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<p>SEM PERÍCIA, NÃO HÁ JUSTIÇA</p><p>FORMAÇÃO DE</p><p>PERITOS JUDICIAIS</p><p>Professora Rosaura Blandy</p><p>Índice</p><p>1 – Orgãos Do Judiciário 5</p><p>2 – Organização e Divisão Do Poder Judiciário 12</p><p>3 – Dos Serventuários da Justiça 13</p><p>4 – Serventias da Justiça – (Varas / Secretarias) 14</p><p>5 – Setor Forense 15</p><p>6 – Direito Processual os 5 princípios do Processo 17</p><p>8 – Do Perito Judicial 21</p><p>9 – Da Perícia Judicial 34</p><p>10 – Do Laudo Perícial 41</p><p>11 – Quesitos 51</p><p>12 – Proposta Honorários Periciais 66</p><p>13 – Gratuidade de Justiça 80</p><p>14 – Defesa do Perito - Impugnações de Laudos 85</p><p>15 – Nomeação 94</p><p>16 – Processo Eletrônico 98</p><p>17 – Certificado Digital para Peritos Judiciais 102</p><p>3</p><p>Breve Apresentação</p><p>Tantas são as carreiras que admitem atuação na área de Perícia Judicial e</p><p>algumas delas, citamos a seguir: engenheiros, arquitetos, agrônomos, con-</p><p>tadores, administradores, economistas, químicos, odontólogos, fisioterapeu-</p><p>tas, médicos, profissionais de informática, corretores de imóveis, advogados,</p><p>área de Tecnologia da Informação, etc.</p><p>A competência no trabalho do perito tem rotina pequena e de fácil assi-</p><p>milação para aqueles que não dispõem de experiência em perícias, mas</p><p>mesmo assim, o mercado é escasso e o judiciário carece cada vez mais</p><p>desses profissionais.</p><p>O conteúdo trazido e tudo que cerca a perícia terá uma didática clara, uma</p><p>linguagem sem os requintes de manifestações formais, própria do direito,</p><p>que poderiam embaraçar a compreensão de profissionais de áreas distintas.</p><p>O Perito, para ser bem-sucedido, deve preencher dois espaços:</p><p>1º) Conhecer tudo que faz parte do campo de ação da Perícia, devendo ter</p><p>total conhecimento quanto a burocracia, a prática forense, ao trato com os</p><p>assistentes das partes, aos procedimentos nos exames e nas vistorias, a apre-</p><p>sentação do Laudo e formas jurídicas para Peticionar;</p><p>2º) Conhecimento técnico, específico na sua área de atuação, com domínio</p><p>suficiente para dirimir as dúvidas suscitadas no processo judicial, já que atu-</p><p>ará como colaborador da justiça, do juízo da causa e das partes.</p><p>O objetivo do curso é esgotar o que envolve a perícia judicial e levar na prática</p><p>e teoria, conteúdos extensos àqueles que possuem escassos conhecimentos</p><p>nesse âmbito, como os recém-formados ou outros que se sentem inquietos</p><p>quanto, ainda, à inexistência da prática profissional.</p><p>Bom lembrar que essa área é bem recomendada, também, para profissio-</p><p>nais que já se aposentaram e sentem o desejo de continuar utilizando todo</p><p>o conhecimento e prática adquiridos durante anos e assim complementar</p><p>seus ganhos, ou para aqueles profissionais que possuem emprego mas de-</p><p>sejam, também, complementar sua renda mensal.</p><p>Observa-se um natural desconforto para profissionais do campo de atuação</p><p>técnico-científica operarem no terreno do direito e da Justiça.</p><p>Um dos motivos talvez possa ser o próprio desconhecimento do ramo, que</p><p>faz parecer ao profissional, um intruso. Porém é imprescindível essa incursão</p><p>4</p><p>do EXPERT na vida do processo judicial, pois ele será pessoa indicada para</p><p>esclarecer aos advogados, às partes, ao Ministério Público e ao juiz questões</p><p>em cuja natureza sejam leigos. A fim de oferecer um maior suporte aos no-</p><p>vos peritos, abordaremos os termos mais utilizados no ramo da Perícia Judi-</p><p>cial, assim como aqueles que mais se defrontará em seu processo.</p><p>O Código de Processo Civil é a lei que norteia o andamento de um pro-</p><p>cesso civil na Justiça.</p><p>Dentre uma numerosa quantidade de artigos estão aqueles que são direta-</p><p>mente ligados a todos os tipos de perícias.</p><p>O Direito pode ser entendido como um sistema de normas jurídicas válidas</p><p>em tempo e espaço específicos, cuja finalidade é disciplinar as relações hu-</p><p>manas intersubjetivas. Dentre todas essas normas há uma parcela destinada</p><p>a regrar a composição dos processos, ou seja, o ordenamento jurídico estatui</p><p>como as pessoas devem agir na hipótese de terem direitos lesados ou colo-</p><p>cados em situação de risco. Da mesma forma, num Estado Democrático de</p><p>Direito, as normas jurídicas dispõem, ainda, como o Estado-Juiz deve se con-</p><p>duzir para pacificar os conflitos de interesses que lhe são submetidos e as-</p><p>sim, podemos dizer que o perito é um auxiliar de extrema importância, já que</p><p>atua tecnicamente junto ao Judiciário com o intuito de possibilitar ao juiz/</p><p>Estado, disponibilizar o bom direito ao jurisdicionado, que dele se socorre.</p><p>A Constituição Federal assegura a todos o livre acesso ao Poder Judiciário</p><p>para a proteção ou reparação de direitos, sendo que ao Estado foi atribuído o</p><p>dever de desempenhar a atividade jurisdicional.</p><p>A rotina forense é regulamentada pela Lei do Código de Processo Civil, por-</p><p>tanto, a burocracia enfrentada pelo perito é idêntica em todos os Estados da</p><p>FEDERAÇÃO e DISTRITO FEDERAL.</p><p>O CURSO BETA pretende com esse trabalho, colaborar de maneira prática,</p><p>com os profissionais de todas as categorias que pretendem militar na perícia</p><p>judicial ou que já estão ali trabalhando, o grande objetivo é mostrar como se</p><p>dá o acesso à função de perito, de forma que possibilitem ao aluno interes-</p><p>sado em ingressar na atividade, dependendo da vontade, disponibilidade e</p><p>condições, transformando o seu empenho inicial numa atividade rentável e</p><p>gratificante.</p><p>5</p><p>Conhecendo o Judiciário</p><p>1.0 – Orgãos Do Judiciário</p><p>O Poder Judiciário é regulado pela Constituição Federal nos seus artigos 92</p><p>a 126. Ele é constituído de diversos órgãos, com o Supremo Tribunal Federal</p><p>(STF) no topo. O STF tem como função principal zelar pelo cumprimento da</p><p>Constituição. Abaixo dele está o Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsá-</p><p>vel por fazer uma interpretação uniforme da legislação federal.</p><p>No sistema Judiciário brasileiro, há órgãos que funcionam no âmbito da</p><p>União e dos estados, incluindo o Distrito Federal e Territórios. No campo da</p><p>União, o Poder Judiciário conta com as seguintes unidades: a Justiça Federal</p><p>(comum) – incluindo os juizados especiais federais –, e a Justiça Especializa-</p><p>da – composta pela Justiça do Trabalho, a Justiça Eleitoral e a Justiça Militar.</p><p>A organização da Justiça Estadual, que inclui os juizados especiais cíveis e cri-</p><p>minais, é de competência de cada um dos 26 estados brasileiros e do Distrito</p><p>Federal, onde se localiza a capital do país.</p><p>Tanto na Justiça da União como na Justiça dos estados, os juizados especiais</p><p>são competentes para julgar causas de menor potencial ofensivo e de pe-</p><p>queno valor econômico.</p><p>Como regra, os processos se originam na primeira instância, podendo ser le-</p><p>vados, por meio de recursos, para a segunda instância, para o STJ (ou demais</p><p>tribunais superiores) e até para o STF, que dá a palavra final em disputas judi-</p><p>ciais no país em questões constitucionais. Mas há ações que podem se origi-</p><p>nar na segunda instância e até nas Cortes Superiores. É o caso de processos</p><p>criminais contra autoridades com prerrogativa de foro.</p><p>Parlamentares federais, ministros de estado, o presidente da República, en-</p><p>tre outras autoridades, têm a prerrogativa de ser julgados pelo STF quando</p><p>processados por infrações penais comuns. Nesses casos, o STJ é a instân-</p><p>cia competente para julgar governadores. Já à segunda instância da Justiça</p><p>comum – os tribunais de Justiça – cabe julgar prefeitos acusados de crimes</p><p>comuns.</p><p>6</p><p>1.1 - Justiça Da União</p><p>1.1.1 – Justiça Federal Comum</p><p>A Justiça Federal da União (comum) é composta por juízes federais que atu-</p><p>am na primeira instância e nos tribunais regionais federais (segunda instân-</p><p>cia), além dos juizados especiais federais. Sua competência está fixada nos</p><p>artigos 108 e 109 da Constituição.</p><p>Por exemplo, cabe a ela julgar crimes políticos e infrações penais praticadas</p><p>contra bens, serviços ou interesse da União (incluindo entidades autárquicas</p><p>e empresas públicas), processos que envolvam Estado estrangeiro ou orga-</p><p>nismo internacional contra município ou pessoa domiciliada ou residente no</p><p>Brasil, causas baseadas em tratado</p><p>que</p><p>o objetivo da resolução é dispor ape- nas sobre os</p><p>peritos, por força do que estabelece o art. 156, que</p><p>não faz referência a tradutores e intérpretes aque-</p><p>les também são auxiliares da justiça especialistas.</p><p>Com as razões ora acrescidas acompanho o voto</p><p>do eminente Relator, pela aprovação da minuta de</p><p>Resolução.É como voto.”</p><p>Voto Convergente - ROGÉRIO JOSÉ BENTO SOARES</p><p>DO NASCIMENTO</p><p>9.1.4 – Perícia quanto ao ramo do direito</p><p>As perícias são realizadas nos ramos do direito cível, criminal e trabalhista.</p><p>9.1.4.1 – A perícia cível é aquela que trata dos conflitos judiciais na área patri-</p><p>monial e/ou pecuniária, entre outros.</p><p>No foro cível os peritos podem atuar em áreas das mais diversificadas e cons-</p><p>titui um conjunto de procedimentos técnicos e científicos, destinados a levar</p><p>ao juiz os elementos probatórios necessários a justificar a sentença decisória.</p><p>9.1.4.2 – A perícia criminal é aquela que trata das infrações penais, em que o</p><p>Estado assume a defesa do cidadão em nome da sociedade.</p><p>9.1.4.3 – A perícia trabalhista não diverge de sua função original. São várias as</p><p>matérias de atuação dos peritos na área trabalhista que serão submetidas a</p><p>38</p><p>perícia. Sem estes exames o juiz estará impossibilitado de julgar o pedido do</p><p>reclamante (empregado) sobre, por exemplo, a caracterização da insalubrida-</p><p>de e da periculosidade.</p><p>9.1.5 – Classificações das perícias</p><p>9.1.5.1 – Perícia judicial é aquela realizada no âmbito do Poder Judiciário. O</p><p>profissional atua como auxiliar do juízo, no esclarecimento dos fatos;</p><p>9.1.5.2 – A perícia extrajudicial é toda aquela realizada no âmbito institucional</p><p>do Estado, exceto as que envolvem conflitos judiciais ou toda aquela realiza-</p><p>da fora da esfera estatal, cujo interesse é de pessoas físicas ou jurídicas;</p><p>9.1.5.3 – A perícia arbitral assume características especificas, pois ora ela atua</p><p>como judicial, ora como extrajudicial.</p><p>9.1.6 – Perícia deficiente/ Nova Perícia</p><p>Caracterizada a deficiência da perícia, retratada por um laudo lacônico ou</p><p>inconclusivo, o juiz determinará, de ofício, ou a requerimento da parte, a reali-</p><p>zação de nova perícia (art. 480, CPC), que será regida pelas mesmas disposi-</p><p>ções estabelecidas para a perícia que a antecedeu (art. 480, § 2º, CPC).</p><p>A segunda perícia terá por objeto os mesmos fatos sobre os quais recaiu a</p><p>primeira, suprindo omissões ou corrigindo inexatidões dos resultados decor-</p><p>rentes do trabalho pericial anterior (art. 480, § 1º, CPC).</p><p>Nos termos do artigo 480, § 3º, “a segunda perícia não substituirá a primei-</p><p>ra, cabendo ao juiz apreciar o valor de uma e de outra”. Acreditamos que a</p><p>aplicação desta regra somente será possível quando os vícios forem saná-</p><p>veis. Afinal, se o trabalho pericial vier a ser considerado nulo, não há como se</p><p>cogitar sua valoração pelo magistrado, hipótese na qual a segunda perícia</p><p>certamente é realizada em substituição à primeira.</p><p>Se o perito não conseguiu realizar seu trabalho técnico ou científico de modo</p><p>a elucidar todas as questões sobre o objeto da perícia, concluir-se-á, que além</p><p>da necessidade de nova perícia (art. 480, CPC), esta deverá ser realizada por</p><p>outro perito, pois resta evidente que, ainda que especializado no objeto da</p><p>perícia, faltou-lhe conhecimentos para tanto (art. 468, I, CPC).</p><p>Inúmeras disposições regram a forma de realização do trabalho pericial e</p><p>confecção do respectivo laudo, possibilitada, inclusive, a determinação de</p><p>nova perícia e por outro perito, se assim for o caso. Isto, consequentemente,</p><p>resulta a conclusão de que dependendo dos vícios que comprometem o tra-</p><p>balho pericial, este pode ser considerado nulo.</p><p>A Lei nº 13.105/2015 mostra-se mais preocupada com a forma dos atos proces-</p><p>39</p><p>suais, ou seja, com o atendimento das normas pelas quais o legislador pre-</p><p>concebeu a finalidade do ato. Entretanto, admite-se que mesmo não obser-</p><p>vada a forma para materialização do ato processual, será considerado válido</p><p>se a sua finalidade for atingida sem trazer prejuízo às partes.</p><p>No âmbito da prova pericial, a finalidade do ato – perícia – é a elucidação de</p><p>todas as questões técnicas ou científicas por perito judicial especializado no</p><p>objeto da perícia, incumbido de exercer o encargo escrupulosamente, com</p><p>zelo e diligência, cujo laudo deverá ser redigido em linguagem simples e ple-</p><p>namente fundamentado, com respostas conclusivas a todos os quesitos, e</p><p>fornecendo às partes, ao juiz, aos assistentes técnicos e ao Ministério Público,</p><p>os esclarecimentos necessários relativos ao objeto da perícia. Consequente-</p><p>mente, não observada a forma legalmente prevista, e não se atingindo a fina-</p><p>lidade da perícia, esta não poderá ser considerada válida, sendo de rigor a de-</p><p>terminação de perícia substitutiva, que deverá ser realizada por outro perito.</p><p>O todo acima exposto demonstra a importância da prova pericial, pois em</p><p>vários casos o juiz estará diante de fatos que versam sobre questões técnicas</p><p>ou científicas, cujo conhecimento não possui ou não domina, necessitando</p><p>ser auxiliado por um perito especializado na respectiva área.</p><p>Como auxiliar da justiça, só poderá ser nomeado perito o profissional espe-</p><p>cializado na área de conhecimento do objeto da perícia, devendo apresentar</p><p>seu currículo como prova da formação. A exigência da efetiva especialização</p><p>é mais do que adequada, pois em muitos casos o perito nomeado estará in-</p><p>cumbido de examinar atos e procedimentos realizados por outros profissio-</p><p>nais também especializados.</p><p>Desta forma, seria absolutamente incoerente que um profissional, não espe-</p><p>cialista na área do objeto da perícia, seja nomeado para auxiliar o magistrado</p><p>(Ex. o perito é administrador e foi nomeado para processo que se discute</p><p>questões relacionadas aos Dentistas; perito é especialista na área de enge-</p><p>nharia mecânica, mas foi nomeado para atuar em processo que se discute</p><p>questões voltadas para o profissional com especialização em Tecnologia da</p><p>informação, etc).</p><p>Para que a perícia atinja sua finalidade de levara os autos do processo todos</p><p>os esclarecimentos necessários à compreensão da matéria, viabilizando a va-</p><p>loração da respectiva prova, todas as regras que disciplinam a forma do ato</p><p>devem ser escrupulosamente observadas, sob pena do trabalho pericial e</p><p>respectivo laudo serem considerados insuficientes e lacônicos, acarretando</p><p>a invalidade.</p><p>Seja na esfera civil, penal ou trabalhista, a perícia tem por objetivo apurar os</p><p>fatos e trazer a verdade ao processo, seja no âmbito judicial ou administrativo.</p><p>O perito não cria e nem crê, somente deve se manifestar sobre fatos exami-</p><p>40</p><p>nados e não emitir simples opinião, suposição ou probabilidade.</p><p>Tais fatos serão transformados em meio de prova.</p><p>• Julgados a respeito do tema:</p><p>“PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-DOENÇA. APOSENTA-</p><p>DORIA POR INVALIDEZ. LAUDO PERICIAL INSUFI-</p><p>CIENTE.</p><p>SENTENÇA ANULADA. Quando a perícia judicial não</p><p>cumpre os pressupostos mínimos de idoneidade</p><p>da prova técnica, ela é produzida, na verdade, de</p><p>maneira a furtar do magistrado o poder de decisão,</p><p>porque respostas periciais categóricas, porém sem</p><p>qualquer fundamentação, revestem um elemento</p><p>autoritário que contribui para o que se chama de-</p><p>cisionismo processual. Hipótese em que foi anulada</p><p>a sentença para a realização de nova prova peri-</p><p>cial.”[28]</p><p>“APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO INDENIZATÓRIA. ERRO</p><p>MÉDICO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO USO DE FÓR-</p><p>CEPS. INFANTE QUE RESTOU COM GRAVES LESÕES</p><p>NEUROLÓGICAS. LAUDO PERICIAL INSUFICIENTE.</p><p>NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA COM-</p><p>PLEMENTAR POR ESPECIALISTA NA ÁREA DE OBS-</p><p>TETRÍCIA. DESCONSTITUIÇÃO DO ATO SENTENCIAL.</p><p>Insuficientes os elementos de convicção para um</p><p>juízo definitivo sobre a correção ou não no uso de</p><p>fórceps para o nascimento do autor Gabriel, o qual</p><p>restou com graves sequelas neurológicas em razão</p><p>de fratura craniana no momento do procedimen-</p><p>to, faz-se necessária a complementação da prova</p><p>pericial realizada por neurologista, o qual deixou de</p><p>responder quesitos formulados para se inferir como</p><p>se deu o uso da referida ferramenta</p><p>médica, de-</p><p>vendo ser nomeado especialista na área obstetrícia</p><p>para tal. Aplicação do disposto nos artigos 437 e 438</p><p>do CPC. Sentença desconstituída. SENTENÇA DES-</p><p>CONSTITUÍDA. RECURSOS PREJUDICADOS.”</p><p>41</p><p>10.0 – Do Laudo Perícial</p><p>O LAUDO PERÍCIAL é o relato do técnico ou especialista designado para ava-</p><p>liar determinada situação que está dentro de seus conhecimentos. O laudo</p><p>é a tradução das impressões captadas pelo técnico ou especialista, em torno</p><p>do fato litigioso, por meio dos conhecimentos especiais de quem o exami-</p><p>nou. (DICIONÁRIO JURÍDICO).</p><p>O LAUDO é o resumo das constatações de tudo que foi analisado pelo perito</p><p>e deve ter o objetivo de convencer, de forma técnica-cientifica, as razões que</p><p>provem as conclusões trazidas.</p><p>NEXO CAUSAL</p><p>Durante o ato pericial é importante que o perito e/ou assistente técnico con-</p><p>siga distinguir o NEXO DE CAUSALIDADE entre o fato e suas consequências.</p><p>Conceito de nexo causal: É a ligação existente entre a conduta do agente e</p><p>o resultado que essa conduta produziu. Trata-se de uma relação, um vínculo</p><p>entre o fato e sua consequência.</p><p>Exemplo: Fulano foi alvejado por um disparo de arma de fogo realizado por</p><p>Sicrano, que tinha a intenção de matá-lo. Fulano foi internado em estado gra-</p><p>ve no hospital.</p><p>Pergunta: Houve nexo de causalidade (vínculo) entre a conduta de Sicrano</p><p>(disparo de arma de fogo) e o fato de Beltrano está internado em estado gra-</p><p>ve?</p><p>Sim, houve! Logo, a conduta de Sicrano foi uma causa determinante para o</p><p>estado de saúde grave de Beltrano e deverá responder por isso.</p><p>Passando sobre o conceito básico do nexo causal, seguimos para o estudo da</p><p>relação de causalidade, que é o que o nosso Código Penal em seu artigo 13,</p><p>caput aduz:</p><p>O resultado, de que depende a existência do crime, somente se é imputado</p><p>a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o</p><p>resultado não teria ocorrido.</p><p>Busca aferir se o resultado pode ser atribuído objetivamente ao sujeito ativo</p><p>como obra do seu comportamento típico.</p><p>Causa: É toda ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.</p><p>Contudo, se adotarmos somente a causa como consequência do crime po-</p><p>derá haver uma regressão ao infinito. Observe que sendo toda ação ou omis-</p><p>42</p><p>são que gerou o resultado, com base no nosso exemplo acima, aquele que</p><p>vendeu a arma para Sicrano também foi causa, assim como o fabricante da</p><p>arma, nessa ceara também entrariam os pais de Sicrano, seus avós, podendo</p><p>chegar até o jardim do Éden com Adão e Eva (apenas uma alusão com o in-</p><p>tuito de elucidar o exemplo).</p><p>Essa é uma teoria que se assemelha com a ciência exata da matemática,</p><p>pois trata-se de uma lei física, não adota critérios normativos ou de valoração,</p><p>próprios do direito, logo, leva a esse tipo de exagero. Para saber se a conduta</p><p>foi relevante para o resultado, basta tirarmos aquela conduta do “caminho</p><p>do crime” se ao tirá-la o crime não ocorrer, é porque foi causa, contudo não</p><p>podemos atribuir o resultado a todas as causas, mas como saber se o fato foi</p><p>determinante para o resultado? Apenas através de uma minuciosa análise</p><p>técnica/científica.</p><p>A solução de muitas controvérsias judiciais depende da demonstração do</p><p>nexo de causalidade entre o resultado questionado e o fato que supostamen-</p><p>te o gerou. Segundo o advogado Artur Thompsen Carpes, falar sobre essa</p><p>relação de causa e efeito significa reconhecer a existência de uma relação</p><p>peculiar entre dois ou mais eventos, sem fazer uma mera associação, mas</p><p>uma correlação concreta.</p><p>“A constatação do nexo de causalidade, portanto, é complexa: exige raciocí-</p><p>nio lógico e depende de significativo grau de interpretação. Trata-se, assim,</p><p>de fenômeno não absolutamente empírico, do que decorrem as conhecidas</p><p>dificuldades na sua demonstração em juízo e, por conseguinte, na fragiliza-</p><p>ção da tutela do direito da vítima do dano”, explica o autor do livro A Prova do</p><p>Nexo de Causalidade na Responsabilidade Civil.</p><p>Thompsen apresenta um exemplo simples para detalhar o que seria o nexo</p><p>de causalidade: “Para demonstrar que o consumo de certa substância cau-</p><p>sou determinada doença, não basta provar que a ingestão do produto está</p><p>associada ao desenvolvimento da aludida enfermidade. Será insuficiente</p><p>confirmar, por exemplo, que a doença surge em 80% dos casos em que a</p><p>substância é ingerida. Para que seja provado o nexo de causalidade, será</p><p>indispensável mostrar que o produto consumido, no caso concreto, efetiva-</p><p>mente determinou desenvolvimento da aludida enfermidade”.</p><p>10.1 - O laudo pericial de acordo com o artigo 473 do CPC</p><p>O artigo 473 do Código de Processo Civil determina o que deve conter o lau-</p><p>do pericial, a saber:</p><p>O laudo pericial deverá conter:</p><p>i. a exposição do objeto da perícia;</p><p>43</p><p>ii. a análise técnica ou científica realizada pelo perito;</p><p>iii. a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser</p><p>predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento</p><p>da qual se originou;</p><p>iv. resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas</p><p>partes e pelo órgão do Ministério Público, se for o caso.</p><p>§ 1º No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem</p><p>simples e com coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões.</p><p>§ 2º É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como</p><p>emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do ob-</p><p>jeto da perícia.</p><p>§ 3º Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos po-</p><p>dem valer-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo</p><p>informações, solicitando documentos que estejam em poder da parte, de</p><p>terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com plani-</p><p>lhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários</p><p>ao esclarecimento do objeto da perícia.</p><p>O perito deve atender integralmente ao artigo 473 do CPC, mas não deve se</p><p>restringir somente ao que está previsto nele, sendo interessante, até mesmo,</p><p>pontuar o que mais necessário for para apresentação de um trabalho de ex-</p><p>celência.</p><p>É imprescindível que o perito leia o processo judicial quantas vezes forem</p><p>necessárias para que tenha pleno e total conhecimento do que está sendo</p><p>discutido na ação, poderá até mesmo ir marcando as páginas que entenda</p><p>serem necessárias para elaboração do laudo ou mereçam maior atenção e</p><p>estudo.</p><p>Lembre-se que o laudo pericial deve ser dirigido ao juiz nomeante, e que</p><p>ele poderá fundamentar a sentença do processo com trechos do seu laudo,</p><p>então muito CUIDADO COM ERROS DE PORTUGUÊS e vícios de linguagem.</p><p>Um bom laudo irá render novas nomeações e contratações como assistente</p><p>técnico judicial, e sua importância é tamanha que poderá decidir uma vida, a</p><p>falência de uma empresa, a condenação de um inocente, a completa revira-</p><p>volta em um processo já em andamento.</p><p>Vale a pena utilizar os seguintes critérios:</p><p>44</p><p>A forma de apresentação do trabalho, zelando por um laudo primoroso em sua</p><p>forma visual.</p><p>Em processos físicos considerar a margem esquerda, já que o Laudo será ane-</p><p>xado ao processo e caso tenha menos de três centímetros, o escrito não ficará</p><p>visível para seus leitores.</p><p>Cuidar de sua forma para, inclusive, valorizar o próprio conteúdo do trabalho.</p><p>Apresentar laudo pericial que facilite e estimule a leitura, por todos os envolvi-</p><p>dos.</p><p>Transcrever as perguntas formuladas e em seguida oferecer a sua resposta.</p><p>Ter objetividade, seriedade, exatidão, clareza, etc.</p><p>Não utilizar termos como: “eu acho”, “eu suponho”, “pode ser que”.</p><p>Ter certeza do que afirma. Não trazer dúvidas no laudo e ser objetivo nas ques-</p><p>tões arguidas.</p><p>Uma estrutura do laudo poderá conter:</p><p>• 1. Encaminhamento</p><p>• 2. Apresentação do laudo pericial</p><p>• 3. Solicitação para a expedição do mandado de pagamento</p><p>• 4. Princípios e Ressalvas</p><p>• 5. Objetivos da Perícia</p><p>• 6. Metodologia de trabalho</p><p>• 7. A vistoria/ exame/avaliação</p><p>• 8. Caracterização do objeto da perícia</p><p>• 9. Histórico resumido</p><p>• 9.1 Petição inicial</p><p>• 9.2 Contestação</p><p>• 9.3 Réplica</p><p>• 10. Respostas aos quesitos</p><p>• 10.1 Quesitos do magistrado</p><p>• 10.2 Quesitos do autor</p><p>• 10.3 Quesitos do réu</p><p>• 11. Conclusões</p><p>• 12. Encerramento</p><p>• 13. Anexos</p><p>1. Encaminhamento</p><p>Todos os documentos que compõem o processo judicial, como petições, lau-</p><p>dos, impugnações etc., devem conter o encaminhamento. Nele estão conti-</p><p>das as informações básicas do processo como a comarca, a serventia, o nú-</p><p>mero do processo, o tipo de ação, e as partes envolvidas.</p><p>45</p><p>O laudo pericial deve conter o encaminhamento, pois o perito pode proto-</p><p>colá-lo (fisicamente, no setor de protocolos ou eletronicamente, através do</p><p>portal de Processo Eletrônico do Tribunal de seu Estado).</p><p>Nos processos físicos o perito poderá protocolar seu laudo no Tribunal da Ca-</p><p>pital, com o encaminhamento para a respectiva vara do interior.</p><p>A numeração do processo identifica – em sua grafia – a comarca de sua ori-</p><p>gem, inclusive se é do interior, da Capital e qual o Estado de sua origem.</p><p>EXMO. jUIZO DO fORUM DA COMARCA DA CAPITAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – SP</p><p>EXMO. jUIZO DO fORUM REgIONAL DA COMARCA DE mACAÉ – Rj</p><p>2. Apresentação do laudo pericial</p><p>Mariana Pereira, brasileira, fisioterapeuta, inscri- ta em seu Conselho de Classe sob o</p><p>número 0000, endereço eletrônico: peritamariana@hotmail. com e telefone de conta-</p><p>to 11.9666.6666, perita, honradamente nomeada por este Ilustre Juízo, vem apresentar</p><p>abaixo seu laudo pericial, na for- ma que segue:</p><p>3. Objetivo da perícia</p><p>Neste tópico é importante descrever os principais pontos controversos do</p><p>processo, o motivo técnico/científico que objetivou a demanda judicial. Ex.:</p><p>uma falha na prestação de serviços médicos, odontológicos, estéticos; uma</p><p>fórmula de medicamento que trouxe danos a alguém; um projeto de enge-</p><p>nharia que causou danos a uma estrutura de uma edificação; uma fraude</p><p>em rede de computadores ou em programa de computador, etc.</p><p>Quando o juiz não fixa a controvérsia, o perito deverá identificá-la e lançar em</p><p>suas conclusões finais.</p><p>4. Metodologia da Perícia</p><p>O artigo 473, em seu item III determina que um laudo deve obrigatoriamente</p><p>conter a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser</p><p>predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da</p><p>qual se originou.</p><p>5. A diligência pericial</p><p>Na imensa maioria das perícias, há a necessidade da realização da vistoria/</p><p>exame/avaliação pericial. O CPC permite que a diligência seja agendada de</p><p>diversas maneiras, quais sejam: primeiramente peticione nos autos do pro-</p><p>cesso, com no mínimo de 45 (quarenta cinco) dias de antecedência , permi-</p><p>tindo, assim, que os serventuários processem a petição e encaminhe para</p><p>que o juiz notifique as partes sobre a data, horário e local do ato.</p><p>46</p><p>O perito poderá, também, além de peticionar nos autos, entrar em contato</p><p>com os advogados das partes, através de email, telefone ou mensagem ele-</p><p>trônica, avisando-os sobre o referido agendamento.</p><p>O peticionamento sobre o agendamento da perícia, via processo, evita que as</p><p>partes tentem impugnar os trabalhos do perito por não terem sido avisadas</p><p>sobre a diligência.</p><p>No laudo pericial, o perito deve registrar e informar ao magistrado a data da</p><p>realização da vistoria pericial, e as partes ou os representantes das partes que</p><p>participaram da vistoria pericial. Deve informar também o nome dos advoga-</p><p>dos e dos assistentes técnicos que estiveram presentes.</p><p>As partes que não estiveram presentes também devem ser registradas no</p><p>laudo.</p><p>De maneira alguma, o perito deve enviar um representante à vistoria pericial,</p><p>por ser um ato pessoal e intransferível.</p><p>Histórico resumido</p><p>É importante que o perito traga no seu laudo um breve resumo das princi-</p><p>pais peças do processo – Petição inicial, Contestação e Réplica – informando</p><p>inclusive as páginas dos autos nas quais se localizam.</p><p>Neste histórico o perito deve lançar as alegações das partes em suas peças</p><p>processuais, permitindo, assim, que as partes e o juízo tenham a certeza que</p><p>o expert estudou o processo e conhece a dinâmica técnica objeto do proces-</p><p>so.</p><p>É importante que o resumo aborde somente os fatos descritos pelas partes</p><p>e as questões técnicas alegadas. O perito não deve trazer ao laudo pericial as</p><p>questões jurídicas, nas quais ele não deve e nem pode se manifestar.</p><p>Respostas aos quesitos</p><p>Por certo, as respostas aos quesitos é um dos pontos mais importantes do</p><p>laudo pericial. O Artigo 473 do NCPC, determina que o laudo pericial deve</p><p>conter resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas</p><p>partes e pelo órgão do Ministério Público, se for o caso.</p><p>A ordem de resposta aos quesitos é sempre: 1º. Responda os quesitos do juiz;</p><p>2º. Responda os quesitos do autor e por último responda os que- sitos do réu.