Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>bem-sucedida e convincente dos modelos de prática vigentes nas ciências naturais. Quando, seguindo esta linha evolutiva, a psi- cologia ultrapassa o nível da imitação formal e caricata, é para extinguir-se como ciência independente e afirmar-se solidamente II como uma disciplina biológica. Paralelamente estão as escolas e movimentos gerados por A Ocupação do Espaço matrizes "românticas" e "pós-românticas". Aqui se reconhece e sublinha a especificidade do objeto atos e vivências de um Psicológico sujeito, dotados de valor e significado para ele -, e reivindica-se total independência da psicologia diante das demais ciências. Em contrapartida, estas escolas carecem completamente da segurança que as de índole cientificista de uma forma ou de outra ostentam. obrigadas, então, a procurar novos cânones científicos que legitimem suas pretensões. Nas próximas seções apresento de forma sucinta as princi- 1. INTRODUÇÃO pais matrizes do pensamento psicológico, assunto que será reto- mado e aprofundado nos capítulos seguintes. Em virtude das obrigações incompatíveis com que está comprometida, a psicologia reproduz no plano teórico a am- 2. MATRIZES CIENTIFICISTAS bigüidade da posição do seu objeto: o sujeito dominador e dominado; o indivíduo liberto e reprimido. Por causa disso, na história da psicologia, a ordenação no tempo das inovações 2.1. Matriz nomotética e quantificadora teóricas e das descobertas empíricas só é tarefa razoável dentro dos contornos bem definidos de um corpo teórico ou na investi- Esta é a matriz que define a natureza dos objetivos e gação de uma problemática particular. No conjunto da dis- procedimentos de uma prática teórica como sendo realmente ciplina, porém, no lugar de uma história propriamente dita, seja científicos, e suas marcas estão presentes em todas as tentativas ela concebida como acumulação ou como revolução, nos depa- de se fazer da psicologia uma ciência natural. A matriz orienta o pesquisador para a busca da ordem natural dos fenômenos ramos com um complexo de relações sincrônicas, caracterizadas pelo antagonismo entre diversas orientações intelectuais ir- psicológicos e comportamentais na forma de classificações e leis gerais com caráter preditivo. redutíveis umas às outras. Cabe-nos, então, investigar o signifi- cado destas doutrinas no contexto dos conjuntos culturais de que As operações legítimas são a construção de hipóteses for- fazem parte e nas suas relações com o projeto autocontraditório mais (acerca de relações empíricas ou de mecanismos subja- de constituição da psicologia como ciência independente. Num centes), a dedução exata das destas hipóteses, na primeiro momento, esta investigação segrega dois grandes forma de previsões condicionais (cálculo), e o teste (mensura- agrupamentos de matrizes do pensamento psicológico que, como ção). Em alguns casos pesquisas exploratórias a única se verá posteriormente, subdividem-se em outras tantas operação efetuada é a mensuração, sustentada na pura observa- oposições internas. ção ou na intervenção deliberada do pesquisador. Neste caso, o procedimento de manipulação experimental concretiza uma ex- Encontramos, por um lado, escolas e movimentos sendo pectativa implícita e vaga quanto aos prováveis efeitos da inter- gerados por matrizes cientificistas, em que a especificidade do objeto (a vida subjetiva e a singularidade do indivíduo) tende a venção programada. Mas mesmo no caso da simples observação, há expectativas latentes definindo o quê e o como da mensura- ser desconhecida em favor de uma imitação mais ou menos ção. Em outras palavras, os momentos da formulação de 26 27</p><p>hipóteses e de previsões condicionais sempre atuam seja de Cabe aqui considerar as condições que permitem a aplica- forma manifesta ou encoberta e é o conjunto articulado das deste esquema explicativo aos fenômenos subjetivos da três cálculo e mensuração-que define e da ação, bem como avaliar as deste a lógica experimental. Esta lógica garante um movimento inces- Salta à vista, por exemplo, a incompatibilidade entre sante de autocorreção das expectativas acerca dos resultados de explicação mecanicista e a noção de um sujeito capaz de ação uma ação ou das associações naturais entre eventos. Em todo e inovadora. Da mesma forma, ao reduzir a ação caso, estas expectativas que num nível de maior formalização do sujeito à reação inevitavelmente gerada por causas antece- convertem-se em leis e um nível de maior amplitude convertem- dentes (sejam ambientais, sejam orgânicas), elimina-se a dimen- se em teorias orientam, ou são capazes de orientar, as práticas ética do comportamento e a responsabilidade individual. de controle do "ambiente natural". As aspas devem lembrar isto ao leitor: o que se concebe como "ambiente natural" é, por seu O atomicismo, por seu turno, despoja de status ontológico turno, definido pela possibilidade de aplicação da lógica experi- ON dimensões estruturais e as configurações; os conceitos