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<p>EDUCAFISIOEDUCAFISIO</p><p>NOVEMBRO DE 2020</p><p>AUTISMOAUTISMO</p><p>O projeto EducaFisio.......................................... 3</p><p>Mundinho azul................................................... 4</p><p>Entendendo o TEA............................................. 6</p><p>O que os profissionais dizem............................ 16</p><p>A família e o diagnóstico.................................. 20</p><p>A Fisioterapia e o autismo............................... 23</p><p>Exercicios e atividades...................................... 25</p><p>O TEA nas escolas.............................................. 28</p><p>Inclusão social.................................................... 32</p><p>O preconceito e o autismo ................................ 34</p><p>Como ajudar o seu filho.................................... 36</p><p>Depoimentos de alguns pais............................ 38</p><p>Conheça outros pais......................................... 43</p><p>Sumário</p><p>Somos estudantes de Fisioterapia na</p><p>Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais</p><p>(FCMMG). Realizamos esse projeto com a</p><p>intenção de auxiliar e orientar os tutores e</p><p>familiares de crianças autistas. Temos o</p><p>objetivo de trazer de forma clara e simples</p><p>todo o conhecimento científico que</p><p>adquirimos com nossos estudos e pesquisas e</p><p>passá-los de forma coesa. Assim, vocês</p><p>encontrarão aqui conteúdos e dicas de</p><p>exercícios, depoimentos, entre outras coisas.</p><p>Com o intuito de facilitar o acesso ao</p><p>conhecimento sobre o TEA, tudo foi feito com</p><p>muito amor, esperamos que gostem.</p><p>Abraços!</p><p>Com carinho: Carolina Lacerda, Jordany Reis,</p><p>Lorena Lauriano, Matheus Rodrigues,</p><p>Victória Fonseca e Waneska Sousa</p><p>Quem somos?</p><p>3</p><p>revistatea.fccmmg@gmail.com</p><p>Mundinho azul</p><p>Eu sou o Autista Leve, que de leve não tem nada:Eu posso ter "crises de</p><p>pânico", mas não tenho a síndrome do pânico (diagnóstico frequente), pois</p><p>acontece por sobrecarga de informação sensorial;Eu posso me machucar</p><p>enquanto muitos autistas severos não o fazem;Eu posso agredir e não é</p><p>porque quero. Não é falta de limites.Posso precisar de medicamentos, isso</p><p>não tem nada haver com grau;Posso ter convulsões, mesmo que exames</p><p>não acusem nada.Preciso de adaptação Curricular e de um ambiente</p><p>organizado, pois inclusão vai muito além do direito à matrícula;Preciso ser</p><p>incluído nas atividades pois minha interação é limitada ou pode ser</p><p>exagerada demais, e isso é algo que confunde o diagnostico; Se eu disser</p><p>coisas "estranhas", não me recrimine, pois para mim não é;Posso ter crises</p><p>e isso não se trata de birras; Minhas crises não são por falta de educação</p><p>vinda dos meus pais;Preciso me movimentar, isso me acalma;</p><p>Posso ser desatento mas tudo que me é interessante mergulho</p><p>fundo;Preciso ser motivado, meus acertos reforçados, pois tudo que alcança</p><p>minhas emoções são assimilados. Assim eu aprendo;Posso parecer surdo as</p><p>vezes, mas na verdade estou hiperfocado. Participe disso.O toque pode me</p><p>agredir mas um abraço intenso pode me acolher.Haverá dias que estarei</p><p>para poucos, me compreenda, preciso desse espaço para minha auto</p><p>regulação.Pareço estranho? Você também me parece.Quem disse que não</p><p>tenho habilidade imaginativa? Pode ser até maior que a sua. Gosto de falar</p><p>e me aprofundar em um determinado assunto e isso pode ser usado ao meu</p><p>favor. Posso ser calmo na escola e agressivo em casa. Me perdoe por isso,</p><p>mas minha casa e principalmente minha mãe são meus portos seguros;</p><p>Preciso de rotina, previsibilidade e antecipação dos fatos;Sou extremamente</p><p>visual, concreto. Tudo que vejo, pego e vivencio eu aprendo.Possivelmente</p><p>posso ser considerado Deficiente Intelectual, porém não sou. Só tenho uma</p><p>forma diferente de aprender.</p><p>4</p><p>Quando criança posso ser considerado autista grave por não falar, mas até os 7</p><p>anos estarei me comunicando totalmente; Necessito de priorização nos</p><p>atendimentos. Posso não conseguir esperar e a quebra da minha rotina pode</p><p>me desorganizar e isso gera crises; u tenho transtorno do processamento</p><p>sensorial que pode atingir até o meu 6° sentido. Meu ouvido é sensível, me</p><p>irrito com os barulhos que não incomodam ninguém mais além de mim. E</p><p>dizem que é enjoamento meu.Mas depois de um tempo, meu ouvido fica</p><p>seletivo. É um mecanismo de defesa contra esses barulhos. O problema é que</p><p>me torno mais disperso do que nunca. Eu sou alguém comum na sua vida. Eu</p><p>posso estar a seu lado na fila do banco, posso ser um tio ou até seu melhor</p><p>amigo. Posso cruzar com você na rua, e você nem perceberá minha limitação.</p><p>Posso ser mãe ou pai de família.Trabalho, estudo e sou independente. Sou</p><p>inteligente assim como você. Não me subestime.Mas mesmo assim preciso de</p><p>uma pouco mais de compreensão. Respeite as diferenças, nunca se sabe</p><p>quando estaremos diante de um Autista.</p><p>Por Giovanna Sampaio</p><p>5</p><p>A palavra “autismo” deriva do grego “autos”, que significa “voltar-se para si</p><p>mesmo”. O termo foi criado em 1908 pelo psiquiatra suíço Paul Eugen Bleuler</p><p>para descrever a fuga da realidade para um mundo interior observado em</p><p>pacientes esquizofrênicos.</p><p>A primeira pessoa diagnosticada com autismo foi Donald Grey Triplett, que</p><p>nasceu em 1933 nos Estados Unidos. Seus pais logo perceberam que seu</p><p>comportamento fugia do padrão de uma criança da mesma idade, ele não</p><p>correspondia aos sorrisos da mãe, nem demonstrava reação ao ouvir sua voz.</p><p>Quando seus pais levavam outras crianças para brincar com ele, mas o garoto</p><p>não se interessava. Apesar do comportamento diferente do filho, os pais nunca</p><p>duvidaram da sua inteligência. Donald tinha uma memória surpreendente.</p><p>Entendendo o TEA</p><p>A história do autismo</p><p>Arquivos da Família Triplett</p><p>6</p><p>Donald se consultou com o psiquiatra austríaco Leo Kanner em</p><p>1938, vindo a se tornar o “caso 1” entre as 11 crianças estudadas</p><p>pelo médico e diagnosticadas em uma nova condição ainda não</p><p>relatada em livros, batizada na época de “autismo infantil”.</p><p>Essas consultas foram o ponto de partida para Kanner publicar</p><p>um artigo pioneiro estabelecendo padrões para o TEA.</p><p>Durante os anos 50, houve muita confusão sobre a natureza do autismo, e a crença</p><p>mais comum era de que o distúrbio seria causado por pais emocionalmente</p><p>distantes (hipótese da “mãe geladeira”, criada por Leo Kanner) um ano depois Leo</p><p>Kanner se manifesta a público se retratando pelo equívoco cometido mediante a</p><p>sua declaração.</p><p>Em 1952, a Associação Americana de Psiquiatria publica a primeira edição do</p><p>Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais DSM-1. Referência mundial</p><p>para pesquisadores e clínicos do segmento.</p><p>Em 1994, novos critérios para o autismo foram avaliados em um estudo</p><p>internacional com mais de mil casos analisados por mais de 100 avaliadores</p><p>clínicos.</p><p>EM 2007, a ONU instituiu o dia 2 de abril como o Dia Mundial da Conscientização</p><p>do Autismo para chamar atenção da população em geral sobre importância de</p><p>conhecer e tratar o transtorno, que, segundo a Organização Mundial de Saúde,</p><p>afeta cerca de 70 milhões de pessoas no mundo todo.</p><p>Arquivos da Família Triplett</p><p>7</p><p>Em 2012, foi sancionada, no Brasil, a Lei Berenice Piana (12.764/12), que</p><p>instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com</p><p>Transtorno do Espectro Autista. Este foi um marco legal relevante para</p><p>garantir direitos aos portadores de TEA. A legislação determina o acesso a um</p><p>diagnóstico precoce, tratamento, terapias e medicamentos pelo Sistema Único</p><p>de Saúde (SUS); à educação e à proteção social; ao trabalho e a serviços que</p><p>propiciem a igualdade de oportunidades.