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1 PERÍCIA E ARBITRAGEM NATÁLIA MIRANDA FONSECA JOSÉ GERALDO TEIXEIRA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA FACULDADE ÚNICA 1 PERÍCIA E ARBITRAGEM NATÁLIA MIRANDA FONSECA JOSÉ GERALDO TEIXEIRA 1 © 2021, Faculdade Única. Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autoriza- ção escrita do Editor. FACULDADE ÚNICA EDITORIAL Diretor Geral:Valdir Henrique Valério Diretor Executivo:William José Ferreira Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Cristiane Lelis dos Santos Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Gilvânia Barcelos Dias Teixeira Revisão Gramatical e Ortográfica: Izabel Cristina da Costa Revisão/Diagramação/Estruturação: Bruna Luíza mendes Leite Carla Jordânia G. de Souza Guilherme Prado Design: Aline De Paiva Alves Bárbara Carla Amorim O. Silva Élen Cristina Teixeira Oliveira Taisser Gustavo Soares Duarte Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920. NEaD – Núcleo de Educação a Distância FACULDADE ÚNICA Rua Salermo, 299 Anexo 03 – Bairro Bethânia – CEP: 35164-779 – Ipatinga/MG Tel (31) 2109 -2300 – 0800 724 2300 www.faculdadeunica.com.br 2 PERÍCIA E ARBITRAGEM 1° edição Ipatinga, MG Faculdade Única 2021 3 4 LEGENDA DE Ícones São os conceitos, definições ou afirmações importantes aos quais você precisa ficar atento. Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a seguir: São opções de links de vídeos, artigos, sites ou livros da biblioteca virtual, relacionados ao conteúdo apresentado no livro. Espaço para reflexão sobre questões citadas em cada unidade, associando-os a suas ações. Atividades de multipla escolha para ajudar na fixação dos conteúdos abordados no livro. Apresentação dos significados de um determinado termo ou palavras mostradas no decorrer do livro. FIQUE ATENTO BUSQUE POR MAIS VAMOS PENSAR? FIXANDO O CONTEÚDO GLOSSÁRIO 5 SUMÁRIO UNIDADE 1 UNIDADE 2 UNIDADE 3 1.1 Introdução .........................................................................................................................................................................................9 1.2 Conceito de Perícia e Perícia Contábil ........................................................................................................................10 1.3 Tipos de perícia .............................................................................................................................................................................11 1.3.1 Perícia Judicial ...........................................................................................................................................................................12 1.3.2 Perícia Extrajudicial .................................................................................................................................................................13 1.3.3 Perícia Arbitral ...........................................................................................................................................................................13 1.4 Legislação básica .......................................................................................................................................................................14 1.5 Perito contábil ..............................................................................................................................................................................15 1.6 Cadastros .........................................................................................................................................................................................16 1.7 Perito ou auditor .........................................................................................................................................................................18 FIXANDO O CONTEÚDO ..............................................................................................................................................................19 2.1 Introdução .....................................................................................................................................................................................23 2.2 Esferas do poder .......................................................................................................................................................................23 2.3 Estrutura dos poderes no Brasil ....................................................................................................................................24 2.4 Processos .......................................................................................................................................................................................26 2.5 Provas ...............................................................................................................................................................................................26 2.6 Processo Judicial Digital .....................................................................................................................................................28 2.7 Participantes do processo .................................................................................................................................................30 2.7.1 Perito do juízo ............................................................................................................................................................................31 2.7.2 Assistente técnico ..................................................................................................................................................................32 2.8 Rito processual ..........................................................................................................................................................................33 FIXANDO O CONTEÚDO .............................................................................................................................................................36 3.1 Introdução .....................................................................................................................................................................................40 3.2 A perícia é requerida ............................................................................................................................................................40 3.3 O Juíz defere a perícia e escolhe seu perito .........................................................................................................40 3.4 As partes formulam quesitos e indicam seus assistentes ..........................................................................40 3.5 Carga dos autos e leitura ....................................................................................................................................................42 3.6 Aceitação ou recusa ..............................................................................................................................................................44 3.7 Planejamento e honorário ................................................................................................................................................46 3.8 Manifestação e homologação sobre os honorários .........................................................................................473.8.1 Pagamento de honorários nos processos cível e trabalhista ..............................................................................49 FIXANDO O CONTEÚDO .............................................................................................................................................................53 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA PERÍCIA O PODER JUDUCIÁRIO NO BRASIL UNIDADE 4 4.1 Introdução .....................................................................................................................................................................................57 4.2 Indicação do local e da ciências as partes .............................................................................................................57 4.3 Desenvolvimento do trabalho pericial .....................................................................................................................58 4.4 Responsabilidade por equipe técnica ......................................................................................................................59 4.5 Diligências ....................................................................................................................................................................................59 4.6 Laudo ................................................................................................................................................................................................61 4.6.1 Parecer pericial .......................................................................................................................................................................62 4.6.2 Estrutura dos laudos ............................................................................................................................................................63 4.6.3 Resposta dos quesitos .........................................................................................................................................................63 4.6.4 Requisitos de um laudo contábil ....................................................................................................................................63 4.6.5 Dupla interpretação do laudo contábil ........................................................................................................................64 4.6.6 Opinião interpretativa em perícia ..................................................................................................................................64 FIXANDO O CONTEÚDO .............................................................................................................................................................67 O FLUXO DE TRABALHO DE PERITO: FASE PRELIMINAR FASE OPERACIONAL FASE OPERACIONAL 6 SUMÁRIO UNIDADE 5 UNIDADE 6 5.1 Introdução ......................................................................................................................................................................................71 5.2 Entrega do laudo e esclarecimentos ...........................................................................................................................71 5.2.1 Quesitos suplementares ......................................................................................................................................................73 5.3 Laudo inconclusivo ou deficiente ................................................................................................................................74 5.4 Segunda perícia ........................................................................................................................................................................75 5.5 Conclusão ......................................................................................................................................................................................76 FIXANDO O CONTEÚDO .............................................................................................................................................................77 FASE FINAL DA PERÍCIA 6.1 Introdução ......................................................................................................................................................................................81 6.2 Arbitragem ....................................................................................................................................................................................81 6.3 Medição ..........................................................................................................................................................................................83 6.3.1 Medição judicial .....................................................................................................................................................................84 6.3.2 Medição extrajudicial ..........................................................................................................................................................84 6.4 Perito na medição ..................................................................................................................................................................85 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................................................................................87 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO ....................................................................................................................90 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................................................................91 ARBITRAGEM E MEDIÇÃO 7 UNIDADE 1 Para resolver discursões entre conflitantes, faz-se necessário a prova. Por meio da prova, tem-se a comprovação da autenticidade ou veracidade dos fatos. A perícia é um meio de prova muito importante. Nesta unidade será abordado o conceito, tipo e legislação sobre a prova pericial. UNIDADE 2 Ao realizar uma perícia contábil judicial é essencial conhecer a rotina processual para não atrapalhar o andamento do processo, o juiz e as partes. Nesta unidade serão explicadas as esferas de poder e a estrutura judicial brasileira; as rotinas, ou seja, os ritos de um processo físico ou digital; provas aceitas no judiciário e quem são os participantes de um processo judicial. UNIDADE 3 Foram expostas na Unidade 1 as diferenças entre Perícia Judicial, Extrajudicial e Arbitral, mas o núcleo central das unidades 3, 4 e 5 é a Perícia Contábil Judicial. Na Unidade 3 começamos com a Fase Preliminar. UNIDADE 4 A fase operacional da Perícia Contábil Judicial são as ações praticadas por peritos e assistentes técnicos com o propósito de elucidar as dúvidas levantadas. Nesta fase têm-se a indicação da data e local da perícia, depois a realização das diligências com formalização de atas, desenvolvimentos dos procedimentos técnico-científicos e culmina na montagem do laudo pericial. UNIDADE 5 O conteúdo desta unidade discute os procedimentos que podem ocorrer após a entrega do laudo pericial. As partes podem pedir esclarecimentos; a perícia pode ser considerada insuficiente ou deficiente, necessitando de segunda perícia; ou o juiz por concluir o trabalho pericial. UNIDADE 6 Aborda a Lei de Arbitragem e a Lei de Mediação, que são uma evolução da justiça brasileira e dão à população uma outra opção de Justiça. Essas leis rompem com o mito de que apenas o aparelhamento estatal tem o poder de resolver conflitos jurídicos. C O N FI R A N O L IV R O 8 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA PERÍCIA UNIDADE 01 9 1.1 INTRODUÇÃO Quando duas pessoas fazem um acordo ou um contrato, escrito ou não, e uma das partes não cumpre o contratado ouacordado, a outra pessoa se sente prejudicada em seus direitos. O ideal é que esse problema se revolva por si só, mas quando os conflitos não são solucionados entre as partes, têm-se a necessidade da intercessão de terceiros. As intervenções podem ser feitas pelo Judiciário, monopolizado pelo Estado, ou por meios alternativos fora do judiciário, utilizados por pequena parte da população brasileira, como é o caso da mediação e da arbitragem. ara solicitar a intercessão de terceiros, a parte prejudicada apresenta no processo o problema e as provas, pois como poderia o juiz ou o árbitro decidir em um processo sem se basear em provas concretas? Eles ficariam à mercê do “disse me disse”. Tanto intervenções pelo Judiciário como por meios alternativos fora do judiciário, a parte que se sente prejudicada precisa se amparar com provas, conforme ensina o brocar- do latino “allegatio et non probatio, quase non allegatio”, que em livre tradução significa que o alegado desacompanhado de prova é o mesmo que não alegado, ou seja, o que é alegado sem prova não goza da necessária credibilidade. A prova no direito processual corresponde a todo elemento que fornece dados para convencer o juiz ou o árbitro a respeito da existência de determinado fato, tido como rele- vante para a solução do processo. Os meios de se obter provas em um processo, na legisla- ção brasileira, estão elencados de forma exemplificativa no Código Civil, mais precisamen- te no artigo 212, que prevê: “Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I – a confissão, II – os documentos, III – as testemunhas, IV – a presunção, V – as perícias”. (Grifo nosso) (BRASIL, 2002) Conforme artigo 212, uma opção de prova é a perícia. Trata-se de atividade técnica e científica necessária ao esclarecimento de questões processuais. Assim, pode-se entender perícia como a aplicação do conhecimento humano com a finalidade de descobrir algo que não está evidente, mostrar o que não está claro para quem está analisando e julgando aquilo que está em discussão entre duas ou mais partes. É de grande importância a prova pericial dentro de um processo, uma vez que ela provê elementos técnicos e/ou científicos. Por meio dos laudos, se expõe de forma organi- zada e fundamentada as observações e estudos realizados, abastecendo o juiz ou o árbitro de informações que possam auxiliar em sua tomada de decisão no julgamento do proces- so. A perícia está em todos os ramos do conhecimento, quer seja das ciências huma- nas, quer seja das ciências exatas (exemplos: contábil, engenharia, informática, médica, trabalhista e outras). Nas ciências humanas encontra-se na área da Contabilidade a perícia contábil. Ela é a verificação de fatos ligados aos lançamentos contábeis, ao patrimônio das entidades econômico-administrativas, sendo estas entidades que reúnem os seguintes elementos: pessoas, patrimônio, titular, capital, tributos e ação administrativa. A Perícia Contábil Judicial pode ser solicitada para efeito de prova ou opinião que 10 exija conhecimento dessa área profissional, com o objetivo de auxiliar o juiz de direito no julgamento de uma lide. A perícia contábil sempre irá recair sobre os elementos que fazem parte ou ainda que possuam alguma relação com o patrimônio. Fica fácil então distinguir quando uma perícia deve ser contábil ou não. Lembre-se, mesmo que não exista uma relação direta com a questão patrimonial, ela poderá ser assim solicitada. Isso ocorre, pois mesmo algu- mas relações externas podem caracterizar essa ligação. O Poder Judiciário tem por costume determinar a perícia contábil para qualquer tipo de perícia que tenha cálculos. Quem fazia esse trabalho, antigamente, eram contadores concursados dos tribunais, mas com a diminuição desses empregados internos nos tribu- nais e o aumento expressivo das demandas, foi necessário utilizar o trabalho de profissio- nais externos. Mesmo que outros profissionais possam fazer cálculos financeiros, perma- nece o entendimento de que quem faz conta é o contador. Importante entender que há grande diferença entre “indício” e “prova”. Como a perí- cia é uma opção de prova, o contador não pode oferecer seus laudos apenas com base em indícios, e sim com base em evidências. O indício é um caminho; jamais uma prova. Sendo o laudo pericial um forte elemento de decisão, não deve ter sua opinião conclusiva basea- da apenas em indícios. Assim, por exemplo, se uma empresa mantém compras maiores do que seus volu- mes de vendas há um “indício” de que possa estar havendo irregularidades nas vendas, porém, não uma prova. Se existe um saldo “credor” de caixa, há indício de desvio, mas nun- ca “prova de fraude” (o saldo pode decorrer de erro de lançamento). Se uma empresa tem sobras de caixa, saldo muito elevado e se está tendo despesas financeiras, há um “indício” de que algo não está regular, mas nunca só isso é uma “prova de irregularidade”. 1.2 CONCEITO DE PERÍCIA E PERÍCIA CONTÁBIL Quando precisamos de uma opinião válida, competente, de um entendedor, bus- camos um Perito. A expressão perícia advém do latim: Peritia, que em seu sentido próprio significa Conhecimento adquirido pela experiência, bem como Experiência. No dicionário perícia tem como sinônimo as palavras: prática, sabedoria, experiência, habilidade, destre- za em alguma ciência ou arte. PERÍCIA É o trabalho de inegável especialização fei- to com o objetivo de obter prova ou opinião para orientar uma autoridade formal no jul- gamento de um fato, ou desfazer conflito de interesses de pessoas. Figura 1 – Conceito de perícia Segundo o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), através da Norma Brasileira de Contabilidade (NBC TP 01 no item 2), têm-se a definição de perícia contábil: 11 “A perícia contábil constitui o conjunto de procedimen- tos técnico-científicos destinados a levar à instância de- cisória elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução do litígio ou constatação de fato, mediante laudo pericial contábil e/ou parecer técnico-contábil, em con- formidade com as normas jurídicas e profissionais e com a legislação específica no que for pertinente”. (BRASIL, 2020) Ao fazer um trabalho profissional, o contador espera que resulte em benefício para a sociedade, pois o objetivo da perícia contábil é propiciar condições de justiça. Por exem- plo, uma pessoa que não deve uma conta não tem que pagá-la, assim como aquela que é devedora deve efetuar seu pagamento. Ao executar uma Perícia Contábil são levados em consideração os efeitos sociais dela decorrentes, como em outro exemplo, uma honesta e justa partilha de bens, em um pro- cesso de inventário, cuja decisão do juiz seja orientada pelo trabalho do contador, nas fun- ções de perito, resultará em bem-estares a todos relacionados na partilha. Para saber mais sobre como avaliar os bens inventariados corretamente, verificar a Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil, em seu artigo 1.187. Muitos outros são os casos de ações judiciais para os quais se requer a perícia con- tábil como força de prova. A finalidade principal da perícia contábil é confirmar os acon- tecimentos ou questões contábeis relativas à causa, ou seja, ao aspecto patrimonial. São várias as aplicações da perícia contábil: apuração de haveres, lucros cessantes, revisional de contratos indenizatórias, entre outras. A perícia contábil, como as demais perícias, deve ser focada no fato que está sendo objeto de litígio, para a qual o laudo deve ser estabelecido. O laudo deve ser elaborado em linguagem acessível, para permitir seu fácil entendimento e propiciar o entendimento dos fatos apurados para agilizar o julgamento do processo. 1.3 TIPOS DE PERÍCIAS Existem três tipos de perícias que se distinguem por suas finalidades e pelas situa- ções que a exigem como instrumento de orientação. As perícias judiciais, como o próprio nome indica, são aquelas solicitadas pelo Poder Judiciário de qualqueresfera, tanto civil, criminal, quanto trabalhista. As perícias extrajudiciais são aquelas promovidas por entes, quer sejam empresariais ou pessoas físicas, com a finalidade de resolver eventuais desavenças entre as partes de forma particular. Por último, de acordo com a Lei 9.307, de 23 de setembro de 1996, que dispõe sobre a arbitragem, têm-se as perícias arbitrais, criadas com a finalidade de sanar desavenças entre as partes, fora do âmbito da justiça, porém, com o objetivo de agilizar acordos entre elas. Assim, tratando-se do processo, a perícia pode ser: 12 Judicial Por iniciativa dos magistrados ou a requerimento das partes ou dos repre- sentantes do Ministério Público, com deferimento do juiz, para resolver questões segundo as leis processuais: cível, criminal ou trabalhista. Extrajudicial Por iniciativa de gestores, para resolver conflitos internos nas organizações e entre organizações. Arbitral Por iniciativa dos árbitros, para solução de conflitos extrajudiciais. Quadro 1: Tipos de perícias. Fonte: Autoria própria O Livro Perícia Contábil - Aplicação Prática do autor João Carlos Dias da Costa no capítulo 1.4 reforça quais são os tipos de perícia de acordo com a NBC TP 01. (COS- TA, 2017) Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597009460/. BUSQUE POR MAIS 1.3.1 Perícia judicial A perícia judicial é exercida sob a tutela do Poder Judiciário. Quando a solução de um litígio é requerida aos tribunais, ao órgão julgador cabe entender a matéria em questão, dependendo disso sua decisão. A primeira condição para o julgamento é a apuração exata dos fatos e o conheci- mento preciso das causas originárias do litígio. Sabe-se que os magistrados são doutores em Direito, mas não se espera que sejam polivalentes, ou seja, técnicos ou cientistas em todos os assuntos. Assim, considera-se que a perícia é um meio de apuração desses fatos, pois o parecer de profissional entendido na matéria em julgamento é esclarecedor e um meio de prova. Mesmo que os juízes tenham cultura contábil, (juízes que possuem formação nesse campo) não podem acumular as funções de “perito” e de “juiz”, nem indeferir pedido de perícia com base apenas nessa condição. Os tribunais entendem que a função de perito é específica e é vedada na Justiça a acumulação de função, baseado no inciso XVI do art. 37 da Constituição Federal. (BRASIL, 1988) Por isso, a perícia judicial poderá ser requerida pelo juiz de direito e exercida sob a tu- tela do sistema judiciário brasileiro. Um exemplo de perícia contábil que poderá ser solici- tada pelo juiz é o cálculo da apuração de haveres de sócio excluído em sociedade limitada, em demanda pleiteada pelos demais sócios. A perícia judicial constitui-se em uma das provas mais importantes para o conven- cimento do juiz ou árbitro. O art. 156 do vigente Código de Processo Civil diz: “O juiz será assistido por um perito quando a prova de um fato depender de conhecimento técnico ou científico”. A perícia judicial tem como finalidade principal a utilização de um perito nomeado pelo juiz, para auxiliá-lo em sua decisão com a destreza e habilidade de seu conhecimento sobre sua ciência, um expert no assunto. A perícia judicial é específica e está definida nos artigos 464 e seguintes do Código do Processo Civil, na Seção X, Da Prova Pericial, onde se lê “Art. 464. A prova pericial consis- te em exame, vistoria ou avaliação.”. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597009460/. 13 No caso de perícia judicial contábil, o trabalho, deve ser conferido pelo juiz a um contador, perito por ele designado, todas as vezes que as partes requererem e for julgado procedente o pedido. Outros exemplos, se o juiz deseja saber se uma pessoa teve em sua conta bancária somas de dinheiro que ultrapassaram a sua renda ou que não possuem origem comprovada, apenas uma perícia específica da conta permitirá que se forme uma opinião. Se o juiz deseja saber se um funcionário utilizou corretamente o dinheiro que lhe foi entregue em determinado período para realizar determinados gastos, só uma perícia pode determinar. 1.3.2 Perícia extrajudicial É natural que pessoas em conflito não cheguem facilmente a acordo, em primeiro lugar, pelo interesse egoístico de cada uma; em segundo, por incompreensão ou falta de saber da matéria em questão. Como a função do contador é de informante e consultor, ele desempenha papel relevante nas questões suscitadas entre partes em oposição de inte- resses econômicos. Solicita-se então a intervenção desse profissional tanto para obter “juízo imparcial” no assunto debatido, quanto para explicar tecnicamente a questão em que não se harmo- nizam os interesses. A perícia extrajudicial opera-se, principalmente, por acordo entre as partes. Estas concordam que a questão pendente seja solucionada tendo por base a infor- mação pericial. A perícia extrajudicial tenta resolver uma demanda por meio da livre negociação en- tre as partes, não estando sob a tutela da Justiça. É realizada a comando de uma ou mais partes interessadas, visando realizar verificações necessárias. Nas perícias extrajudiciais o perito, para atingir os objetivos, poderá empregar as formas de trabalho utilizadas em Pe- rícias Judiciais. Registre-se que pode haver necessidade de consultas e levantamentos de dados de outros profissionais, por exemplo para avaliar imóveis, máquinas, veículos ou equipa- mentos, nos casos de integralização de capital com bens. Na integralização de capital com bens, em sociedades anônimas, as perícias são obrigatórias por força da legislação societá- ria conforme Lei nº 6.404/76. Qualquer forma de viabilizar uma solução amigável, que vai desde o parecer de um perito até o juízo arbitral é extrajudicial, por não se processar judicialmente a matéria. FIQUE ATENTO 1.3.3 Perícia arbitral É aquela exercida sob o controle da Lei de Arbitragem (Lei n. 9.307/96). A arbitragem é uma solução de conflitos alternativa ao Poder Judiciário. As partes litigantes estabele- cem, em contrato ou simples acordo, que farão uso do juízo arbitral para solucionar contro- vérsia existente em vez de acionar o Poder Judiciário. A perícia arbitral situa-se no âmbito do juízo arbitral. O juízo arbitral escolhido profere a sentença arbitral, que tem o mesmo efeito de uma sentença de um Juiz de Direito, sen- 14 do obrigatória entre as partes. Mais informações sobre perícia arbitral estão disponíveis na Unidade 6. 1.4 LEGISLAÇÃO BÁSICA No que diz respeito às normas de natureza técnica-contábil das perícias extrajudicial, judicial ou arbitral, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), no cumprimento de sua atribuição privativa, editou as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs) que devem ser adotadas por todos os profissionais da contabilidade no Brasil: • NBC TP 01(Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas e Profissionais), que trata da Perícia Contábil; • NBC PP 01(Normas Brasileiras de Contabilidade Princípios de Contabilidade), que trata do Perito Contábil; • NBC PG 01 Código de Ética Profissional do Contador • NBC PG 100 (Norma Brasileira de Contabilidade) que trata sobre Cumprimento do Código, dos Princípios Fundamentais e da Estrutura Conceitual; e. • NBC PG 300 (Norma Brasileira de Contabilidade) que trata sobre Contadores que Prestam Serviços (Contadores Externos). Durante o processo de elaboração da prova pericial contábil, pode ser que seja ne- cessário análise da contabilidade mediante os registros. Nesse sentido, é preciso verificar se estão de acordo com as resoluções e normas brasileiras de contabilidade do Conselho Federal de Contabilidade. Como condição para um perfeito exame pericial contábil é imprescindível que o pe- rito conheça com detalhamento a ITG 2000 (R1) – Escrituração Contábil, principalmente, nos casos que envolvam análise de livros contábeis. Acesse o site do Conselho Federal de Contabilidade e leia as Normas Brasileiras de Contabilidade NBC TP 01 e NBC PP 01para aprender mais sobre perícia. O livro eletrônico Perícia, avaliação e arbitragem dos autores Marcelo Rabelo Henrique e Wendell Alves Soares no capítulo 3.2 trata diversos pontos importan- tes sobre a norma NBC PP 01 – Perito Contábil. (HENRIQUE, 2015) BUSQUE POR MAIS Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/31410/pdf/0?code=okx- Sd6EcZX9hWCiW+Pb4HaLT0op1ek6dJkEYDzJuy8wjQOrblBC7/F3Fdt7uZSoMImNyhxyxm- Cx2EYvQSCMn0g==/. No que diz respeito à perícia judicial no Poder Judiciários, têm se o Código de Proces- so Civil, Lei 13.105/2015 (CPC) e o Código Civil, Lei 10,406 de 2002. Em 1.939 o CPC já estabe- lecia vagas regras sobre perícia judicial. Contudo, foi em 1946 com o advento do Decreto de 1946 que criou o Conselho Federal de Contabilidade e definiu as atribuições do Contador e padronizou a Perícia Contábil no Brasil. Em 1973 ao publicar o “segundo” Código de Processo Civil de 1973, as perícias judi- ciais ficaram ainda mais aperfeiçoadas com legislação ampla, clara e aplicável. Nesse se- https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/31410/pdf/0?code=okxSd6EcZX9hWCiW+Pb4HaLT0op1ek https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/31410/pdf/0?code=okxSd6EcZX9hWCiW+Pb4HaLT0op1ek https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/31410/pdf/0?code=okxSd6EcZX9hWCiW+Pb4HaLT0op1ek 15 gundo CPC havia um bom conjunto de normas periciais, mas elas estavam editadas com inúmeras outras regras processuais, o que dificultava o trabalho do perito contábil, princi- palmente, se este não tivesse conhecimento da área jurídica. Atualmente, as normas que regem a perícia judicial estão elencadas no novo CPC, que entrou em vigor em março de 2016, cujos artigos servem para qualquer tipo de perícia: a contábil, a médica, a de avalição, entre outras. O Código de Processo Civil, como o próprio nome diz, aborda as perícias da área civil, como as perícias trabalhistas têm como foro a Justiça do Trabalho, deve ser observada a Lei Processual Trabalhista (LPT), ou seja, a Lei nº 5.584/70. Mas o CPC ainda é fonte subsidiária naquilo em que a LPT for omissa (art. 769 da CLT). Hoje são muitas as normas e leis que cuidam dessa importante tarefa que é atribui- ção do contador, praticamente, em todas as comarcas do território nacional tem-se algum regulamento sobre o perito. Ressalte-se que, embora a Perícia Contábil não seja uma pro- fissão, é uma importante função e exige conhecimento especializado para atendimento de sua finalidade social. 1.5 PERITO CONTÁBIL Este profissional assume uma responsabilidade enorme por possuir total indepen- dência em relação à entidade de classe, bem como liberdade de juízo científico. Suas afir- mações envolvem interesses e valores consideráveis, atuando como elemento de forma- ção da convicção do juiz no processo de tomada de decisão. Figura 2 – O perito contábil O perito contábil é um profissional de fé pública e a responsabilidade de sua afirma- ção é grande, pois é o “ponto de apoio” para decisões de autoridades judiciárias, assim, seu trabalho é tanto mais complexo quanto maior a soma de interesses em conflito. O perito tem uma grande responsabilidade pelas ações que pratica, e se as suas afir- mações ou omissões causarem prejuízos às partes, ele estará sujeito a sanções civis, penais e profissionais. O perito contábil é o contador registrado no Conselho Regional de Contabilidade (CRC), que exerce a atividade pericial de forma pessoal, devendo ser profundo conhecedor devido às suas qualidades e experiências da matéria periciada, segundo a NBC PP 01. Ser contador, estar registrado e em dia com suas obrigações perante o Conselho Regional de Contabilidade são os requisitos que capacitam legalmente o profissional. Legalmente, é inválida e anulável a perícia executada por elemento não Contador, quando relativa a objeto de ordem de natureza patrimonial, de empresas ou de institui- ções, ligado a registros ou fatos contábeis. Entende-se que, se a prova que se precisa, se a opinião que se promove relaciona-se a um tipo de conhecimento, é este que deve caracte- rizar a natureza do trabalho e a capacitação legal do executor da tarefa. A sua habilitação como perito em Contabilidade será provada por intermédio de uma Certidão de Regularidade Profissional emitida pelos Conselhos Regionais de Con- 16 tabilidade (CRCs). Essa certidão deverá ser anexada no primeiro ato de sua manifestação e na apresentação do laudo pericial contábil ou parecer técnico-contábil para atender às exigências legais. O perito deve ter conhecimentos técnicos, aprimoramento cultural diversificado e ser especializado e aperfeiçoado em sua área de atuação. Trata-se de um profissional que detém conhecimentos técnicos e/ou científicos que o tornam apto a auxiliar a Justiça quando é necessária a aplicação de suas habilidades para provar algum fato ou ato, confor- me o art. 156 do Código de Processo Civil (CPC). Art. 156. O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico. § 1º Os peritos serão nomeados entre os profissionais le- galmente habilitados e os órgãos técnicos ou científicos devidamente inscritos em cadastro mantido pelo tribu- nal ao qual o juiz está vinculado. (BRASIL, 2015) A Norma de Perícia Contábil (NBC TP 01) dispõe que não poderá ser aceito pelo Con- selho de Contabilidade laudo ou parecer técnico elaborado por profissional não habilitado perante o Conselho. Para melhor atender ao § 1 do artigo 156 citado acima, o CFC editou a Resolução no 1.502 em 19 de fevereiro de 2016, para formar um sistema de cadastro de pro- fissionais qualificados que podem atuar como Peritos Contábeis e oferecer esse banco de dados ao judiciário e à sociedade. Além disso, o novo sistema de cadastramento tem por objetivo atender aos princí- pios constitucionais de moralidade, transparência e publicidade dos atos judiciais relativos à nomeação dos Auxiliares da Justiça, bem como reduzir rotinas repetitivas e extinguir a distribuição de documentos e currículos pelos Auxiliares da Justiça a cada uma das Unida- des Judiciais dos Estados. 1.6 CADASTROS Assim, a partir da Resolução CFC nº 1.502 criou-se o Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) com o objetivo de oferecer ao Judiciário e à sociedade uma lista de profissionais qualificados que atuam como peritos contábeis. Conforme essa Resolução, até 31 de dezembro de 2017, para ingressar no Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC) era preciso apresentar a comprovação de experi- ência em perícia contábil. No ato da inscrição era preciso, além da experiência, indicar a especificação da área de atuação e o estado e município em que se pretendia exercer as atividades. A partir de 01 de janeiro de 2018, o interessado mesmo sem experiência pode ingres- sar no CNPC, mas precisa ser aprovado no Exame de Qualificação Técnica (EQT) para perito contábil. Esse exame tem por objetivo aferir a competência técnico-profissional e o nível de conhecimentos necessários ao contador que pretende atuar na atividade de perícia contábil. Uma vez que é de suma importância que a perícia seja feita com qualidade, seguin- do as determinações e orientações emanadas das normas que regem a área do conheci- mento especializado em questão e tendo em vista a rapidez com que as transformações vêm ocorrendo, é preciso ficar atento às mudanças do mercado. 17 Aperfeiçoamento constante, maior qualificação, visão de negócios e habilidades analíticas deixaram de ser um diferencial e estão entre os requisitos essenciais. Por isso, a educação continuada passou a exigida dos peritos. A norma contábil sobre Educação Profissional Continuada (EPC) foi atualizada em 2016 e, assim, a permanência do profissional no CNPC estará condicionada à obrigatorie- dade do cumprimento do Programa de Educação Profissional Continuada. Todos os anos é necessário que os profissionais que fazem parte do CNPC atinjam,pelo menos 40 pontos no programa. A EPC gera pontuação, que é cadastrada pelo próprio profissional no site do Conse- lho permitindo, assim, o controle do aprimoramento e aperfeiçoamento dos contadores registrados, da mesma forma como poderá proporcionar o controle sobre os peritos con- tábeis atuantes na função de peritos e assistentes técnicos. Mesmo com cadastro no CNPC, ainda existe a necessidade de inscrição no cadastro de peritos no judiciário do fórum onde se pretende atuar como perito judicial. Esse cadas- tro é voluntário e gratuito. Por exemplo, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) lançou uma ferramenta por meio do Portal de Auxiliares da Justiça para cadastrar os interessados. O serviço é destinado a quem atua como perito, tradutor, intérprete, administradores judi- ciais em falências e recuperações judiciais, liquidantes e inventariantes dativos, por exem- plo. Outro exemplo é o cadastro de perito da Justiça Federal. O perito tem que estar inscrito no e-Proc, cadastro obrigatório para todas as partes do processo, uma vez que a Justiça Federal é totalmente informatizada. Além disso, o profissional de perícia deve estar cadastrado também no sistema da Assistência Judiciária Gratuita (AJG) para poder rece- ber seus honorários, se estiver no âmbito da justiça gratuita. Na Justiça Trabalhista, totalmente informatizada, deve o perito estar inscrito no ca- dastro de peritos para poder atuar, e também é aconselhável que se cadastre no escritório digital, que é um aplicativo com uma série de serviços para um melhor atendimento aos peritos. O cadastro no fórum ou e no CNPC apresenta-se como fonte mais importante de consulta dos juízes para as nomeações, lembrando que na localidade onde não houver ins- crito no cadastro disponibilizado pelo tribunal, a nomeação será de livre escolha pelo juiz, mas sempre recaindo sobre profissional ou órgão científico o comprovante da detenção de conhecimento necessário para a atribuição. O currículo do profissional é um documento a ser apresentado sempre que houver nomea- ção ou for apresentada a proposta de honorários, por isso, deverá estar sempre atualizado, e aconselha-se que estejam inseridas as certidões de regularidade profissional expedidas pelos órgãos de classe junto com o currículo. As referidas certidões são importantes para que o juiz e também as partes se certifiquem que o profissional nomeado preenche os requisitos necessários e legais para a função. Apenas um currículo e uma certidão é suficiente para verificar se o profissional nomeado preenche os requisitos necessários? Como o perito pode demonstrar seu conhecimento ao prestar um serviço? VAMOS PENSAR? 18 1.7 PERITO OU AUDITOR É comum invocar os contadores para que certifiquem os fatos registrados em deter- minadas situações, cujos interesses estejam em oposição. É a informação esclarecedora do contador que orienta os conflitantes e os demais interessados. Nessa tarefa são paralelas as funções técnicas de revisão e perícia. A Auditoria e a Perícia possuem estreitas relações, mas são bem distintas em seus fins. A Perícia contábil não é o mesmo que Auditoria contábil, pois se diferenciam quanto à nature- za das causas e efeitos, de espaço e de tempo. A Auditoria é mais “revisão” e perícia mais “produção de prova” por verifi- cação, exame e/ou arbitramentos FIQUE ATENTO Figura 3 – Perícia x Auditoria A perícia serve a uma época, a um questionamento, a uma necessidade de prova; a auditoria tende a ser a necessidade constante. A auditoria tem como objetivos normais a maior abrangência e a gestão como algo em continuidade, enquanto a perícia se prende à especificidade. A perícia pressupõe já realizada a revisão; quando entra em ação o exame pericial deve versar sobre matéria que não gere dúvidas e que assegure resultados precisos. Outra diferença existente entre perícia e auditoria é que a perícia é realizada mediante um perito-contador, enquanto a auditoria externa é efetuada por um auditor. A auditoria per- mite maior delegação do que a perícia contábil. Existem muitos pontos em comum, podendo tais tecnologias se beneficiar uma do procedimento da outra, mesmo porque tudo está amparado pela ciência contábil, mas só por suplementação ou em casos muito especiais é que a perícia se vale dos critérios de auditoria. LIDE: A lide é o conflito de interesses manifestado em juízo. O termo lide é utilizado, frequen- temente, como sinônimo da palavra “ação”. Ele também pode estar relacionado à demanda, ao litígio ou ainda ao pleito judicial (DIREITONET, 2005). PODER JUDICIÁRIO: Tem como objetivo aplicar a lei em casos específicos, para assegurar a isonomia, a imparcialidade e a resolução satisfatória para o estado, para a parte lesada e para a parte culpada, fazendo cumprir, no caso determinado o que prevê legislação. (MAR- CONDES, 2019) LITÍGIO: Ocorre o litígio quando há um conflito de interesses. No âmbito jurídico refere-se à divergência entre as partes da ação, quando alguma demanda é colocada em juízo GLOSSÁRIO 19 1. Perícia contábil é o conjunto de procedimentos técnico-científicos que se destina a oferecer as provas necessárias que vão subsidiar os argumentos que os defensores de uma causa em litígio apresentarão a um juiz, sendo que o perito deve encaminhar seu trabalho em forma de: a) relatório. b) laudo. c) despacho. d) sentença. e) peticado. 2. A perícia contábil surgiu da necessidade de se estabelecer as provas que subsidiam a: a) solução de litígios ou constatação de um fato. b) advogados das partes. c) constatação de que a razão estava com o réu do processo. d) solução de controvérsias entre juiz e advogado. e) constatação de que a razão estava com o autor do processo. 3. (Exame de Suficiência do CFC) Os procedimentos de perícia contábil visam: a) relacionar os livros, os documentos e os dados necessários à análise. b) aos fatores relevantes na execução dos trabalhos. c) ao conjunto de procedimentos técnicos e científicos. d) fundamentar as conclusões que serão levadas ao laudo pericial contábil. e) não são de competência exclusiva de contador em situação regular em conselho regional de contabilidade. 4. (Exame de Suficiência do CFC) O arbitramento como procedimento de perícia contábil é: a) a determinação de valores ou a solução de controvérsia por critérios aleatórios. b) a determinação de valores ou a solução de controvérsia por critério técnico. c) diligência que objetiva a quantificação do valor. d) ato de estabelecer a quantificação de direitos. e) a perícia que não precisa ser julgada por profissionais que mereçam inteira fé, nos aspectos técnico, moral e científico. 5. (Exame de Suficiência – CFC) Das espécies de perícia contábil, assinale a que é realizada por necessidade e escolha de entes físicos e jurídicos particulares-privados. a) perícia judicial. b) perícia extrajudicial. FIXANDO O CONTEÚDO 20 c) perícia semijudicial. d) perícia particular. e) todas as alternativas acima. 6. (Exame de Suficiência do CFC) Com base na NBC TP 01 – Perícia Contábil, especificamente, em relação aos procedimentos técnico-científicos aplicados na atividade de perícia contábil, julgue os itens a seguir como verdadeiros ou falsos e, em seguida, assinale a opção CORRETA. I. O exame é a análise de livros, registros das transações e documentos. II. A vistoria é a diligência que objetiva a verificação e a constatação de situação, coisa ou fato, de forma circunstancial. III. O arbitramento é a determinação de valores ou a solução de controvérsia por critério técnico-científico. IV. A avaliação é o ato de estabelecer o valor de coisas, bens, direitos, obrigações, despesas e receitas. Estão CORRETOS os itens: a) III e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) I, II e IV, apenas. d) I, II, III e IV. e) I e III, apenas. 7. (Exame de Suficiência do CFC) Pela complexidade e diversidade dos itens que compõem o inventário de uma empresa, o empresário contratou um perito para realizaro trabalho de validação do valor dos bens inventariados destinados à exploração da atividade. Com base na situação acima e no critério de avaliação desses bens, previsto no Código Civil, em seu art. 1.187, assinale a opção CORRETA. a) os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo custo de aquisição, criando-se fundos de amortização para os que se desgastam ou depreciam. b) os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo valor de mercado, criando-se fundos de amortização para os que se desgastam ou depreciam. c) os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo valor de mercado, dispensada a criação de fundos de amortização para os que se desgastam ou depreciam. d) os bens destinados à exploração da atividade serão avaliados pelo custo de aquisição, dispensada a criação de fundos de amortização para os que se desgastam ou depreciam. e) todas as opções acima estão corretas. 8. (Exame de Suficiência do CFC) Constitui objetivo da perícia contábil: a) definir a natureza, a oportunidade e a extensão dos exames a serem realizados, em consonância com o objeto da perícia, com os termos constantes da nomeação, dos quesitos ou da proposta de honorários oferecida pelo perito. b) estabelecer o prazo suficiente para solicitar e receber os documentos, bem como para a 21 execução e a entrega do trabalho. c) conhecer a relação dos documentos, coisas ou dados que o perito tenha mencionado em petição, judicial ou em contrato, de honorários. d) identificar e deferir os quesitos que deverão ser respondidos durante a confecção do laudo pericial, bem como indeferir os meramente protelatórios. e) estabelecer, juntamente com o perito auxiliar, o teor dos termos de diligências que devem ser apresentados diretamente à parte ou a seu procurador. 22 PODER JUDICIÁRIO NO BRASIL UNIDADE 02 23 2.1. INTRODUÇÃO A perícia judicial contábil é aquela realizada dentro dos procedimentos processuais do Poder Judiciário, por solicitação das partes (autor e réu) e/ou por determinação do juiz. Ao realizar uma perícia contábil judicial é essencial conhecer a rotina processual para não atrapalhar o andamento do processo, o juiz e as partes. Nesta unidade serão explica- das as divisões da esfera de poder e da estrutura dos poderes no Brasil; as rotinas, ou seja, os ritos de um processo físico ou digital; provas aceitas no judiciário e quem são os partici- pantes de um processo judicial. No capítulo 2 do livro Perícia contábil, do autor Nicolas Muller, é possível aprender mais sobre Processos Judiciais. Neste capítulo o autor traz o conceito de Proces- so, as fases do rito processual e comentar sobre a novidade do Processo Judicial Digital. Esse livro está disponível em: BUSQUE POR MAIS https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788547219888/. 2.2 ESFERAS DO PODER Pode-se separar os ramos da perícia contábil segundo as esferas do poder em Civil, Trabalhista, Criminal, Varas de Família, Varas de Falência e Recuperação Judicial e Varas de Falências Públicas e Execuções Fiscais e municipais, estaduais e federais. Seguem alguns exemplos de perícias contábeis que podem ser requeridas por cada esfera do poder: Varas cíveis - Cálculo de liquidação de sentença, revisionais bancárias, dissolução de sociedade e de apuração de haveres, indenizações, fundo de co- mércio, lucros cessantes, revisão de aluguéis, prestações de contas e verificação de duplicatas e títulos diversos. Trabalhista - Cálculo de liquidação, exames periciais em livros e registros contá- beis, notas fiscais para apuração de pagamento de comissões ao ven- dedor. Varas de família - Cálculos de percentuais dos bens e valores na dissolução de casa- mentos de união estável, revisões e cálculo de pensões alimentícias, prestações de contas ao Ministério Público devidas por curadores e avaliação de empresas para fins de partilha entre o casal. Varas de falência e recuperação judicial - Verificações de patrimônio, composição do plano de recuperação judicial, verificações financeiras na recuperação judicial propriamen- te dita, na função de administrador judicial. Varas de fazenda pública e execuções fiscais - Verificação e cálculos de diversos tributos municipais e estaduais, na Justiça Federal, a perícia pode envolver, por exemplo, a Caixa Eco- nômica Federal em revisões bancárias diversas, na União, cálculos de execuções fiscais de FGTS, INSS e tributos federais. Quadro 2: Trabalhos executados pelas diferentes varas https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788547219888/. 