</p><p>Assim sendo, o perito não pode ultrapassar os limites de sua designação,</p><p>bem como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou cientí-</p><p>fico do objeto da perícia.</p><p>47</p><p>Para responder aos quesitos, o perito pode se valer de todos os meios legais</p><p>necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando docu-</p><p>mentos que estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições pú-</p><p>blicas, bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos,</p><p>fotografias ou outros elementos necessários ao esclarecimento do objeto da</p><p>perícia.</p><p>Pode ocorrer de as partes não apresentarem seus quesitos e assim o perito</p><p>ficará livre para informar ao magistrado tudo o que de mais importante foi</p><p>por ele identificado, SEMPRE com o propósito de atender ao objetivo da pe-</p><p>rícia e a expectativa do juízo nomeante.</p><p>Os quesitos que não abordem as questões técnicas pertinentes, o perito po-</p><p>derá ignorá-los, pois ele não deve responder aos assuntos para os quais ele</p><p>não está qualificado.</p><p>Vale a pena, portanto, frisar o que segue:</p><p>Responder primeiramente os quesitos do juízo (se houver) considerando a</p><p>hierarquia, estes são respondidos em primeiro momento.</p><p>Respostas aos quesitos das partes (se houver).</p><p>A respostas dos quesitos ofertados pelas partes devem ser na mesma ordem</p><p>em que foi juntada nos autos do processo.</p><p>As respostas aos quesitos devem ser pontualmente na mesma ordem de sua</p><p>formulação, ou seja, do primeiro até o derradeiro sem nenhuma alternância.</p><p>Abster-se de responder aqueles quesitos que fogem de sua competência</p><p>técnica. – Pergunta impertinente.</p><p>Na ausência da formulação de quesitos, o perito, deverá utilizar todo seu co-</p><p>nhecimento técnico ou científico e deve abordar de maneira original os as-</p><p>suntos polêmicos que deram origem a solicitação da prova técnica.</p><p>O expert deve apresentar, caso ocorra, análise técnica-científica de questões</p><p>nascidas no transcorrer do trabalho pericial relacionadas com o objeto da pe-</p><p>rícia, considerando seus limites técnicos, que não foram abordados nos que-</p><p>sitos oferecidos nos autos.</p><p>As respostas em simples “sim” e “não” devem ser terminantemente evitadas.</p><p>Note-se que o artigo 473, IV, do Código de Proces- so Civil é expresso ao co-</p><p>brar do perito “respostas conclusivas”, não se admitindo que quesitos sejam</p><p>48</p><p>respondidos sem a devida fundamentação, como ocorre, por exemplo, quan-</p><p>do o expert se limita a responder apenas “sim”, “não” ou “prejudicado”.</p><p>Em pesquisa jurisprudencial é possível observar que, não é raro alguns peri-</p><p>tos deixarem de responder quesitos. Em muitos casos, mas não todos, esse</p><p>vício pode ser sanado com a mera intimação do expert para complemen-</p><p>tação do laudo. Contudo, há situações em que as respostas intempestivas</p><p>dependerão, indispensavelmente, da realização de nova perícia.</p><p>Um dos principais objetivos que norteiam o trabalho pericial é encontrar “res-</p><p>postas conclusivas” para os quesitos formulados pelas partes, pelo juiz e pelo</p><p>Ministério Público. Naturalmente, ao iniciar seus trabalhos o expert se debru-</p><p>ça sobre o objeto da perícia almejando responder tudo que lhe foi indagado.</p><p>Ora, uma vez que já foram concluídas as diligências do perito e ele deixou</p><p>de responder os quesitos, pressupõe-se que durante o exame pericial não</p><p>dedicou</p><p>a devida atenção à obtenção das respostas esperadas e necessárias,</p><p>de modo que a mera apresentação intempestiva das mesmas poderá ser</p><p>prejudicial às partes, bem como comprometer a segurança e o resultado útil</p><p>do processo.</p><p>Com efeito, dependendo do caso, não se pode admitir que o laudo insufi-</p><p>ciente ou lacônico, por ausência de manifestação quanto aos quesitos, possa</p><p>ser apenas complementado com respostas tardias, as quais certamente não</p><p>decorrerão do atento e diligente exame do objeto da perícia (art. 480, CPC). O</p><p>caminhar do processo judicial não pode parar sua marcha por culpa de ope-</p><p>radores do direito ou seus auxiliares.</p><p>9. Conclusões</p><p>Neste tópico o perito deve informar ao magistrado tudo de importante que</p><p>foi abordado no laudo pericial. Lembre-se que os juízes têm uma elevada</p><p>carga de trabalho e, na maioria das vezes são obrigados a iniciar a leitura do</p><p>laudo pela conclusão.</p><p>Os juízes, costumam, inclusive, utilizar trechos importantes dos laudos pe-</p><p>riciais para justificarem suas convicções lançadas em sentença terminativa.</p><p>É sempre aconselhável que o perito redija uma conclusão concisa, responsá-</p><p>vel e ética, abordando o objetivo da perícia, a descrição do objeto da perícia e</p><p>as principais respostas dos quesitos.</p><p>10. Encerramento</p><p>No encerramento do laudo pericial, o perito deve registrar o número de fo-</p><p>lhas do laudo e caso existam anexos, informar a quantidade de anexos pre-</p><p>sentes e adotar a forma de numeração das páginas, mencionando o número</p><p>total de folhas de seu laudo (3/63..4/63...), evitando, assim que qualquer folha</p><p>se perca.</p><p>49</p><p>Importante destacar, também, a desnecessidade de afirmação, por parte do</p><p>perito, sobre qual das partes deverá agir em relação a outra. Ex.: ”O Autor foi o</p><p>causador do dano e, portanto, ele deve inde- nizar o réu, no valor de Y”. Quem</p><p>tem o poder de decisão é o juiz e não o perito, pois este último informa tec-</p><p>nicamente o que ocorreu para o magistrado decidir quem será o condenado</p><p>na referida sentença.</p><p>Ratificando, portanto, deve o perito incluir no tópico de encerramento o re-</p><p>querimento de juntada do laudo aos autos, registrar a data e assinar o do-</p><p>cumento, com sua identificação do laudo em que o perito dá por finalizado o</p><p>trabalho, nele deve constar, no mínimo, as seguintes informações: Inventário</p><p>da quantidade de folhas que compõem o laudo pericial indicando se foram</p><p>rubricados ou não; A localidade e a data em que o laudo foi concluído; Assina-</p><p>tura do(a) perito(a), bem como sua identificação (nome, qualificação profis-</p><p>sional, número de inscrição no órgão de classe e no Cadastro do Tribunal (se</p><p>houver) e sua função nos autos (perito do juízo ou assistente técnico). Neste</p><p>tópico poderá ser lançado, também, a identificação do assistente do perito,</p><p>caso tal recorrido a outro profissional para assessorá-lo durante o trabalho.</p><p>11. Anexos</p><p>Os anexos (planilhas, fotografias, filmagem, mapas, gráficos, pesquisas, etc)</p><p>devem ser descritos neste item, informando tudo a respeito de cada um, se</p><p>necessário. Devem ser numerados e rubricados pelo perito.</p><p>11. Perícia na Justiça do Trabalho</p><p>As regras são as mesmas do Código de Processo Civil e da Consolidação das</p><p>Leis Trabalhista, com suas devidas regulamentações processuais em relação</p><p>a atuação dos peritos judiciais.</p><p>Podemos citar como atividades inerentes a atuação na Justiça do Trabalho,</p><p>Engenheiros com formação em Segurança do Trabalho (são chamados de</p><p>Engenheiros do Trabalho), com exigência de pós-graduação – conforme exi-</p><p>ge Norma Regulamentadora NR-4 –MT; Atuação de Médicos com formação</p><p>em Segurança do Trabalho (são chamados de Médicos do Trabalho) – Exi-</p><p>gência de especialização a nível de pós-graduação – conforme exige Norma</p><p>Regulamentadora NR-4 – MT; Atuação de Arquitetos na área de Segurança</p><p>do Trabalho - Exigência de especialização a nível de pós-graduação – con-</p><p>forme exige Norma Regulamentadora NR-4 – MT; Fisioterapeutas para atuar</p><p>em causas de cujo objeto são: doença ocupacional (LER-DORT), síndrome</p><p>do túnel de carpo, etc. Ideal ter conhecimentos profundos de biomecânica</p><p>ocupacional; Psiquiatras e psicólogos para esclarecimentos sobre o estado</p><p>de saúde mental do empregado, suas causas e consequências (nexo-causal);</p><p>Atuação de contadores para elaboração de cálculos complexos, não elabora-</p><p>dos pelos calculistas do Tribunal do Trabalho, por falta de formação especia-</p><p>lizada e conhecimento técnico-científico; Na justiça do Trabalho as pericias</p><p>50</p><p>costumam ser determinadas no momento da audiência;</p><p>Na esfera trabalhista o Juízo pode inverter o ônus da prova e determinar de</p><p>ofício que a Reclamada pague os honorários periciais, considerando a hi-</p><p>possuficiência financeira do empregado;</p><p>Da reforma trabalhista</p><p>A Reforma Trabalhista instituída pela lei 13.467/2017, vigente no ordenamen-</p><p>to jurídico desde 11 de novembro de 2017, surgiu sob o cenário de forte crise</p><p>econômica no Brasil e com acentuado número de desempregos, no qual se</p><p>buscava restabelecer a economia no país.</p><p>Sob a justificativa da necessidade de atualização do ordenamento jurídico às</p><p>novas relações de trabalho e o combate da litigiosidade excessiva na Justiça</p><p>do Trabalho, a reforma trouxe grandes preocupações acerca da flexibilização</p><p>das garantias constitucionais do trabalhador, principalmente no tocante ao</p><p>direito de acesso à justiça.</p><p>O acesso à Justiça tem previsão no artigo 5º, inciso XXXV da Constituição</p><p>Federal, mas também no artigo 8º da 1ª Convenção Internacional sobre Direi-</p><p>tos Humanos de São José da Costa Rica, da qual o Brasil é signatário, o que</p><p>garante ao acesso à Justiça a prerrogativa de Direitos Humanos. A reforma</p><p>trabalhista trouxe alterações nas regras de custas processuais, benefício da</p><p>justiça gratuita, honorários de sucumbência e periciais que refletem direta-</p><p>mente no direito de acesso à justiça de maneira fática.</p><p>Para melhor entendimento, faz-se necessário a diferenciação de justiça gra-</p><p>tuita e assistência judiciária gratuita, sendo o primeiro gênero e justiça gratui-</p><p>ta a espécie. Schiavi (2017. p. 79) esclarece que Assistência Jurídica Gratuita é</p><p>o direito do cidadão de ter um advogado disponibilizado pelo Estado, assim</p><p>como a isenção de despesas e taxas processuais.</p><p>Já a justiça gratuita, é concedida ainda que a parte constitua advogado priva-</p><p>do, comprovado a hipossuficiência, será concedido o direito a gratuidade de</p><p>taxas judiciárias, custas, emolumentos, despesas com editais etc.</p><p>A reforma trabalhista modificou o §3º do artigo 790 da Consolidação das Leis</p><p>Trabalhistas (CLT), o legislador inovou no tocante ao benefício da justiça gra-</p><p>tuita na justiça do trabalho, estabelecendo que terá acesso à justiça gratuitas</p><p>aqueles percebam salário igual ou inferior a 40% do limite máximo dos be-</p><p>nefícios do Regime Geral da Previdência Social, trazendo a necessidade de</p><p>comprovação da hipossuficiência.</p><p>Diferentemente do Código de Processo Civil, que estabelece a presunção de</p><p>hipossuficiência pautada na afirmação. Demonstrando assim a adoção de</p><p>uma corrente comprovacionista no que pertine à hipossuficiência econômi-</p><p>51</p><p>ca. Apesar de ampliar os valores para acesso ao benefício comparado ao Có-</p><p>digo de Processo Civil, o legislador trouxe limitações, uma vez que solicita a</p><p>comprovação de hipossuficiência.</p><p>Assim, algumas inovações trazidas pela lei nº 13.467/2017 e, especificamente,</p><p>o art. 790-b, CLT, não deverão ser aplicados aos processos já em curso, uma</p><p>vez que não se tratam de institutos exclusivamente processuais e a alteração</p><p>da legislação poderia influenciar na conduta processual das partes e na ava-</p><p>liação dos riscos da demanda.</p><p>Portanto, tem-se que, tendo sido uma reclamatória trabalhista distribuída</p><p>sob a égide da consolidação das leis do trabalho de 1943, tais questões deve-</p><p>rão ser apreciadas de acordo com esta, e não de acordo com a reforma traba-</p><p>lhista, em respeito aos princípios do devido processo legal, da irretroatividade</p><p>das normas jurídicas e da segurança das relações jurídicas.</p><p>Os Tribunais Superiores têm entendido</p><p>que mesmo que o julgamento da de-</p><p>manda ocorra na vigência da Lei n.º 13.467/2017, as normas de direito proces-</p><p>sual com efeitos materiais devem observar a data da propositura da ação,</p><p>pelo que, assim, não há como reconhecer a aplicação imediata das altera-</p><p>ções promovidas por intermédio da “reforma trabalhista”, sobretudo aquela</p><p>a respeito da responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais, em</p><p>caso de sucumbência do trabalhador (art. 790-B, CLT), às reclamatórias tra-</p><p>balhistas distribuídas antes da vigência da lei nova, visto que as normas que</p><p>causem gravame às partes somente serão aplicadas às ações trabalhistas</p><p>propostas posteriormente ao seu advento por aplicação da teoria do isola-</p><p>mento dos atos processuais, bem como do princípio da causalidade e da ga-</p><p>rantia da não surpresa.</p><p>11.0 – Quesitos</p><p>Em consonância com o apregoado pelo art. 464 do CPC, as partes litigantes</p><p>poderão, no prazo de 5 dias, indicar assistentes técnicos e apresentar os que-</p><p>sitos que deverão ser respondidos pela perícia. Vide artigo.</p><p>De acordo com o sentido teleológico empregado pelo legislador, quesitos</p><p>são inquirições, questões essenciais, ou seja, pontos específicos que o ator</p><p>processual deseja submeter ao crivo do conhecimento técnico do profissio-</p><p>nal, então nomeado para a realização da prova pericial.</p><p>Cumpre registrar que o quesito não adquire necessariamente o formato de</p><p>uma pergunta, mas sim, de qualquer meio (assertiva) que sugira a provoca-</p><p>ção (da parte litigante ou do juízo) para que o Perito - louvado pelas prerro-</p><p>gativas funcionais a que restou investido por conta da função - se debruce</p><p>sobre o ponto controvertido, vasculhe e encontre a verdade fática outrora</p><p>vivenciada pelas partes litigantes.</p><p>52</p><p>Em decorrência da finalidade dos quesitos, que é a de especificamente</p><p>orientar o próprio foco da inspeção técnica, o juiz pode indeferir aqueles que,</p><p>formulados pelas partes, não estejam em plena sintonia com os pontos con-</p><p>trovertidos, corrigindo, ainda, eventuais omissões de análise, por intermédio</p><p>da formulação de outros quesitos que vislumbre como necessários ao efetivo</p><p>discernimento dos fatos discutidos.</p><p>A leitura dos dispositivos processuais que regem a matéria revela que o vo-</p><p>cábulo quesito, quando isoladamente empregado em qualquer assertiva, é</p><p>gênero, do qual se depreendem três distintas espécies, as quais podem ser</p><p>assim discriminadas: quesitos preliminares, quesitos suplementares e quesi-</p><p>tos de esclarecimento.</p><p>11.1 – Quesitos preliminares</p><p>Os quesitos preliminares referem-se às proposições iniciais que, no prazo de</p><p>5 dias, devem ser apresentadas pelas partes litigantes, tal como regulamen-</p><p>tado pelo art. 464 do CPC. Em tal espécie também se classificam os quesitos</p><p>apresentados pelo juízo, após o exame da matéria e eventual indeferimento</p><p>de proposições apresentadas pelas partes.</p><p>Podemos dizer que, são os pontos essenciais, os quais, no prazo assinalado</p><p>pela legislação, foram originalmente apresentados pelas partes e/ou pelo jul-</p><p>gador da causa, pontos que, minuciosamente analisados, servirão, inclusive,</p><p>de suporte para que o Perito nomeado manifeste seu aceite ou escusa ao</p><p>encargo, bem como formule o adequado orçamento de seus honorários.</p><p>11.2 – Quesitos suplementares</p><p>Os quesitos suplementares, por sua vez, são os pontos levantados pelas par-</p><p>tes e submetidos à apreciação do Perito durante as diligências, como previs-</p><p>to pelo legislador no Código de Processo Civil.</p><p>11.3 – Quesitos complementares</p><p>Conforme inteligência do referido dispositivo legal, as partes poderão apre-</p><p>sentar, durante as diligências, quesitos suplementares, ou seja, quesitos que</p><p>objetivam complementar, integrar o rol originalmente proposto. Nesta pers-</p><p>pectiva, os quesitos suplementares são também nominados como quesitos</p><p>complementares.</p><p>Por dedução lógica, somente seria possível integrar ou complementar algo</p><p>que preexista, não sendo, a princípio, possível a apresentação de quesitos</p><p>suplementares se a parte não delineou, no prazo legal, os próprios quesitos</p><p>preliminares.</p><p>Tema bastante controvertido refere-se também ao prazo para a apresenta-</p><p>ção de quesitos suplementares, visto que, de acordo com a norma de regên-</p><p>53</p><p>cia, tempestiva é a sua apresentação durante as diligências.</p><p>11.4 – Diligência</p><p>No sentido processual, o vocábulo diligência significa o ato pelo qual o Perito</p><p>se empenha no desvende do ponto controvertido (demarcado ou não por</p><p>quesitos), ou seja, ao lapso temporal em que se encontra a serviço da investi-</p><p>gação à que restou judicialmente incumbido.</p><p>Sob este enfoque analítico, quando, então, se operaria a preclusão para a</p><p>apresentação de quesitos suplementares? Trata-se de questionamento que</p><p>suscita acalorados debates no âmbito processual, na medida em que não</p><p>existe um prazo suficientemente claro nos dispositivos que regem a matéria.</p><p>De acordo com a interpretação extensiva, a diligência manter-se-ia hígida en-</p><p>quanto perdurar a fase pericial, ou seja, somente encontraria seu termo com</p><p>a declaração judicial de encerramento da referida fase, efetuando a abertura</p><p>de prazo para alegações finais.</p><p>Sob este enfoque analítico, os quesitos suplementares poderiam ser apre-</p><p>sentados durante toda a fase pericial, fase esta que, uma vez encerrada, po-</p><p>deria ser, inclusive, ressuscitada pela conversão do julgamento em diligência,</p><p>momento em que quesitos suplementares poderiam ser novamente apre-</p><p>sentados.</p><p>Interpretações mais restritivas consideram que a diligência e, por conseguin-</p><p>te, o prazo máximo para a apresentação de quesitos suplementares, seria</p><p>caracterizado pelo período temporal compreendido entre a instalação da pe-</p><p>rícia e a data de entrega do laudo pericial, dentro, portanto, do prazo assina-</p><p>lado judicialmente para a consecução da prova.</p><p>Independentemente de se adotar a interpretação mais extensiva ou restriti-</p><p>va, é fato que a norma processual faculta a apresentação de quesitos suple-</p><p>mentares após a apresentação dos quesitos preliminares (art. 421, § 1º, II do</p><p>CPC), podendo ser submetidos à apreciação pericial durante todo o período</p><p>de diligências.</p><p>É possível que, durante as diligências efetuadas, as partes litigantes se depa-</p><p>rem com questões, documentos ou fatos que até então ignoravam, sendo-</p><p>-lhes facultado, por conseguinte, sugerir investigações periciais mais acura-</p><p>das sobre o tema então aflorado, desde que, naturalmente, possua estreita</p><p>correlação com os pontos controvertidos do processo.</p><p>Tal faculdade processual certamente decorreu de inspiração constitucional,</p><p>cujos princípios asseguram o direito a ampla defesa, ao contraditório, etc.,</p><p>permitindo, assim, valerem-se as partes litigantes de todos os meios legais e</p><p>moralmente legítimos para a prova do direito discutido.</p><p>54</p><p>Havendo a ampliação do objeto da prova pericial ou existindo a necessidade</p><p>de repetir determinada diligência, facultado resta a solicitação, por parte do</p><p>Perito, de complementação dos honorários, cujo ônus será suportado pela</p><p>parte que deu causa ao trabalho complementar.</p><p>11.5 – Quesitos de esclarecimento</p><p>Por fim, verifica-se ainda a faculdade da apresentação de quesitos de es-</p><p>clarecimento, os quais, como a sua própria denominação sugere, objetivam</p><p>esclarecer questões omissas, obscuras ou contraditórias que eventualmente</p><p>se encontrem contempladas na prova pericial.</p><p>Quesitos de esclarecimentos pressupõe, portanto, a existência de algo a es-</p><p>clarecer, algo que foi, necessariamente, abordado no laudo pericial apresen-</p><p>tado e que ainda suscita dúvidas interpretativas.</p><p>Guardadas as devidas proporções, importâncias e finalidades, a faculdade de</p><p>apresentação de quesitos de esclarecimento, pode ser comparada, por ana-</p><p>logia, a faculdade de apresentação de Embargos de Declaração sobre pro-</p><p>nunciamentos judiciais.</p><p>Os quesitos de esclarecimento, por sua vez, objetivam esclarecer eventuais</p><p>omissões, contradições ou obscuridades presentes nos trabalhos periciais,</p><p>possibilitando ao Perito efetuar as correções ou explicações adicionais que se</p><p>façam eventualmente necessárias.</p><p>O prazo para a apresentação de quesitos de esclarecimentos é o mesmo de-</p><p>terminado para a manifestação das partes sobre a perícia, cabendo destacar</p><p>que, a exemplo do que ocorre com os embargos de declaração, inexiste um</p><p>número máximo de intervenções passíveis de serem realizadas pelas partes</p><p>com o objetivo de aclarar os trabalhos periciais.</p><p>Por versarem sobre questões originalmente apreciadas pelo Perito, a princí-</p><p>pio, os quesitos de esclarecimento não demandarão novas diligências, inexis-</p><p>tindo, por conseguinte, obrigação das partes litigantes em complementar os</p><p>honorários periciais inicialmente orçados.</p><p>Contudo, havendo a necessidade de se repetir ou estender investigação para</p><p>o melhor esclarecimento dos fatos, pode o perito apresentar solicitação fun-</p><p>damentada de complementação de honorários, cabendo ao juiz averiguar a</p><p>pertinência ou não do pedido.</p><p>11.6 - Considerações</p><p>Em conclusão, verifica-se que os quesitos preliminares são os quesitos iniciais</p><p>apresentados no prazo de 5 dias após a designação da prova, os quesitos su-</p><p>plementares ou complementares são os apresentados durante as diligências</p><p>55</p><p>e, por fim, os quesitos de esclarecimento são aqueles apresentados após o</p><p>protocolo do laudo pericial, visando corrigir omissões, obscuridades ou con-</p><p>tradições neste presentes.</p><p>O prazo final para a apresentação de quesitos suplementares ocorre com o</p><p>encerramento das diligências, instante temporal que pode ser interpretado</p><p>(restritivamente) como a data de entrega do laudo pericial ou (extensivamen-</p><p>te) com o encerramento da própria fase pericial.</p><p>Importante ressaltar que se ainda for necessário esclarecimento sobre a</p><p>questão, o perito ou o assistente técnico poderão ser chamados a compare-</p><p>cer à audiência de instrução e julgamento, para responder as perguntas das</p><p>partes, sendo intimados com 10 (dez) dias de antecedência. Tais disposições</p><p>vêm expressar em lei uma prática forense já bastante propagada.</p><p>Revestindo-se da finalidade de esclarecer, aclarar, corrigir omissões ou falhas</p><p>constantes nos trabalhos periciais, os quesitos de esclarecimento podem ser</p><p>apresentados de forma ilimitada, no prazo judicialmente assinalado para a</p><p>manifestação das partes (veja os prazo nos artigos do CPC, abaixo), cabendo</p><p>ao Juízo identificar a conveniência e pertinência dos mesmos, permitindo,</p><p>por conseguinte, a condução do processo sem danos a ampla defesa e ao</p><p>contraditório.</p><p>Art. 357. Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá o</p><p>juiz, em decisão de saneamento e de organização do processo: I – resolver</p><p>as questões processuais pendentes, se houver; II – delimitar as questões de</p><p>fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especificando os meios de</p><p>pro- va admitidos; III – definir a distribuição do ônus da prova, observado o</p><p>art. 373; IV – delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do</p><p>mérito; V – designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento. §</p><p>1º Realizado o saneamento, as partes têm o direito de pedir esclarecimentos</p><p>ou solicitar ajustes, no prazo comum de 5 (cinco) dias, findo o qual a decisão</p><p>se torna estável. § 2º As partes podem apresentar ao juiz, para homologação,</p><p>delimitação consensual das questões de fato e de direito a que se referem os</p><p>incisos II e IV, a qual, se homologada, vincula as partes e o juiz.</p><p>Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de</p><p>imediato o prazo para a entrega do laudo. § 1º Incumbe às partes, dentro de</p><p>15 (quinze) dias contados da intimação do despacho de nomeação do perito:</p><p>I – arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; II – indicar o</p><p>assistente técnico; III – apresentar quesitos.</p><p>Art. 429 do CPC - Para o desempenho de sua função, podem o perito e os</p><p>assistentes técnicos utilizar-se de todos os meios necessários, ouvindo tes-</p><p>temunhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam em</p><p>poder de parte ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com</p><p>plantas, desenhos, fotografias e outras quaisquer peças.</p><p>56</p><p>Art. 426 do CPC - Compete ao juiz: I - indeferir quesitos impertinentes.</p><p>Art. 470. Incumbe ao juiz: I – indeferir quesitos impertinentes; II – formular os</p><p>quesitos que entender necessários ao esclarecimento da causa.</p><p>Art. 421 do CPC - (...) § 1º - Incumbe às partes, dentro em 5 (cinco) dias, conta-</p><p>dos da intimação do despacho de nomeação do perito: I – (...); II - apresentar</p><p>quesitos.</p><p>Art. 426, II do CPC - Compete ao juiz: I – (...); II - formular os que entender ne-</p><p>cessários ao esclarecimento da causa.</p><p>Art. 467. O perito pode escusar-se ou ser recusado por impedimento ou sus-</p><p>peição. Parágrafo único. O juiz, ao aceitar a escusa ou ao julgar procedente a</p><p>impugnação, nomeará novo perito.</p><p>Art. 474. As partes terão ciência da data e do local designados pelo juiz ou</p><p>indicados pelo perito para ter início a produção da prova.</p><p>Art. 477. O perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo juiz, pelo</p><p>menos 20 (vinte) dias antes da audiência de instrução e julgamento.</p><p>Art. 469. As partes poderão apresentar quesitos suplementares durante a di-</p><p>ligência, que poderão ser respondidos pelo perito previamente ou na audi-</p><p>ência de instrução e julgamento. Parágrafo único. O escrivão dará à parte</p><p>contrária ciência da juntada dos quesitos aos autos.</p><p>Art. 421. O juiz pode, de ofício, ordenar à parte a exibição parcial dos livros e</p><p>dos documentos, extraindo-se deles a suma que interessar ao litígio, bem</p><p>como reproduções autenticadas.</p><p>Art. 93. As despesas de atos adiados ou cuja repetição for necessária ficarão</p><p>a cargo da parte, do auxiliar da justiça, do órgão do Ministério Público ou da</p><p>Defensoria Pública ou do juiz que, sem justo motivo, houver dado causa ao</p><p>adiamento ou à repetição.</p><p>Art. 477 § 3º Se ainda houver necessidade de esclarecimentos, a parte reque-</p><p>rerá ao juiz que mande intimar o perito ou o assistente técnico a comparecer</p><p>à audiência de instrução e julgamento, formulando, desde logo, as pergun-</p><p>tas, sob forma de quesitos.</p><p>Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial</p><p>para: I – esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II – suprir omissão</p><p>de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a re-</p><p>querimento; III – corrigir erro material. Parágrafo único. Considera-se omissa</p><p>57</p><p>a decisão que: I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento</p><p>de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável</p><p>ao caso sob julgamento.</p><p>11.7 – Alguns exemplos de quesitação:</p><p>Apresentamos abaixo alguns exemplos de quesitações por área de ativida-</p><p>de, lembrando da impossibilidade de abranger as infinitas especialidades de</p><p>atuação na área da perícia judicial:</p><p>1) Seção de Balística Forense:</p><p>1.1 - Para arma de fogo, munições e seus componentes:</p><p>1.1.1 - Quando a arma de fogo apresentar elementos identificadores:</p><p>1º Quais as características do material examinado?</p><p>2º O material examinado é eficiente para produzir tiro?</p><p>3º O material examinado é de uso permitido ou restrito?</p><p>1.1.2 Quando a arma de fogo não apresentar elementos identificadores ou</p><p>com elementos identificadores ilegíveis, adulterados ou suprimidos.</p><p>1.1.3 - Quais as características do material examinado? Alguns dos seus ele-</p><p>mentos identificadores foram adulterados ou suprimidos? É possível identifi-</p><p>car algum desses elementos?</p><p>2) Documentoscopia Forense - Exames Grafotécnicos:</p><p>Nos casos em que requer a verificação da autenticidade ou falsidade de uma</p><p>assinatura.</p><p>1º A assinatura de (indicar o nome do indiciado), lançada no documento en-</p><p>caminhado, é autêntica?</p><p>2.1 - Quando a assinatura for ilegível ou se apresentar abreviada, mas pelas</p><p>circunstâncias ou configurações seria de determinada pessoa.</p><p>1º A assinatura atribuída a (indicar o nome do indiciado), que figura no docu-</p><p>mento encaminhado, é falsa?</p><p>2.2 - Verificação da autoria de uma assinatura falsificada O intuito é com-</p><p>58</p><p>provar se a assinatura cuja falsidade ficou configurada é</p><p>produto do punho</p><p>escritor do suspeito:</p><p>1º A assinatura de (indicar o nome do indiciado), lançada no documento en-</p><p>caminhado, é autêntica?</p><p>2º Caso negativo, a assinatura lançada no documento encaminhado a exame</p><p>proveio do punho de (indicar o nome do indiciado), que forneceu material</p><p>gráfico padrão?</p><p>2.3 - Verificação da autoria de uma assinatura fictícia:</p><p>1º A assinatura de (indicar o nome que aparece no documento) lançada no</p><p>documento encaminhado a exame, proveio do punho de (indicar o nome do</p><p>indiciado), que forneceu o material gráfico padrão?</p><p>2.4 - Verificação da autoria de uma assinatura e do preenchimento de um</p><p>documento:</p><p>1º A assinatura e os dizeres preenchidos do documento encaminhado a exa-</p><p>me provieram do punho de (indicar o nome do indiciado), que forneceu o</p><p>material gráfico padrão?</p><p>2.5 - Determinação do autor de escrita em geral:</p><p>1º Os lançamentos manuscritos que figuram no documento encaminhado a</p><p>exame provieram do punho de (indicar o nome do indiciado), que forneceu o</p><p>material gráfico padrão?</p><p>2º A assinatura apresenta vestígios de alteração?</p><p>2.6 - Quando a alteração apresenta uma particularidade, ou quando foi ela</p><p>procedida em um trecho de um contexto de um documento:</p><p>1º Os dizeres (......) foram enxertados no documento encaminhado a exame?</p><p>2.7 - Quando a alteração é a supressão de palavra ou texto, cujo teor já é co-</p><p>nhecido:</p><p>1º Subjacente à atual palavra (ou expressão) ( ) não figurava no documento</p><p>encaminhado a exame a palavra (ou expressão) ( ..... )?