</p><p>Em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (13.145/15)</p><p>cria o Estatuto da Pessoa com Deficiência, que aumenta a proteção aos</p><p>portadores de TEA ao definir a pessoa com deficiência como “aquela que tem</p><p>impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou</p><p>sensorial”.</p><p>Em 2020, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei 13.977, de 2020, que cria</p><p>a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista</p><p>(Ciptea). O texto altera a Lei Berenice Piana (12.764, 2012), que institui a</p><p>Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do</p><p>Espectro Autista. De acordo com a nova lei, a Carteira</p><p>deve assegurar aos</p><p>portadores atenção integral, pronto atendimento e prioridade no atendimento</p><p>e no acesso aos serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde,</p><p>educação e assistência social.</p><p>Constituição Brasileira</p><p>8</p><p>Lei 13.370/2016: Reduz a jornada de trabalho de servidores públicos com</p><p>filhos autistas. A autorização tira a necessidade de compensação ou redução</p><p>de vencimentos para os funcionários públicos federais que são pais de pessoas</p><p>com TEA.</p><p>Lei 8.899/94: Garante a gratuidade no transporte interestadual à pessoa</p><p>autista que comprove renda de até dois salários mínimos. A solicitação é feita</p><p>através do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).</p><p>Lei 8.742/93: A Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), que oferece o</p><p>Benefício da Prestação Continuada (BPC). Para ter direito a um salário</p><p>mínimo por mês, o TEA deve ser permanente e a renda mensal per capita da</p><p>família deve ser inferior a ¼ (um quarto) do salário mínimo. Para requerer o</p><p>BPC, é necessário fazer a inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais</p><p>do Governo Federal (CadÚnico) e o agendamento da perícia no site do INSS.</p><p>Lei 7.611/2011: Dispõe sobre a educação especial e o atendimento educacional</p><p>especializado.</p><p>Acrescenta-se também as seguintes leis:</p><p>. Lei 7.853/ 1989: Estipula o apoio às pessoas portadoras de</p><p>deficiência, sua integração social, institui a tutela</p><p>jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas,</p><p>disciplina a atuação do Ministério Público e define crimes.</p><p>Lei 10.098/2000: Estabelece normas gerais e critérios básicos</p><p>para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de</p><p>deficiência ou com mobilidade reduzida 9</p><p>A OMS (Organização Mundial da Saúde), estima que, em todo o mundo,</p><p>uma em cada 160 crianças tem autismo (dados de 2017). Estudos</p><p>epidemiológicos durante as últimas décadas mostraram um aumento</p><p>dramático na prevalência de TEA, que atingiu até 2% das crianças nos</p><p>últimos anos.</p><p>Epidemiologia do TEA</p><p>Uma em cada 160 crianças tem transtorno do espectro autista (TEA).</p><p>O transtorno do espectro autista geralmente começa na infância e tende a</p><p>persistir na adolescência e na idade adulta</p><p>A intervenção no autismo requer uma equipe multidisciplinar na saúde</p><p>trabalhando em busca de um único objetivo. Para alcançá-lo, essas pessoas se</p><p>inter-relacionam e promovem um tratamento diferenciado, enxergando o</p><p>paciente como um todo.</p><p>10</p><p>A criança pode apresentar dificuldades em iniciar algumas interações sócias,</p><p>demonstrando menos interesse durante essas ocasiões, resultando em uma</p><p>certa dificuldade nas tentativas de fazer amigos.</p><p>No aspecto de comportamentos e ações, ela pode apresentar problemas de</p><p>organização e planejamento, dificultando assim a criação da própria</p><p>independência.</p><p>Ela possui dificuldades em alternar entre atividades propostas a ela.</p><p>O autismo é um distúrbio neurológico, classificado conforme o grau de</p><p>dependência e/ou necessidade de suporte, podendo ser considerado: autismo leve,</p><p>moderado ou severo.</p><p>No Brasil, dois manuais de diagnóstico têm sido adotados: o DSM (Manual</p><p>Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), e o CID (Classificação</p><p>Internacional de Doenças).</p><p>Além de suas características gerais, o Transtorno do Espectro Autista,</p><p>especificamente, possui varias condições que foram categorizadas por graus,</p><p>como:</p><p>Grau 1:</p><p>Conhecendo a neurologia do TEA</p><p>11</p><p>A criança pode demonstrar alguns déficits na comunicação</p><p>social verbal e não verbal, respostas reduzidas quando</p><p>ocorre uma interação de uma pessoa do âmbito externo,</p><p>mesmo se houver um apoio.</p><p>Em questão dos comportamentos e ações, ela pode</p><p>apresentar problemas em lidar com a mudança, com o novo,</p><p>e demonstram comportamentos restritos e repetitivos.</p><p>Ela também pode apresentar uma certa angústia ou</p><p>dificuldade quando houver uma mudança de foco ou ação.</p><p>Nesse nível a criança demonstra graves dificuldades em</p><p>estabelecer uma habilidade de comunicação tanto verbal</p><p>quanto não verbal, possuindo uma iniciação limitada de</p><p>interações sociais e respostas com outras pessoas.</p><p>Possui uma inflexibilidade de comportamentos, uma</p><p>extrema dificuldade em conseguir lidar com mudanças.</p><p>Presença de comportamentos restritos e repetitivos.</p><p>Ocorrem sentimentos de grande angústia e dificuldade</p><p>quando a mudança de foco ou de alguma ação for necessária.</p><p>Grau 2:</p><p>Grau 3:</p><p>12</p><p>Quais os efeitos associados?</p><p>Como já foi apresentado anteriormente, o autismo se caracteriza por um</p><p>transtorno do neurodesenvolvimento (TDO), na qual pode-se apresentar</p><p>efeitos, como no desenvolvimento psicomotor, na interação social e,</p><p>também em alguns casos, na comunicação. Porém, esses fatores são</p><p>apresentados de formas e intensidades diferentes, dependendo do nível em</p><p>questão. Desse modo, as características apresentadas em seguida podem</p><p>variar tanto em relação a sua intensidade quanto as suas peculiaridades de</p><p>acordo com cada caso.</p><p>Estudos mostram que levando em consideração os casos coexistentes referentes a</p><p>deficiência intelectual, de 30 a 40% demonstram um prejuízo básico de</p><p>linguagem, tanto no início de desenvolvimento da fala quanto durante o processo</p><p>de interações sociais. Por isso, é comum que a criança possa apresentar</p><p>dificuldades em se comunicar como por exemplo: em alguns casos elas utilizam a</p><p>fala apenas em situações comuns na qual está habituada, como pedir água</p><p>quando está com sede.</p><p>Devido ao vínculo amoroso e confiável que a criança constrói com o seu familiar</p><p>ou responsável, é normal que ela se comunique mais com eles, pois a confiança</p><p>construída entre eles a torna mais segura para que a criança consiga se envolver</p><p>mais com a pessoa do que com os outros indivíduos.</p><p>Porém, outras características presentes e interligadas com a comunicação e o</p><p>déficit de cognição são: frequentes dificuldades nas relações recíprocas, como a</p><p>atenção compartilhada, o contato visual direto e, até mesmo, a compreensão dos</p><p>pensamentos e intenções dos outros, ou seja, a dificuldade de diferenciar as</p><p>expressões demonstradas pelas pessoas.</p><p>Outras características apresentadas são a relação de dificuldades tanto</p><p>alimentares quanto com o sono, estando presente a insônia, definida como um</p><p>certo atraso de mais de 30 minutos para adormecer ou, até mesmo, despertares</p><p>noturnos.</p><p>Além disso, uma boa prática de sono é extremamente</p><p>importante para o neurodesenvolvimento da atenção,</p><p>memória e aprendizagem.</p><p>13</p><p>Em relação as questões psicomotoras, geralmente algumas crianças podem</p><p>apresentar dificuldades motoras e má coordenação dos movimentos.