24 Nas comarcas onde não há varas trabalhistas, as ações correm nas varas cíveis mesmo, e quando o processo trabalhista corre contra o estado ou município, a competência é das va- ras de execuções ficais estaduais ou municipais. FIQUE ATENTO Na vara Criminal, dentro da ciência forense, as modalidades de perícia são amplas, pois envolvem a multidisciplinaridade de profissões e atividades. Dentre os tipos de perícia a serem realizados nessa esfera judicial estão: contábil, financeira, acidente de trânsito, lo- cal de crime, papiloscopia e reconhecimento facial humano, grafoscopia, balística, biologia forense, química forense, perícia ambiental, entre outras. 2.3 ESTRUTURA DOS PODERES NO BRASIL A estrutura dos poderes no Brasil é regulamentada por meio da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), composta pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A perí- cia contábil está relacionada ao poder Judiciário, por isso, é necessário exercer a atividade jurisdicional de acordo com o que está na Constituição Federal. Poder Executivo: realiza atos de chefia, chefes de Estado e atos da administração. Esse exer- ce o papel de cumprir a lei, governar o povo e seus interesses. Poder Legislativo: realiza ato de legislar, ou seja, criação de leis. FIQUE ATENTO O artigo 92 da Constituição Federal define quais são os órgãos do Poder Judiciário brasileiro. Observe (BRASIL, 1988): Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário: I – o Supremo Tribunal Federal; I-A – o Conselho Nacional de Justiça; II – o Superior Tribunal de Justiça; II-A – o Tribunal Superior do Trabalho III – os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; IV – os Tribunais e Juízes do Trabalho; V – os Tribunais e Juízes Eleitorais; VI – os Tribunais e Juízes Militares; VII – os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Fede- ral e Territórios. § 1o O Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça e os Tribunais Superiores tem sede na Capital Fe- deral. § 2o O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superio- res tem jurisdição em todo o território nacional. 25 O Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Su- perior do Trabalho, Tribunal Superior Eleitoral e Tribunal Superior Militar são órgãos de con- vergências. Possuem na Capital Federal (Brasília) a sua sede e desempenham jurisdição sobre todo o território nacional. Esses órgãos têm a responsabilidade de tomar a última decisão sobre questões vin- culadas à Justiça em questão. Mas quando o assunto em questão se refere à constitucio- nalidade, o processo é destinado ao STF. Ele é considerado o órgão máximo da Justiça brasileira. Tem como responsabilidade desempenhar o controle da constitucionalidade de leis, atos normativos e decisões judiciarias. Quando as causas estão vinculadas à Justiça Federal ou aos locais, em matéria abai- xo da Constituição Federal, ou seja, infraconstitucional, seguem ao STJ. Este é um tribunal superior da União, mas não pertence à Justiça alguma. Além dos chamados órgãos de superposição, STF e STJ, há a Justiça comum e a Jus- tiça especial ou especializada: • Justiça comum: • Justiça Federal: caracterizada pelos tribunais regionais federais e pelos juízes fede- rais, inclui também os juizados especiais. • Justiça do Distrito Federal e territórios: nela também está a Justiça de Paz e os juiza- dos especiais. • Justiça estadual comum: tambémé chamada de Justiça ordinária. Ela concentra os juízos do primeiro grau. As atribuições da Justiça de Paz são de celebrar casamentos, realizar conciliações, averiguar ofícios ou, diante de uma implantação, realizar processos de habilitação, sem vincular o ca- ráter jurisdicional. Os juízes de paz são chamados de juízes leigos e não togados. FIQUE ATENTO • Justiça especial: • Justiça do Trabalho: composta pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), pelos Tribu- nais Regionais do Trabalho (TRTs) e pelos juízes do Trabalho (varas do Trabalho); • Justiça Eleitoral: são órgãos da justiça Eleitoral o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), os juízes eleitorais e as juntas eleitorais; • Justiça Militar da União: composta pelo Superior Tribunal Militar (STM) e pelos con- selhos de justiça (especial e permanente) situados nas sedes das auditorias militares (BRASIL, 1988). • Justiça Militar dos estados, do Distrito Federal e territórios. • As diferenças entre as justiças Federal, Estadual e do Trabalho são as seguintes: • Na Justiça do Trabalho as partes são empregadores (empresas) e empregados, e os assuntos tratam somente de relação de trabalho ou assemelhados. • Na Justiça Federal pelo menos uma das partes é a União ou órgão originado dela, do tipo INSS, DNER, bancos do governo, e demais órgãos. • Na Justiça Estadual julgam-se processos comuns em que as partes não estariam in- cluídas, como possíveis litigantes, nas outras duas modalidades de justiça. A Justiça 26 Estadual também é chamada de Justiça Comum. A estrutura do Judiciário é composta por: 1ª Instância: Nesta fase o processo está com os juízes nas varas. Eles prolatam sen- tenças em tribunais estaduais de justiça. 2ª Instância: Nesta fase entram em cena os desembargadores, que atuam nas câma- ras e proferem os acórdãos. Instância Especial O processo está com os ministros nos tribunais superiores, como STJ, STE, TST, TRF e STF. Quadro 3: Estrutura do Judiciário. Fonte: O autor. O juiz de primeira instância nomeia o perito contábil na esfera judicial. Nas demais instâncias não existem prova pericial, pois os ministros e desembargadores fazem as aná- lises dos laudos periciais contábeis já juntados ao processo e dão seu parecer. O perito de uma vara judicial pode, constantemente, ser chamado para atuar ao mesmo tempo em diversos processos, bem como em processos de outras varas. 2.4 PROCESSO Existindo a oposição de interesses, as partes interessadas em determinados negó- cios entram em litígio, no qual cada uma defende seus direitos. Esse litígio é formalizado no judiciário, por meio de um processo. Processo é uma palavra de origem latina e significa “sistema, maneira de agir ou conjunto de procedimentos adotados para atingir um objetivo”. Assim, a forma de requerer seus direitos em um processo no Judiciário é seguindo os procedimentos adotados pela esfera de poder relativa a seu litigio. A fase inicial é o proto- colo da petição inicial, ou seja, a “inicial”, documento descrevendo os fatos e fazendo seus pedidos, a petição inicial será encaminhada a uma das varas da comarca. O processo no direito é necessariamente formal, pois a formalidade garante impar- cialidade, legalidade e isonomia. O processo tem como objetivo chegar a uma solução legal mas, para isso, tem que seguir etapas de modo sequenciado. Cada processo é um caso, no qual sempre haverá a parte autora (aquela que entrou com a demanda) e a parte ré (aquela que vai ser demandada). A palavra “prova” é derivada do latim probatio, que significa convencer alguém sobre algo. Há certa diferença entre a chamada prova em geral, que convence de uma verdade, e a prova judicial. Essa última é regulada pela lei para descobrir a verdade ou ainda estabe- lecer a certeza de algo controvertido (ALVIM, 2015). Quando as provas são levadas ao processo, devem estar de acordo com as normas processuais. Isso vale para qualquer área do direito (civil, criminal ou trabalhista). Assim, deve-se seguir as normas previstas em lei e os meios admitidos pela lei. A legislação determina os meios juridicamente admitidos, mas é possível aceitar ou- tros meios, desde que não sejam imorais ou ilícitos. Isso ocorre pelo princípio da liberdade da prova. As fases dos procedimentos probatórios constituem o conjunto de atos que infor- ma o juiz a proposição da prova, a admissão da prova e a produção da prova. 2.5 PROVAS 27 • Proposição da prova: É o momento em que as partes solicitam as provas. Trata-se do ato das partes. É pro- posta pelo autor na petição inicial e/ ou pelo réu na contestação. • Admissão da prova: Após a proposição, o juiz admite ou não as provas solicitadas. Não são aceitas provas sem utilidade ou de caráter apenas protelatório. Essa fase é um ato exclusivo do juiz. • Produção da prova: É o momento em que as provas são produzidas e informadas no processo. Quando as provas se referem a depoimentos pessoais, ou seja, prova testemunhal, elas são promo- vidas em audiência. Já quando se produzem por meio pericial, são promovidas pelo perito em forma de um Laudo Pericial. A perícia é um meio de prova. Por meio dela é possível examinar e analisar os fatos que levaram ao litigio. Ela é um método que demonstra o acontecimento quando não há meios de prova documental que o evidencie e/ou apresenta situações relativas ao fato que não estejam bem esclarecidas. O art. 375 do Código de Processo Civil estabelece: “O juiz aplicará as regras de expe- riência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e, ainda, as regras de experiência técnica, ressalvado, quanto a estas, o exame pericial”. Esse artigo traz o exame pericial como uma das formas de o juiz resolver a lide, reforçando aqui a im- portância da prova pericial. (BRASIL, 2015) Mas o juiz poderá dispensar a prova pericial quando as partes, na inicial e/ou na con- testação apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou documentos elu- cidativos que considerar suficientes (art. 472 do CPC). O objetivo do perito são os fatos que levaram ao litígio e, com isso, fornecer ao juiz provas reais quanto à confirmação ou não do que as partes interessadas relataram. Caso as provas apresentadas ao magistrado não sejam suficientes para a tomada de decisão, o juiz prorrogará o processo até que se tenham novos dados para comprovar a resolução. Depois disso, ele irá declarar sua decisão final com relação ao conflito. O perito tem por finalidade apenas levantar as provas periciais, não possui o poder de decidir sobre o caso. Cabe a ele apresentar uma conclusão técnica que irá auxiliar o juiz na decisão final. Em busca da prova pericial, o perito faz sua análise por meio do exame de pessoas, coisas ou locais. No âmbito judicial ou extrajudicial, os usuários da perícia são: O julgador: magistrado Juiz que carece de informações técnicas de determinada área do conheci- mento humano para auxiliá-lo nas suas decisões. Os advogados Profissionais que utilizarão os resultados apresentados no laudo pericial para mostrar a verdade de seus clientes e defender os interesses de seus contra- tantes. As partes litigantes Podem provar ou não a verdade das alegações e comprovar ocorrências, bem como a reconstrução dos fatos em discussão na lide. O árbitro ou mediador Demanda informações técnicas de determinada área para a tomada de deci- são em um litígio para o qual foi indicado. Quadro 4: Usuários da perícia 28 A NBC TP 01 na Revisão 01 de 19 de março de 2020 dispõe sobre os procedimentos, que expressam e ampliam o conceito de “Prova Pericial” para: exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, mensuração, avaliação e certificação, do seguinte modo: O exame É a análise de livros, registros de transações e documen- tos. A vistoria É a diligência que objetiva a verificação e a constatação de situação, coisa ou fato, de forma circunstancial. A indagação É a busca de informações mediante entrevistacom co- nhecedores do objeto ou de fato relacionado à perícia. A investigação É a pesquisa que busca trazer ao laudo pericial contábil ou parecer técnico-contábil o que está oculto por quaisquer circunstâncias. O arbitramento É a determinação de valores, quantidades ou a solução de controvérsia por critério técnico-científico. A mensuração É o ato de qualificação e quantificação física de coisas, bens, direitos e obrigações. A avaliação É o ato de estabelecer o valor de coisas, bens, direitos, obri- gações, despesas e receitas. A certificação É o ato de atestar a informação trazida ao laudo ou ao pa- recer pelo perito. A testabilidade É a verificação dos elementos probantes juntados aos au- tos e o confronto com as premissas estabelecidas. Quadro 5: Procedimentos que expressam e ampliam o conceito de Prova Pericial A finalidade principal da prova pericial é evidenciar os acontecimentos relacionados ao confli- to. Esses acontecimentos podem ser de essência técnica ou científica. A prova pericial precisa evidenciá-los na veracidade formalizada e na convicção jurídica, ou seja, a partir da experiência e da habilidade do trabalho executado pelo profissional. Também cabe a ela apresentar o fato ocorrido a fim de confirmar a verdade e instaurar a cer- teza jurídica. Com isso, é preciso evidenciar a prova, os fatos técnico-científicos e, desse modo, os fatos contábeis. Depois de obter a confirmação jurídica relativa ao fato que originou a cau- sa, o magistrado poderá executar sua função. O laudo pericial é um documento válido como prova, ou seja, confirmar a verdade de um fato. Assim, a responsabilidade de um perito na solução de um conflito é muito grande. Quais são os cuidados que um perito deve ter ao elaborar um laudo? Como um perito deve agir perante de alguma desconfiança ou indícios de alguma fraude? VAMOS PENSAR? Atualmente, na Justiça Federal e Trabalhista, todos os processos são eletrônicos, e o sistema é igual em todo o Brasil. A maioria dos estados também já está utilizando sistemas eletrônicos. São 22 estados brasileiros ao todo que, atualmente, estão usando o sistema Processo Judicial Digital (Projudi). Hoje os processos que se iniciam nessas esferas são eletrônicos, e o perito tem que 2.6 PROCESSO JUDICIAL DIGITAL 29 estar habilitado no sistema para acompanhar os ritos. Mas ainda existem muitos proces- sos físicos, aqueles iniciados antes da implantação do Projudi, operando simultaneamente com os eletrônicos. O processo judicial digital, também chamado de processo eletrônico ou processo virtual, pode ser entendido como um sistema de informática que mostra todo o procedi- mento judicial em meio eletrônico, substituindo o registro dos atos processuais realizados no papel por armazenamento e manipulação dos autos em meio digital. O principal objetivo em utilizar o processo digital está em agilizar a justiça, facilitar o trabalho dos advogados, aumentar a capacidade de processamento de ações, diminuir os custos e melhorar a qualidade do atendimento às partes. Para o perito, o processo ele- trônico facilita e diminui os custos do trabalho ao possibilitar o acesso aos processos pela internet, ou seja, não é mais necessário fazer carga dos autos nem imprimir os laudos. O fundamento legal do processo judicial digital está na Lei n. 11.419/2006. (BRASIL, 2006) O processo eletrônico é identificado com um número único e sequencial, que tem o formato a seguir. Formato: NNNNNNN-DD.AAAA.X.YY.OOOO Legenda: NNNNNNN = Número sequencial DD = Dígito verificador AAAA = Ano X = Unidade YY = Unidade OOOO = Unidade de origem Os dados são os mesmos que a capa do processo físico. Há o número do processo, classe processual, assunto principal, nível de sigilo (que define quem poderá ter acesso ao processo), prioridade (se uma das partes tiver mais de 60 anos, terá prioridade). E se houver algum processo em apenso, aparecerão as pendências dos autos. As abas do que se pode fazer nos autos são: • Aba Juntar Documento é onde o perito, com seu certificado digital, junta seus docu- mentos aos autos, como a proposta de honorários, termos de diligências e depois o laudo pericial; • Aba Peticionar é utilizada pelo advogado; • A aba Navegar é para consultas processuais; • A aba Exportar é onde o perito pode baixar partes ou todo o processo. As partes interessadas dos processos que utilizam os sistemas eletrônicos judiciários também têm cada qual seu link específico. Todo usuário do sistema tem código de acesso e senha, ou certificado digital, próprios e implantados nos respectivos cadastros pessoais, no ambiente sistêmico, que podem ser operados pelo usuário cadastrado/autorizado. Certificados Digitais são documentos eletrônicos que identificam com segurança pessoas, tanto físicas como jurídicas, fazendo uso de criptografia, tecnologia que assegura o sigilo e a autenticidade de informações. Garantem confiabilidade, integridade, privacida- de, e inviolabilidade em mensagens e em diversos tipos de transações realizadas via inter- net. Cada dia mais o certificado digital é necessário para o perito exercer sua profissão. Na Justiça Federal, por exemplo, o Sistema e-Proc pode ser acessado com certificado digi- 30 tal. Mas ainda há tribunais em que o perito não pode inserir os documentos diretamente no sistema eletrônico utilizado. Nesse caso, ele deve mandar os documentos por e-mail para o cartório e este o incluirá no sistema. São comuns nas comunicações por meios eletrônicos, como textos de e-mail e de mensa- gens, usos com abreviaturas de palavras e de expressões idiomáticas, mas nas comunica- ções com o ambiente judiciário isto deve ser evitado; o correto é o uso de linguagem formal. FIQUE ATENTO São integrantes do processo as partes, o juiz, os assistentes processuais (advogados e perito assistente), e os auxiliares da Justiça. No sentido processual, partes são as pessoas que pedem ou em relação às quais se pede a tutela jurisdicional. As partes na relação processual são os sujeitos ativos e passivos da relação de direito substancial que nela se controverte. Por autor, requerente ou reclamante, entende-se aquele que pede o reconhecimen- to do seu direito, isto é, credor. O réu, requerido, reclamado, acusado, é aquele contra quem se pede esse reconhecimento, isto é, o obrigado. Um advogado é um profissional, graduado em Direito e autorizado pela OAB a exer- cer a representação dos legítimos interesses das pessoas físicas ou jurídicas em juízo ou fora dele, quer entre si, quer ante o Estado. Conforme artigo 149 do CPC são auxiliares da Justiça, além de outros cujas atribui- ções sejam determinadas pelas normas de organização judiciária, o escrivão, o chefe de se- cretaria, o oficial de justiça, o perito, o depositário, o administrador, o intérprete, o tradutor, o mediador, o conciliador judicial, o partidor, o distribuidor, o contabilista e o regulador de avarias. (BRASIL, 2015) A atuação do perito nos tribunais poderá ser como: 2.7 PARTICIPANTES DO PROCESSO Perito oficial É o investido na função por lei e pertencente a órgão especial do Es- tado destinado, exclusivamente, a produzir perícias; exerce a atividade por profissão. Perito do juízo ou perito de ofício É nomeado pelo juiz, árbitro, autoridade pública ou privada para exer- cício da perícia contábil judicial. Perito-assistente técnico É o contratado e indicado pela parte em perícias contábeis. Quadro 6: Atuação do perito Nas perícias contábeis judiciais, em um único processo pode ter vários peritos: um do juiz e um de cada parte litigante (um dos autores e um dos réus). São vários contadores; o juiz nomeia o seu e as partes indicam os assistentes. Por exemplo, em uma perícia judicial contábil, o juiz nomeia o contador Pedro para ser o perito do juiz e realizar o cálculo de liquidação de sentença. Dona Ana, que é parte neste processo, para certificar-se do trabalho do perito nomeado pelo juiz, contrata Ma- teus, perito assistente técnico. Mateuspassa, então, a acompanhar os trabalhos do perito 31 do juízo. Ao final do trabalho, Pedro elaborará um laudo pericial com o cálculo de liquida- ção de sentença, e Mateus manifestará a sua posição em um parecer técnico-contábil. O juiz observará o laudo e o parecer antes de concluir o processo. A perícia oficial – entendida como a prova pericial que é realizada pelo perito oficial no- meado pelo juiz – pode ser dispensada quando na inicial e/ou contestação do processo constar o parecer técnico-contábil, feito por um perito assistente, e esse for considerado suficiente para colaborar no conjunto probatório. Cabe ao juiz decidir sobre as provas dis- poníveis e dispensá-las. 2.7.1 Perito do juízo O perito judicial é o profissional escolhido pelo juiz ou pelas partes – atualizado pelo novo CPC. Anteriormente, era somente o juiz que podia definir o perito, agora as partes podem indicá-lo, de comum acordo, ao magistrado. O perito tem a obrigação ética de ser imparcial, e por ética aqui se entende morali- dade e dignidade humana e deve ter as qualidades: • Honestidade, porque não deve aceitar nenhum tipo de remuneração, a não ser seus honorários; • Ser fiel ao Judiciário, pois não deve deixar-se influenciar pelas partes; • Deve ser claro e objetivo, sem desviar-se do assunto para o qual foi convocado a opi- nar; • E deve usar uma linguagem acessível. A perícia pode ser feita por peritos concursados ou não, mas a maioria dos peritos não é funcionário público concursado. São profissionais autônomos, cujo currículo foi en- tregue diretamente ao juiz de Direito da comarca ou estão inseridos no cadastro de peritos do judiciário, visto na Unidade 1. Para ser um perito judicial não é necessário pertencer aos conselhos de peritos ju- diciais nacional, estadual ou municipal, nem a instituto de peritos judiciais ou a qualquer outra agremiação. A nomeação de perito não segue nenhuma lista de profissionais que pertençam a um instituto, a um conselho ou a uma associação de peritos judiciais. O perito judicial é a pessoa que, perante um tribunal, afirma ter a característica par- ticular de possuir conhecimentos técnicos em determinada ciência, arte ou ofício, os quais lhe permitem emitir opiniões sobre materiais relevantes para a resolução de um juízo. Po- dem exercer essa atividade funcionários públicos aposentados, profissionais liberais, re- cém-formados e colaboradores de empresas (arquitetos, médicos, engenheiros ambien- tais, administradores, contadores etc.). Esse profissional é convocado toda vez que uma perícia judicial for solicitada por uma das partes interessadas ou pelo juiz. O juiz poderá solicitar perícia caso o processo não apresente elementos suficientes capazes de convencê-lo e levá-lo a um julgamento justo. Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento espe- cializado, o juiz poderá nomear mais de um perito, e a parte, indicar mais de um assistente técnico conforme artigo 475 do CPC. (BRASIL, 2015) 32 O mercado profissional de perito judicial é maior para contadores, administrado- res, economistas, engenheiros civis, agrônomos, arquitetos e médicos. Para outros cursos superiores pode ser pequeno o número de perícias judiciais existentes, de- pendendo do tamanho da cidade. O trabalho é apresentar um laudo pericial que será utilizado dentro do processo para o qual o profissional foi nomeado como prova. Para cada processo que ne- BUSQUE POR MAIS cessitar de esclarecimento técnico-científico haverá um perito. Ele presta serviço para a Justi- ça e faz laudos periciais que integrarão processos judiciais. Recomendo a leitura do artigo “PE- RÍCIA CONTÁBIL E O MERCADO DE TRABALHO” de Kelly Fernanda Vieira e Ana Lúcia Pereira de Oliveira, disponível em: https://cic.unifio.edu.br/anaisCIC/anais2016/pdf/06_13.pdf. 2.7.2 Assistente técnico O assistente técnico, diferentemente do perito, não é um auxiliar da Justiça. Apesar de atuar no processo, ele é de livre contratação ou não pelas partes, inclusive sendo estas responsáveis por seus honorários, que nem constam dos autos. Até a alteração do CPC, perito ou assistente técnico era nomeado para fazer perícia. Ambos informavam o que viam e o que constatavam em suas investigações. Eles eram testemunhas e/ou consultores, mas não julgavam, apenas opinavam com a finalidade de esclarecer controvérsias. Com o advento da Lei nº 8.455/92, o perito faz a perícia, lavra e assina o laudo pericial. (BRASIL, 1992) O assistente técnico, entretanto, emite parecer técnico. A diferença basica- mente é o nome do documento, pois um parecer técnico deve ter a mesma estrutura de um laudo pericial, que está detalhado na Unidade 4. No parecer técnico, o assistente deve deixar claros seu objetivo, diligências, metodologia, estudos e observações realizadas, os resultados e suas conclusões. Na justiça do trabalho não se difere laudo pericial e parecer técnico. Tanto perito, quanto o assistente técnico apresentam o laudo no mesmo momento. (Lei nº 5.584/70, art. 3º, parágrafo único). O parecer técnico deve ter uma linguagem acessível e de fácil entendimento pelas pessoas a quem se destina e que não são profundas conhecedoras de sua ciência. Quando for necessária a utilização de termos técnicos, devem ser acompanhados de esclarecimentos e, de preferência devem-se utilizar os mais conhecidos do grande público. Não pode haver rasuras e emendas, especialmente, quando se tratar de respostas de que- sitos. Diferentemente dos peritos do juízo, que são de confiança do juiz, os assistentes téc- nicos são de confiança da parte que os contratou. O assistente técnico é citado em várias partes do novo CPC, ele tem momento certo para se pronunciar nos autos e prazos a cum- prir, mas não está sujeito à suspeição, impugnação e normas: https://cic.unifio.edu.br/anaisCIC/anais2016/pdf/06_13.pdf. 33 Art. 466. O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe foi cometido, independentemente de termo de compromisso. § 1º Os assistentes técnicos são de confiança da parte e não estão sujeitos a impedimento ou suspeição. § 2º O perito deve assegurar aos assistentes das partes o acesso e o acompanhamento das diligências e dos exa- mes que realizar, com prévia comunicação, comprovada nos autos, com antecedência mínima de 5 (cinco) dias. (Grifo nosso) (BRASIL, 2015) A presença do assistente técnico não é obrigatória nos autos e também não há exi- gência no CPC para que o assistente técnico seja profissional com registro no Conselho, mas é aconselhável, pois só alguém com a mesma formação do perito do juízo terá a capa- cidade de analisar, criticar e complementar seu trabalho. Acredita-se que para ser produ- tiva a discussão técnica entre o perito e o assistente técnico, ambos precisam ter o mesmo nível de formação. O assistente técnico, para fazer seu trabalho de crítica do laudo pericial, tem que ter o conhecimento do processo para verificar se o perito seguiu à risca a sentença do magis- trado, e verificar também se está correta a metodologia adotada pelo expert. O perito assistente ao fazer a crítica do laudo deve manter a ética da profissão e cri- ticar o trabalho do colega, e não tecer críticas pessoais. Além da crítica, deve apresentar cálculos que a justifiquem. O assistente técnico pode conduzir suas atividades em períodos mais extensos do que o empreendido pelo perito judicial, pois várias são suas funções, veja algumas: 1. Elaborar quesitos. (Tema que será abordado na Unidade 3) 2. Acompanhar os trabalhos do perito do juízo. Cabe ao perito do juízo informar datas das diligências e dos exames para que os assistentes técnicos possam o acompanhar. 