rela- mental. Nesta medida, os aspectos da vida social passíveis deste cionais como o de organismo, valor e significado não encontram, tipo de tratamento devem ser incluídos na categoria de ambiente portanto, guarida. Ora, os antimecanicistas (românticos ou fun- natural. cionalistas) denunciarão a incapacidade de considerar estes nspectos da realidade como insuportável para as ciências da vida 2.2. Matriz atomicista e mecanicista em particular, para a psicologia. Em que pesem as acusações de mecanicismo e Esta matriz orienta o pesquisador para a procura de re- atomicismo assacadas contra as psicologias cientificistas, vere- lações deterministas ou probabilísticas, segundo uma concepção mos adiante que esta matriz foi muito influente apenas na linear e unidirecional de causalidade. Como preliminar do estudo pré-história da psicologia com pretensões e realizações con- da causalidade cumpre efetuar a análise dos fenômenos de forma científicas. O mecanicismo, efetivamente, pre- a identificar os elementos mínimos que os constituem. Subja- parou o terreno ideológico favorável à emergência de muitas cente ao procedimento analítico está a concepção atomística da ciências, entre as quais a psicologia, mas de há muito que sua realidade: real são os elementos que, em combinações diferen- influência declinou. Hoje ele representa um limite externo para tes, mecanicamente "causam" os fenômenos complexos, de na- qual, vez por outra, tendem os movimentos cientificistas. Da tureza derivada. mesma forma, os procedimentos de análise correntes na práticas A matriz, pela rígida noção de causalidade que abriga, de pesquisa obedecem, predominantemente, a concepções dife- reduz a temporalidade a um processo mecânico de desdobra- rentes da atomicista. mento das potencialidades de um estado inicial, segundo um encadeamento inexorável de causas e efeitos. A idéia de um 2.3. Matriz funcionalista e organicista futuro aberto a novidades e transformações inesperadas nasceria da nossa ignorância do estado presente; o passado, igualmente, Esta matriz, seguramente, exerceu e exerce sobre o pensa- poderia ser todo deduzido do presente se este fosse integralmente mento psicológico uma influência muito mais poderosa que a conhecido. A substituição do determinismo pelo probabilismo atomicista e Caracteriza-se por uma noção de reduz a ambição de conhecimento mas não altera essencialmente causalidade funcional que recupera dando credibilidade cien- o anti-historicismo mecanicista os procedimentos da tífica a velha noção de causa final de Aristóteles. Os fenômenos inferencial, no contexto mecanicista, visam, exatamente, separar vitais, realmente, precisam ser explicados em termos de sua da variabilidade intrínseca e da variabilidade aleatória as re- funcionalidade, dos seus "propósitos" objetivos são fenômenos lações efetivas de causa e efeito. A imprevisibilidade relativa que evoluíram e se mantêm na interação com as suas con- resultaria de um erro de cálculo ou de um "erro" da natureza. Mais que isso: são fenômenos que incorporam seus efeitos nas suas próprias Encontramos então uma causalidade circular em que um efeito também é causa de sua 28 29</p><p>causa e uma causa é também efeito de seu efeito. A isto se de anulá-los aparecem as noções pragmáticas de acrescente a sobredeterminação de cada fenômeno: a funcio- conveniência e adequação. Diante do conflito, uma técnica de nalidade de um órgão, de um mecanismo, de um processo é conveniente e adequada se o elimina ou reduz, fisiológico, de um comportamento etc. remete necessariamente a harmonia e a complementaridade, o "equilí- ao todo de que faz parte e se define apenas no contexto da Nos capítulos correspondentes a esta matriz procurarei, interdependência das partes deste É o organismo, sua como no caso das anteriores, identificar as condições de aplica- adaptação, sobrevivência e reprodução, que confere significado bilidade do funcionalismo ao estudo dos fenômenos subjetivos e a cada um dos fenômenos vitais. A análise obedecerá, então, a avaliar suas em termos das práticas sociais que regras diferentes daquelas que emanam do atomicismo. A sub- assim legitimadas. divisão da matéria na tentativa de detectar os elementos mínimos é substituída pela análise que procura identificar e respeitar os sistemas funcionais. A totalidade estruturada do organismo e 3. MATRIZES CIENTIFICISTAS E IDEOLOGIAS seus padrões de interação funcional com o ambiente são sempre pressupostos na análise. Uma outra característica desta matriz, que nasceu junto Para além da dimensão ideológica particular a cada uma com a biologia, é a atenção dispensada aos processos temporais. das matrizes cientificistas, cumpre considerar a contribuição Os seres vivos têm história: uma história óbvia e visível a do generalizada do cientificismo psicológico para a consolidação e desenvolvimento e outra que se impõe como uma exigência justificação dos padrões de interação social. da inteligibilidade científica (avessa a milagres) a da evolução. Há