde a eternidade, desde o princípio, ou desde que a terra</p><p>existiu.</p><p>Quando não havia profundezas, eu fui gerado: quando Ele ainda não</p><p>havia feito a terra, nem os campos, nem o começo do pó do mundo.</p><p>Quando Ele estabeleceu os céus, eu estava lá; quando Ele pôs um</p><p>círculo sobre a face do abismo; quando Ele firmou os céus no alto; quando</p><p>a fonte do abismo tornou-se forte; quando Ele deu ao mar os seus limites,</p><p>para que as águas não transgredissem Sua Lei; quando Ele demarcou as</p><p>fundações da terra: eu estava ao Seu lado, como mestre operário; e eu era</p><p>diariamente o Seu deleite, regozijando-me sempre diante d’Ele, regozijando-</p><p>me em Sua terra habitável, e o meu deleite está com os filhos dos homens.</p><p>Por toda a eternidade reina o Pai Celestial, que se veste com</p><p>majestade e força.</p><p>Ele é o Eterno!</p><p>As enxurradas se ergueram, Ó Senhor, as enxurradas ergueram sua</p><p>voz, as enxurradas ergueram suas ondas.</p><p>O Pai Celestial nas alturas é mais forte do que o som de muitas</p><p>águas, sim, do que as poderosas ondas do mar.</p><p>Seu nome durará para sempre, Seu nome será mantido por toda a</p><p>eternidade, e todos os Filhos da Luz serão abençoados n’Ele, e todos os</p><p>homens o chamarão</p><p>protege a</p><p>Mãe Terrena ao Filho do Homem de todo perigo e de todo mal.”</p><p>“Pois em verdade vos digo, males e perigos inumeráveis estão à</p><p>espreita dos Filhos dos Homens. Belzebu, príncipe de todos os demônios, a</p><p>fonte de todo mal, está à espreita no corpo de todos os Filhos dos Homens.</p><p>13</p><p>Ele é a morte, o senhor de toda peste, e, pondo uma vestidura agradável, ele</p><p>tenta e seduz aos Filhos dos Homens. Promete riqueza e poder, e</p><p>esplêndidos palácios, e adornos de ouro e prata, e numerosos servos.</p><p>Promete glória e renome, luxúria e fornicação, embriaguez e gula, vida</p><p>desenfreada, preguiça e ócio. E seduz a cada qual por aquilo pelo que mais</p><p>se inclina seu coração. E no dia em que os Filhos dos Homens se tornarem</p><p>escravos de todas essas vaidades e abominações, então, em retribuição, ele</p><p>arrebata dos Filhos dos Homens tudo o que a Mãe Terrena lhes deu em</p><p>abundância. Arrebata-lhes sua respiração, seu sangue, seus ossos, sua</p><p>carne, suas entranhas, seus olhos e seus ouvidos. E a respiração do Filho do</p><p>Homem torna-se curta e sufocada, penosa e mal-cheirosa, como a respiração</p><p>das bestas imundas. E seu sangue torna-se espesso e fétido como a água dos</p><p>pântanos; coagula-se e escurece como a noite da morte. E seus ossos</p><p>tornam-se rígidos e nodosos; dissolvem-se por dentro, quebram-se em</p><p>pedaços, como uma pedra caindo sobre uma rocha. E sua carne torna-se</p><p>graxenta e aquosa; apodrece e putrefaz com feridas e furúnculos que são</p><p>uma abominação.”</p><p>“E suas entranhas se enchem de uma imundície abominável,</p><p>escorrendo rios de deterioração, e nelas habitam inúmeros vermes</p><p>abomináveis. E seus olhos se escurecem, até que a noite escura os recobre;</p><p>e seus ouvidos se fecham, como o silêncio da tumba. E, por último, o</p><p>errante Filho do Homem perderá a vida. Pois não manteve as leis de sua</p><p>Mãe, mas somou um pecado a outro. Por isso são arrebatados dele todos os</p><p>dons da Mãe Terrena: a respiração, o sangue, os ossos, a carne, as</p><p>entranhas, os olhos e os ouvidos e, depois de todo o mais, a vida com que a</p><p>Mãe Terrena coroou seu corpo.”</p><p>“Porém, se o errante Filho do Homem se arrepende de seus pecados</p><p>e os desfaz, e regressa à sua Mãe Terrena; e se ele cumpre as leis de sua</p><p>Mãe Terrena e se liberta das garras de Satã, resistindo a suas tentações,</p><p>então a Mãe Terrena recebe novamente a Seu Filho pecador com amor e lhe</p><p>envia Seus anjos para que possam servi-lo. Em verdade vos digo, quando o</p><p>Filho do Homem resiste a Satã que habita nele e não faz sua vontade, na</p><p>mesma hora se encontram ali os anjos da Mãe para que possam servi-lo</p><p>com todo seu poder e libertar por inteiro o Filho do Homem do poder de</p><p>Satã.”</p><p>“Pois nenhum homem pode servir a dois senhores. Porque ou ele</p><p>serve a Belzebu e a seus demônios ou serve à nossa Mãe Terrena e a seus</p><p>anjos. Ou serve à morte ou serve à vida. Em verdade vos digo, felizes são</p><p>14</p><p>aqueles que cumprem as leis da vida e não vagam pelos caminhos da morte.</p><p>Pois neles as forças da vida se fortalecem, e eles escapam das pragas da</p><p>morte”.</p><p>E todos aqueles que o rodeavam escutavam suas palavras com</p><p>espanto, pois sua palavra tinha poder, e ele ensinava de maneira bem</p><p>distinta da dos sacerdotes e escribas.</p><p>E, embora o sol já tivesse se posto, eles não se foram para suas casas.</p><p>Sentaram-se ao redor de Jesus e lhe perguntaram: “Mestre, quais são essas</p><p>leis da vida? Fica conosco um pouco mais e ensina-nos. Gostaríamos de</p><p>escutar teus ensinamentos para que possamos ser curados e nos tornarmos</p><p>corretos”.</p><p>E Jesus sentou-se no meio deles e disse: “Em verdade vos digo,</p><p>ninguém pode ser feliz, ao menos que cumpra a Lei”.</p><p>E os demais lhe responderam: “Todos cumprimos as leis de Moisés,</p><p>nosso legislador, tal como estão escritas nas sagradas escrituras”.</p><p>E Jesus respondeu: “Não busqueis a lei em vossas escrituras, porque</p><p>a Lei é a vida, enquanto o escrito está morto. Em verdade vos digo, Moisés</p><p>não recebeu de Deus suas leis por escrito, mas através da Palavra Viva. A</p><p>Lei é a Palavra Viva do Deus Vivo, dada aos profetas vivos para os homens</p><p>vivos. Em tudo o que há vida, está escrita a lei. Podeis encontrá-la na erva,</p><p>na árvore, no rio, na montanha, nos pássaros do céu, nos peixes do mar;</p><p>porém buscai principalmente em vós mesmos. Pois, em verdade vos digo,</p><p>todas as coisas vivas encontram-se mais perto de Deus que a escritura que</p><p>está desprovida de vida. Deus fez a vida e todas as coisas vivas para que</p><p>pudessem, por meio da palavra eterna, ensinar as leis do Deus verdadeiro</p><p>ao homem. Deus não escreveu as leis nas páginas dos livros, mas em vosso</p><p>coração e em vosso espírito. Encontram-se em vossa respiração, em vosso</p><p>sangue, em vossos ossos, em vossa carne, em vossas entranhas, em vossos</p><p>olhos, em vossos ouvidos e em cada pequena parte de vosso corpo. Estão</p><p>presentes no ar, na água, na terra, nas plantas, nos raios do sol, nas</p><p>profundidades e nas alturas. Todas falam convosco para que possais</p><p>compreender a língua e a vontade do Deus Vivo. Porém vós cerrais vossos</p><p>olhos para não ver, e tapais vossos ouvidos para não ouvir. Em verdade vos</p><p>digo, a escritura é a obra do homem, porém a Vida e todas as suas hostes</p><p>são obra de nosso Deus. Por que não escutais as palavras de Deus que estão</p><p>escritas em Suas obras? E por que estudais as escrituras mortas, que são a</p><p>obra das mãos do homem?”</p><p>15</p><p>“Como podemos ler as leis de Deus em algum lugar, a não ser nas</p><p>escrituras? Onde estão escritas? Lê-as para nós de onde tu as vês, pois nós</p><p>não conhecemos mais que as escrituras que herdamos de nossos</p><p>antepassados. Conta-nos das leis de que falas, para que as ouvindo sejamos</p><p>sanados e justificados”.</p><p>Jesus disse: “Vós não entendeis as palavras da Vida, porque estais na</p><p>morte. A escuridão obscurece vossos olhos, e vossos ouvidos estão surdos.</p><p>Pois vos digo, de nada vale que vos debruceis sobre as escrituras mortas se,</p><p>por vossos atos, negais àquele que vos entregou as escrituras.</p><p>Em verdade vos digo, Deus e Suas leis não estão no que vós fazeis.</p><p>Não estão na gula nem na embriaguez, nem em uma vida desregrada, nem</p><p>na luxúria, nem na busca de riquezas, nem muito menos no ódio de vossos</p><p>inimigos. Pois todas essas coisas estão longe do verdadeiro Deus e de Seus</p><p>anjos. Mas todas essas coisas vêm do reino da escuridão e do senhor de</p><p>todos os males. E todas essas coisas carregais em vós mesmos; e, por isso,</p><p>a palavra e o poder de Deus não entram em vós, pois em vosso corpo e em</p><p>vosso espírito habitam todos os tipos de males e abominações. Se desejais</p><p>que a palavra e o poder do Deus Vivo entrem em vós, não profaneis vosso</p><p>corpo e vosso espírito; pois o corpo é o templo do espírito, e o espírito é o</p><p>templo de Deus. Purificai, portanto, o templo, para que o Senhor do templo</p><p>possa habitar nele e ocupar um lugar digno d’Ele.”</p><p>“E afastai todas as tentações, que vêm de Satã, de vosso corpo e de</p><p>vosso espírito, sob a sombra do céu de Deus.”</p><p>“Renovai-vos e jejuai. Pois em verdade vos digo, Satã e suas pragas</p><p>somente podem ser expulsos por meio do jejum e da oração. Vai por vossa</p><p>conta e jejuai a sós, sem mostrar vosso jejum a homem algum. O Deus</p><p>Vivo o verá e grande será vossa recompensa. E jejuai até que Belzebu e</p><p>todos os seus demônios vos abandonem, e todos os anjos de vossa Mãe</p><p>Terrena venham e sirvam a vós. Pois em verdade vos digo, a não ser que</p><p>jejueis, nunca estareis livres do poder de Satã nem de todas as enfermidades</p><p>que vêm de Satã. Jejuai e orai fervorosamente, buscando o poder do Deus</p><p>Vivo para vossa cura. Enquanto jejuardes, eviteis aos Filhos dos Homens e</p><p>buscai os anjos de nossa Mãe Terrena, pois aquele que busca, encontrará.”</p><p>“Buscai o ar fresco da floresta e dos campos, e em meio deles</p><p>encontrareis o Anjo do Ar. Tirai vossos calçados e vossas roupas e permiti</p><p>que o Anjo do Ar abrace todo o vosso corpo. Respirai então longa e</p><p>profundamente, para que o Anjo do Ar penetre dentro de vós. Em verdade</p><p>vos digo, que o Anjo do Ar expulsará de vosso corpo toda imundície que o</p><p>16</p><p>profane por fora e por dentro.</p><p>bendito.</p><p>Que a terra inteira seja preenchida com a glória do Pai Celestial, da</p><p>Mãe Terrena, e de todos os santos anjos.</p><p>Eu alcancei a visão interior e, através do Teu espírito em mim, eu</p><p>ouvi o Teu segredo maravilhoso.</p><p>122</p><p>Através da Tua mística introvisão, fizeste uma fonte de conhecimento</p><p>brotar dentro de mim, uma fonte de poder, que verte águas vivas, uma</p><p>enxurrada de amor e sabedoria abrangente como o esplendor da Luz Eterna.</p><p>123</p><p>O A�JO DO TRABALHO</p><p>Quem mediu as águas na concavidade de sua mão, e distribuiu o céu</p><p>com um palmo, e conteve o pó da terra em uma medida, e pesou as</p><p>montanhas e as colinas numa balança?</p><p>O sol nasce, e os Irmãos se reúnem, eles saem para seu trabalho nos</p><p>campos; com dorsos fortes e corações alegres partem para trabalhar juntos</p><p>no Jardim da Irmandade.</p><p>Eles são os Trabalhadores do Bem, porque trabalham o bem do Pai</p><p>Celestial.</p><p>Eles são o espírito, a consciência e a alma dos que ensinam a Lei e</p><p>lutam por ela.</p><p>Com o braço direito e o esquerdo, eles lavram o solo, e o deserto</p><p>irrompe em cores, em verde e ouro.</p><p>Com o braço direito e o esquerdo, eles assentam as pedras que</p><p>edificarão na terra o Reino do Céu.</p><p>Eles são os mensageiros do Anjo do Trabalho: neles se revela a Lei</p><p>sagrada.</p><p>Pai Celestial! Quão múltiplas são as Tuas obras!</p><p>Com sabedoria fizeste todas elas; a terra é repleta das Tuas riquezas.</p><p>Tu enviaste as fontes para os vales, que correm entre colinas.</p><p>Tu dás de beber a todos os animais do campo, e fazes crescer o</p><p>capim para o gado.</p><p>Tu colocaste as árvores poderosas em seus lugares, para que as aves</p><p>do céu possam ter sua morada, e cantem suavemente entre os ramos.</p><p>Tu dás as ervas para o serviço do homem, para que ele possa retirar o</p><p>alimento da terra.</p><p>Nas mãos dos Irmãos todos os Teus dons dão fruto, pois eles constroem</p><p>na terra o Reino do Céu.</p><p>Tu abres as Tuas mãos, elas estão repletas com o bem.</p><p>Tu envias o Teu espírito, eles são criados e, juntamente com os Teus</p><p>santos anjos, eles renovarão a face da terra.</p><p>Ó Pai Celestial, Tu que és um só! Revela aos Filhos da Luz: Qual é o</p><p>lugar principal, no qual a terra sente a maior alegria?</p><p>O Pai Celestial, respondendo, disse:</p><p>É o lugar em que um dos Irmãos, que seguem a Lei sagrada, dá um</p><p>passo à frente: com seus bons pensamentos, boas palavras e boas ações!</p><p>124</p><p>Cujo dorso é forte no serviço, cujas mãos não são ociosas, que eleva</p><p>sua voz em pleno acordo com a Lei.</p><p>Este lugar é santo, onde um dos Irmãos semeia a maior parte de trigo,</p><p>capim, e frutas: onde rega o solo seco, ou drena o solo demasiado úmido.</p><p>Pois a terra foi entregue à guarda dos Filhos da Luz, para que eles a</p><p>estimem e zelem, e tirem das suas profundezas somente aquilo que for para</p><p>a alimentação do corpo.</p><p>Bem-aventurados são os Filhos da Luz cuja alegria está no trabalho</p><p>da Lei, que laboram no Jardim da Irmandade de dia, e juntam-se aos anjos</p><p>do Pai Celestial à noite.</p><p>Seus lábios contam a história que serve de ensinamento aos filhos</p><p>dos homens:</p><p>Diz-se que as árvores partiram, em um momento, para ungir um rei</p><p>sobre elas; e disseram à oliveira:</p><p>“Reina tu sobre nós.”</p><p>Disse-lhes, porém, a oliveira:</p><p>“Deveria eu deixar minha fartura que, por meu intermédio, honrou a</p><p>Deus e ao homem, e ser promovida acima das árvores?”</p><p>E as árvores disseram à figueira:</p><p>“Vem tu, e reina sobre nós.”</p><p>Mas a figueira disse-lhes:</p><p>“Deveria eu abandonar minha doçura e meus bons frutos, e ser</p><p>promovida acima das árvores?”</p><p>Disseram, então, as árvores à vinha,</p><p>“Vem tu, e reina sobre nós.”</p><p>E a vinha lhes disse:</p><p>“Deveria eu deixar o meu vinho, que alegra a Deus e ao homem, e</p><p>ser promovida acima das árvores?”</p><p>O homem da Lei que cumpre suas tarefas não necessita de outras</p><p>bênçãos.</p><p>125</p><p>O A�JO DA PAZ</p><p>Pois a terra será preenchida com a Paz do Pai Celestial, como as</p><p>águas cobrem o mar.</p><p>Eu invocarei o Anjo da Paz, cujo alento é amistoso, cujas mãos se</p><p>vestem de poder.</p><p>No reino da Paz não há fome nem sede, nem vento frio nem vento</p><p>quente, nem velhice nem morte.</p><p>No reino da Paz, tanto os animais como os homens serão imortais, as</p><p>águas e as plantas serão inesgotáveis, e o alimento da vida nunca faltará.</p><p>Diz-se que as montanhas trarão paz ao povo, e as pequenas colinas,</p><p>virtude.</p><p>Haverá paz enquanto o sol e a luz perdurarem, do princípio ao fim de</p><p>todas as gerações.</p><p>A Paz cairá como chuva sobre a relva aparada, como aguaceiros que</p><p>irrigam a terra.</p><p>No reinado da Paz a Lei crescerá forte.</p><p>E os Filhos da Luz terão domínio de mar a mar, até os confins da</p><p>terra.</p><p>O reinado da Paz tem sua fonte no Pai Celestial; pela Sua força Ele</p><p>estabeleceu rapidamente as montanhas, Ele faz a partida da manhã e da</p><p>noite regozijarem-se na Luz, Ele traz à terra o rio da Lei, para aguá-la e</p><p>enriquecê-la, Ele amacia a terra com as chuvas; elas caem sobre os pastos</p><p>do deserto, e as pequenas colinas regozijam-se de todos os lados.</p><p>As pastagens estão vestidas com rebanhos; os vales também estão</p><p>cobertos com trigo; eles gritam de alegria, e cantam também.</p><p>Ó Pai Celestial! Traz à Tua terra o reinado da Paz!</p><p>Então nós nos lembraremos das palavras daquele que ensinava</p><p>outrora aos Filhos da Luz:</p><p>Eu dou a paz de tua Mãe Terrena ao teu corpo, e a paz de teu Pai</p><p>Celestial ao teu espírito.</p><p>E que a paz de ambos reine entre os filhos dos homens.</p><p>Vinde a mim todos que estais cansados, e que sofreis em disputas e</p><p>aflição!</p><p>Pois a minha paz vos fortalecerá e consolará.</p><p>Pois a minha paz está excedente, plena de alegria.</p><p>Por isso eu sempre vos saúde desta maneira:</p><p>126</p><p>A paz esteja convosco!</p><p>Saudai sempre assim, portanto, uns aos outros, para que sobre o</p><p>vosso corpo possa descer a Paz de vossa Mãe Terrena, e sobre o vosso</p><p>espírito, a Paz de vosso Pai Celestial.</p><p>E então encontrareis paz também entre vós, pois o Reino da Lei está</p><p>dentro de vós.</p><p>E voltai para os vossos Irmãos e daí a vossa paz também a eles, pois</p><p>felizes são aqueles que lutam pela paz, pois eles encontrarão a paz do Pai</p><p>Celestial.</p><p>E dai a cada um a vossa paz, assim como eu vos dei a minha paz.</p><p>Pois a minha paz é de Deus.</p><p>A paz esteja convosco!</p><p>127</p><p>O PAI CELESTIAL</p><p>No Reino Celestial há obras notáveis e maravilhosas, pois, pela Sua</p><p>palavra, todas as coisas consistem.</p><p>Existem ainda escondidas coisas que são maiores do que estas, pois</p><p>só vimos apenas algumas de Suas obras:</p><p>O Pai Celestial fez todas as coisas.</p><p>A beleza do céu, a glória das estrelas, emite luz nos lugares mais</p><p>altos do Mar Celestial.</p><p>Sentinelas do Altíssimo, elas estão em sua ordem, e nunca</p><p>desfalecem em sua vigília.</p><p>Olha para o arco-íris e louva aquele que o fez; lindíssimo é ele em</p><p>seu resplendor.</p><p>Ele circunda o céu com um círculo glorioso, curvado pelas mãos do</p><p>Altíssimo.</p><p>Pela Sua Lei, Ele faz a neve cair célere, e envia velozmente os raios</p><p>do Seu julgamento.</p><p>Através disto os tesouros são abertos, e as nuvens voam como aves.</p><p>Pelo Seu grande poder, ele firma as nuvens, e quebra em pedacinhos</p><p>o granizo.</p><p>À Sua visão, abalam-se as montanhas, e, à Sua vontade, sopra o</p><p>vento do sul.</p><p>O rugido do trovão faz a terra tremer, assim fazem a tempestade do</p><p>norte e o tufão; como aves que voam, Ele dispersou a neve, e os olhos</p><p>maravilham-se diante da beleza da sua alvura, e o coração pasma diante da</p><p>sua precipitação.</p><p>Assim os céus declaram a glória de Deus, e o firmamento mostra sua</p><p>obra.</p><p>Quem fez as águas?</p><p>E quem faz as plantas?</p><p>Quem ao vento atrelou as nuvens de tempestades, as rápidas e até as</p><p>mais velozes?</p><p>Quem, Ó Pai Celestial, é o Criador da Lei sagrada dentro de nossas</p><p>almas?</p><p>Quem fez a luz e a escuridão?</p><p>Quem fez o sono e o prazer das horas de vigília?</p><p>Quem deu ao sol e às estrelas recorrentes o seu caminho invariável?</p><p>128</p><p>Quem estabeleceu o porquê a lua cresce, e porquê ela míngua?</p><p>Quem, senão Tu, Pai Celestial, fez estas coisas</p><p>gloriosas!</p><p>Senhor, Tu tens sido o nosso refúgio em todas as gerações.</p><p>Antes que as montanhas fossem criadas, ou antes de formares a terra</p><p>e o mundo, desde toda a eternidade, Tu és a Lei.</p><p>Teu nome é Entendimento, Teu nome é Sabedoria, Teu nome é o</p><p>Beneficentíssimo, Teu nome é o Invencível, Teu nome é Aquele que dá o</p><p>verdadeiro relato, Teu nome é Aquele que tudo vê, Teu nome é Aquele que</p><p>Cura, Teu nome é o Criador.</p><p>Tu és o Guardião, Tu és o Criador e o Mantenedor; Tu és o</p><p>Discernidor e o Espírito, Tu és a Lei Sagrada.</p><p>Estes nomes foram pronunciados antes da Criação deste Céu, antes</p><p>da feitura das águas e das plantas, antes do nascimento do nosso santo Pai</p><p>Enoque.</p><p>Antes do princípio do tempo, O Pai Celestial plantou a sagrada</p><p>Árvore da Vida, que está para todo o sempre no meio do Mar Eterno.</p><p>No alto de seus galhos canta um pássaro, e somente aqueles que</p><p>viajaram até lá, e ouviram o canto misterioso do pássaro, somente eles</p><p>verão o Pai Celestial.</p><p>Eles lhe perguntarão o Seu nome, e Ele responderá: Eu sou o que Eu</p><p>sou, sendo sempre o mesmo como o Eterno Eu sou.</p><p>Ó Tu, Pai Celestial! Quão excelente é o Teu nome em toda a terra!</p><p>Colocaste Tua glória acima dos céus.</p><p>Quando nós consideramos os Teus céus, a obra dos Teus dedos, a lua</p><p>e as estrelas, que Tu ordenaste, o que é o homem para que Tu te lembres</p><p>dele?</p><p>Entretanto, Tu fizeste uma aliança com os Filhos da Luz, e eles</p><p>caminham com os Teus santos anjos; Tu os coroaste com glória e honra, Tu</p><p>fizeste-os ter domínio sobre as obras de Tuas mãos, e deste-lhes a tarefa de</p><p>nutrir e proteger todas as vidas e crescimentos sobre a Tua terra verde.</p><p>Ó Pai Celestial! Quão excelente é o Teu nome em toda a terra!</p><p>Ouve a voz daquele que clama por Ti:</p><p>Aonde eu me esconderei do Teu espírito?</p><p>Ou onde eu fugirei da Tua presença?</p><p>Se eu subir ao céu, lá Tu estarás; se eu fizer minha cama no inferno,</p><p>eis que lá Tu estarás.</p><p>Se eu tomar as asas da manhã, e for morar nas partes mais remotas</p><p>do mar, até lá Tua mão me guiará, e Tua mão direita me sustentará.</p><p>129</p><p>Se eu disser: “Certamente a escuridão me cobrirá”, mesmo a noite</p><p>será clara sobre mim; Sim, a escuridão não me ocultará de Ti, mas a noite</p><p>brilhará como o dia: a escuridão e a luz serão ambas iguais para Ti, pois Tu</p><p>tomaste minhas rédeas.</p><p>Como o veado anseia pelos ribeiros de água, assim minha alma</p><p>anseia por Ti, Ó Deus.</p><p>Minha alma tem sede do Pai Celestial vivo.</p><p>A Lei é a minha luz e a minha salvação; a quem eu temerei?</p><p>A Lei é a rocha e a força da minha vida; de quem eu terei medo?</p><p>Uma coisa eu tenho desejado da Lei, que eu buscarei:</p><p>Que eu possa habitar na casa da Lei todos os dias da minha vida,</p><p>para contemplar a beleza do Pai Celestial.</p><p>Aqueles que habitam no esconderijo do Altíssimo habitarão sob a</p><p>sombra do Todo Poderoso.</p><p>Nós diremos da Lei: “Tu és o nosso refúgio e a nossa fortaleza; nós</p><p>confiaremos na Lei Sagrada”.</p><p>E o Pai Celestial nós cobrirá com Suas penas, e debaixo de Suas asas</p><p>nós estaremos confiantes; Sua verdade será nosso escudo e nosso broquel.</p><p>Não teremos medo do terror à noite, nem da seta que voa de dia, nem</p><p>da peste que rasteja no escuro, nem da destruição que assola ao meio-dia.</p><p>Pois de dia nós caminharemos com os anjos da Mãe Terrena, e à</p><p>noite comungaremos com os anjos do Pai Celestial.</p><p>E quando o sol chegar ao seu zênite no meio-dia, nós ficaremos em</p><p>silêncio diante da Paz Sétupla: E nenhum mal nos sucederá, nem praga</p><p>alguma se aproximará de nossa morada, pois Ele conferiu nossa custódia</p><p>aos Seus anjos, para nos manter em todos os Seus caminhos.</p><p>O Pai Celestial é o nosso refúgio e a nossa força.</p><p>Portanto, não temeremos.</p><p>Ainda que a terra seja mudada de lugar, e ainda que as montanhas</p><p>sejam carregadas para o meio do mar, ainda que águas dele rujam e se</p><p>perturbem, ainda que os montes se abalem pela expansão dele, há um rio</p><p>que flui para o Mar Eterno.</p><p>E à sua beira está a sagrada Árvore da Vida.</p><p>Ali habita o meu Pai, e o meu lar está nele.</p><p>O Pai Celestial e eu somos Um.</p><p>130</p><p>A LEI SAGRADA</p><p>Tu, Ó Lei Sagrada, a Árvore da Vida que está no meio do Mar</p><p>Eterno, que é chamada a Árvore da Cura, a Árvore da Cura poderosa, a</p><p>Árvore de todas as Curas e sobre a qual repousam as sementes de tudo o</p><p>que nós invocamos.</p><p>Vós não conhecestes?</p><p>Vós não ouvistes?</p><p>Acaso não te foi contado desde o princípio?</p><p>Ergue os olhos para o alto e contempla a Lei Sagrada, que está</p><p>estabelecida antes do eterno, soberano e luminoso espaço, que criou as</p><p>fundações da terra, que é a primeira e a última, que vive no coração dos</p><p>Filhos da Luz.</p><p>Pois a Lei é grande, como é grande o Pai Celestial acima dos Seus</p><p>anjos: É Ele quem nos dá a Lei, e Ele é a Lei:</p><p>Em Sua mão estão os lugares profundos da terra; a força das colinas</p><p>é Sua também.</p><p>O mar é Seu, e Ele o fez, e Suas mãos formaram a terra seca.</p><p>Vamos, adoremos e prostremo-nos, ajoelhemos diante do Pai Celestial,</p><p>pois Ele é a Lei, e nós somos o povo de Sua pastagem e as ovelhas de Sua</p><p>mão.</p><p>Com cânticos de alegria os Filhos da Luz invocam a Lei Sagrada:</p><p>A moléstia foge diante dela, a morte foge, a ignorância foge.</p><p>O orgulho, o desprezo e a febre alta, a calúnia, a discórdia e o mal,</p><p>toda a raiva e toda a violência, e as palavras mentirosas de falsidade, todas</p><p>fogem diante do poder da Lei Sagrada.</p><p>Aqui está a Lei que derrotará todas as moléstias, que derrotará toda a</p><p>morte, que derrotará os opressores dos homens, que derrotará o orgulho,</p><p>que derrotará o desprezo, que derrotará as febres altas, que derrotará todas</p><p>as calúnias, que derrotará todas as discórdias, que derrotará o pior do mal,</p><p>que banirá a ignorância da terra.</p><p>Nós bendizemos a invocação e a prece, a força e o vigor da Lei</p><p>Sagrada.</p><p>Nós invocamos o espírito, a consciência e a alma dos Filhos da Luz</p><p>que ensinam a Lei, que lutam no reino da escuridão para trazer a luz da Lei</p><p>aos filhos dos homens.</p><p>Nós bendizemos a vitória dos bons pensamentos, das boas palavras e</p><p>131</p><p>das boas ações, que fortalece as fundações do Reino da Luz.</p><p>Que os filhos dos homens, que pensam, falam e fazem todos os bons</p><p>pensamentos, palavras e ações, habitem o céu como seu lar.</p><p>E que aqueles que pensam, falam e fazem maus pensamentos,</p><p>palavras e ações habitem no caos.</p><p>A pureza é para o homem, depois da vida, o maior dos bens:</p><p>Essa pureza está na Lei Sagrada, que faz crescer a relva sobre os</p><p>montes, e limpa o coração dos homens.