3. Colaborar com o perito na busca de documentação para o laudo pericial contábil. 4. Auxiliar se necessário, o advogado da parte na elaboração da contestação. 5. Elaborar parecer pericial contábil que pode ser anexado na inicial ou após o laudo pericial. Como dito, anteriormente, o perito que vai atuar no processo precisa,necessaria- mente, conhecer os ritos do processo. Os ritos processuais são os caminhos que o processo vai percorrer. Todo o rito processual encontra-se no Código de Processo Civil (CPC). É possível afirmar que o CPC é o manual de procedimentos dos envolvidos em um processo judicial, inclusive do perito, principalmente, para os leigos, que não têm formação em direito. Relembra-se aqui que, além do CPC, o perito que irá atuar na área trabalhista deverá conhecer também a Lei nº 5.584/70, Lei Processual Trabalhista (LPT). No novo Código de Processo Civil encontram-se dois ritos processuais: o ordinário e o sumário. Os ritos sumários são os que atingem as causas que não excederem em 60 vezes o valor do salário mínimo; na trabalhista, os valores da causa com ritos sumários não podem exceder a dois salários mínimos. Por isso, tem que haver o valor da causa na inicial, 2.8 RITO PROCESSUAL 34 conforme art. 291 do CPC: “A toda causa será atribuído valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediatamente aferível”. Os ritos sumários, normalmente, correm em juizados especiais e não estão sujeitos à perícia complexa, apesar dela poder ocorrer, conforme o art. 35, caput, e seu parágrafo único da Lei n. 9.099/1995: Art. 35. Quando a prova do fato exigir, o Juiz poderá inqui- rir técnicos de sua confiança, permitida às partes a apre- sentação de parecer técnico. Parágrafo único. No curso da audiência, poderá o Juiz, de ofício ou a requerimento das partes, realizar inspeção em pessoas ou coisas, ou determinar que o faça pessoa de sua confiança, que lhe relatará informalmente o verifica- do. (BRASIL, 1995) Verifica-se que a prova técnica é possível nos ritos sumários, desde que seja informal, podendo ser colhida por meio de esclarecimentos prestados por expert, em audiência. As- sim, a prova pericial complexa fica para os ritos ordinários. Veja os andamentos de uma peça processual: 1. O processo tem início com o protocolo da petição inicial no distribuidor. Essa peça abre o processo e nela estão descritos os fatos e os pedidos do autor e, muitas vezes, quesitos para o caso de ocorrer perícia, os cálculos feitos por assistentes técnicos, o valor da causa. Se for o caso, também consta dessa peça o pedido de justiça gratuita. 2. Uma vez distribuída a petição e feitos os trâmites do cartório e da vara, o juiz despa- cha, aceitando a ação, e intima a parte ré à manifestação. 3. Esta manifestação é a peça chamada de contestação, na qual a parte ré vai se de- fender da acusação feita na inicial, mostrar os fatos conforme sua visão e apresentar, além deles, seus pedidos e os cálculos de seu assistente técnico. 4. A seguir, o juiz pode dar a sentença ou questionar quais provas as partes pretendem demonstrar. 5. Obedecendo, as partes pedem as provas desejadas, entre elas, a prova pericial. 6. Se o juiz acatar o pedido da prova pericial, nomeará o perito que irá executar a perícia. 7. A partir dessa nomeação, inicia o Fluxo de Trabalho do Perito Contábil que será apro- fundado nas Unidades 3, 4 e 5. 8. Após conclusão da perícia, o juiz pode se basear no laudo pericial ou parecer técnico e emitir a sentença. 35 Sugiro a leitura do Livro Perícia Contábil: judicial e extrajudicial do autor Ril Moura para conhecer o que é uma petição inicial (na página 163) a partir do Modelo de Petição Inicial apresentado pelo autor e demais modelos que compõem os ritos processuais no Brasil, como por exemplo “Manifestação da parte da ré”, “Resposta da parte da Ré” e “Manifestação da parte autora”. BUSQUE POR MAIS Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=O- vIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d5pcvek7RdK8Uhp4kq5lhWsrSTIMW9DXwrPiDK91g2SSv4u- zdv5WlHwwg JURISDIÇÃO: deriva do latim: juris, “direito”, e dicere, “dizer”, no sentido estrito da palavra sig- nifica “dizer o direito”. Assim, quem tem a jurisdição, tem direito de julgar. LUCROS CESSANTES: Lucros cessantes é a perda do lucro esperado em função de um impre- visto, decorrente de culpa, negligência, imperícia ou omissão de terceiros. Assim, eles estão relacionados à responsabilidade civil, onde quem causou o dano precisa reparar, financeira- mente, a parte prejudicada. FUNDO DE COMÉRCIO: é sinônimo de Estabelecimento, ou seja, o conjunto de bens corpóreos (vitrine, mesas, cadeiras, computadores, máquinas e estoques) ou incorpóreos (ponto, nome, tecnologia, segredos do negócio, contratos comerciais, marcas e patentes...) CIÊNCIA FORENSE: A Ciência Forense é compreendida como o conjunto de métodos e co- nhecimentos científicos e técnicas que são utilizados para desvendar não só crimes, como também variados assuntos legais (cíveis, penais ou administrativos). É considerada uma área interdisciplinar pois envolve física, biologia, química, entre outras. INICAL: Entende-se inicial como o documento que deu início ao processo, no qual o autor dis- ponibilizou a sua verdade sobre os fatos litigantes. CONTESTAÇÃO: Entende-se como a verdade com que o réu contra-argumenta a inicial, dis- ponibilizando sua verdade sobre os fatos discutidos nesses mesmos elementos litigantes de- nominados autos ou processo. GLOSSÁRIO https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d 36 1. O Supremo Tribunal Federal é considerado o órgão de cúpula do Poder Judiciário. Ele é composto por 11 ministros, que são escolhidos entre os cidadãos com mais de 35 e menos de 65 anos de idade. Estes devem possuir notável saber jurídico e reputação ilibada, nos termos do artigo 101 da CF (BRASIL, 1988). A esse órgão compete a guarda da Constituição. Ele deve julgar, por recurso extraordinário, as causas decididas em única ou ainda em última instância. Qual das situações a seguir o STF julga? a) Quando a decisão contrariar dispositivo da constituição federal. b) Quando a decisão julgar inválida lei local contestada em face de lei federal. c) Quando a decisão declarar a constitucionalidade de lei federal. d) Quando a decisão declarar a constitucionalidade de tratado. e) Quando a decisão contrariar dispositivo de lei estadual. 2. Sobre a prova pericial, leia com atenção e assinale a alternativa correta: a) A prova pericial não é suficiente para adquirir percepções relativas ao conflito. b) A prova pericial representa a soma dos fatos levantados, mas não evidencia a confirmação do caso. c) A perícia é um meio de prova. Através dela é possível examinar e analisar os fatos que levaram ao litigio. d) O juiz deve apresentar o laudo pericial ao perito responsável pelo caso. e) Todas as opções estão corretas. 3. Com base no artigo 464 da Lei no 13.105/15 (BRASIL, 2015), quando o juiz poderá indeferir a perícia? Analise e indique a opção correta: a) A legislação define que a perícia poderá ser indeferida se a prova do fato depender de conhecimento especializado. b) A perícia será indeferida quando a prova técnica redundante consistir somente na averiguação pelas partes interessadas. c) A perícia será indeferida quando for desnecessária, em vista de outras provas produzidas. d) A perícia será indeferida se sua análise for praticável. e) A perícia poderá ser indeferida durante a acusação, quando o especialista jamais poderá fazer uso de recursos tecnológicos referentes à transmissão de sons e imagens. 4. Assinale a opção que apresenta os objetivos da prova pericial: a) A prova pericial busca demonstrar, exclusivamente, a verdade sobre os fatos ocorridos. b) A prova pericial objetiva confirmar que o acontecimento causou perturbação do direito, que precisa ser restaurado. c) Para atingir os objetivos da prova pericial, não existe a necessidade de buscar bases para fundamentar as considerações finais. d) A prova específica processual civil não possui limitespara gerar a confirmação jurídica, FIXANDO O CONTEÚDO 37 enquanto a prova pericial nem sempre demonstrará o que ocorreu de verdade. e) Se as provas periciais não forem suficientes, não será necessária a prorrogação do processo e será declarada a sentença sobre o caso. 5. Acerca do assistente técnico, assinale a alternativa correta: a) Os honorários serão recebidos mediante alvará a ser expedido após a sentença. b) Após o compromisso assumido no processo, o assistente técnico não pode ser substituído pela parte que o contratou. c) Possui a mesma responsabilidade do perito na apresentação do laudo pericial. d) A ausência do parecer do assistente técnico não traz impedimento à realização da audiência. e) Se o assistente técnico, por motivo justificado, não puder apresentar o parecer dentro do prazo, o juiz deverá lhe conceder prorrogação por período igual ao que lhe foi concedido anteriormente. 6. (Exame de Suficiência do CFC) De acordo com a NBC TP 01 – Perícia Contábil, os procedimentos de perícia contábil visam fundamentar as conclusões que serão levadas ao laudo pericial contábil ou parecer técnico contábil e abrangem, total ou parcialmente, segundo a natureza e a complexidade da matéria, exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, mensuração, avaliação e certificação. Relacione os procedimentos de perícia contábil na primeira coluna com a respectiva descrição na segunda coluna e, em seguida, assinale a opção CORRETA. (1) Testabilidade (2) Avaliação (3) Arbitramento (4) Certificação ( ) Ato de atestar a informação trazida ao laudo pericial contábil pelo perito do juízo, conferindo-lhe caráter de autenticidade pela fé pública atribuída a esse profissional. ( ) Determinação de valores ou solução de controvérsia por critério técnico-científico. ( ) Verificação dos elementos probantes juntados aos autos e o confronto com as premissas estabelecidas. ( ) Ato de estabelecer o valor de coisas, bens, direitos, obrigações, despesas e receitas; A sequência CORRETA é: a) 4, 3, 1, 2. b) 4, 3, 2, 1. c) 3, 1, 2, 4. d) 1, 2, 4, 3. e) 2, 4, 3, 1. 7. Parecer Técnico-Contábil conforme o CPC/2015 é: a) a peça escrita na qual o perito-contador assistente expressa, de forma circunstanciada, clara e objetiva, os estudos, as observações e as diligências que realizou e as conclusões fundamentadas dos trabalhos. b) o recurso empregado para se alcançar um objetivo, sendo o documento ou ato escrito, registrado em juízo em que se registra um ato, com o fim de torná-lo concreto e autêntico. 38 c) o relatório em que o juiz conclui o assunto em face das provas e elementos dos autos. d) a peça escrita na qual o perito do juízo expressa, de forma circunstanciada, clara e objetiva, os estudos, as observações e as diligências que realizou e as conclusões fundamentadas dos trabalhos. e) Todas as opções estão corretas. 8. Analise as alternativas apresentadas a seguir e escolha apenas uma correta: a) Nas perícias contábeis judiciais, em um único processo terá apenas um único perito, o perito do juízo. b) A contratação de perito-contador assistente técnico é obrigatória para manter o efeito da produção da prova pericial. c) A lei no 12.990/15 apresenta os impedimentos e a suspeição do perito-contador assistente técnico. d) Conforme a legislação pertinente, o juiz nomeará um perito que tenha experiência na matéria periciada. e) O perito-contador assistente técnico deve evitar a comunicação com o perito do juízo 39 O FLUXO DE TRABALHO DO PERITO: FASE PRELIMINAR UNIDADE 03 40 3.1 INTRODUÇÃO Foram expostas algumas noções de Perícia Extrajudicial e Arbitral, anteriormente, mas o núcleo central das unidades 3, 4 e 5 é a Perícia Contábil Judicial. A base processual e operacional da Perícia Contábil Judicial e sua processualística segue um fluxo previsto no CPC e na NBC TP 01. Esse fluxo serve de base para o planejamento e execução dos trabalhos do profissional que exerce a função de perito judicial. Pode-se dividir o fluxo da perícia judicial em fases preliminar, operacional e final. Em todas as fases existem prazos e formalidades a serem cumpridos. Cada fase foi tratada com exclusividade nessas unidades. 3.2 A PERÍCIA É REQUERIDA O autor ou o réu, em um processo judicial, já na inicial ou na contestação poderá solicitar perícia, e o juiz poderá concordar ou negar a sua realização. Ainda existe a possibilidade de nenhuma das partes solicitar a perícia, e o juiz ao ler o processo identificar a necessidade de contar com um profissional especializado em contabilidade para auxiliá- lo com informações relacionadas ao objeto que está em discussão nos autos. Ou ao ler o processo, o juiz pode considerar suficiente para sua decisão os documentos disponibilizados pelas partes e dispensar a perícia, conforme o artigo 472 do CPC. O magistrado, segundo o seu prudente arbítrio, demanda ou não a perícia. Art. 472. O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes. 3.3 O JUIZ DEFERE A PERÍCIA E ESCOLHE SEU PERITO Se o juiz deferir a perícia, segue-se para a escolha do perito pelo juiz ou pelas partes. O Novo Código de Processo Civil (BRASIL, 2015) trouxe uma inovação em relação ao Código anterior, de 1973, que incluiu a possibilidade de as partes, em comum acordo, escolherem o perito, antecipando a escolha do juiz. Essa alteração está fundamentada pelo princípio da cooperação. As partes devem prestar a sua colaboração para alcançar a resolução do conflito. Na perícia consensual, perito e assistentes técnicos entregarão os laudos e pareceres e estes substituirão àqueles que seriam realizados por profissional nomeado pelo juiz. Ao escolher o perito, faz-se a nomeação do mesmo. Essa nomeação é sempre formal e consta dos autos. O perito tomará conhecimento de sua nomeação por meio da visita de um oficial de justiça, que fará a citação a ser assinada pelo perito nomeado. Caso a relação do perito com a secretaria do Fórum a qual oferece seus trabalhos seja muito próxima, devido às constantes nomeações, poderá ser contatado via e-mail ou, em alguns casos, por telefone. Outra forma de ser intimado é através do cadastro efetuado no do site do tribunal conforme explicado na Unidade 1. 3.4 AS PARTES FORMULAM QUESITOS E INDICAM SEUS ASSISTENTES 41 Após a nomeação do perito do juízo, as partes podem apresentar Quesitos e indicar o assistente técnico, conforme texto legal extraído do Código de Processo Civil, em seu artigo 465, a seguir novamente reproduzido: Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo. § 1º Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias conta- dos da intimação do despacho de nomeação do perito: I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; II - indicar assistente técnico; III - apresentar quesitos. [...] (grifo nosso) (BRASIL, 2015) Assim, depois da nomeação do perito, as partes ou uma delas podem indicar assistente técnico “Perito da Parte”, ou seja, o perito assistente. Esse deve fazer um contrato de prestação de serviço com seu cliente na hora da contratação para sua segurança. Os quesitos apresentados pelas partes, geralmente, são preparados pelo assistente técnico contratado. A palavra “geralmente” refere-se aos processos em que a parte contrata assistente técnico. Podem existir situações em que não são contratos os assistentes, assim, as partes não apresentam quesitos ou os quesitos são elaborados pelo próprio advogado que a defende. O respeitado Antônio Lopes de Sá em seu livro Perícia Contábil reforça que a elabo- ração dos quesitos deve por uma questão de lógica técnica ser, prioritariamente, feita pelos assistentes após a análise do corpo de provas disponíveis. Ao ler o item 62 - Lógica dos quesitos do capítulo 4 desse livro, em que vocêpoderá compre- ender como os quesitos podem e devem conduzir o perito à conclusão do objeto do processo. Sá também apresenta um ótimo exemplo de quesitos com sequência lógica adequada. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597022124/. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/ pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d5pcvek7RdK8Uhp4k- q5lhWsrSTIMW9DXwrPiDK91g2SSv4uzdv5WlHwwg BUSQUE POR MAIS Os Quesitos devem trazer questionamentos ou solicitações que levem às respostas para a solução do litígio que está em julgamento no processo. Quesitos são as perguntas, as indagações que são feitas e que indicam um caminho para o perito. O responsável pelas respostas é sempre o perito que foi nomeado. Perito nomeado é o perito judicial, nomeado pelo juiz. Os quesitos são respondidos no Laudo pericial. Uma das partes litigantes pode deixar de apresentar quesitos para a perícia, se isso for de seu interesse, ou se o prazo de apresentação foi perdido. Todavia, isso não a impede de, ao examinar o laudo produzido e entregue, pedir esclarecimentos. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597022124/. https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d 42 O quesito é o foco principal do laudo, mas o trabalho do perito não se resume apenas a responder aos quesitos propostos, ao contrário, vai além algumas vezes, dependendo do tema objeto da perícia adentra pesquisas teóricas e cálculos, cuja metodologia deve ser exposta em laudo. Um laudo para ser útil ao juiz, além de responder os quesitos, o que mais ele pre- VAMOS PENSAR? cisar apresentar? Recomendo a leitura do artigo: Perícia Contábil, disponível em https://www.inesul.edu.br/revis- ta/arquivos/arq-idvol_5_1247865610.pdf. Após a apresentação dos quesitos das partes, o juiz poderá, de acordo com o artigo 470, indeferir os quesitos que considerar impertinentes. O juiz tem a prerrogativa de indeferir aqueles quesitos que não guardam relação alguma com o objeto/causa em julgamento. Poderá ainda, de ofício, formular quesitos que ele entenda necessários para esclarecer os fatos de discussão nos autos caso tenha, eventualmente, alguma dúvida pontual sobre esse litígio. Esses questionamentos do juiz são denominados Quesitos Oficiais. Art. 470. Incumbe ao juiz: I - indeferir quesitos impertinentes; II - formular os quesitos que entender necessários ao es- clarecimento da causa. (BRASIL, 2015) Pode-se buscar uma resposta dos quesitos em conjunto, entre o perito judicial e os peritos assistentes, com isso, evita que o assistente fique questionando ou solicitando esclarecimentos. De todo modo, a responsabilidade das respostas é do perito oficial ou perito do juízo. O perito-contador assistente ou assistente técnico, não é obrigado a produzir um parecer técnico. Em contato com o advogado da parte, ele pode manifestar se concorda ou não com o laudo apresentado e com suas respectivas conclusões. Para respostas de quesitos onde há incerteza, deve o perito negá-la. Não diga nada. Não diga que “acha” que pode ser. Se estiver diante do incerto, negue-se a dar opinião: “Não posso afirmar, porque não tenho ainda fundamentação”. As respostas dos quesitos devem ser fundamentadas, sempre. 3.5 CARGA DOS AUTOS E LEITURA Nessa fase preliminar, após a nomeação, o perito deve acessar o processo no sistema eletrônico, se processo digital, ou retirar os autos do cartório ou secretaria, se processo físico, para inteirar-se de seu conteúdo. Assim que é nomeado, o perito contábil já faz parte do processo e tem a direito de retirar o processo do fórum e levar para seu ambiente de trabalho para análise, leitura e estudos pertinentes. Esse procedimento chama-se fazer carga dos autos. https://www.inesul.edu.br/revista/arquivos/arq-idvol_5_1247865610.pdf. https://www.inesul.edu.br/revista/arquivos/arq-idvol_5_1247865610.pdf. 43 Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da ... Vara Cível de .... Meritíssimo Juiz, ........, Contador, CRC 1086 MG, CPF......., perito compromissado nos autos...... Processo nº ...... em que são partes....... tendo necessidade de examinar os referidos, para efeito de desincumbir-se de sua missão e poder apresentar seu laudo em tempo hábil, requer, pela presente, a retirada dos mesmos. Pede deferimento. Belo Horizonte, .... Assinatura ... Quadro 7: Petição ao juiz Sendo o perito já bem conhecido do Fórum, é usual que a vara se lhe faça a entrega dos autos. Todavia, ocorrendo situação diversa, o perito deve requer ao juiz a retirada mediante petição: Importante ressaltar que o processo de papel é identificado por um número, e é único, não existindo segunda via. Assim, o profissional deverá ter muito cuidado com o trato relativo ao processo. Após fazer a carga nos autos, o perito deve ler o processo para se inteirar daquilo que se trata os autos. Essa leitura deve ser feita por inteiro, ou seja, é preciso repassar todas as folhas que o processo contém. Ler os termos da inicial e da contestação, bem como todos os elementos contidos nos autos, como petições, documentos disponibilizados pelas partes e também decisões que, porventura, o juiz tenha elaborado durante a evolução do processo. Muito importante tomar conhecimento do que se discute nos autos, qual é o ponto de discórdia entre as partes, ou seja: qual é o objeto em litígio no processo. Recomenda-se a leitura dos autos, na sua totalidade, para o perfeito entendimento dos fatos e, assim, verificar se deve aceitar ou não a proposta, além de calcular os honorários, correta- mente. Nesse ponto, alguns profissionais sentem-se intimidados, pois alguns processos têm muitas páginas, e o prazo para a elaboração da proposta é exíguo (cinco dias). Mas não há motivo para preocupação, com o passar do tempo os profissionais atuantes ad- quirem uma forma de leitura seletiva, focando a extração apenas do que é mais relevante para a prova pericial e expurgando as alegações das partes e citações de leis e jurisprudência. Mas o importante é a leitura da inicial, da contestação e dos despachos do juiz, uma prévia dos documentos juntados, buscando nesse momento apenas sua extensão. Importantíssimo é localizar na decisão judicial os pontos controvertidos fixados pelo juiz, pois neles encontra-se, na maioria das vezes, o que o juiz deseja obter como resposta para elucidar as questões controversas da lide. Os quesitos formulados pelas partes e pelo juiz podem ser balizadores da mensuração da proposta de honorários. O que mais pode auxiliar o perito na proposta dos honorários? Complexidade do trabalho? Valor da causa? Quais outros fatores devem ser levados em consideração ao calcular o hono- VAMOS PENSAR? 