em todas as manifestações na psicologia das matrizes Diante da necessidade de oferecer solução ao enigma da tem- a preocupação com a produção do conhecimento poralidade dos seres vivos, a matriz funcionalista e organicista útil. A utilidade, porém, deve ser avaliada tanto no nível prático sempre conservando seu esquema funcional de explicação se como no simbólico. Não devemos buscá-la apenas através da dividirá em duas submatrizes: a submatriz ambientalista e a avaliação da eficiência das técnicas. De fato, um dos focos mais submatriz nativista. Na primeira, enfatiza-se o controle do desen- antigos e constantes da pesquisa psicológica tem sido a elabora- volvimento da função pelas suas adaptativas de técnicas: técnicas psicométricas, técnicas de treinamento diatas; na segunda, sublinha-se a natureza biologicamente técnicas de persuasão, técnicas terapêuticas etc. Indubi- herdada das funções adaptativas (o controle pelas muitas destas técnicas são eficientes para os fins que ambientais é mediado pela reprodução). propõem e nos contextos em que costumam ser usadas. No O funcionalismo organicista, ao superar o atomicismo e o à psicologia do século XX coube a tarefa de fornecer, mecanicismo, resgatou as noções de valor e significado. Estes mais que técnicas, legitimações. É necessário dar às práticas conceitos se aplicam apenas a realidades dotadas de estrutura e sociais de controle e dominação a legitimidade que ainda lhes é intenção, como é o caso dos processos de interação (debilmente) negada pelos resíduos do Para isto é Contudo, este "estruturalismo" biológico está fundado na idéia fundamental uma prática que tenha toda a aparência da cienti- de complementaridade entre as partes do sistema. O conflito o importante não é a eficiência das técnicas na solução caracterizaria uma disfunção patológica. Esta concepção, que de problemas fora das condições altamente específicas em que provavelmente é verdadeira para a biologia, traz para a psicolo- costumam ser elaboradas e O que importa é que elas gia uma inevitável. A dimensão ética do compor- existam e possam exibir orgulhosamente seu caráter de ciência tamento que é inegavelmente uma dimensão essencial e aplicada. Sua mera existência transmite, então, a seguinte men- diferenciadora do comportamento humano tende a trans- sagem: uma tecnologia psicológica é possível e não há mal formar-se, sob a ótica funcionalista, em uma técnica de so- nenhum em usá-la (a ciência garante). Neste contexto é que brevivência. No lugar das noções de bem e mal, justo e injusto verdadeiro significado da pesquisa pura pode ser etc. que orientam o enfrentamento moral dos conflitos, sem a Muitas vezes acusada de desvinculação e descompromisso com 30 31</p><p>a solução dos problemas práticos, é ela porém, a pesquisa "de Várias correntes das chamadas psicologias humanistas, a base", a maior fiadora da possibilidade de aplicar aos fenômenos da decrepitude de W. Reich e a bioenergética, a terapia subjetivos os modelos de inteligibilidade das ciências naturais e, e outras técnicas corporais trazem, em diferentes em de submeter aqueles fenômenos ao interesse tecnológico. Isto ela o faz sem sujar as mãos, apoiando-se justa- as marcas desta matriz que está, por sinal, profundamente emaizada no senso comum da prática psicológica e nas repre- mente no seu pretenso descompromisso com os problemas prá- Este esforço de legitimação é tanto mais necessário porque sociais da psicologia. as práticas de dominação e controle social estão sujeitas a um processo incessante de contestação cujas manifestações teóricas 1.2. Matrizes compreensivas no campo da psicologia emergem das matrizes românticas. Considerarei, em capítulos separados, três grandes linhas compreensivas - o historicismo idiográfico, o estruturalismo e a 4. MATRIZES E Destas, apenas a primeira pode ser claramente Identificada como uma matriz romântica. Os estruturalismos são 4.1. Matriz vitalista e naturista de fato reações anti-românticas de índole tendencialmente cien- enquanto a fenomenologia é um dos coroamentos da Tudo o que fora excluído pelas matrizes cientificistas é filosófica racionalista, iluminista e, portanto, anti-ro- recolhido pelo conjunto de atitudes e perspectivas intelectuais mántica. Não obstante, enquanto matrizes do pensamento psi- que estou denominando de vitalismo naturista: o cológico, elas se inscrevem numa problemática instaurada pelo o "indeterminado", o "criativo", o "espiritual" etc. Trocam-se os a problemática da expressão. O que as unifica é sinais, mas permanece a divisão entre razão e "vida". Os vitalistas visar mediante os mais diversos procedimentos a experiência tomam partido: são a favor da "vida" e contra a razão. O interesse humana inserida no universo cultural, estruturada e definida por tecnológico, com suas exigências de classificação, cálculo e manifesta simbolicamente. Diante dos fenômenos vitais de mensuração, deve ser aceito apenas para o trato com a matéria natureza expressiva coloca-se a exigência de