</p><p>2.8 - Exames relativos às falsificações dos suportes:</p><p>59</p><p>1º O documento ( ...... ) encaminhado para exame é verdadeiro ou falso?</p><p>2º Em que consistiu a falsificação?</p><p>Observação. Para realização deste tipo de exame, devem ser seguidos os se-</p><p>guintes procedimentos:</p><p>a) Para realização dos exames deverá ser encaminhado ORIGINAL do docu-</p><p>mento questionado;</p><p>b) A autoridade, quando necessário, requisitará, para o exame, os documen-</p><p>tos que existirem em arquivos ou estabelecimentos públicos, ou nestes reali-</p><p>zará diligências, se daí não puderem ser retirados; c) Deverá ser encaminha-</p><p>da junto à peça de exame a peça que servirá como material padrão.</p><p>2.9 - Exames relativos às falsificações do papel moeda:</p><p>1º A(s) cédula(s) encaminhada(s) a exame(s) é(- são) verdadeira(s)?</p><p>2.10 - Exames relativos à pirataria:</p><p>1º As mercadorias encaminhadas apresentam as características dentro dos</p><p>padrões originais estabelecidos ou são falsificadas?</p><p>Observação. Para realização deste tipo de exame, devem ser seguidos os se-</p><p>guintes procedimentos:</p><p>a) Encaminhar, sempre, material Padrão; b) Se material perecível e/ou frágil,</p><p>embalar muito bem e rotular: “CUIDADO FRÁGIL”; c) Verificar se existe vaza-</p><p>mento e acondicionar adequadamente, com aviso.</p><p>3) Identificação Veicular Forense:</p><p>1º Há indícios de adulteração nos caracteres identificadores do Número de</p><p>Identificação Veicular (N.I.V.), motor e demais agregados?</p><p>2º Em caso positivo, quais os caracteres originais?</p><p>3º O motor e demais agregados são compatíveis como o ano/modelo do(s)</p><p>veículos(s)?</p><p>4º Qual a cor original do(s) veículo(s)?</p><p>60</p><p>5º As placas constantes no(s) veículo(s) são originais?</p><p>4) Local de Acidente de Tráfego</p><p>4.1. Com vítima de lesões:</p><p>1º Houve acidente?</p><p>2º Qual sua classificação?</p><p>3º Quais as condições da pista e do tempo? (Localização, pavimentação, incli-</p><p>nação, chuvoso, seco, neblina, etc.).</p><p>4º Existem sinalizações de trânsito? Quais?</p><p>5º Existem sinais pneumáticos (frenagem, derrapagem e outros) relaciona-</p><p>dos ao acidente? Qual é a extensão e sentido?</p><p>6º Qual(is) o veículo(s) envolvido(s) e os danos gerados por ocasião do aciden-</p><p>te?</p><p>7º O(s) veículo(s) se encontrava(m) com excesso de velocidade para o trecho?</p><p>Qual o valor?</p><p>8º Qual(is) foi(ram) a(s) vítima(s) de lesões corporais oriunda(s) do acidente?</p><p>9º Como ocorreu ou parece ter ocorrido o acidente e seu agente causador?</p><p>4.2 Com vítima fatal:</p><p>1º Houve acidente?</p><p>2º Qual sua classificação?</p><p>3º Quais as condições da pista e do tempo? (Localização, pavimentação, incli-</p><p>nação, chuvoso, seco, neblina, etc.).</p><p>4º Existem sinalizações de trânsito? Quais?</p><p>5º Existem sinais pneumáticos (frenagem, derrapagem e outros) relaciona-</p><p>dos ao acidente? Qual a sua extensão e sentido?</p><p>6º Qual(is) o veículo(s) envolvido(s) e os danos ge- rados por ocasião do aci-</p><p>61</p><p>dente?</p><p>7º O(s) veículo(s) se encontrava(m) com excesso de velocidade para o trecho?</p><p>Qual o valor?</p><p>8º Houve morte? Em que posição o(s) corpo(s) foi(ram) encontrado(s)? Qual(is)</p><p>é(são) sua(s) identidade(s)? Quais as lesões observadas decor- rentes do aci-</p><p>dente?</p><p>5) Informática Forense - Relacionado à Fonética Forense (áudio e vídeo):</p><p>1º É possível realizar a análise de conteúdo do arquivo de áudio de nome</p><p>__________________, no intervalo de ____________ a ______________ minu-</p><p>tos?</p><p>2º Houve indícios de edição (cortes, supressões, montagens, etc) no arquivo</p><p>(áudio ou vídeo) de nome _________________________?</p><p>3º Poderia identificar a placa do veículo __________________ (citar os carac-</p><p>teres)?</p><p>4º É possível identificar se o indivíduo _______________________ (citas as ves-</p><p>tes) que aparece nas imagens tem características semelhantes com o da fo-</p><p>tografia enviada?</p><p>5º É possível a identificação da arma de fogo nas mãos do indivíduo</p><p>____________ (citar as vestes)? Caso positivo, descrevê-la.</p><p>6) Relacionado aos celulares:</p><p>1º Quais as características do aparelho?</p><p>2º Existem mensagem de texto ou whatsapp, enviada do número ? Quan-</p><p>tas? Caso positivo, transcrever as que contenham ameaça ou injúria.</p><p>3º Existem fotografias ou filmagens que apareça (especificar o que quer)?</p><p>Caso positivo, imprimi-las ou, se em grande quantidade, enviar em mídia di-</p><p>gital.</p><p>4º É possível coletar os contatos da agenda (especificar os nomes de inte-</p><p>resse para a investigação)/Relação das últimas chamadas registradas? Caso</p><p>positivo, realizar a colheita.</p><p>62</p><p>7) Relacionado a máquina caça níqueis:</p><p>1º É possível caracterizar o equipamento como jogos de azar?</p><p>2º Qual a origem de fabricação dos coletores / contadores de cédulas? 3º Há</p><p>identificação do fabricante?</p><p>4º Há algum tipo de jogo/sorteio instalado nos dispositivos enviados (caso</p><p>haja unidade de armazenamento de dados, tais como cartões de memória</p><p>ou HD)?</p><p>8) Engenharia Legal e Meio Ambiente - Situação que envolve obras licitadas:</p><p>1º Os custos unitários da obra estão compatíveis com os valores praticados</p><p>pelo mercado da construção civil na época em questão?</p><p>2º A obra foi executada de acordo com as Especificações e Projetos?</p><p>3º Os quantitativos previstos correspondem aos serviços executados?</p><p>4º Houve superfaturamento (ou dano ao Erário)? Se positivo, qual o montan-</p><p>te?</p><p>9) Danos em patrimônio histórico, artístico e cultural:</p><p>1º A edificação em apreços e enquadra na categoria de patrimônio histórico,</p><p>artístico ou cultural?</p><p>2º Houve dano ao patrimônio? Se positivo, que tipo de dano foi encontrado e</p><p>qual a causa?</p><p>3º O dano sofrido poderá ser restaurado? Se sim, qual o valor monetário para</p><p>a sua restauração?</p><p>10) Situação que envolve crime ambiental: Para esse tipo de delito não esta-</p><p>beleceremos sugestões, devido à grande variedade de exames relacionados,</p><p>os quais dependerão do foco da investigação.</p><p>11) Contabilidade Forense Nota: Situação contábil de empresas investigadas</p><p>1º Os valores declarados pela empresa como sendo débitos pagos a fornece-</p><p>dores, empréstimos bancários, cargos e impostos e outras contas diversas,</p><p>condiz com sua situação contábil?</p><p>63</p><p>2º A análise da documentação contábil (Livros contábeis e documentação</p><p>suporte) acha-se em conformidade com relação à legislação contábil e co-</p><p>mercial?</p><p>12) Situação que envolve aquisição de bens públicos:</p><p>1º O objeto (especificar) adquirido foi entregue de acordo com as característi-</p><p>cas requeridas no edital de licitação ______ /ano?</p><p>2º O valor final do objeto(especificar) adquirido na licitação ______ /ano é</p><p>compatível com o valor de mercado?</p><p>13) Exame de verificação de Práticas Libidinosas Delituosas:</p><p>1º Houve conjunção</p><p>carnal que possa ser relacionada ao delito em apuração?</p><p>2º Houve outro ato libidinoso que possa ser relacionado ao delito em apura-</p><p>ção? 3º Houve violência para esta prática?</p><p>4º Qual o meio dessa violência?</p><p>5º Resultou incapacidade para ocupações habituais por mais de trinta dias,</p><p>perigo de vida, debilidade permanente de membro, sentido ou função, ou</p><p>aceleração do parto, ou incapacidade permanente para o trabalho, ou enfer-</p><p>midade incurável, ou perda ou inutilização de membro, sentido ou função, ou</p><p>deformidade permanente ou aborto?</p><p>6º Tem o (a) periciando (a) idade menor de 18 anos e maior de 14 anos?</p><p>7º Tem o (a) periciando (a) enfermidade ou deficiência mental?</p><p>14) Exame Antropológico:</p><p>1º O material encaminhado pertence à espécie humana? Em caso afirmativo</p><p>responderá os demais quesitos.</p><p>2º Houve morte?</p><p>3º Qual a provável causa da morte?</p><p>4º Qual o instrumento ou meio que produziu a morte?</p><p>5º Qual o sexo estimado? 7º Qual a idade estimada?</p><p>64</p><p>15) Exames químicos/toxicológicos em materiais diversos:</p><p>1. Pesquisa de inseticidas</p><p>1º Qual a quantidade, natureza e características do(s) material(i - s) encami-</p><p>nhado(s) a exame?</p><p>2º No material encaminhado há presença de substâncias da classe dos inse-</p><p>ticidas?</p><p>3º Outros dados julgados úteis.</p><p>16) Exame em medicamentos:</p><p>1º Qual a quantidade e características do(s) material(is) encaminhado(s) a exa-</p><p>me?</p><p>2º Identifique a natureza do(s) material(is) encaminhado(s) a exame?</p><p>3º O material submetido a exame é produto ou substância destinado a fins</p><p>terapêuticos ou medicinais?</p><p>4º Possui registro no órgão de vigilância sanitária competente?</p><p>5º O material submetido a exame é proscrito ou possui venda controlada por</p><p>legislação no Brasil?</p><p>6º Outros dados julgados úteis.</p><p>17) Exames biológicos - Pesquisa de sangue humano:</p><p>1º Qual a natureza, dimensões e demais características do(s) material (is) en-</p><p>caminhado(s) a exame?</p><p>2º Esse(s) instrumento(s) pode(m) ser usado(s) eficazmente para a prática de</p><p>crime contra a vida?</p><p>3º O(s) material(is) encaminhado(s) a exame apresenta(m) vestígio de san-</p><p>gue? 4º É sangue humano?</p><p>5º Caso positivo, é possível identificar algum perfil genético? O perfil genéti-</p><p>co encontrado é compatível com o da vítima(s) e/ou do suspeito(s)?</p><p>65</p><p>6º Outros dados julgados úteis.</p><p>18) Exames relacionados à Psicologia e Serviço Social Forense:</p><p>1º A vítima apresentou condições de expressar-se compreensivelmente? Por</p><p>quê?</p><p>2º A(s) revelação(ões) da vítima, por palavras ou gestos, é(são) compatível(is)</p><p>com os fatos narrados na(s) peça(s) de informação? Em qual(is) parte(s) da(s)</p><p>peça(s)?</p><p>3º A(s) revelação(ões) da vítima, por palavras ou gestos, é (são) compatível(is)</p><p>com as contida(s) em outros(s) depoimento(s) tomado(s) no inquérito policial</p><p>ou no processo? Em qual(is) parte(s) desse(s)processo(s)?</p><p>4º Há possibilidade de crianças na faixa etária da vítima revelarem ter sofrido</p><p>abuso sexual, sem que tenha ocorrido o fato concreto, sendo tudo apenas</p><p>uma fantasia ou interpretação errada de uma situação? Por quê?</p><p>5º Há evidência de que a vítima tenha revelado não um fato concreto, mas</p><p>apenas uma fantasia ou interpretação errada de uma situação? Por quê?</p><p>6º Há possibilidade de crianças na faixa etária da vítima revelarem ter sofrido</p><p>abuso sexual, sem que tenha ocorrido o fato concreto, sendo tudo apenas</p><p>fruto de memória “plantada” por terceiro? Por quê?</p><p>7º Há evidência de que a vítima tenha revelado não um fato concreto, mas</p><p>apenas uma falsa memória, que lhe fora imposta por terceiro? Por quê? 8º</p><p>Sendo afirmativa a resposta ao quesito 7, é possível indicar o responsável por</p><p>“plantar” a falsa memória? Em caso afirmativo, quem seria?</p><p>66</p><p>12.0 – Proposta Honorários Periciais</p><p>A grande preocupação da maioria dos profissionais que iniciam sua atuação</p><p>na área da perícia está voltada para os cálculos dos honorários periciais, sen-</p><p>do este tópico voltado para dirimir tais dúvidas.</p><p>Então, vamos falar sobre estas questões e sempre lançando mão da legisla-</p><p>ção que regulamenta o PAGAMENTO DOS HONORÁRIOS DOS PERITOS JU-</p><p>DICIAIS.</p><p>Os honorários periciais, assim como os honorários advocatícios, são conside-</p><p>rados verbas de natureza alimentar, portanto constitui direito do Perito rece-</p><p>bê-los e obrigação do devedor em pagá-los.</p><p>E quem será esse devedor? Vamos listá-los, então:</p><p>Hipótese 1</p><p>Se a perícia for realizada a requerimento da Fazenda Pública, do Ministério</p><p>Público ou da Defensoria Pública serão pagas ao final pelo vencido (sucum-</p><p>bente), ou seja, por quem perdeu a ação ou, ainda, adiantados por quaisquer</p><p>desses órgãos, caso conste em previsão orçamentária do mesmo.</p><p>Hipótese 2</p><p>Quando uma das partes do processo (Autor ou Réu), requerer a prova pericial,</p><p>deverá, então, depositar adiantadamente na conta do Juízo, o valor equivalen-</p><p>te aos honorários do Perito.</p><p>Hipótese 3</p><p>Quando ambas as partes requererem a prova pericial deverão ratear o valor</p><p>dos honorários, ou seja, cada parte depositará adiantadamente na conta do</p><p>Juízo, os 50% do valor arbitrado pelo Perito.</p><p>Hipótese 4</p><p>Quando nenhuma das partes requererem a prova pericial, mas o Juízo a con-</p><p>siderar indispensável, então determinará de ofício, a obrigação de ambas as</p><p>partes ratear o pagamento e depositá-la, adiantadamente, na conta do Juízo.</p><p>Hipótese 5</p><p>Quando o pagamento da perícia for de responsabilidade de beneficiário de</p><p>gratuidade da justiça, ela poderá ser:</p><p>I - custeada com recursos alocados no orçamento do ente público e realizada</p><p>por servidor do Poder Judiciário ou por órgão público conveniado;</p><p>II - paga com recursos alocados no orçamento da União, do Estado ou do Dis-</p><p>trito Federal, no caso de ser realizada por particular, hipótese em que o valor</p><p>será fixado conforme tabela do tribunal respectivo ou, em caso de sua omis-</p><p>são, do Conselho Nacional de Justiça.</p><p>67</p><p>As partes depositam os honorários periciais na conta do Judiciário e o Juízo</p><p>emite Mandado de Pagamento/Alvará (ao final do trabalho perícial) em favor</p><p>do Perito, bastando se dirigir à agência bancária indicada no mandado e re-</p><p>cebê-lo.</p><p>Poderá ocorrer, também, do valor ser transferido para conta-corrente do pe-</p><p>rito, sendo correto afirmar que o Juiz poderá determinar o adiantamento de</p><p>50% do valor, no início do trabalho da perícia ou liberar o valor total, somente</p><p>após a conclusão dos trabalhos.</p><p>O perito não emitirá nota fiscal e não atua na condição de PESSOA JURÍDICA</p><p>(com raríssimas exceções).</p><p>Importante esclarecer que os HONORÁRIOS PERICIAIS são considerados</p><p>TÍTULO EXECUTIVO, ou seja, caso ocorra a hipótese de inadimplemento do</p><p>devedor, o perito poderá acioná-lo judicialmente para que o pague, indepen-</p><p>dentemente de ser Órgão Público Federal, Municipal ou Estadual, ou, ainda,</p><p>pessoa física.</p><p>Na vigência do Código de Processo Civil de 2015, as despesas decorrentes de</p><p>prova pericial determinada de ofício pelo magistrado deverão ser rateadas</p><p>entre as partes.</p><p>O entendimento foi aplicado pela 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça</p><p>no julgamento de um recurso especial em que o recorrente alegava que o</p><p>adiantamento desse tipo de despesa deveria ser custeado pelo autor da de-</p><p>manda, e não distribuído entre as partes.</p><p>De acordo com o processo, uma empresa ajuizou ação de cobrança de multa</p><p>penal compensatória por rescisão contratual contra outra empresa, tomado-</p><p>ra de serviços da primeira. O pedido foi julgado improcedente, pois a rescisão</p><p>teria sido feita de forma motivada, razão pela qual deveria incidir a cláusula</p><p>resolutiva expressa, a qual garantiria o direito de resolução contratual à parte</p><p>prejudicada.</p><p>Interposta apelação, o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou a sentença</p><p>para determinar, de ofício, a produção de prova pericial, devendo a anteci-</p><p>pação dos honorários do perito ser distribuída de forma igualitária entre as</p><p>partes.</p><p>No recurso ao STJ, a tomadora de serviços alegou que nessa hipótese o valor</p><p>deveria ser pago pela autora da demanda originária, nos termos do artigo 82,</p><p>parágrafo 1°, do CPC/2015.</p><p>O relator do recurso no STJ, ministro</p><p>Villas Bôas Cueva, afirmou que, de acor-</p><p>do com o artigo 82 do CPC/2015, incumbe a cada parte pagar antecipada-</p><p>68</p><p>mente as despesas dos atos que realizarem ou requererem no curso do pro-</p><p>cesso. Encerrado o litígio, a parte vencida pagará ao vencedor as despesas</p><p>que antecipou, podendo abranger custas dos atos do processo, indenização</p><p>de viagem, remuneração do assistente técnico e diária de testemunha.</p><p>“Como regra geral, caberá ao autor adiantar os gas-</p><p>tos relativos a ato cuja realização o juiz determinar</p><p>de ofício ou a requerimento do Ministério Público</p><p>quando sua intervenção ocorrer como fiscal da</p><p>or- dem jurídica (artigo 82, § 1º, do CPC). Todavia, no</p><p>caso particular de prova pericial determinada de</p><p>ofício pelo magistrado, as despesas serão rateadas</p><p>pelas partes, conforme a regra específica do artigo</p><p>95 do CPC”.</p><p>Para o ministro, foi correto o entendimento do acórdão recorrido, visto que</p><p>a ordem para a confecção de nova perícia resultou da própria corte local, ou</p><p>seja, por ato de ofício, pois não haveria elementos suficientes para decidir a</p><p>questão controvertida.</p><p>O relator ainda esclareceu que o Código de Processo Civil de 1973, em seu</p><p>artigo 33, ao estabelecer que caberia ao autor adiantar os honorários do pe-</p><p>rito na hipótese em que determinada de ofício pelo juiz, prévia regra distinta.</p><p>Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.</p><p>Na prática o perito poderá estabelecer algumas rotinas inerentes à sua ativi-</p><p>dade pericial para lançar na proposta de honorários, prática que possibilitará</p><p>ao profissional a aproximação de tal cálculo à realidade, tendo em vista as</p><p>várias atividades envolvidas numa perícia, como:</p><p>Apenas a título de exemplo, formula-se o cálculo a seguir.</p><p>ATRAVÉS DO PLANEJAMENTO DOS TRABALHOS, ESTIMA-SE</p><p>AS SEGUINTES HORAS:</p><p>Análise dos autos: 3 horas</p><p>Confecção das comunicações às partes e de- mais atos processuais: 2 horas</p><p>Exames, diligências e outros procedimentos não especificados: 20 horas</p><p>Reunião com outros peritos: 3 horas</p><p>Elaboração do Laudo: 5 horas</p><p>Total estimado: 33 horas</p><p>69</p><p>Conforme acima, o perito deve, então, dividir o seu custo profissional men-</p><p>sal pelas horas de atividades disponíveis no mês (deduzido de uma margem</p><p>para treinamento e procedimentos administrativos em torno de 25%).</p><p>Se o seu custo corresponder a:</p><p>R$ 5.000,00 relativos aos seus próprios custos pessoais de manutenção (ali-</p><p>mentação, vestuário, moradia, lazer, saúde, educação, dependentes);</p><p>R$ 1.000,00 relativos aos custos dos materiais de trabalho (assinatura de pe-</p><p>riódicos, gastos com treinamento, internet, material de expediente, desloca-</p><p>mento);</p><p>O custo total mensal de sua atividade será de R$ 6.000,00.</p><p>Considerando uma estimativa de atividades de 8 horas por dia útil (de se-</p><p>gunda a sexta-feira), e uma média de 20 dias úteis por mês, o total de horas</p><p>disponíveis para atividades será de:</p><p>20 dias úteis x 8 horas = 160 horas/mês.</p><p>Entretanto, parte de tais horas serão consumidas com procedimentos admi-</p><p>nistrativos e treinamento, não remuneráveis. Supondo-se um percentual de</p><p>horas não remuneradas é em torno de 25%, então o número de horas efetiva-</p><p>mente remuneráveis serão de 160 x (1 – 25%) = 120 horas/mês.</p><p>Então o seu custo-hora será:</p><p>R$ 6.000,00 (custo total da atividade) Dividido por 120 horas/mês</p><p>Igual a R$ 50,00/hora</p><p>Este é o custo hora, mas não significa que o perito deva cobrar este valor.</p><p>Recomenda-se que, na fixação de preço por hora de atividade, leve em conta</p><p>os seguintes acréscimos:</p><p>Férias anuais: 12% sobre o valor/hora.</p><p>Margem de risco para atividade (horas ociosas e excesso de horas aplicadas</p><p>sobre a estimativa): 20% sobre o valor/hora.</p><p>Desta forma, o preço/hora do perito, neste exemplo, seria fixado em R$ 50,00</p><p>70</p><p>+ 12% + 20% = R$ 66,00/hora.</p><p>Então, seus honorários seriam fixados como segue:</p><p>Total de horas estimadas a serem aplicadas: 33 horas</p><p>Preço/hora: R$ 66,00</p><p>Total dos honorários: 33 x R$ 66,00 = R$ 2.178,00.</p><p>Observar que, se a execução dos trabalhos de perícia envolver viagens, de-</p><p>verão ser estimados o custo de tais deslocamentos, incluindo alimentação,</p><p>hospedagem, passagens e outros gastos relacionados.</p><p>Nos casos em que houver necessidade de desembolso para despesas super-</p><p>venientes, tais como viagens e estadas, para a realização de outras diligên-</p><p>cias, o perito requererá ao juízo o pagamento das despesas, apresentando o</p><p>respectivo orçamento, desde que não estejam contempladas na proposta</p><p>inicial de honorários.</p><p>Nota final: alguns Órgãos de Classe mantém tabelas com base de honorários</p><p>mínimos. O perito deverá respeitar tais tabelas, de forma a preservar a éti-</p><p>ca profissional de honorários em relação ao custo hora mínimo. Entretanto,</p><p>pode cobrar honorários superiores, já que o custo hora efetivo de sua ativida-</p><p>de, por questões específicas (como ne- cessidade de especialização e treina-</p><p>mento contínuo) podem ser maiores dos que os indicados em tais tabelas.</p><p>APENAS COMO REFERÊNCIA, OUTROS DADOS PODEM SER INSERIDOS</p><p>PARA O CÁLCULO FINAL.</p><p>Obs.: No que se refere ao VALOR DA CAUSA, poderá utilizar o seguinte pa-</p><p>râmetro: Quanto maior o valor atribuído à causa, menor deverá ser o per-</p><p>centual arbitrado pelo Perito. Ex.: Causa de 3 milhões de reais = 1%; Causa de</p><p>300mil reais = 3%; Causa de 1.000,00 = 10%). Não há necessidade de demons-</p><p>trar cabalmente o referido cálculo, se assim desejar.</p><p>Para a elaboração desta proposta, foram consi- derados: a relevância, o vulto,</p><p>o risco e a complexidade dos serviços a executar; as horas estimadas para a</p><p>realização de cada fase do trabalho; a qualificação do pessoal técnico que irá</p><p>participar da execução dos serviços; e o prazo fixado (Acrescentar os laudos</p><p>interprofissionais e outros inerentes ao trabalho, se for o caso).</p><p>71</p><p>HONORÁRIOS PERICIAIS</p><p>CUSTO DA PERÍCIA HORAS</p><p>TOTAL R$</p><p>ESPECIFICAÇÃO DO TRABALHO PREVISTAS R$/HORA</p><p>Retirada e entrega dos autos</p><p>Leitura e interpretação do processo</p><p>Preparação de termos de diligência</p><p>Realização de diligências</p><p>Pesquisa e exame de livros e documentos</p><p>técnicos</p><p>Laudos interdisciplinares</p><p>Elaboração do laudo</p><p>Reuniões com peritos-assistentes, quando</p><p>for o caso</p><p>Revisão final</p><p>Subtotal</p><p>Impostos e encargos</p><p>TOTAL</p><p>12.1 – Julgados sobre arbitramento de honorários periciais</p><p>Através dos julgados abaixo, podemos mensurar os parâmetros utilizados pe-</p><p>los juízes para homologar/aceitar a proposta do perito judicial, considerando-</p><p>-a, em conformidade com valores justos e adequados à causa a ser periciada:</p><p>DECISÃO QUE HOMOLOGOU OS HONORÁRIOS DO PERITO. VALOR JUSTIFI-</p><p>CADO PELO EXPERT APÓS PONTUAR A NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA NO</p><p>LOCAL E A ÓRGÃOS PÚBLICOS, COM ELABORAÇÃO DE PLANTAS E MEDI-</p><p>ÇÃO DAS BENFEITORIAS E DEMARCAÇÃO DAS PROPRIEDADES OBJETO</p><p>DO LITÍGIO E DAS ÁREAS CONFRONTANTES. GLEBAS COM EDIFICAÇÃO.</p><p>REGULAMENTO DE HONORÁRIOS. COMPLEXIDADE DO TRABALHO QUE</p><p>JUSTIFICAM</p><p>A MANUTENÇÃO DO VALOR. 1 - Agravo de instrumento interposto em face</p><p>da decisão que homologou proposta de honorários periciais no valor de R$</p><p>14.600,00 (quatorze mil e seiscentos reais). 2 - O expert indicou objetivamente</p><p>os elementos que compõem a sua proposta. Destacou a necessidade de di-</p><p>versas diligências, bem como a necessidade de conhecimento técnico mais</p><p>apurado (CREA/RJ e CNAI/COFECI) para demarcar e identificar o que se pre-</p><p>tende avaliar, restando demonstrada a complexidade da perícia. 3 - Os hono-</p><p>rários periciais, no caso presente, devem levar em conta não somente a área</p><p>a ser periciada, mas também as áreas relativas aos terrenos confrontantes,</p><p>bem assim a situação econômica da agravante. 4 - O Regulamento de Hono-</p><p>rários para Avaliações e Perícias de Engenharia para perícias em glebas sem</p><p>edificação com área de 50.001 a 100.000 m2, honorários de R$ 20.000,00 e,</p><p>72</p><p>para áreas superiores a 100.000 m2, os honorários serão calculados tendo</p><p>como parcela o montante estimado de horas técnicas. 5 - Dita tabela reco-</p><p>menda, ainda, no caso de glebas com edificação - justamente o caso dos au-</p><p>tos - a utilização dos valores relativos à avaliação</p><p>pecuniária de bens imóveis</p><p>prevista nas alíneas anteriores da mesma, o que, em apreciação para efeitos</p><p>do processo, sinaliza no sentido de prestígio da proposta de honorários como</p><p>apresentada. 6 - Honorários fixados em valor condizente com o grau de com-</p><p>plexidade do trabalho a ser desenvolvido. NEGATIVA DE PROVIMENTO AO</p><p>RECURSO. TJ-RJ - AGRAVO DE INSTRUMENTO AI 00397878020138190000 RJ</p><p>0039787-80.2013.8.19.0000 (TJ-RJ).</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO 0706783-68.2018.8.07.0000 - Relator Desembar-</p><p>gador SEBASTIÃO COELHO - EMENTA: PROCESSO CIVIL. LIQUIDAÇÃO DE</p><p>SENTENÇA. PROVA PERICIAL. IMPUGNAÇÃO AO VALOR DOS HONORÁRIOS</p><p>PERICIAIS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA E DE COMPROVAÇÃO</p><p>DE DESPROPORCIONALIDADE. DECISÃO MANTIDA. 1. Inexistindo elemen-</p><p>tos probatórios que corroborem a tese de desproporcionalidade da quantia</p><p>fixada a título de honorários periciais, deve ser mantido o valor apresentado</p><p>pelo perito, não cabendo ao magistrado reduzi-lo arbitrariamente. 2. Recurso</p><p>conhecido e desprovido. Acordam os Senhores Desembargadores do (a) 5ª</p><p>Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, SE-</p><p>BASTIÃO COELHO - Relator, SILVA LEMOS - 1º Vogal e ROBSON BARBOSA</p><p>DE AZEVEDO - 2º Vogal, sob a Presidência do Senhor Desembargador SE-</p><p>BASTIÃO COELHO, em proferir a seguinte decisão: CONHECER. NEGAR PRO-</p><p>VIMENTO. UNÂNIME., de acordo com a ata do julgamento e no- tas taqui-</p><p>gráficas. Brasília (DF), 25 de Julho de 2018. RELATÓRIO - Cuida-se de Agravo</p><p>de Instrumento interposto por GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORA-</p><p>ÇÕES LTDA (autor) contra a decisão de ID 4067831, proferida pelo Juízo da 11ª</p><p>Vara Cível de Brasília, na Liquidação de Sentença nº 2015.01.1.015024-8, que</p><p>fixou os honorários periciais em R$ 5.950,00, dando o prazo de 10 dias para o</p><p>agravante/exequente pagar tal quantia, tendo em vista que foi quem pediu</p><p>a prova e causou a anulação da primeira perícia. Em breve síntese do caso,</p><p>cuida-se de liquidação de sentença em que se faz necessária a realização de</p><p>perícia para avaliação do valor de locação do imóvel dos autos, pelo preço</p><p>de mercado entre o período de 03/12/1996 a 16/04/2013, com a resposta dos</p><p>quesitos elaborados pelas partes. Insurge-se o agravante/autor quanto ao va-</p><p>lor dos honorários periciais, fixado em R$ 5.950,00, pois considera excessivo,</p><p>ante a ausência de complexidade do caso e a existência de perícia anterior,</p><p>que já respondeu os seus quesitos. Assim, ante a ausência de elementos</p><p>probatórios satisfatórios que corroborem a tese de desproporcionalidade da</p><p>importância fixada a título de honorários periciais, deve ser mantido o valor</p><p>apresentado pelo perito, pois estes se mostraram razoáveis ao caso.</p><p>TJ-RJ - AGRAVO DE INSTRUMENTO AI 498385820108190000 RJ 0049838-</p><p>58.2010.8.19.0000 (TJ-RJ) - Jurisprudência • Honorários Períciais - Arbitramen-</p><p>to. Seguro obrigatório. DPVAT . Perícia médica para apurar o grau de invalidez</p><p>da parte autora, resultante de acidente de trânsito. Decisão que homologou</p><p>os honorários do perito no valor de R$ 2.550,00. Valor elevado que deve ser</p><p>reduzido, eis que não apresenta maior grau de complexidade, consistindo</p><p>73</p><p>em não mais que uma consulta médica, exames simples, com avaliação das</p><p>lesões verificadas e elaboração do laudo. Inobstante a reconhecida qualifica-</p><p>ção técnica do Ilustre Perito, o valor proposto e homologado a título de hono-</p><p>rários periciais mostra-se em dissonância com a jurisprudência. Redução dos</p><p>honorários periciais ao patamar de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais),</p><p>revelando-se a medida mais consentânea com a lógica do razoável e propor-</p><p>cional. Precedentes deste Tribunal. Parcial provimento ao recurso na forma</p><p>do artigo 557 , § 1º - A, do CPC</p><p>AGRAVO INTERNO NA AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº0031165-</p><p>41.2015.8.19.000. Com efeito, na medida em que o recorrente não trouxe ne-</p><p>nhum argumento apto a ensejar a modificação da convicção exarada, im-</p><p>põe-se a manutenção do decisum, lançado nos seguintes termos:</p><p>O recorrente insurge-se contra a decisão que homologou os honorários do</p><p>perito atuarial em R$14.80,00 (quatorze mil e oitocentos reais). No caso con-</p><p>creto, o culto magistrado homologou a proposta apresentada pelo perito</p><p>“considerando o grau de especialização exigido e o tempo previsto para a re-</p><p>alização da perícia, diante dos quesitos formulados, estando o valor de acor-</p><p>do com a média para casos similares” (grifei).É cediço que o arbitramento</p><p>dos honorários periciais deve levar em conta a natureza do trabalho a ser</p><p>realizado pelo expert, ponderada a complexidade e o tempo necessário para</p><p>escorreito cumprimento do encargo.</p><p>O recorrente, inconformado, acusa o excesso do valor fixado a título de ho-</p><p>norários sem apresentar elementos mínimos à análise da compatibilidade</p><p>do quantum com a complexidade da perícia, eis que sequer os quesitos a</p><p>serem abordados são de conhecimento deste relator. Em verdade, dos par-</p><p>cos documentos que instruem o recurso, depreendesse que se trata de ação</p><p>de cobrança/resgate de contribuição previdenciária, em fase de liquidação</p><p>de sentença, movida por nada menos que 11 (onze) autores, hipótese distinta</p><p>àquelas de que trataram os julgados acostados pelo recorrente. Assim, ante</p><p>a impossibilidade de análise da complexidade da perícia a ser realizada, deve</p><p>prevalecer o entendimento do culto magistrado a quoque, ponderando os</p><p>elementos dos autos, homologou os honorários periciais na quantia propos-</p><p>ta.</p><p>TJ-RJ - AGRAVO DE INSTRUMENTO AI 00165436420098190000 RIO DE JA-</p><p>NEIRO JACAREPAGUA REGIONAL 4 VARA CIVEL (TJ-RJ).</p><p>IRRESIGNAÇÃO NO QUE TOCA AOS HONORÁRIOS PERICIAIS HOMOLOGA-</p><p>DOS POR DECISÃO DO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU (R$ 17.000,00) PARA RE-</p><p>ALIZAÇÃO DE PERÍCIA EM MEDICAMENTO. PERÍCIA SIMILAR EM OUTROS</p><p>AUTOS NOS QUAIS OS HONORÁRIOS FORAM FIXADOS POR MENOS DA</p><p>METADE DO VALOR (R$ 8.250), CONSIDERANDO O NÚMERO ESTIMADO DE</p><p>HORAS E A TABELA DO INSTITUTO DE ENGENHARIA LEGAL. AUSÊNCIA DE</p><p>PECULIARIDADE A JUSTIFICAR TAMANHA DISCREPÂNCIA NOS VALORES.