</p><p>Uma característica comum é uma disfunção na marcha, ou seja, ao caminhar</p><p>os seus passos possuem características peculiares como, por exemplo o andado</p><p>nas pontas dos pés, podendo trazer algumas complicações no desenvolvimento</p><p>dos membros inferiores.</p><p>Outra característica frequente é a disfunção sensorial, podendo ser classificada</p><p>como hipersensibilidade, reações de alta escala, e hiposensibilidade, reações de</p><p>escala mais baixa que o normal.</p><p>Ambas referentes a estímulos táteis, visuais, gustativos ou auditivos.</p><p>Porém, a hipersensibilidade auditiva, pode ser encontrada de três formas:</p><p>como a hiperacusia: casos em que a criança possui uma sensibilidade anormal</p><p>a sons de baixa ou moderada intensidade; a fonofobia, que ocorre quando a</p><p>criança possui um certo desconforto com alguns sons específicos. E o</p><p>recrutamento, que ocorre quando a criança apresenta uma redução auditiva.</p><p>Desse modo, alguns barulhos que não geram nenhum desconforto ou não são</p><p>percebidos com grande intensidade para muitos, em uma criança autista</p><p>podem gerar um grande desconforto.</p><p>O distúrbio do sono resulta na dificuldade de coordenação</p><p>motora, déficit de atenção, alterações de humor e</p><p>comportamento, distúrbios gastrointestinais e padrões de</p><p>comportamentos limitados e repetitivos</p><p>14</p><p>Ilhas da inteligência</p><p>Entre as pessoas autistas existem algumas que, apesar de terem</p><p>atrasos de desenvolvimento intelectual, possuem talentos</p><p>excepcionais. A estas pessoas, Kanner um médico americano, chamou</p><p>"ilhas de inteligência".</p><p>15</p><p>Há autistas geralmente com o grau 1</p><p>que podem ter uma inteligência</p><p>espantosa apresentando QI</p><p>(coeficiente de inteligência) mais</p><p>elevado muito acima da média, ou</p><p>seja, ser superdotados em uma ou</p><p>mais áreas de conhecimento.</p><p>Que tipo de inteligência seu filho</p><p>tem?</p><p>A psicologia e o estudo do desenvolvimento humano constataram, por meio de</p><p>diversas pesquisas, que é impossível limitar a inteligência humana a uma só.</p><p>Indivíduos tem diferentes preferências e habilidades, algumas que as escolas</p><p>ensinam e outras não. Existem até nove tipos distintos de inteligência:</p><p>Lógico-Matemática;</p><p>Espacial;</p><p>Musical;</p><p>Linguística;</p><p>Intrapessoal;</p><p>Interpessoal;</p><p>Corporal;</p><p>Naturalista;</p><p>Existencial</p><p>O que os profissionais dizem?</p><p>O TEA é conhecido por ser um transtorno de desenvolvimento surgido nos</p><p>primeiros anos de vida, comprometendo as habilidades de comunicação e</p><p>interação social do indivíduo. A criança com TEA precisa ser exposta a um</p><p>ambiente com estímulos sensoriais, por isso, o acompanhamento com profissionais</p><p>da saúde e da educação são essenciais. O tratamento pode englobar profissionais</p><p>como os fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e</p><p>professores.</p><p>Em alguns casos, a criança pode apresentar atividades motoras restritas que</p><p>causam limitações funcionais e no aprendizado. A fisioterapia irá trabalhar com</p><p>esses comprometimentos que podem ser: bater palmas, estalar os dedos ou ainda</p><p>aplicáveis a todo o corpo, como se balançar e se inclinar. Também há casos de</p><p>anormalidades de postura, como caminhar na ponta dos pés. Os profissionais</p><p>dizem que a fisioterapia, além de ser de grande importância para aprendizagem</p><p>motora das crianças, assim como para todos, melhora a qualidade de vida e pode</p><p>ajudar no alívio do estresse. Na visão da fisioterapeuta neuropediatra e professora</p><p>na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Rejane Gonçalves:</p><p>A Fisioterapia tem o papel de proporcionar</p><p>oportunidades para a criança desenvolver todo seu</p><p>potencial motor. Quando a família de uma criança com</p><p>autismo tem uma demanda específica, por exemplo,</p><p>que a criança melhore o equilíbrio durante o caminhar,</p><p>ou consiga pular para brincar de amarelinha, o</p><p>fisioterapeuta utiliza uma abordagem que envolve o</p><p>treino da tarefa específica. Assim como auxilia a criança</p><p>a desenvolver estratégias para conseguir realizar a</p><p>atividade desejada.”</p><p>16</p><p>Além disso, ao falar sobre a importância da família no tratamento, a doutora</p><p>enxerga a família como</p><p>Parte essencial do tratamento de crianças com algum</p><p>tipo de incapacidade. O cuidado fisioterapêutico deve</p><p>ser centrado na família e na criança, ou seja, a família é</p><p>quem conhece melhor seu filho e deseja o melhor para</p><p>ele. Por isso a família deve fazer parte do processo de</p><p>tomada de decisão e ter suas preferências respeitadas.</p><p>Quando há uma parceria entre fisioterapeuta e família,</p><p>com troca de informações e suporte, há maiores</p><p>chances de a intervenção ser efetiva.”</p><p>A fonoaudiologia exerce papel essencial no diagnóstico por se tratar de um</p><p>transtorno que afeta principalmente a comunicação e interação social, a avaliação</p><p>fonoaudiológica se torna fundamental para exclusão de outras alterações que</p><p>possam afetar o desenvolvimento. Por ser a ciência especializada em estudo dos</p><p>transtornos da comunicação humana, o que envolve a linguagem, fala e interação,</p><p>o fonoaudiólogo trabalhará com os aspectos envolvidos em cada etapa do</p><p>desenvolvimento e cada alteração específica, como recusa a se alimentar, atraso no</p><p>desenvolvimento da fala, alterações da compreensão, alterações da aprendizagem</p><p>escolar e diversas outras áreas.</p><p>Sobre o papel da fonoaudiologia na inclusão das crianças autistas, a fonoaudióloga</p><p>pós graduanda em Autismo, Mariana Dumont diz:</p><p>Preparamos a criança para as mais diversas características</p><p>da interação social, precisamos ajudá-las a desenvolver</p><p>habilidades comunicativas para socialização e resolução de</p><p>problemas. Essas habilidades são fundamentais em nossa</p><p>rotina, assim a criança dentro do espectro poderá interagir,</p><p>se comunicar, aprender em conjunto e também aprender a</p><p>identificar os fatores de risco.”</p><p>17</p><p>Assim como toda criança, as crianças com autismo também têm direito à</p><p>educação. A escola proporciona às crianças a possibilidade de integração social e</p><p>faz com que elas tenham contato com outras pessoas além daquelas do seu</p><p>convívio familiar. Por isso, os pedagogos também são incluídos como profissionais</p><p>de grande importância no acompanhamento do desenvolvimento do indivíduo com</p><p>TEA.</p><p>Quando incluídas no ambiente escolar, as crianças autistas requerem um</p><p>profissional que compreende como ocorrem as relações didáticas e sociais e que</p><p>tenham consciência de metodologias a serem utilizadas para o aprendizado delas,</p><p>além de que, com esses conhecimentos, o profissional da educação será capaz de</p><p>identificar algo que não está dentro da normalidade, sendo assim, capaz de</p><p>informar os responsáveis, de maneira delicada, sobre o comportamento da</p><p>criança. É papel do profissional da educação saber, de maneira eficaz, como lidar</p><p>com o autismo para assim, conseguir dar suporte ao aluno e sua família quanto à</p><p>sua aprendizagem.