44 rários? Importante e bem completo o artigo: Perícia Contábil, fundamentos e modelos de autoria de Janaína Faverzani da Luz, Disponível em : http://repositorio.pgsskroton.com.br/bitstream/123456789/1069/1/ artigo%2010.pdf 3.6 ACEITAÇÃO OU RECUSA Estudadas as peculiaridades do processo, o perito decide se aceita ou se escusa (declina) da função para a qual foi nomeado. O fato de haver sido nomeado não o obriga ao exercício pericial, pois cabe-lhe o direito de recusar a função, conforme art. 157 do CPC: Art. 157. O perito tem o dever de cumprir o ofício no prazo que lhe designar o juiz, empregando toda sua diligência, podendo escusar-se do encargo alegando motivo legíti- mo. § 1º A escusa será apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, contado da intimação, da suspeição ou do impedi- mento supervenientes, sob pena de renúncia ao direito a alegá-la. (BRASIL, 2015) Na impossibilidade de assumir ou de cumprir o encargo, deve o perito manifestar- se dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação de sua nomeação, para escusar-seou renunciar, indicando suas razões, pois o seu silêncio implica na aceitação do encargo. São condições para declinar ou escusar-se, conforme preceituam os itens 13 e 15 da NBC PP 01 (R1), de 19 de março de 2020: Item 13 O perito deve declarar-se suspeito quando, após nomeado ou contratado, verifi- car a ocorrência de situações que venham suscitar suspeição em função da sua imparcialidade ou independência e, dessa maneira, comprometer o resultado do seu trabalho em relação à decisão. Item 14 Os casos de suspeição e impedimento a que está sujeito o perito nomeado são os seguintes: (a) ser amigo íntimo de qualquer das partes; (b) ser inimigo capital de qualquer das partes; (c) ser devedor ou credor em mora de qualquer das partes, dos seus cônjuges, de parentes destes em linha reta ou em linha colateral até o terceiro grau ou entidades das quais esses façam parte de seu quadro societário ou de direção; (d) ser herdeiro presuntivo ou donatário de alguma das partes ou dos seus côn- juges; (e) ser parceiro, empregador ou empregado de uma das partes; (f) aconselhar, de alguma forma, parte envolvida no litígio acerca do objeto da discussão; e (g) houver qualquer interesse no julgamento da causa em favor de uma das partes Item 15 O perito pode ainda declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo Quadro 8: Itens 13 e 15 da NBC PP 01 (R1), de 19 de março de 2020 http://repositorio.pgsskroton.com.br/bitstream/123456789/1069/1/artigo%2010.pdf http://repositorio.pgsskroton.com.br/bitstream/123456789/1069/1/artigo%2010.pdf 45 Outro fator importante que pode causar o impedimento da atuação do perito- contador é a falta de habilidade técnico-científica. Esse constitui um dos motivos para que ocorra a recusa da indicação ou nomeação do perito. Quando o perito não apresentar as competências exigidas para o encargo, ele deverá ser substituído, conforme dispõe o artigo 468 do CPC. Art. 468. O perito pode ser substituído quando: I - faltar-lhe conhecimento técnico ou científico; II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado. (BRASIL, 2015). Segue modelo de escusa para ser anexado aos autos: MODELO N.º 1 - ESCUSA EM PERÍCIA JUDICIAL (IMPEDIMENTO OU SUSPEIÇÃO – PERITO DO JUÍZO) Excelentíssimo(a) Senhor(a) Doutor(a) Juiz(a) ............................ Autor: Réu: Ação: Processo n.º: ............................., contador(a) registrado(a) no CRC ........, na condição de perito nomeado no processo acima referido, vem à presença de Vossa Excelência comunicar, nos termos do Art. ....... do Código de Processo Civil e do item .... da Norma Brasileira de Contabilidade NBC PP 01 do Conselho Federal de Contabilidade, o seu impedimento para a produção da prova pericial contábil, pelos motivos esclarecidos a seguir: Obs.: Tais motivos são somente aqueles insertos no Art. .......... do Código de Processo Civil e nos itens de impedimento e suspeição da NBC PP 01. Termos em que pede deferimento. ......................, de ............... de ......... Nome do perito Registro no CRC Quadro 9: Modelo de escusa para ser anexado aos autos Após a recusa ou então pela falta de cumprimento do prazo o perito será substituído, (CPC, art. 468, II). No caso de deixar de cumprir prazo, o juiz poderá comunicar a ocorrência ao órgão profissional da categoria, podendo ainda fixar o valor da multa, em vista do valor da causa e o possível prejuízo decorrente do atraso do processo. Art. 468. O perito pode ser substituído quando: I - faltar-lhe conhecimento técnico ou científico; II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado. [...] (BRASIL, 2015) 46 Uma vez nomeado o perito, as partes também têm como prerrogativas arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se identificado algum impedimento. 3.7 PLANEJAMENTO E HONORÁRIOS À medida que vai se desenvolvendo a leitura dos autos pelo perito e ele está declinado a aceitar a perícia, deve-se anotar os elementos mais importantes nos papéis de trabalho e planejar as etapas da perícia, bem como estipular o tempo que cada atividade demandará. Esse processo é o planejamento da perícia, o perito do juízo estabelece a metodologia dos procedimentos periciais a serem aplicados, elaborando-o a partir do conhecimento do objeto da perícia. As próprias Normas Contábeis preveem a necessidade do planejamento dos trabalhos periciais, no seu item 7 da NBC TP 01 (R1), de 19 de março de 2020: “Os objetivos do planejamento da perícia são: a. Conhecer o objeto e a finalidade da perícia para permitir a escolha de diretrizes e procedimentos a serem adotados para a elaboração do trabalho pericial; b. Desenvolver plano de trabalho onde são especificadas as diretrizes e procedimentos a serem adotados na perícia; c. Estabelecer condições para que o plano de trabalho seja cumprido no prazo estabelecido; d. Identificar potenciais problemas e riscos que possam vir a ocorrer no andamento da perícia; e. Identificar fatos importantes para a solução da demanda, de forma que não passem despercebidos ou não recebam a atenção necessária; f. Identificar a legislação aplicável ao objeto da perícia; g. Estabelecer como ocorrerá a divisão das tarefas entre os membros da equipe de trabalho, sempre que o perito necessitar de auxiliares. ” Se o perito identificar durante a leitura do processo que esse não contempla toda a documentação necessária para o desenvolvimento da perícia, deve-se planejar as diligências, mediante termo de diligência. O livro Perícia Contábil: judicial e extrajudicial do Autor Ril Moura traz nas páginas 22, 23 e 24 um MODELO DE PLANEJAMENTO PARA PERÍCIA JUDICIAL. O livro está disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publica- cao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d5pcvek7RdK8Uhp4k- q5lhWsrSTIMW9DXwrPiDK91g2SSv4uzdv5WlHwwg BUSQUE POR MAIS Como o CPC prevê, a perícia pode ser conjunta, cabe ao perito do juízo fazer o planejamento do que será realizado facilitando, assim, o trabalho tanto dele como dos assistentes técnicos, que terão um roteiro a seguir. Assim, após a leitura completa de todas as peças dos autos, o perito deverá multiplicar o tempo de cada etapa pela sua taxa horária, de maneira que possa, monetariamente, quantificar o valor de seus honorários. Estabelecer o valor dos honorários é uma atividade que tem que ser feita com muito cuidado e sensibilidade, uma vez que o perito-contador é um auxiliar da justiça e tem que https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d 47 ponderar a situação econômica e financeira das pessoas que fazem parte do processo. O perito deve elaborar o orçamento e apresentar no prazo de 5 (cinco) dias junto com currículo, com comprovação de especialização e contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde serão dirigidas as intimações pessoais. (CPC, art. 465, § 2º,). Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo. § 1º Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias conta- dos da intimação do despacho de nomeação do perito: I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; II - indicar assistente técnico; III - apresentar quesitos. § 2º Ciente da nomeação, o perito apresentará em 5 (cin- co) dias: I - proposta de honorários; II - currículo, com comprovação de especialização; III - contatos profissionais, em especial o endereço ele- trônico, para onde serão dirigidas as intimações pessoais. [...] (Grifo nosso) (BRASIL, 2015) O profissional elaborará essa petição, especificando e detalhando por fases o trabalho pericial, a duração de cada fase e o valor dos honorários. A petição será protocolada no fórum. Caso o processoseja digital, deverá ser protocolada no sistema mediante arquivo em formato PDF (formato portátil de documento) e assinado com o certificado digital. No caso de processo físico, o processo deverá ser devolvido ao fórum com a proposta de honorários. O perito deve ficar com a segunda via da proposta protocolada como comprovante de entrega. O perito ao devolver os autos deve solicitar a baixa da carga feita na vara e pedir algo que comprove a devolução (um protocolo simples, como por exemplo, um recibo). Orienta-se isso porque pode ocorrer extravio do processo dentro da vara e o profissional ser responsabilizado, o que seria grave. Um processo físico não tem cópia, então todo cuidado deve ser tomado ao manusear, trans- portar, receber ou devolver. Quais outros cuidados devem tomados por um perito ao trabalhar com um processo físico? VAMOS PENSAR? 3.8 MANIFESTAÇÃO E HOMOLOGAÇÃO SOBRE OS HONORÁRIOS Após apresentação da proposta de honorários, o juiz solicitará que as partes se manifestem sobre o valor pleiteado pelo perito, bem como os deposite, conforme § 3º do art. 465 do CPC. 48 Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo. § 1º Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias conta- dos da intimação do despacho de nomeação do perito: I - arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso; II - indicar assistente técnico; III - apresentar quesitos. § 2º Ciente da nomeação, o perito apresentará em 5 (cin- co) dias: I - proposta de honorários; II - currículo, com comprovação de especialização; III - contatos profissionais, em especial o endereço ele- trônico, para onde serão dirigidas as intimações pessoais. § 3º As partes serão intimadas da proposta de honorários para, querendo, manifestar-se no prazo comum de 5 (cin- co) dias, após o que o juiz arbitrará o valor, intimando-se as partes para os fins do art. 95 . [..] [Grifo nosso].(BRASIL, 2015) As partes podem concordar com o valor ou impugnar, rejeita a proposta. Nesse caso, o perito é chamado ao processo para se manifestar sobre a impugnação de honorários, e ele pode manter sua proposta ou alterá-la. Depois cabe ao juiz decidir se homologa os honorários do perito ou o substitui por outro e refaz o mesmo procedimento. Caso a proposta de honorário seja impugnada, sugere-se que o perito siga a tabela orienta- va do CRC e elabore a petição deixando claros os motivos que o levaram a propor o valor de honorários. O profissional só deve reduzir honorários se existir argumentos das partes que o levem a essa redução. Será se todos os peritos seguissem a tabela do CRC não haveria tanta impugnação de hono- rários com base em propostas de outros peritos em autos semelhantes com valores abaixo da tabela? Seguir a tabela do CRC também é uma questão de ética profissional. O perito não deverá deixar-se convencer pelos argumentos subjetivos das partes. A concor- dância com a redução do valor pode dar ao juiz e às partes uma ideia de insegurança do profissional? Se considerar inevitável alguma redução, faça-a em percentual mínimo, de forma justificada. VAMOS PENSAR? Na vara civil, uma vez que o juiz homologa o valor dos honorários, cabe às partes depositá-los. Após o deposito, o perito é novamente comunicado e dará início aos trabalhos para montagem do laudo pericial dentro do prazo estipulado pelo juiz quando da nomeação do perito. Quando o perito for novamente chamado para elaborar o laudo, não será necessário reler todo o processo, uma vez que essa atividade já foi desempenhada e está toda detalhada 49 em seu planejamento. 3.8.1 Pagto de honoráriosnos processos cível e trabalhistas É importante lembrar que um ato é apresentar proposta de honorários, outro é requerer depósito prévio de honorários. A NBC PP 01, Item 30, orienta que: “Na elaboração da proposta de honorários, o perito dever considerar os seguintes fatores: a relevância, o vulto, o risco, a complexidade, a quantidade de horas, o pessoal técnico, o prazo estabelecido e a forma de recebimento, entre outros fatores”. As leis processuais que disciplinam o pagamento de honorários aos peritos nomeados de ofício são diferentes para os processos cível e trabalhista. Para demonstrar tais divergências segue-se legislações acerca dos procedimentos sobre honorários na Justiça Cível e na Justiça Trabalhista. • Honorários na Justiça Cível A regra processual (CPC, art. 82) é de que cabe às partes prover as despesas dos atos que realizam ou requerem no processo, antecipando-lhes o pagamento, ressalvadas as disposições concernentes à justiça gratuita. Art. 82. Salvo as disposições concernentes à gratuidade da justiça, incumbe às partes prover as despesas dos atos que realizarem ou requererem no processo, antecipan- do-lhes o pagamento, desde o início até a sentença final ou, na execução, até a plena satisfação do direito reco- nhecido no título. § 1º Incumbe ao autor adiantar as despesas relativas a ato cuja realização o juiz determinar de ofício ou a requeri- mento do Ministério Público, quando sua intervenção ocorrer como fiscal da ordem jurídica. § 2º A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou. Na regra expressa (CPC, art. 95) os honorários do perito serão pagos: a. adiantado pela parte que houver requerido o exame; ou b. rateada, quando requerido por ambas as partes ou determinado de ofício pelo juiz. c. quanto aos assistentes, cada parte pagará o valor contratado para quem houver indicado. De acordo com a Súmula 341 do TST, a indicação do perito assistente é faculdade da parte, a qual deve responder pelos respectivos honorários, ainda que vencedora no objeto da perícia. Em alguns casos excepcionais, o juiz poderá autorizar o pagamento de até 50% dos honorários arbitrados a favor do perito no início dos trabalhos, e o remanescente é deixado para o final, depois da entrega do laudo e prestados todos os esclarecimentos necessários (art. 465, § 4º do CPC/2015). (BRASIL, 2015) Em uma situação em que a parte que deve arcar com o ônus da perícia judicial não tiver condições de efetuar o depósito prévio, integralmente, o juiz pode conceder, se o perito aceitar, o parcelamento dos honorários. Tal parcelamento é feito em duas ou três 50 parcelas, normalmente, sendo a primeira como honorários prévios, a segunda na entrega do laudo pericial contábil e a terceira após trinta dias da entrega do laudo. Em processos complexos, o perito poderá apresentar apenas uma estimativa inicial dos honorários periciais. Este valor poderá ser revisto após a apresentação de quesitos pelas partes ou de fato novo que demande uma complementação da perícia. Consequentemente, isso acarretará a necessidade de complementação do valor dos honorários apresentados, inicialmente. Nesse caso, haverá a determinação judicial para que seja feito o depósito prévio do valor dos honorários estimados, inicialmente, pelo perito e após a apresentação dos honorários complementares, outro depósito complementar dos mesmos. Cabe destacar aqui que os honorários periciais ficam depositados em conta judicial, e somente com a autorização do juiz que podem ser repassados ao perito. Essa autorização é em forma de um documento chamado de alvará, o qual o perito retira no fórum e leva ao banco para a retirada do numerário. Sob hipótese nenhuma o perito nomeado pelo juiz deve aceitar receber os honorários periciais diretamente da parte, mas sempre através de depósito judicial comprovado nos autos, pois tudo o que envolve as partes tem que estar nos autos. O perito judicial não é obrigado a elaborar a perícia sem que antes ocorra o depósito prévio de seus honorários, salvo nos casos em que tenha sido deferida a gratuidade de justiça a uma das partes. Os honorários do perito, segundo o CPC (art. 515, V), uma vez definidos pelo juiz, se constituem em títulos executivos judiciais, podendo, naturalmente, ser executados como dívida líquidae certa. Atente-se que a prescrição dos honorários do perito acontece em um ano, na forma do art. 206, § 1º, III, do Código Civil. (BRASIL, 2002) Recomenda-se ao perito requerer que sejam depositados os honorários antes de iniciar as di- ligências, argumentando a complexidade e a importância da prova pericial, e a responsabi- lidade do encargo, que em certas ocasiões exige possíveis esclarecimentos sobre o conteúdo do laudo, em audiência. FIQUE ATENTO • Honorários na Justiça Trabalhista Na Justiça do Trabalho não existe depósito prévio, assim, a proposta de honorários é entregue em petição especial e protocolada no mesmo momento do laudo pericial ou após sua entrega. Na sentença, o juiz fixará os valores dos honorários periciais, atendendo ou não à sugestão proposta pelo perito, e declarará a parte sucumbente (quem perdeu a causa) que pague o perito do juízo. Para o perito defender o valor de sua proposta de honorários, é recomendável que demonstre de forma clara e fundamentada: as diligências, as análises e os levantamentos que foram necessários para a produção da prova pericial, pois o perito não terá oportunidade de se manifestar. O valor arbitrado pelo juízo na sentença poderá sofrer a impugnação apenas pela parte sucumbente. O perito pode ser surpreendido com valor incompatível com o trabalho desenvolvido, após entregar o laudo pericial e da proposta de honorários. Assim, nas ações trabalhistas de grande porte é aconselhável apresentar proposta de honorários para discussão e 51 homologação pelo juiz, antes de dar início aos trabalhos. Outra situação especial, processos em que o autor não tem condições de arcar com o ônus da perícia. Se o autor for vencedor da demanda, o réu arca com o custo dos honorários, que são incluídos na conta final em nome do perito do juízo. Em caso de insucesso do autor, o perito do juízo não receberá seus honorários. É interessante observar que não existe obrigatoriedade de o perito do juízo realizar a perícia sem depósito prévio, mas isso pode fazer com que o juiz deixe de nomeá-lo para outros trabalhos. Por outro lado, havendo o réu requerido a perícia, nada impede que o perito faça seu pedido de depósito prévio e até mesmo requeira adiantamento. O deferimento dependerá muito das circunstâncias e da fundamentação; o juiz, evidentemente, deferirá ou não a homologação do valor e respectivo depósito prévio do adiantamento. • Justiça Gratuita Não se pode aqui deixar de falar na gratuidade de justiça, que está prevista nos seguintes artigos do CPC de 98 até 102. (BRASIL, 2015) A parte já na inicial ou na contestação poderá solicitar amparo na chamada justiça gratuita, e o magistrado, com toda sua experiência, acatará ou não essa solicitação. O juiz aceitando os argumentos da parte para ficarem amparados nessa modalidade de justiça gratuita, os honorários do perito serão de responsabilidade do Estado. Nessa situação, o perito nomeado não apresentará proposta de honorários, assim, terá apenas que se manifestar em concordância com o valor dos honorários tabelados. Em relação à justiça gratuita, honorários podem ser pagos: • Com recursos orçamentários do ente público, se realizada a perícia por servidor do Poder Judiciário ou por órgão público conveniado; ou • Com recursos do orçamento da União, do Estado ou do Distrito Federal, no caso de ser realizada por particular, hipótese em que o valor será fixado conforme tabela do tribunal respectivo ou, na ausência desta, do Conselho Nacional de Justiça. É importante que o perito, sempre que propuser honorários sob o pálio da justiça gratuita, solicite que eles sejam homologados pelo juízo e corrigidos até o efetivo pagamento pelos índices oficiais. Segue quadro de honorários periciais de 13 de julho de 2016 conforme Resolução nº232 do Conselho Nacional de Justiça: FIQUE ATENTO Especialidades Natureza da ação e/ou espécie de perícia a ser realizada Valor Máximo Ciências Econômicas/ Sociais 1.1. Laudo produzido em demanda proposta por servidor(es) contra a União/Estados e Municípios. R$ 300,00 1.2. Laudo em Ação revisional envolvendo negócios jurídicos bancários até 4 (quatro) contratos R$ 370,00 1.3. Laudo em ação revisional envolvendo negócios jurídicos bancários acima de 4 (quatro) contratos R$ 630,00 1.4. Laudo em ação de devolução e liquidação de sociedades civis e mercantis. R$ 830,00 1.5. Outras R$ 370,00 Quadro 10: Valor de honorários periciais no âmbito da Justiça Fonte: Resolução nº232 do Conselho Nacional de Justiça 52 Esse valor de honorários conforme a tabela chega a ser ofensivo para os peritos. Não levando em conta o valor da hora ou mesmo o salário mínimo da classe dos contadores, esses valores não cobrem nem as despesas. A justiça gratuita é uma obrigação do Estado ou dos peritos? INTIMIDAÇÃO: Conforme art. 269 do CPC, Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e dos termos do processo. (BRASIL, 2015) TERMO DE DILIGÊNCIA: Documento pelo qual o perito solicita todos os documentos e infor- mações relacionados ao objeto da perícia, fixando o prazo para entrega. HONORÁRIO: A palavra vem do latim honorarius, que significa “que é feito ou dado por hon- ra”. Quando utilizada no plural honorários, essa palavra passa a significar a remuneração que um profissional liberal recebe pela prestação de seu serviço. HOMOLOGAÇÃO: No termo jurídico, refere-se à aprovação, ratificação ou confirmação, por autoridade judicial ou administrativa, de certos atos particulares, a fim de que possam se in- vestir de força executória ou se apresentar com validade jurídica. JUSTIÇA GRATUITA: É o direito à gratuidade das taxas judiciárias, custas, emolumentos, des- pesas com editais, honorários de perito etc., ou seja, não pagará as despesas do processo (SCHIAVI, 2009, p.288). PETIÇÃO: Petição é um pedido a uma autoridade. GLOSSÁRIO 53 1. Se o juiz deferir a perícia, segue-se para a escolha do perito. Essa escolha será realizada: a) apenas pelo juiz; b) apenas pelo autor; c) apenas pelo réu; d) apenas por quem solicitou a perícia; e) pelo juiz ou pelas partes, o Novo Código de Processo Civil (BRASIL, 2015) incluiu a possibilidade de as partes, em comum acordo, escolherem o perito, antecipando a escolha do juiz. 2. Quando nomeado em Juízo e reconhecer não estar capacitado a desenvolver o objeto do trabalho, o Perito-Contador deverá: a) aceitar o trabalho devido a sua responsabilidade profissional. b) comunicar as partes, por escrito, a razão de seu impedimento. c) declarar sua impossibilidade na primeira audiência do processo. d) dirigir petição ao juízo, no prazo legal, justificando sua escusa. e) todas as afirmações estão corretas. 3. O perito-contador está impedido de exercer suas funções quando: a) não concordar com a matéria em questão. b) estiver em débito com o instituto dos peritos contadores. c) for parte direta ou indireta do processo. d) seus honorários forem inferiores a 30% do valor da causa. e) todas as afirmações estão corretas. 4. Segundo a Norma Brasileira de Contabilidade o contrato de honorários na Perícia judicial deve ser elaborado com base no: a) valor estimado da causa. b) planejamento realizado. c) valor do honorário dos advogados das partes. d) valor arbitrado pelo juiz. e) todas as alternativas estão corretas. 5. O Contador, quando perito, assistente técnico, auditor ou árbitro: a) jamais deve recusar sua indicação, embora reconheça não se achar capacitado em face da especialização requerida. b) não deve abster-se de expender argumentos ou dar a conhecer sua convicção pessoal sobre os direitos de quaisquer das partes interessadas, ou da justiça da causa em que estiver servindo, mantendo seu laudo no âmbito técnico e limitado aos quesitos propostos. FIXANDO O CONTEÚDO 54 c) deve abster-se de interpretações tendenciosas sobre a matéria que constitui objeto de perícia, mantendo absoluta independência moral e técnica na elaboração do respectivo laudo. d) considerar com parcialidadeo pensamento exposto em laudo submetido a sua apreciação. e) todas as alternativas estão corretas. 6. Com base na NBC TP 01 – Perícia Contábil, julgue as afirmativas abaixo como verdadeiras (V) ou falsas (F) e, em seguida, assinale a opção CORRETA: ( ) O perito, enquanto estiver de posse do processo ou de documentos, deve zelar por sua guarda e segurança e ser diligente; ( ) Para execução da perícia contábil, o perito deve ater-se ao objeto e ao lapso temporal da perícia a ser realizada; ( ) Mediante termo de diligência, o perito deve solicitar por escrito todos os documentos e informações relacionados ao objeto da perícia, fixando o prazo para entrega; A sequência correta para verdadeiras (V) ou falsas (F) é: a) V, F e F; b) V, V e F; c) V, V e V; d) F, F e V. e) F, V e F. 7. Com relação ao comportamento dos peritos-contadores, julgue as situações hipotéticas apresentadas nos itens abaixo e, em seguida, assinale a opção CORRETA. I. Um perito-contador nomeado pelo juiz dirigiu ao juiz petição, no prazo legal, justificando que não poderia realizar a perícia por ter sido empregado de uma das partes há menos de seis meses. II. Um perito-contador, nomeado em juízo para atuar em uma questão relativa a uma dissolução de sociedade, após constatar que não dispunha dos recursos humanos e materiais em sua estrutura profissional para assumir o encargo, informou verbalmente ao juiz que iria aceitar o trabalho, mas que não teria condições de cumprir com os prazos estabelecidos. III. Um perito-contador assistente, convidado por uma das partes, ao tomar conhecimento de que a parte contrária era seu amigo íntimo, além de compadre, comunicou sua recusa, devidamente justificada por escrito, com cópia ao juízo. Nas três situações acima descritas, o comportamento do perito está de acordo com o disposto na NBC PP 01 – Perito Contábil, que estabelece procedimentos inerentes à atuação do contador na condição de perito, nos itens: a) I e II, apenas. b) I e III, apenas. c) II e III, apenas. d) I, II e III. 55 e) I, apenas. 