</p><p>SEGUNDA PROPOSTA QUE MERECE PRESTÍGIO EM RAZÃO DOS CRITÉRIOS</p><p>74</p><p>ELEITOS PARA A SUA ESTIPULAÇÃO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO</p><p>PARA REDUZIR O VALOR DA PERÍCIA PARA R$ 9.135,12 - RESULTADO DO VA-</p><p>LOR DE REFERÊNCIA CORRIGIDO MONETARIAMENTE.</p><p>Nº 2092429-59.2017.8.26.0000 - Processo Digital. Petições para juntada de-</p><p>vem ser apresentadas exclusivamente por meio eletrônico, nos termos do</p><p>artigo 7º da Res. 551/2011 - Agravo de Instrumento - Santos - Agravante: Mari-</p><p>mex Despachos, Transportes e Serviços Ltda. - Agravado: BRASIL TERMINAL</p><p>PORTUÁRIO S.A. - Considerando o minucioso e aprofundado trabalho do pe-</p><p>rito na apuração dos dados da liquidação de sentença e bem assim o expres-</p><p>sivo valor da vantagem econômica objetivada, de mais de quinze milhões</p><p>de reais, fixo os honorários dele no montante reivindicado de R$68.880,00.</p><p>Intime-se para pagamento. - Magistrado (a) Sebastião Flávio .</p><p>TRT-17 - AGRAVO DE PETIÇÃO AP 00063009119915170002 (TRT-17) EMENTA -</p><p>VALOR DOS HONORÁRIOS PERICIAIS. A decisão homologatória dos cálculos</p><p>fixou o valor dos honorários periciais complementares em R$500,00. Irresig-</p><p>nação do perito. Novo valor arbitrado em R$25.000,00. Agravo de petição</p><p>da executada. Conforme salientado pelo Juízo de Primeiro Grau, não estava</p><p>preclusa a oportunidade para o perito manifestar-se com relação aos hono-</p><p>rários periciais, visto que o Juízo de Origem não havia analisado a pretensão</p><p>do expert de que lhe fossem arbitrados honorários compatíveis com a com-</p><p>plexidade da causa, não se acolhendo, assim, a alegação da executada de</p><p>que teria havido preclusão “pro judicato”. No tocante à redução do valor dos</p><p>honorários periciais, verifica-se que o perito realizou um trabalho de gran-</p><p>de complexidade, que se estendeu por alguns anos, posto que necessitou</p><p>apurar os valores devidos a duzentos e cinquenta e dois empregados subs-</p><p>tituídos. Assim, considera-se que a qualidade e a complexidade do trabalho</p><p>não podem ser retribuídas com honorários periciais de somente R$1.000,00</p><p>(mil reais), como sustenta a executada. Portanto,</p><p>ou contrato da União com Estado estran-</p><p>geiro ou organismo internacional e ações que envolvam direito de povos in-</p><p>dígenas. A competência para processar e julgar da Justiça federal comum</p><p>também pode ser suscitada em caso de grave violação de direitos humanos.</p><p>1.1.2 – Justiça Do Trabalho - TRT</p><p>A Justiça do Trabalho, um dos três ramos da Justiça Federal da União espe-</p><p>cializada, é regulada pelo artigo 114 da Constituição Federal. A ela compete</p><p>julgar conflitos individuais e coletivos entre trabalhadores e patrões, incluindo</p><p>aqueles que envolvam entes de direito público externo e a administração pú-</p><p>blica direta e indireta da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municí-</p><p>pios. Ela é composta por juízes trabalhistas que atuam na primeira instância</p><p>e nos tribunais regionais do Trabalho (TRT), e por ministros que atuam no Tri-</p><p>bunal Superior do Trabalho (TST).</p><p>1.1.3 – Justiça Eleitoral - TRE</p><p>A Justiça Eleitoral, que também integra a Justiça Federal especializada, regu-</p><p>lamenta os procedimentos eleitorais, garantindo o direito constitucional ao</p><p>voto direto e sigiloso. A ela compete organizar, monitorar e apurar as eleições,</p><p>bem como diplomar os candidatos eleitos. A Justiça Eleitoral tem o poder de</p><p>decretar a perda de mandato eletivo federal e estadual e julgar irregularida-</p><p>des praticadas nas eleições. Ela é composta por juízes eleitorais que atuam</p><p>na primeira instância e nos tribunais regionais eleitorais (TRE), e por ministros</p><p>que atuam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Está regulada nos artigos 118</p><p>a 121 da Constituição.</p><p>1.1.4 – Justiça Militar</p><p>A Justiça Militar é outro ramo da Justiça Federal da União especializada. Ela</p><p>é composta por juízes militares que atuam em primeira e segunda instância</p><p>e por ministros que julgam no Superior Tribunal Militar (STM). A ela cabe pro-</p><p>cessar e julgar os crimes militares definidos em lei (artigo 122 a124 da Consti-</p><p>tuição).</p><p>7</p><p>1.2 - Justiça Estadual</p><p>A Justiça Estadual (comum) é composta pelos juízes de Direito (que atuam</p><p>na primeira instância) e pelos chamados desembargadores, que atuam nos</p><p>tribunais de Justiça (segunda instância), além dos juizados especiais cíveis e</p><p>criminais. A ela cabe processar e julgar qualquer causa que não esteja sujeita</p><p>à competência de outro órgão jurisdicional (Justiça Federal comum, do Tra-</p><p>balho, Eleitoral e Militar), o que representa o maior volume de litígios no Brasil.</p><p>Sua regulamentação está expressa nos artigos 125 a 126 da Constituição.</p><p>1.3 Tribunais Superiores</p><p>Órgão máximo do Judiciário brasileiro, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL</p><p>(STF) é composto por 11 ministros indicados pelo presidente da República</p><p>e nomeados por ele após aprovação pelo Senado Federal. Entre as diversas</p><p>competências do STF, pode-se citar a de julgar as chamadas ações diretas de</p><p>inconstitucionalidade, instrumento jurídico próprio para contestar a constitu-</p><p>cionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual; apreciar pedidos de</p><p>extradição requerida por Estado estrangeiro; e julgar pedido de habeas cor-</p><p>pus de qualquer cidadão brasileiro.</p><p>Entre suas principais atribuições está a de julgar:</p><p>• ações diretas de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal</p><p>ou estadual;</p><p>• ações declaratórias de constitucionalidade de lei ou ato normativo fede-</p><p>ral;</p><p>• a arguição de descumprimento de preceito fundamental decorrente da</p><p>própria Constituição e a extradição solicitada por Estado estrangeiro;</p><p>• Infrações penais comuns, o presidente da República e seu vice, os</p><p>membros do Congresso Nacional, seus próprios ministros e o procura-</p><p>dor-geral da República.</p><p>1.3.1 – Superior Tribunal De Justiça – STJ</p><p>O STJ, que uniformiza o direito nacional infraconstitucional, é composto por</p><p>33 ministros nomeados pelo presidente da República a partir de lista tríplice</p><p>elaborada pela própria Corte. Os ministros do STJ também têm de ser apro-</p><p>vados pelo Senado antes da nomeação pelo presidente do Brasil. O Conselho</p><p>da Justiça Federal (CJF) funciona junto ao STJ e tem como função realizar a</p><p>supervisão administrativa e orçamentária da Justiça Federal de primeiro e</p><p>8</p><p>segundo graus.</p><p>1.4 – Conselho Nacional De Justiça (CNJ)</p><p>Trata-se de instituição pública que visa aperfeiçoar o trabalho do sistema ju-</p><p>diciário brasileiro, principalmente no que diz respeito ao controle e à transpa-</p><p>rência administrativa e processual. É órgão do Poder Judiciário previsto nos</p><p>artigos 92, I-A, e 103-B da CF, ambos inseridos pela Emenda Constitucional nº</p><p>45/2004.</p><p>Compõe-se de 15 membros, com mandato de 2 anos. São membros do Poder</p><p>Judiciário, do Ministério Público, da Advocacia e da sociedade (2 cidadãos, de</p><p>notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela Câmara dos De-</p><p>putados e outro pelo Senado Federal), nomeados pelo Presi- dente da Repú-</p><p>blica, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal,</p><p>exceto o Presidente do Supremo Tribunal Federal.</p><p>9</p><p>Links dos Tribunais</p><p>Supremo Tribunal Federal</p><p>Tribunal Superior do Trabalho</p><p>Conselho Superior da Justiça</p><p>do Trabalho</p><p>Superior Tribunal de Justiça</p><p>Conselho da Justiça Federal</p><p>Tribunal Superior Eleitoral</p><p>Superior Tribunal Militar</p><p>Tribunais Estaduais e do</p><p>Distrito Federal e</p><p>Territórios:</p><p>Tribunal de Justiça do Acre</p><p>Tribunal de Justiça de Alagoas</p><p>Tribunal de Justiça do Amapá</p><p>Tribunal de Justiça do Amazonas</p><p>Tribunal de Justiça da Bahia</p><p>Tribunal de Justiça do Ceará</p><p>Tribunal de Justiça do Distrito Federal e</p><p>Territórios</p><p>Tribunal de Justiça do Espírito Santo</p><p>Tribunal de Justiça de Goiás</p><p>Tribunal de Justiça do Maranhão</p><p>Tribunal de Justiça do Mato Grosso</p><p>Tribunal de Justiça do Mato Grosso do</p><p>Sul</p><p>Tribunal de Justiça de Minas Gerais</p><p>Tribunal de Justiça do Pará</p><p>Tribunal de Justiça da Paraíba</p><p>Tribunal de Justiça do Paraná</p><p>Tribunal de Justiça de Pernambuco</p><p>Tribunal de Justiça do Piauí</p><p>Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro</p><p>Tribunal de Justiça do Rio Grande do</p><p>Norte</p><p>Tribunal de Justiça do Rio Grande do</p><p>Sul</p><p>Tribunal de Justiça de Rondônia</p><p>Tribunal de Justiça de Roraima</p><p>Tribunal de Justiça de Santa Catarina</p><p>Tribunal de Justiça de São Paulo</p><p>Tribunal de Justiça de Sergipe</p><p>Tribunal de Justiça de Tocantins</p><p>https://portal.stf.jus.br/</p><p>https://www.tst.jus.br/</p><p>https://www.csjt.jus.br/</p><p>https://www.csjt.jus.br/</p><p>https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Inicio</p><p>https://www.cjf.jus.br/cjf/</p><p>https://www.tse.jus.br/</p><p>https://www.stm.jus.br/</p><p>https://www.tjac.jus.br/</p><p>https://www.tjal.jus.br/</p><p>https://www.tjap.jus.br/portal/</p><p>https://www.tjam.jus.br/</p><p>https://www.tjba.jus.br/portal/</p><p>https://www.tjce.jus.br/</p><p>https://www.tjdft.jus.br/</p><p>https://www.tjdft.jus.br/</p><p>http://www.tjes.jus.br/</p><p>https://www.tjgo.jus.br/</p><p>http://www.tjma.jus.br/</p><p>http://www.tjmt.jus.br/</p><p>https://www.tjms.jus.br/</p><p>https://www.tjms.jus.br/</p><p>https://www.tjmg.jus.br/portal-tjmg/</p><p>https://www.tjpa.jus.br/PortalExterno/</p><p>https://www.tjpb.jus.br/</p><p>https://www.tjpr.jus.br/</p><p>http://www.tjpe.jus.br/</p><p>https://www.tjpi.jus.br/portaltjpi/</p><p>http://www.tjrj.jus.br/</p><p>https://www.tjrn.jus.br/</p><p>https://www.tjrn.jus.br/</p><p>https://www.tjrs.jus.br/novo/</p><p>https://www.tjrs.jus.br/novo/</p><p>https://www.tjro.jus.br/</p><p>https://www.tjrr.jus.br/</p><p>https://www.tjsc.jus.br/</p><p>https://www.tjsp.jus.br/</p><p>https://www.tjse.jus.br/portal/</p><p>https://www.tjto.jus.br/</p><p>10</p><p>Tribunais Federais:</p><p>Tribunal Regional Federal da 1ª Região (Abrange os estados: AC, AM, AP, BA, DF, GO,</p><p>MA, MG, MT, PA, PI, RO, RR)</p><p>Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Abrange os estados: ES, RJ)</p><p>Tribunal Regional Federal da 3ª Região (Abrange os estados: MS, SP)</p><p>Tribunal Regional Federal da 4ª Região (Abrange os estados: PR, RS, SC)</p><p>Tribunal Regional Federal da 5ª Região (Abrange os estados: AL, CE, PB, PE, RN, SE)</p><p>Tribunais Regionais</p><p>Eleitorais</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Acre</p><p>Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas</p><p>Tribunal Regional Eleitoraldo Amapá</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Amazo-</p><p>nas</p><p>Tribunal Regional Eleitoral da Bahia</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Ceará</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Distrito</p><p>Federal e Territórios</p><p>Tribunal Regional Eleitoral de Goiás</p><p>considera-se razoável o valor</p><p>dos honorários periciais no montante de R$25.000,00 (vinte e cinco mil reais),</p><p>determinando-se, contudo, que devem ser deduzidos os valores recebidos</p><p>pelo perito a título de honorários prévios. Agravo de Petição provido em parte</p><p>para determinar que do valor dos honorários periciais de R$25.000,00 (vinte</p><p>e cinco mil reais), deverão ser deduzidos os valores, devidamente corrigidos,</p><p>recebi- dos pelo perito a título de honorários prévios.</p><p>TJ-SP - Agravo de Instrumento AI 990102039757 SP (TJ-SP) - EMENTA - VA-</p><p>LOR DOS HONORÁRIOS PERICIAIS. 1. Desapropriação. Laudo definitivo de</p><p>avaliação. Honorários periciais. Insurgência contra os honorários arbitrados</p><p>para pagamento do laudo pericial definitivo. 2. Valor dos honorários periciais</p><p>que deve seguir a regra determinada no art. 10 da Lei 9.289 /96. O arbitra-</p><p>mento da remuneração do perito é atribuição exclusiva do Juiz que levará em</p><p>conta os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e modicidade. Valo-</p><p>res sugeridos pelas partes que não se mostram adequados. Honorários totais</p><p>fixados em R$10.467,26, dos quais devem ser deduzidos os valores já deposi-</p><p>tados provisoriamente. 3. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.</p><p>75</p><p>Agravo de Instrumento nº 2054943-69.2019.8.26.0000. EMENTA: VALOR DOS</p><p>HONORÁRIOS PERICIAIS. Taxatividade do artigo 1.015, do Código de Processo</p><p>Civil, mitigada. Incidência do entendimento firmado pelo C. Superior Tribunal</p><p>de Justiça. Não comprovado excesso no arbitramento dos honorários pelo</p><p>profissional, que atendeu aos critérios da razoabilidade e da proporcionalida-</p><p>de, não havendo motivo para ser reduzido, notadamente em razão da com-</p><p>plexidade da matéria. Decisão mantida. RECURSO DESPROVIDO. Aduz, em</p><p>síntese, que foi determinada a realização de perícia para verificar a responsa-</p><p>bilidade das rés pelos danos apresentados na residência da autora, em razão</p><p>das explosões necessárias para a construção do Trecho Norte do Rodoanel</p><p>Mário Covas. A aludida perícia tem por finalidade a análise inicial, vistorias</p><p>ao local, diligências e análise, elaboração, verificação e montagem do laudo,</p><p>tendo sido arbitrado o valor de R$ 21.240,00 pelo perito, com o que não con-</p><p>corda o agravante. Sustenta que o valor foge da razoabilidade, apresentan-</p><p>do estimativas apresentadas por outros profissionais em processos similares,</p><p>não podendo o perito do juízo cobrar o valor que entende devido. Requer a</p><p>concessão de efeito suspensivo ao recurso e, ao final, o provimento da insur-</p><p>gência para que seja reduzido o valor dos honorários. O recurso não compor-</p><p>ta provimento.</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO AGRAVADA QUE FIXOU O VALOR DOS</p><p>HONORÁRIOS PERICIAIS DE ENGENHARIA. Recurso interposto sob a égide</p><p>do Novo CPC. Conteúdo da decisão agravada que não foi contemplado no</p><p>rol taxativo do art. 1.015 do NCPC. Não conhecimento do recurso, em razão de</p><p>manifesta inadmissibilidade, na forma do art. 932, III do Novo CPC. RECURSO</p><p>NÃO CONHECIDO. Trata-se de Agravo de Instrumento interposto contra de-</p><p>cisão proferida pela MM. Juíza de Direito da 2ª Vara Cível da Regional da Barra</p><p>da Tijuca que, nos autos da ação de Obrigação de Fazer c/c Indenizatória por</p><p>danos materiais com pedido de antecipação de tutela, que tramita sob o nº</p><p>0033078-18.2012.8.19.0209, homologou o valor dos honorários periciais em R$</p><p>64.250,00, conforme termos a seguir: (index 85 do Anexo 1) Fls.685/687 - Con-</p><p>siderando que estão presentes a razoabilidade e a proporcionalidade entre o</p><p>trabalho a ser realizado e o valor cobrado, e que o ilustre Perito conforme se</p><p>depreende de fl. 683 reduziu os honorários anteriormente arbitrados, homo-</p><p>logo os honorários do Sr. Perito na quantia de R$ 64.250,00, que deverá ser</p><p>adiantada pela parte autora. Comprove-se o depósito no prazo de 05 dias. 2)</p><p>Comprovado o depósito, dê-se vista ao Sr. Perito para que indique a data e o</p><p>local para o início da produção da prova, cientificando-se às partes e aos seus</p><p>assistentes técnicos porventura indicados (art. 431-A, do CPC), devendo o lau-</p><p>do ser entregue no prazo de 30 dias. 2) Fls.688/689 - Anote-se onde couber e</p><p>certifique-se.</p><p>EMENTA – AGRAVO DE INSTRUMENTO – CUMPRIMENTO DE SENTENÇA –</p><p>VALORES COBRADOS INDEVIDAMENTE – SIMPLES CÁLCULO DO CREDOR –</p><p>POSSIBILIDADE – ART. 475-B DO CPC – CERCEAMENTO DE DEFESA – PERÍCIA</p><p>JUDICIAL – PREQUESTIONAMENTO – RECURSO DESPROVIDO. consoante</p><p>ressaltado pelo perito judicial, para se chegar ao valor devido será necessário</p><p>o exame de 18 (dezoito) cédulas de crédito rural, o que revela a complexidade</p><p>e necessidade de nomeação do expert. Confira-se: “Após a análise dos autos,</p><p>76</p><p>consta- tamos que os serviços a serem realizados, englobam:</p><p>- Leitura dos autos; - Análise e estudo dos documentos em questão; - Apurar</p><p>o valor devido na presente ação, cálculo referente a 18 cédulas de crédito,</p><p>conforme determinação; - Planilhas demonstrativas; - Elaboração de laudo</p><p>pericial e resposta aos quesitos Do valor dos honorários periciais: No que se</p><p>refere ao valor dos honorários periciais, o perito requereu o pagamento de</p><p>R$ 30.000,00 (trinta mil reais), tendo o magistrado de primeiro grau deter-</p><p>minado que a instituição financeira proceda ao pagamento. Considerando</p><p>as peculiaridades do caso, entendo que o montante não deve ser minorado,</p><p>pois atende ao princípio da razoabilidade. Certifique-se.</p><p>Agravo de Instrumento 2013 00 2 018332-8 AGI - Com efeito, cuida-se de pe-</p><p>rícia necessária à liquidação das quotas dos sócios retirantes da sociedade</p><p>Mainline Móveis S/A Indústria e Comércio, razão pela qual deverá ser realiza-</p><p>do balanço de determinação tendo como data-base o último dia do exercício</p><p>financeiro de 2003, conforme consignado na sentença proferida no processo</p><p>nº 46827-0. O experto afirma que serão necessárias duzentas e cinquenta e</p><p>oito (258) horas de trabalho, postulando honorários de R$ 64.500,00 (sessen-</p><p>ta e quatro mil e quinhentos reais) (fls. 50/56).Os agravantes impugnam a pro-</p><p>posta de honorários ao argumento de que, segundo a atual convenção cole-</p><p>tiva de trabalho dos contabilistas, reproduzida às fls. 120, um contador máster</p><p>aufere R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais) por duzentas e vinte (220)</p><p>horas de trabalho, sendo excessivo o número de horas de trabalho indicados</p><p>na proposta de honorários, tendo em vista o pequeno número de quesitos</p><p>formulados pelas partes. Entretanto, como bem consignado pelo MM. Juiz a</p><p>quo, o trabalho do perito não pode ser equiparado ao do contador encarre-</p><p>gado de realizar a contabilidade da sociedade empresária, também não se</p><p>limitando a resposta dos quesitos formulados pelas partes. É o que se depre-</p><p>ende da simples leitura do plano de trabalho, detalhado pelo experto na pro-</p><p>posta de honorários cuja cópia encontra-se às fls. 50/56, in verbis:“. Apurar a</p><p>composição do capital social da empresa avaliada, identificando o percentual</p><p>de participação dos Requerentes; . Elaborar Balanço de Determinação pro-</p><p>cedendo aos devidos ajustes técnicos e avaliatórios; Realizar inventário físico</p><p>e detalhado contendo todos os itens e elementos patrimoniais considerados</p><p>no Balanço de Determinação sejam de ativo ou passivo, sendo o ativo através</p><p>da apuração do seu valor e o passivo devidamente auditado para autenticar</p><p>sua veracidade e valor; . Levantar e examinar os livros contábeis, fiscais e os</p><p>respectivos documentos com fulcro no art. 429 do CPC, relativos ao período</p><p>de 1998 a 2003;. Revisar e examinar a realidade econômi- co-financeira e con-</p><p>tábil da empresa Requerida para certificar se as demonstrações contábeis</p><p>refletem a sua realidade patrimonial;. Elaborar inventário físico e contábil de</p><p>todos os elementos patrimoniais, através da apuração do valor do ativo e pas-</p><p>sivo da sociedade; Quantificar em moeda os haveres dos Requerentes, ob-</p><p>servando o balanço de determinação a ser elaborado tendo como data-base</p><p>o último dia do exercício financeiro de 2003” Ademais, conforme explanado</p><p>pelo experto, a perícia envolverá o levantamento de infor- mações relativas</p><p>aos exercícios financeiros</p><p>de 1998 a 2003, o que evidencia a sua complexida-</p><p>de. Conclui-se, portanto, que os honorários propostos pelo experto mostram-</p><p>77</p><p>-se razoáveis, tendo em vista a complexidade e a natureza da prova técnica</p><p>a ser realizada, além do tempo necessário à conclusão do trabalho. Ante o</p><p>exposto, nego provimento ao recurso, mantendo íntegraa decisão agravada.</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO DPVAT -</p><p>ALEGAÇÃO DE INVALIDEZ - PERÍCIA MÉDICA - FIXAÇÃO DO VALOR DOS</p><p>HONORÁRIOS PERI- CIAIS - REDUÇÃO INVIÁVEL - AGRAVO IMPROVIDO. Os</p><p>honorários periciais devem ser arbitrados pelo Julgador segundo a natureza,</p><p>a complexidade e o tempo exigido para a realização dos trabalhos, observan-</p><p>do-se os critérios da razoabilidade e da proporcionalidade. II - A fixação dos</p><p>honorários do perito é ato privativo do juiz, que não se submete ao tabela-</p><p>mento de entidades de classe ou outros órgãos públicos, pois uma norma</p><p>administrativa não tem o condão de limitar ou inibir o princípio da liberdade</p><p>jurisdicional. III - Deve ser mantido o valor dos honorários médico-periciais</p><p>quando fixados observando-se os critérios antes mencionados. De outro</p><p>lado, é notória a importância da prova pericial ao longo da instrução proces-</p><p>sual, visto que o magistrado não possui conhecimentos ilimitados, necessi-</p><p>tando constantemente de auxílio de peritos de sua confiança para o exame</p><p>de questões técnicas, inclusive para aferir a suposta invalidez do periciado,</p><p>permitindo-lhe que, na formação de sua convicção, possa alcançar a verda-</p><p>de real. No caso em exame, o magistrado de Primeira Instância, ao fixar os</p><p>honorários pericias no valor de R$2.500,00, quantia inferior a cinco salários</p><p>mínimos, certamente, levou em consideração a natureza da perícia médica</p><p>a ser realizada, o tempo a ser despendido para a realização do trabalho, a im-</p><p>portância da prova e, principalmente, a dignidade profissional do perito que</p><p>foi nomeado. Mediante tal fundamentação, NEGO PROVIMENTO ao recurso,</p><p>para manter a decisão agravada por seus próprios fundamentos.</p><p>AGRAVO INTERNO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. HONORÁRIOS DE PERITO.</p><p>LIQUIDAÇÃO POR ARTIGOS DE SENTENÇA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DA-</p><p>NOS AMBIENTAIS CAUSADOS NO BAIRRO DE SANTA TERESA. VIOLAÇÕES</p><p>ÀS REGRAS DE TOMBAMENTO DOS BONDES. PERÍCIA DA ALTA COMPLEXI-</p><p>DADE TÉCNICA. 1. Manutenção da verba arbitrada em R$ 40.678,50, que não</p><p>se demostra excessiva. 2. Manutenção da Decisão Monocrática. NEGATIVA</p><p>DE PROVIMENTO AO RECURSO.</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO. HONORÁRIOS PERICIAIS. PERÍCIA DE ENGE-</p><p>NHARIA DE ALTA COMPLEXIDADE. HONORÁRIOS ARBITRADOS EM R$</p><p>400.000,00. RECURSO PROVIDO. REDUÇÃO PARA R$ 120.000,00. (..) Na de-</p><p>cisão saneadora do processo, o juiz de 1º grau entendeu ser necessária a re-</p><p>alização de prova pericial de engenharia, a fim de verificar se foram feitas</p><p>as obras de acordo com o contrato firmado e seus aditivos entre as partes,</p><p>devendo o i. Perito informar o custo das obras realizadas, incluindo os mate-</p><p>riais comprados e não utilizados e quanto estas representariam, percen- tual-</p><p>mente, em relação ao preço total do serviço contratado (indexador 68, anexo</p><p>1). AGRAVO DE INSTRUMENTO A QUE SE DÁ PROVIMENTO AGRAVO DE INS-</p><p>TRUMENTO nº 0005364- 94.2013.8.19.0000</p><p>78</p><p>Relator Desembargador José Carlos de Figueiredo. / AGRAVO DE INSTRU-</p><p>MENTO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉ- BITOS FISCAIS. PROVA PERICIAL. ANÁ-</p><p>LISE DE SUPOSTOS DÉBITOS FISCAIS DE ALTO VALOR. HONORÁRIOS DO</p><p>PERITO. FIXAÇÃO EM MONTANTE ADEQUADO E PROPORCIONAL, TOMAN-</p><p>DO-SE POR BASE A COMPLEXIDADE DA CAUSA E O VALOR DISCUTIDO</p><p>NOS AUTOS.</p><p>MANUTENÇÃO. O valor fixado a título de honorários periciais deve guardar</p><p>proporção com o grau de dificuldade da perícia, a extensão da prova, o tem-</p><p>po a ser consumido, além da possibilidade financeira das partes, tudo em</p><p>sintonia com o princípio da razoabilidade.</p><p>R E L A T Ó R I O</p><p>Trata-se de Agravo de Instrumento interposto contra decisão (fls. 96) que aco-</p><p>lheu parcialmente a impugnação do Estado e homologou os honorários peri-</p><p>ciais no valor de R$ 22.500,00, inferior ao estipulado inicialmente pelo expert.</p><p>Afirma o Agravante, em síntese, que o valor estabelecido se encontra em des-</p><p>compasso com a natureza do trabalho pericial a ser realizado. Aduz que não</p><p>será necessária qualquer diligência ou ato complexo, capaz de gerar honorá-</p><p>rios daquela órbita. Assevera que o valor de R$ 22.500,00 é desproporcional</p><p>e injustificado. No caso dos autos, a prova pericial contábil foi requerida pela</p><p>parte Autora, ora Agravada, que atribui à causa o valor de R$ 35.891.062,98</p><p>(trinta e cinco milhões, oitocentos e noventa e um mil, sessenta e dois reais e</p><p>noventa e oito centavos). Por óbvio, além de observar os princípios da razoa-</p><p>bilidade e da proporcionalidade, o valor fixado a título de honorários periciais</p><p>deve guardar proporção com o grau de dificuldade da perícia, a extensão da</p><p>prova, o tempo a ser consumido, além da possibilidade financeira das partes.</p><p>Com efeito, o valor fixado pelo i. Juízo mostra-se adequado e proporcional, ao</p><p>considerar o caso ventilado na presente demanda, que conta autos de apro-</p><p>ximadamente 7 (sete) volumes e envolve discussão acerca de vultosos débi-</p><p>tos fiscais. Face o exposto, NEGA-SE PROVIMENTO ao recurso, mantendo-se</p><p>a decisão nos moldes em que prolatada.</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0072869- 10.2013.8.26.0000</p><p>COMARCA : SÃO PAULO (5ª VARA CÍVEL CENTRAL DA CAPITAL)</p><p>AGRAVANTE : Empresa X</p><p>AGRAVADO : Empresa Y</p><p>PERÍCIA JUDICIAL. HONORÁRIOS ESTIMADOS ANTES DA PROVA. PEDIDO</p><p>DE COMPLEMENTAÇÃO APÓS ENTREGA DO LAUDO. POSSIBILIDADE. AL-</p><p>TOS VALORES. NECESSIDADE DE CONTROLE JUDICIAL. CONCESSÃO DE</p><p>PRAZO PARA QUE O PROFISSIONAL JUSTIFIQUE E COMPROVE O PEDIDO,</p><p>79</p><p>COM OITIVA DAS PARTES. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.</p><p>A agravante impugnou a determinação judicial para complementação dos</p><p>honorários periciais. O perito estimou inicialmente seus honorários em</p><p>R$ 198.000,00 (fls. 1.292 /1.294), mas após a entrega do laudo pericial (fls.</p><p>1.398/1.988) requereu a complementação do valor dos trabalhos em R$</p><p>130.000,00 (fls. 1.990/1.991), que foi deferido de pronto pelo Magistrado (fls.</p><p>1.992).</p><p>O perito estimou a complementação de seus honorários em R$ 130.000,00,</p><p>mas não justificou e comprovou, como era de rigor, os motivos de seu pedi-</p><p>do. O perito não detalhou quantas viagens fez até os locais onde estão situa-</p><p>dos os imóveis, os gastos que teve em cada viagem, as despesas com levan-</p><p>tamento da documentação dos bens assim como as despesas que teve com</p><p>a avaliação dos bens móveis, as instalações e os equipamentos.</p><p>É certo que a complementação dos honorários após a realização da perícia é</p><p>amplamente aceita, porquanto o profissional, auxiliar do Juízo, deve receber</p><p>remuneração condizente com o trabalho que exerceu e com os gastos que</p><p>obteve com a prova.</p><p>EMENTA</p><p>PERÍCIA DE ENGENHARIA. GÁS. HONORÁRIOS. MANUTENÇÃO. Determina-</p><p>ção de perícia técnica de engenharia para verificar eventual responsabilida-</p><p>de por danos decorrentes de obras emergenciais realizadas pela CEG. Va-</p><p>zamento de água pela tubulação de gás provocada por falha na instalação</p><p>de aquecedor em uma das unidades do condomínio, que afetou, inclusive,</p><p>um supermercado localizado embaixo do condomínio. Existência de perigo</p><p>de rompimento, escapamento e explosão de gás. Alegação de comprome-</p><p>timento da impermeabilização da quadra poliesportiva do Condomínio. Im-</p><p>passe entre CEG e o condomínio quanto às obras a serem realizadas. Decisão</p><p>que determinou a realização de perícia de engenharia, arbitrando, de ofício,</p><p>os honorários periciais no valor de R$ 13.000,00 (treze mil reais). É notória a</p><p>alta complexidade do trabalho a ser desenvolvido, devendo ser observada a</p><p>necessária qualificação técnica do profissional para realizá-lo. Entendo que o</p><p>valor de R$ 13.000,00 (treze mil reais), no caso presente, é compatível com a</p><p>complexidade da perícia e atende aos princípios da razoabilidade e propor-</p><p>cionalidade. O pedido de rateio dos honorários periciais não foi submetido ao</p><p>juízo a quo, mas diretamente a este Tribunal,</p><p>o que não é possível, sob pena</p><p>de supressão de instância. Entender de forma diferente implicaria na violação</p><p>ao Princípio do Duplo Grau de Jurisdição, o qual garante às partes, através da</p><p>possibilidade de reexame da matéria por uma instância superior ou órgão</p><p>colegiado, a legalidade e justiça das decisões judiciais inerentes à garantia</p><p>do acesso à justiça e ao devido processo legal. Decisão mantida. DESPROVI-</p><p>MENTO DO RECURSO.</p><p>80</p><p>13.0 – Gratuidade de Justiça</p><p>13.1 - Da Gratuidade de Justiça</p><p>A atuação dos peritos em processos protegidos pela assistência judiciária</p><p>gratuita é regulamentada pelo Conselho Nacional de Justiça, Conselho supe-</p><p>rior da Justiça do Trabalho e Conselho Superior da Justiça Federal.</p><p>Ao tratar de Justiça gratuita, o novo CPC traz extenso rol de despesas inseri-</p><p>das na gratuidade de Justiça. O § 1º do artigo 98 tem nove incisos que elen-</p><p>cam as principais despesas e custas processuais, como a indenização devida</p><p>à testemunha, o custo do exame de DNA, os honorários de advogado, perito,</p><p>intérprete ou tradutor, depósitos devidos para recursos, entre outros.</p><p>Pelo texto da lei, podem pedir a gratuidade de Justiça, mesmo com a con-</p><p>tratação de um advogado particular, a pessoa física ou jurídica, brasileira ou</p><p>estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas</p><p>processuais e os honorários advocatícios. (caput do art. 98 do CPC).</p><p>O artigo 99 do novo CPC permite que o pedido seja feito a qualquer momen-</p><p>to do processo, seja na petição inicial, na contestação, na petição de ingresso</p><p>de terceiro ou mesmo no recurso. Isso porque o legislador entende que a</p><p>necessidade da gratuidade pode acontecer no decorrer do processo judicial.</p><p>O juiz pode negar o pedido, caso haja elementos nos autos que comprovam</p><p>a falta de verdade na solicitação de gratuidade, e o autor do pedido não con-</p><p>siga produzir provas que comprovem a sua situação de hipossuficiência fi-</p><p>nanceira.</p><p>Justiça Gratuita</p><p>Quem tem direito?</p><p>Pessoa física ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiên-</p><p>cia de recursos pagar as custas, as despesas processuais e os ho-</p><p>norários advocatícios.