</p><p>Com bons pensamentos, boas palavras e boas ações, será limpo o</p><p>fogo, limpa a água, limpa a terra, limpas as estrelas, a lua e o sol, limpo o</p><p>homem fiel e a mulher fiel, limpa a Luz eterna e sem limites, limpo o Reino</p><p>da Mãe Terrena e limpo o Reino do Pai Celestial, limpas as boas coisas</p><p>feitas pela Lei, cuja prole é a Criação Divina.</p><p>Para obter os tesouros do mundo material, ó filhos dos homens, não</p><p>renuncieis o mundo da Lei.</p><p>Pois aquele que, para obter os tesouros do mundo material, destrói</p><p>em si o mundo da Lei, não possuirá nem a força da vida nem a Lei, nem</p><p>tampouco a Luz Celestial.</p><p>Mas aquele que caminha com os anjos, e segue a Lei Sagrada, obterá</p><p>tudo o que é bom: Ele entrará no Mar Eterno onde está a Árvore da Vida.</p><p>As Comunhões da Lei são perfeitas, convertem a escuridão da alma</p><p>em luz; o testemunho da Lei é seguro, torna sábios os simples.</p><p>Os estatutos da Lei são corretos, alegram o coração; o mandamento</p><p>da Lei é puro, e ilumina os olhos.</p><p>A verdade da Lei é limpa, e dura para sempre.</p><p>Que os Filhos da Luz triunfem em toda parte entre os Céus e a Terra!</p><p>Respiremos a Lei Sagrada em nossa prece:</p><p>Quão belos são os Teus tabernáculos, Ó Pai Celestial!</p><p>Minha alma anseia, sim, e até desfalece pela Árvore da Vida que está</p><p>no meio do Mar Eterno.</p><p>Meu coração e minha carne clamam pelo Deus Vivo.</p><p>Sim, o pardal encontrou um lar, e a andorinha um ninho para si, onde</p><p>pode deixar os seus filhotes.</p><p>Os Filhos da Luz que trabalham no Jardim da Irmandade</p><p>permanecem na Lei Sagrada: Bem-aventurados são os que nela habitam.</p><p>132</p><p>OS A�JOS</p><p>O Pai Celestial confiou aos seus Anjos a tua guarda:</p><p>E em suas mãos eles te sustentarão, até a Árvore da Vida que está no</p><p>meio do Mar Eterno...</p><p>Pela sabedoria da Lei, pelo poder incomparável da Lei, e pelo vigor</p><p>da saúde, pela Glória do Pai Celestial e da Mãe Terrena, e por todos os</p><p>benefícios e remédios da Paz Sétupla, nós adoramos os Santos Anjos.</p><p>Nossos esforços por eles e nossas Comunhões com eles fazem-nos</p><p>bons aos olhos do Pai Celestial.</p><p>A Lei é cumprida de acordo com os Anjos, os Brilhantes e Santos,</p><p>cujos olhares executam a sua vontade, fortes, senhoris, que são</p><p>imperecíveis e sagrados, que são sete e todos de um só Pensamento, que</p><p>são sete e todos de um só Discurso, que são sete e todos de uma só Ação.</p><p>Cujo Pensamento é o mesmo, cujo Discurso é o mesmo, cuja Ação é</p><p>a mesma, cujo Pai é o mesmo, ou seja, o Pai Celestial!</p><p>Os Anjos que vêem as almas uns dos outros, que trazem o Reino da</p><p>Mãe Terrena e o Reino do Pai Celestial aos Filhos da Luz que trabalham no</p><p>Jardim da Irmandade.</p><p>Os Anjos que são os Fabricantes e os Governantes, os Modeladores e</p><p>os Supervisores, os Guardiões e os Preservadores da Terra abundante! E de</p><p>todas as Criações do Pai Celestial.</p><p>Nós invocamos os bons, os fortes, os benéficos Anjos do Pai</p><p>Celestial e da Mãe Terrena!</p><p>Da Luz!</p><p>Do Céu!</p><p>Das Águas!</p><p>Da Terra!</p><p>Das Plantas!</p><p>Dos Filhos da Luz!</p><p>Da Eterna e Sagrada Criação!</p><p>Nós adoramos os Anjos que primeiro escutaram o pensamento e o</p><p>ensinamento do Pai Celestial, de quem os Anjos formaram a semente das</p><p>nações.</p><p>Nós adoramos os Anjos que primeiro tocaram a fronte de nosso Pai</p><p>Enoque, e guiaram os Filhos da Luz pelos sete vezes sete Caminhos que</p><p>conduzem à Árvore da Vida que se ergue para sempre no meio do Mar</p><p>133</p><p>Eterno.</p><p>Nós adoramos todos os Anjos, os bons, heróicos e generosos Anjos,</p><p>do mundo corpóreo da Mãe Terrena, e os dos Reinos Invisíveis, aqueles</p><p>dos Mundos Celestiais do Pai Celestial.</p><p>Nós adoramos os sempre benditos imortais Anjos, os brilhantes de</p><p>semblante esplendoroso, as criaturas sublimes e devotadas do Pai Celestial,</p><p>que são Imperecíveis e Santas.</p><p>Nós adoramos os resplandecentes, os gloriosos, os generosos Santos</p><p>Anjos, que governam justamente e que ajustam todas as coisas</p><p>corretamente.</p><p>Ouvi as vozes alegres dos Filhos da Luz, que entoam louvores aos</p><p>Santos Anjos enquanto trabalham no Jardim da Irmandade:</p><p>Nós cantamos com alegria para as águas, o solo e as plantas, para a</p><p>terra e para os céus, para o santo vento e para o santo sol e a santa lua, para</p><p>as estrelas eternas sem começo, e para todas as santas criaturas do Pai</p><p>Celestial.</p><p>Nós cantamos com alegria para a Lei Sagrada, que é a Ordem</p><p>Celestial, para os dias e para as noites, para os anos e para as estações, que</p><p>são os pilares da Ordem Celestial.</p><p>Nós adoramos os Anjos do Dia, e os Anjos do Mês, os dos Anos e os</p><p>das Estações, todos os bons, heróicos, sempre benditos imortais Anjos que</p><p>mantêm e preservam a Ordem Celestial.</p><p>Nós desejamos nos aproximar dos Anjos poderosos, de todos os</p><p>Anjos da Ordem Celestial, por causa da Lei Sagrada, que é o melhor de</p><p>todos os bens.</p><p>Nós apresentamos estes pensamentos bem pensados, estas palavras</p><p>bem faladas, estas ações bem executadas, aos Anjos generosos e imortais,</p><p>que exercem corretamente o seu governo.</p><p>Nós apresentamos estas oferendas aos Anjos do Dia e aos Anjos da</p><p>Noite, os sempre vivos, os sempre úteis, que habitam eternamente com a</p><p>Mente Divina.</p><p>Que os bons, heróicos e generosos Anjos do Pai Celestial e da Mãe</p><p>Terrena caminhem com os seus santos pés no Jardim da Irmandade, e</p><p>andem de mãos dadas conosco com as virtudes curativas dos seus dons</p><p>benditos, tão difundidos quanto a terra, tão espalhados quanto os rios, tão</p><p>alto quanto o sol, para favorecer o aprimoramento do homem, e o</p><p>crescimento abundante.</p><p>São eles, os Santos Anjos, que restaurarão o Mundo!</p><p>134</p><p>Que a partir daí jamais envelhecerá e jamais morrerá!</p><p>Jamais decairá e sempre viverá e aumentará.</p><p>Então a Vida e a Imortalidade virão, e o Mundo será restaurado!</p><p>A Criação crescerá imortal, o Reino do Pai Celestial prosperará, e o</p><p>mal terá perecido!</p><p>135</p><p>A IRMA�DADE</p><p>Vede, quão bom e quão agradável é para os Filhos da Luz habitar</p><p>juntos em unidade!</p><p>Para a Irmandade O Pai Celestial ordenou a Lei.</p><p>E a vida para todo o sempre.</p><p>A Lei foi plantada no Jardim da Irmandade para iluminar os corações</p><p>dos Filhos da Luz, para endireitar diante deles os sete vezes sete caminhos</p><p>que conduzem à Árvore da Vida, erguida no meio do Mar Eterno; A Lei foi</p><p>plantada no Jardim da Irmandade, para que eles pudessem reconhecer os</p><p>espíritos da verdade e da falsidade.</p><p>A verdade nasceu da fonte da Luz, a falsidade, do poço da escuridão.</p><p>O domínio de todos os Filhos da Verdade está nas mãos dos</p><p>poderosos anjos da Luz, para que eles trilhem nos caminhos da Luz.</p><p>Os Filhos da Luz são os servos da Lei, e o Pai Celestial não os</p><p>esquecerá.</p><p>Ele apagou-lhes os pecados, qual densa nuvem; Ele acendeu a vela</p><p>da Verdade dentro de seus corações.</p><p>Cantai, ó céus, gritai, ó partes baixas da terra, rompei em cânticos, ó</p><p>montanhas, ó florestas, e cada árvore que há nelas:</p><p>Pois o Pai Celestial acendeu Sua chama nos corações dos Filhos da</p><p>Luz, e glorificou-se neles.</p><p>A Lei Sagrada do Criador purifica os seguidores da Luz de todos os</p><p>maus pensamentos, palavras e ações, como um vento poderoso veloz que</p><p>limpa a planície.</p><p>Que ao Filho da Luz, que assim desejar, seja-lhe ensinada a Palavra</p><p>Sagrada, no primeiro período do dia e no último, no primeiro período da</p><p>noite e no último, para que sua mente possa crescer em inteligência e sua</p><p>alma se fortaleça na Lei Sagrada.</p><p>No momento da aurora, ele olhará para o sol que nasce e saudará</p><p>com alegria sua Mãe Terrena.</p><p>No momento da aurora, ele banhará o corpo na água fria e saudará</p><p>com alegria sua Mãe Terrena.</p><p>No momento da aurora, ele respirará o ar fragrante e saudará com</p><p>alegria sua Mãe Terrena.</p><p>Durante o dia, ele trabalhará com seus irmãos no Jardim da</p><p>Irmandade.</p><p>136</p><p>No descer do crepúsculo, ele se juntará a seus irmãos, e todos,</p><p>reunidos, estudarão as palavras sagradas de nossos pais e dos pais de seus</p><p>pais, até as palavras do nosso Pai Enoque.</p><p>E quando as estrelas estiverem altas nos céus, ele comungará com os</p><p>santos anjos do Pai Celestial.</p><p>E sua voz será erguida com alegria até o Altíssimo, dizendo: Nós</p><p>adoramos o Criador, o feitor de todas as coisas boas:</p><p>E da Boa Mente, da Lei, da Imortalidade, e do Sagrado Fogo da Vida.</p><p>Nós oferecemos à Lei a Sabedoria da Língua, o Discurso Sagrado, as</p><p>Ações, e as Palavras corretamente proferidas.</p><p>Concede-nos, Pai Celestial, que possamos trazer abundância ao</p><p>mundo que criaste, para podermos eliminar a fome e a sede do mundo que</p><p>criaste, para podermos eliminar a velhice e a morte do mundo que criaste.</p><p>Ó bom, beneficentíssimo Pai Celestial!</p><p>Concede-nos que possamos pensar segundo a Lei, para que possamos</p><p>falar segundo a Lei, para que possamos agir segundo a Lei.</p><p>Ó Pai Celestial, qual é a invocação mais meritória em grandeza e</p><p>bondade?</p><p>É aquela, ó Filhos da Luz, que oferecemos ao acordar e levantar do</p><p>sono, ao mesmo tempo professando bons pensamentos, boas palavras e</p><p>boas ações, e rejeitando maus pensamentos, más palavras e más ações.</p><p>O primeiro passo dado pela alma do Filho da Luz colocou-o no</p><p>Paraíso do Bom Pensamento, o Reino Sagrado da Sabedoria.</p><p>O segundo passo dado pela alma do Filho da Luz colocou-o no</p><p>Paraíso da Boa Palavra, o Reino Sagrado do Amor.</p><p>O terceiro passo dado pela alma do Filho da Luz colocou-o no</p><p>Paraíso da Boa Ação, o Reino Sagrado do Poder.</p><p>O quarto passo dado pela alma do Filho da Luz colocou-o na Luz</p><p>Infinita.</p><p>O Pai Celestial conhece os corações dos Filhos da Luz, e sua herança</p><p>será para sempre.</p><p>Eles não sentirão medo nos maus tempos:</p><p>E, nos dias de fome, eles serão saciados.</p><p>Pois com eles está a Fonte da</p><p>Vida, e o Pai Celestial não desampara</p><p>Seus filhos.</p><p>Suas almas respirarão para todo o sempre, e suas formas serão</p><p>dotadas de Vida Eterna.</p><p>Abençoados sejam os Filhos da Luz que seguem com a Lei, que</p><p>137</p><p>caminham verdadeiramente em todos os seus caminhos.</p><p>Que a Lei abençoe-os com todo o bem e guarde-os de todo o mal, e</p><p>ilumine seus corações com visão sobre as coisas da vida, e agracie-os com</p><p>o conhecimento das coisas eternas.</p><p>138</p><p>ÁRVORES</p><p>Vai até as Árvores altaneiras e, diante de uma delas, que seja bela,</p><p>alta e poderosa, dize estas palavras:</p><p>Eu te saúdo! Ó boa Árvore viva, feita pelo Criador.</p><p>Antigamente, quando a Criação era nova, a terra estava cheia de</p><p>árvores gigantescas, cujos galhos pairavam acima das nuvens, e nelas</p><p>habitavam nossos Antigos Patriarcas, os que caminhavam com os anjos e</p><p>viviam segundo a Lei Sagrada.</p><p>À sombra dos seus ramos todos os homens viviam em paz, e a</p><p>sabedoria e o conhecimento estavam neles, e a revelação da Luz Infinita.</p><p>Através das suas florestas fluía o Rio Eterno, em cujo centro se</p><p>erguia a Árvore da Vida, que não se escondia deles.</p><p>Eles comiam da mesa da Mãe Terrena, e dormiam nos braços do Pai</p><p>Celestial, e sua aliança era pela eternidade com a Lei Sagrada.</p><p>Naquele tempo as árvores eram irmãs dos homens, e muito longa era</p><p>a duração de sua vida na terra, tão longa quanto o Rio Eterno, que fluía sem</p><p>cessar desde a Fonte Desconhecida.</p><p>Agora o deserto varre a terra com areia ardente, as árvores</p><p>gigantescas fizeram-se poeira e cinzas, e o vasto rio é uma lagoa lodosa.</p><p>Pois a sagrada aliança com o Criador foi rompida pelos filhos dos</p><p>homens, e eles foram banidos de seu lar nas árvores.</p><p>Agora o caminho para a Árvore da Vida esconde-se dos olhos dos</p><p>homens, e a tristeza enche o céu vazio onde antes pairavam os galhos</p><p>altaneiros.</p><p>Agora ao deserto ardente chegaram os Filhos da Luz, para trabalhar</p><p>no Jardim da Irmandade.</p><p>A semente que eles plantam no solo árido transformar-se-á em uma</p><p>floresta poderosa, e as árvores se multiplicarão e estenderão suas asas de</p><p>verde até que toda a terra seja coberta outra vez.</p><p>A terra toda será um jardim e as altas árvores cobrirão a terra.</p><p>Nesse dia, os Filhos da Luz entoarão um novo cântico:</p><p>Minha irmã Árvore!</p><p>Não deixes que eu me esconda de ti, mas partilhemos o alento de</p><p>vida que nos deu nossa Mãe Terrena.</p><p>Mais bela que a jóia mais fina da arte do tapeceiro, é o carpete de</p><p>folhas verdes sob os meus pés nus; mais majestosa que o dossel de seda do</p><p>139</p><p>rico mercador, é a tenda de galhos acima da minha cabeça, através dos</p><p>quais as estrelas brilhantes dão luz.</p><p>O vento entre as folhas dos ciprestes faz um som como o de um coro</p><p>de anjos.</p><p>Através do robusto carvalho e do cedro real, a Mãe Terrena enviou</p><p>uma mensagem de Vida Eterna ao Pai Celestial.</p><p>Minha prece segue até as altas árvores:</p><p>E os seus ramos erguidos em direção ao céu carregarão minha voz</p><p>até o Pai Celestial.</p><p>Para cada filho tu plantarás uma árvore, para que o ventre de tua Mãe</p><p>Terrena produza vida, como produz vida o ventre da mulher.</p><p>Aquele que destrói uma árvore corta seus próprios membros.</p><p>Assim cantarão os Filhos da Luz, quando a terra voltar a ser um</p><p>jardim:</p><p>Árvore Sagrada, dom divino da Lei!</p><p>Tua majestade reúne todos aqueles que se desgarraram do verdadeiro</p><p>lar, que é o Jardim da Irmandade.</p><p>Todos os homens se tornarão irmãos novamente debaixo dos teus</p><p>ramos espalhados.</p><p>Como o Pai Celestial tem amado todos os seus filhos, assim</p><p>amaremos e cuidaremos das árvores, que crescem na nossa terra, assim nós</p><p>as guardaremos e protegeremos, para que possam crescer altas e fortes, e</p><p>encham de novo a terra com sua beleza.</p><p>Pois as árvores são nossas irmãs, e como irmãos nós nos amaremos e</p><p>guardaremos uns aos outros.</p><p>140</p><p>ESTRELAS</p><p>As brancas, cintilantes, Estrelas vistas ao longe!</p><p>As penetrantes, saudáveis, Estrelas que penetram longe!</p><p>Seus raios brilhantes, seu esplendor e sua glória são todos, através da</p><p>Tua Lei Sagrada, os Oradores do Teu louvor, Ó Pai Celestial!</p><p>Sobre a face do céu o Pai Celestial lançou Seu poder:</p><p>E eis que Ele deixou um Rio de Estrelas em Seu rastro!</p><p>Nós invocamos as Estrelas luzentes e gloriosas que purificam todas</p><p>as coisas do medo e trazem saúde e vida a todas as Criações.</p><p>Nós invocamos as Estrelas luzentes e gloriosas às quais o Pai</p><p>Celestial deu um milhar de sentidos, as Estrelas gloriosas que têm dentro de</p><p>si a Semente da Vida e da Água.</p><p>Às Estrelas luzentes e gloriosas nós oferecemos uma Invocação:</p><p>Com sabedoria, poder e amor, com discurso, ações e palavras</p><p>corretamente proferidas, nós sacrificamos às Estrelas luzentes e gloriosas</p><p>que voam em direção ao Mar Celestial, tão rapidamente quanto a seta cruza</p><p>o Espaço celestial.</p><p>Nós invocamos as Estrelas luzentes e gloriosas, que belas se destacam,</p><p>espalhando conforto e alegria ao comungarem dentro de si.</p><p>As Obras Sagradas, as Estrelas, os Sóis e a Aurora multicolorida que</p><p>traz a Luz dos Dias, são todos, através da Ordem Celestial, Oradores do teu</p><p>louvor, ó tu, grande doadora, a Lei Sagrada!</p><p>Nós invocamos o Senhor das Estrelas, o Anjo da Luz, o sempre</p><p>desperto! Que toma posse da bela Lei de ampla expansão, grande e</p><p>poderosamente, e cuja face olha sobre todos os sete vezes sete Reinos da</p><p>Terra; célere entre os céleres, generoso entre os generosos, forte entre os</p><p>fortes, doador de Crescimento, doador de Soberania, doador de</p><p>Contentamento e Bem-aventurança.</p><p>Nós invocamos o Senhor das Estrelas, o Anjo da Luz, que fala a</p><p>verdade, com um milhar de ouvidos e dez milhares de olhos, com pleno</p><p>conhecimento, forte e sempre desperto.</p><p>A Ordem Celestial permeia todas as coisas puras, dela são as</p><p>Estrelas, em cuja luz se vestem os anjos gloriosos.</p><p>Grande é o nosso Pai Celestial, e de sumo poder:</p><p>Seu entendimento é infinito.</p><p>Ele diz o número das estrelas; e chama todas pelos seus nomes.</p><p>141</p><p>Contemplai a altura das estrelas!</p><p>Como são altas!</p><p>No entanto, o Pai Celestial as segura na palma das mãos, como</p><p>peneiramos a areia nas nossas.</p><p>Aquele que não conhece a Lei Sagrada é como uma estrela errante na</p><p>escuridão de um céu desconhecido.</p><p>Pensas tu que existe apenas uma forma de ver o firmamento?</p><p>Imaginai que as estrelas são apenas lugares partidos no firmamento,</p><p>através dos quais a glória do céu se revela em fragmentos de luz</p><p>resplandecente!</p><p>Na noite purpúrea, atravessada pelas Estrelas contínuas, as almas dos</p><p>Filhos da Luz criarão asas e se juntarão aos anjos do Pai Celestial.</p><p>Então o Mar Eterno refletirá a glória deslumbrante dos céus, e os</p><p>ramos da Árvore da Vida alcançarão as Estrelas.</p><p>Então o Reino do Céu encherá a terra de Glória, e as Estrelas</p><p>brilhantes do Altíssimo arderão nos corações dos Filhos da Luz e aquecerão</p><p>e confortarão os filhos dos homens que buscam.</p><p>142</p><p>A LUA</p><p>Para a Lua luminosa, que guarda dentro de si a semente de muitas</p><p>espécies, haja uma invocação com sacrifício e prece.</p><p>Quando a Luz da Lua fica mais quente, plantas de matizes dourados</p><p>brotam da terra durante a estação da Primavera.</p><p>Nós sacrificamos às Luas Novas e às Luas Cheias; o crescente da</p><p>Lua Nova está repleto de santa Paz.</p><p>Nós sacrificamos ao Anjo da Paz.</p><p>A Lua radiante e luminosa guarda a semente dentro de si: a brilhante,</p><p>a gloriosa, a que nos dá a água, a que nos dá o calor, a que nos dá a</p><p>sapiência, a que nos dá a meditação, a que nos dá o frescor, a curadora, a</p><p>Lua da Paz!</p><p>Com luz silenciosa e doadora de Paz a Lua brilha sobre pastos,</p><p>moradias, águas, terras e plantas do nosso jardim terreno.</p><p>A Lua e o Sol, o Vento sagrado e as Estrelas sem começo,</p><p>autodeterminados e automovidos, são todos reguladores da Ordem Sagrada,</p><p>dos dias e das noites, dos meses e dos anos.</p><p>A face da Lua muda seu aspecto e, no entanto, é sempre a mesma.</p><p>Assim como a Lei Sagrada revela uma face diversa a cada um dos</p><p>Filhos</p><p>da Luz, mas não se altera em sua Essência.</p><p>Nós invocamos a Lua Nova e a Lua que míngua, e a Lua Cheia que</p><p>dispersa a Noite, e os festivais e as estações anuais do Pai Celestial.</p><p>Pois foi Ele quem deu à lua o seu aumento e a sua diminuição, para</p><p>que através dela conheçamos os movimentos do dia e da noite.</p><p>Tu, lua prateada e luminosa!</p><p>Nós somos gratos por podermos contemplar-te, e ver no teu reflexo a</p><p>face abençoada de nossa Mãe Terrena.</p><p>No mundo dos filhos dos homens, os Irmãos da Luz são chamas de</p><p>esplendor, como as estrelas empalidecem na presença da lua brilhante e</p><p>resplandecente.</p><p>A lua move-se iluminada, cruzando o céu, e o deleite na Lei Sagrada</p><p>enche nossos corações.</p><p>Paz, Paz, Paz, Santo Anjo da Paz, ilumina a lua de prata com a tua</p><p>santidade, para que todos possam contemplar sua beleza e sentir tua Paz</p><p>eterna.</p><p>O céu deserto é azul à noite, e nós vemos o primeiro raio da Lua</p><p>143</p><p>Nova, casta e formosa.</p><p>Então os Irmãos saúdam-se um ao outro com amor e agradecimento,</p><p>dizendo: “A Paz esteja contigo! A paz esteja contigo!”</p><p>144</p><p>SALMOS DE LOUVOR E AÇÃO DE GRAÇAS</p><p>Eu sou grato, Pai Celestial, por me haveres elevado a uma altura</p><p>eterna, e eu ando pelas maravilhas da planície.</p><p>Tu me deste orientação para alcançar a Tua eterna companhia desde</p><p>as profundezas da terra.</p><p>Tu purificaste meu corpo para juntar-me ao exército dos anjos da</p><p>terra e para meu espírito alcançar a congregação dos anjos celestiais.</p><p>Tu deste eternidade ao homem para exaltar, na aurora e no</p><p>crepúsculo, Tuas obras e maravilhas em cântico jubiloso.</p><p>Ó vós, todas as obras da Ordem Celestial, bendizei a Lei:</p><p>Louvai e exaltai a Lei acima de tudo, para sempre.</p><p>Ó vós, céus, bendizei a Lei:</p><p>Louvai e exaltai a Lei acima de tudo, para sempre.</p><p>Ó vós, anjos do Pai Celestial, e vós, anjos da Mãe Terrena, bendizei</p><p>a Lei:</p><p>Louvai e exaltai a Lei acima de tudo, para sempre.</p><p>Ó vós, todas as águas que estão acima dos céus, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, todos os poderes dos Santos Anjos, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, sol e lua, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, estrelas do céu, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, chuviscos e orvalhos, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, todos os ventos, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, fogo e calor, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, inverno e verão, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, luz e treva, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, orvalhos e tempestades de neve, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, noites e dias, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, relâmpagos e nuvens, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, montanhas e pequenas colinas, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, o que cresceis na terra, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, fontes, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, mares e rios, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, baleias e tudo que se move nas águas, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, todas as aves do ar, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, animais e gado, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, filhos dos homens, bendizei a Lei.</p><p>145</p><p>Ó vós, espíritos e almas dos Filhos da Luz, bendizei a Lei.</p><p>Ó vós, santos e humildes trabalhadores do Jardim da Irmandade,</p><p>bendizei a Lei.</p><p>Que toda a terra bendiga a Lei!</p><p>Dai graças ao Pai Celestial, e bendizei a Sua Lei.</p><p>Ó todos vós que adorais a Lei, louvai o Pai Celestial e a Mãe</p><p>Terrena, e todos os Santos Anjos, e dai-lhes graças, porque a Lei dura para</p><p>sempre.</p><p>Nós adoramos a Lei de dia e de noite.</p><p>Salve o Pai Celestial!</p><p>Salve a Mãe Terrena!</p><p>Salve os Santos Anjos!</p><p>Salve os Filhos da Luz!</p><p>Salve nosso santo Pai Enoque!</p><p>Salve toda a Santa Criação que foi, que é e que sempre será!</p><p>Nós sacrificamos às estrelas luzentes e gloriosas, sacrificamos ao céu</p><p>soberano, sacrificamos ao tempo sem limites, sacrificamos à boa Lei dos</p><p>adoradores do Criador, dos Filhos da Luz que trabalham no Jardim da</p><p>Irmandade; sacrificamos ao caminho da Lei Sagrada.</p><p>Nós sacrificamos a todos os Santos Anjos do mundo invisível; Nós</p><p>sacrificamos a todos os Santos Anjos do mundo material.</p><p>Dai graças ao Pai Celestial, pois Ele é bom, dai graças ao Deus dos</p><p>Anjos, dai graças ao Senhor da Luz, pois a Sua misericórdia dura para</p><p>sempre.</p><p>A Ele que por si só opera grandes maravilhas, a Ele que, pela</p><p>sabedoria, fez os céus, a Ele que estendeu a terra acima das águas, a Ele que</p><p>fez grandes luzes nos céus, a Ele que fez o sol para reinar de dia, e a lua e as</p><p>estrelas para reinarem à noite, entoai infinitos louvores e agradecimentos,</p><p>pois a Sua misericórdia dura para sempre.</p><p>E nós adoramos a antiga e santa religião, instituída na Criação, que</p><p>estava na terra no tempo das Grandes Árvores; a santa religião do Criador,</p><p>a resplandecente e gloriosa, revelada a nosso Pai Enoque.</p><p>Nós adoramos o Criador, e o Fogo da Vida, e as boas Águas que são</p><p>Santas, e o resplandecente Sol e a Lua, e as Estrelas lustrosas e gloriosas; e</p><p>sobretudo nós adoramos a Lei Sagrada, que o Criador, nosso Pai Celestial,</p><p>nos deu.</p><p>É a Lei que santifica o nosso lugar de morada, que é a terra extensa e</p><p>verde.</p><p>146</p><p>Louvai a Lei!</p><p>A Lei cura o coração partido, e cura-lhe as feridas.</p><p>Grande é a Lei, e grande é o seu poder; infinita é a compreensão da</p><p>Lei.</p><p>A Lei eleva os humildes, e arremessa ao solo os iníquos.</p><p>Cantai para a Lei em agradecimento, harpeai louvores à Lei, que</p><p>cobre o céu de nuvens, que prepara a chuva para a terra, que faz crescer a</p><p>relva nas montanhas.</p><p>Nós louvamos em voz alta o Pensamento bem pensado, a Palavra</p><p>bem falada, a Ação bem executada.</p><p>Nós iremos a vós, ó generosos imortais!</p><p>Nós iremos a vós, enaltecendo-vos e invocando-vos, anjos do Pai</p><p>Celestial e da Mãe Terrena!</p><p>Nós adoramos o Santo Senhor da Ordem Celestial, o Criador de</p><p>todas as boas criaturas da terra.</p><p>E nós adoramos as elocuções do nosso Pai Enoque, e sua religião</p><p>antiga e pura, sua fé e seu saber, mais velhos que o início do tempo.</p><p>Nós cantaremos para a Lei enquanto vivermos, entoaremos louvores</p><p>ao nosso Pai Celestial enquanto existirmos, enquanto durar o Jardim da</p><p>Irmandade.</p><p>Nossas comunhões com os anjos serão doces; estaremos contentes na</p><p>Lei.