</p><p>Mabi Cardoso Ferreira é pedagoga e pós graduanda em psicologia da educação e</p><p>nos disse que:</p><p>O papel do pedagogo no acompanhamento da</p><p>criança com TEA é tentar os engajar no cotidiano</p><p>escolar, levando em conta a capacidade de cada um</p><p>e dos seus limites”</p><p>Outra vertente essencial no tratamento é a psicologia. O diagnóstico do autismo</p><p>traz um impacto muito grande, por isso, se faz necessário o acompanhamento de</p><p>um psicólogo para dar segurança, informação e auxiliar na compreensão do TEA. A</p><p>psicóloga Paula Pimenta, enxerga a fisioterapia como</p><p>Uma área fundamental no tratamento das pessoas com</p><p>autismo uma vez que seu campo geral de atuação se</p><p>resume na relação com o meio, incluindo aí as demais</p><p>pessoas, e consigo mesmo. Sendo a questão do autismo</p><p>essencialmente uma dificuldade na interação social, que</p><p>abarca a dificuldade de comunicação, a atuação do</p><p>psicólogo se mostra fundamental em seu programa</p><p>terapêutico" 18</p><p>E, quando perguntada acerca do papel da família, a doutora vê a família como:</p><p>Parte essencial do tratamento das pessoas com</p><p>autismo. Por um lado, porque é ela que, na maioria</p><p>dos casos, representa o membro com autismo,</p><p>decidindo quais vias terapêuticas serão buscadas,</p><p>com quais profissionais e em que momento de sua</p><p>vida. Por outro, porque ela mesma deve ser</p><p>trabalhada, sob duas perspectivas: para conseguir</p><p>manter as relações entre seus membros de forma</p><p>saudável e para colaborar no tratamento do</p><p>membro com autismo. A primeira perspectiva refere-</p><p>se à situação comum de adoecimento da família</p><p>devido às exigências de apoio ao membro com</p><p>autismo, externa e internamente, e o decorrente</p><p>descuido da atenção com os demais irmãos e do</p><p>casal entre si. O segundo aspecto diz respeito à</p><p>essencial atuação dos familiares com o membro com</p><p>autismo, colocando em prática as propostas</p><p>terapêuticas planejadas com cada profissional que o</p><p>acompanha.”</p><p>19</p><p>O diagnóstico do TEA é feito de forma um tanto confusa, pois não existem</p><p>marcadores biológicos que possam detectar o autismo. A avaliação clínica</p><p>é de suma importância para que o diagnóstico seja feito corretamente,</p><p>para que não haja mal entendidos quanto aos comportamentos da</p><p>criança. Os sinais do autismo variam de acordo com cada criança, afinal,</p><p>existem diferentes graus de autismo, além da particularidade individual</p><p>de cada pessoa.</p><p>O transtorno afeta não apenas o portador, mas também seus familiares,</p><p>interferindo em sua posição social, estilo de vida, nos relacionamentos e</p><p>nos vínculos externos. Gauderer (1997), apontava para o sofrimento da</p><p>família de um portador de deficiência e para a necessidade de</p><p>recebimento de uma abordagem que acolhesse este sofrimento, seja por</p><p>razões humanitárias e também para garantir um melhor funcionamento</p><p>da dinâmica familiar, já que uma família saudável garante uma vida</p><p>melhor para a criança autista. É difícil para os pais admitir que o filho</p><p>possa ser diferente e isso impede de perceber algo de estranho na criança,</p><p>o que muitas vezes leva a um diagnóstico tardio.</p><p>Segundo Benenzon (1987), o tempo que uma família leva até descobrir ou</p><p>aceitar que seu filho é um autista, é um fator muitas vezes decisivo no</p><p>progresso dessa criança.</p><p>A família e o</p><p>diagnóstico</p><p>GAUDERER, Ernest Christian. Autismo e outros atrasos do desenvolvimento: guia prático para os pais e profissionais</p><p>2 ed. Rio de Janeiro. Revinter, 1997, p. 358.</p><p>BENENZON, Rolando O. O autismo, a família, a instituição e a musicoterapia, Rio de Janeiro: Enelivros, 1987.</p><p>20</p><p>Ao receber o diagnóstico muitos pais</p><p>se sentem perdidos e podem não ter</p><p>um conhecimento prévio sobre o</p><p>assunto. Então, após já termos</p><p>explicado sobre o que é o espectro</p><p>autista e visto a visão dos</p><p>profissionais, explicaremos como lidar</p><p>com o diagnóstico. Um momento que</p><p>pode ser muito complicado para todos</p><p>os envolvidos.</p><p>O TEA apresenta sintomas principais</p><p>no comprometimento de três áreas</p><p>específicas do desenvolvimento:</p><p>déficits de habilidades sociais, déficits</p><p>de habilidades comunicativas (verbais</p><p>e não verbais) e presença de</p><p>comportamentos, interesses e/ou</p><p>atividades restritos, repetitivos e</p><p>singulares</p><p>É comum que os pais comecem a</p><p>desconfiar do diagnóstico antes</p><p>mesmo de o tê-lo fechado por um</p><p>médico, normalmente as alterações</p><p>(ou não aparecimento) da fala até os</p><p>2 (dois) anos de idade fazem com</p><p>que muitos se questionem se há algo</p><p>acontecendo com o filho. Porém, o</p><p>fato de lidar com o diagnóstico</p><p>começa bem antes do que se pensa...</p><p>na verdade, o cuidado deve ser</p><p>iniciado dentro do consultório</p><p>médico. Oferecer acolhimento aos</p><p>pais que acabam de receber o</p><p>diagnóstico é de extrema</p><p>importância, pois nesse momento</p><p>podem surgir dúvidas que merecem</p><p>e devem ser esclarecidas, além de</p><p>ser um momento extremamente</p><p>sentimental que necessita de apoio.</p><p>21</p><p>Ao receber o diagnóstico do filho, os pais passam por um momento difícil, onde</p><p>suas expectativas sobre seu filho são quebradas e ficam frente a uma situação</p><p>que nunca foi imaginada, onde pouco se sabe sobre o assunto e que ainda é</p><p>visto com maus olhos perante a sociedade. Os pais passam por estágios do luto:</p><p>a negação, sensação de perda, tristeza, angústia, culpa e outros. Cada família</p><p>reage de uma forma e dentro da própria família, os membros também reagem</p><p>de formas diferentes. Porém, é importante ressaltar que todos os sentimentos</p><p>são importantes e devem receber, principalmente, apoio e informação.</p><p>O momento pós diagnóstico é íntimo e</p><p>cheio de detalhes. Mudanças na rotina</p><p>serão necessárias, novos planos e</p><p>inúmeras adaptações. Agora acontecerão</p><p>mudanças que nenhum de vocês</p><p>imaginou (por mais que o diagnóstico</p><p>fosse esperado). O TEA representa uma</p><p>nova fase cheia de mudanças tanto na</p><p>vida da criança, quanto e</p><p>principalmente, na vida dos pais que</p><p>agora estão diante de um novo olhar do</p><p>mundo.</p><p>Procure um profissional da</p><p>psicologia e converse com ele sobre</p><p>tudo.</p><p>Tenha amigos e familiares que</p><p>possam te auxiliar ao seu redor.</p><p>Entenda que as situações precisam</p><p>de tempo.</p><p>Conte sempre com a ajuda</p><p>profissional, não hesite!</p><p>22</p><p>A fisioterapia e o autismo</p><p>23</p><p>A Fisioterapia tem como objetivo o estudo, o diagnóstico, o tratamento e a</p><p>prevenção de disfunções motoras e dos sistemas que constituem o corpo</p><p>humano. Essa especialidade pode atuar em diferentes áreas e patologias que</p><p>envolvem a necessidade de seus conceitos para amenizar ou tratar a doença em</p><p>questão. Desse modo, a Fisioterapia pode apresentar grande importância para</p><p>a busca de um avanço no desenvolvimento das crianças autistas.</p><p>O acompanhamento das equipes de tratamentos a crianças com TEA deve ser</p><p>multiprofissional durante grande parte do seu ciclo vital, para garantir que</p><p>seu desenvolvimento tenha grandes resultados, mas respeitando e</p><p>acompanhando o tempo de cada criança. Além disso, a Fisioterapia na equipe,</p><p>proporciona um apoio as questões psicomotoras para aumentar a interação do</p><p>aspecto somático e o afetivo, ajudando assim a busca pela melhora da</p><p>integridade física, cognitiva, emocional e independência funcional da criança.</p><p>Assim, a Fisioterapia pode atuar em diversas áreas de especialidades, como a</p><p>Fisioterapia Neurológica e a Fisioterapia Ortopédica, para a contribuição no</p><p>desenvolvimento da criança.</p><p>Como já apresentado anteriormente, o TEA possui características distintas e</p><p>peculiares para cada grau e caso. Porém, uma das características apresentadas</p><p>é a disfunção motora como, por exemplo, “andar na ponta do pé”, dificuldades</p><p>na realização de ações do dia a dia como: desenhar e se vestir, falta de</p><p>equilíbrio, que podem prejudicar não só o seu desenvolvimento motor, mas</p><p>também a sua interação social. Assim, a Fisioterapia poderá intervir para o</p><p>tratamento dessas questões, proporcionando um bem estar tanto para a criança</p><p>quanto para a família.