</p><p>Exame de DNA, perito, intérprete e tradutor, são algumas despe-</p><p>sas inseridas no rol da gratuidade de Justiça.</p><p>81</p><p>De acordo com o novo CPC, caso seja constatada má-fé do beneficiário da</p><p>Justiça gratuita, ele pode ser condenado ao pagamento de multas que po-</p><p>dem chegar a até dez vezes o valor das despesas devidas (art. 100, parágrafo</p><p>único, CPC).</p><p>Assim é que a assistência judiciária gratuita revela o direito da parte de ter</p><p>um advogado do Estado gratuitamente, bem como estar isenta de todas as</p><p>despesas e taxas processuais, consagrado no art. 5º, LXXIV, da CRFB/88: “o</p><p>Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprova-</p><p>rem insuficiência de recursos”.</p><p>No Brasil, em geral, a assistência judiciária gratuita é prestada pela Defensoria</p><p>Pública, ou por quem exerça cargo equivalente, sendo que, se no Estado não</p><p>houver serviço de assistência judiciária, por ele mantido, caberá a indicação à</p><p>Ordem dos Advogados, por suas Seções Estaduais, ou Subseções Municipais</p><p>(arts. 1º e 5º, § 2º e §5º, da Lei n. 1.060/50).</p><p>13.2 - Resolução Nº232 do CNJ</p><p>O Conselho Nacional de Justiça editou, muito recentemente, a Resolução de</p><p>n.º 232, por meio da qual regulou a matéria de honorários periciais quando</p><p>esses profissionais tenham prestado seus serviços em processos na chama-</p><p>da “justiça gratuita”.</p><p>Por meio dessa Resolução o CNJ estabeleceu importantes regras, que den-</p><p>tre outros benefícios, conferiu maior segurança na atuação do perito judicial</p><p>nesse tipo de processo.</p><p>Em razão de a parte envolvida não dispor de recursos financeiros, o profissio-</p><p>nal muitas das vezes encontrava-se em uma situação delicada para receber</p><p>uma contraprestação pelos seus serviços.</p><p>Uma vez que os honorários do perito judicial compõem as custas do proces-</p><p>so, e nos termos do CPC-2015, devem ser pagos, inicialmente, pela parte que</p><p>solicita a perícia em juízo, quem deve custear o trabalho do perito nesses</p><p>casos?</p><p>A Resolução determina que o valor do pagamento pelo trabalho do perito</p><p>nos processos cujas partes gozem do benefício de gratuidade de justiça de-</p><p>vem ser adiantados pelo ente público que esteja prestando o serviço jurisdi-</p><p>cional; Podendo ser a União, Estado ou DF (Art. 2º, §1º).</p><p>Contudo, buscando a razoabilidade, a Resolução também traz uma tabela a</p><p>qual estabelece um teto máximo para o valor dos honorários a serem pagos</p><p>a cada profissional que exerça a função de perito nesses processos.</p><p>82</p><p>13.3 - Gratuidade na Justiça do Trabalho:</p><p>O art. 790-B da CLT determina que o pagamento dos honorários do perito</p><p>será de responsabilidade da parte sucumbente na pretensão objeto da perí-</p><p>cia (e não na demanda), ainda que beneficiária da gratuidade de justiça, ou</p><p>seja, temos regra própria na Consolidação das Leis do Trabalho, o que afasta,</p><p>por óbvio, a incidência do Código de Processo Civil no particular, vez que não</p><p>preenchido o requisito primeiro do art. 769 da CLT, que é a omissão da norma</p><p>laboral.</p><p>Ademais, o texto é bastante elucidativo ao dizer que o pagamento é de res-</p><p>ponsabilidade da parte que sucumbe na pretensão objeto da perícia, de</p><p>modo que o magistrado trabalhista não está autorizado a determinar o paga-</p><p>mento antecipado quando o autor da ação trabalhista pleitear, por exemplo,</p><p>adicional de insalubridade ou periculosidade, haja vista que só com o proferir</p><p>da sentença é que se saberá quem fora a parte sucumbente na pretensão</p><p>(insalubridade ou periculosidade), e não no objeto da perícia, que poderá ter</p><p>outros pedidos.</p><p>Inclusive, o § 3º do artigo determina que é vedado ao juiz exigir adiantamento</p><p>de valores para realização de perícias.</p><p>Assim, apenas a título de exemplo, se João pleiteia em face de MA S/A adi-</p><p>cional de periculosidade e, o perito afirma em seu laudo que não havia o</p><p>trabalho naquela condição, mas o juiz se convence, por outros elementos de</p><p>prova, que João tem direito ao adicional reivindicado em juízo e julga proce-</p><p>dente o pedido, mesmo que o autor não tenha sido beneficiado pelo laudo, a</p><p>reclamada terá que pagar os honorários do perito, vez que João foi vencedor</p><p>na pretensão.</p><p>De toda sorte, caso o juiz do trabalho determine seu pagamento antecipado,</p><p>estará proferindo uma decisão interlocutória, a qual não desafia recurso de</p><p>imediato, tendo em vista o disposto no art. 893, § 1º da CLT, razão pela qual,</p><p>por ferir direito líquido e certo (produção da prova sem o pagamento anteci-</p><p>pado dos honorários periciais), o meio adequado para impugnar tal decisão</p><p>é o mandado de segurança, haja vista que é ilegal a exigência do referido</p><p>depósito para custeio dos honorários periciais, dada a incompatibilidade com</p><p>o processo do trabalho, como se extrai da OJ 98 da SDI-2 do TST: “É ilegal a</p><p>exigência de depósito prévio para custeio dos honorários periciais, dada a</p><p>incompatibilidade com o processo do trabalho, sendo cabível o mandado de</p><p>segurança visando à realização da perícia, independentemente do depósito.”</p><p>Caso o reclamante (empregado, em regra) seja sucumbente no objeto da pe-</p><p>rícia, mas beneficiário da Gratuidade de Justiça, o § 4º do art. 790-B determi-</p><p>na que “somente no caso em que o beneficiário da justiça gratuita não tenha</p><p>obtido em juízo créditos capazes de suportar a despe- sa referida no caput,</p><p>ainda que em outro processo, a União responderá pelo encargo”, ou seja, a</p><p>União só pagará em última hipótese, o que prejudica a previsão da Súmula</p><p>83</p><p>457 do TST.</p><p>Todavia, em razão da ampliação da competência da Justiça do Trabalho pela</p><p>EC n. 45/04, é facultado ao juiz, em relação à perícia, exigir depósito prévio</p><p>dos honorários do perito quando for lide diversa daquelas que decorrem da</p><p>relação de emprego nos exatos moldes do parágrafo único do art. 6º da Ins-</p><p>trução Normativa n. 27 do TST, isto é, quando a questão de fundo versar sobre</p><p>relação de trabalho diversa da re- lação de emprego, sendo certo que se trata</p><p>de faculdade do magistrado, o</p><p>qual também pode aplicar o disposto no art.</p><p>790-B da CLT.</p><p>Instrução Normativa nº. 27/2005, TST, art. 6º Os honorários periciais serão su-</p><p>portados pela parte sucumbente na pretensão objeto da perícia, salvo se be-</p><p>neficiária da justiça gratuita. Parágrafo único. Faculta-se ao juiz, em relação à</p><p>perícia, exigir depósito prévio dos honorários, ressalvadas as lides decorrentes</p><p>da relação de emprego.</p><p>Outrossim, ao fixar o valor dos honorários periciais, o juízo deverá respeitar o</p><p>limite máximo estabelecido pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho,</p><p>sendo possível o juízo poderá deferir parcelamento dos honorários periciais.</p><p>Cabe salientar, que a responsabilidade pelo pagamento dos honorários do</p><p>perito assistente é da parte que o indicou (o que independe da relação posta</p><p>em juízo), vez que trata-se de mera faculdade, ainda que a parte que o indi-</p><p>cou seja vencedora, com fulcro na Súmula 341 do TST, que assim dispõe: “A</p><p>indicação do perito assistente é faculdade da parte, a qual deve responder</p><p>pelos respectivos honorários, ainda que vencedora no objeto da perícia”.</p><p>No que tange a atualização monetária dos hono- rários periciais, prevê a OJ</p><p>198 da SDI-1 do TST: “Diferentemente da correção aplicada aos débitos tra-</p><p>balhistas, que têm caráter alimentar, a atualização monetária dos honorários</p><p>periciais é fixada pelo art. 1º da Lei n. 6.899/1981. aplicável a débitos resultan-</p><p>tes de decisões judiciais”.</p><p>13.4 - A realidade após da Lei n. 13.467/2017 - Alterou CLT</p><p>Até o advento da Lei n. 13.467/2017, a concessão do benefício da justiça gratui-</p><p>ta, no processo do trabalho, estava prevista apenas no § 3º do art. 790, da CLT,</p><p>que contempla duas hipóteses de concessão, a requerimento ou de ofício,</p><p>do referido benefício: a) receber salário igual ou inferior ao dobro do mínimo</p><p>legal ou; b) declarar, sob as penas da lei, que não possui condições de pagar</p><p>as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família.</p><p>A primeira hipótese (receber salário igual ou inferior ao dobro do mínimo le-</p><p>gal) contemplava uma presunção legal de veracidade do estado de pobreza,</p><p>baseada em um critério objetivo: recebimento de salário igual ou inferior ao</p><p>dobro do mínimo legal.</p><p>84</p><p>A segunda hipótese, por sua vez, estava relacionada àqueles que, a despeito</p><p>de receberem salário superior ao dobro do mínimo legal (afinal, se recebes-</p><p>sem salário até o dobro do mínimo legal, estariam contemplados na primeira</p><p>hipótese), declarassem, sob as penas da lei, que não possuíam condições de</p><p>pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua fa-</p><p>mília.</p><p>Importante destacar, neste particular, que, no âmbito da Justiça do Trabalho,</p><p>sempre se entendeu, tanto por força do art. 1º da Lei n. 7.115/83, quanto por</p><p>força, depois, do art. 99, § 3º, do CPC/2015, que, quando firmada por pessoa</p><p>natural, a declaração de pobreza era presumidamente verdadeira, de modo</p><p>que bastava que a parte juntasse declaração de pobreza, cabendo à parte</p><p>contrária, se fosse o caso, produzir provas capazes de contradizer a referida</p><p>declaração.</p><p>A declaração de pobreza, para produzir seus efeitos, precisa ser, necessaria-</p><p>mente, assinada pela própria parte ou por advogado com poderes específi-</p><p>cos para tanto, nos termos do art. 105 do CPC/2015 [3].</p><p>A Lei n. 13.467/2017 (Reforma Trabalhista), passou a prever “É facultado aos</p><p>juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de qualquer</p><p>instância conceder, a requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gra-</p><p>tuita, inclusive quanto a traslados e instrumentos, àqueles que perceberem</p><p>salário igual ou inferior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos be-</p><p>nefícios do Regime Geral de Previdência Social”.</p><p>A outra conclusão que se pode extrair da alteração promovida pela Reforma</p><p>Trabalhista está diretamente relacionada à substituição da expressão “decla-</p><p>rar” pela expressão “comprovar”, de modo que é possível entender que, a par-</p><p>tir da Reforma Trabalhista, não basta que a parte que receba salário superior</p><p>a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral</p><p>de Previdência Social declare, sob as penas da lei, que não possui condições</p><p>de pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua</p><p>família, sendo imprescindível, portanto, que a parte requerente comprove,</p><p>mediante documentos que comprovem seus gastos mensais (comprometi-</p><p>mento dos seus rendimentos), que, mesmo recebendo salário superior a 40%</p><p>(quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de</p><p>Previdência Social, não possui condições de pagar as custas do processo sem</p><p>prejuízo do sustento próprio ou de sua família.</p><p>Desta maneira, ao interpretar o § 4º do art. 790 da CLT (O benefício da justi-</p><p>ça gratuita será concedido à parte que comprovar insuficiência de recursos</p><p>para o pagamento das custas do processo) é possível, sem maiores esforços</p><p>interpretativos, concluir que, em verdade, exceto quanto à impossibilidade</p><p>de, neste caso, o Magistrado conceder, de ofício, o benefício, nada mudou!</p><p>Portanto, as reflexões e provocações trazidas ao longo do presente artigo</p><p>85</p><p>permitem que se conclua que a Lei n. 13.467/2017 (Reforma Trabalhista), ao</p><p>alterar o § 3º do art. 790 da CLT e incluir o § 4º neste dispositivo, provocou as</p><p>seguintes alterações:</p><p>a) ao alterar a redação do § 3º do art. 790 da CLT, substituindo o critério do re-</p><p>cebimento de salário igual ou inferior ao dobro do salário mínimo pelo critério</p><p>de recebimento de salário igual ou inferior a 40% do teto do INSS, ampliou o</p><p>acesso à justiça, na medida em que passou a permitir ao Juiz, a requerimento</p><p>ou de ofício, a concessão do benefício da justiça gratuita.</p><p>b) após a Reforma Trabalhista, passou a contemplar apenas uma hipótese</p><p>de concessão do benefício: receber salário igual ou inferior a 40% (quarenta</p><p>por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência</p><p>Social.</p><p>Para ilustrar o tema, veja abaixo despacho do Juiz, a respeito do pedido do</p><p>beneficio da gratuidade de Justiça</p><p>Proc. 201400274189</p><p>Para comprar carro de mais de R$ 22.000,00 o autor teve dinheiro, cujo gasto</p><p>não comprometeu o seu sustento próprio e familiar.</p><p>Mas, para fazer frente a uma merrequinha de custas processuais, aí sim, é carente.</p><p>Faça o preparo devido, prazo de 10 dias.</p><p>Intimi-se.</p><p>Gna, 31/01/14</p><p>14.0 – Defesa do Perito - Impugnações</p><p>de Laudos</p><p>O Perito é aquele profissional que realiza os exames necessários, nos vários</p><p>ramos do conhecimento, cujo objetivo é atingir a chamada verdade real ou a</p><p>materialidade do fato ou do delito.</p><p>Sempre que o esclarecimento de um fato depender de conhecimento técni-</p><p>co e científico, o juiz deverá valer-se de um especialista, ou seja, de um perito</p><p>para atuar no processo, para produzir as provas técnicas, ou seja, a prova pe-</p><p>ricial.</p><p>86</p><p>De maneira que a função pericial é aquela pela qual um expert em certas</p><p>matérias ou assuntos examina as coisas, os fatos e, respeitando sua auten-</p><p>ticidade, opina sobre as causas e efeitos da matéria examinada. De onde se</p><p>conclui que a principal função do perito é auxiliar o juiz no esclarecimento</p><p>dos fatos no processo, visando sempre a solução justa do conflito entre as</p><p>partes.</p><p>Quando ocorre as primeiras perícias e o perito se vê diante de duras críticas</p><p>ao seu laudo pericial, o mesmo é tomado por alguns sentimentos desagradá-</p><p>veis, como insegurança e inconformismo, pois tem a convicção de ter elabo-</p><p>rado um trabalho irrepreensível.</p><p>Entretanto, há de se destacar, que, na maioria das vezes, é um fato bem natu-</p><p>ral, até porque o advogado deve esgotar todos meios de defesa em favor de</p><p>seu cliente e a impugnação do laudo do perito, pode ser uma delas.</p><p>É obrigação do perito, quando confrontado, justificar de forma clara e trans-</p><p>parente todos os critérios existentes em seu laudo, que o levaram às conclu-</p><p>sões técnicas/científicas, apontadas em seu laudo e, porventura, impugna-</p><p>dos.</p><p>Tal postura do perito é importante, pois sua função é levar ao Juiz informa-</p><p>ções que o auxiliem no seu convencimento e julgamento para aquele pro-</p><p>cesso, de acordo com o próprio laudo, para que tenha seu deslinde. O perito</p><p>judicial é ser humano, sujeito a falhas, assim como demais profissionais.</p><p>Por outro lado, a possibilidade do cometimento de um erro na argumentação/</p><p>conclusão no laudo pericial, levam as partes, a contratarem seus assistentes</p><p>técnicos, cabendo-lhes atuarem no sentido de dar segurança e eficiência à</p><p>produção da prova pericial, inclusive, fazendo a interface de comunicação</p><p>com o perito do juízo, já que, como é sabido, tem em princípio, resistência em</p><p>manter contato diretamente com as partes ou seus procuradores, os quais</p><p>são parciais em relação às suas pretensões.</p><p>O que se observa é que, mesmo que o advogado goste do trabalho do perito,</p><p>achando-o um excelente profissional, mesmo assim, se o laudo for contrário</p><p>à sua parte/cliente, o advogado vai tentar desqualificá-lo. Esse é um dever de</p><p>seu ofício.</p><p>A tentativa de desqualificação do laudo do perito pelo advogado é deno-</p><p>minada impugnação. Então, toda a crítica que o laudo sofre é através desta</p><p>peça impugnatória. A crítica pode ser sobre algum trecho do laudo ou em</p><p>seu todo.</p><p>87</p><p>O Assistente Técnico & Perito</p><p>Por conta da possibilidade de um erro na argumentação/conclusão do laudo</p><p>pericial as partes, costumam contratar seus assistentes técnicos, cabendo-</p><p>-lhe atuar no sentido de dar segurança e eficiência à produção da prova peri-</p><p>cial, cabendo-lhe, inclusive, fazer a interface de comunicação com o perito do</p><p>juízo, já que, como é sabido, tem em princípio resistência em manter contato</p><p>diretamente com as partes ou seus procuradores, os quais são parciais em</p><p>relação às suas pretensões.</p><p>O Assistente técnico é indicado pelas partes, então, nada mais correto a afir-</p><p>mação de que ele tem interesse que a parte que o contratou tenha sucesso.</p><p>Diga-se bem claro, o perito assistente deve defender o interesse da parte que</p><p>o contratou para o deslinde do processo da forma mais favorável possível,</p><p>dentro dos limites da legalidade e da razoabilidade.</p><p>A sua função é acompanhar o desenrolar da prova pericial, apresentar suges-</p><p>tões, criticar o laudo do perito nomeado e apresentar as hipóteses possíveis,</p><p>desde que técnica e juridicamente sustentáveis.</p><p>Havendo quesitos fora da área de especialização, o perito assistente deve es-</p><p>quivar-se de dar parecer técnico, emitindo apenas, caso se considere conhe-</p><p>cedor do assunto, parecer de cunho pessoal, deixando claro que a questão</p><p>deverá ser definitivamente avaliada e decidida pelo juiz da causa.</p><p>É facultativo a juntada de parecer técnico, mas se o mesmo for apresentado,</p><p>na sua maioria, consta críticas ao laudo oficial. Não cabe, pois, que o juiz da</p><p>causa manifeste censura à crítica proferida pelo assistente técnico, pois o seu</p><p>papel é exatamente de criticar o trabalho do perito nomeado, e não a pessoa</p><p>do perito, através de parecer técnico e não exatamente de elaborar um laudo</p><p>completo.</p><p>Qualquer argumentação no sentido de inquinar de vício o trabalho do assis-</p><p>tente técnico cai por terra, pois assim como a parte que o contratou exerceu</p><p>o direito de estabelecer o contraditório técnico, também a parte contrária</p><p>pode exercer este direito, cabendo, a final, ao juízo, analisando o laudo do</p><p>perito por ele nomeado e os pareceres dos assistentes técnicos das partes, e</p><p>então, formar seu entendimento sobre a matéria de fato.</p><p>Ressalte-se que o Juízo tem ampla liberdade de formar seu convencimento,</p><p>não se vinculando nem mesmo à prova pericial produzida pelo Perito Oficial</p><p>(Art 479 do CPC).</p><p>Veja despacho do Juizo, manifestando sobre impugnação nos autos de pro-</p><p>cesso.</p><p>88</p><p>Estado do Rio de Janeiro Poder Judiciário</p><p>Tribunal de Justiça</p><p>Regional da Barra da Tijuca</p><p>Cartório da 1ª Vara Cível</p><p>Av. Luiz Carlos Prestes, s/nº , 2º andar - CEP: 22775-055 - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ -</p><p>Tel: (21) 3385-8779 - Email: btj01vciv@tjrj.jus.br</p><p>Processo: 0023641-40.2018.8.19.0209 Fls.</p><p>Processo Eletrônico</p><p>Classe/ Assunto: Prestação de Contas - Exigidas - Gestão de Negócios</p><p>Autor: CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA</p><p>Réu: LUIZ GUSTAVO PEREIRA DA COSTA</p><p>____________________________________________________________________</p><p>Nesta data, faço os autos conclusos ao MM. Dr. Juiz</p><p>Mario Cunha Olinto Filho</p><p>Em 14/05/2019</p><p>Despacho</p><p>Em cumprimento ao v. acórdão, ao réu para prestar as contas reclamadas na inicial, no prazo de 15 (quinze) dias, sob</p><p>pena de não o fazendo não lhe ser lícito impugnar as que a Autora apresentar (CPC/2015, artigo 550, § 5º).</p><p>Rio de Janeiro, 17/05/2019</p><p>Mario Cunha Olinto Filho - Juiz Tabelar</p><p>_______________________________________________________________________</p><p>Autos recebidos do MM. Dr. Juiz</p><p>Mario Cunha Olinto Filho</p><p>Em ___/___/____</p><p>As partes poderão manifestar-se sobre o laudo do perito judicial, no prazo</p><p>comum de 15 (quinze) dias, ao passo que o assistente técnico de cada uma</p><p>das partes também pode apresentar seu respectivo parecer, em igual prazo.</p><p>Apesar de os efeitos práticos dessa possibilidade serem controversos, a van-</p><p>tagem é que toda e qualquer manifestação deve obedecer ao prazo comum</p><p>de 15 dias, não havendo brecha para gerar atrasos. De mais a mais, a intenção</p><p>do legislador foi tornar o procedimento mais dialético e democrático, o que</p><p>é louvável.</p><p>Para finalizar essa etapa de diálogo do procedimento de elaboração do laudo</p><p>89</p><p>pericial, o § 2º do mesmo artigo diz que o perito do juízo tem o dever de, no</p><p>prazo de 15 (quinze) dias, esclarecer ponto sobre o qual exista divergência ou</p><p>dúvida de qualquer das partes, do juiz ou do órgão do Ministério Público, ou</p><p>ainda quando tenha havido divergência no parecer do assistente técnico da</p><p>parte.</p><p>Ambas as partes podem contratar seus assistentes técnicos, e assim, cada</p><p>um apresentar seu parecer técnico, de forma separada e autônoma, bem</p><p>como auxiliar seus contratantes a elaborar os quesitos a serem respondidos</p><p>pelo perito nomeado. Vide abaixo:</p><p>O perito deverá dar ciência aos assistentes técnicos, com a publicidade das</p><p>diligências. De fato, em termos práticos, não existia um procedimento pa-</p><p>drão e transparente entre os peritos. Cada perito agia de um modo: alguns</p><p>protocolavam a data em juízo, solicitando ciência as partes por publicação</p><p>oficial, outros utilizavam e-mails diretamente às partes indicando o início dos</p><p>trabalhos.</p><p>Hoje em dia, o perito deve assegurar aos assistentes das partes o acesso e o</p><p>acompanhamento das diligências e dos exames que realizar, com prévia co-</p><p>municação, comprovada nos autos, com antecedência mínima de 05 (cinco)</p><p>dias (art. 466 § 2º).</p><p>Prezando pela transparência e oportunidade de contraditório das partes, o</p><p>CPC também diz que a perícia deverá ser realizada em data e local previa-</p><p>mente anunciados, para que, mediante o acompanhamento pelos assisten-</p><p>tes técnicos, tanto esses últimos quanto o perito entreguem os seus parece-</p><p>res e laudo tempestivamente (art. 474). – dentro do prazo estabelecido.</p><p>90</p><p>Nessa etapa de diálogo do procedimento de elaboração do laudo pericial, o</p><p>CPC estabelece que o perito do juízo tem o dever de, no prazo de 15 (quinze)</p><p>dias, escla- recer ponto sobre o qual exista divergência ou dúvida de qualquer</p><p>das partes, do juiz ou do órgão do Ministério Público, ou ainda quando tenha</p><p>havido divergência no parecer do assistente técnico da parte.</p><p>Através desse instituto, o CPC promove a aplicação do art. 190 ao admitir</p><p>na lide dos atos processuais a ampla participação das partes, atuando como</p><p>condutores do andamento do processo.</p><p>Aliás, cabe mencionar que permanece válida a regra que prevê a possibilida-</p><p>de do juiz dispensar a prova pericial para formar convicção sobre questões</p><p>de fato, nos casos que o juiz considere suficientes os pareceres técnicos ou</p><p>documentos elucidativos que as próprias partes tenham apresentado (art.</p><p>472, CPC-2015).</p><p>De acordo com Vivian (2005),</p><p>O assistente técnico, indicado pelos próprios litigan-</p><p>tes, é reconhecido como</p><p>profissional habilitado, de</p><p>confiança da parte, a merecer consideração jurídi-</p><p>ca pelo trabalho realizado em prol do princípio do</p><p>devido processo legal e do contraditório, além do</p><p>laudo ser uma das garantias processuais, conforme</p><p>já referido. (VIVIAN, 2005, 2)</p><p>Melo (2003) elucida que,</p><p>Da mesma importância do mister atribuído ao peri-</p><p>to nomeado pelo juízo, reveste-se a função do perito</p><p>assistente, o qual possibilita que se instaure o con-</p><p>traditório na matéria técnica, para que não reine</p><p>absoluto o entendimento do perito nomeado pelo</p><p>Juízo, que deve ter a mesma postura de imparciali-</p><p>dade do Juiz que o nomeou.</p><p>Como menciona o autor, “o laudo do perito por ele nomeado e os pareceres</p><p>dos assistentes técnicos das partes, formam seu entendimento sobre a ma-</p><p>téria de fato.”.</p><p>- O perito do juízo e o perito assistente (ou assistente técnico)</p><p>91</p><p>A participação do perito judicial como auxiliar da justiça (art. 139 do CPC –</p><p>Código de Processo Civil) é de grande importância na prestação jurisdicional</p><p>quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico (art.</p><p>145 do CPC). Da mesma importância do mister atribuído ao perito nomeado</p><p>pelo juízo, reveste-se a função do perito assistente, o qual possibilita que se</p><p>ins- taure o contraditório na matéria técnica, para que não reine absoluto o</p><p>entendimento do perito nomeado pelo Juízo, que deve ter a mesma postura</p><p>de imparcialidade do Juiz que o nomeou.</p><p>Em alteração ocorrida no CPC, retirou-se do texto a possibilidade de se ques-</p><p>tionar a suspeição do perito assistente técnico. Nada mais correto, pois se ele</p><p>é indicado pela parte, é óbvio que tem interesse que a parte que o contratou</p><p>tenha sucesso.</p><p>Diga-se bem, claro, o perito assistente deve defender o interesse da parte</p><p>que o contratou para o deslinde do processo da forma mais favorável possí-</p><p>vel, dentro dos limites da legalidade e da razoabilidade. A sua função é acom-</p><p>panhar o desenrolar da prova pericial, apresentar sugestões, criticar o laudo</p><p>do perito nomeado e apresentar as hipóteses possíveis, desde que técnica e</p><p>juridicamente sustentáveis.</p><p>Havendo quesitos fora da área de especialização, o perito assistente deve es-</p><p>quivar-se de dar parecer técnico, emitindo apenas, caso se considere conhe-</p><p>cedor do assunto, parecer de cunho pessoal, deixando claro que a questão</p><p>deverá ser definitivamente avaliada e decidida pelo juiz da causa.</p><p>Algumas vezes argumenta-se que o assistente técnico tem dez dias após o</p><p>protocolo do laudo para apresentar seu parecer, quando então faria uma aná-</p><p>lise aprofundada do trabalho pericial, tornando-se desnecessário o acompa-</p><p>nhamento da produção da prova.</p><p>Quando o processo é devolvido à secretaria do juízo fica sujeito aos trâmites</p><p>como conclusão, prazo para emissão de alvará de levantamento de honorá-</p><p>rios, vistas sucessivas para as partes ou outros procedimentos que impos-</p><p>sibilitam o acesso do assistente técnico ao inteiro teor do laudo e seus ane-</p><p>xos, assim como ao processo como um todo, única forma de desempenhar a</p><p>contento a sua tarefa.</p><p>Uma forma de contornar esta possível dificuldade é ter consigo uma cópia</p><p>completa do processo, dispensando o exame dos autos originais até a carga</p><p>pelo Perito. É importante salientar também que o prazo para a apresentação</p><p>de quesitos suplementares preclui com o protocolo do laudo, portanto se o</p><p>perito do juízo entrega o laudo sem dar acesso ao perito assistente pelo me-</p><p>nos por 48 horas (ou mais, dependendo da complexidade da prova), impede</p><p>a parte de exercer o seu direito a quesitos suplementares decorrentes do tex-</p><p>to do laudo.</p><p>92</p><p>O CPC continha previsão de que o perito teria que conferenciar com os as-</p><p>sistentes técnicos antes de entregar o laudo, previsão esta que foi retirada</p><p>do Código. Uma modificação do CPC, entretanto, pela Lei nº 10.358, de 27 de</p><p>dezembro de 2001, introduziu o art. 431-A que prevê que “As partes te- rão</p><p>ciência da data e local designados pelo juiz ou indicados pelo perito para ter</p><p>início a produção da prova”. Entendemos, diante deste novo artigo, que o pe-</p><p>rito do juízo é quem deve entrar em contato com os assistentes técnicos para</p><p>que tenham a oportunidade de participar ativamente da produção da prova,</p><p>o que não elimina a necessidade de comportamento proativo do perito assis-</p><p>tente, como veremos mais adiante.</p><p>- O parecer técnico</p><p>O principal trabalho do assistente técnico não é, como acham muitos, apenas</p><p>elaborar um laudo independente, um laudo divergente ou uma crítica ao lau-</p><p>do pericial, mas sim diligenciar durante a realização da perícia no sentido de</p><p>evidenciar junto ao perito do juízo os aspectos de interesse ao esclarecimento</p><p>da matéria fática sob uma ótica geral e mais especificamente sob a ótica da</p><p>parte que o contratou.</p><p>Somente após esgotadas todas as possibilidades junto ao perito do juízo é</p><p>que caberá ao perito assistente elaborar o seu parecer técnico.</p><p>Qualquer argumentação no sentido de inquinar de vício o trabalho do assis-</p><p>tente técnico cai por terra, pois assim como a parte que o contratou exerceu</p><p>o direito de estabelecer o contraditório técnico, também a parte contrária</p><p>pode exercer este direito, cabendo, a final, ao juízo, analisando o laudo do</p><p>perito por ele nomeado e os pareceres dos assistentes técnicos das partes,</p><p>formar seu entendimento sobre a matéria de fato. Ressalte-se que o Juízo</p><p>tem ampla liberdade de formar seu convencimento, não se vinculando nem</p><p>mesmo à prova pericial produzida pelo Perito Oficial (Art. 436 do CPC).</p><p>Há circunstâncias, entretanto, em que o assis- tente técnico antecipa o seu</p><p>trabalho e faz o protocolo de seu parecer antes do laudo do perito nomeado</p><p>pelo juiz ou então antes do prazo de 10 dias após intimadas as partes da apre-</p><p>sentação do laudo, conforme previsto no parágrafo único do art. 433 do CPC.</p><p>O procedimento é, no mínimo, antiético, vai na contramão do procedimento</p><p>usual dos peritos do juízo não darem acesso à minuta do laudo pelos assis-</p><p>tentes técnicos. Não é correta tal antecipação, s. M. J., a despeito de não gerar</p><p>qualquer consequência processual.</p><p>Ao elaborar seu parecer técnico ao laudo, deve o assistente técnico abster-se</p><p>de fazer referências adjetivas ao procedimento do perito do juízo, visto que</p><p>lhe compete fazer críticas ao laudo resultante da prova pericial e não à pes-</p><p>soa do perito nomeado.</p><p>93</p><p>Ao advogado da parte é que caberá, se for o caso, tecer considerações sobre</p><p>a conduta técnica e ética do expert do juízo, restringindo-se o perito assisten-</p><p>te à crítica técnica do documento gerado ao final da perícia.</p><p>Exceção se faz à hipótese de o expert nomeado não permitir o acesso do pe-</p><p>rito assistente às diligências, aos documentos ou à minuta do laudo ou se não</p><p>lhe conceder prazo suficiente para fazê-lo.</p><p>Ao perito assistente cabe diligenciar criteriosamente no sentido de verificar</p><p>as diferentes hipóteses de abordagem da matéria técnica objeto da prova</p><p>pericial, tentando fazer com que o perito nomeado pelo juízo perceba as di-</p><p>ferentes interpretações da matéria fática sob estudo, para que não seja o seu</p><p>cliente prejudicado com visões unilaterais, distorcidas da realidade ou que</p><p>não sejam suficientemente abrangentes para dar ao juiz da causa subsídios</p><p>amplos para o esclarecimento da matéria fática sob exame.