</p><p>Bendize a Lei, ó minha alma.</p><p>Louva a Lei Sagrada.</p><p>Os Filhos da Luz amam a Lei, porque a Lei ouve as nossas vozes e</p><p>nossas súplicas.</p><p>Um ouvido que tudo ouve tem a Lei inclinada para nós, portanto nós</p><p>invocaremos a Lei enquanto vivermos.</p><p>A Lei livrou nossas almas da morte, nossos olhos das lágrimas e</p><p>nossos pés de cair.</p><p>Nós caminharemos diante da Lei na terra dos vivos: Nos caminhos</p><p>do Infinito Jardim da Irmandade.</p><p>Os dias dos filhos dos homens são como a relva; como as flores do</p><p>campo, assim eles florescem; e o vento passa por eles, e eles se vão; mas a</p><p>misericórdia da Lei é de eternidade a eternidade para aqueles que a seguem.</p><p>Bendizei o Pai Celestial, todos vós, Seus anjos; vós, Seus ministros,</p><p>que executais a Sua vontade.</p><p>Bendizei o Senhor, todas as Suas obras, em todos os lugares do Seu</p><p>147</p><p>domínio:</p><p>Bendize o Senhor, ó minha alma.</p><p>Ó Pai Celestial, Tu és imenso!</p><p>Tu estás vestido de honra e majestade.</p><p>Quem te cobriu de luz como de uma veste, quem descerrou os céus</p><p>como uma cortina, quem colocou as vigas de Suas câmaras nas águas,</p><p>quem fez das nuvens Sua carruagem, quem caminhou sobre as asas do</p><p>vento, quem fez dos Seus anjos espíritos, de Seus Filhos da Luz um fogaréu</p><p>chamejante para acender a Verdade no coração dos filhos dos homens,</p><p>quem assentou os fundamentos da terra.</p><p>Bendize o Pai Celestial, ó minha alma!</p><p>148</p><p>LAME�TAÇÕES</p><p>Das profundezas eu clamei a ti, Ó Senhor.</p><p>Senhor, ouve a minha voz!</p><p>Ouve a minha oração, Ó Senhor, e deixa que o meu clamor chegue a</p><p>ti.</p><p>Não escondas Tua face de mim no dia em que eu estiver em</p><p>tribulação; inclina Teu ouvido para mim; no dia em que eu clamar,</p><p>responde-me depressa.</p><p>Pois meus dias se consomem qual fumaça, e meus ossos estão</p><p>queimados qual lareira.</p><p>Meu coração está ferido e seco como a relva; tanto que me esqueço</p><p>de comer o meu pão.</p><p>Por causa da voz dos meus gemidos, meus ossos se colam à minha</p><p>pele.</p><p>Eu sou como um pelicano do ermo; sou como a coruja do deserto.</p><p>Eu vigio, e sou como um pardal, sozinho no telhado da casa.</p><p>Meus dias são como uma sombra que declina; e estou seco como a</p><p>relva.</p><p>Ó meu Deus, não me leves embora no meio dos meus dias: Os céus</p><p>são obra de Tuas mãos.</p><p>Eles perecerão, mas Tu permanecerás.</p><p>O primeiro passo dado pela alma do homem perverso deixou-o no</p><p>inferno dos maus pensamentos.</p><p>O segundo passo dado pela alma do homem perverso deixou-o no</p><p>inferno das más palavras.</p><p>O terceiro passo dado pela alma do homem perverso deixou-o no</p><p>inferno das más ações.</p><p>O quarto passo dado pela alma do homem perverso deixou-o na</p><p>escuridão sem fim.</p><p>Eu sei que Tu podes fazer todas as coisas, e que nenhum propósito</p><p>Teu pode ser impedido.</p><p>Meus olhos agora te vêem, e por isso eu abomino a mim mesmo, e</p><p>me arrependo no pó e nas cinzas.</p><p>Pois os filhos iníquos dos homens pecaram contra si próprios, e o seu</p><p>inferno de maus pensamentos, más palavras e más ações é o inferno que</p><p>eles próprios fizeram.</p><p>149</p><p>Mas minha angústia e minhas lágrimas amargas são pelos meus</p><p>antigos patriarcas, que pecaram contra o Criador e foram banidos do Reino</p><p>Sagrado das Grandes Árvores.</p><p>Por isso eu choro e escondo meu rosto na tristeza, pela beleza do</p><p>Jardim Perdido, e pela doçura desaparecida do canto do Pássaro, que</p><p>cantava nos galhos da Árvore da Vida.</p><p>Tem misericórdia de mim, Ó Deus, e limpa-me do meu pecado.</p><p>Acabou-se a alegria dos nossos corações, nossa dança transformou-</p><p>se em lamento.</p><p>A coroa caiu de nossas cabeças:</p><p>Ai de nós, que pecamos!</p><p>Por isso nosso coração está fraco, por essas coisas nossos olhos estão</p><p>turvos.</p><p>Tu, Ó Pai Celestial, permaneces para sempre em Teu trono de</p><p>geração a geração.</p><p>Por que Tu nos esqueces para sempre, e nos desamparas por tanto</p><p>tempo?</p><p>Volta-nos para ti, Ó Senhor, renova nossos dias como outrora.</p><p>Onde não há virtude nem compaixão, jazerão os animais selvagens</p><p>do deserto; e suas casas estarão cheias de criaturas lastimosas.</p><p>E ali corujas morarão, e ali sátiros dançarão.</p><p>E os animais selvagens chorarão em suas casas desoladas.</p><p>Lava-me, Ó Senhor, e eu serei mais alvo do que a neve.</p><p>Faze-me ouvir a alegria e o contentamento; afasta o Teu rosto dos</p><p>meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades.</p><p>Cria em mim um coração limpo, Ó Deus; e renova dentro de mim um</p><p>espírito reto.</p><p>Não me expulses da Tua presença; e não tires de mim Teu espírito</p><p>santo.</p><p>Restaura para mim a alegria do Jardim Infinito e sustenta-me com os</p><p>Teus Santos Anjos.</p><p>Deixa-me afastar todas as coisas más e todas as impurezas do fogo,</p><p>da água, da terra, das árvores, do homem fiel e da mulher fiel, das estrelas,</p><p>da lua, do sol, da Luz sem limites, e de todas as coisas boas feitas por ti, Ó</p><p>Pai Celestial, cujo fruto é a Lei Sagrada.</p><p>Pelos rios da Babilônia, lá nós nos sentamos, sim, e choramos</p><p>quando lembramos de Sião.</p><p>Nós penduramos nossas harpas nos salgueiros.</p><p>150</p><p>Como entoaremos o cântico do Senhor em uma terra iníqua?</p><p>Se eu te esquecer, ó Jerusalém, que a minha mão direita esqueça a</p><p>sua destreza.</p><p>Se eu não me lembrar de ti, que minha língua una-se ao céu da minha</p><p>boca; pois a Babilônia é a escravidão do mundo, e Sião é a liberdade da</p><p>Irmandade.</p><p>Ó Senhor, a ti clamarei!</p><p>Pois o fogo devorou as pastagens do deserto, e a chama abrasou</p><p>todas as árvores do campo.</p><p>Os animais do campo também clamam a ti: pois os rios de água</p><p>secaram e o fogo devorou as pastagens do ermo.</p><p>Tremam todos os habitantes da terra:</p><p>Pois o dia do Senhor vem, pois está próximo; um dia de escuridão e</p><p>melancolia, um dia de nuvens e densa escuridão, um dia em que a terra</p><p>tremerá, e os céus tremerão.</p><p>O sol e a lua escurecerão, e as estrelas retirarão o seu brilho.</p><p>Das profundezas nós clamaremos a ti, Ó Senhor! Senhor, escuta as</p><p>nossas vozes!</p><p>151</p><p>PROFECIAS</p><p>Ouvi-me, meu povo, dai ouvido ao que digo!</p><p>Erguei os olhos para os céus, e olhai para a terra embaixo: pois os céus</p><p>desaparecerão como fumaça, e a terra envelhecerá como uma vestimenta, e</p><p>os que habitam nela morrerão da mesma maneira:</p><p>Meu Reino, porém, durará para sempre, e minha Lei não será</p><p>abolida.</p><p>E nesse dia o inferno se alargará, e abrirá sua boca sem medida: e a</p><p>glória, o orgulho e a pompa dos ímpios cairão dentro dela.</p><p>E o homem mesquinho será abatido, e o homem poderoso será</p><p>humilhado, como o fogo devora o restolho, e a chama consome a palha;</p><p>assim sua raiz será qual podridão, e sua floração subirá como poeira.</p><p>Porque eles rejeitaram a Lei Sagrada da Ordem Celestial e</p><p>desprezaram a palavra dos Filhos da Luz.</p><p>E nesse dia, quem olhar para a terra verá apenas trevas e tristeza, e a</p><p>luz nos céus terá escurecido.</p><p>Os líderes do povo o levarão a errar, e os conduzidos por eles serão</p><p>destruídos.</p><p>Pois todos são hipócritas e malfeitores, e todas as bocas dizem</p><p>disparates.</p><p>A maldade queima como o fogo: devorará arbustos e espinhos.</p><p>Incendiará nas moitas da floresta e subirá como a elevação da fumaça.</p><p>Por causa da cólera da Lei, a terra escurecerá, pois isto o homem</p><p>forjou para si mesmo.</p><p>E as pessoas serão como combustível do fogo: nenhum homem</p><p>poupará seu irmão.</p><p>Ai daqueles que não tiverem guardado a Lei Sagrada!</p><p>Ai da coroa de orgulho!</p><p>Ai daqueles que cobiçam as coisas do mundo, e se corrompem com</p><p>injustiças, que erram na visão e tropeçam no julgamento:</p><p>Pois são um povo rebelde, um povo mentiroso, um povo que não</p><p>ouvirá a Lei do Senhor:</p><p>Que diz aos videntes, não vejais, e aos Profetas, não nos profetizeis</p><p>as coisas certas, mas dizei-nos coisas agradáveis, profetizai falácias.</p><p>Ai daqueles que decretam leis injustas, e que escrevem as desgraças</p><p>que prescreveram.</p><p>152</p><p>Ai daqueles que juntam casa com casa, que acrescentam campo com</p><p>campo, até não haver lugar em que o homem possa estar só no meio da</p><p>terra!</p><p>Ai daqueles que se levantam de manhã cedo, não para comungar com</p><p>os anjos, mas para perseguir bebidas fortes e continuam até a noite, até que</p><p>os vapores do vinho os inflamem!</p><p>Ai de todos os que chamam bem ao mal e mal ao bem, que passam a</p><p>escuridão por luz e a luz por escuridão.</p><p>Ai daqueles que desviam os necessitados do juízo, e arrebatam o</p><p>direito dos pobres, que fazem das viúvas sua presa e roubam os órfãos!</p><p>Por essa razão sucederá que a mão do Senhor podará os galhos com</p><p>o julgamento da Lei, e os altos serão cortados e os soberbos serão</p><p>humilhados.</p><p>Gemei, pois o dia da Lei está próximo; ele virá como destruição do</p><p>Todo Poderoso.</p><p>Por isso todas as mãos serão fracas, e o coração de cada homem</p><p>derreterá.</p><p>E eles terão medo: dores e sofrimentos se apossarão deles, sentirão</p><p>dores como a mulher em trabalho de parto; surpreenderão uns aos outros;</p><p>seus rostos serão como chamas.</p><p>Eis que chega o dia do Senhor, cruel tanto com ira quanto com</p><p>ardente furor, para deixar a terra desolada: e Ele expulsará os pecadores</p><p>dela.</p><p>Sucederá nesse dia que o Senhor castigará a hoste dos arrogantes, e</p><p>os reis da terra sobre a terra.</p><p>E eles serão reunidos, como se reúnem os prisioneiros no poço, e</p><p>encerrados na prisão.</p><p>E o Senhor sairá do Seu lugar, e descerá, e pisará nos lugares altos da</p><p>terra.</p><p>E as montanhas se derreterão debaixo d’Ele, e os vales se fenderão</p><p>como cera no fogo, como as águas derramam de um despenhadeiro.</p><p>Então a lua desaparecerá e o sol se obscurecerá.</p><p>E as estrelas dos céus e as suas constelações não darão sua luz:</p><p>O sol será escurecido em seu andamento, e a lua não fará a sua luz</p><p>brilhar.</p><p>E o Senhor sacudirá os céus, e a terra será removida do seu lugar, no</p><p>dia da ira da Lei, e no dia do ardente furor do Senhor.</p><p>E as cidades brilhantes serão devastadas, e nelas viverão os animais</p><p>153</p><p>selvagens do deserto; o feno murchará, a relva faltará, e em toda a terra não</p><p>haverá uma só coisa verde.</p><p>Nesse dia, as cidades fortes serão como um galho abandonado, e uma</p><p>tempestade de granizo varrerá o refúgio das mentiras, e as águas enfurecidas</p><p>inundarão o esconderijo dos iníquos.</p><p>E haverá sobre toda alta montanha,</p><p>e sobre toda alta colina, rios e</p><p>cursos de água no dia da grande mortandade, quando as torres cairão.</p><p>Nesse dia, a luz da lua será como a do sol, e a luz do sol será sétupla.</p><p>Eis que o nome da Lei vem de longe, queimando com raiva ardente,</p><p>e o seu fardo é pesado:</p><p>Os lábios do Senhor estão cheios de indignação e Sua língua é como</p><p>um fogo devorador.</p><p>Ele mostrará a força do Seu braço, com a chama do fogo consumidor,</p><p>com dispersão, tempestade e granizo.</p><p>A terra será totalmente esvaziada, totalmente arruinada, pois os</p><p>filhos dos homens se afastaram da Lei.</p><p>A cidade da confusão é derrubada:</p><p>Todas as casas estão fechadas, para que nenhum homem possa entrar</p><p>nelas.</p><p>Há choros e lamentos nas ruas:</p><p>Toda a alegria escureceu, a alegria da terra se foi.</p><p>E sucederá que aquele que foge do ruído do medo cairá no poço; e</p><p>aquele que sobe e sai do meio do poço será tomado pelo laço:</p><p>Pois as janelas do alto estão abertas, e as fundações da terra tremem.</p><p>A terra está completamente arruinada, a terra está totalmente</p><p>dissolvida, a terra está excessivamente alterada.</p><p>Então a lua se confundirá, o sol se envergonhará, e a terra vacilará de</p><p>um lado para outro, que nem um bêbedo, e cairá, e não tornará a levantar-</p><p>se.</p><p>E toda a hoste do céu será dissolvida, e os céus serão enrolados como</p><p>um pergaminho: e toda a sua hoste cairá, como cai a folha da parreira, e</p><p>como cai o figo da figueira.</p><p>As águas do mar se extinguirão, e os rios se esgotarão e secarão.</p><p>As correntezas de água se transformarão em piche, e o pó dele em</p><p>enxofre, e a terra se tornará em piche ardente.</p><p>E a fumaça não será suprimida nem de noite nem de dia, e nenhum</p><p>homem a transpassará.</p><p>Mas o corvo marinho e o ouriço possuirão a terra; também a coruja e</p><p>154</p><p>o corvo habitarão nela.</p><p>E ali se estenderão sobre ela a linha da confusão e as pedras da</p><p>vacuidade.</p><p>Eles chamarão seus nobres ao reino, mas nenhum estará lá, e todos</p><p>os seus príncipes serão nada.</p><p>E espinhos crescerão em seus palácios, urtigas e sarças nas suas</p><p>fortalezas.</p><p>E eles serão morada de dragões, e corte de avestruzes.</p><p>Os embaixadores da paz chorarão amargamente, e as estradas serão</p><p>assoladas.</p><p>A glória das florestas será consumida, e a dos campos produtivos;</p><p>sim, as árvores serão tão poucas que uma criança poderá contá-las.</p><p>Eis que chegará o dia em que tudo o que estiver na terra, e tudo o que</p><p>vossos pais armazenaram, será levado como fumaça, pois vós esquecestes</p><p>vosso Pai Celestial e vossa Mãe Terrena, e infringiram a Lei Sagrada.</p><p>Oh, Tu rasgaria os céus, Tu descerias, para que as montanhas</p><p>derretessem em Tua presença.</p><p>Quando Tua mão exibiu o poder da Tua Lei, Tu desceste em fúria:</p><p>As montanhas derramaram-se na Tua presença, e os fogos que</p><p>derretem arderam.</p><p>Eis que Tu estás irado porque nós pecamos.</p><p>Nós somos como o mar conturbado, quando não pode repousar, cujas</p><p>águas atiram para cima lama e lodo.</p><p>Nós confiamos na vaidade e falamos mentiras; nossos pés seguem</p><p>para o mal, ruína e destruição estão em nossos caminhos.</p><p>Nós tateamos pelas paredes como os cegos, tropeçamos ao meio-dia</p><p>como se fosse de noite, estamos em lugares desolados como homens</p><p>mortos.</p><p>Mas agora, Ó Pai Celestial, Tu és o nosso pai:</p><p>Nós somos o barro e Tu és o oleiro, e nós somos todos o Teu povo.</p><p>Tuas cidades santas são um ermo, Tuas florestas estão consumidas,</p><p>toda a Tua terra é uma desolação.</p><p>Nossa santa e bela casa, onde nossos pais te louvavam, foi queimada</p><p>pelo fogo.</p><p>Até o antigo saber de nosso Pai Enoque é pisoteado no pó e nas</p><p>cinzas.</p><p>E eu avistei a terra, e eis que ela era sem forma e vazia; e os céus não</p><p>tinham luz.</p><p>155</p><p>E eu avistei as montanhas, e eis que elas tremiam, e todas as colinas</p><p>estremeciam.</p><p>Eu avistei, e eis que não havia nenhum homem, e todas as aves dos</p><p>céus tinham voado.</p><p>Eu avistei, e eis que o lugar produtivo era um deserto, e todas as suas</p><p>cidades foram derrubadas na presença do Senhor, e pelo seu furor ardente.</p><p>Pois dessa maneira disse o Senhor, a terra inteira ficará desolada;</p><p>entretanto, não acabarei com tudo.</p><p>Eis que a mão da Lei não está reduzida, que ela não possa salvar;</p><p>tampouco está pesado o ouvido da Lei, que ela não possa ouvir:</p><p>Do deserto eu trarei uma semente, e a semente será plantada no</p><p>Jardim da Irmandade, e florescerá, e os Filhos da Luz cobrirão a terra</p><p>infecunda com capim alto e árvores frutíferas.</p><p>E eles reconstruirão os antigos lugares arruinados: consertarão as</p><p>cidades devastadas, as desolações de muitas gerações.</p><p>Eles serão chamados de os reparadores da ruptura, e restauradores</p><p>dos caminhos para morar.</p><p>Eles serão uma coroa de glória na cabeça do Senhor, e um diadema</p><p>real na mão da Lei.</p><p>O ermo e o local solitário se alegrarão por eles, e o deserto regozijará</p><p>e florescerá como a rosa.</p><p>Florescerá abundantemente, e regozijará com alegria e cânticos.</p><p>Os olhos do cego se abrirão, e os ouvidos do surdo se destamparão.</p><p>Então o coxo saltará como um veado, e a língua do mudo cantará.</p><p>Pois as águas irromperão no ermo, e fontes de água fluirão no</p><p>deserto.</p><p>E o solo ressequido se converterá em lagos, e a terra sedenta, em</p><p>fontes de água.</p><p>E uma estrada haverá ali, e um caminho, e será chamado de o</p><p>Caminho da Lei:</p><p>O impuro não passará por ele, mas ele será para os Filhos da Luz,</p><p>que cruzarão o Rio Eterno para chegar ao lugar escondido, onde se ergue a</p><p>Árvore da Vida.</p><p>E os filhos dos homens regressarão à terra, e virão ao Jardim Infinito</p><p>com cânticos e eterna alegria sobre suas cabeças:</p><p>Eles obterão alegria e contentamento, e o pesar e os suspiros</p><p>desaparecerão.</p><p>E sucederá nos últimos dias, que a montanha da casa do Senhor será</p><p>156</p><p>estabelecida no topo das montanhas, e exaltada acima das colinas; e todos</p><p>os filhos dos homens da terra afluirão a ela.</p><p>E muitas pessoas irão e dirão: Vinde e subamos à montanha do</p><p>Senhor, até o tabernáculo da Lei Sagrada, e os Santos Anjos nos ensinarão</p><p>dos caminhos do Pai Celestial e da Mãe Terrena, e trilharemos os caminhos</p><p>da retidão:</p><p>Do Jardim da Irmandade sairá a Lei e a palavra do Senhor dos Filhos</p><p>da Luz.</p><p>E o Senhor julgará entre as nações, e repreenderá muitos povos:</p><p>E eles converterão as espadas em enxadas, e as lanças em foices:</p><p>Nações não erguerão a espada contra nações, e tampouco aprenderão</p><p>mais a guerrear.</p><p>Ouvi as vozes dos Irmãos, que gritam a brados no ermo:</p><p>Preparai o caminho da Lei!</p><p>Endireitai no deserto uma estrada para o nosso Deus!</p><p>Todo vale será exaltado, e todas as montanhas e colinas serão</p><p>abaixadas:</p><p>O torto será endireitado, e os lugares ásperos aplainados:</p><p>E a voz do Pai Celestial será ouvida:</p><p>Eu, sim, Eu sou a Lei; e além de mim não há nenhum outro.</p><p>Sim, antes que o dia fosse, Eu sou:</p><p>E não há ninguém que possa livrar-se da minha mão.</p><p>Ouvi-me, ó Filhos da Luz!</p><p>Eu sou ele; Eu sou o primeiro, e também sou o último.</p><p>Minha mão também assentou os alicerces da terra, e minha mão</p><p>direita mediu palmo a palmo os céus.</p><p>Ouvi-me, ó Filhos da Luz!</p><p>Vós que conheceis a retidão, meus filhos em cujos corações está a</p><p>minha Lei:</p><p>Vós saireis afora com alegria, e sereis conduzidos em paz: As</p><p>montanhas e as colinas irromperão em cânticos diante de vós, e todas as</p><p>árvores do campo baterão palmas.</p><p>Levantai-vos, brilhai, ó Filhos da Luz! Pois minha Luz desceu sobre</p><p>vós, e vós fareis a Glória da Lei erguer-se sobre a nova terra!</p><p>157</p><p>LIVRO 4</p><p>OS E�SI�AME�TOS DOS ELEITOS</p><p>158</p><p>159</p><p>PREFÁCIO</p><p>Foi em 1928 que Edmond Bordeaux Székely publicou pela</p><p>primeira vez sua tradução do Livro Um de O Evangelho Essênio da</p><p>Paz, um antigo manuscrito que ele encontrara no Arquivo Secreto do</p><p>Vaticano como resultado de paciência ilimitada, erudição impecável, e</p><p>intuição infalível, uma história contada em seu livro: ‘A descoberta do</p><p>Evangelho Essênio da Paz’. A versão em Inglês deste antigo</p><p>manuscrito</p><p>surgiu em 1937, e, desde então, o pequeno volume viajou</p><p>por todo o mundo, aparecendo em diferentes idiomas, e ganhando a</p><p>cada ano mais e mais leitores, até agora, mesmo sem nenhuma</p><p>propaganda comercial, mais de um milhão de cópias foram vendidas</p><p>somente nos Estados Unidos. Foi quase cinquenta anos depois que a</p><p>primeira tradução francesa do Livro Dois e Livro Três apareceu, e</p><p>estes também já se tornaram clássicos da literatura Essênia.</p><p>O Livro Quatro, Os Ensinamentos dos Eleitos, chegará como</p><p>uma surpresa para os leitores que estão cientes da morte do Dr.</p><p>Székely em 1979. Se eu fosse também um filólogo, ou erudito, ou</p><p>arqueólogo, eu poderia ser capaz de fornecer uma explicação. Mas eu</p><p>sou apenas o seu fiel servo escriturário, e as instruções que ele me</p><p>deixou foram claras e explícitas: “Dois anos após a minha morte, você</p><p>publicará o Livro Quatro de O Evangelho Essênio da Paz”. Isso foi</p><p>tudo, e agora eu estou realizando seu desejo.</p><p>Este Livro Quatro, Os Ensinamentos dos Eleitos, representa</p><p>ainda um outro fragmento do manuscrito completo que existe em</p><p>aramaico no Arquivo Secreto do Vaticano e em antigo eslavo na</p><p>Biblioteca Real dos Habsburgos (hoje propriedade do governo</p><p>austríaco). Quanto à razão para o atraso na sua publicação, só posso</p><p>supor que o Dr. Szekely queria que a vivida realidade dessas verdades</p><p>imutáveis permanecesse única, desobscurecida até mesmo pela</p><p>presença do tradutor. Ele disse em seu prefácio à primeira edição de</p><p>Londres do Livro Um, em 1937, que “nós publicamos esta parte antes</p><p>do resto, porque é a parte da qual a humanidade sofredora tem mais</p><p>necessidade hoje”. Talvez, da mesma forma, o mundo conturbado de</p><p>quarenta e quatro anos mais tarde, precisa deste quarto volume de O</p><p>Evangelho Essênio da Paz.</p><p>160</p><p>Mais uma vez as palavras do Dr. Szekely: “Nada teremos a</p><p>adicionar a este texto. Ele fala por si próprio. O leitor que estude as</p><p>páginas que se seguem com concentração, sentirá a vitalidade eterna e</p><p>a poderosa evidência destas verdades profundas que a humanidade</p><p>necessita hoje mais urgentemente do que nunca.”</p><p>“E a verdade dará testemunho de si mesma.”</p><p>161</p><p>AS COMU�HÕES ESSÊ�IAS</p><p>E sucedeu que Jesus reuniu os Filhos da Luz junto à margem do</p><p>rio, a fim de revelar-lhes o que estivera oculto; pois havia transcorrido</p><p>o espaço de sete anos, e cada um deles estava maduro para a verdade,</p><p>como a flor se abre do botão, quando os anjos do sol e da água levam-</p><p>na para o seu tempo de florescimento.</p><p>E todos eles eram diferentes uns dos outros, pois alguns já</p><p>tinham idade avançada, ao passo que outros ainda conservavam nas</p><p>faces o orvalho da juventude, e outros ainda haviam sido educados</p><p>segundo as tradições de seus pais, e outros não sabiam sequer quem</p><p>eram seu pai e sua mãe. Todos, porém, partilhavam de clareza de</p><p>visão e agilidade de corpo, sinais de que, durante sete anos, haviam</p><p>caminhado com os anjos da Mãe Terrena e obedecido às suas leis. E,</p><p>por sete anos, os anjos desconhecidos do Pai Celestial haviam os</p><p>ensinado durante suas horas de sono. E esse era o dia em que</p><p>entrariam para a Irmandade dos Eleitos e aprenderiam os ensi-</p><p>namentos ocultos dos Anciões, incluindo os de Enoque e os anteriores</p><p>a ele.</p><p>E Jesus conduziu os Filhos da Luz a uma árvore anciã ao lado</p><p>do rio, e ali ele ajoelhou-se no lugar em que as raízes, torcidas e</p><p>grisalhas da velhice, espalhavam-se pela margem do rio. E os Filhos</p><p>da Luz ajoelharam-se também, e tocaram com reverência o tronco da</p><p>árvore anciã, pois lhes fora ensinado que as árvores eram Irmãs dos</p><p>Filhos dos Homens. Pois sua mãe é a mesma, a Mãe Terrena, cujo</p><p>sangue corre na seiva da árvore e no corpo do Filho do Homem. E seu</p><p>pai é o mesmo, o Pai Celestial, cujas leis estão escritas nos galhos da</p><p>árvore, e cujas leis estão gravadas na testa do Filho do Homem.</p><p>E Jesus estendeu suas mãos para a árvore, e disse: “Eis a Árvore</p><p>da Vida, que se ergue no meio do Mar Eterno. Não olheis apenas com</p><p>os olhos do corpo, mas vede com os olhos do espírito a Árvore da</p><p>Vida em uma fonte de córregos; em uma fonte viva numa terra de</p><p>seca. Vede o eterno jardim de maravilhas e no seu centro a Árvore da</p><p>Vida, mistério dos mistérios, brotando ramos imortais para o eterno</p><p>plantio, para penetrar suas raízes na corrente da vida de uma fonte</p><p>eterna. Vede com os olhos do espírito os anjos do dia e os anjos da</p><p>162</p><p>noite que protegem os frutos com chamas de Luz Eterna, que ardem</p><p>de todos os modos.”</p><p>“Vede, ó Filhos da Luz, os ramos da Árvore da Vida</p><p>estendendo-se em direção ao reino do Pai Celestial. E vede as raízes</p><p>da Árvore da Vida descendo ao seio da Mãe Terrena. E o Filho do</p><p>Homem é elevado a uma altura eterna e caminha entre as maravilhas</p><p>da planície; pois somente o Filho do Homem carrega em seu corpo as</p><p>raízes da Árvore da Vida; as mesmas raízes que mamam no seio da</p><p>Mãe Terrena; e apenas o Filho do Homem carrega em seu espírito os</p><p>galhos da Árvore da Vida; os mesmos galhos que atingem o céu, até o</p><p>reino do Pai Celestial.”</p><p>“E por sete anos, vós trabalhastes durante o dia inteiro com os</p><p>anjos da Mãe Terrena; e por sete anos vós dormistes nos braços do Pai</p><p>Celestial. E agora será grande a vossa recompensa, pois vos será dado</p><p>o dom das línguas, para que possais atrair para vós o pleno poder de</p><p>vossa Mãe Terrena e ter o comando sobre os Seus anjos e o domínio</p><p>sobre todo o Seu reino; e para que possais atrair para vós a glória</p><p>ofuscante de vosso Pai Celestial, a fim de comandardes os Seus anjos</p><p>e entrardes na vida perpétua dos reinos celestiais.”