</p><p>É necessário também, que o profissional Fisioterapeuta saiba conhecer e</p><p>identificar quais as limitações de cada criança como, também, quais assuntos e</p><p>condições mais lhe interessam. Também é importante que construir uma boa</p><p>comunicação com os pais/responsáveis, para que possam ajudar nos</p><p>procedimentos, como apresentando as questões que mais interessam ao filho,</p><p>por exemplo, se ele gosta de músicas e quais os tipos, se interessa por natação,</p><p>temas de desenhos animados e temas diversos, até mesmo as coisas que lhe</p><p>incomodam, pois o profissional utilizará essas características durante os</p><p>procedimentos fisioterapêuticos, para que a criança se sinta mais à vontade e</p><p>consiga realizar os exercícios propostos. Desse modo, é importante a construção</p><p>de uma boa relação tanto entre o profissional com a criança quanto com os seus</p><p>responsáveis, pois a família também é essencial durante o desenvolvimento do</p><p>paciente.</p><p>Os pais possuem como total direito o pedido de acompanhamento nas sessões</p><p>Fisioterapêutica, como também pedir ao profissional para que explique quais</p><p>procedimentos estão sendo realizados nas sessões ou ainda o porquê. Além</p><p>disso, o Fisioterapeuta poderá determinar e ensinar aos pais/responsáveis</p><p>exercícios essenciais e práticos que poderão realizar com seus filhos em casa,</p><p>possibilitando tanto o desenvolvimento da criança quanto o aumento de uma</p><p>boa relação afetiva dos pais com seus filhos.</p><p>24</p><p>Exercícios e atividades</p><p>Uma vertente do tratamento do autismo é a exposição da criança a</p><p>atividades que apuram os sentidos, principalmente, tato e audição, sendo</p><p>assim, é proposto para os pais que estimulem as crianças com</p><p>brincadeiras chamativas e atraentes. Como por exemplo:</p><p>Brincar com tampinhas coloridas: que ajudam na percepção de</p><p>formas e tamanhos, além de estimular a distinção de cores.</p><p>Bolhas de sabão: que chamam a atenção da criança para o rosto da</p><p>pessoa que está soprando, onde se pode aproveitar para manter o</p><p>contato visual e fazer diversas expressões. Colocar a criança para</p><p>soprar as bolhas também é interessante, uma vez que vai que ajudar a</p><p>criança a ter controle dos movimentos e da respiração.</p><p>Cócegas: se a criança gosta de tocar ou ser tocada, fazer cócegas</p><p>trabalha a conexão entre o responsável e a criança. Deixe-a fazer</p><p>cócegas em você e faça nela também, além de criar uma conexão com o</p><p>responsável, a criança percebe que a interação pode ser prazerosa.</p><p>Pular: qual criança não gosta de pular? Para eles, pular é divertido e</p><p>gasta energia, fazendo com que a criança fique mais tranquila depois.</p><p>Além disso, pode ser um momento para brincar com expressões faciais</p><p>quando ela estiver na altura do seu rosto. Estabeleça limites de</p><p>segurança e deixe a criança pular à vontade.</p><p>Imitação: brincar de imitar, por mais simples que pareça, trás para a</p><p>criança a percepção de expressões faciais, noção do próprio corpo,</p><p>controle dos movimentos e outras habilidades que ajudam na</p><p>propriocepção.</p><p>Música: ouvir música ajuda a criança a se familiarizar com diversos</p><p>sons e tons.</p><p>25</p><p>Durante as brincadeiras as crianças aprendem muito!</p><p>É incrível como elas associam os sentidos e a importância da interação.</p><p>Dentro desses momentos divertidos tente fazer expressões exageradas e</p><p>outros movimentos de forma exagerada, para que a criança entenda bem</p><p>o</p><p>que está vendo.</p><p>É importante adaptar as atividades de acordo com os limites da criança,</p><p>deixe-a sempre confortável em brincar e tenha em mente que o autismo</p><p>não define seu filho, é apenas uma característica dele.</p><p>Exercícios físicos</p><p>Estudos mostram que o exercício físico é benéfico para as crianças com</p><p>autismo de varias formas, são diversos os tipos de atividades que auxiliam</p><p>a criança em vários aspectos. Os resultados de estudos feitos com crianças</p><p>entre 1993 e 2019, mostram que atividades aquáticas, aeróbicas, com</p><p>equinos, realidade virtual e exercícios de força e coordenação motora,</p><p>trouxeram grandes benefícios para a criança, como por exemplo: melhora</p><p>do equilíbrio e da coordenação motora, habilidades funcionais, melhora da</p><p>hiperatividade e da irritabilidade, comunicação e cognição social e no</p><p>enfrentamento de fobias.</p><p>Artes marciais como Karatê e tae-kwon-do, também mostraram melhoras</p><p>significativas na atenção, coordenação motora, cognição e força muscular</p><p>em crianças autistas.</p><p>26</p><p>Cada uma das atividades citadas vem obtendo, ao longo do tempo, uma</p><p>grande resposta positiva em diversas áreas da vida da criança, trazendo</p><p>mais autonomia e concentração, melhores relações sociais e interpessoais</p><p>e muitas outras melhorias no dia a dia. Além da melhora da criança, há</p><p>melhora também nos responsáveis, que por sua vez ficam menos</p><p>sobrecarregados e podem descansar mais.</p><p>Dicas de atividades extracurriculares</p><p>Natação e atividades aquáticas;</p><p>Hidroterapia;</p><p>Esportes coletivos;</p><p>Andar de bicicleta;</p><p>Equoterapia;</p><p>Karatê;</p><p>Tae-kwon-do;</p><p>Musicoterapia.</p><p>27</p><p>O TEA nas escolas</p><p>Reconhecendo que vivemos em uma época em</p><p>que a inclusão passa a ser uma realidade em</p><p>nossa prática pedagógica, consideramos ser</p><p>imprescindível ao professor conhecer as</p><p>características clinicas de seus alunos e as</p><p>estratégias utilizadas no ensino. Além disso,</p><p>também é importante que ele observe seu aluno</p><p>autista de modo a conhecer suas características</p><p>individuais para que então possa fazer suas</p><p>mediações durante o processo de ensino</p><p>aprendizagem. (SOUZA, 2008, p.11)</p><p>SOUZA, Fernanda Aparecida de. et. al. A importância do desenvolvimento na linguagem na educação da criança autista. 2008. TCC</p><p>(Trabalho de Conclusão de Curso) (Conclusão do curso de pedagogia) - Faculdade São Bernardo do Campo FASB, São Bernardo do Campo.</p><p>28</p><p>O que fica aqui é "como a escola pode ajudar na vida da família e do</p><p>próprio indivíduo autista?" Bom... É possível dizer que as crianças</p><p>com autismo, apresentam dificuldades de comunicação e</p><p>relacionamentos com outros indivíduos, porém com uma participação</p><p>intensa do professor junto à família e a equipe multidisciplinar,</p><p>podem haver mudanças positivas nas habilidades de linguagem,</p><p>motora, interação social e aprendizagem, pois é um trabalho árduo</p><p>que necessita de muita dedicação, amor e paciência. É preciso que o</p><p>professor seja sempre disposto a aprimorar os seus conhecimentos e</p><p>esteja sempre atento as necessidades do aluno, podendo assim</p><p>explorar oportunidades únicas que irão surgir no convívio da rotina</p><p>escolar e através disso ensinar ao seu aluno inúmeras coisas.</p><p>Além disso, a escola vem como um importante meio de socialização</p><p>para o indivíduo autista que irá sair de seu círculo, geralmente</p><p>focado apenas em seus pais e familiares, e conhecerá novas crianças e</p><p>também outros adultos. Assim, surgirão novas vivências e</p><p>experiências que apenas o meio familiar não é capaz de proporcionar.</p><p>Daí vem a necessidade da inserção da criança autista nos meios</p><p>escolares o quanto mais cedo possível, para que assim ele seja capaz</p><p>de interagir em sociedade e também contribuir para a inclusão social.</p><p>Vamos dar início a nossa conversa com um ponto principal: como fica</p><p>a questão da criança autista na escola? Quais direitos ele tem? Como</p><p>confiar em deixar meu filho lá durante um período do dia sem a</p><p>minha presença?