</p><p>Não há que se falar em imparcialidade absoluta do perito assistente, diferen-</p><p>temente do perito nomeado pelo juízo, pois a sua contratação pela parte ob-</p><p>jetiva precipuamente que acompanhe o trabalho técnico a ser desenvolvido</p><p>pelo perito com os olhos voltados para as alternativas que melhor esclareçam</p><p>a matéria de fato sob o ponto de vista da parte que o contratou, dando assim</p><p>ao Juízo condições de tranquilamente decidir a questão sub judice.</p><p>Antes mesmo do início dos trabalhos e também durante a produção da pro-</p><p>va pericial, deve o perito assistente técnico avaliar cuidadosamente a even-</p><p>tual necessidade de apresentação de quesitos suplementares para melhor</p><p>esclarecer a matéria, os quais somente poderão ser apresentados antes de</p><p>protocolado</p><p>o laudo em juízo.</p><p>Após a entrega do laudo somente cabem esclarecimentos, nos termos do</p><p>art. 435 do CPC. Como o perito nomeado pelo juiz deve ater-se aos quesitos</p><p>formulados e não emitir juízo de valor sobre a questão examinada, cabe ao</p><p>perito assistente técnico sugerir eventuais quesitos suplementares durante</p><p>a perícia e em seu parecer aprofundar o estudo técnico da prova, extraindo</p><p>conclusões sobre a prova produzida de modo a municiar o procurador da</p><p>parte de elementos para o pedido de esclarecimentos.</p><p>Na formulação de quesitos é fundamental a participação do assistente téc-</p><p>nico, profissional que deve ter o preparo necessário para assessorar o advo-</p><p>gado de forma que os quesitos sejam formulados objetivamente, focados na</p><p>matéria técnica e com a delimitação clara dos parâmetros a serem seguidos</p><p>na perícia. É público e notório que os advogados não dominam a área técnica</p><p>fora de sua área de formação, carecendo, portanto, de assessoria do perito</p><p>assistente na formulação dos quesitos, evitando-se a formulação de quesitos</p><p>incorretos, desnecessários, prejudiciais, impertinentes ou de mérito.</p><p>Ninguém melhor que o assistente técnico, com formação específica na área</p><p>94</p><p>técnica e com bons conhecimentos de Direito, para saber quais os elementos</p><p>de prova serão necessários para o esclarecimento do juízo. A partir dos quesi-</p><p>tos elaborados pelo assistente técnico, terá o procurador da parte a oportuni-</p><p>dade de adequá-los ao contorno jurídico apropriado à instrução do processo.</p><p>A atuação do perito assistente técnico se reveste de importância muito maior</p><p>que se presume e que as possibilidades de sua intervenção nos processos,</p><p>sejam judiciais ou extrajudiciais, se ampliam num grande leque muitas vezes</p><p>não percebido pelos operadores de Direito. A observância dos vários aspec-</p><p>tos citados abre várias possibilidades para uma prestação jurisdicional mais</p><p>justa e efetiva.</p><p>15.0 – Nomeação</p><p>Nos termos do §1º art. 156, o CPC define que “os peritos serão nomeados en-</p><p>tre os profissionais legalmente habilitados e os órgãos técnicos ou científicos</p><p>devidamente inscritos em cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz está</p><p>vinculado”.</p><p>Sobre esse termo, em consonância com os princípios da publicidade e da</p><p>impessoalidade, o CPC exige a inscrição em cadastro mantido pelo tribunal.</p><p>Nos termos do § 2º do citado art. 156, é determinado que a formação de tal</p><p>cadastro deverá ser precedida de consulta pública, por meio de divulgação</p><p>na internet ou em jornais de grande circulação, além de consulta direta a uni-</p><p>versidades e conselhos de classe.</p><p>Além disso, com fins de manutenção do cadastro, os tribunais realizarão ava-</p><p>liações e reavaliações periódicas (art. 156, §3º).</p><p>Os documentos exigidos para a habilitação devem estar disponíveis para a</p><p>consulta dos interessados, objetivando que as nomeações sejam distribuídas</p><p>de modo equitativo, observadas a capacidade técnica e a área do conheci-</p><p>mento do perito (art. 157, §2º).</p><p>O CPC vai além e prevê, que,[…] na localidade onde não houver perito inscrito</p><p>95</p><p>no cadastro disponibilizado pelo tribunal, a nomeação, é de livre escolha pelo</p><p>juiz, e deverá recair sobre profissional ou órgão técnico ou científico com-</p><p>provadamente detentor do conhecimento necessário à realização da perícia</p><p>(CPC-2015, art. 156, § 5º).</p><p>Para Didier, vale salientar que mesmo o juiz dispondo de conhecimentos téc-</p><p>nicos (por exemplo: além de bacharel em direito, o magistrado é engenheiro</p><p>civil) não pode ele utilizar-se de seus conhecimentos para a formação do seu</p><p>próprio convencimento.</p><p>Algumas das razões desse impedimento está no fato de que o juiz acumu-</p><p>laria a função de perito, impedindo a adoção de procedimento probatório e</p><p>privando às partes a oportunidade de participar dele.</p><p>O novo regramento trouxe que, ciente da nomeação, o perito apresentará em</p><p>05 (cinco) dias: proposta de honorários, currículo, com comprovação de es-</p><p>pecialização, contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para</p><p>onde serão dirigidas as intimações pessoais (art. 465, §2º).</p><p>O CPC Concede, no §3º, 05 (cinco) dias para, querendo, as partes se manifes-</p><p>tarem sobre a proposta de honorários.</p><p>E ainda a regra de que, ciente da nomeação, o perito apresentará em 05 (cin-</p><p>co) dias: proposta de honorários, currículo, com comprovação de especiali-</p><p>zação, contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde</p><p>serão dirigidas as intimações pessoais (art. 465, §2º)</p><p>- Dicas sobre a dinâmica da pós nomeação:</p><p>1) Perito recebeu a intimação de nomeação;</p><p>2) Resposta em 5 dias (úteis) para formalizar o aceite:</p><p>2.1 – se o processo é físico, poderá responder através do email de intimação e</p><p>96</p><p>ratificar o aceite, através de juntada de petição nos autos;</p><p>2.2 – se o processo for eletrônico, responder através de petição eletrônica jun-</p><p>tada no processo.</p><p>3) Aguardar o prazo para as partes apresentarem seus quesitos e indicarem</p><p>assistentes técnicos (o prazo só inicia a partir da publicação da intimação do</p><p>Juiz (às partes);</p><p>4) Após o término do prazo das partes para atender o acima descrito, o perito</p><p>terá 5 dias para apresentar sua proposta de honorários, currículo e todo mais</p><p>previsto no CPC;</p><p>5) Aguardar a manifestação das partes sobre sua proposta de honorários;</p><p>6) Aguardar a intimação do Juiz para se manifestar sobre a manifestação das</p><p>partes sobre a proposta de honorários apresentada;</p><p>7) Com a aprovação/HOMOLOGAÇÃO da proposta de honorários, inicia o pra-</p><p>zo para agendar a diligência pericial e apresentação do laudo;</p><p>7.1 – Se houver agravo de instrumento em relação a homologação da pro-</p><p>posta de honorários, o perito deverá aguardar o julgamento do agravo, pelo</p><p>Tribunal de 2ª. Instância.</p><p>Veja o despacho, utilizado pela maioria dos Juízes, no momento de nomear</p><p>seus peritos:</p><p>97</p><p>Intime-se o perito via telefone ou por outro meio mais célere para tomar ciência da no-</p><p>meação e, no prazo de 5 (cinco) dias apresentar:</p><p>I – proposta de honorários;</p><p>II – currículo, com comprovação de especialização;</p><p>III – contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde serão dirigi- das</p><p>as intimações pessoais.</p><p>2. Caso aceite a nomeação, intime-se ambas as partes para, em 15 (quinze) dias, conta-</p><p>dos da publicação desta decisão:</p><p>I – arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso;</p><p>II – indicar assistente técnico;</p><p>III – apresentar quesitos.</p><p>3. Apresentada proposta de honorários, intimem-se as partes acerca de seu teor, no prazo</p><p>de 5 (cinco) dias. Havendo concordância com o valor dos honorários, intime-se as requeri-</p><p>das para efetuar o pagamento dos honorários do perito, no prazo de 05 dias, consideran-</p><p>do a inversão do ônus da prova, art. 429, II do CPC.</p><p>4. Não concordando com o valor dos honorários periciais, conclusos para o arbitramen- to</p><p>dos honorários;</p><p>5. Arbitrados, intime-se a requerida para realizar o depósito dos honorários;</p><p>6. Pagos os honorários periciais, deverá o perito agendar data para realização de pe- rícia,</p><p>cientificando-o que deverá informar ao Juízo a data de início dos trabalhos com antece-</p><p>dência mínima de 20 (vinte) dias, a fim de viabilizar a intimação das partes;</p><p>7. Agendada a data da perícia, intimem-se ambas as partes;</p><p>8. Com a juntada do laudo, intimem-se as partes para que se manifestem sobre o laudo</p><p>no prazo sucessivo de 15 (quinze) dias, facultando-se aos eventuais assistentes técnicos</p><p>nomeados apresentar parecer no mesmo prazo.</p><p>O laudo deverá ser entregue em até 30 dias, contados do início dos trabalhos.</p><p>O Perito deverá prestar os esclarecimentos que julgar oportuno, mesmo que não tenha</p><p>sido objeto de quesitação.</p><p>98</p><p>16.0 – Processo Eletrônico</p><p>Importante que o perito domine o peticionamento eletrônico, pois, caso seja</p><p>nomeado para processos eletrônicos, essa será a forma de sua atuação pe-</p><p>rante os autos do processo.</p><p>Os Tribunais costumam empreender na periódica atualização de seu sistema</p><p>de peticionamento eletrônico, sendo assim, os peritos devem consultar os</p><p>sites dos Tribunais para se atualizarem</p><p>sobre possíveis mudanças e aperfei-</p><p>çoamentos.</p><p>No site de cada Tribunal (Federal, Estadual ou Federal) encontra-se o passo a</p><p>passo para a eficaz utilização da referida ferramenta.</p><p>Em 19 de março de 2017, entra em vigor a Lei 11.419/2006, Lei do processo ele-</p><p>trônico judicial, trazendo alterações que possibilitaram modificações impor-</p><p>tantes na organização da prestação de serviços jurisdicionais, pautada nela</p><p>que os tribunais passaram a desenvolver seus sistemas.</p><p>Com a criação dessa lei, espera-se que o tempo do processo diminua consi-</p><p>deravelmente, pois a produção dos atos é de forma imediata e as partes do</p><p>processo tem ciência de todo o conteúdo processual a qualquer momento e</p><p>local, não precisando dirigir-se até a comarca.</p><p>O sistema funciona basicamente da seguinte forma, as peças processuais e</p><p>documentos são transmitidos através da internet, pelo sistema de cada Ór-</p><p>gão, o usuário (advogado, magistrado, servidor) precisa possuir uma assina-</p><p>tura eletrônica, nada mais é que uma identificação da pessoa que está pe-</p><p>ticionando, essa assinatura eletrônica deve ser credenciada pela Autoridade</p><p>Certificadora credenciada na forma da lei e todos os atos processuais prati-</p><p>cados por meio eletrônico será gerado pelo sistema um comprovante de re-</p><p>cebimento contendo dia e hora do envio da petição e documentos juntados.</p><p>Com a implementação do processo eletrônico na maioria dos tribunais, fica</p><p>indispensável o conhecimento básico de informática aos profissionais da</p><p>área, esses deverão compreender essa nova linguagem, já que é um instru-</p><p>mento extremamente vantajoso sob todos os aspectos e vem se incorporan-</p><p>do naturalmente à vida cotidiana.</p><p>Cumpre ainda esclarecer que não houve alteração na contagem dos prazos</p><p>processuais com a implantação do processo judicial eletrônico, que continu-</p><p>am a serem contados da forma tradicional, conforme previsto no art. 224 do</p><p>CPC, excluindo o primeiro dia e incluindo o último, começando a correr no</p><p>primeiro dia útil subsequente ao da publicação no Diário da Justiça Eletrôni-</p><p>co.</p><p>99</p><p>Derrogando somente o art. 212 do CPC, que dispõe “Os atos processuais se-</p><p>rão realizados em dias úteis, das 6 (seis) às 20 (vinte) horas”, pois no processo</p><p>eletrônico o último dia do prazo é considerado válido e tempestivo o ato pra-</p><p>ticado até as 24 horas, o que significa até às 23h59m59s, antes, portanto, da</p><p>zero hora do dia imediato.</p><p>Além das novidades trazidas pela lei 11.419/2006, devemos também mencio-</p><p>nar algumas novidades trazida pelo Código de Processo Civil de 2015, se- não</p><p>vejamos:</p><p>• Já que o acesso ao processo pelas partes é simultâneo no processo</p><p>eletrônico, não se aplica mais o prazo em dobro para os litisconsortes que</p><p>tiverem procuradores distintos;</p><p>• Nos arts. 236, §3; 453,§1 e 461§2 podemos verificar a possibilidade de rea-</p><p>lização de audiências através de videoconferência ou outro meio tecnoló-</p><p>gico de transmissão ao vivo, quando a residência for distinta do da parte e/</p><p>ou testemunha do local que tramita o processo;</p><p>• Um dos requisitos acrescentado com o NCPC a petição inicial, é a indi-</p><p>cação ao endereço eletrônico do autor e réu e de seus procuradores (art.</p><p>319, II);</p><p>• Nos arts. 246, V. 477, §4º, 513, §11º, III e 1.019,</p><p>• III podemos verificar que as citações e intimações serão realizadas por</p><p>meio eletrônico;</p><p>• No art. 246, §§1º e 2º, podemos verificar uma das maiores inovações tra-</p><p>zidas pelo NCPC, que prevê que empresas públicas e privadas estão obri-</p><p>gadas a fazerem seu cadastro no Sistema PJE para que possam receber as</p><p>citações e intimações com mais rigidez, ao contrario das Microempresas e</p><p>empresas de pequeno porte que não estão obrigadas ao cadastro, sendo</p><p>facultativo para essas.</p><p>Com essas inovações e implementação do processo eletrônico no judiciá-</p><p>rio brasileiro, podemos perceber que os Tribunais e o Conselho Nacional da</p><p>justiça – CNJ, através do processo eletrônico vem apostando para o descon-</p><p>gestionamento do judiciário, já que esse tipo de processo tem facilitado a</p><p>celeridade e publicidade dos processos. Analisando o processo físico (papel)</p><p>e um processo virtual podemos verificar as inúmeras ferramentas existentes</p><p>no sistema eletrônico que facilitam as atividades dos profissionais dessa área.</p><p>100</p><p>Com toda essa facilidade do processo digital, existem também algumas difi-</p><p>culdades enfrentadas pelos profissionais da área do direito, que pode-se di-</p><p>zer um dos pontos negativos do processo eletrônico que é a distinção dos sis-</p><p>temas utilizados na Justiça Federal, Justiça do Trabalho e na Justiça Estadual.</p><p>Essa não uniformização das plataformas do processo eletrônica traz muitos</p><p>problemas, tanto para as partes quando para os usuários dos sistemas, um</p><p>exemplo clássico que devemos abordar é a versão do plugin JAVA utilizado</p><p>na Justiça Estatual (TJSP) (e-SAJ) e na Justiça do Trabalho (TRT15) (PJ-e), no</p><p>primeiro sistema aceita utilizar a versão mais atualizada do plugin, já no se-</p><p>gundo sistema a versão que deve ser utilizada para o seu funcionamento é</p><p>7 ou superior, mas não ultrapassando a versão 8u73, com isso o usuário se</p><p>vê impossibilitado de atualizar o plugin, já que um dos sistemas não aceita a</p><p>versão mais recente.</p><p>Há também preocupação com a segurança no Processo Eletrônico. É es-</p><p>sencial nas diferentes plataformas do processo eletrônico existentes no país,</p><p>faz-se necessário investimento em segurança, certificação digital, cadastro</p><p>de usuários e senhas, entre outros obstáculos para uma suposta fraude.</p><p>Outra grande preocupação, não menos importante, que podemos nos depa-</p><p>rar quanto ao Processo eletrônico é a deficiência na infraestrutura, dificulda-</p><p>des de conexão e quedas de fornecimento de energia, tais obstáculos acarre-</p><p>tam prejuízos ao peticionamento eletrônico. Os Tribunais devem investir em</p><p>departamentos de tecnologias eficientes, com provedores e servidores mais</p><p>qualificados para solucionar os problemas que surgem.</p><p>Com o surgimento do processo eletrônico, o certificado digital surgiu como</p><p>uma forma pratica para a identificação da empresa, pessoa ou site que repre-</p><p>senta, nada mais é que um documento eletrônico que serve para o usuário se</p><p>comunicar e efetuar transações via internet, sendo essa mais uma forma que</p><p>tentar evitar fraudes e aumentar a segurança.</p><p>Infelizmente esse novo sistema esta longe de ser a superação de todos os</p><p>males do Poder Judiciário, precisamos também atentar ao fato de que o</p><p>acesso a Justiça não pode ser prejudicado com a presença do Processo ele-</p><p>trônico, e essa ferramenta deverá ser utilizada para facilitar e garantir o amplo</p><p>acesso a Justiça (art. 5°, XXXV da CF) e a razoável duração do processo (art. 5</p><p>LIV e LXXVIII da CF).</p><p>Princípios Constitucionais</p><p>O Princípio da celeridade podemos dizer que é o protagonista das mais re-</p><p>centes alterações legislativas ocorridas, tendo sido elevada a categorias dos</p><p>direitos e garantias fundamentais presentes na Constituição Federal.</p><p>Com o advento da Emenda constitucional nº 45/2014 que adicionou no art. 5°,</p><p>101</p><p>LXXVII da constituição Federal de 1988, que expressamente assegura a dura-</p><p>ção razoável do processo como ga- rantia constitucional fundamental, assim</p><p>como o art. 5 LIV também da Constituição Federal de 1988, desta forma per-</p><p>cebemos a busca do legislador em encontrar uma solução para o problema</p><p>de lentidão da justiça.</p><p>É notório que a sociedade cobra respostas rápidas do judiciário, desta ma-</p><p>neira o processo judicial eletrônico acolhe esta espera por possibilitar efetivo</p><p>acesso ao processo e ser mais celere.</p><p>Cabe também demonstrar o princípio encontrado no art. 5°, XXXV da Cons-</p><p>tituição Federal de 1988, o princípio do acesso a justiça, aduz que a lei não</p><p>excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.</p><p>Com o passar dos anos, conseguimos verificar que através do processo ele-</p><p>trônico, o acesso a justiça tem sido cada vez mais efetivo, pois tem atingindo</p><p>seu objetivo principal, não somente a celeridade processual, mas em tempo</p><p>hábil ao cidadão, o seu direito violado.</p><p>Conclusão</p><p>Esse</p><p>artigo teve como intenção trazer uma breve explicação aos avanços tra-</p><p>zidos pela Lei 11.419/2006 e o Código de Processo Civil de 2015, para uma pres-</p><p>tação jurisdicional mais célere e eficaz, como uma ferramenta eficiente para</p><p>o descongestionamento do judiciário.</p><p>Percebemos ainda, que o processo eletrônico contribui para a evolução pro-</p><p>cessual, diminuído os gastos, substituindo o registro dos atos dos proces-</p><p>sos realizados por papel, por armazenamento e manipulação dos autos nos</p><p>meios digitais, evitando o desnecessário deslocamento até os órgãos para</p><p>carga de processos e/ou protocolos, possibilidade de enviar petições até às 24</p><p>horas do último dia dos prazos, agilidade de segurança das transações feitas</p><p>via internet, eliminação da burocracia, enfim trazendo muitas comodidades</p><p>aos seus usuários.</p><p>É preciso também, verificar a necessidade de unificação dos sistemas para</p><p>implementar a instrumentalidade que tanto se esperar do processo eletrôni-</p><p>co judicial.</p><p>Podemos também perceber que com o uso de meios eletrônicos nos proces-</p><p>sos judiciais, trouxeram a necessidade de uma estabilização do sistema e de</p><p>cursos que possam aperfeiçoar o uso dos diferentes sistemas de cada tribu-</p><p>nal, já que se tem uma necessidade de adaptação dos operadores do direito.</p><p>E por fim, a tendência do advento da lei 11.419/2006 é a considerável diminui-</p><p>ção do tempo que o processo leva, já que a produção de atos no processo</p><p>eletrônico se dá de forma imediata.</p><p>102</p><p>Na prática a funcionabilidade operacional do processo eletrônico, tem apre-</p><p>sentado, por algumas vezes instabilidades que deixam os operadores do di-</p><p>reito irritados e frustrados, quando tais situações ocorrem.</p><p>Veja a manifestação do Juiz, em uma situação de instabilidade do sistema,</p><p>quando necessitava agilizar seu trabalho:</p><p>Sentença: julgou procedente o pedido autoral e parcialmente o pedido</p><p>reconvencional.</p><p>Acórdão: não conheceu da apelação interposta pela recorrente, nos termos</p><p>da seguinte ementa:</p><p>APELAÇÃO CÍVEL. OBRIGAÇÃO DE FAZER. REPARAÇÃO DE DANOS.</p><p>PROPRIEDADE INDUSTRIAL. SKATE. PROCEDÊNCIA PARCIAL DO PEDIDO E DA</p><p>RECONVENÇÃO. SUSPENSÃO DOS PRAZOS DOS PROCESSOS ELETRÔNICOS POR</p><p>INDISPONIBILIDADE DO SISTEMA. ATO EXECUTIVO TJ 120/2020. JURISPRUDÊNCIA</p><p>PACÍFICA DO STJ E DESTA CORTE ESTADUAL NO SENTIDO DE QUE A</p><p>INDISPONIBILIDADE DE COMUNICAÇÃO ELETRÔNICA QUE ACARRETA A SUSPENSÃO</p><p>DOS PRAZOS PROCESSUAIS SOMENTE TEM RELEVÂNCIA SE HOUVER COINCIDÊNCIA</p><p>COM O DIA DO COMEÇO OU DO VENCIMENTO, POIS QUANDO SE INICIAM E OU SE</p><p>VENCEM NO DIA DA INDISPONIBILIDADE SÃO PRORROGADOS PARA O PRIMEIRO DIA</p><p>ÚTIL SUBSEQUENTE. INTERRUPÇÃO NO SISTEMA OCORRIDA NO MEIO DO PRAZO DE</p><p>APELO QUE NÃO ENSEJA A SUA PRORROGAÇÃO. RECURSO INTERPOSTO APÓS O</p><p>DECURSO DO PRAZO DE 15 DIAS ÚTEIS CONTADOS DA INTIMAÇÃO DA SENTENÇA.</p><p>INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. O</p><p>Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que havendo</p><p>indisponibilidade da comunicação eletrônica que importe em suspensão dos prazos</p><p>processuais dos processos eletrônicos, por ato executivo do Tribunal competente,</p><p>apenas tem relevância para a contagem se houver coincidência com o dia do</p><p>começo ou do vencimento do prazo. Hipótese na qual, a suspensão dos prazos</p><p>processuais dos processos eletrônicos nos dias 14 e 15 de setembro de 2020 pelo</p><p>Ato Executivo TJ 120/2020, que se deu no curso do prazo que já havia se iniciado,</p><p>não é apta a ensejar a ampliação de prazo processual estabelecido na Lei Processual.</p><p>Suspensão que acarreta a prorrogação daquele prazo que se iniciou ou que irá</p><p>findar no dia ou nos dias da indisponibilidade do sistema de comunicação eletrônica</p><p>(interrupção de mais de uma hora) no Tribunal que baixar o respectivo ato. Hipótese</p><p>na qual o recurso foi interposto fora do prazo legal. Intempestividade.</p><p>Inadmissibilidade manifesta do apelo por ausência de pressuposto extrínseco. Não</p><p>conhecimento do recurso. (e-STJ, fl. 1.055)</p><p>Embargos de declaração: opostos pela recorrente foram rejeitados.</p><p>Recurso especial: alega violação dos arts. 139 e 221 do CPC/15, além de</p><p>dissídio jurisprudencial. Afirma, em suma, ser tempestiva a apelação interposta na</p><p>origem, acentuando que os dias de suspensão do prazo recursal não devem ser</p><p>considerados para fins de contagem do prazo, mesmo que não ocorram no início ou no</p><p>termo final.</p><p>RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE.</p><p>Julgamento: aplicação do CPC/15.</p><p>- Da ausência de prequestionamento</p><p>O acórdão recorrido não decidiu acerca do art. 139 do CPC/15, indicado como</p><p>Edição nº 3349 - Brasília, Disponibilização: Quarta-feira, 09 de Março de 2022 Publicação: Quinta-feira, 10 de Março de 2022</p><p>Documento eletrônico VDA31671601 assinado eletronicamente nos termos do Art.1º §2º inciso III da Lei 11.419/2006</p><p>Signatário(a): FÁTIMA NANCY ANDRIGHI Assinado em: 09/03/2022 13:41:22</p><p>Publicação no DJe/STJ nº 3349 de 10/03/2022 (Aguardando confirmação da publicação). Código de Controle do Documento: ae4a81e1-d560-4658-8874-bc688cccf78c</p><p>103</p><p>17.0 – Certificado Digital para Peritos Judiciais</p><p>Com a modernização do Judiciário a forma física dos processos (em papel)</p><p>vem sendo abolida gradativamente e, assim, todas peças apresentadas nos</p><p>autos são juntadas e assinadas eletronicamente.</p><p>Diante do acima, todos os operadores do Direito (Advogados, Promotores,</p><p>Defensores Públicos, Juízes, etc) passaram a tomar providencias inerentes às</p><p>inovações advindas com os processos eletrônicos e uma delas foi a assinatu-</p><p>ra digital nos processos.</p><p>Tal inovação atingiu, também, os (as) Peritos (as) Judicias já que estes peticio-</p><p>nam nos processos, assinam seus laudos periciais, apresentam suas propos-</p><p>tas de honorários e demais documentos.</p><p>Por este motivo, trago aqui algumas informações básicas e necessárias para</p><p>você que já atua ou está iniciando sua atuação na área da PERICIA JUDICIAL.</p><p>Sobre a Assinatura Digital:</p><p>É a maneira eletrônica de se assinar documentos, baseada em sistema crip-</p><p>tográfico assimétrico, que permite ao usuário usar sua chave privada para</p><p>declarar a autoria de documento eletrônico, garantindo a integridade de seu</p><p>conteúdo.</p><p>Autoridades Certificadoras:</p><p>As Autoridades Certificadora da Receita Federal do Brasil (AC-RFB) são en-</p><p>tidades integrantes da ICP-Brasil, responsáveis pela assinatura dos certifica-</p><p>dos das Autoridades Certificadoras Habilitadas.</p><p>A Autoridade Certificadora Habilitada é a entidade integrante da ICP-Brasil</p><p>habilitada pela Coordenação Geral de Tecnologia e Segurança da Informação</p><p>– Cotec, em nome da RFB (Receita Federal do Brasil), responsável pela emis-</p><p>são e administração dos Certificados Digitais e-CPF e e-CNPJ.</p><p>A Autoridade de Registro da Receita Federal do Brasil (AR-RFB): É a entida-</p><p>de operacionalmente vinculada à AC-RFB, responsável pela confirmação da</p><p>identidade dos solicitantes de credenciamento e habilitação como Autorida-</p><p>des Certificadoras integrantes da ICP-Brasil.</p><p>As Autoridades de Registro são as entidades operacionalmente vinculadas à</p><p>determinada Autoridade Certificadora Habilitada, responsáveis pela confir-</p><p>mação da identidade dos solicitantes dos certificados e-CPF e e-CNPJ.</p><p>O Certificado Digital (CPF ou CNPJ) é o documento eletrônico de identidade</p><p>104</p><p>emitido por Autoridade Certificadora credenciada pela Autoridade Certifica-</p><p>dora Raiz da ICP-Brasil.</p><p>Não poderão ser titulares de certificados, as pessoas físicas cuja situação ca-</p><p>dastral perante o CPF esteja enquadrada na condição de cancelado e as pes-</p><p>soas jurídicas cuja situação cadastral perante o CNPJ esteja enquadrada na</p><p>condição de inapta, suspensa ou cancelada.</p><p>No que se refere ao documento eletrônico é aquele cujas informações são</p><p>armazenadas, exclusivamente, em meio eletrônico.</p><p>O ICP-Brasil é um conjunto de técnicas, práticas e procedimentos, a ser im-</p><p>plementado pelas organizações governamentais e privadas brasileiras com</p><p>o objetivo de garantir a autenticidade, a integridade e a validade jurídica de</p><p>documentos em forma eletrônica, das aplicações de suporte e das aplicações</p><p>habilitadas</p><p>que utilizem certificados digitais, bem como a realização de tran-</p><p>sações eletrônicas seguras.</p><p>O Usuário pode ser pessoa física ou jurídica titular de Certificado Digital.</p><p>Como obter a assinatura digital?</p><p>Para obter um certificado digital (CPF ou CNPJ) o interessado deverá esco-</p><p>lher uma das Autoridades Certificadoras Habilitadas na lista abaixo ou aces-</p><p>sar diretamente a página da Autoridade Certificadora Habilitada pela Receita</p><p>Federal do Brasil.</p><p>Lista das Autoridades Certificadoras:</p><p>• Autoridade Certificadora da Receita Federal do Brasil</p><p>• Autoridade Certificadora da RFB (AC RFB)</p><p>• Autoridades Certificadoras Habilitadas pela Receita Federal do Brasil</p><p>• Autoridade Certificadora do SERPRO-RFB (ACSERPRO-RFB)</p><p>• Autoridade Certificadora da Certisign-RFB (ACCertisign-RFB)</p><p>• Autoridade Certificadora da Serasa-RFB (AC- Serasa-RFB)</p><p>105</p><p>• Autoridade Certificadora da Imprensa Oficial do Estado – RFB (ACImes-</p><p>p-RFB)</p><p>• Autoridade Certificadora da Companhia de Tecnologia da Informação</p><p>do Estado de Minas Gerais – RFB (ACPRODEMGE-RFB)</p><p>• Autoridade Certificadora da Federação Nacional das Empresas de Servi-</p><p>ços Contábeis e das Empresas de Assessoramento,</p><p>• Perícias, Informações e Pesquisas (ACFENA- CON Certisign-RFB)</p><p>• Autoridade Certificadora do Sindicato dos Corretores de Seguros, Em-</p><p>presas Corretoras de Seguros, de Saúde, de Vida, de</p><p>• Capitalização e Previdência Privada no Estado de São Paulo (AC Sincor –</p><p>RFB)</p><p>• Autoridade Certificadora Notarial RFB (AC No- tarial – RFB)</p><p>• Autoridade Certificadora Brasileira de Registros RFB (AC BR – RFB)</p><p>• Autoridade Certificadora Instituto Fenacon RFB</p><p>• Autoridade Certificadora Prodest RFB</p><p>• Autoridade Certificadora Valid RFB</p><p>• Autoridade Certificadora Boa Vista RFB</p><p>• Autoridade Certificadora Digitalsign RFB</p><p>• Autoridade Certificadora Sincor Rio RFB</p><p>• Autoridade Certificadora CNDL RFB</p><p>106</p><p>• Autoridade Certificadora Safeweb RFB</p><p>• Autoridade Certificadora Soluti RFB</p><p>• Autoridade Certificadora CACB RFB</p><p>• Autoridade Certificadora Online RFB</p><p>• Autoridade Certificadora Doccloud RFB</p><p>• Autoridade Certificadora Link RFB</p><p>A atuação como perito (a) judicial é desenvolvida por pessoas físicas, portan-</p><p>to a Certificação digital deverá ser registrada através do CPF do interessado</p><p>e não através de CNPJs.</p><p>Importante salientar que, apesar de ainda existirem processos físicos, aque-</p><p>les que não se adequarem aos processos eletrônicos não estarão capacitados</p><p>a exercer de forma plena a atividade da Perícia Judicial e, caso não se atuali-</p><p>zem, serão preteridos por profissionais antenados com as novas tecnologias.</p><p>Então, direcione sua atividade em acordo com a modernização do Judiciário.</p><p>Esperando ter contribuído para seu</p><p>aprendizado, através desta apostila e das</p><p>vídeo-aulas do Curso de Formação de</p><p>Peritos Judiciais, desejo-lhe sucesso na sua</p><p>atuação profissional junto a perícia judicial e</p><p>a assistência técnica judicial/extrajudicial.</p><p>1.0 – Orgãos Do Judiciário</p><p>2.0 – Organização e Divisão Do Poder Judiciário</p><p>3.0 – Dos Serventuários da Justiça</p><p>4.0 – Serventias da Justiça – (Varas / Secretarias)</p><p>5.0 – Setor Forense</p><p>6.0 – Direito Processual os 5 princípios do Processo</p><p>8.0 – Do Perito Judicial</p><p>9.0 – Da Perícia Judicial</p><p>10.0 – Do Laudo Perícial</p><p>11.0 – Quesitos</p><p>12.0 – Proposta Honorários Periciais</p><p>13.0 – Gratuidade de Justiça</p><p>14.0 – Defesa do Perito - Impugnações</p><p>de Laudos</p><p>15.0 – Nomeação</p><p>16.0 – Processo Eletrônico</p><p>17.0 – Certificado Digital para Peritos Judiciais</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Mato</p><p>Grosso</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Mato</p><p>Grosso do Sul</p><p>Tribunal Regional Eleitoral de Minas</p><p>Gerais</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Pará</p><p>Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Paraná</p><p>Tribunal Regional Eleitoral de</p><p>Pernambuco</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Piauí</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Rio de</p><p>Janeiro</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Rio Gran-</p><p>de do Norte</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Rio Gran-</p><p>de do Sul</p><p>Tribunal Regional Eleitoral do Espírito</p><p>Santo</p><p>Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia</p><p>Tribunal Regional Eleitoral de Roraima</p><p>Tribunal Regional Eleitoral de Santa</p><p>Catarina</p><p>Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo</p><p>Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe</p><p>Tribunal Regional Eleitoral de Tocantins</p><p>https://portal.trf1.jus.br/portaltrf1/pagina-inicial.htm</p><p>https://www10.trf2.jus.br/portal/?js=1</p><p>https://www.trf3.jus.br/</p><p>https://www.