</p><p>“E por sete anos essas palavras não vos foram dadas, pois quem</p><p>usa o dom das línguas para buscar riquezas ou para dominar seus</p><p>inimigos, deixa de ser um Filho da Luz para converter-se em filhote</p><p>do diabo e em uma criatura das trevas. Pois somente a água pura pode</p><p>refletir como um espelho a luz do sol; e a água escurecida pela sujeira</p><p>e pela treva não reflete coisa alguma. E quando o corpo e o espírito do</p><p>Filho do Homem tiverem caminhado com os anjos da Mãe Terrena e</p><p>do Pai Celestial por sete anos, então ele passa a ser como o rio que</p><p>corre debaixo do sol do meio-dia, que espelha as luzes deslumbrantes</p><p>de jóias luminosas.”</p><p>“Ouvi-me, Filhos da Luz, pois eu vos concederei o dom das</p><p>línguas, para que, falando com vossa Mãe Terrena pela manhã, e com</p><p>vosso Pai Celestial à noite, vós possais chegar cada vez mais perto da</p><p>unidade com os reinos da terra e do céu, unidade para qual o Filho do</p><p>Homem está destinado desde o princípio dos tempos.”</p><p>“Eu vos farei conhecerdes coisas profundas e misteriosas. Pois,</p><p>em verdade vos digo, todas as coisas existem através de Deus e não há</p><p>ninguém além d’Ele. Portanto encaminhai vossos corações para que</p><p>163</p><p>possais caminhar nos caminhos certos, onde está a presença d’Ele.”</p><p>“Quando abrirdes vossos olhos de manhã, antes mesmo de</p><p>vosso corpo ter sido chamado pelo Anjo do Sol, dizei a vós mesmos</p><p>estas palavras, deixando-as ecoar em vosso espírito; pois as palavras</p><p>são como folhas mortas quando não há nelas a vida do espírito. Dizei,</p><p>portanto, estas palavras: ‘Eu entro no jardim eterno e infinito do</p><p>mistério, meu espírito em unidade com o Pai Celestial, meu corpo em</p><p>unidade com a Mãe Terrena, meu coração em harmonia com os meus</p><p>Irmãos, os Filhos dos Homens, dedicando meu espírito, meu corpo e</p><p>meu coração ao santo, puro e salvador Ensinamento, o Ensinamento</p><p>que outrora fora conhecido como de Enoque’.”</p><p>“E depois que essas palavras tiverem entrado em vosso espírito,</p><p>na primeira manhã após o Shabat, dizei estas palavras: ‘A Mãe</p><p>Terrena e eu somos um. Seu hálito é meu hálito; Seu sangue é meu</p><p>sangue; Seus ossos, Sua carne, Suas vísceras, Seus olhos e Seus</p><p>ouvidos são meus ossos, minha carne, minhas vísceras, meus olhos e</p><p>meus ouvidos. Eu nunca a abandonarei, e Ela sempre alimentará e</p><p>sustentará o meu corpo’. E sentireis o poder da Mãe Terrena fluindo</p><p>através do vosso corpo como o rio quando está cheio</p><p>pelas chuvas e</p><p>corre poderosamente com grande estridor.”</p><p>“E na segunda manhã após o Shabat, dizei estas palavras: ‘Anjo</p><p>da Terra, torna frutífera a minha semente, e com o teu poder dá vida</p><p>ao meu corpo’. Assim como a vossa semente cria nova vida, assim</p><p>percorre a terra a semente do Anjo da Terra: na relva, no solo, em</p><p>todas as coisas vivas que brotam do solo. Sabei, ó Filhos da Luz, que</p><p>o mesmo Anjo da Terra, que transforma a vossa semente em filhos,</p><p>também transforma a minúscula glande neste poderoso carvalho, e faz</p><p>a semente fértil do trigo crescer para o pão do Filho do Homem. E a</p><p>semente do vosso corpo não precisa entrar no corpo da mulher para</p><p>criar vida; pois o poder do Anjo da Terra pode criar a vida do espírito</p><p>interior, bem como a vida do corpo exterior.”</p><p>“E na terceira manhã após o Shabat, dizei estas palavras: ‘Anjo</p><p>da Vida, entra com força nos membros do meu corpo’. E com estas</p><p>palavras abraçai a Árvore da Vida, assim como eu abraço este irmão</p><p>carvalho, e vós sentireis o poder do Anjo da Vida fluir para os vossos</p><p>braços, para as vossas pernas e para todas as partes do vosso corpo,</p><p>como a seiva flui na árvore na primavera, e assim como ela escorre</p><p>164</p><p>para fora do tronco, assim o Anjo da Vida inundará vosso corpo com o</p><p>poder da Mãe Terrena.”</p><p>“E na quarta manhã após o Shabat, dizei estas palavras: ‘Anjo</p><p>da Alegria, desce à terra e derrama beleza e satisfação sobre todos os</p><p>filhos da Mãe Terrena e do Pai Celestial’. E vós saireis para os</p><p>campos de flores depois da chuva e dareis graças à vossa Mãe Terrena</p><p>pelo doce aroma das florescências; pois em verdade vos digo, um flor</p><p>não tem outro propósito senão o de trazer alegria ao coração do Filho</p><p>do Homem. E vós ouvireis com novos ouvidos o canto dos pássaros, e</p><p>vereis com novos olhos as cores do sol no nascente e no poente; e</p><p>todos esses dons da Mãe Terrena farão a alegria brotar dentro de vós,</p><p>como brota uma fonte subitamente em um lugar improdutivo. E</p><p>sabereis que ninguém chega à presença do Pai Celestial se o Anjo da</p><p>Alegria não o tiver deixado passar; pois na alegria a terra foi criada, e</p><p>na alegria a Mãe Terrena e o Pai Celestial deram à luz ao Filho do</p><p>Homem.”</p><p>“E na quinta manhã após o Shabat, dizei estas palavras: ‘Anjo</p><p>do Sol, entra em meu corpo e deixa que eu me banhe no fogo da vida’.</p><p>E sentireis os raios do sol nascente penetrarem no ponto central do</p><p>vosso corpo, no centro em que os anjos do dia e da noite se misturam,</p><p>e o poder do sol será vosso para dirigir a qualquer parte do vosso</p><p>corpo, pois os anjos habitam nele.”</p><p>“E na sexta manhã após o Shabat, dizei estas palavras: ‘Anjo da</p><p>Água, entra no meu sangue e dá a Água da Vida ao meu corpo’. E vós</p><p>sentireis, como a correnteza célere do rio, o poder do Anjo da Água</p><p>entrar em vosso sangue e, como os riachos de um córrego, enviar o</p><p>poder da Mãe Terrena, através do vosso sangue, a todas as partes do</p><p>vosso corpo. E será para a cura, pois o poder do Anjo da Água é muito</p><p>grande e, quando lhe falardes, ele enviará o seu poder para onde vós</p><p>comandardes, pois quando os anjos de Deus habitam no interior do</p><p>Filho do Homem, todas as coisas são possíveis.”</p><p>“E na sétima manhã após o Shabat, dizei estas palavras: ‘Anjo</p><p>do Ar, entra com a minha respiração e dá o Ar da Vida ao meu corpo’.</p><p>Sabei, ó Filhos da Luz, que o Anjo do Ar é o mensageiro do Pai</p><p>Celestial, e ninguém chega diante da face de Deus se o Anjo do Ar</p><p>não o tiver deixado passar. Nós não pensamos no Anjo do Ar quando</p><p>respiramos, pois respiramos sem pensar, como os filhos das trevas</p><p>165</p><p>vivem sua vida sem pensar. Mas quando o poder da vida entra em</p><p>vossas palavras e na vossa respiração, então, todas as vezes que</p><p>invocardes o Anjo do Ar, estareis invocando também os anjos</p><p>desconhecidos do Pai Celestial; e assim chegareis cada vez mais perto</p><p>dos reinos celestiais.”</p><p>“E na noite do Shabat, dizei estas palavras: ‘O Pai Celestial e eu</p><p>somos Um.’ E fechai os vossos olhos, Filhos da Luz e, no sono,</p><p>adentrai os reinos desconhecidos do Pai Celestial. E vós vos banhareis</p><p>na luz das estrelas, e o Pai Celestial vos segurará em Sua mão e fará</p><p>uma fonte de conhecimento manar dentro de vós; uma fonte de poder,</p><p>despejando águas vivas, um dilúvio de amor e sabedoria oniabrangente,</p><p>como o esplendor da Luz Eterna. E um dia os olhos do vosso espírito</p><p>se abrirão e vós conhecereis todas as coisas.”</p><p>“E na primeira noite após o Shabat, dizei estas palavras: ‘Anjo</p><p>da Vida Eterna, desce sobre mim e dá vida eterna ao meu espírito!’ E</p><p>fechai os vossos olhos, Filhos da Luz e, no sono, contemplai a unidade</p><p>de toda a vida em toda parte. Pois em verdade vos digo, nas horas</p><p>diurnas nossos pés estão no chão e nós não temos asas com as quais</p><p>voar. Mas os nossos espíritos não estão atados à terra e, com a</p><p>chegada da noite, nós superamos nosso apego à terra e nos juntamos</p><p>com o que é eterno. Pois o Filho do Homem não é tudo o que ele</p><p>parece, e somente com os olhos do espírito nós podemos ver os fios de</p><p>ouro que nos ligam a toda vida em toda parte.”</p><p>“E na segunda noite após o Shabat, dizei estas palavras: ‘Anjo</p><p>do Trabalho Criativo, desce à terra e confere abundância a todos os</p><p>Filhos dos Homens’. Pois este mais poderoso dentre os anjos do Pai</p><p>Celestial é a causa do movimento, e só no movimento há vida.</p><p>Trabalhai, Filhos da Luz, no jardim da Irmandade a fim de criar o</p><p>reino dos céus na terra. E como vós trabalhais, assim o Anjo do</p><p>Trabalho Criativo alimentará e amadurecerá a semente do vosso</p><p>espírito, para que possais ver a Deus.</p><p>“E na terceira noite após o Shabat, dizei estas palavras: ‘Paz,</p><p>paz, paz, Anjo da Paz, esteja sempre em toda parte’. Procurai o Anjo</p><p>da Paz em tudo o que vive, em tudo o que fazeis, em cada palavra que</p><p>pronunciais. Pois a paz é a chave para todo conhecimento, para todo</p><p>mistério, para toda vida. Onde não há paz, reina Satã. E, acima de</p><p>tudo, os filhos das trevas cobiçam roubar dos Filhos da Luz a sua paz.</p><p>166</p><p>Ide, portanto, nessa noite, à corrente dourada de luz que é a vestimenta</p><p>do Anjo da Paz. E trazei de volta para a manhã a paz de Deus que</p><p>ultrapassa o entendimento, para que com essa paz perfeita vós possais</p><p>confortar os corações dos Filhos dos Homens.”</p><p>“E na quarta noite após o Shabat, dizei estas palavras: ‘Anjo do</p><p>Poder, desce sobre mim e enche de poder todos os meus atos’. Em</p><p>verdade vos digo, assim como não há vida na terra sem o sol, não há</p><p>vida no espírito sem o Anjo do Poder. O que pensais e o que sentis são</p><p>como as escrituras mortas, apenas palavras em uma página, ou</p><p>discursos mortos de homens mortos. Os Filhos da Luz, todavia, não</p><p>somente pensarão, não somente sentirão, mas também agirão, e seus</p><p>atos cumprirão os seus pensamentos e sentimentos, como o fruto</p><p>dourado do verão dá sentido às folhas verdes da primavera.”</p><p>“E na quinta noite após o Shabat, dizei estas palavras: ‘Anjo do</p><p>Amor desce sobre mim e enche de amor todos os meus sentimentos’.</p><p>Pois é pelo amor que o Pai Celestial, a Mãe Terrena e o Filho do</p><p>Homem tornam-se um. O amor é eterno. O amor é mais forte que a</p><p>morte. E todas as noites os Filhos da Luz devem banhar-se na água</p><p>santa do Anjo do Amor, para que com a manhã ele possa batizar os</p><p>Filhos dos Homens com atos amáveis e palavras gentis. Pois quando o</p><p>coração do Filho da Luz é banhado no amor, só profere palavras gentis</p><p>e amáveis.”</p><p>“E na sexta noite após o Shabat, dizei estas palavras: ‘Anjo da</p><p>Sabedoria desce sobre mim e enche de sabedoria todos os meus</p><p>pensamentos’. Sabei Filhos da Luz, que os vossos pensamentos são</p><p>tão poderosos quanto o raio que apunhala a tempestade e despedaça a</p><p>árvore poderosa. Por isso vós esperastes sete anos para aprender como</p><p>falar com os anjos, pois vós não conheceis o poder dos vossos</p><p>pensamentos. Usai, portanto, a sabedoria em tudo o que pensais, dizeis</p><p>e fazeis. Pois em verdade vos digo, o que é feito sem sabedoria é</p><p>como um cavalo sem cavaleiro, com boca espumando e olhos</p><p>selvagens, correndo enlouquecido na direção de um abismo. Mas</p><p>quando</p><p>o Anjo da Sabedoria governa os vossos atos, então o caminho</p><p>para os reinos desconhecidos é estabelecido, e a ordem e a harmonia</p><p>governam vossas vidas.”</p><p>“E estas são as comunhões com os anjos que são dadas aos</p><p>Filhos da Luz, para que, com os corpos purificados pela Mãe Terrena</p><p>167</p><p>e os espíritos purificados pelo Pai Celestial, eles possam comandar e</p><p>servir os anjos continuamente, de um período a outro, nos circuitos do</p><p>dia e em sua ordem fixa; com a vinda da luz de sua fonte e na virada</p><p>da noite e na saída da luz, na saída da escuridão e na vinda do dia,</p><p>continuamente, em todas as gerações do tempo.”</p><p>“A verdade nasceu da fonte da Luz, a falsidade proveio do poço</p><p>da escuridão. O domínio de todos os filhos da verdade está nas mãos</p><p>dos Anjos da Luz, de modo que eles possam caminhar pelos caminhos</p><p>da Luz.”</p><p>“Benditos sejam todos os Filhos da Luz que traçam a sorte pela</p><p>Lei, que caminham verdadeiramente em todos os seus caminhos. Que</p><p>a Lei vos abençoe com todo o bem e vos guarde de todo o mal, e</p><p>ilumine vossos corações com visão sobre as coisas da vida e vos</p><p>agracie com o conhecimento das coisas Eternas.”</p><p>E a lua crescente da paz ergueu-se sobre a montanha e lascas de</p><p>luz brilharam nas águas do rio. E os Filhos da Luz, como um homem,</p><p>ajoelharam-se em reverência e agradecimento pelas palavras de Jesus,</p><p>visto que ele os ensinava à maneira antiga de seus pais, assim como</p><p>Enoque outrora foi ensinado.</p><p>E Jesus disse: “A Lei foi plantada para recompensar os Filhos</p><p>da Luz com cura e paz abundante, com vida longa, com semente</p><p>fecunda de bênçãos eternas e com eterna alegria na imortalidade da</p><p>Luz Eterna.”</p><p>“Com a vinda do dia eu abraço minha Mãe, com a vinda da</p><p>noite me junto ao meu Pai, e com a saída da noite e da manhã eu</p><p>respirarei sua Lei, e eu não interromperei essas Comunhões até o fim</p><p>do tempo.”</p><p>168</p><p>169</p><p>O DOM DA VIDA �A RELVA HUMILDE</p><p>Foi no mês de Tébet, quando a terra estava coberta com brotos</p><p>de relva nova depois das chuvas, e a cobertura de verde-esmeralda era</p><p>tenra como a fina lanugem de um pintinho. E foi numa bela manhã</p><p>ensolarada que Jesus reuniu os novos Irmãos dos Eleitos à sua volta,</p><p>para que eles pudessem ouvir com seus ouvidos e compreender com</p><p>seus corações os ensinamentos de seus pais, assim como outrora foram</p><p>ensinados a Enoque.</p><p>E Jesus sentou-se debaixo de uma árvore antiga e retorcida,</p><p>segurando nas mãos um pequeno pote de barro; e no pote crescia uma</p><p>tenra relva de trigo, a mais perfeita dentre todas as ervas portadoras de</p><p>sementes. A tenra relva dentro do pote estava radiante de vida, como a</p><p>relva e as plantas que revestiam as colinas nos campos mais distantes</p><p>e além. E Jesus acariciou a relva no pote com as mãos, tão suavemente</p><p>quanto acariciaria a cabeça de uma criancinha.</p><p>E Jesus disse: “Felizes sois vós, Filhos da Luz, pois ingressastes</p><p>no caminho sem morte, e andais pelos passos da verdade, assim como</p><p>fizeram vossos pais outrora, ensinados pelos Grandes. Com os olhos e</p><p>ouvidos do espírito vedes e ouvis as imagens e os sons do reino da</p><p>Mãe Terrena: o céu azul onde habita o Anjo do Ar, o rio espumoso</p><p>onde flui o Anjo da Água, a luz dourada que escorre do Anjo do Sol. E</p><p>em verdade vos digo, tudo isso está dentro e fora de vós; pois o vosso</p><p>alento, o vosso sangue, o fogo da vida dentro de vós, estão todos</p><p>unidos à Mãe Terrena.”</p><p>“Mas de tudo isso, e mais, o dom mais precioso de vossa Mãe</p><p>Terrena é a relva debaixo de vossos pés, a mesma relva que vós pisais</p><p>sem pensar. Humilde e manso é o Anjo da Terra, pois não tem asas</p><p>para voar, nem raios dourados de luz para penetrar a neblina. Grande,</p><p>porém, é a sua força e vastos são os seus domínios, pois ele cobre a</p><p>terra com o seu poder e, sem ele, os Filhos dos Homens já não</p><p>existiriam, já que nenhum homem pode viver sem a relva, as árvores e</p><p>as plantas da Mãe Terrena. E estes são os dons do Anjo da Terra aos</p><p>Filhos dos Homens.</p><p>“Mas agora vos falarei de coisas misteriosas, pois em verdade</p><p>vos digo, a relva humilde é mais do que alimento para o homem e para</p><p>170</p><p>o animal. Ela esconde sua glória sob um aspecto modesto, como se</p><p>contava de um soberano de outrora que visitava as aldeias dos seus</p><p>súditos disfarçado de mendigo, sabendo que eles diriam muitas coisas</p><p>a um homem assim, mas cairiam amedrontados diante do seu Rei. Da</p><p>mesma forma, a relva humilde esconde sua glória debaixo de uma</p><p>capa de verde modesto, e os Filhos dos Homens andam sobre ela,</p><p>aram-na, dão-na como alimento aos animais, mas não conhecem quais</p><p>segredos estão escondidos em seu interior, mesmo aqueles segredos da</p><p>vida imortal nos reinos celestiais.”</p><p>“Mas os Filhos da Luz saberão o que está oculto na relva, pois</p><p>foi entregue a eles levar conforto aos Filhos dos Homens. Assim</p><p>também nós somos ensinados pela Mãe Terrena com este punhadinho</p><p>de trigo num pote singelo, o mesmo pote de barro que usais para</p><p>tomar leite e juntar o mel das abelhas. O pote, agora, está cheio com</p><p>terra preta, rica de folhas velhas e úmida pelo orvalho da manhã, o</p><p>dom mais precioso do Anjo da Terra.”</p><p>“E eu umedeci um punhado de trigo, para que o Anjo da Água</p><p>penetrasse nele. O Anjo do Ar também o abraçou, e o Anjo do Sol, e o</p><p>poder dos três anjos despertou também o Anjo da Vida dentro do</p><p>trigo, e em cada grão nasceram broto e raiz.”</p><p>“Então eu coloquei o trigo despertado no solo do Anjo da Terra,</p><p>e o poder da Mãe Terrena e de todos os Seus anjos entraram no trigo,</p><p>e, depois do sol ter se erguido quatro vezes, os grãos tornaram-se</p><p>relva. Em verdade vos digo, não há maior milagre do que este.”</p><p>E os Irmãos olharam com reverência para as tenras folhas de</p><p>relva nas mãos de Jesus, e um deles perguntou-lhe: “Mestre, qual é o</p><p>segredo da relva que tens nas mãos? Em que difere ela da relva que</p><p>recobre as colinas e as montanhas?”</p><p>E Jesus respondeu: “Ela não é diferente, Filho da Luz. Todas as</p><p>relvas, todas as árvores, todas as plantas, em todas as partes do</p><p>mundo, todas são parte do reino da Mãe Terrena. Mas eu separei neste</p><p>pote uma pequena porção do reino de vossa Mãe, para poderdes tocá-</p><p>la com as mãos do espírito, e para que o poder dela possa entrar em</p><p>vosso corpo.”</p><p>“Pois em verdade vos digo, existe uma Corrente Sagrada da</p><p>Vida que deu à luz a Mãe Terrena e a todos os Seus anjos. Essa</p><p>Corrente da Vida é invisível aos olhos dos Filhos dos Homens, pois</p><p>171</p><p>eles caminham na escuridão e não vêem os anjos do dia e da noite que</p><p>os cercam e pairam sobre eles. Mas os Filhos da Luz tem caminhado</p><p>por sete anos com os anjos do dia e da noite, e agora lhes foram</p><p>entregues os segredos da comunhão com os anjos. E os olhos do vosso</p><p>espírito serão abertos, e vereis, ouvireis e tocareis a Corrente da Vida</p><p>que gerou a Mãe Terrena. E vós entrareis na Corrente Sagrada da</p><p>Vida, que vos carregará, com infinita ternura, à vida eterna no reino de</p><p>vosso Pai Celestial.”</p><p>“Como faremos isso, Mestre?”, indagaram alguns, atônitos.</p><p>“Que segredos precisamos conhecer para ver, ouvir e tocar essa</p><p>Corrente Sagrada da Vida?”</p><p>E Jesus não respondeu. Mas colocou suas duas mãos em torno</p><p>das folhas de relva que cresciam no pote, delicadamente, como se</p><p>fosse a testa de uma criancinha. Fechou seus olhos e, ao seu redor,</p><p>ondas de luz cintilavam ao sol, como o calor do verão faz tremer a luz</p><p>debaixo de um céu sem nuvens. E os Irmãos se ajoelharam e</p><p>inclinaram suas cabeças em sinal de reverência diante do poder dos</p><p>anjos, que vertia da figura sentada de Jesus; e ele permaneceu sentado</p><p>em silêncio, com as mãos fechadas, como que em oração, em torno</p><p>das folhas de relva.</p><p>E ninguém sabia se havia se passado uma hora ou um ano, pois</p><p>o tempo parou e era como se toda a criação tivesse prendido sua</p><p>respiração. E Jesus abriu seus olhos, e um aroma de flores encheu o ar</p><p>quando ele falou: “Aqui está o segredo, Filhos da Luz; aqui na relva</p><p>humilde. Aqui está o ponto de encontro da Mãe Terrena e do Pai</p><p>E assim sairá de vós todas as coisas sujas e</p><p>malcheirosas, como a fumaça do fogo que ascende em ondas e se perde no</p><p>oceano do ar. Pois em verdade vos digo, sagrado é o Anjo do Ar, que limpa</p><p>tudo o quanto está impuro e confere a todas as coisas fétidas um odor</p><p>agradável. Nenhum homem pode chegar diante da face de Deus, se o Anjo</p><p>do Ar não lhe deixar passar. Verdadeiramente, tudo deve nascer novamente</p><p>pelo ar e pela verdade, pois vosso corpo respira o ar da Mãe Terrena, e</p><p>vosso espírito respira a verdade do Pai Celestial.”</p><p>“Depois do Anjo do Ar, buscai o Anjo da Água. Retirai vossos</p><p>calçados e vossas roupas e permiti que o Anjo da Água abrace todo vosso</p><p>corpo. Lançai-vos por inteiro em seus braços envolventes, e, com a</p><p>frequência que moveis o ar com vossa respiração, movei também a água</p><p>com vosso corpo. Em verdade vos digo, o Anjo da Água expulsará de</p><p>vosso corpo toda imundície que o profane por fora e por dentro. E todas as</p><p>coisas sujas e malcheirosas fluirão para fora de vós, assim como as</p><p>imundícies das vestimentas lavadas nos rios se vão e se perdem na</p><p>correnteza do rio. Em verdade vos digo, sagrado é o Anjo da Água que</p><p>limpa tudo o quanto está impuro, e confere a todas as coisas fétidas um</p><p>odor agradável. Nenhum homem pode chegar diante da face de Deus, se o</p><p>Anjo da Água não lhe deixar passar. Em verdade, tudo deve nascer</p><p>novamente da água e da verdade, pois vosso corpo se banha no rio da vida</p><p>terrena e vosso espírito se banha no rio da vida eterna. Pois recebeis vosso</p><p>sangue de nossa Mãe Terrena e a verdade de nosso Pai Celestial.”</p><p>“Não penseis que é suficiente que o Anjo da Água vos abrace</p><p>somente por fora. Em verdade vos digo, a imundície interna é muito maior</p><p>que a externa. E aquele que se limpa por fora, permanecendo sujo em seu</p><p>interior, é como as tumbas que são pintadas belamente por fora, mas que</p><p>por dentro estão cheias de todo tipo de imundícies e abominações horríveis.</p><p>Por isso, em verdade vos digo, permiti que o Anjo da Água vos batize</p><p>também por dentro, para que possais vos libertar de todos os vossos antigos</p><p>pecados, e para que internamente, da mesma forma, possais vos tornar tão</p><p>puros quanto a espuma do rio brincando à luz do sol.”</p><p>“Buscai, portanto, uma grande cabaça com um talo do comprimento</p><p>de um homem; retirai seu interior e enchei com a água do rio acalentada</p><p>pelo sol. Pendurai em um galho de árvore e ajoelhai-vos no solo diante do</p><p>Anjo da Água, e fazei com que o extremo do talo da cabaça penetre em</p><p>vossas partes ocultas, para que a água flua através de vossos intestinos. Em</p><p>seguida, permanecei de joelhos no solo diante do Anjo da Água e orai ao</p><p>17</p><p>Deus Vivo para que Ele perdoe todos os vossos antigos pecados, e orai ao</p><p>Anjo da Água para que ele liberte vosso corpo de toda imundície e</p><p>enfermidade. Deixai então que a água saia de vosso corpo, para que possa</p><p>levar para fora de vosso interior todas as coisas sujas e fétidas de Satã. E</p><p>vereis com vossos olhos e cheirareis com vossos narizes todas as</p><p>abominações e imundícies que profanavam o templo do vosso corpo; bem</p><p>como todos os pecados que residiam em vosso corpo, atormentando-vos</p><p>com todo tipo de dores. Em verdade vos digo, o batismo com água vos</p><p>liberta de tudo isto. Renovai vosso batismo com água em cada dia de vosso</p><p>jejum, até o dia em que vejais que a água que expulsais de vós é tão pura</p><p>quanto a espuma do rio. Entregai então vosso corpo ao rio que corre e,</p><p>estando nos braços do Anjo da Água, dai graças ao Deus Vivo por vos</p><p>haver libertado de vossos pecados. E este batismo sagrado pelo Anjo da</p><p>Água é o renascimento para a nova vida. Pois vossos olhos verão, a partir</p><p>de então, e vossos ouvidos escutarão. Não pequeis mais, portanto, após o</p><p>vosso batismo, para que os anjos do ar e da água possam eternamente</p><p>habitar em vós e servir-vos para sempre.”</p><p>“E se depois ainda permanecer dentro de vós algo de vossos antigos</p><p>pecados e imundícies, buscai ao Anjo da Luz do Sol. Retirai vossos</p><p>calçados e vossas roupas e permiti que o Anjo da Luz do Sol abrace todo</p><p>vosso corpo. Respirai então longa e profundamente para que o Anjo da Luz</p><p>do Sol vos penetre. E o Anjo da Luz do Sol expulsará de vosso corpo todas</p><p>as coisas fétidas e sujas que o profanem por fora e por dentro. E todas as</p><p>coisas impuras e malcheirosas sairão de vós, assim como a escuridão da</p><p>noite se dissipa diante do brilho do sol nascente. Pois, em verdade vos digo,</p><p>sagrado é o Anjo da Luz do Sol, quem limpa toda imundície e confere a</p><p>todas as coisas fétidas um odor agradável. Ninguém pode chegar diante da</p><p>face de Deus, se o Anjo da Luz do Sol não lhe deixar passar. Em verdade,</p><p>tudo deve nascer novamente do sol e da verdade, pois vosso corpo se</p><p>aquece na luz do sol da Mãe Terrena, e vosso espírito se aquece na luz do</p><p>sol da verdade do Pai Celestial.”</p><p>“Os anjos do ar, da água e da luz do sol são irmãos. Eles foram</p><p>entregues ao Filho do Homem para que possam servi-lo e para que ele</p><p>possa ir sempre de um a outro.”</p><p>“Sagrado, da mesma forma, é o abraço deles. Eles são filhos</p><p>indivisíveis da Mãe Terrena, assim não separeis aqueles a quem a terra e o</p><p>céu uniram. Deixai que esses três anjos irmãos vos envolvam todos os dias</p><p>e habitem convosco durante todo vosso jejum.”</p><p>18</p><p>“Pois em verdade vos digo, o poder dos demônios, todos os pecados</p><p>e as imundícies partirão rapidamente do corpo que é abraçado por estes três</p><p>anjos. Como os ladrões fogem de uma casa abandonada ao chegar o senhor</p><p>da casa, um pela porta, outro pela janela e o terceiro pelo telhado, cada um</p><p>onde se encontra e por onde pode, da mesma forma, fugirão de vossos</p><p>corpos todos os demônios do mal, todos os antigos pecados e todas as</p><p>imundícies e as enfermidades que profanavam o templo de vossos corpos.