</p><p>29</p><p>Bom, para começar vamos falar da Lei nº12.764 de 27/12/2012 que</p><p>institui a "Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com</p><p>Transtorno do Espectro Autista", que faz com que os autistas passem</p><p>a ser considerados oficialmente pessoas com deficiência (PCD), e</p><p>dessa forma tenham direito a todas as políticas de inclusão do país,</p><p>incluindo-se a educação. A lei estabelece que o direito de estudar em</p><p>escolas regulares, seja na Educação Básica ou no Ensino</p><p>Profissionalizante, e, garante ainda o direito de solicitar um</p><p>acompanhante especializado caso preciso, conforme dita o artigo 3º:</p><p>“em casos de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do</p><p>espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos</p><p>termos do inciso IV do art. 2o, terá direito a acompanhante</p><p>especializado.”. São definidas também sanções aos gestores que</p><p>negarem a matrícula a estudantes com deficiência. A punição varia</p><p>de 3 a 20 salários mínimos e, em caso de reincidência, leva à perda</p><p>do cargo.</p><p>Vale ressaltar que o profissional que trabalha com a criança autista</p><p>dentro da sala de aula e demais ambientes da escola é chamado de</p><p>tutor, acompanhante terapêutico ou professor auxiliar. Este é</p><p>responsável por participar da reintegração da pessoa com TEA.</p><p>Podendo adaptar atividades sempre sob a supervisão do professor</p><p>regente, o auxiliando em interações sociais, aprendizado e</p><p>aplicações didáticas.</p><p>30</p><p>Como garantir o direito a um tutor?</p><p>Documente tudo quanto possível em relação ao TEA de seu filho.</p><p>Vá a um médico especializado (neuropediatra) solicitando um</p><p>laudo comprobatório do grau de autismo e informações em</p><p>quais áreas são necessárias auxilio, vale lembrar que quanto</p><p>mais informações o laudo tiver, melhor é.</p><p>Caso existam demais profissionais que possa recorrer como</p><p>psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo ou</p><p>psicopedagogo faça a mesma solicitação de laudo a esses.</p><p>Tire cópias de todos os documentos e após isso vá em um</p><p>cartório para que possa autentica-lós (tanto os originais quanto</p><p>as cópias)</p><p>Leve as cópias a escola a qual deseja matricular o seu filho, e</p><p>guarde os originais em um local seguro em sua casa.</p><p>Vale lembrar que a escola não tem o direito de cobrar qualquer</p><p>valor por esse profissional especializado, como foi dito pelo</p><p>Ministério da Educação na Nota Técnica 24/2013 que diz que “as</p><p>instituições de ensino privadas, submetidas às normas gerais da</p><p>educação nacional, deverão efetivar a matrícula do estudante com</p><p>transtorno do espectro autista no ensino regular e garantir o</p><p>atendimento às necessidades educacionais específicas. O custo desse</p><p>atendimento integrará a planilha de custos da instituição de ensino,</p><p>não cabendo o repasse de despesas decorrentes da educação especial</p><p>à família do estudante ou inserção de cláusula contratual que exima</p><p>a instituição, em qualquer nível de ensino, dessa obrigação.”</p><p>Com tudo que foi dito, é possível concluir que há todo um apoio</p><p>legislativo que garante direitos inclusivos as crianças com autismo,</p><p>garantindo que essas tenham acesso a educação para que possam</p><p>explorar seu potencial e desenvolver várias áreas cognitivas,</p><p>afetivas e motoras. Tornando assim possível a efetivação do papel</p><p>da escola na vida e no desenvolvimento de todas as crianças. 31</p><p>Inclusão social</p><p>Inclusão social é oferecer oportunidades iguais de acesso a bens e serviços a</p><p>todos. Sempre combatendo a exclusão aos benefícios da vida em sociedade,</p><p>provocada pelas diferenças de classe social, educação, idade, deficiência,</p><p>gênero, preconceito social ou preconceitos raciais.</p><p>A inclusão da criança autista quando entra na escola regular e um desafio e</p><p>um momento de responsabilidade da família, escola e da sociedade para o</p><p>desenvolvimento da criança.</p><p>E necessário conscientizar a comunidade, pois é previsto por lei que deve</p><p>ser esclarecido a todos o que é autismo e suas gravidades. A informação é</p><p>um ponto muito importante, pois, ela não deve ser dada somente aos</p><p>professores que vão trabalhar a inclusão desta criança na escola, mas</p><p>também para todos que estão ao redor. Envolver a família no planejamento</p><p>educacional da criança pode auxiliar no desenvolvimento. A relação</p><p>professor-aluno e de grande importância</p><p>quando se trata de inclusão será o</p><p>pilar para retirar esse aluno do isolamento.</p><p>32</p><p>Quais adaptações são necessárias para Educação inclusiva dos portadores de</p><p>TEA?</p><p>Preparo do corpo docente</p><p>Uso da tecnologia</p><p>Medição do desempenho</p><p>Conhecer o estudante de forma integral</p><p>Fomentar um ambiente de cooperação e livre de</p><p>preconceitos antibullying</p><p>Parceria entre escola e família</p><p>É através da escola que a sociedade passa a adquirir novos hábitos, novos</p><p>fundamentos que servem para modificar antigos paradigmas sobre a</p><p>inclusão das pessoas com necessidades especiais, colaborando e adaptando em</p><p>nome da integração.</p><p>33</p><p>O preconceito e o autismo</p><p>34</p><p>Embora seja um assunto que está ganhando notoriedade, o diagnóstico do</p><p>autismo traz consigo estigmas e tabus na sociedade. A desinformação e os</p><p>mitos em torno do assunto acaba gerando preconceito. Crianças autistas podem</p><p>ser vistas como “estranhas”, mal-educadas, ou até como “coitadas” e acabam</p><p>sofrendo exclusão das demais no ambiente em que convivem.</p><p>O caminho do combate ao preconceito não é fácil. No âmbito escolar, é</p><p>importante que os pais estejam atentos às queixas de seus filhos, mas cabe aos</p><p>professores e profissionais da educação resolverem e confrontarem o</p><p>preconceito. Caso não seja resolvido, cabe a secretaria de educação intervir a</p><p>favor de seus estudantes, afinal, a escola forma cidadãos; quando um erro não é</p><p>corrigido corretamente, o adulto de amanhã também será preconceituoso.</p><p>Dentro de ambientes públicos esse preconceito também deve ser combatido. Em</p><p>parques, shoppings, cinema e etc. Para isso, o melhor caminho é a</p><p>conscientização; a vida do autista não acaba após o diagnóstico e o espectro não</p><p>define quem ele é! Por isso existe o Dia Mundial da Conscientização sobre o</p><p>Autismo, que é comemorado no dia 2 dia Abril. Essa data têm como intuito</p><p>levar a sociedade a refletir nos seus comportamentos e quais aspectos ainda</p><p>precisam ser melhorados para dar o suporte necessário para essa comunidade e</p><p>suas famílias. Esse dia é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde.</p><p>Aqui no Brasil temos o Dia do Orgulho Autista, comemorado dia 18 de Junho,</p><p>também possui como foco combater a falta de conhecimento e os estereótipos</p><p>sobre o Transtorno do Espectro Autista. É necessário que haja adaptação dos</p><p>espaços de lazer e das escolas e também adaptação dos profissionais que atuam</p><p>nesses ambientes, pois a incompreensão contribui para as adversidades que</p><p>pessoas com autismo apresentam em seu cotidiano, o que fortalece o</p><p>preconceito e os estigmas sobre esse grupo.</p><p>É importante reiterar sobre as leis que existem e que garantem direitos a pessoas</p><p>com TEA. A Lei Berenice Piana (12.764/12), que foi aprovada em 2012 e estabelece</p><p>a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do</p><p>Espectro Autista. Ela institui direitos como: diagnóstico precoce, tratamento</p><p>completo fornecido pelo SUS; garante o acesso à educação, garante à proteção</p><p>social; garante o acesso ao trabalho e aos serviços que proporcionam a igualdade</p><p>de oportunidades. Ela também estabelece que o indivíduo com transtorno do</p><p>espectro autista é considerada pessoa com deficiência, logo está incluso nas leis</p><p>voltadas para deficientes e possuem os mesmos direitos, como o Estatuto da</p><p>Pessoa com Deficiência (13.146/15 e a Convenção das Nações Unidas sobre os</p><p>Direitos das Pessoas com Deficiência (6.949/2000).