compreensão, que inerte, mas precisa ser superado no trato com a vida e, particu- NO converte em interpretação quando a compreensão imediata é larmente, com a forma de vida mais elevada, a vida espiritual do bloqueada. homem; a inteligência conceitual, a serviço da prática de con- O conhecimento compreensivo é impulsionado pelo inte- trole, deve ser susbstituída pela intuição, pela apreensão imedia- resse comunicativo e o real, objeto deste conhecimento; são, ta da natureza das coisas, pelo entregar-se e eletiva ou analogicamente, formas simbólicas e/ou modos ex- fundir-se sem intermediários ao fluxo do élan vital. Em que pese pressivos, ou seja, manifestações de uma subjetividade (indivi- a indigência dos mitos naturistas, como são a manifestação dual ou coletiva) atravessada pela intenção comunicativa e espontânea do material reprimido pela ciência, estão sempre projetada na direção de uma intenção compreensiva. aflorando nas diversas seitas psicológicas unificadas pelo anti- racionalismo, pela mística da vivência autêntica, pré-social e O historicismo idiográfico busca a captação da experiência pré-simbólica. É o sujeito que, por não se reconhecer na sua como se constitui na vivência imediata do sujeito, com sua ciência, na imagem que lhe devolve o espelho científico, desiste sui generis de significados e valores, irredutível a de obter de si uma imagem refletida. O conhecimento da vida esquemas formais e generalizantes. A compreensão psicológica pela vida e do espírito pelo espírito passa a se identificar com a deve individualizar o sujeito, como a compreensão histórica deve própria vivência e com a própria experiência espiritual. No lugar individualizar uma época e uma cultura, e a compreensão esté- do interesse tecnológico domina aqui o interesse estético, con- tica, uma obra de arte, porque somente as configurações únicas templativo e apaixonado, em que se anulam as diferenças entre peculiares ao sujeito, à época ou à obra conferem sentido a cada sujeito e objeto do conhecimento e a diferença entre ser e um dos seus elementos e manifestações parciais. conhecer. 32 33</p><p>O problema de difícil solução para o historicismo idiográ- Nele se debateram e atolaram durante anos os epis- fico é o do método. Inicialmente a compreensão era concebida e os profissionais das ciências compreensivas. como revivência e simpatia. Entretanto, a revivência integral não é possível: não se sai da própria pele para se meter na alheia a Uma das soluções para o problema da compreensão foi perspectiva do intérprete, sua história, sua inserção particular pelos estruturalismos. Aqui o trabalho de inter- num universo simbólico particular o acompanham a toda parte. tenta se modelar pelos procedimentos de hipotetização, Mas mesmo que fosse possível a revivência perfeita, não se teste de hipóteses, característicos das ciências naturais. resolvia assim o problema do conhecimento, que supõe a possi- A preocupação dos estruturalismos é a de elaborar mé- bilidade de enunciação. Um psiquiatra que revivesse integral- técnicas de interpretação que conquistem o mesmo grau mente a experiência da loucura ficaria tão incapaz quanto o e objetividade que obtido pelas ciências da próprio louco de compreender-se e ser compreendido. histori- Embora queiram chegar à compreensão da vivência na ador que se transportasse integralmente ao passado, de forma a experiência irrefletida e imersa nos horizontes da cultura, intro- experimentar "de dentro" os grandes acontecimentos históricos uma longa mediação metodológica e técnica a fim de segundo a ótica dos seus atores, não poderia proporcionar ao neutralizar a subjetividade do pesquisador e a consciência ime- presente uma melhor compreensão deste passado tão intensa- do sujeito, promovendo o encontro dos dois no terreno mente vivido. Ao invés da revivência, propõe-se, então, a recon- das estruturas inconscientes. strução do sentido. Há que decifrar e interpretar as manifestações A intenção dos estruturalismos é re-construir as estruturas vitais, culturais e psicológicas, ou seja, cabe às ciências do das "mensagens", as regras que inconscientemente espírito uma tarefa hermenêutica. controlam a organização das formas simbólicas e a emissão dos Para que a hermenêutica se eleve à condição de ciência, Quando o e o interpretado compartilham desprendendo-se do solo místico e religioso em que surgiu e foi Integralmente as mesmas regras de comunicação, o processo é cultivada, precisa equacionar a resolver o problema da verdade: e imediato. Caso contrário, é necessário inventar hipóteses como escolher entre interpretações conflitantes? Como discernir destas regras e testar sua pertinência na própria prática o significado verdadeiro das vivências e das intenções que se Interpretativa. Não é necessário inventar uma regra para cada oferecem ao intérprete numa linguagem ci- mensagem: as estruturas geradoras, segundo o estruturalismo, frada? A dificuldade decorre da exigência simultânea de tarefas uma existência transistórica