8. Referente à nomeação ou indicação do perito-contador assistente técnico assinale a resposta correta: a) a indicação para a função de perito-contador assistente, para processo judicial, precisa ser considerada com distinção e identificação da capacidade e dos honorários do contador. b) é de conhecimento que, mesmo se nomeado, o contador não deve aceitar assumir o caso se não possuir conhecimentos específicos. c) a nomeação ou contratação de perito-contador assistente técnico acontece quando as partes estão dispensadas de comprovar alguma situação. d) as partes envolvidas serão representadas por somente um assistente técnico para que seja efetuada a perícia judicial de ambas. e) o processo de indicação e nomeação do perito-contador assistente técnico está apresentado e pode ser consultado mediante a NBC 07 – normas técnicas. 56 FASE OPERACIONAL UNIDADE 04 57 4.1 INTRODUÇÃO Para iniciar a perícia, o perito faz novamente a carga dos autos ou acessa ao processo digital. Nessa nova leitura dos autos, o perito verifica se novos documentos foram inseridos, como por exemplo: a)Se as partes indicaram assistentes e se apresentaram quesitos. O perito do juízo pode estabelecer contato com os assistentes técnicos, para sentir os seus interesses e envolvimento na questão. Se os assistentes tiverem conhecimento do assunto poderão facilitar as diligências, A NBC TP 01, Item 8, orienta: b) “Elaborado o plano de trabalho pericial, o perito pode convidar os assistentes técnicos para uma reunião de trabalho, presencial ou por meio eletrônico, para dar co- nhecimento do planejamento da execução do trabalho pericial.” (BRASIL, 2020) Os assistentes técnicos não podem impor regras ao perito e este não pode exigir a participação daqueles. A participação efetiva dos assistentes técnicos é, via de regra, definida em contrato com as partes que os indicaram. Entretanto, o perito do juízo, ao desenvolver seu trabalho, deverá propiciar-lhes o livre acompanhamento e também aos advogados das partes, sob pena de dar ensejo à alegação de cerceamento de defesa, situação que, uma vez comprovada, poderá acarretar a nulidade do laudo (CPC, art. 466); [..] § 2º O perito deve assegurar aos assistentes das partes o acesso e o acompanhamento das diligências e dos exa- mes que realizar, com prévia comunicação, comprovada nos autos, com antecedência mínima de 5 (cinco) dias. [..] (BRASIL, 2015) c)Se por despacho o juiz definiu data e local para início da produção da prova pericial, e se as partes foram intimadas. Não havendo despacho com estas informações, o próprio perito deverá fazer a indicação do local e dar ciência às partes (CPC, art. 474). Isso pode ser feito, preferencialmente, através do Termo de Diligência. Art. 474. As partes terão ciência da data e do local desig- nados pelo juiz ou indicados pelo perito para ter início a produção da prova. (BRASIL, 2015) 4.2 INDICAÇÃO DO LOCAL E DAR CIÊNCIA ÀS PARTES Se o processo for físico, quando o perito for intimado a dar início aos trabalhos periciais, ele pode fazer o comunicado e protocolá-lo no cartório com a devolução dos autos. Neste comunicado deverá informar as partes através de seus representantes legais e seus assistentes técnicos a data e hora para o início da perícia. Nos processos eletrônicos, como perito do processo, ele pode incluir o documento com o horário e a data da reunião de início dos trabalhos periciais, sempre com data 58 posterior suficiente para que as partes sejam intimadas conforme prazos processuais. E, em alguns tribunais em que o perito não pode incluir documentos no processo eletrônico, deve encaminhar e-mail ao cartório. Se o perito não informar as partes a data e do local designados o para início da produção da prova, conforme art. 474 do CPC/2015, a perícia será nula. O perito deve receber as partes na data e no local marcado com os trabalhos já delineados, momento oportuno para as partes entregarem os documentos solicitados pelo perito de acordo com Termo de Diligência. O perito deve determinar junto aos assistentes técnicos a metodologia a ser seguida na perícia e lavrar a ata da reunião do início dos trabalhos periciais, que deve conter o número dos autos, vara de jurisdição, nome das partes, seus representantes e assistente técnicos, descrever o ocorrido na reunião, documentos recebidos, local, hora, data e assinaturas dos presentes. Essa ata compõe o laudo pericial. O perito-assistente técnico pode, logo após sua contratação, manter contato com o advogado da parte que o contratou, requerendo dossiê completo do processo para conhecimento dos fatos e melhor acompanhamento dos atos processuais no que for pertinente à perícia. O perito-assistente técnico pode também manter contato com o perito do juízo, colocando-se à disposição para a execução da perícia em conjunto. O perito-assistente técnico pode entregar ao perito do juízo cópia do seu parecer técnico-contábil, previamente elaborado, bem como planilhas ou memórias de cálculo, informações e demonstrações que possam esclarecer ou auxiliar o trabalho a ser desenvolvido pelo perito do juízo. 4.3 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO PERICIAL Com base no que se discute nos autos, o perito vai desenvolver os trabalhos que culminarão com a elaboração do laudo pericial contábil. Os fatos narrados na inicial são muito importantes e o perito deve pautar seu trabalho nele, uma vez que é o ponto fundamental que gerou o processo e que necessita de esclarecimentos, não podendo ir além, tampouco ficar aquém do objeto, mostrando para o juiz a verdade do perito. Aqui reside a maneira como será tratado o objeto que se discute: o perito deve buscar elementos que possam deixar clara sua verdade, ou seja, que técnica usará para chegar à conclusão que será mostrada ao magistrado. Dada a sua importância, esse item requer muito cuidado. No encerramento do laudo pericial contábil, todas as questões levantadasna síntese da inicial deverão, obrigatoriamente, ter resposta do perito, clara e objetiva, de maneira que possa auxiliar o discernimento do juiz sobre o processo em julgamento. O perito deve identificar se o processo contém quesitos ou não. Caso contenha, o desenvolvimento do trabalho ficará facilitado, uma vez que as partes já delinearam o objeto de discórdia e seu entorno. Planilhas são sempre usadas como ferramenta de trabalho para análise de situações- problema. Seguem alguns exemplos de problemas mais comuns trabalhados na perícia: 59 Problemas contábeis Disponíveis, estoques, contas a receber, imobilizado, contas a pagar etc. Problemas fiscais Diversos impostos, notas fiscais, controle dos impostos a recuperar e a pagar etc. Problemas trabalhistas: Salários, cartão de ponto/relógio de controle de ponto, diferenças sala- riais, repouso semanal remunerado, horas extras etc. Problemas societários Contrato/estatuto social, dissolução societária, conta dos sócios/acionis- tas etc. Quadro 11: Problemas mais comuns trabalhados na perícia 4.4 RESPONSABILIDADE POR EQUIPE TÉCNICA De acordo com a NBC TP 01 – Perícia Contábil, a execução da perícia, quando incluir a utilização de equipe técnica, deve ser realizada sob orientação e supervisão do perito, que assume a responsabilidade pelos trabalhos, devendo se assegurar de que as pessoas contratadas estejam profissionalmente capacitadas à execução. O perito é responsável pelo trabalho de sua equipe técnica, a qual compreende os auxiliares para execução do trabalho complementar do laudo pericial contábil e/ou parecer técnico-contábil. A utilização de serviços de especialistas de outras áreas, quando parte do objeto da perícia assim o requerer, não implica presunção de incapacidade do perito, devendo tal fato ser, formalmente, relatado no laudo pericial contábil ou no parecer técnico-contábil para conhecimento do julgador, das partes ou dos contratantes. Sempre que se recorrer a este recurso, é imprescindível o acompanhamento direto do perito, pois a perícia é indelegável. 4.5 DILIGÊNCIAS As diligências consistem em todos os meios lícitos, necessários, para obtenção de provas que possam estar fora dos autos como, por exemplo, acesso aos livros comerciais obrigatórios, facultativos, auxiliares, fiscais e sociais; dos documentos de arquivos das partes ou de terceiros e documentos de órgãos públicos, oitiva de testemunhas e outros. Nem sempre a situação-problema dos autos pode ser resolvida só com os elementos apresentados nos autos, são comuns situações em que informações dos autos são insuficientes. Assim, os peritos poderão buscar dados e provas junto às partes, em repartições públicas e outros locais (CPC, art. 473, § 3º). [...] § 3º Para o desempenho de sua função, o perito e os as- sistentes técnicos podem valer-se de todos os meios ne- cessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam em poder da par- te, de terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao esclareci- mento do objeto da perícia. [..] (BRASIL, 2015) 60 O perito pode contatar o assistente técnico caso a parte o tenho contratado, ou mesmo algum representante da parte, para que lhe forneça os elementos necessários para dar continuidade às atividades periciais. Essa solicitação de documentos é feita por meio do Termo de Diligência. O autor Ril Moura em seu livro Perícia Contábil: judicial e extrajudicial apresenta um EXEMPLO DE CORRESPONDÊNCIA PARA SOLICITAR DOCUMENTOS na pági- na 28. Assim, caso os documentos disponibilizados nos autos sejam insuficientes, o perito poderá solicitar os documentos usando o exemplo do Ril Moura. Disponível em: BUSQUE POR MAIS https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQ- c+xVnUn89503d5pcvek7RdK8Uhp4kq5lhWsrSTIMW9DXwrPiDK91g2SSv4uzdv5WlHwwg Não raras vezes as partes não colaboram, não entregam, sonegando informações ou procrastinando a entrega de documentos e livros solicitados pelo perito no Termo de Diligência, infringindo os artigos 378 e 379, inciso II, do CPC/2015. Nestas condições, deve o perito peticionar ao juiz com esclarecimentos. Conforme artigo 380 do CPC, o juiz poderá determinar multa ou medidas indutivas e coercitivas aos terceiros que deixem de colaborar para a instrução do processo. Art. 380: Incumbe ao terceiro, em relação a qualquer causa: I – informar ao juiz os fatos e as circunstâncias de que tenha conhecimento; II – exibir coisa ou documento que esteja em seu poder. Parágrafo único. Poderá o juiz, em caso de descumpri- mento, determinar, além da imposição de multa, outras medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-ro- gatórias. Será anexado ao laudo ou parecer cópia do termo de diligência que contenha o ciente do diligenciado ou do seu representante legal. Devem compor o texto do laudo as informações encontradas ou não durante as buscas das provas, bem como as providências tomadas para o cumprimento do seu labor. O art. 379 do CPC/2015 é muito utilizado pelas partes em demandas judiciais quando querem negar documentos ao perito. O CPC/2015 expressa o direito constitucional implícito das par- tes de não produzir provas contra si. Art. 379. Preservado o direito de não produzir prova contra si própria, incumbe à parte: I - Comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for interrogado; II - Colaborar com o juízo na realização de inspeção judicial que for considerada necessária; III - Praticar o ato que lhe for determinado. O inciso II do art. 379 foi alterado com novo CPC de 2015, modificou-se a expressão “submeter- FIQUE ATENTO https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d 61 -se à inspeção judicial” por “colaborar com o juízo na realização de inspeção”. Se considerar o significado das palavras, submeter-se significa “subordinar; acatar as ordens de; render-se aos desejos de outra pessoa”, enquanto a definição de colaborar é “prestar ajuda, auxílio, numa tarefa, trabalho, ação, etc.”. Essa alteração ocorreu devido à noção de processo cooperativo, em que a relação entre as partes do processo se dá no intuito de colaborar com a construção da verdade. Na fase das diligências pode haver compartilhamento das atividades entre o perito e os assistentes. Mas há que se analisar aspectos favoráveis e desfavoráveis. SÃO FAVORÁVEIS : SÃO DESFAVORÁVEIS : a) agilidade na realização de deligên- cias; a) Inerpretações divergentes sobre a matéria pe- ricia; b) reflexão conjunto sobre pontos con- trovertidos b) diferença do grau de imparciallidade c) superação das divergências C) possível dificuldade de relacionamento d) celebridade dos procedimentos d) risco de comprometimento da independência do perito e dos assistentes Quadro 12: Aspectos favoráveis e desfavoráveis do compartilhamento das atividades entre o perito e os assistentes. Fonte: O autor Reitera-se, é importante que o perito do juízo procure estabelecer uma relação de cordialidade com os assistentes técnicos para realizar as diligências, exames e levantamentos de dados. 4.6 LAUDO Conclui-se a fase operacional com a elaboração do laudo. Segue artigo 473 do CPC/2015 com as orientações para formatação do laudo: Art. 473. O laudo pericial deverá conter: I – A exposição do objeto da perícia; II – A análise técnica ou científica realizada pelo Perito; III – A indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos es- pecialistas da área do conhecimento da qual se originou; IV – Resposta conclusiva a todos os quesitos apresenta- dos pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Pú- blico. (BRASIL, 2015) O laudo e o parecer finalizam o trabalho pericial, nos aspectos de exposição e documentação,principalmente no propósito de expressar a opinião do perito do juízo ou dos assistentes sobre as questões formuladas nos quesitos. E o termo de audiência registra os esclarecimentos pertinentes ao laudo e/ou parecer, arguição das partes e depoimentos de testemunhas. 62 Não se confunda termo de audiência com laudo ou com parecer, este é documento produ- zido nas audiências. É na audiência de instrução que o perito e/ou os assistentes respondem aos quesitos de esclarecimento (CPC, art. 361, I). FIQUE ATENTO Art. 473. O laudo pericial deverá conter: I – A exposição do objeto da perícia; II – A análise técnica ou científica realizada pelo Perito; III – A indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos es- pecialistas da área do conhecimento da qual se originou; IV – Resposta conclusiva a todos os quesitos apresenta- dos pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Pú- blico. (BRASIL, 2015) É importante que o perito do juízo procure estabelecer uma relação de cordialidade com os assistentes técnicos para realizar as diligências, exames e levantamentos de dados, mas, ao final, cada um assinará a prova pericial de sua lavratura. Laudo é uma palavra que provém da expressão verbal latina substantivada laudare (laudo, laudare), no sentido de “pronunciar”. O laudo, de fato, é um pronunciamento ou manifestação de um especialista, ou seja, o que ele entende sobre uma questão ou várias, que se submetem a sua apreciação. 4.6.1 Parecer pericial O parecer pericial (art. 477, parágrafo único, do CPC/2015) pode ser mais abrangente que o laudo pericial, pois tem como objetivo responder aos quesitos e, se necessário, contrapor opinião a respeito das respostas do perito no laudo, por isso, o prazo para apresentação do parecer é mais longo (15 dias, a contar do recebimento da intimação da entrega do laudo). “Art. 477. O perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo juiz, pelo menos 20 (vinte) dias antes da audi- ência de instrução e julgamento. § 1º As partes serão intimadas para, querendo, manifes- tar-se sobre o laudo do perito do juízo no prazo comum de 15 (quinze) dias, podendo o assistente técnico de cada uma das partes, em igual prazo, apresentar seu respecti- vo parecer.” Sempre que o parecer técnico-contábil for contrário às posições do laudo pericial contábil, o perito-assistente técnico deve fundamentar suas manifestações. Deve registrar no parecer técnico-contábil os estudos, as pesquisas, as diligências ou as buscas de elementos de prova necessários para a conclusão dos seus trabalhos. Lembre-se que o parecer já pode ter sido apresentado pelas partes na petição inicial ou na contestação, e o parecer pericial contábil, assim como o laudo pericial contábil, deve 63 ser estruturado preferentemente, segundo a lei processual e a NBC TP 01. 4.6.2 Estrutura dos laudos O laudo pericial contábil deve conter, no mínimo, os itens a seguir: a. Identificação do processo e das partes. b. Síntese do objeto da perícia. c. Resumo dos autos. d. Metodologia adotada para os trabalhos periciais e esclarecimentos. e. Relato das diligências realizadas. f. Transcrição dos quesitos e de suas respectivas respostas para o laudo pericial contábil. g. Conclusão. h. Termo de encerramento, constando a relação de anexos e de apêndices. i. Assinatura do perito do juízo: deve constar sua categoria profissional de contador, seu número de registro em Conselho Regional de Contabilidade, comprovado mediante Certidão de Regularidade Profissional (CRP), e sua função. É permitida a utilização da certificação digital, em consonância com a legislação vigente e as normas estabelecidas pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). j. Se houver, anexos, documentos e demais peças pertinentes que estiverem ligadas ao laudo. 4.6.3 Respostas dos quesitos No caso judicial, os quesitos são divididos nos grupos de: quesitos dos autores, quesitos dos réus e quesitos do juiz. No caso extrajudicial, os quesitos são identificados pelas áreas de interesse que foram objeto de indagação (que podem ser: setores da empresa, grupo de pessoas, filiais, agentes etc.). Ao responder os quesitos, entende-se que o perito deve reportar-se, primeiro, aos que são formulados pelo juiz, depois aos do autor e finalmente aos do réu. É condição indispensável o formato “quesito/resposta”. As respostas devem seguir-se aos quesitos. Mas importante lembrar que o perito não está restrito somente aos quesitos formulados. 4.6.4 Requisitos de um laudo contábil Para que um laudo possa classificar-se como de boa qualidade, precisa atender aos seguintes requisitos mínimos: 1. Objetivida- de É um princípio que se estriba no preceito acolhido pelas ciências, ou seja, a exclusão do julgamento em bases “pessoais” ou “subjetivas”. A contabi- lidade tem seus princípios, suas leis, suas normas, formados através dos milênios. O que a caracteriza como ciência é exatamente o fato da “gene- ralidade” da aplicação do conhecimento. 2. Rigor tecnológico O perito precisa ater-se à questão com “realidade” e dentro dos “parâme- tros da contabilidade” e não deve utilizar expressões como “Parece-me”; o perito não deve emitir opiniões vagas e imprecisas em matéria definida no conhecimento contábil. Por isso, um laudo também deve ter rigor tec- nológico, ou seja, deve limitar-se ao que é reconhecido como científico no campo da especialidade. O rigor tecnológico já expulsa, por si, o “subjeti- vo”. 64 3. Concisão Em Contabilidade há um número expressivo de doutrinas e de normas em que o perito pode basear-se para emitir suas opiniões. A concisão exige que as respostas evitem o prolixo. Um laudo deve evitar palavras e argu- mentos inúteis ao caso. 4. Argumen- tação O perito deve alegar por que concluiu ou em que se baseia para apresen- tar sua opinião. 5.Exatidão O perito não deve “supor”, mas só afirmar quando tem absoluta segurança sobre o que confirma. Um laudo não pode basear-se em suposições, mas apenas em fatos concretos. 6.Clareza O perito deve entender que o laudo é feito para terceiros que não são es- pecialistas e que não possuem obrigação de entender a terminologia tec- nológica e científica da Contabilidade. Portanto, como suporte, é deveras importante a inclusão dos conceitos. Quadro 13: Requisitos de um laudo contábil A resposta a um quesito não deve ensejar nova pergunta. Um laudo exige respostas que esgotem os assuntos dos quesitos e que não necessitem mais de esclarecimentos. Que tal ver um laudo pericial? O livro Perícia Contábil - Uma Abordagem Teórica, Ética, Legal, processual e Operacional do autor Farias Magalhães na parte II– Ca- sos Práticos apresenta alguns laudos contábeis solucionando os casos propostos. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597011043/. BUSQUE POR MAIS 4.6.5 Dupla interpretação do laudo pericial contábil O laudo pericial contábil não deve conter elementos e/ou informações que conduzam à interpretação confusa, para que não induza os julgadores a erro. Exemplo: emprego de frases que podem dificultar a interpretação dos fatos – “verificou-se que a empresa deixou de escriturar as notas fiscais 1588 e 1599, porém, no Livro de Entradas de Mercadorias as referidas notas estavam registradas”. Visando à clareza e à ausência de confusão, a frase precisa ser mais explícita (em que livro as notas fiscais não haviam sido escrituradas?), para não induzir a qualquer interpretação equivocada. Uma redação mais específica seria: “Constatou-se que não há registro das notas fiscais 1588 e 1599 no Livro Diário e no Livro Razão. Entretanto, as referidas notas fiscais estavam devidamente registradas em outro livro, o Livro de Entradas de Mercadorias”. Pela redação acima, ficou bem mais claro que as notas fiscais foram registradas em um livro (Entradas de Mercadorias), e não foram escrituradas em dois outros (Diário e Razão).4.6.6 Opinião interpretativa em perícia Apesar de as perícias se referirem a fatos contábeis, ou seja, referentes ao patrimônio, e de parecer que só a verificação ou exame de registros e demonstrações é objeto de perícias, a verdade é que surgem casos especiais em que se requer “opinião” do perito. A Contabilidade que registra e gera demonstrações, é a parte “instrumental”, ou seja, a parte “técnica”, mas ainda há a parte “científica”. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597011043/ 65 O artigo 156 do Código de Processo Civil, é muito claro “O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico”. Por isso, pode-se solicitar ao perito sua “interpretação” sobre fatos que a lei não detalha. Essa opinião interpretativa na perícia contábil é de raríssima utilidade em alguns tipos de causas, mas importante para outros. Por exemplo: Quesito nº ... Pode o senhor perito informar se as despesas glosadas pelo auditor do tesouro nacional, segundo auto de infração...., motivo da presente lide, são “operacionais” ou “não”? Uma pergunta dessa pode ser apresentada em um processo de anulação de execução de débito fiscal. O contribuinte pode discordar do julgamento do agente fiscal e requerer perícia para determinar se a despesa é ou não dedutível para fins de imposto de renda. Então, o perito terá que oferecer seus conhecimentos de legislação e de normas contábeis, se existirem, sobre o fato em questão. Ele pode solicitar, inclusive, um parecer de autoridade contábil de notório reconhecimento. É absolutamente pertinente um quesito dessa natureza. Essas ações que necessitam de uma opinião altamente especializada exigem grande capacidade de um profissional. Outro exemplo, se uma empresa requer em juízo a consideração de incapacidade contributiva, em uma causa fiscal, vai necessitar provar tal impossibilidade em pagar sua dívida com o Governo. O parecer do profissional para analisar a capacidade contributiva deve partir de uma análise profunda, sem erros e convincente. O juiz não se conforma em simples opiniões, por maior que seja a autoridade do perito, mas requere todo um elenco de sustentação para essa opinião decisiva final. Sugere-se para provar a ausência de liquidez, diante de uma dívida fiscal, a apresentação, pelo menos, das seguintes análises: 1. Estudo da tendência da liquidez em relação ao passado e até a época do fato. 2. Fluxo de caixa, com base na tendência, para os próximos anos. 3. Prospecção do lucro da sociedade. 4. Evidenciação das margens de retorno do capital ante a evolução da dívida. 5. Tendência da participação de capital de terceiros, incluída a dívida, ante as evoluções do capital próprio da sociedade. 6. Estrutura dos ativos e ativos improdutivos ou obsoletos. 7. Margens de risco. A partir dessas evidenciações, com os comprovantes da realidade e com todas as suas razões de cálculos, o perito deve emitir seu parecer, sua opinião levando em consideração os fatores ambientais que influirão sobre todos esses comportamentos. Todas essas situações devem formar um complexo competente para fundamentar uma situação de incapacidade contributiva. Não se pode negar o valor de uma perícia com um parecer inequívoco, vigoroso e criterioso, emitido por profissional de notória capacidade. Por dever ético, o responsável pela opinião precisa dar provas de sua decisão profissional, compondo seu parecer com forte argumentação, provas, bibliografias, experiências análogas etc. Uma perícia reforçada com uma opinião eficaz cresce, substancialmente, de valor e facilita a tarefa da Justiça. 