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=principal&</p><p>https://www.trf5.jus.br/</p><p>https://www.tre-ac.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-al.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-ap.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-am.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-am.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-ba.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-ce.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-df.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-df.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-go.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-ma.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-mt.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-mt.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-ms.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-ms.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-mg.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-mg.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-pa.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-pb.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-pr.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-pe.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-pe.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-pi.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-rj.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-rj.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-rn.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-rn.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-rs.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-rs.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-es.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-es.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-ro.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-rr.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-sc.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-sc.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-sp.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-se.jus.br/#/</p><p>https://www.tre-to.jus.br/#/</p><p>11</p><p>Tribunais Regionais</p><p>do Trabalho:</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 1ª</p><p>Região (Rio de Janeiro)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 2ª</p><p>Região (São Paulo/ capital)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 3ª</p><p>Região (Minas Gerais)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 4ª</p><p>Região (Rio Grande do Sul)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 5ª</p><p>Região (Bahia)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 6ª</p><p>Região (Pernambuco)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 7ª</p><p>Região (Ceará)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 8ª</p><p>Região (Pará e Amapá)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 9ª</p><p>Região (Paraná)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 10ª</p><p>Região (Distrito Federal e Tocantins)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 11ª</p><p>Região (Roraima e Amazonas)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 12ª</p><p>Região (Santa Catarina)</p><p>Tribunais Militares</p><p>Tribunal de Justiça Militar do Estado de Minas Gerais</p><p>Tribunal de Justiça Militar do Estado do Rio Grande do sul</p><p>Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 13ª</p><p>Região (Paraíba)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 14ª</p><p>Região (Acre e Rondônia)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 15ª</p><p>Região (São Paulo/ Interior)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 16ª</p><p>Região (Maranhão)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 17ª</p><p>Região (Espírito Santo)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 18ª</p><p>Região (Goiás)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 19ª</p><p>Região (Alagoas)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 20ª</p><p>Região (Sergipe)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 21ª</p><p>Região ( Rio Grande do Norte)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 22ª</p><p>Região (Piauí)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 23ª</p><p>Região (Mato Grosso)</p><p>Tribunal Regional do Trabalho da 24ª</p><p>Região (Mato Grosso do Sul)</p><p>https://www.trt1.jus.br/</p><p>https://www.trt1.jus.br/</p><p>https://ww2.trt2.jus.br/</p><p>https://ww2.trt2.jus.br/</p><p>https://portal.trt3.jus.br/internet</p><p>https://portal.trt3.jus.br/internet</p><p>https://www.trt4.jus.br/portais/trt4</p><p>https://www.trt4.jus.br/portais/trt4</p><p>https://www.trt5.jus.br/</p><p>https://www.trt5.jus.br/</p><p>https://www.trt6.jus.br/portal/</p><p>https://www.trt6.jus.br/portal/</p><p>https://www.trt7.jus.br/</p><p>https://www.trt7.jus.br/</p><p>https://www.trt8.jus.br/</p><p>https://www.trt8.jus.br/</p><p>https://www.trt9.jus.br/portal/</p><p>https://www.trt9.jus.br/portal/</p><p>https://www.trt10.jus.br/</p><p>https://www.trt10.jus.br/</p><p>https://portal.trt11.jus.br/</p><p>https://portal.trt11.jus.br/</p><p>https://portal.trt12.jus.br/</p><p>https://portal.trt12.jus.br/</p><p>https://tjmmg.jus.br/</p><p>https://www.tjmrs.jus.br/processos/processos.asp</p><p>http://Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo</p><p>https://www.trt13.jus.br/</p><p>https://www.trt13.jus.br/</p><p>https://portal.trt14.jus.br/portal/</p><p>https://portal.trt14.jus.br/portal/</p><p>https://trt15.jus.br/</p><p>https://trt15.jus.br/</p><p>https://www.trt16.jus.br/</p><p>https://www.trt16.jus.br/</p><p>https://www.trt17.jus.br/portal/</p><p>https://www.trt17.jus.br/portal/</p><p>https://www.trt18.jus.br/portal/</p><p>https://www.trt18.jus.br/portal/</p><p>https://site.trt19.jus.br/</p><p>https://site.trt19.jus.br/</p><p>https://www.trt20.jus.br/</p><p>https://www.trt20.jus.br/</p><p>https://www.trt21.jus.br/</p><p>https://www.trt21.jus.br/</p><p>https://www.trt22.jus.br/portal/home.jsp</p><p>https://www.trt22.jus.br/portal/home.jsp</p><p>https://portal.trt23.jus.br/portal/</p><p>https://portal.trt23.jus.br/portal/</p><p>http://Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região</p><p>http://Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região</p><p>12</p><p>2.0 – Organização e Divisão Do Poder Judiciário</p><p>2.1 - O território do Estado, para efeito da administração</p><p>da justiça, divide-se em regiões judiciárias, comarcas,</p><p>distritos, subdistritos, circunscrições e zonas judiciárias.</p><p>2.1.1 - Cada comarca compreenderá um município, ou mais de um, desde</p><p>que contíguos, e terá a denominação da respectiva sede, podendo compre-</p><p>ender uma ou mais varas.</p><p>2.1.2 - As regiões judiciárias serão integradas por grupos de comarcas ou va-</p><p>ras, suas sedes serão as comarcas indicadas em primeiro lugar.</p><p>2.1.3 - Da criação e classificação das Comarcas:</p><p>• Para a criação e a classificação das comarcas, serão considerados os</p><p>números de habitantes e de eleitores, a receita tributária, o movimento</p><p>forense e a extensão territorial dos Município do estado;</p><p>• No que concerne à extensão territorial, será levada em conta a distância</p><p>entre a sede do município e a da comarca.</p><p>2.1.4 - São requisitos essenciais para a criação de comarca:</p><p>• População mínima de quinze mil habitantes ou mínimo de oito mil</p><p>eleitores;</p><p>• Movimento forense anual de, pelo menos, duzentos feitos judiciais;</p><p>• Receita tributária municipal superior a três mil vezes o salário-mínimo</p><p>vigente na capital do estado.</p><p>13</p><p>3.0 – Dos Serventuários da Justiça</p><p>Todo aquele que, de qualquer modo, serve a Justiça como funcionário, ou</p><p>auxilia do juízo.</p><p>• ESCRIVÃES – processar os feitos que lhes forem distribuídos ou lhes</p><p>couberem em razão do ofício; ii - zelar pela regularidade da distribuição</p><p>dos feitos em que tenham de funcionar.</p><p>• ESCREVENTES em geral, incumbe praticar os atos e executar os traba-</p><p>lhos, relativos à sua função, de que forem encarregados pelos serventuá-</p><p>rios a que estiverem subordinados.</p><p>• ESCREVENTES AUXILIARES incumbe executar os serviços de expe-</p><p>diente e, além de outras que lhes forem cometidas, exercer as funções de</p><p>protocolista, arquivista, almoxarife e datilógrafo.</p><p>• OFICIAIS DE JUSTIÇA – aos oficiais de justiça incumbe:</p><p>i. fazer, pessoalmente as citações e diligências ordenadas pelos juízes pe-</p><p>rante os quais servirem;</p><p>ii. lavrar certidões e autos das diligências que efetuarem;</p><p>iii. cumprir as determinações dos juízes.</p><p>14</p><p>4.0 – Serventias da Justiça – (Varas / Secretarias)</p><p>Juízes de Direito do Cível Juízes de Direito de Família</p><p>Juízes de Direito de Fazenda Pública Juízes de Direito da Dívida Ativa</p><p>Juízes de Direito de Órfãos e Sucessões Juízes de Direito em Matéria Aciden-</p><p>tária Juízes de Direito de Registros Públicos Juízes de Direito de Registro Civil</p><p>Juízes de Direito em Matéria Empresarial Juízes de Direito da Infância e da</p><p>Juventude</p><p>Juízes de Direito do Idoso</p><p>Juízes de Direito em Matéria Criminal</p><p>Juízes de Direito em Matéria de Execução Penal</p><p>Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher</p><p>Juizado do Torcedor e Grandes Eventos Juizados Especiais e suas Turmas Re-</p><p>cursais Juízes de Paz</p><p>4.1 - PROGER</p><p>O Protocolo Geral das Varas - PROGER - destina-se a receber petições e ex-</p><p>pedientes diários endereçados às serventias judiciais de primeira instância e,</p><p>ainda, as petições judiciais diárias direcionadas à Vara de Execuções Penais,</p><p>além de outros encargos que lhe forem atribuídos pelo Corregedor-Geral da</p><p>Justiça, limitando-se à verificação do endereçamento, à conferência da exis-</p><p>tência de anexos, se houver, e ao lançamento de firma de advogado e/ou</p><p>estagiário.</p><p>4.2 - Distribuidor</p><p>É o setor responsável para receber todas petições iniciais (aquelas que inau-</p><p>guram o processo judicial na forma física).</p><p>4.3 - Central De Mandados</p><p>É o setor centralizador dos Técnicos Judiciários com função de Oficial de Jus-</p><p>tiça, com o cumprimento de todos os mandados de competência da central,</p><p>assim como dos mandados de intimações e citações de servidores e agentes</p><p>delegados do foro extrajudicial nas sindicâncias, expedientes e processos.</p><p>15</p><p>4.4 – Setor de Perícia Judicial</p><p>Presta apoio aos peritos, disponibilizando, inclusive, espaço para atendimen-</p><p>to a periciando, recebimento de processos de Comarcas de interior para es-</p><p>tudo de Peritos, etc. ( SEJUD, SETECs, etc)</p><p>5.0 – Setor Forense</p><p>16</p><p>5.1. Petição inicial: o começo de tudo</p><p>O primeiro passo de todo processo é a petição inicial. Nesse documento, o</p><p>autor — ou seja, quem ajuizou a ação — irá expor os fatos que o levaram a</p><p>entrar com a ação, bem como quais dos seus direitos foram violados. Além</p><p>disso, é nesse momento que o autor formula os seus pedidos principais ao</p><p>juiz: se quer uma indenização, se quer que o réu faça ou se abstenha de fazer</p><p>algo, etc.</p><p>Vejamos um exemplo: um médico cirurgião plástico causa sérios danos à</p><p>face de sua cliente. Com a ajuda de seu advogado, ela irá formular a petição</p><p>inicial dando os detalhes da cirurgia: de quem foi a culpa, quais as causas dos</p><p>danos, houve imperícia? Ao final da petição, ela formula o seu pedido, que</p><p>poderá ser a indenização pelos danos causados, entre outros.</p><p>Conforme acima, na petição inicial, o autor, representado por seu advogado,</p><p>expõe os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido, com suas especifica-</p><p>ções e as provas que pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados.</p><p>O Juiz verifica se a petição atende aos requisitos exigidos (artigo 319 e se-</p><p>guintes do código de processo civil). Estamos em termos, o juiz a despachará,</p><p>ordenando a citação do réu para responder (artigo 335 e seguintes do CPC).</p><p>Feita a citação, geralmente por oficial de justiça, o réu poderá oferecer, no</p><p>prazo de 15 (quinze) dias, em petição escrita, dirigida ao juiz da causa, sendo</p><p>essa peça processual chamada contestação.</p><p>Findo o prazo para defesa do réu, o escrivão remeterá os autos (pasta onde</p><p>são anexados todos os atos do processo, desde o seu início, em processos</p><p>eletrônicos, tais peças serão disponibilizadas digitalmente).</p><p>Não havendo motivos para extinguir ou para julgar antecipadamente o pro-</p><p>cesso, proferirá o juiz, o chamado despacho saneador, em que decidirá sobre</p><p>a realização de prova pericial, nomeará perito, facultando às partes a indica-</p><p>ção de seus assistentes técnicos.</p><p>Se a questão do processo for urgente (como no caso de uma pessoa precisar</p><p>de tratamento médico imediatamente, por exemplo), é possível formular um</p><p>pedido especial para o juiz na petição inicial – a chamada tutela provisória.</p><p>Nesse caso, o juiz irá analisar esse pedido assim que receber o documento e</p><p>tomar a sua decisão – que não é definitiva, podendo ser modificada poste-</p><p>riormente, a depender das provas produzidas no processo.</p><p>5.2. Citação: o direito de defesa do réu</p><p>Assim que o juiz recebe a petição inicial, ele verifica se os seus requisitos</p><p>formais estão de acordo com a lei. Caso estejam, passa-se à próxima fase do</p><p>processo judicial: a citação do réu para que ele tome conhecimento da ação.</p><p>Nesse momento, por exemplo, um oficial de justiça vai à residência do réu</p><p>17</p><p>(ou à sede da pessoa jurídica) e entrega um mandado de citação, ou seja,</p><p>uma ordem do juiz para que ele compareça a uma audiência de conciliação.</p><p>Tal citação poderá ser realizada pelos Correios, dependendo do caso.</p><p>Nessa audiência, as partes serão estimuladas a chegarem a um acordo, com</p><p>a ajuda de um conciliador profissional. Caso não cheguem a um consenso,</p><p>depois da audiência começará o prazo para que o réu apresente a sua versão</p><p>dos fatos, por meio de um documento chamado contestação. Nele, o réu</p><p>pode alegar várias matérias para se defender, até mesmo solicitar prova peri-</p><p>cial, para ajudá-lo a comprovar suas alegações.</p><p>6.0 – Direito Processual os 5 princípios do Pro-</p><p>cesso</p><p>1. Princípio da imparcialidade do juiz</p><p>A imparcialidade do juiz é garantia de justiça para as partes. É pressuposto</p><p>para que a relação processual se desenvolva naturalmente.</p><p>2. Princípios do contraditório e ampla defesa</p><p>Este princípio estabelece que todas as provas arroladas no processo devem</p><p>ter em aberto uma contestação pela parte contrária, bem como os atos do</p><p>juiz devem ser de amplo conhecimento das partes.</p><p>3. Princípio do livre convencimento</p><p>O juiz deve formar livremente sua convicção sobre quem tem a primazia no</p><p>processo, dispondo das diversas provas colhidas e apresentadas pelas partes.</p><p>4. Princípio da publicidade</p><p>Este princípio estipula que todas as decisões e processos devem ter seu aces-</p><p>so garantido, evitando-se o sigilo.</p><p>5. Princípio da inércia</p><p>É estabelecido que aquele que busca o direito deve provocar o sistema judi-</p><p>ciário, e assim, a partir deste estímulo inicial, o poder público poderá agir na</p><p>busca da realização da justiça.</p><p>18</p><p>7.1. Réplica: o direito de resposta</p><p>do autor</p><p>Depois que o réu apresenta a</p><p>sua defesa, comumente o próxi-</p><p>mo passo do processo é a réplica.</p><p>Esse é o nome da manifestação</p><p>por meio do qual o autor contra-</p><p>põe os argumentos que o réu ale-</p><p>gou em sua contestação.</p><p>7.2. Fase probatória: quem alega</p><p>tem que provar</p><p>Agora que as partes apresenta-</p><p>ram todos os seus argumentos,</p><p>passamos a uma das fases mais</p><p>importantes de um processo judi-</p><p>cial: a fase probatória. Nesse mo-</p><p>mento, o juiz convoca as partes</p><p>para que indiquem quais provas</p><p>pretendem produzir para corrobo-</p><p>rar a sua versão dos fatos, quando</p><p>eles podem, inclusive, requerer a</p><p>prova pericial.</p><p>É importante destacar que nem todas as provas indicadas pelas partes são</p><p>aceitas. O juiz analisa a pertinência e a necessidade de cada uma delas e au-</p><p>toriza ou não a sua produção.</p><p>19</p><p>Depois que todas as provas foram</p><p>devidamente autorizadas, produ-</p><p>zidas e juntadas no processo, o</p><p>juiz chamará as partes para, em</p><p>última chance, argumentarem</p><p>sobre elas. Essa será a última vez</p><p>que elas poderão se manifestar no</p><p>processo antes da sentença.</p><p>7.3. Sentença: a decisão final do juiz</p><p>Agora, chegamos à parte mais importante do processo: a sentença. É nes-</p><p>se ato que, depois de analisar todos os argumentos e provas, o juiz toma a</p><p>sua decisão final. Além de decidir sobre os pedidos da petição inicial, o juiz</p><p>também condena a parte perdedora ao pagamento das chamadas verbas</p><p>sucumbenciais.</p><p>Isso significa que todos os gastos efetuados ao longo do processo — tanto</p><p>com honorários de advogado, quanto com taxas cobradas ao longo do pro-</p><p>cedimento — deverão ser arcadas pela par- te perdedora.</p><p>7.4. Recursos: a arma do vencido</p><p>Ainda que a sentença seja a decisão final do juiz, ainda é possível recorrer</p><p>contra essa decisão. Assim, a parte insatisfeita poderá apresentar um recurso</p><p>de apelação, buscando reverter a sentença.</p><p>Esse recurso não será julgado pelo mesmo juiz, mas por, via de regra, Desem-</p><p>bargadores de um Tribunal. Eles terão poderes para rever o processo e, se for</p><p>o caso, modificar a decisão do juiz.</p><p>7.5. Cumprimento de sentença: colocando a decisão em prática</p><p>Depois que</p><p>todos os recursos interpostos forem julgados, diz-se que a deci-</p><p>são transitou em julgado. Isso significa que, a partir desse momento, ela é</p><p>definitiva e pode ser colocada em prática.</p><p>É claro que, em alguns casos, é permitido colocar a sentença em prática an-</p><p>tes do trânsito em julgado: nos casos em que há urgência, por exemplo, não</p><p>é preciso esperar o julgamento de todos os recursos. A parte pode consultar</p><p>o seu advogado para verificar se esse é o seu caso.</p><p>Durante a fase do cumprimento de sentença, o credor deve exigir do deve-</p><p>dor que cumpra o que a sentença determinou. Assim, em um caso em que o</p><p>juiz ordenou que o réu pagasse uma quantia ao autor, por exemplo, é nessa</p><p>fase que são apresentados os cálculos e o devedor é intimado para depositar</p><p>20</p><p>o que deve. O processo tem seu fim quando a sentença é definitivamente</p><p>cumprida.</p><p>7.8 – Agravo de Instrumento</p><p>Esse é o recurso utilizado pelas partes (autor, réu ou ambos) que não concor-</p><p>dam com a homologação da proposta de honorários, pelo juiz de 1º. Grau.</p><p>Neste caso o perito deverá aguardar a decisão do colegiado para dar anda-</p><p>mento ao seu trabalho, visto tratar-se de discussão voltada pelo valor de seus</p><p>honorários periciais.</p><p>Na petição inicial, o autor, representado por seu advogado, expõe os fatos e</p><p>os fundamentos jurídicos do pedido, com suas especificações e as provas</p><p>que pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados.</p><p>O Juiz verifica se a petição atende aos requisitos exigidos (artigo 319 e se-</p><p>guintes do código de processo civil). Estando em termos, o juiz a despachará,</p><p>ordenando a citação do réu para responder (artigo 335 e seguintes do CPC).</p><p>Feita a citação, geralmente por oficial de justiça, o réu poderá oferecer, no</p><p>prazo de 15 (quinze) dias, em petição escrita, dirigida ao juiz da causa, sendo</p><p>essa peça processual chamada contestação.</p><p>Findo o prazo para defesa do réu, o escrivão remeterá os autos (pasta onde</p><p>são anexados todos os atos do processo, desde o seu início, em processos</p><p>eletrônicos) tais peças serão disponibilizadas digitalmente.</p><p>Não havendo motivos para extinguir ou para julgar antecipadamente o pro-</p><p>cesso, proferirá o juiz, o chamado despacho saneador, em que decidirá sobre</p><p>a realização de prova pericial, nomeará perito, facultando às partes a indica-</p><p>ção de seus assistentes técnicos.</p><p>21</p><p>8.0 – Do Perito Judicial</p><p>8.1 – Definições</p><p>Denominações do Perito: Auxiliar da Justiça - Especialista - Ilustríssimo Ex-</p><p>pert - Longa Manus - Assistente do juízo.</p><p>Para Didier Jr. Prova pericial</p><p>[...] é aquela pela qual a elucidação do fato se dá</p><p>com ao auxílio de um perito, especialista em deter-</p><p>minado campo do saber, devidamente nomeado</p><p>pelo juiz, que deve registrar sua opinião técnica e</p><p>científica no chamado laudo pericial – que poderá</p><p>ser objeto de discussão pelas partes e seus assisten-</p><p>tes técnicos. (DIDIER JR., 2010, p. 225)</p><p>Já para Humberto Theodoro Junior, surge</p><p>“a prova pericial como o meio de suprir a carência</p><p>de conhecimentos técnicos de que se ressente o juiz</p><p>para apuração dos fatos litigiosos”. (THEODORO</p><p>JÚNIOR, 2011, p.486)</p><p>Montenegro Filho conceitua como:</p><p>“espécie de prova que objetiva fornecer esclare-</p><p>cimentos ao magistrado a respeito de questões</p><p>técnicas, que extrapolam o conhecimento cientifico</p><p>do julgador, podendo ser de qualquer natureza e</p><p>originada de todo e qualquer ramo do saber hu-</p><p>mano, destacando-se os esclarecimentos nas áreas</p><p>da engenharia, da contabilidade, da medicina e da</p><p>topografia.” (MONTENEGRO FILHO, 2009, p.479)</p><p>Olívio A. Batista da Silva vai mais a fundo na questão, fazendo uma sucinta</p><p>comparação entre os possíveis meios de prova no processo:</p><p>“A Função de toda atividade probatória é fornecer</p><p>ao julgador os elementos por meio dos quais ele há</p><p>de formar o seu convencimento a respeito dos fatos</p><p>controvertidos no processo. Este contato do juiz com</p><p>os fatos da causa pode dar-se através das provas</p><p>orais produzidas em audiência, quando o juiz ouve</p><p>as partes ou inquire as testemunhas, ou mediante</p><p>o exame dos documentos constantes dos autos, ou,</p><p>ainda, quando se traz ao processo não o documen-</p><p>to, e sim as pessoas ou coisas de que se pretenda</p><p>extrair elementos de prova.”</p><p>O Perito é aquele profissional que realiza os exames necessários, nos vários</p><p>ramos do conhecimento, cujo objetivo é atingir a chamada VERDADE REAL</p><p>22</p><p>ou a MATERIALIDADE DO FATO OU DO DELITO.</p><p>Sempre que o esclarecimento de um fato depender de conhecimento técni-</p><p>co e científico, o juiz deverá valer-se de um especialista, ou seja, de um perito</p><p>para atuar no processo, para produzir as provas técnicas, ou seja, a prova pe-</p><p>ricial.</p><p>O perito, no exercício de sua missão, pode proceder a todas as indagações</p><p>que julgar necessárias, devendo consignar, com imparcialidade exemplar, to-</p><p>das as circunstâncias, sejam ou não favoráveis ao autor ou réu.</p><p>Há, na jurisprudência, inúmeras decisões que, respeitando o ordenamento</p><p>jurídico, e sob pena de cerceamento de defesa, reconheceram que o cargo</p><p>de perito só pode ser preenchido por profissional “especialista” na respectiva</p><p>área de conhecimento.</p><p>Deve agir livremente, é o senhor de sua vontade, de suas convicções, não</p><p>podendo ser coagido por ninguém, nem mesmo por autoridades a respeito</p><p>de suas conclusões.</p><p>O Perito judicial auxilia a justiça ou ao juízo. É o profissional habilitado e no-</p><p>meado pelo juiz para opinar sobre questões de sua especialidade. É prerroga-</p><p>tiva de juiz valer-se de um especialista, de um expert na matéria.</p><p>A atividade exige formalidades legais e técnicas, e somente poderá ser exerci-</p><p>da em conformidade com as formalidades estabelecidas na Lei (em especial</p><p>nas leis processuais) e o profissional, inclusive, estar regularmente inscrito em</p><p>sua entidade de classe, se a profissão já estiver criada seu próprio Conselho</p><p>de Classe.</p><p>Melo (2003) esclarece que o perito judicial não é parte, não é advogado, não</p><p>é juiz. Dele se espera que, além de ter conhecimento técnico suficiente para</p><p>o desempenho da função, tenha também facilidade de expressar-se clara e</p><p>concisamente, habilidade no trato de conflitos, conhecimentos jurídicos e ex-</p><p>periência em produção de prova pericial.</p><p>Conforme assinala Didier (2016, p. 265) os peritos judiciais, são especialistas</p><p>que oportunamente, a serviço da justiça, colaboram com a sua “aptidão téc-</p><p>nica de conhecimento e verificação de fatos ou com opinião técnica a respei-</p><p>to da interpretação e avaliação dos fatos, explicitando as regras técnicas para</p><p>que o juiz o faça”.</p><p>A legislação Processual Civil define a atividade do perito em seu artigo 156:</p><p>Art. 156. O juiz será assistido por perito quando a</p><p>prova do fato depender de conhecimento técnico</p><p>23</p><p>ou científico. § 1º Os peritos serão nomeados entre</p><p>os profissionais legalmente habilitados e os órgãos</p><p>técnicos ou científicos devidamente inscritos em</p><p>cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz está</p><p>vinculado.</p><p>Podemos observar no normativo processual acima, a obrigatoriedade em re-</p><p>lação aos juízes, de nomear seus peritos para assisti-los em processos com</p><p>cunho técnico ou científico, não podendo ele, sob pena de nulidade do pro-</p><p>cesso, abrir mão dessa exigência.</p><p>Importante ressaltar, também, que somente o perito poderá esclarecer os</p><p>fatos ou trazer aos autos, as provas necessárias para a justa solução dos con-</p><p>flitos entre as partes. Nesta condição, não é uma prerrogativa do magistrado,</p><p>mas sim uma imposição legal.</p><p>O juiz deve limitar-se à análise do conjunto probatório constante nos autos,</p><p>aqueles hábeis para provar a verdade dos fatos, em que funda a ação ou a</p><p>defesa.</p><p>Prestigiando a segurança, e minimizando os riscos de prejuízos às partes e ao</p><p>resultado útil do processo, a Lei nº 13.105/2015 é incisiva ao dispor que para o</p><p>cargo de perito só pode ser nomeado o profissional que for especializado na</p><p>área de conhecimento do objeto da perícia.</p><p>Com efeito, o artigo 465 do Código de Processo Civil é expresso quando im-</p><p>põe ao juiz o dever de nomear apenas “perito especializado no objeto da perí-</p><p>cia”. Ciente de sua</p><p>nomeação, o expert deverá, em cinco dias, apresentar seu</p><p>currículo com comprovação de especialização quanto ao objeto da perícia</p><p>(art. 465, §2º, II, CPC), devendo ser substituído se “faltar-lhe conhecimento</p><p>técnico ou científico” (art. 468, I, CPC).</p><p>Importante reiterar que para o exercício de suas funções, o juiz necessita do</p><p>auxílio constante ou eventual de outras pessoas que, tal como ele, de- vem</p><p>atuar com diligência e imparcialidade (art. 149, CPC).</p><p>Nas causas em que a matéria envolvida exigir conhecimentos técnicos ou</p><p>científicos próprios de determinadas áreas do saber, o magistrado será as-</p><p>sistido por perito ou órgão, cuja nomeação observará o cadastro de inscritos</p><p>mantido pelo tribunal ao qual o juiz está vinculado (art. 156, § 1º, CPC), sendo</p><p>que esse cadastro deve ser feito de acordo com o exigido pelo artigo 156, em</p><p>seus §§ 2º e 3º.</p><p>A Lei nº 13.105/2015 inovou ao expandir a possibilidade do juiz também ser</p><p>assistido por “órgãos técnicos ou científicos”, não estando limitado apenas a</p><p>pessoas físicas na condição de “profissionais de nível universitário”, tal como</p><p>dispunha o código revogado. Nesta hipótese, o órgão que vier a ser designa-</p><p>do para a realização de determinada perícia deverá comunicar ao juiz os no-</p><p>24</p><p>mes e os dados de qualificação dos profissionais que forem destacados para</p><p>o respectivo trabalho pericial, de modo a viabilizar a verificação de eventuais</p><p>causas de impedimento(III) suspeição (IV) (art. 156, § 4º, CPC).</p><p>Pode ocorrer, principalmente em comarcas pequenas, que para a realização</p><p>de uma determinada perícia sobre área específica do conhecimento, não</p><p>haja perito ou órgão inscrito no cadastro disponibilizado pelo tribunal. Nesta</p><p>hipótese, o parágrafo quinto, do artigo 156, permite que o magistrado escolha</p><p>livremente um profissional ou órgão que, comprovadamente, detenha co-</p><p>nhecimento especializado para tal mister.</p><p>Nomeado, o auxiliar do juiz – perito ou órgão – deverá empregar toda diligên-</p><p>cia para, no prazo que lhe for assinado, cumprir seu trabalho. Poderá, se for</p><p>o caso, no prazo legal de quinze dias, escusar-se do encargo alegando justo</p><p>motivo, sob pena de renúncia a tal direito (art. 157, § 1º, CPC).</p><p>Reforçando o dever de diligência exigido pelo artigo 157, o Código de Proces-</p><p>so Civil, no seu artigo 466, estabelece que mesmo dispensado de assinar um</p><p>termo de compromisso o perito – assim como o órgão técnico ou científico</p><p>– tem o dever de cumprir escrupulosamente seu encargo.</p><p>Caso, por dolo ou culpa, o perito acabe prestando informações inverídicas,</p><p>será responsabilizado pelos prejuízos que causar à parte, ficando ainda inabi-</p><p>litado para atuar em outras perícias por um prazo de dois a cinco anos, sem</p><p>prejuízo de outras sanções. Caberá ao juiz comunicar tal fato ao respectivo</p><p>órgão de classe, para que sejam adotadas as medidas cabíveis (art. 158. CPC).</p><p>Dito de outra forma, para a responsabilização do perito ou órgão não é neces-</p><p>sária a demonstração da intenção de prejudicar uma das partes, bastando</p><p>ficar caracterizada a culpa pela imprudência, negligência ou imperícia.