e transindividual, sendo mutuamente condicionadas. Para que a interpretação alcance o capazes de, a partir do seu conjunto finito de elementos, engen- significado da mensagem e não seja nem uma redução da uma variedade infinita de formas. É exatamente este caráter mensagem a esquemas formais pré-definidos nem uma constru- das estruturas profundas da vida simbólica que permite, em ção arbitrária a sabor dos vieses do intérprete, é necessário que última análise, a comunicação entre as mais diferentes culturas, o esclarecimento do sentido seja simultâneo à elaboração do épocas históricas e personalidades. instrumental (regras e conceitos de interpretação); ao mesmo Finalmente, encontramos na fenomenologia uma tentativa tempo deve-se decifrar e construir o código da decifração. Não de superação tanto do cientificismo a cujo charme os estrutu- se pode dar um único passo interpretativo sem que exista um ralistas como do historicismo. esboço de código, que nada mais é que a operacionalização de uma antecipação de compreensão. Como validar esta antecipa- O problema para cuja solução foi criada a fenomenologia ção senão na prática interpretativa, procurando atrair os detalhes o da fundamentação do conhecimento. A fenomenologia re- da mensagem ao esquema prévio? Mas é alta a probabilidade das chaça duas alternativas epistemológicas denunciando suas con- interpretações parciais "validarem" a compreensão antecipada, céticas. A legitimação naturalista do conhecimento já que estes detalhes foram interpretados à luz de regras que como ocorre no empirismo é inadequada porque as formas do correspondem àquela antecipação. É este o famoso círculo her- mundo se apresentar à consciência não são oriundas da própria experiência, senão que a precedem e suas condições de possibilidade. Faz ainda menos sentido a tentativa de extrair 34 35</p><p>da experiência os critérios de avaliação da falsidade ou ve- esse padrão não se poderiam validar os conhecimentos racidade dos juízos empíricos. É necessário supor, para não cair em qualquer época e cultura e por qualquer in- no ceticismo, que todo conhecimento ou juízo empírico retire sua inclusive as teses historicistas e idiográficas. Em outras certeza de uma estrutura cognitiva apriorística que defina as o ceticismo seria a direta do relativismo formas, as categorias e os mecanismos da cognição de acordo historicista. Demonstrava-se assim a impossibilidade de com os quais as evidências possam se constituir e validar. Se o ciência estritamente idiográfica, destinada à compreensão conhecimento for totalmente naturalizado, reduzido a um fato do Individual (fosse uma personalidade, uma cultura, uma obra no mundo de fatos, a um produto psicofísico qualquer, ele "de dentro" e sem nenhum pressuposto. A fenomenologia carecerá de toda normatividade. Um fato é ou não é, mas não se apresenta como a propedêutica de toda ciência compreensiva, lhe pode aplicar as categorias de certo e errado, verdadeiro ou IA que une o reconhecimento da especificidade dos eventos falso. Nesta medida, a procura de fundamentos seguros mediante atos de um sujeito atravessados por uma inten- uma imersão nos objetos do conhecimento conduziria ao ceti- que deve ser apreendida mediante a interpretação cismo. O fundamento, ao contrário, deve ser procurado do lado de suas manifestações sensíveis com o reconhecimento da da consciência pura, do sujeito transcendental que determina as necessidade de uma ciência das essências. Esta ciência daria a condições de existência para a consciência de todos os objetos e serviria de guia para as ciências compreensivas da vida espiritual. Trata-se de efetuar a descrição das estruturas apriorísticas da consciência. Os objetos nesta disciplina não são os eventos naturais, mas os fenômenos, aquilo que se dá à A fenomenologia da consciência transcendental, con- consciência, ou, dito de outra forma, é visado por ela como pura com outras tradições filosóficas, e literárias, está na essência. A consciência para a fenomenologia seria uma pura origem dos existencialismos, cujas repercussões no pensamento intencionalidade: é sempre consciência de algo. Afenomenologia são mais profundas que as diretamente provenientes (ciência eidética) procura descrever a essência do algo visado da filosofia fenomenológica. As várias correntes existencialistas pela consciência (investigação noemática) e a essência das estru- unificam-se pelo intuito de descrever e elaborar as categorias turas gerais e dos modos específios da consciência visar seus analíticas da existência concreta. A fenomenologia da existência objetos (investigação noética que esclarece a essência da percep- (ou, em alguns autores, do existente) humana descobre que o ção, da recordação, da imaginação, do juízo etc.), nas diferentes homem é um ser que não tem essência alguma pré-definida. A esferas das relações intencionais (experiência religiosa, ex- existência é o modo de ser de quem projeta e realiza seu destino, periência moral, experiência estética, experiência