</p><p>Quando os anjos da Mãe Terrena entrarem em vossos corpos, de modo que</p><p>os senhores do templo tomem posse novamente dele, então partirão</p><p>rapidamente todos os maus odores através de vossa respiração e de vossa</p><p>pele, e as águas corrompidas através de vossa boca, de vossa pele e de</p><p>vossas partes ocultas e íntimas. E todas essas coisas vereis com vossos</p><p>olhos, cheirareis com vossos narizes e tocareis com vossas mãos. E quando</p><p>todos os pecados e as imundícies tiverem abandonado vosso corpo, vosso</p><p>sangue se tornará tão puro quanto o sangue de nossa Mãe Terrena e quanto</p><p>a espuma do rio brincando à luz do sol. E vosso alento se tornará tão puro</p><p>quanto o alento das flores perfumadas; vossa carne, tão pura quanto a carne</p><p>dos frutos corando sobre as folhas das árvores; a luz de vossos olhos, tão</p><p>clara e luminosa quanto o brilho do sol que resplandece sobre o céu azul. E</p><p>então todos os anjos da Mãe Terrena vos servirão. E vossa respiração,</p><p>vosso sangue e vossa carne serão um com a respiração, com o sangue e</p><p>com a carne da Mãe Terrena, para que vosso espírito também possa se</p><p>tornar um com o espírito de vosso Pai Celestial. Pois, em verdade, ninguém</p><p>pode alcançar o Pai Celestial a não ser através da Mãe Terrena. Assim</p><p>como um bebê recém-nascido não pode entender os ensinamentos de seu</p><p>pai até que sua mãe o tenha amamentado, banhado, cuidado, posto para</p><p>dormir e alimentado. Enquanto a criança ainda é pequena, seu lugar é junto</p><p>à sua mãe e a ela deve obedecer. Quando a criança já está crescida, seu pai</p><p>a leva para trabalhar ao seu lado no campo, e a criança regressa para junto</p><p>de sua mãe somente quando chega a hora do jantar e da ceia. E então seu</p><p>pai a instrui, para que possa se tornar hábil nas obras de seu pai. E quando o</p><p>pai vê que seu filho entende seu ensinamento e faz bem seu trabalho, lhe dá</p><p>todas as suas posses, para que elas pertençam a seu amado filho e para que</p><p>o filho continue a obra de seu pai. Em verdade vos digo, feliz é o filho que</p><p>aceita o conselho de sua mãe e segue por ele. E cem vezes mais feliz é o</p><p>filho que aceita e segue também pelo conselho de seu pai, pois vos foi dito:</p><p>‘Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias possam ser longos por esta</p><p>terra’. Mas eu vos digo, Filhos do Homem: Honrai</p><p>Celestial; aqui está a Corrente da Vida que deu à luz a toda a criação;</p><p>em verdade vos digo, somente ao Filho do Homem é dado ver, ouvir e</p><p>tocar a Corrente da Vida que flui entre os Reinos Terreno e Celestial.</p><p>Colocai vossas mãos em torno da tenra relva do Anjo da Terra e</p><p>vereis, ouvireis e tocareis o poder de todos os anjos.”</p><p>E, um a um, cada um dos Irmãos sentou-se com reverência</p><p>diante do poder dos anjos, segurando em suas mãos a tenra relva. E</p><p>cada um sentiu a Corrente da Vida entrar em seu corpo com a força de</p><p>uma correnteza após uma tempestade de primavera. E o poder dos</p><p>anjos fluiu em suas mãos, até os seus braços, e sacudiu-os</p><p>poderosamente, assim como o vento do norte sacode os galhos das</p><p>árvores. E todos admiraram-se com o poder da relva humilde, capaz</p><p>172</p><p>de conter todos os anjos e os reinos da Mãe Terrena e do Pai Celestial.</p><p>E sentaram-se diante de Jesus e foram ensinados por ele.</p><p>E Jesus disse: “Contemplai, Filhos da Luz, a modesta relva.</p><p>Vede dentro do que estão contidos todos os anjos da Mãe Terrena e do</p><p>Pai Celestial. Pois agora entrastes na Corrente da Vida, e suas</p><p>correntes vos carregarão em tempo para a vida imortal no reino de</p><p>vosso Pai Celestial.”</p><p>“Pois na relva estão todos os anjos. Aqui está o Anjo do Sol, no</p><p>brilho da cor verde das folhas de trigo. Pois ninguém pode olhar para</p><p>o sol quando ele está alto nos céus, pois os olhos do Filho do Homem</p><p>são ofuscados pela sua luz radiante. E é por isso que o Anjo do Sol</p><p>torna verde tudo aquilo que ele dá vida, para que o Filho do Homem</p><p>possa olhar para os muitos e variados tons de verde e neles encontrar</p><p>força e conforto. Em verdade vos digo, tudo o que é verde e com vida</p><p>tem o poder do Anjo do Sol dentro de si, incluindo essas tenras folhas</p><p>de trigo novo.”</p><p>“E assim o Anjo da Água abençoa a relva, pois em verdade vos</p><p>digo, há mais do Anjo da Água dentro da relva do que de qualquer</p><p>outro anjo da Mãe Terrena. Pois se esmagardes a relva com as mãos,</p><p>sentireis a água da vida, que é o sangue da Mãe Terrena. E, todos os</p><p>dias em que tocardes a relva e entrardes na Corrente da Vida, dai ao</p><p>solo umas poucas gotas de água, para que a relva possa ser renovada</p><p>pelo poder do Anjo da Água.”</p><p>“Sabei também que o Anjo do Ar está dentro da relva, pois tudo</p><p>o que está vivo e verde é o lar do Anjo do Ar. Colocai o vosso rosto</p><p>perto da relva, respirai profundamente e deixai o Anjo do Ar entrar</p><p>fundo no interior do vosso corpo. Pois ele habita na relva, como o</p><p>carvalho habita na glande, e como o peixe habita no mar.”</p><p>“O Anjo da Terra é o que dá à luz a relva, e como o bebê no</p><p>útero vive da alimentação de sua mãe, assim também a terra dá de si</p><p>própria ao grão do trigo, fazendo-o brotar para abraçar o Anjo do Ar.</p><p>Em verdade vos digo, cada grão de trigo que irrompe para cima na</p><p>direção do céu, é uma vitória sobre a morte, onde reina Satã. Pois a</p><p>Vida sempre recomeça.”</p><p>“É o Anjo da Vida quem flui através das folhas da relva para o</p><p>corpo do Filho da Luz, sacudindo-o com o seu poder. Pois a relva é</p><p>Vida e o Filho da Luz é Vida, e a Vida flui entre o Filho da Luz e as</p><p>173</p><p>folhas da relva, fazendo uma ponte para a Corrente Sagrada da Vida,</p><p>que deu origem a toda a criação.”</p><p>“E quando o Filho da Luz segura entre as mãos as folhas da</p><p>relva, é o Anjo da Alegria que enche seu corpo com música. Entrar na</p><p>Corrente da Vida é ser um com o canto do pássaro, as cores das flores</p><p>silvestres, o cheiro dos feixes de grãos, recém devolvidos aos campos.</p><p>Em verdade vos digo, quando o Filho do Homem não sente alegria no</p><p>seu coração, ele trabalha para Satã e traz esperança aos filhos das</p><p>trevas. Não há tristeza no reino da Luz, apenas o Anjo da Alegria.</p><p>Aprendei, portanto, com as tenras folhas da relva, o canto do Anjo da</p><p>Alegria, para que os Filhos da Luz possam caminhar sempre com ele,</p><p>e então confortar os corações dos Filhos dos Homens.”</p><p>“A Mãe Terrena é quem provê a subsistência para nossos</p><p>corpos, pois nascemos d’Ela e n’Ela temos a nossa vida. Assim Ela</p><p>provê para nós alimento nas mesmas folhas de relva que tocamos com</p><p>nossas mãos. Pois em verdade vos digo, não é apenas como pão que o</p><p>trigo pode nos alimentar. Podemos comer também das tenras folhas da</p><p>relva, para que a força da Mãe Terrena possa entrar em nós. Contudo,</p><p>mastigai bem as folhas, pois os dentes do Filho do Homem são</p><p>diferentes dos dentes dos animais, e somente quando mastigamos bem</p><p>as folhas da relva o Anjo da Água entra em nosso sangue e dá-nos</p><p>força. Comei, pois, Filhos da Luz, da erva mais perfeita da mesa de</p><p>nossa Mãe Terrena, para que os vossos dias sejam longos sobre a</p><p>terra, pois assim encontrareis graça aos olhos de Deus.”</p><p>“Em verdade vos digo, o Anjo do Poder entra em vós quando</p><p>tocais a Corrente da Vida por intermédio das folhas da relva. Pois o</p><p>Anjo do Poder é como uma luz brilhante que envolve todas as coisas</p><p>vivas, assim como a lua cheia é rodeada de anéis de resplendor, e</p><p>como a névoa sobe dos campos quando o sol se ergue no céu. E o</p><p>Anjo do Poder entra no Filho da Luz quando seu coração é puro e seu</p><p>desejo é apenas confortar e ensinar os Filhos dos Homens. Tocai, pois,</p><p>as folhas da relva, e senti o Anjo do Poder entrar pela ponta de vossos</p><p>dedos, fluir, subindo pelo vosso corpo, e sacudir-vos, até tremerdes</p><p>com admiração e reverência.”</p><p>“Sabei também que o Anjo do Amor está presente nas folhas da</p><p>relva, pois o amor está no doar, e grande é o amor dado aos Filhos da</p><p>Luz pelas tenras folhas da relva. Pois em verdade vos digo, a Corrente</p><p>174</p><p>da Vida corre através de todas as coisas vivas, e tudo o que vive se</p><p>banha na Corrente Sagrada da Vida. E quando o Filho da Luz toca</p><p>com amor as folhas da relva, as folhas da relva lhe retribuem seu amor</p><p>e conduzem-no à Corrente da Vida, onde ele encontra a vida eterna. E</p><p>esse amor nunca se esgota, pois a sua fonte está na Corrente da Vida,</p><p>que flui para o Mar Eterno, e não importa o quanto o Filho do Homem</p><p>tenha se distanciado de sua Mãe Terrena e de seu Pai Celestial, o</p><p>contato com as folhas da relva sempre trará uma mensagem do Anjo</p><p>do Amor; e seus pés se banharão novamente na Corrente Sagrada da</p><p>Vida.”</p><p>“Eis que é o Anjo da Sabedoria que governa o movimento dos</p><p>planetas, o ciclo das estações e o crescimento ordenado de todas as</p><p>coisas vivas. Assim o Anjo da Sabedoria ordena a comunhão dos</p><p>Filhos da Luz com a Corrente da Vida, por intermédio das tenras</p><p>folhas da relva. Pois em verdade vos digo, vosso corpo é santo porque</p><p>se banha na Corrente da Vida, que é a Ordem Eterna.”</p><p>“Tocai as folhas da relva, Filhos da Luz, e tocai o Anjo da Vida</p><p>Eterna. Pois, se olhardes com os olhos do espírito, vereis</p><p>verdadeiramente que a relva é eterna. Agora ela é jovem e tenra, com</p><p>o brilho de uma bebê recém-nascido. Logo ela será alta e graciosa,</p><p>como a árvore nova com seus primeiros frutos. Em seguida, ela</p><p>amarelará com a idade, e inclinará sua cabeça com paciência, como o</p><p>campo depois da colheita. Finalmente, ela murchará, pois o pequeno</p><p>pote de barro não pode conter todo o período de vida do trigo. Mas ela</p><p>não morre, pois as folhas marrons voltarão para o Anjo da Terra, e ele</p><p>a mantém em seus braços e a faz dormir, e todos os anjos trabalham</p><p>nas folhas murchas, e eis que elas se modificam e não morrem, mas</p><p>erguem-se novamente em uma outra forma. E, assim, os Filhos da Luz</p><p>nunca vêem a morte, mas encontram-se alterados e ressurgidos à vida</p><p>eterna.”</p><p>“E assim o Anjo do Trabalho nunca dorme, mas penetra as</p><p>raízes do trigo profundamente no seio do Anjo da Terra, para que os</p><p>rebentos de verde tenro possam superar a morte e o reinado de Satã.</p><p>Pois vida é movimento, e o Anjo do Trabalho nunca pára, trabalha</p><p>sem cessar no vinhedo do Senhor. Fechai os olhos quando tocardes a</p><p>relva, Filhos da Luz, mas não adormeçais, pois tocar a Corrente da</p><p>Vida é tocar o ritmo eterno dos reinos imortais, e banhar-se na</p><p>175</p><p>Corrente da Vida é sentir, cada vez mais, o poder do Anjo do Trabalho</p><p>dentro de vós, criando na terra o reino do Céu.”</p><p>“A Paz é a dádiva da Corrente da Vida aos Filhos da Luz. Por</p><p>isso nós sempre nos saudamos uns aos outros dizendo: ‘A Paz esteja</p><p>convosco’. Assim mesmo a relva saúda vosso corpo com o beijo da</p><p>Paz. Em verdade vos digo, a paz não é somente a ausência de guerra,</p><p>pois muito rapidamente pode o rio pacífico transformar-se em torrente</p><p>veloz, e as mesmas ondas que embalam o barco podem, num instante,</p><p>despedaçá-lo de encontro às rochas. Assim a violência jaz à espera dos</p><p>Filhos do Homem, quando eles não mantém a vigília da Paz. Tocai as</p><p>folhas da relva, e desse modo tocai a Corrente da Vida. Nisso</p><p>encontrareis a Paz, a Paz construída com o poder de todos os anjos. E,</p><p>assim, com essa Paz, os raios da Luz Sagrada expelirão toda a</p><p>escuridão.”</p><p>“Quando os Filhos da Luz são um com a Corrente da Vida, o</p><p>poder das folhas da relva os conduz ao reino imortal do Pai Celestial.</p><p>E sabereis mais a respeito desses mistérios, que ainda não é o</p><p>momento para vós ouvirdes. Pois existem outras Correntes Sagradas</p><p>nos reinos imortais; em verdade vos digo, os reinos celestiais são</p><p>cruzados e recruzados por correntes de luz dourada, que formam arcos</p><p>muito além da abóbada do céu e não têm fim. E os Filhos da Luz</p><p>viajarão por essas correntes para sempre, sem conhecer a morte,</p><p>guiados pelo amor eterno do Pai Celestial. E em verdade vos digo,</p><p>todos esses mistérios estão contidos na modesta relva, quando a tocais</p><p>com ternura e abris vosso coração para o Anjo da Vida internamente.”</p><p>“Juntai, portanto, os grãos de trigo e plantai-os em pequenos</p><p>potes de barro; e, todos os dias, com o coração alegre, comungai com</p><p>os anjos, para que eles possam guiar-vos à Corrente Sagrada da Vida,</p><p>e vós possais trazer de volta de sua fonte eterna o conforto e a força</p><p>para os Filhos dos Homens. Pois em verdade vos digo, tudo o que vós</p><p>aprendeis, tudo o que os olhos do vosso espírito vêem, tudo o que os</p><p>ouvidos do vosso espírito ouvem, tudo isso é como uma cana oca no</p><p>vento se não enviardes uma mensagem de verdade e luz aos Filhos dos</p><p>Homens. Pois pelo fruto conhecemos o valor da árvore. E amar é um</p><p>ensinar sem fim, sem cessar. Pois assim foram vossos pais ensinados</p><p>outrora, até mesmo nosso pai Enoque. Ide agora e que a paz esteja</p><p>convosco.”</p><p>176</p><p>E Jesus mostrou o pequeno pote com as folhas de relva nova,</p><p>como num gesto de bênção, aos Irmãos e caminhou em direção às</p><p>colinas ensolaradas, ao longo da margem do rio, como era costume de</p><p>todos os Irmãos. E os outros o seguiram, cada um guardando em si as</p><p>palavras de Jesus, como se fossem uma jóia preciosa dentro de seu</p><p>peito.</p><p>177</p><p>A PAZ SÉTUPLA</p><p>“A paz esteja convosco”, disse o Ancião saudando os Irmãos</p><p>reunidos para ouvir-lhe os ensinamentos.</p><p>“A paz esteja contigo”, responderam eles; e caminharam juntos</p><p>ao longo da margem do rio, pois assim era o costume quando um</p><p>Ancião ensinava os Irmãos, para que eles pudessem partilhar os</p><p>ensinamentos com os anjos da Mãe Terrena: do ar, do sol, da água, da</p><p>terra, da vida e da alegria.</p><p>E o Ancião disse aos Irmãos: “Eu queria falar-vos hoje da paz,</p><p>pois de todos os anjos do Pai Celestial o da paz é aquele pelo qual o</p><p>mundo mais almeja, como um bebê cansado anseia colocar sua cabeça</p><p>no seio de sua mãe. É a ausência de paz que perturba os reinos,</p><p>mesmo quando não estão em guerra. Pois a violência e a guerra podem</p><p>imperar em um reino mesmo quando não se ouve o tinir das batidas</p><p>das espadas. Embora os exércitos não marchem uns contra os outros,</p><p>ainda assim não há paz quando os Filhos dos Homens não caminham</p><p>com os anjos de Deus. Em verdade vos digo, muitos são os que não</p><p>conhecem a paz; pois estão em guerra com seu próprio corpo; estão</p><p>em guerra com os seus pensamentos; não têm paz com seus pais, suas</p><p>mães, seus filhos; não têm paz com os amigos e vizinhos; não</p><p>conhecem a beleza dos Manuscritos Sagrados; não trabalham durante</p><p>o dia no reino de sua Mãe Terrena; tampouco dormem à noite nos</p><p>braços do seu Pai Celestial. A Paz não reina dentro deles, pois estão</p><p>sempre sedentos daquilo que no fim só traz miséria e sofrimento, até</p><p>mesmo daqueles ornamentos de riquezas e fama que Satã se utiliza</p><p>para tentar os Filhos dos Homens; e vivem na ignorância da Lei,</p><p>mesmo da Lei Sagrada segundo a qual vivemos: o caminho dos anjos</p><p>da Mãe Terrena e do Pai Celestial.”</p><p>“Como, então, podemos levar a paz a nossos irmãos, Mestre?”</p><p>perguntaram alguns ao Ancião, “pois desejaríamos que todos os Filhos</p><p>dos Homens compartilhassem das bênçãos do Anjo da Paz”.</p><p>E ele respondeu: “Em verdade, somente aquele que está em paz</p><p>com todos os anjos pode derramar a luz da paz sobre outros. Portanto,</p><p>em primeiro lugar, estai em paz com todos os anjos da Mãe Terrena e</p><p>do Pai Celestial. Pois os ventos de um temporal agitam e perturbam as</p><p>178</p><p>águas do rio, e somente o silêncio que se segue pode serená-las outra</p><p>vez. Quando vosso irmão vos pedir pão, cuidai de não lhe dar pedras.</p><p>Vivei primeiro em paz com todos os anjos, pois então vossa paz será</p><p>como uma fonte que se reabastece ao doar, e quanto mais doardes</p><p>tanto mais vos será doado, pois essa é a Lei.”</p><p>“Três são as moradas do Filho do Homem, e ninguém pode</p><p>chegar perante a presença de Deus sem que conheça o Anjo da Paz em</p><p>cada uma das três. Estas são o seu corpo, os seus pensamentos e os</p><p>seus sentimentos. Quando o Anjo da Sabedoria guia os seus</p><p>pensamentos, quando o Anjo do Amor purifica os seus sentimentos e</p><p>quando os atos do seu corpo refletem tanto o amor quanto a sabedoria,</p><p>então o Anjo da Paz o guia, infalivelmente, ao trono de seu Pai</p><p>Celestial. E ele deve rezar sem cessar para que o poder de Satã com</p><p>todas as suas moléstias e impurezas seja expulso de todas as suas três</p><p>moradas; para que o Poder, a Sabedoria e o Amor reinem no seu</p><p>corpo, nos seus pensamentos e nos seus sentimentos.”</p><p>“Primeiro que tudo o Filho do Homem procurará a paz com seu</p><p>próprio corpo; pois o seu corpo é como o lago de uma montanha que</p><p>reflete o sol quando está parado e claro; mas quando se enche de lodo</p><p>e pedras, não reflete coisa alguma. É preciso, primeiro, que Satã seja</p><p>expelido do corpo, para que os anjos de Deus possam entrar</p><p>novamente e habitar dentro dele. Em verdade, nenhuma paz pode</p><p>reinar em um corpo ao menos que ele seja um templo da Lei Sagrada.</p><p>Portanto, quando aquele que padece com sofrimentos e tormentos</p><p>atrozes pedir a vossa ajuda, dizei-lhe que se renove com jejum e</p><p>orações. Dizei-lhe que invoque o Anjo do Sol, o Anjo da Água e o</p><p>Anjo do Ar, para que eles possam entrar em seu corpo e expulsar dele</p><p>o poder de Satã. Mostrai-lhe o batismo interno e o batismo externo.</p><p>Dizei-lhe sempre que coma da mesa de nossa Mãe Terrena, repleta de</p><p>seus dons: os frutos das árvores, a relva dos campos, o leite dos</p><p>animais bom para consumo e o mel das abelhas. Que ele não invoque</p><p>o poder de Satã comendo a carne dos animais, pois quem mata, mata</p><p>seu irmão, e quem come a carne de animais mortos, come o corpo da</p><p>morte. Dizei-lhe que prepare seus alimentos com o fogo da vida e não</p><p>com o fogo da morte, pois os anjos vivos do Deus Vivo só servem a</p><p>homens vivos.”</p><p>“E, embora ele não os veja, não os escute e não os toque, ele</p><p>179</p><p>está, a todo o momento, cercado pelo poder dos anjos de Deus.</p><p>Enquanto seus olhos e seus ouvidos estiverem fechados pela</p><p>ignorância da Lei e sedentos pelos prazeres de Satã, ele não os verá,</p><p>não os ouvirá e não os tocará. Porém, quando ele jejuar e orar ao Deus</p><p>Vivo para expulsar todas as moléstias e impurezas de Satã, então seus</p><p>olhos e seus ouvidos se abrirão, e ele encontrará a paz.”</p><p>“Pois não somente sofre o que abriga em si as moléstias de</p><p>Satã, como também sofrem sua mãe, seu pai, sua esposa, seus filhos e</p><p>seus companheiros, pois nenhum homem é uma ilha em si mesmo, e</p><p>os poderes que fluem por ele, seja dos anjos seja de Satã, em verdade,</p><p>fluem para os outros para o bem ou para o mal.”</p><p>“Dessa maneira, portanto, orai para o vosso Pai Celestial quando</p><p>o</p><p>sol estiver no alto ao meio-dia: ‘Pai nosso, que estás no céu, envia a</p><p>todos os Filhos dos Homens o Teu Anjo da Paz; e envia ao nosso</p><p>corpo o Anjo da Vida, para habitar nele para sempre!’”</p><p>“Então o Filho do Homem buscará a paz com os seus próprios</p><p>pensamentos; que o Anjo da Sabedoria possa guiá-lo. Pois em verdade</p><p>vos digo, não há maior poder no céu e na terra do que os pensamentos</p><p>do Filho do Homem. Embora invisível aos olhos do corpo, cada</p><p>pensamento tem uma poderosa força, uma força capaz de sacudir os</p><p>céus.”</p><p>“Pois a nenhuma outra criatura do reino da Mãe Terrena é dado</p><p>o poder do pensamento, pois os animais que rastejam e as aves que</p><p>voam não vivem do seu próprio pensamento, mas da Lei que a todos</p><p>governa. Somente aos Filhos dos Homens foi concedido o poder do</p><p>pensamento, incluindo o pensamento que pode romper os laços da</p><p>morte. Não penseis que, por não poder ser visto, o pensamento não</p><p>tenha poder. Em verdade vos digo, o raio que fende o carvalho</p><p>poderoso, ou o terremoto que abre rachaduras na terra, são brincadeiras</p><p>de crianças comparados ao poder do pensamento. Na verdade, cada</p><p>pensamento de treva, seja de maldade, raiva ou vingança, provoca</p><p>destruição semelhante à do fogo que se alastra por gravetos secos sob</p><p>um céu sem vento. Mas o homem não vê o massacre, nem ouve os</p><p>gritos lastimosos de suas vítimas, pois está cego para o mundo do</p><p>espírito.”</p><p>“Mas quando esse poder é guiado pela santa Sabedoria, então os</p><p>pensamentos do Filho do Homem conduzem-no aos reinos celestiais e</p><p>180</p><p>dessa maneira se constrói o paraíso na terra; então é que vossos</p><p>pensamentos elevam as almas dos homens, como as águas frias de um</p><p>córrego reanimam vossos corpos no calor do verão.”</p><p>“Quando o passarinho que acaba de empenar-se tenta o</p><p>primeiro vôo, suas asas não podem sustentá-lo, e ele cai repetidas</p><p>vezes no chão. Mas ele torna a tentar e, um dia, ele voa bem alto,</p><p>deixando a terra e o ninho para trás. O mesmo acontece com os</p><p>pensamentos dos Filhos dos Homens. Quanto mais eles caminham</p><p>com os anjos e mantém sua Lei, tanto mais fortes se tornam seus</p><p>pensamentos na santa Sabedoria. E, em verdade vos digo, dia virá em</p><p>que os seus pensamentos superarão até o reino da morte e subirão à</p><p>vida imortal nos reinos celestiais; pois, com seus pensamentos guiados</p><p>pela santa Sabedoria, os Filhos dos Homens constroem uma ponte de</p><p>luz pela qual chegam a Deus.”</p><p>“Dessa maneira, portanto, orai para o vosso Pai Celestial quando</p><p>o sol estiver no alto ao meio-dia: ‘Pai nosso, que estás no céu, envia a</p><p>todos os Filhos dos Homens o Teu Anjo da Paz; e envia aos nossos</p><p>pensamentos o Anjo do Poder, para que possamos romper os laços da</p><p>morte.’”</p><p>“Então o Filho do Homem buscará a paz com os seus próprios</p><p>sentimentos; para que sua família possa se alegrar com a sua afetuosa</p><p>bondade, incluindo seu pai, sua mãe, sua esposa, seus filhos e os filhos</p><p>de seus filhos. Pois o Pai Celestial é cem vezes maior do que todos os</p><p>pais pela semente e pelo sangue, e a Mãe Terrena é cem vezes maior</p><p>do que todas as mães pelo corpo, e vossos irmãos verdadeiros são</p><p>todos aqueles que fazem a vontade de vosso Pai Celestial e de vossa</p><p>Mãe Terrena, e não vossos irmãos pelo sangue. Mesmo assim, vereis o</p><p>Pai Celestial em vosso pai pela semente, e vossa Mãe Terrena em</p><p>vossa mãe pelo corpo, pois não são eles também filhos do Pai</p><p>Celestial e da Mãe Terrena? Mesmo assim, amareis vossos irmãos</p><p>pelo sangue como amais os vossos verdadeiros irmãos que caminham</p><p>com os anjos, pois não são eles também filhos do Pai Celestial e da</p><p>Mãe Terrena? Em verdade vos digo, é mais fácil amar os que recém</p><p>encontramos do que os de nossa própria casa, que conhecem nossas</p><p>fraquezas, ouviram nossas palavras de cólera e nos viram em nossa</p><p>nudez, pois eles nos conhecem como nós nos conhecemos, e isso nos</p><p>deixa envergonhados. Chamaremos, então, o Anjo do Amor para entrar</p><p>181</p><p>em nossos sentimentos, para que eles sejam purificados. E tudo o que</p><p>antes era impaciência e discórdia se transformará em harmonia e paz,</p><p>como o solo ressequido bebe a chuva mansa e passa a ser verde, suave</p><p>e tenro com sua nova vida.”</p><p>“Pois muitos e dolorosos são os sofrimentos dos Filhos dos</p><p>Homens quando não abrem caminho para o Anjo do Amor. Em</p><p>verdade, um homem sem amor lança uma sombra escura em todas as</p><p>pessoas que encontra, principalmente naquelas com as quais ele vive;</p><p>suas palavras ásperas e iradas caem sobre seus irmãos como o ar</p><p>fétido que exala de uma poça de água estagnada. E sofre mais o que as</p><p>profere, pois a treva que o envolve é um convite a Satã e seus</p><p>demônios.”</p><p>“Todavia, quando ele chama o Anjo do Amor, a treva é</p><p>dissipada, a luz do sol flui dele, as cores do arco-íris giram ao redor da</p><p>sua cabeça, uma chuva suave cai dos seus dedos e ele traz paz e força</p><p>a todos aqueles que se aproximam dele.”</p><p>“Dessa maneira, portanto, orai para o vosso Pai Celestial quando</p><p>o sol estiver no alto ao meio-dia: ‘Pai nosso, que estás no céu, envia a</p><p>todos os Filhos dos Homens o Teu Anjo da Paz; e envia aos da nossa</p><p>semente e do nosso sangue o Anjo do Amor, para que a paz e a</p><p>harmonia possam habitar em nossa casa para sempre.’”</p><p>“O Filho do Homem buscará, então, a paz com outros Filhos</p><p>dos Homens, até mesmo com os fariseus e os sacerdotes, os mendigos</p><p>e os desabrigados, os reis e os governantes. Pois todos são Filhos dos</p><p>Homens, seja qual for a sua posição, seja qual for a sua vocação, quer</p><p>seus olhos tenham sido abertos para ver os reinos celestiais, quer</p><p>continuem eles a andar no escuro e na ignorância.”