</p><p>A lei 13.977/20, também conhecida como Lei Romeo Mion que criou a Carteira de</p><p>Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), ela vai ser</p><p>feita de forma gratuita e possui validade em todo o território nacional. A carteira</p><p>assegura a prioridade na educação, na assistência social e na saúde, além de</p><p>garantir a prioridade no atendimento em estabelecimentos públicos e privados.</p><p>Também torna obrigatório sessões de cinema voltadas especificamente para</p><p>pessoas com autismo pelo menos uma vez ao mês. O intuito da CIPTEA é</p><p>substituir o atestado médico, e evitar constrangimentos em filas, por exemplo.</p><p>Vivemos em um país preconceituoso, isso já sabemos! No inicio não</p><p>foi fácil, pois a nossa falta de conhecimento, experiência e aceitação</p><p>para o problema em curso, nos levava a um certo desespero e</p><p>irritação. Passamos a estudar mais sobre o assunto e começamos a</p><p>mudar os nossos conceitos. A partir destas atitudes começamos a</p><p>ver tudo de forma simples, natural e sem nenhum receio dos</p><p>comentários e das caras de estranhamento das pessoas. Hoje, boa</p><p>parte da sociedade já detém um certo conhecimento sobre o</p><p>comportamento de um autista e acabam nos passando</p><p>tranquilidade e respeito. Em alguns locais, avisamos que o nosso</p><p>filho é um autista e fica tudo bem.</p><p>William Fernandes Boteri e Helen Lúcia Rocha Boteri 35</p><p>Como ajudar seu filho</p><p>Para alguns pais, a percepção dos sintomas pode surgir por volta dos 2 a 3 anos,</p><p>mas há casos em que é possível notar a manifestação dos sintomas a partir dos</p><p>12 meses. Eles se manifestam em diferentes níveis, mas são caracterizados, no</p><p>geral, por problemas de comunicação, socialização e comportamentos que geram</p><p>problemas na fala, dificuldades ao expressar ideias e sentimentos, pouco contato</p><p>visual e desconforto ao redor de mais pessoas.</p><p>Ao detectá-los, o indicado é a avaliação de um psicólogo ou neurologista. Caso</p><p>seja confirmado o autismo, é importante buscar orientação com profissionais</p><p>para saber como prosseguir com a educação, o desenvolvimento e ajudar a</p><p>evoluir a autonomia da criança. No entanto, é fundamental que os pais e</p><p>responsáveis saibam como ajudar e como manter uma comunicação com a</p><p>criança autista.</p><p>Ao se comunicar, é importante utilizar entonações que possam ajudá-la a</p><p>identificar emoções, usar palavras simples, se expressar, mostrar interesse,</p><p>falar sobre coisas que vão chamar a atenção e, principalmente, ter paciência</p><p>para que a criança processe o que foi dito. Também é importante sempre</p><p>procurar informações novas e manter vínculos com outros pais de crianças</p><p>autistas, pois cada criança diagnosticada com TEA terá sempre sua</p><p>individualidade. Portanto, troque informações, participe de grupos de pais de</p><p>crianças autistas, seja virtual ou presencial. Incentive o contato com outras</p><p>pessoas para que eles possam se sentir incluídos, uma boa opção é criar</p><p>situações pequenas estimulando a interação social, como passeios ao parque ou</p><p>praças.</p><p>36</p><p>Procurar acompanhamento profissional é de extrema importância, mas também é</p><p>necessário treinar dentro de casa o que foi aprendido com os profissionais, assim</p><p>como procurar saber sobre seu desempenho escolar e manter uma boa conexão</p><p>com professores e com pessoas que participam da vida escolar da criança.</p><p>Incentive-a a se cuidar e realizar tarefas sozinha para que tenha mais</p><p>independência e utilize as brincadeiras a seu favor. Dedique um tempo para</p><p>brincadeiras e jogos como quebra cabeças e cartas pois eles estimulam a</p><p>coordenação motora e sua capacidade sensorial. A contação de histórias também</p><p>pode ser positiva, pois pode ajudar a criança a estimular a concentração além de</p><p>aumentar o seu vínculo com ela.</p><p>Acredite no potencial deles! Apesar de algumas limitações, as crianças autistas</p><p>podem se desenvolver e levar uma vida como qualquer outra. Além de que, o seu</p><p>apoio será fundamental para o desenvolvimento e confiança durante o</p><p>acompanhamento profissional.</p><p>E acima de tudo, ofereça carinho, atenção e amor. As pessoas costumam achar que</p><p>uma criança autista não gosta de carinho nem contato, mas a realidade é que o</p><p>contato sensorial dela é diferente de uma criança não autista. Por um dos</p><p>sintomas ser a dificuldade de se relacionar, elas precisam receber esse carinho dos</p><p>pais. Boa parte das crianças podem ser avessas ao toque, mas por meio da atenção,</p><p>do carinho e de palavras carinhosas isso pode ser desconstruído.</p><p>Os pais têm um papel fundamental no acompanhamento, mas também é</p><p>importante lembrar que eles busquem apoio e orientação psicológica para</p><p>atravessarem esse momento. Atividades como uma caminhada, ter momentos de</p><p>lazer ou qualquer outra atividade que forneça um momento consigo, irá</p><p>fazer bem</p><p>tanto à criança, quanto àquele que está diariamente proporcionando atenção e</p><p>cuidado com ela.</p><p>37</p><p>Enzo veio de uma gestação planejada e muito desejada por nós pais e</p><p>por toda família, a gestação foi de risco e foi monitorada passo a passo,</p><p>pra ele nascesse no tempo certo, conseguimos segurá-lo até às 36</p><p>semanas, e ele chegou lindo e perfeito, não preciso nem ir pra UTI</p><p>neonatal. Tudo corria bem, para nós ele estava em perfeito</p><p>desenvolvimento até completar um ano quando foi para escola. Como</p><p>já era mãe de 2 meninas já tinha alguma experiência sobre o</p><p>desenvolvimento e percebia que a fala do Enzo (emissão de sons e</p><p>pedidos) não eram claros e quando chamávamos ele não atendia (isso</p><p>em casa) na escola começou demonstrar outros comportamentos que</p><p>fizeram ligar o botão de alerta. Após dois semestres na escola, nos</p><p>chamaram para solicitar um exame de audição para descartar surdez, e</p><p>assim fizemos, tudo normal. Mais alguns meses de observação e veio</p><p>na última reunião do ano onde os professores nos mostra o relatório</p><p>dos Marcos do desenvolvimento e lá estava, a palavra que mudaria</p><p>nossas vidas, observamos muito o Enzo e estamos achando que ele</p><p>seja Autista... Parece que abriu um buraco no chão, ficamos cegos e</p><p>mudos naquele momento tentando processar o que nós era dito.</p><p>Como assim? Autismo? O que é Autismo? Foram tempos difíceis.</p><p>Conseguimos agendar uma consulta com um neuropediatra e só</p><p>conseguimos 2 meses depois (era final de ano). Após a consulta, muitas</p><p>dúvidas e pontos de interrogação, afinal dependendo do caso o</p><p>diagnóstico demora. Fizemos os exames pedidos e fomos direcionados</p><p>para a fonoaudióloga afinal a primeira características estava no atraso</p><p>da fala. Fizemos tudo que nos foi pedido, consultamos um psiquiatra</p><p>que nos direcionou para psicoterapia.</p><p>Depoimentos</p><p>38</p><p>Dos 2 anos aos 6 anos, fazíamos terapias todos os dias com fono, psicóloga</p><p>atividade física e escola, muitos estímulos e muitas conquistas. Passamos</p><p>por muitos momentos de angústia, sem saber se nosso filho faria muitas</p><p>coisas, foi desgastante e cansativo, estávamos fazendo o que nós era</p><p>orientado, mas parecia que nossa mente estava fechada para negação, não</p><p>tínhamos muitas respostas sobre o TEA e como era seu funcionamento.