científica, ex- Indissociavelmente a uma situação, mas trans- periência afetiva interpessoal etc.). cendendo-a num impulso incessante para a frente, para o futuro, para o nada, para a morte. As descrições da estrutura universal Apreendendo os eventos psíquicos de acordo com a sua da existência servem de fio condutor para a descrição das formas especificidade que é a de não serem coisas no mundo mas atos empiricamente dadas de existência (formas autênticas e formas constitutivos do mundo a fenomenologia proporcionaria à alienadas, formas patológicas etc.). A antropologia fenome- psicologia as normas para compreender e interpretar as modu- nológica existencialista dá o quadro de referências (os elementos lações da consciência empírica, vale dizer, as formas de relacio- e a norma, o "modelo" de sujeito) que será investigado pelas namento sujeito/objeto concretamente vivenciadas. ciências humanas empíricas. A compreensão do indivíduo, são Em relação ao historicismo idiográfico, a fenomenologia ou "doente", implica na reconstrução do seu mundo, na também o denuncia como irremediavelmente cético. A história, explicitação dos horizontes implícitos que conferem sentidos a como a experiência, não fornece os critérios seguros para inter- seus atos e vivências conscientes, no desvelamento do projeto pretar e validar seus produtos; entre os quais, para sermos existencial que subjaz a todas as suas ações. Quando se esclarece historicistas conseqüentes à própria filosofia historicista. Não a estrutura e a natureza do mundo do existente e se estabelece podemos admitir a completa irredutibilidade das épocas, das a vinculação desta estrutura com o que há de mais subjetivo, isto culturas e das personalidades a um padrão normativo comum, é, o projeto, torna-se possível tomar todas as manifestações do 36 37</p><p>sujeito seus discursos, seus gestos, seu comportamento inten- à Psicanálise e a toda a obra de Jean Piaget reflete-se a cional, suas obras e, em última análise, toda a sua vida e suas intenção. É ela também que inspira as grandes tentativas opções como mensagens. Mas na origem destas mensagens não como a da psicologia da forma, ou gestaltismo. encontramos uma estrutura impessoal, objetiva e passível de o campo da psicologia social foi sacudido por análise à moda cientificista, como é o caso para os estrutu- novas de unificação e síntese, como a de Harré e ralismos. Encontramos um sujeito e suas escolhas. que em muitos aspectos se aproxima do gestaltismo. Ao longo dos próximos capítulos algumas menções se farão a estes exemplares. 5. MATRIZES E IDEOLOGIAS PARARRELIGIOSAS A percepção da impossibilidade de uma unificação neste desde W. Wundt, vem gerando projetos de partilha e Assim como as matrizes cientificistas secretam ideologias da disciplina. Wundt diferenciava a causalidade científicas, as matrizes românticas e pós-românticas (com exce- da psicológica, processos internos e externos e, o que mais ção dos estruturalismos, que, ao contrário, fazem a balança importa, uma psicologia experimental quase fisiológica e pender para o outro lado) produzem ideologias psicologia étnica que era o estudo dos processos mentais pararreligiosas: elas divulgam o culto da experiência única, e internos, totalmente subordinados à causalidade irredutível, intransferível e incomunicável, uma mística da liber- e a seus processos sui generis, mediante a análise das dade de escolha individual e do indeterminismo. No altar desta obras e manifestações culturais, como a linguagem. nova religião está colocado o "indivíduo", a "liberdade" e outras No início do século o psiquiatra K. também imagens do gênero, sem que se coloque com seriedade uma distribuiu os fenômenos psicológicos entre uma ciência da na- análise das condições concretas que poderiam permitir sua destinada a explicá-los, e uma ciência do espírito, desti- realização. Se as ideologias científicas do pensamento psicoló- nada a descrevê-los e compreendê-los. Hoje é possível encontrar gico afirmam que o sujeito é um objeto tão bom quanto outro autores como S. que, reconhecendo a diversidade da qualquer para o exercício do poder, e legitima a dominação com pnicologia, aceita-a como inevitável e preconiza, inclusive, a o manto idôneo da ciência, as ideologias românticas completam: anexação das diversas áreas e linhas de pesquisa (que ele deno- independentemente destas questiúnculas de dominação e poder, mina de "estudos psicológicos") às disciplinas mais próximas. a liberdade humana é indestrutível, o indivíduo é livre e a própria assim, adjacentes às diferentes disciplinas biológicas, escravidão é uma opção do sujeito. Se nada me prende e minha territórios de estudos psicológicos; o mesmo em relação às vida é meu projeto, a solução é minha e para mim. Estas disciplinas sociais. Há ainda quem defenda a permanência da ideologias legitimam assim o retraimento do sujeito sobre si duplicidade e metodológica, articulando as dife- mesmo numa inflação inconseqüente e formal da subjetividade. rentes