</p><p>“Pois a justiça dos homens pode recompensar os indignos e</p><p>punir os inocentes, mas a Lei Sagrada é a mesma para todos, sejam</p><p>mendigos ou reis, pastores ou sacerdotes.”</p><p>“Buscai a paz com todos os Filhos dos Homens e deixai chegar</p><p>aos Irmãos de Luz o conhecimento de que nós temos vivido segundo a</p><p>Lei Sagrada desde o tempo de Enoque de outrora e antes dele. Pois</p><p>não somos ricos nem pobres. E compartilhamos todas as coisas,</p><p>mesmo as vestimentas e as ferramentas que usamos para cultivar o</p><p>solo. E juntos trabalhamos nos campos com todos os anjos,</p><p>produzindo as dádivas da Mãe Terrena para todos comerem.”</p><p>182</p><p>“Pois o mais forte dos anjos do Pai Celestial, o Anjo do</p><p>Trabalho, abençoa todo homem que trabalha da melhor maneira para</p><p>ele, pois desse jeito não conhecerá escassez nem excesso. Em verdade,</p><p>há abundância para todos os homens nos reinos da Mãe Terrena e do</p><p>Pai Celestial quando cada homem trabalha em sua tarefa; e quando um</p><p>homem foge da sua tarefa, outro precisa assumi-la, pois nos são dadas</p><p>todas as coisas nos reinos do céu e da terra ao preço do trabalho.”</p><p>“Os Irmãos da Luz sempre viveram onde se alegram os anjos da</p><p>Mãe Terrena: perto de rios, de árvores, de flores, da música dos</p><p>pássaros; onde o sol e a chuva podem abraçar o corpo, que é o templo</p><p>do espírito. Também não temos dever para com os decretos dos</p><p>governantes; tampouco mantemo-los, visto que a nossa lei é a Lei do</p><p>Pai Celestial e da Mãe Terrena; tampouco nos opomos a eles, pois</p><p>ninguém governa senão pela vontade de Deus. Em vez disso, nos</p><p>esforçamos por viver de acordo com a Lei Sagrada e reforçamos</p><p>sempre o que é bom em todas as coisas; então o reino da treva será</p><p>transformado em reino da luz; pois onde há luz, como pode subsistir a</p><p>escuridão?”</p><p>“Dessa maneira, portanto, orai para o vosso Pai Celestial quando</p><p>o sol estiver no alto ao meio-dia: ‘Pai nosso, que estás no céu, envia a</p><p>todos os Filhos dos Homens o Teu Anjo da Paz; e envia a toda a</p><p>humanidade o Anjo do Trabalho, para que, tendo uma tarefa sagrada,</p><p>não peçamos por nenhuma outra bênção.’”</p><p>“O Filho do Homem buscará, então, a paz com o conhecimento</p><p>dos tempos passados; pois em verdade vos digo, nos Manuscritos</p><p>Sagrados há um tesouro cem vezes maior do que qualquer uma das</p><p>jóias e do ouro do mais rico dos reinos e mais precioso, pois eles</p><p>contêm seguramente toda a sabedoria revelada por Deus aos Filhos da</p><p>Luz, incluindo as tradições que chegaram a nós através</p><p>do antigo</p><p>Enoque e, antes dele, em um caminho sem fim ao passado, os</p><p>ensinamentos dos Grandes. E estes são a nossa herança, assim como o</p><p>filho herda todas as propriedades do pai quando se mostra digno da</p><p>bênção paterna. Em verdade, estudando os ensinamentos da sabedoria</p><p>imortal, chegamos a conhecer Deus, pois em verdade vos digo, os</p><p>Grandes viam Deus face a face; assim mesmo, quando lemos os</p><p>Manuscritos Sagrados, tocamos os pés de Deus.”</p><p>“E quando vermos com os olhos da sabedoria e ouvirmos com</p><p>183</p><p>os ouvidos do entendimento as verdades imortais dos Manuscritos</p><p>Sagrados, temos de ir para o meio dos Filhos dos Homens e ensiná-</p><p>los, pois se escondermos ciosamente o santo conhecimento, alegando</p><p>que ele pertence unicamente a nós, seremos como aquele que encontra</p><p>uma fonte no alto das montanhas e, em vez de deixá-la escorrer para o</p><p>vale, a fim de saciar a sede do homem e do animal, enterra-a debaixo</p><p>de rochas e terra, privando-se também de água como aos outros. Ide</p><p>para junto dos Filhos dos Homens e falai-lhes da Lei Sagrada, para</p><p>que eles possam, por esse meio, salvar-se e entrar nos reinos celestiais.</p><p>Falai-lhes, contudo, com palavras que eles compreendam, em</p><p>parábolas da natureza, que falam ao coração, pois a ação precisa</p><p>primeiro viver como desejo no coração despertado.”</p><p>“Dessa maneira, portanto, orai para o vosso Pai Celestial quando</p><p>o sol estiver no alto ao meio-dia: ‘Pai nosso, que estás no céu, envia a</p><p>todos os Filhos dos Homens o Teu Anjo da Paz; e envia ao nosso</p><p>conhecimento o Anjo da Sabedoria, para podermos percorrer os</p><p>caminhos dos Grandes que viram o rosto de Deus.’”</p><p>“O Filho do Homem buscará, então, a paz com o reino de sua</p><p>Mãe Terrena, pois ninguém pode viver muito nem ser feliz ao menos</p><p>que honre sua Mãe Terrena e cumpra Suas leis. Pois a vossa respiração</p><p>é a Sua respiração; o vosso sangue é o Seu sangue; os vossos ossos</p><p>são os Seus ossos; a vossa carne é a Sua carne; as vossas entranhas são</p><p>as Suas entranhas; os vossos olhos e os vossos ouvidos são os Seus</p><p>olhos e os Seus ouvidos.”</p><p>“Em verdade vos digo, vós sois um com a Mãe Terrena; Ela</p><p>está em vós e vós estais n’Ela. D’Ela nascestes, n’Ela viveis e a Ela</p><p>retornareis. É o sangue da nossa Mãe Terrena que cai das nuvens e</p><p>corre nos rios; é a respiração da nossa Mãe Terrena que sussurra nas</p><p>folhas da floresta e sopra desde as montanhas com um vento poderoso;</p><p>suave e firme é a carne de nossa Mãe Terrena nos frutos das árvores;</p><p>fortes e inabaláveis são os ossos de nossa Mãe Terrena nas gigantescas</p><p>rochas e pedras que se erguem como sentinelas dos tempos perdidos;</p><p>em verdade, nós somos um com nossa Mãe Terrena, e aquele que se</p><p>apega às leis de sua Mãe, a ele sua Mãe se apegará também.”</p><p>“Mas chegará um dia em que o Filho do Homem desviará o</p><p>rosto de sua Mãe Terrena e a trairá, chegando a renegar sua Mãe e o</p><p>seu direito de primogenitura. Então ele a venderá como escrava, e a</p><p>184</p><p>carne d’Ela será devastada, Seu sangue poluído, Sua respiração</p><p>sufocada; ele levará o fogo da morte a todas as partes do reino d’Ela, e</p><p>sua fome devorará todas as Suas dádivas e deixará em seu lugar</p><p>apenas um deserto.”</p><p>“Todas essas coisas ele fará por ignorância da Lei, e como um</p><p>homem que morre lentamente não sente seu próprio mau-cheiro, assim</p><p>o Filho do Homem será cego à verdade: e como ele saqueia, devasta e</p><p>destrói sua Mãe Terrena, assim também saqueia, devasta e destrói a si</p><p>mesmo. Pois ele nasceu de sua Mãe Terrena, e ele é um com Ela, e</p><p>tudo o que ele faz à sua Mãe, faz também a si mesmo.”</p><p>“Há muito tempo, mesmo antes do Grande Dilúvio, os Grandes</p><p>andavam na terra, e as árvores gigantes, incluindo as que hoje não são</p><p>mais do que lendas, eram o seu lar e o seu reino. Eles viveram grande</p><p>número de gerações, pois comiam da mesa da Mãe Terrena, dormiam</p><p>nos braços do Pai Celestial e não conheciam moléstia, nem velhice,</p><p>nem morte. Aos Filhos dos Homens eles legaram toda a glória dos</p><p>seus reinos, até o conhecimento oculto da Árvore da Vida, que se</p><p>ergue no meio do Mar Eterno. Mas os olhos dos Filhos dos Homens</p><p>estavam ofuscados pelas visões de Satã e por promessas de poder,</p><p>inclusive o poder que conquista pela força e pelo sangue. O Filho do</p><p>Homem rompeu, então, os fios de ouro que o ligavam à sua Mãe</p><p>Terrena e ao seu Pai Celestial; ele saiu da Corrente Sagrada da Vida</p><p>em que o seu corpo, seus pensamentos e seus sentimentos eram um</p><p>com a Lei, e começou a usar apenas seus próprios pensamentos, seus</p><p>próprios sentimentos e suas próprias ações, fazendo centenas de leis</p><p>onde antes só havia Uma.”</p><p>“E, desse modo, os Filhos dos Homens exilaram-se do seu lar e,</p><p>a partir de então, amontoaram-se atrás dos seus muros de pedra e</p><p>deixaram de ouvir o sussurro do vento nas altas árvores das florestas,</p><p>para além de suas cidades.”</p><p>“Em verdade vos digo, o Livro da Natureza é um Manuscrito</p><p>Sagrado e, se quiserdes que os Filhos dos Homens se salvem e</p><p>encontrem a vida eterna, ensinai-os mais uma vez a ler nas páginas</p><p>vivas da Mãe Terrena. Pois em tudo o que é vida a lei está escrita. Está</p><p>escrita na relva, nas árvores, nos rios, nas montanhas, nos pássaros do</p><p>céu e nos peixes do mar; e, sobretudo, no interior do Filho do Homem.</p><p>Somente quando retornar ao seio de sua Mãe Terrena ele encontrará a</p><p>185</p><p>vida imortal e a Corrente da Vida que conduz ao seu Pai Celestial;</p><p>somente dessa maneira a visão escura do futuro não subsistirá.”</p><p>“Dessa maneira, portanto, orai para o vosso Pai Celestial quando</p><p>o sol estiver no alto ao meio-dia: ‘Pai nosso, que estás no céu, envia a</p><p>todos os Filhos dos Homens o Teu Anjo da Paz; e envia ao reino de</p><p>nossa Mãe Terrena o Anjo da Alegria, para que os nossos corações</p><p>possam se encher de cânticos e júbilos, à medida que nos aninhamos</p><p>nos braços de nossa Mãe.”</p><p>“Por fim, os Filhos do Homem buscarão a paz no reino do seu</p><p>Pai Celestial; pois, em verdade, o Filho do Homem somente nasceu de</p><p>seu pai pela semente e de sua mãe pelo corpo, para que pudesse</p><p>encontrar sua verdadeira herança e saber, por fim, que é o Filho do</p><p>Rei.”</p><p>“O Pai Celestial é a Lei Única, que formou as estrelas, o sol, a</p><p>luz e a escuridão, e a Lei Sagrada dentro das nossas almas. Ele está em</p><p>toda parte, e não há lugar algum em que Ele não esteja. Tudo em</p><p>nosso entendimento e tudo o que não sabemos é governado pela Lei.</p><p>O cair das folhas, o fluir dos rios, a música dos insetos à noite, tudo é</p><p>governado pela Lei.”</p><p>“No reino do nosso Pai Celestial existem muitas mansões e</p><p>muitas são as coisas ocultas que ainda não podeis conhecer. Em</p><p>verdade vos digo, o reino do nosso Pai Celestial é vasto, tão vasto que</p><p>nenhum homem pode conhecer seus limites, pois eles não existem.</p><p>Entretanto, todo o Seu reino pode ser encontrado na menor gota de</p><p>orvalho sobre uma flor silvestre, ou no aroma da relva recém-cortada</p><p>nos campos debaixo do sol de verão. Em verdade, não existem</p><p>palavras para descrever o reino do Pai Celestial.”</p><p>“Gloriosa, de fato, é a herança do Filho do Homem, pois só a</p><p>ele é dado entrar na Corrente da Vida que o conduz ao reino do seu</p><p>Pai Celestial. Mas antes disso ele deve procurar e encontrar a paz com</p><p>o seu corpo, com os seus pensamentos, com os seus sentimentos, com</p><p>os Filhos dos Homens, com o conhecimento sagrado e com o reino da</p><p>Mãe Terrena. Pois em verdade vos digo, esta é a embarcação que</p><p>carregará o Filho do Homem pela Corrente da Vida até seu Pai</p><p>Celestial. Ele precisa ter a paz que é sétupla antes que possa conhecer</p><p>a paz que sobreleva o entendimento, incluindo o de seu Pai Celestial.”</p><p>“Dessa maneira, portanto, orai para o vosso Pai Celestial quando</p><p>186</p><p>o sol estiver no alto ao meio-dia: ‘Pai nosso, que estás no céu, envia a</p><p>todos os Filhos dos Homens o Teu Anjo da Paz; e envia ao Teu reino,</p><p>nosso Pai Celestial, o Teu Anjo da Vida Eterna, para que nós</p><p>possamos voar além das estrelas e viver para sempre.’”</p><p>E então o Ancião se calou e um grande silêncio recaiu sobre os</p><p>Irmãos, e ninguém desejava falar. As sombras do entardecer</p><p>brincavam</p><p>sobre o rio sereno e prateado como vidro, e no céu que</p><p>escurecia podia lentamente ser vista a filigrana da lua crescente da</p><p>paz. E a grande paz do Pai Celestial envolveu a todos em amor</p><p>imortal.</p><p>187</p><p>AS CORRE�TES SAGRADAS</p><p>Chegastes ao círculo mais íntimo, ao mistério dos mistérios,</p><p>àquele que era velho quando nosso pai Enoque era jovem e andava</p><p>pela terra. Voltas e voltas destes em vossa jornada de muitos anos,</p><p>sempre seguindo o caminho da retidão, vivendo de acordo com a Lei</p><p>Sagrada e com os votos sagrados de nossa Irmandade, e fizestes do</p><p>vosso corpo um templo sagrado onde moram os anjos de Deus.</p><p>Durante muitos anos compartilhastes a luz do dia com os anjos da</p><p>Mãe Terrena; durante muitos anos dormistes nos braços do Pai</p><p>Celestial, ensinado pelos seus anjos desconhecidos. Aprendestes que</p><p>as leis do Filho do Homem são sete, as dos anjos três, e a de Deus,</p><p>uma. Agora vós sabereis das três leis dos anjos, o mistério das três</p><p>Correntes Sagradas e o modo antigo de percorrê-las; assim vos</p><p>banhareis na luz do céu e, por último, contemplareis a revelação do</p><p>mistério dos mistérios: a lei de Deus, que é Uma.</p><p>Agora, na hora que antecede o nascimento do sol, pouco antes</p><p>dos anjos da Mãe Terrena inspirarem vida na Terra ainda adormecida,</p><p>vós entrareis na Corrente Sagrada da Vida. É a vossa Irmã Árvore que</p><p>mantém o mistério dessa Corrente Sagrada, e é a vossa Irmã Árvore</p><p>que abraçareis em vosso pensamento, assim como durante o dia vós a</p><p>abraçais em saudação quando caminhais pela margem do lago. E</p><p>sereis um com a árvore, pois, no princípio dos tempos, todos nós</p><p>assim compartilhávamos da Corrente Sagrada da Vida que deu origem</p><p>à toda a criação. E à medida que abraçais a vossa Irmã Árvore, o</p><p>poder da Corrente Sagrada da Vida preencherá o vosso corpo inteiro e</p><p>estremecereis diante da sua força. Então inspirai profundamente do</p><p>Anjo do Ar, e dizei a palavra “Vida” ao exalares o ar. Então vos</p><p>tornareis, em verdade, a Árvore da Vida, cujas raízes penetram</p><p>profundamente na Corrente Sagrada da Vida de uma fonte eterna. E</p><p>como o Anjo do Sol aquece a Terra, e todas as criaturas da terra, da</p><p>água e do ar regozijam com o novo dia, assim vosso corpo e vosso</p><p>espírito se regozijarão na Corrente Sagrada da Vida que flui para vós</p><p>através de vossa Irmã Árvore.</p><p>E quando o sol estiver alto nos céus, vós buscareis a Corrente</p><p>Sagrada do Som. No calor do meio-dia, todas as criaturas estão</p><p>188</p><p>quietas e buscam a sombra; os anjos da Mãe Terrena ficam em</p><p>silêncio por um tempo. É quando deveis permitir entrar em vossos</p><p>ouvidos a Corrente Sagrada do Som; pois ela só pode ser ouvida no</p><p>silêncio. Pensai nas correntes que nascem no deserto depois de uma</p><p>tempestade repentina, e no rugido das águas quando elas passam</p><p>ligeiras. Verdadeiramente, essa é a voz de Deus, caso vós ainda não a</p><p>conheceis. Pois, como está escrito, no princípio era o Som, e o Som</p><p>estava com Deus, e o Som era Deus. Em verdade vos digo, quando</p><p>nós nascemos, entramos no mundo com o som de Deus nos nossos</p><p>ouvidos, até mesmo com os cantos dos vastos coros do céu, e o</p><p>cântico sagrado das estrelas em suas órbitas fixas; e é a Corrente</p><p>Sagrada do Som que atravessa o firmamento das estrelas e cruza o</p><p>reino infinito do Pai Celestial. Ela está sempre nos nossos ouvidos,</p><p>por isso nós não a ouvimos. Escutai a ela, então, no silêncio do meio-</p><p>dia; banhai-vos nela, e deixai o ritmo da música de Deus bater em</p><p>vossos ouvidos até serdes um com a Corrente Sagrada do Som. Foi</p><p>este Som que formou a terra e o mundo, gerou as montanhas e pôs as</p><p>estrelas em seus tronos de glória nos mais altos céus.</p><p>E vós vos banhareis na Corrente Sagrada do Som, e a música</p><p>das suas águas fluirá sobre vós; pois, no princípio dos tempos, todos</p><p>nós assim compartilhávamos da Corrente Sagrada do Som que deu</p><p>origem à toda a criação. E o poderoso rugido da Corrente do Som</p><p>preencherá o vosso corpo inteiro, e tremereis diante da sua força.</p><p>Então, respirai profundamente do Anjo do Ar, e tornai-vos o próprio</p><p>som, para que a Corrente Sagrada do Som possa levar-vos ao reino</p><p>infinito do Pai Celestial, lá onde todo o ritmo do mundo sobe e desce.</p><p>E quando a escuridão gentilmente fechar os olhos dos anjos da</p><p>Mãe Terrena, então vós também dormireis, para que o vosso espírito</p><p>possa juntar-se aos anjos desconhecidos do Pai Celestial. E nos</p><p>momentos antes de dormirdes, pensai nas estrelas brilhantes e</p><p>gloriosas, nas estrelas brancas, brilhantes, distantes e penetrantes. Pois</p><p>os vossos pensamentos antes do sono são como o arco do arqueiro</p><p>habilidoso, que envia a sua flecha para onde ele desejar. Deixai que</p><p>vossos pensamentos antes de dormir estejam com as estrelas; pois as</p><p>estrelas são Luz, e o Pai Celestial é Luz, essa mesma Luz que é mil</p><p>vezes mais brilhante do que o brilho de mil sóis. Entrai na Corrente</p><p>Sagrada da Luz, para que os grilhões da morte possam perder seu</p><p>189</p><p>domínio para sempre e, libertando-vos dos laços da Terra, ascendais à</p><p>Corrente Sagrada da Luz através do brilho resplandecente das estrelas,</p><p>até o reino infinito do Pai Celestial.</p><p>Abri vossas asas de luz e, com os olhos do vosso pensamento,</p><p>voai com as estrelas até os confins do céu, onde incontáveis sóis</p><p>ardem com sua luz. Pois no princípio dos tempos, a Lei Sagrada disse:</p><p>‘Haja Luz’, e houve Luz. E sereis um com ela, e o poder da Corrente</p><p>Sagrada da Luz preencherá o vosso corpo inteiro, e estremecereis</p><p>diante da sua força. Dizei a palavra “Luz”, ao respirardes</p><p>profundamente do Anjo do Ar, e vos tornareis a própria Luz; e a</p><p>Corrente Sagrada vos carregará ao reino infinito do Pai Celestial,</p><p>perdendo-se no eterno Mar de Luz que deu origem à toda a criação. E</p><p>sereis um com a Corrente Sagrada da Luz, sempre antes de dormirdes</p><p>nos braços do Pai Celestial.</p><p>Em verdade vos digo, o vosso corpo não foi feito apenas para</p><p>respirar, comer e beber, mas ele também foi feito para entrar na</p><p>Corrente Sagrada da Vida. E os vossos ouvidos não foram feitos</p><p>apenas para ouvir as palavras dos homens, o canto dos pássaros e a</p><p>música da chuva caindo, mas eles também foram feitos para ouvir a</p><p>Corrente Sagrada do Som. E os vossos olhos não foram feitos apenas</p><p>para ver o nascer e o pôr do sol, a ondulação dos feixes de trigo, e as</p><p>palavras dos Manuscritos Sagrados, mas eles também foram feitos</p><p>para ver a Corrente Sagrada da Luz. Um dia o vosso corpo retornará à</p><p>Mãe Terrena; assim como os vossos ouvidos e os vossos olhos. Mas a</p><p>Corrente Sagrada da Vida, a Corrente Sagrada do Som e a Corrente</p><p>Sagrada da Luz, estas nunca nasceram e nunca morrerão. Entrai nas</p><p>Correntes Sagradas, nessa mesma Vida, nesse mesmo Som e nessa</p><p>mesma Luz que te deram origem; para que possais alcançar o reino do</p><p>Pai Celestial e vos tornardes um com Ele, assim como o rio deságua</p><p>no mar distante.</p><p>Mais do que isto não pode ser dito, pois as Correntes Sagradas</p><p>vos levarão ao lugar onde não existem mais palavras, e cujos mistérios</p><p>nem mesmo os Manuscritos Sagrados podem registrar.</p><p>190</p><p>191</p><p>A�EXOS</p><p>192</p><p>193</p><p>OS ESSÊ�IOS</p><p>Eram originários do Egito, e durante a dominação do Império</p><p>Selêucida, em 170 a.C., formaram um pequeno grupo de judeus, que</p><p>abandonou as cidades e rumou para o deserto, passando a viver às</p><p>margens do Mar Morto, e cujas colônias estendiam-se até o vale do</p><p>Nilo. No meio da corrupção que imperava, os essênios conservavam a</p><p>tradição dos profetas e o segredo da Pura Doutrina. De costumes</p><p>irrepreensíveis, moralidade exemplar, pacíficos e de boa fé,</p><p>dedicavam-se ao estudo espiritualista, à contemplação e à caridade,</p><p>longe do materialismo avassalador. Segundo alguns estudiosos, foi</p><p>nesse meio onde passou Jesus, no período que corresponde entre seus</p><p>13 e 30 anos. Os essênios suportavam com admirável estoicismo os</p><p>maiores</p><p>sacrifícios para não violar o menor preceito religioso.</p><p>Procuravam servir a Deus, auxiliando o próximo, sem imolações no</p><p>altar e sem cultuar imagens. Eram livres, trabalhavam em</p><p>comunidade, vivendo do que produziam. Em seu meio não havia</p><p>escravos. Tornaram-se famosos pelo conhecimento e uso das ervas,</p><p>entregando-se abertamente ao exercício da medicina ocultista. Em</p><p>seus ensinos, seguindo o método das Escolas Iniciáticas, submetiam</p><p>os discípulos à rituais de Iniciação, conforme adquiriam</p><p>conhecimentos e passavam para graus mais avançados. Mostravam</p><p>então, tanto na teoria quanto na prática, as Leis Superiores do</p><p>Universo e da Vida, tristemente esquecidas na ocasião.</p><p>Vivendo em comunidades distantes, os essênios sempre</p><p>procuravam encontrar na solidão do deserto o lugar ideal para</p><p>desenvolverem a espiritualidade e estabelecerem a vida comunitária,</p><p>onde a partilha dos bens era a regra. Rompendo com o conceito da</p><p>propriedade individual, acreditavam ser possível implantar no reino da</p><p>Terra a verdadeira igualdade e fraternidade entre os homens.</p><p>Consideravam a escravidão um ultraje à missão do homem dada por</p><p>Deus. Todos trabalhavam para si e nas tarefas comuns, sempre</p><p>desempenhando atividades profissionais que não envolvessem a</p><p>destruição ou violência. Não era possível encontrar entre eles</p><p>açougueiros ou fabricantes de armas, mas sim grande quantidade de</p><p>mestres, escribas, instrutores, que através do ensino passavam de</p><p>194</p><p>forma sutil os pensamentos da seita aos leigos. O silêncio era prezado</p><p>por eles. Sabiam guardá-lo, evitando discussões em público e assuntos</p><p>sobre religião. A voz, para um essênio, possuía grande poder e não</p><p>devia ser desperdiçada. Através dela, com diferentes entonações, eram</p><p>capazes de curar um doente.</p><p>Cultivavam hábitos saudáveis, zelando pela alimentação, físico</p><p>e higiene pessoal. A capacidade de predizer o futuro e a leitura do</p><p>destino através da linguagem dos astros tornaram os essênios figuras</p><p>magnéticas, conhecidas por suas vestes brancas. Eram excelentes</p><p>médicos também.</p><p>Em cada parte do mundo onde se estabeleceram, eles receberam</p><p>nomes diferentes, às vezes por necessidades de se proteger contra as</p><p>perseguições ou para manter afastados os difamadores. Mestres em</p><p>saber adaptar seus pensamentos às religiões dos países onde se</p><p>situavam, agiram misturando muitos aspectos de sua doutrina a outras</p><p>crenças. O saber mais profundo dos essênios era velado à maioria das</p><p>pessoas. É sabido também que liam textos e estudavam outras</p><p>doutrinas.</p><p>Para ser um essênio, o pretendente era preparado desde a</p><p>infância na vida comunitária de suas aldeias isoladas. Já adulto, o</p><p>adepto, após cumprir várias etapas de aprendizado, recebia uma</p><p>missão definida que ele deveria cumprir até o fim da vida. Vestidos</p><p>com roupas brancas, ficaram conhecidos em sua época como aqueles</p><p>que “são do caminho”. Foram fundadores dos abrigos denominados</p><p>“beth-saida”, que tinham como tarefa cuidar de doentes e</p><p>desabrigados em épocas de epidemia e fome. Os beth-saida</p><p>anteciparam em séculos os hospitais, instituição que tem seu nome</p><p>derivado de hospitaleiros, denominação de um ramo essênio voltado</p><p>para a prestação de socorro às pessoas doentes. Fizeram obras</p><p>maravilhosas, que refletem até os nossos dias.</p><p>(pegue.com/religiao/osessenios.htm - trecho adaptado)</p><p>195</p><p>A DOUTRI�A DO DESERTO</p><p>Em 1923, o húngaro Edmond Szekely obteve permissão para</p><p>pesquisar os arquivos secretos do Vaticano. Estava à procura de livros</p><p>que teriam influenciado São Francisco de Assis. Curioso e encantado,</p><p>vagou pelos mais de 40 quilômetros de estantes com pergaminhos e</p><p>papiros milenares. Viu evangelhos nunca publicados e manuscritos</p><p>originais de muitos santos e apóstolos, condenados a permanecer</p><p>escondidos para sempre. De todas essas raridades, uma obra em</p><p>especial lhe chamou a atenção. Era o Evangelho Essênio da Paz. O</p><p>livro teria sido escrito pelo apóstolo João e narrava passagens</p><p>desconhecidas da vida de Jesus Cristo, apresentado ali como o</p><p>principal líder de uma seita judaica até então pouco comentada – os</p><p>essênios. Szekely não perdeu tempo. Traduziu o texto e o publicou em</p><p>quatro volumes. Sentindo-se traída pelo pesquisador, a Igreja o</p><p>excomungou.</p><p>Não foi uma punição tão grave. Considere o que aconteceu com</p><p>o reverendo inglês Gideon Ouseley. Em 1880, ele achou um</p><p>manuscrito chamado O Evangelho dos Doze Santos em um</p><p>monastério budista na índia. O texto em aramaico – a língua que Jesus</p><p>falava – teria sido levado para o Oriente por essênios refugiados.</p><p>Ouseley ficou eufórico e saiu espalhando que tinha descoberto o</p><p>verdadeiro Novo Testamento. Afirmava que a Bíblia estava incorreta,</p><p>pois Cristo era um essênio que defendia a reencarnação e o</p><p>vegetarianismo. Se hoje essa tese soa estranha, dizer isso na Inglaterra</p><p>vitoriana do século XIX era blasfêmia da pior espécie. Resultado: os</p><p>conservadores atearam fogo na casa de Ouseley e o original foi</p><p>destruído.</p><p>O mistério que envolve esses dois textos e o tom místico que os</p><p>descobridores deram aos seus achados acabaram manchando seu</p><p>crédito diante dos historiadores.</p><p>Para os historiadores, os essênios seriam até hoje uma nota de</p><p>rodapé na História se, em 1947, dois pastores beduínos não tivessem</p><p>por acidente levado a uma das maiores descobertas arqueológicas do</p><p>século.