66 MÉTODOS SISTEMATIZADOS: A Tabela PRICE é um sistema de amortização de dívidas, co- nhecido por ter as parcelas constantes e não a amortização constante. Já a tabela SAC, é um sistema de amortização de dívidas, conhecido por ter sua amortização constante. São muito utilizados para calcular empréstimos de curto ou longo prazo. DESPACHO: O CPC define como despacho todos os pronunciamentos do juiz realizados no processo, a requerimento da parte ou de ofício. Os despachos não têm o objetivo de solucionar o processo, mas apenas produzir ações necessárias para o julgamento da ação. Tratam-se, de movimentações administrativas, como por exemplo, designação de audiência, a citação de um réu, determinação de intimação das partes e determinação de juntada de documentos, entre outros. PETIÇÃO: Trata-se de um documento oficial, um pedido por escrito, que reivindica o cumpri- mento de direitos junto à Justiça. A petição, garantida por lei, é um documento enviado a um juiz quando a pessoa percebe que seus direitos estão sendo violado, assim, é importante que o documento seja acompanhado de provas. DILIGENCIADO: Qualquer pessoa física e jurídica, inclusive de direito público, que tenha os elementos necessários para subsidiar a elaboração do laudo pericial ou do parecer pericial, e que por decorrência legal ou determinação de autoridade competente, também como cola- borador, esteja obrigado a fornecer elementos de prova. PROCESSO COOPERATIVO: Caracteriza-se como um modelo no qual há um juiz isonômico conduzindo o processo, de maneira dialogal, ativamente, sempre tendo em conta o contra- ditório e o diálogo com as partes, de tal maneira que participem e influenciem nos rumos a serem tomados no processo e nas possíveis decisões nele proferidas (MITIDIERO, 2011, p. 82). GLOSSÁRIO 67 1. O trabalho desenvolvido pelo perito deve ser convertido em laudo e acrescentado ao processo pelo menos 20 dias antes da audiência de instrução e julgamento, conforme dispõe o artigo 477 do CPC (BRASIL, 2015). O laudo é um documento importante na formação da convicção do juiz. Acerca dele, é correto afirmar: a) no laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem técnica, porém com coerência lógica. b) embora necessite de análise técnica ou científica realizada pelo perito, sua linguagem deve ser simples, porém, coerente. c) a exposição do pedido do réu fica na petição inicial. d) para esclarecimento dos fatos, o perito possui o dever de ultrapassar os limites de sua designação, primando pela verdade dos fatos. e) a análise metodológica aplicada pelo perito é requisito essencial para o deferimento do laudo pericial. 2. De acordo a NBC TP 01 – Perícia Contábil, o laudo pericial contábil é uma: a) indagação e busca de informações, mediante conhecimento do objeto da perícia, solicitada nos autos. b) investigação e pesquisa sobre o que está oculto por quaisquer circunstâncias nos autos. c) peça escrita na qual o perito-contador assistente deve registrar, de forma abrangente, o conteúdo da perícia e generalizar os aspectos e as minudências que envolvam a demanda. d) peça escrita na qual o perito-contador deve registrar, de forma abrangente, o conteúdo da perícia e particularizar os aspectos que envolvam a demanda. e) todas as alternativas estão corretas. 3. (EQT Perito 2018) De acordo com a NBC TP 01 – Perícia Contábil, quando a perícia incluir a utilização de equipe técnica, o perito do juízo: a) não assumirá a responsabilidade do trabalho de sua equipe técnica, sendo ela assumida individualmente por cada um de seus membros. b) assumirá a responsabilidade da equipe de trabalho dos peritos-assistentes. c) assumirá a responsabilidade por todo o trabalho de sua equipe técnica. d) assumirá a responsabilidade pelo trabalho da equipe técnica dos peritos-assistentes, desde que seja formada por profissionais capacitados. e) todas as alternativas estão corretas. 4. Por ocasião das diligências a serem executadas no trabalho pericial, o Perito-Contador e o Perito-Contador Assistente, sempre devem: a) comunicar aos advogados das partes qualquer dificuldade na execução dos trabalhos. b) estabelecer seus honorários, mediante valor da causa, incluindo todas as diligências a serem realizadas. c) examinar os livros contábeis e fiscais, bem como as fichas financeiras dos empregados, FIXANDO O CONTEÚDO68 e interpretar a legislação vigente. d) relacionar os livros, os documentos e os dados de que necessitem, solicitando-os, por escrito, em termos de diligência. e) todas as alternativas estão corretas. 5. Referente à execução da perícia contábil, assinale o item VERDADEIRO. a) Ao ser intimado para dar início aos trabalhos periciais, o perito do juízo deve comunicar às partes e aos assistentes técnicos: a data e o local de início da produção da prova pericial contábil, mesmo quando esses dados forem designados pelo juízo. b) É proibido ao perito-assistente técnico entregar ao perito do juízo cópia do seu parecer técnico-contábil, previamente elaborado. c) A perícia em conjunto é de aceitação obrigatória pelo perito do juízo sempre que esta for requerida pela parte mediante citação extrajudicial. d) O perito-assistente pode entregar ao perito do juízo planilhas ou memórias de cálculo, informações e demonstrações que possam esclarecer ou auxiliar o trabalho a ser desenvolvido pelo perito do juízo. e) Todas as alternativas estão corretas. 6. Na esfera judicial, o parecer pericial contábil serve para: a) subsidiar o juízo e as partes, bem como para analisar de forma técnica e científica o laudo pericial contábil. b) subsidiar o juízo e as partes sobre a responsabilidade da preparação e da redação do parecer pericial. c) subsidiar as partes sobre a responsabilidade da preparação e da redação das recomendações inseridas no laudo pericial. d) subsidiar o árbitro e as partes nas suas tomadas de decisões. e) todas as alternativas estão corretas. 7. O CPC/2015 no artigo 471 aborta o tema Perícia Consensual. Marque as afirmativas verdadeiras sobre esse tema: I. As partes podem, de comum acordo, escolher o perito, indicando-o mediante requerimento, desde que sejam plenamente capazes; II. As partes podem, de comum acordo, escolher o perito, indicando-o mediante requerimento, desde que a causa possa ser resolvida por auto composição. III. As partes, ao escolher o perito, já devem indicar os respectivos assistentes técnicos para acompanhar a realização da perícia, que se realizará em data e local previamente anunciados. IV. O perito e os assistentes técnicos não precisam entregar laudo e pareceres em prazo fixado pelo juiz. V. A perícia consensual não substitui aquela que seria realizada por perito nomeado pelo juiz. É correto o que se afirma em: 69 a) I e II apenas. b) II e III apenas. c) III e IV apenas. d) IV e V, apenas. e) I, II e III, apenas 8. O laudo pericial contábil deve conter, no mínimo, o item a seguir: a) identificação do processo e das partes. b) síntese do objeto da perícia. c) resumo dos autos. d) metodologia adotada para os trabalhos periciais e esclarecimentos. e) todas as alternativas estão corretas. 70 FASE FINAL DA PERÍCIA UNIDADE 05 71 5.1. INTRODUÇÃO De acordo com a NBC TP 01 (R1), de 19 de março de 2020, o laudo e o parecer devem contemplar o resultado final alcançado por meio de elementos de prova inclusos nos autos ou arrecadados em diligências que o perito tenha efetuado, por intermédio de peças contábeis e quaisquer outros documentos, tipos e formas. O CFC tem grande preocupação com a conclusão que o perito declarará no seu laudo pericial contábil, estabelecendo que todo o suporte para a sua conclusão deve estar estampado nos papéis de trabalho, de modo que a qualquer momento ele possa relatar de que forma chegou à conclusão estampada em seu laudo pericial contábil. 5.2 ENTREGA DO LAUDO E ESCLARECIMENTOS O laudo deve ser protocolado, tratando-se de processo eletrônico, no ambiente eletrônico do sistema ao qual está jurisdicionado o processo; tratando-se de processo físico, em cartório ou secretaria que serve ao juízo no qual o perito foi nomeado. Antes da entrega do laudo, é imprescindível a revisão criteriosa do laudo para evitar omissão de alguma informação ou erros comuns de digitação. Concluída a revisão do texto, deve ser impresso com páginas numeradas, ser rubricado em suas folhas e assinado na última sobre a identificação do perito. É recomendável que o laudo pericial seja apresentado em papel tamanho ofício, sem timbre, editado em computador, com observação de margens convencionais para arquivamento. Por medida de cautela, o perito do juízo deve evitar que apenas uma das partes ou o assistente técnico assine seu laudo, porque a outra parte poderá alegar que houve conluio entre o perito e a parte contratante do assistente que assinou, se a conclusão lhe for desfavorável. O perito deve guardar cópia do laudo, para seu controle, com a cópia da petição e o protocolo. Os peritos assistentes igualmente deverão ter cópias do parecer; uma o assistente reterá em poder para arquivo e outra encaminhará ao advogado do seu cliente ou parte que o indicou. O laudo deve ser entregue no prazo fixado, mas pelo menos vinte dias antes da audiência marcada de acordo com artigo 477 do CPC/2015. E se o perito, por motivo justificado, não puder apresentar o laudo dentro do prazo, o juiz poderá conceder-lhe, por uma vez, prorrogação pela metade do prazo originalmente fixado, conforme artigo 476 do CPC/2015. Fique atento nos prazos conforme quadro abaixo: Atividade Prazo Artigo O perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fi- xado pelo juiz. Pelo menos 20 (vinte) dias an- tes da audiência de instrução e julgamento. 477 Informação das partes para, querendo, manifesta- rem-se sobre o laudo do perito em juízo, podendo o assistente técnico de cada uma das partes, em igual prazo, apresentar seu respectivo parecer. No prazo comum de 15 (quin- ze) dias. 477 O peito do juízo tem o dever de esclarecer ponto. No prazo de 15 (quinze) dias. 477 Quadro 14: Prazos no Código de Processo Civil em relação à perícia. Fonte: Muller (2017) 72 Para saber mais sobre os prazos, verifique o capítulo 7.16.1 - Prazos para a exe- cução da perícia contábil do livro Manual de perícia contábil do autor Aparecido Crepaldi. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788571440227/. BUSQUE POR MAIS A entrega do Laudo deve seguir as formalidades e enviado com petição ao Juiz: Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da... Vara ... de .... ......, Contador, CRC ..., CPF ..., perito oficial no processo nº ..., em que são partes ...., vem mui respeitosa e tempestivamente apresentar seu laudo pericial, requerendo a juntada dos mesmos aos autos. Belo Horizonte, .... Assinatura.... Quadro 15: Formalidades da entrega do laudo ao juiz O Código de Processo Civil, em seu artigo 477, § 1o, informa que após o perito protocolar o laudo pericial contábil no Fórum, o juiz solicita às partes que se manifestem sobre o laudo pericial contábil: Art. 477. O perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo juiz, pelo menos 20 (vinte) dias antes da audi- ência de instrução e julgamento. § 1º As partes serão intimadas para, querendo, manifes- tar-se sobre o laudo do perito do juízo no prazo comum de 15 (quinze) dias, podendo o assistente técnico de cada uma das partes, em igual prazo, apresentar seu respecti- vo parecer. [..] (BRASIL, 2015) Na maioria das vezes, após a entrega do laudo os assistentes técnicos fazem a crítica ou a análise do trabalho do perito e questionam ou pedem esclarecimento sobre o laudo ou apresentam os quesitos complementares, pois não se pode ter dúvida sobre a conclusão dada pelo perito. Assim, faltando clareza, pode o perito ser convocado para prestar esclarecimentos sobre o laudo e responder quesitos de esclarecimento ou suplementares. Ao manifestarem, os assistentes técnicos podem apresentar seus respectivos pareceres sobre o conteúdo do laudo pericial apresentado. Em tal oportunidade, é comum que sejam solicitados esclarecimentos para dirimir divergências entre o laudo pericial e o parecer. Podem inclusive, surgir os quesitos de esclarecimento ou quesitos suplementares. Tais esclarecimentos serão requeridos ao juiz, e o mesmo poderá intimar o perito ou os assistentestécnicos a comparecerem em audiência, segundo § 3° do art. 477 do CPC/2015. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788571440227/. 73 Art. 477 [..] § 3º Se ainda houver necessidade de esclarecimentos, a parte requererá ao juiz que mande intimar o perito ou o assistente técnico a comparecer à audiência de instrução e julgamento, formulando, desde logo, as perguntas, sob forma de quesitos. [..] (BRASIL, 2015) O perito pode comparecer à audiência com as respostas por escrito e pedir que sejam anexadas como depoimento aos autos. Não desejando o perito apresentar por escrito seu depoimento, o fará verbalmente e ele será anotado pelo escrivão, na audiência. Para ir à audiência é preciso que, pelo menos dez dias antes da audiência os peritos sejam notificados. Não havendo respeito a esse prazo, os peritos não são obrigados a comparecer, segundo § 4° do art. 477 do Código do Processo Civil. (BRASIL, 2015) [...]§ 4º O perito ou o assistente técnico será intimado por meio eletrônico, com pelo menos 10 (dez) dias de antece- dência da audiência. (BRASIL, 2015) Quanto ao modelo de laudo pericial de esclarecimentos, ele segue a mesma linha da estrutura do laudo, inclusive com relação ao objeto da perícia, mas o foco de sua elaboração ficará restrito a oferecer respostas sobre as questões levantadas pela parte. 5.2.1 Quesitos suplementares Caso haja determinação do juiz, o perito responderá aos pedidos de esclarecimentos das partes, lembrando que nesse momento não cabem novos quesitos, e sim, questionamentos sobre as respostas aos quesitos oferecidas no laudo pericial contábil, conforme está determinado pela NBC TP 01 (R1), de 19 de março de 2020. Os esclarecimentos servem para identificar pontos de entendimento, muitas vezes em relação à nomenclatura ou a aspectos particulares na redação dada ao laudo pericial, e que merecem ser resolvidos, sendo limitado ao assunto da perícia. Eles não são complementos à prova pericial realizada, ou seja, quesitos suplementares não são “nova perícia”. Não se trata de estabelecer um novo exame, mas de adicionar ao já feito alguns pontos explicativos. E só será motivo de trabalho pericial, se o juiz deferir o pedido. Na prática, há um sim um “novo laudo”, mas vinculado ao primeiro. O perito deve ter muito cuidado com a coerência entre esses laudos. A tarefa é ajudar àquela anterior, ou seja, vem adicionar argumentos dentro de uma mesma linha de raciocínios. Cabe ao perito verificar se os quesitos suplementares/complementares estão solicitando novos exames, novos cálculos, novas análises, pois de acordo com NBC TP 01 (R1), de 19 de março de 2020, item 34, o perito poderá cobrar honorários relativos a quesitos suplementares/complementares. Quando há necessidade de complementação de honorários, devem-se observar os mesmos critérios adotados para a elaboração da proposta inicial. 74 5.3 LAUDO INCONCLUSIVO OU DEFICIENTE Infelizmente, o laudo apresentado pode não resolver as dúvidas de quem o requereu ou dele vai necessitar como prova, pode ocorrer também que o laudo não seja confiável ou esteja omitindo informações, assim o mesmo poderá ser considerado inconclusivo ou deficiente conforme § 5° do artigo 465 do CPC/2015. [...] § 5º Quando a perícia for inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá reduzir a remuneração inicialmente arbitrada para o trabalho. [..] (BRASIL, 2015) Um laudo inconclusivo é aquele que não esclarece tudo o que dele se espera como meio de entendimento sobre uma questão ou várias que tenham sido formuladas. Um laudo deficiente é aquele feito com ausência ou a disfunção de uma estrutura técnica científica ou que tenha sido apresentado com erros. As considerações de insuficiências dos laudos não devem ser tratadas com excessos de rigor. Exclusões de detalhes e documentos irrelevantes, pequenos erros de cálculos, falta de análises de particularidades não decisivas ante o julgamento são imperfeições, mas não insuficiências competentes para que um laudo seja, de fato, considerado defeituoso por insuficiência de dados. Entretanto, não escapa ao julgamento de laudo insuficiente aquele que tem como resposta algo evasivo ou informa que não é possível realizar tal apuração quando a apuração era sim possível. Sendo o laudo uma peça válida para os fins de decisão, pode ocorrer que uma das partes interessadas o considere prejudicial a seus direitos, porque omitiu ou distorceu opiniões. Quando ocorre a “insuficiência” ou “deficiência”, é aconselhável outra perícia. Ensejando uma segunda perícia sobre os mesmos assuntos, o outro perito pode chegar a conclusões mais amplas e satisfatórias. É compreensível que as capacidades não são iguais entre todos os profissionais. O laudo insuficiente, pois, pode existir. Um laudo pode não estar devidamente claro, mas não ser considerado insuficiente. Há uma diferença de conceitos, o laudo insuficiente, geralmente, é o que omite ou distorce, já o laudo que enseja esclarecimento não omite nem distorce, apenas permite interpretação duvidosa. Faz-se necessário o esclarecimento de um laudo todas as vezes que uma das partes interes- sadas e/ou magistrado entender que as respostas permitem dupla interpretação ou forem vagas ou sem objetividade. Só se deve considerar um laudo insuficiente quando as informações omissas ou que estiverem expostas de forma incompleta forem capazes de alterar a decisão do juiz. FIQUE ATENTO 75 5.4 SEGUNDA PERÍCIA Caso o laudo pericial contábil não auxilie o magistrado no julgamento da lide por não oferecer informações necessárias, ele poderá demandar a segunda perícia, e, nesse caso, acontecerá a nomeação de novo perito. A segunda perícia rege-se pelas mesmas formalidades da primeira. Se um laudo satisfizer uma parte e não satisfizer a outra; a uma interessar a omissão e à outra, prejudicar, se as verificações estiverem incompletas ou os exames omitirem ou mal interpretarem, as partes podem também requerer a segunda perícia, conforme artigo 480 do CPC/2015: Art. 480. O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de nova perícia quando a matéria não estiver suficientemente esclarecida. § 1º A segunda perícia tem por objeto os mesmos fatos sobre os quais recaiu a primeira e destina-se a corrigir eventual omissão ou inexatidão dos resultados a que esta conduziu. § 2º A segunda perícia rege-se pelas disposições estabe- lecidas para a primeira. § 3º A segunda perícia não substitui a primeira, cabendo ao juiz apreciar o valor de uma e de outra. (BRASIL/2015) Só se justifica uma nova perícia, quando a primeira for insuficiente. Segunda perícia não se trata de esclarecer um trabalho feito, mas de realizar outro. O primeiro laudo continuará a fazer parte dos autos, a nova perícia não anula a primeira; ambas são instrumentos válidos para julgamento. Inclusive, o segundo perito deverá buscar o primeiro laudo como fonte de informações, pois ele deve conhecer as “dúvidas do juiz” e as “imprecisões” que precisam ser sanadas. O primeiro perito não fará jus a honorários, e caso já tenha recebido adiantamento, deverá devolver o seu valor, devidamente corrigido, conforme artigo 468 do CPC/2015: Art. 468. O perito pode ser substituído quando: [..] § 2º O perito substituído restituirá, no prazo de 15 (quin- ze) dias, os valores recebidos pelo trabalho não realizado, sob pena de ficar impedido de atuar como perito judicial pelo prazo de 5 (cinco) anos. § 3º Não ocorrendo a restituição voluntária de que trata o § 2º, a parte que tiver realizado o adiantamento dos ho- norários poderá promover execução contra o perito, na forma dos arts. 513 e seguintes deste Código , com funda- mento na decisão que determinar a devolução do nume- rário. (BRASIL, 2015) 76 Existem situações processuais em que uma das partes, insatisfeita com o laudo pericial, re- quer ao juiz outra perícia. Pode haver solicitação de nova perícia somente porque a primeira não chegou ao resultado esperado pela parteinsatisfeita? E se o entendimento da segunda perícia ser o mesmo da primeira? VAMOS PENSAR? 5.5 CONCLUSÃO DA PERÍCIA O perito judicial está vinculado à atividade da perícia, enquanto a prova pericial estiver em curso, e sua função termina quando o juiz der por encerrada a prova por meio de despacho específico. O despacho de encerramento da prova é o ponto final da função do perito, momento no qual finalmente o profissional se desincumbe da lide. Não existindo mais dúvidas sobre o laudo pericial, o juiz declara o fim da fase de produção da prova, encerrando as atividades do perito no processo. O juiz pode considerar o laudo do perito no todo ou em partes, como também pode não o considerar, mas neste caso terá que embasar o porquê. O juiz deverá indicar na decisão as razões da formação de seu convencimento, como por exemplo, informar se levou a prova pericial em conta na sua convicção. O magistrado não precisa considerar o laudo no todo nem em um ponto específico, mas tem que indicar se o levou ou não em conta, isto é, embasar sua decisão. Na esfera civil, o juiz autorizará o pagamento depois de entregue o laudo e prestados todos os esclarecimentos necessários conforme § 4º do artigo 465 de COC/2015: [..] § 4º O juiz poderá autorizar o pagamento de até cinquen- ta por cento dos honorários arbitrados a favor do perito no início dos trabalhos, devendo o remanescente ser pago apenas ao final, depois de entregue o laudo e prestados todos os esclarecimentos necessários. (BRASIL, 2015) Já na esfera trabalhista os valores dos honorários periciais só serão liberados por meio da sentença, na qual o juiz declarará a parte sucumbente (quem perdeu a causa) que irá pagar o perito do juízo. No livro Perícia Contábil: judicial e extrajudicial do autor RiL Moura na página 167 poderá ser encontrado um MANDATO DE PAGAMENTO DOS HONORÁRIOS DO PERITO. Esse mandato é emitido pelo juiz para que o perito possa ir ao Banco mencionado e receba os honorários pelo serviço finalizado. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?- BUSQUE POR MAIS code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d5pcvek7RdK8Uhp4kq5lhWsrSTIMW9DXwrPiDK- 91g2SSv4uzdv5WlHwwg https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/49497/pdf/0?code=OvIHXlJF4s7cbwHXQc+xVnUn89503d 77 1. De acordo com o Código de Processo Civil – CPC, após a entrega do Laudo Pericial, a parte que desejar esclarecimento a respeito do documento deverá requerer: a) ao advogado que mande intimar o perito a comparecer em audiência, e as partes formulem, se necessário desde logo, as perguntas sob a forma de quesitos. b) ao juiz que mande intimar o perito a comparecer em audiência, e as partes formulem, se necessário desde logo, as perguntas sob forma de quesitos. c) ao ministério público que mande intimar o perito a comparecer em audiência, e as partes formulem, se necessário desde logo, as perguntas sob forma de quesitos. d) ao oficial de justiça que mande intimar o perito a comparecer em audiência, e as partes formulem, se necessário desde logo, as perguntas sob forma de quesitos. e) Todas as alternativas estão corretas. 2. (Exame de Suficiência – CFC) Considere as seguintes sentenças: I. O juiz poderá determinar que a parte responsável pelo pagamento dos honorários do perito deposite em juízo o valor correspondente a essa remuneração. O numerário, recolhido em depósito bancário à ordem do juízo e com correção monetária, será entregue ao perito após a apresentação do laudo pericial contábil, facultada a sua liberação parcial, quando necessária. II. Incumbe às partes indicar o assistente técnico em até 10 dias contados da intimação do despacho de nomeação do perito. III. Para o desempenho de sua função, o perito do juízo e os peritos-assistentes técnicos devem limitar-se a solicitar documentos que estejam em poder da parte ou em repartições públicas para instruir o laudo. Das afirmações acima, são corretas: a) I. b) II. c) II e III. d) I e II. e) I e III. 3. (Exame de Suficiência – CFC) A indicação do perito-assistente técnico é feita: a) pelo juiz. b) pelas partes. c) pelo perito contábil. d) pelo empresário. e) pelo perito do juízo. 4. (Exame de Suficiência – CFC) De acordo com a NBC PP 01 – Perito Contábil, o perito do juízo estará sendo parcial se: FIXANDO O CONTEÚDO 78 a) dispensar igual tratamento às partes. b) utilizar argumentos baseados em trabalho técnico por ele publicado. c) atender aos assistentes técnicos com iguais oportunidades. d) omitir algum argumento técnico com o objetivo de não prejudicar uma parte. e) informar todas as partes através de seus representantes legais e seus assistentes técnicos a data e hora para o início da perícia. 5. O Perito e o Assistente Técnico só estarão obrigados a prestar esclarecimentos ao Juiz quando intimados a comparecer à audiência, quando intimados: a) com pelo menos 5 dias antes da audiência. b) com pelo menos 30 dias antes da audiência. c) com pelo menos15 dias antes da audiência. d) com pelo menos10 dias antes da audiência. e) com pelo menos1 dia antes da audiência. 