psicologias daí resultantes ao nível da prática de resolução Nesta medida, se há oposição entre as ideologias científicas de problemas, aonde cada uma teria sua contribuição específica. psicológicas e as pararreligiosas, elas, de uma certa forma, se Esta posição é, por exemplo, a de que afirma: "A complementam. característica própria do comportamento consiste, portanto, (...) no fato de ele ser penetrado de uma intencionalidade compreen- 6. PERSPECTIVAS ATUAIS sível e de uma ação das leis da natureza viva. Não acreditamos que a ciência do comportamento possa eliminar um desses elementos em proveito do outro". Um outro autor, A instabilidade epistemológica da psicologia, que se reflete assumindo uma ótica pragmática, reúne o que ele chama de no traçado ziguezagueante e circular das modas psicológicas, faz "tradição humanista" e "psicologia mecanista". "Ajudar o cliente com que permaneça sempre atual o projeto creio que essencial- a esclarecer seus objetivos; tentar entender como ele vê o pro- mente inviável de uma unificação filosófica e metodológica. Do blema e o que concebe como solução; nesta atividade os métodos behaviorismo tosco de J. B. Watson ao sofisticado de B. F. da psicologia humanista são apropriados. Descobrir a natureza 38 39</p><p>dos recursos psicológicos disponíveis pelo cliente; nesta ativida- de os métodos da psicologia mecanista podem se mostrar úteis". 4. A conduta ética repousa na consideração racional dos fins, enquanto a encarna a consideração racional dos meios. A substituição da ética pela A posição defendida por Howarth nada mais é que uma explici- que resulta da matriz funcionalista corresponde à fetichização dos meios tação um tanto embelezada do ecletismo que, sob dominância dos fins da ação social, o que abre no funcionalismo um flanco muito funcionalista, mas incluindo também uma forte dose de à crítica ideológica. humanismo vitalista, constitui o senso comum da psicologia e é 5. Para o esclarecimento do conceito, ver CANGUILHEM, G. Qu'esce qu'une muito facilmente encontrado nos subterrâneos da prática profis- scientifique. Em: CANGUILHEM, G. Idéologie et rationalité. Paris, Vrin, sional de inúmeros psicólogos, reinando quase absoluto entre os p. 33-45. No artigo se pode ler: "Uma ideologia científica tem uma ambição de ser ciência, imitando algum modelo de ciência já constituída. (...) Com alunos dos cursos de psicologia. O ecletismo é a maneira predo- este contágio de cientificidade é buscado? Este fim é prático. A ideologia minante da comunidade profissional enfrentar as contradições ) funciona como auto-justificação dos interesses de um tipo de sociedade". do projeto de psicologia como ciência independente. Sua princi- 6. Uma discussão interessante acerca da dimensão ideológica da psicologia pal desvantagem é que neste enfrentamento as contradições aprendizagem "básica" pode ser encontrada em KVALE, S. (The psychology of ficam camufladas, travestidas em complementaridade, e a pró- learning as ideology and technology. Behaviorismo, 1976, p. 97-116), cujo título a influência habermasiana. pria natureza do projeto é subtraída do plano da reflexão e da 7. crítica. A irrelevância dos objetos e resultados de grande parte da pesquisa básica psicologia é um dos principais alvos de seus detratores. É um desperdício de Passo em seguida a expor com maiores detalhes as diversas tempo e dinheiro, dizem eles. Esta mesma irrelevância é justificada e defendida matrizes e submatrizes do pensamento psicológico, para no produto inevitável e necessário da aplicação de uma metodologia rigorosa último capítulo retornar à discussão das perspectivas atuais da não pode prometer resultados imediatamente úteis, mas que, a longo prazo, único caminho para lançar as bases científicas de novas técnicas socialmente psicologia. Há talvez uma parcela de razão com uns e outros. que parece ter desapercebido a todos é a função crítica da irrelevância no contexto de ideologia científica. irrelevante é o que mais desconcerta o leigo: como NOTAS tanto tempo, talento e dinheiro nisso? No entanto, pessoas sérias, bem formadas, e até bem intencionadas, continuam gastando. A irrelevância trans- forma-se então em hermetismo! leigo acaba vendo no difícil de entender um 1. Há, contudo, como se verá nos próximos capítulos, vários casos de mescla de profunda sabedoria e alta ciência. Para uma boa aparência de cientifi- das duas matrizes, gerando discursos particularmente frágeis como o de J.B. quanto mais irrelevante melhor. Watson, o "pai" do behaviorismo (mais detalhes no capítulo V). 