</p><p>196</p><p>Escondidos em cavernas próximas ao Mar Morto, em Israel,</p><p>813 manuscritos redigidos pelos essênios entre 225 a.C. e o ano 68 da</p><p>nossa era guardavam as mais antigas cópias do Antigo Testamento,</p><p>calendários e textos da Bíblia.</p><p>Perto das cavernas, em Qumran, estavam as ruínas de um</p><p>monastério essênio e um cemitério com cerca de 1200 esqueletos,</p><p>quase todos masculinos.</p><p>O achado deu início a um longo e árduo esforço de tradução dos</p><p>manuscritos por teólogos e cientistas de várias universidades no</p><p>mundo. Milhares deles estavam em pedaços minúsculos, menores do</p><p>que uma unha. “Hoje, 90% dos textos já foram transcritos”, diz o</p><p>teólogo Geza Vermes, da Universidade de Oxford, que pesquisa os</p><p>manuscritos. O que já é suficiente para moldar uma imagem mais</p><p>precisa da história, da doutrina, da crença e dos hábitos essênios, que</p><p>ficaram séculos a fio esquecidos nas ruínas daquele monastério.</p><p>O surgimento da doutrina essênia aconteceu em tempos</p><p>conturbados. Os judeus viveram sob dominação de diversos povos</p><p>estrangeiros desde 587 a.C., quando Jerusalém foi devastada pelos</p><p>babilônios, habitantes da atual região do Iraque. Por volta do século II</p><p>a.C., o domínio era exercido pelos selêucidas, um povo grego que</p><p>habitava a Síria. A cultura helenista proliferava e a tradição hebraica</p><p>sofria fortes ameaças. Para recuperar o judaísmo, os israelitas</p><p>acreditavam na vinda do Messias que chegaria ao final dos tempos</p><p>para exterminar os infiéis e salvar os seguidores das Escrituras. A</p><p>chegada do Salvador poderia se dar a qualquer instante.</p><p>Os mais ortodoxos seguiam tão à risca os preceitos religiosos e</p><p>buscavam a ascese e a pureza com tal fervor que ficavam chocados</p><p>com os hábitos mundanos dos gregos. Entre eles estavam os essênios.</p><p>Um dia boa parte deles, liderados por um sacerdote, partiu para o</p><p>Deserto da Judéia (atual Israel) para orar, meditar e estudar as leis</p><p>sagradas. Longe, bem longe, de tudo o que eles consideravam impuro.</p><p>Surgia assim o monastério de Qumran.</p><p>A região escolhida para a construção do monastério é a de</p><p>menor altitude no planeta – 400 metros abaixo do nível do mar. As</p><p>chuvas são raras e o mar é tão salgado que é impossível mergulhar</p><p>nele, pois a enorme densidade da água mantém o banhista na</p><p>superfície. Para prosperar, os bens individuais e as tarefas foram</p><p>197</p><p>divididos entre toda a comunidade e regras de disciplina e de</p><p>hierarquia foram instituídas.</p><p>É possível conhecer o dia-a-dia dos essênios a partir do legado</p><p>do historiador judeu Flávio Josefo (37-100). Aos 16 anos Josefo</p><p>recebeu lições de um mestre essênio, com quem viveu durante três</p><p>anos. Os essênios acordavam antes</p><p>do nascer do sol. Permaneciam em</p><p>silencio e faziam suas preces até o momento em que um mestre</p><p>dividia as tarefas entre eles de acordo com a aptidão de cada um.</p><p>Trabalhavam durante 5 horas em atividades como o cultivo de</p><p>vegetais ou o estudo das Escrituras. Terminadas as tarefas, banhavam-</p><p>se em água fria e vestiam túnicas brancas. Comiam uma refeição em</p><p>absoluto silêncio, só quebrado pelas orações recitadas pelo sacerdote</p><p>no início e no fim. Retiravam então a túnica branca, considerada</p><p>sagrada, e retornavam ao trabalho até o pôr-do-sol. Tomavam outro</p><p>banho e jantavam com a mesma cerimônia.</p><p>Os essênios tinham com o solo uma relação de devoção. Josefo</p><p>conta que um dos rituais comuns deles consistia em cavar um buraco</p><p>de cerca de 30 centímetros de profundidade em um lugar isolado</p><p>dentro do qual se enterravam para relaxar e meditar.</p><p>Diferentemente dos demais judeus, a comunidade usava um</p><p>calendário solar de 364 dias, inspirado no egípcio. O primeiro dia do</p><p>ano e de cada mês caía sempre um uma quarta-feira, porque de acordo</p><p>com o Gênesis, o Sol e a Lua foram criados no quarto dia. O</p><p>calendário diferente trouxe vários problemas para os essênios. Outros</p><p>judeus poderiam atacar o monastério no shabbath – o dia sagrado</p><p>reservado ao descanso, no qual era proibido qualquer esforço,</p><p>inclusive o de se defender.</p><p>A correta observação das regras garantiria a salvação dos</p><p>essênios quando chegasse o apocalipse, que seria a vitória dos puros</p><p>“filhos da luz” contra os “filhos das trevas”.</p><p>Graças a essa organização toda, Qumran produzia tudo de que</p><p>precisava. A dieta era vegetariana. Os essênios tinham um enorme</p><p>respeito pela natureza. Nenhum homem poderia sujar-se comendo</p><p>qualquer criatura morta.</p><p>No ano de 68 o monastério de Qumran foi aniquilado numa</p><p>devastadora investida do exército romano que arrasou a Judéia e</p><p>destruiu Jerusalém. O ataque era dirigido principalmente aos judeus</p><p>198</p><p>zelotes, que se insurgiram contra o domínio romano. Qumran, que não</p><p>era nenhuma fortaleza, foi presa fácil para as legiões do César. Mas</p><p>nem todos os essênios morreram aí. Alguns fugiram para Massada</p><p>onde, aí sim, no ano de 73, descobriram o que é um final trágico. O</p><p>esconderijo, uma fortaleza zelote ao sul de Qumran, localizada no alto</p><p>de uma colina, parecia impenetrável. Mas 15000 romanos fizeram um</p><p>cerco que durou dois anos e metodicamente construíram uma rampa</p><p>de terra e areia para alcançar o topo da fortaleza. Quando os soldados</p><p>finalmente invadiram Massada tiveram uma surpresa: todos os 1000</p><p>rebeldes estavam mortos. Em um sorteio, os zelotes haviam escolhido</p><p>um grupo de soldados para assassinar todos os habitantes da fortaleza</p><p>e, em seguida, cometer suicídio. Eles preferiram morrer entre os</p><p>judeus a se tornar escravos dos romanos. Sobraram para contar a</p><p>história apenas duas mulheres e cinco crianças, que haviam se</p><p>escondido nos reservatórios de água. O episódio foi relatado por</p><p>Josefo e provou ser verdadeiro em 1965, quando arqueólogos</p><p>pesquisaram a região. Eles acharam as marcas dos oito acampamentos</p><p>romanos e pedaços de cerâmica com inscrições dos nomes dos zelotes,</p><p>utilizados no dramático sorteio.</p><p>Um pouco antes do ataque romano destruir o monastério</p><p>de Qumran, os essênios esconderam seus manuscritos em</p><p>potes de cerâmica e os enterraram em cavernas.</p><p>“Eles viviam em tendas, que mudavam de lugar</p><p>frequentemente, pois construções permanentes matariam a relva”,</p><p>afirma Fernando Travi. Ele acredita que Jesus, apesar de ter passado</p><p>por Qumran, viveu muito mais tempo em Monte Carmel. A região em</p><p>que teria existido essa comunidade está próxima ao local em que Jesus</p><p>nasceu e realizou muitos de seus milagres. Afirma também que Cristo</p><p>não era conhecido como “Jesus de Nazaré”, mas sim como “Jesus, o</p><p>Nazareno”.</p><p>Algumas dessas comunidades essênias existem, de certa forma,</p><p>até hoje.</p><p>Szekely pesquisou o pensamento dos essênios durante toda a</p><p>vida. Uma de suas principais obras é a tradução de um manuscrito</p><p>encontrado em 1785 pelo historiador francês Constantine Volney em</p><p>viagens pelo Egito e pela Síria. É um diálogo entre Josefo e o mestre</p><p>essênio Banus a respeito das leis da natureza.</p><p>199</p><p>A alimentação possui um papel central na doutrina encontrada</p><p>nos evangelhos de Szekely e Ouseley. Ao afirmarem que Jesus era</p><p>frugívero, ou seja, que ingeria apenas alimentos que não significavam</p><p>a morte de nenhum ser vivo, como folhas e frutos, eles pregam que as</p><p>refeições devem ser um momento de compaixão e comunhão com</p><p>Deus. O contato com a natureza é essencial.</p><p>Os essênios permanecem como um assunto vivo. Os</p><p>pergaminhos e evangelhos que eles deixaram são exaustivamente</p><p>estudados por cientistas e religiosos do mundo inteiro. Seus</p><p>ensinamentos recrutam milhares de fiéis e, qualquer que seja a relação</p><p>que mantiveram com Cristo, deixaram, sem dúvida, sua influência</p><p>impressa no coração e na mente do cristianismo.</p><p>(espacoholistico.com.br/essenios.htm - texto adaptado)</p><p>200</p><p>vossa Mãe Terrena e</p><p>19</p><p>mantende todas as Suas leis, para que vossos dias sejam longos nesta terra,</p><p>e honrai vosso Pai Celestial, para que a Vida Eterna seja vossa nos céus.</p><p>Pois o Pai Celestial é uma centena de vezes maior do que todos os pais pela</p><p>semente e pelo sangue, e maior é a Mãe Terrena do que todas as mães pelo</p><p>corpo. E mais querido é o Filho do Homem aos olhos de seu Pai Celestial e</p><p>de sua Mãe Terrena do que o são os filhos aos olhos de seus pais pela</p><p>semente e pelo sangue e de suas mães pelo corpo. E mais sábias são as</p><p>palavras e as leis de vosso Pai Celestial e de vossa Mãe Terrena que as</p><p>palavras e a vontade de todos os pais pela semente e pelo sangue, e de todas</p><p>as mães pelo corpo. E de maior valor também é a herança de vosso Pai</p><p>Celestial e de vossa Mãe Terrena, o reino perpétuo da vida eterna e</p><p>celestial, do que todas as heranças de vossos pais pela semente e pelo</p><p>sangue, e de vossas mães pelo corpo.”</p><p>“E vossos verdadeiros irmãos são todos aqueles que fazem a vontade</p><p>de vosso Pai Celestial e de vossa Mãe Terrena, e não vossos irmãos pelo</p><p>sangue. Em verdade vos digo que vossos verdadeiros irmãos na vontade do</p><p>Pai Celestial e da Mãe Terrena vos amarão um milhão de vezes mais que</p><p>vossos irmãos pelo sangue. Pois desde os dias de Caim e Abel, quando os</p><p>irmãos pelo sangue transgrediram a vontade de Deus, não existe uma</p><p>verdadeira irmandade de sangue. E os irmãos agem entre si como</p><p>estranhos. Por isso eu vos digo, amai vossos verdadeiros irmãos na vontade</p><p>de Deus um milhão de vezes mais que vossos irmãos pelo sangue.”</p><p>POIS VOSSO PAI CELESTIAL É AMOR.</p><p>POIS VOSSA MÃE TERRENA É AMOR.</p><p>POIS O FILHO DO HOMEM É AMOR.</p><p>***</p><p>“É pelo amor que o Pai Celestial, a Mãe Terrena e o Filho do</p><p>Homem se tornam um. Pois o espírito do Filho do Homem foi criado do</p><p>espírito do Pai Celestial, e seu corpo do corpo da Mãe Terrena. Tornai-vos,</p><p>portanto, perfeitos como perfeitos são o espírito do vosso Pai Celestial e o</p><p>corpo de vossa Mãe Terrena. E assim amai vosso Pai Celestial, como Ele</p><p>ama vosso espírito. E assim amai vossa Mãe Terrena, como Ela ama vosso</p><p>corpo. E assim amai vossos verdadeiros irmãos, como vosso Pai Celestial e</p><p>vossa Mãe Terrena os amam. E então vosso Pai Celestial vos dará Seu</p><p>20</p><p>espírito santo, e vossa Mãe Terrena vos dará Seu corpo santo. E então os</p><p>Filhos dos Homens, como verdadeiros irmãos, darão amor uns aos outros, o</p><p>amor que receberam de seu Pai Celestial e de sua Mãe Terrena; e todos eles</p><p>se tornarão consoladores uns dos outros. E então desaparecerá da terra todo</p><p>mal e toda tristeza, e haverá amor e alegria sobre a terra. E então a terra</p><p>será como os céus, e virá o reino de Deus. E então virá o Filho do Homem</p><p>em toda sua glória, para herdar o reino de Deus. E os Filhos dos Homens</p><p>dividirão sua herança divina, o reino de Deus. Pois os Filhos dos Homens</p><p>vivem no Pai Celestial e na Mãe Terrena, e o Pai Celestial e a Mãe Terrena</p><p>vivem neles. E então com o reino de Deus virá o fim dos tempos. Pois o</p><p>amor do Pai Celestial dá vida eterna a todos no reino de Deus. Pois o Amor</p><p>é eterno. O Amor é mais forte que a morte.”</p><p>“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tenho</p><p>amor, serei como o som do bronze ou como o tinido de um címbalo. Ainda</p><p>que diga o que há de vir e conheça todos os segredos e toda a sabedoria; e</p><p>ainda que tenha uma fé tão forte como a tempestade que ergue as</p><p>montanhas de seu lugar, se não tenho amor não sou nada. E ainda que doe</p><p>todos os meus bens para alimentar ao pobre e lhe entregue todo o meu fogo</p><p>que recebi de meu Pai, se não tenho amor, não sou de proveito algum. O</p><p>amor é paciente e o amor é gentil. O amor não é invejoso, não faz mal, não</p><p>conhece o orgulho; não é rude nem egoísta; tarda em irar-se, não imagina a</p><p>malícia; não se regozija na injustiça, mas se deleita na justiça. O amor</p><p>defende tudo, o amor crê em tudo, o amor espera tudo, o amor suporta tudo;</p><p>nunca se esgota; mas, quanto às línguas, elas cessarão, e quanto ao</p><p>conhecimento, ele desaparecerá. Pois nós possuímos a verdade em parte e o</p><p>erro em parte, mas quando chegar a plenitude da perfeição o parcial será</p><p>eliminado. Quando um homem era criança, falava como criança, entendia</p><p>como criança, pensava como criança; mas quando se tornou homem</p><p>abandonou as coisas de criança. Pois agora nós vemos através de um vidro</p><p>e através de enigmas. Agora nós conhecemos parcialmente, mas quando</p><p>chegarmos diante da face de Deus, não conheceremos em parte, visto que</p><p>seremos ensinados por Ele. E agora restam três coisas: fé, esperança e</p><p>amor; porém a maior delas é o amor.”</p><p>“E agora eu vos falo na língua viva do Deus Vivo, através do espírito</p><p>santo de nosso Pai Celestial. Não há ainda nenhum dentre vós que possa</p><p>entender tudo quanto digo. Quem vos explica as escrituras vos fala em uma</p><p>língua morta de homens mortos, por meio de seu corpo enfermo e mortal. A</p><p>ele, portanto, todos os homens podem entender, pois todos os homens estão</p><p>21</p><p>enfermos e todos estão na morte. Nenhum vê a luz da vida. O cego guia aos</p><p>cegos nos caminhos escuros dos pecados, das enfermidades e dos</p><p>sofrimentos; e no final todos caem no abismo da morte.”</p><p>“Eu fui enviado a vós pelo Pai, para que eu pudesse fazer a luz da</p><p>vida brilhar diante de vós. A luz ilumina a si mesma e a escuridão, mas a</p><p>escuridão só conhece a si mesma e não conhece a luz. Eu ainda tenho</p><p>muitas coisas para vos dizer, mas ainda não podeis suportá-las. Pois vossos</p><p>olhos estão acostumados com a escuridão, e a plena Luz do Pai Celestial</p><p>vos cegaria. Portanto, não podeis entender ainda o que vos falo acerca do</p><p>Pai Celestial, quem me enviou a vós. Segui, portanto, primeiro somente as</p><p>leis de vossa Mãe Terrena, de quem eu vos falei. E, quando os anjos d’Ela</p><p>tiverem limpado e renovado vossos corpos e fortalecido vossos olhos,</p><p>sereis capazes de suportar a luz ofuscante de vosso Pai Celestial. Quando</p><p>fordes capazes de contemplar o brilho do sol do meio-dia com os olhos</p><p>fixos, podereis então mirar a luz ofuscante de vosso Pai Celestial, a qual é</p><p>um milhão de vezes mais brilhante que o brilho de um milhão de sóis. Mas</p><p>como olharíeis para a luz ofuscante de vosso Pai Celestial, se não podeis</p><p>suportar sequer a luz do sol radiante? Crede-me, o sol é como a chama de</p><p>uma vela comparado ao sol da verdade do Pai Celestial. Tenhais, porém, fé,</p><p>esperança e amor. Em verdade vos digo, não perdereis vossa recompensa.</p><p>Se acreditais em minhas palavras e acreditais naquele que me enviou, que é</p><p>o Senhor de tudo, e para quem todas as coisas são possíveis. Pois o que é</p><p>impossível para os homens, é possível com Deus. Se acreditais nos anjos da</p><p>Mãe Terrena e cumpris Suas leis, vossa fé vos sustentará e nunca</p><p>conhecereis a enfermidade. Tende esperança também no amor de vosso Pai</p><p>Celestial, pois quem n’Ele confia nunca se enganará, tampouco conhecerá a</p><p>morte.”</p><p>“Amai-vos uns aos outros, pois Deus é amor, e assim Seus anjos</p><p>saberão que ides pelos Seus caminhos. E então todos os anjos virão diante</p><p>de vossas faces e vos servirão. E Satã partirá de vosso corpo com todo</p><p>pecado, enfermidade e imundície. Ide, renunciai a vossos pecados;</p><p>arrependei-vos; batizai-vos; para que possais nascer de novo e não mais</p><p>pecar”.</p><p>Então Jesus se levantou. Porém os demais permaneceram sentados,</p><p>pois cada homem sentia o poder de suas palavras. E então a lua cheia</p><p>apareceu entre as nuvens e envolveu Jesus em seu resplendor. E fagulhas</p><p>esvoaçavam pelos seus cabelos, e ele permaneceu entre eles sob a luz da</p><p>lua, como se pairasse no ar. E ninguém se moveu, nem tampouco se ouviu a</p><p>22</p><p>voz de ninguém. E ninguém sabia quanto tempo havia passado, pois o</p><p>tempo parecia parado.</p><p>Então Jesus estendeu suas mãos até eles e disse: “A paz esteja</p><p>convosco”. E assim ele partiu, como a brisa balança as folhas das árvores.</p><p>E ainda por um bom tempo o grupo permaneceu imóvel, e então</p><p>despertaram do silêncio, um após o outro, como voltando de um longo</p><p>sonho. Porém ninguém desejava ir, como se as palavras</p><p>de quem lhes havia</p><p>deixado soassem em seus ouvidos. E permaneceram sentados como se</p><p>escutassem alguma música maravilhosa.</p><p>Mas um deles, finalmente, como se estivesse um pouco</p><p>amedrontado, disse: “Como é bom estar aqui!”. Outro disse: “Oxalá esta</p><p>noite fosse eterna!”. E outros: “Oxalá ele possa estar conosco sempre!”.</p><p>“Verdadeiramente, ele é o mensageiro de Deus, pois plantou a esperança</p><p>em nossos corações”. E ninguém queria voltar para casa, dizendo: “Eu não</p><p>vou para casa, onde tudo é escuro e triste. Por que temos de ir para casa,</p><p>onde ninguém nos ama?”</p><p>E deste modo falaram, pois eram quase todos eles pobres, coxos,</p><p>cegos, aleijados, mendigos, sem-teto, desprezados em sua miséria, que só</p><p>eram suportados por piedade nas casas em que encontravam alguns dias de</p><p>refúgio. Até mesmo alguns que tinham tanto casa como família disseram:</p><p>“Também nós ficaremos convosco.” Pois todos sentiam que as palavras</p><p>daquele que se havia ido unia o pequeno grupo com fios invisíveis. E todos</p><p>sentiam que haviam nascido de novo. Viam diante de si um mundo</p><p>iluminado, mesmo quando a lua se ocultou nas nuvens. E nos corações de</p><p>todos se abriram flores maravilhosas, de uma beleza admirável, as flores da</p><p>alegria.</p><p>E quando os brilhantes raios de sol apareceram sobre o horizonte,</p><p>todos sentiram que aquele era o sol da vinda do reino de Deus. E, com</p><p>semblantes alegres, foram ao encontro dos anjos de Deus.</p><p>E muitos sujos e enfermos seguiram as palavras de Jesus e buscaram</p><p>as margens dos riachos murmurantes. Tiraram seus calçados e suas</p><p>vestimentas, jejuaram e entregaram seus corpos aos anjos do ar, da água e</p><p>da luz do sol. E os anjos da Mãe Terrena lhes abraçaram e possuíram seus</p><p>corpos por dentro e por fora. E todos eles viram todos os males, pecados e</p><p>imundícies lhes abandonarem rapidamente.</p><p>E o alento de alguns se tornou tão fétido quanto o odor que soltam os</p><p>intestinos, e alguns babavam e de suas partes internas surgia um vômito</p><p>malcheiroso e sujo. Todas estas imundícies saíram por suas bocas. Em</p><p>23</p><p>alguns pelo nariz, e em outros pelos olhos e pelos ouvidos. E muitos tinham</p><p>um suor fétido e abominável saindo por todo seu corpo sobre toda sua pele.</p><p>E em muitos de seus membros se abriram furúnculos grandes e quentes,</p><p>dos quais saíam imundícies malcheirosas, e de seus corpos fluía urina em</p><p>abundância; e em muitos sua urina foi-se toda e quase secou, tornando-se</p><p>espessa como o mel das abelhas, a de outros era quase vermelha ou preta e</p><p>quase tão dura como a areia dos rios. Muitos expeliam fétidos gases de seus</p><p>intestinos, semelhantes ao alento dos demônios. E seu fedor tornou-se tão</p><p>grande que ninguém podia suportá-lo.</p><p>E quando eles se batizaram, o Anjo da Água entrou em seus corpos,</p><p>e deles saíram todas as abominações e imundícies de seus antigos pecados,</p><p>e como um rio desce de uma montanha, transbordou de seus corpos grande</p><p>quantidade de abominações duras e moles. E a terra onde caíram suas águas</p><p>tornou-se contaminada, e o fedor tornou-se tão grande que ninguém podia</p><p>permanecer ali. E os demônios abandonaram suas entranhas na forma de</p><p>numerosas larvas que se retorciam no solo com ira impotente, depois que o</p><p>Anjo da Água lhes expulsou das entranhas dos Filhos dos Homens. E então</p><p>desceu sobre eles o poder do Anjo da Luz do Sol, e eles ali pereceram em</p><p>suas contorções desesperadas, pisoteados pelos pés do Anjo da Luz do Sol.</p><p>E todos estremeceram aterrorizados ao olhar todas aquelas abominações de</p><p>Satã, das quais os anjos lhes haviam salvado. E deram graças a Deus, quem</p><p>enviou Seus anjos para sua libertação.</p><p>E havia alguns atormentados por grandes dores, que não lhes</p><p>abandonavam; e, não sabendo o que deveriam fazer, decidiram enviar</p><p>alguns deles a Jesus, pois desejavam muito tê-lo entre eles.</p><p>E, quando dois estavam indo buscá-lo, viram o próprio Jesus</p><p>aproximando-se pelas margens do rio. E seus corações se encheram de</p><p>esperança e de alegria quando ouviram sua saudação: “A paz esteja</p><p>convosco”. E muitas eram as perguntas que desejavam fazer-lhe, mas em sua</p><p>surpresa não conseguiam começar, pois nada ocorria a suas mentes. Disse-</p><p>lhes então Jesus: “Vim porque necessitais de mim”. E um gritou: “Mestre,</p><p>te necessitamos de verdade. Vem e livra-nos de nossos sofrimentos.”</p><p>E Jesus lhes falou em parábolas: “Vós sois como o filho pródigo, que</p><p>durante muitos anos comeu e bebeu, e passou seus dias no desenfreio e na</p><p>luxúria com seus amigos. E toda semana, sem que seu pai soubesse,</p><p>contraía novas dívidas, desperdiçando o quanto tinha em poucos dias. E os</p><p>credores sempre lhe emprestavam, pois seu pai possuía grandes riquezas e</p><p>sempre pagava pacientemente as dívidas de seu filho. E em vão admoestava</p><p>24</p><p>seu filho com boas palavras, pois ele nunca escutava as advertências de seu</p><p>pai, quem lhe suplicava em vão que abandonasse suas depravações sem</p><p>fim, e que fosse a seus campos vigiar o trabalho de seus servos. E o filho</p><p>sempre lhe prometia tudo, se ele pagasse suas antigas dívidas, mas no dia</p><p>seguinte começava de novo. E durante mais de sete anos o filho continuou</p><p>em sua vida desregrada. Porém, ao fim, seu pai perdeu a paciência e não</p><p>pagou mais aos credores as dívidas de seu filho. ‘Se as sigo pagando</p><p>sempre – disse – não acabarão os pecados de meu filho’. Então os credores,</p><p>que se viram enganados, em sua ira, levaram o filho como escravo para</p><p>que, com seu trabalho diário, pudesse lhes pagar o dinheiro que havia</p><p>tomado de empréstimo. E então se acabou o comer, o beber e todos os</p><p>excessos diários. Da manhã à noite molhava os campos com o suor de seu</p><p>rosto, e todos os seus membros doíam com o trabalho desacostumado. E</p><p>vivia de pão seco, não tendo mais que suas próprias lágrimas para</p><p>umedecê-lo. Ao terceiro dia, havia sofrido tanto pelo calor e pelo cansaço</p><p>que disse a seu mestre: ‘Não posso trabalhar mais, porque me doem todos</p><p>os meus membros. Por quanto tempo mais me atormentarás?’ ‘Até o dia em</p><p>que, pelo trabalho de tuas mãos, me tiver pago todas as dívidas, e, quando</p><p>tiver passado sete anos, serás livre’. E o filho desesperado respondeu</p><p>chorando: ‘Mas eu não posso suportar nem sequer sete dias! Têm piedade</p><p>de mim, pois todos os meus membros doem e ardem’. E o malvado credor</p><p>gritou: ‘Segue com teu trabalho! Se pudeste, durante sete anos, gastar teus</p><p>dias e tuas noites no desenfreio, agora terás que trabalhar durante sete anos.</p><p>Não te perdoarei até que me tenhas pago todas as tuas dívidas até o último</p><p>dracma’. E o filho regressou desesperado aos campos, com seus membros</p><p>atormentados pela dor, para seguir com seu trabalho. Já dificilmente podia</p><p>ficar em pé devido ao cansaço e às dores, quando chegou o sétimo dia, o</p><p>dia de Shabat, no qual ninguém trabalha no campo. O filho então reuniu o</p><p>resto de suas forças e se arrastou até a casa de seu pai. E lançou-se aos pés</p><p>de seu pai, e disse: ‘Pai, crê-me pela última vez e perdoa todas as minhas</p><p>ofensas contra ti. Juro-te que nunca mais voltarei a viver desenfreadamente,</p><p>e que serei teu filho obediente em tudo. Liberta-me das mãos de meu</p><p>opressor. Pai, olha para mim e para meus membros enfermos e não</p><p>endureças teu coração’. Então brotaram lágrimas dos olhos de seu pai, que</p><p>tomou seu filho nos braços, e disse: ‘Alegremo-nos, porque hoje me foi</p><p>dada uma grande alegria, pois reencontrei meu amado filho que estava</p><p>perdido’. E vestiu-lhe com as melhores roupas, e durante todo o dia fizeram</p><p>festa. E na manhã seguinte ele deu a seu filho uma bolsa de prata para que</p><p>25</p><p>pagasse a seus credores tudo quanto lhes devia. E quando o filho regressou,</p><p>lhe disse: ‘Meu filho, vês quão fácil é, com uma vida desenfreada, contrair</p><p>dívidas por sete anos, porém difícil é pagá-las com o trabalho duro de sete</p><p>anos’. ‘Pai, de fato é duro pagá-las mesmo por sete dias!’ E o pai lhe</p><p>advertiu, dizendo-lhe: ‘Só por esta vez te foi permitido pagar tuas dívidas</p><p>em sete dias ao invés de em sete anos, o resto te está perdoado. Porém,</p><p>cuida de não contrair mais dívidas no tempo vindouro. Pois em verdade te</p><p>digo que ninguém além de teu pai perdoa tuas dívidas, porque tu és seu</p><p>filho. Pois, com todos os demais, tu terias que trabalhar duro por sete anos,</p><p>como está ordenado em nossas leis’. ‘Meu pai, a partir de agora serei teu</p><p>filho amado e obediente, e nunca mais contrairei dívidas, pois sei que pagá-</p><p>las é duro’.”