</p><p>8.2 – Peritos Ofíciais</p><p>A expressão “perito oficial” abrange todos os profissionais que foram contra-</p><p>tados pelo Estado para exercer a função pericial. É a definição adotada no</p><p>Código de Processo Penal para referir-se aos profissionais que realizam as pe-</p><p>rícias na esfera criminal, sendo que, por modificação da legislação, passou-se</p><p>a admitir peritos não oficiais para atuação na esfera criminal, em situações</p><p>específicas e contidas na referida legislação.</p><p>25</p><p>8.3 – Deveres Dos Peritos Judiciais</p><p>A precaução a ser adotada por todos peritos durante sua atuação deve ser</p><p>referenciada por todos aqueles que pretendem atuar de forma eficaz, justa e</p><p>lícita, senão vejamos:</p><p>O profissional deve agir com honestidade, visto que as partes, seus advo-</p><p>gados ou defensores públicos, exigem nos processos judiciais, mais do que</p><p>nunca, seus direitos respeitados. É indispensável a imparcialidade total do</p><p>perito judicial, portanto as qualidades ético-morais são essenciais à função,</p><p>além de reputação ilibada.</p><p>A apresentação de um trabalho de boa qualidade e com informações téc-</p><p>nicas aprofundadas, utilizando-se de linguagem clara, concisa e de maneira</p><p>que um leigo entenda, sem, entretanto, ser prolixo é uma das características</p><p>importantes a serem adotadas pelos peritos. Bom lembrar que o Juízo não é</p><p>obrigado a continuar nomeando um profissional prestador de serviço ques-</p><p>tionável.</p><p>O cumprimento de prazos estabelecidos é fundamental. Se o perito for ri-</p><p>goroso na observação dos prazos para entrega do laudo, por certo garantirá</p><p>maior prestígio em relação ao magistrado que o nomeia, além de ter assegu-</p><p>rada sua manutenção na lista de peritos da Vara.</p><p>A comunicação através de PETIÇÃO é a sempre recomendada, pois dessa</p><p>forma o perito documenta nos autos, todas suas reivindicações, ocorrências</p><p>durante o ato pericial, solicitação de providências às partes, serventuários ou</p><p>ao juiz.</p><p>O perito deverá realizar todas as suas comunicações formais com os juízes</p><p>através de petições, que são juntadas aos autos do processo, segundo a or-</p><p>dem de chegada, para seu encaminhamento ao juiz.</p><p>As petições mais comuns realizadas pelos peritos são: Propostas de honorá-</p><p>rios, a cobrança de honorários periciais que é diferente do que habitualmente</p><p>tem-se no mundo comercial; solicitação de prorrogação de prazo, entre ou-</p><p>tras.</p><p>8.3.1 – Da ética do Perito Judicial</p><p>O Perito Judicial deve agir de forma que o torne merecedor de respeito e que</p><p>contribua para o prestígio da classe e da perícia judicial.</p><p>Deve manter sua independência em qualquer circunstância e não se deter</p><p>no exercício de seu encargo para agradar o juízo ou qualquer autoridade, nem</p><p>de ocorrer em impopularidade, dentro das devidas normas de urbanidade e</p><p>estritamente profissional.</p><p>26</p><p>O perito tem o dever geral de urbanidade e os respectivos procedimentos</p><p>disciplinares, e ter plena consciência de que é o auxiliar da Justiça, pessoa</p><p>civil, nomeado pelo Juiz ou pelo Tribunal, devidamente compromissado, de-</p><p>senvolvendo assim, um trabalho de extrema responsabilidade e relevância</p><p>perante o Poder Judiciário, especialmente porque irá opinar e assisti-los na</p><p>realização de prova pericial.</p><p>A nomeação como perito Judicial deve ser considerada sempre, pelos mes-</p><p>mos, como distinção e reconhecimento de seu conhecimento especial, téc-</p><p>nico ou científico, capacidade e honorabilidade, sendo que no exercício de</p><p>sua nomeação, bem como quaisquer outras profissões, deve ter sempre em</p><p>conta que seu procedimento ético se torna extremamente importante, pelo</p><p>fato da sua atividade estar ligada ao campo do direito, no qual as normas e</p><p>deveres morais são mais nítidos, em consequência da íntima ligação entre a</p><p>moral e o direito.</p><p>Quando ciente de sua nomeação e, antes de assumir o encargo, deve intei-</p><p>rar-se dos autos, para verificar se não há incompatibilidade ou algum impedi-</p><p>mento, e se realmente se encontra em condições de assumir o compromisso</p><p>e realização do trabalho. (vide quadro abaixo)</p><p>Se a hipótese for de recusa, antes de assumir o compromisso, deve o Perito</p><p>Judicial comunicar ao Juiz, através de petição e o mais breve possível, o mo-</p><p>tivo justificado da recusa, pois não é cabível a recusa de nomeação quando</p><p>esta fundamentar-se, tão somente, no fato do processo encontrar-se sobre o</p><p>amparo da Justiça Gratuita.</p><p>Imprescindível que o perito exerça sua nomeação com zelo, diligência, ho-</p><p>nestidade, dignidade e independência profissional, devendo, também, guar-</p><p>dar sigilo sobre o que souber em razão do exercício de suas funções e zelar</p><p>pela sua competência exclusiva na orientação dos serviços a seu cargo, além</p><p>da obrigatoriedade de comunicar, desde logo, à Justiça, eventual circunstân-</p><p>cia adversa que possa influir na conclusão do trabalho pericial para o qual foi</p><p>nomeado.</p><p>Deverá, também, recusar sua nomeação, sempre que reconheça não se</p><p>achar capacitado (a), em face de especialização técnica ou científica ou ainda</p><p>para</p><p>bem desempenhar a nomeação.</p><p>Importante também evitar interpretações tendenciosas sobre a matéria que</p><p>constitui objeto da perícia, mantendo absoluta independência moral e técni-</p><p>ca na elaboração do respectivo laudo, e se abster de expender argumentos</p><p>ou dar a conhecer sua convicção pessoal sobre os direitos de qualquer das</p><p>partes interessadas, elaborando seu laudo especificamente no âmbito técni-</p><p>co legal.</p><p>É necessário que o perito se inteire de todas as circunstâncias e dados antes</p><p>27</p><p>de responder aos quesitos formulados, além da obrigatoriedade de declarar-</p><p>-se impedido ou suspeito de aceitar sua nomeação, nas hipóteses previstas</p><p>no Código de Processo Civil em seu artigo 144 do Código de Processo Civil,</p><p>nas situações que veremos a seguir:</p><p>8.3.2 – Das obrigações do Perito – Conforme legislação processual civil.</p><p>O perito tem o dever de cumprir o ofício no prazo que lhe designar o juiz,</p><p>empregando toda sua diligência, podendo escusar-se do encargo alegando</p><p>motivo legítimo. (caput do artigo 157 do CPC);</p><p>A escusa será apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, contado da intima-</p><p>ção, da suspeição ou do impedimento supervenientes, sob pena de renúncia</p><p>ao direito a alegá-la. (§ 1º., do artigo 157 do CPC);</p><p>Impedimento E Suspeição Do Perito</p><p>(artigo 144 e 145 do CPC)</p><p>IMPEDIDO SUSPEITO</p><p>1. quando no processo, o perito já estiver postulando,</p><p>como defensor público, advogado ou membro do</p><p>Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou</p><p>qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha</p><p>reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;</p><p>2. quando for parte no processo ele próprio, seu côn-</p><p>juge ou companheiro, ou parente, consanguíneo ou</p><p>afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau,</p><p>inclusive;</p><p>3. quando for sócio ou membro de direção ou de ad-</p><p>ministração de pessoa jurídica parte no processo;</p><p>4. quando for herdeiro presuntivo, donatário ou em-</p><p>pregador de qualquer das partes;</p><p>5. em que figure como parte instituição de ensino</p><p>com a qual tenha relação de emprego ou decorrente</p><p>de contrato de prestação de serviços;</p><p>6. em que figure como parte cliente do escritório de</p><p>advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente,</p><p>consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até</p><p>o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por</p><p>advogado de outro escritório;</p><p>7. quando promover ação contra a parte ou seu advo-</p><p>gado.</p><p>1. amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou</p><p>de seus advogados;</p><p>2. que receber presentes de pessoas que tiverem inte-</p><p>resse na causa antes ou depois de iniciado o processo,</p><p>que aconselhar alguma das partes acerca do objeto</p><p>da causa ou que subministrar meios para atender às</p><p>despesas do litígio;</p><p>3. quando qualquer das partes for sua credora ou de-</p><p>vedora, de seu cônjuge ou companheiro ou de paren-</p><p>tes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive;</p><p>4. interessado no julgamento do processo em favor</p><p>de qualquer das partes.</p><p>O impedimento e suspeição dos Juízes se aplicam aos</p><p>peritos, conforme determinação processual civil.</p><p>O perito poderá declarar-se suspeito por motivo de</p><p>foro íntimo.</p><p>28</p><p>Petição de Renúncia</p><p>Exmo. Sr. (Dr) Juiz de Direito da (dizer qual é a vara, ou colocar Vara Judicial se for cidade pequena, na qual</p><p>há apenas uma vara) Vara Cível de (nome da cidade) – (abreviação da UF)</p><p>Autor: (nome) Réu: (nome)</p><p>Ação: (tipo de ação)</p><p>Processo nº: (número do processo)</p><p>(Nome do perito em letra maiúscula, grifado em negrito ou sublinhado), Perito deste Juízo, devidamente qua-</p><p>lificado nos autos do processo em epígrafe vem, respeitosamente, informar a Vossa Excelência, que apesar de</p><p>muito honrado com a designação, por motivos alheios à sua vontade, encontra-se impossibilitado de exercer o</p><p>encargo (caso entenda por bem explicar, colocar: “, devido a...”).</p><p>Dessa forma, apresenta sinceras escusas e fica à disposição deste Juízo para maio- res esclarecimentos, assim</p><p>como a para atuar em outros processos, quando for so- licitado. Isto posto, requer a sua dispensa do encargo</p><p>e a juntada desta aos autos para tornar ciente as partes interessadas e para os devidos fins de direito. É o que</p><p>requer,</p><p>Pede deferimento.</p><p>(Cidade, UF), _______ de _______________ de ____________________</p><p>(Assinatura do perito)</p><p>(Nome do Perito) Nº do Órgão de Classe</p><p>O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá</p><p>pelos prejuízos que causar à parte (artigo 158 do CPC);</p><p>Ciente da nomeação, o perito apresentará em 5 (cinco) dias:</p><p>i. proposta de honorários;</p><p>ii. currículo, com comprovação de especialização;</p><p>iii. contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde</p><p>serão dirigidas as intimações pessoais. (§ 2º., do artigo 465 do CPC).</p><p>O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe foi cometido, inde-</p><p>pendentemente de termo de compromisso. (caput do artigo 466 do CPC);</p><p>29</p><p>O perito pode ser substituído quando:</p><p>i. faltar-lhe conhecimento técnico ou científico;</p><p>ii. sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi</p><p>assinado ( artigo 468 e incisos;).</p><p>O perito substituído restituirá, no prazo de 15 (quinze) dias, os valores recebi-</p><p>dos pelo trabalho não realizado (...) artigo 468 do CPC;</p><p>O perito deverá dar ciência às partes, da data e do local designados pelo Juiz</p><p>ou indicados pelo perito para ter início a produção da prova. (artigo 474 do</p><p>CPC);</p><p>O perito deverá acessar o portal do perito no sistema de processo eletrônico</p><p>no qual está cadastrado, em períodos não superior a dez dias, para receber</p><p>as intimações ( Art. 5º., da Lei 11.419 de 20.12.2006).</p><p>O perito deverá estar habilitado para assinar digitalmente os processos ele-</p><p>trônicos para os quais for nomeado, Lei 11.419 de 20.12.2006;</p><p>Deverá utilizar assinatura eletrônica, por Certificado Digital ou usuário e se-</p><p>nha, de acordo com a exigência legal ou do sistema do respectivo Tribunal</p><p>nomeante;</p><p>O Perito deverá conhecer Normas, Resoluções, provimentos e portais dos</p><p>tribunais, voltados para área da perícia; estar inscrito em cadastro mantido</p><p>pelos Tribunais ( §1º. Do artigo 156 do CPC); prestar informações técnicas ou</p><p>cientificas, zelando pela verdade pura e incontestável (artigo 158 do CPC);</p><p>O perito deverá responder quesitos suplementares, porventura, apresentado</p><p>pelas partes (artigo 469 do CPC);</p><p>Acompanhar o Juiz em inspeção judicial, caso assim seja designado (artigo</p><p>482 do CPC).</p><p>8.3.2 – Dos direitos do Perito – conforme legislação processual civil</p><p>• Possibilidade de receber honorários adiantados e corrigidos monetaria-</p><p>mente ( artigo 95 do CPC);</p><p>• Não há necessidade de participar de concursos para sua atuação junto</p><p>ao Judiciário, basta estar regularmente inscrito no Cadastros dos Tribunais;</p><p>30</p><p>• Direito a não responder quesitos impertinentes (artigo 470 do CPC);</p><p>• Direito de cobrar honorários em conformidade com o volume das horas</p><p>trabalhadas e com a tabela normativa de cada Entidade de Classe;</p><p>• Direito de receber honorários logo após concluído o trabalho, com a ho-</p><p>mologação do laudo pericial, mesmo sendo parte responsável pelo paga-</p><p>mento, o Município, o Estado, a União, o Ministério Público;</p><p>• Direito de ser nomeado de forma equitativa, entre outros membros da</p><p>lista da Vara, assim como fiscalizar seu cumprimento (§ 2º., do artigo 157 do</p><p>CPC).</p><p>8.3.2 – Das Sanções em face do Perito – conforme regulamenta o Código de Di-</p><p>reito Penal.</p><p>Laudos periciais traduzem exercício de função pública, a qual resulta submis-</p><p>são aos princípios constitucionais que presidem a Administração Pública, as-</p><p>sim, sempre que houver função pública em jogo, os princípios da legalidade,</p><p>impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, entram em cena.</p><p>Os peritos judiciais assumem voluntariamente elevados deveres públicos,</p><p>assimilando os rigores de uma relação de sujeição especial mantida com o</p><p>Estado.</p><p>Tais são os auxiliares de encargo judicial, que sempre são pessoas físicas, ex-</p><p>ceto para a situação alencada no CPC. Daí por que o fato de um perito ser</p><p>um profissional que não integra os quadros do Judiciário</p><p>não o exime das</p><p>elevadas obrigações públicas, inclusive da obediência ao dever de probidade</p><p>administrativa que emerge tanto da Carta Magna (art.37, par.4o), quanto da</p><p>legislação infraconstitucional (Lei 8.429/92).</p><p>A tutela da probidade encontra respaldo constitucional direto no art.37, par.4º,</p><p>da Magna Carta, alcançando, inegavelmente, os peritos.</p><p>O laudo pericial envolve a obediência a regras jurídicas elementares ligadas</p><p>à interdição, à arbitrariedade dos funcionários públicos, motivação e transpa-</p><p>rência.</p><p>Tais normas repercutem nos deveres positivos e negativos dos peritos. Tra-</p><p>ta-se de exigir desses profissionais certos deveres públicos, marcadamente</p><p>aqueles relacionados à probidade administrativa, requisito geral de toda e</p><p>qualquer função pública.</p><p>Os peritos, enquanto auxiliares do Judiciário, possuem responsabilidades</p><p>31</p><p>por seus erros, equívocos ou transgressões, intencionais ou não. Cuida-se de</p><p>agentes públicos para fins de responsabilidade, podendo incorrer, inclusive,</p><p>no cometimento de crimes privativos de funcionários públicos.</p><p>Laudos são impugnados diariamente, assim como são desconsiderados.</p><p>Nem por isso obviamente, haverá responsabilidade pessoal dos peritos.</p><p>As condutas dos peritos podem oscilar, sutilmente, entre categorias como a</p><p>culpa, a culpa grave, o erro grosseiro, ou o dolo administrativo, nas suas varia-</p><p>das modalidades. Por isso, vê-se claramente a complexidade dos conteúdos</p><p>potenciais do conceito de perito inidôneo, que perpassa regras, princípios e</p><p>valores diversos na legislação especializada do Código Processual Civil.</p><p>Um laudo ilícito, confeccionado com desvio de poder, sem suporte em re-</p><p>gras técnicas e racionais, pode refletir o enriquecimento sem justa causa de</p><p>alguém. Cuida-se de uma equação aparentemente singela: o laudo gera o</p><p>enriquecimento vertiginoso, sem justa causa, de uma parte em detrimento</p><p>da outra.</p><p>Tanto o perito, quanto o juiz responsável pela homologação originária do lau-</p><p>do revestido de sinais de improbidade, podem ser chamados à responsabili-</p><p>dade pelos canais competentes.</p><p>Juízes que apreciam causas de enorme vulto econômico, com auxiliares pe-</p><p>ritos na confecção de laudos técnicos, reclamam uma incidência mais deta-</p><p>lhada de monitoramento correcional. Isso, porque tais autoridades tornam-se</p><p>mais vulneráveis e expostas às influências ostensivas ou sutis de segmentos</p><p>poderosos.</p><p>As áreas relativas a falências, cível, direito econômico, direito tributário, entre</p><p>outras muitas, podem merecer uma atenção especial, devido aos considerá-</p><p>veis interesses econômicos ou políticos em jogo.</p><p>Sobre o enriquecimento ilícito e as ferramentas legais ou administrativas de</p><p>prevenção ou repressão, registre-se que um perito, ao trabalhar em casos de</p><p>alta repercussão econômico-financeira, deve ter seus bens inventariados, sua</p><p>evolução patrimonial acompanhada, tal como ocorre com os agentes públi-</p><p>cos expostos ordinária e rotineiramente à Lei 8.429/92.</p><p>Durante o período de sua atuação, o Perito é considerado funcionário público</p><p>transitório, assim, Juízes e peritos, como os demais agentes públicos brasilei-</p><p>ros, estão submetidos ao princípio constitucional da responsabilidade.</p><p>Por oportuno frisar que, caso o perito não atenda às exigências legais para o</p><p>exercício de suas funções e disto resulte uma perícia deficiente ou inconclu-</p><p>siva, o juiz poderá reduzir os honorários periciais inicialmente arbitrados.</p><p>32</p><p>Apesar de o artigo 465, § 5º, do Código de Processo Civil dizer que “o juiz</p><p>poderá” reduzir a remuneração do perito, cremos que a interpretação siste-</p><p>mática implica a conclusão de que a redução dos honorários periciais é de</p><p>rigor. Com efeito, não tendo desempenhado seu ofício como deveria, já que</p><p>a perícia foi reputada deficiente ou inconclusiva, o recebimento do valor in-</p><p>tegral dos honorários periciais caracteriza enriquecimento ilícito, mormente</p><p>pelo fato de que para a realização de nova perícia outros honorários deverão</p><p>ser pagos pela parte, que acabaria sendo onerada excessivamente.</p><p>Há de supor, inclusive, que o juiz pode até mesmo indeferir o levantamento</p><p>de qualquer valor pelo perito quando a prova pericial for declarada nula por</p><p>sua culpa. É o caso, por exemplo, do perito que, não observando seus deveres</p><p>de zelo e diligência, realiza a perícia de forma desidiosa e apresenta um laudo</p><p>deficiente com conclusões parcas, que nem mesmo após os esclarecimen-</p><p>tos é possível a valoração da prova pelo magistrado.</p><p>Vejamos o que aduz o Código Penal Brasileiro:</p><p>• Funcionário Público: Art. 327 - Considera-se funcionário público, para</p><p>os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração,</p><p>exerce cargo, emprego ou função pública. § 1º - Equipara-se a funcionário</p><p>público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraesta-</p><p>tal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou</p><p>conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.</p><p>(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000);</p><p>• Falso testemunho ou falsa perícia: Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou</p><p>negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou</p><p>intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em</p><p>juízo arbitral: (Redação dada pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001).</p><p>• Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada</p><p>pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência). § 1o As penas aumentam-se de um</p><p>sexto a um terço, se o crime é praticado mediante suborno ou se come-</p><p>tido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo</p><p>penal, ou em processo civil em que for parte entidade da administração</p><p>pública direta ou indireta. (Redação dada pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001);</p><p>§ 2o O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que</p><p>ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade. (Redação dada</p><p>pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001);</p><p>• Corrupção ativa – Art. 342. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qual-</p><p>quer outra vantagem a testemunha, perito, contador, tradutor ou intérpre-</p><p>te, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento,</p><p>33</p><p>perícia, cálculos, tradução ou interpretação: (Redação dada pela Lei nº</p><p>10.268, de 28.8.2001). Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa. (Reda-</p><p>ção dada pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001).</p><p>Parágrafo único. As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o cri-</p><p>me é cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em</p><p>processo penal ou em processo civil em que for parte entidade da admi-</p><p>nistração pública direta ou indireta. (Redação dada pela Lei nº 10.268, de</p><p>28.8.2001)</p><p>• Falsidade ideológica - Art. 299 - Omitir, em documento público ou par-</p><p>ticular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir</p><p>declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de preju-</p><p>dicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente</p><p>relevante. Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é</p><p>público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particu-</p><p>lar.</p><p>Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime</p><p>prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assenta-</p><p>mento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.</p><p>• Uso de documento falso - Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis</p><p>falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302: Pena - a comi-</p><p>nada à falsificação ou à alteração</p><p>• Falsidade de atestado médico - Art. 302 - Dar o médico, no exercício da</p><p>sua profissão, atestado falso: Pena - detenção, de um mês a um ano.</p><p>Parágrafo único - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se</p><p>também multa.</p><p>• Falsificação de documento público - Art. 297 Falsificar, no todo ou em</p><p>parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena</p><p>- reclusão, de dois a seis anos, e multa.</p><p>§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do</p><p>cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.</p><p>§ 2º - Para os efeitos penais, equi-</p><p>param-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título</p><p>ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial,</p><p>os livros mercantis e o testamento particular. § 3o Nas mesmas penas incorre</p><p>quem insere ou faz inserir (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000).</p><p>i. na folha de pagamento ou em documento de informações que seja</p><p>34</p><p>destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não pos-</p><p>sua a qualidade de segurado obrigatório (Incluído pela Lei nº 9.983, de</p><p>2000);</p><p>ii. na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em do-</p><p>cumento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração</p><p>falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita (Incluído pela Lei nº 9.983,</p><p>de 2000);</p><p>iii. em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado</p><p>com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração</p><p>falsa ou diversa da que deveria ter constado (Incluído pela Lei nº 9.983, de</p><p>2000).</p><p>§ 4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados</p><p>no § 3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigên-</p><p>cia do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº</p><p>9.983, de 2000)</p><p>Exploração de prestígio - Art. 357 - Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer</p><p>outra utilidade, a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Pú-</p><p>blico, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha: Pena</p><p>- reclusão, de um a cinco anos, e multa.Parágrafo único</p><p>- As penas aumentam-se de um terço, se o agente alega ou insinua que o</p><p>dinheiro ou utilidade também se destina a qualquer das pessoas referidas</p><p>neste artigo.</p><p>9.0 – Da Perícia Judicial</p><p>9.1 – Da Perícia Como Meio De Prova</p><p>9.1.1. – Definições</p><p>Perícia é o meio de prova feita pela atuação de técnicos ou doutos promovida</p><p>pela autoridade policial ou judiciária, com a finalidade de esclarecer à Justiça</p><p>sobre o fato de natureza duradoura ou permanente.</p><p>O artigo 212 do Código de Processo civil estatui que os fatos jurídicos trazidos</p><p>no processo, podem ser provados, mediante I- confissão; II- documento; III</p><p>- testemunha; IV - presunção; V - perícia.</p><p>A prova pericial consistirá em exame, vistoria ou avaliação, e poderá ser deter-</p><p>minada pelo juiz “de ofício” (sem que qualquer das partes requeiram) ou a re-</p><p>querimento das partes. Será indeferida quando: a) não houver a necessidade</p><p>de conhecimento especial de técnico para prova do fato; b) o fato já estiver</p><p>35</p><p>comprovado por outros meios de prova; e, c) a verificação for impraticável</p><p>(art. 464, §1º, CPC).</p><p>• exame, que é a observação e análise de pessoas e objetos, para extrair as</p><p>informações pretendidas (ex: exame médico em pedido de benefício previ-</p><p>denciário por incapacidade, exame de DNA em pedido de investigação de</p><p>paternidade);</p><p>• vistoria, que é a análise de bens imóveis, para verificar e especificar o seu</p><p>estado;</p><p>• avaliação, que é a atribuição de valor ao bem, ou a definição do seu valor de</p><p>mercado. Caso o objeto da perícia envolva aspectos de maior complexidade,</p><p>abarcando várias áreas do saber, o juiz nomeará mais de um perito, haja vista</p><p>a necessidade de que cada um seja especializado em sua respectiva área de</p><p>conhecimento (art. 475, CPC).</p><p>A produção da prova pericial poderá ser dispensada quando as partes, na</p><p>inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, parece-</p><p>res técnicos ou documentos elucidativos que forem considerados suficientes</p><p>pelo magistrado (art. 472, CPC).</p><p>9.1.1.1 – Bens - definições</p><p>BEM É tudo aquilo que é útil às pessoas. Portanto,</p><p>suscetível de apropriação.</p><p>COISA É todo o bem suscetível de avaliação econômica</p><p>e apropriação pela pessoa.</p><p>BENS MÓVEIS</p><p>São aqueles suscetíveis de movimento próprio</p><p>ou de remoção por força alheia, sem que isso</p><p>altere a sua substância ou destinação econô-</p><p>mica. Ex.: cadeira, eletroeletrônicos etc.</p><p>BENS SEMOVENTES</p><p>Possuem movimento próprio ou de remoção</p><p>por natureza. Ex.: gados em geral, a energia</p><p>elétrica etc.</p><p>A VIDA, A SAÚDE E A LIBERDADE SÃO CONSIDERADOS BENS QUE NÃO PODEM DE MANEIRA</p><p>NENHUMA SEREM AUFERIDOS ECONOMICAMENTE.</p><p>9.1.2 - Prova Técnica Simplificada – Perícia Simplificada</p><p>Em muitos casos, apesar da necessidade de conhecimentos técnicos ou cien-</p><p>tíficos especializados para a comprovação de determinado fato, pode ocorrer</p><p>que a causa não envolva questões de alta complexidade.</p><p>Nesta hipótese o juiz poderá de ofício, ou a requerimento das partes, substi-</p><p>tuir a perícia por prova técnica simplificada, a qual consiste apenas na inqui-</p><p>36</p><p>rição do especialista sobre os pontos controvertidos da causa.</p><p>Durante sua arguição, o especialista poderá se utilizar de qualquer recurso</p><p>tecnológico de transmissão de sons e imagens.</p><p>9.1.3 – Prova Consensual - Perícia Consensual</p><p>Além da nomeação do perito pelo juiz, a Lei nº 13.105/2015 passou a permitir</p><p>que as partes, de comum acordo, escolham o perito que deverá atuar no caso</p><p>(art. 471). Essa escolha poderá ser feita através de requerimento das partes, se</p><p>plenamente capazes, e desde que a causa admita autocomposição (acordo).</p><p>No mesmo momento em que as partes, de comum acordo, escolhem o peri-</p><p>to, deverão indicar seus assistentes técnicos e apresentar quesitos.</p><p>O trabalho pericial será realizado em local e data previamente agendados,</p><p>tendo o perito que apresentar seu laudo no prazo fixado pelo juiz, assim como</p><p>deverão fazer também os assistentes técnicos com seus pareceres.</p><p>A perícia consensual não enfraquece a força probante do trabalho, substi-</p><p>tuindo, para todos os efeitos, a perícia que se realizaria caso o expert fosse</p><p>nomeado pelo magistrado.</p><p>Não há necessidade de que o perito escolhido consensualmente pelas partes</p><p>esteja inscrito no cadastro do tribunal. Quando indicam o perito, as partes já</p><p>devem indicar também os assistentes técnicos que acompanharão a perícia</p><p>e a data e o local em que será ela realizada (art. 471, § 1.º). 11 de mar. de 2016</p><p>Sobre a perícia consensual, o Conselho Nacional de Justiça, manifestou a pre-</p><p>ocupação em admitir peritos consensuais que não estejam cadastrados jun-</p><p>to ao Tribunal, veja abaixo:</p><p>“CONSELHEIRO Rogério José Bento Soares do Nas-</p><p>cimento: Adoto o relatório, bem lançado, e acom-</p><p>panhando o voto pela aprovação do ato normativo,</p><p>todavia, acrescento as considerações que seguem:</p><p>Louvo a excelência do trabalho desenvolvido pelo</p><p>Grupo que examinou, neste Conselho Nacional, os</p><p>reflexos da entrada em vigor do atual Código de</p><p>Processo Civil, e manifesto minha integral concor-</p><p>dância com a proposta de resolução relatada por</p><p>Sua Excelência o eminente conselheiro Carlos Au-</p><p>gusto Levenhagen, a propósito da criação de Cadas-</p><p>tro Nacional de Peritos, previsto no art. 156 do atual</p><p>CPC com registro, no entanto, que a mim parece: a)</p><p>insuficiente o mecanismo criado para comprometer</p><p>o perito consensual com o interesse da justiça, e b)</p><p>necessário refletir sobre a possibilidade e oportuni-</p><p>37</p><p>dade de estender ao tradutores e intérpretes o mes-</p><p>mo tratamento conferido na resolução ao peritos.</p><p>Acredito que o perito consensual tem de se ca-</p><p>dastrar, a autonomia da vontade não é isenta de</p><p>limites, no interesse público da administração da</p><p>justiça, que é provocada. Nenhuma causa resulta</p><p>da vontade do Judiciário. Esse é a linha da proposta,</p><p>pelo que decorre do art. 6º e do art. 10, §§ 1º e 2º.</p><p>Todavia, penso que impedir o recebimento pela</p><p>perícia realizada é correto, mas não suficiente para</p><p>comprometer com o cadastro, e para coibir um con-</p><p>luio das partes com um perito consensual, visando</p><p>ferir interesse de terceiros. Talvez pudesse vir a ser</p><p>construída uma solução no sentido de que, não</p><p>havendo o cadastro, que é essencial para garantir</p><p>a capacidade e a credibilidade do perito ou órgão</p><p>escolhido, a perícia não será homologada, não serve</p><p>como prova. O juiz ficaria então, desobrigado da</p><p>escolha das partes e nomearia um profissional ou</p><p>órgão técnico cadastrado.</p><p>Por fim, muito embora esteja fora de dúvida</p>