</p><p>Procuramos outro médico que nos direcionou para outros exames e testes,</p><p>pois para ele tbm não era Autismo. Entre tantos é não é, nós ali no meio</p><p>torcendo para que não fosse. Até que em 2018 fizemos a audiometria, teste</p><p>Neuropsicológico e o diagnóstico fechou. Era TEA nível 1. Por mais que eu</p><p>desejasse que não fosse, lá no fundo eu sabia que alguma coisa tinha, meu</p><p>menino era diferente. Iniciou o ensino fundamental regular onde já chegou</p><p>alfabetizado, ele não tem dificuldade em aprender. Nesta trajetória</p><p>conhecemos uma psicopedagoga que além de atender nosso filho tbm fazia</p><p>um trabalho com mães, comecei a participar e ali aprendi muito, a troca entre</p><p>as famílias, as orientações foram pontos cruciais para direcionar para com a</p><p>nossa história ajudar outras famílias também. Entre tantas coisas que</p><p>passamos e ouvimos durante o processo (5 anos), decidi contar nossa</p><p>história através de redes sociais e aí nasceu o maternidade com doçura, e um</p><p>ano depois fomos convidados a fazer parte de um projeto na nossa cidade</p><p>ASA Amor Superação Autismo, onde acolhemos famílias com palestras,</p><p>passeios para habilidades sociais, e isso vem nos ajudando muito, pois além</p><p>de sermos ajudados também ajudamos. Não é fácil pra nenhuma família</p><p>receber um diagnóstico, seja ele qual for, mas precisamos depois da</p><p>tempestade, sacudir a poeira e partir pra ação. Queremos que as pessoas</p><p>conheçam o TEA que entendam, e que a inclusão seja feita de verdade, que</p><p>as leis funcionem sem as famílias precisarem implorar. Queremos os direitos</p><p>garantidos e acima de tudo que nossos filhos consigam se desenvolver e ter</p><p>autonomia para viverem uma vida digna e feliz</p><p>Alessandra Gusmão - Mãe do Enzo 10 anos</p><p>39</p><p>Como na maioria dos casos, percebemos que o nosso filho era</p><p>diferenciado em alguns aspectos. A minha esposa comentou com</p><p>algumas amigas e uma delas sugeriu que levássemos o nosso filho a um</p><p>especialista da área de neurologia pediátrica. Procuramos os</p><p>especialistas e aos 02 anos de idade tivemos a confirmação da Síndrome</p><p>do Espectro Autista do nosso filho, Marcos Paulo. Diante da falta de</p><p>conhecimento sobre o assunto, eu e minha esposa passamos a estudar</p><p>e pesquisar sobre o autismo. Procuramos outros pais que passavam</p><p>pelos os mesmos problemas e começamos a participar de grupos de</p><p>estudos, cursos e Workshops oferecidos por alguns especialistas. Assim</p><p>com os profissionais em todos os aspectos dentro desta área foi o ponto</p><p>de partida com nosso filho. O importante que os estudos sobre esta</p><p>síndrome foram avançando e com isso a sociedade passou a ter mais</p><p>conhecimento sobre o autismo. Leis foram criadas, mas ainda está</p><p>faltando mais investimentos dos órgãos públicos. As escolas, prédios</p><p>públicos e os pontos importantes da cidade não possuem os espaços</p><p>físicos adaptados aos deficientes. Os pais estão vulneráveis e passam a</p><p>ter muitos problemas de saúde, pois o cotidiano com um filho autista é</p><p>muito árduo e cansativo. A maioria dos autistas não têm direito aos</p><p>benefícios e sempre recebem primeiro uma negativa dos seus direitos.</p><p>Infelizmente, no nosso caso, temos que assumir e custear quase todas</p><p>as despesas do nosso filho. Acredito que boa parte das famílias que</p><p>possuem filhos com autismo, passam pelos os mesmos problemas.</p><p>Vendo estas necessidades, eu, minha esposa e um grupo de</p><p>profissionais, ativamos a Associação de Amigos dos Autista de Minas</p><p>Gerais – AMA MG, para que possamos oferecer as orientações</p><p>necessárias para as famílias, em relação às suas crianças, adolescentes e</p><p>adultos.</p><p>William Fernandes Boteri - Pai, professor AEE/Pedagogo, e</p><p>Helen Lúcia Rocha Boteri - Mãe, designer</p><p>40</p><p>Nós somos Angolanos (Angola) um país que faz parte do continente</p><p>Africano... Sendo Angolanos, tem sido muito difícil lidar com o Autismo</p><p>na nossa sociedade, porque ainda não é muito conhecido e também</p><p>não temos especialista aqui... No início, foi bem difícil lidar com ele</p><p>também porque não sabíamos o que ele tinha, mas quando ele</p><p>completou 3 anos, alguém nos alertou e tivemos que fazer de tudo pra</p><p>poder saber o que ele tinha... Tivemos que viajar pra Namíbia (um país</p><p>vizinho), e daí foi diagnosticado com Autismo, DDP (deficiência no</p><p>desenvolvimento psicológico) e hiperatividade... Foi muito difícil porque</p><p>era algo novo pra nós, mas comecei a procurar ajuda, e entender mais</p><p>sobre o Autismo, e em seguida entender ele... Tive que parar de estudar</p><p>e trabalhar, porque eu tinha medo de deixar ele sozinho, e também</p><p>porque ele não ficava parado, queria andar o tempo todo, e não falava</p><p>nada, não olhava no olho de ninguém, em casa simplesmente ele não</p><p>conseguia falar o nome de ninguém (que me levou a pensar que ele não</p><p>conhecia ninguém) e se estivesse sozinho, qualquer pessoa que pegasse</p><p>ele na tentativa de lhe levar, ele ia junto... Mas conseguimos lidar com</p><p>tudo isso e muito mais, e agora, ele está com 9 anos, e já fala de quase</p><p>tudo, só que meio descoordenado, já está mais calmo e já reconhece</p><p>todo mundo... Está a ser, uma alegria ter ele porque cada dia aprendo</p><p>muita coisa... As dificuldades que enfrentei, foram, o preconceito das</p><p>pessoas (alguns amigos e familiares) não poder estar em locais públicos</p><p>com ele, porque a hiperatividade dele incomodava (segundo as pessoas),</p><p>andar em transportes públicos... Mas graças a Deus, apareceu alguém</p><p>que nos ajudou, pra inserir ele numa creche não foi tão fácil, porque</p><p>primeiro teve acompanhamento, de um neurologista e uma</p><p>fonoaudióloga, que ajudaram muito e depois pediram pra deixar ele</p><p>numa creche, e ele mostrou-se muito inteligente, que quando terminou</p><p>a creche, conseguimos uma vaga em uma escola de ensino normal,</p><p>começou a falar com 7 anos e agora com 9 está na 4 classe, e já sabe ler</p><p>e escrever...</p><p>Ruth - mãe</p><p>41</p><p>Assim que vi minha filha na maternidade, meu coração de mãe já sentiu</p><p>que algo não</p><p>era normal, pois Júlia não acordava e era a bebê mais</p><p>molinha que havia nascido. Quando fomos liberadas e fomos para casa,</p><p>ela mamou super bem, porém quando mamava já tinha cólicas terríveis</p><p>e assim foi até os 2 meses de vida! O tempo ia passando e Julia não</p><p>desenvolvia, ela ficou com o pescoço duro, com apenas 9 meses, sentou</p><p>sozinha com 1 ano e começou a andar só com 1 e 8 meses, e não</p><p>desenvolveu a fala. Todos percebiam que algo estava errado, mas</p><p>sempre fica a dúvida pq ela olhava nos olhos, não andava na ponta dos</p><p>pés e algumas vezes olhava quando eu a chamava, mas como não</p><p>desenvolveu a fala e tinha uma grande seletividade alimentar e uma</p><p>péssima coordenação motora, tanto fina, quanto grossa, além de</p><p>praticamente não dormir a noite, então resolvi levar ela a neuropediatra</p><p>que deu o diagnóstico de autismo na primeira consulta e encaminhou</p><p>ela pras terapias. Já faz quase um ano do diagnóstico dela que foi dado</p><p>com 1 e 11 meses e agora as terapias estão sendo feitas mais</p><p>corretamente e comecei o uso do canabidiol que tem tido um resultado</p><p>muito positivo, além da suplementação com ômega 3 e vitaminas! Ela</p><p>está evoluindo muito, apesar de não falar ainda, mas continuarei lutando</p><p>para que ela possa se expressar e dizer o que sente, pois ela tenta</p><p>incansavelmente falar oque quer! A mensagem que tiro do autismo é</p><p>que não amo o autismo, não me orgulho do símbolo dele e não o</p><p>romantizo, afinal o autismo tirou muito de minha filha, faz ela sofrer,</p><p>causa dor, tirou sua fala e tirou boa parte da nossa alegria. Porém amo</p><p>minha filha e darei os melhores tratamentos, os que são quase</p><p>impossíveis, mas que aos poucos irei fazer e tirar o que puder dos sinais</p><p>desse transtorno.</p><p>Renata- mãe</p><p>42</p><p>Conheça nosso aplicativo</p><p>Escaneie o QR code abaixo para ter acesso ao aplicativo e a</p><p>dicas e também conversar com outros pais!</p><p>Aponte a câmera do seu celular para a página, ou procure</p><p>na PlayStore "EDUCAFISIO"*</p><p>43</p><p>*disponível apenas para android</p><p>2 de abril</p><p>Dia mundial da conscientização do autismo</p>

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