</p><p>“E ele foi ao campo de seu pai e todos os dias vigiava o trabalho dos</p><p>lavradores de seu pai. E nunca tornava seu trabalho demasiado duro, pois</p><p>recordava de seu próprio trabalho pesado. E passaram os anos e as</p><p>possessões de seu pai aumentaram mais e mais sob suas mãos, pois a</p><p>benção de seu pai estava sobre seu trabalho. E lentamente devolveu a seu</p><p>pai dez vezes mais do que havia desperdiçado naqueles sete anos. E quando</p><p>seu pai viu que o filho tratava bem seus servos e todas as suas possessões,</p><p>lhe disse: ‘Meu filho, vejo que minhas possessões estão em boas mãos.</p><p>Dou-te todo o meu ganho, minha casa, minhas terras e meus tesouros. Que</p><p>tudo isso seja tua herança; continua aumentando-a para que eu tenha alegria</p><p>em ti’.”</p><p>“E quando o filho recebeu a herança de seu pai, perdoou as dívidas</p><p>de todos os seus devedores, que não podiam pagá-lo, pois não esquecera</p><p>que sua dívida também havia sido perdoada, quando não pôde pagá-la. E</p><p>Deus lhe abençoou com uma vida longa, com muitos filhos e com muitas</p><p>riquezas, pois era amável com todos os seus servos e com todo seu gado.”</p><p>Jesus então se virou para o povo enfermo e disse: “Eu vos falo em</p><p>parábolas para que entendais melhor a palavra de Deus. Os sete anos de</p><p>comer e beber e de vida desenfreada são os pecados do passado. O malvado</p><p>credor é Satã. As dívidas são as enfermidades. O trabalho duro são as</p><p>dores. O filho pródigo sois vós mesmos. O pagamento das dívidas é a</p><p>expulsão de vós dos demônios e das enfermidades e a cura de vosso corpo.</p><p>A bolsa de prata recebida do pai é o poder libertador dos anjos. O pai é</p><p>Deus. As possessões do pai são o céu e a terra. Os servos do pai são os</p><p>anjos. O campo do pai é o mundo, que se converte no reino dos céus, se os</p><p>Filhos do Homem trabalham junto aos anjos do Pai Celestial. Pois eu vos</p><p>26</p><p>digo que é melhor que o filho obedeça a seu pai e vigie os servos de seu pai</p><p>no campo, a converter-se em devedor do malvado credor, e trabalhar e suar</p><p>na servidão para pagar suas dívidas. De igual modo, é melhor que os Filhos</p><p>do Homem também obedeçam às leis de seu Pai Celestial e trabalhem com</p><p>Seus anjos em Seu reino, a tornarem-se devedores de Satã, o senhor da</p><p>morte, de todos os pecados e de todas as enfermidades, e a sofrerem com</p><p>dores e suor até haverem reparado todos os seus pecados. Em verdade vos</p><p>digo que grandes e muitos são os vossos pecados. Durante muitos anos</p><p>haveis cedido às tentações de Satã. Haveis sido glutões, beberrões e</p><p>prostitutos, e vossas antigas dívidas se multiplicaram. E agora deveis</p><p>repará-las, e o pagamento é duro e difícil. Não vos impacienteis, no entanto,</p><p>no terceiro dia, como o filho pródigo, mas esperai pacientemente pelo</p><p>sétimo dia, que é santificado por Deus, e então ide com coração humilde e</p><p>obediente diante da face de vosso Pai Celestial, para que Ele possa perdoar</p><p>vossos pecados e todas as vossas antigas dívidas. Em verdade vos digo,</p><p>vosso Pai Celestial vos ama infinitamente, pois Ele também vos permite</p><p>pagar em sete dias as dívidas de sete anos. Daqueles que devem pecados e</p><p>enfermidades de sete anos, mas pagam honestamente e perseveram até o</p><p>sétimo dia, nosso Pai Celestial perdoará as dívidas de todos esses sete</p><p>anos.”</p><p>“E se nós pecamos por sete vezes sete anos?” Perguntou um homem</p><p>enfermo que sofria terrivelmente.</p><p>“Até mesmo nesse caso o Pai Celestial vos perdoa todas as vossas</p><p>dívidas em sete vezes sete dias.”</p><p>“Felizes são aqueles que perseveram até o fim, pois os demônios de</p><p>Satã escrevem todas as vossas más ações em um livro, o livro de vosso</p><p>corpo e de vosso espírito. Em verdade vos digo, não há uma só ação</p><p>pecaminosa, desde o início do mundo, que não esteja escrita diante de</p><p>nosso Pai Celestial. Pois podeis escapar das leis feitas por reis, mas das leis</p><p>de vosso Deus, dessas não pode escapar nenhum dos Filhos do Homem. E</p><p>quando chegais diante da face de Deus, os demônios de Satã testemunham</p><p>contra vós por meio de vossos atos, e Deus vê vossos pecados escritos no</p><p>livro de vosso corpo e de vosso espírito, e entristece-se em Seu coração.</p><p>Mas se vos arrependeis de vossos pecados e buscais aos anjos de Deus por</p><p>meio do jejum e da oração, então, cada dia que seguis jejuando e orando, os</p><p>anjos de Deus apagam um ano de vossas más ações do livro de vosso corpo</p><p>e de vosso espírito. E quando a última página é apagada e limpa de todos os</p><p>vossos pecados, vós estais diante da face de Deus, e Deus se alegra em Seu</p><p>27</p><p>coração e perdoa todos os vossos pecados. Ele liberta-vos das garras de</p><p>Satã e do sofrimento; faz-vos entrar em Sua casa e ordena que todos os</p><p>Seus servos, todos os Seus anjos vos sirvam. Vida longa Ele vos dá, e</p><p>nunca vereis enfermidade. E se, daí em diante, ao invés de pecar, passardes</p><p>vossos dias fazendo boas ações, então os anjos de Deus escreverão todas as</p><p>vossas boas ações no livro de vosso corpo e de vosso espírito. Em verdade</p><p>vos digo, nenhuma ação boa permanece sem ser escrita diante de Deus,</p><p>desde o início do mundo. Pois de vossos reis e de vossos governantes</p><p>podeis esperar em vão por vossa recompensa, mas vossas boas ações nunca</p><p>deixarão de ser recompensadas por Deus.”</p><p>“E quando vós chegais diante da face de Deus, Seus anjos</p><p>testemunham a vosso favor por meio de vossas boas ações. E Deus vê</p><p>vossas boas ações escritas em vossos corpos e em vossos espíritos, e se</p><p>alegra em Seu coração. Ele bendiz vosso corpo e vosso espírito, e todas as</p><p>vossas ações, e dá a vós por herança Seu reino Terreno e Celeste, para que</p><p>nele possais ter vida eterna. Feliz é aquele que pode entrar no reino de</p><p>Deus, pois nunca verá a morte.”</p><p>***</p><p>E um grande silêncio se fez após suas palavras. E aqueles que</p><p>estavam desanimados obtiveram nova força de suas palavras, e</p><p>continuaram jejuando e orando. E aquele que falou primeiro exclamou:</p><p>“Perseverarei até o sétimo dia”. E o segundo igualmente disse: “Eu também</p><p>perseverarei até sete vezes o sétimo dia”.</p><p>Jesus lhes respondeu: “Felizes são aqueles que perseveram até o fim,</p><p>pois eles herdarão a terra”.</p><p>E havia entre eles muitos enfermos atormentados por fortes dores, e</p><p>eles arrastaram-se com dificuldade até os pés de Jesus. Pois já não podiam</p><p>caminhar sobre seus pés. E disseram: “Mestre, a dor nos atormenta</p><p>intensamente, diz-nos o que devemos fazer.” E mostraram a Jesus seus pés,</p><p>cujos ossos estavam retorcidos e nodosos, e disseram: “Nem o Anjo do Ar,</p><p>nem o da Água, nem o da Luz do Sol aliviaram nossas dores, apesar de</p><p>termos nos batizado, jejuado e orado e seguido suas palavras em tudo”.</p><p>“Em verdade vos digo, vossos ossos sanarão. Não desanimeis, antes</p><p>buscai a cura próximo ao curador dos ossos, o Anjo da Terra. Pois dela</p><p>saíram vossos ossos, e para ela retornarão”.</p><p>28</p><p>E apontou com sua mão para onde a corrente de água e o calor do sol</p><p>haviam amaciado a terra dando um barro argiloso, à beira da água.</p><p>“Afundai vossos pés na lama, para que o abraço do Anjo da Terra extraia</p><p>de vossos ossos toda imundície e toda enfermidade. E vereis Satã e vossas</p><p>dores fugirem do abraço do Anjo da Terra. E desaparecerão as nodosidades</p><p>de vossos ossos, e eles serão endireitados, e todas as vossas dores</p><p>desaparecerão”.</p><p>E os enfermos seguiram suas palavras, pois sabiam que seriam</p><p>curados.</p><p>E havia também outros enfermos que sofriam muito com suas dores,</p><p>todavia, persistiam em seu jejum. E suas forças se esgotavam, e um calor</p><p>intenso lhes atormentava. E, quando se levantaram de seu leito para irem</p><p>até Jesus, suas cabeças começaram a girar, como se um forte vento lhes</p><p>sacudisse, e todas as vezes que tentavam se levantar, caíam de costas no</p><p>chão.</p><p>Então, Jesus foi até eles e disse: “Sofreis porque Satã e suas</p><p>enfermidades atormentam vossos</p><p>corpos. Mas não temais, pois o poder</p><p>deles sobre vós terminará logo. Pois Satã é como um vizinho colérico que</p><p>entrou na casa de seu vizinho enquanto ele estava ausente, pretendendo</p><p>levar seus bens para sua própria casa. Porém, alguém avisou ao outro que</p><p>seu inimigo estava saqueando sua casa, e ele regressou a ela correndo. E</p><p>quando o malvado vizinho, tendo reunido tudo o que lhe agradava, viu de</p><p>longe o dono da casa retornando de pressa, ficou furioso, pois não poderia</p><p>levar tudo, e se pôs a quebrar e estragar tudo o que havia ali, para destruir</p><p>tudo. Assim, ainda que essas coisas não pudessem ser suas, o outro não</p><p>teria nada. Porém o dono da casa chegou imediatamente, e antes que o</p><p>malvado vizinho concluísse seu propósito, agarrou-o e expulsou-o da casa.</p><p>Em verdade vos digo, de igual modo Satã entrou em vossos corpos, que são</p><p>a morada de Deus. E ele tomou em seu poder tudo o que desejou roubar:</p><p>vossa respiração, vosso sangue, vossos ossos, vossa carne, vossas</p><p>entranhas, vossos olhos e vossos ouvidos. Mas por meio de vosso jejum e</p><p>de vossa oração chamastes de volta o senhor de vosso corpo e seus anjos. E</p><p>agora Satã vê que o verdadeiro senhor de vosso corpo retorna e que é o fim</p><p>de seu poder. Por isso, em sua ira, ele reúne suas forças mais uma vez para</p><p>destruir vossos corpos antes da chegada do senhor. É por isso que Satã vos</p><p>atormenta tão intensamente, pois sente que seu fim chegou. Mas não</p><p>deixeis que vossos corações se estremeçam, pois logo aparecerão os anjos</p><p>de Deus para novamente ocupar suas moradas e consagrá-las como templos</p><p>29</p><p>de Deus. E eles prenderão Satã e o expulsarão de vossos corpos, junto com</p><p>todas as suas enfermidades e todas as suas imundícies. E felizes sereis vós,</p><p>pois recebereis a recompensa de vossa perseverança, e nunca mais vereis</p><p>enfermidade.”</p><p>E havia entre os enfermos um a quem Satã atormentava mais que a</p><p>todos os outros. Seu corpo estava seco como um esqueleto e sua pele</p><p>amarela como uma folha seca. Ele estava já tão fraco que nem sequer sobre</p><p>suas mãos podia arrastar-se até Jesus, e só de longe pôde gritar-lhe:</p><p>“Mestre, tem piedade de mim, pois nunca nenhum homem sofreu, nem</p><p>sequer desde o princípio do mundo, como eu sofro. Eu sei que tu és de fato</p><p>enviado por Deus, e sei que, se desejares, podes expulsar imediatamente</p><p>Satã de meu corpo. Não obedecem os anjos de Deus ao mensageiro de</p><p>Deus? Vem, Mestre, e expulsa agora Satã de mim, pois ele se enfurece com</p><p>raiva em meu interior e doloroso é seu tormento.”</p><p>E Jesus lhe respondeu: “Satã te atormenta tanto porque já tens</p><p>jejuado muitos dias, e não pagas a ele seu tributo. Não lhe alimentas com</p><p>todas as abominações com as quais até agora profanavas o templo do teu</p><p>espírito. Atormentas Satã com a fome, e por isso, em sua raiva, ele também</p><p>te atormenta. Não temas, pois te digo, Satã será destruído antes que teu</p><p>corpo seja destruído; pois enquanto jejuas e oras, os anjos de Deus</p><p>protegem teu corpo para que o poder de Satã não te destrua. E a ira de Satã</p><p>é impotente contra os anjos de Deus.”</p><p>Então vieram todos a Jesus, e com altos clamores lhe suplicaram,</p><p>dizendo: “Mestre, tem compaixão dele, pois sofre mais que todos nós, e, se</p><p>tu não expulsares rapidamente Satã de seu corpo, tememos que ele não</p><p>sobreviva até amanhã”.</p><p>E Jesus lhes respondeu: “Grande é vossa fé. Seja segundo vossa fé, e</p><p>logo vereis, face a face, o horrível semblante de Satã e o poder do Filho do</p><p>Homem. Pois expulsarei de vós o poderoso Satã, por meio da força do</p><p>inocente cordeiro de Deus, a mais fraca criatura do Senhor. Pois o Espírito</p><p>Santo de Deus torna o mais fraco mais poderoso do que o mais forte.”</p><p>E Jesus ordenhou uma ovelha que estava pastando na relva. E pôs o</p><p>leite sobre a areia iluminada pelo sol, dizendo: “Eis que o poder do Anjo da</p><p>Água já entrou neste leite. E agora também entrará nele o poder do Anjo da</p><p>Luz do Sol”.</p><p>E o leite aqueceu com a força do sol.</p><p>“E agora os anjos da água e do sol se unirão ao Anjo do Ar”.</p><p>30</p><p>E eis que o vapor do leite quente começou a levantar-se lentamente</p><p>pelo ar.</p><p>“Vem e aspira pela boca a força dos anjos da água, da luz do sol e do</p><p>ar, para que ela entre em teu corpo e expulse de ti Satã.”</p><p>E o enfermo a quem Satã atormentava aspirou, profundamente, para</p><p>seu interior o vapor branqueado que ascendia.</p><p>“Satã abandonará imediatamente teu corpo, já que fazem três dias</p><p>que ele não come e não encontra nenhum alimento dentro de ti. Ele sairá de</p><p>ti para satisfazer sua fome com o leite quente e fumegante, pois esse</p><p>alimento é de seu agrado. Ele cheirará seu aroma e não será capaz de</p><p>resistir à fome que o atormenta já há três dias. Porém o Filho do Homem</p><p>destruirá seu corpo para que não atormente a ninguém mais”.</p><p>Então o corpo do homem doente foi tomado por calafrios e ele</p><p>ansiava como se fosse vomitar, porém não podia. E ele aspirava o ar, pois</p><p>sua respiração estava esgotada. E desmaiou no colo de Jesus.</p><p>“Agora Satã abandona seu corpo. Vede-o.” E Jesus apontou para a</p><p>boca aberta do homem enfermo.</p><p>E então todos eles viram com espanto e terror como Satã saia de sua</p><p>boca, na forma de uma larva abominável, em direção ao leite fumegante.</p><p>Então Jesus pegou duas pedras pontiagudas com suas mãos e esmagou a</p><p>cabeça de Satã e extraiu do homem enfermo todo o corpo do monstro, que</p><p>era quase tão comprido quanto o homem. Quando a larva abominável saiu</p><p>da garganta do enfermo, ele recuperou imediatamente o fôlego, e então</p><p>cessaram todas as suas dores. E os demais olharam com terror para o</p><p>abominável corpo de Satã.</p><p>“Olha que besta abominável carregou e alimentou em teu corpo</p><p>durante tantos anos. Expulsei-a de ti e matei-a para que nunca mais possa te</p><p>atormentar. Dá graças a Deus por Seus anjos terem te libertado, e não</p><p>peques mais, para que Satã não retorne a ti novamente. Deixa que teu corpo</p><p>seja, de agora em diante, um templo dedicado a teu Deus.”</p><p>E todos eles ficaram abismados por suas palavras e seu poder. E</p><p>disseram: “Mestre, verdadeiramente tu és o mensageiro de Deus, e conhece</p><p>todos os segredos.”</p><p>“E vós – replicou Jesus – sejais verdadeiros Filhos de Deus, para que</p><p>possais também participar de Seu poder e do conhecimento de todos os</p><p>segredos. Pois a sabedoria e o poder somente podem provir do amor de</p><p>Deus. Amai, pois, vosso Pai Celestial e vossa Mãe Terrena com todo vosso</p><p>coração e com todo vosso espírito. E servi-os, para que Seus anjos possam</p><p>31</p><p>servir-vos também. Deixai que todos os vossos atos sejam sacrificados a</p><p>Deus. E não alimenteis a Satã, pois a retribuição do pecado é a morte. Mas</p><p>com Deus está a recompensa do bem, Seu amor, que é o conhecimento e o</p><p>poder da vida eterna”.</p><p>E todos eles ajoelharam-se para dar graças a Deus por Seu amor.</p><p>E Jesus partiu, dizendo: “Virei novamente a todos aqueles que</p><p>persistirem na oração e no jejum até o sétimo dia. A paz esteja convosco.”</p><p>E o homem enfermo de quem Jesus havia expulsado Satã se pôs em</p><p>pé, pois a força da vida havia regressado a ele. Respirou profundamente e</p><p>seus olhos clarearam-se, pois toda dor havia lhe abandonado. E atirando-se</p><p>ao solo onde Jesus havia estado, beijou a marca de seus pés e chorou.</p><p>***</p><p>E foi no leito de um rio que muitos enfermos jejuaram e oraram com</p><p>os anjos de Deus durante sete dias e sete noites. E grande foi sua</p><p>recompensa, pois seguiram as palavras de Jesus. E com o passar do sétimo</p><p>dia, todas as suas dores lhes abandonaram. E, quando o sol se levantou</p><p>sobre o horizonte, viram que Jesus vinha até eles desde a montanha, com o</p><p>esplendor do sol nascente ao redor de sua cabeça.</p><p>“A paz esteja convosco”.</p><p>E eles não disseram nenhuma palavra, mas somente se prostraram</p><p>diante dele e tocaram a borda de sua vestimenta, em agradecimento por sua</p><p>cura.</p><p>“Dai graças não a mim, mas à vossa Mãe Terrena, que vos enviou</p><p>Seus anjos curadores. Ide, e não pequeis mais, para que possais nunca mais</p><p>voltar a ver enfermidade. E deixai que os anjos curadores sejam vossos</p><p>guardiões.”</p><p>Porém eles lhe responderam: “Para onde</p><p>iremos, Mestre? Pois</p><p>contigo estão as palavras da vida eterna. Diz-nos quais são os pecados que</p><p>devemos evitar, para que nunca mais vejamos enfermidade”.</p><p>Jesus respondeu: “Assim seja segundo vossa fé”, e sentou-se no meio</p><p>deles, dizendo:</p><p>“Foi dito àqueles dos tempos antigos: ‘Honra teu Pai Celestial e tua</p><p>Mãe Terrena e cumpre Seus mandamentos, para que teus dias possam ser</p><p>muitos sobre a terra’. E em seguida lhes foi dado este mandamento: ‘Não</p><p>matarás’, pois a vida é dada a todos por Deus e o que Deus dá não deve o</p><p>homem arrebatar. Pois em verdade vos digo, de uma mesma Mãe procede</p><p>32</p><p>tudo o que vive sobre a terra. Portanto, quem mata, mata a seu irmão. E</p><p>dele a Mãe Terrena se afastará e retirará Seus seios vivificadores. E serão</p><p>evitados por Seus anjos, e Satã fará sua morada em seu corpo. E a carne dos</p><p>animais mortos em seu corpo se converterá em sua própria tumba. Pois, em</p><p>verdade vos digo, quem mata, mata a si próprio, e quem come a carne de</p><p>animais mortos come do corpo da morte. Pois, em seu sangue, cada gota do</p><p>sangue deles torna-se veneno; em sua respiração, a respiração deles torna-</p><p>se mal cheiro; em sua carne, a carne deles torna-se furúnculos; em seus</p><p>ossos, os ossos deles tornam-se gesso; em seus intestinos, os intestinos</p><p>deles tornam-se decomposição; em seus olhos, os olhos deles tornam-se</p><p>crostas; em seus ouvidos, os ouvidos deles tornam-se fonte de cera. E a</p><p>morte deles será a sua morte. Pois somente no serviço de vosso Pai</p><p>Celestial são vossas dívidas de sete anos perdoadas em sete dias. Enquanto</p><p>que Satã não vos perdoa nada e deveis pagar-lhe tudo. ‘Olho por olho,</p><p>dente por dente, mão por mão, pé por pé; queimadura por queimadura,</p><p>ferida por ferida, vida por vida, morte por morte’. Pois a recompensa do</p><p>pecado é a morte. Não mateis, nem comeis a carne de vossa inocente presa,</p><p>para que não vos torneis escravos de Satã. Pois esse é o caminho dos</p><p>sofrimentos e conduz à morte. Mas fazei a vontade de Deus, de modo que</p><p>Seus anjos possam servir-vos no caminho da vida. Obedecei, portanto, as</p><p>palavras de Deus: ‘Eis que vos dei toda a erva que produz semente, que há</p><p>sobre a face de toda a terra, e toda a árvore em que há fruto que dá semente.</p><p>Para vós, esse será o alimento. E a todo animal da terra, e a toda ave do céu,</p><p>e a tudo o que se arrasta sobre a terra, em que há o alento da vida, dou toda</p><p>erva verde como alimento. Também o leite de tudo que se move e que vive</p><p>sobre a terra será alimento para vós, assim como dei a eles toda erva verde,</p><p>dou a vós o seu leite. Mas a carne, e o sangue que a aviva não comereis. E,</p><p>seguramente, eu requererei vosso sangue que jorra, vosso sangue no qual</p><p>está a vossa alma; requererei todos os animais assassinados e as almas de</p><p>todos os homens assassinados. Pois Eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus</p><p>forte e zeloso, e visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e</p><p>quarta geração daqueles que me odeiam; e mostro misericórdia aos</p><p>milhares daqueles que me amam e cumprem meus mandamentos. Ama ao</p><p>Senhor teu Deus com todo teu coração, com toda tua alma e com toda tua</p><p>força; este é o primeiro e maior mandamento’. E o segundo é este: ‘Ama a</p><p>teu próximo como a ti mesmo’. Não há nenhum mandamento maior que</p><p>estes.”</p><p>33</p><p>E após essas palavras todos permaneceram em silêncio, exceto um</p><p>que disse: “O que devo fazer, Mestre, se ver uma besta selvagem atacar</p><p>meu irmão na floresta? Devo deixar meu irmão perecer ou matar a besta</p><p>selvagem? Não transgrediria assim a lei?</p><p>E Jesus lhe respondeu: “Foi dito àqueles dos antigos tempos: ‘Todos</p><p>os animais que se movem sobre a terra, todos os peixes do mar e todas as</p><p>aves do ar estão entregues a teu poder’. Em verdade vos digo, de todas as</p><p>criaturas que vivem sobre a terra, só o homem Deus criou à Sua imagem.</p><p>Por isso, os animais são para o homem, e não o homem para os animais.</p><p>Não transgredireis, portanto, a lei se matardes o animal selvagem para</p><p>salvar a vida de vosso irmão. Pois em verdade vos digo, o homem é mais</p><p>que o animal. Porém aquele que mata o animal sem causa alguma, sem que</p><p>este lhe ataque, pelo desejo por matança, ou por sua carne, ou por sua pele,</p><p>ou até mesmo por suas presas, malvada é a ação que comete, pois ele</p><p>próprio se converte em um besta selvagem. Portanto seu fim há de ser</p><p>também como o fim dos animais selvagens.”</p><p>E outro disse então: “Moisés, o maior de Israel, consentiu a nossos</p><p>antepassados comer a carne de animais limpos, e proibiu somente a carne</p><p>dos animais impuros. Por que, então, nos proíbes a carne de todos os</p><p>animais? Que lei vem de Deus, a de Moisés ou a tua?”</p><p>E Jesus respondeu: “Deus entregou, através de Moisés, dez</p><p>mandamentos a vossos antepassados. ‘Estes mandamentos são rigorosos’,</p><p>disseram vossos antepassados e não puderam cumpri-los. Quando Moisés</p><p>viu isto, teve compaixão de seu povo e não quis que perecessem. Em</p><p>verdade vos digo, se vossos antepassados houvessem sido capazes de</p><p>seguir os dez mandamentos de Deus, Moisés não haveria tido nunca</p><p>necessidade de seus dez vezes dez mandamentos. Pois aquele cujos pés são</p><p>fortes como a montanha de Sião, não precisa de muletas; enquanto que</p><p>aquele cujos membros fraquejam, chegam mais longe com muletas que sem</p><p>elas. E Moisés disse ao Senhor: ‘Meu coração está cheio de tristeza, pois</p><p>meu povo se perderá. Pois eles não têm conhecimento, nem são capazes de</p><p>compreender Teus mandamentos. São como filhos pequenos que não</p><p>podem entender ainda as palavras de seu pai. Consente, Senhor, que eu lhes</p><p>dê outras leis, para que eles não pereçam. Se eles não podem estar contigo,</p><p>Senhor, que ao menos não estejam contra ti; para que possam se manter, e</p><p>quando chegar o momento, e eles estiverem maduros para Tuas palavras,</p><p>revela a eles Tuas leis’. Por isso Moisés quebrou as duas tábuas de pedra</p><p>em que estavam escritos os dez mandamentos, e entregou a eles dez vezes</p><p>34</p><p>dez em seu lugar. E destes dez vezes dez, os escribas e os fariseus fizeram</p><p>cem vezes dez mandamentos. E colocaram insuportáveis cargas sobre</p><p>vossos ombros, que eles próprios não aguentam. Pois quanto mais próximos</p><p>estão os mandamentos de Deus, de um mínimo precisamos, e quanto mais</p><p>longe eles estão de Deus, então precisamos de uma quantidade maior. Por</p><p>isso inumeráveis são as leis dos escribas, sete as leis do Filho do Homem,</p><p>três as dos anjos, e uma a de Deus.”</p><p>“Por isso somente vos ensino as leis que podeis compreender, para</p><p>que possais vos tornar homens e seguir as sete leis do Filho do Homem.</p><p>Então os anjos desconhecidos do Pai Celestial também vos revelarão suas</p><p>leis, para que o Espírito Santo de Deus desça sobre vós e vos guie até sua</p><p>lei”.</p><p>E todos estavam admirados com sua sabedoria, e pediram-lhe:</p><p>“Continua, Mestre, e ensina-nos todas as leis que podemos receber.”</p><p>E Jesus continuou: “Deus ordenou a vossos antepassados: ‘Não</p><p>matarás’. Porém, seus corações estavam endurecidos e eles mataram. Então</p><p>Moisés desejou que pelo menos não matassem homens, e permitiu-lhes</p><p>matarem animais. E então o coração de vossos antepassados se endureceu</p><p>ainda mais, e mataram homens e animais por igual. Mas eu vos digo: Não</p><p>mateis nem homens nem animais, nem mesmo o alimento que entra na</p><p>vossa boca. Pois se comeis alimento vivo, o mesmo vos vivificará; porém,</p><p>se matais vosso alimento, o alimento morto vos matará também. Pois a vida</p><p>vem só da vida, e da morte vem sempre a morte. Porque tudo que mata</p><p>vossos alimentos, mata também vossos corpos. E tudo que mata vossos</p><p>corpos, mata também vossas almas. E vossos corpos se convertem no que</p><p>são vossos alimentos, assim como vossos espíritos igualmente se</p><p>convertem no que são vossos pensamentos. Portanto, não comais nada que</p><p>o fogo, o gelo ou a água tenham destruído. Pois alimentos queimados,</p><p>congelados ou apodrecidos queimarão, congelarão e apodrecerão também</p><p>vosso corpo. Não sejais como o agricultor insensato que semeou em seu</p><p>campo sementes cozidas, congeladas e podres, e chegou o outono e seus</p><p>campos não deram nada. E grande foi sua aflição.</p>