6. (EQT Perito 2018) O Novo Código de Processo Civil exige a ética processual ao determinar a todos que participam do processo o dever de comportar-se de acordo com a lealdade e boa-fé, cooperação mútua, urbanidade, transparência, entre outros. É exigido do perito do juízo o dever de informar o local e a data de início da produção da prova, quando não definido pelo juiz, bem como permitir o acesso aos autos do processo e informar aos assistentes técnicos sobre a realização de diligências com antecedência mínima de 5 dias. A NBC TP 01 – Perícia Contábil estabelece formalidades e procedimentos, nos itens 29, 42, 48 e 50, que podem ser adotados durante a realização dos exames periciais. Sobre este ponto, julgue os itens abaixo e, em seguida, assinale a opção CORRETA. I. O laudo e o parecer são, respectivamente, orientados e conduzidos pelo perito do juízo e pelo perito-assistente técnico, que adotarão padrão próprio, respeitada a estrutura prevista nesta Norma, devendo ser redigidos de forma circunstanciada, clara, objetiva, sequencial e lógica. II. O perito-assistente pode entregar cópia do seu parecer, planilhas e documentos ao perito do juízo antes do término da perícia, expondo as suas convicções, fundamentações legais, doutrinárias, técnicas e científicas sem que isto implique indução do perito do juízo a erro, por tratar-se da livre e necessária manifestação científica sobre os pontos controvertidos. III. O laudo pericial contábil e o parecer técnico contábil são documentos escritos, nos quais os peritos devem registrar todos os fatos, não sendo necessário particularizar os aspectos e as minudências que envolvam o seu objeto e as buscas de elementos de prova imprescindíveis para a conclusão do seu trabalho. IV. O termo de diligência serve também para determinar o local, a data e a hora do início da perícia, e ainda para a execução de outros trabalhos que tenham sido a ele determinados ou solicitados por quem de direito, desde que tenham a finalidade de orientar ou colaborar nas decisões, judiciais ou extrajudiciais. Estão CORRETOS apenas os itens: 79 a) II, III e IV. b) I, II e IV. c) I, II e III. d) I e II. e) III e IV. 7. Em relação ao prazo estipulado pelo Juiz para a entrega de laudos, conforme artigos 476 e 477 do CPC/2015: a) a parte poderá intimar o perito para comparecimento em audiência para prestar esclarecimento sobre o laudo. b) o perito não podendo apresentar o laudo dentro do prazo, o juiz conceder-lhe-á, por uma vez, a prorrogação, pela metade do prazo originalmente fixado. c) o perito poderá apresentar laudo em cartório, no prazo fixado pelo juiz ou no vinte dias antes da audiência de instrução e julgamento.d) os peritos e assistentes técnicos oferecerão seus pareceres no prazo comum de vinte dias. e) Todas as alternativas estão corretas. 8. A perícia deve ser planejada, cuidadosamente, com vista ao cumprimento do prazo. Na impossibilidade do cumprimento deste, deve o profissional antes do vencimento: a) comunicar, de qualquer forma, a necessidade de suplementação de prazo. b) entregar o trabalho no ponto que estiver, pois não se pode requerer prazo suplementar. c) na entrega dos trabalhos, na data limite, requer pessoalmente o prazo suplementar. d) requerer prazo suplementar, sempre por escrito. e) Todas as alternativas estão corretas. 80 ARBITRAGEM E MEDIÇÃO UNIDADE 06 81 6.1 INTRODUÇÃO A Lei de Arbitragem e a Lei de Mediação resultam de uma evolução da justiça brasileira e dão à população a escolha de buscar a Justiça estatal ou a Justiça privada, sem qualquer prejuízo. Essas leis rompem com o mito de que apenas o aparelhamento estatal tem o poder de resolver conflitos jurídicos. Com essas leis, o profissional da medicado e da arbitragem é equivalente ao de um juiz. Isso traz tranquilidade para todas as partes de um processo. Assim, qualquer cidadão pode optar por uma maneira alternativa, mas legal, de ter sua controvérsia analisada e seu problema resolvido rapidamente. Isso sem a necessidade de recorrer ao Poder Judiciário, o que acarretaria mais um peso para o já tão sobrecarregado sistema brasileiro. 6.2 ARBITRAGEM A prática da arbitragem busca a utilização de árbitros em vez de juízes, reduzindo assim ações judiciais. A arbitragem foi instituída pela Lei n. 9.307 de 1996, a qual foi recentemente reformada pela Lei n. 13.129 de 2015. O artigo 1o dessa lei está a seguir reproduzido. O livro Perícia, avaliação e arbitragem, do autor Marcelo Rabelo, aborta o conceito a legislação acerca dos temas Mediação e Arbitragem no capítulo 6. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/31410/pdf/0?- code=okxSd6EcZX9hWCiW+Pb4HaLT0op1ek6dJkEYDzJuy8wjQOrblBC7/F3Fdt7uZ- SoMImNyhxyxmCx2EYvQSCMn0g BUSQUE POR MAIS Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos pa- trimoniais disponíveis. (BRASIL/2015) Essa lei especifica que as pessoas podem se utilizar da Arbitragem para acabar com problemas de ordem legal ligados a direitos patrimoniais disponíveis. Essa lei atende pessoas física, jurídica, privada ou pública. Inclui os órgãos tanto da administração direta, quanto da administração indireta das esferas governamentais. Nesse instituto, as partes em conflito, recorrem a alguém, uma pessoa de confiança das partes envolvidas no processo, legalmente capaz e imparcial, e fornecem a ele jurisdição para a solução de um conflito específico. Essa pessoa será o árbitro, apontado pelas partes e terá poder para decidir o conflito, impondo aos litigantes sua decisão. A legislação prevê que qualquer pessoa pode ser árbitra, desde que tenha capacidade, conhecimento e inspire confiança nas partes envolvidas. A sentença arbitral não é diferente da sentença do próprio juiz, ela tem a mesma eficácia da sentença judicial, o que difere é o fato do processo arbitral ser muito mais célere e flexível do que o processo civil, adotado nos tribunais. O diferencial da arbitragem é sua praticidade. A lei da arbitragem pode ser aplicada desde que as partes incluam no contrato seus procedimentos com a finalidade de sanar controvérsias que poderão surgir quando da https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/31410/pdf/0?code=okxSd6EcZX9hWCiW+Pb4HaLT0op1ek https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/31410/pdf/0?code=okxSd6EcZX9hWCiW+Pb4HaLT0op1ek https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/31410/pdf/0?code=okxSd6EcZX9hWCiW+Pb4HaLT0op1ek 82 execução contratual. Assim, a lei da arbitragem inicia antes do litígio, na fase da contratação. Quando dois indivíduos firmam um contrato, é possível que optem por inserir nele uma cláusula arbitral. Essa cláusula determinará que, caso venha a surgir um litígio futuro, oriundo daquele contrato, tal litígio deverá ser resolvido por arbitragem. Caso os contratantes não tenham optado por cláusula arbitral, mas queiram mesmo assim recorrer à arbitragem no conflito, é possível que seja firmado um contrato específico informando que as partes desejam submeter a controvérsia ao juízo arbitral. Só é possível a realização da arbitragem caso seja comprovado que ambas as partes concordam com a via arbitral. Uma vez escolhida a arbitragem, não é mais possível recorrer ao Poder Judiciário. Caberá ao árbitro, e não mais ao juiz, solucionar o conflito. A escolha da arbitragem só é permitida para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis (não é utilizada, portanto, no direito penal, no direito trabalhista, em vários aspectos do direito de família etc.). As partes apontam um árbitro ou mais de um, desde que seja número ímpar (para evitar empate) e inicia-se o procedimento. Como no Poder Judiciário, as partes podem ser assistidas por seus advogados e têm total flexibilidade para determinar como se darão as etapas procedimentais, por exemplo, quais serão os prazos para apresentar a argumentação, se haverá ou não audiência, se são necessárias testemunhas etc. Na arbitragem a própria pessoa pode se representar e se defender sozinha, sem a necessidade de um advogado. As partes e seus advogados, se contratados, são obrigados a colaborar, cooperar e fornecer ao árbitro todos os elementos necessários para que o julgamento da lide ocorra da melhor maneira possível. Um processo que se encaminhe pela arbitragem possui sigilo. Já na Justiça comum todos os processos são de acesso público, a não ser que tramitem em regime de confidencialidade. Mas nos casos em que a arbitragem tiver como parte a administração pública, se deve utilizar complementarmente o princípio da publicidade. Um processo arbitral é finalizado com a emissão da sentença, com os fundamentos da decisão tomada, todas as provas e o ocorrido de fato e de direito. A sentença é apresentada pelo árbitro ou pelo conjunto de árbitros, se houver. Para que seja validada é necessária apresentação do relatório com nomes de todas as partes e um breve resumo da causa geradora do conflito. A sentença será proferida no prazo de até́ seis meses ou no prazo definido pelas partes. Assim, o tempo médio de um processo tramitando no regime de arbitragem é de alguns poucos meses, já um processo de mesma importância, se ajuizado na Justiça comum demora anos para ser considerado transitado em julgado. Os custos do processo transitado no regime de arbitragem também são menores do que se ajuizado na Justiça comum. Na Justiça comum há as custas processuais ordinárias, além dos honorários advocatícios, ônus de sucumbência e demais gastos com protocolos e pagamentos necessários para recorrer a instâncias superiores, se necessário. Na lei arbitragem não há recurso, a decisão do árbitro é final. Caso a parte vencida não cumpra, voluntariamente, o dispositivo da sentença, a parte vencedora pode executá- la no Poder Judiciário, o qual irá impor o cumprimento forçado. A arbitragem não admite que se possa entrar com recurso, como no caso da justiça comum. 83 Na arbitragem a decisão não pode ser revista, e isso é um ponto de grande dúvida em nossa sociedade. É como no esporte. O princípio da arbitragem é igual ao aplicado no esporte. Dois times estão competindo. A partir do momento da “nomeação” do árbitro, a toda decisão que ele tomar não cabem recursos. Imagine uma partida em que se pudesse entrar com um recurso e suspender um campeona- to inteiro. O resultado seria o que ocorre no processo judicial tradicional, recursos e mais recur- sos, quase infinitos, que permitem uma procrastinação processual quase sem fim. O árbitro pode até errar, porque é humano, mas devemos respeitá-lo. Pode-se crescer a partir de um conflito, ou seja, o conflito pode permitir melhora.Em vez de as pessoas ficarem “bri- gando”, eternamente, para ver quem tem razão, e às vezes destruindo uma empresa, sem benefício para nenhuma das partes, que tal aproveitar da situação e aquele time aprender com seus erros? Essa é a filosofia da arbitragem. VAMOS PENSAR? 6.3 MEDIAÇÃO O trabalho de mediação é regido pelas Leis nº 13.105 e nº 13.140, ambas de 2015. Na mediação, assim como na arbitragem, as partes ou o juiz designam um terceiro imparcial e independente, que irá auxiliá-las na solução do conflito. Mas diferente da arbitragem, o mediador não possui jurisdição. Seu papel não é fornecer uma decisão no final, mas, sim facilitar a busca de um acordo entre as partes. O mediador aproxima as partes, identifica os pontos controvertidos e as ajuda a encontrar uma solução para o problema. Esse terceiro, o mediador, pode ser substituído por um painel de pessoas também sem interesses diretos na causa da lide. A pessoa ou o painel de pessoas, também denominado como mediador, não sugere nem impõe uma solução. Também não interfere nos termos de um eventual acordo entre as partes. O processo de mediação é composto de seis etapas distintas. São elas: Etapa Descrição 1 Início e ambientação. 2 Reunião de informações. 3 Identificação de questões, interesses e sentimentos. 4 Esclarecimento das controvérsias e dos interesses 5 Resolução das questões do conflito. 6 Encerramento, que é o registro das resoluções encontradas. Quadro 16: Etapas do processo de mediação Fonte: O Autor. Mas o mediador pode pular ou abreviar as etapas da maneira que julgar mais conveniente, sempre de forma que beneficie ambas as partes. Além disso, deve manter a total transparência do processo. A mediação é regida por alguns princípios básicos: a independência, a imparcialidade, a autonomia da vontade, a oralidade, a informalidade, isonomia entre as partes e a decisão 84 confirmada. Todo o processo de mediação pode ser levado sob sigilo, pelo princípio da confidencialidade, se for interesse de ambas as partes. Caso seja acertado um acordo, o consenso pode ser homologado em juízo, constituindo título executivo judicial, ou seja, que o acordo poderá ser executado no Poder Judiciário. Assim, pode-se exigir o cumprimento forçado pela parte inadimplente, igual à sentença arbitral. A mediação pode ser de duas maneiras distintas: na esfera judicial e na esfera extrajudicial. A diferença entre as duas é que a primeira está ligada aos tramites legais formais e a segunda não. A mediação pode ser aceita antes, durante ou depois de um processo arbitral ou judicial. 6.3.1 Mediação judicial Cabe ao autor da ação indicar de maneira explícita na petição inicial se deseja ou não a audiência de mediação. E os juízes, defensores públicos, advogados, e membros do Ministério Público devem estimular essas formas de resolução de problemas, pois são consensuais e mais ágeis. Na mediação judicial não cabe às partes a aceitação ou não dos mediadores. A única situação em que isso pode ocorrer é nos casos comprovados de impedimento ou suspeição por parte dos mediadores, assim como ocorre para os peritos judiciais visto na unidade 3. Em 2016 foi aprovada a Resolução 174 do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, regulamentando a mediação também no âmbito da Justiça do Trabalho. O objetivo é deixar esse ramo mais ágil, garantindo não somente os interesses dos funcionários, mas também os direitos dos empregadores. Os procedimentos de mediação judicial precisam ser finalizados no prazo de até́ 60 dias, contados a partir da primeira reunião. 6.3.2 Mediação extrajudicial Já na esfera extrajudicial, a mediação trata de conflitos em que as partes procuram um profissional ou uma entidade especializada neste tipo de serviço. O convite para que a mediação extrajudicial ocorra deve ser feito com o uso de qualquer meio de comunicação. É possível, inclusive, realizar uma audiência de mediação por meio eletrônico, não havendo necessidade de que tal meio seja homologado pela Justiça. O uso da internet está completa- mente liberado para a difusão de informação de áudio e vídeo das partes. FIQUE ATENTO O convite deve deixar claro tanto a matéria que será objeto da negociação, como a data e o local em que se pretende que ocorra a mediação. Caso esse pedido não seja respondido no prazo de 30 dias contados do seu recebimento, o mesmo será considerado rejeitado. Existem duas maneiras distintas pelas quais as pessoas podem escolher a mediação. Elas são a cláusula compromissória ou compromisso de mediação. A primeira delas, já vem explícita nos contratos, assim como a arbitragem. O compromisso de mediação se refere ao compromisso dos envolvidos de utilizar do processo de mediação. Em nenhum momento qualquer das partes está impedida de ingressar na Justiça Comum com processo judicial. Se houver qualquer suspeita de que os procedimentos 85 podem prejudicar uma parte, esta tem completa liberdade para exercer esses direitos. 6.4 PERITO NA MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM Na mediação ou na arbitragem, o perito contábil tem papel decisivo. Cabe a ele calcular os valores envolvidos nos processos, as despesas relativas a eles, quanto cada parte será responsável por cobrir e os valores julgados como pagáveis ao final de todas as análises. Um perito contábil é o melhor profissional para definir se um acordo está, de fato, trazendo justiça a um processo Para que a mediação seja justa com ambas as partes, é necessária uma análise mais minuciosa. Normalmente, um perito contábil realiza essa análise. Esse trabalho de perícia é muito mais ágil que uma perícia judicial, pois ele possui um aval prévio das partes, deixando o processo todo mais rápido. A mediação pode ser solucionada em poucas semanas ou mesmo em dias. Porém, na arbitragem pode ser usado um período maior de tempo. Isso ocorre devido à necessidade de produzir provas para o árbitro. A perícia tem sua aplicação na arbitragem, no momento da produção dessas provas. As partes envolvidas definem o perito analisando propostas de honorários de três peritos. O perito irá elaborar o laudo pericial. As partes podem ainda nomear assistentes técnicos, que irão acompanhar a perícia. A perícia na arbitragem é igual da perícia na esfera judicial, porém, na arbitragem, o perito deve manter sigilo absoluto quanto às informações do processo. Na arbitragem, o perito tem como função esclarecer o árbitro sobre assunto técnico que este não domina, exatamente o mesmo papel do perito do juízo. A perícia segue as mesmas práticas do âmbito judicial, o que muda é a forma de atingir a finalidade. O objetivo da arbitragem é a solução de um conflito sem uma ação no Judiciário, a perícia é um meio de prova para auxiliar a solução desse conflito, é utilizada tanto pelo juiz togado como pelo juiz arbitral para convencimento. Um exemplo de perícia no processo arbitral ocorre quando o árbitro profere o resultado final e solicita ao perito contábil a realização dos trabalhos de coleta de informações e de cálculos periciais para auxiliá-ló nos trabalhos finais. O campo de trabalho do contador perito se amplia com o tribunal arbitral, pois ele pode atuar nesse tipo de solução de conflitos como perito nomeado ou perito assistente. Também pode atuar como árbitro, pois a arbitragem tem por finalidade resolver situações de conflitos patrimoniais, que são vinculados à área de atuação do profissional de contabilidade. Ficou interessado em atuar como árbitro? Que tal aprender mais sobre o árbitro, entender como ocorre o processo de indicação e quais as principais características do árbitro? A autora Aline Alves no livro Perícia Contábil na Unidade 4 fala tudo sobre o a fun- ção de árbitro a partir da página 287. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595021518/. BUSQUE POR MAIS https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595021518/. 86 ISONOMIA: deriva do grego, os radicais iso, que significa o mesmo, enomos, que significa lei, assim a palavra isonomia significa “de mesma lei”. É o princípio de que todas as pessoas são regidas pelas mesmas regras, é a igualdade entre todos os cidadãos, independente de classe ou gênero. GLOSSÁRIO 87 1. A mediação é um processo formal em que as partes conflitantes recebem o auxílio de um terceiro. Existe a possibilidade de substituir este terceiro por uma outra figura legal. Qual seria essa figura? a) Um comitê de pessoas. b) Um painel de pessoas. c) Uma junta de pessoas. d) Um conselho. e) Um parente de um dos envolvidos. 2. A mediação é regida por alguns princípios básicos, estabelecidos pela Lei no 13.140/2015 (BRASIL, 2015b). Assinale a alternativa que apresenta tais princípios: a) Imparcialidade do mediador, isonomia entre as partes, oralidade, informalidade, independência, busca do consenso e confidencialidade. b) Imparcialidade do mediador, isonomia entre as partes, ineficiência, informalidade, autonomia da vontade das partes, busca do consenso, confidencialidade e boa-fé. c) Imparcialidade do mediador, isonomia entre as partes, oralidade, formalidade, autonomia da vontade das partes, busca do consenso, confidencialidade e boa-fé. d) Parcialidade do mediador, isonomia entre as partes, oralidade, informalidade, autonomia da vontade das partes, busca do consenso, confidencialidade e boa-fé. e) Parcialidade do mediador, desigualdade entre as partes, oralidade, informalidade, autonomia da vontade das partes, busca do consenso, confidencialidade e boa-fé. 3. Em alguns casos, a arbitragem pode ter como parte a administração pública, seja ela direta ou ainda indireta. Nesses casos, de forma adicional, qual outro princípio deverá ser respeitado? a) Princípio da competência. b) Princípio da publicidade. c) Princípio da eficiência. d) Princípio da eficácia. e) Princípio da entidade. 4. O processo arbitral, quando instaurado é composto de diferentes etapas. Para que ele seja finalizado é preciso que o relatório contenha o nome de todas as partes, o resumo da lide e os fundamentos para a decisão tomada. Além disso, como pode ser caracterizada a finalização do processo arbitral? a) Como a emissão da sentença. b) Como a emissão do laudo. c) Como a emissão do relatório. d) Como a emissão da nota técnica. FIXANDO O CONTEÚDO 88 e) Como a emissão do recurso. 5. Referente à aplicação da perícia arbitral, analise as afirmativas e indique a única opção correta: a) A arbitragem somente poderá ser usada pela administração pública indireta. b) A prática da arbitragem objetiva substituir juízes por administradores de empresas que deverão decidir sobre a situação em questão. c) A arbitragem corresponde a um processo que possui todas as garantias do procedimento judicial. d) A legislação define que qualquer pessoa poderá ser árbitro e atuar como um, desde que seja capaz e que possua a confiança das partes envolvidas. Isso pode ser analisado mediante a Lei no 9.307/96, artigo 13 que, posteriormente, foi alterada pela Lei no 9.190/15. e) A arbitragem tem o objetivo de fazer com que as partes envolvidas sejam capazes de encontrar a solução do conflito existente entre elas sem interferência de terceiros, nesse caso do árbitro. 6. Analise as alternativas apresentadas e escolha entre elas a correta: a) A Lei no 13.129/15, artigo 22-C, define que o árbitro ou o tribunal arbitral jamais poderá expedir a carta arbitral. b) A prática de arbitragem ocorrerá somente em uma área especifica, por exemplo, nas organizações. c) No atendimento da carta arbitral, será analisado o segredo de justiça, desde que confirmada a confidencialidade prevista na arbitragem. d) Formada a arbitragem, não existe a necessidade de esclarecer a questão por meio de prova pericial. e) Somente os conflitos que se relacionam aos títulos de crédito poderão ser resolvidos mediante a arbitragem. 7. Com relação às práticas da convenção de arbitragem, analise as alternativas e indique a única correta: a) Por meio do artigo 3º da Lei no 9.307/96, os envolvidos podem se sujeitar à solução de seus conflitos ao juízo arbitral pela convenção de arbitragem, assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. b) O artigo 7º da Lei no 9.307/96 apresenta a cláusula compromissória, que é a convenção, em que as partes possuem um contrato de comprometimento e submetem à arbitragem os conflitos que possam aparecer. c) Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória somente terá validade se o adepto não tomar a iniciativa de estabelecer a arbitragem. d) A cláusula compromissória jamais poderá ser definida por escrito. e) A cláusula compromissória nunca será inserida no próprio contrato. 8. Analise as afirmativas que se referem à diferença entre mediação e arbitragem e escolha a única opção correta: 89 a) A arbitragem se refere à sistematização da solução de conflitos sem interferência de terceiros. b) O processo de mediação ocorre sem que exista a comunicação entre as partes e o mediador. c) A mediação jamais poderá ser resolvida em poucas semanas, assim como a arbitragem. d) O processo de arbitragem tem como resultado o laudo arbitral, produzido por meio de uma decisão tomada pelo árbitro, assim como ocorre na mediação. e) Uma das diferenças entre os processos é que a mediação pode ser iniciada em qualquer momento, já a arbitragem só poderá ocorrer se tiver sido prevista em contrato inicial ou em contrato específico. 90 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO UNIDADE 1 UNIDADE 3 UNIDADE 5 UNIDADE 2 UNIDADE 4 UNIDADE 6 QUESTÃO 1 B QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 B QUESTÃO 6 D QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 A QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 C QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 D QUESTÃO 1 E QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 C QUESTÃO 6 C QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 B QUESTÃO 1 B QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 D QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 E QUESTÃO 8 E QUESTÃO 1 B QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 D QUESTÃO 5 D QUESTÃO 6 B QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 D QUESTÃO 1 B QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 C QUESTÃO 6 C QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 E 91 ALVES, Aline. Perícia Contábil I. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com. br/#/books/9788595021518/. Acesso em: 30 Mar 2020 BRASIL, Lei nº 13.140, de 26 de junho de 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2015-2018/2015/Lei/L13140.htm. Acesso em: 15 de abril de 2020. BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 15 de abril de 2020. COSTA, da, J.C. D. Perícia Contábil - Aplicação Prática. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597009460/. Acesso em: 30 Mar 2020 CREPALDI, Aparecido, S. Manual de perícia contábil. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788571440227/. Acesso em: 30 Mar 2020 HENRIQUE, Marcelo Rabelo. Perícia, avaliação e arbitragem [livro eletrônico]/ Marcelo Rabelo Henrique, Wendell Alves Soares – Curitiba: InterSaberes, 2015. 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