8. Natura naturans é a natureza enquanto processo de autocriação, em 2. Convém aqui assinalar, para evitar confusões, que muitas versões da oposição a natura naturata que é a natureza enquanto resultado daquele processo. matriz funcionalista se apresentam como modelos de máquinas. São, porém, máquinas cibernéticas capazes de auto-regulação em função de metas pré-de- 9. Uma apresentação sumária desta posição será feita no último capítulo. finidas ou sujeitas à redefinição pela própria máquina com base na avaliação de leitor interessado numa exposição original e sintética da proposta deve recorrer seu desempenho. É necessário, portanto, separar o mecanicismo - com sua HARRÉ, R. Making social psychology scientific. Em: GILMOUR, R. DUCK, S. causalidade e reversível (e por isso, de qualquer momento pode-se (org.) The development of social psychology. Nova lorque, Academic Press, 1980, deduzir todo o futuro e todo o passado) e o maquinismo, já que a máquina pode 27-51. ser concebida em termos mecânicos ou em termos funcionais e, propositivas, 10. A duplicidade e a complexidade do projeto de psicologia de Wundt, auto-reguláveis e irreversíveis (as conseqüências alteram o estado inicial do durante muito tempo confundido com o de E.B. Titchener, vem sendo recente- sistema, de tal forma que o retorno a ele já não é mais possível). mente o tema de vários trabalhos, entre os quais se recomendam: 3. A dependência dos conceitos de significado e valor das formas organi- A reappraisal of Wilhelm Wundt. American psychologist, 1975 (30): 1081- zadas e finalistas da ação é apontada por E. Spranger com as seguintes palavras: 1088. Idem. Wilhelm Wundt and early americam psychology; a clash of cultures. "Sentido é sempre relacionado a valores. Digo que uma interconexão funcional é RIEBER, R.W. SALZINGER, K. (org.) Psychology. Theoretical-historical dotada de sentido quando todas as ocorrências parciais nela contidas são com- perspectives. Nova Academic Press, 1980, p. 23-42. DANZIGER, K. The preensíveis a partir de sua relação com desempenhos totais dotados de valor. (...) positivist repudiation of Wundt. Journal of the History of the Behavioral Sciences, Um organismo é dotado de sentido na medida em que suas funções próprias estão 1979 (15): 205-230. LEAHEY, T.H. The mistaken mirror: on Wundt's and orientadas para a conservação de sua existência sob dadas condições de vida e Titchener's psychologies. Journal of the History of the Behavioral Sciences, 1981 porque esta conservação pode ser julgada valiosa para ele" OSPRANGER, E. (17): 273-282. Embora estes textos, por serem em inglês, possam oferecer alguma Formas de vida. Rio de Janeiro, Zahar, 1976, p. 31). dificuldade de leitura para alguns alunos, são absolutamente indispensáveis para # compreensão da psicologia wundtiana no seu contexto cultural e científico. 40 41</p><p>11. Cf. JASPERS, K. Psicopatologia Geral. Rio de Janeiro; Livraria Atheneu, 1979. 12. Cf. KOCH, S. Psicologia e ciências humanas. Em: GADAMER, H.G. VOGLER, P. (org.). Nova antropologia. Vol. 5. São Paulo, EPU/EDUSP, 1977, p. 144-168. 13. Cf. NUTTIN, J. comportamento humano: o homem e seu mundo fenomenal. Em: GADAMER, H.G. VOGLER, P. (org.). Op. cit., p. 118-143. Este texto de Nuttin é extremamente claro e penetrante. O que, somado ao seu fácil acesso ao leitor brasileiro, o torna uma indicação obrigatória para leitura e Matriz Nomotética e discussão. Conviria lê-lo efetivamente como complementação a este segundo capítulo. Quantificadora 14. Cf. HOWARTH, C.I. The structure of effective psychology. Em: MAN, A.J. JONES, D.M. (org.) Models of man. Leicester, The Britisch Psycholo- gical Society, 1980, p. 143-158. Esta coletânea é formada pelos textos das conferências apresentadas num simpósio em 1979, acerca dos modelos de homem e de comportamento humano. Inclui tanto a discussão dos modelos que subjazem às práticas científicas vigentes na psicologia como a proposta de modelos alter- nativos e mais adequados à pesquisa e à prática profissional. 1. INTRODUÇÃO A prática científica, qualquer que seja sua natureza parti- cular e seus procedimentos específicos, empenha-se em tornar inteligível para o homem um domínio da sua experiência. No caso das ciências naturais a procura da inteligibilidade repousa na crença numa ordem natural, vale dizer, numa ordem inde- pendente de cada um dos sujeitos que a experimentam. Esta crença não tem nada de gratuita e é um concebê-la como um mero expediente de conveniência. A crença na ordem natural origina-se na e justifica-se pela história da espécie homo sapiens. Somos uma espécie que se caracteriza pela produção da própria existência - trabalhamos. A eficiência de nossas práticas produtivas - do rudimentar extrativismo à sofis- ticação de uma fábrica robotizada depende de apreensão teórica de regularidades entre eventos independentes do homem e de regularidades entre ações e trabalho por um lado exige e por outro testa a nossa capacidade de formar idéias que as regularidades naturais, e estas idéias é que orientarão a fabricação dos instrumentos e a codificação das técnicas produtivas. Na verdade, o trabalho é apenas a forma mais complexa e poderosa dos seres vivos se adaptarem ao ambiente exercendo algum controle sobre ele. No nível mais simples, há respostas adaptativas padronizadas, cujas formas e condições de ocorrên- cia dependem essencialmente da informação filogenética - são 42 43</p>

Mais conteúdos dessa disciplina